Uni e sidade do Po o
Faculdade de Belas A es
A capa de li o:
o objec o,
o con ex o,
o p ocesso
Ana Isabel Sil a Ca alho
Disse ação pa a ob enção do g au de Mes e em Design da Imagem
O ien ado : Hei o Al elos
Co-O ien ado : Má io Mou a
Po o, 2008
2 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
3
Abs ac
The book co e is bo n wi h a mos ly p ac ical pu pose: p o ec ing he book co e. I s p ominen
placemen as he book’s mos isible pa made possible i s deploymen o o he , less echnical
uses. The co e ’s o namen al aspec is in oduced o ul il he need o digni y he book’s appea ance.
Indus ial p oduc ion me hods ake he book away om a single-objec con ex , des ined owa ds
a e y speci ic and limi ed audience; he p og essi e libe a ion om manual p ocesses allows o
inc eased p oduc ion speed, as well as educed cos s. These poin s a e essen ial in laying he
ounda ion o he appea ance o edi o ial ma ke s.
The appea ance o he i s pape backs in he nine een h cen u y, oge he wi h he
subsequen expansion o his indus y in he ea ly wen ies, ends up u he obsole ing he old
concep o he book as a aluable asse . Inc easing compe i ion places a new ask on he book
co e - o p omo e he single book in he middle o an e e -g owing supply.
As a p i ileged elemen o es ablish communica ion wi h an audience, he book co e
becomes he s age o g aphic expe imen ing, an app oach ha is no always well diges ed by he
a he conse a i e edi o ial ma ke .
The ela ionship be ween he audience and he book as an objec has his o ically been
he s age o se e al ans o ma ions, o which he ole o he book co e has de ini ely been
subjec . In he ace o cons an shi s in social, economic and echnological en i onmen s, he
co e ein en ed i sel o sui new needs and pu poses. How can we ind he in luence o hose
su oundings in he p ocess o concei ing and p oducing book co e s?
The goals o his essay a e o unde s and how, inside he edi o ial con ex , he appea ance
o new g aphic languages is ela ed o he echnological b eak h oughs and he in oduc ion o
new echnical possibili ies. A he same ime, we’ll look o e how he social and economic con ex
impac s and de ines g aphic ules and s anda ds, also conside ing aes he ic and concep ual
conce ns.
4 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
5
Resumo
A capa su ge com uma unção eminen emen e p á ica: a de p o ege o miolo do li o. A sua
posição p i ilegiada, como ace isí el do li o, o nou mani es o o uso da capa pa a cump i
ou as unções. O ca ác e o namen al da capa su ge como uma necessidade de do a o li o de
uma apa ência digna do seu alo económico e social. A mecanização do p ocesso de p odução
a anca o li o de um con ex o indi idualizado, em que cada li o e a um objec o singula ,
des inado a um público de inido. A e olução ecnológica libe a o li o dos cons angimen os de
uma p odução manual pe mi indo agiliza a elocidade de execução e, ao mesmo empo, eduzi
os cus os. Es es ac o es são essenciais pa a lança as bases de um me cado edi o ial.
O lo escimen o do me cado de pape backs nos anos 20 coloca sob e a capa uma no a
a e a: a p omoção do li o num meio que se o na p og essi amen e mais compe i i o.
Enquan o elemen o p i ilegiado de comunicação com o público, a capa de ine-se como palco de
expe imen ação g á ica, ideia que nem semp e é bem acei e num meio edi o ial essencialmen e
conse ado .
A elação do público com o li o, enquan o objec o, oi his o icamen e palco de á ias
ans o mações, às quais o es a u o da capa ambém não oi imune. Face à modi icação cons an e
dos con ex os social, económico e ecnológico, a capa oi-se ein en ado enquan o supo e. Como
podemos encon a a in luência des es con ex os no p ocesso de c iação da capa de li o?
Nes e sen ido os objec i os des a disse ação passam po pe cebe de que o ma, no
con ex o edi o ial, o apa ecimen o de no as linguagens g á icas se encon a elacionado com os
a anços ecnológicos e a in odução de no as possibilidades écnicas. Ao mesmo empo, p ocu a-
se comp eende o impac o do con ex o social e económico na c iação g á ica, a pa de ques ões
essenciais de o dem es é ica e concep ual.
6 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
7
Índice
Abs ac • 3
Resumo • 5
In odução • 11
Objec o de es udo • 13
Te minologia • 14
Re isão de bibliog a ia
A capa como objec o de es udo • 16
Desen ol imen o écnico • 17
P ocessos de abalho • 18
1940-60, in e anos de boas capas • 18
De inições da capa: desde a impo ância come cial à in e p e ação g á ica • 20
I. A in luência do con ex o ecnológico e social
no p ocesso de c iação da capa • 21
Técnica e con ex o social • 21
Desen ol imen o écnico • 22
Li og a ia e composição em chumbo • 23
II. A in luência de ou as á eas da p á ica de design
no p ocesso de c iação da capa • 27
A di isão de a e as no p ocesso de design: capa e paginação in e io do li o • 27
Li o como um odo: con inuidade e na egação • 27
Ca ác e icónico da capa: a capa como janela pa a ou o espaço • 30
Espaço simbólico: A lei u a, e cei a dimensão da capa, a p o undidade • 32
O o ma o: painel on al, lombada e con acapa • 32
Ap op iação de linguagens de ou os meios • 33
A capa e o ca az: a iação de escala • 33
A elação ex o e imagem • 35
Ilus ação s. Fo og a ia • 36
Le o li o como sinónimo de conhece o li o • 37
8 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
O econhecimen o do capis a no abalho de concepção da capa •39
Pa ce ia com ou as á eas • 40
A igu a do capis a • 40
O ca ác e deco a i o da capa • 41
Capa como deco ação in e io : o ganização c omá ica e deco ação in e io com li os • 42
W. A. Dwiggins, a capa pela capa • 43
Apelo sen imen al • 44
Li o indi idual s sé ie • 44
Visibilidade online • 46
As en e is as • 46
En e is as a c í icos e cu ado es • 46
Os blogues • 47
Howa d, Ma ques, Temple e Sulli an • 49
III. A in luência das ques ões come ciais
no p ocesso de c iação da capa • 51
A impo ância come cial da capa • 51
A imagem da edi o a • 53
A iden idade da edi o a • 53
Es a égias come ciais 55
Di e enciação • 58
Uso exclusi o de imagem • 59
Capa do-i -you sel • 61
Di e ença en e me cados • 65
O espaço ísico da li a ia e o espaço online • 67
Conclusão • 71
Anexos • 75
En e is as a c í icos e cu ado es
Joseph Sulli an, The Book Design Re iew • 76
Ka en Temple - Reade ille • 78
Ped o Ma ques - designe e au o do blogue Mon ag, by hei co e s • 79
And ew Howa d, designe e cu ado da exposição Ga eways • 83
9
En e is as a capis as po ugueses
Rui Sil a, designe da O eu Neg o • 86
Ve a Ta a es, capis a e di ec o a a ís ica da Edições Tin a da China • 92
Re e ências bibliog á icas • 93
No as • 97
16 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
Re isão de bibliog a ia
A capa como objec o de es udo
Nes e ensaio p ocu amos enquad a de que o ma os con ex os écnico, come cial e social
a ec am o p ocesso c ia i o e a p odução g á ica de capas de li os. A bibliog a ia exclusi amen e
dedicada ao es udo do ema é ela i amen e escassa, pa icula men e quando compa ada, a í ulo
de exemplo, com a quan idade de es udos sob e encade nação. Recen emen e, a capa de li o
em indo a ganha uma isibilidade no á el den o e o a dos cí culos de p odução g á ica.
A p oli e ação de colecções e a qui os de capas de li o online, o apa ecimen o de blogues e
se iços de podcas e ideocas in ei amen e dedicados ao assun o, pe mi em especula sob e
a dimensão des e enómeno, uma ez que os espaços online pe mi em a ingi públicos mais
ab angen es e di e si icados. As colecções em si es sociais como Flick e o início de p ojec os
colabo a i os, como o Co e ing Pho og aphy, demons am o in e esse colec i o que as capas de
li o êm indo a susci a . É ambém de des aca o lançamen o de á ias publicações dedicadas
ao ema bem como de exposições. A comemo ação dos 70 anos da Penguin, em 2005, coincide
com o eme gi des a onda de in e esse. O lançamen o de á ias sé ies comemo a i as especiais,
en e as quais a Penguin Celeb a ions, que ecupe a o layou o iginal de capas da edi o a, c iado
po Jan Tschichold, e a publicação de dois li os dedicados à adição g á ica da edi o a, Penguin
by Design e Se en Hund ed Penguins, se i am pa a a acen ua a isibilidade do ema.
Mui o do ma e ial consul ado é cons i uído po ecu sos online, sob e udo en e is as
em o ma o ex o e ídeo, com alguns dos capis as mais p olí icos do momen o. É sob e udo
a pa i do discu so di ec o des es que se p ocu a comp eende como a e en e come cial,
écnica e c ia i a se combinam no abalho p oduzido. As e e ências isuais êm como base,
en e ou os, um núme o de publicações ecen es–Fully Booked, Ga eways Book, F on Co e –,
a igos de pe iódicos–Co e Me–e blogues de c í ica–Co e s, Fo ewo d, Mon ag, Reade ille,
The Book Design Re iew–que êm como al o o ac ual pano ama de p odução de capas. Pa a
uma pe spec i a his ó ica do assun o o am consul adas publicações–F on Co e , Penguin by
Design, The Book o Pape backs–, a igos de pe iódicos–Iconic book co e images, Jan Tschichold a
Penguin Books, So Mode nis , When pape backs wen highb ow–e eposi ó ios online–Ace Je 170,
Co e ing Pho og aphy–, odas dedicadas à edescobe a e es udo de capas de pe íodos an e io es.
A es u u a des es a qui os segue c i é ios di e si icados: alguns apos am numa o denação
empo al, impo an e na iden i icação de es é icas dominan es po pe íodo; ou os p e e em
uma o ganização po capis a, edi o a ou colecção, impo an e na iden i icação de es ilos pessoais
e es a égias edi o iais; ou os ainda op am po uma o ganização emá ica, impo an e pa a a
obse ação de imagé icas eco en es. Os modelos de o ganização emá icos des acam-se nes e
conjun o uma ez que o necem pis as pa a a iden i icação de á eas den o do design de capas.
e isão de bibliog a ia • 17
Desen ol imen o écnico
A análise écnica da e olução des e supo e em como p incipal base o li o Fi e Hund ed
Yea s o P in ing de Sig id H. S einbe g, que aba ca oda a his ó ia da imp essão desde o seu
apa ecimen o, em 1450, a é ao pe íodo pós-gue a, momen o em que se es abelece a maio ia
das écnicas de p odução ainda hoje em uso. Nes e li o icam po cob i os ecen es a anços na
á ea da imp essão digi al e a consequen e massi icação des as e amen as. S einbe g acompanha
a desc ição da e olução écnica com uma con ex ualização social e económica, enquad ando
e icazmen e o ambien e em que a á ea edi o ial se mo e e p og ide.
No li o 20 h Cen u y Type, Lewis Blackwell abo da, numa pe spec i a c onológica, a
in luência do con ex o ecnológico na p odução edi o ial a pa i do es udo de alguns dos
mo imen os a ís icos e co en es de design mais signi ica i as. Embo a es e li o se dedique
p incipalmen e ao es udo das consequências do desen ol imen o écnico na ipog a ia, a
elação des a e da imp essão com o meio edi o ial é di ec a. Mo imen os como o A s & C a s,
De S ijl, A e No a ou Fu u ismo são ele an es pa a a e olução g á ica da página imp essa e
consequen emen e pa a a e olução da capa.
Sob e a elação en e écnica e p odução g á ica oi consul ado ambém o ensaio Design and
P oduc ion in he Mechanical Age de Ellen Lup on, publicado no âmbi o da colecção de Me ill
C. Be man, e que abo da o abalho desen ol ido du an e o Mode nismo à luz dos meios de
p odução exis en es na al u a. A au o a ala da li og a ia e da composição com ipos de chumbo,
como elemen os impo an es que molda am a es é ica dominan e des e pe íodo. Ao mesmo
empo, es es são conside ados como os p incipais impulsionado es da ino ação g á ica, em
layou , ilus ação, ipog a ia e le e ing e que es ão na base de mo imen os como o Fu u ismo,
Dadaísmo, Cons u i ismo e No a Tipog a ia.
A capa su ge como consequência di ec a do objec o de que az pa e: o li o. A comp eensão
das elações exis en es en e os dois desde o seu apa ecimen o, na sequência da e olução écnica,
social e económica, e e como pon o de pa ida o li o The A o he Book, de James Be ley.
T a a-se de um ca álogo de uma das mais ex ensas colecções de li os, a colecção do Vic o ia &
Albe Museum, em Lond es, aquando da exposição com o mesmo nome. O in e alo empo al
ab angido po es a, al como a sua composição he e ogénea, que a ia desde li os a os e únicos
da es e a a ís ica a é li os p oduzidos em sé ie, az com que cons i ua um bom pon o de pa ida
pa a o es udo da e olução da elação en e público e li o, e consequen emen e, des e com a
capa.
18 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
P ocessos de abalho
“De la Ma e had ob iously no o eseen he almos uni e sal dominance o epheme al pape back
which elies so much on i s isual impac and en icing isual con en .” (and ews, 2003a)
A e olução dos mé odos de imp essão em consequências di ec as na o ganização do p ocesso
de abalho. No a igo A wo k o wo ks o A ?, Ma in And ews ques iona o impac o causado
pelo desen ol imen o ecnológico no mé odo de abalho da c iação da capa, p ocu ando
comp eende se se jus i ica uma di isão his ó ica com dois pe íodos dis in os: o p é-digi al, em
que o capis a apenas p ojec a a a capa e o abalho e a execu ado pelo écnico; e o digi al, em que
o capis a assume a esponsabilidade comple a do p ojec o, en iando o abalho, no seu aspec o
inalizado, di ec amen e pa a p odução. A exis ência de uma capa o iginal, desenhada pelo
capis a, e sepa ada das ep oduções come cializadas, pode ia cons i ui uma a i mação da capa
enquan o ob a de a e. And ews complemen a a análise ei a com algumas das p incipais c í icas
e conside ações ei as à capa po edi o es, com o início da p odução de li os em sé ie, em que
es es en a am encon a uma jus i icação pa a a e ba emp egue num elemen o conside ado
ma ginal e e éme o.
1940-60, in e anos de boas capas
“[Paul] Rand’s wo k has he same casual pe ec ion esul ing om p ac ised p o essionalism
ha is ound in he wo k o a ew o he Ame ican designe s in he pe iod spanning om 1940 o
1970, in wha now seems a golden age be o e echniques o colou ep oduc ion became so cheap
and easy ha he designe ’s special skill o in e p e a ion was alued less.” (powe s, 2001)
Nas e e ências consul adas, o espaço de empo en e 1940 e 1960 é e e ido como o mais
in e essan e em e mos g á icos. Pie Sch eude s, Alan Powe s, And ews e S e en Helle são qua o
au o es que, em ex os di e en es, conco dam em a i ma que es e pe íodo de in e anos é o
mais signi ica i o na á ea edi o ial, apon ando alguns dos mo i os que os le am a es a conclusão.
Segundo Sch eude s, es e pe íodo de in e anos co esponde ao apa ecimen o das p incipais
edi o as e ao lo escimen o do me cado de pape backs. O au o conside a que a p odução de capas,
nes a al u a, es á ainda libe a dos cons angimen os lançados pelos p incípios de ma ke ing e
publicidade. Powe s e And ews ac escen am que, pa a além des e ac o, a c escen e acilidade de
execução dos p ojec os, possibili ada pelas ino ações écnicas, o na desnecessá io o exe cício
de pensa em soluções pa a ul apassa os cons angimen os p á icos exis en es. Des a o ma, o
p og esso écnico é en endido como inibido do p ocesso c ia i o. Como explica And ews:
e isão de bibliog a ia • 19
“Thus he a is had in ol emen in, and con ol o e , aspec s o p oduc ion, which gi es he
book jacke designs o he pe iod ha eshness, in en i eness and sense o pe sonali y ha
was o be los wi h he in oduc ion o Le ase ans e le e ing and less di ec pho og aphy
p ocesses.” (and ews, 2003a)
No a igo When pape backs wen highb ow Helle desc e e o pe íodo pós II Gue a Mundial,
nos anos 60, como um pon o de i agem na cena edi o ial, onde se des aca o a o ecimen o do
sen imen alismo e sensacionalismo nas capas de li o com a p incipal p eocupação de ag ada
às g andes massas. Con udo a desc ição do con ex o ge al se e apenas como con apon o pa a
a análise da pos u a de algumas edi o as ame icanas des a al u a, en e as quais Noonday P ess,
Me idian Books, New Di ec ions, Vin age e Simon & Schus e , que se dis ingui am pela apos a no
abalho de capis as como Al in Lus ig, Paul Rand, I an Che maye , Mil on Glase ou Seymou
Chwas , que se o na am e e ências na á ea.
Os anos 60 ma cam ambém uma ase de ansição pa a a edi o a inglesa Penguin Books.
É no ano de 1960 que o designe i aliano Ge mano Face i assume a di ecção a ís ica da edi o a,
iniciando uma es a égia dis in a da de a é en ão e abandonando a imagem clássica c iada po
Tschichold. As no as capas da Penguin passa am a aze uso de imagem, uma consequência da
adap ação ao me cado e da necessidade de compe i i idade.
