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Monumenta Missionaria Africana. Volume 8. África Ocidental (1631-1642)

Brásio, António (org.)

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MONUMENT A MISSIONARI A AFRICAN A ÁFRIC A OCIDENTA L (163 1 - 1642 ) COLIGID A E ANOTAD A PEL O PADR E ANTÓNI O BRÁSI O C . S . Sp . VOL . VII I AGÊNCIA GERAL DO ULTRAMAR LISBO A / MCML X MONUMENT A MISSIONÁRI A AFRICAN A MONUMENT A MISSIONARI A AFRICAN A ÁFRIC A OCIDENTA L (163 1 - 1642 ) COLIGID A E ANOTAD A PEL O PADR E ANTÓNI O BRÁSI O C . S . Sp . VOL . VII I AGÊNCIA GERAL DO ULTRAMAR LISBO A / MCML X N O V CENTENÁRI O D A MORT E D O INFANT E D . HENRIQU E E M SE U TRON O ENTR E O BRILH O DA S ESPERAS , CO M SE U MANT O D E NOIT E E SOLIDÃO , TE M AO S PÉ S O MA R NOV O E A S MORTA S ERAS , O ONIC O IMPERADO R QU E TEM , DEVERAS , O GLOB O MUND O E M SU A MAO . FERNAND O PESSO A — Mensagem — 193 4 INTRODUÇà O S ÃO já decorridos quatro anos sobre a publicação do VII volume desta Série documental. Outros afazeres urgen- tes e inadiáveis, mas sobretudo a publicação do decreto n.º 41.407, de 28 de Novembro de 1957, determinaram que só agora, e após a publicação do decreto n.° 42.176, de 5 de Março de 1959, do actual titular da pasta do Ultramar, Sr. Contra-Almirante Lopes Alves, seja possível retomar-se o ritmo de publicação, ansiosamente aguardada pelos historiado- res africanos, especialmente os estrangeiros. A verba resultante da venda do original, que se some na investigação — o Leitor o pode avaliar pelas cotas do presente volume — não deixa ao autor qualquer lucro pecuniário. É um trabalho de pura e total devoção científica, cujo lucro reverte inteiramente em proveito de Portugal, das Missões Católicas, da África crista, da Igreja. Trabalhar com este desinteresse material e com esta isen- ção por Portugal, pelas Missões Católicas, pela África cristã, pela expansão da Igreja, recordando aos homens de estudo as gestas empolgantes dos governos e dos missionários do passado, constitui recompensa que materialmente se não pode dar. Não nos tem faltado o estímulo da crítica desempoeirada, objectiva, vinda especialmente do estrangeiro, por vezes posi- tivamente encorajadora acima de toda a suspeita. Está neste caso a recensão feita pelas revistas Misione s Estranjera s de Burgos, Revist a d e Derech o Canónic o de Salamanca, Missionali a His - panic a de Madrid, Aequatori a do ex-Congo Belga, Archivu m I X Historicu m da Companhia de Jesus, de Roma, Brotéria , etc. Os elogios dispensados ao autor e à obra dirigem-se sempre, tam- bém, à Editorial, ao Governo português, à própria Nação. * Neste volume publica-se um recheio rico e importante de arquivos estrangeiros, particularmente do Arquivo da Propa- ganda Fide. Para o período inicial da Missões dos Padres Capu- chinhos, como já o fizemos para os Padres Jesuítas e Carme- litas, procurámos — embora conscientes de o não havermos conseguido — estampar todo s os papéis que os arquivos que rebuscámos nos ofereceram. Cremos que nunca se tenha publi- cado em conjunto, acervo tão notável, em número e qualidade, de documentos acerca das missões dos Padres Capuchinhos, respeitantes ao período abrangido por este volume. A contri- buição da Propaganda Fide figura aqui, naturalmente, em pri- meiro lugar. Outros documentos de primarcial importância, quer para o estudo da ambiência social e política em que se desenvolveu a acção missionária, quer para aquilatar a acção especificamente apostólica, são dados à estampa. Recordemos dois relatórios do Bispo do Congo e Angola ã Congregação do Concílio, os três relatórios do Padre Pedro Tavares, S. J., as cartas do ex-Gover- nador Fernão de Sousa, os Processos da Consistorial, as cartas de Peiresc, as cartas dos Jesuítas, as cartas ao Rei do Congo, uma carta do Rei do Congo ao Conde Maurício de Nassau, etc. X Evidentemente que à medida, que vamos avançando, mercê de uma actividade apostólica mais vasta e mais intensa, a cor- respondência dos missionários, dos bispos, das autoridades inte- ressadas — eclesiásticas e civis — torna-se mais frequente e excessivamente se amontoa. Publicá-la toda? Só quem desconhece pessoalmente o problema o poderá exigir. Seria um nunca mais acabar e nesta empresa há que atender a todos os dados do problema. Dois são de suma e primária importância: não esper ramos viver os anos de Matusalém e este ponto ê para nós — como aliás para o Leitor — nada despiciendo; não sabemos até quando, nem em que medida, poderemos contar com aquela generosidade, entusiasmo e estímulo que recebemos, quando em 1952 nos lançámos ao trabalho. Obras desta natureza não se fazem apenas com boa-von- tade, com sacrifício de saúde e de anos de vida, coisas bastante somenos, parece, e em que ninguém atenta. Obras desta natu- reza requerem estímulo mais que de palavras — e mesmo estas tantas vezes se regateiam — pois exigem dinheiro: dinheiro para a edição, que é dispendiosa e dinheiro para a investigação, que ninguém paga... Tentámos um dia — bem fraca lembrança — resolver o pro- blema da investigação, solicitando do Instituto de Alta Cultura uma modesta verba que nos permitisse, naturalmente dentro da orgânica geral daquela instituição do Estado, realizar o plano dos «Monumental, plano que aliás nos foi solicitado para exame. Recebemos a penosa e inesperada resposta de que não X I er a possíve l atender a nossa modesta pretensão... A outras portas já receamos bater, porque todos a elas batem, como seja a da benemérita Fundação Gulbenkian, se bem que se trate, no dizer da crítica livre estrangeira, feita por homens que o autor não tem a honra de conhecer — o que lhe dá, exactamente, todo o valor — de uma obra cultural que honra Portugal. Este é o estado da questão, prezados Leitores. Daí resulta que a publicação dos «Monumenta Missionaria Africana», está sujeita a este condicionalismo precário, que não é da responsa- bilidade do autor. Daí resulta que aquele ritmo constante de volumes a que o Leitor se habituara, tem sofrido contratempos e nada faz esperar que eles não continuem. * A crítica geralmente séria, objectiva — e no pensar do autor, que não desconhece as deficiências do seu trabalho, gene- rosa — merece-nos um ou outro esclarecimento. Fazendo con- fiança pessoal na precisão, objectividade e acerto da escolha dos documentos, quando afirmámos que temos de seleccionar a documentação do século XVII, devido a ser excessiva, D. Man- silla escreveu em Misione s Estranjera s de Burgos, em Julho- -Dezembro de 1957: «aunque quedará en no poços la duda de si la colección presentada será lo debidamente completa». Não receamos afirmar que «completa» não o será, porque temos a consciência, que todo o investigador certamente tem, XI I SIGLA S E ABREVIATURA S SIGLA S E ABREVIATURA S AG S Arquiv o Gera l d e Simanca s — Valhadoli d AH U Arquiv o Históric o Ultramarin o — Lisbo a AP F Arquiv o d a Propagand a Fid e — Rom a APR C Arquiv o d a Provínci a Roman a do s Capu - chinho s — Rom a ARS I Arquiv o Roman o d a Companhi a d e Jesu s — Rom a AT T Arquiv o d a Torr e d o Tomb o — Lisbo a A V Arquiv o d o Vatican o — Rom a BAD E Biblioteca e Arquiv o Distrita l — Évor a BA L Biblioteca d a Ajud a — Lisbo a B C Biblioteca Casanatens e — Rom a BN L Biblioteca Naciona l — Lisbo a BN M Bibliotec a Naciona l — Madri d BN P Bibliotec a Naciona l — Pari s BU C Bibliotec a d a Universidad e — Coimbr a CP Colecção Pombalina — (BNL ) Ar m Armári o Ca p Capítul o CC Corpo Cronológico — (ATT ) Cf r Confer e o u Confir a Co d Códic e C - S . S p [da ] Congregaçã o d o Espírit o Sant o c x caix a doc , docs., documento , documentos . F - G Fund o Gera l fl - fl s fólio , fólios . F r Fre i XXII I Li v Livr o Mon s Monsenho r Ms. , Mss. , Manuscrito , Manuscrito s Obr. cit., Obra citada pág. , pág s página , página s P. e Padr e R . S Rea l Senhori a e Reverênci a Su a s. / d / se m dat a SRCG Scritture Ricevute nelle Congregazioni Ge- nerali — (APF) . S . J [da ] Companhi a d e Jesu s V . Il. m a Voss a Ilustríssim a V . M Voss a Merc ê VV . M M Vossa s Mercê s V . P Voss a Paternidad e V . P . R Voss a Paternidad e Reverendíssim a V . R Voss a Reverênci a V . S . Il. ra a Voss a Senhori a Ilustríssim a Vi d Vid e / Indic a passage m d e fóli o / / Indic a abertur a d e parágraf o n o texto . [... ] Indic a falt a d e text o original , o u text o pre - sumid o XXI V ÍNDIC E N.º Pág . 1 — BADE-Cód . 116/2/4 : Cart a d o Padr e Joã o Caramu - jeiro . 1 d e Janeir o d e 163 1 3 2 — AP F - Memoridi, 391 : Súplic a do s Vigário s d a Min a a o Papa . 2 5 d e Fevereir o d e 163 1 4 3 — ARS I - Lus., Cód . 74 : Cart a d o Padr e Migue l Afons o a o Gera l d a Companhi a d e Jesus . Sunde , 6 d e Març o d e 163 1 6 4 — APF-Lettere Volgari, 11 : Cart a d a Congregaçã o d a Propagand a Fid e a o Núnci o e m Espanha . Roma , 8 d e Març o d e 163 1 8 5 — ARSI-Lus., Cód . 55 : Cart a d o Re i d o Congo.D . Álvar o I V a o Reito r d o Colégi o d e Luanda . Cidad e d o Salva - dor , 13-3-163 1 9 6 — ARS I - Goa, 40 : Relatóri o d e D . Fre i Francisc o d o Sove - ra l n a visit a a d «Sacr a Límina» . Luanda , 1 d e Abri l d e 163 1 1 1 7 — ARS I - Lus., Cód . 55 : Cart a d o Padr e Pedr o Tavare s a o Reito r d o Colégi o d e Luanda . Bengo , 8 d e Junh o d e 163 1 2 6 8 — APF -SRCG, 99 : Cart a d o Colecto r Apostólic o a o Car - dea l Ludovisi . Lisboa , 1 4 d e Junh o d e 163 1 4 1 9 — APF-SflCG , 99 : Relaçã o d a Cost a d a Mina . 1 4 d e Junh o d e 163 1 4 4 1 0 — ARS I - Lus., Cód . 55 : Cart a d o Padr e Pedr o Tavare s a o Reito r d o Colégi o d e Luanda . Bengo , 2 d e Agost o d e 163 1 4 7 1 1 — ARS I - Las., Cód . 74 : Cart a d o Padr e Simã o d e Aguia r a o Gera l d a Companhi a d e Jesus . Luanda , 1 2 d e Agos - t o d e 163 1 5 6 XXVI I N.º Pág . 1 2 — BADE-Cód . 116/2/4 : Missã o d o Padr e Pedr o Tavares . 2 0 d e Agost o d e 163 1 5 8 1 3 — APF-Lettere Volgari, 11 : Cart a d a Propagand a Fid e a o Colecto r e m Portugal . Roma , 2 0 d e Setembr o d e 163 1 6 0 1 4 — ARSI-Lus., Cód . 55 : Cart a d o Padr e Pedr o Tavare s a o Reito r d o Colégi o d e Luanda , 1 4 d e Outubr o d e 163 1 6 1 1 5 — AP F -SRCG, 74 : Cart a d o Colecto r Apostólic o a o Car - dea l Bórgia . Lisboa , 1 d e Novembr o d e 163 1 8 2 1 6 — AP F - Lettere Volgari, 11 : Cart a d a Propagand a a o Colec - to r Apostólico . Roma , 2 0 d e Novembr o d e 163 1 .. . 8 4 1 7 — AP F - Acta, 7 : Missã o Franciscan a a o Rein o d o Congo . 2 5 d e Novembr o d e 163 1 8 6 1 8 — BNM-Ms . 3 . 818 : Decret o d a Propagand a Fid e ao s Su - periore s Regulares . 2 5 d e Novembr o d e 163 1 8 7 19 — APF-Lettere Volgari, 11 : Cart a d a Propagand a Fid e a o Colecto r Apostólico . Roma , 3 d e Dezembr o d e 163 1 8 9 2 0 — BAL-Ms . 51-VIII-31 : Informaçõe s d e Fernã o d e Sous a a el-Rei . Lisboa , 7 d e Dezembr o d e 163 1 9 1 2 1 — ARSI-Lus. , Cód . 74 : Cart a d o Padr e Jerónim o Vogad o a o Gera l d a Companhi a d e Jesus . Angola , 8 d e Dezem - br o d e 163 1 10 1 2 2 — APF -Letter e Volgari, 12 : Cart a d a Propagand a Fid e a o Colecto r Apostólico . Roma , 3 1 d e Janeir o d e 163 2 .. . 10 6 2 3 — APF-Lettere Volgari, 7 : Cart a d a Propagand a Fid e a o Colecto r Apostólico . Roma , 1 2 d e Fevereir o d e 163 2 .. . 10 7 2 4 — Inscriçã o sepulcra l d e Mons . Vive s (1632 ) 10 8 2 5 — ARS I - Lus., Cód . 79 : Cart a d o Padr e Gonçal o Joã o a o Padr e Nun o Mascarenhas . Rein o d e Angola , 1 0 d e Fevereir o d e 163 2 10 9 2 6 — A V - Nunziatura di Portogallo, 21 : Cart a d o Colecto r Pontifíci o a o Secretári o d e Estado . Lisboa , 1 4 d e Fe - vereir o d e 163 2 11 1 2 7 — Bal-Ms . 51-VIIL31 : Relaçã o d a Cost a d e Angol a e Cong o pel o ex-governado r Fernã o d e Sousa . Lisboa , 2 1 d e Fevereir o d e 163 2 11 3 2 8 — BAL-Ms . 51-VHI-31 : Relaçã o d e Fernã o d e Sous a a el-Rei . Lisboa , 2 3 d e Fevereir o d e 163 2 13 1 2 9 — BAL-Ms . 51-VIII-31 : Relaçã o d e Fernã o d e Sous a a el-Rei . Lisboa , 2 d e Març o d e 163 2 15 6 3 0 — AV -Nunziatura di Portogallo, 21 : Cart a d o Colecto r XXVII I Apostólic o a o Secretári o d e Estado . Lisboa , 2 7 d e Març o d e 163 2 164 3 1 — A V -Nunziatura di Portogallo, 21 : Cart a d o Colecto r Apostólic o a o Secretári o d e Estad o 16 5 3 2 —BADE-Cód . 116/2/4 : Acçã o d o Sant o Ofíci o e m Angola . 4 d e Abri l d e 163 2 '6 7 3 3 — AP F — SRCG, 74 : Cart a d o Colecto r Apostólic o a o Se - cretári o d a Propaganda . Lisboa , 3 0 d e Abri l d e 163 2 16 8 3 4 — BAL-Cód . 51-VIII-31 : Proviment o espiritua l d e Ma - çangano . Lisboa , 2 3 d e Junh o d e 163 2 17 0 3 5 — BAL-Ms . 51-VIII-31 : Informaçã o d e Fernã o d e Sous a a el-Rei . Lisboa , 2 9 d e Julh o d e 163 2 17 3 3 6 — AP F -SRCG, 103 : Cart a do s Padre s Capuchinho s à Pro - pagand a Fide . Madrid , 1 5 d e Setembr o d e 163 2 17 9 3 7 — ARS I - Lus.., Cód . 55 : Cart a d o Padr e Domingo s Lou - renç o sobr e a Missã o d o Dongo . 4 d e Outubr o d e 163 2 18 1 3 8 — AP F - SRCG, 103 : Relatóri o d o Vigári o d a Min a à Pro - pagand a Fide . Mina , 1 3 d e Outubr o d e 163 2 18 5 3 9 — BAL-Ms . 51-VI.II-31 : Informaçã o d e Fernã o d e Sous a à Mes a d a Consciênci a e Ordens . Lisboa , 1 7 d e Outu - br o d e 163 2 18 8 4 0 — BAL-Ms . 51-VIII-31 : Informaçã o d e Fernã o d e Sous a à Mes a d a Consciênci a e Ordens . Lisboa , 1 8 d e Outu - br o d e 163 2 19 0 41—BAL-Ms . 51-VIII-31 : Informaçã o d e Fernã o d e Sous a a el-Rei . Lisboa , 2 0 d e Outubr o d e 163 2 19 4 4 2 — ARS I - Lus., Cód . 55 : Cart a d e D . Alvar o I V Re i d o Cong o a o Gera l d a Companhi a d e Jesus . Congo , 2 5 d e Outubr o d e 163 2 19 9 4 3 — A V - Processus Consistorialis, 33 : Promoçã o d o Bisp o d e S . Tom é D . Fre i Antóni o Nogueira . Tomar , 2 5 d e Outubr o d e 163 2 20 1 4 4 — A V - Processus Consistorialis, 33 : Provança s d e D . Fre i Antóni o Nogueir a par a Bisp o d e S . Tomé . 4 d e No - vembr o d e 163 2 20 3 4 5 — AV -Processus Consistorialis, 33 : D o Estad o d a Diocess e d e S . Tomé . 1 0 d e Novembr o d e 163 2 20 9 4 6 — BC-Ms . 2681 : Relaçã o d a Cristandad e d a Mina . (1632 ) 21 4 4 7 — ARS I - Lus., Cód . 74 : Cart a d o Reito r d o Colégi o d e XXI X N. ° Pág . Luand a a o Padr e Gera l d a Companhi a d e Jesus . An - gola , 3 0 d e Janeir o d e 163 3 21 8 4 8 — AP F - SRCG, 103 : Cart a d o Colecto r Apostólic o à Pro - pagand a Fide . Lisboa , 3 0 d e Abri l d e 163 3 22 3 4 9 — AP F - Memoriai, 393 : Missionário s Capuchinho s Ita - liano s par a a s Missõe s d a Guiné . Roma , 1 3 d e Mai o d e 163 3 22 5 5 0 — BAL-Ms . 51-VIII-31 : Relaçã o d e Fernã o d e Sous a a el-Rei . Lisboa , 1 4 d e Junh o d e 163 3 22 7 5 1 — AT T - Cartório dos Jesuítas, 69 : Cart a d o Irmã o Antóni o Francisc o a o Procurado r d o Colégi o d e Sant o Antão . Luanda , 2 0 d e Junh o d e 163 3 23 4 5 2 — BNM-Ms . 3.014 : Cart a Régi a a Francisc o d e Lucena . Madrid , 2 4 d e Junh o d e 163 3 23 5 5 3 — ÀRS I - Lus., Cód . 74 : Cart a d o Padr e Gonçal o d e Sous a a o Gera l d a Companhi a d e Jesus . Luanda , 2 5 d e Junh o d e 163 3 23 7 5 4 — ÀP F _ Lettere Volgari, 13 : Cart a d a Propagand a Fid e a o Provincia l d a Normandia . Roma , 2 5 d e Junh o d e 163 3 24 0 5 5 — AHU - Angola, cx . 1 : Cart a d o Padr e Gonçal o d e Sous a e m nom e d a Câmar a d e Luanda . Luanda , 6 d e Junh o d e 163 3 24 1 5 6 — AP F -SRCG, 103 : Cart a d o Padr e Fre i Gaspa r d e Sori a a o Prefeit o d a Propagand a Fide . Madrid , 8 d e Julh o d e 163 3 24 5 5 7 — AP F -Acta, 8 : Cristandad e d e S . Jorg e d a Mina . 2 9 d e Agost o d e 163 3 24 7 5 8 — BN L - CP, 645 : Consult a d a Mes a d a Consciênci a à Cart a do s Moradore s d ê Maçangano . [Lisboa] , 3 1 d e Janeir o d e 163 4 24 8 5 9 — P . APPOLINAIR E D E VALENCE : Cart a d e Peires c a o Padr e Gi l d e Loches . Aix , 1 3 d e Fevereir o d e 163 4 25 0 6 0 — BNM-Ms . 3.014 : Cart a Régi a a o Cond e Viso-Rei . Ma - drid , 8 d e Març o d e 163 4 25 7 6 1 —AT T -Cartório dos Jesuítas, 57 : Colégi o do s Jesuíta s e m Angola . 1 5 d e Març o d e 163 4 25 9 6 2 — BA L - Ms . 51-VIII-31 : Cart a d e Fernã o d e Sous a a el-Rei . Lisboa , 3 1 d e Març o d e 163 4 26 0 6 3 —P . APPOLINAIR E D E VALENCE : Cart a d e Peires c a Colombin o d e Nantes . Aix , 1 0 d e Abri l d e 1634.. . 26 3 XX X N.º Pág . 6 4 —P . APPOLINAIR E D E VALENCE : Cart a d e Peires c a o Padr e Gi l d e Loches . Aix , 1 7 d e Abri l d e 163 4 .. . 26 9 6 5 —BNM-Ms . 3.014 : Cart a Régi a a o Cond e Viso-Rei . Ma - drid , 3 d e Mai o d e 163 4 27 4 66 — AHU-5 . Tomé, cx . 1 : Cart a d o Capitã o d a Min a a el-Rei . Mina , 1 5 d e Mai o d e 163 4 27 6 6 7 —P . APPOLINAIR E D E VALENCE : Cart a d e Colom - bin o d e Nante s a Peiresc . Saint-Malô , 2 0 d e Junh o d e 163 4 17 8 6 8 — AHU-5 . Tomé, cx . 1 : Cart a d o Capitã o d e S . Tom é a el-Rei . S . Tomé , 6 d e Julh o d e 163 4 28 9 6 9 — AP F - Memoriai, 394 : Cart a d o Provincia l d a Bretanh a à Propagand a Fide . (1634 ) 29 1 7 0 — AP F - Memoriali, 394 : Decret o d a Propagand a Fide . 1 4 d e Julh o d e 163 4 29 3 71—P . APPOLINAIR E D E VALENCE : Cart a d e Peires c a Colombin o d e Nantes . Aix , 1 d e Agost o d e 163 4 .. . 29 5 7 2 — ARS I - Lus., Cód. 74 : Cart a d o Padr e Migue l Afons o a o Gera l d a Companhi a d e Jesus . Congo , 2 2 d e Agost o d e 163 4 30 1 7 3 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Cart a d o Governado r d e S . Tom é a el-Rei . S . Tomé , 2 4 d e Setembr o d e 163 4 30 3 7 4 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Cart a d o Capitão-Mo r d a Min a a el-Rei . Mina , 1 0 d e Outubr o d e 163 4 30 6 7 5 — AP F - Memoriali, 394 : Missã o d e Capuchinho s à Guiné . 2 1 d e Novembr o d e 163 4 30 9 7 6 — AP F - Acta, 10 : Fundaçã o d a Missã o d a Guiné . 2 1 d e Novembr o d e 163 4 31 0 7 7 — MICHAE L A TUGIO : Missã o do s Capuchinho s Francese s n a Guiné . Roma , 2 1 d e Novembr o d e 163 4 31 1 7 8 — AHU-5 . Tomé, cx . 1 : Cart a d a Câmar a d e S . Tom é a el-Rei . S . Tomé , 8 d e Janeir o d e 163 5 31 3 7 9 — AP F - Lettere Volgari, 15 : Cart a d a Propagand a Fid e a o Cardea l Palotto . Roma , 2 7 d e Janeir o d e 163 5 31 5 8 0 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Informaçã o d e Andr é d a Fonsec a a el-Rei . Lisboa , 2 d e Març o d e 163 5 31 6 8 1 —AHU-5 . Tomé, cx . 1 : Cart a a el-Re i sobr e a Mina . Lis - boa , 1 0 d e Març o d e 163 5 31 9 8 2 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Inquérit o à Min a e Ilh a d e S . Tomé . 1 7 d e Març o d e 163 5 32 1 XXX I 8 3 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Cart a d e Luí s Galvã o d e Lemo s a el-Rei . Lisboa , 1 7 d e Març o d e 163 5 32 7 8 4 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Cart a d o Governado r d e S . Tomé . 2 4 d e Març o d e 163 5 33 0 8 5 — BNM-Ms . 3.014 : Cart a Régi a à Princes a Margarida . Madrid , 7 d e Abri l d e 163 5 33 2 8 6 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Requeriment o d a Misericórdi a d e Lisboa . 2 9 d e Agost o d e 163 5 33 3 8 7 — AH U -S. Tomé, cx . 1 : Isençã o à Misericórdi a d e Lisboa . Lisboa , 6 d e Setembr o d e 163 5 33 5 8 8 — BUC-Ms . 459 : Igrej a d a Conceiçã o d e Luanda . Lisboa , 4 de Dezembr o d e 163 5 33 6 8 9 — A V - Acta Camerarii, 17 : Cédul a d o Bisp o d e S . Tom é D . Antóni o Nogueira . 1 7 d e Dezembr o d e 163 5 34 1 9 0 — ARS I - Lus., Cód . 