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Sobre a realidade social e a autonomia do desenho - da ESBAP à política de habitação nos projectos SAAL de Siza Vieira

Abstract

A presente dissertação irá incidir na revisão do Movimento Moderno, na mudança de pensamento sobre o habitante enquanto parte integrante de um contexto cultural diverso, para o qual a resposta universal da arquitectura não satisfez a complexidade das diferentes identidades. Neste caso, o estudo apresenta os resultados de experiências exteriores, mas irá centrar- se, sobretudo, no contexto portuense, antes e após o 25 de Abril de 1974, mais precisamente no ensino da ESBAP, na influência do Inquérito à Arquitectura Popular, no processo SAAL e nos vários métodos para a edificação da habitação social. Para uma melhor abordagem dos temas, propõe-se a sua análise e observação a partir dos projectos dos bairros da Bouça e de S.Víctor, do arquitecto Álvaro Siza Vieira. Pretende-se explorar a variabilidade da arquitectura enquanto disciplina mais ou menos dependente de forças políticas, opções económicas e sociais, na procura da concretização do sentido crítico do arquitecto. Por outro lado, explora-se o confronto da autonomia do desenho com a participação dos futuros utentes, a informação facultada por inquéritos e por outras metodologias para a edificação da habitação social, na formalização das ideias para os projectos, com o objectivo de adequar o desenho do habitat ao indivíduo.

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Sobre a realidade social e a autonomia do desenho - da ESBAP à política de habitação nos projectos SAAL de Siza Vieira

Author: Maria Inês de Araújo Silva Gomes
Year: 2015
DOI: 10.34626/t82f-cq59
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/81490/2/37270.pdf
Sob e a Realidade Social e
a Au onomia do Desenho
Da ESBAP à polí ica de habi ação
nos p ojec os SAAL de Siza Viei a
FAUP, Disse ação de Mes ado In eg ado em A qui ec u a, 2014/2015
Ma ia Inês de A aújo Sil a Gomes
O ien ação po : a q. o Manuel Mon eneg o
Co-o ien ação: a q. o Se gio Fe nandez
À minha amília,
em especial à minha mãe,
pelo ca inho e a enção cons an es.
À Ma ga ida Linha es, à
Manoela P a a e à Helena Mo ei a,
pela amizade e p esença desde in ância.
À Daniela Fa dilha, pela
assis ência écnica e emocional.
Ao a qui ec o Manuel Mon eneg o,
pela o ien ação e dedicação na
conc e ização da p esen e p o a.
Ao a qui ec o Se gio Fe nandez
pela colabo ação e pelo es emunho
p es ado.
Po im, a odos aqueles que me
acompanha am ao longo
des e pe cu so académico.
A p esen e disse ação i á incidi na e-
isão do Mo imen o Mode no, na mudança de
pensamen o sob e o habi an e enquan o pa e
in eg an e de um con ex o cul u al di e so, pa a
o qual a espos a uni e sal da a qui ec u a não
sa is ez a complexidade das di e en es iden i-
dades. Nes e caso, o es udo ap esen a os esul-
ados de expe iências ex e io es, mas i á cen-
a -se, sob e udo, no con ex o po uense, an es
e após o 25 de Ab il de 1974, mais p ecisamen e
no ensino da ESBAP, na in luência do Inqué i o
à A qui ec u a Popula , no p ocesso SAAL e nos
á ios mé odos pa a a edi icação da habi ação
social. Pa a uma melho abo dagem dos emas,
p opõe-se a sua análise e obse ação a pa i dos
p ojec os dos bai os da Bouça e de S.Víc o , do
a qui ec o Ál a o Siza Viei a.
P e ende-se explo a a a iabilidade da
a qui ec u a enquan o disciplina mais ou menos
dependen e de o ças polí icas, opções económi-
cas e sociais, na p ocu a da conc e ização do
sen ido c í ico do a qui ec o. Po ou o lado,
explo a-se o con on o da au onomia do de-
senho com a pa icipação dos u u os u en es,
a in o mação acul ada po inqué i os e po
ou as me odologias pa a a edi icação da habi-
ação social, na o malização das ideias pa a os
p ojec os, com o objec i o de adequa o desenho
do habi a ao indi íduo.
1 ROSSI, Aldo. “La a qui ec u a de la ciudad”. 10ª ed
-Ba celona: GG, 1999. p.64
This wo k is based on he e ision o he
Mode n Mo emen , mo e p ecisely on he shi
o e lec ing on he enan ’s ole, as pa o a
di e se and complex cul u al con ex , o which
he uni e sal and a ional way o hinking a chi-
ec u e wasn’ able o answe o. In his case, he
s udy shows b ie ly he esul s o o he a chi ec-
u al expe iences in o eigne coun ies, bu i
will ocus pa icula ly on Po o’s social and a -
chi ec u al con ex , be o e and a e he e olu-
ion o 25 h o Ap il o 1974. On he in luence o
he Inqui y on he Popula A chi ec u e, on he
SAAL p ocess and o he me hods ha eased he
cons uc ion and planning o social housing. Fo
a be e unde s anding o his heme, we pu -
pose he analisys o Ál a o Siza Viei a’s p ojec s
o Bouça and S.Víc o .
On one hand, he goal we’ e aiming o each
is e i ying and explo ing he a chi ec u e’s less
o mo e dependence on poli ical, economical
and social o ces. In o he wo ds, he a chi ec ’s
possibili y o enhance his au onomy. On he
o he hand, we con on his powe o choice
wi h he enan s’ pa icipa ion on hei u u e
house, and also wi h he in o ma ion p o ided
by social esea ches. To sum up, we will obse e
he in luence o hese me hods on he p ojec
design and on he adjus men o he dwelling o
people’s indi iduali y.
Hay en ealidad un con inuo p oceso de
in luencias, de in e cambios, a menudo de con-
aposiciones en e los hechos u banos al como
se conc e an en la ciudad y las p opues as ideales.
Yo a i mo aqui que la his o ia de la a qui ec u a y
de los hechos u banos ealizados es siemp e la his-
o ia de la a qui ec u a de las clases dominan es;
había que e den o de qué limi es y con qué êxi o
las épocas de e olución con aponen un modo
p opio y conc e o de o ganiza la ciudad.1
766
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
In odução
Objec o
Abs ac
As ci cuns âncias em que um p ojec o de
a qui ec u a é edi icado quase nunca pe mi em
a sua ma e ialização de modo au ónomo, que
po imposições de gos o do clien e, que po
condições económicas, polí icas ou sociais que
se sob epõem ao aço do a qui ec o. Nes e caso,
o objec i o do abalho é obse a as i udes
e icissi udes da au onomia disciplina e da
inclusão dos mo ado es no deba e sob e a habi-
ação colec i a e, nes e caso, social. P e endemos
cla i ica ambém que, apenas quando o con ex-
o cul u al, polí ico e económico se conjugam
nes e sen ido, é que é possí el, de ac o, in e i
com maio au onomia. Assim sendo, o abalho
inicia-se com uma análise da ESBAP e com o
sen ido do discu so a qui ec ónico po uen-
se an es do 25 de Ab il, de modo a en ende
as ci cuns âncias sociais que despole a am e
apoia am o SAAL No e, bem como as ideias de
a qui ec u a que o de ini am e que in luencia-
am os p ojec os de Ál a o Siza.
No p imei o capí ulo analisa-se o ensino na
ESBAP e o sen ido que Fe nando Tá o a adop a
do legado de Ca los Ramos, p incipalmen e no
es udo do Mo imen o Mode no e na in odução
da a qui ec u a popula no âmbi o disciplina .
Abo da-se ambém a in luência des e econhe-
cimen o na dou ina de ou os docen es, no-
meadamen e Oc á io Lixa Filguei as e A naldo
A aújo, pela ele ância que demons a am pa a
o es udo da His ó ia e Teo ia. Le an am-se
ques ões que p e endem e lec i as di e enças
de mé odo nas á ias disciplinas dos espec i os
p o esso es, nomeadamen e a in e p e ação de
cada um ela i amen e à a qui ec u a popula
po uguesa, e e en e o malização dos alunos
aos exe cícios p opos os, e ainda, a posição do
co po discen e median e es e ensino. Ac es-
cen a-se ainda, e po que julgamos que es á de
algum modo elacionado com es a conjun u a,
uma inicia i a pa icipa i a, po pa e de Se gio
Fe nandez, enquan o aluno, e compa amos
a a i ude de Siza Viei a, uma década depois e
enquan o p o issional.
No segundo capí ulo, in oduz-se o es udo
do Inqué i o à A qui ec u a Popula Po uguesa,
jun amen e com ou as inicia i as in luen es na
Objec i o
ob a de Ál a o Siza e ap esen a-se o sen ido do
discu so eu opeu, nomeadamen e dos CIAM,
con ex ualizando-se ambém a posição da Esco-
la do Po o nes e encon o. Da pesquisa do meio
po uguês encon a am-se duas posições, uma
que p e endia se sob e udo disciplina , com o
objec i o de complemen a o conhecimen o da
p á ica e ou a que incidia na consciencialização
do papel do a qui ec o e no econhecimen o
social. Pa a uma melho adap ação des a p ob-
lemá ica ao ema do SAAL No e, expomos as
“ilhas”, segundo es es pa âme os e abo damos
a sua desc ição ipo-mo ológica e social. Des a
in o mação e do conhecimen o disciplina do
a qui ec o, analisamos a dualidade en e a a qui-
ec u a popula e a e udi a, a pa i da ein e -
p e ação que Siza Viei a az nos p ojec os da
Bouça e de S.Víc o .
No e cei o capí ulo in oduzem-se, inicial-
men e, pesquisas e soluções, conc e izadas num
con ex o ex e io ao país e que ap o unda am a
emá ica sob e a elação do u en e com o habi-
a , p ocu ando uma maio ap oximação en e
ambos. Des a exposição in oduz-se o abalho
de Nuno Po as enquan o a qui ec o, in es i-
gado e polí ico, nomeadamen e a o mulação
da me odologia pa a a edi icação da habi ação
social , a p opos a pa a a “Habi ação E olu i a”
e ainda o “Despacho SAAL”. Inicia i as que con-
side amos in luen es no desenho e cons ução
dos p og amas SAAL, mas ambém pa a abo -
dagens pos e io es do a qui ec o Siza quando
con on ado com p oblemá icas de ca ac e ís i-
cas semelhan es. No en an o, como o p esen e
abalho é e e en e somen e ao con ex o po u-
guês e de e olução, incidi emos unicamen e no
con ibu o des as ideias nos p ojec os da Bouça
e S.Víc o .
Finalmen e, p opõe-se e i a des a análise
ensinamen os pessoais e concei os disciplina es
impo an es, enquan o mé odo pa a um melho
e mais adequado desenho da habi ação e pla-
neamen o u bano. F isamos ambém que es a
opção não em como in ui o a mime ização do
passado, pois conside amos que a ac ualidade
po uguesa não se equipa a às ci cuns âncias
an e io es e pos e io es ao 25 de Ab il e, po an-
o, as conside ações inais suge em somen e uma
ein e p e ação da me odologia, como possí el
espos a pa a os equisi os habi acionais e u -
banos da ac ualidade.
Após a ap esen ação dos p oblemas, passa e-
mos a expo a o ganização do abalho e os mei-
os a que eco emos pa a a sua conc e ização.
T a ando-se de uma pesquisa eó ico-his ó ica,
soco emo-nos à lei u a de publicações, li os
e en e is as e e en es às décadas de 60 e 70
no con ex o po uguês e po uense, e ainda, do
pano ama in e nacional. Conside ando que o
es udo ealizado isa p opósi os disciplina es da
p á ica da a qui ec u a, p ocu a emos obse a
no desenho e nos p ojec os de Siza, an e io es e
du an e o p ocesso SAAL, a e lexão do a qui-
ec o ela i amen e aos p ecei os es udados.
Uma ez que a emá ica em causa em sido
abo dada e deba ida ecen emen e, alemo-nos
ambém de in o mação disponibilizada em
exposições, con e ências e en e is as pa a um
ap o undamen o mais conscien e do ema. En e
es es acon ecimen os encon am-se: a exposição
de Se al es, o simpósio “SAAL: em e ospec-
i a”, o colóquio o ganizado pela Uni e sidade
de Coimb a, “74-14 O SAAL e a A qui ec u a”,
con e ências o ganizadas no âmbi o da “Es a é-
gia U bana” e da exposição “Bai os do Po o
- Memó ias/Tempo de Fu u o”. Rela i amen e às
en e is as, apon am-se as colabo ações de Se -
gio Fe nandez, An ónio Madu ei a e de Fe nan-
do Ca doso, mo ado do Bai o da Bouça.
A me odologia da p esen e disse ação
não p ocu ou se um p ocesso es anque, pelo
con á io, passou pela conjugação de di e en es
in o mações e opiniões pa a da espos a ao
impasse exis en e en e o desenho e a ealidade a
in e i . Assim sendo, e embo a o índice expo-
nha uma o dem que, concep ualmen e ap esen-
a o impasse e e lexão (“A Recusa e U gência
de Desenho”), seguida da espos a ao dilema
o mal (“A A qui ec u a Popula no Mo imen o
Mode no”) e a conjugação da iden idade do in-
di íduo com a o ma da habi ação colec i a (“O
Mé odo pa a a Edi icação da Habi ação”), con-
side amos que, na p á ica disciplina , o pe cu so
in e so é igualmen e possí el.
A o ganização ipa ida não enciona con-
duzi o lei o a conclui que a solução de ini i a
se esume, sis ema icamen e, à inclusão dos as-
pec os sociais na o ma, mas sim induzi à o a-
Me odologia
i idade da es u u a, pa a uma e isão cons an-
e do p ocesso de p ojec o e da a i ude c í ica do
a qui ec o. Pa a exempli ica , concluindo que a
es a égia adop ada de ap oximação ao u en e
não pe mi e manob a o desenho com au ono-
mia, o a qui ec o pode op a po ques iona a
p oeminência dos ac o es sociais no p ojec o e
ele a os modelos disciplina es ou ice- e sa.
O objec i o undamen al se á encon a um
sábio equilíb io en e a au onomia disciplina e
os enómenos sociais, pa a a edi icação de uma
habi ação e planeamen o de um u banismo mais
inclusi o.
Quan o à o ganização dos capí ulos, am-
bém es es es ão dispos os segundo uma es u u-
a ipa ida, sendo que os pon os a. co -
espondem a p ecei os da p á ica que sus en am
as inicia i as desen ol idas em b., elacionadas
com expe iências de ap oximação à ealidade,
que de p ojec o ou de análise social e c. co -
esponde à o malização em desenho e ma é ia
da conjugação des es dois pon os, nos p ojec os
pa a os bai os de S.Víc o e da Bouça.
Finalmen e, o layou do abalho en a i a
o máximo pa ido da in o mação disponí el nas
imagens e ope a, mui as ezes, po compa ação
de elemen os pa a analisa semelhanças e con-
as es. Pa a al, es a in o mação é complemen-
ada pelo ex o, cuja p oeminência e des aque
a iam con o me a impo ância da imagem,
podendo, inclusi é, se i apenas enquan o le-
gendagem nalgumas emá icas abo dadas. Des a
iconog a ia azem pa e o og a ias e esquissos,
mas ambém plan as, co es e alçados que o am
seleccionados com p opósi os especí icos, sendo
que alguns desenhos o am edesenhados, com
o i o de ap o unda e analisa de e minadas
ideias.
98 98
In odução
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
111010
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Índice
In odução 7
A Recusa e a U gência 12
de Desenho
a.1 O legado de Ca los Ramos e
o Inqué i o à A qui ec u a Popula 15
b.1 Fe nando Tá o a e a disciplina de
“Composição da A qui ec u a” 19
b.2 Oc á io Lixa Filguei as e
A naldo A aújo nas disciplinas de
“A qui ec u a Analí ica”, “His ó ia”
e “Teo ia” 23
c. A Recusa e U gência de Desenho 27
c.1 A Pa icipação e a Au onomia no
CODA de Se gio Fe nandez 30
c.2 A Pa icipação e a Au onomia nos
p ojec os SAAL de Siza Viei a 33
A a qui ec u a popula no 40
Mo imen o Mode no
a.1 O CIAM X e o p ojec o da
Escola do Po o 43
a.2 Duas das di ec izes do Inqué i o à
A qui ec u a Popula 48
b.1 A ein e p e ação da a qui ec u a
popula 50
b.2 Das “Ilhas” da cidade Oi ocen is a à
“Ilha P ole á ia” do pós-25 de Ab il 55
c. Nos p ojec os SAAL de Siza Viei a
c.1 A e isão dos Modelos Mode nos 61
c.2 A ein e p e ação da
A qui ec u a Popula 66
O Mé odo pa a a Edi icação 80
da Habi ação
a.1 Os con ibu os dos Team X,
John Tu ne , Hen i Le eb e
e INA CASA 83
b.1 P opos a da Me odologia pa a a
Edi icação da Habi ação Social 88
b.2 Habi ação E olu i a 91
b.3 Despacho SAAL 94
c. Nos p ojec os SAAL de Siza Viei a
c.1 A inclusão dos enómenos
sociológicos nos p ojec os de habi ação 96
c.2 O Di ei o ao Luga e à
Ap op iação da Casa 102
c.3 A Au onomia do A qui ec o e a
O ganização Social da P ocu a 108
Conclusão 115
Bibliog a ia 121
Iconog a ia 123

I. Le Co busie , “Villa
Besnus”, Vauc esson, F ança,
1922
II. In e io de uma
habi ação popula
po uense, 1974
A ecusa e u gência
de desenho
A B igada não ac edi a - nem admi e -
que a u gência dos p oblemas possa
cons i ui um limi e à qualidade
ou poesia.2
2 VIEIRA, Ál a o Siza, “Linha de acção dos écnicos
enquan o écnicos” in “A Ques ão do Alojamen o 1”, Jo nal de
A qui ec os, nº204. Lisboa, 2002. p.17
A minha o mação, na Escola do Po o, coinci-
de com o pe íodo de elabo ação do Inqué i o. (...)
a ge ação a que pe enço “en ou ene ando Le
Co busie ” e, sem abdica da mode nidade, “aca-
bou po e e -se numa espécie de p oposição mais
humanizada e p óxima, deco en e do con ac o
com a a qui ec u a popula ”3.
Da di ecção e ensino de Ca los Ramos na ES-
BAP esul ou um conhecimen o p o undo sob e
os au o es do Mo imen o Mode no e os modelos
a qui ec ónicos in e nacionais Fig.1, aspec os
que se e lec i am na dou ina de ou os p o-
esso es, como Fe nando Tá o a Fig.2. A in o -
mação e a ecolhida a pa i de li os e e is as
que se iam de inspi ação e exemplo pa a os
es udan es de a qui ec u a que, acompanhados
pelos docen es, iam desen ol endo di e en es
expe iências de p ojec o. Ve i icou-se que nas
p opos as dos es udan es e nas ob as dos a e-
lie s, a linguagem emp egue e a na sua maio ia
demasiado abs ac a e a amen e ein e p e a a
os cos umes de cons ução po ugueses, ba-
seando-se na adopção dos p ecei os dos modelos
in e nacionais.
