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Do ritual ao palco: o processo de transcrição, ensino e encenação das danças folclóricas afro-cubanas

Abstract

O projeto pretende analisar a metodologia de ensino das danças religiosas de origem Africana em Cuba: estudar a introdução das danças de origem negra na formação da identidade cultural cubana e o desenvolvimento formal das danças na passagem do ritual ao palco. A investigação concentra-se sobre as danças rituais ensinadas nas instituições nacionais, que se tornaram o instrumento principal pela valorização da cultura Africana e pela sua integração na cultura cubana. Este estudo relata a formação destas na época da revolução, como instrumento de coesão social e do levantamento das danças e músicas tradicionais de origem Africana começado na época anterior à revolução, e depois por esta reforçado em todo o território cubano. A pesquisa quer também relatar o complexo quadro cultural de Cuba antes e depois da revolução, para esclarecer como a dança constitua, neste contexto, um espelho da situação sociopolítica do país e de que forma a esta se ligue às correntes artísticas de maior importância ao nível mundial. O trabalho baseia-se em material recolhido durante um período de investigação em Cuba, nas instituições de ensino e em contacto com as companhias folclóricas de maior relevo.

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Do ritual ao palco: o processo de transcrição, ensino e encenação das danças folclóricas afro-cubanas

Author: Negro, Francesca
Year: 2017
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/25305/1/tese%20mestrado%20Francesca%20Negro.pdf
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Do! i ual!ao!palco:!o!p ocesso!de! ansc ição,!ensino!e!encenação!das!
danças! olcló icas!a o-cubanas!
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F ancesca!Neg o!
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20!de!Junho!de!2017!
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F ancesca!Neg o!!Do! i ual!ao!palco:!o!
p ocesso!de! ansc içãoo,!ensino!e!
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a o-cubanas,!20-!06-!2017!
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Do i ual ao palco:
O p ocesso de ansc ição, ensino e encenação das danças olcló icas a o-cubanas
F ancesca Neg o
RESUMO
Pala as-cha e:
Danças A o-cubanas, Cuba, pedagogia da dança, his ó ia da dança, écnica de dança
cubana.
O p oje o p e ende analisa a me odologia de ensino das danças eligiosas de o igem
A icana em Cuba: es uda a in odução das danças de o igem neg a na o mação da
iden idade cul u al cubana e o desen ol imen o o mal das danças na passagem do i ual
ao palco. A in es igação concen a-se sob e as danças i uais ensinadas nas ins i uições
nacionais, que se o na am o ins umen o p incipal pela alo ização da cul u a A icana e
pela sua in eg ação na cul u a cubana. Es e es udo ela a a o mação des as na época da
e olução, como ins umen o de coesão social e do le an amen o das danças e músicas
adicionais de o igem A icana começado na época an e io à e olução, e depois po es a
e o çado em odo o e i ó io cubano. A pesquisa que ambém ela a o complexo quad o
cul u al de Cuba an es e depois da e olução, pa a escla ece como a dança cons i ua,
nes e con ex o, um espelho da si uação sociopolí ica do país e de que o ma a es a se ligue
às co en es a ís icas de maio impo ância ao ní el mundial. O abalho baseia-se em
ma e ial ecolhido du an e um pe íodo de in es igação em Cuba, nas ins i uições de
ensino e em con ac o com as companhias olcló icas de maio ele o.
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ABSTRACT
Keywo ds:
A ocuban Dances, Cuba, Dance Pedagogy, His o y o Dance, Cuban Dance Technique.
The p ojec ’s aim is o analyse he pedagogy used o each A ocuban eligious dances
in Cuba, analyse he o igins o he me hodology and i s speci ic cha ac e is ics. One o
he main poin s o his s udy is also he one o e ealing he impo ance o he
pe o mance o A ocuban a is ic he i age in he c ea ion o a na ional iden i y and
social cohesion in he coun y, as well as he ole o he e olu iona y educa ional
p og ams in his p ocess. The s udy’s main ocus is he p og am o he na ional cul u al
ins i u ions, which ha e been he main ins umen o he a is ic and cul u al
de elopmen o he coun y, bu we also conside he p e ious ield and an h opological
esea ches ha p epa ed he massi e in e es o he olklo ic s udies in he six ies. This
esea ch wan s o show he complexi y o he socio-cul u al si ua ion in Cuba be o e and
a e he Re olu ion, and how dance ep esen s a mi o o his complexi y, and,
ac ually, in which way i ies up o he a is ic wo ld’s majo mo emen s. This wo k is
based on a ieldwo k de eloped in Cuba, in he eaching ins i u ions and in con ac wi h
he mos impo an olklo ic dance companies.
ÍNDICE:
In odução 1
Capí ulo I: De um li o a uma peça:
El Mon e de Lydia Cab e a e o T ibu o a “El Mon e” de Rosá io Ca denas
I.1 Lydia Cab e a 4
I.2 Rosa io Ca denas 8
Capí ulo II: A polí ica cul u al an es e depois da e olução:
II. 1 Uma his ó ia de con adições 15
II. 2 An es da e olução. A época dos caba e s 20
Capí ulo III: As danças adicionais de o igem eligiosa em Cuba
III.1 Um p imei o le an amen o 25
III.2 Danças do Ciclo Yo uba 28
III.3 Danças do Ciclo Ban u-Congo 34
III.4 As danças do ciclo A a á-Dahomey 45
III. 5As danças do ciclo A o-Hai iano em Cuba 51
Capí ulo IV: O Ensino
IV. 1 A polí ica cul u al da e olução 56
IV. 2 O papel de Rami o Gue a 59
Conclusões:
A dança eligiosa pa a o público 68
Bibliog a ia
Anexos:
Ci ações das ob as i
En e is as aos p o esso es i
As ins i uições de ensino x
Imagens xx

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1!
In odução
“As imagens a ís icas são ó mulas de comp eensão da ida, analogamen e às da ciência e da
iloso ia. Tan o umas como as ou as são as mãos de um único co po e é possí el, em qualque
momen o, indica uma de e minada ó mula da a e associando-a à sua ó mula gémea do
pensamen o abs a o: en e uma e a ou a não exis e igualdade mas sim co espondência”.1
A é à época em que Fidel Cas o ins au ou a e olução cul u al em Cuba (1959) a si uação do
país encon a a-se monopolizada pelo me cado no e-ame icano. Com a e olução cul u al, o
no o go e no inaugu ou um mo imen o de pesquisa sob e as comunidades pob es das ilhas,
as suas adições e mani es ações cul u ais e inanciou o es udo di e o das suas o mas
a ís icas, nomeadamen e das danças e i mos adicionais, com a inalidade de di undi es as
compe ências e p ese a a he ança cul u al a icana enquan o pa imónio cul u al da nação.
Em apenas algumas décadas, a cul u a neg a, ainda o emen e ma ginalizada nos anos 60 do
século XX, oi econhecida como pa imónio cul u al da nação e ap esen ada com o gulho
nos mais impo an es ea os. Es e es udo em po obje i o analisa es e p ocesso, que do
pon o de is a da e olução cul u al do país, que das ans o mações so idas pelas danças
adicionais du an e es e p ocesso. Como a i ma A gelie s León2, o apa a o pe o ma i o
i ual cons i uía pa a o a icano no No o Con inen e um luga segu o, um ab igo, uma
p o eção con a a alienação ep esen ada pela o çosa abso ção pelo sis ema colonial. Du an e
a época colonial, embo a di idida em á ias ases, o neg o esc a o e os seus descenden es
adqui i am um sen ido de g upo em que a ep odução das p óp ias adições cons i uía uma
o ma de eap op iação da p óp ia his ó ia, que possibili a a a inse ção numa sociedade, um
g upo onde ele pode ia e um papel de desen ol imen o social e uma pa icipação a i a.
Como sublinha F an z Fanon, “O pe sis i da idelidade às adições o iginais e a is o como
uma esis ência ao colonizado , uma esis ência à sociedade colonial e uma adesão à
sociedade nacional. A c is alização e epe ição do i ual in eg a a o indi íduo na adição, e
ambém a i ma a a pe enidade do p óp io mundo de pe inência.3
No caso do a icano impo ado nas Amé icas, a esc a idão não de e minou apenas a
pe da do seu ambien e e das suas elações, pois ambém lhe oi i ada a elação uncional com
o p óp io abalho, e is o impossibili ou-o de desen ol e du an e mui o empo um
sen imen o de consciência de classe a pa i do qual se pode ia sen i pa e de um g upo. Ele
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
1 Pa el Flo enskij, Lo spazio e il empo nell'a e, (Milano: Adelphi, 1995), p.15. T adução nossa.
2 A gelie s León, T as las huellas de las ci ilizaciones neg as en Ame ica, (La Habana: Fundación Fe nando
O iz, 2001), p. 50.
3 F an z Fanon, Peau noi e masques blancs, (Pa is: Seuil, 1952), p. 219. T adução nossa.
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2!
oi, como elemb a A gelie s León, “incluído num p ocesso de coisi icação, ans o mando as
suas elações em elações de obje os”4. Foi en ão lógico que a ge ação de uma p imei a
consciência de classe neg a acon ecesse inicialmen e nas á eas mais pob es das cidades ou do
in e io , onde a alienação social c iou uma necessá ia consciência al e na i a, que e o çou a
p ocu a do i acional, como condição p i ilegiada de con ac o com o mundo ex e io (Anexo
1).
O necessá io p ocesso de consciencialização cul u al e iden i á io e e no começo um
di ícil e delicado equilíb io, e hoje emos de conside a a complexidade des es a o es ao
es uda a sociedade cubana an es e depois da época e olucioná ia. Temos, de ac o, de sabe
a alia em que ní el de anscul u ação se encon a a a sociedade an es das e o mas
cul u ais que p i ilegia am a cul u a de aiz a icana, e em que ní el ela oi depois colocada,
pa a pe cebe se e de que o ma ela oi “ e elada” a si p óp ia ou, pelo con á io, se oi
apenas ans o mada pela polí ica cul u al da época numa cópia con o me com o seu passado
mí ico. Não sabemos se a ep esen ação ea al das danças olcló icas es a a desde o início
en e os p opósi os da e o ma cul u al do ensino das a es, ou se a in enção p imá ia do
p oje o cul u al se limi a a apenas à di ulgação da cul u a neg a pa a comba e a endência
disc imina ó ia no país. Mas, e e i amen e, es a e apa acabou po c ia uma adesão mui o
g ande en e a população, e o çando uma aiz cul u al que se es u u a em á ias e en es:
li e á ia, a ís ica, e ambém eligiosa. Es es elemen os, apesa de e em sido
p oposi adamen e des inculados uns dos ou os pela polí ica cul u al igen e no país,
ele a am-se incindí eis e ão hoje na di eção de uma euni icação, e as mani es ações de
cul o sinc é ico, apesa de e em sido silenciadas du an e séculos, acaba am po ganha no a
o ça e po se o na em hoje mais p esen es mesmo o a de Cuba.
Sob e o p ocesso de abso ção des as aízes cul u ais e da sua in eg ação num sis ema
de ensino o icial, bem como sob e as suas ep esen ações públicas e as ans o mações
oco idas no géne o, a a emos na pa e inal des a disse ação, analisando odo es e p ocesso
enquan o enómeno de eap op iação cul u al, e analisando a componen e ela i a à écnica
de ensino das danças. Analisa emos os c i é ios pedagógicos, e a didá ica aplicada pela ampla
e o ma cul u al e a ís ica da e olução de o ma mais supe icial, não ha endo nes a
disse ação a opo unidade de ap o unda um ema ão as o e especí ico. Da emos aqui uma
a enção maio ela i amen e à ques ão pe o ma i a, e como o p ocesso pe o ma i o se
cons uiu em Cuba de o ma p og amá ica pa a a consolidação de uma iden idade nacional
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
4 León, T as las huellas de las ci ilizaciones neg as en Ame ica, p. 50.
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uni á ia. Pa a al, pa imos, em e mos de ecu sos me odológicos, das en e is as
desen ol idas em La Habana em se emb o de 2016 (em anexo) e a ança emos com umas
conside ações de i an es da obse ação das me odologias de ensino locais, e dos esul ados
expos os nos espe áculos ea ais obse ados ao i o e em g a ações. Como pon o de pa ida
pa a as nossas conside ações conside ámos as on es bibliog á icas de ca ác e his ó ico e
e nológico sob e Cuba e a cul u a a o-cubana, mas ambém os es udos seminais sob e o
alo simbólico do ges o quo idiano, e sob e o alo do i ual, os ex os ge ais sob e
pe o mance e dança no con ex o pós-colonial. Daqui pa imos pa a uma análise ago a
essencialmen e pe o ma i a do epe ó io a ís ico cubano de ma iz olcló ica, conside ando
ambém os concei os de olclo e di ulgados em Cuba nos ex os eó icos p oduzidos depois
da e olução.
Que emos com es e es udo ealça o papel da dança enquan o ep esen an e de uma
adução es é ica do pensamen o de uma época. Se ou as o mas de a e são na u almen e
conside adas uma ep esen ação cul u al, a dança ainda es á a en a de ende es e seu alo ,
sendo ela mui as ezes conside ada apenas um enómeno de di e são ou p ecisando, pelo
con á io, de alcança um al o ní el de in elec ualidade pa a consegui o adequado
econhecimen o. Com es e es udo de ende-se o papel da dança enquan o o ma a ís ica
equi alen e a qualque ou a, e alando des a o ma p e endemos delibe adamen e chama a
a enção pa a o e ei o pic ó ico e dinâmico que ep esen a a essência des a a e, onde a
ep esen ação é is a como desenho con ínuo do espaço: ação de um complexo apa a o de
elemen os ligados ao mo imen o do co po no seu con ex o, em que a pe ceção isí el da
o ma es é ica cons i ui apenas um dos elemen os salien es. A dança anspo a consigo um
ca ác e social e/ou ce imonial, que é epe ido e, po an o, ea i mado cons an emen e e que
em azão de se somen e em condições especí icas. Ela modi ica-se quando as ques ões de
o igem mudam e ans o ma-se eagindo a um con ex o social di e en e. O conjun o de ges os,
i mos e dinâmicas en e indi íduo e g upo que a ca ac e izam são a ansc ição a ís ica de
uma i ência e pe ceção do mundo.
Tal como as ou as a es, a dança ep esen a um ins umen o do conhecimen o, de aco do
com as pala as de Flo enskij:
“Nos seus ní eis in e io es ela c ia esquemas e modelos, nos ní eis supe io es c ia símbolos.
A ques ão da linguagem simbólica é uma das ques ões undamen ais da eo ia do
conhecimen o.”5
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5 C . P. Flo enskij, Il simbolo e la o ma, ad. i ., (Roma: Bo inghie i, 2007), p. 6. T adução nossa do I aliano.
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I
De um li o a uma peça:
El Mon e de Lydia Cab e a e o T ibu o a “El Mon e” de Rosá io Ca denas
Lydia Cab e a
Lydia Cab e a é uma an opóloga au odida a e poe a cubana, que, seguindo os passos
do seu cunhado, o an opólogo Fe nando O iz, se especializou no es udo da cul u a a o-
cubana e esc e eu ob as que hoje são conside adas en e as mais impo an es sob e a cul u a
a o-cubana. El Mon e oi publicado em 1954, du an e a época da di adu a de Fulgencio
Ba is a, e desc e e plenamen e os cos umes eligiosos ligados à Regla de Ocha (mais
conhecida como San e ía), sob e o cul o de I á, ambém pa e da eligião adicional Yo uba;
a eg a Kimbisa, e a eg a de Palo Mon e, com o igem na Á ica Ociden al e na qual ambém
e e o igem o Vudu hai iano. A pa icula idade des e abalho consis e na o ganização e
es ilo da sua esc i a, que p e ende se o ela o iel da ansmissão in ei amen e o al que
esul ou de um pe íodo de pesquisa em odo o e i ó io cubano, nas egiões u ais e a é mais
isoladas do país, du an e os anos 1950 e 1953, e das en e is as a um as o núme o de
pessoas que aziam pa e des as comunidades eligiosas. Lydia Cab e a e e a capacidade de
ans o ma es as na ações, que incluem elemen os de uso p á ico e diá io – como o uso das
plan as – com elemen os de ca ác e mi ológico e ilosó ico, numa ob a li e á ia que se si ua
num meio- e mo en e a e nog a ia e a li e a u a. A beleza na a i a de alguns exce os das
ob as da au o a não in alida o ca ác e cien í ico das suas obse ações, an o que o ma e ial
po ela di ulgado é u ilizado como ma e ial de abalho po an opólogos e e nólogos,
sob e udo as suas en e is as com sace do es a o-cubanos e desc ições de ce imónias
eligiosas. Nes a con ínua exposição ao meio da cul u a a o-cubana, Lydia Cab e a abso eu
a exp essão na a i a adicional, me a ó ica, abs a a e, po ezes, descoo denada que
ca ac e iza a manei a de con a ípica dos a o-descenden es, e u ilizou-a como elemen o
es ilís ico e elemen o de o ganização na a i a, incluindo nes a es u u a o seu con ibu o
e nog á ico.
A g ande época dos es udos a o-cubanos oi com ce eza inaugu ada po Fe nando
O iz, que depois de á ias publicações de âmbi o sociológico ela i as ao ca ác e
mul ié nico da sociedade cubana e a sua descendência a icana, em 1927 decidiu eo ganiza
La Sociedad del Folklo e com a in enção de disponibiliza os es udos sob e o legado dos
esc a os a icanos pa a os seus descenden es, conside ando o esul ado do úl imo censo e a
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11!
espec al, e mos a a sua condição de anse, como hospedando no co po e na oz uma pessoa
que não é ele.
Nes a peça, Rosá io Ca denas dis ingue-se de o ma e iden e da mais comum
ep esen ação das danças a o-cubanas nos códigos exis en es, e usualmen e p a icados, pa a
p i ilegia uma ep esen a i idade simbólica do con ex o e ocado pelo li o de Lydia
Cab e a, e da essência da espi i ualidade que es e desc e e. Po es a azão, uma das pa es
mais exp essi as é aquela em que se ep esen a, de o ma o émica (Fig. 1), a Ceiba, a á o e
sag ada da cul u a Yo uba (Ceiba pen ad a ou Co on T ee), consag ada ao deus Chango mas
onde ambém i e o espí i o de I oko. Toda uma pa e cen al da peça se desen ol e,
po an o, à ol a des a igu a es ilizada mas p a icá el, ep esen ada de o ma mais simbólica,
como um o em, mas onde os baila inos conseguem subi , o mando eles p óp ios pa e da
escul u a. Es e p óp io c i é io de ep esen ação de ine oda a pe spe i a es é ica da peça e a
inalidade da sua linguagem. I oko é um O isha (o O icha – O isa – O ixá) Maio , que i e
na onde da á o e da Ceiba, é um san o elho e paci icado ; a Ceiba é ado ada po odos os
O ishas po que é conside ada a bengala de Olo ín, o Deus sup emo19. Na mi ologia Yo uba
aos pés da Ceiba es e e en e ado O unmila, a di indade da p o ecia, I oko, que a habi a, é o
símbolo dos conhecimen os escondidos e odos os O ishas isi am a Ceiba, e a ene am, e é
ali que se ealizam as ce imónias (Anexo 6).
A cen alidade da á o e ep esen a, po an o, o máximo ní el da simbologia, o
elemen o na u al que une odos os se es, o deus sup emo com os en es espi i uais e na u ais e
ambém o luga mágico po excelência, onde os i uais acon ecem. A Ceiba é o símbolo do
Mon e na sua o alidade, e ambém é econhecida pelas ou as cul u as p esen es no país. O
Mon e, po si só, an o na ob a de Lydia Cab e a como na peça de Rosá io Ca denas, é
apenas a e ocação de uma geog a ia ec iada, nunca i ida pelas ge ações p esen es. O
Mon e é um luga supos amen e eal mas inalcançá el, um luga do além e do passado, e a
na a i a das plan as e dos animais, bem como a dança deles, só pode ec ia a nos algia des a
iden idade pe dida e a necessidade de se econhece em ou a. Com es a ep esen ação
o emen e isí el da ealidade simbólica da cul u a a o-cubana, Rosa io Ca denas ealça, do
El Mon e, as ideias que mais são associadas à ida e à mo e, os enigmas maio es da
exis ência humana. A mo e, po exemplo, a ní el in ui i o é pe cebida da mesma o ma po
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
19 Olo un, Olo ín, Oloduma e são nomes di e en es pa a o Deus sup emo, cada um des es nomes salien a um
alo especí ico de Deus: dono dos céus, dono do palácio, deus dos limi es inalcançá eis. Não exis e um emplo
só pa a a ene ação de Olo un, mas apenas a Ceiba como luga sag ado das ce imónias. O deus sup emo é
indi e amen e ene ado pelos O ishas, e sob e udo pelo in e mediá io Oba alá (ou O ixalá na adição a o-
b asilei a) a quem oi delegado o pode da c iação.

