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Diferenças de sexo nas atribuições causais: inconsistências e viés

Luísa Faria

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In es igações ecen es, sob e as di e enças de sexo em á ias ap idões cogni i as, de- mons am que as di e enças exis en es são me- nos e iden es e p o undas do que os p imei os in es igado es supunham (Deaux, 1984; Feingold, 1988; Hyde, Fennema & Lamon, 1990). Mui as das di e enças de sexo obse adas de em-se a ac o es si uacionais, nomeadamen e ao ipo de a e as usadas, não igualmen e ade- quadas ou amilia es pa a os dois sexos e ao con- ex o em que são ealizadas, ou seja, ao ac o da maio ia dos es udos deco e em em con ex os la- bo a o iais, mui o especí icos, pad onizados e ge ado es de s ess pa a os sujei os. O domínio das a ibuições causais pa a a ea- lização, em con ex o escola , em sido é il em es udos que analisam as di e enças de sexo. Apesa de, globalmen e, se a i ma que os apazes êm endência a a ibui os seus sucessos a causas in e nas e es á eis, e os seus acassos a causas ex e nas e ins á eis, enquan o que as a- pa igas e idenciam o pad ão opos o, esponsa- bilizando-se pelos seus acassos e não pelos seus sucessos (Ba -Tal, 1978; Ba -Tal & Da om, 1979), es es esul ados não são comuns a odos os es udos, ha endo conclusões con adi ó ias, indiciado as de al a de consenso no domínio (Ba -Tal & F ieze, 1976; Eccles Pa sons, Adle & Meece, 1984). Nes e con ex o, o am p opos os ês modelos pa a explica as di e enças de sexo nos pad ões a ibucionais, a sabe : o modelo da ex e nalidade global, o da au o-dep eciação e o das baixas ex- pec a i as (F ieze, Whi ley, Hanusa & McHugh, 1982), que passamos a analisa . 1. MODELO DA EXTERNALIDADE GLOBAL O p imei o modelo, o da ex e nalidade glo- bal, suge e que as apa igas êm endência a a- ze a ibuições ex e nas pa a o sucesso e acas- so, po que desis em acilmen e das si uações de ealização, de ido ao ac o de e idencia em a- 259 Análise Psicológica (1997), 2 (XV): 259-268 Di e enças de sexo nas a ibuições causais: Inconsis ências e iés (*) LUÍSA FARIA (**) (*) Es e es udo in eg a-se na disse ação ap esen ada pela au o a pa a p o as de dou o amen o em Psicolo- gia, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o. A co espondência e e en e a es e a igo de e á se en iada pa a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Uni e sidade do Po o, Rua do Campo Aleg e, 1055, 4150 Po o. (**) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Edu- cação da Uni e sidade do Po o. Memb o do Cen o de Psicologia Di e encial e Ecológica do Desen ol i- men o, no Ins i u o de Consul a Psicológica, Fo mação e Desen ol imen o. lo es ele ados, que de medo do acasso, que de medo do sucesso. Nes e quad o, as a ibui- ções pa a os esul ados a causas ex e nas azem sen ido, pois jus i icam a al a de en ol imen o nas a e as que, eliminando a sua esponsabi- lidade pelos esul ados, p o ege as apa igas do medo do sucesso e diminui possí eis sen imen- os de e gonha pelo acasso (F ieze, Fishe , Hanusa, McHugh & Valle, 1978). Em apoio a es e modelo da ex e nalidade global pa a o sexo eminino, os es udos de Fea he (1969) e de Simon e Fea he (1973) ealizados espec i amen e em con ex o labo a- o ial e na u al com es udan es uni e si á ios, conclui am que as apa igas azem mais a ibui- ções a ac o es ex e nos do que os apazes, no- meadamen e à so e e à di iculdade da a e a. Ba -Tal e F ieze (1976), obse ando o mesmo enómeno, cons a a am que, nes e caso, as apa igas mani es am meno sa is ação com os seus sucessos e e idenciam expec a i as de su- cesso mais baixas. Esses esul ados o am pa - cialmen e con i mados po es udos pos e io es: o am obse ados unicamen e pa a as a ibuições ao acasso po Sweeney, Mo eland e G ube (1982) e, pa a as a e as unicamen e a ibuídas à «so e», de inidas como «masculinas», po Deaux e Fa is (1977); McHugh, Fishe e F ieze (1982) não encon a am di e enças de sexo nas a ibuições causais em a e as de inidas como « emininas», con a iamen e às encon adas em caso de sucesso pa a as de inidas como «mas- culinas», sucesso es e menos a ibuído à capa- cidade do que no caso das a e as « emininas». A adequação da a e a ao sexo do sujei o é suge ida como p imei o ac o explica i o das di e enças, assumindo-se que o «medo do su- cesso» das apa igas é mais es imulado po a e- as «masculinas». Ou a explicação pa a as a i- buições mais equen es das apa igas a causas ex e nas é ap esen ada po Wiley, C i enden e Bi g (1979), que a gumen am que as apa igas, al como ou os g upos mino i á ios ou de baixo es a u o, êm a sensação de con ola menos o seu des ino do que os sujei os de ele ado es- a u o, e que es a al a de con olo conduz a a i- buições pa a os esul ados a ac o es ex e nos ( e ambém Seligman, 1992, a p opósi o dos g upos de baixo es a u o). 2. MODELO DA AUTO-DEPRECIAÇÃO O segundo modelo, denominado da au o-de- p eciação, ap esen a uma ou a in e p e ação pa a as di e enças de sexo. Suge e que as apa- igas a ibuem os seus sucessos com maio e- quência a ac o es ex e nos, mas que a ibuem os seus acassos a ac o es in e nos. Es e modelo pa e do p essupos o de que os sujei os en am man e um conjun o de c enças consis en es ace ca de si mesmos. Assim, se e idenciam bai- xa au o-es ima, êm endência a selecciona ape- nas in o mações nega i as ace ca de si p óp ios e, se e idenciam ele ada au o-es ima, endem a selecciona apenas in o mações posi i as ace ca de si p óp ios. O a, as apa igas ap esen am meno au o-es ima no domínio da ealização, o que as conduzi á, na p ocu a des a consis ência, a selecciona p e e encialmen e in o mações nega i as ace ca de si p óp ias e a igno a a in- o mação posi i a (F ieze, Whi ley, Hanusa & McHugh, 1982). Os esul ados de au o es como Ickes e Layden (1978) apoiam es e modelo, is o e em obse ado que, po um lado, os su- jei os com baixa au o-es ima in e nalizam os acassos e ex e nalizam os sucessos, enquan o que os sujei os com ele ada au o-es ima ap e- sen am o pad ão opos o e, po ou o lado, os pa- d ões a ibucionais das apa igas assemelham-se aos dos sujei os com baixa au o-es ima, enquan- o que os dos apazes se assemelham aos dos sujei os com ele ada au o-es ima. Ma in e Ni ens (1987) concluem, ambém, que as apa igas, em compa ação com os a- pazes, in e nalizam mais os acassos, culpando- -se po eles, e ex e nalizam mais os sucessos, a ibuindo-os à in luência dos ou os. Nes e es- udo, desen ol ido no con ex o do «abandono ap endido», com es udan es uni e si á ios, u ilizando o A ibu ional S yle Ques ionnai e (A.S.Q.), de Pe e son, Semmel, on Baye , Ab amson, Me alsky e Seligman (1982), con- cluiu-se que numa a e a de disc iminação de concei os, as apa igas azem mais a ibuições in e nas pa a os acon ecimen os des a o á eis, após eedback não con ingen e às espos as do que após eedback con ingen e ou ausência dele, enquan o que as a ibuições dos apazes não e am a ec adas pelas con ingências do eedback. Em e mos desen ol imen ais, os es udos de Nicholls (1975; 1978; 1979a; 1979b) obse am 260 que as apa igas êm maio endência a a ibui o acasso à al a de capacidade do que os apazes, independen emen e do es o ço desen ol ido. O au o conclui desses ac os que as apa igas ap esen am um desen ol imen o mais len o na comp eensão do concei o de «capacidade», a pa i dos esul ados e do es o ço exe cido. Pa- ece assim que os apazes di e enciam mais cedo os concei os de es o ço e de capacidade e, além disso, o pad ão de eedback a alia i o di igido às apa igas pelos p o esso es, apesa de se menos equen emen e nega i o do que o eedback di i- gido aos apazes, quando o é, cen a-se mais nos aspec os nega i os da sua ealização, o que pa e- ce conduzi-las a a ibui os acassos com maio p obabilidade à al a de capacidade (Dweck, Da idson, Nelson & Enna, 1978). C andall, Ka ko sky e C andall (1965), num es udo com alunos do 3.