Con udo, do legado de Ca los Ramos não
es ou apenas o conhecimen o académico, mas
ambém acções de ca ác e ex a-escola e o
concei o de “máxima libe dade, máxima es-
ponsabilidade”4, possibili ando que a qui ec o e
aluno es endessem o campo disciplina a no as
ideias. Nes e sen ido, su giu a on ade de conhe-
ce a ealidade, pa a amplia o conhecimen o
a qui ec ónico, undamen ado nos modelos mo-
de nos, e ala ga-lo ao en endimen o da cul u a
3 FERNANDEZ, Se gio. “Comunicações, Sessão I”; in Joelho
#02. Uni e sidade de Coimb a: EDARQ, Ab il/2011. p.39
4 TÁVORA, Fe nando. “E ocando Ca los Ramos” in Re is a
A qui ec u a, 0, Ou ub o/1987. p.76
Fig.2 Fe nando Tá o a, “Bai o de Ramalde”,
Po o, 1952-1960
Fig.1 Le Co busie , “Villa Besnus”,
Vauc esson, F ança, 1922
1515
A Recusa e a U gência de Desenho
A.1
O legado de Ca los Ramos
e o Inqué i o à A qui ec u a
Popula
po uguesa. Ti ando pa ido da libe dade que o
ensino disponibiliza a, ealizou-se o Inqué i o
à A qui ec u a Popula , do qual dois memb os
esponsá eis po es e p ojec o aziam pa e do
co po docen e da ESBAP: Fe nando Tá o a e
Oc á io Lixa Filguei as, que e iam um papel
undamen al no u u o do ensino.
É ce o que a minha assis ência a esses con-
g essos – is o que as in e enções o am semp e
mínimas, me cê de uma ce a imidez que enho
comigo – oi de esul ados mui o limi ados jun o
dos meus colegas já p o issionalmen e ei os. Mas
es ou con encido que, apesa de udo, a a és da
acção como p o esso , a expe iência aí colhida e e
uma ce a impo ância na gen e no a. Po que,
e iden emen e endo ido impo ância em mim,
e e ambém e lexos neles.5
A p esença des es p o esso es no CIAM X
ambém se ia mui o in luen e pa a os alunos da
Escola, enquan o es emunho do deba e sob e
o u u o do Mo imen o Mode no e ansmis-
são das conclusões pessoais des a expe iência.
Se, po um lado, as e e ências e in é p e es do
acionalismo eu opeu, da a qui ec u a in e na-
cional e do “objec o a qui ec ónico”, ap esen a-
dos po Ca los Ramos, con inua am p esen es
na me odologia pedagógica, ambém se ale a a
os alunos pa a a ap eensão da ealidade e pa a a
impo ância da his ó ia e dos alo es que des as
ad êm, aspec os que a conc e ização do Inqué i-
o ambém inha e idenciado. A p eponde ância
do Mo imen o Mode no se ia eposicionada
na Escola e adop a -se-iam p ecei os de ou as
endências, como da A qui ec u a O gânica
Fig.3, do Neo-Realismo i aliano Fig.4 e ainda do
B u alismo Fig.5.
A in eg ação dos signos cul u ais na a qui-
ec u a, a a és das o mas e dos ma e iais, sem,
no en an o, ecusa se Mode no, e a o aspec o
comum a es es mo imen os e à no a p á ica dis-
ciplina do ensino. Es a di ec iz da ia o igem
a um no o ins umen o pa a p ojec o, que a é
en ão e a apenas sus en ado pela p á ica e obse -
ação de ob as in e nacionais, a a és da c iação
das disciplinas de His ó ia e de Teo ia. O p o-
pósi o des as cadei as e a es uda o objec o pa a
além da sua uncionalidade, is o é, o signi icado
5 TÁVORA, Fe nando ci . po CARDOSO, Má io. Re is a
A qui ec u a, nº123, 1971. p.153
Fig.3 Ál a o Siza Viei a, “Casa de Chá da Boa No a”, Leça da
Palmei a,1963
Fig.4 Fe nando Tá o a, “Me cado da Vila da Fei a”, San a
Ma ia da Fei a, 1959
Fig.5 Ál a o Siza Viei a, “Pisicina das Ma és”, Leça da
Palmei a, 1966
da sua o ma, dos ma e iais pelo con eúdo e a
p e alência no empo.
Nes e âmbi o, da -se-ia ambém con inui-
dade ao es udo desen ol ido no Inqué i o, po
inicia i a dos alunos, que se desloca am pa a
luga es emo os, pa a o ap o undamen o des e
conhecimen o. Foi o caso do CODA ealizado
po Se gio Fe nandez Fig.6, cujo objec i o e a
obse a as cons uções ealizadas à luz das
necessidades e de aco do com o meio cul u al
dos indi íduos, sem a imposição de condiciona-
men os especula i os ou in e enção de ou em,
pa a além do p óp io u en e e do a qui ec o.
Pos e io men e, e emos opo unidade de
abo da mais de alhadamen e es a expe iência e
espec i os p ojec os 6.
Alunos e p o esso es desen ol e am no os
campos da acção disciplina , pa a o na mais
independen e a e lexão eó ico-p á ica da
Escola, an o dos p ecei os in e nacionais, como
da ecnoc acia dos in es imen os cons u i os
do país, des inados ao u ismo e especulação
imobiliá ia, sob o con olo de g andes g u-
pos inancei os que impunham desadequados
modelos a qui ec ónicos, enquan o a cons ução
de habi ação clandes ina aumen a a. Ou seja,
e a apologia da Escola adop a uma espos a
que não man i esse uma posição neu a ace à
si uação da a qui ec u a em Po ugal, ou que
se limi asse a co esponde às necessidades de
me cado e, po an o, o pon o de pa ida essen-
cial e a a análise dos p oblemas em causa.
6 Ve p. 30
Fig.6 Fo o de Se gio Fe nandez, “Uma ua em Rio de Ono ”,
1963
Al es Cos a admi e que o que es a ia em cima
da mesa e am essencialmen e dois modelos da
escola: um p econizado po Lixa Filguei as, ou o
p econizado po Fe nando Tá o a. Ou seja, um
p imei o modelo mais es u u ado nas pedagogias
analí icas e cien í icas e um segundo modelo mais
cen ado no ensino do p ojec o e do desenho que
acaba ia po inga . 7
Es a ime são da Escola nos p oblemas eais
e ia duas linhas o ien ado as dis in as, que
em á ios momen os se c uza iam. A p imei-
a, desen ol ida no âmbi o das disciplinas de
A naldo A aújo e Oc á io Lixa Filguei as, pa ia
do en ol imen o pessoal e abalho de campo
nos luga es, do qual conside amos o CODA de
Se gio Fe nandez, um exemplo ap oximado a
es a dou ina, pelo empenho e elado na pes-
quisa sociológica Fig.7. A segunda me odologia,
mais o ien ada po Fe nando Tá o a, basea a-se
no desenho e na ap endizagem de p ojec o pa a
al e ação da ealidade, um pouco à semelhança
do ensino Mode no, mas complemen ado pela
in o mação sob e a a qui ec u a popula po u-
guesa. Da o malização des e modelo des aca-se
o p ojec o da “Casa de Chá da Boa No a” de Siza
Viei a, cujo desenho se á analisado, pos e io -
men e, no p esen e abalho8, pa a obse ação
da in luência do Inqué i o à A qui ec u a Popu-
la no abalho do a qui ec o.
7 BANDEIRA, Ped o. “Escola do Po o: Lado B, 1968-1978
(Uma His ó ia O al)”. Guima ães: A O icina, CIPRL Sis ema
Sola (Documen a), 2014. p.95
8 Ve p. 52
1716 1716
A Recusa e a U gência de Desenho
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Fig.7 A o ina da po oação de Rio de Ono ,, Inqué i o à
A qui ec u a Popula em T ás-os-Mon es e Al o Dou o, 1961
Fig.8 Casa e nacula assen e em pilo is, Inqué i o à
A qui ec u a Popula no Minho, 1961
Segui a lição de Ca los Ramos e mos ei aos
alunos a impo ância do seu abalho 9
No ensino de Fe nando Tá o a p i ilegia a-
-se a elação en e a pedagogia e a p á ica p o-
issional, a a és da con ínua ansmissão dos
p oblemas que su giam no a elie e do con on o
com as ideias desen ol idas na Escola. Como
i emos e i ica na conc e ização do Inqué i o, o
a qui ec o o ien ou es e seu abalho segundo as
suas dú idas pessoais quan o à p á ica discipli-
na , p ocu ando na a qui ec u a popula ob as
exempla es do acionalismo local e da conju-
gação dos p og amas com o espaço e soluções
cons u i as ig.8. O objec i o de Fe nando
Tá o a e a ga an i que, na Escola, enquan o
ins i uição au ónoma, ha ia opo unidade de
e e a condução da p á ica a a és de ou as
expe iências de p ojec o e de in es igação.
Na e o ma de ensino de 68 e 69, Tá o a
p omo eu uma elação mais p óxima en e
alunos e p o esso es, com o in ui o de c ia uma
Escola pa icipa i a e democ á ica, diluindo a
ges ão cen alizado a e ala gando-a a docen es
e discen es. Nes a expe iência isou-se ees u-
u a as ma é ias num sen ido mais in eg ado
e adequado a p ojec o, com uma base eó ica
sólida, que a é en ão não e a incluída no plano
de es udos. Fe nando Tá o a de endia que o
a qui ec o, enquan o p o issional, de e ia e um
conhecimen o a iado sob e um conjun o de
ma é ias que incluíssem a His ó ia, Cons ução,
Teo ia e se capaz de sin e iza es a in o mação,
segundo a sua capacidade c í ica, na conc e iza-
ção do P ojec o.
Assim sendo, o a qui ec o e p o esso ap o-
xima a os alunos aos p oblemas da ealidade
9 TÁVORA, Fe nando ci . po MONIZ, Gonçalo Can o,
“Ensino Mode no da A qui ec u a, A Re o ma de 57 e as
Escolas de Belas-A es em Po ugal (1931-69)”. Julho/2011 -
Coimb a: FCTUC. p.46
conc e a, cuja p ocu a da qualidade espacial e
de no as o mas de e iam se acul adas pelo
desenho, enquan o e amen a auxilia . Num
balanço à sua dou ina, pode-se a i ma que
p ocu ou que os alunos consolidassem a o ma-
ção académica, a a és do legado de Ca los Ra-
mos, da ap eensão da di e sidade de p ojec os e
de endências da a qui ec u a e udi a que en ão
su giam, com a cul u a e a qui ec u a popula
po uguesa. Ou seja, o ien a a-se a educação
segundo o conhecimen o écnico e plás ico, de
o mação académica, consolidando-a com a
o mação mo al, de modo a consciencializa os
alunos pa a os p oblemas do con ex o po uguês.
Mas, con a o que o homem po ezes pensa, as
o mas que ele c ia, (...) os espaços que ele o ga-
niza não são c iados ou o ganizados em egime
de libe dade o al, mas an es p o undamen e
condicionados po uma soma in ini a de ac o es
(...) O núme o des es ac o es e a sua impo ância
ela i a são di íceis de apon a (...), a é po que
as o mas a i iciais ou de c iação humana, (...),
con am como ac o es condicionan es de cada
no a o ma c iada, pois acon ece que o espaço
o ganizado pelo homem é condicionado na sua
o ganização mas, uma ez o ganizado, passa a se
condicionan e de o ganizações u u as (...)10
Nos exe cícios p opos os pa a a disciplina
de “Composição da A qui ec u a”, Fe nando
Tá o a p ocu ou que os alunos se con on assem
com a maio a iabilidade possí el de si uações,
incluindo con ex os u banos e u ais, p og amas
di e sos, desde ins alações ag ícolas a cen os
ec ea i os Fig.9, Fig.10, con en os e escolas
Fig.11,Fig.12.
10 TÁVORA, Fe nando. “Da O ganização do Espaço”. 3ª
edição, Po o: FAUP publicações ,1996, p.21
1918 1918
A Recusa e a U gência de Desenho
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
B.1
Fe nando Tá o a e a disciplina
de “Composição da A qui ecu a”
Es a expe iência pa icipa i a é an e io ao
SAAL e ao p ojec o de Se gio Fe nandez pa a o
Bai o do Leal e, po isso, se ia ex emamen e
in luen e pa a o a qui ec o pela ap endizagem
pessoal, nomeadamen e no modo de lida com
os mo ado es, no equilíb io en e acede às
necessidades dos u en es e o p óp io sen ido
c í ico. No en an o, des a p á ica o a qui ec o
e e e que o p ojec o da “Casa do Po o” Fig.26,
enquan o objec o a qui ec ónico, p odu o de de-
senho, icou um pouco aquém das expec a i as,
salien ando que o conhecimen o do a qui ec o
e a sua capacidade c í ica, is o é, a au onomia
disciplina não de e se secunda izada na elabo-
ação de um p ojec o, ainda que pa icipado.
Das conclusões inais edigidas no CODA22,
Se gio Fe nandez e ela que a equipa op ou
po uma a i ude sociológica, nomeadamen e
na ealização dos inqué i os e conside a que
es a posição não de e se gene alizada a oda e
qualque ac uação do a qui ec o, em p oblemas
des e alcance. No en an o, ac escen a que es as
bases eó icas de econhecimen o do luga e dos
modos de ida são impo an es pa a a cons u-
ção de p ojec os comuni á ios, pa a esponde
à especi icidade do local. C emos que es as con-
clusões ap oximam o abalho de Se gio Fe nan-
dez ao abalho eó ico ealizado nas disciplinas
de Oc á io Lixa Filguei as e A naldo A aújo,
ainda que o desenho da “Casa do Po o” e ele a
in luência dos modelos de a qui ec u a mode -
na que se es uda am na Escola e do Inqué i o à
A qui ec u a Popula Po uguesa.
No en an o, es a expe iência se ia um impo -
an e exemplo pa a o desen ol imen o do SAAL
No e e pa a a adopção do mé odo pa icipa i o,
pois al como em Rio de Ono , o abalho jun o
dos mo ado es das “ilhas” exigia o conhecimen-
o de uma si uação u bana especí ica e o seu
p opósi o e a ambém a econs ução de uma
ida em comunidade.
#2, 2011, p.49
22 FERNANDEZ, Se gio. “CODA ESBAP, Recupe ação de
Aldeias, equipamen o colec i o, Rio de Ono , B agança”; 1965
Fig.24 Pequenos a anjos nas habi ações de Rio de Ono , Se gio
Fe nandez, 1965
C.2
Pa icipação e Au onomia
nos p ojec os SAAL de Siza Viei a
Em minha opinião es as modalidades de
pa icipação são acima de udo p ocessos c í icos
pa a a ans o mação do pensamen o, não só da
ideia que os habi an es êm de si, mas ambém dos
concei os do p óp io a qui ec o. 23
A pa icipação dos mo ado es de eu-se, po
de inição no Despacho, ao de e das populações
se o ganiza em pa a p ocu a em o acompa-
nhamen o de uma b igada e de con ibuí em na
solução de p oblemas adminis a i os ou bu o-
c á icos, como a exp o iação dos e enos. Fig.27
Po ém, a in e enção des es indi íduos ala gou-
-se à discussão de ideias sob e as suas u u as
casas, pa a lhes da a opo unidade de se em
incluídos no deba e sob e a cidade que habi am.
Es a expe iência possibili a a, po um lado,
que o a qui ec o e esse a p á ica e o desenho
das habi ações, pa a os adequa ao clien e em
ques ão e, po ou o, pe mi ia que os mo ado es
se sen issem in eg ados e que desen ol essem
um sen imen o de ap op iação pela u u a casa,
de ido ao empenho e empo emp egues nes es
deba es.
23 VIEIRA, Siza ci . po FRAMPTON, Kenne h “P o ésion
poé ica: P o issão poé ica, Ál a o Siza Viei a”, ad. San iago
Cas án...[e al.]; Ba celona: Gus a o Gili, 1988. p.12
Fig.26 Alçado da “Casa do Po o” em Rio de Ono , com espaços
de ansição em somb a
Fig.25 Reunião do “concelho” dos habi an es de Rio de Ono ,
Se gio Fe nandez, 1965
Fig.27 Reunião da Associação de Mo ado es de S.Víc o
3332 3332
A Recusa e a U gência de Desenho
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho

A pa icipação inha a e com a e elação
e in e p e ação dos modos de ida pa a chega
ao ealismo dos p og amas, nem abs ac os nem
isioná ios.24
Apesa da ci ação an e io men e ansc i a
se apenas e e en e ao con ibu o da expe iência
pa icipa i a na edi icação do Bai o do Leal,
exempli ica o que expusemos an e io men e.
A pa icipação pe mi iu e e os p essupos os
mode nos do habi a , cimen ados e o mulados
à luz da idealização de uma sociedade melho ,
mas sem pa i da ealidade em si pa a es udo
e conc e ização das p opos as. Os p ojec os
SAAL, conside ando a opinião dos mo ado es
e o con ex o das ope ações de cada b igada,
e o mula am o concei o, a conjugação dos
p og amas habi acionais e a disposição das
dependências da casa, como ambém ede ini-
am a ex ensão da ida domés ica ao ex e io ,
desenhando cuidadosamen e o espaço público,
c iando si uações de ansição e p og amas
comuni á ios.
Mui as das minhas p opos as não as e ia
podido de ende sem o apoio da gen e que pa i-
cipa a na discussão, a população ou sec o es da
população do bai o, po que e am p opos as não
acei es pela adminis ação, inclusi e, em alguns
casos, pelos a qui ec os, po me os p econcei os. Se
consegui ealizá-las, e c eio que oi bom ealizá-
-las, oi g aças à abe u a de gen e que discu ia
sem esse peso da impo ância cul u al e, po an o,
mui o mais abe a ao aciocínio. 25
No caso de S.Víc o , a pa icipação e elou o
in e esse dos mo ado es em man e o local de
mo ada, mas com as condições necessá ias pa a
a sua i ência diá ia26 e ainda, a p e e ência pela
24 PORTAS, Nuno, “Das casas às pessoas e ice- e sa” in “Só
nós e san a ecla: a casa de Caminha de Se gio Fe nandez”,
Po o: Da ne, 2008. p.53
25 SIZA, Ál a o in “F agmen os de uma Expe iência –
Con e sas com Ca los Cas anhei a, Ped o de Llano, F ancisco
Rei e San iago Sea a”, “Ál a o Siza: ob as e p ojec os”. Mad id:
C.G.A.C., 1995. p.34
26 “We a e in e es ed in li ing he e and i is he e ha we wan
o ha e condi ions o li e as human beings ha we a e (...)” in
MOTA, Nelson, “An A cheology o he O dina y: Re hinking
he A chi ec u e o Dwelling om CIAM o Siza”. Del : TU
2014. p.223
p ese ação dos pá ios, pequenos espaços p i a-
dos ou semi-p i ados, ao in és da cons ução de
g andes á eas e habi ações colec i as27.
