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Tempos de mudança, tempos de perda: o património conventual português no século XIX. Testemunhos de vandalismo

Abstract

A conjuntura política, social e financeira de Portugal durante o século XIX levou a que, de diversas formas, o património conventual fosse alvo de atos que contribuíram para a sua ruína. A falta de rendimentos, as invasões francesas, a guerra civil, a Reforma Geral Eclesiástica, a extinção das ordens religiosas (1834) e a desamortização dos seus bens, o encerramento dos conventos femininos, a complexa gestão estatal, constituíram, entre outras, condições favoráveis ao desenvolvimento de atitudes que se enquadram no âmbito daquilo que, habitualmente, designamos de vandalismo. Monumentos tão importantes como os mosteiros de Alcobaça ou Santa Maria de Belém não escapariam à indiferença, incúria, destruição, descontextualização. Os registos deixados por alguns intelectuais oitocentistas, e por fontes documentais como as apresentadas, algumas inéditas, mostram-se imprescindíveis para a compreensão das várias vertentes do vandalismo nos conventos e seus espólios, núcleos importantes do património arquitetónico e artístico nacional.

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Tempos de mudança, tempos de perda: o património conventual português no século XIX. Testemunhos de vandalismo

Author: Rodrigues, Rute Massano
Publisher: ARTIS - Instituto de História da Arte, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa
Year: 2018
Source: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/38065/1/artison5vandalismo.pdf
TEMPOS DE MUDANÇA, TEMPOS DE PERDA:
O PATRIMÓNIO CONVENTUAL PORTUGUÊS
NO SÉCULO XIX.
TESTEMUNHOS DE VANDALISMO
TIMES OF CHANGE, TIMES OF LOSS:
THE CONVENTUAL PORTUGUESE HERITAGE IN THE
19TH CENTURY.
EVIDENCES OF VANDALISM
Ru e Massano Rod igues
ARTIS - Ins i u o de His ó ia de A e, Faculdade de Le as, Uni e sidade de Lisboa
[email p o ec ed]
RESUMO
A conjun u a polí ica, social e inancei a de Po ugal du an e o século XIX le ou a que, de di e sas o mas, o
pa imónio con en ual osse al o de a os que con ibuí am pa a a sua uína. A al a de endimen os, as in asões
ancesas, a gue a ci il, a Re o ma Ge al Eclesiás ica, a ex inção das o dens eligiosas (1834) e a desamo ização
dos seus bens, o ence amen o dos con en os emininos, a complexa ges ão es a al, cons i uí am, en e ou as,
condições a o á eis ao desen ol imen o de a i udes que se enquad am no âmbi o daquilo que, habi ualmen e,
designamos de andalismo. Monumen os ão impo an es como os mos ei os de Alcobaça ou San a Ma ia de
Belém não escapa iam à indi e ença, incú ia, des uição, descon ex ualização. Os egis os deixados po alguns
in elec uais oi ocen is as, e po on es documen ais como as ap esen adas, algumas inédi as, mos am-se
imp escindí eis pa a a comp eensão das á ias e en es do andalismo nos con en os e seus espólios, núcleos
impo an es do pa imónio a qui e ónico e a ís ico nacional.
PALAVRAS-CHAVE
Séc. XIX | Vandalismo | Con en os | Pa imónio a ís ico
ABSTRACT
The poli ical, social and inancial si ua ion o Po ugal du ing he 19 h cen u y p o ided ha , in many ways,
con en ual he i age was he objec o ac s ha con ibu ed o i s uin. The lack o incomes, he F ench in asions,
he ci il wa , he Gene al Ecclesias ical Re o m, he ex inc ion o eligious o de s (1834) and he disen ailmen
o hei p ope ies, he closu e o he emale con en s, he complex s a e managemen , we e, among o he s,
he a ou able condi ions o he de elopmen o a i udes ha i in o wha we usually call andalism. Impo an
monumen s such as he monas e ies o Alcobaça o San a Ma ia de Belém would no escape o negligence,
des uc ion, decon ex ualiza ion. The eco ds le by some 19 h cen u y in ellec uals, and documen a y sou ces
such as hese p esen ed, some unpublished, a e shown indispensable o unde s and he se e al aspec s o
andalism in he con en s and hei spoils, impo an nuclei o he na ional a chi ec u al and a is ic he i age.
KEYWORDS
19 h cen u y | Vandalism | Con en s | A is ic he i age
ART IS ON
108 n.º 5 2017
Ao longo dos séculos, Po ugal oi assis indo a
di e sas o mas de andalismo pe pe adas con a
o pa imónio a ís ico. O pa imónio eligioso
encon ou-se – pela simbologia, ca ga o i a que
ence a a e p oximidade com as populações – mais
expos o. No caso do pa imónio con en ual – que,
a pa i do complexo século XIX, so eu as mais
di e sas icissi udes – a sua dimensão, iqueza
e ligação ao passado, o nou-o pa icula men e
ulne á el, en en ando p ocessos de ges ão nem
semp e a empados ou adequados pa a aze ace à
insegu ança, igno ância e insensibilidade a ís ica.
