MONUMENT A
MISSIONARI A AFRICAN A
ÁFRIC A OCIDENTA L
(163 1
- 1642 )
COLIGID A
E
ANOTAD A PEL O
PADR E ANTÓNI O BRÁSI O
C .
S . Sp .
VOL . VII I
AGÊNCIA GERAL
DO
ULTRAMAR
LISBO A
/
MCML X
MONUMENT A
MISSIONÁRI A AFRICAN A
MONUMENT A
MISSIONARI A AFRICAN A
ÁFRIC A OCIDENTA L
(163 1
- 1642 )
COLIGID A
E
ANOTAD A PEL O
PADR E ANTÓNI O BRÁSI O
C .
S . Sp .
VOL . VII I
AGÊNCIA GERAL
DO
ULTRAMAR
LISBO A
/
MCML X
N O V CENTENÁRI O
D A MORT E
D O INFANT E D . HENRIQU E
E M SE U TRON O ENTR E O BRILH O DA S ESPERAS ,
CO M SE U MANT O D E NOIT E E SOLIDÃO ,
TE M AO S PÉ S O MA R NOV O E A S MORTA S ERAS ,
O ONIC O IMPERADO R QU E TEM , DEVERAS ,
O GLOB O MUND O E M SU A MAO .
FERNAND O PESSO A — Mensagem — 193 4
INTRODUÇÃ O
S
ÃO já
decorridos quatro anos sobre
a
publicação
do VII
volume desta Série documental. Outros afazeres urgen-
tes
e
inadiáveis,
mas
sobretudo
a
publicação
do
decreto
n.º
41.407,
de 28 de
Novembro
de 1957,
determinaram
que
só agora,
e
após
a
publicação
do
decreto
n.° 42.176, de 5 de
Março
de 1959, do
actual titular
da
pasta
do
Ultramar,
Sr. Contra-Almirante Lopes Alves, seja possível retomar-se
o
ritmo
de
publicação, ansiosamente aguardada pelos historiado-
res africanos, especialmente
os
estrangeiros.
A verba resultante
da
venda
do
original,
que se
some
na
investigação
— o
Leitor
o
pode avaliar pelas cotas
do
presente
volume
— não
deixa
ao
autor qualquer lucro pecuniário.
É um
trabalho
de
pura
e
total devoção científica, cujo lucro reverte
inteiramente
em
proveito
de
Portugal,
das
Missões Católicas,
da África crista,
da
Igreja.
Trabalhar
com
este desinteresse material
e com
esta isen-
ção
por
Portugal, pelas Missões Católicas, pela África cristã,
pela expansão
da
Igreja, recordando
aos
homens
de
estudo
as
gestas empolgantes
dos
governos
e dos
missionários
do
passado,
constitui recompensa
que
materialmente
se não
pode
dar.
Não
nos tem
faltado
o
estímulo
da
crítica desempoeirada,
objectiva, vinda especialmente
do
estrangeiro,
por
vezes posi-
tivamente encorajadora acima
de
toda
a
suspeita. Está neste caso
a recensão feita pelas revistas
Misione s Estranjera s de
Burgos,
Revist a
d e
Derech o Canónic o
de
Salamanca,
Missionali a His -
panic a de
Madrid,
Aequatori a do
ex-Congo Belga,
Archivu m
I X
Historicu m da
Companhia
de
Jesus,
de
Roma,
Brotéria , etc. Os
elogios dispensados
ao
autor
e à
obra dirigem-se sempre, tam-
bém,
à
Editorial,
ao
Governo português,
à
própria Nação.
*
Neste volume publica-se
um
recheio rico
e
importante
de
arquivos estrangeiros, particularmente
do
Arquivo
da
Propa-
ganda Fide. Para
o
período inicial
da
Missões
dos
Padres Capu-
chinhos, como
já o
fizemos para
os
Padres Jesuítas
e
Carme-
litas, procurámos
—
embora conscientes
de o não
havermos
conseguido
—
estampar
todo s os
papéis
que os
arquivos
que
rebuscámos
nos
ofereceram. Cremos
que
nunca
se
tenha publi-
cado
em
conjunto, acervo
tão
notável,
em
número
e
qualidade,
de documentos acerca
das
missões
dos
Padres Capuchinhos,
respeitantes
ao
período abrangido
por
este volume.
A
contri-
buição
da
Propaganda Fide figura aqui, naturalmente,
em
pri-
meiro lugar.
Outros documentos
de
primarcial importância, quer para
o estudo
da
ambiência social
e
política
em que se
desenvolveu
a acção missionária, quer para aquilatar
a
acção especificamente
apostólica,
são
dados
à
estampa. Recordemos dois relatórios
do
Bispo
do
Congo
e
Angola
ã
Congregação
do
Concílio,
os
três
relatórios
do
Padre Pedro Tavares,
S. J., as
cartas
do
ex-Gover-
nador Fernão
de
Sousa,
os
Processos
da
Consistorial,
as
cartas
de Peiresc,
as
cartas
dos
Jesuítas,
as
cartas
ao Rei do
Congo,
uma
carta
do Rei do
Congo
ao
Conde Maurício
de
Nassau,
etc.
X
Evidentemente que à medida, que vamos avançando, mercê
de uma actividade apostólica mais vasta e mais intensa, a cor-
respondência dos missionários, dos bispos, das autoridades inte-
ressadas — eclesiásticas e civis — torna-se mais frequente e
excessivamente se amontoa. Publicá-la toda? Só quem desconhece
pessoalmente o problema o poderá exigir. Seria um nunca mais
acabar e nesta empresa há que atender a todos os dados do
problema. Dois são de suma e primária importância: não esper
ramos viver os anos de Matusalém e este ponto ê para nós —
como aliás para o Leitor — nada despiciendo; não sabemos até
quando, nem em que medida, poderemos contar com aquela
generosidade, entusiasmo e estímulo que recebemos, quando em
1952 nos lançámos ao trabalho.
Obras desta natureza não se fazem apenas com boa-von-
tade, com sacrifício de saúde e de anos de vida, coisas bastante
somenos, parece, e em que ninguém atenta. Obras desta natu-
reza requerem estímulo mais que de palavras — e mesmo estas
tantas vezes se regateiam — pois exigem dinheiro: dinheiro
para a edição, que é dispendiosa e dinheiro para a investigação,
que ninguém paga...
Tentámos um dia — bem fraca lembrança — resolver o pro-
blema da investigação, solicitando do Instituto de Alta Cultura
uma modesta verba que nos permitisse, naturalmente dentro da
orgânica geral daquela instituição do Estado, realizar o plano
dos «Monumental, plano que aliás nos foi solicitado para
exame. Recebemos a penosa e inesperada resposta de que não
X I
er a possíve l
atender
a
nossa modesta pretensão...
A
outras portas
já receamos bater, porque todos
a
elas batem, como seja
a da
benemérita Fundação Gulbenkian,
se bem que se
trate,
no
dizer
da crítica livre estrangeira, feita
por
homens
que o
autor
não
tem
a
honra
de
conhecer
— o que lhe dá,
exactamente, todo
o
valor
— de uma
obra cultural
que
honra Portugal.
Este
é o
estado
da
questão, prezados Leitores.
Daí
resulta
que
a
publicação
dos
«Monumenta Missionaria Africana», está
sujeita
a
este condicionalismo precário,
que não é da
responsa-
bilidade
do
autor.
Daí
resulta
que
aquele ritmo constante
de
volumes
a que o
Leitor
se
habituara,
tem
sofrido contratempos
e nada
faz
esperar
que
eles
não
continuem.
*
A crítica geralmente séria, objectiva
— e no
pensar
do
autor,
que não
desconhece
as
deficiências
do seu
trabalho, gene-
rosa
—
merece-nos
um ou
outro esclarecimento. Fazendo con-
fiança pessoal
na
precisão, objectividade
e
acerto
da
escolha
dos
documentos, quando afirmámos
que
temos
de
seleccionar
a
documentação
do
século
XVII,
devido
a ser
excessiva,
D.
Man-
silla escreveu
em Misione s Estranjera s de
Burgos,
em
Julho-
-Dezembro
de 1957:
«aunque quedará
en no
poços
la
duda
de
si
la
colección presentada será
lo
debidamente completa».
Não receamos afirmar
que
«completa»
não o
será, porque
temos
a
consciência,
que
todo
o
investigador certamente
tem,
XI I
SIGLA S E ABREVIATURA S
SIGLA S E ABREVIATURA S
AG S Arquiv o Gera l d e Simanca s — Valhadoli d
AH U Arquiv o Históric o Ultramarin o — Lisbo a
AP F Arquiv o d a Propagand a Fid e — Rom a
APR C Arquiv o d a Provínci a Roman a do s Capu -
chinho s — Rom a
ARS I Arquiv o Roman o d a Companhi a d e Jesu s —
Rom a
AT T Arquiv o d a Torr e d o Tomb o — Lisbo a
A V Arquiv o d o Vatican o — Rom a
BAD E Biblioteca e Arquiv o Distrita l — Évor a
BA L Biblioteca d a Ajud a — Lisbo a
B C Biblioteca Casanatens e — Rom a
BN L Biblioteca Naciona l — Lisbo a
BN M Bibliotec a Naciona l — Madri d
BN P Bibliotec a Naciona l — Pari s
BU C Bibliotec a d a Universidad e — Coimbr a
CP Colecção Pombalina — (BNL )
Ar m Armári o
Ca p Capítul o
CC Corpo Cronológico — (ATT )
Cf r Confer e o u Confir a
Co d Códic e
C - S . S p [da ] Congregaçã o d o Espírit o Sant o
c x caix a
doc , docs., documento , documentos .
F - G Fund o Gera l
fl -
fl s fólio , fólios .
F r Fre i
XXII I
Li v Livr o
Mon s Monsenho r
Ms. ,
Mss. , Manuscrito , Manuscrito s
Obr. cit., Obra citada
pág. , pág s página , página s
P. e Padr e
R . S Rea l Senhori a e Reverênci a Su a
s. / d / se m dat a
SRCG Scritture Ricevute nelle Congregazioni Ge-
nerali — (APF) .
S . J [da ] Companhi a d e Jesu s
V . Il. m a Voss a Ilustríssim a
V . M Voss a Merc ê
VV . M M Vossa s Mercê s
V . P Voss a Paternidad e
V . P . R Voss a Paternidad e Reverendíssim a
V . R Voss a Reverênci a
V . S . Il. ra a Voss a Senhori a Ilustríssim a
Vi d Vid e
/ Indic a passage m d e fóli o
/ / Indic a abertur a d e parágraf o n o texto .
[... ] Indic a falt a d e text o original , o u text o pre -
sumid o
XXI V
ÍNDIC E
N.º Pág .
1 — BADE-Cód . 116/2/4 : Cart a d o Padr e Joã o Caramu -
jeiro . 1 d e Janeir o d e 163 1 3
2 — AP F - Memoridi, 391 : Súplic a do s Vigário s d a Min a
a o Papa . 2 5 d e Fevereir o d e 163 1 4
3 — ARS I - Lus., Cód . 74 : Cart a d o Padr e Migue l Afons o
a o Gera l d a Companhi a d e Jesus . Sunde , 6 d e Març o
d e 163 1 6
4 — APF-Lettere Volgari, 11 : Cart a d a Congregaçã o d a
Propagand a Fid e a o Núnci o e m Espanha . Roma , 8 d e
Març o d e 163 1 8
5 — ARSI-Lus., Cód . 55 : Cart a d o Re i d o Congo.D . Álvar o
I V a o Reito r d o Colégi o d e Luanda . Cidad e d o Salva -
dor , 13-3-163 1 9
6 — ARS I - Goa, 40 : Relatóri o d e D . Fre i Francisc o d o Sove -
ra l n a visit a a d «Sacr a Límina» . Luanda , 1 d e Abri l
d e 163 1 1 1
7 — ARS I - Lus., Cód . 55 : Cart a d o Padr e Pedr o Tavare s a o
Reito r d o Colégi o d e Luanda . Bengo , 8 d e Junh o
d e 163 1 2 6
8 — APF -SRCG, 99 : Cart a d o Colecto r Apostólic o a o Car -
dea l Ludovisi . Lisboa , 1 4 d e Junh o d e 163 1 4 1
9 — APF-SflCG , 99 : Relaçã o d a Cost a d a Mina . 1 4 d e
Junh o d e 163 1 4 4
1 0 — ARS I - Lus., Cód . 55 : Cart a d o Padr e Pedr o Tavare s a o
Reito r d o Colégi o d e Luanda . Bengo , 2 d e Agost o
d e 163 1 4 7
1 1 — ARS I - Las., Cód . 74 : Cart a d o Padr e Simã o d e Aguia r
a o Gera l d a Companhi a d e Jesus . Luanda , 1 2 d e Agos -
t o d e 163 1 5 6
XXVI I
N.º Pág .
1 2 — BADE-Cód . 116/2/4 : Missã o d o Padr e Pedr o Tavares .
2 0 d e Agost o d e 163 1 5 8
1 3 — APF-Lettere Volgari, 11 : Cart a d a Propagand a Fid e a o
Colecto r e m Portugal . Roma , 2 0 d e Setembr o d e 163 1 6 0
1 4 — ARSI-Lus., Cód . 55 : Cart a d o Padr e Pedr o Tavare s a o
Reito r d o Colégi o d e Luanda , 1 4 d e Outubr o d e 163 1 6 1
1 5 — AP F -SRCG, 74 : Cart a d o Colecto r Apostólic o a o Car -
dea l Bórgia . Lisboa , 1 d e Novembr o d e 163 1 8 2
1 6 — AP F - Lettere Volgari, 11 : Cart a d a Propagand a a o Colec -
to r Apostólico . Roma , 2 0 d e Novembr o d e 163 1 .. . 8 4
1 7 — AP F - Acta, 7 : Missã o Franciscan a a o Rein o d o Congo .
2 5 d e Novembr o d e 163 1 8 6
1 8 — BNM-Ms . 3 . 818 : Decret o d a Propagand a Fid e ao s Su -
periore s Regulares . 2 5 d e Novembr o d e 163 1 8 7
19 —
APF-Lettere Volgari, 11 : Cart a d a Propagand a Fid e a o
Colecto r Apostólico . Roma , 3 d e Dezembr o d e 163 1 8 9
2 0 — BAL-Ms . 51-VIII-31 : Informaçõe s d e Fernã o d e Sous a
a el-Rei . Lisboa , 7 d e Dezembr o d e 163 1 9 1
2 1 — ARSI-Lus. , Cód . 74 : Cart a d o Padr e Jerónim o Vogad o
a o Gera l d a Companhi a d e Jesus . Angola , 8 d e Dezem -
br o d e 163 1 10 1
2 2 — APF -Letter e Volgari, 12 : Cart a d a Propagand a Fid e a o
Colecto r Apostólico . Roma , 3 1 d e Janeir o d e 163 2 .. . 10 6
2 3 — APF-Lettere Volgari, 7 : Cart a d a Propagand a Fid e a o
Colecto r Apostólico . Roma , 1 2 d e Fevereir o d e 163 2 .. . 10 7
2 4 — Inscriçã o sepulcra l d e Mons . Vive s (1632 ) 10 8
2 5 — ARS I - Lus., Cód . 79 : Cart a d o Padr e Gonçal o Joã o a o
Padr e Nun o Mascarenhas . Rein o d e Angola , 1 0 d e
Fevereir o d e 163 2 10 9
2 6 — A V - Nunziatura di Portogallo, 21 : Cart a d o Colecto r
Pontifíci o a o Secretári o d e Estado . Lisboa , 1 4 d e Fe -
vereir o d e 163 2 11 1
2 7 — Bal-Ms . 51-VIIL31 : Relaçã o d a Cost a d e Angol a e
Cong o pel o ex-governado r Fernã o d e Sousa . Lisboa ,
2 1 d e Fevereir o d e 163 2 11 3
2 8 — BAL-Ms . 51-VHI-31 : Relaçã o d e Fernã o d e Sous a a
el-Rei . Lisboa , 2 3 d e Fevereir o d e 163 2 13 1
2 9 — BAL-Ms . 51-VIII-31 : Relaçã o d e Fernã o d e Sous a a
el-Rei . Lisboa , 2 d e Març o d e 163 2 15 6
3 0 — AV -Nunziatura di Portogallo, 21 : Cart a d o Colecto r
XXVII I
Apostólic o a o Secretári o d e Estado . Lisboa , 2 7 d e
Març o d e 163 2 164
3 1 — A V -Nunziatura di Portogallo, 21 : Cart a d o Colecto r
Apostólic o a o Secretári o d e Estad o 16 5
3 2 —BADE-Cód . 116/2/4 : Acçã o d o Sant o Ofíci o e m
Angola . 4 d e Abri l d e 163 2 '6 7
3 3 — AP F — SRCG, 74 : Cart a d o Colecto r Apostólic o a o Se -
cretári o d a Propaganda . Lisboa , 3 0 d e Abri l d e 163 2 16 8
3 4 — BAL-Cód . 51-VIII-31 : Proviment o espiritua l d e Ma -
çangano . Lisboa , 2 3 d e Junh o d e 163 2 17 0
3 5 — BAL-Ms . 51-VIII-31 : Informaçã o d e Fernã o d e Sous a
a el-Rei . Lisboa , 2 9 d e Julh o d e 163 2 17 3
3 6 — AP F -SRCG, 103 : Cart a do s Padre s Capuchinho s à Pro -
pagand a Fide . Madrid , 1 5 d e Setembr o d e 163 2 17 9
3 7 — ARS I - Lus.., Cód . 55 : Cart a d o Padr e Domingo s Lou -
renç o sobr e a Missã o d o Dongo . 4 d e Outubr o d e 163 2 18 1
3 8 — AP F - SRCG, 103 : Relatóri o d o Vigári o d a Min a à Pro -
pagand a Fide . Mina , 1 3 d e Outubr o d e 163 2 18 5
3 9 — BAL-Ms . 51-VI.II-31 : Informaçã o d e Fernã o d e Sous a
à Mes a d a Consciênci a e Ordens . Lisboa , 1 7 d e Outu -
br o d e 163 2 18 8
4 0 — BAL-Ms . 51-VIII-31 : Informaçã o d e Fernã o d e Sous a
à Mes a d a Consciênci a e Ordens . Lisboa , 1 8 d e Outu -
br o d e 163 2 19 0
41—BAL-Ms . 51-VIII-31 : Informaçã o d e Fernã o d e Sous a
a el-Rei . Lisboa , 2 0 d e Outubr o d e 163 2 19 4
4 2 — ARS I - Lus., Cód . 55 : Cart a d e D . Alvar o I V Re i d o
Cong o a o Gera l d a Companhi a d e Jesus . Congo , 2 5
d e Outubr o d e 163 2 19 9
4 3 — A V - Processus Consistorialis, 33 : Promoçã o d o Bisp o d e
S . Tom é D . Fre i Antóni o Nogueira . Tomar , 2 5 d e
Outubr o d e 163 2 20 1
4 4 — A V - Processus Consistorialis, 33 : Provança s d e D . Fre i
Antóni o Nogueir a par a Bisp o d e S . Tomé . 4 d e No -
vembr o d e 163 2 20 3
4 5 — AV -Processus Consistorialis, 33 : D o Estad o d a Diocess e
d e S . Tomé . 1 0 d e Novembr o d e 163 2 20 9
4 6 — BC-Ms . 2681 : Relaçã o d a Cristandad e d a Mina . (1632 ) 21 4
4 7 — ARS I - Lus., Cód . 74 : Cart a d o Reito r d o Colégi o d e
XXI X
N. ° Pág .
Luand a a o Padr e Gera l d a Companhi a d e Jesus . An -
gola , 3 0 d e Janeir o d e 163 3 21 8
4 8 — AP F - SRCG, 103 : Cart a d o Colecto r Apostólic o à Pro -
pagand a Fide . Lisboa , 3 0 d e Abri l d e 163 3 22 3
4 9 — AP F - Memoriai, 393 : Missionário s Capuchinho s Ita -
liano s par a a s Missõe s d a Guiné . Roma , 1 3 d e Mai o
d e 163 3 22 5
5 0 — BAL-Ms . 51-VIII-31 : Relaçã o d e Fernã o d e Sous a a
el-Rei . Lisboa , 1 4 d e Junh o d e 163 3 22 7
5 1 — AT T - Cartório dos Jesuítas, 69 : Cart a d o Irmã o Antóni o
Francisc o a o Procurado r d o Colégi o d e Sant o Antão .
Luanda , 2 0 d e Junh o d e 163 3 23 4
5 2 — BNM-Ms . 3.014 : Cart a Régi a a Francisc o d e Lucena .
Madrid , 2 4 d e Junh o d e 163 3 23 5
5 3 — ÀRS I - Lus., Cód . 74 : Cart a d o Padr e Gonçal o d e Sous a
a o Gera l d a Companhi a d e Jesus . Luanda , 2 5 d e Junh o
d e 163 3 23 7
5 4 — ÀP F
_
Lettere Volgari, 13 : Cart a d a Propagand a Fid e a o
Provincia l d a Normandia . Roma , 2 5 d e Junh o d e 163 3 24 0
5 5 — AHU - Angola, cx . 1 : Cart a d o Padr e Gonçal o d e Sous a
e m nom e d a Câmar a d e Luanda . Luanda , 6 d e Junh o
d e 163 3 24 1
5 6 — AP F -SRCG, 103 : Cart a d o Padr e Fre i Gaspa r d e
Sori a
a o Prefeit o d a Propagand a Fide . Madrid , 8 d e Julh o
d e 163 3 24 5
5 7 — AP F -Acta, 8 : Cristandad e d e S . Jorg e d a Mina . 2 9 d e
Agost o d e 163 3 24 7
5 8 — BN L - CP, 645 : Consult a d a Mes a d a Consciênci a à Cart a
do s Moradore s d ê Maçangano . [Lisboa] , 3 1 d e Janeir o
d e 163 4 24 8
5 9 — P . APPOLINAIR E D E VALENCE : Cart a d e Peires c
a o Padr e Gi l d e Loches . Aix , 1 3 d e Fevereir o d e 163 4 25 0
6 0 — BNM-Ms . 3.014 : Cart a Régi a a o Cond e Viso-Rei . Ma -
drid , 8 d e Març o d e 163 4 25 7
6 1 —AT T -Cartório dos Jesuítas, 57 : Colégi o do s Jesuíta s e m
Angola . 1 5 d e Març o d e 163 4 25 9
6 2 — BA L - Ms . 51-VIII-31 : Cart a d e Fernã o d e Sous a a el-Rei .
Lisboa , 3 1 d e Març o d e 163 4 26 0
6 3 —P . APPOLINAIR E D E VALENCE : Cart a d e Peires c
a Colombin o d e Nantes . Aix , 1 0 d e Abri l d e 1634.. . 26 3
XX X
N.º Pág .
6 4 —P . APPOLINAIR E D E VALENCE : Cart a d e Peires c
a o Padr e Gi l d e Loches . Aix , 1 7 d e Abri l d e 163 4 .. . 26 9
6 5 —BNM-Ms . 3.014 : Cart a Régi a a o Cond e Viso-Rei . Ma -
drid , 3 d e Mai o d e 163 4 27 4
66 —
AHU-5 . Tomé, cx . 1 : Cart a d o Capitã o d a Min a a
el-Rei . Mina , 1 5 d e Mai o d e 163 4 27 6
6 7 —P . APPOLINAIR E D E VALENCE : Cart a d e Colom -
bin o d e Nante s a Peiresc . Saint-Malô , 2 0 d e Junh o
d e 163 4 17 8
6 8 — AHU-5 . Tomé, cx . 1 : Cart a d o Capitã o d e S . Tom é a
el-Rei . S . Tomé , 6 d e Julh o d e 163 4 28 9
6 9 — AP F - Memoriai, 394 : Cart a d o Provincia l d a Bretanh a
à Propagand a Fide . (1634 ) 29 1
7 0 — AP F - Memoriali, 394 : Decret o d a Propagand a Fide . 1 4
d e Julh o d e 163 4 29 3
71—P . APPOLINAIR E D E VALENCE : Cart a d e Peires c
a Colombin o d e Nantes . Aix , 1 d e Agost o d e 163 4 .. . 29 5
7 2 — ARS I - Lus., Cód. 74 : Cart a d o Padr e Migue l Afons o
a o Gera l d a Companhi a d e Jesus . Congo , 2 2 d e Agost o
d e 163 4 30 1
7 3 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Cart a d o Governado r d e S . Tom é
a el-Rei . S . Tomé , 2 4 d e Setembr o d e 163 4 30 3
7 4 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Cart a d o Capitão-Mo r d a Min a
a el-Rei . Mina , 1 0 d e Outubr o d e 163 4 30 6
7 5 — AP F - Memoriali, 394 : Missã o d e Capuchinho s à Guiné .
2 1 d e Novembr o d e 163 4 30 9
7 6 — AP F - Acta, 10 : Fundaçã o d a Missã o d a Guiné . 2 1 d e
Novembr o d e 163 4 31 0
7 7 — MICHAE L A TUGIO : Missã o do s Capuchinho s
Francese s n a Guiné . Roma , 2 1 d e Novembr o d e 163 4 31 1
7 8 — AHU-5 . Tomé, cx . 1 : Cart a d a Câmar a d e S . Tom é a
el-Rei . S . Tomé , 8 d e Janeir o d e 163 5 31 3
7 9 — AP F - Lettere Volgari, 15 : Cart a d a Propagand a Fid e a o
Cardea l Palotto . Roma , 2 7 d e Janeir o d e 163 5 31 5
8 0 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Informaçã o d e Andr é d a Fonsec a
a el-Rei . Lisboa , 2 d e Març o d e 163 5 31 6
8 1 —AHU-5 . Tomé, cx . 1 : Cart a a el-Re i sobr e a Mina . Lis -
boa , 1 0 d e Març o d e 163 5 31 9
8 2 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Inquérit o à Min a e Ilh a d e
S . Tomé . 1 7 d e Març o d e 163 5 32 1
XXX I
8 3 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Cart a d e Luí s Galvã o d e Lemo s
a el-Rei . Lisboa , 1 7 d e Març o d e 163 5 32 7
8 4 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Cart a d o Governado r d e
S . Tomé . 2 4 d e Març o d e 163 5 33 0
8 5 — BNM-Ms . 3.014 : Cart a Régi a à Princes a Margarida .
Madrid , 7 d e Abri l d e 163 5 33 2
8 6 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Requeriment o d a Misericórdi a
d e Lisboa . 2 9 d e Agost o d e 163 5 33 3
8 7 — AH U -S. Tomé, cx . 1 : Isençã o à Misericórdi a d e Lisboa .
Lisboa , 6 d e Setembr o d e 163 5 33 5
8 8 — BUC-Ms . 459 : Igrej a d a Conceiçã o d e Luanda . Lisboa ,
4 de Dezembr o d e 163 5 33 6
8 9 — A V - Acta Camerarii, 17 : Cédul a d o Bisp o d e S . Tom é
D . Antóni o Nogueira . 1 7 d e Dezembr o d e 163 5 34 1
9 0 — ARS I - Lus., Cód . 74 : Cart a d o Padr e Migue l Afons o
a o Gera l d a Companhi a d e Jesus . Congo , 3 d e Janeir o
d e 163 6 34 2
91—AG S - Secretarias Provinciales, 1469 : Consult a d o Con -
selh o d e Portuga l sobr e o socorr o d a Mina . 1 0 d e Ja -
neir o d e 163 6 34 4
9 2 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Consult a d o Conselh o d e Estado .
Lisboa , 1 6 d e Janeir o d e 163 6 34 8
9 3 — AH U - Cód . 41 : Consult a d o Conselh o d a Fazenda .
Lisboa , 1 2 d e Març o d e 163 6 35 0
9 4 — AT T - Mesa do Consciência e Ordens, 34 : Consult a d o
Conselh o d e Estad o sobr e a Matri z d e Luanda . 1 7 d e
Març o d e 163 6 35 2
9 5 — AH U - Angola, cx . 2 : Requeriment o d e Fre i Mateu s d e
S . Francisco . Lisboa , 8 d e Abri l d e 163 6 35 3
9 6 — AHU-Cód . 41 : Consult a d o Conselh o d a Fazenda . Lis -
boa , 2 2 d e Abri l d e 163 6 35 6
9 7 — AT T - Mesa da Consciência e Ordens, 34 : Nomeaçã o
d o Deã o d a S é d o Congo . 3 0 d e Abri l d e 163 6 35 8
9 8 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Alvar á Régi o a o Bisp o d e 5 . Tom é
Lisboa , 7 d e Mai o d e 163 6 36 0
9 9 — AHU-Angola, cx . 2 : Cart a d e Joã o Mende s de Vas -
concelo s sobr e a situaçã o polític a n o Congo . Lisboa ,
7 d e Mai o d e 163 6 36 2
10 0 — AHU-Angola, cx . 2 : Situaçã o Polític a d o Rein o d o
Congo . Lisboa , 2 0 d e Mai o d e 163 6 36 4
XXXI I
ÍNDIC E DA S GRAVURA S
1 — Map a do s Reino s d o Congo , Angol a e Benguel a 1 6
2 — E l Re i D . Joã o I V 19 2
3 — Coroaçã o d o Re i d o Cong o 28 8
4—Fac-simile s da s assinatura s do s docs. n. ° 7 , 4 2 e 12 9 40 0
5—D . Danie l d a Silva , Cond e d e Sonh o (1641 ) 480
6 — O Re i d o Cong o d á audiênci a ao s Holandese s (1642 ) 56 0
MONUMENT A
MISSIONARI A AFRICAN A
ÁFRIC A OCIDENTA L
(1631-1642 )
1
(1 ) Distâncias .
3
CART A D O PADR E JOÃ O CARAMUJEIR O
(1-1-1631 )
SUMÁRI O — Licença de ministério ao P. e Pedro Tavares, S. J.
E u o P. ° Joã o Va z Caramugeiro , cur a e capellã o d e Noss a
Senhor a d a Conceiçã o d a Quilunda , ond e assist o po r orde m d o
Illustrissim o Senho r Bisp o Do m Francisc o Soueral : do u licenç a
a o P. e Per o Tauare s d a Companhi a d e Jesvs , vist o o fruit o qu e
fa z e te m feit o nest a freguezia , par a qu e poss a nell a e e m se u
distritt o bautiza r e caza r negro s assy m forro s com o catiuos , qu e
entr e nó s andão , christão s o u gentios . E n a mesm a conformi -
dad e o poder á faze r c õ o s Soba s qu e estã o no s mesmo s limite s
e outros y poder á faze r outro s quaesque r sacramento s qu e acaz o
s e lh e offereçerem , po r entende r qu e niss o far á a Deu s e a su a
estad e muito s seruiços . E ass y mai s lh a do u par a a s molhe -
re s qu e n a su a igreij a d o Beng o s e quizere m desobriga r pel a
obrigaçã o d a quaresma , qu e c õ se u èscritt o leuare i e m cont a
po r respeit o do s longe s (1 ) e outro s inconveniente s qu e há . / /
E m o primeir o d e Janeir o d e mi l e sei s cento s e trint a e
hum . / /
O P. e Cur a Joã o Va z Caramugeiro .
BAD E — Cód . 116/2/4 , fl . 1 2 v. : Relação das Missões do P.
Pedro Tanares em Angola. Est e document o encontra-s e cortad o n o
manuscrito , certament e po r outr a mão , qu e nã o a d o Autor .
2
SÚPLIC A DO S VIGÁRIO S D A MIN A A O PAP A
(25-2-1631 )
SUMÁRI O — Pedem ao Papa certos privilégios já anteriormente con-
cedido aos Carmelitas, por estar afastado o Bispo.
Beatíssim o Padr e
L'Jsola , ò uer o terr a deli a Mina , sott o l a coron a d e Portu -
gallo ,
giacend o i n remotissim e part i dell'jndie , e t no n tenend o
Vescou o próprio , e t stand o molt o distant e quell o a l qual e s i
ricorr e i n cas i d i necessit a co n difficolt à grande , spes a e t tempo .
Supplican o pe r tant o humilment e V . Santit à l i Curati , e t Paro -
ch i sott o quell a giurisdition e que
nomine Mina
etc, s i degn i
concedergl i e t a suo i sucessor i i n perpetuum , ch e possan o dis -
pensar e nell i cas i ch'i l Concili o Tridentin o conced e all i Vescou i
ne l cap . 6 sess . 2 4 d e reformatione , i n quell e stess e manier e
ch e V . Beatitudin e poc o temp o f à concess i all i Carmelitan i
Scalz i ch e stan o i n Arábia , e t anc o ch e possan o ministrar e í l
Sacrament o deli a Confirmatione , benedir e l i ornament i pe r l a
Messa , e t consecrar e calici , e t pietr e d'Altare , ddeh e n e resultar a
grand e seruiti o a su a diuin a Maest à e t consolation e spiritual e
e t temporal e à que i populi , e t i l tutto , etc .
No verso: Ail a Santit à d i Nostr o Signore .
AP F — Memoriali, vol . 391 , fl . 3 6 e 4 5 v .
NOTA — O assunt o fo i tratad o n a congregaçã o cardinalíci a d e
2 5 d e Fevereir o d o mesm o ano :
Referent e eode m Eminentissim o Cardinal i Triuulti o instantia s
Curatoru m Jnsula e Mina : i n partibu s Jndiaru m (sic), pr o facultatibu s
4
Missíonarioru m e t conferend i Sacramentu m Confirmationis , Sacr a
Congregad o mandaui t scrib i Nunti o Hispaniaru m e t Collectori , u t d e
Jnsul a pradict a e t Curati s e t numer o Christianoru m informatione s
assuman t e t référant , suamqu e sententia m significen t circ a petitione s
dictoru m Curatorum , except a ill a d e dict a facúltat e conferend i Sacra -
mentu m Confirmationis .
AP F — Acta, vol . 7 (1631) , fl . 3 1 v. , n.º 36 .
5
3
CART A D O PADR E MIGUE L AFONS O
A O GERA L D A COMPANHI A D E JESU S
(6-3-1631 )
SUMÁRI O — Tentativa dos Jesuítas -para passarem do Congo para a
Etiópia — O duque de Sunde pede padres missionários.
+
Pa x Christ i
Ao s 1 2 d e Junh o d e 163 0 m e mando u o P. e Jerónim o
Vogado , Reito r d o Collegi o d a Loanda , co m o P. e Nicula o d e
Fena l per a Congo ; e u per a h i m e aiunta r co m o P. e Joa õ
d e Paiua , qu e n o Collegi o d e Cong o está , per a dah i continua -
remo s a Missã o d e Ethiopia , e o P. e Nicula o d e Fena l per a
fica r n o Collegi o d e Congo , ma s fo i Deo s noss o Senho r seruid o
d e leua r per a s i a o dit o P. e Nicula o d e Fena l e m breue s dia s
despoi s d e cheguaremo s a Congo , co m cui a mort e s e dilato u
mai s noss a Missaõ , po r na õ fica r o P. e Duart e Vas , Reito r d o
Collegi o d e Congo , s ó co m o jrmã o Sebastiã o Gonçaluez . / /
Nest e comeno s mando u Do m Aluar o Afonso , Duqu e
dest e Duquad o d e Sunde , e prim o delre i d e Congo , pedi r a o
dit o Re i e m uaria s [ocasiões ] mu i encarecidamente , e iunta -
ment e a o P. e Reito r Duart e Va s [par a lhe ] mandare m h ú padr e
d a Companhi a per a o confessar , e a seu s vassalos , [po r hauer ]
muit o temp o qu e caressia Õ do s sacramento s po r falt a d e sacer -
dote ; mandoum e enta õ o P. e Reito r Duart e Va s a est a Missa õ
d e Sund e co m o jrma õ Sebastiã o Gonçaluez , dizend o qu e pas -
6
sada s a s oitaua s d a Pásco a dest e present e ann o d e 1 63 1 ( 1 )
parteri a o P. e Joa õ d e Paiu a d e Cong o per a d e nou o [ ]
per a continuaremo s a Missa õ d e Ethiopia . / /
O jrma õ Sebastião Gonçaluez , me u companheiro , torna r
s e h á per a Congo . O qu e agor a pess o a V . P . h é no s enco -
mende , e mand e encomenda r muit o a Deo s noss o Senhor , e a
su a Santíssim a Mã i a Virge m Senhor a nossa , per a qu e elle s
no s encaminhem , e leue m n a su a guarda . Noss o Senhor ,
ett. ª
/ /
Dest a banz a d e Sunde , 6 d e Març o d e 1 6 3 1 . / /
dest e minim o súbdit o e filh o e m Christ o d e V . P. ,
e m cuio s santo s sacrafficios , e oraçõe s muit o m e
encomendo .
Migue l Afonso .
ARS I — Lus., Cód . 74 , fl . 190 , doc. LXXVH .
( x ) E m 163 1 a Pásco a cai u e m 2 0 d e Abril .
7
4
CART A D A CONGREGAÇÃ O D A PROPAGAND A FID E
A O NÚNCI O E M ESPANH A
(8-3-163 O
SUMÁRI O — Faculdades especiais pedidas pelos curas da Mina — A
Propaganda Fide manda colher pormenorizadas informa-
ções sobre o assunto.
I Curat i dellTsol a deli a Mina , nell e part i d'Jndi a (1) ,
hann o supplicat o N . Signor e à uole r conceder e lor o e t à suo i
successor i l e medesim e facolt à ch e d à à Vescou i i l Sacr o Con -
cili o d i Trent o ali a sess . 24 , c . 6 , de
reformatione,
e ch e pos -
sin o benedir e i parament i e consegra r calic i e pietr e d'Altare ;
poich e pe r l a distanz a grand e de l Vescou o loro , dicon o no n
pote r souuenir e agl'occorrent i bisogn i spirituali ; e perch e quest a
Sacr a Congregation e à cu i S . Santit à h à rimess o i l sudett o
memoriale , no n h à contezz a alcun a deli a sudett a Jsola , n e d e
sudett i Curati , n e deli a uetit à d i bisogn i loro , n e de ' pregiudic i
ch e s i potrebbon o far ' a l Vescouo , desider a ch e V . S . prend a
d i tutt o ci ò deligent e informatione ; e de i numer o d e Christian !
ch e iu i s i trouano , significandol a po i ali a medesim a Sacr a Con -
gregation e co l su o parer e intorn o ali e concession i ch e ne l
sudett o memorial e s i domandano , et . / /
Roma , 8 marz o 16 3 1 .
AP F — Lettere Volgari, vol . 11 , fl . 2 6 v .
(1 ) Ne m a Min a é um a ilh a ne m fic a na s parte s d a índia , com o
é sabido . A s ciência s geográfica s estava m aind a n a infância.. .
8
5
CART A D O RE I D O CONG O D . ÁLVAR O I V
A O REITO R D O COLÉGI O D E LUAND A
(13-3-1631 )
SUMÁRI O — Falecimento de D. Ambrósio e eleição do novo Rei —
Faz-se encomendar a Deus por intermédio dos Jesuítas
— Pede mais padres missionários da Companhia.
Pell o P. ° Reito r dest e Collegi o (1 ) ser á V . P . largament e
emformad o d a mort e d o senho r me u ti o Re y Do m Ambrósio ,
e d o mai s qu e e m minh a Eleiçã o socedeo . Est a s ó seruir á per a
pedi r a V . P . m e faç a emcomenda r a Deu s po r todo s o s Reli -
gioso s dess e Collegi o per a qu e m e d ê graç a per a acerta r e m
se u seruiço , e juntament e per a pedi r a V . P . met a muito s Reli -
gioso s nest e Estado , qu e d e todo s t ê necessidade , estartd o cert o
qu e achara m e m m y tod o o faúo r e bo a correspondênci a qu e
per a ajud a d e exerçitar ê seu s ministério s fo r necessário . / /
Dad a nest a minh a Cort e e Cidad e d o Saluado r ao s 1 3 d e
març o d e 631 . Po r Do m Raphae l Afons o me u Secretari o e
escriua õ d e minh a puridad e a fe z escreuer .
Re y Do m Aluaro .
ARS I — Lus., Cód . 55 , fl . 12 4 (cópia) .
(1 ) A o Padr e Mateu s Cardos o sucede u n a reitori a d o Colégi o d e
S . Salvado r d o Cong o o Padr e Migue l Afons o e e m 162 9 o Padr e
Duart e Vaz . Retirand o doent e par a Luanda , e m 1631 , tomo u o carg o
o Padr e Simã o d e Aguiar , experimentad o missionári o d o Dongo . A
est e religios o s e refer e o present e documento . O Reito r d o Colégi o d e
Luanda , a que m o Re i D . Álvar o I V escreve , er a o Padr e Jerónim o
Vogado .
9
NOTA — O faleciment o d o re i Do m Ambrósio , a qu e s e refer e
est e documento , for a po r vária s veze s anunciado. O Colecto r apostó -
lic o Lourenç o Tramall o escrevi a a o Secretári o d e Estad o pontifíci o e m
1 2 d e Julh o d e 1631 :
«I l Vescou o dAngol a scriu e co n letter e d e 3 1 d i Marzo , ch e ne l
parti r dell e nau i er a giunt o auuis o ch e foss e mort o i l R è d i Congo ,
m à ch e no n s e teneu a pe r sicuro» . A V — Nunziatura di Portogallo,
vol . 20 , fl . 159 .
E m 1 0 d e Abri l d e 163 2 nov a cart a sobr e o mesm o assunto , a o
mesm o Cardeal :
«Co n l a nau e uenut a d'Angola , no n s' è intes o altr o d i nuou o d à
quell e parti , seno n ch e no n s i er a uerificat a l a mort e de i R è d i Congo ,
ch e fù , sott o dubbio , scritt a co n l e letter e dellann o passato» . A V —
Ibidem, vol . 21 , fl . 6 0 v .
Finalmente , mai s d e u m an o depoi s d o passamento , é comunicad a
a notíci a certa :
«S i uerific ò l a mort e d i Do n Ambrosi o R è d i Congo , i n cu i luog o
è success o u n giouinett o su o figlio» . A V — Ibidem, vol . 21 , fl . 15 0 v .
Cart a d e 2 6 d e Març o d e 1632 .
D . Alvar o I V falece u co m 1 8 anos , e m 2 5 d e Fevereir o d e 1636 ,
co m fam a d e te r sid o envenenado .
10
sentauerint , ministroru m maiore m numeru m instantissim e pos -
tulando , ni l tarne n obtiner e potuerunt . / /
J n amplíssim o eni m Regn o praefat o decer n parrochia e sta -
tuta : sunt , i n quoru m districtibu s paru m d e De o e t leg e
christiana , a c d e Euangelic a doctrin a notiti a habetur : a c lice t
populu s innumerabili s quotidi e a d Sacru m Baptismati s fonte m
facile , a c libentissim e accedat , difficilite r tarne n viti a ommittit ,
a c proptere a intollerabile s eoru m mores , lacrimaru m potiu s v i
deplorare , qua m a d plenu m narrar e opporteret : lice t eni m qu i
i n ciuitat e Sanct i Saluatori s regi a curi a habitan t vrbaniu s ses e
portent , meliusqu e Doctrina m teneant , e t mult i e x ei s a d reci -
pienda m sacra m Eucharistia m admitantur , qui a tarne n mult i
tud o es t innumerabilis , e t sin e ministri s e t sacerdotibu s viuant ,
e t aliquand o a d vicino s pagano s comerti i caus a s e conferunt , e t
inte r eo s viuunt , paganoru m ritibu s adherent , e t christianoru m
moru m obliti , au t eo s omnin o reliquunt , au t simu l cu m gen -
tilici s commiscent , barbara m i n omnibu s confusione m haben -
tes :
Du m Dominica m e t sacra s alia s festiuitate s etia m i n Regi a
Curi a inuit i e t impetfect e obseruant , festi s tarne n Sanct i Joan -
ni s Baptistae , e t Sanct i Iacob i exceptis , qui a i n capelli s regii s
celebrantur , e t quandocunqu e eoru m Re x a d ecclesia m venit ,
multitud o maxim a ipsu m commitatur . S i ver o abes t paucissim i
a d ecclesia m s e conferunt , e t si c pe r totu m Regnu m subdit i
immitantu r Domini s suis , etia m i n mod o viuendi , siu e bonos ,
siu e malos , a c prauo s more s habeant , i n qu o magnu m excessu m
tenent .
Habe t Cathedrali s ecclesi a quinqu é Dignitates , Decanu s
videlicet , Cantor , Archidiaconus , Sachrista , Magiste r schollae ,
Canónico s ver o nouem , qua e omni a a d praesentatione m Regi s
Catholici , v t Magistru m ordini s militia e D . N . Jes u Christ i
instituuntur , e t a b ips o haben t su a ordinari a stipendia ; scilice t
Dignitate s haben t centu m e t quinquagint a ducato s se u scuto s
pr o singulis , a c singuli s annis ; Canonicatu s ver o quilibe t cen -
tu m e t trigint a du o simili a cu m dimidio , se d a Reg e Congens i
17
habe t vnusquisqu e vigint i quinqu e cofo s d e Zimbo , moneta e
illiu s Regni , ration e decimar ü pr o fructibu s terrae , qua e to t
scut a apu d illo s valent ; e x praedict o numér o canonicoru m no n
reperitu r ordinari e ne c dimidi a pars , paucissim i eni m sun t qu i
a d tar n remota s prouincia s e t aeri s instabilitatem , aliaqu e peri -
cula , e t incomod a s e vellin t exponere ; maxim e ver a o b reddi -
tuu m tenuitate m e t excessiu a reru m pretia , huiusmod i cano -
nicatu s nullu s es t qu i libente r vul t acceptar e e x lusitanis ; cu m
tarne n no n licea t incolaru m istaru m regionu m a d ill a bénéfici a
promoueri , propte r deffectu m virtutis , scientiae , aliaqu e incom -
moda , tenuita s etia m fabricae , qua e v t profertu r centu m scuto s
no n incidit , maxima e penuria e e t innopia e i n paramentis , cae -
terisqu e a d diuinu m cultu m necessariis , es t causa . / /
Extan t ver o i n praedict a Cathedral i se x calice s argenteo s
cu m patenis , vn a tantu m lampas , se d parua , a b Emanuel e
Episcop o donata ; va s aqua e benedicta e cu m hisopo ; vrceol i
pr o vin o e t aqu a cu m paru a pelui ; dua s cruce s processionales ;
tabernaculu m pr o Sanctissim o Eucharistia e Sacrament o proces -
sionibu s deportando , praedictaqu e omni a e x argent o confecta .
I n Cathedrali , a c pe r tota m diocesi m offici a diuina , Missas ,
e t Sacrament a omni a mor e Roman o celebrantu r e t adminis -
trantur , cu m ordinarii s caerimonii s e x Missali , Breuiari o e t
Ritual i Roman o desumptis ; se d cu m a d animaru m cura m
nullu s i n Cathedral i esse t specialite r deputatus , decretu m est ,
v t omne s dignitate s e t canonic i vicissi m pe r sua s hebdomada s
ho c munu s praestent .
Diebu s Dominici s e t festi s Missa s a c diuin a offici a i n
cant u figurat o aethiope s nonnull i concinnunt ; sun t eni m natu -
ralite r a d Musica m propensi , e t i n e a aliquantulu m periti , e t
Re x aliqui d Uli s pr o stipendi o elargitur , Magistr o pracipue , se d
ho c i n Cathedrali , alite r tarne n i n Loanda , v t infr a dicetur . / /
Exta t i n Cathedral i confraternita s se u societa s Sanctissim i
Corpori s Christi , a b ordinari o approbata , e t a lusitani s ib i com -
morantibu s pi e e t honest e sustentat a
sui s
proprii s sumptibu s
18
e t eleemosinis , se d nulla s obtine t indulgentias ; es t etia m ali a
confraternita s d e Misericordi a numcupat a i n propri a a c parti -
cular i ecclesia , se d nulla e sun t indulgetiae ; cu m tarne n a d
pioru m operu m exercitiu m si t vtilissima , e t tar n a Lusitani s
qua m a b Aethiopibu s mixti m e t administrat a su b inuocation e
ßeata e Maria e Virginis , e t Omniu m Sanctorum ; habe t suu m
Compromissu m e t ordinatione s circ a officia charitati s tar n spi -
rituali s qua m temporalis , se d no n habe t hospitalem , v t eiu s
instituti o petebat , qui a pauperrim i sun t Aethiopes , e t rege s
etia m no n mult ü potentes ; Lusitan i ver o cu m i n ho c tempor e
sin t pauassim i ib i commorantes , cu m proprii s sumptibu s a d
ho c no n s e extendunt ; extan t etia m i n praedict a ciuitat e tre s
ecclesia s su b tituli s Beata e Maria e Virgini s d e Rosario , ali a d e
Beat a Mari a Virgin e d e Immaculat a Conceptione , alter a ver o
d e Sanct o Antoni o d e Padu a etia m confraternitates , qua e a
Lusitani s administrantur , Missa s celebrare faciun t pe r omne s
hebdomadas , e t i n di e dedicationi s se u inuocationis , annu a
solemn i Miss a cu m procession e e t sermone , sicu t e t i n prae -
dicti s d e Misericordi a e t Sanctissim i Corpori s Christi ; alia e
ver o ecclesia e no n haben t confraternitates , se d tantu m su b
Regi s administration e sunt , v t Sanct i Iacobi , e t Sanct i Iosephi ,
qua e capella e contigua e sun t cu m su o Regal i Palatio , vb i quo -
tidi e Missa s celebrar e facit , e t ea s cu m su a famili a audit ;
alia e ver o dua e sun t etia m pr o deuotion e su a Sanct i Michaeli s
Archangel i e t Sancta e Crucis , qua e ia m quas i dirrupta e a c
dissipata e sunt : oli m ver o eran t quamplurima e ecclesiae , tar n
i n praedict a ciuitate , qua m pe r totu m Regnu m fundatae , se d
pe r multo s anno s ia m no n nis i praefata e inueniuntur .
