TEMPOS DE MUDANÇA, TEMPOS DE PERDA:
O PATRIMÓNIO CONVENTUAL PORTUGUÊS
NO SÉCULO XIX.
TESTEMUNHOS DE VANDALISMO
TIMES OF CHANGE, TIMES OF LOSS:
THE CONVENTUAL PORTUGUESE HERITAGE IN THE
19TH CENTURY.
EVIDENCES OF VANDALISM
Ru e Massano Rod igues
ARTIS - Ins i u o de His ó ia de A e, Faculdade de Le as, Uni e sidade de Lisboa
[email p o ec ed]
RESUMO
A conjun u a polí ica, social e inancei a de Po ugal du an e o século XIX le ou a que, de di e sas o mas, o
pa imónio con en ual osse al o de a os que con ibuí am pa a a sua uína. A al a de endimen os, as in asões
ancesas, a gue a ci il, a Re o ma Ge al Eclesiás ica, a ex inção das o dens eligiosas (1834) e a desamo ização
dos seus bens, o ence amen o dos con en os emininos, a complexa ges ão es a al, cons i uí am, en e ou as,
condições a o á eis ao desen ol imen o de a i udes que se enquad am no âmbi o daquilo que, habi ualmen e,
designamos de andalismo. Monumen os ão impo an es como os mos ei os de Alcobaça ou San a Ma ia de
Belém não escapa iam à indi e ença, incú ia, des uição, descon ex ualização. Os egis os deixados po alguns
in elec uais oi ocen is as, e po on es documen ais como as ap esen adas, algumas inédi as, mos am-se
imp escindí eis pa a a comp eensão das á ias e en es do andalismo nos con en os e seus espólios, núcleos
impo an es do pa imónio a qui e ónico e a ís ico nacional.
PALAVRAS-CHAVE
Séc. XIX | Vandalismo | Con en os | Pa imónio a ís ico
ABSTRACT
The poli ical, social and inancial si ua ion o Po ugal du ing he 19 h cen u y p o ided ha , in many ways,
con en ual he i age was he objec o ac s ha con ibu ed o i s uin. The lack o incomes, he F ench in asions,
he ci il wa , he Gene al Ecclesias ical Re o m, he ex inc ion o eligious o de s (1834) and he disen ailmen
o hei p ope ies, he closu e o he emale con en s, he complex s a e managemen , we e, among o he s,
he a ou able condi ions o he de elopmen o a i udes ha i in o wha we usually call andalism. Impo an
monumen s such as he monas e ies o Alcobaça o San a Ma ia de Belém would no escape o negligence,
des uc ion, decon ex ualiza ion. The eco ds le by some 19 h cen u y in ellec uals, and documen a y sou ces
such as hese p esen ed, some unpublished, a e shown indispensable o unde s and he se e al aspec s o
andalism in he con en s and hei spoils, impo an nuclei o he na ional a chi ec u al and a is ic he i age.
KEYWORDS
19 h cen u y | Vandalism | Con en s | A is ic he i age
ART IS ON
108 n.º 5 2017
Ao longo dos séculos, Po ugal oi assis indo a
di e sas o mas de andalismo pe pe adas con a
o pa imónio a ís ico. O pa imónio eligioso
encon ou-se – pela simbologia, ca ga o i a que
ence a a e p oximidade com as populações – mais
expos o. No caso do pa imónio con en ual – que,
a pa i do complexo século XIX, so eu as mais
di e sas icissi udes – a sua dimensão, iqueza
e ligação ao passado, o nou-o pa icula men e
ulne á el, en en ando p ocessos de ges ão nem
semp e a empados ou adequados pa a aze ace à
insegu ança, igno ância e insensibilidade a ís ica.
Num con ex o de in asões ancesas, de
gue a ci il, de ex inção das o dens eligiosas, de
nacionalização de bens, de laicização da sociedade,
o país conheceu consequências semelhan es às
oco idas em F ança nas décadas subsequen es à
Re olução. De ac o, as ans o mações polí icas,
ideológicas e sociais, p opo ciona am implicações no
papel que a eligião, sua o ganização e pa imónio,
i e am na sociedade e no Es ado. Com ideias que
eme iam pa a o Iluminismo e pa a a Re olução
F ancesa – em no emb o de 1789 iu a Cons i uin e
decidi que os bens do cle o ossem colocados à
disposição da nação (Poulo , 2001: 50) –, o país
he dou um conjun o de a i udes e concei os que
pe sis i am ao longo do empo, com impac o no seu
pa imónio imó el e mó el.
Se, po um lado, o mundo inha is o nasce
em F ança, uma impo an e polí ica pa imonial,
que se i ia de modelo a países como Po ugal,
po ou o – e, em g ande pa e, como eação a
símbolos da an iga o dem (Gamboni, 2014: 46)
– ig ejas e con en os, assim como ou os edi ícios,
o am saqueados, des uídos, endidos, le ando ao
desman elamen o quase semp e insensí el e cego, de
uma pa e signi ica i a do pa imónio. Mui os edi ícios,
pin u as, escul u as e ou os obje os a ís icos, o am
al o de andalismo, pala a ab angen e baseada
na lendá ia de as ação causada pelos ândalos,
cuja o igem/u ilização se a ibui ao Abade Hen i
G égoi e (1750-1831). O depu ado da Assembleia
Cons i uin e u ilizou-a pa a aze uma pode osa
decla ação polí ica, num con ex o de na u al eação
aos a os que es a am a se pe pe ados (Miles,
2010: 317-318; Schildgen, 2008: 122, 124-127).
