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Tempos de mudança, tempos de perda: o património conventual português no século XIX. Testemunhos de vandalismo

Rodrigues, Rute Massano

Abstract

A conjuntura política, social e financeira de Portugal durante o século XIX levou a que, de diversas formas, o património conventual fosse alvo de atos que contribuíram para a sua ruína. A falta de rendimentos, as invasões francesas, a guerra civil, a Reforma Geral Eclesiástica, a extinção das ordens religiosas (1834) e a desamortização dos seus bens, o encerramento dos conventos femininos, a complexa gestão estatal, constituíram, entre outras, condições favoráveis ao desenvolvimento de atitudes que se enquadram no âmbito daquilo que, habitualmente, designamos de vandalismo. Monumentos tão importantes como os mosteiros de Alcobaça ou Santa Maria de Belém não escapariam à indiferença, incúria, destruição, descontextualização. Os registos deixados por alguns intelectuais oitocentistas, e por fontes documentais como as apresentadas, algumas inéditas, mostram-se imprescindíveis para a compreensão das várias vertentes do vandalismo nos conventos e seus espólios, núcleos importantes do património arquitetónico e artístico nacional.

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TEMPOS DE MUDANÇA, TEMPOS DE PERDA: O PATRIMÓNIO CONVENTUAL PORTUGUÊS NO SÉCULO XIX. TESTEMUNHOS DE VANDALISMO TIMES OF CHANGE, TIMES OF LOSS: THE CONVENTUAL PORTUGUESE HERITAGE IN THE 19TH CENTURY. EVIDENCES OF VANDALISM Ru e Massano Rod igues ARTIS - Ins i u o de His ó ia de A e, Faculdade de Le as, Uni e sidade de Lisboa [email p o ec ed] RESUMO A conjun u a polí ica, social e inancei a de Po ugal du an e o século XIX le ou a que, de di e sas o mas, o pa imónio con en ual osse al o de a os que con ibuí am pa a a sua uína. A al a de endimen os, as in asões ancesas, a gue a ci il, a Re o ma Ge al Eclesiás ica, a ex inção das o dens eligiosas (1834) e a desamo ização dos seus bens, o ence amen o dos con en os emininos, a complexa ges ão es a al, cons i uí am, en e ou as, condições a o á eis ao desen ol imen o de a i udes que se enquad am no âmbi o daquilo que, habi ualmen e, designamos de andalismo. Monumen os ão impo an es como os mos ei os de Alcobaça ou San a Ma ia de Belém não escapa iam à indi e ença, incú ia, des uição, descon ex ualização. Os egis os deixados po alguns in elec uais oi ocen is as, e po on es documen ais como as ap esen adas, algumas inédi as, mos am-se imp escindí eis pa a a comp eensão das á ias e en es do andalismo nos con en os e seus espólios, núcleos impo an es do pa imónio a qui e ónico e a ís ico nacional. PALAVRAS-CHAVE Séc. XIX | Vandalismo | Con en os | Pa imónio a ís ico ABSTRACT The poli ical, social and inancial si ua ion o Po ugal du ing he 19 h cen u y p o ided ha , in many ways, con en ual he i age was he objec o ac s ha con ibu ed o i s uin. The lack o incomes, he F ench in asions, he ci il wa , he Gene al Ecclesias ical Re o m, he ex inc ion o eligious o de s (1834) and he disen ailmen o hei p ope ies, he closu e o he emale con en s, he complex s a e managemen , we e, among o he s, he a ou able condi ions o he de elopmen o a i udes ha i in o wha we usually call andalism. Impo an monumen s such as he monas e ies o Alcobaça o San a Ma ia de Belém would no escape o negligence, des uc ion, decon ex ualiza ion. The eco ds le by some 19 h cen u y in ellec uals, and documen a y sou ces such as hese p esen ed, some unpublished, a e shown indispensable o unde s and he se e al aspec s o andalism in he con en s and hei spoils, impo an nuclei o he na ional a chi ec u al and a is ic he i age. KEYWORDS 19 h cen u y | Vandalism | Con en s | A is ic he i age ART IS ON 108 n.º 5 2017 Ao longo dos séculos, Po ugal oi assis indo a di e sas o mas de andalismo pe pe adas con a o pa imónio a ís ico. O pa imónio eligioso encon ou-se – pela simbologia, ca ga o i a que ence a a e p oximidade com as populações – mais expos o. No caso do pa imónio con en ual – que, a pa i do complexo século XIX, so eu as mais di e sas icissi udes – a sua dimensão, iqueza e ligação ao passado, o nou-o pa icula men e ulne á el, en en ando p ocessos de ges ão nem semp e a empados ou adequados pa a aze ace à insegu ança, igno ância e insensibilidade a ís ica. Num con ex o de in asões ancesas, de gue a ci il, de ex inção das o dens eligiosas, de nacionalização de bens, de laicização da sociedade, o país conheceu consequências semelhan es às oco idas em F ança nas décadas subsequen es à Re olução. De ac o, as ans o mações polí