P o ided o non-comme cial esea ch and educa ion use.
No o ep oduc ion, dis ibu ion o comme cial use.
Axioma –
Publicações da Faculdade de Filoso ia
Re is a Po uguesa de Humanidades, 22, 1-2 (2018), 123-138
«O que en ão conscienciosamen e esc e i»: Camilo Cas elo
B anco sob e a c í ica de poesia
RICARDO NOBRE
Cen o de Es udos Clássicos da Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa
nob e@le as.ulisboa.p
Abs ac
W i en and published by Camilo Cas elo B anco om 1849 h ough 1865, he ex s
included in Esboços de Ap eciações Li e á ias (1865) e lec he au ho ’s e olu ion o
hough and heo e ical e lec ion on he phenomenon ha is li e a u e. In spi e o an
abundan p esence o poe ical guidelines, i appea s o be clea ha he heo e ic model
which encompasses bo h c i ical and e minologically Camilo’s c i icism is based on
doc ines inhe i ed om Classical An iqui y. I is h ough his connec ion — mainly o
A is o le — ha in his pape I in end o desc ibe and analyse he me a-poe ical ex s o
Esboços de Ap eciações Li e á ias.
Keywo ds: Camilo Cas elo B anco, Esboços de Ap eciações Li e á ias, poe ics, A is o le
A lei u a az pa e da his ó ia dos ex os (Inga den, 1979: 273; Jauss, 2015;
Todo o , 1980), cujo es udo comple o não pode desa ende a ecepção das ob as
no momen o da sua p imei a publicidade. Des a ecepção incoa i a azem pa e,
além de pequenos anúncios e pan le os, p e ácios, pos ácios1 e ex os de ap e-
ciação c í ica imp essos em jo nais e e is as que, pelo im da censu a, pela lei da
libe dade de imp ensa2 (Tenga inha, 1992: 253) e pela e olução dos p ocessos
mecânicos de ep odução de ex o e imagens (Tenga inha, 1989: 131, 133-134)
*
Es udo elabo ado no âmbi o da Bolsa de Pós-Dou o amen o com a e e ência
SFRH/BPD/115195/2016, inanciada pela Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia.
1 F equen emen e em o ma de ca a, quando en e c í ico e c i icado há
elações de amizade, ou simulando uma con e sa en e au o e lei o .
2 Celeb ada po Almeida Ga e (1853: 177-179, c . 279) em poema in eg ado em
Lí ica de João Mínimo.
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Re is a Po uguesa de Humanidades
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se mul iplica am, com maio ou meno longe idade, i agem ou in luência, ao
longo do século xix (Coelho 1997a; Coelho, 1997b; Rod igues, 1998). Além de
ans o mações ecnológicas e polí icas, em especial na sequência da es abili-
dade e p og essos da Regene ação, a ac i idade de edi o es anceses e a acção
de ipog a ias e imp esso es po ugueses po enciam a ci culação de pe iódicos
e de li os. Os au o es deixam-se in luencia pelos no os meios de publicação,
«pola izando endências, o ien ando e ala gando o público ledo » (Coelho, 1997b:
930), ou seja, a écnica p odu i a em implicações es é icas, em pa icula no
que espei a a na a i as cu as3. Em ace da p oli e ação de amanha o e a,
comp eende-se o c escimen o da c í ica, isando a hie a quização e a a ibuição
de alo às ob as saídas dos p elos.
No en an o, e algo pa adoxalmen e, o Roman ismo po uguês não p oduziu,
com pon uais excepções, um pensamen o es é ico que acompanhasse no as
o mas exp essi as e discu si as (Coelho, 1969: 12), dado que os ex os de di ul-
gação e as polémicas oi ocen is as (de onde a amen e es á ausen e a necessidade
de a i mação de no as ge ações em espei o às an e io es) não a ingem, na maio
pa e das ezes, a o ça e o empenho de um abalho eó ico de âmbi o c í ico4.
