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Medicina e cirurgia de animais de companhia

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Medicina e cirurgia de animais de companhia

Author: Andreia Raquel Cerqueira Ribeiro
Year: 2013
DOI: 10.34626/wxht-nn94
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/69031/2/30849.pdf
Rela ó io Final de Es ágio
Mes ado In eg ado em Medicina Ve e iná ia
MEDICINA E CIRURGIA DE ANIMAIS DE COMPANHIA
And eia Raquel Ce quei a Ribei o
O ien ado
P o . D . Miguel Augus o Soucasaux Ma ques Fa ia
Co-O ien ado
D . Luís Miguel Fon e Mon eneg o
Po o 2013
Rela ó io Final de Es ágio
Mes ado In eg ado em Medicina Ve e iná ia
MEDICINA E CIRURGIA DE ANIMAIS DE COMPANHIA
And eia Raquel Ce quei a Ribei o
O ien ado
P o . D . Miguel Augus o Soucasaux Ma ques Fa ia
Co-O ien ado
D . Luís Miguel Fon e Mon eneg o
Po o 2013
iii
Resumo
O p esen e ela ó io de es ágio inal do Mes ado In eg ado em Medicina
Ve e iná ia ep esen a o culmina de um es ágio cu icula de dezasseis semanas no
Hospi al de Re e ência Ve e iná ia Mon eneg o e em como obje i o a ap esen ação e
discussão de cinco casos clínicos na á ea da Medicina e Ci u gia de Animais de
Companhia.
Du an e es e pe íodo i e a opo unidade de acompanha os se iços de
consul as ex e nas e consul as de especialidade, ci u gia, anes esiologia, imagiologia,
u gência e in e namen o, auxiliando á ios p ocedimen os em cada uma des as á eas.
Fui ainda esponsá el po a i idades como a ealização de exames ísicos
diá ios, exames complemen a es, adminis ação de medicação p esc i a,
hospi alização de pacien es, acompanhamen o de pacien es nos cuidados in ensi os,
p epa ação p é-ci ú gica e acompanhamen o pós-ci ú gico, execução de p o ocolos de
isio e apia assim como o auxílio do se iço no u no de u gência.
E am meus obje i os pa a es e es ágio consolida os conhecimen os adqui idos
ao longo des es 5 anos de ensino uni e si á io, adap á-los à p á ica clínica médico-
e e iná ia e desen ol e o aciocínio clínico a a és do acompanhamen o de casos
clínicos eais das mais di e sas á eas. E am ambém obje i os o desen ol imen o da
capacidade de abalho em equipa e de comunicação que com p op ie á ios que com
colegas.
Os casos a segui ap esen ados o am escolhidos endo em con a a sua
equência na clínica de animais de companhia pelo que p e endi ap o unda
conhecimen os nessas espe i as á eas.
Uma ez e minada es a ase mais p á ica do cu so ac edi o que a ingi odos os
obje i os a que me p opus.
i
Ag adecimen os
Aos meus pais, José e Ma ia, po TUDO! Po odos os sac i ícios, po odos os
momen os em que me apoia am e po odas as opo unidades que me o e ece am.
Po odo o amo , ca inho e p eocupação ao longo des es anos. Amo- os mui o.
Ao meu i mão João po que apesa das nossas di e enças sei que posso con a
con igo pa a o que o p eciso.
À minha es an e amília, p incipalmen e aos meus a ós, pelo amo e ca inho.
Ao Da ide nunca consegui ei ag adece o su icien e. Ob igada pela amizade e
amo , po es a es semp e comigo nos bons e maus momen os, po nunca me deixa es
desis i e ac edi a es em mim mais do que eu mesma. Ob igada po ou i es os meus
desaba os com oda a ua paciência, pelos ab aços semp e disponí eis, pelos
conselhos e po se es o meu “pila ” nes a ase ão impo an e.
Ao P o esso Miguel Fa ia, pela disponibilidade e pelo p i ilégio que me
concedeu de o ien a es a minha ase inal do cu so e, sob e udo, po cons i ui pa a
mim um exemplo, como p o esso e como Médico Ve e iná io.
Ao D . Luís Mon eneg o, po me e concedido a opo unidade de ap ende
consigo e com a sua equipa, po odos os escla ecimen os e pela hospi alidade.
A oda a equipa do Hospi al de Re e ência Ve e iná ia Mon eneg o po odos os
ensinamen os e conselhos, e po me con e i em a e as e esponsabilidades que me
pe mi i am c esce . Ag adeço pa icula men e à D a. Ra aela, ao D . Rui Pe ei a e à
D a. Cláudia Rod igues, pela impo an e ajuda em alguns dos casos que escolhi pa a
o ela ó io, e à En e mei a Ca la pelo apoio em odos os momen os e pela amizade
adqui ida.
Aos “(S)Os as” po odos os momen os pa ilhados du an e es e es ágio. Pelas
amizades c iadas, pelas isadas, desaba os e apoio nos momen os de maio
desânimo. Sem ocês es e es ágio não inha sido a mesma coisa.
A odos os amigos que iz ao longo do cu so, ob igada po me e em
p opo cionado momen os inesquecí eis, pelo apoio, conselhos, disponibilidade e
amizades c iadas.
A odos os P o esso es que con ibuí am pa a a minha o mação, pois é de ido a
eles que es ou p es es a conclui es a e apa.
À equipa da clínica e e iná ia do ICBAS, po oda a paciência e pelo exemplo
de p o issionalismo.
A odos os animais que i e du an e a minha ida e que me ize am pe cebe que
e a es e o caminho que eu que ia segui .
Mui o ob igado a odos!

i
Lis a de Ab e ia u as
% – Pe cen agem
°C – G aus Célsius
μg – Mic og ama
® – P odu o egis ado
< – In e io a
ACTH – Ho mona ad enoco ico ópica
ALT – Alanina amino ans e ase
BID – Duas ezes po dia
BUN – U eia ni ogenada sanguínea
CHCM – Concen ação de hemoglobina
co puscula média
DC – Demodicose Canina
DDMVM – Doença Degene a i a
Mixoma osa da Vál ula Mi al
DOCP – Pi ala o de desoxico icos e ona
dL – Decili o
ECG – Ele oca diog ama
ELISA – Enzyme-linked immunoso ben
assay
FA – Fos a ase Alcalina
FC – F equência ca díaca
L – Fen oli o
g – G ama
GPT – Alanina ans e ase
h – Ho a
HAC – Hipoad enoco icismo
HCM – Hemoglobina co puscula média
HRVM – Hospi al de Re e ência
Ve e iná ia Mon eneg o
HS – Hipe ensão sis émica
ICC – Insu iciência ca díaca Conges i a
IECAs – Inibido es da enzima con e so a
da angio ensina
IM – Via de adminis ação in amuscula
IV – Via de adminis ação in a enosa
IRIS – In e na ional Renal In e es
Socie y
IRA – Insu iciência Renal Aguda
IRC – Insu iciência Renal C ónica
kg – Kilog ama
K+ - Ião po ássio
L – Li o
mEq – Miliequi alen es
mL – Milili o
mmHg – Milíme os de me cú io
Na+ – Ião sódio
NaCl – Clo e o de sódio
pg – Picog ama
PAS – P essão A e ial Sis ólica
PCR - Polyme ase chain eac ion
PD – Polidipsia
PT – P o eínas o ais
PTH - Ho mona da pa a i óide
P/CU – P o eína - c ea inina u iná ia
PO – Via de adminis ação o al
PU - Poliú ia
ppm – Pulsações po minu o
PVC – Pa o í us canino
RM – Regu gi ação Mi al
pm – Respi ações po minu o
SC – Via de adminis ação subcu ânea
SID – Uma ez ao dia
spp. – Espécies
TID – T ês ezes ao dia
VCM – Volume co puscula médio
ii
Índice Ge al
Resumo ....................................................................................................................... iii
Ag adecimen os ......................................................................................................... i
Lis a de Ab e ia u as ................................................................................................ i
Índice Ge al ................................................................................................................ ii
Caso Clínico 1: U ologia – Insu iciência Renal C ónica .................................................. 1
Caso Clínico 2: Gas oen e ologia – Gas oen e i e in eciosa po Pa o í us Canino ..... 7
Caso Clínico 3: De ma ologia – Demodicose Canina ................................................. 13
Caso Clínico 4: Ca diologia – Doença Degene a i a Mixoma osa da Vál ula Mi al ........ 19
Caso Clínico 5: Endoc inologia – Hipoad enoco icismo ............................................ 25
Anexo I: U ologia ...................................................................................................... 31
Anexo II: Gas oen e ologia ..................................................................................... 33
Anexo III: De ma ologia ............................................................................................ 34
Anexo IV: Ca diologia ............................................................................................... 35
Anexo V: Endoc inologia ......................................................................................... 37
1
Caso Clínico 1: U ologia – Insu iciência enal c ónica
Ca ac e ização do pacien e e mo i o da consul a: O Blacky e a um elino Eu opeu
Comum, macho cas ado, com 13 anos de idade e 2,9 kg de peso que se ap esen ou à
consul a de ido a pe da p og essi a de peso.
