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Diferenças de sexo nas atribuições causais: inconsistências e viés

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Diferenças de sexo nas atribuições causais: inconsistências e viés

Author: Luísa Faria
Year: 1997
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/5547/2/82159.pdf
In es igações ecen es, sob e as di e enças
de sexo em á ias ap idões cogni i as, de-
mons am que as di e enças exis en es são me-
nos e iden es e p o undas do que os p imei os
in es igado es supunham (Deaux, 1984;
Feingold, 1988; Hyde, Fennema & Lamon,
1990). Mui as das di e enças de sexo obse adas
de em-se a ac o es si uacionais, nomeadamen e
ao ipo de a e as usadas, não igualmen e ade-
quadas ou amilia es pa a os dois sexos e ao con-
ex o em que são ealizadas, ou seja, ao ac o da
maio ia dos es udos deco e em em con ex os la-
bo a o iais, mui o especí icos, pad onizados e
ge ado es de s ess pa a os sujei os.
O domínio das a ibuições causais pa a a ea-
lização, em con ex o escola , em sido é il em
es udos que analisam as di e enças de sexo.
Apesa de, globalmen e, se a i ma que os
apazes êm endência a a ibui os seus sucessos
a causas in e nas e es á eis, e os seus acassos a
causas ex e nas e ins á eis, enquan o que as a-
pa igas e idenciam o pad ão opos o, esponsa-
bilizando-se pelos seus acassos e não pelos
seus sucessos (Ba -Tal, 1978; Ba -Tal & Da om,
1979), es es esul ados não são comuns a odos
os es udos, ha endo conclusões con adi ó ias,
indiciado as de al a de consenso no domínio
(Ba -Tal & F ieze, 1976; Eccles Pa sons, Adle
& Meece, 1984).
Nes e con ex o, o am p opos os ês modelos
pa a explica as di e enças de sexo nos pad ões
a ibucionais, a sabe : o modelo da ex e nalidade
global, o da au o-dep eciação e o das baixas ex-
pec a i as (F ieze, Whi ley, Hanusa & McHugh,
1982), que passamos a analisa .
1. MODELO DA EXTERNALIDADE GLOBAL
O p imei o modelo, o da ex e nalidade glo-
bal, suge e que as apa igas êm endência a a-
ze a ibuições ex e nas pa a o sucesso e acas-
so, po que desis em acilmen e das si uações de
ealização, de ido ao ac o de e idencia em a-
259
Análise Psicológica (1997), 2 (XV): 259-268
Di e enças de sexo nas a ibuições causais:
Inconsis ências e iés (*)
LUÍSA FARIA (**)
(*) Es e es udo in eg a-se na disse ação ap esen ada
pela au o a pa a p o as de dou o amen o em Psicolo-
gia, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da
Educação da Uni e sidade do Po o.
A co espondência e e en e a es e a igo de e á se
en iada pa a Faculdade de Psicologia e de Ciências da
Educação, Uni e sidade do Po o, Rua do Campo
Aleg e, 1055, 4150 Po o.
(**) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Edu-
cação da Uni e sidade do Po o. Memb o do Cen o
de Psicologia Di e encial e Ecológica do Desen ol i-
men o, no Ins i u o de Consul a Psicológica, Fo mação
e Desen ol imen o.
lo es ele ados, que de medo do acasso, que
de medo do sucesso. Nes e quad o, as a ibui-
ções pa a os esul ados a causas ex e nas azem
sen ido, pois jus i icam a al a de en ol imen o
nas a e as que, eliminando a sua esponsabi-
lidade pelos esul ados, p o ege as apa igas do
medo do sucesso e diminui possí eis sen imen-
os de e gonha pelo acasso (F ieze, Fishe ,
Hanusa, McHugh & Valle, 1978).
Em apoio a es e modelo da ex e nalidade
global pa a o sexo eminino, os es udos de
Fea he (1969) e de Simon e Fea he (1973)
ealizados espec i amen e em con ex o labo a-
o ial e na u al com es udan es uni e si á ios,
conclui am que as apa igas azem mais a ibui-
ções a ac o es ex e nos do que os apazes, no-
meadamen e à so e e à di iculdade da a e a.
