Sé gio Campos Ma os & Ma ia Isabel João (o gs.)
HISTORIOGRAFIA E RES PUBLICA
Lisboa
Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa
Cen o de Es udos das Mig ações e das Relações In e cul u ais da Uni e sidade Abe a
2017
Sé gio Campos Ma os & Ma ia Isabel João (o gs.)
NOS DOIS ÚLTIMOS SÉCULOS
Tí ulo | Ti le
His o iog a ia e Res Publica
Nos dois úl imos séculos
Di ecção da Colecção | Se ies Edi o s
Sé gio Campos Ma os & Co adonga Valdaliso
O ganização | O ganisa ion
Sé gio Campos Ma os & Ma ia Isabel João
Edi o | Edi o
Sé gio Campos Ma os
Assis en es de Edição | Edi o ial Assis an s
Gonçalo Ma os Ramos, Rica do de B i o
Comissão Edi o ial | Edi o ial Boa d
Luís Filipe Ba e o, Valdei A aújo
Capa | F on co e
De alhe da ep esen ação da Di ina Comédia de Dan e Alighie i. Almada Neg ei os, 1961. Pó ico da en ada da
Faculdade de Le as. A e pa ie al, g a u as incisas colo idas sob e pa ede e es ida a can a ia de calcá io, Faculdade
de Le as da Uni e sidade de Lisboa. Fo og a ia de A mando No e.
F on ispício | F on ispiece
De alhe de Cabeça Mecânica (O Espí i o da Nossa E a). Raoul Hausmann, c. 1920. Mon agem. Pa is, Musée Na ional
d’A Mode ne, Cen e Pompidou.
Con a-capa | Backco e
Musa (Clio?) lendo um uolumen. Pin o de Klügmann, c. 435-425 BCE (Beócia?). Leky hos, ce âmica á ica de igu as
e melhas, Museu do Lou e, CA 220.
His o iog a ia – His ó ia Con empo ânea – Memó ia | 930(469) MAT,S
Edi o a | Publishe
Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa & Cen o de Es udos das Mig ações e das Relações In e cul u ais da
Uni e sidade Abe a | 2017
Concepção G á ica | G aphic Design
B uno Fe nandes
Imp essão G á ica | P in ing Shop
Se sili o-Emp esa G á ica Lda.
ISBN 978-989-8068-22-4
Ti agem 300 exempla es
P.V.P. 15.00€
Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa | Cen e o His o y o he Uni e si y o Lisbon
Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa | School o A s and Humani ies o he Uni e si y o Lisbon
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ÍNDICE
SOBRE A ESCRITA DA HISTÓRIA NOS DOIS ÚLTIMOS SÉCULOS
Sé gio Campos Ma os e Ma ia Isabel João
I – HISTÓRIA, TEMPO, CIDADANIA
O HISTORIADOR NA CIDADE: HISTÓRIA E POLÍTICA
Fe nando Ca oga
HISTOIRE GLOBALE, HISTOIRE NATIONALE?
COMMENT RÉCONCILIER RECHERCHE ET PÉDAGOGIE
Ch is ophe Cha le
AS FORMAS DO PRESENTE.
