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A classe média está a reagir contra a invasão das escolas pelos filhos da "pelintrada"

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A classe média está a reagir contra a invasão das escolas pelos filhos da "pelintrada"

Author: António Magalhães
Year: 1998
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/21293/2/85410.pdf
a Página da
Educação
www.apagina.p
An ónio Manuel Magalhães em en e is a à Página
A CLASSE MÉDIA ESTÁ A REAGIR CONTRA A INVASÃO DAS ESCOLAS PELOS FILHOS DA 'PELINTRADA'
An ónio Manuel Magalhães: licenciado em Filoso ia; mes e em Ciências da Educação (Educação e
Desen ol imen o Social); dou o ando na Uni e sidade de Twen e (Holanda), onde p epa a ese na á ea de polí icas
de Ensino Supe io ; p o esso na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o
(FPCEUP), lecciona In odução às Ciências da Educação e assis e S ephen S oe em Sócio-An opologia do
Desen ol imen o e da Cul u a; no âmbi o das p oblemá icas des a úl ima, êm publicado em conjun o di e sos
a igos na imp ensa gene alis a e/ou especializada e, en e ou os, são coóau o es de 'O gulhosamen e ilhos de
Rousseau', a edi a b e emen e sob chancela da P o edições; como in es igado , az pa e do Cen o de
In es igação e In e enção Educa i as da FPCEUP e in eg a o Cen o de In es igação de Polí icas do Ensino
Supe io , em ase de o malização.
É e dade que os jo ens chegam mal p epa ados ao Ensino Supe io ? Que o ensino em indo a pio a ?
AMM - A ques ão do ní el en o ma a p eocupação cen al de 'O gulhosamen e ilhos de Rousseau'. A discussão
sob e se o ní el sobe ou desce é elha de milha es de anos, e desde a academia pla ónica que as ge ações mais
elhas se queixam das mais no as. No en an o, a ca pidei a a p opósi o da descida de ní el em de se
enquad ada, hoje, e em Po ugal, de uma o ma di e en e, no sen ido de que os p o esso es - e acho que a
sociedade em ge al - ainda não assumi am a escola de massas.
De ac o, se a é aos anos 60 apenas os ilhos da classe média equen a am o ensino liceal, o que acon ece hoje é
que os ilhos das classes abalhado as ambém já ão chegando ao Secundá io, sob e udo com os ins umen os
adminis a i o-pedagógicos que o am ins alados no sis ema. Con udo, e i ica-se um enómeno in e essan e - o
senso comum dos p o esso es in e io izou uma imagem de aluno u bano, de classe média, que dispõe de li os,
ídeo, música, e c.; e es a imagem az com que os p o esso es, enquan o classe p o issional, padeçam de uma
espécie de miopia pedagógica que os impede de econhece em os alunos que êm à sua en e.
Um pouco a ideia de que os p o esso es p og amam e plani icam pa a os ilhos deles...
AMM - E pa a os ilhos dos seus colegas. Is o é ão mais in e essan e quan o o discu so de sala de p o esso es
a i ma que os alunos são cada ez pio es, ap endem cada ez menos, alam cada ez pio , não se conseguem
ensina ; chegam a aze lis as dos dispa a es que os alunos dizem, esquecendo que eles são seus alunos. Ou seja,
os p o esso es cons oem o discu so da sua p óp ia p o issionalidade com base na desquali icação dos alunos, e
is o sem que se dêem con a que com a desquali icação dos seus alunos são eles p óp ios que se desp omo em.
Se á essa desquali icação que es a á na base da angús ia que cons i ui o i o de passagem pa a o Ensino
Supe io ? Ou o Supe io padece do mesmo p oblema, ampliando-o?
AMM - Em e mos sociológicos, o nosso Ensino Supe io es á, ambém, a o na -se de massas. É con encional
dize -se que en e 15% a 40% de pa icipação emos ensino de massas, e nós es amos a en a nessa ase. Uma
e en ual descida de ní el e á a e com o acesso de uma maio anja da população ao ensino, nomeadamen e ao
Secundá io, que é onde a ques ão é mais p emen e.
No Supe io , a massi icação ouxe p oblemas di e sos; p oblemas elacionados com es u u as de eli e pa a ensino
massi icado e com a de inição do que é o Ensino Poli écnico e do que é o Ensino Uni e si á io, como são
pe spec i ados um e ou o, em que é que ambos são Ensino Supe io e em que é que são di e en es? Es a
de inição em e mos mui o cla os ainda es á po aze , embo a apa eça nos ins umen os legais: o poli écnico é
mais ocacionalizan e e o uni e si á io mais académico, com o e pendo pa a a in es igação - oda ia, sabemos
que os poli écnicos azem, ou p e endem aze , in es igação e que o uni e si á io ambém az ensino
ocacionalizan e.
