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Luís Ca los Fe nandes Ribei o
O ONTEM E O HOJE: DECIFRANDO A ORDEM POSSÍVEL DO
MUNDO EM HISTÓRIA DA CULTURA E DAS ARTES
MEMÓRIAS DE UM ESTÁGIO
RELATÓRIO DE MESTRADO
ENSINO DE ARTES VISUAIS NO 3º CICLO
DO ENSINO BÁSICO E NO ENSINO SECUNDÁRIO
2014
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Luís Ca los Fe nandes Ribei o
O ONTEM E O HOJE: DECIFRANDO A ORDEM POSSÍVEL DO
MUNDO EM HISTÓRIA DA CULTURA E DAS ARTES
MEMÓRIAS DE UM ESTÁGIO
Rela ó io ap esen ado na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da
Uni e sidade do Po o e Faculdade de Belas A es da Uni e sidade do Po o,
pa a ob enção do g au de Mes e em Ensino de A es Visuais no
3º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundá io
2014
P o esso a O ien ado a: Alexand a Sá Cos a
P o esso Coope an e: Viana Pa edes
Local de Es ágio: Escola Secundá ia F ancisco de Holanda
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Es e ela ó io oi esc i o no an igo aco do o og á ico po opção do es udan e.
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RESUMO
O p esen e ela ó io esul a de uma in es igação desen ol ida em con ex o
de es ágio na Escola Secundá ia F ancisco de Holanda em Guima ães, no ano
lec i o 2013/2014, ealizado no âmbi o do Mes ado em Ensino de A e Visuais
no 3º Ciclo do Ensino Básico e Ensino Secundá io.
Es e abalho p ocu a e lec i sob e a disciplina de His ó ia da Cul u a e
das A es e a sua elação com o cu ículo c iando elações com ano ações
pessoais em diá io. Pa a comp eende melho os assun os elacionados com o
p og ama des a disciplina é impo an e conside a mos a globalização como um
ac o de e minan e na es u u ação da Educação A ís ica na con empo aneidade
e na o ma como os con eúdos são abalhados com os alunos e como o p o esso
é colonizado pelo o sis ema de ensino de o ma a domes ica os alunos. P ocu a-
se e lec i sob e os mé odos de ensino-ap endizagem, do posicionamen o do
p o esso em elação ao p og ama e das es a égias adop adas pa a abalha os
con eúdos de His ó ia da Cul u a e das A es.
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ABSTRACT
This epo is he esul o an in es iga ion ha was ca ied ou du ing an
in e nship a The F ancisco de Holanda Seconda y School du ing he academic
yea 2013/2014, conduc ed wi hin he amewo k o A Mas e s in he Teaching
o Visual A s a Seconda y Educa ion le el.
This wo k aims o e lec upon he subjec The His o y o Cul u e and A s
and i s ole wi hin he cu iculum, examining ideas h ough dia y anno a ions. In
o de o be e unde s and ma e s ela ed o a cou se in his ield i is impo an
ha we conside globaliza ion as a de e mining ac o in he s uc u ing o a
con empo a y Educa ion in A s, he way in which cou se con en is p esen ed
and how he eache is condi ioned by he educa ional sys em me hod o
disciplining he s uden s. I aims o e lec upon he eaching –lea ning me hods
om he eache ’s pe spec i e in ela ion o he cou se and s a egies adop ed in
p esen ing he cou se con en o The His o y and Cul u e o A .
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INTRODUÇÃO
O p esen e ela ó io esul a de uma in es igação desen ol ida em con ex o de
es ágio na Escola Secundá ia F ancisco de Holanda em Guima ães, no ano lec i o
2013/2014, ealizado no âmbi o do Mes ado em Ensino de A e Visuais no 3º Ciclo do
Ensino Básico e Ensino Secundá io. O ema ge al incide sob e as p á icas didá ico-
pedagógicas do p o esso e do papel do aluno na disciplina de His ó ia da Cul u a e das
A es.
O p imei o capí ulo em o objec i o de con ex ualiza a acção onde deco eu o
es ágio elacionando a escola e seus alunos com o con ex o económico, social, polí ico e
cul u al da egião onde se inse e.
O segundo p ocu a e lec i sob e a disciplina de His ó ia da Cul u a e das A es
e a sua elação com o cu ículo c iando elações com ano ações pessoais em diá io.
Es as e lexões esc i as despe a am-me pa a p oblemá icas didá ico-pedagógicas que se
e ela am undamen ais pa a a cons ução de um discu so jus i ica i o da p opos a
didá ica ap esen ada à u ma. O ac o de esc e e e elou-se c ucial. Da mesma o ma
que os alunos e o p o esso obedecem à esc i a publicada no manual da disciplina, as
minhas no as ans o ma am-se em ac os his ó icos sob e o pe íodo de obse ação em
sala de aula. O meu diá io ans o mou-se no meu manual de egis o, com os mesmos
pe igos de in e p e ação que o discu so imp esso no manual de His ó ia da Cul u a e das
A es aca e a. Que o deixa cla o que es a é a minha in e p e ação des a ealidade
passí el de múl iplas lei u as dependendo de quem a ê e in e p e a à luz dos seus
conhecimen os e in e esses.
Os capí ulos seguin es su gem na sequência do an e io . Pa a en a mos
comp eende melho os assun os elacionados com o p og ama de His ó ia da Cul u a e
das A es é impo an e conside a mos a globalização como um ac o de e minan e na
es u u ação da Educação A ís ica na con empo aneidade e na o ma como os
con eúdos são abalhados com os alunos e como o p o esso é ans o mado numa peça
undamen al des e mo o que az unciona o sis ema de ensino.
Po im, o úl imo capí ulo abo da a p opos a didá ica ealizada no es ágio. A
p opos a é uma consequência lógica que su ge das e lexões an e io es, dando o igem
ao ques ionamen o sob e as elações de ensino-ap endizagem nes a disciplina.
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PARTE I
MAPEANDO O ESTÁGIO PEDAGÓGICO
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1. O e i ó io social, polí ico, económico e cul u al de Guima ães: sinopse
Guima ães é uma das cidades com mais população jo em da Eu opa. Dos
ce ca de 160000 habi an es, quase 50% êm menos de 30 anos. Inse e-se na sub-
egião do A e, uma das mais indus ializadas do País. No en an o, num pe íodo
de c ise em que o sec o êx il, de ele o na sub- egião, em sido um dos mais
a ingidos, a cidade soube con inua a desen ol e -se undamen almen e do pon o
de is a ecnológico1. Nes e sen ido, salien a-se a Uni e sidade do Minho e o seu
papel na ino ação da cidade e da Região. Guima ães, como cidade de dimensão
média, em uma ida cul u al in ensa endo sido o cen o his ó ico conside ado
Pa imónio Cul u al da Humanidade em 2001 (UNESCO). Pa a além dos
museus, monumen os, associações cul u ais, gale ias de a e e es as popula es,
em desde Se emb o de 2005 um impo an e espaço cul u al, o Cen o Cul u al
Vila Flo . Em Ou ub o de 2006 oi escolhida pa a se Capi al Eu opeia da
Cul u a em 2012, em conjun o com Ma ibo , da Eslo énia. A Câma a Municipal
de Guima ães in es iu ce ca de 111 milhões de eu os em es u u as e p ojec os
cul u ais du an e 2012, endo inaugu ado em Julho desse ano a Pla a o ma das
A es, no an igo me cado municipal e e enos de uma indús ia de ans o mação
de má mo es. Es a Pla a o ma das A es di ide-se em Cen o de A e e A elie s
Eme gen es de Apoio à C ia i idade e Labo a ó ios C ia i os (gabine es de apoio
emp esa ial).
Es a cidade em á ios museus e ins i uições cul u ais ais como, Museu
de Albe o Sampaio, Sociedade Ma ins Sa men o, Museu da Cul u a Cas eja,
Museu de A e P imi i a Mode na, Museu da Ag icul u a, en e ou os.
Os objec i os de inidos no plano es a égico des a cidade são, de o ma
sucin a, ao ní el da Regene ação Social, «capaci a a comunidade local com
no os ecu sos e compe ências de modo a es imula um en ol imen o ac i o e
pa icipa i o no p ojec o; e uma p eocupação com a pedagogia, en ol endo de
1 In o mação ecolhida, de aco do, com o disponí el em h p://www.cm guima aes.p /
iles/1/documen os/20100914145055930581.pd
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o ma abe a e ans e sal oda a comunidade no p ocesso de ci culação e
p odução de conhecimen o e cul u a».
Ao ní el da Regene ação Económica, o objec i o é «in oduzi e po encia
na economia da cidade os elemen os de uma Economia C ia i a,
in e nacionalmen e compe i i a e ge ado a de emp ego».
Po úl imo, ao ní el da Regene ação U bana o plano es a égico p e ende
« alo iza a qualidade de ida u bana, con e endo espaços de p ese ação
passi a da memó ia em espaços de pe manen e o e a de no as e su p eenden es
expe iências cul u ais e c ia i as». O p og ama en ende, ainda, «o espaço u bano
como um labo a ó io abe o de encon os e expe iências in e disciplina es,
cul u ais e educa i as, azendo uso de ino ado as e amen as ecnológicas de
in o mação e comunicação, ao se iço de um eposicionamen o da cidade e da
egião, à escala eu opeia»2.
É e iden e a es a égia polí ica em Guima ães que con a ia a endência de
co es na cul u a que em acon ecido em Po ugal e na maio ia dos países do Sul
e Les e da Eu opa.
T a ando-se de um es ágio em Ensino das A es Visuais em Guima ães,
o na-se undamen al comp eende e enquad a es es assun os no sen ido de
melho comp eende as es a égias des a escola e os in e esses e mo i ações dos
p o esso es.
2. B e e con ex ualização his ó ica da escola
A Escola Secundá ia F ancisco de Holanda oi c iada em 1884, en ão
designada Escola Indus ial de Guima ães. Vi ia a en a em uncionamen o no
início do ano seguin e, pa a p ocu a da espos a a alguns dos bloqueios à
indus ialização iden i icados no inqué i o indus ial de 1881 e às necessidades
e idenciadas na 1.ª exposição indus ial de Guima ães, ealizada no Ve ão de
2 In o mação ecolhida, de aco do com o disponí el em h p://www.cm-guima aes.p /
PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=4125 a 27 de Agos o de 2010
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1884. «O início das aulas de desenho indus ial, no dia 14 de janei o de 1885, i ia
in oduzi uma elação de pe manen e complemen a idade e pa ce ia da Escola
F ancisco de Holanda com a egião, nomeadamen e com as a i idades
económicas, p ocu ando da espos a, desde o seu início, à “ al a de p epa ação
do pessoal ope á io”, uma missão que em indo a se a bandei a des a escola ao
longo de mais de cen o e in e e cinco anos». A é aos anos se en a do século
passado, a Escola, iden i icada com ensino de o e componen e p á ica, com
cu ículos de meno incidência eó ica, inha obje i os cla os de
p o issionalização e de consequen e sa is ação das necessidades do me cado de
abalho com ope á ios quali icados ou de quad o médios.
Após o 25 de Ab il de 1974, com as al e ações ope adas na es u u a do
ensino secundá io, «a uni icação do cu so ge al (1975), a implan ação de cu sos
complemen a es de ia única pa a os dois amos de ensino, eliminando a
dis inção en e escolas e liceus (1978), a c iação do ensino écnico-p o issional
(1983) e, em 1989, a c iação das escolas p o issionais, possibili a am o
ala gamen o das o e as o ma i as da Escola», pode le -se no si e da escola3.