Como no caso de olhe ins omanescos e de poesias, mui os des es ex os
c í icos não passa am da e são de ensaio «expe imen al» das páginas de jo nais
e e is as. Toda ia, alguns conhece am a publicação em olume e são hoje consi-
de ados abalhos undamen ais da c í ica po uguesa, que pela o mulação de
p oblemas, que pelo pionei ismo das suas e lexões. No século xix, os c í icos
conside ados mais ino ado es o am An ónio Ped o Lopes de Mendonça (1855;
c . Ribei o, 1980) e And ade Fe ei a (Fe az, 1997); me ecem, oda ia, e e-
ência Ga e e He culano, po se em os p imei os eó icos do Roman ismo em
Po ugal, bem como Rebelo da Sil a, Manuel Pinhei o Chagas e E nes o Bies e ,
ligados à Re is a Con empo ânea de Po ugal-B asil, na qual Salgado Júnio
3 Júlio Césa Machado (1863: 14) ap esen a á uma colecção de con os, «esc i os
apidamen e, com apidez ão se lidos; a apo é o seu í ulo, a sua oma ia é o cami-
nho-de- e o! / Pa e o comboio. De es ação a es ação, ica á lido um con o. Boa iagem,
lei o !».
4 É quase necessá io espe a a é à undação do Cu so Supe io de Le as, em 1858
(as aulas começa am em 1861), pa a assis i a um e dadei o lo escimen o da c í ica
li e á ia em Po ugal, p o agonizada pelos seus p o esso es ( i ula es ou em subs i uição)
ou candida os à cadei a de Li e a u as Mode nas; e i o-me a nomes como os de Mendes
Leal, Rebelo da Sil a, Pinhei o Chagas e Teó ilo B aga; Luciano Co dei o oi um candida o
não admi ido. As Memó ias da Li e a u a Con empo ânea, de Lopes de Mendonça
(1855), são an e io es à nomeação (em 1860) do seu au o pa a docen e daquela
ins i uição, mas o p o esso não ocupa ia a cadei a po mo i o de doença incapaci an e.
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«O que en ão conscienciosamen e esc e i»: Camilo Cas elo B anco sob e a c í ica de poesia
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(1997: 233) ê um momen o-cha e do ensaísmo li e á io do Roman ismo po u-
guês. Da Re is a Con empo ânea pa icipa á, como iccionis a e c í ico li e á io,
Camilo Cas elo B anco5.
Coincidindo com colabo ação na imp ensa po uense, Camilo Cas elo
B anco es eia-se como c í ico quase ao mesmo empo que az o i ocínio como
iccionis a, pelo ano de 18486 (quando publica o sucesso Ma ia! Não me Ma es
que Sou Tua Mãe! e os ex os sob e O Cép ico, de D. João de Aze edo; Os
Pundono es Desag a ados ha iam saído em 1845). Tinha in e e ês anos e, a
ac edi a nas deduções de Aquilino Ribei o (1974 I: 168-166; 1974 II: 37-38), uma
o mação escola de icien e; apesa do es udo de P ado Coelho (2001: 107-138),
não é o almen e cla o como e á Camilo a ingido amanha solidez de conheci-
men os sem men o nem uma equência egula de es udos. Uma hipó ese ele-
an e é e passado mui as ho as em biblio ecas, donde, como ele p óp io diz de
Inácio Piza o, lhe e ia indo o gos o pelos al a ábios (Cas elo B anco, 1969:
301). O ac o é que, em 1865, da a dos úl imos ex os c í icos que ie am a o ma
o co po dos Esboços de Ap eciações Li e á ias7, Camilo não é menos que um
e udi o, além de d ama u go, poe a e sob e udo iccionis a — 1865 é, ainda, o ano
em que A Queda dum Anjo é dado à es ampa.
