Cli ada de SER e Es u u a En á ica com Mas SER:
Uma mesma es u u a ou es u u as di e en es?
Má cia So ia Coelho Bol inha
Disse ação de Mes ado
em Ciências da Linguagem
Junho de 2017
Má cia Bol inha
–
Cli ada de SER e Es u u a En á ica com
Mas
SER: Uma mesma es u u a ou es u u as di e en es?
-
2017
ii
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção
do g au de Mes e em Ciências da Linguagem, ealizada sob a o ien ação cien í ica
de Ma ia Fe nandes Homem de Sousa Lobo Gonçal es.
iii
Aos meus pais,
Po ac edi a em que udo é possí el
i
AGRADECIMENTOS
A esc i a de uma disse ação não é uma a e a nada ácil. A ealização de um
abalho como es e eque mui a paciência, mui o es o ço pessoal e mui a dedicação.
Apesa disso, de o con essa que é bas an e ecompensado . Es e abalho o nou-me
uma pessoa mais o ganizada e empenhada a ní el pessoal.
Que ia ag adece a odas as pessoas que me são especiais e que me pe mi i am
chega a é aqui, pa icula men e:
A odos os p o esso es de Linguís ica que me inspi a am a que e conhece e
explo a es e mundo, em especial à p o esso a Ma ia Lobo. Ag adeço-lhe po e
acei ado se minha o ien ado a, pela disponibilidade e paciência, e, mais impo an e
que udo, pelos conhecimen os que me ansmi iu.
A odos os meus amigos, que me incen i a am a nunca desis i e semp e
ac edi a am que eu e a capaz dis o e mui o mais, e, po úl imo, à minha amília, cujo
ag adecimen o é o mais especial.
Aos meus pais, que semp e ac edi a am em mim e nas minhas capacidades. Sei
que eles êm mui o o gulho em mim. Ob igada po udo.
Aos meus a ós, que êm um luga ão especial no meu co ação. Ag adeço-lhes
pelo ca inho. Pa a mim, se ão e e nos.
A odos aqueles que me ajuda am, de alguma manei a, a ealiza es e abalho.
CLIVADA DE SER E ESTRUTURA ENFÁTICA COM ‘MAS SER’: UMA MESMA ESTRUTURA
OU ESTRUTURAS DIFERENTES?
MÁRCIA SOFIA COELHO BOLRINHA
RESUMO
PALAVRAS-CHAVE: cli adas, cli ada de SER, semipseudocli ada, es u u a en á ica com
mas SER.
O po uguês dispõe de á ios ipos de cons uções cli adas, en e as quais se
incluem as cli adas de SER (ou semipseudocli adas ou es u u as de ocalização com
SER). Exis e ainda um ipo de es u u a que usa a conjunção ad e sa i a mas com o
e bo SER – é, e a e oi – como um odo com alo en á ico, que alguns au o es êm
analisado como uma a ian e da cli ada de SER.
Nes a disse ação, p e endeu-se desc e e e analisa as es u u as en á icas
com mas SER, compa ando-as com as cli adas de SER. Te e-se em con a a in uição de
alan es, a a és de juízos de g ama icalidade, e ambém oco ências de mas seguidas
do e bo SER (nas o mas é, e a e oi) com alo en á ico, e i adas dos co po a
CETEMPúblico e CORDIAL-SIN. P ocu ou-se de e mina : i) quais os con ex os
discu si os em que es a es u u a oco e; ii) quais as suas p op iedades sin á icas; iii)
em que se dis inguem das cli adas de SER.
Ve i icou-se se as cli adas de SER e as es u u as com mas SER êm
p op iedades que jus i iquem uma análise di e enciada e p opôs-se uma análise
sin á ica que desse con a do seu uncionamen o, conside ando-se p op iedades
sin á icas e semân icas de ambas as es u u as.
Conclui-se nes a disse ação que: i) a es u u a en á ica com mas SER em
p op iedades di e en es da cli ada de SER; ii) mas SER es á a passa po um p ocesso
de g ama icalização; iii) mas SER p é- oco pode lexiona ou não de aco do com um
e bo em T, enquan o mas é pós- ase nunca lexiona; i ) es amos pe an e duas
es u u as di e en es pa a mas SER: uma es u u a pa a mas SER p é- oco e ou a pa a
mas é pós- ase; ) a es u u a com mas SER só in oduz oco con as i o.
i
SER-CLEFT AND EMPHATIC STRUCTURE USING ‘MAS SER’: THE SAME STRUCTURE OR
DIFFERENT STRUCTURES?
MÁRCIA SOFIA COELHO BOLRINHA
ABSTRACT
KEYWORDS: cle s, SER-cle s, empha ic s uc u e using mas SER (‘bu BE’).
The Po uguese language has se e al ypes o cle s cons uc ions, including
SER-cle s. The e a e also empha ic s uc u es using he ad e sa i e conjunc ion ‘bu ’
(‘mas’) combined wi h he e b ‘ o be’ (‘SER’) – mas é, mas e a o mas oi – ha some
au ho s ha e desc ibed as being a a ian o he SER-cle .
The pu pose o his disse a ion is o desc ibe and analyze hese empha ic
s uc u es and o compa e hem wi h he SER-cle s. This wo k conside s he in ui ion
o speake s, h ough g amma icali y judgmen s, and occu ences o mas é, mas e a
and mas oi wi h empha ic alue, om he co po a CETEMPúblico and CORDIAL-SIN.
The aim is o de e mine: i) which a e he discu si e con ex s in which his
s uc u e occu s; ii) which a e i s syn ac ic p ope ies; iii) how i di e en ia es om he
SER-cle .
In his wo k, we conside i he SER-cle s and he s uc u es wi h mas SER ha e
p ope ies ha jus i y a di e en ia ed analysis and we p opose a syn ac ic analysis ha
accoun s o i s p ope ies, conside ing syn ac ic and seman ic p ope ies o bo h
s uc u es.
We conclude ha : i) he empha ic s uc u e using mas SER has di e en
p ope ies om he SER-cle ; ii) mas SER is a ocus pa icle ha is passing h ough a
p ocess o g amma icaliza ion; iii) mas SER p e- ocus may in lec acco ding wi h a e b
in T, bu i is no obliga o y, while mas é pos -sen ence ne e in lec s; i ) we a e
dealing wi h wo s uc u es o mas SER: one o mas SER p e- ocus and one ano he
o mas é pos -sen ence; ) he empha ic s uc u e using mas SER only in oduces
con as i e ocus.
ii
ÍNDICE
Lis a de ab e ia u as ............................................................................................ix
Capí ulo I: In odução .......................................................................................... 1
I. 1. Ap esen ação do es udo e o mulação do p oblema ........................ 1
I. 2. Obje i o do es udo .............................................................................. 2
I. 3. Es u u a da disse ação ...................................................................... 2
Capí ulo II: Cli ada de SER ................................................................................... 4
II. 1. In odução às cli adas de SER ............................................................ 4
II. 1.1. Cli adas de SER di e en es das pseudocli adas .............................. 5
II. 2. P op iedades da es u u a................................................................ 19
Capí ulo III: Es u u a en á ica com mas SER.................................................... 23
III. 1. In odução às es u u as en á icas com mas SER........................... 23
III. 2. P op iedades da es u u a............................................................... 27
III. 2. 1. Me odologia ............................................................................. 27
III. 2. 2. Posição sin á ica de mas SER ................................................... 28
III. 2. 3. Con ex os ilocu ó ios ............................................................... 31
III. 2. 4. Tipo de cons i uin e cli ado ..................................................... 33
III. 2. 5. Dis ibuição sin á ica do cons i uin e cli ado ......................... 34
III. 2. 6. P op iedade de mas SER lexiona ........................................... 35
III. 2. 7. Conclusões inais ...................................................................... 38
Capí ulo IV: SER e oco - P op iedades in e p e a i as .................................... 40
IV. 1. Tipos de oco e pe spe i as sob e a codi icação de oco na sin axe
...................................................................................................................... 40
IV. 2. Foco na Cli ada de SER e na Es u u a En á ica com Mas SER ...... 44
IV. 2. 1. Cli ada de SER e oco ............................................................... 44
iii
IV. 2. 2. Es u u a En á ica com Mas SER e oco .................................. 47
IV. 3. Conclusões ....................................................................................... 50
Capí ulo V: Cli ada de SER e es u u a en á ica com mas SER ........................ 51
V. 1. Compa ação das p op iedades das es u u as ............................... 51
V. 2. Resul ados e p opos a ...................................................................... 52
V. 3. As duas es u u as ............................................................................ 53
Conclusão ........................................................................................................... 61
Re e ências bibliog á icas ................................................................................. 63
Anexos ................................................................................................................ 68
A. Oco ências de mas SER em co po a ................................................. 68
A1. Oco ências no CETEMPúblico ........................................................... 68
A2. Oco ências no CORDIAL-SIN ............................................................. 70
ix
LISTA DE ABREVIATURAS
AAL – Al o Alen ejo (Cas elo de Vide, Po o de Espada, São Sal ado de Ama enha,
Sapei a, Alpalhão, Nisa – Po aleg e)
Ag ee – Ag eemen (Conco dância)
AJT – Aljus el - Beja
ALC – Alcoche e - Se úbal
Asp – Aspec (Aspe o)
CBV – Cabeço de Vide – Po aleg e
Conj – Conjunção
CP – Complemen ize Ph ase (Sin agma complemen ado )
EXB – Enxa a do Bispo - Lisboa
FIG – Figuei ó da Se a – Gua da
FocP – Focus Ph ase (Sin agma ocalizado )
GRC – G aciosa - Ang a do He oísmo
IP
cop
– Copula clause (O ação copula i a)
LAR – La inho - B agança
MTV – Mon al o - San a ém
PAL – Po ches, Al e – Fa o
PFT – Pe a i a - Vila Real
PIC – Bandei as, Cais do Pico – Ho a
STA – San o And é - Vila Real
STJ – San a Jus a - San a ém
UNS – Unhais da Se a – Cas elo B anco
7
‘Mais gos a é dança salsa.’
(16) a. ¿Qué e a lo que Juan leía?
‘O que e a que o Juan lia?’
b. *¿Qué Juan leía e a?
‘*O que o Juan lia e a?’
O au o admi e que o ocalizado SER es á in si u, que ocupa a posição de
núcleo de FocusP, ge ado den o de um VP, e que a ase ocalizada é seu
complemen o, al como mos a o exemplo (17). Bosque (1999) p opõe que as cli adas
de SER não con êm uma o ação pequena e que o e bo SER não é um e bo copula i o
mas sim um ope ado de oco que em como unção con as a cons i uin es.