3. B e e ca ac e ização dos ac o es: a u ma
O ho á io escola de e minou que só i ia pode acompanha egula men e
uma das u mas nas manhãs de segunda- ei a (11:50 às 13:20) e quin a- ei a
(08:25 às 09:55) na disciplina de His ó ia da Cul u a e das A es do cu so de
A es Visuais. O 11º ano des e cu so eunia em algumas disciplinas duas u mas
dis in as - AV1 (8 alunos) e AV2 (12 alunos), como acon eceu em His ó ia da
Cul u a e das A es, possibili ando a minha p esença e acompanhamen o.
A sala de aula es a a o ganizada com as mesas em duas ilas pa alelas de
qua o mesas sepa adas po um co edo . Os alunos es a am dis ibuídos po
mesas indi iduais no malmen e com dois ou ês alunos po ila, com o p o esso
quase semp e sen ado no seu luga no can o jun o à janela.
3 h ps://p -p . acebook.com/Ag upamen oDeEscolasF anciscoDeHolanda
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Os alunos demons a am um compo amen o calmo e pací ico, de espei o
pelo p o esso e po mim. Ap esen a am-se semp e disponí eis pa a se euni em
comigo, pa a abalha den o e o a da escola e pa a in es iga .
Du an e o empo de es ágio, os alunos não pa icipa am nas aulas de
His ó ia da Cul u a e das A es o nando-se e iden e o sua posição passi a em
elação aos con eúdos abo dados pelo p o esso . A maio ia ap esen a a cade no e
manual escola e, po no ma, ealiza am os abalhos p opos os pelo docen e.
São, à luz de Foucaul , co pos dóceis.
4. O eu es agiá io como in es igado
Reco do-me de, du an e a minha in ância, e o meu i mão en usiasmado
po inicia o seu pe cu so escola na an iga Escola Indus ial de Guima ães
quando ing essou no secundá io. A ac ual Escola Secundá ia F ancisco de
Holanda, a Xico, como é ulga men e apelidada nes a cidade, em ce ca de 2500
alunos e con inua a se mui o p ocu ada pelos jo ens po es a si uada no cen o
de Guima ães.
No en an o, quando me insc e i no secundá io op ei pela Escola
Secundá ia Ma ins Sa men o (o an igo Liceu) de ido ao seu his o ial a ís ico e
po se econhecida pelas p á icas pedagógicas dos seus p o esso es o mados em
Belas A es.
Con esso que inha alguma cu iosidade em inicia o es ágio pa a conhece
as ins alações (apesa das eno mes ob as de equali icação de 2009) mas,
p incipalmen e, pa a en a comp eende se há di e enças nos mé odos de
abalho dos p o esso es e que es abelece am uma ama meno em elação ao
“ elho i al” liceu.
No en an o, enho consciência que o excesso de luz pode cega -nos,
impedindo-nos de e a e dade. O ac o de se na u al de Guima ães e de e
equen ado uma das suas escolas secundá ias pode coloca -me em duas posições
an agónicas. Se, po um lado, me possibili a conhece a his ó ia das escolas po
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expe iência/ i ência e po e a os cons uídos a pa i de opiniões dos que me
odeiam, po ou o, coloca-me à en e da g elha de pa ida, impedindo-me de e
quem es á ao meu lado. Ou seja, pode impedi -me de e “o meu ad e sá io” de
o ma isen a e sem p econcei os.
Tenho, ainda, de e em conside ação as minhas limi ações em en ende a
ealidade enquan o jo em aluno, mui o dis an e da minha o ma de a
pe cepciona hoje.
O co po docen e des a escola é o mesmo da minha ge ação. O p o esso
coope an e An ónio Viana Pa edes que supe isionou o meu es ágio pedagógico
oi, inclusi e, p o esso de His ó ia da Cul u a e das A es de mui os dos meus
amigos.
O p o esso , na nossa p imei a eunião, in o mou-me da sua
disponibilidade pa a me apoia du an e o pe íodo de assis ência às aulas. Ou seja,
o que me oi p opos o pelo p o esso coope an e oi assis i às suas aulas,
passi amen e sen ado como os es an es alunos e que, mais a de, ap esen asse
uma p opos a didác ica a desen ol e em “uma ou duas aulas”, a i mou ele.
Decidi segui o conselho do p o esso coope an e. No p imei o dia
de es ágio, a 30 de Se emb o de 2013, en ei com uma sensação es anha na
escola. Apesa de se p o esso de His ó ia da Cul u a e das A es há ce ca de
se e anos, nunca acon eceu pa ilha a sala de aula com ou o p o esso . Admi o o
p o esso Viana po ab i a po a da sua sala a um jo em es agiá io. No en an o,
sin o es anheza po me sen a no luga do aluno, na úl ima ila de mesas e
cadei as pa alelamen e alinhadas pa a indi idualiza compo amen os e e i a
deso dens. Mais a de ape cebo-me do eno me p i ilégio que me é concedido:
pode se um obse ado in isí el. Como num eali y show, os conco en es
sabem que es ão a se obse ados mas apenas du an e pa e do p og ama. A
o ina impede-os de se lemb a em de mim du an e odos os 90 minu os. Es ou a
sal o.
Não obs an e a minha posição ísica den o da sala de aula, a posição que
p ocu ei ocupa no âmbi o des a in es igação si ua-se, segundo Be ge , no campo
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Mas o na-se impo an e pe cebe que não es amos à p ocu a de
de e mina as boas ou más p á icas pedagógicas mas an es en a comp eende
algumas si uações que oco em nas escolas e que pa ecem de ini posições de
pode que não podem se ques ionadas. In e essa e lec i po que se á que um dos
pad ões das minhas no as de e eno oi o posicionamen o do p o esso num
de e minado espaço na sala de aula ou de os alunos se em enca ados como
ese a ó ios de con eúdos que de em abalha essencialmen e o ac o de
memo iza e não an o de comp eende , analisa ou in e p e a qualque con eúdo
a ís ico.
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PARTE II
CONCEITOS E PROBLEMÁTICAS NO ENSINO DE HISTÓRIA DA
CULTURA E DAS ARTES: UMA REFLEXÃO
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En o na sala uns minu os depois da aula e começado. Depois do
habi ual “bom dia” olho pa a o p o esso , deb uçado numa lei u a.
Uma das alunas in o ma-me que es ão a es uda pa a o es e da p óxima
semana mas á ios alunos, p incipalmen e o g upo dos apazes sen ados do
lado da pa ede, con e sam sob e ou os assun os.
Uma das alunas en a na sala com umas o ocópias de um cade no de
uma colega ( al ez a mais empenhada e que mais no as apon ou no deco e
das aulas). Uma ou a, sen ada na p imei a linha de ca ei as, coloca á ias
ques ões ao p o esso .
Um aluno le an a-se e pede ao p o esso pa a “i lá o a”; à saída olha
apidamen e pa a um colega e esboça um so iso como que demons ando o
alí io po e uns minu os o a da sala de aula.
Após alguns minu os de con e sa en e os alunos, o p o esso diz,
ba endo com a cane a na mesa:
“- En ão meninos, já es á a se de mais. A pa i de ago a sepa o- os”.
Um aluno, em desespe o, i a-se pa a um colega e diz:
“- Ainda al a an o pa a oca !”
Os adolescen es, com 15/16 anos, pa ecem e os con eúdos
p og amá icos do pe íodo Ba oco como algo cha o.
O exe cício de le em e sublinha em, es o çando-se pa a memo iza a
in o mação aca e a em si ca ac e ís icas pouco en usiasman es. Após alguns
segundos de silêncio, como que num inconscien e colec i o que pa ece dize ao
aluno “ á lá, concen a- e”, apidamen e é in e ompido po mais con e sa.
Es uda é cha o.
Le , deco a e esc e e é cha o.
De epen e o p o esso sai da sala. A u ma aumen a o om de oz, como
se osse um opo unidade pa a saí em da sala de aula. No en an o, ninguém se
le an a, como se o co po es i esse de al o ma domes icado que não consegue
mo e -se sem au o ização. Um animal ades ado. O medo e o cas igo es ão
p esen es.
O p o esso ol a à sala. Os alunos diminuem o om de oz. Não osse o
p o esso a au o idade.
Uma aluna suge e ao p o esso uma isi a de es udo. “Temos de pensa
nisso”, diz o p o esso .
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Vá ios alunos mexem no elemó el. No undo, esse objec o não é mais do
que ou a janela que pe mi e olha pa a udo e pa a o nada... o impo an e é
esquece o li o, o cade no ou o es udo...
Es a u ma é bem compo ada. Os co pos são dóceis. Todos se sen am de
o ma o denada na cadei a. De epen e, um silêncio imp essionan e. Não há
dú idas de que é uma u ma dócil.
O p o esso con inua a ci cula no seu e i ó io. T ans o ma-o pa a se
p o ege , c iando uma on ei a in isí el que só é ansponí el com
au o ização.
De epen e a u ma ol a a con e sa . Cada ez mais al o. Ap o ei a os
momen os em que o p o esso i a dú idas a alguns alunos pa a con e sa ,
como se a oz do p o esso osse a possibilidade pa a esconde ou os uídos,
como um o ão esconde momen aneamen e os sons de uma cidade.
Fal am dois minu os pa a oca . Sei-o po que um dos alunos já se
le an ou e o p o esso já es iu o casaco. Todos espe am que oque.
Tocou.
E odos pa ecem, num suspi o, mais elizes.
24 de Ou ub o, 2013
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5. Ca ac e ís icas ge ais do p og ama
A disciplina de His ó ia da Cul u a e das A es (H.C.A.) inse e-se na
componen e de o mação especí ica dos Cu sos cien í ico-humanís icos de A es
Visuais e de Línguas e Li e a u as, nos 11º e 12º anos, ap esen ando uma ca ga
ho á ia de ês empos lec i os de 90 minu os po semana. Mas inse e-se,
ambém, na componen e de o mação cien í ica dos Cu sos a ís icos
especializados de A es Visuais, Dança, Música e Tea o, nos 10º, 11º e 12º anos,
com uma ca ga ho á ia de dois empos lec i os de 90 minu os po semana.
Uma ez que o ac ual Ensino Secundá io p ocu a ap o unda a o mação
adqui ida no Ensino Básico, odo o p og ama oi elabo ado a pa i das
compe ências essenciais que se desejam p omo e ao longo do pe íodo o ma i o
co esponden e aos p imei os no e anos de escola idade. Pe cebemos que as
inalidades, objec i os e compe ências de inidas nes e p og ama con inuam a
aquisição desse p ocesso, en ando consolidá-lo e ampliá-lo.
Es a disciplina em como inalidades, ao ní el da o mação, «quali ica e
di e si ica a o mação cul u al e a ís ica; con ibui pa a a o mação académica
e p o issional; p omo e a i udes de in es imen o pessoal em o mações u u as»
(p og ama de His ó ia da Cul u a e das A es, 2007: 5). Ao ní el das
compe ências ge ais p ocu a «p ese a e alo iza o pa imónio a ís ico e
cul u al; en ende a de esa do pa imónio como a o de cidadania; consolida o
sen ido de ap eciação es é ica do mundo; e idencia uma a i ude c í ica enquan o
ecep o de objec os a ís icos; mobiliza os conhecimen os adqui idos na
disciplina pa a c i ica a ealidade con empo ânea; pesquisa , seleciona e
o ganiza in o mação di e si icada de uma o ma au ónoma, esponsá el e
c ia i a; comp eende o objec o a ís ico como documen o/ es emunho do seu
empo his ó ico; enquad a a especi icidade do discu so e das ca ego ias
analí icas de cada á ea a ís ica na análise conjun u al do empo e do espaço
(his ó ico e cul u al)» (idem).
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Assim, segundo o p og ama de H.C.A. o p o esso de e es imula no
aluno o gos o pela c iação a ís ica nas suas múl iplas e en es. Es e objec i o
mais ab angen e implica qua o objec i os especí icos undamen ais:
Ensina /ap ende a e ; Ensina /ap ende a ou i ; Ensina /ap ende a in e p e a .