Num con ex o de in asões ancesas, de
gue a ci il, de ex inção das o dens eligiosas, de
nacionalização de bens, de laicização da sociedade,
o país conheceu consequências semelhan es às
oco idas em F ança nas décadas subsequen es à
Re olução. De ac o, as ans o mações polí icas,
ideológicas e sociais, p opo ciona am implicações no
papel que a eligião, sua o ganização e pa imónio,
i e am na sociedade e no Es ado. Com ideias que
eme iam pa a o Iluminismo e pa a a Re olução
F ancesa – em no emb o de 1789 iu a Cons i uin e
decidi que os bens do cle o ossem colocados à
disposição da nação (Poulo , 2001: 50) –, o país
he dou um conjun o de a i udes e concei os que
pe sis i am ao longo do empo, com impac o no seu
pa imónio imó el e mó el.
Se, po um lado, o mundo inha is o nasce
em F ança, uma impo an e polí ica pa imonial,
que se i ia de modelo a países como Po ugal,
po ou o – e, em g ande pa e, como eação a
símbolos da an iga o dem (Gamboni, 2014: 46)
– ig ejas e con en os, assim como ou os edi ícios,
o am saqueados, des uídos, endidos, le ando ao
desman elamen o quase semp e insensí el e cego, de
uma pa e signi ica i a do pa imónio. Mui os edi ícios,
pin u as, escul u as e ou os obje os a ís icos, o am
al o de andalismo, pala a ab angen e baseada
na lendá ia de as ação causada pelos ândalos,
cuja o igem/u ilização se a ibui ao Abade Hen i
G égoi e (1750-1831). O depu ado da Assembleia
Cons i uin e u ilizou-a pa a aze uma pode osa
decla ação polí ica, num con ex o de na u al eação
aos a os que es a am a se pe pe ados (Miles,
2010: 317-318; Schildgen, 2008: 122, 124-127).
A i udes de lu a pela de esa e conse ação de
espaços e obje os, que en ão ganha am uma ca ga
ins u i a, ecoa iam pelas ideias e ação de di e sas
igu as, como o a queólogo Alexand e Lenoi (1761-
1839), pin o esponsá el pelo Depósi o do Pe i s
Augus ins, onde nasce ia o Museu dos Monumen os
F anceses (Poulo , 2001: 55-56), ou o jo em esc i o
Vic o Hugo (1802-1885) que, em 1825, publicou
Gue e aux Démolisseu s (Schildgen, 2008: 133-
134). As designadas, po F ançoise Choay, medidas
de “conse ação p e en i a” e, sob e udo as de
“conse ação ea i a” (Choay, 2006: 91), se i iam
pa a o es abelecimen o de polí icas pa imoniais
pionei as. Lemb emos, como e e e And é Chas el, que
a p óp ia noção de pa imónio su giu dos desas es
e olucioná ios (Gamboni, 2014: 45). Como sua
consequência, nasceu a ideia de monumen o his ó ico
nacional e de in e esse público; os monumen os, que
i essem alo his ó ico ou a ís ico, pe enciam à
nação, de endo se i pa a p opo ciona p aze e
educação aos cidadãos (Schildgen, 2008: 123).
O andalismo, na gene alidade, pode di idi -se
em ca ego ias de causas, que em 1959, Louis Réau
apon ou e que encon amos em ealidades que não
apenas a ancesa: ana ismo e pu i anismo eligioso;
andalismo sen imen al (indignação que le a à
des uição de edi ícios ou obje os com alguma ca ga
simbólica); andalismo es é ico (baseado no gos o);
maus es au os; e, po im o Elginismo, ou seja, a
deslocação de ob as do seu local o iginal, le ando à
sua descon ex ualização (Schildgen, 2008: 123-124).
Mas em que medida o andalismo se ez sen i
no pa imónio con en ual po uguês? Que egis os
encon amos?
P ocu ando aze uma lei u a in eg ada daqueles
que são os es emunhos de des acados in elec uais
oi ocen is as e de di e sos documen os, alguns
inédi os, ou os abo dados sob uma no a pe spe i a,
p ocu a -se-á esponde a es as ques ões, en endendo-
se a dimensão do enómeno.
O CONTEXTO
VANDALISMO E ICONOCLASTIA VANDALISM AND ICONOCLASM 109
n.º 5 2017
Em Po ugal, as in asões ancesas i e am
ne as as consequências no pa imónio his ó ico
e a ís ico (Ne o, 2008) di undindo a mais du a
ealidade do “ andalismo” pelo e i ó io nacional –
ig ejas, con en os, palácios, não o am poupados.
P op iedades p i adas, públicas, eligiosas, ica am
expos as a um ele ado ní el de isco e e e i a
des uição. Os p incipais monumen os, símbolos
nacionais, não escapa iam ao saque e des uição
ancesa. Em 1811, a espei o do Mos ei o da
Ba alha, aludia-se ao “las imoso es ado a que o
Exe ci o F ancez eduziu es e admi a el Edi icio, não
poupando nem as cinzas das Pessoas Reaes, que ali
jazião sepul ados”1.
Em É o a – à semelhança do que sucede ia em
mui os ou as localidades – mui as escul u as e painéis,
embo a escapando ao saque, o am dani icados ou
mesmo des uídos. Imagens e pin u as despedaçadas,
al aias des uídas, oi no “maio desp ezo”, que os
in aso es deixa am o pa imónio a ís ico de casas
eligiosas, como o con en o dos Remédios ou o
Colégio do Espí i o San o (Vaz, 2010: 171-172).