74 : Cart a d o Padr e Migue l Afons o a o Gera l d a Companhi a d e Jesus . Congo , 3 d e Janeir o d e 163 6 34 2 91—AG S - Secretarias Provinciales, 1469 : Consult a d o Con - selh o d e Portuga l sobr e o socorr o d a Mina . 1 0 d e Ja - neir o d e 163 6 34 4 9 2 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Consult a d o Conselh o d e Estado . Lisboa , 1 6 d e Janeir o d e 163 6 34 8 9 3 — AH U - Cód . 41 : Consult a d o Conselh o d a Fazenda . Lisboa , 1 2 d e Març o d e 163 6 35 0 9 4 — AT T - Mesa do Consciência e Ordens, 34 : Consult a d o Conselh o d e Estad o sobr e a Matri z d e Luanda . 1 7 d e Març o d e 163 6 35 2 9 5 — AH U - Angola, cx . 2 : Requeriment o d e Fre i Mateu s d e S . Francisco . Lisboa , 8 d e Abri l d e 163 6 35 3 9 6 — AHU-Cód . 41 : Consult a d o Conselh o d a Fazenda . Lis - boa , 2 2 d e Abri l d e 163 6 35 6 9 7 — AT T - Mesa da Consciência e Ordens, 34 : Nomeaçã o d o Deã o d a S é d o Congo . 3 0 d e Abri l d e 163 6 35 8 9 8 — AH U - S. Tomé, cx . 1 : Alvar á Régi o a o Bisp o d e 5 . Tom é Lisboa , 7 d e Mai o d e 163 6 36 0 9 9 — AHU-Angola, cx . 2 : Cart a d e Joã o Mende s de Vas - concelo s sobr e a situaçã o polític a n o Congo . Lisboa , 7 d e Mai o d e 163 6 36 2 10 0 — AHU-Angola, cx . 2 : Situaçã o Polític a d o Rein o d o Congo . Lisboa , 2 0 d e Mai o d e 163 6 36 4 XXXI I ÍNDIC E DA S GRAVURA S 1 — Map a do s Reino s d o Congo , Angol a e Benguel a 1 6 2 — E l Re i D . Joã o I V 19 2 3 — Coroaçã o d o Re i d o Cong o 28 8 4—Fac-simile s da s assinatura s do s docs. n. ° 7 , 4 2 e 12 9 40 0 5—D . Danie l d a Silva , Cond e d e Sonh o (1641 ) 480 6 — O Re i d o Cong o d á audiênci a ao s Holandese s (1642 ) 56 0 MONUMENT A MISSIONARI A AFRICAN A ÁFRIC A OCIDENTA L (1631-1642 ) 1 (1 ) Distâncias . 3 CART A D O PADR E JOà O CARAMUJEIR O (1-1-1631 ) SUMÁRI O — Licença de ministério ao P. e Pedro Tavares, S. J. E u o P. ° Joã o Va z Caramugeiro , cur a e capellã o d e Noss a Senhor a d a Conceiçã o d a Quilunda , ond e assist o po r orde m d o Illustrissim o Senho r Bisp o Do m Francisc o Soueral : do u licenç a a o P. e Per o Tauare s d a Companhi a d e Jesvs , vist o o fruit o qu e fa z e te m feit o nest a freguezia , par a qu e poss a nell a e e m se u distritt o bautiza r e caza r negro s assy m forro s com o catiuos , qu e entr e nó s andão , christão s o u gentios . E n a mesm a conformi - dad e o poder á faze r c õ o s Soba s qu e estã o no s mesmo s limite s e outros y poder á faze r outro s quaesque r sacramento s qu e acaz o s e lh e offereçerem , po r entende r qu e niss o far á a Deu s e a su a estad e muito s seruiços . E ass y mai s lh a do u par a a s molhe - re s qu e n a su a igreij a d o Beng o s e quizere m desobriga r pel a obrigaçã o d a quaresma , qu e c õ se u èscritt o leuare i e m cont a po r respeit o do s longe s (1 ) e outro s inconveniente s qu e há . / / E m o primeir o d e Janeir o d e mi l e sei s cento s e trint a e hum . / / O P. e Cur a Joã o Va z Caramugeiro . BAD E — Cód . 116/2/4 , fl . 1 2 v. : Relação das Missões do P. Pedro Tanares em Angola. Est e document o encontra-s e cortad o n o manuscrito , certament e po r outr a mão , qu e nã o a d o Autor . 2 SÚPLIC A DO S VIGÁRIO S D A MIN A A O PAP A (25-2-1631 ) SUMÁRI O — Pedem ao Papa certos privilégios já anteriormente con- cedido aos Carmelitas, por estar afastado o Bispo. Beatíssim o Padr e L'Jsola , ò uer o terr a deli a Mina , sott o l a coron a d e Portu - gallo , giacend o i n remotissim e part i dell'jndie , e t no n tenend o Vescou o próprio , e t stand o molt o distant e quell o a l qual e s i ricorr e i n cas i d i necessit a co n difficolt à grande , spes a e t tempo . Supplican o pe r tant o humilment e V . Santit à l i Curati , e t Paro - ch i sott o quell a giurisdition e que nomine Mina etc, s i degn i concedergl i e t a suo i sucessor i i n perpetuum , ch e possan o dis - pensar e nell i cas i ch'i l Concili o Tridentin o conced e all i Vescou i ne l cap . 6 sess . 2 4 d e reformatione , i n quell e stess e manier e ch e V . Beatitudin e poc o temp o f à concess i all i Carmelitan i Scalz i ch e stan o i n Arábia , e t anc o ch e possan o ministrar e í l Sacrament o deli a Confirmatione , benedir e l i ornament i pe r l a Messa , e t consecrar e calici , e t pietr e d'Altare , ddeh e n e resultar a grand e seruiti o a su a diuin a Maest à e t consolation e spiritual e e t temporal e à que i populi , e t i l tutto , etc . No verso: Ail a Santit à d i Nostr o Signore . AP F — Memoriali, vol . 391 , fl . 3 6 e 4 5 v . NOTA — O assunt o fo i tratad o n a congregaçã o cardinalíci a d e 2 5 d e Fevereir o d o mesm o ano : Referent e eode m Eminentissim o Cardinal i Triuulti o instantia s Curatoru m Jnsula e Mina : i n partibu s Jndiaru m (sic), pr o facultatibu s 4 Missíonarioru m e t conferend i Sacramentu m Confirmationis , Sacr a Congregad o mandaui t scrib i Nunti o Hispaniaru m e t Collectori , u t d e Jnsul a pradict a e t Curati s e t numer o Christianoru m informatione s assuman t e t référant , suamqu e sententia m significen t circ a petitione s dictoru m Curatorum , except a ill a d e dict a facúltat e conferend i Sacra - mentu m Confirmationis . AP F — Acta, vol . 7 (1631) , fl . 3 1 v. , n.º 36 . 5 3 CART A D O PADR E MIGUE L AFONS O A O GERA L D A COMPANHI A D E JESU S (6-3-1631 ) SUMÁRI O — Tentativa dos Jesuítas -para passarem do Congo para a Etiópia — O duque de Sunde pede padres missionários. + Pa x Christ i Ao s 1 2 d e Junh o d e 163 0 m e mando u o P. e Jerónim o Vogado , Reito r d o Collegi o d a Loanda , co m o P. e Nicula o d e Fena l per a Congo ; e u per a h i m e aiunta r co m o P. e Joa õ d e Paiua , qu e n o Collegi o d e Cong o está , per a dah i continua - remo s a Missã o d e Ethiopia , e o P. e Nicula o d e Fena l per a fica r n o Collegi o d e Congo , ma s fo i Deo s noss o Senho r seruid o d e leua r per a s i a o dit o P. e Nicula o d e Fena l e m breue s dia s despoi s d e cheguaremo s a Congo , co m cui a mort e s e dilato u mai s noss a Missaõ , po r na õ fica r o P. e Duart e Vas , Reito r d o Collegi o d e Congo , s ó co m o jrmã o Sebastiã o Gonçaluez . / / Nest e comeno s mando u Do m Aluar o Afonso , Duqu e dest e Duquad o d e Sunde , e prim o delre i d e Congo , pedi r a o dit o Re i e m uaria s [ocasiões ] mu i encarecidamente , e iunta - ment e a o P. e Reito r Duart e Va s [par a lhe ] mandare m h ú padr e d a Companhi a per a o confessar , e a seu s vassalos , [po r hauer ] muit o temp o qu e caressia Õ do s sacramento s po r falt a d e sacer - dote ; mandoum e enta õ o P. e Reito r Duart e Va s a est a Missa õ d e Sund e co m o jrma õ Sebastiã o Gonçaluez , dizend o qu e pas - 6 sada s a s oitaua s d a Pásco a dest e present e ann o d e 1 63 1 ( 1 ) parteri a o P. e Joa õ d e Paiu a d e Cong o per a d e nou o [ ] per a continuaremo s a Missa õ d e Ethiopia . / / O jrma õ Sebastião Gonçaluez , me u companheiro , torna r s e h á per a Congo . O qu e agor a pess o a V . P . h é no s enco - mende , e mand e encomenda r muit o a Deo s noss o Senhor , e a su a Santíssim a Mã i a Virge m Senhor a nossa , per a qu e elle s no s encaminhem , e leue m n a su a guarda . Noss o Senhor , ett. ª / / Dest a banz a d e Sunde , 6 d e Març o d e 1 6 3 1 . / / dest e minim o súbdit o e filh o e m Christ o d e V . P. , e m cuio s santo s sacrafficios , e oraçõe s muit o m e encomendo . Migue l Afonso . ARS I — Lus., Cód . 74 , fl . 190 , doc. LXXVH . ( x ) E m 163 1 a Pásco a cai u e m 2 0 d e Abril . 7 4 CART A D A CONGREGAÇà O D A PROPAGAND A FID E A O NÚNCI O E M ESPANH A (8-3-163 O SUMÁRI O — Faculdades especiais pedidas pelos curas da Mina — A Propaganda Fide manda colher pormenorizadas informa- ções sobre o assunto. I Curat i dellTsol a deli a Mina , nell e part i d'Jndi a (1) , hann o supplicat o N . Signor e à uole r conceder e lor o e t à suo i successor i l e medesim e facolt à ch e d à à Vescou i i l Sacr o Con - cili o d i Trent o ali a sess . 24 , c . 6 , de reformatione, e ch e pos - sin o benedir e i parament i e consegra r calic i e pietr e d'Altare ; poich e pe r l a distanz a grand e de l Vescou o loro , dicon o no n pote r souuenir e agl'occorrent i bisogn i spirituali ; e perch e quest a Sacr a Congregation e à cu i S . Santit à h à rimess o i l sudett o memoriale , no n h à contezz a alcun a deli a sudett a Jsola , n e d e sudett i Curati , n e deli a uetit à d i bisogn i loro , n e de ' pregiudic i ch e s i potrebbon o far ' a l Vescouo , desider a ch e V . S . prend a d i tutt o ci ò deligent e informatione ; e de i numer o d e Christian ! ch e iu i s i trouano , significandol a po i ali a medesim a Sacr a Con - gregation e co l su o parer e intorn o ali e concession i ch e ne l sudett o memorial e s i domandano , et . / / Roma , 8 marz o 16 3 1 . AP F — Lettere Volgari, vol . 11 , fl . 2 6 v . (1 ) Ne m a Min a é um a ilh a ne m fic a na s parte s d a índia , com o é sabido . A s ciência s geográfica s estava m aind a n a infância.. . 8 5 CART A D O RE I D O CONG O D . ÁLVAR O I V A O REITO R D O COLÉGI O D E LUAND A (13-3-1631 ) SUMÁRI O — Falecimento de D. Ambrósio e eleição do novo Rei — Faz-se encomendar a Deus por intermédio dos Jesuítas — Pede mais padres missionários da Companhia. Pell o P. ° Reito r dest e Collegi o (1 ) ser á V . P . largament e emformad o d a mort e d o senho r me u ti o Re y Do m Ambrósio , e d o mai s qu e e m minh a Eleiçã o socedeo . Est a s ó seruir á per a pedi r a V . P . m e faç a emcomenda r a Deu s po r todo s o s Reli - gioso s dess e Collegi o per a qu e m e d ê graç a per a acerta r e m se u seruiço , e juntament e per a pedi r a V . P . met a muito s Reli - gioso s nest e Estado , qu e d e todo s t ê necessidade , estartd o cert o qu e achara m e m m y tod o o faúo r e bo a correspondênci a qu e per a ajud a d e exerçitar ê seu s ministério s fo r necessário . / / Dad a nest a minh a Cort e e Cidad e d o Saluado r ao s 1 3 d e març o d e 631 . Po r Do m Raphae l Afons o me u Secretari o e escriua õ d e minh a puridad e a fe z escreuer . Re y Do m Aluaro . ARS I — Lus., Cód . 55 , fl . 12 4 (cópia) . (1 ) A o Padr e Mateu s Cardos o sucede u n a reitori a d o Colégi o d e S . Salvado r d o Cong o o Padr e Migue l Afons o e e m 162 9 o Padr e Duart e Vaz . Retirand o doent e par a Luanda , e m 1631 , tomo u o carg o o Padr e Simã o d e Aguiar , experimentad o missionári o d o Dongo . A est e religios o s e refer e o present e documento . O Reito r d o Colégi o d e Luanda , a que m o Re i D . Álvar o I V escreve , er a o Padr e Jerónim o Vogado . 9 NOTA — O faleciment o d o re i Do m Ambrósio , a qu e s e refer e est e documento , for a po r vária s veze s anunciado. O Colecto r apostó - lic o Lourenç o Tramall o escrevi a a o Secretári o d e Estad o pontifíci o e m 1 2 d e Julh o d e 1631 : «I l Vescou o dAngol a scriu e co n letter e d e 3 1 d i Marzo , ch e ne l parti r dell e nau i er a giunt o auuis o ch e foss e mort o i l R è d i Congo , m à ch e no n s e teneu a pe r sicuro» . A V — Nunziatura di Portogallo, vol . 20 , fl . 159 . E m 1 0 d e Abri l d e 163 2 nov a cart a sobr e o mesm o assunto , a o mesm o Cardeal : «Co n l a nau e uenut a d'Angola , no n s' è intes o altr o d i nuou o d à quell e parti , seno n ch e no n s i er a uerificat a l a mort e de i R è d i Congo , ch e fù , sott o dubbio , scritt a co n l e letter e dellann o passato» . A V — Ibidem, vol . 21 , fl . 6 0 v . Finalmente , mai s d e u m an o depoi s d o passamento , é comunicad a a notíci a certa : «S i uerific ò l a mort e d i Do n Ambrosi o R è d i Congo , i n cu i luog o è success o u n giouinett o su o figlio» . A V — Ibidem, vol . 21 , fl . 15 0 v . Cart a d e 2 6 d e Març o d e 1632 . D . Alvar o I V falece u co m 1 8 anos , e m 2 5 d e Fevereir o d e 1636 , co m fam a d e te r sid o envenenado . 10 sentauerint , ministroru m maiore m numeru m instantissim e pos - tulando , ni l tarne n obtiner e potuerunt . / / J n amplíssim o eni m Regn o praefat o decer n parrochia e sta - tuta : sunt , i n quoru m districtibu s paru m d e De o e t leg e christiana , a c d e Euangelic a doctrin a notiti a habetur : a c lice t populu s innumerabili s quotidi e a d Sacru m Baptismati s fonte m facile , a c libentissim e accedat , difficilite r tarne n viti a ommittit , a c proptere a intollerabile s eoru m mores , lacrimaru m potiu s v i deplorare , qua m a d plenu m narrar e opporteret : lice t eni m qu i i n ciuitat e Sanct i Saluatori s regi a curi a habitan t vrbaniu s ses e portent , meliusqu e Doctrina m teneant , e t mult i e x ei s a d reci - pienda m sacra m Eucharistia m admitantur , qui a tarne n mult i tud o es t innumerabilis , e t sin e ministri s e t sacerdotibu s viuant , e t aliquand o a d vicino s pagano s comerti i caus a s e conferunt , e t inte r eo s viuunt , paganoru m ritibu s adherent , e t christianoru m moru m obliti , au t eo s omnin o reliquunt , au t simu l cu m gen - tilici s commiscent , barbara m i n omnibu s confusione m haben - tes : Du m Dominica m e t sacra s alia s festiuitate s etia m i n Regi a Curi a inuit i e t impetfect e obseruant , festi s tarne n Sanct i Joan - ni s Baptistae , e t Sanct i Iacob i exceptis , qui a i n capelli s regii s celebrantur , e t quandocunqu e eoru m Re x a d ecclesia m venit , multitud o maxim a ipsu m commitatur . S i ver o abes t paucissim i a d ecclesia m s e conferunt , e t si c pe r totu m Regnu m subdit i immitantu r Domini s suis , etia m i n mod o viuendi , siu e bonos , siu e malos , a c prauo s more s habeant , i n qu o magnu m excessu m tenent . Habe t Cathedrali s ecclesi a quinqu é Dignitates , Decanu s videlicet , Cantor , Archidiaconus , Sachrista , Magiste r schollae , Canónico s ver o nouem , qua e omni a a d praesentatione m Regi s Catholici , v t Magistru m ordini s militia e D . N . Jes u Christ i instituuntur , e t a b ips o haben t su a ordinari a stipendia ; scilice t Dignitate s haben t centu m e t quinquagint a ducato s se u scuto s pr o singulis , a c singuli s annis ; Canonicatu s ver o quilibe t cen - tu m e t trigint a du o simili a cu m dimidio , se d a Reg e Congens i 17 habe t vnusquisqu e vigint i quinqu e cofo s d e Zimbo , moneta e illiu s Regni , ration e decimar ü pr o fructibu s terrae , qua e to t scut a apu d illo s valent ; e x praedict o numér o canonicoru m no n reperitu r ordinari e ne c dimidi a pars , paucissim i eni m sun t qu i a d tar n remota s prouincia s e t aeri s instabilitatem , aliaqu e peri - cula , e t incomod a s e vellin t exponere ; maxim e ver a o b reddi - tuu m tenuitate m e t excessiu a reru m pretia , huiusmod i cano - nicatu s nullu s es t qu i libente r vul t acceptar e e x lusitanis ; cu m tarne n no n licea t incolaru m istaru m regionu m a d ill a bénéfici a promoueri , propte r deffectu m virtutis , scientiae , aliaqu e incom - moda , tenuita s etia m fabricae , qua e v t profertu r centu m scuto s no n incidit , maxima e penuria e e t innopia e i n paramentis , cae - terisqu e a d diuinu m cultu m necessariis , es t causa . / / Extan t ver o i n praedict a Cathedral i se x calice s argenteo s cu m patenis , vn a tantu m lampas , se d parua , a b Emanuel e Episcop o donata ; va s aqua e benedicta e cu m hisopo ; vrceol i pr o vin o e t aqu a cu m paru a pelui ; dua s cruce s processionales ; tabernaculu m pr o Sanctissim o Eucharistia e Sacrament o proces - sionibu s deportando , praedictaqu e omni a e x argent o confecta . I n Cathedrali , a c pe r tota m diocesi m offici a diuina , Missas , e t Sacrament a omni a mor e Roman o celebrantu r e t adminis - trantur , cu m ordinarii s caerimonii s e x Missali , Breuiari o e t Ritual i Roman o desumptis ; se d cu m a d animaru m cura m nullu s i n Cathedral i esse t specialite r deputatus , decretu m est , v t omne s dignitate s e t canonic i vicissi m pe r sua s hebdomada s ho c munu s praestent . Diebu s Dominici s e t festi s Missa s a c diuin a offici a i n cant u figurat o aethiope s nonnull i concinnunt ; sun t eni m natu - ralite r a d Musica m propensi , e t i n e a aliquantulu m periti , e t Re x aliqui d Uli s pr o stipendi o elargitur , Magistr o pracipue , se d ho c i n Cathedrali , alite r tarne n i n Loanda , v t infr a dicetur . / / Exta t i n Cathedral i confraternita s se u societa s Sanctissim i Corpori s Christi , a b ordinari o approbata , e t a lusitani s ib i com - morantibu s pi e e t honest e sustentat a sui s proprii s sumptibu s 18 e t eleemosinis , se d nulla s obtine t indulgentias ; es t etia m ali a confraternita s d e Misericordi a numcupat a i n propri a a c parti - cular i ecclesia , se d nulla e sun t indulgetiae ; cu m tarne n a d pioru m operu m exercitiu m si t vtilissima , e t tar n a Lusitani s qua m a b Aethiopibu s mixti m e t administrat a su b inuocation e ßeata e Maria e Virginis , e t Omniu m Sanctorum ; habe t suu m Compromissu m e t ordinatione s circ a officia charitati s tar n spi - rituali s qua m temporalis , se d no n habe t hospitalem , v t eiu s instituti o petebat , qui a pauperrim i sun t Aethiopes , e t rege s etia m no n mult ü potentes ; Lusitan i ver o cu m i n ho c tempor e sin t pauassim i ib i commorantes , cu m proprii s sumptibu s a d ho c no n s e extendunt ; extan t etia m i n praedict a ciuitat e tre s ecclesia s su b tituli s Beata e Maria e Virgini s d e Rosario , ali a d e Beat a Mari a Virgin e d e Immaculat a Conceptione , alter a ver o d e Sanct o Antoni o d e Padu a etia m confraternitates , qua e a Lusitani s administrantur , Missa s celebrare faciun t pe r omne s hebdomadas , e t i n di e dedicationi s se u inuocationis , annu a solemn i Miss a cu m procession e e t sermone , sicu t e t i n prae - dicti s d e Misericordi a e t Sanctissim i Corpori s Christi ; alia e ver o ecclesia e no n haben t confraternitates , se d tantu m su b Regi s administration e sunt , v t Sanct i Iacobi , e t Sanct i Iosephi , qua e capella e contigua e sun t cu m su o Regal i Palatio , vb i quo - tidi e Missa s celebrar e facit , e t ea s cu m su a famili a audit ; alia e ver o dua e sun t etia m pr o deuotion e su a Sanct i Michaeli s Archangel i e t Sancta e Crucis , qua e ia m quas i dirrupta e a c dissipata e sunt : oli m ver o eran t quamplurima e ecclesiae , tar n i n praedict a ciuitate , qua m pe r totu m Regnu m fundatae , se d pe r multo s anno s ia m no n nis i praefata e inueniuntur . Episcopu s Emanuel , qui a a d noueniu m vixit , magna m parte m diocesi s personalite r peragraui t e t visitauit , aliaqu e pe r idoneo s ministro s visitand o cutauit , v t caeter i fecerun t ets i no n personaliter , qui a mort e praeuent i sunt , e t omne s verbu m De j e t Catholica m Doctrinam , salte m Dominici s a c festiui s diebu s 19 proponeban t praedicando , exhortand o e t monendo , e t pe r ministro s ho c múnu s exercer e faciebant . / / Antoniu s Episcopu s Synodu m Diocesanu m celebrauit , ets i pe r breue m e t quas i informe m sin e ordinationibus , qua s Ema - nue l i n su o etia m Diocesan o Synod o ampliauit , e t omni a a d animaru m salute m e t regime n ordinauit , que m secutu s etia m Franciscu s Episcopus , i n su o prasent i triéni o i n ciuitat e d e Loand a Synodu m congregauit , vb i mult a denu o statuit , qua e a d reformatione m e t bono s more s pertinent , e t qua e a d cultu m De j e t christiana m religionem , a c sacr i Euangeli i propagatio - ne m expectant , e t iuxt a sacro s Cannone s e t Sanct j Concili j Tridentini , singulo s anno s sua m