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Analisando os comportamentos oculares durante a leitura

Abstract

Retomaremos o trabalho de Luegi (2006) para descrever e comentar a técnica de registo dos comportamentos oculares (eye-tracking) como uma das várias metodologias que permitem estudar os mecanismos cognitivos envolvidos no processamento da linguagem. Neste artigo, descrevemos as principais características dos comportamentos oculares durante a leitura e referimos, quer com base na literatura consultada quer, também, na nossa experiência, as vantagens e desvantagens desta metodologia.

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Analisando os comportamentos oculares durante a leitura

Author: Luegi, Paula,Costa, Armanda,Faria, Isabel Hub
Year: 2009
Source: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/29997/1/4424-9692-1-PB.pdf
1
Analisando os compo amen os ocula es du an e a lei u a
Paula Luegi*
Ma ia A manda Cos a**
Isabel Hub Fa ia***
Resumo – Re oma emos o abalho de Luegi (2006) pa a desc e e e comen a a écnica de egis o dos
compo amen os ocula es (eye- acking) como uma das á ias me odologias que pe mi em es uda os
mecanismos cogni i os en ol idos no p ocessamen o da linguagem. Nes e a igo, desc e emos as p incipais
ca ac e ís icas dos compo amen os ocula es du an e a lei u a e e e imos, que com base na li e a u a consul ada
que , ambém, na nossa expe iência, as an agens e des an agens des a me odologia.
Pala as-cha e – Regis o dos compo amen os ocula es. P ocessamen o da linguagem. Lei u a.
1. In odução
[…] eye-mo emen da a p o ide an excellen on-line indica ion o he cogni i e
p ocesses unde lying isual sea ch and eading. (Li e sedge e Findlay, 2000:6)
Nes e núme o dedicado aos Mé odos de Pesquisa em Linguís ica, p opomo-nos abo da
algumas ques ões elacionadas com a écnica de egis o dos compo amen os ocula es (eye-
acking), ocando, sob e udo, a sua u ilização na in es igação da lei u a
1
. Com base no
abalho de Luegi (2006)
2
, em que eco emos a es e pa adigma expe imen al pela p imei a
ez (e que oi pionei o em po uguês), e na li e a u a consul ada, (i) desc e emos as
ca ac e ís icas dos compo amen os ocula es que os o nam indicado es iá eis do modo de
* Bolsei a de Dou o amen o da Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia (FCT). In es igado a
do CLUL. E-mail: paulalueg[email p o ec ed].
** P o esso a Auxilia do Depa amen o de Linguís ica da Faculdade de Le as da
Uni e sidade de Lisboa. In es igado a do CLUL. E-mail: [email p o ec ed].
*** P o esso a Ca ed á ica do Depa amen o de Linguís ica da Faculdade de Le as da
Uni e sidade de Lisboa. In es igado a do CLUL. E-mail: [email p o ec ed].
1
Es a écnica é ambém u ilizada pa a analisa os compo amen os du an e o isionamen o de
imagens ou de ilmes, mas nes e a igo ocamo-nos apenas no egis o dos compo amen os
ocula es du an e a lei u a, uma ez que es e oi o pa adigma expe imen al po nós u ilizado
em Luegi (2006) e que mais nos in e essa na á ea de es udo em que nos si uamos.
2
Pa e des e a igo em po base o abalho de mes ado da p imei a au o a, desen ol ido sob
o ien ação da P o esso a Dou o a Ma ia A manda Cos a e P o esso a Dou o a Isabel Hub
Fa ia, co-au o as do p esen e a igo.
2
uncionamen o da men e, (ii) ap esen amos em linhas ge ais o abalho expe imen al
desen ol ido em Luegi (2006), pa a exempli ica , sob e udo, algumas ques ões elacionadas
com a me odologia, e (iii) analisamos algumas das an agens e des an agens des a écnica.
Conside ando que o p ocessamen o on-line da in o mação linguís ica é ealizado de o ma
inc emen al, ou seja, que o ma e ial linguís ico (pala as, sin agmas, e c.) ai sendo in eg ado
e in e p e ado assim que é pe cepcionado, é undamen al u iliza me odologias que cap em
es es p ocessos no momen o em que eles oco em. Como e emos adian e, a análise dos
mo imen os ocula es pe mi e-nos pe cebe onde e quando o lei o sen iu di iculdades, o que
ez pa a en a esol e os p oblemas com que se depa ou e, pa a além disso, ainda nos
pe mi e iden i ica que p op iedades do inpu podem mo i a um p ocessamen o mais ou
menos luen e.
