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Contribuição para o estudo da adaptação portuguesa da Entrevista de Diagnóstico das Perturbações do Comportamento Alimentar-IV (IDED-IV) específica para a anorexia nervosa = Contribution to the portuguese adaptation of the Interview for the Diagnosis of Eating Disorders-IV (IDED-IV) specifically for anorexia nervosa

Sandra Torres,Marina Prista Guerra,Leonor Lencastre,Donald A. Williamson,António Roma-Torres,Filipa Vieira

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To es S e al Adap ação Po uguesa da IDED-IV pa a a Ano exia Ne osa 113 INVESTIGAÇÃO ORIGINAL ISSN 0871-3413 • ©A quiMed, 2008 Con ibuição pa a o Es udo da Adap ação Po uguesa da En e is a de Diag- nós ico das Pe u bações do Compo amen o Alimen a -IV (IDED-IV) Específica pa a a Ano exia Ne osa Sand a To es*, Ma ina P is a Gue a*, Leono Lencas e*, Donald A. Williamson†, An ónio Roma-To es‡, Filipa Viei a* *Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o, Po ugal; †Penning on Biomedical Resea ch Cen e and Depa men o Psychology, Louisiana S a e Uni e si y, USA; ‡Se iço de Psiquia ia, Hospi al de São João, Po o, Po ugal ARQUIVOS DE MEDICINA, 22(4/5):113-9 In odução: A en e is a é conside ada um mé odo de eleição na definição do diagnós ico das Pe u bações do Compo amen o Alimen a . Conside ando a não exis ência de uma en e is a de diagnós ico pa a as Pe u bações do Compo amen o Alimen a de e e ência in e nacional que es eja adap ada pa a Po ugal o p esen e es udo as- sume-se como um con ibu o pa a o p ocesso de adap ação da In e iew o he Diagnosis o Ea ing Diso de s-IV (IDED-IV; Ku lesic, Williamson, Glea es, Ba bin, & Mu phy-Ebe enz, 1998) no que conce ne ao diagnós ico específico da Ano exia Ne osa. Mé odos: A e são po uguesa da IDED-IV oi aplicada a 98 pa icipan es do sexo eminino com diagnós ico de Ano exia Ne osa definido p e iamen e pela equipa médica esponsá el. Resul ados: A aplicação da IDED-IV na amos a demons ou uma consis ência in e na acei á el e uma ele ada sensibilidade. Conclusões: Os esul ados p elimina es do es udo psicomé ico da IDED-IV e o çam a u ilização des a en e is a an o em con ex o clínico como na in es igação. Pala as-cha e: ano exia ne osa; diagnós ico; en e is a semi-es u u ada; es udo de adap ação. INTRODUÇÃO A ano exia ne osa (AN) em-se e elado um p ob- lema de saúde ele an e, a aindo a a enção de mui os in es igado es e da comunidade em ge al. A mo bilidade se e a que se mani es a a longo-p azo e a subs ancial mo alidade associada es ão na base des e isí el in- e esse (1,2). Em Po ugal, os es udos de p e alência da AN apon am alo es en e 0% (3,4) e ap oximadamen e 0,3% (5,6). Apesa des as p e alências espelha em uma dimensão in e io à e ificada nou os países da Eu opa le an a- -se a hipó ese do nosso país se encon a numa ase de ansição, a a alia pela o e p eocupação com a imagem co po al de ec ada em es udos nacionais ealizados com es udan es (4-7). A acompanha es a c escen e p eocupação com as pe u bações do compo amen o alimen a (PCA) de- no a-se um g ande in es imen o no desen ol imen o de mé odos de a aliação da sin oma ologia (8). É comum- men e acei e que o diagnós ico p ecoce e o sequen e a amen o êm uma influência ma can e no cu so da pe u bação alimen a (9). Pa a que o p ocesso de a aliação possa se o mais comple o possí el e acili e uma melho es u u ação do a amen o e a a aliação da sua eficácia eco e-se, com equência, à aplicação de ins umen os de a aliação específicos, ais como a en e is a clínica. A en e is a clínica é o mé odo mais an igo usado na a aliação das PCA, à semelhança do que se e ifica nou as pa ologias (10). O seu maio po encial cen a-se na possibilidade do en e is ado