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Análise da cobertura de música pelo jornal Público

Abstract

Este relatório pretende descrever o trabalho realizado durante o estágio curricular de mestrado na secção de cultura do jornal diário PÚBLICO, entre Setembro e Novembro de 2016. Além de fazer uma descrição do estágio e do trabalho aí realizado, o relatório cobre ainda o tema do jornalismo cultural em Portugal, concentrando-se no jornalismo de música, fazendo com maior detalhe, num estudo de caso, uma análise da cobertura de música pelo PÚBLICO. O relatório pretende dar uma visão pessoal de como foi a experiência do estágio curricular, salientando pontos fortes e fracos e enumerando os trabalhos mais importantes durante a experiência. Relativamente ao tema da cobertura de música deste jornal, o relatório pretende estudar dados recolhidos durante o estágio, referindo quais os principais tópicos que definem o jornalismo de música do PÚBLICO. Para tal, analisa todos os artigos de música publicados durante um mês estruturado, complementando essa análise com entrevistas aos principais jornalistas de música do PÚBLICO. Através desses resultados, a principal conclusão a que se chega é que o jornalismo de música do PÚBLICO é sobretudo de agenda, centrando-se no artista, sendo que a música com maior expressão nas páginas do jornal é anglo-saxónica, apesar da importância dada também à música nacional.

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Análise da cobertura de música pelo jornal Público

Author: Dias, Adriana Maia
Year: 2017
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/25009/1/Relatorio_final_Adriana_Dias.pdf
Análise da cobe u a de música pelo jo nal Público
Ad iana Maia Dias
Maio, 2017
Rela ó io de Es ágio de Mes ado
em Jo nalismo
Rela ó io de es ágio ap esen ado pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à
ob enção do g au de Mes e em Jo nalismo, ealizado sob a o ien ação cien í ica da
P o esso a Do a San os Sil a.
AGRADECIMENTOS
À música, po me e sal o a ida.
Aos músicos, sejam eles cobe os pela imp ensa ou não, que me ma cam e me
o nam melho pessoa.
À amília e amigos, pela p esença. Ou po que não se explica udo numa ase.
Aos p o esso es que não desis em de ensina .
Aos jo nalis as do PÚBLICO que me soube am aze sen i pa e da equipa.
Ao Ku Cobain da A enida da República, po se uma pe sonagem undamen al
do meu pe cu so uni e si á io. Mesmo que não o saiba.
Aos izinhos que o çosamen e acei am o meu gos o musical e não se queixam.
À Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de Lisboa,
ob iamen e.
ANÁLISE DA COBERTURA DE MÚSICA PELO JORNAL PÚBLICO
[Analysis o music co e age by newspape PÚBLICO]
ADRIANA MAIA DIAS
RESUMO
Es e ela ó io p e ende desc e e o abalho ealizado du an e o es ágio
cu icula de mes ado na secção de cul u a do jo nal diá io PÚBLICO, en e Se emb o
e No emb o de 2016. Além de aze uma desc ição do es ágio e do abalho aí
ealizado, o ela ó io cob e ainda o ema do jo nalismo cul u al em Po ugal,
concen ando-se no jo nalismo de música, azendo com maio de alhe, num es udo de
caso, uma análise da cobe u a de música pelo PÚBLICO.
O ela ó io p e ende da uma isão pessoal de como oi a expe iência do
es ágio cu icula , salien ando pon os o es e acos e enume ando os abalhos mais
impo an es du an e a expe iência. Rela i amen e ao ema da cobe u a de música
des e jo nal, o ela ó io p e ende es uda dados ecolhidos du an e o es ágio,
e e indo quais os p incipais ópicos que de inem o jo nalismo de música do PÚBLICO.
Pa a al, analisa odos os a igos de música publicados du an e um mês es u u ado,
complemen ando essa análise com en e is as aos p incipais jo nalis as de música do
PÚBLICO. A a és desses esul ados, a p incipal conclusão a que se chega é que o
jo nalismo de música do PÚBLICO é sob e udo de agenda, cen ando-se no a is a,
sendo que a música com maio exp essão nas páginas do jo nal é anglo-saxónica,
apesa da impo ância dada ambém à música nacional.
Pala as-cha e: jo nalismo cul u al; PÚBLICO; es ágio; música; c í ica musical.

ABSTRACT
This epo desc ibes he wo k ealized du ing my in e nship in he cul u e
sec ion o PÚBLICO, be ween Sep embe and No embe 2016. Besides desc ibing he
in e nship and he wo k done he e, he epo co e s he heme o cul u al jou nalism
in Po ugal and pa icula ly in his newspape , ocusing in musical jou nalism.
The epo in ends o gi e a pe sonal ision o he in e nship expe ience, wi h
i s p os and cons, and enume a e he mos impo an pieces I’ e done du ing he
in e nship. Conce ning he heme o musical jou nalism in his newspape , he epo
s udies collec ed da a du ing ha ime, e e ing which a e he main opics ha de ine
musical jou nalism in PÚBLICO. In o de o ha , i analyzes e e y music a icle
published in a s uc u ed mon h, complemen ing ha analysis wi h in e iews o he
main music jou nalis s in PÚBLICO. The esul s lead o he conclusion ha musical
jou nalism in PÚBLICO is mainly agenda jou nalism, ocusing i sel on he a is , wi h
Anglo-Saxon music ha ing he bigges exp ession, al hough Po uguese music is also
e y impo an .
Keywo ds: cul u al jou nalism; PÚBLICO; in e nship; music; musical c i ic.
ÍNDICE
In odução………………………………………………………………………………………………..……. 1
Capí ulo I: Ca ac e ização do ó gão de comunicação e do es ágio……………..…… 3
I. 1. o jo nal PÚBLICO …………………………………………………………………………..….. 3
I. 2. Es agia no PÚBLICO………………………………………………………………………..… 5
Capí ulo II: Enquad amen o eó ico…………………………………………………………….… 11
II. 1. De inição e enquad amen o do concei o de cul u a………………………… 11
II. 2. De inições sob e jo nalismo cul u al…………………………………………….…. 14
II. 3. Jo nalismo cul u al em Po ugal…………………………………………….………… 18
II. 4. Jo nalismo de música em Po ugal……………………………….………………..… 21
Capí ulo III: Cobe u a de música pelo jo nal PÚBLICO…………………….……….…… 25
III. 1. Jo nalismo de música no PÚBLICO…………………………………….………..…… 25
III. 2. Me odologia usada………………………………………………….………………….…… 30
III. 3. Análise de dados………………………………………………………….……………..…… 32
Conclusão……………………………………………………………………………….………………..…… 39
Bibliog a ia…………………………………………………………………………..………………...…….. 41
Anexo A: Es a u o edi o ial………………………………….…………..………………….………….. i
Anexo B: Exemplos de abalhos ealizados…………………….……………………………… iii
Anexo C: En e is as a jo nalis as do PÚBLICO………………………………….………… xxxix
1
INTRODUÇÃO
“Well ne e mind,
We a e ugly, bu we ha e he music.”
(Leona d Cohen)
Se o jo nalismo é conside ado po mui os o qua o pode , há que dize que essa
isão pa ece es ingi -se ao jo nalismo polí ico, económico ou de sociedade, pelo
menos em Po ugal. Ac ualmen e, o jo nalismo cul u al no nosso país pa ece ainda
es a em segundo plano.
Tal acon ece em odas as á eas da cul u a que o jo nalismo cob e. A música,
po isso, e ainda que seja uma das á eas a que se dá maio impo ância, não é
excepção. Em Po ugal, o jo nalismo de música em passado po di e en es momen os
e ases, mas es á ainda longe do que se az em ou os países da Eu opa.
O p esen e abalho nasce de ês meses de es ágio cu icula no jo nal
PÚBLICO, na secção de cul u a, e em como objec i o aze um es udo de caso sob e a
cobe u a de música nes e ó gão de comunicação.
Pa a al, segue ês pon os p incipais: uma desc ição do ó gão de comunicação
e da expe iência do es ágio cu icula ; uma explicação do que é cul u a e jo nalismo
cul u al, bem como uma ap esen ação do jo nalismo de música em Po ugal; po
úl imo, uma de inição do jo nalismo de música no PÚBLICO, pa a a qual o am
analisados dados ecolhidos du an e o pe íodo de es ágio.
O p imei o capí ulo dedica-se ao p imei o pon o e e ido: uma desc ição do
PÚBLICO, a a és de uma b e e his ó ia do jo nal e e e indo a o ganização das
p incipais secções do mesmo. Es e capí ulo dedica-se ambém à expe iência do
es ágio, ela ando quais as p incipais a e as e des acando os abalhos de maio
en e gadu a, salien ando ainda pon os acos e o es da expe iência.
2
O segundo capí ulo, de enquad amen o eó ico, abo da o segundo pon o
an e io men e e e ido. Des e modo, p e ende ilus a e de ini concei os como
cul u a e jo nalismo cul u al, concen ando-se no caso po uguês e pa icula men e no
jo nalismo de música a ní el nacional.
Po úl imo, o e cei o capí ulo abo da o e cei o pon o, analisando a cobe u a
de música ealizada pelo PÚBLICO, ap esen ando pa a al um es udo de caso – análise
dos a igos de música publicados du an e um mês es u u ado, u ilizando a iá eis
como enquad amen o, alo -no ícia e localização das peças, en e ou as – de o ma a
pode ca ac e iza de idamen e es a á ea do jo nalismo cul u al do PÚBLICO.
