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Introdução

Matos, Sérgio Campos,João, Maria Isabel

Abstract

Em contacto com as suas congéneres europeias e muito marcada pela herança clássica e cristã, a historiografia portuguesa foi até meados do século XX um campo privilegiado de expressão de concepções organicistas, centradas na dicotomia progresso e outros pré-conceitos que têm permeado os discursos sobre a transformação social. Historiadores liberais e positivistas de diversos matizes contribuíram para acentuar estes enfoques. Foram-se entretanto afirmando visões críticas do evolucionismo, assinalando-se continuidades mas também rupturas, diferentes expressões de resistência ao positivismo, mediante um debate transdisciplinar que envolveu abertura a outras ciências humanas e múltiplas orientações teóricas: Annales, interpretações marxistas, estruturalismo, linguistic-turn. Pretende-se nesta obra alargar o conhecimento acerca das historiografias e dos historiadores dos séculos XIX e XX - sem esquecer os seus antecedentes e tendências recentes como a história global - nas suas relações com o espaço público e a cidadania, problematizar a sua função social e cultural, tendo em atenção as relações transnacionais e os contextos em que produziram as suas obras. A partir de tópicos-chave, tecem-se balanços críticos sectoriais sobre a historiografia portuguesa, os modos de recepção de debates históricos internacionais, o lugar dos historiadores e a forma como nas suas escritas, da Revolução liberal à actualidade, se estruturaram olhares sobre Portugal na sua relação com outros povos. Em que medida presente e futuro condicionaram a construção social do passado? Qual o horizonte diferencial que os historiadores reconheceram ao passado? Como lidaram com a aceleração das experiências do tempo?

Full text

Sé gio Campos Ma os & Ma ia Isabel João (o gs.) HISTORIOGRAFIA E RES PUBLICA Lisboa Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa Cen o de Es udos das Mig ações e das Relações In e cul u ais da Uni e sidade Abe a 2017 Sé gio Campos Ma os & Ma ia Isabel João (o gs.) NOS DOIS ÚLTIMOS SÉCULOS Tí ulo | Ti le His o iog a ia e Res Publica Nos dois úl imos séculos Di ecção da Colecção | Se ies Edi o s Sé gio Campos Ma os & Co adonga Valdaliso O ganização | O ganisa ion Sé gio Campos Ma os & Ma ia Isabel João Edi o | Edi o Sé gio Campos Ma os Assis en es de Edição | Edi o ial Assis an s Gonçalo Ma os Ramos, Rica do de B i o Comissão Edi o ial | Edi o ial Boa d Luís Filipe Ba e o, Valdei A aújo Capa | F on co e De alhe da ep esen ação da Di ina Comédia de Dan e Alighie i. Almada Neg ei os, 1961. Pó ico da en ada da Faculdade de Le as. A e pa ie al, g a u as incisas colo idas sob e pa ede e es ida a can a ia de calcá io, Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa. Fo og a ia de A mando No e. F on ispício | F on ispiece De alhe de Cabeça Mecânica (O Espí i o da Nossa E a). Raoul Hausmann, c. 1920. Mon agem. Pa is, Musée Na ional d’A Mode ne, Cen e Pompidou. Con a-capa | Backco e Musa (Clio?) lendo um uolumen. Pin o de Klügmann, c. 435-425 BCE (Beócia?). Leky hos, ce âmica á ica de igu as e melhas, Museu do Lou e, CA 220. His o iog a ia – His ó ia Con empo ânea – Memó ia | 930(469) MAT,S Edi o a | Publishe Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa & Cen o de Es udos das Mig ações e das Relações In e cul u ais da Uni e sidade Abe a | 2017 Concepção G á ica | G aphic Design B uno Fe nandes Imp essão G á ica | P in ing Shop Se sili o-Emp esa G á ica Lda. ISBN 978-989-8068-22-4 Ti agem 300 exempla es P.V.P. 15.00€ Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa | Cen e o His o y o he Uni e si y o Lisbon Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa | School o A s and Humani ies o he Uni e si y o Lisbon Cidade Uni e si á ia - Alameda da