His ó ia Clínica: O Blacky oi azido à consul a po que, segundo os p op ie á ios,
inha a pe de peso desde há uns meses, e nos úl imos dias inha indo a come
menos. O Blacky coabi a a com mais dois ga os saudá eis. Vi ia num apa amen o,
sem con ac o com o ex e io e não inha acesso a lixos, e as ou obje os es anhos.
E a alimen ado com ação come cial seca, de qualidade supe io , ad libi um, com água
à disposição, não lhe sendo o necidos ex as. Em elação à quan idade de água
inge ida não oi possí el pa a os p op ie á ios indica em se es a a ou não aumen ada.
Es a a co e amen e acinado e despa asi ado, an o in e na como ex e namen e, e
não o am desc i os an eceden es médicos ou ci ú gicos, pa a além da o quiec omia.
O Blacky ado a a uma pos u a no mal du an e a micção, não ap esen a a sinais de
do du an e a mesma, mas não oi possí el ob e in o mação ela i a à equência de
micção e ao aspe o da u ina. Rela i amen e às ezes os p op ie á ios não no a am
al e ações. Nas es an es pe gun as po sis emas não oi epo ada nenhuma
al e ação.
Exame de Es ado Ge al: O Blacky ap esen a a-se com um es ado men al no mal e
empe amen o equilib ado, não endo sido obse ada nenhuma al e ação de a i ude. A
condição co po al oi conside ada mag a, endo pe dido 400 g amas nos úl imos 9
meses. As mucosas es a am osadas, ligei amen e secas e pouco b ilhan es com um
TRC de 3 segundos. O g au de desid a ação oi conside ado de 6 a 8 %.Os
mo imen os espi a ó ios e am p o undos, do ipo cos o-abdominal sem e idência da
u ilização dos músculos acessó ios, sendo a equência de 30 pm. O pulso e a o e,
bila e al e simé ico, í mico, egula e sinc ónico, com uma equência de 160 ppm. A
empe a u a e al e a de 37,9ºC. Ao e i a o e móme o não o am obse ados
pa asi as, sangue ou muco e o e lexo anal es a a p esen e. A auscul ação ca díaca e
espi a ó ia não e elou al e ações. Á palpação abdominal não oi de e ada nenhuma
anomalia. No es an e exame ísico não o am obse adas al e ações.
Lis a de p oblemas: Pe da de peso; Desid a ação (6 – 8%)
Diagnós icos di e enciais: Diminuição de nu ien es (quan idade ou qualidade da
ação de icien e); Hipe consumo de nu ien es ( isiológico – exe cício, hipe e mia ou
pa ológico – neoplasia, hipe i oidismo); Insu iciência enal c ónica; Glome ulone i e;
Diabe es melli us; Pe das c ónicas de sangue; Pa asi ismo In es inal; En e opa ia po
pe da de p o eína; Insu iciência panc eá ica exóc ina.
2
Exames complemen a es: Hemog ama: sem al e ações; Bioquímica sanguínea:
Azo émia e hipe os a émia; es an es pa âme os no mais (Anexo I; Tabela I);
P essão a e ial sis ólica (PAS), pelo mé odo Dopple :160mmHg; U ianálise:
isos enú ia e p o einú ia (Anexo I; Tabela II); Razão p o eína/c ea inina u iná ia
(P/CU): 0,32; Ecog a ia abdominal: Rins pequenos, com con o nos i egula es e ligei a
pe da de de inição co icomedula . Res an e abdómen sem achados de ele o.
Diagnós ico: Insu iciência Renal C ónica
T a amen o e e olução: O Blacky oi in e nado du an e 3 dias com um a amen o
que consis iu em ani idina, 1,25 mg/kg, SC, BID e luido e apia com Lac a o de Ringe
na axa de 13 mL/h nas p imei as 24 ho as, mas eduzida pa a a axa de manu enção
no dia seguin e. Uma die a enal oi ambém adicionada ao a amen o apesa de no
p imei o dia e sido necessá io o ça a alimen ação. No segundo dia de in e namen o,
o Blacky começou a bebe e a come sozinho. Os alo es de u eia e c ea inina o am
con olados no e cei o dia, endo ha ido uma edução dos mesmos, assim como uma
no malização dos alo es de sódio, po ássio e clo o (Anexo I; Tabela I). Nes a p imei a
ase de a aliação e após a co eção da desid a ação, classi icou-se a doença como
IRC em es ádio 3, no limia da p o einú ia e hipe ensão sis émica (HS) em es ádio II.
O Blacky e e al a nes e mesmo dia com die a enal e ani idina, 2 mg/kg, PO, BID,
du an e 8 dias. Recomendou-se o acesso cons an e a água limpa e agendou-se uma
consul a de con olo pa a daí a 8 dias, mas o pacien e não compa eceu. Ce ca de
quinze dias após a hospi alização e a a és de con ac o ele ónico, o p op ie á io
e e iu que es e inha indo a come com ape i e e que se encon a a a i o.
Discussão: A Insu iciência Renal C ónica (IRC) é uma pa ologia comum em elinos
ge iá icos.4,6 É ca ac e izada pela pe da p og essi a e i e e sí el de ne ónios
uncionais,1,5 le ando a que o im, g adualmen e, deixe de cump i unções como a
exc eção de esíduos óxicos esul an es do ca abolismo o gânico, manu enção do
equilíb io híd ico, ele olí ico e ácido-básico, de p odução de e i opoie ina, enina e
p os aglandinas e de a i ação da i amina D3.2,6 Ge almen e su gem ambém
al e ações es u u ais a ní el enal, embo a a sua magni ude não es eja co elacionada
com a se e idade do quad o clínico.2,3 Alguns dos sinais clínicos mais equen emen e
obse ados são a poliú ia-polidipsia (PU/PD), inape ência, mucosas pálidas,
desid a ação e pe da de peso p olongada.2,5 A e iologia da IRC é di ícil de de e mina ,
mas ap esen a como p incipais causas a exis ência de ins poliquís icos, amiloidose,
glome ulone i e c ónica, pielone i e, a adminis ação de subs âncias ne o óxicas,
p og essão de IRA, hipe ensão sis émica p imá ia, hipe calcémia e neoplasia enal.2,3
No caso do Blacky a pesquisa da e iologia da doença não se conside ou p io i á ia,
9
indo à ua e em casa não inha acesso a óxicos pelo que a sua inges ão e a uma
possibilidade emo a. A oco ência de dia eia aguda po agen es in eciosos e
pa asi á ios é comum em animais jo ens.3 Apesa de os p op ie á ios da Camila e em
e e ido que es a inha sido despa asi ada pelo c iado , não sabiam qual o p odu o
usado e nem podiam ga an i que a despa asi ação ealmen e i esse sido e e uada.