Ainda assim, desde o seu empo que nos ex os camilianos de na u eza me a-
li e á ia se apon am imp ecisões e incoe ências (Cab al, 2003: 273). As mesmas
ca ac e ís icas e idenciam-se em ou os esc i os, nos quais é p eciso econhece
cons an es incong uências e con adições — que eu p opo ia le como uma au o-
-i onia cons an e que ilude, mui o conscien emen e, o lei o (P ado Coelho, 2001:
23, ala de um «baile de másca as» pa a de ini a mis u a da ealidade biog á-
ica com a icção) —, não se podendo, oda ia, nega que o esc i o enha e e-
lado um pleno domínio (implíci o e explíci o) dos códigos li e á ios dos géne os
5 Do conjun o de na a i as b e es esul a ão os olumes Doze Casamen os Felizes
(publicados a pa i do núme o inaugu al, em 1859) e Cenas Inocen es da Comédia
Humana (a pa i de 1860). Como c í ico, colabo a a pa i do n.º 3 de 1862. As ob as de
Camilo (incluindo Amo de Pe dição) são quase odas ap eciadas na «C ónica Li e á ia»,
ub ica da esponsabilidade de E nes o Bies e .
6 Alexand e Cab al (2003: 272) da a de Lisboa (n’A Semana) e de 1850 a es eia
como c í ico, mas a c í ica a O Cép ico, de D. João de Aze edo (1848?), oi publicada en e
2 de No emb o e 29 de Dezemb o de 1849 (n’O Nacional) e encon a-se da ada de 1848.
7 A ob a é uma ecolha selec i a. Nos Dispe sos encon am-se ou os ensaios
c í icos publicados pelo au o na imp ensa a é 1865. Depois des a da a, além de es udos
e udi os como o de Camões, ealçam-se os ex os c í icos do Cancionei o Aleg e (1879)
ou aqueles publicados em Se ões de S. Miguel de Ceide (1885-1886).
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Re is a Po uguesa de Humanidades
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que cul i ou. Camilo Cas elo B anco pa icipa, po an o, do núme o de au o es
que, além de c í icos, são au ên icos esc i o es (como He culano, Cas ilho, Lopes
de Mendonça e Pinhei o Chagas), o que az deles menos dogmá icos e in ansi-
gen es (mas não igo osos) do que os aus e os dou inado es e pedagogos, como
Cândido Lusi ano, Ped o José Fonseca, F ancisco F ei e de Ca alho, en e
ou os. Pa ilhando uma es é ica li e á ia baseada essencialmen e na pu eza da
linguagem (Venâncio, 1998: 140), Camilo, como ou os omân icos, não e ia in e-
esse em segui nenhum p og ama dou iná io8.
Não obs an e, o es udo das ideias li e á ias de Camilo9 não pode se ei o
sem e em conside ação di e en es ipos de ex os sob e os quais o esc i o
ajuíza. Com e ei o, na ap eciação de na a i as de icção, Jacin o do P ado Coelho
(1969: 20-23) no a disposições me adiscu si as dis in as das que Camilo usa
pa a a poesia lí ica, ea o e poesia sa í ica; Ca los Reis (1994) iden i ica que
ambém no omance há di e enças en e o omance ancês e ce a p odução
iccional po uguesa. Além disso, em momen os me ana a i os, p e ende-se
uma «espécie de pedagogia do gos o e de dou inação do lei o », is o que a
«Li e a u a [é en endida] como ins umen o de e inamen o cul u al, com indis-
a çá el p opensão ideológico-mo al» (Reis, 1994: 109). Ou a a ian e a e em
a enção conside a a ampli ude c onológica dos ex os que compõem os Esboços
de Ap eciações Li e á ias, pois es es o am esc i os em ci cuns âncias e com
p opósi os di e enciados. Finalmen e, salien e-se, com excepção da Ma quesa de
Alo na, já alecida, a simpa ia ge al que Camilo sen e pelos au o es ecenseados,
seus con empo âneos e conhecidos, si uação que ajuda a jus i ica a ole ância
a espei o de e os mais g a es10. Assim, as c í icas com con o nos mais se e os
8 Como Ga e — em sucessi os p e ácios, desde 1825, com Camões, a é 1843,
com o Romancei o, passando pela Lí ica de João Mínimo, cujo p e ácio az a da a
de 1828 —, Camilo ambém p oclama, logo em Aná ema, independência de escolas
e alheamen o em elação ao Roman ismo: «exis e uma escola omân ica, democ á ica,
social e egene ado a. Não em academias, nem pa agem de e minan e. É imensa,
eléc ica e omnipo en e. Lá é que se ap ende a ag ada às u bas, delas se inspi a es a
mocidade co oada e co ajosa, é dela, inalmen e, que su gem os apodos e aias li e á ias
pa a os que sac i icam ao passado o cabedal de in eligência nega i a pa a es a sociedade
aspi ado a. / O esc i o des as cousas ainda não ab iu ma ícula, nem pede que o
insc e am» (Cas elo B anco, 2003: 73-74).