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12!
homens e animais: sob a o ma de um imobilismo inconcebí el, que eles ecusam p ocu ando
obs inadamen e signos i ais no se já alecido. Es a descobe a da mo e é ep esen ada
numa das passagens mais signi ica i as da peça, quando um dos baila inos se ap oxima
cu ioso a um ou o co po imó el, e mos a o seu desespe o em não comp ende po que o
co po obse ado não eagia. Aqui en e nós ica a dú ida se os baila inos es ão ago a a
ep esen a se es humanos ou animais (Fig. 3) e es a é a inalidade da c iado a: o mos a a
na u eza como um conjun o, uma união, um sis ema em que as c ia u as a inal são simila es,
ou assimilá eis. Só nes e pon o da peça, no momen o em que o co po do mo o é a as ado
a é ao limi e do palco é que se pe cebe a di e ença en e o animal e o humano: pa a o animal,
o co po do de un o é ap o ei ado como sus en o, pa a o homem é sujei o a sepul u a. Rosa io
Ca denas sublinha assim a na u al cadeia do ciclo i al, nascimen o, mo e, eap op iação.
Com es a cena ep esen a-se a base das eligiões a o-cubanas ligada ao mi o dos ances ais:
sendo o ema da eap op iação concebí el de o ma di e en e. Se pa a os animais essa se
mani es a como uma assimilação ísica dos es os do animal, pa a o homem são as ene gias
do mo o que de em se “ eassimiladas”, e po meio des a “ eassimilação” é que es e man ém
a sua p oximidade com os que es am em ida. Es a ep esen ação do ciclo i al é ambém
uma e icaz ep esen ação da eo ia an opológica do i ual como assimilação, ou
eap op iação, de um passado, mí ico ou his ó ico, em que se econhece um p incípio
iden i á io uncional à con inuação da exis ência, como a i ma Schechne 20 alando da
di e ença en e ec iação e es au ação.
Nes a cadeia sem im que liga o homem aos seus an epassados es ão ambém as
igu as mi ológicas dos O ishas, no passado homens, eis, ainhas, que ep esen am i udes e
qualidades humanas e que são in e mediá ios en e os homens e deus. Es as igu as
ep esen am an o i udes e ca ac e ís icas humanas quan o en idades na u ais, o ças e
ene gias especí icas, e p opicia es as igu as mi ológicas ep esen a a on ade de con ola a
elação com o mundo na u al e man e a comunicação en e mundo ísico e espi i ual. Es a
p ocu a de ligação, de o ça, de capacidade de acompanha o i mo da na u eza é
ep esen ada no li o de Lydia Cab e a não apenas po meio de uma esc i a explica i a da
an opóloga pe an e os cul os a o-cubanos, mas ambém po meio da sua o al usão com a
ida e as c enças do Mon e, e po an o da g ande secção de bo ânica em que se explicam as
i udes das plan as e os p ocessos i uais p a icados. Na dança c iada po Rosá io Ca denas
es e animismo ilosó ico é bem ep esen ado sob a o ma de uma dança hipe ene gé ica que
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
20 Richa d Schechne , Be ween hea e and an h opology. (Philadelphia: Uni e si y o Pennsyl ania p ess,
1985). Cap. 2, Res o a ion o beha iou .
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13!
acompanha o c escendo musical, e que salien a os meios planos: a á ea de comunicação, o
plano in e médio onde se p ocu a o diálogo com a na u eza (Fig. 5) de o ma cósmica.
Não é possí el a a de o ma exaus i a que o li o de Lydia Cab e a que a peça de
Rosa io Ca denas apenas num capí ulo, ainda mais en ando c ia uma isão compa a i a
sob e o ema ep esen ado. O que aqui se que deixa é uma ideia do nascimen o da
linguagem de dança a o-cubana con empo ânea, e a ideia de pode daqui pa i pa a esca a
mais, pa a pe co e o pe cu so pa a ás, pa a pode assim pe cebe as o igens da dança a o-
cubana na época con empo ânea, e as modalidades de p ese ação e e olução que a
ca ac e izam.
O que encon amos, po an o, an o no li o El Mon e, como na peça de Rosa io Ca denas, é
uma ped a iloso al: uma sín ese do que é em po ência o conjun o das c enças e das eligiões
a o-cubanas e uma ep esen ação de Cuba como be ço de uma a iada he ança mís ica
a icana que se unde no complexo ambien e pós-colonial. O que as duas ob as p ocu am é
uma isão ab angen e, uma pano âmica do oo de pássa o sob e um mundo pe ce i o-
senso ial, mís ico e espi i ual: um mundo em que os ês planos se in e ligam, sendo cada um
não concebí el sem os ou os. Nes e sen ido, as duas ob as espondem-se e podem se , po
ce o, pos as em elação di e a. Pa a a cul u a a o-cubana a pe ceção ísica é impo an e, a
dança é ep esen ação da sensação, do ges o: é pe ceção das águas, do ogo, do en o, do ma ,
da iolência. Ao mesmo empo, as qualidades dos elemen os são associadas a ca ac e ís icas
psicológicas, que, com o empo, se o am c is alizando em ipos ísicos e ep esen ações
mi ológicas. Is o udo acon ece de o ma con ínua, no meio do i ual, no con ex o na u al da
dança po inspi ação di ina, e não po ap endizagem: po in e enção de um espí i o supe io
– assim se c ê – que conduz o co po do seu “ca alo”21 à condição de anse e assim se e ela.
Os planos ísico, men al e espi i ual es ão semp e undidos, e qualque ep esen ação ísica
do mo imen o é ambém simbólica, e ambém e é ea, mís ica. Es a compene ação de planos
é um elemen o que emos de e em conside ação no momen o da a aliação da passagem
des as danças pa a o plano cénico, uma ez que na maio ia das ep esen ações não nos
encon amos pe an e uma li e in e p e ação da essência mís ica des a cul u a – como é no
a o caso de Rosá io Ca denas – mas sim de uma ep odução dos códigos simbólicos do
con ex o da p á ica eligiosa.
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21 O e mo ca alo e o e mo mais u ilizado na linguagem dos can os e na comunicação en e os músicos e a
pessoa que en a em anse, du an e as ce imónias. Os músicos mui as ezes uncionam como “di e o es” de
cena nes as ci cuns âncias. Es a e minologia não é ípica do con ex o cubano mas encon a-se nou os con ex os
nas Ca aíbas, e é ambém mencionada po Ka he ine Dunham no ela o da sua expe iência de ce imónias udu
no Hai i. Ka he ine Dunham, Island posessed, (New Yo k: Doubleday, 1969).
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14!
Tendo is o em conside ação, o abalho de Rosá io Cá denas ep esen a um pon o
nodal en e a ep esen ação ea al de ipo olcló ico, a ep esen ação eligiosa o iginal e não
espe acula das danças, e as mais ecen es de i ações con empo âneas em que, na maio ia dos
casos, obse amos in e p e ações li es do con ex o cul u al a o-cubano ou abalho de
es ilização linguís ica do ges o i ual adap ado pa a o con ex o ea al.22 Di íamos assim que
an o o li o quan o a peça ep esen am uma possí el co en e de simbolismo de base
an opológica no âmbi o da cul u a es é ica a o-cubana, e po an o que as duas cons i uem
uma p eciosa sín ese do ma e ial o iginá io da he ança a icana e uma ep esen ação
simbólica do concei o de anscendência da cul u a a icana em Cuba, que, po sua ez, da á
o igem a mais li es in e p e ações e linguagens.
Des e pila pa imos pa a explo a ago a as mudanças no âmbi o das ob as
co eog á icas de ca ác e mais olcló ico, p ocu ando ambém pe cebe en e que limi es
epis emológicos podemos cla amen e colocá-las e de que o ma são legí imas as
di e enciações e ca alogações es ilís icas. No p óximo capí ulo e emos de ol a à ase de
ansição en e a época da di adu a e a época e olucioná ia, pa a pe cebe a mudança
cul u al que acon eceu em Cuba e pa a pe cebe o p ocesso que in luenciou a o mação das
con empo âneas mani es ações de dança.
Pode á acha -se que um pe cu so c onológico linea se ia a esse espei o mais cla o,
mas emos ideia de que é mais ácil ago a, depois de e mos obse ado es as duas p imei as
ob as a ís icas, ão so is icadas e ao mesmo empo abs a as, analisa mos o pe cu so a ís ico
an e io , e as mudanças oco idas nos úl imos 60 anos. Po isso ol a -se-á ago a a é à época
p é- e olucioná ia, pa a depois g adualmen e ol a ao p esen e, e ao pon o de pa ida.
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22 C . Schechne , Be ween hea e and an h opology, Cap. 2.
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II
A polí ica cul u al an es e depois da e olução.
Uma his ó ia de con adições
Depois da Re olução Cubana em 1959, o no o go e no in oduziu mudanças adicais,
p incipalmen e no âmbi o das polí icas educa i o-cul u ais, e pa a comp eende as mudanças
que oco e am no âmbi o da dança e o seu desen ol imen o e ensino emos de a alia es a
delicada passagem en e duas épocas ão di e en es. Nes as mudanças mencionadas
e idencia-se a decla ação da no a exis ência de Cuba como es ado laico, ei a po Fidel
Cas o e mo i ada pela on ade de elimina qualque ipo de desc iminação acial. Tal
decla ação oi o pon o cen al da no a Cons i uição e oi o p incípio u ilizado como
jus i icação pa a e i a qualque in luência da Ig eja Ca ólica, bem como de ou as
o ganizações eligiosas, na educação e ambém pa a p oibi a c iação de ins i uições a o-
cubanas, cuja exis ência podia se in e p e ada como uma ins igação à di isão acial. Com
es a no a posição, o go e no e olucioná io econhecia o icialmen e o di ei o de p a ica
qualque c edo eligioso den o do espei o da lei, mas na p á ica acabou po impo g a es
es ições à libe dade eligiosa do país, ge ando medo na população po e en uais
epe cussões em uni e sidades e campos de abalho.23
Na década dos 60, mui os decidi am ocul a o p óp io c edo eligioso po causa da
pe seguição do Es ado, que se mani es a a num cons an e con olo das p á icas, dos luga es e
ocasiões de encon o. Mui os ca ólicos começa am a e i a ba iza os ilhos pa a e i a
di iculdades, e ambém en e os a odescenden es mui os ocul a am a p óp ia é e as no mais
mani es ações de pe ença à eligião po medo de epe cussões em e mos de a as amen o do
emp ego ou de desc iminação.24
Es as es ições de iam, no que é ela i o à cul u a a o-cubana, conduzi às mesmas
consequências ob idas pela cul u a ca ólica, ou seja, um desapa ecimen o quase o al das suas
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23 Ma cos An ónio Da Sil a e Guille mo Al edo Johnson, “Re olução e eligião: as elações en e a
Ig eja e o Es ado na Cuba con empo ânea”, Ciências Sociais Unisinos, . 52, n.º 1, (2016): 8-16. Doi:
10.4013/csu.2016.52.1.02
24 Em 1985, o Conselho de Es ado em La Habana publicou o li o Fidel y la eligión, con e saciones con F ei
Be o, (La Habana: O icina de Publicaciones del Consejo de Es ado, 1985), onde se esumiam 23 ho as de
en e is a en e o ade b asilei o F ei Be o e Fidel Cas o, e se aziam decla ações em elação à possibilidade
de exclui os não a eus da iliação no Pa ido Comunis a. A posição do go e no o nou-se mais abe a apenas
depois do colapso da União So ié ica, em 1991, quando o Pa ido Comunis a começou a acei a ambém c en es
en e os seus memb os, In e na ional eligious eedom epo , Oc obe 26, 2009.
h ps://www.s a e.go /j/d l/ ls/i /2009/127386.h m ; h ps://www.s a e.go /j/d l/ ls/i /2009/index.h m
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16!
a i idades e, consequen emen e, uma o ma de p á ica eligiosa mis u ada e “c ioulizada”,
mas pa adoxalmen e as eligiões a o-cubanas não saí am mui o en aquecidas da p oibição
e olucioná ia e apidamen e a cul u a a o-cubana ganhou um no o es a u o e uma no a
isibilidade. Hoje, podemos dize , com ce eza, que is o acon eceu po causa da impo ância
que a e olução deu às polí icas a ís icas e às polí icas an idisc imina ó ias, que acaba am
po man e i o e di undi – mesmo sem o apoio do apa a o i ual – o imaginá io espi i ual e
cul u al de aiz a icana o a da sua na u al ma gem de ação.
O go e no e olucioná io começou imedia amen e a eno ação do país com a c iação de
no as ins i uições cul u ais e leis em a o dos g upos mais des a o ecidos. Fo am c iadas a
Imp ensa Nacional de Cuba, o Ins i u o Cubano de A e e Indús ia Cinema og á ica, e logo
em agos o de 1961 e e luga o P imei o Cong esso Nacional de Esc i o es e A is as de
Cuba.
Hou e uma nacionalização maciça de odas as emp esas ag ícolas, e oi impos o um
ni elamen o dos o denados e das endas, pa a da acesso aos mesmos ecu sos à o alidade da
população. Ao mesmo empo, o go e no p ocedia com uma ação de al abe ização do país que
e e um o e impac o em odo o e i ó io, incluindo as á eas u ais, e que se e elou a maio
ação educa i a da Amé ica La ina – o no o go e no inha he dado um país em que 600.000
c ianças nunca inham ido acesso à escola, e logo em 1961, pôde ob e como esul ado o
desapa ecimen o quase o al do anal abe ismo. Es a ealização o aleceu a unidade das
massas an o das cidades como das as as á eas u ais, e oi o pon o de pa ida pa a uma ob a
de ensino cul u al de g ande qualidade, baseada na ans o mação da população em pa e
a i a do p ocesso de c iação cul u al. Com es a ob a iniciou o p ocesso de educação de
adul os que incluía a c iação dos cu sos de “supe ación ob e a”, a undação de Faculdades
ope á ias e camponesas, e que conseguiu assim uma ele ação sis emá ica do ní el escola da
nação.
Também o ensino uni e si á io exis en e so eu uma mudança adical: as Uni e sidades
inham sido echadas em 1956, du an e a di adu a de Fulgencio Ba is a, po se e em o nado
sí ios de esis ência ao pode o icial, e inham sido semp e ese adas pa a as classes sociais
mais al as, e de aça b anca, e o ensino es a a concen ado em ês ou qua o ca ei as
p o issionais. As Uni e sidades o am eabe as depois da e olução com no as e a iadas
especialidades, que chama am a a enção de um eno me olume de insc i os. Fo am c iados os
ins i u os pedagógicos, e as humanidades o am di e enciadas em di e en es á eas
especializadas, e oi inaugu ada a in es igação ligada ao p ocesso de ensino e aos se iços

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17!
sociais. O ensino oi ins i uído de o ma in ei amen e g a ui a em odo o país, o e ecendo a
qualque pessoa a possibilidade de insc ição em o mações de odos os ní eis.25 Mas o maio
elemen o de mudança oi, com ce eza, a polí ica de alo ização das a es e do ensino
a ís ico: a sua ação e e epe cussões undamen ais em odo o desen ol imen o social do
país, e uma pa e undamen al des a polí ica oi o econhecimen o e alo ização da cul u a
a o-cubana.
Cuba oi uma colónia de esc a os espanhola a é ao inal do século XIX, oi o penúl imo
espaço na Amé ica a aboli a esc a a u a.26 Du an e as gue as da independência, p oje ou-se
um discu so polí ico que p ome ia a c iação de uma nação pa a odos os cubanos e a
possibilidade de democ acia acial. O papel que os a odescenden es desempenha am nes as
lu as pe mi iu-lhes uma maio inclusão na cena pública, econhecendo-lhes o su ágio
uni e sal masculino (em 1902), no en an o, o acismo p i ado, quo idiano, con inuou a
pe mea as elações sociais, e as p óp ias zonas da cidade de La Habana es a am ni idamen e
di ididas em zonas b ancas e neg as. Em 1912, a en a i a de c ia um “Pa ido dos
Independen es de Co ” oi con a iado com a o ça es a al e e e como esul ado o massac e
de milha es de a o-cubanos pela epública nascen e27. A au o a Aline Helg a i ma que a
sociedade cubana con inuou di idida po “ aças” e que o mi o da democ acia acial oi
apenas uma es a égia pa a acalma as ambições das mino ias e nega aos neg os as
ei indicações de igualdade acial28. Como sublinha De la Fuen e: “a ideia de democ acia
acial em Cuba, pelo menos no ní el e ó ico, signi icou a inclusão de g upos aciais
subo dinados na ideia de nacionalidade e pe mi iu, pa a alguns, uma ce a mobilidade social,
mas não os li ou de um papel ma ginal. Pelo con á io, a ideia de igualdade e a e nidade
acial p omo ida pelas polí icas de alianças in e - aciais, assinadas du an e a gue a con a a
Espanha, ga an i am a manu enção de um acismo adicado e dissimulado”29. Es e modelo
apenas uncionou como limi ado do pode das eli es: no sen ido em que impossibili ou a
ins alação do sis ema de seg egação o mal igen e na al u a nos Es ados Unidos, e que com
a c escen e p esença dos no e-ame icanos na ilha, podia se acilmen e implemen ado em
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25 Jaime Sa uski e Ge a do Mosque a, La polí ica cul u al de Cuba, UNESCO, (Mad id: A es G á icas Benza,
1979), pp. 13-14.
26Sob e a pa icipação da população a o-cubana nas gue as pela independência de Cuba eja-se: B uno José
Rod igues Du ães, Iacy Maia Ma a, “Cuba, os a o-cubanos e a e olução: passado e p esen e”, His ó ia Social
(UNICAMP), . 17, 2009, pp. 131-150. (p. 143). C . ambém: Rebecca Sco , A emancipação esc a a em
Cuba: a ansição pa a o abalho li e, 1860-1899. (Rio de Janei o: Paz e Te a, EDUNICAMP, 1991).
27 Aline Helg, Lo que nos co esponde: a lucha de los neg os y mula os po la igualdad en Cuba, 1886-1912.
(La Habana: Ediciones Imagen Con empo ánea, 2000).
28 Ibidem.
29 Alejand o de La Fuen e, “My hs o acial democ acy: Cuba, 1900-1912” In. La in Ame ican Re iew, Vol. 34,
N. 3 (1999), pp. 39-73.
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18!
Cuba.30 Es e p ocesso, endo mani es amen e di icul ado o mas de mobilização social e
polí ica baseadas na iden idade acial, acabou po pe mi i o nascimen o das p imei as o mas
de associação mul i acial, como, po exemplo, os mo imen os ope á ios. Nes a pe spe i a
em de se obse ada a si uação social no início da época e olucioná ia: com uma maio ia
neg a que, embo a p o egida pela e olução, não inha pa icipado di e amen e no p ocesso
e olucioná io po causa da sua e e i a exclusão da polí ica nacional, po não se econhece
comple amen e numa o ça e olucioná ia quase in ei amen e b anca, e de o igem p óxima à
bu guesia. Com a e olução, o go e no pe cebeu que es a massa p ecisa a de se ecupe ada
de o ma e e i a, não apenas pa a a pa icipação na ida ci il, mas ambém pa a se ap oxima
da ideologia polí ica da e olução e do pa ido. A melho o ma de ob e es e esul ado oi a
e o ma educa i a, que acabou po comple a o p ocesso de inclusão dos a odescenden es na
ideia de nacionalidade. Es e p ocesso e e á ias e apas e con emplou di e en es e en es
educa i as, e a e en e a ís ica e e com ce eza a maio impo ância. No inal de 1961,
iniciou ambém um g ande plano de bolsas, que começou com 4000 ma ículas. En e os
p imei os es a am os p o esso es de a e, que o am p epa ados du an e dois anos pa a
es imula di e en es a i idades a ís icas nas zonas u ais, a é àquele momen o comple amen e
abandonadas. Es e sis ema, que se man ém a é ago a, pe mi iu in eg a na p odução a ís ica
impo an es sec o es da população.
Com es e im, oi abe a a Escola Nacional de A e (Anexos, p. 17-18; Fig. 35-39), ago a
acessí el a odos os que mani es am uma ocação a ís ica, com a on ade de não despe diça
nenhum alen o exis en e e dando a possibilidade a odos de consegui em bolsas pa a
con inua a o mação o a do país. A segui , g aças ao apoio da União So ié ica, oi abe o o
Ins i u o Supe io de A es, pa a amplia es e âmbi o de es udo. Em conjun o com o
desen ol imen o de um ensino a ís ico especializado, desen ol eu-se ambém um plano de
ensino de ní el elemen a , baseando-se no p incípio de que a educação a ís ica é
imp escindí el na o mação da pessoa.
Um elemen o impo an e que ajudou nas conquis as dessas melho ias oi o abalho
olun á io e comuni á io31, e nes e a o ganização dos “G upos de a icionados a las a es”,
onde se incen i a am a i idades con ínuas, de âmbi o an o p á ico como eó ico. Es as
associações o am undamen ais pa a o acompanhamen o cons an e de c ianças, jo ens e
adul os, e cons i uí am mui as ezes o luga de descobe a de jo ens de g andes capacidades
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
30 C . Helg, Lo que nos co esponde.
31Pascual Se ano, “Cuba en el año 2007”, em Diagonal, La Habana: 23/01/2007.
h p://www. ebelion.o g/no icia.php?id=44786
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19!
que o am depois eencaminhados pa a ins i uições de ensino supe io 32 A unção dos
o ganismos, ins i uições e associações cul u ais inha ambém a inalidade de p omo e a
alo ização das ob as mais impo an es das a es e da li e a u a nacional e in e nacional, o
econhecimen o dos alo es po es as ep esen ados e uma p o unda in es igação do olclo e
local em odo o e i ó io. Po um lado, quis-se da a odas as pessoas a possibilidade de
pa icipa na p odução cul u al, e, po ou o lado, quis-se o ma as massas pa a a uição da
c iação es é ica como um di ei o inaliená el da condição humana, pa a que essa deixasse de
se um p i ilégio da classe bu guesa.
Tais desen ol imen os espi i uais, oda ia, não podiam con empla os alo es secula es, uma
ez que as p á icas eligiosas e am ole adas mas não p omo idas. A si uação em que se
desen ol e am p imei amen e a p á ica e o ensino das danças e e, po an o, um ca ác e
con adi ó io: exis indo ao mesmo empo uma dedicação à ecolha do ocabulá io a ís ico-
i ual no sen ido mais comple o, bem como a p oibição da mani es ação de qualque adesão
às suas p á icas; an o que, ainda hoje, a p imei a ge ação de p o esso es o mados depois da
e olução é ca ac e izada na sua quase o alidade po um a as amen o da eligião a o-cubana,
ou po uma adesão a dia.
Nes e con ex o, po an o, no que diz espei o à cul u a a o-cubana, começou um p ocesso
g adual de secula ização da e en e pe o ma i a que acompanha a os i uais: o es udo do
olclo e local, que, pela p imei a ez, da a legi imidade à cul u a neg a, e a ago a acessí el a
odos mas igidamen e sepa ado de qualque mis icismo.
A posição do go e no em elação às eligiões a o-cubanas só mudou d as icamen e depois
do início do pe íodo especial, com a queda da União So ié ica: po um lado pela necessidade
de se eap oxima dos cidadãos neg os, uma ez que as di iculdades da época le a am a uma
g ande emig ação que ocou sob e udo as anjas b ancas da população, mas ambém pela
comp eensão da necessidade de da espaço à é, pa a as pessoas encon a em algum ipo de
con o o e consolida a mú ua ajuda e o apoio social. O que é indiscu í el é que a
desigualdade social oi só pa cialmen e esol ida pela e olução, sob e udo economicamen e,
e que e a necessá io e o ça a a iliação olun á ia des a pa e do país com a iden idade
nacional,33 sob e udo numa época em que a cul u a a o-cubana já es a a a se ep esen ada
in e nacionalmen e pelas ins i uições a ís icas do país, e que es as começa am a ganha
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
32 Sa uski e Mosque a, La polí ica cul u al de Cuba, p.13.
33 Di k K uij e Kees Konnings, (eds.), Las sociedades del miedo: el legado de la gue a ci il, la iolencia y el
e o en Amé ica La ina, (Salamanca: Ed. Uni e sidad de Salamanca, 2002), pp. 284-285.
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20!
impo ância como a ação u ís ica. A maio abe u a no âmbi o eligioso le ou a uma semp e
maio adesão às eligiões de o igem a icana no país, a é Cuba se o na des ino de um
u ismo especí ico di ecionado a es a e en e.
O que nos in e essa obse a é que, nes e p ocesso, os dois ambien es – do i ual e da
ep esen ação cénica – c esce am de o ma sepa ada e independen e, c iando ge ações de
p o issionais das danças a o-cubanas que não es a am de odo en ol idos na cul u a
eligiosa, e que, na dança, inham sido ins uídos po p o issionais de di e sas o igens, em
ins i uições onde a e en e a o-cubana es a a incluída no âmbi o da cul u a olcló ica, com
ní el de impo ância igual ao das ou as disciplinas a ís icas. Ao pe de a i acidade da
simbologia i ual, as danças inham inco po ado in luências p o enien es de á ias o igens e
aziam consigo ainda uma écnica de in e p e ação p o enien e de ou as disciplinas, assim
como uma pe spe i a a ís ica ligada ao gos o p é- e olucioná io e à his ó ia das ins i uições
do im da época colonial. Uma b e e explo ação des as in luências se á undamen al pa a
escla ece o p ocesso de o mação da écnica cubana e a sua in luência nas o mas hodie nas
das danças olcló icas.
An es da e olução: a época dos caba e s
An es da e olução, du an e a di adu a de Fulgencio Ba is a, Cuba i eu uma época
ca ac e izada po uma ida cul u al ma cadamen e o ien ada pelo gos o dos acul osos
es angei os p esen es no país, nomeadamen e das eli es de o igem hispânica e dos mui os
no e-ame icanos. Ba is a e a che e das o ças a madas desde 1933, e líde indi e o do país
po de ás de cinco di e en es p esiden es “ an oches”, an es de oma ele p óp io o ca go de
p esiden e de 1940 a é 1944. Ainda eg essou ao go e no, em 1952, a é se des i uído pela
e olução di igida po Fidel e Raúl Cas o e Che Gue a a. Ba is a oi a igu a que mais
pe mi iu o ing esso dos in e esses no e-ame icanos no país, acili ando á icos di igidos pela
má ia: d ogas, jogos de aza , emp esas de p os i uição e aco dando con a os luc a i os com
as g andes mul inacionais com sede nos Es ados Unidos. Con o me as a i mações de Sa uski
e Mosque a,34 a p odução a ís ica des a época oi a mais discu ida na his ó ia do país, mas
ambém oi es a a época que mais expôs Cuba ao olha do mundo.
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34 Sa uski e Mosque a, La polí ica cul u al de Cuba, pp. 13-14.
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27!
de ini como uma sociedade sec e a, que em um ca ác e i ual mas não especi icamen e
eligioso, embo a seja possí el econhece nela uma c ença mís ica especí ica. As suas
danças, de ac o, es ão mais ligadas a i uais de alo sociocul u al, e os seus códigos
simbólicos são de ca ác e comple amen e sec e o, po es a azão, es as danças a é uma época
mui o ecen e não e am do conhecimen o comum, nem podiam se is as com acilidade.
Mesmo no in e io da sociedade cubana é mui o a o sabe quem são os memb os da
sociedade Abakua, pois mui os são e elados como memb os só no momen o da mo e45. O
ca ác e sec e o des as danças pa ece ligado à c ença num se supe io , o “peixe Tanze”, com
que se en a em con ac o po meio de ce imónias sag adas e que se mani es a ao som de
ambo es sag ados. Es a p á ica p e ê a pa icipação e a con ocação de ou os espí i os
(diabli os), bem como de o mas de cul o pa a p opicia os ances ais, semp e in ocados no
início de cada ce imónia. Os Abakui, como as ou as comunidades a o-cubanas, u ilizam
símbolos ca egados de signi icado e que eles ac edi am e p op iedades mágicas e de
p o eção. Não amos nes e es udo en a nos po meno es das danças e dos i uais des e g upo,
uma ez que es es – de exclusi o domínio masculino – são conside ados seg edos e p oibidos
aos não memb os da comunidade. Sendo que as danças são pa ilhadas publicamen e apenas
em ocasião de ep esen ações ea ais, mas não são lecionadas em ins i uições de ensino, é
pa a qualque es anho à comunidade impossí el analisa o seu desen ol imen o diac ónico
da mesma o ma que se az pa a as ou as mani es ações olcló icas.
Ou as danças que não amos explo a , mas que são de eno me in e esse, são as
danças anco-hai ianas de ca ác e lúdico: como o Gagá, a Tajona, a Tumba F ancesa, o
Me engue Hai iano, e ambém as mui as danças sociais popula es de o igem cubana: La
Compa sa ou Conga, Las Chancle as, que se ensinam nas escolas mas que não são ligadas a
nenhuma ce imónia eligiosa.46 Como se pode pe cebe , a iqueza do epe ó io de danças
adicionais em Cuba é imenso e a seleção do campo de es udo não oi ácil, mas achámos
mais in e essan e concen a mo-nos sob e a e olução das danças i uais, sendo nelas mais
e iden e o p ocesso de ans o mação écnica e es é ica, e sendo es as es u u ais na o mação
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
45 Sob e a cul u a Abakua e : Bá ba a Balbuena Gu ié ez, El í eme Abakuá, La Habana: Edi o ial Pueblo y
Educación, e ambém Fe nando O iz, Los bailes y el ea o de los neg os en el olklo e de Cuba, La Habana:
Le as Cubanas, 1981.
46 Sob e as danças anco-hai ianas e o con ex o de chegada da cul u a hai iana em Cuba eja-se: Ola o Alén,
La música de las sociedades de umba ancesa en Cuba, (La Habana: Casa de las Amé icas, 1986); O iz, El
ea o de los neg os; Olga Po uondo Zúñiga, San iago de Cuba. Los colonos anceses y el omen o ca e ale o,
(1798-1809), (San iago de Cuba: Edi o ial O ien e, 1992); Lundahl Ma s, “A No e on Hai ian Mig a ion o
Cuba, 1890-1934”, Cuban S udies 12, no. 2, 1982; Elisa Tamames, “An eceden es sociológicos de las umbas
ancesas”, en Ac as del olklo e, (La Habana: Fundación Fe nándo O íz, 2005); Rami o Gue a, Calibán
danzan e, (La Habana: Edi o ial Le as Cubanas, 2000).
h ps://www.you ube.com/wa ch? =mLWbV 4aaiw ; h ps://www.you ube.com/wa ch? =eHi 8p1qBgc

