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Análise do trabalho num serviço de farmácia hospitalar: condições de trabalho e de saúde remediadas?

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Análise do trabalho num serviço de farmácia hospitalar: condições de trabalho e de saúde remediadas?

Author: Sara de Castro e Vasconcelos
Year: 2016
DOI: 10.34626/zrh5-7646
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/83148/2/120567.pdf
Uni e sidade do Po o
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação
ANÁLISE DO TRABALHO NUM SERVIÇO DE FARMÁCIA
HOSPITALAR… CONDIÇÕES DE TRABALHO E DE SAÚDE REMEDIADAS?
Sa a de Cas o e Vasconcelos
Ou ub o 2015
Disse ação ap esen ada no Mes ado In eg ado de Psicologia,
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Uni e sidade
do Po o, o ien ada pela P o esso a Dou o a Liliana Cunha
(FPCEUP).
ii
AVISOS LEGAIS
O con eúdo des a disse ação e le e as pe spe i as, o abalho e as in e p e ações do au o
no momen o da sua en ega. Es a disse ação pode con e inco eções, an o conce uais
como me odológicas, que podem e sido iden i icadas em momen o pos e io ao da sua
en ega. Po conseguin e, qualque u ilização dos seus con eúdos de e se exe cida com
cau ela.
Ao en ega es a disse ação, o au o decla a que a mesma é esul an e do seu p óp io
abalho, con ém con ibu os o iginais e são econhecidas odas as on es u ilizadas,
encon ando-se ais on es de idamen e ci adas no co po do ex o e iden i icadas na secção
de e e ências. O au o decla a, ainda, que não di ulga na p esen e disse ação quaisque
con eúdos cuja ep odução es eja edada po di ei os de au o ou de p op iedade indus ial.
iii
Ag adecimen os
Com a inalização da minha disse ação de mes ado não posso deixa de ag adece
a algumas pessoas que, di e a ou indi e amen e, me ajuda am em odo es e aje o.
Começo po ag adece à P o esso a Dou o a Liliana Cunha, pelo bom exempla de
o e capacidade de abalho, empenho, dedicação, igo e sen ido c í ico, que se o na am
e iden es na o ien ação des e es udo; e pela capacidade de me ansmi i enco ajamen o e
mo i ação. Foi um p i ilégio se sua o ien anda.
Ao D . Ped o No on e D . Joel Teixei a, do Se iço de Saúde Ocupacional do CHSJ,
elemen os undamen ais pa a o desen ol imen o des e p oje o. Fo am os esponsá eis pelo
p imei o con a o com o pedido su gido nes e local de abalho, assim como os p imei os
mobilizado es na sua espos a; mas ambém pelo pa ece écnico que acul a am nas á ias
ases que comp eende am es e es udo.
Ao D . An ónio Ca alho e D . João, do se iço de a mácia hospi ala , os quais
o am, a meu e , os p incipais acili ado es na cons ução de uma pon e i me en e os
colabo ado es do es udo, e os seus pa icipan es. Foi no ó io o in e esse, disponibilidade e
simpa ia que semp e demons a am, desde a in odução do es udo àqueles que se p e endia
que ossem os seus pa icipan es - passo essencial no en ol imen o dos mesmos - a é ao
acompanhamen o nas á ias unidades pa a a ecolha de dados, e empo que dedica am no
escla ecimen o das minhas nume osas dú idas.
Ag adeço cla o a odos os pa icipan es do es udo pela posi i a colabo ação que de
uma o ma ge al demons a am. Sem eles se ia de ac o udo is o inexecu á el.
Aos meus colegas e amigos que me acompanha am, sin o que oi ag adá el e
p o ei osa a ans e ência mú ua de ene gia e de ideias nes a nossa jo nada em di eção ao
mesmo obje i o.
A i, Tia Manuela, po me auxilia es semp e que necessi o, e po an o ac edi a es em
mim.
Po im, e ibuo a i mãe, pelo eu apoio incondicional, e exempla de o ça humana
que me es o ço po segui .
i
Resumo
O impac o que as condições de abalho podem e na saúde em sido al o de
c escen es en a i as de comp eensão, em pa e pelas p essões sob e o cump imen o da
legislação, assim como po uma sensibilização g adual em elação aos e ei os dos iscos
p o issionais na saúde. Con udo, as p á icas desen ol idas no âmbi o da saúde e segu ança
no abalho apa en am se ainda educionis as, quando in e enções com lógicas no ma i o-
p esc i i as pa ecem se as p i ilegiadas (Ba os-Dua e, Cunha & Lacomblez, 2007). O
es udo que aqui ap esen amos - desen ol ido num se iço de a mácia hospi ala - e e
o igem no pedido ealizado pelos esponsá eis do se iço, de análise das condições de
abalho, onde alguns p oblemas de saúde o am p e iamen e iden i icados. O oco da
análise sus en ou-se nos a o es de isco a que os abalhado es e e em es a expos os no
seu local de abalho e o g au de incómodo que al lhes p o oca, onde pa icipa am a quase
o alidade dos p o issionais. Do pon o de is a me odológico, oi p i ilegiada a a iculação
de dados p o enien es de di e en es on es, nomeadamen e do Inqué i o Saúde e T abalho -
INSAT2013 (Ba os-Dua e, Cunha & Lacomblez, 2013; Ba os-Dua e & Cunha, 2014),
com as análises da a i idade em con ex o eal, e egis o de e balizações dos abalhado es.
Os esul ados e elam que são á ias as dimensões do abalho que aduzem
ele ados ní eis de incómodo pa a a gene alidade dos abalhado es. Con udo, são as
ca ac e ís icas do abalho: como a inexis ência de pe spe i as de e olução na ca ei a,
emune ação que não pe mi e e um ní el de ida sa is a ó io, e a al a de meios necessá ios
pa a ealiza um abalho de qualidade, as que pa ecem mais p oblemá icas. São aspe os que
encon am sen ido no cená io a ual da Adminis ação Pública, onde o congelamen o nos
salá ios, nas p omoções e p og essões, e a é a edução em despesas despon a am nos úl imos
anos. Também se assinalam ques ões ambien ais e de cons angimen os ísicos; e ou os
ine en es à o ganização do abalho, de que são exemplo os p oblemas associados a um
ele ado i mo de abalho, e a ensão nas elações de abalho, e no con a o com o público.
Ac escen a-se que exis em si uações ans e sais, e ou as especí icas a alguns g upos
p o issionais e unidades explo adas, e que pa ecem associadas a exigências ine en es à
especi icidade das a e as e das condições de abalho em que são ealizadas, que es e es udo
p ocu a igualmen e e a a , endo em is a um p oje o de in e enção subsequen e.
Pala as-cha e: condições de abalho; saúde e segu ança no abalho; se iço de a mácia
hospi ala ; a o es de isco.
Abs ac
The impac ha wo king condi ions can ha e on public heal h has been he subjec
o inc easing unde s anding a emp s, pa ly by he need o en o ce legisla ion, pa ly by a
g adual awa eness o he e ec s o occupa ional haza ds on heal h. Howe e , he p ac ices
de eloped in he ield o heal h and sa e y a wo k s ill appea o be educ ionis , when
in e en ions holding no ma i e-p esc ip i e logic seem o be he p i ileged ones (Ba os-
Dua e, Cunha & Lacomblez, 2007). The s udy p esen ed he e - made in a hospi al pha macy
se ice - was eques ed by hose in cha ge o he se ice, as an analysis o wo king
condi ions, whe e some heal h p oblems we e p e iously iden i ied. This analysis was
ocused in he isk ac o s o which wo ke s epo being exposed o, in hei wo kplace, and
he deg ee o discom o ha i causes hem. I was a ended by almos all p o essionals.
F om a me hodological poin o iew, p io i y was gi en o join da a om di e en sou ces,
including he Inqué i o Saúde e T abalho - INSAT2013 (Ba os-Dua e, Cunha &
Lacomblez, 2013; Ba os-Dua e & Cunha, 2014), wi h he s udy o an ac i i y in eal
con ex , and he wo ke s’ opinions in w i ing.
The esul s e eal ha he e a e se e al dimensions o wo k ha show high le els o
discom o o mos wo ke s. Ne e heless, he wo k cha ac e is ics ha seem o be he mos
p oblema ic ones include he lack o p ospec s o ca ee de elopmen , a sala y ha does no
lead o a sa is ac o y s anda d o li ing and he lack o esou ces equi ed o pe o m quali y
wo k. These issues a e due o he cu en scena io o Public Adminis a ion, whe e wages,
p omo ions and p og essions we e cu down, and e en he expenses ha e been educed.
En i onmen al and physical cons ain s issues; and o he s ela ed o he o ganiza ion o
wo k, we e also poin ed ou as, o example, he p oblems caused by a high wo k a e, and
he ension in labo ela ionships and in con ac ing he public. I mus be added ha , aiming
o a subsequen in e en ion p ojec , his s udy also seeks o po ay ans e sal si ua ions
and o he s speci ic o some p o essional g oups and exploi ed uni s, and ha hese si ua ions
seem o be ela ed o ce ain demands in he speci ici y o asks and wo king condi ions in
which hey a e pe o med.
Keywo ds: wo king condi ions; heal h and sa e y a wo k; hospi al pha macy se ice; isk
ac o s.

i
Résumé
L’impac que les condi ions de a ail peu en a oi su la san é a é é sou en la cible
de nomb euses en a i es de comp éhension. D’une pa , à cause des p essions pou le
espec de la législa ion, mais il y a eu ainsi une sensibilisa ion g aduelle pa appo aux
e e s des isques p o essionnels dans la san é. Cependan , les p a iques dé eloppées dans le
cad e de la san é e de la sécu i é au a ail on l’ai d’ê e enco e éduc ices, su ou quand
des in e en ions a ec des logiques no ma i es-p esc i i es semblen ê e les p i iligiées
(Ba os-Dua e, Cunha & Lacomblez, 2007). L’é ude ici p ésen é, dé eloppé dans un se ice
de pha macie hospi alîè e, a eu son o igine su la demande o mulée pa les esponsables du
se ice de l’ analyse des condi ions de a ail, où quelques p oblèmes de san é on é é
p éalablemen iden i iés. Le cen e de l’analyse s’es appuyé su les ac eu s de isque
auxquels les a ailleu s é è en ê e exposés dans son lieu de a ail e le deg è de
pe u ba ion que ça leu p o oque, où on pa icipé la p esque o ali é des p o essionnels. Du
poin de ue mé hodologique, a é é p i iligié l’a icula ion des données p o enan es de
di é en es sou ces, no ammen l’ Inqué i o Saúde e T abalho - INSAT2013 (Ba os-Dua e,
Cunha & Lacomblez, 2013; Ba os-Dua e & Cunha, 2014), a ec les analyses de l’ac i i é
en con ex e éel, e l’en egis emen des e balisa ions des a ailleu s.
Les esul a s é èlen que ce son plusieu s les dimensions du a ail qui aduisen
l’éle é ni eau de gêne pou la plupa des a ailleu s. Cependan , le plus p obléma ique ce
son les ca ac é is iques du a ail: l’inexis ence de pe spec i es d’é olu ion dans la ca iè e;
la aible emuné a ion; l’ absence de moyens nécessai es pou éalise un a ail de quali é.
Ces aspec s ou en un sens dans le scéna io ac uel de l’Adminis a ion Publique, où le gel
des salai es, des p omo ions e des p og essions, e jusqu’à la éduc ion des dépenses, son
é iden es les de niè es années. Des ques ions d’en i onnemen , des con ain es physiques;
e d’au es inhé en s à l’o ganisa ion du a ail son égalemen obse ées su ou le y hme
éle é de a ail e la ension dans les ela ions de a ail, e dans le con ac a ec le public.
En in, il y a des si ua ions ans e sales, e d’au es spéci iques de ce ains g oupes
p o essionnels e uni és explo ées, e qui pa aissen associées à des exigences inhé en es à la
spéci ici é des âches e des condi ions de a ail dans lesquelles son éalisés, don ce é ude
che che aussi à ai e le po ai , en ue d’un p oje d’in e en ion subséquen e.
