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Representações sociais da hospitalização elaboradas por pacientes crônicos e acompanhantes

Abstract

Objetivou-se, no presente estudo, analisar as representações sociais da hospitalização elaboradas por pacientes com doenças crônicas e seus acompanhantes. Trata-se de uma pesquisa quantitativa e qualitativa, descritiva e exploratória, que contou com 65 participantes (sete crianças, 38 adultos e 20 idosos); destes, 30 eram doentes crônicos hospitalizados e 35 acompanhantes. Para coleta de dados utilizou-se a técnica de associação livre de palavras e um questionário sociodemográfico. Os resultados demonstraram que, ao representarem a hospitalização, os pacientes crônicos, independentemente de sua faixa-etária, destacam a importância do cuidado oferecido por profissionais da saúde e seus acompanhantes durante o período de internação hospitalar. Enquanto que, na perspectiva dos acompanhantes, a tristeza, o sofrimento e a dificuldade interpelam-se na vivência hospitalar, seja por meio da hospitalização em si, do tratamento oferecido ao paciente ou da mudança em sua rotina.

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Representações sociais da hospitalização elaboradas por pacientes crônicos e acompanhantes

Author: Sá-Serafim, Roseane Christhina da Nova,Silva, Rhyrilly Pâmella Ribeiro da,Do Bú, Emerson Araújo
Publisher: Universidade Federal do Rio de Janeiro
Year: 2021
Source: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/51173/1/ICS_E_Do%20Bu_Representacoes.pdf
52 A qui os B asilei os de Psicologia; Rio de Janei o, 73 (1): 52-69
ARTIGOS
DOI: 10.36482/1809-5267.ARBP2021 73i1p.52-69
Rep esen ações sociais da hospi alização elabo adas
po pacien es c ônicos e acompanhan es
Roseane Ch is hina da No a Sá-Se a imI
Rhy illy Pâmella Ribei o da Sil aII
Eme son A aújo Do BúIII
Rep esen ações sociais da hospi alização elabo adas po pacien es c ônicos
e acompanhan es
RESUMO
Obje i ou-se, no p esen e es udo, analisa as ep esen ações sociais da hospi aliza-
ção elabo adas po pacien es com doenças c ônicas e seus acompanhan es. T a a-se
de uma pesquisa quan i a i a e quali a i a, desc i i a e explo a ó ia, que con ou com
65 pa icipan es (se e c ianças, 38 adul os e 20 idosos); des es, 30 e am doen es c ô-
nicos hospi alizados e 35 acompanhan es. Pa a cole a de dados u ilizou-se a écnica
de associação li e de pala as e um ques ioná io sociodemog á ico. Os esul ados
demons a am que, ao ep esen a em a hospi alização, os pacien es c ônicos, inde-
penden emen e de sua aixa-e á ia, des acam a impo ância do cuidado o e ecido po
p o issionais da saúde e seus acompanhan es du an e o pe íodo de in e nação hospi-
ala . Enquan o que, na pe spec i a dos acompanhan es, a is eza, o so imen o e a
di iculdade in e pelam-se na i ência hospi ala , seja po meio da hospi alização em
si, do a amen o o e ecido ao pacien e ou da mudança em sua o ina.
Pala as-cha e: Doença c ônica; Pacien e; Cuidado .
Social ep esen a ions on hospi aliza ion elabo a ed by ch onic pa ien s and ca egi e s
ABSTRACT
This s udy aimed a analyzing he Social Rep esen a ions o pa ien s wi h ch onic
diseases and hei ca egi e s abou hospi aliza ion. Fo ha , a quan i a i e and qual-
i a i e esea ch, wi h a desc ip i e-explo a o y na u e, was ca ied ou , wi h 65 pa -
icipan s (se en child en, 38 adul s and 20 elde ly); om hem, 30 we e hospi alized
ch onic pa ien s and 35 we e hei ca egi e s. A sociodemog aphic ques ionnai e and
he F ee Wo d Associa ion Technique we e used o da a collec ion. Resul s showed
ha when ep esen ing hospi aliza ion, pa ien s wi h ch onic diseases, ega dless o
hei age g oup, emphasize he impo ance o ca e by heal h p o essionals and hei
ca egi e s in he hospi aliza ion p ocess. Di e en ly, om he ca egi e s’ pe spec-
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Roseane Ch is hina da No a Sá-Se a im, Rhy illy Pâmella Ribei o da Sil a, Eme son
A aújo Do Bú
i e, he sadness, su e ing and di icul y a e add essed in he hospi al expe ience,
ei he h ough hospi aliza ion i sel , h ough he ea men o e ed o he pa ien , o
e en, h ough he change in hei ou ine.