A i udes de lu a pela de esa e conse ação de
espaços e obje os, que en ão ganha am uma ca ga
ins u i a, ecoa iam pelas ideias e ação de di e sas
igu as, como o a queólogo Alexand e Lenoi (1761-
1839), pin o esponsá el pelo Depósi o do Pe i s
Augus ins, onde nasce ia o Museu dos Monumen os
F anceses (Poulo , 2001: 55-56), ou o jo em esc i o
Vic o Hugo (1802-1885) que, em 1825, publicou
Gue e aux Démolisseu s (Schildgen, 2008: 133-
134). As designadas, po F ançoise Choay, medidas
de “conse ação p e en i a” e, sob e udo as de
“conse ação ea i a” (Choay, 2006: 91), se i iam
pa a o es abelecimen o de polí icas pa imoniais
pionei as. Lemb emos, como e e e And é Chas el, que
a p óp ia noção de pa imónio su giu dos desas es
e olucioná ios (Gamboni, 2014: 45). Como sua
consequência, nasceu a ideia de monumen o his ó ico
nacional e de in e esse público; os monumen os, que
i essem alo his ó ico ou a ís ico, pe enciam à
nação, de endo se i pa a p opo ciona p aze e
educação aos cidadãos (Schildgen, 2008: 123).
O andalismo, na gene alidade, pode di idi -se
em ca ego ias de causas, que em 1959, Louis Réau
apon ou e que encon amos em ealidades que não
apenas a ancesa: ana ismo e pu i anismo eligioso;
andalismo sen imen al (indignação que le a à
des uição de edi ícios ou obje os com alguma ca ga
simbólica); andalismo es é ico (baseado no gos o);
maus es au os; e, po im o Elginismo, ou seja, a
deslocação de ob as do seu local o iginal, le ando à
sua descon ex ualização (Schildgen, 2008: 123-124).
Mas em que medida o andalismo se ez sen i
no pa imónio con en ual po uguês? Que egis os
encon amos?
P ocu ando aze uma lei u a in eg ada daqueles
que são os es emunhos de des acados in elec uais
oi ocen is as e de di e sos documen os, alguns
inédi os, ou os abo dados sob uma no a pe spe i a,
p ocu a -se-á esponde a es as ques ões, en endendo-
se a dimensão do enómeno.
O CONTEXTO
VANDALISMO E ICONOCLASTIA VANDALISM AND ICONOCLASM 109
n.º 5 2017
Em Po ugal, as in asões ancesas i e am
ne as as consequências no pa imónio his ó ico
e a ís ico (Ne o, 2008) di undindo a mais du a
ealidade do “ andalismo” pelo e i ó io nacional –
ig ejas, con en os, palácios, não o am poupados.
P op iedades p i adas, públicas, eligiosas, ica am
expos as a um ele ado ní el de isco e e e i a
des uição. Os p incipais monumen os, símbolos
nacionais, não escapa iam ao saque e des uição
ancesa. Em 1811, a espei o do Mos ei o da
Ba alha, aludia-se ao “las imoso es ado a que o
Exe ci o F ancez eduziu es e admi a el Edi icio, não
poupando nem as cinzas das Pessoas Reaes, que ali
jazião sepul ados”1.
Em É o a – à semelhança do que sucede ia em
mui os ou as localidades – mui as escul u as e painéis,
embo a escapando ao saque, o am dani icados ou
mesmo des uídos. Imagens e pin u as despedaçadas,
al aias des uídas, oi no “maio desp ezo”, que os
in aso es deixa am o pa imónio a ís ico de casas
eligiosas, como o con en o dos Remédios ou o
Colégio do Espí i o San o (Vaz, 2010: 171-172).
Às in asões seguiu-se a dizimado a gue a ci il
que opôs absolu is as e libe ais, que ambém p oduziu
oubos, ocupações e ou as ações unes as, mui as
ezes de pu a des uição, u os do clima de g ande
ins abilidade, que en ão se i ia. Num con ex o que
ambém acolhe ia uma e o ma eclesiás ica – que le ou
à sup essão de algumas casas eligiosas – a Jun a do
Es ado A ual, e Melho amen o Tempo al das O dens
Regula es (JEAMTOR), dela enca egue, num documen o
di igido a D. Ped o, da ado de ou ub o de 1833,
escla ecia que as p a as dos con en os sup imidos
inham sendo gua dadas em depósi o no Banco de
Lisboa, nomeadamen e os Vasos Sag ados, enquan o
es es não se es i uíam aos pá ocos ou dis ibuíam pelas
eguesias u ais do e mo da capi al; lemb a a-se en ão
que es as úl imas inham sido “delles (…) despojados
na e gonhosa uga do go e no usu pado , e oubados
pelas gue ilhas de lad ões que a pós se deixa ão.”2
Ainda du an e o go e no de D. Miguel, aludia-
se, po exemplo, à p a a exis en e no Con en o da
Conceição de Beja, escla ecendo-se que em Ou ique
“qdo a Gue ilha en ou ap ezoce aos ebeldes huma
p oção de P a a não ão pouca”, e que “Nes e e mo
nas Ig ejas não ha nada de P a a po que em 1807 as
le a ão os F ancezes e nuca mais o ão es i uídas”3.