Ensina /ap ende a con ex ualiza .
No in ui o de con ibui de ou o modo pa a o escla ecimen o das
ca ego ias analí icas do T onco Comum, os objec i os ge ais da disciplina o am
elabo ados a pa i de indicado es que se denominam “Tempo”, “Espaço”,
“Biog a ia”, “Local”, “Acon ecimen o”, “Sín eses” e “Casos P á icos”.
Es e p og ama con inua a conside a ele an e pa i do “pe il do aluno
compe en e em His ó ia” no inal dos p imei os no e anos de escola idade. O
Cu ículo Nacional do Ensino Básico – Compe ências Essenciais, o nece
algumas explicações:
«U iliza as noções de e olução, de mul icausalidade, de
mul iplicidade empo al e de ela i idade cul u al no elacionamen o da
His ó ia de Po ugal com a His ó ia eu opeia e mundial; - Aplica
p ocedimen os básicos da me odologia especí ica da His ó ia,
nomeadamen e a pesquisa e in e p e ação de on es di e si icadas,
u ilizando écnicas di e sas de comunicação; - In eg a e alo iza
elemen os do pa imónio his ó ico po uguês no quad o do pa imónio
his ó ico mundial; - Mani es a espei o po ou os po os e cul u as.»
(P og ama de His ó ia da Cul u a e das A es, 2007: 7)
Assim sendo, ac edi a-se que a disciplina de His ó ia da Cul u a e das
A es de e á con ibui pa a consolida as compe ências enunciadas no Cu ículo
Nacional do Ensino Básico e pe mi i ao aluno «u iliza em cada á ea a ís ica o
ocabulá io p óp io; analisa o objec o a ís ico na sua especi icidade écnica e
o mal; econhece o objec o a ís ico como documen o/ es emunho do seu empo
his ó ico; econhece o es udo do objec o a ís ico como p ocesso undamen al
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pa a o conhecimen o do passado; adop a mé odos de abalho p óp ios,
indi iduais e/ou de g upo; comunica co e amen e opiniões e esul ados de
pesquisa (o almen e e po esc i o); u iliza di e sos ecu sos na pesquisa e
comunicação de in o mação» (P og ama de His ó ia da Cul u a e das A es,
2007: 8).
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INTERVALO
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A elação do indi íduo com a ida globalizada ajuda-nos a comp eende
melho o po quê da apos a em de e minadas á eas de sabe em de imen o da
Educação A ís ica e po que as exp essões a ís icas de em se enca adas de
o ma sé ia.
Cab al Pin o cla i ica-nos de que «o se humano enquan o se na u al,
o ma-se na pe spec i a do abalho pelo qual assegu a a sua sob e i ência;
enquan o se social, o ma-se na pe spec i a da sociedade que é o luga da sua
emancipação desejá el e possí el (...); enquan o se pessoal, o ma-se na
pe spec i a de uma ida plena e eliz» (1995, p:7).
É ób io que o sis ema capi alis a só se in e essa pelo homem abalhado
na lógica ac ual de um capi alismo cego e p eocupado me amen e com o luc o e
com a sua sob e i ência a qualque cus o, não se p eocupando com o luga do
homem na sociedade e mui o menos com a sua elicidade, ob igando à
“cons ução de uma escola [como] uma o ganização simila à p odução indus ial
es anda dizada, o ganizada segundo os p incípios aylo is as, o ien ada pa a a
p odução e o consumo de massas, ca ac e ís icos das mode nas sociedades
indus iais”, a i ma Rui Caná io (2000:101). O que es á aqui em ques ão, e
e e enciando Cab al Pin o, é o nosso desen ol imen o nas «dimensões
cogni i o-ins umen al, p á ico-mo al e es é ico-exp essi a» (1995:8). A p imei a
dimensão de ine-se pelos "conhecimen os como e amen as eó icas" que
pode ão se u ilizadas pa a melho a "as condições ma e iais do mundo"; a
segunda, deb uça-se sob e «o objec i o acional do abalho [que p ocu a] a
libe dade e não a dominação» (1995:13); a e cei a p ocu a se uma «dimensão
pessoal, não económica (p o issional) nem polí ica (...); o mação au ên ica pa a
o eino da libe dade que é o sen ido mo al do eino da necessidade» (1995:35).
Em momen os de c ise económica, quando é necessá io co a na despesa,
a cul u a apa ece em p imei o luga . Bas a ecua mos a 2011, aquando do
Minis é io da Cul u a e sido ans o mado em Sec e a ia de Es ado, u elada po
F ancisco José Viegas. «A medida isa a poupa ao Es ado 2,6 milhões de eu os,
consequência di e a da edução de 31% nas es u u as o gânicas, de 36% no
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núme o de di igen es supe io es e in e médios, e de 28% nos cus os dos ca gos
di igen es»6. Ou, mais ecen emen e, a medida con o e sa do Minis é io da
Educação ao elimina a disciplina de Educação Visual e Tecnológica deixando de
paga o denado a ce ca de 12 mil p o esso es. Ou a diminuição da ca ga ho á ia
das á eas das Exp essões e o e o ço de ho as de ensino das ciências
expe imen ais assim como o núme o de «ho as de ensino nas disciplinas de
His ó ia e de Geog a ia» (no 3º ciclo), e o çando, ambém, o ensino do
Po uguês no secundá io7. Mas o p oblema aqui não é, apenas, a despesa que
ep esen a pa a o Es ado. A ques ão é a o ça que as a es podem ep esen a na
sua elação com o pode e isso pode não in e essa a quem p e ende alimen a
polí icas me amen e p eocupadas com o luc o e com as p á icas capi alis as.
A globalização é equen emen e conside ada como uma o ma/ p ocesso
de homogeneização cul u al, como um conjun o de o ças que pode ão es a a
o na os es ados-nação obsole os e que pode esul a em algo como uma polí ica
mundial. Os deba es sob e a globalização e das suas consequências nas
sociedades con empo âneas, ao ní el da economia, da polí ica, da cul u a e da
educação, são cada ez mais equen es.
As p á icas capi alis as ac uais são apon adas pela esque da polí ica como
os p incipais esponsá eis pela c escen e as ixia do meio social, nomeadamen e
dos abalhado es e dos es udan es (a u u a mão de ob a). De que o ma es e
es angulamen o social e a p ocu a incessan e de c escimen o económico não es á
a o ien a a Educação na cons ução de "máquinas" abalhado as desp o idas de
capacidade c í ica, imagina i a e c ia i a?
A p opósi o de uma polí ica global, Roge Dale obse a a posição de uma
Agenda Globalmen e Es u u ada pa a a Educação (AGEE) se indo de apoio à
e lexão sob e a elação da sup emacia capi alis a no desc édi o em de e minadas
á eas de sabe , como as a es. Pa a a AGEE, assen e no discu so de Roge Dale, a
6h p://jpn.c2com.up.p /2012/03/19/cul u a_o_que_mudou_ ealmen e_com_a_ex incao_do_minis e io.h
ml
7 h p://www.po ugal.go .p /media/550035/20120326__ e isao_es u u a_cu icula .pd
50
globalização é a sup emacia do sis ema capi alis a sob e qualque ou o conjun o
de alo es e «é is a como sendo cons uída a a és de ês conjun os de
ac i idades elacionadas en e si, económicas, polí icas e cul u ais» (2001: 246),
cen ada em o no de ês p incipais g upos de pode : Eu opa, Amé ica e Ásia. É
ácil comp eende que a compe ição ge ada po es es ag upamen os de es ado
pe seguem o luc o p óp io num lu a capi alis a desen eada. Mas aqui, quem
iun a não é uma nação (ao con á io de ou os exemplos no decu so da nossa
his ó ia) mas an es um sis ema – o capi alis a. E onde se coloca a educação?
A Agenda Global pa a a Educação de que nos ala Dale em como um dos
objec i os undamen ais, no meu pon o de is a, a homogeneização das
sociedades. E o p o esso não é mais do que um e i ó io colonizado pelo
sis ema de modo a conduzi as massas num mesmo sen ido p é-es abelecido
pelas o ças de pode .
Du kheim (2001) ale a-nos pa a a necessidade de uma homogeneidade
c iada pela necessidade da ida colec i a. E a educação pe pe ua essa
necessidade. Ele diz-nos que
«em cada um de nós, pode dize -se, exis em dois se es que, apesa de se em
sepa á eis po abs ação, não deixam de se dis in os. Um é ei o de odos
os es ados men ais que apenas êm a e connosco e com os acon ecimen os
da nossa ida pessoal. É o que podemos chama o se indi idual. O ou o é
o sis ema de ideias, de sen imen os, de hábi os que exp imem em nós, não a
nossa pe sonalidade, mas o g upo ou g upos di e en es de que azemos
pa e».
(Du kheim, 2001: 101-102)
O seu conjun o o ma o se social. A escola ap esen a-se como sendo a
g ande p omessa, onde a c iança de e se educada pa a se in eg a numa
sociedade – unção [apa en emen e] libe ado a da escola. Du kheim e e e ainda
a solide iedade como o ma de c escimen o do indi íduo, a i mando que há
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alo es acima do in e esse indi idual, ou seja, de e exis i uma "consciência
colec i a" pa a uma ida em sociedade saudá el. Pa a o au o , a escola é a
melho o ma de c ia es a consciência.
O p oblema é que os alunos não se iden i icam com o que é ensinado, com
a igu a [dominan e] do p o esso , com os mé odos de ensino, nem com a
es u u a ísica da escola. Apesa do p o esso en a ap oxima -se dos alunos
en ando comp eende os seus p oblemas e dú idas em elação à escola, exis e
uma dualidade no compo amen o do p o esso : po um lado mo i a/adap a-
se/ elaciona-se; po ou o disciplina/ con ola/ cas iga.
As es a égias de con olo do compo amen o u ilizadas pela escola –
como o quad o de hon a, o passa / ep o a de ano, as no as e a cade ne a - le am
os alunos a ap ende em a espei a pelo eceio do cas igo e não po que o sujei o
(educando) é concebido como um agen e ac i o com desejo de ap ende .
P e ende-se, no undo, que os alunos sejam "co pos dóceis". Como nos
e e e Foucaul , a p opósi o dos p isionei os e dos soldados,
«o co po é obje o de in es imen os ão impe iosos e u gen es; em
qualque sociedade, o co po es á p eso no in e io de pode es mui o
ape ados, que lhe impõem limi ações, p oibições ou ob igações. Mui as
coisas en e an o são no as nessas écnicas. A escala, em p imei o luga ,
do con ole: não se a a de cuida do co po, em massa, g osso modo,
como se osse uma unidade indissociá el mas de abalhá-lo
de alhadamen e; de exe ce sob e ele uma coe ção sem olga, de man ê-lo
ao ní el mesmo da mecânica — mo imen os, ges os a i ude, apidez:
pode in ini esimal sob e o co po a i o.»
(Foucaul , 1987: 157).
A sociedade capi alis a exige, cada ez mais, que o nosso ní el de e icácia
seja p óximo da pe eição. O eino do co po é, po an o, undamen al nes a
lógica economicis a na medida em que os alunos de em se p epa ados o mais
apidamen e e da o ma mais comple a possí el com o objec i o cla o de se
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o na em máquinas de abalho e icazes. A esis ência que exis e nos jo ens é
comp eensí el, ainda mais quando assis imos à en a i a de imposição de um
modelo cul u al independen emen e do capi al cul u al do aluno ou da sua
p o eniência social.