Keywo ds: Ch onic disease; Pa ien ; Ca egi e .
Rep esen aciones sociales de la hospi alización de pacien es c ónicos y acompañan es
RESUMEN
El obje i o de es e es udio ue analiza las ep esen aciones sociales de la hospi ali-
zación desa olladas po pacien es con en e medades c ónicas y sus acompañan es.
Es una in es igación cuan i a i a y cuali a i a, desc ip i a y explo a o ia, con 65
pa icipan es (sie e niños, 38 adul os y 20 ancianos); de és os, 30 e an pacien es
hospi alizados c ónicos y 35 acompañan es. Pa a la ecolección de da os, se u ilizó
la écnica de asociación de palab as lib es y un cues iona io sociodemog á ico. Los
esul ados mos a on que, al ep esen a la hospi alización, los pacien es c ónicos,
independien emen e de su g upo de edad, des acan la impo ancia de la a ención
o ecida po los p o esionales de la salud y sus acompañan es du an e el pe íodo de
hospi alización. Mien as que, desde la pe spec i a de los acompañan es, la is eza,
el su imien o y la di icul ad se cues ionan en la expe iencia hospi ala ia, ya sea a a-
és de la hospi alización, el a amien o o ecido al pacien e o el cambio en su u ina.
Palab as cla e: En e medades c ónica; Pacien e; Cuidado .
In odução
Segundo a O ganização Mundial de Saúde, Po a ia de nº 483, de 1º de ab il de 2014,
as doenças c ônicas são ca ac e izadas po ap esen a em um início g adual e com longa
du ação, podendo possui múl iplas causas. Seu a amen o en ol e, na maio ia dos
casos, mudanças no es ilo de ida do pacien e e nos p ocessos con ínuos de cuidado em
saúde (Dias & F ança Ne o, 2016; Mal a e al., 2019). No B asil, em e mos epidemioló-
gicos, e i ica-se que as axas de p e alência de doenças c ônicas ansmissí eis (DCT) e
não ansmissí eis (DCNT) são ca dio ascula es, espi a ó ias, ce eb o ascula es, eno-
ascula es, bucais, neoplás icas, além daquelas ol adas pa a deso dens gené icas, neu-
ológicas e men ais, sanguíneas, ocula es e audi i as (B asil, 2011).
Ao conside a as ases do desen ol imen o humano, pode-se a i ma que os p ejuízos
ísicos, psíquicos, a e i os e sociais p o ocados po es as a ecções a iam con o me
a idade do pacien e, da mesma o ma que as suas complicações clínicas (Moehlecke,
Cal e i & Webe , 2017; Mo ei a, Gomes & Sá, 2014). Pa e-se da p emissa, dessa
o ma, que, ao ecebe o diagnós ico de uma doença c ônica, o pacien e, simbolica-
men e, mig a da condição de saudá el pa a a condição de es a doen e (Sá-Se a im,
2013), a ando-se de uma mudança de posição si uacional, con ex ual e exis encial.
Ademais, salien a-se que ecebe a no ícia de al diagnós ico e a p esc ição de um
a amen o p olongado não apenas con ocam o pacien e a al e a o cu so de sua
his ó ia de ida (Sá-Se a im, 2013), mas, ambém, de seus amilia es e amigos, uma
ez que es es eem-se in e pelados a ajus a a e os, cognições e compo amen os
pa a lida com modi icações em sua o ina escola , labo al e/ou socio amilia .