Vol ando a ás, o Ensino Secundá io é o pon o aco do sis ema?
AMM - De ac o, a ques ão do ní el em-se le an ado mais em e mos do Ensino Secundá io.
Que, po an o, de e ia se p io i á io. Ou não?
AMM - Nes e momen o, pa ece-me que não podemos es a a discu i mui o po qual pon a de emos pega , mas
julgo que a en a ização da impo ância do P é-Escola - e eu enho algumas dú idas ace ca des a designação - é
in e essan e como o ma de pe spec i a a Escola em e mos de igualdade de opo unidades de sucesso e de
escola democ á ica, po que é nas p imei as ases da ida escola , nomeadamen e no Básico, que as ques ões se
colocam com mais p emência.
As axas de insucesso no Básico são assus ado as e as in es igações pa ecem mos a que as desiguais
opo unidades de sucesso são de idas a ques ões de classe social ou e nia - na gene alidade, os alunos ciganos e
de o igem a icana, bem como os ilhos das classes abalhado as, pagam a maio ac u a. Nes e sen ido, es ou
absolu amen e de aco do em que se insis a no P é-Escola e no 1º Ciclo.
No en an o, e po que o oco da minha a enção se cen a no Ensino Supe io , digamos que algumas p oblemá icas
se deslocam dessa p eocupação pela igualdade de opo unidades pa a o Supe io . Mas pa ece-me essencial insis i
na pe spec i a de que a sociedade e os p o esso es em ge al êm di iculdade em assumi o ensino de massas; há
um p é-concei o e um p econcei o eli is a, sob e udo no Secundá io.
'A Página' a An ónio Manuel Magalhães
... Nem odos podem se dou o es ?!....
A elha his ó ia de que nem odos podem se dou o es...
AMM - Exac amen e! Aliás, é um bocado esse o p oblema po ás da in ec i a de Filomena Mónica con a os ' ilhos
de Rousseau' [O Independen e]. Não que eu a conside e uma eaccioná ia empede nida, mas acho que e lec e o
al discu so de senso comum que os p o esso es c ia am e que, no undo, jus i ica as suas desespe anças, os seus
desalen os e as suas di iculdades pe an e alunos cada ez mais di e sos, com in e esses cada ez mais a iados e
a as ados da Escola, enquan o discu so e p á icas.
Filomena Mónica o ganiza es e senso comum em algumas e idências - ni elamen o ei o baixo e p omoção
gene alizada daqueles que de e iam se penalizados - e chega a dize que isso é e dade não só em elação ao
ecido humano que equen a a Escola, como em elação aos p og amas, à o mação dos p o esso es e à
cons ução dos manuais; que udo is o e lec e uma ideologia iguali á ia, que a au o a iden i ica como sendo a dos
' ilhos de Rousseau', e que esul a ia no a ogamen o do sis ema na medioc idade.
Em elação a essa ques ão dos ' ilhos de Rousseau', de cujo es a u o AMM e S ephen S oe se a i mam
'o gulhosos', que a aliação az da eacção dos p o esso es?
AMM - O que nos le ou a eagi , sem nunca descu a mos o mé i o e o alen o, sob e udo jo nalís ico, que Filomena
Mónica e e, oi o ac o de e mos no ado que a comunidade docen e - não an o os p o esso es mais mili an es
pedagógicos, nem os que pa icipam nos sindica os ou aqui connosco - se e iu nalgumas das c í icas como uma
o ma de eacção à Re o ma.
Comple ada a Re o ma, digamos que Filomena Mónica oi a p imei a a eagi , azendo um balanço da
implemen ação nos seus a igos. E a sen ença oi que o ní el baixou de ido a uma excessi a in luência de
pedagogias cujo undamen o ela eme eu pa a Rousseau. Mas es a emissão inha um ende eço mui o conc e o -
os eó icos das Ciências da Educação, que se iam os esponsá eis pela i agem ousseauiana que inspi a ia
p og amas, manuais e a p óp ia Re o ma.