Às in asões seguiu-se a dizimado a gue a ci il
que opôs absolu is as e libe ais, que ambém p oduziu
oubos, ocupações e ou as ações unes as, mui as
ezes de pu a des uição, u os do clima de g ande
ins abilidade, que en ão se i ia. Num con ex o que
ambém acolhe ia uma e o ma eclesiás ica – que le ou
à sup essão de algumas casas eligiosas – a Jun a do
Es ado A ual, e Melho amen o Tempo al das O dens
Regula es (JEAMTOR), dela enca egue, num documen o
di igido a D. Ped o, da ado de ou ub o de 1833,
escla ecia que as p a as dos con en os sup imidos
inham sendo gua dadas em depósi o no Banco de
Lisboa, nomeadamen e os Vasos Sag ados, enquan o
es es não se es i uíam aos pá ocos ou dis ibuíam pelas
eguesias u ais do e mo da capi al; lemb a a-se en ão
que es as úl imas inham sido “delles (…) despojados
na e gonhosa uga do go e no usu pado , e oubados
pelas gue ilhas de lad ões que a pós se deixa ão.”2
Ainda du an e o go e no de D. Miguel, aludia-
se, po exemplo, à p a a exis en e no Con en o da
Conceição de Beja, escla ecendo-se que em Ou ique
“qdo a Gue ilha en ou ap ezoce aos ebeldes huma
p oção de P a a não ão pouca”, e que “Nes e e mo
nas Ig ejas não ha nada de P a a po que em 1807 as
le a ão os F ancezes e nuca mais o ão es i uídas”3.
Se ão, e e i amen e, á ias as menções ei as
à g a e delapidação causada po opas, que
encon amos em documen ação pos e io a 1834,
elacionada com pedidos de quad os, al aias e
ou os bens das ex in as casas eligiosas, des inados
a ig ejas e con en os, que se inham is o p i ados
do seu pa imónio a ís ico e cujas más condições
inancei as impediam no as comp as com is a à sua
subs i uição. Em San a ém, o con en o eminino das
Donas, iu os seus quad os “aniquilados po opas
n’elle aqua eladas” (apud Rod igues, 2017: 500).
A insensibilidade dos soldados, cuja ocupação de
an igos edi ícios con en uais pe du ou no empo,
e a mencionada em 1837, a espei o do incêndio
do con en o de S. Domingos de Vila Real, que os
elemen os do Ba alhão ali aqua elado, não ajuda am
a apaga ; na e dade
“pa ece que se egozija ão de e de o a pelas
chamas aquelle bello Edi icio de manei a que
em poucas ho as não só icou odo elle eduzido
a cinzas, senão ambem a belissima Ig eja,
que apenas icou conse ando mal segu as as
pa edes.” (apud Rod igues, 2017: 516).
A ida da co e pa a o B asil, a que se seguiu
o eg esso e a con u bada implemen ação do
libe alismo em Po ugal, a egência de D. Ped o,
o einado de D. Ma ia II, assim como o dos seus
sucesso es, ica am ma cados, sob e udo a é ao
pe íodo da Regene ação, po uma ins abilidade
polí ica, inancei a e social, o que po si só po encia a
os designados a os de andalismo, incú ia, u o…
Simul aneamen e, um an icle icalismo que se en aizou
O “VANDALISMO”
E O PATRIMÓNIO CONVENTUAL
1. A qui o Nacional da To e do Tombo, Minis é io do Reino, Mç.236, Cx.317. 24-10-1811 – Conde de Aguia ao Pa ia ca Elei o de
Lisboa.
2. ANTT, Minis é io dos Negócios Eclesiás icos e de Jus iça, Mç.177, Cx.147, Nº1. 25-10-1833.
3 ANTT, MNEJ, Mç.29, Cx.26, Nº2. s/da a (1834).
ART IS ON
110 n.º 5 2017
social e ideologicamen e, e á igualmen e omen ado,
ou pelo menos, ajudado a igno a , uma sé ie de ações
que o am en ão p a icadas.
Aos a os di e os, de des uição ou de u pação –
e es idos, pon ualmen e, de uma iconoclas ia que
não deixou de es a p esen e – soma am-se a incú ia,
a insensibilidade que, às ezes, ine en es às medidas
omadas e na p odução legisla i a (ou ausência dela),
condiciona am a conc e ização des as.
Se em F ança os a os con a o pa imónio inham
causado eações, ambém em Po ugal não passa am
despe cebidos, nomeadamen e, de um conjun o
de pe sonalidades que pela denúncia em p aça
pública, en a am po encia a mudança de a i udes,
a p odução de medidas e legislação de p o eção;
es as con ibui iam, a a és da e lexão e alo ização
da he ança his ó ica e a ís ica nacional, pa a o
es abelecimen o e desen ol imen o em e as lusas da
p óp ia noção de monumen o e pa imónio.
Su p eenden emen e a pala a “ andalismo”,
apesa de já an es u ilizada, “impo ada”, apenas no
inal da década de 50 de oi ocen os su ge e e enciada
no Dicciona io da lingua po ugueza de An onio
de Mo aes Sil a, melho ado e ac escen ado po
Mendonça Falcão: “Vandalísmo, s. m. . md. Sys ema,
egímen des uc i o das sciencias, e das a es, po
alusão aos Vandalos que assola am algumas pa es
da Eu opa” (Sil a e Falcão, 1858: 964) e de o ma
mais b e e no No o Dicciona io Po a il da Lingua
Po ugueza, di igido po Miguel Ma ins d’An as,
como “sys ema des uido (de sciencias e a es).”
(An as, 1858: 722). Na úl ima década de oi ocen os,
à p imi i a designação de Mo aes da Sil a, ac esceu
uma mais desc i i a “Des uição, de as ação de
monumen os, de ob as de a e, a o es, e c., po
igno ancia, mal adez, e c.” (Sil a, 1891: 966).