9
comissá ios da exposição e o di ec o da Amado a BD, en e is a alunos e p o esso es
em isi a de es udo ao es i al. O a igo, edi ado po Isabel Salema, saiu a 6 de
No emb o (domingo) que no publico.p , que na e são imp essa do jo nal, sendo
que nes a úl ima oi publicado com ce ca de me ade do amanho o iginal. Dada a
componen e polí ica de mui as das exposições, como “Zombie”, de Ma co Ma ins, ou
“Papá em Á ica”, de An on Kannemeye , uma pa e subs ancial da epo agem
abo da a esse aspec o. No en an o, na e são imp essa do jo nal, oda essa
componen e oi eliminada. Quando ques ionei essa edição, esponde am-me que al
acon ece a po uma ques ão de espaço. No en an o, uma o og a ia ocupa a
p a icamen e me ade da página…
No en an o, o abalho que mais me ma cou oi sem dú ida o a igo sob e o
li o mais ecen e de Ca los Ruiz Za ón. Esc e e sob e es e au o pa ecia algo
ob iga ó io, endo em con a a impo ância de Za ón e o sucesso que ob e e não só em
Po ugal, mas no mundo in ei o, após publica A Somb a do Ven o. Foi no im de
Ou ub o que p opus a Isabel Cou inho edigi o a igo, ideia que oi imedia amen e
ap o ada. Esc e e sob e Za ón implicou e lido os li os an e io es da saga O
Cemi é io dos Li os Esquecidos, da qual azem pa e os li os A Somb a do Ven o, O
Jogo do Anjo e O P isionei o do Céu, pa a pode con ex ualiza pe sonagens, locais e
ambien e. Foi igualmen e necessá io en a em con ac o com a edi o a Plane a.
Ten ou-se ainda consegui uma en e is a com o au o , mas sem sucesso, dado que a
agenda de Za ón não o pe mi ia e acaba ia po i a Lisboa em Dezemb o de 2016 pa a
ap esen ação do li o, com en e is as à imp ensa po uguesa. O a igo, uma
ap esen ação do li o, mas cen ado na elação da ob a de Za ón com Ba celona - a
cidade p incipal dos seus li os, oi publicado a 23 de No emb o (qua a- ei a) na
e são imp essa do PÚBLICO e no publico.p , edi ado po Inês Nadais.
Es agia no PÚBLICO oi uma expe iência ma can e, em que se des acou a
ap endizagem de no as écnicas jo nalís icas, de sabe eagi ao s ess da ho a de
echo e, sob e udo, pe cebe ealmen e como unciona um jo nal diá io. Não posso
deixa de e e i que hou e pon os acos, como ce os memb os da equipa que
pa eciam ma ca uma maio dis ância en e “es agiá ios” e “jo nalis as” (p o ando
mais uma ez o eli ismo semp e p esen e no PÚBLICO…) ou ainda ce os

10
esquecimen os po pa e de edi o es (aquando da inda da banda Eagles o Dea h
Me al a Po ugal, oi-me pedido que esc e esse uma no ícia sob e o acon ecimen o; a
no ícia oi e is a e edi ada mas não oi publicada de ido a um “esquecimen o” de
uma das edi o as). No en an o, o am mais os pon os pos i i os do que os nega i os.
Não se consegue en ende o que é o abalho de um jo nalis a sem passa po um
ó gão de comunicação social, e oi essa componen e p á ica que o nou es e es ágio
uma expe iência en iquecedo a.
11
Capí ulo II: Enquad amen o eó ico
II. 1. - De inição e enquad amen o do concei o de cul u a
“Cul u a - conjun o de aços dis in i os espi i uais e ma e iais, in elec uais e
a ec i os, que ca ac e izam uma sociedade ou um g upo social e em que se englobam,
pa a além das a es e das le as, os modos de ida, as o mas de ida em comum, os
sis emas de alo es, as adições e as c enças”
Decla ação Uni e sal sob e a Di e sidade Cul u al (UNESCO)
“Cul u a é a acção que o homem ealiza que sob e o seu meio que sob e si
mesmo, isando uma ans o mação pa a melho ”
Manuel An unes (1999), Teo ia da Cul u a, p.39.
De ini cul u a depende mui o da isão que se enha sob e a mesma. Pa a
T.S.Elio exis em ês sen idos de cul u a: do indí iduo, do g upo e da sociedade. “A
cul u a do indi íduo depende da cul u a de um g upo ou classe e a cul u a do g upo ou
classe depende da cul u a da sociedade a que es e pe ence es e g upo ou classe”
10
,
a ima a Elio (Elio , 1962: 17). Des a o ma, cul u a an o pode se um elemen o
indi idual, quase como sinónimo de conhecimen o, como pode se o conjun o de
a es, adições e elemen os que ca ac e izam um po o ou sociedade.
No li o Cul u a e jo nalismo cul u al: endências e desa ios no con ex o das
indús ias cul u ais e c ia i as (2012), Do a San os Sil a aça uma e olução do
concei o de cul u a. A é meados do século XIX, a isão “clássica” e “ilus ada” des e
concei o cingia cul u a ao campo in elec ual, das belas-a es, numa isão eli is a. Foi a
pa i da segunda me ade do século XIX que se começou a desenha uma no a isão
do sen ido de cul u a, mais ab angen e e “an opológica”, que não se cingia apenas às
10
T adução ei a po mim
12
belas-a es, mas que engloba a udo aquilo que ca ac e iza uma sociedade, con e indo
uma dimensão mais colec i a ao signi icado de cul u a.
No en an o, du an e a p imei a me ade do século XX, uma no a isão su gia: a
cul u a como indús ia, dado o c escimen o da cul u a de massas. Es a isão oi
sob e udo de endida po Ado no e Ho kheime , da Escola de F ank u , com um
pensamen o mais c í ico sob e as cons uções cul u ais. Desen ol em-se assim eo ias
sob e “high cul u e” (a “ e dadei a” cul u a) e “low cul u e” (a cul u a de massas,
conside ada alienada e aliena ó ia). É com a segunda me ade do século XX que se
desen ol em os cul u al s udies – es udos cul u ais, que p e endiam es uda “as
p á icas cul u ais quo idianas, no con ex o do p o agonismo dos media” (San os Sil a,
2012: 32) - undados po Richa d Hogga , Raymond Williams, Edwa d Thompson e
S ua Hall. “Cul u e is o dina y”, a amosa ase de Raymond Williams num ensaio de
1958, sin e iza es a isão de cul u a: uma o ma de ida, p esen e em di e en es
aspec os des a.
Des e modo, segundo Do a San os Sil a, pode dize -se que cul u a é um odo
complexo, que pode engloba desde objec os cul u ais a é ao es ilo de ida de oda
uma sociedade. Segundo esse p isma, é co ec o a i ma que cul u a e ci ilização se
elacionam in imamen e e que uma não pode exis i sem a ou a, apesa de ha e
isões con á ias, que a i mam que ci ilização e cul u a são concei os opos os. Mas
dada a plu alidade do sen ido de cul u a, são possí eis di e en es isões.
Assim, não é apenas cul u a música, li e a u a, a es pe o ma i as ou isuais,
mas ambém moda, gas onomia ou a é mesmo es udos an opológicos podem se
conside ados cul u a, ac ualmen e. F equen emen e, cul u a é ambém associada à
c ia i idade ou mesmo às no as indús ias c ia i as. Como a i ma Do a San os Sil a,
“hoje cul u a engloba Bee ho en e Madonna, um quad o de Velásquez e um anúncio
publici á io da Voda one, os sone os de Camões e a cibe poesia de Be ns ein” (San os
Sil a, 2012: 21-22).
Cul u a e iden idade são ambém ac o es mui o p óximos, es ando associados
a alo es. A plu alidade e di e sidade de cul u as e de isões sob e as mesmas só são
possí eis dada a in eg ação da cul u a em de e minado empo e espaço.
13
O jo nalis a e c í ico de música do PÚBLICO Ví o Belanciano, numa c ónica de
28 de Ou ub o de 2016 a p opósi o das eacções à a ibuição do p émio Nobel da
Li e a u a a Bob Dylan, a i ma as seguin es ideias sob e cul u a:
“Cla o que, pa a lá das cons uções sociais, a ealidade é bem mais es imulan e
e di usa. O sen ido úl imo da cul u a oi-se complexi icando nas úl imas décadas com a
p oblema ização das ami icações clássicas (al a s. baixa cul u a, mino ias s. massas
ou a e s. en e enimen o), da mesma o ma que exis em cada ez mais p á icas de
on ei a, híb idas, angenciais.
Esses agen es de on ei a acabam po e um papel ele an e. Alguns deles são
simul aneamen e esc i o es, can o es ou a is as, es abelecendo pon es en e di e sos
e i ó ios, pe encendo a á ios sem a p essão de e em de escolhe , assumindo essa
dualidade, mos ando-nos que a ealidade é an as ezes mais en usiasman e do que
os mu os mo ais onde a en amos enclausu a ”.
Assim, pode ia dize -se que é mais co ec o ala de “cul u as” do que de
“cul u a”, dada a di e sidade de acepções des e concei o. E são as di e en es isões de
cul u a que pe mi i ão dis in as concepções de jo nalismo cul u al, como se pode á
e no seguin e subcapí ulo.
14
II. 2. – De inições de jo nalismo cul u al
O jo nalismo cul u al e olui con o me a acepção de cul u a. “A de inição de
jo nalismo cul u al oi e oluindo pa alelamen e à de cul u a (…) ajus ando-se às suas
duas concepções básicas: a ‘ilus ada’ (que se es ingia ao campo das belas-a es) e a
an opológica, desen ol ida po E. B. Taylo , Richa d Williams e ou os es udiosos dos
Cul u al S udies” (San os Sil a, 2012: 69). A isão mais clássica e “ilus ada” encon a-
se nes e momen o sob e udo em publicações mais especí icas ou especializadas,
enquan o a isão mais an opológica ou ligada às indús ias c ia i as se pode encon a
nos media em ge al. O jo nalismo cul u al ac ual em mui o como iloso ia o
en e enimen o e o laze .
Jo ge Ri e a, jo nalis a, c í ico, poe a e ensaís a, desc e e jo nalismo cul u al
como “uma zona mui o complexa e he e ogénea de meios, géne os e p odu os que
abo dam com objec i os c ia i os, ep odu i os e in o ma i os os e enos das belas-
a es, as ‘belas-le as’, as co en es de pensamen o, as ciências sociais e humanas, a
chamada cul u a popula e mui os ou os aspec os que êm a e com a p odução,
ci culação e consumo de bens simbólicos, sem impo a a sua o igem e o seu des ino”
(Ri e a, 2003: 19 apud San os Sil a, 2012: 70).
Em mui os casos eina ainda a isão clássica e “ilus ada” de cul u a, com
cobe u a exclusi a de belas-a es, em que ge almen e as á eas de maio des aque são
o cinema e a música. Com alguma i onia, apesa des a isão mais eli is a, e i ica-se
uma maio a enção ao cinema e à música come ciais. No en an o, êm ambém
su gido publicações jo nalís icas com ou as isões de cul u a, com abo dagens
c ia i as ligadas a no as endências, a a és de e is as especializadas ou o ei os e
“guias de consumo”, dando ên ase a aspec os como li es yle, design, culiná ia ou
no os c iado es.