Pa a pode desca a es e diagnós ico di e encial (pa asi ismo gas oin es inal), a
ealização de análises ecais e a undamen al.3 No hemog ama é equen e iden i ica -
se anemia ligei a e leucopénia,3 um dos pon os-cha e na abo dagem diagnós ica al
como obse ado na Camila. Os pa âme os bioquímicos al e ados (ligei a
hipona émia) e o alo de po ássio sé ico no limi e in e io podem se jus i icados pelo
quad o clínico de ómi os e dia eia.2,6 Pela his ó ia, idade, aça, p o ocolo acinal
incomple o, sinais clínicos ap esen ados e e idência de leucopénia no hemog ama, o
diagnós ico conside ado mais p o á el oi de gas oen e i e in eciosa po Pa o í us
canino. O diagnós ico de ini i o eque a demons ação do í us nas ezes. De en e os
es es de ini i os exis en es, os es es ápidos ELISA são os mais conhecidos,
de e ando os an igénios i ais nas ezes dos animais.7 No en an o, e, apesa de es es
es es ápidos e em ele ada especi icidade, ap esen am uma sensibilidade baixa.3 O
esul ado des e es e de e se cau elosamen e in e p e ado, pois podem oco e alsos
nega i os, dependendo do momen o da in eção,3 ou, alsos posi i os após acinação
(com acina i a modi icada).6 Exis em ainda ou os mé odos de diagnós ico, como o
PCR, (que em demons ado se mais sensí el que as écnicas adicionais),2 a
mic oscopia ele ónica, a inibição da hemaglu inação, a imuno luo escência e o
isolamen o i al.2 A mic oscopia ele ónica das ezes de e a pa ículas i ais, podendo
se ú il na di e enciação da in eção po ou os í us como o co ona í us.3 Os es es de
de eção de an ico pos, como a inibição da hemaglu inação, não são mui o ú eis,
exce o em animais com sinais clínicos ípicos e não acinados.3
A Pa o i ose, como é comummen e designada, é uma doença en é ica
equen e, sendo esponsá el po ele adas axas de mo bilidade e mo alidade.2 O
agen e esponsá el po es a a eção gas oin es inal, al amen e con agiosa, é o
Pa o í us canino-2 (PVC-2), um í us de DNA pequeno e não segmen ado.1,2,3 Com a
e olução cons an e des e í us su gi am já ês a ian es an igénicas, o PVC-2a, PVC-
2b e, mais ecen emen e, o PVC-2c,2,7 es i pe que já oi epo ada ambém em
Po ugal.2 Es a pa ologia pode a e a cães de qualque aça, idade ou sexo, mas
oco e sob e udo em animais jo ens, ge almen e en e as 6 semanas e os 6 meses de
idade, e não acinados.2,7 Algumas aças, como Ro weile s, Dobe man pinsche s,
Lab ado es Re ie e s, Ame ican S a o dshi e Te ie , e Pas o Alemão pa ecem se
mais sensí eis pa a o desen ol imen o da doença.2,7 A ansmissão do PVC-2 oco e

10
po ia o o- ecal pelo con ac o com cães a e ados ou com o í us ambien al, sendo a
in eção mais comum nos meses de Ve ão.2,3 Após a in eção o al, e uma ez que o
í us em a inidade pa a células de ápida di isão3, inicia-se a eplicação i al no ecido
lin óide da o o a inge, imo e gânglios lin á icos mesen é icos com pos e io
disseminação hema ógena pa a as c ip as in es inais (3 a 4 dias após in eção).2 Uma
ma cada i émia é obse ada 1 a 5 dias após exposição,7 esul ando em nec ose das
c ip as in es inais, se e a dia eia, leucopénia e depleção lin óide.3 Em animais cuja
in eção oco e a a és de ansmissão e ical a pa i de mães não acinadas, o PVC-
2 é ambém capaz de se eplica em células ca díacas induzindo uma mioca di e a al.1
Alguns dos a o es que a e am a se e idade da doença es ão elacionados com a
i ulência do í us, g au de imunidade induzida pelos an ico pos ma e nos, idade do
animal, es ado acinal, espos a imuni á ia do hospedei o, a o es de s ess e a
p esença de in eções en é icas conco en es.6 Todos es es acon ecimen os jus i icam
os sinais clínicos que su gem 4 a 7 dias após in eção.3 Numa ase inicial os sinais
clínicos são inespecí icos e incluem ano exia, le a gia e eb e.2,5 Pos e io men e, os
sinais ípicos incluem ómi o (que quando se e o pode p o oca eso agi e) 6 e dia eia
que a ia de mucóide a hemo ágica.2,5 De ido à g ande pe da de luidos e p o eínas
pelo sis ema gas oin es inal, é equen e es es animais ap esen a em desid a ação,
al como a Camila e, po ezes, sinais de choque hipo olémico.2 As lesões do epi élio
in es inal, secundá ias à in eção i al, aumen am o isco de sépsis a a és da
possibilidade de abso ção de oxinas bac e ianas, assim como de mic o ganismos
in es inais (mais p o á el em pacien es leucopénicos).3 O a amen o ins i uído a um
animal com Pa o i ose é essencialmen e de supo e e baseado na sin oma ologia
ap esen ada,2 uma ez que não exis e um a amen o especí ico.6 Os obje i os
p incipais do a amen o passam pela es au ação e manu enção do equilíb io hid o-
ele olí ico e ácido-base,2 assim como a p e enção de in eções bac e ianas
secundá ias.3 A luido e apia é um dos pon os undamen ais do maneio clínico e de e
man e -se enquan o exis i em ómi os e/ou dia eia.3,5 Es á indicada a adminis ação,
p e e encialmen e po ia endo enosa, de uma solução balanceada de ele óli os,3
suplemen ada com po ássio e glicose (2,5 - 5%), em casos de hipoglicemia,2 numa
axa que depende da condição clínica do pacien e.2 No p esen e caso, a luido e apia
e e como base uma solução poliele olí ica, undamen almen e ica em sódio,
po ássio e clo o, alcalinizan e e com suplemen ação de glicose. A Camila nunca
ap esen ou hipocalémia, no en an o, a suplemen ação empí ica de po ássio de e ia e
sido ei a (20 a 40 mEq/L de clo e o de po ássio).7
O uso de an iemé icos, em caso de ómi o pe sis en e, pe mi e eduzi a pe da
de luidos e ele óli os, diminui o descon o o do pacien e e ga an i o seu supo e
11
nu icional.2,3 No caso da Camila, es a opção e apêu ica oi omada, endo sido
adminis ados me oclop amida e ma opi an .7 Pa a p e eni o apa ecimen o de
eso agi e secundá ia aos ómi os ap esen ados pela Camila, op ou-se po adiciona à
e apia um an agonis a dos ece o es H2, a ani idina.
T adicionalmen e, na p á ica clínica, a ausência de inges ão de alimen o e a
equen emen e man ida, a é pelo menos 24 ho as após cessa o ómi o.3 No en an o,
o es ímulo mais impo an e pa a o c escimen o, epa ação e in eg idade da mucosa
in es inal é a p esença de alimen os no seu lúmen.3 Um es udo ecen e, em pacien es
com Pa o i ose, aos quais o am adminis adas pequenas quan idades de uma die a
líquida a a és de ubo nasogás ico desde o p imei o dia de medicação, demons ou
uma ecupe ação clínica mais ápida des es, quando compa ados com pacien es
a ados de modo con encional.5
A e apia p o ilá ica an imic obiana jus i ica-se pela queb a da in eg idade da
ba ei a in es inal, dada a p esença de sangue nas ezes, pela neu opénia
ap esen ada e isco de sépsis.3 No caso de pacien es neu opénicos não eb is, a
adminis ação p o ilá ica de uma ce alospo ina de p imei a ge ação é sensa a.6 Nos
pacien es neu opénicos e eb is es á indicada a combinação de an ibió icos de amplo
espec o, ab angendo ae óbios e anae óbios (po exemplo β – lac âmico e
aminoglicosídeos ou luo oquinolonas).2,7 Os aminoglicosídeos, de ido à sua
ne o oxicidade, não de em se adminis ados enquan o o pacien e não es i e e-
hid a ado e com a pe usão enal es abelecida.3,7 Na Camila, es a cobe u a an ibió ica
oi ei a com uma penicilina (ampicilina), uma quinolona (en o loxacina) e me onidazol,
es ando es e úl imo indicado em di e sas pa ologias in es inais uma ez que possui
uma boa ação con a agen es anae óbios.3,7
Além do a amen o conse a i o, ou a opção consis e na adminis ação, em
ases iniciais, de In e e ão Ómega Felino Recombinan e, cujos esul ados em es udos
e e uados, o am a melho ia dos sinais clínicos e a edução da mo alidade dos
pacien es a ados.2,3 No p esen e caso oi u ilizado um p odu o, com e ei o
imunomodulado , à base de P opyonibac e ium acnes e E. coli, o In e mun®, que
induz a a i ação dos mac ó agos e es imula a p oli e ação dos lin óci os B. A sua
u ilização como coadju an e ao p o ocolo con encional pode pe mi i eduzi a
sin oma ologia e o pe íodo de ecupe ação da Pa o i ose.4 O p ognós ico pode se
a o á el pa a pacien es, que iniciam o a amen o p ecocemen e, e sob e i am aos
p imei os 3 a 4 dias de sin oma ologia clínica.3,7 É possí el ambém ob e um
p ognós ico, 24 ho as após a admissão do pacien e e início da e apia, a aliando as
al e ações na con agem o al de leucóci os e na con agem di e encial essencialmen e
de lin óci os, sendo que se man i e uma ma cada leucopénia e lin openia, são
12
indicado es de um mau p ognós ico.2 A maio ia dos pacien es com Pa o i ose
ecupe am se a desid a ação e a sépsis o em de idamen e con oladas, como se
e i icou no p esen e caso. No en an o, podem su gi complicações como
hipoglicémia, hipop o einémia, anemia, in ussuscepção e in eção bac e iana ou i al
secundá ia.3 A p e enção e e uada con a a Pa o i ose é, na maio ia dos casos, ei a
com acinas i as modi icadas.2 No en an o, a in e e ência dos an ico pos ma e nos é
conside ada uma das maio es causas de alha da imunização.3 Ní eis de an ico pos
ma e nos, que impossibili am uma imunização e e i a, podem pe sis i a é às 12
semanas de idade e mesmo a é mais a de (18 semanas).3 A ecomendação a ual
consis e no uso de acinas i as a enuadas, pois ga an em uma maio du ação do
pe íodo de p o eção,7 mos ando se e icazes após 2 a 3 adminis ações às 6, 9 e 12
semanas de idade.2,7 Le ando em conside ação o núme o de a ian es an igénicas do
PVC-2 em ci culação, a acinação com uma es i pe con e e imunidade c uzada con a
as ou as e não a e a a du ação de imunização.5 A u ilização de uma acina i a
modi icada da a ian e an igénica PVC-2b, adminis ada po ia in anasal, em
demons ado igualmen e uma boa p o eção.2 A ualmen e, coloca-se em ques ão a
necessidade de e o ços acinais anuais. Alguns es udos demons am que, após
imunização a i a, os ní eis de an ico pos podem dec esce ao longo da ida do
animal, mas não de uma o ma signi ica i a.5 Nes es es udos é e e ido ainda que, a
imunidade con a o PVC-2 pe sis e pa a o es o da ida do animal após a acinação,
semelhan e à pe sis ência da imunidade adqui ida após a in eção na u al.5 De ido ao
isco de doença imunomediada associada à sob e acinação, a decisão de ealiza ou
não e o ços acinais anuais de e ia basea -se na a aliação do í ulo de an ico pos.2
Bibliog a ia: 1. Deca o N, Buona oglia C (2011) “Canine pa o i us - A e iew o
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In es inal T ac ” in Nelson WR, Cou o CG (Eds.) Small Animal In e nal Medicine
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13
Caso Clínico 3: De ma ologia – Demodicose Canina
Ca ac e ização do pacien e e mo i o da consul a: O A hos e a um canídeo, macho
in ei o de aça Pug, com 1 ano de idade e 7,9 kg de peso que oi azido à consul a
de ido a hipo icose e alopecia ocal. His ó ia Clínica: Os p op ie á ios ouxe am-no
à consul a de de ma ologia, uma ez que es a si uação já du a a há uns meses, endo
numa ou a clínica sido diagnos icada sa na demodécica. O A hos es a a a se
acompanhado e a ado pa a es a si uação há ce ca de 6 meses. As lesões iniciais
(alopecia, hipo icose e e i ema) inham su gido nos memb os pél icos, base da cauda
e na cauda. Pos e io men e de ido ao p u ido começa am a su gi c os as,
consequência do au o auma ismo in ligido pelo A hos, essencialmen e na cauda. O
a amen o ins i uído nessa clínica consis iu inicialmen e em banhos com champô à
base de clo ohexidina, e pos e io men e na adminis ação de i e mec ina, SC, a cada
15 dias. No en an o, e apesa de os p op ie á ios e e i em algumas melho ias iniciais,
o quad o de alopecia e hipo icose ainda se man inha. O A hos oi comp ado a um
c iado quando inha 2 meses de idade. No momen o da p esen e consul a
encon a a-se co e amen e acinado e despa asi ado in e na e ex e namen e.