O egis o dos compo amen os ocula es du an e a lei u a é, ac ualmen e, das me odologias
expe imen ais mais u ilizadas pa a in es iga o uncionamen o cogni i o du an e o
p ocessamen o da in o mação linguís ica. A análise dos pad ões ocula es du an e a lei u a
sus en a-se no p essupos o de que os mo imen os dos olhos e lec em e en uais di iculdades
sen idas pelo lei o du an e o p ocessamen o da in o mação linguís ica. Se de e minada
es u u a ou condição causa maio es di iculdades ao lei o e se hou e sob eca ga cogni i a
du an e o p ocessamen o da in o mação, essas di iculdades se ão e lec idas nos pad ões
ocula es, al e ando-os.
2. Ca ac e ís icas dos compo amen os ocula es du an e a lei u a
Quando lemos, os nossos olhos não pe co em a linha de ex o de uma o ma con ínua e
egula da esque da pa a a di ei a. Émile Ja al, que oi quem pela p imei a ez obse ou os
mo imen os ocula es de um lei o , em 1878/79, e i icou que, du an e a lei u a, os nossos
olhos p og idem na linha de ex o po sal os, mui o cu os e mui o ápidos, as sacadas, a que
se seguem pequenas pausas, as ixações.
3
As sacadas, ou mo imen os sacádicos, são os mo imen os ocula es que ealizamos com
mais equência e se em pa a ecolhe in o mação. Uma ez que a nossa acuidade isual é
limi ada, como explica emos mais adian e, é necessá io mo e os olhos com bas an e
equência. Na lei u a, as sacadas são ealizadas da esque da pa a a di ei a (nas línguas
ociden ais, ou seja, que se esc e em e lêem da esque da pa a a di ei a e de cima pa a baixo) e
com uma ampli ude média de 7 a 9 espaços de le a
3
. Uma sacada du a, em média, 30
milésimos de segundo (ou milissegundos, de o a em dian e, ms), na lei u a, a 50 ms, na
pe cepção de cenas/imagens. Du an e as sacadas não adqui imos in o mação no a e nem
seque somos capazes de nos ape cebe de qualque al e ação que seja ealizada du an e es es
mo imen os – enómeno denominado de sup essão sacádica (Ma in, 1974). É como se a
imagem isual osse compos a pelas pa celas que amos ecolhendo, apenas, nas á ias
pausas que ealizamos.
Ce ca de 15% dos mo imen os sacádicos ealizados du an e a lei u a são mo imen os
eg essi os, ou seja, pa em da di ei a pa a a esque da, pa a egiões an e io es de ex o, na
mesma linha ou pa a algumas linhas acima. Es es mo imen os acon ecem, sob e udo, quando
se egis am di iculdades no p ocessamen o da in o mação, que po ha e in o mação em
al a, que po di iculdades de in e p e ação da es u u a.
As ixações, ou as pausas en e as sacadas, du am, em média, na lei u a, 250 ms. No
en an o, es e alo a ia segundo a a e a que se ealiza e em ambém g andes a iações in e
e in a-indi iduais. Na Tabela 1 (adap ada de Rayne , 1998:373), ap esen am-se os alo es da
du ação média das ixações e da ampli ude média das sacadas du an e a ealização de
di e en es a e as.
3
U iliza-se espaços de le a e não ca ac e es po se con abiliza em ambém os espaços em
b anco en e os ca ac e es.
4
Ta e a
Du ação média das ixações
Ampli ude média das sacadas
Lei u a silenciosa
225 ms
2º (~ 8 ca ac e es)
Lei u a em oz al a
275 ms
1,5º (~ 6 ca ac e es)
Visualização de imagens
330 ms
4º (~16 ca ac e es)
Tabela 1 – Valo es médios da du ação das ixações (em milissegundos) e da ampli ude das
sacadas (em g aus de ângulo isual) em di e sas ac i idades.
Pa a além da a iação da du ação das ixações e da ampli ude das sacadas de a e a pa a
a e a, ambém se egis am al e ações nes es compo amen os em ou as condições, como po
exemplo, du an e a lei u a, po um mesmo indi íduo, de ex os com di e en es g aus de
complexidade.
Um dos abalhos de e e ência em que se analisam es as a iações e em que é ap esen ada
uma jus i icação pa a al ac o é o a igo seminal de Jus e Ca pen e (1980). Es es au o es
o am os p imei os a e i ica que a du ação das ixações a ia segundo a complexidade da
in o mação a se a ada, iden i icando uma co elação posi i a en e a complexidade do
ma e ial linguís ico e a du ação das ixações e dos empos de lei u a. Com base nessa
obse ação, es abelece am dois p incípios-cha e pa a o es udo dos mo imen os dos olhos
du an e a lei u a (Jus e Ca pen e , 1980:330): i) o P incípio da Imedia icidade – o lei o en a
in e p e a cada pala a lexical assim que ela é encon ada, mesmo co endo o isco de aze
p edições e adas, ou seja, o p ocessamen o da in o mação é imedia o. Po in e p e ação
en ende-se o p ocessamen o da pala a a ní el g a o- onológico, sin ác ico e semân ico; e ii) o
P incípio de Ligação Olho-Men e – o olho pe manece na pala a a é que a pala a seja
comple amen e p ocessada, ou seja, o empo de lei u a de uma pala a
4
e lec e o empo de
p ocessamen o dessa pala a. Po ou as pala as, enquan o no p imei o p incípio se pos ula
que assim que se ixa uma pala a o seu p ocessamen o é iniciado, no segundo de ende-se que
só quando es e é concluído os olhos se mo em pa a a pala a seguin e.
