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Contribuição para o estudo da adaptação portuguesa da Entrevista de Diagnóstico das Perturbações do Comportamento Alimentar-IV (IDED-IV) específica para a anorexia nervosa = Contribution to the portuguese adaptation of the Interview for the Diagnosis of Eating Disorders-IV (IDED-IV) specifically for anorexia nervosa

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Contribuição para o estudo da adaptação portuguesa da Entrevista de Diagnóstico das Perturbações do Comportamento Alimentar-IV (IDED-IV) específica para a anorexia nervosa = Contribution to the portuguese adaptation of the Interview for the Diagnosis of Eating Disorders-IV (IDED-IV) specifically for anorexia nervosa

Author: Sandra Torres,Marina Prista Guerra,Leonor Lencastre,Donald A. Williamson,António Roma-Torres,Filipa Vieira
Year: 2008
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/9188/2/84030.pdf
To es S e al Adap ação Po uguesa da IDED-IV pa a a Ano exia Ne osa
113
INVESTIGAÇÃO ORIGINAL ISSN 0871-3413 • ©A quiMed, 2008
Con ibuição pa a o Es udo da Adap ação Po uguesa da En e is a de Diag-
nós ico das Pe u bações do Compo amen o Alimen a -IV (IDED-IV) Específica
pa a a Ano exia Ne osa
Sand a To es*, Ma ina P is a Gue a*, Leono Lencas e*, Donald A. Williamson†, An ónio Roma-To es‡,
Filipa Viei a*
*Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o, Po ugal; †Penning on Biomedical
Resea ch Cen e and Depa men o Psychology, Louisiana S a e Uni e si y, USA; ‡Se iço de Psiquia ia, Hospi al
de São João, Po o, Po ugal
ARQUIVOS DE MEDICINA, 22(4/5):113-9
In odução: A en e is a é conside ada um mé odo de eleição na definição do diagnós ico das Pe u bações do
Compo amen o Alimen a . Conside ando a não exis ência de uma en e is a de diagnós ico pa a as Pe u bações
do Compo amen o Alimen a de e e ência in e nacional que es eja adap ada pa a Po ugal o p esen e es udo as-
sume-se como um con ibu o pa a o p ocesso de adap ação da In e iew o he Diagnosis o Ea ing Diso de s-IV
(IDED-IV; Ku lesic, Williamson, Glea es, Ba bin, & Mu phy-Ebe enz, 1998) no que conce ne ao diagnós ico específico
da Ano exia Ne osa. Mé odos: A e são po uguesa da IDED-IV oi aplicada a 98 pa icipan es do sexo eminino com
diagnós ico de Ano exia Ne osa definido p e iamen e pela equipa médica esponsá el. Resul ados: A aplicação da
IDED-IV na amos a demons ou uma consis ência in e na acei á el e uma ele ada sensibilidade. Conclusões: Os
esul ados p elimina es do es udo psicomé ico da IDED-IV e o çam a u ilização des a en e is a an o em con ex o
clínico como na in es igação.
Pala as-cha e: ano exia ne osa; diagnós ico; en e is a semi-es u u ada; es udo de adap ação.
INTRODUÇÃO
A ano exia ne osa (AN) em-se e elado um p ob-
lema de saúde ele an e, a aindo a a enção de mui os
in es igado es e da comunidade em ge al. A mo bilidade
se e a que se mani es a a longo-p azo e a subs ancial
mo alidade associada es ão na base des e isí el in-
e esse (1,2).
Em Po ugal, os es udos de p e alência da AN apon am
alo es en e 0% (3,4) e ap oximadamen e 0,3% (5,6).
Apesa des as p e alências espelha em uma dimensão
in e io à e ificada nou os países da Eu opa le an a-
-se a hipó ese do nosso país se encon a numa ase de
ansição, a a alia pela o e p eocupação com a imagem
co po al de ec ada em es udos nacionais ealizados com
es udan es (4-7).