Po ém, em 1833, numa al u a em que á ias
casas eligiosas o am sup imidas, o co egedo de
Alcobaça, An onio Luiz de Seab a, não se imiscui ia
de u iliza a exp essão “ andalismo” pa a ca ac e iza
a o ma como encon a a o Mos ei o:
“(…) achei o con en o comple amen e saqueado,
e de as ado: a maio pa e dos mo eis que
es a ão, o gão, id aças, paineis, udo se
acha a des oçado, ou despedaçado; nem mesmo
os san os, os umulos inhão sido espei ados; de
o ma que na minha con a desse dia, de igida ao
Exm. Minis o da jus iça, ca a e isei de andalismo
inaudi o os es agos ei os no Mos ei o. A li a ia,
(…) que inha sido conside a elmen e des alcada
pelo des acamen o F ancez, gue ilhas que alli
ie ão de Peniche, e po ou as pessoas, es a a
ainda de po as a ombadas, e abe as, e em
comple o abandono.” (Seab a, 1835: 4). [ ig. 01]
O ela o, espelha a a mul iplicidade de causas que
p o oca am semelhan e es ado: as in asões ancesas
a sup essão e abandono das casas eligiosas, a
gue a ci il, a péssima si uação inancei a e social
que o país en en a a, uma insegu ança c escen e
que se pe pe ua ia ao longo do século XIX.
No mesmo ano, na sequência da sup essão do
Mos ei o de São Ben o da Saúde, em Lisboa, e am
ela ados a D. Ped o pela JEAMTOR, aqueles que
inham sido os a os p a icados pelos eligiosos e que
a ingiam, o que hoje designamos de iconoclas ia:
Fig. 01· “Mos ei o de San a Ma ia de Alcobaça”, A chi o Pi o esco:
Semana io Illlus ado, 6º ano, nº22, 1863.
VANDALISMO E ICONOCLASTIA VANDALISM AND ICONOCLASM 111
n.º 5 2017
Com o dec e o de ex inção das o dens eligiosas,
da ado de 30 de maio de 1834, o ence amen o
de casas eligiosas ganhou ou a dimensão,
disponibilizando nas mãos do Es ado, uma eno me
massa pa imonial na qual se incluíam edi ícios,
seus echeios e iquezas da mais a iada o dem,
pa imónio a ís ico, que pela quan idade e qualidade,
cons i uía pa e signi ica i a da iqueza nacional. Um
sem núme o de con en os, espalhados pelo país,
alguns em sí ios e mos, depois de cump idas as
diligências que o dec e o e ins uções que se segui am
exigiam – que a a és, po exemplo, da ealização
de in en á ios, não deixa am de en a acau ela a
sua segu ança – acaba am echados, abandonados,
expos os a u os e às más condições de conse ação
que en en a am.
Mui os edi ícios con en uais (alguns ainda con endo
pa imónio in eg ado ou mesmo mó el…), quando
não endidos pelo Es ado, de u pados ou a é mesmo
demolidos ou endidos, “in ei os” ou “em peças”
pelos comp ado es – à semelhança do designado
em F ança “bande noi e” (Schildgen, 2008: 123)
– ou con inua am abandonados ou ecebiam no as
u ilizações, maio i a iamen e ci is ou mili a es, dando
espos a às no as necessidades do apa elho libe al.
Es as e uncionalizações, p oduziam equen emen e
um andalismo que designamos de andalismo
uncional, exp essão que pode se igualmen e
a ibuída a a uações/consequências oco idas em
mui os edi ícios públicos alugados a pa icula es (po
exemplo pa a a ins alação de comé cio ou se iços),
ou endidos aos mesmos. Legislação, como a ca a de
lei de 15 de ab il de 1835, que isa a sal agua da
de enda, ob as e edi ícios, cujo alo his ó ico e a ís ico
assim o jus i icasse, e ia esul ados ques ioná eis.
No mesmo âmbi o, em e e ei o de 1836, Luís
Mouzinho de Albuque que (1792-1846), incumbiu
a Academia das Ciências de Lisboa de o ma a
elação de edi ícios pe encen es às ex in as o dens,
que po mo i os his ó icos ou pela sua a qui e u a
ossem “dignos de se conse ados, e en e idos
po con a do Go e no como monumen os públicos”
(apud Rod igues, 2017: 219). Missão que, pelo
es abelecimen o de uma comissão e ede nacional de
in o mado es, a Academia en ou ins i ui , mas que se
e i icou em mui os casos a dia (mui as ig ejas inham
já sido endidas) e ine icaz.
No ge al, mui os edi ícios públicos con inua iam
em isco, u o de um “desleixo” que a po a ia de
31 de maio de 1836, di igida aos Go e nado es
Ci is apon a a e e le ia. A negligência po pa e
das au o idades adminis a i as na sua conse ação,
p incipalmen e dos con en os e ig ejas – “sendo
deixados alguns em abandono al, que em sido
oubados, e des uídos” – le a a a que osse
en ão o denada “a maio igilância” e “ epa os
indispensá eis, pa a e i a maio es uinas” (apud
Rod igues: 2017: 508). Em 1841, chega ia a se
pedida ao Inspe o -ge al das Ob as Públicas, uma
elação dos Monumen os Nacionais, “decla ando
o seu uso, ou se en ia (…); o seu es ado de
conse ação, ou uina”, as ob as que inham ido e as
que necessi a am pa a “se em conse ados” (apud
Rod igues, 2017: 242), demons ando não apenas
p eocupação com o es ado dos monumen os, mas
ambém um desconhecimen o que não se limi a a
ao es ado, mas ambém à u ilização.