O in e alo de empo de 1940 a 1960 pode se conside ado como um momen o pa icula
no campo edi o ial que eúne um conjun o de condições a o á eis ao desen ol imen o da capa
de li o. Es e pe íodo de in e anos co esponde ao apa ecimen o e desen ol imen o do me cado
Capas de Al in Lus ig pa a a New Di ec ions.
Cha les Baudelai e, The Flowe s o
E il, No olk, New Di ec ions, 1947.
F anz Ka ka, Ame ika, No olk,
New Di ec ions, 1948.
Alain Fou nie , The Wande e ,
No olk, New Di ec ions, 1946.
20 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
de pape backs, um dos mais p olí icos em e mos de p odução e po isso mais signi ica i os pa a a
análise de capas. Enquan o época de expe imen ação e desen ol imen o de mé odos, ca ac e iza-
se po uma g ande a iedade e libe dade g á icas, p óp ias de um pe íodo inicial. O inal da II
Gue a Mundial c ia as condições pa a a consolidação do me cado, que se mani es a na o mação
das g andes es u u as edi o iais e na implemen ação de es a égias de ma ke ing.
De inições da capa: desde a impo ância come cial à
in e p e ação g á ica
“An au ho a emp s o pu pic u es in o wo ds and we [book co e designe s] a emp o e e se
ha p ocess.” (howa d; g ay; pea son, 2008)
Nos ex os consul ados encon am-se á ias de inições da capa. Uma ez que se a a de um
supo e que ag upa em si um conjun o de unções dis in as, a ên ase colocada numa des as e lec e
em la ga medida a posição do au o sob e qual das e en es es e conside a mais ele an e. Os
capis as, na sua maio ia, a o ecem uma pe cepção simbólica e in e p e a i a da capa, a elação
que es a es abelece com o con eúdo do li o e a ligação que c ia en e li o e lei o . Ou os au o es,
não capis as, de inem-na sob e udo baseando-se nas capacidades publici á ias da capa, no seu
ca ác e deco a i o ou nas suas qualidades es é icas.
Sín ese
Es a base lança alguns dos p incipais pon os de es udo do ema em ques ão: a capa de li o. A
ac ual isibilidade da capa é ambém e e ida como o ma de econhecimen o da impo ância
des e mecanismo. A análise do con ex o ecnológico pe mi e enquad a a e olução es é ica
da capa a a és da comp eensão do con ex o de p odução e da in luência des e na de inição
dos p ocessos de abalho. O econhecimen o de ases dis in as no desen ol imen o da capa,
se e como modelo pa a o es udo de pe íodos com ca ac e ís icas especí icas, que es i e am na
o igem de de e minadas co en es e modelos. Po im, uma b e e sín ese de de inições da capa
que e lec em a pos u a de di e en es agen es–capis as, c í icos, edi o es e público– ace às á ias
unções que assume.
a in luência do con ex o sociológico e cul u al na c iação da capa • 21
I. A in luência do con ex o ecnológico e
social no p ocesso de c iação da capa
Técnica e con ex o social
As modi icações no aspec o do li o, ao longo do empo, de em-se, em pa e, aos meios écnicos
disponí eis no pe íodo da sua p odução. Além da in luência di ec a, que se mani es a na es é ica
dominan e de cada época, eles moldam ambém o mé odo de abalho, desde o p ocesso c ia i o
à di isão de a e as. O ac ual p ocesso de c iação de capas é o esul ado de um longo pe íodo de
desen ol imen o ecnológico que se inicia a pa do do li o.
A e olução ecnológica e lec e-se sob e udo no p ocesso de c iação e na maio acilidade e
a iedade de meios disponí eis. O o ma o em si–a capa–chega aos dias de hoje quase inal e ado.
Os elemen os base da composição man êm-se, sendo eles nome do au o , í ulo do li o e nome
da edi o a, e as p incipais mudanças passam sob e udo pela modi icação es é ica.
Enquan o hoje a capa é en egue pa a ep odução num ichei o digi al, com a e são
de ini i a pa a imp essão, no início do século xx a capa e a en egue num documen o em papel, o
o iginal, com uma sé ie de indicações di igidas ao écnico que i ia execu a a ep odução des a. A
modi icação dos meios de p odução pe mi e poupa empo, uma ez que a capa não e á mais de
uma e são–a do capis a e a do composi o –mas ambém implica uma maio esponsabilização
do capis a, uma ez que es e assume uma sé ie de unções adicionais.
Cha les Mozley, um ilus ado e capis a dos anos 50, exp essa a o seu desag ado pela
di isão ígida en e c iação e ep odução. Do seu pon o de is a, o domínio da écnica e a uma
qualidade undamen al pa a o desenho de capas. E a es e conhecimen o que pe mi ia ao capis a
libe a -se dos cons angimen os causados pelos mé odos de p odução, a pa i da comp eensão
do seu modo de uncionamen o, e se c ia i o de modo a consegui os e ei os p e endidos.
“W i ing in he Pen ose Annual, in 1954, [Cha les Mozley] explained ha i was he a is ’s
esponsabili y o design wi hin he demands o a medium and he p in e ’s esponsabili y o
ep oduce he images as he a is in ended.” (and ews, 2003b)
A p o eniência dos capis as e e alguma in luência no ipo de abo dagem que e a ei o
à capa. Os p imei os capis as inham, na sua maio ia, uma o mação académica a ís ica, que
lhes da a o domínio de á eas como a calig a ia e as écnicas de ep odução, e que e a depois
comple ada de o ma au o-didac a a a és de abalho desen ol ido em o icinas ipog á icas e
casas de imp essão. O conhecimen o sob e as écnicas exis en es pe mi ia que os capis as ossem
22 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
in en i os no seu uso, ao con á io dos écnicos que, no malmen e, se limi a am a segui os
mé odos p é-es abelecidos. A ep odução a co , po exemplo, implica a que o capis a izesse,
além do desenho da capa, a di isão das á ias camadas de co pa a a imp essão an e endo à
pa ida o esul ado inal.
Desen ol imen o écnico
Uma sé ie de desen ol imen os écnicos ie am acili a o p ocesso de p odução de li os e
c ia am as condições pa a o apa ecimen o e expansão do me cado edi o ial. Em 1798 Nicolas
Louis Robe in oduz a p odução mecânica de papel que subs i ui a p odução manual, em
moinhos. Es e desen ol imen o pe mi e aumen a exponencialmen e a p odução diá ia de papel,
dez ez supe io ao no mal nos moinhos, e, consequen e, eduzi o cus o des e. Na mesma al u a,
a in enção da p ensa e dos ipos de me al, que êm subs i ui os ipos de madei a modelados
manualmen e, acili am o p ocesso de ep odução de li os.
A encade nação mecânica su ge no inal do século XIX e subs i ui a encade nação manual.
Des a o ma o na-se possí el eduzi o cus o do li o e aumen a a elocidade de p odução.
As écnicas in en adas pe mi em um ape eiçoa écnico e um maio cuidado es é ico da
encade nação. A edução do cus o de p odução, po ecu so a ma e iais menos nob es, mani es a-
se na apa ência do li o. A impo ância dada à deco ação da capa pode se in e p e ada, nes e
con ex o, como uma es a égia come cial que p e ende de ol e ao li o um aspec o mais
ape ecí el. No en an o, suge e ambém a necessidade de que a cons ução ísica des e objec o–o
li o–seja um e lexo do seu alo in elec ual e social. O uso de ma e iais menos dispendiosos
no ab ico de li os oi al o de mui as c í icas. Algumas delas suge iam que os gas os com a capa
ossem mais con idos e que osse dado p i ilégio ao miolo do li o.
“How much be e migh his min o money ha is emp ied on hese epheme al w appe s
be spen upon imp o ing he quali y o he ma e ials ha a e used in he making o he book
i sel .” (and ews, 2003a)
O aspec o dos p imei os li os p oduzidos em sé ie e lec e a he ança es é ica dos li os
p oduzidos manualmen e. Capas lisas de ecido ou pele com mo i os deco a i os que se o nam
sucessi amen e mais complexos e exube an es, à imagem das capas an e io es. O ecu so a
ma e iais nob es e a deco ação são semp e en endidas como o ma de legi ima e a i ma o alo
do li o enquan o objec o de alo in elec ual associado a uma classe com de e minado ipo de
ca ac e ís icas.
a in luência do con ex o sociológico e cul u al na c iação da capa • 23
Li og a ia e composição em chumbo
A mis u a en e ex o e imagem é um esul ado do a anço ecnológico. As capas de li o e am
mui as ezes compos as apenas com ex o como cons angimen o dos sis emas de imp essão
exis en es: a li og a ia e a o p ocesso mais adequado à ep odução de imagem, enquan o a
imp essão com ipos de chumbo e a o sis ema mais adequado à composição e ep odução de
ex o. A calig a ia su ge nes e con ex o como uma al e na i a capaz de combina imagem e ex o
na composição da capa. Assim, nas décadas de 40 e 50 e a comum encon a capas que e am
in ei amen e desenhadas, desde a ilus ação ao ex o. Os abalhos de Al in Lus ig ou Paul Rand
são exempli ica i os des a endência. A o ocomposição su ge no inal dos anos 50. Es e p ocesso
o na não só possí el a ep odução simul ânea de imagem e ipog a ia como libe a o ex o dos
cons angimen os impos os pela g elha ígida de composição com ipos de chumbo. Con udo,
du an e a década de 60, o uso de calig a ia con inua a se uma cons an e nas capas de li o.
Mil on Glase e e e que es e ac o se de e sob e udo aos cons angimen os económicos causados
pela necessidade de e as espec i as licenças das on es u ilizadas nas capas. Nes e cená io o
ecu so à calig a ia cons i uía não só uma al e na i a pa a con o na as despesas com os p ojec os
como um modo de e um maio núme o de o mas disponí eis. Con udo o cons angimen o
écnico que di a a a sepa ação ígida en e ex o e imagem e a ambém o maio impulsionado
des a endência.
A in luência do con ex o social nem semp e se demons a de manei a di ec a mas é
de e minan e pa a o aspec o ge al das capas. Embo a a ep odução de co enha su gido na
segunda me ade do século XIX, com écnicas como a o og a u a ou a li og a ia, o seu uso nas
capas de li o o na-se mais equen e após a I Gue a Mundial. Os químicos usados na p odução
de in as e am os mesmo usados pa a aze explosi os, po es e mo i o, e am mais a os du an e
a gue a, com o acionamen o.
Nas décadas de 50 e 60 o uso de ilus ação nas capas, mui o comum nos p imei os li os,
começa a se conside ada obsole a po compa ação ao eme gi de uma es é ica mais abs ac a,
in luenciada pelos mo imen os a ís icos da época. Es a o na-se isí el no abalho de Lus ig ou
Rand, e na banalização do ecu so à o og a ia.
Ac ualmen e assis e-se a um eg esso ao abalho manual (c a s). Es a endência pode se
in e p e ada com uma eacção ao domínio c escen e das e amen as digi ais, que moldam e
uni o mizam o aspec o do abalho p oduzido. Se po um lado a ecupe ação da manualidade
no p ocesso de c iação de capas pode se in e p e ada como uma pos u a c í ica ace ao uso das
e amen as, ela pode se ambém is a na sequência da endência pa a a ecupe ação da adição
g á ica de ou os pe íodos, como acon ece com a sé ie G ea Ideas, da Penguin Books, do capis a
Da id Pea son. Nes e úl imo exemplo, os meios digi ais são u ilizados como o ma de imi ação
de écnicas an e io es e assinalam o eapa ecimen o da ideia de classicismo. As capas des a sé ie
24 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
ci am um conjun o de capas conhecidas, den o e o a do espólio da p óp ia edi o a, como é o
caso do li o The Fas idious Assassins de Albe Camus. A capa des e cons ói-se na sequência da
capa do li o The Shel e ing Sky de Paul Bowles execu ada po Lus ig em 1948. A ideia base que
dá o igem a es a e-in e p e ação de capas icónicas é a associação ao concei o da p óp ia sé ie–se
es a se de ine como uma colecção de ex os li e á ios undamen ais e ma can es ambém as suas
capas a ão alusão a capas ma can es da adição isual.
Nas capas da sé ie de li os de capa du a de Pe e Ca ey, Jenny G igg pa e de um conjun o
de expe iências de imp essão com ipos de chumbo pa a a composição das capas. Es as cons i uem
um exe cício o mal que p e ende sob e udo c ia elações com o con eúdos dos á ios li os.
Pe e Ca ey, The Unsual Li e o T is an Smi h, Osca and Lucinda, T ue His o y o he Kelly Gang,
Jack Maggs, The Tax Inspec o , Collec S o ies, Illywhacke , Bliss. Capas de Jenny G igg.
Paul Bowles, The Shel e ing Sky,
No olk, New Di ec ions, 1949.
Capa de Al in Lus ig.
Albe Camus, The Fas idious
Assassins, Penguin Books, 2008.
Capa de Da id Pea son.
a in luência do con ex o sociológico e cul u al na c iação da capa • 25
O eapa ecimen o da calig a ia inclui-se ainda nes a e en e do domínio do manual.
Jona han G ay u iliza equen emen e es e egis o nas capas que c ia ac o que jus i ica, em
en e is a, como uma consequência na u al dos p ojec os e não como uma endência ou es ilo
pessoal.
A consciência do impac o do uso das e amen as nem semp e é um dado conside ado na
obse ação das capas p oduzidas. A in odução do compu ado nos anos 80 aduz-se numa
al e ação do p ocesso de c iação, como e e ido no início des e capí ulo. O capis a acumula um
conjun o de unções que an es se encon a am dis ibuídas po p o issionais dis in os. A e a
digi al in oduz mudanças signi ica i as no mé odo de abalho do capis a. Como no a And ew
Howa d, em en e is a:
“All design in ol es he p ocess o making choices, and o make choices one has o de elop
c i e ia. This is one o he easons ha s uden s s uggle. They wo k wi h ools ha allow hem
o c ea e coun less a ia ions o he same design in a sho space o ime and wi h g ea ease.
They a e hen le wi h he p oblem o choosing be ween hese a ia ion–a ask hey o en y
and abdica e in de e ence o he eache . In his sense, cons ain s make ce ain choices o
you–bu only some.” 1
A passagem pa a o meio digi al ab e um as o leque de possibilidades que, como já e e ido na
e isão de bibliog a ia, simpli ica o abalho de execução da ideia. Po ou o lado, como e e e
Howa d, a capacidade de c ia um núme o ilimi ado de a iações sob e a mesma capa exige
ao capis a um maio pode de decisão e con olo dos meios, de o ma a não cai em exe cícios
o mais.
A selecção das e amen as ambém se mani es a na abo dagem concep ual que é ei a
à capa. Mendelsund econhece em en e is a o papel undamen al do so wa e u ilizado na
de inição do esul ado inal da capa. Segundo o capis a o ac o de o p og ama u ilizado pe mi i
uma maio acilidade na manipulação de o mas geomé icas e co es lisas oi um dos p incipais
pa a en e eda po uma ap oximação mais abs ac a ao abalho.
“I de ini ely g a i a e owa ds using illus a ion, in gene al, mo e han pho og aphy in book
jacke s; and he mo e abs ac he be e . I hink his app oach lea es mo e o he eade ’s
imagina ion. I ’s easie o be e oca i e wi hou being li e al. Though, upon e lec ion, hose
geome ic jacke s we e o some ex en in luenced by he ac ha hey we e all designed in
Qua k, which, eally because o he limi a ions o he so wa e, one inds onesel designing wi h
he mos accessible ools–boxes, ci cles, in la colo s o simple blends on op o a . I ’s mo e
32 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
Espaço simbólico: A lei u a, e cei a dimensão da capa, a
p o undidade
A capa inaugu a cada momen o de lei u a e nes e sen ido é mui as ezes e e ida me a o icamen e
como a janela ou po a de en ada pa a um ou o espaço, o espaço li e á io. Ela az a ligação
com o in e io do li o e c ia o ambien e pa a a na a i a. A con ex ualização do papel da capa
na ac i idade de lei u a in luencia o ipo de abo dagem g á ica que é ei a. A ecen e exposição
Ga eways, an In e na ional Book Co e Exhibi ion, comissa iada po Howa d, em como í ulo
o e mo po ão, que é explicado no ca álogo e que em como base a mesma ideia–a capa como
pon o de passagem e elemen o de ligação com o li o.
A ansposição quase li e al da ideia da capa como pon o de passagem pa a ou o espaço
é um ema eco en e ao longo do empo. As moldu as da Pocke Books, nos anos 40, são um
exemplo de uma adução g á ica li e al da me á o a da janela:
“A new s yle quickly became isible, especially wi h he new basic co e concep de eloped
by Lau a Hobson in 1942: e e y co e illus a ion was amed by a ec angle wi h ound-o
co ne s sugges ing gen ly ha he book was a window h ough which he eade could look o
ano he wo ld.” (sch eude s, 1981)
O o ma o: painel on al, lombada e con acapa
A explo ação g á ica da capa como janela que deixa en e e o con eúdo do li o não só az
sen ido no con ex o come cial, em que a capa de e seduzi , como no con ex o indi idual, em
que a capa inaugu a o momen o de lei u a. Além da explo ação g á ica do seu alo me a ó ico,
a capa é al o de e lexão sob e a ac i idade que lhe es á associada–a lei u a–, sob e o objec o em
Adam Mansbach, The End o he Jews.