Como emos indo a pe cebe ao longo des e abalho, podemos encon a
múl iplas azões pa a o compo amen o desin e essado e não pa icipan e dos
alunos. No en an o, há uma azão que é pouco e e ida pelos es udan es como
sendo um obs áculo a um elacionamen o mais posi i o: o edi ício escola (salas
de aula, co edo es, salas de di ecção e de adminis ação, biblio eca,
e ei ó io/ba , pa ilhão despo i o, ec eio ex e io , edação e uma
en ada/saída). Quase odas as escolas ociden ais seguem es e modelo
ac edi ando se iamen e a a -se da melho o ma de educa as c ianças e jo ens
pa a i e em em comunhão numa sociedade democ á ica.
Podemos, ainda, compa a (numa si uação limi e) as salas de aula às celas
onde o aluno (p isionei o) de e á ap ende a lição cus e o que cus a , pois
ac edi a-se que só assim pode ão e um luga ú il na sociedade. Foucaul , sob e
"a a e das dis ibuições", diz-nos que
«a disciplina p ocede em p imei o luga à dis ibuição dos
indi íduos no espaço. Pa a isso, u iliza di e sas écnicas:
1) A disciplina às ezes exige a ce ca, a especi icação de um local
he e ogêneo a odos os ou os e echado em si mesmo. Local p o egido da
mono onia disciplina . Hou e o g ande “enca ce amen o” dos agabundos
e dos mise á eis; hou e ou os mais disc e os, mas insidiosos e e icien es.
Colégios: o modelo do con en o se impõe pouco a pouco; o in e na o
apa ece como o egime de educação senão o mais eqüen e, pelo menos o
mais pe ei o; o na-se ob iga ó io em Louis-le-G and quando, depois da
pa ida dos jesuí as, ez-se um colégio-modelo.» (1999: 162)
[...]
«4) Na disciplina, os elemen os são in e cambiá eis, pois cada um se
53
de ine pelo luga que ocupa na sé ie, e pela dis ância que o sepa a dos
ou os. A unidade não é po an o nem o e i ó io (unidade de dominação),
nem o local (unidade de esidência), mas a posição na ila: o luga que
alguém ocupa numa classi icação, o pon o em que se c uzam uma linha e
uma coluna, o in e alo numa sé ie de in e alos que se pode pe co e
sucessi amen e. A disciplina, a e de dispo em ila, e da écnica pa a a
ans o mação dos a anjos. Ela indi idualiza os co pos po uma
localização que não os implan a, mas os dis ibui e os az ci cula numa
ede de elações.» (idem:166)
A sociedade em c iado, ao longo dos séculos, es a égias que pe mi am
ao se humano e uma ida mais con o á el, segu a, longa e eliz. E a disciplina
o na-se no elemen o cha e pa a uma ida social saudá el o nando-se,
au oma icamen e, no a ol que odos os cidadãos de em segui . A Escola em
en ado [ ambém] a a és das suas es u u as ísicas, encon a a melho o ma de
disciplina os indi íduos ansmi indo-lhes eg as que de e ão se seguidas o a
do espaço escola; «Um co po disciplinado é a base de um ges o e icien e», diz-
nos Foucaul (1999: 172).
Os alunos do 11º de A es Visuais são o os o dos adolescen es con usos
dos dias de hoje. Na e a da comunicação supe sónica, do imedia ismo, das
mensagens cu as dos elemó eis ou das edes sociais, exigi a um aluno que
es eja 90 minu os numa sala de aula a le ex os em li os, esc e e à mão ou
ou as a e as "abo ecidas", ans o ma am-nos em co pos displinados mas
"ausen es“. Foucaul e e e Walhausen, que bem no início do século XVII, ala a
da “co ec a disciplina” como uma a e do “bom ades amen o”. Re e e ainda que
«a disciplina “ ab ica” indi íduos; ela é a écnica especí ica de um pode que
oma os indi íduos ao mesmo empo como objec os e como ins umen os de seu
exe cício» (1999:189).
Pa a se mais ácil disciplina , a sociedade cons uiu "obse a ó ios8" que
8 Te mo ap op iado de Foucaul, e i ado do ex o "A Vigilância Hie á quica". Foucal , M. (1999)
"Vigia e Puni ", 20ª Edição, Pe ópolis: Vozes
54
pe mi em con ola da melho o ma possí el os compo amen os. E nesses
obse a ó ios colocou " igilância hie a quizada".
A u ma em uma delegada e uma sub-delegada que a ep esen am, exis e
uma di ec o a de u ma, pa a além de odo o co po docen e. Há uma di ecção
pedagógica e, em úl ima análise, um Minis é io. Todos se " igiam" mas semp e a
pa i do seu "gabine e"(com excepção do aluno, o elemen o mais aco des e
sis ema).
Foucaul desc e e-nos o concei o de Panop ismo, ou seja, um sis ema
a qui ec ónico u ilizado nas p isões que con ola odas as celas a pa i do cen o.
É uma o ma " e inada" de igilância e con olo sob e o co po pois não se ê o
exe cício de pode , o nando a punição ainda maio . A escola, nes e e ei o
hie a quizado, p e ende con ola da mesma o ma que o gua da con ola os seus
p isionei os. O objec i o é que pode á se di e en e. O co po é objec o de pode
pa a se um ins umen o de pode e o que p e ende é sepa a o indi íduo de si.
Assim, se o p o esso é colonizado po um sis ema de educação uni e sal que
ansmi e o que de e se ensinado, de inindo p io idades e di e en es
impo âncias às á eas de sabe , cabe a es e ale a o aluno pa a es a p oblemá ica.
Na minha opinião, o p o esso não de e á limi a -se a ansmi i os
conhecimen os de uma o ma cega en ando, semp e que possí el, ap esen a
ou as isões e opiniões de um de e minado dado his ó ico. De e á, ambém,
es imula no aluno a cu iosidade pelo sabe incen i ando-o à descobe a de no os
sabe es. Cla o que a ideia de domes icação es a á semp e p esen e, a é pela
necessidade de con olo de compo amen os e de de e minados hábi os que a
sociedade exige. Mas é undamen al despe a nos jo ens a consciencialização
pa a es es assun os.
7. His ó ia da Cul u a e das A es: uma a ma ao se iço do cu ículo
Como imos an e io men e, podemos conside a que a di isão dos
sabe es em di e en es disciplinas ajudam o cu ículo a se e icaz na ansmissão
de conhecimen os o mados pelas o ças de pode numa agenda global pa a a
55
Educação. Miguel Zabalza de ine o cu ículo como «(...) o conjun o de
conhecimen os, habilidades, a i udes, e c. que são conside ados impo an es
pa a se em abalhados na escola, ano após ano» (1998:12).
Mas o que conside amos se impo an e pa a se abalhado? A cópia de
con eúdos imp essos no manual escola ? A ep odução do que o p o esso
e baliza sob e um de e minado concei o a ís ico ou cul u al? Ou o p o esso
de e e semp e em conside ação o g upo de abalho? Como diz o mesmo au o ,
«há uma g ande di e ença en e o p o esso que ac ua na aula sabendo po que
azão az is o e aquilo, sabendo qual é o seu con ibu o pa a o desen ol imen o
global do aluno ace ao seu p og esso no conjun o das ma é ias, e c. e aquele
ou o p o esso que, pu a e simplesmen e, cump e o seu p og ama» (idem).
Ao pensa mos sob e o cu ículo o na-se in e essan e e le i mos nas
en a i as de homogeneização da sociedade se pensa mos na semelhança em
quase odos os luga es das igu as de p o esso , de uma emp esa ou de um
es ado-nação. Tal pa ece acon ece de ido à cons ução das ins i uições a pa i
de uma cul u a his ó ica uni e sal dominan e pa a a qual o cu ículo da educação
não é neu o. Assim
«O cu ículo é pensado e unciona como uma es u u a
classi ica ó io-disciplina ; po isso ele é um es u u an e. E, po e uma
es u u a disciplina , ele unciona como um es u u an e disciplinado . A
consequência disso é que ele ge a, no âmbi o em que ac ua, o
en endimen o não apenas de que os sabe es êm (na u almen e) uma
dis ibuição disciplina que é espacial, mas ambém de que o p óp io
mundo em essa, e apenas essa, espacialidade. Na medida em que ele se
es abelece disciplina men e e na medida em que a sociedade mode na é
uma sociedade que se o na cada ez mais disciplina – uma sociedade
em que os indi íduos mais e mais se indi idualizam e se au odisciplinam –
o cu ículo acaba uncionando ambém como um pode oso disposi i o
subjacen e, en ol ido na génese do p óp io sujei o mode no»
(Veiga-Ne o, 2002: 163)
56
No meu en ende , o p o esso de e e semp e em conside ação a u ma
especí ica de cada ano lec i o. Não de e enca a cada g upo como um conjun o
de pessoas homogéneas que se elacionam da mesma manei a com o sabe . Nes e
sen ido, é impo an e comp eende mos as di e enças exis en es en e p og ama e
p og amação.
Podemos en ende o P og ama, segundo Zabalza, «como o documen o
o icial de ca ác e nacional ou au onómico em que é indicado o conjun o de
con eúdos, objec i os, e c. a conside a em um de e minado ní el. (...) Assim, o
P og ama é o conjun o de p esc ições o iciais, ela i amen e ao ensino,
emanado do Pode Cen al.» (1998:12)
Po ou o lado, « alamos de P og amação pa a nos e e i mos ao p ojec o
educa i o-didác ico especí ico desen ol ido pelos p o esso es pa a um g upo de
alunos conc e o, numa si uação conc e a e pa a uma ou á ias disciplinas.»
(idem)
Assim, de emos enca a o P og ama como um conjun o de no mas e
ob igações a se em es udadas po odos os alunos de uma nação, o ien ada pelo
p o esso da disciplina; já a p og amação e e e-se à o ma como o p o esso
enca a esses con eúdos, os p epa a e os abalha com os alunos de uma
de e minada u ma de um de e minado ano lec i o.
Pelo modo como o p o esso coope an e abalhou os con eúdos com a
u ma do 11º ano de A es Visuais, concluo que es e não es u u ou um p ojec o
educa i o-pedagógico especí ico pa a es es alunos. Cla o que não deixa de se a
minha in e p e ação des a ealidade, mas a pos u a do p o esso , sen ado no seu
luga , a le e a e baliza con eúdos, com os alunos em silêncio numa pos u a
submissa, conduzem-me a es a lei u a. Pon ualmen e o p o esso p ojec ou
imagens a pa i do google ou mos ou um documen á io sob e um escul o
(como acon eceu uma ez, ao abalha sob e Be nini), azendo pa ece que o
p o esso adop a semp e es a pos u a pe an e os con eúdos p og amá icos nas
di e en es u mas. Mas, como é e iden e, sou in luenciado pelo meu passado
como aluno, pois assis i du an e á ios anos a p o esso es que u iliza am as
57
mesmas es a égias pedagógicas, azendo-me c e que não exis e uma g ande
adição na plani icação especí ica pa a cada u ma.
Mas Zabalza ai mais longe ao e e encia a impo ância do P og ama na
de e minação das “Funções e e idas aos p o esso es”, ais como a “Função de
Con olo” ([...] “o P og ama ajuda o p o esso a e i ica as aquisições dos
alunos”); a “Função de Compa ação” (en e as suas aulas e a de ou as, endo
uma e ei o “ anquilizan e”); a Função de P o ecção (nas exigências que possam
ul apassa o p óp io P og ama); a Função de Con a o (de inindo o que é
exigido ao p o esso ) e a Função de P o issionalização” (cen ada na o mação
especializada dos p o esso es). (1998:15)
Es as Funções são undamen ais pa a comp eende mos a impo ância do
P og ama mas elas não de inem po si só qualque me odologia e e en e à
p og amação. O P og ama é um menu de con eúdos que podem se abalhados
de di e sas o mas, como di e en es ing edien es alimen a es podem da o igem a
múl iplos p a os con eccionados segundo o gos o e in e esse do che p ocu ando
ag ada ao máximo o gos o dos clien es.