O PATRIMÓNIO IMÓVEL
4. ANTT, In endência das Ob as Públicas, Li .54, ls.37 s-38. 21-06-1839.
“os Monges des a caza ebeldes a seu Rey
Legi imo, blas emando con a elle e o Go e no,
queb a ão al a es, despedaça ão Imagens,
ende ão algumas aos mo ado es da Rua de S.
Ben o, co a ão a o es e pa ei as na ce ca e em
im demuli ão o Al a de Jesus Ch is o e o Th ono
Legi imo (…)” (apud Rod igues, 2017: 146-147).

ART IS ON
112 n.º 5 2017
No caso do Mos ei o da Ba alha, cujas ob as
de es au o se inicia am mesmo no inal da década
de 30, nem essas es a am a sal o da des uição.
Aos domingos e dias san os, quando ali não ha ia
abalhado es, os apazes da ila subiam pelas
pa edes ex e io es aos e aços, des uindo alguns
abalhos, lançando ped as, e c. A solução suge ida
pelo Inspe o Vellez Ba ei os e a que
“se mandasse habi a algumas Cellas do ex-
Con en o da Ba alha po um Sa gen o de
Ve e anos 4 ou 6 soldados, endo es es sob sua
esponsabilidade a gua da e conse ação do
Edi icio.”4
Quan o à “Ig eja Monumen al de S. a Ma ia”
em Alcobaça, al o de ob as que inham cus ado
à Fazenda Pública “a ul adas somas”, Mouzinho
de Albuque que em ab il de 1842, enquan o
inspe o -ge al In e ino das Ob as Públicas do Reino,
ecomenda a ao Go e nado Ci il de Lei ia que mui o
con inha que não se deixasse que aquele monumen o
se pe desse “po incu ia e desleixo”, de endo exis i
“o maio cuidado e igilância na [sua] conse ação”,
encon ando-se dispos o a coope a na mesma5.
Também o edi ício de Ma a, não escapa a a a os
de andalismo. Em maio de 1848, o Ba ão da Luz,
inspe o -ge al das Ob as Públicas, esc e ia ao Duque
de Saldanha ela ando que
“O Ves ibulo aonde es ão collocadas Es a uas, que
me dizem e em indo de Roma, es ão expos as a
que o publico e os mal in encionados as des uão,
o que e ec i amen e em acon ecido; pe quan o
algumas d’ellas ja não em dedos, e a ou as
lhe em sido oubados os o namen os que e ão
de me al; (…) O maquinismo dos Ca ilhões e
elogios acha se expos o a que os cu iozos que
ão ê es a g ande peça se in e enhão a pucha
pelas co en es, de que ezul a, que ainda bem
se não eem conce ado uns, já ou os apa ecem
queb ados (…)”6.
Ace ca das pin u as, pon ualmen e, algumas
au o idades adminis a i as ale a iam pa a os
iscos a que es as se encon a am expos as, sendo
necessá ia a sua eunião em edi ícios cen ais, algo
que pe mi i ia uma mais con enien e conse ação,
impedindo que es as ossem “conside a elmen e
damni icadas” (apud Rod igues, 2017: 505). Admi ia-
se que a sua exis ência em casas desabi adas, com
“ al a de limpeza e de ou os cuidados”, “expos os
ao oubo”, ambém acili ado pela “ al a de gos o”
(apud Rod igues, 2017: 507) de quem ealiza a os
in en á ios, con ibuíam pa a um isco c escen e.
Em ou ub o de 1834, Joaquim Ra ael, Pin o da
Real Cama a e Co e, na sua p opos a de c iação de
uma Escola e A eneu das Belas-A es em Lisboa, não
deixou de lemb a que es e pode ia se o mado po
odas as pin u as, escul u as e g a u as dos ex in os
con en os, “dos quaes há, di e sos e admi á eis
o iginaes no maio desp ezo e es ago possi el, po
má a ecadação” (apud Rod igues, 2017: 503).
Pela mesma al u a, pouco empo após a mo e de
D. Ped o IV – que ainda em 1833 omou a impo an e
a i ude de c iação do Museu Po uense – nascia o
Depósi o das Li a ias dos Ex in os Con en os (DLEC),
no con en o de S. F ancisco da Cidade, em Lisboa,
o ganismo que inha como p incipal obje i o a ges ão
das li a ias e pin u as con en uais; um elemen o,
p e ensamen e ansi ó io, de um o ganig ama de
ges ão do ecém “adqui ido” pa imónio público,
que se p e endia, en e ou as coisas, u iliza pa a
di undi a cul u a, o “gos o pelo belo”, em pad ões
semelhan es àqueles que inham sendo as congéne es
PATRIMÓNIO MÓVEL:
A PINTURA E OUTROS PATRIMÓNIOS ARTÍSTICOS
5. ANTT, IOP, Li .57, p.53. 08-04-1842.
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VANDALISMO E ICONOCLASTIA VANDALISM AND ICONOCLASM 113
n.º 5 2017
c iações ancesas, e que e iam como obje i o
p incipal a c iação de um Museu Nacional. De ac o,
como oco e a em F ança, p ocu a a-se ans o ma
a memó ia eligiosa cole i a na memó ia cul u al
nacional (Schildgen, 2008: 127).