ENSAIO SOBRE O TEMPO E A ESCRITA DA HISTÓRIA
Temís ocles Ceza
CONTINUIDADES E RUPTURAS HISTORIOGRÁFICAS:
O CASO PORTUGUÊS NUM CONTEXTO PENINSULAR (C.1834 - C.1940)
Sé gio Campos Ma os
II – DIRECÇÕES DE ESTUDO
MODERNIZAÇÃO E BLOQUEIOS:
PROBLEMAS DO DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO
NA MEMÓRIA HISTÓRICA
José Luís Ca doso
A HISTÓRIA SOCIAL EM PORTUGAL (1779-1974)
ESBOÇO DE UM ITINERÁRIO DE PESQUISA
Nuno Gonçalo Mon ei o
ESPIRITUALIDADE E RELIGIÕES:
UNIVERSOS DE MOTIVAÇÃO E DE CRENÇA
An ónio Ma os Fe ei a
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AS MIGRAÇÕES NA HISTORIOGRAFIA PORTUGUESA (1779-1974)
Jo ge Fe nandes Al es
O IMPÉRIO E AS SUAS METAMORFOSES NA HISTORIOGRAFIA
Diogo Ramada Cu o
A HISTORIOGRAFIA NO ÂMBITO DOS ESTUDOS REGIONAIS
Ma ia Isabel João
III – PERIODISMO E HISTÓRIA
HISTÓRIA, OPINIÃO PÚBLICA E PERIODISMO
José Augus o dos San os Al es
DIVULGAR O CONHECIMENTO HISTÓRICO
AS PUBLICAÇÕES COLECTIVAS DA ACL SOB O LIBERALISMO (1820-1851)
Daniel Es udan e P o ásio
O CONTRIBUTO D’O PANORAMA NA DIVULGAÇÃO HISTÓRICA
EM PORTUGAL NO SÉCULO XIX (1837-68)
Rica do de B i o
DIFERENTES CONCEPÇÕES DE HISTÓRIA NA VÉRTICE
DURANTE O ESTADO NOVO (1942-1974)
José de Sousa
OS ARQUIVOS DO CENTRO CULTURAL PORTUGUÊS (1969-1993):
UMA “COLECTÂNEA ERUDITA” AO SERVIÇO DA HISTÓRIA
And eia da Sil a Almeida
A HISTÓRIA DE PORTUGAL NA SEARA NOVA:
A BUSCA NO TEMPO PASSADO PARA A CONSTRUÇÃO
DE UM PRETENDIDO FUTURO
Joaquim Rome o Magalhães
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ciências do homem) e co oe uma é ica da e acidade. O que não é con adi ó io
com o mo imen o de imenso in e esse que o passado despe a, a pa da obsessão
memo ial que a a essa o nosso empo. É que, com o in es imen o nas memó ias,
coexis e nas sociedades hipe mode nas a p odução de esquecimen o em massa . E
a e osão da memó ia sucede a pa de um ecuo das expec a i as dos cidadãos em
p ojec os polí icos sup anacionais e da ea i mação de nacionalismos é nicos que
há algumas décadas a ás pa eciam ado mecidos.
*
O p esen e li o es u u a-se em ês pa es: I. His ó ia, cidadania, empo;
II. Di ecções de es udo e III. Pe iodismo e his ó ia. Em odos eles lidamos com
di e sas escalas de incidência do abalho dos his o iado es - o local, o nacional, o
ansnacional – di e en es empo alidades (embo a mais cen adas nos séculos XIX
e XX), di e en es ângulos de comp eensão dos p oblemas.
A ab i a secção I, uma ques ão cen al como pon o de pa ida: em que
e mos se pode es abelece a elação en e his ó ia e a cidade polí ica ou, po ou as
pala as, como coexis iu a in enção dos his o iado es de busca da e acidade com
a sua in e enção na cidade? Fe nando Ca oga e lec e sob e a unção da his ó ia
nas sociedades, da an iguidade g ega à eme gência da mode nidade, passando
pelas iloso ias da his ó ia c is ãs e a a i mação do mé odo his ó ico- ilológico –
designadamen e no que espei a à elação p esen e-passado- u u o e ao ópico his o ia
magis a i ae. Pe mi e-nos assim ala ga a comp eensão das aízes das polí icas de
memó ia e das his o iog a ias nacionais enquan o ins umen os de consenso social
nos dois úl imos séculos. É que desde a an iguidade, a his o iog a ia nasceu como
a s memo iae, um dos meios de comba e o esquecimen o. Se na polis da adição
clássica a in es igação do passado inha ambém um papel p agmá ico, é ico-cí ico,
na mode nidade ociden al, he dei a des e pa adigma, i iam a e gue -se polí icas
da memó ia e his o iog a ias empenhadas em socializa no os con a os polí icos.