Podemos assim conside a que o Cu ículo é cons uído e pensado no
sen ido de e o ça as es a égias de inidas pelo pode , es u u ado nos á ios
p og amas das disciplinas. Cabe á aos p o esso es analisá-los e in e p e á-los no
sen ido de cons ui e plani ica es a égias pedagógicas de aco do com os
in e esses dos alunos.
O p oblema é que na elação com o abalho, as polí icas nacionais pa a a
Educação são «pouco mais do que in e p e ações de e sões ou guiões (...) e
ecebem a sua legi imação de ideologias, alo es e cul u as de ní el mundial»
(Dale, 2001: 139) pa a se o na em mais e icazes. E a e icácia é de e minan e na
o ma como acei amos ou não o uncionamen o de uma coisa, al como nos
a i ma Cab al Pin o: «Com a expansão da ep essão p odu i a, ez a ança a
ci ilização ociden al pa a ní eis de e icácia cada ez mais ele ados» (1995:9).
De ac o, podemos conside a que odas as e o mas cu icula es
implemen adas ao longo da his ó ia pa ecem e po p incípio comum a e icácia
64
8. Mo i ações pa a a elabo ação de uma p opos a
8.1. O p o esso adio ónico: ( e)pensa es a égias
Fig. 2: Joseph Kosu h, Uma e T ês Cadei as. Madei a e Fo og a ia em p a a coloidal, 1965. Fon e: Wikipedia
A ob a One and Th ee Chai s (Uma e T ês Cadei as), que o a is a
ame icano Joseph Kosu h ap esen ou no MoMa em No a Io que numa exposição
de a e concep ual, inha como objec i o coloca a a e como on e de
in o mações, e não como concepção es é ica. O au o explicou que a exp essão
da ob a es á na ideia e não na o ma. Pa a ele, as o mas são apenas um a i ício
ao se iço da ideia.
A ob a con ém ês o mas de uma cadei a: a dob á el, comum; uma
o og a ia de uma cadei a e a imagem aumen ada de uma de inição de um
dicioná io sob e a pala a "cadei a". A ob a em como obje i o es imula o
espec ado com a ideia ísica, ep esen a i a e e bal do obje o. O a is a
ques iona como as ep esen ações de um ema se elacionam com esse ema
p op iamen e di o, além de explo a como essas elações são comp eendidas e se
de e minada o ma em mais alo que ou a. Kosu h pede ao espec ado que
65
analise como a a e e a cul u a são manipuladas po meio da linguagem e dos
signi icados.
A cadei a de madei a usada pelo a is a é um exemplo comum e i ada de
seu con ex o usual e ecolocada num museu. Des a manei a, a cadei a é p i ada
da sua unção u ili á ia e ganha um no o signi icado: um objec o de a e pa a
con emplação.
A o og a ia a p e o e b anco em a unção de despe a ques ões
impo an es a espei o da e dade e da imi ação do espaço museológico. T a a-se
de uma o og a ia da mesma cadei a que es á expos a.
Kosu h oi um dos p imei os a is as a in es iga a na u eza linguís ica da
p odução a ís ica. As pala as êm o pode de c ia conhecimen o e
en endimen o, sob e udo pela manei a como são ap esen adas. Quando lemos a
de inição do dicioná io pa a a pala a "cadei a", al ez es a seja apidamen e
elacionada com uma das igu as disponí eis pa a ap eciação - a o o ou a p óp ia
cadei a - no en an o, de manei a isolada, a de inição pode e oca expe iências
pessoais com ou as cadei as.
A a és da análise da ob a de Kosu h e do que es a pode signi ica ,
in e essa-me, undamen almen e, e le i sob e as di e en es ep esen ações que o
ac o de expe iencia uma dada ealidade, seja a a és de uma imagem ou de um
ex o (esc i o ou o alizado) é di e en e da ealidade objec ual, ísica. Ou seja, se o
p o esso u iliza a oz como p incipal e amen a de comunicação apenas pode
abalha com a imaginação dos alunos, is o se eles es i e em em sin onia com o
discu so.
O p oblema é que con inuamos a insis i nos mesmos modos de
ap ende /ensina que a escola, com a sua aiz mode na, implemen ou há mais de
100 anos, mas de emos encon a al e na i as, pois
«I is no longe possible o hink abou li e acy in isola ion om a as
a ay o social, echnological and economic ac o s. Two dis inc ye
66
ela ed ac o s dese e o be pa icula ly highligh ed. These a e, on he
one hand, he b oad mo e om he now cen u ies long dominance o
w i ing o he new dominance o he image and, on he o he hand, he
mo e om he dominance o he medium o he book o he dominance o
he medium o he sc een. These wo oge he a e p oducing a e olu ion
in he uses and e ec s o li e acy and o associa ed means o ep esen ing
and communica ing a e e y le el and in e e y domain».
(Ca ey Jewi , 2008: 241)
Po ou as pala as, o au o suge e que de emos u iliza ecu sos mais
p óximos da ealidade quo idiana dos alunos. Os manuais escola es es ão
echados e limi ados nas escolhas dos au o es não pe mi indo ac escen a
in o mação e o p o esso , a é pelo peso da o ça dos exames nacionais, o ien a os
alunos no sen ido da mensagem que as o ças de pode p e endem ansmi i . No
en an o, a imagem dos sis emas de pode , que o ganizam os conhecimen os que
de em p e alece e de em se ansmi idos às ge ações u u as, pode muda . Se
du an e séculos o ociden e en ou alcança a supe io idade a a és da u ilização
das imagens iconog á icas e da esc i a, hoje os países cada ez mais
mul icul u ais ( u o da imig ação) podem ( e)esc e e a his ó ia podendo
di ulgá-la, po exemplo, a a és da in e ne .
O p o esso que u iliza a oz como p incipal ins umen o de comunicação,
não se azendo acompanha de ou os ecu sos que possam ajuda na melho
comp eensão dos concei os es á, no meu pon o de is a, a igno a ou as
possibilidades pedagógicas que ap oximam mais os alunos dos con eúdos
p og amá icos.
Analisemos uma e lexão esc i a no diá io de bo do a p opósi o des as
ques ões:
67
O dia começa no amen e chu oso. Olhando pela janela da sala emos a
chu a a cai dando-me uma sensação de con o o po es a num local onde o
conhecimen o é pa ilhado.
Penso na chu a que cai incessan emen e sob e as casa, os ca os e as
plan as, não ha endo nada que se possam aze pa a a impedi de cai .
No undo, o p o esso unciona como uma nu em que abso e o apo de
conhecimen os e depois os desca ega sob e as plan as pe mi indo-lhes c esce .
Mas ac edi o que, al como o p o esso , o excesso de chu a sem que o
sol b ilhe ans o ma-nos em se es mais aba idos e menos ac i os.
Os con eúdos p og amá icos inundam os alunos impedindo-os de
abso e de o ma con olada cada go a de conhecimen o, ag a ado pela
di isão das disciplinas em blocos de 90 minu os, em cinco manhãs e cinco
a des.
Mas mesmo se pensa mos numa sé ie de dias em que a me eo ologia
eima em inunda -nos, a água pode se desca egada sob di e sas o mas
menos monó onas: aguacei os, ne e ou g anizo. E, quando as nu ens êm
excesso de ene gia, es a é desca egada em o ões e aios.
Numa aula adio ónica, ou seja, onde apenas exis e uma nu em, nunca
há a possibilidade de o oada que al e e a o ina des es alunos.
13 de Fe e ei o, 2014
68
O ádio oi, du an e á ias décadas, o p incipal ins umen o de
comunicação a a és da adio equência que p essupõe um ansmisso e um
ecep o . Es e explo a apenas a audição de quem ecebe a in o mação endo
uncionado como um impulsionado da imaginação du an e mui os anos (com as
adiono elas ou ela os de u ebol, po exemplo). Mas a pa i da expansão da
ele isão à escala global ou, mais ecen emen e, da in e ne , a comunicação à
dis ância há mui o que se al e ou. Podemos a i ma que ac ualmen e a isão é o
p incipal apa elho de ecepção de in o mação à dis ância, com o ec ã a in adi o
nosso espaço público e p i ado como nunca se iu. As c ianças e jo ens
con i em dia iamen e com LCD’s, able s, sma phones e compu ado es
po á eis, possuindo câma as o og á icas e de ilma in eg adas nos seus
elemó eis, al e ando a o ma como egis amos a ealidade e como p oduzimos
in o mação. Hoje emos a possibilidade de amplia os egis os de um dado
acon ecimen o al e ando a sua impo ância na his ó ia. A po abilidade des es
ins umen os con e e-lhes uma impo ância conside á el pois podem unciona
como uma a ma de egis o que pode ajuda a comba e as o ças manipulado as
do pode .
De emos e em conside ação que um p o esso de e es imula no aluno o
espí i o c í ico no sen ido de ensaia ou as possibilidades de lei u a e
in e p e ação de uma dada ealidade. A imagem, es á ica ou em mo imen o,
amplia essas possibilidades podendo se i de pon o de pa ida pa a o deba e de
ideias, como uma a ena que possibili a o con on o. Cla o que a ádio con inua a
c ia momen os que apelam à imaginação mas pe de o ça em elação à ele isão
e à in e ne quando p ocu amos um supo e que si a de ignição pa a a
cons ução de opiniões sob e uma de e minada ob a a ís ica.
Segundo Rui Caná io, a « al a de in e esse dos alunos cons i ui uma ou a
queixa c ónica dos p o esso es, mani es ada em múl iplas e di e enciado as
es a égias de de esa e ecusa de en a no jogo escola » (2006:31). No e-se que o
e lexo des a al a de in e esse ques iona a qualidade do abalho do p o esso , no
sen ido se é ou não su icien emen e adequada pa a despe a o in e esse dos
alunos.
69
Como nos diz o mesmo au o ,
«Po ou o lado, e ao con á io do que acon ece em si uações
o iginadas po uma cu iosidade genuína, quem coloca as pe gun as são
( eg a ge al) aqueles (os p o esso es) que já sabem as espos as. Es as
p é exis em às ques ões e co espondem a conhecimen o p oduzido e
impo ado da ins i uição escola . Po ou o lado ainda, aqueles que an es
de en a na escola (as c ianças) e am pe i os em ques iona os adul os
( equen emen e de o ma emba açan e) passam a se desenco ajados de
o aze e con idados a ap ende “boas espos as”, pa a ques ões que,
ambém com equência, não lhes in e essam.»
(Caná io, 2000:103)
Numa aula adio ónica o aluno é desenco ajado a pa icipa . Em suma,
ele é encaminhado po um sis ema de ensino ocado em ansmi i conhecimen os
que de em se ansc i os de o ma co e a no exame, num sis ema que se cen a
no p ocesso de epe ição de dados, excluíndo a possibilidade de pesquisa e
descobe a, de análise e in e p e ação.
Po ou o lado, o abalho de g upo pode e o ça o espí i o de união e de
coope ação em de imen o do abalho indi idual que p ocu a alo iza apenas
um sujei o. No meu en ende , o p o esso de e es imula as p á icas solidá ias no
sen ido de e o ça o abalho em equipa e de ajuda mú ua pois só assim
pode emos cons ui uma sociedade mais jus a e equilib ada.
8.2. O On em e o Hoje em His ó ia da Cul u a e das A es: pensa no aluno
como sujei o ac i o
Onde podemos si ua o ensino a ís ico nes e sis ema de inido pelas o ças
de pode ? Como nos de emos posiciona de o ma a ga an i que o aluno não
seja apenas um ins umen o mecânico? Como podemos elaciona o passado com
o p esen e numa ap oximação à ealidade dos es udan es?
