DO MANUSCRITO
AO LIVRO IMPRESSO
E ELETRÓNICO III
Ma ia C is ina Ca ing on
An ónio Manuel Lopes And ade
Emília M. Rocha de Oli ei a
(Coo ds.)
A ei o | Coimb a | 2023
UA Edi o a - Uni e sidade de A ei o
Imp ensa da Uni e sidade de Coimb a
in o aç õ e s n a e d i ç ão d e li os o u
a m e á o a e olucioná ia
in n o a i o n s i n B o o k p u B l i s H i n g o He
e olu iona y m e a p H o
Nuno Medei os
Uni e sidade de Lisboa
CEComp, Faculdade de Le as
[email p o ec ed]
ORCID: 0000-0001-5350-4294
Resumo: Nes e capí ulo, sis ema iza-se um conjun o de no as em
o no do ema da ino ação na edição de li os e um dos seus
e ei os na a i os, a e olução como consequência ans igu ado a
de algumas ino ações. A pa i de dois exemplos, o li o de bolso e
o clube do li o, p ocu a-se um enquad amen o c í ico que ajude a
descons ui algumas pe spe i as linea es e au omá icas ace ca das
consequências na cul u a imp essa da descobe a e da in enção de
de e minadas ó mulas de p odução e ci culação do li o.
Pala as-cha e: ino ação e edição, e olução como me á o a, li o
de bolso, clube do li o.
Abs ac : This chap e sys ema izes a se o no es on he heme o
inno a ion in book publishing and one o i s na a i e e ec s, he
e olu ion as a ans igu ing consequence o ce ain inno a ions.
Based on wo examples, he pape back book and he book club, his
chap e seeks o p o ide a c i ical amewo k o help decons uc
ce ain linea and au oma ic pe spec i es abou he consequences
h ps://doi.o g/10.14195/978-989-26-2548-5_11
352
on p in cul u e o he disco e y and in en ion o ce ain o mulas
o he p oduc ion and ci cula ion o books.
Keywo ds: inno a ion and publishing, e olu ion as me apho ,
pape back, book club.
353
In odução
As «ob as e os objec os p oduzem a sua á ea social de
ecepção mais do que são p oduzidos po di isões c is alizadas
e p é ias».1 A p oposição de Roge Cha ie sublinha o papel
a i o do edi o na sua elação com a comp a e u ilização
lei u al dos li os que publica.2 Os compo amen os edi o iais,
ao a ibuí em no a mo ologia aos obje os imp essos,
ao modi ica em o ex o ou ao p opo em no os modos de aze
com que a ob a chegue ao lei o , egulam-se «segundo as supos as
habilidades e expec a i as dos di e en es públicos isados».3
A his ó ia da edição demons a à sociedade que a demanda da
cons i uição de me cados pa a o consumo li esco imp esso,
a pa da sua auscul ação, po pa e dos edi o es oi um dos mo o es
mais pode osos do pe cu so seguido pela cul u a ipog á ica e
a o io i pelo espaço pa icula do li o edi ado. A in e e ência
p ocu ada como a uação c iado a nos hábi os e on ades de acesso
ao li o modulou o espí i o e a p á ica dos edi o es, agindo es es
es a egicamen e e supo ados pela ino ação. Ino a , de p e e ência
de modo e umban e nas suas consequências, desen ol eu-se como
impe a i o ca egó ico a pa i do qual se ope a am as g andes
mu ações na indús ia edi o ial, mas ambém as pequenas.
1 Roge cha Tie , A O dem dos Li os. Lisboa, Vega, 1997, p. 29.
2 Sob e o ema da edição como cons ução a i a do edi o , no seu papel social
de ins igado , p esc i o e mediado cul u al, ejam-se, de Nuno Medei os, “Edi o es
e Li ei os: que papéis de mediação pa a o li o?”, in Diogo Ramada cu To (di .),
Es udos de Sociologia da Lei u a em Po ugal no Século XX. Lisboa, Fundação
Calous e Gulbenkian, 2006, pp. 343-385; Nuno Medei os, “Acções p esc i i as
e es a égicas: a edição como espaço social”: Re is a C í ica de Ciências Sociais
85 (2009), pp. 131-146; Nuno Medei os, “No as sob e o mundo social do li o:
a cons ução do edi o e da edição”: Re is a Angolana de Sociologia 9 (2012),
pp. 33-48; e Nuno Medei os, “A edição de li os como o mulação do mundo: ideias
e casos”: Re is a B asilei a de His ó ia da Mídia 4.2 (2015), pp. 31-42.