Das e oluções libe ais oi ocen is as à ac ualidade, a his ó ia cen ada na
nação so eu p o undas me amo oses e deslocações. Comp eende-se no en an o
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lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
que no caso ancês es udado po Ch is ophe Cha le, apesa de a his ó ia compa ada
e de a his ó ia global se e em a i mado nas úl imas décadas, ela con inue a ocupa
a esmagado a maio pa e dos his o iado es (em con as e com o que se em
passado no Reino Unido ou nos EUA). Na e dade, nada é linea na a i mação de
pe spec i as ansnacionais e compa adas. Mas não deixa de su p eende o ac o de
se em a as as eses de dou o amen o que em F ança se a en u am nesses sen idos.
Resis ência galocên ica e cons angimen os de um sis ema que impõe p azos
ela i amen e cu os de execução dos abalhos explicam essa si uação. Po ou o
lado, a his ó ia global susci a p oblemas no campo da comunicação pública: como
o na acessí el uma his ó ia “sem on ei a, sem e i ó io, sem c onologia, sem
he óis”, que se a as a des es pa âme os da his ó ia adicional? Como di undi en e
um público médio es a his ó ia global e a his ó ia compa a i a, uma his ó ia que
exige da pa e do lei o conhecimen os mais di e si icados e po ezes imp o á eis?
T a a-se de um desa io exigen e e nada ácil. Tan o mais que nos si uamos num
empo em que o mul icul u alismo e as en a i as de esolução dos p oblemas
humanos de um modo pac uado e à escala global êm so ido o es eacções, como
se se a asse de ameaças a “iden idades” nacionais e idas.
Es amos no con ex o de uma p oblemá ica que ambém se p ende com as
ecen es expe iências do empo, com a elação en e passado e p esen e. Como
bem obse a Temís ocles Ceza , na nossa época, o p esen e é omnip esen e e como
que impõe uma espos a aos his o iado es, a pa i do ex e io à sua disciplina. O
seu ex o é uma e lexão sob e o p esen ismo, con ocando exemplos li e á ios
e a elação dos his o iado es e da sua esc i a com o empo. Se é ce o que há
momen os em que a in e p e ação do passado é sujei a a e isões mais p o undas,
ambém é e dade que na his o iog a ia se ai ope ando um p ocesso cumula i o
em que as con inuidades pa ecem domina . Mas, como lemb a o his o iado
b asilei o, o p esen e é o empo de odos os his o iado es “de qualque época
ou luga ” - comp eende-se assim que, em momen os de in empes i a acele ação
(como ecen emen e no B asil), a esc i a da his ó ia so a p o undas mu ações.
Es as pa ecem po ezes abala em e mos adicais a sua legi imidade enquan o
disciplina au ónoma: caso do linguis ic u n, nos anos 60 - mas a pala a u n em-
se mul iplicado pa a designa mui as ou as i agens his o iog á icas (cul u al u n,
18 his o iog a ia e es publica
memo ial u n, global u n, e c.) num empo ”deso ien ado” em que a p óp ia ac i idade
dos his o iado es se o na omní o a e agmen ada.
O modo como os his o iado es se elacionam com o passado e com
o p esen e pode se obse ado no caso po uguês em dois momen os que se
sucede am a empos de acele ação da expe iência his ó ica, con ocados po
Sé gio Campos Ma os. Esses dois momen os lidos numa pe spec i a das suas
conexões ansnacionais - o de He culano que coincide com a e olução libe al e a
es u u ação de um no o es ado (decénio de 1840) e o momen o do In eg alismo
Lusi ano, de c ise e dis anciação em elação ao modelo libe al (1920/30) – e ela
duas lei u as bem di e sas da mode nidade em que a uma in e p e ação libe al
do passado das nações peninsula es se con apôs, a diamen e mas de um modo
sis emá ico, já no século XX, um cânone adicionalis a. Em conjun u as his ó icas
bem di e enciadas, es u u a am-se dois modos de con i e com a pe da, is o é com
a decadência. Mas em ambas as na a i as há ma cas de inspi ações ansnacionais
e a p esença de uma inspi ação c is ã.