4
O empo de ixação de uma pala a ou egião (gaze du a ion) é o co esponden e a odo o
empo gas o na lei u a dessa pala a/ egião e pode co esponde apenas ao empo de uma
ixação (se apenas hou e uma ixação na pala a) ou ao soma ó io da du ação de odas as
ixações ealizadas numa pala a.
5
Ac ualmen e sabe-se que o p ocessamen o de uma pala a não é ão imedia o como
suge ido po Jus e Ca pen e (1980). Na e dade, o empo de ixação de uma pala a nem
semp e es á exclusi amen e elacionado com o seu empo de p ocessamen o, mas, não a o,
com o empo de p ocessamen o da pala a an e io , quando inse ida num con ex o (e ei o
denominado de spillo e
5
). Exis e de ac o alguma discussão sob e se o p ocessamen o de
odos os ní eis linguís icos (do g a o- onológico ao semân ico) oco e du an e a ixação da
pala a, ha endo eo ias que de endem que sim e ou as que de endem que apenas os ní eis
de in o mação mais baixos são p ocessados.
Não ha endo uni o midade no que espei a ao momen o em que e mina o p ocessamen o
de uma pala a (se quando é abandonada se depois de se abandonada), é consensual que o
p ocessamen o da pala a se inicia quando es a é encon ada (no momen o em que é ixada
pela p imei a ez) e, sob e udo, que as di iculdades sen idas no p ocessamen o de qualque
um dos ní eis se e lec e, como se e á adian e, nos compo amen os ocula es, que na
du ação e/ou núme o de ixações, que na ampli ude e di ecção das sacadas.
2.1. Ex acção da in o mação du an e as ixações
Toda a á ea ab angida pela nossa isão quando ixamos um pon o no ho izon e é
denominada de campo isual. O campo isual é di idido em ês egiões: egião o eal, egião
pa a o eal e egião pe i é ica, de aco do com as egiões da e ina sob e as quais incidem os
aios de luz. Assim designa-se o eal quando os aios de luz incidem na ó ea
6
, pa a o eal,
quando ecaem na egião da pa a ó ea, ou pe i é ica, quando ecaem pa a além da pa a ó ea.
5
Conside a-se que exis e um e ei o spillo e quando o empo de p ocessamen o de uma
pala a é in lacionado, ou seja, quando o empo de lei u a de uma pala a con ém empo de
p ocessamen o da pala a an e io . Es e e ei o egis a-se ambém com ou as me odologias,
não sendo po isso um enómeno elacionado com a me odologia mas sim com o
p ocessamen o da linguagem.
6
A ó ea é a egião da e ina onde se p ojec a a imagem do objec o ocado e é a zona com
maio p ecisão no p ocessamen o de de alhes. As zonas de isão são de inidas em unção do
p og essi o a as amen o, em elação à ó ea, da imagem p ojec ada, ou seja, quan o mais a
imagem ( aios de luz) se a as a do cen o da ó ea, meno a ni idez dessa imagem.

6
A zona o eal, co esponde à zona de p ocessamen o do de alhe, de onde ex aímos a
in o mação mais impo an e do es ímulo, e ab ange 2 g aus de ângulo isual (no e-se que, na
lei u a, 1 g au equi ale a 3–4 ca ac e es). A zona pa a o eal, ab angendo 5 g aus à ol a do
pon o de ixação, é aquela de onde ainda conseguimos ex ai alguma in o mação que possa
se ele an e pa a o p ocessamen o do es ímulo. Da zona pe i é ica não ex aímos in o mação
ú il pa a o p ocessamen o do de alhe.
Uma ez que, de ido à sup essão sacádica, é du an e as ixações que se ex ai
in o mação, é undamen al pe cebe de onde e que quan idade de in o mação se ex ai
ealmen e du an e uma ixação. Pa a esponde a es as ques ões, McConkie e Rayne (1975) e
Rayne e Be e a (1979) (c . Rayne , 1998) desen ol e am a écnica do mos ado ocula
a iá el (eye-con ingen display change echnique), que consis e na manipulação do es ímulo
isual em unção da zona de ixação do olha do sujei o
7
. O p incipal objec i o des a écnica é
de ini a janela pe cep i a (pe cep ual span), ou seja, a á ea à ol a de um pon o de ixação de
onde se pode ex ai in o mação ú il, no undo, a á ea de isão e ec i a (Rayne e Li e sedge,
2004).