(17) [IP Juan
i
[VP
i
[V comía [FP [[F
o
e a ] papas.]]]]] (Bosque 1999: 4)
Es e au o a i ma ambém que a cli ada de SER é uma es u u a mono-
o acional, enquan o a es u u a da pseudocli ada é o mada po duas o ações
di e en es, ou seja, é bio acional.
Mio o (2012) a gumen a con a es a úl ima hipó ese, uma ez que SER sendo
núcleo de FocusP de e ia bloquea a subida do e bo p incipal da ase pa a I.
Cu now & T a is (2003), pa a o espanhol colombiano, assumem que nem odas
as pseudocli adas podem o na -se cli adas de SER e nem odas as cli adas de SER
podem o na -se pseudocli adas, pela inse ção ou eliminação de um cons i uin e Wh-.
Es es au o es aplicam alguns es es empí icos pa a a con i mação da hipó ese de que
as pseudocli adas e as cli adas de SER são di e en es. Um desses es es é a ocalização
de pola idade nega i a (o que ambém oi obse ado po Bosque (1999)). As
pseudocli adas não pe mi em a ocalização desse ipo de cons ução, enquan o que
isso já é possí el com a u ilização de uma cli ada de SER:
(18) a. *Lo que no puedo e es nada. (Cu now & T a is 2003: 2)
‘*O que não posso e é nada.’
b. No puedo e es nada.
8
‘Não posso e é nada.’
Ou o es e indicado pelos au o es é a sensibilidade à subida de clí ico. Nas
cli adas de SER, o clí ico “igno a” a p esença de SER, ao con á io do que acon ece nas
pseudocli adas, al como ambém mos a Méndez Vallejo (2012: 3):
(19) a. Lo que quie o es i me.
‘O que que o é i -me.’
b. *Lo que me quie o es i .
‘*O que me que o é i .’
c. Quie o es i me.
‘Que o é i -me.’
d. Me
i
quie o es i
i
.
Me que o é i .
‘Que o é i -me.’
Es es au o es admi em, com es es es es, que a cli ada de SER é uma es u u a
mono-o acional, is o que a p esença do e bo SER ocalizado não impede a
ocalização de i ens de pola idade nega i a nem a subida de clí icos, enquan o a
es u u a pseudocli ada con ém uma o ação subo dinada.
Cu now & T a is (2003) a i mam ambém que an o a cli ada de SER como a
pseudocli ada se em pa a ocaliza complemen os indi e os, mas as es u u as
pa ecem oco e em di e en es con ex os, embo a os au o es não desen ol am es e
ópico. Os au o es ambém mos am que a cli ada de SER an o ma ca oco
con as i o como oco iden i icacional (não con as i o)
3
.
Camacho (2006), pa a o espanhol ca ibenho, al como Bosque (1999), a a a
cli ada de SER como uma cli ada especí ica, mas assume que o ocalizado SER é
núcleo de IP
COP
e que em a mesma es u u a e p op iedades a gumen ais que os
3
Cu now & T a is (2003: 7) mos am que, de 34 okens in e p e á eis, 25 co espondiam a usos
con as i os e 9 a usos iden i icacionais (não con as i os). Os au o es admi em que, pa a alguns desses,
a lei u a de con as e e a cla amen e excluída.
9
ou os e bos copula i os. IP
COP
em como especi icado um sujei o nulo e como
complemen o um DP ocalizado, al como mos a o exemplo ep esen ado abaixo:
(20) (Camacho 2006: 19)
IP
3
Los pája os I’
3
se comie on VP
3
VP IP
COP
3 3
V e
i
x I’
COP
3
ue las migas
iFOC
Camacho (2006: 18), ao es abelece uma elação en e a ca ego ia azia
complemen o e o cons i uin e ocalizado, admi e que o cons i uin e ocalizado não
es á numa posição a gumen al, is o que o complemen o las migas pode á apa ece
numa ilha, como é demons ado no exemplo (21).
(21) El pája o se comió me so p ende el hecho de que ue a/ ue an las migas.
O pássa o comeu me su p eende o ac o de que oi/ o am as migalhas.
‘O pássa o comeu su p eende-me o ac o de que oi/ o am migalhas.’
Assumindo ainda que de e ão se a ibuídos papéis emá icos a a gumen os
que es ão em posição de complemen o, es e au o suge e que las migas não pode se
a gumen o de comió, is o que não é seu complemen o. O au o p opõe, em
al e na i a, uma ca ego ia nula em posição de a gumen o co-indexado com o
p edicado do e bo copula i o. Apesa disso, Camacho a i ma que não exis e elação
de mo imen o en e las migas e a ca ego ia nula.
O au o suge e que a es u u a copula i a (IP
COP
) es á numa posição de
adjunção a VP, is o que admi e que o e bo SER em as mesmas p op iedades
es u u ais e a gumen ais que ou os e bos copula i os.
10
Méndez Vallejo (2009b: 226) a gumen a con a es a hipó ese, is o que SER, de
aco do com a au o a, não se compo a como um e bo copula i o, mas como um
in ensi icado de oco e, po isso, não pa ilha as mesmas p op iedades que ou os
e bos copula i os. Tendo em con a a análise de Camacho (2006), a au o a não
conco da com a p opos a de SER só ocaliza cons i uin es acima de P, is o que pode
ocaliza o pe e i o (22) e o p og essi o (23).
(22) A: ¿Rubén no había salido cojeando? (Méndez Vallejo 2009b: 103-104)
Rubén não ha ia saído coxeando.
‘O Rubén não inha saído a coxea ?’
B: No, él había e a llegado cojeando.
Não, ele ha ia e a chegado coxeando.
‘Não, ele inha e a chegado a coxea .’
(23) A: ¿Rubén no había salido cojeando? (Méndez Vallejo 2009b: 104)
Rubén não ha ia saído coxeando.
‘O Rubén não inha saído a coxea ?’
B: No, él había salido e a sal ando.
Não, ele ha ia saído e a sal ando.
‘Não, ele inha saído e a a sal a .’
Méndez Vallejo (2009b: 80) a i ma que o e bo SER da pseudocli ada não es á
na mesma posição que o e bo SER da cli ada de SER, is o po que nas pseudocli adas
SER não conco da em empo e aspe o com o e bo p incipal da o ação subo dinada
(24a e 24b), enquan o na cli ada de SER o ocalizado SER conco da semp e em empo
e aspe o com o e bo p incipal (24c e 24d):
11
(24) a. Quien/La que me obó ue ella.
“Quem me oubou oi ela.”
b. Quien/La que me obó es ella.
Quem me oubou é ela.
“Quem me oubou oi ela.”
c. Me obó ue ella.
Me oubou oi ela.
“Roubou-me oi ela.”
d. *Me obó es ella.
Me oubou é ela.
“Roubou-me oi ela.”
Ou o aspe o apon ado pela au o a é que o p og essi o não pode se ocalizado
pela pseudocli ada, mas pode se pela cli ada de SER:
(25) a. *Lo que ha es ado es es udiando lingüís ica. (Méndez Vallejo 2012: 3)
O que em es ado é es udando linguís ica.
‘*O que em es ado é a es uda linguís ica.’
b. Ha es ado es es udiando lingüís ica.
Tem es ado é es udando linguís ica.
‘Tem es ado é a es uda linguís ica.’
12
A au o a admi e que SER es á numa posição in e na a TP e não a CP, como é o
caso das pseudocli adas. Méndez Vallejo (2009b) conclui que a cli ada de SER pode
ocaliza qualque ipo de cons i uin e desde que seja pós- e bal, o que suge e que
SER es eja numa posição abaixo de T mas acima de P, e não den o de P como a i ma
Bosque (1999) e Camacho (2006), is o que SER pode ocaliza cons i uin es ge ados
acima de P. Méndez Vallejo admi e en ão que SER, nas cli adas de SER, é o iginado
em FocP localizado abaixo de T e acima de P.
Em elação ao ocalizado SER, Méndez Vallejo (2009b) a i ma que SER de e se
is o como pa ícula de oco ( ocus link) e não como um e bo copula i o ou um e bo
auxilia , is o que só apa en a unciona como um in ensi icado de elemen os
ocalizados. Es a au o a concluiu ambém que SER só ocaliza cons i uin es pós- e bais
e que es abelece conco dância em empo e aspe o com um e bo em T.
Baseada nes as obse ações, a es u u a que a au o a suge e é que SER é
ge ado den o de um FocP, no qual o núcleo (Foc) é nulo e o especi icado é ocupado
po SER. A jus i icação da au o a pa a coloca SER na posição de especi icado e não
em núcleo é SER se i como um elo de ligação en e in o mação no a e elha e
in oduzi in o mação no a. Is o suge e que, ao en a iza o elemen o ocalizado,
de e á se examinado como um especi icado e não como um núcleo. Apesa de SER
conco da em empo e aspe o com o e bo em T e em pessoa e núme o com o
elemen o ocalizado, a au o a a i ma que SER pe deu as suas p op iedades semân icas
como e bo. Es a au o a e e e ainda que SER não concede a in e p e ação de oco ao
cons i uin e ocalizado, mas que en a iza ou in ensi ica a a ibuição de oco. Po an o,
Méndez Vallejo (2009b: 257) a i ma que an o o ocalizado SER como o núcleo de
FocP cons i uem a es u u a de oco.
Em e mos de posição sin á ica, Méndez Vallejo a i ma que FocP oco e na
pe i e ia in e na de TP, abaixo de T.
Méndez Vallejo (2012) obse ou ambém que as cli adas de SER an o se em
pa a ma ca oco iden i icacional (não con as i o) (26) como oco con as i o (27) em
espanhol colombiano:
13
(26) A: ¿Qué comp as e?
Que comp as e?
‘O que é que comp as e?’
B: Comp é ue ino.
‘Comp ei oi inho.’
(27) A: ¿Comp as e ino o ce eza?
‘Comp as e inho ou ce eja?’
B: Comp é ue ino.
‘Comp ei oi inho.’
Mio o (2012: 300) conside a a cli ada de SER uma es u u a mono-o acional em
que o ocalizado SER é uma pa ícula de oco que eme ge como adjun o do
cons i uin e ocalizado, como no exemplo po ele ep esen ado:
(28) [TP O Lula
i
em [ P é [ P
i
alado pouco e com poucos.]]]
O Lula, ao ica em SpecTP, c-comanda o seu es ígio em VP. Po se um
adjun o, o ocalizado SER não bloqueia a subida do e bo e o que emos no im é uma
o ação mono-o acional.
O au o admi e que is o explica as á ias posições do ocalizado , dando os
exemplos ep esen ados abaixo:
(29) a. A Ma ia que é chega a Flo ianópolis no domingo, não chega a
Join ille.
b. A Ma ia que chega é a Flo ianópolis no domingo, não a Join ille.
c. A Ma ia que chega a Flo ianópolis é no domingo, não no sábado.