diocesi m visitauit , v t potuit , e t visitanda m curauit , multosqu e abusus e t scandal a vitaui t etia m apu d Lusitano s diuite s e t potentes , e t sempe r i n omnibu s curaui t v t Sacrosanct i Concili j Tridentin i decret a inuiolabilite r obseruarent ; e t propte r innumerabilissima s necessitate s quibu s totu m Regnu m d e Angol a nouite r a d christianismu m conuer - su m laborabat , no n potui t vsqu e a d sua m Cathedrale m perue - nire , se d i n ha c ciuitat e d e Loanda , qua e Capu t e t Metropoli s eiusde m Regn i est , sua m adhu c residentia m facit , quotidi e praedicando , sacramentu m ordini s ministrando , v t ecclesiaru m necessitatibu s possi t subuenire , Pontificali a celebrando , Confir - mationi s sacramentu m conferendo , vas a Sacr a a d vsu m totiu s diocesi s consecrando . / / Habe t praefatu s Episcopu s Franciscu s d e Souera l i n ciuitat e Sanct i Saluatori s vnu m Vicariu m Generalem , se u officialé , ta m i n spiritualibu s qua m i n omnibu s qua e a d ordinaria m iurisdic - tione m pertinent , v t i n praedict o Regn o d e Cong o possi t neces - sitatibu s subuenire , a c d e omnibu s s e informare ; aliumqu e Vicarium , se u officialem , habe t i n ha c ciuitat e d e Loanda , aliiqu e i n loci s d e Benguell a e t Maçangano , Vicari j se u Par - roch i íllaru m ecclesiaru m ho c múnu s faciunt ; se d ill i du o prio - re s e x sumptibu s eiusde m Francisc i Episcop i munerantur . I n praefat o praesidi o d e Maçangano , qui a antiquíssim a es t habi - 20 tati o Lusitanorum , e t aetluope s a d Regnu m d e Angol a perti - nente s quamplurim i incolant , magnumqu e contine t territo - rium , nun c praefatu s Episcopu s Franciscu s aliu m Parrochu m addedi t i n ecclesi a Sancta e Maria e Virgini s d o Desterro , signand o e i pr o su o territoti o tota m terra m qua m Lemb o vocant . / / Pe r totu m ver o Regnu m d e Angol a quatuo r tant ü extaban t Parrochia e cu m sui s Parrochis , qua e a d Catholicu m Rege m pertinent , v t Magiste r ordini s militia e Domin i N . Ies u Christi , a b eoqu e fundatae , a c sui s redditibu s dotatae ; videlice t i n prae - dict o praesidi o d e Maçangan o vna , ali a i n praesidi o d e Cam - bambe , alter a ver o i n praesidi o d e Embaca , e t alter a i n prae - sidi o d e Mochima ; cu m tarne n i n ta m ampl o Regno , ne c numér o quadrigenta e no n sufficerent . / / I n loc o ver o qu i vocatu r Dongo , vb i habita t miserabilis - simu s ill e Re x d e Angola , a nostri s Lusitani s captus , victus , a c nemp e extinctus , suoqu e imperi o e t regn o vi x annihilatus , assistun t du o Religios i sacerdote s e x Societat e Iesu , a d iliu m instruendum , e t cu m su a familia , i n omnibu s qua e a d chris - tiana m vita m pertinen t dirigendu m a c perficiendum . / / I n ho c miserabilissim o stat u praefatu s Episcopu s Franciscu s suu m Episcopatu m inueni t (quo d s i praeuenisse t au t cogitasset , nunqua m e x su a celula , qua m i n su a religion e habebat , exiis - set) , se d stati m v t a d eu m accessit , e t ho c port u d e Loand a appulisset , viden s qui a messi s quide m multa , operari j quide m paucissimi : i n primi s ordinaui t v t i n Loand a Insula , qua e a d Rege m d e Cong o pertinet , alter a parrochi a pr o Lusitanis , qu i i n e a habitant , fundaretur , e x inuocation e Sanct i Ioanni s Bap - tistae , i n ternton o quo d vocan t Cazanga , e t antiqua , qua e pr o Aethiopibu s ipsiu s Regi s d e Cong o extabat , eratqu e quas i tota - lite r extincta , e x sui s Episcop i expensi s reedificaretur . / / I n ha c ciuitat e d e Loand a altera m parrochiam , se u Vica - ria m i n district u d a Praia , qu i amplissimu s est , erexi t e t creaui t i n ecclesi a qua e ib i era t titul o d e Corp o Sancto , eamqu e 21 ornaui t cu m lampade , turibulo , nauicul a e t vase , vb i reperitu r Sanctissimu m Eucharisti e Sacramentum , omni a e x argent o con - recta , e t Baldachin o cu m vestiment a intégra , e t frontal i e x sui s sumptibus , a c pr o su a deuotione ; e t ib i confraternitate m Sanctissim i Eucharisti e Sacrament i institui t ( 4 ) / / I n praedict a ciuitat e alia m parrochia m cu m propri o par - roch o creaui t pr o serui s e t mancipiis , qu i i n numér o vigint i mili a excédent , e t si c ne c Missa s audiebant , ne c Sacramentu m Paenitentia e frequentabant , ne c ali a recipiebant , se d nun c omni a i n ecclesi a Diuu i Antoni j d e Padu a a propri o Parroch o Uli s ministrantur , e t sua m confraternitate m Uli s institui t d e Nostr a Domin a d e Rosario , qua m Uli s tradi t inseruiendum , e t administrandum . / / Caeteru m infr a scripta s etia m ecclesia s e t parrochia s erexi t e t fundaui t extr a ciuitate m praedicta m pe r vario s locos , a c distante s territorios , scilicet , i n territori o d a Quilund a iuxt a flume n Bengo , ecclesi a d e Sanct a Mari a d e Assumptione , cu m su o parrocho ; iuxt a praedictu m flume n a d littu s maris , alia m ecclesia m d e Sanct o Michael e Archangelo , cu m su o parrocho . I n territori o quo d Sequel e appellatur , altera m ecclesia m d e Sanct a Mari a Magdanell a (sic), su b administration e patroch i Sanct i Michaeli s d e Bengo . I n territori o ver o quo d Ica o nomi - natur , circ a magnu m flume n quo d vocatu r Dande , altera m parrochia m i n ecclesi a Immaculata e Conceptioni s Deiparae ; e t i n territori o d e Manicoanz e altera m d e inuocation e Diuu j Antoni j d e Padua , su b eiusde m parroch i administratione . Alte - ra m ecclesia m i n territori o d e Quimbanza . I n Cacou a altera m Sancta e Maria e Virgini s a d Niues , su b administration e par - roch i d e Mochima ; e t ista s ecclesia s omne s praefatu s Episcopu s Franciscu s pr o su a deuotion e sacri s vestibu s ornauit , e t omnibu s a d altari s ministeriu m necessarii s impertiuit . / / ( 4 ) Cfr . Monumcnta, VII , pägs . 498 , 55 2 c 575 . 2 2 Fui t etian i praefatu s Franciscu s Episcopu s a d praecipua m ccclesia m d e Loanda , qua e primu m locu m habet , e t Matri x es t omniu m ecclesiaru m huiu s Regn i d e Angola , noue m ínte - gro s ornamentos , e t no n pauc i momenti , e x séric o e t aur o confectos : quatuo r scilice t alb i coloris , duo s rubros , vnu m vio - laceum , altera m viride , e t nigru m alterum ; alio s etia m quatuo r no n tant i moment i e x coloribu s ordinarns , cu m integr o serui - ti o d e argent o pleno , e t alteru m etia m praetiosu m pr o solemni - bu s festiuitatibu s feci t etia m praefatu s Franciscu s 1 6 ornament a integr a e t quatuo r etia m coloribu s pr o seruiti o e t ornat u alta - riu m minorum , cu m mapis , linteis , cumqu e omnibu s requi - site s pr o decenti a e t munditia , tar n pr o seruitio , qua m pr o ornat u altaris , qui a e x ii s omnibu s miserabilissim a inopi a labo - rabat . Maiore m capellam , qua e minu s decen s e t informi s erat , e x quadri s optim e elaborati s a c depicti s pe r pariete s e t tectu m ornauit ; se x altare s minore s pe r tot ú corpu s ecclesia e erexit , cu m ante a duo s tantu m haberet ; dua s lampade s ardente s noct e a c di e ant e Sanctissimu m Eucharisti e Sacramentu m appon i iussit , qua e c ú alu s quinqu é sun t e x argent o confectae ; e t cu m praedict a altarí a ecclesi a no n haberet , choru m ipsu m ordinauit , e x sui s expensis , e t v t omne s cleric i nouite r promoti , ib i i n communitat e hora s cannonica s i n tempor e conuenient i recita - rent , Missa s e t ali a diuin a offici a Dominici s a c festitui s diebu s solemnite r cantarent , quanui s no n si t collegiat a ecclesia , ne c vllu m ei s prouentu m pr o labor e assignetur , se d v t Catholicu s Re x magi s excite t a d ista m ecclesia m prouidendu m e x necessa - riis , sicu t etia m i n parrocho s nouite r promotos , qu i nulla m portion é habent , v t illi s parrochii s inseruiant , se d e x pii s fide - liu m eleemosini s aluntur , vsquequ o praedict a Maiesta s Regi a pe r suo s ministro s prouideat , sicu t decet . / / I n praefat a Matric e ecclesi a prim o man e du o cleric i récitan t officiu m Conceptioni s Beata e Maria e Virgini s pr o inuocation e e t titul o eiusde m ecclesiae , cu m cotti s se u superpelitiis , flexi s 23 genibus ; sequitu r ver o officiu m diej ; deind e Miss a d e tertia , qua e i n Dominici s e t festiui s diebu s solemnite r cantatu r a musi - ci s e t capella , qu i i n dom o prafat i Francisc i a d ho c munu s exercendu m aluntur , e t sustentantu r cu m organista , aliisqu e musici s instrumentis , cu m ante a nihi l e x ipsi s extaret . Pos t vespera s aute m dicuntu r litania e lauretana e e t quinqu e psalm i nomin e Maria e pertinentes , se d praedicta e litania e i n omnibu s sabbati s solemnite r decantantur . / / Ordinaui t praefatu s Franciscu s i n prim a 6. a feri a quadra - gessima e processionem , qua m vocan t do s Passos , i n qu a mult a sign a deuotioni s e t paenitentia e reperiuntur , cu m magn o fide - liu m concursu , e t pe r omne s sexta s feria s continuantu r ipsa e statione s vsqu e a d maiore m hebdomadam , cu m magn a popul i aedificatione , e t pe r tota s secunda s e t quarta s feria s ipsiu s qua - dragessima e i n praedict a ecclesi a generali s disciplin a nocturn o tempor e habetur , e t completonu m solemnite r pe r omne s quar - ta s feria s decantantur . / / I n predict a ecclesi a feci t etia m prefatu s Franciscu s noua m sachristiam , e t i n e a colocaui t magno s e t perfecto s almarios , se u arcas , a d ornament a decente r seruanda ; e t cu m i n ecclesi a praedict a ordinari e mult i captiu i baptizentur , qu i e x paganism o veniunt , a c pe r magna m e t morosam , periculosamqu e nauiga - tione m asportentu r i n parte s Indiarum , Brasiloru m e t aliorum , e t vicariu s aethiopica m lingua m nesciat , ne c eiu s coadiutor , se u aliqui s e x lusitanis , praefatu s Franciscu s ordinaui t cathechi - zatore s quatuo r i n aethiopic a lingu a peritos , e t ben e instructos , a d cathechizando s omne s adultos , antequa m baptizentur , e t si e magn a abusa , irreuerentia s e t sacrilegia , qua e e x huiusmod i deffect u commitebantu r baptizand o praedicto s pagano s absqu e vll a praeui a disposition e se u notiti a fidej , auertit . / / I n ecclesi a predict a d e Misericordi a magnu m hospitale m instaurauit , se u potiu s totu m d e nou o reedificatui t e t ampliauit , it a v t ib i septuagint a infirm i i n sui s lectuli s amplis , müdi s e t capaeibus , curar i possint , cu m ante a etia m pauperrim e e t inde - center , ne c decer n numer o capiebat , magni s tame n expensis , e t sin e aliqu a portione , a d redditu s Episcopales , se d cu m fidu - ci a e t magn a i n Domin o confidentia , a d quer n omni a refe - runtur . ( 5 ) / / I n dom o Episcopal i eiusde m Francisc i ades t public a e t generali s scholi a d e canto ; e t i n praedict a dom o institui t prae - fatu s Franciscu s Seminariu m vnum , vb i aliqu i pue n commo - rantur , e t i n art e gramatica e e t musica e instruuntur , a c i n catholic a fid e e t sanct a Doctrina , cu m omnibu s qua e a d bono s more s pertinent , educantur , cu m magn a sp e e t fiduci a i n magnificenti a e t pi o anim o Regi s Catholic i (a d quer n hae c omni a spectant ) quo d ho c opu s continuet , conserue t e t per - ficiat , v t tar n magn o Princip i decet , a c i n tant a miseri a e t ministroru m penuri a mitta t opperario s i n abundantia , qu i ani - ma s fideliu m incultent , edocean t e t i n via m saluti s aeterna e perducant . / / I n De o laude m e t honorem , e t su b Sancta e Sedi s Apos - tolica e patrocinio , a c bendictione , qua m ips e Episcopu s Fran - ciscu s pr o se , e t pr o omnibu s sui s humilite r implorat . / / Scriptu m apu d Sanctu m Paulu m d e Loanda , Regn o d e Angola , praedict o anno , prim o di e Mensi s Aprilis . a) Fr . Franciscu s Episcopu s Congensi s E t Angulensis . ARS I — Goa, vol . 40 , doc . IV . ( 5 ) Cfr . o noss o estud o As Misericórdias de Angola, e m STVDIA , Lisboa , n. ° 4 — Julho—1959 - Fo i transcritt o integralment e e m POR - TUGA L E M ÁFRICA , Lisboa , n. ° 94-95 , Julho-Outubr o d e 1959 . 25 Mende s e outros ; cantand o todo s a s oraçõe s pel o caminho , cous a nunc a vist a po r aquella s partes . Que m mai s m e moue o a deuaça Õ fora õ tre s gentio s e quatr o gentias , qu e c õ sere m muit o velho s e na õ s e podere m bolir , hya õ nest a sant a pro - cissã o par a recebe r a sant a iguari a d o bautism o co m tant a pressa , com o s e fora Õ d e vint e annos . / / Acabad o d e manda r est a gente , passe i o ri o d a outr a part e pel a hu ã hor a depoi s d o mei o dia , e at é á s quatr o corr y tre s fazenda s pond o a su a gent e e m rol : a saber , a d o alfere s fua õ Thomé , a d e fua õ Bello , e a d o Capitã o Manoe l d e Medella . Nest e di a com y quas i nad a po r naÕ te r tempo , e sempr e n o mei o d e tanto s trabalho s e calma s grandissimas , m e ache i bem , graça s a Deus . D a fazend a d o Capitã o Manoe l d e Medall a m e part y par a passa r o ri o n a Callucalla , send o est a a terceir a ve s qu e o passe i nest e dia . Chegue i a caz a d e Diog o Dia s Mende s j á quas i d e noite , e imediatament e m e part y par a caz a d o Capi - tã o Paes , aond e chegue i d e noite ; e porqu e estau a a gent e junt a c õ o moç o qu e al y tinh a deixado , ensine i enta õ muit o d e vagar . Acabad a a doutrin a quas i na õ cee i po r esta r cançado ; fo i s e o Capitã o Pae s par a outra s cazas , qu e desta s estaua õ mu i desuia - das , a recolhe r s e c õ su a molhe r e mai s familia . E u m e recoste i sobr e a minh a cam a costumada , e na õ e m hu a famoz a qu e m e tinh a preparado ; e po r te r o pensament o e m tanta s partes , dorm y quas i nada . N a quint a feir a m e leuante i d e madrugad a a reza r algu ã part e d o offiçi o diuino , e porqu e preui a o trabalh o daquell e dia , queri a esta r aliuiad o d a reza . Amanhecend o o dia , fora õ vind o hú s e outros , e e u d e contin o e m p é agazalhand o este s hospedes , pond o n o ro l o s qu e ind a naÕ estaua õ escrittos , e vend o o qu e sabiaõ , apartand o a s gente s da s fazenda s cad a hu a a su a part e po r euita r confusão , e log o acodi a á mai s frac a n o saber , c õ lh e declara r qu e cous a er a bautism o e matrimonio . Pel o mei o di a chego u o Capitã o Mendo[n]ç a co m tod a a su a 32 gent e muit o be m vestida , e at é lecre s d a Jndi a ( 4 ) trazia õ a s negra s qu e s e auia õ d e receber , qu e er a cous a d e vint e cazais . / / Viera õ s e chegand o outro s capitãe s d e varia s parte s c õ a su a gente ; e hú s e outros , conform e a orde m qu e lhe s tinh a dad o antes , vinha Õ co m muit a alegri a cantand o pelo s caminho s a sant a doutrina . Crei a V . R. a qu e m e v y enfadad o po r na õ acodi r com o queri a a tant a gente , e accommodallos ; pore m fo i m e grand e ajud a o irma õ Gonçall o Joaõ , qu e mande i pedi r ante s a V . R. a , qu e chego u pela s tre s hora s d a tard e co m o se u escritto . E assy m andamo s trabalhozament e arrumand o cad a h ú po r su a part e a este s pobres , qu e tinha õ vind o d e ta õ longe , at é noit e fechada . / / Tod o est e di a d a quint a feir a s e esteu e ensinand o e m pezo , e tod a a noit e at é á s set e hora s d a sest a feira , e na õ houu e que m dormiss e e m tod a ella . Estaua õ alegre s todo s e contentes , a o qu e ajudo u na õ aue r mosquito s nest a noite , auend o na s outra s tantos , qu e ningué m s e pôd e vale r co m elles . Nest e temp o ensinarã o dezaset e mestre s a est a gente , entr e homé s e molheres ; estand o a s qu e s e auia õ d e bautiza r e caza r afas - tada s do s homés , qu e par a tud o s e de u ordem , send o o ter - reir o grandíssimo . Pel a mei a noit e conte i a s fogueira s a qu e est a gent e s e estau a aquentand o e cantand o a sant a doutrina , e ache i trint a e oito . Er a par a my m grand e consolação , qu e nest e lugar , ond e o santíssim o nom e d e Jesv s e d e Maria , po r s e na õ nomear , er a ta õ abatido , agor a foss e exalçad o na s entoa - çõe s do s qu e deixarã o d e se r idolatras . Nest a sant a noit e nad a descansei , assy m po r tira r a limp o d e muito s roi s o s qu e s e auia õ d e pô r e m bo m estado , com o po r vigia r o s lingoa s qu e ensinassem , e na õ houuess e nest a ago a enuolt a algu ã offens a d e Deus . N a sest a feira , seis , s e armo u ricament e h ú alta r e m o ter - reiro , qu e com o todo s este s capitãe s estaua Õ esperand o po r mim , ( 4 ) Nã o topámo s est e term o no s melhore s dicionários . 3 3 3 s e tinha õ prouid o á s mi l marauilha s d a cidade ; e estand o j á pela s oit o hora s dand o h ú prega õ ao s qu e s e auia Õ d e cazar , ouu y par a hu a part e d o terreir o hu á grand e bulha : á qua l acod y log o c õ muit a pressa , assy m com o estau a co m a sobre - peli z e estolla . E fo i qu e entr e o s qu e s e auia õ d e cazar , vinha õ cous a d e doz e cazais , qu e na õ estaua õ ta õ vestido s com o o s outros , po r andare m d e dó , co m se u senho r se r mort o d e pouc o tempo . Aleuantous e h ú negr o d e for a o u o diab o e m su a figura , e diç e ao s anojado s po r mod o d e escárnio : Afastaiuo s par a lá , chiqueir o d e porcos , e na õ vo s cheguei s ao s graue s qu e ve m vestido s d e festa . Arremeterã o o s aggrauado s a o aggrauante , qu e estau a be m enfadad o po r lh e querere m corre r á piogada : ma s fo i lh e bo a ajud a o irma õ e eu . E tud o s e apazigo u co m s e desdize r publicament e e m alt a voz , affirmand o qu e par a se r o matrimoni o valid o na õ era õ necessário s tanto s vestidos , e outra s cousa s qu e a est e propozit o lh e ensinamos . / / Acabad o est e prega õ comece i a miss a votiu a d o Espirit o Santo , offereçend o lh a par a qu e alumiass e e abriss e o enten - diment o deste s bárbaro s a o conheciment o d a fé . Ante s d e puri - fica r o s dedo s ( 5 ) de i outr o prega õ ao s noiuos , e log o fi z hu á pratica , n a qua l tratte i d e com o o s senhore s d e escrauo s tinha õ obrigaçã o d e o s pô r e m bo m estad o (6) louuand o o s e m com o fazia õ bem , e qua m ma o er a o peccado , e outra s cousa s a est e intento , qu e mouera õ a muita s lagrima s e alegri a espiritual . / / Tod a est a gent e qu e s e vei o bautiza r e cazar , m e troux e a o meno s cad a h ú su a galinha , e o s mai s rico s ale m d a gali - nha , trazia õ ouos , panos , sal , cana s d'açuca r ett a . N a mesm a estaçã o diç e e m alt a voz , qu e todo s e toda s tornasse m a leua r par a sua s caza s quant o m e trazião , qu e a Religiã o d a Compa - ( 5 ) Ante s d o Lavabo, o u chamad a estação da missa, justament e po r o celebrant e s e dete r a fala r à assemblei a cristã . (6 ) Est a expressão , vária s veze s empregada pel o Autor , signific a bo m estad o espiritual , d e consciência . 