Spiegel & G au, 2008. Capa de Rod igo Co al.
a in luência de ou as á eas da p á ica do design no p ocesso de c iação da capa • 33
si–o li o–e sob e a sua cons i uição como o ma o. Algumas capas u ilizam a au o- e lexão sob e
o supo e como o ma de con ibuição pa a o signi icado do li o. No li o The End o he Jews,
de Adam Mansbach, o capis a Rod igo Co al anspo a pa a a capa a imagem de uma lombada
desconjun ada, onde se lê o í ulo do li o e nome do au o . De o ma não ão e iden e, a lombada
do li o Two Moons, de Thomas Mallon, ambém é anspo ada pa a a capa, como explica John
Gall. Além da composição em es ilo de lombada, com o í ulo, nome do au o e edi o a numa
aixa e ical com a la gu a da e dadei a lombada do li o, es a deslocação é e o çada pelo
enquad amen o da imagem, que ica co ada nos limi es do painel on al. O mesmo capis a,
no li o The McSweeney’s Joke Book o Book Jokes, u iliza uma in e são en e a colocação das
composições des inadas ao painel on al e con acapa, espec i amen e, como o ma de e o ça
o ca ác e i ónico do li o. Con udo é in e essan e no a que na p omoção do li o, online e nas
li a ias, a con acapa é ap esen ada como capa.
Ap op iação de linguagens de ou os meios
Algumas capas ap op iam-se de es é icas de ou os meios como o ma de melho consegui
uma ap oximação ao assun o do li o. O li o Wo ds Wi hou Bo de s, uma compilação de ex os
de á ios au o es, Helen Yen us eco e à linguagem dos mapas e legendas ca og á icas pa a a
capa. Jamie Kennan, na capa de Happiness, de Richa d Laya d, c ia uma ilus ação com g á icos
de ba as, conseguindo des a o ma c ia uma ligação en e os dois p incipais emas do li o:
elicidade e economia.
A capa inaugu a o momen o de lei u a e nesse sen ido é impo an e que de ina o ipo li o
a que se encon a associada. No li o You Shall Know Ou Veloci y, de Da e Egge s, o capis a (não
iden i icado) op a po uma solução inespe ada: o ex o do li o inicia-se na capa e con inua li o
aden o, pelo in e io da capa, miolo, e con acapa. Embo a se possa conside a que não exis e
capa no sen ido adicional, uma ez que se a a já do ex o do li o com o mesmo a amen o
g á ico que é o dado às es an es páginas, ela assume esse papel pela colocação, uma ez que
en ol e o miolo do li o, e ma e ial, que é mais esis en e que o das páginas in e io es.
A capa e o ca az: a iação de escala
“Book designe s, howe e , now ha e a new challenge: jacke legibili y in a humbnail icon on a
websi e is almos as much a equi emen as legibili y ac oss a c owded shop.” (powe s, 2001)
A e sa ilidade da capa eside em g ande pa e no pode de sín ese de que é capaz. O ecen e
lançamen o, em o ma o de ca az, de algumas das capas de li o concebidas nos anos 40 po
Al in Lus ig demos a não só a lexibilidade da capa enquan o supo e, mas ambém o seu
34 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
ca ác e icónico e ma can e, e iden e no con on o com a g ande escala de imagens que o am
o iginalmen e p ojec adas pa a um supo e pequeno.
“I also y o hink o co e s as mini-pos e s. They will be ep oduced a cen ime e high in he
media and 6 high on billboa ds and i ’s impo an e ha hey wo k a any scale.” (howa d;
g ay; pea son, 2008)
A a iação de escala da capa, como desc e e G ay, implica que o capis a conside e não apenas o
con ex o imedia o de ecepção do li o, a li a ia, mas ambém ou os con ex os nos quais a capa
pode á se ep oduzida. Desde as imagens minia u a que acompanham as c í icas li e á ias no
jo nal aos ca azes publici á ios do li o, que epe em a imagem da capa. Embo a se possa pensa
que as elações de composição na capa pa em da necessidade de an ecipa a sua ep odução em
di e en es supo es, a semelhança en e os elemen os que a compõe e os que compõem um ca az
ap oximam os dois o ma os.
A capa pa a o li o Ulysses, de James Joyce, po Edwa d McKnigh Kau e em 1949, é
des acada po Helle como um dos p imei os exemplos em que o uso de ocabulá io g á ico
p óp io do ca az se o na isí el. Es a a i mação p ende-se sob e udo com a escala e composição
da capa, que eco e a uma imponência ipog á ica pouco comum no o ma o de li o. Se na
maio ia das capas se insis e numa p ocu a de equilíb io en e a escala do ex o, o amanho
do li o e a in eg ação ha moniosa com uma imagem, nes e exemplo o ex o assume ambas
as dimensões uncionando como imagem. As le as são a adas como o mas e assumem uma
posição de des aque ocupando a quase o alidade do espaço disponí el.
James Joyce, Ulysses. 1949.
Capa de E. McKnigh Kau e
Tenesse Williams, Camino Real.
New Di ec ions, 1949. Capa de Al in Lus ig.
a in luência de ou as á eas da p á ica do design no p ocesso de c iação da capa • 35
O ca az o na-se o almen e isí el na capa de Lus ig pa a a p imei a edição da peça
Camino Real, esc i a em 1952 po Tenesse Williams. A capa ap esen a uma o og a ia de um
ca az sob e uma pa ede, um cená io p óximo do que acon ece ia se a peça de Williams es i esse
em ap esen ação.
A elação en e os dois o ma os–capa e ca az– esul a em pa e da semelhança en e o ipo
de in o mação esc i a que é eiculada mas emon a igualmen e à p o eniência dos p imei os
capis as, alguns deles ca azis as, que ouxe am pa a o p ocesso de concepção da capa p á icas
p óp ias a ou a á ea do design g á ico.
A a iedade de explo ações g á icas de que as capas são al o demons am o ca ác e
simbólico des e mecanismo. O ipo de es a égias emp egue pa a a c iação da capa eco e a
uma di e sidade de e amen as com o p incipal objec i o de cons ui elações u í e as com
o con eúdo do li o. Ao mesmo empo, as es a égias que em o igem no ex o acabam po
con ibui pa a o ques ionamen o e e lexão sob e o o ma o do li o e da capa, em e mos
g á icos.
A elação ex o e imagem
“An au ho a emp s o pu pic u es in o wo ds and we [book co e designe s] a emp o e e se
ha p ocess.” (howa d; g ay; pea son, 2008)
A capa az coincidi no mesmo espaço ex o e imagem embo a, po ezes, seja compos a apenas
po um des es que assume dupla unção. Os elemen os ex uais de base na composição da capa
con encional são, como já oi mencionado, o í ulo, o nome do au o e a edi o a; eles cump em
James F ey, B igh Shiny Mo ning.
John Mu ay Publishe s, 2008.
Capa de Jona han G ay.
Jona han Le hem, The Fo ess o Soli ude.
Doubleday, 2003. Capa de Jona han G ay.
36 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
a unção p agmá ica de iden i ica o li o e o nece in o mação sob e es e. A imagem, po sua
ez, su ge inicialmen e com um ca ác e sob e udo deco a i o e apela i o. A elação que se c ia
en e os dois nasce da p oximidade espacial, na capa de li o, e ul apassa ge almen e uma ideia
de subo dinação de uma das pa es à ou a: nem o ex o cons i ui uma legenda da imagem,
nem a imagem cons i ui uma ilus ação do ex o. A inexis ência de eg as hie á quicas de
composição pe mi e que ambas as pa es– ex o e imagem–se complemen em de aco do com as
suas ca ac e ís icas especí icas. A p oximidade dos dois elemen os e a sua cons ução simul ânea
az esba e as habi uais on ei as ex o-imagem, e o çando o ca ác e na a i o des e o ma o,
a capa.
Ilus ação s. Fo og a ia
“How do you deal wi h he expec a ion o he eade ? Because his imagina ion is always be e
han you own.” (glase in 92nd s ee ym&w heb ew associa ion, 2006)
A p esença de imagem na capa cons i ui uma p oblemá ica eco en e no discu so dos capis as:
como lida com as expec a i as do público sem in e e i na de inição conc e a de pe sonagens
ou cenas do li o? Uma abo dagem imedia a coloca ia de lado a o og a ia como écnica possí el
pa a a c iação de capas po es a cons i ui um meio ep esen ação demasiado p óximo do eal.
Po sua ez, a ilus ação pe mi e um a amen o mais denso e dis anciado do ema, o que pode
cons i ui igualmen e um ac o de desilusão ou incomp eensão pa a o público. A p á ica de
mui os capis a pe mi e demons a que não há um meio mais ap op iado pa a a c iação da capa,
uma ez que cada um de e se ponde ado endo em is a um p oblema especí ico.
A uga de uma ep esen ação demasiado li e al cons i ui um exe cício análise e sín ese do
con eúdo do li o que isa sob e udo não condiciona o público à pa ida. Ao mesmo empo,
a necessidade de de ini es a égias de ep esen ação menos ligadas a uma dimensão imedia a
do ex o pe mi e que a capa seja al o de explo ações mais p odu i as. Uma das hipó eses de
explo ação conside adas é o ecu so à calig a ia.
“The book co e based p incipally on le e ing is capable o a conside able ange o exp ession.”
(powe s, 2001)
“Hand-d awn ype is a g ea way o gi e pe sonali y. You can con ey a sense o pe iod o a sense
o emo ion, play ul o da k. Bu like all good design i needs o be applied o a eason. I needs
o con ibu e.” (howa d; g ay; pea son, 2008)
a in luência de ou as á eas da p á ica do design no p ocesso de c iação da capa • 37
Le o li o como sinónimo de conhece o li o
“Book co e s should, o cou se, c ea e an in ellec ual bond wi h a eade , bu a ely do hey ap
as deeply in o a psyche as hese did [The S ange , de Albe Camus e Nausea, de Jean-Paul
Sa e].” (helle , 2003)
A capa c ia no lei o a p imei a imp essão do li o. Se ela de e c ia o ambien e e o con ex o pa a
a his ó ia, a ideia mais ób ia apon a pa a que es e de a su gi da expe iência de lei u a do li o.
Nes e caso, a expe iência de lei u a é ida como base e pon o de pa ida pa a a c iação da capa
moldando o aspec o ísico do objec o à luz do seu con eúdo.
Ao desc e e o p ocesso de concepção de capas de li os, a maio ia dos capis as menciona
o con eúdo do li o como p incipal e e ência e pon o de pa ida pa a a c iação g á ica. A lei u a
é omada como pa e implíci a do p ocesso, uma ase p epa a ó ia de con ac o com a his ó ia e o
au o do li o, que se á a on e de inspi ação p imá ia. Chip Kidd a i ma, em om decidido, numa
con e ência sob e capas:
“I do ead he book be o e I do he co e s!” (92nd s ee ym&w heb ew associa ion, 2006)
John Gall indica a lei u a do li o como a p imei a e mais impo an e, de cinco eg as de ou o,
pessoais, pa a a c iação de capas, e e indo a impo ância do con ac o com a his ó ia e com o
es ilo do esc i o pa a consegui chega a uma ideia do li o que seja iel ao imaginá io desc i o.
Jean Paul Sa e, Nausea. New Di ec ions, 1959.
Capa de I an Che maye e Tom Geisma .
38 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
Enquan o p imei a imp essão do li o pa a o público, a capa passa a se uma pa e in eg an e
da his ó ia e da expe iência de lei u a. Daí que, quando se ala de eg as pa a a concepção da capa,
a lei u a, o al ou pa cial, do li o seja uma pa e implíci a do p ocesso de c iação, e e ida pela
maio ia dos capis as. Kidd ai mais longe:
“One o he g ea ad an ages o designing book co e s is ha you don’ e e ha e o ha e an
idea, much less a hough , e e , in you head. Tha is he au ho ’s job.” (publishe ’s weekly,
2005)
A impo ância de começa pela lei u a do li o é uma e e ência in a iá el em en e is as e ex os
de au o es de capas. Con udo, “le o li o” não é sinónimo de “le o li o odo”, uma ez que isso
nem semp e se ia possí el, como e e em Jona han G ay ou Ve a Ta a es, en e ou os. Quando o
empo não o pe mi e, é essencial que o capis a enha pelo menos uma ideia ge al sob e o con eúdo
do li o pa a que a capa não passe uma ideia di e gen e sob e es e, e seja esponsá el pela c iação
de alsas expec a i as no público. G ay chega a da o exemplo de uma capa, pa a um li o de icção,
c iada a pa i da lei u a dos ês p imei os capí ulos do li o. Essa capa exibi ia um pe sonagem
mencionado nesses capí ulos mas que mo e ia logo de seguida, não endo g ande ele ância pa a
a pe spec i a ge al da na a i a. Assim, conhece o con eúdo do li o o na-se um apoio pa a a
omada de decisões no p ocesso de c iação da capa. Nes e sen ido, podemos, an es de udo, e
os capis as como lei o es in o mados e não como me os p o issionais enca egues da a e a de
deco ação do li o.
Sebas ião Rod igues e Vic o Palla, dois dos mais in luen es capis as no con ex o po uguês,
omam a lei u a do li o como pa e in ínseca ao p ocesso de c iação. A mode nidade e
no idade do abalho que desen ol em pode á se explicada, em pa e, pela comp eensão que
demons am pa a as especi icidades des e abalho.
Além des es, exis em ou os ac o es elacionados com o li o de o ma indi ec a, que
acabam po e uma in luência na composição g á ica da capa. En e eles, o géne o do li o e o
ní el de popula idade de um de e minado au o ou í ulo, que podem se de e minan es pa a a
de inição da capa. Po exemplo, a capa de Hyunhee Cho pa a o li o Ali e in Nec opolis, de Doug
Do s , ecen emen e publicado pela Ri e head, ge ou alguma polémica nos cí culos de discussão
online. O mo i o p incipal oi o ac o de se a a de uma capa g a icamen e mais p óxima de
uma capa de no ela g á ica do que de uma capa de li o de icção, como e a o caso (sulli an,
2007). Kidd e e e es e ópico ao ala da capa que ez pa a o li o The Road, de Co mac Mcca hy.
Sendo es e um au o conhecido, a necessidade de e idencia o seu nome na capa não se á ão
g ande como acon ece ia no caso de um au o desconhecido. Nes e li o, o nome do au o su ge
a neg o lus oso sob e o undo neg o baço da capa e o único apon amen o de co é o e melho
da ipog a ia do í ulo. Uma capa ão disc e a e pouco comum só é possí el pa a publicação em
si uações bas an e pa icula es.
a in luência de ou as á eas da p á ica do design no p ocesso de c iação da capa • 39
A composição g á ica da capa é o esul ado da combinação de uma sé ie de ac o es que
condicionam as hipó eses possí eis e as escolhas ei as. Em p imei o luga , a elação que es abelecem
com o con eúdo do li o, que é um esul ado da sua lei u a. Em segundo, de uma in es igação sob e
o au o e o li o, a a és da consul a de capas de ou os li os do mesmo au o ou capas de ou as
edições. O géne o li e á io, a edi o a e a amilia idade ou no idade do au o e do li o cons i uem
ainda pa es de in o mação ele an e que depois se mani es am no aspec o g á ico da capa. A
in e p e ação g á ica des a in o mação pode, po sua ez, se al o de duas abo dagens dis in as:
pode se usada como ac o de in eg ação nas ca ego ias em que o li o se inse e, a a és da
adopção de uma linguagem p óxima; ou pode se usada como meio de des aque, con a iando
es as linguagens.
Nos exemplos e e idos acima, a desadequação ou choque en e a linguagem isual da capa
e o ipo de li o su ge como ac o de e idenciação. No p imei o, a associação de uma capa
ca ac e ís ica de de e minado géne o li e á io–a no ela g á ica–a um li o que se enquad a em
ou o géne o–a icção– e, no segundo, a adopção de uma es é ica disc e a. Con udo, ao con á io
das expec a i as, o des aque p e endido na habi ual paisagem da li a ia o na es es exemplos bem
sucedidos em e mos come ciais. A desadequação, como es a égia de ma ke ing, é discu ida com
maio po meno no capí ulo dedicado à análise da in luência come cial em e mos g á icos.
O econhecimen o do capis a no abalho de
concepção da capa
“C eepy, s iking, sly, sma , unp edic able co e s ha make eade s app ecia e books as objec s
o a as well as li e a u e.” (publishe ’s weekly, 2005)
A iden i icação e econhecimen o do abalho dos capis as é ambém um ac o que con ibui
pa a c ia ou e o ça a ligação a ec i a en e o lei o e o objec o/li o. É na capa de li o que
mui os designe s êm, pela p imei a ez, o seu abalho c edi ado, e é g aças a ele que a ingem
isibilidade p o issional.
Nos anos 20 e 30 a maio ia das capas de li o são assinadas po a is as de enome, como
Aub ey Bea dsley ou Eugène G asse . O econhecimen o des e como um abalho de ca ác e
a ís ico man ém-se ao longo do empo e alguns dos capis as con inuam a assina as capas
p oduzidas. A assina u a na capa cons i ui a p o a de au o ia em que se baseia a maio ia da
c edi ação dos a qui os de capas de pape backs a é aos anos 50. Nes a al u a, o nome do capis a
passa a aze pa e do cólo on do li o. A sepa ação en e o abalho de paginação e c iação da capa
con ibuem pa a a acen uação da di e ença en e o ca ác e de ambos os abalhos, cono ando o
segundo com uma á ea mais c ia i a e po isso a ís ica, como já oi e e ido no capí ulo dedicado
ao con ex o ecnológico.
40 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
Alguns capis as concei uados, como Rand, Lus ig ou Glase , con inua am es e cos ume de
assina a capa à semelhança de uma ob a de a e. O nome do capis a apa ece nes e sen ido, quase
ao mesmo ní el do nome do au o do li o, eclamando pa a si a de ida a enção e econhecimen o.