14
Mio o (2012: 290) admi e ambém que a cli ada de SER é uma cli ada
especí ica e que não em nenhuma “ edução” na ase, dando o exemplo (30). Se a
cli ada de SER osse uma pseudocli ada com ope ado nulo, a ase (30b) se ia
g ama ical.
(30) a. O que a Ma ia é é escandaloso.
b. *A Ma ia é é escandaloso.
Au o es como Resenes (2014) admi em ha e mais que um ipo de cli ada de
SER: uma cons ução que é independen e da pseudocli ada e ou a que de i a da
pseudocli ada, mas com apagamen o do cons i uin e Wh. Apesa disso, Ka o & Mio o
(2016) a i mam que a al a de conco dância e bal en e o e bo e o sujei o pós- e bal
mos a que só há um ipo de cli ada de SER.
Ka o & Mio o (2015) ambém de endem que as pseudocli adas e as cli adas de
SER não êm uma de i ação comum. Na p opos a dos au o es, odo o VP pode se
ocalizado (o e bo, se es e não subi pa a T, os complemen os e os adjun os). Is o
con i ma que as cli adas de SER só ocalizam cons i uin es no domínio de c-comando
de T, po an o, não é possí el ocaliza sujei os p é- e bais. Es es au o es conside am
que as cli adas de SER só se em pa a ma ca oco con as i o.
Ve cau e en (2016: 85-87), que ambém em em con a as di e enças sin á icas
en e as pseudocli adas e as cli adas de SER, a gumen a que a cli ada de SER é uma
es u u a mono-o acional, uma ez que pe mi e subida de e bos acima de SER (31),
bem como a subida de clí icos (32), al como já oi obse ado po Cu now & T a is
(2003) e Méndez Vallejo (2012):
(31) O João pa ece é es a doen e.
(32) Vão pa a a opa, êm pa a ás, que em-se é casa . (GRC) (CORDIAL-
SIN apud Ve cau e en 2016: 87)
Ve cau e en (2016: 87) admi e ainda que o e bo copula i o lexicaliza uma
posição ela i amen e baixa, is o que não pode p ecede um e bo em T:
(33) *O João oi comeu o bolo.
15
A au o a a i ma que as p opos as de au o es como Wheele (1982), To ibio
(1992) e Cos a & Dua e (2001) de em-se ao ac o de es es au o es analisa em a
cli ada de SER como se osse uma es u u a bio acional.
No abalho de Cos a & Dua e (2001), po exemplo, que az uma p opos a de
análise uni icada pa a odos os ipos de cli ada, os au o es admi em que nas cli adas
de SER o p onome Wh- das pseudocli adas é subs i uído po um ope ado nulo. Es es
au o es de endem que o e bo copula i o nas cli adas de SER é o núcleo lexical de VP
e que seleciona, po an o, uma o ação pequena, is o é, a cli ada de SER pa a es es
au o es ambém é bio acional. Es es suge em que só VPs não máximos podem se
cli ados nes e ipo de es u u a e elacionam es e ac o com a p op iedade de o
po uguês se uma língua de obje o nulo, e admi em que, po essa azão, o
cons i uin e cli ado não pode se um sujei o. Con udo, no abalho de Lobo, San os &
Soa es-Jesel (2015: 6), as au o as admi em que pode ha e cli agem de sujei o (34):
(34) Não ele onou o ei o . Tele onou oi o di e o .
Lobo, San os & Soa es-Jesel (2015), seguindo a p opos a de Mio o (2012),
assumem que as cli adas de SER são es u u as mono-o acionais em que SER é uma
pa ícula de oco que ma ca a pe i e ia esque da do ma e ial ocalizado (admi e-se que
pode ha e sc ambling de ma e ial não ocalizado pa a o a do domínio P).
Vol ando no amen e ao abalho de Ve cau e en (2016), a au o a admi e que
as cli adas de SER são es u u as mono-o acionais em que a cópula não é núcleo de VP
po que não em as p op iedades de um e bo copula i o egula , azendo e e ência a
á ios au o es que de endem a mesma p opos a pa a o po uguês do B asil e pa a o
espanhol. A au o a ai e em con a o pon o de is a de á ios au o es e ai assumi
que o cons i uin e cli ado es á in si u
Ve cau e en (2016: 272) de ende que SER pode es a associado a di e en es
posições, apesa de es a semp e à di ei a de um e bo em T, como se ilus a nas
di e en es ases que a p óp ia au o a ap esen a:
(35) (a) Ele pode é e es ado doen e.
16
(b) Ele pode e é es ado doen e.
(c) Ele pode e es ado é doen e.
Ou seja, de aco do com a au o a é p e e í el assumi que o e bo copula i o
SER não ocupa uma posição ixa e que em uma dis ibuição “li e”.
Es a au o a p opõe uma no a análise baseada na análise de Cable (2010) pa a a
sin axe das pa ículas-Q, is o que jus i ica a li e dis ibuição do e bo copula i o e o
conside a uma pa ícula de oco (ou de ocalização). Na p opos a de Cable (2010) é
discu ida a posição das pa ículas-Q. O au o a gumen a que es as pa ículas podem
se an o adjun as ao cons i uin e Wh- como e o cons i uin e Wh- como
complemen o. Ve cau e en (2016) adap a es a p opos a e conside a que o e bo
copula i o oma o cons i uin e cli ado como complemen o e p oje a um P, sendo que
is o em consequências pa a a sua seleção, na medida em que núcleos uncionais que
não selecionam cons i uin es e bais não selecionam um P.
Ve cau e en (2016) assume ambém que o e bo copula i o não em alo
semân ico e que assim SER e o P i ão e as mesmas p op iedades semân icas que o
cons i uin e cli ado. A al a de con eúdo semân ico do e bo copula i o az com que o
seu complemen o possa e qualque alo semân ico, o que signi ica que SER não
impõe nenhuma es ição de seleção.
Assim, a au o a a i ma que, como não há es ição no ipo de cons i uin e
cli ado, esse pode se de qualque ipo semân ico – en idades, p op iedades,
p oposições, quan i icado es, en e ou os – dando os seguin es exemplos (CORDIAL-
SIN apud Ve cau e en 2016: 283):
(36) a. E só p ejudica é [
DP
as sea as]. (ALC)
b. Não e a e a [
NP
do es desinso idas]. (STJ)
c. Es e bo e é ipulado é [
PP
po se e homens]. (PIC)
d. E é bom é [
CP
que as duas aguen em]. (PIC)
e. Pois eu ia e a [
VP
ugi ]. (GRC)
23
CAPÍTULO III: ESTRUTURA ENFÁTICA COM MAS SER
III. 1. In odução às es u u as en á icas com mas SER
Tal como e e i na in odução do p esen e es udo, pa a além das cli adas que
se conhecem, exis e ainda uma cons ução em po uguês que u iliza a conjunção
ad e sa i a mas em conjun o com o e bo SER – é, e a e oi – pa a ma ca oco sob e
um cons i uin e. Essa cons ução, que em um alo en á ico-con as i o, pode se
obse ada no exemplo seguin e:
(57) Vão mas é pa a a p o íncia apanha ba a as. (CETEMPúblico,
pa =ex 127650-pol-94a-3)
Pa a a língua po uguesa, exis em mui o poucos abalhos sob e a es u u a
en á ica com mas SER. Um desses abalhos é o de Ab eu (2001), em que a au o a
admi e que a es u u a en á ica com mas SER é uma a ian e da cli ada de SER
4
,
especialmen e em elação a con ex os impe a i os. A au o a admi e que a “ a ian e
mas é” é u ilizada na ala o al quo idiana po odas as camadas sociais do po uguês
eu opeu.
Es a au o a a i ma que a cons ução é uma “combinação insepa á el” de mas e
a e cei a pessoa do singula do e bo SER e que os con ex os sin á icos são idên icos
aos con ex os da cli ada de SER, apesa de a es u u a com “mas é” e ca ac e ís icas
p óp ias, como é o caso da a ian e pós- ase, exempli icada de seguida.
(58) Vai calça os sapa os, mas é.
Ab eu (2001: 48) iden i ica duas a ian es da cli ada de SER: a a ian e p é-
oco, que pode a ia /conco da em empo (59a), mas em que essa conco dância nem
semp e é ob iga ó ia (59b), e a a ian e pós- ase, que não conco da em empo com o
e bo p incipal da ase (59d):
4
A au o a chama a cli ada de SER de “semi-pseudocli ada”.
24
(59) a. Ele oi mas oi pa a os lados de Galama es. (Ab eu 2001: 48)
b. Ele oi mas é pa a os lados de Galama es.
c. Ele oi pa a os lados de Galama es mas é.
d. *Ele oi pa a os lados de Galama es mas oi.
Em elação às ca ac e ís icas discu si as des a cons ução
5
, a au o a a i ma que
es a se in eg a sob e udo em es u u as impe a i as e que em um alo en á ico-
con as i o. A au o a admi e ainda que a a ian e p é- oco es á mui as ezes associada
a con ex os pe i ás icos:
(60) Vai mas é da uma ol inha! (Ab eu 2001: 52)
Ab eu (2001: 53) a i ma que a cli ada de SER e em especial “a sua a ian e” são
uma “ e dadei a possibilidade complemen a pa a se usada em con ex os
impe a i os”, sendo que o mesmo se aplica às ases exclama i as. A au o a admi e
po isso ha e uma “dupla ma cação”: o uso exclama i o ealça, enquan o “mas é”
en a iza.
Tendo em con a as ases in e oga i as, Ab eu (2001: 53) a i ma que as
in e oga i as pa ciais são incompa í eis com es a es u u a, mas ambém que as
in e oga i as o ais são p oblemá icas, sendo es a es u u a mais comum em ases
decla a i as e impe a i as, al como já e e ido.
(61) a. *Que azes mas é u? (Ab eu 2001: 53)
b. ??*Que azes u mas é?
Lopes ([1983]2005: 34), apesa de não desen ol e mui o a análise das cli adas
em po uguês, admi e que es as “ope am p edicações me alinguís icas de
5
Tem-se em con a que ao ca ac e iza a “semi-pseudocli ada”, a au o a ca ac e iza ambém a sua
“ a ian e mas é”.
25
supe la i ação, de opicalização, de ocalização, de ec i icação ou ac o polémico
dialógico, de con as e ad e sa i o ou concessi o, de assen imen o, e c. (…)”.
Es e au o az e e ência a mas SER dando os seguin es exemplos:
(62) a. Ele em mas é medo. (Lopes [1983]2005: 35)
b. O que ele em é mas é medo.
Enquan o (62a) é de inida como “ éplica polémica”, (62b) é de inida pelo au o
como “ éplica polémica com maio ca ga axiológica nega i a”.