Ba -Tal e F ieze (1976), obse ando o mesmo
enómeno, cons a a am que, nes e caso, as
apa igas mani es am meno sa is ação com os
seus sucessos e e idenciam expec a i as de su-
cesso mais baixas. Esses esul ados o am pa -
cialmen e con i mados po es udos pos e io es:
o am obse ados unicamen e pa a as a ibuições
ao acasso po Sweeney, Mo eland e G ube
(1982) e, pa a as a e as unicamen e a ibuídas à
«so e», de inidas como «masculinas», po
Deaux e Fa is (1977); McHugh, Fishe e F ieze
(1982) não encon a am di e enças de sexo nas
a ibuições causais em a e as de inidas como
« emininas», con a iamen e às encon adas em
caso de sucesso pa a as de inidas como «mas-
culinas», sucesso es e menos a ibuído à capa-
cidade do que no caso das a e as « emininas».
A adequação da a e a ao sexo do sujei o é
suge ida como p imei o ac o explica i o das
di e enças, assumindo-se que o «medo do su-
cesso» das apa igas é mais es imulado po a e-
as «masculinas». Ou a explicação pa a as a i-
buições mais equen es das apa igas a causas
ex e nas é ap esen ada po Wiley, C i enden e
Bi g (1979), que a gumen am que as apa igas,
al como ou os g upos mino i á ios ou de baixo
es a u o, êm a sensação de con ola menos o
seu des ino do que os sujei os de ele ado es-
a u o, e que es a al a de con olo conduz a a i-
buições pa a os esul ados a ac o es ex e nos
( e ambém Seligman, 1992, a p opósi o dos
g upos de baixo es a u o).
2. MODELO DA AUTO-DEPRECIAÇÃO
O segundo modelo, denominado da au o-de-
p eciação, ap esen a uma ou a in e p e ação
pa a as di e enças de sexo. Suge e que as apa-
igas a ibuem os seus sucessos com maio e-
quência a ac o es ex e nos, mas que a ibuem os
seus acassos a ac o es in e nos. Es e modelo
pa e do p essupos o de que os sujei os en am
man e um conjun o de c enças consis en es
ace ca de si mesmos. Assim, se e idenciam bai-
xa au o-es ima, êm endência a selecciona ape-
nas in o mações nega i as ace ca de si p óp ios
e, se e idenciam ele ada au o-es ima, endem a
selecciona apenas in o mações posi i as ace ca
de si p óp ios. O a, as apa igas ap esen am
meno au o-es ima no domínio da ealização, o
que as conduzi á, na p ocu a des a consis ência,
a selecciona p e e encialmen e in o mações
nega i as ace ca de si p óp ias e a igno a a in-
o mação posi i a (F ieze, Whi ley, Hanusa &
McHugh, 1982). Os esul ados de au o es como
Ickes e Layden (1978) apoiam es e modelo,
is o e em obse ado que, po um lado, os su-
jei os com baixa au o-es ima in e nalizam os
acassos e ex e nalizam os sucessos, enquan o
que os sujei os com ele ada au o-es ima ap e-
sen am o pad ão opos o e, po ou o lado, os pa-
d ões a ibucionais das apa igas assemelham-se
aos dos sujei os com baixa au o-es ima, enquan-
o que os dos apazes se assemelham aos dos
sujei os com ele ada au o-es ima.
