Análise da cobe u a de música pelo jo nal Público
Ad iana Maia Dias
Maio, 2017
Rela ó io de Es ágio de Mes ado
em Jo nalismo
Rela ó io de es ágio ap esen ado pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à
ob enção do g au de Mes e em Jo nalismo, ealizado sob a o ien ação cien í ica da
P o esso a Do a San os Sil a.
AGRADECIMENTOS
À música, po me e sal o a ida.
Aos músicos, sejam eles cobe os pela imp ensa ou não, que me ma cam e me
o nam melho pessoa.
À amília e amigos, pela p esença. Ou po que não se explica udo numa ase.
Aos p o esso es que não desis em de ensina .
Aos jo nalis as do PÚBLICO que me soube am aze sen i pa e da equipa.
Ao Ku Cobain da A enida da República, po se uma pe sonagem undamen al
do meu pe cu so uni e si á io. Mesmo que não o saiba.
Aos izinhos que o çosamen e acei am o meu gos o musical e não se queixam.
À Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de Lisboa,
ob iamen e.
ANÁLISE DA COBERTURA DE MÚSICA PELO JORNAL PÚBLICO
[Analysis o music co e age by newspape PÚBLICO]
ADRIANA MAIA DIAS
RESUMO
Es e ela ó io p e ende desc e e o abalho ealizado du an e o es ágio
cu icula de mes ado na secção de cul u a do jo nal diá io PÚBLICO, en e Se emb o
e No emb o de 2016. Além de aze uma desc ição do es ágio e do abalho aí
ealizado, o ela ó io cob e ainda o ema do jo nalismo cul u al em Po ugal,
concen ando-se no jo nalismo de música, azendo com maio de alhe, num es udo de
caso, uma análise da cobe u a de música pelo PÚBLICO.
O ela ó io p e ende da uma isão pessoal de como oi a expe iência do
es ágio cu icula , salien ando pon os o es e acos e enume ando os abalhos mais
impo an es du an e a expe iência. Rela i amen e ao ema da cobe u a de música
des e jo nal, o ela ó io p e ende es uda dados ecolhidos du an e o es ágio,
e e indo quais os p incipais ópicos que de inem o jo nalismo de música do PÚBLICO.
Pa a al, analisa odos os a igos de música publicados du an e um mês es u u ado,
complemen ando essa análise com en e is as aos p incipais jo nalis as de música do
PÚBLICO. A a és desses esul ados, a p incipal conclusão a que se chega é que o
jo nalismo de música do PÚBLICO é sob e udo de agenda, cen ando-se no a is a,
sendo que a música com maio exp essão nas páginas do jo nal é anglo-saxónica,
apesa da impo ância dada ambém à música nacional.
Pala as-cha e: jo nalismo cul u al; PÚBLICO; es ágio; música; c í ica musical.
ABSTRACT
This epo desc ibes he wo k ealized du ing my in e nship in he cul u e
sec ion o PÚBLICO, be ween Sep embe and No embe 2016. Besides desc ibing he
in e nship and he wo k done he e, he epo co e s he heme o cul u al jou nalism
in Po ugal and pa icula ly in his newspape , ocusing in musical jou nalism.
The epo in ends o gi e a pe sonal ision o he in e nship expe ience, wi h
i s p os and cons, and enume a e he mos impo an pieces I’ e done du ing he
in e nship. Conce ning he heme o musical jou nalism in his newspape , he epo
s udies collec ed da a du ing ha ime, e e ing which a e he main opics ha de ine
musical jou nalism in PÚBLICO. In o de o ha , i analyzes e e y music a icle
published in a s uc u ed mon h, complemen ing ha analysis wi h in e iews o he
main music jou nalis s in PÚBLICO. The esul s lead o he conclusion ha musical
jou nalism in PÚBLICO is mainly agenda jou nalism, ocusing i sel on he a is , wi h
Anglo-Saxon music ha ing he bigges exp ession, al hough Po uguese music is also
e y impo an .
Keywo ds: cul u al jou nalism; PÚBLICO; in e nship; music; musical c i ic.
ÍNDICE
In odução………………………………………………………………………………………………..……. 1
Capí ulo I: Ca ac e ização do ó gão de comunicação e do es ágio……………..…… 3
I. 1. o jo nal PÚBLICO …………………………………………………………………………..….. 3
I. 2. Es agia no PÚBLICO………………………………………………………………………..… 5
Capí ulo II: Enquad amen o eó ico…………………………………………………………….… 11
II. 1. De inição e enquad amen o do concei o de cul u a………………………… 11
II. 2. De inições sob e jo nalismo cul u al…………………………………………….…. 14
II. 3. Jo nalismo cul u al em Po ugal…………………………………………….………… 18
II. 4. Jo nalismo de música em Po ugal……………………………….………………..… 21
Capí ulo III: Cobe u a de música pelo jo nal PÚBLICO…………………….……….…… 25
III. 1. Jo nalismo de música no PÚBLICO…………………………………….………..…… 25
III. 2. Me odologia usada………………………………………………….………………….…… 30
III. 3. Análise de dados………………………………………………………….……………..…… 32
Conclusão……………………………………………………………………………….………………..…… 39
Bibliog a ia…………………………………………………………………………..………………...…….. 41
Anexo A: Es a u o edi o ial………………………………….…………..………………….………….. i
Anexo B: Exemplos de abalhos ealizados…………………….……………………………… iii
Anexo C: En e is as a jo nalis as do PÚBLICO………………………………….………… xxxix
1
INTRODUÇÃO
“Well ne e mind,
We a e ugly, bu we ha e he music.”
(Leona d Cohen)
Se o jo nalismo é conside ado po mui os o qua o pode , há que dize que essa
isão pa ece es ingi -se ao jo nalismo polí ico, económico ou de sociedade, pelo
menos em Po ugal. Ac ualmen e, o jo nalismo cul u al no nosso país pa ece ainda
es a em segundo plano.
Tal acon ece em odas as á eas da cul u a que o jo nalismo cob e. A música,
po isso, e ainda que seja uma das á eas a que se dá maio impo ância, não é
excepção. Em Po ugal, o jo nalismo de música em passado po di e en es momen os
e ases, mas es á ainda longe do que se az em ou os países da Eu opa.
O p esen e abalho nasce de ês meses de es ágio cu icula no jo nal
PÚBLICO, na secção de cul u a, e em como objec i o aze um es udo de caso sob e a
cobe u a de música nes e ó gão de comunicação.
Pa a al, segue ês pon os p incipais: uma desc ição do ó gão de comunicação
e da expe iência do es ágio cu icula ; uma explicação do que é cul u a e jo nalismo
cul u al, bem como uma ap esen ação do jo nalismo de música em Po ugal; po
úl imo, uma de inição do jo nalismo de música no PÚBLICO, pa a a qual o am
analisados dados ecolhidos du an e o pe íodo de es ágio.
O p imei o capí ulo dedica-se ao p imei o pon o e e ido: uma desc ição do
PÚBLICO, a a és de uma b e e his ó ia do jo nal e e e indo a o ganização das
p incipais secções do mesmo. Es e capí ulo dedica-se ambém à expe iência do
es ágio, ela ando quais as p incipais a e as e des acando os abalhos de maio
en e gadu a, salien ando ainda pon os acos e o es da expe iência.
2
O segundo capí ulo, de enquad amen o eó ico, abo da o segundo pon o
an e io men e e e ido. Des e modo, p e ende ilus a e de ini concei os como
cul u a e jo nalismo cul u al, concen ando-se no caso po uguês e pa icula men e no
jo nalismo de música a ní el nacional.
Po úl imo, o e cei o capí ulo abo da o e cei o pon o, analisando a cobe u a
de música ealizada pelo PÚBLICO, ap esen ando pa a al um es udo de caso – análise
dos a igos de música publicados du an e um mês es u u ado, u ilizando a iá eis
como enquad amen o, alo -no ícia e localização das peças, en e ou as – de o ma a
pode ca ac e iza de idamen e es a á ea do jo nalismo cul u al do PÚBLICO.
9
comissá ios da exposição e o di ec o da Amado a BD, en e is a alunos e p o esso es
em isi a de es udo ao es i al. O a igo, edi ado po Isabel Salema, saiu a 6 de
No emb o (domingo) que no publico.p , que na e são imp essa do jo nal, sendo
que nes a úl ima oi publicado com ce ca de me ade do amanho o iginal. Dada a
componen e polí ica de mui as das exposições, como “Zombie”, de Ma co Ma ins, ou
“Papá em Á ica”, de An on Kannemeye , uma pa e subs ancial da epo agem
abo da a esse aspec o. No en an o, na e são imp essa do jo nal, oda essa
componen e oi eliminada. Quando ques ionei essa edição, esponde am-me que al
acon ece a po uma ques ão de espaço. No en an o, uma o og a ia ocupa a
p a icamen e me ade da página…
No en an o, o abalho que mais me ma cou oi sem dú ida o a igo sob e o
li o mais ecen e de Ca los Ruiz Za ón. Esc e e sob e es e au o pa ecia algo
ob iga ó io, endo em con a a impo ância de Za ón e o sucesso que ob e e não só em
Po ugal, mas no mundo in ei o, após publica A Somb a do Ven o. Foi no im de
Ou ub o que p opus a Isabel Cou inho edigi o a igo, ideia que oi imedia amen e
ap o ada. Esc e e sob e Za ón implicou e lido os li os an e io es da saga O
Cemi é io dos Li os Esquecidos, da qual azem pa e os li os A Somb a do Ven o, O
Jogo do Anjo e O P isionei o do Céu, pa a pode con ex ualiza pe sonagens, locais e
ambien e. Foi igualmen e necessá io en a em con ac o com a edi o a Plane a.
Ten ou-se ainda consegui uma en e is a com o au o , mas sem sucesso, dado que a
agenda de Za ón não o pe mi ia e acaba ia po i a Lisboa em Dezemb o de 2016 pa a
ap esen ação do li o, com en e is as à imp ensa po uguesa. O a igo, uma
ap esen ação do li o, mas cen ado na elação da ob a de Za ón com Ba celona - a
cidade p incipal dos seus li os, oi publicado a 23 de No emb o (qua a- ei a) na
e são imp essa do PÚBLICO e no publico.p , edi ado po Inês Nadais.