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Rep esen ações sociais da hospi alização elabo adas po pacien es c ônicos e acompanhan es
Cabe des aca que, independen emen e do ipo de doença c ônica, o pacien e, ao
con i e com a c onicidade e suas ( e)agudizações, é a a essado po inúme as
in e nações hospi ala es (p á icas clínicas e e apêu icas ins i uin es) que, associadas
a a amen os p olongados, minimizam sin omas, e a dam a e olução clínica, mas,
ambém, podem p o oca dis in os e ei os cola e ais (Mo a e al., 2015; San os e al.,
2016). Nes e p ocesso de hospi alização, an o o pacien e quan o seu acompanhan e
i enciam o que Go man (1961; 2007) de ine como ins i ucionalização.
Des a e, o hospi al como uma ins i uição asila p i a o pacien e e seu acompanhan e
de con a o socioa e i o com seu g upo de pe ença e, concomi an emen e, passa a
u ela sob e a ida do pacien e, ap op iando-se de seu co po como obje o de in e -
enção e in e dição, na medida em que lhe impõe no mas e o ce ceia o di ei o à libe -
dade de i e i . O p ocesso de ins i ucionalização, assim, a o ece a pe da do eu e da
au onomia (Go man, 1961; 2007). Ao conside a as ideias de E ing Go man sob e
o mundo do in e nado, a i ma-se que o mundo domés ico é des i uído pa a da luga
a um ipo de ensão que é usada como o ça es a égica de con ole de quem padece
(doen es), mas ambém de quem cuida (acompanhan es e equipe mul idisciplina de
saúde) (Go man, 2007).
Nesse con ex o, pacien es e acompanhan es passam a igu a como pessoas hospi-
alizadas e, in encionalmen e, são des i uídos de si mesmos, deixam de se o “José”
ou a “Ma ia” e passam a se nomeados pelo ipo de pa ologia, pela sequela deixada,
pelo núme o do lei o ou ipo de compo amen o des ian e, po exemplo: “pacien e
do lei o x ou y”, “acompanhan e do 521A”, a “mãezinha do lei o 3”, “a esis en e”,
“a poliqueixosa que es á com o pacien e do 21”. Assim, a subje i idade do pacien e
e acompanhan e é colocada à ma gem dos cuidados em saúde.
Sabe-se que a o ina hospi ala e suas p á icas ins i uin es ap esen am-se como
elemen os no os, podendo ge a sensações de es anhamen o que se obje i am em
espos as a e i as associadas a sinais e sin omas de ansiedade e dep essão, pen-
samen os ca as ó icos ou de uína e a i udes não colabo a i as. Po conseguin e,
essal a-se a impo ância do o alecimen o da elação en e as edes de supo e
socio amilia do pacien e e a equipe mul ip o issional que o e a cuidados a es e, com
is as à supe ação dos sinais e sin omas sup amencionados. Ace ca des a ques ão,
a li e a u a apon a que, no deco e do a amen o, o pacien e pode assumi uma
pos u a esilien e en e à a ecção, não obs an e, pa a an o, é p eponde an e o
supo e/apoio emocional, a o e a de in o mações sob e o diagnós ico, além da con-
ocação e enco ajamen o do mesmo pa a que seja p o agonis a em seu a amen o
(Vicen e e al., 2016; Ped aza & A aújo, 2017).
No que se e e e à hospi alização de c ianças com diagnós ico de a ecções c ônicas,
Holanda e Colle (2012) des acam que es a i ência ep esen a uma expe iência
ameaçado a, na medida em que ge a a p i ação do co idiano, com a in e posição de
um ambien e di e en e que sepa a o in an e de sua amília, seus amigos, sua escola
e de seus obje os signi ica i os. Os au o es sup amencionados ainda des acam que
p ocedimen os clínicos e e apêu icos conside ados in asi os, como punção enosa,
aspi ação de ia aé ea, e ou as possibilidades, p o ocam eações sensi i as e a e-
i as elacionadas à espos a de do , so imen o, medo da solidão e an asias de
mo e. Nesse cená io, a o es como o medo do desconhecido, a negligência da equipe
de saúde ao emi i in o mações sob e diagnós ico e/ou a amen o ou, a é mesmo,
o descaso alheio eme gem como a o es po encializado es de an asias e emo es
en e as c ianças no hospi al (Chia one, 2003).