Ma in e Ni ens (1987) concluem, ambém,
que as apa igas, em compa ação com os a-
pazes, in e nalizam mais os acassos, culpando-
-se po eles, e ex e nalizam mais os sucessos,
a ibuindo-os à in luência dos ou os. Nes e es-
udo, desen ol ido no con ex o do «abandono
ap endido», com es udan es uni e si á ios,
u ilizando o A ibu ional S yle Ques ionnai e
(A.S.Q.), de Pe e son, Semmel, on Baye ,
Ab amson, Me alsky e Seligman (1982), con-
cluiu-se que numa a e a de disc iminação de
concei os, as apa igas azem mais a ibuições
in e nas pa a os acon ecimen os des a o á eis,
após eedback não con ingen e às espos as do
que após eedback con ingen e ou ausência dele,
enquan o que as a ibuições dos apazes não
e am a ec adas pelas con ingências do eedback.
Em e mos desen ol imen ais, os es udos de
Nicholls (1975; 1978; 1979a; 1979b) obse am
260
que as apa igas êm maio endência a a ibui o
acasso à al a de capacidade do que os apazes,
independen emen e do es o ço desen ol ido. O
au o conclui desses ac os que as apa igas
ap esen am um desen ol imen o mais len o na
comp eensão do concei o de «capacidade», a
pa i dos esul ados e do es o ço exe cido. Pa-
ece assim que os apazes di e enciam mais cedo
os concei os de es o ço e de capacidade e, além
disso, o pad ão de eedback a alia i o di igido às
apa igas pelos p o esso es, apesa de se menos
equen emen e nega i o do que o eedback di i-
gido aos apazes, quando o é, cen a-se mais nos
aspec os nega i os da sua ealização, o que pa e-
ce conduzi-las a a ibui os acassos com maio
p obabilidade à al a de capacidade (Dweck,
Da idson, Nelson & Enna, 1978).
C andall, Ka ko sky e C andall (1965), num
es udo com alunos do 3.º ao 12.º ano de esco-
la idade, u ilizando o In ellec ual Achie emen
Responsibili y Ques ionnai e (I.A.R.), conclui-
am que as apa igas ap esen a am um aumen o
da in e nalidade nega i a ao longo do secun-
dá io, is o é, esponsabiliza am-se mais pelos e-
sul ados nega i os da sua ealização à medida
que p og ediam na escola idade.
3. MODELO DAS BAIXAS EXPECTATIVAS
Finalmen e, o modelo das baixas expec a i as,
oma como pon o de pa ida o pos ulado de que
as apa igas êm expec a i as de sucesso mais
baixas do que os apazes, nos domínios da
ealização escola , despo i a, de compe ência
mo o a ou ou as. Segundo es e modelo, essas
baixas expec a i as conduzem a a ibuições
ins á eis pa a o sucesso e es á eis pa a o acas-
so. Tal como se pode obse a na Figu a 1, o p o-
cesso a ibucional é assumido como sendo igual
pa a os dois sexos, esidindo a única di e ença no
ní el inicial de expec a i as de sucesso.
261
FIGURA 1
Modelo da expec a i a pa a as a ibuições
Nes e modelo, a exis ência de di e enças nas
expec a i as de sucesso, en e sexos, é essencial
pa a explica as di e enças en e es es no p oces-
so de a ibuição causal. Deaux (1976) e Deaux e
Fa is (1977), e idencia am o ac o das apa igas
ap esen a em baixas expec a i as de sucesso,
sob e udo em a e as de inidas como «masculi-
nas». Nes as condições, os apazes ealizam
melho a a e a, a aliam de o ma mais posi i a
a sua ealização (mesmo quando es a é objec i-
amen e igual à das apa igas) e a ibuem o su-
cesso à capacidade e idenciada, em ez de o
a ibui em à so e. Con udo, quando a a e a é
ap esen ada como sendo « eminina», não há di-
e enças nas expec a i as de sucesso pa a ambos
os sexos, apesa das apa igas aze em mais
a ibuições pa a o sucesso na a e a à so e e os
apazes à capacidade. Pa ece assim pode con-
clui -se que a na u eza da a e a é um ac o c í-
ico na o mação das expec a i as de sucesso das
apa igas, o nando as di e enças de sexo depen-
den es de ac o es me amen e si uacionais
(Deaux, 1984).