icas, ideológicas e sociais, p opo ciona am implicações no papel que a eligião, sua o ganização e pa imónio, i e am na sociedade e no Es ado. Com ideias que eme iam pa a o Iluminismo e pa a a Re olução F ancesa – em no emb o de 1789 iu a Cons i uin e decidi que os bens do cle o ossem colocados à disposição da nação (Poulo , 2001: 50) –, o país he dou um conjun o de a i udes e concei os que pe sis i am ao longo do empo, com impac o no seu pa imónio imó el e mó el. Se, po um lado, o mundo inha is o nasce em F ança, uma impo an e polí ica pa imonial, que se i ia de modelo a países como Po ugal, po ou o – e, em g ande pa e, como eação a símbolos da an iga o dem (Gamboni, 2014: 46) – ig ejas e con en os, assim como ou os edi ícios, o am saqueados, des uídos, endidos, le ando ao desman elamen o quase semp e insensí el e cego, de uma pa e signi ica i a do pa imónio. Mui os edi ícios, pin u as, escul u as e ou os obje os a ís icos, o am al o de andalismo, pala a ab angen e baseada na lendá ia de as ação causada pelos ândalos, cuja o igem/u ilização se a ibui ao Abade Hen i G égoi e (1750-1831). O depu ado da Assembleia Cons i uin e u ilizou-a pa a aze uma pode osa decla ação polí ica, num con ex o de na u al eação aos a os que es a am a se pe pe ados (Miles, 2010: 317-318; Schildgen, 2008: 122, 124-127). A i udes de lu a pela de esa e conse ação de espaços e obje os, que en ão ganha am uma ca ga ins u i a, ecoa iam pelas ideias e ação de di e sas igu as, como o a queólogo Alexand e Lenoi (1761- 1839), pin o esponsá el pelo Depósi o do Pe i s Augus ins, onde nasce ia o Museu dos Monumen os F anceses (Poulo , 2001: 55-56), ou o jo em esc i o Vic o Hugo (1802-1885) que, em 1825, publicou Gue e aux Démolisseu s (Schildgen, 2008: 133- 134). As designadas, po F ançoise Choay, medidas de “conse ação p e en i a” e, sob e udo as de “conse ação ea i a” (Choay, 2006: 91), se i iam pa a o es abelecimen o de polí icas pa imoniais pionei as. Lemb emos, como e e e And é Chas el, que a p óp ia noção de pa imónio su giu dos desas es e olucioná ios (Gamboni, 2014: 45). Como sua consequência, nasceu a ideia de monumen o his ó ico nacional e de in e esse público; os monumen os, que i essem alo his ó ico ou a ís ico, pe enciam à nação, de endo se i pa a p opo ciona p aze e educação aos cidadãos (Schildgen, 2008: 123). O andalismo, na gene alidade, pode di idi -se em ca ego ias de causas, que em 1959, Louis Réau apon ou e que encon amos em ealidades que não apenas a ancesa: ana ismo e pu i anismo eligioso; andalismo sen imen al (indignação que le a à des uição de edi ícios ou obje os com alguma ca ga simbólica); andalismo es é ico (baseado no gos o); maus es au os; e, po im o Elginismo, ou seja, a deslocação de ob as do seu local o iginal, le ando à sua descon ex ualização (Schildgen, 2008: 123-124). Mas em que medida o andalismo se ez sen i no pa imónio con en ual po uguês? Que egis os encon amos? P ocu ando aze uma lei u a in eg ada daqueles que são os es emunhos de des acados in elec uais oi ocen is as e de di e sos documen os, alguns inédi os, ou os abo dados sob uma no a pe spe i a, p ocu a -se-á esponde a es as ques ões, en endendo- se a dimensão do enómeno. O CONTEXTO VANDALISMO E ICONOCLASTIA VANDALISM AND ICONOCLASM 109 n.º 5 2017 Em Po ugal, as in asões ancesas i e am ne as as consequências no pa imónio his ó ico e a ís ico (Ne o, 2008) di undindo a mais du a ealidade do “ andalismo” pelo e i ó io nacional – ig ejas, con en os, palácios, não o am poupados. P op iedades p i adas, públicas, eligiosas, ica am expos as a um ele ado ní el de isco e e e i a des uição. Os p incipais monumen os, símbolos nacionais, não escapa iam ao saque e des uição ancesa. Em 1811, a espei o do Mos ei o da Ba alha, aludia-se ao “las imoso es ado a que o Exe ci o F ancez eduziu es e admi a el Edi icio, não poupando nem as cinzas das Pessoas Reaes, que ali jazião sepul ados”1. Em É o a – à semelhança do que sucede ia em mui os ou as localidades – mui as escul u as e painéis, embo a escapando ao saque, o am dani icados ou mesmo des uídos. Imagens e pin u as despedaçadas, al aias des uídas, oi no “maio desp ezo”, que os in aso es deixa am o pa imónio a ís ico de casas eligiosas, como o con en o dos Remédios ou o Colégio do Espí i o San o (Vaz, 2010: 171-172). Às in asões seguiu-se a dizimado a gue a ci il que opôs absolu is as e libe ais, que ambém p oduziu oubos, ocupações e ou as ações unes as, mui as ezes de pu a des uição, u os do clima de g ande ins abilidade, que en ão se i ia. Num con ex o que ambém acolhe ia uma e o ma eclesiás