Na secção II – Di ecções de es udo -, o na-se bem e iden e a his o icidade do
abalho his o iog á ico em di e sos campos. Como as p imei as ap oximações
à his ó ia económica emon am em Po ugal aos inais do século XIX pa a já
nos p imei os decénios da cen ú ia seguin e su gi em os p imei os en âmes
de sis ema ização po pa e de au o es hoje quase esquecidos e uma ob a ão
signi ica i a como a de João Lúcio de Aze edo. José Luís Ca doso des aca
depois os con ibu os mais ino ado es de Vi o ino Magalhães Godinho e Jo ge
Bo ges de Macedo, a pa i dos anos 50. No pós-gue a e nos 30 anos de boom de
desen ol imen o, o pon o de is a da his ó ia económica assumia en ão nos países
ociden ais g ande ele ância. Mais len a oi em Po ugal a de inição concep ual de
uma his ó ia social quando domina am a é ão a de – como bem mos a Nuno
Gonçalo Mon ei o - in e p e ações dou iná ias ma cadas po eo ias da decadência
e a de inição de uma “his ó ia popula de Po ugal”, que se podem as ea no
empo longo, sedimen ando-se depois nos séculos XIX e XX nas na a i as
libe al, epublicana e ma xis a. Des aque-se a es e espei o a ideia de que e ia sido
o po o (ca ego ia não a o abs ac a e oscilan e, é bom lemb a ) a comanda os
g andes momen os de ans o mação his ó ica, especialmen e na esis ência aos
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lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
inimigos ex e nos, enquan o os g upos dominan es se e iam bandeado com o
es angei o. Nou o ângulo de lei u a, pe cebe-se como a uma his ó ia das eligiões
que alo iza a as ins i uições (caso da Ig eja ca ólica e os seus digni á ios) endeu
mais ecen emen e a da luga a uma his ó ia eligiosa que en ol e o humano
na sua complexidade social, men al, simbólica e nas suas dinâmicas p óp ias.
Ou o e eno? Não necessa iamen e: como escla ece An ónio Ma os Fe ei a,
espi i ualidades e eligiões, po si só, podem não se su icien es pa a cap a a
“his o icidade de mui as sociedades e cul u as”. Comp eende-se pois que a his ó ia
eligiosa seja indissociá el da his ó ia social. E que o pon o de is a ins i ucional
seja insu icien e pa a conhece em p o undidade os p oblemas que dizem espei o
às eligiões num sen ido amplo. Não menos ecen e é o in e esse dos his o iado es
po ugueses pelo es udo da emá ica das mig ações, como mos a Jo ge Fe nandes
Al es: com a as excepções como He culano ou Oli ei a Ma ins, ela emon a aos
anos 70 (a é aí mobiliza a maio a enção de ou as ciências humanas), quando
os compo amen os demog á icos despe a am o in e esse dos his o iado es em
Po ugal e no es angei o. Pe co endo os abalhos que emon am à Academia das
Ciências, nos inais do século XVIII é pa en e a mobilização de di e en es modos
de designa o mesmo enómeno: emig an es, colonos, emig a , expa ia -se, emig ação, que
e iden emen e não êm odos os mesmos sen idos (no e-se, a p opósi o, que em
á ios dos ex os que se incluem nes e li o é bem e iden e a a enção con e ida a
uma concep ualização que pe mi e po ezes cap a o alidades uni á ias: ci ilização,
nação, aça, p og esso, decadência). Ou a emá ica – a do impé io e da colonização
po uguesa -, oi ao in és da an e io , mui o esquecida du an e os decénios que
se segui am à e olução de 1974-75, essu gindo desde inais do século passado,
ul apassada que oi uma ce a má consciência do passado nes e campo. Cen ando-
se nos anos 40, a pa i de uma ma can e e lexão c í ica de Vi o ino Magalhães
Godinho – Comemo ações e his ó ia, 1947 -, Diogo Ramada Cu o, p opõe-nos uma
incu são sob e as on es – pe iódicos, e colec âneas documen ais publicadas
nessa época -, conside ando ambém algumas das ins i uições cujo es udo se á
indispensá el pa a ca ac e iza a his o iog a ia que se dedicou ao impé io. A ence a
es a secção, adop ando um concei o la o de his o iog a ia e conside ando di e sas
escalas, Ma ia Isabel João dá-nos um balanço c í ico de um campo de es udos que,
20 his o iog a ia e es publica
desde meados do século XIX (mas sem esquece os seus an eceden es), oi sendo
in ensamen e cul i ado po amado es e e udi os locais e, mais ecen emen e, po
his o iado es p o issionais: os ão a iados es udos egionais e locais.