34 nhi a d e Jesu s na õ açeitau a nad a pelo s ensinar , cazar , e outro s ministério s qu e faz , dada s esta s cousa s purament e po r elles . Edificarã o s e todo s o s capitãe s qu e al y estaua õ c õ ouui r isto , e muit o mai s o s pobre s negros , poi s lhe s na õ açeitau a aquill o qu e pod e se r tiraua õ par a my m d e su a boca , e po r vere m a d oculu m com o a Companhi a o s tratt a bem . / / Diç e lhe s mai s n a estação , qu e o s velhos , velha s e a s molhe - re s qu e trazia õ criança s s e na õ fossem , porqu e acabad a a miss a a s aui a d e conuida r ( 7 ) . Assi m o fi z co m hu a gross a esmol a d e farinh a e peixe , qu e m e tinh a dad o h ú capitã o par a est e mesm o fim . Todo s e m alt a vo z dera õ h ú grand e grit o c Õ ale - gria , dizendo : bo a le y h é esta ; bo a le y h é esta ; bo m Padre , bo m Padre . Acabe i enta õ c õ hu á Au e Maria , qu e s e diç e entoad a pel o augment o dest a nou a christandade . Estaria õ aqu y pert o d e vint e homé s brancos , a saber , o s capitãe s Antoni o Dia s Pinheiro , Manoe l d e Mendo[n]ça , Baltheza r Paes , Anto - ni o Gonçalue z ett a . / / Ditt a a miss a m e recolh y h ú pouc o e m oraçaõ , e log o começo u o irma õ e e u a faze r muito s acto s d e contriçã o ao s qu e s e auia õ d e bautizar , po r sere m o s demai s adultos . Feito s o s actos , e m qu e gastamo s mai s d e hor a e meia , tome i a sobre - peli z e estoll a par a o s bautizar ; aqu y nest e pass o m e v y mettid o nu m laberinth o c õ tant a gent e po r o s na õ podermo s pô r e m ordem , at é u m hu m d'aquelle s capitãe s de u e m hu á traç a mu i boa , e fo i pollo s e m quatr o fileiras , assistind o a cad a hu ã dua s pessoa s branca s d e authoridade , qu e o s fizesse m esta r quietos./ / Ordenado s todo s assym e m ruas , fomo s continuand o co m assa z trabalho , pel a abrazador a calm a dest e dia , e c õ se r j á quissíuo , qu e enta õ h é c á o temp o mai s frio , parec e qu e Deu s no s qui z da r mó r matéri a d e mereciment o c õ a calma , fazend o s e tud o ist o nu m grand e terreiro ; hiamo s lhe s fazend o d e quand o e m quand o sua s pratica s c õ acto s d e contrição , par a ( 7 ) Aqu i o verb o significa : presentear . 3 5 qu e a o meno s tiuesse m attnçaõ , qu e h é o qu e bast a n o bau - tismo . O irma õ teu e nest e di a muit o trabalho , po r anda r muita s hora s c õ a caix a do s santo s óleo s nu m prat o grand e d e prat a c õ o algodã o co m qu e o s hi a alimpando ; a my m com o mai s frac o doy a m e o braç o pela s muita s cruze s qu e fazi a pond o a todo s o s santo s óleos . E o qu e mai s m e dau a pen a er a seca r s e m e o cuspo , respeit o d a muit a calma , guardand o e m tud o a s cerimonia s d a Jgreija . Gaste i quas i dua s hora s e m lhe s bota r a ago a na s cabeças , porqu e com o o s mai s tinha õ o cabell o muit o grand e c retorsido , er a necessári o i r c õ este s atent o par a qu e lhe s chegass e a ago a á carne . / / Viera õ quand o lhe s botau a a ago a c õ tant a desordem , qu e fo i forçad o qu e algú s homé s o s detiuesse m arrancand o sua s espadas , par a qu e nest a reuolt a s e na õ chegass e a bautiza r algum , qu e ind a na Õ estiuess e be m instruído . Passarã o d e qua - trocenta s pessoa s a s qu e bautizei , e ale m desta s caze i a cent o e trinta : e assy m receberã o nest e sant o di a o s sacramento s d o bautism o e matrimoni o quinhenta s e trint a e dua s almas . Ajun - tarã o s e n o terreir o pouc o mai s o u meno s d e dua s mi l e qui - nhentas ; porqu e o s bautizado s e cazado s trazia Õ cad a hü , se u padrinh o e madrinha : e ale m destes , algú s qu e e u na õ bautize i ne m cazei , po r aind a na õ estare m be m instruido s n a fé , qu e sena õ oitocentos , e outro s qu e po r coriozidad e assistirã o a o espectáculo . E vei o aquy , segund o o me u rol , gent e d e trint a e oit o fazendas . / / Depoi s d e o s cazar , comece i c õ a s bençaõs , e acabe i á s sinc o d a tarde , vista s pel o relógi o d e sol , tend o começad o á s oit o d a menham , se m no s entretermo s e m janta r ne m noutr a cous a alguã . Effeituad o j á tud o o pertencent e a este s sacra - mentos , fi z qu e s e puzesse m todo s d e juelho s ant e o altar , e qu e rezasse m e m vo z alt a h ü Padrenoss o e hu a Au e Maria , ditta s e m acça Õ d e graças ; e c õ ist o o s despedy , encomendand o lhe s qu e fosse m pelo s caminho s cantand o a sant a doutrina . Apartarã o s e c Õ a s lagrima s no s olhos , e e u do s meu s despedi a 36 muita s mais , po r ve r qua m louuad o er a Deu s po r este s conuer - tido s a su a fé . O s home s graue s e d e trint a anno s d'Angol a qu e aqu y estiuera õ prezentes , m e affirmára Õ na õ tere m vist o ne m ouuid o neste s reino s outr a cous a semelhante . O mesm o affirmo u o irma õ Gonçall o Joaõ , po r te r vint e anno s d e assis - tênci a nesta s partes . / / Depoi s da s sinc o hora s dest e di a fomo s ind a á fazend a d o Capitã o Antoni o Dia s Pinheiro , com o lh e dante s promettera , qu e acabado s o s bautismo s par a ell a s e tinh a ido . Aquy , po r m o ell e pedi r (na õ ensinand o o s negro s po r estare m rouco s d o trabalh o passado ) cantáta õ soment e a doutrin a o milho r qu e puderaõ . Log o voltamo s a dormi r à minh a caz a d o Capitã o Paes , e chegamo s alt a noite ; enta Õ reze i part e d o offiçi o diuin o qu e m e faltaua : a qua l rezad a jantamo s e ceamos , e e u com y pouc o mai s d e nad a po r o cançass o m o na õ permittir . Houu e d e for a que m contemplasse , qu e Noss o Senho r estender a o prezent e dia , par a nell e tud o s e effeituar . / / N a quint a e sest a feir a m e mandarã o muito s homé s d e varia s parte s grande s prezente s d e peruns , patos , leitõe s ett. a ; tud o lhe s torne i a mandar , escreuend o lhe s cortezmente , qu e o s aui a po r aceitos . S ó hu m balai o ( 8 ) d e peix e tome i a o Capitã o Anto - ni o Dia s Pinheiro , po r se r muit o amig o d a Companhia ; á volt a d o qua l m e mando u oit o negra s adulta s par a bautizar ; e porqu e aind a vinha õ ma l instruída s n a fé , suppost o qu e e u dante s po r veze s a s tinh a ensinado , lha s torne i a manda r se m bautizar , na Õ m e dand o po r obrigad o d a peit a ( 9 ) par a aue r d e preuerte r o mod o d o bautismo . / / Neste s dou s dia s de u o Capitã o Pae s d e come r esplendi - dament e a todo s o s homé s branco s qu e aqu y s e acháraõ ; o qua l e su a molhe r m e pedirã o encarecidament e qu e solenizass e e m ( 8 ) Cest o d e palha , e m form a d e alguidar . ( 9 ) O term o te m o sentid o de : dádiv a par a suborna r o u compra r a consciênci a a alguém . 37 su a caza , e na Õ n a d e outr a pesso a alguã , a seguint e fest a d e bautismo s e cazamentos , qu e depoi s d e passado s tre s meze s e u aui a d e faze r c Õ outr a muit a gent e qu e andau a adestrand o no s mistério s d a fé , qu e senã o aqu y mi l e quinhenta s pessoas . Auend o outro s homé s qu e leuado s deste s dezejos , m e rogaua õ o fizess e e m sua s cazas . N o sabbado , sett e d o me z pel a menha m sedo , fomo s o irma Õ e e u a caz a d o Capitão , qu e distau a d a noss a h ú pedaço , e despedind o no s dell e e d a molher , lh e agradecemo s e dêmo s a s graça s d o bo m agazalh o qu e no s fizer a e á mai s gent e po r noss o respeito . Daqu y no s fomo s a caz a d a sobreditt a molhe r viuu a par a a sacramenta r conform e su a licença ; n o caminh o encontramo s muit a gente , qu e alegr e e deuotament e cantand o a s orações , s e hy a ajunta r l á par a ouui r missa , na ó reparand o n o cançass o d e anda r est a distanci a d e tre s legoas . Jnd o nó s pel o caminh o encontramo s a o Capitã o Antoni o Gonçaluez , qu e estau a á su a port a esperand o po r my m par a m e da r hu á red e qu e naquell a hor a s e lh e estau a acabando : c õ condiçã o qu e e u na Õ a dess e á Ordem , sena õ qu e m e seruiss e soment e deli a po r se r gross a e bo a par a o s espinho s deste s matos , emquant o po r elle s foss e e andasse . Na õ lh a aceitei , ma s o irma õ Gon - çall o Joaõ , qu e tinh a orde m d o Padr e Reito r par a lh e e u obe - dece r quant o a o temporal , a aceito u e m me u lugar , vist o per - tence r a o tratt o d e me u corpo . Est a fo i a únic a cousa , qu e no s sinc o anno s qu e trabalhe i neste s reinos , aceitei . / / Quand o chegue i a caz a d a viuu a j á l á estaua õ muito s capi - tãe s c õ tod a a su a gente , cheio s d e fest a e alegri a espiritual . Tinha õ o s filho s dest a viuu a honrada , qu e er a rica , armad o nu a grand e sal a h ü famoz o altar , e tod a a caz a armad a d e sedas . Emquant o e u confesse i doz e pessoas , ensino u o irma õ a dou - trin a c õ o s lingoas ; começamo s a miss a á s onz e horas , á qua l ajudo u o irma õ co m sobrepeliz , e n a estaçã o ( 5 ) lhe s louue i a deuaça õ co m qu e acodíraõ . De i a sagrad a communha Õ ao s qu e confessei , e houu e muita s lagrima s d e perdã o e amizades ; 38 engrandecend o todo s muit o noss a sagrad a Religião . O qu e j á concluíd o no s partimo s par a noss a caz a d o Bengo , ond e chega - mo s á s Au e Maria s ( a ) ./ / Vej a V . R. a qua m be m empregado s e aproueitado s fora Õ este s sei s dia s e mei o c õ sua s noites , qu e gaste i n a ida , estad a e vinda : co m tant a glori a d e Deus , proueit o d'esta s almas , qu e tant o custarã o a Christo , e honr a d a Companhia : qu e h é o branc o e alu o a qu e sempr e atir o po r ond e ando . Sinc o o u sei s meze s gaste i e m ensina r est a gent e qu e bautize í e cazei , e outr a muit a qu e sedo , c õ a ajud a d e Deu s pore i e m bo m estad o ( 6 ) . Na õ cont o o muit o trabalh o e desgosto s qu e m e deraõ , porqu e s ó Deu s o sabe , a que m s e d ê glori a e honra . Noss o Senho r guard e a V . R. a , e m cuj a sant a bença õ m e encomendo . D o Bengo , ao s oit o d e Junh o d e mi l e sei s cento s e trint a e hum . Súbdit o indign o d e V . R. a Per o Tauare s ARS I — Lus.., Cód . 55 , fls . 72-7 5 v . BAD E — Cód . 116/2 /4 , fls . 27-3 0 v . NOTA — Est e document o é precedid o d a seguint e nota , d a mã o d o Padr e Pedr o o u Pêr o Tavares : Te s breue s carta s mande i d o Beng o á Loand a a o P. e Reitor , qu e continha õ o muit o frutt o qu e e m breue s sayda s fizer a n a minh a vinha ; a s quai s e m Communidad e le o o P. e Joa õ Freire , qu e h é be m verda - deiro , e a s ouui o o bo m P. e Antoni o d'Almeida . E porqu e o s originai s ficára õ e m me u pode r (vist a a incertez a d e chegare m á ma õ d e V . R. a ) , a s ajunt o d e nou o á cart a retroproxima : e par a qu e nesta s s e ache m o s cazo s qu e n a outr a passe i e m silencio : na õ obstand o repeti r algú s j á relatados , po r conforma r a summari a relaçã o c õ a orde m d e conta r o qu e fazi a cad a dia . Dond e s e colligir á o maio r frutt o qu e fizera , s e m e na õ arrancarã o tre s o u quatr o veze s d o Bengo . E par a que m c á vie r (lend o esta s regras ) traze r j á hu ã liça õ d e com o s e h á 39 d e aue r neste s matos . Outra s muita s mandei , cujo s originai s perd y co m tanta s arribadas ; ma s par a o simple s mod o d e tratta r este s negros , bast a o qu e escreuo : qu e delicadeza s theologica s o s confundem . Ibid., fls . 7 2 e 2 7 respectivamente . O text o d e Évor a d a Relação das Missões do P." Pedro Tavares, Summaria Relação o u Summaria Carta, com o el e própri o lh e chamou , escrit a a o Provincia l d e Portuga l e m 1 d e Març o d e 1635 , fo i efecti - vament e lid o e m Comunidad e (n a Universidad e d e Évora) , com o o prova m o s muito s e grave s corte s qu e o text o sofreu , qu e o tornara m po r veze s absolutament e ilegível , O text o d o ARSI , pa r su a vez , s e est á íntegro , torna-s e també m d e difíci l leitura , particularment e e m micro - filme , po r a tint a te r traspassad o o pape l d e fóli o par a fólio . Po r este s motivo s nã o no s fo i possíve l traslada r aqu i o Relatóri o d o P. e Pedr o Tavares . A s carta s qu e publicamos , qu e o própri o auto r transcrev e e m apêndic e à Relação, assinando-a s d e su a mão , sofrera m emenda s o u adiçõe s e m 1635 , qu e s e torna m evidentes , po r exemplo , sempr e qu e cit a e m carta s d e 163 1 a Summaria Relação o u a Summaria Carta, qu e é d e 1635 . Est a observaçã o é especialment e relevant e n o fina l d a cart a d e 2 d e Agosto , com o e m se u luga r s e anotará . 40 8 CART A D O COLECTO R APOSTÓLIC O A O CARDEA L LUDOVIS I (14-6-1631 ) SUMÁRI O — Parecer do Colector acerca das faculdades especiais pedi- das à Propaganda Fide pelos Vigários da Mina. Emin. œ o e Reu. m 0 Sig. r Padron e mi o Colendissimo . Pe r dar e à V . Eminenz a l a pi u aggiustat a relation e ch e poteu o dell i Vicari j dell a Mina , sit a nell a Cost a d i Africa , 1 qual i chiedon o à cotest a Sacr a Congregation e l'istess a facolt à d i assoluer e n e i cas i occulti , ch e i l Concili o Tridentin o ne l capitol o Liceat permett e à Vescoui ; e t i n oltr e d i benedir e para - meña , e t d i consecrar e Calici , e t piett e d'Altare , m i uols i prim a informar e d a un a person a molt o honorata , ch e gi à f ù Gouer - nator e d i quell o Stato , da l qual e h ò cauat o l a relation e ch e mand o co n quest a à V . Eminenz a nell'istess o mod o ch e l'h à dat a a d u n Sacerdote , Ministr o d i quest o Tribunale , ch e man - da i d a lu i pe r quest'effetto . Soggiungend o à V . Eminenz a (gi à ch e m i command a ch e dic a i n quest o i l pare r mio ) ch e pe r no n s i pote r saper e l a confidenz a ch e poss a fars i d i quest i Vicarij , stimere i s i douess e andar é co n l e seguent i considera - tion! . Prim a d i no n dar e ta l facolt à seno n a l Vicari o dell a Mina , parend o ch e egl i sol o poss i bastar e pe r i l poc o numer o de ' Chris - tian i d i quell e parti . 2. 0 Ch e n e à quest o s i douess e dar e senz a l'approuation e de l Vescouo , a l qual e l a Sacr a Congregation e scriuesse , ch e 41 tempo , dig o estau a n o infern o po r se r gentio : o u s e o na õ era , s ó o nom e tinh a d e christaõ . Gouernau a o filh o po r se r j á homem , a o qua l e á su a gent e e u ensinei , qu e estaria õ nest a ocasiã o d e sua s diabólica s exéquia s pert o d e sei s mi l almas , entr e o s seu s e o s qu e viera õ d e fóra . Acabad o d e ensina r aquy , de i volt a pel a Quilunda , caminh o direito , e po r mai s apressad o qu e andei , m e na õ pud e recolhe r sena õ d e noit e a caz a d o alfere s Domingo s d e Carualho , be m contr a minh a vontade , poi s na õ aui a outr a caz a accomodada : qu e ordinariament e fuj o o corp o deste s pallaçios , porqu e o temp o qu e gast o e m seu s comprimento s o furt o a o ensin o deste s negros . E quer o faze r me u offiçi o desembaraçado , e escuza r qu e diga õ qu e so b cap a d e doutrina s m e ench o nesta s caza s d e muita s drogas : qu e des - ta s lingoa s na õ h á qu e fiar . Ao s seis , qu e fo i a o domingo , m e ergu y d e madrugada , po r sere m daqu y á noss a caz a d o Beng o sinc o legoas , ond e che - gue i pela s onz e hora s molhado , ass y po r te r passad o o ri o dua s veze s c õ muit o trabalho , com o po r caus a d e atoleiro s e orua - Ihada s d a alt a erua ; ind a confesse i a dua s pessoas . E cert o qu e na õ podia , d e fraco , dize r missa , ma s po r e m di a sant o na Õ fica r tant a gent e graue , d e tre s e quatr o legoas , desconsolad a se m ouui r missa , a diç e o milho r qu e pude , auizand o ante s a o irma õ qu e estiuess e be m pert o d e mim , porqu e s e acaz o m e dess e algu m acident e d e fraqueza , m e valess e e ajudass e per a na õ cair . Ao s sette , qu e fo i segund a feira , cathequize i a muit a gente , e n a menha m d a terç a feir a seguinte , qu e fora õ oito . À tard e fu i dormi r á Mobella , qu e est á dest a fazend a tre s legoa s pouc o menos ; nest a noit e ensine i a cous a d e trezenta s pessoas . Ao s noue , qu e fo i quart a feira , torne i pel a menha m sed o a ensina r muit a mai s gente . Estaua õ enta õ aqu y o Capitã o Joa õ Pegad o d e Ponte , qu e er a senho r d a alago a e m qu e e u e ell e c õ seu s negro s fomo s caua r a s valia s per a esgota r a ago a e lança r o diabo ; segund o mai s largament e conte i n a primeir a cart a d a 48 Summaria Relação foi . 18 . Nest e mesm o di a fu i dormi r ind a a o Sob a Manivungi , qu e fic a ale m d a fazend a d o Pegad o grande s tre s legoas . A o outr o di a d a quint a feira , qu e fora õ de z d o mes , depoi s d e ensinar , tant o qu e rompe o a menham , a tod a est a gente , volte i direit o á fazend a d o Capitã o Pegado , ond e nouament e ensine i a su a gente , qu e assa z alegr e estau a c Õ o sucess o d a alagoa , e o senho r cad a ue z s e m e mostrau a mai s obrigad o á Companhia . Jmmediatament e nest e di a volte i a dormi r n a noss a caz a d o Bengo , aond e estiu e sest a e sábad o cathequizand o muit a gente , qu e aqu y d e varia s parte s m e esperaua . / / N a menha m d o domingo , qu e fora õ tteze , depoi s d e bau - tiza r quinz e pessoa s adultas , diç e missa : e ditt a m e part y outr a ve s per a a fazend a d o Capitã o Pegado ; aqu y dorm y e s e ensi - no u muit o bem . N a segund a feira , catorz e d o mes , m e part y per a Manivungi , leuand o d e propozit o per a festeja r o caza - ment o q u e u hy a faze r d o fidalgo , com o j á dante s tínhamo s assentado : sei s moço s dançadore s co m viola , pandeir o e outro s instrumento s muzicos ; o s quai s com o era õ bon s portuguezes , cauzaua õ cantand o hú a alegria , qu e attrahi a este s batbaro s a Deus : e est e er a o fi m d e e u l á lho s leuar , fazend o o gast o d o come r o Capitã o Pegado , e m e de u mai s h ú bo i per a a bod a d o fidalgo . A o qua l instru y largament e daquill o e m qu e consisti a o sactament o d o matrimonio , com o j á dante s o tinh a feit o c Õ ell e muita s vezes . Grand e trabalh o m e dera Õ o s Macóta s (qu e sa Õ o s seu s principais ) porqu e com o o Sob a Manivung i tinh a onz e molheres , algúa s parenta s deste s Macótas , cad a h ú queri a qu e ell e cazass e c Õ a su a per a fica r honrado ; pore m o fidalg o lhe s tiro u a s perturbações , dizend o qu e na õ aui a d e caza r sena õ c õ hu a qu e tinh a gentia , filh a d'outr a Sob a vezinh o seu , d a qua l tinh a j á h ú filho , e er a a primeir a qu e tomara . / / N a terç a feira , quinz e d o mes , a bautize i c õ toda s a s ceri - monia s d a Jgreija , e acabad o o bautism o diç e miss a nu m alta r qu e limpament e m e preparo u o irma õ Gonçall o Joaõ , e depoi s 49 o s caze i n a form a d o Concili o Tridentin o ( 2 ) : estaria õ aqu y noueçenta s pessoas . A cad a h ú do s noiuo s deite i po r minh a ma Õ a o pescoç o huã s conta s c õ su a verónic a ( 3 ) e a cad a hu m su a toalh a fin a d e canequy m ( 4 ) d e tre s varas . A o prezent e ind a tinh a per a pô r e m bo m estad o duzento s cazaes , o s quai s o na õ consentirã o n o mesm o di a d o fidalgo , per a c õ ist o o honra - re m mais . / / Aqu y tinh a bautizad o aui a sei s meze s cent o e vint e quatr o pessoa s juntas , qu e sabia õ muit o bem , ond e també m diç e missa , tenh o po r ajudant e o irmã o Gonçall o Joaõ . Ter á est e Sob a aqu y pert o d e mi l e duzenta s pessoas , qu e sed o pore i e m bo m estad o co m o fauo r diuino . Mora õ este s pobre s entr e hú s mato s cruéis , cheio s e pouoado s d e tigre s ( 5 ) ; e sabid a a caus a h é po r estare m mai s afastado s d e brancos , pela s tirania s qu e lhe s fazem : ante s d e chega r a o luga r te m h ú mat o muit o grand e com o muro , e quas i se m caminho ; o qua l curse i muita s noites , dand o m e a ago a pelo s joelhos , send o m e po r veze s necessári o e m alguãa s parte s i r d e gatinha s po r o caminh o se r precipi - tado . / / Primeir o qu e chegass e a pô r e m bo m estad o est e Soba , e o s mai s qu e bautizei , fu i l á vint e vezes , gastand o po r alguã s muito s dia s e m ensinar , dormind o aqu y cous a d e doz e noite s sobr e quatr o paos , tod o molhado , debaix o d e h ú alpendre ; porqu e este s deshumano s gentio s emquant o mu i familiarment e s e naÕ da õ comnosco , vend o algu m branc o doent e o u necessi - tado , enta õ o desempara õ mais , vingandos e d e nó s mai s á su a vontade . E m tant o qu e no s primeiro s dou s mezes , ne m po r ( 2 ) O Concíli o Tridentin o fo i tornad o obrigatóri o e m todo o terri - tóri o angolan o (compreendid o o Cong o e Benguela) , po r cart a d e 2 d e Outubr o dei564 , a o Re i d o Congo . Cfr . Monumenta, II , p . 