As á ias o mas de con a uma his ó ia, sob e udo com as no as possibilidades
que o jo nalismo digi al o nece, e i icam-se ambém no jo nalismo cul u al. Cada ez
mais as edes sociais, os blogs e ce os si es especializados em emas cul u ais se

15
o nam on es de di ulgação. A in e ne é ambém esponsá el po uma
“deseli ização”, se é possí el o e mo, do jo nalismo cul u al, dado que se em acesso
mui o mais ácil aos objec os cul u ais do que an e io men e, o nando-os acessí eis a
odos e não apenas ao jo nalis a.
Ac ualmen e, há a igos e his ó ias que não pode iam exis i se não osse em
ambien e digi al. Cada ez mais se êem his ó ias con adas a a és de gale ias de
imagens, ídeo, mapas in e ac i os ou pano âmicas em 360º.
11
O hib idismo do
jo nalismo cul u al é um dos elemen os p incipais que possibili am es a
ans o mação.
A p óp ia ac ualidade do jo nalismo cul u al é di e en e da ac ualidade do
jo nalismo em ge al – “a no idade no jo nalismo cul u al eside, na u almen e, no
lançamen o de p odu os, na es eia de ilmes, abe u a de exposições, e c, mas
ambém na excepcionalidade ou pionei ismo do p óp io p odu o cul u al” (San os
Sil a, 2012: 81). Assim, aqui a a idade e a c ia i idade cons i uem, de o ma ão ou
mais impo an e do que a ac ualidade, um alo -no ícia.
Pa a Ma isa To es da Sil a, “o jo nalismo cul u al pode se , aliás, ca ac e izado
como um espaço de con luência en e epó e es, in elec uais ou mesmo c iado es,
o nando-se po isso dis in o de ou as o mas con encionais de p odução jo nalís ica”
(To es da Sil a, 2014: 16). A i ma ainda que a iden idade dos jo nalis as de cul u a se
liga “à capacidade de julga os p odu os cul u ais” (To es da Sil a, 2014: 16).
Um es udo de Gemma Ha ies e Ka in Wahl-Jo gensen mos a que os
p o issionais do jo nalismo cul u al sen em di e enças em elação ao jo nalismo
“ adicional”, conside ando-se mais quali icados do que os es an es jo nalis as, dado
que se conside am especialis as em assun os cul u ais. É ambém e e ido que os
c í icos de a e en e is ados e consul ados pa a o mesmo “ a amen e exp essa am
dú idas sob e a sua au o idade c í ica” (Ha ies, Wahl-Jo gensen, 2007: 624),
mos ando assim que mui os jo nalis as de cul u a sen em que a sua iden idade
p o issional se liga di ec amen e à classi icação que azem dos objec os cul u ais.
11
A igo disponí el em h p://www.publico.p /cul u aipsilon/ ol amos-aos-se e- einos
16
Des aca-se ainda que as opiniões mais comuns en e os jo nalis as de cul u a
sob e a hie a quia que de e exis i nas no ícias são: “as a es são impo an es e de em
es a no cen o da cobe u a mediá ica” (Ha ies; Wahl-Jo gensen, 2007: 626); “as
a es são mais «ligei as» do que polí ica e ou os assun os, mas mais impo an es do
que á eas de «baixa cul u a» como cobe u a de despo o e celeb idades” (Ha ies;
Wahl-Jo gensen, 2007: 626). Há ainda uma opinião en e jo nalis as de cul u a,
bas an e mais a a, que de ce o modo acaba po con adize as duas a i mações
an e io es: “as a es são «so news»” (Ha ies; Wahl-Jo gensen, 2007: 626), o que
acaba po demons a dois aspec os - que as opiniões sob e jo nalismo cul u al,
mesmo en e os p o issionais da á ea, não são unânimes, e que a isão que se em
sob e jo nalismo cul u al es á di ec amen e ligada à isão que se em de cul u a. No
en an o, há uma ideia que pe passa es as opiniões, ainda que di e gen es: o
jo nalismo cul u al é is o como um mundo apa e, longe do jo nalismo con encional.
No mesmo es udo, os esul ados de en e is as a jo nalis as de cul u a
mos am que “as p incipais p eocupações são man e as de inições de jo nalismo
cul u al, e e i a a con aminação pela cul u a popula ” (Ha ies, Wahl-Jo gensen, 2007:
629), e que den o do jo nalismo cul u al há di e sas “subsecções”, como jo nalis a
cul u al, edi o cul u al, e c í ico, cada um com a e as e esponsabilidades dis in as.
No en an o, os c í icos “ eelance ” êem-se de uma o ma di e en e, dada a
ins abilidade do seu abalho.
Um dos elemen os undamen ais do jo nalismo cul u al é um bom domínio de
esc i a, bem como um domínio não apenas da ac ualidade, mas de á ias e e ências
cul u ais, em á ias á eas (música, li e a u a, a qui ec u a…). Esse domínio de
di e en es emas é uma das p incipais azões pelas quais os jo nalis as de cul u a se
sen em “mais quali icados” do que os ou os jo nalis as. No en an o, sendo e dade
que o es ilo de esc i a do jo nalismo cul u al é um dos p incipais elemen os dis in i os
do mesmo, há que dize ainda, como a i ma Do a San os Sil a, que “se á po en u a
exage ado a i ma que se dis ingue exclusi amen e pelo seu es ilo (…) e não pela
na u eza dos emas que abo da” (San os Sil a, 2012: 71). A mesma au o a conside a
ainda que “(…) o jo nalismo não de e p escindi das qualidades de concisão,
objec i idade e cla eza, mesmo que os emas sejam complexos e alguns géne os,
17
como a c í ica e o ensaio, possam eclama uma maio libe dade linguís ica, ocabula
e es é ica” (San os Sil a, 2012: 78).
Nes a á ea, ão impo an e como o jo nalis a cul u al é ambém o c í ico.
Segundo Daniel Piza, o c í ico de e e ês unções p incipais: in o ma o lei o sob e a
ob a ou objec o a ís ico, bem como o au o e o con ex o his ó ico em que se in eg a;
analisa a ob a, medindo ela i amen e qualidades e de ei os; usa o objec o pa a uma
lei u a da ealidade, sendo o c í ico um “in é p e e do mundo” (Piza, 2003: 70).
No seu es udo “Func ion o Media A s C i ic”, Dwigh DeWe h‐Pallmeye
des aca que a maio ia dos c í icos cul u ais conside a a melho pa e do seu abalho a
in e acção com o lei o , enquan o os p azos e os edi o es que não en endem o ema a
se a ado são is os como o pio desse mesmo abalho, bem como a publicidade
que mui as ezes es á subjacen e nos media cul u ais. “É desapon an e quando a
maio ia dos c í icos de a e simplesmen e esumem uma ac uação mediá ica e dizem
po que é boa ou má. In elizmen e, es e ipo de c í icas cons i uem um pad ão na
c í ica de a es, e não uma excepção” (Pallmeye , 2003:113). Pallmeye apon a, como
con as e, o que de e ia se um e dadei o c í ico: “”Quando o c í ico se empenha,
esume as qualidades-cha e, mas ambém apon a as qualidades es é icas e d amá icas
e as ques ões mo ais ou é icas do ex o” (Pallmeye , 2003: 113). E ac escen a: “a boa
esc i a c í ica é em si uma o ma de a e” (idem).
12
Em modo de conclusão e de sín ese das an e io es opiniões, pode ia dize -se
que o papel p incipal do jo nalis a cul u al é ac ua como descodi icado de símbolos
cul u ais, de modo a ap oxima o público de c iado es e objec os cul u ais, podendo
se is o como um “mediado democ á ico” (San os Sil a, 2012: 73). Ainda que as
opiniões sob e o papel des e ipo de jo nalismo di i jam, é unânime que o jo nalis a
cul u al é um in é p e e da p óp ia cul u a.
12
T adução ei a po mim.
18
II. 3. – Jo nalismo cul u al em Po ugal
Há uma al a conside á el de es udos sob e jo nalismo cul u al em Po ugal,
país em que o jo nalismo cul u al con inua sem e um papel de des aque. Ao
con á io de ou os países, em Po ugal a á ea da cul u a con inua em segundo plano.
“Não se pode dize que o jo nalismo cul u al ocupe um papel impo an e na imp ensa
po uguesa. Compa a i amen e com ou os países (B asil com pelo menos 20 í ulos
de e is as especializadas em algum segmen o de cul u a, Reino Unido com dezenas
de í ulos egionais e nacionais ou a izinha Espanha, p ecu so a do jo nalismo de
endências) o pano ama po uguês é mui o aco e a única e is a mensal dedicada às
a es – Magazine das A es – e e o seu im em Maio de 2008” (San os Sil a, 2012:
103).
Da a de 1761 a p imei a e is a po uguesa in ei amen e dedicada à cul u a,
sob o nome Gaze a Li e á ia / No ícias Exac as dos P incipais Esc i os Mode nos,
edi ada no Po o. En e os séculos XIX e XX o am c iadas á ias e is as cul u ais, na
sua maio ia sob e li e a u a. As e is as li e á ias adqui i am sob e udo g ande
impo ância du an e a di adu a salaza is a, já que, apesa das imposições e es ições
da di adu a, e is as como Sea a No a e Cade nos de Poesia di ulga am esc i o es e
poe as que o ascismo en a a esconde . Foi após o 25 de Ab il que as mani es ações
cul u ais se mul iplica am, azendo com que a indús ia cul u al se desen ol esse cada
ez mais. Assim, apa eciam nos anos 80 os p imei os jo nais in eg almen e dedicados à
cul u a, como Se7e e Bli z.