A es u u a en á ica com mas SER, que eque semp e um con ex o, pa ece se
uma ex ensão ou e o mulação do que oi an e io men e a i mado e, al como Ba os
(1988) a i ma a p opósi o do uso “con as i o” de mas:
(…) De ac o, o con as i o con a ia um nexo causal ou
condicional de que apa ece como sendo uma ex ensão,
e o mulação ou denegação. O con as i o in oduzi ia uma
asse ção como ca ác e de ce o modo inespe ado, uma
especi icação em ce a medida con a-expec a i a.
No malmen e, não se e i ica uma in alidação da implicação,
mas um ques ionamen o ao nexo implicacional a a és de uma
ex ensão ou modalização. Tudo is o se aduz po uma junção
de elemen os an agónicos (…) que ep esen a uma queb a de
egula idade e é po esse mesmo ac o con a-expec a i a.
(Ba os 1988: 270)
Méndez Vallejo (2012) a i ma que alan es de diale os do espanhol sem
ocalizado SER
6
escolhem ce as exp essões pa a ma ca em ópico, oco, e idência e
con as e.
6
Non-FS (Focalizing Se ) dialec s.
26
Uma das exp essões usadas em alguns diale os do espanhol é a conjunção pe o
(‘mas’) que p ecede o cons i uin e em oco. O seu uncionamen o é mui o pa ecido
com o mas SER do po uguês, apesa de pe o pode oco e sem o e bo SER, como
mos a o exemplo da au o a, ep esen ado abaixo:
(63) A: Pensé que enías dos niños. (Méndez Vallejo 2012: 15)
‘Pensei que inhas dois ilhos’
B: No, engo pe o dos niñas.
Não, enho mas duas ilhas
‘Não, enho mas é duas ilhas’
A exp essão pe o, al como se ai mos a pa a a es u u a com mas SER, não
unciona em con ex os não con as i os:
(64) A: ¿Tienes masco as?
‘Tens animais de es imação?’
B: *Si, engo pe o dos pe os.
*Sim, enho mas dois cães.
‘*Sim, enho mas é dois cães.’
A au o a a i ma que pe o não subs i ui o ocalizado SER em odos os
con ex os. Em po uguês, são possí eis as duas o mas:
(65) A: ¿No ienes hamb e?
‘Tens ome?’
B: No, engo es/*pe o sed.
Não, enho é/*mas sede.
‘Não, enho é/mas é sede.
Apesa disso, em espanhol, al como acon ece em po uguês, pe o pode
cooco e com o e bo SER:
(66) A: ¿No ienes hamb e?
‘Não ens ome?’
27
B: No, engo es pe o sed.
Não, enho é mas sede.
‘Não, enho é mas é sede.’
A au o a p opõe ambém que, em espanhol, a exp essão pe o em diale os sem
ocalizado SER ocupa a mesma posição sin á ica que o e bo SER ocupa em diale os
com o ocalizado SER, sendo essa posição FocP. No exemplo (67), é possí el obse a
a es u u a p opos a po Méndez Vallejo (2012)
7
.
(67) TP (Méndez Vallejo 2012: 17)
3
T’
3
T FocP
salí
3
ui / FocP’
pe o
3
Foc VP
6
yo
De aco do com Mio o (2012), a es u u a p opos a po Méndez Vallejo em
p oblemas, po que a p esença do núcleo de Foc de e ia bloquea a subida do e bo
pa a T, o que na ealidade não acon ece.
Nes a es u u a, a au o a ambém não em em con a os con ex os em que pe o
cooco e com o e bo SER, is o é, se pe o e es cooco em numa só ase, como no
exemplo (66B), não podem es a na mesma posição sin á ica, po isso, a es u u a
p opos a pela au o a não pa ece se a mais adequada.
II. 2. P op iedades da es u u a
II. 2. 1. Me odologia
7
Méndez Vallejo (2012: 17) admi e que no espanhol de Buca amanga é possí el que SER ocupe uma
posição mais al a do que a exp essão dizque (ma cado de oco em diale os sem ocalizado SER), is o
que podem oco e na mesma ase (exemplo: Fe nanda llegó ue dizque acompanhada).
28
Pa a obse a a p odução espon ânea da es u u a en á ica com mas SER oi
ex aída uma amos a de oco ências de mas é, mas e a e mas oi do websi e da
Lingua eca CETEMPúblico
8
(Co pus de Ex a os de Tex os Ele ónicos MCT do jo nal
Público), o alizando 31 oco ências, e odas as oco ências de mas é, mas e a e mas
oi do co pus CORDIAL-SIN
9
(Co pus Diale al pa a o Es udo da Sin axe),
co espondendo a 22 oco ências
10
.
Em elação ao CETEMPúblico, da amos a de 8000 oco ências, 31 ases
ap esen a am a es u u a mas SER em con ex o en á ico, endo as es an es alo
ad e sa i o.
No co pus CORDIAL-SIN (Co pus Diale al pa a o Es udo da Sin axe), le an a am-
se odas as oco ências de mas é, mas e a e mas oi em con ex o en á ico em 42
egiões de Po ugal, endo-se iden i icado 22 oco ências de mas SER.
Todas as oco ências des a es u u a ep oduzem a ala o al quo idiana, ou
seja, es a es u u a não pa ece se u ilizada em egis o esc i o
11
.
III. 2. 2. Posição sin á ica de mas SER
A es u u a en á ica com mas SER é uma cons ução en á ico-con as i a que
dá ên ase a complemen os ou adjun os, mas, ao con á io da cli ada de SER, pode
ambém oco e em posição inal de ase. Ab eu (2001) chama a es as di e en es
posições a ian e p é- oco (68) e a ian e pós- ase (69):
(68) (a) A Ma a ai mas é às comp as.
(b) Pa a mas é com isso!
8
In h p://www.lingua eca.p /ce empublico/, 24 de ou ub o de 2016.
Só oi ex aída uma amos a is o que, nes e co pus, só se consegue p ocu a uma conco dância de cada
ez e is o que “mas” em um núme o de oco ências excessi o, po cada p ocu a, o websi e, só dá uma
amos a alea ó ia de 8000 oco ências das 392852 oco ências de “mas” encon adas. Dessas 8000
oco ências, 31 e am de mas SER em con ex o en á ico.
9
In h p://www.clul.ul.p /p / ecu sos/226-co pus-syn ax-o ien ed-co pus-o -po uguese-dialec s-
co dial-sin, 25 de ou ub o de 2016.
10
Todas as oco ências de mas é, mas e a e mas oi ex aídas dos co po a são em con ex o en á ico.
11
Pelo menos, egis o esc i o o mal.
29
(69) (a) A Ma a ai às comp as, mas é.
(b) Pa a com isso, mas é!
Tal como se pode obse a no exemplo seguin e, mas SER pode oco e em
á ias posições na ase: en e o e bo auxilia e o e bo p incipal (70a), depois do
e bo p incipal (70b) ou no im da ase (70c), ou seja, al como o e bo SER na cli ada
de SER, mas SER não em uma posição ixa:
(70) a. Vai mas é do mi , eu como polícias assim ao pequeno almoço.
(CETEMPúblico, pa =ex 15858-des-94b-2)
b. Ides joga mas é p’ a II Di isão. (CETEMPúblico, pa =ex 31196-des-
98a-3)
c. Que emos coope a , mas é. (CETEMPúblico, pa =ex 252779-soc-97b-
1)
Apesa de se possí el encon a ambas as a ian es, obse a-se que a a ian e
p é- oco é mais comum que a a ian e pós- ase. Nos co po a, em 54 oco ências só
hou e uma única oco ência de mas é pós- ase.
Fazendo e e ência a algumas p op iedades sin á icas e e idas po Bosque
(1999), Cu now & T a is (2003) e Méndez Vallejo (2012) pa a a cli ada de SER, a
es u u a en á ica com mas SER ambém pe mi e a ocalização de i ens de pola idade
nega i a (71) e a subida de clí icos pa a uma posição acima do e bo SER (72). Es as
duas p op iedades podem se a gumen os pa a uma análise mono-o acional des a
es u u a.
(71) Não posso come mas é nada.
(72) a. Podes mas é ajuda -me.
b. Podes-me mas é ajuda .
Tal como as cli adas de SER, endo em con a as p op iedades iden i icadas po
Ve cau e en (2016: 282), mas SER ambém não pode se negado, nem pode se
30
modi icado po auxilia es modais ou aspe uais nem po ad é bios, nem pode in e i
ma e ial lexical en e ‘mas’ e ‘é’.
(73) a. *O Má io esc e eu não mas é o li o.
b. *O Má io esc e eu mas não é o li o.
c. *O Má io em esc i o pode e sido mas é o li o.
d. *O Má io em esc i o mas pode e sido é o li o.
e. *O Má io esc e e mas é de ini i amen e o li o.
. * O Má io esc e e mas de ini i amen e é o li o.
Is o mos a que, al como na cli ada de SER, SER não em con eúdo semân ico,
não uncionando como uma o ma e bal plena. Ao não e con eúdo semân ico, a
es u u a não pode se negada, is o que a negação seleciona p oposições, nem pode
se modi icada po ad é bios, nem po auxilia es aspe uais/modais, is o que es es
selecionam e en os.
Em elação à posição sin á ica, mas SER não pode es a an es de um e bo em
Flex/T ( lexionado) (74) e quando cooco e com ou a exp essão ocalizado a, po
exemplo quando oco e com a cli ada de SER, é g ama ical SER mas SER (75a), mas
não *mas SER SER (75b):
(74) *Ele mas e a es a a doen e.
(75) a. Eles ie am cá oi mas é pa a aze po ca ia.
b. *Eles ie am cá mas é oi pa a aze po ca ia.
Is o mos a que mas SER p é- oco es á numa posição abaixo de Flex/T e, uma
ez que, quando SER e mas SER cooco em, SER p ecede mas SER, conclui-se que o
e bo SER, nas cli adas de SER, es á numa posição mais al a que mas SER nas
es u u as en á icas com mas SER p é- oco. Em elação à es u u a en á ica com mas
31
SER pós- ase, admi o que es á numa posição mais al a que oda a o ação, uma ez
que, não podendo lexiona , não pa ece es a sob o escopo de Flex/T, e ocaliza a
o ação na sua o alidade.
III. 2. 3. Con ex os ilocu ó ios
A es u u a en á ica com mas SER pode apa ece an o em ases decla a i as,
como em ases impe a i as, exclama i as e a é in e oga i as.