Es a posição dos u en es, jun amen e com a
econhecida impo ância da a qui ec u a popu-
la e da necessidade de se es u u a a malha da
cidade do Po o, de ido às a iadas al e ações e
demolições que a é en ão se inham ealizado e
que e iam desca ac e izado ce as á eas u ba-
nas, conduzi ia Siza Viei a a ponde a a p ese -
ação das “ilhas”, enquan o elemen o base do
ecido u bano28 29. Fig.28
27 “The exis ence o pa ios, small p i a e o semi-p i a e open
spaces was colec i ely che ished as ha ing a majo signi icance
and impo ance.” in Ibidem, p.225
28 VIEIRA, Ál a o Siza, “A Ilha P ole á ia como Elemen o
Base do Tecido U bano” in Lo us In e nacional nº13, Milão,
1976, p.80
29 COSTA, Alexand e Al es, “A Ilha P ole á ia como
Elemen o Base do Tecido U bano. Algumas Conside ações
sob e um Tí ulo Enigmá ico” in “A Ques ão do Alojamen o 1”,
Jo nal de A qui ec os, nº 204, Lisboa, 2002, p.9
Fig.28 Demolições das “ilhas” em S.Víc o
Es e concei o oi inicialmen e mui o po-
lémico e o iginou di e sas posições en e os
a qui ec os, mas a sub e são de um p econcei o,
que o a semp e cono ado às más condições
de salub idade des es conjun os, só se o nou
passí el de se al e ado, de ido à on ade dos
mo ado es em man e o local de mo ada, à sua
p e e ência po espaços de mo ologia seme-
lhan e aos des es núcleos, pela p eponde ância
des as ipologias na malha da cidade, bem como
odo um conhecimen o eó ico sob e a alência
da a qui ec u a popula e o signi icado das suas
o mas. Foi da conjugação da pa icipação e dos
anos da “Recusa do Desenho”, que na “U gência
do Desenho” su giu a on ade de o na a “ilha”
uma no a es u u a, in eg ada e acei e na socie-
dade u bana. Fig.29 Fig.30
Fig.29 Desenho de Siza Viei a pa a as habi ações baseadas na
mo ologia u bana das “ilhas”
Fig.30 Bloco da S ª das Do es en e as
eminiscências das ocupações an e io es
3534 3534
A Recusa e a U gência de Desenho
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
das Do es o ganizou-se, no audi ó io da ESBAP,
uma simulação, com cadei as e com o ma e ial
que se encon a a disponí el, de um modelo à
escala 1/1. Con udo, a “U gência do Desenho”,
impos a pelas condições polí icas, pelo ambien e
e e escen e e apidamen e mu á el do pós 25
de Ab il, deu consciência da impo ância do
conhecimen o disciplina pa a desen ol e as
p opos as e pa a p ocede à sua cons ução. Os
es udan es que ize am pa e da b igada de S.
Víc o , ol a am pa a a Escola pa a ap ende em
soluções de p ojec o, cons ução, po meno iza-
ção32, pa a complemen a em o abalho ealiza-
do jun o dos mo ado es.
É na “U gência do Desenho” que inse imos
o p ojec o da Bouça, uma ez que já exis ia o es-
udo de Siza Viei a pa a o “Te eno do ibunal
de meno es” e, po isso, apenas se p ocedeu à
adequação do p ojec o às necessidades e núme-
os ap esen ados pelos mo ado es. Al e a am-se
as ipologias T5 pa a T3, pois os aglome ados
amilia es inham, em média, 5 a 6 elemen os;
eduzi am-se as á eas in e io es, de 120m2 pa a
os 97m2, pa a aumen a o núme o de ogos (de
140 unidades pa a 158) e ac escen ou-se p og ama
pa a usu u o da comunidade: la anda ia, bi-
blio eca, sala de es udo e um pos o de ans o -
mação. Fig.31 Fig.32
A cons ução do p ojec o oi iniciada em
1976, con udo apenas se edi icou a p imei a ase
do p ojec o. P ocedeu-se ao ealojamen o, ainda
sem o o necimen o de elec icidade e água, e o
acesso a es es bens só se ob e ia a a és da lu a e
insis ência da Associação. Du an e in e anos, o
p ojec o icou po conclui e os mo ado es con i-
nua iam a lu a pela sua inalização, impedindo,
en e an o, a cons ução de ou os emp eendi-
men os públicos na á ea disponí el e a p og essi-
a deg adação do edi icado, a a és dos meios de
que dispunham. Fig.33 Fig.34
Em 2002, po insis ência da Associação jun o
da Câma a Municipal do Po o, e oma am-
-se as ob as e oi pedido ao a qui ec o Siza que
con ibuísse na conclusão do p ojec o. Nes a
e isão, o a qui ec o oi con on ado com no as
necessidades, como o di ei o a luga de ga agem
ou es acionamen o ao a li e, e ainda, a edes
de comunicação, como in e ne e ele one.
32 Ibidem, p.33
Os caluniados anos de “ ecusa do desenho”,
embo a não me a ependa das azões, não o am
anos pe didos. T aduzi am-se numa maio capa-
cidade de comp eende a his ó ia (comp eende
o p esen e) e o am o supo e undamen al pa a
a e o mulação que uma p á ica abe a ecen e,
p epo en emen e in e ompida, exigiu e o ien ou.
É es e o pa imónio de que dispomos. Os passos
dados não êm de se epe idos: nem ecusa ao
desenho nem eapa ecimen o dos apelos aos mo-
delos abs ac a e delicadamen e ap esen ados sob
o lema “bom senso e compe ência”.30
Foi a a és de “bom senso e compe ência” e
do igo da linha de acção dos écnicos, que Siza
Viei a desen ol e ia a expe iência pa icipa i-
a em S. Víc o . Po um lado, deba ia-se com
in ensidade ideias de a qui ec u a, de es é ica,
de ambien e e p oblemá icas u banas, po ou o
lado, o seu al e ego, enquan o “Salaza de S.
Víc o ”, como os mo ado es o apelida am,
impedia-o de acede a opiniões, cuja capacidade
c í ica, enquan o a qui ec o, não pe mi ia. Sob e
a di e sidade de ideias dos mo ado es, Siza con-
clui ia, pos e io men e:
Es e ac o ejo-o como uma indicação cla íssi-
ma de que a a qui ec u a é um ema escamo eado
aos cidadãos po de ás do simulac o do mis é io,
quando na ealidade é um ema discu í el po
odos e com an agens e iden es. 31
A pa icipação, do mesmo modo que os
inqué i os ou ou as expe iências semelhan es
de ap oximação à ealidade e conhecimen o da
iden idade dos u en es, pe mi e ques iona a
di ecção da p á ica disciplina , de po em causa
p ecei os cimen ados pelo empo, po legislações
ou pela a qui ec u a e udi a. A pa icipação
pode se um mé odo aplicado pa a e e con-
cei os, pa a a adequação dos modelos a qui ec-
ónicos. No caso de S. Víc o , o ganiza am-se
deba es, ealiza am-se maque as pa a o na
menos abs ac a a o ma dos espaços. Pa a as
p imei as unidades cons uídas, do Bloco da S ª
30 SIZA, Ál a o ci . po FERNANDES, Manuel Co eia;
“ESBAP/A qui ec u a anos 60 e 70, Apon amen os”. 2ª edição,
Po o: FAUP publicações,1988; p.52
31 SIZA, Ál a o in “F agmen os de uma Expe iência:
Con e sas com Ca los Cas anhei a, Ped o de Llano, F ancisco
Rei e San iago Sea a”. Ál a o Siza: ob as e p ojec os (...)”.
Mad id: C.G.A.C., 1995, p.34
Fig.31 Plan a do p ojec o da Bouça pa a o FFH, 1972-1973
Fig.32 Plan a do p ojec o da Bouça pa a o SAAL, 1974 - 1978
Fig.33 Escada me álica imp o isada pelos u en es, o o do
mo ado Fe nando Ca doso
Fig.34 Conclusão da 1ª ase do p ojec o da Bouça, es ado de
deg adação das habi ações, o o do mo ado Fe nando Ca doso
3736 3736
A Recusa e a U gência de Desenho
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Embo a na Bouça, o p ocesso enha sido
mais au ónomo, de ido à exis ência do es udo
p é io pa a o FFH, Siza Viei a não dispensou
a ap esen ação dos desenhos das habi ações à
Associação de Mo ado es, jus i icando inclusi é
a escolha da co do ecuado, enquan o homena-
gem a B uno Tau . Na segunda ase de cons-
ução do bai o, o p ocesso con inua a a se
pa icipado, uma ez que a inicia i a pa a a sua
conclusão inha pa ido da Associação e do seu
es o ço pa a a manu enção do edi ício.
Da expe iência de 1974 a 1976, pode -se-á
a i ma que a pa icipação con ibuiu pa a a
en a i a de o malização de um modelo a qui-
ec ónico capaz de exp essa a cidade, enquan o
di ei o e sinónimo de uma sociedade sem classes
ou in e classis a, de conjuga a a qui ec u a
e udi a com a a qui ec u a popula , as ipologias
mode nas com as locais, de esponde às neces-
sidades e opiniões da população, num p ocesso
de sob eposição de ideias, que pe mi ia comple-
xi ica o p ojec o e do á-lo de qualidade.
Em 1974, as condições de ida e os meios
económicos dos mo ado es e am mui o di e-
en es, assim como as exigências de con o o e
de p i acidade e am mínimas ou p a icamen e
inexis en es. Na conclusão da ob a, Siza Viei a
e es iu as pa edes do p ojec o com capo o,
pa a ga an i algum isolamen o; edesenhou os
espaços ex e io es, di e enciando os pe cu sos
pedonais da ci culação de ca os e os espaços
p i ados dos espaços públicos, concebendo
ja dins e di e en es ipos de pa imen o pa a os
a anjos. Ga an iu ambém a cons ução de um
es acionamen o cobe o, ou o ex e io , edese-
nhou as a andas dos ogos supe io es, con e -
endo-as em ma quises Fig.35,Fig.36, a pedido
da Associação de Mo ado es, e econ igu ou
os ja dins dos qua os do piso é eo, pa a lhes
a ibui maio colec i idade. Fig.37,Fig.38
Face a uma si uação des e géne o, o a qui-
ec o pode assumi duas a i udes. Pode assen-
i , de modo a e i a ensões. Mas es a posição
é pu amen e demagógica e, nes e caso, é ã a
in e enção do a qui ec o. Na hipó ese con á ia,
o a qui ec o pode depa a -se com con li os; es es
são ine i á eis, dado o modo de dis ibuição de
in o mação na nossa sociedade.33
A u gência em cons ui e os longos deba-
es dos a qui ec os e mo ado es coloca am os
écnicos no di ícil equilíb io en e o pa e na-
lismo, que o p ocesso implica a e a a ogância,
que a sua expe iência p o issional podia ge a .
No desenho dos p ojec os o que es a a em causa
e a a maio ou meno endência pa a a ein-
e p e ação da a qui ec u a popula e conjuga-
ção dos modelos e udi os da a qui ec u a, ou
pa a a cópia do pi o esco e ecusa do papel do
a qui ec o. Em S. Víc o , es es ac o es o am
cons an emen e con on ados. Po um lado, a
pa icipação, as opiniões dos mo ado es, as p é-
-exis ências e as uínas; po ou o, a au onomia,
os modelos e udi os e a capacidade in en i a, a
possibilidade de econs ui e assegu a qualida-
de habi acional, a a és da conjugação das duas
aces da moeda.
33 VIEIRA, Ál a o Siza ci . po FRAMPTON, Kenne h
“P o ésion poé ica: P o issão poé ica, Ál a o Siza Viei a”, ad.
San iago Cas án...[e al.]; Ba celona: Gus a o Gili,, 1988, p.12
Fig.36 Al e ação das a andas pa a ma quises
Fig.35 As a andas no im da conclusão da 1ª ase do p ojec o
Fig.38 Desenho ac ual dos ja dins e do pa imen o
Fig.37 Ap op iação dos ja dins pelos mo ado es
3938 3938
A Recusa e a U gência de Desenho
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
IV Ál a o Siza Viei a,
“Bai o da Bouça”, após a
cons ução da 1ª ase
III Alexand e Al es Cos a,
“Ilha” do Po o, 1974
A B igada ac edi a que a sua o mação
e as suas ideias, nos limi es conc e os da
econs ução do “habi a ”, em elação
à dialéc ica com as ideias ac uais da
população pa a quem abalha, es ão
na base de um mundo ísico c iado
po - e pa a - uma sociedade que se
deseja sem classes.34
A a qui ec u a popula
no Mo imen o
Mode no
34 VIEIRA, Ál a o Siza.“Linha de acção dos écnicos
enquan o écnicos” in “A Ques ão do Alojamen o 1”, Jo nal de
A qui ec os, nº204. Lisboa, 2002. p.17
Fig.39 Le Co busie ,“Plan Voisie ”, Pa is, 1925
- cons ução de al a densidade e libe ação do solo
U banism conside ed and de eloped in he
e ms o he Cha e d’A henes ends o p oduce
“ owns” in which i al human associa ions a e
inadequa ely exp essed. To comp ehend hese
human associa ions we mus conside e e y com-
muni y as a pa icula o al complex. In o de o
make his comp ehension possible, we p opose o
s udy u banism as communi ies o a ying deg ees
o complexi y.35
A aplicação dos p ecei os da “Ca a de
A enas”36 Fig.39 pe mi iu uma ápida eo ga-
nização do e i ó io e cons ução de habi ação
após a II Gue a Mundial, bem como a ga an ia
de uma ce a es abilidade económica dos países
eu opeus. Con udo, ul apassadas as necessi-
dades mais u gen es da edi icação de habi ação,
impos as pelos es agos causados pela gue a
e pelo g ande núme o de desalojados, passou
a ques iona -se a impo ância da iden idade
u bana, das elações in e pessoais dos u en es e
da impo ância dos espaços, enquan o signos de
uma o ina especí ica de habi a .
Uma ez que, as p opos as dos CIAM isa-
am um u banismo e a qui ec u a uni o miza-
dos, ealiza -se-ia um deba e sob e a “Ca a do
Habi a ” no CIAM IX37, no sen ido de p opo
soluções pa a a si uação da a qui ec u a da déca-
da e de subs i ui a “Ca a de A enas”. Assim
sendo, oi ap esen ado um conjun o de p ojec os,
nos quais os a qui ec os en a am assimila si u-
ações pa icula es do desen ol imen o u bano
e da habi ação, a a és do melho en endimen o
dos elemen os undamen ais pa a a cons i uição
35 MUMFORD, E ic, “The CIAM discou se on u banism,
1928-1960” Camb idge, Mass.: The MIT P ess, 2002. p.240
36 Ca ilha de a qui ec u a edigida po Le Co busie , no
con ex o do IV Cong esso In e nacional de A qui ec u a
Mode na, ealizado em A enas, G écia, em 1933
37 Cong esso In e nacional de A qui ec u a Mode na,
ealizado em Aix-en-P o ence, F ança, em 1953
4343
A a qui ec u a popula no Mo imen o Mode no
A.1
O CIAM X e o p ojec o da Escola
do Po o

Fig.40 P ojec os de “Habi ação pa a o Maio Núme o”, CIAM
IX, Aix-en-P o ence, 1953
cons ução baixa, de al a densidade e ocupação
4544 4544
A a qui ec u a popula no Mo imen o Mode no
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
do ambien e cul u al de alguns po os. En e as
p opos as ap esen adas des acou-se o g upo que
desen ol eu o ema sob e “O Habi a Ma o-
quino”38 Fig.40, po se a a de uma inicia i a
que pa ia da obse ação das habi ações e -
nacula es, dos no os esiden es na cidade de
Casablanca.
Pa icula unc ions would now be s udied
wi hin “ hei app op ia e ecological ield”, as
aspec s o each “ o al p oblem” o human associa-
ion.39
As conclusões e expe iências do CIAM IX
conduzi iam ao deba e exaus i o da eo ga-
nização do habi a no CIAM X, inclusi é dos
aspec os in luen es na cons i uição do ambi-
en e en ol en e e comunidades dos espec i os
habi an es. Pa a al, oi suge ido aos pa ici-
pan es que o es udo p eceden e osse ealizado
no luga do p ojec o, de modo a p opo ciona
uma melho comp eensão das pa icula idades
do sí io e das elações in e pessoais da comuni-
dade, cujo in ui o inal se ia a conc e ização de
uma p opos a pa a um conjun o de habi ações,
localizadas num meio especí ico, explo ando
o desenho do espaço de con í io da casa e da
comunidade.
Nes e cong esso, os abalhos o am ag upa-
dos po comissões com emas especí icos. A
Comissão B.6, o ganizada po Bakema, cujo
ópico e a “Mudança e C escimen o” co espon-
deu ao abalho já ap esen ado po Candilis no
CIAM IX, dando opo unidade aos in e enien-
es de explo a em os emas da pa icipação e da
au ocons ução nos seus p ojec os. Es a inicia i-
a inha o objec i o de ap esen a soluções pa a
a possí el ans o mação do habi a , concedendo
38 Nes e p ojec o, o g upo cons i uído po Bodiansky,
Candilis e Eme y, p ocedu inicialmen e à análie da condição
da habi ação em Ma ocos e dos p oblemas p o ocados po
um ápido c escimen o demog á ico. En e es es encon a a-
se a incapacidade em ga an i um mínimo de condições de
habi abilidade que co espondessem ao p og essi o aumen o
da população. A p opos a desenhada pelos a qui ec os
consis ia num conjun o de ês g elhas semelhan es às da
Unidade de Habi ação, mas adap adas às exigências de
p i acidade e in imidade das con enções islâmicas, ambém
p opo cionando ao habi an e a possibilidade de lhe a ibui
mais di isões e de a o na mais desen ol ida.
39 “MUMFORD, E ic, “The CIAM discou se on
u banism, 1928-1960”Camb idge, Mass.: The MIT P ess, 2002.
p.241
Fig.41 Habi a Ru al, painel 2, CIAM X, 1956
Duas po oações dos a edo es da p opos a
libe dade de acção ao indi íduo que p e endesse
al e a a sua casa. O concei o de pa icipação
su giu nos CIAM enquan o mé odo que pe mi-
ia espei a a iden idade dos u en es, consi-
de ando a possibilidade de e olução do desenho
da casa, a cons ução pa a o maio núme o e
a al e ação des a consoan e a exp essão es-
pon ânea e as necessidades dos habi an es.
Em suma, os a qui ec os pa icipan es no
CIAM X auxilia am-se do en endimen o da ea-
lidade, a a és do es udo da pa icula idade dos
luga es, da especi icidade das elações humanas,
das cons uções e nacula es de cul u as di e-
en es e o mula am a hipó ese dos mo ado es
al e a em li emen e o seu habi a .
A he same ime, in he 1960s some o hese
app oaches began o o e lap wi h explici ly an-
i-CIAM di ec ions such as he idea o ad ocacy
planning, sel -build, and use pa icipa ion, as
pa o he he e o o ede ine a chi ec u e in
ways o be mo e esponsi e o he eal needs o i s
u u e use s..40
Nes a época, ambém se ques iona a a iden i-
dade da a qui ec u a em Po ugal, no seguimen-
o do con on o da adicional “Casa Po ugue-
sa” com o Mo imen o Mode no.41 Nes e sen ido,
o Inqué i o à A qui ec u a Popula inha en ão
sido iniciado, com o in ui o de jus i ica o em-
p ego de de e minados elemen os cons u i os e
a especi icidade das cons uções e nacula es de
di e en es egiões do país. No seguimen o des a
pesquisa, in e essou aos memb os esponsá eis
pela conc e ização do Inqué i o à A qui ec u a
Popula nas egiões do Minho e T ás-os-Mon es
e Al o Dou o42, a sua pa icipação no CIAM X,
jun amen e com Viana de Lima, delegado po u-
guês nos cong essos CIAM.