pode coloca ques ões adicionais pa a ap o unda sin omas e pa a confi ma o significado das espos as dadas pelo sujei o. No caso das PCA al o na-se pe inen e, po exemplo, na a al- iação dos episódios de inges ão alimen a compulsi a em que o concei o al amen e subjec i o de “inges ão de g ande quan idade de comida” é cen al na definição da p esença do c i é io. Apesa da en e is a exigi disponibilidade de empo, uma elação colabo a i a en e o en e is ado e o doen e, bem como a p esença de um en e is ado einado pa a o e ei o (11,12), e ec i amen e ela pe mi e uma ap oxi- mação à pessoa e, como al, em sido implemen ada no con ex o de in e enção clínica, sendo conside ada um meio de eleição na a aliação dos sin omas e na definição do diagnós ico (8,13). Bouça e Sampaio (14) e o çam es a opção salien ando que nas PCA “… a abo dagem clínica de e in eg a in o mação de á ias en e is as em di e en es con ex os, is o é, em en e is a indi idual ARQUIVOS DE MEDICINA Vol. 22, Nº 4/5 114 e com a amília”. Ao ní el indi idual, a In e iew o he Diagnosis o Ea ing Diso de s (IDED) em sido uma en e is a as a- men e u ilizada pa a fins diagnós icos. A IDED o iginal oi desen ol ida po Williamson (15) pa a ealiza o diagnós ico di e encial das PCA, endo como base os c i é ios definidos pelo DSM-III-R (16). Es a en e is a oi subme ida a ês e isões das quais esul a am a IDED-R, a IDED-III e a e são mais ac ual - a IDED-IV (17). Es a úl ima so eu á ias al e ações ela i amen e às e sões an e io es. Pa a além das modificações ine en es aos c i é ios de diagnós ico do DSM-IV (18), egis a am-se ainda ou as mudanças elacionadas com os dados sócio-demog áficos, as ins uções e a es u u a da en e is a. Em conc e o, a IDED-IV le an a um maio núme o de ques ões elacionadas com a sócio-demog afia e a his ó ia da pe u bação alimen a ; as ins uções pa a a adminis ação da en e is a es ão mais desen ol idas; e es u u almen e, as pe gun as es ão sub-di ididas po sin omas, acili ando a classificação dos mesmos. O es udo psicomé ico ealizado com a no a e são da en e is a demons ou que es a o nece dados sufi- cien emen e fidedignos e álidos pa a a ealização do diagnós ico di e encial da sin oma ologia alimen a , que pa a e ei os de in es igação, que pa a a u ilização em con ex o clínico (17). A pa das ca ac e ís icas psicomé icas, a IDED em e elado algumas especificidades que a dis inguem de ou as en e is as de diagnós ico e que cons i uem mais- alias, en e elas a) o ac o da classificação dos sin omas es a di ec amen e elacionada com os c i é- ios do DSM-IV; b) as ques ões se em elabo adas com is a a acili a a a aliação da p esença ou ausência de sin omas específicos; c) a abo dagem ao diagnós ico de ou os quad os sub-limia es (EDNOS - Ea ing Diso de s No O he wise Specified) e não apenas da AN e da bu- limia ne osa; e d) se um ins umen o p á ico e de ácil u ilização (13,17). Os p óp ios au o es salien am que a IDED-IV pe mi e ap o unda o p ocesso a alia i o, ap esen ando an a- gens ela i amen e a ou as en e is as psiquiá icas mais gené icas: “We belie e ha he IDED-IV could be use ul o esea ch ha equi es a e y igo ous diagnosis o ea - ing diso de s and o clinical p ac ices and hospi als ha specialize in he ea men o ea ing diso de s” (17). Que seja do nosso conhecimen o nenhuma en e is a de diagnós ico das PCA de e e ência in e nacional es á adap ada pa a Po ugal. Com base nos aspec os sup a- ci ados seleccionámos a IDED-IV pa a a adap a mos à língua po uguesa. Es e es udo assume-se como um con ibu o pa a es e p ocesso na medida em que não con empla a o alidade da en e is a, nem a o alidade dos p ocedimen os necessá ios pa a um p ocesso de alidação. Median e a conco dância dos au o es, deci- dimos numa p