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Clivada de SER e Estrutura Enfática com Mas SER: Uma mesma estrutura ou estruturas diferentes?

Abstract

O português dispõe de vários tipos de construções clivadas, entre as quais se incluem as clivadas de SER (ou semipseudoclivadas ou estruturas de focalização com SER). Existe ainda um tipo de estrutura que usa a conjunção adversativa mas com o verbo SER – é, era e foi – como um todo com valor enfático, que alguns autores têm analisado como uma variante da clivada de SER. Nesta dissertação, pretendeu-se descrever e analisar as estruturas enfáticas com mas SER, comparando-as com as clivadas de SER. Teve-se em conta a intuição de falantes, através de juízos de gramaticalidade, e também ocorrências de mas seguidas do verbo SER (nas formas é, era e foi) com valor enfático, retiradas dos corpora CETEMPúblico e CORDIAL-SIN. Procurou-se determinar: i) quais os contextos discursivos em que esta estrutura ocorre; ii) quais as suas propriedades sintáticas; iii) em que se distinguem das clivadas de SER. Verificou-se se as clivadas de SER e as estruturas com mas SER têm propriedades que justifiquem uma análise diferenciada e propôs-se uma análise sintática que desse conta do seu funcionamento, considerando-se propriedades sintáticas e semânticas de ambas as estruturas. Conclui-se nesta dissertação que: i) a estrutura enfática com mas SER tem propriedades diferentes da clivada de SER; ii) mas SER está a passar por um processo de gramaticalização; iii) mas SER pré-foco pode flexionar ou não de acordo com um verbo em T, enquanto mas é pós-frase nunca flexiona; iv) estamos perante duas estruturas diferentes para mas SER: uma estrutura para mas SER pré-foco e outra para mas é pós-frase; v) a estrutura com mas SER só introduz foco contrastivo.

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Clivada de SER e Estrutura Enfática com Mas SER: Uma mesma estrutura ou estruturas diferentes?

Author: Bolrinha, Márcia Sofia Coelho
Year: 2017
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/25221/1/Disserta%c3%a7%c3%a3o%20Mestrado%20M%c3%a1rcia%20Bolrinha.pdf
Cli ada de SER e Es u u a En á ica com Mas SER:
Uma mesma es u u a ou es u u as di e en es?
Má cia So ia Coelho Bol inha
Disse ação de Mes ado
em Ciências da Linguagem
Junho de 2017
Má cia Bol inha
–
Cli ada de SER e Es u u a En á ica com
Mas
SER: Uma mesma es u u a ou es u u as di e en es?
-
2017
ii
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção
do g au de Mes e em Ciências da Linguagem, ealizada sob a o ien ação cien í ica
de Ma ia Fe nandes Homem de Sousa Lobo Gonçal es.
iii
Aos meus pais,
Po ac edi a em que udo é possí el
i
AGRADECIMENTOS
A esc i a de uma disse ação não é uma a e a nada ácil. A ealização de um
abalho como es e eque mui a paciência, mui o es o ço pessoal e mui a dedicação.
Apesa disso, de o con essa que é bas an e ecompensado . Es e abalho o nou-me
uma pessoa mais o ganizada e empenhada a ní el pessoal.
Que ia ag adece a odas as pessoas que me são especiais e que me pe mi i am
chega a é aqui, pa icula men e:
A odos os p o esso es de Linguís ica que me inspi a am a que e conhece e
explo a es e mundo, em especial à p o esso a Ma ia Lobo. Ag adeço-lhe po e
acei ado se minha o ien ado a, pela disponibilidade e paciência, e, mais impo an e
que udo, pelos conhecimen os que me ansmi iu.
A odos os meus amigos, que me incen i a am a nunca desis i e semp e
ac edi a am que eu e a capaz dis o e mui o mais, e, po úl imo, à minha amília, cujo
ag adecimen o é o mais especial.
Aos meus pais, que semp e ac edi a am em mim e nas minhas capacidades. Sei
que eles êm mui o o gulho em mim. Ob igada po udo.
Aos meus a ós, que êm um luga ão especial no meu co ação. Ag adeço-lhes
pelo ca inho. Pa a mim, se ão e e nos.
A odos aqueles que me ajuda am, de alguma manei a, a ealiza es e abalho.
CLIVADA DE SER E ESTRUTURA ENFÁTICA COM ‘MAS SER’: UMA MESMA ESTRUTURA
OU ESTRUTURAS DIFERENTES?
MÁRCIA SOFIA COELHO BOLRINHA
RESUMO
PALAVRAS-CHAVE: cli adas, cli ada de SER, semipseudocli ada, es u u a en á ica com
mas SER.
O po uguês dispõe de á ios ipos de cons uções cli adas, en e as quais se
incluem as cli adas de SER (ou semipseudocli adas ou es u u as de ocalização com
SER). Exis e ainda um ipo de es u u a que usa a conjunção ad e sa i a mas com o
e bo SER – é, e a e oi – como um odo com alo en á ico, que alguns au o es êm
analisado como uma a ian e da cli ada de SER.
Nes a disse ação, p e endeu-se desc e e e analisa as es u u as en á icas
com mas SER, compa ando-as com as cli adas de SER. Te e-se em con a a in uição de
alan es, a a és de juízos de g ama icalidade, e ambém oco ências de mas seguidas
do e bo SER (nas o mas é, e a e oi) com alo en á ico, e i adas dos co po a
CETEMPúblico e CORDIAL-SIN. P ocu ou-se de e mina : i) quais os con ex os
discu si os em que es a es u u a oco e; ii) quais as suas p op iedades sin á icas; iii)
em que se dis inguem das cli adas de SER.
Ve i icou-se se as cli adas de SER e as es u u as com mas SER êm
p op iedades que jus i iquem uma análise di e enciada e p opôs-se uma análise
sin á ica que desse con a do seu uncionamen o, conside ando-se p op iedades
sin á icas e semân icas de ambas as es u u as.
Conclui-se nes a disse ação que: i) a es u u a en á ica com mas SER em
p op iedades di e en es da cli ada de SER; ii) mas SER es á a passa po um p ocesso
de g ama icalização; iii) mas SER p é- oco pode lexiona ou não de aco do com um
e bo em T, enquan o mas é pós- ase nunca lexiona; i ) es amos pe an e duas
es u u as di e en es pa a mas SER: uma es u u a pa a mas SER p é- oco e ou a pa a
mas é pós- ase; ) a es u u a com mas SER só in oduz oco con as i o.

i
SER-CLEFT AND EMPHATIC STRUCTURE USING ‘MAS SER’: THE SAME STRUCTURE OR
DIFFERENT STRUCTURES?
MÁRCIA SOFIA COELHO BOLRINHA
ABSTRACT
KEYWORDS: cle s, SER-cle s, empha ic s uc u e using mas SER (‘bu BE’).
The Po uguese language has se e al ypes o cle s cons uc ions, including
SER-cle s. The e a e also empha ic s uc u es using he ad e sa i e conjunc ion ‘bu ’
(‘mas’) combined wi h he e b ‘ o be’ (‘SER’) – mas é, mas e a o mas oi – ha some
au ho s ha e desc ibed as being a a ian o he SER-cle .
The pu pose o his disse a ion is o desc ibe and analyze hese empha ic
s uc u es and o compa e hem wi h he SER-cle s. This wo k conside s he in ui ion
o speake s, h ough g amma icali y judgmen s, and occu ences o mas é, mas e a
and mas oi wi h empha ic alue, om he co po a CETEMPúblico and CORDIAL-SIN.
The aim is o de e mine: i) which a e he discu si e con ex s in which his
s uc u e occu s; ii) which a e i s syn ac ic p ope ies; iii) how i di e en ia es om he
SER-cle .
In his wo k, we conside i he SER-cle s and he s uc u es wi h mas SER ha e
p ope ies ha jus i y a di e en ia ed analysis and we p opose a syn ac ic analysis ha
accoun s o i s p ope ies, conside ing syn ac ic and seman ic p ope ies o bo h
s uc u es.
We conclude ha : i) he empha ic s uc u e using mas SER has di e en
p ope ies om he SER-cle ; ii) mas SER is a ocus pa icle ha is passing h ough a
p ocess o g amma icaliza ion; iii) mas SER p e- ocus may in lec acco ding wi h a e b
in T, bu i is no obliga o y, while mas é pos -sen ence ne e in lec s; i ) we a e
dealing wi h wo s uc u es o mas SER: one o mas SER p e- ocus and one ano he
o mas é pos -sen ence; ) he empha ic s uc u e using mas SER only in oduces
con as i e ocus.
ii
ÍNDICE
Lis a de ab e ia u as ............................................................................................ix
Capí ulo I: In odução .......................................................................................... 1
I. 1. Ap esen ação do es udo e o mulação do p oblema ........................ 1
I. 2. Obje i o do es udo .............................................................................. 2
I. 3. Es u u a da disse ação ...................................................................... 2
Capí ulo II: Cli ada de SER ................................................................................... 4
II. 1. In odução às cli adas de SER ............................................................ 4
II. 1.1. Cli adas de SER di e en es das pseudocli adas .............................. 5
II. 2. P op iedades da es u u a................................................................ 19
Capí ulo III: Es u u a en á ica com mas SER.................................................... 23
III. 1. In odução às es u u as en á icas com mas SER........................... 23
III. 2. P op iedades da es u u a............................................................... 27
III. 2. 1. Me odologia ............................................................................. 27
III. 2. 2. Posição sin á ica de mas SER ................................................... 28
III. 2. 3. Con ex os ilocu ó ios ............................................................... 31
III. 2. 4. Tipo de cons i uin e cli ado ..................................................... 33
III. 2. 5. Dis ibuição sin á ica do cons i uin e cli ado ......................... 34
III. 2. 6. P op iedade de mas SER lexiona ........................................... 35
III. 2. 7. Conclusões inais ...................................................................... 38
Capí ulo IV: SER e oco - P op iedades in e p e a i as .................................... 40
IV. 1. Tipos de oco e pe spe i as sob e a codi icação de oco na sin axe
...................................................................................................................... 40
IV. 2. Foco na Cli ada de SER e na Es u u a En á ica com Mas SER ...... 44
IV. 2. 1. Cli ada de SER e oco ............................................................... 44
iii
IV. 2. 2. Es u u a En á ica com Mas SER e oco .................................. 47
IV. 3. Conclusões ....................................................................................... 50
Capí ulo V: Cli ada de SER e es u u a en á ica com mas SER ........................ 51
V. 1. Compa ação das p op iedades das es u u as ............................... 51
V. 2. Resul ados e p opos a ...................................................................... 52
V. 3. As duas es u u as ............................................................................ 53
Conclusão ........................................................................................................... 61
Re e ências bibliog á icas ................................................................................. 63
Anexos ................................................................................................................ 68
A. Oco ências de mas SER em co po a ................................................. 68
A1. Oco ências no CETEMPúblico ........................................................... 68
A2. Oco ências no CORDIAL-SIN ............................................................. 70
ix
LISTA DE ABREVIATURAS
AAL – Al o Alen ejo (Cas elo de Vide, Po o de Espada, São Sal ado de Ama enha,
Sapei a, Alpalhão, Nisa – Po aleg e)
Ag ee – Ag eemen (Conco dância)
AJT – Aljus el - Beja
ALC – Alcoche e - Se úbal
Asp – Aspec (Aspe o)
CBV – Cabeço de Vide – Po aleg e
Conj – Conjunção
CP – Complemen ize Ph ase (Sin agma complemen ado )
EXB – Enxa a do Bispo - Lisboa
FIG – Figuei ó da Se a – Gua da
FocP – Focus Ph ase (Sin agma ocalizado )
GRC – G aciosa - Ang a do He oísmo
IP
cop
– Copula clause (O ação copula i a)
LAR – La inho - B agança
MTV – Mon al o - San a ém
PAL – Po ches, Al e – Fa o
PFT – Pe a i a - Vila Real
PIC – Bandei as, Cais do Pico – Ho a
STA – San o And é - Vila Real
STJ – San a Jus a - San a ém
UNS – Unhais da Se a – Cas elo B anco
7
‘Mais gos a é dança salsa.’