A acompanha es a c escen e p eocupação com as
pe u bações do compo amen o alimen a (PCA) de-
no a-se um g ande in es imen o no desen ol imen o de
mé odos de a aliação da sin oma ologia (8). É comum-
men e acei e que o diagnós ico p ecoce e o sequen e
a amen o êm uma influência ma can e no cu so da
pe u bação alimen a (9). Pa a que o p ocesso de
a aliação possa se o mais comple o possí el e acili e
uma melho es u u ação do a amen o e a a aliação
da sua eficácia eco e-se, com equência, à aplicação
de ins umen os de a aliação específicos, ais como a
en e is a clínica.
A en e is a clínica é o mé odo mais an igo usado
na a aliação das PCA, à semelhança do que se e ifica
nou as pa ologias (10). O seu maio po encial cen a-se
na possibilidade do en e is ado pode coloca ques ões
adicionais pa a ap o unda sin omas e pa a confi ma o
significado das espos as dadas pelo sujei o. No caso
das PCA al o na-se pe inen e, po exemplo, na a al-
iação dos episódios de inges ão alimen a compulsi a
em que o concei o al amen e subjec i o de “inges ão de
g ande quan idade de comida” é cen al na definição da
p esença do c i é io.
Apesa da en e is a exigi disponibilidade de empo,
uma elação colabo a i a en e o en e is ado e o doen e,
bem como a p esença de um en e is ado einado pa a
o e ei o (11,12), e ec i amen e ela pe mi e uma ap oxi-
mação à pessoa e, como al, em sido implemen ada no
con ex o de in e enção clínica, sendo conside ada um
meio de eleição na a aliação dos sin omas e na definição
do diagnós ico (8,13). Bouça e Sampaio (14) e o çam
es a opção salien ando que nas PCA “… a abo dagem
clínica de e in eg a in o mação de á ias en e is as
em di e en es con ex os, is o é, em en e is a indi idual
ARQUIVOS DE MEDICINA Vol. 22, Nº 4/5
114
e com a amília”.
Ao ní el indi idual, a In e iew o he Diagnosis o
Ea ing Diso de s (IDED) em sido uma en e is a as a-
men e u ilizada pa a fins diagnós icos. A IDED o iginal
oi desen ol ida po Williamson (15) pa a ealiza o
diagnós ico di e encial das PCA, endo como base os
c i é ios definidos pelo DSM-III-R (16). Es a en e is a
oi subme ida a ês e isões das quais esul a am a
IDED-R, a IDED-III e a e são mais ac ual - a IDED-IV
(17). Es a úl ima so eu á ias al e ações ela i amen e
às e sões an e io es. Pa a além das modificações
ine en es aos c i é ios de diagnós ico do DSM-IV (18),
egis a am-se ainda ou as mudanças elacionadas com
os dados sócio-demog áficos, as ins uções e a es u u a
da en e is a. Em conc e o, a IDED-IV le an a um maio
núme o de ques ões elacionadas com a sócio-demog afia
e a his ó ia da pe u bação alimen a ; as ins uções pa a
a adminis ação da en e is a es ão mais desen ol idas;
e es u u almen e, as pe gun as es ão sub-di ididas po
sin omas, acili ando a classificação dos mesmos.
O es udo psicomé ico ealizado com a no a e são
da en e is a demons ou que es a o nece dados sufi-
cien emen e fidedignos e álidos pa a a ealização do
diagnós ico di e encial da sin oma ologia alimen a , que
pa a e ei os de in es igação, que pa a a u ilização em
con ex o clínico (17).
