Joana Filipa Gomes Ma ins
MEDIAÇÃO E TUTORIA NUM TEIP:
REFLEXÃO SOBRE UM PROJETO DE
INTERVENÇÃO A PARTIR DA ÁREA
DAS CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO
Rela ó io ap esen ado à Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da
Uni e sidade do Po o, pa a ob enção do g au de Mes e em Ciências da Educação,
ealizado sob a o ien ação do P o esso Dou o Rui T indade.
Resumo
O p esen e abalho é o esul ado de um es ágio p o issionalizan e
desen ol ido no âmbi o do Mes ado em Ciências da Educação. O desen ol imen o
do mesmo oi ealizado num Ag upamen o de Escolas, mais p ecisamen e na Escola
Sede, que já inha implemen ado o p og ama TEIP. As ações o am desen ol idas no
Gabine e Social da escola, que aliado a es e se encon a o Gabine e de Mediação
Escola . O obje i o p incipal des e es ágio p o issionalizan e oi desen ol e um
se iço educa i o/pedagógico en e a mediação e a u o ia, abalhando com e pa a os
alunos. Es a in e enção abo dou, assim, medidas de a iculação com a mediação
como espos a aos p oblemas sen idos no espaço escola . P ocu ando descons ui a
p oblemá ica da indisciplina escola e encon a soluções pa a as ques ões educa i as
elacionadas com o insucesso dos alunos.
Des e modo, o p esen e ela ó io i á desc e e e analisa as ações e a i idades
desen ol idas du an e a pe manência no local de es ágio (desde Ou ub o de 2013 a
Ab il de 2014). De salien a , que se a ou de uma in e enção que passou em g ande
medida po ap ende a exe ci a a a i idade p o issional das Ciências da Educação,
adqui indo a a és da p á ica: conhecimen o, compe ências e mo i ações.
As conclusões a que se chegou conside am que o papel de um p o issional das
Ciências da Educação pode se uma mais alia num con ex o escola , po assumi um
conjun o de papéis e de inicia i as que pe mi em in e elaciona a dimensão social e
educa i a dos p oblemas e desa ios com que a Escola se depa a. Nes e sen ido, a
mediação e a u o ia exe ce am um papel a i o na cons ução dos sabe es dos alunos
que a con empla am, assim como na elabo ação dos seus obje i os in elec uais,
a e i os e sociais que lhes ga an e in eg ação esponsá el na escola e na sociedade
que os en ol e.
Abs ac
The p esen wo k is he esul o an in e nship de eloped wi hin he Mas e
Deg ee in Educa ional Sciences. I s de elopmen was ca ied ou in he same g oup o
schools, speci ically he School Headqua e s, which had al eady deployed he TEIP
p og am. Ac ions ha e been de eloped in he Social Cabine o he school, whe e he
O ice o School Media ion is in eg a ed. The main objec i e o his in e nship was o
de elop an educa ional / eaching se ice be ween media ion and u o ing, wo king
wi h and o s uden s. This in e en ion hus add essed alignmen measu es wi h
media ion as a esponse o p oblems expe ienced a school. I sough o decons uc
he issue o school discipline and o ind solu ions o educa ional issues ela ed o
s uden ailu e.
Thus, his epo will desc ibe and analyze he ac ions and ac i i ies de eloped
while in he in e nship si e ( om Oc obe 2013 o Ap il 2014). This in e en ion wen
la gely by lea ning o exe cise he p o essional ac i i y o Educa ional Sciences,
acqui ing h ough p ac ice: knowledge, skills and mo i a ions.
The conclusions ha ha e been eached conside he ole o a Science
Educa ion p o essional can be an asse in he school con ex , by assuming a se o
oles and ini ia i es ha allow in e ela ing social and educa ional dimensions o he
p oblems and challenges ha school aces. In his sense, media ion and u o ing
played an ac i e ole in he cons uc ion o knowledge o he s uden s ha
con empla ed hem, as well as in he p epa a ion o hei in ellec ual, emo ional and
social goals ha g an s hem a esponsible in eg a ion in school as well in he
su ounding socie y.
Résumé
Ce a ail es le ésul a d'une expé ience de a ail élabo é dans la maî ise
des Sciences de l'Éduca ion. Le dé eloppemen a é é éalisé dans le même g oupe
d'écoles, en pa iculie le siège de l'école, qui a ai déjà déployé p og amme TEIP.
Les ac ions on é é dé eloppées dans le Cabine Social de l'école, qui es allié à cela le
Cabine de Média ion Scolai e. L'objec i p incipal de ce s age é ai de dé eloppe un
se ice d'enseignemen / app en issage en e la média ion e le u o a , qui a aillen
a ec e pou les é udian s. Ce e in e en ion ad essée ainsi à assu e l'alignemen
a ec la média ion comme une éponse aux p oblèmes a connu à l'école. À la
eche che de la décons ui e la ques ion de la indiscipline de l'école e ou e des
solu ions aux p oblèmes d'éduca ion liés à la dé aillance des é udian s.
Ainsi, ce appo déc i a e analyse a les ac ions e ac i i és dé eloppé pendan
le séjou de ce s age (Oc ob e 2013 o A il 2014). Pou souligne , que ce u une
in e en ion qui a passé en g ande pa ie à app end e à exe ce l'ac i i é
p o essionnelle des Sciences de l'Éduca ion, acqué i pa la p a ique: les
connaissances, les compé ences e les mo i a ions.
Les conclusions qui a é é a ein considé e le papie d'un p o essionnel des
Sciences de l'Éduca ion peu ê e une plus a ou dans un con ex e scolai e, en
supposan un ensemble des papie s e ini ia i es pe me e la in e ela ion de la
dimension sociale e éduca i de les p oblèmes e les dé is a ec l'école isage. Dans ce
sens, la média ion e le u o a exe cé une pa ac i e dans la cons uc ion de la
connaissance des é udian s, aussi bien dans la p épa a ion ses objec i s in ellec uel,
a ec i e sociale qu'ils ga an ies in ég a ion esponsable à l'école e à la socié é qui le
compo e.
Ag adecimen os
Os meus p imei os ag adecimen os ão, sem qualque dú ida, pa a a minha
amília, po me p opo ciona em condições pa a que alcançasse es e impo an e
obje i o. É g aças à minha g ande amília, da qual me o gulho mui o, que hoje sou
es a mulhe c escida, que i e a ida semp e com um so iso na ca a e ap o ei a odos
os momen o possí eis. P incipalmen e ao pai, a ele dedico es e abalho, os e e és o
meu o gulho, o meu he ói, o meu supe pai que me educou da melho manei a
possí el e que me o nou na mulhe com p incípios que sou hoje. Nunca esquece ei o
que izes e po mim!
Gos a ia de ag adece ao meu an ás ico o ien ado , p o esso Rui T indade,
não só pela o ien ação du an e es e p ocesso, mas, ambém, pela paciência e con iança
deposi ada em mim. Sem si não alcança a o que consegui alcança . Um mui o
ob igado. Le o-o no co ação, oi um p o esso que me ma cou pela posi i a desde a
Licencia u a e pe maneceu com a sua ma ca nes e meu aje o académico.
Á ins i uição que me acolheu po me p opo ciona uma expe iência que me
ma cou pa a a ida. P incipalmen e às écnicas que me acolhe am de b aços abe os e
me o na am numa delas. Ob igada Cláudia, Sand a e Pa ícia po me aze em c esce
pessoalmen e e p o issionalmen e, g aças a ocês adqui i conhecimen o e p á ica que
ai se , sem dú ida, p ecioso pa a a minha ida p o issional. Le o- os no co ação não
só pela ma ca p o issional que me deixa am mas ambém pela g ande amizade que
es abelecemos. Não posso esquece os alunos que i e opo unidade de es abelece
uma elação p óxima, ocês são an ás icos, espe o e - os p opo cionado bons
momen os de ap endizagem, mas ambém de aleg ia e di e são, assim como ocês me
p opo ciona am.
Po úl imo e não menos impo an e, que o ag adece aos meus g andes amigos.
Começo pela Cá ia e And eia, a nossa amizade c esceu du an e es es longos 5 anos e
ai con inua a c esce , sei que emos aqui uma amizade pa a a ida, se podia i e
sem ocês? Pode podia, mas não e a a pessoa que sou hoje de ce eza, ado o- os,
ob igada pelo apoio incondicional. Seguidamen e, segue-se a minha melho amiga,
que conside o como uma i mã, Inês Sil es e, ob igada po ac edi a es em mim
mesmo quando eu não ac edi a a, és um o gulho pa a mim, quem me de a se ¼ da
mulhe que u és, ado o- e pa a a ida. Não me posso esquece da mini- amília, onde
exis e uma “Base” sólida pa a a amizade e aleg ia. Ob igada po udo!
!
16!
p oblemas de in eg ação escola e di iculdades especí icas de ap endizagem e
socialização; ii) desen ol e nos jo ens compe ências pessoais e sociais, com is a a
uma adequada in eg ação e ao seu desen ol imen o social como cidadãos
esponsá eis e au ónomos; iii) p omo e o c escimen o in elec ual dos alunos em
simul âneo com o seu c escimen o cí ico e é ico e i ) p omo e as boas p á icas de
ensino, pugnando pela pe manen e a ualização e adap ado às exigências con ex uais
do País, da União Eu opeia e do Mundo. Pa a a conc e ização des es obje i os a
escola em ques ão c iou um se iço denominado Gabine e Social. Gabine e onde
deco e am as ações desc i as e e le idas nes e ela ó io.
Após a ca ac e ização do con ex o, o na-se pe inen e passa à es u u a des e
abalho. O p esen e ela ó io di ide-se em qua o capí ulos, que passo a menciona :
2º capí ulo: O T abalho de Mediação nas Escolas: en e a espada e a pa ede
– es e capí ulo baseia-se na descons ução da p oblemá ica, ou seja, quan o à escola
como um espaço pa adoxal à p ocu a de um sen ido pa a as inicia i as que p omo e;
e o papel dos p o issionais das Ciências da Educação como mediado es: que
exigências? Que desa ios?. Pe an e o conjun o de p oblemá icas, o na-se necessá io
ealça os p oblemas que as en ol e e sucede, nes e caso a indisciplina escola e
espe i o insucesso escola dos alunos.
3º capí ulo: Das es a égias me odológicas ao desen ol imen o da ação – no
qual se discu e a as écnicas de ecolha e espe i a análise da in o mação, assim como,
a pe inência da ca ac e ização do local de es ágio, de o ma a pe cebe os p incipais
p oblemas e p eocupações que a cons i uem.
4º capí ulo: As ações desen ol idas no e eno: uma e lexão eó ica sob e a
p á ica – em que num p imei o momen o se desc e em as ações desen ol idas, e
num segundo momen o a análise e e lexão das mesmas com o obje i o de con ibui
pa a a cons ução da p o issionalidade das Ciências da Educação. Po im, de o ma a
pe cebe se a ação e e sen ido pa a os sujei os, oi necessá io ealiza a a aliação e
moni o ização do desen ol imen o da ação.
5º capí ulo: Conside ações inais – e le indo o papel dos p o issionais das
ciências da educação e o seu con ibu o na cons ução de um sen ido pa a a escola
!
17!
Capí ulo II - O T abalho de Mediação nas Escolas: en e a espada e a
pa ede
As escolas são, hoje, espaços complexos e pa adoxais. To na am-se mais
ambiciosas, do pon o de is a educa i o, e en en am, po isso, um conjun o no o de
desa ios que conco em pa a que se o nem polí ica e socialmen e mais pe inen es
ainda que se con inuem a de on a com um elho e einciden e p oblema: o do
sen ido cul u al das inicia i as que aí se ealizam.
É ace a al si uação que se êm indo a p omo e um conjun o de espos as,
algumas das quais se êm indo a ans o ma em pa e do p oblema. Dessas espos as,
nes e ela ó io, é o abalho de mediação que jus i ica es a e lexão na medida em que
impo a discu i : i) quais são as inalidades des e abalho?; ii) a é que pon o es e
abalho não con ibui pa a iludi o p oblema da al a de sen ido cul u al das
a i idades escola es?; iii) um al abalho pode libe a -se do seu pendo emedia i o,
de o ma a cons i ui -se como um ins umen o de in e pelação e de empode amen o
das escolas?
São ques ões com as quais me depa ei, no es ágio a que es e ela ó io se e e e,
e que, po isso, i ão no ea a e lexão a p oduzi e a p óp ia o ganização des e
documen o.
Assim, nes e capí ulo i ei abo da o seguin e conjun o de p oblemá icas:
a) A escola como um espaço pa adoxal à p ocu a de um sen ido pa a as
inicia i as que p omo e;
b) Os p o issionais das Ciências da Educação como mediado es: que exigências?
Que desa ios?
!
1. A Escola: con ibu o pa a uma in e pelação
A escola oi so endo di e sas ans o mações ao longo do empo, mas oi
com a massi icação do ensino que a escola se iu con on ada com no os desa ios e
p oblemas que a ob iga am à e lexão sob e o es a u o, inalidades e es a égias.
Pa a Michel Lob o (1995), a escola em undamen almen e uma unção social,
no momen o em que di unde a sabedo ia necessá ia pa a o uncionamen o da
sociedade. Uma a e a que oi sendo assumida, ao longo da his ó ia, de o ma dis in a,
!
18!
nomeadamen e quando oco eu a ansição en e uma escola eli izada pa a uma escola
mais he e ogénea e massi icada.
De ac escen a , que an es depa á amo-nos com um mundo em que a escola
i ia pa a a eli e, mas que após a massi icação da mesma, eme gi am ou as igu as e
ou as con igu ações que p o oca am ensões e coloca am desa ios, pela
he e ogeneidade que ap esen a, pondo em causa a homogeneidade desejada. Nes e
con ex o, a escola “depa a-se com o dilema de não pode igno a , po um lado, a
di e sidade de alunos/as que possui e, po ou o lado, de enuncia aos seus obje i os
p imei os de ido às mudanças que em de so e .” (Sil a, 2013: 160). É a pa i des e
dilema, e das espos as que se êm indo a p oduzi ace ao mesmo, que a Escola em
indo a so e pe u bações inédi as que ob igam a e le i sob e as suas inalidades e
es a égias educa i as. Re lexão es a que em indo a chama a a enção pa a o
p oblema que cons i ui concebe e es u u a as escolas em unção de ilusão de um
uncionamen o que oco e segundo g upos homogéneos. Se is o con inua a acon ece ,
ambém é ce e que amos encon a equen emen e alunos que são “es anhos” ao
que lhes é exigido em e mos de “compo amen os e de conhecimen os, po que mui as
ezes não êm e não comp eendem seque as azões e a u ilidade pa a es uda o que
lhes é pedido (...). Sen em-se mal, pe u bam, ques ionam à sua manei a, po ezes
ag essi a, mesmo iolen a, udo o que o odeia” (Co esão e al, 2002: 30-31).
Acon ecimen os es es que nos azem e le i sob e o que José Albe o Co eia e
Manuel Ma os (2003) p e endem dize quando azem a dis inção en e uma
disciplina/sabe e uma disciplina/compo amen o associadas a um empo na qual a
“escola ização p olongada es a a ese ada a uma eli e social, já cul u almen e
disciplinada” (idem: 27), que se des ina am a um abalho socialmen e disciplinado,
no que oca a espei a ho á ios de abalho, espei a as hie a quias, e espei a o
plano das a e as a execu a . Se á que a Escola pode con inua no egis o a a és do
qual p e ende ensina udo a odos como se odos ossem um só (Ba oso, 1995)?
Como é que a Escola esol e a exis ência da ensão en e o “se jo em” e o se aluno
como uma ensão en e desejos que ep esen am o dens di e en es (Sil a: 2013)? O a,
a escola pa ece sen i di iculdades em in eg a o aluno e desen ol e e es imula
compe ências pa a a capacidade de se sujei o.
Em suma, os p oblemas que a escola ap esen a, segundo Rui Caná io (2008)
podem se sin e izados em unção de ês ace as: a escola quan o à sua con igu ação
his ó ica baseia-se num sabe cumula i o; é obsole a, po “padece de um dé ice de
!
19!
sen ido pa a os que nela abalham” (idem: 79), sejam os p o esso es, sejam os alunos.
É ma cada po um dé ice de legi imidade social, po aze o con á io do que diz, ou
seja, pela ep odução e acen uação de desigualdades e a ab icação da exclusão.
1.1. (Des)encon os na Indisciplina
É nes e quad o, ma cado pelos pa adoxos do uncionamen o de uma Escola
que con inua e ém dos dilemas que lhe c iam e dos dilemas que ela p óp ia c ia, que
impo a discu i a (in)disciplina como uma p oblemá ica a a és da qual se e elam
mui os desses dilemas e dos sen idos das espos as encon adas pa a os en en a . Daí
que, pa a começa , seja necessá io pe gun a : i) qual o seu signi icado?; ii) que
compo amen os pode emos associa à indisciplina?; iii) quais os a o es que a
pode ão explica ?; i ) que es a égias são u ilizadas pa a con o na es as si uações de
con li o e indisciplina?