Se ão, e e i amen e, á ias as menções ei as
à g a e delapidação causada po opas, que
encon amos em documen ação pos e io a 1834,
elacionada com pedidos de quad os, al aias e
ou os bens das ex in as casas eligiosas, des inados
a ig ejas e con en os, que se inham is o p i ados
do seu pa imónio a ís ico e cujas más condições
inancei as impediam no as comp as com is a à sua
subs i uição. Em San a ém, o con en o eminino das
Donas, iu os seus quad os “aniquilados po opas
n’elle aqua eladas” (apud Rod igues, 2017: 500).
A insensibilidade dos soldados, cuja ocupação de
an igos edi ícios con en uais pe du ou no empo,
e a mencionada em 1837, a espei o do incêndio
do con en o de S. Domingos de Vila Real, que os
elemen os do Ba alhão ali aqua elado, não ajuda am
a apaga ; na e dade
“pa ece que se egozija ão de e de o a pelas
chamas aquelle bello Edi icio de manei a que
em poucas ho as não só icou odo elle eduzido
a cinzas, senão ambem a belissima Ig eja,
que apenas icou conse ando mal segu as as
pa edes.” (apud Rod igues, 2017: 516).
A ida da co e pa a o B asil, a que se seguiu
o eg esso e a con u bada implemen ação do
libe alismo em Po ugal, a egência de D. Ped o,
o einado de D. Ma ia II, assim como o dos seus
sucesso es, ica am ma cados, sob e udo a é ao
pe íodo da Regene ação, po uma ins abilidade
polí ica, inancei a e social, o que po si só po encia a
os designados a os de andalismo, incú ia, u o…
Simul aneamen e, um an icle icalismo que se en aizou
O “VANDALISMO”
E O PATRIMÓNIO CONVENTUAL
1. A qui o Nacional da To e do Tombo, Minis é io do Reino, Mç.236, Cx.317. 24-10-1811 – Conde de Aguia ao Pa ia ca Elei o de
Lisboa.
2. ANTT, Minis é io dos Negócios Eclesiás icos e de Jus iça, Mç.177, Cx.147, Nº1. 25-10-1833.
3 ANTT, MNEJ, Mç.29, Cx.26, Nº2. s/da a (1834).
ART IS ON
110 n.º 5 2017
social e ideologicamen e, e á igualmen e omen ado,
ou pelo menos, ajudado a igno a , uma sé ie de ações
que o am en ão p a icadas.
Aos a os di e os, de des uição ou de u pação –
e es idos, pon ualmen e, de uma iconoclas ia que
não deixou de es a p esen e – soma am-se a incú ia,
a insensibilidade que, às ezes, ine en es às medidas
omadas e na p odução legisla i a (ou ausência dela),
condiciona am a conc e ização des as.
Se em F ança os a os con a o pa imónio inham
causado eações, ambém em Po ugal não passa am
despe cebidos, nomeadamen e, de um conjun o
de pe sonalidades que pela denúncia em p aça
pública, en a am po encia a mudança de a i udes,
a p odução de medidas e legislação de p o eção;
es as con ibui iam, a a és da e lexão e alo ização
da he ança his ó ica e a ís ica nacional, pa a o
es abelecimen o e desen ol imen o em e as lusas da
p óp ia noção de monumen o e pa imónio.
Su p eenden emen e a pala a “ andalismo”,
apesa de já an es u ilizada, “impo ada”, apenas no
inal da década de 50 de oi ocen os su ge e e enciada
no Dicciona io da lingua po ugueza de An onio
de Mo aes Sil a, melho ado e ac escen ado po
Mendonça Falcão: “Vandalísmo, s. m. . md. Sys ema,
egímen des uc i o das sciencias, e das a es, po
alusão aos Vandalos que assola am algumas pa es
da Eu opa” (Sil a e Falcão, 1858: 964) e de o ma
mais b e e no No o Dicciona io Po a il da Lingua
Po ugueza, di igido po Miguel Ma ins d’An as,
como “sys ema des uido (de sciencias e a es).”
(An as, 1858: 722). Na úl ima década de oi ocen os,
à p imi i a designação de Mo aes da Sil a, ac esceu
uma mais desc i i a “Des uição, de as ação de
monumen os, de ob as de a e, a o es, e c., po
igno ancia, mal adez, e c.” (Sil a, 1891: 966).