O abalho “Habi a Ru al, Nou elle Com-
munau é Ag icole” dos a qui ec os po ugueses
consis iu numa p opos a pa a um no o po oa-
men o e espec i as habi ações, numa localidade
40 Ibidem, p.268
41 Re e ência às publicações de Raúl Lino, “A nossa casa :
apon amen os sob e o bom gôs o na cons uçäo das casas
simples”, 1923 e de Fe nando Tá o a, “O p oblema da casa
po uguesa”, 1947
42 Nomeadamen e Fe nando Tá o a, Oc á io Lixa Filguei as
e A naldo A aújo
en e B agança e Rio de Ono . No p imei o pai-
nel, o g upo ap esen ou a implan ação de duas
comunidades que exempli ica am e sus en a am
as escolhas dos a qui ec os pa a a o ganização
do po oamen o. Fig.41 Es e localiza a-se es a e-
gicamen e en e ou as seis comunidades p ó-
ximas e e a compos o po ês á eas ag upadas
po uncionalidades, al como es a a explíci o na
“Ca a de A enas”.
No cen o da comunidade oi desenhado um
la go, cons i uído pelo cen o cí ico e a “ en-
da”, conec ado à ma gem opos a do io, onde se
localiza a a ig eja.
4746 4746
A a qui ec u a popula no Mo imen o Mode no
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Fig.42 Habi a Ru al, painel 2, CIAM X, 1956
O ganização do p og ama da po oação
Fig.43 Habi a Ru al, painel 3, CIAM X, 1956
O ganização da casa em o no da la ei a
Um pouco mais dis an e e si uado numa lo-
calização mais ele ada, encon a a-se um
ag upamen o coope a i o do qual aziam pa e
a escola, um se iço de saúde e edi ícios de di-
mensões mais ala gadas pa a auxilia a p odu-
ção ag ícola.
A unidade habi acional e a o ganizada
em o no da la ei a, símbolo da eunião e do
con í io amilia . A pa i des a di isão o am
dis ibuídos os qua os, a a anda, es an es es-
paços de ansição e a ins alação sani á ia.Fig.43
Fo am ambém desen ol idas duas ipologias
p incipais, a M1 pa a uma amília sem ilhos e
as M2 e M3, que incluíam mais qua os.Fig.44
Tal como nou os es udos ap esen ados no
CIAM X, ambém a equipa po uguesa suge iu
que o habi an e pudesse al e a a habi ação. A
u ilização dos ma e iais do luga como o xis o, a
a dósia e a madei a, pe mi iam que o habi an e,
amilia izado com o a amen o des es ma e-
iais, pudesse al e a as á eas li es da unidade,
consoan e os núme os do ag egado amilia .
Ainda que o es udo se baseasse na o ganiza-
ção uncional p opos a pela “Ca a de A enas”
(habi ação, laze , abalho e anspo e), é pos-
sí el obse a a in luência do conhecimen o do
luga na o mulação do p og ama pa a o po oa-
men o e pa a a habi ação, bem como a escolha
dos ma e iais. No abalho da equipa po u-
guesa, elemen os como a “ enda”, a ig eja e o
la go inham bas an e ele ância na o ma do
po oamen o, enquan o pon os undamen ais de
con í io e de i ência do dia-a-dia dos indi í-
duos. Também a u ilização dos ma e iais do lu-
ga , a p ese ação das a andas como espaço de
eunião dos habi an es da casa e a o ganização
do p og ama em o no da la ei a Fig.45 e elam
uma maio consciência dos a qui ec os sob e
as especi icidades da a qui ec u a popula e da
impo ância das di e en es o mas de ap eensão
do espaço habi acional.
Fig.44 Habi a Ru al, painel 3, CIAM X, 1956
P opos a pa a a e olução das unidades
Fig.45 Habi a Ru al, painel 3, CIAM X, 1956
O ma e ial, os espaços de luz e somb a das a andas
A pa icipação da Escola do Po o no CIAM
X, associada à expe iência do Inqué i o, oi uma
in luência condicionan e no ensino da Escola,
conduzindo alunos e a qui ec os a p ocu a a
au en icidade local, a a és do conhecimen o
da a qui ec u a popula , da ein e p e ação das
cons uções e nacula es e à o mulação, po
Nuno Po as, de um mé odo pa a a cons ução
da habi ação, baseado na “Habi ação E olu i a”
e na au ocons ução. Também no abalho de
Siza Viei a, a c í ica aos p essupos os o mu-
lados pelos CIAM exp essa am-se no desenho
e na on ade de ecupe a a His ó ia, a iden i-
dade u bana dos p ojec os da Bouça e S.Víc o ,
nomeadamen e na alo ização das ipologias
popula es e na e isão dos modelos Mode nos
an e io es à Gue a.
4948 4948
A a qui ec u a popula no Mo imen o Mode no
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
A.2
Duas di ec izes do Inqué i o à
A qui ec u a Popula
Fig.46 Alçado e plan a da “Casa da La ou a”, Balaza ,
Guima ães, “A qui ec u a Popula em Po ugal”, 1961
Fig.47 Uso da madei a pa a a cons ução da “Casa da La ou a”
“A qui ec u a Popula em Po ugal”, 1961
A casa popula o ne ce -nos-á g andes lições
quando de idamen e es udada, pois ela é a mais
uncional e a menos an asiosa, numa pala a,
aquela que es á mais de aco do com as no as
in enções.43
A casa u al o a especi icamen e selec-
cionada pa a objec o de es udo e de análise
no Inqué i o, uma ez que se a a a de um
exemplo cons u i o que, de ido à sua emo a
localização, não so e a al e ações de in luência
exógena, nem ão pouco o a condicionada po
polí icas de habi ação ou po modelos de a qui-
ec u a e, como al, co espondia di ec amen e
às necessidades e modos de ida dos seus u en-
es. As suas soluções a qui ec ónicas são am-
bém as mais sedimen adas, pois a conjugação
das o mas e dos mé odos cons u i os o am
al o de inúme as adap ações, sob eposição de
sabe es e de expe iências eadap adas, consoan e
exigências climá icas, geog á icas e espec i-
as ocupações. Pa indo des e p essupos o, o
abalho do Inqué i o oi dis ibuído po equi-
pas esponsá eis pelo es udo da a qui ec u a
popula em di e en es egiões de Po ugal, sendo
elegado a cada g upo o c i é io e o p ocesso do
es udo.
Do econhecimen o da a qui ec u a da egião
minho a, che iado pelo a qui ec o Fe nando
Tá o a44, des aca-se os objec os em análise,
exemplos popula es de qualidade espacial e
plás ica, que comp o am a exis ência de uma
elação o ma/ unção, p óximos dos p ecei os da
a qui ec u a mode na. Fig.46 Também a análise
do uso de di e en es ma e iais e mé odos cons-
u i os, Fig.47 consoan e a a iação da localiza-
ção da habi ação ou do clien e, demons am um
ele ado cuidado na ap eensão da singula idade
das cons uções
43 TÁVORA, Fe nando; “O P oblema da Casa Po uguesa”,
Lisboa 1947, p.11
44 Jun amen e com Rui Pimen el e An ónio Mené es
Fig.49 Fo og a ia, alçado in e io e plan a, Mon es,
“A qui ec u a Popula em Po ugal”, 1961
Fig.48 In e io de uma casa, Mon es, “A qui ec u a Popula em
Po ugal”, 1961
Po isso, pa a cada caso, p ocu a emos eco-
nhece o seu ambien e na u al, sabe da sua gen e,
como i e e de quê, en a no espaço das suas
casas e descob i a o dem que lhes puse am, com-
p eende os ma e iais dominan es sob as o mas
em que os alha am.45
Po ou o lado, no Inqué i o em T ás-os-
Mon es e Al o Dou o, os au o es Oc á io Lixa
Filguei as e A naldo A aújo46 obse a am
a en amen e o in e io das casas, sob e udo os
objec os que as p eenchiam, o modo como se
dispunham as á eas p og amá icas, mui as ezes
ci cunsc i as a um único espaço, cujas depen-
dências se di e encia am pela ma e ialidade
emp egue. En e a in o mação expos a nes e
capí ulo encon am-se inúme as o og a ias do
in e io das casas, dos elemen os que as p een-
chiam e são ambém e a ados alguns momen-
os da ida diá ia dos habi an es. Fig.48 Es e
in e esse pela o ina es á ambém exp esso nos
desenhos dos le an amen os, no apon amen o
dos objec os e a sua disposição no in e io , que
mui as ezes não e ia alo enquan o espaço
a qui ec ónico, mas an es enquan o ambien e
i ido, p eenchido pelos signos do dia-a-dia.
Fig.49
A di e ença de me odologia e de in e esses
epe cu i am-se no ensino da Escola, es en-
dendo-se a é ao culmina do p ocesso SAAL,
expe iência que pe mi iu a coexis ência de uma
análise di eccionada à qualidade espacial e éc-
nica da a qui ec u a e de ou a o ien ada sob a
obse ação da iden idade e das elações sociais.
Po um lado, uma análise ipo-mo ológica
das cons uções e nacula es, p econizada po
Fe nando Tá o a e que jus i icou o seu es udo
pa a objec i os undamen almen e disciplina es,
pa a a e o mulação dos modelos da p á ica da
a qui ec u a. Po ou o lado, a p esença de uma
ideologia que se baseou no ap o undamen o do
papel social do a qui ec o e conhecimen o da
iden idade da população.
45 “A qui ec u a Popula em Po ugal”, 2ª edição,
Lisboa: Associação A qui ec os Po ugueses, 1980. p.118
46 Em colabo ação com o a qui ec o Ca los Ca alhos Dias
5150 5150
A a qui ec u a popula no Mo imen o Mode no
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
B.1
A ein e p e ação da
A qui ec u a Popula
A nossa A qui ec u a e o nosso U banismo
a a essam uma c ise po que não são mode nas –
is o é, po que não ealizam exac amen e a sín ese
das nossas necessidades e das nossas possibili-
dades, não cons i uindo desse modo a adução
pe ei a do homem po uguês na mul iplicidade
das sua elações.47
Em Po ugal, e endo po e e ência os anos
en e 1948 e 1955, não se inham cons uído, a é
en ão, as es u u as socioeconómicas necessá ias
pa a se jus i ica a ees u u ação da a qui ec-
u a num sen ido uni e sal e acional, capaz de
e a a o desen ol imen o indus ial e as es-
pec i as consequências cul u ais da es anda di-
zação. O país es a a ainda mui o en aizado nas
adições u ais, na especi icidade dos luga es,
p o ocado pelo len o e a dio p og esso da p o-
dução em sé ie, o nando inope á el ac ua se-
gundo es es p essupos os. As ob as cons uídas
a a am-se maio i a iamen e de encomendas
isoladas, edi ícios de excepção, e a es agnação da
indús ia da cons ução, ainda p esa ao a esa-
na o, impedia a ga an ia de uma maio e iciência
e ape eiçoamen o das écnicas.
O caminho o mal ence ado pelo Mo imen-
o Mode no, no sen ido de uma ans o mação
adical pa a se i o Homem uni e sal, u o
das supos as necessidades homogéneas, não da-
am luga às especi icidades cul u ais e é nicas.
Po ezes, o Es ilo In e nacional em Po ugal,
epe cu i a-se somen e na u ilização da sua g a-
má ica o mal, como a p esença do “b ise soleil”
enquan o elemen o deco a i o, a cons ução da
janela ho izon al, con ínua e na al a de in es i-
men o em ma e iais locais como o ijolo, madei-
a, ped a, e c.
47 TÁVORA, Fe nando ci . po COSTA, Alexand e Al es
“Disse ação exp essamen e elabo ada pa a o concu so de
habili ação pa a a ob enção do i ulo de p o esso ag egado”,
p e ácio de Ál a o Siza, 2ª edição, Po o, ESBAP, 1982, p.25
Nes e sen ido, oi no es udo e comp eensão
das cons uções popula es que se p ocu a am
os undamen os da a qui ec u a po uguesa, as
azões e necessidades que jus i icam os seus mé-
odos cons u i os e o mas, de modo a acul a
e desbloquea o sen ido da p á ica disciplina .
A ans e salidade da a qui ec u a popula , no
sen ido de que a sua cons ução ad ém da so-
b eposição de expe iências de empos di e en es,
ambém pe mi e jus i ica a sua e icácia uncio-
nal e o mal, undamen ando a emp egabilidade
e adap ação da sua unção/ o ma à a qui ec u a
e udi a.
A ca alogação dos casos de es udo p esen es
no Inqué i o segundo “ ipologias”, de ido à
cons a ação da sua epe ição em de e minadas
egiões, p o a a impo ância do es udo des as
sín eses mais ha monizadas das necessidades,
soluções écnicas, concepções de beleza indi-
iduais e colec i as de sociedades especí icas.
Fig.50 Es a conclusão se ia p eponde an e no
SAAL No e, pois conduzi ia a qui ec os e es u-
dan es a p ocede em a abalhos de campo e de
econhecimen o igo oso das “ilhas”, enquan-
o ipologia que e lec ia o modo de i e da
classe abalhado a. Em suma, a publicação do
Inqué i o p o ou aos a qui ec os que e a pos-
sí el auxilia em-se das o mas da a qui ec u a
popula na p á ica disciplina , demons ando
que o conhecimen o não se adqui ia somen e
nos pe iódicos ou no abs accionismo o mal
das escolas, mas que es e de e ia ambém pa i
da análise da ealidade, em si. Como al, passa a
se ele an e expo a in luência da publicação do
Inqué i o nos p ojec os de Siza, nomeadamen e
na Casa de Chá da Boa No a, enquan o exemplo
do pe cu so do a qui ec o na in e p e ação da
a qui ec u a popula no Mode no.
Há mesmo assim na Casa de Chá “ideia” logo
desde a inc us ação no sí io – ecusa de exibi
uma cons ução “mode naça” mas ecusa de a
des aze num mime ismo u alizan e – pon uada
pelos olumes de can o e de chaminé; ideia na
maneia de en a que az chega a uma esplanada
á ida, epa en e ochas, “baixa a cabeça” sob
o alpend e, pene a e desce en e o den eado de
um ec o (...)48
48 PORTAS, Nuno in VIEIRA, Ál a o Siza “Casa de Chá da
Boa No a – Boa No a Tea House, 1958-1963”, s/p.
Fig.50 Ca alogiação de ipologias do Inqué i o à A qui ec u a
Popula no Minho, 1961
6564 6564
A a qui ec u a popula no Mo imen o Mode no
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Fig.73 Siza Viei a, desenho do bloco da S a das Do es - o uso
da cobe u a plana e compa ação com a en ol en e
Fig.76 Siza Viei a, esquisso do p ojec o da Bouça,
1973-1977 - uso do ângulo agudo pa a desenha a ansição
en e a implan ação e a es u u a u bana da ua da Boa is a
Fig.75 Siza Viei a, esquisso do p ojec o da Bouça, 1973-1977 -
desenho da cu a e p ocu a da o ma
nais, assemelhando-as à mo ologia dos pá ios
ou p aças semip i adas, assegu ando ambém a
con inuidade das es u u as iá ias en ol en es.
Embo a es es espaços ex e io es sejam idên icos
na sua con igu ação, as escadas do pá io cen al
pe mi em o igina si uações de maio con í-
io en e os mo ado es, enquan o os es an es
espaços ex e io es espondem às necessidades de
p i acidade.
Na olume ia dos edi ícios é man ida a
planime ia das pa edes dos modelos mode nos,
ac o que é en a izado pelo uso da cobe u a
plana no bloco da “S a das Do es”, Fig.73 no
p olongamen o das achadas da Bouça, de modo
a esconde a cobe u a de duas águas e pela
explo ação dos planos, a a és da descons ução
do olume.Fig.74 São ambém usadas di e sas
o mas geomé icas, não só as mais no maliza-
das e ec angula es, mas ambém ângulos agu-
dos e cu as, pa a con e i qualidade espacial e
composi i a aos espaços, desenha momen os de
ensão nas in e secções. salien ando ambém a
ele ância do aspec o es é ico, e não apenas da
impo ância da acionalidade no planeamen o
u bano e do uso da malha ec angula . Fig.75
Fig.76
A cu a no p ojec o da Bouça ap esen a-se
ambém como uma con inuidade das es u u as
u banas, an o da p é-exis en e como da no a,
eco dando a sinuosidade dos limi es i egula es
da en ol en e e do c escimen o espon âneo da
cidade, na en a i a de não sob epo o planea-
men o geomé ico na malha u bana, con udo
necessá io pa a uma espos a ope a i a e global
Fig.74 Siza Viei a, esquisso da Bouça, 1973-1977
J.P. Oud, casas na S andboule a d, Sche eningen, 1917
- Descons ução do olume e da planime ia

6766 6766
A a qui ec u a popula no Mo imen o Mode no
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Fig.78 J.P.Oud, Hoek an Holland, Ro e dão, 1928-1930
Siza Viei a, esquisso do bloco da S ª das Do es, 1974-1976
- uso da cu a pa a enuncia passagem.
Fig.77 Siza Viei a, Bai o da Bouça, 2004 - 2006
. uso da cu a pa a desenha a con inuidade da
planime ia
no desenho da habi ação colec i a. J.P.Oud
ambém u iliza es e elemen o nos planeamen os
pa a “Hoek an Holland” e “Kie hoek”. Fig77
No p imei o, a cu a é u ilizada enquan o
elemen o o gânico, capaz de queb a a igidez
do desenho simé ico, um pouco à semelhan-
ça do bloco da “S a das Do es”, onde ambém
es á p esen e, de ce o modo, es a composição
clássica, na qual a cu a enuncia a passagem do
espaço público pa a as asei as das unidades.
Fig.78
Elsewhe e in he plan, oo, Oud ied o co ec
i egula i ies o he plan by din o symme ical
a angemen s, such as he ee-s anding dwellings
e mina ing he elonga ed blocks lining he main
s ee s.66
Tal como J.P.Oud, Siza ambém desenha o-
lumes independen es que pe mi em con o ma
e indi idualiza á eas, an o no p ojec o pa a
a “S a das Do es”, como na Bouça. É ambém
impo an e e e i que, pa a des aca a di e en-
ciação planimé ica das achadas e a enua o
sen ido abs ac o da pa ede b anca, Siza u iliza
a co , à semelhança dos p ojec os de B uno Tau
Fig.79. Ainda, a necessidade de o na menos
dispendiosa a edi icação do p ojec o da Bou-
ça, pa a co esponde aos meios disponí eis
no con ex o do p og ama SAAL, conduziu à
cons ução do p ojec o em al ena ia de blocos
de be ão Fig.80 e à edução da al u a dos olu-
mes mais al os das ex emidades do e eno, po
imposições es u u ais Fig.81, pa a qua o pisos,
co esponden es à sob eposição de dois ogos.
Pa a o na mais ope a i o o alojamen o dos
mo ado es, Siza eduziu as á eas de ci culação
e di e enciou maio i a iamen e as zonas de uso
diu no e noc u no, eduzindo a en e dos mó-
dulos pa a 4m, à semelhança do bloco da “S a
das Do es”67.