Ins alado num an igo con en o, as condições de
a mazenamen o no Depósi o ap esen a -se-iam como
medíoc es – as in il ações e humidade, o pó, e c. –
e causado as de g a es pe das. Uma g ande pa e
de elas e painéis ecolhidos com aquele des ino
acaba iam, i onicamen e, ambém andalizados,
des uídos… O in e esse, p eocupação de ecolha,
no DLEC e em ou os locais – segu os e cen ais –
e ela -se-ia dúbio, na medida em que a a i ude de
de esa, p o oca ia em si, senão pe das imedia as,
ma e iais e ima e iais (descon ex ualização),
pe das pos e io es esul an es das más condições
de a mazenamen o, segu ança, e c.., p oblemas
g i an es que pe sis i am ao longo do século XIX, e
cujos esul ados equen emen e se podem enquad a
den o do âmbi o do andalismo.
O p ocesso de ges ão do pa imónio con en ual,
o na a-se len o, condicionado pela al a de condições
humanas e inancei as. O p óp io esponsá el
pelo DLEC, o Dou o An ónio Nunes de Ca alho
(1786-1867), em julho de 1835 es a a conscien e
de que podiam oco e “p ejuizos i epa a eis” se
as a ecadações e conduções não pudessem se
ealizadas com a maio b e idade; e não deixa a de,
a espei o de É o a, ale a pa a os pe igos que as
pin u as co iam, em edi ícios abandonados ou que
se encon a am “se indo de qua eis de soldados”…
(apud Rod igues, 2017: 505), alusão que con i ma o
isco que al ocupação dos edi ícios podia p oduzi
nos seus echeios. Um ano depois, admi ia que, po
al a de meios, ha ia mui os meses que a ecolha de
li a ias, pin u as “e mais P eciosidades Li e a ias e
Scien i icas dos Con en os sup imidos” se encon a a
“pa alizada, com g a issimo, e i epa a el danno
daquelles objec os” (apud Rod igues, 2017: 357).
A po a ia de 25 de agos o de 1836, assinada
pelo Minis o do Reino Agos inho José F ei e, isa a
es abelece em cada capi al de dis i o uma biblio eca
pública, um gabine e de a idades e ou o de pin u as,
p ocu ando esponde às ques ões da segu ança,
às incapacidades do DLEC, ao mesmo empo que
di undia a ins ução, p omo ia as le as e as belas-
a es (Rod igues, 2017: 359). Uma inicia i a, com
obje i os la os e posi i os, al ez inspi ada numa
exposição de Nunes de Ca alho, segundo o qual,
poupa ia “á Nação, e ao Go e no pe das inno mes,
e i emediá eis” (apud Rod igues, 2017: 358).
Mui as ob as, an es do ence amen o dos
con en os encon a am-se já em de icien es condições
de conse ação. A al a de e bas com que as casas
eligiosas se inham indo a con on a inha le ado a
que os edi ícios icassem sem a manu enção necessá ia,
esul ando em p oblemas que a e a am não apenas
as es u u as, mas ambém os con eúdos. Po ou o
lado, mui as pin u as, po exemplo, encon a am-se
expos as a umo de elas, e ou os elemen os noci os
pa a a sua p ese ação (Rod igues e Soa es, 2014:
133). Também os maus “ e oques” ou es au os, se
ap esen a am como um dos elemen os des uido es,
mui as ezes dani icando ob as aliosas. Es a
si uação, p o ocada po desconhecimen o, incú ia,
e omen ada pela al a de e bas e de p o issionais,
cons i uía um g a e p oblema. Nos in en á ios
ealizados pelos uncioná ios do DLEC são comuns as
pin u as em mau e péssimo es ado, assim como ou as
que inham pe dido o me ecimen o. E am ei as alusões
a quad os que inham icado sem “ alimen o”, aos que
“não he ão maos mas pe de aõ odo o me ecimen o
pelo mao e oque” (apud Rod igues, 2017: 502).
Quando ecolhidos, se iam po ezes al o da al a de
sensibilidade dos execu an es da a e a, iolen amen e
a ancados dos luga es de o igem, com elas
co adas a cani e e, en oladas, painéis desmon ados
e empilhados como eixes de lenha, es ando-lhes
ainda o penoso anspo e, maio i a iamen e po
ia lu ial e/ou e es e, po caminhos di íceis,
expos os aos elemen os a mos é icos, mesmo quando
acondicionados em caixo es de madei a (Soa es e .
al., 2012). Ta e as melind osas, em que a al a de
meios e consciência daqueles que as e e ua am inham
um ele ado peso na conse ação des es obje os que,
quando seguiam pa a o DLEC (e alguns, depois, pa a
a Academia) acaba iam, como já e e imos, sujei os
às más condições de a ecadação, pe manecendo
“amon oados, em g ande con usão e deso dem”
(apud Rod igues, 2017: 530). Re i ados dos locais
de o igem, mui os pe de iam os seus “bilhe es” (ou
não chega iam a ecebê-los seque …), o que aliado
a desc ições bas an es sucin as dos a olamen os, e
à mul iplicidade de emas semelhan es, signi icou,
uma “o andade” impos a, uma descon ex ualização
se e a, que lhes e i a ia pa a semp e a sua his ó ia,
o seu passado. Pos e io men e en egues a no os
ART IS ON
114 n.º 5 2017
deposi an es, in eg ados em no os discu sos a ís icos,
mui os con undi am-se com es es, ganhando um
passado e um signi icado que não e a o seu.