Po ém, em 1833, numa al u a em que á ias
casas eligiosas o am sup imidas, o co egedo de
Alcobaça, An onio Luiz de Seab a, não se imiscui ia
de u iliza a exp essão “ andalismo” pa a ca ac e iza
a o ma como encon a a o Mos ei o:
“(…) achei o con en o comple amen e saqueado,
e de as ado: a maio pa e dos mo eis que
es a ão, o gão, id aças, paineis, udo se
acha a des oçado, ou despedaçado; nem mesmo
os san os, os umulos inhão sido espei ados; de
o ma que na minha con a desse dia, de igida ao
Exm. Minis o da jus iça, ca a e isei de andalismo
inaudi o os es agos ei os no Mos ei o. A li a ia,
(…) que inha sido conside a elmen e des alcada
pelo des acamen o F ancez, gue ilhas que alli
ie ão de Peniche, e po ou as pessoas, es a a
ainda de po as a ombadas, e abe as, e em
comple o abandono.” (Seab a, 1835: 4). [ ig. 01]
O ela o, espelha a a mul iplicidade de causas que
p o oca am semelhan e es ado: as in asões ancesas
a sup essão e abandono das casas eligiosas, a
gue a ci il, a péssima si uação inancei a e social
que o país en en a a, uma insegu ança c escen e
que se pe pe ua ia ao longo do século XIX.
No mesmo ano, na sequência da sup essão do
Mos ei o de São Ben o da Saúde, em Lisboa, e am
ela ados a D. Ped o pela JEAMTOR, aqueles que
inham sido os a os p a icados pelos eligiosos e que
a ingiam, o que hoje designamos de iconoclas ia:
Fig. 01· “Mos ei o de San a Ma ia de Alcobaça”, A chi o Pi o esco:
Semana io Illlus ado, 6º ano, nº22, 1863.
VANDALISMO E ICONOCLASTIA VANDALISM AND ICONOCLASM 111
n.º 5 2017
Com o dec e o de ex inção das o dens eligiosas,
da ado de 30 de maio de 1834, o ence amen o
de casas eligiosas ganhou ou a dimensão,
disponibilizando nas mãos do Es ado, uma eno me
massa pa imonial na qual se incluíam edi ícios,
seus echeios e iquezas da mais a iada o dem,
pa imónio a ís ico, que pela quan idade e qualidade,
cons i uía pa e signi ica i a da iqueza nacional. Um
sem núme o de con en os, espalhados pelo país,
alguns em sí ios e mos, depois de cump idas as
diligências que o dec e o e ins uções que se segui am
exigiam – que a a és, po exemplo, da ealização
de in en á ios, não deixa am de en a acau ela a
sua segu ança – acaba am echados, abandonados,
expos os a u os e às más condições de conse ação
que en en a am.
Mui os edi ícios con en uais (alguns ainda con endo
pa imónio in eg ado ou mesmo mó el…), quando
não endidos pelo Es ado, de u pados ou a é mesmo
demolidos ou endidos, “in ei os” ou “em peças”
pelos comp ado es – à semelhança do designado
em F ança “bande noi e” (Schildgen, 2008: 123)
– ou con inua am abandonados ou ecebiam no as
u ilizações, maio i a iamen e ci is ou mili a es, dando
espos a às no as necessidades do apa elho libe al.
Es as e uncionalizações, p oduziam equen emen e
um andalismo que designamos de andalismo
uncional, exp essão que pode se igualmen e
a ibuída a a uações/consequências oco idas em
mui os edi ícios públicos alugados a pa icula es (po
exemplo pa a a ins alação de comé cio ou se iços),
ou endidos aos mesmos. Legislação, como a ca a de
lei de 15 de ab il de 1835, que isa a sal agua da
de enda, ob as e edi ícios, cujo alo his ó ico e a ís ico
assim o jus i icasse, e ia esul ados ques ioná eis.
No mesmo âmbi o, em e e ei o de 1836, Luís
Mouzinho de Albuque que (1792-1846), incumbiu
a Academia das Ciências de Lisboa de o ma a
elação de edi ícios pe encen es às ex in as o dens,
que po mo i os his ó icos ou pela sua a qui e u a
ossem “dignos de se conse ados, e en e idos
po con a do Go e no como monumen os públicos”
(apud Rod igues, 2017: 219). Missão que, pelo
es abelecimen o de uma comissão e ede nacional de
in o mado es, a Academia en ou ins i ui , mas que se
e i icou em mui os casos a dia (mui as ig ejas inham
já sido endidas) e ine icaz.
No ge al, mui os edi ícios públicos con inua iam
em isco, u o de um “desleixo” que a po a ia de
31 de maio de 1836, di igida aos Go e nado es
Ci is apon a a e e le ia. A negligência po pa e
das au o idades adminis a i as na sua conse ação,
p incipalmen e dos con en os e ig ejas – “sendo
deixados alguns em abandono al, que em sido
oubados, e des uídos” – le a a a que osse
en ão o denada “a maio igilância” e “ epa os
indispensá eis, pa a e i a maio es uinas” (apud
Rod igues: 2017: 508). Em 1841, chega ia a se
pedida ao Inspe o -ge al das Ob as Públicas, uma
elação dos Monumen os Nacionais, “decla ando
o seu uso, ou se en ia (…); o seu es ado de
conse ação, ou uina”, as ob as que inham ido e as
que necessi a am pa a “se em conse ados” (apud
Rod igues, 2017: 242), demons ando não apenas
p eocupação com o es ado dos monumen os, mas
ambém um desconhecimen o que não se limi a a
ao es ado, mas ambém à u ilização.
O PATRIMÓNIO IMÓVEL
4. ANTT, In endência das Ob as Públicas, Li .54, ls.37 s-38. 21-06-1839.
“os Monges des a caza ebeldes a seu Rey
Legi imo, blas emando con a elle e o Go e no,
queb a ão al a es, despedaça ão Imagens,
ende ão algumas aos mo ado es da Rua de S.