ica – que le ou à sup essão de algumas casas eligiosas – a Jun a do Es ado A ual, e Melho amen o Tempo al das O dens Regula es (JEAMTOR), dela enca egue, num documen o di igido a D. Ped o, da ado de ou ub o de 1833, escla ecia que as p a as dos con en os sup imidos inham sendo gua dadas em depósi o no Banco de Lisboa, nomeadamen e os Vasos Sag ados, enquan o es es não se es i uíam aos pá ocos ou dis ibuíam pelas eguesias u ais do e mo da capi al; lemb a a-se en ão que es as úl imas inham sido “delles (…) despojados na e gonhosa uga do go e no usu pado , e oubados pelas gue ilhas de lad ões que a pós se deixa ão.”2 Ainda du an e o go e no de D. Miguel, aludia- se, po exemplo, à p a a exis en e no Con en o da Conceição de Beja, escla ecendo-se que em Ou ique “qdo a Gue ilha en ou ap ezoce aos ebeldes huma p oção de P a a não ão pouca”, e que “Nes e e mo nas Ig ejas não ha nada de P a a po que em 1807 as le a ão os F ancezes e nuca mais o ão es i uídas”3. Se ão, e e i amen e, á ias as menções ei as à g a e delapidação causada po opas, que encon amos em documen ação pos e io a 1834, elacionada com pedidos de quad os, al aias e ou os bens das ex in as casas eligiosas, des inados a ig ejas e con en os, que se inham is o p i ados do seu pa imónio a ís ico e cujas más condições inancei as impediam no as comp as com is a à sua subs i uição. Em San a ém, o con en o eminino das Donas, iu os seus quad os “aniquilados po opas n’elle aqua eladas” (apud Rod igues, 2017: 500). A insensibilidade dos soldados, cuja ocupação de an igos edi ícios con en uais pe du ou no empo, e a mencionada em 1837, a espei o do incêndio do con en o de S. Domingos de Vila Real, que os elemen os do Ba alhão ali aqua elado, não ajuda am a apaga ; na e dade “pa ece que se egozija ão de e de o a pelas chamas aquelle bello Edi icio de manei a que em poucas ho as não só icou odo elle eduzido a cinzas, senão ambem a belissima Ig eja, que apenas icou conse ando mal segu as as pa edes.” (apud Rod igues, 2017: 516). A ida da co e pa a o B asil, a que se seguiu o eg esso e a con u bada implemen ação do libe alismo em Po ugal, a egência de D. Ped o, o einado de D. Ma ia II, assim como o dos seus sucesso es, ica am ma cados, sob e udo a é ao pe íodo da Regene ação, po uma ins abilidade polí ica, inancei a e social, o que po si só po encia a os designados a os de andalismo, incú ia, u o… Simul aneamen e, um an icle icalismo que se en aizou O “VANDALISMO” E O PATRIMÓNIO CONVENTUAL 1. A qui o Nacional da To e do Tombo, Minis é io do Reino, Mç.236, Cx.317. 24-10-1811 – Conde de Aguia ao Pa ia ca Elei o de Lisboa. 2. ANTT, Minis é io dos Negócios Eclesiás icos e de Jus iça, Mç.177, Cx.147, Nº1. 25-10-1833. 3 ANTT, MNEJ, Mç.29, Cx.26, Nº2. s/da a (1834). ART IS ON 110 n.º 5 2017 social e ideologicamen e, e á igualmen e omen ado, ou pelo menos, ajudado a igno a , uma sé ie de ações que o am en ão p a icadas. Aos a os di e os, de des uição ou de u pação – e es idos, pon ualmen e, de uma iconoclas ia que não deixou de es a p esen e – soma am-se a incú ia, a insensibilidade que, às ezes, ine en es às medidas omadas e na p odução legisla i a (ou ausência dela), condiciona am a conc e ização des as. Se em F ança os a os con a o pa imónio inham causado eações, ambém em Po ugal não passa am despe cebidos, nomeadamen e, de um conjun o de pe sonalidades que pela denúncia em p aça pública, en a am po encia a mudança de a i udes, a p odução de medidas e legislação de p o eção; es as con ibui iam, a a és da e lexão e alo ização da he ança his ó ica e a ís ica nacional, pa a o es abelecimen o e desen ol imen o em e as lusas da p óp ia noção de monumen o e pa imónio. Su p eenden emen e a pala a “ andalismo”, apesa de já an es u ilizada, “impo ada”, apenas no inal da década de 50 de oi ocen os su ge e e enciada no Dicciona io da lingua po ugueza de An onio de Mo aes Sil a, melho ado e ac escen ado po Mendonça Falcão: “Vandalísmo, s. m. . md. Sys ema, egímen des uc i o das sciencias, e das a es, po alusão aos Vandalos que assola am algumas pa es da Eu opa” (Sil a e Falcão, 1858: 964) e de o ma mais b e e no No o Dicciona io Po a il da Lingua Po ugueza, di igido po Miguel Ma ins d’An as, como “sys ema des uido (de sciencias e a es).” (An as, 1858: 722). Na úl ima década de oi ocen os, à p imi i a designação de Mo aes da Sil a, ac esceu uma mais desc i i a “Des uição, de as ação de monumen os, de ob as de a e, a o es, e c., po igno ancia, mal adez, e c.” (Sil a, 1891: 966). Po ém, em 1833, numa al u a em que á ias casas eligiosas o am sup imidas, o co egedo de