Num es udo ealizado com alunos do 1.º e 3.º
anos de escola idade, S ipek e Ho man (1980)
e idencia am o e ei o do ní el de ealização
an e io dos sujei os na o mação das expec a-
i as. Conclui am que as expec a i as de sucesso
das apa igas, ap esen a am um pad ão de ela-
ção com o ní el de ealização opos o ao dos a-
pazes: as apa igas com ele ada ealização e i-
dencia am expec a i as de sucesso mais baixas
do que aquelas que inham uma ealização média
ou mesmo baixa, enquan o que os apazes com
baixa ealização e idencia am expec a i as de
sucesso baixas, ao con á io dos apazes com
ealização ele ada ou média, cujas expec a i as
de sucesso e am al as. Es es esul ados são con-
sis en es com os de es udos an e io es, nomea-
damen e com os de C andall, Ka ko sky e P es-
on (1962), que inham mos ado que as expec a-
i as de sucesso das apa igas es a am nega i-
amen e co elacionadas com o QI, con a ia-
men e às dos apazes, posi i amen e co elacio-
nadas. Segundo S ipek e Ho man (1980), as a-
pa igas com ele ada ealização e idenciam ex-
pec a i as de sucesso mais baixas, de ido à an-
siedade em si uações a alia i as, mais comum
no sexo eminino, e ambém ao desejo de ob e a
ap o ação dos adul os, a que as apa igas são
pa icula men e sensí eis (Dweck & Bush,
1976). Assim, es abelecem me as de ealização
su icien emen e baixas pa a assegu a as hipó e-
ses de sucesso e a consequen e ap o ação dos
adul os. As apa igas com baixa ealização pa e-
cem adop a uma «pos u a de ensi a», ao es abe-
lece pad ões ele ados de excelência, o que di-
minui a sua ansiedade, já que poucos os podem
a ingi (C andall, 1969; S ipek & Ho man,
1980).
Fö s e ling (1980) ap esen a, no en an o, um
ou o ipo de explicação pa a as di e enças nas
expec a i as de sucesso en e apazes e apa i-
gas. Segundo es e au o , as apa igas e idenciam
expec a i as de sucesso mais baixas do que os
apazes, apenas quando se cen am nas suas
p obabilidades objec i as de sucesso. Pelo con-
á io, quando se cen am nas suas p obabili-
dades subjec i as de sucesso, azem escolhas
mais a iscadas no con ex o de ealização e
e idenciam expec a i as de sucesso mais ele a-
das. Segundo Fö s e ling (1980), os es udos cen-
ados nas di e enças de expec a i as de sucesso
en e os sexos, de e iam dis ingui cla amen e
en e as p obabilidades objec i as de sucesso
(no ma i as, esul an es da compa ação social) e
as p obabilidades subjec i as (po e e ência à
ealização do p óp io sujei o nou os momen os),
pois o ac o da maio ia dos es udos en ol e em
apenas as p obabilidades objec i as de sucesso,
pode e conduzido a conclusões inconsis en es
ace ca das di e enças de sexo nes e domínio.
Eccles Pa sons, Adle e Meece (1984), num
es udo com 200 alunos do 8.º ao 10.º anos de es-
cola idade, com o objec i o de a alia as a i udes
em elação ao acasso em Ma emá ica e em In-
glês, conclui am pela quase inexis ência de di e-
enças de sexo nas a ibuições pa a o acasso,
ha endo apenas mais e idências de a ibuições à
al a de capacidade em Ma emá ica, en e apa i-
gas com baixas expec a i as de sucesso do que
en e apazes com baixas expec a i as de suces-
so. Assim, se a Ma emá ica é concebida como
uma ma é ia in elec ualmen e di ícil, e se a capa-
cidade pa a a Ma emá ica é is a como especí-
ica e es á el, en ão pode á oco e um iés no
uso da capacidade como explicação causal p e-
dominan e pa a a ealização nes a disciplina
(Eccles Pa sons e al., 1984). Po ém, a a iá el
que se e elou mais de e minan e na ealização
dos sujei os de ambos os sexos, e na escolha das
opções a segui , oi o « alo subjec i o da a e-
262
a» (pa a a Ma emá ica ou pa a o Inglês), que e-
p esen a uma a aliação dos cus os e bene ícios
ela i os dos objec i os de ealização que o su-
jei o se p opôs a ingi . Assim, o sucesso na ea-
lização duma a e a o na-se impo an e, na me-
dida em que se e os objec i os de ealização do
sujei o (Du kin, 1987). O a, sendo a Ma emá ica
is a como mais impo an e pa a alcança os
objec i os u u os pelo apaz do que pela apa-
iga, es es au o es salien am a impo ância di e-
encial do « alo subjec i o» das a e as pa a os
dois sexos e a in luência des a a iá el na mani-
es ação ou não de di e enças en e apazes e a-
pa igas.