Algumas con adições dos p ojec os da Bou-
ça e de S. Víc o , nomeadamen e as que co es-
pondem a um a as amen o dos modelos Mode -
nos, jus i icam-se pela capacidade de Siza Viei a
66 BAKEMA in TAVERNE, Ed, “J.J.P. Oud : he comple e
wo ks : 1890-1963” Ed Ta e ne, Co Wagenaa , Ma ien de
Vle e ; con ib. Dol B oekhuizen ...[e al.]. Ro e dam: Nai
Publishe s, 2001, p.277
67 e p.37
Fig.79 B uno Tau , Bohnsdo , Be lim, 1929-1933
Siza Viei a, Bai o da Bouça, 2004-2006 - uso da co pa a
di e encia planos e acen ua a iden idade do luga
Fig.80 Cons ução da 1ª ase da Bouça, 1977 - sob eposição dos blocos de be ão
Fig.81 Co e do es udo pa a o FFH do p ojec o da Bouça, 1973 - desenho de 6 pisos nos
olumes ex emos da implan ação
em concilia-los com a iden idade local. Es as
condições in luencia am o a qui ec o a ealiza
um pe cu so in e so ou, al ez, p ecu so , e
a op a pelos modelos Mode nos an e io es à
publicação da “Ca a de A enas”, mais inclusi os
e cuidadosos com a qualidade espacial u bana.
Uma ez mais, es a a em causa o balanço en e
a a qui ec u a popula e a pa icipação dos
mo ado es, ac o es in luen es na e o mulação
de de e minados p ecei os do mode nismo.
Con udo, e a sob e udo p eponde an e a au o-
nomia do a qui ec o, is o é, a sua capacidade em
adop a um p ocesso algu es en e a abs acção
e a objec i idade.
6968 6968
A a qui ec u a popula no Mo imen o Mode no
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
C.2
A ein e p e ação da
A qui ec u a Popula
Fig.82 Siza Viei a, Bai o da Bouça, 2004-2006
Manuel C. Teixei a, “ilha” em S.Víc o
- compa ação da mo ologia do espaço
ex e io do p ojec o e das “ilhas”
Finally, one mos conside a cen al a ea in he
ex ension o he ci y o he No h, wi h he mos
impo an nuclei o “ilhas” in Bouça, Lapa, Le-
al-Fon inha and Rua da Duqueza de B agança.68
A mo ologia do Bai o da Bouça é an e io
à e o mulação da zona de S.Víc o e ao p o-
cesso SAAL, no en an o, c emos que o p ojec o
eco da a p esença secula das “ilhas” nas á eas
ci cundan es, ein e p e ando a sua o gani-
zação e disposição no e eno, impondo-se na
cidade pela escala u bana, aspec o que não é
ca ac e ís ico das ipologias an e io es. Ou seja,
ambém na implan ação da Bouça, as habi ações
es ão o ganizadas em ilei as de duas unidades
sob epos as, in e caladas po co edo es ex e io-
es ampliados, ema ados po um mu o 69, nes e
caso, colocado jun o à ia é ea, enquan o que
nas “ilhas”, es e elemen o esconde-as do espaço
público da ua. Fig.82 Po ém, é iden i icá el no
p ojec o a exis ência de pe cu sos de escalas me-
no es, mais p i ados, passagens na somb a dos
edi ícios, que eco da as en adas que pe mi em
o acesso ao co edo das “ilhas”. Fig.83 Fig.84
68 TEIXEIRA, Manuel C. “The De elopmen o 19 h cen u y
wo king-class housing – The “ilhas” in Opo o, Po ugal”,
A chi ec u al Associa ion School o A chi ec u e, 1988. p.190
69 MONTENEGRO, Manuel, DAVIDOVICI, I ina; “Aspec s
o u ban in eg a ion in Opo o SAAL housing” in “Colóquio
In e nacional, 74-14 – O SAAL e a A qui ec u a”, Coimb a,
No emb o, 2014
Fig.83 Siza Viei a, Bai o da Bouça, 2004-2006
Manuel C. Teixei a, “ilha” em S.Víc o
- pe cu sos semi-p i ados do p ojec o de Siza e das “ilhas”
Fig.84 Siza Viei a, Bai o da Bouça, 2004-2006
Manuel C. Teixei a, “ilha” em S.Víc o
- en a ização da luz e da somb a na Bouça
7170 7170
A a qui ec u a popula no Mo imen o Mode no
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Fig.87 Inqué i o à A qui ec u a Popula no Minho, 1961
- P oeminência da p esença das escadas no acesso às habi ações u ais
Fig.85 Siza Viei a, alçados do p ojec o da Bouça,
1973-1977 - achada mais planimé ica, mais
elacionada com a linguagem do Mo imen o Mode no
Fig.88 Esquisso de Siza Viei a pa a um monumen o em
homenagem à Associação de Mo ado es da Bouça, 1976
Fig.86 Siza Viei a, alçados do p ojec o da Bouça,
1973-1977 - achada mais densa e p eenchida,
eco da a a qui ec u a popula
A en a ização das unidades, conseguida pelas
pa edes que sepa am as a andas dos qua os
dos úl imos pisos e pela p esença das escadas no
pá io cen al, não só a ibuem um i mo incisi o
e mecânico, semelhan e ao que pode ia se uma
linguagem capaz de exp essa o modo de ida
da classe ope á ia, como ambém é me á o a
da in eg ação do p ole a iado na ida da cida-
de. Fig.85 Fig.86 A inclusão das escadas pa a
acede às á eas comuns eco dam o abalho
do Inqué i o, mais p ecisamen e a impo ância
des es elemen os como pe cu so ce imonial pa a
a en ada na casa u al, usados ambém como
local de pa agem e de con í io en e memb os
da comunidade. Fig.87 Fig.88
7372 7372
A a qui ec u a popula no Mo imen o Mode no
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Fig.89 A zona de S.Víc o em 1865 e em 1892 -
expansão da ocupação das “ilhas”
Loca ionally, he e we e wo main ypes o
“ilhas”: “Ilhas” in he buil -up a eas de eloped in
he i s decades o he nine een h cen u y; and
“ilhas” buil in a eas o Opo o ha o some ea-
son we e s ill acan in he second hal o he cen-
u y. In he i s case, he la ges g oup in Opo o,
he “ilhas” we e p edominan ly buil in he back
ga dens o middle-class p ope ies. In he second
case, he cons uc ion o “ilhas” ga e hese a eas
an unmis akable wo king-class cha ac e .70
A pa icipação e deba e de ideias com os mo-
ado es du an e o p ocesso SAAL, jun amen e
com o en ol imen o da Escola no le an amen o
de á ios núcleos de “ilhas” no Po o, conduziu
ao econhecimen o da sua p eponde ância en-
quan o ipologia undamen al pa a a es u u a
e his ó ia da cidade e ambém pa a a iden idade
dos seus mo ado es. Em S. Víc o , es es elemen-
os ap esen am-se em quan idade nume osa
nos log adou os das casas bu guesas, de ido à
localização des a zona numa á ea que, du an e
á ios anos do século XIX se man e e desocupa-
da e, po an o, o ambien e ge ado pela p esença
da classe abalhado a o nou-se p óp io do
luga . Fig.89
Nes e sen ido, e incluindo a on ade dos
mo ado es em man e o local de esidência,
Siza op ou po uma es a égia u banís ica que
consis ia em ecupe a as unidades e ga an i
melho es condições de salub idade, p eenche os
e enos azios com no as habi ações, mas ope-
ando com os es ígios da an e io p esença das
“ilhas”, símbolos e eminiscências da pe manên-
cia da classe abalhado a nes e local. Fig.90 No
en an o, e a ambém impo an e a ende à in e-
g ação dos mo ado es na cidade, uma ez que a
disposição des es núcleos no in e io dos qua -
ei ões con ibuía pa a o isolamen o da classe
abalhado a. To nou-se necessá io desenha
opções de a a essamen o dos qua ei ões, de
conexão às es u u as u banas exis en es, a a és
de pe cu sos es ei os, com escalas con idas,
is o é, de mo ologia semelhan e aos co edo es
das “ilhas”; po en e os ãos eminiscen es das
uínas e os es ígios dos seus mu os, c iando
espaços de con í io e de ci culação, in eg ados
no ecido ci cundan e. Fig.91
70 TEIXEIRA, Manuel C. “The De elopmen o 19 h cen u y
wo king-class housing – The “ilhas” in Opo o, Po ugal”,
A chi ec u al Associa ion School o A chi ec u e, 1988. p.187
Fig.90 Esquissos de Siza Viei a pa a S. Víc o , 1974-1976 -
Possibilidades de desenho pa a man e as eminiscências
das “ilhas”: pó icos, mu os e edesenho dos edi ícios p é-
exis en es
Es a in e enção oi esul ado de um p oces-
so complexo que en ol eu o es udo das condi-
ções das habi ações exis en es, jogando com a
possibilidade de ag upamen o de unidades ou
de ac escen o de um piso supe io , pa a aumen-
a a á ea in e na; e ainda a análise das pa edes
que o e eciam possibilidades de es au o e das
po encialidades dos e enos li es. T a ou-se de
uma in e enção ci ú gica na malha exis en e,
que en ol eu a ecupe ação de edi ícios e da
ci cunsc ição de no os olumes en e as uínas,
como no caso da “S a das Do es”.
7574 7574
A a qui ec u a popula no Mo imen o Mode no
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Fig.91 Esquissos de Siza Viei a pa a S. Víc o ,
1974-1976 -Possibilidades de desenho pa a o
espaço público e de conexão das “ilhas” à cidade
Fig.92 Siza Viei a, bloco da “S ª das Do es”, 1974-1976
- desenho das zonas de ansição en e o in e io e ex e io
Fig.93 Inqué i o à A qui ec u a Popula no Minho, 1961 -
a amen o das zonas de ansição na habi ação e nacula
No bloco da “S ª das Do es” (co esponden e
a a1)71, Siza op ou po concebe um p ojec o com
olume ia e linguagem mode nas, mas espei-
ou a escala das cons uções popula es e a ibuiu
somen e dois pisos às habi ações. Também o
desenho dos espaços de ansição, momen os
de luz e de somb a, con igu ados na ex acção
de olume nas achadas Fig.92 e no desenho das
a andas, são elemen os que a conc e ização do
Inqué i o inha e elado como imp escindí eis
nas cons uções popula es po uguesas, conse-
quência do meio e das condições me eo ológicas
medi e âneas. Es e cuidado no a amen o da
passagem do in e io pa a o ex e io Fig.93, es á
ambém p esen e no p ojec o da Bouça, mais
p ecisamen e na indi idualização das en adas
do e cei o piso do pá io cen al e nas a andas.
(...) he dwelling was in e nally pa i ioned in o
a li ing- oom which doubled as a sleeping- oom, a
small sleeping oom o alco e, and a ki chen.72
Nos in e io es do bloco da “S a das Do es”,
na ecupe ação das unidades de “S.Dionísio”
(co esponden e a c2)73 e ambém nos ogos
desenhados pa a o “Bai o da Bouça”, a ipo-
logia das “ilhas” é ein e p e ada, man endo a
conexão do espaço da sala com o ex e io , assim
71 Ve p.105
72 TEIXEIRA, Manuel C. “The De elopmen o 19 h cen u y
wo king-class housing – The “ilhas” in Opo o, Po ugal”,
A chi ec u al Associa ion School o A chi ec u e, 1988. p.185
73 Ve p.105

7776 7776
A a qui ec u a popula no Mo imen o Mode no
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Fig.94 Siza Viei a, Bai o da Bouça, 1973-2006
- qua o jun o à gale ia
Fig.95 Siza Viei a, unidades de “S.Dionísio”, em S.Víc o , 1974-
1976 - a cen alidade da cozinha e a localização do qua o
como a exis ência de um qua o no piso co es-
ponden e à u ilização diu na, ambém es e mais
p óximo do espaço público e da zona comum
da casa. Nas habi ações da “S a das Do es”,
o qua o dispõe de uma janela que pe mi e a
isibilidade do espaço semi-p i ado que an ece-
de a en ada na casa. Na “Rua de S.Dionísio” e
no “Bai o da Bouça” conjuga-se a possibilidade
de es e compa imen o ab i -se pa a o co edo
ex e io con íguo às achadas e de ca ác e mais
pessoal, que na Bouça se ma e ializa na gale ia
de dis ibuição do e cei o piso. O desenho de
um qua o mais expos o às zonas de con í io
da casa e a hipó ese da sua ligação ao ex e io
Fig.94 demons a a capacidade de Siza em
adap a os modelos das unidades do Mo imen-
o Mode no, di ididas em unções noc u nas
e diu nas, ao modo de habi a do u en e em
ques ão, cujas necessidades de p i acidade não
e am as mais ígidas, uma ez que os mo ado es
das “ilhas” es a am amilia izados com a ida
em comunidade.
A cozinha é das dependências de maio
impo ância na a qui ec u a popula , p incipal-
men e nas “ilhas”, cuja cul u a e desen ol imen-
o e a ainda ma cadamen e u al, ac o que con-
duziu Siza a dedica mais empenho no desenho
des e compa imen o, nos p ojec os do p ocesso
SAAL. Na ecupe ação das unidades con e idas
em es údio, o in e io da “ilha” é e o mulado a
pa i da cozinha Fig.95, sendo conside anda o
pon o cen al da eo ganização do espaço, que
delimi a a zona comum e dis ingue-a da á ea
Fig.97 Siza Viei a, ope ação de S.Víc o , 1973-1976
- achada das habi ações na ua “S.Dionísio”
Fig.96 Siza Viei a, habi ações da Bouça, 1977
- desenho do espaço de eunião da casa
p i ada, pe mi indo a dis ibuição das es an es
dependências em meios-pisos. Ainda que, nos
in e io es sejam emp egues algumas écnicas
mode nas pa a sup i as di iculdades impos as
pelos condicionalismos das á eas eduzidas,
como é o caso do mezanino, a localização da
cozinha no cen o da habi ação demons a a sua
impo ância no dia-a-dia dos seus u en es.
Nos desenhos pa a as unidades da “S a das
Do es”, a cozinha é conjugada com a escada e
os a umos são colocados no espaço sob an e,
si uado na pa e in e io des e acesso. Na Bouça
as cozinhas das unidades que ocupam o e cei-
o e qua o pisos assemelham-se à desc ição
an e io , excep o pela maio p oximidade que
man êm com o espaço ex e io ou com a a an-
da, e pelo espaço de eunião que Siza desenha
na con inuidade do balcão de apoio da cozinha
Fig.96 assemelhando-se um pouco ao “co e” que
se p ocu a a no CIAM, ao espaço de eunião
amilia , simbolizado pela zona do ogo na a -
qui ec u a popula do Inqué i o. Fig.98
Dado que, uma das es a égias da ope ação
de S.Víc o consis iu na ecupe ação das es u-
u as exis en es, nas unidades de “S.Dionísio”
o am man idas as a qui a es das achadas e
os odapés de ped a das cons uções an e io es,
ambos no seu es ado na u almen e desgas ado
pelo empo. Fig.97 Po ou o lado, na “S a das
Do es” e no “Bai o da Bouça”, o desenho dos
po meno es cons u i os é ealizado sem os
cons angimen os de es u u as p eceden es.
Con udo, Siza man ém a e icalidade das
7978 7978
A a qui ec u a popula no Mo imen o Mode no
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Fig.98 Plan a de uma habi ação e nacula , Inqué i o à
A qui ec u a Popula em T ás-os-Mon es e Al o Dou o, 1961
Le Co busie , “Maison de week-end”, La Celle-Sain -Cloud,
F ança, 1934 - cen alidade da zona de ogo na habi ação,
enquan o local de eunião
Fig.99 Siza Viei a, ope ação de S.Víc o , 1973-1976
Ba agán, “Casa-es údio Luis Ba agán”, Cidade do
México, 1948 - a ein e p e ação da a qui ec u a popula
na po meno ização
janelas, ípica da a qui ec u a po uense, ao
in és de emp ega a ho izon alidade dos ãos
mode nos. Na po meno ização é igualmen e
isí el es a p eocupação em e oca as écnicas
de cons ução da cul u a po uguesa, na u i-
lização do caixilho em guilho ina em S.Víc o
e na di isão e iculada do id o, que ambém
pe mi ia economiza a cons ução.
Na Bouça, a espessu a da po meno ização
dos caixilhos, a p esença de po adas que
pe mi em que o u en e manob e a iluminação
do espaço in e io e o con ac o com o ex e io ,
são po meno es que elemb am a a qui ec u a
popula ca alogada no Inqué i o, na qual as
casas ambém o e eciam opções di e si icadas
de manipulação des e elemen os. Es as ideias
es a am p esen es ambém nas es a égias de
ou os a qui ec os que eme gi am com a c ise
do Mo imen o Mode no. Fig.99
Pa a Siza, a noção de ans o mação em
a qui ec u a implica um as o e complexo cam-
po de acção, cujo aio ai da modi icação di ada
pelas ci cuns âncias (e logo o gânica) dos modelos
acionais esquemá icos ecebidos em he ança, às
sucessi as ans o mações ísicas de um con ex o
conc e o u bano ou u al a a és de uma in e -
enção especí ica.74
74 VIEIRA, Siza; ci . po FRAMPTON, Kenne h “P o ésion
poé ica – P o issão poé ica, Ál a o Siza Viei a”, ad. San iago
Cas án...[e al.]; Ba celona, Gus a o Gili,, 1988. p.10
Fig.100 Siza Viei a, 1974-1976 - Po meno sob e o con on o
A ein e p e ação das “ilhas” enquan o ele-
men o undamen al da o ganização da cidade,
oi di e si icadamen e o malizada no abalho
de Siza. Na Bouça, e endo a opo unidade de
planea um p ojec o de habi ação num e eno
li e, p o idenciado pelo Fundo de Fomen o de
Habi ação, o a qui ec o eadap a as “ilhas” à es-
cala u bana. O p ojec o in eg a es a mo ologia
no ambien e u bano, a a és da sua conjugação
com os modelos Mode nos do an e-gue a,
es endendo o in e io do qua ei ão à cidade e
pe mi indo o seu a a essamen o.
Na ope ação de S. Víc o , o p ocesso densi i-
ca-se po que é iniciado a pa i de es u u as já
exis en es e do con on o dos seus agmen os
com no os edi ícios. A mo ologia das “ilhas” é
man ida e a es as é sob epos a uma malha que
edesenha a conexão des es núcleos às es u-
u as u banas, pelo ap o ei amen o das uínas
e es ígios da ocupação an e io . No bloco da
“S a das Do es”, o edi ício su ge en e as uínas
e con as a com a ugosidade dos mu os, pela
planime ia p esen e nas suas pa edes e pela
inse ção no espaço, que eap o ei a os es ígios
pa a con o ma os espaços ex e io es.
O es udo pa a a Bouça oi idealizado pelo
a qui ec o, com base na sua capacidade c í ica e
au onomia, de que esul a um p ojec o excepção
na malha u bana, que conjuga a ealidade com
uma idealização, uma mo ologia e nacula
com um modelo Mode no. Na ope ação de S.