Bowlby (1995) des aca que o p ocesso de hospi alização de c ianças e adolescen es
passa po ês ases: a e ol a dian e da in e nação e dos p ocedimen os in asi os,
o es ado de apa ia o al e, inalmen e, o p ocesso de c iação e o mação de ínculos
com a equipe de saúde pa a, logo, começa a ap esen a a e i idade e acei ação dos
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cuidados o e ecidos. Desse modo, é de undamen al impo ância que as in e en-
ções ealizadas com c ianças e adolescen es sejam ol adas pa a a minimização do
so imen o associado às duas p imei as ases ap esen adas, podendo-se modi ica
a o ma como a c iança e o adolescen e ap eendem a dinâmica da o ina hospi ala .
Já o p ocesso de hospi alização de adul os pode se pe cebido de o ma pe u bado a,
endo em is a que o pacien e é colocado numa elação de dependência. De o ma
desau o izada, na maio ia das ins i uições hospi ala es, a au onomia do pacien e ica
na ma ginalidade dos cuidados em saúde, assim como sua o ma de pensa , sen i e
agi en e ao adoece e a hospi alização. Dessa o ma, indica-se que compo amen-
os de isolamen o, sensações de abandono, medo e es anhamen o igu am como
eações às p á icas ins i uin es (Mussa & Male bi, 2012).
Du an e a in e nação hospi ala da pessoa idosa, a elação de dependência e algu-
mas limi ações cogni i as, uncionais e biológicas ganham e idência, na medida em
que sinais e sin omas de ansiedade, deli ium e dep essão podem se desencadeados
e/ou po encializados pelo p ocesso de hospi alização (F anchi e al., 2013; San os,
Sousa & Cou o, 2016). Des e modo, a i ica-se que o idoso se agiliza, den e ou os
a o es, pela mudança adical de seu ambien e, uma ez que é e i ado de sua o ina
e p i ado do seu con í io socio amilia (S hal, Be i & Palha es, 2011).
F en e ao pano ama ap esen ado, a i ma-se que o enômeno da hospi alização ca -
ega consigo inúme as i ências e c enças que são cons uídas e compa ilhadas pelo
en o no social, ca ac e izando-se assim, como um obje o ge ado de Rep esen ações
Sociais (RS). As RS são conside adas enquan o enômenos complexos que eme gem
nas in e locuções eiculadas como uma modalidade pa icula de conhecimen o do
senso comum, seja po meio da comunicação o mal e/ou in o mal sob e um dado
obje o social (Mosco ici, 2017).
A es e espei o p esume-se que, ao ep esen a a expe iência da pessoa hospi a-
lizada, pacien es e acompanhan es podem exp essa conhecimen os e modos de
subje i ação associados ao p ocesso de hospi alização, eco endo a u ilização de
elemen os semió icos indicado es de signos in o ma i os, ideológicos, no ma i os e
cogni i os (c enças, alo es, a i udes, imagens, en e ou os), que são o ien ado es
de suas p á icas sociais du an e a in e nação hospi ala .
A aplicação da eo ia das RS no campo da saúde em sido abalizada enquan o c ucial
pa a ap eende os aspec os biopsicossociais que pe passam o p ocesso de adoeci-
men o e hospi alização. Isso oco e, pois, a pa i des e enquad amen o eó ico, não
agmen a-se o sujei o em so imen o, conside ando-o em sua o alidade e, con-
comi an emen e, comp eendendo o que a doença e seu a amen o signi icam-lhe
(Cos a e al., 2018; Do Bú & Cou inho, 2019; Ribas, San os, Zane i & Zane i, 2013;
Sá-Se a im, Rod igues & Mou a, 2018).
Em linhas ge ais, es udos ace ca des a emá ica apon am que usuá ios dos sis emas de
saúde comp eendem o p ocesso de hospi alização de modo ambi alen e: obje i ando-o
como um equipamen o de ajuda, a amen o, apoio, sal ação e ida; assim como, um
pe íodo de p i ação, exclusão, punição, cas igo e mo e (Boeme , Zane & Valle, 1991;
Ribei o & Pin o Junio , 2009). Signos como “cuidado”, “en e magem” e “o ganização”
des acam-se enquan o elemen os cen ais e o ganizado es das RS do âmbi o hospi a-
la (Oli ei a & Bo ges, 2017). Assim como sen imen os nega i os são iden i icados na
obje i ação do p ocesso de hospi alização, anco ando-o a concepções de g a idade e
so imen o (An ão, Rod igues, Sousa, Anes & Pe ei a, 2018; Lapa, & Souza, 2011).