Vollme (1986) e idenciou, a a és de um
es udo com es udan es uni e si á ios, o e ei o
263
FIGURA 2
Modelo da elação en e sexo e expec a i as de sucesso (c . Vollme , 1986)
Ins umen alidade
Capacidade
pe cebida
Sexo Expec a i as
QUADRO 1
P essupos os ace ca das a ibuições causais das apa igas segundo ês pe spec i as eó icas
Pe spec i as Teó icas
Ex e nalidade Global Au o-dep eciação Baixas Expec a i as
Sucesso
Capacidade Baixa Baixa Baixa
Es o ço Baixo Baixo Al o
Ta e a* Ele ada Ele ada Baixa (?)
So e Ele ada Ele ada Al o
F acasso
Capacidade Baixa Ele ada Al a
Es o ço Baixo Ele ado Baixo
Ta e a* Ele ada Baixa Al a (?)
So e Ele ada Baixa Baixa
* Assume-se aqui que a a e a é es á el Adap ado de F ieze, Whi ley, Hanusa & McHugh (1982)

mediado da capacidade pe cebida e da ins u-
men alidade (pe cepção de si p óp io como um
se ac i o, independen e, supe io , au o-con ian-
e, asse i o) na de e minação das di e enças de
expec a i as de sucesso en e sexos. Vollme
in e p e ou os esul ados da seguin e o ma: os
apazes êm expec a i as de sucesso mais ele a-
das do que as apa igas po que se pe cebem co-
mo mais capazes do que elas, e êm maio capa-
cidade pe cebida po que se êem como mais
«ins umen ais» do que elas. Assim, as di e en-
ças na pe cepção de ins umen alidade em un-
ção do sexo, associadas a di e en es ní eis de ca-
pacidade pe cebida, jus i icam a elação en e se-
xo e expec a i as ( e Figu a 2).
No Quad o 1 encon am-se sis ema izados os
p incipais p essupos os dos ês modelos ela i-
amen e às a ibuições das apa igas.
4. AVALIAÇÃO DOS MODELOS TEÓRICOS
PARA EXPLICAR AS DIFERENÇAS DE SEXO
NAS ATRIBUIÇÕES CAUSAIS
A análise dos p essupos os dos ês modelos
pe mi e conclui que a única semelhança en e
eles eside no ac o de p e e em que as apa igas
não a ibuem os seus sucessos à ele ada capa-
cidade. Com o objec i o de es a qual dos mo-
delos ecebeu maio supo e empí ico na li e a-
u a, F ieze, Whi ley, Hanusa e McHugh (1982)
ealiza am uma me a-análise de 21 es udos sob e
di e enças de sexo nas a ibuições causais pa a
os sucessos e acassos, com amos as de adoles-
cen es e adul os. Os esul ados da me a-análise
não pe mi i am apoia qualque um dos modelos
desc i os pa a explica as di e enças de sexo,
endo apenas concluído que as mulhe es inham
uma endência ligei amen e supe io aos homens
pa a aze a ibuições pa a o acasso à so e,
enquan o que os homens aziam globalmen e
mais a ibuições à capacidade. Assim, g ande
pa e dos es udos analisados não e idencia am
di e enças de sexo acen uadas e, aqueles em
que isso acon ecia, ap esen a am esul ados con-
adi ó ios en e si (F ieze, Whi ley, Hanusa &
McHugh, 1982).