O ipo ilocu ó io mais comum pa a es a es u u a são as ases decla a i as,
impe a i as e exclama i as:
(76) Tínhamos medo mas e a dos bonés, dos gua das. (CORDIAL-SIN, FIG(6))
(77) Vol a
mas é
pa a o B asil! (CETEMPúblico, pa =ex 88855-soc-92a-3)
(78) Ele ha iam de da mas e a uma enxada pa a i em pa a a se a ca a
alque es! (CORDIAL-SIN, AAL(4))
Es a es u u a pode unciona associada a ipos ilocu ó ios in e oga i os em
ce os con ex os:
(79) A: Onde mo as?
B: Eu não e ou dize , como é ób io.
A: Onde mo as, mas é?
(80) A: Tu não alas assim pa a mim!
B: Que es um es alo, mas é?
Tal como se pode obse a nos exemplos acima, mas SER é g ama ical an o em
in e oga i as pa ciais (79) como em in e oga i as o ais (80), ao con á io do que é
a i mado po Ab eu (2001).
Tan o no co pus do CETEMPúblico como no co pus do CORDIAL-SIN, a es u u a
en á ica com mas SER oco e em ases exclama i as (81 e 82), impe a i as (83 e 84) e
decla a i as (85 e 86), não ha endo nenhuma oco ência em con ex o in e oga i o.
(81) Con ém
mas
é agi desde já! (CETEMPúblico, pa =ex 77174-cl -93a-1)
32
(82) Ele ha iam de da mas e a uma enxada pa a i em pa a a se a ca a
alque es! (CORDIAL-SIN, FIG(6)
(83) Vamos
mas é
gua da os ogue es em luga segu o e só aze a es a no
dia 14. (CETEMPúblico, pa =ex 56273-pol-96a-2)
(84) Deixa-me mas é passa já an es… (CORDIAL-SIN, EXB(9))
(85) Nós ainda amos
mas é
ao es i al dança … (CETEMPúblico,
pa =ex 120290-nd-97b-1)
(86) Que em mas é es a a i -se e a con e sa . (CORDIAL-SIN, PFT (2))
Em elação à a ian e pós- ase des a es u u a, pode-se a i ma que em um
uso mais es i o, sendo es a a ian e mais comum e acei á el num con ex o
impe a i o, como nos exemplos (87) e (88), ou exclama i o, como no exemplo (89). Em
elação às ases decla a i as (90 e 91), elas só se ão possí eis se hou e um con as e
implíci o. Sendo assim, mas SER pós- ase é sensí el ao ipo ilocu ó io da ase.
(87) T az-me o comando, mas é!
(88) Olha pa a a es ada, mas é!
(89) Es ás maluco, mas é!
(90) A: Já es ou a ica abo ecida. Ele não discu sa nada!
B: Ele discu sa mui o bem, mas é.
(91) A: Passas o dia a bebe sumo! Nunca e ejo a bebe água.
B: Eu a é bebo água a mais, mas é.
Em elação ao con ex o in e oga i o, obse a-se que só se ão possí eis em
con ex os mui o especí icos e de con as e exp essamen e implíci o.
(92) A: Eu não que o es uda mais!
B: Es ás mas é a b inca …
A: Não que o mais! A pa i de hoje, não ou mais à escola!
B: Que es um es alo, mas é?
Pode-se conclui que: a es u u a en á ica com mas SER é comum em con ex os
impe a i os, exclama i os e decla a i os, sendo que em um uso es i o em ases
in e oga i as; a a ian e pós- ase des a es u u a em um uso ainda mais es i o que
a a ian e p é- oco, is o que pode á se es anha em con ex os decla a i os, se es es
39
se negada, nem pode se modi icada po auxilia es modais ou aspe uais nem po
ad é bios.
Ou o dos a gumen os que di e enciam a es u u a en á ica com mas SER da
cli ada de SER é a cooco ência das duas, pelo menos quando mas SER es á no
p esen e do indica i o, o que mos a que não es ão na mesma posição sin á ica, is o é,
SER es á numa posição mais al a que mas é.
A es u u a en á ica com mas SER encon a-se an o em ases decla a i as,
como em impe a i as, exclama i as e in e oga i as, apesa de o con ex o
in e oga i o se um pouco p oblemá ico. A a ian e pós- ase em um uso es i o e
apa en a se p oblemá ica em elação a con ex os decla a i os e in e oga i os.
Tal como na cli ada de SER, a es u u a en á ica com mas SER não impõe
es ições ao ipo de cons i uin e cli ado nem à unção sin á ica do cons i uin e
cli ado, à exceção da cli agem/ ocalização de modi icado es de ase (ad e biais).
Em elação à lexão de ambas as a ian es (p é- oco e pós- ase), é possí el
obse a que a a ian e p é- oco pode á não conco da em empo com o e bo
p incipal da o ação, enquan o a a ian e pós- ase em ob iga o iamen e de es a no
p esen e do indica i o.
Conclui-se, po an o, que, al como na cli ada de SER, mas SER não em
con eúdo semân ico, is o é, não unciona como uma o ma e bal plena e pode,
po an o, e um cons i uin e de qualque ipo ca ego ial. Obse a-se ambém que
mas SER es á em p ocesso de g ama icalização, is o que há casos em que a lexão em
empo não é possí el. Mas SER pa ece unciona como uma o ma híb ida que ainda
man ém alguns aços e bais a i os, como é o caso da lexão e bal, o que mos a que
mas SER pode á se um complexo e bal ou uma pa ícula de ocalização em p ocesso
de g ama icalização.
40
CAPÍTULO IV: SER E FOCO – PROPRIEDADES
INTERPRETATIVAS
Sabe-se que o cons i uin e cli ado nas cons uções cli adas é ocalizado,
po an o, pa a ca ac e iza as cons uções cli adas em ge al e es a cons ução em
pa icula há que e em con a a noção de oco.
A cli ada de SER e a es u u a en á ica com mas SER, como são cons uções que
êm como obje i o coloca em des aque/ ocaliza um cons i uin e da ase (sujei o,
obje os ou adjun os), podem se analisadas ela i amen e às suas p op iedades
in e p e a i as, nomeadamen e em elação ao concei o de oco.
P a icamen e odas as cons uções cli adas do po uguês são usadas pa a
in oduzi an o oco in o macional como oco con as i o, à exceção da cli ada de é
que, que não ai se desen ol ida nes e abalho, da cli ada de SER e da es u u a
en á ica com mas SER que só apa en am in oduzi oco con as i o.
IV. 1. Tipos de oco e pe spe i as sob e a codi icação de oco na sin axe
Na li e a u a são di e enciados, maio i a iamen e, dois ipos de oco: oco
in o macional, que in oduz in o mação no a, e oco con as i o, que con as a com
alguma in o mação dada con ex ualmen e.
Roo h (1992) conside a que odos os ipos de oco, is o é, oco que exp essa
in o mação no a e oco que exp essa con as e, são, na sua essência, o mesmo, ou
seja, as di e enças de in e p e ação do oco de em-se a a o es p agmá icos e não
semân icos, is o que a in e p e ação depende do ipo de an eceden e do oco.
Ao con á io des a úl ima hipó ese, É. Kiss (1998) conside a que es es dois ipos
de oco ( oco in o macional/ap esen a i o e oco iden i icacional/con as i o) êm
p op iedades semân icas e sin á icas di e en es.
41
De aco do com a au o a, É. Kiss (1998: 245-246), os dois ipos de oco êm
p op iedades sin á icas di e en es: o oco iden i icacional mo e-se pa a uma posição
de especi icado de uma p ojeção uncional, enquan o o oco in o macional não es á
associado a mo imen o (não em posição especí ica na ase).
É. Kiss (1998: 248) apon a ainda á ias di e enças en e os dois ipos de oco: i)
o oco con as i o exp essa exaus i idade, ao con á io do oco in o macional, que
exp essa a na u eza não p essupos a da in o mação dada, ii) o oco con as i o impõe
es ições a ce os cons i uin es, como po exemplo es ições a quan i icado es
uni e sais, e iii) o oco con as i o pode se i e a i o, enquan o o oco in o macional
pode p oje a e não em posição especí ica na ase.
Ou a das ques ões que se p ende com a análise da in o mação de oco, e em
que há di e gência en e os au o es, é sabe se es a in o mação é codi icada na sin axe
ou se es amos pe an e uma in e ace sin axe-discu so.
Alguns au o es assumem que há uma ca ego ia uncional Foco na pe i e ia
esque da da ase, ou os assumem que Foco é de e minado na in e ace com o
discu so.
Rizzi (1997) ao analisa a es u u a da pe i e ia esque da da o ação, p opõe
uma es u u a di idida pa a o sin agma complemen ado (CP), com uma sé ie de
p ojeções uncionais o ganizadas hie a quicamen e de aco do com p op iedades
discu si as
14
(121). Es e au o , ao longo do seu abalho, mos a e idências pa a a
posição de odos os sin agmas en e Fo ce e Fin, como po exemplo, a in o mação de
ópico e oco, a i mando que se um ópico quise se in e p e ado como um ópico
e á de es a na posição de especi icado de TopP, sendo que o mesmo acon ece com
a in o mação de oco (especi icado de FocP). O au o chama a es e c i é io: Topic and
Focus C i e ia (Rizzi 1997: 287).
14
O símbolo de as e isco (*) signi ica que o sin agma pode á se ecu si o.
42
(121)
Fo ceP (Rizzi 1997: 297)
3
3
Fo ce TopP*
3
3
Top
o
FocP
3
3
Foc
o
TopP*
3
3
Top
o
FinP
3
3
Fin
o
IP
Uma das di e enças obse adas pelo au o pa a TopP e FocP é que o oco é
quan i icacional, ao con á io de um ópico, is o é, os sin agmas ocalizado es pode ão
e inúme os alo es, ou seja, são a iá eis, enquan o que, no caso de um ópico, a
in o mação/ alo não é a iá el, o que é chamado po Rizzi (1997: 291) null cons an s.
Como se pode obse a pela análise de Rizzi (1997), o au o assume que as
ca ac e ís icas discu si as são codi icadas na sin axe. Ou os au o es, como Cos a
(1998) e Cos a & Figuei edo Sil a (2006), pelo con á io, a i mam que o oco é
codi icado no discu so (noção semân ico-p agmá ica) e não na sin axe.
Es es au o es não conside am que os cons i uin es ocalizados êm
ob iga o iamen e de oco e na posição de especi icado de uma ca ego ia uncional
(Focus Ph ase), ou seja, não conside am uma análise que en ol e mo imen o do
cons i uin e ocalizado pa a uma ca ego ia uncional especí ica, mas sim que os
cons i uin es ocalizados oco em numa posição in si u.