70
A educação em po objec i o, segundo a Lei de Bases do Sis ema
Educa i o, «desen ol e a capacidade pa a o abalho e p opo ciona , com base
numa sólida o mação ge al, uma o mação especí ica pa a a ocupação de um
jus o luga na ida ac i a que pe mi a ao indi íduo p es a o seu con ibu o ao
p og esso da sociedade em consonância com os seus in e esses, capacidades e
ocações» (a igo 3º, e).
A ques ão é que a egulação nacional é «moldada e delimi ada po o ças
sup anacionais, assim como po o ças polí ico-económicas nacionais» (2001:
151), onde a globalização exe ce os seus e ei os sob e os sis emas educa i os
nacionais, azendo passa a mensagem de que o ensino das a es é menos
impo an e do que ou as á eas do sabe pa a o desen ol imen o económico de
um país.
Nas pala as de An ónio Damásio «A Ciência e a Ma emá ica são mui o
impo an es, mas a A e e as Humanidades são imp escindí eis à imaginação e
ao pensamen o in ui i o que es ão po ás do que é no o»9 ,e ambém os
pa ece es do Conselho Nacional da Educação10 «aconselham a adopção de
p ocedimen os já implemen ados em á ios países Eu opeus sob e a pe manência
da Educação Es é ica e A ís ica no ensino público, conside adas undamen ais
pa a o desen ol imen o do espí i o c í ico e da c ia i idade dos nossos alunos».
Pa a Ma ha Nussbaum (2010) «as Humanidades e as A es pe dem
e eno sem cessa , an o no ensino p imá io e secundá io como na uni e sidade,
em quase odos os países do mundo. Conside adas pelos polí icos acessó ios
9 Con e ência Mundial sob e Educação A ís ica o ganizada pela UNESCO em Ma ço de 2006, em
Lisboa
10 Ques ões e azões - Ro ei o de Educação A ís ica - Filomena Ma os e Helena Fe az
Pa ece 5/2010
Pa ece sob e Me as Educa i as 2021 (OEI) Rela ó io Nacional-P opos a de Me as pa a Po ugal
UNESCO, 2006.
Pa ece 1/1992
Educação A ís ica nas Á eas da Musica, Dança, Tea o, Cinema e Audio isual
Pa ece 3/1998
Educação Es é ica, Ensino A ís ico e sua Rele ância na Educação e na In e io ização dos Sabe es
Pa ece 10/1989
71
inú eis, numa época em que os países êm de des aze -se do supé luo pa a
con inua em a se compe i i os no me cado mundial»
As a es isuais pe mi em o desen ol imen o da c ia i idade, da
imaginação, da exp essão e da sensibilidade. Ajudam a desen ol e o espí i o
c í ico numa elação en e a ida e as a es. Pe mi em-nos egis a um espaço e
um empo, assim como exp imi mo-nos em imagens abs ac as (como as
emoções), pe mi indo ans o ma a ealidade em códigos, símbolos e imagens,
o nando-se num meio de comunicação undamen al. A a és das a es os alunos
p epa am-se pa a uma cidadania ac i a e desen ol em a sua pe sonalidade, como
memb os de uma comunidade.
No mani es o da associação de p o esso es de exp essão e comunicação
isual podemos le que «a educação pa a a comp eensão da cul u a isual o e ece
aos jo ens meios pa a ques iona em o luxo de imagens ansmi idas dia iamen e
pelos meios mediá icos, ajudando-os a comp eende em o seu papel de público
ecep o e de p odu o de signi icados» (2012:3). As c ianças e jo ens ao
sabe em in e p e a o na -se-ão cidadãos mais in o mados, ac i os e
incon o mados.
His ó ia da Cul u a e das A es é uma disciplina que em como dois dos
p incipais objec i os “consolida o sen ido de ap eciação es é ica do mundo [e]
mobiliza os conhecimen os adqui idos na disciplina pa a c i ica a ealidade
con empo ânea” (p og ama da disciplina, 2007: 5). O p oblema é que a o ma
como a escola es á o ganizada não enca a o aluno como um sujei o ac i o que
possa desen ol e po si mesmo um espí i o c í ico capaz de desen ol e um
aciocínio in e p e a i o e subjec i o, pois, como diz Rui Caná io,
«O uncionamen o da o ganização escola é ma cada po uma
compa imen ação es anda dizada dos empos, dos espaços, das o mas
de ag upamen o dos alunos, dos sabe es (lógica disciplina ). Es a o dem
empo al e espacial, bem como a na u eza da di isão do abalho en e
os p o esso es, es ão ao se iço de uma concepção cumula i a do
conhecimen o, em que o cu ículo escola co esponde a um menu de
72
in o mações, ansmi idas aos alunos em doses sequenciadas.
Alimen ando-se, em pe manência, em in o mações es u u adas ecebidas
do ex e io , o sis ema escola unciona endo como base a epe ição
dessas in o mações: epe ição pelo p o esso (a edundância é um
equesi o didá ico), epe ição pelo aluno, como meio de ap ende e como
meio de p o a o que ap endeu (p ocessos de a aliação).»
(Caná io, 2000:100)
No sen ido de enca a o aluno como sujei o ac i o, conside o que a
"ap endizagem pode de ini -se como uma cons ução pessoal, esul an e de um
p ocesso expe iencial" (Ta a es, 2007: 108) mas é, acima de udo, um p ocesso
elacional que implica a u ilização da linguagem, da comunicação, numa elação
cons u i a com o meio social e cul u al dos alunos. Podemos conside a que o
ac o de epe i es á na base do ensino au o i á io que se e simplesmen e pa a
domes ica o aluno segundo p incípios p é-es abelecidos (ou p og amados).
Pelas con e sas que ui endo com os alunos da u ma do 11º ano de A es
Visuais, que são na sua maio ia de Guima ães, pe cebo que cos umam pa icipa
em algumas es as popula es adicionais (como as es as Nicolinas, dos an igos e
no os es udan es), equen am o cen o his ó ico, pe co em as uas e habi am os
espaços. Conhecem pa e da his ó ia da cidade e êm o gulho em se
descenden es dela. No en an o, as p á icas pedagógicas a as am-nos da ealidade
his ó ica da sua cidade e do empo em que i em. Não são c iadas pon es en e o
passado e o p esen e no sen ido de melho comp eende a nossa exis ência como
cidadãos e, acima de udo, como se es humanos. Sou da opinião de que de emos
e em conside ação a impo ância do passado pois, como nos diz Ma oso,
«A His ó ia semp e exe ceu sob e os homens um i esis í el
ascínio. C eio que es e ascínio esul a de o homem es a con encido de
que pode encon a no passado algumas das espos as undamen ais
ace ca de si p óp io. P ocu a-se explica mui o do que hoje é «assim»
73
pelo que on em oi, e como oi. De ac o, a igno ância ou o desp ezo do
passado co espondem à en a i a absu da ou pe igosa de anula a
posição an e io ou de que e nega o eal.»
(José Ma oso, 2002: 14)
Mas de emos conside a , ambém, o p esen e, no sen ido de ensaia o
e o ço das elações en e os alunos, os alunos e o p o esso e os alunos e a
ealidade onde se inse em. P e endo que os alunos elacionem os seus
conhecimen os com os no os p opos os pelo p og ama e pelo p o esso no
sen ido de ensaia no as possibilidades de e e pensa a his ó ia. In e essa-me "o
desen ol imen o como um p ocesso de na u eza cul u al que se cons ói a pa i
das ocas, da pa ilha e da coope ação que as in e acções en e os sujei os e,
igualmen e, en e es es e os ins umen os de mediação ins umen al po enciam"
(T indade, e Cosme: 2010: 62).
Ou pensa , ainda, que
De ac o, nada em sen ido em si mesmo, mas em i ude da sua
elação com alguma coisa. A gama das elações eais ou possí eis, po
sua ez, é in ini a.
(José Ma oso, 2002: 14)
Segundo Vygo sky, a ap endizagem do indi íduo começa mui o an es da
sua i ência na escola, is o é, o “jo em” já é de en o de conhecimen o an es de
se “aluno”, e az uma sé ie de expe iências, emoções, p econcei os,
expec a i as, e c. Essa i ência, conhecimen o de ida, é ulc al pa a a o ma
como i á desen ol e a sua expe iência académica e o seu c escimen o enquan o
cidadão.
Se en ende mos que o conhecimen o escola ad ém da comunhão en e os
con eúdos p og amá icos, o aluno e o p o esso , en ão não de emos e i a
impo ância à colabo ação do aluno no momen o da cons ução do seu sabe . É o
de e do p o esso media os ac o es des e iângulo de o ma a ha moniza a
80
81
A pos u a ísica dos alunos é mui o impo an e. Pode dize ao p o esso
o que es á a aze ou simula acções. No undo, a pos u a do co po pode se i
de camu lagem, como se osse uma p esa a en a escapa do p edado . Mas
es e p edado em p epa ado ou as a madilhas, como o es e de a aliação.
Ele sabe que nesse dia a camu lagem não su e e ei o e apenas as p esas mais
bem p epa adas e einadas pode ão escapa .
No en an o, o p edado aqui é, ambém, um impo an e einado que ai
educa as p esas a escapa em à g ande caçada nacional - os exames.
De ac o, é uma o ma es anha de se ensina / ap ende A e. O maio
p oblema é a ausência de subjec i idade pois em nenhum momen o os alunos
azem uma e lexão a pa i de uma de e minada ob a.
Não in e essa, à luz des es mé odos, alimen a opiniões a iadas
ca egadas de subjec i idade.
Após os p imei os 45 minu os, o p o esso decide p ojec a umas
imagens a pa i da in e ne .
“De aneios de uma loi a”. É o nome da imagem p ojec ada na ela do
Palácio da Bolsa, no Po o. É um dos p oblemas que emos de sabe ge i ao
u iliza a in e ne .
No en an o, ac edi o que es a e amen a amplia bas an e o leque de
opções em elação ao manual escola .
A imagem o na-se num elemen o undamen al pa a comunica mas o
p o esso u iliza-a como uma ilus ação das suas eo ias. Elas não alam po si
nem se em de pon o de pa ida pa a que os alunos cons uam um discu so
c í ico.
Mas o es e de a aliação con inua a se a on ei a en e o sucesso e o
insucesso.
82
Como se as a es isuais dependessem disso. As es a égias de
ansmissão de conhecimen os como a “declamação” de con eúdos, o
sublinha no manual escola de algumas ases, concei os, da as ou nomes e
esc e e no cade no a pa i do que se ou e, es abelecendo a memo ização dos
con eúdos pa a os despeja no es e, azem-me c e que es e mé odo não
ap oxima os alunos da a e, da sua his ó ia e da sua elação com as p á icas
a ís icas con empo âneas.
Reco do-me dos meus empos de aluno no secundá io e do sac i ício que
e a es uda a his ó ia da a e (incluindo a con empo ânea). Pe cebi mais a de
que há ou as o mas de a comp eende como a a és de isi as a exposições,
pela ealização de abalhos p á icos com écnicas a ís icas, a a és de
abalhos de g upo onde se alia a imagem com a esc i a, num p ocesso de
mú ua análise e comp eensão.
Mas pe cebi, ambém, que é undamen al c ia espaços de deba e na
aula pa a possibili a a oca de opiniões, isões e in e p e ações, no sen ido
de ensaia uma e lexão c í ica mais posi i a. Só assim se pode omen a o
espí i o c í ico indi idual, na sua elação com os ou os.
18 e 25 de No emb o, 2013
83
PARTE IV
PLANO DE INVASÃO: A INTERVENÇÃO NO ESTÁGIO
84
85
Hoje é a p imei a aula depois da pa agem de ca na al.
Na an e io i e a opo unidade de ap esen a à u ma a p opos a
didá ica a desen ol e . O objec i o é in e e a o ina das aulas onde o
p o esso é a igu a dominan e de en o a de odo o conhecimen o e os alunos os
depósi os passi os de con eúdos.