A maio endência das apa igas pa a aze em
a ibuições pa a os sucessos à so e inha sido já
e idenciada po Sohn (1977; 1982) e po Deaux,
Whi e e Fa is (1975). Es es esul ados, em con-
jun o com os da me a-análise de F ieze e al.
(1982), suge em que as apa igas a ibuem, com
maio p obabilidade do que os apazes, que os
sucessos, que os acassos, à so e. Segundo
McHugh, F ieze e Hanusa (1982) es e ipo de
a ibuições, mais equen e nas apa igas, não
de e se in e p e ado como indicado dum pa-
d ão a ibucional de ex e nalidade global do se-
xo eminino. Aliás, es udos cen ados na in luên-
cia do ipo de medidas a ibucionais sob e as
a ibuições p oduzidas, suge em que quando são
usadas medidas «abe as», a «so e» a amen e é
ap esen ada como causa po ambos os sexos
(Elig & F ieze, 1979), e com medidas «es u u a-
das» (de pe cen agem) ambos os sexos a ibuem
à «so e» uma impo ância ela i a mui o baixa,
quando compa ada com a impo ância a ibuída
a ou as causas (Wong & Weine , 1981). No en-
an o, McHugh e al. (1982) suge em que ambos
os sexos pa ecem e idencia concepções di e en-
ciadas da «so e», bem como o ac o do sexo
masculino pa ece demons a uma maio en-
dência pa a pe cebe a ex e nalidade e a in e na-
lidade como dois pólos opos os de uma mesma
dimensão (o locus), enquan o que o sexo emi-
nino pe cebe es as duas e en es como duas
a iá eis con ínuas, que ope am conjun amen e
na de e minação dos esul ados. Po ém, es a su-
ges ão necessi a de supo e empí ico.
5. VARIÁVEIS QUE INFLUENCIAM AS
DIFERENÇAS DE SEXO NAS
ATRIBUIÇÕES CAUSAIS
A p ocu a de explicações pa a as inconsis ên-
cias nos esul ados, no domínio das di e enças de
sexo nas a ibuições causais, conduziu ao es udo
e sis ema ização das a iá eis que pode iam in-
luencia o sen ido das di e enças. Enquan o
que alguns au o es alam de a iá eis mo i acio-
nais e de a iá eis ligadas aos papéis sexuais
(C ombie, 1983; F ieze e al., 1978; McHugh,
F ieze & Hanusa, 1982), ou os alam ainda de
a iá eis de con ex o ou si uacionais (Eccles
Pa sons, Adle & Meece, 1984; McHugh, F ieze
& Hanusa, 1982).
5.1. Va iá eis mo i acionais e a iá eis liga-
das aos papéis sexuais
F ieze e al. (1978) a i mam que os esul ados
con adi ó ios no domínio se de em ao ac o de
264
se conside a em homens e mulhe es como dois
g upos homogéneos e que, em luga de se p ocu-
a em pad ões de a ibuições in a ian es, se ia
mais p o ei oso explo a a in luência de a iá-
eis mo i acionais nas a ibuições causais.
As a iá eis mo i acionais e as a iá eis liga-
das aos papéis sexuais podem, segundo
McHugh, F ieze e Hanusa (1982), a ec a as di-
e enças de sexo. Algumas das a iá eis mo i a-
cionais mais e e idas pelos au o es são a ansie-
dade em si uação de a aliação, o au o-concei o e
a mo i ação pa a a ealização. A ansiedade em
si uação de a aliação (Sa ason & Mandle , 1952)
a ec a di e encialmen e os dois sexos, ap esen-
ando as mulhe es alo es mais ele ados de an-
siedade em si uações a alia i as e maio en-
dência pa a e idencia medo do acasso (logo,
maio mo i o pa a o e i a ). Exis em ambém
e idências de que os homens ap esen am maio
au o-concei o no domínio da ealização na Ma-
emá ica, no domínio ísico e, po ezes, maio
au o-concei o global do que as mulhe es, o que
os conduz a alo iza mais a sua capacidade nes-
es domínios (Ha e , 1983; Ma sh, By ne &
Sha elson, 1988; Rosenbe g & Simmons, 1975).