Episcopu s Emanuel , qui a a d noueniu m vixit , magna m
parte m diocesi s personalite r peragraui t e t visitauit , aliaqu e pe r
idoneo s ministro s visitand o cutauit , v t caeter i fecerun t ets i no n
personaliter , qui a mort e praeuent i sunt , e t omne s verbu m De j
e t Catholica m Doctrinam , salte m Dominici s a c festiui s diebu s
19
proponeban t praedicando , exhortand o e t monendo , e t pe r
ministro s ho c múnu s exercer e faciebant . / /
Antoniu s Episcopu s Synodu m Diocesanu m celebrauit , ets i
pe r breue m e t quas i informe m sin e ordinationibus , qua s Ema -
nue l i n su o etia m Diocesan o Synod o ampliauit , e t omni a a d
animaru m salute m e t regime n ordinauit , que m secutu s etia m
Franciscu s Episcopus , i n su o prasent i triéni o i n ciuitat e d e
Loand a Synodu m congregauit , vb i mult a denu o statuit , qua e
a d reformatione m e t bono s more s pertinent , e t qua e a d cultu m
De j e t christiana m religionem , a c sacr i Euangeli i propagatio -
ne m expectant , e t iuxt a sacro s Cannone s e t Sanct j Concili j
Tridentini , singulo s anno s sua m diocesi m visitauit , v t potuit ,
e t visitanda m curauit , multosqu e abusus e t scandal a vitaui t
etia m apu d Lusitano s diuite s e t potentes , e t sempe r i n omnibu s
curaui t v t Sacrosanct i Concili j Tridentin i decret a inuiolabilite r
obseruarent ; e t propte r innumerabilissima s necessitate s quibu s
totu m Regnu m d e Angol a nouite r a d christianismu m conuer -
su m laborabat , no n potui t vsqu e a d sua m Cathedrale m perue -
nire , se d i n ha c ciuitat e d e Loanda , qua e Capu t e t Metropoli s
eiusde m Regn i est , sua m adhu c residentia m facit , quotidi e
praedicando , sacramentu m ordini s ministrando , v t ecclesiaru m
necessitatibu s possi t subuenire , Pontificali a celebrando , Confir -
mationi s sacramentu m conferendo , vas a Sacr a a d vsu m totiu s
diocesi s consecrando . / /
Habe t praefatu s Episcopu s Franciscu s d e Souera l i n ciuitat e
Sanct i Saluatori s vnu m Vicariu m Generalem , se u officialé , ta m
i n spiritualibu s qua m i n omnibu s qua e a d ordinaria m iurisdic -
tione m pertinent , v t i n praedict o Regn o d e Cong o possi t neces -
sitatibu s subuenire , a c d e omnibu s s e informare ; aliumqu e
Vicarium , se u officialem , habe t i n ha c ciuitat e d e Loanda ,
aliiqu e i n loci s d e Benguell a e t Maçangano , Vicari j se u Par -
roch i íllaru m ecclesiaru m ho c múnu s faciunt ; se d ill i du o prio -
re s e x sumptibu s eiusde m Francisc i Episcop i munerantur . I n
praefat o praesidi o d e Maçangano , qui a antiquíssim a es t habi -
20
tati o Lusitanorum , e t aetluope s a d Regnu m d e Angol a perti -
nente s quamplurim i incolant , magnumqu e contine t territo -
rium , nun c praefatu s Episcopu s Franciscu s aliu m Parrochu m
addedi t i n ecclesi a Sancta e Maria e Virgini s d o Desterro ,
signand o e i pr o su o territoti o tota m terra m qua m Lemb o
vocant . / /
Pe r totu m ver o Regnu m d e Angol a quatuo r tant ü extaban t
Parrochia e cu m sui s Parrochis , qua e a d Catholicu m Rege m
pertinent , v t Magiste r ordini s militia e Domin i N . Ies u Christi ,
a b eoqu e fundatae , a c sui s redditibu s dotatae ; videlice t i n prae -
dict o praesidi o d e Maçangan o vna , ali a i n praesidi o d e Cam -
bambe , alter a ver o i n praesidi o d e Embaca , e t alter a i n prae -
sidi o d e Mochima ; cu m tarne n i n ta m ampl o Regno , ne c
numér o quadrigenta e no n sufficerent . / /
I n loc o ver o qu i vocatu r Dongo , vb i habita t miserabilis -
simu s ill e Re x d e Angola , a nostri s Lusitani s captus , victus ,
a c nemp e extinctus , suoqu e imperi o e t regn o vi x annihilatus ,
assistun t du o Religios i sacerdote s e x Societat e Iesu , a d iliu m
instruendum , e t cu m su a familia , i n omnibu s qua e a d chris -
tiana m vita m pertinen t dirigendu m a c perficiendum . / /
I n ho c miserabilissim o stat u praefatu s Episcopu s Franciscu s
suu m Episcopatu m inueni t (quo d s i praeuenisse t au t cogitasset ,
nunqua m e x su a celula , qua m i n su a religion e habebat , exiis -
set) ,
se d stati m v t a d eu m accessit , e t ho c port u d e Loand a
appulisset , viden s qui a messi s quide m multa , operari j quide m
paucissimi : i n primi s ordinaui t v t i n Loand a Insula , qua e a d
Rege m d e Cong o pertinet , alter a parrochi a pr o Lusitanis , qu i
i n e a habitant , fundaretur , e x inuocation e Sanct i Ioanni s Bap -
tistae , i n ternton o quo d vocan t Cazanga , e t antiqua , qua e pr o
Aethiopibu s ipsiu s Regi s d e Cong o extabat , eratqu e quas i tota -
lite r extincta , e x sui s Episcop i expensi s reedificaretur . / /
I n ha c ciuitat e d e Loand a altera m parrochiam , se u Vica -
ria m i n district u d a Praia , qu i amplissimu s est , erexi t e t creaui t
i n ecclesi a qua e ib i era t titul o d e Corp o Sancto , eamqu e
21
ornaui t cu m lampade , turibulo , nauicul a e t vase , vb i reperitu r
Sanctissimu m Eucharisti e Sacramentum , omni a e x argent o con -
recta , e t Baldachin o cu m vestiment a intégra , e t frontal i e x
sui s sumptibus , a c pr o su a deuotione ; e t ib i confraternitate m
Sanctissim i Eucharisti e Sacrament i institui t ( 4 ) / /
I n praedict a ciuitat e alia m parrochia m cu m propri o par -
roch o creaui t pr o serui s e t mancipiis , qu i i n numér o vigint i
mili a excédent , e t si c ne c Missa s audiebant , ne c Sacramentu m
Paenitentia e frequentabant , ne c ali a recipiebant , se d nun c
omni a i n ecclesi a Diuu i Antoni j d e Padu a a propri o Parroch o
Uli s ministrantur , e t sua m confraternitate m Uli s institui t d e
Nostr a Domin a d e Rosario , qua m Uli s tradi t inseruiendum , e t
administrandum . / /
Caeteru m infr a scripta s etia m ecclesia s e t parrochia s erexi t
e t fundaui t extr a ciuitate m praedicta m pe r vario s locos , a c
distante s territorios , scilicet , i n territori o d a Quilund a iuxt a
flume n Bengo , ecclesi a d e Sanct a Mari a d e Assumptione , cu m
su o parrocho ; iuxt a praedictu m flume n a d littu s maris , alia m
ecclesia m d e Sanct o Michael e Archangelo , cu m su o parrocho .
I n territori o quo d Sequel e appellatur , altera m ecclesia m d e
Sanct a Mari a Magdanell a
(sic),
su b administration e patroch i
Sanct i Michaeli s d e Bengo . I n territori o ver o quo d Ica o nomi -
natur , circ a magnu m flume n quo d vocatu r Dande , altera m
parrochia m i n ecclesi a Immaculata e Conceptioni s Deiparae ; e t
i n territori o d e Manicoanz e altera m d e inuocation e Diuu j
Antoni j d e Padua , su b eiusde m parroch i administratione . Alte -
ra m ecclesia m i n territori o d e Quimbanza . I n Cacou a altera m
Sancta e Maria e Virgini s a d Niues , su b administration e par -
roch i d e Mochima ; e t ista s ecclesia s omne s praefatu s Episcopu s
Franciscu s pr o su a deuotion e sacri s vestibu s ornauit , e t omnibu s
a d altari s ministeriu m necessarii s impertiuit . / /
( 4 ) Cfr . Monumcnta, VII , pägs . 498 , 55 2 c 575 .
2 2
Fui t etian i praefatu s Franciscu s Episcopu s a d praecipua m
ccclesia m d e Loanda , qua e primu m locu m habet , e t Matri x
es t omniu m ecclesiaru m huiu s Regn i d e Angola , noue m ínte -
gro s ornamentos , e t no n pauc i momenti , e x séric o e t aur o
confectos : quatuo r scilice t alb i coloris , duo s rubros , vnu m vio -
laceum , altera m viride , e t nigru m alterum ; alio s etia m quatuo r
no n tant i moment i e x coloribu s ordinarns , cu m integr o serui -
ti o d e argent o pleno , e t alteru m etia m praetiosu m pr o solemni -
bu s festiuitatibu s feci t etia m praefatu s Franciscu s 1 6 ornament a
integr a e t quatuo r etia m coloribu s pr o seruiti o e t ornat u alta -
riu m minorum , cu m mapis , linteis , cumqu e omnibu s requi -
site s pr o decenti a e t munditia , tar n pr o seruitio , qua m pr o
ornat u altaris , qui a e x ii s omnibu s miserabilissim a inopi a labo -
rabat .
Maiore m capellam , qua e minu s decen s e t informi s erat ,
e x quadri s optim e elaborati s a c depicti s pe r pariete s e t tectu m
ornauit ; se x altare s minore s pe r tot ú corpu s ecclesia e erexit ,
cu m ante a duo s tantu m haberet ; dua s lampade s ardente s noct e
a c di e ant e Sanctissimu m Eucharisti e Sacramentu m appon i
iussit , qua e c ú
alu s
quinqu é sun t e x argent o confectae ; e t cu m
praedict a altarí a ecclesi a no n haberet , choru m ipsu m ordinauit ,
e x sui s expensis , e t v t omne s cleric i nouite r promoti , ib i i n
communitat e hora s cannonica s i n tempor e conuenient i recita -
rent , Missa s e t ali a diuin a offici a Dominici s a c festitui s diebu s
solemnite r cantarent , quanui s no n si t collegiat a ecclesia , ne c
vllu m ei s prouentu m pr o labor e assignetur , se d v t Catholicu s
Re x magi s excite t a d ista m ecclesia m prouidendu m e x necessa -
riis ,
sicu t etia m i n parrocho s nouite r promotos , qu i nulla m
portion é habent , v t illi s parrochii s inseruiant , se d e x pii s fide -
liu m eleemosini s aluntur , vsquequ o praedict a Maiesta s Regi a
pe r suo s ministro s prouideat , sicu t decet . / /
I n praefat a Matric e ecclesi a prim o man e du o cleric i récitan t
officiu m Conceptioni s Beata e Maria e Virgini s pr o inuocation e
e t titul o eiusde m ecclesiae , cu m cotti s se u superpelitiis , flexi s
23
genibus ; sequitu r ver o officiu m
diej ;
deind e Miss a d e tertia ,
qua e i n Dominici s e t festiui s diebu s solemnite r cantatu r a musi -
ci s e t capella , qu i i n dom o prafat i Francisc i a d ho c munu s
exercendu m aluntur , e t sustentantu r cu m organista , aliisqu e
musici s instrumentis , cu m ante a nihi l e x ipsi s extaret . Pos t
vespera s aute m dicuntu r litania e lauretana e e t quinqu e psalm i
nomin e Maria e pertinentes , se d praedicta e litania e i n omnibu s
sabbati s solemnite r decantantur . / /
Ordinaui t praefatu s Franciscu s i n prim a 6. a feri a quadra -
gessima e processionem , qua m vocan t do s Passos , i n qu a mult a
sign a deuotioni s e t paenitentia e reperiuntur , cu m magn o fide -
liu m concursu , e t pe r omne s sexta s feria s continuantu r ipsa e
statione s vsqu e a d maiore m hebdomadam , cu m magn a popul i
aedificatione , e t pe r tota s secunda s e t quarta s feria s ipsiu s qua -
dragessima e i n praedict a ecclesi a generali s disciplin a nocturn o
tempor e habetur , e t completonu m solemnite r pe r omne s quar -
ta s feria s decantantur . / /
I n predict a ecclesi a feci t etia m prefatu s Franciscu s noua m
sachristiam , e t i n e a colocaui t magno s e t perfecto s almarios ,
se u arcas , a d ornament a decente r seruanda ; e t cu m i n ecclesi a
praedict a ordinari e mult i captiu i baptizentur , qu i e x paganism o
veniunt , a c pe r magna m e t morosam , periculosamqu e nauiga -
tione m asportentu r i n parte s Indiarum , Brasiloru m e t aliorum ,
e t vicariu s aethiopica m lingua m nesciat , ne c eiu s coadiutor ,
se u aliqui s e x lusitanis , praefatu s Franciscu s ordinaui t cathechi -
zatore s quatuo r i n aethiopic a lingu a peritos , e t ben e instructos ,
a d cathechizando s omne s adultos , antequa m baptizentur , e t
si e magn a abusa , irreuerentia s e t sacrilegia , qua e e x huiusmod i
deffect u commitebantu r baptizand o praedicto s pagano s absqu e
vll a praeui a disposition e se u notiti a fidej , auertit . / /
I n ecclesi a predict a d e Misericordi a magnu m hospitale m
instaurauit , se u potiu s totu m d e nou o reedificatui t e t ampliauit ,
it a v t ib i septuagint a infirm i i n sui s lectuli s amplis , müdi s e t
capaeibus , curar i possint , cu m ante a etia m pauperrim e e t inde -
center , ne c decer n numer o capiebat , magni s tame n expensis ,
e t sin e aliqu a portione , a d redditu s Episcopales , se d cu m fidu -
ci a e t magn a i n Domin o confidentia , a d quer n omni a refe -
runtur . ( 5 ) / /
I n dom o Episcopal i eiusde m Francisc i ades t public a e t
generali s scholi a d e canto ; e t i n praedict a dom o institui t prae -
fatu s Franciscu s Seminariu m vnum , vb i aliqu i pue n commo -
rantur , e t i n art e gramatica e e t musica e instruuntur , a c i n
catholic a fid e e t sanct a Doctrina , cu m omnibu s qua e a d bono s
more s pertinent , educantur , cu m magn a sp e e t fiduci a i n
magnificenti a e t pi o anim o Regi s Catholic i (a d quer n hae c
omni a spectant ) quo d ho c opu s continuet , conserue t e t per -
ficiat , v t tar n magn o Princip i decet , a c i n tant a miseri a e t
ministroru m penuri a mitta t opperario s i n abundantia , qu i ani -
ma s fideliu m incultent , edocean t e t i n via m saluti s aeterna e
perducant . / /
I n De o laude m e t honorem , e t su b Sancta e Sedi s Apos -
tolica e patrocinio , a c bendictione , qua m ips e Episcopu s Fran -
ciscu s pr o se , e t pr o omnibu s sui s humilite r implorat . / /
Scriptu m apu d Sanctu m Paulu m d e Loanda , Regn o d e
Angola , praedict o anno , prim o di e Mensi s Aprilis .
a)
Fr . Franciscu s Episcopu s Congensi s
E t Angulensis .
ARS I — Goa, vol . 40 , doc . IV .
( 5 ) Cfr . o noss o estud o As Misericórdias de Angola, e m STVDIA ,
Lisboa , n. ° 4 — Julho—1959 - Fo i transcritt o integralment e e m POR -
TUGA L E M ÁFRICA , Lisboa , n. ° 94-95 , Julho-Outubr o d e 1959 .
25
Mende s e outros ; cantand o todo s a s oraçõe s pel o caminho ,
cous a nunc a vist a po r aquella s partes . Que m mai s m e moue o
a deuaça Õ fora õ tre s gentio s e quatr o gentias , qu e c õ sere m
muit o velho s e na õ s e podere m bolir , hya õ nest a sant a pro -
cissã o par a recebe r a sant a iguari a d o bautism o co m tant a
pressa , com o s e fora Õ d e vint e annos . / /
Acabad o d e manda r est a gente , passe i o ri o d a outr a part e
pel a hu ã hor a depoi s d o mei o dia , e at é á s quatr o corr y tre s
fazenda s pond o a su a gent e e m rol : a saber , a d o alfere s fua õ
Thomé , a d e fua õ Bello , e a d o Capitã o Manoe l d e Medella .
Nest e di a com y quas i nad a po r naÕ te r tempo , e sempr e n o
mei o d e tanto s trabalho s e calma s grandissimas , m e ache i bem ,
graça s a Deus . D a fazend a d o Capitã o Manoe l d e Medall a m e
part y par a passa r o ri o n a Callucalla , send o est a a terceir a ve s
qu e o passe i nest e dia . Chegue i a caz a d e Diog o Dia s Mende s
j á quas i d e noite , e imediatament e m e part y par a caz a d o Capi -
tã o Paes , aond e chegue i d e noite ; e porqu e estau a a gent e junt a
c õ o moç o qu e al y tinh a deixado , ensine i enta õ muit o d e vagar .
Acabad a a doutrin a quas i na õ cee i po r esta r cançado ; fo i s e o
Capitã o Pae s par a outra s cazas , qu e desta s estaua õ mu i desuia -
das ,
a recolhe r s e c õ su a molhe r e mai s familia . E u m e recoste i
sobr e a minh a cam a costumada , e na õ e m hu a famoz a qu e m e
tinh a preparado ; e po r te r o pensament o e m tanta s partes ,
dorm y quas i nada .
N a quint a feir a m e leuante i d e madrugad a a reza r algu ã
part e d o offiçi o diuino , e porqu e preui a o trabalh o daquell e
dia , queri a esta r aliuiad o d a reza . Amanhecend o o dia , fora õ
vind o hú s e outros , e e u d e contin o e m p é agazalhand o este s
hospedes , pond o n o ro l o s qu e ind a naÕ estaua õ escrittos , e
vend o o qu e sabiaõ , apartand o a s gente s da s fazenda s cad a hu a
a su a part e po r euita r confusão , e log o acodi a á mai s frac a n o
saber , c õ lh e declara r qu e cous a er a bautism o e matrimonio .
Pel o mei o di a chego u o Capitã o Mendo[n]ç a co m tod a a su a
32
gent e muit o be m vestida , e at é lecre s d a Jndi a ( 4 ) trazia õ a s
negra s qu e s e auia õ d e receber , qu e er a cous a d e vint e cazais . / /
Viera õ s e chegand o outro s capitãe s d e varia s parte s c õ a
su a gente ; e hú s e outros , conform e a orde m qu e lhe s tinh a
dad o antes , vinha Õ co m muit a alegri a cantand o pelo s caminho s
a sant a doutrina .
Crei a
V . R. a qu e m e v y enfadad o po r na õ
acodi r com o queri a a tant a gente , e accommodallos ; pore m fo i
m e grand e ajud a o irma õ Gonçall o Joaõ , qu e mande i pedi r
ante s a V . R. a , qu e chego u pela s tre s hora s d a tard e co m o
se u escritto . E assy m andamo s trabalhozament e arrumand o
cad a h ú po r su a part e a este s pobres , qu e tinha õ vind o d e ta õ
longe , at é noit e fechada . / /
Tod o est e di a d a quint a feir a s e esteu e ensinand o e m pezo ,
e tod a a noit e at é á s set e hora s d a sest a feira , e na õ houu e
que m dormiss e e m tod a ella . Estaua õ alegre s todo s e contentes ,
a o qu e ajudo u na õ aue r mosquito s nest a noite , auend o na s
outra s tantos , qu e ningué m s e pôd e vale r co m elles . Nest e
temp o ensinarã o dezaset e mestre s a est a gente , entr e homé s
e molheres ; estand o a s qu e s e auia õ d e bautiza r e caza r afas -
tada s do s homés , qu e par a tud o s e de u ordem , send o o ter -
reir o grandíssimo . Pel a mei a noit e conte i a s fogueira s a qu e
est a gent e s e estau a aquentand o e cantand o a sant a doutrina ,
e ache i trint a e oito . Er a par a my m grand e consolação , qu e
nest e lugar , ond e o santíssim o nom e d e Jesv s e d e Maria , po r
s e na õ nomear , er a ta õ abatido , agor a foss e exalçad o na s entoa -
çõe s do s qu e deixarã o d e se r idolatras . Nest a sant a noit e nad a
descansei , assy m po r tira r a limp o d e muito s roi s o s qu e s e
auia õ d e pô r e m bo m estado , com o po r vigia r o s lingoa s qu e
ensinassem , e na õ houuess e nest a ago a enuolt a algu ã offens a
d e Deus .
N a sest a feira , seis , s e armo u ricament e h ú alta r e m o ter -
reiro ,
qu e com o todo s este s capitãe s estaua Õ esperand o po r mim ,
( 4 ) Nã o topámo s est e term o no s melhore s dicionários .
3 3 3
s e tinha õ prouid o á s mi l marauilha s d a cidade ; e estand o j á
pela s oit o hora s dand o h ú prega õ ao s qu e s e auia Õ d e cazar ,
ouu y par a hu a part e d o terreir o hu á grand e bulha : á qua l
acod y log o c õ muit a pressa , assy m com o estau a co m a sobre -
peli z e estolla . E fo i qu e entr e o s qu e s e auia õ d e cazar , vinha õ
cous a d e doz e cazais , qu e na õ estaua õ ta õ vestido s com o o s
outros , po r andare m d e dó , co m se u senho r se r mort o d e pouc o
tempo . Aleuantous e h ú negr o d e for a o u o diab o e m su a figura ,
e diç e ao s anojado s po r mod o d e escárnio : Afastaiuo s par a lá ,
chiqueir o d e porcos , e na õ vo s cheguei s ao s graue s qu e ve m
vestido s d e festa . Arremeterã o o s aggrauado s a o aggrauante ,
qu e estau a be m enfadad o po r lh e querere m corre r á piogada :
ma s fo i lh e bo a ajud a o irma õ e eu . E tud o s e apazigo u co m
s e desdize r publicament e e m alt a voz , affirmand o qu e par a se r
o matrimoni o valid o na õ era õ necessário s tanto s vestidos , e
outra s cousa s qu e a est e propozit o lh e ensinamos . / /
Acabad o est e prega õ comece i a miss a votiu a d o Espirit o
Santo , offereçend o lh a par a qu e alumiass e e abriss e o enten -
diment o deste s bárbaro s a o conheciment o d a fé . Ante s d e puri -
fica r o s dedo s ( 5 ) de i outr o prega õ ao s noiuos , e log o fi z hu á
pratica , n a qua l tratte i d e com o o s senhore s d e escrauo s tinha õ
obrigaçã o d e o s pô r e m bo m estad o (6) louuand o o s e m com o
fazia õ bem , e qua m ma o er a o peccado , e outra s cousa s a est e
intento , qu e mouera õ a muita s lagrima s e alegri a espiritual . / /
Tod a est a gent e qu e s e
vei o
bautiza r e cazar , m e troux e
a o meno s cad a h ú su a galinha , e o s mai s rico s ale m d a gali -
nha , trazia õ ouos , panos , sal , cana s d'açuca r ett a . N a mesm a
estaçã o diç e e m alt a voz , qu e todo s e toda s tornasse m a leua r
par a sua s caza s quant o m e trazião , qu e a Religiã o d a Compa -
( 5 ) Ante s d o Lavabo, o u chamad a estação da missa, justament e
po r o celebrant e s e dete r a fala r à assemblei a cristã .
(6 ) Est a expressão , vária s veze s empregada pel o Autor , signific a
bo m estad o espiritual , d e consciência .
34
nhi a d e Jesu s na õ açeitau a nad a pelo s ensinar , cazar , e outro s
ministério s qu e faz , dada s esta s cousa s purament e po r elles .
Edificarã o s e todo s o s capitãe s qu e al y estaua õ c õ ouui r isto ,
e muit o mai s o s pobre s negros , poi s lhe s na õ açeitau a aquill o
qu e pod e se r tiraua õ par a my m d e su a boca , e po r vere m a d
oculu m com o a Companhi a o s tratt a bem . / /
Diç e lhe s mai s n a estação , qu e o s velhos , velha s e a s molhe -
re s qu e trazia õ criança s s e na õ fossem , porqu e acabad a a miss a
a s aui a d e conuida r ( 7 ) . Assi m o fi z co m hu a gross a esmol a
d e farinh a e peixe , qu e m e tinh a dad o h ú capitã o par a est e
mesm o fim . Todo s e m alt a vo z dera õ h ú grand e grit o c Õ ale -
gria , dizendo : bo a le y h é esta ; bo a le y h é esta ; bo m Padre ,
bo m Padre . Acabe i enta õ c õ hu á Au e Maria , qu e s e diç e
entoad a pel o augment o dest a nou a christandade . Estaria õ aqu y
pert o d e vint e homé s brancos , a saber , o s capitãe s Antoni o
Dia s Pinheiro , Manoe l d e Mendo[n]ça , Baltheza r Paes , Anto -
ni o Gonçalue z ett a . / /
Ditt a a miss a m e recolh y h ú pouc o e m oraçaõ , e log o
começo u o irma õ e e u a faze r muito s acto s d e contriçã o ao s
qu e s e auia õ d e bautizar , po r sere m o s demai s adultos . Feito s
o s actos , e m qu e gastamo s mai s d e hor a e meia , tome i a sobre -
peli z e estoll a par a o s bautizar ; aqu y nest e pass o m e v y mettid o
nu m laberinth o c õ tant a gent e po r o s na õ podermo s pô r e m
ordem , at é u m hu m d'aquelle s capitãe s de u e m hu á traç a mu i
boa , e fo i pollo s e m quatr o fileiras , assistind o a cad a hu ã dua s
pessoa s branca s d e authoridade , qu e o s fizesse m esta r quietos./ /
Ordenado s todo s assym e m ruas , fomo s continuand o co m
assa z trabalho , pel a abrazador a calm a dest e dia , e c õ se r j á
quissíuo , qu e enta õ h é c á o temp o mai s frio , parec e qu e Deu s
no s qui z da r mó r matéri a d e mereciment o c õ a calma , fazend o
s e tud o ist o nu m grand e terreiro ; hiamo s lhe s fazend o d e
quand o e m quand o sua s pratica s c õ acto s d e contrição , par a
( 7 ) Aqu i o verb o significa : presentear .
3 5
qu e a o meno s tiuesse m attnçaõ , qu e h é o qu e bast a n o bau -
tismo . O irma õ teu e nest e di a muit o trabalho , po r anda r muita s
hora s c õ a caix a do s santo s óleo s nu m prat o grand e d e prat a
c õ o algodã o co m qu e o s hi a alimpando ; a my m com o mai s
frac o doy a m e o braç o pela s muita s cruze s qu e fazi a pond o a
todo s o s santo s óleos . E o qu e mai s m e dau a pen a er a seca r
s e m e o cuspo , respeit o d a muit a calma , guardand o e m tud o
a s cerimonia s d a Jgreija . Gaste i quas i dua s hora s e m lhe s bota r
a ago a na s cabeças , porqu e com o o s mai s tinha õ o cabell o muit o
grand e c retorsido , er a necessári o i r c õ este s atent o par a qu e
lhe s chegass e a ago a á carne . / /
Viera õ quand o lhe s botau a a ago a c õ tant a desordem , qu e
fo i forçad o qu e algú s homé s o s detiuesse m arrancand o sua s
espadas , par a qu e nest a reuolt a s e na õ chegass e a bautiza r
algum , qu e ind a na Õ estiuess e be m instruído . Passarã o d e qua -
trocenta s pessoa s a s qu e bautizei , e ale m desta s caze i a cent o
e trinta : e assy m receberã o nest e sant o di a o s sacramento s d o
bautism o e matrimoni o quinhenta s e trint a e dua s almas . Ajun -
tarã o s e n o terreir o pouc o mai s o u meno s d e dua s mi l e qui -
nhentas ; porqu e o s bautizado s e cazado s trazia Õ cad a hü , se u
padrinh o e madrinha : e ale m destes , algú s qu e e u na õ bautize i
ne m cazei , po r aind a na õ estare m be m instruido s n a fé , qu e
sena õ oitocentos , e outro s qu e po r coriozidad e assistirã o a o
espectáculo . E vei o aquy , segund o o me u rol , gent e d e trint a
e oit o fazendas . / /
Depoi s d e o s cazar , comece i c õ a s bençaõs , e acabe i á s
sinc o d a tarde , vista s pel o relógi o d e sol , tend o começad o á s
oit o d a menham , se m no s entretermo s e m janta r ne m noutr a
cous a alguã . Effeituad o j á tud o o pertencent e a este s sacra -
mentos , fi z qu e s e puzesse m todo s d e juelho s ant e o altar , e
qu e rezasse m e m vo z alt a h ü Padrenoss o e hu a Au e Maria ,
ditta s e m acça Õ d e graças ; e c õ ist o o s despedy , encomendand o
lhe s qu e fosse m pelo s caminho s cantand o a sant a doutrina .
Apartarã o s e c Õ a s lagrima s no s olhos , e e u do s meu s despedi a
36
muita s mais ,
po r ve r
qua m louuad o
er a
Deu s
po r
este s conuer -
tido s
a su a fé . O s
home s graue s
e d e
trint a anno s d'Angol a
qu e aqu y estiuera õ prezentes ,
m e
affirmára Õ
na õ
tere m vist o
ne m ouuid o neste s reino s outr a cous a semelhante .
O
mesm o
affirmo u
o
irma õ Gonçall o Joaõ ,
po r te r
vint e anno s
d e
assis -
tênci a nesta s partes .
/ /
Depoi s
da s
sinc o hora s dest e
di a
fomo s ind a
á
fazend a
d o
Capitã o Antoni o Dia s Pinheiro , com o
lh e
dante s promettera ,
qu e acabado s
o s
bautismo s par a ell a
s e
tinh a
ido .
Aquy ,
po r
m o ell e pedi r
(na õ
ensinand o
o s
negro s
po r
estare m rouco s
d o
trabalh o passado ) cantáta õ soment e
a
doutrin a
o
milho r
qu e
puderaõ . Log o voltamo s
a
dormi r
à
minh a caz a
d o
Capitã o
Paes ,
e
chegamo s alt a noite ; enta Õ
reze i
part e
d o
offiçi o diuin o
qu e
m e
faltaua :
a
qua l rezad a jantamo s
e
ceamos ,
e e u
com y
pouc o mai s
d e
nad a
po r o
cançass o
m o na õ
permittir . Houu e
d e for a que m contemplasse ,
qu e
Noss o Senho r estender a
o
prezent e
dia ,
par a nell e tud o
s e
effeituar .
/ /
N a quint a
e
sest a feir a
m e
mandarã o muito s homé s
d e varia s
parte s grande s prezente s
d e
peruns , patos , leitõe s ett. a ; tud o
lhe s torne i
a
mandar , escreuend o lhe s cortezmente ,
qu e o s
aui a
po r aceitos .
S ó hu m
balai o
( 8 ) d e
peix e tome i
a o
Capitã o Anto -
ni o Dia s Pinheiro ,
po r se r
muit o amig o
d a
Companhia ;
á
volt a
d o qua l
m e
mando u oit o negra s adulta s par a bautizar ;
e
porqu e
aind a vinha õ
ma l
instruída s
n a fé ,
suppost o
qu e e u
dante s
po r
veze s
a s
tinh a ensinado , lha s torne i
a
manda r
se m
bautizar ,
na Õ
m e
dand o
po r
obrigad o
d a
peit a
( 9 )
par a aue r
d e
preuerte r
o mod o
d o
bautismo .
/ /
Neste s dou s dia s
de u o
Capitã o Pae s
d e
come r esplendi -
dament e
a
todo s
o s
homé s branco s
qu e
aqu y
s e
acháraõ ;
o
qua l
e
su a
molhe r
m e
pedirã o encarecidament e
qu e
solenizass e
e m
( 8 ) Cest o
d e
palha ,
e m
form a
d e
alguidar .
( 9 )
O
term o
te m o
sentid o
de :
dádiv a par a suborna r
o u
compra r
a consciênci a
a
alguém .
37
su a caza , e na Õ n a d e outr a pesso a alguã , a seguint e fest a d e
bautismo s e cazamentos , qu e depoi s d e passado s tre s meze s e u
aui a d e faze r c Õ outr a muit a gent e qu e andau a adestrand o no s
mistério s d a fé , qu e senã o aqu y mi l e quinhenta s pessoas .
Auend o outro s homé s qu e leuado s deste s dezejos , m e rogaua õ
o fizess e e m sua s cazas .
N o sabbado , sett e d o me z pel a menha m sedo , fomo s o
irma Õ e e u a caz a d o Capitão , qu e distau a d a noss a h ú pedaço ,
e despedind o no s dell e e d a molher , lh e agradecemo s e dêmo s
a s graça s d o bo m agazalh o qu e no s fizer a e á mai s gent e po r
noss o respeito . Daqu y no s fomo s a caz a d a sobreditt a molhe r
viuu a par a a sacramenta r conform e su a licença ; n o caminh o
encontramo s muit a gente , qu e alegr e e deuotament e cantand o
a s orações , s e hy a ajunta r l á par a ouui r missa , na ó reparand o
n o cançass o d e anda r est a distanci a d e tre s legoas . Jnd o nó s
pel o caminh o encontramo s a o Capitã o Antoni o Gonçaluez , qu e
estau a á su a port a esperand o po r my m par a m e da r hu á red e
qu e naquell a hor a s e lh e estau a acabando : c õ condiçã o qu e e u
na Õ a dess e á Ordem , sena õ qu e m e seruiss e soment e deli a
po r se r gross a e bo a par a o s espinho s deste s matos , emquant o
po r elle s foss e e andasse . Na õ lh a aceitei , ma s o irma õ Gon -
çall o Joaõ , qu e tinh a orde m d o Padr e Reito r par a lh e e u obe -
dece r quant o a o temporal , a aceito u e m me u lugar , vist o per -
tence r a o tratt o d e me u corpo . Est a fo i a únic a cousa , qu e no s
sinc o anno s qu e trabalhe i neste s reinos , aceitei . / /
Quand o chegue i a caz a d a viuu a j á l á estaua õ muito s capi -
tãe s c õ tod a a su a gente , cheio s d e fest a e alegri a espiritual .
Tinha õ o s filho s dest a viuu a honrada , qu e er a rica , armad o
nu a grand e sal a h ü famoz o altar , e tod a a caz a armad a d e sedas .
Emquant o e u confesse i doz e pessoas , ensino u o irma õ a dou -
trin a c õ o s lingoas ; começamo s a miss a á s onz e horas , á qua l
ajudo u o irma õ co m sobrepeliz , e n a estaçã o ( 5 ) lhe s louue i a
deuaça õ co m qu e acodíraõ . De i a sagrad a communha Õ ao s qu e
confessei , e houu e muita s lagrima s d e perdã o e amizades ;
38
engrandecend o todo s muit o noss a sagrad a Religião .
O qu e j á
concluíd o
no s
partimo s par a noss a caz a
d o
Bengo , ond e chega -
mo s
á s Au e
Maria s
( a ) ./ /
Vej a
V . R. a
qua m
be m
empregado s
e
aproueitado s
fora Õ
este s sei s dia s
e
mei o
c õ
sua s noites ,
qu e
gaste i
n a ida ,
estad a
e vinda :
co m
tant a glori a
d e
Deus , proueit o d'esta s almas ,
qu e tant o custarã o
a
Christo ,
e
honr a
d a
Companhia :
qu e h é
o branc o
e
alu o
a qu e
sempr e atir o
po r
ond e ando . Sinc o
o u
sei s meze s gaste i
e m
ensina r est a gent e
qu e
bautize í
e cazei ,
e outr a muit a
qu e
sedo ,
c õ a
ajud a
d e
Deu s pore i
e m bo m
estad o
( 6 ) . Na õ
cont o
o
muit o trabalh o
e
desgosto s
qu e m e
deraõ ,
porqu e
s ó
Deu s
o
sabe ,
a
que m
s e d ê
glori a
e
honra .
Noss o Senho r guard e
a V . R. a , e m
cuj a sant a bença õ
m e
encomendo .
D o Bengo ,
ao s
oit o
d e
Junh o
d e mi l e
sei s cento s
e
trint a
e
hum .
Súbdit o indign o
d e V . R. a
Per o Tauare s
ARS I
—
Lus..,
Cód . 55 ,
fls .
72-7 5
v .
BAD E
—
Cód . 116/2 /4 ,
fls .
27-3 0
v .
NOTA
—
Est e document o
é
precedid o
d a
seguint e nota ,
d a mã o
d o Padr e Pedr o
o u
Pêr o Tavares :
Te s breue s carta s mande i
d o
Beng o
á
Loand a
a o P. e
Reitor ,
qu e
continha õ
o
muit o frutt o
qu e e m
breue s sayda s fizer a
n a
minh a vinha ;
a s quai s
e m
Communidad e
le o o P. e
Joa õ Freire ,
qu e h é be m
verda -
deiro ,
e a s
ouui o
o
bo m
P. e
Antoni o d'Almeida .
E
porqu e
o s
originai s
ficára õ
e m me u
pode r (vist a
a
incertez a
d e
chegare m
á ma õ d e
V .
R. a ) , a s
ajunt o
d e
nou o
á
cart a retroproxima :
e
par a
qu e
nesta s
s e ache m
o s
cazo s
qu e n a
outr a passe i
e m
silencio :
na õ
obstand o repeti r
algú s
j á
relatados ,
po r
conforma r
a
summari a relaçã o
c õ a
orde m
d e
conta r
o qu e
fazi a cad a
dia .
Dond e
s e
colligir á
o
maio r frutt o
qu e
fizera ,
s e m e na õ
arrancarã o tre s
o u
quatr o veze s
d o
Bengo .
E
par a
que m
c á
vie r (lend o esta s regras ) traze r
j á hu ã
liça õ
d e
com o
s e h á
39
d e aue r neste s matos . Outra s muita s mandei , cujo s originai s perd y
co m tanta s arribadas ; ma s par a o simple s mod o d e tratta r este s negros ,
bast a o qu e escreuo : qu e delicadeza s theologica s o s confundem .
Ibid., fls . 7 2 e 2 7 respectivamente .
O text o d e Évor a d a Relação das Missões do P." Pedro Tavares,
Summaria Relação o u Summaria Carta, com o el e própri o lh e chamou ,
escrit a a o Provincia l d e Portuga l e m 1 d e Març o d e 1635 , fo i efecti -
vament e lid o e m Comunidad e (n a Universidad e d e Évora) , com o o
prova m o s muito s e grave s corte s qu e o text o sofreu , qu e o tornara m
po r veze s absolutament e ilegível , O text o d o ARSI , pa r su a vez , s e est á
íntegro , torna-s e també m d e difíci l leitura , particularment e e m micro -
filme , po r a tint a te r traspassad o o pape l d e fóli o par a fólio . Po r este s
motivo s nã o no s fo i possíve l traslada r aqu i o Relatóri o d o P. e Pedr o
Tavares .
A s carta s qu e publicamos , qu e o própri o auto r transcrev e e m
apêndic e à Relação, assinando-a s d e su a mão , sofrera m emenda s o u
adiçõe s e m 1635 , qu e s e torna m evidentes , po r exemplo , sempr e qu e
cit a e m carta s d e 163 1 a Summaria Relação o u a Summaria Carta, qu e
é d e 1635 . Est a observaçã o é especialment e relevant e n o fina l d a cart a
d e 2 d e Agosto , com o e m se u luga r s e anotará .
40
8
CART A D O COLECTO R APOSTÓLIC O
A O CARDEA L LUDOVIS I
(14-6-1631 )
SUMÁRI O — Parecer do Colector acerca das faculdades especiais pedi-
das à Propaganda Fide pelos Vigários da Mina.
Emin. œ o e Reu. m 0 Sig. r Padron e mi o Colendissimo .
Pe r dar e à V . Eminenz a l a pi u aggiustat a relation e ch e
poteu o dell i Vicari j dell a Mina , sit a nell a Cost a d i Africa , 1
qual i chiedon o à cotest a Sacr a Congregation e l'istess a facolt à
d i assoluer e n e i cas i occulti , ch e i l Concili o Tridentin o ne l
capitol o Liceat permett e à Vescoui ; e t i n oltr e d i benedir e para -
meña , e t d i consecrar e Calici , e t piett e d'Altare , m i uols i prim a
informar e d a un a person a molt o honorata , ch e gi à f ù Gouer -
nator e d i quell o Stato , da l qual e h ò cauat o l a relation e ch e
mand o co n quest a à V . Eminenz a nell'istess o mod o ch e l'h à
dat a a d u n Sacerdote , Ministr o d i quest o Tribunale , ch e man -
da i d a lu i pe r quest'effetto . Soggiungend o à V . Eminenz a (gi à
ch e m i command a ch e dic a i n quest o i l pare r mio ) ch e pe r
no n s i pote r saper e l a confidenz a ch e poss a fars i d i quest i
Vicarij ,
stimere i s i douess e andar é co n l e seguent i considera -
tion! .
Prim a d i no n dar e ta l facolt à seno n a l Vicari o dell a Mina ,
parend o ch e egl i sol o poss i bastar e pe r i l poc o numer o de ' Chris -
tian i d i quell e parti .
2. 0
Ch e n e à quest o s i douess e dar e senz a l'approuation e
de l Vescouo , a l qual e l a Sacr a Congregation e scriuesse , ch e
41
tempo , dig o estau a
n o
infern o
po r se r
gentio :
o u s e o na õ era ,
s ó
o
nom e tinh a
d e
christaõ . Gouernau a
o
filh o
po r se r j á
homem ,
a o
qua l
e á su a
gent e
e u
ensinei ,
qu e
estaria õ nest a
ocasiã o
d e
sua s diabólica s exéquia s pert o
d e
sei s
mi l
almas ,
entr e
o s
seu s
e o s qu e
viera õ
d e
fóra . Acabad o
d e
ensina r aquy ,
de i volt a pel a Quilunda , caminh o direito ,
e po r
mai s apressad o
qu e andei ,
m e na õ
pud e recolhe r sena õ
d e
noit e
a
caz a
d o
alfere s Domingo s
d e
Carualho ,
be m
contr a minh a vontade ,
poi s
na õ
aui a outr a caz a accomodada :
qu e
ordinariament e fuj o
o corp o deste s pallaçios , porqu e
o
temp o
qu e
gast o
e m
seu s
comprimento s
o
furt o
a o
ensin o deste s negros .
E
quer o faze r
me u offiçi o desembaraçado ,
e
escuza r
qu e
diga õ
qu e so b
cap a
d e doutrina s
m e
ench o nesta s caza s
d e
muita s drogas :
qu e
des -
ta s lingoa s
na õ h á qu e fiar .
Ao s seis ,
qu e fo i a o
domingo ,
m e
ergu y
d e
madrugada ,
po r sere m daqu y
á
noss a caz a
d o
Beng o sinc o legoas , ond e che -
gue i pela s onz e hora s molhado , ass y
po r te r
passad o
o ri o
dua s
veze s
c õ
muit o trabalho , com o
po r
caus a
d e
atoleiro s
e
orua -
Ihada s
d a
alt a erua ; ind a confesse i
a
dua s pessoas .
E
cert o
qu e
na õ podia ,
d e
fraco , dize r missa ,
ma s po r e m di a
sant o
na Õ
fica r tant a gent e graue ,
d e
tre s
e
quatr o legoas , desconsolad a
se m
ouui r
missa ,
a
diç e
o
milho r
qu e
pude , auizand o ante s
a o
irma õ
qu e
estiuess e
be m
pert o
d e mim ,
porqu e
s e
acaz o
m e
dess e algu m acident e
d e
fraqueza ,
m e
valess e
e
ajudass e per a
na õ cair .
Ao s sette ,
qu e fo i
segund a feira , cathequize i
a
muit a gente ,
e n a
menha m
d a
terç a feir a seguinte ,
qu e
fora õ oito .
À
tard e
fu i dormi r
á
Mobella ,
qu e
est á dest a fazend a tre s legoa s pouc o
menos ; nest a noit e ensine i
a
cous a
d e
trezenta s pessoas .
Ao s
noue ,
qu e fo i
quart a
feira ,
torne i pel a menha m sed o
a
ensina r
muit a mai s gente . Estaua õ enta õ aqu y
o
Capitã o Joa õ Pegad o
d e Ponte ,
qu e er a
senho r
d a
alago a
e m qu e e u e
ell e
c õ
seu s
negro s fomo s caua r
a s
valia s per a esgota r
a
ago a
e
lança r
o
diabo ; segund o mai s largament e conte i
n a
primeir a cart a
d a
48
Summaria Relação foi . 18 . Nest e mesm o di a fu i dormi r ind a
a o Sob a Manivungi , qu e fic a ale m d a fazend a d o Pegad o
grande s tre s legoas . A o outr o di a d a quint a feira , qu e fora õ
de z d o mes , depoi s d e ensinar , tant o qu e rompe o a menham ,
a tod a est a gente , volte i direit o á fazend a d o Capitã o Pegado ,
ond e nouament e ensine i a su a gente , qu e assa z alegr e estau a
c Õ o sucess o d a alagoa , e o senho r cad a ue z s e m e mostrau a
mai s obrigad o á Companhia . Jmmediatament e nest e di a volte i
a dormi r n a noss a caz a d o Bengo , aond e estiu e sest a e sábad o
cathequizand o muit a gente , qu e aqu y d e varia s parte s m e
esperaua . / /
N a menha m d o domingo , qu e fora õ tteze , depoi s d e bau -
tiza r quinz e pessoa s adultas , diç e missa : e ditt a m e part y outr a
ve s per a a fazend a d o Capitã o Pegado ; aqu y dorm y e s e ensi -
no u muit o bem . N a segund a feira , catorz e d o mes , m e part y
per a Manivungi , leuand o d e propozit o per a festeja r o caza -
ment o q u e u hy a faze r d o fidalgo , com o j á dante s tínhamo s
assentado : sei s moço s dançadore s co m viola , pandeir o e outro s
instrumento s muzicos ; o s quai s com o era õ bon s portuguezes ,
cauzaua õ cantand o hú a alegria , qu e attrahi a este s batbaro s a
Deus :
e est e er a o fi m d e e u l á lho s leuar , fazend o o gast o
d o come r o Capitã o Pegado , e m e de u mai s h ú bo i per a a
bod a d o fidalgo . A o qua l instru y largament e daquill o e m qu e
consisti a o sactament o d o matrimonio , com o j á dante s o tinh a
feit o c Õ ell e muita s vezes . Grand e trabalh o m e dera Õ o s Macóta s
(qu e sa Õ o s seu s principais ) porqu e com o o Sob a Manivung i
tinh a onz e molheres , algúa s parenta s deste s Macótas , cad a h ú
queri a qu e ell e cazass e c Õ a su a per a fica r honrado ; pore m o
fidalg o lhe s tiro u a s perturbações , dizend o qu e na õ aui a d e
caza r sena õ c õ hu a qu e tinh a gentia , filh a d'outr a Sob a vezinh o
seu ,
d a qua l tinh a j á h ú filho , e er a a primeir a qu e tomara . / /
N a terç a feira , quinz e d o mes , a bautize i c õ toda s a s ceri -
monia s d a Jgreija , e acabad o o bautism o diç e miss a nu m alta r
qu e limpament e m e preparo u o irma õ Gonçall o Joaõ , e depoi s
49
o s caze i n a form a d o Concili o Tridentin o ( 2 ) : estaria õ aqu y
noueçenta s pessoas . A cad a h ú do s noiuo s deite i po r minh a
ma Õ a o pescoç o huã s conta s c õ su a verónic a ( 3 ) e a cad a hu m
su a toalh a fin a d e canequy m ( 4 ) d e tre s varas . A o prezent e
ind a tinh a per a pô r e m bo m estad o duzento s cazaes , o s quai s o
na õ consentirã o n o mesm o di a d o fidalgo , per a c õ ist o o honra -
re m mais . / /
Aqu y tinh a bautizad o aui a sei s meze s cent o e vint e quatr o
pessoa s juntas , qu e sabia õ muit o bem , ond e també m diç e missa ,
tenh o po r ajudant e o irmã o Gonçall o Joaõ . Ter á est e Sob a aqu y
pert o d e mi l e duzenta s pessoas , qu e sed o pore i e m bo m estad o
co m o fauo r diuino . Mora õ este s pobre s entr e hú s mato s
cruéis , cheio s e pouoado s d e tigre s ( 5 ) ; e sabid a a caus a h é po r
estare m mai s afastado s d e brancos , pela s tirania s qu e lhe s
fazem : ante s d e chega r a o luga r te m h ú mat o muit o grand e
com o muro , e quas i se m caminho ; o qua l curse i muita s noites ,
dand o m e a ago a pelo s joelhos , send o m e po r veze s necessári o
e m alguãa s parte s i r d e gatinha s po r o caminh o se r precipi -
tado .