Mo s-clé: condi ions de a ail; san é e secu i é au a ail; se ice de pha macie hospi alie ;
ac eu s de isque.
ii
Índice
In odução………………………………………………………………………………… 1
Capí ulo I. Enquad amen o eó ico……………………………………………………....4
1.1 B e e enquad amen o do se o a macêu ico e da a i idade
a macêu ica…………………………………………………………………………...……4
1.2 Desa ios e deba es que a a essam o se o e a a i idade em a mácia
hospi ala ……………………………………………………….……………...6
1.2.1 Regulamen ação do se o : um desa io de saúde pública……………..7
1.2.2 Casos mediá icos, casos pa adigmá icos?...........................................8
1.2.3 A segu ança e saúde daqueles que zelam pela saúde dos ou os……..9
1.3 O con ibu o da abo dagem da Psicologia do T abalho………………………...10
1.3.1 A ên ase na a i idade conc e a de abalho pa a uma con ex ualização
dos iscos p o issionais.............................................................................................10
1.3.2 A análise das elações en e abalho e saúde…………………………11
Capí ulo II. Me odologia…………………………………………………………………13
2.1 Obje i os especí icos e p incípios me odológicos es u u an es………….....…13
2.2 Pa icipan es do es udo…………………………………………………………13
2.3. Ins umen os …………………………………………………………………..15
2.4.P ocedimen os de ecolha de dados…………………………...……...……..….17
2.5. P ocedimen os de a amen o dos dados……………………………………….18
Capí ulo III. Resul ados e Discussão …………………………………………………….19
3.1 Ca ac e ização do se iço de a mácia hospi ala em análise……………..……19
3.2 A es u u a o ganizacional do se iço de a mácia……………………………..19
3.3 Os a o es que exe cem a a i idade no se iço de a mácia………………….…21
3.4 A cons ução de um “ci cui o do medicamen o”: c uzando os a o es e a sua
a i idade, na ealidade conc e a do se iço……………...…………………………………21
3.5 Fa o es de isco pe cebidos no abalho e ge ado es de ele ados ní eis de
incómodo…………………………………………………………………………………..31
3.5.1 Ambien e e cons angimen os ísicos………………………………..31
3.5.2 Cons angimen os o ganizacionais e elacionais ……………………35
iii
3.5.3 Ca ac e ís icas do abalho…………………………………………...39
3.6 Sen imen o de p aze e de ealização pessoal no abalho……………….……..42
3.7 P oblemas de saúde pe cebidos e a sua elação com o abalho………….……42
3.8 Aciden es de abalho e doenças p o issionais....……………………………....43
Conclusão…………………………………………………………………………………45
Re e ências Bibliog á icas……………………………………………………………….49
Anexos……………………………………………………………………………………..53
ix
Índice de Quad os
Quad o 1. Dis ibuição dos pa icipan es po ca ego ia p o issional, e po unidade de
exe cício de unções, dis ibuídos em unção do sexo e idade/ aixa
e á ia…………………………………………………………………………...…………..15
Índice de Figu as
Figu a 1. Ci cui o do medicamen o no se iço de a mácia do CHSJ…………….……….21
Índice de Anexos
Anexo A. Amos a: ca ac e ização sociodemog á ica e da si uação de abalho……….…54
Anexo B. G elha de supo e à análise da a i idade eal de abalho……………………....57
Anexo C. C onog ama do abalho empí ico……………………………………………….59
Anexo D. Consen imen o in o mado no p eenchimen o do INSAT2013…………………..61
Anexo E. Dis ibuição ísica das unidades do se iço de a mácia hospi ala ……………...63
Anexo F. Exposição a si uações de isco pe cebidas como ge ado as de ele ado incómodo
pelos pa icipan es ……..…………………………………………………………………..66
Anexo G. P aze e ealização pessoal no abalho………………………………………….70
Anexo H. P oblemas de saúde pe cebidos e elação com o abalho……………………….72
Anexo I. Aciden es de abalho e doenças p o issionais……………………………………74
6
delibe ações em á ios sen idos, com base em “dados obje i os ( elacionados com os
p oblemas de saúde e com os medicamen os), e dados subje i os ( elacionados com a
expe iência do p o issional e com a expe iência do doen e)” (Figuei edo, Ca amona,
Fe nandez-Llimos, & Cas el-B anco, 2014, p. 16). Não esquecendo ambém, impo a
ac escen a , que ais delibe ações são semp e cons angidas a á ios ní eis: pelo o çamen o
do Es ado em ma é ia de saúde; pelo ipo de a amen os assumidos a ca go de cada unidade
hospi ala ; pelas p io idades de a amen o e de elações “bene ício-cus o” dec e adas pela
p óp ia Adminis ação hospi ala .
E, pa a além des e ní el de análise, podemos ala ao ní el da a i idade conc e a dos
a macêu icos, de odo um cole i o de p o issionais, no seio do qual o “a o a macêu ico” é
apoiado e e e i amen e conc e izado. De e e i , nomeadamen e, os denominados “ écnicos
de a mácia”, e ou os a o es com unções adminis a i as - os “assis en es écnicos” - e de
ap o isionamen o, que in eg am a ca ego ia de “assis en es ope acionais”. Os “ écnicos de
a mácia” in eg am a ca ei a écnica de diagnós ico e e apêu ica, que segundo o Dec e o-
Lei nº 564/99, de 21 de dezemb o, os de ine como esponsá eis pelo “desempenho de
a i idades no ci cui o do medicamen o ais como análises e ensaios a macológicos;
in e p e ação da p esc ição e apêu ica e de ó mulas a macêu icas, sua p epa ação,
iden i icação e dis ibuição, con olo da conse ação, dis ibuição e s ocks de medicamen os
e ou os p odu os, in o mação e aconselhamen o sob e o uso do medicamen o”.
1.2 Desa ios e deba es que a a essam o se o e a a i idade em a mácia hospi ala
Como já oi e e ido, á ios são os desa ios que a a essam o a o a macêu ico, e
pa icula men e na sequência do ala gamen o das a e as e esponsabilidades que o am
impu adas aos p o issionais que nele in e êm. No que espei a ao a macêu ico hospi ala
em conc e o, é exemplo o acesso aos medicamen os, que encon a mui as ezes en a es
esul an es de á ios a o es: seja pela “in incada” ede adminis a i a que es a a e a exige,
seja pela necessidade de lida com a ges ão de exis ências de medicamen os eduzidas, e de
comunica di e amen e com o doen e (Gou eia, 2013). Ou os desa ios acumulam-se: de
aco do com a O dem dos Fa macêu icos, sendo que os p óp ios SF hospi ala es êm-se
ambém depa ado com uma descapi alização pe se e an e, jus i icada pela míngua polí ica
de mode nização, ees u u ação e in es imen o, exigindo que no exe cício da sua a i idade,
os abalhado es do se o assumam comp omissos, nem semp e e iden es ou an ecipados

7
(Minis é io da Saúde, 2005). Con udo nos úl imos anos, em e mos de medidas ins i ucionais
colocadas em p á ica, pode al ez des aca -se a implemen ação do Plano de Fa mácia
Hospi ala
4
, em esul ado da e o mulação do en ão “Plano de Reo ganização da Fa mácia
Hospi ala ” (Resolução de Conselho de Minis os nº 105/2000, de 11 de Agos o). T a a-se
de um Plano de Ação, que elenca á ias medidas de ees u u ação da a mácia hospi ala ,
a a és nomeadamen e da c iação de um documen o de abalho, sujei o a e isão pe iódica,
o “Manual de Fa mácia Hospi ala ”
5
(Minis é io da Saúde, 2005).
A pa dos desa ios que ão su gindo no se o , as inicia i as de espos a passam
sob e udo po al e ações ao ní el da egulamen ação, mesmo se ais medidas nem semp e os
esol am de modo de ini i o.
1.2.1 Regulamen ação do se o : um desa io de saúde pública
O obje i o p imo dial e ge al da polí ica de egulamen ação eu opeia é essal a a
saúde pública, al como es abelecido pela p imei a Di e i a nº 65/65/CEE do Conselho, de
26 de janei o (Conselho da Comunidade Económica Eu opeia, 1965).
No plano a macêu ico, a e olução da egulamen ação a macêu ica eu opeia mui as
ezes é na ada a pa i de e en os “ca alí icos”, episódios con o e sos que in luencia am o
seu cu so e ans o mação. An es que os p odu os a macêu icos ossem ap o ados no
me cado, o oco e a apenas no seu egis o; oda ia, a qualidade, a segu ança e e icácia dos
mesmos o na am-se aspe os ambém ele an es. Após a ap o ação o mal do medicamen o,
é cada ez mais impe a i o pensa nou os aspe os impo an es, a mon an e e a jusan e des a
ap o ação, desde a c iação de condições pa a a sua p odução, à sua dis ibuição, à
in o mação dos pacien es, assim como ao sucessi o con olo dos medicamen os no me cado
(Bauschke, 2011).
A egulamen ação dos p odu os a macêu icos em sido sujei a a cons an es e isões,
g aças ao impe a i o de ha monização das no mas de inidas, a um ní el sup anacional e
in e nacional, sendo que em oda a União Eu opeia (UE), a Agência Eu opeia de
Medicamen os (EMA)
6
con a com mais de 15 anos de expe iência na e isão da au o ização
de á macos (Oehl ich & Daemm ich, 2013). A UE e e um papel decisi o no a o
4
Plano de Fa mácia Hospi ala : Ins i uído no ano 2002 pelo XVI Go e no Cons i ucional, a a és do Conselho
de Minis os nº 128/2002, de 25 de se emb o.
5
Manual de Fa mácia Hospi ala : documen o onde são desc i as no mas e p ocedimen os a se em seguidos na
cons ução, ins alação e labo em se iços a macêu icos hospi ala es, com base na conceção de um hospi al
de 500 camas.
6
EMA (Eu opean Medicines Agency): Agência descen alizada da UE que começou a ope a em 1995. É
esponsá el pela a aliação de medicamen os desen ol idos pelas emp esas a macêu icas pa a uso na UE.
8
a macêu ico a á ios ní eis, nomeadamen e, na adoção do p incípio de subsidia iedade.
Pa a a aplicação des e p incípio, documen os ela i os ao di ei o a macêu ico o am
cons an emen e ea i mados, con udo a elabo ação da egulamen ação des e di ei o é
ma cada pelo uso de modelos di e en es, ep esen ados po di e sas adições, po an o po
di e en es escolhas nas p á icas a macêu icas.
No a ado de Roma icou es ipulado a 27 de ma ço de 1957, a a és do a igo 573º,
que “no que conce ne às p o issões médicas, pa amédicas e a macêu icas, a libe ação
p og essi a de es ições se á subo dinada à coo denação das suas condições de exe cício
nos di e en es Es ados-memb os”. Mais a de, a adoção da Di e i a 65/65/CEE, eio aduzi
a on ade de ope acionalização do p incípio de um “me cado comum de medicamen os”
(Deba ge, 2011).
Ainda ou o obje i o da UE em elação ao me cado a macêu ico p ende-se com a
imposição de algumas eg as de licenciamen o. Os c i é ios aplicados a cada país nes a
ma é ia e elam uma g ande he e ogeneidade: 13 países impuse am c i é ios de epa ição
geog á ica (O dem Nacional dos Fa macêu icos de F ança, 2008). É eal a caminhada
legisla i a a im de se ealiza uma “ma cha” única dos medicamen os, de libe aliza a
conco ência, e de consegui um quad o mais ala gado de o ien ações de inidas pa a o
Conselho Eu opeu (Deba ge, 2011). No con ex o po uguês, é nos anos 80 do século XX,
ace à en ada de Po ugal na UE e à en a i a de adap ação às Di e i as Comuni á ias que
se compõem no os diplomas o iciais de segu ança, qualidade e e icácia, an o das
ins i uições, como do p óp io medicamen o: o pila da “a o a macêu ico” (Pi a & com
Ag egação, 2010).
1.2.2 Casos mediá icos, casos pa adigmá icos?
Os á ios es o ços que êm sido ei os pa a a e icácia des a egulamen ação pa ecem
pe inen es is o que, segundo a Comissão Eu opeia, o se o a macêu ico é um se o
es a égico, con ibuindo pa a a p ese ação da saúde e bem-es a , a a és da ga an ia de
medicamen os disponí eis ace às necessidades da população, ga an ia es a ponde ada ace
aos cus os associados a de e minados á macos (Deba ge, 2011).
Em especí ico, na a mácia hospi ala , di e sas o ças êm sido mobilizadas pa a a
c iação de obje i os comuns de inidos pa a cada sis ema de saúde eu opeu quan o à
p es ação de se iços, nomeadamen e a a és da cons i uição das Decla ações Eu opeias da
Fa mácia Hospi ala , onde se espe a que a Associação Eu opeia de Fa macêu icos
Hospi ala es (EAHP) e as suas inculadas associações nacionais possam abalha com os
9
Sis emas Nacionais de Saúde, nomeadamen e ao ní el da seleção, aquisição e dis ibuição
de medicamen os; e da p odução e p epa ação, nos se iços de a mácia clínica (Associação
Eu opeia de Fa macêu icos Hospi ala es, 2015).
Um exemplo ecen e e pa adigmá ico de como es e p ocesso não é isen o de deba e,
en e ou os que aqui pode iam se abo dados, é o caso da ap o ação de um no o
medicamen o pa a o a amen o da Hepa i e C: apesa de con i mada a e e i idade
e apêu ica do medicamen o, oi longo o p ocesso de negociação com a indús ia
a macêu ica de um p eço do medicamen o que não pusesse em isco a sus en abilidade do
SNS. Foi, de ac o, necessá ia a ap o ação do medicamen o, ao ní el eu opeu, pela EMA, e
a negociação do seu p eço com a Au o idade Nacional do Medicamen o e P odu os de Saúde
I.P (In a med), pa a que es e pudesse se disponibilizado aos doen es.
A indús ia a macêu ica em como p incípio e desígnio encon a e desen ol e
medicamen os segu os e e icazes, in es indo na in es igação pa a a c iação de no os
medicamen os, que pe mi am po encia a qualidade de ida dos pacien es, compensando
simul aneamen e os a o es e ins i uições en ol idos (i.e., sal agua dando in e esses
económicos). Con udo, es e se o é sujei o ambém a g andes p essões po pa e dos
legislado es, ONG’s (O ganizações Não Go e namen ais), media, e público em ge al,
de ido ao o e impac o sob e a saúde, e ao comp omisso de ga an ia de um supo e es á el
de medicamen os. A a i idade no se o é a a essada po con li os en e obje i os de e icácia
económica e s anda ds é icos, que exigem isibilidade, ainda que es a ad enha mui o
equen emen e de casos pa adigmá icos, de si uações com doen es conc e os, como oi es e
do medicamen o pa a o a amen o da Hepa i e C, icando ainda na penumb a os con li os
que p o êm da a i idade de abalho conc e a no se o (Val e de, 2012).
1.2.3 A segu ança e saúde daqueles que zelam pela saúde dos ou os
O se o a macêu ico é mui as ezes ca ac e izado como um con ex o de abalho onde o
con olo de qualidade é pa icula men e exigen e, e no qual se eque que alguns p odu os
sejam manuseados em condições especiais (i.e., sob um ele ado con olo de higiene, em
elação a con aminan es químicos e biológicos). Tal ez po es es a o es, as condições de
abalho em a mácia são is as como segu as, pela o e igilância a que es ão sujei as, no
p ocesso de p odução e manipulação dos medicamen os, e le es, pois a a-se de uma
a i idade que não apa en a o e ca ga de abalho, ou que indicie acilmen e lesões
p o ocadas pelo abalho. Con udo, al como salien a Sco (2003), es amos a ala de um
con ex o de abalho ma cado po um i mo acele ado, de mudança e de p essão; e onde a
10
ocalização em p ol do desen ol imen o de es a égias pa a a ino ação e p odu i idade é
eal.