(16) a. ¿Qué e a lo que Juan leía?
‘O que e a que o Juan lia?’
b. *¿Qué Juan leía e a?
‘*O que o Juan lia e a?’
O au o admi e que o ocalizado SER es á in si u, que ocupa a posição de
núcleo de FocusP, ge ado den o de um VP, e que a ase ocalizada é seu
complemen o, al como mos a o exemplo (17). Bosque (1999) p opõe que as cli adas
de SER não con êm uma o ação pequena e que o e bo SER não é um e bo copula i o
mas sim um ope ado de oco que em como unção con as a cons i uin es.
(17) [IP Juan
i
[VP
i
[V comía [FP [[F
o
e a ] papas.]]]]] (Bosque 1999: 4)
Es e au o a i ma ambém que a cli ada de SER é uma es u u a mono-
o acional, enquan o a es u u a da pseudocli ada é o mada po duas o ações
di e en es, ou seja, é bio acional.
Mio o (2012) a gumen a con a es a úl ima hipó ese, uma ez que SER sendo
núcleo de FocusP de e ia bloquea a subida do e bo p incipal da ase pa a I.
Cu now & T a is (2003), pa a o espanhol colombiano, assumem que nem odas
as pseudocli adas podem o na -se cli adas de SER e nem odas as cli adas de SER
podem o na -se pseudocli adas, pela inse ção ou eliminação de um cons i uin e Wh-.
Es es au o es aplicam alguns es es empí icos pa a a con i mação da hipó ese de que
as pseudocli adas e as cli adas de SER são di e en es. Um desses es es é a ocalização
de pola idade nega i a (o que ambém oi obse ado po Bosque (1999)). As
pseudocli adas não pe mi em a ocalização desse ipo de cons ução, enquan o que
isso já é possí el com a u ilização de uma cli ada de SER:
(18) a. *Lo que no puedo e es nada. (Cu now & T a is 2003: 2)
‘*O que não posso e é nada.’
b. No puedo e es nada.

8
‘Não posso e é nada.’
Ou o es e indicado pelos au o es é a sensibilidade à subida de clí ico. Nas
cli adas de SER, o clí ico “igno a” a p esença de SER, ao con á io do que acon ece nas
pseudocli adas, al como ambém mos a Méndez Vallejo (2012: 3):
(19) a. Lo que quie o es i me.
‘O que que o é i -me.’
b. *Lo que me quie o es i .
‘*O que me que o é i .’
c. Quie o es i me.
‘Que o é i -me.’
d. Me
i
quie o es i
i
.
Me que o é i .
‘Que o é i -me.’
Es es au o es admi em, com es es es es, que a cli ada de SER é uma es u u a
mono-o acional, is o que a p esença do e bo SER ocalizado não impede a
ocalização de i ens de pola idade nega i a nem a subida de clí icos, enquan o a
es u u a pseudocli ada con ém uma o ação subo dinada.
Cu now & T a is (2003) a i mam ambém que an o a cli ada de SER como a
pseudocli ada se em pa a ocaliza complemen os indi e os, mas as es u u as
pa ecem oco e em di e en es con ex os, embo a os au o es não desen ol am es e
ópico. Os au o es ambém mos am que a cli ada de SER an o ma ca oco
con as i o como oco iden i icacional (não con as i o)
3
.
Camacho (2006), pa a o espanhol ca ibenho, al como Bosque (1999), a a a
cli ada de SER como uma cli ada especí ica, mas assume que o ocalizado SER é
núcleo de IP
COP
e que em a mesma es u u a e p op iedades a gumen ais que os
3
Cu now & T a is (2003: 7) mos am que, de 34 okens in e p e á eis, 25 co espondiam a usos
con as i os e 9 a usos iden i icacionais (não con as i os). Os au o es admi em que, pa a alguns desses,
a lei u a de con as e e a cla amen e excluída.
9
ou os e bos copula i os. IP
COP
em como especi icado um sujei o nulo e como
complemen o um DP ocalizado, al como mos a o exemplo ep esen ado abaixo:
(20) (Camacho 2006: 19)
IP
3
Los pája os I’
3
se comie on VP
3
VP IP
COP
3 3
V e
i
x I’
COP
3
ue las migas
iFOC
Camacho (2006: 18), ao es abelece uma elação en e a ca ego ia azia
complemen o e o cons i uin e ocalizado, admi e que o cons i uin e ocalizado não
es á numa posição a gumen al, is o que o complemen o las migas pode á apa ece
numa ilha, como é demons ado no exemplo (21).
(21) El pája o se comió me so p ende el hecho de que ue a/ ue an las migas.
O pássa o comeu me su p eende o ac o de que oi/ o am as migalhas.
‘O pássa o comeu su p eende-me o ac o de que oi/ o am migalhas.’
Assumindo ainda que de e ão se a ibuídos papéis emá icos a a gumen os
que es ão em posição de complemen o, es e au o suge e que las migas não pode se
a gumen o de comió, is o que não é seu complemen o. O au o p opõe, em
al e na i a, uma ca ego ia nula em posição de a gumen o co-indexado com o
p edicado do e bo copula i o. Apesa disso, Camacho a i ma que não exis e elação
de mo imen o en e las migas e a ca ego ia nula.
O au o suge e que a es u u a copula i a (IP
COP
) es á numa posição de
adjunção a VP, is o que admi e que o e bo SER em as mesmas p op iedades
es u u ais e a gumen ais que ou os e bos copula i os.
10
Méndez Vallejo (2009b: 226) a gumen a con a es a hipó ese, is o que SER, de
aco do com a au o a, não se compo a como um e bo copula i o, mas como um
in ensi icado de oco e, po isso, não pa ilha as mesmas p op iedades que ou os
e bos copula i os. Tendo em con a a análise de Camacho (2006), a au o a não
conco da com a p opos a de SER só ocaliza cons i uin es acima de P, is o que pode
ocaliza o pe e i o (22) e o p og essi o (23).
(22) A: ¿Rubén no había salido cojeando? (Méndez Vallejo 2009b: 103-104)
Rubén não ha ia saído coxeando.
‘O Rubén não inha saído a coxea ?’
B: No, él había e a llegado cojeando.
Não, ele ha ia e a chegado coxeando.
‘Não, ele inha e a chegado a coxea .’
(23) A: ¿Rubén no había salido cojeando? (Méndez Vallejo 2009b: 104)
Rubén não ha ia saído coxeando.
‘O Rubén não inha saído a coxea ?’
B: No, él había salido e a sal ando.
Não, ele ha ia saído e a sal ando.
‘Não, ele inha saído e a a sal a .’
Méndez Vallejo (2009b: 80) a i ma que o e bo SER da pseudocli ada não es á
na mesma posição que o e bo SER da cli ada de SER, is o po que nas pseudocli adas
SER não conco da em empo e aspe o com o e bo p incipal da o ação subo dinada
(24a e 24b), enquan o na cli ada de SER o ocalizado SER conco da semp e em empo
e aspe o com o e bo p incipal (24c e 24d):
11
(24) a. Quien/La que me obó ue ella.
“Quem me oubou oi ela.”
b. Quien/La que me obó es ella.
Quem me oubou é ela.
“Quem me oubou oi ela.”
c. Me obó ue ella.
Me oubou oi ela.
“Roubou-me oi ela.”
d. *Me obó es ella.
Me oubou é ela.
“Roubou-me oi ela.”
Ou o aspe o apon ado pela au o a é que o p og essi o não pode se ocalizado
pela pseudocli ada, mas pode se pela cli ada de SER:
(25) a. *Lo que ha es ado es es udiando lingüís ica. (Méndez Vallejo 2012: 3)
O que em es ado é es udando linguís ica.
‘*O que em es ado é a es uda linguís ica.’
b. Ha es ado es es udiando lingüís ica.
Tem es ado é es udando linguís ica.
‘Tem es ado é a es uda linguís ica.’
12
A au o a admi e que SER es á numa posição in e na a TP e não a CP, como é o
caso das pseudocli adas. Méndez Vallejo (2009b) conclui que a cli ada de SER pode
ocaliza qualque ipo de cons i uin e desde que seja pós- e bal, o que suge e que
SER es eja numa posição abaixo de T mas acima de P, e não den o de P como a i ma
Bosque (1999) e Camacho (2006), is o que SER pode ocaliza cons i uin es ge ados
acima de P. Méndez Vallejo admi e en ão que SER, nas cli adas de SER, é o iginado
em FocP localizado abaixo de T e acima de P.
Em elação ao ocalizado SER, Méndez Vallejo (2009b) a i ma que SER de e se
is o como pa ícula de oco ( ocus link) e não como um e bo copula i o ou um e bo
auxilia , is o que só apa en a unciona como um in ensi icado de elemen os
ocalizados. Es a au o a concluiu ambém que SER só ocaliza cons i uin es pós- e bais
e que es abelece conco dância em empo e aspe o com um e bo em T.
Baseada nes as obse ações, a es u u a que a au o a suge e é que SER é
ge ado den o de um FocP, no qual o núcleo (Foc) é nulo e o especi icado é ocupado
po SER. A jus i icação da au o a pa a coloca SER na posição de especi icado e não
em núcleo é SER se i como um elo de ligação en e in o mação no a e elha e
in oduzi in o mação no a. Is o suge e que, ao en a iza o elemen o ocalizado,
de e á se examinado como um especi icado e não como um núcleo. Apesa de SER
conco da em empo e aspe o com o e bo em T e em pessoa e núme o com o
elemen o ocalizado, a au o a a i ma que SER pe deu as suas p op iedades semân icas
como e bo. Es a au o a e e e ainda que SER não concede a in e p e ação de oco ao
cons i uin e ocalizado, mas que en a iza ou in ensi ica a a ibuição de oco. Po an o,
Méndez Vallejo (2009b: 257) a i ma que an o o ocalizado SER como o núcleo de
FocP cons i uem a es u u a de oco.