/ /
Primeir o qu e chegass e a pô r e m bo m estad o est e Soba , e
o s mai s qu e bautizei , fu i l á vint e vezes , gastand o po r alguã s
muito s dia s e m ensinar , dormind o aqu y cous a d e doz e noite s
sobr e quatr o paos , tod o molhado , debaix o d e h ú alpendre ;
porqu e este s deshumano s gentio s emquant o mu i familiarment e
s e naÕ da õ comnosco , vend o algu m branc o doent e o u necessi -
tado ,
enta õ o desempara õ mais , vingandos e d e nó s mai s á su a
vontade . E m tant o qu e no s primeiro s dou s mezes , ne m po r
( 2 ) O Concíli o Tridentin o fo i tornad o obrigatóri o e m todo o terri -
tóri o angolan o (compreendid o o Cong o e Benguela) , po r cart a d e 2 d e
Outubr o dei564 , a o Re i d o Congo . Cfr . Monumenta, II , p . 52 4 e 526 .
( 3 ) Image m d o rost o d e Crist o pintad a e m pan o o u metal .
( 4 ) Estof o indiano , feit o d e algodão .
( 5 ) Com o é sabid o nã o existe m e m Afric a o s tigres. Confusã o
co m a panter a o u a onça .
50
dinheir o cous a algu ã
m e
dera Õ
o u
venderão :
at é qu e
enchend o
lhe s
o s
olho s
d e
minh a muit a paciência , conjeiturára õ
se r a
noss a
le y boa . O
Manivung i est á
j á mu i
mettid o
co m o s Por -
tuguezes , tend o muito s compadres ,
e
ind o muita s veze s ouui r
miss a
a o
noss o Bengo .
/ /
Nest a mesm a terç a feir a depoi s
d e
caza r
a o
fidalgo ,
e lh e
faze r
hu ã
pratic a
ao s
seu s
d e
com o auia ó
d e
viuer ,
nã o
cazand o
ao s duzento s vazais ,
po r m e
aguarda r
o
Capitã o Gaspa r Borge s
n a
su a
fazend a
d a
Ensaca . Segund o
e u lh e
tinh a dad o palaur a
m e
fu i te r c õ
elle ,
qu e sa õ
daqu y sinc o legoas ,
e l á
chegue i
co m
dua s hora s
d e
noite :
qu e
est a
fo i a
quint a
e
recreaçã o
qu e
tome i
d o trabalh o
qu e tiu e c Õ
Manivungi . Reze i ind a nest a noit e
patt e
d o
offiçi o diuino .
/ /
A
menha m
d a
quart a feira , dezassei s
d o mes ,
gaste i
e m
ensina r
at é a s
onz e horas ; enta õ diç e miss a
nu m
corioz o alta r
qu e
o
Capitã o Borge s tinh a ornad o
po r su a mão ; n a
tard e ensi -
ne i
e
bautize i
a
oitent a
e
dua s pessoas , nou e era õ criança s
e a s
mai s
( 6 )
adultas .
/ /
N a quint a feira , dezaset e
d o
mesmo , diç e també m aqu y
missa , e
acabad a reçeb y vint e tre s cazais ,
e
tod o
o
mai s temp o
at é alt a noit e
s e ensinou , e á
gent e
d o
Capitã o Pegado ,
qu e
nest e
di a
chegarã o pel o jantar .
/ /
N a sest a feira , dezoito , depoi s
d e
dize r missa , reçeb y mai s
de z cazais ,
e
tod o
o
testant e
d o
temp o
at é
alt a noit e
s e
ensi -
nou . / /
A o
sábado , dezanoue , depoi s
d e
dize r missa ,
s e
ensino u
at é
o mei o
dia , e
bautize i
a
mai s quarent a pessoas , sei s crianças ,
e
a s mai s ( 8 )
adultas ,
qu e
era õ forro s
(* ) e
escrauo s
d o
Bor -
ges .
/ /
Concorre o aqu y neste s dia s gent e
se m
numer o
d e
varia s
parte s
e m e
dera õ muit o trabalh o ante s
d e o s pô t e m bo m
estado . Aqu y dorm y muita s noite s sobr e quatr o paos ;
nã o
fall o
( 8 ) Entenda-se .
a s
restantees .
51
doutra s muita s veze s qu e vi m aqu y d o Beng o amanhecer ,
send o o caminh o quas i d e quatr o legoas : e depoi s qu e aqu y
ensinau a dua s e tre s horas , dau a n o mesm o di a volt a pel a
fazend a qu e o Capitã o Borge s te m també m n a Quilunda , n a
qua l ensinaua , e n a d e outro s vezinho s qu e s e al y ajuntarã o
todos ,
a saber : d o Capitã o Marti m Correia , d e Sima õ Nunes ,
d e Joa õ Fernande z o Preto , d o Capitã o Domingo s Fernande z
d e Pinda , e d e outros ; ind o neste s dia s muita s veze s dormi r
á noss a caz a d o Beng o c Õ dua s hora s d e noite : tend o andad o
ante s de z legoas , da s quai s andau a quatr o e sinc o a pé , po r aliuia r
o s negro s qu e m e carregaua õ ( 7 ) . Nest e di a fu i á caz a d o Beng o
j á alt a noite . / /
N o domingo , qu e era Õ vinte , depoi s d e confessa r algu ã
gente , e d e ensinar , diç e missa ; acabad a a qua l bautize i nest a
noss a igreij a dezanou e pessoas . Dizia õ algús , chorand o lagri -
ma s d e alegri a (com o e u ouuy ) qu e ist o er a agor a a primitiu a
igreija . Nest a tard e cathequize i algu ã gente . / /
À segund a feira , vint e h ú d o mesmo , chegue i at é Callu -
calla , qu e dist a dest a noss a caz a set e o u oit o legoas , a certo s
seruiço s d e Deus . / /
N a terç a feira , vint e dous , torne i a dormi r a o Bengo , j á
d e noite . O s quatr o dia s seguinte s at é o sábad o estiu e n o Beng o
c õ o irmaõ , cathequizand o muit a gent e qu e al y tinh a vind o d e
sei s e set e legoas . / /
A o domingo , vint e set e d o mes , apregoe i o santíssim o
jubile u nest a sant a missa , qu e V . R. a m e mando u qu e s e
ganhass e di a d o noss o patriarc a Sant o Jgnaçio . Estaua Õ enta õ
al y o Capitã o mo r Manoe l Antune s d a Sylu a e outro s muito s
captitaé s , o s quai s dera õ graça s a Deo s po r vere m o qu e nunc a
cuidarã o neste s matos , poi s at é nelle s aui a est a igoari a d o Ceo .
Mande i log o a o Dand e e outra s parte s pel a post a auiza t d o jubi -
leu .
Acabad a a miss a d o domingo , bautize i set e pessoas , e log o
( 7 ) Entenda-se : qu e carregava m comigo , qu e m e transportavam .
52
nest a tard e m e part y a grand e press a outr a ve z at é a Callucall a
e outra s parte s po r dua s razoes : Huã , per a co m minh a própri a
pesso a mete r a gent e e m mai s fetuo r e e m maiore s dezejo s d e
ganha r o sant o jubileu , e també m po r qu e na õ deixass e d e
corre r po r l á est a noua , poi s algú s distaua õ nou e e de z legoas :
ficand o consoladissim o e chorand o co m alegri a po r Deo s lhe s
comunica r o qu e nunc a imaginarão .
A outr a raza Õ fo i per a lhe s dizer , qu e na Õ podi a nest a soma -
n a bautiza r e caza r a su a gente , segund o lhe s tinh a promettid o
anet s d e V . R. a m e auiza r d o sant o jubileu ; o qu e visto , guardás -
semo s o s bautismo s e cazamento s per a a soman a seguinte . Nest e
doming o dorm y n a Quilunda , e á segund a feir a vintoito , chegue i
á s parte s d a Callucalla , e nest e di a po r mai s qu e fi z na Õ pud e vi r
a o Beng o po r acodi r a algua s confissõe s d e pessoa s qu e estaua õ
morrend o se m copi a d e confessor . E quand o passe i o ri o d a Qui -
lunda , qu e seria õ nou e hora s d a noite , tiu e nell e muit o ttabalh o
pel o grand e escur o qu e fazi a e muito s lagarto s ( 8 ) qu e nest e
ri o há . Deo s po r su a mizericordi a m e liuro u deste s perigo s e
doutro s muitos . Est a noit e dorm y e m caz a d o noss o Joã o
Paquasseiro . Enta õ reze i tod o [o ] offiçio , e quand o acabe i seria õ
onz e hora s d a noite , estand o aind a quas i e m jejum , po r na õ
te r temp o d e di a per a come r h ú bocado . E saib a V . R. a qu e
soçede m á s veze s tanta s cousa s neste s matos , qu e h é forçad o
deixa r a Deo s po r o mesm o Deos .
A terç a feira , vint e noue , chegue i á noss a caz a d o Beng o
á s de z hora s e meia , pore m estau a ta õ fraco , qu e na õ m e atreu y
a dize r missa . Tod o est e di a confesse i at é alt a noit e cous a d e
quarent a pessoas . / /
N a quart a feira , trint a d o me s e vespor a d o Santo , confes -
se i tod o [o ] di a e m pezc , começand o ante s d e se r menham , at é
quas i dua s hora s d e noite , c õ candeia , a muito s homés ; a outro s
comece i d e confessa r n a madrugad a d a quint a feir a seguint e
( 8 ) Crocodilos .
53
di a
d o
Sant o
e d o me s o
ultimo , per a
te r
temp o
d e
confessa r
d e
di a a s
molheres ,
e
estiu e confessand o
a s at é a s
onz e hora s
e meia . Neste s dia s confesse i aqu y
e m
caz a duzenta s
e
sincoent a
pessoas ,
e na õ
fico u nhu ã
po r
confessar ,
na õ
auend o outr o
Padr e
ne m
Clérig o mai s
qu e eu .
Houu e muita s confissõe s gerais .
Diç e enta õ
miss a e fi z
minh a pratic a
c õ
algú s louuore s
d o
Santo ,
e agradeciment o
d o
muit o
qu e
fazi a
a
noss a Companhi a pelo s
salua r
a
todos ,
et. a A
deuaça õ
do s
quai s també m louuei , poi s
o s
qu e moraua Õ mai s afastado s sete , oit o
e de z
legoas ,
na õ
repa -
rarã o
e m
calmas , moléstia s
d e
caminho , etc. a , pel o interess e
d e
ganha r
o
sant o jubileu . Commungára õ
d a
minh a
ma õ
duzenta s
e tanta s pessoas , porqu e
ne m a
todo s
qu e
confesse i
de i a com -
munhaõ ,
po r na õ
estare m
ta Õ
prouecto s
na s
cousa s
d a fé : n o
qu e
vo u
sempr e muit o atento . Houu e muit a deuaça õ
e
lagri -
mas ,
perdoe s
e
amizade s
e m
algú s
qu e
estaua õ desunidos ,
dizend o
c õ
muito s louuores : Jesus ,
qu e
bell a Religiã o
h é
esta !
Aqu y
s e
achára õ
o s
capitãe s more s Manoe l Dia s
c õ se u
filho ,
e Sebastiã o Dia s Tissaõ ,
e o s
capitãe s Manoe l
d e
Mendo[n]ça ,
Francisc o
d e
Sous a
d e
Carualh o
e
outro s muitos ,
d e qu e s e
compunh a
h ú
fermoz o auditório ; porqu e com o
er a
quissíu o
(qu e
h é c á o
inuerno ) assistia õ este s senhore s
na s
sua s fazen -
das .
/ /
Vei o Sima õ Nune s canta r
á
viol a muit o
bem , e
Joa õ Fer -
nande z
o
Pret o també m
c õ a sua ,
auend o
d e
quand o
e m
quand o
descante ,
po r
entrete r
o
tempo . Tud o causo u
o
moue o deuaçaõ .
O irma õ Gonçall o Joa õ tomo u
á su a
cont a
o
ornat o
d a
igreija ,
qu e tant o pel o tect o com o pela s parede s armo u excellentemente .
Muito s homé s
s e m e
offereçêra õ aqu y per a
n o
seguint e ann o
fazere m
o
gast o
d a
fest a
d o
Sant o
e d o
jubileu , armand o
a
igreij a
e
trazend o muzic a
d a
cidad e etc. a
e h ú
delle s
a da r h ú
vas o
d e
prat a per a
a
sant a communhaõ ;
ma s
com o depoi s
d e
passado s algú s mezes ,
e
ante s
d e
chega r
o di a d a
festa ,
m e
tira -
rã o
d a
fazenda ,
na õ
tornand o
l á mais ,
per a
i r a
segund a
ve z a
Dong o
c õ o P. 6
Joa Õ
d e
Paiua ,
fico u
send o est e jubile u
o pri -
5 4
meir o e derradeir o at é est e ann o d e mi l e sei s cento s e trint a e
sinc o ( 9 ) . D e tud o s e d ê a glori a a Deo s e a V . R. a e ao s
Padre s e irmão s dess e Collegi o e d a prouinçi a d e Portuga l mui -
to s agradecimentos , poi s c õ sua s oraçõe s s e fe s est a pobrez a
entr e o s quatr o e o ultim o di a d e Julh o d e mi l e sei s cento s e
trint a e hú , c õ tant a perfeiçã o e honr a d a Companhia . / /
Noss o Senho r guard e a V . R.ª
D o Bengo , ao s dou s d'Agost o d o ditt o ann o ( 10 ) etc. a
Súbdit o indign o d e V . R. a
a) Per o Tauare s
ARS I — Lus.., Cód . 55 , fls . 76-7 7 v .
BAD E — Cód . 116/2/4 , fls. 31-32v .
( 9 ) Est e pass o mostr a te r sid o redigid o e m 1635 . O s aconteci -
mento s narrado s ocorreram , contudo , e m 163 1 e a cart a tev e est a data .
N o códic e d e Évor a todo o períod o é dad o e m nota .
( 10 ) O ditto anno é 1631 .
5 5
1 1
CART A
D O
PADR E
SIMÃ O
D E
AGUIA R
A O
GERA L
D A
COMPANHI A
D E
JESU S
(12 -8 -1631 )
SUMÁRI O
—
Recebe ordem
-para
ir
para
o
Congo
—
Salda
do
Padre
Duarte
Vaz —
Missão
no
Dongo
— Mau
clima
do
Congo
—
Informações
do
caminho
para
arribar
á
Etiópia.
Pa x Christ i
Chego u
a
est e Collegi o
d e
Angol a ord é par a
s e i r o
P. e
Duart e
Vaz , qu e
estau a
po r
Superio r
n o
rein o
d e
Congo ;
parece o
a o P. e
Reito r
e à
sant a obediência , par a
s e
ell e
vi r e i r
par a ess e reino ,
qu e
foss e
e m se u
lugar ;
uo u mu i
consolad o
e
animado , poi s assi m
o
ordeno u
a
sant a obediência , aind a
qu e
co m muito s achaques ,
e o
caminh o
h é
comprid o
e
trabalhoso ,
e ningué m
l á ua i qu e o na õ
pagu e
co m a
uida ,
o u
quand o
na õ
co m muita s
e
graue s doenças , com o temo s
be m
experimentad o
d e
1 0
anno s
a
est a part e
qu e h á qu e
esto u nest e Collegio .
Co m tud o iss o Deu s
h é pa i d e
misericórdi a
e
Deus totius
con-
solationis;
na s
sua s maõ s est á
a
mort e
e a
uida ; ell e escolh a
o
qu e [hé ] d e mai s se u
sant o seruiço ;
e u pe r su a
misericórdi a
uo u aparelhad o par a tud o
o qu e
ell e ordenar ,
e
post o
e m
sua s
maÕs ;
ell e escolha .
/ /
E u
i á se i e
tenh o
be m
experimentad o com o esta s terra s
piquam .
Poi s
estand o
n o
rein o
d e
Dongo , estiu e tanta s ueze s
à morte ,
e pe r na õ te r
saúd e
m e
mando u torna r
o P. e
Reitor ;
contud o
o me u
[deuer ]
h é
obedece r
e co m
alegria . Deu s
des -
ponh a com o
lh e
parece r melhor .
/ /
5 6
Porqu e se i o zell o grand e qu e V . P[aternidad] e te m da -
quell e rein o e s e conserua r nell e a f é e le i d e Deus , e leua r
adiant e a cristandade , faunte Deo, qu e d e mi m nad a confio ,
fare i co m toda s minha s força s qu e ist o u á e m aumento , e d o
qu e Deu s fo r seruid o obra r escreuere i a V . P[aternidad] e mu i
larg a e meudament e e tomare i noua s enformaçoi s d o caminh o
d e Etiópia , e d e tud o enformarei . / /
V . P[aternidad] e m e faç a [a ] charidad e botarm e hu a larg a
e santíssim a bençaó , par a qu e eu , com o filh o d a Companhia ,
proced a conform e ell a que r d e nós . No s santíssimo s sacrifício s
d e V . P[aternidad] e muit o m e encomendo . / /
Loanda , 1 2 d e agost o d e 6 3 1 .
Seru o e indign o filh o e m X o d e V . P. e
Sima õ dAguia r
ENDEREÇO : A o muit o Reuerendissim o Padr e Mutiu s Vítel -
lescu s Gera l d a Companhi a d e Iesu s — Roma .
ARSI— Lus. , vol . 74 , fls . 193-19 3 v .
5 7
sempr e insist y e m o s ensinar , at é qu e caíra õ n a conta , qu e a
le y qu e lhe s e u ensinaua , er a boa ; e com o deste s tinh a cazad o
cent o e nouent a e sinc o pessoas , tant o qu e dest a ve s m e viraÕ ,
deixarã o seu s folguedos , e m e viera ó ve r cheio s d e muit a ale -
gria , pond o s e d e joelhos , e batend o a s palma s da s maõs ; cere -
moni a qu e uza õ per a c õ aquelle s qu e ama õ d e coração , trazend o
m e hú s galinhas , outro s ouos , ago a e at é eru a per a o jument o
e m qu e hya . A ago a e eru a lhe s tomei , e o mai s naõ . D e noit e
ensinamo s aqu y obr a d e quinhenta s pessoas , tratand o lhe s d o
sacrament o d a communhaõ , confissão , etc a ./ /
N a terç a feira , ultim o d e Setembro , muit o sed o m e part y
per a o Sob a qu e chama õ Quitelle , aond e nunc a tinh a ido , c õ
dou s moço s qu e m e empresto u o feito r d o Borge s per a m e
ensinare m o caminho , aond e chegamo s pela s quatr o horas , j i
(Deo s louuado ) se m febre . Vei o m e log o ve r o Sob a c õ o s
principais , e m e troux e h ú prezent e d e dua s galinha s e pouc a
farinha , qu e na õ lh e aceitei ; s ó ago a lh e pedy , qu e j á d e noit e
m e troux e pouc a e roim , po r s e te r id o busca r daqu y a tre s
legoas . Aqu y ensine i d e noite , po r faze r muit o luar , a qui -
nhenta s pessoas , c õ grand e trabalho ; porqu e este s gentio s tud o
er a ri r e zomba r d o qu e lhe s ensinaua , andand o algú s corrend o
e saltand o diant e d e my m com o que m fa z sorte s a touros . E
vend o e u qu e na õ aproueitau a n o qu e fazia , tome i h ü pan o
(qu e h é o dinheir o d e cá ) e dei o a h ü menin o genti o qu e
estau a chorando ; o qu e vist o po r algü s dera õ fam a d a peita ,
e log o acodi o muit a mai s gent e a ouui r a sant a doutrina . / /
Junto s qu e fora Õ comece i a ensina r c õ alegria , e aruore i e m
h ú alt o pa o outr o pan o po r premi o per a o primeir o qu e s e sou -
bess e benzer ; o s quai s com o sa õ ta õ pobre s e interesseiros ,
todo s s e applicaua Õ a qua l seri a o primeir o qu e leuass e est a
cadei a d'ouro . Enfi m c õ est a sant a inuença õ s e soubera õ oit o
benze r e m pouc o tempo ; e a o vencedo r d o premi o (qu e e m
dinheir o d e cobr e na õ va i de z reis ) dera Õ e festejarã o c õ grande s
apupadas . Fomo s continuand o c Õ a doutrina , n a qua l ficára Õ
64
muito s destro s
e m s e
benze r
e
sabe r quanta s era õ
a s
pessoa s
d a
Santíssim a Trindade . Acabad a ell a
o s
mande i
c õ
alegri a per a
sua s cazas , cantand o
e m
alt a
vo z o qu e
sabiaõ . Aqu y dormy ,
algu m temp o mai s descansado ,
po r
nest e Sob a acha r algú s
lin -
goa s
qu e
vinha ó merca r droga s
d a
terra ,
do s
quai s
m e
ajude i
n a doutrina , per a tere m algu m aliui o
o s
meu s dou s lingoa s
qu e
leuaua . Este s bon s acerto s
m e
depar a Deo s muita s vezes ,
qu e
leuand o
e m
minh a companhi a pouco s lingoas , sempr e neste s
mato s ach o outro s
qu e m e
ajuda õ
a
trabalha r mais :
a o qu e s e
na õ negaõ ,
po r e u o s te r
ensinado , bautizado ,
e
cazado .
/ /
Quer o faze r sabe r
a V . R. a
ond e est a gentilidad e habita ,
qu e espanta .
Sa õ ta õ
bruto s
que , c õ
tere m excellentissima s
terras ,
a s
deixa õ
e
mora õ entr e espinho s
ta õ
alto s
qu e
quas i
s e
na õ pôd e
i r
pelo s caminhos ,
po r
sere m
hú s
estreito s carreiri -
nhos ,
e s e
espinha r
a
gent e entr e elles , tend o
a s
cazinha s ond e
viuem , afastada s huã s
da s
outras .
E
caminhã o meio s
nú s e
ensanguentados . Reçeoz o
e u do s
leoés , pergunte i
a o
Sob a
s e
for a ficau a delle s segur o
o me u
jumento . Responde o
m e qu e
na Õ
o s
aui a aqu y
ne m
outr a fer a alguã .
N o qu e s e vê ,
pouoa -
re m este s gentio s
po r
med o
do s
Portuguezes ,
a
lugare s
qu e a s
mesma s fera s
po r su a
asperez a desemparaÕ . Queime i aqu y dua s
caza s
e m qu e s e
fallau a
a o
diab o
e
destru y outra s feitiçarias ,
achand o este s cafre s
ta õ
cruéi s per a
a s
cousa s
d e
Deos ,
qu e d e
my m confess o
na õ m e
atreue r
c Õ
elles ;
qu e s ó o
Santíssim o
P. e Xauie r
o s
puder a abalroa r
e
mette r
n o
caminh o
d a
saluaçaõ .
Na õ obstant e ist o tente i
a o
fidalg o
s e
queri a
se r
christáo ,
qu e
o ensinari a
e ao s
seu s
c Õ bo a
vontade .
Mu i
afout o
m e
respon -
deo ,
qu e j á er a
christaÕ .
E
perguntand o
lh e eu :
Que m
t e bau -
tizou ? diç e
qu e a
caz a
d e
cert o home m
d e
naça õ
( 4 ) o
man -
dar a chama r
h ú
clérig o
qu e a foi . 7 d a Summaria Carta
apon -
tamos ,
e qu e se m lh e
ensina r couz a algu ã
d a fé , o
bautizára ,
( 4 ) Judeu , cristão-novo .
5
consentind o
lh e qu e
ficass e
c õ a s
manceba s
qu e
tinha ,
e c Õ a s
idolatria s
e m qu e
viuia :
e qu e
est e
bo m
ensin o
lh e
satisfizer a
muit o
bem .
Deo s
no s
acuda .
N a quart a feira , primeir o
d e
Outubro , pel a menha m
be m
sed o
m e
part y per a outr o Sob a
po r
nom e Tongo , aond e nunc a
tinh a
ido , e
chegue i pela s dua s horas . Mandei o chamar ,
e m e
vei o recad o
qu e
estau a dormindo ; espere i grand e
mei a
hora ,
e
tornand o
lh e [a ]
manda r recado , vei o muit o gord o
e
untado .
Deixado s comprimentos ,
lh e
pergunte i
s e
aui a outr a vid a mai s
qu e esta ,
e m e
responde o
qu e naõ . E u
enta õ sorrind o
m e lh e
diçe :
po r
iss o
t u
está s
ta õ
gordo ,
e
ten s tant a carniç a
d e
molhe -
res ;
á
volt a
d o qu e o
consolei , dizend o
lh e qu e po r at é
enta õ
na õ
te r
que m
o
ensinasse ,
po r
iss o ignorau a esta s cousas .
/ /
Mandoum e
se u
present e
d e
galinhas , fatinh a
e
feijões ;
a
farinh a
e
galinha s torne i
a
mandar :
e do s
feijõe s tome i
o s qu e
bastasse m per a cea r
c õ o s
meu s moços ,
qu e se m sa l e
azeit e
s e
comêraõ ;
ma s a my m m e
soubera õ
mu i be m po r
lhe s mistura r
a sals a
d e S .
Bernardo . Ensinous e
at é
alt a noit e
a
cous a
d e
seiscenta s pessoas ;
h é
gent e
mu i
doçi l
e
domauel : pel o
que ,
entend o
qu e s e
houue r que m
c õ
elle s continue , este s
e o s
mai s
s e mettera õ
n o
grémi o
d a
Igreija .
/ /
N a quint a feira , dou s
d o mes , m e
part y
be m
sed o dest e
Sob a Tong o per a outr o chamad o Quionzo ;
e
duzenta s pessoa s
qu e ell e tra z semeando ,
hu ã
lego a ante s
d e
chega r
a o se u
lugar ,
mu i espantado s viera õ
ve r a o
caminho ,
s e er a e u
hom é com o
o s outros : porqu e algú s Soba s lhe s tinha õ ditt o
qu e e u na õ
tomau a cous a algu ã
qu e s e m e
daua .
O qu e mai s
largament e
s e conto u
n a
Carta Summaria
foi . 3 . A
caz a
d o
Quionz o che -
gue i pela s tre s horas ,
e m
cuj o terreir o ache i quinhenta s pessoas ,
entr e Maceta s
e
principais ,
qu e
estaua õ dand o jurament o
a h ú
genti o
d e
cert a cous a
qu e s e lh e
leuanto u faze r
ma l
feita .
Na õ
perd y est a
bo a
occaziaõ ,
e
ass y
a
ago a
qu e
tiu e
fria , fo i
ensina r
espaç o
d e
hor a
e
mei a
a
este s
e a
outro s
qu e d e
nou o
s e
che -
garão .
A
form a
d o
jurament o
era , da r a
bebe r
a o
culpad o
h ú
66
quartilh o ( 5 ) d'ago a esprimid o nell a o sum o d e cert a eru a peço -
nhenta ; e s e morr e dentr o d e hu á hora , cre m qu e fe s o mal ,
e s e viue , qu e h é fals o testemunho . E porqu e o sobreditt o negr o
passad a hu á hor a depoi s d e bebe r a agoa , na õ morrera , o abra -
çarã o c Õ muit a fest a e alaridos , enchendolh e tod o o corp o d e
p ó d a terra . Outro s muito s juramento s te m semelhante s a
este . / /
Acabad a a doutrin a m e recolh y e m hu á cazinh a dad a pel o
Soba , qu e mai s er a sepultur a qu e caza ; a ell a m e vei o ve r o
fidalg o Quionz o c õ muit a negragem , po r se r be m poderozo ;
est a fo i a primeir a ve z qu e o vy , po r nunc a dante s aqu y te t
vindo . Trouxem e sei s galinhas , muit a farinh a e vinh o d e
palma ; o qua l e u tome i per a o s moços , e o mai s lh e torne i a
dar : c õ qu e fico u pasmado . O janta r dest e di a fo i á noite , c Õ
quas i nada , ma s muit o bo m (Deo s louuado ) d a saúde . E por -
qu e sei s o u sett e lingoa s aqu y chegarã o nest a noite , co m a su a
ajud a torne i a faze r doutrina . / /
Este s m e diçera õ c õ certez a qu e haui a pouc o tere m trazid o
este s gentio s do s mato s hu a cru z qu e estau a n o terreiro ; a qua l
puzer a al y h ü home m branco , e aui a anno s qu e l á estaua , se m
nunc a nelle s choue r hu á got a d'ago a na s terra s dest e Soba ,
send o qu e choui a na s d e seu s vezinhos : ma s qu e e m vind o a
Cruz , log o chouêra , o qu e ouuid o po r my m lhe s fi z hu á pratic a
explicand o lhe s o qu e er a [a ] Cruz , e que m morrer a nella ,
aduertind o o s d a reuerençi a qu e lh e deuiaõ , poi s c õ a su a vind a
log o sua s terra s tiuera Õ chuua . E ass y a estima õ muito , e alim -
pa õ e barre m a miúd o o tetreno . / /
N a tard e dest e di a m e soçede o o seguint e cazo . Queixous e
m e o Sob a pondos e ant e my m d e joelhos , qu e tinh a àquell a
hor a aqu y chegad o d a Loanda , h ú hom e branc o per a s e aga -
zalha r d e noite ; e apozentand o o c Õ se u fat o ( 6 ) e negro s e m
( 5 ) Medid a d e líquido s correspondent e a o mei o litro .
(° ) Mercadoria s ligeiras , bagagens .
67
a s sua s mühore s cazas ,
na õ s e
contentand o
c õ
isso ,
c õ
grande s
ameaça s
e
soberb a
lh e
pedi a
a
própri a caz a
e m qu e c õ su a
famili a moraua : pedindolh e outr o
s y
sessent a carregadore s
mai s
per a
lh e
leuare m
o se u
fat o tre s dia s
d e
caminho .
E
porqu e
o
Sob a
lh e
dau a pouzad a
e
carregadores ,
e o
home m insisti a
e m
pedi r
a su a
mesma , encarecidament e
m e
rogau a
lh e
valess e
e
foss e
bom .
Enfadad o tome i
o
caminh o
c Õ o
Sob a
e
muit a mai s
gente ,
e fu i
falla r
a o
homem : pore m tant o
qu e no s
vimo s
no s
falíamo s
c õ
muit a festa . Tratandolh e
n o
sobreditt o queixum e
d o Soba ,
m e
diç e
qu e lh e na õ
dau a caza s
a se u
modo :
a s
quai s
e u
vy , e
era õ muit o boas .
/ /
Diçelh e enta õ
qu e s e
accomodass e
Su a
Merc ê nellas , poi s
e u
e m hu ã be m
pequen a
o fazia ; e
porqu e
e u
sabi a
se r
ell e
d e naça õ
( 4 ) , lh e
diç e também :
qu e
poi s
e u
prègau a
se r a le y
d e Christ o btanda ,
e
suau e
e d e
muit a paciência ,
na Õ a
fizess e
Su a Merc ê crue l
e
insofriue l
c õ
sua s ameaça s
e
rigores .
A o
qu e enta õ
m e
respondeo ,
qu e na õ s ó na s
caza s
qu e lh e
daua õ
dormiria ,
ma s a o
seren o
s e
foss e necessário , abraçand o log o
a o
Soba , pedindolh e aprendess e
o qu e e u lh e
ensinasse , poi s
s ó
a ess e
fi m ah y
vinh a
d e ta õ
longe .
A o qu e o
Sob a
m e
fico u
agradecido , dand o
m e s e
quizess e muito s mimos , droga s
e
negros ;
e m e
diç e
qu e c õ o s
seu s queri a aprender ,
e
sere m
filho s
d e
Deos .
S e
houue r continuação , auer á aqu y
hu ã
grand e
conuersaõ ,
se m
nell a torna r atraz , poi s esta Õ cercado s
d e
muita s
fazenda s
d e
Portuguezes .
N a sest a feir a tres , pel a menh ã
be m
sed o
m e
part y
d e
Quionz o per a Golungo ;
e
estand o
j á
afastad o
d e
Quionz o cous a
d e mei a legoa ,
m e
soçede o
o
caz o
d a
Sftmmaria Relação,
foi .
1 7 v° , d o
genti o
e
genti a
qu e
estaua õ circuncidand o
se u
filho .
Chegad o
qu e fu i a o
Sob a Golungo ,
qu e
seri a
hu ã
hor a
ante s
d a
noite ,
v y o
idol o
d e qu e j á
tratte i
n a
Summaria Carta
breuemente ,
foi . 9 v ° e
agor a dire i largament e
o qu e c õ
ell e
m e soçedeo .
/ /
68
Doutra s veze s qu e aqu y tinh a vind o a ensinar , lh o na ó
tomei ; porqu e com o esperau a c ó a ajud a diuin a d é pô r e m
bo m estad o tanto s milhare s d e almas , com o te m est e Soba ,
junta s c õ a s d e outra s fazenda s d e Portugueze s vezinhos : na o
qui z log o entra r d e nou o c õ a espad a arrancada . E sabemo s
qu e na s Republica s s e sofre m peccados , po r escuza r outro s maio -
res ,
com o di z S . Gregorio , qu e acab a c õ esta s palauras : Per-
mittimus ergo fieri mala, ne fiant deteriora. Ma s agor a o fu i
busca r pela s razoe s acim a dittas . Estau a o Ídol o á entrad a d o
lugar , e com o s e for a cruz , a o sai r e a o entra r nelle , lh e fazia õ
reuerençia . Distau a e u dell e h ú tir o d e pedra , e aqu y m e pu z
d e joelho s c õ a s costa s virada s a elle ; log o fi z acto s d e contriçã o
e d e fé , dezejand o da r a vid a po r Noss o Senho r s e m e matas -
se m in contumeliam Christi, d o qu e po r meu s peccado s na õ
so u digno : qu e ne m este s saluagé s d e c á te m est a distinçã o
d e matare m pel a fé . / /
Acabado s o s santo s acto s m e chegue i a o ídol o e o cospy ,
dandolh e muito s couces ; arque i c Õ elle , e nunc a d o cha õ o
pud e arrancar : e vend o e u qu e estau a ta õ afincad o (encomen -
dand o e m me u coraçã o a Deo s o bo m fi m dest a victoria ) ped y
hu ã fac a grand e a h ú do s meu s moços , e fi z deli a enxad a co m
qu e caue i a o redo r d o ídolo . Arrancad o já , vire i o rost o per a
o lugar , e v y esta r po r cim a do s muro s muito s gentio s admi -
rado s e colérico s contr a mym , c õ muito s arco s e frechas . Fizlhe s
pel o lingo a hu ã pratica , qu e e u er a o se u mestre , e qu e hy a
al y e m luga r d o Senho r Bisp o e Gouernado r ( 7 ) : e assy m qu e
s e algu m m e atirau a c õ algu a frecha , lh e auia õ o s Portugueze s
d e da r guerra . / /
Tome i enta õ hu ã cotda , e ate i a a o pescoç o d o idol o e a
prend y n o jumento ; diç e a h ú do s meu s lingoa s qu e pel o
(7 ) O Bisp o er a D . Francisc o d o Sovera l (1627-1642 ) e o Gover -
nado r D . Manue l Pereir a Coutinho , comendado r d e Penel a n a Orde m
d e Avis .
69
cabrest o o leuass e á rod a d o terreiro : j á nest e comeno s estau a
tud o chei o d e gentio s armados ; e a o idol o qu e s e leuau a arras -
tado ,
hy a e u açoutand o c õ h u borda õ e fazend o outro s vitu -
périos , dizend o e m alt a vo z pei o lingoa , qu e er a excellente :
Na õ vede s o voss o Deo s açoutado , arrastado , escoucead o etc. a ?
Choraua õ nest e pass o muito s delles , lastimado s c õ ve r a s per -
raria s
( 8 ) qu e lh e e u
fazia ;
outro s s e inflamaua õ d e cóler a
contr a mym , e e u me u Padre , entr e este s lobos , send o j á alt a
noite , supost o qu e fazi a mu i clar o luar . / /
Mande i a o lingo a qu e lhe s fizess e outr a prática , estranhan -
dolh e qua m grand e peccad o er a sere m idolatra s per a vire m a
adora r h ú pao . Estand o e u j á senho r dest a diabólic a preza , m e
vei o
ve r o Sob a c õ todo s o s principai s se m trazere m arma s e
muit o humildes ; pore m ne m ind a ass y m e fiau a delles , reçeoz o
qu e naquell e exterio r d e mansa s ouelhas , escondesse m algu ã
traiçã o d e leoê s famintos : contud o log o entend y qu e po r enta õ
vinha õ c õ o coraçã o sincero . N o comeno s do s comprimentos ,
qu e d e nad a seruiraõ , m e de u a entende r qu e s e lh e dau a o
idolo ,
m e dari a hu a gross a cadei a d'ouro , qu e a o pescoç o trazia ,
e negro s d e estim a e preço . A o qu e animozament e respondy ,
qu e e u entr e elle s na õ dezejau a ne m queri a riquezas , sena õ
hu a gera l extirpaçã o d e sua s idolatrias ; e assi m lh e na õ de i o
ídol o po r mai s qu e choraua , dizend o qu e er a o se u medico ,
e o auxili o d e sua s necessidades , sol , chuua , etc. a , ne m lh o
der a ind a qu e m e matasse , com o e u mesm o lh e diç e muita s
vezes .
/ /
Daqu y m e leuo u o Sob a a apozenta r e m h ü alpendr e dentr o
d o lugar , ind o j á o ídol o encim a d o jumento , fortement e amar -
rad o co m hu ã corda , e entr e my m e o s meu s lingoas . Chegad o
qe u fu i a o alpendre , c õ certez a cuide i qu e m e matasse m aqu y
po r m e ve r cercad o tod o d e tanto s gentio s armados ; ma s Deo s
m e liuro u dest a e da s outra s vezes , po r su a infinit a mizeri -
( 8 ) Desfeitas , pirraças .
70
cordia . Disfarce i o pauo r qu e tinha , segund o milho r pude ,
dizendolhe s qu e fosse m ceiar , e qu e a o depoi s fariamo s dou -
trina , podend o sucede r fazers e tud o qu e elle s dezejauaõ , e qu e
també m e u queri a çeiar . / /
Jdo s elle s amortalhe i o idol o entr e a minh a cama , qu e er a
hu ã esteira , se m qu e diss o algu m dess e fé : e enta õ reze i vés -
pera s e completa s d'est é dia . Faltandom e ago a per a çeiar , lh a
mande i pedir , e fo i ta Õ crue l qu e ne m est a ne m outr a cous a
o u d e graç a o u po r dinheir o m e qui z dar . Assy m qu e s ó c õ
farinh a passe i est a noit e c õ a minh a gente , estand o ta õ frac o
e cansado , com o facilment e s e ver á d o muit o qu e d e di a tinh a
andad o e trabalhad o e m jejum . Co m tud o sej a Deo s bendito .
Na õ m e apaixone i po r ist o contr a elles , ante s sah y d e caz a a
lhe s faze r hu ã breu e doutrina , po r mai s na õ poder : tend o sem -
pr e á vista , o ídol o amortalhado . / /
Acabad a a doutrin a o s desped y per a ire m dormir , e e u o
na õ fi z e m tod a a noite , veland o na õ m e tomasse m o ídol o á s
escondidas , o u com o esta õ pel o serta õ dentro , m e na õ matas -
[sjem . O qu e muit o m e admirou , fo i qu e co m sere m o s meu s
dou s lingoa s criado s n o Collegi o desd e meninos , nunc a po r
mai s qu e lhe s rogue i m e ajudasse m a arranca r o ídol o d o chaõ ,
o quizera õ fazer : cuidand o qu e s e lh e pegasse m c õ a maÕ ,
auia õ log o d e morrer . E na õ fo i pouc o c õ o lingo a mai s valent e
e m o conuençe r c õ razoe s e peita s per a m o traze r embrulhad o
n a esteira . / /
A o sábado , quatro , be m sed o m e part y dest e Golungo ,
deixand o ind a blasonand o contr a my m este s bárbaros , po r mai s
abraço s e caricia s c õ qu e délie s m e despedy . Chegue i pela s
dua s hora s a outr o Sob a po r nom e Bamba , irma õ d e Golungo ,
Se m maiora l estaua õ este s gentios , e muit o triste s po r se r mort o
d e pouc o est e Sob a Bamba , cuja s diabólica s exéquia s estaua õ
celebrand o cous a d e quarent a Sobas , qu e á mort e d e ta Õ grand e
senho r tinha õ decid o d a Eilamba . O mod o dela s sa Õ hú s baile s
71
po r nom e Maquínos , muit o imodestos , dirigid o tud o á luxuria ;
canta õ e choraõ , e log o comem , e depoi s torna Õ a bailar . / /
Aqu y v y junt a a mai s gente , qu e neste s Reino s aui a visto .
Muita s veze s continue i e m ensina r est a gent e d e Bamb a e
Nambacalombe , e sobretud o a d e muita s fazenda s d e Pottu -
guezes , qu e esta õ á rod a deste s gentios ; porqu e com o a s terra s
deste s dou s Soba s sa õ ta õ fert[e]i s d e mantimentos , palmei -
rais ,
etc a , facilment e s e podia õ aqu y faze r quatr o o u sinc o fre -
guezias , co m a rend a da s quai s bastantement e s e pudera Ó seu s
parocho s sustentar . E m tant o qu e o s próprio s Soba s s e m e
manifestarã o dezejoso s d e qu e al y houuess e clérigos , e qu e
per a iss o contribuiria õ co m part e d e sua s tetras . / /
Aqu y dorm y e ensine i o milho r qu e pud e a tod a est a
maquin a d e gente , e lh e queime i tre s caza s d e feitiçaria . Algú s
d e seu s parente s m e diçera õ po r cous a certíssima , qu e o Bamb a
n a hor a d a mort e pedir a c õ muit a instanci a o bautismo , dizend o
qu e queri a morre r n a le y qu e lh e e u tinh a ensinado , e qu e lh e
pezau a muit o d e te r sid o idolatr a e d e aue r offendid o a Deos :
ma s qu e na õ houuer a al y que m o bautizasse . Cuid o e u qu e s e
saluou , porqu e ind o al y ensinall o muita s vezes , folgau a d e
aprender , e m e diç e qu e o aui a d e pô r e m bo m estad o e a seu s
vassallos ; ma s com o enta õ o na õ bautizei , ne m a outr o algu m
se u vassallo , supost o muito s sabere m bem , po r espera r bo a
conjunçã o d e o s mete r n o grémi o d a Jgreija , junto s c õ o s
escrauo s do s Portuguezes , per a ficare m mai s inteirado s ( 9 ) n a
f é se m perig o d e torna r atraz : lhe s ensinei , qu e s e algu m
estiuess e n o artig o d a mort e send o ind a gentio , adulto , e na Õ
houuess e que m o bautizasse , qu e desejass e d e coraçã o recebe r
o bautismo , tend o f é d a part e d o entendimeno , e d a part e d a
vontad e conuersa õ a Deos , co m detestaça õ d a vid a passada ; e
outra s cousa s boa s a est e propósito . / /
( 9 ) Certificados , informados .
7 2
N o domingo , sinc o d o mes , pel a menha m m e part y daqu y
per a a fazend a d e Manoe l Ferreir a Arco ; ante s d e chega r a
su a caz a est á h ú oiteir o altíssimo , a o p é d o qua l tud o sa õ aruo -
redo s ameníssimos , e o n o c Õ se r mu i grand e desaparec e ao s
qu e o ve m d e cima . Crei a V . R. a qu e quand o nest e pass o vi a
a altur a deste s montes , co m a profundez a do s valle s e bosque s
fresco s co m tanto s rochedo s cortado s d e hu a e outr a parte , de y
graça s a Deos , com o auto r d e toda s a s cousas ; e co m raza õ s e
puder a canta r dest e luga r o psalmo : Benedicite omnia etc. ª / /
H á també m nesta s montanha s muito s animai s brabos , e
aui a pouc o temp o qu e h ú lea õ matar a aqu y junta s dua s empa -
cássas , qu e sa õ com o e m Portuga l dou s touro s brabissimos ;
e o mesm o home m ond e e u estau a agazalhado , qu e vir a bebe r
dou s leoêe s d e h ú alt o oiteir o n o rio , d a grandez a d e nouilhos ,
m o certifico u po r verdadeiro . E po r tira r alg ú frutt o d o qu e
acim a digo , ach o qu e fic o mu i pouc o e m lida r c õ est a gentili -
dade , pel a qua l o mesm o Crist o derramo u se u preçioz o sangue ;
tanto , qu e na õ fizer a muit o s e descalç o e d e joelho s cursar a
este s mato s pelo s ensinar : poi s seu s próprio s senhore s pel a
poss e d e quatr o graõ s d e terra , ve m aqu y mora r arriscado s a
tanto s perigo s d e feras , e po r colhere m h ú punhad o d e farinh a
d e pao . Pert o d a noit e ensine i a gent e dest e home m e aqu y
dormy . / /
N a segund a feira , sei s d o mes , ensine i tod a a menha m
á gent e da s fazenda s d e dua s legoas , qu e concorre o aqu y po r
lh e manda r auiz o diante , a saber : á d o Capitã o Gaspa r Borge s
d e Madureira , qu e aqu y rezid e e m hu a su a fazenda , e seria Õ
çe m pessoas , escrauo s seu s e forros ; á d o Capitã o Alexandr e
Bonina , á d o alfere s Domingo s Soeiro , á d o Capitã o Domingo s
Lui s d'Andrade , qu e aqu y te m outr a fazenda ; á d e outr a
fazend a qu e aqu y te m o Capitã o mó r Manoe l Antune s d a
Sylua , e d'outro s muito s cujo s nome s m e esquecem . Er a per a
louua r a Deo s ve r tant a gente , e sobtetud o ouui r tanta s veze s
nomea r o santíssim o nom e d e Jesus , qu e d'aquell e altíssim o
7 3
cidade ; aqu y dorm y e ensine i a su a gent e e d e quatr o fazenda *
á roda .
N a quint a feira , noue , m e part y daquy , e fu i corrend o a *
fazendas , vend o o qu e sabi a a gent e d e cad a hu ã delias ; dorm y
n a fazend a d e Per o Carrilho , ond e ensine i a muito s qu e al y
concorrerão .