52 4 e 526 . ( 3 ) Image m d o rost o d e Crist o pintad a e m pan o o u metal . ( 4 ) Estof o indiano , feit o d e algodão . ( 5 ) Com o é sabid o nã o existe m e m Afric a o s tigres. Confusã o co m a panter a o u a onça . 50 dinheir o cous a algu ã m e dera Õ o u venderão : at é qu e enchend o lhe s o s olho s d e minh a muit a paciência , conjeiturára õ se r a noss a le y boa . O Manivung i est á j á mu i mettid o co m o s Por - tuguezes , tend o muito s compadres , e ind o muita s veze s ouui r miss a a o noss o Bengo . / / Nest a mesm a terç a feir a depoi s d e caza r a o fidalgo , e lh e faze r hu ã pratic a ao s seu s d e com o auia ó d e viuer , nã o cazand o ao s duzento s vazais , po r m e aguarda r o Capitã o Gaspa r Borge s n a su a fazend a d a Ensaca . Segund o e u lh e tinh a dad o palaur a m e fu i te r c õ elle , qu e sa õ daqu y sinc o legoas , e l á chegue i co m dua s hora s d e noite : qu e est a fo i a quint a e recreaçã o qu e tome i d o trabalh o qu e tiu e c Õ Manivungi . Reze i ind a nest a noit e patt e d o offiçi o diuino . / / A menha m d a quart a feira , dezassei s d o mes , gaste i e m ensina r at é a s onz e horas ; enta õ diç e miss a nu m corioz o alta r qu e o Capitã o Borge s tinh a ornad o po r su a mão ; n a tard e ensi - ne i e bautize i a oitent a e dua s pessoas , nou e era õ criança s e a s mai s ( 6 ) adultas . / / N a quint a feira , dezaset e d o mesmo , diç e també m aqu y missa , e acabad a reçeb y vint e tre s cazais , e tod o o mai s temp o at é alt a noit e s e ensinou , e á gent e d o Capitã o Pegado , qu e nest e di a chegarã o pel o jantar . / / N a sest a feira , dezoito , depoi s d e dize r missa , reçeb y mai s de z cazais , e tod o o testant e d o temp o at é alt a noit e s e ensi - nou . / / A o sábado , dezanoue , depoi s d e dize r missa , s e ensino u at é o mei o dia , e bautize i a mai s quarent a pessoas , sei s crianças , e a s mai s ( 8 ) adultas , qu e era õ forro s (* ) e escrauo s d o Bor - ges . / / Concorre o aqu y neste s dia s gent e se m numer o d e varia s parte s e m e dera õ muit o trabalh o ante s d e o s pô t e m bo m estado . Aqu y dorm y muita s noite s sobr e quatr o paos ; nã o fall o ( 8 ) Entenda-se . a s restantees . 51 doutra s muita s veze s qu e vi m aqu y d o Beng o amanhecer , send o o caminh o quas i d e quatr o legoas : e depoi s qu e aqu y ensinau a dua s e tre s horas , dau a n o mesm o di a volt a pel a fazend a qu e o Capitã o Borge s te m també m n a Quilunda , n a qua l ensinaua , e n a d e outro s vezinho s qu e s e al y ajuntarã o todos , a saber : d o Capitã o Marti m Correia , d e Sima õ Nunes , d e Joa õ Fernande z o Preto , d o Capitã o Domingo s Fernande z d e Pinda , e d e outros ; ind o neste s dia s muita s veze s dormi r á noss a caz a d o Beng o c Õ dua s hora s d e noite : tend o andad o ante s de z legoas , da s quai s andau a quatr o e sinc o a pé , po r aliuia r o s negro s qu e m e carregaua õ ( 7 ) . Nest e di a fu i á caz a d o Beng o j á alt a noite . / / N o domingo , qu e era Õ vinte , depoi s d e confessa r algu ã gente , e d e ensinar , diç e missa ; acabad a a qua l bautize i nest a noss a igreij a dezanou e pessoas . Dizia õ algús , chorand o lagri - ma s d e alegri a (com o e u ouuy ) qu e ist o er a agor a a primitiu a igreija . Nest a tard e cathequize i algu ã gente . / / À segund a feira , vint e h ú d o mesmo , chegue i at é Callu - calla , qu e dist a dest a noss a caz a set e o u oit o legoas , a certo s seruiço s d e Deus . / / N a terç a feira , vint e dous , torne i a dormi r a o Bengo , j á d e noite . O s quatr o dia s seguinte s at é o sábad o estiu e n o Beng o c õ o irmaõ , cathequizand o muit a gent e qu e al y tinh a vind o d e sei s e set e legoas . / / A o domingo , vint e set e d o mes , apregoe i o santíssim o jubile u nest a sant a missa , qu e V . R. a m e mando u qu e s e ganhass e di a d o noss o patriarc a Sant o Jgnaçio . Estaua Õ enta õ al y o Capitã o mo r Manoe l Antune s d a Sylu a e outro s muito s captitaé s , o s quai s dera õ graça s a Deo s po r vere m o qu e nunc a cuidarã o neste s matos , poi s at é nelle s aui a est a igoari a d o Ceo . Mande i log o a o Dand e e outra s parte s pel a post a auiza t d o jubi - leu . Acabad a a miss a d o domingo , bautize i set e pessoas , e log o ( 7 ) Entenda-se : qu e carregava m comigo , qu e m e transportavam . 52 nest a tard e m e part y a grand e press a outr a ve z at é a Callucall a e outra s parte s po r dua s razoes : Huã , per a co m minh a própri a pesso a mete r a gent e e m mai s fetuo r e e m maiore s dezejo s d e ganha r o sant o jubileu , e també m po r qu e na õ deixass e d e corre r po r l á est a noua , poi s algú s distaua õ nou e e de z legoas : ficand o consoladissim o e chorand o co m alegri a po r Deo s lhe s comunica r o qu e nunc a imaginarão . A outr a raza Õ fo i per a lhe s dizer , qu e na Õ podi a nest a soma - n a bautiza r e caza r a su a gente , segund o lhe s tinh a promettid o anet s d e V . R. a m e auiza r d o sant o jubileu ; o qu e visto , guardás - semo s o s bautismo s e cazamento s per a a soman a seguinte . Nest e doming o dorm y n a Quilunda , e á segund a feir a vintoito , chegue i á s parte s d a Callucalla , e nest e di a po r mai s qu e fi z na Õ pud e vi r a o Beng o po r acodi r a algua s confissõe s d e pessoa s qu e estaua õ morrend o se m copi a d e confessor . E quand o passe i o ri o d a Qui - lunda , qu e seria õ nou e hora s d a noite , tiu e nell e muit o ttabalh o pel o grand e escur o qu e fazi a e muito s lagarto s ( 8 ) qu e nest e ri o há . Deo s po r su a mizericordi a m e liuro u deste s perigo s e doutro s muitos . Est a noit e dorm y e m caz a d o noss o Joã o Paquasseiro . Enta õ reze i tod o [o ] offiçio , e quand o acabe i seria õ onz e hora s d a noite , estand o aind a quas i e m jejum , po r na õ te r temp o d e di a per a come r h ú bocado . E saib a V . R. a qu e soçede m á s veze s tanta s cousa s neste s matos , qu e h é forçad o deixa r a Deo s po r o mesm o Deos . A terç a feira , vint e noue , chegue i á noss a caz a d o Beng o á s de z hora s e meia , pore m estau a ta õ fraco , qu e na õ m e atreu y a dize r missa . Tod o est e di a confesse i at é alt a noit e cous a d e quarent a pessoas . / / N a quart a feira , trint a d o me s e vespor a d o Santo , confes - se i tod o [o ] di a e m pezc , começand o ante s d e se r menham , at é quas i dua s hora s d e noite , c õ candeia , a muito s homés ; a outro s comece i d e confessa r n a madrugad a d a quint a feir a seguint e ( 8 ) Crocodilos . 53 di a d o Sant o e d o me s o ultimo , per a te r temp o d e confessa r d e di a a s molheres , e estiu e confessand o a s at é a s onz e hora s e meia . Neste s dia s confesse i aqu y e m caz a duzenta s e sincoent a pessoas , e na õ fico u nhu ã po r confessar , na õ auend o outr o Padr e ne m Clérig o mai s qu e eu . Houu e muita s confissõe s gerais . Diç e enta õ miss a e fi z minh a pratic a c õ algú s louuore s d o Santo , e agradeciment o d o muit o qu e fazi a a noss a Companhi a pelo s salua r a todos , et. a A deuaça õ do s quai s també m louuei , poi s o s qu e moraua Õ mai s afastado s sete , oit o e de z legoas , na õ repa - rarã o e m calmas , moléstia s d e caminho , etc. a , pel o interess e d e ganha r o sant o jubileu . Commungára õ d a minh a ma õ duzenta s e tanta s pessoas , porqu e ne m a todo s qu e confesse i de i a com - munhaõ , po r na õ estare m ta Õ prouecto s na s cousa s d a fé : n o qu e vo u sempr e muit o atento . Houu e muit a deuaça õ e lagri - mas , perdoe s e amizade s e m algú s qu e estaua õ desunidos , dizend o c õ muito s louuores : Jesus , qu e bell a Religiã o h é esta ! Aqu y s e achára õ o s capitãe s more s Manoe l Dia s c õ se u filho , e Sebastiã o Dia s Tissaõ , e o s capitãe s Manoe l d e Mendo[n]ça , Francisc o d e Sous a d e Carualh o e outro s muitos , d e qu e s e compunh a h ú fermoz o auditório ; porqu e com o er a quissíu o (qu e h é c á o inuerno ) assistia õ este s senhore s na s sua s fazen - das . / / Vei o Sima õ Nune s canta r á viol a muit o bem , e Joa õ Fer - nande z o Pret o també m c õ a sua , auend o d e quand o e m quand o descante , po r entrete r o tempo . Tud o causo u o moue o deuaçaõ . O irma õ Gonçall o Joa õ tomo u á su a cont a o ornat o d a igreija , qu e tant o pel o tect o com o pela s parede s armo u excellentemente . Muito s homé s s e m e offereçêra õ aqu y per a n o seguint e ann o fazere m o gast o d a fest a d o Sant o e d o jubileu , armand o a igreij a e trazend o muzic a d a cidad e etc. a e h ú delle s a da r h ú vas o d e prat a per a a sant a communhaõ ; ma s com o depoi s d e passado s algú s mezes , e ante s d e chega r o di a d a festa , m e tira - rã o d a fazenda , na õ tornand o l á mais , per a i r a segund a ve z a Dong o c õ o P. 6 Joa Õ d e Paiua , fico u send o est e jubile u o pri - 5 4 meir o e derradeir o at é est e ann o d e mi l e sei s cento s e trint a e sinc o ( 9 ) . D e tud o s e d ê a glori a a Deo s e a V . R. a e ao s Padre s e irmão s dess e Collegi o e d a prouinçi a d e Portuga l mui - to s agradecimentos , poi s c õ sua s oraçõe s s e fe s est a pobrez a entr e o s quatr o e o ultim o di a d e Julh o d e mi l e sei s cento s e trint a e hú , c õ tant a perfeiçã o e honr a d a Companhia . / / Noss o Senho r guard e a V . R.ª D o Bengo , ao s dou s d'Agost o d o ditt o ann o ( 10 ) etc. a Súbdit o indign o d e V . R. a a) Per o Tauare s ARS I — Lus.., Cód . 55 , fls . 76-7 7 v . BAD E — Cód . 116/2/4 , fls. 31-32v . ( 9 ) Est e pass o mostr a te r sid o redigid o e m 1635 . O s aconteci - mento s narrado s ocorreram , contudo , e m 163 1 e a cart a tev e est a data . N o códic e d e Évor a todo o períod o é dad o e m nota . ( 10 ) O ditto anno é 1631 . 5 5 1 1 CART A D O PADR E SIMà O D E AGUIA R A O GERA L D A COMPANHI A D E JESU S (12 -8 -1631 ) SUMÁRI O — Recebe ordem -para ir para o Congo — Salda do Padre Duarte Vaz — Missão no Dongo — Mau clima do Congo — Informações do caminho para arribar á Etiópia. Pa x Christ i Chego u a est e Collegi o d e Angol a ord é par a s e i r o P. e Duart e Vaz , qu e estau a po r Superio r n o rein o d e Congo ; parece o a o P. e Reito r e à sant a obediência , par a s e ell e vi r e i r par a ess e reino , qu e foss e e m se u lugar ; uo u mu i consolad o e animado , poi s assi m o ordeno u a sant a obediência , aind a qu e co m muito s achaques , e o caminh o h é comprid o e trabalhoso , e ningué m l á ua i qu e o na õ pagu e co m a uida , o u quand o na õ co m muita s e graue s doenças , com o temo s be m experimentad o d e 1 0 anno s a est a part e qu e h á qu e esto u nest e Collegio . Co m tud o iss o Deu s h é pa i d e misericórdi a e Deus totius con- solationis; na s sua s maõ s est á a mort e e a uida ; ell e escolh a o qu e [hé ] d e mai s se u sant o seruiço ; e u pe r su a misericórdi a uo u aparelhad o par a tud o o qu e ell e ordenar , e post o e m sua s maÕs ; ell e escolha . / / E u i á se i e tenh o be m experimentad o com o esta s terra s piquam . Poi s estand o n o rein o d e Dongo , estiu e tanta s ueze s à morte , e pe r na õ te r saúd e m e mando u torna r o P. e Reitor ; contud o o me u [deuer ] h é obedece r e co m alegria . Deu s des - ponh a com o lh e parece r melhor . / / 5 6 Porqu e se i o zell o grand e qu e V . P[aternidad] e te m da - quell e rein o e s e conserua r nell e a f é e le i d e Deus , e leua r adiant e a cristandade , faunte Deo, qu e d e mi m nad a confio , fare i co m toda s minha s força s qu e ist o u á e m aumento , e d o qu e Deu s fo r seruid o obra r escreuere i a V . P[aternidad] e mu i larg a e meudament e e tomare i noua s enformaçoi s d o caminh o d e Etiópia , e d e tud o enformarei . / / V . P[aternidad] e m e faç a [a ] charidad e botarm e hu a larg a e santíssim a bençaó , par a qu e eu , com o filh o d a Companhia , proced a conform e ell a que r d e nós . No s santíssimo s sacrifício s d e V . P[aternidad] e muit o m e encomendo . / / Loanda , 1 2 d e agost o d e 6 3 1 . Seru o e indign o filh o e m X o d e V . P. e Sima õ dAguia r ENDEREÇO : A o muit o Reuerendissim o Padr e Mutiu s Vítel - lescu s Gera l d a Companhi a d e Iesu s — Roma . ARSI— Lus. , vol . 74 , fls . 193-19 3 v . 5 7 sempr e insist y e m o s ensinar , at é qu e caíra õ n a conta , qu e a le y qu e lhe s e u ensinaua , er a boa ; e com o deste s tinh a cazad o cent o e nouent a e sinc o pessoas , tant o qu e dest a ve s m e viraÕ , deixarã o seu s folguedos , e m e viera ó ve r cheio s d e muit a ale - gria , pond o s e d e joelhos , e batend o a s palma s da s maõs ; cere - moni a qu e uza õ per a c õ aquelle s qu e ama õ d e coração , trazend o m e hú s galinhas , outro s ouos , ago a e at é eru a per a o jument o e m qu e hya . A ago a e eru a lhe s tomei , e o mai s naõ . D e noit e ensinamo s aqu y obr a d e quinhenta s pessoas , tratand o lhe s d o sacrament o d a communhaõ , confissão , etc a ./ / N a terç a feira , ultim o d e Setembro , muit o sed o m e part y per a o Sob a qu e chama õ Quitelle , aond e nunc a tinh a ido , c õ dou s moço s qu e m e empresto u o feito r d o Borge s per a m e ensinare m o caminho , aond e chegamo s pela s quatr o horas , j i (Deo s louuado ) se m febre . Vei o m e log o ve r o Sob a c õ o s principais , e m e troux e h ú prezent e d e dua s galinha s e pouc a farinha , qu e na õ lh e aceitei ; s ó ago a lh e pedy , qu e j á d e noit e m e troux e pouc a e roim , po r s e te r id o busca r daqu y a tre s legoas . Aqu y ensine i d e noite , po r faze r muit o luar , a qui - nhenta s pessoas , c õ grand e trabalho ; porqu e este s gentio s tud o er a ri r e zomba r d o qu e lhe s ensinaua , andand o algú s corrend o e saltand o diant e d e my m com o que m fa z sorte s a touros . E vend o e u qu e na õ aproueitau a n o qu e fazia , tome i h ü pan o (qu e h é o dinheir o d e cá ) e dei o a h ü menin o genti o qu e estau a chorando ; o qu e vist o po r algü s dera õ fam a d a peita , e log o acodi o muit a mai s gent e a ouui r a sant a doutrina . / / Junto s qu e fora Õ comece i a ensina r c õ alegria , e aruore i e m h ú alt o pa o outr o pan o po r premi o per a o primeir o qu e s e sou - bess e benzer ; o s quai s com o sa õ ta õ pobre s e interesseiros , todo s s e applicaua Õ a qua l seri a o primeir o qu e leuass e est a cadei a d'ouro . Enfi m c õ est a sant a inuença õ s e soubera õ oit o benze r e m pouc o tempo ; e a o vencedo r d o premi o (qu e e m dinheir o d e cobr e na õ va i de z reis ) dera Õ e festejarã o c õ grande s apupadas . Fomo s continuand o c Õ a doutrina , n a qua l ficára Õ 64 muito s destro s e m s e benze r e sabe r quanta s era õ a s pessoa s d a Santíssim a Trindade . Acabad a ell a o s mande i c õ alegri a per a sua s cazas , cantand o e m alt a vo z o qu e sabiaõ . Aqu y dormy , algu m temp o mai s descansado , po r nest e Sob a acha r algú s lin - goa s qu e vinha ó merca r droga s d a terra , do s quai s m e ajude i n a doutrina , per a tere m algu m aliui o o s meu s dou s lingoa s qu e leuaua . Este s bon s acerto s m e depar a Deo s muita s vezes , qu e leuand o e m minh a companhi a pouco s lingoas , sempr e neste s mato s ach o outro s qu e m e ajuda õ a trabalha r mais : a o qu e s e na õ negaõ , po r e u o s te r ensinado , bautizado , e cazado . / / Quer o faze r sabe r a V . R. a ond e est a gentilidad e habita , qu e espanta . Sa õ ta õ bruto s que , c õ tere m excellentissima s terras , a s deixa õ e mora õ entr e espinho s ta õ alto s qu e quas i s e na õ pôd e i r pelo s caminhos , po r sere m hú s estreito s carreiri - nhos , e s e espinha r a gent e entr e elles , tend o a s cazinha s ond e viuem , afastada s huã s da s outras . E caminhã o meio s nú s e ensanguentados . Reçeoz o e u do s leoés , pergunte i a o Sob a s e for a ficau a delle s segur o o me u jumento . Responde o m e qu e na Õ o s aui a aqu y ne m outr a fer a alguã . N o qu e s e vê , pouoa - re m este s gentio s po r med o do s Portuguezes , a lugare s qu e a s mesma s fera s po r su a asperez a desemparaÕ . Queime i aqu y dua s caza s e m qu e s e fallau a a o diab o e destru y outra s feitiçarias , achand o este s cafre s ta õ cruéi s per a a s cousa s d e Deos , qu e d e my m confess o na õ m e atreue r c Õ elles ; qu e s ó o Santíssim o P. e Xauie r o s puder a abalroa r e mette r n o caminh o d a saluaçaõ . Na õ obstant e ist o tente i a o fidalg o s e queri a se r christáo , qu e o ensinari a e ao s seu s c Õ bo a vontade . Mu i afout o m e respon - deo , qu e j á er a christaÕ . E perguntand o lh e eu : Que m t e bau - tizou ? diç e qu e a caz a d e cert o home m d e naça õ ( 4 ) o man - dar a chama r h ú clérig o qu e a foi . 7 d a Summaria Carta apon - tamos , e qu e se m lh e ensina r couz a algu ã d a fé , o bautizára , ( 4 ) Judeu , cristão-novo . 5 consentind o lh e qu e ficass e c õ a s manceba s qu e tinha , e c Õ a s idolatria s e m qu e viuia : e qu e est e bo m ensin o lh e satisfizer a muit o bem . Deo s no s acuda . N a quart a feira , primeir o d e Outubro , pel a menha m be m sed o m e part y per a outr o Sob a po r nom e Tongo , aond e nunc a tinh a ido , e chegue i pela s dua s horas . Mandei o chamar , e m e vei o recad o qu e estau a dormindo ; espere i grand e mei a hora , e tornand o lh e [a ] manda r recado , vei o muit o gord o e untado . Deixado s comprimentos , lh e pergunte i s e aui a outr a vid a mai s qu e esta , e m e responde o qu e naõ . E u enta õ sorrind o m e lh e diçe : po r iss o t u está s ta õ gordo , e ten s tant a carniç a d e molhe - res ; á volt a d o qu e o consolei , dizend o lh e qu e po r at é enta õ na õ te r que m o ensinasse , po r iss o ignorau a esta s cousas . / / Mandoum e se u present e d e galinhas , fatinh a e feijões ; a farinh a e galinha s torne i a mandar : e do s feijõe s tome i o s qu e bastasse m per a cea r c õ o s meu s moços , qu e se m sa l e azeit e s e comêraõ ; ma s a my m m e soubera õ mu i be m po r lhe s mistura r a sals a d e S . Bernardo . Ensinous e at é alt a noit e a cous a d e seiscenta s pessoas ; h é gent e mu i doçi l e domauel : pel o que , entend o qu e s e houue r que m c õ elle s continue , este s e o s mai s s e mettera õ n o grémi o d a Igreija . / / N a quint a feira , dou s d o mes , m e part y be m sed o dest e Sob a Tong o per a outr o chamad o Quionzo ; e duzenta s pessoa s qu e ell e tra z semeando , hu ã lego a ante s d e chega r a o se u lugar , mu i espantado s viera õ ve r a o caminho , s e er a e u hom é com o o s outros : porqu e algú s Soba s lhe s tinha õ ditt o qu e e u na õ tomau a cous a algu ã qu e s e m e daua . O qu e mai s largament e s e conto u n a Carta Summaria foi . 