Em e mos de posição sin á ica, Méndez Vallejo a i ma que FocP oco e na
pe i e ia in e na de TP, abaixo de T.
Méndez Vallejo (2012) obse ou ambém que as cli adas de SER an o se em
pa a ma ca oco iden i icacional (não con as i o) (26) como oco con as i o (27) em
espanhol colombiano:

13
(26) A: ¿Qué comp as e?
Que comp as e?
‘O que é que comp as e?’
B: Comp é ue ino.
‘Comp ei oi inho.’
(27) A: ¿Comp as e ino o ce eza?
‘Comp as e inho ou ce eja?’
B: Comp é ue ino.
‘Comp ei oi inho.’
Mio o (2012: 300) conside a a cli ada de SER uma es u u a mono-o acional em
que o ocalizado SER é uma pa ícula de oco que eme ge como adjun o do
cons i uin e ocalizado, como no exemplo po ele ep esen ado:
(28) [TP O Lula
i
em [ P é [ P
i
alado pouco e com poucos.]]]
O Lula, ao ica em SpecTP, c-comanda o seu es ígio em VP. Po se um
adjun o, o ocalizado SER não bloqueia a subida do e bo e o que emos no im é uma
o ação mono-o acional.
O au o admi e que is o explica as á ias posições do ocalizado , dando os
exemplos ep esen ados abaixo:
(29) a. A Ma ia que é chega a Flo ianópolis no domingo, não chega a
Join ille.
b. A Ma ia que chega é a Flo ianópolis no domingo, não a Join ille.
c. A Ma ia que chega a Flo ianópolis é no domingo, não no sábado.
14
Mio o (2012: 290) admi e ambém que a cli ada de SER é uma cli ada
especí ica e que não em nenhuma “ edução” na ase, dando o exemplo (30). Se a
cli ada de SER osse uma pseudocli ada com ope ado nulo, a ase (30b) se ia
g ama ical.
(30) a. O que a Ma ia é é escandaloso.
b. *A Ma ia é é escandaloso.
Au o es como Resenes (2014) admi em ha e mais que um ipo de cli ada de
SER: uma cons ução que é independen e da pseudocli ada e ou a que de i a da
pseudocli ada, mas com apagamen o do cons i uin e Wh. Apesa disso, Ka o & Mio o
(2016) a i mam que a al a de conco dância e bal en e o e bo e o sujei o pós- e bal
mos a que só há um ipo de cli ada de SER.
Ka o & Mio o (2015) ambém de endem que as pseudocli adas e as cli adas de
SER não êm uma de i ação comum. Na p opos a dos au o es, odo o VP pode se
ocalizado (o e bo, se es e não subi pa a T, os complemen os e os adjun os). Is o
con i ma que as cli adas de SER só ocalizam cons i uin es no domínio de c-comando
de T, po an o, não é possí el ocaliza sujei os p é- e bais. Es es au o es conside am
que as cli adas de SER só se em pa a ma ca oco con as i o.
Ve cau e en (2016: 85-87), que ambém em em con a as di e enças sin á icas
en e as pseudocli adas e as cli adas de SER, a gumen a que a cli ada de SER é uma
es u u a mono-o acional, uma ez que pe mi e subida de e bos acima de SER (31),
bem como a subida de clí icos (32), al como já oi obse ado po Cu now & T a is
(2003) e Méndez Vallejo (2012):
(31) O João pa ece é es a doen e.
(32) Vão pa a a opa, êm pa a ás, que em-se é casa . (GRC) (CORDIAL-
SIN apud Ve cau e en 2016: 87)
Ve cau e en (2016: 87) admi e ainda que o e bo copula i o lexicaliza uma
posição ela i amen e baixa, is o que não pode p ecede um e bo em T:
(33) *O João oi comeu o bolo.
15
A au o a a i ma que as p opos as de au o es como Wheele (1982), To ibio
(1992) e Cos a & Dua e (2001) de em-se ao ac o de es es au o es analisa em a
cli ada de SER como se osse uma es u u a bio acional.
No abalho de Cos a & Dua e (2001), po exemplo, que az uma p opos a de
análise uni icada pa a odos os ipos de cli ada, os au o es admi em que nas cli adas
de SER o p onome Wh- das pseudocli adas é subs i uído po um ope ado nulo. Es es
au o es de endem que o e bo copula i o nas cli adas de SER é o núcleo lexical de VP
e que seleciona, po an o, uma o ação pequena, is o é, a cli ada de SER pa a es es
au o es ambém é bio acional. Es es suge em que só VPs não máximos podem se
cli ados nes e ipo de es u u a e elacionam es e ac o com a p op iedade de o
po uguês se uma língua de obje o nulo, e admi em que, po essa azão, o
cons i uin e cli ado não pode se um sujei o. Con udo, no abalho de Lobo, San os &
Soa es-Jesel (2015: 6), as au o as admi em que pode ha e cli agem de sujei o (34):
(34) Não ele onou o ei o . Tele onou oi o di e o .
Lobo, San os & Soa es-Jesel (2015), seguindo a p opos a de Mio o (2012),
assumem que as cli adas de SER são es u u as mono-o acionais em que SER é uma
pa ícula de oco que ma ca a pe i e ia esque da do ma e ial ocalizado (admi e-se que
pode ha e sc ambling de ma e ial não ocalizado pa a o a do domínio P).
Vol ando no amen e ao abalho de Ve cau e en (2016), a au o a admi e que
as cli adas de SER são es u u as mono-o acionais em que a cópula não é núcleo de VP
po que não em as p op iedades de um e bo copula i o egula , azendo e e ência a
á ios au o es que de endem a mesma p opos a pa a o po uguês do B asil e pa a o
espanhol. A au o a ai e em con a o pon o de is a de á ios au o es e ai assumi
que o cons i uin e cli ado es á in si u
Ve cau e en (2016: 272) de ende que SER pode es a associado a di e en es
posições, apesa de es a semp e à di ei a de um e bo em T, como se ilus a nas
di e en es ases que a p óp ia au o a ap esen a:
(35) (a) Ele pode é e es ado doen e.
16
(b) Ele pode e é es ado doen e.
(c) Ele pode e es ado é doen e.
Ou seja, de aco do com a au o a é p e e í el assumi que o e bo copula i o
SER não ocupa uma posição ixa e que em uma dis ibuição “li e”.
Es a au o a p opõe uma no a análise baseada na análise de Cable (2010) pa a a
sin axe das pa ículas-Q, is o que jus i ica a li e dis ibuição do e bo copula i o e o
conside a uma pa ícula de oco (ou de ocalização). Na p opos a de Cable (2010) é
discu ida a posição das pa ículas-Q. O au o a gumen a que es as pa ículas podem
se an o adjun as ao cons i uin e Wh- como e o cons i uin e Wh- como
complemen o. Ve cau e en (2016) adap a es a p opos a e conside a que o e bo
copula i o oma o cons i uin e cli ado como complemen o e p oje a um P, sendo que
is o em consequências pa a a sua seleção, na medida em que núcleos uncionais que
não selecionam cons i uin es e bais não selecionam um P.
Ve cau e en (2016) assume ambém que o e bo copula i o não em alo
semân ico e que assim SER e o P i ão e as mesmas p op iedades semân icas que o
cons i uin e cli ado. A al a de con eúdo semân ico do e bo copula i o az com que o
seu complemen o possa e qualque alo semân ico, o que signi ica que SER não
impõe nenhuma es ição de seleção.
Assim, a au o a a i ma que, como não há es ição no ipo de cons i uin e
cli ado, esse pode se de qualque ipo semân ico – en idades, p op iedades,
p oposições, quan i icado es, en e ou os – dando os seguin es exemplos (CORDIAL-
SIN apud Ve cau e en 2016: 283):
(36) a. E só p ejudica é [
DP
as sea as]. (ALC)
b. Não e a e a [
NP
do es desinso idas]. (STJ)
c. Es e bo e é ipulado é [
PP
po se e homens]. (PIC)
d. E é bom é [
CP
que as duas aguen em]. (PIC)
e. Pois eu ia e a [
VP
ugi ]. (GRC)
23
CAPÍTULO III: ESTRUTURA ENFÁTICA COM MAS SER
III. 1. In odução às es u u as en á icas com mas SER
Tal como e e i na in odução do p esen e es udo, pa a além das cli adas que
se conhecem, exis e ainda uma cons ução em po uguês que u iliza a conjunção
ad e sa i a mas em conjun o com o e bo SER – é, e a e oi – pa a ma ca oco sob e
um cons i uin e. Essa cons ução, que em um alo en á ico-con as i o, pode se
obse ada no exemplo seguin e:
(57) Vão mas é pa a a p o íncia apanha ba a as. (CETEMPúblico,
pa =ex 127650-pol-94a-3)
Pa a a língua po uguesa, exis em mui o poucos abalhos sob e a es u u a
en á ica com mas SER. Um desses abalhos é o de Ab eu (2001), em que a au o a
admi e que a es u u a en á ica com mas SER é uma a ian e da cli ada de SER
4
,
especialmen e em elação a con ex os impe a i os. A au o a admi e que a “ a ian e
mas é” é u ilizada na ala o al quo idiana po odas as camadas sociais do po uguês
eu opeu.
Es a au o a a i ma que a cons ução é uma “combinação insepa á el” de mas e
a e cei a pessoa do singula do e bo SER e que os con ex os sin á icos são idên icos
aos con ex os da cli ada de SER, apesa de a es u u a com “mas é” e ca ac e ís icas
p óp ias, como é o caso da a ian e pós- ase, exempli icada de seguida.
(58) Vai calça os sapa os, mas é.
Ab eu (2001: 48) iden i ica duas a ian es da cli ada de SER: a a ian e p é-
oco, que pode a ia /conco da em empo (59a), mas em que essa conco dância nem
semp e é ob iga ó ia (59b), e a a ian e pós- ase, que não conco da em empo com o
e bo p incipal da ase (59d):
4
A au o a chama a cli ada de SER de “semi-pseudocli ada”.

24
(59) a. Ele oi mas oi pa a os lados de Galama es. (Ab eu 2001: 48)
b. Ele oi mas é pa a os lados de Galama es.
c. Ele oi pa a os lados de Galama es mas é.
d. *Ele oi pa a os lados de Galama es mas oi.
Em elação às ca ac e ís icas discu si as des a cons ução
5
, a au o a a i ma que
es a se in eg a sob e udo em es u u as impe a i as e que em um alo en á ico-
con as i o. A au o a admi e ainda que a a ian e p é- oco es á mui as ezes associada
a con ex os pe i ás icos:
(60) Vai mas é da uma ol inha! (Ab eu 2001: 52)
Ab eu (2001: 53) a i ma que a cli ada de SER e em especial “a sua a ian e” são
uma “ e dadei a possibilidade complemen a pa a se usada em con ex os
impe a i os”, sendo que o mesmo se aplica às ases exclama i as. A au o a admi e
po isso ha e uma “dupla ma cação”: o uso exclama i o ealça, enquan o “mas é”
en a iza.