3 R. cha Tie , A O dem dos Li os…, op. ci ., p. 39.
354
Cons i uindo um obse a ó io p i ilegiado das mudanças
oco idas no uni e so da edição, as ino ações co espondem a um
elemen o p esc i i o da p axis edi o ial, aduzindo-se numa plêiade
de aplicações, do li o p op iamen e di o na sua ma e ialidade à sua
come cialização: ilus ações, polic oma ismo e g a ismo concep ual
nas capas, insc e endo-as como espaço de «degus ação» isual; cin as
nos li os, publici ando-os e impedindo o seu manuseio excessi o;
enda de í ulos associada à enda de pe iódicos, dila ando as
i agens; concu sos pa a lei o es e pa a li ei os, implicando-os na
ci culação das ob as; olhe os e p ospe os, ligando o obje o imp esso
a o mas pa icula es de ócio ou abalho; p émios li e á ios e de
adução, es imulando o su gimen o de «p omessas das le as» ou
ins i ucionalizando a consag ação e despe ando a a enção mediá ica.
É, po an o, possí el e desejá el e na in odução e e olução des as
e de ou as aplicações os desígnios c ia i os da dinâmica edi o ial.
Não con inado a uma unção sele i a dos ex os que lhe são
p opos os pa a publicação, o edi o desde semp e con emplou na
ma iz que o ins i ui como pe sonagem au ónoma no uni e so do
li o a ino ação, componen e ocacional p imo dial, sob e udo
em p oje os edi o iais em início ou em expansão. Ino ação
aduzida na p óp ia in enção de li os, ei a, an es de mais,
a pa i da publicação, po exemplo, de ex os que nunca ha iam
sido eunidos numa mesma ob a, pa a a qual o edi o em de
encon a uma cong uência.4 Os p e ácios e as in oduções ilus am
igualmen e a conc e ização de uma pe spe i a no a, que au o iza
uma lei u a no a e, nessa medida, con e e uma con igu ação no a a
um li o, desempenhando, po isso, um papel não menosp ezá el na
4 Veja-se a es e p opósi o o suges i o í ulo da no ícia de Ana Dias Fe ei a ace ca
do apa ecimen o de uma no a edi o a. Ana Dias e ei a, “Gue a & Paz p opõe
in en a os p óp ios li os”: Público, 03.03.2006, p. 47.
355
o mulação da unidade e da consis ência do obje o, cuja conc e ização
pode se e o çada pela inclusão numa de e minada coleção.
Mas a in enção de li os como exp essão oli i a do edi o
mani es a-se igualmen e no comissionamen o de ob as, is o é,
no a o edi o ial de encomenda de e minadas ob as a de e minados
au o es e a ou os p o issionais do li o (ilus ado es,
po exemplo). Ao encomenda um li o ou um conjun o de li os a
um esc i o ou a uma equipa de esc i o es (quem esc e e ipso ac o
o ex o), mui as ezes eme ida na icha écnica ao anonima o, o
edi o pa icipa á na c iação da ob a como au o .5 Fá-lo como c iado
o iginal da ideia, como de inido dos pa âme os que ão p esidi
à sua ma e ialização, como ga an e desses pa âme os median e o
exe cício da co eção, e isão e insc ição ísica ou a é como coau o ,
adu o , ou eda o de no a explica i a. Nesse sen ido, o edi o
de li os in en a-os, não apenas po que em sido his o icamen e
essencial na me amo ose do ex o em obje o (ma e ial ou digi al)
publicado, mas ambém po que se a oga equen emen e a unção
de c iado seminal de li os susci ando ex o a é aí inexis en e.
O li o encomendado é um dos domínios po excelência
de u u a com o elemen o a esanal o inei o no quo idiano
edi o ial e das análises que sob e ele adicionalmen e ecaem.