Alcobaça, An onio Luiz de Seab a, não se imiscui ia de u iliza a exp essão “ andalismo” pa a ca ac e iza a o ma como encon a a o Mos ei o: “(…) achei o con en o comple amen e saqueado, e de as ado: a maio pa e dos mo eis que es a ão, o gão, id aças, paineis, udo se acha a des oçado, ou despedaçado; nem mesmo os san os, os umulos inhão sido espei ados; de o ma que na minha con a desse dia, de igida ao Exm. Minis o da jus iça, ca a e isei de andalismo inaudi o os es agos ei os no Mos ei o. A li a ia, (…) que inha sido conside a elmen e des alcada pelo des acamen o F ancez, gue ilhas que alli ie ão de Peniche, e po ou as pessoas, es a a ainda de po as a ombadas, e abe as, e em comple o abandono.” (Seab a, 1835: 4). [ ig. 01] O ela o, espelha a a mul iplicidade de causas que p o oca am semelhan e es ado: as in asões ancesas a sup essão e abandono das casas eligiosas, a gue a ci il, a péssima si uação inancei a e social que o país en en a a, uma insegu ança c escen e que se pe pe ua ia ao longo do século XIX. No mesmo ano, na sequência da sup essão do Mos ei o de São Ben o da Saúde, em Lisboa, e am ela ados a D. Ped o pela JEAMTOR, aqueles que inham sido os a os p a icados pelos eligiosos e que a ingiam, o que hoje designamos de iconoclas ia: Fig. 01· “Mos ei o de San a Ma ia de Alcobaça”, A chi o Pi o esco: Semana io Illlus ado, 6º ano, nº22, 1863. VANDALISMO E ICONOCLASTIA VANDALISM AND ICONOCLASM 111 n.º 5 2017 Com o dec e o de ex inção das o dens eligiosas, da ado de 30 de maio de 1834, o ence amen o de casas eligiosas ganhou ou a dimensão, disponibilizando nas mãos do Es ado, uma eno me massa pa imonial na qual se incluíam edi ícios, seus echeios e iquezas da mais a iada o dem, pa imónio a ís ico, que pela quan idade e qualidade, cons i uía pa e signi ica i a da iqueza nacional. Um sem núme o de con en os, espalhados pelo país, alguns em sí ios e mos, depois de cump idas as diligências que o dec e o e ins uções que se segui am exigiam – que a a és, po exemplo, da ealização de in en á ios, não deixa am de en a acau ela a sua segu ança – acaba am echados, abandonados, expos os a u os e às más condições de conse ação que en en a am. Mui os edi ícios con en uais (alguns ainda con endo pa imónio in eg ado ou mesmo mó el…), quando não endidos pelo Es ado, de u pados ou a é mesmo demolidos ou endidos, “in ei os” ou “em peças” pelos comp ado es – à semelhança do designado em F ança “bande noi e” (Schildgen, 2008: 123) – ou con inua am abandonados ou ecebiam no as u ilizações, maio i a iamen e ci is ou mili a es, dando espos a às no as necessidades do apa elho libe al. Es as e uncionalizações, p oduziam equen emen e um andalismo que designamos de andalismo uncional, exp essão que pode se igualmen e a ibuída a a uações/consequências oco idas em mui os edi ícios públicos alugados a pa icula es (po exemplo pa a a ins alação de comé cio ou se iços), ou endidos aos mesmos. Legislação, como a ca a de lei de 15 de ab il de 1835, que isa a sal agua da de enda, ob as e edi ícios, cujo alo his ó ico e a ís ico assim o jus i icasse, e ia esul ados ques ioná eis. No mesmo âmbi o, em e e ei o de 1836, Luís Mouzinho de Albuque que (1792-1846), incumbiu a Academia das Ciências de Lisboa de o ma a elação de edi ícios pe encen es às ex in as o dens, que po mo i os his ó icos ou pela sua a qui e u a ossem “dignos de se conse ados, e en e idos po con a do Go e no como monumen os públicos” (apud Rod igues, 2017: 219). Missão que, pelo es abelecimen o de uma comissão e ede nacional de in o mado es, a Academia en ou ins i ui , mas que se e i icou em mui os casos a dia (mui as ig ejas inham já sido endidas) e ine icaz. No ge al, mui os edi ícios públicos con inua iam em isco, u o de um “desleixo” que a po a ia de 31 de maio de 1836, di igida aos Go e nado es Ci is apon a a e e le ia. A negligência po pa e das au o idades adminis a i as na sua conse ação, p incipalmen e dos con en os e ig ejas – “sendo deixados alguns em abandono al, que em sido oubados, e des uídos” – le a a a que osse en ão o denada “a maio igilância” e “ epa os indispensá eis, pa a e i a maio es uinas” (apud Rod igues: 2017: 508). Em 1841, chega ia a se pedida ao Inspe o -ge al das Ob as Públicas, uma elação dos Monumen os Nacionais, “decla ando o seu uso, ou se en ia (…); o seu es ado de conse ação, ou uina”, as ob as que inham ido e as que necessi a am pa a “se em conse ados” (apud Rod igues, 2017: 242), demons ando não apenas p eocupação com o es ado dos monumen os, mas ambém um desconhecimen o que não se limi a a ao es ado, mas ambém à u ilização. O PATRIMÓNIO IMÓVEL 4. ANTT, In endência das Ob as Públicas, Li .54, ls.37 s-38. 