Es agia no PÚBLICO oi uma expe iência ma can e, em que se des acou a
ap endizagem de no as écnicas jo nalís icas, de sabe eagi ao s ess da ho a de
echo e, sob e udo, pe cebe ealmen e como unciona um jo nal diá io. Não posso
deixa de e e i que hou e pon os acos, como ce os memb os da equipa que
pa eciam ma ca uma maio dis ância en e “es agiá ios” e “jo nalis as” (p o ando
mais uma ez o eli ismo semp e p esen e no PÚBLICO…) ou ainda ce os
10
esquecimen os po pa e de edi o es (aquando da inda da banda Eagles o Dea h
Me al a Po ugal, oi-me pedido que esc e esse uma no ícia sob e o acon ecimen o; a
no ícia oi e is a e edi ada mas não oi publicada de ido a um “esquecimen o” de
uma das edi o as). No en an o, o am mais os pon os pos i i os do que os nega i os.
Não se consegue en ende o que é o abalho de um jo nalis a sem passa po um
ó gão de comunicação social, e oi essa componen e p á ica que o nou es e es ágio
uma expe iência en iquecedo a.
11
Capí ulo II: Enquad amen o eó ico
II. 1. - De inição e enquad amen o do concei o de cul u a
“Cul u a - conjun o de aços dis in i os espi i uais e ma e iais, in elec uais e
a ec i os, que ca ac e izam uma sociedade ou um g upo social e em que se englobam,
pa a além das a es e das le as, os modos de ida, as o mas de ida em comum, os
sis emas de alo es, as adições e as c enças”
Decla ação Uni e sal sob e a Di e sidade Cul u al (UNESCO)
“Cul u a é a acção que o homem ealiza que sob e o seu meio que sob e si
mesmo, isando uma ans o mação pa a melho ”
Manuel An unes (1999), Teo ia da Cul u a, p.39.
De ini cul u a depende mui o da isão que se enha sob e a mesma. Pa a
T.S.Elio exis em ês sen idos de cul u a: do indí iduo, do g upo e da sociedade. “A
cul u a do indi íduo depende da cul u a de um g upo ou classe e a cul u a do g upo ou
classe depende da cul u a da sociedade a que es e pe ence es e g upo ou classe”
10
,
a ima a Elio (Elio , 1962: 17). Des a o ma, cul u a an o pode se um elemen o
indi idual, quase como sinónimo de conhecimen o, como pode se o conjun o de
a es, adições e elemen os que ca ac e izam um po o ou sociedade.
No li o Cul u a e jo nalismo cul u al: endências e desa ios no con ex o das
indús ias cul u ais e c ia i as (2012), Do a San os Sil a aça uma e olução do
concei o de cul u a. A é meados do século XIX, a isão “clássica” e “ilus ada” des e
concei o cingia cul u a ao campo in elec ual, das belas-a es, numa isão eli is a. Foi a
pa i da segunda me ade do século XIX que se começou a desenha uma no a isão
do sen ido de cul u a, mais ab angen e e “an opológica”, que não se cingia apenas às
10
T adução ei a po mim
12
belas-a es, mas que engloba a udo aquilo que ca ac e iza uma sociedade, con e indo
uma dimensão mais colec i a ao signi icado de cul u a.
No en an o, du an e a p imei a me ade do século XX, uma no a isão su gia: a
cul u a como indús ia, dado o c escimen o da cul u a de massas. Es a isão oi
sob e udo de endida po Ado no e Ho kheime , da Escola de F ank u , com um
pensamen o mais c í ico sob e as cons uções cul u ais. Desen ol em-se assim eo ias
sob e “high cul u e” (a “ e dadei a” cul u a) e “low cul u e” (a cul u a de massas,
conside ada alienada e aliena ó ia). É com a segunda me ade do século XX que se
desen ol em os cul u al s udies – es udos cul u ais, que p e endiam es uda “as
p á icas cul u ais quo idianas, no con ex o do p o agonismo dos media” (San os Sil a,
2012: 32) - undados po Richa d Hogga , Raymond Williams, Edwa d Thompson e
S ua Hall. “Cul u e is o dina y”, a amosa ase de Raymond Williams num ensaio de
1958, sin e iza es a isão de cul u a: uma o ma de ida, p esen e em di e en es
aspec os des a.
Des e modo, segundo Do a San os Sil a, pode dize -se que cul u a é um odo
complexo, que pode engloba desde objec os cul u ais a é ao es ilo de ida de oda
uma sociedade. Segundo esse p isma, é co ec o a i ma que cul u a e ci ilização se
elacionam in imamen e e que uma não pode exis i sem a ou a, apesa de ha e
isões con á ias, que a i mam que ci ilização e cul u a são concei os opos os. Mas
dada a plu alidade do sen ido de cul u a, são possí eis di e en es isões.
Assim, não é apenas cul u a música, li e a u a, a es pe o ma i as ou isuais,
mas ambém moda, gas onomia ou a é mesmo es udos an opológicos podem se
conside ados cul u a, ac ualmen e. F equen emen e, cul u a é ambém associada à
c ia i idade ou mesmo às no as indús ias c ia i as. Como a i ma Do a San os Sil a,
“hoje cul u a engloba Bee ho en e Madonna, um quad o de Velásquez e um anúncio
publici á io da Voda one, os sone os de Camões e a cibe poesia de Be ns ein” (San os
Sil a, 2012: 21-22).
Cul u a e iden idade são ambém ac o es mui o p óximos, es ando associados
a alo es. A plu alidade e di e sidade de cul u as e de isões sob e as mesmas só são
possí eis dada a in eg ação da cul u a em de e minado empo e espaço.
13
O jo nalis a e c í ico de música do PÚBLICO Ví o Belanciano, numa c ónica de
28 de Ou ub o de 2016 a p opósi o das eacções à a ibuição do p émio Nobel da
Li e a u a a Bob Dylan, a i ma as seguin es ideias sob e cul u a:
“Cla o que, pa a lá das cons uções sociais, a ealidade é bem mais es imulan e
e di usa. O sen ido úl imo da cul u a oi-se complexi icando nas úl imas décadas com a
p oblema ização das ami icações clássicas (al a s. baixa cul u a, mino ias s. massas
ou a e s. en e enimen o), da mesma o ma que exis em cada ez mais p á icas de
on ei a, híb idas, angenciais.
Esses agen es de on ei a acabam po e um papel ele an e. Alguns deles são
simul aneamen e esc i o es, can o es ou a is as, es abelecendo pon es en e di e sos
e i ó ios, pe encendo a á ios sem a p essão de e em de escolhe , assumindo essa
dualidade, mos ando-nos que a ealidade é an as ezes mais en usiasman e do que
os mu os mo ais onde a en amos enclausu a ”.
Assim, pode ia dize -se que é mais co ec o ala de “cul u as” do que de
“cul u a”, dada a di e sidade de acepções des e concei o. E são as di e en es isões de
cul u a que pe mi i ão dis in as concepções de jo nalismo cul u al, como se pode á
e no seguin e subcapí ulo.
14
II. 2. – De inições de jo nalismo cul u al
O jo nalismo cul u al e olui con o me a acepção de cul u a. “A de inição de
jo nalismo cul u al oi e oluindo pa alelamen e à de cul u a (…) ajus ando-se às suas
duas concepções básicas: a ‘ilus ada’ (que se es ingia ao campo das belas-a es) e a
an opológica, desen ol ida po E. B. Taylo , Richa d Williams e ou os es udiosos dos
Cul u al S udies” (San os Sil a, 2012: 69). A isão mais clássica e “ilus ada” encon a-
se nes e momen o sob e udo em publicações mais especí icas ou especializadas,
enquan o a isão mais an opológica ou ligada às indús ias c ia i as se pode encon a
nos media em ge al. O jo nalismo cul u al ac ual em mui o como iloso ia o
en e enimen o e o laze .
Jo ge Ri e a, jo nalis a, c í ico, poe a e ensaís a, desc e e jo nalismo cul u al
como “uma zona mui o complexa e he e ogénea de meios, géne os e p odu os que
abo dam com objec i os c ia i os, ep odu i os e in o ma i os os e enos das belas-
a es, as ‘belas-le as’, as co en es de pensamen o, as ciências sociais e humanas, a
chamada cul u a popula e mui os ou os aspec os que êm a e com a p odução,
ci culação e consumo de bens simbólicos, sem impo a a sua o igem e o seu des ino”
(Ri e a, 2003: 19 apud San os Sil a, 2012: 70).
Em mui os casos eina ainda a isão clássica e “ilus ada” de cul u a, com
cobe u a exclusi a de belas-a es, em que ge almen e as á eas de maio des aque são
o cinema e a música. Com alguma i onia, apesa des a isão mais eli is a, e i ica-se
uma maio a enção ao cinema e à música come ciais. No en an o, êm ambém
su gido publicações jo nalís icas com ou as isões de cul u a, com abo dagens
c ia i as ligadas a no as endências, a a és de e is as especializadas ou o ei os e
“guias de consumo”, dando ên ase a aspec os como li es yle, design, culiná ia ou
no os c iado es.
As á ias o mas de con a uma his ó ia, sob e udo com as no as possibilidades
que o jo nalismo digi al o nece, e i icam-se ambém no jo nalismo cul u al. Cada ez
mais as edes sociais, os blogs e ce os si es especializados em emas cul u ais se
15
o nam on es de di ulgação. A in e ne é ambém esponsá el po uma
“deseli ização”, se é possí el o e mo, do jo nalismo cul u al, dado que se em acesso
mui o mais ácil aos objec os cul u ais do que an e io men e, o nando-os acessí eis a
odos e não apenas ao jo nalis a.
Ac ualmen e, há a igos e his ó ias que não pode iam exis i se não osse em
ambien e digi al. Cada ez mais se êem his ó ias con adas a a és de gale ias de
imagens, ídeo, mapas in e ac i os ou pano âmicas em 360º.