Ben o, co a ão a o es e pa ei as na ce ca e em
im demuli ão o Al a de Jesus Ch is o e o Th ono
Legi imo (…)” (apud Rod igues, 2017: 146-147).
ART IS ON
112 n.º 5 2017
No caso do Mos ei o da Ba alha, cujas ob as
de es au o se inicia am mesmo no inal da década
de 30, nem essas es a am a sal o da des uição.
Aos domingos e dias san os, quando ali não ha ia
abalhado es, os apazes da ila subiam pelas
pa edes ex e io es aos e aços, des uindo alguns
abalhos, lançando ped as, e c. A solução suge ida
pelo Inspe o Vellez Ba ei os e a que
“se mandasse habi a algumas Cellas do ex-
Con en o da Ba alha po um Sa gen o de
Ve e anos 4 ou 6 soldados, endo es es sob sua
esponsabilidade a gua da e conse ação do
Edi icio.”4
Quan o à “Ig eja Monumen al de S. a Ma ia”
em Alcobaça, al o de ob as que inham cus ado
à Fazenda Pública “a ul adas somas”, Mouzinho
de Albuque que em ab il de 1842, enquan o
inspe o -ge al In e ino das Ob as Públicas do Reino,
ecomenda a ao Go e nado Ci il de Lei ia que mui o
con inha que não se deixasse que aquele monumen o
se pe desse “po incu ia e desleixo”, de endo exis i
“o maio cuidado e igilância na [sua] conse ação”,
encon ando-se dispos o a coope a na mesma5.
Também o edi ício de Ma a, não escapa a a a os
de andalismo. Em maio de 1848, o Ba ão da Luz,
inspe o -ge al das Ob as Públicas, esc e ia ao Duque
de Saldanha ela ando que
“O Ves ibulo aonde es ão collocadas Es a uas, que
me dizem e em indo de Roma, es ão expos as a
que o publico e os mal in encionados as des uão,
o que e ec i amen e em acon ecido; pe quan o
algumas d’ellas ja não em dedos, e a ou as
lhe em sido oubados os o namen os que e ão
de me al; (…) O maquinismo dos Ca ilhões e
elogios acha se expos o a que os cu iozos que
ão ê es a g ande peça se in e enhão a pucha
pelas co en es, de que ezul a, que ainda bem
se não eem conce ado uns, já ou os apa ecem
queb ados (…)”6.
Ace ca das pin u as, pon ualmen e, algumas
au o idades adminis a i as ale a iam pa a os
iscos a que es as se encon a am expos as, sendo
necessá ia a sua eunião em edi ícios cen ais, algo
que pe mi i ia uma mais con enien e conse ação,
impedindo que es as ossem “conside a elmen e
damni icadas” (apud Rod igues, 2017: 505). Admi ia-
se que a sua exis ência em casas desabi adas, com
“ al a de limpeza e de ou os cuidados”, “expos os
ao oubo”, ambém acili ado pela “ al a de gos o”
(apud Rod igues, 2017: 507) de quem ealiza a os
in en á ios, con ibuíam pa a um isco c escen e.
Em ou ub o de 1834, Joaquim Ra ael, Pin o da
Real Cama a e Co e, na sua p opos a de c iação de
uma Escola e A eneu das Belas-A es em Lisboa, não
deixou de lemb a que es e pode ia se o mado po
odas as pin u as, escul u as e g a u as dos ex in os
con en os, “dos quaes há, di e sos e admi á eis
o iginaes no maio desp ezo e es ago possi el, po
má a ecadação” (apud Rod igues, 2017: 503).
Pela mesma al u a, pouco empo após a mo e de
D. Ped o IV – que ainda em 1833 omou a impo an e
a i ude de c iação do Museu Po uense – nascia o
Depósi o das Li a ias dos Ex in os Con en os (DLEC),
no con en o de S. F ancisco da Cidade, em Lisboa,
o ganismo que inha como p incipal obje i o a ges ão
das li a ias e pin u as con en uais; um elemen o,
p e ensamen e ansi ó io, de um o ganig ama de
ges ão do ecém “adqui ido” pa imónio público,
que se p e endia, en e ou as coisas, u iliza pa a
di undi a cul u a, o “gos o pelo belo”, em pad ões
semelhan es àqueles que inham sendo as congéne es
PATRIMÓNIO MÓVEL:
A PINTURA E OUTROS PATRIMÓNIOS ARTÍSTICOS
5. ANTT, IOP, Li .57, p.53. 08-04-1842.
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c iações ancesas, e que e iam como obje i o
p incipal a c iação de um Museu Nacional. De ac o,
como oco e a em F ança, p ocu a a-se ans o ma
a memó ia eligiosa cole i a na memó ia cul u al
nacional (Schildgen, 2008: 127).