Con udo, impo a dize que a a aliação dos a o es de isco, de o ma in eg ada, não
é ainda p á ica comum nes e se o , sendo inclusi e descu ada es a análise, ecaindo a
“ga an ia de uma o e igilância” sob e os p ocessos de p odução dos medicamen os, e não
sob e os p ocessos de abalho e os iscos que es es compo am, em de e minadas condições,
pa a os seus abalhado es. Nes e sen ido, assumimos no quad o des a disse ação a
impo ância de uma a aliação dos a o es de isco de o ma con ex ualizada nas si uações
conc e as de abalho, e conside ando a in e ação en e di e en es ipos de iscos,
nomeadamen e, iscos ísicos, iscos e gonómicos e ela i os aos ma e iais u ilizados - API
7
,
e iscos associados à o ganização do abalho (A aianese & Duca, 2012), sob um pon o de
is a in eg ado. Re o ça-se nes e sen ido, a pe inência do p esen e es udo, onde se a en a a
uma a aliação de iscos mul idimensional e mul i a o ial, conside ando o pon o de is a dos
abalhado es, na expe a i a de que sejam es as lacunas p eenchidas.
1.3 O con ibu o da abo dagem da Psicologia do T abalho
1.3.1 A ên ase na a i idade conc e a de abalho pa a uma con ex ualização dos
iscos p o issionais
De aco do com a adição cien í ica da Psicologia do T abalho e da e gonomia da
a i idade em que nos insc e emos, a e e ência ao abalho não é uní oca (B i o, Machado
& Pena, 2011), e as ca ego ias conce uais - p esc i o e eal; a e a e a i idade - eque em se
e abalhadas e discu idas (San os, 2006). Na e dade, o abalho ai mui o além do que es á
p esc i o e é comunicado, ou do que é pe ce í el pelos ou os, e idenciando-se duas aces:
o abalho p esc i o e o abalho eal. Enquan o o abalho p esc i o, eme e pa a o que é
expe á el em de e minado p ocesso de abalho, e onde eg as e obje i os em elação às
condições de abalho são impos os pela o ganização do abalho; o abalho eal e idencia-
se pela necessidade de o abalhado p eenche as lacunas das p esc ições, endo em con a o
con on o semp e com especi icidades não an ecipadas, em si uação eal de abalho
(Lacomblez, San os & Vasconcelos, 1999). É p eciso e em con a que, apesa de pa a
7
API (Ac i e Pha maceu ical Ing edien s): Ing edien es A i os a macêu icos, na indús ia a macêu ica,
cons i uem pa e da ó mula que p oduz o e ei o desejado pelo usuá io (e.g., ci o óxicos), podendo cons i ui -
se como a o es de isco pa a os que com eles abalham, po enciando a exposição a p odu os químicos.
11
abalha se necessá io um p esc i o (i.e., a aplicação de um p o ocolo ou p ocedimen o),
que em e mos ge ais é impos o pela sociedade, e a um ní el mais especí ico, po en idades
emp esa iais/o ganizacionais, a si uação eal de abalho é semp e dis in a daquilo que oi
an ecipado. E abalha eque p ecisamen e a ges ão des e des io, des a des asagem
(Schwa z & Du i e, 2007), is o po que, não exis e p o ocolo, no ma an eceden e,
p esc ição que possa comple a o ácuo das no mas, e a an ecipação exaus i a é po an o
inconcebí el (Cunha, 2012). Na e dade, odo o a o de abalho é num p imei o momen o
um uso de si po si, ep esen ado pelo uso do p óp io co po, in eligência, expe iência, mas é
ambém uso de si pelos ou os, no con ex o de uma de e minada elação de emp ego
(Schwa z & Du i e, 2007).
Nes e sen ido, a análise da a i idade de e e em con a es a dialé ica, ou seja, como
os p o agonis as do abalho azem uso de si mesmos, e ge em a sua a i idade, ace aos
condicionalismos em que ela em luga , p ocu ando esponde ao que lhes é solici ado. A
análise do abalho não pode, po conseguin e, es ingi -se a uma análise do p esc i o ou do
o malizado. Se se p e ende da con a da eal si uação de abalho é p eciso acompanha
aqueles que o execu am du an e a sua a i idade, pe mi i que os mesmos a e balizem (pois
só eles o podem aze ), pa a descob i a sua essência. É a a és des e p ocesso que se pode
acede ao “pon o de is a do abalho” (Schwa z & Du i e, 2007), iel à pe spe i a que êm
os seus a o es da sua p óp ia a i idade.
No quad o da nossa adição cien í ica, a análise da a i idade cons i ui, po an o, um
pon o de pa ida incon o ná el. Segundo Hubaul (s/d, ci in Schwa z & Du i e, 2007), é
quando en amos pe cebe o sen ido do abalho pa a os que o exe cem, que incidimos sob e
o p ocesso de alo ização dos indi íduos, e se c iam condições pa a o econhecimen o do
seu con ibu o singula a a és da a i idade ealizada. Não obs an e, uma ou a ques ão se
impõe: como se pode aze uso do abalho dos ou os, quando não são assegu adas as
condições que pe mi em a p ese ação de si?
1.3.2 A análise das elações en e abalho e saúde
Dissemos an e io men e que es a disse ação se consubs ancia num pedido de análise
das condições de abalho, no se iço de a mácia hospi ala , ins igado pelo egis o de
p oblemas de saúde iden i icados e que o am pe sis indo, com ag a amen o das queixas po
pa e dos abalhado es. Falamos, conc e amen e, de p oblemas músculo-esquelé icos,
associados a do es de cos as e do es muscula es em á ias pa es do co po (omb os e
pescoço; b aços e pe nas), as quais se ão o nando c ónicas, dolo osas e incapaci an es.

12
Apesa de es as doenças p o issionais adicionais se em as mais equen emen e assinaladas
(Daubas-Le ou neux & Thébaud-Mony, 2003), ou os p oblemas de saúde me ecem
igualmen e a enção, mesmo se não se aduzem numa doença p o issional econhecida.
Falamos, designadamen e, de p oblemas que a e am a saúde e bem-es a dos abalhado es,
e que são mui as ezes associados a um aumen o cons an e da in ensi icação do abalho
(Eu o ound, 2012).
Nes e sen ido, no es udo das elações abalho e saúde é impo an e que seja
implicada a iden i icação ambém de p oblemas in apa ológicos, associados ao exe cício da
a i idade labo al (Ba os-Dua e & Cunha, 2010), e que podem con ibui igualmen e pa a
a de e io ação do es ado de saúde. A anços êm sido p oduzidos numa mais comple a análise
dos a o es en ol idos nes e âmbi o, inclusi e no mais ecen emen e publicado Rela ó io
Eu opeu sob e as Condições de T abalho (Eu o ound, 2012), onde a iá eis como
ca ac e ís icas de abalho e as condições de emp ego, saúde e segu ança, o ganização do
abalho, e balanço en e abalho e ida o a do abalho êm sido conside adas.
Não obs an e, no âmbi o da saúde e segu ança no abalho, as a i idades de p o eção
da saúde e de p omoção da saúde nem semp e apa ecem de o ma conjun a. Aliás, ope am
equen emen e de modo independen e, com a i idades di e enciadas, o que pode
comp ome e a e icácia global das in e enções. Po um lado, a p o eção da saúde em sido
conside ada ab angendo a i idades de p o eção dos abalhado es ace a aciden es e doenças
p o issionais. Po ou o lado, a p omoção da saúde em sido associada à inicia i a
“au ónoma”, de ope acionalização de es a égias indi iduais de p ese ação da saúde no
abalho, mui as ezes, apesa do abalho e das condições em que é ealizado (Cunha, 2012).
Em coe ência com es es p essupos os, e de o ma a iculada com o pedido que deu
o igem a es e es udo, o mulamos como obje i o ge al do es udo empí ico, que se á
abo dado no capí ulo seguin e, o desen ol imen o de uma análise das condições de abalho
e de saúde no se iço de a mácia hospi ala conside ado, que sinalize p io idades de
in e enção, a discu i e a implemen a com os esponsá eis da ins i uição, e consen ânea
com os pon os de is a dos di e en es abalhado es pa icipan es, das di e en es unidades
que in eg am o se iço.
13
Capí ulo II. Me odologia
2.1 Obje i os especí icos e p incípios me odológicos es u u an es
Iden i icado o obje i o ge al do es udo empí ico, o mulámos como obje i os
especí icos os seguin es:
- conhece a ealidade do se iço de a mácia em análise; as especi icidades do
abalho desen ol ido em cada uma das suas unidades; e as elações en e essas unidades e
di e en es a o es do con ex o hospi ala ;
- ca ac e iza e comp eende as condições de abalho nes e se iço, e os a o es de
isco associados à a i idade de abalho dos di e en es g upos p o issionais que in e êm no
se iço.
- iden i ica os p oblemas de saúde pe cebidos pelos abalhado es pa icipan es,
como epo ados ao abalho.
P ocu ando acede e econs ui o “pon o de is a do abalho”, os p incípios
es u u an es da me odologia u ilizada consis i am na a iculação de dados p o enien es de
di e en es on es, nomeadamen e da análise da a i idade em con ex o eal, a a és de
obse ações e egis o de e balizações dos abalhado es, com o ecu so ao Inqué i o Saúde
e T abalho - INSAT2013 (Ba os-Dua e, Cunha & Lacomblez, 2013). A abo dagem mais
de alhada sob e as opções me odológicas assumidas se á e a ada à en e, designadamen e
nos pon os sob e os ins umen os u ilizados e os p ocedimen os de ecolha e análise dos
dados.
2.2 Pa icipan es do es udo
Es e es udo oi ealizado com a quase o alidade dos abalhado es do se iço de
a mácia do CHSJ, localizado na cidade do Po o, o qual se enquad a segundo a CAE-Re .3
8
,
na seção denominada Adminis ação Pública e De esa; Segu ança Social Ob iga ó ia,
8
CAE-Re .3: Classi icação Po uguesa de A i idades Económicas, Re isão 3, elabo ada pelo Ins i u o
Nacional de Es a ís ica (INE) com a colabo ação de á ias en idades que en ol em a Adminis ação Pública,
os Pa cei os Sociais e pon ualmen e as Emp esas. Es abelece o no o quad o das a i idades económicas
po uguesas, ha monizado com a Nomencla u a Es a ís ica das A i idades Económicas na Comunidade
Eu opeia (NACE-Re .2).
14
incluída no subse o da Adminis ação Pública - A i idades de Saúde, comp eendendo “as
a i idades desen ol idas no âmbi o das compe ências dos espe i os memb os do Go e no
e de apoio à ges ão dos p og amas dos cuidados de saúde” (Ins i u o Nacional de Es a ís ica,
2007, p. 248).
Tal como oi já e e ido, ainda que o pedido inicial enha incidido sob e uma unidade
especí ica do se iço (UCMC), decidiu-se con empla odo o se iço de a mácia, com o
in ui o de iden i ica ou os possí eis p oblemas que pudessem se conside ados na
in e enção pe spe i ada. Assim, o c i é io de inclusão dos pa icipan es nes e es udo oi o
exe cício de unções no se iço de a mácia hospi ala do CHSJ no momen o do es udo,
sendo a amos a cons i uída po 87 dos 90 abalhado es. No que espei a às ca ac e ís icas
sociodemog á icas dos pa icipan es (c . Anexo A1), a amos a é p edominan emen e do
sexo eminino (75,3% dos pa icipan es), a es u u a e á ia si ua-se en e os 25 e os 60 anos
(c . Anexo A3), e é em média de 38,5 anos (D.P=8,4), sendo que 42,9% dos pa icipan es
em a é 35 anos de idade (c . Anexo A1). A maio ia a i ma se casado ou i e em união de
ac o (55,2%) (c . Anexo A1), e e ilhos (56,3%). Quando se analisa o ní el de
escola idade, es e em g ande medida enquad a-se no ensino supe io (77,7%). Rela i amen e
à si uação labo al, a maio ia dos pa icipan es em con a o sem e mo (94,3%) (c . Anexo
A2). A an iguidade na a i idade a ual é em média de 9,8 anos (D.P= 8,4) (c . Anexo A3), e
na ins i uição de 11,4 anos (D.P=8,2), a iando en e o alo mínimo in e io a 1 ano e o
alo máximo de 30 anos. O empo de abalho e e i o si ua-se en e as 25h e as 60h semanais
(Média= 40,4), (D.P=3,8). Ainda, mais de me ade dos pa icipan es (56,3%) (c . Anexo A2),
a i ma ealiza u no no u no, sendo que a equência mínima, segundo e balizações dos
p óp ios abalhado es, é de uma ez po mês.
A a i idade exe cida pelos pa icipan es enquad a-se em qua o ca ego ias dis in as
(c . Quad o 1), designadamen e: TDT’S (40,2%); a macêu icos (35,6%); AO’s (19,5%); e
assis en es écnicos (4,6%). Os á ios p o issionais que in eg am es e se iço encon am-se
dis ibuídos po di e en es unidades (c . Quad o 1), sendo equen e a mobilidade en e
algumas (e.g., TDT’s êm mobilidade en e unidades de manipulação clínica). São elas a
Unidade P odução de Medicamen os Não Es é eis/Unidade P oduções Es é eis
(UPMNE/UPE); unidade de dis ibuição em Dose Uni á ia (DU) e po sis ema de pyxis; á ea
de eceção de medicação/ a mazém a macêu ico; a unidade de eembalagem e o ulagem;
seguida da Unidade de Fa mácia em Ambula ó io (UFA); sala de alidação a macêu ica; a
unidade de Dis ibuição Clássica (DC); se iço adminis a i o; unidade de ges ão e
ap o isionamen o de s ocks; e unidade dos Ensaios Clínicos (EC).