Tendo em con a o luga cen al que an as ezes i e am os pe iódicos na
a i mação dos his o iado es, nos deba es públicos, na di ulgação cien í ica e, não
menos ele an e, na cons ução da cidadania, a secção III - Pe iodismo e his ó ia -
inclui uma e lexão ge al sob e o ema assen e no conhecimen o da imp ensa da
p imei a me ade de Oi ocen os, a ca go de José dos San os Al es. Numa época
em que se en iquece ex ao dina iamen e o “me cado da comunicação e da
in o mação”, ab indo-se a es e a pública a ca ego ias sociais que ul apassam meios
mais es i os bu gueses e a is oc á icos, a i ma a-se a au onomia de uma é ica e
de uma es é ica c í icas em elação aos pode es. Nesse pe iodismo a his ó ia ocupa
luga p oeminen e ao se iço de múl iplos usos es a égicos, enquan o ins umen o
pedagógico, con ocando acon ecimen os passados, jus i icando si uações polí icas
no p esen e, anunciando u u os.
Seguem-se di e sos es udos monog á icos sob e pe iódicos gene alis as em
que a his ó ia e e unção cogni i a e o ma i a de g ande ele ância, a começa
po uma análise das sé ies de publicações colec i as da Academia das Ciências
de Lisboa sob as p imei as décadas do egime o libe al (1820-1851), da au o ia
de Daniel Es udan e P o ásio, que deixa cla a a unção decisi a que e e es a
ins i uição, num empo em que a disciplina de His ó ia não exis ia ainda de um
modo au ónomo na Uni e sidade de Coimb a. En e os mais ma can es pe iódicos
po ugueses que con ibuí am pa a a eno ação da paisagem edi o ial no Po ugal
de Oi ocen os, O Pano ama, a e is a undada po He culano e ligada à Sociedade
P opagado a dos Conhecimen os Ú eis, inspi ada num modelo publicado em
Ingla e a, i ia a ma ca á ios ou os pe iódicos po ugueses - no a Rica do B i o.
Um século mais a de, já em plena Gue a Mundial (1942), Vé ice, como mos a
José de Sousa, da ia a conhece no as p opos as me odológicas e concep uais – ao
in és do que pode ia supo -se nem semp e con e gen es - de his o iado es que
e am ambém oposicionis as do Es ado No o. Já os A qui os do Cen o Cul u al
Po uguês (1969-1993), uma publicação ligada à Fundação Calous e Gulbenkian e
undada po Joaquim Ve íssimo Se ão, de am a conhece es udos de his o iado es
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lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
po ugueses e lusi anis as es angei os, con ibuindo, desde os inais do Es ado
No o pa a a in e nacionalização dos es udos sob e Po ugal, com mos a And eia
da Sil a Almeida. Las bu no leas , Joaquim Rome o Magalhães e ela como a
his ó ia ocupou um luga des acado nos p imei os empos da Sea a No a (1921-
1930) sob e udo em ex os de An ónio Sé gio e de Jaime Co esão, o p imei o
num egis o ensaís ico, o segundo dando já a conhece os seus p imei os abalhos
de in es igação no campo da his ó ia dos descob imen os e sob e a “ o mação
democ á ica de Po ugal”.