A comissão ou encomenda implica o edi o e a sua casa no eino
da p odução me ódica, planeada, plani icada e, desde o início,
al amen e acionalizada. Con ia a encomenda a um conjun o de
au o es pode mesmo signi ica a escolha — não poucas ezes
imposição — edi o ial de um deles como au o p incipal, ace à sua
no o iedade ou dimensão simbólica, e icalizando a i icialmen e
5 Veja-se Go don nea iLL, “Role o he Publishe in he Dissemina ion o
Knowledge”: The Annals o The Ame ican Academy o Poli ical and Social Science
421 (1975), p. 24.
356
a p odução com is a à sua au o idade e po enciação enal.6
À en idade o émica do au o , concebido na sua indi idualidade
e en ol ido na b uma bea i icada da c iação, subs i ui-se
a di e sidade de o mas au o ais al e na i as e híb idas,
cujo expoen e a ual se encon a nas possibilidades ecnológicas
abe as pela e olução ele ónica em ede. Tal ez po isso,
po e em ei o abula asa da plas icidade da noção de au o ,
as p oclamações de mo e ou declínio p enunciado des a ins ância,
e e uadas po Roland Ba hes e Michel Foucaul , en e mem de uma
i edu í el p ecocidade.7
O li o de bolso
Ino a , edi o ialmen e, não signi ica necessa iamen e in en a li os
no os mas, ão-só, in en a ó mulas ou ein en á-las a pa i de ob as
co en es ou de ob as inédi as. Em 1939, a New Yo k Times Book Re iew
anuncia a o lançamen o pelo edi o Robe de G a (em conjun o com
os ês sócios da es abelecida edi o a Simon & Schus e , Max Schus e ,
Richa d Simon e Leon Shimkin) dos p imei os dez í ulos de uma
no a coleção, in i ulada Pocke Books.8 Qua o anos ol idos sob e o
apa ecimen o, em 1935, no Reino Unido dos p imei os dez li os da
Penguin, de Allen Lane, es a a de ini i amen e lançada a que mui os
6 Pa a ilus ação p o usa das incidências do ad en o do comissionamen o edi o ial,
eja-se Jean-Y es MoLLie , Louis Hache e (1800-1864). Le Fonda eu d’un Empi e.
Pa is, Faya d, 1999.
7 Vejam-se Roland Ba Thes, O Rumo da Língua. Lisboa, Edições 70, 1987,
sob e udo pp. 49-53, sob e a «mo e do au o »; e Michel oucauLT, O que é um Au o ?
Lisboa, Vega, 1992. Ou o gando ambos ao lei o , e não ao au o , o ulc o analí ico
da c iação de sen ido ex ual, o ma iz de Foucaul ela i amen e a Ba hes eside
essencialmen e na unção au o al, segundo a qual o au o é a igu a ideológica e
o p incípio pelos quais os discu sos ci culam, de modo con ingen e e excluden e,
na sociedade. A epu ação li e á ia, logo, a au o ia, é pa a Foucaul uma o mação
cul u al insepa á el da comodi icação da li e a u a, já que in o ma as espos as
cul u ais aos ex os.
8 Con i a-se Ray WaLTe s, Pape back Talk. Chicago, Academy Chicago Publishe s,
1985, p. 2.
357
obse ado es e in e enien es no me cado edi o ial de li os adje-
i a am de « e olução do pape back» ou do li o de bolso, li o de
imp essão mais ba a a, o iginalmen e ocacionado pa a eimp essões
de ob as já com um his o ial de edição, is o é, ob as que já es a am
publicadas, não a o clássicos ou bes -selle s. E am í ulos an e io men e
edi ados e colocados em coleções com o ma os di e sos, equen e-
men e com in es imen o g á ico e a é com algum pedig ee edi o ial.
A ans o mação des es í ulos em li os de bolso con e iu-lhes uma
mo ologia uni o me que os o na a áceis de dis ingui .
P essupos a nes a ó mula edi o ial es a a «a exis ência de
um la go me cado de lei o es po enciais que o edi o o iginal
não es a a a alcança ».9 E iden emen e, o pe cu so his ó ico
des es li os e i ou-lhes o isomo ismo que os o na a áceis de
de ini e dis ingui . P og essi amen e, o pape back oi c escendo
em complexidade, aba cando géne os e supo es cada ez mais
di e sos, como as á eas p á icas, a manualís ica, a au oajuda ou
a banda desenhada, is as mui as ezes como meno es; deixando
ainda a ape ência pa a a li e a u a p e iamen e publicada, a que
o a o çado desde o seu nascimen o.10 Passou a é po aumen os
de cus os com epe cussões no p eço, cuja dis ância pa a ou o
ipo de edição se oi encu ando.
