II
A c iança í ima de Maus T a os e i ada à amília.
Vi ências e Signi icações.
Disse ação ap esen ada à Faculdade de Psicologia e de Ciências da
Educação da Uni e sidade do Po o, no âmbi o do Mes ado In eg ado
em Psicologia, Ramo de Psicologia do Compo amen o Des ian e e da
Jus iça, sob a o ien ação da P o esso a Dou o a Celina Mani a
(FPCEUP).
Cláudia Oli ei a Ramos Coelho
Julho de 2009
III
Resumo
O conhecimen o sob e os signi icados cons uídos pelas c ianças mal a adas ace a
expe iências como a de a as amen o amilia e subsequen e ins i ucionalização é escasso
na li e a u a, pelo que, com o p esen e es udo, se p e ende, a a és do discu so das
p óp ias c ianças, acede às suas i ências, pe cepções e signi icados, conside ando que o
sen ido que as c ianças a ibuem às suas i ências é de e minan e pa a o seu ajus amen o.
Nes e sen ido, o am de inidos como objec i os do es udo: (a) conhece a impo ância da
amília e (b) a pe cepção da c iança ace ca da sua expe iência de i imação, (c) acede aos
signi icados e sen idos a ibuídos pela c iança à sua e i ada de casa e colocação
ins i ucional, e (d) a e igua a exis ência ou não de igu as de inculação, pa a a c iança, no
con ex o amilia , ins i ucional, escola ou ou o.
A on ade de da “ oz” à c iança, enca ando-a como o melho in o man e ace ca de
si p óp ia, le ou-nos a op a po uma me odologia quali a i a, endo como supo e os
p incípios eó icos e epis emológicos da G ounded Theo y, assen e num p ocesso indu i o
de p odução de conhecimen o. Como mé odo, oi u ilizada a en e is a semi-es u u ada,
com o auxílio de um ins umen o desen ol ido em an e io in es igação: a his ó ia
“Malmeque , Bem-me-que ” (Mi iam, 2003).
A amos a do nosso es udo é cons i uída po um g upo de se e c ianças
ins i ucionalizadas, com idades comp eendidas en e os seis e os dez anos, odas do sexo
masculino.
Os esul ados ob idos nes e es udo, de ca ác e explo a ó io, e elam que o
a as amen o amilia é acompanhado de sen imen os de is eza na c iança e susci a
di iculdades na adap ação (mani es adas, po exemplo, a a és da oco ência de pesadelos
e em p oblemas de compo amen o). Indicam ainda que as c ianças não êm consciência da
expe iência de mau a o e desconhecem, na gene alidade, os mo i os que conduzi am à
sua e i ada da amília e colocação ins i ucional, o que pode es a associado à sua idade. As
c ianças da amos a ap esen am ep esen ações posi i as ace ca das igu as pa en ais e,
quando o con ac o amilia é man ido, os pais pe manecem como igu as p incipais de
inculação pa a a c iança, apesa de es as ende em a encon a ambém, na ins i uição, um
adul o de con iança.
Tendo em conside ação es es esul ados, e lec e-se sob e a medida de
ins i ucionalização e a manu enção do con ac o com a amília, suge indo-se, como
al e na i a à colocação ão sis emá ica em con ex o ins i ucional, um maio in es imen o na
p e enção p imá ia e o es o ço con inuado de in e enção jun o das amílias e da
comunidade, pa a melho ia das condições de ida e das p á icas pa en ais.
Pala as-Cha e: signi icados; c ianças mal a adas; a as amen o amilia ;
ins i ucionalização; sen imen os; ep esen ações.
IV
Abs ac
The knowledge on he meanings buil by he mal ea ed child en ace o expe iences
like amilia emo al and subsequen ins i u ionaliza ion is li le in he li e a u e, so, wi h he
p esen s udy, one in ends, h ough he speech o he child en hemsel es, access o hei
expe iences, pe cep ions and meanings, hinking ha he sense ha he child en a ibu e o
hei expe iences is de e mina i e o hei adjus men .
In his sense, he e we e de ined as objec i es o his s udy: (a) o know he
impo ance o he amily and (b) he pe cep ion o he child abou his expe ience o
ic imiza ion, (c) access o he meanings and senses a ibu ed by he child o his emo al
om home and ins i u ional placing, and (d) o check o he exis ence a achmen igu es, o
he child, in he amilia , ins i u ional, school o a di e en con ex .
The in en ion o gi ing “ oice “ o he child, conside ing hem he bes in o man abou
hei own you, guided us o decide o an quali a i e me hodology, acco ding o he
heo e ical and epis emological p inciples o G ounded Theo y sui ed an induc i e p ocess o
p oduc ion o knowledge. As a wo king me hod, he semi-s uc u ed in e iew was used, wi h
he help o an ins umen de eloped in p e ious in es iga ion: he his o y “Malmeque , Bem-
me-que ” (Mi iam, 2003)
The sample o ou s udy is cons i u ed by a g oup o se en ins i u ionalized child en,
wi h ages unde s ood be ween he six and en yea s, all o he masculine sex.
The esul s ob ained in his s udy, o an explo a o y na u e, e eals ha he amilia
emo al is accompanied by eelings o sadness in he child and causes di icul ies in hei
adap a ion (shown, o example, h ough he occu ence o nigh ma es and p oblems o
beha io ).
They also indica e ha child en a e no conscious o hei expe ience o mal ea men
and do no know, in he gene ali y, he mo i es ha led o his emo al o he amily and
ins i u ional placing, which can be associa ed o hei age. The child en o he sample
p esen s posi i e ep esen a ions abou he pa en al igu es and, when he amilia con ac is
main ained, he pa en s emain like he p incipal a achmen igu es o he child, despi e he
endency o ind, in he ins i u ion, an adul o con idence.
Conside ing hese esul s, one wonde abou he use o ins i u ionaliza ion as a
measu e and he main enance o he con ac wi h he amily, being sugges ed, like an
al e na i e o such a sys ema ic placing in ins i u ional con ex , a bigge in es men in he
p ima y p e en ion and he con inued e o o in e en ion nex o amilies and he
communi y, o imp o emen o he condi ions o li e and o he pa en al p ac ices.
Key-Wo ds: meanings; mal ea ed child en; amily emo al; ins i u ionaliza ion; eelings;
ep esen a ions.
V
Résumé
La connaissance à l’éga d des signi ica ions cons ui es pa les en an s mal ai és
ace à des expé iences comme celle de l’éloignemen amilie e subséquen e
ins i u ionnalisa ion es insu isan e dans la li é a u e, c’es pou quoi, a ec le p ésen é ude,
on eu à a e s le discou s des en an s mêmes, accéde à leu s ies, pe cep ions e
signi ica ions en considé an que le sens que les en an s donnen es décisi pou leu
ajus emen . Ainsi, les objec i s d’é ude on é é dé inis: (a) connaî e l’impo ance de la amille
e (b) la pe cep ion de l’en an su son expé ience de ic imisa ion, (c) accéde aux
signi ica ions e sens a ibués pa l’en an quand il laisse la amille e l’a angemen
ins i u ionnel e (d) é i ie l’exis ence ou pas de igu es de liaison, pou l’en an , dans le
con ex e amilie , ins i u ionnel, écolai e ou au e.
La olon é de donne de la “ oix” au en an , l’en isagean comme le meilleu
in o ma eu su soi-même, nous a condui à choisi une mé hodologie quali a i e, ayan
comme suppo les p incipes héo iques e épis emologiques de la G ounded Theo y, basée
dans un p ocessus induc i de la p oduc ion de la connaissance. Comme mé hode, on a
u ilisé l’in e iew semi-s uc u ée, a ec l’aide d’un ins umen de eloppé, dans une eche che
p écéden e: L’his oi e “Malmeque , Bem me que ” (Mi iam, 2003).
L’ép eu e de no e é ude es cons i uée pa un g oupe de sep en an s
ins i u ionnalisés, a ec des âges comp ises en e six e dix ans, ous du sexe masculin.
Les ésul a s ob enus dans ce é ude, de ca ac è e explo a eu , é élen que
l’éloignemen amilie es accompagné des sen imen s de is esse dans les en an s e
susci e des di icul és dans leu adap a ion (mani es ées, pa exemple, à a e s l’occu ence
de cauchema s e dans les p oblèmes de condui e). Ils indiquen que les en an s n’on pas la
conscience de l’expé ience des mau ais ai emen s e ils ne connaissen pas, en géné al,
les aisons qui on condui à leu éloignemen de la amille e à leu a angemen
ins i u ionnel, ce qui peu ê e associé à leu âge. Les en an s de l’ép eu e p ésen en des
ep ésen a ions posi i es conce nan les igu es pa en ales e , quand le con ac amilie es
main enu, les pa en s es en les igu es p incipales de liaison pou les en an s, en dépi de
la con iance des adul es que l’ins i u ion peu aussi ou ni .
Considé an ces ésul a s, on é léchi quan à la mesu e de l’ ins i u ionnalisa ion e
de la manu en ion du con ac a ec la amille, en suggé an , comme al e na i e à
l’a angemen ès sys éma ique dans le con ex e ins i u ionnel, un plus g and in es issemen
dans la p é en ion p imai e e l’e o con inué de l’in e en ion aup ès des amilles e de la
communau é pou l’amélio a ion des condi ions de ie e des p a iques pa en ales.
Mo s-Clé: signi ica ions, en an s mal ai és, éloignemen amilie , ins i u ionnalisa ion,
sen imen s, ep ésen a ions.
VI
A
Ag
g
a
ad
de
ec
ci
im
me
en
n
o
os
s
Não pode ia deixa de exp imi nes e ela ó io o meu p o undo ag adecimen o a
odos aqueles que con ibuí am, de o ma di ec a ou indi ec a, com o seu apoio,
disponibilidade e colabo ação pa a a ealização des e abalho.
À P o esso a Dou o a Celina Mani a pela o ien ação e apoio, pelo incen i o e pelos
aliosos con ibu os pa a o abalho. Um mui o ob igada pela p esença con inuada, e pela
pa ilha dos seus conhecimen os e e lexões.
Aos écnicos do Colégio Ba ão de No a Sin a po me e em p opo cionado a
opo unidade de ecolhe os dados pa a o es udo naquela ins i uição e pela o ma
acolhedo a e colabo an e como me ecebe am.
Às c ianças que pa icipa am no es udo, pe mi indo-me in adi os e i ó ios ão
ín imos das suas i ências.
À Tânia pela pa ilha de e lexões, sen imen os e conhecimen os du an e a
ealização des e abalho.
Ag adeço ambém aos meus pais, amilia es, amigos e ao And é pelo ca inho, apoio
e pela cons an e p esença.