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28!
da linguagem co po al do baila ino cubano. Mui os es udos an opológicos o am
desen ol idos sob e as ce imónias a o-cubanas, e especi icamen e sob e as c enças que
es ão ep esen adas a ás das complexas simbologias des es cul os. Aqui elemb a emos
alguns des es es udos mas oma emos uma posição mais a as ada, a de simples obse ado es
do desen ol imen o es é ico e simbólico das danças como obje os pe o ma i os no con ex o
sociocul u al con empo âneo de Cuba, que endo ep esen a um pon o de is a ainda quase
ausen e: o de uma obse ação écnica da dança a o-cubana como pa imónio au ónomo, que
se inse e no complexo desen ol imen o das danças adicionais a icanas e que in lui no
desen ol imen o da linguagem da dança con empo ânea no mundo.
Danças do Ciclo Yo uba
O g upo a o-cubano p o enien e da zona da Nigé ia é de cul u a Yo uba, e é ca ac e izado
pelo cul o de uma igu a di ina p incipal Olodduma e (que se ap esen a em ês e en es
di e en es que se comple am: Olo i, Olodduma e e Olo un) e nas igu as dos O ishas47 que
cons i uem o meio de comunicação en e Deus e os homens. Es e cul o, denominado Regla de
Ocha-I á, ao longo do empo c uzou-se com a eligião ca ólica, dando o igem em Cuba ao
enómeno da San e ía, que, po um lado, pe mi iu às eligiões a icanas a p óp ia
sob e i ência a é hoje e, po ou o lado, de e minou a sua mudança. Ao longo dos séculos, as
igu as dos O ichas o am na u almen e sinc e izadas com as dos san os ca ólicos, que inham
ca ac e ís icas simila es, pa ecendo eles ambém igu as de comunicação en e os homens e
Deus, e assim os dois cul os o am-se jun ando e sob epondo. A San e ía oi o enómeno que
pe mi iu à eligião sob e i e an es du an e a época de “depu ação” colonial, e depois
du an e a “depu ação” e olucioná ia, po causa do apa a o pe o ma i o que acompanha a
es es cul os. Du an e a época da colonização em espos a à p oibição do cul o a o-cubano e a
imposição da eligião ca ólica, os a icanos econhece am que os san os ca ólicos podiam
aze a unção dos O ichas e assim o am-lhes a ibuindo i udes especí icas das igu as
a icanas e co es e a ibu os especí icos pa a man e i o o p óp io cul o. Hoje em dia, em
Cuba, as eligiões encon a am uma na u al união e con i ência, po es a azão, é possí el
assis i a cul os ca ólicos dedicados a um san o onde as pessoas pa icipam azendo as co es
e os símbolos ípicos do O isha sinc e izado com o san o celeb ado; algumas pessoas le am
a é à ig eja, pa a a bênção, as bonecas que êm em casa e que ep esen am o símbolo do
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47 O ishas, ou O isas, O ichas, O ixás: sendo a g a ia des e e mo a iá el con o me a adição oné ica de cada
língua, e endo sido o e mo apenas ansmi ido de o ma o al du an e séculos, decidimos aqui ado a a g a ia
ado ada no olume El Mon e, que ambém coincide com a ado ada po Fe nando O iz e pela p o esso a Ba ba a
Balbuena.
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O isha a quem dão o e endas ou dedicam o ações e pedidos.48 (Anexos, Fig. 12, 13, 14).
Pa alelamen e a es a ep esen ação simbólica do cul o a icano den o dos cul os ca ólicos,
emos ainda o pe du a dos i uais a o-cubanos, onde se oca e dança uma li u gia cole i a
pa a odos os O ishas; es a ce imónia chama-se de Tambo de san o ou Toque de san o, – ou
Wemile e, ou Guemile e –, e pode se ei a como homenagem a uma en idade especí ica ou
como celeb ação de um ani e sá io da consag ação de um iel ao p óp io san o (cumpleaño
de san o). A es e ipo de celeb ação ac escen am-se ou as, como os Bembé, odas
acompanhadas po can os e danças cole i as e indi iduais49. A pa i das ci cuns âncias e
i uais obse ados di e amen e, podemos desen ol e uma compa ação sob e o papel da
dança nes e con ex o especí ico, o ensino das mesmas danças no âmbi o do ensino supe io e
uni e si á io cubano e a sua u ilização em âmbi o pe o ma i o nos palcos nacionais e
in e nacionais. Es a adição i ual é, com ce eza, a mais p esen e em Cuba e a que
conse ou um ocabulá io mais ico e uma simbologia mais documen ada.
Nas es as de Tambo es de san o, onde se consag a uma pessoa na eligião Yo uba
es abelecendo a sua de oção ao seu san o p o e o , assis e-se an es a uma li u gia em que
odos os O ishas são ep esen ados, e ge almen e são dançados os O ishas que “baixam” ou
se mani es am nos co pos dos seus “ ilhos”. Du an e uma ce imónia de consag ação de san o
– como ambém nas consag ações de eligião Congo – a pessoa i ualmen e mo e pa a
enasce numa no a exis ência, na sua ida espi i ual, e a pa i des e momen o ela celeb a á
semp e o seu “ani e sá io de san o” azendo uma homenagem ao seu O isha de cabeça. A
p imei a li u gia – ou O u seco – é só ocada e não inclui can o nem dança, a es a segue-se
uma segunda pa e ocada, can ada e dançada onde se o e ecem á ios episódios de danças,
uma pa e dos quais em ca ác e cole i o mais espon âneo e uma ou a pa e de ca ác e mais
indi idual e pe o ma i o. No o al, a ce imónia pode du a a é qua o ho as, ou mais. Na
segunda pa e apa ece o enómeno de inco po ação, ou anse, quando o san o se mani es a
com os seus ges os habi uais; es a pa e da ce imónia é, po ezes, ealmen e su p eenden e,
uma ez que a pessoa em anse pode chega a aze coisas que es ão além do seu alcance na
ida no mal: ges os ex emos, a iscados ou a é epugnan es que nunca a ia em condições
no mais. A dança é ei a em pe ei a coo denação com os ês ambo es ba as, os ambo es
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48 Na igu a 12 podemos e a ig eja da Ca idade em La Habana no dia da es a da Imaculada Conceição,
celeb ada dia 8 de se emb o, dia da i gem da Ca idade do Cob e e pad oei a de Cuba, e sinc e izada com o
O isha Ochun (ou Oshun, Ochum), simbolicamen e associada à co ama ela. Pa a es a celeb ação da i gem
pad oei a de Cuba, e o O icha co esponden e, mui as pessoas ão à ig eja es idas de ama elo, e depois seguem
a p ocissão, le ando ou os símbolos do cul o a icano. Figs. 13, 14.
49 C . Bá ba a Balbuena, Las celeb aciones i uales es i as en la Regla de Ocha, (La Habana: Juan Ma inello,
2003).
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i uais e consag ados pa a es as ce imónias, que acompanham o dança ino e a é o es imulam
quando pe cebem que a ase do anse ainda p ecisa de se desen ol e mais. O dança ino em
anse é deixado sozinho no meio do cí culo dos iéis e dança em en e aos ambo es,
e e enciando-os, como se es i esse semp e a esponde a uma chamada. Ao inal da dança, o
dança ino é le ado pa a o qua o do san o, que a casa eligiosa semp e em, pa a descansa e
e oma o es ado no mal. Es e é o ipo de dança, di e en e em passos e ges os pa a cada
O icha, que az pa e do ocabulá io ge al ensinado nas escolas como dança adicional
olcló ica do ciclo Yo uba: inclui passos comuns pa a á ios O ishas, que são passos de
acompanhamen o de alguns i mos mui o epe idos du an e a li u gia, e alguns ges os e
passos de e minados que se em pa a ca ac e iza um O isha especí ico e pa a adap a os
ges os aos i mos ípicos ocados pa a ele. Den o da simbologia do O isha, cada passo em
um signi icado, ep esen a um conjun o de ações que de inem a unção da di indade ou
alguns episódios mí icos da sua ida que são elemb ados du an e a dança, enquan o
ca ac e ís icos do seu papel como ajuda pa a os se es humanos. Alguns passos simplesmen e
ep esen am-no em condições di e en es, como, po exemplo, aleg e ou zangado, e mos am
os di e en es caminhos, ou seja, as di e en es unções que o mesmo O isha pode e den o da
sociedade Yo uba. Se du an e a li u gia ge al os c en es pa icipam na dança quase odos com
os mesmos dois ou ês passos básicos, que cons i uem uma ma cação do i mo em g upo
mais do que uma dança no espaço, na pa e da homenagem ao san o e e uada pa a um no o
adep o, ou em ocasião de um “cumpleaño de san o”, emos mui o mais ca ác e pe o ma i o.
É opo uno salien a que o ca ác e pe o ma i o da dança de e se algo ligado à p esença de
uma en idade supe io , e e ela a exis ência de um espí i o que en a no co po do no o ilho,
comunica com o ambo espondendo às suas chamadas e ambém o desa ia mudando de
passo epen inamen e pa a pedi uma mudança de i mo.
Todas as danças a o-cubanas são, an o na pa e eligiosa como nas e en es mais
sociais como a Rumba, um diálogo com a pe cussão, em que o dança ino pode segui a
on ade dos ambo es ou ap oxima -se a eles e, com um passo especí ico, con oca uma
mudança ou uma epe ição de i mo. Os passos ípicos dos di e en es O ishas “mon ados”, ou
seja, dos baila inos em es ado de anse, são passos de signi icado simbólico mui o o e e
êm uma unção de e elação, de passagem de uma mensagem ou a é uma unção
auma ú gica ou de pu i icação. Ao ep esen a a his ó ia do O isha ou os episódios
mi ológicos da sua ida, de e iden e alo alegó ico, eles elemb am e a i mam os alo es da
comunidade, ep esen am as dinâmicas sociais e es imulam o espei o dos alo es comuns. A
o ça de uma possessão ep esen a a o ça do O isha, e es e não de e se con a iado: no
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momen o do anse, o dança ino não pode se ocado po ninguém, apenas pela sua mad inha
ou o pad inho se es i e em p esen es, po que se conside a que o co po da pessoa já pe ence
ao O isha. Em ge al, o público p esen e nos i uais é cons i uído po iéis: as pessoas
es anhas à eligião só podem pa icipa se o em con idadas po um memb o e com a
au o ização de quem ge e a casa de san o. Du an e oda a p imei a pa e des as ce imónias, os
p esen es dançam em conjun o os passos comuns a odas as di indades e sob e udo can am os
can os li ú gicos que são em língua Lucumí50, e que na am as ca ac e ís icas dos O ishas
in ocando-os pa a ajuda os c en es. A mi ologia do pan eão dos O ishas é ecolhida em
his ó ias, chamadas de Pa akines, ansmi idas desde há séculos como adição o al.
A dança dos O ishas é de eno me complexidade po causa da necessidade do
conhecimen o de odos os oques dos ambo es, de mui os can os e dos passos ap op iados
pa a cada um, pa a além da e iden e habilidade écnica necessá ia pa a uma luida execução
dos passos. Diz-se, no en an o, que um O isha mon ado az o baila ino, e que exis em casos
de pessoas comple amen e igno an es a espei o das danças, e incapazes de dança em
condições no mais, mas que no momen o do anse dançam com a maio compe ência.
Depois de á ios es udos eó icos e um acompanhamen o assíduo das danças em aulas e
i uais, pe cebemos, com a ajuda dos poucos ex os didá icos dedicados especi icamen e aos
passos das danças olcló icas51, que no momen o da decisão de ans e i pa a o palco as
danças adicionais eligiosas oi selecionado um epe ó io que e a adap ado ao espe áculo, e
que oi escolhido po meio da obse ação dos c en es no momen o das danças em es ado de
anse. A obse ação do san o na sua dança oi, po an o, a escolha pa a es abelece um i e
í mico e uma sequência de dança que pudesse ep esen a no palco a essência de cada O isha.
É necessá io sabe que, num i e li ú gico ão comp ido, as linhas de desen ol imen o da
sequência de i mos p opos as pelos ambo es pa a cada san o são a iadas, e a escolha de
alguns i mos implica a exclusão de ou os, po que a sequência en e eles é inculada a
i mos compa í eis em sequência um com o ou o. Dis o de i a que alguns i mos sejam
execu ados mais ezes e sejam mais conhecidos, e en e es es, a ní el do espe áculo, dá-se
com ce eza a p e e ência aos que dão a possibilidade ao baila ino de se exp essa de o ma
mais espe acula . Es es passos p incipalmen e são os que en a am no ocabulá io didá ico
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50 Lucumí ou Lukumí é o ocábolo u ilizado pa a de ini as pessoas do g upo é nico Yo uba, que p a icam a
eg a Lucumí. Há á ias opiniões sob e a possí el o igem do e mo, a mais c edí el pa ece se a que liga a
pala a Lucumí ao e mo Olukumi, saudação Yo uba que signi ica “meu amigo”, com que os esc a os
cos uma am chama -se en e eles. C . Geo ge B andon, San e ia om A ica o he New Wo ld. The dead sell
memo ies, (Blooming on: Indiana Uni e si y P ess, 1997), p. 56.
51G aciela Chao Ca bone o, El baile de y pa a los O ichas en el ambo de san o, (La Habana: Adagio, 2008).
Pa a mais po meno es ob e as di e en es simbologias e os elemen os i uais ligados às igu as dos O ishas eja-
se: Na ália Boli a : Los O ishas en Cuba. (La Habana: José Ma i, 2014).
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o necido nas ins i uições o iciais e que são ensinados a baila inos de qualque o mação
especializada, sejam eles de o igem eligiosa a o-cubana ou não. Es e ocabulá io comum a
pa i do inal dos anos 50 e po ob a, an es de algumas igu as isoladas, e depois pelos
o mado es escolhidos pelo plano educa i o da época e olucioná ia, oi le an ado e
ca alogado sis ema icamen e, e oi inalmen e incluído nos p og amas didá icos de ensino
a ís ico, cons i uindo uma linguagem básica do epe ó io ciné ico cul u al do país.
De ac o, sabemos que ambém há casos de pessoas que simulam o anse, e há casos
de baila inos que nas mani es ações eligiosas desen ol em danças exage adamen e
espe acula es, com ges os demasiado amplos ou en á icos que são c i icados no con ex o
i ual. O po quê des es di e en es acon ecimen os de i a da di e en e o mação que as pessoas
ecebem hoje em dia em elação à dança: que não é apenas um ins umen o do cul o, mas que
se o nou uma linguagem es é ica do meio pe o ma i o, e que nes e papel pode apa ece no
con ex o ce imonial. A c í ica a espei o des es episódios é pa a nós pa icula men e
in e essan e, a demons ação de que, mui as ezes, há uma eno me di e ença en e a
ci cuns ância o iginal e as danças assim como são ap esen adas na e en e escolás ica ou
pe o ma i a. Podemos usa como exemplo pa a escla ece es e pon o a dança do O isha
Changó, um dos mais impo an es do pan eão Yo uba. Changó é dono dos ambo es, senho
das danças, dos aios, dos o ões, é ca ac e izado po uma g ande o ça e i ilidade.52 A sua
dança é das mais icas do pan eão Yo uba, em mui os i mos di e en es e no palco pode-se
e o baila ino da g andes sal os e cambalho as. Is o udo cla amen e já acon eceu em
mani es ações ce imoniais mas nunca com equência. Numa ce imónia, es es mo imen os
ão e iden es se ão acompanhados po uma ca egada mímica acial e ou os sinais de que o
dança ino não p epa a os seus ges os, mas simplesmen e sen e alguma solici ação, que lhe
em dos ambo es ou de além. (Anexos, Fig. 15, 16) O ges o do momen o i ual em si é mais
denso, pene an e, o ges o em um pode imenso: diz imedia amen e algo e dila a-se no empo
e no espaço po que é espos a, é a i mação. O ges o au ên ico decla a uma exis ência, uma
iden idade, po isso emos nas danças i uais a o ça das pausas, que ambém são um
elemen o que e ela a g ande habilidade dos baila inos em palco.
A iden idade p o unda des as danças eside em passos básicos, a é p epa a ó ios, ou
em ges os mímicos e a é po ezes execu ados em posição es á ica: a impo ância des es
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
52 Assinala-se um ídeo sob e a celeb ação de Changó na Nigé ia em:
h ps://www.you ube.com/wa ch? =kLk DJd4xSI&sp eload=10 bem como um ilme nige iano sob e a igu a
de Changó: h ps://www.you ube.com/wa ch? =UDWcY2hzR7I&sp eload=10
Pa a obse a as danças dos O ishas aconselha-se h p://www.o ishaimage.com/blog/cuban-o isha-dance

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momen os é eno me po que aqui é que pe cebemos a e e i a p esença do baila ino na dança.
Ao e os ges os es aziados des a densidade e des a dimensão de i ência, o público do
con ex o i ual sen e-se pe an e uma aição, como se a dança pudesse se ansmi ida po
alguém que não seja o p óp io O isha. Is o e le e dois elemen os p incipais: p imei o, o
concei o de ensino ligado à cul u a a icana, onde no malmen e um con eúdo é ansmi ido
po “compa icipação”, i ência, p á ica, e não pelas ias didá icas ociden ais; e ambém, em
segunda ins ância, elemb a-nos a eno me dis inção en e as danças de alo mimé ico-
simbólico e danças de alo es é ico-pe o ma i o. A endência ge al das escolas ociden ais, e
que ambém se ia desen ol endo em Cuba nos anos 50, oi uma endência de cap u a do
elemen o simbólico pa a que es e osse ans o mado em elemen o es é ico, e se o nasse
a ação, elemen o exó ico. Is o oi o que se ins au ou nas p imei as ep esen ações públicas
das danças e oi o que se p ecisou de egulamen a pa a um co e o ensino das danças
olcló icas. Mui as ezes, os baila inos mais jo ens não conhecem senão de o ma
supe icial o mundo das eligiões a o-cubanas, e ap oximam-se a es as danças simplesmen e
po necessidade, que endo se baila inos de ou as disciplinas e encon ando es e ocabulá io
en e os elemen os ob iga ó ios da sua o mação.53 A di e enciação en e a dança no palco e
dança i ual nes e caso de i a da in odução de um p ocesso de eesc i a da dança adicional
e de es udo sis emá ico do olclo e que em a e não apenas com a iden i icação dos passos
mas com a análise do co po do baila ino. A ní el da écnica e composição, es a di e ença
de i a da conjunção de elemen os que de iam se o ce ne da dança do O isha e o uso des es
elemen os de clímax como ocabulá io co en e, ompendo assim a d ama icidade i ual pa a
aplica po cima do epe ó io adicional uma d ama icidade ea al que não unciona no
con ex o o iginal. É impo an e salien a ou ela a nas ce imónias ela i as à cul u a Yo uba,
que alguns g upos decidi am com o empo o ganiza espe áculos de ca ác e ea al mais
comple o, encenando algumas das lendas da mi ologia Yo uba, e ep esen ando alguns dos já
mencionados Pa akines, com di e en es O ishas a dança no palco ao mesmo empo e
ec iando his ó ias da mi ologia Yo uba. Nes es casos, os i mos dançados são no malmen e
os i mos p óp ios de um dos O ishas p esen es no palco, e os ou os jun am-se a es e pa a
da mais dinâmica ao espe áculo. Es e ipo de econs ução a ís ica em a qualidade de
ac esce ao conhecimen o do público sob e a cul u a Yo uba, e é um ipo de es a égia de
co eog a ia c iada a pa i do es udo das on es, po an o, apesa de cons i ui uma ob a de
icção, pode-se de ini con o me a uma e dade cul u al e en a numa ipologia de
econs ução ea al con o me à adição. Nos i uais ambém são ob iamen e homenageados
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
53 C Anexos: en e is a com Daisy Villalejo, e e uada en La Habana, 14 de se emb o de 2016.
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á ios O ishas de impo ância meno , cujas danças são mesmo conhecidas e mais simples,
mui as ezes de ca ác e apenas cole i o, e cujas músicas du am mui o pouco empo. Es es
O ichas não apa ecem nos espe áculos, e às ezes o p óp io conhecimen o dos i mos e das
danças é limi ado aos eais conhecedo es e g adualmen e ai-se pe dendo. Is o pode ia
depende do ac o de, apesa de aze pa e da mesma cul u a eligiosa, os di e en es po os de
e nia Yo uba celeb a em de p e e ência um O isha que e a ligado a uma de e minada á ea
geog á ica ou cidade, dando, po an o, a es e mais impo ância do que aos ou os. Pode se
en ão que os poucos O ishas hoje e e i amen e dançados sejam aqueles que no empo o am
man endo um cul o mais di uso en e os g upos ep esen ados na ilha.54
Danças do Ciclo Ban u-Congo
Ou a co en e eligiosa a o-cubana p esen e em Cuba é a do g upo e nolinguís ico Ban u-
Congo (Anexo Fig. 15), ep esen ada p incipalmen e pelas eligiões (ou Reg as) Palo Mon e,
B iyumba, Mayombe, Kimbisa: es as são denominações que os an igos p a ican es de am
pa a de ini as e en es di e en es que sob e i e am em Cuba e que aziam pa e da g ande
amília de cul os de inida no ge al “Regla Conga”. É cla o que hou e ambém uma usão dos
descenden es des es g upos com ou os g upos p esen es em Cuba, po isso mui os cul os
o am-se ans o mando, ou os desapa ecendo, ou os undindo-se mas mani es ando de
o ma p i ilegiada o ca ác e do mais o e. Os esc a os do g upo e nolinguís ico Ban u-
Congo, o iginá ios da zona do an igo eino do Congo – ao início da época colonial mui o
ex enso – o am os de mais an iga impo ação no no o con inen e no início do século XVI, e
cons i uí am uns dos g upos de maio in luência na o mação das es i idades cole i as
popula es.55 Es es esc a os p o inham dos a uais e i ó ios do Zai e, Gabão, República
Popula do Congo e Angola. 56 Os cul os a icanos de o igem congolesa es ão p esen es em
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
54 Segundo Na ália Boli a em Los O ishas em Cuba, os O ishas se iam 51, mas os que se dançam são apenas
11.
55 En e as mui as ob as de e e ência assinalam-se: Léo Bi emieux, La socié é sec è e des Bakhimba au
Mayombe, (B uxelles: G. Van Campenhou , 1936); F ançois Pelleg in, La lo e du Mayombe: d'ap ès les
écol es de M. Geo ges le Tes u (2éme pa ie), (Caen: Lanie , 1928); Jacques Sénéchal, Ma uka Kabala e F édé ic
Fou nie , Re ue des connaissances su le Mayombe : publicação pa a o p oje o PNUD/UNESCO, PRC/85/002
e PRC/88/003, (Pa is: UNESCO, 1989), pp. 47-68; e ambém o conhecido es udo sob e as e nias a icanas
chegadas ao B asil: Reginaldo P andi, Re e ências sociais das Religiões a o-b asilei as: sinc e ismo,
b anqueamen o, a icanização. Em Ca los Ca doso e Jé e son Bacela . Faces da adição a o-b asilei a:
eligiosidade, sinc e ismo, ea icanização, p á icas e apêu icas, e nobo ânica e comida. (Rio de Janei o:
Pallas, 2006), pp. 93-111.
56 Rómulo Lacha añe é diz que eles o am ca alogados no momen o de chegada a Cuba segundo o po o de
o igem, ou a zona de cap u a. En e os g upos ca alogados que pe encem à Regla Conga encon amos: “Angola,
Angunga, Banjela, Bi ongoyo, Bosongo, Cabinda, E on e a, Loango, Majumbo, Mo embo, Mumboma, Musoso,
Mumbola, Mongondo, Musundi, Muyaca, Vi i”. Relemb amos que es as não são de inições cien í icas e, aliás,
a iam mui o de au o pa a au o , sob e udo pa a cons a de ansc ições de e mos usados o almen e. Rómulo
Lacha añe é, El sis ema eligioso de los a ocubanos. (La Habana: Ed. Ciencias Sociales, 1992), p. 175.
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mui os países da Amé ica La ina, pa a além de Cuba encon am-se no B asil, onde são
ep esen ados com os nomes: Umbanda, Quimbanda e Candomblé do Congo, ou Angola
Candomblé. En e es es, a e en e mais p óxima ou Palo Mon e cubano é a Quimbanda. Na
Jamaica, nas Ilhas Vi gens e nas Bahamas, as eligiões de i adas des a o igem são chamadas
de i o Kumina do Congo; quando obse adas como cul o sem a pa e do i ual mágico es as
p á icas ecebem o nome de Obeah e pa ecem es ei amen e elacionadas com o Palo Mon e.
O Obeah, deixando de lado os aspe os li ú gicos e eológicos, é uma o ma de i ual mágico,
conhecido ambém como Hoodoo (ou Vodun, Vaudun, Voodoo, Vodou), pala a associada
ao concei o de má so e, conspi ação, mas que na língua ewe- on ódun signi ica espí i o57.
As simili udes en e odas as di e en es e en es de e-se ao ac o de que o cen o delas odas
es á en aizado nos i uais da zona en e Gana, Benin, Togo, Bu kina Faso, Nigé ia e eino do
Congo. A o igem da eligião de inida Palo-Mayombe pa ece localizá el na zona de Cabinda,
a ual e i ó io de Angola, onde ha ia um g ande me cado de esc a os. O nome Palo
signi ica essencialmen e á o e, e es a eligião como mui as ou as dá mui a impo ância aos
espí i os e às o ças da na u eza, sob e udo os que habi am as á o es. 58 O nome Mayombe
de i a da á ea geog á ica na cos a no e ociden al de Á ica, ocupada pelas baixas mon anhas
que se es endem da oz do io Congo, a sul, a é o io Kouilou-Nia i, a no e.59 Es a é a eg a
em que p edomina o cul o aos mo os, ou aos ances ais, que ajudam na p o eção dos i os e
no cump imen o das p eces deles, mesmo que es as consis am em pedidos pa a o mal de
ou as pessoas. A eg a Kimbisa é a que ep esen a maio es ligações com a ig eja ca ólica e o
espi i ismo, sob e udo os elemen os que o am in oduzidos em Cuba po And é Pe i no
século XIX60. Todo es e conjun o de eg as eligiosas do g upo Ban u-Congo baseia-se
essencialmen e na c ença numa en idade supe io chamada Nzambi (Nsambi ou
Sambiampungo), na qual se ac edi a que qualque elemen o na u al em a sua p óp ia ene gia
e é do ado de uma alma. Ac edi a-se num elemen o mágico: a nganga (ou p enda): a nganga é
uma ene gia, em Cuba de inida ambém com a pala a aché, e a sua unção é a de se uma
po a de comunicação en e dois mundos, o mundo dos homens e o dos espí i os. Es es
podem se espí i os de qualque ipo, de en idades desconhecidas e mui o pode osas ou de
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
57 O iz, El ea o de los neg os.pp. 392-439.
58 Es e nome ambém se e e e ao uso das amas das plan as pa a di e en es inalidades i uais e p á icas. Nes e
caso a nossa on e é G aciela Chao Ca bone o, no olume: Los bailes popula es adicionales cubanos, (La
Habana: 2005), p. 67. Os ou os li os de cul u a cubana não en am em po meno es sob e as ou as eg as que
não sejam Palo Mon e e Mayombe e Kimbisa.
59 Es a á ea inclui uma pa e da República Democ á ica do Congo, de Angola (Cabinda), da República do
Congo e do Gabão.
60 Lydia Cab e a, La Regla Kimbisa del san o C is o del Buen Viaje, (Guanabacoa: Ediciones Uni e sal, 1986).
Lydia Cab e a Reglas de Congo/ Palo Mon e Mayombe, (Guanabacoa: Ediciones Uni e sal, 2005).
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ances ais, que in e e em na ida dos i os. O con olo da nganga de e mina a possí el
in luência posi i a ou nega i a des a ene gia na ida das pessoas, e o con olo dos espí i os
exis en es à ol a dos homens é necessá io pa a es e cul o pa a pode alcança alguns
obje i os ou a as a ci cuns âncias indesejadas da p óp ia ida. A nganga é con ida num
ecipien e ou um po e onde se encon am uns elemen os na u ais, ais como ossos, elemen os
mine ais e ege ais que são pe iodicamen e alimen ados com o sangue de animais
sac i icados. Es a pa e dos i uais é oda ia sec e a, e só os sace do es, denominados Ta as,
podem es a p esen es nes a p epa ação. As ce imónias p a icadas no con ex o des a eligião
êm a inalidade de uma inco po ação de uma das pessoas pa icipan es no i ual po um
espí i o, es e chega pa a comunica com os p esen es ou pa a esol e p oblemas ou cu a
doenças. A maio ia dos conhecedo es des a eligião são, na ealidade, apenas p a ican es das
suas p á icas mágicas, e não se ap oximam de e dade ao âmbi o mís ico eligioso. É comum
que pessoas de cul u a e eligião Yo uba, in oduzidos e a i os p a ican es da eligião, sejam
ambém o ician es de p á icas de Palo, o que az com que hoje em dia as coisas es ejam mui o
mis u adas. Es a eligião unciona mui o po símbolos e po elemen os ligados à imagem
humana, an o do i o que é supos o se ajuda , como do mo o que en a em comunicação
com a pessoa que p ecisa de ajuda. Po is o, o Palo, ou cen o da o ça eligiosa, p esen e na
casa de um sace do e consis e num qua o especí ico ou num can o da casa, onde se ecolhem
elemen os como ossos, pedaços de peles, ou bonecas que ep oduzem igu as humanas,
algumas pa es de animais como co nos ou den es, e um ja o com cola es. Es as coisas êm
mui as ezes uma ligação com os espí i os dos ances ais do eligioso, ou os dos seus
pad inhos ou a ilhados. Nos Anexos, a Figu a18 ep esen a o qua o sag ado de um sace do e
pale o, com o al a pa a a en idade e ocada du an e os i uais. Podemos obse a que en e os
á ios obje os ali eunidos há mui as pequenas es á uas. Es as ep esen am a pa e mais
o iginal do cul o e são um elemen o comum a odas as c enças a o-cubanas e, em ge al, de
o igem a icana ociden al. Depois de uma p o unda obse ação e á ios es udos
compa a i os, chegamos à conclusão de que os O ishas da Nigé ia pode iam cons i ui
exa amen e o mesmo enómeno simbólico des as igu as, mas num es ado de pe soni icação e
ca ac e ização mais a ançado61 . Na cul u a Ban u, de qualque o ma, es as es á uas
conse am uma pa icula idade: elas são mui as ezes do adas de um u o ou um pequeno
espaço cônca o que em a unção de con e pós, e as ou líquidos, medicinais ou mágicos,
que se em ao espí i o ances al ep esen ado na es á ua pa a mani es a a sua ajuda. Es as
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
61 Pa ecem con i ma es a eo ia ainda algumas a i mações de Fe nando O iz: O iz, El ea o de Los neg os,
pp.167-266.
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isso em a dinâmica de uma chamada e espos a en e pe cussão e dança inos. No con ex o do
espe áculo no amos que os elemen os p incipais – mo imen os, posição co pó ea e
mo imen ação no espaço – obse ados na ce imónia de cajón de mue o es ão p esen es mas
es ão en iquecidos com mui os elemen os de ca ác e ipicamen e cenog á ico. Se, como
ap endemos do ex o de G aciela Chao Ca bone o70, as danças eligiosas anspos as em
con ex o de espe áculo azem a inspi ação dos passos execu ados pelos c en es no momen o
de possessão, podemos obse a que is o não é p op iamen e e dadei o em elação a es as
danças. O que obse amos em con ex o de espe áculo é mais ou menos a mimésis de uma
dança de g upo em que se ep esen am a conquis a e a de esa de um e i ó io e ambém uma
consequen e dispu a – en e dois ou mais indi íduos – pa a a i ma a sup emacia de alguns
elemen os no in e io do g upo. Es a pa e, sabemos hoje, pode de i a di e amen e da
obse ação e ep odução de alguns mo imen os da dança-lu a do Maní acima desc i o,71
coisa que ambém explica a p esença cons an e nos can os de Palo e da me á o a do galo e da
galinha: uma ez que no Maní o lu ado p incipal e a chamado de galo, e es a simbologia
ainda exis e nas danças a icanas de á ea ban u ligadas à lu a en e dois candida os ao luga
de che e de uma ibo, ou às danças de ap oximação en e homem e mulhe . A pa e sal ada
da dança, que nos i uais é mui o espo ádica, no espe áculo é quase con ínua; a pa e da lu a
en e dois gue ei os pode se ep esen ada po sal os dos baila inos um con a o ou o com
choques deles no a , ba endo um con a o ou o, pei o con a pei o. Os ou os mo imen os da
dança pa ecem de i a dos mo imen os obse ados no anse mas em posição ligei amen e
mais ele ada do onco e com sal os mais con ínuos e b aços usados de o ma mais ampla e
es icada, a imi a ambém o uso de ins umen os ou a mas. Podendo ago a compa a es es
elemen os, ensinados assim comummen e na Escola Nacional de A e de La Habana,
obse amos como es es elemen os co eog á icos co espondem a uma econs ução
in elec ual e didascálica de uma ideia da cul u a Ban u-Congo no seu complexo, mas que não
cons i uem uma econs ução e eelabo ação a pa i apenas dos elemen os obse ados nos
i uais. A p o esso a G aciela Chao Ca bone o diz-nos ainda que es as danças es ão há já
algum empo a a as a em-se do con ex o i ual, os cos umes o iginais ligados aos hábi os
ibais já se pe de am, e ambém se pe deu o hábi o do uso das másca as, mui as ezes
u ilizadas nos i uais de ep esen ação dos espí i os. Sabemos que, no passado, ainda o am
usados amplos ado nos de olhas, plumas e ib as e g andes cola es amule os e panos de
co es di e en es, mas podemos a ança a hipó ese de que es as pa es da adição es a am
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
70 G aciela Chao Ca bone o e Ba ba a Balbuena: Apun es pa a la enseñanza de las danzas cubanas, (La
Habana: Adágio, 2010).
71 Ve no a 29.