O li o de bolso é, como o concei o mais la o de li o,
um concei o polissémico cuja de inição consis e no p imei o
p oblema, ou desa io, a abo da . O pape back não é necessá ia
e exa amen e a mesma coisa que o li o de bolso, embo a se
lhe equipa e no âmbi o do mundo anglo-saxónico. O li o de
bolso o nou-se numa me á o a de e olução no sec o do li o,
9 Desmond LoWe , “In oduc ion”, in Penguins P og ess: 1935-1960.
Ha mondswo h, Bal imo e e Mi cham, Penguin, 1960, p. 9.
10 No quad o da li e a u a, o pape back ou li o de bolso deixou ao longo do
empo inclusi e de se ca ac e iza somen e pela edição de li e a u a p e iamen e
publicada, passando a con empla ob as e í ulos inédi os.
358
podendo se de inido essencialmen e como um li o acessí el,
não apenas pelo p eço e po se a a de um olume ísico
de meno dimensão quando compa ado com ou os o ma os,
mas sob e udo pela possibilidade de dis ibuição exponenciada
pelos quiosques, papela ias, es ações e ga es, onde passou
a se possí el e e comp a li os.11 Mais do que apenas o
o ma o, é nos aspe os do seu p eço e pa icula men e da sua
disseminação que se dá a mudança mais o e em e mos da
his ó ia da edição e do impac o no me cado do li o. E não
se a a me amen e da pene ação do li o em espaços no os
de exposição e enda. São localidades in ei as e e i ó ios
no os que passam a con a com uma p esença assídua do li o,
cuja ci culação come cial — exce uando, po an o, o emp és imo
e as biblio ecas — aí oco e pela p imei a ez.
Nesse sen ido, não se á a iscado a i ma que, em e mos
li e ais, mas ambém simbólicos, o li o de bolso é uma espécie de
me onímia da dis ibuição massi icada do li o e da sua ci culação
mais ala gada e comodi ican e. A sua exis ência assim enquad ada
sua iza a p o e bial di iculdade de adap ação dos géne os li e á ios
pe cecionados como mais densos ou e udi os à ci culação mais
ala gada, colma ando pa e do hia o causado pela dis ância que as
camadas popula es nunca cessa am de sen i ela i amen e ao ca iz
au o i á io das ob as publicadas como «boa» li e a u a, «susci adas
po g upos sociais limi ados e concebidas pa a eles».12 A adesão
consegue-se não somen e pela i adiação e mul iplicação de pos os
de enda e pelo emag ecimen o do cus o inal, mas ambém, em
g ande pa e, pela adoção de g a ismo e es é ica mais apela i os e
11 Ace ca da dimensão e olucioná ia do li o de bolso, eja-se Oli ie
Bessa d-BanQuy, “La é olu ion du poche”, in Pascal ouché (di .), L’Édi ion
F ançaise Depuis 1945. Pa is, Édi ions du Ce cle de la Lib ai ie, 1998, pp. 168-199.
12 Robe esca piT, The Book Re olu ion. Lond es e Pa is, Ha ap e Unesco,
1966, p. 133.
365
chegada do Cí culo de Lei o es, no uni e so da edição po uguesa,
um pe cu so esco ei o e minimamen e sólido da enda po
co espondência e dos clubes do li o, eme gindo espo adicamen e
p oje os pau ados sob e udo pela inconsequência. E mesmo com a
inaugu ação do Cí culo de Lei o es, de sucesso i e u á el du an e
décadas,24 di icilmen e se pode ala em su o ela i amen e a es a
no a o ma de edi a li os e pô-los a ci cula .
Os clubes do li o a i ma am-se como mé odo de mé i os
indiscu í eis na i adiação do li o como bem in eg ado no
quo idiano do espaço domés ico, con ibuindo pa a que, desde o seu
nascimen o e só nos E.U.A., « ep esen assem mais de 500 milhões
de li os»25 endidos. Is o an es do im da década de 1950, em 30
anos de a i idade. A ci a é capciosa, já que pode conduzi a um
au oma ismo analí ico que explique o li o como obje o cul u al
de i e u á el consumo massi icado. Desca ando uma discussão
em o no dos c i é ios de massi icação, a sua assunção no que
espei a ao consumo do li o de e me ece as necessá ias cau elas.