A pa das ca ac e ís icas psicomé icas, a IDED em
e elado algumas especificidades que a dis inguem
de ou as en e is as de diagnós ico e que cons i uem
mais- alias, en e elas a) o ac o da classificação dos
sin omas es a di ec amen e elacionada com os c i é-
ios do DSM-IV; b) as ques ões se em elabo adas com
is a a acili a a a aliação da p esença ou ausência de
sin omas específicos; c) a abo dagem ao diagnós ico de
ou os quad os sub-limia es (EDNOS - Ea ing Diso de s
No O he wise Specified) e não apenas da AN e da bu-
limia ne osa; e d) se um ins umen o p á ico e de ácil
u ilização (13,17).
Os p óp ios au o es salien am que a IDED-IV pe mi e
ap o unda o p ocesso a alia i o, ap esen ando an a-
gens ela i amen e a ou as en e is as psiquiá icas mais
gené icas: “We belie e ha he IDED-IV could be use ul
o esea ch ha equi es a e y igo ous diagnosis o ea -
ing diso de s and o clinical p ac ices and hospi als ha
specialize in he ea men o ea ing diso de s” (17).
Que seja do nosso conhecimen o nenhuma en e is a
de diagnós ico das PCA de e e ência in e nacional es á
adap ada pa a Po ugal. Com base nos aspec os sup a-
ci ados seleccionámos a IDED-IV pa a a adap a mos à
língua po uguesa. Es e es udo assume-se como um
con ibu o pa a es e p ocesso na medida em que não
con empla a o alidade da en e is a, nem a o alidade
dos p ocedimen os necessá ios pa a um p ocesso de
alidação. Median e a conco dância dos au o es, deci-
dimos numa p imei a ase não adminis a a en e is a
na sua o alidade, cingindo-nos apenas às ques ões
di eccionadas pa a o diagnós ico da AN. Des a o ma,
es e a igo isa ap esen a os esul ados explo a ó ios
da adap ação po uguesa da IDED-IV no que conce ne
ao diagnós ico específico da AN.
MÉTODOS
Pa icipan es
No es udo pa icipa am 98 sujei os do sexo emi-
nino, com idades comp eendidas en e 12 e 38 anos
(média=18,83; des io-pad ão=5,10), em a amen o
da PCA. A amos a oi ecolhida em á ios hospi ais do
No e ao Sul do país1 e em consul ó ios p i ados. Na
selecção da amos a con ou-se com a colabo ação dos
médicos psiquia as que acompanha am os doen es com
es e ipo de pa ologia, que nos o nece am in o mações
ela i amen e ao diagnós ico, e olução da doença e à
psicopa ologia associada em cada caso em pa icula .
Todas as pa icipan es do es udo inham um diag-
nós ico ac ual de AN e ec uado pelo médico psiquia a que
as acompanha a. Fo am conside ados como c i é ios de
exclusão; a) não domínio da língua po uguesa; b) idade
in e io a 12 anos; e c) p esença de ou as pe u bações
psiquiá icas. Não oi con olado o pe íodo de du ação da
doença, is o é, o empo deco ido en e o conhecimen o
do diagnós ico e o momen o da en e is a.
A amos a do es udo oi ecolhida ao longo de dois
anos. Todos sujei os aos quais oi solici ada a sua co-
labo ação no es udo assen i am pa icipa .
Ma e ial
A IDED-IV é compos a po duas pa es dis in as. A
p imei a pa e, semi-es u u ada, pe mi e uma isão
ge al da doença a a és da análise de di e en es á eas,
ais como, a his ó ia dos sin omas da pe u bação ali-
men a , o pad ão alimen a ac ual e his ó ia psiquiá ica
e amilia .