11
O hib idismo do
jo nalismo cul u al é um dos elemen os p incipais que possibili am es a
ans o mação.
A p óp ia ac ualidade do jo nalismo cul u al é di e en e da ac ualidade do
jo nalismo em ge al – “a no idade no jo nalismo cul u al eside, na u almen e, no
lançamen o de p odu os, na es eia de ilmes, abe u a de exposições, e c, mas
ambém na excepcionalidade ou pionei ismo do p óp io p odu o cul u al” (San os
Sil a, 2012: 81). Assim, aqui a a idade e a c ia i idade cons i uem, de o ma ão ou
mais impo an e do que a ac ualidade, um alo -no ícia.
Pa a Ma isa To es da Sil a, “o jo nalismo cul u al pode se , aliás, ca ac e izado
como um espaço de con luência en e epó e es, in elec uais ou mesmo c iado es,
o nando-se po isso dis in o de ou as o mas con encionais de p odução jo nalís ica”
(To es da Sil a, 2014: 16). A i ma ainda que a iden idade dos jo nalis as de cul u a se
liga “à capacidade de julga os p odu os cul u ais” (To es da Sil a, 2014: 16).
Um es udo de Gemma Ha ies e Ka in Wahl-Jo gensen mos a que os
p o issionais do jo nalismo cul u al sen em di e enças em elação ao jo nalismo
“ adicional”, conside ando-se mais quali icados do que os es an es jo nalis as, dado
que se conside am especialis as em assun os cul u ais. É ambém e e ido que os
c í icos de a e en e is ados e consul ados pa a o mesmo “ a amen e exp essa am
dú idas sob e a sua au o idade c í ica” (Ha ies, Wahl-Jo gensen, 2007: 624),
mos ando assim que mui os jo nalis as de cul u a sen em que a sua iden idade
p o issional se liga di ec amen e à classi icação que azem dos objec os cul u ais.
11
A igo disponí el em h p://www.publico.p /cul u aipsilon/ ol amos-aos-se e- einos
16
Des aca-se ainda que as opiniões mais comuns en e os jo nalis as de cul u a
sob e a hie a quia que de e exis i nas no ícias são: “as a es são impo an es e de em
es a no cen o da cobe u a mediá ica” (Ha ies; Wahl-Jo gensen, 2007: 626); “as
a es são mais «ligei as» do que polí ica e ou os assun os, mas mais impo an es do
que á eas de «baixa cul u a» como cobe u a de despo o e celeb idades” (Ha ies;
Wahl-Jo gensen, 2007: 626). Há ainda uma opinião en e jo nalis as de cul u a,
bas an e mais a a, que de ce o modo acaba po con adize as duas a i mações
an e io es: “as a es são «so news»” (Ha ies; Wahl-Jo gensen, 2007: 626), o que
acaba po demons a dois aspec os - que as opiniões sob e jo nalismo cul u al,
mesmo en e os p o issionais da á ea, não são unânimes, e que a isão que se em
sob e jo nalismo cul u al es á di ec amen e ligada à isão que se em de cul u a. No
en an o, há uma ideia que pe passa es as opiniões, ainda que di e gen es: o
jo nalismo cul u al é is o como um mundo apa e, longe do jo nalismo con encional.
No mesmo es udo, os esul ados de en e is as a jo nalis as de cul u a
mos am que “as p incipais p eocupações são man e as de inições de jo nalismo
cul u al, e e i a a con aminação pela cul u a popula ” (Ha ies, Wahl-Jo gensen, 2007:
629), e que den o do jo nalismo cul u al há di e sas “subsecções”, como jo nalis a
cul u al, edi o cul u al, e c í ico, cada um com a e as e esponsabilidades dis in as.
No en an o, os c í icos “ eelance ” êem-se de uma o ma di e en e, dada a
ins abilidade do seu abalho.
Um dos elemen os undamen ais do jo nalismo cul u al é um bom domínio de
esc i a, bem como um domínio não apenas da ac ualidade, mas de á ias e e ências
cul u ais, em á ias á eas (música, li e a u a, a qui ec u a…). Esse domínio de
di e en es emas é uma das p incipais azões pelas quais os jo nalis as de cul u a se
sen em “mais quali icados” do que os ou os jo nalis as. No en an o, sendo e dade
que o es ilo de esc i a do jo nalismo cul u al é um dos p incipais elemen os dis in i os
do mesmo, há que dize ainda, como a i ma Do a San os Sil a, que “se á po en u a
exage ado a i ma que se dis ingue exclusi amen e pelo seu es ilo (…) e não pela
na u eza dos emas que abo da” (San os Sil a, 2012: 71). A mesma au o a conside a
ainda que “(…) o jo nalismo não de e p escindi das qualidades de concisão,
objec i idade e cla eza, mesmo que os emas sejam complexos e alguns géne os,
17
como a c í ica e o ensaio, possam eclama uma maio libe dade linguís ica, ocabula
e es é ica” (San os Sil a, 2012: 78).
Nes a á ea, ão impo an e como o jo nalis a cul u al é ambém o c í ico.
Segundo Daniel Piza, o c í ico de e e ês unções p incipais: in o ma o lei o sob e a
ob a ou objec o a ís ico, bem como o au o e o con ex o his ó ico em que se in eg a;
analisa a ob a, medindo ela i amen e qualidades e de ei os; usa o objec o pa a uma
lei u a da ealidade, sendo o c í ico um “in é p e e do mundo” (Piza, 2003: 70).
No seu es udo “Func ion o Media A s C i ic”, Dwigh DeWe h‐Pallmeye
des aca que a maio ia dos c í icos cul u ais conside a a melho pa e do seu abalho a
in e acção com o lei o , enquan o os p azos e os edi o es que não en endem o ema a
se a ado são is os como o pio desse mesmo abalho, bem como a publicidade
que mui as ezes es á subjacen e nos media cul u ais. “É desapon an e quando a
maio ia dos c í icos de a e simplesmen e esumem uma ac uação mediá ica e dizem
po que é boa ou má. In elizmen e, es e ipo de c í icas cons i uem um pad ão na
c í ica de a es, e não uma excepção” (Pallmeye , 2003:113). Pallmeye apon a, como
con as e, o que de e ia se um e dadei o c í ico: “”Quando o c í ico se empenha,
esume as qualidades-cha e, mas ambém apon a as qualidades es é icas e d amá icas
e as ques ões mo ais ou é icas do ex o” (Pallmeye , 2003: 113). E ac escen a: “a boa
esc i a c í ica é em si uma o ma de a e” (idem).
12
Em modo de conclusão e de sín ese das an e io es opiniões, pode ia dize -se
que o papel p incipal do jo nalis a cul u al é ac ua como descodi icado de símbolos
cul u ais, de modo a ap oxima o público de c iado es e objec os cul u ais, podendo
se is o como um “mediado democ á ico” (San os Sil a, 2012: 73). Ainda que as
opiniões sob e o papel des e ipo de jo nalismo di i jam, é unânime que o jo nalis a
cul u al é um in é p e e da p óp ia cul u a.
12
T adução ei a po mim.
18
II. 3. – Jo nalismo cul u al em Po ugal
Há uma al a conside á el de es udos sob e jo nalismo cul u al em Po ugal,
país em que o jo nalismo cul u al con inua sem e um papel de des aque. Ao
con á io de ou os países, em Po ugal a á ea da cul u a con inua em segundo plano.
“Não se pode dize que o jo nalismo cul u al ocupe um papel impo an e na imp ensa
po uguesa. Compa a i amen e com ou os países (B asil com pelo menos 20 í ulos
de e is as especializadas em algum segmen o de cul u a, Reino Unido com dezenas
de í ulos egionais e nacionais ou a izinha Espanha, p ecu so a do jo nalismo de
endências) o pano ama po uguês é mui o aco e a única e is a mensal dedicada às
a es – Magazine das A es – e e o seu im em Maio de 2008” (San os Sil a, 2012:
103).
Da a de 1761 a p imei a e is a po uguesa in ei amen e dedicada à cul u a,
sob o nome Gaze a Li e á ia / No ícias Exac as dos P incipais Esc i os Mode nos,
edi ada no Po o. En e os séculos XIX e XX o am c iadas á ias e is as cul u ais, na
sua maio ia sob e li e a u a. As e is as li e á ias adqui i am sob e udo g ande
impo ância du an e a di adu a salaza is a, já que, apesa das imposições e es ições
da di adu a, e is as como Sea a No a e Cade nos de Poesia di ulga am esc i o es e
poe as que o ascismo en a a esconde . Foi após o 25 de Ab il que as mani es ações
cul u ais se mul iplica am, azendo com que a indús ia cul u al se desen ol esse cada
ez mais. Assim, apa eciam nos anos 80 os p imei os jo nais in eg almen e dedicados à
cul u a, como Se7e e Bli z.
Ac ualmen e, á ios jo nais diá ios gene alis as publicam suplemen os
cul u ais, en e os quais se con a o PÚBLICO, com os suplemen os Ípsilon, Fugas, P2 e
Cul o – os ês úl imos suplemen os podem se conside ados suplemen os cul u ais se
segui mos a isão an opológica de cul u a; e há ainda semaná ios, como o Exp esso,
que ambém possuem suplemen os cul u ais. Há que des aca , no pano ama do
jo nalismo cul u al nacional, o Jo nal de Le as. Nes e momen o, su gem ambém
no as e is as mais ligadas à agenda de e en os, como é o caso da TimeOu , que se
25
Capí ulo III: Cobe u a de música pelo jo nal PÚBLICO
III. 1. – Jo nalismo de música no PÚBLICO
A música é, a pa do cinema, a á ea da cul u a a que o PÚBLICO dá maio
des aque. Todos os dias, o jo nal diá io publica pelo menos 3 a igos de cul u a na
e são imp essa, com a e são digi al a se cons an emen e ac ualizada. Rela i amen e
ao jo nal diá io, é sob e udo na e são online que a música ganha p o agonismo, po
uma ques ão de espaço. Já no suplemen o Ípsilon, são á ios os a igos e c í icas
musicais. Há que des aca que o jo nalismo de música no PÚBLICO es á em g ande
pa e subo dinado à agenda de e en os ou de lançamen os de discos. Pa a Ped o
Nunes, o PÚBLICO ap esen a-se como “um jo nal cul u almen e exigen e” (Nunes,
2004: 222), pa a o lei o mais in o mado, excluindo os ou os lei o es (ideia bas an e
p esen e quando mos a uma compa ação ei a no Y de 12/10/2001 en e os
lançamen os de Leona d Cohen e Suzanne Vega, desc i os no jo nal como mes e e
discípulo).