No en an o, mui as pin u as “elei as”, como “as de
Vasco” conhece iam ou as so es. De ac o, es amos
pe an e uma espécie de conse ação sele i a, que
encon amos não apenas no espei an e às pin u as,
mas no as o conjun o de pa imónio das casas
eligiosas, incluindo o edi icado. No caso do DLEC,
Nunes de Ca alho numa p imei a ase, e e o cuidado
de euni na pa e do edi ício an e io men e ocupada
pelo Hospício da Te a San a, zona “mais e i ada
e segu a”, aqueles que segundo os seus c i é ios,
concei os e gos o da época, e am os “os objec os mais
p eciosos e a os”, en e os quais “as melho es, e mais
p imo osas pin u as” (apud Rod igues, 2017: 527-
528). C i é ios simbólicos, his ó icos e es é icos que
es a iam nas es an es seleções, como a dos obje os
de ou o e p a a, e que di a am a sua conse ação
(museológica ou u ilização no cul o), a sua enda ou
mesmo undição…
A Academia de Belas-A es de Lisboa – cuja
c iação em no emb o de 1836 não obs ou a que
os p oblemas pe sis issem, com uma ação que se
pôde conside a , em mui as e en es, limi ada – em
ma ço de 1838, quando solici a a c iação do luga
de Di e o de A is as, pa a supe in ende os abalhos
de es au o das pin u as, azia o his o ial:
“Es agados es a ão quad os de mui a alia,
em que o nosso Po ugal não e a pob e, po
en egues a possuido es pouco zelosos, que ou
lhes não conhecião o mé i o, ou ba ba amen e lho
desa endião. T anspo es apidos, a ecadações
em desleixo augmen a ão a e ce a época esses
lamen a eis dannos (…)” (apud Rod igues,
2017: 524).
No início da década de 40, já após a implemen ação
de uma sé ie de medidas pa imoniais, o p íncipe de
o igem polaca e polí ico, Felix Lichnowsky (1814-
1848), menciona a a si uação em que se encon a a
o pa imónio nacional: segundo ele exis ia uma
“penú ia em objec os de a e e o andalismo com
que se de as am os escassos es os que ica am
dos empos an igos, é um enómeno bem is e mas
uni e sal, po oda a ex ensão do eino” (apud
Rod igues, 2017: 184).
Da a um dos exemplos da “insensibilidade”
nacional aquando da isi a ao Con en o de B ancanes,
aludindo a uma Nossa Senho a de jaspe, que exis ia
sob e o on ão, a qual inha sido de ubada e
despedaçada e que lhe assegu a am “ inha excessi o
me ecimen o” (apud Rod igues, 2017:185).
O DLEC – que depois de di igido po Nunes de
Ca alho, icou, a pa i de janei o de 1837, a se
ge ido po uma Comissão Adminis a i a, acabando
em 1841 en egue à Biblio eca Nacional, assim como
as es an es en idades e o mas que se encon a am
pa a en a ge i o pa imónio nacional, dep essa
esba a am na al a de condições humanas, logís icas,
inancei as e mesmo polí icas o que, ine i a elmen e,
se aduzi ia quando não em incapacidade, em
incú ia e negligência.
José Feliciano de Cas ilho (1810-1879),
Biblio ecá io Mo , que e e um papel ele an e na
omada de medidas pa a melho a as condições de
conse ação no Depósi o, e que se mos ou pionei o
na alo ização da uína, expunha no seu Rela ó io de
1844, as condições a que milha es de pin u as que
ali o am en ando ao longo de uma década, inham
es ado sujei as. Depois das escolhas da Academia
de Belas-A es de Lisboa – ambém ins alada em S.
F ancisco da Cidade, e sujei a às más condições que
ali exis iam – sob a am em Depósi o 991 quad os,
aos quais ac esciam os que es a am
“em olos (dos quaes a maio ia, é e dade, de
ín imo alo ) (…) amon oado em deso dem n’um
co edo , que a academia (…) imp és a a; com
janela semp e abe as; expos os a odas as
inclemências; calcados aos pés pelas pessoas, que
inham de in a no dic o co edo ; e, en im, na
sua maio pa e, já comple amen e es agados e
inú eis. Mas ainda bas an es inham ido a o una
de esis i ao andalismo, que p esidi a a similhan e
a umação; ac ei logo de sal a o possí el,
enquan o e a empo.” (Rod igues, 2017: 185)
Mas se alguns o am e e i amen e sal os pela
ação de Cas ilho, ou os con inua am a deg ada -
se…
e, em 1853, com o Biblio ecá io Canaes de
Figuei edo Cas ello B anco (1804-1857), 55 a obas
de e dadei os es os de an igas pin u as e am
queimadas no Campo Pequeno (Soa es e al., 242);
ou seja, enquan o algumas o am man idas (mesmo
de icien emen e) em S. F ancisco da Cidade – no
VANDALISMO E ICONOCLASTIA VANDALISM AND ICONOCLASM 115
n.º 5 2017
Depósi o ou na Academia de Belas-A es, pa a onde
o am as melho es pin u as – ou dis ibuídas po ig ejas
e ou os edi ícios públicos, ou as, maio i a iamen e
ainda em olo, o am sendo sucessi amen e p e e idas,
ecebendo meno a enção, conduzindo-as pa a um
im que a maio ia acabou po e .