Uni e sidade,1600-214 LISBOA / PORTUGAL Tel.: (+351) 21 792 00 00 (Ex ension: 11610) | Fax: (+351) 21 796 00 63 URL: h p://www.cen odehis o ia- lul.com This wo k is unded by na ional unds h ough FCT – Founda ion o Science and Technology, unde p ojec UID/HIS/04311/2013 and p ojec PEST-OE/SADG/UI0289/2014. This wo k is licensed unde he C ea i e Commons A ibu ion-NonComme cial 4.0 In e na ional License. To iew a copy o his license, isi h p://c ea i ecommons.o g/ licenses/by-nc/4.0/ o send a le e o C ea i e Commons, PO Box 1866, Moun ain View, CA 94042, USA. Copy igh o au ho s and edi o s emain as ese ed acco ding o he a o e- men ioned license and complying wi h he FCT di ec i e “Polí ica sob e Acesso Abe o a Publicações Cien i icas esul an es de P ojec os de I&D Financiados pela FCT (05/05/2014)”. ÍNDICE SOBRE A ESCRITA DA HISTÓRIA NOS DOIS ÚLTIMOS SÉCULOS Sé gio Campos Ma os e Ma ia Isabel João I – HISTÓRIA, TEMPO, CIDADANIA O HISTORIADOR NA CIDADE: HISTÓRIA E POLÍTICA Fe nando Ca oga HISTOIRE GLOBALE, HISTOIRE NATIONALE? COMMENT RÉCONCILIER RECHERCHE ET PÉDAGOGIE Ch is ophe Cha le AS FORMAS DO PRESENTE. ENSAIO SOBRE O TEMPO E A ESCRITA DA HISTÓRIA Temís ocles Ceza CONTINUIDADES E RUPTURAS HISTORIOGRÁFICAS: O CASO PORTUGUÊS NUM CONTEXTO PENINSULAR (C.1834 - C.1940) Sé gio Campos Ma os II – DIRECÇÕES DE ESTUDO MODERNIZAÇÃO E BLOQUEIOS: PROBLEMAS DO DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO NA MEMÓRIA HISTÓRICA José Luís Ca doso A HISTÓRIA SOCIAL EM PORTUGAL (1779-1974) ESBOÇO DE UM ITINERÁRIO DE PESQUISA Nuno Gonçalo Mon ei o ESPIRITUALIDADE E RELIGIÕES: UNIVERSOS DE MOTIVAÇÃO E DE CRENÇA An ónio Ma os Fe ei a 11 25 27 89 115 131 161 163 183 203 AS MIGRAÇÕES NA HISTORIOGRAFIA PORTUGUESA (1779-1974) Jo ge Fe nandes Al es O IMPÉRIO E AS SUAS METAMORFOSES NA HISTORIOGRAFIA Diogo Ramada Cu o A HISTORIOGRAFIA NO ÂMBITO DOS ESTUDOS REGIONAIS Ma ia Isabel João III – PERIODISMO E HISTÓRIA HISTÓRIA, OPINIÃO PÚBLICA E PERIODISMO José Augus o dos San os Al es DIVULGAR O CONHECIMENTO HISTÓRICO AS PUBLICAÇÕES COLECTIVAS DA ACL SOB O LIBERALISMO (1820-1851) Daniel Es udan e P o ásio O CONTRIBUTO D’O PANORAMA NA DIVULGAÇÃO HISTÓRICA EM PORTUGAL NO SÉCULO XIX (1837-68) Rica do de B i o DIFERENTES CONCEPÇÕES DE HISTÓRIA NA VÉRTICE DURANTE O ESTADO NOVO (1942-1974) José de Sousa OS ARQUIVOS DO CENTRO CULTURAL PORTUGUÊS (1969-1993): UMA “COLECTÂNEA ERUDITA” AO SERVIÇO DA HISTÓRIA And eia da Sil a Almeida A HISTÓRIA DE PORTUGAL NA SEARA NOVA: A BUSCA NO TEMPO PASSADO PARA A CONSTRUÇÃO DE UM PRETENDIDO FUTURO Joaquim Rome o Magalhães 217 241 253 283 285 309 337 355 375 403 16 his o iog a ia e es publica ciências do homem) e co oe uma é ica da e acidade. O que não é con adi ó io com o mo imen o de imenso in e esse que o passado despe a, a pa da obsessão memo ial que a a essa o nosso empo. É que, com o in es imen o nas memó ias, coexis e nas sociedades hipe mode nas a p odução de esquecimen o em massa . E a e osão da memó ia sucede a pa de um ecuo das expec a i as dos cidadãos em p ojec os polí icos sup anacionais e da ea i mação de nacionalismos é nicos que há algumas décadas a ás pa eciam ado mecidos. * O p esen e li o es u u a-se em ês pa es: I. His ó ia, cidadania, empo; II. Di ecções de es udo e III. Pe iodismo e his ó ia. Em odos eles lidamos com di e sas escalas de incidência do abalho dos his o iado es - o local, o nacional, o ansnacional – di e en es empo alidades (embo a mais cen adas nos séculos XIX e XX), di e en es ângulos de comp eensão dos p oblemas. A ab i a secção I, uma ques ão cen al como pon o de pa ida: em que e mos se pode es abelece a elação en e his ó ia e a cidade polí ica ou, po ou as pala as, como coexis iu a in enção dos his o iado es de busca da e acidade com a sua in e enção na cidade? Fe nando Ca oga e lec e sob e a unção da his ó ia nas sociedades, da