Ins alado num an igo con en o, as condições de
a mazenamen o no Depósi o ap esen a -se-iam como
medíoc es – as in il ações e humidade, o pó, e c. –
e causado as de g a es pe das. Uma g ande pa e
de elas e painéis ecolhidos com aquele des ino
acaba iam, i onicamen e, ambém andalizados,
des uídos… O in e esse, p eocupação de ecolha,
no DLEC e em ou os locais – segu os e cen ais –
e ela -se-ia dúbio, na medida em que a a i ude de
de esa, p o oca ia em si, senão pe das imedia as,
ma e iais e ima e iais (descon ex ualização),
pe das pos e io es esul an es das más condições
de a mazenamen o, segu ança, e c.., p oblemas
g i an es que pe sis i am ao longo do século XIX, e
cujos esul ados equen emen e se podem enquad a
den o do âmbi o do andalismo.
O p ocesso de ges ão do pa imónio con en ual,
o na a-se len o, condicionado pela al a de condições
humanas e inancei as. O p óp io esponsá el
pelo DLEC, o Dou o An ónio Nunes de Ca alho
(1786-1867), em julho de 1835 es a a conscien e
de que podiam oco e “p ejuizos i epa a eis” se
as a ecadações e conduções não pudessem se
ealizadas com a maio b e idade; e não deixa a de,
a espei o de É o a, ale a pa a os pe igos que as
pin u as co iam, em edi ícios abandonados ou que
se encon a am “se indo de qua eis de soldados”…
(apud Rod igues, 2017: 505), alusão que con i ma o
isco que al ocupação dos edi ícios podia p oduzi
nos seus echeios. Um ano depois, admi ia que, po
al a de meios, ha ia mui os meses que a ecolha de
li a ias, pin u as “e mais P eciosidades Li e a ias e
Scien i icas dos Con en os sup imidos” se encon a a
“pa alizada, com g a issimo, e i epa a el danno
daquelles objec os” (apud Rod igues, 2017: 357).
A po a ia de 25 de agos o de 1836, assinada
pelo Minis o do Reino Agos inho José F ei e, isa a
es abelece em cada capi al de dis i o uma biblio eca
pública, um gabine e de a idades e ou o de pin u as,
p ocu ando esponde às ques ões da segu ança,
às incapacidades do DLEC, ao mesmo empo que
di undia a ins ução, p omo ia as le as e as belas-
a es (Rod igues, 2017: 359). Uma inicia i a, com
obje i os la os e posi i os, al ez inspi ada numa
exposição de Nunes de Ca alho, segundo o qual,
poupa ia “á Nação, e ao Go e no pe das inno mes,
e i emediá eis” (apud Rod igues, 2017: 358).
Mui as ob as, an es do ence amen o dos
con en os encon a am-se já em de icien es condições
de conse ação. A al a de e bas com que as casas
eligiosas se inham indo a con on a inha le ado a
que os edi ícios icassem sem a manu enção necessá ia,
esul ando em p oblemas que a e a am não apenas
as es u u as, mas ambém os con eúdos. Po ou o
lado, mui as pin u as, po exemplo, encon a am-se
expos as a umo de elas, e ou os elemen os noci os
pa a a sua p ese ação (Rod igues e Soa es, 2014:
133). Também os maus “ e oques” ou es au os, se
ap esen a am como um dos elemen os des uido es,
mui as ezes dani icando ob as aliosas. Es a
si uação, p o ocada po desconhecimen o, incú ia,
e omen ada pela al a de e bas e de p o issionais,
cons i uía um g a e p oblema. Nos in en á ios
ealizados pelos uncioná ios do DLEC são comuns as
pin u as em mau e péssimo es ado, assim como ou as
que inham pe dido o me ecimen o. E am ei as alusões
a quad os que inham icado sem “ alimen o”, aos que
“não he ão maos mas pe de aõ odo o me ecimen o
pelo mao e oque” (apud Rod igues, 2017: 502).
Quando ecolhidos, se iam po ezes al o da al a de
sensibilidade dos execu an es da a e a, iolen amen e
a ancados dos luga es de o igem, com elas
co adas a cani e e, en oladas, painéis desmon ados
e empilhados como eixes de lenha, es ando-lhes
ainda o penoso anspo e, maio i a iamen e po
ia lu ial e/ou e es e, po caminhos di íceis,
expos os aos elemen os a mos é icos, mesmo quando
acondicionados em caixo es de madei a (Soa es e .
al., 2012). Ta e as melind osas, em que a al a de
meios e consciência daqueles que as e e ua am inham
um ele ado peso na conse ação des es obje os que,
quando seguiam pa a o DLEC (e alguns, depois, pa a
a Academia) acaba iam, como já e e imos, sujei os
às más condições de a ecadação, pe manecendo
“amon oados, em g ande con usão e deso dem”
(apud Rod igues, 2017: 530). Re i ados dos locais
de o igem, mui os pe de iam os seus “bilhe es” (ou
não chega iam a ecebê-los seque …), o que aliado
a desc ições bas an es sucin as dos a olamen os, e
à mul iplicidade de emas semelhan es, signi icou,
uma “o andade” impos a, uma descon ex ualização
se e a, que lhes e i a ia pa a semp e a sua his ó ia,
o seu passado. Pos e io men e en egues a no os
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deposi an es, in eg ados em no os discu sos a ís icos,
mui os con undi am-se com es es, ganhando um
passado e um signi icado que não e a o seu.