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ligadas não apenas à mís ica do g upo é nico mas sim a um conjun o de p á icas ibais que
não oi possí el eencena em Cuba e que, po an o, deixa am de aze sen ido no no o
con ex o. Temos de pensa que es as comunidades consegui am man e as p óp ias
hie a quias espi i uais mas pe de am os i uais ligados ao equilíb io social da comunidade,
que deixa am de aze sen ido numa sociedade onde eles e am apenas esc a os, e não inham
nenhuma impo ância social72.
Nes e sen ido, é in e essan e obse a como os p o esso es mais en ol idos na
eligião, como a p o esso a Jennisel Gala a Cal o, amosa po se eligiosa pa a além de
baila ina p o issional co eóg a a, ensinam sequências de passos bas an e mais simples, e
ligadas a ges os que ep esen am o aze -se espaço no luga , ou o uso de ins umen os e
a mas. Nas co eog a ias de espe áculo udo é ep esen ado com mais iolência e ene gia e o
alo na a i o-didascálico da dança desen ol e-se cada ez mais num plano supe icial que
não ep esen a o seu alo simbólico. Nas co eog a ias, os gi os são bas an e equen es, e os
mo imen os pa ecem aludi à p esença de uma espada ou um pau, coisas que ainda es ão
p esen es nas danças gue ei as Ban u, não de o ma explíci a, mas em alguns ges os
mimé icos de lu a ou abalho. A dança acompanha-se de g i os de ameaça no momen o em
que os passos a ançam de o ma mais di e a e ampla. No amos que à maio simplicidade
des es passos se associa uma linguagem simbólica especí ica como o ges o de aze um nó,
que apa ece mui as ezes an o em danças sociais aleg es como em danças mais gue ei as, e
que aqui é u ilizado como um ges o ameaçado e é execu ado com g ande o ça e p ecisão73.
Esse núcleo de ges os essenciais é, de ac o, o que nos pa ece mais ípico e au ên ico do
con ex o o iginal, e pe gun amo-nos qual oi a inspi ação e a in es igação de onde de i ou o
complexo sis ema de c iação co eog á ica hoje isí el. Pe cebemos o ca ác e de pesquisa do
esul ado hoje isí el nos palcos po causa de uns po meno es conhecidos ela i os à cul u a
Ban u: o p imei o é ligado ao ac o de que e econs ui um con ex o de lu a de ipo
e i o ial, que, com ce eza, não oi nunca necessá io desen ol e em Cuba, onde os
a icanos chega am já esc a izados e numa condição de submissão, e onde, pelo con á io,
sob e i e am danças de lu a especí icas (que a pa i do século XIX o am depois
de ini i amen e p oibidas), onde a unção da compe ição e a a de es abelece uma
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
72 Ao le as ob as de Vic o Tu ne sob e as ibos Ndembu, no amos imedia amen e como algumas obse ações
não podem se aplicadas aqui, sendo comple amen e ausen e o ipo de p á icas po ele obse adas: não emos em
Cuba nenhum ela o de p á icas de ci cuncisão nem de sob e i ência de hábi o de ma ilinhagem, o que de e e
mudado comple amen e e de o ma de ini i a a isão dos a odescenden es sob e a o dem social. C : Vic o
Tu ne . Flo es a de símbolos: aspec os do i ual ndembu. (Ni e ói: Ed. UFF, 2005).
73 O mesmo ges o é ainda obse á el nas danças adicionais angolanas, danças ec ea i as ou de ca na al. En e
es es podemos ci a po conhecimen o di e o o epe ó io do Balle adicional Kilandukilu, p esen e em Luanda,
Lisboa e Reci e.
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p oeminência no âmbi o social, in e no ao p óp io g upo, e não o de desa ia g upos inimigos.
Obse amos que a c iação co eog á ica co esponde, po an o, a uma ap endizagem eó ica
que en a jun a elemen os de i an es dos i uais exis en es com elemen os de danças de
ca ác e gue ei o, numa pe o mance espe acula que é, po si só, um exemplo de
sinc e ismo de á ias e en es des a adição que sob e i e am no no o con ex o.
As danças do ciclo A a á-Dahomey
Numa posição menos e iden e, mas ainda assim o almen e in eg an e do pa imónio
a o-cubano, es ão as danças de o igem A a á-Dahomey. A eg a A a á p o ém do sis ema
eligioso Ewe- ong de Ad as, uma á ea do Dahomey, a ual República do Benin. Com es e
nome o am de inidos os esc a os de e nias Fon e Mahi.74 Des es g upos exis i am pequenas
concen ações em oda a Cuba mas, hoje em dia, as mani es ações dos seus cul os podem se
encon adas apenas nas p o íncias de La Habana e Ma anzas, onde o cul o, esul ado da
anscul u ação das cul u as o iginais, ecebeu o nome de A a á. Hoje, na p o íncia de La
Habana não são isí eis mani es ações especí icas des e cul o, mas apenas algumas danças e
i mos que, com o empo, o am in oduzidos nas mais complexas ce imónias de San e ía
Yo uba (ou Regla de Ocha). Hou e, po an o, um o e sinc e ismo en e as duas cul u as e os
cul os au en icamen e A a á são hoje isí eis apenas na p o íncia de Ma anzas, e em
localidades especí icas, onde são execu ados po g upos ela i amen e pequenos.75 Apesa
dis o, as danças são ensinadas como elemen o olcló ico em odas as ins i uições nacionais,
ep esen ando um ipo de mo imen o especí ico di e en e das ou as e en es p esen es no
país. Em e mos de c ença eligiosa, podemos da in o mações pa ciais e apenas comuns às
di e en es ipologias des e cul o ão he mé ico76. Em Ma anzas, onde o cul o se conse ou
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
74 Uma g ande quan idade de esc a os des a egião o am en iados pa a a colónia ancesa de San o Domingo,
mas ainda sabemos da p esença deles na Venezuela e na Colômbia. Jesús Guanche, P ocesos e nos cul u ales,
(La Habana: Le as cubanas, 1996); 96. Miguel Acos a Saignes Vida de los escla os neg os en Venezuela, (La
Habana: Casa de las Amé icas, 1978), pp. 99-100; Nina S. De F iedemann, La saga del neg o: p esencia
a icana en Colombia, (Bogo á: San a Fé, 1993), p. 53. Jesús Guanche, especializado em e nias de o igem
a icana, na ob a P ocesos e nos cul u ales, dá-nos mais po meno es sob e es e g upo, que, na ealidade, pa ece
ecolhe di e en es po os do mesmo g upo é nico: “o po o on, ambém conhecido po agadja, djedji, o, ogni,
ongbe o onn, é iden i icá el em Cuba po di e en es denominações é nicas, quais a a á (a ada, a a a, a a a),
a a á abopá, a a á agicon, a a á qua o olhos, a a á cué ano, a a á dajomé e c. C . ambém Nicolas Ngou-Mwe,
El Á ica ban ú en la colonización de México (1595-1640), (Mad id: Consejo Supe io de In es igaciones
Cien í icas, 1994), pp. 65-83.
75 Pa ick Taylo e F ede ick Case, The encyclopedia o Ca ibbean eligions: Vol. 1: A - L; Vol. 2: M – Z,
(Champaign: Uni . Illinois P ess, 2012-2013).
76 En e os di e en es g upos sabemos da exis ência de: A a á Magino, Hahino (de i an e de Mahi); A a á
Sabalú (p o enien e de Sa ala, cidade no no e de Dahomey) e A a á Dahomey, es es di e en es g upos pa ecem
odos e uma ep esen ação na p o íncia de Ma anzas mas in elizmen e as di e enças cul u ais, e e en ualmen e
eligiosas, en e eles não o am ainda excla ecidas. A cul u a A a á é mui o he mé ica, a é Fe nando O iz, na
sua ob a Los bailes y el ea o de los neg os en el olklo e de Cuba, decla a não e conseguido obse a
di e amen e as ce imónias A a á e in es iga ap o undadamen e es es cul os. Podemos e uma ideia do sis ema
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mais pu o, podemos obse a o man imen o das di indades dahomeyanas o iginá ias e
ambém a p ese ação do cul o dos an epassados ou de un os (Ko okos) o uso da língua Ewe-
Fong nas ce imónias e a execução de músicas e danças i uais. É ú il obse a , como
escla ece Fe nando O iz, que em alguns sí ios a ob a limi ado a da ig eja ca ólica, e dos
donos de esc a os oi menos e icaz, e em elação a es as cul u as mais pequenas e
desp o egidas a sob e i ência cul u al p o a elmen e de e-se ao ipo de condições. Nas
azendas, ou plan ações, os i uais de cul o e am ge almen e p oibidos e pe mi idos apenas
algumas ezes po ano, os i uais es i os e am concedidos mais ezes, uma ez que as
ocasiões de socialização dos esc a os e am ambém um bom sis ema pa a alimen a o
c escimen o dos seus memb os, e po an o um indi e o sis ema de ganho pa a o dono. As
es as eligiosas começa am a e um ca ác e mais escondido, os cul os o am-se
sinc e izando com os cul os ca ólicos, e as danças in ensi icando-se, c iando ocasiões de
encon o que ouxessem menos suspei as en e os donos. Aníbal A guelles Mede os a i ma
que uma das ca ac e ís icas comuns en e as di e en es e en es da Regla A a á é a c ença na
exis ência de o ças sob ena u ais p esen es nos einos ege al, mine al e animal, e que des es
os se es humanos de em se i -se pa a ea i a ene gias, e i a in luências nega i as, ou
ambém p opicia aspi ações ela i as ao p óp io desen ol imen o espi i ual ou ma e ial. Os
c en es ac edi am na exis ência de ações e ce imónias que podem in luencia os e en os, po
isso é mui o o e o ca ác e mágico de algumas p á icas i uais. Mui as ezes, as c enças
baseiam-se num sis ema de p omessas aos oduns (as di indades) e a imposição de uns abus;
no caso des es se es des espei ados o c en e pode encon a -se em si uações des a o á eis ou
mesmo ne as as. Também na eg a A a á, como na eg a de Ocha, as di indades p incipais
são sinc e izadas com san os ca ólicos e exis e uma complexa mi ologia ica de lendas que
desc e em os di e en es ca ac e es dos di e en es oduns, ou oldunes77, e as ações deles. As
es i idades eligiosas p incipais des e cul o são as do Espí i o San o, em maio-junho, a do
deus Asojuano no dia 17 de dezemb o, e a do deus He ioso no dia 4 de dezemb o. Es as
di indades êm ambém, na quase o alidade dos casos, um co esponden e na cul u a de
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
de cul o no sen ido mais amplo, sabendo que o g upo Ewe-Fon é ep esen ado no sis ema de cul o udu
hai iano-dominicano, no cul o Jejé ou Xexé b asilei o, e na Regla A a á de Cuba, e que, po an o, as ecíp ocas
di e enças en e es es cul os podem cons i ui a ian es de uma mesma cul u a eligiosa. Apesa disso á ios
e nólogos a isam que o o e p ocesso de anscul u ação le ou a o mas de sinc e ismo eligioso ão complexas
que é, hoje em dia, mais ácil conside a os di e en es g upos eligiosos mais simila es en e eles do que e am na
sua o igem.
77 Es e é o nome u ilizado em Cuba pa a os se es equi alen es aos O ichas no âmbi o A a á. Voduns é o e mo
u ilizado no Hai i.
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Ocha, de e nia Yo uba.78 Segundo a Encyclopedia o Ca ibbean Religions, um dos pon os
cen ais da eligião A a á é o cul o dos de un os, ou dos an epassados, que cons i ui uma
manei a de man e um sis ema de alo es cons an e e uma o e iden idade de g upo. Eles
ac edi am que os de un os obse am a ida dos i os e podem in e i pa a ajuda ou pa a
puni , po isso é indispensá el man e um bom equilíb io en e a ida p esen e e a ida dos
ances ais. Po ou o lado, es e sis ema de cul o dos de un os acabou, como ambém na
eligião Yo uba, pa a da o igem a igu as mi ológicas que ep esen am uma mi i icação das
igu as de e e ências do clã amilia . Es e p incípio baseia-se na ideia que os espí i os
de un os podem-se ma e ializa em coisas animais e pessoas, é es e o p incípio pelo qual eles
podem ans o ma alguns elemen os ísicos em subs âncias mágicas, ou animais mágicos, e
podem, po meio do enómeno do anse, en a no co po dos c en es pa a se mani es a em.
Is o ambém explica o seu cul o pelos animais, e sob e udo nes e sen ido a cen alidade do
cul o da cob a: eles não conside am os animais em si mesmos como algo posi i o ou
nega i o, mas ac edi am na mani es ação das di indades po meio dos animais, e nes e caso
especi icamen e eles ac edi am no ca ác e di ino da mani es ação da cob a Maja de San a
Ma ia, um ipo de boa a bó ea de g ande dimensão mas comple amen e inócua p esen e em
Cuba. Po causa da p og essi a edução dos g upos de iéis, que são no malmen e memb os
das mesmas amílias, e po causa da hos ilidade da época e olucioná ia e colonial pelas
mani es ações eligiosas, o cul o oi-se concen ando em casas pa icula es, e hoje as casas de
cul o a i as são mui o poucas.79 Em cada casa a mani es ação p incipal é a comemo ação do
Golden (o mesmo e mo que p onunciado de ou a o ma se o nou Vaudun – Vudu), que
p o ege a casa e que nela é celeb ado. Du an e as ce imónias, a di indade é homenageada, é-
lhe o e ecida comida e podem se sac i icados animais. O sis ema de deuses do pan eão A a á
é di idido em g upos con o me as suas unções especí icas: há a é alguns eó icos que
a i mam que cada um deles ealmen e não ep esen a uma igu a indi idual, mas sim um
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
78 As di inidades p incipais são: Naná Bu ukú, um odun and ógino, de que de i a Mawu-Lisa, enca egada de
ealiza a c iação do mundo. Asojuano (ou Asojano), sinc e izado na ig eja ca ólica com São Láza o e na Reg a
de Ocha com Babalú Ayé, senho da e a, e das doenças. He ioso o Ge ioso, associado à san a ca ólica San a
Bá ba a, e a Changó na San e ía, dono dos o ões, do ogo e dos ambo es ba á. A a (ou Ju angó, Ju ajó)
dono dos caminos e sinc e izado na ig eja ca ólica com São Ped o. F eque e, senho a das águas salgadas
sinc e izada na eg a de Ocha com Yemayá e com a Vi gem da Regla Anamú, Mãe de odos os odunes; na
eg a de Ocha é Olokun, senho a da p o undidade do ma . Dañe o Addano, sinc e izada com San a Te esa de
Jesús ou a Vi gem da Candelá ia da ig eja ca ólica, e Oyá da eg a de Ocha,senho a dos en os e dos mo os.
Oloddeco, Achibi iki, associado ao Oggun da eg a de Ocha, senho dos me ais e associado ambém a São João
da ig eja ca ólica.
79 Um luga undamen al pa a a p ese ação da cul u a A a á encon a-se em Ag aman e, é chamado de “Casi a
de San Láza o”, é uma casa pa icula mas em a iqueza de um museu: aqui são p ese ados os ambo es, as
igu as di inas do cul o A a á, as bandei as dos an igos cabildos, o poço i ual e ou os elemen os ce imoniais.
C . Is ael Moline Cas añeda Los cabildos a ocubanos en Ma anzas, (Ma anzas: Ediciones Ma anzas, 2002).
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sis ema de igu as que são indicadas com o mesmo nome po que a endem à mesma unção.
Eles são di ididos em oldunes gua dianos, ou oldunes de p o eção, oldunes gue ei os, da
caça e da o dem, os da cu a e da medicina (que são conside ados impo ados pela cul u a
Yo uba,) os do ogo e dos ambo es, os das águas, os do amo e da so e (Masse ou Mase), da
mo e, os eis da paz ou eis das plan as. Os oldunes mais impo an es são os, assim di os,
eis, e es es são casais. Com a única exceção de um cabildo de nação a a á em Ma azanzas,
odos os ou os eis são ep esen ados po cob as; é-lhes o e ecido um qua o da casa sag ada
e nes e qua o as pessoas só podem en a com a cabeça cobe a e o co po o mais cobe o
possí el. Nes e qua o, deco ado em b anco e dou ado e com pequenos sinos pendu ados nas
pa edes, são-lhes azidos animais pa a o seu sus en o e são celeb ados i uais a eles
dedicados, de ca ác e comple amen e sec e o. Quando uma pessoa ecebe o espí i o do ei,
no enómeno do anse, es a pessoa é es ida de b anco e é-lhe dado um chico e ou um pau
ininho, com que es a oca ligei amen e os p esen es no cul o. Apesa da p esença des as
deidades, o cul o A a á, al como o Yo uba, é um cul o mono eís a, e es es deuses p o e o es
e conselhei os êm a unção de ajuda os homens a alcança uma condição de equilíb io e
bem-es a no mundo e pô-los em comunicação com a on ade de um único deus supe io . Um
cul o ainda mui o comple o e ainda p esen e em Cuba é o cul o mais an igo des a eligião, o
de Nana Bu uku, um cul o que pe ence à e nia Nago, e que en a, po isso, no pan eão A a á,
embo a es a deusa enha subido uma sinc e ização e exis a ambém na eligião Yo uba, onde
ep esen a uma das pe soni icações de Obba alá, ou, pa a alguns, da sua mãe. Ela pode se ,
no cul o A a á, ep esen ada po uma cob a ou um animal, e conside a-se que em um pode
auma ú gico.80
Exis e ainda, uma ou a exp essão de cul o mui o an iga, que não pe ence p op iamen e à
cul u a A a á mas que que emos menciona aqui po que pe ence a uma cul u a mui o
p óxima des a, que já quase desapa eceu comple amen e não apenas de Cuba mas de odo o
con inen e sul-ame icano. Es e cul o é conse ado apenas po uma amília em oda a Amé ica
La ina, é designado como cul o Gangá e a ce imónia que eles dedicam a São Láza o – ou
Babalu Ayé pelos Yo uba ou Asoyin pelos A a á – é celeb ada no seu dia, 17 de dezemb o
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80 Uma ou a ce imónia pública de g ande impo ância da cul u a A a á e a o i o une á io, hoje bas an e a o.
Es e i o não pa ece e sido ea alizado, e nós nunca i emos opo unidade de o obse a po isso não se á
possí el da aqui mais po meno es. Sob e a cul u a A a á encon am-se mais in o mações em: James F aze ,
The golden Bough: a s udy o magic and eligion, (London: Penguin, 1996). Veja-se ambém: Fe nando O iz,
Con apun eo cubano del abaco y del azúca ; Miguel Ba ne , A o-cuban eligions, (P ince on: Ma kus Wiene ,
2001). Guille mo Alonso And eu, Los A a as en cuba, (La Habana: Edi o ial de Ciencias Sociales, 1992).
Ma ía E. Vinueza: P esencia a a á en la música olcló ica de Ma anzas, (La Habana: Casa de las Ame icas,
1989).