N a sest a feira , dez , part y daquy , e fu i visitand o e
er>r> -
nand o a gent e da s fazenda s seguintes ; e fu i dormi r a caz a d e ht i
negr o qu e mor a junt o d a alago a d e Quico , ond e s e ensino u
muit o bem . O grand e trabalh o qu e leue i e m corre r fazendas ,
e ensina r gente , fo i nest a soman a pouc o sentid o d e mym , c õ
o gost o e alegri a qu e recebi a d e ve r muit a gent e ta Õ adiantad a
n a sciençi a da s cousa s d a fé . / /
A o sábad o chegue i pela s de z hora s á noss a caz a d o Bengo ;
aind a diç e missa , po r m e aue r confessad o n o di a dante s co m o
Capella õ d a igreij a d a Quilunda . A ningué m de i cont a do s Ído -
lo s at é o domingo , except o a o irmã o Gonçaíl o Joaó .
A o domingo , doze , diç e miss a n a noss a igreij a á muit a
gent e qu e acodi o deste s arredores : n a estaçã o ( 1S ) o s auize i qu e
acabad a a miss a esperassem , porqu e lhe s queri a mostra r dou s
diabos . Todo s festiualment e s e aluoroçára Õ per a o s verem . / /
Ditt a a miss a e tendom e encomendad o a Deos , tome i
publicament e o jument o qu e j á estau a aparelhado , e ateilh e
á caud a o s dou s idolo s enforcado s pelo s pescoço s nu ã corda , e
o s chucalhos , campainh a e outra s cousa s d e feitiçarias . E man -
de i a h ú negr o qu e tomand o d o jument o pel o cabrest o o guiass e
e m rod a pel o torreiro , co m o s idolo s arrastado s pel o chaõ , e jun -
tament e mande i a quanto s negro s al y estaua õ qu e cospisse m e
espancasse m c õ o s pé s e pao s ao s idolo s e fizesse m outra s afron -
tas .
Milho r d o qu e e u o dezejaua , fizera õ tudo , gritand o e m
alta s vozes : Diab o fora , Diab o fora , perr o ( 19 ) , maldito , etc a . / /
( 1S ) N a estaçã o d a missa , a o Lavabo.
( 19 ) D o espanhol : cão , vilão .
8o
Nest a pequen a missã o qu e fiz , gaste i pert o d e trè s soma -
nas ,
andand o a maio r part e d o temp o a pé ; assy m po r do s peito s
abrir , c õ a fragozidad e do s caminhos , o jumento , com o porqu e
ind a qu e foss e saõ , na õ s e pode m anda r a cauall o esta s monta -
nhas ,
po r caus a d e sua s muita s e mu i precipitada s ladeiras .
Tod o est e piquen o trabalh o do u po r mu i be m empregado , po r
s e dirigi r a encaminha r á dilataçã o e propagaçã o d a f é d e Chris -
to ,
c õ tant o proueit o dest a Republica , honr a e louuo r d a Com -
panhia ; obrad o tud o co m a s santa s oraçõe s do s Religioso s d'ess e
Collegio , e do s Padre s e irmaõ s d a prouinçi a d e Portugal , e co m
a s pouca s força s dest e debilitad o instrumento . / /
Deo s guard e a V . R. 3 e m e encomend e muit o e m sua s
orações ,
porqu e fic o indispost o d e hu ã febre , ind a qu e d e pé ;
d a qua l melhorand o he i d e ir , c õ o fauo r diuino , á s parte s d o
Dand e (po r se r chamad o po r carta s do s moradores , qu e m e
dera õ n o caminho ) respeit o d e lhe s ensina r a su a gent e e faze r
outro s seruiço s d e Deos ; e da y he i d e volta r pel a prouinçi a d a
Eilamba , e tenta r com o est á o grand e Sob a Cacullocahang o
e m determinaçã o d e s e conuerter ; e finalment e á s fazenda s d a
Coanza , a saber : d o Capitã o Manoe l Castanho , d o Capitã o
mo r Roqu e d e S . Miguel , e d o Sargent o mo r Antoni o Btuto ,
e dal y á noss a fazend a d o Calle , e á s mai s vezinha s a ell a e
cuid o gastare i h ü mes , dandom e Deo s saúd e per a faze r est a
emprez a muit o d o seruiç o d e Deos , qu e guard e a V . R. a , e m
cuj a bença õ m e encomendo . Ao s catorz e d e Outubr o d e mi l e
sei s cento s e trint a e hum .
Súbdit o indign o d e V . R.ª
a) Per o Tauares .
ARS I
— Lus.,
Cod .
55 , fls . 78-83 .
BAD E —Cód . 116/2 /4, fls -
33-38 .
6
81
1 5
CART A
D O
COLECTO R
APOSTÓLIC O
A O
CARDEA L
BÓRGI A
(1-11-1631 )
SUMÁIR O
—
Trata
do
envió
de
missionários
-para
a
Mina
—
Partida
de 18
missionários
para
o
Monomotapa.
Emin. m o e Reu. m o Signo r Padron e mi ó Colendissim o
Co n l'ultim o corre o d i Madrid , h ó riceuut o un a d a V . Emi -
nenz a dei ' 2 0 d i Settembr e passat o i n rispost a dell a mi a scritt a
á cotest a Sacr a Songregazion e sopr a l a relation e dell a Citt a dell a
Min a sit a i n Affric a nell a Cost a d i Guinea ; dall a qual e uedend o
com e l a medesim a Sacr a Congregazion e desider a ch'1 0 procur i
d i fa r mandar e i n quell e part i pi ú oparari j ecclesiastic i ch e sar a
possibile , no n mancher ó d'essegui r tutt o quell o ch e sar a i n m e
pe r conseguir é quest o sant o
fine ;
e t pe r ch e hor a s i tratt a d i
manda r l a u n fidalg o amic o mí o pe r Gouernatore , far o sec o
ogn i diligenza , acci o n e conduc a í l maggio r numer o ch e
potra . / /
Jntant o star o aspettand o í l Breu e dell e facolt á spirituali ,
ch e l a Sacr a Congregazion e h á nsolut o d'impetrar e a fauor e de l
Vicari o Espiscopal e dell a medesim a Citt a dell a Mina , pe r
poterl o minar e co n l'occasion e de l Gouernatore , ch e
ander a
a
Marzo , quand o s i nsolu a ch e uada . H ó stimolat o l'Arciuescou o
d i Goa , religios o Domenican o ( 1 ) , ch e s i trou a i n Cort e d i
Madrid , á far ' ogn i oper a pe r haue r Missionarij , e t m e serm e
co n quest'ultim o correo , ch e S . Maest a gli e n'h a concess i 1 8
(1 ) D .
Manue l
Tele s
d e
Brito .
82
pe r l e part i de l Monomotapa , ch e quand o s e n e trouin o tanti ,
ch e uadano , sar a buo n socorr o ali a gra n necessit a d i quell e parti .
Co n l a nau e hor a giont a dall'Jndie , h ò riceuut o l e du e
anness e letter e pe r l a Sacr a Congregazione , l e quai l mand o a
V . Eminenz a co n questa , e t l e facei o humilissim a riuerenza . / /
D i Lisbon a prim o Nouembr e 1631 .
D i V . Eminenz a
[Autógrafo] : Hum. 0 e t oblig. 0 seruitor e
Lorenz o Vesc. 0 d i Gerac e
S. r Card . Borgia .
AP F — SRCG, vol . 74 , fls . 316-31 6 v .
83
1 6
CART A D A PROPAGAND A FID E
A O COLECTO R APOSTÓLIC O
(20-11-1631 )
SUMÁRI O — Estado religioso do Reino de Monomotapa e provisão de
missionários religiosos — Penúria de pessoal nas missões
do Reino do Congo e providências a estudar.
Esendos i riferit e i n quest a S . Congregation e l e letter e d i
V . S . circ a i l Regn o d i Monomotap a e dell'altr e residenz e d e
Religios i nell e Cost e d'A£ric a dop o i l Cap o d i Buon a Speranza ,
cjuest i mie i Eminentissim i Signor i ch e hann o sentit a l a penúri a
d e Religios i ch e s i trou a i n quell e parti , desider a ch e V . S .
tratt i co n que i Religios i ch e haurann o cognition e e prattic a d e
sodett i paesi , de i mod o co l qual e s i potrebbon o prouide r d'ope -
rari j ecclesiastici , e d i quant o intender a n e dar á auuis o ali a
medesim a S . Congregatione . / /
Quant o a l mal e stat o de i Regn o d i Cong o pe r l a penúri a
pur e d'operari j ecclesiastici , uedendos i esse r cos i grande , gl i
stess i mie i Eminentissim i hann o uolut o ch e s i referisc a d i nuou o
nell a Congregation e prossim a ch e s i terr a nanz i l a Santit à d i
N . Signore , ch e etc . / /
Roma , 2 0 nouembr e 1631 .
AP F — Lettere Volgari, vol . n , £ls . 122-12 2 v .
NOTA — O problem a referent e a o Rein o d o Congo , a qu e alud e
o Secretári o d a Propagand a Fide , fo i efectivament e tratad o e adiado ,
n a congregaçã o cardinalíci a d e 9 d e Novembr o d e 1631 , neste s termos :
84
Referent e eode m Eminentíssim o Domin o Cardinal i Pamphylio ,
littera s eiusde m Collecton s [Lusitaniae ] d e stat u Regn i Congi , quoa d
Religione m e t d e pericul o n e ib i christianitati s nome n aboleatur , o b
penuria m operarioru m ecclesiasticoru m extremam , Sacr a Congregad o
iussi t iterut n praedicta s littera s referr i cora m Sanctissim o Domin o
Nostro .
AP F — Acta, vol . 7 (1631) , fl . 135 , n.º 17 .
85
1 7
MISSÃ O FRANCISCAN A A O REIN O D O CONG O
(25-11-1631 )
SUMÁRI O — Trata do envio de uma missão de franciscanos descalços
ao Reino do Congo — A respeito do Bispo e outros pro-
blemas propostos tratar-se-ia mais tarde.
Referent e Eminentíssim o Cardinal e Sanct i Sixt i (1 ) diuersa s
petitione s Régi s Cong i i n Affrica , e t Parochiaru m i n e o ni -
mia m distanciam , Sacr a Congregati o missione m 4 fratru m dis -
calceatoru m Sanct i Francisc i a d Regnu m Cong i decreuit , pe r
Collectore m Lusitania e eligendorum . / /
D e reliqui s petitiombu s uelu t d e Jndulgentijs , d e Altar i
priuilegiato , d e Militi a i n Regn o erigend a su b inuocation i
Sanctissim i Saluatoris . D e Episcop o Cong i a d residentia m i n
e o faciend a e t no n i n Angol a compellendo . D e eiusde m Epis -
cop i imprudenti a i n suspendend o Régi s confessario , e t d e non -
nulli s alij s Sacr a Congregati o lussi t iteru m d e eisde m petitio -
nibu s referr i cora m Sanctissimo .
AP F — Acta, vol . 7 (1631) , fl . 14 5 v. , n. ° 26 .
(1 ) Assi m fico u cognominad o o Cardea l Laudiviu s Zacchia , no -
mead o par a o Títul o e m 9 d e Fevereir o d e 1626 , mesm o depoi s d e o te r
deixado .
86
1 8
DECRET O
D A
PROPAGAND A FID E
AO S SUPERIORE S REGULARE S
(25-11-1631 )
SUMÁRI O
— Nem os
Superiores Regulares podem remover seus
sub-
ditos
das
missões inconsulta
a
mesma Congregação,
nem
tão-pouco
os
Prefeitos,
a não ser em
caso
de
escândalo.
D e Remotion e Missionarioru m
Eminentissim i Patre s Congregationi s
d e
Propagand a Fid e
praecipiendu m ess e censuerunt , ptou t praesent i decret o distnct e
praecipiun t Superioribu s Regularium ,
n e
eade m Sacr a Congre -
gatlon e inconsulta , quoui s ptaetextu , causa ,
au t
quaesit o colore ,
directe ,
ve l
indirect e Missionário s
a sui s
remouean t Missioni -
bus .
Prœfecti s vero ,
qu i i n
singuli s Regulariu m Missionibu s
a b eade m constitu i soient , etia m
s i
Prouinciale s sint ,
no n
licea t
ips a stmilite r inconsulta , Missionário s sua e Praefectura e subie -
cto s
a
sui s remouer e Missionibu s nis i
o b
graue s causas ,
ve l i n
cas u praesenti s
ve l
imminenti s public i scandali ,
d e
quibus ,
a c
Missionarioru m remotione ,
e t
alioru m
i n
remotoru m locu m
substituendoru m quamprimu m
pe r
ipso s facienda , eamde m
Sacra m Congregatione m quantociu s certiore m facer é teneantur ,
no n obstantibu s
&c. ª
Di e
2 5
Nouembn s
1631 .
Supr a dictu m Dectetu m
i n
praesent i Congregation e
exa -
minatum ,
e t
probatum , Sanctissimu s
D . N .
auditi s sententij s
87
Eminentissimoru m Patrum , illu d confirmauit , e t a b omnibus ,
quoru m interes t obseruar i mandauit .
[.. . ] Decembri s 1631 .
Franciscu s Ingol i Secretariu s
BN M —Ms .
3 . 818 , fis .
78-7 8
v .
NOTA —A mesm a Congregaçã o decretar a
j á e m 1 5 d e
Junh o
d e
1630 :
Sacr a Congregad o
d e
Propagand a Fide ,
v t
Missionari j Regulare s
faciliu s
i n
disciplin a regulari , etia m
du m
sun t
i n
missionibu s conti -
neantur , praesenri . decret o declarauit ,
e t
declara i eosde m Missionário s
suaru m Religionu m Superioribu s eorumqu e Jurisdictioni ,
e t
correction i
i n omnibu s ess e subiectos , praeterqua m
i n
cas u amotioni s
a
Missione ,
qua e
a b
eide m Superioribu s fier i null o mod o potest , nis i priu s con -
sult a eade m Sacr a Congregatione .
BN M
—
Ibidem,
fl . 78 .
88
1 9
CART A D A PROPAGAND A FID E
A O COLECTO R APOSTÓLIC O
(3-12-1631 )
SUMÁRI O — Informados do estado religioso do Congo os Cardeais
encarregam o Colector de agenciar o envio de uma missão
de Franciscanos — Pedem que faça o que -puder para
subvencionar às despesas a fazer com a mesma.
Essendos i nferit e i n quese a Sacr a Congregation e l e letter e
d i V . S . e uedut a e t essaminat a l a cart a dell e Parochi e ch e son o
ne l Regn o de i Congo , quest i mie i Eminentissim i s i son o risolut i
d i fa r un a mission e à que l Regn o d i 4 sacredot i d i scalz i dell'or -
din e d i S. t 0 Francesco ; e perch e no n hann o notiti a d e soggett i
ch e sarebbon o à proposito , pregan o V . S . ch e facei a diligenz a
d i trouarl i e nominarl i ali a medesim a Sacr a Congregatione , ch e
s e gl i spedirann o l e patent i e facoltà , e s e l i commetterann o
alcun i negoti j d a tratta r co n que l Rè , i l qual e h à scritt o à
N . Signor e e t h à domandat e diuets e grati e à S . Santità . / /
S'informer a anch e V . S . déli a spes a de l viaggi o e de l mod o
ch e s i potrebb e tenere , pe r haue r i n cotest e part i qualch e aiuto ,
acci ò l a dett a spes a no n foss e tropp o grau e all a Sacr a Congre -
gatione ,
ch e pe r ancor a no n h à rendit e sofficienti , pe r suppli r
i n tant i bisogni , e pe r fin e etc . / /
Roma , 3 décembr e 1631 .
AP F — Lettere Volgari, vol . n , fis .
128V.-129 .
89
O
qu e s e m e
offereç e
d a
fazend a
h é qu e s e d ê
said a
hà s
fazenda s
qu e
esta õ depositada s per a pagament o
d a
conquista ,
d e
qu e
mande y çertidoen s
po r
duplicada s uias ,
e
lemb[r]e y
mandass e
V .
Magestad e orde m per a
s e
nauega r
o s
direito s
po r
cot a
e
risco
d e V .
Magestad e
e
per a
s e
passa r
po r
índia s
a
grand e cantidad e
d e
fazenda s correntes ,
e
panaria ,
qu e
naquell c
Reyn o esta õ depositada s
po r
ord é
d o
conselh o
d a
fazenda , per a
V . Magestad e
s e
uale r delia s
na s
necessidade s dest e Reyno ,
o
qu e s e
puder a faze r
no s
remouimento s
d o
contrato ,
e
ante s
d e
s e
contratar ,
d e qu e
auize y
a
tempo ,
e na õ
tiu e re[s]posta ;
e
qu e s e
faç a Regiment o
d a
fazend a per a cad a ministr o atende r
a
su a
obrigaçã o
e na õ
aue r
a s
duuida s
d e
jurisdiçã o
qu e h á
entr e elles .
Qu e o s
feitore s
de m
fianç a
po r
reza Õ
d a
muit a
fazend a
qu e
sobr e elle s
s e
carrega ,
no s
remouimento s
d o
con -
trato ;
e qu e
uenha õ
da r
cont a
e n s e
acaband o
o
temp o
d e
seu s
prouimentos .
Do s Soua s
e
tributo s
co n qu e s e
avaçalara Õ mande y
a
V . Magestad e
hu a
lista ,
e
aponte y nell a
a s
quebra s
e
duuida s
qu e aui a
n a
cobranç a delles ,
co m a
escritur a
pe r qu e s e ava -
çalo u elRe y
d e
Dong o
a V .
Magestad e
co m çe m
peça s
d e
escrauo s
d e
feud o cad a anno ;
e d o qu e
renderã o
e m me u
temp o
informe y despoi s
qu e ui m d o
gouerno ,
po r
cart a
qu e
detig i
a o
Secretari o
d e
estad o Diog o Soares , com o
V .
Magestad e
m e
mando u
po r
cart a
sua . / /
Per a
o s
Soua s podere m paga r
o s
tributo s
qu e
prometerão ,
mand e
V .
Magestad e
qu e o
Gouernado r obrigu e
co m
tod o
o
rigo r
ao s
Capitaen s
da s
fortaleza s
o s na õ
cham e
h a
ellas ,
ne m
o s uexe m
po r
modo s iliçito s
d e qu e
uza õ per a lhe[s ] dare m
peça s
e
escrauo s
a qu e
chama õ prói s
e
precalços , dizend o
qu e
V . Magestad e lhe[s ]
fa s
merc ê delle s
na s
patente s
d e
seu s
prouimentos ,
e o s
Soua s lha s
da õ po r
remire m
su a
uexaçaõ .
/ /
Qu e
o
mesm o rigo r
s e
tenh a
co m o s
moradores ,
e qu e
seu s
escrauo s
na õ ua õ hà s
terra s
do s
Souas ,
ne m
tenha õ
c Õ
elle s
ocambas, qu e sa õ
prezentes ,
ne m jnfutas, qu e sa õ
uenda s
fia -
96
das ,
e o s na õ
obrig[u]e m
[a ]
faze r obra s
na s
fortaleza s
ne m
caza s
do s
soldados , porqu e sae m sempr e
ma l
acabadas ,
e o
descontentament o
do s
Capitaen s
s e
compõe m
a
peças .
/ /
Qu e
s e
lhe s
na õ
peç a carregadores ,
qu e sa õ
escrauo s
d e
carrega , sena õ per a
a s
muníçoens , quand o
s e
leua õ per a
a s
for -
taleza s
e a s
fazenda s
qu e
fore m per a pagament o
do s
soldados ,
e
e n
nenhu ã maneir a
a s d e
negocio ,
e
uinhos , porqu e
na õ
pode m paga r tanto s tributos./ /
Qu e
na õ
uenha õ obrigado s
po r
forç a
po r
nenhu ã
ui a h à
cidad e
d e
Loanda ,
s e na õ fo r e m
seruiç o
d e V .
Magestade ,
o u
h a pitiçã o
e po r
conueniençi a
do s
Souas .
/ /
Qu e
na õ ua õ a
sua s terra s portug[u]ese s
qu e po r
orde m
do s gouernadore s fore m cobra r
o s
tributo s
d e V .
Magestade ,
e
qu e
po r
ess e seruiç o
s e
lhe s
d ê
ordenad o
d a
Fazend a Real .
/ /
Qu e
na õ
leue m fazenda s
d e
negocio ,
ne m
peça õ
ao s
Soua s
mai s
qu e o
tribut o
d e V .
Magestad e
e qu e
soment e aceite m
delle s gasalhado , enquant o estiuere m
n a su a
banza ,
qu e h é a
pouoaça õ
d o
Soua .
Qu e
o s mocanos, qu e sa õ
auçoen s uerbai s
e m
sua s conten -
da s
e
demandas ,
o s
faç a
o
ouuido r geral , letrado ,
e qu e o s
mora -
dore s
e
capitaen s
o s na õ
façaõ , porqu e
d e o s
faze r rezulta õ injus -
tiça s
mu y
conçideraueis , porqu e
o s
iulga õ
po r
lei s gentílicas ,
e
na õ
polia s politica s
(6) , e
pell a ordenaçã o
qu e V .
Magestad e
mand a
s e
guard e naquell e Reyno ,
e d e
ordinári o mont a mai s
o
qu e
paga õ
qu e o qu e s e
julga ,
e
pag a
o re o e o
autor .
Dan -
doss e
a o
referid o remédi o efectiuo , pagarã o
o s
Soua s
o s
tributo s
qu e prometerã o
e
tera õ
po r
merc ê grandíssim a liuralo s
V . Ma -
gestad e
d a
tirani a
qu e
padecem ,
po r
aue r nest a matéri a cazo s
qu e
m e
pei o
d e o s
dizer ,
e
porqu e imped y algú s delles ,
e pro -
cure y euitalos ,
s e
descontentarã o
d o me u
gouerno .
/ /
Deuess e abate r
a
todo s
o
tribut o
do s encombros, qu e sa õ
chibarro s
e a s
vaccas , porqu e
a s na õ há ; a s
almadia s porqu e
( 6 ) Civilizadas .
7 97
ua ó faltand o a s madeiras ; o azeit e ao s Soua s qu e na õ te m e m
sua s terra s palmeira s d e qu e s e fas ; e ao s d e long e a s galinhas ,
porqu e a s traze m mortas . Qu e s e faç a declaraçã o n a calidad e
da s peças , porqu e a tod a sort e d e escrau o chama õ peça , e c õ a s
dita s declaraçoen s ficarã o mai s aliuiado s per a paga r o tribut o a
qu e ficare m obrigados , porqu e dize m qu e na õ entenderã o o
ficaua õ per a sempre , post o qu e lhe[s ] declararã o no s asento s
perqu e s e obrigarão , o ficaua õ a paga r po r sy , e po r todo s seu s
sucçessores , com o const a d o liur o e n qu e esta õ asentados , n a
fotm a d e minh a instruçã o qu e tenh o per a entrega r a que m
V . Magestad e m e ordenar . / /
Fi s repartiçã o da s terra s d o Secle , d o Ry o Bengo , d o Ry o
Dande , da s Izangas , e d o Ry o Coanza , po r todo s o s moradores ,
n a form a d e me u Regimento , e n grand e vtilidad e d e tod o
aquell e Reyno , e acresentament o d a fazend a d e V . Magestade ,
po r reza õ d o creçiment o do s dizimo s ( 7 ) . Dell a mande y list a
a V . Magestad e e ped y a mandass e confirma r per a o s con -
firmado s a s beneffiçiare m com o suas , d e qu e na õ tiu e
re[s] -
posta , ne m d e outro s particulare s tocante s h à Fazend a Real . / /
Mande y acaba r a s caza s noua s d a cadea , qu e principio u
Joa õ Corre a d e Sousa , e per a ella s mande y passa r a s audiências ,
offiçiai s d a Camer a e prezos , ante s d a chegad a d o gouernador .
E a s qu e seruia õ diss o mande y adereça r per a o gouernado r s e
agasalha r nellas , po r sere m a s milhore s d a terra , e estare m n a
praça , e n o milho r çity o d a Cidade , e mai s conuenient e per a
o s requerentes , e per a s e escuza r despende r d a fazend a d e Voss a
Magestad e cent o e sincoent a mi l rei s cad a anno , d e qu e V - Ma -
gestad e fazi a merc ê ao s gouernadore s d e apozentaduna .
Quand o entre y n o gouern o (8) s e procedi a e n todo s o s
cazo s militarment e e na Õ s e praticau a gouern o politico , ne m
( 7 ) Nã o design a aqu i term o eclesiástico , a dízim a pag a à Igreja ,
ma s a dízim a devid a a o Estad o com o contribuiçã o pública .
(8 ) N o di a 2 2 d e Junh o d e 1624 .
98
aui a distinçã o d e hu m a outro , d e qu e de y cont a a V . Mages -
tade , e per a s e faze r conform e a s lei s e ordenaçoen s dest a
Corroa , ped y a V . Magestad e m e fizess e merc ê d e manda r
hàquell e Reyn o ouuido r d e letra s e experiênci a qu e m e ayudass e
n o gouern o d a justiça , poli a muit a falt a qu e aui a delia , e qu e
seruiç e d e jui s do s orfaõs , d e prouedo r d a fazenda , d a comarca ,
do s defunto s e auzentes , e da s causa s d o mat , polia s aue r d e
muit a importância . / /
Fe s m e V . Magestad e merc ê e m manda r o licenciad o Deo -
nizi o Soare s d e Aluergaria , o qua l pô s a s couza s d a justiç a
e m ta m bo a orde m qu e s e começo u log o a ue r d e quant a utili -
dad e era , porqu e s e começarã o a processa r o s feito s çiuei s n a
form a d a ordenação , dand o appellaça õ e aggrau o per a est a Cort e
e Caz a d a Supplicaçaõ , e o s cazo s crime s sentençeau a comig o
n a form a d o me u e se u Regimento , e n o juiz o do s horfaÓ s pro -
çede o C Õ tant a inteirez a e diligencia , qu e na õ auend o inuen -
taito s cerrados , ne m partilha s feita s desd o principi o d a con -
quista , d e qu e rezulto u grand e dan o ao s horfaõ s e viuuas , ell e
a s fe s todas , e de u a cad a hu m o qu e lhe s tocau a d e sua[s ]
legitimas , co m muit a satisfaçã o d e todos , e c õ a mesm a proçede o
n a fazend a d e V . Magestade , ass y n a feituri a e despacho s com o
n a descarg a e prouiment o d a na o noss a Senhor a d o Bo m Des -
pacho , a qu e açisty o comigo , menh ã e tarde . E d o mesm o o
fe s na s demai s ocupaçoens . / /
N a conquist a d e Benguel a nomeey , poli a cart a qu e receb y
d e V . Magestade , e n qu e m e mando u qu e na õ podend o escu -
za r Bent o Banh a Cardozo , nomeass e nell a que m m e parecesse ;
e po r na õ aceitar , polia s tezoen s qu e deu , qu e de y cont a a
V . Magestade , e po r concorre r [em ] e m Lop o Soare s o s reque -
sito s necessário s o mande y h a ell a c õ o Regiment o d e Manoe l
Cerueir a Pereir a ( 9 ) , d e qu e auize y a V . Magestad e e do s suces -
( 9 ) Desconhecemo s a dat a e o conteúd o dest e documento .
99
so s
qu e
teu e
n a dit a
conquist a
e d e
com o for a
hà s
mina s
d e
cobre ,
e
d a
min a
d o sal , qu e
aplique y
h à
despez a
d a
ditt a conquista ;
e doutro s particulare s sobr e
o
prouiment o
d e
soldados , arma s
e moniçoens ,
d e qu e na õ
tiu e re[s]posta ,
ne m o
dit o Lop o
Soare s
a
teu e
d e V .
Magestade ,
ne m
orde m poll o gouernado r
d e com o
s e
aui a
d e
aue r
c õ
elle , send o muit o conueniente ,
auendoss e
d e
conserua r aquell a conquista , manda r
V .
Mages -
tad e declara r
a
form a
e n qu e [h] á d e
corre r
o
gouernado r
d e
Angol a
c õ o Capitã o mo r e
conquistado r
d e
Benguela , porqu e
d o contrari o pode m rezulta r inconueniente s
d e
jurisdição ,
qu e
todo s
sa õ e m
deseruiç o
d e V .
Magestade .
/ /
Deu s guard e
a
Católic a pesso a
d e V .
Magestade ,
ett .
[E m Lisboa ,
7 d e
dezembr o
d e 1 63 1 ] .
[Ferna õ
d e
Sousa ]
BA L
—
Ms . 51-VIII-31 ,
fls . 5- 9 v .
1
00
2 1
CART A D O PADR E JERÓNIM O VOGAD O
A O GERA L D A COMPANHI A D E JESU S
(8 -12-1631 )
SUMÁRI O — Passagem -para a Etiópia — Doença do Padre Paiva —
O Rei de Angola pede o Padre Pacónio — Partida do
Padre Duarte Vaz para Portugal — Ida para o Congo
do Padre Brás Correia — Relações financeiras com a pro-
víncia de Portugal — Situação económica do Colégio.
Muit o Rev. d o e m Christ o Padr e
Pa x Chnst i ett .
E m hu ã na o d a índia , e m qu e hi a o P. e Matthia s d e Sousa ,
e daqu i parti u e m principi o d e Abril , escreu i a V . P . D e enta õ
per a c á o na õ tenh o feit o porqu e chego u e m principi o d e Agost o
outr a na o e na m deixara m parti r naui o ante s delia . Arribo u est a
a est e port o po r falt a d e ago a e mantimentos , porqu e tomo u
íunt o d o Cab o d e Bo a Esperanç a muit a gent e d a na o S . Gon -
çal o qu e al i s e perde o o ann o passado ; e aind a qu e est a falt a
d e ago a e m breue s dia s s e puder a remediar , deteues e aqu i a
na o mai s tempo , po r na m i r toma r a cost a d e Portuga l n o cora -
ça m d o inuerno . / /
Nest a na o ua i po r capitã o Antoni o d e Sous a d e Carualho ,
qu e passo u o Patriarc a per a Etyopi a (1 ) e outro s nosso s padre s
(1 ) Dev e tratar-s e d e D . Afons o Mende s (1622-1659) . D . Diog o
Seco ,
D . Joã o d a Roch a e D . Apolina r d e Almeida , todo s d a S . J. , fora m
apena s coadjutores .
100
po r varia s vezes , e d e Etyopi a per a a índia , send o
capitã o
mo r
d a enseada . Dell e e doutra s pessoas , const a quant o mai s fáci l
h é a passage m per a Etyopi a po r aquella s parte s po r ond e s e faz ,
d o qu e po r estas , po r ond e iamo s á s cega s e co m o s perigo s mai s
euidente s e o s gasto s tresdobrados ; cõtud o esperamo s a vitim a
resoluça m d e V . P. , qu e mandand o s e prosega , s e proseguir á
e com o m e tenh o oferecid o e d e nou o m e offereç o per a se r h ú
do s companheiros , porqu e o P. e Joa õ d e Payu a h é muit o doente ,
e adoece o po t uese s grauissimament e e a o present e fic a nest e
Collegi o d e Loanda , aond e s e ue o curar , e aind a na m est á saõ ,
ante s muita s uese s lh e repete m feures , e ando u algú s meze s c Õ
quartaás .
E I Re y d e Angol a pedi u o s dia s passado s c õ instanci a lh e
tornass e a manda r o P. * Francisc o Paconio , o qu e fi z depoi s
qu e acabo u a Missã o d e Massangano , Cambamb e e seu s arre -
dores , o qu e tud o ir á n a Cart a Annu a d e Angola ; d e Cong o
va i táb é outr a Annua , qu e aqu i fe z o P. e Joa õ d e Payua .
Nest a na o va i o P. " Duart e Vaz , a o qua l ve o licenç a d o P. "
Prouincial , po r respeit o d e sua s doença s e achaques , qu e era õ
muit o ordinários . O dit o Padr e na õ aceitau a a licença , s e nest a
terr a achass e remédi o e cur a d e seu s achaque s e doença s e per a
ess e effeit o ve o d e Congo . Por é o s médico s s e na õ atreu é a o
cura r aqu i po r na õ aue r mesinha s conuenientes , e iulga õ qu e
lh e h é necessári o i r ao s are s naturae s d e Portugal : e com o na õ
pedi u n e pertende o irs e dest a terra , di z tornar á per a ell a c õ
muit o gosto , s e sata r e m Portugal . / /
O P. e Duart e Va z t é seruid o grandement e a Companhi a
com o verdadeir o filh o delia , tod o o temp o d e 2 5 per a 2 6 anno s
qu e h á qu e est á nest a terra , na õ s ó e m confessa r e pregar , qu e
tud o fa z muit o bé ; ma s e m se u temp o fo y e m missa õ à Con -
quist a dest e Reino , e a o d e Benguela , e a Pind a e [ 2 ?]veze s a
Congo : aond e send o Reito r este s dou s annos , concerto u muit o
a s cousa s daquell e Collegio ; e nest e fo y Reito r tre s annos , c õ
muit a satisfaçam , e t é b õ mod o per a gouernar . N o seruiç o
102
materia l dest e Collegi o trabalho u tãb é muito , ind o corta r a s ma -
deira s daqu i dez , doz e legoas , e faze r ca l daqu i set e e outo : e
t é tant o amo r a est e Collegio , qu e s e V . P . lh e manda r qu e
est e ann o o u dou s assist a e m Lisbo a per a entende r no s negó -
cio s delle , o far á c õ muit o gosto , e nó s todo s o pedimo s a V . P .
c õ tod a a instancia , po r entendermo s se r muit o necessário ,
principalment e per a o s negócio s d a fazend a d o Jrma õ Gaspa r
Aluarez , e m qu e na õ deixo u d e aue r algú s descuido s no s
procuradore s e o P. e Duart e Va z er a muit o nesta s matéria s qu e
sucederã o e m se u tempo , e no s ser á d e grand e effeit o tratala s
elle , qu e sab e o muit o trabalh o e grand e baix a qu e ter á est e
Collegio , s e sai r sentenç a contr a nós , porqu e carreg a muit o
dinheir o sobr e nós , qu e po r uentur a naquelle s principio s s e
gastau a c õ mai s largues a e liberalidade .
Tamb é va i nest a na o o P. a Joa õ Freire , qu e le o aqu i a pri -
meir a class e dou s per a tre s annos , procedend o sempr e c õ muit a
edificaçã o e exemplo . O P. e Prouincia l lh e mando u successor ,
e po r falt a d e dinheir o na õ viera õ o s dou s Padre s qu e estaua õ
auizados , ma s escreueom e o P. e Prouincia l qu e se m falt a viria õ
n a primeir a ocasião , e po r na m perderemo s est a ta õ bo a d e hu á
na o d a
Í ndia ,
e companhi a d o P. e Duatt e Vaz , e po r est a vi a
s e fazere m meno s gastos , e se r a embarcaçã o mai s segura , é tem -
po s t ã trabalhosos , parece o ao s Padre s e a m y qu e foss e o dit o
Padr e e qu e c á no s remediaríamo s este s 4 meses , équant o na õ
chegaUa õ o s outros . E m luga r d o P. e Duart e Va z fo y po r Vic e
Reito r per a Cong o o P. a Sima õ d e Aguiar , po r na m te r d e pre -
sent e outr o qu e podess e ir : c õ ell e fo i o P. e Brá s Correa , aind a
nouiço . Estimo u muit o elRe y e o s principae s a id a d o P. " Brá s
Correa , e o dit o Re y m o tinh a pedido ; est á l á mai s o P. e Migue l
Affonso , mu i estimad o d e todo s o s Moxicongos .
Na m poss o deixa r d e m e queixa r do s muito s gasto s qu e
nos .
faz é n a prouincia , fazédono s endiuida r cad a ve z mais ; carre -
gano s o P. e Procurado r na s conta s qu e est e ann o mandou ,
49$32 8 reais , qu e no s faz é paga r polia s diuida s qu e deu e a cas a
d e S . Roqu e e do s gasto s d a prouincia , po r hu ã addiça m 29$8o, o
reai s e po r outr a 20 $ e do s gasto s d o P. 6 Voglia , qu e s e na m
embarco u pet a Angola , 14$33 0 e c õ semelhante s gasto s qu e d e
ordinári o no s carregaõ , estamo s deuend o á Prouinci a 2025$61 1
reis ,
na õ no s mandand o est e ann o per a prouiment o mai s qu e
cinc o pipa s d e farinh a e h ú barri l d e sei s almude s d e azeite ,
fazendono s compra r aqu i toda s a s cousa s muit o caras ; e ass y
torn o a pedi r a V . P . encarecidament e mand e qu e o Padr e
Va z [... ] este s dou s anno s c õ a s cousa s dest e Collegi o e m
Sant o Antão ; e iuntament e pedimo s a V . P . no s desobrigu e
concorreremo s ao s dito s gastos , porqu e est e Collegi o acod e a o
d e Cong o e ao s dou s Padre s qu e assiste m c õ elRe y d e Angola ,
e s e n a prouinci a no s gasta Õ o qu e rende m o s 8$0oo o cruzado s
qu e deixo u o Jrma õ Gaspa r Aluarez , ser á forçad o manda r vi r
o s Padre s qu e esta õ c õ elRe y d e Angola , e deixa r o Collegi o d e
Cong o e m mai s necessidade s da s qu e padesse m c õ lh e acodire -
mo s d e ord[inario] .
Po r outra s via s tenh o pedid o a V . P . [licença ] e a pess o d e
nou o per a poderemo s vende r hu ã terr a qu e temo s aqu i perto ,
qu e chama õ V . Mouébe , porqu e [há ] compradore s e nó s nã o
a podemo s cultiua r e sempr e ficar á e m maio r proueit o d o colle -
gi o e e m qu e emprega r o qu e po r ell a derem , poi s no s nã o
rend e nada . Tamb é u m morado r [... ] florentin o ped e lh e ven -
damo s pouca s braça s o u palmo s d e h ú quinta l qu e est á é húa s
casa s nossa s íunt o da s sua s e m qu e mora . A nó s nã o far á fa[l]ta ,
porqu e aind a fic a quint a bastante , e poder á fica r é maio r pro -
ueito , post o qu e h é cous a pouca .
O Bisp o e o Gouernado r ( 2 ) corr e muit o b é comnosco , e
s e mostra õ muit o amigo s e deuoto s d a Companhia . O mesm o
( 2 ) D . Francisc o d o Sovera l e D . Manue l Pereir a Coutinho , res -
pectivamente . O Bisp o D . Francisc o d o Soveral , do s Cónego s Regente s
d e Sant o Agostinho , d e Sant a Cru z d e Coimbra , n o princípi o d o se u
apostolad o e m Angol a nã o «corria » satisfatoriament e co m o s Padre s
i104
dig o d e tod o est e pouo . No s santo s sacrifício s e bença m d e V . P.
muit o m e encomendo . / /
D e Angola , 8 d e Dezembr o d e 6 3 1 .
Mínim o e indignissim o filh o d e V . P .
+
Jerónim o Vogad o
ARS I — Lus., Cód . 74 , fls . 198-199.
d a Companhia . Ma s o conheciment o direct o qu e dele s houve , co m
o decorre r d o tempo , levou- o a modifica r o s seu s sentimento s e a se r
objectivo .
105
signor i Gouernaton ,
e t
alt n
ä ch i
spetterä ;
gi ä ch e I i
Canonic i
christian i uecchi ,
ch e i n
Capitol o son o
d i
numer o inferior e all i
christian i nuoui ,
ch e
tutt i son o presentat i
da l Rh
com e Patron e
de '
Canonici , desideran o
tr a l e
altr e cose ,
ch e no n s i
promouan o
pi ü christian i nuou i
a
Canonic i
n e ä
Benefiti j
d i
cut a d'anime ,
e t
ch e i l
present e Vicari o Capitolare ,
ch e
dicon o esse r
d i
quell a
razza ,
e t un o de '
principal i delinquent i
ne l
ueneficio ,
si a
rimoss o
da l carico , com e sarebb e giusto ,
s e u i
fosser o
I i
sospett i
ch e s i
pretendono , qual i
s i
doueran o ueder e
da '
process i
ch e no n h a
ancor a mosttati ,
e t d i
quell o
ch e
nell a caus a ander ä seguend o
dar o
d
regguagli o
ch e
deu o
a V .
Eminenza , all a quäl e tratant o
facci o humilissim a riuerenza .
/ /
D i Lisbon a
à 1 4 d i
febrai o
1632 .
D i
V .
Eminenz a
[Autografo]:
Humiliss. m o
e t
Oblig. m o seruitor e
Lorenzo , Vesc. º
d i
Gerace .
A V
—
Nunzitaura
di
Portogallo,
vol . 21 , fls . 38-3 8 v .
1
12
2 7
RELAÇÃ O D A COST A D E ANGOL A E CONG O
PEL O EX-GOVERNADO R FERNÃ O D E SOUS A
(21-2-1632 )
SUMÁRI O
— Descrição geográfica — Regime dos ventos — Fortifica-
ções da costa — Fortificação de Luanda — Presídios e sua
defesa—Relações com os sobas — Acção missionária —
Regime de resgates — Relações com Pinda e o Congo.
A cost a d e Angoll a corr e d e Nort e a Sul , com o s e uer á
poli a discnpça õ qu e ua y co m est a Per a o s nauio s qu e ua Ó
d o Reyn o segurare m a utage m per a o port o d e Sa Õ Paul o d e
Loanda , [h]a m d e nauega r pell a altur a at é 2 8 e 2 9 grãos ; tend o
uento s demanda r terr a e tomal a d o Cab o Negr o par a dentro ,
qu e est á e m 1 6 d a band a d o Sul , seguind o uiage m à uist a d e
terra , potqu e te m fund o limpo , e po r na õ descai r c õ a s corrente s
á ilh a d e Sa õ Thom é e outro s porto s a gilauent o ( 2 ) d o d e
Loanda . Nest a cost a ordinariament e h á calmarias , e c õ uira -
çoen s s e entr a poli a pont a d a ilh a n a bahya , qu e est á e m oit o
grão s e tre s quarto s d a band a d o Sul , da s de s hora s d a menh ã
po r diante . Va Õ o s nauio s d a primeir a uolt a da r fund o n a
ençead a d o Morr o da s Lagosta s se m nenh ú perigo , d e set e at é
sinc o braça s ( 3 ) d a band a d a terr a firme , co m resguard o dou s
tiro s d e mosquet e delia . A o outr o di a co m terra l ( 4 ) s e chega õ
mai s h à pont a do s Secos , e o s nauio s ordinário s da Õ fund o e m
set e at é sei s braças . / /
(1 ) Refere-s e ao s desenho s qu e acompanha m o documento .
( 2 ) O mesm o qu e julavent o o u sotavento .
( 3 ) A braç a te m 2,2 0 m .
( 4 ) Qu e sopr a d e terra .
Entrand o poli a pont a d a ilh a a o long o deli a at é á caz a d a
feituri a h á fund o d e 2 0 at é 1 8 braças , ond e lhe s na õ pod e faze r
nenhu m dan o a artelhan a d a forç a d e Sant a Chrus , porqu e h é
d e ferro , e a peç a mayo r d e de s liura s ( 5 ) d e bala , qu e na õ pod e
curça r tanto . Estand o o s nauio s n o poç o íunt o a o Sec o (ond e
estiuera õ o s Olandeze s n o ann o d e 624 ) fica õ a tir o d e peça ,
e s e a dit a forç a d e Sant a Cru s tiue r artelhan a gross a d e bronze ,
impidir á a o inimig o esta r surt o n a bahya . D a pont a d o Morr o
da s Lagosta s corr e a cost a Noroest e Sueste , te m hu á ensead a
qu e s e cham a d o Beng o po r reza õ d o Ry o Bengo , qu e est á e m
oit o grão s e me o escaços , aparcelada , n o qua l entra õ soment e
embarcaçoen s d e seruiço . Neil a s e na õ pod e surgi r meno s d e
mey a lego a d e terra : h é cost a d e ma r po r reza õ da s uiraçoen s
enqu e s e na õ pod e desembarca r sena õ e m lancha s e batei s poli a
calad a d a noit e e d a madrugada , porqu e da s de z hora s d a menh ã
po r diant e sa Õ a s uiraçoen s d o ma r ta m tezas , qu e te m a s embar -
caçoen s necessidad e d e boa s ancora s a o mar . / /
To d o o ann o h é bo m tempo , e uenta õ o s uento s suduestes ,
a qu e chama õ uiraçoens ; [h] á pouco s terrai s po r na õ aue r ryos ;
te m alguã s trouoada s d e Lest e at é Noroeste , qu e na õ sa õ d e
perigo : h é capa z ( 8 ) est a bahy a d a pont a d a ilh a per a dentro ,
d e 30 0 e mai s embarcaçoen s e pode m esta r afastada s huã s da s
outra s c õ tod o o resguard o necessário . / /
O cana l po r ond e s e entr a d a forç a d e Sant a Chru s per a
dentro , ond e est á a pouoaça õ d a praya , e s e descarrega õ a s
fazendas , e s e negoçea , te m d e fund o e m preyama r d e agoa s
muas , d e 1 8 at é 2 0 palmos , e d e baixama r onze , e est e fund o
h á at é o Morr o d e Sa õ Paulo , ond e acab a o canal .
Te m est a bahi a hü s seco s d e are a d e trezenta s braça s d e
comprido , e cent o e trint a d e largo , qu e faze m a pouoaça õ d a
pray a defençauel . D a Pont a da s Lagosta s at é á forç a d e Sant a
( 5 ) A libra , igua l a o arrátel , pes a 45 9 gramas .
( 6 ) N o original : capas .
114
Cru s pell a terr a firm e
e
poli a pray a
qu e
corr e
d o
Pened o
d e
Sa ó Pedr o
at é á
ditt a forç a
d e
Sant a Crus , pod e
o
inimig o
desembarca r debaix o
d a su a
artelhari a
se m lh o
podere m impi -
dir ,
po r se r
pray a limp a
e
descuberta ,
e na õ
aue r gent e
co n qu e
a guarnecer ;
e po r
fica r
a
dit a forç a
d o
cana l per a dentro ,
e
sobr e elle ,
a fi s
nest e çity o
c õ
doz e peça s
d e
ferro ,
hu ã d e de s
liuras , sinc o
d e
seis ,
e
seis
d e
coatro ,
co m a
companhi a
d e
mos -
queteiro s
qu e fo i d e
socorr o dest e Reyno ,
d e qu e h é capitã o
Joa õ Mende s
d e
Vasconçellos , alferes , sargento , cabo s desqua -
dra , condestabl e
( 7 ) ,
bombardeir o
e
ajudantes ;
o
pagament o
dest a companhi a consigu y
n o
feito r
d e su a
Magestade ,
d o
ren -
diment o
do s
baculamento s
( 8 ) . / /
Dest a forç a
qu e
est á
n a
marinh a
( 9 )
mande y faze r
hu a
trincheir a
d e pa o a
piqu e terreplenad a
at é a
terr a firme ,
e
pell a
band a
d e
for a
h a
quarét a paço s abr y
hu a
cau a
d o ma r at é á s
barreira s per a
a
forra r
d e
pedra ,
po r se r
are a solta ,
e lh e
entra r
a maré ,
co n qu e
ficau a fechad a
d o ma r at é a
terr a firme . Est a
forç a
h é a d e
mai s importânci a per a defença õ
d a
entrad a
d a
Loand a poli a praya . Neil a
fi s hu m
fort e
qu e s e
cham a Sant o
Antonio ,
co m
coatr o peça s pequena s
d e
bronz e
e
coatr o pedrei -
ro s ( 10 ) ,
co m
sua s camará s per a defende r
a s
embarcaçoen s
qu e
fore m
po r
sim a
do s
seco s
e m
agoa s uiuas ,
o u
paçare m pell o
canal . Nell e açisty o sempr e
o capitã o d a
guard a
co m
vint e sol -
dado s
qu e su a
Magestad e
d á ao s
gouernadore s per a
su a
guarda ;
o feito r
d e su a
Magestad e
o s
pag a poli a folh a daquell e
Reyno .
/ /
Fi s outr o fort e
n o
Morr o
d e Sa õ
Paull o
po r
ond e
m e
come -
terã o
o s
Olandeze s
n o
dit o ann o
d e 624 , co m
sei s peça s
d e
quatr o liura s per a defença õ
d o
cana l
qu e o ma r fa s po r
entr e
(' ) Chef e
d e
artilheiros .
( 8 ) Tributaçã o indígena .
( 9 ) Praia . Força
é
term o antiquad o
por :
fortaleza , fortificação .
( 10 ) Morteiro s
d e
arremeça r pedras .