21-06-1839. “os Monges des a caza ebeldes a seu Rey Legi imo, blas emando con a elle e o Go e no, queb a ão al a es, despedaça ão Imagens, ende ão algumas aos mo ado es da Rua de S. Ben o, co a ão a o es e pa ei as na ce ca e em im demuli ão o Al a de Jesus Ch is o e o Th ono Legi imo (…)” (apud Rod igues, 2017: 146-147). ART IS ON 112 n.º 5 2017 No caso do Mos ei o da Ba alha, cujas ob as de es au o se inicia am mesmo no inal da década de 30, nem essas es a am a sal o da des uição. Aos domingos e dias san os, quando ali não ha ia abalhado es, os apazes da ila subiam pelas pa edes ex e io es aos e aços, des uindo alguns abalhos, lançando ped as, e c. A solução suge ida pelo Inspe o Vellez Ba ei os e a que “se mandasse habi a algumas Cellas do ex- Con en o da Ba alha po um Sa gen o de Ve e anos 4 ou 6 soldados, endo es es sob sua esponsabilidade a gua da e conse ação do Edi icio.”4 Quan o à “Ig eja Monumen al de S. a Ma ia” em Alcobaça, al o de ob as que inham cus ado à Fazenda Pública “a ul adas somas”, Mouzinho de Albuque que em ab il de 1842, enquan o inspe o -ge al In e ino das Ob as Públicas do Reino, ecomenda a ao Go e nado Ci il de Lei ia que mui o con inha que não se deixasse que aquele monumen o se pe desse “po incu ia e desleixo”, de endo exis i “o maio cuidado e igilância na [sua] conse ação”, encon ando-se dispos o a coope a na mesma5. Também o edi ício de Ma a, não escapa a a a os de andalismo. Em maio de 1848, o Ba ão da Luz, inspe o -ge al das Ob as Públicas, esc e ia ao Duque de Saldanha ela ando que “O Ves ibulo aonde es ão collocadas Es a uas, que me dizem e em indo de Roma, es ão expos as a que o publico e os mal in encionados as des uão, o que e ec i amen e em acon ecido; pe quan o algumas d’ellas ja não em dedos, e a ou as lhe em sido oubados os o namen os que e ão de me al; (…) O maquinismo dos Ca ilhões e elogios acha se expos o a que os cu iozos que ão ê es a g ande peça se in e enhão a pucha pelas co en es, de que ezul a, que ainda bem se não eem conce ado uns, já ou os apa ecem queb ados (…)”6. Ace ca das pin u as, pon ualmen e, algumas au o idades adminis a i as ale a iam pa a os iscos a que es as se encon a am expos as, sendo necessá ia a sua eunião em edi ícios cen ais, algo que pe mi i ia uma mais con enien e conse ação, impedindo que es as ossem “conside a elmen e damni icadas” (apud Rod igues, 2017: 505). Admi ia- se que a sua exis ência em casas desabi adas, com “ al a de limpeza e de ou os cuidados”, “expos os ao oubo”, ambém acili ado pela “ al a de gos o” (apud Rod igues, 2017: 507) de quem ealiza a os in en á ios, con ibuíam pa a um isco c escen e. Em ou ub o de 1834, Joaquim Ra ael, Pin o da Real Cama a e Co e, na sua p opos a de c iação de uma Escola e A eneu das Belas-A es em Lisboa, não deixou de lemb a que es e pode ia se o mado po odas as pin u as, escul u as e g a u as dos ex in os con en os, “dos quaes há, di e sos e admi á eis o iginaes no maio desp ezo e es ago possi el, po má a ecadação” (apud Rod igues, 2017: 503). Pela mesma al u a, pouco empo após a mo e de D. Ped o IV – que ainda em 1833 omou a impo an e a i ude de c iação do Museu Po uense – nascia o Depósi o das Li a ias dos Ex in os Con en os (DLEC), no con en o de S. F ancisco da Cidade, em Lisboa, o ganismo que inha como p incipal obje i o a ges ão das li a ias e pin u as con en uais; um elemen o, p e ensamen e ansi ó io, de um o ganig ama de ges ão do ecém “adqui ido” pa imónio público, que se p e endia, en e ou as coisas, u iliza pa a di undi a cul u a, o “gos o pelo belo”, em pad ões semelhan es àqueles que inham sendo as congéne es PATRIMÓNIO MÓVEL: A PINTURA E OUTROS PATRIMÓNIOS ARTÍSTICOS 5. ANTT, IOP, Li .57, p.53. 08-04-1842. 6. ANTT, IOP, Li . 28, ls. 139 s-140 s, 17-05-1848 e Li .72, l.60-60 s, 02-06-1848. VANDALISMO E ICONOCLASTIA VANDALISM AND ICONOCLASM 113 n.