Víc o , ambicionou-se o na o deba e mais
complexo, a a és da oposição de opiniões en e
a qui ec o e mo ado es, pa indo do con on o
en e a ealidade e o desenho, pa a a e o mu-
lação de ambos. A ope ação de S. Víc o simula
a complexi icação e o c escimen o da cidade, que
se cons ói na coexis ência de empos di e en es,
na con adição de ideias e de necessidades, pela
sob eposição e oposição de agmen os. Fig.100
V Fo o da co esia de
Fe nando Ca doso, memb o
da Associação de Mo ado es
da Bouça, 1976
VI Ál a o Siza Viei a,
Esquisso pa a o bloco da
Nossa S ª das Do es , 1975
O mé odo pa a
a edi icação da
habi ação social
(...) o con olo das zonas deg adadas
de e á cabe às populações que habi-
am, no sen ido de ap op iação e ecu-
pe ação, con olo que, logo à pa ida,
de e á necesse iamen e se ala gado
à p óp ia cidade e à sua en ol en e.75
76 VIEIRA, Ál a o Siza, “Linha de acção dos écnicos
enquan o écnicos” in “A Ques ão do Alojamen o 1”, Jo nal de
A qui ec os, nº204. Lisboa, 2002. p.17
8382 83
O mé odo pa a a edi icação da habi ação social
82
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
A.1
Con ibu os dos Team X, de John
Tu ne , Hen i Le eb e e da
inicia i a INA CASA
Fig.101 Alison e Pe e Smi hson, “Golden Lane Housing
Compe i ion”, 1952
Fig.102 Gianca lo di Ca lo, “Villagio Ma eo i”, I ália 1975
A ealização dos úl imos CIAM e a ap esen-
ação dos espec i os abalhos o am in luen es
e pionei os no pe cu so disciplina de á ios
a qui ec os, p eocupados em desen ol e uma
p á ica socialmen e in o mada e mo ologica-
men e conhecedo a, adequada às p io idades da
edi icação da habi ação social.
Após o im dos CIAM, os TEAM X empen-
ha -se-iam na e isão e na eo ien ação eó ica
e p á ica dos p ecei os Mode nos do pós-gue a.
Des e g upo aziam pa e Jacob Bakema, de
quem dependia a ges ão do abalho a ealiza ,
os b i ânicos Alison e Pe e Smi hson, o ancês
Ge oge Candilis, o i aliano Gianca lo di Ca lo
e o holandês Aldo an Eyck, a qui ec os pa -
icipan es nos úl imos deba es dos Cong esso
In e nacionais. Conscien es da necessidade de
explo a no os mé odos, capazes de acul a um
abalho mais inclusi o e adap á el aos u en es,
o g upo i ia desen ol e expe iências pe -
meá eis à mudança, a a és da au ocons ução
e da ex ensão do in e io , designadamen e no
p ojec o desen ol ido pelos Smi hson pa a o
“Golden Lane Housing Compe i ion” Fig.101
e do con on o da pa icipação dos mo ado es
com a capacidade c í ica do a qui ec o, na
cons ução do p ojec o “Villagio Ma eo i” de
Gianca lo di Ca lo. Fig.102 Os TEAM X ac ua-
am a pa i do eal, da obse ação das ca ac-
e ís icas de de e minadas ci cuns âncias, da
ecolha de ac o es cul u ais e condicionalismos
locais, pa a os con on a com no as soluções,
que isa am ou as es a égias de p ojec o, mais
in eg adas e ajus á eis.
En e los concep os p opues os po el con-
cu so es aban la acionalización, modulación,
ipi icación, c ecimien o p og esi o, lexibilidad y
unción.76
76 HUIDOBRO, Fe nando Ga cía; TORRITI, Diego To es;
9796 9796
O mé odo pa a a edi icação da habi ação social
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
C.1
A inclusão dos enómenos
sociológicos nos p ojec os
de habi ação
Fig.110 Dis ibuição das en adas nas unidades e momen o de
con í io en e os mo ado es no co edo
Fig.111 Siza Viei a, Conjun o habi acional da
Bouça, 1973-1977 - densidade isual i mada
da habi ação
Fig.112 Conjun o habi acional da Bouça, 1973-1977 - uso da
gale ia enquan o elemen o de dis ibuição das unidades
A unicidade da amília pode ainda se exp es-
sa com mais igo , dada a escala necessa iamen e
mais “p óxima” (...); a comunidade é suge ida nos
caminhos do espaço em unção das coisas comuns
ou dos locais de encon o.111
No p imei o sub ema da “P opos a pa a a
Me odologia da Habi ação Social” são ap esen a-
das soluções cujos ag upamen os de inem a con-
igu ação dos espaços ex e io es, sendo possí el
op a -se po um acen uado ca ác e uni amilia ,
a a és da simples sob eposição de unidades,
como é o caso dos blocos habi acionais; ou
ainda em conjun os de exp essão con ínua,
com unidades jus apos as. Iden i icámos api-
damen e as “ilhas” do Po o enquan o exemplo
des es úl imos, ag upando as unidades de modo
denso e i mado, dando opo unidade a luga-
es de con í io nos co edo es que dis ibuem
as en adas. Fig.110 No en an o, a densi icação
ap esen a a-se de o ma acen uada nes as habi-
ações e a sua elação com a á ea ú il disponí el
pa a os mo ado es e a desequilib ada, is o é, o
espaço cons uído e a eduzido pa a o núme o
de indi íduos de cada uma des as comunidades.
Con udo, nos p ojec os pa a o SAAL, as b iga-
das écnicas i iam en a eajus a es a elação e
ein e p e a o modelo das “ilhas”.
Como expusemos an e io men e, no p ojec o
do bai o da Bouça, no momen o da sua inclu-
são no p ocesso SAAL, a en e dos ogos oi
eduzida, pe mi indo adequa o mé odo cons-
u i o aos meios económicos disponí eis e am-
bém condiciona a i ência do espaço, a a és
111 PORTAS, Nuno; “A Habi ação Social – P opos a pa a
a me odologia da sua a qui ec u a”. 1ª ed. - Po o : Faup
Publicações, 2004. p.95
Fig.113 Siza Viei a, Conjun o habi acional da Bouça, 1973-
2006 - uso dos pá ios pa a con í io en e os mo ado es
Fig.114 Esquisso de Siza Viei a da ope ação de S.Víc o , 1974-
1977 - asei as do bloco da S ª das Do es
Fig.115 Esquisso de Siza Viei a, “S ª das Do es”, 1974-1977 -
ep esen ação da ap op iação do mu o pelos mo ado es
da aglome ação de um maio núme o de unida-
des, da ele ada exp essão í mica das abe u as,
das pa edes que indi idualizam as a andas
e das escadas do piso é eo do pá io cen al.
Fig.111 Ainda a escolha da gale ia pa a acede às
habi ações do piso supe io – “(...) nos caminhos
do espaço (...)” - e os espaços que in e calam os
olumes, – “(...) dos locais de encon o.” – con-
igu am luga es de passagem Fig.112 e de es a
que, ainda hoje em dia, pe mi em a con a e ni-
zação dos mo ado es, como a celeb ada es a são
joanina. Fig.113
Na eduzida acção que oi cons uída no
bloco da “S a das Do es”, e incluindo o an igo
mu o que con igu a a um pequeno co edo ,
p opo cionou-se um local de passagem, mais
expos o à ida u bana, enquan o que, nas asei-
as do edi ício Fig.114 oi concebido um espaço
que p omo ia maio p i acidade e con í io,
a a és da con iguidade e ex ensão da sala pa a
o ex e io . As unidades êm ambém uma en e
eduzida de 4m, equi alen e à das “ilhas”, e as
abe u as, as somb as das en adas e os mu os
que p olongam a sua indi idualização, con i-
buem pa a a densi icação isual do espaço.
A di e ença mais signi ica i a que obse a-
mos en e os dois p ojec os é a escala adop ada.
Ainda que, o Bai o da Bouça não se asseme-
lhe aos olumes massi os das ípicas unidades
de habi ação, o p ojec o em uma escala mais
ala gada ela i amen e à mo ologia ípica das
“ilhas”. Como al, u iliza am-se elemen os que
pe mi em eadequa o espaço e p opo ciona
momen os de maio amilia idade en e os
mo ado es, como po exemplo, as escadas de
acesso às unidades do és-do-chão, bem como o
pe cu so que pe mi e o a a essamen o dos pá-
ios. No bloco da “S a das Do es”, e ainda que as
dimensões sejam idên icas às das “ilhas”, o am
desenhados alguns elemen os, como os mu os
baixos que de inem a en ada como espaço de
ansição en e o público e o p i ado, pe mi in-
do que os u en es o ap op iem e possam con i-
e com os izinhos. Fig.115
A p oblemá ica da indi idualização da en-
ada e do seu desenho, eme e-nos pa a ou o
aspec o que Nuno Po as ambém ap esen a na
sua me odologia.

9998 9998
O mé odo pa a a edi icação da habi ação social
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Fig.116 Dan G aham, “Homes o Ame ica”, “A s Magazine”,
1966
Fig.117 Siza Viei a, co e de um dos olumes do
conjun o habi acional da Bouça, 1973-2006
- di e sidade de soluções pa a os espaços de an-
O p oblema que aqui se nos põe é sob e udo o
da ex ensão ex e io do jogo na massa do con-
jun o, das possibilidades maio es ou meno es de
indi idualização que a ó mula de ag upamen o
lhe pe mi e e, logo, da in ensidade como ele se liga
aos ou os e aduz as elações de izinhança e a
unidade do conjun o.112
Na composição quan i a i a são apon adas
as opções de jus aposição con ínua que o e e-
ciam menos opo unidades de aglu inação; a
sob eposição, de dois a ês pisos, disponibili-
zando e aços ou pá ios no piso é eo, acesso
indi idual às unidades a a és de uma escada ou
do desenho da en ada e ainda, o ag upamen-
o em pá io, segundo uma malha que de ine a
disposição das unidades e que Nuno Po as i ia
desen ol e pos e io men e pa a a o mulação
da “Habi ação E olu i a”.
O que salien amos nes e pa âme o é sob e-
udo a gene alização dos e ei os da cons ução
de qualque bloco habi acional. Pa a exempli-
ica , o a qui ec o compa a es a si uação com
a edi icação de mo adias idên icas en e si,
igualmen e desca ac e izado as. Fig.116 Ou seja,
o p oblema que, pa a mui os, consis ia na quan-
idade excessi a de células ag upadas, esidia
an es na al a de desenho e ca ac e ização do
momen o de conexão das células com o ex e io ,
do modo de ag upamen o e das elações de izi-
nhança que pe mi ia man e .
No Bai o da Bouça a di e enciação das
unidades es á p esen e não só na disposição do
112 Ibidem, p.101
p og ama, que se al e a en e as habi ações in e-
io es e supe io es, como ambém no momen o
de en ada nas habi ações e di e en es opções de
ex ensão do in e io pa a o ex e io . Nas unida-
des do és-do-chão, localizadas no pá io cen-
al, a en ada é de inida pelas escadas de i o,
que p omo em o con í io en e os mo ado es,
enquan o que nos ogos do e cei o piso e nas
es an es en adas do piso é eo, o am concebi-
das een âncias no olume, que disponibilizam
um momen o de somb a e de en ilação pa a
a casa, ambém p esen e no bloco da “S a das
Do es”. Fig.117 Nes e úl imo, a indi idualização
é ainda acen uada a a és dos pequenos mu os
que an e io men e enunciámos.
Olhando pa a as plan as, são pe cep í eis
in enções de compa ibiliza modos de ida que já
en ão pe cebíamos se em con adi ó ios en e si e,
com os me os quad ados exíguos que o o çamen-
o pe mi ia.113
No capí ulo e e en e à “O ganização In e -
na da Célula Familia ” é ap esen ada a elação
en e a amília e o espec i o p og ama da casa,
demons ando como a conjugação das di e -
sas dependências in luencia a a ida amilia e
comuni á ia. Po exemplo, Nuno Po as elabo a
um esquema sín ese, no qual expõe as possibi-
lidades de combinação da sala com a cozinha e
113 PORTAS, Nuno,“A Habi ação Colec i a nos A elie s da
Rua da Aleg ia” in “Jo nal dos A qui ec os - A Ques ão do
Alojamen o 1”, Lisboa: O dem dos A qui ec os, nº204, 2002.
p.51
Fig.119 Nuno Po as, esquema sob e as possibilidade de
conjugação da sala com a cozinha e zona de abalho
Fig.118 Siza Viei a, co e do módulo do bloco da “S ª das
Do es”, 1973-1977 - desenho da cozinha e ex ensão do espaço
de es a no ex e io
uma zona de abalho/ eunião. Nos desenhos é
explo ada uma maio ou meno a iabilidade de
dependência en e es es p og amas, que pe mi e
en ende como a sua conjugação pode con ibui
pa a os hábi os do u en e, explo ando a possi-
bilidade de a cozinha e/ou o espaço de abalho
es a em in eg ados ou sepa ados da sala, e ain-
da, a hipó ese de cada uma des as peças se em
dispos as de o ma independen e. Fig.118
É impo an e salien a que es as p eocu-
pações se encon am p esen es no abalho de
Nuno Po as, no p ojec o elabo ado com Nuno
Teo ónio Pe ei a no conjun o Oli ais-No e.
O desenho do p og ama in e io en a a co -
esponde aos no os modos de ida, isolando
a cozinha e pe mi indo que es a adqui isse um
ecan o pa a se i as e eições, isolando a zona
de es a da deso dem que as a e as diá ias
implica am.
P o a elmen e pa a melho ge i as á eas
disponí eis, Siza Viei a i ia inclui as dependên-
cias p e is as pa a a zona de come , de p epa-
ação da e eição, de abalho e de laze num
espaço comum, di e enciadas pela p esença de
pequenas sub ilezas de mobiliá io ou de espaço.
Na Bouça, a cozinha encon a-se sob a escada
ou seguida do pé di ei o da mesma, conec ada
à ma quise ou ao pá io. A zona de p epa ação
é con igu ada pela banca e po um balcão de
apoio que se e a á ea de e eição, que ambém
podia se usada como local de abalho ou de
eunião, enquan o a sala ou zona de es a encon-
a-se mais dis anciada e jun o à en ada des a
di isão comum. Na “S a das Do es” o esquema
epe e-se, ap o ei ando ambém o ão da escada
pa a desenha a cozinha e os a umos, mas,
nes e caso, a zona de es a es á conec ada ao
espaço p i ado das asei as, de con í io com os
izinhos. Fig.119
101100 101100
O mé odo pa a a edi icação da habi ação social
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Fig.120 Siza Viei a, esquisso pa a um anque comuni á io em
S.Víc o , 1973-1977
Fig.121 Siza Viei a, conjun o habi acional da Bouça, 1974-1977
- de inição do p og ama dos ema es da implan ação
(....) conside ando aí a ins i uição amilia
como dupla cha nei a a iculan e da ida indi-
idual que se desen ol e no âmbi o da amília e
da ida colec i a que elaciona as amílias en e
si (...) Nes a hipó ese adica a mode na noção de
habi a que ul apassa a casa pa a se es ende a
odo o espaço desc i o pela amília enquan o al
na sua ida p óp ia e necessidades quo idianas.114
A ex ensão da ida do indi íduo ao espaço
público oi uma das mais impo an es ideias
desen ol idas po Nuno Po as na “P opos a
pa a a Me odologia da Edi icação da Habi ação
Social”. O deba e des e ema, ela i amen e à
sua densi icação, desin eg ação e desca ac e i-
zação, es e e mui o p esen e nas p oblemá icas
do p ocesso SAAL. Na ope ação de São Víc o ,
Siza p opôs man e a malha u bana das “ilhas”,
sob epondo-lhes uma es u u a de ias e espaços
públicos que p opo cionasse a sua in eg ação na
ida u bana da cidade.
Nos seus desenhos é ambém possí el encon-
a algumas ideias sob e a edi icação de alguns
pon os de con í io en e os mo ado es, ais
como o anque comuni á io Fig.120, ou ainda,
na eadap ação do p ojec o da Bouça pa a o
SAAL.
114 PORTAS, Nuno; “A Habi ação Social – P opos a pa a
a me odologia da sua a qui ec u a”. 1ª ed. - Po o : Faup
Publicações, 2004. p.62
Nes a ase, o a qui ec o desenhou os opos
que ema am os longos olumes das unidades
habi acionais e a ibuiu-lhes p og amas adi-
cionais: la anda ia, biblio eca e c eche. Es a
ideia não só p opo ciona a ex ensão pública do
p og ama habi acional, como omen a o uso
dos pá ios que in e calam os edi ícios, enquan o
locais de encon o das amílias e de ec eio pa a
as c ianças. Fig.121
Fig.122 Desenho dos módulos do bloco da S ª das Do es,
escala 1/200 - plan a do /c e p imei o piso
Fig.123 Inqué i o à A qui ec u a Popula no Minho, 1961
Também no desenho das unidades habi a-
cionais do bloco da “S ª das Do es”, as á eas
con íguas ao log adou o são simé icas, apesa
do es an e ogo man e -se inal e ado. Es a
sub ileza de desenho, pe mi e espelha a zona
da la anda ia, p omo endo o con ac o en e
os izinhos du an e a execução des a a e a
domés ica e incen i a a con i ência dos u en es
dos qua os supe io es, de dois ogos di e en es,
a a és da pa ilha e usu u o da mesma a-
anda. Fig.122 Es a ideia ai de encon o a um
b e e apon amen o p esen e no CODA de Nuno
Po as, no qual é e e ido que as amílias con-
a e niza am endencialmen e duas a duas115 e
ambém co esponde à pesquisa do Inqué i o à
A qui ec u a Popula , onde es e ac o é igual-
men e cons a ado. Fig.123
Os elemen os de p ojec o que expusemos nos
bai os de Siza Viei a pa a o SAAL, são e lexo
da consciencialização do a qui ec o pa a o de-
senho, uso e conjugação dos elemen os a qui-
ec ónicos disponí eis, em p ol de uma melho
adequação e co espondência à ida do u u o
mo ado em ques ão.
115 “Os pa ama es e acessos em ge al, o equipamen o comum
do p édio, se o há, as p óp ias a andas e janelas o nam-
se en ão locais de pa agem e elação. No en an o, ão-se
es abelecendo p e e ências e, em imó eis de habi ação da
egião de Pa is, os sociólogos epa a am que as amílias em
ge al se ap oxima am duas a duas, sob e udo quando a o ma
de ag upamen o pe mi ia uma escolha su icien emen e as a
en e os izinhos.” in Idem, p.111
103102 103102
O mé odo pa a a edi icação da habi ação social
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
C.2
O Di ei o ao Luga e à
Ap op iação da Casa
(...) aloja os habi an es no sí io onde i iam,
sem passa pela “gen i icação” dos bai os an igos
com a co esponden e ejecção do po o pa a a
pe i e ia. Foi, a an la le e, a apos a do SAAL-
No e, apos a de a on amen o à consolidação da
enda undiá ia e ao modelo ci ilizacional e social
dos g andes gabine es de planeamen o da cidade
capi alis a.116
No Po o, a população mais ca enciada i ia
em condições de seg egação de ido a duas si ua-
ções u banas dis in as. Po um lado, a habi ação
colec i a que en ão se inha cons uído, como
o Bai o da Pas elei a, encon a a-se em á eas
u banis icamen e subdesen ol idas, con ibu-
indo pa a o isolamen o dos seus mo ado es,
assim como a implan ação dos olumes o iginou
espaços li es, in e s iciais e pouco de inidos,
que não co espondiam à na u eza mo ológica
da es an e cidade.