9 C . Moisés (2000: 214-220), além de Coelho (1969).
10 Os au o es ecenseados são D. João de Aze edo, José Ba bosa e Sil a, F ancisco
Mo ais Sa men o, Ramos Coelho, Joaquim Pin o Ribei o Júnio (dois ex os), Coelho
Lousada e Soa es de Passos, Faus ino Xa ie de No ais, Ma quesa de Alo na, Júlio Césa
Machado (dois ex os), E nes o Bies e , Manuel Roussado, Bulhão Pa o, José Gomes
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se iam ei as a Teó ilo B aga11, embo a ainda es ejamos longe do om que alcan-
ça ia em Vaidades I i adas e I i an es, publicadas em 1866 (Venâncio, 1998:
205).
Reco de-se, inalmen e, que a exposição dos concei os eó icos nos ex os
c í icos de Camilo é o emen e condicionada pelo en endimen o que o au o
em da p óp ia c í ica. O ape o do ambien e cul u al po uguês e o aco eco-
nhecimen o (incluindo inancei o) que al abalho implica o nam-na «quase
imp a icá el», mo i ando a pouca quan idade de ensaios li e á ios na década de
60 do século xix (Cas elo B anco, 1969: 26). Em simul âneo, aplicada à poesia,
a c í ica conduz a maus esul ados, pois se es a ac i idade pa icipa da azão, a
poesia pe ence à emoção, sen imen o ín imo que se opõe ao mundo in elec ual
das ideias12. Não po acaso, Camilo Cas elo B anco (1969: 74) chega a nega ao
poe a a azão e o juízo, deixando cla o que «Poe a que aciocina é um cáus ico da
paciência humana». Assim, o abalho que desen ol e no âmbi o eó ico é « ei o
com lisu a […], ao co e da pena, sem aidades de c í ica, simples esboço em
que me dou mais con a a mim que aos ou os das minhas imp essões» (Cas elo
B anco, 1969: 128). Também po isso, chamado a ap esen a o li o de poesias
de Faus ino Xa ie de No ais, Camilo Cas elo B anco (1969: 148) decla a
que «c í ica» e «juízo» são «os dois a ibu os mais sublimes do en endimen o
humano». Pela na u eza do objec o e pela me odologia que al a e a exige, o
esc i o a as a-se des a o mulação analí ica e eó ica que es u u a a e lexão
li e á ia, condenando «cozinhei os de empadões li e á ios» e de inindo como
desnecessá io «a mazena uma enciclopédia pa a ajuiza duns e sos» (Cas elo
B anco, 1969: 149). Po ou o lado, a c í ica con empo ânea, desc i a como uma
Mon ei o, Rebelo da Sil a, Teó ilo B aga, Câma a Sin al e Inácio Piza o de Mo ais
Sa men o.
11 José Gomes Mon ei o, a quem Camilo chama a « esou ei o de pa anhas»,
« a o de biblio eca» e «esc i o que não pode se compa ado aos menos de medíoc es»
(Au o a do Lima, de 28 de Ou ub o de 1856, e Mundo Elegan e, de 28 de Maio de 1859;
exp essões ci adas apud Júlio Dias da Cos a em Dispe sos de Camilo, p. 67) ecebe
maio simpa ia no ex o que ecolhe nos Esboços (c . Cos a, 1924: 68, onde se az uma
sín ese de ap eciações de Camilo sob e Gomes Mon ei o; . Cab al, 2003: 272-273, sob e a
e olução da c í ica a es e esc i o ).