º 5 2017 c iações ancesas, e que e iam como obje i o p incipal a c iação de um Museu Nacional. De ac o, como oco e a em F ança, p ocu a a-se ans o ma a memó ia eligiosa cole i a na memó ia cul u al nacional (Schildgen, 2008: 127). Ins alado num an igo con en o, as condições de a mazenamen o no Depósi o ap esen a -se-iam como medíoc es – as in il ações e humidade, o pó, e c. – e causado as de g a es pe das. Uma g ande pa e de elas e painéis ecolhidos com aquele des ino acaba iam, i onicamen e, ambém andalizados, des uídos… O in e esse, p eocupação de ecolha, no DLEC e em ou os locais – segu os e cen ais – e ela -se-ia dúbio, na medida em que a a i ude de de esa, p o oca ia em si, senão pe das imedia as, ma e iais e ima e iais (descon ex ualização), pe das pos e io es esul an es das más condições de a mazenamen o, segu ança, e c.., p oblemas g i an es que pe sis i am ao longo do século XIX, e cujos esul ados equen emen e se podem enquad a den o do âmbi o do andalismo. O p ocesso de ges ão do pa imónio con en ual, o na a-se len o, condicionado pela al a de condições humanas e inancei as. O p óp io esponsá el pelo DLEC, o Dou o An ónio Nunes de Ca alho (1786-1867), em julho de 1835 es a a conscien e de que podiam oco e “p ejuizos i epa a eis” se as a ecadações e conduções não pudessem se ealizadas com a maio b e idade; e não deixa a de, a espei o de É o a, ale a pa a os pe igos que as pin u as co iam, em edi ícios abandonados ou que se encon a am “se indo de qua eis de soldados”… (apud Rod igues, 2017: 505), alusão que con i ma o isco que al ocupação dos edi ícios podia p oduzi nos seus echeios. Um ano depois, admi ia que, po al a de meios, ha ia mui os meses que a ecolha de li a ias, pin u as “e mais P eciosidades Li e a ias e Scien i icas dos Con en os sup imidos” se encon a a “pa alizada, com g a issimo, e i epa a el danno daquelles objec os” (apud Rod igues, 2017: 357). A po a ia de 25 de agos o de 1836, assinada pelo Minis o do Reino Agos inho José F ei e, isa a es abelece em cada capi al de dis i o uma biblio eca pública, um gabine e de a idades e ou o de pin u as, p ocu ando esponde às ques ões da segu ança, às incapacidades do DLEC, ao mesmo empo que di undia a ins ução, p omo ia as le as e as belas- a es (Rod igues, 2017: 359). Uma inicia i a, com obje i os la os e posi i os, al ez inspi ada numa exposição de Nunes de Ca alho, segundo o qual, poupa ia “á Nação, e ao Go e no pe das inno mes, e i emediá eis” (apud Rod igues, 2017: 358). Mui as ob as, an es do ence amen o dos con en os encon a am-se já em de icien es condições de conse ação. A al a de e bas com que as casas eligiosas se inham indo a con on a inha le ado a que os edi ícios icassem sem a manu enção necessá ia, esul ando em p oblemas que a e a am não apenas as es u u as, mas ambém os con eúdos. Po ou o lado, mui as pin u as, po exemplo, encon a am-se expos as a umo de elas, e ou os elemen os noci os pa a a sua p ese ação (Rod igues e Soa es, 2014: 133). Também os maus “ e oques” ou es au os, se ap esen a am como um dos elemen os des uido es, mui as ezes dani icando ob as aliosas. Es a si uação, p o ocada po desconhecimen o, incú ia, e omen ada pela al a de e bas e de p o issionais, cons i uía um g a e p oblema. Nos in en á ios ealizados pelos uncioná ios do DLEC são comuns as pin u as em mau e péssimo es ado, assim como ou as que inham pe dido o me ecimen o. E am ei as alusões a quad os que inham icado sem “ alimen o”, aos que “não he ão maos mas pe de aõ odo o me ecimen o pelo mao e oque” (apud Rod igues, 2017: 502). Quando ecolhidos, se iam po ezes al o da al a de sensibilidade dos execu an es da a e a, iolen amen e a ancados dos luga es de o igem, com elas co adas a cani e e, en oladas, painéis desmon ados e empilhados como eixes de lenha, es ando-lhes ainda o penoso anspo e, maio i a iamen e po ia lu ial e/ou e es e, po caminhos di íceis, expos os aos elemen os a mos é icos, mesmo quando acondicionados em caixo es de madei a (Soa es e . al., 2012). Ta e as melind osas, em que a al a de meios e consciência daqueles que as e e ua am inham um ele ado peso na conse ação des es obje os que, quando seguiam pa a o DLEC (e alguns, depois, pa a a Academia) acaba iam, como já e e imos, sujei os às más condições de a ecadação, pe manecendo “amon oados, em g ande con usão e deso dem” (apud Rod igues, 2017: 530). Re i ados dos locais de o igem, mui os pe de iam os seus “bilhe es” (ou não chega iam a ecebê-los seque …), o que aliado a desc ições bas an es sucin as dos a olamen os, e à mul iplicidade de emas semelhan es, signi icou, uma “o andade” impos a, uma descon ex ualização se e a, que lhes e i a ia pa a semp e a sua his ó ia, o seu passado. Pos e io men e en egues a no os ART IS ON 114 n.