Habi a a num apa amen o com acesso a um e aço p i ado e não inha coabi an es.
Não inha o hábi o de esca a e o con ac o com oedo es oi conside ado pouco
p o á el. A die a consis ia exclusi amen e numa ação seca come cial de qualidade
supe io , endo li e acesso a água. Não inha acesso a lixo e/ou p odu os óxicos. O
A hos não inha qualque passado ci ú gico e, apa e des e p oblema, não o am
e e idas ou as al e ações. No momen o da p esen e consul a, e a e e ido que o
A hos não ap esen a a p u ido. As lesões não libe a am qualque ipo de odo e os
p op ie á ios não ap esen a am lesões de ma ológicas. Os banhos com champô à
base de clo ohexidina já não es a am a se e e uados, e a úl ima adminis ação de
i e mec ina ha ia sido há um mês. Exame de Es ado Ge al: O A hos ap esen a a-se
ale a e com empe amen o equilib ado. Todos os pa âme os a aliados no exame do
es ado ge al e ela am-se no mais. Exame De ma ológico: No exame à dis ância
e am ní idas zonas de hipo icose na egião da base da cauda e memb os pél icos. As
almo adas plan a es e á eas in e digi ais es a am no mais. Nos locais das lesões
an e io men e desc i as (cauda), a pele ap esen a a-se com hipe pigmen ação e
elas icidade diminuída e o pelo seco e pouco b ilhan e. Na base da cauda, e memb os
pél icos pa a além da hipe pigmen ação, o pelo ap esen a a-se pouco b ilhan e. Nas
es an es zonas do co po o pelo ap esen a a-se b ilhan e. A depilação e a acili ada
apenas no local das lesões.
Lis a de p oblemas: Alopecia/Hipo icose
14
Diagnós icos di e enciais: Demodicose; Foliculi e bac e iana; Foliculi e micó ica;
Dis o ia olicula ; E lú ios elógeno/anágeno; Endoc inopa ias; Doenças au o-imunes
(pên igo oliáceo).
Exames complemen a es: T icog ama: algumas pon as pa idas, mas na
gene alidade, ap esen a am-se in ac as; Ci ologia po imp essão com i a-cola: sem
e idência de bac é ias; Raspagem p o unda da pele nas á eas de lesão: p esença de
áca os de Demodex canis na o ma adul a e la a . (Anexo III; Figu a II)
Diagnós ico: Demodicose Canina Ju enil
T a amen o e e olução: O a amen o ins i uído oi moxidec ina (0,4 mg/kg, PO, SID).
Foi indicado e e ua uma consul a de con olo passadas 4 semanas, na qual se
e i icou um pelo mais b ilhan e mas ainda com zonas de hipo icose (Anexo III; Figu a
I). Alguns episódios de ómi o o am ela ados, mas o A hos man e e-se semp e a i o
e com ape i e. O A hos oi melho ando g adualmen e e, ao inal de 3 meses de
a amen o, odas as lesões inham desapa ecido, sendo as aspagens e e uadas
nega i as. Apesa disso, man e e-se o a amen o e um no o con olo oi ma cado
pa a 4 semanas depois.
Discussão: A Demodicose (DC) é uma pa ologia cu ânea, ca ac e izada pela
p oli e ação excessi a de áca os do géne o Demodex spp.1,3 A ualmen e es ão
desc i os no cão 3 ipos di e en es de áca os do géne o Demodex – canis, injai e
co nae,3,6 sendo o Demodex canis o mais p e alen e.3 A p oli e ação do pa asi a
oco e no in e io dos olículos pilosos e ocasionalmen e nas glândulas sebáceas.1,6 O
ciclo de ida (18 a 35 dias) en ol e 4 ases dis in as, incluindo o o o usi o me, la a
hexápode, nin a e a o ma adul a, ambas oc ópodes.1,3 O Demodex canis, em
pequenas quan idades, pode aze pa e da auna cu ânea no mal do cão,3 sendo
ansmi ido a a és do con ac o di e o en e a p ogeni o a e as suas c ias du an e as
p imei as 48 a 72 ho as pós-pa o.1,3 Em c ias nascidas po cesa iana e sepa adas das
p ogeni o as à nascença não são encon ados áca os, não exis indo ambém
e idências de ansmissão ho izon al.1 A pa ogenia da doença não é cla a, mas há
e idências que sus en am a exis ência de uma componen e he edi á ia e de
imunossup essão.1 A p edisposição he edi á ia em sido supo ada pela maio
p e alência da pa ologia em de e minadas aças pu as, e po ce as aças se em mais
a e adas que ou as, como Sha -pei, Wes Highland Whi e Te ie , Bulldog Inglês,
Boxe , Weima ane , e Dogue Alemão.1,3 A análise da incidência de DC em alguns
canis suge e um modo de ansmissão au ossómico ecessi o, sendo, po isso, a
implemen ação de um plano de ep odução com a es e ilização de odos os animais
que desen ol em a doença, uma o ma e icaz de e i a a sua pe pe uação.1,3 No caso
do A hos es a si uação oi explicada aos seus p op ie á ios, ecomendando-se a

15
cas ação. Uma dis unção imuni á ia desempenha um papel undamen al na pa ogenia
da DC.3 Em animais jo ens, em sido suge ida uma al e ação gené ica que conduz a
uma espos a inadequada dos lin óci os T especí icos pa a Demodex canis.3 Fa o es
de isco como pa asi ismo in e no, má nu ição ou qualque p oblema debili an e
podem con ibui pa a o apa ecimen o da doença.1,3 Nos adul os, a adminis ação de
á macos imunossup esso es (co icos e oides ou p oges ágeneos), o en ol imen o de
doenças me abólicas ou po encialmen e imunossup esso as (neoplasias,
hipe ad enoco icismo, Diabe es melli us, hipo i oidismo), s ess ansi ó io (ci u gia,
es o, pa o, lac ação) e in es ação po Di o ila ia sp. ou T ichu is ulpis êm sido
suge idos como a o es p edisponen es pa a o desen ol imen o de DC.1,2,5 Con udo,
não es á es abelecida uma elação causa-e ei o, já que mui os indi íduos
imunocomp ome idos nunca desen ol e am DC.3,5
A DC pode se classi icada de aco do com a ap esen ação clínica, sendo
econhecidas duas o mas: a o ma localizada e a o ma gene alizada.1 Es a
ca ac e ização da doença é impo an e, po que as o mas locais êm um bom
p ognós ico, com a maio ia dos casos a esol e em-se espon aneamen e, enquan o os
casos gene alizados le an am p oblemas de a amen o mais complexos.4 Na DC
localizada canina podem su gi a é 5 lesões alopécicas com e i ema a iá el, com um
diâme o máximo de 2,5 cm,4 escamosas, ge almen e não p u í icas, a e ando com
maio equência a ace, egião pe iocula e as comissu as labiais, o pescoço e os
memb os o ácicos.2,3 No en an o, qualque ou a á ea do co po pode es a a e ada.3
Su ge em animais en e os 3 e os 6 meses, podendo esol e -se espon aneamen e
en e 6 a 8 semanas sendo que, num pequeno núme o de pacien es, a p oli e ação
dos áca os pode oco e apenas no pa ilhão au icula , p o ocando uma o i e ex e na
ce uminosa, com ou sem p u ido associado.1 A DC gene alizada e e e-se à exis ência
de in eção in eg al de uma egião co po al, a p esença de mais de doze lesões
localizadas ou en ol imen o comple o de duas ou mais ex emidades podais
(pododemodicose).1,2 Casos in e médios, com 6 a 12 lesões localizadas, de em se
a aliados indi idualmen e.3 A DC gene alizada, pode ainda se subdi idida em o ma
ju enil ab angendo animais a é aos 18 meses, ou adul a a e ando, no malmen e,
animais com mais de 4 anos de idade.1 Na ausência de in eções secundá ias,
dependendo da se e idade da pa ologia, a DC pode assemelha -se a uma alopecia
di usa, não in lama ó ia, com e i ema a iá el, descamação, hipe pigmen ação, c os as
e comedões.1,5 O apa ecimen o de piode ma secundá ia, é uma consequência comum
da DC gene alizada, es ando equen emen e elacionada com in eções po
S aphilococcus in e medius.1 Ou as bac é ias ambém impo an es incluem
Pseudomonas ae uginosa e P o eus mi abilis.3 Nes es casos, lesões como pús ulas,
16
c os as, exsudação e ulce ação podem su gi .2,3 Em algumas si uações podem es a
p esen es aje os is ulosos e, em o mas a ípicas da doença, múl iplos nódulos.3 Nos
casos gene alizados, os cães a ingidos podem ap esen a -se eb is e le á gicos,2 e
com uma lin adenopa ia ma cada.3 No caso pa icula da pododemodicose, pode
e i ica -se edema in e digi al signi ica i o, que associado à do causa se e a
claudicação.1,3 Nos casos em que não es ão p esen es in eções secundá ias, como no
p esen e caso, não é obse ado p u ido. De aco do com es es c i é ios de
di e enciação e e idos, o caso do A hos oi conside ado uma DC ju enil dada a sua
idade, e gene alizada, não de ido ao núme o de lesões ap esen adas, mas pelo ac o
de que as p imei as lesões já inham apa ecido há alguns meses e não inham
espondido comple amen e ao a amen o ins i uído.