Como já oi e e ido an e io men e, encon amos um empo ma cado pela
expansão e desen ol imen o da escola de massas, a qual passou a e de lida com
uma população discen e social e cul u almen e he e ogénea, que coloca a ins i uição
escola pe an e um dilema básico: como espei a as singula idades dos seus alunos e,
assegu a a manu enção de eg as necessá ias à ida em comum?
Sendo es e um dos maio es desa ios que, hoje, se colocam à Escola, é a pa i
do mesmo que impo a abo da a elação en e eg as e disciplina pa a in e pela mos a
Escola não, apenas, como um espaço elacional, mas ambém como um espaço
cul u al.
Segundo Es ela (1986), as eg as ou as no mas, co espondem a p ocessos
que de inculcação que de co eção, sendo “a inculcação da eg a um aspe o
pa icula do p ocesso ge al de inculcação le ado a cabo pela escola (...), enquan o a
co eção co esponde às ações que êm como p imei o obje i o o es abelecimen o da
eg a iolada pelo compo amen o des ian e” (1986: 331-332, ci . po Amado, 2001:
21).
O p oblema é quando nos depa amos com uma si uação em que as eg as e os
alo es que se alo izam nas escolas são es anhas a alguns dos alunos que as
equen am. Um p oblema que se ag a a no momen o em que as escolas se mos am
incapazes de iden i ica e econhece essa es anheza e, po isso, pode ão
comp ome e que o p ocesso de inculcação que o p ocesso de co eção. E podem
!
20!
azê-lo quando se a ibui p io idade à co eção dos compo amen os di os des ian es
sem se e ga an ido que as eg as são explíci as e o sen ido das mesmas é
comp eendido po odos. Podem azê-lo quando al co eção ende a oscila , sem que
haja uma e lexão sus en ada sob e isso, sob e a adequação das medidas a ado a .
Assim, é en e o pe mi ido e o in e di o que su ge a necessidade do con olo
disciplina a a és de es a égias co e i as aplicadas pelos p o esso es. Es es podem
ado a dois ipos de es a égias: as se e as e as sua es. Quan o às p imei as, “usam
meios de coação pa a aze p e alece as suas exigências con a os desejos dos alunos”
(Sil a, 1999: 25). T a a-se de uma es a égia a que es ão associados os cas igos ísicos,
as ep esálias, en e ou as punições. No que conce ne às es a égias sua es, es as
endem a a i ma -se em unção da alo ização da “ elação que [os p o esso es]
es abelecem com os alunos” (Sil a, 1999: 25), de o ma a p omo e -se uma elação
simé ica e de p oximidade na qual os alunos são enca ados na sua indi idualidade e
os seus in e esses são idos em con a. Sendo es a uma ques ão a discu i , impo a,
nes e momen o e no en an o, e em con a o peso e a in luência de a o es ex e io es às
escolas na a i mação dos p oblemas de indisciplina que possam e luga numa sala de
aula ou numa escola. Falamos de a o es “polí icos, sociais, amilia es, da
pe sonalidade dos in e enien es, das ca ac e ís icas e composição do g upo- u ma, do
clima da escola, da pe sonalidade e ação pedagógica dos p o esso es en ol idos, das
p á icas escola es, da p óp ia na u eza da ida escola , e c.” (Lou enço e Pai a, 2004:
11). São a o es cujo peso não pode á se menosp ezado, ainda que se enha que
decidi , de o ma con ex ualizada, como é que ais a o es a e am a dinâmica da sala
de aula e a ida na escola pa a que se possa en a encon a uma espos a adequada.
Seja como o , o que impo a comp eende , pa a já, é que es a é uma e lexão
que de e á se p oduzida endo em con a que a Escola é um espaço ins i ucional com
obje i os e modos de uncionamen o que não pode emos igno a . Daí que as espos as
de am alo iza o ac o de es a mos pe an e alunos que como memb os in eg an es de
uma comunidade escola , em de se acos uma a um abalho com di e en es i mos
du an e a i idades escola es diá ias, assim como em que se ajus a a uma a iedade
cons an e de con eúdos p og amá icos, a no mas de condu a, aos pe is de di e en es
p o esso es e a uma adap ação a espaços (Lou enço e Pai a, 2004). O que nos le a ao
encon o de sen imen os de s ess e desag ado po pa e dos alunos, pela exigência
!
21!
compelida pela escola, que pode esul a em compo amen os conside ados
imp óp ios pa a alguns p o issionais de educação.
É ace a es e quad o exis encial, suma iamen e desc i o, que impo a discu i
a é que pon o nas escola a (in)disciplina é obje o de uma abo dagem de ca á e
sis émico ou é is a como um p oblema ci cunsc i o aos alunos. T a a-se de um
aciocínio que pode emos aplica à p oblemá ica das di iculdades de ap endizagem.
Um ipo de aciocínio que é undamen al pa a in e pela mos as espos as que se
cons oem em unção das a i idades de mediação que êm luga nas escolas. A é que
pon o a mediação a o ece a possibilidade de ins au a no as o mas de pensa e de
abalha na escola, is o é, de “cons ui um conhecimen o que se insc e e numa
aje ó ia pessoal” (Nó oa, 2014: 182), a a és da elabo ação de es a égias pa a que a
escola seja um espaço de “desen ol imen o pessoal e in e pessoal, em ez de local de
equência ob iga ó ia, impondo alo es e no mas e des alo izando as cul u as que se
a as em do pad ão cul u al que ap esen a” (Sil a, 1999: 38)? A é que pon o o impede
ou con ibui pa a igno a os p oblemas que são e e i amen e os p oblemas mais
pe inen es?
2. Os p o issionais de Ciências da Educação como mediado es
As ciências da educação êm pois em p imei o luga um
in e esse p á ico: o de ajuda a acção pedagógica qualque que seja o
ní el em que ela se si ua. (Miala e , 1996: 100)
A p esença das Ciências da Educação no “mundo” da Educação Escola é
ine i á el e ele an e na sua es imulação e e lexão das p á icas educa i as. A sua
pe inência é a aen e pelos desa ios com que se depa a, desa ios es es que a a essam
complexidades, ce ezas e ince ezas, ins abilidades, singula idades, con li os é icos
p esen es na sociedade, en e ou os, que se conjugam numa p eocupação da
“cons ução de sabe es que bene icia ão as p á icas pedagógicas e educa i as (...),
es imulando o espei o pelo ou o” (F ison e Simão, 2009 :27). É, ainda, necessá io
ealça , a impo ância do concei o de mul i e e encialidade, na medida em que os
sabe es das Ciências da Educação cons oem-se com base nas múl iplas e e ências
exis en es, pe an e um olha sob e as di e sas si uações, sujei os e elações que nelas
se en ol em. Segundo, Veloso, es e concei o é cons uído, ambém, a a és da
!
22!
in e disciplina idade que en ol e a psicologia e a sociologia, que esul a na
“in e p e ação dos enómenos educa i os e sociais, com o in ui o de i pa a além de
uma me a explicação causal, con e indo um olha mais comple o e complexo de
o ma a que as ques ões educa i as e sociais sejam abo dadas a um ní el mais
p o undo” (2008: 17).
Pa a Co eia e Ca amelo (2003) a escola em indo a pe de o seu encan o e a
sua magia. Nes e seguimen o, pe cebemos que es a pe da se de e aos p oblemas e/ou
desa ios com que a escola se depa a na a ualidade. P oblemas es es, ca ac e izados
po Viei a e Dionísio, como complexos e plu ais, pois, po um lado, pela sua elação
com os p oblemas ligados ao abando escola p ecoce, as di iculdades de
ap endizagem e o insucesso escola se o na em “uma p eocupação maio num
con ex o ma cado pela cen alidade das quali icações escola es” (2012: 83). Po ou o
lado, depa amo-nos com p oblemas ligados “às eg as de ci ilidade, de indisciplina e
aos enómenos de humilhação no in e io das escolas e das salas de aula” (idem: 84),
que põe em causa a au o idade do p o esso e as suas compe ências em coloca o dem
den o da sala de aula.
Cien e des es p oblemas e das espos as ine icazes ou in iá eis que se
p opõem, su ge a necessidade de equisi a o apoio de especialis as que “possam
coadju a na p e enção ou epa ação de inúme as si uações de ulne abilidade ou de
isco (...)” (Viei a e Dionísio, 2012: 84), uma p oblemá ica que nos conduz a discu i
o papel des es especialis as, que do pon o de is a das suas po encialidades que do
pon o de is a dos seus limi es.
Nes e ela ó io es a e lexão se á ci cunsc i a ao abalho dos p o issionais de
Ciências da Educação como um abalho de mediação que se ocaliza, sob e udo, nas
si uações de con li o que se es abelecem numa sala de aula, que o con li o se a i me
po ia das elações in e pessoais que enha a e , ambém, com a dis ância dos
alunos ace às ap endizagens não ealizadas.
!
2.1. A Mediação e os seus p o issionais
Ao con ex ualiza a mediação, pe cebemos que es e ecu so pa a esol e
p oblemas ou si uações con li uosas comuns na ida, semp e exis iu. Encon á amos,
“nas ibos ou po oações, sábios a quem se eco ia com oda a na u alidade, que
aziam sossego às pessoas di e en es, se es que e am alice ces de a e nidade” (Six,
!
23!
1990: 11 ci in To emo ell, 2008: 11), podendo associa , assim, a igu a do mediado ,
na conc e ização da mediação, como uma pessoa azoá el, p omo o da paz e da
jus iça, empá ica, possuido a de um senso comum elacional que exe ce in luência nas
pessoas pelo seu p es ígio.
A mediação pode assim se en endida, nos dias de hoje, como um ins umen o
p omo o de cidadania, enquan o espaço de “exe cício de elações sociais densas e
quen es, onde o mediado é um a esão da cons ução de cidades e das elações que
lhes dão ida” (Co eia e Ca amelo, 2003: 26). Um ins umen o que p essupõe o
con li o e a exis ência des e, em unção do econhecimen o de que há di e en es
opiniões, desejos e in e esses na in e ação humana. Po isso, a necessidade da
mediação e do seu mé odo de “ esolução de con li os em que duas pa es em
con on o eco em, olun a iamen e, a uma e cei a pessoa impa cial, o mediado , a
im de chega em a um aco do sa is a ó io” (Seijo, 2003: 5). T a a-se, po um lado, de
se um mé odo al e na i o, po se ex ajudicial e c ia i o e pela p omoção de
soluções que sa is açam as necessidades das pa es en ol idas. Po ou o lado, a a-se
de um mé odo de negociação coope a i a na qual “p omo e uma solução em que as
pa es implicadas ganham ou ob êm um bene ício” (Seijo, 2003: 5), po o ma a
supe a concebe uma pos u a de ganhado -pe dedo .
Po o ma a melho a e comple a o sen ido de mediação, To emo el (2008),
ac escen a que a mediação é um mo imen o poli ace ado e plu alis a que de e á
esponde , ainda, a qua o obje i os di e en es: i) pela his ó ia da sa is ação que
eme ge da u gência em esol e p oblemas humanamen e plausí eis, escapando a
ques ões de cus os económicos, emocionais e empo ais; ii) pela his ó ia da jus iça
social que u iliza a au ode e minação e independência das pessoas como um di ei o a
e gue em-se pelo seu p o agonismo nos seus p óp ios con li os; iii) pela his ó ia da
op essão que in o ma “das possí eis pe e sões do p ocesso de mediado ,
nomeadamen e: desequilíb io de pode , p i a ização dos p oblemas, manipulação
encobe a e explo ação dos mais débeis” (idem: 16); e, pela his ó ia da ans o mação
que o nece a a és do empowe men , a p omessa de e olução do indi íduo e da
sociedade em ge al.
De ac escen a , que pa a se possí el ealiza mediação é necessá io que os
indi íduos cump am com alguns p ecei os, como o es a mo i ado, coope a e
pa icipa du an e o p ocesso e demons a espei o quan o à ou a pa e, quan o ao
p o issional e quan o ao aco do alcançado.
!
24!
Po se a a de um mé odo complexo quan o ao seu p ocedimen o, dep eende-
se, que a sua execução de e se e e uada po uma pessoa/p o issional que cump a ou
co esponda a algumas das ca ac e ís icas do pe il de mediado . Es e pe il obedece a
alguns p incípios ele an es pa a o p ocesso de mediação, que em como obje i o
c ia o diálogo de o ma a soluciona um p oblema, a ajuda o ou o e a p ocu a o
bem-es a comum. O a, pe cebemos assim que uma das p imei as ca ac e ís icas é a
comunicação in e pessoal que se de ine pela disponibilidade em es a em escu a a i a
pe manen e, pela empa ia na elação com os ou os, pela sua lexibilidade e
asse i idade ou pela capacidade em p omo e e ge i o diálogo en e pessoas ou
g upos (Sil a, Ana Ma ia e al, 2010). Pa a comple a , o mediado e á ainda que
demos a : impa cialidade ou neu alidade nas mediação, conside ando que o
mediado não de e ep esen a nenhuma das pa es, nem in e e i ou impo soluções
(Oli ei a & F ei e, 2009), assegu ando a con idencialidade, de o ma a que as pa es
possam expo os p oblemas e, inalmen e, assegu a o p incipio de olun a iedade,
uma ez que “ambas as pa es de em pa icipa de li e on ade no p ocesso de
mediação/ esolução do con li o” (Oli ei a & F ei e, 2009: 20).
Não há, con udo, uma mediação pe ei a, ainda que se saiba que, pa a uma
mediação se bem sucedida, é necessá ia a p odução de “comunicação en e as pa es,
uma comunicação que a á ealmen e u os na ida de cada uma das duas pessoas ou
de cada um dos dois g upos” (Six, 1991: 185 ci in Almeida, 2009:117), po o ma a
pe mi i a cons ução de laços e, e en ualmen e, a mudança. Não podemos olha pa a
a mediação, apenas, como uma écnica de esolução de con li os, já que ela é um
ins umen o passí el de ge a ap endizagens e con ibui pa a no as o mas de
sociabilidade. Se á a a és do econhecimen o de ais possibilidades que se jus i ica
e le i sob e a u ilização de mediação numa comunidade educa i a uma ez que “a
complexidade que hoje ca ac e iza os sis emas educa i os e os desa ios que ela coloca
êm le ado à c iação de es u u as e igu as acili ado as da ligação en e sis emas,
o ganizações, g upos ou simplesmen e en e pessoas” (F ei e, 2010: 59).
2.1.1. Mediação Escola
Após abo da mos a mediação e econhece os seus sen idos, assim como o
papel e a impo ância do mediado , o na-se ele an e econhece o papel pedagógico
do p ocesso de mediação na ins i uição escola .
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25!
A mediação escola é desen ol ida na escola em duas e en es essenciais, a
da mediação socioeduca i a ou sociocul u al e a da mediação de con li os
in e pessoais. Quan o à p imei a e en e, es a su ge como uma es a égia pa a
comba e os “g a íssimos p oblemas do abandono escola e da exclusão social”
(F ei e, 2010: 66) c iando o elo de ligação en e a cul u a/pad ão que a escola eicula
e a cul u a de o igem dos alunos com que a escola se depa a. A segunda e en e, a da
mediação de con li os, nasce com o sen ido de “encon a no as espos as aos
p oblemas da indisciplina e da con li ualidade, que es ejam pa a além da egulação
social e do con olo” (idem) e p omo e a pa icipação e a cons ução de uma
cidadania a i a po pa e dos sujei os que in eg am a comunidade escola . Em suma, a
mediação escola su ge como uma alência que se baseia na ideia de uma escola
inclusi a, pela sua inalidade na “socialização e p odução de iden idades sociais, a
c iação de no os espaços de socialização e de modelos al e na i os de ges ão das
elações sociais” (Almeida, 2009: 122). Como a escola não é apenas um luga de
aquisição de conhecimen os mas ambém um luga de p omoção da socialização,
impo a e le i sob e as con igu ações dos p ocessos de mediação escola .