3 . A caz a d o Quionz o che - gue i pela s tre s horas , e m cuj o terreir o ache i quinhenta s pessoas , entr e Maceta s e principais , qu e estaua õ dand o jurament o a h ú genti o d e cert a cous a qu e s e lh e leuanto u faze r ma l feita . Na õ perd y est a bo a occaziaõ , e ass y a ago a qu e tiu e fria , fo i ensina r espaç o d e hor a e mei a a este s e a outro s qu e d e nou o s e che - garão . A form a d o jurament o era , da r a bebe r a o culpad o h ú 66 quartilh o ( 5 ) d'ago a esprimid o nell a o sum o d e cert a eru a peço - nhenta ; e s e morr e dentr o d e hu á hora , cre m qu e fe s o mal , e s e viue , qu e h é fals o testemunho . E porqu e o sobreditt o negr o passad a hu á hor a depoi s d e bebe r a agoa , na õ morrera , o abra - çarã o c Õ muit a fest a e alaridos , enchendolh e tod o o corp o d e p ó d a terra . Outro s muito s juramento s te m semelhante s a este . / / Acabad a a doutrin a m e recolh y e m hu á cazinh a dad a pel o Soba , qu e mai s er a sepultur a qu e caza ; a ell a m e vei o ve r o fidalg o Quionz o c õ muit a negragem , po r se r be m poderozo ; est a fo i a primeir a ve z qu e o vy , po r nunc a dante s aqu y te t vindo . Trouxem e sei s galinhas , muit a farinh a e vinh o d e palma ; o qua l e u tome i per a o s moços , e o mai s lh e torne i a dar : c õ qu e fico u pasmado . O janta r dest e di a fo i á noite , c Õ quas i nada , ma s muit o bo m (Deo s louuado ) d a saúde . E por - qu e sei s o u sett e lingoa s aqu y chegarã o nest a noite , co m a su a ajud a torne i a faze r doutrina . / / Este s m e diçera õ c õ certez a qu e haui a pouc o tere m trazid o este s gentio s do s mato s hu a cru z qu e estau a n o terreiro ; a qua l puzer a al y h ü home m branco , e aui a anno s qu e l á estaua , se m nunc a nelle s choue r hu á got a d'ago a na s terra s dest e Soba , send o qu e choui a na s d e seu s vezinhos : ma s qu e e m vind o a Cruz , log o chouêra , o qu e ouuid o po r my m lhe s fi z hu á pratic a explicand o lhe s o qu e er a [a ] Cruz , e que m morrer a nella , aduertind o o s d a reuerençi a qu e lh e deuiaõ , poi s c õ a su a vind a log o sua s terra s tiuera Õ chuua . E ass y a estima õ muito , e alim - pa õ e barre m a miúd o o tetreno . / / N a tard e dest e di a m e soçede o o seguint e cazo . Queixous e m e o Sob a pondos e ant e my m d e joelhos , qu e tinh a àquell a hor a aqu y chegad o d a Loanda , h ú hom e branc o per a s e aga - zalha r d e noite ; e apozentand o o c Õ se u fat o ( 6 ) e negro s e m ( 5 ) Medid a d e líquido s correspondent e a o mei o litro . (° ) Mercadoria s ligeiras , bagagens . 67 a s sua s mühore s cazas , na õ s e contentand o c õ isso , c õ grande s ameaça s e soberb a lh e pedi a a própri a caz a e m qu e c õ su a famili a moraua : pedindolh e outr o s y sessent a carregadore s mai s per a lh e leuare m o se u fat o tre s dia s d e caminho . E porqu e o Sob a lh e dau a pouzad a e carregadores , e o home m insisti a e m pedi r a su a mesma , encarecidament e m e rogau a lh e valess e e foss e bom . Enfadad o tome i o caminh o c Õ o Sob a e muit a mai s gente , e fu i falla r a o homem : pore m tant o qu e no s vimo s no s falíamo s c õ muit a festa . Tratandolh e n o sobreditt o queixum e d o Soba , m e diç e qu e lh e na õ dau a caza s a se u modo : a s quai s e u vy , e era õ muit o boas . / / Diçelh e enta õ qu e s e accomodass e Su a Merc ê nellas , poi s e u e m hu ã be m pequen a o fazia ; e porqu e e u sabi a se r ell e d e naça õ ( 4 ) , lh e diç e também : qu e poi s e u prègau a se r a le y d e Christ o btanda , e suau e e d e muit a paciência , na Õ a fizess e Su a Merc ê crue l e insofriue l c õ sua s ameaça s e rigores . A o qu e enta õ m e respondeo , qu e na õ s ó na s caza s qu e lh e daua õ dormiria , ma s a o seren o s e foss e necessário , abraçand o log o a o Soba , pedindolh e aprendess e o qu e e u lh e ensinasse , poi s s ó a ess e fi m ah y vinh a d e ta õ longe . A o qu e o Sob a m e fico u agradecido , dand o m e s e quizess e muito s mimos , droga s e negros ; e m e diç e qu e c õ o s seu s queri a aprender , e sere m filho s d e Deos . S e houue r continuação , auer á aqu y hu ã grand e conuersaõ , se m nell a torna r atraz , poi s esta Õ cercado s d e muita s fazenda s d e Portuguezes . N a sest a feir a tres , pel a menh ã be m sed o m e part y d e Quionz o per a Golungo ; e estand o j á afastad o d e Quionz o cous a d e mei a legoa , m e soçede o o caz o d a Sftmmaria Relação, foi . 1 7 v° , d o genti o e genti a qu e estaua õ circuncidand o se u filho . Chegad o qu e fu i a o Sob a Golungo , qu e seri a hu ã hor a ante s d a noite , v y o idol o d e qu e j á tratte i n a Summaria Carta breuemente , foi . 9 v ° e agor a dire i largament e o qu e c õ ell e m e soçedeo . / / 68 Doutra s veze s qu e aqu y tinh a vind o a ensinar , lh o na ó tomei ; porqu e com o esperau a c ó a ajud a diuin a d é pô r e m bo m estad o tanto s milhare s d e almas , com o te m est e Soba , junta s c õ a s d e outra s fazenda s d e Portugueze s vezinhos : na o qui z log o entra r d e nou o c õ a espad a arrancada . E sabemo s qu e na s Republica s s e sofre m peccados , po r escuza r outro s maio - res , com o di z S . Gregorio , qu e acab a c õ esta s palauras : Per- mittimus ergo fieri mala, ne fiant deteriora. Ma s agor a o fu i busca r pela s razoe s acim a dittas . Estau a o Ídol o á entrad a d o lugar , e com o s e for a cruz , a o sai r e a o entra r nelle , lh e fazia õ reuerençia . Distau a e u dell e h ú tir o d e pedra , e aqu y m e pu z d e joelho s c õ a s costa s virada s a elle ; log o fi z acto s d e contriçã o e d e fé , dezejand o da r a vid a po r Noss o Senho r s e m e matas - se m in contumeliam Christi, d o qu e po r meu s peccado s na õ so u digno : qu e ne m este s saluagé s d e c á te m est a distinçã o d e matare m pel a fé . / / Acabado s o s santo s acto s m e chegue i a o ídol o e o cospy , dandolh e muito s couces ; arque i c Õ elle , e nunc a d o cha õ o pud e arrancar : e vend o e u qu e estau a ta õ afincad o (encomen - dand o e m me u coraçã o a Deo s o bo m fi m dest a victoria ) ped y hu ã fac a grand e a h ú do s meu s moços , e fi z deli a enxad a co m qu e caue i a o redo r d o ídolo . Arrancad o já , vire i o rost o per a o lugar , e v y esta r po r cim a do s muro s muito s gentio s admi - rado s e colérico s contr a mym , c õ muito s arco s e frechas . Fizlhe s pel o lingo a hu ã pratica , qu e e u er a o se u mestre , e qu e hy a al y e m luga r d o Senho r Bisp o e Gouernado r ( 7 ) : e assy m qu e s e algu m m e atirau a c õ algu a frecha , lh e auia õ o s Portugueze s d e da r guerra . / / Tome i enta õ hu ã cotda , e ate i a a o pescoç o d o idol o e a prend y n o jumento ; diç e a h ú do s meu s lingoa s qu e pel o (7 ) O Bisp o er a D . Francisc o d o Sovera l (1627-1642 ) e o Gover - nado r D . Manue l Pereir a Coutinho , comendado r d e Penel a n a Orde m d e Avis . 69 cabrest o o leuass e á rod a d o terreiro : j á nest e comeno s estau a tud o chei o d e gentio s armados ; e a o idol o qu e s e leuau a arras - tado , hy a e u açoutand o c õ h u borda õ e fazend o outro s vitu - périos , dizend o e m alt a vo z pei o lingoa , qu e er a excellente : Na õ vede s o voss o Deo s açoutado , arrastado , escoucead o etc. a ? Choraua õ nest e pass o muito s delles , lastimado s c õ ve r a s per - raria s ( 8 ) qu e lh e e u fazia ; outro s s e inflamaua õ d e cóler a contr a mym , e e u me u Padre , entr e este s lobos , send o j á alt a noite , supost o qu e fazi a mu i clar o luar . / / Mande i a o lingo a qu e lhe s fizess e outr a prática , estranhan - dolh e qua m grand e peccad o er a sere m idolatra s per a vire m a adora r h ú pao . Estand o e u j á senho r dest a diabólic a preza , m e vei o ve r o Sob a c õ todo s o s principai s se m trazere m arma s e muit o humildes ; pore m ne m ind a ass y m e fiau a delles , reçeoz o qu e naquell e exterio r d e mansa s ouelhas , escondesse m algu ã traiçã o d e leoê s famintos : contud o log o entend y qu e po r enta õ vinha õ c õ o coraçã o sincero . N o comeno s do s comprimentos , qu e d e nad a seruiraõ , m e de u a entende r qu e s e lh e dau a o idolo , m e dari a hu a gross a cadei a d'ouro , qu e a o pescoç o trazia , e negro s d e estim a e preço . A o qu e animozament e respondy , qu e e u entr e elle s na õ dezejau a ne m queri a riquezas , sena õ hu a gera l extirpaçã o d e sua s idolatrias ; e assi m lh e na õ de i o ídol o po r mai s qu e choraua , dizend o qu e er a o se u medico , e o auxili o d e sua s necessidades , sol , chuua , etc. a , ne m lh o der a ind a qu e m e matasse , com o e u mesm o lh e diç e muita s vezes . / / Daqu y m e leuo u o Sob a a apozenta r e m h ü alpendr e dentr o d o lugar , ind o j á o ídol o encim a d o jumento , fortement e amar - rad o co m hu ã corda , e entr e my m e o s meu s lingoas . Chegad o qe u fu i a o alpendre , c õ certez a cuide i qu e m e matasse m aqu y po r m e ve r cercad o tod o d e tanto s gentio s armados ; ma s Deo s m e liuro u dest a e da s outra s vezes , po r su a infinit a mizeri - ( 8 ) Desfeitas , pirraças . 70 cordia . Disfarce i o pauo r qu e tinha , segund o milho r pude , dizendolhe s qu e fosse m ceiar , e qu e a o depoi s fariamo s dou - trina , podend o sucede r fazers e tud o qu e elle s dezejauaõ , e qu e també m e u queri a çeiar . / / Jdo s elle s amortalhe i o idol o entr e a minh a cama , qu e er a hu ã esteira , se m qu e diss o algu m dess e fé : e enta õ reze i vés - pera s e completa s d'est é dia . Faltandom e ago a per a çeiar , lh a mande i pedir , e fo i ta Õ crue l qu e ne m est a ne m outr a cous a o u d e graç a o u po r dinheir o m e qui z dar . Assy m qu e s ó c õ farinh a passe i est a noit e c õ a minh a gente , estand o ta õ frac o e cansado , com o facilment e s e ver á d o muit o qu e d e di a tinh a andad o e trabalhad o e m jejum . Co m tud o sej a Deo s bendito . Na õ m e apaixone i po r ist o contr a elles , ante s sah y d e caz a a lhe s faze r hu ã breu e doutrina , po r mai s na õ poder : tend o sem - pr e á vista , o ídol o amortalhado . / / Acabad a a doutrin a o s desped y per a ire m dormir , e e u o na õ fi z e m tod a a noite , veland o na õ m e tomasse m o ídol o á s escondidas , o u com o esta õ pel o serta õ dentro , m e na õ matas - [sjem . O qu e muit o m e admirou , fo i qu e co m sere m o s meu s dou s lingoa s criado s n o Collegi o desd e meninos , nunc a po r mai s qu e lhe s rogue i m e ajudasse m a arranca r o ídol o d o chaõ , o quizera õ fazer : cuidand o qu e s e lh e pegasse m c õ a maÕ , auia õ log o d e morrer . E na õ fo i pouc o c õ o lingo a mai s valent e e m o conuençe r c õ razoe s e peita s per a m o traze r embrulhad o n a esteira . / / A o sábado , quatro , be m sed o m e part y dest e Golungo , deixand o ind a blasonand o contr a my m este s bárbaros , po r mai s abraço s e caricia s c õ qu e délie s m e despedy . Chegue i pela s dua s hora s a outr o Sob a po r nom e Bamba , irma õ d e Golungo , Se m maiora l estaua õ este s gentios , e muit o triste s po r se r mort o d e pouc o est e Sob a Bamba , cuja s diabólica s exéquia s estaua õ celebrand o cous a d e quarent a Sobas , qu e á mort e d e ta Õ grand e senho r tinha õ decid o d a Eilamba . O mod o dela s sa Õ hú s baile s 71 po r nom e Maquínos , muit o imodestos , dirigid o tud o á luxuria ; canta õ e choraõ , e log o comem , e depoi s torna Õ a bailar . / / Aqu y v y junt a a mai s gente , qu e neste s Reino s aui a visto . Muita s veze s continue i e m ensina r est a gent e d e Bamb a e Nambacalombe , e sobretud o a d e muita s fazenda s d e Pottu - guezes , qu e esta õ á rod a deste s gentios ; porqu e com o a s terra s deste s dou s Soba s sa õ ta õ fert[e]i s d e mantimentos , palmei - rais , etc a , facilment e s e podia õ aqu y faze r quatr o o u sinc o fre - guezias , co m a rend a da s quai s bastantement e s e pudera Ó seu s parocho s sustentar . E m tant o qu e o s próprio s Soba s s e m e manifestarã o dezejoso s d e qu e al y houuess e clérigos , e qu e per a iss o contribuiria õ co m part e d e sua s tetras . / / Aqu y dorm y e ensine i o milho r qu e pud e a tod a est a maquin a d e gente , e lh e queime i tre s caza s d e feitiçaria . Algú s d e seu s parente s m e diçera õ po r cous a certíssima , qu e o Bamb a n a hor a d a mort e pedir a c õ muit a instanci a o bautismo , dizend o qu e queri a morre r n a le y qu e lh e e u tinh a ensinado , e qu e lh e pezau a muit o d e te r sid o idolatr a e d e aue r offendid o a Deos : ma s qu e na õ houuer a al y que m o bautizasse . Cuid o e u qu e s e saluou , porqu e ind o al y ensinall o muita s vezes , folgau a d e aprender , e m e diç e qu e o aui a d e pô r e m bo m estad o e a seu s vassallos ; ma s com o enta õ o na õ bautizei , ne m a outr o algu m se u vassallo , supost o muito s sabere m bem , po r espera r bo a conjunçã o d e o s mete r n o grémi o d a Jgreija , junto s c õ o s escrauo s do s Portuguezes , per a ficare m mai s inteirado s ( 9 ) n a f é se m perig o d e torna r atraz : lhe s ensinei , qu e s e algu m estiuess e n o artig o d a mort e send o ind a gentio , adulto , e na Õ houuess e que m o bautizasse , qu e desejass e d e coraçã o recebe r o bautismo , tend o f é d a part e d o entendimeno , e d a part e d a vontad e conuersa õ a Deos , co m detestaça õ d a vid a passada ; e outra s cousa s boa s a est e propósito . / / ( 9 ) Certificados , informados . 7 2 N o domingo , sinc o d o mes , pel a menha m m e part y daqu y per a a fazend a d e Manoe l Ferreir a Arco ; ante s d e chega r a su a caz a est á h ú oiteir o altíssimo , a o p é d o qua l tud o sa õ aruo - redo s ameníssimos , e o n o c Õ se r mu i grand e desaparec e ao s qu e o ve m d e cima . Crei a V . R. a qu e quand o nest e pass o vi a a altur a deste s montes , co m a profundez a do s valle s e bosque s fresco s co m tanto s rochedo s cortado s d e hu a e outr a parte , de y graça s a Deos , com o auto r d e toda s a s cousas ; e co m raza õ s e puder a canta r dest e luga r o psalmo : Benedicite omnia etc. ª / / H á també m nesta s montanha s muito s animai s brabos , e aui a pouc o temp o qu e h ú lea õ matar a aqu y junta s dua s empa - cássas , qu e sa õ com o e m Portuga l dou s touro s brabissimos ; e o mesm o home m ond e e u estau a agazalhado , qu e vir a bebe r dou s leoêe s d e h ú alt o oiteir o n o rio , d a grandez a d e nouilhos , m o certifico u po r verdadeiro . E po r tira r alg ú frutt o d o qu e acim a digo , ach o qu e fic o mu i pouc o e m lida r c õ est a gentili - dade , pel a qua l o mesm o Crist o derramo u se u preçioz o sangue ; tanto , qu e na õ fizer a muit o s e descalç o e d e joelho s cursar a este s mato s pelo s ensinar : poi s seu s próprio s senhore s pel a poss e d e quatr o graõ s d e terra , ve m aqu y mora r arriscado s a tanto s perigo s d e feras , e po r colhere m h ú punhad o d e farinh a d e pao . Pert o d a noit e ensine i a gent e dest e home m e aqu y dormy . / / N a segund a feira , sei s d o mes , ensine i tod a a menha m á gent e da s fazenda s d e dua s legoas , qu e concorre o aqu y po r lh e manda r auiz o diante , a saber : á d o Capitã o Gaspa r Borge s d e Madureira , qu e aqu y rezid e e m hu a su a fazenda , e seria Õ çe m pessoas , escrauo s seu s e forros ; á d o Capitã o Alexandr e Bonina , á d o alfere s Domingo s Soeiro , á d o Capitã o Domingo s Lui s d'Andrade , qu e aqu y te m outr a fazenda ; á d e outr a fazend a qu e aqu y te m o Capitã o mó r Manoe l Antune s d a Sylua , e d'outro s muito s cujo s nome s m e esquecem . Er a per a louua r a Deo s ve r tant a gente , e sobtetud o ouui r tanta s veze s nomea r o santíssim o nom e d e Jesus , qu e d'aquell e altíssim o 7 3 cidade ; aqu y dorm y e ensine i a su a gent e e d e quatr o fazenda * á roda . N a quint a feira , noue , m e part y daquy , e fu i corrend o a * fazendas , vend o o qu e sabi a a gent e d e cad a hu ã delias ; dorm y n a fazend a d e Per o Carrilho , ond e ensine i a muito s qu e al y concorrerão . N a sest a feira , dez , part y daquy , e fu i visitand o e er>r> - nand o a gent e da s fazenda s seguintes ; e fu i dormi r a caz a d e ht i negr o qu e mor a junt o d a alago a d e Quico , ond e s e ensino u muit o bem . O grand e trabalh o qu e leue i e m corre r fazendas , e ensina r gente , fo i nest a soman a pouc o sentid o d e mym , c õ o gost o e alegri a qu e recebi a d e ve r muit a gent e ta Õ adiantad a n a sciençi a da s cousa s d a fé . / / A o sábad o chegue i pela s de z hora s á noss a caz a d o Bengo ; aind a diç e missa , po r m e aue r confessad o n o di a dante s co m o Capella õ d a igreij a d a Quilunda . A ningué m de i cont a do s Ído - lo s at é o domingo , except o a o irmã o Gonçaíl o Joaó . A o domingo , doze , diç e miss a n a noss a igreij a á muit a gent e qu e acodi o deste s arredores : n a estaçã o ( 1S ) o s auize i qu e acabad a a miss a esperassem , porqu e lhe s queri a mostra r dou s diabos . Todo s festiualment e s e aluoroçára Õ per a o s verem . / / Ditt a a miss a e tendom e encomendad o a Deos , tome i publicament e o jument o qu e j á estau a aparelhado , e ateilh e á caud a o s dou s idolo s enforcado s pelo s pescoço s nu ã corda , e o s chucalhos , campainh a e outra s cousa s d e feitiçarias . E man - de i a h ú negr o qu e tomand o d o jument o pel o cabrest o o guiass e e m rod a pel o torreiro , co m o s idolo s arrastado s pel o chaõ , e jun - tament e mande i a quanto s negro s al y estaua õ qu e cospisse m e espancasse m c õ o s pé s e pao s ao s idolo s e fizesse m outra s afron - tas . Milho r d o qu e e u o dezejaua , fizera õ tudo , gritand o e m alta s vozes : Diab o fora , Diab o fora , perr o ( 19 ) , maldito , etc a . / / ( 1S ) N a estaçã o d a missa , a o Lavabo. ( 19 ) D o espanhol : cão , vilão . 8o Nest a pequen a missã o qu e fiz , gaste i pert o d e trè s soma - nas , andand o a maio r part e d o temp o a pé ; assy m po r do s peito s abrir , c õ a fragozidad e do s caminhos , o jumento , com o porqu e ind a qu e foss e saõ , na õ s e pode m anda r a cauall o esta s monta - nhas , po r caus a d e sua s muita s e mu i precipitada s ladeiras . Tod o est e piquen o trabalh o do u po r mu i be m empregado , po r s e dirigi r a encaminha r á dilataçã o e propagaçã o d a f é d e Chris - to , c õ tant o proueit o dest a Republica , honr a e louuo r d a Com - panhia ; obrad o tud o co m a s santa s oraçõe s do s Religioso s d'ess e Collegio , e do s Padre s e irmaõ s d a prouinçi a d e Portugal , e co m a s pouca s força s dest e debilitad o instrumento . / / Deo s guard e a V . R. 3 e m e encomend e muit o e m sua s orações , porqu e fic o indispost o d e hu ã febre , ind a qu e d e pé ; d a qua l melhorand o he i d e ir , c õ o fauo r diuino , á s parte s d o Dand e (po r se r chamad o po r carta s do s moradores , qu e m e dera õ n o caminho ) respeit o d e lhe s ensina r a su a gent e e faze r outro s seruiço s d e Deos ; e da y he i d e volta r pel a prouinçi a d a Eilamba , e tenta r com o est á o grand e Sob a Cacullocahang o e m determinaçã o d e s e conuerter ; e finalment e á s fazenda s d a Coanza , a saber : d o Capitã o Manoe l Castanho , d o Capitã o mo r Roqu e d e S . Miguel , e d o Sargent o mo r Antoni o Btuto , e dal y á noss a fazend a d o Calle , e á s mai s vezinha s a ell a e cuid o gastare i h ü mes , dandom e Deo s saúd e per a faze r est a emprez a muit o d o seruiç o d e Deos , qu e guard e a V . R. a , e m cuj a bença õ m e encomendo . Ao s catorz e d e Outubr o d e mi l e sei s cento s e trint a e hum . Súbdit o indign o d e V . R.