º ao 12.º ano de esco- la idade, u ilizando o In ellec ual Achie emen Responsibili y Ques ionnai e (I.A.R.), conclui- am que as apa igas ap esen a am um aumen o da in e nalidade nega i a ao longo do secun- dá io, is o é, esponsabiliza am-se mais pelos e- sul ados nega i os da sua ealização à medida que p og ediam na escola idade. 3. MODELO DAS BAIXAS EXPECTATIVAS Finalmen e, o modelo das baixas expec a i as, oma como pon o de pa ida o pos ulado de que as apa igas êm expec a i as de sucesso mais baixas do que os apazes, nos domínios da ealização escola , despo i a, de compe ência mo o a ou ou as. Segundo es e modelo, essas baixas expec a i as conduzem a a ibuições ins á eis pa a o sucesso e es á eis pa a o acas- so. Tal como se pode obse a na Figu a 1, o p o- cesso a ibucional é assumido como sendo igual pa a os dois sexos, esidindo a única di e ença no ní el inicial de expec a i as de sucesso. 261 FIGURA 1 Modelo da expec a i a pa a as a ibuições Nes e modelo, a exis ência de di e enças nas expec a i as de sucesso, en e sexos, é essencial pa a explica as di e enças en e es es no p oces- so de a ibuição causal. Deaux (1976) e Deaux e Fa is (1977), e idencia am o ac o das apa igas ap esen a em baixas expec a i as de sucesso, sob e udo em a e as de inidas como «masculi- nas». Nes as condições, os apazes ealizam melho a a e a, a aliam de o ma mais posi i a a sua ealização (mesmo quando es a é objec i- amen e igual à das apa igas) e a ibuem o su- cesso à capacidade e idenciada, em ez de o a ibui em à so e. Con udo, quando a a e a é ap esen ada como sendo « eminina», não há di- e enças nas expec a i as de sucesso pa a ambos os sexos, apesa das apa igas aze em mais a ibuições pa a o sucesso na a e a à so e e os apazes à capacidade. Pa ece assim pode con- clui -se que a na u eza da a e a é um ac o c í- ico na o mação das expec a i as de sucesso das apa igas, o nando as di e enças de sexo depen- den es de ac o es me amen e si uacionais (Deaux, 1984). Num es udo ealizado com alunos do 1.º e 3.º anos de escola idade, S ipek e Ho man (1980) e idencia am o e ei o do ní el de ealização an e io dos sujei os na o mação das expec a- i as. Conclui am que as expec a i as de sucesso das apa igas, ap esen a am um pad ão de ela- ção com o ní el de ealização opos o ao dos a- pazes: as apa igas com ele ada ealização e i- dencia am expec a i as de sucesso mais baixas do que aquelas que inham uma ealização média ou mesmo baixa, enquan o que os apazes com baixa ealização e idencia am expec a i as de sucesso baixas, ao con á io dos apazes com ealização ele ada ou média, cujas expec a i as de sucesso e am al as. Es es esul ados são con- sis en es com os de es udos an e io es, nomea- damen e com os de C andall, Ka ko sky e P es- on (1962), que inham mos ado que as expec a- i as de sucesso das apa igas es a am nega i- amen e co elacionadas com o QI, con a ia- men e às dos apazes, posi i amen e co elacio- nadas. Segundo S ipek e Ho man (1980), as a- pa igas com ele ada ealização e idenciam ex- pec a i as de sucesso mais baixas, de ido à an- siedade em si uações a alia i as, mais comum no sexo eminino, e ambém ao desejo de ob e a ap o ação dos adul os, a que as apa igas são pa icula men e sensí eis (Dweck & Bush, 1976). Assim, es abelecem me as de ealização su icien emen e baixas pa a assegu a as hipó e- ses de sucesso e a consequen e ap o ação dos adul os. As apa igas com baixa ealização pa e- cem adop a uma «pos u a de ensi a», ao es abe- lece pad ões ele ados de excelência, o que di- minui a sua ansiedade, já que poucos os podem a ingi (C andall, 1969; S ipek & Ho man, 1980). Fö s e ling (1980) ap esen a, no en an o, um ou o ipo de explicação pa a as di