15
Quad o 1. Dis ibuição dos pa icipan es po ca ego ia p o issional, e po unidade de exe cício de unções,
dis ibuídos em unção do sexo e idade/ aixa e á ia.
No a: Vá ios p o issionais mencionam exe ce unções em á ias unidades, pelo que o núme o o al de
pa icipan es dis ibuídos po odas as unidades, é supe io ao e e i o do o al da amos a.
Assinala-se que a equência e pe cen agem de espos as co espondem às espos as conseguidas pa a a
a iá el em ques ão, podendo po an o se meno ao núme o o al da amos a do es udo (n=87).
2.3 Ins umen os
Es e es udo oi supo ado pelo uso de uma g elha (c . Anexo B) cons uída pa a o
desen ol imen o das p imei as análises da a i idade, de ca iz essencialmen e explo a ó io,
assim como pelo uso do INSAT2013 (Ba os-Dua e, Cunha, & Lacomblez, 2013; Ba os-
Dua e & Cunha, 2014). No que oca ao p imei o ins umen o mos ou-se pe inen e na
comp eensão de alguns aspe os especí icos a cada unidade. Designadamen e, os g upos
p o issionais p esen es, as p incipais a e as ealizadas, os ins umen os de abalho e
ma e iais usados, os p incipais cons angimen os obse ados e ela ados pelos abalhado es,
bem como egis o de e mos ou exp essões que co espondem a exemplos de “linguagem
ope a i a”, comummen e u ilizados e cujo domínio e a undamen al.
Rela i amen e ao inqué i o INSAT2013, es e cons i ui uma p opos a me odológica
pa a a análise dos e ei os das condições de abalho sob e a saúde, sendo concebido a pa i
n % n % n % n % n %
TDT 35 40,2% 5 14,7% 29 85,3% 17 50,0% 8 23,5% 9 26,5%
Fa macêu ico 31 35,6% 4 13,3% 26 86,7% 11 36,7% 13 43,3% 6 20,0%
AO 17 19,5% 11 64,7% 6 35,3% 8 47,1% 4 23,5% 5 29,4%
Assis en e
écnico
4 4,6% 1 25,0% 3 75,5% 0 0,0% 2 66,7% 1 33,3%
UPMNE/UPE 17 16,8% 0 0,0% 17 100,0% 9 52,9% 6 35,3% 2 11,8%
DU/Pyxis 17 16,8% 1 5,9% 16 94,1% 7 38,9% 4 22,2% 7 38,9%
UCMC 12 13,0% 1 7,1% 13 92,9% 7 50,0% 6 42,9% 1 7,1%
UFA 9 8,9% 1 11,1% 8 88,9% 5 62,5% 2 25,0% 1 12,5%
Validação
Fa macêu ica
9 8,9% 0 0,0% 9 100,0% 3 33,3% 4 44,4% 2 22,2%
DC 8 7,8% 1 12,5% 7 87,5% 2 25,0% 3 37,5% 3 37,5%
Se iço Adm. 4 4,6% 1 25,0% 3 75,0% 0 0,0% 2 66,7% 1 33,3%
Ges ão/Ap o . 2 2,0% 1 50,0% 1 50,0% 1 50,0% 1 50,0% 0 0,0%
Ensaios
Clínicos
2 2,0% 0 0,0% 1 100,0% 1 100,0% 0 0,0% 0 0,0%
Reembalagem/
Ro ulagem
5
50,0%
1
10,0%
4
40,0%
9
8,9%
5
50,0%
5
50,0%
7
53,8%
4
30,8%
2
15,4%
+46 anos
Ca ego ia
p o issional
Unidade de
exe cício de
unções
Receção/
A mazém
12
13,0%
10
76,9%
3
23,1%
Va iá el
Opções de
espos a
n
%
Sexo
Idade/ Faixa e á ia
Masculino
Feminino
0-35 anos
36-45 anos
22
(2) Validação a macêu ica
Tais p esc ições/pedidos são o malmen e alidados ele onicamen e, na “sala de
alidação a macêu ica”, exce uando alguns casos em que es e a o é ealizado manualmen e,
ou seja “em papel” (e.g., casos u gen es; ou casos especí icos que eque em uma
análise/aconselhamen o an es da p esc ição/pedido). Ma ca-se e e i amen e aqui o início do
a o a macêu ico, onde a a i idade dos a macêu icos é guiada po uma sé ie de
p ocedimen os, onde é necessá ia a assunção de “no malidade” de alguns aspe os eque idos,
nomeadamen e: que as p esc ições obedeçam aos p o ocolos NOC (No mas de O ien ação
Clínica)
12
, os quais se em de o ien ação nas a aliações de p esc ições clínicas consis en es
com um conjun o pad ão de escolhas de medicamen os; que a medicação p esc i a não es eja
o label (i.e., indicação da u ilização do medicamen o no seu ó ulo, ap o ada pelo
In a med
13
). Es e p ocesso con olado assegu a a esponsabilidade e apêu ica no não uso
dos medicamen os o a do p e is o, e assim a a i idade de alidação des es p o issionais é
su icien e pa a que o medicamen o seja solici ado aos labo a ó ios, exce o em casos
especí icos em que a p esc ição con ém jus i icação médica. Nesse caso, a p esc ição pode
e que passa pela Di eção do Se iço de Fa mácia, ou a é pela Comissão de É ica. Exis em
ainda ou as p esc ições ou pedidos que, po con olo de segu ança, ou po con olo de
s ocks, exigem uma dupla alidação (e.g., es upe acien es e hemode i ados). Apesa dos
p o issionais p esen es na “sala de alidação a macêu ica” desempenha em unções e
a e as idên icas, cada um em as suas a e as di ecionadas pa a a alidação de di e en es
especialidades médicas, dependendo da p óp ia o mação (e.g., pedia ia, psiquia ia,
hema ologia, pneumologia), assegu ando des a o ma um conhecimen o ap o undado da
medicação e das suas e oluções num de e minado domínio/especialidade médica. Foi
possí el ainda obse a aqui a p es ação de se iços á maco- e apêu icos po pa e des es
a macêu icos, is o que es es p o issionais êm um papel a i o no desen ol imen o de
pa ce ias com di e en es ins i uições, con ac ando com equipas mul idisciplina es, assim
como di e amen e com o p óp io doen e, endo em is a a discussão de de e minadas
pa ologias e planos de a amen o, endo em conside ação, como mencionado po Figuei edo
e al (2014), “dados obje i os” ( elacionados com os p oblemas de saúde e com as
12
NOC (No mas de O ien ação Clínica): Conjun o de ecomendações écnico-cien í icas, desen ol idas de
manei a sis ema izada, e que se des inam a apoia o p o issional na omada de decisão ace ca dos cuidados de
saúde a p es a aos doen es, conside ando a singula idade do seu his o ial clínico.
13
INFARMED (Au o idade Nacional do Medicamen o e P odu os de Saúde I.P): Au o idade compe en e do
Minis é io da Saúde, com a ibuições nos domínios da a aliação, au o ização, disciplina, inspeção e con olo
de p odução, dis ibuição, come cialização e u ilização de medicamen os de uso humano, em Po ugal.

23
ca ac e ís icas dos medicamen os), mas ambém de “dados subje i os” ( elacionados com a
expe iência do p o issional e com o quad o clínico especí ico de cada doen e). O a, se es a
é uma manei a de se asse e a o con olo da alidação e a oma das melho es decisões no
a amen o, al aduz ambém mais exigências pa a es es p o issionais.
Rela i amen e aos a amen os oncológicos p oduzidos na UCMC, após a emissão
pa a es a mesma unidade da p esc ição médica pa a es e ipo de e apêu ica, a sua alidação
é aqui e e uada, sendo em seguida emi ida a o dem pa a a p odução do (s) pedido (s). Es e
p ocesso se á mais à en e de alhado, aquando da ap esen ação da UCMC.
(3) Solici ação dos p odu os a macêu icos aos labo a ó ios o necedo es
Realizadas as alidações, são solici ados os espe i os p odu os aos labo a ó ios (se
os mesmos não se encon a em disponí eis no se iço). Es a a i idade compe e à secção de
ges ão e ap o isionamen o de s ocks, onde dois a macêu icos es ão esponsá eis pela
negociação (e.g., p eços, quan idades) com os o necedo es/emp esas a macêu icas.
(4) Receção dos p odu os
Nes a sequência a medicação solici ada é ececionada no local dedicado ao
ap o isionamen o da gene alidade dos ecu sos logís icos des e cen o hospi ala , inclusi e
dos p odu os a macêu icos. Aqui AO’s e i icam a con o midade das en egas des es
p odu os especí icos com o pedido e e uado aos labo a ó ios o necedo es pa a, em seguida,
os anspo a em (com o ecu so de um po a-pale es) a é ao a mazém a macêu ico,
conside ado o “polo dinamizado ” de oda a medicação ececionada, e que se encon a
es a egicamen e p óximo do local de eceção. A medicação é en ão aqui di idida,
o ganizada em pale es com as de idas guias de dis ibuição (es as úl imas c iadas
in o ma icamen e po um TDT) pa a, pos e io men e, se eme ida pa a a (s) espe i a (s)
unidade (s) dos SF.
(5) Colocação dos p odu os em s ock no se iço
Um TDT p esen e no a mazém a macêu ico expede ele onicamen e a con i mação
dos p odu os ececionados pa a a secção adminis a i a, onde os assis en es écnicos
p ocedem à ges ão do s ock dos p odu os no se iço: ealizando os egis os de en adas e de
saídas de medicamen os. São a e as ealizadas com o ecu so ao compu ado , sendo
u ilizado especi icamen e o so wa e CPC HS (Companhia Po uguesa de Compu ado es,
Heal hca e Solu ions, S.A.).
24
(6) Dis ibuição dos p odu os pelas unidades
Segue-se, a pa i do a mazém a macêu ico, a ase de dis ibuição ísica des es
p odu os pelas á ias unidades, pelos AO’s (mais uma ez, com ecu so ao po a-pale es). É
de e e i que dis in os p odu os são ca ego izá eis em “g ande olume” (p odu os com
olume > 50ml), espei an es a so os e desin e an es, e em “pequeno olume” (p odu os
com olume < 50ml), os quais podem se ampolas, comp imidos, en e ou os. Enquan o os
p imei os são di e amen e dis ibuídos pa a as di e sas á eas dos SF, os segundos
pe manecem no a mazém a é que sejam solici ados po de e minadas unidades do mesmo.
De e e i que são ambém aqui anspo ados medicamen os com ca ac e ís icas singula es,
como é o caso dos ci o óxicos
14
, que ca ecem de alguns cuidados, e de modo ideal, de e -
se-ia u iliza a é Equipamen o de P o eção Indi idual (EPI).
.
(7) Início das a i idades de manipulação e de dis ibuição
Uma ez ecebidos os p odu os nas espe i as unidades, dá-se início às a i idade
conc e as de duas g andes alas dos SF: a manipulação clínica e a dis ibuição de medicação.
7a) A manipulação clínica de medicamen os
A manipulação clínica de medicamen os é uma a i idade que, apesa de e so ido
um dec éscimo nos SF hospi ala es, con inua a se ealizada, a im de assegu a as
necessidades de alguns doen es. Tem assumido uma o ien ação cada ez mais de ca á e
indi idual e de pe sonalização nas dosagens, conseguindo assim p eenche as lacunas dos
medicamen os indus ializados (e.g., quando não ap esen am dosagens adequadas às
necessidades especi icas dos doen es).
Nos locais des inados à manipulação, pode dis ingui -se duas á eas especí icas: as
á eas es é eis, e as não es é eis. Nas á eas es é eis, isa-se ga an i a es abilidade e
es e ilidade das mis u as elabo adas, assim como a sua pos e io dispensa e conse ação.
Es es locais, não podendo es a sujei os a agen es de con aminação, encon am-se sob
con olo de agen es pa ogénicos. É o caso da UCMC, da UPE e das á eas de acionamen o/
di isão de medicação, que se ão mencionadas mais à en e. Es es espaços es é eis
encon am-se ainda di ididos em zonas b ancas e zonas cinzen as. As zonas b ancas são
14
Ci o óxicos: em con ex o de a mácia hospi ala os medicamen os ci o óxicos são essencialmen e u ilizados
pa a a amen os de doenças oncológicas, pois são óxicos às células cance osas. A p epa ação e adminis ação
de ci o óxicos po ia pa en é ica (i.e., ia que não a diges i a; injé á el) exige pa icula cuidado, e semp e
que possí el a p epa ação de e se cen alizada nos SF.
25
assim designadas po que co espondem a locais onde se elabo am o mas a macêu icas
eco endo a mé odos de es e ilização que ga an am a eliminação a quase 100% de genes ou
agen es pa ogénicos (bac é ias, í us, ungos). As zonas cinzen as dizem espei o aos “locais
de supo e” das zonas b ancas (e.g., sala de la agem de ma e ial, sala de oca de oupa, sala
de pesagem de ma é ias-p imas, sala de apoio
15
).
As á eas não es é eis são aquelas onde a manipulação não ca ece de cuidados
ex emados ao ní el da es e ilização, man endo-se ainda assim o con olo do isco de
con aminação das subs âncias (e.g., limi ação de pessoas ex e nas ao se iço) (Mask ey,
F on ini, Unde hill, & P eece, 2014). As zonas de manipulação são á ias e es ão isicamen e
espalhadas pelo hospi al, a im de se da espos a aos seus p incipais u ilizado es. Aqui
inse em-se a UPMNE, e a i idades de a maco ecnia, e de eembalagem e o ulagem, que
se ão em seguida abo dadas.