Começa emos po e le i sob e as inicia i as de mediação escola elacionadas com a
indisciplina, a qual eque espos as “di e si icadas em unção dos p oblemas
diagnos icados, conside ando as di e en es si uações e con ex os sociais e escola es”
(Amado e F ei e, 1972: 5). Pa a a conc e ização des e ipo de mediação, po o ma a
esol e os p oblemas de con li os e indisciplina que o am e e idos an e io men e,
começa am a su gi a c iação de gabine es, mui o a iados na sua denominação
(Gabine e de Apoio ao Aluno – GAAL, po exemplo) mas, com a mesma unção, a de
“da espos a à necessidade de um espaço que acolhesse os alunos expulsos da sala de
aula” (F ei e, 2010: 66).Espaços es es que, pelas mais di e sas azões, se o am
ans o mando num “espaço de acolhimen o dos alunos que, po o dem do p o esso ,
o am expulsos da sala de aula, na sequencia de algum ipo de compo amen o
desadequado” (idem). Quais as inalidades des es espaços? A é que pon o não
con ibuem, assim, pa a exclui alunos? Como é que pa icipam de o ma consequen e
no p ocesso de e lexão capaz de pe mi i a implemen ação de espos as que não se
con inem a se espos as compensa ó ias ou emedia i as? Como é que con ibuem
pa a a cons ução de sine gias em unção das quais a escola e o abalho que aí se
ealiza seja um abalho com signi icado pa a alunos e p o esso es?
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32!
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33!
Capí ulo III – Das es a égias me odológicas ao desen ol imen o da
ação
No capí ulo an e io p ocu ou-se p oblema iza dimensões e concei os
ele an es pa a se pensa e o ganiza a ação no con ex o Escola TEIP. To na-se ago a
pe inen e abo da as es a égias me odológicas assumidas que o ien a am o
desen ol imen o da expe iência que i i como es agiá ia.
Es e p oje o o ien ou-se com o obje i o de, a a és de ações de mediação e de
u o ia no seio de um Gabine e Social de uma Escola, con ibui pa a en en a
p oblemas de indisciplina e do absen ismo escola de um nume o signi ica i o de
alunos dessa escola, de o ma a que es es pudessem e mais condições pa a se em
bem sucedidos em e mos escola es.
Sendo es a desc ição gené ica do obje i o do es ágio que ealizei impo a
a i ma que nes e abalho e le i ei an o sob e as espos as que acionei como sob e
alguns dos undamen os e impac o das mesmas, no sen ido, ambém, de “desc e e ,
explica , le an a no os p oblemas eó ico-p á icos” (Boa ida e Amado, 2008: 197).
1. Concep ualização e ope acionalização de um p oje o
An es de pode mos a ança pa a a desc ição das es a égias da ação se á
impo an e comp eende odo o caminho p e iamen e desen ol ido na
concep ualização e ope acionalização do p oje o em unção do qual ealizei o meu
es ágio.
Pa a Capucha um p oje o ep esen a a mobilização de “conhecimen o pa a
iden i ica as acções necessá ias à p ojecção es u u ada e o ganizada de uma
mudança ace a uma si uação diagnos icada que se p e ende al e a ” (2008: 7).
A ase de diagnós ico oi po isso essencial pa a iden i ica alguns dos
p oblemas e po encialidades no uncionamen o da Escola onde in e i, onando
possí el p oje a uma ação que, gene icamen e, se pode á de ini como uma ação de
mediação socioeduca i a. Foi com es a pe spe i a que se elabo ou um plano com um
conjun o de es a égias pa a a ealização da ação, sabendo-se que nem a ase do
diagnós ico pode se ci cunsc i a ao momen o inicial do p oje o nem o planeamen o
pode se en endido como algo ci cunsc i o. O abalho de planeamen o de um p oje o
“não se az de uma só ez, desen ola-se no malmen e em á ias e apas. (...) [Uma
!
34!
ez] que a dinâmica da acção ge a mui as ezes des ios inespe ados e insuspei os”
(Capucha, 2008: 8).
Em suma, hou e uma in enção e um plano de inido a pa i do diagnós ico que
du an e o p ocesso de ação oi sendo eajus ado de ido à ins abilidade e
imp e isibilidade do con ex o escola , que po isso se o nou um p oje o em que se
en ou “de ini cla amen e os «pe is de mudança» desejados e desen ol e -se de
o ma a caminha nessa di eção, embo a, po ezes, con ibuam pa a que su jam
ou os desa ios que, apesa de não p e is os de início, nem po isso deixam de se
mui o impo an es” (Co ezão, Lei e e Pacheco, 2002: 26). Com es a pe spe i a em
men e, pe cebemos que es á p esen e a elação en e o que e e o aze , que sepa a
aquilo que se deseja aze daquilo que nos é pedido pelo con ex o pa a aze . Du an e
o es ágio p o issionalizan e hou e a necessidade de in eg a es es aspe os no p ocesso
de ação, epensando, e o çando e implemen ando o mas e es a égias que izessem
sen ido pa a os sujei os, pa a o p oblema e pa a o con ex o.
2. Ca ac e ização do con ex o TEIP e do público al o
O es ágio p o issionalizan e, a que es e ela ó io diz espei o oco eu na
Escola- Sede de um ag upamen o escola , que no ano de 2007/2008 passou a in eg a
o p og ama Te i ó io Educa i o de In e enção P io i á ia 2 (TEIP 2). Nes e sen ido
pode conside a -se que es e ag upamen o co esponde aos p essupos o e aos c i é ios
que no Despacho No ma i o nº55/2008, de 23 de Ou ub o, do Minis é io da Educação
se de inem como os p essupos os e os c i é ios de um e i ó io escola ma eado po
assime ias socioeconómicas como indicado es de debilidade económica e social, que
se p enunciam a a és da pob eza, exclusão social e baixo ní el ins ucional da
população que o in eg a2. T a a-se de uma população que simul aneamen e se depa a
com a o es nega i os de na u eza económico-social, como o desemp ego, o baixo
ní el de ins ução, desigualdades socioeconómicas e cul u ais, si uações de isco
( iolência e maus a os), p oblemas de saúde, si uações de oxicodependência e
alcoolismo. Es a ealidade e le e-se no signi ica i o núme o de es udan es que
bene iciam da Ação Social Escola e/ou se encon am ins i ucionalizados3.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
2!P oje o Educa i o do Ag upamen o!
3 Diagnós ico ap esen ado no PDS do Concelho, ep esen ado no P oje o Educa i o da Escola
!
35!
Pode a i ma -se, pe an e es es dados, que es amos pe an e con ex os escola es
que, po um lado, se con on am, a ualmen e, “com p oblemas e desa ios mais
complexos e plu ais” (Viei a e Dionísio, 2012: 83) e, po ou o, en am encon a
espos as capazes de conc e iza os obje i os que no P oje o Educa i o se iden i icam
como aqueles que se passam a enuncia : i) ga an i a igualdade de opo unidades de
sucesso escola a a és de medidas que con ibuam pa a esol e p oblemas de
in eg ação escola e di iculdades especí icas de ap endizagem e socialização; ii)
desen ol e nos jo ens compe ências pessoais e sociais, com is a a uma adequada
in eg ação e ao seu desen ol imen o social como cidadãos esponsá eis e au ónomos;
iii) p omo e o c escimen o in elec ual dos alunos em simul âneo com o seu
c escimen o cí ico e é ico e i ) p omo e as boas p á icas de ensino, pugnando pela
pe manen e a ualização e adap ado às exigências con ex uais do País, da União
Eu opeia e do Mundo.
Sendo es es os obje i os que no eiam os di e en es ipos de inicia i as que
êm luga nas escolas do ag upamen o, impo a chama a a enção pa a o ac o de que
es es obje i os, pa a se em bem sucedidos, necessi am de ecu sos, de inicia i as e de
medidas que não se pode ão con ina aos acon ecimen os que êm luga apenas, nas
salas de aula.
É endo em con a um al p essupos o que no ag upamen o se c iou um se iço,
en e ou os, denominado Gabine e Social, a es u u a onde deco eu o meu es ágio, a
qual, po isso, passo a ca ac e iza .
2.1. Ca ac e ização sumá ia do Gabine e Social
O Gabine e Social é cons i uído po uma equipa com uma Assis en e Social e
duas Educado as Sociais, que azem pa e in eg an e da Equipa de Mediação
In eg ada (EMI) do Ag upamen o de Escolas onde ealizei o es ágio, jun amen e com
uma Psicóloga.
O gabine e Social é uma es u u a cuja a i idade isa da uma espos a
especializada na á ea da in e enção social a p oblemá icas especí icas, elacionadas
com o insucesso, o absen ismo e a indisciplina. A a uação des e gabine e em como
inalidade a ( e)in eg ação escola dos alunos sinalizados.
As unções des e gabine e isam ealiza o diagnós ico dos di e en es
p oblemas e compo amen os onde é necessá io in e i e consequen emen e, planea
!
36!
e desen ol e a i idades que espondam aos mesmos. Tem, ainda, a unção de
acompanha , indi idual ou g upalmen e, os alunos sinalizados, de modo a e o ça
compe ências pessoais, sociais e elacionais p omo o as da sua ( e)in eg ação escola .
Aliado a es e gabine e es á o Gabine e de Mediação Escola que unciona
como espos a pa alela e complemen a à in e enção do Gabine e Social, na
p e enção da indisciplina, do absen ismo e do abandono escola . Com o obje i o de
apoia alunos, p o esso es e uncioná ios na ges ão e mediação das elações
in e pessoais e na minimização das p oblemá icas associadas à indisciplina, iolência
e compo amen os de isco.
De salien a , a exis ência de um Gabine e do Aluno, que apesa de não se
encon a aliado ao Gabine e Social, em impo ância no sen ido em que se a a do
local onde os alunos se di igem em caso de expulsão da sala de aula causada po
mo i os de indisciplina, cuja ação se ca ac e iza pelo p eenchimen o de uma icha
pessoal na qual o aluno ela a a si uação de con li o em sala de aula e p opõe a
esolução da mesma. Es e ealiza ainda as a e as indicadas pelo p o esso que deu
o dem de saída da sala de aula ou pelo p o esso que se encon a no gabine e, o qual
supe isiona o abalho do aluno: aze exe cícios, ichas, pesquisas na in e ne , e c.
3. P imei os momen os
A ideia de desen ol e o es ágio p o issionalizan e num con ex o escola
su giu pela on ade pessoal indo a se conquis ada ao longo do meu pe cu so
académico. Assim, jun amen e com o o ien ado ez-se uma pesquisa de á ios locais
possí eis de in e enção e iden i icou-se es e, aumen ando o in e esse de in e i
pelos p oblemas de indisciplina escola que a ca ac e izam, assim como, pe cebe
como su gem es es p oblemas, os mo i os e os meios u lizados pa a os comba e .
Fize am-se, assim, os espe i os con ac os com a di eção da Escola que se mos ou
disponí el pa a me ecebe . Ab i am as po as pa a que se pudesse e e ua o
diagnós ico do con ex o e assim elabo a um p oje o, a en ega ainda no inal do ano
le i o 2012/2013. Assim, no âmbi o da unidade cu icula especí ica do domínio
Ges ão Educacional, Cu ículo e In e enção P io i á ia do 1º ano des e mes ado
ap o ei ou-se pa a se aze o desenho do p oje o de in e enção. A en ada no e eno
deu-se no 2º semes e, de modo a ealiza -se o diagnós ico do con ex o.
!
37!
Em suma, a escolha des e con ex o pa a a ealização des e es ágio
p o issionalizan e e e po base: i) uma escolha pessoal na p e e ência em
desen ol e um abalho num con ex o escola ; ii) a ep esen ação das Ciências da
Educação nes e con ex o, pois apesa de exis i mediação no mesmo, não ha ia
explo ação da mesma po alguém da á ea das Ciências da Educação; iii) adqui i
conhecimen o e expe iência a a és do abalho em equipa mul idisciplina que já
deco e no Gabine e Social des e con ex o, mas ambém, a a és da in e enção com
os alunos. De algum modo, pode conside a -se que a minha p esença no gabine e
pode ia cons i ui -se como um con ibu o pa a o desen ol imen o de um olha mais
especializado sob e a indisciplina e o insucesso escola es, endo em con a a o mação
que ui desen ol endo no 1º e no 2º ciclos de Ciências da Educação.
4. A dimensão da in e enção do p oje o
Pa a se de ini em as es a égias e obje i os de in e enção, oi necessá io
p ocede a uma análise p é ia do con ex o. Es e diagnós ico oco eu no ano le i o
2012/2013, mais p ecisamen e em Maio de 2012 e se iu pa a iden i ica as
necessidades e po encialidades a abalha . Es a p imei a ase da in e enção
possibili ou um con ac o com o e eno, que pe mi iu pe cebe as dinâmicas
ap esen adas pelo mesmo.
Es e abalho explo a ó io apoiou-se num mé odo quali a i o pa a a ecolha de
dados: análise documen al e a en e is a.
Com o in ui o de ap o unda es e p oblema da indisciplina, eco i à
in o mação p esen e no Gabine e do aluno, em p imei o luga , po que se a a do local
onde os alunos se di igem em caso de expulsão da sala de aula causada po mo i os
de indisciplina e, em segundo luga , po que é nes e p eciso local que es es alunos se
jus i icam eco endo à explicação do sucedido, em supo e de papel, ou seja, no
p eenchimen o de uma icha pessoal, daí a necessidade de eco e à análise
documen al. Hou e, ainda, a necessidade de eco e ao Gabine e Social po se
encon a aliado ao Gabine e de Mediação Escola , sendo um local em que alguns
alunos, mais p op iamen e, os alunos que são acompanhados pelas Educado es e pela
Assis en e Social, equipa in eg ada nes e gabine e, são encaminhados pela si uação
epe ida de expulsão de sala de aula, pelo mesmo mo i o de indisciplina. Pa a além
disso, hou e o in e esse de pe cebe o uncionamen o des e Gabine e, endo em con a
!
38!
as suas ca ac e ís icas, unções e papel das écnicas p esen es. Pa a a ob enção des as
in o mações oi ealizada uma en e is a à Assis en e Social.
Apesa de inicialmen e o es ágio es a di ecionado pa a uma in e enção no
Gabine e do Aluno, pe cebi que a ia mais sen ido es agia num local que me
acolhesse como um elemen o da sua equipa, e que me pe mi isse adqui i ,
conhecimen o e expe iência p o issional. Nes e sen ido hou e uma busca po ou o
gabine e, nes e con ex o, que usu uísse des as ca ac e ís icas, que o am encon adas
no Gabine e Social.
Em suma, após a ealização de um p oje o di ecionado pa a o Gabine e do
Aluno que se conjuga com a indisciplina escola é com o início do es ágio
p o issionalizan e que me ape cebo de ou a ealidade e ou os p oblemas que muda
as es a égias que já es a am es abelecidas.
4.1. Pa a um conhecimen o do con ex o
“O p o agonis a, K., agueia em edo do cas elo, que aze
pa e desse mundo, mas qualque es o ço pa a en a em con ac o com as
au o idades in isí eis que egulam o acesso só p o ocam us ação e
ansiedade. Supõe eg as pa a en a mas não as descob e. Du ida de si
mesmo, en a em c ise e culpabiliza-se a si p óp io” (Pa on, 1990, ci in
Mo ei a, 2007:139).
Quando en amos em campo passamos po á ias ases, depa amo-nos com
um (in) a iá el mundo de sen imen os que nos az pensa e a é nos compa a com o
p o agonis a K, mas, apesa de udo, não desis imos, pa a ence es e ipo de
di iculdades se indo-me da u ilização de mé odos e écnicas que nos ajuda am a
en en a os p oblemas. Assim oi com o es ágio p o issionalizan e, em que
de e minei abalha “com os alunos” e não “sob e os alunos”, en abelecendo uma
elação de p oximidade com eles. Reco dando o es udo de Coelho (2006), con on ei-
me com alguns p incípios me odológicos e é icos que o ien a am o meu papel na
escola: i) a pe manência no e eno o mais p olongada possí el; ii) a i ude simpá ica e
empá ica com os sujei os em es udo, numa pe spec i a de escu a, pa a se capaz de se
coloca no luga do ou o – os alunos; iii) uma pos u a de cu iosidade sob e odas as
si uações, con e indo impo ância àquilo que à pa ida pode pa ece não e
!
39!
signi icado e alo izando mais o p ocesso do que o p odu o; i ) um compo amen o
é ico na elação com os adul os e os jo ens alunos em p esença – uma a i ude de
espei o, hones idade, conside ação e lealdade; ) pa icipação pe i é ica (Fe ei a,
2003, ci . po Coelho, 2006) de modo a minimiza o impac o e a pe u bação que a
nossa p esença pode causa no con ex o.
Após a de inição a população e os elemen os a es uda , e ia que de e mina
como pode ia ob e acesso à in o mação. Os p óximos ópicos explici a ão as écnicas
u ilizadas que ajuda am a ob e in o mações sob e o con ex o, assim como os sujei os.