Ap esen ei cinco emas que já inham sido abo dados pelo p o esso (po
suges ão des e) e cada aluno escolheu aquele com que mais se iden i icou.
Reo ganizei a u ma em cinco g upos de qua o alunos.
Dis ibuí alguma in o mação pelos g upos como ex os, li os, imagens e
um ilme.
P e ende-se que cada g upo aça um abalho de pesquisa sob e o ema
mas, ambém, que c ie uma p opos a plás ica ou isual na sua elação com o
meio onde i e.
O p o esso disse-me que não e ia mui o empo pa a abalha com os
alunos - apenas uma aula de 90 minu os pa a abalho e ou a pa a
ap esen ação - limi ando o meu campo de abalho.
Receio que eles, ao e em de abalha o a do espaço de aula (e esse
não e a o objec i o inicial) não enca em a p opos a como azendo pa e da
disciplina, que seja mais um abalho de casa no meio de an os ou os.
No undo, eceio que es ejam de al o ma domes icados que o empo que
me é disponibilizado não seja su icien e pa a sol a ama as e o esul ado inal
seja pob e e pouco sen ido pelos alunos.
Possuo o desejo de se su p eendido.
06 de Ma ço, 2014
86
9. Mo i ação pa a a p opos a didác ica
«Es imula a in enção em ez da e elação. A c iação em ez da
descobe a. A e ichização em ez da des e ichização. A ab icação de
"coisas" em ez da des- ei icação. A "a e" em ez da "ciência". O
a i ício em ez do genuíno. O a e a o em ez do a o. O ei o em ez do
achado.»
(Co azza & Tadeu, 2003: 10)
À medida que ia assis indo às aulas ia cons uindo a ideia de que azia
cada ez mais sen ido desmis i ica a ideia do p o esso como único p odu o [e
ansmisso ] de conhecimen os. To na a-se u gen e delinea uma es a égia que
pe mi isse coloca os alunos numa posição que lhes possibili asse enca a os
con eúdos p og amá icos de uma o ma mais ac i a numa elação en e o passado
e o p esen e. No undo, a a-se de en a deci a a o dem possí el do mundo
a a és da elação en e o on em e o hoje, como suge e o í ulo des e abalho.
As no as de e eno que ui ecolhendo, u o da minha pos u a como
obse ado -pa icipan e, e ela am-se undamen ais pa a iden i ica a
p oblemá ica pedagógico-didác ica a pa i da qual o ien ei o meu es udo e a
minha in e enção.
Embo a os in e enien es des a elação pedagógica não i essem a noção
da ealidade pe cepcionada po mim, a é pelo ac o de eu pode es a den o e
o a des e “ eali y show”, o na a-se u gen e pa a mim pô em p á ica uma
es a égia de acção que pe mi isse um abalho colabo a i o en e múl iplos
agendes no sen ido de en a ensaia algo no o, di e en e da ealidade quo idiana
que em p eenchido as múl iplas ho as dedicadas ao ensino e ap endizagem da
cul u a, da a e e de udo o que lhe es á ine en e nes a disciplina.
Após conside ada a p oblemá ica a se abalhada nes e con ex o e após
comp eendida a o ma como ela a e a a o con ex o pedagógico, oi impo an e
e lec i sob e as consequências que ad inham da minha in e enção. A pa i
87
dos dados ecolhidos, de ini es a égias e me odologias com o objec i o de
desenha uma p opos a que ma e ializasse as conside ações ecidas.
10. P opos a didác ica
Como oi e e ido an e io men e, a p opos a incidiu sob e cinco emas a
se em abalhados em g upo. A me odologia de abalhado oi discu ida com a
u ma, de e minando-se que num p imei o momen o dedica íamos duas aulas
pa a in es igação, acompanhadas pelo p o esso coope an e e pelo es agiá io, e
duas dedicadas às ap esen ações.
Após uma b e e eunião com o p o esso , es e in o mou-me que os emas
a se em abalhados com a u ma de e iam se do conhecimen o des a, ou seja,
que não pa issem do ze o mas an es a pa i do que o p o esso já inha abo dado
com os alunos. Con esso que eu p e endia p ecisamen e o con á io, que os
alunos pa issem à descobe a endo como pon o de pa ida algum ma e ial
didác ico o necido po mim, onde eu e o p o esso unciona íamos como
condu o es do p ocesso de ensino-ap endizagem. A nossa condução se ia semp e
no sen ido das descobe as dos alunos, en ando encaminhá-los numa
in e p e ação li e dos dados p opos os. Pe cebi que o p o esso coope an e
es a a mais lexí el pe mi indo que eu u ilizasse mais empos lec i os do que o
que es a a inicialmen e p e is o.
Comecei po ap esen a à u ma os cinco emas que se inse em no módulo
8 - A Cul u a da Ga e:
MÓDULO
8
TÍTULO DO MÓDULO: A Cul u a da Ga e
Sín ese dos p incipais con eúdos
A elocidade impõe-se.
1. Tempo - 1814-1905. Da ba alha de Wa e loo à Exposição dos Fau es.
2. Espaço - A Eu opa das Linhas Fé eas. Domínio das linhas é eas ligadas às
indús ias.
3. Biog a ia - O engenhei o Gus a e Ei el (1832-1923). A up u a do e o
88
p opos a po Ei el: o p agma ismo e o simbólico.
4. Local - A Ga e. Espaço onde udo a luía. Dela dependia ago a a di ulgação.
5. Acon ecimen o - A 1.ª Exposição Uni e sal (Lond es, 1851). A apologia da
máquina, do e o e das no as ecnologias. Recuam os sabe es adicionais.
6. Sín ese - O indi íduo e a na u eza. A na u eza é um e úgio p i ilegiado dos
a is as.
7. 1º Caso p á ico - Palácio da Pena, Sin a (1838-1868/1885). A a qui ec u a
omân ica e a sedução da Idade Média. Do es au o à ein enção.
8. 2º Caso p á ico - I alian amily on e y boa lea ing Ellis Island (1905).
Fo og a ia de Lewis Hine (1874-1940). A cap ação de sensações óp icas ai se
pos e io men e u ilizada pelo ealismo e imp essionismo.
9. 3.º Caso p á ico - T is ão e Isolda (1857 – 9) de Richa d Wagne (1813 –
1883): “P elúdio” (Ac o 1) e “Mo e de Isolda” (Ac o 3, Cena 3). A ob a de a e
o al: Pala as, Música, Dança (ou Ges o), A es Plás icas, Encenação e Acção
combinam-se ao mesmo ní el, enquan o eículos pa a a exp essão de uma ideia
d amá ica única. Uma lenda medie al de ele ância uni e sal.
En e a ilus ação do sonho e a cap ação do eal.
10. O Roman ismo - O passado enquan o e úgio. O Palácio da Pena em Sin a
como expoen e da a qui ec u a omân ica. A sedução da Idade Média. Do
es au o à ein enção: a a qui ec u a e i alis a.
11. A pin u a omân ica - O iun o da emoção. Da exal ação do eu à a e pela
a e. A pin u a como expoen e dos alo es omân icos. As pá ias do
oman ismo: F ança, Alemanha e Ingla e a. A pin u a omân ica em Po ugal.
12. O Realismo e o Imp essionismo - Um no o olha sob e o eal. O ascínio da
o og a ia. Da ida como ema ( aze e dadei o), à cap ação das sensações
óp icas. Pa is, capi al da a e. Da pin u a ealis a à pin u a imp essionis a. Pa a
além do Imp essionismo: o Neo-Imp essionismo (di isionismo) e o Pós-
Imp essionismo. A escul u a: Augus e Rodin. A pin u a e a escul u a em
Po ugal no século XIX.
13. A a e ao edo de 1900 - Mundo no o, o mas no as.
89
Nes e sen ido, os emas p opos os aos alunos o am os seguin es:
P opos a 1 | A o og a ia de Lewis Hine
Fig. 3: Fo og a ia de Lewis Hine que e a a o abalho in an il em Macon, Geo gia, no século XIX.
Es a o og a ia oi ap esen ada aos alunos na p opos a didác ica. Fon e: wikipedia
P e endeu-se com es e abalho que os alunos omassem como pon o de
pa ida o abalho o og á ico de Lewis Hine, no sen ido de ealiza em um
abalho que i esse em conside ação duas á eas concep uais:
A p imei a de e ia incidi num abalho de in es igação que p ocu asse
pe cebe as in enções da o og a ia des e au o , de inindo e explicando o papel da
o og a ia na segunda me ade do séxulo XIX, e e enciando o(s) modo(s) como
Lewis Hine es emunhou o seu empo.
A segunda, p opunha aos alunos ealiza em um abalho que p ocu asse
c ia elações com a con empo aneidade, em egis o o og á ico ou ídeo, no
in ui o de e a a p oblemá icas do nosso empo.
96
12. Análise das p opos as de abalho
Analisando a p opos a de abalho cen ada na o og a ia de Lewis Hine
(P opos a 1), o g upo de qua o alunas começou po ealiza um abalho de
in es igação no manual escola e na in e ne (Fig.12), compa ando in o mação e
analisando os con eúdos, acompanhados po mim e pelo p o esso coope an e.
O esul ado inal consis iu num ídeo ealizado pelas alunas, ilmado jun o
a uma an iga áb ica de cu umes, ence ada há á ios anos. O ilme consis iu
numa encenação de uma en e is a a Lewis Hine, ep esen ada po uma das
alunas, ou a ez de sua esposa, a e cei a de en e is ado a e a qua a aluna de
ope ado a de câma a. No inal, o g upo jun ou-se pa a ealiza a mon agem.
A en e is a oi acompanhada po imagens das o og a ias do o óg a o, à
medida que ia desc e endo as di e en es emá icas abo dadas po Lewis Hine
(Fig. 13 e 14). Ap esen a a á ios momen os de humo com discussões en e o
a is a e a sua mulhe sob e p oblemá icas a ís icas, endo sido impo an e a
elabo ação do guião, com pe gun as e espos as sob e a ida e ob a do a is a.
Ou o aspec o impo an e des e abalho oi o ac o do g upo e ap esen ado
algumas o og a ias cap adas pelas alunas, ep esen ando algumas das
p oblemá icas da ealidade ac ual e que as alunas êm como ques ões
impo an es da nossa sociedade, ais como a imig ação, o abalho p ecá io em
pa - ime e a ausência de abalho pa a jo ens a is as (Fig. 15, 16 e 17). O
o ma o de ap esen ação à u ma oi em ídeo-p ojecção.
Fig. 12: G upo de in es igação sob e Lewis Hine à di ei a na imagem.
Fon e: p óp io
97
Fig. 13 e 14: P ojecção do ilme na sala de aula com as alunas a assumi em o papel de Lewis Hine e esposa, com
uma das suas o og a ias a passa no can o in e io di ei o (imagem da esque da). À di ei a, emos as alunas a
simula em a mo e do o óg a o, caindo no chão. Fon e: p óp io
Fig. 15, 16 e 17: Fo og a ias p ojec adas pelas alunas no inal do ilme ep esen a i as de algumas p oblemá icas
ac uais como a imig ação o çada, o abalho p ecá io e a al a de abalho pa a jo ens a is as (com os musicos a
oca em na ua).
98
Analisando a P opos a 2 sob e o Neo-Imp essionismo a pa i da ob a de
Seu a , o g upo de abalho começou po in es iga sob e es e pe íodo a ís ico
(Fig. 18). Apesa do en usiasmo inicial, es e g upo de ês apazes oi
ap esen ando alguma apa ia em elação ao abalho. O p o esso coope an e
disse-me que es es alunos são pa icula men e desin e essados no que espei a
aos di e sos con eúdos da disciplina. Nesse sen ido, en ei mo i á-los pa a a
c iação de um abalho plás ico ou isual com uma écnica com a qual se
iden i icassem com o objec i o de c ia em elações pessoais com o abalho. No
en an o, o p ocesso de in es igação po mim acompanhado oi mais demo ado
com es e g upo. Sen i que não inham mé odo de abalho, al ez po es a em
mecanizados a abalha indi idualmen e, ou simplesmen e po que não sen em
in e esse po es es con eúdos. Apesa de udo, o abalho oi p og edindo.