Fo am á ios os jo nalis as que esc e e am sob e música nas páginas e nos
suplemen os de cul u a do PÚBLICO. Má io Lopes e Ví o Belanciano são os nomes
ac uais da edacção que esc e em sob e es a á ea, sob e udo ace ca de música
in e nacional. É equen e e ambém a igos assinados po Nuno Pacheco, do
conselho edi o ial do jo nal, ou ainda do colabo ado Gonçalo F o a, ge almen e sob e
música po uguesa ou lusó ona. Cla o que odos os jo nalis as podem esc e e no ícias
sob e música, mas são es es os jo nalis as especializados nes a á ea e que esc e em
peças de maio p o undidade.
A al e ação dos suplemen os cul u ais do jo nal em indo a al e a o espaço
dado à música no PÚBLICO. Foi com o suplemen o Sons que a música conheceu um
maio des aque no jo nal. Em Y o espaço dado à música e a ambém maio do que
aquele que é ac ualmen e dado a es a á ea no ac ual Ípsilon. Segundo o jo nalis a do
PÚBLICO Má io Lopes, ao ha e mais páginas e mais suplemen os, o espaço dado à
26
música e a maio , al como acon ecia com ou as á eas da cul u a. No en an o, no
jo nal diá io o espaço que se dá aos a igos sob e música não se em indo a al e a
mui o. Sob e os suplemen os cul u ais no jo nalismo, Ped o Nunes e e e que “os
suplemen os podem se amplamen e in eg ados na secção de cul u a do jo nal.
Fa o ecem a c iação de uma comunidade de lei o es que seguem o gos o/linha
edi o ial da publicação e alo izam a esc i a de um jo nalis a ou c í ico em pa icula ”
(Nunes, 2004: 87).
En e os suplemen os do PÚBLICO dedicados à cul u a (não apenas à música,
mas a odas as á eas), es i e am os suplemen os Pop Rock (1990-1996), Fim de
Semana (1991-1994), Zoom (1995), A es e Ócios (1994-1999), Lei u as (1990-1999),
A es (2000), Y (2000-2006) e Mil Folhas (2000-2006). De en e es es suplemen os, a
música e a uma das a es p incipais em Pop Rock, Sons, Fim de Semana, A es e Ócios
e Y, já que Lei u as e Mil Folhas se dedica am sob e udo à li e a u a. Todos es es
suplemen os e am de publicação semanal, endidos com o p óp io jo nal.
O suplemen o Pop-Rock, que du ou de 1990 a 1996, oi um suplemen o
in ei amen e dedicado à música, dando especial des aque à música in e nacional,
sob e udo anglo-saxónica, ainda que a música po uguesa ambém osse de g ande
impo ância pa a o suplemen o. Pop-Rock seguia es a o dem: á ias b e es, uma
en e is a ou a igo desen ol ido e uma sé ie de c í icas de discos, an o de música
in e nacional como po uguesa. A c í ica musical do suplemen o Pop-Rock e a
bas an e mais ex ensa do que no ac ual Ípsilon, mui as ezes com o dob o do amanho
das c í icas de música ac uais.
Anos mais a de, de 1995 a 2000, e a com no suplemen o Sons que a música
e a p o agonis a. O suplemen o, com menos páginas do que o an e io Pop-Rock, e a
compos o po um só a igo desen ol ido e uma sé ie de b e es sob e lançamen os de
discos (as chamadas “saídas”). Mui as ezes, o Sons e a emá ico, dando-se
equen emen e des aque à música clássica (po exemplo en e 1995 e 1996) e ao jazz.
Fim de Semana oi um suplemen o que embo a mui o dedicado à agenda
cul u al, ambém inha á ios a igos de undo. Cinema, música, ea o e exposições
e am os emas em des aque.
27
Zoom exis iu apenas du an e Julho de 1995. Tinha á ias semelhanças com o
an e io suplemen o Fim de Semana.
A es e Ócios oi sob e udo um suplemen o de agenda de e en os, em que a
p og amação ele isi a e e ambém g ande impo ância. O que mais se des aca a
nes e suplemen o e a o ca az de es i ais e conce os, a pa de es eias de ilmes ou
peças de ea o. Não ha ia g andes a igos de undo ou de análise de objec os e
e en os cul u ais.
Y, com ce ca de 40 páginas, e a o suplemen o que mais se assemelha a ao
ac ual suplemen o cul u al Ípsilon (aliás, oi p ecisamen e es e suplemen o, ao lado do
suplemen o li e á io Mil Folhas, que p ecedeu imedia amen e o Ípsilon). Nes e
suplemen o, a música e a ambém p o agonis a. Cen a a-se na agenda de e en os e
na música in e nacional. Além da música, o cinema igualmen e uma á ea de g ande
impo ância. O suplemen o e a compos o po “ lashes” (b e es, cujo nome se man e e
no ac ual Ípsilon), a igos desen ol idos e/ou en e is as, bem como no ícias e c í icas,
sob e udo musicais ou cinema og á icas. Nes e suplemen o, ha ia á ios a igos
esc i os po jo nalis as es angei os e co esponden es in e nacionais, em maio
quan idade do que no Ípsilon dos dias de hoje.
A es oi ou o suplemen o dedicado a di e en es a es pe o ma i as, como
dança e ea o, em que a música ambém es a a p esen e, ainda que não da mesma
o ma que nou os suplemen os aqui já e e idos. Não ha ia um des aque dado à
música como acon ecia em Y ou Sons, a í ulo de exemplo.
De 2007 a é à ac ualidade, é Ípsilon o suplemen o cul u al do PÚBLICO, em que
a música é uma das á eas em des aque. É edi ado po Vasco Câma a desde que
começou a se publicado. O ac ual suplemen o é compa á el a uma junção dos an igos
Y e Mil Folhas, não ha endo nes e momen o uma dis inção ão ma cada en e a secção
de cul u a do jo nal diá io e o suplemen o semanal. Aliás, no publico.p a secção
dedicada a cul u a su ge com o í ulo “Cul u a-Ípsilon”, ilus ando assim uma elação
de igualdade en e diá io e suplemen o.
28
É cu ioso e i ica que e a dada an e io men e mais impo ância aos p og amas
de ele isão den o da secção de cul u a, com maio quan idade de b e es ou
pequenas no ícias sob e es eias de sé ies ou de p og amas. Ac ualmen e, a secção de
cul u a ap esen a equen emen e a igos desen ol idos sob e sé ies, ge almen e na
e são digi al do jo nal (os a igos são quase semp e da au o ia da jo nalis a Joana
Ama al Ca doso).
Ainda que a música seja uma das á eas de des aque, não se dá ac ualmen e à
música o mesmo espaço que exis ia em suplemen os an e io es. Segundo o c í ico e
jo nalis a do PÚBLICO Ví o Belanciano, a diminuição do espaço que se dá à música nos
jo nais não acon ece apenas em Po ugal, mas um pouco pela imp ensa de odo o
mundo. Ainda assim, em Po ugal no a-se mais esse co e dada a al a de e is as e
jo nais especializados em música, como acon ece nou os países. E é na c í ica que se
co a um maio espaço no que diz espei o à música, já que ainda se dá g ande
des aque a a igos de ap esen ação de discos ou conce os. “Quando o Ípsilon oi
implemen ado, a música pe deu espaço, po que inha que coabi a com ou as á eas.
E sin o que sim, que e iden emen e ao longo dos anos, não só a música, mas ou as
á eas da cul u a, o am pe dendo espaço no jo nal. Acho que não é uma endência que
não é do in e io aqui do PÚBLICO, é uma endência gené ica. Essencialmen e no
espaço de c í ica, penso, já que con inua a ha e mui os ex os de ap esen ação,
epo agens… O lado mais c í ico, seja c í ica de discos ou de conce os, po exemplo,
no a-se imenso que isso se pe deu, endo em con a que no jo nal PÚBLICO semp e
hou e essa elação en e os suplemen os e o diá io”, diz Belanciano.
19
A isão de Ví o Belanciano coincide em ce os aspec os com a de Do a San os
Sil a. “Em bom igo , não exis e c í ica nos jo nais po ugueses. A c í ica es u u ada
oi ocupada po sinopses que não ocupam mais do que um pa ág a o.” (San os Sil a,
2012: 121).
Sob e o que az com que um a is a seja (ou não) alado no PÚBLICO, o
jo nalis a do PÚBLICO Má io Lopes explica: “nós p ocu amos, acima de udo, con a
his ó ias que sejam ele an es que po aquilo que econhecemos como qualidade das
19
Ve en e is a em anexo.
29
pessoas ou bandas, que pelo impac o que de alguma o ma amos endo em elação
àquilo que azem”.
20
No en an o, há dois a is as que pa ecem a a essa as ge ações
de suplemen os do PÚBLICO e e semp e igual impo ância e des aque, seja o ano que
o : Bob Dylan e B uce Sp ings een. Ambos apa ecem cons an emen e, seja po
lançamen os de discos, no as dig essões, po que ganham um p émio Nobel que não
ecebem em mãos ou po a aca as polí icas de Donald T ump.
Ace ca das p essões das edi o as sob e os jo nalis as, Ví o Belanciano em uma
posição cla a. “É cla o que exis em suges ões, mas a úl ima pala a é semp e do
c í ico, ou supos amen e de e ia se assim. No meu caso, já acon eceu a é ao
con á io: se eu a p opo mui as ezes”, comen a
21
.
Pa a melho se analisa e comp eende como é a cobe u a de música do
PÚBLICO, segue-se uma análise de dados ecolhidos du an e o es ágio com o objec i o
de ca ac e iza os p incipais aspec os des a á ea da cul u a no PÚBLICO.