imei a ase não adminis a a en e is a na sua o alidade, cingindo-nos apenas às ques ões di eccionadas pa a o diagnós ico da AN. Des a o ma, es e a igo isa ap esen a os esul ados explo a ó ios da adap ação po uguesa da IDED-IV no que conce ne ao diagnós ico específico da AN. MÉTODOS Pa icipan es No es udo pa icipa am 98 sujei os do sexo emi- nino, com idades comp eendidas en e 12 e 38 anos (média=18,83; des io-pad ão=5,10), em a amen o da PCA. A amos a oi ecolhida em á ios hospi ais do No e ao Sul do país1 e em consul ó ios p i ados. Na selecção da amos a con ou-se com a colabo ação dos médicos psiquia as que acompanha am os doen es com es e ipo de pa ologia, que nos o nece am in o mações ela i amen e ao diagnós ico, e olução da doença e à psicopa ologia associada em cada caso em pa icula . Todas as pa icipan es do es udo inham um diag- nós ico ac ual de AN e ec uado pelo médico psiquia a que as acompanha a. Fo am conside ados como c i é ios de exclusão; a) não domínio da língua po uguesa; b) idade in e io a 12 anos; e c) p esença de ou as pe u bações psiquiá icas. Não oi con olado o pe íodo de du ação da doença, is o é, o empo deco ido en e o conhecimen o do diagnós ico e o momen o da en e is a. A amos a do es udo oi ecolhida ao longo de dois anos. Todos sujei os aos quais oi solici ada a sua co- labo ação no es udo assen i am pa icipa . Ma e ial A IDED-IV é compos a po duas pa es dis in as. A p imei a pa e, semi-es u u ada, pe mi e uma isão ge al da doença a a és da análise de di e en es á eas, ais como, a his ó ia dos sin omas da pe u bação ali- men a , o pad ão alimen a ac ual e his ó ia psiquiá ica e amilia . A segunda pa e da en e is a es á o ganizada po sub- escalas: Ano exia Ne osa, Bulimia Ne osa, Pe u bação po Inges ão Compulsi a de Alimen os (Binge Ea ing Diso de ) e Pe u bação do Compo amen o Alimen a sem Ou a Especificação. Es as sub-escalas con êm secções al amen e es u u adas nas quais são a aliados os sin omas específicos de cada pa ologia alimen a . A pon uação de cada secção é definida numa escala de cinco pon os de aco do com as espos as dadas pelo sujei o e aduz a p esença ou a ausência do sin oma, bem como a se e idade com que es e se mani es a. O indi íduo é diagnos icado com AN se odas as secções 1 Depa amen o de Psiquia ia e Saúde Men al do Hospi al de S. Ma - cos, B aga; Consul a de Pe u bações do Compo amen o Alimen a do Depa amen o de Psiquia ia do Hospi al de S. João/Faculdade de Medicina da Uni e sidade do Po o; Se iço de Pedopsiquia ia do Hos- pi al Ma ia Pia, Po o; Se iço de Endoc inologia do Hospi al Ge al de San o An ónio; Consul a de Pe u bações do Compo amen o Alimen- a do Depa amen o de Psiquia ia da In ância e da Adolescência do Cen o Hospi ala de Coimb a; Núcleo de Doenças do Compo amen o Alimen a do Hospi al de San a Ma ia, Lisboa. To es S e al Adap ação Po uguesa da IDED-IV pa a a Ano exia Ne osa 115 da sub-escala ob i e em a classificação de pelo menos ês pon os. O mesmo p ocedimen o aplica-se pa a as es an es pa ologias (17). No p esen e es udo oi incluída apenas a p imei a pa e da en e is a, e e en e aos dados demog áficos e à análise gené ica da doença (Secção 1, 2 e 3) e, ainda, a secção 4, espei an e ao diagnós ico da AN. A u iliza- ção não in eg al do ins umen o não implicou nenhuma al e ação ao ní el dos i ens nem das sub-escalas. Uma ez e minado o p ocesso de adução da en e is a e, median e a conco dância dos au o es, de- cidimos ac escen a uma pe gun a na secção 1 (dados demog áficos) - a p ofissão do sujei o – dado conside- a mos se uma ques ão pe inen e na ca ac e ização sócio-demog áfica dos doen es. P ocedimen o O p ocesso de adap ação da IDED-IV oi implemen- ado com a au o ização dos au o es e o es udo