Glase e e e es e como um dos aspec os mais posi i os do abalho de design na á ea edi o ial, e
de como ele se á undamen al pa a o econhecimen o da disciplina do design em ge al.
Pa ce ia com ou as á eas
As écnicas emp egues na capa são mui o a iadas e ão desde a o og a ia, à ilus ação, banda
desenhada ou calig a ia. Alguns capis as conseguem se e sá eis no desen ol imen o de abalho
com ecu so a écnicas di e en es, de aco do com o li o em que es ão a abalha . Ou os
conseguem in eg a com êxi o abalho ei o em colabo ação com ou os p o issionais. Chip
Kidd, po exemplo, em uma sé ie de capas de li o que o am desen ol idas em colabo ação
di ec a com o o óg a o Thomas Allen; ou Jona han G ay, na ecen e e-edição dos li os 007
pela Penguin Books, desen ol e as á ias capas da sé ie em conjun o com o ilus ado Michael
Gille e.
A igu a do capis a
Mui os dos capis as mencionados ao longo des a disse ação são igu as conhecidas o a do seu
meio de abalho. O econhecimen o do seu abalho é isí el no núme o c escen e de a igos
sob e ao ema em publicações não di ec amen e elacionadas com a á ea edi o ial. A cadeia de
li a ias Ba nes & Noble chega ao pon o de ap esen a o capis a enquan o igu a mediá ica, como
acon ece no seu ecen e ideocas , Co e S o y. Es e ideocas consis e num conjun o de en e is as
a p o issionais da á ea de c iação de capas, ab angendo capis as, o óg a os e ilus ado es. A
cada episódio es ão associados os li os dos p o issionais en e is ados, podendo no a -se uma
es a égia de popula ização do capis a como o ma de p omoção dos li os.
Ian Flemming, 007 You Only Li e Once, Casino Royale, Li e and Le Die, Oc opussy.
Penguin Books, 2008. Capa de Jona han G ay com ilus ações de Michael Gille e.
a in luência de ou as á eas da p á ica do design no p ocesso de c iação da capa • 41
O ca ác e deco a i o da capa
A dimensão deco a i a da capa le an a algumas ques ões delicadas, di ec amen e elacionadas
com a jus i icação da sua na u eza e com o alo social do li o. Enquan o alguns capis as
enca am a capa como endo um ca ác e essencialmen e isual e deco a i o, ou os jus i icam a
sua cons ução como esul ado di ec o do con eúdo do li o.
“Aldus Manu ius was he i s o sell his popula classics in s anda d co e s; he plain Aldine
bindings, much admi ed oday, mus ha e s uck his mo e as idious con empo a ies as soddy
ab ics unwo hy o a gen leman’s lib a y.” (s einbe g, 1955)
Dado o alo social e in elec ual do li o, a encade nação e a capa e am a adas com cuidado.
Quando su gem no me cado as p imei as edições em sé ie, com capa e encade nação baseadas em
modelos pad ão, a eacção imedia a é de descon en amen o. Es as são conside adas adap ações
g ossei as do li o p oduzido manualmen e que e i am a dignidade do objec o. É essa a azão
pa a a má ecepção das edições de Manu ius: o abandono da p odução manual e o uso de medidas
e modelos uni o mizados na concepção dos li os e das suas capas em ecido.
A capa oi conside ada pelo público, du an e mui o empo, uma pa e acessó ia do li o,
um ex a que e a mui as ezes dei ado o a depois da comp a. Tal suge e que a capa e a, na
al u a, is a como um mecanismo com um alo me amen e come cial, e que, po esse mo i o,
não izesse sen ido man ê-lo quando o li o já não se encon a a no con ex o de enda. Daqui
pa e a exp essão de dus jacke , em ez de book jacke , um in óluc o que p o egia o li o do
manuseamen o na loja, a é à sua enda, momen o depois do qual e a desca ado.
A c ença do ca ác e me amen e deco a i o da capa ez com que pe du asse a é mui o a de
a ideia de que as capas com imagem es a am associadas a um ipo de li o menos sé io e, po
isso, se e i asse uma ce a libe dade g á ica, sinónimo de deco a i ismo, em a o de uma maio
sob iedade.
Ao mesmo empo, os gas os de p odução da capa excediam os gas os com o miolo do
li o, o que es e e na o igem de á ias c í icas. Po quê epa i des a o ma o o çamen o de
p odução, deixando a maio pa e pa a a capa, quando es a em um alo ão e éme o? Es e
ópico oi abo dado no capí ulo sob e desen ol imen o écnico, uma ez que a aca qualidade
dos p imei os li os execu ados mecanicamen e desag ada a o público alguns c í icos suge em
que se con enham os cuidados excessi os com a capa e se p i ilegie o in e io . Po sua ez,
ou os p ocu am encon a uma lis a de unções possí eis pa a a capa que possa jus i ica es e
ac o, e des acam a sua e sa ilidade desde o alo in o ma i o ao seu po encial come cial. Es a
explicação pe mi e comp eende qual se á a mo i ação do capis a pa a aze ou o ipo de
ap oximação a es e elemen o que não o me amen e deco a i o. Ao elaciona o con eúdo da capa
48 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
Reade ille, como oi mencionado acima, é um ó um dedicado à c í ica li e á ia em
ge al lançado em Maio de 2000 po Ka en Temple . Aqui podemos encon a uma secção
opo unamen e in i ulada Mos Co e ed Co e s–as capas mais cobiçadas–man ida po Temple e
DG S ong. Nes a as au o as publicam ex os cu os sob e capas que lhes despe am a a enção.
O blogue The Book Design Re iew oi c iado em Janei o de 2005 e é da au o ia de Joseph
Sulli an. Dedica-se apenas à c í ica de design de capas de li o com especial oco na compa ação
en e capas de edições ame icanas e inglesas do mesmo li o. Cada ex o é acompanhado po
imagem e es á associado a pala as-cha e. Es as pala as-cha e azem pa e de uma ca ego ização
do au o , que pe mi e a alia acilmen e os seus pon os de in e esse nas c í icas publicadas.
Es a ca ego ização mis u a di e sos ipos de c i é ios axonómicos, alguns e e em-se ao
géne o li e á io do li o, como as ca ego ias “Poesia” ou “Policial”; ou os às écnicas emp egues,
como as ca ego ias “Colagem” ou “Silhue a”; ou os a selecções de conjun os de capas po ano
ou em compe ições, como as ca ego ias “Fa o i os de 2007” ou “2007 Na ional Book Awa d
Winne s”; ou os ainda pelo exo ismo g á ico e uga à no ma, como as ca ego ias “O ien ação
e ical” ou “Sem í ulo na capa”. Es a o ganização pe mi e ainda comp eende os c i é ios de
selecção de li os do au o e e idenciam uma abo dagem mais me ódica que a comum nou os
blogs do mesmo géne o. Na maio ia dos casos, os exemplos escolhidos demons am uma a enção
a aspec os pa icula es do design de capas, que es es sejam de na u eza g á ica ou come cial, no
caso da compa ação en e edições do mesmo li o em me cados dis in os embo a, po ezes,
sejam ei as algumas e e ências cuja inclusão dependo do gos o pessoal do au o . Con ém
po im assinala que as capas seleccionadas são sob e udo exemplos que sub e em a noção
con encional e po isso cons i uem on es de es udo.
Alguns dos blogues e e idos são man idos po designe s, como é o caso de Co e s, Fo ewo d,
Mon ag e Reade ille. E os es an es são man idos po au o es com uma o mação alheia ao design
mas com in e esse na á ea, como é o caso do P emiè e de Cou e u e e The Book Design Re iew.
Todos publicam pelo gos o po li os e ma e ial imp esso, semp e com des aque pa a exemplos
pa icula es de capas que in oduzem no idade no a amen o g á ico ou que apon am no as
di ecções na elação que c iam com o li o. O ipo de esc i a é mui o a iado, desde a igos cu os
nos quais o des aque ai pa a a imagem da capa a a igos que azem uma análise mais a en a
a in luências e mo i ações da capa. Uma ez que se a am de blogues é in e essan e obse a
a pa icipação dos lei o es nos comen á ios aos pos s. No caso do Co e s es a é uma pa e
undamen al, uma ez que os au o es con idam di ec amen e à in e enção, azem mode ação
de comen á ios e des acam aqueles que conside am mais ele an es pa a a discussão.
a in luência de ou as á eas da p á ica do design no p ocesso de c iação da capa • 49
Howa d, Ma ques, Temple e Sulli an
As espos as ecebidas demons am pos u as di e en es na selecção e c í ica de capas. Temple
em uma abo dagem mui o imedia a e baseada sob e udo em imp essões isuais:
“I ’s o ally subjec i e–i ’s no hing mo e han wha book made ou hea s go pi y-pa .” 3
Ma ques, po sua ez, em uma pos u a comple amen e di e en e no que oca à selecção e
abo dagem das capas comen adas. Os a igos concen am-se em capas an igas ac o que jus i ica
pela necessidade de en a uma abo dagem de análise mais objec i a:
“Não que o apenas emi i exp essões de gos o pessoal, que o en a o mic o-ensaio e p ocu a ,
pelo menos, con ex ualiza o objec o de que alo.“4
À semelhança de Temple e Sulli an, Ma ques não êm po hábi o le os li os comen ados o que
indica que a in e p e ação das capas é ei as sob e udo com base nas suas ca ac e ís icas isuais.
Se pa a os capis as le é uma pa e in ínseca do p ocesso de c iação, pa a os c í icos a análise
baseia especialmen e nas qualidades g á icas e concei o. Aqui con ém no a que es a sepa ação
se de e em pa e ao ac o de os in e esses li e á ios e es é icos dos c í icos nem semp e se em
coinciden es. Ainda nes e con ex o, se á al ez ú il pensa ainda na opinião do público lei o
sob e a capa, menos neu a que a do c í ico e mais in luenciada pelo ex o.
Pa a Sulli an as capas seleccionadas são, em p imei o luga , aquelas cujo aspec o conside a
sedu o e que, em segundo, conseguem c ia uma elação in e essan e com o con eúdo li o.
O c í ico demons a uma a enção especial a capas com ca ac e ís icas isuais dis in i as ou a
compa ações en e edições do mesmo li o em o ma os di e en es–capa du a e capa mole–ou
de países di e en es.
Em sinc onia, Temple e Sulli an de inem a li a ia como campo de obse ação p i ilegiado
e, como consequência des e modo de ope a , as capas mencionadas são semp e de edições ecen es.
Ma ques, como já oi e e ido, p e e e edescob i capas an igas ocando sob e udo as o igens,
con ex o e in luências g á icas das capas. Con udo os ês c í icos econhecem a necessidade de
obse a di ec amen e os exempla es comen ados, uma ez que só des a o ma é possí el e
pe ei a noção de de alhes ísicos do objec o.
Os blogues obse ados, à excepção de Mon ag, pe mi em es a a pa do pano ama ac ual
de capas de li o, com especial a enção pa a os me cados ame icano e inglês. À medida que
o empo passa, o a qui o de a igos unciona como um eposi ó io de abalho que ai sendo
cons an emen e ac escen ado. Todos es es espaços online uncionam como uma o ma de
sedimen ação e econhecimen o do abalho desen ol ido na á ea das capas de li o. Embo a
o gos o dos c í icos seja em alguns casos um c i é io de selecção ine i á el, o ex o esc i o e a
50 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
discussão susci ada à sua ol a pe mi e que os a igos ul apassem um juízo de alo pessoal
sob e a apa ência das capas. Alguns c í icos, como Temple , Ma ques ou Sulli an, a ançam
pon os de análise complexos, que ul apassam a dimensão indi idual da capa ap esen ada como
a compa ação com ou as capas, a a aliação da in luência do me cado de lançamen o ou o
econhecimen o de pon os de con ac o com ou as á eas.
A ecen e exposição Ga eways coincide ap op iadamen e com o culmina do p ocesso de
in es igação des a disse ação. Nes a pe spec i a a en e is a a Howa d e elou-se um pon o
posi i o pa a a melho comp eensão do enómeno de isibilidade do qual a capa de li o em
sido al o. Howa d jus i ica a sua opção pela mos a de abalhos ecen es como uma es a égia
que isa sob e udo sensibiliza um público ge al pa a o ema. Ao e i a quase di ec amen e os
li os do espaço da li a ia pa a os coloca num espaço exposi i o, Howa d e-con ex ualiza o
objec o pondo em e idência as suas qualidades g á icas.
A p eocupação a p ese ação do con ex o o iginal da capa mani es a-se na o ganização da
exposição e no ca álogo pela opção de ap esen a os li os in eg almen e, ao in és de ap esen a
a capa isoladamen e. Nes e sen ido no a-se ainda o cuidado com a ep esen ação da capa, no
ca álogo, com imagens que demons am as suas qualidades ác eis. Howa d jus i ica des a o ma
a sua decisão de o og a a os li os pa a o ca álogo, em ez de ap esen a imagens digi ais da
capa:
“Design o p in is only hal comple e a he p e-p ess s age–a bi like cooking when a ecipe has
been p epa ed bu no ye gone o he o en. E e y hing is la on he sc een bu p in design only
assumes i s eal pe sonali y as a inished objec when choice o pape , ink and o he inishes gi e
he wo k i s inal iden i y. These choices a e a undamen al pa o he design and he e o e o
show a digi al e sion o he co e makes no sense.”5
Na o ganização da exposição, Howa d des aca dois capis as que ep esen am duas das ca ego ias
que dis ingue nes a á ea: a concepção de capas indi iduais a a és no abalho de G ay e a
concepção de sé ies de capas a a és do abalho de Pea son. Es e cons i ui o único c i é io
axonómico de Howa d uma ez que as es an es capas expos as se encon am o ganizadas po
o dem al abé ica do nome do capis a, c uzando géne os, esc i o es e edi o as.
a in luência das ques ões come ciais do p ocesso de c iação da capa • 51
III. A in luência das ques ões come ciais
no p ocesso de c iação da capa
A impo ância da capa pa a o sucesso come cial do li o é um dado acei e na á ea edi o ial.
Nes e capí ulo são explo adas algumas das ques ões que se en endem como essenciais pa a a
comp eensão da dimensão come cial da capa, e da o ma como se e lec e em e mos g á icos.
É ei a uma análise sob e a in e acção dos p incípios de ma ke ing no p ocesso de c iação e a
subo dinação des e às es a égias ge ais de p omoção da edi o a. Do apa ecimen o dos p incípios
de iden idade co po a i a e a o ma como es es se e lec em no me cado edi o ial. Da o ma como
o ipo de edição, capa du a ou capa mole, ou a imagem da edi o a são ac o es que se e lec em no
aspec o inal do li o. Do papel da capa consoan e o con ex o de ap esen ação do li o–no espaço
da li a ia ou na pla a o ma de enda online–e da o ganização des es espaços. Da adap ação da
ideia e execução da capa ao me cado de enda a que se des ina, sendo ei o um maio oco nas
di e enças en e os me cados eu opeu e ame icano. Po im, é analisada a di e enciação enquan o
elemen o de e idenciação do li o no espaço da li a ia, conside ando-se alguns exemplos des a
es a égia, como o ecu so a capas que usam exclusi amen e imagem e, com mais po meno , o
caso de es udo da sé ie My Penguin.
A impo ância come cial da capa
“A book jacke o co e is a selling de ice close o ad e ising in i s o m and pu pose, bu also
speci ic o a p oduc ha plays a easing game o hide and seek wi h comme ce.” (powe s, 2001)
A mecanização do p ocesso de p odução do li o in oduz mudanças signi ica i as a á ios ní eis.
A edução do empo de p odução e a u ilização de ma e iais no os, de baixo cus o, mani es a-se
numa descida o al do cus o do li o. A libe ação comple a do li o dos p ocessos de p odução
manual mani es a-se de o ma d amá ica na es é ica do li o. Muda ambém a ex ensão de
público-al o: de uma eli e com pode de comp a ele ado, o li o passa a objec o acessí el a um
público mais gene alizado. Es as al e ações pe mi em a au onomização da p odução ela i amen e
à enda, uma ez que es a deixa de es a dependen e de encomendas.
A passagem de uma p odução manual pa a uma essencialmen e mecânica aduz-se
es e icamen e numa uni o mização do aspec o do li o. Es a modi icação ilus a as al e ações na
lógica de uncionamen o: uma sepa ação c escen e en e a p odução e a enda e, consequen emen e,
en e es a e o público. O que an es e a uma elação di ec a, a a és da encomenda, passa a uma
elação mediada, onde o a capa assume o papel p incipal, como meio de comunicação com o
público. O li o passa de objec o único, com objec i os e ca ac e ís icas es é icas bem de inidas,
52 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
p oduzido pa a uma pessoa especí ica, pa a um objec o p oduzido em sé ie sem um público-al o
de inido e que exis e independen emen e des e.
A capa assume, nes e cená io, o papel p incipal na elação en e público e p odu o . De uma
elação di ec a, em que a cons ução da capa é ei a à medida, passa a uma elação mediada, em
que passa a se o p incipal meio de comunicação com o público.
As encade nações em ecido su gem na década de in e do século XIX e subs i uem
p og essi amen e as de pele, po usa em um ma e ial menos dispendioso. O p imei o edi o a
lança uma colecção comple a com encade nações de ecido é William Picke ing, em Lond es,
com os li os Diamond Classics, en e 1822 e 1832. Apesa do declínio ge al na qualidade de
p odução do li o, após da Re olução Indus ial, Picke ing cons i ui um caso de exempla de um
edi o que az o con olo igo oso da imp essão e p odução dos li os.