115
a ilh a
d e
Loand a (ond e est á
a
feituria ,
e s e
despacha Õ
o s
nauios )
e o s
secos . Nell e açisty o sempr e
capitã o co m
soldado s
d e
vegia ,
condestabl e
e
bombardeiros ;
a
consignaçã o dest e pagament o
mande y faze r
d o
dinheir o
d a
Companhi a
d e
Cauallo s
d a
Con -
quista ,
po r m e
pateçe t
po r
enta õ escuzada ,
e
mai s seruiç o
d e
su a Magestad e aue r soldado s
qu e
uigie m
e
defenda õ aquell e
porto ,
e cidade . / /
Par a
o
mesm o effeit o
pú s
mai s tre s peça s
n a
volt a
d o
rost o
d o morro ,
d a
band a
d a
Corimba , per a defença õ
d o
dit o cana l
e
ma r d a
Corimba . Sobr e
a
barr a
d a
Corimb a
fi s
outr o fort e
co m sei s peça s per a defende r aquell a entrad a
qu e o ma r fa s
entr e
a
ilh a
e a
terr a firme , pell a qua l entra õ pataxo s
e
embar -
caçoen s
d e
rem o
d e
seruiç o
d a cidade ;
nest e fort e açisty o sempr e
capitão ,
soldados , condestable , per a guard a
d a
terr a
e
uegi a
d o
ma r
at é a
barr a
d o Ry o
Coanza ,
qu e
dist a
d a cidad e
doz e legoa s
per a
o Sul , co m
orde m
qu e
todo s
o s
moradore s
d a
Ilh a esti -
uesse m
h à
[ordem ]
d o capitão , e
acudisse m
ao s
rebates .
/ /
Na s entrada s
d a
cidad e
d e Sa Õ
Paull o mande y faze r redu -
tos ,
terrepleno s
e
trincheira s
d e
taip a
d e
pila õ per a
su a
defen -
çaõ ,
com o
fo i n a
pray a
d e
Juli o Maçote , per a
a
part e
d o ma r
d a Corimba ,
hu m
redut o
c õ
tre s peças ; outr o
n a
entrad a
qu e
ua y d o
mosteir o
d e Sa õ
Josep h per a
a cidade , c Õ
coatr o pedrei -
ros ;
n a
entrad a polia s caza s
d e
Joa õ
d e
Touar ,
hu m
terreplen o
co m tre s pedreiro s
qu e
també m serue m per a detrá s
da s
caza s
d e Barbor a
d a
Silu a
co m
seu s trincheiroens .
N a
entrad a
d e
Sant o Antoni o outr o terreplen o
co m
coatr o peças ,
e
trincheira s
at é a
barbaca m
c õ
seu s traueze s per a mosquetaria , pera ,
s e o
inimig o entrass e
po r
terr a
e
plantass e artelhari a
n a
Madalena ,
e batess e
a
forç a
d e
Sant a Chru s
(qu e lh e h é
padrasto )
s e lh e
impediss e dest a fortificação , porqu e
lh e
fic a superior ,
e
defen -
der á
a
entrad a
d a cidad e po r
aquell a parte , ganhandoss e
a
forç a
d e Sant a Chrus .
Toda s esta s fortificaçoen s sustente y
at é
entrega r
o
gouerno :
a despez a delia s mande y faze r
d o
rendiment o
d a
impoziça õ
do s
116
vinho s
qu e pú s
naquell e Reyn o
po r
cart a
d e Su a
Magestade ,
persuadind o
o s
moradore s
e
armadore s uiesse m nisso , poi s
er a
e m ben[e]fiçi o comu m per a defença õ
d e
todos ,
e c õ o
dinheir o
d e condenaçoens ,
qu e
aplique y
h a
esta s fortificaçoens ,
e d o
rendiment o
d e
negro s fugidos ,
se m
dono ,
d e qu e
ordene y tizou -
reir o
e
cont a
po r
escuza r despez a
d a
Fazend a Real .
/ /
Per a mai s formalment e informa r
d e
tudo ,
e se r
prezent e
a
su a Magestad e
o qu e
conue m
a se u
rea l seruiç o
e
defença õ
daquell e porto ,
fi s hu á
plant a
d a cidad e d e Sa õ
Paul o
d e
Loanda , praya , porto , bahya , cecos , ilha , barr a
d a
Corimb a
e
ma r delia , par a
s e
ordena r
a
fortificaçã o mai s conueniente ,
e
po r
s e m e
pedi r pell o gouern o
a de y c õ
relaçã o particular ,
e c Õ
ell a
s e fe s hu ã
iunt a
e m qu e
prezidi o
o
Cond e
d e Va l d e
Reis ,
Gouernado r dest e Reyno ,
e
nell a
s e
asento u
a
fortificaçã o
qu e
s e deu e fazer ,
e s e
mando u
a su a
Magestade . Dell a
s e
pod e
uer .
O
Gouernado r
Do m
Manoe l Pereir a Coutinho , depoi s
d e
toma r poss e
d o
gouern o
(11 )
mando u faze r
hu m
terreplen o
a
Sa õ Joseph ,
e
ordenau a outr o
n a
Pray a
d a
Lagoa ,
e
mando u
faze r
hu ã
estacad a
e n
Cassendama .
O Reyn o
d e
Angoll a
te m
per a defença õ
d o
genty o quatr o
prezidio s
d e
muit o pouc a conçideraçaÕ ;
o
mai s uesinh o
d a
cidad e d e
Loand a
h é
Muchima , est á çituad o
d a
band a
d a Pro -
uinci a
d a
Quissama ,
a o
long o
d o
esteir o
qu e fa s o Ry o
Coanza .
Te m est e prezidi o trint a
e
dua s praça s
d e
soldados ,
co m capitã o
e offiçiais ;
fa s lh e
pagament o
o
pagado r gera l
d a
conquist a
co m
se u escnuaõ ,
e n
fazenda s correntes ,
e
panari a
qu e
receb e
d o
feito r
d e su a
Magestad e
n a
feituria ,
qu e s e lh e
carreg a
e m
receit a pell o escriua õ
d e se u
cargo , comform e
a
folh a
qu e su a
Magestad e mando u hàquell e Reyno .
/ /
(11)
Entro u
n o
govern o
d e
Angol a
e m
4 -9-1630 . For a nomead o
po r cart a
d e
31-12-1629 .
—
ATT -Chancelari a
de D.
Filipe
III, liv . 23 ,
fl .
205 .
117
Te m est e prezidy o
hu á
peç a
d e
bronz e
d e
campo , pequena ;
dua s
qu e
tinh a mais , rebentadas , mande y traze r per a
a
feituri a
d e
su a
Magestad e
e
carrega r sobr e
o
feitor , per a
s e
fundi r
co m
outras .
Te m
mai s
hu ã
camar á
d e
ferro , sinc o arroba s
d e
poluor a
e m dou s barris , dua s botija s
d e
pelouro s
d e
chumbo .
/ /
O prezidi o
d e
Maçangan o est á çituad o
d a
band a
d a pro -
uinçi a
d a
liamba , entr e
o Ry o
Coanz a
e o
Lucala ,
qu e c õ
sua s
enchente s
o fa s
ilha . Paullo s Dia s
d e
Nouai s
o fe s
uilla ,
co m
nom e
d a
Vitori a
qu e al y
alcanço u delRe y
d e
Angolla :
h é
pouoaça Õ quas i com o
a d a cidad e
( lla ) .
Te m
est e prezidi o
sin -
coent a
e hu ã
praça s
d e
soldado s
c õ o capitã o e
officiais ;
te m
trè s
peça s
d e
bronz e
d e
campo , pequenas , quatr o falcoen s
d e
bronze ;
délie s mande y
vi r o s
dou s mayore s
n a
occazia õ
do s
Olandezes ,
porqu e
s e
podia õ escuza r
e m
Maçangan o
e
era Õ mai s necessá -
rio s per a
a
fortificaçã o
d e
Loanda ,
o s
quai s
s e
carregarã o sobr e
o feito r
d e su a
Magestade ;
hu m
pedaç o
d e
bronz e
co n hu ã
peç a pequen a
qu e
estau a
n a
Quiual a
e
outr a
d o
prezidi o reben -
tad a mande y traze r per a
a
feituri a
d e
Loanda ,
e
carrega r sobr e
o feitor , per a
c õ a s
mai s
s e
faze r
fundição .
Tinh a sinc o quintai s
d e poluor a
e m de s
barris ; sinc o botija s
d e
pelouro s
d e
chumbo :
fa s pagament o
a
est e prezidi o
o
pagado r gera l
n a
form a refe -
rida .
O Capitã o
seru e
d e
jui z ordinári o
e do s
orfaõs ,
e d e pro -
uedp r
do s
defuntos .
/ /
O prezidi o
d e
Cambamb e est á çituad o
n a
prouinçi a
d o
Moçeque , sobr e
o Ry o
Coanza , trè s legoa s
d e
Maçangan o pell o
ry o assima ,
qu e o
deuid e
d a
prouinçi a
d a
Quiçama .
Te m
est e
prezidi o çessent a praça s
d e
soldado s
co m o
Capitã o
e
officiais .
Te m sinc o peça s
d e
bronz e
d e
campo , pequenas ,
e
outr a mai s
qu e estau a rebentada , mande y traze r
h à
feituri a
d e
Loanda ,
e
carrega r sobr e
o
feito r
d e su a
Magestad e per a
o
effeit o referido .
Te m mai s sinc o esmirilhoen s
d e
bronze ,
hu ã
camar á
d o
mesmo ,
e dua s
d e
ferro . Tinh a trè s quintai s
d e
poluor a
e m
sei s barris ,
( lla ) Entenda-se :
d a
cidad e
d e
Luanda .
118
sinc o botija s
d e
pellouro s
d e
chumbo ,
e
trint a
e
tre s pellouro s
d e ferro .
/ /
O prezidi o
d o
Ango ,
qu e o
gouernado r Lui s Mende s
d e
Vasconçello s mudo u per a
a
Embaça , nom e
d a
terra ,
qu e s e
cham a Noss a Senhor a
d a
Assunção , est á situad o iunt o
a o ry o
Lucala ,
h é
fronteir a
d o
Reyn o
d e
Dong o
e da s
prouinçia s
d a
outr a band a quarent a legoa s
d e
Maçangano ,
e
pouc o mai s
o u
meno s
d e
Cambambe .
Te m
est e prezidi o trint a
e
sei s praça s
d e soldado s
co m o capitã o e
offiçiais ; tinh a coatr o peça s
d e
bronz e
d e
campo , piquenas ; dua s delia s rebentada s mande y
traze r
e
carrega r sobr e
o
feitor , poli a reza õ referida .
Te m
mai s
dou s falcoen s
d e
bronz e
c õ hu ã
camar á
d e
ferro , sei s quintai s
e
hu ã
arrob a
d e
poluor a
e m
onz e barris , mai s coatr o peroleira s
d e poluor a
qu e
poderia õ
te r
quatr o arrobas ; dua s botija s
d e
pellouro s
d e
chumb o
e
dou s paen s
d e
chumbo .
E po r
aue r muita ,
falt a
d e
armas ,
e d e
poluora ,
e d e
muniçoen s
n a
conquist a
e
dizere m
o s
soldado s
qu e
era õ
a s
arma s suas ,
e po r s e na ó da r
cont a delia s
e m e
consta r
s e
uendia õ
co m
poluor a
ao s
inimigos ,
ordene y
hu m
almoxarif e
e m
cad a prezidi o sobr e que m carre -
gasse ,
c õ hu ã
praç a
d e
mosquet e
d e
ordenado ,
c õ obrigaçã o qu e
a s
na õ
despenderi a
se m
mandado s
d o Capitã o d o
prezidi o per a
s e sabe r
e n qu ê e
com o
a s
despendia , per a
a s
paga r
d e su a
fazend a quand o faltasse m
o u
fosse m
ma l
despendidas ,
e qu e
po r ella s dari a cont a
o
almoxarif e
a o
prouedo r
d a
fazend a
d e
su a Magestad e
n a cidad e d e
Loand a
e qu e o
escriua õ
d o
pre -
zidi o
o
foss e
d e su a
receit a
e
despeza .
H á
( 12 )
mai s
n a
conquist a dua s companhia s
d e
infanteri a
per a socorr o
do s
prezido s
a qu e
chama Õ
d e
sobreçelente ;
te m
amba s
cent o e
coatr o praça s
d e
soldado s
c Õ o s
capitaen s
e
offi -
çiais ;
fa s o
pagament o
d o
prezidi o
e da s dua s
companhia s
o
pagado r gera l
e n
fazenda s correntes , porqu e
na õ
corr e
n a Em -
baç a panaria . Todo s
o s
pagamento s
ua õ
declarado s
n a
folh a
qu e
( 12 )
N o
original :
A .
'11 9
su a Magestad e mando u faze r per a aquell e Reyno . H á ( 12 ) hu m
sargent o mo r prouid o po r su a Magestad e co m oitent a mi l rei s
d e ordenado , d e qu e o feito r lh e fa s pagamento . Estaua õ na s
feituria s d e Loand a quinz e falcoens , set e grande s e oit o pique -
nos ,
a qu e mande y faze r carreta s e pô r na s fortificaçoen s d a
Cidade . Hu m mey o sacr e ( 13 ) d e bronz e c õ camar á d o mesmo .
Oit o camará s d e ferro , coatr o se m azas ; dezoit o esmirilhoen s d e
bronze , hu m mosquet e d o mesmo , se m coronh a e se m fechos ,
çe m mosquete s e arcabuze s aparelhados , algü s mai s se m coro -
nha s gastado s d a ferrugem ; nouent a barri s d e poluor a d e mey o
quintal , cantidad e [de ] pelouro s d e mosquet e e arcabus ; mai s
d e sei s çenta s bala s d e ferr o coado , dedo s ( 14 ) d e ferr o qu e
mande y faze r per a o s pedreiros ; pellouro s d e pedr a per a elles ,
cantidad e [de ] cartuxo s numerado s pell o calibr e da s peças ;
cobr e d o resgat e d e Cacong o qu e abr y per a s e faze r fundiçã o
c õ a s peça s d e bronz e referidas , d e qu e auize i su a Magestad e
per a manda t fundido r o u orde m per a s e leua r o bronz e h à
Bahy a e a o gouernado r daquell e estado , a da r per a s e fundi r
colubrina s d e alcans e pell o fundido r Domingo s Roiz , d e qu e
na õ tiu e re[s ] posta .
H á falt a d e feituri a qu e sei a caz a fort e per a guard a da s
fazendas , d a poluora , arma s e muniçoens , d e qu e auize i a su a
Magestade . Porqu e na õ ache y a prouiza õ qu e s e passo u a do m
Manoe l Pereir a ( 14a ) qu e falece o e m Angolla , send o gouerna -
dor , per a s e faze r a obr a conform e ella ; e pedind o nou a orde m s e
m e na õ mandou ; conu é fazers e capa z ( 6 ) per a nell a s e agasa -
lhare m o s ministro s d a feituri a e fazenda , e nell a dare m despach o
a s partes , e qu e s e na õ faç a n a Ilha , o qu e s e fa s po r prouiza õ
qu e s e passo u a requeriment o d o contratador , o qu e na õ conue m
a o seruiç o d e su a Magestade , pell o risc o qu e corre m o s nauio s
qu e esta õ n a Ilh a d e o s queima r o inimigo .
( 13 ) Canhã o grande .
( 14 ) Instrumento s d e seguranç a par a o s morteiros .
( 14 ª ) D . Manue l Cerveir a Pereira .
120
O s portos , ryos , ençeada s d o Reyn o d e Angolla , d e Ben -
guella , d e Cong o e su a costa , desd e Cab o Negr o at é Mayombe ,
sa Õ o s qu e s e mostra õ n a discripçâ o qu e ua y c õ esta . A diuiza õ
d o Reyn o d e Angoll a pol a band a d o Su l fa s o Ry o Coanza , qu e
est á e m nou e gráo s e hu m quarto , qu e o deuid e da s prouinçia s
d a Quissam a e d a Tunda . Po r elle-entra õ pataxo s soment e d o
seruiç o d a cidad e per a a conquist a co m perigo , po r se r a barr a
d e are a mouediça , qu e s e mud a c õ o s uentos , e na õ s e entr a po r
ell a s é piloto s d a barr a negro s qu e s e chama õ Nambios . / /
O s soua s co n qu e confin a sa õ muito s e poderozos , e guer -
reiros ; n a prouinçi a d a Quissama , Cafuche , Langere , Capaccaç a
e outros , todo s gentio s e inimigo s nossos . N a Tund a and a hu m
jag a qu e s e cham a Cazacangolla , poderozo , inimig o e atrei -
çoado . N a prouinçi a d e Matamb a h á soua s bilicozo s qu e na õ
quisera õ nunc a pa z connosco . / /
Poli a band a d o Nort e o deuid e d o Reyn o d e Cong o o Ry o
Dande , qu e est á e m oit o grão s e hu m cesm o ( 15 ) , o qu e o
Re y d e Cong o nega , e di s qu e soment e de u a su a Magestad e
o port o d e Loanda . Enquant o estiu e n o gouern o sustente y est a
posse , e repart i a s terra s qu e esta õ d a band a d e Loanda , d a
fo z ( 10 ) [do ] Ry o assima , e a s coniunte i a ell e pello s mora -
dore s d a Loanda , e ao s requerimento s d o dit o Re y respond y o
requeress e a su a Magestade . / /
Poli a barr a d o dit o Ry o na õ entra õ mai s qu e pataxo s d e
seruiç o e bateloens . Poli a band a dest e Ry o h á soua s rebeldes ,
qu e na õ send o poderozo s sa õ muit o g[u]erreiros , a saber : Qui -
loang e Camcango , Quitexe , Campangala , Caocangu a Piqueno ,
Çambamgombe , e outros , e po r cabeç a su a Bóilla , sou a muit o
poderozo , qu e te m sua s terra s d a outr a band a d o Ry o Dande ,
o qua l tend o o auassalad o nego u o tribut o qu e promete o a su a
( 15 ) O mesm o qu e sesmo: a sext a parte , u m sexto .
( 16 ) N o original : fos .
121
4 8
CART A D O COLECTO R APOSTÓLIC O
À PROPAGAND A FID E
(30-4-1633 )
SUMÁRI O — Apreciação do relatório do Vigário da Mina — Situação
religiosa da fortaleza—Abandono por parte dos Por-
tugueses, sem ânimo para a recoperação do comércio.
Emin. m o e t Reu. m o Sig. r mi o Colendissim o
Da l Vicari o deli a Min a nell'Affric a Occidentale , h ò
nceuut a un a letter a de ' 1 3 d i ottobr e dell ' ann o passato , co n
I a qual e m i h à dat o auis o deli a riceuut a de l Breu e d i Nostr a
Signore , ch e gl i manda i pe r ordin e deli a Sacr a Congregation e
d e Propagand a Fide , co n facolt à d i pote r benedir e i corporal i
e t parament i sacerdotali . E t hauendom i insiem e inuiat o un a
relation e d i quell a su a Chiesa , no n h ò uolut o mancar e d i man -
darn e à V . Eminenz a l'aggiunt a copi a tradott a i n jtaliano ;
perch e seben e de i géni o deli a gent e i o h ò hauut o altr e uolt e
relation e molt o différent e d a person e Nobili , ch e son o stat e l à
Gouernatori , e t ch e dubit i ch e quest'huom o parl i d i loro , ò
co n poc a
carita ,
ò co n tropp o zelo , com e quell o ch e uoless e s i
facesser o christian i senz a su a fatica , tuttuaui a h ò riputat o ch e
niun a cos a s i debbi a celar e ali a cognition e d i V . Eminenza , à
ch i appartien e d i dar e à ciascun o i remedi j opportuni ; essend o
i n uet o molt o d a dolersi , ch e i n questa , ch e è dell e prim e Con -
quist e de l Regno , e t tant o à lu i uicin a ( 1 ) si a quas i scordat a l a
( 1 ) Com o é sabido , S . Jorg e d a Min a est á muit o long e d e se r
«vizinha » d e Portugal .
223
propagation e deli a fede , com e suppon e quest o Sacerdote ;
e t
perci ò
d a no n s i
marauigliar e (com e
h ò
dett o
à
diuers i
d i
quest i
Signori )
s e
egualment e
s i
son o scordat i
gl i
vtil i
e t
comerci j
temporali , passat i quas i tutt i
à gl i
Olandes i
( 2 ) , ch e l i
maneg -
gian o
à lo r
modo ,
e t n e
cauan o molt o
or o
finíssimo , senz a
ch e
i Portoghes i habbian o
pi ú
anim o
n è
speranz a
d i
ricuperarli ,
com e fors e
Di o
ordiner à
ch e
segu a
u n
giorn o quand o men o
l o persuaderann o
i
mezz i humani .
/ /
Co n
ch e
facei o
à V .
Eminenz a humilissim a riuerenza ,
e t
preg o
i l
Signor e Jddi o
pe r
ogn i
su a
maggio r felicita .
/ /
D i Lisbona ,
3 0
April e
1633 .
D i
V .
Eminenz a
[Autógrafo]:
Humiliss." 1 0
e t
oblig. m o serui r a
Lorenz." . Vesc °
d i
Gerac e
AP F
—
SRCG, vol .
103 ,
fls . 84-8 4 v .
( 2 ) Parece-no s
qu e o s
problema s
ci a
evangelizaçã o
s e
descurara m
exactament e
po r s e
tere m descurad o
o s
problema s comerciais ,
e nã o
vice-versa .
22 4
4 9
MISSIONÁRIO S CAPUCHINHO S ITALIANO S
PAR A
A S
MISSÕE S
D A
GUIN É
(13-5-1633 )
SUMÁRI O
—
Aprovação
dos
missionários Capuchinhos para
o
reino
dos Negritas
—
Aprovação
da
Missão pela Propaganda.
Reverendíssim o Padr e
Essend o stat i destinat i Missionari j
fr a
Cherubin o
d e
Cala -
tagiron e
e fr a
Francesc o
d a
Taranto , Reformad , dall a Sacr a
Congregation e
d e
Propagand a Fide , nell i Regn i dell'Africa ,
ch e
son o nell a part e
d i
ess a
ch e s i
chim a Nigritaru m Regio ,
e t
essen -
d o necessári o
ch e V . P .
Reverendíssim a approu i
l e
person e
nos -
tr e afinch e possiam o haue r
l e
spedition i
pe r
anda r
a l
nostr o
camino , supplicam o
V . P .
Reverendíssim a deli a
su a
approba -
tion e
pe r
poterí a consegnar e nell a secretari a
d i
det a Sacr a Con -
gregation e
[Autógrafo]:
Eg o fr .
Siluestr e
á
Macian o Vic e Commi -
sariu s Generali s
PP .
Reformatoru m Mino -
ram
Obseruantium . Approbo ,
e t
fide m faci o
d e eoru m jdoneitate .
Dat ú Roma e
i n
nostr o Conuent u
S. ta
Francisc i Transti -
berim ,
di e 1 3
Mai j
1633 .
AP F
—
Memoriali, vol . 393 ,
fls .
24 2
e
24 6
v .
225
1 5
NOTA: O s missionário s fora m aprovado s n a congregaçã o cardi -
nalíci a d e 1 1 d e Mai o d e 1633 , no s preciso s termo s qu e seguem :
Referent e Eminentissim o Domin o Cardinal i Pamphylio , Sacr a Con -
gregad o littera s patente s missioni s decreui t fratr i Cherubin o d e Cala -
tagiron e e t fratr i Francesc o d e Taranto , ordini s strictiori s obseruantia ;
Reformatorum , a d Regn a Nigritaru m regione s i n Affrica , e t pr o facul -
tatibu s iussi t pe r Oratore s adir i Sanctu m Officium .
AP F — Acta, vol . 8 , fls . 22 6 v. , n. ° 18 .
226
5 0
RELAÇÃ O D E FERNÃ O D E SOUS A A EL-RE I
(14-6-1633 )
SUMÁRI O — O ex-governador de Angola, a fedido do secretário de
Estado Francisco de Lucena, informa el-Rei acerca dos
negócios da conquista de Benguela, oftando feio seu
abandono — Razões que aduz em defesa da sua tese.
[Senhor ]
Poll o Secretari o Francisc o d e Lucen a s e m e diss e mandau a
V . Magestad e qu e e u informass e d e qu e importânci a h é e
e poder á ui r a se r a conquist a d e Benguela , e qu e utilidad e
s e segu e deli a d e prezent e h à Fazend a Real , e a d e qu e s e pod e
espera r qu e uenh a a ser ; e s e conue m conseruars e e proseguirse ,
o u largarse , co m a s rezoen s e conueniençia s d e hu ã e outr a
cousa . / /
Benguel a h é hu ã ensead a qu e est á e m doz e grão s e mey o
d a band a d o Sul , setent a legoa s a balrauent o d o port o d e
Loanda , Reyn o d e Angolla . Polia s informaçoen s qu e Manoe l
Seruéir a Pereir a de u da s utilidade s qu e resultaria õ [ ] a
faze r a conquist a e gouern o separad o d o d e Angolla , fo i
V . Magestad e seruid o separa r e desuni r d o Gouern o d e Angoll a
o Rejn o d e Benguell a po r hu ã Prouiza õ mu i ampl a qu e fe z (* )
nest a cidad e Per o Uarell a e m 1 4 d o me s d e feuereir o d e 1615 ,
pell a qua l fe z (1 ) V . Magestad e merc ê a Manoe l Serueir a
(1 ) N o original : fes .
22 7
Pereir a d e o nomea r po r capitã o mo r e conquistado r d o Reyn o
d e Benguella , com o s e pod e ue r d o regist o d a ditt a ptouiza õ e
c õ ell a s e lh e de u Regiment o qu e fe z (1 ) nest a cidad e Lui s
d e Moura , e m 2 6 d e març o d e 1615 , assinad o pell o Arcebisp o
Primas , uisorrey . / /
Parti o Manoe l Serueir a dest e port o co m gent e d e guerra ,
armas , poluora , muniçoen s e instrumento s par a o lauo r da s
mina s d e cobre , qu e ell e dezi a aui a e m Benguella , co m orde m
d e hi r serui r d e Gouernado r a Angoll a at é lh e hi r sucçesso r e
qu e dah y s e iri a prouid o d o necessári o per a prossegui r a con -
quist a d e Benguella , descubriment o da s mina s e lauo r delias ,
d e qu e na õ tinh a notici a certa , e po r lh e parece r mai s conue -
nient e per a seu s intentos , leuo u d e Angoll a gent e d e guerr a
d a conquista , e co m ella , e m embarcaçoen s s e fo i h à dit a pouoa -
ça õ d e Benguella , polia s commodidade s qu e n a terr a aui a d e
mantimentos , guado s e resgates . E post o qu e s e lh e na Õ limito u
numer o sert o d e soldados , e gent e per a pouoa r a dit a pouoaçaõ ,
entrarã o nell a co m ell e duzento s e sincoent a soldados , todo s
uelhos , e escolhido s po r elle , co m obrigaçã o d e o s paga r d o
hendiment o d a conquista . Fe z (* ) Manoe l Serueir a Pereir a d a
dit a pouoaça õ d e Benguell a Cidade , e poslh e nom e Sa Õ Felipp e
n o Nou o Reyn o d e Benguella .
Neil a asisti o annos , e nelle s ouu e uario s motins , e leuan -
tamentos , po r cauz a e reza õ d e se r a terr a muit o enferma , e
padecere m o s soldado s notauei s necessidade s poli a falt a da s
pagas , e po r lhe s falta r tod o o socorr o [hjumano ; e po r o s
nauio s qu e hia õ dest e Reyn o na õ querere m toma r aquell e porto ,
poll o roi m gasalhad o qu e achaua õ nelle , d o qu e rezulto u mor -
rere m muito s soldados , e o s uiuo s caire m e n grande s miséria s
d e doença s e chagas , d e qu e fizera õ queixa s a V . Magestade ,
apontand o a pouc a utilidad e d e qu e er a aquell a conquist a per a
a fazend a rea l d e V . Magestad e e a s miséria s qu e padeçiaõ ,
pell o qu e m e mando u V . Magestad e quand o [fui ] per a
228
Angolla , tomass e o port o d e Benguell a e m e informass e e
auizass e V . Magestad e d o qu e achass e e m e parecesse .
He u o fi z ( 2 ) e estiu e n o dit o port o nou e dias , e nelle s
tire y hu m summari o d e testemunhas , d o qua l mande y o tres -
lad o a V . Magestad e po r uias , consertad o po r mi m c õ o pró -
prio ;
nell e confirmarã o todos , qu e na õ conuinh a sustentars e
aquell a conquist a po r na õ se r d e utilidade , ne m d e reputaçã o
per a est a coroa , poli a fraquez a d o çitio , e po r na õ aue r mina s
d e cobre , e da s qu e Manoe l Serueir a mando u amostra s na õ
sere m d e sustância , com o s e ui o n o ensay o qu e fe z (* ) e m
pedra s escolhidas , e po r na õ aue r Soua s qu e s e auasselas é a
V . Magestade , ne m escrauo s d e resgate , e se r mayo r a des -
pez a qu e o rendimento , e poll o perig o a qu e estaua õ expostos ,
poll o genti o se r guerreiro , e muit o atteiçoado , e do s rebel -
de s ( 3 ) qu e auia õ desembarcad o e m terra , e uist o a pouc a forç a
qu e aui a per a s e defende r delles . / /
D e tud o auize i a V . Magestad e e qu e m e pareci a na õ
conuinh a sustenta r a ditt a conquista ; despoi s qu e de y cont a
a V . Magestad e d o referid o sucçede o outr o moti m e leuanta -
ment o contr a Manoe l Serueir a Pereira , e embarcarã o n o o s
soldado s á força , e fizera õ cabeç a qu e o s gouernasse . / /
Fi z ( 2 ) diss o lembranç a a V . Magestad e e d e quant o con -
uinh a manda r V . Magestad e toma r asent o e rezoluça õ qu e
mai s conuiess e a o seruiç o d e V . Magestade , d e qu e rezulto u
mandarm e V . Magestad e po r cart a sua , qu e na õ podend o
escuza r Bent o Banh a Cardozo , qu e V . Magestad e aui a man -
dad o po r capitã o mo r d a guerr a d e Angolla , e u nomeass e
per a Benguell a a pesso a qu e m e parecess e mai s conueniente ;
e a Manoe l Serueir a Pereir a dau a V . Magestad e licenç a per a
s e ui r per a o Reyno , o qu e na õ teu e effeito , po r se r falecid o
( 2 ) N o original : fis .
( s ) Referênci a ao s holandeses .
229
n a Cidad e d e Loanda , quand o chego u a carta ; e po r Bent o
Banh a Cardoz o na õ quere r hi r a Benguella , polia s rezoen s qu e
deu , e e u escreu y a V . Magestade , nomee y Lop o Soare s [Lasso] ,
po r concorrer ? nell e o s requezito s necessários ; e per a s e consegui r
o rea l seruiç o d e V . Magestad e lh e de y armas , poluora , muni -
ção ,
e setent a e dou s soldados , o s mai s delle s uelho s d a con -
quist a d e Angolla , e embarcaçoen s e m qu e foraõ , e na õ lh e de y
mai s gent e poli a necessidad e qu e tinh a delia . / /
Leuo u o Regiment o origina l qu e s e de u a Manoe l Serueir a
Pereira , porqu e V . Magestad e m e mando u soment e nomea r
a pesso a qu e aui a d e sucçede r a Manoe l Serueira , e exercita r
o carg o d e capitã o mo r e conquistador , e per a o desuni r á
conquist a e da r nou o Regimento , er a necessári o faze r V . Mages -
tad e expreç a derrogaçã o d a prouiza õ qu e s e de u a Manoe l
Serueira .
E d a separaçã o qu e V . Magestad e tinh a feit o d o Reyn o
d e Benguell a d o gouern o d e Angolla , d e qu e faç o est a decla -
ração , per a se r prezent e a V . Magestade , com o fo i prouid o
Manoe l Serueir a Pereira , e nomead o Lop o Soare s n a dit a con -
quista , ond e está . Despoi s d e Lop o Soare s esta r e m Benguel a
ouu e hu m motim , e leuantament o d e algú s soldados , co m
determinaçã o d e o prende r e embarquar , com o auia õ feit o a
Manoe l Serueir a Pereira . Prende o Lop o Soare s a s cabeça s e
compliçe s e mando u executa r pen a capita l e m nou e delles , d e
qu e mande y a V . Magestad e o treslad o do s auto s e d a sen -
tença , d e qu e na õ tiu e re[s ] posta . / /
Ta l h é a gent e e a terra , qu e do s duzento s e sincoent a
soldado s qu e Manoe l Serueir a mete o e m Benguella , e do s 7 2
qu e leuo u Lop o Soares , aui a quand o ui m nouent a e coatro , e
muito s delle s enfermos , e este s ficaua õ n o prezidi o quand o
Lop o Soare s sahy a co m guerr a pell o sertaõ , mu i arriscados ,
po r se r o genti o muit o atreiçoado . Padeçia õ todo s necessidade s
pol a falt a qu e tinha Õ d e tudo , e po r sere m ma l pagos ; tinha õ
23 0
falt a d e armas , po r estafe m desconsertadas , e a s mai s delia s
gastada s d a fetrugem , aueri a sincoent a batri s d e dua s e d e tre s
arroba s d e poluora , e muit a falt a d e munição . / /
Est e h é o estad o enqu e ficau a a conquist a d e Benguella :
e porqu e n o temp o qu e estiu e n o gouern o d e Angol a na õ
rezulto u d a conquist a d e Benguell a cous a d e importância , ne m
d e utilidad e per a a Fazend a Real , m e parec e a na õ auer á a o
diante , ne m ser á mai s d o qu e d e prezent e hé , e e m reza õ d e
conquist a ser á d e cad a ue s menos , porqu e ua y morrend o a
gente , despendess e a poluor a e moniçoens , gastans e a s arma s
se m esperanç a d e socorr o d e outras , porqu e d e Angol a na õ lh e
pode m hir , poli a falt a qu e te m delias , e po r lh e se r necessári o
tod o o socorr o qu e lh e fo r dest e Reyno , e quand o o poss a dar ,
na õ ser á d e vtilidade , porqu e a guerr a qu e s e d á poll o serta õ
d e Benguela , na õ h é neçessa[r]i a ne m deli a result a h à feituri a
d e V . Magestad e utilidade , po r se r a despez a mayo r qu e o
proueito , quand o fo r justa . Na Õ h á soua s qu e s e auassale m a
V . Magestad e e o s qu e [h] á na õ quisera Õ nunc a paga r bacula -
mento s ne m faze r resgat e d e peça s d e escrauos , porqu e o na õ
custumaõ , e soment e tráta õ d e sua s sementeiras , e d e cnaçoen s
d e gado , enqu e a Fazend a d e V . Magestad e na õ intereç a ( 4 )
couz a alguã , porqu e a s preza s s e reparte m pello s soldados , offi -
çiai s e
capitã o
mo r e V . Magestad e despend e a paluor a e moni -
çoens . / /
Per a defença õ do s rebelde s na õ soment e na õ conue m aue r
al y prezidio , ma s h é conuenientissim o a o Rea l Seruiç o d e
V . Magestad e desmantelala , e manda r s e leu e per a Angol a
a artelharia , armas , poluora , moniçoen s e soldado s par a su a
defençaõ , porqu e a ençead a d e Beng[u]el a est á e m 1 2 grão s
e mey o d a band a d o Sul , setent a legoa s d e Loanda , dond e na õ
pod e se r socorrid a po r ma r ne m po r terra , ne m s e pod e defen -
( 4 ) Entenda-se : nã o tira interesse , lucro. .
231
der , porqu e est á entr e hu á pont a d e are a d a band a d o Norte ,
e a d o Chapeo , qu e est á d a band a d o Sul , e d e hu á pont a á
outr a h á tre s legoa s d e pray a e nell a pod e o inimig o desem -
barca r se m lh o impedirem , e h é
capa s
d e grand e numer o d e
embarcaçoens , c õ fund o d e sinc o at é quatr o braças , ficand o d a
terr a a tir o d e mosquete , e pode m esta r iunta s se m perig o por -
qu e fica õ emperada s ( 5 ) d o vent o Sul , qu e h é o gera l d a cost a
e ua i lh e po r sim a d a terra . / /
N o mey o d a pray a est á çituad a a pouoaçaõ , a qua l te m
soment e tre s baluartes ; e m hu m delle s s e fa z (6 ) corp o d e
guarda , qu e demor a a o Sul , outr o a Leste , o outr o a o Norte ;
todo s tre s sa õ d e taip a d e pilaõ , d e pouc a conçideraçaÕ ; te m
cad a hu m delle s tre s peça s d e ferr o d e quatr o liura s d e bala ,
se m seruiç o e se m artelheir o qu e poss a acudi r a hu a necessi -
dade , co m outr a peç a desemcaualgada , na õ sa õ d e mai s efeit o
qu e per a defença õ d o gentio , co m qu e s e na õ pod e resisti r a
nenhu m cometiment o poli a band a d o mar , e infaliuelment e
ind o o inimig o áq[u]ell e porto , co m pouc o pode r s e far á senho r
d a pouoaçaõ , e estand o prouid a d e ta m roi m gente , a entregar á
logo ,
e a qu e s e retira r pell a terr a dentro , a degolar á o gentyo ,
e send o ta m frac a pouoaçaõ , s e dir á qu e s e tomo u a V . Mages -
tad e hu a forç a n a cost a d e Africa . / /
Pell o qu e m e parec e s e deu e extingui r est a conquista , c
reforça r co m o qu e s e retira r deli a a d e Angola , porqu e quand o
ouuer a e m Benguell a mina s d e cobr e conçideraueis , com o dizi a
Manoe l Serueir a Pereira , e di z ( 7 ) Lop o Soares , na õ conu é a
V . Magestad e mete r cabeda l nella s estand o ta m afastada s d o
socorro , porqu e nunc a poderã o responde r h à despeza , pell a
pouc a fedehdad e co m qu e s e despend e a fazend a d e V . Mages -
( 5 ) Amparadas , protegidas .
( a ) N o original : fas .
( 7 ) N o original : dis .
232
d e V . Paternidad e ter á 22 . Estudo u dou s anno s cazo s (* ) n a
Ilh a d a Madeira . Va i compond o a crónic a d o Collegi o d e
Congo , e daquell e Rein o desd e o principi o d a Companhi a
nell e ( 2 ) . E dest o te m muit o bo m estil o e talento . / /
E m a bençã o e santo s sacrifício s d e V . Paternidad e m e
encommendo . / /
D a Loand a d e Angola , 2 5 d e Iunh o d e 1633 .
d e V . Paternidad e indign o filho , e seru o e m Christ o
Gonçal o d e Sous a
[Ã
margem] :
Depoi s d e te r est a feita , m e parece o qu e
podi a V . Paternidad e quere r a informaçã o d o P. e Prouincial ,
e ass i lh e remet o a s informaçõe s per a qu e ell e a s remet a e m
form a a V . Paternidade .
ARS I — Lus., Cód . 74 , fl . 235 , doc. LXXX .
( 1 ) A part e casuístic a d a teologi a moral .
( 2 ) Qu e ser á feit o deste s doi s trabalho s histórico s d o Padr e Joã o
d e Paiva ? Tem-s e teimosament e sustentado , se m documentaçã o con -
cludente , qu e o manuscrit o 8.08 0 d a BN L (F . G.) , qu e te m po r títul o
Historia do Reino do Congo, é d a autori a d o Cóneg o Brá s Correia ,
depoi s noviç o d a Companhi a d e Jesu s n o colégi o d e Luanda . J á
procurámo s demonstra r qu e est a tes e nã o resist e à anális e d o própri o
texto . Cfr . Portugal em África, 194 9 (VI) , p . 153-161 . Informado s
d e qu e existi a u m exempla r d a mesma obr a n o ARSI , al i o buscámos ,
se m qu e tenhamo s lograd o encontrá-lo . Talve z nã o sej a aventura r
demasiadament e lança r a hipótese , perant e o documento - do - J2adr e
Gonçal o d e Sousa , d e qu e o auto r d a História do Reino do Congo
pod e se r o Padr e Joã o d e Paiva .
239
5 4
CART A D A PROPAGAND A FID E
A O PROVINCIA L D A NORMANDI A
(25-6-1633 )
SUMARI O — Projecto de missão dos Capuchinhos Franceses às Ilhas
e terras de Africa — Designação exacta dos lugares de
missão e dos nomes dos missionários.
Essendos i riferit o i n quest a Sacr a Congregation e i l Memo -
rial e d i V . R . circ a i l manda r nell'Isol e e Terr e dell'Afiric a e
dell'Americ a d e suo i Padr i coll i mercant i (1) , d i cotest a Pro -
uincia , quest i mie i Eminentissim i Signori . prim a d i darlen e
nsolutione , desideran o d i saper e i nomi , e sit i déli e sudett e
Isol e e Terr e déli e qual i potr à informarsen e d a medessim i mer -
canti , pe r significarl i po i distintament e all a medessim a Sacr a
Congregatione . Ch e etc . / /
Roma , 2 5 Giugn o 1633 .
AP F — Lettere Volgari, vol . 13 , fis .
66V .-67 .
(1 ) Com o s e ver á dest a colectâne a documental , a Missã o s ó pôd e
efectivar-s e u m an o depois , na s costa s d a Velh a Guiné .
240
5 5
CART A D O PADR E GONÇAL O D E SOUS A
E M NOM E D A CÂMAR A D E LUAND A
(6-7-1633 )
SUMÁRI O — Atesta os bons serviços prestados pela população de
Luanda para a fortificação da cidade, apesar das dificul-
dades económicas do momento — Impostos pesados.
+
[Senhor ]
O juiz , e mai s officiae s d a camar á dest a cidad e d e S . Paul o
d a Loand a m e pedirã o fizess e esta , n a qua l dess e cont a a V .
Magestad e d o qu e e u sabi a acerc a d e com o s e ouuera õ n a
execuçã o d o mandad o d e V . Magestad e e m qu e lhe s ordenau a
lançasse m nest e pou o algu ã imposissa õ per a a s fortificassoé s d a
mesm a cidade ; o qu e faç o co m o zell o d o seruiç o d e V . Mages -
tade , e uerdad e co m qu e o s Religioso s d a Companhi a d e Jesu s
e m todo s o s estado s e conquista s d a coro a d e V . Magestad e
o custuma õ fazer , com o superio r qu e so u do s Religioso s qu e a
mesm a Companhi a te m neste s Reino s d e Angola , e Congo .
Soub e qu e tant o qu e o s officiae s d a camar á receberã o a
d e V . Magestade , co m muit a pontualidad e chamarã o á camar á
o pou o delia ; lendoss e a d e V . Magestad e procurarã o persua -
dir-lhe s uiesse[m ] n o qu e nell a lhe s ordenaua , e aceitasse m
algu ã imposissa õ pell o temp o qu e durass e a fortificaçã o dest e
port o e cidade . E ind a qu e o pou o s e achau a cançad o e pobre ;
offerece o a V . Magestad e h ü donatiu o d e quarent a mi l cruzado s
241
1 6
d e moed a corrent e n a terra , e a todo s o s qu e sabemo s o pouc o
qu e est e pou o pode , ass i pello s gasto s qu e n o seruiç o d e V .
Magestad e te m tido ; com o pell o pouc o qu e hoi e rend e o trat o
d a terra ; com o pella s outra s imposissoe s qu e i á tem' , achamo s
qu e na õ de u pouco , ante s mai s d o qu e s e podi a esperar .
O s gasto s qu e tiuera ó n o servuiç o d e V . Magestad e fora m
grandes , pell o qu e concorrerã o per a a fortificaçã o qu e o gouer -
nado r D . Manoe l Pereir a Coutinh o te m feit a n a pray a dest a
cidade , e forte . N o auiament o qu e s e de u á s nao s d a índi a
qu e este s anno s próximo s uierã o a est e porto , e m qu e aiudara õ
muito , e tiuera ó perda s d e muit a consideração , pello s escrauo s
qu e lhe s morrerã o c õ o trabalho , e pello s qu e fugirã o per a sua s
terra s d o sertaõ , po r na õ aturare m o mesm o trabalh o qu e tinha õ
n o ta l auiamento , e concerto . O s mesmo s gasto s tiuera ó e m
defendere m a cidade , e port o contr a o s olandeze s rebeldes , qu e
co m sua s armada s dua s ueze s o acomete o n o temp o (1 ) d o
gouern o d e Ferna õ d e Sous a ( z ) .
Rend e pouc o o trat o dest a terr a hoi e ao s moradores , por -
qu e a s feira s qu e dante s s e fazia õ aqu i pert o e c õ muit a abun -
dânci a d e escrauo s qu e s e resgatauaõ , esta õ d e tod o acabada s
po r reza õ da s muita s guerra s qu e ouu e este s anno s passados ,
e ind a hoi e há , e exército s qu e tra z ( 3 ) e m camp o a Ging a pre -
tensor a d o Rein o d e Dongo ; e o s qu e traze m o s jagas , qu e
matando , e comendo , porqu e s e sostenta õ d e carn e humana ,
destroem , e consome m a s prouíncias . / /
E o s soba s avassalado s a V . Magestad e cançado s po r na õ
podere m atura r o s tributo s d e escrauo s a qu e esta õ obrigados , e
po r outra s auexassoé s s e uá o tetirand o per a o sertaõ , e s e lança õ
(1 ) N o original : temdo .
( 2 ) Governo u d e 2 2 d e Junh o d e 162 4 (e m qu e tomo u posse )
at é 4 d e Setembr o d e 1630 .
( 3 ) N o original : tras .
242
c õ o s jaga s e outro s soba s qu e na Õ sa Õ sogeito s a V . Magestade ,
dond e s e segu e ficare m a s prouincia s mai s próxima s falta s d e
gente ; e pet a o s escrauo s do s Portugueze s fazere m resgat e h é
necessári o entrare m pell a terr a dentr o caminh o d e muito s me -
zes ,
e fazere m a s pessa s d e escrauo s co m muit o custo ; e com o
o s traze m d e ta m longe , e e m cadeas , co m falt a d o necessário ,
morre m nest e caminh o muitos . / /
E a caus a d e este s esctauo s resgatadore s o u compradore s
ire m ta õ long e busca r o resgate , socced e mu i d e ordinári o fica -
rem-s e l á co m a fazend a d e seu s senhores , mouido s co m o inte -
reç e d a liberdade , e
cubic a
da s fazendas , qu e traze m entr e
maõs , e solicitado s do s jagas , e outro s sobas ; e a tud o s e atre -
ue m po r s e uere m ta õ auzente s d e seu s senhores ; e nist o rece -
be m muit o grande s perda s o s homen s d e negocio .
Sa Õ muit o pouco s o s homen s qu e aqu i te m algu a cous a d e
seu ; porqu e muito s delles , po r se r gent e qu e ue m degradad a
d o Reino , na Õ te m cabedal , e s ó uiue m d e esmolas . E outro s
sa õ soldado s qu e na õ te m mai s qu e o sold o qu e recebe m d e
V . Magestade ; e esse s qu e te m trat o esta õ ta m indiuidado s
qu e s e o s homen s d e ma r e m for a qu e lhe s uende m a s fazenda s
fiada s po r hum , dous , e tre s annos , apertare m co m elles , e o s
quizere m executar , todo s seu s ben s e caza s e m qu e uiue m na õ
basta õ a paga r o qu e deuem . E a s cousa s necessária s per a su a
uida , e sostento , po r uire m toda s d e ma r e m for a lhe s custa õ
po r preço s muit o excessiuos .
J á nest a cidad e h á dua s imposissoés , hu a no s uinhos , outr a
no s escrauos . E o qu e o s escrauos , qu e resgata õ pell a terr a den -
tr o co m tanto s gastos , e risco s d e sua s fazendas , rend e á fazend a
d e V . Magestad e h é muito , ass i no s direitos , qu e aqu i s e paga õ
n a saca , qu e sã o set e mi l reae s po r cad a peça , e d e entrad a e m
índia s d a mesm a peça , desanou e mi l e oit o cento s reaes . / /
D e mai s dist o o lauo r do s assucare s d o estad o d o Brasil , e
benefici o da s mina s d o Peru , e Nou a Hespanh a s e nã o pod e
243
conservua r se m a escrauari a qu e dest e port o s e tira , o qu e tud o
m e parec e h é d e muit a consideração , e dign o d e V . Magestad e
pô r o s olho s nest a terra , e no s moradore s delia , alliuiando-o s
tod o o possiuel , fauorecendo-o s co m mercês , e s e da r po r be m
seruid o d o qu e offereceraõ , poi s tend o consideraçã o a esta s
rezõe s qu e apont o a V . Magestade , offerecera õ muito , e nã o
pode m da r mais , poi s nã o te m outra s rendas , o u foro s dond e
o tirar , mai s qu e do s escrauos > co m a perd a e risco s do s mes -
mo s moradores , qu e apontei ; e proueit o d a fazend a d e V .