12 A p opósi o do li o de poesias de Ma ins Sa men o, a i ma: «É g ossei a audácia
a alia um poe a quando os ele ala de si, semp e de si, e não os dá ma gem a discu i -lhe
a ideia no ibunal da azão, que é coisa que poe as nunca i e am, ou, se i essem, não
se iam poe as à eição do molde em que hoje se undem» (Cas elo B anco, 1969: 74).
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le e apa ência de Ho ácio, eduz-se a um conjun o de « i ialidades», «luga es-co-
muns», « agos epa os», «censu as sem dou ina» e «dou inas sem aplicação»13.
Com es as pala as, Camilo ep o a a al a de disc ição do c í ico e conside a
que demasiada e udição a p opósi o de poesia a ocul a, sob e udo quando deixa
de se concen a no objec o de análise14. A al e na i a se ia eco e a múl iplas
ci ações de e sos, sem nega ao lei o um componen e ins in i o na ap eciação
da poesia: «é necessá io ci a , ci a mui o, ou es ingi o juízo a poucas le as,
dizendo: é boa poesia. […] O me ecimen o do li o […] há-de o lei o lá p ocu a -
-lho com o seu bom ins in o»15. A ap esen ação de uma ob a ao público em a se
aço ca ac e ís ico des a posição dou iná ia sob e a c í ica, que des e modo se
exime de aze um es udo ap ecia i o. Já nas páginas da Re is a Con empo ânea
de Po ugal e B asil, Camilo apenas se comp ome e com E nes o Bies e a aze
c í ica in o mal, «como se o que ai esc i o, osse alado em luen e p á ica, numa
banca de ca é, ou debaixo de uma á o e ipada e en ezadinha do Passeio»16.
Essa in o malidade é um p ocesso comunica i o e icaz de da a conhece ex os
ecém-publicados, con ibuindo pa a o seu sucesso edi o ial.
13 Cas elo B anco (1969: 150). Relacionado com es a ac i idade es á o epa o que
o au o az sob e o já en ão alado elogio mú uo da c í ica: «Há mui os anos que eu ouço
ala na associação de esc i o es, denominada elogio mú uo. Cons a a […] que […] alguns
esc i o es se ha iam acama adado, e es a uído que uns aos ou os se elogia iam de
modo que, o a do seu cí culo, nenhum alen o pudesse inga » (Cas elo B anco, 1969:
195); «Quem são, pois, os esc i o es a guidos de se es a em em pe ene admi ação uns
dos ou os? […] Os Cas ilho, Mendes Leal, He culano, Rebelo da Sil a, e ou os, que, em
á ias p o íncias das le as, p o essam es eme e b ilhan e indi idualidade? Quem e ia
o descoco de moles a -se dos elogios mú uos des es nomes, se eles se elogiassem? As
queixas bem aduzidas, que e iam dize : “Repa em que es ou aqui eu! Façam a o de
dize ao mundo que eu cheguei aqui on em […]”» (Cas elo B anco, 1969: 198).
14 Leiam-se sob e udo es es dois passos: «Tal c í ico anuncia- os um li o, p opõe-se
julgá-lo, põe em cena quan os esc e e am em línguas mo as e i as, incomoda odos os
au o es, menos o au o do li o que que julga . […] Como se o seu im osse esc e e
c í ica pa a ab i a boca admi ada da c í ica» (Cas elo B anco, 1969: 123); «Os apa a osos
ade eces com que a análise se nos impõe é aidade do c í ico» (Cas elo B anco, 1969: 123).