No en an o, mui as pin u as “elei as”, como “as de
Vasco” conhece iam ou as so es. De ac o, es amos
pe an e uma espécie de conse ação sele i a, que
encon amos não apenas no espei an e às pin u as,
mas no as o conjun o de pa imónio das casas
eligiosas, incluindo o edi icado. No caso do DLEC,
Nunes de Ca alho numa p imei a ase, e e o cuidado
de euni na pa e do edi ício an e io men e ocupada
pelo Hospício da Te a San a, zona “mais e i ada
e segu a”, aqueles que segundo os seus c i é ios,
concei os e gos o da época, e am os “os objec os mais
p eciosos e a os”, en e os quais “as melho es, e mais
p imo osas pin u as” (apud Rod igues, 2017: 527-
528). C i é ios simbólicos, his ó icos e es é icos que
es a iam nas es an es seleções, como a dos obje os
de ou o e p a a, e que di a am a sua conse ação
(museológica ou u ilização no cul o), a sua enda ou
mesmo undição…
A Academia de Belas-A es de Lisboa – cuja
c iação em no emb o de 1836 não obs ou a que
os p oblemas pe sis issem, com uma ação que se
pôde conside a , em mui as e en es, limi ada – em
ma ço de 1838, quando solici a a c iação do luga
de Di e o de A is as, pa a supe in ende os abalhos
de es au o das pin u as, azia o his o ial:
“Es agados es a ão quad os de mui a alia,
em que o nosso Po ugal não e a pob e, po
en egues a possuido es pouco zelosos, que ou
lhes não conhecião o mé i o, ou ba ba amen e lho
desa endião. T anspo es apidos, a ecadações
em desleixo augmen a ão a e ce a época esses
lamen a eis dannos (…)” (apud Rod igues,
2017: 524).
No início da década de 40, já após a implemen ação
de uma sé ie de medidas pa imoniais, o p íncipe de
o igem polaca e polí ico, Felix Lichnowsky (1814-
1848), menciona a a si uação em que se encon a a
o pa imónio nacional: segundo ele exis ia uma
“penú ia em objec os de a e e o andalismo com
que se de as am os escassos es os que ica am
dos empos an igos, é um enómeno bem is e mas
uni e sal, po oda a ex ensão do eino” (apud
Rod igues, 2017: 184).
Da a um dos exemplos da “insensibilidade”
nacional aquando da isi a ao Con en o de B ancanes,
aludindo a uma Nossa Senho a de jaspe, que exis ia
sob e o on ão, a qual inha sido de ubada e
despedaçada e que lhe assegu a am “ inha excessi o
me ecimen o” (apud Rod igues, 2017:185).
O DLEC – que depois de di igido po Nunes de
Ca alho, icou, a pa i de janei o de 1837, a se
ge ido po uma Comissão Adminis a i a, acabando
em 1841 en egue à Biblio eca Nacional, assim como
as es an es en idades e o mas que se encon a am
pa a en a ge i o pa imónio nacional, dep essa
esba a am na al a de condições humanas, logís icas,
inancei as e mesmo polí icas o que, ine i a elmen e,
se aduzi ia quando não em incapacidade, em
incú ia e negligência.
José Feliciano de Cas ilho (1810-1879),
Biblio ecá io Mo , que e e um papel ele an e na
omada de medidas pa a melho a as condições de
conse ação no Depósi o, e que se mos ou pionei o
na alo ização da uína, expunha no seu Rela ó io de
1844, as condições a que milha es de pin u as que
ali o am en ando ao longo de uma década, inham
es ado sujei as. Depois das escolhas da Academia
de Belas-A es de Lisboa – ambém ins alada em S.
F ancisco da Cidade, e sujei a às más condições que
ali exis iam – sob a am em Depósi o 991 quad os,
aos quais ac esciam os que es a am
“em olos (dos quaes a maio ia, é e dade, de
ín imo alo ) (…) amon oado em deso dem n’um
co edo , que a academia (…) imp és a a; com
janela semp e abe as; expos os a odas as
inclemências; calcados aos pés pelas pessoas, que
inham de in a no dic o co edo ; e, en im, na
sua maio pa e, já comple amen e es agados e
inú eis. Mas ainda bas an es inham ido a o una
de esis i ao andalismo, que p esidi a a similhan e
a umação; ac ei logo de sal a o possí el,
enquan o e a empo.” (Rod igues, 2017: 185)
Mas se alguns o am e e i amen e sal os pela
ação de Cas ilho, ou os con inua am a deg ada -
se…
e, em 1853, com o Biblio ecá io Canaes de
Figuei edo Cas ello B anco (1804-1857), 55 a obas
de e dadei os es os de an igas pin u as e am
queimadas no Campo Pequeno (Soa es e al., 242);
ou seja, enquan o algumas o am man idas (mesmo
de icien emen e) em S. F ancisco da Cidade – no
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Depósi o ou na Academia de Belas-A es, pa a onde
o am as melho es pin u as – ou dis ibuídas po ig ejas
e ou os edi ícios públicos, ou as, maio i a iamen e
ainda em olo, o am sendo sucessi amen e p e e idas,
ecebendo meno a enção, conduzindo-as pa a um
im que a maio ia acabou po e .