Ac ualmen e, á ios jo nais diá ios gene alis as publicam suplemen os
cul u ais, en e os quais se con a o PÚBLICO, com os suplemen os Ípsilon, Fugas, P2 e
Cul o – os ês úl imos suplemen os podem se conside ados suplemen os cul u ais se
segui mos a isão an opológica de cul u a; e há ainda semaná ios, como o Exp esso,
que ambém possuem suplemen os cul u ais. Há que des aca , no pano ama do
jo nalismo cul u al nacional, o Jo nal de Le as. Nes e momen o, su gem ambém
no as e is as mais ligadas à agenda de e en os, como é o caso da TimeOu , que se
25
Capí ulo III: Cobe u a de música pelo jo nal PÚBLICO
III. 1. – Jo nalismo de música no PÚBLICO
A música é, a pa do cinema, a á ea da cul u a a que o PÚBLICO dá maio
des aque. Todos os dias, o jo nal diá io publica pelo menos 3 a igos de cul u a na
e são imp essa, com a e são digi al a se cons an emen e ac ualizada. Rela i amen e
ao jo nal diá io, é sob e udo na e são online que a música ganha p o agonismo, po
uma ques ão de espaço. Já no suplemen o Ípsilon, são á ios os a igos e c í icas
musicais. Há que des aca que o jo nalismo de música no PÚBLICO es á em g ande
pa e subo dinado à agenda de e en os ou de lançamen os de discos. Pa a Ped o
Nunes, o PÚBLICO ap esen a-se como “um jo nal cul u almen e exigen e” (Nunes,
2004: 222), pa a o lei o mais in o mado, excluindo os ou os lei o es (ideia bas an e
p esen e quando mos a uma compa ação ei a no Y de 12/10/2001 en e os
lançamen os de Leona d Cohen e Suzanne Vega, desc i os no jo nal como mes e e
discípulo).
Fo am á ios os jo nalis as que esc e e am sob e música nas páginas e nos
suplemen os de cul u a do PÚBLICO. Má io Lopes e Ví o Belanciano são os nomes
ac uais da edacção que esc e em sob e es a á ea, sob e udo ace ca de música
in e nacional. É equen e e ambém a igos assinados po Nuno Pacheco, do
conselho edi o ial do jo nal, ou ainda do colabo ado Gonçalo F o a, ge almen e sob e
música po uguesa ou lusó ona. Cla o que odos os jo nalis as podem esc e e no ícias
sob e música, mas são es es os jo nalis as especializados nes a á ea e que esc e em
peças de maio p o undidade.
A al e ação dos suplemen os cul u ais do jo nal em indo a al e a o espaço
dado à música no PÚBLICO. Foi com o suplemen o Sons que a música conheceu um
maio des aque no jo nal. Em Y o espaço dado à música e a ambém maio do que
aquele que é ac ualmen e dado a es a á ea no ac ual Ípsilon. Segundo o jo nalis a do
PÚBLICO Má io Lopes, ao ha e mais páginas e mais suplemen os, o espaço dado à

26
música e a maio , al como acon ecia com ou as á eas da cul u a. No en an o, no
jo nal diá io o espaço que se dá aos a igos sob e música não se em indo a al e a
mui o. Sob e os suplemen os cul u ais no jo nalismo, Ped o Nunes e e e que “os
suplemen os podem se amplamen e in eg ados na secção de cul u a do jo nal.
Fa o ecem a c iação de uma comunidade de lei o es que seguem o gos o/linha
edi o ial da publicação e alo izam a esc i a de um jo nalis a ou c í ico em pa icula ”
(Nunes, 2004: 87).
En e os suplemen os do PÚBLICO dedicados à cul u a (não apenas à música,
mas a odas as á eas), es i e am os suplemen os Pop Rock (1990-1996), Fim de
Semana (1991-1994), Zoom (1995), A es e Ócios (1994-1999), Lei u as (1990-1999),
A es (2000), Y (2000-2006) e Mil Folhas (2000-2006). De en e es es suplemen os, a
música e a uma das a es p incipais em Pop Rock, Sons, Fim de Semana, A es e Ócios
e Y, já que Lei u as e Mil Folhas se dedica am sob e udo à li e a u a. Todos es es
suplemen os e am de publicação semanal, endidos com o p óp io jo nal.
O suplemen o Pop-Rock, que du ou de 1990 a 1996, oi um suplemen o
in ei amen e dedicado à música, dando especial des aque à música in e nacional,
sob e udo anglo-saxónica, ainda que a música po uguesa ambém osse de g ande
impo ância pa a o suplemen o. Pop-Rock seguia es a o dem: á ias b e es, uma
en e is a ou a igo desen ol ido e uma sé ie de c í icas de discos, an o de música
in e nacional como po uguesa. A c í ica musical do suplemen o Pop-Rock e a
bas an e mais ex ensa do que no ac ual Ípsilon, mui as ezes com o dob o do amanho
das c í icas de música ac uais.
Anos mais a de, de 1995 a 2000, e a com no suplemen o Sons que a música
e a p o agonis a. O suplemen o, com menos páginas do que o an e io Pop-Rock, e a
compos o po um só a igo desen ol ido e uma sé ie de b e es sob e lançamen os de
discos (as chamadas “saídas”). Mui as ezes, o Sons e a emá ico, dando-se
equen emen e des aque à música clássica (po exemplo en e 1995 e 1996) e ao jazz.
Fim de Semana oi um suplemen o que embo a mui o dedicado à agenda
cul u al, ambém inha á ios a igos de undo. Cinema, música, ea o e exposições
e am os emas em des aque.
27
Zoom exis iu apenas du an e Julho de 1995. Tinha á ias semelhanças com o
an e io suplemen o Fim de Semana.
A es e Ócios oi sob e udo um suplemen o de agenda de e en os, em que a
p og amação ele isi a e e ambém g ande impo ância. O que mais se des aca a
nes e suplemen o e a o ca az de es i ais e conce os, a pa de es eias de ilmes ou
peças de ea o. Não ha ia g andes a igos de undo ou de análise de objec os e
e en os cul u ais.
Y, com ce ca de 40 páginas, e a o suplemen o que mais se assemelha a ao
ac ual suplemen o cul u al Ípsilon (aliás, oi p ecisamen e es e suplemen o, ao lado do
suplemen o li e á io Mil Folhas, que p ecedeu imedia amen e o Ípsilon). Nes e
suplemen o, a música e a ambém p o agonis a. Cen a a-se na agenda de e en os e
na música in e nacional. Além da música, o cinema igualmen e uma á ea de g ande
impo ância. O suplemen o e a compos o po “ lashes” (b e es, cujo nome se man e e
no ac ual Ípsilon), a igos desen ol idos e/ou en e is as, bem como no ícias e c í icas,
sob e udo musicais ou cinema og á icas. Nes e suplemen o, ha ia á ios a igos
esc i os po jo nalis as es angei os e co esponden es in e nacionais, em maio
quan idade do que no Ípsilon dos dias de hoje.
A es oi ou o suplemen o dedicado a di e en es a es pe o ma i as, como
dança e ea o, em que a música ambém es a a p esen e, ainda que não da mesma
o ma que nou os suplemen os aqui já e e idos. Não ha ia um des aque dado à
música como acon ecia em Y ou Sons, a í ulo de exemplo.
De 2007 a é à ac ualidade, é Ípsilon o suplemen o cul u al do PÚBLICO, em que
a música é uma das á eas em des aque. É edi ado po Vasco Câma a desde que
começou a se publicado. O ac ual suplemen o é compa á el a uma junção dos an igos
Y e Mil Folhas, não ha endo nes e momen o uma dis inção ão ma cada en e a secção
de cul u a do jo nal diá io e o suplemen o semanal. Aliás, no publico.p a secção
dedicada a cul u a su ge com o í ulo “Cul u a-Ípsilon”, ilus ando assim uma elação
de igualdade en e diá io e suplemen o.
28
É cu ioso e i ica que e a dada an e io men e mais impo ância aos p og amas
de ele isão den o da secção de cul u a, com maio quan idade de b e es ou
pequenas no ícias sob e es eias de sé ies ou de p og amas. Ac ualmen e, a secção de
cul u a ap esen a equen emen e a igos desen ol idos sob e sé ies, ge almen e na
e são digi al do jo nal (os a igos são quase semp e da au o ia da jo nalis a Joana
Ama al Ca doso).
Ainda que a música seja uma das á eas de des aque, não se dá ac ualmen e à
música o mesmo espaço que exis ia em suplemen os an e io es. Segundo o c í ico e
jo nalis a do PÚBLICO Ví o Belanciano, a diminuição do espaço que se dá à música nos
jo nais não acon ece apenas em Po ugal, mas um pouco pela imp ensa de odo o
mundo. Ainda assim, em Po ugal no a-se mais esse co e dada a al a de e is as e
jo nais especializados em música, como acon ece nou os países. E é na c í ica que se
co a um maio espaço no que diz espei o à música, já que ainda se dá g ande
des aque a a igos de ap esen ação de discos ou conce os. “Quando o Ípsilon oi
implemen ado, a música pe deu espaço, po que inha que coabi a com ou as á eas.
E sin o que sim, que e iden emen e ao longo dos anos, não só a música, mas ou as
á eas da cul u a, o am pe dendo espaço no jo nal. Acho que não é uma endência que
não é do in e io aqui do PÚBLICO, é uma endência gené ica. Essencialmen e no
espaço de c í ica, penso, já que con inua a ha e mui os ex os de ap esen ação,
epo agens… O lado mais c í ico, seja c í ica de discos ou de conce os, po exemplo,
no a-se imenso que isso se pe deu, endo em con a que no jo nal PÚBLICO semp e
hou e essa elação en e os suplemen os e o diá io”, diz Belanciano.
19
A isão de Ví o Belanciano coincide em ce os aspec os com a de Do a San os
Sil a. “Em bom igo , não exis e c í ica nos jo nais po ugueses. A c í ica es u u ada
oi ocupada po sinopses que não ocupam mais do que um pa ág a o.” (San os Sil a,
2012: 121).
Sob e o que az com que um a is a seja (ou não) alado no PÚBLICO, o
jo nalis a do PÚBLICO Má io Lopes explica: “nós p ocu amos, acima de udo, con a
his ó ias que sejam ele an es que po aquilo que econhecemos como qualidade das
19
Ve en e is a em anexo.
29
pessoas ou bandas, que pelo impac o que de alguma o ma amos endo em elação
àquilo que azem”.