an iguidade g ega à eme gência da mode nidade, passando pelas iloso ias da his ó ia c is ãs e a a i mação do mé odo his ó ico- ilológico – designadamen e no que espei a à elação p esen e-passado- u u o e ao ópico his o ia magis a i ae. Pe mi e-nos assim ala ga a comp eensão das aízes das polí icas de memó ia e das his o iog a ias nacionais enquan o ins umen os de consenso social nos dois úl imos séculos. É que desde a an iguidade, a his o iog a ia nasceu como a s memo iae, um dos meios de comba e o esquecimen o. Se na polis da adição clássica a in es igação do passado inha ambém um papel p agmá ico, é ico-cí ico, na mode nidade ociden al, he dei a des e pa adigma, i iam a e gue -se polí icas da memó ia e his o iog a ias empenhadas em socializa no os con a os polí icos. Das e oluções libe ais oi ocen is as à ac ualidade, a his ó ia cen ada na nação so eu p o undas me amo oses e deslocações. Comp eende-se no en an o 17 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica que no caso ancês es udado po Ch is ophe Cha le, apesa de a his ó ia compa ada e de a his ó ia global se e em a i mado nas úl imas décadas, ela con inue a ocupa a esmagado a maio pa e dos his o iado es (em con as e com o que se em passado no Reino Unido ou nos EUA). Na e dade, nada é linea na a i mação de pe spec i as ansnacionais e compa adas. Mas não deixa de su p eende o ac o de se em a as as eses de dou o amen o que em F ança se a en u am nesses sen idos. Resis ência galocên ica e cons angimen os de um sis ema que impõe p azos ela i amen e cu os de execução dos abalhos explicam essa si uação. Po ou o lado, a his ó ia global susci a p oblemas no campo da comunicação pública: como o na acessí el uma his ó ia “sem on ei a, sem e i ó io, sem c onologia, sem he óis”, que se a as a des es pa âme os da his ó ia adicional? Como di undi en e um público médio es a his ó ia global e a his ó ia compa a i a, uma his ó ia que exige da pa e do lei o conhecimen os mais di e si icados e po ezes imp o á eis? T a a-se de um desa io exigen e e nada ácil. Tan o mais que nos si uamos num empo em que o mul icul u alismo e as en a i as de esolução dos p oblemas humanos de um modo pac uado e à escala global êm so ido o es eacções, como se se a asse de ameaças a “iden idades” nacionais e idas. Es amos no con ex o de uma p oblemá ica que ambém se p ende com as ecen es expe iências do empo, com a elação en e passado e p esen e. Como bem obse a Temís ocles Ceza , na nossa época, o p esen e é omnip esen e e como que impõe uma espos a aos his o iado es, a pa i do ex e io à sua disciplina. O seu ex o é uma e lexão sob e o p esen ismo, con ocando exemplos li e á ios e a elação dos his o iado es e da sua esc i a com o empo. Se é ce o que há momen os em que a in e p e ação do passado é sujei a a e isões mais p o undas, ambém é e dade que na his o iog a ia se ai ope ando um p ocesso cumula i o em que as con inuidades pa ecem domina . Mas, como lemb a o his o iado b asilei o, o p esen e é o empo de odos os his o iado es “de qualque época ou luga ” - comp eende-se assim que, em momen os de in empes i a acele ação (como ecen emen e no B asil), a esc i a da his ó ia so a p o undas mu ações. Es as pa ecem po ezes abala em e mos adicais a sua legi imidade enquan o disciplina au ónoma: caso do linguis ic u n, nos anos 60 - mas a pala a u n em- se mul iplicado pa a designa mui as ou as i agens his o iog á icas (cul u al u n, 18 his o iog a ia e es publica memo ial u n, global u n, e c.) num empo ”deso ien ado” em que a p óp ia ac i idade dos his o iado es se o na omní o a e agmen ada. O modo como os his o iado es se elacionam com o passado e com o p esen e pode se obse ado no caso po uguês em dois momen os que se sucede am a empos de acele ação da expe iência his ó ica, con ocados po Sé gio Campos Ma os. Esses dois momen os lidos