De aco do com es es au o es, em algumas línguas, o oco es á na posição mais
à di ei a da o ação, dis inguindo línguas que êm discu so con igu acional, como o
po uguês, onde a in o mação de oco es á na posição mais à di ei a da o ação, e
línguas que não êm discu so con igu acional, como o inglês, onde o oco pode á não
es a na posição mais à di ei a, mas ainda assim con inua in si u, como acon ece, po
exemplo, quando há ocalização de um sujei o. Ainda assim, es es au o es admi em
43
que, nos casos onde a sin axe, is o é, a o dem de pala as, não codi ica XPs ocalizados
é u ilizada a p osódia como ecu so.
Ve cau e en (2016: 14-15) a i ma que um dos p oblemas em admi i que o
discu so não é codi icado na sin axe é exis i em línguas em que pa ículas discu si as
es ão sis ema icamen e na mesma posição sin á ica, como é o caso do japonês e do
gungbe (língua gbe). No caso do japonês, a ma cação de ópico é ei a com a pa ícula
wa, que es á semp e no início da o ação, e no caso do gungbe, a ma cação de ópico é
ei a com a pa ícula yà enquan o a ma cação de oco é ei a com a pa ícula wὲ,
es ando ambas numa posição p é-sujei o. Is o mos a que, em algumas línguas, as
p op iedades discu si as es ão codi icadas na sin axe e apa en am mo e -se pa a
posições sin á icas especí icas.
Belle i (2004) admi e que a p esença de uma ca ac e ís ica de oco num ce o
cons i uin e desencadeia mo imen o, desse cons i uin e, pa a uma ca ego ia
especí ica de oco. Es a au o a a i ma que exis e uma segunda ca ego ia uncional
Foco mais baixa na pe i e ia esque da do P e p opõe duas ca ego ias Foco na o ação.
As duas ca ego ias Foco i iam es a associadas a in e p e ações di e en es: FocP que se
encon a na pe i e ia esque da da o ação codi ica ia a in o mação de oco con as i o,
enquan o FocP que se encon a na pe i e ia de P codi ica ia in o mação no a ( oco
in o macional), ou seja, de aco do com es a hipó ese, ipos de oco di e en es êm
ep esen ações sin á icas di e en es.
Um p oblema pa a es a hipó ese apon ado po Ve cau e en (2016) é a
possibilidade de ha e mais de dois cons i uin es associados a oco in o macional
numa o ação, ou seja, e ia de ha e mais ca ego ias uncionais FocP, o que,
consequen emen e, a ia p oblemas pa a de ini qual a posição sin á ica especí ica
pa a cada cons i uin e ocalizado que é mo ido. A au o a a i ma que não há uma
elação en e posição sin á ica e in e p e ação e p opõe, em al e na i a, que nem
odos os cons i uin es ocalizados se mo em pa a FocP.
Como se pôde obse a na subsecção II.1.1, ambém ela i amen e às cli adas
se discu e se há ou não uma ca ego ia uncional especí ica pa a oco. Alguns au o es,
44
como Bosque (1999), Méndez Vallejo (2009b) e Ka o & Mio o (2012) assumem que
exis e uma ca ego ia uncional especí ica pa a oco. Bosque (1999) admi e que o
ocalizado SER es á in si u, que ocupa a posição de núcleo de FocusP, ge ado den o
de um VP, e que a ase ocalizada é seu complemen o. Méndez Vallejo (2012) a i ma
que SER é ge ado den o de um FocP, no qual o núcleo (Foc) é nulo e o especi icado é
ocupado po SER. Ka o & Mio o (2012) assumem que o cons i uin e cli ado se mo e
pa a a pe i e ia esque da de FocP. Ou seja, apesa de odos es es au o es p opo em
es u u as sin á icas di e en es, odos es es conside am que exis e uma ca ego ia
sin á ica onde é codi icada a in o mação de oco. Ao con á io des es au o es,
Ve cau e en (2016) assume que o oco não em necessa iamen e de se mo e pa a
uma ca ego ia FocP, is o que nem semp e oco e um mo imen o A’, como é o caso
das cli adas canónicas, das pseudocli adas e das cli adas de SER. Es a au o a p opõe
que o cons i uin e ocalizado pode á não se mo e pa a FocP e pode á pe manece in
si u, ou seja, pode á es a na sua posição base, como é o caso do po uguês eu opeu.
Nes e abalho, apesa de a codi icação do oco se bas an e polémica, admi e-
se que pode ha e ca ego ias especí icas ma cado as de oco, mas que a ma cação
exclusi amen e sin á ica de oco não é ob iga ó ia, podendo a in e p e ação de oco
se de e minada na in e ace sin axe-discu so.
IV. 2. Foco na Cli ada de SER e na Es u u a En á ica com Mas SER
De aco do com o que oi discu ido na secção an e io , i á desc e e -se os
alo es de oco associados às cli adas de SER e às es u u as en á icas com mas SER,
de manei a a obse a se es as es ão associadas a mais que um ipo de oco ou se
es ão associadas a um oco especí ico.
IV. 2. 1. Cli ada de SER e oco
No espanhol, a cons ução cli ada de SER pode an o in oduzi oco
in o macional (122 e 123) como oco iden i icacional/con as i o (124 e 125), al como
mos am Cu now & T a is (2003), Camacho (2006) e Méndez Vallejo (2012).
(122) A: Examen de sang e? (Cu now & T a is 2003: 8)
45
‘Exame de sangue?’
B: Me – He mana, me hicie on un poco de exámenes oyó?
Me, i mã, me ize am um pouco de exames ou is e?
‘A mim, i mã, ize am-me alguns es es, en endes?’
D: Pe o = -- le saca on ue sang e?
‘Mas, eles i a am oi sangue?’
(123) A: ¿Qué comp as e? (Méndez Vallejo 2012: 6)
Que comp as e?
‘O que é que comp as e?’
B: Comp é ue ino.
‘Comp ei oi inho.’
(124) A: ¿Comp as e ino o ce eza? (Méndez Vallejo 2012: 6)
‘Comp as e inho ou ce eja?’
B: Comp é ue ino.
‘Comp ei oi inho.’
(125) A: Mi mamá no oma agua. (Cu now & T a is 2003: 8)
Minha mãe não oma água.
‘A minha mãe não bebe água.’
B: Toma es pu a gaseosa.
46
Toma é só gasosa.
‘Bebe é só gasosa.’
Apesa de es es au o es admi i em que a cli ada de SER pa a o espanhol ma ca
an o oco in o macional como iden i icacional/con as i o, em-se em con a que
alguns au o es, como Bosque (1999), Mio o (2012) e Ka o & Mio o (2016), a i mam
que as cli adas de SER não exp essam oco in o macional e só in oduzem oco
iden i icacional/con as i o.
Obse a-se, po an o, que no espanhol oco in o macional es á associado à
ocalização com SER. Em con apa ida, na língua po uguesa isso já não acon ece. A
cli ada de SER em po uguês só in oduz oco con as i o, ou seja, só é possí el
ocaliza com SER se hou e um con as e implíci o.
(126) A: O que é que andas e a aspi a ? A casa es a a limpa!
B: Andei oi a aspi a o ca o.
(127) A: Tele onas e ao pai?
B: Tele onei oi à mãe.
Uma p op iedade que é habi ualmen e associada a oco e às cli adas em ge al
é a exaus i idade. É. Kiss (1998), no seu abalho, usa a p esença ou a ausência de
exaus i idade como a gumen o pa a dis ingui oco iden i icacional e oco
in o macional. Foco iden i icacional/con as i o não é compa í el com cons i uin es
ásicos com a é e ambém, is o que implicam que es ão ou os elemen os em causa
que não o am especi icados, enquan o o oco in o macional não impõe es ições ao
ipo de cons i uin e.
Ve cau e en (2016: 66) a i ma que as cli adas de SER não são necessa iamen e
exaus i as, is o é, não es ão necessa iamen e associadas a exaus i idade, dando os
seguin es exemplos:
47
(128) a. Mui os inham um ca alo e # o que mui os inham e a éguas.
b. Li oi a é/ ambém es e li o.
c. Chegou a asado oi o Joke , e o Bane ambém.
Sendo que es as es u u as só apa en am in oduzi oco con as i o, de aco do
com a hipó ese de É. Kiss (1998), não pode iam se compa í eis com es es
cons i uin es ásicos, o que não se e i ica.
IV. 2. 2. Es u u a en á ica com mas SER e oco
A es u u a en á ica com mas SER, al como a cli ada de SER, ambém só
in oduz oco con as i o
15
(129, 130 e 131):
(129) INF1 (…) É cla o, e depois ão en ão mulhe es – que ago a os homens já
poucos que em abalha . (…) Que em udo anda mas é (…) na o gia e na
pa ódia. (CORDIAL-SIN, MTV(18))
(130) INF (…) Ela ai, ou se calha as duas, elas ão lá apanha as u as, não ão
apanha as u as e des, nem as u as que es ão mui o icei as, nem nada.
Apanham mas é u as mui o passadinhas, an o az se as b ancas como se as
in as que apanham. (CORDIAL-SIN, MTV(19))
(131) INF2 E semea a-se mui o milho mas e a (…) pa a a maça oca.
INF1 Pa a seca .
INF2 E ago a semeiam é pa a o gado. É pa a o gado.
INF1 E ago a semeiam mui o milho mas é pa a o gado. (CORDIAL-SIN, CLH
(21))
Pode-se obse a e con i ma com os exemplos acima, que a es u u a en á ica
com mas SER só in oduz oco con a i o. Em (129) ‘que e “anda na o gia e na
pa ódia”’ con as a com ‘que e “ abalha ”’, em (130) ‘apanha u as “passadinhas”’
15
Todas as oco ências e i adas de co po a e de in uições de alan es mos am que a es u u a en á ica
com mas SER só é p oduzida em casos con as i os ( e exemplos de co po a em anexo).
48
con as a com ‘apanha “u as e des” ou ‘as que es ão “mui o icei as”’’ e em (131)
‘semea milho “pa a a maça oca”’ con as a com ‘semea milho “pa a o gado”’.
Em con apa ida, es as es u u as são es anhas em con ex os de oco
in o macional (132, 133 e 134):
(132) A: O que é que andas e a aze o dia odo?
B: ??Andei mas oi a es uda .
(133) A: O que é que comp as e hoje?
B: ??Comp ei mas oi uns bi es pa a aze pa a o almoço.
(134) A: Onde andas e o dia odo?
B: ??Passei o dia odo a limpa a casa, mas é.
Em elação ao ipo de oco, sabe-se que as es u u as en á icas com mas SER
ocalizam sujei os, complemen os, cons i uin es e bais/domínios não ini os,
p edica i os de sujei o e de obje o, modi icado es nominais e modi icado es do
p edicado, à exceção de modi icado es de ase ad e biais, al como se obse ou na
subsecção III.2.2.