20
No en an o, há dois a is as que pa ecem a a essa as ge ações
de suplemen os do PÚBLICO e e semp e igual impo ância e des aque, seja o ano que
o : Bob Dylan e B uce Sp ings een. Ambos apa ecem cons an emen e, seja po
lançamen os de discos, no as dig essões, po que ganham um p émio Nobel que não
ecebem em mãos ou po a aca as polí icas de Donald T ump.
Ace ca das p essões das edi o as sob e os jo nalis as, Ví o Belanciano em uma
posição cla a. “É cla o que exis em suges ões, mas a úl ima pala a é semp e do
c í ico, ou supos amen e de e ia se assim. No meu caso, já acon eceu a é ao
con á io: se eu a p opo mui as ezes”, comen a
21
.
Pa a melho se analisa e comp eende como é a cobe u a de música do
PÚBLICO, segue-se uma análise de dados ecolhidos du an e o es ágio com o objec i o
de ca ac e iza os p incipais aspec os des a á ea da cul u a no PÚBLICO.
20
Ve en e is a em anexo.
21
Ve en e is a em anexo.
30
III. 2. - Pe gun as de in es igação e mé odo de análise cien í ica da cobe u a
de música pelo PÚBLICO
O objec i o des e ela ó io é analisa a cobe u a de música pelo PÚBLICO. Pa a
al, o am colocadas pe gun as de in es igação como:
- qual a elação de p opo ção en e a cobe u a de música e das es an es
á eas?
- que géne o jo nalís ico é mais equen e na cobe u a musical do PÚBLICO?
- qual é o alo -no ícia p edominan e?
- qual é o enquad amen o/ângulo de abo dagem p edominan e?
- qual é a dimensão da cobe u a da música nacional em compa ação com a
in e nacional?
Pa a esponde a es as pe gun as, no âmbi o de um es udo de caso, a
me odologia u ilizada oi a análise de con eúdo, complemen ada com en e is as.
Analisa am-se en ão odos os a igos de música publicados num mês es u u ado,
o ganizado po qua o semanas di e en es: a p imei a semana de Se emb o (29 de
Agos o a 4 de Se emb o), a segunda de Ou ub o (de dia 10 a 16), a e cei a de
No emb o (de 14 a 20) e a qua a de Dezemb o (de 26 des e mês a é 1 de Janei o de
2017). Escolhi es as semanas po me pa ece excessi o analisa po comple o as
publicações du an e os ês meses de es ágio. No o al, o am analisados 80 a igos.
As a iá eis de análise usadas pa a analisa esse mês o am o núme o o al de
a igos de cul u a publicados bem como o núme o de isualizações à página de cul u a
du an e esse mesmo empo; os géne os jo nalís icos mais equen es na cobe u a de
música; os alo es-no ícia mais des acados na música; o enquad amen o das peças;
po im, a localização das peças.
Foi ambém necessá io, pa a comple a es a análise, en e is a os jo nalis as
Má io Lopes e Ví o Belanciano, ambos especialis as em música. Tendo em con a o

31
ema des e ela ó io - ca ac e ização da cobe u a de música pelo PÚBLICO - e a
indispensá el ala com ambos os jo nalis as, dada a la ga expe iência de ambos, além
de que se ia impensá el ap esen a um ela ó io sob e a cobe u a musical do
PÚBLICO sem ala com os jo nalis as que se enca egam dessa a e a.
32
III. 3. – Análise de dados
Núme o o al de a igos de cul u a:
Es a abela mos a a elação en e o o al de a igos de cul u a e a quan idade
de a igos de cada á ea den o da secção du an e o pe íodo de empo escolhido pa a a
análise (as qua o semanas an es e e idas).
Como se pode comp o a pelo g á ico, a música e o cinema são as á eas de
eleição do PÚBLICO no que diz espei o à cul u a, seguidas de pe o pela li e a u a.
En e ambas as á eas, a música é a que em mais des aque, com um o al de 80
a igos. O núme o de a igos sob e li e a u a (secção “li os”) aumen ou
conside a elmen e em Ou ub o dada a a ibuição do p émio Nobel da Li e a u a a Bob
Dylan. Po se um p émio li e á io, ainda que a ibuído a um músico, não conside ei
que esses a igos de essem se in eg ados na secção música.
Assim, apesa de e pe dido alguma impo ância ao longo da his ó ia do jo nal
(bas a e que os an igos suplemen os in ei amen e dedicados à música já não
exis em), a música con inua a se uma das á eas de maio des aque, e inclusi amen e
um ex-lib is da secção de cul u a, já que a cobe u a musical con inua a se uma
imagem de ma ca do es ilo apa en emen e “high cul u e” do jo nal, que mui as ezes
cob e, po exemplo, a is as e e en os de música al e na i a e indie, o a do
mains eam.
80
63
14
3
51
32
5
5
A igos de cul u a
Música
Cinema
Tea o
Dança
Li os
A es
A qui ec u a
Design
33
Visualizações da página de cul u a do PÚBLICO:
VISITAS
29 AGO - 4 SET
10 OUT - 16 OUT
14 NOV - 20 NOV
26 DEZ - 1JAN
CULTURA - TOTAL
196 350
230 893
185 969
320 583
Es a abela mos a o o al de isi as dos lei o es à secção de cul u a no
publico.p du an e as semanas já e e idas.
As semanas com maio núme o de acessos aos a igos de cul u a são aquelas
em que p ecisamen e se e i ica am maio es acon ecimen os cul u ais, como a
a ibuição do p émio Nobel da Li e a u a, em Ou ub o, ou a mo e de Leona d Cohen,
em No emb o.
Es a abela p o a que a cul u a é uma á ea que a ai g ande núme o de
lei o es, ainda que seja uma á ea pos a em segundo plano em á ios jo nais
po ugueses. Sob e essa pe da de impo ância da á ea da cul u a, que o iginou
ambém uma pe da de espaço nos jo nais, Ví o Belanciano a i ma: “quando o Ípsilon
oi implemen ado, a música pe deu espaço, po que inha que coabi a com ou as
á eas. E sin o que sim, que e iden emen e ao longo dos anos, não só a música, mas
ou as á eas da cul u a, o am pe dendo espaço no jo nal. Acho que não é uma
endência que não é do in e io aqui do PÚBLICO, é uma endência gené ica.
Essencialmen e no espaço de c í ica, penso, já que con inua a ha e mui os ex os de
ap esen ação, epo agens…”
22
.
22
Ve en e is a em anexo.
34
Géne os jo nalís icos u ilizados na cobe u a de música pelo PÚBLICO:
No PÚBLICO, a no ícia p edomina na secção de cul u a, e a cobe u a de música
não é excepção. Du an e o empo analisado, a no ícia é o géne o jo nalís ico que
cons i ui mais de me ade do o al de a igos de música.
O segundo géne o mais equen e é a c í ica, uma das g andes ma cas do
jo nal. Ainda que nes e momen o a c í ica enha meno des aque do que em
momen os an e io es do jo nal, con inua a se um dos géne os jo nalís icos mais
u ilizados, sendo um dos ex-lib is do PÚBLICO. No en an o, Ví o Belanciano a ima: “o
lado mais c í ico, seja c í ica de discos ou de conce os, po exemplo, no a-se imenso
que isso se pe deu”, e elaciona as mudanças de géne os jo nalís icos com a elação
en e diá io e suplemen os cul u ais: “Ao longo dos anos isso ambém se oi
ans o mando, numa al u a em que no diá io udo o que inha a e com uma lógica
de conce os semanais, seja en e is as ou p omoção de conce os, ansi a a
imedia amen e pa a as páginas de cul u a. Hoje em dia, há um lado mais ambíguo,
mais mis o, nessa elação”
23
.
É necessá io ambém da impo ância à en e is a, o e cei o géne o
jo nalís ico mais equen e du an e o empo des a análise. A en e is a des aca-se na
secção de cul u a – e não é excepção, ob iamen e, na cobe u a de música – já que,
como a i ma Do a San os Sil a, há necessidade de “(…) o jo nalismo cul u al u iliza
23
Ve en e is a em anexo.
43
3
7
24
3
Géne os jo nalís icos
No ícia
Repo agem
En e is a
C í ica
Ou os
41
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ANEXOS
Anexo A: Es a u o edi o ial do PÚBLICO
ESTATUTO EDITORIAL DO PÚBLICO:
Público é um p ojec o de in o mação em sin onia com o p ocesso de mudanças
ecnológicas e de ci ilização no espaço público con empo âneo.
Público é um jo nal diá io de g ande in o mação, o ien ado po c i é ios de
igo e c ia i idade edi o ial, sem qualque dependência de o dem ideológica, polí ica
e económica.
Público insc e e-se numa adição eu opeia de jo nalismo exigen e e de
qualidade, ecusando o sensacionalismo e a explo ação me can il da ma é ia
in o ma i a.
Público apos a numa in o mação di e si icada, ab angendo os mais a iados
campos de ac i idade e co espondendo às mo i ações e in e esses de um público
plu al.
Público en ende que as no as possibilidades écnicas de in o mação implicam
um jo nalismo e icaz, a ac i o e imagina i o na sua pe manen e comunicação com os
lei o es.
Público es abelece as suas opções edi o iais sem hie a quias p é ias en e os
di e sos sec o es de ac i idade, numa cons an e disponibilidade pa a o es ímulo dos
acon ecimen os e si uações que, quo idianamen e, são no iciados e comen ados.
Público conside a que a exis ência de uma opinião pública in o mada, ac i a e
in e enien e é condição undamen al da democ acia e da dinâmica de uma sociedade
ii
abe a, que não ixa on ei as egionais, nacionais e cul u ais aos mo imen os de
comunicação e opinião.
Público pa icipa no deba e das g andes ques ões que se colocam à sociedade
po uguesa na pe spec i a da cons ução do espaço eu opeu e de um no o quad o
in e nacional de elações.
Público é esponsá el apenas pe an e os lei o es, numa elação igo osa e
anspa en e, au ónoma do pode polí ico e independen e de pode es pa icula es.
Público econhece como seu único limi e o espaço p i ado dos cidadãos e em
como limia de exis ência a sua c edibilidade pública.
iii
Anexo B: Exemplos de abalhos ealizados
B.1:
Wha would you do?, can a
Ch is B own ao sai da p isão
Canção oi edi ada menos de 24 ho as depois de o músico e sido de ido
po ameaça com a ma de ogo a modelo Baylee Cu an du an e uma
es a.