A segunda pa e da en e is a es á o ganizada po sub-
escalas: Ano exia Ne osa, Bulimia Ne osa, Pe u bação
po Inges ão Compulsi a de Alimen os (Binge Ea ing
Diso de ) e Pe u bação do Compo amen o Alimen a
sem Ou a Especificação. Es as sub-escalas con êm
secções al amen e es u u adas nas quais são a aliados
os sin omas específicos de cada pa ologia alimen a . A
pon uação de cada secção é definida numa escala de
cinco pon os de aco do com as espos as dadas pelo
sujei o e aduz a p esença ou a ausência do sin oma,
bem como a se e idade com que es e se mani es a. O
indi íduo é diagnos icado com AN se odas as secções
1 Depa amen o de Psiquia ia e Saúde Men al do Hospi al de S. Ma -
cos, B aga; Consul a de Pe u bações do Compo amen o Alimen a
do Depa amen o de Psiquia ia do Hospi al de S. João/Faculdade de
Medicina da Uni e sidade do Po o; Se iço de Pedopsiquia ia do Hos-
pi al Ma ia Pia, Po o; Se iço de Endoc inologia do Hospi al Ge al de
San o An ónio; Consul a de Pe u bações do Compo amen o Alimen-
a do Depa amen o de Psiquia ia da In ância e da Adolescência do
Cen o Hospi ala de Coimb a; Núcleo de Doenças do Compo amen o
Alimen a do Hospi al de San a Ma ia, Lisboa.
To es S e al Adap ação Po uguesa da IDED-IV pa a a Ano exia Ne osa
115
da sub-escala ob i e em a classificação de pelo menos
ês pon os. O mesmo p ocedimen o aplica-se pa a as
es an es pa ologias (17).
No p esen e es udo oi incluída apenas a p imei a
pa e da en e is a, e e en e aos dados demog áficos e
à análise gené ica da doença (Secção 1, 2 e 3) e, ainda,
a secção 4, espei an e ao diagnós ico da AN. A u iliza-
ção não in eg al do ins umen o não implicou nenhuma
al e ação ao ní el dos i ens nem das sub-escalas.
Uma ez e minado o p ocesso de adução da
en e is a e, median e a conco dância dos au o es, de-
cidimos ac escen a uma pe gun a na secção 1 (dados
demog áficos) - a p ofissão do sujei o – dado conside-
a mos se uma ques ão pe inen e na ca ac e ização
sócio-demog áfica dos doen es.
P ocedimen o
O p ocesso de adap ação da IDED-IV oi implemen-
ado com a au o ização dos au o es e o es udo ob e e a
ap o ação da Comissão de É ica nas di e en es ins i ui-
ções nas quais a in es igação oi desen ol ida2.
O p imei o passo consis iu na adução da en e is a de
Inglês pa a Po uguês, po dois psicólogos independen es
que domina am os dois idiomas, endo p esen e os con-
cei os en ol idos e as in enções subjacen es à o mulação
de cada pe gun a (20). As di e enças en e ambas as
e sões o am solucionadas po comum aco do.
O p ocesso de e o e são oi independen e e le ado
a cabo po um adu o com o mação supe io em inglês,
cuja língua ma e na e a o po uguês, e que desconhecia
a en e is a inicial. O passo seguin e consis iu na análise,
po pa e de um pe i o na á ea do compo amen o alimen-
a , das ês e sões (o iginal, aduzida e e o e ida)
com o objec i o de iden ifica possí eis disc epâncias.
Após confi mação do diagnós ico com o médico
psiquia a e a ob enção do consen imen o in o mado po
esc i o, oi aplicada a IDED-IV a odas as pa icipan es,
indi idualmen e, po um en e is ado einado. A IDED-IV
oi aplicada semp e pelo mesmo en e is ado .