Tendo em con a as ases in e oga i as, Ab eu (2001: 53) a i ma que as
in e oga i as pa ciais são incompa í eis com es a es u u a, mas ambém que as
in e oga i as o ais são p oblemá icas, sendo es a es u u a mais comum em ases
decla a i as e impe a i as, al como já e e ido.
(61) a. *Que azes mas é u? (Ab eu 2001: 53)
b. ??*Que azes u mas é?
Lopes ([1983]2005: 34), apesa de não desen ol e mui o a análise das cli adas
em po uguês, admi e que es as “ope am p edicações me alinguís icas de
5
Tem-se em con a que ao ca ac e iza a “semi-pseudocli ada”, a au o a ca ac e iza ambém a sua
“ a ian e mas é”.
25
supe la i ação, de opicalização, de ocalização, de ec i icação ou ac o polémico
dialógico, de con as e ad e sa i o ou concessi o, de assen imen o, e c. (…)”.
Es e au o az e e ência a mas SER dando os seguin es exemplos:
(62) a. Ele em mas é medo. (Lopes [1983]2005: 35)
b. O que ele em é mas é medo.
Enquan o (62a) é de inida como “ éplica polémica”, (62b) é de inida pelo au o
como “ éplica polémica com maio ca ga axiológica nega i a”.
A es u u a en á ica com mas SER, que eque semp e um con ex o, pa ece se
uma ex ensão ou e o mulação do que oi an e io men e a i mado e, al como Ba os
(1988) a i ma a p opósi o do uso “con as i o” de mas:
(…) De ac o, o con as i o con a ia um nexo causal ou
condicional de que apa ece como sendo uma ex ensão,
e o mulação ou denegação. O con as i o in oduzi ia uma
asse ção como ca ác e de ce o modo inespe ado, uma
especi icação em ce a medida con a-expec a i a.
No malmen e, não se e i ica uma in alidação da implicação,
mas um ques ionamen o ao nexo implicacional a a és de uma
ex ensão ou modalização. Tudo is o se aduz po uma junção
de elemen os an agónicos (…) que ep esen a uma queb a de
egula idade e é po esse mesmo ac o con a-expec a i a.
(Ba os 1988: 270)
Méndez Vallejo (2012) a i ma que alan es de diale os do espanhol sem
ocalizado SER
6
escolhem ce as exp essões pa a ma ca em ópico, oco, e idência e
con as e.
6
Non-FS (Focalizing Se ) dialec s.
26
Uma das exp essões usadas em alguns diale os do espanhol é a conjunção pe o
(‘mas’) que p ecede o cons i uin e em oco. O seu uncionamen o é mui o pa ecido
com o mas SER do po uguês, apesa de pe o pode oco e sem o e bo SER, como
mos a o exemplo da au o a, ep esen ado abaixo:
(63) A: Pensé que enías dos niños. (Méndez Vallejo 2012: 15)
‘Pensei que inhas dois ilhos’
B: No, engo pe o dos niñas.
Não, enho mas duas ilhas
‘Não, enho mas é duas ilhas’
A exp essão pe o, al como se ai mos a pa a a es u u a com mas SER, não
unciona em con ex os não con as i os:
(64) A: ¿Tienes masco as?
‘Tens animais de es imação?’
B: *Si, engo pe o dos pe os.
*Sim, enho mas dois cães.
‘*Sim, enho mas é dois cães.’
A au o a a i ma que pe o não subs i ui o ocalizado SER em odos os
con ex os. Em po uguês, são possí eis as duas o mas:
(65) A: ¿No ienes hamb e?
‘Tens ome?’
B: No, engo es/*pe o sed.
Não, enho é/*mas sede.
‘Não, enho é/mas é sede.
Apesa disso, em espanhol, al como acon ece em po uguês, pe o pode
cooco e com o e bo SER:
(66) A: ¿No ienes hamb e?
‘Não ens ome?’
27
B: No, engo es pe o sed.
Não, enho é mas sede.
‘Não, enho é mas é sede.’
A au o a p opõe ambém que, em espanhol, a exp essão pe o em diale os sem
ocalizado SER ocupa a mesma posição sin á ica que o e bo SER ocupa em diale os
com o ocalizado SER, sendo essa posição FocP. No exemplo (67), é possí el obse a
a es u u a p opos a po Méndez Vallejo (2012)
7
.
(67) TP (Méndez Vallejo 2012: 17)
3
T’
3
T FocP
salí
3
ui / FocP’
pe o
3
Foc VP
6
yo
De aco do com Mio o (2012), a es u u a p opos a po Méndez Vallejo em
p oblemas, po que a p esença do núcleo de Foc de e ia bloquea a subida do e bo
pa a T, o que na ealidade não acon ece.
Nes a es u u a, a au o a ambém não em em con a os con ex os em que pe o
cooco e com o e bo SER, is o é, se pe o e es cooco em numa só ase, como no
exemplo (66B), não podem es a na mesma posição sin á ica, po isso, a es u u a
p opos a pela au o a não pa ece se a mais adequada.
II. 2. P op iedades da es u u a
II. 2. 1. Me odologia
7
Méndez Vallejo (2012: 17) admi e que no espanhol de Buca amanga é possí el que SER ocupe uma
posição mais al a do que a exp essão dizque (ma cado de oco em diale os sem ocalizado SER), is o
que podem oco e na mesma ase (exemplo: Fe nanda llegó ue dizque acompanhada).
28
Pa a obse a a p odução espon ânea da es u u a en á ica com mas SER oi
ex aída uma amos a de oco ências de mas é, mas e a e mas oi do websi e da
Lingua eca CETEMPúblico
8
(Co pus de Ex a os de Tex os Ele ónicos MCT do jo nal
Público), o alizando 31 oco ências, e odas as oco ências de mas é, mas e a e mas
oi do co pus CORDIAL-SIN
9
(Co pus Diale al pa a o Es udo da Sin axe),
co espondendo a 22 oco ências
10
.
Em elação ao CETEMPúblico, da amos a de 8000 oco ências, 31 ases
ap esen a am a es u u a mas SER em con ex o en á ico, endo as es an es alo
ad e sa i o.
No co pus CORDIAL-SIN (Co pus Diale al pa a o Es udo da Sin axe), le an a am-
se odas as oco ências de mas é, mas e a e mas oi em con ex o en á ico em 42
egiões de Po ugal, endo-se iden i icado 22 oco ências de mas SER.
Todas as oco ências des a es u u a ep oduzem a ala o al quo idiana, ou
seja, es a es u u a não pa ece se u ilizada em egis o esc i o
11
.
III. 2. 2. Posição sin á ica de mas SER
A es u u a en á ica com mas SER é uma cons ução en á ico-con as i a que
dá ên ase a complemen os ou adjun os, mas, ao con á io da cli ada de SER, pode
ambém oco e em posição inal de ase. Ab eu (2001) chama a es as di e en es
posições a ian e p é- oco (68) e a ian e pós- ase (69):
(68) (a) A Ma a ai mas é às comp as.
(b) Pa a mas é com isso!
8
In h p://www.lingua eca.p /ce empublico/, 24 de ou ub o de 2016.
Só oi ex aída uma amos a is o que, nes e co pus, só se consegue p ocu a uma conco dância de cada
ez e is o que “mas” em um núme o de oco ências excessi o, po cada p ocu a, o websi e, só dá uma
amos a alea ó ia de 8000 oco ências das 392852 oco ências de “mas” encon adas. Dessas 8000
oco ências, 31 e am de mas SER em con ex o en á ico.
9
In h p://www.clul.ul.p /p / ecu sos/226-co pus-syn ax-o ien ed-co pus-o -po uguese-dialec s-
co dial-sin, 25 de ou ub o de 2016.
10
Todas as oco ências de mas é, mas e a e mas oi ex aídas dos co po a são em con ex o en á ico.
11
Pelo menos, egis o esc i o o mal.

29
(69) (a) A Ma a ai às comp as, mas é.
(b) Pa a com isso, mas é!
Tal como se pode obse a no exemplo seguin e, mas SER pode oco e em
á ias posições na ase: en e o e bo auxilia e o e bo p incipal (70a), depois do
e bo p incipal (70b) ou no im da ase (70c), ou seja, al como o e bo SER na cli ada
de SER, mas SER não em uma posição ixa:
(70) a. Vai mas é do mi , eu como polícias assim ao pequeno almoço.
(CETEMPúblico, pa =ex 15858-des-94b-2)
b. Ides joga mas é p’ a II Di isão. (CETEMPúblico, pa =ex 31196-des-
98a-3)
c. Que emos coope a , mas é. (CETEMPúblico, pa =ex 252779-soc-97b-
1)
Apesa de se possí el encon a ambas as a ian es, obse a-se que a a ian e
p é- oco é mais comum que a a ian e pós- ase. Nos co po a, em 54 oco ências só
hou e uma única oco ência de mas é pós- ase.
Fazendo e e ência a algumas p op iedades sin á icas e e idas po Bosque
(1999), Cu now & T a is (2003) e Méndez Vallejo (2012) pa a a cli ada de SER, a
es u u a en á ica com mas SER ambém pe mi e a ocalização de i ens de pola idade
nega i a (71) e a subida de clí icos pa a uma posição acima do e bo SER (72). Es as
duas p op iedades podem se a gumen os pa a uma análise mono-o acional des a
es u u a.
(71) Não posso come mas é nada.
(72) a. Podes mas é ajuda -me.
b. Podes-me mas é ajuda .
Tal como as cli adas de SER, endo em con a as p op iedades iden i icadas po
Ve cau e en (2016: 282), mas SER ambém não pode se negado, nem pode se
30
modi icado po auxilia es modais ou aspe uais nem po ad é bios, nem pode in e i
ma e ial lexical en e ‘mas’ e ‘é’.
(73) a. *O Má io esc e eu não mas é o li o.
b. *O Má io esc e eu mas não é o li o.
c. *O Má io em esc i o pode e sido mas é o li o.
d. *O Má io em esc i o mas pode e sido é o li o.
e. *O Má io esc e e mas é de ini i amen e o li o.
. * O Má io esc e e mas de ini i amen e é o li o.
Is o mos a que, al como na cli ada de SER, SER não em con eúdo semân ico,
não uncionando como uma o ma e bal plena. Ao não e con eúdo semân ico, a
es u u a não pode se negada, is o que a negação seleciona p oposições, nem pode
se modi icada po ad é bios, nem po auxilia es aspe uais/modais, is o que es es
selecionam e en os.
Em elação à posição sin á ica, mas SER não pode es a an es de um e bo em
Flex/T ( lexionado) (74) e quando cooco e com ou a exp essão ocalizado a, po
exemplo quando oco e com a cli ada de SER, é g ama ical SER mas SER (75a), mas
não *mas SER SER (75b):
(74) *Ele mas e a es a a doen e.
(75) a. Eles ie am cá oi mas é pa a aze po ca ia.
b. *Eles ie am cá mas é oi pa a aze po ca ia.