Ve cau e en (2016) obse a, em elação às cli adas de SER, que o cons i uin e
cli ado pode á se um quan i icado nega i o ou exis encial (135), enquan o no caso
das pseudocli adas, o cons i uin e cli ado impõe es ições a es es ipos de
cons i uin es (136).
(135) a. Eles não sabem é nada. (PAL) (CORDIAL-SIN Apud Ve ca e en (2016:
57))
b. As es emunhas i am oi alguém. (Ve ca e en (2016: 57)
(136) a. ??Quem se apaixonou pelo Ba man não oi ninguém. (Ve cau e en
2016: 57)
55
complemen o, endo es e uma posição in si u, e p oje a um P. A au o a a i ma que P
pode se complemen o de núcleos lexicais, mas não de núcleos uncionais is o que
eles selecionam o seu complemen o.
Es as p op iedades jus i icam o po quê de SER não impo es ições ao ipo de
cons i uin e cli ado e o ac o de o P pode apa ece como complemen o de núcleos
uncionais (se es es seleciona em cons i uin es e bais), al como T e Asp, na posição
de a gumen o de núcleos lexicais e na posição de adjunção, mas não posição de
especi icado , nem de núcleos que não selecionem cons i uin es e bais, como D, P, C
e p ojeções uncionais que êm ad é bios e adje i os a ibu i os.
Es a análise esol e mui as ques ões, nomeadamen e: i) a elação empo al
en e SER e o e bo p incipal; ii) o po quê de SER não impo es ições ao cons i uin e
cli ado, is o que P é uma ca ego ia “ anspa en e”. Ainda assim não explica: i)
po que azão uma ca ego ia P pode oco e em di e en es posições na ase, não
bloqueando di e en es ipos de elações de seleção sin á ica e semân ica; ii) se SER é
uma pa ícula de oco não de e ia man e aços de um e bo pleno, como é o caso da
lexão e bal, o que não acon ece; iii) as ca ac e ís icas empo ais não in e p e á eis
de P ambém não jus i icam o po quê de SER lexiona .
Pa a es a disse ação, oi ainda ponde ado se SER não es a ia numa posição de
adjunção (144).
(144) XP
3
SER XP
Es a hipó ese não oi ado ada is o se bas an e p oblemá ica. Apesa de
explica a não al e ação das elações de seleção sin á ica e semân ica en e o
cons i uin e cli ado e os es an es elemen os da o ação, SER, ao se um adjun o,
pode ia ocupa qualque posição ásica, o que não se e i ica. Não explica ia ainda a
cooco ência com mas SER, is o é, conside a SER como adjun o não jus i ica a
ag ama icalidade de *mas SER SER, is o que ambas as o dens de e iam se possí eis.
Ou a ques ão p oblemá ica é, ao e p op iedades e bais, SER e ia de p oje a uma
ca ego ia e bal (mesmo que “ anspa en e”).
56
A g ande ques ão p ende-se ago a com a ep esen ação sin á ica da es u u a
en á ica com mas SER p é- oco e pós- ase.
• Es u u a en á ica com mas SER p é- oco
Tendo em con a as p op iedades da es u u a, emos e idência pa a a i ma
que mas SER es á numa posição sin á ica abaixo de T, is o que é ag ama ical o
seguin e exemplo:
(145) *O João mas é gos a de chá.
De aco do com os con ex os e con as es de g ama icalidade ap esen ados
an e io men e, emos ambém e idência pa a a i ma que mas SER es á numa posição
abaixo do e bo SER ocalizado . A ques ão da cooco ência de ambas as pa ículas é
impo an e, is o que, nos casos em que cooco em, mas é, que nes e caso não
lexiona, es á semp e à di ei a do e bo SER, o que de ine a sua posição sin á ica:
(146) a. *mas é SER: *O João gos a mas é é de chá.
b. SER mas é: O João gos a é mas é de chá.
Es e con as e de g ama icalidade mos a que mas SER em de es a numa
posição en e SER e o cons i uin e ocalizado, is o que se encon a semp e à esque da
des e.
O ac o de mas SER não lexiona nes es casos, encon ando-se semp e no
p esen e do indica i o, é uma e idência pa a a i ma que mas SER es á a passa po
um p ocesso de g ama icalização. Mas SER pode á não con e , ao con á io de SER,
aços de T não in e p e á eis (e não alidados), que êm de se alidados po
conco dância (Ag ee) com T do e bo supe io , que ob igam SER a e o mesmo empo
e aspe o que o e bo p incipal da o ação.
Uma das p opos as ap esen adas nes e abalho pa a a es u u a en á ica com
mas SER é a seguin e:
57
(147) TP
3
DP T’
6
3
O João
i
T P
gos a
j
3
DP
i
’
3
j
VP
3
DP
i
V’
3
V
j
P
uT
3
é
uT
P
3
6 PP
mas é 6
de chá
Mas SER, ao cooco e com SER, não con ém aços de T, is o que SER
bloqueia a ligação empo al e aspe ual do e bo em T com mas SER, ou seja, apesa de
mas SER se c-comandado pelo e bo p incipal, há ou o núcleo que se in e põe. Se
não cooco e em, mas SER pode á con e as ca ac e ís icas uT que pe mi em que es a
pa ícula enha as mesmas ca ac e ís icas empo ais que o e bo p incipal.
Es a es u u a jus i ica a cooco ência das duas pa ículas de ocalização e a não
lexão de mas SER.
Admi e-se ambém que, al como o e bo SER da cli ada de SER, mas SER não
ocupa uma posição ixa na ase, mas sim, que em uma dis ibuição “li e”. A pa ícula
de ocalização mas SER, nes es casos em que não lexiona, é en endida como uma
pa ícula o almen e g ama icalizada sem ca ac e ís icas empo ais ou aspe uais do
e bo p incipal da o ação.
Nes a análise, exis em ainda aspe os que não são o almen e explicados: i) mas
SER, ao se uma pa ícula de oco, não de e ia lexiona , o que não se e i ica; ii)
apesa de não lexiona ob iga o iamen e com um e bo em T, mas SER, pode e as
mesmas ca ac e ís icas empo ais que o e bo p incipal da o ação; iii) al como a
p opos a de Ve cau e en (2016), não explica a elação en e o e bo p incipal da
o ação com o seu complemen o; i ) a es u u a não explica po que azão é
58
ag ama ical a o dem *mas SER SER a não se que se assuma que “mas” man ém de
alguma o ma o seu es a u o de coo denado com o p imei o e bo SER.
A segunda e úl ima p opos a ap esen ada pa a es a es u u a é a seguin e:
(148) TP
3
DP T’
6
3
O João
i
T P
gos a
j
3
DP
i
’
3
j
VP
3
DP
i
V’
3
V
j
PP
3
6 PP
mas é 6
de chá
Ao con á io da análise an e io , onde oi p opos o que mas SER p oje a a uma
ca ego ia P, nes a análise p opõe-se que mas SER é um adjun o.
Ao se um adjun o, a es u u a explica ia: i) a não al e ação das elações de
seleção sin á ica e semân ica en e o cons i uin e cli ado e os es an es elemen os da
o ação; ii) a sua dis ibuição “li e”, ou seja, as di e sas posições que pode ocupa ao
longo da ase, incluindo, a sua posição pós- ase; iii) o po quê de (po ezes) não e
ca ac e ís icas empo ais e aspe uais. Con udo, não explica ia o po quê de mas SER
lexiona em algumas ocasiões e a ag ama icalidade da o dem *mas SER SER, a não
se , al como já oi obse ado, que se assuma que “mas” man ém de alguma o ma o
seu es a u o de coo denado com o p imei o e bo SER.
O p oblema pa a es as ep esen ações sin á icas é não sabe mos exa amen e
se mas SER é um compos o e bal pleno, com ca ac e ís icas empo ais ou uma
pa ícula de ocalização g ama icalizada. P oponho que seja uma o ma híb ida em
p ocesso de g ama icalização.
59
• Es u u a en á ica com mas é pós- ase
A úl ima es u u a p opos a é a es u u a da a ian e pós- ase. Es a es u u a
sin á ica ep esen a a posição de mas é pós- ase na o ação e é a que pa ece mais
adequada, is o que coloca em oco oda a o ação.
(149) TP
3
TP 6
3
mas é
DP T’
p o
j
3
T P
Que emos
i
3
DP
j
’
3
i
VP
3
DP
j
V’
3
V
i
DP
6
é ias
Admi o que, nes a es u u a, mas é es á numa posição mais al a que mas SER
p é- oco, po que, como se pode obse a , o que é ocalizado po mas SER p é- oco é
di e en e do que é ocalizado nes a es u u a.
O exemplo (150) mos a que odo o p edicado é um oco con as i o.
(150) Tu ais pa a a escola, mas é! Não icas em casa!
Mas é, nes e caso, não é c-comandado pelo e bo p incipal da o ação e, po
isso, não adqui e as mesmas ca ac e ís icas empo ais e aspe uais que es e.
Ao não lexiona , es ando semp e no p esen e do indica i o, o na es a
pa ícula em especí ico uma pa ícula de ocalização g ama icalizada.
• As duas es u u as
60
Tal como oi possí el obse a nes a subsecção, a es u u a en á ica com mas
SER, que e a ao início analisada como uma a ian e da cli ada de SER, não só é uma
es u u a independen e com p op iedades sin á icas e semân icas di e en es des a
úl ima, como é di idida em duas es u u as sin á icas di e en es en e si. Admi e-se,
po an o, que mas SER es á associada a duas es u u as sin á icas, uma pa a mas SER
p é- oco e ou a pa a mas é pós- ase.
A es u u a en á ica com mas SER é maio i a iamen e mani es ada no p esen e
do indica i o, sendo que, po ezes, é ag ama ical quando se encon a lexionada,
como é o caso da cooco ência com o e bo SER ocalizado e da a ian e pós- ase, o
que pa ece mos a que mas SER es á em p ocesso de g ama icalização.
61
CONCLUSÃO
Apesa de e ido em con a a a iabilidade e a acei abilidade ou não
acei abilidade de ambas as es u u as é no á el que, endo em con a os con ex os
e e idos, a es u u a en á ica com mas SER em p op iedades di e en es da cli ada de
SER, endo as di e en es a ian es da p imei a es u u a ambém di e en es
p op iedades en e si.
O obje i o des e abalho oi aze uma sis ema ização das p op iedades
sin á icas e semân ico-discu si as das es u u as en á icas com mas SER, sabendo,
con udo, que ainda há mui os aspe os a explo a .
Nes a disse ação não oi possí el desc e e odas as p op iedades das
es u u as, mas sim, as p op iedades mais comuns e mais di e enciado es de cada
uma, de manei a a que osse possí el iden i ica di e gências e p op iedades
singula es.