*
A cons ução do Dicioná io de His o iado es Po ugueses (1779-1974) [h p://dichp.
bnpo ugal.p /index.h m], publicado na página digi al da BNP, p ojec o edi o ial
que já con a mais de 150 en adas on line, le ou-nos a oma inicia i a conexa de,
pe iodicamen e, e no âmbi o dos abalhos do g upo de in es igação Usos do Passado
do Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa, com a colabo ação do CEMRI,
o ganiza seminá ios in e nacionais em que se o am dando a conhece es udos
desen ol idos nes a á ea: His ó ia, Memó ia e His o iog a ia (Janei o de 2011), Faces
de Mudança - His o iog a ia e His o iado es em Po ugal no século XX (Ab il de 2012),
ambos na Uni e sidade de Lisboa e, em colabo ação com o Núcleo de Es udos em
His ó ia da His o iog a ia e Mode nidade da Uni e sidade Fede al de Ou o P e o),
Discu so his ó ico e polí ica: pe spec i as luso-b asilei as (Julho de 2015). E mais ecen emen e
(P ima e a de 2017), Passados p óximos. Memó ia e His ó ia.
Na Biblio eca Nacional de Po ugal, e e luga o encon o His o iog a ia e
Res publica - a esc i a da his ó ia nos dois úl imos séculos (Ab il de 2014), em que se
insc e e am os emas dos ex os ago a eunidos. Visou-se en ão ap o unda o
conhecimen o ace ca das his o iog a ias e dos his o iado es dos séculos XIX e
XX na sua elação com o espaço público e a cidadania, p oblema iza a sua unção
social e cul u al, endo em a enção os empos e luga es em que p oduzi am as
suas ob as; cons ui balanços c í icos sec o iais sob e a his o iog a ia e a cul u a
his ó ica po uguesas, dos p oblemas económicos à dimensão eligiosa passando
22 his o iog a ia e es publica
pela his ó ia social, a his ó ia do Impé io, do pe iodismo e opinião pública, e c.
Tudo is o endo em conside ação as elações ansnacionais, os modos de ecepção
de deba es his ó icos além- on ei as, os luga es e edes de his o iado es e a o ma
como nas suas esc i as, da e olução libe al à ac ualidade, se es u u a am olha es
sob e Po ugal na sua elação com ou os po os. Também nos p opusemos e isi a
ópicos-cha e que se i am de supo e à his o iog a ia, ais como: nação, Impé io,
po o, aça, e olução, decadência, a aso ou subdesen ol imen o - bem como os p econcei os
que condiciona am o discu so sob e a ans o mação social. O es udo dos modos
como no passado se ez his ó ia é da maio ele ância pa a ponde a os caminhos
possí eis da disciplina, no p esen e no u u o.
Nes e empo ma cado pela p essão do imedia o, pelo excesso de in o mação
e desin o mação, excesso de c ise e de sen imen o de c ise, excesso de uído, excesso
de publicações de odo o ipo, um p odu i ismo que sob e alo iza a quan idade
em de imen o da qualidade, p o usão de índices de cu o p azo de desempenho
económico e inancei o, com que somos con on ados no dia-a-dia, con aminação
do ocabulá io das ciências humanas pela língua de pau da polí ica e dos negócios
(emp eendedo ismo, excelência, ala ancagem, compe i idade [sic], e an os ou os exemplos
pode íamos da ), a dimensão his ó ica in oduz um e ei o de necessá ia e salu a
dis anciação e ela i ização. É ce o que a his ó ia con inua á (como semp e oi)
a se ins umen alizada pa a ins polí icos e de p opaganda, de um sinal ou ou o.
Mas o es udo da his o iog a ia mos a-nos que semp e hou e quem cul i asse uma
his ó ia do ada de espessu a c í ica. Em úl ima análise, a iagem en e os di e sos
egis os his o iog á icos depende da quali icação dos seus lei o es.
Ag adecemos à Biblio eca Nacional de Po ugal na pessoa da sua di ec o a,
Dou o a Ma ia Inês Co dei o, o apoio que semp e deu às nossas inicia i as, e aos
comen ado es de algumas das con e ências ap esen adas no e e ido seminá io - os
p o esso es Jaime Reis, Fá ima Sá e Melo Fe ei a, José Damião Rod igues, Tiago
Pi es Ma ques e Jo ge Macaís a Malhei os – a aliosa colabo ação c í ica. E ao José
Guedes de Sousa e ao Rica do de B i o a aliosa ajuda.
Sé gio Campos Ma os
Ma ia Isabel João
Maio de 2016 – Fe e ei o de 2017