PÚBLICO
2 de Se emb o de 2016, 15:24
Pa ilha no ícia – 38 PARTILHAS
i
Já em 2009 oi mui o media izado o caso de iolência domés ica en ol endo Rihanna. DR
Ch is B own acaba de lança uma no a canção. Wha Would You
Do su ge menos de 24 ho as depois de e sido de ido po ameaça ,
du an e uma es a em casa, a modelo cali o niana Baylee Cu an com
uma a ma de ogo. A imp ensa in e nacional elaciona a canção com a
de enção do can o ame icano de R&B, mundialmen e conhecido po
emas como Wi h you e Tu n up he music.
B own encon a-se em libe dade condicional depois de paga uma
iança de 250 mil dóla es (ap oximadamen e 223 mil eu os). “Com
oda a po ca ia que es á a acon ece , ou da a ou a ace e lança
músicas”, disse num ídeo na con a o icial da ede social Ins ag am,
ho as an es de di ulga a no a canção. Ch is B own i á a ibunal dia
20 de Se emb o.
Já na semana an e io inha publicado G ass ain’ g eene , canção que
es a á incluída em Hea b eak on a Full Moon, o seu p óximo álbum,
ainda sem da a. A RCA Reco ds, edi o a do can o , a i ma que Wha
would you do não é um single do p óximo álbum.
Não é a p imei a ez que Ch is B own se en ol e em casos de iolência.
O mais mediá ico deu-se em 2009, quando oi acusado de ag edi
Rihanna, na al u a sua namo ada, an es da ce imónia dos G ammy
Awa ds. B own ambém já oi acusado de a aca o seu an igo manage ,
MIke G, e de causa dis ú bios em á ias ocasiões.

B.2:
Um es i al que ai de
Shakespea e a Cae ano Veloso
A segunda edição do Fes i al In e nacional de Cul u a (FIC) começa es a
sex a- ei a, em Cascais.
ADRIANA DIAS
8 de Se emb o de 2016, 18:47
Pa ilha no ícia – 366 PARTILHAS
A Casa das His ó ias Paula Rego se á um dos espaços do es i al. DANIEL ROCHA
A cul u a é uma o ma de olha o mundo. É es a a iloso ia do Fes i al
In e nacional de Cul u a (FIC), em que a li e a u a es á em des aque,
i
mas onde há espaço pa a odas as a es. Des a sex a- ei a a é ao dia 18
de Se emb o, a segunda edição do FIC e á li e a u a, conce os,
deba es, ea o e exposições em espaços como a Casa das His ó ias, o
Cen o Cul u al de Cascais e o Ja dim Visconde da Luz.
En e os mais de 65 con idados, 20 dos quais in e nacionais,
sob essaem o esc i o espanhol A u o Pé ez-Re e e, os b i ânicos
Da id Lodge e And ew Mo on, o ancês Ma hias Éna d, o composi o
b asilei o Cae ano Veloso e o poe a An onio Cíce o, que es a sex a-
ei a, às 19h, ab em os encon os ques ionando se a iden idade cul u al
é uma u opia.
O p a o o e do es i al são os deba es, mui os de ca ác e li e á io
(como A li e a u a pode ans o ma o mundo?, com Ana Ma ga ida
de Ca alho, Ma ia Manuel Viana, Nuno Cama nei o e Ma hias Éna d,
12 de Se emb o, às 22h) mas onde ambém não al a discussão polí ica
(A polí ica em empos de indignação, 10 de Se emb o, às 19h, com a
eu odepu ada Ma isa Ma ias e o ilóso o espanhol Daniel Inne a i y, é
um exemplo).
Há ainda con e sas com esc i o es, como aquela en e Pa ícia Reis e
A u o Pé ez-Re e e (14 de Se emb o, às 22h) e en e Inês Ped osa e
Da id Lodge (18 de Se emb o, às 22h), sessões de au óg a os, ciclos de
cinema, a es de ua e conce os de a is as como Cuca Rose a, João Gil
e Ana Mesqui a ou o Moscow Piano Qua e .
“Nos ec o es p incipais, o es i al man ém-se o mesmo, con inua a
não se um es i al só de li e a u a, mas de cul u a. No ano passado
es a a mais ligado a Á ica e es e ano ao B asil”, a i ma ao PÚBLICO
Inês Ped osa, p og amado a dos deba es do es i al e pa a quem “a
dimensão da pon e exis en e en e os dois países é mui o impo an e”.
“O B asil é uma po ência cul u al com eno me ele ância”, e o ça.
Cada edição do FIC e gue-se em o no de uma igu a cen al da cul u a.
Se no ano passado o au o a homenagea oi Ce an es, es e é o ano de
ii
Shakespea e, 400 anos após a sua mo e. A ob a do d ama u go inglês
es a á em des aque dia 17, com ap esen ações do TEC – Tea o
Expe imen al de Cascais.
“Es e es i al p e ende uma isão global e in eg ado a da cul u a”, diz
Inês Ped osa, pa a quem o espec áculo/aula-show no mesmo sábado,
às 23h, Vinicius e Tom: Pala a e Música, de José Miguel Wisnik com
Paula Mo elenbaum, se á um dos momen os al os.
O FIC é o ganizado pelo g upo edi o ial LeYa em conjun o com a
Câma a Municipal de Cascais e a Fundação Dom Luís I. A maio ia das
ac i idades é g a ui a (há bilhe es pa a as exposições e as sessões de
cinema).
Tex o edi ado po Isabel Cou inho
iii
B.3:
Milha es de episódios de sé ies
e nem 20% são ealizados po
mulhe es ou não-b ancos
Canais gene alis as e de cabo mais iguali á ios do que se iços
de s eaming ou canais p emium, diz ela ó io da Di ec o s Guild o
Ame ica.
ADRIANA DIAS
14 de Se emb o de 2016, 12:18
Pa ilha no ícia - 256 PARTILHAS
Being Ma y Jane oi conside ada a melho sé ie a ní el de igualdade de opo unidades. DR
A Guilda dos Realizado es (Di ec o s Guild o Ame ica, o ganização
labo al que ep esen a os ealizado es no e-ame icanos) ap esen ou
um no o ela ó io sob e a con a ação de mulhe es e mino ias é nicas
x
E, a inal, o que signi ica Bowie pa a B ooke nes e momen o? “Vejo
Da id Bowie como uma c iação de Da id Jones. Di ia que ejo Da id
Robe Jones como um se humano mui o alen oso que c iou uma
pe sonagem chamada Da id Bowie, e ainda bem que o ez. Sin o-me
g a o po Da id Bowie, esumindo”, a i ma B ooke . E comple a:
“Da id Bowie é um concei o”.
Tex o edi ado po Má ios Lopes

x i
B.5:
B uce Sp ings een:
“Bob Dylan é ce amen e um
poe a"
Numa ap esen ação em Lond es da au obiog a ia Bo n no Run,
Sp ings een elogiou o Nobel e c i icou iolen amen e T ump.
PÚBLICO
19 de Ou ub o de 2016, 9:52
Pa ilha no ícia – 153 PARTILHAS
Sp ings een mos ou-se eliz pela a ibuição do Nobel da Li e a u a a Bob Dylan GARY
CAMERON/REUTERS
x ii
B uce Sp ings een, em Lond es numa ap esen ação da
sua au obiog a ia Bo n o Run à imp ensa eu opeia, jun iu-se à lis a
dos que se mos am elizes pela a ibuição do p émio Nobel da
Li e a u a a Bob Dylan. “Like a Rolling S one oi uma das p imei as
canções que ou i que sen i que mos a a uma e são eal do meu país”,
a i mou (ci amos o diá io b i ânico The Gua dian), ac escen ando que
o abalho de Dylan ai pe du a e con inua a soa al o, enquan o o de
mui os músicos se á esquecido. Compa ando o seu abalho com o de
Dylan, comen ou: “Bob é ce amen e um poe a, eu sou um ope á io que
abalha no du o”
No e en o, que deco eu no Ins i u e o Con empo a y A s de Lond es,
Sp ings een ol ou a a aca Donald T ump. O Boss, que já inha di o
que T ump “é um idio a”, a i mou que “é e í el o que es á a acon ece
nos Es ados Unidos” e que o candida o epublicano “es á a mina oda
a adição democ á ica”. Quando ques ionado sob e a a acção que
T ump exe ce, espondeu que “ninguém a consegue explica ”.
Sp ings een, apoian e de Ba ack Obama nas eleições de 2008 e 2012, já
decla a a numa en e is a à Rolling S one que Hilla y Clin on “se ia
uma p esiden e mui o boa”.
Sob e a au obiog a ia, Sp ings een des acou que o mais di ícil oi
esc e e a secção inal. “Mos ei aos meus ilhos o que esc e i sob e
eles. Discu i com a Pa i [Scial a, a mulhe ] sob e o inal do li o e
mesmo sem nos sen i mos o almen e con o á eis com algumas
coisas, ela deu-me mui o espaço pa a explo a ”. Con ou ainda como a
di ícil elação com o pai o a ec ou quando ele p óp io e e ilhos. “O
mais complicado oi não e um modelo pa a sabe o que é se um bom
pai”, con essou, con ando ainda que oi di ícil habi ua -se a ge i o
empo. “Tenho uma boa elação com os meus ilhos. Não posso dize
que enha sido pe ei o, mas iz o que pude”.
Ao ala da dep essão que o a ec a pe iodicamen e, Sp ings een disse
que da conce os o ajuda mui o. Depois de ês ho as a oca , es á
x iii
“demasiado cansado pa a es a dep imido”, já que “pa a es a
dep imido é p eciso alguma ene gia”.
xix
B.6:
Capa a co es em Mad id
Imagens de soldados ame icanos e ingleses da Segunda Gue a Mundial,
cenas do pós-gue a, momen os de ócio e da ida quo idiana, o og a ias
de igu as públicas ou pessoas em ca és: Capa en Colo no Cí culo de
Belas A es.
PÚBLICO
1 de No emb o de 2016, 7:33
Pa ilha no ícia - 5 PARTILHAS
xx
A é 15 de Janei o do p óximo ano ão es a expos as em Mad id
o og a ias a co es de Robe Capa. O abalho do o ojo nalis a es a á
no Cí culo de Belas A es da capi al espanhola, na exposição Capa en
Colo , inaugu ada dia 20 des e mês.