O mé odo de diagnós ico de eleição de DC, é a aspagem p o unda das lesões
e pos e io a aliação mic oscópica do ma e ial ob ido, sendo aconselhá el nes e
p ocedimen o, esp eme a pele de o ma a ex e io iza os áca os dos olículos e
ealiza a aspagem no sen ido do c escimen o do pelo, a é isualização de sangue.1,3
Na maio ia dos casos de in eção a i a, áca os adul os, nin as, la as e o os são
obse ados sendo, o diagnós ico, ób io.1 O esul ado des e exame de e se
complemen ado com a his ó ia e achados clínicos, pois, apesa de os áca os de
Demodex se em habi an es comuns da pele, é a o encon á-los em animais
saudá eis.1 Des e modo, se um áca o é encon ado, es e não de e se igno ado e
aspagens de pele adicionais de em se ealizadas.3 A aspagem de pele além do
diagnós ico pe mi e a moni o ização do pacien e ao longo do a amen o.3 Apesa de
menos sensí el, o icog ama pe mi e a ecolha de ma e ial de á eas em que é di ícil
ealiza aspagens (á eas pe iocula es ou in e digi ais).4 Em alguns casos, quando as
aspagens são nega i as, em animais clinicamen e a e ados (p incipalmen e da aça
Sha -pei),3 ou com lesões ib ó icas in e digi ais, de em se ealizadas biópsias de pele
an es da exclusão da pa ologia.1,6 As pús ulas de em se examinadas po ci ologia
pa a de eção de in eção secundá ia.5 Em pacien es com DC gene alizada adul a, a
ealização de hemog ama, pe il bioquímico sé ico e u ianálise pe mi e suspei a de
uma e en ual doença sis émica concomi an e, de endo ainda ealiza -se, em cães
com mais de dois anos, es es da unção i oide e das glândulas ad enais.1,6 No caso
do A hos a ealização do icog ama pe mi iu iden i ica a maio ia do pelo com as
pon as in ac as, consis en e com a desc ição dos p op ie á ios de ausência de p u ido;
a aspagem p o unda pe mi iu ob e o diagnós ico de ini i o pela obse ação de
Demodex na sua o ma adul a e la a , e a ci ologia não demons ou a p esença de
bac é ias, pelo que mais nenhum exame complemen a oi ealizado. O a amen o da
DC a ia consoan e a ap esen ação clínica da doença. O uso de co icos e oides es á
17
con aindicado em qualque dose ou o ma de ap esen ação da doença, dado o seu
e ei o imunossup esso podendo le a à p og essão da doença.1,2 No caso da DC
localizada, na maio ia dos cães jo ens não é necessá io a amen o aca icida
especí ico de ido à p obabilidade de esolução espon ânea.1,6 No en an o, pode se ú il
um a amen o ópico com pe óxido de benzoílo ou clo ohexidina.1 Caso haja e olução
das lesões localizadas, o animal de e se a ado como numa si uação de DC
gene alizada.6 Nos casos gene alizados da doença, quaisque a o es p edisponen es
e in eções secundá ias de em se iden i icados e a ados.2 Nos casos de piode mas
supe iciais a u ilização de champôs à base de clo ohexidina (3% a 4%) ou de
pe óxido de benzoílo (2% a 3%), a cada 3 a 7 dias, pode se su icien e.2,3 O pe óxido
de benzoílo, de ido às suas p op iedades que a olí icas, an ibac e ianas e
desin e an es, auxilia ainda na eliminação do con eúdo dos olículos pilosos.6 No caso
de piode mas p o undas de e eco e -se ao uso de an ibio e apia sis émica, no
mínimo du an e 3 a 4 semanas,2 sendo mui o ú il a ealização de ci ologias das
lesões.3 A ealização das ci ologias, além de se ú il pa a di igi a an ibio e apia
empí ica, suge e a ealização de cul u a bac e iana e an ibiog ama, nos casos em que
se e idenciem bas one es G am nega i os, dado o ca ác e imp e isí el do pad ão de
esis ência des es mic o ganismos.3,6 O a amen o da DC gene alizada baseia-se no
uso de aca icidas como o ami az ( a amen o ópico), e algumas lac onas
mac ocíclicas sis émicas como a i e mec ina, milbemicina, moxidec ina e
do amec ina.3 O ami az em uma ação aca icida baseada na pe u bação da
ansmissão ne osa,3 e é aplicado sob a o ma de banho po diluição aquosa da
emulsão come cial iniciando-se o a amen o com aplicações quinzenais de ami az a
0,025%.5 Em casos não esponsi os, ou casos em que o quad o clínico se ag a e,
pode ajus a -se a e apia, aumen ado a concen ação e diminuindo o in e alo en e
aplicações.3 Pa a uma melho e icácia des e a amen o de e p ocede -se à osquia
comple a de cães de pelo médio/longo de o ma a melho a o con ac o da solução com
a pele e a sua pene ação nos olículos pilosos, p ocede -se à emoção de odas as
c os as e ealiza , an es de cada a amen o, um banho comple o com champô
an issebo eico e an ibac e iano.1,3 A aplicação ópica de ami az es á equen emen e
associada ao apa ecimen o de sinais de oxicidade no animal e no manipulado , sendo
as lac onas mac ocíclicas u ilizadas como al e na i a.6 A i e mec ina na dose de 0,3-
0,6 mg/kg/dia, PO, em demons ado se e e i a no a amen o da demodicose.6 Es á
ecomendado inicia a adminis ação de i e mec ina na dose de 0,1 mg/kg/dia com
inc emen os diá ios de 0,1mg/kg a é uma dose máxima de 0,6 mg/kg/dia de o ma a
minimiza o isco de e ei os secundá ios que incluem le a gia, mid íase, a axia ou
mesmo mo e em cães de aças sensí eis.3 No p o ocolo an e io , onde se u iliza a
18
i e mec ina SC, uma ez po semana, a uma dose de 0,4 mg/kg, não demons ou
mui a e icácia,4 o que pode jus i ica a não esolução clínica no caso do A hos. A
milbemicina é ambém, uma a e mec ina que, quando usada em doses de 1-2
mg/kg/dia PO, é e e i a no a amen o da DC.3,6 Es e á maco, apesa de mais
dispendioso, ap esen a menos e ei os secundá ios, sendo uma al e na i a álida à
i e mec ina em aças ou indi íduos po encialmen e susce í eis à sua oxicidade.3,6 No
caso do A hos, a opção e apêu ica baseou-se na adminis ação de moxidec ina que,
na dose de 0,2-0,5 mg/kg/dia PO, em mos ado se e e i a.5 Uma ez que ap esen a
e ei os secundá ios semelhan es à adminis ação de i e mec ina, o aumen o da dose
de e se g adual e sob moni o ização.4 No caso do A hos e i ica am-se alguns
episódios de ómi o, mas que não jus i ica am a in e upção do a amen o.4 Exis em
ainda, ou os p o ocolos e apêu icos al e na i os 4 pa a o a amen o da DC que não
se ão ema de discussão nes e ela ó io. No caso do A hos, pa a a elabo ação do
plano e apêu ico oi essencial a anamnese (idade em que su giu a doença, e olução
e espos a ao a amen o an e io ), e a explicação aos p op ie á ios dos a amen os
disponí eis e do seu p ognós ico. É essencial a colabo ação e con iança dos
p op ie á ios pa a o sucesso do a amen o pois, a a-se de uma pa ologia que pode
necessi a de meses de a amen o e con olos pe iódicos, o nando-se assim
dispendiosa e desgas an e pa a es es.3 Os pacien es subme idos a a amen o
aca icida de em se examinados mensalmen e ( ês a cinco amos as ob idas po
aspagem em cada isi a, incluindo as lesões mais g a es e quaisque no as lesões),
a é odas as amos as de pele se em nega i as pa a áca os. Apesa do esul ado
nega i o, de e se conside ada a ealização do a amen o du an e mais qua o a oi o
semanas.5 O p ognós ico em ge al é bom, mas os animais com p oblemas subjacen es
que in e i am com a capacidade imuni á ia podem necessi a de uma e apêu ica a
longo p azo pa a man e a emissão clínica.4 Bibliog a ia: 1. C aig M (2003)
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25
Caso Clínico 5: Endoc inologia – Hipoad enoco icismo
Ca ac e ização do pacien e e mo i o da consul a: A Dali e a um canídeo, êmea
in ei a de aça B aco Alemão, com 5 anos e 5 meses de idade e 20 kg de peso. Foi
azida à consul a de ido a ómi os desde o dia an e io e p os ação desde há 3 dias.