Pa a ul apassa o aspec o simples e ágil das capas de ecido su gem inúme as écnicas
de deco ação cujo p incipal objec i o é o ná-las mais a aen es. Ac ualmen e as es a égias
come ciais emp egues pelas edi o as epescam es a ideia de ap oximação en e o lei o e o li o.
A dimensão come cial da capa su ge a pa da c iação de um me cado edi o ial, com a
p odução em sé ie de li os. Embo a inicialmen e osse conside ada uma pa e acessó ia do li o,
mui as ezes desca á el, daí a designação dus jacke ; ela é enca ada po alguns au o es como
uma mais alia na jus i icação do seu cus o de p odução. Is o é, como elemen o acessó io do li o,
a capa e ia de cump i di e sas unções de modo a jus i ica o seu cus o de p odução, que e a
mui as ezes bas an e ele ado.
“Rosne el ha he jacke had o ul il many unc ions o be cos -e ec i e: be in o ma i e,
be an ad e ising o he book jacke and a ac a en ion on display, be cha ac e is ic o he
publishing house and be app op ia e o he gen e o he book. Oli e Simon poin ed ou ha
he o iginal pu pose o he book jacke was mainly p o ec i e, bu in he cou se o ime i has
acqui ed a po encial ‘sales’ alue in addi ion o i s unc ion o suppling in minia u e pos e
ele an in o ma ion o i le, name o au ho and publishe .” (powe s, 2001)
A comp eensão do alo come cial da capa dá o igem à sua explo ação apenas como es ímulo
de comp a. Ou seja, sem qualque ligação com o con eúdo do li o. Geo ge Delaco e, undado
da Dell Books, é bas an e explíci o sob e es a es a égia, que designa de s anda d ame ican
app oach:
“I you’ e go he lousy book ha you’ e s uck wi h you hi e you bes a is o pu he ines
co e on i , ha e you bes blu b w i e gi e i a g ea blu b, and you won’ lose oo much
money.” (sch eude s, 1981)
a in luência das ques ões come ciais do p ocesso de c iação da capa • 53
A capa passa assim a cons i ui um mecanismo publici á io capaz de pe suadi à comp a e
unciona como ilusão pa a o público sob e o con eúdo do li o. Há assim uma p oli e ação de
capas apela i as, cuja unção se esume ao incen i o das endas.
A imagem da edi o a
No me cado edi o ial a p esença come cial az-se sen i , no espaço de enda, sob e udo a pa i
dos í ulos publicados. Capa, lombada e con acapa, embo a es a úl ima em meno escala, são
espaços p i ilegiados de p omoção da edi o a, cuja iden i icação ul apassa em la ga medida a
inclusão do nome e logo ipo. A consciência da impo ância da exis ência de uma ligação isual
en e os í ulos publicados, ou no âmbi o de sé ies e colecções emá icas, su ge nos anos 60 na
sequência do apa ecimen o e expansão dos p incípios de iden idade co po a i a.
“They [Cha os and Windus] saw he isual quali y o hei book jacke s as a cen al dis inc i e
pa o hei ma ke ing s a egy.” (and ews, 2003a)
A iden idade da edi o a
O edesign da Penguin, em 1962, da au o ia de Ge mano Face i, indica já uma consciência
di e en e ace ca daquelas que se ão as necessidades de ma ke ing e o umo de u u as es a égias
edi o iais. A é es e pon o as capas e am desenhadas a pa i de encomendas indi iduais, ei as po
li o, ao capis a. Des a o ma, cada li o acaba a po se um p ojec o único, isolado dos es an es
da mesma colecção e e idenciando, mui as ezes, mais o es ilo do au o da capa do que a imagem
da edi o a.
Face i é con a ado em 1960 pela Penguin Books com o p opósi o de eno a a imagem
g á ica numa al u a em que a edi o a inglesa a a essa um pe íodo de c ise. Os a anços ecnológicos
pe mi em uma gene alização no uso de imagem na imp ensa e as capas de li o começam a usa
ilus ação e o og a ia sem es ições. Em con apa ida, as capas colo idas da Penguin, apesa de
acilmen e iden i icá eis pa a o público, não conseguem se su icien emen e a ac i as ace a es e
cená io, mani es ando-se es e ac o numa queb a de endas.
Como mo e pa a a eno ação da imagem da Penguin e consequen e a i mação come cial,
Face i op a po uma es a égia de uni o mização das capas das á ias colecções. A pa i da
composição desenhada, em 1961, po Romek Ma be pa a as capas da colecção Penguin C ime,
Face i c ia um p incípio comum que é depois aplicado às á ias colecções da edi o a. O seu
es o ço no sen ido de c ia uma coe ência g á ica en e os á ios í ulos ab e caminho a mudanças
signi ica i as no campo edi o ial. A c iação de um layou base pa a a Penguin e a adopção de
um sis ema ge al demons a a in luência dos p incípios de iden idade co po a i a, que êm nes e
exemplo uma aplicação p á ica, como no a Ma k Owens.
54 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
Nes a al u a Face i publica um a igo in i ulado Pape backs as he Mass Medium no qual
ala da impo ância da c iação de um p ocesso de abalho consis en e que lance as condições
pa a a p o issionalização da disciplina do design g á ico. O au o a alia o sucesso da es a égia
adop ada pa a a Penguin Books a a és da e icácia do sis ema de iden idade global adop ado,
e que se con i ma pelo sucesso indi idual de cada uma das capas. Po oposição, e e e as capas
execu adas indi idualmen e que, na sua opinião, não passam de acasos elizes.
“Such e o s on he pa o publishe s demons a e ha o hem a leas g aphic design is
eaching a poin o p o essionalism, and is o e coming he a y-c a y app oach o he single
beau i ul achie emen .” (owens, 2003)
Es a abo dagem ma ca uma ase de ansição na c iação de capas uma ez que, após o
sucesso da Penguin, á ias edi o as ame icanas op am po es a égias semelhan es. A necessidade
de a i mação da iden idade da ma ca, no campo edi o ial, e ela a in luência dos p incípios
co po a i os que ca ac e izam a indús ia, nes a ase.
Pie Sch eude s, au o de The Book o Pape backs, az no seu li o um es udo sob e li os
de capa mole–pape backs–en e os anos de 1939 a 1959. A sua jus i icação pa a a escolha des e
pe íodo é baseada no ac o de es es se em os p imei os anos de li os de bolso e, po an o, os
mais expe imen ais em e mos g á icos. Na década de 60, á ias das p incipais edi o as de li os
de bolso são comp adas: em 1958 a A on Books é adqui ida pela Hea s , mais a de a Signe é
comp ada pela mca, a Dell Books pela Doubleday. O que inicialmen e e a um me cado em pleno
lo escimen o, dispu ado po á ias edi o as de média e pequena dimensão ans o ma-se num
me cado dominado po edi o as de g ande es a u a come cial. Es a modi icação e lec e-se nas
es a égias de ma ke ing adop adas e o na-se isí el nas capas. No li o F on Co e , Alan Powe s
pa ilha da opinião de Sch eude s, à qual az menção, e elege ambém o pe íodo en e 1940 e 1960
como o mais c ia i o em e mos de p odução de capas.
“(…)Pie Sch eude s, claims ha he pe iod om 1939 o 1959 was one o ‘cha ming, nai e,
a is ic, da ing co e s, co e s used as es ing g ounds o new g aphic o ms, co e s whose
designs we e no one hund ed pe cen dic a ed by sales depa men s’.” (powe s, 2001)
Es a opinião pode se explicada pela in luência dos p incípios de iden idade co po a i a,
aplicados ao me cado edi o ial. Em simul âneo a indús ia de bens alimen a es a a essa uma ase
de mudança, da dis ibuição e enda em embalagens gené icas su gem as p imei as ma cas com
embalagens com g a ismo p óp io. Es e pode se en endido como o momen o de apa ecimen o e
expansão do b anding, que e á ambém uma in luência sob e o me cado edi o ial.
Se a e olução écnica, no início do século xx, inha acili ado a p odução de li os, ao
ape eiçoa os p ocessos mecânicos e au onomiza odas as pa es en ol idas, desde a p odução
a in luência das ques ões come ciais do p ocesso de c iação da capa • 55
de papel à encade nação e composição da capa, inha ambém dado o igem a uma uni o mização
es é ica. Depois de mo imen os como o A s & C a s e a A e No a e em esga ado o li o
de uma apa ência anónima e s anda d as es a égias co po a i as ol am a lança , embo a com
ou o ca ác e , a ideia de uma uni o mização g á ica. Con udo des a ez a uni o mização se ia
uma ca ac e ís ica de des aque e a i mação, no meio da apa en e dispe são isual pe mi ida pela
in odução das écnicas de ep odução de imagem e lo escimen o do me cado edi o ial.
A globalização do me cado edi o ial c ia as condições pa a o abandono das es a égias de
iden idade co po a i a adop adas na década de 60. Se es as cons i uí am o pon o de pa ida pa a
a a i mação come cial das edi o as, a a és da c iação de uma es é ica p óp ia e da manu enção
de consis ência g á ica nos li os edi adoss, elas di am ambém as condições pa a o seu abandono.
A ac ual dominação do me cado po um g upo limi ado de es u u as edi o iais de g andes
dimensões e a p esença já consolidada das edi o as eme gen es nesse pe íodo exigem uma ou a
abo dagem de p omoção come cial, que sugi a uma ideia de a iedade, mesmo que es a seja
apenas apa en e.
Es a égias come ciais
“Ma ke ing lo es i ! And he eason hey lo e i is because i ’s yellow and he e’s a hand on i .
Thank–you–ma ke ing.” (kidd in 92nd s ee ym&w heb ew associa ion, 2006)
Numa con e ência, enquan o ala a do seu abalho, Chip Kidd, capis a, e e e o ac o
ma a ilhoso de as suas capas se em semp e ap o adas pelo depa amen o de ma ke ing quando
são ama elas. O ama elo é mui as ezes e e ido como uma das melho es co es de capa, em e mos
come ciais, po se uma co com g ande des aque. Não é aciden al es a associação, uma ez que
se a a de uma co com g ande impac o e po isso é ambém a co escolhida pa a anspo es
públicos, áxis, camione as de escola, cole es de ânsi o e sinais de pe igo, en e ou os.
“Yellow and black used in Black Sp ing is a well-known combina ion o a ac ing a en ion
and signalling dange .” (powe s, 2001)
Po ou o lado, John Gall desc e e, em en e is a, como abo dagens a e i a :
“Don’ pu snakes on he co e (…) G een co e s don’ sell. Don’ pu dogs!”
(ba nes & noble, 2008)
A colocação de igu as humanas é p i ilegiada, enquan o a u ilização de imagens de cães
ou cob as é des i uada. Es as são algumas das e e ências mais comuns dadas po capis as, e
que descon ex ualizadas do meio come cial pa ecem ag upa uma sé ie de p econcei os g á icos
56 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
apa en emen e absu dos. A exis ência de um depa amen o que a alia o ma e ial g á ico
p oduzido a pa i de uma sé ie de c i é ios es é icos dis in os dos conside ados pelo capis a
deno a cla amen e a o ien ação do abalho po p eocupações come ciais.
Como demons a no abalho desen ol ido, Gall não segue qualque dos conselhos e e idos.
A úl ima eg a que enuncia, na sequência des a en e is a, é exac amen e a de igno a odas as
eg as.6 Com es a a i mação de Gall p e ende apenas demons a que qualque abo dagem é
álida quando de idamen e con ex ualizada. Po ou o lado, a desobediências das eg as p é-
es abelecidas pe mi e ao capis a en e eda po modelos menos habi uais e consegui dessa o ma
o p e endido des aque. A di e enciação se á analisada em maio po meno mais a en e.
Mui o do abalho g á ico publicado é cons angido po ac o es ex e nos ao p ocesso
c ia i o, que em e mos écnicos que em e mos come cias. A in luência des e úl imo, o
impac o come cial, es á especialmen e p esen e nas g andes edi o as, expos o po depa amen os
especializados na á ea de ma ke ing e publicidade. A noção des es ac o es ajuda em g ande
medida a in e p e a as endências que ca ac e izam as capas de li o de de e minada al u a e a
comp eende a paisagem g á ica que ca ac e iza as capas de li o ac ual.
Vá ias capas ama elas de li os lançados en e 2006 e 2008.
a in luência das ques ões come ciais do p ocesso de c iação da capa • 57
A sepa ação en e abalho c ia i o e es a égia come cial pa ece es a cla amen e de inida
pela sepa ação en e ambas, na o mação académica e nos manuais. Não exis em manuais de
e e ência pa a a c iação g á ica edi o ial, seja ela de capas de li o ou ou a, que enume em
as di ec izes come ciais a que es a de e obedece . Is o é, exis e uma cla a sepa ação en e as
duas á eas, design e ma ke ing, em e mos académicos, que pode se is a endo em con a a
sepa ação exis en e en e li os de design dedicados a eg as de composição e li os de es a égia
come cial, com eg as de ma ke ing. Mesmo em e mos g á icos, a pa e c ia i a do p ocesso é
semp e sal agua dada, uma ez que os manuais se dedicam apenas a es a égias p ocessuais e
eo ia de composição.
Em e mos p á icos, a in e ligação en e design e ma ke ing acon ece no meio co po a i o,
pela in e acção en e p o issionais no deco e dos p ojec os. A e e ência a es as elações é
no malmen e ei a po capis as, em en e is as e con e ências, na sequência de ap esen ação do
abalho desen ol ido. Ao ala das capas c iadas, a jus i icação das decisões omadas é semp e
ei a com base na desc ição do p ocesso de abalho, que en ol e uma in e acção com ou os
p o issionais, desde o di ec o c ia i o ao di ec o come cial. Gall, di ec o a ís ico da Vin age
Books, em en e is a, e e e a in e e ência do ipo de li o nas decisões da capa.7 Segundo Gall
exis e uma maio p essão come cial sob e capas de edições de bolso cujo ca ác e é mais e éme o,
em compa ação com edições de capa du a, uma ez que es as são menos p opensas a comp as
espon âneas e são quase semp e al o da c í ica, o que lhes pe mi e a ingi maio isibilidade
independen emen e da capa. No espaço das li a ias, as edições de bolso em semp e maio
des aque, uma ez que são as menos dispendiosas. Em e mos écnicos, a maio ia das capas des e
géne o de li o, op a po uma mis u a de ma e iais e écnicas de imp essão exó icas que o na o
esul ado inal bas an e eclé ico. Em e mos g á icos, é comum o ecu so a mecanismos isuais não
comuns nou as á eas de design, menos come ciais, como as somb as (d op shadow), a ipog a ia
em g ande escala e com espaçamen os ex a de modo a ocupa odo o espaço disponí el e a
u ilização maio i á ia da o og a ia. Em e mos écnicos é dada p e e ência a imp essões com
ele o, u ilização de papéis e in as especiais, co an es e plas i icação, pa a um esul ado inal
sump uoso. Con udo, es es não são indicado es de um meno g au concep ual do abalho,
apenas de uma maio o ien ação ao me cado.
“Using special inks and inishes on a co e depends on he expec ed sales o he book. Gene ally
he bigge he book, he easie i is o eques s ange oils o die-cu s.” (howa d; g ay; pea son,
2008)
Os mapbacks da Dell Books o am abandonados em 1951 po mo i oscome ciais, o depa amen o
come cial decidiu que a ese a des e espaço pa a o blu b se mos a ia uma opção mais adequada
pa a o es ímulo das endas.
64 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
ou isca , e mui as ezes, p o ege a capa. Ao assumi o espaço da capa como um espaço abe o
à in e enção a colecção es á a pedi ao lei o que sub e a os seus p incípios. Daí que mui as
dos comen á ios ei os à sé ie sugi am que mui os dos li os pe manece ão com a capa in ac a e
azia, al como no momen o de comp a.
a in luência das ques ões come ciais do p ocesso de c iação da capa • 65
Di e ença en e me cados
As capas es ão em g ande pa e dependen es do me cado em que o li o se á lançado. Is o é
pa icula men e e iden e se obse a mos capas de li o da mesma edi o a, lançadas na mesma
língua em países di e en es, como acon ece com as edições ame icanas e inglesas. Os hábi os
li e á ios, a cul u a isual e as p á icas come ciais são ques ões impo an es pa a o sucesso de um
li o em edi o as que abalham a ní el in e nacional.
Ao con á io da capa de CD, que é planeada pa a um me cado global, a capa de li o a ia
de país pa a país. Es e ac o de e-se, em g ande pa e, a mo i os legais elacionados com a posse
dos di ei os de publicação do li o, po pa e das edi o as. Si uação que não em pa alelo na
indús ia discog á ica, uma ez que as edi o as de música de êm odos os di ei os sob e a música.
Assim, enquan o as capas de CD êm a mesma imagem independen e do me cado e ha endo,
e en ualmen e, uma adução dos ex os, as capas de li o mudam in eg almen e de país pa a país.
Es a a iação de e-se an o ao ac o de se a a em de edições de edi o as di e en es, com imagens
e abo dagens di e en es, como à p óp ia adap ação do concei o da capa ao con ex o especí ico do
país em que se á publicada. Exis em no en an o algumas excepções, em que a imagem da capa é
endida jun amen e com os di ei os de publicação e apenas são ei as as al e ações ao ex o.
As di e enças en e me cados êm indo a dilui -se, na sequência da in e nacionalização
de mui as edi o as, con udo con inua a no a -se uma di e ença signi ica i a en e o me cado
ame icano e o eu opeu. Powe s e e e a exis ência de uma endência eu opeia pa a o uso de
capas essencialmen e ipog á icas, “non-glossy, non-pic o ial”, nas pala as do au o . O me cado
ame icano, po sua ez, é semp e desc i o como adep o de capas com imagem.