O a, nós de emos da a Rousseau o que é de Rousseau e, po ou o lado, de ini aquilo em que nos assumimos
como sendo 'o gulhosamen e ilhos de Rosseau'. Se se ousseauiano que dize cen ação do ensino-
ap endizagem nos sujei os da ap endizagem, nós somos ousseauianos; se que dize p eocupação com as
ca ac e ís icas das c ianças e dos jo ens, no sen ido de eicula e adap a os p ocessos ao seu desen ol imen o,
nós somos ousseauianos. E somos ousseauianos, ambém, po que a mode nidade é cons uída a pa i de um
pa adigma que em a e com p incípios de Es ado, de Comunidade e de Me cado e, po ou o lado, em a e com
as acionalidade cogni i a, e ico-polí ica e es é ica. Rousseau oi, digamos, o g ande p omo o do p incípio de
Comunidade; mas po que a mode nidade se cons uiu, sob e udo, na base do Es ado e do Me cado, al a cump i e
a icula o p incípio de Comunidade - nes e ajus e de con as com a mode nidade, somos ainda ousseauianos.
Ou seja, po ês mo i os - cen ação da ap endizagem no sujei o da ap endizagem, adap ação às suas
ca ac e ís icas e a iculação da Escola com o p incípio da Comunidade - somos ousseauianos, embo a não
p imá ios, po que Rousseau ambém oi, mui o ao gos o da época, p omo o de nacionalismos e machis a
inde ec í el, de endendo uma educação meno izan e pa a as mulhe es.
Digamos que 'O gulhosamen e ilhos de Rousseau' é es a égico: em a e com os dias de hoje e com o que al a
cump i das mui as p omessas ousseauianas. No nosso p imei o a igo, esc e emos 'Oxalá osse e dade!' - que
os ' ilhos de Rousseau' ossem ão in luen es no sis ema educa i o quan o Filomena Mónica o diz. Mas o ac o é
que não são, embo a José Manuel Fe nandes [Público] enha chegado a dize que se a a a do eg esso do bom
sel agem e que as escolas são como comunas... Is o, como oda a gen e sabe, não em nada a e com a ealidade
das escolas; qualque p o esso e qualque aluno sabem que não é assim.
En ão, po que é que apanhamos es es 'mu os no es ômago', como esc e eu José Manuel Fe nandes?
Quan o a mim, e ol amos ao p incípio, es a é a eacção de uma sociedade que es á a lida com o ensino de
massas pela p imei a ez de uma o ma cla a, mas que ainda não inco po ou es a ealidade no seu senso comum.
O que Filomena Mónica diz e que soa mui o bem nos ou idos de alguns p o esso es - aquele ca pi de que os
alunos ap endem cada ez menos, es ão cada ez menos p epa ados, não se in e essam po nada - é, no undo, a
eacção do senso comum que ainda man ém o modelo de classe média u bana e eu opeia; u bana po
con aposição a u al, eu opeia po con aposição às ou as e nias. Digamos que é esse senso comum que p o oca
a al miopia e az com que mui os p o esso es desquali iquem os seus alunos.
Po an o, acho que a eacção aos ' ilhos de Rousseau', e ao ousseauianismo ilosó ico po en u a p esen e em
algumas polí icas, em a e com o ac o de ainda não se ha e in e io izado nos p ocessos pedagógicos e na
o ganização e ges ão da Escola p ecisamen e es a p esença de alunos mui o di e en es dos de há 20 anos e com
in e esses mui o di e si icados. Mas não podemos con inua a pensa o ensino-ap endizagem como se não se
i esse passado nada, como se a Escola não i esse sido deslocada da cen alidade em que se encon a a - pensa
o p o esso de hoje como 'o' ecu so pedagógico é idículo; hoje, ap ende-se de mui as e di e en es manei as, o
p ocesso de ensino-ap endizagem não é monopólio da Escola e quan o mais indi e en e a Escola o à
mul iplicidade e di e sidade de luga es e empos de ap endizagem mais se e o ça á o discu so de desquali icação.
Essa eacção não e lec i á, ambém, uma pla a o ma saudosis a ans e sal à sociedade? Ou seja, passada a
eu o ia da democ a ização, em que udo e a mui o boni o po que é amos odos iguais, não es a emos a assis i a
uma en a i a de ecupe ação de p i ilégios pe didos?
AMM - Absolu amen e! É como ou i eacções do ipo 'imagina que o ilho da minha mulhe -a-dias en ou pa a a
aculdade'... E po que não? O empo em que o Ensino Supe io ga an ia um luga no Es ado acabou
de ini i amen e. E com is o não que o dize que o desemp ego de licenciados é uma coisa boa, nem pensa nisso; o
que digo é que a democ a ização do ensino implica, de ac o, o econhecimen o da p esença de pessoas o iundas
de um leque social mais ala gado.