His ó ia Clínica: A Dali oi azida ao se iço de u gência po se encon a mais
p os ada desde há ês dias endo começado a omi a (con eúdo alimen a
pa cialmen e dige ido) desde o dia an e io . Rela i amen e às ezes os p op ie á ios
e e i am que es as ap esen a am uma consis ência diminuída e e am mui o escu as,
não endo no ado nenhuma al e ação no consumo de água nem na micção.
Rela i amen e ao ape i e e e i am que inha indo a diminui nos úl imos 3 dias,
culminando em ano exia desde o dia an e io . A Dali e a o único animal da casa e
encon a a-se co e amen e acinada e despa asi ada. Vi ia numa mo adia com
acesso a ja dim e e a alimen ada com ação seca come cial endo li e acesso a água.
Não inha hábi os de oe /inge i obje os es anhos. Não se encon a a a oma
nenhuma medicação nem inha an eceden es ci ú gicos. Exame de Es ado Ge al: A
Dali ap esen a a-se p os ada, com empe amen o lin á ico e não ag essi o. Em
es ação e em decúbi o não ap esen a a nenhuma al e ação de a i ude não endo sido
a aliada em mo imen o. A condição co po al oi conside ada mag a a no mal. Os
mo imen os espi a ó ios e am p o undos, do ipo cos o-abdominal sem e idência da
u ilização dos músculos acessó ios, sendo a equência de 20 pm. O pulso e a aco,
bila e al e simé ico, í mico, egula e sinc ónico, com uma equência de 60 ppm. As
mucosas es a am osadas, ligei amen e secas e b ilhan es com um TRC de 2
segundos na mucosa o al, no ando-se um ligei o a undamen o dos globos ocula es. O
g au de desid a ação oi conside ado de 6 a 8 %. A empe a u a e al e a de 36,7ºC.
Ao e i a o e móme o não o am obse ados pa asi as, sangue ou muco e o e lexo
anal es a a p esen e. Não o am obse adas quaisque al e ações na palpação
gangliona , nem na obse ação da pele, ou idos e ca idade o al. A auscul ação
ca díaca e espi a ó ia não e elou al e ações. À palpação abdominal não oi de e ada
nenhuma anomalia. Lis a de p oblemas: ano exia; ómi os; desid a ação 6-8%; pulso
aco; b adica dia; hipo e mia. Diagnós icos Di e enciais: doença gas o-in es inal
(gas oen e i e in lama ó ia ou in eciosa - bac e iana, pa asi á ia, í ica; doença
in lama ó ia in es inal; co po es anho diges i o; úlce a gás ica ou duodenal;
in ussusceção c ónica; neoplasia); indisc ição alimen a ; doença panc eá ica, hepá ica;
insu iciência enal, hipoad enoco icismo, diabe es ce oacidó ica. Exames
complemen a es: Hemog ama: ligei a lin oci ose; es an es pa âme os no mais;
Bioquímica sanguínea: Ionog ama: hipona émia e hipe calémia; u eia e c ea inina

26
den o dos alo es de e e ência (Anexo V; Tabela I); Glucose sanguínea: 81mg/dL
(60-120mg/dL); Ecog a ia abdominal: ansas in es inais com p esença mode ada de
gás, sem e idência de obs ução; glândulas ad enais di íceis de encon a ; Densidade
u iná ia: 1.030 ( e e ência:1.015-1.045); Tes e de es imulação com ACTH: Co isol 0
ho as = <0,2 µg/dL (1,0 – 6,0 µg/dL) Co isol 1 Ho a = <0,2 µg/dL (6,0 – 17,0 µg/dL).
Diagnós ico: Hipoad enoco icismo (HAC) p imá io
T a amen o e e olução: A Dali icou in e nada endo iniciado luido e apia com NaCl
(0,9%) a uma axa de 15 mL/kg/h, du an e duas ho as, seguida de uma edução pa a
duas ezes a axa de manu enção (56 mL/h). Iniciou-se ambém ani idina (2,5 mg/kg,
BID, SC). Fo am u ilizadas bo ijas de água quen e e lâmpada de aquecimen o pa a
aumen a a sua empe a u a co po al (após 4 ho as 38,1ºC). Tendo em con a a
his ó ia, a ecog a ia, os esul ados do ionog ama e da azão Na+/K+ as suspei as de
diagnós ico ecaí am no HAC, pelo que no dia seguin e de manhã oi ealizado o es e
de es imulação com ACTH. Os esul ados o am ob idos nesse mesmo dia pelo que se
iniciou a e apia com me ilp ednisolona (1,0 mg/kg, IV, BID). Iniciou-se a alimen ação
com uma die a húmida e pala á el colocando-se água ad libi um. A Dali comia e bebia
espon aneamen e, não endo ol ado a omi a . No e cei o dia de in e namen o,
epe iu-se o ionog ama (Anexo V; Tabela I) que e elou uma diminuição da
concen ação sé ica de po ássio, pelo que se eduziu a luido e apia pa a a axa de
manu enção (28 mL/h). A Dali e e al a no 4º dia de in e namen o, endo-lhe sido
p esc i a p ednisolona (10 mg, PO, SID) e lud oco isona (0,2 mg, PO, BID). Foi
ma cada uma consul a de con olo pa a a semana seguin e, na qual se ealizou um
ionog ama (Anexo V; Tabela I) que e elou alo es no mais. Os p op ie á ios o am
in o mados que es a e apia se ia i alícia e que pode ia so e ajus es na dose de
aco do com a espos a da Dali.