Is o mos a que mas SER p é- oco es á numa posição abaixo de Flex/T e, uma
ez que, quando SER e mas SER cooco em, SER p ecede mas SER, conclui-se que o
e bo SER, nas cli adas de SER, es á numa posição mais al a que mas SER nas
es u u as en á icas com mas SER p é- oco. Em elação à es u u a en á ica com mas
31
SER pós- ase, admi o que es á numa posição mais al a que oda a o ação, uma ez
que, não podendo lexiona , não pa ece es a sob o escopo de Flex/T, e ocaliza a
o ação na sua o alidade.
III. 2. 3. Con ex os ilocu ó ios
A es u u a en á ica com mas SER pode apa ece an o em ases decla a i as,
como em ases impe a i as, exclama i as e a é in e oga i as.
O ipo ilocu ó io mais comum pa a es a es u u a são as ases decla a i as,
impe a i as e exclama i as:
(76) Tínhamos medo mas e a dos bonés, dos gua das. (CORDIAL-SIN, FIG(6))
(77) Vol a
mas é
pa a o B asil! (CETEMPúblico, pa =ex 88855-soc-92a-3)
(78) Ele ha iam de da mas e a uma enxada pa a i em pa a a se a ca a
alque es! (CORDIAL-SIN, AAL(4))
Es a es u u a pode unciona associada a ipos ilocu ó ios in e oga i os em
ce os con ex os:
(79) A: Onde mo as?
B: Eu não e ou dize , como é ób io.
A: Onde mo as, mas é?
(80) A: Tu não alas assim pa a mim!
B: Que es um es alo, mas é?
Tal como se pode obse a nos exemplos acima, mas SER é g ama ical an o em
in e oga i as pa ciais (79) como em in e oga i as o ais (80), ao con á io do que é
a i mado po Ab eu (2001).
Tan o no co pus do CETEMPúblico como no co pus do CORDIAL-SIN, a es u u a
en á ica com mas SER oco e em ases exclama i as (81 e 82), impe a i as (83 e 84) e
decla a i as (85 e 86), não ha endo nenhuma oco ência em con ex o in e oga i o.
(81) Con ém
mas
é agi desde já! (CETEMPúblico, pa =ex 77174-cl -93a-1)
32
(82) Ele ha iam de da mas e a uma enxada pa a i em pa a a se a ca a
alque es! (CORDIAL-SIN, FIG(6)
(83) Vamos
mas é
gua da os ogue es em luga segu o e só aze a es a no
dia 14. (CETEMPúblico, pa =ex 56273-pol-96a-2)
(84) Deixa-me mas é passa já an es… (CORDIAL-SIN, EXB(9))
(85) Nós ainda amos
mas é
ao es i al dança … (CETEMPúblico,
pa =ex 120290-nd-97b-1)
(86) Que em mas é es a a i -se e a con e sa . (CORDIAL-SIN, PFT (2))
Em elação à a ian e pós- ase des a es u u a, pode-se a i ma que em um
uso mais es i o, sendo es a a ian e mais comum e acei á el num con ex o
impe a i o, como nos exemplos (87) e (88), ou exclama i o, como no exemplo (89). Em
elação às ases decla a i as (90 e 91), elas só se ão possí eis se hou e um con as e
implíci o. Sendo assim, mas SER pós- ase é sensí el ao ipo ilocu ó io da ase.
(87) T az-me o comando, mas é!
(88) Olha pa a a es ada, mas é!
(89) Es ás maluco, mas é!
(90) A: Já es ou a ica abo ecida. Ele não discu sa nada!
B: Ele discu sa mui o bem, mas é.
(91) A: Passas o dia a bebe sumo! Nunca e ejo a bebe água.
B: Eu a é bebo água a mais, mas é.
Em elação ao con ex o in e oga i o, obse a-se que só se ão possí eis em
con ex os mui o especí icos e de con as e exp essamen e implíci o.
(92) A: Eu não que o es uda mais!
B: Es ás mas é a b inca …
A: Não que o mais! A pa i de hoje, não ou mais à escola!
B: Que es um es alo, mas é?
Pode-se conclui que: a es u u a en á ica com mas SER é comum em con ex os
impe a i os, exclama i os e decla a i os, sendo que em um uso es i o em ases
in e oga i as; a a ian e pós- ase des a es u u a em um uso ainda mais es i o que
a a ian e p é- oco, is o que pode á se es anha em con ex os decla a i os, se es es
39
se negada, nem pode se modi icada po auxilia es modais ou aspe uais nem po
ad é bios.
Ou o dos a gumen os que di e enciam a es u u a en á ica com mas SER da
cli ada de SER é a cooco ência das duas, pelo menos quando mas SER es á no
p esen e do indica i o, o que mos a que não es ão na mesma posição sin á ica, is o é,
SER es á numa posição mais al a que mas é.
A es u u a en á ica com mas SER encon a-se an o em ases decla a i as,
como em impe a i as, exclama i as e in e oga i as, apesa de o con ex o
in e oga i o se um pouco p oblemá ico. A a ian e pós- ase em um uso es i o e
apa en a se p oblemá ica em elação a con ex os decla a i os e in e oga i os.
Tal como na cli ada de SER, a es u u a en á ica com mas SER não impõe
es ições ao ipo de cons i uin e cli ado nem à unção sin á ica do cons i uin e
cli ado, à exceção da cli agem/ ocalização de modi icado es de ase (ad e biais).
Em elação à lexão de ambas as a ian es (p é- oco e pós- ase), é possí el
obse a que a a ian e p é- oco pode á não conco da em empo com o e bo
p incipal da o ação, enquan o a a ian e pós- ase em ob iga o iamen e de es a no
p esen e do indica i o.
Conclui-se, po an o, que, al como na cli ada de SER, mas SER não em
con eúdo semân ico, is o é, não unciona como uma o ma e bal plena e pode,
po an o, e um cons i uin e de qualque ipo ca ego ial. Obse a-se ambém que
mas SER es á em p ocesso de g ama icalização, is o que há casos em que a lexão em
empo não é possí el. Mas SER pa ece unciona como uma o ma híb ida que ainda
man ém alguns aços e bais a i os, como é o caso da lexão e bal, o que mos a que
mas SER pode á se um complexo e bal ou uma pa ícula de ocalização em p ocesso
de g ama icalização.

40
CAPÍTULO IV: SER E FOCO – PROPRIEDADES
INTERPRETATIVAS
Sabe-se que o cons i uin e cli ado nas cons uções cli adas é ocalizado,
po an o, pa a ca ac e iza as cons uções cli adas em ge al e es a cons ução em
pa icula há que e em con a a noção de oco.
A cli ada de SER e a es u u a en á ica com mas SER, como são cons uções que
êm como obje i o coloca em des aque/ ocaliza um cons i uin e da ase (sujei o,
obje os ou adjun os), podem se analisadas ela i amen e às suas p op iedades
in e p e a i as, nomeadamen e em elação ao concei o de oco.
P a icamen e odas as cons uções cli adas do po uguês são usadas pa a
in oduzi an o oco in o macional como oco con as i o, à exceção da cli ada de é
que, que não ai se desen ol ida nes e abalho, da cli ada de SER e da es u u a
en á ica com mas SER que só apa en am in oduzi oco con as i o.
IV. 1. Tipos de oco e pe spe i as sob e a codi icação de oco na sin axe
Na li e a u a são di e enciados, maio i a iamen e, dois ipos de oco: oco
in o macional, que in oduz in o mação no a, e oco con as i o, que con as a com
alguma in o mação dada con ex ualmen e.
Roo h (1992) conside a que odos os ipos de oco, is o é, oco que exp essa
in o mação no a e oco que exp essa con as e, são, na sua essência, o mesmo, ou
seja, as di e enças de in e p e ação do oco de em-se a a o es p agmá icos e não
semân icos, is o que a in e p e ação depende do ipo de an eceden e do oco.
Ao con á io des a úl ima hipó ese, É. Kiss (1998) conside a que es es dois ipos
de oco ( oco in o macional/ap esen a i o e oco iden i icacional/con as i o) êm
p op iedades semân icas e sin á icas di e en es.
41
De aco do com a au o a, É. Kiss (1998: 245-246), os dois ipos de oco êm
p op iedades sin á icas di e en es: o oco iden i icacional mo e-se pa a uma posição
de especi icado de uma p ojeção uncional, enquan o o oco in o macional não es á
associado a mo imen o (não em posição especí ica na ase).
É. Kiss (1998: 248) apon a ainda á ias di e enças en e os dois ipos de oco: i)
o oco con as i o exp essa exaus i idade, ao con á io do oco in o macional, que
exp essa a na u eza não p essupos a da in o mação dada, ii) o oco con as i o impõe
es ições a ce os cons i uin es, como po exemplo es ições a quan i icado es
uni e sais, e iii) o oco con as i o pode se i e a i o, enquan o o oco in o macional
pode p oje a e não em posição especí ica na ase.
Ou a das ques ões que se p ende com a análise da in o mação de oco, e em
que há di e gência en e os au o es, é sabe se es a in o mação é codi icada na sin axe
ou se es amos pe an e uma in e ace sin axe-discu so.
Alguns au o es assumem que há uma ca ego ia uncional Foco na pe i e ia
esque da da ase, ou os assumem que Foco é de e minado na in e ace com o
discu so.
Rizzi (1997) ao analisa a es u u a da pe i e ia esque da da o ação, p opõe
uma es u u a di idida pa a o sin agma complemen ado (CP), com uma sé ie de
p ojeções uncionais o ganizadas hie a quicamen e de aco do com p op iedades
discu si as
14
(121). Es e au o , ao longo do seu abalho, mos a e idências pa a a
posição de odos os sin agmas en e Fo ce e Fin, como po exemplo, a in o mação de
ópico e oco, a i mando que se um ópico quise se in e p e ado como um ópico
e á de es a na posição de especi icado de TopP, sendo que o mesmo acon ece com
a in o mação de oco (especi icado de FocP). O au o chama a es e c i é io: Topic and
Focus C i e ia (Rizzi 1997: 287).
14
O símbolo de as e isco (*) signi ica que o sin agma pode á se ecu si o.
42
(121)
Fo ceP (Rizzi 1997: 297)
3
3
Fo ce TopP*
3
3
Top
o
FocP
3
3
Foc
o
TopP*
3
3
Top
o
FinP
3
3
Fin
o
IP
Uma das di e enças obse adas pelo au o pa a TopP e FocP é que o oco é
quan i icacional, ao con á io de um ópico, is o é, os sin agmas ocalizado es pode ão
e inúme os alo es, ou seja, são a iá eis, enquan o que, no caso de um ópico, a
in o mação/ alo não é a iá el, o que é chamado po Rizzi (1997: 291) null cons an s.
Como se pode obse a pela análise de Rizzi (1997), o au o assume que as
ca ac e ís icas discu si as são codi icadas na sin axe. Ou os au o es, como Cos a
(1998) e Cos a & Figuei edo Sil a (2006), pelo con á io, a i mam que o oco é
codi icado no discu so (noção semân ico-p agmá ica) e não na sin axe.