20
Ve en e is a em anexo.
21
Ve en e is a em anexo.
30
III. 2. - Pe gun as de in es igação e mé odo de análise cien í ica da cobe u a
de música pelo PÚBLICO
O objec i o des e ela ó io é analisa a cobe u a de música pelo PÚBLICO. Pa a
al, o am colocadas pe gun as de in es igação como:
- qual a elação de p opo ção en e a cobe u a de música e das es an es
á eas?
- que géne o jo nalís ico é mais equen e na cobe u a musical do PÚBLICO?
- qual é o alo -no ícia p edominan e?
- qual é o enquad amen o/ângulo de abo dagem p edominan e?
- qual é a dimensão da cobe u a da música nacional em compa ação com a
in e nacional?
Pa a esponde a es as pe gun as, no âmbi o de um es udo de caso, a
me odologia u ilizada oi a análise de con eúdo, complemen ada com en e is as.
Analisa am-se en ão odos os a igos de música publicados num mês es u u ado,
o ganizado po qua o semanas di e en es: a p imei a semana de Se emb o (29 de
Agos o a 4 de Se emb o), a segunda de Ou ub o (de dia 10 a 16), a e cei a de
No emb o (de 14 a 20) e a qua a de Dezemb o (de 26 des e mês a é 1 de Janei o de
2017). Escolhi es as semanas po me pa ece excessi o analisa po comple o as
publicações du an e os ês meses de es ágio. No o al, o am analisados 80 a igos.
As a iá eis de análise usadas pa a analisa esse mês o am o núme o o al de
a igos de cul u a publicados bem como o núme o de isualizações à página de cul u a
du an e esse mesmo empo; os géne os jo nalís icos mais equen es na cobe u a de
música; os alo es-no ícia mais des acados na música; o enquad amen o das peças;
po im, a localização das peças.
Foi ambém necessá io, pa a comple a es a análise, en e is a os jo nalis as
Má io Lopes e Ví o Belanciano, ambos especialis as em música. Tendo em con a o
31
ema des e ela ó io - ca ac e ização da cobe u a de música pelo PÚBLICO - e a
indispensá el ala com ambos os jo nalis as, dada a la ga expe iência de ambos, além
de que se ia impensá el ap esen a um ela ó io sob e a cobe u a musical do
PÚBLICO sem ala com os jo nalis as que se enca egam dessa a e a.
32
III. 3. – Análise de dados
Núme o o al de a igos de cul u a:
Es a abela mos a a elação en e o o al de a igos de cul u a e a quan idade
de a igos de cada á ea den o da secção du an e o pe íodo de empo escolhido pa a a
análise (as qua o semanas an es e e idas).
Como se pode comp o a pelo g á ico, a música e o cinema são as á eas de
eleição do PÚBLICO no que diz espei o à cul u a, seguidas de pe o pela li e a u a.
En e ambas as á eas, a música é a que em mais des aque, com um o al de 80
a igos. O núme o de a igos sob e li e a u a (secção “li os”) aumen ou
conside a elmen e em Ou ub o dada a a ibuição do p émio Nobel da Li e a u a a Bob
Dylan. Po se um p émio li e á io, ainda que a ibuído a um músico, não conside ei
que esses a igos de essem se in eg ados na secção música.
Assim, apesa de e pe dido alguma impo ância ao longo da his ó ia do jo nal
(bas a e que os an igos suplemen os in ei amen e dedicados à música já não
exis em), a música con inua a se uma das á eas de maio des aque, e inclusi amen e
um ex-lib is da secção de cul u a, já que a cobe u a musical con inua a se uma
imagem de ma ca do es ilo apa en emen e “high cul u e” do jo nal, que mui as ezes
cob e, po exemplo, a is as e e en os de música al e na i a e indie, o a do
mains eam.
80
63
14
3
51
32
5
5
A igos de cul u a
Música
Cinema
Tea o
Dança
Li os
A es
A qui ec u a
Design
33
Visualizações da página de cul u a do PÚBLICO:
VISITAS
29 AGO - 4 SET
10 OUT - 16 OUT
14 NOV - 20 NOV
26 DEZ - 1JAN
CULTURA - TOTAL
196 350
230 893
185 969
320 583
Es a abela mos a o o al de isi as dos lei o es à secção de cul u a no
publico.p du an e as semanas já e e idas.
As semanas com maio núme o de acessos aos a igos de cul u a são aquelas
em que p ecisamen e se e i ica am maio es acon ecimen os cul u ais, como a
a ibuição do p émio Nobel da Li e a u a, em Ou ub o, ou a mo e de Leona d Cohen,
em No emb o.
Es a abela p o a que a cul u a é uma á ea que a ai g ande núme o de
lei o es, ainda que seja uma á ea pos a em segundo plano em á ios jo nais
po ugueses. Sob e essa pe da de impo ância da á ea da cul u a, que o iginou
ambém uma pe da de espaço nos jo nais, Ví o Belanciano a i ma: “quando o Ípsilon
oi implemen ado, a música pe deu espaço, po que inha que coabi a com ou as
á eas. E sin o que sim, que e iden emen e ao longo dos anos, não só a música, mas
ou as á eas da cul u a, o am pe dendo espaço no jo nal. Acho que não é uma
endência que não é do in e io aqui do PÚBLICO, é uma endência gené ica.
Essencialmen e no espaço de c í ica, penso, já que con inua a ha e mui os ex os de
ap esen ação, epo agens…”
22
.
22
Ve en e is a em anexo.
34
Géne os jo nalís icos u ilizados na cobe u a de música pelo PÚBLICO:
No PÚBLICO, a no ícia p edomina na secção de cul u a, e a cobe u a de música
não é excepção. Du an e o empo analisado, a no ícia é o géne o jo nalís ico que
cons i ui mais de me ade do o al de a igos de música.
O segundo géne o mais equen e é a c í ica, uma das g andes ma cas do
jo nal. Ainda que nes e momen o a c í ica enha meno des aque do que em
momen os an e io es do jo nal, con inua a se um dos géne os jo nalís icos mais
u ilizados, sendo um dos ex-lib is do PÚBLICO. No en an o, Ví o Belanciano a ima: “o
lado mais c í ico, seja c í ica de discos ou de conce os, po exemplo, no a-se imenso
que isso se pe deu”, e elaciona as mudanças de géne os jo nalís icos com a elação
en e diá io e suplemen os cul u ais: “Ao longo dos anos isso ambém se oi
ans o mando, numa al u a em que no diá io udo o que inha a e com uma lógica
de conce os semanais, seja en e is as ou p omoção de conce os, ansi a a
imedia amen e pa a as páginas de cul u a. Hoje em dia, há um lado mais ambíguo,
mais mis o, nessa elação”
23
.
É necessá io ambém da impo ância à en e is a, o e cei o géne o
jo nalís ico mais equen e du an e o empo des a análise. A en e is a des aca-se na
secção de cul u a – e não é excepção, ob iamen e, na cobe u a de música – já que,
como a i ma Do a San os Sil a, há necessidade de “(…) o jo nalismo cul u al u iliza
23
Ve en e is a em anexo.
43
3
7
24
3
Géne os jo nalís icos
No ícia
Repo agem
En e is a
C í ica
Ou os
41
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em: h p://unesdoc.unesco.o g/images/0012/001271/127160po .pd
i
ANEXOS
Anexo A: Es a u o edi o ial do PÚBLICO
ESTATUTO EDITORIAL DO PÚBLICO:
Público é um p ojec o de in o mação em sin onia com o p ocesso de mudanças
ecnológicas e de ci ilização no espaço público con empo âneo.
Público é um jo nal diá io de g ande in o mação, o ien ado po c i é ios de
igo e c ia i idade edi o ial, sem qualque dependência de o dem ideológica, polí ica
e económica.
Público insc e e-se numa adição eu opeia de jo nalismo exigen e e de
qualidade, ecusando o sensacionalismo e a explo ação me can il da ma é ia
in o ma i a.
Público apos a numa in o mação di e si icada, ab angendo os mais a iados
campos de ac i idade e co espondendo às mo i ações e in e esses de um público
plu al.
Público en ende que as no as possibilidades écnicas de in o mação implicam
um jo nalismo e icaz, a ac i o e imagina i o na sua pe manen e comunicação com os
lei o es.
Público es abelece as suas opções edi o iais sem hie a quias p é ias en e os
di e sos sec o es de ac i idade, numa cons an e disponibilidade pa a o es ímulo dos
acon ecimen os e si uações que, quo idianamen e, são no iciados e comen ados.
Público conside a que a exis ência de uma opinião pública in o mada, ac i a e
in e enien e é condição undamen al da democ acia e da dinâmica de uma sociedade
ii
abe a, que não ixa on ei as egionais, nacionais e cul u ais aos mo imen os de
comunicação e opinião.
Público pa icipa no deba e das g andes ques ões que se colocam à sociedade
po uguesa na pe spec i a da cons ução do espaço eu opeu e de um no o quad o
in e nacional de elações.
Público é esponsá el apenas pe an e os lei o es, numa elação igo osa e
anspa en e, au ónoma do pode polí ico e independen e de pode es pa icula es.
Público econhece como seu único limi e o espaço p i ado dos cidadãos e em
como limia de exis ência a sua c edibilidade pública.
iii
Anexo B: Exemplos de abalhos ealizados
B.1:
Wha would you do?, can a
Ch is B own ao sai da p isão
Canção oi edi ada menos de 24 ho as depois de o músico e sido de ido
po ameaça com a ma de ogo a modelo Baylee Cu an du an e uma
es a.
PÚBLICO
2 de Se emb o de 2016, 15:24
Pa ilha no ícia – 38 PARTILHAS
i
Já em 2009 oi mui o media izado o caso de iolência domés ica en ol endo Rihanna. DR
Ch is B own acaba de lança uma no a canção. Wha Would You
Do su ge menos de 24 ho as depois de e sido de ido po ameaça ,
du an e uma es a em casa, a modelo cali o niana Baylee Cu an com
uma a ma de ogo. A imp ensa in e nacional elaciona a canção com a
de enção do can o ame icano de R&B, mundialmen e conhecido po
emas como Wi h you e Tu n up he music.