numa pe spec i a das suas conexões ansnacionais - o de He culano que coincide com a e olução libe al e a es u u ação de um no o es ado (decénio de 1840) e o momen o do In eg alismo Lusi ano, de c ise e dis anciação em elação ao modelo libe al (1920/30) – e ela duas lei u as bem di e sas da mode nidade em que a uma in e p e ação libe al do passado das nações peninsula es se con apôs, a diamen e mas de um modo sis emá ico, já no século XX, um cânone adicionalis a. Em conjun u as his ó icas bem di e enciadas, es u u a am-se dois modos de con i e com a pe da, is o é com a decadência. Mas em ambas as na a i as há ma cas de inspi ações ansnacionais e a p esença de uma inspi ação c is ã. Na secção II – Di ecções de es udo -, o na-se bem e iden e a his o icidade do abalho his o iog á ico em di e sos campos. Como as p imei as ap oximações à his ó ia económica emon am em Po ugal aos inais do século XIX pa a já nos p imei os decénios da cen ú ia seguin e su gi em os p imei os en âmes de sis ema ização po pa e de au o es hoje quase esquecidos e uma ob a ão signi ica i a como a de João Lúcio de Aze edo. José Luís Ca doso des aca depois os con ibu os mais ino ado es de Vi o ino Magalhães Godinho e Jo ge Bo ges de Macedo, a pa i dos anos 50. No pós-gue a e nos 30 anos de boom de desen ol imen o, o pon o de is a da his ó ia económica assumia en ão nos países ociden ais g ande ele ância. Mais len a oi em Po ugal a de inição concep ual de uma his ó ia social quando domina am a é ão a de – como bem mos a Nuno Gonçalo Mon ei o - in e p e ações dou iná ias ma cadas po eo ias da decadência e a de inição de uma “his ó ia popula de Po ugal”, que se podem as ea no empo longo, sedimen ando-se depois nos séculos XIX e XX nas na a i as libe al, epublicana e ma xis a. Des aque-se a es e espei o a ideia de que e ia sido o po o (ca ego ia não a o abs ac a e oscilan e, é bom lemb a ) a comanda os g andes momen os de ans o mação his ó ica, especialmen e na esis ência aos 19 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica inimigos ex e nos, enquan o os g upos dominan es se e iam bandeado com o es angei o. Nou o ângulo de lei u a, pe cebe-se como a uma his ó ia das eligiões que alo iza a as ins i uições (caso da Ig eja ca ólica e os seus digni á ios) endeu mais ecen emen e a da luga a uma his ó ia eligiosa que en ol e o humano na sua complexidade social, men al, simbólica e nas suas dinâmicas p óp ias. Ou o e eno? Não necessa iamen e: como escla ece An ónio Ma os Fe ei a, espi i ualidades e eligiões, po si só, podem não se su icien es pa a cap a a “his o icidade de mui as sociedades e cul u as”. Comp eende-se pois que a his ó ia eligiosa seja indissociá el da his ó ia social. E que o pon o de is a ins i ucional seja insu icien e pa a conhece em p o undidade os p oblemas que dizem espei o às eligiões num sen ido amplo. Não menos ecen e é o in e esse dos his o iado es po ugueses pelo es udo da emá ica das mig ações, como mos a Jo ge Fe nandes Al es: com a as excepções como He culano ou Oli ei a Ma ins, ela emon a aos anos 70 (a é aí mobiliza a maio a enção de ou as ciências humanas), quando os compo amen os demog á icos despe a am o in e esse dos his o iado es em Po ugal e no es angei o. Pe co endo os abalhos que emon am à Academia das Ciências, nos inais do século XVIII é pa en e a mobilização de di e en es modos de designa o mesmo enómeno: emig an es, colonos, emig a , expa ia -se, emig ação, que e iden emen e não êm odos os mesmos sen idos (no e-se, a p opósi o, que em á ios dos ex os que se incluem nes e li o é bem e iden e a a enção con e ida a uma concep ualização que pe mi e po ezes cap a o alidades uni á ias: ci ilização, nação, aça, p og esso, decadência). Ou a emá ica – a do impé io e da colonização po uguesa -, oi ao in és da an e io , mui o esquecida du an e os decénios que se