Es es au o es não conside am que os cons i uin es ocalizados êm
ob iga o iamen e de oco e na posição de especi icado de uma ca ego ia uncional
(Focus Ph ase), ou seja, não conside am uma análise que en ol e mo imen o do
cons i uin e ocalizado pa a uma ca ego ia uncional especí ica, mas sim que os
cons i uin es ocalizados oco em numa posição in si u.
De aco do com es es au o es, em algumas línguas, o oco es á na posição mais
à di ei a da o ação, dis inguindo línguas que êm discu so con igu acional, como o
po uguês, onde a in o mação de oco es á na posição mais à di ei a da o ação, e
línguas que não êm discu so con igu acional, como o inglês, onde o oco pode á não
es a na posição mais à di ei a, mas ainda assim con inua in si u, como acon ece, po
exemplo, quando há ocalização de um sujei o. Ainda assim, es es au o es admi em
43
que, nos casos onde a sin axe, is o é, a o dem de pala as, não codi ica XPs ocalizados
é u ilizada a p osódia como ecu so.
Ve cau e en (2016: 14-15) a i ma que um dos p oblemas em admi i que o
discu so não é codi icado na sin axe é exis i em línguas em que pa ículas discu si as
es ão sis ema icamen e na mesma posição sin á ica, como é o caso do japonês e do
gungbe (língua gbe). No caso do japonês, a ma cação de ópico é ei a com a pa ícula
wa, que es á semp e no início da o ação, e no caso do gungbe, a ma cação de ópico é
ei a com a pa ícula yà enquan o a ma cação de oco é ei a com a pa ícula wὲ,
es ando ambas numa posição p é-sujei o. Is o mos a que, em algumas línguas, as
p op iedades discu si as es ão codi icadas na sin axe e apa en am mo e -se pa a
posições sin á icas especí icas.
Belle i (2004) admi e que a p esença de uma ca ac e ís ica de oco num ce o
cons i uin e desencadeia mo imen o, desse cons i uin e, pa a uma ca ego ia
especí ica de oco. Es a au o a a i ma que exis e uma segunda ca ego ia uncional
Foco mais baixa na pe i e ia esque da do P e p opõe duas ca ego ias Foco na o ação.
As duas ca ego ias Foco i iam es a associadas a in e p e ações di e en es: FocP que se
encon a na pe i e ia esque da da o ação codi ica ia a in o mação de oco con as i o,
enquan o FocP que se encon a na pe i e ia de P codi ica ia in o mação no a ( oco
in o macional), ou seja, de aco do com es a hipó ese, ipos de oco di e en es êm
ep esen ações sin á icas di e en es.
Um p oblema pa a es a hipó ese apon ado po Ve cau e en (2016) é a
possibilidade de ha e mais de dois cons i uin es associados a oco in o macional
numa o ação, ou seja, e ia de ha e mais ca ego ias uncionais FocP, o que,
consequen emen e, a ia p oblemas pa a de ini qual a posição sin á ica especí ica
pa a cada cons i uin e ocalizado que é mo ido. A au o a a i ma que não há uma
elação en e posição sin á ica e in e p e ação e p opõe, em al e na i a, que nem
odos os cons i uin es ocalizados se mo em pa a FocP.
Como se pôde obse a na subsecção II.1.1, ambém ela i amen e às cli adas
se discu e se há ou não uma ca ego ia uncional especí ica pa a oco. Alguns au o es,
44
como Bosque (1999), Méndez Vallejo (2009b) e Ka o & Mio o (2012) assumem que
exis e uma ca ego ia uncional especí ica pa a oco. Bosque (1999) admi e que o
ocalizado SER es á in si u, que ocupa a posição de núcleo de FocusP, ge ado den o
de um VP, e que a ase ocalizada é seu complemen o. Méndez Vallejo (2012) a i ma
que SER é ge ado den o de um FocP, no qual o núcleo (Foc) é nulo e o especi icado é
ocupado po SER. Ka o & Mio o (2012) assumem que o cons i uin e cli ado se mo e
pa a a pe i e ia esque da de FocP. Ou seja, apesa de odos es es au o es p opo em
es u u as sin á icas di e en es, odos es es conside am que exis e uma ca ego ia
sin á ica onde é codi icada a in o mação de oco. Ao con á io des es au o es,
Ve cau e en (2016) assume que o oco não em necessa iamen e de se mo e pa a
uma ca ego ia FocP, is o que nem semp e oco e um mo imen o A’, como é o caso
das cli adas canónicas, das pseudocli adas e das cli adas de SER. Es a au o a p opõe
que o cons i uin e ocalizado pode á não se mo e pa a FocP e pode á pe manece in
si u, ou seja, pode á es a na sua posição base, como é o caso do po uguês eu opeu.
Nes e abalho, apesa de a codi icação do oco se bas an e polémica, admi e-
se que pode ha e ca ego ias especí icas ma cado as de oco, mas que a ma cação
exclusi amen e sin á ica de oco não é ob iga ó ia, podendo a in e p e ação de oco
se de e minada na in e ace sin axe-discu so.
IV. 2. Foco na Cli ada de SER e na Es u u a En á ica com Mas SER
De aco do com o que oi discu ido na secção an e io , i á desc e e -se os
alo es de oco associados às cli adas de SER e às es u u as en á icas com mas SER,
de manei a a obse a se es as es ão associadas a mais que um ipo de oco ou se
es ão associadas a um oco especí ico.
IV. 2. 1. Cli ada de SER e oco
No espanhol, a cons ução cli ada de SER pode an o in oduzi oco
in o macional (122 e 123) como oco iden i icacional/con as i o (124 e 125), al como
mos am Cu now & T a is (2003), Camacho (2006) e Méndez Vallejo (2012).
(122) A: Examen de sang e? (Cu now & T a is 2003: 8)

45
‘Exame de sangue?’
B: Me – He mana, me hicie on un poco de exámenes oyó?
Me, i mã, me ize am um pouco de exames ou is e?
‘A mim, i mã, ize am-me alguns es es, en endes?’
D: Pe o = -- le saca on ue sang e?
‘Mas, eles i a am oi sangue?’
(123) A: ¿Qué comp as e? (Méndez Vallejo 2012: 6)
Que comp as e?
‘O que é que comp as e?’
B: Comp é ue ino.
‘Comp ei oi inho.’
(124) A: ¿Comp as e ino o ce eza? (Méndez Vallejo 2012: 6)
‘Comp as e inho ou ce eja?’
B: Comp é ue ino.
‘Comp ei oi inho.’
(125) A: Mi mamá no oma agua. (Cu now & T a is 2003: 8)
Minha mãe não oma água.
‘A minha mãe não bebe água.’
B: Toma es pu a gaseosa.
46
Toma é só gasosa.
‘Bebe é só gasosa.’
Apesa de es es au o es admi i em que a cli ada de SER pa a o espanhol ma ca
an o oco in o macional como iden i icacional/con as i o, em-se em con a que
alguns au o es, como Bosque (1999), Mio o (2012) e Ka o & Mio o (2016), a i mam
que as cli adas de SER não exp essam oco in o macional e só in oduzem oco
iden i icacional/con as i o.
Obse a-se, po an o, que no espanhol oco in o macional es á associado à
ocalização com SER. Em con apa ida, na língua po uguesa isso já não acon ece. A
cli ada de SER em po uguês só in oduz oco con as i o, ou seja, só é possí el
ocaliza com SER se hou e um con as e implíci o.
(126) A: O que é que andas e a aspi a ? A casa es a a limpa!
B: Andei oi a aspi a o ca o.
(127) A: Tele onas e ao pai?
B: Tele onei oi à mãe.
Uma p op iedade que é habi ualmen e associada a oco e às cli adas em ge al
é a exaus i idade. É. Kiss (1998), no seu abalho, usa a p esença ou a ausência de
exaus i idade como a gumen o pa a dis ingui oco iden i icacional e oco
in o macional. Foco iden i icacional/con as i o não é compa í el com cons i uin es
ásicos com a é e ambém, is o que implicam que es ão ou os elemen os em causa
que não o am especi icados, enquan o o oco in o macional não impõe es ições ao
ipo de cons i uin e.
Ve cau e en (2016: 66) a i ma que as cli adas de SER não são necessa iamen e
exaus i as, is o é, não es ão necessa iamen e associadas a exaus i idade, dando os
seguin es exemplos:
47
(128) a. Mui os inham um ca alo e # o que mui os inham e a éguas.
b. Li oi a é/ ambém es e li o.
c. Chegou a asado oi o Joke , e o Bane ambém.
Sendo que es as es u u as só apa en am in oduzi oco con as i o, de aco do
com a hipó ese de É. Kiss (1998), não pode iam se compa í eis com es es
cons i uin es ásicos, o que não se e i ica.
IV. 2. 2. Es u u a en á ica com mas SER e oco
A es u u a en á ica com mas SER, al como a cli ada de SER, ambém só
in oduz oco con as i o
15
(129, 130 e 131):
(129) INF1 (…) É cla o, e depois ão en ão mulhe es – que ago a os homens já
poucos que em abalha . (…) Que em udo anda mas é (…) na o gia e na
pa ódia. (CORDIAL-SIN, MTV(18))
(130) INF (…) Ela ai, ou se calha as duas, elas ão lá apanha as u as, não ão
apanha as u as e des, nem as u as que es ão mui o icei as, nem nada.
Apanham mas é u as mui o passadinhas, an o az se as b ancas como se as
in as que apanham. (CORDIAL-SIN, MTV(19))
(131) INF2 E semea a-se mui o milho mas e a (…) pa a a maça oca.
INF1 Pa a seca .
INF2 E ago a semeiam é pa a o gado. É pa a o gado.
INF1 E ago a semeiam mui o milho mas é pa a o gado. (CORDIAL-SIN, CLH
(21))
Pode-se obse a e con i ma com os exemplos acima, que a es u u a en á ica
com mas SER só in oduz oco con a i o. Em (129) ‘que e “anda na o gia e na
pa ódia”’ con as a com ‘que e “ abalha ”’, em (130) ‘apanha u as “passadinhas”’
15
Todas as oco ências e i adas de co po a e de in uições de alan es mos am que a es u u a en á ica
com mas SER só é p oduzida em casos con as i os ( e exemplos de co po a em anexo).
48
con as a com ‘apanha “u as e des” ou ‘as que es ão “mui o icei as”’’ e em (131)
‘semea milho “pa a a maça oca”’ con as a com ‘semea milho “pa a o gado”’.
Em con apa ida, es as es u u as são es anhas em con ex os de oco
in o macional (132, 133 e 134):
(132) A: O que é que andas e a aze o dia odo?
B: ??Andei mas oi a es uda .
(133) A: O que é que comp as e hoje?
B: ??Comp ei mas oi uns bi es pa a aze pa a o almoço.
(134) A: Onde andas e o dia odo?