Capa, o óg a o de gue a nascido em 1913 na Hung ia, é conhecido
pelas o og a ias da Gue a Ci il Espanhola. Es e e p esen e em
algumas das mais impo an es en es de ba alha, como a Segunda
Gue a Mundial, endo o og a ado o desemba que dos aliados na
No mandia. Mo eu em 1954, ao pisa uma mina du an e a gue a da
Indochina. Nesse dia, le a a duas máquinas consigo: uma inha um
ilme a p e o e b anco, a ou a a co es.
As suas o og a ias mais conhecidas, como o ins an âneo da mo e de
um miliciano pe o de Có do a, Espanha, são a p e o e b anco. Po ém,
o og a a a a co es desde 1941. U iliza a a co pa a complemen a a
o og a ia, mas mui as dessas imagens não o am publicadas dado o
empo necessá io pa a as e ela , mui o mais do que aquele que
implica o p e o e b anco.
As p imei as imagens a co de Capa mos am soldados ame icanos e
ingleses da Segunda Gue a Mundial, mas são cenas do pós-gue a que
igu am em algumas das suas o og a ias a co mais amosas. São
momen os de ócio e da ida quo idiana, bem como o og a ias de
igu as públicas ou pessoas em ca és, num pon o de in lexão em elação
ao seu abalho mais conhecido.
A exposição que chega ago a a Mad id já inha es ado em 2013 em
No a Io que, e em 2015 chega a a Budapes e, ao Robe Capa Cen e ,
com um espólio de mais de 4000 nega i os. Em Mad id inclui á mais
de 150 imagens nunca imp essas ou expos as em Espanha. É uma
exposição o ganizada pelo p óp io Cí culo de Belas A es de Mad id e
pelo In e na ional Cen e o Pho og aphy e em como cu ado a Cyn hia
Young.

xxi
O Cí culo de Belas A es e á ainda uma sé ie de ac i idades
elacionadas com a exposição, sendo a p imei a uma con e ência sob e
epo agem de gue a com o o óg a o Emilio Mo ena i, a 14 de
No emb o.
xxii
B.7:
Um galo de Ba celos gigan e e
ecnológico à bei a do Tejo
De dia 6 de No emb o a é ao inal do mês o Pop Galo de Joana
Vasconcelos ai es a na Ribei a das Naus.
ADRIANA DIAS
2 de No emb o de 2016, 19:27
Pa ilha no ícia 1320 - PARTILHAS
Um galo de Ba celos de 10 me os que pesa quase qua o oneladas,
compos o po 17.000 azulejos e 16.000 leds. É assim a no a ob a de
Joana Vasconcelos, Pop Galo, inaugu ada no p óximo domingo e que
es a á na Ribei a das Naus, em Lisboa a é ao im de No emb o, no
xxiii
con ex o do Web Summi Lisboa. “Ten ei pega num ícone adicional e
eposicioná-lo, dando-lhe uma no a pe spec i a pa a o u u o”, disse
Joana Vasconcelos ao PÚBLICO no inal das mon agens de Pop Galo.
Joana Vasconcelos já que ia abo da o galo de Ba celos po se um
ícone da cul u a po uguesa. “Se á que a adição ainda es á p esen e?
Se á que as pessoas ainda sabem o que é o galo de Ba celos ou é apenas
um objec o da cul u a u ís ica?”, ques ionou-se ao começa o p ojec o.
Ao pesquisa sob e a sua his ó ia e simbologia, pensou que “ainda az
sen ido exis i hoje”. Decidiu e isi á-lo, c uzando elemen os
adicionais e ecnológicos.
Pop Galo em esse nome pela elação com a pop a , pelas co es
e idenciadas pelas luzes led e pela elação com a ecnologia. “É o
e isi a da cul u a pop. A mis u a de ma e iais inusi ados que
conjugados dão uma espécie de no a e são do nosso ambien e. Aqui, o
que mis u o são leds com azulejo, e são os leds que dão um lado
ecnológico a es e galo. E é a ecnologia que pe mi e uma maio
in e acção com o público”.
A ecnologia é um dos aspec os ulc ais da ob a, que e á ainda música,
com composições de Jonas Runa. “É um galo adicional du an e o dia,
com azulejos e que can a, e à noi e é um galo do u u o, com luz e
música”, a i ma a a is a, cuja no a ob a e á ambém
um si e in e ac i o.
Quem se ap oxima do Pop Galo com um elemó el acede a oda a
in o mação no si e a a és de um código QR. Ao longo do empo, ão
sendo ac escen adas ao si e as o og a ias i adas po quem ê a ob a e
in o mação sob e a simbologia do galo na cul u a po uguesa e em odo
o mundo. Pa a Joana Vasconcelos, é uma ob a dinâmica, pela
in o mação que ai se ac escen ada e pelas iagens que a á pelo
mundo pois é desmon á el, di isí el em oi o pa es, o que lhe con e e
xxi
mobilidade. “É uma ob a que se ai cons uindo ao longo das iagens
que az e das pessoas que ão passando po ela”.
Joana Vasconcelos não consegue dize qual o cus o, po que “ainda não
se conseguiu con abiliza udo”, mas a i ma e sido ele ado e des aca o
apoio de pa ocinado es e apoian es, como o Azei e Gallo, sem os quais
“não e ia sido possí el”. Um dos maio es cus os es á no anspo e da
peça.
Pop Galo de e ia e sido inaugu ado em 2014, no B asil, nas
celeb ações dos 450 anos da undação da cidade do Rio de Janei o,
pa a as quais inha sido idealizado, mas a si uação polí ica do ou o
lado do A lân ico acabou po impedi que al acon ecesse. A ob a i á
em Janei o à China, a Pequim, pa a comemo a o Ano Chinês do Galo,
e Joana Vasconcelos espe a que a peça iaje po mais luga es em odo o
mundo. “O desígnio do Pop Galo é aze um pa alelismo en e a
simbologia do galo na cul u a po uguesa e nou as cul u as”, a i ma
Joana Vasconcelos. “É um galo ans e sal, mul icul u al”, comple a.
Tex o edi ado po Ana Fe nandes
xxxi
Li os Esquecidos, que dá nome à e alogia. Une-os ainda ou o
aspec o: em cada his ó ia há um li o den o do p óp io li o.
A ideia do Cemi é io dos Li os Esquecidos su giu quando o esc i o
e lec ia em Los Angeles sob e a quan idade de coisas que odos os dias
se pe diam ou esqueciam. Daí su giu a imagem de uma biblio eca
especial, des inada a gua da os exempla es de an os li os
abandonados pela cidade mas ca i os na alma dos seus lei o es. Uma
imagem que nes e li o é explo ada mais a undo, ao longo das mais de
800 páginas que eúnem as pe sonagens de oda a saga, de Da id
Ma ín a Julián Ca ax, e ligam inalmen e as pon as sol as dos di e sos
enigmas espalhados pelos an e io es olumes.
Em O Labi in o dos Espí i os, os lei o es ol a ão a encon a Daniel
Sempe e e Fe mín Rome o de To es, p o agonis as da saga. Daniel
en a esol e o mis é io da mo e da mãe, mas as espos as só se ão
encon adas com o apa ecimen o de uma no a pe sonagem que e á
um papel de e minan e na his ó ia: Alicia G is, sob e i en e dos
bomba deamen os da Gue a Ci il Espanhola, que comanda uma
in es igação sob e o minis o Mau icio Valls, ago a desapa ecido. No
en an o, descob i os seg edos da his ó ia da amília Sempe e e á um
p eço a paga .
Za ón, em en e is as à imp ensa espanhola, des acou a no a
pe sonagem Alicia G is como uma das suas c iações a o i as,
inspi ada na Alice de Lewis Ca ol. É, diz o au o , uma Alicia “na
Ba celona das ma a ilhas, que a inal é uma Ba celona de e as”, a
Ba celona sob o egime anquis a, da misé ia, da censu a e da ome.
No en an o, se há uma pe sonagem emblemá ica de odos os li os,
a iscamo-nos a dize que é Fe mín, o mendigo que é “a oz da
consciência” e a pe sonagem pica esca da saga. É de al o ma
impo an e que e e di ei o a uma ca a de despedida de Za ón,
publicada no jo nal espanhol El País. Za ón diz a Fe mín que ainda se
lemb a do dia "em que o encon ou a caminho do Cemi é io dos Li os

xxxii
Esquecidos" e elemb a a sua capacidade de ouba a cena ao
p o agonis a Daniel Sempe e. Despede-se dizendo que chegou o
g ande inal e que a a en u a li e á ia “ aleu a pena”. Há pe sonagens
que nunca abandonam os seus au o es.
Ca los Ruiz Za ón em 2012, de passagem po Lisboa DANIEL ROCHA
xxxiii
A máquina de bes selle s
Za ón é uma máquina de aze bes selle s. Só em Espanha, O Labi in o
dos Espí i os e e uma p imei a edição de 700 mil exempla es, e is o
apenas em espanhol, já que se lançou simul aneamen e uma edição em
ca alão com uma i agem de 50 mil exempla es. Se ão milha es de
edições um pouco pelo mundo in ei o. Em Po ugal, ou o país endido
aos li os de Za ón, oi A Somb a do Ven o, ac ualmen e incluído no
Plano Nacional de Lei u a, o olume que mais endeu a é ao momen o.
Uma das p incipais azões do sucesso de Za ón é a o ma como esc e e.
Mesmo nos li os ju enis com que começou a ca ei a (O P íncipe da
Neblina, O Palácio da Meia-Noi e, As Luzes de Se emb o e Ma ina), já se
no a am, além da in iga de a en u a, elemen os an ás icos e um ce o
om de mis é io e melancolia que ca ac e iza O Cemi é io dos Li os
Pe didos. Mas ambém a con e gência en e ealidade e icção, os
diálogos ápidos e in ensos, e as di e en es ozes na a i as, com
his ó ias den o da his ó ia p incipal.