e enças nas expec a i as de sucesso en e apazes e apa i- gas. Segundo es e au o , as apa igas e idenciam expec a i as de sucesso mais baixas do que os apazes, apenas quando se cen am nas suas p obabilidades objec i as de sucesso. Pelo con- á io, quando se cen am nas suas p obabili- dades subjec i as de sucesso, azem escolhas mais a iscadas no con ex o de ealização e e idenciam expec a i as de sucesso mais ele a- das. Segundo Fö s e ling (1980), os es udos cen- ados nas di e enças de expec a i as de sucesso en e os sexos, de e iam dis ingui cla amen e en e as p obabilidades objec i as de sucesso (no ma i as, esul an es da compa ação social) e as p obabilidades subjec i as (po e e ência à ealização do p óp io sujei o nou os momen os), pois o ac o da maio ia dos es udos en ol e em apenas as p obabilidades objec i as de sucesso, pode e conduzido a conclusões inconsis en es ace ca das di e enças de sexo nes e domínio. Eccles Pa sons, Adle e Meece (1984), num es udo com 200 alunos do 8.º ao 10.º anos de es- cola idade, com o objec i o de a alia as a i udes em elação ao acasso em Ma emá ica e em In- glês, conclui am pela quase inexis ência de di e- enças de sexo nas a ibuições pa a o acasso, ha endo apenas mais e idências de a ibuições à al a de capacidade em Ma emá ica, en e apa i- gas com baixas expec a i as de sucesso do que en e apazes com baixas expec a i as de suces- so. Assim, se a Ma emá ica é concebida como uma ma é ia in elec ualmen e di ícil, e se a capa- cidade pa a a Ma emá ica é is a como especí- ica e es á el, en ão pode á oco e um iés no uso da capacidade como explicação causal p e- dominan e pa a a ealização nes a disciplina (Eccles Pa sons e al., 1984). Po ém, a a iá el que se e elou mais de e minan e na ealização dos sujei os de ambos os sexos, e na escolha das opções a segui , oi o « alo subjec i o da a e- 262 a» (pa a a Ma emá ica ou pa a o Inglês), que e- p esen a uma a aliação dos cus os e bene ícios ela i os dos objec i os de ealização que o su- jei o se p opôs a ingi . Assim, o sucesso na ea- lização duma a e a o na-se impo an e, na me- dida em que se e os objec i os de ealização do sujei o (Du kin, 1987). O a, sendo a Ma emá ica is a como mais impo an e pa a alcança os objec i os u u os pelo apaz do que pela apa- iga, es es au o es salien am a impo ância di e- encial do « alo subjec i o» das a e as pa a os dois sexos e a in luência des a a iá el na mani- es ação ou não de di e enças en e apazes e a- pa igas. Vollme (1986) e idenciou, a a és de um es udo com es udan es uni e si á ios, o e ei o 263 FIGURA 2 Modelo da elação en e sexo e expec a i as de sucesso (c . Vollme , 1986) Ins umen alidade Capacidade pe cebida Sexo Expec a i as QUADRO 1 P essupos os ace ca das a ibuições causais das apa igas segundo ês pe spec i as eó icas Pe spec i as Teó icas Ex e nalidade Global Au o-dep eciação Baixas Expec a i as Sucesso Capacidade Baixa Baixa Baixa Es o ço Baixo Baixo Al o Ta e a* Ele ada Ele ada Baixa (?) So e Ele ada Ele ada Al o F acasso Capacidade Baixa Ele ada Al a Es o ço Baixo Ele ado Baixo Ta e a* Ele ada Baixa Al a (?) So e Ele ada Baixa Baixa * Assume-se aqui que a a e a é es á el Adap ado de F ieze, Whi ley, Hanusa & McHugh (1982) mediado da capacidade pe cebida e da ins u- men alidade (pe cepção de si p óp io como um se ac i o, independen e, supe io , au o-con ian- e, asse i o) na de e minação das di e enças de expec a i as de sucesso en e sexos. Vollme in e p e ou os esul ados da seguin e o ma: os apazes êm expec a i as de sucesso mais ele a- das do que as apa igas po que se pe cebem co- mo mais capazes do que elas, e êm maio capa- cidade pe cebida po que se êem como mais «ins umen ais» do que elas. Assim, as di e en- ças na pe cepção de ins umen alidade em un- ção do sexo, associadas a di e en es ní eis de ca- pacidade pe cebida, jus i icam a elação en e se- xo