“In Ame ica, he lu id co e is conside ed essen ial o secu ing mass sales o pape backed
books.” (powe s, 2001)
Du an e á ios anos o aço mais ca ac e ís ica dos li os da Penguin Books e am as capas
clássicas, que usa am apenas ex o e um código c omá ico po géne o. Com a expansão da edi o a
pa a o me cado ame icano, em 1939, es a es a égia isual é man ida, e i ando-se o ecu so à
imagem como elemen o p io i á io da composição da capa. Con udo, a necessidade de se
o na come cialmen e compe i i a num me cado com ca ac e ís icas essencialmen e di e en e
dá o igem a uma adap ação das capas. Des e modo as edições ame icanas e inglesas o nam-se
dis in as, o nando-se o uso de imagens mais equen e nas p imei as, e com maio impac o
isual. Mesmo assim, e dado o pano ama ge al, Sch eude s desc e e a Penguin como a mais
eu opeia de odas as edi o as de li os de bolso ame icanas:
“The B i ish migh disag ee, bu Penguin Books can be conside ed he mos Eu opean o all
Ame ican pape back se ies. (…)Whe e he compe i ion’s co e s we e li le mo e han an a ack
on he senses, Penguin’s we e mo e ci ilized, mo e cul u ed and also mo e complex; mos o
hem could be used oday wi hou seeming da ed o idiculous.” (sch eude s, 1981)
66 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
Em e mos edi o iais, o me cado ame icano é conside ado como mais conse ado e
adicionalis a. Nes e a in luência da publicidade e do cinema az-se sen i de o ma mais in ensa
nas capas de li o.
Da id Pea son, capis a pa a a edi o a inglesa Penguin Books e pa a a edi o a ancesa Zulma,
az uma compa ação en e as ap oximações à capa, em ambos os países. Segundo Pea son, no
me cado inglês há uma maio p essão come cial que se aduz, em e mos isuais, em capas mais
uidosas–”Full-bleed pic u es and huge ype a e e y much he no m.”8– que lu am pela a enção
no espaço da li a ia. Pelo con á io, no me cado ancês a endência apon a pa a capas mais
disc e as, o que in e p e a como sinal de maio espei o pelo público e pela dignidade do li o.
O blogue The Book Design Re iew dá algum des aque à compa ação en e capas de edições
ame icanas e inglesas do mesmo li o. Nos exemplos ap esen ados o oco incide sob e udo no
concei o da capa, em elação ao con eúdo do li o, e na execução. A pa i dos exemplos analisados
não é possí el aze gene alizações sob e a dis inção en e me cados analisados. Há casos em que
a edição ame icana é mais bem sucedida, ou as em que é a inglesa e ainda ou as em que ambas
as capas azem in e p e ações in e essan es sob e o li o. Em apenas um dos exemplos dados, o
do li o de Musicophilia, de Oli e Sacks, a capa de ambas as edições é ei a pelo mesmo capis a,
Chip Kidd. Enquan o na edição inglesa do li o há apenas um jogo ipog á ico, que mis u a le as
e símbolos musicais sob e um undo liso, na edição ame icana es e jogo ipog á ico é eduzido a
uma e ique a colocada sob e uma o og a ia do au o do li o, que ocupa oda a á ea da capa. Es e
exemplo su ge quase na con i mação das a i mações an e io es, que con i mam a p e e ência
pela imagem, no me cado ame icano.
a in luência das ques ões come ciais do p ocesso de c iação da capa • 67
O espaço ísico da li a ia e o espaço online
Apesa do papel da capa na p omoção do li o, o espaço da li a ia é ambém um ac o impo an e
pa a o sucesso das endas, sendo conside ado po alguns capis as como o mais p edominan e
nes e p ocesso. Kidd chega a a i ma :
“Book jacke s do no sell books. Books o es sell books.”
(92nd s ee ym&h heb ew associa ion, 2006)
Os espaços de enda so e am uma g ande al e ação ao longo dos empos, em g ande pa e
como consequência di ec a da e olução dos meios de p odução. De um p imei o momen o, em
que a p odução e a comple amen e manual e em que a enda es a a di ec amen e dependen e
da encomenda, a um segundo, com o início da p odução mecânica, em que os li os são
come cializados numa a iedade de es abelecimen os come ciais. O apa ecimen o das edições
ba a as de bolso banaliza a enda de li os nou os espaços além do da li a ia. En e ou os,
o na-se comum a enda em papela ias, quiosques, g andes a mazéns, e es ações de camione as
ou comboio.
As pequenas li a ias são menos comuns, ac ualmen e, dada a conco ência das g andes
cadeias de enda, as mega-li a ias, como as ame icanas Ba nes & Noble (B&N), Bo de s,
Waldenbooks ou B. Dal on. Con a-se ainda com a inco po ação de secções de li e a u a nos
hipe me cados e das pla a o mas de enda online, en e os quais se des aca o websi e da Amazon,
o p imei o a ende li os online em g ande escala. A p e e ência do público po es es espaços é
simples, há uma maio a iedade de li os semp e disponí el, os p eços são mais baixos e acima de
udo, há um econhecimen o da ma ca e consequen emen e uma maio sensação de con iança.
Nas g andes li a ias, a o ganização dos espaço e a disposição dos li os é pensada ao
po meno es e obedece a uma sé ie de eg as e aco dos que nem semp e são pe cep í eis ao público
em ge al. O a anjo dos li os, desde a dis ibuição pelo espaço aos des aques, co esponde na
maio ia das ezes a aco dos come ciais ei os com as edi o as, des inados à p omoção de um
de e minado í ulo. Es a écnica é chamada de 'publicidade co-ope a i a' como explica Ellen
Lup on, no a igo Book Selling. A ideia subjacen e é a de que o público oma á os li os em
des aque como selecções cuidadosamen e ei as po um ge en e da li a ia ap eciado de li os;
ou en ão que es es co esponde ão aos ops de enda ou aos li os em análise na imp ensa.9 Na
e dade, aquilo que acon ece é um alugue dos melho es espaços de exibição pa a a ga an i
isibilidade pública de de e minados li os. O cus o des e alugue é supo ado ou pela edi o a ou
pela dis ibuido a em conjun o com o endedo .
Os p incipais des aques em li a ias co espondem às mesas e es an es de op de endas,
onde os li os são colocados com a capa ol ada pa a a en e. As es an es es an es uncionam
mais como o ma de a mazenamen o do que como o ma de p omoção. A consul a dos li os
68 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
em es an e con idam o público a uma ac i idade mais me ódica, de pesquisa, ao con á io de
uma menos descomp ome ida, de descobe a, nas á eas de des aque. Implicam uma maio
disponibilidade e a enção. Como consequência do posicionamen o no espaço da loja, os li os
em des aque acabam, ealmen e, po se o na nos bes selle s. Es a elação é explicada pelo alo
que o público ins in i amen e associa aos li os colocados em des aque.
Sulli an e Temple , dois dos au o es en e is ados, e e em uma isi a ápida à li a ia como
p incipal on e de inspi ação pa a os a igos:
“Abou once a week I’ll go o a bookshop o e my lunch hou and look a ound. I ocus on cu en
/ jus published books, so i ’s usually a quick ip: look a he new ic ion and non- ic ion able,
and I’m ou .” (sulli an, 2008)
“I mos ly b owse s o e shel es looking o wha s ands ou , bu I also ge a lo o books om
publishe s so once in awhile I ind a Co e ed subjec ha way.” ( emple , 2008)
Ao e de elance os li os na li a ia se ão mais acilmen e iden i icados li os com a capa
expos a do que li os gua dados em es an e.
“Bo de s G oup Inc. has decided you can sell a book by i s co e .” (moo e, 2008)
A ecen e adopção de um no o concei o de exposição de li os pela cadeia de mega-li a ias
ame icana Bo de s em na con i mação des a ideia da impo ância come cial da capa, e da sua
in luência no espaço de enda. Em ez da adicional colocação na es an e, com a lombada isí el,
os li os passa am a se colocados de en e pa a o consumido , deixando a capa pe ei amen e
isí el. A ideia em como p incipal on e de inspi ação as o mas de disposição de p odu os em
espaços de me cea ia ou supe me cado, onde as embalagens são semp e colocadas de en e pa a
o consumido . A analogia en e a capa e a en e de uma embalagem o na-se mais e iden e nes e
con ex o, em que a dimensão come cial é cla amen e assumida.
Es a o ma de disposição, ao mesmo empo que pe mi e um aumen o conside á el do
núme o de capas isí eis, implica uma edução de capacidade de a mazenamen o–en e 5 a
10%–nas p a elei as. Con udo, segundo alo es e elados, o aumen o signi ica i o de endas
num cu o pe íodo de empo demons a o po encial des e modelo de exposição.
A capa não unciona apenas como mecanismo de p omoção do li o no espaço da li a ia
e nes e sen ido é in e essan e cons a a que a modi icação no espaço de enda ísico da Bo de s
ambém se e lec e no si e da companhia. O menu p incipal, da p imei a página ap esen a um
no o componen e de na egação in i ulado de Es an e Mágica, onde são ap esen ados os des aques,
com imagens das capas ol adas pa a a en e e pousadas sob e uma p a elei a, à semelhança do
que acon ece nas lojas. Aqui a única no idade é o uso da es an e como me á o a, uma de i ação
do no o modelo de exposição na loja, po que a capa cons i ui, em quase odas as pla a o mas de
enda online, a p incipal o ma de iden i icação do li o.
a in luência do con ex o sociológico e cul u al na c iação da capa • 69
Além da Es an e Mágica, exis em ou as o mas de ap esen ação de capas que en am uma
simulação de idimensionalidade associada ao li o. Es a simulação de idimensionalidade, com
ecu so a e ei os g á icos, é uma ideia que em de ás e cuja execução demons a a in luência das
e amen as usadas e das linguagens g á icas dominan es. As imagens de ap esen ação de li os
no si e da Penguin, po exemplo, e idência uma cla a in luência da es é ica da isualização Co e
Flow do p og ama iTunes.
A impo ância da dimensão ísica do li o, is o é, do seu amanho e das ca ac e ís icas ác eis
da imp essão–a ex u a do papel, o b ilho, as in as, os ele os–pe de-se com a ap esen ação da
imagem digi al da capa. Nes e sen ido é comum a p e e ência pela o og a ia na ap esen ação de
imagens de capas em li os sob e o ema, como o ma de ep esen ação mais idedigna ao aspec o
do objec o.
A p incipal di e ença en e os dois espaços de enda, o ísico e o online, eside sob e udo
na qualidade ác il do objec o li o. Embo a seja possí el acede um maio núme o de ecu sos a
pa i de pla a o mas de enda online, exis em di e enças signi ica i as sob e udo de expe iência
do li o quando não exis e con ac o di ec o com es e. Mui as das ca ac e ís icas são pe didas pela
ep esen ação digi al e bidimensional da capa e páginas, dando o igem a uma uni o mização
dos li os ap esen ados. Daqui se explica a adopção de ep esen ações do li o que simulam a
o og a ia, dando a ideia da idimensionalidade do objec o.
“I he e’s some hing in pa icula I wan o w i e abou , I’ll y o go o he bookshop ha day
o look a i in pe son (..)” (sulli an, 2008)
Dois dos c í icos de capas en e is ados, Sulli an e Temple , ap esen a am a sua p e e ência pela
descobe a de li os no espaço da li a ia, como espaço na i o de ap esen ação do li o. Mesmo
quando o conhecimen o do li o em como o igem ou o meio, como a secção de c í ica do jo nal,
ou o websi e da edi o a, exis e a necessidade de e o objec o imp esso, semp e que possí el.
Colecções G ea Jou neys e G ea Lo es como apa ecem ap esen adas no si e da
edi o a, Penguin Books. Capas de Da id Pea son,
70 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
conclusão • 71
Conclusão
“(...) g aphic design emains, inescapably, pa o ma e ial cul u e. I is he e, in he e y o m o
he book objec , ha he in e sec ion o g aphic design his o y and he his o y o ideas is made
mo e angible.” (owens, 2003)
A e olução ecnológica cons i ui nes a disse ação o pon o de pa ida pa a a análise da capa
de li o. A modi icação dos meios de p odução e das e amen as disponí eis ao longo do empo
é esponsá el não apenas pela al e ação do aspec o do li o, mas ambém pela al e ação da elação
en e es e e o público. Enquan o objec o p oduzido manualmen e, o li o su ge na sociedade
como objec o a o e alioso, com um público al o es i o. A indus ialização e consequen e
mecanização do p ocesso de p odução pe mi e gene aliza o acesso do público ao li o. Con udo,
o li o não deixou de implica uma o e ca ga simbólica que se mani es a pa icula men e na
abo dagem g á ica da capa.
Seguidamen e, abo dámos a capa do pon o de is a concep ual, p ocu ando in e oga quais
as ases do p ocesso c ia i o e as p incipais p eocupações do capis a no momen o da concepção.
A desc ição do p ocesso de c iação da capa inicia-se in a ia elmen e pela e e ência à lei u a do
li o. Es a o na-se uma e apa essencial–especialmen e no caso dos li os de icção, em que a
na a i a do li o assume um papel p eponde an e na elação com o lei o .
Ao o na a lei u a um pon o in ínseco do p ocesso de c iação, apon a-se pa a que a elação
en e a capa e o li o ul apasse a de me a p oximidade espacial, cons uindo-se uma dependência
maio en e as duas. Des a o ma, ica isí el a necessidade que exis e de es u u a o abalho
g á ico em unção do ex o li e á io como o ma de legi imação. Ao eclama a capa como uma
consequência di ec a do con eúdo, suge e-se que es a ul apassa as suas unções p á icas de
p o ecção, in o mação e p omoção do li o. A con inuidade que é mui as ezes p ocu ada en e
capa e miolo do li o, como no abalho de Massin, le a mais longe a ligação en e o aspec o
g á ico e o con eúdo, en ando que o li o se o ne numa na a i a con ínua que in e ligue a
dimensão isual e a esc i a.
No en an o, a in e acção que se es abelece en e capa e li o não se limi a a acon ece num
sen ido único–do ex o pa a a capa–exis indo exemplos em que a elação se in e e ou o p ocesso
de c iação se cons ói em simul âneo. O li o The G ea Ga sby, já mencionado, é um dos exemplos
em que a capa su ge a meio do p ocesso de esc i a e se o na um mo i o de inspi ação pa a o
au o do li o. De ini a capa como uma cobe u a ou p o ecção do li o, com uma dimensão
deco a i a, e ela-se nes e con ex o uma pe spec i a edu o a.
72 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
Aquelas que ac ualmen e são conside adas as edi o as com maio adição de publicação
são as que mais apos a am na dimensão g á ica dos li os a pa i dos capis as que coloca am ao
seu se iço. Allen Lane, edi o undado da Penguin Books, comp eende desde cedo a necessidade
de alia numa publicação a qualidade li e á ia, a acessibilidade de p eço e um aspec o inal
cuidado. Es a p eocupação aduz-se necessa iamen e numa apos a no abalho de design; daí
que mui os dos expoen es des a á ea, como Tschichold, Alan Fle che ou De ek Bi dsall, enham
abalhado pa a a edi o a. Lane demons a desde cedo uma comp eensão da impo ância da
dimensão isual do li o como pa e in eg an e des e, sendo que es a polí ica se man ém ainda
hoje a a és dos lançamen os egula es e das sé ies que aliam a qualidade dos ex os à c ia i idade
das capas. A hu A. Cohen, undado da edi o a Me idian Books, James Laughlin, undado da
New Di ec ions, ou Al ed A. Knop , undado da edi o a com o mesmo nome, cons i uem ou os
exemplos, no me cado ame icano, cujo cuidado com o aspec o g á ico dos li os publicados lhes
con e iu uma posição de des aque no campo edi o ial. A New Di ec ions e a Me idian i e am
ao seu se iço capis as como Al in Lus ig, I an Che maye e Tom Geisma ; a Knop e e, en e
ou os, Dwiggins, Edwa d McKnigh Kau e , Paul Rand, Lus ig, Chip Kidd, John Gall. Es es são
alguns dos nomes mais impo an es den o da his ó ia de capas de li o, e nes e con ex o a á
sen ido pensa que as edi o as assumem um papel undamen al na legi imação e p omoção do
abalho dos capis as.
Os exemplos ci ados ao longo des a disse ação não se p endem com um con ex o pa icula ,
embo a a e e ência aos me cados inglês, ancês e ame icano seja mais equen e. O mo i o pa a
a p eponde ância des es em essencialmen e a e com a sua dimensão e impo ância, embo a a
acessibilidade à in o mação seja ambém um ac o impo an e. Nes e sen ido, con ém conside a
os hábi os de li e acia exis en es como um ac o po encialmen e ma can e pa a a apos a no
me cado edi o ial. Es e mo i o pe mi e especula sob e as condicionan es que le am a indús ia
edi o ial a desen ol e -se segundo i mos ão di e en es consoan e o país em ques ão.
Na sequência des e es udo comp eende-se a necessidade da exis ência de uma análise
compa a i a no con ex o po uguês, que pe mi a es uda as suas especi icidades, cons i ui um
pa imónio do abalho ealizado e lança as bases pa a o econhecimen o da capa no meio
edi o ial enquan o objec o de es udo.