Também quando lemos, ou melho , quando ixamos um de e minado pon o de uma
pala a numa linha de ex o, se podem iden i ica as ês zonas do campo isual. Pa a além
disso, na lei u a, quando azemos uma ixação, os nossos olhos ecolhem mais in o mação da
egião di ei a do ex o do que da egião esque da, du an e a lei u a de ex os esc i os em
línguas ociden ais, oco endo o opos o com ex os em línguas cuja esc i a em a o ien ação
di ei a-esque da, o que signi ica que es a assime ia não é uma ques ão me amen e ísica.
Na lei u a, a egião pe i é ica co esponde à zona de ex o de onde não ex aímos
in o mação linguís ica ele an e; emos apenas, po exemplo, pe cepção do im da linha de
7
Nes a écnica, o es ímulo isual ai sendo al e ado semp e que o in o man e mo e os olhos.
Uma ez que o equipamen o de ec a que egião do ec ã o in o man e es á a ixa , consegue-se
al e a udo o que es á à ol a, ou o que es á a se ixado, dependendo da écnica.
7
ex o. Assim, as zonas de isão e dadei amen e ú eis na lei u a são a zona pa a o eal e
o eal, que c iam duas egiões de ex acção de in o mação: a zona pe cep i a, co esponden e
à soma da egião o eal e pa a o eal, e a zona de iden i icação da pala a, que co esponde à
egião o eal.
A zona ou á ea pe cep i a, ou seja, a á ea de onde se ex ai in o mação ele an e pa a a
lei u a, é, nos sis emas de esc i a com o ien ação esque da–di ei a, assimé ica à di ei a, sendo
de 3–4 espaços de le a à esque da e 14–15 espaços de le a à di ei a do pon o de ixação.
Apesa de a á ea pe cep i a se de 14–15 espaços de le a pa a a di ei a da ixação, a á ea
de iden i icação da pala a (wo d iden i ica ion span), ou seja, a zona de onde se ex ai
in o mação ele an e pa a iden i icação da pala a, é mais eduzida, sendo apenas de 6–8
espaços de le a pa a a di ei a (man endo-se, cons an emen e, os 3–4 espaços de le a pa a a
esque da da ixação).
Como se pode pe cebe pelo que oi desc i o a é aqui, os compo amen os ocula es êm
uma base eminen emen e mo o a. De ido à limi ação da acuidade isual, é necessá io ealiza ,
com equência, po exemplo, mo imen os sacádicos. No en an o, alguns ac o es não
mo o es podem al e a esses compo amen os. Po exemplo, du an e a lei u a, pa a além de
ac o es g á icos e da o ien ação do sis ema de esc i a (esque da-di ei a ou di ei a-esque da),
ambém o con eúdo linguís ico pode al e a os compo amen os ocula es.
A in luência de ac o es linguís icos nos pad ões ocula es du an e a lei u a em sido
bas an e es udada. Sabe-se hoje que ac o es como o con ex o em que a pala a se inse e, a
equência dessa pala a, a sua ex ensão ou a sua es u u a onológica e mo ológica
in luenciam o local da p imei a ixação, a exis ência ou não de e ixações e a du ação da
ixação, ou ixações, na pala a. Po exemplo, a du ação da ixação de de e minada pala a
pode se in luenciada pelo con ex o em que uma pala a se inse e. Quando uma pala a é
p e isí el em de e minado con ex o, o seu empo de ixação é meno do que num con ex o em
8
que é pouco p e isí el. Po ou o lado, uma pala a pouco equen e é quase semp e ixada e
no malmen e du an e mais empo do que uma pala a equen e, que pode a é nem se
ixada
8
.
F azie e Rayne (1982), num es udo em que egis a am e analisa am os compo amen os
ocula es du an e a lei u a de ases empo a iamen e ambíguas, e i ica am que as
di iculdades sen idas du an e o p ocessamen o da in o mação sin ác ica le a am a um
aumen o do empo de lei u a na egião desambiguado a e à oco ência de eg essões da egião
desambiguado a pa a egiões an e io es, numa es a égia de apa en e con i mação e/ou
eanálise. Os au o es e i ica am que, du an e a lei u a do SN „as meias‟ da ase (1),
empo a iamen e ambígua, os lei o es ealiza am mais eg essões e demo am mais empo a le
es e SN do que a le o mesmo SN na ase (2).
(1) Enquan o a Ma ia cosia as meias caí am-lhe do colo.
(2) Enquan o a Ma ia cosia as meias caiu-lhe da cabeça o chapéu.
Os esul ados des e abalho, pa a além de demons a em que o lei o op a pela es u u a
sin ác ica mais simples e que o p ocessamen o linguís ico é inc emen al, comp o am que os
compo amen os ocula es são bons indicado es do p ocessamen o da in o mação sin ác ica,
ou melho , das di iculdades que de e minadas es u u as podem p o oca .