Po ou o lado, no a anque das ope ações,
obse a -se-ia que as al e ações a e ec ua
se iam maio i a iamen e no cen o da cida-
de, luga onde es a acção da população mais
ca enciada esidia nas “ilhas”, escondidas po
um po ão que da a con inuidade às achadas
das uas ou pela en e do edi ício que se lia no
espaço público. Es a disposição das “ilhas” nos
log adou os con ibuía pa a a seg egação das
espec i as comunidades, cuja imagem isual,
espacial e a epudiada po não co esponde aos
ní eis de higiene e de salub idade das es an es
habi ações 117 e po se encon a em em si uação
de ma ginalidade ela i amen e à ida na cida-
116 GOMES, Paulo Va ela, “A qui ec u a, os
úl imos in e e cinco anos”, in His ó ia da
a e po uguesa”, ol.3., Lisboa: Temas e Deba es, 1999. p.558
117 COSTA, Alexand e Al es, “A Ilha P ole á ia como
Elemen o Base do Tecido U bano. Algumas Conside ações
sob e um Tí ulo Enigmá ico” in “Jo nal dos A qui ec os - A
Ques ão do Alojamen o 1”, Lisboa: O dem dos A qui ec os,
nº204, 2002. p.12
de. No en an o, a disposição u bana das “ilhas”
encon a-se mais p óxima de um sis ema usual e
in eg ado na mo ologia da cidade, pois dis i-
buem-se segundo uas, becos e luga es con idos,
ao in és de se o ganiza em em espaços li es
po en e blocos de habi ação, como no Bai o
da Pas elei a, cuja sob e-dimensão do desenho
le a a à dispe são da densidade 118.
É ambém impo an e ac escen a que, no
SAAL, e ambém po escla ecimen o e de inição
no seu Despacho, de e -se-ia man e as popu-
lações no seu local de esidência, independen-
emen e do alo imobiliá io do e eno e sua
localização. Es a opção de eu-se não só à con-
enção de cus os, ao e i a a mobilização des es
pa a a pe i e ia, mas ambém po p opo ciona
igualdade de acesso e de di ei os sob a cidade,
en e as classes. O deslocamen o das comunida-
des das “ilhas”, de o ma massi a e sem c i é io
de selecção, já e ia causado danos su icien es,
ais como o isolamen o dos mo ado es, alie-
nação, con li os elacionais e mau ambien e
domés ico.
Nes e sen ido, no SAAL No e, a es a égia
adop ada consis iu na p ese ação e eabili a-
ção das “ilhas”, en ando do a es es luga es de
maio acessibilidade e de es u u as u banas que
e i assem o seu isolamen o e p omo essem a
sua in eg ação na cidade. Passa emos a expo as
opções de Siza Viei a pa a os casos de S. Víc o e
da Bouça.
A ou a ace da es imulan e ida comuni á ia
da ilha é – como a p óp ia pala a indica – a
sepa ação da população em pequenas unidades
isoladas. (...) Mas epudia al imagem e o que
ela implica de seg egação e misé ia não signi ica
necessa iamen e ecusa o sis ema de adap ação
opog á ico, com o que em de posi i o pa a essa
ida comuni á ia.119
As á eas edi icadas nas “ilhas” se encon a-
am-se desajus adas ela i amen e a ocupação.
118 “Espaços densos se ão po an o, no p imei o sen ido,
aqueles que se podem ap oxima de se em cem po cen o
usados, (...)” in PORTAS, Nuno , PORTAS, Nuno; DIAS,
F ancisco Sil a. “Habi ação E olu i a” in “A qui ec u a(s)
Teo ia e Desenho, In es igação e P ojec o”, Po o: FAUP
publicações, 2005. p.187
119 SIZA, Ál a o, “T es in e enciones en la ciudad
de Opo o”, in P oyec o y Ciudad his ó ica, I Semina io
In e nacional de A qui ec u a en Compos ela, p.101
A sua escala, a p oximidade espacial e o i mo
do ag upamen o das habi ações con ibuíam
pa a o sen ido de comunidade dos mo ado es,
ma cadamen e in luen e no seu dia-a-dia, assim
como a sua inse ção na opog a ia dos e enos,
a a és de es ei os e ín imos acessos. Se iam
p ecisamen e es as ca ac e ís icas que Siza Viei-
a conside a ia an ajosas na ida das “ilhas” e
que acaba ia po in eg a nos p ojec os, de en-
dendo, inclusi e, a e olução u bana a a és da
explo ação des a cidade oi ocen is a, ocul a nas
asei as das casas bu guesas.
Na in e enção de S.Ví o , Siza concluiu que
aos agmen os de uma e olução u bana cheia
de con adições e a possí el sob epo uma malha
que, sem as obscu ece , ga an ia, não só a unidade
desejada ao odo, como a cla eza ipológica das
no as in e enções pon uais. Essa ma iz de e ia
se elabo ada no diálogo c ia i o com o con ex o
al como encon ado e não a pa i de soluções
uni e sais ou in enções subjec i as.120
Es udam-se, nes e momen o, as possibilidades
de aumen o de á eas median e ag egações de
células ou po supe posição de um piso de aco do
com as dimensões s anda d p é-es abelecidas.
Es udam-se ambém as possibilidades de comuni-
cação en e as á ias ilhas a a és de pe cu sos no
in e io dos qua ei ões, conside ando a ilha como
possí el supo e da e olução da cidade.121
An es do início do SAAL, no Bai o de
S.Víc o p ocedia-se ao desalojamen o dos
indi íduos e pos e io des uição das “ilhas”,
pa a a cons ução de um pa que de es aciona-
men o. Quando a ope ação oi iniciada, algumas
já e iam sido demolidas, mas a b igada de Siza
Viei a i a p ocede ao le an amen o e a aliação
das condições das es an es “ilhas”, pa a as p e-
se a , econs ui ou edi ica no as unidades de
o ganização e mo ologia semelhan es. Fig.124
O p incípio o ien ado des e p ojec o e a man e
os mo ado es de S.Víc o no local de esidên-
cia e os seus hábi os domés icos, que es a am
en ão inculados a es es espaços, mo endo os
que i iam em pio es condições pa a habi ações
120 COSTA, Alexand e Al es, “Tex os da ados”,
Coimb a:Eda q,2007. p.49
121 VIEIRA, Ál a o Siza; “L’isola p ole á ia come elemen o
base del essu o u bano”, Lo us In e nacional, nº 13, 1976. p.86
empo á ias – o caso das unidades da “S a das
Do es” - pa a pos e io ealojamen o nas no as
unidades no mesmo local.
O abalho desen ol ido passou pela ob-
se ação e planeamen o u bano ci ú gicos das
si uações u banas, conc e izando-se em qua o
a e as dis in as, odas e e en es a e enos dis-
poní eis e/ou econs ução de casas: a aliação de
á eas disponí eis no in e io dos qua ei ões ou
onde nunca se inha cons uído, es udo de un-
dações e pa edes semi-des uídas que de iniam
os qua ei ões e ecupe ação de edi ícios exis-
en es. A complexidade do abalho desen ol i-
do acaba ia po se con ap oducen e, po exigi
mais empo de cons ução e de negociação pa a
a cedência dos e enos. Do p ojec o o am ape-
nas edi icadas as habi ações da “S a das Do es”,
implan adas en e as uínas das “ilhas”. Fig.125
104104
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
1
Fig.124
1 - Plan a ipológica da “ilha”, cujas
dimenões usuais a iam en e os 4m x 4m;
1/299
2- Plan a das unidades do bloco da S ª das
Do es; 1/200
3- Alçado das unidades do bloco da S ª das
Do es; 1/200
4- Plan a de um dos módulos do Bai o da
Bouça; 1/200
Embo a, es e alo es co espondam a uma
es ima i a média das dimensões das “ilhas”,
é possí el e i ica que Siza adop a es a es u-
u a pa a o ganiza as habi ações, segundo a
ag upação de á ios módulos de 4m x 4m e, as-
sim, desenha o conjun o da unidade. Ve i ica-se
ambém uma subdi isão dos espaços de an-
sição em múl iplos de qua o. Es a necessidade
jus i ca-se ambém pelas in eg ação na malha do
luga .
Nas unidades do Bai o da Bouça, o de-
senho oi eadap ado e ap oximado ao da S ª
das Do es, po imposições cons u i as que
le a am à edução das en es pa a 4m e necessi-
dade de edução de á eas.
2
34
Fig.125
Desenho de Siza Viei a, implan ação
u bana e plan a de in e io es dos p ojec o
pa a a zona da S ª das Do es
Planeamen o da ope ação:
a- Cons ução em e eno li e, den o do
qua ei ão
b- Em e enos onde nunca se cons uíu
c- Recons ução e explo ação de undações
de edi ícios semi-des uídos
d- Recupe ação e adap ação de edi ícios
desocupados
b6
a1
c2
b7
c5
a4
d2
107106 107106
O mé odo pa a a edi icação da habi ação social
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Fig.126 F ancisco Guedes, Pe spec i a do conjun o
habi acional da Bouça pa a o FFH, 1973
É na (...) abe u a pe meá el à cidade en ol-
en e que o Bai o da Bouça enuncia os objec i os
da sua a qui ec u a enquan o pa e da cidade.122
No Bai o da Bouça, as ci cuns âncias pa a
o início do p ojec o o am di e en es das que se
sucede am em S. Víc o . Nes e caso, a b igada
eap o ei ou uma á ea li e, ampla e p óxima
da zona, onde osse possí el cons ui esidên-
cias pa a os habi an es das “ilhas” das uas da
Boa is a e da Bouça.
Foi no “Te eno jun o ao An igo T ibunal de
Meno es” que a b igada encon ou as melho es
condições de implan ação pa a as no as habi a-
ções e a mais alia da exis ência de um p ojec o
p é io de Siza Viei a, elabo ado en e 1972-73,
desenhado po equisição da Câma a Municipal
do Po o, pa a a cons ução de uma habi a-
ção pa a os gua das do ibunal, no âmbi o do
p og ama do Fundo de Fomen o da Habi ação.
Fig.126 Com conhecimen o da exis ência des e
es udo, oi p opos o a Siza, a adap ação dos
desenhos aos p ecei os do SAAL e às necessi-
dades dos habi an es, pois o núme o de u en es
excedia a á ea ú il disponí el nas “ilhas” e a al a
de condições não pe mi ia a sua ecupe ação,
sendo ob iga ó io edi ica as habi ações numa
á ea con ígua ao local. O es udo so eu algumas
122 MACHADO, Ca los; “Anonima o e Banalidade –
A qui ec u a popula e a qui ec u a e udi a na segunda me ade
do século XX em Po ugal”. Po o : FAUP, 2006. p. 287
al e ações pa a pode se in eg ado na ope ação,
mas as suas p incipais o mas e o ganização
man i e am-se. Apesa de e sido elabo ado nos
anos an e io es ao SAAL, o seu desenho enuncia
a on ade de ab i o qua ei ão ipicamen e po -
uense à cidade, p opo cionando a li e ci cula-
ção, bem como o di ei o de ap op iação e acesso
aos espaços u banos. Fig.127 Fig.128
Fig.128 Plan a do 2º piso do conjun o habi acional da Bouça,
escala 1/700
Fig.127 Implan ação do p ojec o da Bouça
- abe u a do qua ei ão pa a a cidade

109108 109108
O mé odo pa a a edi icação da habi ação social
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
C.3
A Au onomia do A qui ec o e a
O ganização Social da P ocu a
Fig.129 Siza Viei a jun amen e com os mo ado es da Bouça, na
inaugu ação do p ojec o
É sob e udo – e es e é um pon o essencial – um
deba e “sem limi es”, ou seja, que não implica um
quad o p ede e minado de ges ão e en abilização
do solo u bano.123
A inicia i a dos mo ado es, no âmbi o das
in e enções SAAL, e a indispensá el pa a da
início às ope ações e pa a objec i a o abalho
das b igadas e dos écnicos. Como al, e a legal-
men e exigido que os u en es se o ganizassem
em associações ou coope a i as pa a ei indica-
em as suas necessidades, jun o dos ó gãos es a-
ais indicados, com o in ui o de ob e em auxílio
e acompanhamen o de uma b igada124. Também
a sua coope ação com os a qui ec os e a im-
po an e pa a p ocede em ao desbloqueamen o
de bu oc acias, cedência de emp és imos pelo
FFH, deba e de ideias com os es an es u en es
e selecção das amílias que mais u gen emen e
p ecisassem de se ealojadas.
No caso da Bouça, a associação de mo ado es
in e cede ia jun o de Siza Viei a pa a colabo a
no p ojec o e u iliza o es udo já ealizado pa a
o FFH, pa a cons ui as mesmas habi ações,
mas no âmbi o do p og ama SAAL. En e an o,
ealiza -se-iam inqué i os, po pa e dos in e-
essados, pa a apu a que u en es de e iam e
p io idade no ealojamen o e p ocede -se-ia
a negociações com a Câma a do Po o, pa a a
cedência do e eno. Tal ac o não se e ia e i i-
cado, caso mo ado es e a qui ec os não i essem
a libe dade de acção necessá ia pa a p ocede
123 MACHADO, Ca los; “Anonima o e Banalidade –
A qui ec u a popula e a qui ec u a e udi a na segunda me ade
do século XX em Po ugal”. Po o : FAUP, 2006. p.279
124 “3. Pa indo es as inicia i as dos mo ado es – que pa a
a sua ges ão se o ganizam em associações ou coope a i as -,
as câma as municipais de e ão e undamen almen e um
papel de con ôle u banís ico da localização e cedência de solo
e de in e locu o es di ec os da o ganização dos in e essados,
designadamen e na a bi agem das p io idades em ace dos
ecu sos disponí eis – aliás semp e insu icien es – e na ga an ia
dos emp és imos p e is os na legislação.” in “Li o b anco do
SAAL / Se iço de Apoio Ambula ó io Local : 1974-1976.” [S.l.]
: Conselho Nacional do SAAL, 1976. p.64
à adap ação do p ojec o às necessidades dos
u en es. Ou seja, a in e acção en e habi an es e
a qui ec os ealizou-se sem qualque in e en-
ção de e cei os Fig.129 ou de imposições econó-
micas, pa a além do simbólico emp és imo de
90 con os (co esponden e a 450 eu os) po ogo.
Nes e sen ido, Siza euniu com os mo ado es
e ap esen ou-lhes o p ojec o. A p incipal exigên-
cia dos in e essados oi a inclusão de sani á io e
chu ei o p i ados no p og ama da casa. Bas ou
en ão adequa os ogos aos ag egados amilia es,
maio i a iamen e cons i uídos po um casal e
ês ilhos, subs i uindo o inicial T5, enquan o
ipologia no malizada no p ojec o, pelo T3. Foi
ambém ine i á el aumen a o núme o de ogos
pa a co esponde à quan idade de amílias,
eajus a as á eas in e io es e p ocu a uma
solução cons u i a que pe mi isse op imiza
os emp és imos disponí eis. É, p o a elmen e,
nes e aspec o que se e i ica uma maio ele ân-
cia da expe imen ação desen ol ida no SAAL,
assen e na capacidade in en i a e au onomia de
decisão dos memb os da b igada pa a encon a
no as soluções de p ojec o. A p opos a cons u-
i a pa a as habi ações da Bouça consis ia no uso
de um sis ema es u u al simpli icado125, com
pa edes esis en es de blocos de be ão, podendo
o olume con e a é 4 pisos, caso os ãos en e as
pa edes de supo e ossem eduzidos pa a 4m,
subs i uindo os iniciais 6m.
125 Tes emunho do a qui ec o An ónio Madu ei a,
colabo ado na cons ução do Bai o da Bouça
Fig.130 Siza Viei a nos e enos da S ª das Do es
Au o-nomea -se, de e mina -se, e am
condições essenciais de qualque in e acção social
e polí ica. Uma a qui ec u a que osse apenas o
e lexo ou sin oma de um qualque pode ou p o-
cesso his ó ico não pode ia se polí ica, e a apenas
um p odu o da polí ica, não um ac o , não inha,
po assim dize o o. 126
A u ilização de um sis ema es u u al ele-
men a e a sua combinação com um p ojec o de
au o , de ce o des aque, no cen o da cidade, é
um aspec o que exempli ica a máxima au ono-
mia de que os a qui ec os o am de en o es no
p ocesso SAAL. Es a conc e iza-se sob e udo na
opo unidade de al e ação e expe imen ação nos
p ojec os, p a icamen e sem cons angimen os,
e da alidação das suas posições polí icas ace
à si uação da classe abalhado a em Po ugal,
no pós 25 de Ab il. Is o é, os a qui ec os p o-
cu a am uma solução que, po ia do desenho,
sub e esse a sob eposição do capi alismo nas
cidades e desse p io idade às ideias de a qui ec-
u a, en aizadas nas inicia i as sociais e deb u-
çadas sob e o deba e di ec o com os u u os
mo ado es, sem in e enções de ou em.
O p ojec o da Bouça é uma cons ução que
su giu mais do p edomínio da au onomia e
capacidade c í ica do a qui ec o, do que pela
pa icipação dos mo ado es, de ido à eadap-
ação do es udo an e io ao p ocesso SAAL,
cuja mo ologia es a a en ão p a icamen e oda
126 MORENO, Joaquim “Ap endizagem Re olucioná ia –
Uma pedagogia da A qui ec u a SAAL” in “Simpósio SAAL :
Em Re ospec i a”, Po o: Se al es, Maio/2014
concebida. Con udo, a possibilidade de ealo-
ja es a população em habi ações com o g au
de qualidade e de desenho des e p ojec o, só se
o nou passí el de ealiza pelas ci cuns âncias
ge adas na “O ganização Social da P ocu a”.
Es a opo unidade não se p opo ciona ia caso a
encomenda osse da inicia i a de ou a qualque
ins i uição go e namen al, sob a hipó ese das
p io idades económicas p e alece em.
Na ope ação de S.Víc o , a in eg ação do
ealojamen o des as comunidades no p og ama
SAAL de eu-se à inicia i a dos es udan es da
ESBAP, à sua pe suasão jun o dos mo ado es e
ambém dos écnicos, po in luência do abalho
de campo que inham ealizado no âmbi o
académico. Os qua ei ões jun o à ua de S.Víc-
o es a am densamen e ocupados, habi ados
po 1200 indi íduos, en e os quais, pelo menos
40% assina am o documen o que de e mina ia
a sua inclusão no p og ama SAAL.127 A b igada
inicial, po sua ez, e a cons i uída po Siza Vie-
i a, Domingos Ta a es e pelos alunos Edua do
Sou o de Mou a, Adalbe o Dias, Edga Cas o
e Manuela Sambade, esponsá eis pelo ap o un-
damen o dos le an amen os do e eno e das
ipologias, econhecimen o o og á ico do luga
e análise das condições de ida dos habi an es.
A pa icipação e elou a p e e ência dos
mo ado es em man e o local de mo ada e a sua
ecusa em se em ealojados na pe i e ia, po
ce as implicações que es a ope ação aca e a a,
ais como os gas os em anspo es e a up u-
a das elações de izinhança 128. O ínculo da
população à zona de S. Víc o e a necessidade de
exp op iação de um g ande conjun o de e e-
nos, conduzi ia Siza a op a po uma a i ude
ans o mado a que não implicasse p ojec a
apenas a pa i do azio, da “ ábua asa”, mas da
ealidade em si, incluindo odos os agmen os
e con adições que des a aziam pa e. Fig.130
Nas imagens da ope ação de S. Víc o obse a-se
Siza a analisa as possibilidades de cons ução
nos e enos, deslocando-se po en e os escom-
b os da ocupação an e io , das eminiscências
da ida secula dos abalhado es naquela á ea.