ob e e a ap o ação da Comissão de É ica nas di e en es ins i ui- ções nas quais a in es igação oi desen ol ida2. O p imei o passo consis iu na adução da en e is a de Inglês pa a Po uguês, po dois psicólogos independen es que domina am os dois idiomas, endo p esen e os con- cei os en ol idos e as in enções subjacen es à o mulação de cada pe gun a (20). As di e enças en e ambas as e sões o am solucionadas po comum aco do. O p ocesso de e o e são oi independen e e le ado a cabo po um adu o com o mação supe io em inglês, cuja língua ma e na e a o po uguês, e que desconhecia a en e is a inicial. O passo seguin e consis iu na análise, po pa e de um pe i o na á ea do compo amen o alimen- a , das ês e sões (o iginal, aduzida e e o e ida) com o objec i o de iden ifica possí eis disc epâncias. Após confi mação do diagnós ico com o médico psiquia a e a ob enção do consen imen o in o mado po esc i o, oi aplicada a IDED-IV a odas as pa icipan es, indi idualmen e, po um en e is ado einado. A IDED-IV oi aplicada semp e pelo mesmo en e is ado . O a amen o es a ís ico dos dados oi e ec uado com o apoio do “S a is ical Package o he Social Sciences” (SPSS; e são 15.0). Na análise da alidade da en e is a conside ámos o cálculo da sensibilidade ajus ada aos es es diagnós icos (21) que de i a de uma abela de con ingência 2X2 (Doença: posi i a ou nega i a; Tes e: posi i o ou nega i o). No p esen e es udo es e coeficien e aduz-se na análise da p opo ção de pa icipan es com AN que o am diagnos icadas com es a pe u bação pela IDED-IV. P ocedeu-se, ambém ao cálculo da fidelidade (coeficien e alpha de C onbach) a pa i das classificações ob idas em cada um dos sin omas (A, B, C1, C2, C3, D). Po úl imo, analisou-se a co elação i em- o al pa a a alia a o ça das elações en e cada sin oma e o o al do ins umen o. Nes a análise aplicou-se o coeficien e de co elação i em- o al co igido; opção igualmen e adop- ada po Ku lesic e al (17) no es udo das p op iedades psicomé icas da IDED-IV com base no eduzido núme o de i ens (sin omas) em análise. Ao não se en a com o i em em análise no cálculo e i a-se que ele “... con ibua, de o ma espú ia, pa a a sua p óp ia co elação com o o al da escala” (22). RESULTADOS Ca ac e ís icas da amos a Ap esen am-se, seguidamen e, algumas ca ac e ís i- cas da amos a em es udo ob idas a pa i da análise das secções 1 e 2 da IDED-IV. Em e mos sócio-demog áficos é possí el conclui que 66,3% das pa icipan es ap esen am idade in e io a 20 anos e que apenas 7,1% ap esen am idade supe io a 28 anos (Tabela 1). 2 A IDED-IV oi aduzida e u ilizada no âmbi o da disse ação de Dou o amen o (19). Tabela 1 - Dis ibuição dos pa icipan es po classes e á ias. 12-15 anos 16-19 anos 20-23 anos 24-27 anos ≥ 28 anos To al n 30 35 16 10 7 98 % 30,6 35,7 16,3 10,2 7,1 100,0 % Acumulada 30,6 66,3 82,7 92,9 100,0 Ao ní el clínico, o Índice de Massa Co po al (IMC) das pa icipan es a ia en e 12,4 Kg/m2 e 19,2 Kg/m2 (média=15,78; des io-pad ão=1,76). Quando analisada a idade de início da PCA3, a abela 2 mos a-nos que a idade mais comum de desen ol imen o da doença oi aos 14 anos (moda). Analisando conjun- amen e os alo es da média e da mediana podemos conclui que a PCA se desen ol eu endencialmen e na adolescência. Ou a a iá el a aliada oi o empo deco ido en e o início da PCA e o momen o em que oi e ec uada a a al- iação. Es a a iá el dá-nos uma indicação da p opo ção de casos com diagnós ico ecen e e de casos c ónicos. 