Os compo amen os ocula es, como exempli icámos acima, são sensí eis ao
p ocessamen o de di e en es ní eis de in o mação linguís ica. A obse ação de que os
compo amen os ocula es a iam em unção das condições linguís icas o na o egis o e a
análise dos mo imen os ocula es du an e a lei u a uma me odologia cen al na in es igação
do p ocessamen o da linguagem. Assume-se, com a u ilização des a écnica expe imen al, que
8
Nem odas as pala as são ixadas. Ge almen e, as pala as não lexicais ou uncionais,
sob e udo as mais cu as, não são ixadas, o que não signi ica que não sejam p ocessadas.
Como du an e uma ixação ex aímos in o mação da egião à ol a do pon o de ixação,
ecolhemos in o mação pa a além da pala a ixada e ainda omamos a decisão de onde ixa
a segui .
9
a análise dos compo amen os ocula es nos dá indícios não só do local e de quando o lei o
sen iu di iculdades, mas ambém da o ma como o lei o lidou com essas di iculdades.
3. T abalho expe imen al de Luegi (2006)
Em Luegi (2006) egis ámos e analisámos os compo amen os ocula es de 20 in o man es
du an e a lei u a de dois dos ês ex os u ilizados po Cos a (1991)
9
. Os ex os o am
cons uídos em pa alelo, sendo bas an e semelhan es em e mos de ex ensão, desen ol imen o
do ema e es u u a sin ác ica das ases. O con olo da cons ução dos ex os a es e ní el
ga an e que as di e enças encon adas nos pad ões ocula es en e ex os se ique apenas a
de e às manipulações in oduzidas.
Como a iá eis independen es analisa am-se o e ei o TEMA e o e ei o da Deg adação do
Ní el Sin ác ico (de o a em dian e, DNS). Pa a es a o e ei o TEMA u iliza am-se dois ex os
que di e em quan o ao assun o abo dado: Campo de Ou ique, um ex o de ema acessí el, e O
Isolamen o e mo-acús ico, um ex o complexo an o ao ní el do ema quan o ao ní el do
ocabulá io. Pa a es a o e ei o da DNS, c ia am-se duas e sões de cada ex o: uma de
con olo e uma onde se in oduzi am algumas es u u as sin ac icamen e manipuladas
10
.
O objec i o cen al oi o de e i ica se as a iá eis manipuladas le a am a uma al e ação
dos compo amen os ocula es, conside ando que o p ocessamen o sin ác ico de cons uções
ag ama icais ou ambíguas se e lec i ia em um aumen o dos cus os de p ocessamen o.
9
Cos a (1991) analisou, em a e as de lei u a o al, a elação en e es a égias p osódicas e o
p ocessamen o do ní el sin ác ico
10
No o al, o am usadas qua o das seis es u u as de Cos a (1991): i) posposição do clí ico
ao e bo, em o ação ela i a, c iando uma si uação de ag ama icalidade, po se eque ida a
p óclise; ii) omissão de clí ico complemen o de e bo ansi i o com unção de objec o
di ec o, c iando uma si uação de ag ama icalidade, po a g elha a gumen al do e bo não se
sa u ada; iii) posposição do Sujei o ao e bo em o ação decla a i a não ma cada, c iando uma
si uação de ambiguidade empo á ia en e uma lei u a VSO, VOS ou S(nulo)VO; i ) colocação
do Sujei o em posição p é- e bal numa o ação in e oga i a pa cial com mo ema QU-
simples, c iando uma si uação de ag ama icalidade, po se ob iga ó ia a posposição do
Sujei o.
16
Com base na bibliog a ia consul ada (Rayne e Li e sedge, 2004; Hyönä, Lo ch e Rinck,
2003; Vonk e Cozijn, 2003; Rayne , 1998; Jus e Ca pen e , 1980), e com base no que
p e endíamos analisa , op ámos po escolhe as seguin es medidas
16
:
. P imei a lei u a ( i s -pass): alo es (Tempo, Núme o de Fixações e Du ação média das
ixações) egis ados numa egião desde a p imei a ixação nessa egião a é ao seu abandono
pa a a esque da ou pa a a di ei a;
. Segunda lei u a
17
(second-pass): alo es egis ados na segunda ez que se en a numa
egião;
. To ais de lei u a: soma ó io dos alo es da p imei a lei u a e da segunda lei u a;
. Tempo: soma da du ação de odas as ixações ealizadas;
. Núme o de ixações: quan idade de ixações;
. Du ação média das ixações: du ação média das ixações ealizadas;
. Reg essões in e nas: núme o de ixações eg essi as ealizadas den o da egião;
. Reg essões a egiões an e io es: eg essões ealizadas a egiões an e io es de ex o
(ge almen e, da egião pós-c í ica à egião c í ica);
. Reg ession-pa h: soma da du ação de odas as ixações ealizadas desde a en ada numa
egião a é ao seu abandono pa a a di ei a. Incluem-se, nes a con agem, as ixações ealizadas
em egiões an e io es à egião em análise. Po exemplo:
e ela ao i a de cada esquina das suas uas de passeios la gos.