Magestad e qu e s e uê .
Ne m h é d e pouc a importânci a a industti a co m qu e c õ
grande s trabalhos , e gasto s d e pouco s anno s a est a part e rom -
pe m o s matos , e cultiuã o a terr a plantando , e semeand o man -
dioca , e maç a d a terr a per a sostent o d a gent e preta ; d e qu e
result a muit o á fazend a d e V . Magestade , porqu e lh e rende m
i á o s dízimo s cad a ann o uint e mi l cruzados . E n a terr a nã o
h á outra s searas , ne m outra s uinhas , o u oliuaes . Ist o m e pare -
ce o representa r a V . Magestade , cui a catholica , e rea l pesso a
Deu s guarde .
Loanda , a 6 d e julh o d e 1633 .
+
Gonçal o d e Sousa .
A H U — Angola, cx . 1 .
244
5 6
CART A
D O
PADR E FRE I GASPA R
D E
SORI A
A O PREFEIT O
D A
PROPAGAND A FID E
(8-7-1633 )
SuÁMRI O
—
Pede
a
intervenção
da
Propaganda junto
do seu
Geral
para
que
este
se
digne enviar missionários Capuchinhos
para
as
missões
do
Japão
—
Dificuldades levantadas pelo
Conselho
de
Portugal
—
Campo aberto pelo caminho
das Filipinas para missionarem
o
Extremo Oriente.
Eminentísim o Seño r
Aunqu e
po r
tre s Cartas ,
y e l
Custodi o dest a Prouinci a
d e
Castill a
d e lo s
Capuchinos ,
h e
suplicad o
a V . Em. a s e
seruies e
manda r
da r
licenci a
a
quatr o Religioso s dell a par a
y r
entr e infie -
le s
a
predica r
l a f e d e
Christ o nuestr o Señor . Com o
n o h e
tenid o
respuest a
m e
ali o obligad o
d e la s
inspiracione s
d e
Dio s
a
escriui r
toda s
la s
uece s
qu e
necesari o fuer e par a cumpli r
co n
ellas .
N o
y a
po r l a
licenci a
qu e
ante s pedia , pue s
e l
darl a
l o h a
remitid o
s u Santida d
d e
Vrban o
8
nuestr o Seño r
a lo s
Generale s
d e la s
Religiones ,
e n un a
Constitució n Apostólica ,
qu e
comiec a
Vniuersis Christi fidelibus,
expedid a
a 2 2 d e
Febrer o
de l
pre -
sent e
añ o 1633 :
sin o par a
qu e V .
Eminenci a
s e
siru a manda r
a
m i
Padr e Genera l
d é
licenci a
a lo s
Religioso s
qu e d e
Hespañ a
s e
l a
pide n par a
i r a
predica r
l a f e e n e l
Reyn o
de l
Japón ,
e
ysla s adyacentes , aliándolo s aptos .
Qu e
com o otr a
ue z l o
inten -
taro n
co n l a
bendició n
d e
Paul o
5 , y po r n o
aue r dad o licenci a
e l Consej o
d e
Portuga l
(po r
cuy o Reyn o solament e aui a licen -
ci a
d e
pode r pasa r
a la s
India s Orientales )
n o s e
pusies e
po r
245
obr a (1 ) parecele s a lo s Padre s Generale s qu e ser a agor a l o
mism o y po r es o n o instituye n missione s desto s Reynos . / /
Supuest o pue s qu e y a s e pued e i r a l Japó n po r la s isla s
Philipina s (com o e n s u breu e l o conced e s u Santidad ) ser a fáci l
alcança r l a licenci a de l Consej o d e Indias , dándol a primer o e l
Padr e General . Y as i suplic o a V . Eminenci a s e siru a man -
darle , examin e s i lo s qu e l a pide n par a i r s i Japón , so n apropo -
sito ,
y s i l o fuere n le s d é licenci a par a qu e execute n lo s deseo s
des a Sagrad a Congregació n y d e s u Santida d e n e l dich o breu e
insinuada , qu e y a alguno s Reli[gi]oso s s e ha n ofrecido , y s e
ofreciera n mucho s Capuchino s d e Hespañ a y d e la s demá s
Prouincia s a serui r a Dio s y l a Iglesi a e n l a conuersio n d e lo s
infieles . Y confi o e n e l Seño r ser a grand e e l frut o qu e lo s Capu -
chino s hará n e n la s alma s ganándola s par a Dio s po r medi o d e
s u F é Catholica , par a cuy a feli z propagació n conseru e S u Ma -
jesta d felice s año s a ta n Sagrad a Congregación . / /
Madrid , Juli o 8 d e 1633 .
Capellá n d e V . Em. a
qu e su s mano s b e j a
Fr . Gaspa r d e Soria , Capuchino .
AP F — SRCG, vol . 103 , fl . 51 .
(1 ) O Conselh o d e Portuga l obstava , durant e o domíni o do s Fili -
pes ,
a qu e o s missionário s enviado s pel a Propagand a Fide , apesa r d e
espanhóis , o u exactament e po r iss o mesm o qu e o eram , missionasse m
no s território s d o se u padroado , que r na s índia s que r n a África . A
oposição , mesm o muito s ano s ante s d e a Sant a S é — e portant o a Pro -
pagand a Fid e — reconhece r a independênci a polític a d e Portugal , fo i
nul a par a o s missionário s d e outra s nacionalidades , particularment e
par a o s italianos . A s dificuldade s exposta s po r Fre i Gaspa r d e Sori a
parece m provi r especialment e d a part e do s Superiore s e d a mesm a
Propagand a Fide . Apesa r d e tere m abert o o caminh o da s Filipinas ,
ne m po r iss o s e lhe s dav a licenç a d e embarcarem.. .
246
5 7
CRISTANDAD E D E S . JORG E D A MIN A
(29-8-1633 )
SUMÁRI O — Relatório sobre os povos da Mina — Pedem-se notícias
pormenorizadas ao Colector Apostólico em Portugal.
Referent e eode m Eminentíssim o Cardinal e Pamphily o lit -
tera s Collecton s Lusitânia : (1 ) e t relacione m Mina ; i n Afric a
Occidentali , i n qu a continebatu r quo d popul i predicts ; Mina ;
sun t nigri , e t maio n e x part e idolatre , it a u t etia m sax a colant ,
e t qu i christian i sun t ade o superstitionibu s e t alij s vitij s dediti ,
u t potiu s nomin e qua m r e christian i nuncupar i possint . / /
Sacr a Congregati o iussi t eide m Collector i rescrib i u t a b e o
a qu o relatione m predicta m accepi t e t a b alij s d e terr a ill a
notitia m habentibu s informatione s assumâ t d e e o quo d fier i
posse t pr o predicti s populi s specialite r luuandis .
AP F — Acta, vol . 8 , fl . 293 . (Congregaçã o d e 2 9 d e Agost o d e
163 3 «cora m Sanctissimo») .
(1 ) Lorenz o Tramallo , natura l d e Portovener e (Génova) , for -
mad o in utriusque jure (U . J.) , vigári o gera l d o Cardea l d e S . Sixto ,
bisp o d e Montefiascone . Fo i Núnci o e m Portuga l desd e 1 d e Març o
d e 162 7 at é 3 0 d e Setembr o d e 1634 . — Cfr . H . Biaudet,OÍ? w cit.,
p .
260 .
247
5 8
CONSULT A D A MES A D A
CONSCIÊNCI A
À
CART A DO S MORADORE S D E MAÇANGAN O
(31-1-1634 )
SUMÁRI O — É examinada a carta dos moradores de Massangano em
que pediam missionários para os doutrinarem na fé—
Pareceres de Fernão de Sousa e Fernão de Matos Car-
valhosa— Sugere-se o envio de quatro missionários da
Companhia de Jesus, com 8o$ooo réis anuais.
Vius e nest e tribuna l a copi a d a cart a d e V . Magestad e d e
2 7 d e mai o
de. 632 ,
remetid a pell o Vizore y dest e Rejno , e m
qu e V . Magestad e mand a qu e s e vey a a cart a d o pou o d e Ma -
sangan o (1 ) d o Rejn o d e Angola , qu e trat a d a nesesidad e qu e
aquell e destrit o te m d e obreiro s par a doutrinare m o s moradore s
dell e na s couza s d a noss a sant a fe é e s e suprire m a s falta s qu e
al y h á n a administraçã o do s sacramento s e ofício s diuino s e
qu e tomada s [as ] infprmaçoin s nesesaria s d e Ferna õ d e Souza ,
qu e fo y gouernado r daquell a Comquist a e d o dezembargádo r
Ferna Õ d e Mato s d a Carualhoza , s e comsultas e a matéri a po r
est e tribunal .
E vist a a cart a daquell e pou o d e Masangan o (1 ) e a s em -
forma[çoins ] d o gouernado r qu e foj , Ferna õ d e Souza , e d o
dezembargádo r Ferna õ d e Mato s d a Carualhoza , qu e sa õ com -
formes , aprouand o tud o o qu e n a cart a daquell e pou o s e repre -
zent a a V . Magestade , e lh e pares e couz a mu i just a qu e V . Ma -
gestad e orden e qu e áquell a Comquist a va õ Religiozo s d a Com -
(1 ) N o original : Mosangano .
248
E t j e plain s bie n ce s pauvre s Ursuline s d e Loudu n e t autre s per -
sonnage s séculiers , y ayan t d e gtand z embarra s qu e c e cur é
Grandie r ( 3 ) soi t quelqu e autr e sorcie r comm e Gaufredy , qu i
avoi t gast é le s Ursuline s d e Marseill e e t tou t plei n d'autre s
personne s e n l´an 161 3 ( 4 ) / /
I l m e reste , avan t qu e finir , à vou s remercier , comm e j e
fai s trè s humblement , d e l'advi s qu'i l vou s plaic t m e donne r
de s livre s e n langu e ba s bretonne , e t vouldroy s bien , pa r l e
moye n d e vo z amis , avoi r u n catalogu e a u vra y de s tiltre s d e
tou s ceu x qu i s e trouven t che z le s curieux , imprimé s à Mor -
laix , o u à Bell e Isle , o u à Nantes , o u ailleurs , e t à que l pri x o n
le s pourrai t trouve r à vendre . Cependant , s'i l s e pouvoi t avoi r
un e couppl e d'exemplaire s d u dictionnair e e t d e l a grammaire ,
j e le s ferai s bie n volontier s payer , e t j e m'asseur e qu e M r d e l a
Fayett e ferai t fourni r à Tour s l e pri x qu i y serai t nécessaire ,
lu y e n escripvan t u n mot , croyan t qu e vou s y trouvere z asse z d e
marchand s qu i auron t de s correspondance s e n Bretagn e pou r
y e n fair e fourni r c e qu'i l faudra , tandi s que , d e Paris , M . d e
l a Fayett e le s fer a rembource r à Tours . C e vou s ser a d e l a peine ,
don t j e vou s pri e m'excuser , e t d e fair e le s mesme s recomman -
( 3 ) Sobr e est e famos o pároc o d e Loudu n h á numerosa s indicaçõe s
n o folhet o d e M . Ph . Tamize y d e Larroque : Document relatif à Urbain
Grandier (Paris , Picard , 1879 , i n 8°) . Est e document o é um a relaçã o
inédit a d o process o e d o suplíci o d e Grandier , endereçad a a Gassend i
pel o sábi o Ismae l Boulliau , testemunh a ocular .
( 4 ) Luí s Gaufridi o u Gofridi , nascid o e m Bauveze t (Baixo s
Alpes) ,
er a pároc o d e Accoules , e m Marselha , quand o fo i acusad o
d e te r enfeitiçad o a jove m Madalen a d e l a Palud . Fo i queimad o num a
da s praça s pública s d a cidade d e Aix , e m 3 1 d e Abri l d e 1611 . Cfr .
Histoire admirable de la possession et conversion d'une pénitente,
séduite par un magicien, la faisant sorcière et princesse des sorciers au
pais de Provence [...] , pel o R . P . Sébastie n Michaelis . Paris , 1614 ,
i n 8° , 67 2 páginas .
255
dation s
a u R . P .
Cesaré e
d e
Rosgoff , prian t Die u qu'i l vou s
tienn e trè s tout s
e n s a
sainct e garde ,
e t
demeurant , Monsieu r
mo n
R . P. ,
vostr e trè s humbl e
e t
trè s obéissan t serviteur .
D E
PEIRES C
A
Aix , c e 1 3
febvrie r
1634 .
P . APPOLINAIR E
D E
VALENC E
— Correspondance
de
Peiresc avec plusieurs Missionnaires
et
Religieux
de
l'Ordre
des
Capucins
(1631-1637) ,
Paris , (Picard) ,
1892 , p .
18-24 .
NOTA
—
Nicolas-Claud e
FABR I
D E
PEIRESC , conselheir o
n o
Parlament o
d e Aix , n a
Provenç a francesa , célebr e arqueólog o
e
natu -
ralista , nasce u
e m
Beaugensie r
e m 158 0 e
falece u
e m
Aix . e m
1637 .
Sacerdote , interessou-s e
po r
todo s
o s
ramo s
d a
ciência , coleccionand o
manuscrito s orientais , moedas , minerais ; envio u ousado s
e
sábio s aven -
tureiros ,
po r el e
pagos ,
a o
própri o Egipto , encarregado s
d e
faze r obser -
vaçõe s astronómica s
e d e
históri a natural , tendo-s e aind a apaixonad o
pel a epigrafi a
e
arqueologi a romanas .
Fo i
Tamize y
d e
Larpqu e que m
publicou ,
n o
decéni o
d e 188 8 a
I8q8 ,
n a
vast a Collection
des Do-
cuments Inédits
de
l'Histoire
de
France, set e volume s
d a su a
curios a
correspondência .
A s
carta s
qu e
publicamo s nest e volum e atesta m exu -
berantement e
a
inquietaçã o intelectua l
d e
Peiresc .
2 5 6
6 0
CART A RÉGI A A O COND E VISO-RE I
(8-3-1634 )
SUMÁRI O — Sobre o socorro a enviar à Mina a pedido do Governa-
dor — Tomada de uma caravela por um capitão francês.
V i a voss a cart a d e 1 8 d e feuerejro , e o qu e s e refer e n a
qu e m e embiaste s d e Pedr o Mascarenhas , Gouernado r d a Mina ,
sobr e o apert o (1 ) e m qu e s e ach a d e sustent o par a a gent e qu e
al i assiste , e [a ] carauel a qu e vind o d e Sa õ Thom é par a aquell a
praç a tomo u hu m capitã o francês ; e pareceom e encomendamo s
e encarregamo s muit o vejae s s e s e pod e envia r algu m socorr o
á Mina ; poi s vo s h é present e a importânci a dest a praça , e s e
deix a ve r a falt a e m qu e estará , hauend o tant o temp o qu e a
represento u Pedr o Mascarenhas , e na õ tend o co m qu e a reme -
dea r mai s qu e a carauel a qu e s e lh e tomou ; e post o qu e dess e
Reyn o s e lh e haj a enuiad o o socorr o qu e dizeis , todaui a com o
a s cousa s d o ma r sa Õ incertas , s e pod e recea r qu e na õ s e lh e
tenh a chegado ; e n o qu e toc a á perd a qu e s e causo u co m a
tomad a d a carauela , tenh o mandad o pell a vi a a qu e toc a qu e s e
trat e d a satisfaçã o disto . / /
Escrit a e m Madri d [ 8 d e Març o d e 1634] .
BNM . — Ms . 3.014 , £1 . 277 .
(1 ) N o texto : apreto .
257
1 7
NOTA — E m document o d e 1 1 d e Març o el-Re i insist e sobr e
o momentos o e nunc a resolvid o problema :
Recebeus e pell o ordinári o d e quatr o d e Març o present e hu ã con -
sult a d o Conselh o d e Estad o sobr e o qu e auiso u Pedr o Mascarenhas ,
gouernado r d a Mina , d a falt a d e prouimentos , co m qu e ficau a aquell a
fortalez a e d a carauell a qu e mando u a Sa õ Thom é a busca r socorro ,
e d e volt a lh e tomo u hu m capitã o francês ; e vend o o qu e Pedr o Mas -
carenha s refer e d a necessidad e e m qu e aquell a praç a ficaua , e con -
siderand o qu e est a s e haui a d e j r augmentando , y qu e ficari a mu y desa -
nimad a a gent e qu e all i assist e co m a tomad a d a carauella , co m cuy a
chegad a esperaua õ remedea r e m part e est e apert o ( 1 ) , o qu e tud o est á
pedindo , qu e se m nenhu a dilaçã o s e socorr a a dit a praç a co m tud o
o mai s qu e s e puder , n a form a qu e parec e a o Conselh o d e Estado ,
vo s encomend o e encarreg o muit o qu e ass i o façai s e tratei s dist o co m
o desuel o co m qu e acudi s a toda s a s cousa s d e me u seruiço . Poi s deuei s
entende r quant o conue m qu e s e enui e est e socorro ; e o mai s d e qu e s e
trat a n a consult a s e fic a vendo , e breuement e mandare i responde r a
isso./ /
Escrit a e m Madri d [ n d e Març o 1634] .
BN M — Ms . 3.014 , fls . 279-27 9 v .
258
6 1
COLÉGI O
DO S
JESUÍTA S
E M
ANGOL A
(15 -3-1634 )
SUMÁRI O
—
Rendimentos
e
sustento
do
Colégio
de
Luanda.
Item .
A
est e collegi o
t e S .
Magestad e feit o esmoll a
d e
80.00 0
cruzado s per a cad a religios o
qu e al i
residi r
at é n. ° d e
10 ,
qu e sa õ
2.00 0
cruzados . Algu á rend a
qu e t e
mai s est e
Collegi o
h é d e
algua s casa s
qu e fe z e
outra s
qu e lh e de u o
noss o jrma õ Gaspa r Aluares ,
e
algu ã cous a
qu e
cultiua õ
pro-
priis expensis;
suster á est e Collegi o
d e
ordinári o passant e
d e
2 0
religiosos , ass i
do s qu e
nell e reside , com o
do s qu e
assist e
na s residência s
da s
missõe s
d e
Cong o
e
Massangano .
Algua s doaçõe s fizera õ uano s gouernadore s
a
est e Collegio ,
d e terra ,
qu e
com o tud o
sa õ
areae s
e
charneca s
s é
aruore s
n é
fructo , mai s
qu e
per a alg ü past o
d e
eru a per a
o
gad o
s e
choue ;
na Õ
s e lh e po é
uali a porqu e
po r 100 $ s e
compra õ log o legoa s
e legoa s
d e
terras .
ATT— Cartóri o
dos
Jesuítas, Maç o
57 .
NOTA
— É o
borrã o
e diz :
«Ao s
1 5 d e
Març o
d e 63 4
étregue i
a o
P. e
Francisc o Pires ,
qu e
part e per a Madrid , dua s relaçõe s
qu e fi z
é limp o
do s bé s d e
rai s
e
renda s dest a prouincia , jütament e
c õ o
tres -
lad o
é
limp o dest e papel ,
c õ
aduertéci a
qu e ma s h á d e
torna r
a
mãda r
d a corte» .
25 9
6 2
CART A D E FERNÃ O D E SOUS A A EL-RE I
(31-3-1634 )
SUMÁRI O — Parecer sobre a fortificação do porto de Luanda e barra
de Corimba, de cuja defesa dependia a conservação de
Angola em mãos portuguesas — Acontecimentos polí-
ticos no Congo e contemporização com o Rei e Conde
de Sonho — Que se empregue a dissimulação com o Rei.
[Senhor ]
V y a s carta s d e do m Manoe l Pereir a Coutinho , Gouernado r
d o Rein o d e Angolla , e a cópi a d e hu m capitol o d e outr a d e
3 e d e 7 d e Iulh o d o ann o passad o sobr e a s fortificaçoen s d a
Cidad e d e Loanda , e Porto , e fort e d e Corimba , co m outr a d e
7 d e setembr o e m qu e d á cont a a V . Magestad e d o sucçess o
e guerr a d o serta m d e Angolla . / /
Sobr e a s fortificaçoen s s e fe z hu ã iunt a e m presenç a d o
Cond e d e Va l d e Reis , Nun o d e Mendo[n]ça , send o gouerna -
do r dest e Reino . Neil a s e acho u Do m Gonçall o Coutinho , d o
Conselh o d e Estado , Gonçall o Pire s Carualh o e e u per a infor -
ma r da s duuidas , e enconuenientes , qu e s e offereçessem , e Per o
Nune z Tinoco , d e qu e s e mando u a V . Magestad e plantas , e
modelos , e d a resoluça m qu e s e tomo u fo i orde m a o gouernado r
per a obra r conform e a ella . Pell o qu e s e m e na õ offeress e qu e
dize r d e nou o sobr e est a matéria , e auend o a s e deu e faze r con -
ferind o o qu e apont a o gouernado r co m a resoluça m qu e s e
tomo u comunicand o a á s pessoa s qu e uotara m nella . / /
O fort e d a barr a d a Corimb a fi z per a uigi a d o mar , at é a
Coanza , qu e dist a d a Cidad e d e Loand a doz e legoas . E per a
defensa m d a barr a d a Corimba , pell a coa l na Õ entra m mai s
260
embarcaçoen s d e remo , per a qu e bast a meno s forç a e po r na õ
aue r outr a artelhari a lhe s pu s a qu e tem , co m tença õ d e a me -
lhora r e d e faze r outr o fort e d a outr a band a n a terr a firme ,
e m qu e esteu e Co[n]stantin o Cadena , e dell e defende o a o ene -
mig o sonda r est a barra , e sabe r o fund o qu e tem . Ma s s e a na õ
fortificare m e na õ s e lh e puse r artelhari a d e força , ne m est e ne m
o s mai s s e defenderam , e po r iss o aponte i qu e primeir o qu e
tud o s e deui a trata r d e proue r d e artelhari a e d e gent e paga ,
qu e d e [a ] fortificar , porqu e ficari a a despes a baldada , e a forti -
ficaça m per a o enemigo ; e po r est a resa m m e paress e dificultos a
a d a Lagoa , e a d e Caçondam á po r esta r long e d o socorro , e
na õ aue r e m Angoll a gent e per a goarneçe r tanto s posto s e m
hu m mesm o tempo , e qu e ser á mai s conuenient e esta r o pode r
tod o unid o per a acodir , e resisti r aond e o enemig o cometer . / /
N a terr a firm e m e paress e s e na õ deu e da r po r or a guerra ,
ind a qu e o Genti o a meressa , porqu e auend o falt a d e gente ,
com o o gouernado r dis , na Õ s e pod e tira r a qu e h á n a Cidad e
d e Loand a andand o tanto s enemigo s daquell a banda , e send o
passad a armad a enemig a se m s e sabe r o dessenh o qu e leua .
Porqu e emcoant o V . Magestad e fo r senho r d a Cidad e d e
Loanda , o ser á V . Magestad e do s Presídio s qu e h á po r aquell e
Reino , e estand o po r V . Magestad e estara m o s Soua s uizinho s
e vaçallo s d e V . Magestad e á obediência , e o s outro s á mira ;
e e m melho r coniunça m s e castigara m o s rebelde s parecend o
qu e coue m da r lhe s guerra : e post o qu e po r muita s resoen s
a meresse m o s Iaga s e a Ginga , na õ ha m d e ousa r comete r o s
Presídios , ne m auezinhars e a elles , na õ ind o o s enemigo s a
aquell e Porto . Pell o qu e o qu e mai s conue m a o serviç o d e
V . Magestad e e be m daquell e Rein o h é defende r a Cidad e d e
Loand a ao s rebelde s d e Europa , e te r per a iss o nell a tod a a
gent e d e guerra , ind a qu e s e leuant e o Gentio , porqu e send o
V . Magestad e senho r d a Cidad e d e Loanda , o h é d o Rein o d e
Angolla , e perdend o a s e perder á tud o o mais . / /
261
N o
d e
Cong o sempr e ouu e semelhante s leuantamentos ,
guerra s
e
mottes , porqu e
s e na õ
gouerna õ aquelle s Rei s
po r
lei s
politicas ,
ne m sa õ
christaõ s mai s
qu e n o
exterior ,
e
com o
s e
faze m
po r
elleiçam ,
e po r
força ,
h é Re y o qu e
pod e mais . For a
grand e
be m
per a aquell e Reino ,
e
comerci o
do s
Portugueses ,
qu e
s e
der a niss o algu m meyo ;
ma s n o
estad o present e
m e
paress e
s e na Õ
deu e alterar ,
po r na õ
obriga r
a
aquell e
Re y com -
municarss e
co m o s
olandese s
po r
Loango , com o
o fe z n o
temp o
d o gouern o
d e
Ioa õ Corre a
d e
Sousa ,
d e qu e
resulto u ire m dua s
armada s
a o
port o
d e
Loanda ,
d e qu e m e
Deo s liurou ,
e
cons -
to u
m e qu e o Rey , qu e
enta õ hera ,
a s
pedi o
a o
Cond e Mau -
rici o
(1) , e
ell e
a s
mandou ,
d e qu e de i
cont a
a V .
Magestade ,
e
d o qu e fi z
niss o
co m
elRe y
d e
Congo ,
e
Cond e
d e
Sonho ,
senho r
d e
Pinda ,
qu e o s
agazalho u naquell e porto ,
e po r
est a
resa m
m e
paress e escreu a
V .
Magestad e
a o
gouernador ,
qu e
disimule ,
e
emcaminh e
co m
boa s resoen s aquell e
Rey ,
per a
qu e
s e
na Õ
desemcaminhe ,
e o na m
obrigu e
a da r
cont a
a V . Ma -
gestad e
d e
com o proced e
co m o s
Portugueses . Ist o
m e
paresse .
V .
Magestad e mandar á
o qu e fo r
mai s
se u
seruiço .
/ /
Deo s guard e
a
Catholic a pesso a
d e V .
Magestade .
/ /
E m Lisboa , ultim o
d e
Març o
d e 1634 .
[Ferna õ
d e
Sousa ]
BA L
—
Cód . 51 -VIII -31 ,
fl. 47-48 .
(1 ) Joã o Correi a
d e
Sous a recebe u cart a patent e
d e
governado r
d e Angola , dad a
e m 7 d e
Abri l
d e 1621 ,
chegand o
a
Luand a
e m 1 2 d e
Outubr o
d o
mesm o
ano . E m 2 d e
Mai o
d e 162 3
tomo u cont a
d o
govern o
o se u
sucessor , Pedr o
d e
Sous a Coelho .
O Cond e Mauríci o
d e
Nassau , estatúde r
d a
Holand a
at é 2 3 d e
Abri l
d e 1625 ,
desempenho u pape l
d e
alt o relev o
na s
luta s contr a
a soberani a portuguesa .
26 2
6 3
CART A D E PEIRES C A COLOMBIN O D E NANTE S
(10-4-1634 )
SUMÁRIO— Peires c pede ao ilustre missionário as mais variadas infor-
mações da costa ocidental africana, particularmente
etnográficas, etnológicas, botânicas e geográficas.
M. r
mo n R . P. ,
L a cordiall e amitti é qu'i l vou s plais t porte r a u R . P . Gille s
d e Loches , e t l a bonn e par t qu'i l lu i plaic t m e fair e d e l'hon -
neu r d e se s bonne s grâces , l' a indui t à m e tesmoigne r l e dési r
qu'i l a d e m e procure r quelqu e participatio n auss y au x bon s
office s qu'i l dic t avoi r ressu s d e vostr e bonté , e t au x curieuse s
relation s qu e vou s pouve z fair e su r l e subjec t d u voyag e qu e
vou s ave z faic t e n l a Guinée , e t d e ceul x qu e vou s este s pou r
y fair e encore , s i vostr e grand e zell e vou s y reconduic t un e
second e fois : comm e j e n e doubt e poi n qu e vou s n e l e facie z
e n c e voyag e plu s vollontier s e t encore s ave c plu s d'ardeu r qu e
l a premièr e fois . Or , j e désirerai s savoi r ave c quelqu e ponctua -
lit é quelle s son t le s cerimonie s d e ce z peuple s barbare s idolastre s
e n leur s sacnffices , e t avoi r le s parolle s formelle s qu e prononc e
leu r prestend u sacriffica[teur] , ave c l'interprétatio n d'icelles , e t
surtou t quan d y (sic) fon t le s sacnffice s de s libations , qu e n e
son t qu e l e milliet , o u autre s semences , lesquelle s il s mangent ,
comm e auss i d u vi n o u autr e breuvag e don t il s heuzen t (sic)
e n leur s boisson s ordinaires ; e t savoi r d e quell e sort e d e vase s e t
d e vaisselle s il z s e setven t pou r fair e le s dicte s libations , e t d e
quell e sort e d'autelz ? / /
26 3
Que l
es t l e
callandrie r
d e
leur s feste s idolastres ,
e t
par -
ticulièremen t que l
es t l e
cult e qu'il s renden t
à
certain s arbres ,
comm e
s i
c'estoyen t
de s
idole s
d e
leur s divinités ?
Qu e s'i l
avai t
moye n mesm e
d e
retrouve r quelque s
[uns ] d e
leur s vase s
o u
autre s instrument s
d e
leur s sacriffices ,
j e le s
feroi s paye r for t
volontiers ,
pa r
portraict s
e t
dessain s
d e
prix ,
j e le s
feroi s paye r
for t volontiers . Mai s surtou t
i l
faudrai t s'enquéri r soigneuse -
men t s'il s
on t
aulcun s livre s rituel s
d e
leu r idolâtrie ,
o u
bie n
s i
c e
n e
son t
qu e de s
tradition s
e n
ver s
o u e n
pros e especialle ; s'il s
n e tiennen t alcu n mémoir e
d e
leur s prétendu s oracles , mesm e
d e ceu x qu'il z s'imaginen t pouvoi r tire r
de s
arbres ;
e t
que l
es t
l e cult e qu'il s renden t
a u
solei l
o u
autre s astres ?
Car ,
encor e
qu e
c e n e
soi t
qu e
pur e vanit é
e t
imposture ,
i l y
aurai t gran d
plaisi r
d'e n
fair e
l a
comparaiso n ave c
c e qu i
nou s rest e
d u
paga -
nism e
de s
ancien s dan s
no s
vieu x libvres , pou r avoi r mieu x
d e
quo y [découvrir ] leu r esprit .
/ /
I l
n e
serai t
pa s
inutil e
d e
s'enquéri r soigneusemen t s'il z
n'on t poin t aucun e machin e dan s leu r tembl e
(sic),
dan s leur s
forestz , qu'il z estimen t sacrée ,
qu i ai t
quelqu e rappor t
o u
res -
semblanc e
au x
trepiede z don t
le s
ancien s
s e
servoien t pou r leur s
oracles ,
e do n il x
faissoien t alcune s foi s
de s
autelz ,
e t
d'autre s
foi s
d e
simple s siège s
d e
leur s sacrifficateurs : auque l
ca s i l e n
faudrai t fair e portrair e
l a
vray e figure , ave c
le s
mesure s
e t
dimensions , ensembl e leur s enrichissemans ,
e t e n
remarque r
sérieusemen t l'usaig e
e t
l'emplo y dan s leur s superstitions .
/ /
I l
y a
diver s peuples ,
au x
environ s
d e ce s
contrée s
là , qu i
on t reten u
le s
nom s
d e
Imbe s Gallus , Imbongalleus ,
e t
autres ,
qu e j'entend z estr e for t acharné s
à
telle s superstitions .
Qu e
s'i l
y
avoi t moye n d'avoi r encor e
u n pe u d e
ralatio n
d e l a
superstitio n
d e
leur s sépulture s
e t d e
l'usaig e
d e
leu r milie r
(sic),
vou s obligerie z encor e davantag e
l e
public , auss y bie n
qu e moy .
C'es t particulièremen t
d e
l'usaig e d'enseveli r ave c
le s
mort s
le s
arme s don t
il z
s'estoien t servi s
à l a
guerre , appre s
le s
avoi r
bri -
26 4
contre r de s observation s de s marée s d e l a cost e d e l a Guynée ,
pou t e n avoi r e t examine r l e rapport . Ca r cel a servirai t grande -
men t à recognoistr e l e trai n d e l a nature , e t peut-estr e d'e n
pénétre r u n jou r l a cause , principalemen t s'i l s'e n pouvoi t avoi r
de s observation s faicte s e n mesm e temp s e n quelqu e lie u bie n
proch e d e l a lign e equinoctiale , e t e n quelque s autre s endroit s
e t climat s différent s d'entr e l a Bretaign e e t l a Guynée . I l ne -
faudroi t qu'avoi r de s instrument s propre s à prendr e le s [... ] o u
plustos t l a halteu r d u solei l duran t l e jour , e t l a haulteu r d e
quelqu e estoill e fix e duran t l a nuict , a u temp s qu e l'o n ser a
e n lie u commod e à l'observation . Car , pou r pe u qu e l'o n n'e n
fac e d e bie n exacte s e n lie u o ù l'o n ay t prin s l'élévatio n d u pôl e
o u l a haulteu r d u solei l à l'heur e d e mid y bie n precise , u n pe u
curieusement , i l s'i l tereroi t pa r aprè s de s conséquence s admira -
bles ,
e t qu i pourraien t u n jou r redonde r à gran d honneu r d e
ceu x qu i s' y employeront , e t oblige r l e publi c d'e n sçavoi r u n
tre s bo n gr é no n seulemen t à ceu x [qui ] e n auron t e u l a peine ,
mai s à tou t vostr e ordr e charitable ; et , pou r mo y e n mo n par -
ticulier , j e leu r e n aura y un e tre s particulièr e obligation , e t
principalemen t à vous , qu i sere z l e principa l promoteu r d e tout e
cest e louabl e recherch e e t disquisition . / /
A u reste , s i l e R . P . Césaré e d e Rosgof f es t encor e à Bell e
Isle , aprè s so n caresme , comm e i l avoi t est é longtemp s aupara -
van t le s advents , j e desideroi s bie n qu'i l lu y pleus t s'informer ,
d e gen s digne s d e foy , s i c'es t chos e véritabl e o u fabuleus e c e
qu'o n raccont e d'u n certai n poisso n qu e le s haulte s mer s
avoien t laiss é su r terre , i l y a un e vingtain e d'année s plu s o u
moings , qu i s'es t
jett e
dan s u n la c o u estan g d u milie u d e cest e
isle , e t y vesqui t quelque s jour s d e pai n o u autre s vivre s qu i
lu i estoien t jette s su r l e dic t estang , o ù i l s'apprivois a enfi n
d e veni r prendr e jusque s au-dessu s d e l'eau , e t pui s s e replon -
geoi t incontinen t a u fond . / /
271
M .
d e l a Bross e ( 3 ) , médeci n d u Roy , dic t l'avoi r ve u mor t
enviro n l'a n 1611 , e t l'avoi r voul u achepte r pe u d e temp s aprè s
qu'i l avoi t est é tu é d'u n cou p d e pierr e à lu y donn é pa r u n
homm e simpl e qu i avoi t doubt é qu e c e n e fus t u n diable , à
caus e qu'i l avoi t de s bra s e t de s jambes , e t lu y sembloi t quas i
comm e u n homme , bie n qu e s a form e fuss e neantmoin s gran -
demen t différent e d e cell e de s hommes , e t beaucou p plu s qu e
cell e de s singes . S i cel a es t bie n vray , i l faudrai t e n sçavoi r l e
plu s préci s qu e fair e s e pourra , e t le s circonstance s plu s néces -
saires , tan t d e l a form e d e l'anima l e t d e s a grandeu r e t gros -
seur , e t d e c e qu'i l pouvoi t pese r à pe u prè s quan d i l fu t mor t
e t s i s a pea u estoi t armé e d'escaille s comm e le s poissons , o u d e
poi l comm e le s veau x marins ; ca r c e pourrai t bie n avoi r est é
quelqu e best e d e l'espèc e d e ce s veau x marin s qu i on t de s bra s o u
de s main s e t de s pied s plu s apparant s le s un s qu e le s autres , e t
plu s distingué s d e leu r taill e o u d u restan t d e leu r corps , e n
ayan t d'aulcun s qu i n'on t poin t d'oreilles , e t d'autre s qu i on t
no n seullemen t de s oreille s for t longues , mai s de s corne s e t de s
moustache s e t tresse s d e cheveu x for t longue s aussi . / /
Or , s i l'anima l a est é conserv é aprè s s a mort , comm e l'o n
m e l' a voule u asseurer , possibl e sera-t-i l encor e e n estâ t rest é
quelqu e curieu x d u pays , a u dic t lie u d e Bell e Isle , o ù pou t l e
moing s y aur a est é ve u pa r bo n nombr e d e gen s curieux , soi t
d e l a professio n d e l a medicin e o u pharmacie , o u cirurgie , o u
autres , qu i auron t pe u observe r quelqu e chos e d e plu s qu e l e
commun , e t desquel s i l y aur a moye n d'apprendr e quelque s
particularité s capable s d e donne r d e l a satisfactio n à ceu x qu i
aymen t l a considératio n de s merveille s d e l a Providenc e divin e
( 3 ) Gu y d e l a Brosse , nascid o e m Ruão , morre u e m Pari s e m
1641 . Fo i est e botanist a qu e crio u nest a cidade u m jardi m par a cul -
tur a d e planta s medicinai s (1626) ; fo i o primeir o directo r dest e esta -
belecimento , qu e é hoj e o Jardi n de s Plantes .
27 2
e t d e l a nature . C'es t d'aultan t qu e plusieur s autheur s on t escrip t
que , dan s le s grand s lac s o u estang s e t grosse s rivière s d e l'A -
friqu e méditerrané e ( 4 ) , i l y de s poisson s qu i on t j e n e sça y
quell e ressemblanc e au x hiennes , e t seroi t bo n d'e n fair e adver -
ti r l e R . P . Colombi n e t le s autre s se s collègue s e n cest e péré -
grination , pou r y prendr e gard e s i l'occasio n s e presentoit , e t
e n mettr e pa r escrip t c e qu'il s e n pourron t apprendr e su r le s
lieux , e t surtou t c e qu'il s e n pourron t voir , s i jamai s i l e n vien t
devan t eux : estiman t qu e c e n e soi t qu e de s espèce s d e ce s
veua x marin s aulcunemen t différent s de s communs , qu i s e
voyen t alcune s foi s alle r e n troupp e e t couvri r tou t u n rivag e
comm e u n trouppea u d e brebis ; e t u n pe u d e relatio n de s ani -
mau x estrange s d e ce s contrée s là , principalemen t d e ceu x
qu i s e voyen t a u lon g d u gran d fleuv e Niger , pou r savoi r bie n
a u vra y s'i l y a de s crocodile s e t de s hippopotames , seroi t trè s
recommandabl e e t m'obligerai t tousjour s d e plu s e n plu s à
estre , comm e i l faul t qu e j e soi s tout e m a vie , M . mo n R . P. ,
vostr e [... ]
D E PEIRES C
Me s trè s humble s saluts , s'i l vou s plaict , a u R . P . Cesarée ,
ave c asseuranc e d e m a continuanc e ( 5 ) à so n service .
A Aix , c e 1 7 avri l 1634 .
P . APPOLINAIR E D E VALENCE , Obr. cit., p .
47 -51 .
( 4 ) Trata-s e d a Afric a central .
( 5 ) Palavr a d o francê s antigo . Cfr . Glossaire d e L a Curn e d e
Saint-Palaye , qu e cit a a palavr a segund o a s Mémoires d e Olivie r d e
l a Marche .
1 8 273
6 5
CART A RÉGI A A O COND E VISO-RE I
(3-5-l634 )
SUMÁRI O — Tomada de uma caravela portuguesa por um capitão cor-
sário francês — Envio urgente de socorro á Mina.
Hauend o vist o hu ã consult a d o Conselh o d e Estado , d e
1 4 d e Març o passado , sobr e o qu e auiso u Pedr o Mascarenhas ,
Gouernado r d a Mina , d a falt a d e prouimento , e m qu e ficau a
aquell a fortaleza , e d a carauella , qu e mandar a a busca r socorr o
a Sa õ Thomé , qu e d e volt a lh e tomo u hu m
capitã o
francês , m e
parece o dizeruos , qu e sobr e est a matéri a vo s mande i j á e m 8
d o mesm o mê s d e Março , e pol o extraordinári o qu e daqu i parti o
co m o s despacho s par a a s nao s d a Jndi a vo s torne i d e nou o a
ordena r e encarregar , qu e s e socorress e a Min a n a forma , e co m
a s cousa s qu e o Conselh o d e Estad o apontou , par a qu e s e
ganhass e tempo ; e esper o d e voss o zel o e cuidado , qu e ass i o
tenhai s feito , e conform e aponte i a o Conselh o d a Fazenda , orde -
narei s vej a dond e s e poder á tira r o dinheiro , qu e s e h á mister ,
par a qu e o s almazen s este m prouido s da s cousa s necessárias ,
par a acudi r co m a press a qu e conue m á s ocasiões , qu e cad a di a
s e offerecem . / /
E quant o a o pont o d a carauell a qu e o capitã o francê s tomou ,
fic o vend o o qu e sobr e ist o s e pod e e deu e fazer . / /
Escrit a e m Madri d [ 3 d e Mai o d e 1634] .
BN M
—
Ms .
3.014 ,
fls .
280-28 0 v .
274
NOTA — Mese s depois , dest a ve z e m cart a à Princes a Marga -
rida, el-Re i insiste :
Vend o o qu e s e conte m n a cart a d e Do m Diog o d e Castro ,
estand o ness e gouerno , m e escreue o e m vint e cinc o d e Nouembr o
passado , co m outra s dua s d e Pedr o Mascarenhas , Gouernado r d a Mina ,
e d e Lourenç o Pire s d e Tauor a qu e seru e d e Gouernado r d e Sa õ Thomé ,
vo s qui s encomendar , façai s qu e s e m e enui e a consult a qu e s e refere ,
qu e s e ficau a fazendo , e qu e s e v á desd e log o prevenind o o socorr o
qu e h á d e j r á Mina , par a qu e part a quant o ante s poss a ser , e m res -
peit o d a falt a qu e aquell a praç a te m delle . / /
Noss o Senhor , etc . / /
Escrit a e m Madri d [2 3 d e Dezembr o 1634] .
BN M —Ms . 3 .0 :4 , fl . 281 .
27 5
6 6
CART A D O CAPITÃ O D A MIN A A EL-RE I
(15-5-1634 )
SUMÁRI O — Socorro recebido — Sua insuficiência para a defesa eficaz
— Cerco dos holandeses — Insta por novo socorro.
+
Senho r
Co m a na o d e Lubequ e e m qu e V . Magestad e mando u
socorre r est a fortalez a escreu o a V . Magestad e largo , e lh e do u
cont a d e com o chego u a ell a pelejand o co m dua s d o jnimig o
tod a hu ã tard e e part e d a noite , e d e com o a soccor y co m sol -
dados , qu e fo i caus a d e a na m abordarem , e d e recebe r o jni -
mig o muit o danno , ficarã o ta m escandalizado s dell e qu e co m
sett e s e m e viera m pô r á vist a e n o di a e m qu e faç o est a fica Õ
dou s quas y a tir o d e pessa . / /
E considerand o e u qu e conuinh a a o seruiç o e reputaçã o d e
V . Magestad e na m saj r dest e porto , qu e tomare m n a á vist a d a
fortalez a se m lh e pode r valer , ordene y a o Cappita m Joa m Hen -
rique z s e na m fizess e á vell a th é na m veremo s o qu e o temp o
dau a d e sy . / /
N a primeir a e segund a vi a dig o a V . Magestad e o pouc o
soccorr o qu e m e trouxe , e o qu e importou , e a o qu e cheg a o
pagament o d e cad a tre s meses , co m qu e clarament e mostr o a
V . Magestad e fica r oj e n o mesm o apert o qu e dante s qu e est e
socorr o m e viesse , e mayo r po r m e fica r sercad o d o jnimigo .
Na o h é ell e o qu e m e desanima , n é desconsolla , ante s lh e con -
fess o obrigaçã o po r m e da r ocasiã o d e pode r mostra r o gost o
276
qu e tenh o d e serui r a V . Magestad e e morre r e m se u seruiço . O
faltarm e o prouiment o necessári o sy , po r qu e se m ell e desani -
maôss e o s soldados , e ao s negro s faltalh e a fe e e lealdade . / /
Nest e estad o fico . S e a V . Magestad e lh e parece r qu e
conue m a se u seruiç o socccorrerm e faç a o , quand o nã o e u
somett o [me ] a o qu e Deu s e V . Magestad e quizere m ordena r
d e my , e deste s pobre s soldados . Soub e qu e estau a hu ã na o
jnglez a par a s e partir , m e lançass e est e auiz o e m Sa m Thom é
par a qu e o Gouernado r o enuiass e a V . Magestade . Cuj a Cat -
tolic a Pesso a Deu s guard e par a ampar o d a Chnstandad e e d e
seu s vassalos . / /
Minna , 1 5 d e May o d e 634 .
P.º Mã z [Per o Mascarenhaz ]
AH U — S. Tomé, cx . I , doc. n. ° 105 .
277
6 7
CART A D E COLOMBIN O D E NANTE S A PEIRES C
(20-6-1634 )
SUMÁRI O — Informações sobre a missão da antiga Guiné, especial-
mente de ordem etnográfica, etnológica e botânica.
Monsieur ,
Trè s humbl e salu t e n Nostre-Seigneur .
J'a y rece u l'honneu r d e l a vostr e qu i m ' est é envoié e pa r
l e R . P . Gille s d e Loche s à qu i j'a i cett e obligatio n d e m'avoi r
procur é c e bie n d'avoi r par t au x affection s d e vostr e bont é
san s l'avoi r mérité , c e qu e voudroi s pouvoi r reconnoistr e e n
satisfaisan t à mo n debuoi r e t au x demande s contenue s dan s
l a vostr e qu i partent , c e m e semble , d'un e louabl e curiosit é
e t d'u n espri t port é à tire r profi t d e c e don t l e vulgair e n e fai t
estât , c e qu e reconnaissan t joinc t l a qualit é d e vostr e personn e
j e n e pui s refuse r d e contente r vostr e dési r e n vou s envoian t
quelque s petite s remarque s qu e j'a y faic t e n deu x voiage s
d'Afriqu e o ù j'a y esté , l'u n a u royaum e d e Marocque , l'autr e
e n Guiné e qu i es t l e dernier , quo y qu e l e pe u d e temp s qu e
j'a y
e u pou r voi r ce s pai s e t nation s qu i y habiten t n e m'ay e
permi s d e fair e toute s celle s qu e
j'euss e
bie n désir é e t le s dis -
grâce s qu i m e son t arrivée s e n mer , notammen t l e naufrag e
qu e nou s fisme s à l a cost e d e Guinée , pa r l e fe u qu i fu t mi s
dan s notr e navire , m'on t fai t perdr e l'occasio n d' y séjourne r
e t d'alle r o ù me s dessein s m e portoient , c e qu i m e servira , s'i l
vou s plais t d'excuse , s i e n cett e premièr e lettr e j e n e pui s plei -
nemen t respondr e à toute s le s demande s d e l a vostre , espéran t
278
qu e Die u
m e
favoriser a davantag e
à
l'adveni r
qu e
j'aura i
meil -
leu r moye n
d e
vou s satisfair e amplement .
Pou r
l e
présen t
j e
vou s dira i qu'e n
mo n
voiag e
d e
Guiné e
j'a y
v u le s
coste s
qu i
son t depui s
d e ca p d e
Mon t jusque s
a u
ca p
d e
Lop e
(1) , qu i es t pa r
del à
l a
lign e
A
degrés , tiran t ver s
l e royaum e
d e
Cong o
e t
l'Archevesch é d'Angol e
( 2 ) . Ce s
coste s son t distinguée s
pa r
diver s nom s qu'o n leu r
a
donnés .