Índice
I. In odução ....................................................................................................................... 2
II. Enquad amen o eó ico ................................................................................................... 4
2.1. De inição e ipos de maus a os .............................................................................. 6
2.2. Va iá eis e p ocessos que in luenciam a eme gência e impac o dos maus a os ... 9
2.3. Medidas de p o ecção da c iança .......................................................................... 13
2.4. Rep esen ações e na a i as das c ianças mal a adas ......................................... 18
III. Es udo empí ico ........................................................................................................ 22
3.1. Objec o e objec i os .............................................................................................. 23
3.2. Fundamen ação me odológica ............................................................................... 24
3.3. Mé odo .................................................................................................................. 25
3.4. Amos a ................................................................................................................. 28
3.5. Recolha e p ocedimen os de análise e a amen o dos dados ............................... 29
3.6. Análise dos dados ................................................................................................. 30
3.7. Ap esen ação e discussão dos esul ados ............................................................. 31
IV. Conclusões e e lexões inais .................................................................................... 45
V. Bibliog a ia .................................................................................................................... 49
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
2
I. In odução
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
3
A p esen e disse ação abo da, como emá ica ge al, a i imação de c ianças,
omando como objec o de es udo mais especí ico a expe iência de c ianças í imas de maus
a os que o am e i adas à cus ódia dos pais e, na sequência dessa e i ada, se encon am
ins i ucionalizadas. P e ende-se, com es e es udo, explo a as pe cepções, as expe iências
i idas e os signi icados que es as c ianças a ibuí am ao seu a as amen o amilia e
consequen e ins i ucionalização, dando oz às c ianças, median e o ecu so a me odologias
quali a i as de in es igação – em pa icula , a en e is as semi-es u u adas – que nos
pe mi em ob e in o mação mais di e si icada e mais ica do pon o de is a idiossinc á ico,
omando como quad o concep ual base as eo ias cons u i is as.
Abo da o ema dos maus a os não é en a iza um ema no o do pon o de is a da
sua exis ência, mas é con ibui pa a o ap o undamen o do conhecimen o de um enómeno
que, não obs an e a sua exis ência milena , só nas úl imas décadas ecebeu uma mais
gene alizada a enção de in es igado es e especialis as de di e en es á eas. Es e es udo
assume, assim, ambém um sen ido social - o de sensibiliza a sociedade pa a es e
p oblema, que não de e se enca ado como um p oblema p i ado, mas público, sendo uma
esponsabilidade de odos os cidadãos de ec á-lo e e e enciá-lo.
Pa a um melho enquad amen o do es udo oi ealizada uma e isão eó ica sob e o
ema, os maus a os e a ins i ucionalização de c ianças, sendo a mesma ap esen ada an es
do es udo empí ico. O enquad amen o eó ico es á o ganizado em qua o subcapí ulos. No
p imei o abo da-se a de inição e as ipologias de maus a os, no segundo abo dam-se os
ac o es de isco e ac o es p o ec o es, bem como a ulne abilidade ou esiliência das
c ianças í imas, concei os in imamen e elacionados no es udo dos maus a os, e a o ma
como es es ac o es in luenciam o impac o dos maus a os. No e cei o ocam-se as
medidas de p o ecção à c iança igen es no nosso país, p e endendo-se aze uma pequena
in odução ao uncionamen o do sis ema legal de p o ecção de c ianças e jo ens em isco e
aos p ocessos que le am a é à e i ada da c iança que é i imada no seio da amília. Po
im, no qua o, explo am-se as ep esen ações e na a i as das c ianças mal a adas,
emá ica cen al nes e es udo.
No capí ulo dedicado ao es udo empí ico são e e idos o seu objec o e objec i os, a
undamen ação me odológica, o mé odo u ilizado, a amos a, o p ocesso de ecolha e de
análise de dados e os p incipais esul ados do es udo. Conclui-se com uma e lexão em
o no das p incipais conclusões e pis as pa a u u as in es igações.
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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II. Enquad amen o eó ico
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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conside ados causa di ec a do apa ecimen o do enómeno, sob e udo se es i e em
p esen es de o ma isolada. Toda ia, a p esença de múl iplos ac o es de isco pe mi e a
iden i icação de si uações de isco pelos se iços de p o ecção à c iança, de endo se dada
pelos se iços p io idade às amílias sinalizadas (Connell, Be ge on, Ka ol, Saunde s e
Tebes, 2007). É esse o caso das amílias mul i-p oblemá icas, conside adas de al o isco
social, na medida em que se ca ac e izam pela p esença de polissin oma ologia e de c ises
eco en es, deso ganização, abandono das unções pa en ais e isolamen o social (Gómez,
Muñoz & Haz, 2007). Es as amílias uncionam como sis emas com on ei as ágeis, sendo
as esponsabilidades e unções dos seus memb os acilmen e subs i uídas pela acção de
écnicos e ou as igu as ex e nas, o que conduz, equen emen e, a elações c ónicas de
dependência dos se iços sociais (Canc ini, G ego io, & Noce ino, 1997, ci in Sousa, 2005)
e à diluição do p ocesso e iden idade amilia es. São, po isso, apelidadas de amílias mul i-
assis idas (Sousa, 2005) e a sua dis uncionalidade ad ém que de mecanismos in e nos
que dos se iços sociais que a ampli icam (Gómez, Muñoz & Haz, 2007).
Os maus a os pa ecem, assim, se mais equen es nas classes sociais mais
baixas, associados a más condições habi acionais, supe lo ação, baixa ins ução escola ,
exis ência de p omiscuidade e um es ilo de ida deso ganizado, conside ando-se a pob eza
uma a iá el de pa icula in luência na c onicidade dos maus a os (Woodwa d &
Fe gusson, 2002, ci in Gómez, Muñoz & Haz, 2007). Mas al não signi ica nem que odas as
amílias de ní eis socioeconómicos des a o ecidos sejam amílias de isco ou mal a an es,
nem que os pais de classe socioeconómica mais ele ada não possam mal a a os seus
ilhos. O que se cons a a é que nos es a os sociais médio-al o e al o as ipologias de maus
a os mais equen es são o abuso psicológico e a negligência a ec i a, os quais, pela sua
na u eza mais sub il, icam mais esgua dados dos olha es do con olo social, além de que a
p óp ia pos u a des es es a os sociais, de p ese ação do seu domínio p i ado, di icul a a
de ecção dos maus a os (Vila e de, 2000).
A pa i da análise sis émica dos ac o es de isco que podem es a p esen es na
ecologia do desen ol imen o de uma c iança, cons i uindo e dadei os obs áculos ao seu
desen ol imen o saudá el, podemos de e mina se aquela c iança es á em isco, sendo que
a e olução nega i a das si uações de isco pode conduzi ao su gimen o de si uações de
u gência, nomeadamen e quando há pe igo ac ual ou eminen e pa a a ida ou in eg idade
ísica da c iança (Ga ba ino, 1992; Sousa, 2005).
A p esença de ac o es p omo o es ou p o ec o es ou a esiliência da c iança podem
con abalança os e ei os de expe iências ou condições nega i as dos ac o es de isco,
eduzindo as consequências nega i as deles esul an es e, como al, a c iança í ima pode
não mani es a nenhum sin oma (Mas en & Gewi z, 2006). Alguns es udos apon am as
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
12
seguin es ca ac e ís icas como acili ado as da adap ação bem sucedida da c iança em isco
ambien al: es a égias de coping ac i as e ca ac e ís icas de empe amen o a o á eis ao
es abelecimen o de elações posi i as com pa es e adul os, inculação segu a da c iança,
compe ência cogni i a, expe iências de au o-e icácia, uma elação emocional es á el com,
pelo menos, uma pessoa, ausência de s ess elacionado com o abuso, um clima emocional
de supo e e edes de supo e ex a- amilia es (Lösel & Bliesne , 1990, ci in Ga ba ino,
1992).
No mesmo sen ido, Vila e de (2000) numa in es igação com c ianças
ins i ucionalizadas, e i icou que compo amen os socioemocionais adap a i os po pa e
das c ianças, es a u o de pa posi i o, ní el adequado de linguagem o al, Q.I. médio ou
supe io , sucesso escola e expec a i as posi i as dos adul os ace às mesmas são ac o es
p o ec o es. Também os ní eis de in eg ação escola e ins i ucional, os amigos ín imos, o
núme o de igu as signi ica i as e os con ac os com os pais pa ecem associa -se a condu as
mais adap adas das c ianças (idem). No âmbi o da p óp ia amília, a pe ença a uma
comunidade com uma o e coesão social cons i ui um impo an e ac o p o ec o (Ga ba ino
e Ganzel, 2000).
A in luência de odos os ac o es sup a-ci ados é p o a elmen e ansaccional,
esul ando num conjun o de in luências e e ei os bidi eccionais c iança – con ex o, sen idas
ao longo do empo (Same o & Chandle , 1975, ci in Mas en & Gewi z, 2006). A adap ação
da c iança às si uações eme gen es na sua ida, sejam es as no ma i as ou ex ao diná ias,
como é o caso especí ico dos maus a os, elaciona-se com a sua ulne abilidade ou
esiliência. No con ex o de ad e sidade e insegu ança em que i e a c iança mal a ada é
p o á el que es a desen ol a ulne abilidades indi iduais, c iando suscep ibilidade a
p oblemas no u u o. Dado, po ém, que são di e sos os ac o es que, pa a além da
in luência ambien al, in luenciam a ulne abilidade ou esiliência da c iança, po exemplo os
ac o es biológicos e gené icos, os ac o es psicológicos, mesmo a c iança que oi í ima
pode á en en a es as expe iências nega i as de o ma posi i a, adap ando-se ex e na e
in e namen e e supe ando os seus e ei os (Mas en & Gewi z, 2006).
Na ealidade, são di e sos os ac o es - como as ca ac e ís icas pessoais e
p edisposição da c iança, incluindo o géne o, idade e ecu sos cogni i os e emocionais; as
pe cepções e in e p e ações da c iança ace às suas expe iências; a pe cepção do seu
sis ema de supo e; e o ipo de c ime, equência, p e isibilidade, expe iências an e io es,
p oximidade ísica ao e en o ou amilia idade da í ima e o enso - que mode am o impac o
dos maus a os na c iança. Em g ande medida, a ecupe ação da c iança í ima de c ime
depende da omada de consciência das suas aquezas e das suas o ças (Sani, 2002).
Como ecu sos adap a i os pa a a c iança, es a au o a iden i icou a ede de supo e, as
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
13
ap endizagens eme gen es do e en o, as mensagens, a pe cepção de con olo e
compe ência. Pelo con á io, a esponsabilização, a insegu ança e a g a idade o am
econhecidos como indicado es de s ess (idem).
Em e mos ge ais, a expe iência de mau a o, enquan o acon ecimen o aumá ico,
le a a c iança a aze uma ea aliação do mundo que a odeia, subs i uindo as assunções
básicas que inha cons uído pela ideia de que o mundo é imp e isí el e pouco segu o, o
que limi a, desde logo, a sua explo ação do meio e, consequen emen e, o seu
desen ol imen o. A c iança í ima i e equen emen e com medo de que a expe iência se
epi a, ques ionando o alo da p óp ia exis ência. Ela con on a-se com a necessidade de
encon a um sen ido, que não seja au o-des u i o, pa a o acon ecimen o de que oi í ima,
explo ando as implicações e consequências de al expe iência, sendo que o signi icado
cons uído é p edi o do seu pos e io ajus amen o (Mani a, 2003; Johnson, 1998, ci in Sani,
2002). A o ma como a c iança in e p e a a ealidade dos maus a os/ i imação, depende
não só da sua expe iência pessoal, mas ambém do seu con ex o sociocul u al. Po udo
is o, a iolência é uma ques ão que implica uma abo dagem social e cul u al, eque endo
uma consciência uni e sal (Zulue a, 1996, ci in Sani, 2002).