B: ??Passei o dia odo a limpa a casa, mas é.
Em elação ao ipo de oco, sabe-se que as es u u as en á icas com mas SER
ocalizam sujei os, complemen os, cons i uin es e bais/domínios não ini os,
p edica i os de sujei o e de obje o, modi icado es nominais e modi icado es do
p edicado, à exceção de modi icado es de ase ad e biais, al como se obse ou na
subsecção III.2.2.
Ve cau e en (2016) obse a, em elação às cli adas de SER, que o cons i uin e
cli ado pode á se um quan i icado nega i o ou exis encial (135), enquan o no caso
das pseudocli adas, o cons i uin e cli ado impõe es ições a es es ipos de
cons i uin es (136).
(135) a. Eles não sabem é nada. (PAL) (CORDIAL-SIN Apud Ve ca e en (2016:
57))
b. As es emunhas i am oi alguém. (Ve ca e en (2016: 57)
(136) a. ??Quem se apaixonou pelo Ba man não oi ninguém. (Ve cau e en
2016: 57)
55
complemen o, endo es e uma posição in si u, e p oje a um P. A au o a a i ma que P
pode se complemen o de núcleos lexicais, mas não de núcleos uncionais is o que
eles selecionam o seu complemen o.
Es as p op iedades jus i icam o po quê de SER não impo es ições ao ipo de
cons i uin e cli ado e o ac o de o P pode apa ece como complemen o de núcleos
uncionais (se es es seleciona em cons i uin es e bais), al como T e Asp, na posição
de a gumen o de núcleos lexicais e na posição de adjunção, mas não posição de
especi icado , nem de núcleos que não selecionem cons i uin es e bais, como D, P, C
e p ojeções uncionais que êm ad é bios e adje i os a ibu i os.
Es a análise esol e mui as ques ões, nomeadamen e: i) a elação empo al
en e SER e o e bo p incipal; ii) o po quê de SER não impo es ições ao cons i uin e
cli ado, is o que P é uma ca ego ia “ anspa en e”. Ainda assim não explica: i)
po que azão uma ca ego ia P pode oco e em di e en es posições na ase, não
bloqueando di e en es ipos de elações de seleção sin á ica e semân ica; ii) se SER é
uma pa ícula de oco não de e ia man e aços de um e bo pleno, como é o caso da
lexão e bal, o que não acon ece; iii) as ca ac e ís icas empo ais não in e p e á eis
de P ambém não jus i icam o po quê de SER lexiona .
Pa a es a disse ação, oi ainda ponde ado se SER não es a ia numa posição de
adjunção (144).
(144) XP
3
SER XP
Es a hipó ese não oi ado ada is o se bas an e p oblemá ica. Apesa de
explica a não al e ação das elações de seleção sin á ica e semân ica en e o
cons i uin e cli ado e os es an es elemen os da o ação, SER, ao se um adjun o,
pode ia ocupa qualque posição ásica, o que não se e i ica. Não explica ia ainda a
cooco ência com mas SER, is o é, conside a SER como adjun o não jus i ica a
ag ama icalidade de *mas SER SER, is o que ambas as o dens de e iam se possí eis.
Ou a ques ão p oblemá ica é, ao e p op iedades e bais, SER e ia de p oje a uma
ca ego ia e bal (mesmo que “ anspa en e”).

56
A g ande ques ão p ende-se ago a com a ep esen ação sin á ica da es u u a
en á ica com mas SER p é- oco e pós- ase.
• Es u u a en á ica com mas SER p é- oco
Tendo em con a as p op iedades da es u u a, emos e idência pa a a i ma
que mas SER es á numa posição sin á ica abaixo de T, is o que é ag ama ical o
seguin e exemplo:
(145) *O João mas é gos a de chá.
De aco do com os con ex os e con as es de g ama icalidade ap esen ados
an e io men e, emos ambém e idência pa a a i ma que mas SER es á numa posição
abaixo do e bo SER ocalizado . A ques ão da cooco ência de ambas as pa ículas é
impo an e, is o que, nos casos em que cooco em, mas é, que nes e caso não
lexiona, es á semp e à di ei a do e bo SER, o que de ine a sua posição sin á ica:
(146) a. *mas é SER: *O João gos a mas é é de chá.
b. SER mas é: O João gos a é mas é de chá.
Es e con as e de g ama icalidade mos a que mas SER em de es a numa
posição en e SER e o cons i uin e ocalizado, is o que se encon a semp e à esque da
des e.
O ac o de mas SER não lexiona nes es casos, encon ando-se semp e no
p esen e do indica i o, é uma e idência pa a a i ma que mas SER es á a passa po
um p ocesso de g ama icalização. Mas SER pode á não con e , ao con á io de SER,
aços de T não in e p e á eis (e não alidados), que êm de se alidados po
conco dância (Ag ee) com T do e bo supe io , que ob igam SER a e o mesmo empo
e aspe o que o e bo p incipal da o ação.
Uma das p opos as ap esen adas nes e abalho pa a a es u u a en á ica com
mas SER é a seguin e:
57
(147) TP
3
DP T’
6
3
O João
i
T P
gos a
j
3
DP
i
’
3
j
VP
3
DP
i
V’
3
V
j
P
uT
3
é
uT
P
3
6 PP
mas é 6
de chá
Mas SER, ao cooco e com SER, não con ém aços de T, is o que SER
bloqueia a ligação empo al e aspe ual do e bo em T com mas SER, ou seja, apesa de
mas SER se c-comandado pelo e bo p incipal, há ou o núcleo que se in e põe. Se
não cooco e em, mas SER pode á con e as ca ac e ís icas uT que pe mi em que es a
pa ícula enha as mesmas ca ac e ís icas empo ais que o e bo p incipal.
Es a es u u a jus i ica a cooco ência das duas pa ículas de ocalização e a não
lexão de mas SER.
Admi e-se ambém que, al como o e bo SER da cli ada de SER, mas SER não
ocupa uma posição ixa na ase, mas sim, que em uma dis ibuição “li e”. A pa ícula
de ocalização mas SER, nes es casos em que não lexiona, é en endida como uma
pa ícula o almen e g ama icalizada sem ca ac e ís icas empo ais ou aspe uais do
e bo p incipal da o ação.
Nes a análise, exis em ainda aspe os que não são o almen e explicados: i) mas
SER, ao se uma pa ícula de oco, não de e ia lexiona , o que não se e i ica; ii)
apesa de não lexiona ob iga o iamen e com um e bo em T, mas SER, pode e as
mesmas ca ac e ís icas empo ais que o e bo p incipal da o ação; iii) al como a
p opos a de Ve cau e en (2016), não explica a elação en e o e bo p incipal da
o ação com o seu complemen o; i ) a es u u a não explica po que azão é
58
ag ama ical a o dem *mas SER SER a não se que se assuma que “mas” man ém de
alguma o ma o seu es a u o de coo denado com o p imei o e bo SER.
A segunda e úl ima p opos a ap esen ada pa a es a es u u a é a seguin e:
(148) TP
3
DP T’
6
3
O João
i
T P
gos a
j
3
DP
i
’
3
j
VP
3
DP
i
V’
3
V
j
PP
3
6 PP
mas é 6
de chá
Ao con á io da análise an e io , onde oi p opos o que mas SER p oje a a uma
ca ego ia P, nes a análise p opõe-se que mas SER é um adjun o.
Ao se um adjun o, a es u u a explica ia: i) a não al e ação das elações de
seleção sin á ica e semân ica en e o cons i uin e cli ado e os es an es elemen os da
o ação; ii) a sua dis ibuição “li e”, ou seja, as di e sas posições que pode ocupa ao
longo da ase, incluindo, a sua posição pós- ase; iii) o po quê de (po ezes) não e
ca ac e ís icas empo ais e aspe uais. Con udo, não explica ia o po quê de mas SER
lexiona em algumas ocasiões e a ag ama icalidade da o dem *mas SER SER, a não
se , al como já oi obse ado, que se assuma que “mas” man ém de alguma o ma o
seu es a u o de coo denado com o p imei o e bo SER.
O p oblema pa a es as ep esen ações sin á icas é não sabe mos exa amen e
se mas SER é um compos o e bal pleno, com ca ac e ís icas empo ais ou uma
pa ícula de ocalização g ama icalizada. P oponho que seja uma o ma híb ida em
p ocesso de g ama icalização.
59
• Es u u a en á ica com mas é pós- ase
A úl ima es u u a p opos a é a es u u a da a ian e pós- ase. Es a es u u a
sin á ica ep esen a a posição de mas é pós- ase na o ação e é a que pa ece mais
adequada, is o que coloca em oco oda a o ação.
(149) TP
3
TP 6
3
mas é
DP T’
p o
j
3
T P
Que emos
i
3
DP
j
’
3
i
VP
3
DP
j
V’
3
V
i
DP
6
é ias
Admi o que, nes a es u u a, mas é es á numa posição mais al a que mas SER
p é- oco, po que, como se pode obse a , o que é ocalizado po mas SER p é- oco é
di e en e do que é ocalizado nes a es u u a.
O exemplo (150) mos a que odo o p edicado é um oco con as i o.
(150) Tu ais pa a a escola, mas é! Não icas em casa!
Mas é, nes e caso, não é c-comandado pelo e bo p incipal da o ação e, po
isso, não adqui e as mesmas ca ac e ís icas empo ais e aspe uais que es e.
Ao não lexiona , es ando semp e no p esen e do indica i o, o na es a
pa ícula em especí ico uma pa ícula de ocalização g ama icalizada.
• As duas es u u as
60
Tal como oi possí el obse a nes a subsecção, a es u u a en á ica com mas
SER, que e a ao início analisada como uma a ian e da cli ada de SER, não só é uma
es u u a independen e com p op iedades sin á icas e semân icas di e en es des a
úl ima, como é di idida em duas es u u as sin á icas di e en es en e si. Admi e-se,
po an o, que mas SER es á associada a duas es u u as sin á icas, uma pa a mas SER
p é- oco e ou a pa a mas é pós- ase.
A es u u a en á ica com mas SER é maio i a iamen e mani es ada no p esen e
do indica i o, sendo que, po ezes, é ag ama ical quando se encon a lexionada,
como é o caso da cooco ência com o e bo SER ocalizado e da a ian e pós- ase, o
que pa ece mos a que mas SER es á em p ocesso de g ama icalização.

61
CONCLUSÃO
Apesa de e ido em con a a a iabilidade e a acei abilidade ou não
acei abilidade de ambas as es u u as é no á el que, endo em con a os con ex os
e e idos, a es u u a en á ica com mas SER em p op iedades di e en es da cli ada de
SER, endo as di e en es a ian es da p imei a es u u a ambém di e en es
p op iedades en e si.
O obje i o des e abalho oi aze uma sis ema ização das p op iedades
sin á icas e semân ico-discu si as das es u u as en á icas com mas SER, sabendo,
con udo, que ainda há mui os aspe os a explo a .