B own encon a-se em libe dade condicional depois de paga uma
iança de 250 mil dóla es (ap oximadamen e 223 mil eu os). “Com
oda a po ca ia que es á a acon ece , ou da a ou a ace e lança
músicas”, disse num ídeo na con a o icial da ede social Ins ag am,
ho as an es de di ulga a no a canção. Ch is B own i á a ibunal dia
20 de Se emb o.
Já na semana an e io inha publicado G ass ain’ g eene , canção que
es a á incluída em Hea b eak on a Full Moon, o seu p óximo álbum,
ainda sem da a. A RCA Reco ds, edi o a do can o , a i ma que Wha
would you do não é um single do p óximo álbum.
Não é a p imei a ez que Ch is B own se en ol e em casos de iolência.
O mais mediá ico deu-se em 2009, quando oi acusado de ag edi
Rihanna, na al u a sua namo ada, an es da ce imónia dos G ammy
Awa ds. B own ambém já oi acusado de a aca o seu an igo manage ,
MIke G, e de causa dis ú bios em á ias ocasiões.
B.2:
Um es i al que ai de
Shakespea e a Cae ano Veloso
A segunda edição do Fes i al In e nacional de Cul u a (FIC) começa es a
sex a- ei a, em Cascais.
ADRIANA DIAS
8 de Se emb o de 2016, 18:47
Pa ilha no ícia – 366 PARTILHAS
A Casa das His ó ias Paula Rego se á um dos espaços do es i al. DANIEL ROCHA
A cul u a é uma o ma de olha o mundo. É es a a iloso ia do Fes i al
In e nacional de Cul u a (FIC), em que a li e a u a es á em des aque,
i
mas onde há espaço pa a odas as a es. Des a sex a- ei a a é ao dia 18
de Se emb o, a segunda edição do FIC e á li e a u a, conce os,
deba es, ea o e exposições em espaços como a Casa das His ó ias, o
Cen o Cul u al de Cascais e o Ja dim Visconde da Luz.
En e os mais de 65 con idados, 20 dos quais in e nacionais,
sob essaem o esc i o espanhol A u o Pé ez-Re e e, os b i ânicos
Da id Lodge e And ew Mo on, o ancês Ma hias Éna d, o composi o
b asilei o Cae ano Veloso e o poe a An onio Cíce o, que es a sex a-
ei a, às 19h, ab em os encon os ques ionando se a iden idade cul u al
é uma u opia.
O p a o o e do es i al são os deba es, mui os de ca ác e li e á io
(como A li e a u a pode ans o ma o mundo?, com Ana Ma ga ida
de Ca alho, Ma ia Manuel Viana, Nuno Cama nei o e Ma hias Éna d,
12 de Se emb o, às 22h) mas onde ambém não al a discussão polí ica
(A polí ica em empos de indignação, 10 de Se emb o, às 19h, com a
eu odepu ada Ma isa Ma ias e o ilóso o espanhol Daniel Inne a i y, é
um exemplo).
Há ainda con e sas com esc i o es, como aquela en e Pa ícia Reis e
A u o Pé ez-Re e e (14 de Se emb o, às 22h) e en e Inês Ped osa e
Da id Lodge (18 de Se emb o, às 22h), sessões de au óg a os, ciclos de
cinema, a es de ua e conce os de a is as como Cuca Rose a, João Gil
e Ana Mesqui a ou o Moscow Piano Qua e .
“Nos ec o es p incipais, o es i al man ém-se o mesmo, con inua a
não se um es i al só de li e a u a, mas de cul u a. No ano passado
es a a mais ligado a Á ica e es e ano ao B asil”, a i ma ao PÚBLICO
Inês Ped osa, p og amado a dos deba es do es i al e pa a quem “a
dimensão da pon e exis en e en e os dois países é mui o impo an e”.
“O B asil é uma po ência cul u al com eno me ele ância”, e o ça.
Cada edição do FIC e gue-se em o no de uma igu a cen al da cul u a.
Se no ano passado o au o a homenagea oi Ce an es, es e é o ano de
ii
Shakespea e, 400 anos após a sua mo e. A ob a do d ama u go inglês
es a á em des aque dia 17, com ap esen ações do TEC – Tea o
Expe imen al de Cascais.
“Es e es i al p e ende uma isão global e in eg ado a da cul u a”, diz
Inês Ped osa, pa a quem o espec áculo/aula-show no mesmo sábado,
às 23h, Vinicius e Tom: Pala a e Música, de José Miguel Wisnik com
Paula Mo elenbaum, se á um dos momen os al os.
O FIC é o ganizado pelo g upo edi o ial LeYa em conjun o com a
Câma a Municipal de Cascais e a Fundação Dom Luís I. A maio ia das
ac i idades é g a ui a (há bilhe es pa a as exposições e as sessões de
cinema).
Tex o edi ado po Isabel Cou inho
iii
B.3:
Milha es de episódios de sé ies
e nem 20% são ealizados po
mulhe es ou não-b ancos
Canais gene alis as e de cabo mais iguali á ios do que se iços
de s eaming ou canais p emium, diz ela ó io da Di ec o s Guild o
Ame ica.
ADRIANA DIAS
14 de Se emb o de 2016, 12:18
Pa ilha no ícia - 256 PARTILHAS
Being Ma y Jane oi conside ada a melho sé ie a ní el de igualdade de opo unidades. DR
A Guilda dos Realizado es (Di ec o s Guild o Ame ica, o ganização
labo al que ep esen a os ealizado es no e-ame icanos) ap esen ou
um no o ela ó io sob e a con a ação de mulhe es e mino ias é nicas
x
E, a inal, o que signi ica Bowie pa a B ooke nes e momen o? “Vejo
Da id Bowie como uma c iação de Da id Jones. Di ia que ejo Da id
Robe Jones como um se humano mui o alen oso que c iou uma
pe sonagem chamada Da id Bowie, e ainda bem que o ez. Sin o-me
g a o po Da id Bowie, esumindo”, a i ma B ooke . E comple a:
“Da id Bowie é um concei o”.
Tex o edi ado po Má ios Lopes
x i
B.5:
B uce Sp ings een:
“Bob Dylan é ce amen e um
poe a"
Numa ap esen ação em Lond es da au obiog a ia Bo n no Run,
Sp ings een elogiou o Nobel e c i icou iolen amen e T ump.
PÚBLICO
19 de Ou ub o de 2016, 9:52
Pa ilha no ícia – 153 PARTILHAS
Sp ings een mos ou-se eliz pela a ibuição do Nobel da Li e a u a a Bob Dylan GARY
CAMERON/REUTERS
x ii
B uce Sp ings een, em Lond es numa ap esen ação da
sua au obiog a ia Bo n o Run à imp ensa eu opeia, jun iu-se à lis a
dos que se mos am elizes pela a ibuição do p émio Nobel da
Li e a u a a Bob Dylan. “Like a Rolling S one oi uma das p imei as
canções que ou i que sen i que mos a a uma e são eal do meu país”,
a i mou (ci amos o diá io b i ânico The Gua dian), ac escen ando que
o abalho de Dylan ai pe du a e con inua a soa al o, enquan o o de
mui os músicos se á esquecido. Compa ando o seu abalho com o de
Dylan, comen ou: “Bob é ce amen e um poe a, eu sou um ope á io que
abalha no du o”
No e en o, que deco eu no Ins i u e o Con empo a y A s de Lond es,
Sp ings een ol ou a a aca Donald T ump. O Boss, que já inha di o
que T ump “é um idio a”, a i mou que “é e í el o que es á a acon ece
nos Es ados Unidos” e que o candida o epublicano “es á a mina oda
a adição democ á ica”. Quando ques ionado sob e a a acção que
T ump exe ce, espondeu que “ninguém a consegue explica ”.
Sp ings een, apoian e de Ba ack Obama nas eleições de 2008 e 2012, já
decla a a numa en e is a à Rolling S one que Hilla y Clin on “se ia
uma p esiden e mui o boa”.
Sob e a au obiog a ia, Sp ings een des acou que o mais di ícil oi
esc e e a secção inal. “Mos ei aos meus ilhos o que esc e i sob e
eles. Discu i com a Pa i [Scial a, a mulhe ] sob e o inal do li o e
mesmo sem nos sen i mos o almen e con o á eis com algumas
coisas, ela deu-me mui o espaço pa a explo a ”. Con ou ainda como a
di ícil elação com o pai o a ec ou quando ele p óp io e e ilhos. “O
mais complicado oi não e um modelo pa a sabe o que é se um bom
pai”, con essou, con ando ainda que oi di ícil habi ua -se a ge i o
empo. “Tenho uma boa elação com os meus ilhos. Não posso dize
que enha sido pe ei o, mas iz o que pude”.
Ao ala da dep essão que o a ec a pe iodicamen e, Sp ings een disse
que da conce os o ajuda mui o. Depois de ês ho as a oca , es á
x iii
“demasiado cansado pa a es a dep imido”, já que “pa a es a
dep imido é p eciso alguma ene gia”.
xix
B.6:
Capa a co es em Mad id
Imagens de soldados ame icanos e ingleses da Segunda Gue a Mundial,
cenas do pós-gue a, momen os de ócio e da ida quo idiana, o og a ias
de igu as públicas ou pessoas em ca és: Capa en Colo no Cí culo de
Belas A es.
PÚBLICO
1 de No emb o de 2016, 7:33
Pa ilha no ícia - 5 PARTILHAS
xx
A é 15 de Janei o do p óximo ano ão es a expos as em Mad id
o og a ias a co es de Robe Capa. O abalho do o ojo nalis a es a á
no Cí culo de Belas A es da capi al espanhola, na exposição Capa en
Colo , inaugu ada dia 20 des e mês.