Discussão: O hipoad enoco icismo canino é uma endoc inopa ia incomum com uma
incidência es imada de 0,36 a 0,5%.1,3 Pode se classi icado em p imá io, a o ma mais
comum, que esul a da des uição ou a o ia subs ancial de ecido ad enoco ical, e em
secundá io, esul an e da diminuição da sec eção de ACTH.1,2,3 A e iologia mais
comum pa a a des uição ad enoco ical, no HAC p imá io, é idiopá ica (p o a elmen e
imuno-mediada) podendo ambém se ia ogénica.1,2,3 Ou as causas menos comuns
são des uições g anuloma osas p o ocadas po ungos, amiloidose, neoplasias e
hemo agias (po coagulopa ia ou auma).2,3,5 A causa mais equen e do HAC
secundá io é a sup essão do eixo hipo álamo-hipó ise-ad enal como esul ado da
adminis ação excessi a de glucoco icóides exógenos.1,2 A o ma p imá ia oco e em
cães de qualque idade apesa de se mais equen e em jo ens (4-5 anos de idade),
em êmeas (69 a 70%) e em algumas aças como Caniches, Wes Highland Whi e
27
Te ie , Bea ded Collie, Cão de água po uguês, Ro weille e Sp inge Spaniel.3,6 A
sin oma ologia oco e quando pelo menos 85 a 90% do ecido ad enoco ical es á
des uído esul ando numa de iciência de p odução de mine aloco icóides, em que a
aldos e ona é o mais impo an e, e de glucoco icoides ep esen ados pelo co isol.2,3 A
aldos e ona desempenha um papel i al na manu enção do equilíb io hid o-ele olí ico
po aumen a a exc eção enal de po ássio e do ião hid ogénio ao mesmo empo que
es imula a eabso ção ubula de sódio e clo o. A ua essencialmen e nos ins endo
uma meno a uação ao ní el das glândulas sali a es e sudo ípa as e da mucosa
in es inal.3,5 A sec eção da aldos e ona é es imulada essencialmen e pela angio ensina
II e pelo aumen o das concen ações plasmá icas de po ássio, e não pelo es ímulo da
ACTH.2,3 O co isol a ua em p a icamen e odos os ecidos do o ganismo
desempenhando unções i ais como a manu enção da p essão sanguínea, do
equilíb io de água e do olume ascula .2,3 Além disso sup ime a espos a imune,
es imula a e i oci ose e aumen a a lipólise, gliconeogénese e glicogenólise man endo
assim a glicémia em alo es no mais.3,5 A p odução de co isol é egulada
exclusi amen e pela ACTH.3 A ausência des as ho monas (aldos e ona e co isol) le a
ao apa ecimen o de sinais agos e inespecí icos sob eponí eis com ou as pa ologias
( enais, gas oin es inais e in eciosas, po exemplo).1,3,6
Exis em essencialmen e dois quad os possí eis, o quad o agudo, ambém
denominado de c ise addisoniana ou o quad o c ónico. O quad o c ónico é
ca ac e izado po sinais p og essi os de ano exia, ómi o, dia eia in e mi en e,
aqueza muscula , le a gia e pe da de peso.3,5 Podem ainda su gi ou os sinais,
menos equen es, como poliú ia, polidipsia, emo es, melena, hema émese e do
abdominal.3 Em mui os casos os pacien es ap esen am sinais c ónicos com
exace bações agudas que os le am à consul a e e iná ia. Nes e caso podem
ap esen a -se com aqueza e dep essão, que pode p og edi pa a colapso, TRC
p olongado e pulso aco e a é mesmo pa a choque hipo olémico, hipo e mia,
b adica dia (apesa da si uação de choque) e a i mias ca díacas (de ido ao aumen o
das concen ações sé icas de po ássio).1,2,3,5
A ap oximação diagnós ica é ei a quando há um ele ado índice de suspei a
uma ez que os sinais clínicos, a his ó ia e os achados no exame ísico são comuns a
ou as doenças.2 De em p ocu a -se as al e ações ele olí icas mais consis en es com
o HAC p imá io, a hipona émia (a é 86% dos casos), a hipe calémia (a é 95%) e a
hipoclo émia (a é 40%).1,3,5 O cálculo da azão Na+/K+ é ambém um o e indicado da
doença sendo meno que 27 em 95% dos casos.3 A Dali ap esen a a uma diminuição
do sódio e um aumen o do po ássio e, po an o, uma diminuição na azão Na+/K+,
sendo es e o p imei o indicado de que se a a ia de HAC P imá io Típico. Numa
28
mino ia dos casos (ap oximadamen e 10%) pode e i ica -se uma o ma a ípica de
HAC p imá io em que os alo es do ionog ama se encon am no mais, assim como no
HAC secundá io, e idenciando apenas sinais de de iciência em glucoco icóides.3 Um
dos achados mais equen es na bioquímica é azo émia de ida à hipo olémia e
consequen e hipope usão enal.4 Complemen a men e a ealização de uma u ianálise
e a aliação da densidade u iná ia o na-se impo an e pois, animais com HAC (60 a
88% dos casos), demons am uma diminuição na capacidade de concen ação u iná ia
com densidades u iná ias in e io es a 1.030 le ando, equen emen e, ao diagnós ico
inco e o de doença enal p imá ia.4 Con udo, com a eposição ho monal e co e a
luido e apia, animais com HAC egula izam os alo es de azo émia ao con á io do
que acon ece com os que ap esen am um p oblema enal p imá io.4 Na bioquímica
pode ainda e i ica -se hipop o einémia (se exis i hemo agia gas oin es inal) e
hipoglicémia.1,3,5 A maio ia dos animais em c ise addisoniana ap esen a-se ambém
em acidose me abólica.3,5 No hemog ama pode e i ica -se uma anemia
no moc ómica, no mocí ica, não egene a i a que pode se masca ada pela
desid a ação (hemoconcen ação).3,5 Ou o dos achados que nos pode aze suspei a
de HAC é a não e idência de um leucog ama de s ess (neu o ilia, eosinopenia,
monoci ose e lin openia) aquando da con agem dos leucóci os, como se ia de espe a
num animal em s ess e com e idência de dis unção sis émica como a Dali.1,3,5 Ou os
exames complemen a es que podem se ealizados são ECG, medição das p essões
a e iais (sendo expec á el que se encon em alo es baixos) e adiog a ias
o ácicas.1,3,6 A ecog a ia abdominal pode ambém se ú il sendo de espe a que as
glândulas ad enais se encon em diminuídas.1,3,5 No caso da Dali endo em con a os
sinais suges i os de c ise addisoniana, os alo es de ionog ama ob idos bem como da
azão Na+/K+, o esul ado da ecog a ia e a ausência de um leucog ama de s ess, o
HAC o nou-se a o e suspei a. No en an o, nenhuma das al e ações a é ago a
desc i as são su icien es pa a ob e o diagnós ico de ini i o de HAC, sendo necessá io
e e ua o es e de es imulação com ACTH, es e simples, ápido e segu o, que a alia a
p odução de co isol pelas glândulas ad enais.1,4,5 Es e es e consis e na ob enção de
uma amos a de sangue an es e uma ho a após a adminis ação de 5 µg/kg, IM ou IV,
de um análogo sin é ico da ACTH.2,4,5,6 Se os alo es de co isol após es imulação
o em in e io es ou iguais a 2 µg/dL con i mam o diagnós ico de HAC.4,5 É impo an e
salien a que glucoco icoides como a me ilp ednisolona in e e em com os esul ados
e iabilidade do es e não de endo se adminis ados an es da sua ealização.4 No
en an o, em pacien es c í icos pode se adminis ada dexame asona.4 Es e es e não
pe mi e, no en an o, dis ingui o HAC p imá io do HAC secundá io, uma ez que em
ambos os ní eis de co isol es ão diminuídos. No p esen e caso, endo em con a os
29
esul ados do es e de es imulação com ACTH e as al e ações ele olí icas clássicas
ob idas no ionog ama (hipona émia e hipe calémia) é possí el p esumi com
con iança que se a a de um HAC p imá io. No caso da Dali, idealmen e, de e iam e
sido ealizados mais exames complemen a es (ECG, adiog a ias e medições das
p essões a e iais) mas, de ido ao o çamen o limi ado disponibilizado, não oi possí el.
O a amen o a ins i ui depende da ap esen ação clinica do animal. Pacien es
que se ap esen em com uma c ise aguda de HAC ão necessi a de luido e apia
ag essi a pa a co eção da hipo ensão, hipo olémia, anomalias ele olí icas
(nomeadamen e hipe calémia) e ácido-basica. Além disso de e inicia -se
suplemen ação com co icoes e óides.4 A luido e apia é um a amen o de p imei a
linha nes es pacien es de endo se ealizada pela ia IV, idealmen e clo e o de sódio a
0,9% uma ez que epõe os ní eis de sódio e diminui a hipe calémia po diluição,
numa axa que nas duas p imei as ho as pode i de 60 a 90 mL/kg/h em animais mais
debili ados. Es a axa é pos e io men e eduzida de aco do com a espos a clinica do
animal.4,5 Se o pacien e se encon a hipoglicémico de e ealiza -se a suplemen ação
com 2,5-5% de glicose.2,3,5 Ge almen e a hipe calémia, a azo émia e a acidose
me abólica esol em apidamen e com luido e apia ag essi a que po diluição, que
po melho ia da pe usão enal não sendo assim necessá io nenhum a amen o
especí ico.1,4 Nes es pacien es a moni o ização dos pa âme os de exame ísico é
mui o impo an e e, se possí el, de em se ealizados ECG equen es além da
medição da concen ação de po ássio.4 No caso da Dali, a e icácia da luido e apia oi
es ada pela medição da FC. Após 4 ho as do início dos luídos a FC da Dali es a a na
o dem dos 120 ppm (se a concen ação de po ássio se man i esse ele ada se ia
expec á el que ela con inuasse com b adica dia). A adminis ação de glucoco icoides
é de g ande impo ância pois pe mi e a manu enção da p essão sanguínea, glicémia e
olume in a ascula , sendo a dexame asona o á maco de eleição em quad os
agudos de HAC, numa dose ecomendada en e 0,5 a 2,0 mg/kg, podendo ainda se
epe ida a adminis ação a cada 2-6 ho as.2,4,5 Al e na i amen e pode se adminis ada
me ilp ednisolona (15-20 mg/kg) ou hid oco isona (0,3 mg/kg, IV).4 Rela i amen e à
adminis ação de mine aloco icóides du an e um quad o agudo de HAC não exis e
ainda consenso podendo a luido e apia se su icien e pa a a es abilização dos
pacien es.4 Adicionalmen e pode se necessá io a adminis ação de an i-emé icos,
p o e o es gás icos, ans usões sanguíneas ou an ibió icos dependendo das
al e ações indi iduais de cada pacien e.4 No caso da Dali oi adminis ado um
an agonis a dos ece o es H2 pa a p o eção gás ica. A luido e apia de e se man ida
pelo menos du an e 48 ho as sendo emo ida len amen e, podendo se iniciada
alimen ação e abebe amen o logo que a c ise inicial seja esol ida.4 Animais com HAC
30
p imá io eque em suplemen ação com glucoco icoides e mine aloco icóides du an e
oda a ida.4,5 A lud oco isona é um glucoco icoide sin é ico com a i idade
mine aloco icóide signi ica i a, que de e se di idida em duas omas diá ias numa
dose inicial de 0,02 mg/kg.2,4 É impo an e salien a que os pacien es êm
eque imen os ho monais di e en es pelo que a lud oco isona pode não se
su icien e.1 Simul aneamen e pode se adminis ada p ednisolona, apesa de em 50%
dos casos es a suplemen ação só se necessá ia em si uações de s ess.4,5 Uma
des an agem da a i idade combinada da lud oco isona su ge quando há a
necessidade de aumen a a sua dose pa a con ola o equilíb io ele olí ico pois
simul aneamen e a dose de glucoco icoides é aumen ada podendo esul a em sinais
de sob edosagem (poliú ia, polidipsia e alopecia).4,5,6 Nes es pacien es, a mudança
pa a DOCP (pi ala o de desoxico icos e ona), numa dose de 2,2 mg/kg, IM ou SC, a
cada 25 dias, suplemen ada com p ednisolona numa dose de 0,22 mg/kg em duas
omas diá ias se ia uma al e na i a.4,5,6 A DOCP em e ei o mine aloco icóide de longa
ação o que o na o con olo glucoco icoide mais simples. Con udo, es e á maco ainda
não é usado na Eu opa.4 Uma ou a al e na i a se ia a suplemen ação da die a com
sal pa a co igi casos de hipona émia le e, sem e que aumen a a dose de
lud oco isona.1,4 A moni o ização des es pacien es de e se ei a a cada uma ou duas
semanas podendo se necessá io o ajus e da dose de lud oco isona a é que haja
es abilização dos alo es dos ele óli os.4,5 Pode se necessá io aumen a a sua dose
nos p imei os 6 a 18 meses de e apia.4 Após a es abilização do pacien e os con olos
podem passa a 3 ou 4 ezes ao ano.4
O p ognós ico pa a pacien es que sob e i am a um quad o agudo de HAC é
excelen e. Os p op ie á ios de em se ale ados pa a a necessidade da e apia
du an e oda a ida do seu animal e de e en uais eajus es necessá ios nas dosagens.