3 Re e imo-nos à idade ap oximada na medida em que nes e ipo de doença é di ícil defini , com p ecisão, o início do seu desen ol imen o. Os sin omas nem semp e se mani es am na sua globalidade, sendo mui o a iá el o pe íodo de e olução. ARQUIVOS DE MEDICINA Vol. 22, Nº 4/5 116 A dis ibuição de equências (Tabela 3) mos a-nos que mais de me ade do g upo em PCA há dois ou menos anos. O núme o de casos c ónicos com mais de cinco anos é cla amen e in e io . nós ico (a aliação de um sin oma com pon uação in e io a 3) e em se e pa icipan es a não confi mação do mesmo de eu-se à ausência de dois c i é ios simul aneamen e (i.e. dois sin omas com pon uações in e io es a 3). Tabela 2 - Medidas de localização, de endência cen al e de dispe são quan o à idade de início da Pe u bação do Compo amen o Alimen a . Média Mediana Moda Mínimo Máximo To al 15,88 15 14 9 28 98 Tabela 3 - Ca ac e ização do empo deco ido en e o início da Pe u bação do Compo amen o Alimen a (PCA) e o momen o da a aliação. Du ação da PCA Menos de 1 ano 1 ano 2 anos 3-5 anos 6-10 anos > 10 To al n 18 28 21 14 14 3 98 % 18,4 28,6 21,4 14,3 14,3 3,0 100,0 % Acumulada 18,4 46,9 68,4 82,7 97,0 100,0 P op iedades Psicomé icas O cálculo da sensibilidade ajus ada aos es es diag- nós icos ( abela de con ingência 2X2) indica que das 98 pa icipan es do es udo, 80 o am diagnos icadas com AN na IDED-IV (81,6%): 52 com o diagnós ico de AN Tipo Res i i o e 28 com AN Tipo Inges ão Compulsi a/ Pu ga i o. Na abela 4 encon am-se desc i os os c i é ios es- pecíficos que con ibuí am pa a a não confi mação do diagnós ico de AN na en e is a. A lei u a des es dados pe mi e-nos conclui que en e as 18 pa icipan es que não o am classificadas com AN na IDED-IV, em 11 des as o mo i o p endeu-se com a ausência de um c i é io de diag- Tabela 4 - Dis ibuição dos pa icipan es de aco do com o diagnós ico e ec uado na IDED-IV. A aliações com exclusão de diagnós ico de AN A aliações com diag- nós ico de AN To al de a aliações Ausência de mag eza (IMC>17,5 kg/m2) Ausência de ameno eia Ausência de medo in- enso de engo da Ausência de dois c i é- ios de diagnós ico To al de a aliações excluídas 8 2 1 7 18 80 98 IDED-IV - In e iew o he Diagnosis o Ea ing Diso de s - IV; AN - Ano exia Ne osa; IMC - Índice de Massa Co po al (kg/m2). O coeficien e alpha de C onbach, calculado pa a a análise da consis ência in e na, oi 0,63. Na análise da co elação i em- o al, aplicada pa a de e mina quais os sin omas com maio con ibuição pa a o cálculo do o al da en e is a, os esul ados in- dicam que os sin omas B e C1 são os que ap esen am uma con ibuição mais significa i a. Os sin omas A e D ap esen am con ibuições baixas (Tabela 5). Tabela 5 - Co elações i em- o al na IDED-IV. A - Peso baixo B - Medo de aumen a de peso C1 - Sen i -se go da, mesmo que não enha peso excessi o C2 - Inde ida influência da o ma co po al na au o-a aliação C3 - Negação da g a idade do baixo peso ac ual D - Ameno eia Co elação i em- o al co igido 0,07 0,64 0,61 0,36 0,41 0,19 IDED-IV - In e iew o he Diagnosis o Ea ing Diso de s - IV. To es S e al Adap ação Po uguesa da IDED-IV pa a a Ano exia Ne osa 117 DISCUSSÂO A análise das p incipais ca ac e ís icas clínicas e sócio-demog áficas da amos a e ela-nos que mais de me ade dos pa icipan es êm idade in e io a 20 anos e que a génese da PCA se si ua endencialmen e no pe íodo da adolescência. A associação pa icula da AN à adolescência equen emen e desc i a na li e a u a (18) encon a-se, des a o ma, ambém eflec ida no p esen e es udo. Rela i amen e ao empo de desen ol imen o da pa o- logia alimen a é possí el conclui que o núme o de casos c ónicos com mais de cinco anos de desen ol imen o é cla amen e in e io ao núme o de casos cujo p oblema alimen a su giu mais ecen emen e. Es e dado pode aduzi uma endência pa a es es doen es p ocu a em a amen o numa ase inicial de e olução da PCA, p o- a elmen e na sequência de um maio conhecimen o sob e es e ipo de doença eiculado pelos meios de comunicação social. Quan