P odução de ciclos de a amen os pa a doen es oncológicos na UCMC
Uma pa e dos p odu os des inados a a amen os oncológicos nes e hospi al é
p oduzido na UCMC, e os es an es são solici ados a o necedo es (e.g., ci o óxicos,
p odu os de g ande olume). Aqui são seguidos p o ocolos de a uação baseados em doenças
especí icas ( endo em con a o ipo de doença, o seu es ado de e olução e a du ação do
a amen o), exis indo no en an o um ce o g au de pe sonalização, is o que são ealizadas
ecei as pa a pacien es singula es, em unção das suas ca ac e ís icas (e.g., peso). Nes a
unidade exis e uma á ea não es é il, e ou a es é il. A não es é il, onde se encon am
a macêu icos, é ep esen ada pela zona de alidação das p esc ições, e de a mazenamen o
dos p odu os a se em u ilizados na p odução dos ciclos de a amen os; a es é il, é compos a
pela sala de p epa ação, com exigências de es e ilização, e de segu ança de ido à oxicidade
das subs âncias, na qual os TDT’s que aí exe cem a i idade, a im de se em p o egidos da
exposição aos ae ossóis ad indos da manipulação de ci o óxicos, de em inclusi e ealiza
es a a i idade com uma ba ei a ísica (i.e., os p odu os são manipulados no in e io de uma
câma a). Depois de p oduzida na zona b anca, a medicação é ecebida po um a macêu ico
na á ea não es é il, e em seguida en egue a um en e mei o (i.e., a a és de uma abe u a
15
Sala de apoio é o local onde en am os ma e iais necessá ios à manipulação de p odu os es é eis, e se dá
saída ao p odu o inal.
26
ísica pa a o e ei o), que p ocede à adminis ação de medicamen os
16
, na sala de a amen os
de oncologia.
P epa ação de nu ições pa en é icas e/ou mis u as in a enosas na
UPE/UPMNE/Fa maco ecnia
Es a á ea diz espei o, em g ande pa e, à p epa ação de nu ições pa en é icas e/ou
mis u as in a enosas, compos a po uma á ea es é il, a UPE, e ou a não es é il, a UPMNE.
Nes a secção exis e ambém uma ala dedicada à a maco ecnia, conside ada a pu a
essência da a mácia, sendo o local de p epa ação e e i a de soluções o ais - sólidas ou
líquidas (e.g., xa opes) - ou não o ais (e.g., pomadas). Exis e ainda uma ala de acionamen o
de subs âncias, jus i icada pela exigência de um ambien e es é il ace a p odu os sensí eis;
e uma ou a onde se ealizam a i idades adminis a i as e de a qui o de documen ação. Na
ealização des as a i idades es ão en ol idos odos os a o es do se iço: a macêu icos,
TDT’s, AO’s e assis en es écnicos.
Reembalagem e Ro ulagem de medicamen os /F acionamen o de medicação
Es a secção “ abalha” sob e udo pa a a DU, encon ando-se es a egicamen e
p óxima. Su ge da necessidade de p epa ação de medicação indi idual (i.e., doses de apenas
um comp imido), p ocesso que ca ece de alguns cuidados (e.g., iden i ica lo e, alidade,
e c.) e que implica ês a i idades dis in as: a p epa ação, a indi idualização e a
iden i icação dos medicamen os, pe mi indo en abilidade (e.g., nos SC o en e mei o ganha
empo nas a e as de apoio ao doen e, uma ez que a medicação já es á dis ibuída e
o ganizada po doen e). A p epa ação de doses indi iduais pode se ealizada de duas
manei as: manualmen e (quando o uso da máquina coloca em isco a a u ação da
medicação) mas, semp e que possí el é apoiada com equipamen o semiau omá ico, como o
FDS (Fas Dispensing Sys em). Nes a a i idade, po ezes é undamen al o p ocesso de
acionamen o da medicação, jus i icado pela necessidade de da espos a a dosagens não
exis en es no me cado, de ajus a o medicamen o ao doen e, e de e i a gas os
desnecessá ios, sendo alguns medicamen os mais sensí eis acionados na máquina
semiau omá ica, e os es an es manualmen e ( a e a es a que eque mo imen os epe idos,
16
Adminis ação de medicamen os, pelo en e mei o, implica uma sé ie de p ocedimen os, nomeadamen e a
“ e i icação da iden idade do pacien e, po o ma a ga an i que o pacien e não é alé gico ao medicamen o, que
a u ilização do medicamen o espei a a dosagem no mal, os e ei os secundá ios, as p ecauções e con a
indicações e que espei a o plano de cuidados do pacien e…” (Mask ey e al, 2014, p. 295).
27
sob cons angimen o de empo). Pa a aumen o de as eabilidade, segu ança e apêu ica e
o imização da ges ão de necessidades, udo o que é ealizado nes a secção é egis ado
in o ma icamen e e sujei o a ce i icação.
7b) A dis ibuição de medicação
A a i idade de dis ibuição de medicação é a p incipal dos SF do CHSJ e não ca ece
de um con olo ão exigen e como as a i idades que conce nem à manipulação. Pode se
ealizada a a és da dis ibuição em DU, po sis ema de pyxis, po sis ema de eposição de
s ocks ni elado, DC, mis a e pe sonalizada, sendo o des ino os SC, caso os doen es se
encon a em em in e namen o, ou a UFA, caso os doen es se encon em em egime
ambula ó io.
Dis ibuição em dose uni á ia
É o sis ema de dis ibuição com maio ep esen a i idade nes es SF e é ca ac e izado
po implica a dis ibuição diá ia de medicamen os, em dose indi idual uni á ia, pa a um
pe íodo de 24 ho as (com exceção dos sábados e e iados, em que é p epa ada pa a 48h).
Aqui o p ocesso de p epa ação da medicação pode se o almen e manual, sendo que os
TDT’s p epa am as malas po medicamen o (quando o pe il de p esc ição é semelhan e pa a
á ios doen es), ou po doen e (se o pe il é dis in o), e pode se ealizada com o apoio de
equipamen o p óp io, em modo semiau omá ico, quando po ia in o má ica é ge ado o
mapa da e apêu ica. As o dens são expedidas pa a ês di e en es equipamen os: pa a o
FDS® (Fas Dispensing Sys em), Ka dex
17
® e Ka dex® a io
18
, sendo os equipamen os
semiau omá icos mais u ilizados do ipo Ka dex®, designado pa a g andes olumes.
Ressal a-se que o uso des es sis emas cons i ui um supo e impo an e, na medida em que
pe mi e eduzi o empo de o ganização da dis ibuição dos medicamen os, acionaliza os
di e sos s ocks nas unidades de dis ibuição, e conhece melho o pe il á maco-
e apêu ico
19
dos doen es, assis indo-se aqui mais uma ez à ap oximação dos p o issionais
de a mácia, nes e caso os TDT’s, de a os conside ados “clínicos”, uma endência que em
indo a ganha ele o nos SF.
17
Ka dex®: um equipamen o de a mazenamen o cen alizado e de dis ibuição semiau omá ico.
18
Ka dex® a io: equipamen o des inado a p odu os com necessidades de e ige ação.
19
Pe il á maco- e apêu ico: pe mi e elaciona os p oblemas do doen e com a adminis ação de
medicamen os, possibili ando ao p o issional de saúde ad e i de possí eis eações.

28
Dis ibuição po sis ema de eposição de s ocks ni elado
A dis ibuição da medicação po sis ema de eposição de s ocks ni elado consis e na
eposição dos p odu os num s ock ixo, com uma pe iocidade p é-de inida pa a cada p odu o.
O s ock é designado ni elado, já que cada medicamen o de ém uma quan idade conside ada
ó ima pa a cada á ea dos SC, em unção das necessidades e exigências do se iço. É assim
que se ga an e um limi e de segu ança en e o que é “exage o” e o que se conside a abaixo
do mínimo acei á el. A eposição ni elada de s ocks é ealizada manualmen e, ou po
ecu so ao sis ema de pyxis, como se explica a segui .
Dis ibuição po sis ema de pyxis
O sis ema de pyxis é acilmen e ca ac e izado como um mul ibanco comuni á io que
o nece medicação, baseado na u ilização do p og ama Pyxis MedS a ion® 3500, um sis ema
semiau omá ico que pe mi e a ges ão, a mazenamen o e dispensa de medicamen os e
p odu os a macêu icos. O con olo é ealizado à dis ância pelos SF, e acedido pelos SC na
en e ma ia, egis ando des e modo odas as saídas e e uadas.
Dis ibuição clássica, mis a e pe sonalizada no se o de especialidades
No se o de especialidades ope am TDT’S e a macêu icos, que de êm
conhecimen o do uncionamen o in eg ado dos SF, is o que e e uam a expedição pa a as
di e en es á eas, e é ambém aqui po onde passam odos os pedidos de medicação, seja
clássica, mis a ou pe sonalizada. A DC ealiza-se a a és dos sis emas clássicos de
dis ibuição, is o é, epo a-se à p epa ação de medicação a g anel pa a um de e minado
pe íodo de empo, podendo es a pe manece em s andby no a mazém de especialidades, a é
se eque ida. O obje i o é man e um s ock de medicamen os e p odu os a macêu icos, que
con o me as necessidades de cada unidade de in e namen o, ai sendo epos o. Nes e se o
de especialidades, em DC exis em os denominados “ci cui os especiais”, a ando-se de
medicação con olada com exigência de p ocedimen os especí icos, e que po exigências de
cump imen o de de e minadas egulamen ações implicam um ci cui o p óp io (e.g., exis e
um co e de es upe acien es que de e se e i icado dia iamen e po um a macêu ico
esponsá el, e po um ou o esponsá el pela con i mação do egis o e e uado). In eg a os
designados ci cui os especiais oda a medicação que se des ina à eliminação de í us, ungos
e bac é ias (e.g., es upe acien es, de i ados de plasma, an in eciososos, an ibió icos,
an i úngicos, e ci o óxicos), e que median e uma p esc ição médica são p epa ados
especi icamen e pa a um pacien e. Exis e ainda nes a secção a medicação pe sonalizada e a
29
mis a, as quais podem se expedidas logo após a sua p epa ação. A p imei a, é assim
denominada quando é p epa ada pa a um doen e especí ico, e quando não é u ilizado o
sis ema clássico de dis ibuição. São exemplo, ci o óxicos, imunomodulado es
20
e
hemode i ados. A segunda, é assim in i ulada pois, po um lado não é pe sonalizada (i.e.,
não se des ina a um pacien e pa icula ) e, po ou o lado, não é clássica (i.e., não é p epa ada
a g anel), podendo co esponde a es upe acien es e psico ópicos.
Nes e se o exis e ainda um balcão de a endimen o dos SF, a ando-se de um local
de con a o da a mácia ( ia p esencial ou ele ónica) com ou os p o issionais (e.g., médicos,
o necedo es, e c.), e onde são ealizados pedidos e de oluções de medicação clássica,
en egas de p odu os u gen es, ou de p odu os sujei os a uma meno o a i idade.
Dis ibuição de medicação em ambula ó io na UFA
Pa a assegu a de o ma pe sonalizada e g a ui a a dispensa de medicamen os a
doen es em egime de ambula ó io, exis e uma unidade dedicada a esse im: a UFA, sendo
conside ada a úl ima linha de a endimen o aos pacien es. É aqui ga an ida a assis ência
a macêu ica sem in e upções, a a és da eposição pe iódica dos s ocks de inidos
consoan e as necessidades (e.g., ci o óxicos, especialidades a macêu icas, hemode i ados),
com exceção de ou os que ob igam a um con olo mais igo oso dos ní eis p é-de inidos:
são os chamados medicamen os de ges ão de UFA
21
. Os ece o es são os p óp ios doen es
que não necessi am de in e namen o, mas ambém p o issionais de ou as unidades, se
necessá io (e.g., a UCMC, median e PTI’s
22
).
Es e espaço, localizado p óximo das consul as ex e nas do hospi al, es á di idido em
á eas dis in as: a sala de espe a (onde os u en es agua dam a sua ez de a endimen o); a zona
de a endimen o (compos a po gabine es de a endimen o indi idualizados, a im de assegu a
con idencialidade e p i acidade); a zona de a mazenamen o de medicação (supo ado po
uma sé ie de equipamen os CONSIS
23
, os igo í icos de a mazenamen o - pa a
medicamen os que exigem empe a u as en e os 2°C e os 8°C, e a ca congelado a - pa a
a mazenamen o de e moacumulado es); o gabine e adminis a i o (onde se ealiza a
20
Os imunomodulado es com a unção de modi ica a espos a imunológica, são u ilizados em e apêu icas
ela i as, po exemplo, a doenças au oimunes, ansplan es de medula óssea, e c.
21
Medicamen os de ges ão da UFA são medicamen os solici ados po es a unidade ao labo a ó io, ececionados
no piso 02, e anspo ados a é à UFA.
22
PTI’s (Pedidos de T ans e ência In e na): em caso de u gência de um medicamen o, é ealizada,
in o ma icamen e, uma solici ação de en ega pa a de e minado se o .
23
CONSIS: sis ema semiau omá ico de dispensa (onde se incluem os p odu os de maio o a i idade que
possam es a a uma empe a u a ambien e).
30
o ganização e a qui o de documen ação da a i idade desen ol ida). Aqui in e êm
a macêu icos, TDT’s, e um assis en e écnico. Enquan o os a macêu icos exe cem
essencialmen e unções de a endimen o di e o ao doen e, os TDT’s dedicam a sua a i idade
à eceção de encomendas e eposição de s ock nos locais ísicos. Já o assis en e écnico
exe ce a sua unção no gabine e adminis a i o.
(8) En ega do p odu o inal aos pacien es em in e namen o/ambula ó io
A úl ima e apa é ep esen ada pela en ega do p odu o inal ao des ina á io: o doen e.