Não apenas po que a lei u a não ocupa nas p á icas cul u ais da
maio pa e das pessoas um luga compa á el ao de ou os meios,
como o cinema ou a ele isão. Não somen e po que é no sec o
do li o que a comp a se encon a mais concen ada num g upo
pouco ala gado de consumido es.26 Mas pa icula men e pelo ac o
Imp ensa de Ciências Sociais, 2010.
24 Segundo Rui Beja, es udioso do li o e da edição con empo ânea e an igo
ges o do Cí culo de Lei o es, no «início da década de 1990, ao comple a in e anos
de ac i idade, o clube do li o e a a maio edi o a em Po ugal, con ando meio
milhão de sócios, a publicação anual de duzen os í ulos e dois milhões de li os
dis ibuídos em cada ano». Rui Beja, A Edição em Po ugal (1970-2010): Pe cu sos e
Pe spec i as. Lisboa, Associação Po uguesa de Edi o es e Li ei os, 2012, pp. 71-72.
Des e au o , e pa a uma incu são mais ci cuns anciada — ainda que au o e e enciada
memo ialis icamen e — e ap o undada na ida e na es u u a do Cí culo de Lei o es,
eja-se Rui Beja, À Janela dos Li os. Memó ia de 30 Anos de Cí culo de Lei o es.
Lisboa, Temas e Deba es, 2011.
25 Be na d osenBe G e Da id Manning WhiTe (o gs.), Mass Cul u e. The Popula
A s in Ame ica. Glencoe, The F ee P ess e The Falcon’s Wing P ess, 1957, p. 112.
26 Con i a-se Be na d Be eLson, “Who Reads Wha Books and Why?”,
in B. osenBe G e D. M. WhiTe (o gs.), Mass Cul u e. The Popula A s in Ame ica.
366
de a hipó ese da edição de li os encaixa na conceção indus ial
de p odução cul u al pa a um núme o e e i amen e ala gado de
pessoas se , pa a os p óp ios edi o es, uma mi agem.
A pe ceção des a impossibilidade su ge, em ce os casos, mais
ibu á ia al ez de um sen ido de missão que concebe o li o como
p odu o cul i ado pa a eli es e udi as do que de uma de inição
de massi icação cujo limia quan i a i o adicasse bem pa a lá dos
esul ados no mais de endas. C a ada no co ação de um núme o
assinalá el de edi o es es á a imagé ica que os au oiden i ica
com o apos olado das le as. Num p ospe o da Penguin, de 1964,
loquazmen e se asse e a que a p odução da edi o a não se ese a
às massas. «Onze milhões de Penguin endidos no Reino Unido
num único ano ep esen am um Penguin comp ado po um inglês em
cada cinco. Os Penguin des inam-se a uma mino ia ( ela i amen e
nume osa) que é uma mino ia selec a».27 A me á o a e olucioná ia,
consequen e ambém com a ideia de democ a ização da cul u a
li esca, encon a nes a ino ação alguns dos dilemas e da ugosidade
que a edição de li os ence a.
No as conclusi as
O li o de bolso e o clube do li o (com maio ên ase pa a o
p imei o) cons i uem-se como mo ologias cujo jaez ino ado é di ícil
de e u a , an o quan o o ac o de não se em in enções pu as, sem
es ibo no passado. Mas inse em-se num luxo na a i o, den o e
o a do campo edi o ial, da c iação, assen e na ideia de ino ação
como me á o a e olucioná ia. E es e discu so, cons uído em o no
da e olução como eixo, ma e ializado em descobe as (a inal, an as
ezes edescobe as) que udo mudam no pe cu so his ó ico da
cul u a imp essa, in eg a a ma iz das p á icas e das iden idades
Glencoe, The F ee P ess e The Falcon’s Wing P ess, 1957, pp. 119-125.
27 Apud R. esca piT, op. ci ., p. 30n.
367
no sec o da edição de li os e nas pe sonagens que lhe dão
co po. A inal, a a-se de um sec o que p oduz um obje o, o li o,
ca ac e izado ele p óp io po um i ine á io ecnológico e simbólico
de ino ações a que são ou o gadas cono ações e olucioná ias.