No Mos ei o de San a Ma ia de Belém, ocupado
pela Casa Pia – onde não sob a ia um li o de
can ochão in ei o po que “os alumnos oma am a
libe dade de lhes co a as icas iluminações e de
asga em olhas pa a aze em chapeus a mados
e alaba es, co êas &c. de b incadei a!” (apud
Rod igues, 2017: 742) – F ancisco Adol o de
Va nhagen (1816-1878) ale a ia pa a a exis ência
de um conjun o de e a os de eligiosos da o dem
de S. Je ónimo gua dados, amon oados no chão,
numa casa que se ia de an eco o. Segundo es e
diploma a e his o iado , es es documen os his ó icos
e iconog á icos de e iam “passa á Academia de
Bellas A es, a quem oca exigi-los, pa a os sal a na
sua collecção d’algum andalismo” (apud Rod igues,
2017: 746). In elizmen e, es a suges ão de mudança
pa a um es abelecimen o ins alado em S. F ancisco
da Cidade não ga an ia melho u u o…
De ac o, e apesa de sucessi os ale as, ao longo
de décadas, po pa e das impo an es ins i uições
(mal) acomodadas naquele an igo con en o, pa a os
p oblemas com que se con on a am – e lemb emos
que a Academia de Belas-A es de Lisboa e os
melho es quad os, ambém ali pe manece am a é
à abe u a da Gale ia Nacional de Pin u a em
1868 – eles nunca se esol e am e dadei amen e,
endo as soluções encon adas, apenas ajudado a
con i e com eles. De salien a que as au o idades
compe en es, não deixa am de os econhece ,
omando medidas, semp e que a on ade polí ica e
os meios inancei os assim o pe mi iam, com is a a
solucioná-los. Po exemplo, em 1845, uma po a ia
de Cos a Cab al, manda a o Inspe o Ge al das
Ob as Públicas p ocede a ob as na Academia, não
deixando de o a o a anjo da Gale ia, uma ez que
de ia e -se em con a que
“a pe da dos di os quad os pela imp op iedade
com que se acham a ecadados, se á m o mais
sensí el, do que a despeza de 341$400 .s, com
que ae a ende -se á sua ge al conse ação, pela
ac u a da mencionada Gale ia” (apud Rod igues,
2017: 541).
No que se e e e às casas eligiosas emininas,
o am de inhando ao longo dos anos. “Poupadas”
pelo dec e o de maio de 1834, dep essa se pe cebeu
o isco que os seus alo es co iam, nomeadamen e,
as aliosas pin u as que gua da am, p ocu ando-se
aze in en á ios (Rod igues, 2017: 204-216), algo
que p ocu a a e i a des ios e endas, mas que não
as p o ege ia das más condições em que exis iam.
Com e bas insu icien es pa a a sua manu enção,
a as ando-se po odo o oi ocen os, mui os con en os
a é à mo e da úl ima ei a (lei de 4 de ab il de
1861), ica am quase abandonados ao seu des ino,
jun amen e com o seu pa imónio. Se nos con en os
masculinos, nos in en á ios da década de 30, se
encon a am mui as pin u as em mau es ado, a
exp essão “mui o a uinados” passa a se bas an e
u ilizada pa a ca ac e iza os quad os que azem
pa e dos in en á ios, o mesmo sucedendo com os
p óp ios edi ícios, cuja uína e a ge al. Oco eu
de ce a o ma, apesa das en a i as a i as que
isa am p o ege o pa imónio, uma incú ia indi e a,
u o de uma legislação ainda insu icien e (dec e o e
ins uções de 31 de maio de 1862) (Rod igues, 2017:
216) e das ci cuns âncias, que não a o eciam, uma
p o eção que a asse de ac o, a de e io ação, as
ocas, os u os, as endas, os ex a ios7. Apesa
da expe iência adqui ida com o sucedido com as
casas eligiosas masculinas, com as mo imen ações
da sociedade ci il, nomeadamen e, com a c iação de
associações de de esa e p omoção do pa imónio, e
com as e o mas que oco e am na Academia nesse
mesmo sen ido (anos 80), que p opo ciona iam um
acompanhamen o mais p esen e8 e cons an e dos
p ocessos de sup essão dos con en os, mais uma
ez a al a de meios e a a i ude da época (es é ica,
eligiosa, e c.), pe mi i am que impo an es ob as de
a e desapa ecessem.
7. De ido aos ex a ios oco idos du an e o pe íodo da ex inção dos con en os e a sua passagem pa a a posse de ini i a do Es ado, em 30
de ab il de 1890 oi emi ida uma Ci cula aos Go e nado es Ci is no sen ido de que p on amen e se omasse conhecimen o da mo e
ou in alidez da úl ima ei a, e se e i essem neles os obje os. A isa a-se ambém o Minis é io da Fazenda que nenhum obje o de ia
sai sem que pela Sec e a ia de Es ado dos Negócios do Reino se izesse p ocede ao “con enien e exame, sepa ação e p ocesso dos
objec os cuja gua da e conse ação impo e á His ó ia da A e e do abalho Nacional e aos se iços das Escolas e Museus A ís icos
do paiz. (…)” ANTT, MR, Li .2453, ls.124 s-125.
8. O Conse ado do Museu Nacional isi a a con en os e escolhia obje os a ís icos pa a inco po a as coleções. Uma seleção que
a endia aos c i é ios da época.
9 ANTT, MR, Li .2453, l.62 s-63. 30-04-1880.
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122 n.º 5 2017
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