e expec a i as ( e Figu a 2). No Quad o 1 encon am-se sis ema izados os p incipais p essupos os dos ês modelos ela i- amen e às a ibuições das apa igas. 4. AVALIAÇÃO DOS MODELOS TEÓRICOS PARA EXPLICAR AS DIFERENÇAS DE SEXO NAS ATRIBUIÇÕES CAUSAIS A análise dos p essupos os dos ês modelos pe mi e conclui que a única semelhança en e eles eside no ac o de p e e em que as apa igas não a ibuem os seus sucessos à ele ada capa- cidade. Com o objec i o de es a qual dos mo- delos ecebeu maio supo e empí ico na li e a- u a, F ieze, Whi ley, Hanusa e McHugh (1982) ealiza am uma me a-análise de 21 es udos sob e di e enças de sexo nas a ibuições causais pa a os sucessos e acassos, com amos as de adoles- cen es e adul os. Os esul ados da me a-análise não pe mi i am apoia qualque um dos modelos desc i os pa a explica as di e enças de sexo, endo apenas concluído que as mulhe es inham uma endência ligei amen e supe io aos homens pa a aze a ibuições pa a o acasso à so e, enquan o que os homens aziam globalmen e mais a ibuições à capacidade. Assim, g ande pa e dos es udos analisados não e idencia am di e enças de sexo acen uadas e, aqueles em que isso acon ecia, ap esen a am esul ados con- adi ó ios en e si (F ieze, Whi ley, Hanusa & McHugh, 1982). A maio endência das apa igas pa a aze em a ibuições pa a os sucessos à so e inha sido já e idenciada po Sohn (1977; 1982) e po Deaux, Whi e e Fa is (1975). Es es esul ados, em con- jun o com os da me a-análise de F ieze e al. (1982), suge em que as apa igas a ibuem, com maio p obabilidade do que os apazes, que os sucessos, que os acassos, à so e. Segundo McHugh, F ieze e Hanusa (1982) es e ipo de a ibuições, mais equen e nas apa igas, não de e se in e p e ado como indicado dum pa- d ão a ibucional de ex e nalidade global do se- xo eminino. Aliás, es udos cen ados na in luên- cia do ipo de medidas a ibucionais sob e as a ibuições p oduzidas, suge em que quando são usadas medidas «abe as», a «so e» a amen e é ap esen ada como causa po ambos os sexos (Elig & F ieze, 1979), e com medidas «es u u a- das» (de pe cen agem) ambos os sexos a ibuem à «so e» uma impo ância ela i a mui o baixa, quando compa ada com a impo ância a ibuída a ou as causas (Wong & Weine , 1981). No en- an o, McHugh e al. (1982) suge em que ambos os sexos pa ecem e idencia concepções di e en- ciadas da «so e», bem como o ac o do sexo masculino pa ece demons a uma maio en- dência pa a pe cebe a ex e nalidade e a in e na- lidade como dois pólos opos os de uma mesma dimensão (o locus), enquan o que o sexo emi- nino pe cebe es as duas e en es como duas a iá eis con ínuas, que ope am conjun amen e na de e minação dos esul ados. Po ém, es a su- ges ão necessi a de supo e empí ico. 5. VARIÁVEIS QUE INFLUENCIAM AS DIFERENÇAS DE SEXO NAS ATRIBUIÇÕES CAUSAIS A p ocu a de explicações pa a as inconsis ên- cias nos esul ados, no domínio das di e enças de sexo nas a ibuições causais, conduziu ao es udo e sis ema ização das a iá eis que pode iam in- luencia o sen ido das di e enças. Enquan o que alguns au o es alam de a iá eis mo i acio- nais e de a iá eis ligadas aos papéis sexuais (C ombie, 1983; F ieze e al., 1978; McHugh, F ieze & Hanusa, 1982), ou os alam ainda de a iá eis de con ex o ou si uacionais (Eccles Pa sons, Adle & Meece, 1984; McHugh, F ieze & Hanusa, 1982). 