L'un e
s e
nomm e
l a
cost e
d e
Maniguett e
( 3 ) à
caus e d'un e cer -
tain e gren e
qu e l'o n y
traict e
qu i s e
nomm e ainsi ; c'es t
un e
espèc e
d e
poivre ; l'autr e s'appell e
l a
cost e
d e
Coaqu a
à
caus e
qu e
le s
habitant s
d e
cett e cost e quan d
il s
viennen t nou s voi r
dan s
no s
navire s pou r demande r asseuranc e s'il s
y
seron t bie n
venus ,
il s
metten t
l e
doig t dan s l'ea u
e t l e
porten t
à
l'oei l
e n
disan t Coaqu a
e t
faul t fair e
l a
mesm e cérémoni e pou r leu r
tésmoigne r qu'il s seron t bie n venus . L'aultr e
es t l a
cost e
d e
Mine ,
o u s e
trouv e
l'o r e n
pouldr e
e t l a
dernièr e
es t l a
cost e
d e Bénin .
/ /
Toute s
ce s
coste s son t for t grandes , peuplée s d'habitant s
o u
i l y a
diver s royaume s
e t
provinces ; mai s surtou t
o n a
entré e
dan s
d e
trè s belle s rivière s
qu i
von t
su r ce s
costes ,
a u
moie n
desquelle s
o n
peu t alle r avan t dan s
ce s
pai s
e t
découvri r
d e
grand s royaume s
qu i
nou s son t inconnus . Notammen t
i l y a
c e fleuv e Niger , mentionn é dan s
l a
vostre , don t
l e
cour s
v a
jusque s
à 80 0
lieue s
e t
ceu x
qu i
l'on t navigu é m'on t asseur é
qu e
l'o n y
rencontr e diver s peuples ,
le s un s
noir s
le s
autre s
(1 ) Cab o d e Lop o Gonçalves .
( 2 ) Angol a era , nest e tempo , simple s bispado . S ó pel o Acord o
Missionári o d e 7 d e Mai o d e 194 0 e pel a Constituiçã o Apostólic a
Solemnibus Conventionibus
d e 4 d e Setembr o d e 194 1 fo i elevad a a
Metrópol e co m a sed e e m Luand a e o s bispado s sufragâneo s d e
S . Tomé , Nov a Lisbo a e Silv a Porto , ao s quai s s e juntara m depoi s S á
d a Bandeir a e Malange .
( 3 ) Leia-se : Malaguette .
279
basané s e t aultre s brancs . J e n' y a y pa s est é e t n e pui s vou s
dir e se s mouvements . / /
Pou r reveni r à ce s pay s ci-dessus , j e vou s pui s asseure r
qu'i l y a gran d contentemen t à le s voir , ca r i l s' y voi t e n tou t
temp s un e agréabl e diversit é d'arbre s d'un e prodigieus e haul -
teu r e t grosseu r toujour s verts , le s un s e n fleurs , le s aultre s
portan t fruict s excellent s à mange r e t d'un e aultr e espèc e qu e
le s nostres , aultre s don t o n tir e d u vi n blan c comm e d u laict ,
qu i ser t d e boisso n ordinair e au x habitants . Nou s l'appelon s
vi n d e palme ; aultre s don t o n tir e d e l'huil e jaun e comm e
saffra n e t for t douce ; aultre s qu i porten t u n fruic t excellen t
qu i es t e n form e d e noix , mai s gross e comm e le s plu s gro s
melon s qu e nou s ayons , dan s lesquel s s e trouv e un e liqueu r
l a plu s agréabl e qu i s e puiss e gouste r e t à l'entou r d e l'escorc e
u n su c qu e l'o n mange , e n sor t equ'i l y a dan s c e fruic t d e
quo y boir e e t mange r e t nourri r u n homm e u n jou r entier .
Pou r de s oranger s e t citronniers , i l y e n a de s forest s qu i s'en -
tretiennen t naturellement . J e n'a y remarqu é s i le s fleur s e n
son t doubles . I l y a auss y d'aultre s arbre s don t l e boi s es t roug e
e n dedans , d e quo y plusieur s navire s s e chargen t pou r débite r
pa r deçà : d'aultres , lesquel s estant s incisé s jetten t de s liqueur s
aromatique s don t j'a y apporté . / /
Bre f c'es t un e merveill e d e natur e d e voi r tan t d e beau x
arbre s don t i l y e n a quelques-un s qu i son t adoré s pa r ce s sau -
vages . J'e n vi s u n entr e aultre s d'un e espèc e inconnu e qu'il s
adoraien t e t n e vouloien t permettr e qu'o n y eus t touché . I l
estoi t s i prodigieusemen t gran d qu e 50 0 homme s pouvoien t
estr e à couver t soub s se s branche s e t feuillages . J'a y ve u auss i
d e s i belle s feuille s d'arbre s qu'un e seul e estoi t capabl e d e
couvri r u n gran d homm e depui s le s pied s jusque s à l a teste .
Pou r de s fleur s i l y e n a de s plu s belle s qu i s e puissen t voir ,
qu i m'estoien t inconnues . J'apporta i quelque s oignon s d e ce s
280
Quan t
au x
braverie s
(" ) d e ce s
peuples , elle s son t diverses ;
l a plupar t
s e
fon t
de s
découpure s
su r l e
front , bras , espaule s
e t aultre s partie s
d u
corp s
su r
leque l
il s
imprimen t diverse s
figure s
e t
s'estimen t bie n brave s quan d
il s
son t bie n deschi -
quetés . Aultre s
s e
peignen t
l e
visag e grossièremen t
d e
diverse s
couleurs . Aultre s accommoden t leur s cheveu x
d e
diverse s figu -
res ,
le s un s
faisan t
de s
couronnes , demi-cercles , touffes ; aultre s
on t
le s
cheveu x for t long s qu'il s tressen t
e t
entortillen t autou r
d e leu r teste ,
e t e n
fon t comm e
u n
turban ;
le s
aultre s enri -
chissen t
e t
paren t leur s teste s
d e mi l
petite s bagatelles , comm e
d e bout s
d e
bois ,
d e
griffe s d'oiseaux ,
d e
coquille s
e t
aultre s
inventions . Ceu x
qu i
son t
a u
pai s
d e l'o r le s
enrichissen t
d e
petite s lame s
d'o r e t
aultre s petite s gentillesse s trè s bie n tra -
vaillée s qu'il s agencen t
su r
leur s cheveu x
e t
barbes ,
e n
sort e
qu e
j'e n a y v u qu i
avaien t leur s barbe s garnie s
d'or , c e qu i
estoi t bea u
à
voir .
/ /
Il s porten t auss i
à
leu r
col ,
bra s
e t
jambes ,
d e
petit s coliers ,
bracelet s
e t
menille s
( 7 ) , le s un s d e
feuille s d'herbe s tissue s
e t cordées , aultre s d'yvoire , aultre s
d e fer ,
aultre s
d'o r
massi f
e t aultre s
d e
petite s patenostre s
d e
diverse s couleurs .
Il s
fon t
auss y estâ t
d u
coral , mai s surtou t
d u
coril ,
qu i es t un e
espèc e
d e pierr e précieus e
qu i s e
trouv e
a u
royaum e
d e
Bénin , laquell e
s e form e
d e l a
rosé e
d u
ciel ,
qu i
tomban t
su r de s
jonc s
qu i
son t
e n
certain s marécage s
e t l e
solei l venan t
à
darde r
se s
rayon s dessu s l'endurcis t
e t
form e
e n
pierr e bleue ,
c e qu i es t
( 6 )
Embor a pareç a deve r ler-s e
bramties
(palavr a
se m
sentido) ,
na o temo s dúvid a sobr e
o
verdadeir o vocábulo , aliá s justificad o expres -
sament e n a mesm a frase : «e t s'estimen t
bien braves
quan d il s son t
bie n deschiquetés» .
O
term o
er a
usad o
n o
temp o
co m o
sentid o
d e
«toilette» .
( 7 )
Leia-se : manilles .
28 7
for t estim é parm y
le s
nègre s
d e l a
Min e
e t
l'achepten t for t
cher ,
e n
sort e
qu e
pou r
un e
livr e
( 8 ) d e c e
cori l
il s
donnen t
un e livr e
e t
demi e
d'or .
Voil à monsieu r
un e
parti e
d e c e qu e j e
pui s vou s mande r
pou r contente r votr e désir , espéran t
qu' à
[l'avenir ] Die u
m e
fournir a davantag e
e t m e
rendr a plu s dign e
d e
vou s servir ,
s i vou s plais t
à
m'honore r
d e l a
continuatio n
d e
votr e bien -
veillanc e
e t m e
permettr e
l a
qualit é
d e
Monsr ,
Vostr e trè s humbl e
e t
obéissan t serviteu r
e n
Jésu s Chris t
Fr . Colombi n
d e
Nante s
Pauvr e Capuci n
D e Saint-Malo ,
c e 2 0
jui n
1634 .
ENDEREÇO : A Monsieu r
Monsieu r l'Abb é d e Peiret s [Peiresc ] Conseille r
d u Ro y e n so n Parlemen t d e Provence .
BN P —
Nouvelles Acquisitions Françaises,
Ms .
9.340 ,
fis . 118 -
-11 9
v .
ANALECT A OEDINI S MINORU M CAPUCCINORUM ,
Romae , 190 6
(XXII) ,
p .
244-49 ,
co m
alguo s
erro s d e copia .
( 8 ) Arrâtel , medid a d e pes o correspondent e a 45 9 gramas .
288
—
Coroação do Rei do Congo
(Dappe r
—
Description
de
l'Afrique )
6 8
CART A D O CAPITÃ O D E S . TOM É A EL-RE I
(6-7-1634 )
SUMÁRI O — Bons serviços de João do Souto —- Que se mande socorro
à fortaleza — Necessidade de Bispo para ordenar sacer-
dotes e fazer apostolado — Arrendamento do Contrato.
[Senhor ]
A est a Ilh a chego u hu a na o ingrez a e o Capita m deli a
chamad o Joa õ d o Sout o co m Carta s d o Gouernado r Per o Mas -
carenha s par a V . Magestad e po r uia s e par a my , e m qu e
encomendau a s e lh e fizess e fauo r co m tod a [a ] ajud a par a su a
uiagem , appontand o o s grande s seruiço s qu e naquell a fortalez a
deixau a feito s a V . Magestade , ass i e m acompanha r hu a na o
qu e leuo u socorr o á fortalez a par a na o se r tomad a do s Olan -
deze s (qu e aind a hoj e a te m e m cerco ) com o e m s'offerece r
a traze r a est a Ilh a Carta s e auiz o po r uias , qu e na s embar -
caçõe s qu e fore m per a ess e Rein o enuiare i a V . Magestade .
Tenh o ta õ be m feit o prezent e a V . Magestad e o detri -
ment o qu e est a fortalez a padesse , se m soldado s qu e nell a resi -
daõ ,
ass i e d a maneir a qu e V . Magestad e conced e ao s Gouer -
nadore s qu e dess e Rein o ue m prouidos ; e u o s met i n a fortalez a
e o Prouedo r d a fazend a d e V . Magestad e e se u Almoxarif e
nã o quere m accodi r co m mantimentos , dand o po r desculp a se r
a prouizã o d e V . Magestad e merc ê concedid a so o ao s dito s
Gouernadore s e nã o a my , po r se r aqu i elleito . / /
Peç o a V . Magestad e mand e s e m e diffira , par a co m iss o
haue r que m assist a e accud a ao s rebate s po r obrigação , co m
aquell a orde m qu e s e requere . / /
289
1 9
Receb y a s prouizoé s qu e V . Magestad e mandou , ass i d a
gent e d e nasçã o (1) , [que ] na õ ser á mitid a a cargo s e officio s d e
honra j com o sobr e a s me[i]a s annatas , na õ enui o a o Secretario ,
conform e a orde m qu e V . Magestad e manda , po r parti r est a
carauell a h ú di a despoi s delia s chegadas .
A Ilh a fica , graça s a noss o Senhor , e m pa z e co m muit a
quietação , co m grande s dezejo s d e ue r nell a Bisp o par a ordena r
Sacerdote s e accodi r a su a obrigação ; sej a V . Magestad e seruid o
manda r s e aprest e su a embarcação , e qu e o Contract o s e
arrende , porquant o d e o nã o esta r result a á fazend a d e V . Ma -
gestad e muit o dann o e grand e prejuíz o ao s Ministro s Eccle -
siastico s e Seculares , po r s e lhe s esta r deuend o muit o manti -
ment o do s anno s atrazados , qu e na õ cheg a o qu e rend e a Ilh a
per a s e lhe s da r satisfação , causad o tud o d o Contratt o na õ te r
nauio s e fazenda s per a o s resgates . / /
Noss o Senho r guard e a Catholic a pesso a d e V . Mages -
tade . / /
S . Thomé , 6 d e Julh o d e 634 .
Lourenç o Pire s d e Tauora .
AH U — S. Tomé, cx . 1 , doc. n.º 103 .
(1 ) Ist o é , d e raç a judaica .
290
6 9
CART A D O PROVINCIA L D A BRETANH A
A PROPAGAND A FID E
(1634 )
SUMÁRI O — O Superior dos Capuchinhos da Província da Bretanha
francesa pede que seja confiada à sua Província a missão
da Guiné, com as faculdades dos missionários do Oriente.
Eminentissim i a c Reuerendissim i Domin i
Cu m plenqu e Mercatore s Britannia ; Minori s societate m
inierin t commerci j nauigante s i n Africa m a d ill a partem , qua ;
Guine a dicitu r Vetus , se u Africana , iamqu e i n velification e
ann i pra;terit i 163 3 duo s secu m Capucino s pr o spiritual i ipso -
ru m nauiganti ü consolatione , & socii s administrandi s transue -
xerint : qu i illu c appuls i littus , & aliqua : illiu s regioni s plaga s
diligentiu s perlustrante s populu m inuenerun t copios ü absqu e
vil a Religione , au t ver i De i cognitione ; docl é tarnen , & affa -
bilem , a ei n extero s benignissimú , prou t i n occasionibu s ips i
sun t experti . Qu a propter .
Humilim e peti t Prouinciali s Capucinoru m Prouincia e Bri -
tanniae , quatenu s attent a tar n opportun a occasion e dictor ü mer -
catorú , qui , pr o su a erg a prefatu m Ordine m deuotione , no n
solu m libentissim e s e offerun t a d transportando s illu c dict i
Ordini s fratres : se d i d summoper e desiderant , & expetunt . / /
Placea t Eminentissimi s Domni s Vestri s Missione m Capu -
cinor ú a d supradicta m parte m Africa e decernere : necno n eoru m
Ministr o General i committere , u t illu c fratre s idóneo s e x diet a
Prouinci a Britannia e opportun o tempor e
veu t
destinare , qu i cu m
291
facultatibu s Missionarij s Orienti s hactenu s concessis , fructu m
abundante m i n horre a Domin i valean t congregare , a d maio -
re m ipsiu s gloriam , & merit û copiosiu s Eminentiaru m Vestra -
rum . Quas , & a .
[Fr . Raphaeli s Nannetensis ]
AP F — Memoriali, vol . 394 , f 1 . 196 .
20 2
7 0
DECRET O D A PROPAGAND A FID E
(14-7-l634 )
SUMÁRI O
— É
decretada
a
missão
da
Velha Guiné africana
e
con-
fiada
aos
Capuchinhos
da
Província
da
Bretanha Fran-
cesa, como fora pedida pelo Provincial.
Decretu m Sacra e Congregationi s
d e
Propagand a Fid e
habitu m
di e 1 4
Iuli j
163 4
cora m Sanctissim o
Referent e Eministissim o
D .
Cardinal e Ginett o instantia m
Prouinciali s Capucinoru m Prouincia e Britanniae ,
pr o
mission e
aliquoru m suoru m fratru m
i n
uetere m Guinea m
(1 )
Affricae ,
i n
qu a
sun t popul i docile s sin e Religione , prou t retulerun t
du o
e x eisde m sui s fratribus , quo s
cu m
Mercatoribu s
i n
Affric a
negotiantibu s misit .
/ /
Sacr a Congregati o missione m decreuit ,
e t pr o
execution e
dlius , íussi t
ag i cu m
Procurator e General i Capucinorum .
a) Franciscu s Ingolus ,
sec .
AP F —
Memoriali,
vol . 394 , fl .
392 .
—
Acta,
vol . 10 , fls . 7 4
V.-75 .
NOTA
— A o Decret o fo i respondid o pel a Cúri a Generalíci a do s
Padre s Capuchinhos .
Eminentissim i & R. m l Domm i
Cu m Eminentíssima ; DD . Vestra ; a d instantia m Ministr i Pro -
uinciali s Capucinoru m Prouinci a Britannia; , Missione m i n Vetere m
(1 ) N o original : Guineuam .
293
Guinea m decreuerint , iusserintqu e pr o illiu s execution e ag i cu m Pro -
curator e General i dict i Ordinis , isqu e a d hun c effectu m a przfat o Pro -
uincial i nomin a mittendoru m postulauerit . Satisfacien s dictu s Prouin -
ciali s cu m Consili o Procuratoru m Diffinitorum , nomina t sequentes ,
videlicet , fratre m Angelic ú Nannetensem , f . Columbin ü ite m Nanne -
tensé ,
Bernardin ü fvíeduanensem , & Samuele m d e Campobono : & i n
illoru m Superiore m prasfatu m fratre m Angelicum . Supplican s humilim e
EE.W . quatenu s dignentu r a d dictu m fratre m Angelic ú patente s
littera s cu m facultatibu s Missionarij s Orienti s hactenu s concessi s diri -
gere .
& orabi t pr o DD.EE.VV . Qua s Deus , & a .
AP F — Memoriali, vol . 394 , fl . 406 .
294
7 1
CART A D E PEIRES C A COLOMBIN O D E NANTE S
(1-8-1634 )
SUMÁRI O — Pede informações etnográficas e botánicas pormenoriza-
das, bem como sobre o regime das marés na costa oci-
dental africana, comparando.o com o da Bretanha.
M .
mo n R . P. ,
J'a y reçeu , pa r nostr e dernie r ordinair e d e Lyon , vostr e let -
tr e d u 2 0 jui n (1 ) depui s samedy , e t l'a y releu e plusieur s foi s
pou r comprendr e e t savoure r toute s le s belle s observation s don t
i l vou s a pie u m e fair e part , e t don t j e vou s rend z mill e tre s
humble s action s d e grâces , e t d e tan t d e favorable s compliment s
e t gaing s d e l'honneu r d e vostr e amitié , qu e j e prisera y tou -
jour s infiniment , e t a u dessu s d e toute s autre s personne s d e
vostr e condition , puisqu e vostr e vert u e t desbonnairet é es t s i
relevé e a u dessu s de s autres , vou s supplian t d e croir e qu e vou s
m'ave z gaign é l e coeu r e n sort e qu e j e sui s intieremen t desvou é
à vou s servir , e t qu e j e voudroi s bie n avoi r l e moye n d e vou s
tesmoigne r e n quelqu e dign e occasion . / /
J'a y pnn s gran d plaisir , entr'autre s choses , d e voi r l a rela -
tio n qu e vou s faicte s d e ce s grand s arbre s adore z comm e de s
idoles , e t ce s deité s vivante s de s Roy s d e Benin , auss y bie n
qu e cell e d u soleil , d e l a lun e e t d e ce s aultre s animaux , comm e
e n l a descriptio n qu e vou s faicte s d e ce s espèce s d e cinge s
(1 ) Cfr . document o n. ° 67 .
20 5
ass i Padres , com o JrmaÕs , seía õ apostado s a todo s o s trabalhos ,
muit o edificatiuos , d e boa s condissoís , aprouados , e virtuosos , e
l á e m Portugua l tido s po r tais . Porqu e com o nesta s parte s o s d a
Companhi a sa õ pouquos , e a s ocupassoí s muitas , h é necessá -
ri o subgeito s muit o rezoluntos , e apostados , e qu e esteia õ pres -
te s per a ire m pell a terr a dentr o dest e Guiné , per a qualque r
parte , qu e a sant a obediênci a o s mandar , qu e fo r honrr a e glo -
ri a d e Deos , e be m da s almas ; porqu e s e este s fore m o s subgei -
tos ,
qu e per a qu á uierem , fara ó muit o fruit o na s alma s deste s
pretinhos , e muito s seruiço s a noss o Senhor ; e s e fore m a o con -
trari o na õ soment e fara Õ pouqu o fruito , ma s aind a lhe s dara õ
pouqu a edificassaÕ , co m meno s honrr a e credit o d a Companhia ,
e co m pena , e desgost o do s mai s d a mesm a Companhia , qu e
co m elle s morarem , e habitarem ; e ist o dig o pel a experiênci a
qu e tenh o desta s partes , desd e o s 1 5 d e Janeir o d e 1616 , qu e
fo i o di a e m qu e desembarque i n o port o d a Loand a e m com -
panhi a d o P. e Jerónim o Vogado , qu e enta õ ve o po r Visitador ,
e Reito r d o Collegi o d a Loanda . / /
O P. 6 Gonsal o d e Sousa , Reito r d o Collegi o d a Loanda ,
no s fa s muita s e grande s caridades , ass i e m no s encaminha r e
consola r co m sua s cartas , com o e m no s manda r o necessário . / /
Nest e Rein o d e Cong o morre o h ú Purtugues , po r nom e
Bertolame u Dinis , qu e h é o qu e queri a entra r n a Companhia ,
o qua l deixo u a est e Collegi o d e Cong o hu ã bo a esmol a d o
qu e sobeia r d e su a fazenda , despoi s d e lh e paguar é sua s diuidas ,
e d e lh e comprire m o s leguado s qu e ell e deixo u e m se u testa -
mento . Noss o Senhor , ett a . / /
D e Congo , 2 2 d e Agost o d e 1634 . / /
Setu o e filho , e m Christo , d e V . P. , e m cuio s santo s
sacrifícios , oraçoí s e benssa õ muit o m e encomendo .
Migue l Affons o
ARS I — Lus. Cód . 74 , £1 .
245 ,
doc. XC .
30 2
7 3
CART A D O GOVERNADO R D E S . TOM É A EL-RE I
(24-9-1634 )
SUMÁRI O — Estado da fortaleza da Mina — Falecimento dos capi-
tães — Negócios com naus inglesas — Resgate ilícito no
Benim — Necessidades da fortaleza — Sente-se a falta de
Bispo — Notícias de Manuel de Barros acerca da Mina.
O Gouernado r d a Min a Per o Mascarenha s (1) , po r vers e
cercado , e e m grand e apert o e m qu e naquell a fortalez a o tinha õ
post o o s Olandezes , o obrigo u a manda r a est a jlh a e m hum a
na o inglez a o auiz o qu e po r dua s via s tenh o mandad o a V .
Magestade , auizandom e nell a na õ pode r fazer , n a e m qu e
V . Magestad e lh e mando u o socorro , d e queer a Mestr e Romã o
d e Bocette , po r a tere m cercad o set e nao s olandeza s á vist a d a
dit a fortalez a e port o delia , co m deliberaçã o d e a tomarem , o u
metere m n o fundo ; e vendos e ness e apert o e a muit a necessi -
dad e qu e haui a d e faze r ist o prezent e a V . Magstade , offe -
reçe o a o mestr e dest a na o ingleza , po r traze r est e auiz o a est a
jlha , mi l e quinhento s cruzados , o s quae s ell e na õ qui s aceitar ,
e á su a própri a cust a o troux e a est a jlha , com o o mstifico u ant e
a yustiç a delia , ale m d e o dit o Gouernado r Per o Mascarenha s m o
auiza r ass y po r sua s cartas , e prouiza õ qu e diss e passo u a o Mes -
tr e d a dit a nao .
Per o Mascarenha s h é falecido . Succedeulh e n o gouern o
daquell a fortalez a hu m Frade , conform e tiu e po r auizo , qu e
serui a po r Vigair o nella , o qua l h é aleijado , e sempr e est á e m
( 1 ) Tev e cart a régi a d e nomeação , po r trê s ano s e o mai s qu e
el-Re i o houvess e po r bem , dad a e m 4 d e Mai o d e
1632 .
— AT T —
Chancelaria de D. Filipe III, liv . 26 , fls . 78-7 8 v .
303
hum a cam a
( 2 ) ;
ale m dist o
o
genti o
d a
tetra , dize m esta r
inquiet o
co m a
mort e
d o
dit o Gouernado r
e
ass y
s e
releu a
mu -
danç a nell e pella s muita s instancia s
qu e a
ell a obriga õ
o s
olan -
dezes ,
po r
toda s
a s
via s
qu e
podem ; conue m
a o
seruiç o
d e V .
Magestad e mandarlh e
o
remédi o
qu e fo r
seruid o
co m
tod a
a
breuidade .
O Mestr e dest a
na o
jnglez a
qu e
toux e est e auizo ,
qu e
tant o import a
a o be m
daquell a fortaleza ,
e
seruiç o
d e V . Ma -
gestade ,
fe s petiçã o a o
Prouedo r
d a
fazend a
d e V .
Magestade ,
Manoe l Correia , vist o
vi r á su a
própri a cust a trazello ;
lh e de u
licenç a par a carrega r
n a
dit a
na o
vint e
mi l
arroba s
d e
assucar ,
da s quae s pago u log o
o s
direito s deuido s
á
fazend a
d e V . Ma -
gestade , ass y
do s qu e s e
deuia õ delle s nest a jlha , com o
n a Al -
fandeg a
d e
Lisbo a
e
Consulado , com o const a
do s
liuro s
d a
feito -
ri a
d o
despach o deste s assucares ,
co m o
qua l dinheir o
s e
pago u
e m part e
ao s
Ecclesiastico s
e
Ministro s
d a
Justiç a
e
Fazend a
[as ]
ordinária s atrazada s
qu e s e lh e
deuiaõ ,
e na õ
haue r nest a ylh a
dond e
s e
satisfizesse ,
po r
esta r
e m
mizeraue l estado ,
e
incapa z
d e rendimento s
co m qu e s e
pague m
a s
obrigaçõe s
qu e V . Ma -
gestad e nelí a
tem , po r
falt a
d e s e na õ
ar[r]renda r
o
trat o della .
Aqu i chego u
a o
port o dest a jlh a
hu m
patax o jngle z
d o
res -
gat e
d o
Benin , carregad o
d e
panaria ,
o
qua l mande i toma r vist o
vi r
a o
dit o resgat e
se m
licenç a
ne m
arrendamento , com o
h é
obrigaçã o so b
pen a
d e
ben s perdidos ,
e po r se r
contr a
o
regi -
ment o
d e V .
Magestade .
O
Prouedo r
d a
Fazend a condeno u
a o
dit o patax o
e
fazend a
qu e
nell e vinha ,
po r
perdid o par a
a
fazend a
d e V .
Magestade ,
o
qua l importo u nouecentos , setent a
e oit o
mi l
quinhento s
e
setent a reis ,
o s
quae s esta õ metido s
n o
( 2 )
Fre i Duart e Borges , profess o
d a
Orde m
d e
Cristo , for a
no -
mead o capelã o
d a
fortalez a
d e S .
Jorg e
d a
Mina ,
po r
cart a régi a
d e i
d e Març o d e 1619 . Cfr . AT T —
Chancelaria
da
Ordem
de
Cristo,
liv .
22 ,
fls . 1 66v .
304
Cofr e qu e est á n a feitori a par a V . Magestad e manda r dispo r
delle s com o fo r seruido , o u s e pagare m a s ordinárias .
A terr a est á d e paz , e o s moradore s deli a co m amizade , s ó
sente m a falt a d e Bispo , qu e h é grande . V . Magestad e deu e
mandall o co m tod a a breuidade , po r conui r ass y muit o a o seruiç o
d e V . Magestade .
A s necessidade s e m qu e a fortalez a está , o tenh o feit o pre -
zent e a V . Magestade , po r esta r muit o falt a d o necessári o par a
a defens a delia ; e poi s ist o import a tant o a o seruiç o d e V . Ma -
gestade , peç o d e
MERCÊ ,
qu e lh e mand e o prouiment o niss o qu e
mai s conui r a se u seruiço , cuy a Catholic a Pesso a Noss o Senho r
guarde . / /
Sa n Thomé , 2 4 d e Setembr o d e 634 .
A d e sim a h é a qu e tenh o escrit o a V . Magestad e po r tre s
vias ;
offerecess e nouament e faze r auiz o a V . Magestad e e m
com o sinc o dia s d o me s d e Nouembr o próxim o passado , apor -
to u a est a Ilh a hu ã na o ingleza , qu e vinh a d a fortalez a d a Mina ,
e nell a lançar a hu m soldad o d a dit a fortaleza , po r nom e Manue l
d e Bairros , qu e po r serui r a V . Magestad e s e embarco u nell a
par a nest a jlh a da r auizo , e enuiars e a V . Magestad e a s carta s
qu e co m est a vaõ . E dell e soub e o estad o e m qu e ficau a a dit a
fortaleza , e e m com o o Vigair o Fre y Duarte , qu e succede u a o
Gouernado r Pedr o Mascarenhas , falecer a d e mort e súbita , a
que m succede o Andr é d a Roch a Magalhães , qu e seruir a d e
Alcaid e Mó r nella , co m cuy a eleiçã o m e auiza õ s e va õ melho -
rand o alguma s desorden s qu e n o genti o s e hia õ ateando : ma s
sobr e tud o s e reque r a V . Magestade , acud a á dit a fortalez a
co m o se u auxdio . Cuy a Catholic a Pesso a noss o Senho r
guarde . / /
Sa n Thomé , sinc o d e Janeir o d e 635 .
Lourenç o Pire s d e Tauor a
AHU— -S .
Tomé, cx . 1 , doc. n. ° 112 .
30 5
2 0
7 4
CART A D O CAPITÃO-MO R D A MIN A A EL-RE I
(10-10-163 4
SUMÁRI O — Estado da fortaleza — Partida de Manuel de Barros com
informações — Deterioração dos vinhos, excepto os da
Madeira — A ronda dos holandeses à fortaleza—Envio
de roupas da índia para com elas pagar aos soldados.
Po r faleciment o d e Pedr o Mascarenhas , e fre y Duart e Bor -
ges ,
Gouernadore s qu e fora õ dest a fortalez a (1) , suçed y n o ditt o
cargo , c õ aplauz o d e tod o o pou o delia , estand o seruid o a
V . Magestad e d e capitã o mór , e mandand o da r balanç o á s
feitoria s e tereçena s pello s offiçiaé s d e V . Magestade , ressençea -
ra õ o qu e haui a nella s co m o qu e s e gastau a [em ] cad a paga -
ment o d e tre s mezes , e acharã o na õ haue r par a sustent o da s
prassa s qu e h á mai s qu e par a o prezent e mez , na õ entrand o o s
quartéi s d e cad a hu a delia s (qu e importa Õ muit o com o V . Ma -
gestad e ser á j á informado) . E porqu e est a Praç a na õ te m outr a
couz a d e qu e s e sustent e mai s qu e o qu e V . Magestad e mand a
dess e Reyn o (po r na õ te r comerci o c õ outras ) foim e forsad o
( e o s moradore s ass y m o requererão ) enuia r a V . Magestad e
est e auiz o po r ui a d a Ilh a d a Madeira , dig o d e Santhomé , par a
cuj o effeit o s e offereçe o o mestr e d e hu ã na o ingiez a qu e estau a
par a parti r dest a Cost a par a a cidad e d e Londres , e Manue l d e
Barros , o qua l estau a seruind o a V . Magestad e nest a fortaleza ,
e o te m feit o e m outra s occazioé s d e perigo , e m a s quai s mos -
tro u muit o animo , e nest a o fe z c õ o mesmo , leuad o s ó d o inte -
(1 ) Fre i Duart e Borge s fo i governado r apena s po r trê s mese s e
nã o chego u a te r cart a régia .
306
ress e d e na õ haue r nenhu á e m qu e deixas e d e mostra r a uon -
tad e qu e tinh a d e s e emprega r n o seruiç o d e V . Magestade , d o
qua l s e deu e V . Magestad e haue r po r be m seruido . / /
A ell e e á s carta s d e meu s antecessore s remet o a Relaçã o
qu e podi a da r a V . Magestad e dest a Costa , porqu e d e seu s
auizo s na õ h á nuuidade s d e qu e pode r auiza r a V . Magestade ;
da s mizeria s e m qu e est a fortalez a fic a o deui a e u faze r po r mui -
ta s vias , ma s na õ o relat o nest a po r extenço , po r na õ cança r a
V . Magestad e co m lee r cart a ta m comprida ; est e soldad o infor -
mar á a V . Magestad e da s qu e s e padessem , porqu e també m
a s ajudo u a experimentar .
O s vinho s qu e V . Magestad e mando u c õ o cab o Thom é
Matozo , s e mudarã o e m chegand o a est a Costa , d e maneir a
qu e ne m o s negro s o s gastarã o sena õ a mey o tostaõ , e s e na õ
mandar a da r tant a press a a uendellos , tiuer a a fazend a d e V .
Magestad e a perd a delles . Pell o qu e V . Mgestad e deu e manda r
qu e na õ venha õ vinho s par a est a Praça , salu o d a Ilh a d a Ma -
deira , porqu e doutr a part e faze m o mesm o qu e fizera õ estes .
O s olandeze s frequenta Õ est a Cost a com o dantes , e cad a
me z lh e ue m nauios ; nell a te m agor a sette , o u oit o e m porto s
differentes , dond e tira õ grand e proueito ; e tenh o po r noua s
qu e esta õ aguardand o algun s d e Olanda , ma s na õ s e sab e a
certez a d e quantos . E u fic o c õ â uigilançi a qu e canue m par a a
bo a guard a dest a fortaleza , e m cuj a defença õ he y d e emprega r
a uida ; nell a na õ falt a poluora , ne m bailas , post o qu e alguã s
da s qu e viera õ n a na o d e Lubequ e sa õ d e mayo r embocadura ,
porqu e a artelhan a qu e aqu y h á na õ leu a nenhu a qu e pass e d e
doz e liuras ; soldado s h á bastantes , aind a qu e do s qu e viera õ
e m companhi a d e Pedr o Mascarenhas , qu e fora õ nouent a e
tantos , na Õ h á j á mai s qu e dezanoue ; ma s este s c õ o s qu e aqu y
estaua õ te m j á passad o a primeir a doença , qu e aqu y h é d e
mayo r perigo , e esta õ capaze s par a tod a a occazia õ qu e s e offere -
çe r n o ma r e n a terra , o qu e import a h é manda r V . Magestad e
307
roupa s d a Jndi a per a s e lh e pagar , porqu e na õ faltand o esta s n a
feitori a tera õ o s soldado s anim o e o s negro s vezinho s guardarã o
a fee , e lealdad e qu e deue m a V . Magestade , cuj a Cahtolic a
Pesso a guard e Deo s par a augment o d a Christandade , e ampar o
d e seu s Reyno s e Vassallos . / /
N a Mina , a 10 d e outubr o d e 1634 .
Andr é d a Roch a [Magalhães ]
AHU . — S. Tomé, cx . 1 , doc. n. ° 111 .
308
7 5
MISSÃ O D E CAPUCHINHO S À GUIN É
(21-11-1634 )
SUMÁRI O — O Provincial da Bretanha nomeia os missionários -para
a missão da Guiné — O Padre Angélico de Nantes é
constituído Superior — Pede as faculdades concedidas
pela Propaganda Vide aos missionários do Oriente.
Eminentissim i e t Reuerendissim i Domin i
Cu m Eminentíssima s DD . VV . a d instantia m Ministr i
Prouinciali s Capucinoru m Prouinci z Britannia: , Missione m i n
Vetere m Guinea m decreverint , iusserintqu e pr o illiu s execution e
ag i cu m Procurator e General i dict i Ordinis , isqu e a d hun c effec -
tu m a przfat o Prouincial i nomin a mittendoru m postulauerit . / /
Satisfacien s dictu s Prouincialis , cu m Consili o Patru m Di£ -
finitorium , nomina t sequentes , videlicet , Fratre m Angelicu m
Nannetensem , F . Columbinu m ite m Nannetensem , Bernardi -
nu m (sic) Meduanensem , e t Samuele m d e Campobono : e t
i n illoru m Superiore m praefatu m Fratre m Angelicum . Suppli -
can s humillim e EE . VV . quatenu s detinentu r a d dictu m An -
gelicu m patente s littera s cu m facultatibu s missionarij s Orien -
ti s hactenu s concessi s dirigere . E t orabi t pr o DD . EE . VV .
Qua s Deu s etc .
AP F — Memoriali, vol . 394 , fls . 40 6 e 41 3 v .
NOTA
— O document o nã o est á datado . O assunt o fo i tratad o
n a congregaçã o cardinalíci a d e 2 1 d e Novembr o d e 1634 . Cfr .
Acta,
vol .
10, fl .
13 5
v . Damo s a o document o est a data .
30 9
7 6
FUNDAÇÃ O D A MISSÃ O D A GUIN É
(21-11-1634 )
SUMÁRI O
—
Frei Angélico
de
Nantes
é
enviado,
com
três confrades,
a fundar
a
missão
da
Antiga Guiné (Africa Ocidental).
Referent e Eminentissim o
D .
Cardinal i
S .
Honuphr y
(* )
Sacr a Congregati o
i n
execution e decret i alia s edit i
pr o
mission e
Capuccionoru m
a d
uetere m Guinea m Affrica; , littera s patente s
Missioni s decreui t
pr o
fratt e Angélic o Nannatens i Capuccino ,
cu m tribu s socij s eiusde m ordini s
a
Prouincial i
e t
Definitori o
Prouincia : Britânia : approbati s
a d
uetere m Guinea m Affricac .
Nomin a aute m sócio s dict i fratri s Angelic i sun t frate r Colum -
bu s
(sic)
Nannatensis , frate r Bernardu s
(sic)
Meduanensi s
e t
frate r Samue l
d e
Camp o Bono ,
e t pr o
facultatibu s iussi t adi n
Sanctu m Officium .
AP F —
Acta,
vol . 1 0
(1634-1635) ,
fl . 13 5 v . (n. °
4) .
— Reuniã o
cardinalíci a d e 2 1 d e Novembr o d e 1634 .
(1) Cardea l Antóni o Barberini , O . M . Cap. , irmã o d o Pap a
Urban o VIII , titula r d e Sant o Onofr e e m 1 3 d e Novembr o d e 1624 ,
títul o qu e guardo u mesm o depoi s d a su a trasladaçã o par a o d e S . Pedr o
a d Vincula , e m 7 d e Setembr o d e 163 7 e d e Sant a Mari a i n Trastevere ,
e m 2 6 d e Mai o d e 1642 . Falece u n a Cúri a e m 1 1 d e Setembr o d e
1646 .
P . Gauchat , Obr.
cit„
IV , p . 19 . Era , naturalmente , o Protecto r
d a su a Ordem .
310
7 7
MISSÃ O DO S CAPUCHINHO S FRANCESE S N A GUIN É
(21-11-1634 )
SUMÁRI O — Nomeação de Frei Angélico de Nantes como prefeito
dos missionários Capuchinhos da missão da Velha Guiné.
Sanctissimu s i n Christ o Pater , & Dominu s noste r D . Urba -
nus ,
Divin a Providenti a Pap a VIII , omniu m hominu m salut i
pr o su o Apostólic o muner e provider e cupiens , t e Fratre m
Angelicu m Nannatense m Capucinum , cu m tribu s Socii s ejus -
de m Ordini s i n Vetere m Guinea m (1 ) Africa ; mitter e decrevit ,
& mittit , u t cu m facultatibu s Vobi s pe r alia s littera s conceden -
dis ,
Evangeliu m Domin i Nostr i Jes u Christ i annuntietis , &
gente s dia s doceati s servare , quaxunqu e S . Mate r Ecclesi a
Catholic a Roman a pratcipit , & prassertim , u t Judiciu m univer -
sal e futuru m eisde m contestemini . / /
Vo s itaqu e re i magnitudinem , & Apostolic i muneri s vobi s
commiss i gravitatem , sen o propendentes , i n primi s cavete , n e
a d haereticorum , schismaticoru m & infideliu m conciones , au t
ritu s quoslibe t quovi s prastext u ve l caus a accedatis . Deind e
omn e adhibet e curam , u t ministeriu m vestru m dign e a c fidc -
liter , etia m cu m sanguini s effusione , a c mort e ipsa , s i opu s
fuerit , impleatis , u t immarcescibile m corona m a Patr e lumi -
nu m reciper e mereamini .
(1) Po r oposiçã o à Nov a Guiné , a Velh a o u Antig a Guin é compree ndia o s território s d a cost a ocidenta l africana , entr e o cab o da s Palmas e a s boca s d o ri o Níger .
311
Qu e a fortalez a d o olande z est á e m Boure , tre s legoa s d a
noss a d e sotauento , qu e al y ua õ ancora r a s sua s naos . E qu e n a
alde[i] a d o Torto , qu e fic a a balrauent o d a noss a fortaleza , te m
sempr e hu a na o destad o co m 4 0 peça s e qu e dal y ua õ pell a
cost a a seu s resgate s e acod e a o inimig o tod o o serta õ e qu e
est a na o h é tod o o impediment o do s socorro s qu e d e c á uaõ .
Qu e s e socorre r a Min a se m qu e o inimig o o presinta , co m
dou s galeõe s e dou s pataxos , esta s quatr o embarcaçõe s lhe s pode -
rã o toma r a fortalez a e quanta s nao s al y tiuere m se m se r neces -
sári o mayo r fors a e qu e co m ist o e fortificad o o post o d a jlh a
d o Tort o e hauend o l á fazenda s co m qu e resgatar , ficar á o ini -
mig o excluído , porqu e o s negro s o na õ busca õ sena õ pell a neces -
sidad e d e se u resgate .
E assi m declaro u se r o dit o Andr é d a Fonsec a caualeir o
fidalg o d a cas a d e V . Magestad e e d e idad e d e 4 8 anno s e e m
fe e d e tud o assinou . / /
Lisboa , a 2 d e març o 635 . / /
Andr é d a Fonseca .
AH U — S. Thomé, cx . 1 , doc. n. ° 115 .
318
8 1
CART A A EL-RE I SOBR E A MIN A
(10-3-1635 )
SUMÁRI O — Lista de objectos a enviar para socorro eficaz da fortaleza
da Mina — Falta de dinheiro para a sua efectivação.
+
Senho r
E m resa õ d o qu e V . Magestad e mand a d e s e preuinire m
dua s carauela s per a o socorr o d a Mina , digu o qu e feit a deli -
genci a nest e Rio , s e acha õ so o dua s carauela s aparelhadas , qu e
possa õ se r d e seruiço ; qualque r delia s far á est a uiage m muyt o
contr a su a vontade , ma s quand o V . Magestad e sej a seruid o
fors a ser á qu e a façaÕ ; a duuid a h é sobr e o d e qu e [h]ad e consta r
est e socorro , porqu e o qu e m e parec e conuiri a qu e agor a s e
mandas e h à Mina , seri a ath é ce m (1 ) soldados , tre s mi l cru -
sado s e m roupas , ass y per a elle s com o per a o s qu e la a estaõ ,
dou s mi l e m bastimento s par a laa , afor a o s d a uiagem , sin -
coent a quintae s d e poluora , quatr o peça s d e artelhari a d e bronz e
d e desasei s a vintaquatr o libra s d e bal a co m encaualgamento s
d e campanh a per a a fortalesa , quatr o mi l bala s da s boca s desta s
peças , seis artelheiro s práticos , uint e quintae s d e corda , outro s
uint e d e pilouro s d e mosquet e e arcabus , ce m (1 ) mosquete s
aparelhados , ce m (1 ) arcabuse s d a mesm a maneira , ce m (1 )
piques , sincoent a meyo s piques , dusenta s paa s d e ferro , dusen -
( 1 ) N o original : sem .
31 9
ta s enxadas , ce m (1 ) machados , ce m (1 ) fouse s ros[s]adouras ,
cem(1 ) podõe s ros[s]oís , hu m home m qu e sayb a refina r pol -
uora , uint e quintae s d e salitr e per a a qu e estiue r gastad a d o
tempo , dou s serralheiros , dou s ferreiros , dou s carpinteiro s per a
faze r e remedea r reparos , todo s co m sua s ferramenta s e forjas ,
sesent a quintae s d e ferro , de z ( 2 ) quintae s d e aç o ( 3 ) , e hu m
engenheir o d e fortificações ; est e m e parec e er a o socorr o qu e
deui a hi r h à Mina , per a s e ocupare m embarcações , o temp o
esta a e m desd e março , n a terr a na õ h á muniçoí s ne m gente ,
n a fazend a d e V . Magestad e na õ se y també m qu e [h]aj a
sustância , e ass y na Õ entend o o com o s e poss a executa r est e
socorro ; necessári o ser á V . Magestad e mand e resolue r quant o
[h]ad e ser , dond e s e poder á hauer , e ond e esta a o dinheir o
d e qu e s e [h]ad e comprar , e co m iss o obrare y e u quant o pode r
n a part e qu e m e toc a e V . Magestad e mandar , / /
E m Lisboa , 1 0 d e març o 635 .
Ru y Corre a Lucas .
AH U — S. Tomé, cx . 1 , doc. n. ° 116 .
( 2 ) N o original : des .
( 3 ) N o original : asso .
32 0
8 2
INQUÉRIT O
À
MIN A
E
ILH A
D E S .
TOM É
(17-3-1635 )
SUMÁRI O
— O ]ulz do
Crime
faz um
Inquérito
ao
governo
e
admi-
nistração
da
fazenda -pública
na
fortaleza
da
Mina
e
na ilha
de S.
Tomé,
por
ordem
do
Conselho
da
Fazenda.
Deligemci a feit a
po r
orde m
d o
Conselh o
d a
Fazenda ,
a
qua l
fe z
o
lecemcead o Lui s Galua m
d e
Lemos , Jui z
d o
Crime .
Ao s dezassett e dia s
d o me s d e
març o
d e mi l
sei z semto s
trimt a
e
simqu o anno s
fo i o
lecemcead o Lui z Galua m
d e
Lemos , jui z
d o
crime ,
á Ru a d o Pe e d e
Ferro , ale m
d o Mo -
cambo , adomd e ell e jui s comigu o escriua m pergunto u
a s
tes -
temunha s seguimtes .
E e u
Framcisc o Dia z Moreir a
o
escreuj .
Manoe l
d o
Basto , morado r
n a Ru a d o Pe e d e
Ferro ,
d e
jdad e corent a annos ,
qu e or a
uei o
d a
Mina , testemunh a jurad a
ao s santo s euangelhos ,
e m qu e pô s a ma õ e
pergumtad o pell o
comtheud o
n a
portari a
d o
Comselh o
d a
Fazemda , diss e ell e
testemunh a
qu e h á
quatr o anno s
e
mei o
qu e
parti o dest e Rejn o
e tod o
o
ditt o temp o serui o
d e
comdestabl e
d a
fortalez a
d a
Min a
(1 ) e qu e s e
embarquar a par a Samthom é
co m licenç a
d o gouernador ,
o
padr e fre j Duart e
( 2 ) , d a
orde m
d e
noss a
Senhor a
d a Lu s ( 3 ) , e qu e d e
Samthom é uier a
e m hu ã na o d a
( a )
Nã o tev e cart a
régi a
d o
cargo .
( 2 ) Fre i
Duart e
Borges , profess o
d a
Orde m
d e Cristo .
( 3 ) Convent o d a
Orde m
d e Cristo , e m
Carnide , cercania s
d e
Lisboa .
321
2 1
jlh a d a Madeira , mestr e Manoe l Mende s Madeira , natura l
d a mesm a jlha . E uind o n a altur a e uist a d a dit a jlh a peleiia -
ra õ co m o s olandeze s da s oit o d a menha n th é o pô r d o sol ; n a
pelej a lh e meterera õ a na o e m qu e ell e testemunh a uinh a n o
fumd o e o s tomara m e o s lansara Õ n a mesm a jlh a n a Pont a
d o Sol , dond e s e embarquara m n a carauell a d e Per o Brab o d e
Setuual , qu e aporto u n a dit a uill a auer á de z ( 4 ) dias . / /
E pergumtad o d o estad o d a Min a pella s pergumta s qu'ell e
dit o jui s d o crym e lh e fes , diss e qu e o gouernado r d a Mina ,
qu e er a Per o Mascarenhas , h é mort o e d e cent o ( 5 ) e sesent a
homen s qu e fora m dest e Rejn o co m o dit o gouernador , s ó oit o
ficaua ó uiuo s n a dit a fortalez a a o temp o d e su a partid a e o s
mai s morrerã o d e doenssa s d a terra , e qu e po r mort e d o dit o
Pedr o Mascarenhas , qu e morre o e m mai o passad o d e tnmt a
e quatro , sosede o e m se u luga r o padr e fre j Duart e Borges ,
uigari o qu e er a d a dit a fortaleza , pe r eleissa m do s soldado s
delia , o qua l gouerno u trè s mezes , e morre o e pe r su a mort e
o s mesmo s soldado s d a fortalez a emlegera m Andr é d a Rocha ,
criad o d o gouernado r Pedr o Mascarenha s qu e l á morreo , o
qua l ficau a gouernand o n a dit a Min a a o temp o d e su a partida ,
peso a na m sofesient e par a o ditt o cargo , e pe r ess e estau a conhe -
cid o entr e o s soldados , a qua l fortalez a est á muit o arriscada ,
asi m pe r falt a d e capita m com o d e artelheria , e qu e est á be m
d e munissoís . E qu e a feitun a d e Su a Magestad e est á falt a d e
tud o o qu e s e h á miste r par a s e gouerna r be m aquell a fortaleza ,
porqu e ne m te m roupa s ne m outr a couz a algum a par a s e pode r
gouernar , porqu e h á muito s anno s qu e s e na m pagu a ao s sol -
dado s po r falt a d o necessário . E qu e h é uerdad e qu e á su a par -
tid a poderi a te r a dit a fortalez a oitent a homen s pouc o mai s
o u menos , co m a s fortaleza s dAche m e Samá , o s quai s dou s
( 4 ) N o original : des .