Além dos elemen os sup ades acados, pe cebe-se que o pe íodo de in e nação é impo -
an e pa a a e ocação de elemen os mnêmicos e a e i os que ecoam modos de se ,
pensa , sen i e agi en e ao p ocesso de hospi alização. Em um es udo, po exemplo,
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Rep esen ações sociais da hospi alização elabo adas po pacien es c ônicos e acompanhan es
que buscou comp eende a hospi alização a pa i da ó ica de cuidado es/acompa-
nhan es de c ianças hospi alizadas, pe cebeu-se que, inicialmen e, esse p ocesso é
comp eendido como uma expe iência nega i a, endo-se es a concepção ans o mada
ao longo do in e alo de in e nação (C epaldi, 1998). A au o a do es udo es abelece
como uma jus i ica i a pa a ais ans o mações a boa dinâmica de in e ação es abele-
cida en e amilia es e equipe mul idisciplina do g upo em ques ão.
Amplamen e, e i ica-se na úl ima década um aumen o no desen ol imen o de es u-
dos que buscam analisa como pacien es c ônicos e seus acompanhan es ep esen-
am doenças c ônicas, assim como o a amen o des as em di e en es con ex os
(Cos a, Cou inho & San ana, 2014; Sousa, Mou a, Valle, Magalhães & Mou a, 2019;
Rod igues e al., 2016). Não obs an e, ais es udos, ao se ocaliza em em doenças
especí icas (Cânce , Diabe es Melli us e HIV/AIDS, po exemplo), acabam po não
ap eende elemen os das RS da hospi alização pa a di e en es g upos de pe ença,
ou seja, diagnós icos clínicos dis in os.
Em ace ao expos o, es e es udo busca p eenche al lacuna ao p opo analisa como
pessoas de com di e en es doenças c ônicas e dis in as aixas e á ias, bem como
seus acompanhan es, i enciam e ep esen am o p ocesso de hospi alização. Ve i-
ica como ep esen a-se es e enômeno en e dis in os g upos de pe ença é ele-
an e pa a comunidade cien í ica, acadêmica e ci il, uma ez que, es as ep esen a-
ções in e e em di e amen e nos modos de pensa , sen i e agi de pessoas en ol as
no p ocesso de adoecimen o du an e a in e nação hospi ala . Nes e sen ido, pa a
consecução desse obje i o, oi delineado o es udo desc i o a segui .
Mé odo
Tipo de es udo
T a a-se de um es udo mis o, quan i a i o e quali a i o, do ipo desc i i o e explo a ó io,
anco ado no apo e eó ico da Teo ia das Rep esen ações Sociais (Mosco ici, 2017).
Pa icipan es
A amos a des e es udo oi cons i uída po 65 pa icipan es, de o ma não p obabi-
lís ica e po con eniência (se e c ianças, 38 adul os e 20 idosos); des es, 30 e am
doen es c ônicos hospi alizados e 35 seus acompanhan es. Dados elacionados à
ca ac e ização sociodemog á ica dos g upos sup amencionados podem se consul a-
dos nas Tabelas 1 e 2.
Tabela 1. Ca ac e ís icas sociodemog á icas dos pa icipan es com doenças c ônicas
Ca ac e ís icas dos
pa icipan es com
doenças c ônicas
Pacien es c ianças
(n = 7)
Pacien es adul os
(n = 10)
Pacien es idosos
(n = 13)
N%N%N%
Sexo
Masculino 2 71,2% 4 40,0% 4 30,8%
Feminino 5 28,6% 6 60,0% 9 69,2%
Educação
Ensino Fundamen al 7 100% 7 70,0% 10 69,9%
Ensino Médio - - 2 20,0% 2 15,4%
Ensino Supe io - - 1 10,0% 1 7,7%
Idade M (DP) M (DP) M (DP)
7,71 1,25 43,0 9,32 63,8 5,04

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A aújo Do Bú
Des aca-se que o am incluídos nes a pesquisa pacien es que es i essem: acima de
se e anos de idade; hospi alizados no pe íodo supe io a cinco dias (po en ende que
es e empo é necessá io pa a a i a os p ocessos de assimilação e acomodação das
no mas ins i ucionais); diagnos icados com doenças c ônicas ansmissí eis ou não
ansmi í eis; ap esen assem disponibilidade pa a pa icipa da pesquisa de o ma
olun á ia; assinassem o Te mo de Consen imen o Li e e Escla ecido ou i esse o
mesmo assinado po seu esponsá el legal. Além des es a o es, incluí am-se ainda
os espec i os acompanhan es dos pacien es pa icipan es desse es udo.