Após a dis ibuição de medicação pelas unidades do SF - ealizada po AO’s, - median e
equisição de medicação pelas unidades, os p odu os em seguida são
en egues/adminis ados - seja nos SC - no caso das unidades de in e namen o, pa a aqueles
que o necessi am - seja na UFA, po a macêu icos, pa a aqueles que não o ca ecem, e se
encon am em ambula ó io.
Exis e ainda, num plano menos ep esen a i o des e ci cui o, uma unidade que,
apesa de não e como inalidade a en ega ao doen e em egime de in e namen o ou
ambula ó io, pe ence ambém ao se iço de a mácia, e po an o alguns dos seus
p o issionais ( a macêu icos) o am incluídos na amos a do nosso es udo. São os EC, onde
exis e um plano ou p o ocolo de in es igação c iado po in es igado es, e em unção desses,
os pa icipan es ecebem in e enções especí icas (Mask ey e al, 2014). Aqui chegam odos
os medicamen os expe imen ais des inados à ealização de “ensaios clínicos”, medicamen os
expe imen ais que exigem um ci cui o especial, en ol endo in o mações con idenciais e
p ocedimen os especí icos (e.g., a abe u a das encomendas e espe i a con e ência é
ealizada exclusi amen e po a macêu icos que ope am nes e espaço).
A econs ução des e “ci cui o do medicamen o” é ma cada, como imos, po uma
complexidade que p ocu amos e idencia , seja pelas singula idades e exigências de
de e minados medicamen os, seja pelo in e ace en e di e en es p o issionais, seja pela
epa ição das di e en es unidades no hospi al - a uma dis ância que di icul a a a i idade de
abalho - ou mesmo pelos iscos que compo am de e minadas si uações pa a os p óp ios
abalhado es. Is o signi ica que o p ocesso desc i o, como uma sequência de e apas, es á
longe de se conc e iza de o ma linea ou isen a de cons angimen os. É p ecisamen e is o
que p ocu a emos melho undamen a , em seguida, in eg ando es es esul ados com os
esul ados do INSAT2013.
31
3.5 Fa o es de isco pe cebidos no abalho e ge ado es de ele ados ní eis de incómodo
P ocu a emos ago a des aca alguns esul ados
24
de ca á e ge al, is o é,
con emplando os pa icipan es da globalidade do se iço de a mácia (c . Anexo F1), assim
como os esul ados di e enciados po ca ego ias p o issionais: a macêu icos, TDT’s, AO’s
e assis en es écnicos (c . Anexo F2). jus i icando-se es a di e enciação nas especi icidades
encon adas, du an e as análises da a i idade, em e mos de ca ac e ís icas do abalho, das
suas exigências e das condições em que é ealizado, dos di e en es g upos p o issionais.
Se ão e e enciados os esul ados ela i os a duas das unidades exis en es no se iço (c .
Anexo F3). Po um lado, na UCMC, pelo ac o de e sido desde o início iden i icada no
pedido o mulado pelo se iço de a mácia, endo em con a a iden i icação de p oblemas
músculo-esquelé icos que se man inham, ou seja, que inham endência a pe sis i ; e, po
ou o lado, na UFA, cujo mo i o se p endeu com o ac o de se uma á ea de on ei a en e
o hospi al e a comunidade, e onde se egis a am p oblemas ans e sais a ou as unidades,
mas ambém ou os mui o pa icula es, associados a elações no con a o com os doen es
pouco posi i as.
Embo a o INSAT pe mi a inúme as análises, endo em con a as di e en es dimensões
e i ens que o compõem, po ques ões que se p endem com os limi es da disse ação, e com
os obje i os de inidos, a emos e e ência apenas aos esul ados que conside amos mais
ele an es e, den o des es, assumimos como c i é io de seleção nos esul ados do incómodo
pe cebido como associado a de e minadas condições de abalho, os i ens com egis o de
30% ou mais do o al de espos as, ela i as aos ní eis de incómodo máximo (mui o
incómodo; bas an e incómodo), de aco do com a escala con emplada nes e inqué i o (c .
Anexo F).
3.5.1 Ambien e e cons angimen os ísicos
Uma das dimensões ap esen ada no ques ioná io é a ambien al, onde se des aca o
ele ado incómodo ace à exposição a iluminação inadequada (59,5%) (c . Anexo F1).
Aquando das obse ações da a i idade de abalho nas á ias unidades, o a o iluminação
algumas ezes oi aludido como um p oblema, sendo a jus i icação mais apon ada pa a al,
24
Tendo em con a os limi es de dimensão da disse ação, op ou-se po eme e pa a anexo os quad os de
esul ados do INSAT2013, encon ando-se a neg i o as pe cen agens espe i as às si uações que cons i uem
a o es de isco e salien ados pelos ele ados ní eis de incómodo epo ados.
38
p o issionais. O mesmo se aplica ao pode de eleição, que os conhecimen os da p o issão
pe mi em no sen ido de sa is aze as ligações bene ício/ isco e bene ício/cus o, mas que
semp e são áceis de se em a bi adas, sendo que os cus os acabam equen emen e po
assumi mais peso do que os bene ícios. Es es esul ados são e o çadas pela decla ação de
um a macêu ico, admi indo que “exis e mui a esponsabilidade, mui a p essão psicológica,
mui o medo de e a e das consequências dos e os”.
Como já inha sido mencionado, es e se o es á sujei o a g andes p essões,
nomeadamen e de ido ao o e impac o que em na saúde (Val e de, 2012), exigindo-se no
exe cício da a i idade a assunção de decisões impo an es e de g ande esponsabilidade,
mui as ezes com p azos limi ados (e.g., ace a pedidos u gen es). Faz assim sen ido que,
simila men e, i ens elacionados com a necessidade de agiliza o empo de abalho
ap esen em maio incómodo nes a a i idade p o issional em compa ação com as es an es,
nomeadamen e, no que espei a a e que ul apassa ho á io no mal de abalho (52,6%) e
“sal a ” ou encu a uma e eição, ou nem ealiza a pausa po causa do abalho (45,5%).
No caso da UFA, onde os p óp ios abalhado es e e em a necessidade de da espos a a
odos os pacien es que se encon am em espe a na eceção da medicação, an es de
e mina em o seu dia de abalho, legi ima o ele ado incómodo pe cebido ela i amen e à
p imei a si uação mencionada (71,4%) (c . Anexo F3). Is o é, nes a unidade, segundo es es
abalhado es, a necessidade de ul apassa cons an emen e o ho á io no mal de abalho,
sem se po al ecompensando, le a a um desequilíb io en e o in es imen o na ealização
de um abalho bem ei o e o seu econhecimen o, jus i icando o ele ado descon o o ace a
ou o i em elacionado com as ca ac e ís icas do abalho: “o meu abalho é um abalho
no qual, de uma o ma ge al, me sin o explo ado” (75,0%).
No âmbi o das elações de abalho, des aca-se em odo o se iço de a mácia o
ele ado descon o o e e en e à pe ceção de pouco econhecimen o do abalho pelas che ias
(68,9%) (c . Anexo F1). O âmbi o das elações de abalho apa en a se uma dimensão menos
isí el e mais di ícil de se expos a pelos pa icipan es, con udo, no conjun o de alguns
comen á ios oi possí el conclui que as opiniões se di idem ela i amen e a es e assun o.
Alguns e balizam a exis ência de elações o es, onde o espí i o de cama adagem é is o
como um pon o p emen e e posi i o do abalho. Ou os, po ou o lado, e e em a má
qualidade das elações de abalho. Alguns abalhado es, po exemplo, apon am a al a de
conside ação po en idades supe io es ace a si uações labo ais que os p óp ios já ha iam
epo ado como incómodas (e.g., al a de equipamen os ou espaços ísicos inadequados), e
que nada é ei o pa a as ans o ma . Comen á ios dos p óp ios p o issionais ão nes e

39
sen ido: um AO apon a que a “ al a de econhecimen o le a à desmo i ação p o issional, e
um maio econhecimen o acili a ia uma melho p es ação de se iços e a e as”. Ou as
c í icas ad indas de á ios g upos p o issionais como “no meu se iço não alo izam o meu
abalho” e a “sensação de al a de comp eensão po pa e dos supe io es hie á quicos”
e o çam es es esul ados. É ainda ei a alusão à ausência de a aliações de desempenho há
á ios anos, e à sua pe inência no sen ido de compensa / econhece o abalho que ealizam,
ace às condições de que dispõem.
Nos locais de abalho em análise des acam-se ou os i ens que des a o ecem o
pano ama das elações de abalho: a exposição a si uações de ag essão e bal na UFA
(100%) (c . Anexo F3) e na UCMC (85,7%). Já o assédio mo al (e.g., in imidação,
hos ilidade, humilhação,…) é apon ado, pelo seu ele ado g au de incómodo, na UCMC
(87,5%), cons i uído si uações, que no momen o de ap esen ação e es i uição cole i a dos
esul ados se o nou, ainda assim, di ícil de deba e de ido à sensibilidade da ques ão, mas
que pa ece digna de se pos e io men e explo ada.
Rela i amen e ao con a o com o público, a a-se de um ema que apesa de não
pa ece se p eocupan e pa a o se iço no seu odo, pode se assim is o pa a de e minados
p o issionais e unidades especí icas. Os a macêu icos (92,3%) (c . Anexo F2) mencionam
com g ande descon o o que no p óp io abalho es ão expos os ao isco de ag essão e bal
do público, esul ados coe en es com a sua a i idade, is o que são aqueles que lidam mais
di e amen e, e com mais equência com o público (e.g., pacien es, o necedo es). Es a
dimensão do abalho é especialmen e pe inen e na UFA (c . Anexo F3), onde o con a o
com os doen es é di e o e cons an e, num a endimen o p óximo e acompanhado. Es es
abalhado es sen em-se na “in e ace” en e os SF e a comunidade/o pacien e, e exe cem
a i idade na úl ima linha de a endimen o do se iço, não sendo incomum que o pacien e,
após espe as mui o signi ica i as, acabe po se insu gi con a os abalhado es des a
unidade. Assim, a exposição ao isco de ag essão e bal do público é e e enciado com um
cons angimen o po es es p o issionais (100%), assim como o isco de ag essão ísica pelo
público (85,7%) e o con on o com si uações de ensão nas elações com o público (62,5%).
3.5.3 Ca ac e ís icas do abalho
As ca ac e ís icas do abalho iden i icadas como ge ado as de maio es ní eis de
insa is ação en e os abalhado es do se iço são á ias, nomeadamen e em elação ao ac o
de o abalho se um abalho onde não exis e a pe spe i a de e olução na ca ei a (85,1%)
(c . Anexo F1), cuja emune ação não pe mi e e um ní el de ida sa is a ó io (83,6%),
40
onde al am os meios necessá ios pa a ealiza um abalho de qualidade (75,8%). T a a-se
de aspe os que se des acam pelo incómodo pa a as á ias ca ego ias p o issionais (c . Anexo
F2), e que encon am o seu sen ido no cená io a ual da Adminis ação Pública, onde o
congelamen o de salá ios, de p omoções e p og essões na ca ei a despon a am nos úl imos
anos, assim como a con enção de cus os em in es imen os nos locais de abalho (e.g.,
ins umen os, meios, espaços de abalho). Es a ealidade es á bem p esen e nes e se iço,
onde a mobilidade é inexis en e ou me amen e ho izon al, is o é, en e di e en es unidades -
onde dis in as a e as podem se le adas a cabo pelos mesmos p o issionais - mas
di icilmen e e ical (i.e., pa a um ní el hie á quico supe io ). São iden i icadas a “ al a de
expe a i as”, assim desc i a po um dos abalhado es; a pe ceção de um des asamen o en e
a mobilização de si mesmo no abalho e a emune ação, que ica de sob emanei a aquém
do in es imen o na a i idade; e a al a de in es imen o em ins umen os de abalho
adequados e undamen ais pa a a ealização da a i idade, idas como ques ões de
insa is ação, não no abalho ealizado, mas sim em e mos de condições de abalho
o e ecidas. Especi icamen e, em elação à al a de meios pa a ealiza um abalho de
qualidade, é en e as ca ac e ís icas do abalho acabadas de e e i , a si uação mais
equen emen e ela ada nas e balizações dos abalhado es. Pa ece comum o en endimen o
de que é p o a elmen e o g upo dos AO’s o mais penalizado po es a al a, e que de ac o
epo a ele ados ní eis de incómodo (81,8%). Um dos ipos de ins umen os de abalho
mais u ilizados po es es p o issionais é o po a-pale es, sendo á ios os que necessi am de
manu enção ou de subs i uição, já que se encon am em mau es ado, e só não colocam em
causa a qualidade do se iço p es ado, po que acabam eles p óp ios po compensa es es
p oblemas, assumindo alguns es o ços ísicos, que não se ia supos o. Assis e-se aqui a um
exemplo de adap ação do abalhado ao seu abalho, e po an o à con adição de um dos
p incípios de in e enção no quad o da nossa adição cien í ica: o de adap ação do abalho
ao homem (Lepla , 2015), o imizando as condições e os ecu sos que a o ecem o seu
desempenho. Inclusi amen e, alguns abalhado es exp essa am a já oco ência de aciden es
p o issionais ( a u as) no abalho com es es equipamen os, e a necessidade de maio es
es o ços ísicos no seu manuseamen o, endo em con a o es ado em que se encon am. O uso
des es equipamen os em mau es ado é ainda ag a ado pelas condições ge ais em que se
encon a o piso, ca ac e izado como deg adado e i egula , o qual po encia um maio ní el
de isco no anspo e da medicação - sendo a é e e idos episódios de queda de medicação
- mui as ezes óxica (e.g. ci o óxicos), esul ando po sua ez em insegu ança pa a os
p óp ios abalhado es, mas ambém em a asos pa a os p ocessos seguin es do ci cui o do
41
medicamen o. Ainda, a iluminação inadequada e o excesso de pó são aspe os a ibuí eis aos
“meios” que colocam em causa a qualidade do abalho, e is os como incomoda i os pa a
os que exe cem unções no a mazém a macêu ico da logís ica, cuja o ça de abalho é
cons i uída sob e udo po AO’s. Pa a ou os p o issionais, como a macêu icos (75,0%) e
assis en es écnicos (33,3%), cuja a i idade p o issional depende do uso equen e do
compu ado são no ó ias algumas queixas, an o pela al a de compu ado es su icien es,
como pela má qualidade dos exis en es, ca ac e izados como “len os” e que “c asham”
momen aneamen e, esul ando segundo os pa icipan es, em a asos pa a o p óp io abalho,
e p ocessos subsequen es. Pa a os TDT’s, es es p oblemas são epo ados po 76,0% dos
p o issionais, em a e as elacionadas com a dis ibuição da medicação, o abalho com o
sis ema ope a i o (CPS), ca ac e izado como pouco céle e; assim como com a g ande
dis ância a pe co e con inuamen e en e os á ios p odu os com que abalham, ob igando-
os a ealiza um g ande núme o de deslocações. Em especí ico, na manipulação clínica, pa a
os TDT’s os p oblemas não pa ecem se meno es, sendo iden i icado como mais
p eocupan e, aquele que, como já an e io men e mencionado, cons i uiu o pon o de pa ida
de oda a análise das condições de abalho: na UCMC (66,7%) (c . Anexo F3), o uso de
se ingas na á ea es é il, ins umen o de abalho que susci a g andes di iculdades do pon o
de is a músculo-esquelé ico pa a os seus u ilizado es, e onde um ins umen o que as
subs i ua pa ece al amen e pe inen e. Ou os meios pe cecionados como em al a pa a a
ealização de um abalho de qualidade nes a unidade p endem-se com as duas câma as
exis en es na zona b anca da á ea es é il, des inadas à p odução de a amen os, com as quais
exis e di iculdade em ope a em simul âneo, a asando o abalho. Ainda nes e âmbi o, a al a
de pessoas/ ecu sos humanos é mencionada. No caso da UFA (100%), os mesmos p oblemas
elacionados com o uso dos compu ado es são ambém uma ealidade, assim como a al a de
igo í icos de a mazenamen o.