Ga ba ino (1992) desc e e as c ianças esilien es como ac i as, a ec uosas, e nas,
áceis, obus as, a en as, esponsá eis, aleg es, sociá eis, au o-con ian es, de e minadas e
independen es, ainda que po ezes ag essi as; isicamen e, endem a ap esen a poucos
p oblemas ao ní el da alimen ação ou do sono e ecupe am mais acilmen e da doença
(idem). En e as c ianças mal a adas, os ní eis de esiliência pa ecem se pa icula men e
baixos, sob e udo se se conside a o uncionamen o esilien e como a compe ência em
á ios domínios do uncionamen o ou a adap ação ao longo do empo (Haske , Nea s, Wa d
& McPhe son, 2006; Ja ee & Gallop, 2007). Con udo, Vila e de (2000) ale a pa a o ac o
de no se humano nada se de ini i o, conside ando que a esiliência e a ulne abilidade não
são dimensões es á icas nem es ados ixos, mas p ocessos dinâmicos que dependem de
ou as condições, podendo al e a -se no decu so da ajec ó ia desen ol imen al da c iança.
2.3. Medidas de p o ecção da c iança
Em caso de suspei a de mau a o o na-se p io i á ia a p o ecção da c iança,
ope acionalizada median e o in e namen o da mesma ou o seu a as amen o empo á io da
amília, enquan o se p ocede a um es udo amilia e social comple o que de e mina á o
encaminhamen o co ec o da c iança. Simul aneamen e, são delineadas es a égias
e apêu icas e p og amadas medidas ao ní el da p e enção secundá ia, com is a a um
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
14
melho p ognós ico ela i o ao u u o da c iança, que a cu o que a longo p azo (Canha,
2000). As decisões sob e a e i ada da c iança da amília, empo á ia ou pe manen emen e,
podem se , con udo, complexas. A in es igação é pouco cla a ela i amen e às
ci cuns âncias em que aquela oco e, esul ando ge almen e de negociações en e as
amílias e os p o issionais, e, po ezes, en ol endo os ibunais. Tem sido salien ada a
impo ância de se de ini um plano es á el de p es ação de cuidados à c iança i imizada,
pelas en idades de p o ecção, plano que minimize a si uação de ins abilidade po ela i ida
(Cheng, Munn, Jack, & MacMillan, 2006).
Segundo Fu niss (1993) exis em ês ipos de in e enção possí eis em c ianças
í imas de maus a os: a In e enção P imá ia Puni i a (IPP), que consis e na p isão do
ag esso ; a In e enção P imá ia P o ec o a da C iança (IPPC), que a as a a c iança
i imizada do ag esso ; e a In e enção P imá ia Te apêu ica (IPT), que isa o apoio
psicológico à c iança e o abalho do impac o nega i o das expe iências aumá icas. Em
Po ugal, as duas p imei as são mais equen es. A IPPC ca ac e iza-se pela e i ada da
c iança à amília e sua pos e io ins i ucionalização, uma ez que o mau a o in an il é
equen emen e in a amilia , po ém, es e ipo de in e enção, que isa p o ege a c iança,
pode e um e ei o opos o, e i imizando-a, como mais à en e se á e e ido. Idealmen e, a
acção puni i a de e ia incidi apenas sob e o o enso (IPP), e não sob e a p óp ia c iança,
mas, sob o cunho da sua p o ecção, a lei pa ece e alguma di iculdade em condena o
pe pe ado de ce os c imes a c ianças, que po es as se em no as de mais pa a p es a
um depoimen o cla o, que po al a de p o as ísicas ace ca do c ime (Bull, 1998, ci in Sani,
2002) e, nessas ci cuns âncias é a c iança quem, e i ada à amília pa a sua p o ecção,
acaba po se sen i objec o de uma punição secundá ia (Ribei o, 2009; Sani, 2002). Po udo
is o, Mani a (2003) e Ribei o (2009) ale am pa a a necessidade de uma adequada e e icaz
in eg ação en e os di e sos sabe es e p á icas que con e gem pa a a comp eensão e
in e enção nas si uações de maus a os, en e o sis ema de jus iça penal e o sis ema de
p o ecção da c iança, en e a necessidade de puni o o enso e a de p e eni os abusos ou
p o ege a c iança, de endo coloca -se, acima de udo, o supe io in e esse do meno .
Na ealidade, o con ac o da c iança i imizada com as ins i uições e p o issionais
conduz, mui as ezes, à sua i imização secundá ia, ao in és da sua p o ecção e apoio.
Como al, é undamen al assegu a o apoio legal e psicológico às í imas, p epa ando-as e
acompanhando-as no con ac o com o sis ema judicial, e e i ando a exposição social das
mesmas, pois es a é suscep í el de p o oca um dano subjec i o supe io àquele que oi
pe pe ado pelo c iminoso (Ribei o, 2009; Mani a, 2003, 2004). Con ém ainda econhece
que cada c iança cons ói a sua p óp ia pe spec i a, subjec i a, ace ca do seu con ac o com
o sis ema de jus iça e ins i uições de apoio, e conside a o seu impac o sob e o meno (Sani,
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
15
2002; Ribei o, 2009). A c iança necessi a igualmen e que lhe seja dado pode social, de
modo a que o seu discu so seja alo izado e que lhe sejam p opo cionadas opo unidades
pa a pa icipa na omada de decisões ace ca da sua ida, especialmen e ace ca da sua
esidência e da equência das isi as a casa, quando ins i ucionalizada. O mais impo an e
é alo iza o pon o de is a da c iança, en ol endo-a no p ocesso de decisão, ainda que
aquele não seja adop ado (Cashmo e, 2002; Ribei o, 2009).
No caso da ins i ucionalização da c iança, uma omada de decisão mui o equen e
no nosso país, a c iança abandona uma es u u a amilia pa a se in eg ada numa es u u a
colec i a onde o sen ido de indi idualidade e de pe ença é diminuído, nomeadamen e pela
pa ilha ala gada de bens ma e iais e a ec i os. Po ou o lado, a qualidade dos ecu sos
humanos e ma e iais nem semp e é assegu ada, e i icando-se equen emen e uma
o ação dos p o issionais, o que não assegu a a con inuidade dos p ocessos educa i os das
c ianças ao longo do seu c escimen o e desen ol imen o (Vila e de, 2000). A
ins i ucionalização associa-se equen emen e a um sen imen o de punição na c iança, à
es igma ização e à disc iminação social, conduz à des esponsabilização da amília, e
desempenha uma unção de con olo social e ep odução das desigualdades (Albe o,
2003). Assim, ao in és de ins iga o desen ol imen o da c iança que acolhe, a ins i uição
pode unciona como um ac o de isco, que pela ameaça di ec a que pela ausência de
opo unidades. A ausência de uma elação de um-pa a-um com um cuidado p imá io coloca
as c ianças ins i ucionalizadas em si uação de p i ação p ecoce, podendo o dano causado
se equi alen e aos e ei os nega i os p o ocados po expe iências de iolência. Es as
c ianças o nam-se, assim, ulne á eis a deso dens de inculação e a a asos
desen ol imen ais nos domínios social, compo amen al e cogni i o. A asos no c escimen o
ísico, a o ia neu al e desen ol imen o ce eb al ano mal pa ecem ambém pode es a
implicados (Johnson, B owne, & Hamil on-Giach i sis, 2006). Com e ei o, o a endimen o
pad onizado às c ianças e o ele ado a io c iança po cuidado , a ausência de modelos
adap a i os, as limi ações na exp essão e pa ilha de a ec os e as di iculdades no
elacionamen o ho izon al ou e ical, são ac o es de isco que a p óp ia ins i uição
compo a. Po ou o lado, na adap ação a es e no o con ex o, as c ianças con on am-se
com a e as psicológicas, sociais e compo amen ais demasiado exigen es pe an e a sua
al a de ecu sos (Oli ei a-Fo mosinho, A aújo & Sousa, 2001/2002).
Nes e sen ido, a lei p e ê que o objec i o úl imo da in e enção se ia que a c iança
eg essasse a casa sem isco de se e i imizada, sendo, pa a al, necessá io, além do
a amen o e seguimen o adequado da c iança, a in e enção na amília, a p es ação de
apoio e igilância no domicílio e na comunidade. Canha (2000) p opõe que se encon e no
seio da amília uma pessoa de e e ência, no malmen e um elemen o da amília ala gada,
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
16
que assegu e a educação e a igilância da c iança, bem como auxilie a amília, con ibuindo
pa a o seu melho uncionamen o. A au o a le ou a cabo um es udo longi udinal, ao longo
de cinco anos, que lhe pe mi iu con i ma que as c ianças bene iciam de uma in e enção
e apêu ica con inuada, in eg ada e pe sonalizada que as auxilie na ob enção de um
conhecimen o mais p o undo sob e a sua expe iência de i imação e que lhes possibili e a
econs ução de uma na a i a mais ajus ada, sendo os esul ados des a in e enção ainda
mais posi i os nas c ianças que bene iciam do apoio de uma pessoa signi ica i a que
complemen e e po encie o abalho da equipa e apêu ica, desempenhando um papel
decisi o na ecupe ação da c iança mal a ada, al ez pela sua dedicação e a ec o.
Com e ei o, a maio ia dos casos de maus a os é de inida p ima iamen e como um
p oblema social e do uncionamen o amilia , nomeadamen e quando não ha ia, po pa e
dos pais, a in enção de p ejudica a c iança, sendo que, nes es casos, a in e enção
e apêu ica é desejá el, endo como objec i o p imo dial a capaci ação das amílias de isco,
em empo ú il, pa a que se e i e a e i ada da c iança do meio amilia , e i ando sujei á-la a
um isco se e o. Con inua-se, con udo, em Po ugal, a egis a um g ande núme o de casos
de c ianças e i adas à amília (Canha, 2000).
Quando não é possí el que a c iança eg esse à amília biológica com segu ança,
en ão, ela de e á se acolhida numa amília adop i a, de modo a es abelece o seu sen ido
de segu ança emocional e bem-es a (Mo on & Holde , 2000). Idealmen e, odas as
c ianças de e iam e a opo unidade de c esce num ambien e amilia . Hodges, S eele,
Hillman, Hende son, e Kaniuk (2003) demons a am o e ei o posi i o da adopção sob e as
c ianças mal a adas, e idenciando que as c ianças adop adas an es dos 12 meses de
idade, con a iamen e às c ianças adop adas en e os 4-8 anos, elabo am na a i as
o ganizadas e ealis as, não assumindo uma pos u a de e i amen o pe an e dilemas ou
con li os. No mesmo sen ido, as c ianças adop adas a diamen e, embo a não bene iciem
ão o emen e des e e ei o posi i o, al ez po já e em sido sujei as mui as ezes a
descon inuidades na p es ação de cuidados, ou possuí em modelos in e nos de
in e p e ação já consolidados, pa ecem demons a ambém uma e olução posi i a no que
se e e e às componen es de o ganização e ealismo das suas na a i as, bem como ao
desen ol imen o de ep esen ações mais posi i as dos adul os.
O úl imo p ocedimen o da in e enção se ia, en ão, o ecu so à ins i ucionalização,
sendo ele an e e em conside ação que a his ó ia de ida da c iança a é es e momen o se
ca ac e izou po sucessi os abandonos (abandono pelos pais, abandono pelos amilia es),
di icul ando a sua adap ação ao no o meio (Zem-Masca enhas & Dupas, 2001). À luz da
pe spec i a de B on enb enne , a ás e e ida, a ins i ucionalização pode se enca ada como
uma ansição ecológica, uma ez que implica mudanças de con ex o e de papel, endo
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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epe cussões ao ní el dos p ocessos desen ol imen ais da c iança ou do adolescen e que a
expe ienciam. Algumas a iá eis que mode am es e impac o são: o mo i o da
ins i ucionalização, a qualidade da elação pa en al p é ia, a opo unidade de desen ol e
elações de inculação na ins i uição, a qualidade dos cuidados p es ados na ins i uição, a
idade da c iança (impac o dis up i o imedia o quando a sepa ação oco e na segunda
me ade do p imei o ano de ida), a du ação da sepa ação, o sexo e o empe amen o da
c iança (Siquei a & Dell’Aglio, 2006).