Su p eenden emen e, apesa dos aspec os cinema og á icos da esc i a
de Za ón e do sucesso in e nacional que em, nenhum li o seu oi
ans o mado em ilme. “Já mo p opuse am á ias ezes. Mas es á bem
que, po uma ez, um li o ique como es á, sem uma adap ação
cinema og á ica”, a i mou o au o na Fei a do Li o de Guadalaja a,
México, em 2004. Es e mês, na ap esen ação à comunicação social
espanhola do qua o li o, sublinhou o que disse a an e io men e,
ga an indo que “nunca" ai ha e um ilme de O Cemi é io dos Li os
Esquecidos. No en an o, já hou e uma “adap ação musical” do p imei o
li o, pa a o qual Za ón compôs uma sé ie de emas ao piano pa a
di e en es pe sonagens e si uações, já que, diz equen emen e, compo
o ajuda a esc e e . A banda sono a de Za ón oi ap esen ada no Palau
de la Música, em Ba celona, em 2014.
xxxi
Como se ia de espe a , o sucesso mundial do esc i o ambém i e on-
line. No Twi e e no Ins ag am há milhões de publicações com ases
ou e e ências ao au o . No YouTube, são mais de 57 mil os ídeos
sob e Za ón e as suas ob as. E Za ón é ainda um dos 25 nomes mais
associados ao hash ag #li o na In e ne e nas edes sociais po odo o
mundo.
Uma cidade pa a se lida
Toda a saga de O Cemi é io dos Li os Esquecidos em luga em
Ba celona. Apesa de i e ac ualmen e em Los Angeles, nos Es ados
Unidos, e de aí e começado a esc e e a e alogia, oi Ba celona a
cidade escolhida pa a os mis é ios da saga. Ainda que em O Labi in o
dos Espí i os haja momen os em Mad id e em S’Aga ó (Cos a B a a), é
Ba celona que con inua a se o espaço p incipal da ob a. Uma
Ba celona que não é a Ba celona dos u is as, mas uma cidade
mis e iosa, en e o eal e o an ás ico, quase uma pe sonagem ambém,
com alma p óp ia.
A p esença dominado a da cidade na e alogia e a ca ga mís ica que
Za ón nela insc e eu a aem isi an es cu iosos po pe co e a mesma
Ba celona das pe sonagens dos qua o omances, ha endo já isi as
guiadas que são e dadei os o ei os li e á ios com base nas ob as de
Za ón, pe co endo maio i a iamen e o Bai o Gó ico, no cen o da
cidade. E exis e mesmo um Guia da Ba celona de Ca los Ruiz Za ón, li o
de Se gi Do ia baseado em Ma ina, o úl imo dos li os ju enis de Za ón,
sem ligação com a e alogia, e nos dois p imei os olumes de O
Cemi é io dos Li os Esquecidos. Não p e ende se um guia u ís ico, mas
sim um passeio pela cidade a a és dos li os de Za ón.
No p imei o li o da saga, lia-se pela oz de Fe mín que Ba celona e a
uma cidade ei icei a, “que nos ouba a alma”. Essa ideia con inua
pelos olumes seguin es; a ase chega mesmo a se epe ida nes e li o
que ence a a e alogia. Como se osse o único luga em que aquela
xxx
a en u a pudesse acon ece . Assim pa ece se com Za ón. Po mais
longe que es eja de Ba celona, é aquele o luga da esc i a. E o luga que
ica á pa a semp e na imaginação dos lei o es.
Tex o edi ado po Inês Nadais
xxx i
B.10:
A no a ádio de Luís Mon ez já es á
no a
A SBSR. m, associada ao es i al Supe Bock Supe Rock, ai dedica
especial a enção a no os músicos po ugueses.
ADRIANA DIAS
29 de No emb o de 2016, 18:05
Pa ilha no ícia - 9 PARTILHAS
A ádio SBSR ai es a associada ao es i al Supe Bock Supe Rock. JOSÉ SARMENTO MATOS

xxx ii
A no a ádio do p omo o de espec áculos Luís Mon ez, a SBSR. m,
es á no a a pa i des a e ça- ei a. A ádio ai ou i -se em Lisboa e no
Po o, e em ainda um si e pa a que se possa ou i “po odo o mundo”.
O objec i o p incipal da SBSR. m, dizem os p omo o es, é di ulga
no a música, apos ando em a is as nacionais e in e nacionais, mas
com a enção especial à no a música po uguesa. Si uada nas
ins alações da an e io ádio Nos algia, em Lisboa, a SBSR. m es a á,
como o p óp io nome indica, associada ao es i al Supe Bock Supe
Rock.
Tendo em con a que a Supe Bock é uma ma ca de ce eja da UNICER,
a En idade Regulado a pa a a Comunicação Social, no pa ece emi ido
a 22 de No emb o, au o izou a modi icação do p ojec o e a al e ação da
denominação de Rádio Nos algia pa a Rádio SBSR na condição de que
a enda de espaço publici á io àquela emp esa não exceda os 50% do
o al de empo de emissão ese ado à publicidade. E lemb ou que a
publicidade a bebidas alcoólicas es á p oibida na ádio en e as 7h e as
22h30.
Pa a Luís Mon ez, o es i al, que exis e há 22 anos, p ecisa a de uma
boa o ma de p omoção. “Como o es i al em nomes conhecidos e
ou os menos conhecidos, ha ia a necessidade de uma pla a o ma no
G ande Po o e na G ande Lisboa pa a di ulga música”, diz ao
PÚBLICO. Pa a o emp esá io, os “p o issionais apaixonados e
p o undos conhecedo es de música e os animado es especiais” são a
p incipal ma ca que di e encia a no a ádio e se ão essenciais pa a o
seu sucesso. Mon ez des aca ainda a impo ância que a ádio da á a
no os a is as, especialmen e em Po ugal. “Posso ga an i que
passa emos pelo menos ês músicas no as po semana”, ac escen a. A
es ação de ádio con a á com di e en es p og amas, em que se pode ão
ou i en e is as, suges ões musicais e playlis s di e si icadas, en e
ou os.
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A ap esen ação à imp ensa das ins alações da no a ádio e minou com
um showcase de Tomás Wallens ein, dos Capi ão Faus o, na en ada
do edi ício. Mas es e não oi o único músico a passa pela ua Vi ia o
es a e ça- ei a. Ao longo do dia, sucede am-se showcases em es údio
de á ios a is as, en e os quais Alek Rein, Gloden Slumbe s, Samuel
Ú ia e Min a & The B ook T ou .
Tex o edi ado po Inês Nadais
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Anexo C: En e is as a jo nalis as do PÚBLICO
C.1: ENTREVISTA A VÍTOR BELANCIANO (18/1/2017)
Há quan o empo es ás no PÚBLICO?
Vai aze 20 anos no p óximo ano.
E semp e es i es e na secção de cul u a a aze música?
Sim. Nos p imei os anos es a a mui o ligado a um suplemen o que o jo nal
inha na al u a, que e a o Sons, que e a só música, ealmen e. Passados uns anos, o
suplemen o desapa eceu e su giu um ou o suplemen o que mis u a a as di e en es
á eas da cul u a, que e a o A es e Ócios, depois o Y, e inalmen e es e Ípsilon. Sendo
que ao mesmo empo que esc e ia sob e música, que e a a minha á ea p incipal,
ambém abo da a ou os emas. Semp e esc e i c ónicas, ambém abo da a ques ões
de endências, compo amen os, a é de polí ica. Mas sim, semp e ligado à cul u a.
Nesse caso, ens is o, ao longo des es anos, mui as al e ações no espaço
dado à música no jo nal?
Sim. Como e dizia, an es ha ia o Sons, um suplemen a só de música, com
en e is as, a igos… E an es inha ha ido um suplemen o que penso que se chama a
Pop Rock. Es amos a ala da segunda me ade dos anos 90, quando acabou de e e
sido nos p imei os anos de 2000. Quando o Ípsilon oi implemen ado, a música pe deu
espaço, po que inha que coabi a com ou as á eas. E sin o que sim, que
e iden emen e ao longo dos anos, não só a música, mas ou as á eas da cul u a, o am
pe dendo espaço no jo nal. Acho que não é uma endência que não é do in e io aqui
do PÚBLICO, é uma endência gené ica. Essencialmen e no espaço de c í ica, penso, já
que con inua a ha e mui os ex os de ap esen ação, epo agens… O lado mais
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c í ico, seja c í ica de discos ou de conce os, po exemplo, no a-se imenso que isso se
pe deu, endo em con a que no jo nal PÚBLICO semp e hou e essa elação en e os
suplemen os e o diá io. Po an o, acho que as duas coisas não são desconec adas. Ou
seja, po exemplo, a c í ica de conce os apa ece semp e no diá io. Ao longo dos anos
isso ambém se oi ans o mando, numa al u a em que no diá io udo o que inha a
e com uma lógica de conce os semanais, seja en e is as ou p omoção de
conce os, ansi a a imedia amen e pa a as páginas de cul u a. Hoje em dia, há um
lado mais ambíguo, mais mis o, nessa elação.
Pa ece- e que essa endência de diminuição da a enção à música no PÚBLICO
se e i ica nou os jo nais po ugueses?
Acho que em Po ugal e em odo o mundo, na e dade. Tendo em con a que
Po ugal é um me cado com especi icidades, como é e iden e que odos êm as suas
singula idades, enquan o em me cados eu opeus como F ança, Espanha, sem ala de
um caso mais singula como é Ingla e a, exis em ou exis i am imensas publicações só
dedicadas à música – nos úl imos anos as coisas o am-se ans o mando mui o com a
p óp ia indús ia da música e a chegada da in e ne - po an o de alguma o ma e a
como se nesses países não izesse an o sen ido os jo nais gene alis as e em an o
espaço dedicado à música, no caso de Po ugal du an e mui os anos ha ia um jo nal
dedicado à música, o Bli z, em que cheguei a abalha an es de i pa a aqui, mas
depois esse jo nal desapa eceu, po an o az sen ido que os jo nais gene alis as dêem
esse espaço à música, po que ealmen e não ha ia publicações que apon assem pa a
aí.
O que é que no PÚBLICO de ine que um de e minado a is a me eça ou não
se alado?
Há dois ec o es p incipais, na minha isão. Um é a sua ele ância a ís ica.
Cla o que, quando alamos de ele ância a ís ica, es amos a ala de um quad o
semp e subjec i o, de uma a aliação subjec i a, mas pa a mim é esse o elemen o