Ainda ou os aspe os no que espei a às ca ac e ís icas do abalho são
pe cecionadas como p oblemá icas de uma o ma ge al, nomeadamen e a pe ceção de
di iculdade em ealiza o seu abalho aos 60/65 (70,4%) (c . Anexo F1), e a assunção de
que “o meu abalho é um abalho que gos a a que os meus ilhos não ealizassem”
(56,8%), são segundo e balizações dos abalhado es, esul ado não da a i idade em si, mas
sim das condições de abalho a que es ão sujei os.
Pa ecem es es assun os elacionados com as ca ac e ís icas do abalho complexos,
onde “as ques ões da sociedade podem se lidas no pos o de abalho” (Schwa z & Du i e,
2007, p. 58). Is o po que ques ões de índole mac o (eg., c ise económica, con enção de
42
cus os na Adminis ação Pública, e c.) se es abelecem sob e os abalhado es, sob e as
condições de exe cício da sua a i idade, e os ob iga a adap a -se. Con udo, não de e se
esquecida a impo ância de uma análise que dê isibilidade a es a ealidade conc e a e
aduza o “pon o de is a do abalho”, de uma análise que a alie as si uações de abalho,
os a o es de isco a que es ão expos os os abalhado es, capaz de sus en a a ges ão das
mudanças que se impõe implemen a . Pe sis i sob e a impo ância de uma a iculação en e
o que se passa a um ní el mac o e mic o de análise é assim impe a i o (Schwa z & Du i e,
2007).
3.6 Sen imen o de p aze e de ealização pessoal no abalho
Apesa dos cons angimen os assinalados, o p aze e ealização pessoal no abalho
são ambém salien ados (c . Anexo G). 98,8% dos pa icipan es sen em que o que azem
cons i ui um con ibu o ú il pa a a sociedade; 94,3% e e em o sen imen o de aze um
abalho bem ei o, assim como sa is ação com o abalho ealizado de uma o ma ge al
(79,1%). Ainda, 69,8% e ela e opo unidade de aze coisas que ealmen e dão p aze .
Os pa icipan es ela a am mesmo, nos momen os de es i uição, que é eal o ac o de a sua
a i idade os con on a com uma sé ie de a o es de isco, mas e em ainda assim p aze no
abalho e sen i em-se ealizados pela qualidade do abalho assegu ada, apesa das
ci cuns âncias em que o azem. O econhecimen o, esse, p o ém de alguns doen es,
ei e ando que po pa e das che ias ele já não é seque espe ado. Quando is o acon ece,
sen em es es p o issionais que o seu de e é cump ido, eco dando que o seu de e p imá io
e undamen al, al como es abelecido no Dec e o-Lei n.º 288/2001 de 10 de no emb o
(a igos 81.º e 107.º), é o de po encia a saúde e bem-es a dos doen es, e que são eles a quem
se di ige a sua a i idade e, comummen e, os que a o nam econhecida.
3.7 P oblemas de saúde pe cebidos e sua elação com o abalho
Apesa do oco do es udo se encon a nos a o es de isco no abalho, acede aos
p oblemas de saúde que os abalhado es e e em sen i , e que são pe cecionados como
causados ou ag a ados pelo abalho, pe mi e da con a das consequências de de e minadas
condições na sua saúde. É, aliás, apa en emen e quando o seu es ado de saúde se deg ada,
43
que se passa a con e i maio isibilidade às suas condições de abalho, al como o e o ça
o pedido que susci ou es e es udo. Nes e sen ido, p ocu ou-se iden i ica aqueles p oblemas
de saúde que pa a os abalhado es cons i uem maio es mo i os de queixa
25
, e onde é
iden i icada uma o e elação com o abalho (p oblemas de saúde causados ou ag a ados
pelo abalho) (c . Anexo H).
As do es de cos as cons i uem o p oblema mais ela ado na a mácia (75,0%),
seguida das do es muscula es e a iculações (63,5%), p oblemas de isão (56,5%), a izes
(de ames, “a anhas” ascula es) (51,8%), do es de cabeça (50,6%), ansiedade ou
i i abilidade (50,6%), adiga gene alizada (42,4%), desânimo gene alizado (36,5%),
sonolência ou insónias (34,1%). Daqueles que e e em sen i desânimo gene alizado, odos
(100%) e e em se causado ou ag a ado pelo abalho. Na mesma linha, ou as pe cen agens
ele adas são exp essas pa a os es an es p oblemas, nomeadamen e, a ansiedade ou
i i abilidade (95,3%), do es de cos as (90,3%), do es muscula es e a iculações (87,0%),
adiga gene alizada (86,1%), a izes (86,0%), do es de cabeça (83,3%), sonolência ou
insónias (65,5%), p oblemas de isão (51,1%), explicando-se assim o possan e ínculo que
es es abalhado es es abelecem com o seu abalho. É nes e pano ama que pa ecem as
condições de abalho que o am sendo e a adas (eg., ealização de deslocações equen es,
manuseamen o equen e de ca gas, abalha po longos pe íodos de empo sen ados e/ou
ao compu ado , e c) jus i icado as de alguns des es p oblemas.
3.8 Aciden es de abalho e doenças p o issionais
Rela i amen e a aciden es de abalho, a maio ia dos pa icipan es (64,4%) e e e e
já sido í ima, e daqueles que mencionam o local de abalho onde o aciden e oco eu, 90,9%
indica o abalho a ual (c . Anexo I).
A a és da iden i icação de doenças p o issionais mencionadas pelos p o issionais,
conclui-se (à semelhança dos p oblemas de saúde), que são as elacionadas com o o o
muscula e de a iculações as que egis am mais e e ências. As denominadas LMERT
co espondem ao p oblema de saúde ocupacional mais comum na Eu opa (Agência Eu opeia
pa a a Segu ança e Saúde no T abalho, 2007), a e ando po an o milhões de abalhado es
25
À semelhança da análise aos a o es de isco (anexo F), ambém pa a os p oblemas de saúde pe cebidos
apenas o am conside ados aqueles que egis a am pe cen agens supe io es a 30,0% (sinalizadas a neg i o no
quad o H1, em anexo).

44
eu opeus, sendo que o p oblema es á apa en emen e longe de se e e adicado. São
exemplo, nes e es udo, dos p oblemas epo ados: as epicondili es, hé nias discais,
con a u as muscula es, desgas es de ca ilagem, lesões muscula es, endini es, calci icações
ósseas, e c. Con udo, quando se lhes pe gun a se já lhes oi diagnos icada uma doença
p o issional, apenas 10,3% esponde am a i ma i amen e, sendo que os es an es e e i am
a inexis ência de econhecimen o da doença como “doença p o issional”, ou que o p ocesso
de econhecimen o se encon a em a aliação.
Mas, exis em ainda ou os p oblemas, cuja meno g a idade, os des i ui de
conside ação: alamos, conc e amen e, de p oblemas elacionados com a ansiedade e
i i abilidade, adiga gene alizada, desânimo gene alizado, sonolência ou insónias,
igualmen e iden i icados pelos abalhado es des e es udo (c . Anexo H). Exis e o pa ece de
que os abalhado es mesmo expos os con inuamen e a iscos p o issionais, a saúde dos
mesmos quando não ap esen a g andes pa ologias, é azoá el, o que o na mui as ezes os
e ei os das condições de abalho na saúde pouco mani es os (Ba os-Dua e, 2005). Es es
p oblemas, além disso, não sendo mui as ezes decla ados não são do ados de
econhecimen o. Não de em, ainda assim, se sub alo izados, al como oi e o çado pelos
abalhado es p esen es nos momen os de es i uição des es esul ados, na p esença ambém
de esponsá eis do se iço de a mácia e do SSO.
45
Conclusões
Com a p esen e in es igação p opunha-se a análise das elações en e abalho e
saúde no se iço de a mácia do CHSJ, an o à gene alidade dos p o issionais, como
associada a g upos p o issionais dis in os e a unidades do se iço especí icas. Pa a al, o am
conside adas as condições de abalho, endo como oco a pe spe i a dos p óp ios
abalhado es, a a és da a iculação de uma abo dagem quali a i a, a a és de obse ações
da a i idade eal de abalho e de e balizações dos p óp ios abalhado es, que sus en a am
a nossa p opos a de cons ução de um “ci cui o do medicamen o”, e de uma abo dagem
quan i a i a, baseada no uso do inqué i o INSAT2013 e na análise es a ís ica dos seus
esul ados, con ex ualizada no conhecimen o eme gen e das análises no e eno.
Di o is o, conside amos impo an e começa po e le i sob e o “a o a macêu ico”,
que em a a essado o deba e no con ex o que analisámos e o qual em, segundo Pi a & com
Ag egação (2010), a pa do pano ama a ual ao ní el social, económico, écnico, cien i ico,
sido ampliado. Tal, em conduzido o a macêu ico a assumi no os desa ios, e a dilui -se as
on ei as en e uma conceção do se iço de a mácia como um “se iço écnico”, e a sua
conceção como se de um “se iço clínico” ambém se a asse. Aliás, nomeadamen e a a és
da p es ação de se iços á maco- e apêu icos, que “é eme gen e nos nossos dias e exige
no as compe ências ao a macêu ico que se assume como clínico” (Figuei edo e al., 2014,
p.16). Se, an e io men e, e a su icien e conhece o medicamen o desde a sua conceção a é à
dispensa na a mácia, ago a es e p o issional de e es a ambém di ecionado pa a um se iço
mais ap oximado ao doen e, a im de melho a os seus esul ados clínicos, e ambém as
elações isco/bene ício e cus o/bene ício, a a és da u ilização de medicamen os
(Figuei edo e al., 2014). Es es são desa ios eais pa a os a macêu icos, mas ambém pa a
odos aqueles que con ibuem pa a o “a o a macêu ico” no alcance do obje i o p imo dial
na p es ação de cuidados a macêu icos: a ga an ia do bem-es a e saúde do doen e, e são
eles, em con ex o de a mácia hospi ala , os écnicos de diagnós ico e e apêu ica, os
assis en es écnicos, e os assis en es ope acionais. Não obs an e, o conhecimen o da
ealidade des e se iço o nou e iden es os cus os associados ao desempenho da a i idade,
ace a algumas das condições e a adas e que icam aquém do desejá el, e ace a obje i os
cada ez mais exigen es. O g au de incómodo que essas condições/si uações de isco
ins igam é, apesa de udo, ge ido de o ma a não comp ome e a qualidade do abalho.
Encon am esses a o es de isco a sua o igem a di e en es ní eis, an o a um ní el mais
mac o, ela i o às e oluções deco en es da e o ma da Adminis ação Pública, como
46
ambém a um ní el mais mic o de análise, associados a especi icidades do con ex o de
abalho conside ado. São exemplo des es úl imos, cons angimen os ísicos (e.g., con ex o
pouco o ganizado do pon o de is a e gonómico) e ambien ais (e.g., iluminação inadequada),
o ganizacionais (e.g., exposição a um i mo de abalho in enso) e elacionais (e.g., pouco
econhecimen o pelas che ias), e que no seu conjun o o nam isí el a necessidade de deba e
e melho ia das condições de abalho nes e se iço. Ac escen a-se que exis em si uações
ans e sais, e ou as especí icas a de e minados g upos p o issionais, e a locais/unidades,
as quais pa ecem es a elacionadas, seja com a na u eza do ipo de a e as ealizadas, seja
com as condições de abalho em que são ealizadas (e.g., o g upo p o issional dos
a macêu icos na unidade de a mácia em ambula ó io e ela incómodo especialmen e
ele ado no con a o com o público, pois são os únicos que lidam di e amen e com o pacien e).