segui am à e olução de 1974-75, essu gindo desde inais do século passado, ul apassada que oi uma ce a má consciência do passado nes e campo. Cen ando- se nos anos 40, a pa i de uma ma can e e lexão c í ica de Vi o ino Magalhães Godinho – Comemo ações e his ó ia, 1947 -, Diogo Ramada Cu o, p opõe-nos uma incu são sob e as on es – pe iódicos, e colec âneas documen ais publicadas nessa época -, conside ando ambém algumas das ins i uições cujo es udo se á indispensá el pa a ca ac e iza a his o iog a ia que se dedicou ao impé io. A ence a es a secção, adop ando um concei o la o de his o iog a ia e conside ando di e sas escalas, Ma ia Isabel João dá-nos um balanço c í ico de um campo de es udos que, 20 his o iog a ia e es publica desde meados do século XIX (mas sem esquece os seus an eceden es), oi sendo in ensamen e cul i ado po amado es e e udi os locais e, mais ecen emen e, po his o iado es p o issionais: os ão a iados es udos egionais e locais. Tendo em con a o luga cen al que an as ezes i e am os pe iódicos na a i mação dos his o iado es, nos deba es públicos, na di ulgação cien í ica e, não menos ele an e, na cons ução da cidadania, a secção III - Pe iodismo e his ó ia - inclui uma e lexão ge al sob e o ema assen e no conhecimen o da imp ensa da p imei a me ade de Oi ocen os, a ca go de José dos San os Al es. Numa época em que se en iquece ex ao dina iamen e o “me cado da comunicação e da in o mação”, ab indo-se a es e a pública a ca ego ias sociais que ul apassam meios mais es i os bu gueses e a is oc á icos, a i ma a-se a au onomia de uma é ica e de uma es é ica c í icas em elação aos pode es. Nesse pe iodismo a his ó ia ocupa luga p oeminen e ao se iço de múl iplos usos es a égicos, enquan o ins umen o pedagógico, con ocando acon ecimen os passados, jus i icando si uações polí icas no p esen e, anunciando u u os. Seguem-se di e sos es udos monog á icos sob e pe iódicos gene alis as em que a his ó ia e e unção cogni i a e o ma i a de g ande ele ância, a começa po uma análise das sé ies de publicações colec i as da Academia das Ciências de Lisboa sob as p imei as décadas do egime o libe al (1820-1851), da au o ia de Daniel Es udan e P o ásio, que deixa cla a a unção decisi a que e e es a ins i uição, num empo em que a disciplina de His ó ia não exis ia ainda de um modo au ónomo na Uni e sidade de Coimb a. En e os mais ma can es pe iódicos po ugueses que con ibuí am pa a a eno ação da paisagem edi o ial no Po ugal de Oi ocen os, O Pano ama, a e is a undada po He culano e ligada à Sociedade P opagado a dos Conhecimen os Ú eis, inspi ada num modelo publicado em Ingla e a, i ia a ma ca á ios ou os pe iódicos po ugueses - no a Rica do B i o. Um século mais a de, já em plena Gue a Mundial (1942), Vé ice, como mos a José de Sousa, da ia a conhece no as p opos as me odológicas e concep uais – ao in és do que pode ia supo -se nem semp e con e gen es - de his o iado es que e am ambém oposicionis as do Es ado No o. Já os A qui os do Cen o Cul u al Po uguês (1969-1993), uma publicação ligada à Fundação Calous e Gulbenkian e undada po Joaquim Ve íssimo Se ão, de am a conhece es udos de his o iado es 21 lisbon his o ical s udies | his o iog aphica po ugueses e lusi anis as es angei os, con ibuindo, desde os inais do Es ado No o pa a a in e nacionalização dos es udos sob e Po ugal, com mos a And eia da Sil a Almeida. Las bu no leas , Joaquim Rome o Magalhães e ela como a his ó ia ocupou um luga des acado nos p imei os empos da Sea a No a (1921- 1930) sob e udo em ex os de An ónio Sé gio e de Jaime Co esão, o p imei o num egis o ensaís ico, o segundo dando já a conhece os seus p imei os abalhos de in es igação no campo da his ó ia dos descob imen os e sob e a “ o mação democ á ica de Po ugal”. * A cons ução do Dicioná io de His o iado es Po ugueses (1779-1974) [h p://dichp. bnpo