Embo a a ins i ucionalização possa não co esponde sa is a o iamen e às
necessidades emocionais da c iança, se ela emo e e ec i amen e os ac o es de isco
p esen es no mic o-con ex o de onde a c iança é e i ada, se ga an i a inexis ência de
ameaças di ec as que ponham em causa a sua in eg idade ísica e emocional (e.g., maus
a os psicológicos, ag essões ísicas), e se c ia opo unidades que p omo am a adap ação
e o desen ol imen o (e.g., modelos posi i os, elações in e pessoais posi i as, apoio
psicológico), pode á unciona como mo o do desen ol imen o (Oli ei a-Fo mosinho, e al.,
2001/2002), sob e udo se as suas es u u as in e pessoais se alice ça em na ecip ocidade,
no equilíb io do pode e na elação a ec i a posi i a (Siquei a & Dell’Aglio, 2006). A
ins i uição de e á se secu izan e e calo osa, man endo uma o ganização assegu ada po
eg as e o inas que pe mi am a es abilidade e a p e isibilidade, con en o a de angús ias,
a a és de uma a i ude empá ica e comp eensi a dos adul os que a o eça a exp essão de
sen imen os posi i os, e a o ece a cons ução da iden idade das c ianças e jo ens que
in eg a, median e a e isão do passado e ees u u ação do eu, delineando p ojec os pa a o
u u o. Des e modo, as ins i uições podem c ia condições de desen ol imen o e de
ealização pessoal pa a c ianças que se encon am em condições de maio agilidade
(Sani, 2002).
A ins i uição de e á ainda se abe a ao ex e io , man endo uma elação ão es ei a
quan o possí el com as amílias de o igem e a o ece a in eg ação p o issional e social do
meno , no sen ido da sua au onomia pessoal (idem). As isi as da c iança ins i ucionalizada
a casa aos ins-de-semana cons i uem a p incipal o ma de con ac o des as com os seus
pais; po ém, es a p á ica me ece a enção que pela espe ança que po encia nas c ianças
que pelo isco em que as coloca. De ac o, na maio ia dos casos, não é exe cida pelos
p o issionais qualque igilância du an e os ins-de-semana que as c ianças passam com os
pais, de modo a assegu a o seu bem-es a , e nem semp e é ido em conside ação o g au
de dis uncionamen o pa en al na de e minação das isi as da c iança a casa e na
de e minação da equência do con ac o dos p o issionais sociais com os pais. A es as
di iculdades associa-se a não implemen ação de uma in e enção o ien ada pa a a amília e
a ausência de objec i os comuns e di iculdades de comunicação e in e acção en e as
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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di e en es en idades que abalham com as c ianças e jo ens e en e es as e as amílias, a
pa da al a de in eg ação das polí icas sociais exis en es. Assim, es as c ianças con on am-
se com uma mensagem dupla, em que, po um lado, a ins i ucionalização lhes é
ap esen ada como empo á ia, mas, po ou o, pe an e um cená io de “não in e enção”, se
o na algo pe manen e, com um u u o ince o (Lau e , 1994). A expe iência da c iança ace
à ins i ucionalização ende, assim, a se con li uosa, pois, po um lado, es a pe cebe a
exis ência de no os ecu sos, incluindo os ma e iais, mas, po ou o lado, sen e al a da
amília, dos amigos, e de alguns aspec os da sua ida an e io (e.g., libe dade, ausência de
o inas) (Zem-Masca enhas & Dupas, 2001). Da mesma o ma, o indicado de que 50% das
c ianças não expe ienciam ní eis de s ess signi ica i os aquando das suas isi as a casa
coloca a ques ão de se eequaciona a necessidade a as condições que ob iga am à sua
ins i ucionalização (Lau e , 1994).
Po im, e a pa de qualque decisão omada ela i a à esidência da c iança, a
in e enção psicológica jun o des a pode á cons i ui um cená io p opício ao seu
desen ol imen o pessoal, a o ecendo a cons ução de no os signi icados, mais
adap a i os, pa a a expe iência de maus a os, sendo es a an o mais comple a quan o mais
se assumi como um p ocesso in eg ado, do pon o de is a das á eas do desen ol imen o,
holís ico, do pon o de is a da c iança, ecológico, conside ando os con ex os e suas
in e acções, e ansaccional, conside ando as elações en e a c iança e os di e en es
subsis emas com que in e age e que a a ec am (Oli ei a-Fo mosinho e al., 2001/2002).
2.4. Rep esen ações e na a i as das c ianças mal a adas
Aquando do desen ol imen o das capacidades e bais, as c ianças cons oem
na a i as como o ma de o ganiza as suas expe iências, incluindo os acon ecimen os que
i enciam e os seus sen imen os ace ca dos mesmos (Fi ush, 1991, ci in To h, Ciche i,
Mac ie, Rogosch & Maughan, 2000), isso pe mi e-lhes a ibui signi icado ao mundo que as
odeia e in luencia o desen ol imen o da sua capacidade de egulação emocional e
compo amen al (Dunn, 1993; Ha is, 1994, ci in To h e al., 2000). As c ianças com uma
inculação segu a endem a ap esen a na a i as mais coe en es do que as c ianças
ambi alen es, com mais disciplina do que as c ianças e i an es, e com menos emas de
con li o do que as c ianças deso ganizadas. Con a iamen e, nas c ianças mal a adas, que
e idenciam uma inculação p eponde an emen e deso ganizada, as na a i as con êm mais
emas de con li o e menos emas mo ais e a ilia i os. Pa ece ha e ambém uma di e ença
de géne o na o ganização das na a i as, sendo que as na a i as dos apazes e ocam
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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mais con li o, menos disciplina e a ec o/a iliação e são menos coe en es do que as
na a i as das apa igas (Moss, Bu eau, Béli eau, Zdebik, & Lépine, 2009; To h e al., 2000).
No mesmo sen ido, um ou o es udo (Hodges e al, 2003) demons a que as c ianças
mal a adas ap esen am na a i as mais deso ganizadas, com con eúdo mais nega i o e
ameaçado , eagindo com ansiedade e e i amen o. Nas na a i as elacionadas com o ema
escola, as c ianças demons am uma maio p eocupação com as ques ões da
desejabilidade social, en ando emi i ep esen ações mais posi i as da espos a pa en al.
São, po ém, imedia amen e subme sas po uma ep esen ação gené ica da espos a
pa en al mais nega i a ou ambi alen e, e lec indo ai a. As na a i as des as c ianças
e lec em, pois, ele ados ní eis que de e i amen o que de an asia ca as ó ica e ag essão,
sendo as suas ep esen ações dos pais e das elações pais- ilhos maio i a iamen e
nega i as. Re i a-se ainda que as ep esen ações de con li o p edizem de modo signi ica i o
os p oblemas de ex e nalização, mediando assim a elação en e os maus a os e os
p oblemas de compo amen o equen emen e exibidos pelas c ianças mal a adas (idem).
Do mesmo modo, as c ianças mal a adas, cuja p es ação de cuidados ma e nos é
inconsis en e, epo am nas suas na a i as ep esen ações de disciplina ma e na menos
ap op iadas, as quais em um alo p edi i o na explicação dos p oblemas de
compo amen o (Solomonica-Le i, Yi miya, E el, Same , & Oppenheim, 2001). Um es udo de
S acks (2007) con i ma que as c ianças com inculação deso ganizada ap esen am nas
suas na a i as con eúdos mais deso ganizados (e.g. iolen os, hos is, ameaçado es) e que
se compo am de modo mais des egulado (e.g. medo e agi ação), sendo, po ém, as
c ianças ambi alen es as que exibem maio es p oblemas de ex e nalização. Es e es udo
suge e ainda que as c ianças que exibem compo amen os de ex e nalização podem
bene icia de um adul o que esponda consis en emen e às suas necessidades e que
esponda ao seu a ec o posi i o, podendo, po exemplo, a expe iência de ecepção de
cuidados no con ex o p é-escola media e con abalança o impac o da inculação insegu a
pais-c iança.
Os maus a os es ão associados a ipos pa icula es de imagens ace ca do sel e
dos ou os, nomeadamen e de p edominância nega i a, as quais são ela i amen e es á eis
e à luz das quais a c iança in e p e a no as si uações. Nes e sen ido, as imagens
in e nalizadas p ecocemen e po c ianças mal a adas êm implicações nas suas elações
u u as, na medida em que as imagens in e nalizadas e lec em as expe iências ac uais da
c iança, a pa i do passado. Com e ei o, as ep esen ações que as c ianças í imas de
maus a os o mam no seio da sua amília ace ca do sel , dos ou os, e do sel com os
ou os, moldam as suas expec a i as ela i amen e às elações no ex e io , sendo que
aquelas imagens exe cem in luência conside á el no desen ol imen o social e psicológico
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
20
da c iança, bem como no seu compo amen o e, adicionalmen e, na p obabilidade de a
c iança se e- i imizada e/ou se o na uma po encial ag esso a nas elações subsequen es
(Waldinge , To h & Ge be , 2001). Nes e sen ido, as ep esen ações ace ca das igu as
cuidado as (pais) medeiam a in luência dos maus a os na elação da c iança mal a ada
com os seus pa es.
As c ianças mal a adas ap esen am na a i as mais nega i as e cons i as
( ep essão do s ess, cons ição emocional e e i amen o de emas ca egados
a ec i amen e) e menos posi i as e coe en es (na a i as nega i as e deso ganizadas
associadas ao pad ão de inculação deso ganizado) do que as c ianças não mal a adas,
sendo que es as ep esen ações desadap a i as es ão associadas à des egulação
emocional, ag essão e ejeição pelos pa es (Shields, Ryan & Cicche i, 2001). De ac o,
ep esen ações desadap a i as dos cuidado es podem p o oca espos as emocionais
desadequadas em si uações neu as ou amis osas com os pa es, ais como impulsi idade,
ag essão eac i a e abandono social, associadas a hipe igilância e hipe ac i ação
isiológica. Po sua ez, os pa es podem eagi à des egulação emocional daquelas com
e i amen o, ejeição, e ainda i imização, man endo e e o çando o ciclo ansaccional dos
maus a os, ca ac e izado po elações pob es e ep esen ações nega i as das elações
sociais (idem).