(1)225 (2)225 (3)210 (4) 300 (5)233
(6)220 (7)215 (8)220
16
Alguns dos e mos o am aduzidos pa a Po uguês, enquan o que ou os se man i e am
em Inglês. Po exemplo, aduzimos o e mo i s -pass pa a p imei a lei u a e o e mo second-
pass pa a segunda lei u a, e não pa a p imei a e segunda passagem, espec i amen e.
Man emos no en an o a designação eg ession-pa h, uma ez que a adução se ia algo como
“caminho eg essi o” ou “caminho de eg esso”.
17
Em segunda lei u a incluem-se odas as elei u as da egião, sejam segunda, e cei a ou
qua a ez que o lei o en a nessa zona.

17
conside ando que es amos a medi o eg ession-pa h em das suas, o alo se ia 668 ms (soma
dos alo es das ixações (5), (6) e (7)), ou seja, a soma das duas ixações ealizadas em das
suas mais a ixação ealizada numa egião an e io , no caso, em e ela;
. P og ession-pa h
18
: soma da du ação de odas as ixações ealizadas desde a p imei a
en ada numa egião a é ao seu abandono, incluindo as ixações ealizadas em ou as egiões à
esque da e/ou à di ei a. Ao con á io do que acon ece no eg ession-pa h, nes a medida
con abilizam-se ambém as ixações ealizadas em egiões à di ei a da á ea em análise, uma
ez que, em alguns casos, o ma e ial ú il pa a esol e o p oblema pode es a à di ei a e não à
esque da, como na maio ia das si uações. Po exemplo
19
:
que islumb a-se ao i a de cada esquina
(1)250 (2)220
(3)230
(4)190 (5)200 (6)225 (7)234
No nosso exemplo, es ando a medi p og ession-pa h em islumb a-se, o alo se ia
(1)+(2)+(3)+(4)+(5), ou seja, 1130 ms.
Uma ou a medida que é u ilizada com mui a equência, mas que não usámos no nosso
abalho, é a du ação da p imei a ixação ealizada numa pala a/ egião. Op ámos po não
u iliza es a medida po que conside ámos que não se ia pe inen e pa a o nosso es udo. A
análise do alo da p imei a ixação é pa icula men e p odu i a em es udos em que o
objec i o é analisa o compo amen o de lei u a de pala as ou em es udos em que o p oblema
possa se de ec ado logo na p imei a ixação da egião. Nes es casos, a p imei a ixação se á a
medida mais imedia a do impac o causado pela lei u a da egião ou da pala a.
Uma das discussões p esen es na li e a u a elacionada com as medidas u ilizadas na
análise dos dados de egis o dos mo imen os ocula es é a inclusão ou não do empo das
18
O p og ession-pa h é uma medida que oi in oduzida em Luegi (2006), não endo sido
nunca an es e e ida na li e a u a consul ada.
19
A ase que se e de exemplo oi uma das cons uções es adas em Luegi (2006). Os
alo es das ixações não são eais.
18
sacadas, ou seja, se quando se u ilizam medidas em que se somam as ixações, se de em
inclui ou não os empos deco idos en e as ixações. Vonk e Cozijn (2003) conside am que a
du ação das sacadas de e se incluída nas medidas cumula i as de empo de lei u a po que
du an e as sacadas o p ocessamen o da linguagem con inua inin e up amen e. Apesa de
ha e sup essão sacádica, ou seja, de não se ecolhe no a in o mação du an e as sacadas, e,
sob e udo, se se acei a que o p ocessamen o de odos os ní eis de uma pala a nem semp e
e mina quando es a é abandonada, é undamen al in eg a as sacadas nas medidas
cumula i as. Assim, o empo de lei u a, o al ou pa cial, de uma egião, em ez de se a soma
da du ação das ixações, apenas, de e se o empo o al gas o na lei u a dessa egião,
somando-se à du ação das ixações o empo gas o ambém nas sacadas.
4. Conside ações inais
Compa a i amen e com ou as me odologias, p incipalmen e com a lei u a au o-
moni o ada
20
(sel -paced eading), a écnica mais u ilizada nos es udos de p ocessamen o da
linguagem, o egis o dos compo amen os ocula es ap esen a an agens únicas. A p imei a
an agem é, sem dú ida, o modo na u al de ap esen ação dos es ímulos. Enquan o que na
lei u a au o-moni o ada o es ímulo em de se di idido e ap esen ado em segmen os, quando
se u iliza o egis o dos compo amen os ocula es, a ase ou o ex o podem e são ap esen ados
po comple o no ec ã (na u almen e que no caso dos ex os pode ha e necessidade de aze
queb as, mas em si uações no mais de lei u a o ex o ambém em de se epa ido po á ias
páginas de papel ou mesmo no compu ado ). Es e modo de ap esen ação é não só mais
20
Técnica em que a ase é ap esen ada po segmen os no moni o e o in o man e em de
p essiona um bo ão pa a e acesso ao segmen o seguin e. O empo de lei u a, ou, ambém
denominado de empo de eacção, de cada segmen o é medido, p essupondo-se que se
egis em empos de lei u a mais ele ados nos segmen os que causem maio es di iculdades de
p ocessamen o.