( 5 ) N o original : sento .
32 2
forte s s e prouer a d e gent e d a Mina , o s quai s forte s fica m pell a
cost a distamci a d e tnmt a legoas . E h é uerdad e qu e o s negro s
d a terr a na õ commercea m co m a noss a fortalez a pe r falt a d e
roupa s e leua õ ao s olandeze s e [a ] o s mai s estrangeiro s qu e ua õ
pell a cost a a faze r resgat e tod o o our o e marfi m e an d e a s
mai s mercadoria s d a terra , e qu e o s estrangeiro s qu e al y ua m
d e ordinári o ale m do s olandezes , qu e al y te m á uist a su a for -
taleza , sa m jngrezes ; e ist o diss e ell e testemunha , com o peso a
qu e sab e d o estad o d a terr a e [hjaue r sid o comdestabl e d a dit a
fortaleza , á qua l també m h é nesesari o acodi r co m comdestable ,
porqu e o qu e l á fiqu a na õ h é sofesiente , e declaro u qu e t é oy e
na õ uei o d a dit a fortalez a outr a peso a mai s [que ] elle , testemu -
nha , o qua l na õ sab e da s couza s d e Sa m Thom é nada . E assino u
co m o juis . Framcisc o Dia s Moreir a a escreuj .
a) Galua õ D e M. e l f d o Basto .
Sebastia m Rodrigues , morado r n a Ru a do s Emgrezinhos ,
d e jdad e uint e simqu o anno s pouc o mai s o u menos , testemu -
nh a jurad a ao s santo s euangelho s e pergumtad o pell o com -
theud o n a portari a d o Comselh o d a Fazend a e mai s couza s a
ell a nesesanas , diss e ell e testemunh a qu e ell e uei o d a jlh a d e
Samthom é n a na o d e Manoe l Mende s Madeira , qu e o s olan -
deze s metera m a piqu e a o fumd o e tomarã o a ell e testemunh a
e ao s mai s e o s botara m n a jlh a d a Madeira , dond e s e embar -
quo u ell e testemunh a n a carauell a d e Per o Brabo , qu e uei o a
Setuua l [h]auer á de z ( 4 ) dias . / /
E perguntad o pella s couza s d a Mina , diss e qu e delia s na õ
sab e nada , s ó ouui r dize r e m Samthom é a hu m criad o d e Pedr o
Mascarenhas , qu e l á [h]aui a sid o gouernador , qu e o dit o se u
am o er a morto , e o Frad e qu e emleiera õ e m se u lugar , e qu e
gouernau a hu m criad o d o dit o Pedr o Mascarenhas , pesso a yna -
323
bi l par a
o
dit o cargu o
e qu e
ouuir a dize r
qu e a
dit a fortalez a
estau a falt a
d e
toda s
a s
couza s
a
ell a nesesarias .
E
qu e d e
Samthom é sab e
qu e
[h]auer á dou s anno s
qu e
ah y
fo i
hum a
na o
emgrez a
e er a
mestr e deli a Joa m
d e
Sot o
emgres ,
co m o
qua l comerceara o todo s
o s d a
terra ,
e
queren -
dolh o defemde r Lourenss o Pire s
d e
Tauora ,
qu e
emta m gouer -
nau a Samthomé ,
o s
fejtore s delRe j
e
mai s mercadore s
d a
jlh a
pretestara õ
( 6 ) a o
dit o gouernado r
qu e o s
deixass e comerçea r
co m
o
dit o emgres , pell a nesesidad e
qu e
tinh a
a
terra .
E
emta m
lh o comsemti o
o
dit o gouernado r Lourens o Pire s
d e
Tauora ;
e uind o nest e temp o
o
gouernado r nouo , Framcisc o Barrett o
( 7 ) ,
a dit a
na o
emgrez a
s e fo i
dal y par a mei a légu a abax o
d o
porto ,
adond e
o
dit o gouernado r Framcisc o Barret o
lh e
mando u dize r
qu e
s e
fosse , sena õ
qu e o
jri a castigar .
E
emta m
s e fo i a
dit a
na o emgreza .
E qu e a
dezoit o
d e
setembr o
d o
ann o passado ,
jnd o ell e testemunh a dest e Rejno , emtro u
n a
dit a ylh a
d e
Samthom é
e
nel a acho u
o
mesm o mestt e emgre s Joa m
d e
Soto ,
co m
outr a
na o
maio r
qu e a
primeira ,
a
qua l
y á
tinh a
carregad a
co m o s
mesmo s mercadore s
d a
terra , gouernand o
otr o
s y a
terr a
o
mesm o Lourens o Pire s
d e
Tauora ,
po r
mort e
d o gouernado r Framcisc o Barret o
( 8 ) . / /
E
qu e
sab e
qu e
geralment e todo s
o s
mercadore s
d a
terr a
comerseaua m
co m a
gent e
d a
dit a
nao . E qu e o di a qu e
ell e
testemunh a parti o
d a
jlh a
d e
Samthomé , dera m fund o nell a
dua s nao s emgrezas ; pore m
na õ
sab e
qu e
comerseasem , ante s
emtend e
qu e s e
fora õ
pe r
falt a
d e
asuqueres .
E qu e a s
dita s
( 8 ) N o original : pertestaraõ .
( 7 ) Francisc o Barret o d e Meneses , d e se u nom e completo , fidalg o
d a Cas a Real , fo i nomead o capitã o e governado r d e S . Tom é po r fale -
ciment o d e Andr é Gonçalve s Maracote , po r cart a régi a d e 8 d e Junh o
d e
1630 .
—
ATT— -Chancelari a
de D.
Filipe
III, liv . 25 , fls . 14 5
V.-146 .
( 8 ) D e Lourenç o Pire s d e Távor a nã o h á nomeaçã o régi a regis- -
tad a n a Chancelaria .
32 4
nao s qu e dit o te m sa õ e fora Õ d e Ingalaterr a e na m po r comt a
d e nhu m portug[u]es . E qu e o mestr e Joa m Sot o diser a a ell e
testemunh a qu e leuau a lysenss a d e Su a Magestad e par a hi r á
dit a jlh a d e Samthomé , ma s ell e testemunh a a na õ uio ; e na õ
diss e mais . E asino u co m o juis . E e u Framcisc o Dya s Moreir a
a escreui .
a) Galua õ a) Sebastianroí z
Baltheza r Gomes , mareant e e morado r e m Alfama , d e
jdade , digu o morado r n a Ru a Dereit a d e noss a Senhor a do s
Remédios , d e jdad e trimt a e oit o anno s pouc o mai s o u menos ,
testemunh a jurad a ao s santo s euangelhos , e m qu e pô s a maõ ,
e pergumtad o pell o comtheud o n a portari a d o Comsselh o d a
Fazenda , diss e ell e testemunha , qu e [h]auer á de z ( 4 ) dia s qu e
chego u a Setuua l n a carauell a d e Per o Brauo , qu e o tomo u
n a jlh a d a Madeir a e a seu s companheiros , ond e o s olandeze s
o lansara õ d a na o e m qu e uinha Õ d a jlh a d e Samthom é a est e
Rejno , qu e
botarã o
a piqu e a o fumdo . E qu e n a jlh a d e Sam -
thom é h é public o qu e Per o Masquarenha s gouernado r d a
Mina , er a morto . E otr o s y er a mort o h ú Frad e qu e emlegera õ
e m se u lugar . E qu e agor a d e prezemt e serin a d e gouernado r
h ü criad o d o dit o Pedr o Mascarenhas . E qu e e m Setembr o
passado , estand o ell e testemunh a n a jlh a d e Samthomé , estau a
n o mesm o port o hu m emgre s co m hum a na o muit o grand e
qu e carrego u d e asuquere s qu e lh e dera Õ o s mercadore s po r
dinheir o e fazendas , qu e lhe s deu , comsemtind o o gouernado r
d a dit a jlha , qu e emta õ er a e oj e h é Lourens o Pire s d e
Tauora . / /
E qu e [h]auer á dou s annos , pouc o mai s o u menos , for a
o dit o emgre s co m outr a na o e comercear a co m o s dito s mer -
cadores , comsemtindolh o o mesm o Lourens o d e Tauora , qu e
emta m er a gouernador . E qu e a o temp o qu e ell e testemunh a
325
parti o dera m fund o dua s naos , a s quai s na õ tinha õ carregad o
po r na õ tere m asuqueres , a s quai s nao s era m emgreza s e a
gent e emgreza , co m a qua l o s mercadore s d a dit a jlh a trata m
quand o a s dita s nao s l á uaõ ; e na õ sab e d e outra s nao s qu e
l á mai s fosem . E na õ diss e mai s da s dita s pergumtas . E asino u
co m o juis . E e u Framcisc o Dia s Moreir a a escreuj .
a) Galua õ a) Beltesa r Gomes .
AHU— S . Tomé, cx . I, doc. n. ° 124 .
32 6
8 3
CART A D E LUI S GALVÃ O D E LEMO S A EL-RE I
(17-3-1635 )
SUMÁRI O — Informação tomada sobre a situação da fortaleza da Mina
e da ilha de S. Tomé, segundo o inquérito oficial.
+
Senho r
V . Magestad e m e mando u informa r d o estad o da s couza s
d a Min a e do s nauio s estrangeiro s qu e ua õ comersea r á Ilh a
d e S . Thomé , e qu e tomass e est a informaçã o d e pessoa s qu e
d e prezent e uiera õ d a Min a e o qu e tenh o achad o h é o seguinte .
Po r Manue l d o Basto , condestabl e qu e fo i d a Min a mai s
d e quatr o annos , qu e chego u a Setuua l e m hu ã carauel a d a
mesm a uilla , mestr e Per o Brabo , qu e parti o d a ilh a d a Madeira ,
soub e e u com o o gouernado r d a Min a Per o Mascarenhas , er a
falecido , e d e sent o e sesent a pessoa s qu e dest e Reyn o leuar a
consigo , soment e oit o era õ uiuas , e qu e morrerã o d e doensa ;
po r mort e d o qual , po r o s soldado s daquel a fortalez a elegerã o
po r capitã o e gouernado r a fre i Duart e Borges , frad e d e
Thomar , d a Orde m d e Chnsto , qu e er a uigair o d a fortaleza .
O qua l gouerno u tre s meze s e faleçeo . / /
E po r su a mort e o s mesmo s soldado s elegerã o po r gouer -
nado r Andr é d a Rocha , criad o qu e for a d e Per o Mascarenhas ,
pesso a insufficient e par a o carg o qu e administra ; a qua l infor -
maçã o m e dera õ outro s homen s qu e uiera õ d a ilh a d e Sa n
Thomé . / /
32 7
[Despacho à margem e ao alto]:
Orden a
S . A . qu e s e
vej a
e
Consult e
n o
Conselh o
d a
Fazenda . Lisboa ,
2 9 d e
Agost o
635 .
a)
[Ilegível ]
Inform e
o
Jui s
d e
índi a
e
Min a
co m
tod a
[a ]
breuidade .
Lisbo a
a 5 d e ybro
[setembro ]
d e 1635 .
[Três rubricas]
E m apertad o estad o est á
a
fazend a
d e V .
Magestad e par a
deli a
s e
fazere m noua s mercês . Pore m par a ell a cresce r
e
melho -
rar ,
a
esmoll a
h é o
me[i] o mae s
a
propósit o
qu e
pod e
ser . E
ass i nantere j duuid a
a qu e V .
Magestad e faç a
a
merc ê
ao s
supplicantes , par a remédi o
d e
pobres , com o
s e
pede .
V .
Mages -
tad e mandar á
o qu e fo r
seruido .
[Rubrica do Provedor da Fazenda]
AH U — S. Tomé, cx . 1 , doc. n. ° 128 .
NOTA
— Com o o document o nã o est á datado , damos-lh e a dat a
d o despacho .
334
8 7
SUMÁRI O — Justificação da isenção de direitos do açúcar dos seus
engenhos e fazendas na ilha de S. Tomé, requerida a
el-Rei feia Misericórdia de Lisboa.
+
Senho r
A petiçã o d o Prouedo r e Irmaõ s d a Misericórdi a dest a
Cidad e h é muit o iusta , porqu e quand o V . Magestad e te m
feit o merc ê ao s moradore s d a Ilh a d e Sa m Thom é qu e na õ
pague m do s seu s asucare s direito s á feitori a d e ttez e dou s po r
sahida , co m mai s reza õ s e deu e faze r á Sanct a Cas a d a Mise -
ricórdi a qu e o s na õ pagu e do s asucare s do s seu s engenho s e
fazenda s qu e te m n a dit a Ilha , cuio s rendimento s sa m apli -
cado s a obra s pia s meritórias ; delle s lh e cheg a pouc o poli a
deminuiça õ qu e h á n a Ilh a e o s inimigo s rouba õ a maio r parte .
E outr o s í V . Magestad e se r protecto r dest a Sanct a Casa , parec e
lh e deu e V . Magestad e faze r a merc ê qu e pede . / /
Deu s guard e a Cathohc a Pesso a d e V . Magestade . / /
Lisboa , 6 d e ybr o [setembro ] 1635 .
D. o r Paul o d e Merele s Pacheco .
AH U — S. Tomé, cx . 1 , doc. n. ° 129 .
335
ISENÇÃ O À MISERICÓRDI A D E LISBO A
(6-9-1635 )
8 8
IGREJ A D A CONCEIÇÃ O D E LUAND A
(4 -12-1635 )
SUMÁRI O — Estado de conservação da igreja Matriz de Luanda —
Pede-se a construção de uma igreja nova — Indica-se
a maneira prática de conseguir o intento.
Bent o Ferraz , Vigári o d a Parrochia l Igrej a d e Noss a Se -
nhor a d a Conceição , sçit a n a Cidad e d e Loanda , Rein o d e
Angolla , fe z petiçã o a est e tribunal , e m qu e diz , qu e ell e suppli -
cante , h á mai s d e vint e e sinc o anno s fo i prouid o naquell a
Igrej a e a serui o ath é o prezente , e qu e n o temp o qu e tomo u
poss e deli a acho u qu e er a feit a d e taipa , d e barr o e d e pulare s
d e madeir a e rip a d e palma , qu e h é o co m qu e o genti o cobr e
sua s casas , e d e telh a van , e qu e at é oi e V . Magestad e [naõ ]
mando u faze r outr a Igrei a (send o asi m qu e s e te m pedido ) e
qu e pello s indulto s [e ] breue s d e Su a Santidade , e Concili o
Tridentino , incumb e sobr e V . Magestad e mandall a faze r á
cust a d e Su a Rea l Fazenda , vist o o muit o rendiment o qu e tir a
daquell e Reino , ass y do s dizimos , qu e va õ e m muit o rendi -
mento , com o do s direito s do s escrauos , qu e s e reputa õ po r dízi -
mos ,
baculamento s e outro s muito s aproueitamentos , qu e tud o
augment a a fazend a d e V . Magestad e e m muito s mi l cruzados / /
Pell o qu e na s matéria s d o Cult o Diuin o corr e obrigaçã o a
V .
Magestad e acudi r c õ o necessári o par a qu e s e çellebr e co m
a authotidad e qu e conuem , morment e e m terr a d e Genti o e
d e tant o concurs o d e gent e natura l e estrangeira , qu e todo s
acode m ao s officio s diuino s á dit a Igrei a com o matri x qu e hé ,
e muita s ueze s e m temp o d e agoa s na õ h á dond e s e asent e o
336
Pouo , po r choue r nell a com o e m hu ã rua , e m respeit o d e se r o
telhad o e m telh a va a e a s ripa s atarenss e co m matebas , qu e ue m
a se r com o junssa , po r a s rippa s sere m redondas , a qu e cha -
ma m bordõi s ( 1 ) , e chou e d e ordinári o no s altare s e s e mo -
lha m o s frontais . E te m acontecid o po r muita s uezes , po r se r
d e noit e e a s agoa s repentinas , choue r d e mod o qu e s e perde m
o s frontai s e mai s ornamento s qu e esta õ no s altares .
E j á sucçede o choue r n o própri o Sacrári o e po r mai s qu e
acode m a conserta r a s parede s e telhados , com o sa õ d e barr o e
quas y tud o area , s e desfaze m co m qualque r agoa , d e mod o qu e
s e padec e n a administraçã o d o cult o diuin o e celebrasa õ do s
officios , notaue l detrimento . E qu e recorrend o ao s Gouernado -
re s d e V . Magestad e a qu e mande m repara r o dagno , retelha r
o s telhados , refforma r a s parede s e a madeir a d e qu e a dit a Igrei a
h é feita , o faze m cristanmente , mandand o da r o necessári o par a
s e repairar . E ist o o s mai s do s annos , d e mod o qu e s e gast a e
te m gastad o c õ qu e s e puder a te r feit o hu ã Igrei a capa x par a
a terra , qu e est á e m muit o augmento , e asiste m nell a Gouer -
nado r e Bisp o e Pou o nobr e qu e te m muit o milhore s casa s d e
pedr a e cal , milhore s qu e a Igreia ; e qu e toda s a s mai s qu e há.
n a terra , com o h é a do s Padre s d a Companhi a e do s Religioso s
d a Terceir a Orde m d e S , Francisco , viuend o d e esmollas , sa õ
mai s sumptuosas , d e authoridad e e representaçã o e m grandez a
e edifficios , o qu e na Õ te m a Matrix , porqu e auend o fest a nella ,
na õ cab e ametad e d o Pou o nella , send o qu e h é hu ã Igrei a qu e
requer e mai s grandez a e authoridad e qu e toda s a s d o Rein o d e
Cong o e Angolla , porqu e alé m d e te r mai s d e sei s cento s vezi -
nho s á cidade , concorr e muit a gent e d e for a a ell a a respeit o
d o resgat e do s negros , po r cui o respeit o V . Magestad e mando u
qu e s e fizess e hu a cas a par a Camer a e Cadea , impond o par a
ess e effeit o imposiçã o d e pessa s d e escrauo s qu e sae m daquell e
( J ) N o original : bardois .
22 337
Rein o par a fora , a dou s tostõe s d e pano s (qu e h é o dinheir o
daquell e Reino ) e m cad a escrau o e h[á ] mai s d e vint e e tre z
anno s qu e est á post o est e tributo . / /
E s e te m feit o alé m d a Camer a e Cadea , cas a par a viuere m
o s gouemadores , na õ atendend o a s e faze r Igrei a par a s e cele -
brare m o s officio s diuinos . E qu e també m V . Magestad e man -
do u s e desse m ttezento s mi l rei s par a a s obra s d a Se e pel o
temp o qu e durassem , d e Su a Rae l Fazenda , á petiçã o d o Bisp o
Do m Fre i Francisc o d o Soueral , send o qu e nã o [se ] te m
[feito ] obra s alguãs , porqu e EIRe y d e Congo , ond e a dit a Se e
est á te m a se u carg o o mandall a faze r e reparall a quand o h é
necessário , po r esta r n a su a Cort e e Rein o e a mand a faze r d e
madeir a e palha , na õ consentind o qu e s e faç a d e outr a meta l
(sic),
ne m qu e nell a [se ] fabrique m obra s d e pedrari a ne m d e
cal , ne m V . Magestad e ath é oi e te m gastad o d e Su a Rea l Fa -
zend a e m a fabrica r e reparar , cous a alguã .
E porqu e corr e obrigaçã o a V . Magestad e d e manda r faze r
a dit a Igreia , o u d a imposiçã o do s duzento s rei s d e pano s qu e
pag a cad a escrau o ( 2 ) qu e sa e daquell e Reino , o u d e outr a qu e
s e pô s na s pipa s d e vinho , qu e sa Õ dou s mi l rei s e m cad a hu ã
qu e entr a naquell e Reino , aplicand o á s obra s deli a o s trezento s
mi l rei s qu e esta õ dado s á See , uist o na õ s e fazere m obra s nella ,
o u manda r qu e n a form a d o Sagrad o Concili o Trindetin o fass a
o Pou o o corp o d a Igrei a e qu e a Cappell a mo r s e faç a d a Rea l
Fazend a d e V . Magestade , par a onrr a e louuo r d e Deos , autho -
ridad e d e su a Igrei a e porqu e a el e Supplicant e conuem , com o
Parrocho , trata r desta s cousas .
P[ede ] a V . Magestade , uist o o qu e alega , e esta r aquell a
Igrei a perecend o e necessitada , e na Õ s e podere m celebra r nell a
o s officio s diuino s co m a decênci a qu e conuem , mand e s e faç a
( 2 ) Entenda-se : qu e s e pag a po r cad a escravo .
338
d e quaesque r do s effeito s apontados , o u d e todos , o u á cust a
d e Su a Rea l Fazenda , com o mai s parece r qu e h é seruiç o d e
Deo s e d e V . Magestade . E . R . M .
E uist a a petiçã o d o Supplicant e Bent o Ferra s e informa -
çã o qu e s e ouu e d e Francisc o Vieir a d e Lima ,
Parece o qu e V . Magestad e deu e se r seruid o manda r qu e
o corp o dest a Igrei a s e fass a á cust a do s aluguei s da s Casa s d a
mesm a freguezia , po r sere m d e muit o rendimento , fintandoss e
par a ess e effeit o o s dono s delas , com o h é estill o fazetss e na s
freguezia s dest a cidade .
E a Cappell a mo r deli a deu e V . Magestad e se r seruid o
manda r qu e o cust o deli a s e pagu e d o rendiment o do s dou s
mi l rei s qu e o gouernado r Ferna õ d e Sous a impô s e m cad a pip a
d e vinh o qu e entrau a naquell a Cidade , o u no s direito s qu e s e
paga õ e m panno s d e cad a negr o qu e sa e daquell e Reino .
E també m V . Magestad e pod e se r seruid o aplica r est e mes -
m o pagament o no s trezento s mi l rei s qu e V . Magestad e te m
aplicado s par a a s obra s d a Se e daquell a cidade , uist o estare m
parada s e na õ hire m po r diant e e o dinheir o junto . / /
Lisboa , 4 . d e dezembr o d e 635 .
aa) O Cond e d e Castr o / Do m Antoni o Mascarenha s
Francisc o Pereir a Pint o / Do m Carlo s d e Noronh a
Esteua õ Fuzeir o d e Sande .
O Conselh o d e Estad o s e conform a co m a Mes a d a Cons -
ciênci a e Ordé s enquant o á fabric a d o corp o d a Igreja . E quant o
á Cappell a mo r parec e qu e na õ s e gastand o na s obra s d a Se e
d e Congo , com o r e refere , o s trezento s mi l rei s aplicado s par a
ellas , s e aplique m á Cappell a mo r d a matri z d e Sa õ Paul o d e
Loanda .
339
E
e m
cas o
qu e s e
gaste m
e m
Congo ,
s e
faç a
a
obr a
d a
Capell a
mo r d o
procedid o
d o
direit o
d e
dou s
m d
rei s
e m
cad a
pip a
d e
uinho ,
qu e s e
posera õ
e m
temp o
d e
gouernado r Fer -
nã o
d e
Sousa .
/ /
E m Lisboa ,
a 2 3 d e
Feuereir o
d e 636 .
BUC—Ms .
459 ,
fls .
176-178 .
(Originai) .
340
8 9
CÉDUL A CONSISTORIA L D O BISP O D E S . TOM É
D . ANTÓNI O NOGUEIR A
(17-12-1635 )
SUMÁRI O — Por falecimento de D. Domingos da Assunção é confir-
mado Bispo de S. Tomé Frei Antonio Nogueira, com as
obrigações constantes do frésente documento.
Feri a 2. a , di e 1 7 Decembri s (1635 ) h^itu m fui t Con -
sistoriu m secretu m i n Palati o Apostólic o apu d Vaticanum ,
prasentibu s Reverendissimi s Domini s Cardinalibus . (•••) .
Referent e Reverendíssim o D . Cardinal i Aldobrandino ,
Sanctita s Su a Ecclesi e S . Thoma : i n insul a eiusde m nominis ,
iuxt a Guineam , uacant i pe r obitu m R . P . Dominic i d e Assup -
tione , pratfeci t i n episcopu m R . F . Antoniu m Nogueriam , cu m
decret o erigend i utramqu e prebenda s a c Seminarium , etc. , e t
u t apu d Rege m Catholicu m eiusqu e Ministro s inste t pr o repa -
rand a Ecclesi a e t Domu s Episcopali s aedificatione .
AV — Acta Camerariii vol . 17 , £1 . 10 3 v .
(oli m
9 7 v.) .
341
9 0
CART A D O PADR E MIGUE L AFONS O
A O GERA L D A COMPANHI A D E JESU S
(3-1-1636 )
SUMÁRI O — Notícias do Colégio do Congo — Relação do Rei e dos
portugueses co mos Padres Jesuítas — Escola de leitura,
de esscrita e de latim — Três Congregações de piedade.
Reuerend o P. e Gera l
+
Pa x Christ i
Est a na õ seru e d e mais , qu e per a co m ell a da r noua s minhas ,
e do s mai s súbdito s dest e Collegi o a V . P. , a s quai s saõ , Deo s
louuado , ficaremo s co m saúde ; a mesm a queir a o Senho r qu e
tenh a V . P . per a consolaçã o d e todo s este s seu s súbditos , e
filhos , e m Christo . / /
O s d a Companhi a qu e aqu i esta õ nest e Collegi o d e Cong o
somo s o P. e Joa õ d e Paiua , o jrma õ Sebastiã o Gonçaluez , e eu ,
e ass i elle s co m e u no s encomendamo s muit o n a bençã o e santo s
sacrifício s d e V . P . / /
Est e Rein o a o presente , Deo s louado , est á co m pax , e su a
Magestad e e l Re y Do m Aluar o 4. 0 te m saúde , e ass i ell e com o
seu s fidalgo s e o s cónego s d a see , e mai s portugueze s qu e nest a
cidad e habitaõ , no s faze m muita s e grande s charidades . Á noss a
jgrei a concorr e continuadament e muit a gente , ass i a ouui r a
pregaçã o quand o a há , com o a s doutrinas , e a s e confessa r e
342
communguar , e o s doente s qu e h á pell a cidad e ordinariament e
no s manda õ chamar , per a o s confessaremos , porqu e te m est a
gent e muit o grand e deuaça õ ao s nosso s glorioso s sancto s padre s
Sanct o Jgnacio , e Sa õ Francisc o Xauier , cuia s jmagé s temo s
n a noss a jgrei a muit o fermosa s e deuotas , ale m d e h ü Cruci[fi]x o
e d e h ú retauol o d e noss a Senhor a d o Popuío . / /
Temo s aqu i escol a d e ler , e escreuer , á qua l ue m muito s
mossos , e mininos , ass i filho s do s Purtuguezes , com o do s fidal -
go s Moxicongos . E também , quand o podemos , s e d á liça õ d e
lati m a algú s estudares , qu e nol a pedem . / /
E temo s tre s congreguaçoí s a qu e s e faze m tre s pratica s
espirituai s cad a somana , conue m a saber : á quart a feir a ao s
mosso s Moxicongo s fidalgos , solteiros , d a congregaçã o d a
Sanctissim a Trindade ; á sest a feir a ao s fidalgo s Moxicongos ,
cazados , d a congreguaça õ d e Sanct o Jgnacio ; e a o sabbad o á s
fidalga s Moxicongas , cazada s e viuuas , d a congreguaça õ d e
noss a Senhor a d o Populo . Noss o Senhor , ettc. a / /
D e Congo , 3 d e Janeir o d e 636 . / /
Seru o e filh o e m Christ o d e V . P .
Migue l Affonso .
ARS I — Lus., Cód .
74 ,
fl .
266 ,
doc. CIII .
343
9 3
CONSULT A D O CONSELH O D A FAZEND A
(12-3-1636 )
SUMÁRI O — Sobre o viátko a conceder a oito religiosos da Ordem
Terceira da Penintência de largada -para Angola — Satis-
faz-se, como se fizera em 1634 aos religiosos franciscanos.
Co m decret o d o gouern o uei o remetid a a est e Conselh o
hu á petiçã o d o padr e fre i Manoe l do s Anjos , procurado r gera l
d a prouinci a d a Terceir a Orde m d a Penitenci a d o Padr e Sa Õ
Francisc o nest e Rein o d e Portugual , par a qu e s e uiss e e com -
sultass e o qu e paresese , e m a qua l di z qu e n o capitul o prouin -
cia l qu e or a s e selebro u d e su a horde m nest a cidad e d e Lisboa ,
s e nomearã o oit o Religiozo s d a mesm a prouinci a par a s e embar -
care m nest a monça õ d e març o par a o Rein o d e Angola , a hire m
serui r a Deo s e a V . Magestad e n o qu e lhe s fo r ordenado ,
com o constau a d a certidã o qu e ofereci a d o se u prouincia l par a
rezidire m e m se u comuent o d e sa Õ Joseph e qu e te m n a cidad e
d e sa õ Paul o d o dit o Rein o e na s comquista s e comuerça õ da s
almas , e porqu e V . Magestad e costum a faze r merc ê e esmol a
d e uiatic o par a a jornad a ao s tae s Religiozo s qu e s e embarcarã o
par a aquella s partes .
Ped e a V . Magestad e qu e lh e faç a esmol a manda r qu e s e
d ê o viatic o custumad o [a ] o s dito s Religiozo s par a a ta l jor -
nada .
Pe r despach o dest e Comselh o s e ordeno u oferecess e o s Re -
gisto s d a esmol a d e qu e trat a e ouuess e vist a a o Procurado r
d a Fazend a d e V . Magestade ; oferese o o dit o P. e fre j Manoe l
do s Anjo s tre s Registo s d e prouizoé s perqu e V . Magestad e fe z
esmol a ao s Reli[g]iozo s d a dit a horde m qu e o ann o d e 63 4
350
[partirão ] par a
o
Rein o
d e
Angola ,
d e
trint a
mi l
reae s cad a hum ,
par a
s e
auiare m
d e
covza s nessesaria s par a
a
uiage m
e qu e s e
lhe[s ] dese m guazalhado s comuiniente s par a sua s pesoas , fat o
e mantiment o
d a
viagem ,
su a ( J )
regr a
d e
carne , pescado ,
vinho , azeit e
e
vinagr e
e o
trig o
d e
Alentei o
o u d a
terra ,
qu e
foss e nessesari o par a
o
biscout o
d a
viagem .
O Procurado r
d a
Fazend a
d e V .
Magestad e responde o
qu e
n o ann o
d e 63 4
mando u
V .
Magestad e
da r
dinheiro , trig o
e
mantiment o par a
a
viage m
e
gazalhad o
[a ]
oit o Religiozo s dest a
horde m par a
o
Rein o
d e
Angol a
e qu e
agor a
s e
manda ó outro s
oito ;
a
gentilidad e daquella s parte s
h é
grand e
e mu j
dilatada ;
s e
s e
empreguare m
n a
comservaça õ
( a ) da s
almas , muito s mai s
sera õ nesesario s
e
grand e
h é o
seruiss o
d e
Deo s
qu e d e su a
mis -
sã o rezultará .
E
ass y
n a
comformidad e
qu e s e fe z co m o s
mais ,
lh e mandar á
V .
Magestad e faze r
a
merc ê
qu e fo r
seruido .
O
qu e
visto , parece o
qu e V .
Magestad e deu e faze r merc ê
e esmol a
a o
supplicant e
d e lh e
manda r
da r o
viatic o ordinári o
par a este s oit o Religiozos , par a ajud a
d e se u
aprest o
e
embar -
cação .
Lisboa ,
1 2 d e
març o
636 . / /
Thoma s
Dibi o
/
Joa ó Sanches .
[Ã margem] :
Com o parece .
E m
Lisboa ,
1 4 d e
Març o
636 .
A Princeza .
AH U
—
Cód . 41 , fl . 84 .
( 1 ) N o
origina l lê-se :
Ru a
Regra .
( 2 )
Dev e ler-se : conversão .
351
9 4
CONSULT A
D O
CONSELH O
D E
ESTAD O
SOBR E
A
MATRI Z
D E
LUAND A
(17-3-1636 )
SuÁMRIO— Obra s
da
igreja Matriz
de
Luanda
—
Obras
da
ca feia
mor
e do
corfo
da
Igreja
—
Proveniência
da
verba.
E m cart a
d e S .
Magestad e
d e 1 7 d e
Març o
d e 636 .
V i
hu ã
Consult a
d o
Conselh o
d e
Estad o
qu e
ue[i] o
co m
list a
d e 2 3 d e
feuereir o passado , sobr e
a
obr a
d a
Igrej a matri z
d e
S.' °
Paul o
d e
Loanda ,
d o
Rein o
d e
Angolla ,
e
conformo-m e
co m
o qu e
parece o
a o
Conselh o
d e
Estado .
/ /
Ftancisc o
d e
Lucena .
Respost a
d o
Conselh o
d e
Estad o
e m 2 3 d e
feuereir o
636 .
O Conselh o
d e
Estad o
s e
conform a
c õ a
Mes a
d a
Cons -
ciênci a emquant o
á
fabric a
d o
corp o
d a
Igreia .
E quant o
á
capell a
mo r
parec e
qu e na õ s e
gastand o
na s
obra s
d a Se e d e
Congo , com o
s e
refere ,
o s
trezento s
mi l
rei s
aplicado s par a ellas ,
s e
aplique m
á
capel a
mo r d a
matri z
d e
sa õ Paul o
d e
Loanda .
E
e m
cas o
qu e s e
gaste m
e m
Congo ,
s e
faç a
a
obr a
d a
capell a
d o
procedid o
d o
direit o
d e
dou s
mi l
rei s
e m
cad a pip a
d e vinh o
qu e s e
puzera õ
( 1 ) e m
temp o
d o
gouernado r Ferna õ
d e Souza .
Co m
o qu e Su a
Altez a
s e
conformou .
Francisc o
d e
Lucena .
AT T —
Mesa
da
Consciência
e
Ordens,
liv . 34 , fl . 7 v .
(* ) N o
original : prezeraõ .
352
9 5
REQUERIMENT O D E FRE I MATEU S D E S . FRANCISC O
(8-4-1636 )
SUMÁRI O — Que se veja e consulte no Conselho da Fazenda o reque-
rimento de Frei Mateus de S. Francisco, da Terceira
Ordem da Penitência, em que fede se lhe dê o costu-
mado viático fara a viagem que frojecta a Angola, com
sete súbditos — Resfosta do Conselho da Fazenda.
Senho r
Di z o Padr e fre i Matheu s d e Sa õ Francisco , Religioz o d a
Terceir a Orde m d o seraphíc o P. e S . Francisco , qu e send o elleit o
n o capitóli o próxim o passad o po r ministr o d o conuent o d e Sa õ
Josep h d e Loanda , Rein o d e Angola , lh e fora õ nomeado s set e
subditto s par a ir e e m su a companhia , par a naquella s parte s
seruire m a Deu s & a Voss a Magestad e na s conquista s qu e s e
faze m contr a o s infiéi s e n o pou o aond e uiuem . E po r sere m
pobres , V . Magestad e fo i seruid o fazerlh e esmoll a d e lh e man -
da r da r o uiatic o costumad o par a su a embarcaçã o e mantimento s
e outra s couza s per a a iornada , d e qu e s e lh e passarã o prouisõi s
qu e te m corrente s co m o s despacho s necessário s d o concelh o d a
fazenda . E prezentand o o s a o thezoureir o mayo r lh e na õ defer e
a se u pagament o po r dize r qu e na õ te m dinheiro . E po r orde m
d e V . Magestad e fa s o Docto r Paul o d e Carualh o ezecuçõis , da s
quai s proced e dinheir o qu e deu e á arqua .
Ped e a V . Magestade , uíst o na õ manda r naui o po r orde m
d e su a fazend a a o ta l Rejn o e o s d e partes , e m qu e elle s oradore s
pode m ir , estare m a piqu e per á s e partirem , sei a seruid o man -
da r a o thezoureir o máyo r qu e "co m effeit ó e sèrr i dilaçã o lh e
35 3
2 3
pagu e
a
dit a conti a
qu e na s
dita s prouizõi s consta ,
o u a
entregu e
ao s thezoureiro s
a
que m cabe , per a
s e
podere m auia r
da s cou -
za s necessária s per a
a
uiagem ,
d o
dinheir o
qu e
cahi r
da s
ditta s
ezecuçõis , entregandolh o
o
ditt o Paull o
d e
Carualho .
E
rece -
bend o esmol a
E . M .
[Ã margem] :
Orden a
S . A . qu e s e
vej a
e
consult e
n o
Con -
selh o
d a
Fazenda . Lisboa ,
8 d e
Abri l
1636 .
[Com outra letra] :
Respond a
o
tizoureir o
mor .
Lisboa ,
1 2
d e abri l
1636 .
(Cinco Rubricas)
Nã o
h á
narqu a dinheir o
co m qu e s e
poss a paga r
ao s sup -
plicantes ;
o qu e di z qu e s e
arrequad a
po r
orde m
d o
douto r Paul o
d e Carualho , del e mando u
V .
Magestad e paga r
a
outro s Reli -
giozo s
e
Arcebisp o
d e Go a e s e
ouuess e mai s dinheir o dest a
calidad e
po r
arrequadar ,
na õ s e m e
of[e]ress e duuid a algum a
a
V .
Magestad e manda r paga r dele .
V .
Magestad e mandar á
o
qu e fo r
seruido .
E m
Lisboa ,
a 1 3 d e
abri l
d e 636 .
Antoni o
d a
Silua .
O Douto r Paull o
d e
Carualh o declar e
s e te m
alg ú dinheir o
po r cobra r
ó u
cobrad o
d e qu e s e
poss a faze r est a despesa . Lis -
boa ,
1 1 d e
abri l
636 .
(Três Rubricas)
Algu m dinheir o falt a aind a
po r
cobra r
d e que ,
cobran -
dosse ,
s e
poder á faze r algu m pagament o neste s religiosos ,
ma s
354
duuid o
qu e
sei a
co m a
press a
qu e a
elle s
h é necessário . V . Ma -
gestad e
mandar á o qu e
o[u]ue r
po r se u seruiço .
Lisboa , Abri l
13 ,
636 .
Paul o
d e
Carualho .
Consult a
qu e s e lh e
pag[u] e
o
dinheir o
qu e
entra r
n a
arqua , hor a sej a
d o qu e
cobra r
o
douto r Paul o
d e
Carualho ,
hor a
d e
outr o qualque r
qu e
ouue r mai s pronto , uist o
qu e
este s
padre s
ua õ
par a Angol a
e n
seruiç o
d e S .
Magestade . Lisboa ,
1 8
d e
abri l
1636 .
(Cinco Rubricas dos Conselheiros da Fazenda)
NOTA
— O document o nã o est á datado . Damos-lh e a dat a d o
primeir o despacho .
AH U
—
Angola,
cx . 2 .
35 5
9 6
CONSULT A D O CONSELH O D A FAZEND A
(22-4-1636 )
SUMÁRI O — Versa a entrega do dinheiro para viático a Frei Mateus
de S. Francisco e sete companheiros, da Ordem Terceira.
Po r orde m d o Gouern o vei o remetid a a est e Conselh o hu a
petiçã o d o Padr e fr . Matteu s d e Sa õ Francisco , Religioz o d a
Terceir a Orde m d o Seraphic o Padre , qu e s e uiss e e consultass e
o qu e parecesse , e m a qua l di z que , send o ell e supplicant e
elleit o n o Capitóli o próxim o passad o po r ministr o d o conuent o
d e Sa õ Josep h d e Loanda , Reyn o d e Amgola , lh e fora õ nomea -
do s sett e súbdito s par a ire m e m su a companhia , par a naquella s
parte s seruire m a Deu s e a V . Magestad e na s conquista s qu e
s e faze m contt a o s infiéi s e n o pou o aond e uiuem ; e po r sere m
pobre s V . Magestad e fo i seruid o fazerlh e esmoll a d e lh e man -
da r da r o viatic o custumad o par a su a embarcaçã o e mantimen -
to s e outra s couza s par a a jornada , d e qu e s e lh e passarã o proui -
zoê s qu e te m corrente s c õ o s despacho s necessário s dest e Con -
selho , e qu e prezentand o o s a o thezoureir o mor , lh e nã o defe -
ri u (* ) se u pagament o po r dize r qu e na õ tinh a dinheir o e po r
orde m d e V . Magestad e faze r o Doucto r Paul o d e Carualh o
execuçõe s da s quai s proced e dinheir o qu e deu e d e ui r á arca .
Ped e a V . Magestade , vist o na õ manda r naui o po r orde m
d e su a rea l fazend a a o ta l Reyn o e o s d e partes , e m qu e elle s
oradore s pode m ir , estate m a piqu e par a s e partirem , sej a V . Ma -
gestad e seruid o manda r a o thezoureir o mo r qu e c õ effeit o e
se m dillaça õ lh e pagu e a ditt a quanti a qu e da s ditta s prouizoé s
consta , o u enttegu e a o thezoureir o a qu e cabe , par a s e podere m
N o original : defereu .
35 6
ama r
da s
couza s
necessária s
par a
a
uiagem ,
d o
dinheir o
qu e s e
arrecada r
da s
dita s execuções , entregandolh o par a est e effeit o
o ditt o Paul o
d e
Carualho .
Po r despach o dest e Consselh o
s e
mando u respondess e
o
tehezoureir o
mor , qu e
satisfez , dizend o
qu e n a
arc a
na õ
haui a
dinheir o
c õ qu e s e
pudess e paga r
ao s
supplicante s
e o qu e
dize m
qu e
s e
arrecad a
po r
orde m
d o
Douto r Paul o
d e
Carualho , dell e
mandar a
V .
Magestad e paga r
a
outro s Relligiozo s
e a o
Arce -
bisp o
d e Go a e s e
ouuess e
mai s
dinheir o dest a callidad e
po r
arrecadar ,
na õ s e lh e
offereci a duuid a algü a
a V .
Magestad e
lh e manda r paga r dell e
e V .
Magestad e mandari a
o qu e
foss e
seruido .
£
po r
outr o despach o dest e Conselh o
s e
mando u
a o
Douto r
Paul o
d e
Carualh o declarass e
s e
tinh a alg ú dinheir o
pe r
cobrar ,
o u cobrado ,
d e qu e s e
pudess e faze r est a despesa .
Responde o
qu e
algu m dinheir o haui a aind a
po r
cobrar ,
d e
que , cobrandosse ,
s e
poderi a faze r pagament o
a
este s Religiozos ,
ma s duuidau a
qu e
foss e
c Õ a
press a
qu e a
elle s
lh e er a
necessá -
rio , e V .
Magestad e mandari a
o qu e
ouuess e
po[r ] se u
seruiço .
Parece o deu e
V .
Magestad e
se r
seruid o manda r
qu e s e
pagu e
a
este s Religiozo s
d o
dinheir o
qu e
entta r
n a
arca ,
d o qu e
cobra r
o
Douto r Paul o
d e
Carualho ,
o u d e
outr o qualque r
qu e
ouue r mai s pronto , vist o ire m este s padre s par a Amgoll a
( 2 ) e n
seruiç o
d e
Deu s
e d e V .
Magestade .
Lisboa ,
2 2 d e
Abri l
d e 636 . / /
O Cond e President e
/
Thoma s
d e
Ybi o Caldero n
/
Joa õ
Sanche s
/
Francisc o Leitaõ .
[Ã margem]:
Com o parece .
E m
Lisboa ,
3 0 d e
Abri l
d e
636 .
/ /
A Princeza .
AH U — Cód . 41 , fls .
104-10 4
v .
( 2 ) N o
original : Emgolla .
357
97
NOMEAÇÃ O D O DEÃ O D A S É D O CONG O
(30-4-1636 )
SUMÁRI O
— Trata das consultas sobre a nomeação do Deão da Sê do
Congo, for falecimento de Valentim de Morais.
E m Cart a d e S . Magestad e d e 3 0 d e Abri l d e 63 6
ViraÕs e dua s consulta s d a Mez a d a Consciênci a e Ordens ,
qu e m e emuiate s n o Corre o d e 1 3 d o prezente . / /
Hu ã reformad a e outr a qu e s e m e fe z e m 2 6 d e feuereir o
dest e ann o prezente , sobr e o prouiment o d a dignidad e d e
Dea õ d a Se e d e Congo , Rein o d e Angolla , qu e est á uag a po r
faleciment o d e Valenti m d e Moraíz . E porqu e nell a s e na õ
consult a mai s qu e a Lui z Figueira , hauendoss e m e d e propo r
trê s pessoas , conform e a orde m qu e tenh o dado , ordenarei s
qu e ass y s e faça , aind a qu e seia Õ d e for a do s qu e a pretendem .
Declarandoss e n a consult a a s parte s e sufficienci a qu e te m cad a
hum , aduertind o qu e a primeir a consult a qu e di z m e fe z a
Mez a d a Consciência , sobr e est e particular , na Õ ue o quá .
Migue l d e Vasconsello s e Brito .
AT T — Mesa da Consciência e Ordens, liv . 34 , fl . 13 .
NOTA
— O assunt o voltav a a debat e mese s mai s tarde , se m qu e
tenh a ficad o aind a resolvido , com o const a d o document o seguinte :
358
E m cart a d e S . Magestad e d e 2 7 d e nouembr o
636 .
N o despach o d e oit o d o prezente , emuiaste s tre s consulta s d a Mes a
d a Consciênci a e Ordens . [... ] E a outr a sobr e a dignidad e d e Deã o d a
Se e d e Congo , Rein o d e Angolla , qu e est á uaga . E porque nell a na õ
viera õ proposta s tre z pessoa s par a est a dignidade , com o mande y po r
cart a d e 3 0 d e Abri l dest e ann o prezente , he y po r be m qu e e m confor -
midad e d a mesm a Carta , s e faç a nou a consult a d a matéria , qu e m e
emuiarey s co m uoss o parecer .
Migue l d e Vasconsello s e Britto .
AT T — Mesa da Consciência e Ordens, liv . 34 , fl . 33 v .
359
sent e
n a
form a
qu e s e
aponta , pod e
vi r a se r d e
grand e vtili -
dad e
e
benefici o
a o
seruiç o
d e V .
Magestad e
e te r
content e
est e
Rej ,
par a
o s
sucesso s
qu e
pod e acontecer .
V .
Magestad e
mandar á proue r
e m
tud o com o mae s
fo r
seruido .
Lisboa ,
2 0 d e
Maj o
d e 636 .
[Rubric a
d e
Francisc o
d e
Vasconcelos ]
[Parecer do Conselho] :
Pareçe o
a o
Conselh o
s e
deue m
da r graça s
a o Re y d e
Cong o com o
o
supplicant e apponta ,
e
s e lh e
mand e
hu ã
espada ,
e hu a
adaga ,
hu a
cadeir a
d e velud o
d e cor ,
chape o branco ,
e hu ã
cap a
d e Goa , e
dua s
pipa s
d e
vinho , par a
se u
regalo ,
qu e
ser á
d e
estim a
e
resultar á
e m vtilidad e
d o
seruiç o
d e V .
Magestade ,
e qu e
ist o deu e
hi r
log o
n a
primeir a embarcação ,
po r
toda s
a s
rezoé s referida s
n o
pape l
qu e de u
Diog o Lope s
d e
Faria .
(Cód . 50 4 d o
Conselh o
Ultramarin o
fl . 20 3 v.°) .
AH U —
Angola,
cx . 2 . 3
366
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