Um es udo desen ol ido po Waldinge , To h & Ge be (2001) e idenciou que as
ep esen ações in e nas das c ianças mal a adas sob e as elações es ão elacionadas com
a sua i ência de um ipo especí ico de mau a o. Assim, que as c ianças í imas de abuso
ísico que as c ianças í imas de negligência ap esen am uma ep esen ação do sel mais
nega i a, como zangado e oposi o (au o-culpabilização). Es as úl imas ap esen am ambém
uma imagem mais nega i a dos ou os, como is es, ansiosos e maus. As c ianças í imas
de abuso sexual ap esen am ep esen ações mais posi i as dos ou os, gos ando delas e
desejando es a mais p óximo dos ou os (idem). As ep esen ações da espos a ao s ess
nas na a i as de c ianças mal a adas pa ecem di e encia -se ambém em unção do ipo de
mau a o so ido, uma ez que di e en es i ências da si uação de mau a o podem causa
di e en es anomalias no desen ol imen o. De um modo ge al, as c ianças mal a adas
ap esen am ep esen ações da espos a ao s ess não no ma i as, epo ando uma meno
equência da espos a pa en al pa a a enua o s ess nos ilhos e uma meno equência da
espos a da c iança pa a a enua o s ess nou a c iança. As c ianças negligenciadas
pa ecem assumi uma pos u a ela i amen e passi a ace ao s ess dos ou os, enquan o as
c ianças abusadas, sob e udo no caso de abuso ísico, pa ecem come e ac os in ulga es
pa a a enua o s ess, como a in e são de papéis pais- ilhos. Isso pode se explicado como
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
27
De modo a acili a a eco dação e exp essão da c iança ela i amen e a
acon ecimen os ão sensí eis e ín imos como a expe iência de maus a os e o a as amen o
amilia , u ilizou-se ambém uma his ó ia me a ó ica, pe soni icada numa “ amília de
Malmeque es” e de ou os ep esen an es do mundo ege al, usada pa a ilus a o p ocesso
de sepa ação. A his ó ia “ Malmeque , Bem-me-que ”, cons uída no âmbi o de ou a
in es igação com c ianças em si uação de acolhimen o e a pa i das his ó ias das p óp ias
c ianças (Mi iam, 2003), oi elabo ada endo como população-al o c ianças en e os 4 e os 8
anos de idade, embo a possa se ambém u ilizada com c ianças mais elhas que passa am
pelo p ocesso de up u a com a amília de o igem e se encon am ins i ucionalizadas (c .
Anexo 2). Em e mos de con eúdo, es a e lec e aquilo que é uma ajec ó ia ípica da IPPC.
Nes e sen ido, abo da a colocação ins i ucional e, como p oblemá ica subjacen e à
sepa ação da c iança, a negligência, po es a se uma das p oblemá icas mais equen es
nes as si uações. Ao longo da his ó ia es á pa en e a alusão à negligência dos pais, sendo
bas an e pe cep í el o dano po omissão de espos a às necessidades ísicas, a ec i as e
emocionais da c iança.
Um ou o pon o em comum à maio ia das c ianças ins i ucionalizadas é a pe ença a
um es a u o socioeconómico baixo, sendo es e e lec ido na his ó ia, na ausência de
condições habi acionais necessá ias ao desen ol imen o saudá el da c iança e na
imp e isibilidade do con ex o amilia . Em oposição, na ins i uição da his ó ia “há sí ios e
ho as pa a udo”. A his ó ia inclui ambém a en a i a de in e enção jun o dos pais, p é ia à
ins i ucionalização. Só quando es a não se aduz em melho ias se e ec ua a sepa ação e
consequen e espos a de encaminhamen o.
Sendo o con ac o com o sis ema judicial equen e nes as si uações, a igu a do juiz
su ge ambém na his ó ia, numa en a i a de explicação, aos “ ilho es Malmeque ”, do
po quê da sua e i ada. A is o segue-se a e i ada, sendo es a acompanhada po
sen imen os de punição, abandono, culpabilização, incomp eensão e is eza, habi ualmen e
associados a es e p ocesso. A pa i des e momen o, a his ó ia ence a um segundo
objec i o que ai além da desc ição daquilo que é a ajec ó ia habi ual da IPPC, e que
consis e em despe a na c iança a possibilidade de econs ução da sua his ó ia e de
cons ução de uma his ó ia al e na i a pa a si. O inal da his ó ia cons i ui-se como uma
en a i a de aplicação do modelo da e apia na a i a da e-au o ia de Whi e e Eps on (1990)
ao Pequeno Malmeque , pe sonagem p incipal da his ó ia.
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
28
3.4. Amos a
Rela i amen e à amos a, es a de e á se de inida endo em conside ação o objec o
e objec i os do es udo. No caso do p esen e es udo, sendo o objec o- ema a expe iência de
a as amen o amilia po mo i o de maus a os e p e endendo-se acede às signi icações
pessoais cons uídas a pa i des a, cons i uímos uma amos a de c ianças que, po mo i os
de maus a os, o am e i adas da amília e colocadas em ins i uições de acolhimen o.
Rela i amen e ao amanho da amos a, em es udos quali a i os es e assume uma
impo ância secundá ia (Fon anella, Ricas, & Tu a o, 2008). Segundo Ruquoy (1995, ci in
Sani, 2002), nas in es igações quali a i as, os indi íduos não são escolhidos em unção da
impo ância numé ica da ca ego ia que ep esen am, mas an es de ido ao seu ca ác e
exempla . Sendo assim, a in es igação quali a i a baseia a selecção da amos a num
p opósi o que não é o da ep esen a i idade nem o da alea o iedade, mas no p incípio da
qualidade da in o mação que aquela pode o nece (Guba & Lincoln, 1989). Assim, um bom
in o man e é alguém que possui o conhecimen o e expe iência que o in es igado deseja,
sendo ep esen a i o da ealidade que se p e ende in es iga e não da população ge al
(Mo se, 1994). As abo dagens quali a i as pe mi em, assim, ala de ans e ibilidade e
capacidade p edi i a, mas não de gene alização (Fe nandes & Maia, 2001). Nes e ipo de
abo dagens o “ echamen o” da amos a é de inido pelo c i é io da sa u ação eó ica, is o é,
quando os no os casos não azem nada de no o aos dados já ecolhidos, não con ibuindo
mais, de o ma signi ica i a, pa a o ape eiçoamen o da e lexão eó ica undamen ada nos
dados (Fe nandes & Maia, 2001; Fon anella, Ricas, & Tu a o, 2008).
No p esen e es udo, a amos a acabou po se de inida po con eniência. Com e ei o,
o am á ios os cons angimen os e di iculdades que i emos em acede à amos a, al ez
po se a a de c ianças em si uação de maio agilidade e en egues à gua da das
ins i uições, o que le an a ques ões é icas e legais à abo dagem das mesmas que nem
semp e as ins i uições que em en en a . Depois de algumas ecusas de con ac o, a
ins i uição que acabou po acolhe o nosso es udo oi o Colégio Ba ão de No a Sin a,
in eg an e da San a Casa da Mise icó dia do Po o. O Colégio Ba ão de No a Sin a acolhe
c ianças do sexo masculino en e os 6 e os 18 anos que se encon em em si uação de
pe igo, sendo es as encaminhadas pela Comissão de P o ecção de C ianças e Jo ens em
isco ou ou as ins i uições com essa compe ência.
A nossa amos a é cons i uída po se e c ianças com idades comp eendidas en e os
seis e os dez anos de idade, odas do sexo masculino, uma ez que es e Colégio só em,
em egime de in e na o, c ianças des e sexo (c . Anexo 3). Tendo em conside ação as
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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di iculdades de acesso à amos a sup a-ci adas, não oi possí el cump i o equisi o da
cons ução de uma amos a eó ica, endo sido o echamen o da amos a de e minado pela
exaus ão da mesma, e não po sa u ação eó ica.
P e endia-se ambém, den o das possibilidades, abo da á ios ipos de maus a os,
embo a admi indo que a ca ego ização dos maus a os é, de ce o modo, a i icial, uma ez
que, como e e e a li e a u a, a maio pa e das c ianças i imizadas expe iencia mais do
que uma o ma de mau a o. Na amos a des e es udo, os ipos de maus a os incluídos
são o mau a o ísico, o abandono e a negligência (c . Anexo C). Um ou o c i é io que se
p e endia e cump ido consis ia em que as c ianças da amos a i essem i enciado o
episódio de maus a os há não mais do que dois anos, conside ando possí eis limi ações
de memó ia. Toda ia, e mais uma ez po es ições no acesso à amos a, es e c i é io oi
ala gado, sendo que a amos a do es udo in eg a c ianças ins i ucionalizadas a é há ês
anos e meio (c . Anexo C).
3.5. Recolha e p ocedimen os de análise e a amen o dos dados
Os dados o am ecolhidos, como já oi e e ido, no Colégio Ba ão de No a Sin a (da
San a Casa da Mise icó dia do Po o). Os p ocedimen os seguidos na ecolha dos dados
con empla am ês g andes momen os. Num p imei o momen o oi ealizada a p imei a pa e
da en e is a, de conhecimen o mú uo e aquecimen o, com o objec i o de cons ui com a
c iança uma elação de con iança. No segundo momen o, oi con ada à c iança a his ó ia
“Malmeque , Bem-me-que ” (Mi iam, 2003), seguida do ela o li e da mesma pela c iança.
Nes e momen o, enco ajou-se a c iança a ela a udo aquilo de que se lemb asse da
his ó ia, endo sido possí el aze e lexões e da eedback à c iança, u ilizando as pala as
dela. Po im, no e cei o momen o, ealizou-se a segunda pa e da en e is a, com en oque
em ques ões ela i as aos acon ecimen os e i ências da his ó ia “ Malmeque , Bem-me-
que ”, pa a que, a pa i dessas ques ões, a c iança, median e um p ocesso de iden i icação
com o Pequeno Malmeque , p o agonis a da his ó ia, i esse a possibilidade de ela a as
suas i ências pessoais e sen imen os, a pa i da oz daquele. An es da inalização da
en e is a e e-se a p eocupação de ec ia uma a mos e a posi i a, con ibuindo pa a que a
c iança saísse da mesma de o ma ag adá el e com um au oconcei o posi i o,
demons ando-se disponibilidade pa a um con ac o u u o, se ela o desejasse. Todas as
pa icipações das c ianças, ao longo des es ês momen os, o am g a adas em áudio com a
sua au o ização, bem como da ins i uição.
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
30
Alguns cons angimen os com que nos con on amos o am as es ições de empo,
sob e udo no que conce ne ao empo disponibilizado pela ins i uição pa a a ecolha de
dados jun o das c ianças, uma ez que es a in e e ia nas o inas daquelas. De ac o, e a
nossa p e ensão inicial alcança um conhecimen o mais ap o undado da ins i uição e das
o inas das c ianças que in eg a, median e a obse ação pa icipan e, mas al não oi
possí el.
3.6. Análise dos dados
“ A in es igação quali a i a em subjacen e, no malmen e, um in e esse
eó ico quando deb uçada sob e p ocessos humanos in e p e a i os, o que en ol e
a aplicação de uma análise e lexi a.” (Sani, 2002, p. 87).
Os dados ecolhidos o am a ados endo como supo e os p incípios eó icos e
epis emológicos da G ounded Theo y, já explici ados. De aco do com aqueles, p ocu amos
pa i pa a o a amen o dos dados sem g elhas p é-concebidas ace ca dos mesmos, com o
in ui o de que as ca ego ias su gissem do ma e ial empí ico de base, embo a conscien es do
nosso conhecimen o eó ico p é io, incon o ná el e indispensá el à sensibilidade eó ica de
qualque in es igado (Mo se, 1994). Pa ilhamos a asse ção de Cha maz (2006) de que os
mé odos da G ounded Theo y cons i uem um conjun o de p incípios o ien ado es e p á icas
e não um conjun o de p esc ições ou imposições, pelo que nos o ien amos pelos mesmos,
mas sem a p e ensão de os cump i exaus i amen e.