O li o cons i ui um objec o documen al da época em que é publicado. Com o passa dos
anos, o en elhecimen o o na-se isí el em e mos ma e iais, pelo ama elece das olhas e pe da
de co , e em e mos g á icos, pela inse ção nas co en es es é icas da al u a em que é publicado. A
longe idade do design de capas é um pon o de discussão en e p o issionais: se alguns encon am
sen ido em planea a capa pa a o con ex o imedia o de publicação, ou os p e e em pensa na
capa como um elemen o que acompanha á o li o na sua exis ência p olongada. Es a discussão
e e e-se sob e udo a edições de capa du a cuja du ação se á supe io à das edições de capa mole
conclusão • 73
ou de bolso. Se obse a mos a e olução g á ica de aco do com os dois ipos de edição, podemos
encon a di e enças signi ica i as na abo dagem à capa. Inicialmen e, as edições de capa du a,
mais esis en es e aliosas, adop am uma pos u a conse ado a na sequência da he ança es é ica
dos p imei os li os e po isso menos pe meá el às endências g á icas ex e nas. Po sua ez,
as edições de capa mole e elam-se o campo p i ilegiado de expe imen ação g á ica, onde são
ensaiadas no as ap oximações e écnicas. Ac ualmen e, es a endência pa ece e -se in e ido
is o que as capas das edições de capa mole pa ecem e icado e éns das es a égias his ó icas,
mani es ando-se po isso numa maio uni o midade de soluções g á icas e acabamen os. As
edições de capa du a, po não e em objec i os come ciais ão imedia os, conseguem alguma
au onomia e são po isso palco de maio a iação.
Nes e con ex o o na-se impo an e assumi a dimensão empo al da capa, enquan o e lexo
do pe íodo his ó ico em que se encon a. Ao con á io do ex o li e á io, que se man êm inal e ado
ao longo de publicações sucessi as, a capa é al o de e o mulação cons an e de aco do com uma
sé ie de ac o es que se e lec em na es é ica adop ada. O exe cício de in e p e ação da capa não só
se ele a p olí ico pa a a disciplina g á ica, como encon a sen ido enquan o objec o documen al.
Nes e sen ido, a c iação de um a qui o de capas, não apenas num sen ido e ospec i o mas
ambém ac ual, pode ia cons i ui uma on e de es udo ex emamen e ele an e pa a a disciplina
do design g á ico. Des a o ma, o na -se-ia possí el e uma isão ala gada do abalho g á ico
nas capas de li o e de ini campos de es udo mais especí icos, como de e minados pe íodos
his ó icos, a p odução po edi o a ou me cados especí icos. Po im, se ia mais ácil c uza o
abalho de di e en es capis as e cons ui elações de p oximidade ou complemen a idade en e
es es.
C iada com uma unção eminen emen e p á ica–a de p o ege o li o–a capa é hoje o p incipal
mecanismo de sedução imp essa. A elação que p ocu a es abelece com o público é semp e
uma de p oximidade; as es a égias que usa pa a o consegui não dependem exclusi amen e das
qualidades es é icas da capa, mas ambém da conjugação de á ios ac o es e á eas que con ibuem
pa a a sua complexidade. Ac ualmen e, es e elemen o a inge uma isibilidade ac escida g aças ao
apa ecimen o dos espaços sociais online, como blogues ou ó uns dedicados à c í ica e a qui o
de capas. Tal se mani es a ambém na gene alização dos espaços de enda de li os online, bem
como no so wa e de a qui o e o ganização bibliog á ica que eco em à imagem da capa como
elemen o de iden i icação do li o.
Em suma, podemos conside a a capa não como de aneio es é ico ou p odu o de
cons angimen os écnicos ou come ciais, mas como um sin oma de hábi os de li e acia, que
e lec e a in e p e ação do li o pelo capis a e cons ói elações com o ex o. A lei u a como pa e
in eg an e do p ocesso de c iação pe mi e assegu a que a capa não se esgo a num exe cício g á ico
e deco a i o, mas que ac escen a algo à na a i a li e á ia. A o ça isual da capa pe mi e que, em
80 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
4. Tem odos os li os publicados nos pos s?
P ocu o e odos os li os de cujas capas alo, e, quando isso não acon ece, aço semp e ques ão
de o indica . Po ezes alguns ac o es como as dimensões do li o ou alguns de alhes g á icos
mais ác eis só podem se de idamen e idos em con a quando emos o exempla nas mãos.
5. Qual a o igem das imagens de capas publicadas no blogue: são o og a ias ei as pa a o pos ou
imagens ecolhidas?
A é ago a, só uma capa que se iu de p e ex o a um pos não oi o og a ada po mim a pa i
da minha colecção, e mesmo nessa si uação p ocu o apenas o og a ias dessas capas, semp e que
possí el. De es o, e apesa da al a de um ipé e uma len e algo melho do que a da minha
modes a Olympus Camedia C-350, odos os objec os (li os, e is as ou ou os) de que alo e de
que possuo um exempla são o og a ados e ap esen ados no blogue.
[Sob e o abalho como designe ]
1. Segue alguma eg a no abalho de c iação de capas? (ex. le o li o; ala com o au o do li o, se
possí el; e capas de ou os li os ou edições do mesmo au o ; eg as de layou ou composição)
Semp e abalhei em pape backs com badana, que é um híb ido con empo âneo das sob ecapas
(as dus jacke s que en ol iam os li os encade nados em capa du a) e das capas das e sões
pape back. Ten o abalha man endo dois c i é ios em pe manência: que a capa (o painel on al)
enha impac o “local” (numa si uação de exposição, olun á ia – ei a do li o, li a ia, biblio eca
– ou in olun á ia – a lei u a num comboio, num ca é, e c) e que o plano comple o (incluindo
badanas e lombada) uncione num odo uni icado e luido. O p imei o c i é io de e pon i ica
(a é po que a isão do plano comple o é a a pa a um lei o comum e ei a no sen ido opos o–da
di ei a pa a esque da, ou seja, da capa pa a a con a-capa e badanas–àquele em que o plano
é ge almen e abalhado), mas se os dois pude em se espei ados, an o melho . A ipog a ia
de e se con ida: duas on es, no máximo ês, sendo que uma pode se on e “display” pa a se
usada apenas nos í ulos e com impac o isual, uma on e de ec eação isual, e a(s) ou a(s)
on e(s) de ex o) e de e se con inuada no in e io do li o: se odo o p ocesso pude se ei o e
acompanhado po uma pessoa apenas, de e exis i uma con inuidade ipog á ica en e a capa e
o miolo. A elha dico omia capa-miolo, com ambas as pa es sendo p oduzidas po pessoas e em
i mos di e en es (o elho i ual do ipóg a o imp esso a compo o ex o enquan o espe a pela
capa do a is a), não az qualque sen ido hoje em dia, mesmo em g andes casas edi o iais.
Tan o a ipog a ia como a pale a de co es são de alhes mui o delicados, sob e udo na ques ão
de concebe uma sé ie de li os ou de a a cada um como um caso especial. Es a é “a” ques ão
pe manen e no que oca ao design de li os, e pa a a qual não possuo espos a ainda.
anexos • 81
2. Quais são as p incipais p eocupações ao desenha uma capa?
Que a capa diga algo do li o, que es imule a descobe a e a lei u a do que não icou di o po
ela, que o gulhe o lei o po possui um li o com essa capa, que seja um ac o de união e
iden i icação en e o lei o e a ob a. Mas ambém que ique bem e se des aque numa li a ia, pa a
esse p imei o con ac o público com os olhos do possí el comp ado .
3. Que in luências encon a no seu abalho?
Sob e udo, as que encon o no passado, mais do que no p esen e. Há um ce o eca o e a as amen o
do mundo quando p ocu amos compo uma capa, quando p ocu amos ou i a oz do ex o e
encon a esses de alhes isuais que a possam aduzi , que se con unde com o silêncio de alguém
que in es iga um a qui o, que pode se um a qui o de ac o ou apenas a sua p óp ia memó ia
isual. Não ac edi o que se enha de in en a a oda com cada no a capa, mas as e e ências que se
encon em nesses “a qui os” de em se o mais exac as pa a o esul ado inal que nos seja possí el.
E essas e e ências podem i de qualque pa e. No meu caso, a His ó ia da A e é um a qui o
inesgo á el, que às ezes o nece as soluções ideais: nem que encomendasse ao melho ilus ado
do momen o i ia consegui o mesmo e ei o que a “pulga” de William Blake (de 1819) deu à capa
de C ia u as da Noi e de Láza o Co adlo, po exemplo. Mas o cinema ambém in luencia na ase
do concei o: a cena dos ca ões pessoais de Ame ican Psycho oi c ucial pa a concebe a capa de
Da e a de Ha y F ank u .
4. Qual é o ní el de au onomia que em, no p ojec o da capa, den o da edi o a? (ex. exis e alguma
condicionan e inancei a - que limi e à pa ida a escolha de ma e iais e écnicas de imp essão;
elemen os de iden idade g á ica que enham de se man idos?)
Au onomia o al, cla o, mas quando se azem capas pa a li os de que somos ambém edi o es
as condicionan es inancei a (quan o ais cus a ?) e de a acção come cial (se á que ai ende ?)
pesam mui o. Como abalho em sis ema digi al (que imp ime a pa i de um PDF de al a esolução
em CMYK), acabamen os mui o equin ados como co es di ec as especiais (me alizados, e c),
ele os ou co an es es ão o a de ques ão, o que acaba po se bené ico po que, pa a além de
esol e a p eocupação inancei a com os gas os excessi os, me ob iga a concen a no essencial.
Daí que à p eocupação com o cus o de p odução que condiciona o design global do li o,
podemos, no design da capa, dize que a condicionan e p incipal é um mis o de ambição es é ica
e de apelo come cial, sendo que aquela se pode con ola mui o melho do que es e.
5. Uma capa de li o ou um au o de capas p e e ido, e po quê?
Respos a mui o di ícil. Há imensas coisas con empo âneas que me a aem, mas eu escolhe ia uma
capa an iga e mágica, cuja p imei a edição ainda não i e o p aze de e nas mãos (é um li o
complicado de consegui ainda in ei o, ou seja, com a sob ecapa, que é do que se a a): a capa
82 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
de Th ee T agedies de Ga cia Lo ca ei a em 1947 pa a a edi o a New Di ec ions po Al in Lus ig.
O concei o de capa como en ada (“ga eway”, pa a usa o e mo escolhido po And ew Howa d
pa a uma exposição ac ual de capas de li os) é ilus ado po uma na a i a quase ílmica com o
e ei o de “su u a” (“su u e”, ou cosedu a, que signi ica que a sucessão de planos numa na a i a
isual nos “cose” len amen e à his ó ia) e um esul ado mui o hipnó ico: é impossí el não ica
a olha e a compo men almen e os p imei os passos da acção, ou a isualiza um cená io,
dado que se a a de peças de ea o (a enção: não me e i o às capas das subsequen es edições
pape back, mas à sob ecapa da edição ha dback de que alei nes e pos : h p://ped oma quesdg.
wo dp ess.com/2007/08/19/3- agedies-de-ga cia-lo ca/ ). E o uque abuloso de e a ipog a ia
inco po ada isicamen e nos elemen os da capa (o nome “Lo ca” esc i o na a eia da p aia à noi e,
e o í ulo “3 agedies” num papel amachucado) sem que pa eça o çado ou a ec ado...
anexos • 83
And ew Howa d, designe e cu ado da exposição Ga eways
[sob e a sua ac i idade enquan o cu ado ]
1. When did you in e es in book co e s appea ?
I ’s always been p esen . I ’s o en said ha , as a design i em, he pos e is he epi ome o g aphic
design. Mo e han any o m he pos e has always been iewed (by designe s) as o e ing he mos
comple e oppo uni y o pu ing all o hei knowledge o he es . I is he classic amalgam o
ex and image p oducing a single in eg a ed design. Book co e s p obably come second. They a e
like mini-pos e s, able o be comple e in hemsel es. This is one o he cha ac e is ics ha makes
hem so appealing.
2. Which we e you sou ces o selec he au ho s you in i ed? (Ex. Books on co e design, blogs,
books o es, e c)
The exhibi ion was o ganised by launching a gene al call h ough a webpage ha was c ea ed
especially o ha pu pose (h p://esad.p /ga eways/). I in i ed designe s (and publishe s) om
a ound he wo ld o send hei co e designs o selec ion. This so o s a egy always con ains
a deg ee o isk howe e as i is impossible o gua an ee he esponse, bo h in e ms o quan i y
and quali y. As a sa egua d I decided o supplemen he open call wi h speci ic in i a ions o
designe s I knew o knew o . I s a ed by in i ing Da id Pea son and Jon G ay, knowing ha hei
wo k would gua an ee quali y and gene a e in e es . The con as in hei s yles was a delibe a ely
choice: he se ies wo k done by Da id o Penguin, and he indi idual co e s ha Jon does as a
eelance . I seemed o me like an in e es ed balance. In addi ion I in i ed o he designe s whose
wo k I liked. This selec ion included in es iga ion o books on co e designs, websi es and blogs
in addi ion o he wo k wi h which I was al eady amilia . I also used o he help o Ma hais
Huebne , a young edi o om Be lin who had ecen ly in i ed me o include some o my wo k in
his ecen publica ion Fully Booked (Die Ges al en Ve lag).
3. Why did you choose o use pho og aphy in he ca alogue ins ead o digi al co e images?
Design o p in is only hal comple e a he p e-p ess s age–a bi like cooking when a ecipe has
been p epa ed bu no ye gone o he o en. E e y hing is la on he sc een bu p in design only
assumes i s eal pe sonali y as a inished objec when choice o pape , ink and o he inishes gi e
he wo k i s inal iden i y. These choices a e a undamen al pa o he design and he e o e o
show a digi al e sion o he co e makes no sense. Su p isingly, a ai amoun o he designe s
only had digi al e sions so we had o ha e he books pho og aphed.
84 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
4. You mixed edi o ial gen es, such as ic ion and exhibi ion ca alogs. Why didn’ you es ic he scope
o he exhibi ion o speci ic gen es?
The Idioms se ies o exhibi ions, o which Ga eways is he 6 h exhibi ion, is a so o ial se ies.
Al hough he exhibi ions a ac p o essional designe s and design s uden s (and conside s hem
as an audience in he planning o he exhibi ions), i also has o conside he housands o isi o s
ha No eShopping a ac s e e y day, many o whom a e unlikely o isi museums and galle ies
o a wi h any equency, i a all. Fo ha eason he exhibi ions need o s ike a balance be ween
wha hemes a e p esen ed and also he way in which hey a e p esen ed. I wan ed o ‘in oduce’
he wo ld o co e design and i seemed mo e app op ia e o show a wide ange o wo k and
applica ion a he han na ow he explo a ion o any pa icula gen e. O cou se, book co e
design as a heme could p o ide enough subs ance o a whole se ies o exhibi ions in i sel bu
pe haps his enue is no he co ec one.
5. Fa ou i e book co e o book co e designe ? Why?
I ecei ed a lo o en ies o he exhibi ions. I ejec ed qui e a lo . I don’ know o ce ain bu
i mus be close o 40 o 50%. I can say why I selec ed he en ies in he exhibi ion. I can alk
abou hei s eng hs and cha ac e is ics bu he concep o a ou i es is no some hing ha holds
in e es o me. I don’ hink abou i .
[sob e a sua ac i idade enquan o designe de capas]
1. Do you ollow some ules o book co e wo k? (Ex. Read he book, esea ch o alk o he
au ho , look up p e ious designs o he au ho ’s books)
No, I don’ always ead he book. Bu I ind ou enough abou i o be able o make wha I
belie e a e app op ia e decisions. The majo i y o he books I design a e no solely ex -based.
They a e exhibi ion ca alogues, pho og aphy and a chi ec u e books o ha e a ai ly speci ic
heme o subjec ma e and a e usually illus a ed. I ’s easie in hese cases o unde s and he
na u e o he book wi hou ha ing o ead i all. Whe e I design ex -based books, he subjec
is also usually p e y clea –Mode n economics o Elizabe han his o y. Whe e eading he book
becomes mo e c ucial is in he case o ic ion, whe e he i le may gi e you li le in o ma ion o
e en be misleading.
2. Wha a e you main conce ns when designing a co e ?
To cap u e an essence o he book wi h being oo li e al. I ’s nice o c ea e a deg ee o ambigui y
o o he mos pa he i le will ell you wan you wan o know. Concep s o beau y seem o
ha e become di icul o alk abou in ou mode n age bu I wan my books and hei co e s o
anexos • 85
con ain beau y. Some imes I am conce ned o a emp o ‘ ein en ’ how a book o co e wo ks,
o b ing o i a eshness ha will help o a ac he iewe . I wan o b ing o he books I design
di e en quali ies; some imes isual powe , o calm, o in imacy, o anonymi y.
3. Which would you desc ibe as majo in luences in you wo k?
Disappoin ing as i may sound, I ha e no speci ic in luences. I am no a pu is in any way and I
ind a whole ange o app oaches po en ially exci ing.
4. Wha is you wo k au onomy inside a publishing house? (Ex. Do you ha e any inancial cons ain s
– ha limi you pape o p in ing op ions, do you ha e o ma ch he publishe s g aphical s yle)
On he wo occasions ha I ha e wo ked o publishing houses (as opposed o occasional
publishe s), I ha e been he a di ec o (A eal Edi o es and Edi o a UP). This mean I was able
o es ablish ce ain p oduc ion pa ame e s as well as de ine g aphic s yles. In any case, whene e
I am asked o design a book I ne e au oma ically accep he b ie I’m gi en. This p inciple
applies o any design wo k I unde ake. I always begin by lis ening o wha he clien wan s bu
hen I make my own judgemen and p esen my assessmen o wha would be app op ia e. E e y
designe has o wo k wi hin cons ain s, om ones ela ing o budge o ones conce ning ime and
he quali y o he ing edien s (poo pho os o example). The challenge is o use hose cons ain s
o ad an age, ea ing hem as pa ame e s ha ac as a guide. All design in ol es he p ocess o
making choices, and o make choices one has o de elop c i e ia. This is one o he easons ha
s uden s s uggle. They wo k wi h ools ha allow hem o c ea e coun less a ia ions o he
same design in a sho space o ime and wi h g ea ease. They a e hen le wi h he p oblem o
choosing be ween hese a ia ion–a ask hey o en y and abdica e in de e ence o he eache .