O exemplo máximo des e posicionamen o he menêu ico é
p o a elmen e o do ad en o da ipog a ia e da imp essão como
pa adigma de ansmu ação e olucioná ia na his ó ia da cul u a e
da comunicação esc i a, inaugu ando o que eio a se denominado
cul u a imp essa. Dis anciando-se de isões que oma am como
e olucioná io o su gimen o da edição imp essa de Gu enbe g e
Manúcio, á ios au o es e e em as pe sis ências en e a cul u a
manusc i a copiada e a imp essa e os luxos que as in e liga am,
azendo com que se man i essem mui as das es u u as ísicas,
o ganiza i as e de géne o undamen ais do li o e das modalidades
e empos da sua descodi icação e uição lei u al.28 Con a iando a
ideia de que a c iação ou descobe a da imp essão po ca ac e es
mó eis se a asse e dadei amen e de uma e olução, insis em
numa con inuidade — que não é in e ompida, embo a se o ne
inequi ocamen e mais complexa — en e cul u a manusc i a
(sc ibal cul u e) e cul u a imp essa ou ipog á ica (p in cul u e).
Pa a es e conjun o de p opos as explica i as,29 é a apos a analí ica
baseada no es udo das con inuidades da longa du ação de inspi ação
b audeliana que pe mi e o islumb e es u u al do uni e so do li o,
28 Vejam-se, como exemplos des e alinhamen o in e p e a i o, Roge cha Tie ,
Fo ms and Meanings. Tex s, Pe o mances, and Audiences, om Codex o Compu e .
Filadél ia, Uni e si y o Pennsyl ania P ess, 1995; R. cha Tie , A O dem dos Li os…,
op. ci .; Robe da nTon, The Kiss o Lamou e e: Re lec ions in Cul u al His o y. No a
Io que, W. W. No on, 1990; An hony G a Ton, De ende s o he Tex . The T adi ions
Schola ship in an Age o Science. Camb idge e Lond es, Ha a d Uni e si y P ess,
1991; e Ad ian johns, The Na u e o he Book: P in and Knowledge in he Making.
Chicago e Lond es, The Uni e si y o Chicago P ess, 1998.
29 Pa a uma sín ese des a p opos a in e p e a i a, eja-se Da id haLL,
Cul u es o P in : Essays in he His o y o he Book. Amhe s , Uni e si y o Massachuse s
P ess, 1996.
368
nos seus opos e o mas salien es, con emplando a ino ação (po
in enção ou edescobe a), opondo-se a p e ensões de uma na a i a
de p essupos os linea es de e olução.
Ou a das ques ões que os exemplos ap esen ados nes e capí ulo
le an am é a da pe meabilidade en e sis emas edi o iais em e mos
da impo ação e expo ação de ideias e ino ações.30 Es a po osidade
en e ealidades nacionais do li o e a mul iplicidade de o igens e
aje os o nam mui o di ícil a a e a de quem se disponha à busca
de uma génese absolu a, p imo dialis a e uni a o ial das ino ações
no li o como se osse possí el encon a com acilidade — ou de
odo — o momen o seminal e o agen e inicial.
A mudança, exp essa na ino ação e na in enção, ou na
e o mulação susce í el de ope a mudanças na p odução, ci culação
e ap op iação da pala a esc i a a a és da ação edi o ial, é um
dos elemen os de iden idade do mundo do li o, não pa ecendo
iá el a sua análise expu gando esse elemen o. O mesmo não é,
no en an o, assumi de modo p on o e explica i amen e olun a ioso
que as ino ações se p ocessam inexo a elmen e como eixos
de ans igu ação, sem base an e io , e capazes, po si sós,
de desencadea consequências e umban es, p o undas, ex ensas
e de ca iz du adou o que udo al e am, ope ando e oluções.
A me á o a e olucioná ia assimilada a ce o ipo de ino ações,
quando aplicada ao mundo do li o, aumen a o isco de sup essão
ou de esmaecimen o da complexidade insc i a na ama his ó ica
e mul icausal que o oi o jando.
30 Veja-se Jean-Y es MoLLie , “La cons uc ion du sys ème édi o ial ançais e
son expansion dans le monde du XVIIIe au XXe siècle”, in J. Michon e J.-Y. MoLLie
(di s.), Les Mu a ions du Li e e de l’Édi ion dans le Monde du XVIIIe Siècle à l’An
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