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(Anexo, Fig. 21), e acon ecendo, po an o, apenas uma ez po ano.81 Es a amília com a
p ese ação do seu cul o o e ece-nos um exemplo de como, em Á ica, aldeias de di e en es
o igens é nicas, que pe enciam a cul u as eligiosas simila es, podiam, embo a endo cada
uma o seu elemen o de cul o p incipal, pa icipa em cul os comuns, en ando em ou os
i uais quando es es ossem sen idos como compa í eis.
A iqueza de i mos can os e danças exis en es é su p eenden e ao conside a o
núme o ão eduzido de cen os de cul o a i os. Os cen os ealmen e a i os são apenas
qua o, cada um com um diale o di e en e, can os e ins umen os di e en es e a é pad ões
í micos dis in os. Em ge al, nos i mos A a á a composição do pad ão dos sinos com os
ambo es é mais complicadas do que é, po exemplo, a in e ação da campana em me al usada
nos oques de San e ía – mui as ezes o esquema í mico do sino é mais complexo do que o
dos ambo es. Aqui, o núme o de ambo es é de ês a é cinco, e cada um é ocado po uma
pessoa, com as duas mãos e com uma o ça pe cussi a maio do que, po exemplo, é cos ume
usa nas es as mais animadas da San e ía – os Bembés –, e a es es ins umen os ainda se
podem ac escen a umas ma acas. Em e mos de dança as ce imónias A a á são mais
espon âneas do que as Yo uba, os dança inos dançam mais au onomamen e e en am e saem
da dança li emen e. O i ual ambém é mais ágil: exis e uma pa e que inclui apenas can os
mas não exis e uma li u gia de solos de ambo es; podemos obse a que as danças são
ambém menos icas em mímicas: os oldunes não são ão cla amen e ca ac e izados como os
O ishas, eles podem e passos especí icos mas são em meno núme o, e ambém a
in e p e ação pan omímica não é ão ca egada, não endo eles uma pe soni icação ão o e e
um ca ác e ão indi idualizado como na San e ía. Apesa dis o os oldunes êm os ecíp ocos
oques e ca ac e izações. Uma ca ac e ís ica das danças A a á é, ce amen e, um mo imen o
pe cussi o de cima pa a baixo da pa e supe io do o so, sob e udo dos omb os, b aços e
cabeça. As p incipais ce imónias públicas celeb adas nos cabildos são: a ce imónia pa a
He ioso e a ce imónia do i o une á io. Na adição Yo uba es e O isha – Babalu Ayé – em
uns passos especí icos que ep esen am a sua unção de indi íduo que ensinou o po o
dahomeyano a cul i a a e a pa a se alimen a e a usa as plan as pa a se cu a das doenças.
Toda ia, nes a ce imónia A a á oda ia emos es a igu a ep esen ada no papel apenas de
cu andei o, que oca os p esen es com o seu ins umen o e os abençoa, dando-lhes assim a
saúde. Es e elemen o é bas an e in e essan e po que emos como no inal a dança A a á
p a icada nas ce imónias é apenas um passo usado pa a a ança e ol a a ás ou ica no
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81 Ac escen amos aqui o link de um documen á io onde se ep esen a uma pa e des a es a:
h ps:// imeo.com/60288381
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luga , e o passo consis e apenas numa mudança de peso, o es o acon ece na pa e acima do
co po, onde de ac o se man ém a oscilação dos omb os e dos b aços. O ac o de es e se o
i o público p incipal é com ce eza ambém a azão pa a que haja um sinc e ismo com a
eligião Yo uba, os ou os oldunes não são ep esen ados equen emen e nos espe áculos
olcló icos, mas os seus passos especí icos são ensinados nas ins i uições a ís icas nacionais
e, de ac o, mesmo que eduzidos, odos eles êm odos uma simbologia p óp ia. Es e
ocabulá io en ou nos p og amas a ís icos dos g upos de a icionados, das companhias
olcló icas e da Escola Nacional de A e. Sob e udo nas companhias es e ma e ial oi
en iquecido pa a lhe da uma maio ep esen a i idade e se mais comp eensí el. Numa
en e is a, o baila ino e p o esso Se gio La inaga82, ex-solis a do Conjun o Folcló ico
Nacional de Cuba, explicando os ges os p esen es nas danças de Babalu Ayé, decla ou que
du an e a época de in es igação sob e as danças adicionais, logo depois da e olução, oi
ei o um le an amen o de odo o ma e ial o iginal ela i o às danças e aos espe i os i mos e
ce imónias, e o ges o mais ípico des e oldun e O isha – es ando ele p esen e an o na cul u a
Yo uba como na cul u a A a á – e a apenas um andamen o sincopado, di ecionado pa a a
e a, com a al e nância dos omb os pa a a en e que impulsiona am os b aços, sem a
p esença de ges os especí icos. Ele decla a que oi uma decisão do conjun o olcló ico,
po an o já em sede de abalho co eog á ico, a de ac escen a o mo imen o que se o nou
depois mais ípico des e O isha: o mo imen o da mão que i a umas semen es de um bolso
p eso ao lado da cin u a e semeia a e a, pa a ep esen a a ca ac e ís ica des e O isha que
di unde a ag icul u a. Se gio La inaga explica que, nes a al u a, um ges o ípico e o iginal
anspos o no palco ia esul a comple amen e incomp eensí el pa a a maio ia do público, po
isso ia-se en ando inc emen a o pode didá ico da dança e as imagens de iam se cla as e
ajuda em a econhece e a comp eende o alo das pe sonagens ep esen adas. Nes e
sen ido, a ep esen ação de alo es uni e sais passa a a e a mesma impo ância da
necessidade de c ia pe sonagens ep esen a i as das espe i as cul u as, po que du an e
mui o empo a he ança cul u al des es g upos mais pequenos inha icado escondida e
desconhecida, mesmo pa a ou os g upos é nicos de o igem a icana. Es a e a a si uação em
que as pessoas de o igem a icana se encon a am depois de uma longa época de censu a em
elação aos cul os a o-cubanos. Das ge ações de a odescenden es nascidas nes as épocas,
apenas os nascidos em casas di e amen e elacionadas com cul os e p á icas eligiosas
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82 Se gio An onio La inaga Mo ejon nasceu em 1967 em La Habana, começou a dança mui o jo em, e en ou
já em 1979 no g upo, "Los Mon u i os". G aduou-se em Educação Física e depois especializou-se em dança na
escola P o-A e que pe encia ao Balle Nacional de Cuba, em 1998 en ou no Conjun o Folcló ico Nacional de
Cuba, e em b e e se o nou baila ino solis a e depois co eóg a o.
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i e am alguma noção dos p óp ios cul os ances ais; em ou os casos, as c ianças nasciam à
somb a da cul u a ca ólica e da disc iminação cul u al e acial mais cas ado as, po es a
azão na época e olucioná ia mui as pessoas des a condição i e am de eap ende os
elemen os mais impo an es das p óp ias cul u as de o igem e a a e e e uma eno me
esponsabilidade nes e sen ido.83
As danças do ciclo A o-Hai iano em Cuba
As danças a o-hai ianas chegam a Cuba com a onda mig a ó ia p o ocada pela
e olução hai iana (1791-1804); a pa i des e momen o as ocas com Hai i e a inda de
mão-de-ob a da ilha az-se mais equen e. Pa a além das danças sociais que chegam a Cuba
– como Gaga, Me engue hai iano, Tumba ancesa e c. – exis e um epe ó io de danças
eligiosas, en e as quais assinalamos sob e udo o Vudu. Es e e mo é, na e dade, o nome
pa a iden i ica um conjun o de p á icas eligiosas do mesmo ipo mas que engloba aízes
é nicas e ce imónias di e en es. Sabemos hoje que na anscul u ação á ios cul os e i uais se
c uza am e di e en es elemen os an o de o igem congolesa como dahomeyana, pa ecem hoje
sinc e izados nes a cul u a. Mesmo que em núme o eduzido, no Hai i ambém se
encon a am ou as e nias, sob e udo da á ea geog á ica da Nigé ia, po isso cul os a é mui o
di e en es en e eles acaba am po sob e i e e undi -se. O esul ado oi, po ezes, a c iação
de o mas ce imoniais mis as e complexas, em que as di e en es danças e i mos inham
unções di e en es, ou simplesmen e seguiam o cul o p incipal como celeb ações es i as. A
adição anco-hai iana é mui o ica, e se ia aqui demasiado complexo desc e ê-la po in ei o
e econs ui as suas e apas. Mui os ainda se pe gun am se exis e, de ac o, uma elação de
iden idade en e as celeb ações e as c enças a o-hai ianas hoje p esen es em Cuba e as
p esen es no Hai i. Em alguns casos no amos uma sob eposição de i mos, i uais e c enças,
como po exemplo os dahomeyanos A a á e alguns cul os como o Gangá e o cul o de
Dwamballa84, nou os casos no amos ainda que alguns elemen os da cul u a congolesa ainda
se mani es am no Vudu hai iano e ainda es ão p esen es em Á ica, mas não es ão p esen es
da mesma o ma em Cuba, onde ce amen e o am desen ol idas mais as o mas
pe o ma i as ligadas à di e são, de ca ác e não eligioso, e que pa ecem ecolhe di e en es
he anças de danças ligadas a cul os da e ilidade. O sis ema do Vudu pa ece ambém ligado
à p esença de g upos de en idades espi i uais associadas po ca ac e ís icas ge ais e unção de
ajuda, e di ididas em casas, como já imos pelos A a ás. No âmbi o das ce imónias
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83 En e os á ios ídeos que ep esen am as danças adicionais ecomendamos o já ci ado:
h ps:// imeo.com/60288381
84 Dwamballa: cob a sag ada celeb ada an o pelos A a á-Dahomey como pelos hai ianos.
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p incipais emos po exemplo a dança Yan alou, dedicada ao deus Dwamballa: es a dança
ap esen a elemen os écnicos mui o simila es às danças Yo uba, sob e udo em e mos de
mo imen o do o so, mas não é p a icada em Cuba como o ma de dança au ónoma. Em
Cuba o mesmo mo imen o, de inido ecnicamen e de La igazo 85 , é inco po ado no
andamen o de alguns O ishas masculinos, mas não cons i ui uma dança po si só, coisa que se
e i ica no Hai i. Ou a dança mui o in e essan e é a dança Mais Zepol, que ambém não es á
p esen e em Cuba mas apenas no Hai i e aqui é dançada num momen o especí ico da
ce imónia: o momen o em que se que que o anse suba a é chega ao im. Es a dança é
ca ac e izada pelo mo imen o dos omb os de cima pa a baixo, de o ma pe cussi a e mui o
ápida, c iando um e ei o mui o simila ao que em Cuba podemos obse a nas danças A a á-
Dahomey, embo a com um i mo mais calmo. En e os ou os i mos a o-hai ianos,
obse ámos que o Gagá conse a elemen os mui o simila es ambém às danças es i as da
Yuka e da Macu a, mas não endo ele um ca ác e di e amen e ligado a uma ce imónia
eligiosa não amos aqui ap o unda a sua análise; podemos apenas a ança a hipó ese de que
enha so ido ele p óp io um p ocesso de secula ização. Também no que espei a às
ce imónias onde se podem obse a es as danças podemos dize mui o pouco. O Vudu oi, de
ac o, assimilado como o ma ce imonial apenas na egião o ien al de Cuba, e cons i ui um
enómeno mui o limi ado, an o socialmen e como geog a icamen e. A é a ní el de olclo e,
apesa de es e se ensinado em oda a ilha, ele é mais ep esen ado nes a egião e aqui a sua
execução em uma maio qualidade écnica e adesão à ealidade i ual. A pouca di ulgação
das p á icas ce imoniais anco-hai ianas de e-se, com ce eza, ao ac o dos i uais e em sido
man idos echados aos não c en es. Ainda hoje é mui o di ícil pode assis i às ce imónias e
is o o nou quase impossí el a c iação de ep esen ações pe o ma i as iéis a algum i ual
ainda exis en e. En e as danças hoje ep esen adas em Cuba, como danças do ciclo anco-
hai iano, o Vudu é a única de ca ác e i ual, e podemos obse a nela os elemen os que ainda
cons i uem uma pa e impo an e das ce imónias: como a dança Yan alou ou o Mais Zepol,
que já mencionámos acima mas que aqui não ap esen am uma execução complexa e
p olongada. Es as di e en es pa es do i ual hai iano em Cuba en am numa espécie de
conjun o co eog á ico único de inido com o e mo de Vudu: que pa ece uma composição,
uma assemblage, onde os di e en es i mos ce imoniais são b e emen e ep esen ados pelos
passos ca ac e ís icos de cada um e podem segui -se numa única co eog a ia. A imp essão é
que a econs ução c iada em Cuba seja mais uma ez a econs ução de um conhecimen o
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
85 Es e e mo é usado á ias ezes pa a desc e e o mo imen o ondulado do o so nas danças a o-cubanas do
ciclo Yo uba na ob a de G aciela Chao Ca bone o, El baile pa a los O ishas en el ambo de san o, (La Habana,
Adagio, 2008).
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O papel de Rami o Gue a
Rami o Gue a (Fig. 23) nasceu em La Habana em 1922, e oi baila ino, co eóg a o,
undado e di e o da p imei a companhia de dança mode na de Cuba. Começou o es udo da
dança clássica du an e os anos da uni e sidade, em La Habana, onde conseguiu a licencia u a
em Di ei o. Começou o es udo das danças na escola P o A e Musical, com Albe o Alonso,
i mão de Fe nando Alonso, conside ado, jun amen e com a sua esposa Alicia Alonso, mes e
dos mes es do balle clássico em Cuba. A segui con inuou o es udo do balle com a
p o esso a ussa Nina Ve chinina, que o o ien ou pa a o início da sua ca ei a de baila ino e
que o pôs em con ac o com o Balle s Russes do Co onel W. de Basil, de e minando o começo
da sua ca ei a. Com a companhia, Rami o Gue a es e e á ias ezes em dig essão no B asil
e nos Es ados Unidos, a é e decidido, chegando a New Yo k, deixa a companhia e ica
nes a cidade. Aqui e e conhecimen o da o mação de um mo imen o de angua da que
es a a a começa a sua a i idade chamado de “Mode n Dance” (Dança Mode na), e e e a
possibilidade de começa a o ma -se com os pionei os des e no o es ilo, com Do is
Humph ey na écnica chamada Humph ey-Weidman, com José Limon e com Ma ha G aham,
na escola des a, onde conseguiu es uda com uma bolsa ob ida g aças à mesma Ma ha
G aham, e onde ele decla ou e ecebido a mais comple a o mação como baila ino mode no.
Ficou nos Es ados Unidos a é 1950, quando, po p oblemas com o seu is o, oi ob igado a
ol a pa a Cuba, onde ele decidiu ab i um caminho pa a es a disciplina ainda inexis en e.
Aqui começou a dedica -se à o mação de jo ens, escolhendo alguns baila inos de caba e e
ambém alguns jo ens sem nenhuma o mação em dança. T abalhando com eles, começou a
desen ol e umas obse ações especí icas, es udando as ca ac e ís icas ísicas e ciné icas do
cubano, e econhecendo nele algumas ca ac e ís icas ípicas e peculia es. Ele obse ou que
ha ia uma g ande di e ença en e o mo imen o do cubano e o do no e-ame icano: o p imei o
e a mais sinuoso e ondula ó io, o segundo inha uma ciné ica mais ígida e exa a na
composição de linhas, mais di ecionada pa a mo imen os linea es e cons an es. Es a
obse ação de e minou o su gi do in e esse pa a a in es igação ciné ica e a pedagógica da
dança, bem como pa a a in es igação cul u al: começou a es uda as ob as de Fe nando O iz,
e a acompanha as ce imónias eligiosas onde se p a ica am i os eligiosos icos em ma e ial
musical, mimé ico-ges ual e de dança, e onde ele encon ou a o igem cul u al do po o cubano,
po na u eza mes iço, e ap endeu a sua cul u a, as suas lendas e mi ologia, sendo inspi ado
pela iqueza des e ma e ial iconog á ico. Em 1953 iajou pa a Espanha e ali undou com
Os aldo P ade es y Dume o g upo D ama-Danza, abalhando em á ias ob as de inspi ação
mi ológica, a ís ica e li e á ia. Es e ipo de abalho inspi ou-o pa a c iações de ma e ial