Capa, o óg a o de gue a nascido em 1913 na Hung ia, é conhecido
pelas o og a ias da Gue a Ci il Espanhola. Es e e p esen e em
algumas das mais impo an es en es de ba alha, como a Segunda
Gue a Mundial, endo o og a ado o desemba que dos aliados na
No mandia. Mo eu em 1954, ao pisa uma mina du an e a gue a da
Indochina. Nesse dia, le a a duas máquinas consigo: uma inha um
ilme a p e o e b anco, a ou a a co es.
As suas o og a ias mais conhecidas, como o ins an âneo da mo e de
um miliciano pe o de Có do a, Espanha, são a p e o e b anco. Po ém,
o og a a a a co es desde 1941. U iliza a a co pa a complemen a a
o og a ia, mas mui as dessas imagens não o am publicadas dado o
empo necessá io pa a as e ela , mui o mais do que aquele que
implica o p e o e b anco.
As p imei as imagens a co de Capa mos am soldados ame icanos e
ingleses da Segunda Gue a Mundial, mas são cenas do pós-gue a que
igu am em algumas das suas o og a ias a co mais amosas. São
momen os de ócio e da ida quo idiana, bem como o og a ias de
igu as públicas ou pessoas em ca és, num pon o de in lexão em elação
ao seu abalho mais conhecido.
A exposição que chega ago a a Mad id já inha es ado em 2013 em
No a Io que, e em 2015 chega a a Budapes e, ao Robe Capa Cen e ,
com um espólio de mais de 4000 nega i os. Em Mad id inclui á mais
de 150 imagens nunca imp essas ou expos as em Espanha. É uma
exposição o ganizada pelo p óp io Cí culo de Belas A es de Mad id e
pelo In e na ional Cen e o Pho og aphy e em como cu ado a Cyn hia
Young.
xxi
O Cí culo de Belas A es e á ainda uma sé ie de ac i idades
elacionadas com a exposição, sendo a p imei a uma con e ência sob e
epo agem de gue a com o o óg a o Emilio Mo ena i, a 14 de
No emb o.
xxii
B.7:
Um galo de Ba celos gigan e e
ecnológico à bei a do Tejo
De dia 6 de No emb o a é ao inal do mês o Pop Galo de Joana
Vasconcelos ai es a na Ribei a das Naus.
ADRIANA DIAS
2 de No emb o de 2016, 19:27
Pa ilha no ícia 1320 - PARTILHAS
Um galo de Ba celos de 10 me os que pesa quase qua o oneladas,
compos o po 17.000 azulejos e 16.000 leds. É assim a no a ob a de
Joana Vasconcelos, Pop Galo, inaugu ada no p óximo domingo e que
es a á na Ribei a das Naus, em Lisboa a é ao im de No emb o, no
xxiii
con ex o do Web Summi Lisboa. “Ten ei pega num ícone adicional e
eposicioná-lo, dando-lhe uma no a pe spec i a pa a o u u o”, disse
Joana Vasconcelos ao PÚBLICO no inal das mon agens de Pop Galo.
Joana Vasconcelos já que ia abo da o galo de Ba celos po se um
ícone da cul u a po uguesa. “Se á que a adição ainda es á p esen e?
Se á que as pessoas ainda sabem o que é o galo de Ba celos ou é apenas
um objec o da cul u a u ís ica?”, ques ionou-se ao começa o p ojec o.
Ao pesquisa sob e a sua his ó ia e simbologia, pensou que “ainda az
sen ido exis i hoje”. Decidiu e isi á-lo, c uzando elemen os
adicionais e ecnológicos.
Pop Galo em esse nome pela elação com a pop a , pelas co es
e idenciadas pelas luzes led e pela elação com a ecnologia. “É o
e isi a da cul u a pop. A mis u a de ma e iais inusi ados que
conjugados dão uma espécie de no a e são do nosso ambien e. Aqui, o
que mis u o são leds com azulejo, e são os leds que dão um lado
ecnológico a es e galo. E é a ecnologia que pe mi e uma maio
in e acção com o público”.
A ecnologia é um dos aspec os ulc ais da ob a, que e á ainda música,
com composições de Jonas Runa. “É um galo adicional du an e o dia,
com azulejos e que can a, e à noi e é um galo do u u o, com luz e
música”, a i ma a a is a, cuja no a ob a e á ambém
um si e in e ac i o.
Quem se ap oxima do Pop Galo com um elemó el acede a oda a
in o mação no si e a a és de um código QR. Ao longo do empo, ão
sendo ac escen adas ao si e as o og a ias i adas po quem ê a ob a e
in o mação sob e a simbologia do galo na cul u a po uguesa e em odo
o mundo. Pa a Joana Vasconcelos, é uma ob a dinâmica, pela
in o mação que ai se ac escen ada e pelas iagens que a á pelo
mundo pois é desmon á el, di isí el em oi o pa es, o que lhe con e e
xxi
mobilidade. “É uma ob a que se ai cons uindo ao longo das iagens
que az e das pessoas que ão passando po ela”.
Joana Vasconcelos não consegue dize qual o cus o, po que “ainda não
se conseguiu con abiliza udo”, mas a i ma e sido ele ado e des aca o
apoio de pa ocinado es e apoian es, como o Azei e Gallo, sem os quais
“não e ia sido possí el”. Um dos maio es cus os es á no anspo e da
peça.
Pop Galo de e ia e sido inaugu ado em 2014, no B asil, nas
celeb ações dos 450 anos da undação da cidade do Rio de Janei o,
pa a as quais inha sido idealizado, mas a si uação polí ica do ou o
lado do A lân ico acabou po impedi que al acon ecesse. A ob a i á
em Janei o à China, a Pequim, pa a comemo a o Ano Chinês do Galo,
e Joana Vasconcelos espe a que a peça iaje po mais luga es em odo o
mundo. “O desígnio do Pop Galo é aze um pa alelismo en e a
simbologia do galo na cul u a po uguesa e nou as cul u as”, a i ma
Joana Vasconcelos. “É um galo ans e sal, mul icul u al”, comple a.
Tex o edi ado po Ana Fe nandes
xxxi
Li os Esquecidos, que dá nome à e alogia. Une-os ainda ou o
aspec o: em cada his ó ia há um li o den o do p óp io li o.
A ideia do Cemi é io dos Li os Esquecidos su giu quando o esc i o
e lec ia em Los Angeles sob e a quan idade de coisas que odos os dias
se pe diam ou esqueciam. Daí su giu a imagem de uma biblio eca
especial, des inada a gua da os exempla es de an os li os
abandonados pela cidade mas ca i os na alma dos seus lei o es. Uma
imagem que nes e li o é explo ada mais a undo, ao longo das mais de
800 páginas que eúnem as pe sonagens de oda a saga, de Da id
Ma ín a Julián Ca ax, e ligam inalmen e as pon as sol as dos di e sos
enigmas espalhados pelos an e io es olumes.
Em O Labi in o dos Espí i os, os lei o es ol a ão a encon a Daniel
Sempe e e Fe mín Rome o de To es, p o agonis as da saga. Daniel
en a esol e o mis é io da mo e da mãe, mas as espos as só se ão
encon adas com o apa ecimen o de uma no a pe sonagem que e á
um papel de e minan e na his ó ia: Alicia G is, sob e i en e dos
bomba deamen os da Gue a Ci il Espanhola, que comanda uma
in es igação sob e o minis o Mau icio Valls, ago a desapa ecido. No
en an o, descob i os seg edos da his ó ia da amília Sempe e e á um
p eço a paga .
Za ón, em en e is as à imp ensa espanhola, des acou a no a
pe sonagem Alicia G is como uma das suas c iações a o i as,
inspi ada na Alice de Lewis Ca ol. É, diz o au o , uma Alicia “na
Ba celona das ma a ilhas, que a inal é uma Ba celona de e as”, a
Ba celona sob o egime anquis a, da misé ia, da censu a e da ome.
No en an o, se há uma pe sonagem emblemá ica de odos os li os,
a iscamo-nos a dize que é Fe mín, o mendigo que é “a oz da
consciência” e a pe sonagem pica esca da saga. É de al o ma
impo an e que e e di ei o a uma ca a de despedida de Za ón,
publicada no jo nal espanhol El País. Za ón diz a Fe mín que ainda se
lemb a do dia "em que o encon ou a caminho do Cemi é io dos Li os
xxxii
Esquecidos" e elemb a a sua capacidade de ouba a cena ao
p o agonis a Daniel Sempe e. Despede-se dizendo que chegou o
g ande inal e que a a en u a li e á ia “ aleu a pena”. Há pe sonagens
que nunca abandonam os seus au o es.
Ca los Ruiz Za ón em 2012, de passagem po Lisboa DANIEL ROCHA
xxxiii
A máquina de bes selle s
Za ón é uma máquina de aze bes selle s. Só em Espanha, O Labi in o
dos Espí i os e e uma p imei a edição de 700 mil exempla es, e is o
apenas em espanhol, já que se lançou simul aneamen e uma edição em
ca alão com uma i agem de 50 mil exempla es. Se ão milha es de
edições um pouco pelo mundo in ei o. Em Po ugal, ou o país endido
aos li os de Za ón, oi A Somb a do Ven o, ac ualmen e incluído no
Plano Nacional de Lei u a, o olume que mais endeu a é ao momen o.
Uma das p incipais azões do sucesso de Za ón é a o ma como esc e e.
Mesmo nos li os ju enis com que começou a ca ei a (O P íncipe da
Neblina, O Palácio da Meia-Noi e, As Luzes de Se emb o e Ma ina), já se
no a am, além da in iga de a en u a, elemen os an ás icos e um ce o
om de mis é io e melancolia que ca ac e iza O Cemi é io dos Li os
Pe didos. Mas ambém a con e gência en e ealidade e icção, os
diálogos ápidos e in ensos, e as di e en es ozes na a i as, com
his ó ias den o da his ó ia p incipal.