º 5 2017 deposi an es, in eg ados em no os discu sos a ís icos, mui os con undi am-se com es es, ganhando um passado e um signi icado que não e a o seu. No en an o, mui as pin u as “elei as”, como “as de Vasco” conhece iam ou as so es. De ac o, es amos pe an e uma espécie de conse ação sele i a, que encon amos não apenas no espei an e às pin u as, mas no as o conjun o de pa imónio das casas eligiosas, incluindo o edi icado. No caso do DLEC, Nunes de Ca alho numa p imei a ase, e e o cuidado de euni na pa e do edi ício an e io men e ocupada pelo Hospício da Te a San a, zona “mais e i ada e segu a”, aqueles que segundo os seus c i é ios, concei os e gos o da época, e am os “os objec os mais p eciosos e a os”, en e os quais “as melho es, e mais p imo osas pin u as” (apud Rod igues, 2017: 527- 528). C i é ios simbólicos, his ó icos e es é icos que es a iam nas es an es seleções, como a dos obje os de ou o e p a a, e que di a am a sua conse ação (museológica ou u ilização no cul o), a sua enda ou mesmo undição… A Academia de Belas-A es de Lisboa – cuja c iação em no emb o de 1836 não obs ou a que os p oblemas pe sis issem, com uma ação que se pôde conside a , em mui as e en es, limi ada – em ma ço de 1838, quando solici a a c iação do luga de Di e o de A is as, pa a supe in ende os abalhos de es au o das pin u as, azia o his o ial: “Es agados es a ão quad os de mui a alia, em que o nosso Po ugal não e a pob e, po en egues a possuido es pouco zelosos, que ou lhes não conhecião o mé i o, ou ba ba amen e lho desa endião. T anspo es apidos, a ecadações em desleixo augmen a ão a e ce a época esses lamen a eis dannos (…)” (apud Rod igues, 2017: 524). No início da década de 40, já após a implemen ação de uma sé ie de medidas pa imoniais, o p íncipe de o igem polaca e polí ico, Felix Lichnowsky (1814- 1848), menciona a a si uação em que se encon a a o pa imónio nacional: segundo ele exis ia uma “penú ia em objec os de a e e o andalismo com que se de as am os escassos es os que ica am dos empos an igos, é um enómeno bem is e mas uni e sal, po oda a ex ensão do eino” (apud Rod igues, 2017: 184). Da a um dos exemplos da “insensibilidade” nacional aquando da isi a ao Con en o de B ancanes, aludindo a uma Nossa Senho a de jaspe, que exis ia sob e o on ão, a qual inha sido de ubada e despedaçada e que lhe assegu a am “ inha excessi o me ecimen o” (apud Rod igues, 2017:185). O DLEC – que depois de di igido po Nunes de Ca alho, icou, a pa i de janei o de 1837, a se ge ido po uma Comissão Adminis a i a, acabando em 1841 en egue à Biblio eca Nacional, assim como as es an es en idades e o mas que se encon a am pa a en a ge i o pa imónio nacional, dep essa esba a am na al a de condições humanas, logís icas, inancei as e mesmo polí icas o que, ine i a elmen e, se aduzi ia quando não em incapacidade, em incú ia e negligência. José Feliciano de Cas ilho (1810-1879), Biblio ecá io Mo , que e e um papel ele an e na omada de medidas pa a melho a as condições de conse ação no Depósi o, e que se mos ou pionei o na alo ização da uína, expunha no seu Rela ó io de 1844, as condições a que milha es de pin u as que ali o am en ando ao longo de uma década, inham es ado sujei as. Depois das escolhas da Academia de Belas-A es de Lisboa – ambém ins alada em S. F ancisco da Cidade, e sujei a às más condições que ali exis iam – sob a am em Depósi o 991 quad os, aos quais ac esciam os que es a am “em olos (dos quaes a maio ia, é e dade, de ín imo alo ) (…) amon oado em deso dem n’um co edo , que a academia (…) imp és a a; com janela semp e abe as; expos os a odas as inclemências; calcados aos pés pelas pessoas, que inham de in a no dic o co edo ; e, en im, na sua maio pa e, já comple amen e es agados e inú eis. Mas ainda bas an es inham ido a o una de esis i ao andalismo, que p esidi a a similhan e a umação; ac ei logo de sal a o possí el, enquan o e a empo.” (Rod igues, 2017: 185) Mas se alguns o am e e i amen e sal os pela ação de Cas ilho, ou os con inua am a deg ada - se… e, em 1853, com o Biblio ecá io Canaes de Figuei edo Cas ello B anco (1804-1857), 55 a obas de e dadei os es os de an igas pin u as e am queimadas no Campo Pequeno (Soa es e al., 242); ou seja, enquan o algumas o am man idas (mesmo de icien emen e) em S. F ancisco da Cidade – no VANDALISMO E ICONOCLASTIA VANDALISM AND ICONOCLASM 115 n.º 5 2017 Depósi o ou na Academia de Belas-A es, pa a onde o am as melho es pin u as – ou dis ibuídas po ig ejas e ou os edi ícios públicos, ou as, maio i a iamen e ainda em olo, o am sendo sucessi amen e p e e idas, ecebendo meno a enção, conduzindo-as pa a um im que a maio ia acabou po e . No Mos ei o de San a Ma ia de Belém, ocupado pela Casa Pia – onde não sob a ia um li o de can ochão in ei o po que “os alumnos oma am a libe dade de lhes co a as icas iluminações e de asga em olhas pa a aze em chapeus a mados e alaba es, co êas &c. de b incadei a!” (apud Rod igues, 2017: 742) – F ancisco Adol o de Va nhagen (1816-1878) ale a ia pa a a exis ência de um conjun o de e a os de eligiosos da o dem de S. Je