O a amen o es a ís ico dos dados oi e ec uado com
o apoio do “S a is ical Package o he Social Sciences”
(SPSS; e são 15.0). Na análise da alidade da en e is a
conside ámos o cálculo da sensibilidade ajus ada aos
es es diagnós icos (21) que de i a de uma abela de
con ingência 2X2 (Doença: posi i a ou nega i a; Tes e:
posi i o ou nega i o). No p esen e es udo es e coeficien e
aduz-se na análise da p opo ção de pa icipan es com
AN que o am diagnos icadas com es a pe u bação pela
IDED-IV. P ocedeu-se, ambém ao cálculo da fidelidade
(coeficien e alpha de C onbach) a pa i das classificações
ob idas em cada um dos sin omas (A, B, C1, C2, C3,
D). Po úl imo, analisou-se a co elação i em- o al pa a
a alia a o ça das elações en e cada sin oma e o o al
do ins umen o. Nes a análise aplicou-se o coeficien e de
co elação i em- o al co igido; opção igualmen e adop-
ada po Ku lesic e al (17) no es udo das p op iedades
psicomé icas da IDED-IV com base no eduzido núme o
de i ens (sin omas) em análise. Ao não se en a com o
i em em análise no cálculo e i a-se que ele “... con ibua,
de o ma espú ia, pa a a sua p óp ia co elação com o
o al da escala” (22).
RESULTADOS
Ca ac e ís icas da amos a
Ap esen am-se, seguidamen e, algumas ca ac e ís i-
cas da amos a em es udo ob idas a pa i da análise das
secções 1 e 2 da IDED-IV.
Em e mos sócio-demog áficos é possí el conclui
que 66,3% das pa icipan es ap esen am idade in e io a
20 anos e que apenas 7,1% ap esen am idade supe io
a 28 anos (Tabela 1).
2 A IDED-IV oi aduzida e u ilizada no âmbi o da disse ação de
Dou o amen o (19).
Tabela 1 - Dis ibuição dos pa icipan es po classes
e á ias.
12-15 anos
16-19 anos
20-23 anos
24-27 anos
≥ 28 anos
To al
n
30
35
16
10
7
98
%
30,6
35,7
16,3
10,2
7,1
100,0
% Acumulada
30,6
66,3
82,7
92,9
100,0
Ao ní el clínico, o Índice de Massa Co po al (IMC)
das pa icipan es a ia en e 12,4 Kg/m2 e 19,2 Kg/m2
(média=15,78; des io-pad ão=1,76).
Quando analisada a idade de início da PCA3, a abela 2
mos a-nos que a idade mais comum de desen ol imen o
da doença oi aos 14 anos (moda). Analisando conjun-
amen e os alo es da média e da mediana podemos
conclui que a PCA se desen ol eu endencialmen e na
adolescência.
Ou a a iá el a aliada oi o empo deco ido en e o
início da PCA e o momen o em que oi e ec uada a a al-
iação. Es a a iá el dá-nos uma indicação da p opo ção
de casos com diagnós ico ecen e e de casos c ónicos.
3 Re e imo-nos à idade ap oximada na medida em que nes e ipo de
doença é di ícil defini , com p ecisão, o início do seu desen ol imen o.
Os sin omas nem semp e se mani es am na sua globalidade, sendo
mui o a iá el o pe íodo de e olução.
ARQUIVOS DE MEDICINA Vol. 22, Nº 4/5
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A dis ibuição de equências (Tabela 3) mos a-nos que
mais de me ade do g upo em PCA há dois ou menos
anos. O núme o de casos c ónicos com mais de cinco
anos é cla amen e in e io .
nós ico (a aliação de um sin oma com pon uação in e io
a 3) e em se e pa icipan es a não confi mação do mesmo
de eu-se à ausência de dois c i é ios simul aneamen e
(i.e. dois sin omas com pon uações in e io es a 3).
Tabela 2 - Medidas de localização, de endência cen al
e de dispe são quan o à idade de início da Pe u bação
do Compo amen o Alimen a .
Média
Mediana
Moda
Mínimo
Máximo
To al
15,88
15
14
9
28
98
Tabela 3 - Ca ac e ização do empo deco ido en e o
início da Pe u bação do Compo amen o Alimen a
(PCA) e o momen o da a aliação.