No Mos ei o de San a Ma ia de Belém, ocupado
pela Casa Pia – onde não sob a ia um li o de
can ochão in ei o po que “os alumnos oma am a
libe dade de lhes co a as icas iluminações e de
asga em olhas pa a aze em chapeus a mados
e alaba es, co êas &c. de b incadei a!” (apud
Rod igues, 2017: 742) – F ancisco Adol o de
Va nhagen (1816-1878) ale a ia pa a a exis ência
de um conjun o de e a os de eligiosos da o dem
de S. Je ónimo gua dados, amon oados no chão,
numa casa que se ia de an eco o. Segundo es e
diploma a e his o iado , es es documen os his ó icos
e iconog á icos de e iam “passa á Academia de
Bellas A es, a quem oca exigi-los, pa a os sal a na
sua collecção d’algum andalismo” (apud Rod igues,
2017: 746). In elizmen e, es a suges ão de mudança
pa a um es abelecimen o ins alado em S. F ancisco
da Cidade não ga an ia melho u u o…
De ac o, e apesa de sucessi os ale as, ao longo
de décadas, po pa e das impo an es ins i uições
(mal) acomodadas naquele an igo con en o, pa a os
p oblemas com que se con on a am – e lemb emos
que a Academia de Belas-A es de Lisboa e os
melho es quad os, ambém ali pe manece am a é
à abe u a da Gale ia Nacional de Pin u a em
1868 – eles nunca se esol e am e dadei amen e,
endo as soluções encon adas, apenas ajudado a
con i e com eles. De salien a que as au o idades
compe en es, não deixa am de os econhece ,
omando medidas, semp e que a on ade polí ica e
os meios inancei os assim o pe mi iam, com is a a
solucioná-los. Po exemplo, em 1845, uma po a ia
de Cos a Cab al, manda a o Inspe o Ge al das
Ob as Públicas p ocede a ob as na Academia, não
deixando de o a o a anjo da Gale ia, uma ez que
de ia e -se em con a que
“a pe da dos di os quad os pela imp op iedade
com que se acham a ecadados, se á m o mais
sensí el, do que a despeza de 341$400 .s, com
que ae a ende -se á sua ge al conse ação, pela
ac u a da mencionada Gale ia” (apud Rod igues,
2017: 541).
No que se e e e às casas eligiosas emininas,
o am de inhando ao longo dos anos. “Poupadas”
pelo dec e o de maio de 1834, dep essa se pe cebeu
o isco que os seus alo es co iam, nomeadamen e,
as aliosas pin u as que gua da am, p ocu ando-se
aze in en á ios (Rod igues, 2017: 204-216), algo
que p ocu a a e i a des ios e endas, mas que não
as p o ege ia das más condições em que exis iam.
Com e bas insu icien es pa a a sua manu enção,
a as ando-se po odo o oi ocen os, mui os con en os
a é à mo e da úl ima ei a (lei de 4 de ab il de
1861), ica am quase abandonados ao seu des ino,
jun amen e com o seu pa imónio. Se nos con en os
masculinos, nos in en á ios da década de 30, se
encon a am mui as pin u as em mau es ado, a
exp essão “mui o a uinados” passa a se bas an e
u ilizada pa a ca ac e iza os quad os que azem
pa e dos in en á ios, o mesmo sucedendo com os
p óp ios edi ícios, cuja uína e a ge al. Oco eu
de ce a o ma, apesa das en a i as a i as que
isa am p o ege o pa imónio, uma incú ia indi e a,
u o de uma legislação ainda insu icien e (dec e o e
ins uções de 31 de maio de 1862) (Rod igues, 2017:
216) e das ci cuns âncias, que não a o eciam, uma
p o eção que a asse de ac o, a de e io ação, as
ocas, os u os, as endas, os ex a ios7. Apesa
da expe iência adqui ida com o sucedido com as
casas eligiosas masculinas, com as mo imen ações
da sociedade ci il, nomeadamen e, com a c iação de
associações de de esa e p omoção do pa imónio, e
com as e o mas que oco e am na Academia nesse
mesmo sen ido (anos 80), que p opo ciona iam um
acompanhamen o mais p esen e8 e cons an e dos
p ocessos de sup essão dos con en os, mais uma
ez a al a de meios e a a i ude da época (es é ica,
eligiosa, e c.), pe mi i am que impo an es ob as de
a e desapa ecessem.
7. De ido aos ex a ios oco idos du an e o pe íodo da ex inção dos con en os e a sua passagem pa a a posse de ini i a do Es ado, em 30
de ab il de 1890 oi emi ida uma Ci cula aos Go e nado es Ci is no sen ido de que p on amen e se omasse conhecimen o da mo e
ou in alidez da úl ima ei a, e se e i essem neles os obje os. A isa a-se ambém o Minis é io da Fazenda que nenhum obje o de ia
sai sem que pela Sec e a ia de Es ado dos Negócios do Reino se izesse p ocede ao “con enien e exame, sepa ação e p ocesso dos
objec os cuja gua da e conse ação impo e á His ó ia da A e e do abalho Nacional e aos se iços das Escolas e Museus A ís icos
do paiz. (…)” ANTT, MR, Li .2453, ls.124 s-125.
8. O Conse ado do Museu Nacional isi a a con en os e escolhia obje os a ís icos pa a inco po a as coleções. Uma seleção que
a endia aos c i é ios da época.
9 ANTT, MR, Li .2453, l.62 s-63. 30-04-1880.
ART IS ON
122 n.º 5 2017
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