4.1.1. A En e is a
Foi e e uada uma en e is a à Assis en e Social p esen e na escola onde i ia
in e i . A escolha des a p o issional de e-se ao simples ac o de se uma das écnicas
do Gabine e Social que, po isso, es á em cons an e con ac o com os alunos mas
ambém com ou os p o issionais da comunidade escola , endo assim expe iências
com os compo amen os dos alunos quan o à indisciplina, o insucesso escola , o
absen ismo p ecoce, casos de mediação, apoio u o ial, en e ou os ac o es
impo an es que azem sen ido pa a comp eende o con ex o e as espos as que aí se
p oduzem. Assim, o obje i o da u ilização da en e is a oi pe cebe as p á icas e os
acon ecimen os com os quais a en e is ada se con on a, mais p ecisamen e, quan o
aos seus “sis emas de alo es, as suas e e ências no ma i as, as suas in e p e ações
de si uações con li uosas ou não, as lei u as que [ az] das p óp ias expe iências (...),
pon os de is a p esen es, o que es á em jogo, os sis emas de elações, (...) e c” (Qui y,
Campenhoud , 2008: 193).
Es e mé odo ca ac e iza-se pela sua “aplicação dos p ocessos undamen ais de
comunicação e de in e ação humana. Co e amen e alo izados, es es (...) pe mi em
(...) e i a (...) in o mações e elemen os de e lexão mui o icos e ma izados” (Qui y,
Campenhoud , 2008: 191), pa a além disso es abelece-se um con ac o di e o en e a
es agiá ia e espe i o in e locu o , possibili ando e acili ando uma comunicação mais
abe a. Con udo, “ en a sabe o que se az quando se inicia uma elação de en e is a
é (...) en a conhece os e ei os que se podem p oduzi sem o sabe po es a espécie
de in usão” (Bou dieu, 2001: s/pag.) que es á no sen ido de oca de sabe es e
sen idos en e pessoas quase que desconhecidas. Apesa dis o, oi u ilizada a
en e is a semies u u ada, po es a se conduzida a pa i de um guião ou pe gun as-
!
40!
guias, ela i amen e abe as, que cons i uem a ges ão des a en e is a e que de em
cons i ui “ques ões de pesquisa e eixos de análise do p oje o de in es igação”
(A onso, 2005: 99). Es as pe gun as não segui am uma o dem, pois, an o quan o
possí el, de e-se deixa o en e is ado ala abe amen e, com as pala as que deseja
e pela o dem que lhe con ie , sem se in e ompido. Cabe ao en e is ado
eencaminha a en e is a pa a os seus obje i os, “cada ez que o en e is ado deles
se a as a e po coloca as pe gun as às quais o en e is ado não chega po si p óp io”
(Qui y, Campenhoud , 2008: 192).6
Con udo, exis em alguns iscos na en e is a, no que conce ne à sua
ansc ição, pois es a “já é uma e dadei a adução ou a é uma in e p e ação”
(Bou dieu, 2001: s/pag.), a o que não icou indi e en e, mas o am ei os os
possí eis pa a a conc e ização da mesma.
4.1.2. O ecu so à análise documen al
Uma das ca ac e ís icas da ecolha de dados documen al é o ac o de se a a de
uma me odologia não in e e en e, o que signi ica, que são ecolhidos dados po um
p ocesso que não en ol e a ecolha di e a de in o mação a pa i dos sujei os. Assim,
os dados ecolhidos “e i am p oblemas de qualidade esul an es de as pessoas
sabe em que es ão a se es udadas, em consequência do que, mui as ezes, mudam o
seu compo amen o” (A onso, 2005: 88-89). Como o obje i o e a ecolhe a
iden i icação pessoal e o mo i o pelo qual os alunos são expulsos de sala de aula ou
são epo ados pa a o Gabine e Social e/ou de Mediação Escola es a écnica mos ou-
se a mais ap op iada pa a al.
Com o in ui o de conduzi melho a in e enção, oi ambém analisado o po ólio
do Gabine e Social, que con em ela ó ios sob e: o p óp io Gabine e Social; o
Gabine e de Mediação; da In e enção Indi idualizada ealizada aos alunos
acompanhados pelas écnicas do gabine e; da In e enção em G upos, em con ex o
u ma, den o de sala de aula; e, a Relação Escola-Família-Comunidade. A
in o mação que es es documen os esc i os con êm ep esen am algumas das
pe spe i as e ca ac e ís icas dos alunos que cons i uem uma base empí ica álida pa a
a análise da ealidade a in e i .
Hou e ainda a p eocupação de con ola a c edibilidade dos documen os e das
in o mações que es es con êm, bem como a adequação dos obje i os e das exigências
!
41!
do abalho de in e enção, nes e caso, a enção quan o à “au en icidade, a exa idão
das in o mações que con êm, bem como a co espondência en e o campo cobe o
pelos documen os disponí eis e o campo de análise” (Qui y, Campenhoud , 2008:
203) da in e enção.
Concluímos en ão que es e mé odo mos ou-se insu icien e sen indo-se a
necessidade de o complemen a e de o en iquece nes e p ocesso. Assim, p ocedeu-se
pa a a u ilização de ou o mé odo, mais p ecisamen e, a obse ação pa icipan e sob e
o abalho das écnicas.
4.1.3. A Obse ação Pa icipan e à Equipa Técnica como o ma de melho a a
In e enção
A obse ação pa icipan e é uma a ian e da obse ação di e a que consis e na
“inse ção do obse ado no g upo obse ado, o que pe mi e uma análise global e
in ensi a do objec o de es udo” (Almeida e Pin o, 1982: 97). Es a écnica pe mi iu-me
obse a o abalho das écnicas, pe cebendo, assim, os p oblemas e desa ios do
con ex o, assim como a p óp ia in eg ação.
Numa p imei a ase obse ei a mediação ealizada pelas écnicas, assim como
a elação que es abeleciam com a comunidade educa i a e a impo ância da mesma na
esolução de con li os pois, p imei amen e o obje i o se ia “obse a os
acon ecimen os, causando a meno dis upção possí el na si uação social” (Bu gess,
1997: 100), ou seja a p imei a e apa oi mais de pe cebe e en a comp eende de que
o ma as écnicas lida am com os p oblemas, pa a mais a de pode in e agi com os
alunos in e indo de uma manei a mais conscien e, de o ma a consegui en en a de
uma melho o ma os desa ios com que me depa a a.
No deco e do p ocesso de es ágio sen i a necessidade de es abelece elações
de con iança com os sujei os inse indo-me no con ex o social e cul u al i endo
“como e com as pessoas [do] objec o de es udo, compa ilha[ando] com elas a
quo idianidade, descob [indo] as suas p eocupações e as suas espe anças, as suas
concepções do mundo e as suas mo i ações” (Mo ei a, 2007: 178-179), pa a a
cons ução de signi icados jun ando o pon o de is a dos sujei os, ou seja, os mé odos
e p á icas que os indi íduos u ilizam pa a descodi ica o mundo em que i em.
Es e mé odo nem semp e é ápido na sua e icácia, pelo simples ac o de nas
p imei as obse ações, os indi íduos ainda que acei assem a possibilidade da minha
!
48!
Como podemos e i ica exis e maio p edominância de casos acompanhados
nos 2º e 3º ciclo. Es a si uação es á elacionada com o ac o de exis i uma maio
incidência da indisciplina e do absen ismo nes es ciclos, comp o ados nos egis os do
Gabine e de Mediação Escola .
Nes e con ex o conjuga-se ainda a iden i icação das p oblemá icas associadas
a cada aluno baseadas na in o mação ob ida a a és da sinalização que e elou como
alguns alunos pode iam exp imi cumula i amen e á ios ipos de p oblemas, al
como é possí el cons a a a a és da lei u a do g á ico da igu a 2.
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Figu a 1 – Dis ibuição dos alunos em acompanhamen o, po
ciclo e géne o
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Figu a 2 – Nº de alunos, po elação à p oblemá ica
iden i icada
!
49!
Após a análise des e g á ico e i icamos que as ulne abilidades associadas à
es u u a amilia oi a p oblemá ica com maio incidência dos alunos acompanhados,
sendo um dos a o es de isco condicionan e da inclusão/exclusão escola e
consequen emen e es imula a os ou os p oblemas. Seguidamen e depa amo-nos com
as p oblemá icas associadas à es e a compo amen al, que conjuga p oblemas
associados i) à indisciplina escola , quan o ao des espei o às no mas escola es, de
incump imen o de eg as e a e as den o e o a da sala de aula, de desa io à
au o idade e de in ole ância à us ação; ii) ao ní el do elacionamen o in e pessoal
que co esponde a si uações con li uais da elação en e pa es e iii) compo amen os
de isco que compo am condu as que colocam a in eg idade ísica, psíquica e social
do aluno em isco, onde se salien am os consumos de subs âncias psicoa i as,
compo amen o sexual de isco e g a idez na adolescência e ap op iação e/ou
des uição de ma e ial e bens alheios, assim como iolência con inuada sob e os
ou os. De salien a , que a es a p oblemá ica ainda es ão elacionados alunos que
ap esen am diagnós icos clínicos associados à Sínd ome de Hipe a i idade e Dé ice
de A enção e ou os p oblemas do o o psicopa ológico, de aco do com o diagnós ico
especializado da Psicóloga.
Rela i amen e ao abandono escola , es e oi esidual, endo exis ido apenas 3
alunos que deixa am de pa icipa nas a i idades le i as. Finalmen e, o absen ismo
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O.!(:.+*)3!&-0)4).'H,'(!/'.!+.!0:6*7/'!;+-P!
Figu a 3 – Nº de alunos em acompanhamen o que ap esen am
diagnós icos do o o psicopa ológico
!
50!
escola é de e ado nos alunos em acompanhamen o ca ac e izando-se po al as de
p esença sis emá icas à escola, con udo a sua maio ia e ela esis ência à equência
assídua e pon ual das aulas es ando p esen es no espaço escola .
Fo am es es os p oblemas que jus i icam a exis ência do Gabine e e, de algum
modo, são es es p oblemas que cons i uem o cená io onde oco eu o meu es ágio.
T a ou-se de um es ágio que se conc e izou a a és de um abalho de
mediação que assumiu ês e en es undamen ais:
a) a mediação de con li os en ol endo p o esso es e alunos na sala de aula;
b) a mediação en ol endo con li os en e alunos no ec eio
Pa a além da minha pa icipação nas inicia i as elacionadas com a mediação,
desen ol i um p oje o como u o a de um g upo de alunos sob e o qual i ei e le i
nes e abalho.
1.1. A mediação de con li os en ol endo p o esso es e alunos
A a és do esquema da igu a 4 en a-se explica a dinâmica em unção da
qual se desen ol e o p ocesso de mediação que se desencadeia na si uação de con li o
en e p o esso es e alunos no espaço da sala de aula.
Quando os alunos são acolhidos no Gabine e Social e/ou no Gabine e de
Mediação Escola são egis adas as di e sas si uações nas olhas de Regis o Diá io4,
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4!Anexo 1!
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Figu a 4 – E apas do p ocesso de mediação
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51!
onde há um espaço pa a a iden i icação pessoal (nome e u ma) e pa a a si uação-
p oblema, endo nes e úl imo que se ca ego iza se se a a de um con li o, de
indisciplina no espaço escola ou de saída de sala de aula, podendo ainda desc e e -
se a si uação na coluna das obse ações. Os con li os oco em den o ou o a de sala
de aula e en ol em duas ou mais pessoas que de ido à di iculdade de esolução do
con li o en e os mesmos, consequen emen e, ge a discussões, ag essões en e pa es,
insul os, b incadei as abusi as, des espei o pela au o idade, en e ou as. A
indisciplina em espaço escola , é e iden e quando se des espei a as eg as de
uncionamen o dos espaços escola es, des uição do pa imónio escola ou da
p op iedade alheia, compo amen os pe u bado es nos ec eios, can ina ou salas de
aula. Aqui ambém se encon am inse idos compo amen os de isco, ais como u os,
consumos de subs âncias noci as e compo amen os sexuais de isco. Na ca ego ia
indisciplina den o de sala de aula es ão inse idas as si uações de des espei o pelas
eg as de uncionamen o da sala de aula, que necessi am de uma in e enção mais
especializada e/ou quando o Gabine e do Aluno não dispõe de ecu sos necessá ios no
momen o da oco ência.
Como se cons a a, a pa i da lei u a do quad o da igu a 5, as si uações de
indisciplina den o de sala de aula, oco em ao longo de odo o ano le i o, ainda que
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Figu a 5 – Nº de oco ências egis adas po mo i o e po pe íodo
!
52!
seja no 2º pe íodo que essas si uações endem a acon ece mais ezes. T a a-se de
uma si uação que me ece se ap o undada e es udada, ainda que a pa i dos ela os
dos in e enien es (p o esso es e alunos) se possa conclui que: i) os alunos que são
en iados pa a o gabine e ap esen am di iculdades em cump i eg as básicas,
mos ando g ande desmo i ação e desin e esse na e pela a escola; ii) o gabine e é a
solução imedia amen e ado ada pela gene alidade dos docen es pa a esponde aos
p oblemas colocados pelos alunos.
Face a es es dados, comp eende-se que é necessá io ala ga o campo das
hipó eses capaz de explica o enómeno da indisciplina, já que, nes e ela ó io, não oi
esse o oco do meu abalho.
Rela i amen e à indisciplina no espaço escola , o ele ado núme o des as
oco ências podem es a di e amen e in luenciado pela concen ação do ho á io le i o
de odas as u ma do 2º e 3º ciclos no pe íodo da manhã, o iginando um con ex o mais
p opício ao desen ol imen o de in e ações dis uncionais en e os alunos e
di icul ando a supe isão po pa e dos adul os, dada sob elo ação do espaço de
ec eio.
Assim, as mediado as, como oi o meu caso e o das écnicas en ol idas na
Equipa de Mediação In eg ado a (EMI), eco e am a abo dagens e es a égias
educacionais que “p ocu am dinâmicas comunicacionais de comp eensão e
in e comp eensão, de pon es e ( e)conciliações que as pedagogias es i amen e
escola es pa ecem não consegui ou, simplesmen e, não de ini como p io i á ias na
sua ação. (Sil a, e al. , 2010: 130).
O nosso papel de mediado as é, assim, impo an e no que conce ne a modela
o espaço comunica i o, e apesa de não consegui em “muda o mundo, podem en a
ajuda as pessoas a ala em de um modo di e en e, com a espe ança de que, se o
ize em, o seu modo de in e agi se modi ique e se p oduzam mudanças que
pe mi i ão chega a aco dos” (Diez e Tapia,1999: 28 ci . po To emo el, 2008: 34).
O a, se a a és da mediação se p e ende es abelece mudança no mundo, mas no
mundo escola , de o ma a con ibui pa a um espaço com p incípios de uma
pedagogia pací ica, pa icipa i a e p e en i a de uma educação pa a a paz social.
To na-se ele an e pe cebe qual a impo ância da mediação na escola e os obs áculos
com que es a se depa a.
Os ní eis de exigência académica in ensi icam-se de ano pa a ano e apesa de
a Escola desempenha um papel ele an e nes e p ocesso educa i o e de o mação dos
!
53!
alunos o na-se necessá io epensa a Escola quan o à necessidade de in e enção,
p e enção e esolução de p oblemas ge ado es de con li os, que cada ez mais
in ensi icam as mesmas, p incipalmen e den o da sala de aula.
O p o esso , com p á icas mais ins u i as, encon a-se, cada ez mais, com
di iculdades em a i ma a sua au o idade, daí a necessidade de “mobiliza os alunos
pa a a causa escola a a és de uma elação di e en e, que cul i e a p oximidade, a
conquis a [e] a on ade dos alunos” (Viei a e Dionísio, 2010: 91), de o ma a
comba e as si uações de indisciplina com que a Escola se depa a. É a pa i des e
momen o que su ge a necessidade de implemen a a mediação como ins umen o de
diálogo pa a i ao encon o in e pessoal de cada aluno en ando pe cebe o que es á
po de ás do compo amen o indisciplinado, con ibuindo simul aneamen e pa a a
melho ia das elações en e p o esso -aluno e pa a a busca sa is a ó ia de aco dos
nes as si uações de con li o. Assim, pa a além de “melho a as elações, con ibui pa a
a diminuição dos p oblemas, po que su ge o diálogo onde an es p edomina a o
cas igo, a imposição, a al a de espei o, a o ensa e a ag essão” (Seijo, 2003: 9). Es a
a i ma-se pela sua con ibuição em aumen a o espei o de uns pa a com os ou os, e
ajuda a c ia elações mais coope a i as. Pa a isso, é necessá io de ini e encon a
es a égias que es imulem e apoiem os p o esso es a en ol e -se na esolução das
si uações de con li os e ou de indisciplina. Ainda que se admi a que o Gabine e de
Mediação Escola , em ce as ci cuns âncias, pode unciona como um espaço de
amo ecimen o dos con li os, impo a econhece que, pelo menos, nos casos de
si uações einciden es os p o esso es e ão que pa icipa na e lexão sob e os
p oblemas que es ão na o igem das mesmas.