Du ação da PCA
Menos de 1 ano
1 ano
2 anos
3-5 anos
6-10 anos
> 10
To al
n
18
28
21
14
14
3
98
%
18,4
28,6
21,4
14,3
14,3
3,0
100,0
% Acumulada
18,4
46,9
68,4
82,7
97,0
100,0
P op iedades Psicomé icas
O cálculo da sensibilidade ajus ada aos es es diag-
nós icos ( abela de con ingência 2X2) indica que das 98
pa icipan es do es udo, 80 o am diagnos icadas com
AN na IDED-IV (81,6%): 52 com o diagnós ico de AN
Tipo Res i i o e 28 com AN Tipo Inges ão Compulsi a/
Pu ga i o.
Na abela 4 encon am-se desc i os os c i é ios es-
pecíficos que con ibuí am pa a a não confi mação do
diagnós ico de AN na en e is a. A lei u a des es dados
pe mi e-nos conclui que en e as 18 pa icipan es que não
o am classificadas com AN na IDED-IV, em 11 des as o
mo i o p endeu-se com a ausência de um c i é io de diag-
Tabela 4 - Dis ibuição dos pa icipan es de aco do
com o diagnós ico e ec uado na IDED-IV.
A aliações com exclusão
de diagnós ico de AN
A aliações com diag-
nós ico de AN
To al de a aliações
Ausência de mag eza
(IMC>17,5 kg/m2)
Ausência de ameno eia
Ausência de medo in-
enso de engo da
Ausência de dois c i é-
ios de diagnós ico
To al de a aliações
excluídas
8
2
1
7
18
80
98
IDED-IV - In e iew o he Diagnosis o Ea ing Diso de s - IV; AN -
Ano exia Ne osa; IMC - Índice de Massa Co po al (kg/m2).
O coeficien e alpha de C onbach, calculado pa a a
análise da consis ência in e na, oi 0,63.
Na análise da co elação i em- o al, aplicada pa a
de e mina quais os sin omas com maio con ibuição
pa a o cálculo do o al da en e is a, os esul ados in-
dicam que os sin omas B e C1 são os que ap esen am
uma con ibuição mais significa i a. Os sin omas A e D
ap esen am con ibuições baixas (Tabela 5).
Tabela 5 - Co elações i em- o al na IDED-IV.
A - Peso baixo
B - Medo de aumen a de peso
C1 - Sen i -se go da, mesmo que não
enha peso excessi o
C2 - Inde ida influência da o ma co po al
na au o-a aliação
C3 - Negação da g a idade do baixo peso
ac ual
D - Ameno eia
Co elação i em- o al co igido
0,07
0,64
0,61
0,36
0,41
0,19
IDED-IV - In e iew o he Diagnosis o Ea ing Diso de s - IV.
To es S e al Adap ação Po uguesa da IDED-IV pa a a Ano exia Ne osa
117
DISCUSSÂO
A análise das p incipais ca ac e ís icas clínicas e
sócio-demog áficas da amos a e ela-nos que mais de
me ade dos pa icipan es êm idade in e io a 20 anos
e que a génese da PCA se si ua endencialmen e no
pe íodo da adolescência. A associação pa icula da AN
à adolescência equen emen e desc i a na li e a u a
(18) encon a-se, des a o ma, ambém eflec ida no
p esen e es udo.
Rela i amen e ao empo de desen ol imen o da pa o-
logia alimen a é possí el conclui que o núme o de casos
c ónicos com mais de cinco anos de desen ol imen o é
cla amen e in e io ao núme o de casos cujo p oblema
alimen a su giu mais ecen emen e. Es e dado pode
aduzi uma endência pa a es es doen es p ocu a em
a amen o numa ase inicial de e olução da PCA, p o-
a elmen e na sequência de um maio conhecimen o
sob e es e ipo de doença eiculado pelos meios de
comunicação social.
Quan o aos esul ados p elimina es do es udo
psicomé ico da IDED-IV es es e o çam a u ilização
des a en e is a an o em con ex o clínico como na in-
es igação. A conco dância en e o diagnós ico definido
pelos médicos e o diagnós ico esul an e da aplicação
da en e is a (sensibilidade do es e) e ificou-se em
81,6% dos casos, suge indo-nos a alidade da IDED-IV.