ª a) Per o Tauares . ARS I — Lus., Cod . 55 , fls . 78-83 . BAD E —Cód . 116/2 /4, fls - 33-38 . 6 81 1 5 CART A D O COLECTO R APOSTÓLIC O A O CARDEA L BÓRGI A (1-11-1631 ) SUMÁIR O — Trata do envió de missionários -para a Mina — Partida de 18 missionários para o Monomotapa. Emin. m o e Reu. m o Signo r Padron e mi ó Colendissim o Co n l'ultim o corre o d i Madrid , h ó riceuut o un a d a V . Emi - nenz a dei ' 2 0 d i Settembr e passat o i n rispost a dell a mi a scritt a á cotest a Sacr a Songregazion e sopr a l a relation e dell a Citt a dell a Min a sit a i n Affric a nell a Cost a d i Guinea ; dall a qual e uedend o com e l a medesim a Sacr a Congregazion e desider a ch'1 0 procur i d i fa r mandar e i n quell e part i pi ú oparari j ecclesiastic i ch e sar a possibile , no n mancher ó d'essegui r tutt o quell o ch e sar a i n m e pe r conseguir é quest o sant o fine ; e t pe r ch e hor a s i tratt a d i manda r l a u n fidalg o amic o mí o pe r Gouernatore , far o sec o ogn i diligenza , acci o n e conduc a í l maggio r numer o ch e potra . / / Jntant o star o aspettand o í l Breu e dell e facolt á spirituali , ch e l a Sacr a Congregazion e h á nsolut o d'impetrar e a fauor e de l Vicari o Espiscopal e dell a medesim a Citt a dell a Mina , pe r poterl o minar e co n l'occasion e de l Gouernatore , ch e ander a a Marzo , quand o s i nsolu a ch e uada . H ó stimolat o l'Arciuescou o d i Goa , religios o Domenican o ( 1 ) , ch e s i trou a i n Cort e d i Madrid , á far ' ogn i oper a pe r haue r Missionarij , e t m e serm e co n quest'ultim o correo , ch e S . Maest a gli e n'h a concess i 1 8 (1 ) D . Manue l Tele s d e Brito . 82 pe r l e part i de l Monomotapa , ch e quand o s e n e trouin o tanti , ch e uadano , sar a buo n socorr o ali a gra n necessit a d i quell e parti . Co n l a nau e hor a giont a dall'Jndie , h ò riceuut o l e du e anness e letter e pe r l a Sacr a Congregazione , l e quai l mand o a V . Eminenz a co n questa , e t l e facei o humilissim a riuerenza . / / D i Lisbon a prim o Nouembr e 1631 . D i V . Eminenz a [Autógrafo] : Hum. 0 e t oblig. 0 seruitor e Lorenz o Vesc. 0 d i Gerac e S. r Card . Borgia . AP F — SRCG, vol . 74 , fls . 316-31 6 v . 83 1 6 CART A D A PROPAGAND A FID E A O COLECTO R APOSTÓLIC O (20-11-1631 ) SUMÁRI O — Estado religioso do Reino de Monomotapa e provisão de missionários religiosos — Penúria de pessoal nas missões do Reino do Congo e providências a estudar. Esendos i riferit e i n quest a S . Congregation e l e letter e d i V . S . circ a i l Regn o d i Monomotap a e dell'altr e residenz e d e Religios i nell e Cost e d'A£ric a dop o i l Cap o d i Buon a Speranza , cjuest i mie i Eminentissim i Signor i ch e hann o sentit a l a penúri a d e Religios i ch e s i trou a i n quell e parti , desider a ch e V . S . tratt i co n que i Religios i ch e haurann o cognition e e prattic a d e sodett i paesi , de i mod o co l qual e s i potrebbon o prouide r d'ope - rari j ecclesiastici , e d i quant o intender a n e dar á auuis o ali a medesim a S . Congregatione . / / Quant o a l mal e stat o de i Regn o d i Cong o pe r l a penúri a pur e d'operari j ecclesiastici , uedendos i esse r cos i grande , gl i stess i mie i Eminentissim i hann o uolut o ch e s i referisc a d i nuou o nell a Congregation e prossim a ch e s i terr a nanz i l a Santit à d i N . Signore , ch e etc . / / Roma , 2 0 nouembr e 1631 . AP F — Lettere Volgari, vol . n , £ls . 122-12 2 v . NOTA — O problem a referent e a o Rein o d o Congo , a qu e alud e o Secretári o d a Propagand a Fide , fo i efectivament e tratad o e adiado , n a congregaçã o cardinalíci a d e 9 d e Novembr o d e 1631 , neste s termos : 84 Referent e eode m Eminentíssim o Domin o Cardinal i Pamphylio , littera s eiusde m Collecton s [Lusitaniae ] d e stat u Regn i Congi , quoa d Religione m e t d e pericul o n e ib i christianitati s nome n aboleatur , o b penuria m operarioru m ecclesiasticoru m extremam , Sacr a Congregad o iussi t iterut n praedicta s littera s referr i cora m Sanctissim o Domin o Nostro . AP F — Acta, vol . 7 (1631) , fl . 135 , n.º 17 . 85 1 7 MISSà O FRANCISCAN A A O REIN O D O CONG O (25-11-1631 ) SUMÁRI O — Trata do envio de uma missão de franciscanos descalços ao Reino do Congo — A respeito do Bispo e outros pro- blemas propostos tratar-se-ia mais tarde. Referent e Eminentíssim o Cardinal e Sanct i Sixt i (1 ) diuersa s petitione s Régi s Cong i i n Affrica , e t Parochiaru m i n e o ni - mia m distanciam , Sacr a Congregati o missione m 4 fratru m dis - calceatoru m Sanct i Francisc i a d Regnu m Cong i decreuit , pe r Collectore m Lusitania e eligendorum . / / D e reliqui s petitiombu s uelu t d e Jndulgentijs , d e Altar i priuilegiato , d e Militi a i n Regn o erigend a su b inuocation i Sanctissim i Saluatoris . D e Episcop o Cong i a d residentia m i n e o faciend a e t no n i n Angol a compellendo . D e eiusde m Epis - cop i imprudenti a i n suspendend o Régi s confessario , e t d e non - nulli s alij s Sacr a Congregati o lussi t iteru m d e eisde m petitio - nibu s referr i cora m Sanctissimo . AP F — Acta, vol . 7 (1631) , fl . 14 5 v. , n. ° 26 . (1 ) Assi m fico u cognominad o o Cardea l Laudiviu s Zacchia , no - mead o par a o Títul o e m 9 d e Fevereir o d e 1626 , mesm o depoi s d e o te r deixado . 86 1 8 DECRET O D A PROPAGAND A FID E AO S SUPERIORE S REGULARE S (25-11-1631 ) SUMÁRI O — Nem os Superiores Regulares podem remover seus sub- ditos das missões inconsulta a mesma Congregação, nem tão-pouco os Prefeitos, a não ser em caso de escândalo. D e Remotion e Missionarioru m Eminentissim i Patre s Congregationi s d e Propagand a Fid e praecipiendu m ess e censuerunt , ptou t praesent i decret o distnct e praecipiun t Superioribu s Regularium , n e eade m Sacr a Congre - gatlon e inconsulta , quoui s ptaetextu , causa , au t quaesit o colore , directe , ve l indirect e Missionário s a sui s remouean t Missioni - bus . Prœfecti s vero , qu i i n singuli s Regulariu m Missionibu s a b eade m constitu i soient , etia m s i Prouinciale s sint , no n licea t ips a stmilite r inconsulta , Missionário s sua e Praefectura e subie - cto s a sui s remouer e Missionibu s nis i o b graue s causas , ve l i n cas u praesenti s ve l imminenti s public i scandali , d e quibus , a c Missionarioru m remotione , e t alioru m i n remotoru m locu m substituendoru m quamprimu m pe r ipso s facienda , eamde m Sacra m Congregatione m quantociu s certiore m facer é teneantur , no n obstantibu s &c. ª Di e 2 5 Nouembn s 1631 . Supr a dictu m Dectetu m i n praesent i Congregation e exa - minatum , e t probatum , Sanctissimu s D . N . auditi s sententij s 87 Eminentissimoru m Patrum , illu d confirmauit , e t a b omnibus , quoru m interes t obseruar i mandauit . [.. . ] Decembri s 1631 . Franciscu s Ingol i Secretariu s BN M —Ms . 3 . 818 , fis . 78-7 8 v . NOTA —A mesm a Congregaçã o decretar a j á e m 1 5 d e Junh o d e 1630 : Sacr a Congregad o d e Propagand a Fide , v t Missionari j Regulare s faciliu s i n disciplin a regulari , etia m du m sun t i n missionibu s conti - neantur , praesenri . decret o declarauit , e t declara i eosde m Missionário s suaru m Religionu m Superioribu s eorumqu e Jurisdictioni , e t correction i i n omnibu s ess e subiectos , praeterqua m i n cas u amotioni s a Missione , qua e a b eide m Superioribu s fier i null o mod o potest , nis i priu s con - sult a eade m Sacr a Congregatione . BN M — Ibidem, fl . 78 . 88 1 9 CART A D A PROPAGAND A FID E A O COLECTO R APOSTÓLIC O (3-12-1631 ) SUMÁRI O — Informados do estado religioso do Congo os Cardeais encarregam o Colector de agenciar o envio de uma missão de Franciscanos — Pedem que faça o que -puder para subvencionar às despesas a fazer com a mesma. Essendos i nferit e i n quese a Sacr a Congregation e l e letter e d i V . S . e uedut a e t essaminat a l a cart a dell e Parochi e ch e son o ne l Regn o de i Congo , quest i mie i Eminentissim i s i son o risolut i d i fa r un a mission e à que l Regn o d i 4 sacredot i d i scalz i dell'or - din e d i S. t 0 Francesco ; e perch e no n hann o notiti a d e soggett i ch e sarebbon o à proposito , pregan o V . S . ch e facei a diligenz a d i trouarl i e nominarl i ali a medesim a Sacr a Congregatione , ch e s e gl i spedirann o l e patent i e facoltà , e s e l i commetterann o alcun i negoti j d a tratta r co n que l Rè , i l qual e h à scritt o à N . Signor e e t h à domandat e diuets e grati e à S . Santità . / / S'informer a anch e V . S . déli a spes a de l viaggi o e de l mod o ch e s i potrebb e tenere , pe r haue r i n cotest e part i qualch e aiuto , acci ò l a dett a spes a no n foss e tropp o grau e all a Sacr a Congre - gatione , ch e pe r ancor a no n h à rendit e sofficienti , pe r suppli r i n tant i bisogni , e pe r fin e etc . / / Roma , 3 décembr e 1631 . AP F — Lettere Volgari, vol . n , fis . 128V.-129 . 89 O qu e s e m e offereç e d a fazend a h é qu e s e d ê said a hà s fazenda s qu e esta õ depositada s per a pagament o d a conquista , d e qu e mande y çertidoen s po r duplicada s uias , e lemb[r]e y mandass e V . Magestad e orde m per a s e nauega r o s direito s po r cot a e risco d e V . Magestad e e per a s e passa r po r índia s a grand e cantidad e d e fazenda s correntes , e panaria , qu e naquell c Reyn o esta õ depositada s po r ord é d o conselh o d a fazenda , per a V . Magestad e s e uale r delia s na s necessidade s dest e Reyno , o qu e s e puder a faze r no s remouimento s d o contrato , e ante s d e s e contratar , d e qu e auize y a tempo , e na õ tiu e re[s]posta ; e qu e s e faç a Regiment o d a fazend a per a cad a ministr o atende r a su a obrigaçã o e na õ aue r a s duuida s d e jurisdiçã o qu e h á entr e elles . Qu e o s feitore s de m fianç a po r reza Õ d a muit a fazend a qu e sobr e elle s s e carrega , no s remouimento s d o con - trato ; e qu e uenha õ da r cont a e n s e acaband o o temp o d e seu s prouimentos . Do s Soua s e tributo s co n qu e s e avaçalara Õ mande y a V . Magestad e hu a lista , e aponte y nell a a s quebra s e duuida s qu e aui a n a cobranç a delles , co m a escritur a pe r qu e s e ava - çalo u elRe y d e Dong o a V . Magestad e co m çe m peça s d e escrauo s d e feud o cad a anno ; e d o qu e renderã o e m me u temp o informe y despoi s qu e ui m d o gouerno , po r cart a qu e detig i a o Secretari o d e estad o Diog o Soares , com o V . Magestad e m e mando u po r cart a sua . / / Per a o s Soua s podere m paga r o s tributo s qu e prometerão , mand e V . Magestad e qu e o Gouernado r obrigu e co m tod o o rigo r ao s Capitaen s da s fortaleza s o s na õ cham e h a ellas , ne m o s uexe m po r modo s iliçito s d e qu e uza õ per a lhe[s ] dare m peça s e escrauo s a qu e chama õ prói s e precalços , dizend o qu e V . Magestad e lhe[s ] fa s merc ê delle s na s patente s d e seu s prouimentos , e o s Soua s lha s da õ po r remire m su a uexaçaõ . / / Qu e o mesm o rigo r s e tenh a co m o s moradores , e qu e seu s escrauo s na õ ua õ hà s terra s do s Souas , ne m tenha õ c Õ elle s ocambas, qu e sa õ prezentes , ne m jnfutas, qu e sa õ uenda s fia - 96 das , e o s na õ obrig[u]e m [a ] faze r obra s na s fortaleza s ne m caza s do s soldados , porqu e sae m sempr e ma l acabadas , e o descontentament o do s Capitaen s s e compõe m a peças . / / Qu e s e lhe s na õ peç a carregadores , qu e sa õ escrauo s d e carrega , sena õ per a a s muníçoens , quand o s e leua õ per a a s for - taleza s e a s fazenda s qu e fore m per a pagament o do s soldados , e e n nenhu ã maneir a a s d e negocio , e uinhos , porqu e na õ pode m paga r tanto s tributos./ / Qu e na õ uenha õ obrigado s po r forç a po r nenhu ã ui a h à cidad e d e Loanda , s e na õ fo r e m seruiç o d e V . Magestade , o u h a pitiçã o e po r conueniençi a do s Souas . / / Qu e na õ ua õ a sua s terra s portug[u]ese s qu e po r orde m do s gouernadore s fore m cobra r o s tributo s d e V . Magestade , e qu e po r ess e seruiç o s e lhe s d ê ordenad o d a Fazend a Real . / / Qu e na õ leue m fazenda s d e negocio , ne m peça õ ao s Soua s mai s qu e o tribut o d e V . Magestad e e qu e soment e aceite m delle s gasalhado , enquant o estiuere m n a su a banza , qu e h é a pouoaça õ d o Soua . Qu e o s mocanos, qu e sa õ auçoen s uerbai s e m sua s conten - da s e demandas , o s faç a o ouuido r geral , letrado , e qu e o s mora - dore s e capitaen s o s na õ façaõ , porqu e d e o s faze r rezulta õ injus - tiça s mu y conçideraueis , porqu e o s iulga õ po r lei s gentílicas , e na õ polia s politica s (6) , e pell a ordenaçã o qu e V . Magestad e mand a s e guard e naquell e Reyno , e d e ordinári o mont a mai s o qu e paga õ qu e o qu e s e julga , e pag a o re o e o autor . Dan - doss e a o referid o remédi o efectiuo , pagarã o o s Soua s o s tributo s qu e prometerã o e tera õ po r merc ê grandíssim a liuralo s V . Ma - gestad e d a tirani a qu e padecem , po r aue r nest a matéri a cazo s qu e m e pei o d e o s dizer , e porqu e imped y algú s delles , e pro - cure y euitalos , s e descontentarã o d o me u gouerno . / / Deuess e abate r a todo s o tribut o do s encombros, qu e sa õ chibarro s e a s vaccas , porqu e a s na õ há ; a s almadia s porqu e ( 6 ) Civilizadas . 7 97 ua ó faltand o a s madeiras ; o azeit e ao s Soua s qu e na õ te m e m sua s terra s palmeira s d e qu e s e fas ; e ao s d e long e a s galinhas , porqu e a s traze m mortas . Qu e s e faç a declaraçã o n a calidad e da s peças , porqu e a tod a sort e d e escrau o chama õ peça , e c õ a s dita s declaraçoen s ficarã o mai s aliuiado s per a paga r o tribut o a qu e ficare m obrigados , porqu e dize m qu e na õ entenderã o o ficaua õ per a sempre , post o qu e lhe[s ] declararã o no s asento s perqu e s e obrigarão , o ficaua õ a paga r po r sy , e po r todo s seu s sucçessores , com o const a d o liur o e n qu e esta õ asentados , n a fotm a d e minh a instruçã o qu e tenh o per a entrega r a que m V . Magestad e m e ordenar . / / Fi s repartiçã o da s terra s d o Secle , d o Ry o Bengo , d o Ry o Dande , da s Izangas , e d o Ry o Coanza , po r todo s o s moradores , n a form a d e me u Regimento , e n grand e vtilidad e d e tod o aquell e Reyno , e acresentament o d a fazend a d e V . Magestade , po r reza õ d o creçiment o do s dizimo s ( 7 ) . Dell a mande y list a a V . Magestad e e ped y a mandass e confirma r per a o s con - firmado s a s beneffiçiare m com o suas , d e qu e na õ tiu e re[s] - posta , ne m d e outro s particulare s tocante s h à Fazend a Real . / / Mande y acaba r a s caza s noua s d a cadea , qu e principio u Joa õ Corre a d e Sousa , e per a ella s mande y passa r a s audiências , offiçiai s d a Camer a e prezos , ante s d a chegad a d o gouernador . E a s qu e seruia õ diss o mande y adereça r per a o gouernado r s e agasalha r nellas , po r sere m a s milhore s d a terra , e estare m n a praça , e n o milho r çity o d a Cidade , e mai s conuenient e per a o s requerentes , e per a s e escuza r despende r d a fazend a d e Voss a Magestad e cent o e sincoent a mi l rei s cad a anno , d e qu e V - Ma - gestad e fazi a merc ê ao s gouernadore s d e apozentaduna . Quand o entre y n o gouern o (8) s e procedi a e n todo s o s cazo s militarment e e na Õ s e praticau a gouern o politico , ne m ( 7 ) Nã o design a aqu i term o eclesiástico , a dízim a pag a à Igreja , ma s a dízim a devid a a o Estad o com o contribuiçã o pública . (8 ) N o di a 2 2 d e Junh o d e 1624 . 98 aui a distinçã o d e hu m a outro , d e qu e de y cont a a V . Mages - tade , e per a s e faze r conform e a s lei s e ordenaçoen s dest a Corroa , ped y a V . Magestad e m e fizess e merc ê d e manda r hàquell e Reyn o ouuido r d e letra s e experiênci a qu e m e ayudass e n o gouern o d a justiça , poli a muit a falt a qu e aui a delia , e qu e seruiç e d e jui s do s orfaõs , d e prouedo r d a fazenda , d a comarca , do s defunto s e auzentes , e da s causa s d o mat , polia s aue r d e muit a importância . / / Fe s m e V . Magestad e merc ê e m manda r o licenciad o Deo - nizi o Soare s d e Aluergaria , o qua l pô s a s couza s d a justiç a e m ta m bo a orde m qu e s e começo u log o a ue r d e quant a utili - dad e era , porqu e s e começarã o a processa r o s feito s çiuei s n a form a d a ordenação , dand o appellaça õ e aggrau o per a est a Cort e e Caz a d a Supplicaçaõ , e o s cazo s crime s sentençeau a comig o n a form a d o me u e se u Regimento , e n o juiz o do s horfaÓ s pro - çede o C Õ tant a inteirez a e diligencia , qu e na õ auend o inuen - taito s cerrados , ne m partilha s feita s desd o principi o d a con - quista , d e qu e rezulto u grand e dan o ao s horfaõ s e viuuas , ell e a s fe s todas , e de u a cad a hu m o qu e lhe s tocau a d e sua[s ] legitimas , co m muit a satisfaçã o d e todos , e c õ a mesm a proçede o n a fazend a d e V . Magestade , ass y n a feituri a e despacho s com o n a descarg a e prouiment o d a na o noss a Senhor a d o Bo m Des - pacho , a qu e açisty o comigo , menh ã e tarde . E d o mesm o o fe s na s demai s ocupaçoens . / / N a conquist a d e Benguel a nomeey , poli a cart a qu e receb y d e V . Magestade , e n qu e m e mando u qu e na õ podend o escu - za r Bent o Banh a Cardozo , nomeass e nell a que m m e parecesse ; e po r na õ aceitar , polia s tezoen s qu e deu , qu e de y cont a a V . Magestade , e po r concorre r [em ] e m Lop o Soare s o s reque - sito s necessário s o mande y h a ell a c õ o Regiment o d e Manoe l Cerueir a Pereir a ( 9 ) , d e qu e auize y a V . Magestad e e do s suces - ( 9 ) Desconhecemo s a dat a e o conteúd o dest e documento . 99 so s qu e teu e n a dit a conquist a e d e com o for a hà s mina s d e cobre , e d a min a d o sal , qu e aplique y h à despez a d a ditt a conquista ; e doutro s particulare s sobr e o prouiment o d e soldados , arma s e moniçoens , d e qu e na õ tiu e re[s]posta , ne m o dit o Lop o Soare s a teu e d e V . Magestade , ne m orde m poll o gouernado r d e com o s e aui a d e aue r c õ elle , send o muit o conueniente , auendoss e d e conserua r aquell a conquista , manda r V . Mages - tad e declara r a form a e n qu e [h] á d e corre r o gouernado r d e Angol a c õ o Capitã o mo r e conquistado r d e Benguela , porqu e d o contrari o pode m rezulta r inconueniente s d e jurisdição , qu e todo s sa õ e m deseruiç o d e V . Magestade . / / Deu s guard e a Católic a pesso a d e V . Magestade , ett . [E m Lisboa , 7 d e dezembr o d e 1 63 1 ] . [Ferna õ d e Sousa ] BA L — Ms . 51-VIII-31 , fls . 5- 9 v . 1 00 2 1 CART A D O PADR E JERÓNIM O VOGAD O A O GERA L D A COMPANHI A D E JESU S (8 -12-1631 ) SUMÁRI O — Passagem -para a Etiópia — Doença do Padre Paiva — O Rei de Angola pede o Padre Pacónio — Partida do Padre Duarte Vaz para Portugal — Ida para o Congo do Padre Brás Correia — Relações financeiras com a pro- víncia de Portugal — Situação económica do Colégio. Muit o Rev. d o e m Christ o Padr e Pa x Chnst i ett . E m hu ã na o d a índia , e m qu e hi a o P. e Matthia s d e Sousa , e daqu i parti u e m principi o d e Abril , escreu i a V . P . D e enta õ per a c á o na õ tenh o feit o porqu e chego u e m principi o d e Agost o outr a na o e na m deixara m parti r naui o ante s delia . Arribo u est a a est e port o po r falt a d e ago a e mantimentos , porqu e tomo u íunt o d o Cab o d e Bo a Esperanç a muit a gent e d a na o S . Gon - çal o qu e al i s e perde o o ann o passado ; e aind a qu e est a falt a d e ago a e m breue s dia s s e puder a remediar , deteues e aqu i a na o mai s tempo , po r na m i r toma r a cost a d e Portuga l n o cora - ça m d o inuerno . / / Nest a na o ua i po r capitã o Antoni o d e Sous a d e Carualho , qu e passo u o Patriarc a per a Etyopi a (1 ) e outro s nosso s padre s (1 ) Dev e tratar-s e d e D . Afons o Mende s (1622-1659) . D . Diog o Seco , D . Joã o d a Roch a e D . Apolina r d e Almeida , todo s d a S . J. , fora m apena s coadjutores . 