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nacional cubano, c iando uma isão a ís ica já in ei amen e uni á ia e c ioula que, a é àquele
momen o não inha ido ep esen ação. Em 1956 o nou-se di e o do Tea o Expe imen al de
Danza, sob o con i e da Escola de Balle de Alicia Alonso, e em 1957 undou o G upo
Nacional de Danza Mode na, an es de, em 1959, se elei o di e o e co eóg a o do
depa amen o de dança mode na do Tea o Nacional de Cuba. Es a p imei a e apa da sua ida,
que se desen ol eu in ei amen e an es da e olução, já mons a a consolidação das bases
écnicas, e in elec uais que de e mina ão a sua manei a de ep esen a o ho izon e cul u al
cubano na dança e no ea o. Mui o cedo, Rami o Gue a comp eendeu que ambém e a
undamen al acompanha o seu abalho com uma ob a de explicação e desc ição das suas
ideias pa a o público, e começou a colabo a com a e is a P ome eo, a p imei a e is a
cubana que se ocupou de es udos ea ais. Pa a além de esc e e ex os seus, começou, em
pa alelo, uma ob a de adução de ex os sob e dança e ea o que lhe chega am do
es angei o, que ele solici a a pa a a sua p óp ia o mação, e que ago a usa a ambém pa a
ins ui o público sob e as no as endências da a e. Ao chega a e olução, es a base já
es a a o mada, e sob e udo es e núcleo o e de baila inos e pedagogos, ep esen ado po
Rami o Gue a, Fe nando Alonso e Alicia Alonso, inha já pos o as bases pa a a colocação da
dança num e i ó io de desen ol imen o p i ilegiado. Rami o Gue a in oduziu na dança
oda a música cubana que i esse possibilidade de se dançada, e encomendou mui o ma e ial
inédi o aos composi o es, assim es es ambém começa am a con ibui di e amen e pa a o
desen ol imen o da dança, que se oi o nando um concei o a ís ico semp e mais comple o,
e Cuba desen ol eu-se, o nando-se o p imei o país da Amé ica La ina a in oduzi a dança
con empo ânea no seu âmbi o cul u al.94 O p imei o esul ado da polí ica e olucioná ia de
acesso li e à cul u a e à educação oi a c iação do Tea o Nacional de Cuba, em 1959,
seguida pela undação do Conselho da Cul u a, que se enca egou de o ganiza e di undi a
a i idade cul u al pa a odo o país.95 Com a c iação do Tea o Nacional ambém se o mou a
p imei a Companhia Nacional de Dança Mode na,96 pa a a qual Rami o Gue a con a ou 30
in é p e es, 10 b ancos, 10 mula os e 10 neg os, mui os deles sem expe iência nenhuma, com
o p opósi o, pa a além da p odução a ís ica, de con inua os seus es udos do mo imen o e a
sua in es igação sob e a cul u a cubana97 (Anexo 7). Es e abalho de análise e a pa a Rami o
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
94 Jo ge B ooks, “Gue a semp e en la danza” em La Ji ibilla, (La Habana, 4-10 Ago. 2012).
h p://www.epoca2.laji ibilla.cu/2012/n587_08/587_15.h ml
95 Ca olina Rie a Sanz, Rami o Gue a, baila ín co eog á o y maes o, Tese de Especilização em Dança,
Faculdad de A e, Uni e sidad de Chile - San iago, 2012, p.24.
96 Ibidem.
97 Não exis indo an es dis o nenhuma escola de Dança Mode na, somen e a Escola de Balle , os baila inos
chega am de ambien es mui o di e en es, alguns inham do balle , ou os do meio olcló ico, mui os dos
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61!
Gue a o elemen o mais impo an e, e al ez enha o nado a al a de linguagem écnica
comum dos seus baila inos uma iqueza pa a pode cons ui do ze o, sob e o ma e ial ísico
à disposição. Na o mação pa a os baila inos, Rami o Gue a jun ou os elemen os que
conside a a imp escindí eis pa a o desempenho a ís ico necessá io à execução das danças
que ele que ia encena : p imei o a educação pa a a au odisciplina e o abalho cole i o,
depois a o mação em música e can o, a base do que ele chamou de psicologia- ea al e
ambém de ap eciação das a es. Ele usa a elemen os mo i acionais i ados da ap eciação de
ob as de a e de á ios ipos e ambém azia secções de e lexão e c iação a pa i de
p oblemas psicológicos da pe sonalidade, es imula a o pensamen o in elec ual e a pesquisa
sob e emas á ios e ópicos desen ol idos em di e en es meios cul u ais. Pa a ele a
o mação dos baila inos es u u a a-se em ês pon os de is a undamen ais: o ísico, o
in elec ual e mo al e a pe sonalidade a ís ica. Pa a o desen ol imen o do abalho ísico ele
baseou-se mui o no ma e ial exis en e nas cul u as a o-cubanas, en ando undi es e ipo de
base ciné ica com as écnicas que domina a e que inha ap endido ao longo da sua ca ei a.
Ele inha pe cebido que o co po em um egis o, uma base sin á ica, e que o que ap eende se
ins au a nes e egis o como um ocabulá io. Na c iação do egis o undamen al de um co po
cons ói-se um ipo de baila ino, quan o mais ico é o egis o sin á ico de base mais pode
semân ico o baila ino pode á alcança com o abalho écnico. Ao longo des e complexo
abalho de o mação ele lançou-se ambém numa ob a de educação do público, c iando umas
p imei as ob as baseadas nos elemen os mi ológicos e cul u ais au óc ones dos po os
cubanos e aduzindo as emá icas i uais e adicionais em emas adap ados ao palco nacional.
Es e abalho, pa a além da écnica especí ica de sob eposição do ma e ial adicional com a
écnica mode na ociden al, implica a a ein e p e ação dos elemen os mi ológicos a o-
cubanos numa pe spe i a mais ab angen e e uni e sal, coisa que o na a os emas a ados
mais in eligí eis e ap os a um público he e ogéneo, e ao mesmo empo ap oxima a o público
cubano de uma linguagem de dança comple amen e no a. A sua p imei a ob a pa a o Tea o
Nacional de Cuba oi Sui e Yo uba98 (Anexos, Fig. 27), que se e elou um sucesso de público
e c í ica, que econhece am nela “a cubanía mais e dadei a e a ecolha de oda a mais
o iginal adição a icana e c ioula exp essa numa o ma mode na e uni e sal”99. Pa a além
da con ibuição co eog á ica e eó ica sob e a pedagogia da dança e as ca ac e ís icas do
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espe áculos de caba e s, e mui os não inham expe iência nenhuma. Os poucos p o esso es exis en es ensina am
cada um o pouco que conheciam, e ainda não ha ia uma écnica única que pudesse seque ajuda a pe cebe o
que e a a Dança Mode na.
98 Um agmen o de Sui e Yo uba pode se is o em: h ps://www.you ube.com/wa ch? =Y5nJ33eCyQI
99 Semana io Lunes de Re olución, La Habana, Cuba 1960 ci ado em Rie a Sanz, Rami o Gue a, 2012, p. 29.
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mo imen o cubano, Rami o Gue a desen ol eu ambém um abalho que pode íamos de ini
de e noa ís ico pa a além de e noan opológico, no sen ido em que c iou concei os no os que
se e ela am undamen ais não apenas pa a a desc ição de con ex os sociais-a ís icos
especí icos, mas ambém pa a a de inição das espe i as modalidades pe o ma i as. Es es
concei os cons i uem hoje um ma e ial p ecioso sob e o desen ol imen o da cul u a a ís ica
em Cuba.100
No âmbi o do desen ol imen o do enómeno olcló ico, ele de ine qua o e apas:
- P imei amen e, c iou a de inição de oco olcló ico: uma exp essão com que de ine a
mani es ação do olclo e no seu luga o iginal, no momen o em que ainda é ap esen ado
ligado a um i o, a uma ci cuns ância ec ea i a, ou a uma adição ou hábi o social;
- A segui , de iniu como p ojeção olcló ica as mani es ações do olclo e que cons i uem
uma ep odução o mal dos seus elemen os – as músicas e as danças, os emas li e á ios ou
a ís icos - mas o a do con ex o o iginal, po an o num meio independen e do con ex o
cul u al, do sí io e da ci cuns ância o iginalmen e associá eis à sua signi icação. Podemos
imagina como p ojeções olcló icas as aulas de danças i uais ou ambém uma ep odução
delas em con ex o p i ado, du an e es as ou euniões não ligadas a ce imoniais;
- Também in oduziu a ca ego ia de ea alização olcló ica, en endendo po es e e mo um
abalho écnico e especializado que desen ol e e en a iza, com o uso de es ilizações e
ecnicismos, as mani es ações olcló icas, man endo os elemen os ípicos e econhecí eis
como adicionais, e man endo-se nos limi es des es, sem de o ma o con eúdo de pa ida mas
dando p io idade ao espe áculo ea al;
- Po im, de iniu um qua o ní el: o da c iação a ís ica de inspi ação olcló ica. Nes e
ní el, o a is a manipula a adição olcló ica con o me o seu conhecimen o, o seu gos o e a
sua in e p e ação pessoal. Nes e âmbi o exis em oda a libe dade e as licenças po que o a is a
já es á a a ua eno ando os pad ões adicionais.101
Es as de inições são de eno me impo ância, e de am uma di eção mui o cla a ao
desen ol imen o das danças de o igem a icana em Cuba, um desen ol imen o conscien e
que al ou a ou os países e a é à p óp ia Á ica, onde a mis u a indisc iminada de elemen os
e i mos le ou po ezes à impossibilidade de p ese a algumas adições e à pe ca de
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
100 Rami o Gue a, Tea alización del olklo e y o os ensayos, (La Habana: Ed. Le as Cubanas,1989). Li o
que inclui cinco ex os esc i os ao longo da década de 1980, baseados na longa expe iência no Conjun o
Folcló ico Nacional e na Dança Nacional de Cuba.
101 Gue a, Tea alización del olklo e , pp.5-8.
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o mas a ís icas o iginais, com a co esponden e pe ca de in o mação sob e as espe i as
cul u as. O es o ço me odológico e epis emológico ep esen ado pela ob a eó ica de Rami o
Gue a em conjun o com a ob a co eog á ica ab i am o caminho pa a uma consciencialização
do p ocesso pe o ma i o como mani es ação iden i á ia signi ica i a, e ei indica am pa a as
o mas a ís icas a se iedade e o espei o necessá ios pa a a p o eção des as do
desapa ecimen o e da ans o mação a bi á ia. As o mas écnicas que Rami o Gue a
p i ilegiou na sua linguagem cénica i e am uma g ande in luência em odo o con inen e
ame icano e mais além, a é onde chegou a sua ob a. Ele sabia econhece o alo da adição,
e sabia decidi se e quando ep esen á-la, ci á-la, ou apenas o u ilizá-la como inspi ação, mas
semp e es udou a é ao im os seus signi icados pa a pode ep oduzi-los com linguagens
cénicas di e en es (Anexos, Figs. 26-29). Es es elemen os azem com que as suas ob as
enham semp e sido conside adas ep esen a i as da cul u a cubana mesmo nos momen os de
maio ino ação.
A impo ância da sua ob a pode se comp eendida a pa i das conside ações de
Vic o Tu ne em elação ao alo do i ual na sociedade Ndembu: “Em cada ipo de i ual
Ndembu um g upo ou ca ego ia di e en e ans o ma-se no elemen o social em oco”102 e,
ainda, Robe o Da Ma a de ende no seu li o Ca na ais maland os e He óis que di e en es
aspe os e alo es da ida social são acei es, e in eg ados no concei o de no malidade social,
a a és de di e en es p ocessos i uais103. Ao que e cons ui uma espécie de diálogo
simbólico en e a mi ologia a o-cubana e a mi ologia clássica ociden al, Gue a coloca a
ins an aneamen e a cul u a a o-cubana num plano in elec ual ele ado e so is icado, e isso
não apenas de o ma es ilís ica mas ambém espi i ual. Re ela a complexa mi ologia a o-
cubana da a aos po os que de i a am des a o igem um es a u o de ci ilização e mo al que
a é es e momen o não lhe inham sido econhecidos, e es abelecia ambém uma legi imidade
à mo al de o igem a icana e a sua o ganização social. O elemen o es é ico e a apenas a pon a
de um icebe gue, que unciona a pa a cap u a com a p óp ia beleza e elegância que nunca se
e ia deixado con ence po concei os e pala as. Po es a azão, Rami o Gue a, embo a de
o ma po ezes p o oca ó ia, semp e en ou salien a a ligação com o elemen o mís ico-
mi ológico, a é ao pon o de, no amoso documen á io exis en e sob e a p imei a mise-en-
scène do Conjun o Folcló ico Nacional, ep esen a a mi ologia Yo uba na sua sinc e ização
com a mi ologia ca ólica: o e ecendo-nos uma ep esen ação a ís ica da San e ía de eno me
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
102 Vic o Tu ne , Flo es a dos símbolos: aspec os do i ual Ndembu, (1967), (Ni e ói: Ed. UFF, 2005), p.49.
103 Robe o Da Ma a, Ca na ais maland os e he óis. Po uma sociologia do dilema b asilei o, (Rio de Janei o:
Zaha , 1979).
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o ça e oca i a. Nes e documen á io, a O isha Yemaya que sai das amplas es es da Vi gem
de Regla, é po si só uma ep esen ação iconog á ica da sob e i ência de um símbolo
eligioso escondido nou o.104 A obse ação de Rami o Gue a do enómeno i ual oi mui o
a en a e comple a, o que lhe pe mi iu sin e iza os elemen os o mais p esen es na plena
consciência do legado mo al e cul u al que os ges os e os símbolos aziam com eles; des a
o ma, a sua u ilização do elemen o o mal nunca chegou a se azia de signi icado.
A pa i das o os dos espe áculos mais ecen es (Anexos, Figs. 28-29) podemos ainda
obse a a in enção de Rami o Gue a de le a a linguagem das danças cubanas a é um ní el
de so is icação écnica ap o pa a a cons ução de espe áculos au óc ones que pudessem
cons i ui uma e isi ação dos g andes emas mi ológicos da adição g ega, e, po an o, de
pode in oduzi a co po eidade e a mís ica a o-cubana num implíci o diálogo en e sis emas
cosmogónicos di e en es. É o caso, po exemplo, da peça O eo an illano, onde o mi o g ego
e a econs uido em ambien e cubano, c iando uma usão musical en e as músicas de Pie e
Hen y, i mos Yo uba e músicas de compa sa san iague a, ainda com a p esença em cena de
um co o que, como na adição g ega, acompanha a as ações com can os e danças (Anexo 8).
A sua in luência não se limi ou oda ia a aça es e ilho de consciência ino ado a, sendo
al ez o seu maio apo e o e e elado uma manei a semió ico-e nológica de abo da a
dança: que pa ia da obse ação da linguagem co pó ea p óp ia da comunidade cubana, e que
ele en ou alo iza comple ando-a com a c iação de um sis ema o ma i o pensado ad hoc
pa a as suas ca ac e ís icas, ísicas e psico ísicas. G aças à sua isão hoje em Cuba emos um
dos mais excelen es exemplos de pedagogia pa a baila inos p o issionais.
Gue a u ilizou a posição semi ígida e pseudop imi i a dos b aços p esen e na
écnica G aham (Anexos, Figs. 24, 25) undindo-a com di e en es inspi ações numa
linguagem su p eenden e pela sua cla eza e o ganicidade. Ele simpli icou as linhas le es do
Balle , en ando econduzi-las a o mas mais p imi i as, mas ambém mais aé eas e
alongadas, que combinam a sensação de es abilidade com uma espacialidade e dinâmica
comple amen e no as. A écnica de espi ação G aham oi ambém cons an emen e u ilizada
pa a a c iação dos exe cícios de aquecimen o no solo, em que es a se libe a da sua unção
es é ica pa a se me amen e um ecu so écnico que pe mi e e i a peso à pa e supe io do
co po e da -lhe, ao mesmo empo, sua idade e consis ência. Des a o ma, Gue a conseguia
consciencializa o baila ino cubano ace ca da sub ileza do mo imen o ondula ó io do o so e
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
104 O documen á io do Tea o Nacional de Cuba de José Massip, “His ó ia de un balle ”, ealizado em 1962, es á
disponí el em: h ps://www.you ube.com/wa ch? =yQVcd_e oZA

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o seu encaixe com a bacia, a cha e da ligação des es ou da ecíp oca independência, mas ao
aze isso ele conseguia ambém comunica , con o me a di eção ocacional do baila ino,
quando es a necessidade inha de esul a na es é ica do mo imen o ou quando es e ecu so
inha apenas de cons i ui uma e amen a écnica, e a ondulação do o so inha de assumi
um alo semân ico di e en e. Rami o Gue a e le ia sob e es es po meno es pa a di e encia
os es ilos e p opo modalidades de espi ação que con ibuíam pa a echa , ab i ou sincopa
o mo imen o, e, po an o, c ia a ian es mais o es, e p óximas da linguagem asse i a de
algumas danças de o igem a icana.
Na b e e biog a ia a ís ica p esen e no li o Fe nando Alonso, su idea io
pedagógico,105 salien a-se que Rami o Gue a oi an o o undado do Conjun o Nacional de
Dança Con empo ânea, em 1959, como ambém um dos undado es do Conjun o Folcló ico
Nacional e que os seus es udos cons i uem a base pa a a c iação do es ilo da a ual dança
cubana. Es e elemen o é mui o signi ica i o, sob e udo ao conside a que Rami o Gue a não
e a de o igem neg a e e a de cla a o mação clássica, numa época em que uma ní ida
dis inção acial ainda exis ia em âmbi o a ís ico e social. A e olução impulsionou uma
g ande mudança social que e e e lexo nas a es, pela in luência de uma no a exigência
polí ica, que es imula a a c iação de um no o modelo social. Também as no as polí icas
a ís icas p ecisa am de um esul ado écnico de excelência que só podia se a ingido com
expe iência écnica de al o ní el, sem di e enças de co ou de o igem. Toda ia, es a mudança
não se ealiza ia de o ma ácil nem imedia a. Com a undação do Conjun o Folcló ico
Nacional, a didá ica que Gue a inha cons uído, e ainda es a a cons an emen e a
implemen a na Companhia Nacional de Dança Con empo ânea, passou ambém pa a a no a
ins i uição e a sua me odologia em b e e se espalhou pelos an igos p o esso es, passando a
se pa a es es uma e e ência (Anexo 9). Fe nando Alonso decla a que o seu p óp io concei o
de aula de dança engloba os cinco p incípios undamen ais da didá ica enunciados po
Rami o Gue a, hoje já assimilados em oda a pedagogia ins i ucional cubana:
1) Ca ác e cien í ico do ensino: o aluno em de es a em condições de ep oduzi
exa amen e o que o p o esso explica, po isso es e em de usa qualque ecu so possí el
pa a da exa idão e de alhe à explicação e demos ação, usando noções de ana omia,
isiologia e psicologia; a es es elemen os de e á ac escen a noções de his ó ia da a e pa a
que enha uma ideia de como udo se baseia no mais ge al concei o de cul u a, e possa ele
mesmo da alo a es e elemen o.
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105 Ma len Mo eno Lan igua, Fe nando Alonso. Su ideá io pedagógico, (Camaguey: Edi o ia Ácana, 2015).
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2) Sis ema ização da in o mação: o aspe o educa i o, ou de o mação cogni i a e
in elec ual do aluno é de ex ema impo ância, po isso qualque assun o no o de e basea -se
em algo já conhecido, a in o mação no a em de se di idida em pa es, e udo em de se
epe ido inúme as ezes pa a pode se assimilado de o ma comple a, a é se au oma izado.
3) Ligação en e eo ia e p á ica: a eo ia em de es a semp e p esen e na p á ica, de
o ma que es a se o ne conscien e e não uma me a ep odução mecânica. Es e p ocesso
men al em de se o na ão habi ual que se ans o me em algo mui o ápido, p odu o de uma
memó ia in e io do baila ino, que de e e in e io izado as bases undamen ais da écnica de
dança.
4) Coope ação c iado a en e alunos e p o esso : is o implica um abalho de di eção da
pa e do p o esso , um abalho conscien e da pa e do aluno e uma coope ação dos dois ao
longo do abalho de c iação.
5) Comp eensibilidade: a cla eza de e semp e ca ac e iza a ansmissão de qualque
con eúdo, e aze com que a in o mação es eja semp e a se melho ada e en iquecida106
Es es elemen os esul am de uma mode nidade chocan e pa a a década de 50 e pa a o
con ex o cubano, sendo aplicados a qualque ipo de dança ensinada em Cuba, da mesma
o ma e com o mesmo ní el de exigência, mesmo quando os alunos e am pessoas
comple amen e inexpe ien es.
Ainda um elemen o que que emos salien a é o concei o de o igem do mo imen o ou
de cen o mo o , com que Rami o Gue a en ou explica uma das noções mais di íceis de
exempli ica no ensino das danças de o igem a icana. O cen o mo o no mo imen o
a icano não é muscula e não é ex e no, 80% dos mo imen os nes es códigos ciné icos são
esiduais: é a mani es ação de um impulso in isí el e in e no, neu omuscula . Os
mo imen os nascem na muscula u a in e na e po isso são mui o luidos e le es, e di íceis de
alcança po imi ação. A le eza do co po ambém é ob ida po um sis ema de cons an e
con ação de sis emas muscula es opos os que i a o peso da pe i e ia do co po, p ocu ando
le a o abalho pa a o cen o da es u u a, na sua o al es abilidade. Po meio da c iação de
imagens conce uais de mo imen os do cen o do co po pa a o in ini o, ou do in ini o pa a o
in e io do co po, ele conseguiu despe a es e concei o nos baila inos de o ma ins in i a,
pa a o ná-lo execu á el a qualque ní el de o mação, c iando depois um conhecimen o mais
conscien e dos concei os psicomo o es a i ados. Es a manei a de obse a e espei a a
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
106 Mo eno Lan igua, 2015, pp. 48-51.
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na u al exp essi idade cul u al do po o, e a necessidade de c ia medidas especí icas de
educação pa a ais condições, le ou à possibilidade de ob e um núme o mui o maio de
nuances ep esen a i as pa a o mesmo ocabulá io ges ual, bem como a um maio
desen ol imen o do ca ác e pe o ma i o. A a i idade pe o ma i a no ensino cubano é
abo dada como habilidade cogni i a especí ica, e como modalidade in elec ual: em que a
emoção, a consciência e a écnica coexis em de o ma luida e são exe ci adas em sine gia a
pa i da idade in an il. Ao lado do nome de Rami o Gue a ou imos ambém á ias ezes o
nome dos p imei os p o esso es das ins i uições de ensino, mui os deles es angei os, e só
depois soubemos que eles inham sido azidos pa a Cuba pelos p óp ios Fe nando Alonso,
Alicia Alonso e Rami o Gue a, e que o nece am os códigos de ansmissão de odo o
ma e ial de o igem i ual de descendência a icana que já elencámos no capí ulo an e io , e
que a é es e momen o nunca inha sido ensinado de o ma o ganizada.
O es udo des e pe cu so e elou que a é a undação da ins i uição mais adicional de
ensino e de abalho co eog á ico sob e as danças popula es adicionais em Cuba – o
Conjun o Folcló ico – inha “passado po co pos alheios”: inha sido il ada po meio de um
igo oso abalho écnico e po compe ências impo adas; con inuando num p ocesso de
in e ida mas cons an e anscul u ação. Alguns dos elemen os selecionados po Rami o
Gue a ga an i am a o mação écnica dos maio es baila inos olcló icos, o necendo
p ima iamen e écnicas de abalho co eog á ico, me odologia de ensino, écnica de abalho
de dissociação, in e p e ação e c i é ios es é icos de ap eciação da a e que e am di ecionados
pa a ob e um p odu o que es i esse ao ní el dos maio es palcos do mundo.
Os elemen os sob e os quais se unda a ob a de Rami o Gue a, como jus amen e no a
Jeo ge B ooks107, e le em os elemen os undamen ais do domínio dos es udos cul u ais: a
ap oximação an opológica ao obje o; a conside ação da cul u a ambém como p á ica e
como símbolo da ida quo idiana; a eo ia semió ica dinâmica e a eo ia da esis ência e
hegemonia.108 Es es elemen os cons i uem o ca ác e e olucioná io da ob a de Rami o
Gue a: abo da a dança como obje o an opológico em p ocesso, abalhá-lo no seu
dinamismo, p o egendo ao mesmo empo a sua iden idade e, ainda, ac edi a na exis ência e
de esa de uma semió ica dinâmica, que o na os co pos ob as cul u ais, agen es e p odu os de
uma ação de esis ência ao a anço de uma cul u a hegemónica.
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107 B ooks, “Gue a semp e en la danza”, 2012.
108 B ooks, ao menciona es es undamen os dos es udos cul u ais, az e e ência a An onio A iño Villa oya,
Sociología de la Cul u a. La cons i ución simbólica de la sociedad (Ba celona: Edi o ial A iel S.A., 1987), p.
188.
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Conclusões
A dança eligiosa pa a o público
“Cuando los dioses se deciden a baja de
sus al a es pa a pone se a baila con
los homb es es que, indudablemen e,
algo de mucha impo ancia es á sucediendo.”
Rami o Gue a
Pa a conclui es e p imei o es udo sob e a ansposição pa a o palco das danças
eligiosas a icanas em Cuba, que emos aqui expo algumas conside ações ge ais.
Do pon o de is a me odológico, o nosso ma e ial c í ico de pa ida oi p ima iamen e
baseado, po um lado, na lei u a de au o es especializados em danças locais, an opólogos
cubanos que se in e essa am pelo assun o e que p ocu a am o ganiza e ca aloga a
documen ação exis en e, e, po ou o lado, em lei u as no âmbi o dos es udos cul u ais.
Ma e ial es e que pe mi iu cons ui uma pe spe i a analí ica sob e a cul u a a icana na
diáspo a109. Pa indo des a abo dagem, o nosso p oblema oi o ganiza o ma e ial e encon a
um luga pa a o que pa ecia es a o a de sí io, ou que, de algum modo, não encaixa a ou não
inha uma explicação cla a. A é hoje, a pesquisa e nológica desen ol ida no âmbi o da dança
é exígua; os eó icos que en a am sis ema iza o ma e ial exis en e – já numa época mais
ecen e – desen ol e am ob as de ca ác e essencialmen e compila ó io e di ulga i o, sem
p eenche algumas alhas ou escla ece algumas elações en e elemen os que apa eciam de
o ma nebulosa. Des e modo, a dis ância empo al en e nós, obse ado es, e os “ azedo es”
das ce imónias o iginais o nou-se um a o incon o ná el. Po ou o lado, os ex os
an opológicos exis en es sob e es as cul u as es ão ge almen e ligados às c enças, não se
encon ando mui as desc ições das danças, das músicas, dos i uais, nem das dinâmicas a eles
ine en es; ou, pelo menos, o que se oi encon ando não oi mais do que um conjun o de
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
109 Algumas e e ências de base nes e âmbi o são: S ua Hall, The ques ion o cul u al iden i y. In: Hall, Da id
Held, An hony Mc G ew (eds), Mode ni y and i s u u es (Camb idge: Poli y P ess, 1992), pp. 274-316; S ua
Hall, Rep esen a ion: cul u al ep esen a ions and signi ying p ac ices (London: SAGE, 1997); Paul Gill oy,
The black A lan ic: Mode ni y and double consciousness (London: Ve so, 1993); A e empi e: mul icul u e o
pos colonial melancholia (London: Rou ledge, 2004); e ambém: Bill Ashc o , Ga e h G i i hs, e Helen Ti in,
The pos -colonial s udies eade (London: Rou ledge, 1995); Paul Gill oy, T ade ou es: his o y and geog aphy
(Johannesbu g: 2nd Johannesbu g Biennale, 1997), pp. 23-26; Paul Gil oy, Exe (o )cising powe : black bodies
in he black public sphe e. In: Thomas, Helen (ed), Dance in he ci y (London: Palg a e Macmillan, 1997), pp.
21-34.
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alcança uma exa idão de mo imen o sem qualque con ação, mas man endo o co po
elaxado, quase passi o. Es a é ambém a maio di e ença em e mos de qualidade de
mo imen o que podemos obse a . Compa ando, po exemplo, o es ilo dos g upos olcló icos
com o dos g upos de caba e ou de dança mode na ace aos mesmos mo imen os, a écnica
es é ica ociden al e ela uma execução conscien e do mo imen o, que é limpo e a inge o seu
máximo – o seu clímax es é ico –, enquan o a écnica a icana do mo imen o de o igem i ual
implica o máximo esul ado com o mínimo es o ço e com a o al in isibilidade da a i idade
neu omuscula . Nas danças a o-cubanas des e con ex o, o mo imen o é in e no e, na maio
pa e, apa ece como mo imen o esidual, ou seja, como consequência de uma causa in e na,
que pode se encon ada numa in enção, numa emoção, num desequilíb io, ou numa
in e e ência do es ado ene gé ico. É bas an e di ícil ala do desen ol imen o de um código
a ís ico em cons an e mu ação, e ainda po cima execu ado po g upos, cuja iden idade
a ís ica é semp e sujei a a mu ação, mas, apesa dis o e da na u al agilidade e luidez
iden i á ia de um conjun o des e géne o, podemos dize que a endência que p e aleceu ao
longo dos anos e que se o nou mais isí el na Eu opa oi uma endência comple amen e
es e izan e e ecnicis a, onde a espe acula ização es a a em p imei o plano. Não obs an e,
emos hoje dois enómenos em desen ol imen o ápido e ambos, po azões di e en es,
pa ecem apon a no amen e pa a o ca ác e i ual não apenas des as danças, mas da dança em
ge al, na sua condição exis encial e epis emológica. Es es dois enómenos aduzem-se, po
um lado, no su gimen o de um público in e essado no i ual e na expe iência da dança como
elemen o de me amo ose e, po ou o lado, no c escimen o de um géne o de dança
con empo ânea que abalha a ansc ição es é ica das sensações do anse – des a condição
de p esença de ou a coisa no p óp io co po – e da ep esen ação da dança como saída do se
dos p óp ios con ins, men ais, senso iais e psíquicos. Es e caso aqui mencionado é bem
ep esen ado pelo abalho com que ab imos es e es udo, com as ob as da co eóg a a Rosá io
Ca denas, cujo mo imen o é esquizo enicamen e passi o em e mos de qualidade ciné ica e,
ao mesmo empo, in elec ualizado, ep esen a i o, na a i o e simbólico.
De ac o, nos úl imos 20/30 anos, em i ude de uma maio ole ância do go e no
cubano ace às mani es ações eligiosas, os cul os a o-cubanos c esce am eno memen e,
sendo cada ez maio o núme o de iéis e simpa izan es que se in e essam pela cul u a a o-
cubana e pelas suas p á icas eligiosas. No mundo in ei o as pessoas êm e isi ado es as
danças e a beleza dos seus ges os, conhecidos na sua exp essão mais poé ica e ea al, e icam
ligadas à sua adição, encon ando nes a um luga p o egido, uma dimensão in e média que