5.1. Va iá eis mo i acionais e a iá eis liga- das aos papéis sexuais F ieze e al. (1978) a i mam que os esul ados con adi ó ios no domínio se de em ao ac o de 264 se conside a em homens e mulhe es como dois g upos homogéneos e que, em luga de se p ocu- a em pad ões de a ibuições in a ian es, se ia mais p o ei oso explo a a in luência de a iá- eis mo i acionais nas a ibuições causais. As a iá eis mo i acionais e as a iá eis liga- das aos papéis sexuais podem, segundo McHugh, F ieze e Hanusa (1982), a ec a as di- e enças de sexo. Algumas das a iá eis mo i a- cionais mais e e idas pelos au o es são a ansie- dade em si uação de a aliação, o au o-concei o e a mo i ação pa a a ealização. A ansiedade em si uação de a aliação (Sa ason & Mandle , 1952) a ec a di e encialmen e os dois sexos, ap esen- ando as mulhe es alo es mais ele ados de an- siedade em si uações a alia i as e maio en- dência pa a e idencia medo do acasso (logo, maio mo i o pa a o e i a ). Exis em ambém e idências de que os homens ap esen am maio au o-concei o no domínio da ealização na Ma- emá ica, no domínio ísico e, po ezes, maio au o-concei o global do que as mulhe es, o que os conduz a alo iza mais a sua capacidade nes- es domínios (Ha e , 1983; Ma sh, By ne & Sha elson, 1988; Rosenbe g & Simmons, 1975). Finalmen e, exis em ainda e idências de que a mo i ação pa a a ealização a ec a, de o ma di- e en e, as a ibuições causais dos sujei os: Ba - Tal e F ieze (1977) cons a a am que os apazes com ele ada mo i ação pa a a ealização a i- buíam o sucesso à capacidade e ao es o ço e o acasso a ac o es ex e nos, enquan o que as a- pa igas com ele ada mo i ação pa a a ealização a ibuíam maio impo ância ao es o ço, como causa de e minan e no sucesso e no acasso. Hube e Podsako (1985) ealiza am um es udo com es udan es uni e si á ios, com o objec i o de conhece , en e ou as, a in luência das a iá- eis mo i acionais de «ansiedade em si uação de a aliação», «au o-concei o» e «mo i ação pa a a ealização» no p ocesso de a ibuição causal nos dois sexos. Conclui am pela ausência de in- luência das a iá eis mo i acionais na elação sexo-a ibuições, embo a enham obse ado a exis ência de elações en e as a iá eis mo i a- cionais e as a ibuições causais. Segundo os au- o es, a ausência de e ei o mediado das a iá- eis mo i acionais en e o sexo e as a ibuições causais, icou a de e -se ao e ei o p egnan e das a iá eis si uacionais, ambém po eles a a- liadas, que pa ecem e sup imido o e ei o das a iá eis mo i acionais (Hube & Podsako , 1985; McHugh, F ieze & Hanusa, 1982). As a iá eis ligadas aos papéis sexuais ep e- sen am uma pe spec i a di e en e na abo dagem das di e enças de sexo, po que em ez de se cen a em nos aspec os que di e enciam os dois sexos, cen am-se na o ma como os ou os pen- sam que os dois sexos se di e enciam en e si (Deaux, 1984; Feingold, 1994). O sexo é assim in e p e ado como uma ca ego ia social, ligada ao concei o de géne o, enquan o «esquema de ca ego ização social dos sujei os» que não im- plica apenas di e enciação biológica, mas am- bém p oduz di e enciação social (Deaux, 1985; She i , 1982). Nes e con ex o emos es udos que obse am a elação en e a adesão aos papéis sociais ligados ao géne o e as a ibuições causais (B ewe & Blum, 1979), assim como en e as a i udes em elação às mulhe es e as a ibuições causais (Ga land & P ice, 1977). As espos as di e enciais dos sujei os às ca ego ias «homem» e «mulhe » pa ecem a ec a a mani es ação de di e enças en e os sexos nas a ibuições causais. 5.2. Va iá eis si uacionais ou de con ex o O e ei o das a iá eis mo i acionais, na p odução de di e enças de sexo nas a ibuições causais, pa ece se meno quando compa ado com o e ei o das a iá eis si uacionais ou de con ex o (Hube & Podsako , 1985). McHugh, F ieze e Hanusa (1982) classi icam as a iá eis si uacionais em duas ca ego ias: (1) as ligadas à a e a e (2) as ligadas ao con ex o em que a a e a é ealizada, embo a g ande pa e dos es u- dos analisem o e ei o da a e a sob e as a ibui- ções causais. Na p imei a ca ego ia, encon amos es udos e e en es à in luência de a e as que en ol em compe ências ipicamen e emininas s compe- ências ipicamen e masculinas sob e o p ocesso de a ibuição causal (Deaux & Fa is, 1977; McHugh, Fishe & F ieze, 1982), aspec o que já oi discu ido a p opósi o do modelo da ex e nali- dade global pa a as di e enças de sexo. São ainda de e e i os