o aos esul ados p elimina es do es udo psicomé ico da IDED-IV es es e o çam a u ilização des a en e is a an o em con ex o clínico como na in- es igação. A conco dância en e o diagnós ico definido pelos médicos e o diagnós ico esul an e da aplicação da en e is a (sensibilidade do es e) e ificou-se em 81,6% dos casos, suge indo-nos a alidade da IDED-IV. Na nossa opinião es a pe cen agem de conco dância não assumiu um alo ainda mais exp essi o de ido ao ac o dos c i é ios de diagnós ico da AN não se em aplicados de uma o ma ígida ao ní el da in e enção clínica, con a iamen e ao que se e ifica no âmbi o da in es igação, onde exis e um maio igo na definição da p esença/ausência dos mesmos. Po ou as pala as, ao ní el clínico exis e uma maio flexibilização dos limia es dos c i é ios de diagnós ico, sob e udo ao ní el do peso e da ameno eia, sendo ambém equacionados ou os c i é ios mais subjec i os que azem pa e da a aliação clínica, nomeadamen e a g a idade dos c i é ios p esen- es, a his ó ia amilia , a e olução da PCA, en e ou os. No seu conjun o, es es aspec os podem con ibui pa a algum des asamen o en e o diagnós ico o mulado pa a fins clínicos (pelos médicos) e o diagnós ico definido com base na aplicação da en e is a. Ao ní el da fidelidade, a IDED-IV e elou um alpha de 0,63 que, apesa de se in e io ao alo de 0,75 encon- ado po Ku lesic e al (17) nes a sub-escala, se pode conside a acei á el endo em con a o núme o eduzido de i ens (20,22,23) e as a iadas dimensões a aliadas na en e is a (24). Analisando a co elação i em- o al podemos conclui que os sin omas B (medo de aumen a de peso) e C1 (sen i -se go do mesmo que não enha peso excessi o) são os mais significa i os pa a o cálculo do o al da en- e is a de diagnós ico. Os sin omas A (peso baixo) e D (ameno eia) ap esen am con ibuições baixas. Es es dados ão de encon o à nossa pe cepção o - mada du an e a aplicação da IDED-IV, pois com equência cons a ámos que os c i é ios do peso e da ameno eia nem semp e acompanha am a g a idade do quad o psi- copa ológico. A exemplifica es a si uação encon a-se o ele ado núme o de casos que excluímos da amos a po não cump i em es es c i é ios (13 no o al: oi o casos com IMC supe io a 17,5 kg/m2, dois casos sem ameno eia e ês casos sem nenhum des es dois c i é ios), apesa de e idencia em a p esença cla a dos es an es sin omas de diagnós ico com equen es classificações de 4 e 5. No sen ido in e so, obse ámos ambém si uações em que as pa icipan es, mesmo ap esen ando um IMC bas an e baixo, e baliza am on ade de aumen a de peso, bem como consciência e descon o o com a sua mag eza. Ku lesic e al (17) cons a a am que na a aliação da se e idade de alguns sin omas a pe cen agem de con- co dância en e os obse ado es na IDED-IV oi apenas mode ada, suge indo alguns défices ao ní el da p ecisão da en e is a. No seguimen o des e ac o le an a am a hipó ese da IDED-IV se mais p ecisa como ins umen o de diagnós ico e menos p ecisa como medida de a al- iação da se e idade da sin oma ologia. Es e dado pode jus ifica as e e idas oscilações e, a confi ma -se, eque a e o mulação e o ac éscimo de algumas pe gun as. No en an o, es e aspec o pode não se o único e- sponsá el pela se e idade di e encial dos sin omas. Na nossa opinião es a he e ogeneidade pode ep esen a e ec i amen e a ealidade. P o a elmen e os di e en es c i é ios de diagnós ico da AN não obedecem a um pad ão es á el, não a iando na elação di ec a com a g a idade do quad o psicopa ológico. Em especial a ameno eia e o peso podem ap esen a uma maio a iabilidade en e os sujei os. Po ou o lado, e a ac escen a a es e aspec o, é possí el que os sin omas se influenciem mu uamen e; po exemplo, o aumen o de peso du an e o p ocesso de