ónimo gua dados, amon oados no chão, numa casa que se ia de an eco o. Segundo es e diploma a e his o iado , es es documen os his ó icos e iconog á icos de e iam “passa á Academia de Bellas A es, a quem oca exigi-los, pa a os sal a na sua collecção d’algum andalismo” (apud Rod igues, 2017: 746). In elizmen e, es a suges ão de mudança pa a um es abelecimen o ins alado em S. F ancisco da Cidade não ga an ia melho u u o… De ac o, e apesa de sucessi os ale as, ao longo de décadas, po pa e das impo an es ins i uições (mal) acomodadas naquele an igo con en o, pa a os p oblemas com que se con on a am – e lemb emos que a Academia de Belas-A es de Lisboa e os melho es quad os, ambém ali pe manece am a é à abe u a da Gale ia Nacional de Pin u a em 1868 – eles nunca se esol e am e dadei amen e, endo as soluções encon adas, apenas ajudado a con i e com eles. De salien a que as au o idades compe en es, não deixa am de os econhece , omando medidas, semp e que a on ade polí ica e os meios inancei os assim o pe mi iam, com is a a solucioná-los. Po exemplo, em 1845, uma po a ia de Cos a Cab al, manda a o Inspe o Ge al das Ob as Públicas p ocede a ob as na Academia, não deixando de o a o a anjo da Gale ia, uma ez que de ia e -se em con a que “a pe da dos di os quad os pela imp op iedade com que se acham a ecadados, se á m o mais sensí el, do que a despeza de 341$400 .s, com que ae a ende -se á sua ge al conse ação, pela ac u a da mencionada Gale ia” (apud Rod igues, 2017: 541). No que se e e e às casas eligiosas emininas, o am de inhando ao longo dos anos. “Poupadas” pelo dec e o de maio de 1834, dep essa se pe cebeu o isco que os seus alo es co iam, nomeadamen e, as aliosas pin u as que gua da am, p ocu ando-se aze in en á ios (Rod igues, 2017: 204-216), algo que p ocu a a e i a des ios e endas, mas que não as p o ege ia das más condições em que exis iam. Com e bas insu icien es pa a a sua manu enção, a as ando-se po odo o oi ocen os, mui os con en os a é à mo e da úl ima ei a (lei de 4 de ab il de 1861), ica am quase abandonados ao seu des ino, jun amen e com o seu pa imónio. Se nos con en os masculinos, nos in en á ios da década de 30, se encon a am mui as pin u as em mau es ado, a exp essão “mui o a uinados” passa a se bas an e u ilizada pa a ca ac e iza os quad os que azem pa e dos in en á ios, o mesmo sucedendo com os p óp ios edi ícios, cuja uína e a ge al. Oco eu de ce a o ma, apesa das en a i as a i as que isa am p o ege o pa imónio, uma incú ia indi e a, u o de uma legislação ainda insu icien e (dec e o e ins uções de 31 de maio de 1862) (Rod igues, 2017: 216) e das ci cuns âncias, que não a o eciam, uma p o eção que a asse de ac o, a de e io ação, as ocas, os u os, as endas, os ex a ios7. Apesa da expe iência adqui ida com o sucedido com as casas eligiosas masculinas, com as mo imen ações da sociedade ci il, nomeadamen e, com a c iação de associações de de esa e p omoção do pa imónio, e com as e o mas que oco e am na Academia nesse mesmo sen ido (anos 80), que p opo ciona iam um acompanhamen o mais p esen e8 e cons an e dos p ocessos de sup essão dos con en os, mais uma ez a al a de meios e a a i ude da época (es é ica, eligiosa, e c.), pe mi i am que impo an es ob as de a e desapa ecessem. 7. De ido aos ex a ios oco idos du an e o pe íodo da ex inção dos con en os e a sua passagem pa a a posse de ini i a do Es ado, em 30 de ab il de 1890 oi emi ida uma Ci cula aos Go e nado es Ci is no sen ido de que p on amen e se omasse conhecimen o da mo e ou in alidez da úl ima ei a, e se e i essem neles os obje os. A isa a-se ambém o Minis é io da Fazenda que nenhum obje o de ia sai sem que pela Sec e a ia de Es ado dos Negócios do Reino se izesse p ocede ao “con enien e exame, sepa ação e p ocesso dos objec os cuja gua da e conse ação impo e á His ó ia da A e e do abalho Nacional e aos se iços das Escolas e Museus A ís icos do paiz. (…)” ANTT, MR, Li .2453, ls.124 s-125. 8. O Conse ado do Museu Nacional isi a a con en os e escolhia obje os a ís icos pa a inco po a as coleções. Uma seleção que a endia aos c i é ios da época. 9 ANTT, MR, Li .2453, l.62 s-63. 30-04-1880. ART IS ON 122 n.º 5 2017 POULOT, Dominique – Pa imoine e musées : l’ins i u ion de la cul u e. Pa is, Hache e, 2001. RODRIGUES, Ru e And eia Massano – En e a Sal agua da e a Des uição: A Ex inção das O dens Religiosas em Po ugal e as suas Consequências pa a o Pa imónio A ís ico dos Con en os (1834-1868). Lisboa: Uni e sidade de Lisboa, 2017. (Tese de dou o amen o). RODRIGUES, Ru e Massano. 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