19
na u al, e mais p óximo do o ma o no mal de lei u a em compu ado , como pe mi e ainda
que o lei o pe co a o ex o como deseja , podendo, po exemplo, eg essa a egiões
an e io es de ex o. Pa a além disso, na écnica de egis o dos compo amen os ocula es não é
necessá io que o in o man e p essione qualque ecla, não endo po isso nenhuma a e a
secundá ia, como acon ece, po exemplo, na lei u a au o-moni o ada.
Tan o as me odologias on-line
21
como as me odologias o -line
22
pe mi em iden i ica se
de e minado enunciado causou ou não p oblemas ao in o man e, mas apenas as me odologias
on-line pe mi em iden i ica quando e onde esses p oblemas oco e am. Com o egis o dos
compo amen os ocula es, pa a além de se possí el iden i ica onde e quando o lei o e e
di iculdades, é ainda possí el pe cebe que es a égias o lei o usou pa a as esol e . Se com a
medição dos empos de eacção e i icamos apenas se o lei o demo ou mais empo a le uma
de e minada egião, com o egis o dos mo imen os ocula es podemos egis a , nas egiões
p oblemá icas, não só aumen o do empo de lei u a como ainda eg essões a egiões an e io es
ou p og essões a egiões pos e io es. Mais, na lei u a au o-moni o ada, a única hipó ese que o
lei o em, de ac o, quando se depa a com uma si uação p oblemá ica é a de pe manece mais
empo nessa egião ou nas egiões seguin es. No egis o do mo imen o dos olhos o lei o
pode, como quando lê no malmen e numa si uação não expe imen al, eg essa no ex o, não
sendo ob iga ó io que se de enha mais empo, uma ez que po ezes a solução não es á na
egião que causa o p oblema. Enquan o que, numa de e minada passagem de uma ase, as
es an es me odologias medem apenas o empo o al gas o nessa passagem, com o egis o dos
mo imen os dos olhos podem analisa -se, po exemplo, a du ação da p imei a ixação nessa
egião, o empo gas o na P imei a Lei u a que se az nessa egião, ou o empo gas o na
21
As me odologias on-line são me odologias capazes de cap a os p ocessos dinâmicos que
oco em du an e a in e p e ação ou p odução de uma ase, a a és de sis emas so is icados
que implicam, na maio ia dos casos, o ecu so a no as ecnologias.
22
As me odologias o -line são me odologias com as quais apenas podemos acede à ase inal
do p ocessamen o, a a és da u ilização de ques ioná ios, de pe gun as de in e p e ação, de
juízos de g ama icalidade ou de axas de e o num de e minado enunciado.
20
Segunda Lei u a da e e ida egião ou numa sub-pa e da mesma, pa a além de pe mi i ainda
con abiliza o núme o de ixações ealizadas.
A possibilidade de analisa di e en es momen os do p ocessamen o, eco endo à análise
dos compo amen os egis ados du an e a p imei a lei u a e a segunda lei u a de uma mesma
egião, é de ac o uma das g andes an agens des a écnica. Enquan o as medidas de p imei a
lei u a o e ecem indicado es sob e o modo de p ocessamen o mais au omá ico, as medidas de
segunda lei u a, ou de eanálise, dão indícios sob e o modo de p ocessamen o mais con olado
e mais conscien e. Po exemplo, em Luegi (2006), em nenhum dos con ex os manipulados se
egis am aumen os das medidas du an e a p imei a lei u a da egião c í ica. Os e ei os da
manipulação, em alguns casos (po que em ou os se egis am apenas nas medidas
cumula i as, ou não se azem mesmo sen i ), azem-se sen i apenas du an e a p imei a lei u a
da egião pós-c í ica, ha endo pos e io men e elei u a da egião c í ica e, consequen emen e,
aumen o dos alo es da segunda lei u a da egião c í ica. Com a lei u a au o-moni o ada
e íamos apenas aumen o dos empos de lei u a da egião pós-c í ica e nenhum e ei o na
egião c í ica, po que o lei o não e ia opo unidade de eg essa , depois de iden i ica o
p oblema.