Na nossa opinião es a pe cen agem de conco dância
não assumiu um alo ainda mais exp essi o de ido
ao ac o dos c i é ios de diagnós ico da AN não se em
aplicados de uma o ma ígida ao ní el da in e enção
clínica, con a iamen e ao que se e ifica no âmbi o da
in es igação, onde exis e um maio igo na definição da
p esença/ausência dos mesmos. Po ou as pala as, ao
ní el clínico exis e uma maio flexibilização dos limia es
dos c i é ios de diagnós ico, sob e udo ao ní el do peso
e da ameno eia, sendo ambém equacionados ou os
c i é ios mais subjec i os que azem pa e da a aliação
clínica, nomeadamen e a g a idade dos c i é ios p esen-
es, a his ó ia amilia , a e olução da PCA, en e ou os.
No seu conjun o, es es aspec os podem con ibui pa a
algum des asamen o en e o diagnós ico o mulado pa a
fins clínicos (pelos médicos) e o diagnós ico definido com
base na aplicação da en e is a.
Ao ní el da fidelidade, a IDED-IV e elou um alpha de
0,63 que, apesa de se in e io ao alo de 0,75 encon-
ado po Ku lesic e al (17) nes a sub-escala, se pode
conside a acei á el endo em con a o núme o eduzido
de i ens (20,22,23) e as a iadas dimensões a aliadas
na en e is a (24).
Analisando a co elação i em- o al podemos conclui
que os sin omas B (medo de aumen a de peso) e C1
(sen i -se go do mesmo que não enha peso excessi o)
são os mais significa i os pa a o cálculo do o al da en-
e is a de diagnós ico. Os sin omas A (peso baixo) e D
(ameno eia) ap esen am con ibuições baixas.
Es es dados ão de encon o à nossa pe cepção o -
mada du an e a aplicação da IDED-IV, pois com equência
cons a ámos que os c i é ios do peso e da ameno eia
nem semp e acompanha am a g a idade do quad o psi-
copa ológico. A exemplifica es a si uação encon a-se o
ele ado núme o de casos que excluímos da amos a po
não cump i em es es c i é ios (13 no o al: oi o casos com
IMC supe io a 17,5 kg/m2, dois casos sem ameno eia e
ês casos sem nenhum des es dois c i é ios), apesa de
e idencia em a p esença cla a dos es an es sin omas de
diagnós ico com equen es classificações de 4 e 5. No
sen ido in e so, obse ámos ambém si uações em que
as pa icipan es, mesmo ap esen ando um IMC bas an e
baixo, e baliza am on ade de aumen a de peso, bem
como consciência e descon o o com a sua mag eza.
Ku lesic e al (17) cons a a am que na a aliação da
se e idade de alguns sin omas a pe cen agem de con-
co dância en e os obse ado es na IDED-IV oi apenas
mode ada, suge indo alguns défices ao ní el da p ecisão
da en e is a. No seguimen o des e ac o le an a am a
hipó ese da IDED-IV se mais p ecisa como ins umen o
de diagnós ico e menos p ecisa como medida de a al-
iação da se e idade da sin oma ologia. Es e dado pode
jus ifica as e e idas oscilações e, a confi ma -se, eque
a e o mulação e o ac éscimo de algumas pe gun as.
No en an o, es e aspec o pode não se o único e-
sponsá el pela se e idade di e encial dos sin omas. Na
nossa opinião es a he e ogeneidade pode ep esen a
e ec i amen e a ealidade. P o a elmen e os di e en es
c i é ios de diagnós ico da AN não obedecem a um pad ão
es á el, não a iando na elação di ec a com a g a idade
do quad o psicopa ológico. Em especial a ameno eia e
o peso podem ap esen a uma maio a iabilidade en e
os sujei os.