E como é que a Escola pode eagi ? Como é que os p o esso es de em eagi ? Re endo-se no discu so de
Filomena Mónica, ou equali icando-se pa a lida com a complexidade do ensino-ap endizagem al como hoje se ai
assumindo? Es a é que é a ques ão, po que o discu so de Filomena Mónica é jus i ica i o, é legi imado dos
desânimos, desespe anças, cansaços...
An ónio Manuel Magalhães em en e is a à Página
Assis e-se a um despe a da classe média po uguesa
Um discu so que, de algum modo, dá exp essão à in asão da Escola pela 'sociedade ci il' e que jus i ica o assal o
ao 'cas elo' dos p o esso es, ob igando-os a joga na de ensi a...
AMM - Eu acho que de emos se mais p ecisos, po que a sociedade ci il é cons i uída po mui os sec o es. Mas,
po exemplo, as associações de pais podem se iden i icadas com a classe média. E quem são os pais que,
pe encendo às associações, e ec i amen e in luenciam? São, de ac o, os pais de classe média...
Mas eu não es ou a plei ea con a a classe média. Enquan o analis a, en o pe cebe o que es á po ás des a
eacção e não enho dú idas de que se a a de uma eacção da classe média, à p ocu a de a i mação social e
polí ica. No undo, é esse p o agonismo que iden i icou como a p ocu a de p i ilégios, mas não só. É, ambém, o
ende eça ao sis ema educa i o as p eocupações que são as da classe média: selec i idade e p epa ação pa a o
me cado de abalho, em de imen o de ou as ei indicações mais democ á icas.
Ou seja, a classe média es á a eagi à sua e en ual p ole a ização, eo ganizando-se na en a i a de a enua o
osso que alguns eó icos a i mam es a a ala ga -se cada ez mais en e os cada ez mais icos e os cada ez
mais pob es?
AMM - Sim, sim. Eu penso que em Po ugal nunca i emos uma classe média ac uan e e que es amos a começa a
ê-la, mas mui as das ei indicações elacionadas com a qualidade - que é, no undo, o discu so de Filomena
Mónica - descu am a ealidade da escola de massas e a necessidade de democ a iza o ensino. E, quando
insis imos na democ a ização, somos mui as ezes inqui idos sob e a excelência académica - en ão, pa a ga an i a
igualdade de opo unidades de sucesso, azemos o ni elamen o po baixo?
E iden emen e, nós es amos p eocupados com a ques ão da qualidade, com a excelência, mas numa sociedade
como a nossa, em que a escola de massas ainda não assen ou a aiais, não nos en ou nos hábi os e ainda nos az
con usão, pa ece-nos mais impo an e en a iza os aspec os elacionados com a igualdade de opo unidades de
sucesso e com a imb icação da sociedade na escola de massas. Cla o que se co em iscos e que os meninos que
ão pa a a Escola são socializados numa linguagem e com p eocupações di e en es das da Escola - um exemplo
des a miopia pedagógica: alunos do 9º ano com nega i a a Inglês conseguem aduzi as le as das músicas ock e
en endem pe ei amen e as es elas do ock. En ão, o que é que se passa?
Po udo is o, um dos nossos ec o es de análise undamen al é es e - o que é que cons i ui o a ac i o num
discu so como o de Filomena Mónica: a a i mação dos alo es da classe média? A a i mação da ins umen alidade
do ensino em elação às p eocupações dos ilhos da classe média?
Como ob e boas no as pa a ing essa na aculdade, consegui um 'canudo', a anja um bom emp ego, com bom
salá io...
AMM - E iden emen e, e é in e essan e e i ica que as escolas públicas se em es a is icamen e as classes mais
a o ecidas. De ac o, os es udos que emos indo a ealiza mos am que as ins i uições públicas de Ensino
Supe io são mais p es igiadas do que as p i adas - as p e e ências dos alunos ão, po es a o dem, pa a as
uni e sidades públicas, as p i adas, os poli écnicos públicos e, inalmen e, os p i ados.