Uma ou a an agem des a me odologia é a possibilidade da sua u ilização em di e sas
ac i idades: no p ocessamen o isual de imagens, na execução de a e as quo idianas e mais
ecen emen e na conjugação do p ocessamen o isual e audi i o, denominado isual wo ld
pa adigm. Es e pa adigma, que é ac ualmen e mui o u ilizado na á ea da psicolinguís ica, oi
iniciado po Coope (1974) e desen ol ido pos e io men e po Tanenhaus e colabo ado es
(1995) ( eja-se, Kamide, Al mann e Haywood (2003)). Nes a écnica, egis am-se os
mo imen os dos olhos du an e a isualização de uma cena em espos a a um inpu audi i o
(Al mann e Kamide, 2004). Coope (1974) demons ou que, quando os sujei os ou em uma
pala a e e en e a um objec o ep esen ado na imagem, di igem imedia amen e os olhos pa a
21
esse objec o (Hue ing e Al mann, 2005). Es e ac o demons a que há uma o e e imedia a
ligação en e o p ocessamen o audi i o e o isual. Pa a além de pe mi i analisa o
p ocessamen o o al da linguagem, es e pa adigma em ainda a an agem de pe mi i es uda
ques ões que não se ia possí el in es iga com a lei u a de enunciado. Pa a mo i a uma
espos a na lei u a, é necessá io o ça uma in e p e ação pa a a ase, enquan o que no isual
wo ld pa adigm isso não é necessá io, bas a pos e io men e analisa a opção do olha do
in o man e e pe cebe qual oi a sua in e p e ação do enunciado. Po exemplo, pa a pe cebe a
p e e ência de ligação de p onomes (nulos, no caso do nosso exemplo) na lei u a é necessá io
o ça a ligação do p onome a uma das en idades in oduzidas, como exempli icado em (3) e
(4)
23
.
(3) O João con e sou com a Cláudia no qua o quando oi in e nado pelo ci u gião
no hospi al.
(4) O João con e sou com a Cláudia no qua o quando oi in e nada pelo ci u gião
no hospi al.
Reco endo ao Visual Wo ld Pa adigm, com ases como (5), ap esen adas audi i amen e,
bas a analisa que en idade, „o menino‟, „o ca ei o‟ ou ou a (dis a o a) que es eja
ep esen ada na imagem, oi ixada na imagem quando o p onome oco eu.
(5) O menino iu o ca ei o on em à a de quando chegou a casa.
Na u almen e que, como qualque ou a me odologia, a écnica de egis o dos
compo amen os ocula es du an e a lei u a não em só an agens. Apesa de os equipamen os
de egis o se em ainda bas an e ca os, e es a é sem dú ida uma des an agem ace a ou as
écnicas, es e não é o maio p oblema des a me odologia. Se com a écnica de medição dos
empos de eacção a p obabilidade de pe da de dados de in o man es é ín ima e, sob e udo,
con olá el, a ins abilidade de uncionamen o dos equipamen os de egis o dos pad ões
23
Os exemplos azem pa e do abalho em cu so de Luegi.

22
ocula es le a à pe da de inúme os dados. Como e e imos an e io men e, mui as são as ezes
em que, du an e a expe iência, se pe de o egis o dos olhos do in o man e e que, po isso, se
ica sem dados. Pa a além da pe da de egis o, exis em casos em que não é mesmo possí el
calib a o olho dos pa icipan es. Em algumas pessoas exis e pouco con as e en e a có nea e
a pupila e po isso é di ícil encon a esses pon os de e lexão e, sob e udo, aze com que se
man enham es á eis ao longo da expe iência.
Apesa de algumas des an agens, sob e udo écnicas, do egis o dos compo amen os
ocula es, as an agens são de ac o mui as e compensado as. O que é impo an e é e
consciência de que semp e que se o aze um es udo com es a me odologia, é necessá io
anga ia mui os mais in o man es do que na e dade se p ecisa, pa a pode compensa
e en uais e mui o p o á eis pe das. De es o, se não hou e limi ações de empo e de espaço
(uma ez que o equipamen o não é acilmen e anspo á el), o egis o dos compo amen os
ocula es é semp e uma me odologia a conside a . P e e encialmen e, ha endo essa
possibilidade, o óp imo se á, como de endido po á ios au o es (po exemplo Pe ea e Rosa,
1999; Mi chell, 2004; F enck-Mes e, 2005), pa a uma maio iabilidade dos esul ados,
eco e a di e en es me odologias pa a es a o mesmo p essupos o eó ico.
The mos obus indings a e hose ha eappea in expe imen s using a a ie y o
di e en me hods, and a e he e o e unlikely o be linked o he qui ks o
idiosync asies o any gi en echnique. (Mi chell, 2004:23)
Abs ac – We will eco e he wo k o Luegi (2006) o desc ibe and commen he eye- acking echnique as one
o he a ious me hodologies ha allow us o s udy he cogni i e mechanisms in ol ed in language p ocessing.
In his pape , we desc ibe he main cha ac e is ics o eye mo emen beha io du ing eading and e e , based on
he li e a u e and, also, on ou own expe ience, he ad an ages and disad an ages o his me hodology.
Key-wo ds – Eye acking. Reading p ocessing. Reading.
23
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