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ul apassa os limi es da humanidade, ap oximando-as de um concei o de di indade
ab angen e e na u al.
Apesa de o nosso abalho não e desen ol ido qualque o ma de pesquisa nes e sen ido, e
não e po an o qualque au o idade pa a exp imi juízos nes e âmbi o, que emos salien a
alguma p oximidade en e as pe o mances i uais obse adas no con ex o cubano e as
dinâmicas i uais es udadas po Vic o Tu ne , bem como a possibilidade de elaciona os
concei os de “limina ” e “liminoide”, in oduzidos po A nold Van Gennep112 e e omados
po Tu ne em elação às p á icas i uais e ea ais, com o con ex o des e es udo.
No caso de Cuba, emos a possibilidade de obse a as di e en es ases de desen ol imen o
do i ual: ha endo ainda danças incluídas em i uais es u u ados, como os ambo es de san o
ou Guemile es, onde o momen o pe o ma i o não é um momen o lúdico e sepa ado da
ce imónia, mas ambém emos a p esença de momen os de danças lúdicas, como a Rumba,
que se ap esen am de o ma sequencial aos momen os ce imoniais, e elando o ca ác e
“liminoide” des as mani es ações, que sabemos ep oduzi em uma sequência ípica da
celeb ação i ual p esen e já no con ex o a icano. Podemos dize que, como a i ma Tu ne na
ob a F om i ual o hea e113, e como igualmen e salien ado no olume The i ual p ocess114,
ambém no caso de Cuba o c escimen o das o mas pe o ma i as de e asão e socialização se
ap esen a a pa do desen ol imen o da sociedade na sua dinâmica mais u bana e, de alguma
o ma, sai da es u u a ígida do i ual pa a en a numa es u u a que não é in e ida, mas,
sim, descons uída e eo ganizada à ol a dos seus elemen os ca ac e izan es. Des a o ma,
po exemplo, os símbolos que podemos econhece na Macu a – uma dança ce imonial de pa ,
e que es á em ias de desapa ece – são já econhecí eis na o ma mais simila des a dança
mas de ca ác e p o ano, a Yuka, que lhe é mui as ezes associada nas ep esen ações. A
Rumba apa ece como he ança das duas, mas incluindo já mui os mais elemen os simbólicos
de i an es de um núme o maio de danças que se o am jun ando ao longo do empo. No
en an o, pa a além do ca ác e limina e “liminoide” de alguns i uais pe o ma i os, em Cuba,
como apon ado an e io men e, ambém econhecemos o su gimen o de uma no a i ualidade
ligada à ep esen ação do i o. Um momen o de celeb ação da cul u a que acaba po he da a
se iedade an o no con ex o simbólico- eligioso como no con ex o da execução a ís ica
p o issional. Não podemos, de ac o, esquece que a g ande impo ância dada às a es
olcló icas pela polí ica e olucioná ia, po um lado, deu um eno me impulso à e i alização
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
112 A nold Van Gennep, Ri es de passage (Pa is: Édi ions A. e J. Pica d, 1981).
113 Vic o Tu ne , F om i ual o hea e. The human se iousness o play (New Yo k: PAJ, 1982).
114 Vic o Tu ne , The i ual p ocess (New Yo k: Co nell Pape backs, 1991).
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des as úl imas; po ou o lado, do pon o de is a das dinâmicas an opológico-pe o ma i as,
con ibuiu pa a uma sepa ação en e a dança como pe o mance a ís ica e a dança como
momen o i ual, ou como bem de ine Tu ne : como abalho sag ado e abalho p o ano115.
De alguma o ma, a impo ância que o p og ama e olucioná io deu à ins ução a ís ica, a
conside ação da dedicação o al à a e como um alo mo al e a é o ca ác e de a as amen o,
que, de ce o modo, de i ou da colocação das es u u as de o mação ag upadas en e elas e
a as adas do cen o da cidade, em conjun o com uma ida p o issional que le a os a is as
pa a o a da igidez das eg as sociais do país, de am azo a uma mi i icação do palco que se
sob epõe ao alo mí ico do con eúdo ep esen ado116. Nes e con ex o, es a ep esen ação
he da ainda os alo es de uma sac alidade da pe o mance pelo seu ca ác e de umb al, de
po a de comunicação en e o eal e o simbólico. O espe áculo é nes e con ex o um ipo de
es u u a simbólica de emulação, que pa ece pode se de inida a a és da ca ego ia que
Tu ne desc e e como pseudolimina e que se e e e ao uni e so limina na es u u a dos seus
alo es, sem os muda , e que, po an o, con ibui de alguma o ma pa a a sua di ulgação.
Assim, é al ez na u al que o i ual exis en e es eja a pe de o ça no momen o em que a
sociedade muda e ou as o mas de i ualização começam a eme gi , no momen o em que a
a e em si, como p ocesso sepa ado, já é is a não como um abalho espi i ual mas como
uma ocação de na u eza quase anscenden e117.
Não podemos ap o unda aqui um ema que nos le a ia mui o além do obje o des e
es udo, mas que emos sublinha como o âmbi o da Semiologia Compa ada, de ac o, nos dá a
possibilidade, embo a com odas as di iculdades ine en es a um es udo de espec o
absolu amen e as o, de econhece o alo dos símbolos nos con ex os o iginais e de le
compa a i amen e sis emas análogos em sociedades passadas e p esen es que ainda se
encon am em elação. Es e es udo e e desde o início es e sen imen o: a on ade de segui
um E lebnis, uma iagem en e expe iências, que não de iam se ela adas de o ma exa a,
como um sujei o es á ico e echado, mas que de iam se desc i as com oda a complexidade
dos e en os i os e em ans o mação, com o p óp io alo de he ança de p ocessos
an e io es e an ecipação de u u as e oluções.
Na iagem ep esen ada po es a in es igação c uzámo-nos mui as ezes com a
manei a “a icana” de ansmi i es a sabedo ia: com uma manei a descon iada na o ma de
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
115 Tu ne , F om i ual o hea e, pp. 30-31.
116 No seu li o Ri es de passage, Van Gennep desc e e ês ases que se iam comuns a odos os p ocessos
i uais de passagem, e que são a sepa ação, a ansição e a inco po ação. Es as ases i uais podem se
econhecidas no p ocesso de ca ei a a ís ica ligado à p o issão da dança no país.
117 Tu ne , F om i ual o hea e, p. 39.
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nos obse a em e o e mos de mos a o que sabíamos an es de me ece mos as espos as.
Ap endemos a ala p imei o pa a conquis a mos a c edibilidade necessá ia pa a o mula
pe gun as, e ap endemos a ecebe como espos a a pa ilha da expe iência, o se mos le ados
pela mão à descobe a sem e elações. É es a a manei a como es as ob as alam
e dadei amen e: sem explica mas impondo uma manei a de e .
Es e ipo de comunicação pode se o maio p oblema ao longo de uma in es igação cien í ica
des a na u eza, como pode ambém se a o igem de uma g ande ap endizagem: uma ez que a
pe spe i a dos in o man es, que po ezes podemos julga subje i a e in undada, em uma
lógica subconscien e, ou que eles não conseguem e baliza , mas na qual con iam, e na qual
ambém nós p ecisamos de con ia , pa a descons ui a nossa pe spe i a. Es a o ma de
sabedo ia oi-nos ansmi ida de uma manei a o iginal: assim como se le am as pessoas nas
danças do Ca na al, nas Compa sas, no meio da mul idão, pa a elas ap ende em a
acompanha o balanço an es de ep oduzi os passos, deixando que sejam os ou os co pos
em mo imen o a conduzi-las, assim nos le a am, nos deixámo le a , a é quase ecea a pe da
da nossa lógica, gua dando o nosso olha acional como ese a, po que pe cebemos que e a
is o que al a a à isão do in es igado : da espaço à expe iência do co po, po in ei o; com a
espe ança, depois, de consegui ansmi i o seu ela o e o ná-lo comp eensí el às ou as
pessoas.
As duas ob as com que ab imos es e es udo êm ambas es e alo : o ac o de se em
ob as não didascálicas, nem pa a u is as, que não explicam nada, que não o necem uma
p epa ação mas an es a expe iência di e a de uma i ência, e po isso as elemb amos aqui,
sendo que ainda as achamos ep esen a i as de uma manei a con empo ânea e inspi ada de
aze a e com o ma e ial olcló ico. Es as ob as azem-nos me gulha num uni e so que nos
inunda sem explicação, num uni e so de símbolos de complexa descodi icação, mas que,
mesmo nos momen os de incomp eensão, nos conseguem comunica a na u eza mís ica de
uma ealidade que ainda es á à p ocu a da sua o ma, uma o ma a ís ica que, segundo as
pala as de Vic o Tu ne , o ne es e uni e so de símbolos numa “sabedo ia comunicá el118”.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
118 Tu ne , F om i ual o hea e, pp. 20-50.
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Van Gennep, A nold. The i es o passage. Chicago: Uni e si y o Chicago, 1960.
Vinueza, Ma ía E. P esencia A a á en la música olcló ica de Ma anzas, La Habana:
Casa de Las Ame icas, 1989.
Zúñiga Po uondo, Olga, San iago de Cuba. Los colonos anceses y el omen o
ca e ale o, (1798-1809), San iago de Cuba: Ed. O ien e, 1992.
!
ii!
Eu opa o que se ê mais é es e es ilo de espe áculo, em odas as academias o que p e alece é uma
es ilização das danças, e não o ca ác e o iginal, a alo ização do con ex o. E is o elemb a mesmo o
es ilo do Caba e . Os baila inos são o mados a a és do ensino dos passos o iginais, mas depois o
hábi o de abalha o ca ác e co eog á ico az com que se p a ique e se encene apenas es e egis o.
É o que es á na moda.
Em Cuba odos os baila inos ap endem odos os es ilos. Os de Balle ambém es udam
Con empo âneo e Folclo e, bem como os de Folclo e ambém es udam Balle e Con empo âneo, po
exemplo. Em Cuba exis e a ualmen e o que nos denominamos sis ema de ensino a ís ico, com ês
ní eis: elemen a , in e médio e supe io . Es e exis e sob e udo no âmbi o das especialidades de
Música, de Balle clássico e de Dança, e po Dança en endemos Mode na con empo ânea e
Folcló ica, po que es ão unidas, ou seja, es ão numa só escola. A Clássica é numa escola bem
sepa ada. Em Música emos odos os ins umen os que se es udam, ins umen os de co das, me ais,
pe cussão, udo, e is o ambém es á di idido nos seus ês ní eis. Exis e ambém a especialidade de
Tea o, que em apenas os ní eis médio e supe io , onde os alunos se p epa am pa a se em a o es,
encenado es. Têm aulas p á icas, e no ní el supe io azem d ama u gia, p epa am-se pa a abalha
a esc i a ea al e odas es as coisas… Depois êm o ensino das A es plás icas, Pin u a e Escul u a,
que se desen ol em nas escolas de ní el médio a é ao supe io . Po an o, no ní el elemen a do
sis ema de ensino a ís ico encon amos odas as especialidades de Música, Balle clássico e Dança.
No nosso sis ema, quando en as na escola dão- e a escola idade, ou seja, a o mação ge al que az
qualque c iança em odos os países: Espanhol, His ó ia, Ma emá ica, odas es as coisas, Geog a ia,
udo o que se dá no ní el p imá io, e dão-se ambém as disciplinas da especialização. Que dize , o
plano global le a as duas coisas, an o a ma é ia de o mação ge al como as disciplinas de
especialização. Pa a Balle e pa a Dança eles de em e acabado o qua o g au de escola idade,
po an o en am ge almen e com oi o ou no e anos de idade, e po an o começam com o quin o g au.
Depois azem o sex o g au, e aqui é que e mina o ensino p imá io. E con inuam depois ali no
mesmo sí io pa a os g aus sé imo, oi a o e nono. Es a escola é comple amen e g a ui a e é associada
à o mação no mal das c ianças. Nes es cinco anos eles es udam, pa alelamen e ao cu so no mal, as
disciplinas da especialização: no caso de Dança mode na e Folclo e êm écnica de dança, Dança
olcló ica, écnica de Balle , ap eciação da dança, educação musical, pa a ap ende os elemen os
musicais undamen ais pa a um baila ino. Ou seja, há á ias cadei as. Ago a, es as escolas p imá ias
exis em quase em odas as ca o ze p o íncias… ago a não e posso da os dados exa os mas exis e
mesmo em quase odas as p o íncias pelo menos uma des as escolas de ní el elemen a , que
ambém são de inidas ocacionais. Pa a en a nes as escolas exis e uma p o a de ing esso, is o ale
pa a o ensino especializado, não é su icien e que uma c iança quei a en a , ela de e passa a p o a
de ing esso. Es a p o a é baseada na sua ap idão, na sua capacidade ísica, mo o a – elas icidade,
coo denação, sen ido do i mo –, oda uma sé ie de p o as que se azem pa a sabe que a c iança
es á p edispos a pa a es a ap endizagem e a acompanha es e ipo de ensino. Ago a, pa a en a no
ní el médio, que chamamos de médio supe io , há um es e de ing esso ambém, o passa de ní el.
Nem odas as c ianças que es udam no ní el elemen a passam logo pa a o ní el médio, az-se uma
seleção. Po an o, há qua o escolas de ní el médio em odo o país: em La Habana, em San a Cla a,
em San iago de Cuba e em Guan ánamo. Po an o, a escola de La Habana ai ecebe es udan es não
apenas de La Habana, mas ambém de Pinal del Rio, de Ma anzas, da Isla de la Ju en ud, ecebe um
pouco po cada egião. O mesmo acon ece na de San a Cla a, que ecebe á os de Cien uegos de

!
iii!
Sanc i Spi i us, de Las Tunas. E assim igualmen e unciona pa a as o ien ais. A pa i de aqui em
um plano de es udos de ês anos, de qua o anos na e dade. T ês anos den o da escola e o úl imo
ano é e dadei amen e uma inse ção numa companhia, es e ano se e de p á ica: chama-se de
p á ica p é-p o issional. Já quando eles e minam ecebem um diploma como p o issionais, com
18/19 anos, que é a idade a pa i da qual podem i abalha , em Cuba, a idade que o es ado
es abelece como o icial pa a pode abalha : de e-se e 18 anos pa a abalha . Ago a, pa a es es,
que es ão no ní el médio, diminui-se um bocado a ca ga das Ciências e in ensi ica-se um bocado
mais a pa e das Le as, po que caso con á io se ia demasiado, o ensino p é-uni e si á io é mui o
pesado, e assim adequa-se o p og ama pa a es es es udan es e en a iza-se sob e udo a o mação em
Le as, ambém êm ma emá ica mas azem es as cadei as com menos exigências. Es es jo ens
licenciados já podem en a numa companhia pa a dança ou podem se já p o esso es de Dança
numa escola p imá ia. Ago a, a ní el supe io . Pa a e acesso ao ní el supe io uma pessoa em de
se g aduada no ní el médio-p o issional, e há duas o mas: o cu so egula diu no, que acon ece
na u almen e a segui ao cu so de ní el médio, e o cu so pa a abalhado es. O que acon ece mais
equen emen e é a adesão ao cu so de abalhado es, que é um cu so po encon os, po que es es
alunos são baila inos e o que que em aze é dança em companhias. Eles le am dos no e anos a é
os dezoi o anos echados numa sala, azendo udo, Con empo âneo, Balle , Folclo e, e quando saem,
o que eles que em é dança , po que a ida do dança ino é limi ada. Po an o ge almen e ão numa
companhia a dança e depois, quando já passa um empo en am en a no ní el supe io , da mesma
o ma aqui ambém em que passa uma p o a de ing esso e, po an o, exis e um plano especial pa a
abalhado es: o cu so po encon os pa a os p o issionais, que podem se baila inos; os p o esso es
de escola, po que há p o esso es que depois que em con inua a es uda no ní el supe io . Den o do
Ins i u o Supe io de A e depois há um qua o ní el pa a os licenciados, que são os cu sos pós-
g aduados, os mes ados e os dou o amen os. É udo um p ocesso. Em Balle é exa amen e igual, e
em Música ambém, com odas as e en es que em a música.
Depois há o ní el médio, que já dá um diploma p o issional, como baila ino e como p o esso ,
po que eles p epa am-se pa a as duas coisas endo ambém um ensino de didá ica du an e es e
pe cu so.”
“Eu lemb o-me da época an es da Re olução, ha ia mui a iqueza no cen o de La Habana, mas na
pe i e ia... e a udo um bai o de la a. Ha ia mui o acismo, sob e udo po pa e dos ame icanos.
Não ha ia nenhuma pe seguição iolen a do ipo KKK, mas, po exemplo, nas lojas elegan es os
neg os e os mula os não podiam en a , e nem podiam abalha , po exemplo, imagina, o P esiden e
Fulgêncio Ba is a, que e a mula o, não podia en a no Coun y Club, o clube ame icano que ago a é
o edi ício cen al do Ins i u o Supe io de A e. Os campos ao lado e am pa a o gol e, ah sim os
ame icanos são ame icanos. Nem o p esiden e podia en a .
Ha ia mui íssima co upção, a ma ia ame icana es a a de aco do com o P esiden e e con ola a
mui as coisas, ha ia mesmo mui a co upção. Na zona do po o de La Habana, os mili a es
ame icanos e am semp e mui os e iam a ás das apa igas. E a pe igoso passa po lá, eu inha medo.
Ha ia mui a p os i uição e d oga. Nesses anos, pa a além dos clubes, dança a-se em casa: as es as
e am nas casas. Dança a-se Bole o, e músicas impo adas, sob e udo o Rock and oll… dança a-se
ambém Jazz, ainda há um g upo que o dança como o iginalmen e em La Habana. Ha ia mui os
locais no u nos, e mui os a is as impo an es inham a La Habana, po exemplo, El is P esley, oi
!
ix!
um sucesso eno me, odos dança am o Rock e o Twis . Numa dada al u a dança am-se ambém as
Danças la inas que es a am na moda: dançou-se a Cumbi, e o Me engue.. o Casino chegou depois,
po isso há passos de Rock no casino... oi um g ande sucesso. O cubano dança a udo.”
Domingo Pau
T ês ex a os da en e is a com Domingo Pau5, P o esso da Escuela Nacional de A e, ex-
p imei o baila ino e co eóg a o do Conjun o Folcló ico Nacional.
“O meu nome é Domingo Ma iano Pau Despaigne, comecei a dança olcló ica em 1964 em San
Miguel del Pad ón g aças ao mo imen o de a icionados, com a licenciada Edda Palacio Gala aga,
Xioma a Valdes, I an Lopes, o am os meus p imei os p o esso es de dança. Tinha 14 anos e não
conhecia de odo o que e a a Dança olcló ica, a al ní el que me ap esen ei no ensaio do g upo com
um pau de madei a, po que inham-me di o que ha ia uma Dança de Palo, e assim eu pensei que
inha de se e um pau… e não, é apenas o nome da dança… e passei a e gonha do século, po que
cheguei ali com o pau e a p o esso a pe gun ou-me: “O que é es e pau?”. E eu con ei-lhe. E ela
espondeu-me que eu es a a e ado, que se chama a Palo, mas não e a necessá io e um pa a
dança . P on o, depois começa am os ambo es, quando ou i o i mo e não sabia o que ia aze , não
sabia nada. E ali, en ão, depois ui-me empenhando mui o semp e. Depois do g upo de San Miguel
del Pad ón passei pa a o Conjun o Folcló ico La Calunga, no ano de 1966. La Calunga e a um g upo
que abalha a em conjun o com a CTC nacional, a Cen al de los T abajado es de Cuba, e
bailá amos semp e no ea o La Salopeña, na ua Belascoaín.
. Des e g upo, com alguns ou os memb os, izemos o g upo El Pa akín, nes e g upo ha ia ambém
os colegas com os quais con inuou o abalho na dança olcló ica: Geo ge Dixon Da is, mais
conhecido como “Chiqui”, que es á na Eu opa, Julian Via E iza a, Julia Xioma a Rod igues, Edda
Palacio, odo um g upo de baila inos com quem con inuámos baila e baila , depois o am-se
casando. Se casa am, não dança am po que não inham espe ança de i a se p o issionais, e eu
con inuei o meu es o ço e man i e-me à en e do g upo que que íamos abalha de o ma
p o issional. Dali ui à companhia Danza Con empo ânea de Cuba quando e a Paulo Vado o di e o ,
e Lo na Bu dsal a p o esso a de Dança mode na que deu aulas na la ENA ambém, e a senho a deu-
me o is o que é a au o ização que podia in eg a o g upo de Dança Con empo ânea de Cuba. Mas
semp e o meu sen imen o, e o meu co po e am olcló icos. E assim ui ao Conjun o Folcló ico
Nacional de Cuba, e nesse momen o o di e o e a Ma co Pos al, que me conhecia de San Miguel del
Pad ón do ano 1964, po que ele di igia o Município de Cul u a, e in eg ou em 1976 o Conjun o
Folcló ico Nacional de Cuba como baila ino, cue po de baile. Dancei 35 anos na companhia, pa a
aze oda a e olução, de cue po de baile C. B, A, solis a, p imei o solis a, solis a p incipal, e
e mina a minha ca ei a como p imei o baila ino da companhia, e nes e empo ambém me
especializei, licenciei-me como p o esso de Folclo e especializado e como co eóg a o. Que dize
que a minha ca ei a, empí ica como começou, com desconhecimen o o al, oi encon ando uma
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
5!Domingo Pau é a ualmen e p o esso da Escola Nacional de A e de La Ha ana, di e o do G upo Ala ia, é
conside ado o mes e dos mes es da dança a o-cubana da qual da aulas pelo mundo in ei o, du an e a sua
pe manência no Conjun o abalhou ambém como co eog a o chegando ao segundo ní el na a aliação in e na do
Conjun o Folcló ico nacional e assinando, a pa i dos anos 80, algumas ob as maio es quais: Quia i i Hai iano, Obba
Me a, La Bo ija, T io Eleggua, Somos ini á io e Gaga.!
!
x!
o ma e po in e esse ui seguindo os passos dos mes es, Rami o Gue a, San iago Al onso,
Edoa do Ribe o, Ad ea Gu ie ez, Vic o Cuella, na dança.”
“A écnica de dança é mui o impo an e, exis e uma écnica, po exemplo, no Balle que é mui o
impo an e pa a odos os baila inos, depois ambém de Con empo âneo, há coisas que se de em
sabe , é uma écnica que se pode u iliza e se u iliza, mas a é um dado momen o… depois os dois
caminhos, os do Folclo e e o do Con empo âneo sepa am-se, po que não deixam de se coisas
adicalmen e di e en es.
Po exemplo, na pos u a: as pe nas de em es a semp e pa cialmen e le idas, o peso do co po de e
es a a en e u ilizando como base o me a a so, a pa e a en e do pé, pa a amo iza e pa a ecebe
a ca ga da e a, e pode le á-la ao es o do co po pa a o ma um mo imen o do o so que exis e o
empo odo. Es e mo imen o às ezes é execu ado de o ma “pe cu i a”, às ezes não, é mais
edondo ou em la igazo6. En e as igu as que abalha am a pa i do Con empo âneo, mas que
g adualmen e o am buscando elemen os no Folclo e, lemb o-me de Lo na Bu dsall7, uma
ame icana chegada a Cuba dos Es ados Unidos e que abalhou com Rami o Gue a. Uma ou a
p o esso a que se in e essou mui o pelos es udos de o mas do Folclo e que se podiam in oduzi no
Con empo âneo oi, mais ecen emen e, E a Despaigne, do g upo Obiniba a, ela começou es e
abalho já há uns in e anos…
Conside e que Cuba é mui o in e essan e, po que conseguiu-se conse a se en a po cen o dos
can os e i mos da adição a icana que aqui chega am, en e odas as di e en es o igens: Yo uba,
A a á, Ca abali, Congo… a o-hai iano. Temos so e po que os p imei os p o esso es o am
pesssoas eligiosas, alguns emos a so e de ê-los ainda, e ambém e am pessoas que, po ezes,
inham de amílias de esc a os que conheciam a p óp ia o igem, po exemplo alguns con a am
se em descenden es de esc a os indos da al cul u a, po alguns e a já a a ó que inha sido esc a a...
En e os meus p imei os p o esso es sob e as o igens do Folclo e i e Libe ada Quesada, Nie es
F esneda, Zenaide A men e os, que oi a p o esso a de odos nesses anos, e ambém ainda de
algumas ge ações a segui .
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
6 Ondulação que ai do o so a é à bacia: G aciela Chao, 2008,
7 Lo na Bu dsall oi baila ina e co eóg a a no e-ame icana adicada em Cuba desde la década de 50, que con ibuiu
pa a o desen ol imen o da dança con empo ânea. Lo na Bu dsall licenciou-se em Psicologia em 1949, na Geo ge
Washing on Uni e si y, nos Es ados Unidos, ecebendo no ano seguin e o í ulo de mes e en Humanidades pelo
Cen o de Al os Es udos da mesma ins i uição. Realizou es udos supe io es de Dança Mode na nos Es ados Unidos
endo como p o esso es os mais impo an es a is as des a modalidade. Es udou ambém na Jullia d School de New
Yo k, ecebendo aulas com Ma ha G aham, Louis Ho s , An ony Tudo , Do is Humph ey e Me ce Cunnighan e no
Conne icu College com José Limón, e ou os p o esso es de enome. Em Cuba, onde chegou seguindo o ma ido de
nacionalidade cubana, ecebeu o P émio Nacional de Dança. Em 1959 undou, com Rami o Gue a, o Depa amen o
de Dança Mode na do Tea o Nacional de Cuba, onde oi p o esso a. Dançou nas p imei as ob as de Rami o Gue a:
Mambí, Au o sac amen al e Rí micas; em Tie a e La écnica de un baila ín de Elena No iega; O ansí de Edua do Ri e o;
e Pan Twa dowski y el Diablo de Wi old Bo kowski. Mon ou com o Cojun o, na sua p imei a ase, duas ob as: Es udios
de las aguas e La ida de las abejas de Do is Humph ey, e depois c iou peças suas: Ri ual P imi i o, Conce o G osso,
F u a ex aña, Sui e campesina, A 90 Millas e San a Ma ía de Iquique. Fundou, com ou os p o esso es cubanos, no e-
ame icanos e mexicanos, a Escola Nacional de Dança em 1965, e colabo ou na c iação dos p og amas de es udo, dando
ambém aulas de Técnica e His ó ia da Dança.
!
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xi!
Eu e ou os baila inos e co eóg a os que hoje desen ol em abalhos mui o in e essan es: Juan Jesús
Ga cía Fe nández, di e o da Companhia J.J., Al edo OFa ill Pacheco, Huan G. Fe nandez, Julia
Fe nandez e o a ual di e o do g upo Manolo Micle , odos nós es udámos com ela.
O Conjun o Folcló ico Nacional oi undado em 1961, po pe sonalidades que o ma am o seu
equipo écnico p incipal: Rodol o Reyes (mexicano), Rogelio Ma ines Fu é como in es igado
p incipal, Jesus Pe ez (com a pe cussão), Laza o Ros, Ma ga i a Bus aman e. Essas pessoas e am
odas igu as que aziam pa e da cul u a a o-cubana, e am eligiosas, e começa am a de ini e
jun a o ma e ial básico. Depois, oi um co eóg a o mais pe o do âmbi o con empo âneo que se
dedicou a euni es e ma e ial o iginal numa ó ica di e en e, já de p ojeção olcló ica.
Há di e ença en e o âmbi o eligioso e a cena. Em ea o eu aço o passo dando-lhe mais o ça,
demos o mas, e não é algo pa a mim… é pa a o público. Mas eu sin o a dança assim, cada baila ino
que eu o mo em de ap o ei a o que dança, goza o mo imen o, eu peço is o, é a minha
ca ac e ís ica, se não não se e pa a nada. É is o que dá a qualidade do mo imen o que eu que o.
Mas eles, odos es es p o esso es, e am da eligião das cul u as o iginais, po exemplo, o Ped o
Saa ed a da a aulas de A a à, e ele p óp io dizia que a sua a ó inha sido esc a a. Foi mui o
impo an e ambém ecupe a as o igens Ca abali (as dos Abakua) e ambém a o-hai ianas, po que
es as danças chega am a Cuba do Hai i, depois da Re olução hai iana, que e e luga depois da
Re olução ancesa. Também ha ia odo o pe cu so das danças de salão desde a Con adanza, o
Danzone e, o Danzón, o Son, o Cha cha cha, o Mambo, e ambém ainda as danças de o igem
popula que, mui as ezes, es ão mui o pe o da adição espanhola, com uma eno me in luência do
Flamenco e do can o espanhol, com a in luência do es ilo do con apon o da Con o e sia, a é o
Pun o cubano, que é um géne o mui o in luenciado pela manei a de can a espanhola.
No início, o que azíamos e a comple amen e au ên ico, o mais possí el pe o da aiz, ou o
o iginal… Nessa época es á amos no ea o Mella, e es a a semp e cheio, o público ap ecia a mui o
o abalho a ís ico do G upo e azia-se des a o ma po que o público ap ecia a es e es o ço, po que
o público que ia a e dade. Depois começa am-se a aze a iações, e começou-se a aze mais
écnica pa a o Folcló ico, a é ago a, que as úl imas co eog a ias são mui o mais mode nas. São mais
mode nas nos mo imen os... mas ambém na cons ução cénica. São mais pensadas pa a o palco.
An es uma Chancle a, azia-se chancle a… as chancle as são pa a aos homens, no malmen e,
o iginalmen e, pa a i à casa de banho, pa a não cai … e como a madei a az mui o ba ulho ao anda ,
punha-se debaixo a bo acha das bicicle as, com es as coisas que são adicionais não se pode
in oduzi coisas como pon as, ou coisas écnicas... Há uma di e ença em aze um Oggún o iginal,
mais ude, o e, do que aze um Oggún que gi a em passé... é comple amen e di e en e.
Hou e mui as mudanças no Conjun o Folcló ico… com a en ada da écnica... Eu semp e en ei
man ê-lo o mais possí el iel ao o iginal, mesmo nas minhas aulas e na minha dança… eu inha de
sen i-lo, é a minha me odologia… mas p on o… a p imei a di e ença em elação ao o iginal é que
es a é uma companhia, em que odos de em aze o mesmo, e em de se igual… e eu quando eu
dança a… bom pa a um solis a é di e en e, eu passei po odos os ní eis da companhia: de e cei o
solis a, segundo, a p incipal... quando azíamos as pa es solis as, imp o isa a-se: o mo imen o já se
de ia domina a al pon o que se podia libe a a dança pa a que osse e dadei a, po que é um
momen o, po exemplo, quando es ão a dança os solis as de Palo, onde o con ex o é um desa io
en e dois, eu dança a com Manolo Micle o a ual di e o do Conjun o, eu i ei mui o da Pan omina,
!
xii!
e do Tea o, ado a a, e ambém é mui o impo an e pa a es a a i idade. O meu p o esso de
Pan omima oi Julio Capo e, is o já oi na Escuela de Ex ensión Cul u al, de A uação oi o p o esso
Bebo Ruiz, ínhamos I an Lopez de Dança mode na, ambém ínhamos aulas de Cenog a ia e
Técnica de luzes. Quan os anos inha nes a época… hum …espe e… Domingo não min as… in e...
eu comecei em 1964, com 14 anos, e oi de o ma empí ica, semp e, não oi com écnica.
Mas i e mui os p o esso es, mas inicialmen e e a apenas p a ica , saía-se, dança a-se, eles da am
écnica… eu não sabia nada, nem o que e a uma dança de Palo. Fui com um pau pa a a audição,
an o que não o sabia. Ago a já as c ianças sabem mui o, an es não sabiam nada, b inca am de
o ma mui o simples, de dança não sabiam nada.”
“Hoje em dia a dança o nou-se mais isual, es é ica, e menos de sensação. Temos de e mais
consciência da impo ância de sabe que exis e um co po cul u al, uma linguagem cul u al p óp ia
de uns co pos que pa ilham uma de e minada sociedade, e es a coisa é undamen al, de e-se ensina
is o, mas hoje pa ece que apenas ep oduz-se apenas a es é ica das coisas, a o ma. Vê es a pequena
ã? Den o em água. É uma pequena ã. Es as são as minha pequenas ãzinhas, que eu coleciono,
são odas di e en es uma da ou a… mas odas são a mesma coisa... o que impo a é o con eúdo, o
que há o a não impo a, o impo an e é o con eúdo. Se em con eúdo, o es o semp e es a á ambém,
não se esqueça...
Po is o eu enho a minha cla e8 pessoal, po es as coisas só eu é que as ensino... cada um em a sua
sensação, é uma sensação mui o o e... e po isso ela comunica algo. Me odologicamen e eu sou um
empí ico, po isso eu p ocu o as sensações e digo aos baila inos que êm de sen i , eu a é dou ou os
nomes às pessoas, consoan e a pe sonalidade ou o compo amen o, pa a e baliza pa a mani es a
sensações.
Com as c ianças azem-se analogias com os animais, coisas que eles pe cebem, e depois, um pouco
mais a de com a na u eza… eu dou a é nome às sensações, po exemplo, uma coisa que me dá uma
sensação de a epio eu digo “calo io”, po que é uma sensação especí ica… e a é az sen ido pa a
explica os O ichas, po que mui os êm uma elação mui o o e com a na u eza.”
Daisy Villalejo
Ex a os das en e is as com Daisy Villalejo9, p o esso a e ex-baila ina do Conjun o
Folcló ico Nacional.
“O que se az no espe áculo é mui o di e en e a pa i de ali, de odos os que o mam os p imei os
p o esso es que o am pessoas mui o humildes que i iam no oco olcló ico, onde ealmen e es a a
a ealidade. Eles ansmi i am es e conhecimen o à companhia na sua e apa undacional, e depois
udo is o oi e oluindo de modo que u, po exemplo, não podias nem ap esen a es as coisas num
ea o: e a a p imei a ez que se punha em cena uma coisa olcló ica que naqueles empos e am
mis é ios, po que udo is o e a de acesso exclusi o pa a os adep os, os iniciados. E po is o num
ea o, cla amen e a pa e cul u a, a ís ica, po que a pa e de ce imónia de eligião não em nada a
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
8 Pad ão í mico de base p esen e nas músicas a icanas e a o-la inas.
9 Daisy Villalejo é conhecida pela sua pedagogia, é hoje memb o de a aliação de á ios concu sos e p o esso a a i a
in e nacionalmen e.