Que dize , a massi icação do Ensino Supe io oi obedecendo a uma lógica quase pe e sa, po que, se o ensino
público é di igido à g ande maio ia da população, o que acon ece é que - dados os pad ões exigidos pa a en ada
no Supe io - as ins i uições públicas o am sendo ocupadas essencialmen e pela classe média. E is o é quase
pe e so po que a igualdade de opo unidades de sucesso no Secundá io é, ela p óp ia, mui o sub il. De ac o, qual
é a p o eniência dos alunos com possibilidade de e explicações que lhes pe mi am a ingi as no as necessá ias
pa a a en ada no Supe io ? Quem é que em capacidade económica pa a p opo ciona isso aos seus ilhos? -
p ecisamen e, a classe média; os ou os êem-se condenados a en a nos es abelecimen os p i ados...
Dando luga a uma excelen e opo unidade de negócio...
AMM - Exac amen e. Há, mesmo, quem de enda que, quando os exames inais do Secundá io deixa am de e alo
de selecção e passa am a ale apenas pa a o es abelecimen o do anking de alunos - sendo possí el que um
aluno en e com um 4, desde que haja agas -, isso co espondeu a uma polí ica delibe ada de c ia um me cado
pa a as ins i uições p i adas.
Acon eceu a pa i do minis é io de Robe o Ca nei o e há analis as que sublinham a in encionalidade polí ica da
medida, apa en emen e gene osa, mas acabando po a o ece in e esses económicos que p e endiam ap o ei a
esse nicho de me cado. De qualque modo, a gene osidade das medidas a ulsas, quando con on adas com os
ecidos sociais, pode e e ei os con á ios, e o que acon ece é que o Ensino Supe io público é, de ac o,
essencialmen e equen ado pelos ilhos da classe média, numa in e são da sua lógica p imo dial.
An ónio Manuel Magalhães em en e is a à Página
As ciências da Educação não se alam em 'eduquês'
Flec indo um pouco o sen ido da con e sa, po que penso que es e assun o ambém é abo dado no osso li o, não
lhe pa ece que, endo-se a Escola o nado um assun o de odos - com oda a gen e a que e opina sob e
educação, no malmen e de o ma nega i a e mui as ezes sem pe cebe como nem po quê -, não lhe pa ece, dizia,
que al am discu sos subs an i os e c i e iosos, que a discussão é equen emen e edonda, ou mesmo es é il?
AMM - Como eu gos o de ou i isso!... É um assun o que conside o pa icula men e in e essan e, po que e ela que
a Escola se o nou mais p esen e na ida e po que, como bem disse, a Escola deixou de se só pa a alguns; a
Escola me eu-se na nossa ida, e nós, como em odas as ques ões da nossa ida, emos o di ei o e o de e de e
opinião.
Ago a, quando se p e ende ala in o madamen e - como oi o caso de Filomena Mónica, que assinou como
in es igado a -, a ques ão é ou a, sendo in e essan e e i ica que Edua do P ado Coelho, po exemplo, ao eagi
aos abalhos da mesma Filomena Mónica, dizia que as opiniões dela sob e li e a u a e poesia são indigen es, mas
que conco da a com ela no que diz espei o à educação. Is o é in e essan e, po que dá a imp essão que é possí el
discu i -se a educação de uma o ma e lexi a e undamen ada - cien í ica, se se quise -, sem se es a munido dos
de idos ins umen os.
O a a eacção de algumas pessoas oi ao pon o de e em c iado uma designação pa a a linguagem que os
especialis as em educação u iliza iam, e que se ia o 'eduquês'. B incou-se com isso po que, alegadamen e, a nossa
o ma de ala é ão complicada que é impossí el se ap eendida pelo senso comum pe cebê-la. E en ão
idicula iza am sob e udo os abalhos de Ciências da Educação como sendo o 'eduquês'.
Mas se, pa a ala in o madamen e sob e ques ões da sida, eu enho o limi e da minha p epa ação écnica e
cien í ica - posso e opiniões, mas a discussão ap o undada em luga no campo cien í ico onde a sida é
in es igada e comba ida -, da mesma o ma conside o que o nosso campo de abalho oi des espei ado e
desp es igiado, não po a educação se e o nado p eocupação comum, mas como se a massa c í ica que omos
cons uindo osse uma coisa pa a on inhos com ocabulá io p óp io e insuscep í el de se cap ada pela maio ia das
pessoas.
En enda-se: é legí imo que as pessoas alem e discu am a educação, mas já não me pa ece ão legí imo - an es
des espei ado e ilipendiado - apelida de 'eduquês' o nosso campo de in es igação. Ou seja, a cobe o do a aque
aos ' ilhos de Rousseau', ambém se a acou uma á ea de in es igação, chegando alguns a ala , g ossei amen e,
em ciências ocul as e coisas do géne o.