ugal.p /index.h m], publicado na página digi al da BNP, p ojec o edi o ial que já con a mais de 150 en adas on line, le ou-nos a oma inicia i a conexa de, pe iodicamen e, e no âmbi o dos abalhos do g upo de in es igação Usos do Passado do Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa, com a colabo ação do CEMRI, o ganiza seminá ios in e nacionais em que se o am dando a conhece es udos desen ol idos nes a á ea: His ó ia, Memó ia e His o iog a ia (Janei o de 2011), Faces de Mudança - His o iog a ia e His o iado es em Po ugal no século XX (Ab il de 2012), ambos na Uni e sidade de Lisboa e, em colabo ação com o Núcleo de Es udos em His ó ia da His o iog a ia e Mode nidade da Uni e sidade Fede al de Ou o P e o), Discu so his ó ico e polí ica: pe spec i as luso-b asilei as (Julho de 2015). E mais ecen emen e (P ima e a de 2017), Passados p óximos. Memó ia e His ó ia. Na Biblio eca Nacional de Po ugal, e e luga o encon o His o iog a ia e Res publica - a esc i a da his ó ia nos dois úl imos séculos (Ab il de 2014), em que se insc e e am os emas dos ex os ago a eunidos. Visou-se en ão ap o unda o conhecimen o ace ca das his o iog a ias e dos his o iado es dos séculos XIX e XX na sua elação com o espaço público e a cidadania, p oblema iza a sua unção social e cul u al, endo em a enção os empos e luga es em que p oduzi am as suas ob as; cons ui balanços c í icos sec o iais sob e a his o iog a ia e a cul u a his ó ica po uguesas, dos p oblemas económicos à dimensão eligiosa passando 22 his o iog a ia e es publica pela his ó ia social, a his ó ia do Impé io, do pe iodismo e opinião pública, e c. Tudo is o endo em conside ação as elações ansnacionais, os modos de ecepção de deba es his ó icos além- on ei as, os luga es e edes de his o iado es e a o ma como nas suas esc i as, da e olução libe al à ac ualidade, se es u u a am olha es sob e Po ugal na sua elação com ou os po os. Também nos p opusemos e isi a ópicos-cha e que se i am de supo e à his o iog a ia, ais como: nação, Impé io, po o, aça, e olução, decadência, a aso ou subdesen ol imen o - bem como os p econcei os que condiciona am o discu so sob e a ans o mação social. O es udo dos modos como no passado se ez his ó ia é da maio ele ância pa a ponde a os caminhos possí eis da disciplina, no p esen e no u u o. Nes e empo ma cado pela p essão do imedia o, pelo excesso de in o mação e desin o mação, excesso de c ise e de sen imen o de c ise, excesso de uído, excesso de publicações de odo o ipo, um p odu i ismo que sob e alo iza a quan idade em de imen o da qualidade, p o usão de índices de cu o p azo de desempenho económico e inancei o, com que somos con on ados no dia-a-dia, con aminação do ocabulá io das ciências humanas pela língua de pau da polí ica e dos negócios (emp eendedo ismo, excelência, ala ancagem, compe i idade [sic], e an os ou os exemplos pode íamos da ), a dimensão his ó ica in oduz um e ei o de necessá ia e salu a dis anciação e ela i ização. É ce o que a his ó ia con inua á (como semp e oi) a se ins umen alizada pa a ins polí icos e de p opaganda, de um sinal ou ou o. Mas o es udo da his o iog a ia mos a-nos que semp e hou e quem cul i asse uma his ó ia do ada de espessu a c í ica. Em úl ima análise, a iagem en e os di e sos egis os his o iog á icos depende da quali icação dos seus lei o es. Ag adecemos à Biblio eca Nacional de Po ugal na pessoa da sua di ec o a, Dou o a Ma ia Inês Co dei o, o apoio que semp e deu às nossas inicia i as, e aos comen ado es de algumas das con e ências ap esen adas no e e ido seminá io - os p o esso es Jaime Reis, Fá ima Sá e Melo Fe ei a, José Damião Rod igues, Tiago Pi es Ma ques e Jo ge Macaís a Malhei os – a aliosa colabo ação c í ica. E ao José Guedes de Sousa e ao Rica do de B i o a aliosa ajuda. Sé gio Campos Ma os Ma ia Isabel João Maio de 2016 – Fe e ei o de 2017