Tabela 2. Ca ac e ís icas sociodemog á icas dos acompanhan es de pacien es com doenças c ônicas
Ca ac e ís icas
dos pa icipan es
acompanhan es de
pacien es c ônicos
Acompanhan es
de c ianças
(n = 7)
Acompanhan es
de adul os
(n = 10)
Acompanhan es
de idosos
(n = 18)
N%N%N%
Sexo
Masculino - - 1 10,0% - -
Feminino 7 100% 9 90,0% 18 100%
Educação
Ensino Fundamen al 3 42,9% 3 30,0% 9 50,0%
Ensino Médio 3 42,9% 5 50,0% 7 38,9%
Ensino Supe io 1 14,3% 2 20,0% 2 11,1%
Idade M (DP) M (DP) M (DP)
39,3 8,95 39,0 11,4 51,9 15,8
Ins umen os
Pa a cole a dos dados u ilizou-se um ques ioná io di idido em duas pa es. Na p i-
mei a, eco eu-se a Técnica de Associação Li e de Pala as (TALP) pa a cap u a de
e ocações dos pa icipan es en e a qua o es ímulos indu o es: pessoa in e nada
no hospi al; e que aze a amen o no hospi al; acompanhan e no hospi al; e eu
mesmo, es ando o úl imo elacionado à pe cepção que a pessoa in e nada, assim
como seu acompanhan e em sob e si mesmo. Enquan o que na segunda pa e o am
u ilizadas ques ões inculadas ao sexo, idade e empo de in e nação do pacien e,
in uindo ca ac e iza o pe il da amos a es udada.
Des aca-se que a TALP é uma écnica p oje i a que pe mi e a iden i icação das
dimensões la en es das ep esen ações sociais a a és de elemen os que cons i uem
uma ede associa i a dos con eúdos e ocados (Di Giacomo, 1981), ou seja, po meio
des a écnica possibili a-se a comp eensão simbólica de um dado obje o social a a-
és da saliência dos uni e sos comuns de pala as (Cou inho & Do Bú, 2017).
P ocedimen os de cole a e análise de dados
Os dados o am cole ados nas unidades de in e nação de um hospi al público, locali-
zado na cidade de Campina G ande, Pa aíba, B asil. Após os pa icipan es acei a em
pa icipa da pesquisa, p ocedeu-se com a aplicação dos ins umen os. P imei o apli-
cou-se a TALP, seguido do ques ioná io sociodemog á ico.
Os dados ela i os à ca ac e ização sociodemog á ica dos pa icipan es o am sub-
me idos a análises de es a ís ica desc i i a ( equência, média e des io-pad ão) com
o auxílio do so wa e S a is ical Package o Social Science o Windows (SPSS e são
26.0). Enquan o que os dados eme gidos da TALP o am p ocessados com o auxílio
do so wa e T i-Deux-Mo s ( e são 5.1) pa a c iação de uma Análise Fa o ial de Co -
espondência (Cibois, 1998).
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Rep esen ações sociais da hospi alização elabo adas po pacien es c ônicos e acompanhan es
A AFC possibili ou incula , po meio de um plano a o ial, os e mos e ocados en e
aos es ímulos indu o es (pessoa in e nada no hospi al; e que aze a amen o no
hospi al; acompanhan e no hospi al; e eu mesmo) e as a á eis ixas (sexo, idade e
empo de in e nação) dos pa icipan es do es udo. Es e ipo de inculação possibili-
ou es abelece g upos de a o es sociais que possuem RS comuns e não consensuais
ace ca do p ocesso de hospi alização. A Tabela 3 exibe a codi icação dos dados ei a
pelos pesquisado es an e io men e à AFC.