1.2. P o esso es e si uações de indisciplina ou de con li o
A si uação que passo a na a , a pa i das no as de e eno (N.T.) que ui
esc e endo, pe mi e comp eende que o en ol imen o a ás e e ido é um dos
p oblemas a esol e :
“Du an e a aula de Ciências do 7º ano a p o esso a pede a uma aluna pa a i
chama uma écnica ao gabine e pa a i a é à sala. Como es a a sozinha no gabine e
di igi-me a é à sala pa a e o que a p o esso a que ia. Quando lá chego a
p o esso a começa imedia amen e a dize mal de odos os alunos da sala. Diz que
!
54!
es á a a de dize pa a “J” muda de luga mas que es a ecusa-se. Eu ap oximo-
me da aluna e peço-lhe calmamen e pa a muda de luga po a o , pa a e i a mais
con usão du an e a aula. A aluna muda de luga , mas a i ma bem al o pa a que odos,
e p incipalmen e a p o esso a, possam ou i que ai muda de luga po que eu pedi e
não a p o esso a. A p o esso a segue pa a a aluna “T” que ambém não que muda
de luga , quando me ap oximo des a pa a ala com ela, es a nem me dá empo de
ala , le an a-se mui o ápido e muda pa a ou o luga , a i mando que acha que is o
é idículo po que odas as aulas êm que muda de luga , po que a p o esso a nunca
es á sa is ei a. A p o esso a em e comigo e diz-me que a u ma em mui os
p oblemas de indisciplina e que nós ( écnicas) é que emos que a a dis o, que já
es a a a começa a se insupo á el e que se a u ma con inua assim começa a
ma ca al as disciplina es a odos.” (N.T. 24).
Se ao p o esso são a ibuídas compe ências como: “ajuda a econhece o
alo e as possibilidades de cada um; ap o ei a odas as opo unidades pa a e o ça
um au oconcei o posi i o, especialmen e a a és da c iação de um clima de g upo que
inspi e con iança e coope ação e não in unda emo , que dê opo unidades ao aluno de
decidi , em colabo ação com os ou os, os seus obje i os, que dê opo unidade de
expe imen a , p omo endo uma ap endizagem au ónoma” (Lou enço e Pai a, 2004:
13), es e p o issional não pode desca a as suas esponsabilidades den o de sala de
aula semp e que se depa a com si uações de indisciplina que põe em causa o seu
abalho, a sua dignidade como p o esso , a ap endizagem e o bom uncionamen o da
aula.
T a a-se de uma ques ão que ob iga ia a um p ocesso de e lexão com os
p o esso es, no sen ido des es iden i ica em, e se em ajudados a iden i ica , espos as
al e na i as capazes de en en a p oac i amen e os p oblemas. A não se assim,
pode ão oco e casos como aquele que ago a se passa a ela a :
“a p o esso a chama-me à sala de aula pa a i busca mais 3 alunos que es a am
quie os mas que pa a a p o esso a e a melho saí em ago a do que saí em mais a de
com al a disciplina ” (N.T. 21)
O p o esso oma es a a i ude conscien e da exis ência de écnicas de educação
que e ão que se mos a disponí eis pa a in e i semp e que os p o esso es assumam
es e ipo de a i ude. Uma a i ude que é um p oblema a en en a . Nes e caso a
!
55!
possibilidade da mediação pode assumi -se como um “disposi i o de ges ão das
on ades que, embo a imponha exigências especi icas, cons i ui o único ga an e
plausí el à exp essão incon olada dos desejos e dos in e esses egoís as” (Co eia e
Ca amelo, 2003: 21), acaba po ans o ma -se numa ação pa adoxal.
Is o não signi ica que possa des alo iza o abalho de mediação que em luga
a pa i do Gabine e Social. Veja-se, po exemplo, a si uação que se passa a na a :
“en a um aluno “D”, mui o incon o mado, no gabine e social que inha sido expulso
po que, segundo ele, “a s ô a não me deixou pa icipa na aula, es i e com o dedo no
a imenso empo, ela pensou que eu es a a a goza , en ão im embo a já que não
es a a lá a aze nada”. A Educado a Social S. (E.S.S) con e sou com o aluno “D”
na mesa edonda en ando elemb a o seu his ó ico a ní el do compo amen o, is o
que semp e oi um aluno que se compo ou mal du an e as aulas, no a a-se pela
con e sa a cumplicidade a con iança que o aluno em com a educado a, al ez po
isso, o aluno enha admi ido o seu e o mas e o çou a ideia: “eu posso es a e ado
po que às ezes enho mau compo amen o mas a s ô a ambém es á e ada po que
eu es a a mo i ado pa a pa icipa na aula mas a p o esso a não deixou”. Após es e
momen o de e lexão, a E.S.S. con ence o aluno a i pedi desculpa à p o esso a e
pedi pa a en a na sala de aula no amen e.” (N.T. 1)
Es a e lexão dos alunos, de alguns alunos, só pode se ei a com o apoio de
alguém que enha condições pessoais e écnicas pa a assumi um al papel. Não nos
podemos esquece que es amos pe an e alunos sob e os quais ecaem expec a i as
nega i as que a e am a elação que es e man êm com mui os dos seus p o esso es e o
p óp io modo como se pe cepcionam. Tal como e e e João Amado, os alunos, nes a
ca ego ia, pe cepcionam-se “a si mesmo de o ma nega i a, a a és dos olhos dos
ou os, p o esso es e colegas, e i a[ndo] os desa ios que a escola lhes p opõe, inibem-
se pe an e os es o ços solici ados e en am a i ma -se com compo amen os
ag essi os e de oposição” (1972: 82).
Nes e sen ido, o papel de um e cei o a o , a mediado a, pode pe mi i o
dis anciamen o necessá io que a o ece uma comp eensão mais ampla do que es á em
jogo no con li o en e alunos e p o esso es, ainda que seja necessá io pe gun a se a
abe u a da mediado a ace aos p oblemas é, só po si, su icien e pa a que aquela
e lexão possa se p oduzida.
Hou e um ou o episódio cuja oco ência pe mi e ap o unda es a e lexão:
!
56!
“En e an o, “B” é expulso da aula de Po uguês, es e es á e ol ado po que a
p o esso a achou que inha di o uma asnei a. Vem com a e a e ecusa-se a aze
po que oi expulso injus amen e e como já ez aquele abalho não o que aze ou a
ez, a E.S.P. diz que assim ai pa a casa e em al a. O aluno esponde que ai sem
p oblema nenhum, mas eu digo que não, que ai aze a a e a comigo, is o que ele
não pode e mais al as, pois já es á no limi e. O abalho é esc e e sob e a
impo ância do espei o pelas pessoas. Pego no meu compu ado e pesquisamos na
in e ne algo sob e o assun o. Com mui o es o ço o aluno acaba po aze a a e a
com a minha ajuda. Após a ealização des a, pe cebi que se passa a alguma coisa,
pe gun ei-lhe o que se passa a, pois ul imamen e es a a cons an emen e a se expulso.
O aluno olha pa a mim como que desiludido e diz que hoje já e a a segunda ez que
inha pa a a ua, que a p imei a oi a ma emá ica, po que alou mal à p o esso a e
es a espondeu-lhe pa a ala di ei o po que não es a a a ala pa a os seus pais, e
ele não gos ou po que ninguém em o di ei o de ala dos seus pais e po isso mandou
a p o esso a pa a o c****** e que desde isso não es á bem, ac escen ou ainda que
não e a a p imei a ez que is o acon ecia e pede-me desculpa”. (N.T. 43)
Pe an e es a si uação pe cebe-se a necessidade e a impo ância da
comp eensão do con li o com o aluno, não só pa a cla i ica o p oblema mas ambém
pa a que o aluno explo e os di e en es aspe os e sucessi as epe cussões do mesmo.
Es e aluno já se encon a a em acompanhamen o comigo e po isso pe cebi que o
olha de desilusão que exp essou, du an e o diálogo an e io , e a o não me que e
desiludi de ido à elação p i ilegiada exis en e en e mediado a e aluno. Es e papel
em que se comp eendido à luz do ou o p oje o que desen ol i, o da u o ia, onde
es abeleci laços mais p o undos e p i ilegiados com alguns dos alunos. Po isso, é que
oi possí el o que passo a na a :
“”Não ens que me pedi desculpa, ens é que pensa que se calha a p o esso a de
ma emá ica não ez de p opósi o” - es a não sabia que ele não gos a a que alassem
dos seus pais que p o a elmen e não o ez pa a o o ende , oi simplesmen e uma
o ma de ala , como ele az com os seus amigos. Que se ala com a p o esso a e
explica o mo i o do sucedido ela pe ceba e es e p oblema não se ol e a epe i . “B”
diz que pe cebe o que es ou a dize “mas quando alam dos meus pais ico cego e não
ejo mais nada à en e” e que ai en a ala com a p o esso a, mas que p e e ia
que osse eu” (N.T. 43).
!
57!
No e-se que o abalho ealizado a a és da mediação e e como obje i o
p imo dial consegui que o indi íduo u ilizasse a sua on ade pessoal pa a en en a o
con li o, ou seja, de ce a o ma, se co esponsabiliza pela si uação e en a c ia e
ecupe a uma ede de elação e ligação, en e aluno e p o esso a, baseada no espei o
mú uo, em que “se dá um passo signi ica i o na di eção da ans o mação indi idual e
social, po que a o ça do se humano indi idual e o sen ido de conexão e de
comunidade são desen ol idos conjun amen e” (Folge e Bush, 2000: 74 ci . po
To emo el, 2008: 40).
Apesa da mediação se , maio i a iamen e, conside ada um mé odo ainda
mui o pe cepcionado pa a a pe spec i a de ge i si uações de con li o no mundo
escola , a mediação socioeduca i a es á, ambém, di ecionada pa a es e ipo de
in e enção, ou seja, su ge como cons ução de diálogo, como um meio acili ado da
comunicação, assen e em p incípios como a esponsabilidade, colabo ação, espei o
pela di e ença e au onomia. O a, a mediação ga an e, assim, “objec i os conc e os
que pe mi am supe a p oblemas, melho a as elações e ans o ma as si uações e os
con ex os” (Basílio, 2009: 91).
Em conclusão, independen emen e de alguns esul ados posi i os do abalho
desen ol ido no Gabine e Social po ia das inicia i as de mediação, impo a
econhece que se co em iscos que não pode emos des alo iza : i) um que em a e
com a possibilidade do ca á e emedia i o de mediação pode desmobiliza os
p o esso es de p oduzi em e lexões mais amplas sob e os p oblemas e ii) ou o que
em a e com o ac o da e lexão se oca , apenas, nos compo amen os dos alunos e
não nas causas cu icula es e pedagógicas dos mesmos.
É em unção da cons a ação de uma al si uação que de endo se necessá io
alo iza as si uações em que docen es eco em às écnicas do Gabine e de o ma a
encon a em soluções pa a os p oblemas conc e os com que se ão depa ando com os
seus alunos, al como se demons a a a és da si uação que se passa a na a :
“P o esso em a é ao Gabine e de Mediação pa a ala com a A.S. pa a esol e o
p oblema do aluno “RG” da sua di eção de u ma, pois que ia encon a alguma
solução ou es a égia pa a esol e o p oblema do aluno, is o que es e es á
cons an emen e en ol ido em con li os, an o com os colegas de u ma, como com os
p o esso es den o de sala de aula, pa a além do compo amen o ag essi o que em
demons ado. O p o esso diz que desde que começou o ano nunca conseguiu ala
!
64!
“S” oi uma das alunas que acompanhei, a a-se de uma aluna mui o
desmo i ada, já inha ep o ado 4 ezes, es a a no 5º ano pela e cei a ez
consecu i a.
“Não gos a da escola po que não gos a de i às aulas, mas gos a dos
in e alos pa a es a com os amigos. Diz que não sabe es uda , que a única coisa que
az é le a ma é ia. Re e e ainda que gos a a de sai daquela escola po que já
conhece oda a gen e e os p o esso es já a conhecem e ela não gos a po que es ão
semp e a a i a -lhe coisas à ca a, como e ep o ado mui as ezes ou nunca sabe
aze nada, que só es á bem é a ala nas aulas” (N.T. 9)
Es a expe iência con ínua do acasso le a à desmo i ação po pa e dos
alunos. Mas que “ eação pode e um aluno se p e ê que o esul ado de sua a i idade
se á com bas an e segu ança nega i o” (Ma chesi, 2006: 73)? O no mal é deixa de se
in e essa e de se es o ça , como acon eceu com “S”. Po o ma a e i a que es a
sensação de incapacidade se apode e do aluno p opo cionei-lhe expe iências de êxi o
escola . Hou e um abalho a i o e in enso com a aluna, pa a pe cebe qual a melho
manei a pa a ape eiçoa seu es udo. Como a única coisa que azia e a le oi
necessá io pe cebe se pe cebia o que lia, con udo ambém inha mui os p oblemas de
in e p e ação.
“Assim, o acompanhamen o passou pela lei u a da ma é ia e a esc i a da
mesma mas po ou as pala as, pala as a que “S” u iliza a no seu dia-a-dia e que
es a a habi uada” (N.T.9).
Ten ei, adap a a a e a às suas possibilidades e a alia de o ma
especialmen e posi i a o seu es o ço e o seu esul ado. O desanimo dos alunos pode
es a elacionado com a al a de pa icipação e de au onomia p opo cionada e
expe ienciada na escola (Ma chesi, 2006), po isso, o con olo es a a odo na aluna,
ela e a a pe sonagem p incipal na sessão de u o ia, e a ela que me es a a a explica a
mim o que es a a a le e não o con á io. Es e abalho mos ou-se posi i o, uma ez
que:
“chega “S” pa a me da as no idades, inha mui o con en e pois i ou Bom a
Inglês e a Ciências. Dei-lhe os pa abéns e um g ande ab aço e disse-lhe que o mé i o
e a odo dela. Mas depois a aluna diz que i ou nega i a a His ó ia mas que nessa
!
65!
al u a ainda não es a a comigo e que se calha oi po causa disso que i ou nega i a,
pois es udou mui o e a é ajudou ou o colega a es uda , disse que sabia udo mas
mesmo assim i ou nega i a” (N.T. 16)
Mas, po ez, os alunos con on am-se com p oblemas que ão pa a além da
escola, que limi a qualque ipo de in e enção po pa e da escola e das p o issionais
que a con emplam. Es a mesma aluna e elou-me si uações em que:
“o pai lhe ba eu mui o hoje po que não que ia que ela saísse de casa com
leggins. Não que ia ainda que con asse à A.S. po que ela ia dize ao pai e es e disse-
lhe pa a ela não con a nada a ninguém senão acon ecia-lhe pio ” (N.T. 26)
“diz que desde que oi sinalizada à CPCJ e oi ala com a assis en e social de
lá que es á com medo que a e i em da amília, não que i pa a uma ins i uição. Que
a culpa e a da A.S. do Gabine e Social po que a sinalizou. Que es á a a da escola e
que se an es se po a a mal ago a ainda ai se pio ” (N.T. 43)
Es a ensão da aluna en e a adap ação do pessoal e o académico é no mal e
cons an e em g ande pa e dos alunos. Pedi a alguém que enha sucesso escola após
o deco e des e ipo de si uações o na-se como que impossí el. Foi necessá io
pe cebe a aluna, ou i-la, en a con ola as suas emoções nega i as que em de si, da
sua ida e da escola. Uma ez que “o sujei o p ecisa se adap a a uma sé ie de alo es,
cos umes, p á icas sócias, e c. que azem pa e da sua cul u a, mas ao mesmo empo,
de e es a a en o pa a a necessá ia ans o mação des es alo es, p á icas, e c. naquilo
que êm de desumano, de alienado, que p ecisa se supe ado” (Vasconcellos, 2004:
51).
Como u o a i e que comp eende o papel social da escola e de ende o
ca á e ans o mado que o capi al cul u al (da escola) pode p oduzi na ida dos
alunos, sem nunca deixa de olha pa a a mesma como alguém que em uma ida,
uma o ma de pensa , opiniões, sen imen os, en e ou os.
Como se cons a a, a u o ia ocaliza-se no desempenho escola dos alunos, o
que se eio a e ela posi i o que pa a a melho ia desse desempenho mas ambém
pa a pe mi i pe cepções mais posi i as ace ca de si p óp io. De qualque modo,
mui as ezes, o espaço de u o ia anscendeu o domínio do escola pa a cons i ui
como um momen o mais ocalizado na ida pessoal daquelas c ianças. T a a-se de
uma si uação ine i á el que demons a como não chega de e , apenas, compe ências
!
66!