Finalmen e, exis em ainda e idências de que a
mo i ação pa a a ealização a ec a, de o ma di-
e en e, as a ibuições causais dos sujei os: Ba -
Tal e F ieze (1977) cons a a am que os apazes
com ele ada mo i ação pa a a ealização a i-
buíam o sucesso à capacidade e ao es o ço e o
acasso a ac o es ex e nos, enquan o que as a-
pa igas com ele ada mo i ação pa a a ealização
a ibuíam maio impo ância ao es o ço, como
causa de e minan e no sucesso e no acasso.
Hube e Podsako (1985) ealiza am um es udo
com es udan es uni e si á ios, com o objec i o
de conhece , en e ou as, a in luência das a iá-
eis mo i acionais de «ansiedade em si uação de
a aliação», «au o-concei o» e «mo i ação pa a a
ealização» no p ocesso de a ibuição causal
nos dois sexos. Conclui am pela ausência de in-
luência das a iá eis mo i acionais na elação
sexo-a ibuições, embo a enham obse ado a
exis ência de elações en e as a iá eis mo i a-
cionais e as a ibuições causais. Segundo os au-
o es, a ausência de e ei o mediado das a iá-
eis mo i acionais en e o sexo e as a ibuições
causais, icou a de e -se ao e ei o p egnan e
das a iá eis si uacionais, ambém po eles a a-
liadas, que pa ecem e sup imido o e ei o das
a iá eis mo i acionais (Hube & Podsako ,
1985; McHugh, F ieze & Hanusa, 1982).
As a iá eis ligadas aos papéis sexuais ep e-
sen am uma pe spec i a di e en e na abo dagem
das di e enças de sexo, po que em ez de se
cen a em nos aspec os que di e enciam os dois
sexos, cen am-se na o ma como os ou os pen-
sam que os dois sexos se di e enciam en e si
(Deaux, 1984; Feingold, 1994). O sexo é assim
in e p e ado como uma ca ego ia social, ligada
ao concei o de géne o, enquan o «esquema de
ca ego ização social dos sujei os» que não im-
plica apenas di e enciação biológica, mas am-
bém p oduz di e enciação social (Deaux, 1985;
She i , 1982). Nes e con ex o emos es udos que
obse am a elação en e a adesão aos papéis
sociais ligados ao géne o e as a ibuições causais
(B ewe & Blum, 1979), assim como en e as
a i udes em elação às mulhe es e as a ibuições
causais (Ga land & P ice, 1977). As espos as
di e enciais dos sujei os às ca ego ias «homem»
e «mulhe » pa ecem a ec a a mani es ação de
di e enças en e os sexos nas a ibuições causais.
5.2. Va iá eis si uacionais ou de con ex o
O e ei o das a iá eis mo i acionais, na
p odução de di e enças de sexo nas a ibuições
causais, pa ece se meno quando compa ado
com o e ei o das a iá eis si uacionais ou de
con ex o (Hube & Podsako , 1985). McHugh,
F ieze e Hanusa (1982) classi icam as a iá eis
si uacionais em duas ca ego ias: (1) as ligadas à
a e a e (2) as ligadas ao con ex o em que a
a e a é ealizada, embo a g ande pa e dos es u-
dos analisem o e ei o da a e a sob e as a ibui-
ções causais.