Coe en e com o pedido inicial des e se iço, a pa i de uma análise aos p oblemas
de saúde pe cecionados como endo o igem ou sendo ag a ados pelo abalho, assim como
a doenças p o issionais mencionadas pelos p óp ios abalhado es, e i icou-se que, é nos
p oblemas de o o músculo-esquelé ico que se encon a a maio incidência. Tais esul ados
são coe en es com o pedido que inci ou o es udo mas, apesa dis o, ou os p oblemas
in apa ológicos o am assinalados, ela i os nomeadamen e a ansiedade e i i abilidade,
adiga gene alizada, desânimo gene alizado, sonolência ou insónias, que impo a não
negligencia no p oje o de in e enção que oi pe spe i ado como subsequen e a es e
abalho.
Apesa dos a o es de isco a que se encon am expos os, dos p oblemas de saúde, e
doenças p o issionais sinalizadas, no exe cício da sua a i idade nes e con ex o labo al, os
pa icipan es encon am em alguns aspe os do abalho um cená io a o á el. A maio ia dos
abalhado es sen e p aze e ealização pessoal no abalho, sendo aduzido es e sen imen o
pela pe ceção: da opo unidade de ealiza coisas que dão p aze ; de aze um abalho bem
ei o; da sa is ação com o abalho ealizado, de uma o ma ge al; do con ibu o do p óp io
abalho, que esul a an ajoso pa a a comunidade. E ais esul ados são consubs anciados
na conside ação de que o seu abalho é consequen e, is o é, em impac o pa a os doen es, e
pa a o seu econhecimen o como cidadãos de di ei o - à saúde, e à p es ação de cuidados que
pe mi am a sua p ese ação, ao escla ecimen o in o mado, à opção sob e um a amen o,
ponde ando ambém as elações ão equen emen e in ocadas de “ isco/bene ício e de
cus o/bene ício” - mas ambém pa a a sociedade em ge al, nomeadamen e, pa a a
sus en abilidade do Sis ema Nacional de Saúde.
47
Podem ambém aqui se de e minan es os a anços na egulamen ação a macêu ica
eu opeia, na c iação de um me cado único de medicamen os, que, se de idamen e
implemen ados nos seus Es ados-memb os, são ele an es pa a o obje i o global da saúde
pública (Bauschke, 2011).
Ao longo do p esen e es udo o am su gindo algumas limi ações, nomeadamen e ao
ní el da ecolha de dados, que endo sido sus en ada em ês pila es es u u an es - análise
da a i idade eal de abalho (obse ações e egis o de e balizações); u ilização do inqué i o
INSAT2013; e es i uição e alidação dos esul ados, en ol endo a quase o alidade dos
abalhado es do se iço de a mácia e cuja pa icipação e e luga du an e o empo de
abalho, e o çou a expe a i a e o comp omisso de es e abalho de in es igação se
consequen e. E e i amen e, o p ocesso de ecolha de dados oi longo, e sendo o i mo de
abalho um dos p oblemas assinalados pela gene alidade dos pa icipan es, oi-o ambém
pa a o desen ol imen o des e es udo já que o empo disponí el e a p a icamen e inexis en e,
e consegui-lo inha como cus o a acumulação de a e as pa a os mesmos. Con udo, podemos,
al ez, dize que o en ol imen o dos abalhado es no es udo oi di e amen e p opo cional à
necessidade que sen em de e as suas condições de abalho melho adas. Desde a
ap esen ação do es udo, às di e en es e apas do plano me odológico, e aos momen os de
es i uição ( o mais e não o mais), es e en ol imen o oi mui o pa icipado.
Deu-se a conhece com es e es udo, as condições de abalho e p oblemas ine en es
à a i idade an o no se iço em ge al, como ela i amen e a de e minados g upos
p o issionais e unidades especí icas, de o ma anco ada na pe spe i a daqueles que são os
p o agonis as des a a i idade de abalho, e po an o daqueles que es ão sujei os e so em
com as suas consequências. Conclui-se assim que es a análise oi de encon o ao pedido
inicial di igido pelo Se iço de Saúde Ocupacional, e aos obje i os que se p opuse am pa a
o p esen e es udo.
No in ui o de se em le adas a cabo in e enções sus en adas no âmbi o da saúde e
segu ança no abalho, espe a-se que de ac o a Associação Eu opeia de Fa macêu icos
Hospi ala es (EAHP) e as suas inculadas associações nacionais possam abalha com os
Sis emas de Saúde Nacionais no sen ido de se c ia em obje i os comuns de inidos pa a o
nosso Sis ema de Saúde, onde se espe am melho ias ao ní el das condições de abalho
des es abalhado es. Mas, a necessidade de uma in e enção a es e ní el não se compadece
com a empo alidade de in e enção des e ipo de ins i uições. É necessá io equaciona uma
in e enção a cu o-p azo, cujo planeamen o em sido discu ido em es ei a elação com o
Se iço de Saúde Ocupacional, sob e as si uações de abalho iden i icadas como penosas,
54
Anexo A. Amos a: ca ac e ização sociodemog á ica e da si uação de abalho

55
Quad o A1. Ca ac e ização sociodemog á ica da amos a
Va iá el
Opções de espos a
n
%
Sexo
Feminino
64
75,3%
Masculino
21
24,7%
Idade (em classes)
A é aos 35 anos
36
42,9%
En e 36 e 45 anos
27
32,1%
Mais de 46 anos
21
25,0%
Ní el de escola idade
A é ao secundá io
19
22,4%
Ensino Supe io
66
77,7%
Es ado ci il
Casado/ União de ac o
48
55,2%
Sol ei o/Di o ciado
39
44,8%
Filhos
Sim
49
56,3%
Não
38
43,7%
Quad o A2. Ca ac e ização da si uação de abalho da amos a
Va iá el
Opções de espos a
n
%
Acumulação de unções
Sim
11
12,9%
Não
74
87,1%
An iguidade na a i idade
(em classes)
A é aos 4 anos
32
36,0%
En e os 5 e os 14 anos
23
38,3%
En e 15 e os 24 anos
13
15,3%
Mais de 25 anos
9
10,5%
An iguidade no CHSJ (em
classes)
A é aos 4 anos
19
22,1%
En e os 5 e os 14 anos
42
48,8%
En e os 15 e os 24 anos
14
16,3%
Mais de 25 anos
11
12,8%
Si uação labo al
Con a o sem e mo
82
94,3%
Con a o a p azo/ e mo
5
5,7%
Realização de u no no u no
Sim
49
56,3%
Não
38
43,7%
56
Quad o A3. Ca ac e ização sociodemog á ica e da si uação de abalho da amos a (medidas con ínuas)
Va iá el
n
Média
Mediana
Moda
Des io-
pad ão
Min.
Máx.
Idade
84
38,5
37
32
8,4
25
60
An iguidade
na a i idade
86
9,8
7
0
8,4
<1
30
An iguidade
no CHSJ
86
11,4
9
9
8,2
<1
30
Tempo de
abalho
e e i o po
semana (h)
84
40,4
40
40
3,8
25
60
57
Anexo B. G elha de supo e à análise da a i idade eal de abalho
58
Quad o B. G elha de supo e à análise da a i idade eal de abalho
Unidade
G upos
p o issionais
p esen es
Ta e as
ealizadas
Ins umen os
de abalho
P incipais
cons angimen os
Linguagem
ope a i a
Logís ica;
A mazém
a macêu ico
(Receção do
medicamen o)
Dis ibuição em
DU; Sis ema de
Pyxis
Dis ibuição em
dose clássica
UPE/UPMNE
UCMC
Unidade
G upos
p o issionais
p esen es
Ta e as
ealizadas
Ins umen os
de abalho
P incipais
cons angimen os
Linguagem
ope a i a
Ensaios Clínicos
Se iço
adminis a i o
Ges ão/ Ap o .
de s ocks
UFA
Reembalagem e
Ro ulagem
Sala de
Validação
Fa macêu ica
59
Anexo C. C onog ama do abalho empí ico

60
Quad o C. C onog ama do abalho empí ico
Dezemb o
Janei o
Fe e ei o
Ma ço
Ab il
Maio
Junho
Julho
Ap esen ação/Res i uição
dos esul ados aos
abalhado es e
esponsá eis do SF e SSO
Mês
Conhecimen o do e eno;
Análise da a i idade em
con ex o eal
Recolha de dados com o
INSAT
Início da análise dos dados
Análise, in e p e ação e
con on ação dos dados
quali a i os e quan i a i os
Análise, in e p e ação e
a iculação dos dados
61
Anexo D. Consen imen o in o mado no p eenchimen o do INSAT2013
62
Consen imen o In o mado
Saúde Ocupacional em Con ex o Hospi ala : uma análise no Se iço de Fa mácia
Es e es udo enquad a-se no âmbi o da disse ação de mes ado em Psicologia das O ganizações,
Social e do T abalho, que se á ap esen ada na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação
da Uni e sidade do Po o, pa a ob enção do g au de Mes e em Psicologia, pela aluna Sa a de
Cas o e Vasconcelos.
Tendo em is a um melho conhecimen o da a i idade eal de abalho no Se iço de Fa mácia
Hospi ala do Cen o Hospi ala São João (CHSJ) - EPE, solici a-se a sua pa icipação no
p eenchimen o do Inqué i o Saúde e T abalho (INSAT). Es e inqué i o se i á o p opósi o de análise
das elações en e o abalho e a saúde.
A pa icipação em uma du ação ap oximada de 30 minu os.
Após o a amen o dos dados e da sua análise, os esul ados ob idos se ão al o de es i uição jun o
dos pa icipan es en ol idos nes a pesquisa.
Caso ecuse pa icipa , al decisão não lhe a á quaisque bene ícios ou p ejuízos.
Es e abalho de in es igação se á desen ol ido sob a o ien ação da P o esso a Dou o a Liliana
Cunha, docen e da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o.
Toda a in o mação ecolhida se á man ida sob anonima o e con idencialidade.
Ob igada pela sua colabo ação.
Pa a mais escla ecimen os, po a o , con ac a : Sa a de Cas o e Vasconcelos
(mipsi1008[email p o ec ed] ).
“Decla o que omei conhecimen o dos obje i os do es udo. Fui in o mado/a de odos os aspe os
que conside o impo an es e i e a opo unidade de escla ece as minhas dú idas sob e a
in es igação. Pa icipo de o ma olun á ia e ui in o mado/a de que a minha pa icipação, ou
ecusa em pa icipa , não a ia quaisque bene ícios ou p ejuízos pa a mim.”
Pa icipan e
Assina u a __________________________________________ Da a ___/___/_____
63
Anexo E. Dis ibuição ísica das unidades do se iço de a mácia hospi ala
70
Quad o G1 Pe ceção de p aze e de ealização pessoal no abalho ( equência e pe cen agem de
conco dância com os i ens iden i icados).
Va iá el
Opções de espos a
N
%
Opo unidade de aze
coisas que ealmen e
dão p aze
Conco dância
60
69,8%
Disco dância
26
30,2%
Sen imen o de aze
abalho bem ei o
Conco dância
82
94,3%
Disco dância
5
5,7%
Sa is ação com o
abalho ealizado, de
uma o ma ge al
Conco dância
68
79,1%
Disco dância
18
20,9%
O abalho ealizado
em um con ibu o ú il
pa a a sociedade
Conco dância
86
98,8%
Disco dância
1
1,1%

71
Anexo H. P oblemas de saúde pe cebidos e elação com o abalho
72
Quad o H. F equência e pe cen agem de p oblemas de saúde decla ados e elação com o abalho: (a)
causado/ag a ado pelo abalho; e (b) sem elação com o abalho
P oblemas de
saúde
Opções de Respos a
N
%
Opções de Respos a
N
%
Do es de cabeça
Sim
43
50,6%
C/A (a)
35
83,3%
S/R (b)
7
16,7%
Não
42
49,4%
Do es de cos as
Sim
63
75,0%
C/A
56
90,3%
S/R
6
9,7%
Não
21
25,0%
P oblemas de
isão
Sim
48
56,5%
C/A
24
51,1%
S/R
23
48,9%
Não
37
43,5%
Pe u bações de
Voz
Sim
2
2,4%
C/A
2
66,7%
S/R
1
33,3%
Não
83
97,6%
P oblemas de
audição
Sim
17
20,0%
C/A
14
82,4%
S/R
3
17,6%
Não
68
80,0%
P oblemas de
pele
Sim
13
15,5%
C/A
10
83,3%
S/R
2
16,7%
Não
71
84,5%
Di iculdades
espi a ó ias
Sim
13
15,5%
C/A
9
75%
S/R
3
25%
Não
72
84,5%
Do es
muscula es e
a iculações
Sim
54
63,5%
C/A
48
87,0%
S/R
7
12,7%
Não
31
36,5%
Do es de
es ômago
Sim
18
21,2%
C/A
14
82,4%
S/R
3
17,6%
Não
67
78,8%
Va izes
Sim
44
51,8%
C/A
37
86,0%
S/R
6
14,0%
Não
41
48,2%
Ansiedade ou
i i abilidade
Sim
43
50,6%
C/A
41
95,3%
S/R
2
4,7%
Não
42
49,4%
Fadiga
gene alizada
Sim
36
42,4%
C/A
31
86,1%
S/R
5
13,9%
Não
49
56,6%
Desânimo
gene alizado
Sim
31
36,5%
C/A
30
100,0%
S/R
0
0,0%
Não
54
63,5%
Sonolências ou
insónias
Sim
29
34,1%
C/A
19
65,5%
S/R
10
34,5%
Não
56
65,9%
73
Anexo I. Aciden es de abalho e doenças p o issionais
74
Quad o I. F equência e pe cen agem de aciden es e de doenças p o issionais epo ados.
Va iá el
Opções de espos a
n
%
Oco ência de aciden e de
abalho
Sim
31
64,4%
Não
56
35,6%
Se sim, o local aciden e de
abalho oi…
T abalho a ual
10
90,9%
T abalho passado
1
9,1%
Diagnós ico de doença
p o issional
Sim
9
10,3%
Não/em a aliação
78
89,7%