Su p eenden emen e, apesa dos aspec os cinema og á icos da esc i a
de Za ón e do sucesso in e nacional que em, nenhum li o seu oi
ans o mado em ilme. “Já mo p opuse am á ias ezes. Mas es á bem
que, po uma ez, um li o ique como es á, sem uma adap ação
cinema og á ica”, a i mou o au o na Fei a do Li o de Guadalaja a,
México, em 2004. Es e mês, na ap esen ação à comunicação social
espanhola do qua o li o, sublinhou o que disse a an e io men e,
ga an indo que “nunca" ai ha e um ilme de O Cemi é io dos Li os
Esquecidos. No en an o, já hou e uma “adap ação musical” do p imei o
li o, pa a o qual Za ón compôs uma sé ie de emas ao piano pa a
di e en es pe sonagens e si uações, já que, diz equen emen e, compo
o ajuda a esc e e . A banda sono a de Za ón oi ap esen ada no Palau
de la Música, em Ba celona, em 2014.
xxxi
Como se ia de espe a , o sucesso mundial do esc i o ambém i e on-
line. No Twi e e no Ins ag am há milhões de publicações com ases
ou e e ências ao au o . No YouTube, são mais de 57 mil os ídeos
sob e Za ón e as suas ob as. E Za ón é ainda um dos 25 nomes mais
associados ao hash ag #li o na In e ne e nas edes sociais po odo o
mundo.
Uma cidade pa a se lida
Toda a saga de O Cemi é io dos Li os Esquecidos em luga em
Ba celona. Apesa de i e ac ualmen e em Los Angeles, nos Es ados
Unidos, e de aí e começado a esc e e a e alogia, oi Ba celona a
cidade escolhida pa a os mis é ios da saga. Ainda que em O Labi in o
dos Espí i os haja momen os em Mad id e em S’Aga ó (Cos a B a a), é
Ba celona que con inua a se o espaço p incipal da ob a. Uma
Ba celona que não é a Ba celona dos u is as, mas uma cidade
mis e iosa, en e o eal e o an ás ico, quase uma pe sonagem ambém,
com alma p óp ia.
A p esença dominado a da cidade na e alogia e a ca ga mís ica que
Za ón nela insc e eu a aem isi an es cu iosos po pe co e a mesma
Ba celona das pe sonagens dos qua o omances, ha endo já isi as
guiadas que são e dadei os o ei os li e á ios com base nas ob as de
Za ón, pe co endo maio i a iamen e o Bai o Gó ico, no cen o da
cidade. E exis e mesmo um Guia da Ba celona de Ca los Ruiz Za ón, li o
de Se gi Do ia baseado em Ma ina, o úl imo dos li os ju enis de Za ón,
sem ligação com a e alogia, e nos dois p imei os olumes de O
Cemi é io dos Li os Esquecidos. Não p e ende se um guia u ís ico, mas
sim um passeio pela cidade a a és dos li os de Za ón.
No p imei o li o da saga, lia-se pela oz de Fe mín que Ba celona e a
uma cidade ei icei a, “que nos ouba a alma”. Essa ideia con inua
pelos olumes seguin es; a ase chega mesmo a se epe ida nes e li o
que ence a a e alogia. Como se osse o único luga em que aquela
xxx
a en u a pudesse acon ece . Assim pa ece se com Za ón. Po mais
longe que es eja de Ba celona, é aquele o luga da esc i a. E o luga que
ica á pa a semp e na imaginação dos lei o es.
Tex o edi ado po Inês Nadais
xxx i
B.10:
A no a ádio de Luís Mon ez já es á
no a
A SBSR. m, associada ao es i al Supe Bock Supe Rock, ai dedica
especial a enção a no os músicos po ugueses.
ADRIANA DIAS
29 de No emb o de 2016, 18:05
Pa ilha no ícia - 9 PARTILHAS
A ádio SBSR ai es a associada ao es i al Supe Bock Supe Rock. JOSÉ SARMENTO MATOS
xxx ii
A no a ádio do p omo o de espec áculos Luís Mon ez, a SBSR. m,
es á no a a pa i des a e ça- ei a. A ádio ai ou i -se em Lisboa e no
Po o, e em ainda um si e pa a que se possa ou i “po odo o mundo”.
O objec i o p incipal da SBSR. m, dizem os p omo o es, é di ulga
no a música, apos ando em a is as nacionais e in e nacionais, mas
com a enção especial à no a música po uguesa. Si uada nas
ins alações da an e io ádio Nos algia, em Lisboa, a SBSR. m es a á,
como o p óp io nome indica, associada ao es i al Supe Bock Supe
Rock.
Tendo em con a que a Supe Bock é uma ma ca de ce eja da UNICER,
a En idade Regulado a pa a a Comunicação Social, no pa ece emi ido
a 22 de No emb o, au o izou a modi icação do p ojec o e a al e ação da
denominação de Rádio Nos algia pa a Rádio SBSR na condição de que
a enda de espaço publici á io àquela emp esa não exceda os 50% do
o al de empo de emissão ese ado à publicidade. E lemb ou que a
publicidade a bebidas alcoólicas es á p oibida na ádio en e as 7h e as
22h30.
Pa a Luís Mon ez, o es i al, que exis e há 22 anos, p ecisa a de uma
boa o ma de p omoção. “Como o es i al em nomes conhecidos e
ou os menos conhecidos, ha ia a necessidade de uma pla a o ma no
G ande Po o e na G ande Lisboa pa a di ulga música”, diz ao
PÚBLICO. Pa a o emp esá io, os “p o issionais apaixonados e
p o undos conhecedo es de música e os animado es especiais” são a
p incipal ma ca que di e encia a no a ádio e se ão essenciais pa a o
seu sucesso. Mon ez des aca ainda a impo ância que a ádio da á a
no os a is as, especialmen e em Po ugal. “Posso ga an i que
passa emos pelo menos ês músicas no as po semana”, ac escen a. A
es ação de ádio con a á com di e en es p og amas, em que se pode ão
ou i en e is as, suges ões musicais e playlis s di e si icadas, en e
ou os.
xxx iii
A ap esen ação à imp ensa das ins alações da no a ádio e minou com
um showcase de Tomás Wallens ein, dos Capi ão Faus o, na en ada
do edi ício. Mas es e não oi o único músico a passa pela ua Vi ia o
es a e ça- ei a. Ao longo do dia, sucede am-se showcases em es údio
de á ios a is as, en e os quais Alek Rein, Gloden Slumbe s, Samuel
Ú ia e Min a & The B ook T ou .
Tex o edi ado po Inês Nadais
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Anexo C: En e is as a jo nalis as do PÚBLICO
C.1: ENTREVISTA A VÍTOR BELANCIANO (18/1/2017)
Há quan o empo es ás no PÚBLICO?
Vai aze 20 anos no p óximo ano.
E semp e es i es e na secção de cul u a a aze música?
Sim. Nos p imei os anos es a a mui o ligado a um suplemen o que o jo nal
inha na al u a, que e a o Sons, que e a só música, ealmen e. Passados uns anos, o
suplemen o desapa eceu e su giu um ou o suplemen o que mis u a a as di e en es
á eas da cul u a, que e a o A es e Ócios, depois o Y, e inalmen e es e Ípsilon. Sendo
que ao mesmo empo que esc e ia sob e música, que e a a minha á ea p incipal,
ambém abo da a ou os emas. Semp e esc e i c ónicas, ambém abo da a ques ões
de endências, compo amen os, a é de polí ica. Mas sim, semp e ligado à cul u a.
Nesse caso, ens is o, ao longo des es anos, mui as al e ações no espaço
dado à música no jo nal?
Sim. Como e dizia, an es ha ia o Sons, um suplemen a só de música, com
en e is as, a igos… E an es inha ha ido um suplemen o que penso que se chama a
Pop Rock. Es amos a ala da segunda me ade dos anos 90, quando acabou de e e
sido nos p imei os anos de 2000. Quando o Ípsilon oi implemen ado, a música pe deu
espaço, po que inha que coabi a com ou as á eas. E sin o que sim, que
e iden emen e ao longo dos anos, não só a música, mas ou as á eas da cul u a, o am
pe dendo espaço no jo nal. Acho que não é uma endência que não é do in e io aqui
do PÚBLICO, é uma endência gené ica. Essencialmen e no espaço de c í ica, penso, já
que con inua a ha e mui os ex os de ap esen ação, epo agens… O lado mais
xl
c í ico, seja c í ica de discos ou de conce os, po exemplo, no a-se imenso que isso se
pe deu, endo em con a que no jo nal PÚBLICO semp e hou e essa elação en e os
suplemen os e o diá io. Po an o, acho que as duas coisas não são desconec adas. Ou
seja, po exemplo, a c í ica de conce os apa ece semp e no diá io. Ao longo dos anos
isso ambém se oi ans o mando, numa al u a em que no diá io udo o que inha a
e com uma lógica de conce os semanais, seja en e is as ou p omoção de
conce os, ansi a a imedia amen e pa a as páginas de cul u a. Hoje em dia, há um
lado mais ambíguo, mais mis o, nessa elação.
Pa ece- e que essa endência de diminuição da a enção à música no PÚBLICO
se e i ica nou os jo nais po ugueses?
Acho que em Po ugal e em odo o mundo, na e dade. Tendo em con a que
Po ugal é um me cado com especi icidades, como é e iden e que odos êm as suas
singula idades, enquan o em me cados eu opeus como F ança, Espanha, sem ala de
um caso mais singula como é Ingla e a, exis em ou exis i am imensas publicações só
dedicadas à música – nos úl imos anos as coisas o am-se ans o mando mui o com a
p óp ia indús ia da música e a chegada da in e ne - po an o de alguma o ma e a
como se nesses países não izesse an o sen ido os jo nais gene alis as e em an o
espaço dedicado à música, no caso de Po ugal du an e mui os anos ha ia um jo nal
dedicado à música, o Bli z, em que cheguei a abalha an es de i pa a aqui, mas
depois esse jo nal desapa eceu, po an o az sen ido que os jo nais gene alis as dêem
esse espaço à música, po que ealmen e não ha ia publicações que apon assem pa a
aí.
O que é que no PÚBLICO de ine que um de e minado a is a me eça ou não
se alado?
Há dois ec o es p incipais, na minha isão. Um é a sua ele ância a ís ica.
Cla o que, quando alamos de ele ância a ís ica, es amos a ala de um quad o
semp e subjec i o, de uma a aliação subjec i a, mas pa a mim é esse o elemen o