Na p imei a ca ego ia, encon amos es udos
e e en es à in luência de a e as que en ol em
compe ências ipicamen e emininas s compe-
ências ipicamen e masculinas sob e o p ocesso
de a ibuição causal (Deaux & Fa is, 1977;
McHugh, Fishe & F ieze, 1982), aspec o que já
oi discu ido a p opósi o do modelo da ex e nali-
dade global pa a as di e enças de sexo. São
ainda de e e i os domínios da ealização a que
dizem espei o as a e as, a ilia i os s acadé-
micos, que podem a ec a di e encialmen e as
a ibuições causais dos dois sexos, is o que as
apa igas pa ecem in e p e a os esul ados no
domínio a ilia i o como mais impo an es do que
265
os apazes (McHugh, F ieze & Hanusa, 1982).
Aliás, no domínio da mo i ação pa a a a iliação
as apa igas supe am os apazes. O g au de ami-
lia idade de ambos os sexos com as a e as usa-
das na in es igação a ibucional cons i ui um ou-
o aspec o ele an e. Lange (1978) suge e que
as a ibuições podem e consequências mais
impo an es em a e as no as pa a o sujei o do
que em a e as amilia es. Des e modo, a mesma
a e a ap esen ada a sujei os de ambos os sexos
pode e um signi icado di e en e pa a eles, ao
ní el das c enças pessoais ou cul u ais ace ca da
sua adequabilidade ao sexo do sujei o, do alo e
en ol imen o no domínio a que se e e e a a e-
a, bem como da no idade e amilia idade com a
a e a, podendo es es aspec os, de o ma isolada
ou em in e acção, in e e i em com as a ibui-
ções causais (McHugh, F ieze & Hanusa, 1982).
No que se e e e à segunda ca ego ia de a iá-
eis, associadas ao con ex o em que deco e a a-
e a, êm sido ealizados menos es udos. Fo am
apon ados alguns ac o es do con ex o como
po enciais de e minan es nas di e enças de sexo,
a sabe : o sexo do expe imen ado ; o sexo dos
ou os pa icipan es; a ealização da a e a
indi idualmen e ou em g upo; a composição do
g upo quan o ao amanho e sexo; o g au de
compe i i idade ins i uído; a na u eza do eed-
back o necido; a necessidade de e baliza as
expec a i as de sucesso, as a ibuições e os e-
sul ados de o ma p i ada s pública (McHugh,
F ieze & Hanusa, 1982).
6. CONCLUSÕES
A di e sidade de a iá eis si uacionais que
podem in luencia as a ibuições causais de
ambos os sexos, e a possibilidade delas in e -
agi em, pa ece jus i ica , de algum modo, as in-
consis ências obse adas nos esul ados nes e
domínio.
No sen ido de eduzi ou con ola o iés in-
oduzido no domínio das di e enças de sexo nas
a ibuições causais, que pelas a iá eis mo i a-
cionais, que pelas a iá eis si uacionais,
McHugh, F ieze e Hanusa (1982) ap esen am
algumas p opos as, nomeadamen e: (1) es uda o
compo amen o de ealização em con ex os a-
iados; (2) e em a enção as a e as e os domí-
nios mais seleccionados ou p e e idos pelos su-
jei os; (3) e em con a a de inição pessoal da
a e a e do esul ado pelo sujei o; (4) e lec i
sob e a adequação das o mas de a aliação das
a ibuições causais, nomeadamen e se é desejá-
el pedi di ec amen e as a ibuições pa a os e-
sul ados (a pa i de uma sé ie de a ibuições
possí eis, o necidas a p io i), ou deixá-las
eme gi espon aneamen e; (5) desen ol e mé o-
dos pa a o es udo das cognições espon âneas dos
sujei os em con ex os de ealização; (6) p omo-
e a obse ação e a a aliação de compo amen-
os de ealização em con ex o na u al.
Deaux (1984) aconselha os in es igado es
nes e domínio a conside a a pe ença a uma
ca ego ia sexual e os enómenos ligados às di e-
enças de sexo não como ca ego ias es á icas,
mas como p ocessos in luenciados pelas esco-
lhas indi iduais, moldados pelas p essões si ua-
cionais, explicá eis apenas quando enquad ados
em con ex os de in e acção social.
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