écnicas e pedagógicas. Es as são impo an es, mas, apenas, como ins umen os que
nos possam ajuda a disce ni melho o que aze . Sem es e in es imen o no ou o,
sem se ac edi a que es e ou o, apesa de udo, necessi a de mais uma opo unidade,
em que en en a an os obs áculos que são in isí eis aos olhos, os ins umen os e as
écnicas de pouco se em.
Apesa de udo, há uma dimensão no domínio da in e enção écnica e
pedagógica que não pode á se des alo izada.
Na u o ia mais do que assumi o papel de acili ado a pedagógica, explicando
as coisas, encon ando meios pa a a i a a comp eensão dos alunos, acabei po
assumi um papel mais ambicioso. Fui acili ado a mas ui ambém alguém que lhes
o neceu ins umen os que possibili assem o ganiza e e le i sob e o es udo que os
alunos iam ealizando. Um exemplo e e a e com a a alização do desempenho de
cada um nos es es e p o as. T a a-se de uma inicia i a que pode se decisi a pa a
qualque aluno e, sob e udo, pa a es es alunos. Mais do que e uma classi icação que
pouco diz, impo a pe cebe o que se az bem e o que se az mal pa a oma decisões
sob e o que se passa a aze daí em dian e.
3. A Escola es á pa a o Aluno como o Aluno es á pa a a Escola?
Segundo Pe enoud, “ninguém equen a a escola po equen a , e sim pa a
dela sai munido de conhecimen os, de compe ências, de a i udes e de alo es que
pe mi am en en a a exis ência humana” (2003: 164). Con udo, como e i icamos a é
ago a, a escola, nem semp e ap esen a condições que jus i iquem a p esença do aluno
na mesma, assim como o seu êxi o. O insucesso escola ge a um aumen o dos
compo amen os indisciplinados e, po isso, o desin es imen o do aluno mas ambém
do p o esso . Com es e es ágio oi impo an e pe cebe como es es alunos
acompanhados po mim a a és do apoio u o ial, concebem a ealidade escola e
desen ol em lógicas de ação ela i amen e à escola. É com es a pe spe i a que nos
depa amos com os (des)encon os na indisciplina, en e p o esso es e alunos.
3.1. (Des)encon os com a indisciplina
João Amado (1972) u iliza ní eis e ca ego ias pa a dis ingui o sen ido e as
implicações educa i as das mani es ações de indisciplina. Pa a se mais p ecisa,
!
67!
exis e um 1º ní el de indisciplina designado po a pe u bação do mau
compo amen o, que é ca ac e izado pelo “compo amen o dos alunos que pe u bam
o bom uncionamen o da sala de aula” (Cosme & T indade, 2002: 8), apesa de não se
a a em de mani es ações mui o ag essi as, a e am po igual o ambien e de abalho e
consequen e ap endizagem que se i e na sala de aula, assim como o mal-es a
docen e. Den o des e ní el exis em des ios e espe i os compo amen os des ian es
que o aluno indisciplinado p a ica, que es ão ep esen ados na seguin e igu a 7:
Subca ego ias
Compo amen os des ian es dos alunos
“Des ios” às eg as da comunicação e bal.
Con e sas, comen á ios, espos as cole i as;
g i os, ba ulhos; con usão.
“Des ios” às eg as da comunicação não-
e bal.
Risos, olha es; ges os, pos u as/posições; aspe o
ex e io .
“Des ios” às eg as da “mobilidade”.
Deslocações não au o izadas, b incadei as.
“Des ios” ao cump imen o da a e a.
A i idades o a da a e a; al a de ma e ial; al a
de pon ualidade; al a de assiduidade.
Es es des ios e espe i os compo amen os de indisciplina são os mo i os
jus i ica i os u ilizados pelo p o esso pa a expulsa os alunos das suas aulas. Mas
exis e um ou o lado escondido nes a indisciplina, o lado dos alunos, a o ma como
es es jus i icam os seus compo amen os, o seu insucesso e po consequência o
desin e esse pela escola. A o ma de pe cebe es as causas oi a u ilização da icha
Bilhe e de Iden idade do Aluno8. Após a análise das espos as dos alunos a es e
documen o, pe cebemos que as azões que os alunos u ilizam pa a a
incompa ibilidade com as disciplinas que não gos am são o ac o de não gos a em dos
p o esso es e não gos a em ou não pe cebe em a ma é ia dada nas aulas.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
8 Apêndice 1
Figu a 7 – Ní eis e ca ego ias que ca ac e izam a indisciplina (Amado, 1972)
!
68!
Quais as Disciplinas que
menos gos as?
Po quê?
O que é que u pode ias aze
pa a esol e os p oblemas
nessa(s) disciplina(s)?
Po uguês
Po que não gos o da p o esso a
Não esponde mal à p o esso a
Inglês
Tenho di iculdades em pe cebe inglês
Po uguês, Educação
Física, Ma emá ica e
His ó ia
Po que não gos o dos p o esso es
Começa a gos a dos p o esso es
Po uguês
Po que não gos o de e bos
Muda de p o esso a
Ma emá ica, His ó ia e
Educação Tecnológica
Po que não gos o das ma é ias, nem
dos p o esso es e acho di ícil
Po a -me bem, es uda mui o mais
e es a a en a
Inglês
Po que não pe cebo nada
Es uda mais
Ma emá ica, Po uguês,
Inglês, Ciências, Música e
His ó ia
Po que são uma seca
Es uda mais
Físico-química, Ciências,
Po uguês, Ma emá ica e
Música
Po que não gos o dos p o esso es
Não sei
Ma emá ica
Po que não cu o a s ô a
Es uda mais
Ma emá ica, Educação
Visual, Educação
Tecnológica e Inglês
Não gos o é di ícil
Po a -me bem e es a a en o
A indisciplina eque espos as di e si icadas em unção dos p oblemas
diagnos icados. Não há espos as- ipo nem “ ecei as” pa a lida com es e p oblema,
pois cada caso é um caso e o p o esso e á que p ocu a em cada si uação mobiliza a
sua capacidade de diagnós ico, o seu bom senso, a sua capacidade de e lexão e a sua
compe ência pedagógica em ge al, que, nes e caso, pode se a iculado com os
ecu sos que o Gabine e do Aluno e o Gabine e Social disponibilizam.
Não se a a, no en an o, de esponsabiliza exclusi amen e es es gabine es po
encon a espos as pa a si uações i idas po ou os, mas po mobiliza es es
gabine es pa a se p oduzi uma e lexão e espos as consequen es.
Se isso não se ize co e-se o isco de se es a a p omo e in e enções de
na u eza emedia i a que, podem conduzi a legi ima si uações de insucesso,
esponsabilizando as i imas do mesmo pelos acon ecimen os que o ge a am.
Figu a 8 – Opinião dos alunos quan o às disciplinas que menos gos am e de idas
jus i icações
!
69!
Não se a a, inalmen e, de uma inicia i a ácil de ope acionaliza po que há
p oblemas di íceis de en en a que anscendem a capacidade de ação dos p o esso es
mas ambém há esis ências e p econcei os di íceis de supe a . Daí a impo ância de
não se deixa em os p o esso es en egues a si p óp ios nes a e lexão e os Gabine es
como ábuas de sal ação que ali iam mais a do do que en am esol e o p oblema.
É um abalho complexo po que des a o ma que não bas a iden i ica os
a o es e a na u eza do con li o, pa a o igina a mediação, nem domina os
p ocedimen os me odológicos da mesma. É necessá io “ap ende e comp eende as
ca ac e ís icas sócio-cul u ais do e i ó io onde se in e ém, comp eende a exp essão
das consequências da si uação em e mos indi iduais, colec i os e ins i ucionais,
iden i ica os obs áculos, e elabo a um p ojec o onde a mediação seja apenas um dos
p ocessos a emp eende ” (Almeida, 2009: 126), com o apoio do abalho em equipa.
Es e abalho em equipa en e oda a comunidade escola , con ibui pa a o comba e ao
insucesso, a a és da mediação, po que se abalha o aluno no seu odo e nos seus
di e sos con ex os, in e indo e azendo pon es en e a amília, a escola e a
comunidade con ibuindo, assim, pa a o bem-es a e desen ol imen o socioeduca i o
dos alunos nos seus á ios mundos. Em suma, “cada ac o , e cada acção, in eg a um
puzzle de sabe es es a égicos com oupagens di e sas, cuja unidade e sen ido se
descob e após o seu encaixe” (Almeida, 2009: 126).
3.2. En e dilemas
A impo ância da equipa, po im, pode assumi uma impo ância es a égica
decisi a quando es amos pe an e um abalho que nos con on a com dilemas e
p oblemas que não podemos e i a . Sem o apoio con ingen e e solidá io da equipa
não é possí el (sob e) i e . Foi ou a das ap endizagens de que pude bene icia
quando me de on ei com p oblemas inédi os no âmbi o do p ocesso de mediação em
que pa icipei.
A elação con ínua com os sujei os, oi-se desen ol endo ao longo do empo,
conduzindo pa a uma elação de in imidade e menos o mal, en e adul o e jo em
aluno. Com o passa do empo o ní el de à on ade e con iança dos alunos oi
aumen ado, ap esen ando mais momen os de diálogo que po ezes o igina a
con idências. Es es momen os são i enciados no mundo do sujei o o nando possí el
“ap ende o modo de pensa do sujei o (...) [sendo] empá ico e, simul aneamen e,
!
70!
e lexi o” (Bodgan e Biklen, 1994: 113), demons ando in e esse no sabe se como
ele.
“de epen e ouço o “D” a dize “o eu cunhado ez isso?!” e a “AR” esponde
“sim, oi pa a me es a ”. Sem es a a pe cebe bem do que es a am a ala
pe gun o-lhes o que se passa. “AR” começa a cho a e diz que oi abusada pelo
namo ado da i mã. Fico em choque e lemb o-me de ela me e alado, em sessões
an e io es que não gos a a da i mã, que nem a mãe gos a a dela e que es a e o
namo ado não de iam es a a i e em casa dela, só que não inham pa a onde i e
po isso es a am a i e odos na casa dela. Peço-lhe que me con e o que acon eceu
mais especi icamen e. Es a diz que não oi nada, mas “D” insis e e diz-lhe que pode
con ia em mim, que sou uma das melho es s ô as que a escola em e que se me
con a eu ou ajudá-la. Digo-lhe que se quise podemos i pa a ou o si io só as duas
se não se sen i à on ade com a p esença de “D”. Es a, em lág imas, começa a
ela a o que acon eceu, que oi num dia que es a am os dois sozinhos em casa e que
ele se ap oximou dela lhe ez coisas no qua o, e minando que só o ez pa a a es a .
Pe gun o-lhe es a o quê e es a esponde que e a es a pa a e se dizia alguma
coisa à i mã. Fico es upe ac a, pensando que es a c iança acha que es e homem e e
azão no que ez po que que ia uma p o a de con iança da mesma. “AR” ac escen a
que é e dade, que ju a po udo que é e dade e que não que que con e a ninguém,
pa a ica en e nós, pois se a E.S.P. soubesse ia dize à p o eção de meno es e iam
i á-la da mãe. Digo-lhe que não lhe ou dize nada sozinha, pois que o que ela
enha comigo ala com E.S.P., pois apesa de es a es a a desaba a comigo eu não
podia aze nada pa a a ajuda e p o ege , po se uma me a es agiá ia. Sen i-me
impo en e naquele momen o. Apesa de es a con inua a nega eu insis i dizendo pa a
pensa nisso, pa a con a à mãe o que me con ou a mim e que amanhã, depois de e
do mido e e le ido sob e a minha p opos a, iesse e comigo pa a e mos como
podíamos esol e o p oblema jun as” (N.T. 44).
Po ezes, con on amo-nos com alguns dilemas que nos colocam numa
posição delicada, na omada de decisão “en e um ou ou o ipo de ac uação, não em
e mos de e iciência mas em e e ência ao que é conside ado mo almen e ce o ou
e ado” (Ba nes, 1979: 16 ci in Mo ei a, 2007: 146). Po se a a de um caso de
abuso ísico, a decisão pode pa ece ób ia quan o à in e enção, ou seja, pa a com os
!
71!
abusos, mas ao e le i sob e o assun o pe cebemos que es a a denuncia algo que nos
oi di o em con idencialidade pode queb a a con iança o al que a aluna deposi ou em
nós. Pe cebe se se a a de um pedido de ajuda ou simplesmen e de um desaba o
con idencial, o nou-se num dilema nunca an es con on ado, is o que me ape cebi
que sozinha não conseguia lida com a si uação mas que o a o de denúncia podia se
in e p e ado como uma o ma de e i a o p oblema. De emos se o almen e ancos
com odas as pa es en ol idas du an e a in e enção (Mo ei a, 2007)? A since idade
po mais aconselhá el que seja, pode ep esen a uma consequência nega i a, mas
sendo as decisões é icas de minha in ei a esponsabilidade, endo “consciência de
[mim] p óp i[a], dos [meus] alo es e c enças” (Bogdan e Biklen, 1994: 77), omei a
decisão de pe suadi a aluna a ala com a sua écnica esponsá el do Gabine e Social,
na qual e ia o meu apoio e p esença no a o de denúncia, conscien e de que se a a a
de uma o ma de a pô em segu ança.
Apesa de odos os dilemas que i enciados ao longo do es ágio, ape cebi-me
da necessidade que es es alunos ap esen am quan o à p esença de um “amigo c í ico”,
que se coloque no luga do aluno, lhe dê espaço pa a pe cebe o que pensa e po que
az e pensa daquela manei a, espei ando a sua indi idualidade, sendo um apoio pa a
es e.
Todas as semanas, en ei “ i e ” es e es ágio de o ma conscien e, c í ica e
e lexi a, p ocu ando na in inidade de ges ões, ações, i uais e in e ações dos jo ens
alunos e dos adul os, encon a momen os de in e pelação e con on o com os sabe es
adqui idos ao longo do Mes ado em Ciências da Educação.
4. A A aliação e Moni o ização da Ação
Inicialmen e, oi ealizado um p oje o p é io à ação, que consis iu em planea ,
is o é, p oje a uma mudança de o ma a “an ecipa concep ualmen e uma ealidade
desejá el, p e e as e apas necessá ias de ans o mação dessa ealidade e os
caminhos a pe co e pelos agen es” (Capucha, 2008: 13). Pa a al o am iden i icados,
po um lado, os a o es que a e am os p ocessos e, po ou o lado, o modo como se
pode in e i sob e es es, p osseguindo com a escolha das ações co esponden es e
espe i a mobilização dos meios necessá ios pa a que haja uma mudança.
Con udo, apesa de inicialmen e o p oje o es a di ecionado pa a uma
in e enção no Gabine e do aluno, in oduzindo no mesmo a mediação, após a en ada
!
72!
no con ex o a ação oi conc e izada no Gabine e de Mediação, com o obje i o de
abalha em equipa mul idisciplina , ob e expe iência a a és do abalho com
écnicas da educação, pa a além de e o ça um apoio na mediação e no apoio u o ial
aos alunos. Cons a amos, assim, uma impo ância da alo ização dos sujei os, que
como e e e Lei e, Rod igues e Fe nandes, a “a aliação em de da oz aos
pa icipan es em condições de libe dade que seja possí el ga an i uma opinião
e dadei a” (2006:24), sem esquece que es a p ocu a pode es a mais p eocupada
com a melho ia da p á ica p o issional, e não, unicamen e, com a aquisição de
conhecimen os.
Após a desc ição an e io , ape cebemo-nos da ligação que exis e pa a uma
a aliação ex e na. É a pa i do g au de ap oximação e pa icipação do a aliado com
a elação à ação a a alia que é possí el aze a dis inção en e um ca ác e in e no ou
ex e no da a aliação (Mon ei o, 2000). Po se a a de uma a aliação ex e na,
pe mi iu-me um maio con olo da ação (Te asêca, 2001), podendo mesmo e e i
que ao longo da in e enção ui ganhando mais au onomia passando a se uma
a aliação in e na. Nas ações ealizadas, u ilizei a elação com o indi íduo como um
meio p i ilegiado, como agen e das po encialidades la en es e como mo o da
mudança, ou seja, a ou-se de uma elação de ajuda: calo osa, p óxima e bene olen e.
To na-se, assim, pe cep í el que a ação se desen ol eu em ês p á icas
a alia i as. P imei amen e, encon amos a a aliação ex-an e, ou seja, a ase inicial de
diagnós ico, em que oi desenhado o “in en á io das necessidades, dos bene ícios e
dos ecu sos disponí eis» (Mon ei o, 2000:142), mais p ecisamen e, a plani icação do
p oje o a a és do obje o e dos obje i os do es udo. Seguidamen e, depa amo-nos com
a a aliação o ma i a, que oco e du an e o desen ola da ação, em que se espe a que
as a i idades a se desen ol idas sejam e icazes e e icien es, con ibuindo pa a a
melho ia de compe ências dos a o es en ol idos (idem). Po im, a a aliação ex-pos ,
que é aplicada no inal do p oje o, que em “como objec i o undamen al es abelece
se uma acção p oduziu os esul ados ou e ei os espe ados” (Mon ei o, 2000:142), pa a
a conc e ização des a úl ima oi ei o um ques ioná io com algumas ques ões abe as
aos alunos com quem e e uei o apoio u o ial, pa a pe cebe se a ação e e um
impac o posi i o ou nega i o. Felizmen e, após a análise dos mesmos, os alunos
demons a am-se bas an e sa is ei os, desejando a con inuação do mesmo: “a s ô a
!