15 Cas elo B anco (1969: 123); po ou as pala as, de ende a: «Temos de ansc e e
ou os mui os [ e sos], quando nos al a em na palhe a as in as com que o pincel mais
ades ado consegue apenas com mui os aços esboça escassa cópia de belezas ei as
pa a se e em, e se admi a em lá, na ela p imi i a» (Cas elo B anco, 1969: 90).
16 Cas elo B anco (1969: 171). Na mesma ocasião, censu a «A gen e c i iquei a
[…] que dispensa le um li o, logo que e e a elicidade de lhe e o nome na id aça do
li ei o» (Cas elo B anco, 1969: 172).
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«O que en ão conscienciosamen e esc e i»: Camilo Cas elo B anco sob e a c í ica de poesia
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Apesa da abundância das o ien ações eó icas, há duas cons an es nessa
ac i idade c í ica: uma é a « al a de isenção» e a «pa cialidade dos juízos» de
que ala Alexand e Cab al (2003: 272); a ou a é o ac o de o modelo eó ico que
enquad a concep ual e e minologicamen e a c í ica camiliana se basea em
dou inas he dadas da An iguidade Clássica, sem que isso seja necessa iamen e
mani es ado. E essa subo dinação se á cons an emen e iel, pe mi indo-lhe, em
simul âneo, acolhe elemen os ino ado es (a i ude alo a i a que ambém se
mani es a na amige ada no ma i idade clássica), embo a cau elosamen e. É es a
ligação com a An iguidade que p ocu a ei, nos ex os me apoé icos dos Esboços
de Ap eciações Li e á ias, desc e e ago a, sob e udo a pa i de A is ó eles17,
acei ando po ém uma p olongada mediação (Pe ei a, 1995).
A pa i des es pon os p é ios, insc e e -se-á a dou inação me ali e á ia
camiliana menos na c í ica do que na di ulgação, mas não se lhes nega á compo-
nen es da c í ica clássica a ás mencionada. Sem impo eg as e sem p esc e e
dogmas baseados em ex os an igos18, Camilo Cas elo B anco assume uma
17 Os esc i o es clássicos que êm a se mes es da poé ica, com cabedal didác ico,
são A is ó eles e Ho ácio, cujo conhecimen o não p ecisa se adqui ido na lei u a dos
ex os o iginais: a li e a u a po uguesa de quinhen os e se ecen os é ica de exemplos
de ob as que di ulgam aquelas ideias, expandindo-as com apoio da c í ica es angei a,
que mui as ezes as comen a (como Boileau, que Camilo ci a), a ibuindo-lhes signi i-
cados, alo es e a é o ça legal que lhes são es anhos na o igem. Ainda assim, o es udo
da mediação ( aduções disponí eis ou a ados de sis ema ização eó ica) não pode á se
ei o nes a ocasião. No en an o, nada suge e que Camilo conhecesse a ob a de A is ó eles,
excep o po li e a u a secundá ia. Mui as e e ências di ec as ao sábio são e dadei os
luga es-comuns na ecusa das eg as apa en es. Lemb em-se algumas decla ações
ecolhidas nos Dispe sos: «A alma do homem en as ia-se dep essa com o manja das
indiges as esmas de iloso ia de A is ó eles» (Cas elo B anco, 1924: 345); «Não comp o-
me ais, po a o , esses modes os li e a os a quem não sob a empo pa a lecciona poe as.
Deixai med a uns no esquecimen o, ou os na delicadeza, e ou os na boa- é de mui os,
que como eu não sabem medi e sos pela clepsid a de A is ó eles» (Cas elo B anco, 1924:
263); «A is ó eles, ci ado po mui os que não o le am como eu» (Cas elo B anco, 1926:
101). Vale a pena eco da , ainda, que, sob e o d ama Poesia ou Dinhei o (que igu a ia
na 1.ª ed. das Cenas Con empo âneas, mas não na 2.ª), Camilo (como Ga e ize a numa
no a a Lí ica de João Mínimo, condenando Camões e Dona B anca) sen encia: «É
absu do, po que não espei a A is ó eles, nem os g andes mes es, e az eme na sepul-
u a a ossada do g ande Racine, quando, sem espei o à unidade da acção, en eme e se e
meses do p imei o ao segundo ac o! Pouca e gonha!» (Cas elo B anco, 1925: 401-402).