Isso susci a-me uma ques ão p o a elmen e impe inen e. Não se ia desejá el que quem in es iga i esse mais
in e enção mediá ica, dando mais isibilidade à in es igação e, simul aneamen e, municiando deba es mais
ala gados? Quem p oduz pensamen o no in e io das uni e sidades não de e ia libe a -se mais da edoma
académica e assumi -se como azedo de opinião?
AMM - Não acha que, po exemplo, com a b ochu a que es amos a aze ['O gulhosamen e ilhos de Rousseau'], e
u ilizando uma linguagem menos académica, mas que não pode deixa de se igo osa, es amos a en a aze isso?
Acho, cla o. Mas a minha dú ida é po que não se az mais?
AMM - Conco do. É uma excelen e c í ica, po que, de ac o, a comunidade académica de e ia se mais ac i a na
passagem daquilo que es á em causa pa a a opinião pública. Mas c eio que as coisas es ão a melho a ...
Mudando mais uma ez o umo da con e sa - a e en ual pe da de p es ígio da unção docen e e a c ise de
au o idade dos p o esso es, eal ou apa en e, esul am apenas de ci cuns ancialismos ex e io es à Escola ou
e lec em, ambém, a desadequação da o mação às exigências de uma no a p o issionalidade?
AMM - Essa é uma boa ques ão, mas acho que de emos dis ingui di e sos ní eis. P imei o, o que é 'pode ' e o que
é 'au o idade', po que, mui as ezes, sob o queixume da pe da de au o idade es á o ca pi da pe da de pode .
O pode dis ingue-se da au o idade po que es a é consen ida, enquan o aquele em mais a e com a ex u a social
den o da qual a au o idade se exe ce. Ao democ a iza em-se, as sociedades ão acionalizando as o mas de
pode e ans o mando-as em o mas de au o idade. A democ a ização das sociedades em in oduzido es a ace a,
isí el não apenas na unção docen e, mas em odas as ou as.
Na docência, es a ques ão em a e com a ins i ucionalização do ensino de massas e com a mul iplicidade e
di e enciação dos pe is dos alunos. Repa e que, mui as ezes, os pais acusam a Escola de não exe ce a
au o idade, esquecendo que a p -p ia au o idade amilia ambém pe deu a au a de pode que inha há uns anos
a ás. Po an o, não é só na Escola que 'pode ' e 'au o idade' já não que em dize a mesma coisa; as sociedades
ão ela i izando o pode e, na medida em que caminham na democ acia, p og idem no sen ido da acionalização
da au o idade.
Explici ando, a minha au o idade como p o esso es á enquad ada pelo meu exe cício, pela minha quali icação, pela
minha compe ência. Po ou o lado, é algo de elacional. Is o é, hou e um empo em que os p o esso es p imá ios
e am pessoas com um p es ígio e um g au de au o idade mui o g andes, sob e udo com uma au o idade ou o gada
pela comunidade; no en an o, esse elo de p es ígio social oi-se pe dendo, mui o po causa do que S oe chama
'deslocalização do p o esso ' [exe cício da p o issão em local dis an e da esidência e consequen e não pa icipação
na comunidade].
Ou seja, além de es a ligada ao exe cício e à acionalidade da p o issão, a au o idade es á ambém ligada à
elação com a comunidade - es a é uma dimensão que não em sido mui o es udada, mas penso que elocalização
do p o esso pode á se um dos meios pa a a ecupe ação do p es ígio p o issional docen e.
Úl imo desa io que lhe p oponho: uma ideia que conside e undamen al pa a da a ol a ao ex o.
AMM - Já que me alou em o mação, a e o-me a suge i que a o mação de p o esso es pode ia se en abilizada
com uma dimensionação mais sociológica. Is o, po que os cu sos de o mação de p o esso es êm, em ge al, um
eo psicologizan e que eme e pa a ques ões ligadas ao desempenho indi idual, quando a in es igação em
mos ando que os cons angimen os pa ecem se mais de o dem social e cul u al. Di o is o, conside o que a miopia
pedagógica que e e i - o não econhecimen o dos alunos conc e os que os p o esso es êm pe an e si e que es á
na base do discu so desquali icado - em a e com o ac o de a o mação de p o esso es não se dimensiona
ambém em e mos sociológicos.
En e is a conduzida po An ónio Baldaia