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xiii!
e , não impo a, é ou a coisa, mas udo o que e am mani es ações a ís icas e ê-las em cena, is o
oi uma conquis a eno me e a pa i daí, udo que o Folcló ico ma cou a pa i des a p ojeção
olcló ica… po que… não sei, se le a am es as mani es ações odas mas com um concei o es é ico,
com um es uá io ap op iado, maquilhagem, luzes, cenog a ia, po is o é que é uma p ojeção
olcló ica; po que hou e mudanças e ino ações, a pa i do con ex o em que se desen ol ia, que não
e a mais do que o con ex o da e olução cujo obje i o p incipal e a que odas es as adições, que
oda es a iqueza que es a a echada no oco olcló ico, nos bai os ma ginais, osse do
conhecimen o de odo o po o. Que o po o pudesse ap o ei á-lo. O público eagiu de o ma
inac edi á el, há no Facebook um documen á io de Ma a Be cy, pôs no Facebook, ah como se
chama?... uma pequena pa e de documen á io onde es ão as pessoas a aze ila no ea o Mella em
1961 pa a en a a e . Há um ilme sob e is o que se chama “His ó ia de um Balle ”10, um ilme
cubano des es anos, que ala da undação do G upo. Tudo is o que u ês, odas es as aulas que nós
damos… começou ali. Is o e e uma impo ância social mui o o e, oi um es ímulo mui o o e,
po que is o depois… no p incípio o am mui as pessoas do po o, alguns in elec uais, mas p on o…
odas as pessoas de classe média, odas es as pessoas nesse momen o ainda exis iam essas classes
ainda, nesse momen o, no início da Re olução a odas es as classes cla o que não in e essa a is o, e
e a is o de o ma dep ecia i a como “cosa de neg o”, as pessoas não espei a am is o, ha ia mui a
ecusa. E ainda há pessoas que eem as coisas assim, mas p on o, exa amen e po is o é que se az
es a pesquisa e se põe es e es ilo nos ea os, pa a i a es a men alidade, não é cosa de neg o é coisa
da cul u a, do nosso pa imónio. De oda uma his ó ia que exis e, do pe íodo da esc a idão, uma
his ó ia de so imen o que odo o mundo inha de conhece , a pa i da conquis a, da colonização.”
“Eu, a minha mãe, embo a osse uma pessoa pob e, ela não gos a a nada dis o udo, nem de ambo
nem umba nem nada, ela que ia pô -me no clássico, ize am-me uma p o a quando Alicia Alonso
ez uma con oca ó ia pa a aze a sua companhia, a sua escola de Balle , e ela ez uma con oca ó ia
mui o ex ensa, chegou a odo o mundo. E o am mui as c ianças com os pais, mas e am necessá ias
condições ísicas mui o especí icas, e com mui a so e minha, que não que ia, não me acei a am.
En ão, no inal, o p imei o abalho que eu i e, a p o issão que eu desen ol i oi de p o esso a da
escola p imá ia, ui ês anos p o esso a da escola p imá ia. Po que eu sen ia que gos a a mui o da
pedagogia. Semp e gos ei de dança , eu dança a mui o, o meu pai e a músico, e a sone o oca a
bongó e oca a con abaixo, e na minha casa dança a-se mui o, sob e udo em casa da minha a ó,
oca a-se umba e udo isso, mas não e a a p o issão que a minha mãe que ia pa a mim. Eu já
dança a mui o com os mais elhos, com o meu pai, mas apenas pa a di e i -me, só isso… mas sim,
semp e i e imensa paixão pela dança. Assim, no empo que es a a nes a escola descob i a a és de
um amigo, um colega, um ou o p o esso , uma con oca ó ia do Conjun o Folkló ico, no ano 1970.
Que iam ab i uma audição pa a seleciona 25 es udan es com a inalidade de que num u u o
in eg assem a companhia, en ão iz a p o a. De ac o, eu do que e a a cul u a a o-cubana não inha
conhecimen o, mas inha um ou ido bem desen ol ido, e a mui o sensí el ao i mo po causa do
meu pai se músico, e eu ou ia mui o, en im, passei. Assim oi o meu início, nes a escola ap endi
mui íssimo po que e a uma escola que unciona a à noi e e nesse momen o ha ia ó imos p o esso es,
os p óp ios p o esso es que da am aulas à companhia du an e o dia e à noi e da am aulas a nós. E
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
10 O documen á io, já ci ado ao início des e capi ulo, es a disponí el em:
h ps://www.you ube.com/wa ch? =yQVcd_e oZA
!
!
xi !
ambém ha ia alguns jo ens que já e am baila inos in eg an es da companhia e que começa am a
o ma -se ali como p o esso es, de Técnica, de P epa ação écnica e Folclo e. E ali bebi oda es a
boa sábia esca a mos e a, que não es a a ão con aminada, depois echa am es a escola, dois anos,
e eu ui a um g upo que ambém ez uma audição que se chama a El Pa akín, de onde em
Domingo Pau, e bons baila inos que depois passa am pa a o Folcló ico. En ão, é nes a companhia
que eu começo a dança como p o issional, em que eu en o no ano 1973. E a uma companhia de
jo ens, de no a ge ação, não e a ão clássica como o Folcló ico mas ha ia mui o en usiasmo, mui a
c iação a ís ica, mui a ino ação, e oi nes a companhia que eu iniciei a minha ida p o issional.
Depois, em 1980, es e g upo que ambém e a um g upo p o issional uniu-se com o Folcló ico, já
Domingo inha saído do El Pa akín e inha en ado no Folcló ico. E es a oi a minha en ada no
Conjun o Folkló ico. E nem consigo dize udo o que eu ap endi ali, oi uma expe iência
ex ao diná ia. Den o das mesmas danças, a o ou popula es, aziam-se ino ações no g upo El
Pa akín que no podiam exis i no Folcló ico, onde não se podia sai da linha es é ica que
de e mina a a companhia. Po exemplo, aze is o [le an a o b aço es icado], es ica um b aço, ou
quando dança as Yo uba não aze es… aze coisas espon âneas sem e i ica odos os de alhes, e a
um pouco mais… de alhado. No Conjun o, nós ínhamos aulas de Balle , de Ac obacia, de Folclo e,
e de Co o, de Can o, pa a os co os, ób io, po que uma exibição de Folclo e pa a se comple a de e
e can o, pe cussão e dança. E nós não pe cu íamos mas ínhamos de esponde aos co os, e dança .
Mui as ezes, quando não es a as numa co eog a ia es a as nesse momen o em cena can ando no
co o, apoiando o co o, po isso não se podia e um co o desa inado. No início is o acon ecia mui o,
po que e a o mesmo co po de baile que can a a depois de e acabado de dança , e e a um ho o , e
a espi ação… mas e a undamen al, pelo menos de iam es a ês pessoas no co o a acompanha o
solis a. E al e ná amos as aulas de Técnica da dança com o Balle , e ambém com a Ac obacia. Is o
oi no meu empo. Nos anos seguin es, no Conjun o Folkló ico depois muda am mui o as exigências,
odas es as exigências de que eu es ou a ala ... mas não mais exigência écnica. Os jo ens saem bem
p epa ados da escola, an o na écnica da dança como nas danças olcló icas, mas o que acon ece é
que a companhia em a ob igação de o ma , de e mina es e abalho e começa a o ma es es
baila inos já como p o issionais. Como oi no meu empo, ap ende a dança numa companhia uma
de e minada co eog a ia com odas as suas exigências ca ac e ís icas de de alhes, a limpeza
co eog á ica, a qualidade do mo imen o mais o sen imen o. Mui os jo ens às ezes só dão a enção a
es as danças po que não consegui am e êxi o p o issional em companhias de con empo âneo, e são
escolhidos po g upos olcló icos. Pa a abalha de em depois deb uça -se sob e as di iculdades
des e ipo de comunicação, sem sabe , po ezes, do que ealmen e se a a, e is o é mui o di ícil de
se ensina po que é algo in e no, pessoal, ín imo. Depois da ap endizagem dos passos como
elemen o écnico, o baila ino não es á ainda o mado pa a dança ealmen e pa a o O icha, e ai e
que abalha a sua in e p e ação em companhias especializadas. O sen i , que na ealidade odos os
que omos baila inos do Folcló ico nesse empo e a po que gos á amos mui o, nos ascina a o
Folclo e e es as mani es ações. Os que gos a am de Dança mode na mo iam pa a a écnica e os que
gos a am de Caba e iam nessa di eção. Que o dize que odos inham bem de inidas as suas
p e e ências. Mas depois de uns anos que começa am a e os g aduados da escolas e os jo ens os
punham às ezes no Conjun o Folcló ico mesmo que não osse exa amen e o que eles gos a am, ou
ambém às ezes há uma ou a si uação: eles en am passa uma seleção pa a Con empo âneo mas
não esul a e eles sabem que a única coisa pa a e umas possibilidades é en a nalgumas
companhias de Folclo e, e udo is o e le e-se na dança em cena. Tem menos ansmissão de ene gia.”
!
x !
“O es ilo de Caba e ambém con aminou mui o a dança em Cuba, e nes e momen o con aminou-a
de al manei a que quando ejo as pe o mances que se azem nos es i ais in e nacionais na Eu opa
e no mundo in ei o, is o es á p esen e, demasiado p esen e em udo o que é a c iação dos jo ens que
azem espe áculo. A linha dos b aços, udo, é espe áculo. E pa ece-me que is o se oi con aminando
de o ma mui o pe igosa… mas p on o. Eu es i e semp e mui o p eocupada em busca a aiz, como
u, como mui os… e depois p on o… a mis u a des as coisas odas, se u que es assimilá-la se não
não, mas é impo an e sabe bem a base. T a a-se de não ap ende algo já con aminado, demasiado
ans o mado... que é a o ma mais simples. Realmen e o es ilo de a iedades con aminou mui o a
dança cubana mas não só o A o-cubano, odos os es ilos de dança, o Popula cubano ainda mais.
Is o oi, se calha , de ido ao mesmo p ocesso e olu i o da dança, ao me cado, an es as companhias
iaja am mui o pa a o a, mui íssimo. E hou e um momen o em que a p ojeção olcló ica o nou-se
um bocado epe i i a, no que nós dizemos mais adicional, um pouco abo ecida. As c iações são
semp e as mesmas e, en ão, penso eu, com a on ade de busca mais espe áculo e mais b ilho,
começa am ambém a ans o ma -se os es uá ios, as co oas, as danças. O que se ê é a
con aminação, do Caba e do espe áculo, do b ilho, da supe icialidade… pa a busca me cado, pa a
busca ou a pe spe i a. É como ino a , mas é ino a de um pon o de is a supe icial, po que não
há um con ex o eal, um undamen o eó ico que jus i ica as dimensões da co oa ou a sua
deco ação… não exis e, não é assim. Todos os p oje os que começa am a ap esen a pa a os ho éis,
os u is as e o que começou a de e mina uma mudança es é ica no que se es a a a aze .”
“Ha ia aqui uns es angei os a da écnica, não que ossem mui os, uns dois ou ês, os que ajuda am
a c ia um es ilo no que é a écnica da Dança mode na cubana, nesse empo, ago a é Dança
con empo ânea de Cuba. Sim, a p o esso a Lo na, El ide Mahle 11, o am os que começa am…
com o mes e Rami o Gue a, cla amen e. O mes e da dança em Cuba. Eu aqui nunca i e aula de
Con empo âneo… que dize , aqui em Cuba is o não es á bem o ganizado, u ais a uma aula de
Con empo âneo mas ape cebes- e de o que es ás a ecebe é sob e udo a écnica da Dança mode na.
Da dança, no sen ido ge al. Con empo âneo pu o, nem sei… nunca i e. Quando ês um espe áculo
de Con empo âneo, u ês que em uma écnica, ês que são p o issionais, não são imp o isados.
Nós, a écnica que ap endíamos, oi semp e com baila inos p o issionais da companhia de Dança
mode na de Cuba, Edua do Ri e o, San iago Al onso, Pe la Rod igues, Cla a Dulce Rod igues, nós
i emos os melho es p o esso es de Técnica de dança. Que a Dança mode na de Cuba oi c iada po
Rami o Gue a, que ob iamen e es a a a passa as adições, o seu abalho de in es igação e a
in ei amen e baseado nas adições a o-cubanas. En ão o que se abalha a e a mui o o plexo sola
com as con ações, a écnica de ensão e elaxamen o, demi pliés… uma écnica que se ajus ou
mui o ao Balle olcló ico. Cla o que hou e mudanças, aqui ambém, po que ao inal, po que ago a
os miúdos que êm da escola chegam com uma p epa ação écnica ealmen e de mui íssima
qualidade, e quando chegam a es a companhia olcló ica com uma écnica ão simples sen em-se
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
11 El ide Malhe oi a p o esso a esponsá el pelos cu sos de composição co eog á ica, a pessoa que sis ema izou es a
disciplina e que concebeu os p imei os p og amas didá icos. Nascida nos Es ados Unidos, o mada desde os oi o anos
na escola de Ma ha G aham, abalhou numa escola de a icionados nos Es ados Unidos, an es de se adica em Cuba.
Em 1966 oi di e o a da Escuela Nacional de Danza Mode na y Folcló ica. Radicou-se em Guan ánamo onde undou a
companhia Danza Lib e, que se dedicou ao es udo e à o mação de jo ens baila inos. C . Ma ía del Ca men Mena
Rod íguez, El cue po c ea i o: Talle Cubano pa a la Enseñanza de la Composición co eog á ica, Buenos Ai es: Balle in
Dance, 2009.
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x i!
mui o mal. Eles que iam con inua a abalha com os pa âme os que conheciam, com a elas icidade,
as pe nas a é aqui em cima, a ampli ude, coisas que pa a o Folclo e não e am necessá ias. Sen iam-
se us ados, po que inham passado mui os anos na escola pa a abalha o co po na écnica,
independen emen e das aulas de Folclo e, mas quando chega am à nossa companhia nada e a
p eciso e is o da a-lhes mui a us ação. Eles, a écnica de olclo e já inham ei o nos p imei os
anos da escola, pa a eles já se inha o nado simples. Pa a nós oi complexo, po que nós ínhamos
da ua, sem o mação, e en ámos já adul os quase, com 1920 anos, e eles não, ago a começam a
abalha is o desde c ianças. Pa a nós oi o con á io. Às ezes penso que eu não necessi a a de
mui o do que ap endi pa a dança o Folclo e, não necessi a a de an os pliés… des es equisi os,
mas p on o. Eles, eu acho que começa am a sen i es a necessidade po que se sen iam us ados.
Ago a não sei bem como é a écnica, de e se mais a ançada ambém no Folclo e po que odos ou a
maio ia do que lá es ão são da escola. Nós não, nós e odas as ge ações an e io es e amos da ua. As
g aduações da escola começa am no ano… 70 e al… não sei, nessa al u a a escola du a a seis anos.
E as p imei as g aduações começa am nos anos 70. Mas ainda nes as p imei as g aduações a écnica
não eque ia an a exigência. Ainda e a uma écnica anquila, adequada às exigências da dança
olcló ica, mas ago a a écnica é mui o o e. Ago a podes dança udo, podes i pa a qualque
companhia. É uma o mação mui o comple a, não em limi es.”
As ins i uições de ensino:
Decidimos ap esen a qua o ins i uições conside adas de e minan es pa a os esul ados alcançados
no ensino das disciplinas a ís icas olcló icas. T a a-se de duas ins i uições de ensino nacional, que
i emos opo unidade de equen a pessoalmen e e onde pudemos e aulas. As ou as duas são as
mais an igas e enomadas companhias olcló icas de Cuba, onde os melho es o mados na escola de
a e em âmbi o olcló ico inalizam a p óp ia o mação e, sob e udo, onde se desen ol e um
cons an e abalho de in es igação e c iação desde a época e olucioná ia. As companhias
impo an es em Cuba são mui as, e mui as delas cons i uem exemplos de ino ação de o mas e
linguagens que se ão objec o de es udo em p óximas e apas. Aqui, quisemos apenas menciona
aquelas cujo ensino i emos a so e de expe iencia – g aças às aulas com á ios p o esso es – e cuja
idelidade ao legado o iginal dos p imei os o mado es da cul u a a o-cubana é indubi á el.
Mencionamos apenas com uma inalidade in o ma i a ou as companhias de g ande in e esse, como
a Companhia J.J., a Companhia Ban Ra á, o Balle Folcló ico Cu umba, o g upo Osain del Mon e,
o Balle Folcló ico de O ien e, a Companhia de Danza Combina ó ia, a Danza Con empo anea de
Cuba, Danzabie a, Los hijos del di ec o , Malpaso Dance Company, e a companhia de ea o e
dança Re azos.
E.N.A.
!
A Escuela Nacional de A e é o cen o do ensino a ís ico cubano. Foi c iada po on ade do
go e no e olucioná io pa a o e ece a odos o mesmo acesso à a e, e é hoje um símbolo da cul u a
cubana e da e olução.
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xxiii!
Figs. 14: P ocissão da Vi gem da Ca idade, Fig. 15: Mapa e nolinguís ico de Á ica.
8 de Se emb o, La Habana. G upo Ban u ep esen ado a e de.
Fig. 16: Cuba, ambo pa a Changó. Fig. 17: Changó dançado em espe áculo ea al.
Fig: 18 P á ica de Palo Congo, “al a del mue o”.

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xxi !
Figs. 19 e 20: Es á uas i uais da egião de Cabinda, Angola, Fei a do A esana o de Luanda.
Fig. 21: Ce imónia pa a Ile Ase, ou Asoyin, Fig. 22: Ce imónia pa a Olocum, La Habana,
ou São Láza o, B asil. Playa del Es e
Fig: 23: Rami o Gue a
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xx !
Fig. 24: Dança con empo ânea de Cuba, Fig. 25: Dança con empo ânea de Cuba, La
Okan omi 1970, La Ji ibilla
Fig. 26: Danza Con empo ânea de Cuba, Fig 27: Danza con empo ânea de Cuba, Mula o, 1960.
Sui e Yo uba 1960.
Figs. 28-29: Danza Con empo ânea de Cuba.
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xx i!
Fig 30: G aciela Chao Ca bone o Fig. 31: Daisy Villalejo Fig 32: Domingo Pau
Fig. 33: Lo na Bu dsall Fig. 34: El ide Malhe
Fig. 35: Escola Nacional de A e, La Habana, Fig. 36: Ins i u o Supe io de A es,
Depa amen o de A es Plás icas.
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xx ii!
Figs. 37, 38, 39: Ins i u o Supe io de A es, uínas do Depa amen o de Balle , não acabado.
Figs. 40 e 41 : Pe o mances do Conjun o Folkló ico Nacional de Cuba,
Oshún e Oya (ciclo Yo uba).
Figs. 42, 43, 44: Yo uba Andabo, pe o mances Pa akín, Yo uba, Congo e Abakuá.