a amen o pode in ensifica o medo de engo da e a pe u bação da imagem co po al (i.e. aze a pessoa sen i -se mais go da), esul ando des a e olução posi i a do peso um ag a amen o de ou os sin omas. Es es aspec os, no seu conjun o, podem jus ifica o ac o dum sujei o com AN se e a não ap esen a na IDED-IV uma co ação ele ada em odos os c i é ios da doença. As di e enças de opiniões en e os in es igado es quan o à impo ância ela i a de cada c i é io apoia, em ce a medida, a não homogeneidade en e eles. Rela i a- men e à ameno eia, é do conhecimen o ge al que es e sin oma não é pe ei amen e es á el. A ameno eia an o pode apa ece an es da edução do peso como pode se um c i é io ausen e em casos de emag ecimen o acen- uado. No ge al, ela é uma ca ac e ís ica mui o equen e mas não eúne o consenso quan o à sua significância no diagnós ico. Quan o ao medo de aumen a de peso e à pe u bação da imagem co po al - c i é ios es es que se e ela am mais significa i os pa a o cálculo do o al da IDED-IV – á ios êm sido os es udos que êm salien ado a sua impo ância no cu so da AN. S obe , F eeman e Mo - ell (25) encon a am uma associação en e a ausência des as duas ca ac e ís icas e o cu so menos se e o do p oblema alimen a . ARQUIVOS DE MEDICINA Vol. 22, Nº 4/5 118 No ge al, es as obse ações são compa í eis com a concepção da AN como um con inuum, mas não um con inuum definido unicamen e em unção do g au de es ição alimen a , mas sim com base nas suas múl iplas ca ac e ís icas associadas (26). Numa análise sob e a expe iência p á ica de aplica- ção da en e is a exis em ainda alguns aspec os que gos a íamos de salien a . Em p imei o luga , a IDED-IV e elou-se de ácil aplicação. O egis o da in o mação é simples e a o dem das ques ões p opo ciona uma abo dagem g adual ao p oblema alimen a , p og edindo no sen ido de uma maio po meno ização. Es e úl imo pon o o na-se, inclusi amen e, cen al na diminuição do impac o de uma g ande des an agem associada às en e is as de diagnós ico: ela se pe cepcionada como in usi a pelo en e is ado causando emba aço na e ela- ção de de e minados aspec os do seu compo amen o alimen a como, po exemplo, a au o-indução do ómi o ou o descon ole alimen a (12). Quan o às pe gun as que compõem a en e is a es as pa ece am-nos adequadas à cul u a po uguesa. Con udo, iden ificámos algumas ques ões adicionais que omos sen indo necessidade de coloca pa a escla ece algumas á eas e que pode ão, e en ualmen e, i a se incluídas numa u u a e isão da en e is a. Po exemplo, na de- sc ição dos alimen os inge idos se ia ele an e ques iona os indi íduos sob e a exis ência de alimen os p oibidos na sua die a pa a acul a uma melho comp eensão do g au de es ição alimen a p a icada. Também na análise dos episódios de inges ão alimen a compulsi a se ia impo an e a e igua quando começa am, a equência com que oco em no momen o p esen e e qual a sua e olução ao longo do empo. No ge al, a IDED-IV e elou uma boa capacidade diagnós ica o e ecendo in o mação ele an e sob e o con ole do peso, o medo de engo da e a pe u bação da imagem co po al. Con udo, es es dados são apenas p elimina es eque endo ainda um es udo mais ap o un- dado, sob e udo, em o no da alidade. Pa icula men e, a análise da alidade compa a i a da IDED-IV com ou as en e is as de diagnós ico se á de g ande ele ância. REFERÊNCIAS Lucas AR, Bea d CM, O’Fallon WM, Ku land LT. 50-yea ends in he incidence o ano exia ne osa in Roches e , Minn.: A popula ion-based s udy. Am J Psychia y 1991; 148:917-22. Pawluck DE, Go ey KM. Secula ends in he incidence o ano exia ne osa: In eg a i e e iew o popula ion-based s udies. In J Ea Diso d 1998;23:347-52. Aze edo MH, Fe ei a CP. 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