Com medicação adequada e com co e a moni o ização pacien es com HAC podem
e idas comple amen e no mais e desen ol e as suas a i idades egula men e.
Bibliog a ia: 1.Chu ch DB (2004) “Canine Hypoad enoco icism” in Mooney CT,
Pe e son ME (Ed.) BSAVA Manual o Canine and Feline Endoc inology, 3º Ed,
BSAVA, 172-179 2.Feldman EC, Nelson RW (2004) “Hypoad enoco icism (Addison's
disease)” in Canine and Feline Rep oduc ion and Endoc inology, 3º Ed, 394-439
3.Klein SC, Pe e son ME (2010) “Canine hypoad enoco icism: Pa I”. Canine
Ve e ina y Jou nal 51, 63-69 4.Klein AC, Pe e son ME (2010) “Canine
hypoad enoco icism: Pa II”. Canine Ve e ina y Jou nal 51, 179-184 5.Romão FG,
An unes MI (2012) “Hipoad enoco icismo em cães: Re isão” Ve e iná ia e Zoo ecnia
19, 44-54 6.Sco -Monc ie C (2011) “Addison´s disease in he dog”. Ve e ina y
Focus 21, 19-26

31
Anexo I: U ologia – Insu iciência Renal C ónica
Pa âme o
Valo es de
Re e ência
1º Dia de
In e namen o
3º Dia de
In e namen o
Glicémia
70 – 110 mg/dL
96
84
Hema óc i o
29 – 48 %
33
PT
5,0 – 7,4 g/dL
6,8
Albumina
2,8 – 4,4 g/dL
3,3
Globulinas
1,6 – 3,6 g/dL
3,5
C ea inina
0,8 – 1,6 mg/dL
3,8
3,0
U eia
25 – 55,5 mg/dL
130,6
115,2
ALT
<72 U/l
62
FA
32 – 155 U/l
94
Sódio
145 – 158 mEq/L
151
148
Po ássio
3,4 – 5,5 g/dL
3,6
3,9
Clo o
104 – 128 mEq/L
110
114
Cálcio
8,2 – 10,8 mg/dL
10,1
Fós o o
2,5 – 6,0 mg/dL
6,4
T4
1,0 – 4,0 µg/dL
3,5
Tabela I: Resul ados das análises bioquímicas ealizadas du an e a hospi alização (a neg i o os alo es
al e ados).
Tabela II: Resul ados da u ianálise le ada a cabo na p imei a consul a.
Pa âme o
Re e ência
Valo Ob ido
Mé odo de Colhei a
Cis ocen ese
Conse ação da
Amos a
Nenhuma
Da a e ho a da colhei a
13:30
Da a e ho a da análise
13:40
Co
Ama elo
Ama elo
T anspa ência
T anspa en e
T anspa en e
Densidade u iná ia
1.020 – 1.040
1.018
pH
5,5 – 7
6,0
Sangue
-/1+
-
Leucóci os
-
-
P o eínas
-/1+
+
Glicose
-
-
Co pos Ce ónicos
-
-
Bili ubina
-
-
Sedimen o
Ina i o
Cul u a
Nega i a
32
Es ádio
C ea inémia (mg/mL)
Desc ição
1
<1,6
Não azo émico
2
1,6 – 2,8
Azo émia enal ligei a
3
2,9 – 5,0
Azo émia enal mode ada
4
> 5,0
Azo émia enal se e a
Tabela III: Es adiamen o da IRC endo em con a a concen ação de c ea inina sé ica.1,5
Classi icação
Razão P o eína/C ea inina
U iná ia
P o einú ico
> 0,4
Limia de P o einú ia
(“Bo de line P o einu ic”)
0,2 – 0,4
Não P o einú ico
<0,2
Tabela IV: Classi icação do g au de p o einú ia no ga o com base na azão p o eína/c ea inina u iná ia.5
Classi icação
P essão a e ial
sis ólica (mmHg)
P essão a e ial
dias ólica (mmHg)
Ní el de isco
Es ádio 0
<150
<95
Mínimo
Es ádio I
150 – 159
95-99
Baixo
Es ádio II
160 – 179
100-119
Mode ado
Es ádio III
>= 180
>=120
Al o
Tabela V: Classi icação do g au de hipe ensão no ga o com base nos alo es de p essão sis ólica e
dias ólica.2,5
Es ádio
Concen ações de ós o o
aconselhadas pa a cada
es ádio (mg/dL)
2
3,5 - 4,5
3
3,5 – 5,0
4
3,5 – 6,0
Tabela VI: Valo es sé icos de ós o o ecomendados pa a cada um dos es ádios de IRC.5
33
Anexo II: Gas oen e ologia – Gas oen e i e in eciosa po Pa o í us canino
Tabela I: Resul ados das análises bioquímicas ealizadas du an e a hospi alização (a neg i o os alo es
al e ados).
Tabela II: Resul ados do hemog ama ealizado aquando da hospi alização (a neg i o os alo es
al e ados).
Pa âme o
Valo es de Re e ência
1º Dia de In e namen o
3º Dia de
In e namen o
Glicémia
70 – 110 mg/dL
100
93
Hema óc i o
37% - 55%
36,5
39
PT
5,0 – 7,4 g/dL
7,4
6,6
Albumina
2,8 – 4,4 g/dL
3,4
Sódio
145 – 158 mEq/L
141
145
Po ássio
3,4 – 5,5 g/dL
3,4
3,6
Clo o
104 – 128 mEq/L
105
110
Pa âme o
Valo es de Re e ência
Resul ado
Leucóci os
5,8 – 20,3 (x 109/L)
3,80
Neu ó ilos
3,7 – 13,3 (x 109/L)
1,95
Monóci os
0,2 – 0,7 (x 109/L)
0,26
Lin óci os
1,0 – 3,6 (x 109/L)
2,0
%neu ó ilos
46,2 – 73,6 %
45,8
%monóci os
3,1 – 6,9 %
3,4
%lin óci os
19,0 – 41,3 %
40,2
Glóbulos Ve melhos
5,4-8,5 (x 1012/L)
5,15
Hemoglobina
12,0 – 18,0 g/dL
15,2
VCM
60,0 – 77,0 L
65,3
HCM
22,0 – 26,2 pg
24,3
CHCM
31,0 – 36,0 g/dL
35,1
34
Anexo III: De ma ologia – Demodicose Canina Ju enil
Figu a I: A) Imagem do A hos com 6meses de idade, onde se podem e i ica lesões como alopecia e
hipo icose, nos memb os pél icos e cauda, e e i ema e c os as na cauda. B) Imagem do A hos na
consul a de con olo, um mês após o início do a amen o com moxidec ina, onde ainda se e i ica
hipo icose na zona na base da cauda ( e ângulo) (Imagens gen ilmen e cedidas pelo HRVM)
Figu a II: A e C) Imagem mic oscópica da aspagem p o unda con i mando a p esença de Demodex spp.
B) Imagem de um Demodex, na sua o ma adul a (Imagens gen ilmen e cedidas pelo HRVM)
Figu a III: Imagem do A hos, após o é mino do a amen o com moxidec ina, onde se e i ica a ausência
de lesões e o c escimen o de pelo. (Imagens gen ilmen e cedidas pelo HRVM)