127 MOTA, Nelson; An A cheology o he O dina y:
Re hinking he A chi ec u e o Dwelling om CIAM o Siza”
Del : TU Del .2014. p.223
128 Idem
111110 111110
O mé odo pa a a edi icação da habi ação social
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Fig.131 Planeamen o dos abalhos a ealiza pela B igada e
Associação de Mo ado es de S.Víc o
Fig.132 Es udo das possibilidades p og amá icas da
ecupe ação das “ilhas” e dos objec i os dos le an amen os
Fig.133 Explo ação da possibilidade de aglome ação de
unidades de “ilhas”
113112 113112
O mé odo pa a a edi icação da habi ação social
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Fig.134 Siza Viei a, Bloco da S ª das Do es, 1974-1977 -
Con as e da planime ia da pa ede com a ugosidade das
uínas
Pa a a p imei a ase do p ojec o, o am
p ojec adas 102 casas uni amilia es, dispos as
em blocos, baseadas nas ipologia das “ilhas”,
con o madas pelos pá ios no in e io dos qua -
ei ões. O demo ado p ocesso de exp op iação,
bem como a má condição de alguns e enos e
blocos conduzi ia ao aseamen o da ob a, dando
p io idade de edi icação nas pla a o mas deso-
cupadas, das quais hoje econhecemos a á ea da
“S a das Do es”. Pa alelamen e ao abalho de
es i ado , os laços en e os elemen os da b igada
e os mo ado es en aiza am-se, a pa do sen i-
men o de en eajuda. Os écnicos e es udan es
apoia am a associação na edacção dos es a u os
pa a a sua legalização, cimen a am a consciência
polí ica e a sua impo ância social, ajudando
a o ganiza , em simul aneidade, inicia i as de
ocupação, ei indicação e de negociação com as
ins i uições.
Da ope ação de S.Víc o o am econs uídas
ês casas na “Rua de S. Dionísio” e oi edi icado
pa e do planeamen o da “S a das Do es”. Am-
bos os casos ap esen am es ígios da si uação
an e io , que na po meno ização dos p imei os,
que ambém nos mu os que con o ma am os
espaços da “S a das Do es”. De ido a di iculda-
des impos as po bu oc a ização e exp op iação
dos e enos, a ope ação não oi concluída, na
medida em que não a ingiu a o alidade dos
objec i os p e endidos, es ando nos esquissos
de Siza a ideia do que icou po conc e iza ,
nomeadamen e no desenho do espaço público
e de conexão des as habi ações à ida u bana, à
in eg ação das “ilhas” na cidade.
Na ope ação de S.Víc o , da inicia i a da
“O ganização Social da P ocu a” e da sua au o-
ges ão, de ini am-se os núme os e os objec i os
da b igada, a cons i uição da associação, nego-
ciações de e enos. Fig.131 Mas des a des aca-se
sob e udo a e isão das ideias de p ojec o. Re o-
lucioná ias, não po pa i em da idealização sem
p eceden es, mas da ealidade em si mesma, da
conside ação das “ilhas” como elemen o cons i-
uin e e o ganizado da no a cidade. Es a ideia
aliada à au onomia de desenho e capacidade
in en i a do a qui ec o, em adap a os modelos
e udi os e a cul u a e nacula , i ia pe mi i
c ia habi ação ap op iada à si uação da classe
abalhado a. Fig.132 Fig.133
Po en e a ugosidade das uínas e nacu-
la es, en e e-se no uso dos p ecei os mode nos
nos blocos da “S a das Do es”, a ambição do
a qui ec o Siza em alia a ob a à in empo ali-
dade e pe manência, sem eduzi o objec i o
do p ojec o à co espondência das necessidades
mais p emen es dos mo ado es. Fig.134
115114114
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Conclusão
A pa i da exposição e conjugação das
di e en es in luências e ci cuns âncias ele an es
pa a a conc e ização dos p ojec os SAAL de Siza
Viei a, ecolhemos algumas impo an es ideias
ela i as à p á ica do a qui ec o e à inclusão do
seu papel disciplina na al e ação da sociedade,
as quais conside amos p eponde an es pa a uma
melho abo dagem da emá ica da habi ação,
na ac ualidade, e ambém, na gene alidade da
ac i idade p o issional e o mação do a qui ec o.
Do ensino na ESBAP con i mou-se a im-
po ância de uma o mação académica sólida,
conhecedo a de modelos a qui ec ónicos a i-
ados, pa a da espos a a di e en es p og amas
e exe cícios de p ojec o, e ainda, a consciência
das opo unidades da manipulação e domínio
das e amen as, nomeadamen e do desenho e
da p opo ção e cla eza de abo dagem que des e
ad êm. Foi a pa i do conhecimen o de uma
g ande a iedade de e e ências que Siza elegeu
os exemplos Mode nos de habi ação social pa a
os p ojec os SAAL, com p eocupações mais
humanas e in eg ado as, como os p ojec os de
J.P.Oud e de B uno Tau . Ainda nes a Escola,
passou a se in oduzido o es udo da His ó ia
e da Teo ia, como bases pa a uma a qui ec u a
que inclui o alo das o mas pelo seu signi i-
cado e não somen e o uso da o ma pela o ma.
Legado que conside amos ainda p esen e na
dou ina ac ual e que se e ela de ex ema ele-
ância quando con on ado com os mé odos de
ou as escolas eu opeias de a qui ec u a.
Do ensino na p é- e olução azia pa e
ambém uma in es igação social, pa a além da
ipo-mo ológica, que ale a a o co po discen e
pa a a assimilação da ealidade e dos p oblemas
em causa. Es a di ec iz es á mais diluída, hoje
em dia, no empolamen o dos exe cícios de
p ojec o, cujos p og amas, apesa de incluí em
uma mul iplicidade de ci cuns âncias, desde a
casa uni amilia , à habi ação e equipamen os
colec i os, dissol em os p oblemas da ealidade
po uguesa, como o u u o dos cen os u banos,
129128 129128
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
1973-1977 - achada mais planimé ica, mais
elacionada ao Mo imen o Mode no p.71
“d awing ma e COLLECTIONS
- Ál a o Siza”
Fig.86 Siza Viei a, alçados do p ojec o da Bouça,
1973-1977 - achada mais densa e p eenchida,
eco da a a qui ec u a popula
e a classe ope á ia p.71
“d awing ma e COLLECTIONS
- Ál a o Siza”
Fig.87 Inqué i o à A qui ec u a Popula no
Minho, 1961 - P oeminência da p esença das
escadas no acesso às habi ações u ais p.70
“A qui ec u a Popula em Po ugal”, 2ª edição,
Lisboa: Associação A qui ec os Po ugueses,
1980, p.70
Fig.88 Esquisso de Siza Viei a pa a um
monumen o em homenagem à Associação
de Mo ado es da Bouça, 1976 p.71
Fo og a ia da co esia do mo ado
Fe nando Ca doso
Fig.89 A zona de S.Víc o em 1865 e em 1892
- expansão da ocupação das “ilhas” p.72
TEIXEIRA, Manuel C. “The De elopmen o
19 h cen u y wo king-class housing – The
“ilhas” in Opo o, Po ugal”,
A chi ec u al Associa ion School o
A chi ec u e, 1988, p.256 e 257
Fig.90 Esquissos de Siza Viei a pa a S.Víc o ,
1974-1976 - Possibilidades de desenho pa a
man e as eminiscências das “ilhas”: pó i-
cos, mu os e edesenho dos edi ícios
p é-exis en es p.73
“d awing ma e COLLECTIONS
- Ál a o Siza”
Fig.91 Esquissos de Siza Viei a pa a S.Víc o ,
1974-1976 - Possibilidades de desenho pa a o
espaço público e de conexão das “ilhas” à
cidade p.74
“d awing ma e COLLECTIONS
- Ál a o Siza”
Fig.92 Siza Viei a, bloco da “S ª das Do es”,
1974-1976 - desenho das zonas de ansição
en e o in e io e ex e io p.75
h p://www.moma.o g/collec ion/a is s/29732
Fig.93 Inqué i o à A qui ec u a Popula no
Minho, 1961 - a amen o das zonas de an-
sição na habi ação e nacula p.75
“A qui ec u a Popula em Po ugal”, 2ª edição,
Lisboa: Associação A qui ec os Po ugueses, 1980, p.154
Fig.94 Siza Viei a, p ojec o da Bouça, 1973 -2006
- qua o jun o à gale ia p.76
Desenho da au o a
Fig.95 Siza Viei a, unidades de “S.Dionísio”,
em S.Víc o , 1974-1976 - a cen alidade da
cozinha e a localização do qua o p.76
TESTA, Pe e ; “A a qui ec u a de Ál a o
Siza - The a chi ec u e o ål a o Siza” ;
ad. José Quin ão. Po o: FAUP, 1988. p.140
Fig.96 Siza Viei a, habi ações da Bouça, 1977
- desenho do esaço de eunião da casa p.77
“d awing ma e COLLECTIONS
- Ál a o Siza”
Fig.97 Siza Viei a, ope ação de S.Víc o ,
1973-1976 - achada das habi ações
na ua “S.Dionísio” p.77
h p://www.moma.o g/collec ion/a is s/29732
Fig.98 Plan a de uma habi ação e nacula ,
Inqué i o à A qui ec u a Popula em
T ás-os-Mon es e Al o Dou o, 1961
Le Co busie , “Maison de week-end”,
La Celle-Sain -Cloud, F ança, 1934
- cen alidade da zona de ogo na habi ação,
enquan o local de eunião p.78
h p://lh5.ggph .com/_FkKgTDI7ngU/
TXZ37y-LOTI/AAAAAAAAODw/
0cS1Mz-53jc/inq107_ humb1.jpg?imgmax=800
h ps://s-media-cache-ak0.pinimg.com/o iginals
/ e/80/5c/ e805cec68b6e16e 84733e386c93d54.jpg
Fig.99 Siza Viei a, ope ação de S.Víc o , 1973-1976
Ba agán, “Casa-es údio Luis Ba agán”,
Cidade do México, 1948 p.78
- a ein e p e ação da a qui ec u a popula na
po meno ização
“d awing ma e COLLECTIONS
- Ál a o Siza”
h p://www.a ch epo .com.cn/
upload ile/2014/0109/20140109102130231.jpg
Fig.100 Siza Viei a, 1974-1976
- Po meno sob e o con on o p.79
VIEIRA, Ál a o Siza, “Ál a o Siza : ob as
y p oye os,1954-1992”, edição José Paulo dos
San os; in . de.Pe e Tes a e
Kenne h F amp on; ad. Ca los Sáenz,
Ana Rosa de Oli ei a. Ba celona: GG, 1993, p.110
V Fo o da co esia de Fe nando Ca doso,
memb o da “Associação de Mo daod es da
Bouça”, 1976 p.80
Co esia de Fe nando Ca doso
VI Ál a o Siza Viei a, Esquisso pa a o bloco
da Nossa Sª das Do es, 1975 p.80
VIEIRA, Ál a o Siza, “Ál a o Siza : ob as
y p oye os,1954-1992”, edição José Paulo dos
San os; in . de.Pe e Tes a e
Kenne h F amp on; ad. Ca los Sáenz,
Ana Rosa de Oli ei a. Ba celona: GG, 1993, p.109
Fig.101 Alison e Pe e Smi hson, “Golden Lane
Housing Compe i ion”, 1952 p.83
h p://www.g ids-blog.com/wo dp ess/
wp-con en /uploads/2013/05/
Smi hson-goldenlane.png
Fig.102 Gianca lo di Ca lo, “Villagio Ma eo i”,
I ália 1975 p.83
h p://aess.i c.cn .i /m c/ o og a ie/zoom/26537.jpg
Fig.103 P ojec o “P e i” em Lima,
Pe u, 1968 p.84
h p://g aham ounda ion.o g/sys em/g an s/images
/2107/la ge/Land_PREVI.jpeg
Fig.104 Aldo Rossi, “Qua ie e Galla a ese”, Milão,
I ália, 1967-1974 p.86
h p://gale i3.a ki e a.com/ a /albums/Go us-2/
cambazlik-no la i/4do .jpg.jpeg
Fig.105 Vi o io G ego i, “Qua ie e Zen”, Pale mo,
I ália, iniciado em 1969 p.86
h ps://p emiodasud. iles.wo dp ess.com/2011/07/41.jpg
Fig.106 Nuno Po as e Nuno Teo ónio Pe ei a,
To e habi acional pa a o plano “Oli ais-No e”, 1958
h p://bai oja dim.weebly.com/ p.87
uploads/6/9/0/3/690325/719482.jpg
Fig.107 Nuno Po as, esquema sob e a me odologia
pa a o habi a em de i p.89
PORTAS, Nuno; “A Habi ação Social –
P opos a pa a a me odologia da sua
a qui ec u a”. 1ª ed. -
Po o : Faup Publicações, 2004. p.91
Fig.108 Nuno Po as, e olução da habi ação de
lo e es ei o ,
a pa i de um núcleo inicial p.92
PORTAS, Nuno; “A Habi ação Social –
P opos a pa a a me odologia da sua
a qui ec u a”. 1ª ed. -
Po o : Faup Publicações, 2004. p.212
Fig.109 Nuno Po as, esquema explica i o sob e
as an agens da p oximidade en e a habi ação, o
equipamen o e o local de abalho p.93
PORTAS, Nuno; “A Habi ação Social –
P opos a pa a a me odologia da sua
a qui ec u a”. 1ª ed. -
Po o : Faup Publicações, 2004. p.199
Fig.110 Dis ibuição das en adas nas unidades
e momen o de con í io en e os mo ado es
no co edo p.96
h p://you spo o.com/p /wp-con en /uploads/
si es/4/2014/01/A qui ec u a-Filipa-5.jpg
Fig.111 Siza Viei a, Conjun o habi acional da
Bouça, 1973-1977 - densidade isual i mada
da habi ação p.96
Fo o da co esia do mo ado e Fe nando Ca doso
Fig.112 Conjun o habi acional da Bouça, 1973-1977
- uso da gale ia enquan o
elemen o dis ibu i o p.96
Fo o da co esia do mo ado e Fe nando Ca doso
Fig.113 Siza Viei a, Conjun o habi acional da
Bouça, 1973-2006 - uso dos pá ios pa a con í io
en e os mo ado es p.97
h p://upload.spo edbylocals.com/Po o/no mal/
bai o-social-da-bouca-po o-(by-ma ia-camps).jpg
Fig.114 Esquisso de Siza Viei a da ope ação de
S.Víc o , 1974-1977 - asei as do bloco da S ª das
Do es p.97
VIEIRA, Ál a o Siza, “Ál a o Siza : ob as
y p oye os,1954-1992”, edição José Paulo dos
San os; in . de.Pe e Tes a e
Kenne h F amp on; ad. Ca los Sáenz,
Ana Rosa de Oli ei a. Ba celona: GG, 1993, p.111
Fig.115 Essquisso de Siza Viei a, “S ª das Do es”,
1974-1977 - ep esen ação da ap op iação do
mu o pelos mo ado es p.97
h p://www.moma.o g/collec ion/a is s/29732
Fig.116 Dan G aham, “Homes o Ame ica”, “A s
Magazine”, 1966 p.98
h ps://p2.li eauc ionee s.com/176/21504/
7383334_1_l.jpg
Fig.117 Siza Viei a, co e de um dos olumes do
conjun o habi acional da Bouça, 1973-2006
- di e sidade de soluções pa a os espaços de an-
sição p.98
h p://www.housingp o o ypes.o g/images/Boca11b.jpg
Fig.118 Siza Viei a, co e do módulo do bloco da “S ª
das Do es”, 1973-1977 - desenho da cozinha e
ex ensão do espaço de es a no ex e io p.99
Desenho da au o a
Fig.119 Nuno Po as, esquema sob e as possibilida-
des de conjugação da sala com a cozinha e zona de
abalho p.99
PORTAS, Nuno; “A Habi ação Social –
P opos a pa a a me odologia da sua
a qui ec u a”. 1ª ed. -
Po o : Faup Publicações, 2004. p.167
Fig. 120 Siza Viei a, conjun o habi acional da Bouça,
1974-1977 - de inição do p og ama dos ema es
da implan ação p.100
“d awing ma e COLLECTIONS
- Ál a o Siza”
Fig.121 Siza Viei a, esquisso pa a um anque comu-
ni á io em S.Víc o , 1973-1977 p.100
“d awing ma e COLLECTIONS
- Ál a o Siza”
Fig.122 Desenho dos módulos do bloco da S ª
das Do es, escala 1/200
- plan a do /c e p imei o piso p.101
Desenho da au o a
Fig.123 Inqué i o à A qui ec u a Popula no
Minho, 1961 p.101
“A qui ec u a Popula em Po ugal”, 2ª edição,

130130
Sob e a Realidade Social e a Au onomia do Desenho
Lisboa: Associação A qui ec os Po ugueses,
1980, p.155
Fig.124 - 2- Plan a das unidades do bloco da S ª das
Do es; 1/200 p.104
3- Alçado das unidades do bloco da S ª das
Do es; 1/200
4- Plan a de um dos módulos do Bai o da
Bouça; 1/200
Desenhos da au o a
Fig.125 Desenho de Siza Viei a, implan ação u bana
e plan a de in e io es dos p ojec os pa a a zona
da S ª das Do es p.105
MOTA, Nelson; An A cheology o he
O dina y: Re hinking he A chi ec u e
o Dwelling om CIAM o Siza”.
Del : TU Del .2014, p.230
Fig.126 F ancisco Guedes, Pe spec i a do
conjun o habi acional da Bouça
pa a o FFH, 1973 p.106
“d awing ma e COLLECTIONS
- Ál a o Siza”
Fig.127 Plan a do 2º piso do conjun o habi acional
da Bouça p.107
Desenho da au o a
Fig.128 Implan ação do p ojec o da Bouça
- abe u a do qua ei ão pa a a cidade p.107
BANDEIRINHA, José An ónio. “O P ocesso
SAAL e a A qui ec u a no 25 de Ab il de
1974”. Coimb a: EDARQ, 2007, p.416
Fig.129 Siza Viei a jun amen e com os
mo ado es da Bouça, na inaugu ação
do p ojec o p.108
Fo o da co esia de Fe nando Ca doso
Fig.130 Siza Viei a nos e enos da S ª das
Do es p.109
h p://www.moma.o g/collec ion/a is s/29732
Fig.131 Planeamen o dos abalhos a ealiza
pela B igada e Associação de Mo ado es
de S.Víc o p.110
“d awing ma e COLLECTIONS
- Ál a o Siza”
Fig.132 Es udo das possibilidades
p og amá icas da ecupe ação das “ilhas”
e dos objec i os dos le an amen os p.110
“d awing ma e COLLECTIONS
- Ál a o Siza”
Fig.133 Explo ação da possibilidade de
aglome ação de unidades de “ilhas” p.111
“d awing ma e COLLECTIONS
- Ál a o Siza”
Fig.134 Siza Viei a, Bloco da S ª das Do es,
1974-1977 - Con as e da planime ia da
pa ede com a ugosidade das uínas p.112
h p://www.moma.o g/collec ion/a is s/29732
Fig.135 Sob e a ac ualidade p.119
h ps://d scdn.500px.o g/pho o/56937574/m%3
D2048/025909c4cb03 0845bd854 d34e c2e4