Com e ei o, as limi ações no acesso à amos a e as limi ações de empo pa a a
conc e ização des e mes ado, não nos pe mi i am cump i alguns dos p incípios básicos
des a es a égia. No âmbi o da alidação dos dados, iden i icamos como p incipal limi ação o
ac o de não e mos eco ido a juízes independen es nem ol ado a con ac a a amos a
en e is ada no sen ido daquela emi i o seu julgamen o ace ca das nossas conclusões,
numa e dadei a pa ilha e co-cons ução do conhecimen o, de ol endo aos sujei os
en e is ados o sen ido de empowe men . Apesa das limi ações, e conscien es delas,
espe amos, po ém, a pa i das nossas explicações analí icas, mesmo que não exaus i as,
de um p oblema ac ual e ele an e como o é a p oblemá ica do nosso es udo, pode susci a
cu iosidade nou os in es igado es sob e o conhecimen o cons uído, os quais pode ão, no
u u o, com ecu so a uma in es igação mais exaus i a en iquece as nossas conclusões.
O a amen o dos dados p op iamen e di o seguiu os seguin es passos: inicialmen e
p ocedeu-se à ansc ição in eg al das en e is as. Uma ez cump ida es a a e a, de iniu-se
como unidade de signi icação a ideia. Pos e io men e ealizou-se uma lei u a lu uan e do
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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ma e ial empí ico e deu-se início ao p ocesso de codi icação da in o mação, o qual se
baseou num mo imen o de cons an e in e acção en e a in es igado a e os dados. Como
o ma de auxílio a es e p ocesso, eco eu-se ao p og ama in o má ico NVIVO 7 (c . Anexo
4). A codi icação baseou-se na al e nância en e a codi icação abe a e a codi icação axial,
e oluindo da desc ição simples e pos e io cons ução de ca ego ias pa a a de inição de
elações en e es as, e i icando cons an emen e es as elações jun o dos dados.
Assim, analisámos p imei amen e os ela os de cada c iança em pa icula ,
con on ando depois as na a i as das á ias c ianças umas com as ou as, que no seio da
mesma ca ego ia, que elacionando as ca ego ias en e si. Es a análise pe mi iu c ia um
modelo comp eensi o das i ências e signi icações de c ianças í imas de maus a os
deco en es do seu a as amen o amilia , as quais e lec em o impac o de al oco ência e
que passamos a desc e e de seguida.
3.7. Ap esen ação e discussão dos esul ados
Os p ocedimen os de análise desc i os na secção an e io esul a am na eme gência
de um conjun o de ca ego ias p incipais que, po sua ez, se di idi am em sub-ca ego ias.
Tal p ocesso pe mi iu ob e uma p imei a ca ac e ização ge al de como as c ianças
expe iencia am a e i ada do seu meio na u al e a consequen e colocação ins i ucional e do
impac o que es a e e sob e as mesmas. Os esul ados e in e p e ações que se ão
ap esen ados eme gi am do discu so de cada c iança, impulsionado pela en e is a e com o
auxílio de um ins umen o já desc i o – a his ó ia “ Malmeque , Bem-me-que ” (Mi iam,
2003). A en e is a desencadeou uma abo dagem simul aneamen e sinc ónica e diac ónica,
em que a c iança oi impulsionada a mo imen a -se, nas suas ep esen ações, en e o
passado, o p esen e, e o u u o.
Passamos a desc e e a expe iência das c ianças, seguindo de pe o a
ca ego ização e ec uada dos dados (c . Anexo D). P e endemos, a pa des a desc ição,
ece alguns comen á ios in e p e a i os sob e as egula idades de ec adas nas
signi icações cons uídas po di e sas c ianças da amos a, ela i amen e à expe iência de
a as amen o amilia e consequen e colocação ins i ucional. De modo a ilus a e ap o unda
as nossas in e p e ações, são ap esen ados alguns echos das en e is as.
1
Também o
1
A cada uma das c ianças oi a ibuída uma le a do abecedá io em subs i uição da ap esen ação do
seu nome, de modo a ga an i o seu anonima o.
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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conhecimen o dos dados sócio-demog á icos das c ianças da amos a (c . Anexo 4) pode á
pe mi i uma melho comp eensão dos dados e análises e ec uadas.
A. Con ex o de o igem
Es a ca ego ia e e e-se ao con ex o em que a c iança i ia an es da
ins i ucionalização e as subca ego ias aqui eme gen es eme em pa a o Espaço Físico e
pa a a dimensão a ec i o- elacional do mesmo, podendo se compa ada a desc ição des e
espaço com a que é ei a do con ex o da ins i uição. Rela i amen e à desc ição da casa dos
pais, as c ianças e e em-se ao es ado de conse ação da mesma de o ma con as an e:
“ á quase a cai .” (B.) po oposição a “ E a no a.” (A.). No que conce ne à disponibilidade de
acesso naquela a se iços como a elec icidade, uma c iança e e e e que do mi “às
escu as” (B.). Um aspec o que di e encia es e espaço habi acional do espaço da ins i uição
é o ac o de a c iança pode e a possibilidade de do mi num qua o “Sozinho” (B.).
Ago a epo ando à dimensão A ec i o- elacional do con ex o de o igem,
nomeadamen e à casa dos pais, es a pa ece se pe cepcionada como luga p e e encial
“Po que aquela e a um bocadinho especial.” (E.), na medida em que a p esença dos pais ao
associa -se a sen imen os posi i os (c . Ca ego ia Sen imen os), con e e àquele con ex o de
i ência um es a u o especial. A desc ição que as c ianças azem da casa dos pais dá a
en ende que, mesmo que es a não possua o con o o desejado, podendo o seu es ado de
conse ação não se o melho , as c ianças lhe a ibuem um signi icado especial, pa ecendo
apon a pa a uma maio alo ização dos aspec os a ec i os do con ex o, nomeadamen e a
p esença da amília, em elação aos aspec os ma e iais. No meio de o igem as c ianças
ambém possuem elações p óximas com ou os além dos pais, nomeadamen e amigos e
amilia es (c . Sub-ca ego ia Familia es e pessoas do meio de o igem), que con ibuem
simila men e pa a o seu bem-es a . Tendo em conside ação es es ac o es, conside amos
que a manu enção da c iança no seu espaço/con ex o amilia , se iá el, de e se
p i ilegiada ace à e i ada, al como é p e is o pela legislação po uguesa. Conside amos
ainda que, mesmo em si uações de isco ou de pe igo, em que a c iança é a as ada da
amília, de em se ealizados es o ços no sen ido de capaci a a amília pa a a p es ação de
cuidados adequados à c iança, não p olongando demasiado o empo de ins i ucionalização.
Con udo, é equen e e i ica mos no nosso país a ins i ucionalização da c iança po empo
p olongado e inde e minado, não ol ando a mesma à amília, nem sendo encaminhada
pa a a adopção, o que coloca, a nosso e , em causa o sen ido de pe ença da c iança, que
inclui ambém a ligação a um espaço/meio de o igem.
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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B. Pessoas signi ica i as
Es a ca ego ia inclui odas as pessoas, pa es ou adul os, que as c ianças e e i am
aquando do seu discu so como aquelas com que se elacionam de o ma p óxima ou
signi ica i a, sendo a exis ência de uma ede de supo e ex emamen e p o ec o a pa a a
c iança e con ibuindo pa a a sua esiliência. Es a oi subdi idida nas seguin es sub-
ca ego ias: Adul o p óximo, Familia es e pessoas do meio de o igem, Amigos da ins i uição
e Colegas da Escola
2
.
Rela i amen e à sub-ca ego ia Adul o p óximo es a p e ende iden i ica uma po encial
igu a de inculação da c iança, a quem ela eco e assim que em necessidade, sendo
e e ido na li e a u a que a elação emocional es á el com, pelo menos, uma pessoa
cons i ui um impo an e ac o de p o ecção da c iança. A pa i da análise dos dados
cons a ámos que es a inclui adul os da ins i uição “D .ª M… a D .ª N.” (B.), “O S . X.” (C.),
“D .ª N… as dou o as.” (E.), “O S . Z.” (M.R), “À minha p ecep o a. - Como é que ela se
chama? - Dona Y.” (G.), mas ambém amilia es, podendo sob epo -se à sub-ca ego ia
Familia es e pessoas do meio de o igem “a minha mãe” (G., B.), “meu pai” (C., B.).
Cons a a-se, assim, que, ao se em a as adas das igu as com quem cons uí am os
p imei os laços a ec i os - os pais -, as c ianças conseguem encon a um ou o adul o de
con iança no no o con ex o, nes e caso, a ins i uição, o que, segundo a li e a u a, medeia o
impac o da ins i ucionalização sob e a c iança. De ac o, é undamen al que o con ex o
ins i ucional p opicie um clima de abe u a e acei ação, median e uma a i ude empá ica e
comp eensi a po pa e dos adul os, ajudando-as a es abelece o seu sen imen o de
segu ança e a es abilidade emocional. Con udo, quando o con ac o amilia é man ido, as
igu as pa en ais pa ecem con inua a assumi um papel cen al na p es ação de apoio e
a ec o, o que demons a a impo ância das c ianças man e em o con ac o com as suas
amílias.
A sub-ca ego ia Familia es e pessoas do meio de o igem é mais ab angen e que a
an e io , uma ez que engloba odas as pessoas do con ex o amilia com quem a c iança se
elaciona e não só a igu a cuidado a e de maio con iança. Assim aqui incluem-se “p imos”
(B.), “… uma bebé.” (B.), “… a ia.” (B.), “… o meu io” (B.), “Cos umo b inca com a minha
mana mais no a.” (E.) e amigos “da minha aldeia.” (E.), “… com a a ó? - sim, e com um
amigo meu.” (A.). Es a ca ego ia pe mi e-nos e uma pe cepção da ede de supo e da
amília, nomeadamen e pelo apoio da amília ala gada, izinhos ou amigos. Como oi
e e ido po Canha (2000), é impo an e iden i ica a ede de supo e da c iança e, no seio
2
Os nomes p óp ios e e idos nos echos das en e is as pelas c ianças o am subs i uídos po le as
alea ó ias.
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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des a, de ini uma pessoa que se encon e disponí el pa a assegu a a p ese ação do
bem-es a da c iança jun o da amília ou que, mesmo, possa i a cons i ui -se como uma
al e na i a à ins i ucionalização, no caso de assumi a esponsabilidade pela c iança.
Rela i amen e aos Amigos da Ins i uição, es es são e e idos po quase odas as
c ianças “No Colégio.” (B.), “Aqui… Rapazes e apa igas.” (C.), “São do colégio…” (E.), “O
S, o T, o ….” (E.), “Aqui no Colégio…” (D.), “… e aqui” (G.). Os amigos da ins i uição são
conside ados como um impo an e apoio e ecu so na adap ação das c ianças a es e
con ex o, sendo um dos aspec os ine en es à ins i ucionalização po elas iden i icado como
posi i o.
A escola pa ece ambém se um con ex o p opício ao es abelecimen o de amizades,
sendo os Colegas da Escola e e idos pela quase o alidade das c ianças (E., G., D., C.),
nomeadamen e os colegas de u ma “… minha u ma oda.” (A.), e “A minha namo ada… U”
(A.). A escola, na medida em que é um con ex o po encialmen e neu o ace à expe iência
de maus a os e ao pe cu so que le ou a c iança à colocação ins i ucional, pa ece-nos
pode acili a a in eg ação pela c iança daquela expe iência, ao mesmo empo que, ao se
um con ex o no qual a c iança passa g ande pa e do seu dia, lhe pe mi e es abelece
elações de amizade es á eis. Nas en e is as não hou e nenhuma e e ência aos
p o esso es, que conside amos que pode iam e ambém um papel de e minan e no
es abelecimen o de um clima de segu ança e apoio à c iança, podendo, em pa e, esponde
às suas necessidades a ec i as. Tal ac o az-nos le an a a hipó ese de que a elação
c iança-p o esso , nes e g upo de c ianças, possa se a ec ada pelas acas ealizações
académicas da c iança e alguns dos seus compo amen os p oblemá icos. Como é e e ido
na li e a u a, es as c ianças so em equen emen e consequências cogni i as da si uação
de maus a os, ao mesmo empo que as expe iências po que passa am deixam
agilidades emocionais que nem semp e deixam a c iança disponí el pa a se ocaliza na
ap endizagem. As di iculdades de egulação emocional colocam-se ambém ao ní el
compo amen al, podendo esse ac o di icul a a sua elação com os p o esso es.