Po ou o lado, e a ac escen a a es e aspec o, é
possí el que os sin omas se influenciem mu uamen e;
po exemplo, o aumen o de peso du an e o p ocesso
de a amen o pode in ensifica o medo de engo da e
a pe u bação da imagem co po al (i.e. aze a pessoa
sen i -se mais go da), esul ando des a e olução posi i a
do peso um ag a amen o de ou os sin omas. Es es
aspec os, no seu conjun o, podem jus ifica o ac o dum
sujei o com AN se e a não ap esen a na IDED-IV uma
co ação ele ada em odos os c i é ios da doença.
As di e enças de opiniões en e os in es igado es
quan o à impo ância ela i a de cada c i é io apoia, em
ce a medida, a não homogeneidade en e eles. Rela i a-
men e à ameno eia, é do conhecimen o ge al que es e
sin oma não é pe ei amen e es á el. A ameno eia an o
pode apa ece an es da edução do peso como pode se
um c i é io ausen e em casos de emag ecimen o acen-
uado. No ge al, ela é uma ca ac e ís ica mui o equen e
mas não eúne o consenso quan o à sua significância
no diagnós ico.
Quan o ao medo de aumen a de peso e à pe u bação
da imagem co po al - c i é ios es es que se e ela am
mais significa i os pa a o cálculo do o al da IDED-IV
– á ios êm sido os es udos que êm salien ado a sua
impo ância no cu so da AN. S obe , F eeman e Mo -
ell (25) encon a am uma associação en e a ausência
des as duas ca ac e ís icas e o cu so menos se e o do
p oblema alimen a .

ARQUIVOS DE MEDICINA Vol. 22, Nº 4/5
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No ge al, es as obse ações são compa í eis com
a concepção da AN como um con inuum, mas não um
con inuum definido unicamen e em unção do g au de
es ição alimen a , mas sim com base nas suas múl iplas
ca ac e ís icas associadas (26).
Numa análise sob e a expe iência p á ica de aplica-
ção da en e is a exis em ainda alguns aspec os que
gos a íamos de salien a . Em p imei o luga , a IDED-IV
e elou-se de ácil aplicação. O egis o da in o mação
é simples e a o dem das ques ões p opo ciona uma
abo dagem g adual ao p oblema alimen a , p og edindo
no sen ido de uma maio po meno ização. Es e úl imo
pon o o na-se, inclusi amen e, cen al na diminuição
do impac o de uma g ande des an agem associada às
en e is as de diagnós ico: ela se pe cepcionada como
in usi a pelo en e is ado causando emba aço na e ela-
ção de de e minados aspec os do seu compo amen o
alimen a como, po exemplo, a au o-indução do ómi o
ou o descon ole alimen a (12).
Quan o às pe gun as que compõem a en e is a es as
pa ece am-nos adequadas à cul u a po uguesa. Con udo,
iden ificámos algumas ques ões adicionais que omos
sen indo necessidade de coloca pa a escla ece algumas
á eas e que pode ão, e en ualmen e, i a se incluídas
numa u u a e isão da en e is a. Po exemplo, na de-
sc ição dos alimen os inge idos se ia ele an e ques iona
os indi íduos sob e a exis ência de alimen os p oibidos
na sua die a pa a acul a uma melho comp eensão do
g au de es ição alimen a p a icada. Também na análise
dos episódios de inges ão alimen a compulsi a se ia
impo an e a e igua quando começa am, a equência
com que oco em no momen o p esen e e qual a sua
e olução ao longo do empo.
No ge al, a IDED-IV e elou uma boa capacidade
diagnós ica o e ecendo in o mação ele an e sob e o
con ole do peso, o medo de engo da e a pe u bação
da imagem co po al. Con udo, es es dados são apenas
p elimina es eque endo ainda um es udo mais ap o un-
dado, sob e udo, em o no da alidade. Pa icula men e,
a análise da alidade compa a i a da IDED-IV com ou as
en e is as de diagnós ico se á de g ande ele ância.
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