Tabela 3. Es ímulos indu o es e a iá eis ixas usadas pa a composição do banco de dados p ocessado
pelo so wa e T i-Deux-Mo s
Es ímulos Indu o es
1 = Pessoa in e nada no hospi al 2 = Te que aze a amen o no hospi al
3 = Acompanhan e no hospi al 4 = Eu mesmo
Va iá eis Fixas
Sexo Pa icipan e Idade Tempo de in e nação
1 = Masculino
2 = Feminino
1 = Pacien e
2 = Acompanhan e
1 = Pacien es c ianças e
seus acompanhan es
2 = Pacien es adul os e
seus acompanhan es
3 = Pacien es idosos e
seus acompanhan es
1 = Admissão (1-5 dias)
2 = Pe manência cu a
(6-20 dias)
3 = Pe manência longa
(mais de 21 dias)
Ressal a-se que, após análise, os g upos sociais e suas e ocações o am dispos as
em dois eixos do plano a o ial: o a o 1 (F1) que ap esen a o que exis e de mais
consensual nas RS; e, o a o 2 (F2) que demons a as idiossinc asias exis en es
nes as ep esen ações. As nu ens semân icas cap u adas des es g upos o am in e -
p e adas de manei a quali a i a, à luz da análise de con eúdo, e idenciando-se as
con e gências e oposições do con eúdo das RS que são c iadas e compa ilhadas
pelos pa icipan es do es udo (Cou inho & Do Bú, 2017).
P ocedimen os é icos
Des aca-se que, isando cump i os p ecei os é icos da pesquisa com se es huma-
nos, con o me as Resoluções no 466 (2012) e no 510 (2016) do Conselho Nacional
de Saúde (CNS), a aplicação e cole a dos dados i e am início após a ap o ação do
Comi ê de É ica em Pesquisa com se es humanos do Hospi al Uni e si á io Alcides
Ca nei o, sob o núme o de pa ece 1.313.758 e o Ce i icado de Ap esen ação pa a
Ap eciação É ica (CAAE: 47911815.8.0000.5182).
Resul ados
Os dados que ca ac e izam a amos a do es udo, cole ados po meio do ques ioná-
io sociodemog á ico, e ela am que o g upo de pa icipan es com doenças c ônicas
ap esen a am idade mínima de se e anos e máxima de 77 (M = 42,53; DP = 22,99),
o a maio i a iamen e do sexo eminino (67%) e com ensino undamen al comple o
(80%). Des aca-se que 80% dos pa icipan es des e g upo o am hospi alizados
com ca á e de u gência, a i mando-se que não e a a p imei a ez que se azia
necessá io in e nações pa a o a amen o de suas doenças c ônicas ou como bida-
des. As doenças c ônicas ( ansmissí eis ou não) iden i icadas no p esen e g upo
o am: cânce de pulmão; ca cinoma de células enais; diabe es melli us - ipo 2;
doença pulmona obs u i a c ônica; ib ose pulmona ; hepa opa ia c ônica; hipe -
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Roseane Ch is hina da No a Sá-Se a im, Rhy illy Pâmella Ribei o da Sil a, Eme son
A aújo Do Bú
ensão a e ial se e a; HIV; insu iciência ca díaca; leucemia lin oide c ônica; leu-
cemia mieloide c ônica; lúpus e i ema oso sis êmico; melanoma maligno; mielo i-
b ose; e abdomiossa coma.
No que se e e e ao g upo de acompanhan es, i e a-se a aixa-e á ia de 18 a 83 anos
(M = 46,55; DP = 26,46), com maio p e alência de pa ícipes do sexo eminino
(97%) e ensino undamen al e médio (43%). Ressal a-se que os c i é ios u ilizados
pa a es abelecimen o dos g upos o a expos os elacionam-se com as de inições p o-
pos as pelo Es a u o da C iança e do Adolescen e, assim como do Es a u o do Idoso.
A segui , ap esen am-se os esul ados o iundos da TALP.