C. Conhecimen o do mo i o da colocação ins i ucional
Es a ca ego ia su giu do in e esse em pe cebe a pe cepção que as c ianças êm
ela i amen e aos mo i os que conduzi am à sua colocação ins i ucional, nomeadamen e à
consciência que possuem ou não da si uação de mau a o a que es i e am sujei as. Assim,
a pa i do discu so das c ianças e da análise dos dados, cons a ámos que as c ianças, na
gene alidade, desconhecem os mo i os que conduzi am ao seu a as amen o amilia (A., C.,
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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D., F.), não pa ecendo e exis ido um es o ço po pa e dos p o issionais que ac uam na
p o ecção a es as c ianças em escla ecê-las sob e aquilo que lhes i ia acon ece .
Nos casos em que a colocação ins i ucional oi mo i ada po omissão pa en al,
pa ece-nos que a omada de consciência da c iança de al si uação possa se di icul ada po
pode a a -se de uma si uação mais implíci a e que o p óp io es a u o da c iança não lhe
pe mi e econhece como mal a an e.
Nos casos de mau a o ísico, se ia de espe a uma consciência po pa e da c iança
dos ac os a que oi sujei a, po ém, al não se e i ica. Apenas uma c iança e ela alguma
consciência, embo a pouco cla a e dis o cida, ela i amen e ao sucedido “Eu e o meu i mão
es á amos a sai de casa e íamos comp a chiclas… Depois azíamos ou as coisas.”, “A
minha a ó oi p ocu a -nos ao colégio, encon ou-nos e depois pôs-nos lá”. O a, es a
explicação es á cen ada na p óp ia c iança, enquan o esponsá el pela si uação que a
conduziu à colocação ins i ucional. De ac o, não é a o eme gi nas c ianças um sen imen o
de esponsabilidade, po se conside a em culpadas po de e minadas si uações que
conduzi am à si uação de mau a o ou po assumi em a esponsabilidade pela colocação
ins i ucional, que pa ece su gi como um cas igo consequen e aos seus ac os.
Conside amos que o conhecimen o dos mo i os que conduzi am à colocação
ins i ucional é impo an e pa a as c ianças, na medida em que lhes pe mi e adqui i um
maio con olo sob e a si uação, embo a de e minadas c enças possam e um e ei o
nega i o no caso de se liga em a um sen imen o de culpabilidade. Assim, o na-se
pe inen e escla ece as c ianças ace ca de ais mo i os, bem como explo a os signi icados
que cons oem e as a ibuições que azem, no sen ido de pe mi i a ( e)cons ução de
ep esen ações com impac o posi i o, con ibuindo pa a uma melho adap ação.
D. Função pa en al
Apesa de apenas ha e uma e e ência di ec a à unção pa en al, dada a sua
pe inência pa a o es udo decidimos incluí-la como ca ego ia, a qual se subdi ide em duas
unções, a de Sus en o (“pa a da dinhei o” - A.) e Lúdico-a ec i a (“pa a b inca ” - A.). Es e
discu so da c iança demons a a sua sensibilidade às ques ões da pa en alidade, desejando
assegu a no seu u u o os cuidados pa en ais de que es á a se p i ada, pa ecendo isso se
uma po encial o ma de ompe o ciclo da ansmissão in e -ge acional da iolência.
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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E. Con ac o amilia
Foi nossa in enção pe cebe de que modo o es abelecimen o de con ac o com a
amília de o igem in luencia as ep esen ações e signi icados da c iança ace ca da
expe iência de a as amen o amilia e, mais amplamen e, como in luencia a sua adap ação
ao con ex o ins i ucional. A pa i da análise dos dados pe cebemos cla amen e uma ligação
en e a p esença e con ac o com os pais e sen imen os de elicidade, sendo que a
inexis ência do con ac o com aqueles mo i a sen imen os de saudade e alguma is eza (c .
Sub-ca ego ia Sen imen os).
Ao esponde em à ques ão da en e is a ela i a a es e ópico, mais especi icamen e
ao con ac o com os pais, ês c ianças e e i am não man e ac ualmen e con ac o com a
sua amília, sendo que em dois dos meno es (A. e D.) a up u a elacional, no sen ido da
queb a do con ac o, coincidiu com a colocação ins i ucional enquan o no ou o (F.) es a
oco eu pos e io men e, como pode se ilus ado pelo seguin e echo de diálogo “… ela
inha isi a - e? – Sim. - E u gos a as? – Sim. – Lemb as- e de quando é que ela deixou de
i isi a - e? - Na sex a- ei a. - Es a sex a? – Não, ou a. - E sabes po quê? - Se calha é
po que ela não me que ia le a a casa de um menino.”. No caso pa icula des a c iança, as
e e ências ao con ac o pa en al são es i as ao con ac o com a mãe, sendo que a mesma
e e e: “Não enho pai, só enho mãe!”. Nes as c ianças, as e e ências aos pais pau am-se
pela saudade.
Rela i amen e às c ianças que man êm con ac o egula com os pais, es e pode
conc e iza -se no ho á io de isi as da ins i uição (C. – “Aqui em casa... Aos ins de
semana…”), ou na ida das c ianças a casa passa o im-de-semana (C. - “… aos ins-de-
semana … com o pai e a mãe.”; “Eles êm aqui busca - e? - Vêm.”; E. - “Às ezes, quando
há isi as.”, “… na úl ima semana ou aos escu ei os…e uma semana à mãe.”). No caso de
uma das c ianças (G.) es e con ac o p ocessa-se de modo di e en e: “ odas as segundas” e
“… ou à quin a, à sex a e à qua a” “só que não ou do mi , só ou lancha ”. Nes as
c ianças, o encon o amilia ca ac e iza-se po sen imen os de bem-es a e elicidade,
sendo que, no caso do C., a es adia em casa aos ins-de-semana pa ece es a de ce o
modo elacionada com a ac i ação cons an e do desejo e espe ança de lá pe manece ,
pa ecendo di icul a a acei ação pela c iança de e que ol a ao con ex o ins i ucional.
Como e e e Lau e (1994), as isi as da c iança ins i ucionalizada a casa aos ins-
de-semana, enquan o o ma p incipal de con ac o des a com os seus pais, po encia na
mesma a espe ança de i e naquele con ex o. Segundo o au o , es as c ianças
con on am-se com uma mensagem dupla, em que, po um lado, a ins i ucionalização lhes é
ap esen ada como empo á ia, mas, po ou o, e pe an e um cená io de “não in e enção” na
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
43
pensa equen emen e na sua mo e. O mesmo e e e ainda o ópico do abandono como
mo i o de is eza, o que pa ece se um indicado de sen imen os de insegu ança na
c iança.
H. Es a égias pessoais de esolução de p oblemas
Es a ca ego ia epo a-se às es a égias que as c ianças u ilizam quando se
con on am com p oblemas, do o o in a ou in e pessoal, podendo subdi idi -se em ês
sub-ca ego ias que incluem a ag essão ísica, a esolução indi idual e o pedido de ajuda.
Rela i amen e à Ag essão Física es a esul a que do ela o na p imei a pessoa [“Ba o aos
meninos.” (A.), “Dizia pa a pa a , senão da a-lhe coça.” (A.)], que po e e ência à ac uação
de e cei os [“Foi à Ba a a e esmagou-a.” (C.)]. A Resolução Indi idual é menos equen e e
su ge no discu so da c iança mais elha da amos a (E.): “Mas eu já sei como enho que
aze ... não ligo nenhuma”. O Pedido de Ajuda epo a-se que a igu as do con ex o amilia
[“ Con ei à minha mãe” (B.), “Ao meu pai.” (C.), “… alguém e en ou ajuda a esol e esse
sonho mau? - Sim, oi o meu pai.” (B.)], que do con ex o ins i ucional [“ao di ec o e às
p ecep o as” (F.) e “À minha p ecep o a” (R)].
Na análise des a ca ego ia cons a ámos que o ecu so a es a égias desadap a i as
pa a a esolução de p oblemas, como a ag essão, é bas an e equen e. De ac o, es as
c ianças ap esen am algumas di iculdades de uncionamen o ao ní el do con olo cogni i o e
do equilíb io cogni i o-a ec i o, o que pode conduzi a um maio ecu so a es a égias como
a ag essão.
O pedido de ajuda é uma es a égia adap a i a que su ge ambém com alguma
equência, sob e udo di eccionado pa a adul os que man enham com a c iança uma elação
de p oximidade e, embo a nem semp e se conc e ize na ajuda e ec i a à c iança, es e em o
po encial de pe mi i à c iança a ca a se dos seus p oblemas, median e a pa ilha. A
cons ução de elações sociais es á eis, associadas ao ecu so a es a égias de coping
ac i as, como a p ocu a de ajuda, cons i uem impo an es elemen os p o ec o es pa a a
c iança.
I. Expec a i as de u u o
Es a ca ego ia e e e-se àquilo que as c ianças ambicionam pa a o seu u u o e
di ide-se em duas sub-ca ego ias: os seus Desejos e a P o issão u u a. A p imei a sub-
ca ego ia é bas an e ab angen e, englobando desejos ma e iais [“Um au omó el.” (A.), “Um
camião, dois suba us, um po sche.” (E.), “Uma bola de u ebol… e uma oupa.” (C.)], mas
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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ambém desejos de ca iz a ec i o elacionados com o con ex o amilia [“Pedia pa a o meu
io sai da p isão.” (A.), “Eles ica am odos sozinhos e não que ia ninguém, o pai que ia e a
mãe que ia.” (C.)] - es a úl ima e balização eme e pa a o desejo da c iança em ica jun o
dos pais, sem a in omissão de ninguém, demons ando a espe ança da c iança em e e e
a sua condição ac ual, mas, po ou o lado, pode se limi ado a, na medida em que ixa a
c iança àquela expec a i a, impedindo um melho ajus amen o da mesma ao con ex o
ins i ucional. Se “pai” oi ambém e e ido como desejo po uma das c ianças da amos a,
demons ando a sensibilidade des a pa a o papel pa en al. Um ou o desejo mencionado
apelou à dimensão do compo amen o: “Pedia a minha ida mui o boa. - O que é uma ida
mui o boa? - Não me po a mal, não dize asnei as, não ba e nos colegas.” (E.).
No âmbi o da segunda sub-ca ego ia, as p o issões ambicionadas es ão, de ce o
modo, elacionadas com os desejos em e mos ma e iais: “Pi a a… Po que os pi a as
oubam dinhei o.” (C.) e “Camionis a.” (E.), de ido ao gos o po camiões/au omó eis. Po
ou o lado, há uma endência pa a pe spec i a em p o issões que si am os ou os e
pe mi am con ola os des ios de condu a: “Se polícia, ca alei o e bombei o.” (G.), “T opa.”