18 Conco dando com es e p incípio, o esc i o não az apelos à au o idade, embo a
mencione A is ó eles, Ho ácio (que ci a), Longino e c í icos anceses (em pa icula
Boileau, ambém ci ado).
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Re is a Po uguesa de Humanidades
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a i ude equilib ada e de bom senso. Os concei os são de inidos de modo cons-
cien e e su icien emen e abs ac o pa a se ap oxima em da ambiguidade. Além
do mais, de ini poe a (e poesia) é da a de inição do «inde iní el» (Cas elo
B anco, 1969: 89-90), e medi o «me ecimen o da poesia» (Cas elo B anco, 1969:
96) é a alia nela « ês p eciosas qualidades: p imo de linguagem, conhecimen o
do co ação, e ele ada iloso ia, […] ão ele ada que a pe sonalidade do au o desa-
pa eça nela, e ique a humanidade» (Cas elo B anco, 1969: 97). Des e modo, al
como a Poé ica de A is ó eles, Camilo a ibui à poesia as qualidades de se ilo-
só ica (po que ela a «o que pode ia acon ece ») e de exp essa o uni e sal, ao
con á io da his ó ia (1451b), com a di e ença de que o omancis a en ende que,
pela linguagem, o poe a pode aze a ansposição en e ambos, ans o mando
um caso pessoal numa exp essão empá ica a odos os lei o es, ques ão que eme e
pa a a unção e u ilidade da poesia, cen al na eo ia camiliana.
Ao longo dos Esboços de Ap eciações Li e á ias, o alo ex alinguís ico
da poesia ap esen a-se sob ês di e en es pe spec i as, oscilando en e ex emos
opos os. Se num ex o de 1860, logo a segui a anuncia que «Ama a a e pela
a e é u opia», Camilo (Cas elo B anco, 1969: 136-137) não econhece qualque
u ilidade ao poe a, qua o anos an es, de ende a que a unção da poesia é «da
con o o à mágoa alheia» (Cas elo B anco, 1969: 110), suges ão que se elaciona
com o concei o a is o élico de ca a se, que, na agédia, se alcança «po meio da
compaixão e do e o » (1449b). Excedendo os objec i os delec a e, mo e e e
doce e ho acianos (A e Poé ica, . 333-334), Camilo Cas elo B anco comple a,
em 1863, uma en a i a de a ibui alo à li e a u a quando, a p opósi o das
Lág imas e Tesou os, de Rebelo da Sil a, decla a: «pa a aqueles [lei o es] que
não cho a em […] es am ainda os esou os de linguagem, de al os pensamen os e
de p o unda mo alização» (Cas elo B anco, 1969: 244).
Po conseguin e, a mo alização ecoloca o a gumen o do lado do lei o e
da ecepção da ob a, alo izando-a no plano da é ica um dos p incipais aços
da poé ica do classicismo19, ao mesmo empo que e oma duas p op iedades há
pouco ixadas pa a a poesia: uma es é ica (linguagem) e ou a ilosó ica (pensa-
men os). E é iloso icamen e que p omo e a de as ação dos poemas de Teó ilo
B aga, jun amen e com uma lis a ap eciá el de imp ecisões his ó icas em que
se su p eende um c í ico e udi o mui o bem in o mado. Pa a e i a e os como
es es, o poe a em de e consciência de que a composição li e á ia nasce da
conjugação do sabe com o alen o pessoal, que é po ele di igido. Camilo admi e
19 T a a-se de um dos p incipais aços da poé ica se ecen is a (Sil a, 2000:
527-529), a que Camilo e ou os omân icos o am sensí eis.
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«O que en ão conscienciosamen e esc e i»: Camilo Cas elo B anco sob e a c í ica de poesia
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