73!
conseguia ajuda -me em udo e a mo i a -me a es uda ”; “gos ei de udo: b incadei as,
con e sas, es uda e aze jogos”; “espe o que ocê enha pa a o ano”9.
Nes e seguimen o, é pe cep í el a minha posição subje i is a, is o que me
depa ei com a complexidade e i e e sibilidade de si uações “cons uídas pelos
sujei os a pa i de in e esses e alo es di e sos e em con li o, pelo que apenas
comp eensí eis em unção das suas in enções e do modo como in e p e am as
si uações” (Rod igues, 1994: 98). Po is o, i e que assumi uma posição negociada,
pa icipada, democ á ica e a uma é ica con a ual. Dep eende-se que a minha ação se
cen ou no sujei o (aluno) e no seu desen ol imen o pessoal e social, sendo ambém
es e a on e do e e encial da minha a aliação, que assume “uma unção de au o-
egulação e de au o-con ole” (Rod igues, 1994: 99).
Como em qualque p ocesso de a aliação ao ní el da in e enção,
es abeleceu-se obje i os a cump i . Assim, o a o de ealiza uma a aliação
pe manen e desde o diagnós ico, passando pelo deco e da ação a é ao seu inal,
eco endo à moni o ização das minhas ações e a i idades pa a comp eende e me
ajuda a melho a semp e que possí el em odo o p ocesso desen ol ido. Assim, a
in e enção pe mi iu-me comp eende o uncionamen o e ealidade do Gabine e de
Mediação, as no as de e eno diá ias se i am pa a egis a odo o p ocesso, e po
úl imo, as a i idades ealizadas o am aplicadas numa lógica de melho a o
desen ol imen o pessoal e social dos in e enien es.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
9 Respos as dos alunos à Ficha de A aliação, apêndice 4
!
80!
Pe enoud, Philippe (2003). Desen ol e compe ências ou ensina sabe es? : a escola
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Es udos locais compa a i os. Po o: Edições A on amen o.
!
82!
!
83!
Apêndices
!
84!
! !
!
85!
!
Apêndice 1 – Bilhe e de Iden idade do Aluno
!
!
86!
!
87!
Bilhe e*de*Iden idade*do*Aluno*
Nome:!
!
Da a!de!Nascimen o:!____/____/____!
!
Ano!e! u ma:_____!
Quais!as!disciplinas!que!mais!gos as?!
Po quê?!
Quais!as!disciplinas!que!menos!gos as?!
Po quê?!
Conside as^ e!bom!ou!mau!aluno?!Po quê?!
O!que!é!que! u!pode ias! aze !pa a! esol e !
os!p oblemas!nessa(s)!disciplina(s)?!
Que!di iculdades!sen es!no! eu!es udo?!
!
88!
!
89!
Apêndice 2 – Plano Indi idualizado de Es udo
!
!
96!
!
!
97!
Apêndice 4 – Ficha de A aliação
!
98!
!
99!
Ficha*de*A aliação*
!
Da a:!___/____/____!!!
Nas!sessões!gos ei....!
Nas!sessões!não!gos ei....!
!
!
!
Que!dú idas! ica am!po !escla ece ?!
Obse ações:!
!
!
100!
!
101!
Apêndice 5 – No as de Te eno
!
102!
!
103!
No a de Te eno 1
2-10-2013
Chegada à escola às 10.30h, ho a de encon o combinada com a Assis en e
Social (A.S.). Enquan o en o e passo pelos co edo es a é ao gabine e social, onde se
encon am as écnicas, pe cebo que odos olham pa a mim de o ma es anha, sem
pe cebe em quem são, alguns alunos a é comen am uns com os ou os e ques ionam-
se se sou uma p o esso a no a.
Quando en o no gabine e social a A.S. a anja um luga pa a mim, mesmo ao
seu lado, na mesa das écnicas. O Gabine e é um espaço pequeno, a po a é quase oda
de id o azendo com que se consiga e udo de den o pa a o a do gabine e e ice-
e sa; em ambém uma pa ede de id o com is a pa a o lado de o a da escola, em
dois mó eis com po as echadas em cada can o do gabine e, um a ás da sec e á ia e
ou o pe o da po a de en ada; em ainda uma mesa de sec e á ia e angula g ande,
di idida em 3 pa es pa a cada uma das écnicas; encon amos ainda uma mesa
pequena edonda com 4 cadei as à sua ol a.
Com mais um elemen o no gabine e a sec e á ia passou a se di idida em 4.
Sen ei-me ao pé da A.S. e da Educado a Social “P”. (E.S.P.). A A.S. iniciou con e sa
comigo e quis o ganiza o meu ho á io e o que pode ia ealiza com os alunos. An es
de consegui mos a ança en a um aluno “D”, mui o incon o mado, no gabine e
social que inha sido expulso po que, segundo ele, “a s ô a não me deixou pa icipa
na aula, es i e com o dedo no a imenso empo, ela pensou que eu es a a a goza ,
en ão im embo a já que não es a a lá a aze nada”. A Educado a Social “S”. (E.S.S)
con e sou com o aluno “D” na mesa edonda en ando elemb a o seu his ó ico a
ní el do compo amen o, is o que semp e oi um aluno que se compo ou mal
du an e as aulas, no a a-se pela con e sa e cumplicidade que o aluno con ia a na
educado a, al ez po isso, o aluno enha admi ido o se e o mas e o çou a ideia: “eu
posso es a e ado po que às ezes enho mau compo amen o mas a s ô a ambém
es á e ada po que eu es a a mo i ado pa a pa icipa na aula mas a p o esso a não
deixou”. Após es e momen o de e lexão, a E.S.S. con ence o aluno a i pedi
desculpa à p o esso a e pedi pa a en a na sala de aula no amen e. An es de sai o
aluno mos ou-se cu ioso pela minha p esença, que ia sabe quem e a e pe gun ou à
E.S.P. quem eu e a e se ia abalha ali. A E.S.P espondeu ao aluno dizendo que eu
e a uma es agiá ia e que ia ajuda-las no gabine e. O aluno icou cu ioso a olha pa a
mim e pe gun ou o meu nome, eu espondi dizendo que me chama a Joana, a A.S.
!
104!
ac escen ou que se ele p ecisasse de alguma coisa podia i e comigo, a D ª Joana. O
aluno iu-se e saiu.
Com a saída de “D” ica am só as écnicas no gabine e, a A.S. e eu
ap o ei amos que o ambien e es a a calmo, segundo ela, pa a aze o meu ho á io de
es agio. Ficou es abelecido que i ia aze mediação de manhã jun amen e com a
écnica que es i esse es abelecida pa a aquele dia. Na pa e da a de i ia aze
acompanhamen o ao es udo com alunos que as écnicas já acompanham mas como
são mui os e não êm empo pa a aze um acompanhamen o mais p o undo, ica ia eu
com eles pa a e o ça o acompanhamen o. A A.S. i ia ainda ala com as educado as
pa a es abelece em quais se iam os alunos mais necessi ados de acompanhamen o.
Seguidamen e izemos um documen o pa a o egis o das minha p esenças.
En e an o chega am os pais de um aluno pa a ala em com a A.S., es a
pe gun ou-me se gos a a de es a p esen e na eunião que ela i e com eles, eu disse
logo que sim, mas um pouco hesi an e po que os Enca egados de Educação (E.E.)
podiam não es a à on ade comigo como com a A.S.. Fomos pa a um gabine e à
pa e e após a en ada a A.S. ap esen ou-me, disse que e a uma colega de abalho,
que es a a a es agia e que gos a a de es a p esen e na eunião, os E.E.
cump imen a am-me, azendo com que isso con i ma-se a minha p esença. Os pais
começa am en ão a ala das di iculdades económicas que es a am a ul apassa e que
que iam pedi o e o ço alimen a pa a o ilho na escola. Re e em ainda que não êm
condições mone á ias pa a comp a dois li os exigidos po um p o esso pa a as
disciplinas de E.V. e E.T., aliás pedi am ao ilho pa a explica a si uação ao p o esso
pa a não e al a de ma e ial, mas quando es e o ez o p o esso espondeu que o
p oblema não e a dele e que inha que esol e a si uação. A A.S. começou po pedi
alguns dados pessoais dos dois E.E. pa a comple a a in o mação do aluno pa a o
pedido do e o ço alimen a , es es começa am a ala do que inha sucedido, que
ab i am um negocio a a és do cen o de emp ego e que apesa de inicialmen e e
sucesso começou po e que acaba , o p oblema é que inha que con inua a paga a
di ida ao cen o de emp ego, com o dinhei o que a mulhe ecebia, o a não sob a a
mui o. A A.S. e e iu que não ia ha e p oblema nenhum em elação ao e o ço e que
quan o ao li o ela ia en a i a o ocópias, po que já alguns alunos se inham
queixado do mesmo e ela conseguiu i a o ocópias do li o pa a eles. Eles
ag adece am imenso a ajuda e o apoio.
!
105!
En e an o ocou pa a o in e alo e a A.S. disse que íamos da uma ol a pela
escola, p imei o pa a eu conhece o espaço mas ambém pa a pe cebe que é
necessá io con ola alguns alunos, os mais elhos, po que alguns me em-se com os
mais no os e ou os escondem-se pa a uma . Enquan o andamos pela escola alguns
alunos em e com a A.S. mos ando ca inho e cumplicidade pela mesma, es a não se
ica a a ás e e ibuía com pala as de ca inho mas às ezes chamadas de a enção
pa a alguns alunos pa a se es o ça em e es uda em mui o logo desde o início do ano
po que não podiam ep o a ou a ez. Pelo caminho encon amos ainda uma aluna
que não es a a com a oupa mais adequada, inha uma camisola que lhe deixa a a
ba iga mui o à mos a e umas leggins mui o ape adas. A aluna espondeu que es a a
em Educação Física e que po isso é que es a a assim. A A.S. disse-lhe que a es a a
a isa po que podia i pa a à di eção po es a es ida de o ma imp óp ia. A aluna
ag adeceu o conselho e disse que não ia anda assim. Depois de nos a as a mos da
aluna a A.S. explicou-me que ago a é mui o comum as apa igas anda em com pouca
oupa e mos am mui a coisa, o nando-se mesmo imp óp io, e como se a a de
alunas meno es êm que chama a a enção pois es e compo amen o pode pô em isco
as jo ens.
Enquan o caminhá amos pela escola a p o esso a ap esen a a aos alunos,
p o esso es e uncioná ios, semp e que necessá io. Rela i amen e à escola é um
espaço g ande mas mui o echada, no sen ido em que em mui os co edo es deixando
com que haja pouco espaço pa a que os alunos se consigam mo imen a . As salas em
boas condições, são g andes, com g andes janelas de id o que da am isibilidade aos
alunos, odos êm um e op oje o e compu ado pa a o p o esso ; as po as êm uma
pa e de id o dando isibilidade a quem passa. O espaço da pa e de o a é bas an e
g ande e ag adá el, em uma pequena zona cobe a onde os alunos podem joga
ma ecos ou énis de mesa, o es o é descobe o, em um g ande campo de u ebol
acompanhada po uma bancada, o es an e espaço em zonas e des com caminhos se
quise em passea . A A.S. mos ou-me ainda a zona de pe igo em que os alunos
uma am, e a numas escadas de ca acol echadas, mais p ecisamen e as escadas de
eme gência, e am escu as e quem quisesse conseguia esconde -se lá pe ei amen e
sem se is o.
!
112!
campo de u ebol, mas não es a a, ao eg essa ejo o “B”a sai da escola, ico
espan ada e ui lá o a pe gun a se inha sido expulso, es e diz que sim, po que es a a
sen ado inco e amen e na cadei a, disse-lhe pa a i comigo mas es e não quis pois
os colegas es a am a chega e que ia es a com eles. Mais a de ai à minha p ocu a
pa a ala sob e o que inha acon ecido.
Chega a “AR”, a sessão co e bem, azemos á ios exe cícios de po uguês,
is o que es a ai e es e dessa disciplina. En e an o chega a “S” que não que ia
es a sozinha pois a mãe es a a na escola e es a a com medo, o p oblema oi que
des abilizou o es udo com a “AR”. Chega o empo em que “AR” em que ala com a
E.S.P. mas como es a não es a a no gabine e disse-lhe pa a espe a enquan o a ia
p ocu a . Pelo caminho, encon o ou a ez o “B” que es á com o “DR”. Le o-os
comigo pa a o gabine e e alo com “B”. Pe gun o-lhe se es á a pe de o seu empo e o
meu. Es e ica mui o espan ado e diz que não mas que semp e que em aulas com
aquele p o esso em pa a a ua, não adian a. Le o-o à sala e peço pa a e mais
calma.
Quando es ou no acompanhamen o com a “BA”, es a diz que p ecisa de ajuda
pa a aze os esumos de his ó ia pa a abalho de casa, que es á com di iculdades de
comp eensão com pa es da ma é ia. Quando íamos a começa o “B” ba e à po a e
pe gun a-me se pode en a . Digo que sim e pe gun o-lhe o que é que acon eceu pa a
se expulso ou a ez. Es e diz que o p o esso o mandou apaga a luz do in e up o
da di ei a e que ele se enganou e apagou o da esque da e o p o esso mandou-o sai .
Disse-lhe pa a ica comigo e ajuda -me a explica algumas coisas à “BA”, conseguiu
explica -lhe bem a ma é ia, iquei su p eendida e pe cebi que se a a de uma aluno
com capacidades mas que simplesmen e não as ap o ei a, po que como me e e iu no
inal da sessão, não gos a a da escola, nem das aulas e que que ia aze 18 anos pa a
pode sai , inalmen e da escola.
!
113!
N.T 29
5-12-2013
Chegada às 10h. Ida pa a o gabine e de Mediação Escola , pelo caminho
encon o a “S” que me diz que acha que ai se suspensa po que ag ediu uma aluna
que es a a a dize mal dela e da u ma dela. Pe gun o-lhe se já disse mal de alguém,
ela diz que sim, ala mal de mui a gen e, en ão con on o-a com a ideia de oda a
gen e de quem ela diz mal lhe aze o mesmo que ela ez a ou a aluna. Es a diz que
não ia gos a mas que no momen o não conseguiu pensa nisso, que não gos ou e quis
esol e o p oblema, mas que não es a a p epa ada pa a a consequência, suspensão ou
liga em pa a a sua mãe.
P o esso em a é ao Gabine e de Mediação pa a ala com a A.S. pa a
esol e o p oblema do aluno “RG” da sua di eção de u ma, pois que ia encon a
alguma solução ou es a égia pa a esol e o p oblema do aluno, is o que es e es á
cons an emen e en ol ido em con li os, an o com os colegas de u ma, como com os
p o esso es den o de sala de aula, pa a além do compo amen o ag essi o que em
demons ado. O p o esso diz que desde que começou o ano nunca conseguiu ala
com a Enca egada de Educação (E.E.), que es a nunca apa ece, ha endo al a de
in e esse da pa e da mesma, e e indo ainda que há a des esponsabilização quan o à
oma da medicação pa a a hipe a i idade em casa. A A.S. con i ma dizendo que
somos nós écnicas que odos os dias amos à sala pa a lhe da a medicação.
Ac escen a ainda que ai começa a da -lhe acompanhamen o u o ial indi idual pa a
en a pe cebe o que se passa com o aluno e assim en a con ola os seus
compo amen os nega i os, indisciplinados e a é iolen os pa a com os ou os. O
p o esso con i ma a necessidade desse abalho com o aluno e que ai con inua a
insis i no con ac o com a E.E. pa a e o ça no acompanhamen o.
A A.S. oi seguidamen e chamada à di eção pa a esol e um p oblema g a e
de um aluno, com 10 anos, que es á ep o ado, já no p imei o pe íodo, de ido a
suspensões, o aluno mos a um compo amen o pe u bado , a é ag essi o, insul ando
p o esso es, dizendo que em a mas em casa e que um dia ai ma a os p o esso es e
os alunos da escola, que quando con on ado na di eção, o aluno admi e o que disse
sem qualque p oblema, ol ando mesmo a epe i , sem mos a medo algum pela
au o idade ou cas igos que pode iam lhe se es abelecidos. Po en u a a mãe des e
aluno demons a um compo amen o de ensi o quan o ao ilho, dizendo que es e já
!