In his sense, cons ain s make ce ain choices o you–bu only some.
86 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
Rui Sil a, designe da O eu Neg o
Ana Ca alho: Achas que é impo an e le os li os?
Rui Sil a: Sim. Acon ece semp e, quando começo a abalha , leio semp e o li o an es de o
pagina . Sei que há mui os designe s que não lêem os li os. Na O eu os ex os in e essam-me,
são ensaios sob e a e, pe o mance, cinema… Se osse um li o sob e mic obiologia não ia le o
li o a é ao im, cla o; mas ia le uma pa e pa a e alguma ideia.
O modo como gos o de abalha o li o em de den o pa a o a, ou seja, le o li o e en a
pe cebe udo o que es á lá, po que é e iden e que ao e o í ulo enho logo uma sé ie de ideias.
Po exemplo, A A e da Pe omance, ou o Lac imae Re um, enho logo uma ideia pa a esol e es e
p oblema a pa i do í ulo, nem p eciso de le o li o, é quase imedia o. A ques ão é que ao le o
li o e ens uma comp eensão o almen e di e en e. É e iden e que i á condiciona mais do que
o p imei o impac o, a p imei a ideia, mas ai in luencia a pa i daí, odas a decisões que ais
oma . E en a elaciona isso com o con eúdo do li o.
Eu pagino o p óp io li o e aço a capa, aço udo, daí que le o li o se o na ainda mais
impo an e. Aliás, a capa no malmen e só apa ece quando o li o já es á quase odo paginado.
Não há p essa em e a capa p on a. Podes epa a que em odos es es li os a on e que es á na
capa apa ece ambém no in e io ; po exemplo, es a on e [O Espaço Vazio] é dada nos í ulos
dos capí ulos e apa ece ambém no inal, no cólo on. A mesma coisa acon ece, nes e [Lac imae
Re um] a on e é a mesma que apa ece nos sepa ado es. Há semp e uma ligação di ec a com
a ipog a ia, do in e io pa a o ex e io . E depois as o mas das capas: nes e [Lac imae Re um]
a lág ima apa ece no cólo on e epe e no índice. Tenho semp e o objec i o de en a man e
uma unidade en e as á ias pa es do li o, assim, à medida que ais caminhando pelas páginas
exis e uma con inuidade. Não é uma capa a cob i um in e io qualque , capa e paginação es ão
ligadas.
Nes e caso aqui [A A e da Pe o mance], uso qua o ipog a ias di e en es po que inha uma
sé ie de eg as in e io es mui o mais elabo adas: mui as no as di e en es e en adas de pa ág a o.
Es e li o, oi o que demo ou mais empo e que oi o mais cus oso a aze . Foi o p imei o. An es
de se chega à capa, que, nes e caso, oi ei a em colabo ação com Rica do Cas o, na ilus ação,
i e que a a da paginação; digi aliza e a a as imagens pa a inse i na mancha de ex o. E is o
depois de já e lido o li o e e uma consciência his ó ica do que se inha passado nos á ios
pe íodos.
Quando alamos no in e io do li o, e como ele a ec a o ex e io , isso e lec e-se em
pequenas coisas, mui as delas in isí eis pa a o lei o . Há a ias azões que le am a uma ou ou a
escolha.
anexos • 87
Na capa des e li o, O Espaço Vazio, a p imei a ase do li o diz: “Posso chega a um espaço
azio qualque e usá-lo como espaço de cena” e a úl ima diz “A ep esen ação é um jogo.”. Qualque
uma das ases do li o dá uma sé ie de ideias possí eis pa a a capa, mas se con ex ualiza es e
ex o e pensa que o espaço azio a que o au o se e e e é o espaço azio do ea o, um espaço de
cena, isso anco a a ideia do espaço azio de que es amos a ala . Es a capa oi mui o complicada de
aze , po se uma coisa ão abs ac a. Depois, sem que e , iquei a sabe que mui os dos cená ios
do au o inham uma linguagem abs ac a, assim como es a, in luenciada pelo cons u i ismo
usso. Foi um acaso eliz.
Depois as capas dos li os êm a e com po meno es e com um p oblema de execução: o
dinhei o. Como é um edi o a pequena que em pouco dinhei o, an es de pode decidi os ma e iais
enho de conside a isso. Na O eu não abalhamos com couchés, é uma opção edi o ial, uma
ques ão es é ica, em pa e, mas ambém uma a i mação do modo de es a . O me cado edi o ial
es á cheio de couchés, que é o papel mais ácil de p oduzi . Não é o mais ba a o mas como é o
papel com mais pedidos e acaba po se uma opção acessí el. Em qualque li a ia a maio ia dos
li os usa imp essão em couché, com plas i icação. Quando não se abalha com es e ma e ial não
há mui as al e na i as; den o das ca olinas co en es exis em as ca olinas de escola lisas, as cla,
e as c a , chamadas clk, que são as que usamos nas capas. Depois há uma sé ie de coisas menos
comuns, com uma g amagem g ande pa a li os, mas que pode iam se uma escolha in e essan e
se os li os não i essem badana, uma ez que a badana êm endência a le an a . A ques ão é que
a di e ença de p eços é gigan e e enca ece mui o o p eço inal do li o.
Eu não enho uma exigência po pa e da edi o a ex emamen e o ien ada pa a o me cado
come cial, ou seja, não se pensa mui o nes as ques ões. Pensa-se o li o pode á se in e essan e
e pode á ende no meio académico, uma ez que se a am de ensaios. E, po an o, pode ão e
impac o nesse con ex o. Não há es udos de me cado mas sim alguma in uição em udo is o.
ac: Têm algum depa amen o de ma ke ing ou uma es u u a edi o ial de inida?
s: Não. A O eu Neg o é cons i uída po uma pessoa e eu, e a An ígona po ês pessoas. Só nas
g andes edi o as, como a Leya, é que isso se jus i ica. Nas pequenas edi o a o que há, a ní el de
imagem, é uma con iança no abalho do designe .
Eu sei que es e li o [Lac imae Re um] em um g ande p oblema come cial, que é o í ulo.
Embo a a capa ambém não passe às pessoas uma ideia sob e o ema, que é cinema. Lendo o li o
ais pe cebe a capa.
A ní el de ma ke ing, sabes se um li o esul a ou não quando ês os pedidos da dis ibuido a.
É o p imei o impac o sob e se o li o ai ende ou não. Os li os são p og amados endo em
con a as p ospecções. As p ospecções são ap esen ações que a dis ibuido a az, em que mos a
os li os das edi o as aos endedo es. Depois dessa eunião os endedo es decidem quan os li os
88 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
ão encomenda . Se eles pedem mui os li os é po que acha am que aquilo é capaz de ende
bem e já sabes mais ou menos se esul ou. Enquan o es es [A A e da Pe o mance e O Espaço
Vazio] co e am ela i amen e bem, es e [Lac imae Re um] e e uma má ecepção apesa de e
saído em odos os jo nais e de o au o e cá es ado. Sob e udo po causa do í ulo se em la im.
O la im é uma coisa que não ende.
ac: Quando há a eunião de p ospecção é ei a uma ap esen ação do li o?
s: Não. Manda-se uma icha écnica do li o, um ex o e o li o. Cada p ospecção em ce ca de
50 li os e acon ece uma po mês.
ac: Isso que dize que eles decidem se ão encomenda o li o ou não…
s: Sem o le em. Ninguém lê li os. A capa é undamen al. A capa decide; a capa e o í ulo. Há
p ospecções que são ei as só com a ap esen ação da capa. Os dis ibuido es e os endedo es não
lêem o li o an es de o encomenda . Se eles acha em que a capa não ende não encomendam.
ac: Falas com os au o es do li o?
s: Não. Eles es ão i os. A edi o a en a em con ac o com eles po causa de dú idas de adução
e pa a a ap o ação do e a o do au o , nunca po causa da capa.
ac: Segues alguma eg a pa a aze a capa?
s: Quando abalhas numa colecção, é mui o di e en e de abalha em li os singula es. Tens
de p og ama a colecção oda. Po exemplo, na An ígona não se c iam colecções, odos os li os
são uma só colecção.
Esses dois li os [O Espaço Vazio e Lac imae Re um] acaba am po pa ece os dois da mesma
colecção, po causa do o ma o e do papel. Isso acon eceu apenas po que não conseguimos
encon a ou o papel ex u ado e ela i amen e ba a o. Começa a pa ece um bocado uma
colecção. Depois há c i é ios g á icos que que o man e , como po exemplo as badanas: em ez
de se em pa a in o mação de ex o são só pa a in o mação g á ica.
ac: És o único designe da O eu?
s: Eu aço udo pa a a O eu. Pa a a An ígona não aço nada, pa a a O eu aço udo. Desde
publicidade, e-mail, o si e.
ac: Não há ligação en e os li os da O eu os li os da An ígona?
s: Não, nenhuma. Aliás, nem gos o mui o do abalho que ele az [o capis a da An ígona]. Ele az
uma ipog a ia um bocado sapa ei a. Ele nunca apa ece na edi o a, abalha no es údio dele e o
edi o ai lá du an e 4 ho as e sai de lá uma capa. Pa a aze a capa do Da id B anco i e que lhe
anexos • 89
explica o que e am os si uacionis as, ele não sabia. É mui o design ei o numa base de igno ância.
Eu po acaso enho uma elação di ec a com os assun os abo dados. Se bem que na An ígona
não é como na O eu, eles já êm o design in e io do li o de inido. Há uma elação o almen e
di e en e, que é o mais comum: há o capis a e há o paginado .
ac: En ão o designe da An ígona é só capis a?
s: Ele só az as capas, não decide seque a on e do in e io . Isso é ei o pela e iso a, a Ca la
Pe ei a, é ela que decide a on e in e io e em um ce o gos o. Não em o igo de um designe
mas em uma consciência que mui os designe s não êm: o amanho de um í ulo, as pessoas que
lêem e abalham com li os sabem que um í ulo é uma in o mação que em de es a de uma
ce a manei a. Tu podes en a con a ia isso e às ezes esul a, mas é como os jo nais, não podes
muda o design dos jo nais odos os dias, é mui o cansa i o.
É um p ocesso pa a o qual pa o sem ce ezas, aliás, não gos o delas. Não passo ês semanas
a aze expe iências com capas an es de começa a pagina . Eu não gos o de aze expe iências
nesse sen ido. O abalho que desen ol o su ge como a consequência na u al de um p ocesso de
in es igação. Toma decisões é impo an e.
ac: Achas que é mais especí ico po exemplo aze uma capa do que aze um ca az, em e mos de
abalho de design?
s: Uma capa em um conjun o de elações à pa ida. Nós [O eu Neg o] i emos que decidi
logo de início se o li o em badana ou não. Uma edi o a com badana, con inua com badana pa a
semp e, decidimos isso nes e [O Espaço Vazio]. Só em excepções é que a i amos. Assim como o
o ma o: depois de decidi não há al e ações. Es e é um conjun o de decisões que uma ez ei o se
man êm. A al e ação cons an e de o ma os c ia p oblemas no econhecimen o da edi o a.
Depois há semp e uma in es igação an es de começa , pa a a escolha das on es, po
exemplo. Nes e li o [Lac imae Re um], ui busca uma News Go hic. Escolhi uma on e assim
po causa do í ulo em la im e do nome do au o [em eslo eno] e que ia uma on e simples. Às
ezes é p eciso simpli ica . Aqui [A A e da Pe o mance], a on e p ecisa a de ganha um bocado
mais de ex u a, de linguagem, pa a não abo ece . Como eu ambém aço a paginação do li o
sin o o li o de uma manei a mui o di e en e. Quando chego a capa enho a é um pouco de
eceio, po que exis e uma g ande ensão em sabe como é que ai ica . Também po es es e em
sido as p imei as que iz e e em sido ainda um p ocesso de adap ação. Es as não são as minhas
úl imas capas, em p incípio ou con inua a abalha com es a edi o a. O ipo de elação é que
enho na O eu, é de con inuidade. P eocupo-me semp e com o abalho que es ou a aze
Es a capa [Lac imae Re um] baseou-se numas imagens de umas capas suecas dos anos 60
que eu inha. Mos ei is o à edi o a, quando es á amos a aze es e [O Espaço Vazio] e depois
96 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso
Sulli an, Joseph—The Book Design Re iew, 2005. [Consul . 10-11-2007]. Disponí el em:
h p://ny imesbooks.blogspo .com.
Temple , Ka en—Reade ille: Mos Co e ed Co e s, 2001. [Consul . 10-11-2007]. Disponí el em:
h p://www. eade ille.com/index.php/jou nal/a chi e/ca ego y/co e ed.
Ma e ial não li o
92nd S ee Young Men’s and Young Women’s Heb ew Associa ion—The A o he Book:
Behind he Co e s: Poe y Cen e Reading Se ies. 2006. Disponí el em:
h p://blog.92y.o g/index.php/i em/92y_ ideo_a _o _ he_book_wi h_mil on_glase _
and_chip_kidd.
Ba nes & Noble—The 5 Rules o Book Co e Design by John Gall: Co e S o y Podcas ,
Books as seen h ough he eyes o hose who design hem. 2008. Disponí el em:
h p://media.ba nesandnoble.com/? _s o y=0b66b437 32a b9e86b9489a28ba15387a2e
d918.
Helle , S e en—S e en Helle on Book Co e s o he 20’s & 30’s. Pa 1 o 4: Paul Rand
Lec u e Se ies. 2006. S e en Helle on he book jacke s, illus a ion, and ma ione es o
W.A. Dwiggins. Disponí el em: h p://design.schoolo isuala s.edu/weblog/
paul and/2006/12/07/S e enHelle onBookCo e so h.h ml.
—S e en Helle on Book Co e s o he 20’s & 30’s. Pa 2 o 4: Paul Rand Lec u e
Se ies. 2007. S e en Helle discusses pos e s and book jacke s o E. McKnigh Kau e .
Disponí el em: h p://design.schoolo isuala s.edu/weblog/paul and/2007/01/18/
C25BC89F9412F540F1046BA39E00C04E.h ml.
—S e en Helle on Book Co e s o he 20’s & 30’s. Pa 3 o 4: Paul Rand Lec u e Se ies. 2007.
S e en Helle discusses he li e and design o p oli ic mode nis Al in Lus ig. Disponí el em:
h p://design.schoolo isuala s.edu/weblog/paul and/2007/02/23/F70517D2066D4D24
B00B15106F2166E8.h ml.
—S e en Helle on Book Co e s o he 20’s & 30’s. Pa 4 o 4: Paul Rand Lec u e
Se ies. 2007.S e en Helle on Russian e olu iona y child en’s books. Disponí el
em: h p://design.schoolo isuala s.edu/weblog/paul and/2007/03/07/
C1E5074E860C26E4ECAEF646F629BD2C.h ml.
—Paul Rand’s Book Jacke s and Co e s. Pa 1 o 1: Paul Rand Lec u e Se ies. 2008.
Disponí el em: h p://design.schoolo isuala s.edu/weblog/paul and.
no as • 97
No as
1. And ew Howa d, en e is a. Consul a em anexo.
2. Rui Sil a, en e is a. Consul a em anexo.
3. Ka en Temple , en e is a. Consul a em anexo.
4. Ped o Ma ques, en e is a. Consul a em anexo.
5. And ew Howa d, en e is a. Consul a em anexo.
6. “Rule 5: Rules a e mean o be b oken.” (ba nes & noble, 2008)
7. “The e is de ini ely mo e eedom in ha dco e design. Ha dco e sales a e gene ally e iew
d i en, so he co e doesn’ ha e o come on as s ong and, I hink, less people buy hem on
impulse because o hei p ice. They’ll ead a e iew and look o he book. The pape back does
no ha e he o une o being imed o he e iew a en ion, so he co e –we’ e alking on
lis he e–has o say some hing like “Remembe me? You we e wai ing o me o come ou in
pape back? Remembe ? I’m he one he New Yo k Times eally liked, you know, he one abou he
guy wi h na colepsy who likes he gi l in he plaid ski .” (b owe , 2007)
8. Haymann, Joshua—Da id Pea son : In e iew. É apes. (2006). [Consul . 02-03-2008].
Disponí el em WWW: <h p://www.e apes.com/da id-pea son-in e iew>.
9. “You may ha e hough he books on he on ables a B&N we e hand-selec ed by a local
book-lo ing manage , o ha he i les on iew a e “bes selle s” o he books being alked abou
in he p ess. In ac uali y, he publishe has paid he s o e o his placemen in a deal known as
“co-ope a i e ad e ising” o cos sha ing be ween he e aile and supplie . Those books on he
able o en do end up being bes selle s, in pa because o his posi ioning in he s o e. A book is
a mo e likely o be seen by b owsing cus ome s on a able han on a shel , especially gi en he
as size o a s o e such as B&N, and cus ome s ins inc i ely asc ibe a alue o he books placed
he e.“ (lup on, 2006)
98 • a capa de li o: o objec o, o con ex o, o p ocesso