Con e samos sob e possí eis elações en e a écnica do pon ilhismo
desen ol ida po Seu a com os minúsculos pixels dos moni o es que, no seu
conjun o, o mam uma imagem a a és da conjugação de múl iplas co es e
pon os de luz. Es a elação pa eceu despe a nos alunos um maio in e esse pelo
abalho.
Fig. 18: T abalho de pesquisa. Fon e: P óp io
99
Assim, ap esen a am um abalho isual em p ojecção na sala de aula (Fig.
19 e 20) que euniu os concei os ine en es ao Neo-Imp essionismo, explicando as
écnicas, os emas e os p incipais a is as, elacionando es e mo imen o a ís ico
com algumas écnicas de ep esen ação de ou os mo imen os a ís ico (como
acon eceu na A e Pop ou na s ee a ) (Fig. 21 à 25). O g upo ap esen ou, ainda,
uma imagem da Pla a o ma das A es e da C ia i idade (museu de Guima ães)
abalhada digi almen e em pon ilhismo pelos alunos, c iando uma elação
di ec a com o e i ó io onde i em (Fig. 26).
No en an o, na aula de ap esen ação des e abalho, a u ma mudou de sala
de ido à ocupação de g ande pa e das salas de aula pa a a p epa ação dos alunos
pa a os exames nacionais. Es a mudança ouxe um con a empo, pois o ídeo-
p ojec o ap esen ou um p oblema na lâmpada impedindo a ap esen ação do
abalho nas melho es condições, como se pode e nas Figu as 19 e 20.
Fig. 19 e 20: Ap esen ação do abalho sob e o Neo-Imp essionismo. Fon e: P óp io
100
Fig. 21, 22 e 23: Imagens ap esen adas pelos alunos c iando elações en e a ob a de Seu a (à esque da) com pin u as
g a i i con empo âneas. Fon e: Wikipedia e Google
Fig. 24 e 25: Imagens ap esen adas pelo g upo, c iando elações en e o pon ilhismo e os pixel. Fon e: Google
Fig. 26: P ojecção do abalho isual ealizado pelo g upo u ilizando a écnica do pon ilhismo. Fon e: P óp io
101
No que espei a ao abalho de g upo a pa i da ob a de Mille e do ilme
“As espigado as e a espigado a” de Agnès Va da (P opos a 3), as alunas
ap esen a am o abalho no p og ama P ezi, pe mi indo um maio dinamismo
isual em compa ação com o adicional Powe poin . Pa a além disso,
o ganiza am o abalho numa Timeline (Fig. 26).
O concei o de Timeline pe mi e ao aluno uma isualização mais ala gada
de um acon ecimen o e da sua elação com ou os e en os da mesma ou ou a
ealidade. A a és des e disposi i o o aluno consegue econhece os con eúdos
abo dados e compa á-los com ou os de o ma a pode aze uma análise mais
cla a do indi idual ao colec i o e semp e de uma o ma c onológica.
Alguns in es igado es concluí am que quando os alunos são con on ados
com “pedaços sol os” de con eúdo his ó ico, eles êm di iculdade em en ende a
ligação a ou os e en os, is o é, o aluno não az a elação en e e en os
indi iduais ou pon uais e ou os acon ecimen os de g ande ele ância his ó ica e
espec i as consequências numa linha empo al, pe dendo-se assim o concei o de
His ó ia.
Fig. 26: P ojecção do abalho em Timeline, pe mi indo isualiza odo o ambien e de abalho. Fon e: P óp io
102
As cinco alunas ap esen a am um abalho dinâmico sob o pon o de is a
isual, começando po explica as p incipais ca ac e ís icas que de inem o
Realismo assim como alguns dos p incipais a is as des e mo imen o (Fig. 27 e
28). Com a minha o ien ação, as alunas cen a am-se p incipalmen e na ob a de
Mille no sen ido de c ia elações com o lado concep ual das suas ob as e não
apenas com a écnica, ocando aspec os da ida social do século XIX na elação
com a ac ualidade (Fig. 29, 30 e 31). Pa a ealça es e aspec o, as alunas
selecciona am pa es do ilme c iando um esumo dos momen os que
conside a am mais impo an es à luz dos con eúdos ap esen ados.
Fig. 27 e 28: Ap esen ação dos p incipais concei os do Realismo e da Ob a de Mille . Fon e: P óp ia
Fig. 29, 30 e 31: C iação de elações en e o passado e o p esen e. Fon e: P óp io
103
Rela i amen e ao abalho sob e Ra ael Bo dalo Pinhei o (P opos a 4), al
como sucedeu em odos os g upos, os alunos começa am pela in es igação. Um
aspec o que conside o impo an e oi o ac o des es es udan es e em usado o
compu ado si uado no “luga do p o esso ”. O eposicionamen o dos co pos na
sala de aula ajudou a al e a o quo idiano des es alunos e des e docen e. O
p o esso deixou o seu “luga de segu ança” in adindo a á ea [apa en emen e]
des inada aos alunos, ap oximando os p o agonis as de um mesmo ilme que se
p e ende com um inal eliz.
Fig. 32: Alunos sen ados no “luga do p o esso ”. Fon e: P óp io
Os ês alunos começa am po pesquisa os sí ios o iciais na in e ne sob e
o a is a (como o sí io do Museu Bo dalo Pinhei o). Recolhe am in o mações
sob e a sua ida e ob a ap esen ando-a e discu indo-a comigo e com o p o esso
coope an e, no sen ido de pe cebe os aspec os mais ele an es pa a es e abalho.
Visualiza am dezenas de imagens das inúme as ob as c iadas pelo a is a,
en ando c ia elações en e elas, en e as ob as e a sua ida e en e es a e o
modelo social da época em que i eu (Fig. 33 e 34). O esul ado inal oi uma
104
ap esen ação no p og ama P ezi num o ma o g á ico p óximo de um jo nal (Fig.
35 a 38), es ando disponí el pa a isualização on-line no sí io o icial do
p og ama. Os alunos ansmi i am que a ideia essencial oi ealça á ios
aspec os da sua ida a ís ica, mas ambém do seu abalho enquan o jo nalis a
p eocupado em ale a a sociedade pa a os p oblemas sociais e polí icos em
Po ugal na p imei a me ade do século XX.
Fig. 33 e 34: T abalho de in es igação e pesquisa de imagens. Fon e: P óp io
Fig. 35 a 38: Ap esen ação do abalho com aspec o g á ico seelhan e a um jo nal. Fon e: P óp io
105
Ou o aspec o impo an e des e abalho oi a ap esen ação de uma
ca ica u a ealizada pelos alunos do P imei o Minis o po uguês a ansmi i a
mensagem “emig em...”, numa cla a alusão a um dos p incipais p oblemas que
pe segue os jo ens des e país. numa elação en e a ac ualidade social e polí ica e
a da p imei a me ade do século XX (Fig. 39 e 40).
Fig. 39: Ca ica u a desenhada pelos alunos. Fon e: P óp io
Fig. 40: Ca ica u a de Ra ael Bo dalo Pinhei o, Alonso em Os Ridículos, 1923. Fon e: Wikipedia
112
dados his ó icos são abalhados na escola é que c iam um a as amen o e uma
on ei a en e o on em e o hoje. Como nos diz o mesmo au o ,
«a obse ação do passado não se des ina a um macab o abalho
de desen e a mo os. Não é uma iagem ao eino das somb as, nem
pode esul a de uma p edilecção ba ien a pelo que o empo es e ilizou. O
que es á mo o, es á mo o. De ac o, só me in e essam as coisas i as,
que me in e pelam, que se me em comigo. Só me in e essa o p esen e e a
manei a de me mo imen a no espaço e no empo em que i o. Que o com
is o dize que só me a ai, no passado, aquilo que me pe mi e
comp eende e i e o p esen e.»
(idem:16)
Ou seja, pa a comp eende mos o passado é p eciso elaciona mo-nos com
ele, não conhecendo odos os seus po meno es, como é ób io, mas como uma
o alidade da qual azemos pa e e onde de emos inse i -nos. É es a en a i a de
en a compa a o passado com o p esen e que me pe mi e en ende os modos de
i e em sociedade na ac ualidade. Não só os concei os da a e e da cul u a, mas
ambém dos enómenos polí icos, económicos, sociais e a é eligiosos, no sen ido
de ga an i uma ida mais plena, equilib ada, jus a e eliz. Inse i -me no p esen e
mas com consciência do que nos odeia e das o ças que nos mo imen am,
en ando, semp e que possí el, e le i sob e a ealidade. De emos, en ão,
p ocu a en ende os modos de uncionamen o da sociedade e dos mo imen os
colec i os que a azem gi a numa elocidade cada ez mais supe sónica que
a o iam a nossa pe cepção e camu lam alguns p oblemas da sociedade
con empo ânea.
Assim, o esquema me odológico da p opos a didác ica inspi a-se ambém
nos p ocessos de imaginação e pe spicácia dos alunos. Como diz Ma oso «a
his ó ia esc i a esul a, ob iamen e, da in ensidade da descobe a» (ibidem:20),
mas os alunos de em elaciona “a descobe a” consigo mesmos, p ocu an o na
113
sua in imidade as o ças que nos azem mo e , lendo-se nos con eúdos
es udados.
114
115
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Es ágio Pedagógico ealizado na Escola Secundá ia F ancisco de
Holanda possibili ou-me olha e e le i sob e o ensino da His ó ia da Cul u a e
das A es de uma o ma p i ilegiada. A ecep i idade, comp eensão e empenho
da u ma, assim como o apoio do p o esso coope an e, o am undamen ais pa a
a ealização des e abalho, possibili ando-me desen ol e conhecimen os sob e
p oblemá icas exis en es na escola ac ual.
De emos en ão conside a que o p o esso de e e semp e em a enção a
u ma especí ica de cada ano lec i o. Que o p o esso de e es imula no aluno o
espí i o c í ico no sen ido de ensaia ou as possibilidades de lei u a e
in e p e ação de uma dada ealidade, no sen ido de enca a o aluno como sujei o
ac i o.
De emos ambém e le i sob e a ap endizagem como um p ocesso
elacional que implica a u ilização da linguagem, da comunicação, numa elação
cons u i a com o meio social e cul u al dos alunos. De emos conside a ,
ambém, o p esen e, no sen ido de ensaia o e o ço das elações en e os alunos,
os alunos e o p o esso e os alunos e a ealidade onde se inse em. P e endo que
os alunos elacionem os seus conhecimen os com os no os p opos os pelo
p og ama e pelo p o esso no sen ido de ensaia no as possibilidades de e e
pensa a his ó ia.
Podemos ainda en ende que cada aluno em o po encial de pode cons ui
o seu p óp io conhecimen o, assim como as écnicas e mé odos pa a o alcança . É
en ão o nosso papel, como p o esso es, en ende como unciona cada um e
conduzi-los de o ma a explo a essa capacidade e po encializá-la.
«Que ia, inalmen e, ansmi i a con icção de que a esc i a em His ó ia é
um discu so pessoal. Que o com is o dize que esul a da minha in e p e ação.
Como al, não exclui ou as manei as de e . Temos de admi i que a in ini a
iqueza do passado humano se e ela em mais do que uma única o denação, e
que es a depende dos pon os de is a, que são mui os. Nenhum discu so pode
jamais esgo á-la.» (Ma oso, 2002:21)
116
117
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