domínios da ealização a que dizem espei o as a e as, a ilia i os s acadé- micos, que podem a ec a di e encialmen e as a ibuições causais dos dois sexos, is o que as apa igas pa ecem in e p e a os esul ados no domínio a ilia i o como mais impo an es do que 265 os apazes (McHugh, F ieze & Hanusa, 1982). Aliás, no domínio da mo i ação pa a a a iliação as apa igas supe am os apazes. O g au de ami- lia idade de ambos os sexos com as a e as usa- das na in es igação a ibucional cons i ui um ou- o aspec o ele an e. Lange (1978) suge e que as a ibuições podem e consequências mais impo an es em a e as no as pa a o sujei o do que em a e as amilia es. Des e modo, a mesma a e a ap esen ada a sujei os de ambos os sexos pode e um signi icado di e en e pa a eles, ao ní el das c enças pessoais ou cul u ais ace ca da sua adequabilidade ao sexo do sujei o, do alo e en ol imen o no domínio a que se e e e a a e- a, bem como da no idade e amilia idade com a a e a, podendo es es aspec os, de o ma isolada ou em in e acção, in e e i em com as a ibui- ções causais (McHugh, F ieze & Hanusa, 1982). No que se e e e à segunda ca ego ia de a iá- eis, associadas ao con ex o em que deco e a a- e a, êm sido ealizados menos es udos. Fo am apon ados alguns ac o es do con ex o como po enciais de e minan es nas di e enças de sexo, a sabe : o sexo do expe imen ado ; o sexo dos ou os pa icipan es; a ealização da a e a indi idualmen e ou em g upo; a composição do g upo quan o ao amanho e sexo; o g au de compe i i idade ins i uído; a na u eza do eed- back o necido; a necessidade de e baliza as expec a i as de sucesso, as a ibuições e os e- sul ados de o ma p i ada s pública (McHugh, F ieze & Hanusa, 1982). 6. CONCLUSÕES A di e sidade de a iá eis si uacionais que podem in luencia as a ibuições causais de ambos os sexos, e a possibilidade delas in e - agi em, pa ece jus i ica , de algum modo, as in- consis ências obse adas nos esul ados nes e domínio. No sen ido de eduzi ou con ola o iés in- oduzido no domínio das di e enças de sexo nas a ibuições causais, que pelas a iá eis mo i a- cionais, que pelas a iá eis si uacionais, McHugh, F ieze e Hanusa (1982) ap esen am algumas p opos as, nomeadamen e: (1) es uda o compo amen o de ealização em con ex os a- iados; (2) e em a enção as a e as e os domí- nios mais seleccionados ou p e e idos pelos su- jei os; (3) e em con a a de inição pessoal da a e a e do esul ado pelo sujei o; (4) e lec i sob e a adequação das o mas de a aliação das a ibuições causais, nomeadamen e se é desejá- el pedi di ec amen e as a ibuições pa a os e- sul ados (a pa i de uma sé ie de a ibuições possí eis, o necidas a p io i), ou deixá-las eme gi espon aneamen e; (5) desen ol e mé o- dos pa a o es udo das cognições espon âneas dos sujei os em con ex os de ealização; (6) p omo- e a obse ação e a a aliação de compo amen- os de ealização em con ex o na u al. Deaux (1984) aconselha os in es igado es nes e domínio a conside a a pe ença a uma ca ego ia sexual e os enómenos ligados às di e- enças de sexo não como ca ego ias es á icas, mas como p ocessos in luenciados pelas esco- lhas indi iduais, moldados pelas p essões si ua- cionais, explicá eis apenas quando enquad ados em con ex os de in e acção social. BIBLIOGRAFIA Ba -Tal, D. (1978). A ibu ional analysis o achie e- men - ela ed beha io . Re iew o Educa ional Re- sea ch, 48, 259-271. Ba -Tal, D., & F ieze, I. H. (1976). A ibu ions o suc- cess and ailu e o ac o s and obse e s. Jou nal o Resea ch in Pe sonali y, 10, 256-265. Ba -Tal, D., & F ieze, I. H. (1977). Achie emen mo- i a ion o males and emales as a de e minan o a ibu ions o success and ailu e. Sex Roles, 3, 301-313. Ba -Tal, D., & Da om, E. (1979). Pupils’ a ibu ions o success and ailu e. Child De elopmen , 50, 264- -267. B ewe , M. B., & Blum, M. W. (1979). 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