Nes a disse ação não oi possí el desc e e odas as p op iedades das
es u u as, mas sim, as p op iedades mais comuns e mais di e enciado es de cada
uma, de manei a a que osse possí el iden i ica di e gências e p op iedades
singula es.
Escla eceu-se, em p imei o luga , que as pseudocli adas e as cli adas de SER
são es u u as di e en es sin á ica e seman icamen e, de o ma a de ini a cli ada de
SER como uma cli ada independen e e, em seguida, iniciou-se a sis ema ização da
cli ada de SER e da es u u a en á ica com mas SER pa a que se pudesse admi i uma
análise di e enciada pa a cada uma delas.
Conclui-se nes a disse ação que a es u u a en á ica com mas SER não é uma
a ian e da cli ada de SER, mas sim, uma es u u a com uma pa ícula de ocalização
em p ocesso de g ama icalização, es ando a sua a ian e pós- ase o almen e
g ama icalizada.
As di e enças en e a cli ada de SER e a es u u a en á ica com mas SER são
e iden es, mas ambém é de no a que es as es u u as êm bas an es p op iedades
em comum, como po exemplo, a dis ibuição “li e” na o ação, a ocalização de ce os
cons i uin es, os seus con ex os ilocu ó ios, o ipo de cons i uin es que cli am, a
62
dis ibuição sin á ica, en e ou as. Apesa de odas essas p op iedades, sabe-se que
são duas es u u as di e en es, is o que SER e mas SER podem cooco e .
É possí el obse a ambém que as di e en es a ian es da es u u a en á ica
com mas SER êm p op iedades di e en es en e si e que podem se in es igadas. As
a ian es apon adas pa a es a es u u a são: a a ian e mas SER p é- oco e a a ian e
mas é pós- ase. A a ian e mas SER p é- oco é uma es u u a com uma pa ícula de
ocalização em p ocesso de g ama icalização, que pode á não lexiona de aco do com
o e bo p incipal da o ação, mesmo se es i e a se c-comandada po esse e bo. A
a ian e mas é pós- ase es á numa posição sin á ica mais al a, de adjunção, e ocaliza
(con as i amen e) odo o p edicado da o ação. Mas é, nes e caso, encon a-se
semp e no p esen e do indica i o, o que mos a que já se encon a plenamen e
g ama icalizado.
Conclui-se no p esen e es udo que mas SER não em con eúdo semân ico,
uncionando como uma o ma híb ida que ainda man ém alguns aços e bais a i os,
mas que ge almen e se ap esen a como uma pa ícula de ocalização g ama icalizada.
63
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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71
AAL (Cas elo de Vide, Po o da Espada, São Sal ado da A amenha, Sapei a,
Alpalhão, Nisa – Po aleg e)
(3) INF Pois. Pois, (...)eu não conco do com a monda química (...). Pelo menos nas
inhas, só com E ax é que eu ainda já enho aí ei o. Mas o E ax (...)não ma a
odas as e as. Ma a só aquelas e as mais manhosas. Aquelas e as mais
manhosas é aquelas que a gen e ainda ap o ei a pa a o gado e que não azem
an o mal.
INQ Pois.
INF Pois, ha ia de ma a mas e a as b a as. As que ma a as b a as ma a as
pa ei as! Ah, já es á a e que aquilo ambém não... Po causa disso é que eu
não conco do mui o com isso.
(4) INF1 (...) Íamos le a aqui. Íamos busca lá pa a cá. Pois. Íamos busca ali,
aonde lhe chamam as Ho as, Po o de Roque. Aí é que o íamos busca , de
noi e, às escu as - noi es mui o escu as!
INQ2 En ão, e não inham medo?
INF1 O a, medo!? Tínhamos medo mas e a dos bonés, dos gua das. O mais, lá
assim de medos, não ínhamos medo. Se apanhá amos aí cada molha aí po
essas se as! Pois, e a isso.
CBV (Cabeço de Vide – Po aleg e)
(5) INQ Depois o inho depois de es a ei o, gua da a-se den o de quê?
INF É den o de onéis. E o Ansu , pa a acaba com os onéis – que o gajo inha
lá onéis pequeninos que eu cabia lá de pé den o deles, mandou aze mas oi
casas.
FIG (Figuei ó da Se a – Gua da)
(6) INF2 É udo a es uda , udo a es uda .
INF1 É es uda , é! Ele ha iam de da mas e a uma enxada pa a i em pa a a
se a ca a alque es!
ALC (Alcoche e – Se úbal)

72
(7) INQ1 E depois pa a consegui que aquilo, que ele deixe de a de ?
INF Aba a-se com e a.
INQ1 E diz que es -... E isso é aze o quê?
INF É aba a .
INQ1 Aba a . Empoado, é? Chama-se aqui?
INQ2 Sim. Es á aqui um empoa .
INQ1 Nunca ou iu ala em: "é p eciso empoa o o no", não?
INF Empoa ?
INQ1 Não?
INF Tenho 'ou is o' ala mas é aba a : que é pa a aba a , que é pa a deixa
dei a (...) aquela coisa.
PIC (Bandei as, Cais do Pico – Ho a)
(8) INF1 Já hou e in elicidades nes a pesca. Aqui mesmo no luga , já hou e aí um
apaz que (...) o ou o deu, ombou, e a linha, com ce eza, pegou-lhe, e lá o
le ou. Nunca mais apa eceu. E já hou e mais uns casos desses. Um nas Lages,
c eio eu, e ou o na Calhe a. Mas isso já não é ambém do meu empo. Es e
apaz aí que mo eu, que eu es ou ala , é acima de mim al ez uns ês anos –
ês, qua o anos acima de mim.
INF2 Mas o Bá olo é do empo (...) do mes e Balduíno de a ea à baleia.
INF1 É. É, é. Mas ele no o eio assim, é mas é da Calhe a.
EXB (Enxa a do Bispo – Lisboa)
(9) INF (…) E depois, a mais elha, já es a a a que e anda lá um ancês de oda
dela. Digo eu assim: "As apa igas, se eu deixo is o anda mais pa a dian e, elas
casam-se e icam cá".
INQ E icam cá.
INF "E eu não gos o dis o, e depois ou elas p endem-me aqui, (…) ou, se eu o ,
já ambém em (…) anos e anos que não as ejo".
INQ Pois.
INF "Deixa-me mas é passa já an es"… Eu já es a a assim alinha ado, inha uns
os õezi os…
73
(10) INF (…) Punha-se… A i a a-se com udo pa a cima duma mesa ou dum
pial g ande donde se azia aquilo, ia-se i a a essu a, i a a-se os ' inzes'… Os
' inzes' não, que eles ica am no (p óp io) po co; i a a-se mas e a a segui .
LAR (La inho – B agança)
(11) INQ E o macho da, da abelha?
INF (…) Disso al a… Isso é que não posso dize .
INQ Não, não?…
INF Só se ou e ala na mes a. (A) mes a.
INQ Não há uns que são, que ambém andam semp e à ol a com elas e
que depois elas a é os ma am?
INF (…) Isso há, aqui há mui o, (o que é) es a apam mas é as b a as. Não,
não. (…) As b a as, há uma qualidade (…) de abelhas b a as meias
a e melhadas, assim meias a e melhadas…
GIA (Gião - Po o)
(12) INQ Nos campos, quando es ão, quando êm igo ou milho, ou, ou a é
nas ho as, não se cos uma pô assim um boneco pa a espan a os pa dais?
INF1 Espan alhos.
INQ Espan alhos.
INF1 Espan alhos. Esses espan alhos põem-se é nas iguei as.
INQ Nas iguei as?
INF1 É nas iguei as (…) e ealmen e nas á o es, e al.
INQ Rhum- hum.
INF1 No igo (…) cos uma a pô -se mas e a uma palma benzida, uma olha
de palma benzida.
UNS (Unhais da Se a – Cas elo B anco)
(13) INQ1 Não é bom á ia? Rá ia não é bom?
INF1 Não é mui o aconselhá el. A á ia é boa mas é quando é pa a a a .
74
VPC (Vila Pouca do Campo – Coimb a)
(14) INQ1 Mas não chama a abegão?
INF Não. (…) E a mas e a um (…) p ocu ado .
GRJ (G anjal – Viseu)
(15) INF (…) Tudo já me esqueceu! Tudo já me esqueceu! Passa o empo e a
gen e, olhe, a cabeça já não… Já nem egula. (Apanha a gen e já assim). A gen e
ago a só já i e mas é a eliada e sabe Deus como! E sabe Deus como!
GRC (G aciosa – Ang a do He oísmo)
(16) INF1 Eu nunca mais me li o daqui pa a o a. Vou-me embo a mas é (…)
pa a as Ve gas, que eu nunca mais me sa o.
STA (San o And é – Vila Real)
(17) INF E depois de o namo o con inua é que a anjámos a apa igui a mais
elha que es á na F ança. Depois o am os ês. Depois a mãe dele não que ia
que ele casasse comigo. Depois ele eio pa a es a casa, que ele i ia ali em
baixo, e eio pa a es a casa. E daí depois eu inha os ês ga o i os pequeni os –
eu es a a com o meu pai e com a minha mãe – e mo eu-me um i mão na
F ança. E depois eio pa a cá e eu disse-lhe: "Bem, ou ais do mi com os
homens que azem o meu i mão da F ança, ou à casa duma izinha, ou
gua das os ês apa igos que emos". Depois ele diz: "Não, en ão eu gua do os
ês apa igos que emos, que icam comigo na cama". E depois do mi am os
ês apa igos com ele. Depois ao ou o dia diz: "Olha, amos mas é a a e
amos-nos casa ". P on o. Resol eu casa -se e amos embo a. [Risos] A mãe
empu ou-o pa a aqui, bo ou-o o a de casa, e depois ele inha que a anja
quem lhe cozesse as ba a as.
MTV (Mon al o – San a ém)
(18) INF1 (…) É cla o, e depois ão en ão mulhe es – que ago a os homens já
poucos que em abalha . (…) Que em udo anda mas é (…) na o gia e na
pa ódia.
75
(19) INF (…) Ela ai, ou se calha as duas, elas ão lá apanha as u as, não ão
apanha as u as e des, nem as u as que es ão mui o icei as, nem nada.
Apanham mas é u as mui o passadinhas, an o az se as b ancas como se as
in as que apanham.
(20) INF (…) Donde é que eio a u a? Onde é que ela oi e como é que ela oi
apanhada? E amos lá e mas é que como é que é que lá es á a ou a: se a
ou a es á madu a como es a quando pa a aqui eio.
CLH (Calhe a – Ang a do He oísmo)
(21) INF2 E semea a-se mui o milho mas e a (…) pa a a maça oca.
INF1 Pa a seca .
INF2 E ago a semeiam é pa a o gado. É pa a o gado.
INF1 E ago a semeiam mui o milho mas é pa a o gado.
(22) INF1 (…) Só al a aze … O senho em as mãos bem quen es!
INQ1 Tenho, o a! Mas, a senho a…
INF1 Ao espei o, em mas é bem quen es à minha is a.