114!
so ia de bullyng dos p o esso es nas escolas an e io es que equen ou e que nes a se
e ela a mesma coisa.
Quando ui da a medicação ao “RG” a sua u ma es a a a aze es e, mas já
es a am dois alunos o a da sala de aula, pa a “ espi a ” po que como inham
e minado o es e mais cedo inham que es a calados e quie os mas segundo os alunos,
ize am ou o colega i e po isso a p o esso a mandou-os sai e es a am e ol ados
po que o colega não saiu. A p o esso a ao pe cebe que es a am a ala comigo em
cá o a a isa pa a não ala em al o pois os colegas es a am a aze o es e, a “ML”
esponde com um om de ag essi idade à p o esso a, “ago a es ou a ala com a s ô a
Joana”, a p o esso a mos ou desag ado e disse pa a ela e mais cuidado com o que
diz, a aluna começou a anda de um lado pa a o ou o mos ando-se ne osa com a
si uação, não pedindo desculpa pela o ma como espondeu, po isso ouxe-a comigo
pa a o gabine e pa a en a le á-la à azão, azendo-a pe cebe que à o mas de ala
que al am ao espei o daqueles que nos odeiam. Na con e sa disse-lhe que ela a é
podia e oda a azão quando a p o esso a a mandou pa a o a mas que a pa i do
momen o em que ela espondeu daquela o ma pe deu oda a azão. A aluna admi e
isso mas diz que é mui o ne osa e que não se consegue con ola e que a p o esso a
já sabe como ela é. Digo-lhe que quando alguém lhe ala mal ela ambém não gos a,
que só daí se ê o espei o que emos pelos ou os e que quando nos azem mal ou i
a pala a desculpa ajuda mui o. Es a admi e que enho azão e quando ocou oi pedi
desculpa à p o esso a. A p o esso a diz-lhe que só não lhe ai ma ca al a disciplina
po que ela e e noção do que ez e admi iu o seu e o.
Das 11h30 às 13h30, não se sucedeu nada. Es e e semp e udo calmo, sem
oco ência de qualque p oblema.
Na pa e da a de, inicio o p imei o acompanhamen o com o “L”, pe gun o-lhe
po que não eio a semana passada, es e começa po dize que oi po causa de um
jogo que es a a a joga com os amigos, que inha que escolhe en e aze uma coisa
ou ou a e o que ele escolheu ebola den o de um caixo e do lixo e que depois de o
aze icou mal dispos o e não conseguiu i ao acompanhamen o. Achei udo aquilo
mui o es anho e disse-lhe que me podia dize a e dade, se não lhe ape eceu mesmo
i . O aluno acaba po admi i que não lhe ape ecia i , a é po que inha i ado mui as
nega i as e não me que ia dize , mas que ambém es a a enjoado na al u a. O aluno
ap esen a nega i a a p a icamen e odas as disciplinas, as únicas posi i as são a
Educação Física, Educação Visual e Educação Técnológica. Como já inha ei o os
!
115!
es es odos acabamos po não es uda mas ap o ei amos pa a con e sa mos no que
podia melho a no p óximo pe íodo. O aluno comp ome eu-se a es uda mais, ou seja,
le a ma é ia, pe cebe o que es á a le e aze esumos, no caso de e alguma
di iculdade i a dú idas comigo ou com os p o esso es; ambém e á que melho a o
compo amen o nas aulas, nomeadamen e não ala pa a o lado ou ala al o. O aluno
esc e eu is o num papel e assinou como se osse um con a o. Depois da nossa
con e sa deixei-o sai mais cedo, oi embo a com uma a e a, a de passa os cade nos
de his ó ia e ma emá ica, du an e as é ias, is o que es a am mui o mal o ganizados.
En e an o a “G” e a “M” que chega am en e an o. “M” não ez o es e de
inglês que lhe iz no dia an e io e ia e es e no dia seguin e, oi azendo e se i esse
algumas dú idas pode ia pe gun a e jun as en á amos esol e . “G”, es á no 8º ano
mas encon a-se na mesma si uação que o “L”, 5 nega i as. Es e e, ambém, a aze
um con a o de p omessa, em que se comp ome ia que ia melho a , es a mos ou
in e esse em aze-lo, diz que es e pe íodo se desleixou po que não gos a das aulas e
gos a de se di e i e po isso na aula az algumas palhaçadas, mas que pa a o
p óximo pe íodo isso ia muda po que que ia passa de ano.
“M” e e mui as di iculdades em aze os exe cícios do es e, pe cebe mui o
pouco, demons ou al a de in e esse, não que ia aze nada po isso ala a de ez em
quando en ando me e con e sa comigo e com a “G”. Assim, eu e “G” omos ajuda-
la a aze o abalho.
Quando ocou, a “G” oi embo a, icando a “M” e a “AR” que en e an o
chegou. Es a ul ima ia e es e de his ó ia no dia seguin e e como já inha os esumos
ei os dos acompanhamen os an e io es decidimos e e a ma é ia, mais p ecisamen e
eu iz-lhe pe gun as e ela espondia, se i esse di iculdades eu explica a-lhe po
ou as pala as pa a a mesma comp eende . Apesa de a aluna admi i que não
es udou, es a sabia mui a coisa das sessões de acompanhamen o an e io es, ha ia só
algumas coisas que es a não sabia po que e a mais di ícil pois e a mais de deco a ,
po se em desc ições, mas em si co eu udo bem. Como pa a a semana a aluna ia e
es e de Ciências, como a e a pa a casa inha es uda e aze esumos i ando as
dú idas na p óxima sessão.
Po im chega a “BA”. Es a já inha ei o os es es odos, não inha abalhos
de casa e pediu-me se podíamos ala de qualque coisa em ez de es uda is o que
nem inha TPC. Eu espondi que sim mas an es que ia sabe se ecebeu algum es e,
mas ainda não inha ecebido. Con udo, se a aluna i a-se posi i a nos es es que lhe
!
116!
al a a ecebe , no inal do pe íodo ia i a apenas uma nega i a, a ma emá ica, po
isso disse-lhe que se isso acon ecesse ia ala com a mãe dela pa a da um eedback
posi i o em elação a ela, is o que ao longo das sessões mos ou empenho e que e e
esul ados posi i os. A aluna icou con en e e disse que nunca lhe ize am isso e que a
mãe ia gos a e que assim podia se que lhe desse a p enda que ela que ia pa a o na al.
Con inuamos a con e sa que se di ecionou pa a ícios como o abaco, d ogas e álcool,
a aluna diz que sai à noi e mas que não gos a de bebe po que não gos a do sabo ,
quan o a d ogas nunca expe imen ou e que nem enciona a mas que conhecia e inha
mui os amigos que o aziam. Con on ei-a com o ac o de os consumos aze em mal
ao co po. Es a icou mui o assus ada e con essou-me que uma a mas ez-me
p ome e não ia con a a ninguém po que a mãe dela não sabia e se con a-se à E.S.P.,
que a acompanha a, ela ia con a à mãe dela. Disse-lhe que não con a a mas que não
podia sabe aquilo e não aze nada, ela inha que me p ome e que pelo menos ia
en a deixa o abaco, não de uma só ez mas odos os dias uma um pouco menos.
A aluna disse que ia en a e que es a a a con ia em mim. Seguidamen e alou dos
elacionamen os, das con usões em que andou me ida po causa de um apaz, que é
cigano, a ican e e d ogado, ela diz que não que ia gos a dele mas que é di ícil, mas
que ele ago a anda com ou a po isso não que sabe dele, mas que namo a am
du an e 2 anos e que oi com ele que e e as p imei as elações sexuais, quando inha
13 anos. En e an o já passa a das 18.10h e a aluna inha que i embo a, mas disse que
con inuá amos a con e sa pa a a semana.
!
117!
N.T. 43
29-01-2014
Quando começo a aze a onda à escola pa a con i ma as p esenças dos
alunos com g ande absen ismo encon o, “MP”, “DB” e “ML” que que em i comigo.
Às 9.45h “JL” é expulso da aula de Ma emá ica po es a semp e a pe u ba a aula.
Como es a si uação é cons an e a E.S.P. diz que ai pa a casa (ins i uição) suspenso,
“JL” esponde “que ixe!”.
“MN” oi con idada a sai da sala po que começou a ag edi e balmen e e
isicamen e uma colega na u ma po es a e pa ido a sua égua. Es a diz que po
causa dis o pode e al a de ma e ial e quando chega à sala an es de en a a E.S.S.,
que es a a na aula de Fo mação Cí ica da u ma da aluna mandou-a sai pa a se
acalma , diz a es a que o dinhei o cus a a odos a ganha . Re i ei-me uma ez que já lá
es a a uma écnica pa a esol e o p oblema.
“GP” é expulso po que esponde mal à p o esso a de Ma emá ica, ealiza a
a e a à minha bei a, às 11.10h eg essa ao segundo empo de Ma emá ica, mas
p imei o a p o esso a diz que só en a se ie pa a aula pa a se compo a em
condições, que a cabeça é pa a es a na aula.
Po ol a des a ho a “DM” e “MP” es a am na aula de Educação Visual com a
Di e o a de u ma e es a am cons an emen e a sai da sala de aula pa a passea nos
co edo es, quando ou pa a ala com eles e le a-los à E.S.S., a pedido da mesma,
es es já ol am pa a a sala.
En e an o “B” é expulso da aula de Po uguês, es e es á e ol ado po que a
p o esso a achou que inha di o uma asnei a. Vem com a e a e ecusa-se a aze
po que oi expulso injus amen e e como já ez aquele abalho não o que aze ou a
ez, a E.S.P. diz que assim ai pa a casa e em al a. O aluno esponde que ai sem
p oblema nenhum, mas eu digo que não, que ai aze a a e a comigo, is o que ele
não pode e mais al as, pois já es á no limi e. O abalho é esc e e sob e a
impo ância do espei o pelas pessoas. Pego no meu compu ado e pesquisamos na
in e ne algo sob e o assun o. Com mui o es o ço o aluno acaba po aze a a e a com
a minha ajuda. Após a ealização des a, pe cebi que se passa a alguma coisa,
pe gun ei-lhe o que se passa a, pois ul imamen e es a a cons an emen e a se expulso.
O aluno olha pa a mim como que desiludido e diz que hoje já e a a segunda ez que
inha pa a a ua, que a p imei a oi a ma emá ica, po que alou mal à p o esso a e es a
!
118!
espondeu-lhe pa a ala di ei o po que não es a a a ala pa a os seus pais, e ele não
gos ou po que ninguém em o di ei o de ala dos seus pais e po isso mandou a
p o esso a pa a o c****** e que desde isso não es á bem, ac escen ou ainda que não
e a a p imei a ez que is o acon ecia e pede-me desculpa. Digo-lhe que “não ens que
me pedi desculpa, ens é que pensa que se calha a p o esso a de ma emá ica não ez
de p opósi o”, es a não sabia que ele não gos a a que alassem dos seus pais que
p o a elmen e não o ez pa a o o ende , oi simplesmen e uma o ma de ala , como
ele az com os seus amigos. Que se ala com a p o esso a e explica o mo i o do
sucedido ela pe ceba e es e p oblema não se ol e a epe i . “B” diz que pe cebe o que
es ou a dize “mas quando alam dos meus pais ico cego e não ejo mais nada à
en e” e que ai en a ala com a p o esso a, mas que p e e ia que osse eu.
Da pa e da a de, sessão com “PP” e “S”, amos pa a uma sala, e es es icam
mui o en usiasmados po que que em i ao quad o esc e e . Assim iz um jogo no
quad o com ambos sob e a disciplina de inglês, uma ez que iam e es e da mesma.
En a am em compe ição um com o ou o, en ando ganha , que apesa de udo se
o nou posi i o po que demons ou que os alunos sabiam a ma é ia e es a am
p epa ados pa a o es e.!
! !
!
119!
N.T. 44
30-01-2014
Chegada às 9.30h à escola. Vou pa a sala igia um es e, de uma u ma do 9º
ano, com uma p o esso a de His ó ia, a pedido da mesma. Is o po que a E.S.P. não
podia i po que es a a a ala com a mãe da “AR”. Fo am apanhados 3 alunos a copia
e anulado os es es dos mesmo.
Du an e a aula de Ciências de uma das u mas do 7º ano, a p o esso a manda
uma aluna chama alguém do Gabine e Social po causa do aluno “RC” que não
es a a sen ado co e amen e e não inha i ado nada da mochila, só i ou quando
mandou chama alguém.
Acompanhamen o a “B”, es e con inua bas an e e icen e quan o a ala sob e
os p oblemas que em em casa. Diz-me que não gos a da escola e que como o i mão
lhe diz “es uda é pa a os acos” e que quando pudesse saí da escola.
“G” não em à sessão de u o ia como inha a isado po que ia ao médico. E
“L” ambém al a depois de me e di o que inha mas que ia chega a asado po
causa do u ebol.
Acompanhamen o a “AR”, “F” e “D”, digo-lhes que amos es uda
ma emá ica po que ão e es e e icam odos desgos osos, dizendo que não lhes
ape ece, mas acabam po se sen a nas cadei as e quando digo que êm que i ao
quad o aze exe cícios eles icam en usiasmados mas “AR” diz que não gos a po que
não gos a quando icam a olha pa a ela. En e an o no meio da ealização dos
exe cícios, “D” es a a com algumas di iculdades e oi pe gun a à p o esso a dele que
es a a a da apoio na sala ao lado, po que in elizmen e não lhes conseguia explica os
exe cícios. Nes e momen o “F” acusa “D” de lhe e i ado uma cane a, “D” diz que
não em nada dele nem p ecisa icando mui o o endido. (“F” desde o início que
demons a pouca on ade em es uda , p e e e semp e b inca , ala sob e qualque
coisa menos de es uda .) “F” diz assim que que desis i po que não se dá bem com o
“D”. Quando es e ol a da p o esso a ambém diz que que desis i . Falo com ele,
en o aze -lhe e que ele es á a melho a bas an e, que i ou bom a Ciências.
En e an o es e ê “F” a passa e diz que ele é um also e ai a co e a ás dele pa a
lhe ba e , “AR” ai pa a a ás pa a os sepa a e eu ambém ou pa a en a esol e a
si uação. “F” oge e sai da escola. “D” con inua mui o i i ado e magoado com ele.
Vol amos pa a a sala e alamos sob e a si uação a é que ambos, “AR” e “D”, se
!
120!
acalmam. Quando es ou a passa numa olha as a e as que e iam que ealiza em
casa, es es começam a ala e de epen e ouço o “D” a dize “o eu cunhado ez isso?!”
e a “AR” esponde “sim, oi pa a me es a ”. Sem es a a pe cebe bem do que
es a am a ala pe gun o-lhes o que se passa. “A” começa a cho a e diz que oi
abusada pelo namo ado da i mã. Fico em choque e lemb o-me de ela me e alado,
em sessões an e io es que não gos a a da i mã, que nem a mãe gos a a dela e que es a
e o namo ado não de iam es a a i e em casa dela, só que não inham pa a onde i e
po isso es a am a i e odos na casa dela. Peço-lhe que me con e o que acon eceu
mais especi icamen e. Es a diz que não oi nada, mas “D” insis e e diz-lhe que pode
con ia em mim, que sou uma das melho es s ô as que a escola em e que se me
con a eu ou ajudá-la. Digo-lhe que se quise podemos i pa a ou o si io só as duas
se não se sen i à on ade com a p esença de “D”. Es a, em lág imas, começa a ela a
o que acon eceu, que oi num dia que es a am os dois sozinhos em casa e que ele se
ap oximou dela lhe ez coisas no qua o, e minando que só o ez pa a a es a .
Pe gun o-lhe es a o quê e es a esponde que e a es a pa a e se dizia alguma coisa
à i mã. Fico es upe ac a, pensando que es a c iança acha que es e homem e e azão
no que ez po que que ia uma p o a de con iança da mesma. “AR” ac escen a que é
e dade, que ju a po udo que é e dade e que não que que con e a ninguém, pa a
ica en e nós, pois se a E.S.P. soubesse ia dize à p o eção de meno es e iam i á-la
da mãe. Digo-lhe que não lhe ou dize nada sozinha, pois que o que ela enha
comigo ala com E.S.P., pois apesa de es a es a a desaba a comigo eu não podia
aze nada pa a a ajuda e p o ege , po se uma me a es agiá ia. Sen i-me impo en e
naquele momen o. Apesa de es a con inua a nega eu insis i dizendo pa a pensa
nisso, pa a con a à mãe o que me con ou a mim e que amanhã, depois de e do mido
e e le ido sob e a minha p opos a, iesse e comigo pa a e mos como podíamos
esol e o p oblema jun as. E am assim 18h quando omos os ês embo a.
!
!
121!
Anexos