Escla eceu-se, em p imei o luga , que as pseudocli adas e as cli adas de SER
são es u u as di e en es sin á ica e seman icamen e, de o ma a de ini a cli ada de
SER como uma cli ada independen e e, em seguida, iniciou-se a sis ema ização da
cli ada de SER e da es u u a en á ica com mas SER pa a que se pudesse admi i uma
análise di e enciada pa a cada uma delas.
Conclui-se nes a disse ação que a es u u a en á ica com mas SER não é uma
a ian e da cli ada de SER, mas sim, uma es u u a com uma pa ícula de ocalização
em p ocesso de g ama icalização, es ando a sua a ian e pós- ase o almen e
g ama icalizada.
As di e enças en e a cli ada de SER e a es u u a en á ica com mas SER são
e iden es, mas ambém é de no a que es as es u u as êm bas an es p op iedades
em comum, como po exemplo, a dis ibuição “li e” na o ação, a ocalização de ce os
cons i uin es, os seus con ex os ilocu ó ios, o ipo de cons i uin es que cli am, a
62
dis ibuição sin á ica, en e ou as. Apesa de odas essas p op iedades, sabe-se que
são duas es u u as di e en es, is o que SER e mas SER podem cooco e .
É possí el obse a ambém que as di e en es a ian es da es u u a en á ica
com mas SER êm p op iedades di e en es en e si e que podem se in es igadas. As
a ian es apon adas pa a es a es u u a são: a a ian e mas SER p é- oco e a a ian e
mas é pós- ase. A a ian e mas SER p é- oco é uma es u u a com uma pa ícula de
ocalização em p ocesso de g ama icalização, que pode á não lexiona de aco do com
o e bo p incipal da o ação, mesmo se es i e a se c-comandada po esse e bo. A
a ian e mas é pós- ase es á numa posição sin á ica mais al a, de adjunção, e ocaliza
(con as i amen e) odo o p edicado da o ação. Mas é, nes e caso, encon a-se
semp e no p esen e do indica i o, o que mos a que já se encon a plenamen e
g ama icalizado.
Conclui-se no p esen e es udo que mas SER não em con eúdo semân ico,
uncionando como uma o ma híb ida que ainda man ém alguns aços e bais a i os,
mas que ge almen e se ap esen a como uma pa ícula de ocalização g ama icalizada.
63
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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71
AAL (Cas elo de Vide, Po o da Espada, São Sal ado da A amenha, Sapei a,
Alpalhão, Nisa – Po aleg e)
(3) INF Pois. Pois, (...)eu não conco do com a monda química (...). Pelo menos nas
inhas, só com E ax é que eu ainda já enho aí ei o. Mas o E ax (...)não ma a
odas as e as. Ma a só aquelas e as mais manhosas. Aquelas e as mais
manhosas é aquelas que a gen e ainda ap o ei a pa a o gado e que não azem
an o mal.
INQ Pois.
INF Pois, ha ia de ma a mas e a as b a as. As que ma a as b a as ma a as
pa ei as! Ah, já es á a e que aquilo ambém não... Po causa disso é que eu
não conco do mui o com isso.
(4) INF1 (...) Íamos le a aqui. Íamos busca lá pa a cá. Pois. Íamos busca ali,
aonde lhe chamam as Ho as, Po o de Roque. Aí é que o íamos busca , de
noi e, às escu as - noi es mui o escu as!
INQ2 En ão, e não inham medo?
INF1 O a, medo!? Tínhamos medo mas e a dos bonés, dos gua das. O mais, lá
assim de medos, não ínhamos medo. Se apanhá amos aí cada molha aí po
essas se as! Pois, e a isso.
CBV (Cabeço de Vide – Po aleg e)
(5) INQ Depois o inho depois de es a ei o, gua da a-se den o de quê?
INF É den o de onéis. E o Ansu , pa a acaba com os onéis – que o gajo inha
lá onéis pequeninos que eu cabia lá de pé den o deles, mandou aze mas oi
casas.
FIG (Figuei ó da Se a – Gua da)
(6) INF2 É udo a es uda , udo a es uda .
INF1 É es uda , é! Ele ha iam de da mas e a uma enxada pa a i em pa a a
se a ca a alque es!
ALC (Alcoche e – Se úbal)
72
(7) INQ1 E depois pa a consegui que aquilo, que ele deixe de a de ?
INF Aba a-se com e a.
INQ1 E diz que es -... E isso é aze o quê?
INF É aba a .
INQ1 Aba a . Empoado, é? Chama-se aqui?
INQ2 Sim. Es á aqui um empoa .
INQ1 Nunca ou iu ala em: "é p eciso empoa o o no", não?
INF Empoa ?
INQ1 Não?
INF Tenho 'ou is o' ala mas é aba a : que é pa a aba a , que é pa a deixa
dei a (...) aquela coisa.
PIC (Bandei as, Cais do Pico – Ho a)
(8) INF1 Já hou e in elicidades nes a pesca. Aqui mesmo no luga , já hou e aí um
apaz que (...) o ou o deu, ombou, e a linha, com ce eza, pegou-lhe, e lá o
le ou. Nunca mais apa eceu. E já hou e mais uns casos desses. Um nas Lages,
c eio eu, e ou o na Calhe a. Mas isso já não é ambém do meu empo. Es e
apaz aí que mo eu, que eu es ou ala , é acima de mim al ez uns ês anos –
ês, qua o anos acima de mim.
INF2 Mas o Bá olo é do empo (...) do mes e Balduíno de a ea à baleia.
INF1 É. É, é. Mas ele no o eio assim, é mas é da Calhe a.
EXB (Enxa a do Bispo – Lisboa)
(9) INF (…) E depois, a mais elha, já es a a a que e anda lá um ancês de oda
dela. Digo eu assim: "As apa igas, se eu deixo is o anda mais pa a dian e, elas
casam-se e icam cá".
INQ E icam cá.
INF "E eu não gos o dis o, e depois ou elas p endem-me aqui, (…) ou, se eu o ,
já ambém em (…) anos e anos que não as ejo".
INQ Pois.
INF "Deixa-me mas é passa já an es"… Eu já es a a assim alinha ado, inha uns
os õezi os…
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(10) INF (…) Punha-se… A i a a-se com udo pa a cima duma mesa ou dum
pial g ande donde se azia aquilo, ia-se i a a essu a, i a a-se os ' inzes'… Os
' inzes' não, que eles ica am no (p óp io) po co; i a a-se mas e a a segui .
LAR (La inho – B agança)
(11) INQ E o macho da, da abelha?
INF (…) Disso al a… Isso é que não posso dize .
INQ Não, não?…
INF Só se ou e ala na mes a. (A) mes a.
INQ Não há uns que são, que ambém andam semp e à ol a com elas e
que depois elas a é os ma am?
INF (…) Isso há, aqui há mui o, (o que é) es a apam mas é as b a as. Não,
não. (…) As b a as, há uma qualidade (…) de abelhas b a as meias
a e melhadas, assim meias a e melhadas…
GIA (Gião - Po o)
(12) INQ Nos campos, quando es ão, quando êm igo ou milho, ou, ou a é
nas ho as, não se cos uma pô assim um boneco pa a espan a os pa dais?
INF1 Espan alhos.
INQ Espan alhos.
INF1 Espan alhos. Esses espan alhos põem-se é nas iguei as.
INQ Nas iguei as?
INF1 É nas iguei as (…) e ealmen e nas á o es, e al.
INQ Rhum- hum.
INF1 No igo (…) cos uma a pô -se mas e a uma palma benzida, uma olha
de palma benzida.
UNS (Unhais da Se a – Cas elo B anco)
(13) INQ1 Não é bom á ia? Rá ia não é bom?
INF1 Não é mui o aconselhá el. A á ia é boa mas é quando é pa a a a .
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VPC (Vila Pouca do Campo – Coimb a)
(14) INQ1 Mas não chama a abegão?
INF Não. (…) E a mas e a um (…) p ocu ado .
GRJ (G anjal – Viseu)
(15) INF (…) Tudo já me esqueceu! Tudo já me esqueceu! Passa o empo e a
gen e, olhe, a cabeça já não… Já nem egula. (Apanha a gen e já assim). A gen e
ago a só já i e mas é a eliada e sabe Deus como! E sabe Deus como!
GRC (G aciosa – Ang a do He oísmo)
(16) INF1 Eu nunca mais me li o daqui pa a o a. Vou-me embo a mas é (…)
pa a as Ve gas, que eu nunca mais me sa o.
STA (San o And é – Vila Real)
(17) INF E depois de o namo o con inua é que a anjámos a apa igui a mais
elha que es á na F ança. Depois o am os ês. Depois a mãe dele não que ia
que ele casasse comigo. Depois ele eio pa a es a casa, que ele i ia ali em
baixo, e eio pa a es a casa. E daí depois eu inha os ês ga o i os pequeni os –
eu es a a com o meu pai e com a minha mãe – e mo eu-me um i mão na
F ança. E depois eio pa a cá e eu disse-lhe: "Bem, ou ais do mi com os
homens que azem o meu i mão da F ança, ou à casa duma izinha, ou
gua das os ês apa igos que emos". Depois ele diz: "Não, en ão eu gua do os
ês apa igos que emos, que icam comigo na cama". E depois do mi am os
ês apa igos com ele. Depois ao ou o dia diz: "Olha, amos mas é a a e
amos-nos casa ". P on o. Resol eu casa -se e amos embo a. [Risos] A mãe
empu ou-o pa a aqui, bo ou-o o a de casa, e depois ele inha que a anja
quem lhe cozesse as ba a as.
MTV (Mon al o – San a ém)
(18) INF1 (…) É cla o, e depois ão en ão mulhe es – que ago a os homens já
poucos que em abalha . (…) Que em udo anda mas é (…) na o gia e na
pa ódia.
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(19) INF (…) Ela ai, ou se calha as duas, elas ão lá apanha as u as, não ão
apanha as u as e des, nem as u as que es ão mui o icei as, nem nada.
Apanham mas é u as mui o passadinhas, an o az se as b ancas como se as
in as que apanham.
(20) INF (…) Donde é que eio a u a? Onde é que ela oi e como é que ela oi
apanhada? E amos lá e mas é que como é que é que lá es á a ou a: se a
ou a es á madu a como es a quando pa a aqui eio.
CLH (Calhe a – Ang a do He oísmo)
(21) INF2 E semea a-se mui o milho mas e a (…) pa a a maça oca.
INF1 Pa a seca .
INF2 E ago a semeiam é pa a o gado. É pa a o gado.
INF1 E ago a semeiam mui o milho mas é pa a o gado.
(22) INF1 (…) Só al a aze … O senho em as mãos bem quen es!
INQ1 Tenho, o a! Mas, a senho a…
INF1 Ao espei o, em mas é bem quen es à minha is a.