(F.) e “Que o se polícia pa a ajuda o Colégio.” (E), no sen ido de ajuda a con ola o mau
compo amen o de algumas c ianças da ins i uição.
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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IV. Conclusões e e lexões inais
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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A comp eensão da expe iência de a as amen o amilia implicou a e lexão ace ca de
um conjun o de aspec os que podem encon a -se ocul os po de ás das e balizações das
c ianças, sendo que, a pa i des es, se o na possí el elabo a um modelo comp eensi o
daquela expe iência.
Em esumo, e i icámos que a e i ada amilia e pos e io colocação ins i ucional
implica uma up u a com o espaço ísico e elacional an e io , le ando a c iança a
expe iencia sen imen os de is eza e de saudade ace aos pais. In imamen e elacionados
com es es, eme gem os p oblemas de compo amen o, com ecu so à ag essão ísica como
o ma de esolução de p oblemas, o que mo i a a a ibuição de cas igos às c ianças. Um
ou o aspec o ele an e, e indicado do s ess psicológico que a c iança expe imen a, é a
oco ência de pesadelos, que su gem equen emen e associados a um sen imen o de culpa
na c iança quando es a assume uma ce a esponsabilidade po não e e i ado o
a as amen o amilia . A up u a com o espaço ísico an e io é ambém ele an e, na medida
em que a c iança, ao sai do seu con ex o amilia , é colocada num espaço desconhecido,
di e en e do an e io , que pelas suas dimensões que pela al a de elemen os pessoais ou
conhecidos, o que impede a iden i icação com aquele espaço, embo a es e possa o e ece
melho es condições habi acionais que a casa dos seus pais.
G ande pa e das c ianças man ém o con ac o com a sua amília, p incipalmen e aos
ins-de-semana, o que su ge associado a um sen imen o de elicidade e bem-es a ,
pe mi indo a manu enção dos laços a ec i os e a p oximidade da c iança à igu a de
inculação. Po ou o lado, o ac o de a c iança passa o im-de-semana em casa dos pais,
pode conduzi a mesma à alsa c ença de lá pe manece , saindo es a expec a i a us ada
po empo inde e minado e, des e modo, podendo di icul a a adap ação da c iança ao
con ex o ins i ucional. As c ianças que não man êm con ac o com a sua amília pa ecem,
po ém, man e ep esen ações posi i as das igu as cuidado as, o que é ex emamen e
impo an e pa a que desen ol am expec a i as posi i as ace ca da sua elação com os
ou os. Cons a a-se que g ande pa e das c ianças encon a na ins i uição uma igu a
p óxima, com a qual man ém uma elação es á el e que, pa alelamen e, cons ói no as
amizades, sendo es e um dos aspec os conside ados mais posi i os pelas c ianças no
con ex o ins i ucional. A es e soma-se o b inca e o passea . Daqui in e imos que o
es abelecimen o de elações de con iança, de acei ação, de oca e de pa ilha, que e bal
que não- e bal, é ex emamen e impo an e pa a o bem-es a da c iança e acili a a
adap ação ao con ex o.
Ve i icámos ainda que as c ianças não e elam consciência da si uação de mau a o
que mo i ou a sua colocação ins i ucional, o que pode á es a elacionado com a idade das
c ianças aquando da colocação ins i ucional, di iculdades de memó ia de i adas do empo já
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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passado, anulação da expe iência como es a égia de esolução da mesma, ou com o ac o
de conside a em a sua si uação an e io no ma i a. Po ou o lado, pa ecem possui uma
noção cla a das unções pa en ais, que em e mos de sus en o que em e mos lúdico-
a ec i os.
Em e mos de p ojecção no u u o, as c ianças ambicionam uma ida melho em
e mos ma e iais, um melho ajus amen o da sua condu a em e mos de compo amen o,
sendo emi ido po uma das c ianças o desejo de se pai. Es as ambicionam ocupações
p o issionais que pa ecem es a associadas à sua ajec ó ia, nomeadamen e ocupações
que con ibuam pa a a manu enção da o dem social, como se polícia, e pa a a p o ecção
da sociedade, como se bombei o ou opa. Só uma das c ianças mencionou in e esse em
se pi a a, “p o issão” que se encon a associada a uma condu a des ian e - ouba .
Em sín ese, a pa i des es esul ados, e ago a conside ando os objec i os que
no ea am es e es udo, podemos conclui que o a as amen o amilia é acompanhado de
sen imen os de is eza na c iança e susci a di iculdades na adap ação que se mani es am
sob e udo a a és de pesadelos e de p oblemas de compo amen o. Os esul ados apon am
ainda pa a a ausência de consciência das c ianças da expe iência de mau a o e pa a o
desconhecimen o dos mo i os que conduzi am à sua colocação ins i ucional. As c ianças da
amos am possuem ep esen ações posi i as ace ca das igu as pa en ais e, quando o
con ac o amilia é man ido, sob e udo a a és das isi as da c iança a casa ao im-de-
semana, os pais pe manecem as igu as p incipais de inculação da c iança, apesa de se
e i ica que es as endem a encon a ambém na ins i uição um adul o de con iança.
A in es igação sob e o modo como as c ianças elabo am in e namen e a si uação de
e i ada amilia , na sequência da oco ência de maus a os, é p a icamen e inexis en e,
pelo que, com es e es udo, i emos a p e ensão de con ibui pa a o conhecimen o des a
ealidade, bem como de cons i ui um es ímulo pa a que ou os in es igado es o ap o undem
no u u o. A in o mação encon ada na li e a u a abo da o impac o da e i ada amilia , mas
sob e udo de um pon o de is a clínico e psicopa ológico, ao in és de en a pe cebe aquilo
que se encon a subjacen e às eacções emocionais e compo amen ais des as c ianças. No
nosso es udo, op amos an es po enca á-las como agen e da sua p óp ia ida, capazes de
( e)cons ui signi icados e sen idos, de muda o cu so da sua ida median e a cons ução e
econs ução das suas na a i as. Po im, e embo a es e abalho não assuma a p e ensão
de in e enção e apêu ica jun o da c iança, conside ámos que os dados dele eme gen es
pode ão se impo an es ambém a esse ní el.
Pa a comp eende mos em p o undidade a i ência, pelas c ianças, da sua e i ada à
amília e o impac o que es a e e, in e agimos di ec amen e com as c ianças e, a a és da
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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écnica da en e is a, explo ámos em p o undidade os signi icados cons uídos a esse
espei o. Pa indo desses signi icados, pudemos, po exemplo, comp eende melho os
undamen os de di e sas emoções expe ienciadas, como os sen imen os de elicidade e de
is eza, pe cebe mos se a c iança se adap ou ou não a es a si uação e quais os ecu sos
que u ilizou (como, po exemplo, a c iação de no as amizades e o pedido de ajuda a um
adul o de con iança). Pudemos ainda ap eende ou os signi icados e discu sos implíci os,
como o sen imen o de culpa e esponsabilidade que nos ajudam a comp eende a
expe iência subjec i a da e i ada amilia das c ianças.
As obse ações ealizadas epo am-se a um empo e a um g upo de c ianças
pa icula , po ém, pe mi em uma melho comp eensão daquela expe iência, que a ec a
mui o mais c ianças do que as en ol idas nes e es udo. Ve i icámos que as c ianças
sujei as à e i ada amilia e pos e io colocação ins i ucional são p o undamen e a ec adas
po es e p ocesso, sob e udo a ní el emocional, embo a possam se a ec adas a ou os
ní eis. Espe amos que com es e es udo enhamos con ibuído pa a uma melho
comp eensão do modo como as c ianças i enciam a sua e i ada amilia e do impac o que
al expe iência em sob e as mesmas.
É, pois, com base no conhecimen o des e impac o que nos in e ogamos ace ca da
pe inência da colocação ins i ucional de algumas das c ianças. Se o bem-es a e elicidade
das c ianças se associa à sua p oximidade aos pais e ao con ex o amilia , qual a
pe inência de a as a con inuamen e a c iança do seu meio? Se á que udo oi
e ec i amen e ei o pa a e i a a alência da amília e a e i ada? Se a ins i ucionalização é
conside ada como uma medida de p o ecção de úl ima linha e empo á ia, po que se
p olonga po empo inde e minado? Po que não subs i ui es a medida de p o ecção pela
in e enção e apoio à amília de modo mais consis en e, egula e con inuado? Se a
in e enção sob e a c iança de e e em con a o seu supe io in e esse, po que não é
assegu ado o seu di ei o a i e em amília?
Com es as ques ões p e endemos sob e udo sensibiliza pa a a p o ecção des as
c ianças, conside ando que equen emen e as medidas aplicadas, ao in és de p o ege em
a c iança, a o nam ainda mais ulne á el. Com e ei o, a e i ada da c iança do seu meio
amilia pode con ibui pa a a sua e i imização, ao se in e p e ada pela c iança como um
cas igo, conco endo pa a a eme gência de um sen imen o de culpa, sob e udo quando
es as medidas são aplicadas sem lhe se dada uma explicação comp eensí el pa a as
mesmas. Pa ece-nos que os discu sos das c ianças ainda não são su icien emen e
alo izados pelos p o issionais das di e en es á eas que in e êm na p o ecção das c ianças,
pelo que nos in e ogamos: como pode alguém p o ege e icazmen e a c iança sem e em
conside ação as suas opiniões, desejos, in e esses e necessidades?
A c iança í ima de maus a os e i ada à amília. Vi ências e Signi icações.
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V. Bibliog a ia
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Anexo 2
His ó ia “ Malmeque , Bem-me-que ”
Anexo 3
Quad o 1
Ca ac e ização da Amos a
Sujei os
Idade
ac ual
Idade com que oi
ins i ucionalizado
Tempo de
ins i ucionalização
Tipo de Mau T a o
S.1 6, 5 4, 5 2,0 Abandono
S.2 6, 10 3, 10 3,0 Mau T a o Físico
S.3 7, 3 5, 6 1,7 Negligência
S.4 7, 4 5, 9 1,5 Abandono
S.5 8, 1 4, 10 3,3 Negligência
S.6 9, 4 5, 8 3,6 Abandono
S.7 10, 3 7, 8 2,5 Mau T a o Físico
No a 1: a idade ac ual e idade com que oi ins i ucionalizado, bem como o empo de du ação da
ins i ucionalização são ap esen ados em anos e meses.
No a2: Rela i amen e ao ipo de mau a o conside ámos a indisponibilidade amilia como o ma de
abandono.
Anexo 4
Visualização das ca ego ias no NVIVO7
Quad o 1
Ca ego ização dos dados
Ca ego ias Sub-Ca ego ias Dimensões
Meio de O igem Espaço Físico
“Espaço” A ec i o-
elacional
Pessoas das suas elações Adul o P óximo
Familia es e pessoas
do meio de o igem
Amigos da Ins i uição
Colegas da Escola
Conhecimen o do mo i o da
colocação ins i ucional
Conhece
Desconhece
Função Pa en al Sus en o
Lúdico-a ec i a
Con ac o amilia Ausen e
Regula
Ins i ucionalização Adap ação
Aspec os nega i os
Aspec os posi i os
Compo amen o
Pesadelos
Medos
Cas igos
Espaço Físico
O ganização do
Colégio
No os Amigos
Passea e b inca
Sen imen os Posi i os
Nega i os
Es a égias pessoais de esolução
de p oblemas
Ag essão Física
Pedi ajuda
Resolução indi idual
Expec a i as de u u o Desejos
P o issão