Análise Fa o ial de Co espondência
O ma e ial cole ado a pa i da TALP, en e aos es ímulos indu o es pessoa in e -
nada no hospi al; e que aze a amen o no hospi al; acompanhan e no hospi al;
e eu mesmo, ge ou a AFC que possibili ou analisa as RS dos a o es sociais desse
es udo en e ao p ocesso de hospi alização. Essa análise egis ou um soma ó io
igual a 1.143 de pala as e ocadas pelo conjun o de pa icipan es. Desse soma ó io,
230 ocábulos cons i uí am-se di e en es, e apenas 42 con ibuí am pa a o mação
do plano a o ial ep esen ado pela Figu a. A ca ga a o ial média de con ibuição de
cada pala a na análise oi igual a 23,80, omando-se po base o soma ó io das ca -
gas (1.000) di idido pelo núme o o al de pala as (42).
Figu a. Plano a o ial de co espondência das Rep esen ações Sociais da hospi alização elabo adas po
pacien es com doenças c ônicas e seus espec i os acompanhan es
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Rep esen ações sociais da hospi alização elabo adas po pacien es c ônicos e acompanhan es
No plano a o ial, e i icam-se nu ens semân icas que e idenciam ap oximações e
dis anciamen os com elação ao con eúdo e es u u a das ep esen ações do obje o
sup amencionado. A Tabela 4 ap esen a os es ímulos indu o es e os e mos e ocados
en e a es es. Nessa abela, ao se expo cada e mo, se á e idenciado seu espec-
i o alo da Ca ga po Fa o (CPF), ou seja, o quan o cada ocábulo con ibuiu com
o a o ao qual es á associado. Jus i ica-se a ap esen ação dos dados nes e o ma o,
pois e e-se o obje i o de p omo e uma lei u a didá ica da AFC po pa e do lei o ,
uma ez que a Figu a 1 não dispõe do núme o exa o de CPF de cada e mo, o que
pode di icul a sua in e p e ação.
Tabela 4. E ocações associadas aos es ímulos indu o es e suas con ibuições po a o
Es ímulo indu o E ocação CPF 1 CPF 2
Pessoa in e nada no hospi al
So imen o 53 -
Fé 34 -
Espe ança 29 -
Saúde 26 -
Cu a 23 -
Bom 31 -
En e mei as 40 -
Ansiedade 24 -
Cuidado 44 -
Recupe ação - 63
Melho a - 31
Doen e - 44
Cuidado - 66
Remédios - 28
Médicos - 40
Te que aze a amen o no
hospi al
Diagnós ico 23 -
Di ícil 59 -
Exames 30 -
Assis ência boa 15 -
Saúde 26 -
Fé 37 -
Doença 25 -
Cuidado - 53
Paciência - 49
Medicamen os - 30
Remédios - 67
Cu a - 15
Acompanhan e no hospi al
Segu ança 22 -
Necessá io 38 -
Cuidado 32 -
Dedicação 29 -
Cansaço 29 -
Apoio - 21
Bom - 30
Con inuação
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Rep esen ações sociais da hospi alização elabo adas po pacien es c ônicos e acompanhan es
Resolução n. 510, de 05 de ab il de 2016. dispõe sob e as no mas aplicá eis a
pesquisas em Ciências Humanas e Sociais cujos p ocedimen os me odológicos
en ol am a u ilização de dados di e amen e ob idos com os pa icipan es
ou de in o mações iden i icá eis ou que possam aca e a iscos maio es do
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Roseane Ch is hina da No a Sá-Se a im, Rhy illy Pâmella Ribei o da Sil a, Eme son
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Subme ido em: 27/07/2019
Re is o em: 25/11/2019
Acei o em: 06/01/2020
Ende eços pa a co espondência:
Roseane Ch is hina da No a Sá-Se a im
oseanesase [email p o ec ed]
Rhy illy Pâmella Ribei o da Sil a
[email p o ec ed]
Eme son A aújo Do Bú
[email p o ec ed]
I. Uni e sidade Fede al de Campina G ande. Campina G ande. Es ado da Pa aíba. B asil.
II. Uni e sidade Fede al de Campina G ande. Campina G ande. Es ado da Pa aíba. B asil.
III. Ins i u o de Ciências Sociais, Uni e sidade de Lisboa – Po ugal e Faculdade de
Psicologia, Uni e sidade de Lisboa. Lisboa. Po ugal.