100 po r varia s vezes , e d e Etyopi a per a a índia , send o capitã o mo r d a enseada . Dell e e doutra s pessoas , const a quant o mai s fáci l h é a passage m per a Etyopi a po r aquella s parte s po r ond e s e faz , d o qu e po r estas , po r ond e iamo s á s cega s e co m o s perigo s mai s euidente s e o s gasto s tresdobrados ; cõtud o esperamo s a vitim a resoluça m d e V . P. , qu e mandand o s e prosega , s e proseguir á e com o m e tenh o oferecid o e d e nou o m e offereç o per a se r h ú do s companheiros , porqu e o P. e Joa õ d e Payu a h é muit o doente , e adoece o po t uese s grauissimament e e a o present e fic a nest e Collegi o d e Loanda , aond e s e ue o curar , e aind a na m est á saõ , ante s muita s uese s lh e repete m feures , e ando u algú s meze s c Õ quartaás . E I Re y d e Angol a pedi u o s dia s passado s c õ instanci a lh e tornass e a manda r o P. * Francisc o Paconio , o qu e fi z depoi s qu e acabo u a Missã o d e Massangano , Cambamb e e seu s arre - dores , o qu e tud o ir á n a Cart a Annu a d e Angola ; d e Cong o va i táb é outr a Annua , qu e aqu i fe z o P. e Joa õ d e Payua . Nest a na o va i o P. " Duart e Vaz , a o qua l ve o licenç a d o P. " Prouincial , po r respeit o d e sua s doença s e achaques , qu e era õ muit o ordinários . O dit o Padr e na õ aceitau a a licença , s e nest a terr a achass e remédi o e cur a d e seu s achaque s e doença s e per a ess e effeit o ve o d e Congo . Por é o s médico s s e na õ atreu é a o cura r aqu i po r na õ aue r mesinha s conuenientes , e iulga õ qu e lh e h é necessári o i r ao s are s naturae s d e Portugal : e com o na õ pedi u n e pertende o irs e dest a terra , di z tornar á per a ell a c õ muit o gosto , s e sata r e m Portugal . / / O P. e Duart e Va z t é seruid o grandement e a Companhi a com o verdadeir o filh o delia , tod o o temp o d e 2 5 per a 2 6 anno s qu e h á qu e est á nest a terra , na õ s ó e m confessa r e pregar , qu e tud o fa z muit o bé ; ma s e m se u temp o fo y e m missa õ à Con - quist a dest e Reino , e a o d e Benguela , e a Pind a e [ 2 ?]veze s a Congo : aond e send o Reito r este s dou s annos , concerto u muit o a s cousa s daquell e Collegio ; e nest e fo y Reito r tre s annos , c õ muit a satisfaçam , e t é b õ mod o per a gouernar . N o seruiç o 102 materia l dest e Collegi o trabalho u tãb é muito , ind o corta r a s ma - deira s daqu i dez , doz e legoas , e faze r ca l daqu i set e e outo : e t é tant o amo r a est e Collegio , qu e s e V . P . lh e manda r qu e est e ann o o u dou s assist a e m Lisbo a per a entende r no s negó - cio s delle , o far á c õ muit o gosto , e nó s todo s o pedimo s a V . P . c õ tod a a instancia , po r entendermo s se r muit o necessário , principalment e per a o s negócio s d a fazend a d o Jrma õ Gaspa r Aluarez , e m qu e na õ deixo u d e aue r algú s descuido s no s procuradore s e o P. e Duart e Va z er a muit o nesta s matéria s qu e sucederã o e m se u tempo , e no s ser á d e grand e effeit o tratala s elle , qu e sab e o muit o trabalh o e grand e baix a qu e ter á est e Collegio , s e sai r sentenç a contr a nós , porqu e carreg a muit o dinheir o sobr e nós , qu e po r uentur a naquelle s principio s s e gastau a c õ mai s largues a e liberalidade . Tamb é va i nest a na o o P. a Joa õ Freire , qu e le o aqu i a pri - meir a class e dou s per a tre s annos , procedend o sempr e c õ muit a edificaçã o e exemplo . O P. e Prouincia l lh e mando u successor , e po r falt a d e dinheir o na õ viera õ o s dou s Padre s qu e estaua õ auizados , ma s escreueom e o P. e Prouincia l qu e se m falt a viria õ n a primeir a ocasião , e po r na m perderemo s est a ta õ bo a d e hu á na o d a Í ndia , e companhi a d o P. e Duatt e Vaz , e po r est a vi a s e fazere m meno s gastos , e se r a embarcaçã o mai s segura , é tem - po s t ã trabalhosos , parece o ao s Padre s e a m y qu e foss e o dit o Padr e e qu e c á no s remediaríamo s este s 4 meses , équant o na õ chegaUa õ o s outros . E m luga r d o P. e Duart e Va z fo y po r Vic e Reito r per a Cong o o P. a Sima õ d e Aguiar , po r na m te r d e pre - sent e outr o qu e podess e ir : c õ ell e fo i o P. e Brá s Correa , aind a nouiço . Estimo u muit o elRe y e o s principae s a id a d o P. " Brá s Correa , e o dit o Re y m o tinh a pedido ; est á l á mai s o P. e Migue l Affonso , mu i estimad o d e todo s o s Moxicongos . Na m poss o deixa r d e m e queixa r do s muito s gasto s qu e nos . faz é n a prouincia , fazédono s endiuida r cad a ve z mais ; carre - gano s o P. e Procurado r na s conta s qu e est e ann o mandou , 49$32 8 reais , qu e no s faz é paga r polia s diuida s qu e deu e a cas a d e S . Roqu e e do s gasto s d a prouincia , po r hu ã addiça m 29$8o, o reai s e po r outr a 20 $ e do s gasto s d o P. 6 Voglia , qu e s e na m embarco u pet a Angola , 14$33 0 e c õ semelhante s gasto s qu e d e ordinári o no s carregaõ , estamo s deuend o á Prouinci a 2025$61 1 reis , na õ no s mandand o est e ann o per a prouiment o mai s qu e cinc o pipa s d e farinh a e h ú barri l d e sei s almude s d e azeite , fazendono s compra r aqu i toda s a s cousa s muit o caras ; e ass y torn o a pedi r a V . P . encarecidament e mand e qu e o Padr e Va z [... ] este s dou s anno s c õ a s cousa s dest e Collegi o e m Sant o Antão ; e iuntament e pedimo s a V . P . no s desobrigu e concorreremo s ao s dito s gastos , porqu e est e Collegi o acod e a o d e Cong o e ao s dou s Padre s qu e assiste m c õ elRe y d e Angola , e s e n a prouinci a no s gasta Õ o qu e rende m o s 8$0oo o cruzado s qu e deixo u o Jrma õ Gaspa r Aluarez , ser á forçad o manda r vi r o s Padre s qu e esta õ c õ elRe y d e Angola , e deixa r o Collegi o d e Cong o e m mai s necessidade s da s qu e padesse m c õ lh e acodire - mo s d e ord[inario] . Po r outra s via s tenh o pedid o a V . P . [licença ] e a pess o d e nou o per a poderemo s vende r hu ã terr a qu e temo s aqu i perto , qu e chama õ V . Mouébe , porqu e [há ] compradore s e nó s nã o a podemo s cultiua r e sempr e ficar á e m maio r proueit o d o colle - gi o e e m qu e emprega r o qu e po r ell a derem , poi s no s nã o rend e nada . Tamb é u m morado r [... ] florentin o ped e lh e ven - damo s pouca s braça s o u palmo s d e h ú quinta l qu e est á é húa s casa s nossa s íunt o da s sua s e m qu e mora . A nó s nã o far á fa[l]ta , porqu e aind a fic a quint a bastante , e poder á fica r é maio r pro - ueito , post o qu e h é cous a pouca . O Bisp o e o Gouernado r ( 2 ) corr e muit o b é comnosco , e s e mostra õ muit o amigo s e deuoto s d a Companhia . O mesm o ( 2 ) D . Francisc o d o Sovera l e D . Manue l Pereir a Coutinho , res - pectivamente . O Bisp o D . Francisc o d o Soveral , do s Cónego s Regente s d e Sant o Agostinho , d e Sant a Cru z d e Coimbra , n o princípi o d o se u apostolad o e m Angol a nã o «corria » satisfatoriament e co m o s Padre s i104 dig o d e tod o est e pouo . No s santo s sacrifício s e bença m d e V . P. muit o m e encomendo . / / D e Angola , 8 d e Dezembr o d e 6 3 1 . Mínim o e indignissim o filh o d e V . P . + Jerónim o Vogad o ARS I — Lus., Cód . 74 , fls . 198-199. d a Companhia . Ma s o conheciment o direct o qu e dele s houve , co m o decorre r d o tempo , levou- o a modifica r o s seu s sentimento s e a se r objectivo . 105 signor i Gouernaton , e t alt n ä ch i spetterä ; gi ä ch e I i Canonic i christian i uecchi , ch e i n Capitol o son o d i numer o inferior e all i christian i nuoui , ch e tutt i son o presentat i da l Rh com e Patron e de ' Canonici , desideran o tr a l e altr e cose , ch e no n s i promouan o pi ü christian i nuou i a Canonic i n e ä Benefiti j d i cut a d'anime , e t ch e i l present e Vicari o Capitolare , ch e dicon o esse r d i quell a razza , e t un o de ' principal i delinquent i ne l ueneficio , si a rimoss o da l carico , com e sarebb e giusto , s e u i fosser o I i sospett i ch e s i pretendono , qual i s i doueran o ueder e da ' process i ch e no n h a ancor a mosttati , e t d i quell o ch e nell a caus a ander ä seguend o dar o d regguagli o ch e deu o a V . Eminenza , all a quäl e tratant o facci o humilissim a riuerenza . / / D i Lisbon a à 1 4 d i febrai o 1632 . D i V . Eminenz a [Autografo]: Humiliss. m o e t Oblig. m o seruitor e Lorenzo , Vesc. º d i Gerace . A V — Nunzitaura di Portogallo, vol . 21 , fls . 38-3 8 v . 1 12 2 7 RELAÇà O D A COST A D E ANGOL A E CONG O PEL O EX-GOVERNADO R FERNà O D E SOUS A (21-2-1632 ) SUMÁRI O — Descrição geográfica — Regime dos ventos — Fortifica- ções da costa — Fortificação de Luanda — Presídios e sua defesa—Relações com os sobas — Acção missionária — Regime de resgates — Relações com Pinda e o Congo. A cost a d e Angoll a corr e d e Nort e a Sul , com o s e uer á poli a discnpça õ qu e ua y co m est a Per a o s nauio s qu e ua Ó d o Reyn o segurare m a utage m per a o port o d e Sa Õ Paul o d e Loanda , [h]a m d e nauega r pell a altur a at é 2 8 e 2 9 grãos ; tend o uento s demanda r terr a e tomal a d o Cab o Negr o par a dentro , qu e est á e m 1 6 d a band a d o Sul , seguind o uiage m à uist a d e terra , potqu e te m fund o limpo , e po r na õ descai r c õ a s corrente s á ilh a d e Sa õ Thom é e outro s porto s a gilauent o ( 2 ) d o d e Loanda . Nest a cost a ordinariament e h á calmarias , e c õ uira - çoen s s e entr a poli a pont a d a ilh a n a bahya , qu e est á e m oit o grão s e tre s quarto s d a band a d o Sul , da s de s hora s d a menh ã po r diante . Va Õ o s nauio s d a primeir a uolt a da r fund o n a ençead a d o Morr o da s Lagosta s se m nenh ú perigo , d e set e at é sinc o braça s ( 3 ) d a band a d a terr a firme , co m resguard o dou s tiro s d e mosquet e delia . A o outr o di a co m terra l ( 4 ) s e chega õ mai s h à pont a do s Secos , e o s nauio s ordinário s da Õ fund o e m set e at é sei s braças . / / (1 ) Refere-s e ao s desenho s qu e acompanha m o documento . ( 2 ) O mesm o qu e julavent o o u sotavento . ( 3 ) A braç a te m 2,2 0 m . ( 4 ) Qu e sopr a d e terra . Entrand o poli a pont a d a ilh a a o long o deli a at é á caz a d a feituri a h á fund o d e 2 0 at é 1 8 braças , ond e lhe s na õ pod e faze r nenhu m dan o a artelhan a d a forç a d e Sant a Chrus , porqu e h é d e ferro , e a peç a mayo r d e de s liura s ( 5 ) d e bala , qu e na õ pod e curça r tanto . Estand o o s nauio s n o poç o íunt o a o Sec o (ond e estiuera õ o s Olandeze s n o ann o d e 624 ) fica õ a tir o d e peça , e s e a dit a forç a d e Sant a Cru s tiue r artelhan a gross a d e bronze , impidir á a o inimig o esta r surt o n a bahya . D a pont a d o Morr o da s Lagosta s corr e a cost a Noroest e Sueste , te m hu á ensead a qu e s e cham a d o Beng o po r reza õ d o Ry o Bengo , qu e est á e m oit o grão s e me o escaços , aparcelada , n o qua l entra õ soment e embarcaçoen s d e seruiço . Neil a s e na õ pod e surgi r meno s d e mey a lego a d e terra : h é cost a d e ma r po r reza õ da s uiraçoen s enqu e s e na õ pod e desembarca r sena õ e m lancha s e batei s poli a calad a d a noit e e d a madrugada , porqu e da s de z hora s d a menh ã po r diant e sa Õ a s uiraçoen s d o ma r ta m tezas , qu e te m a s embar - caçoen s necessidad e d e boa s ancora s a o mar . / / To d o o ann o h é bo m tempo , e uenta õ o s uento s suduestes , a qu e chama õ uiraçoens ; [h] á pouco s terrai s po r na õ aue r ryos ; te m alguã s trouoada s d e Lest e at é Noroeste , qu e na õ sa õ d e perigo : h é capa z ( 8 ) est a bahy a d a pont a d a ilh a per a dentro , d e 30 0 e mai s embarcaçoen s e pode m esta r afastada s huã s da s outra s c õ tod o o resguard o necessário . / / O cana l po r ond e s e entr a d a forç a d e Sant a Chru s per a dentro , ond e est á a pouoaça õ d a praya , e s e descarrega õ a s fazendas , e s e negoçea , te m d e fund o e m preyama r d e agoa s muas , d e 1 8 at é 2 0 palmos , e d e baixama r onze , e est e fund o h á at é o Morr o d e Sa õ Paulo , ond e acab a o canal . Te m est a bahi a hü s seco s d e are a d e trezenta s braça s d e comprido , e cent o e trint a d e largo , qu e faze m a pouoaça õ d a pray a defençauel . D a Pont a da s Lagosta s at é á forç a d e Sant a ( 5 ) A libra , igua l a o arrátel , pes a 45 9 gramas . ( 6 ) N o original : capas . 114 Cru s pell a terr a firm e e poli a pray a qu e corr e d o Pened o d e Sa ó Pedr o at é á ditt a forç a d e Sant a Crus , pod e o inimig o desembarca r debaix o d a su a artelhari a se m lh o podere m impi - dir , po r se r pray a limp a e descuberta , e na õ aue r gent e co n qu e a guarnecer ; e po r fica r a dit a forç a d o cana l per a dentro , e sobr e elle , a fi s nest e çity o c õ doz e peça s d e ferro , hu ã d e de s liuras , sinc o d e seis , e seis d e coatro , co m a companhi a d e mos - queteiro s qu e fo i d e socorr o dest e Reyno , d e qu e h é capitã o Joa õ Mende s d e Vasconçellos , alferes , sargento , cabo s desqua - dra , condestabl e ( 7 ) , bombardeir o e ajudantes ; o pagament o dest a companhi a consigu y n o feito r d e su a Magestade , d o ren - diment o do s baculamento s ( 8 ) . / / Dest a forç a qu e est á n a marinh a ( 9 ) mande y faze r hu a trincheir a d e pa o a piqu e terreplenad a at é a terr a firme , e pell a band a d e for a h a quarét a paço s abr y hu a cau a d o ma r at é á s barreira s per a a forra r d e pedra , po r se r are a solta , e lh e entra r a maré , co n qu e ficau a fechad a d o ma r at é a terr a firme . Est a forç a h é a d e mai s importânci a per a defença õ d a entrad a d a Loand a poli a praya . Neil a fi s hu m fort e qu e s e cham a Sant o Antonio , co m coatr o peça s pequena s d e bronz e e coatr o pedrei - ro s ( 10 ) , co m sua s camará s per a defende r a s embarcaçoen s qu e fore m po r sim a do s seco s e m agoa s uiuas , o u paçare m pell o canal . Nell e açisty o sempr e o capitã o d a guard a co m vint e sol - dado s qu e su a Magestad e d á ao s gouernadore s per a su a guarda ; o feito r d e su a Magestad e o s pag a poli a folh a daquell e Reyno . / / Fi s outr o fort e n o Morr o d e Sa õ Paull o po r ond e m e come - terã o o s Olandeze s n o dit o ann o d e 624 , co m sei s peça s d e quatr o liura s per a defença õ d o cana l qu e o ma r fa s po r entr e (' ) Chef e d e artilheiros . ( 8 ) Tributaçã o indígena . ( 9 ) Praia . Força é term o antiquad o por : fortaleza , fortificação . ( 10 ) Morteiro s d e arremeça r pedras . 115 a ilh a d e Loand a (ond e est á a feituria , e s e despacha Õ o s nauios ) e o s secos . Nell e açisty o sempr e capitã o co m soldado s d e vegia , condestabl e e bombardeiros ; a consignaçã o dest e pagament o mande y faze r d o dinheir o d a Companhi a d e Cauallo s d a Con - quista , po r m e pateçe t po r enta õ escuzada , e mai s seruiç o d e su a Magestad e aue r soldado s qu e uigie m e defenda õ aquell e porto , e cidade . / / Par a o mesm o effeit o pú s mai s tre s peça s n a volt a d o rost o d o morro , d a band a d a Corimba , per a defença õ d o dit o cana l e ma r d a Corimba . Sobr e a barr a d a Corimb a fi s outr o fort e co m sei s peça s per a defende r aquell a entrad a qu e o ma r fa s entr e a ilh a e a terr a firme , pell a qua l entra õ pataxo s e embar - caçoen s d e rem o d e seruiç o d a cidade ; nest e fort e açisty o sempr e capitão , soldados , condestable , per a guard a d a terr a e uegi a d o ma r at é a barr a d o Ry o Coanza , qu e dist a d a cidad e doz e legoa s per a o Sul , co m orde m qu e todo s o s moradore s d a Ilh a esti - uesse m h à [ordem ] d o capitão , e acudisse m ao s rebates . / / Na s entrada s d a cidad e d e Sa Õ Paull o mande y faze r redu - tos , terrepleno s e trincheira s d e taip a d e pila õ per a su a defen - çaõ , com o fo i n a pray a d e Juli o Maçote , per a a part e d o ma r d a Corimba , hu m redut o c õ tre s peças ; outr o n a entrad a qu e ua y d o mosteir o d e Sa õ Josep h per a a cidade , c Õ coatr o pedrei - ros ; n a entrad a polia s caza s d e Joa õ d e Touar , hu m terreplen o co m tre s pedreiro s qu e també m serue m per a detrá s da s caza s d e Barbor a d a Silu a co m seu s trincheiroens . N a entrad a d e Sant o Antoni o outr o terreplen o co m coatr o peças , e trincheira s at é a barbaca m c õ seu s traueze s per a mosquetaria , pera , s e o inimig o entrass e po r terr a e plantass e artelhari a n a Madalena , e batess e a forç a d e Sant a Chru s (qu e lh e h é padrasto ) s e lh e impediss e dest a fortificação , porqu e lh e fic a superior , e defen - der á a entrad a d a cidad e po r aquell a parte , ganhandoss e a forç a d e Sant a Chrus . Toda s esta s fortificaçoen s sustente y at é entrega r o gouerno : a despez a delia s mande y faze r d o rendiment o d a impoziça õ do s 116 vinho s qu e pú s naquell e Reyn o po r cart a d e Su a Magestade , persuadind o o s moradore s e armadore s uiesse m nisso , poi s er a e m ben[e]fiçi o comu m per a defença õ d e todos , e c õ o dinheir o d e condenaçoens , qu e aplique y h a esta s fortificaçoens , e d o rendiment o d e negro s fugidos , se m dono , d e qu e ordene y tizou - reir o e cont a po r escuza r despez a d a Fazend a Real . / / Per a mai s formalment e informa r d e tudo , e se r prezent e a su a Magestad e o qu e conue m a se u rea l seruiç o e defença õ daquell e porto , fi s hu á plant a d a cidad e d e Sa õ Paul o d e Loanda , praya , porto , bahya , cecos , ilha , barr a d a Corimb a e ma r delia , par a s e ordena r a fortificaçã o mai s conueniente , e po r s e m e pedi r pell o gouern o a de y c õ relaçã o particular , e c Õ ell a s e fe s hu ã iunt a e m qu e prezidi o o Cond e d e Va l d e Reis , Gouernado r dest e Reyno , e nell a s e asento u a fortificaçã o qu e s e deu e fazer , e s e mando u a su a Magestade . Dell a s e pod e uer . O Gouernado r Do m Manoe l Pereir a Coutinho , depoi s d e toma r poss e d o gouern o (11 ) mando u faze r hu m terreplen o a Sa õ Joseph , e ordenau a outr o n a Pray a d a Lagoa , e mando u faze r hu ã estacad a e n Cassendama . O Reyn o d e Angoll a te m per a defença õ d o genty o quatr o prezidio s d e muit o pouc a conçideraçaÕ ; o mai s uesinh o d a cidad e d e Loand a h é Muchima , est á çituad o d a band a d a Pro - uinci a d a Quissama , a o long o d o esteir o qu e fa s o Ry o Coanza . Te m est e prezidi o trint a e dua s praça s d e soldados , co m capitã o e offiçiais ; fa s lh e pagament o o pagado r gera l d a conquist a co m se u escnuaõ , e n fazenda s correntes , e panari a qu e receb e d o feito r d e su a Magestad e n a feituria , qu e s e lh e carreg a e m receit a pell o escriua õ d e se u cargo , comform e a folh a qu e su a Magestad e mando u hàquell e Reyno . / / (11) Entro u n o govern o d e Angol a e m 4 -9-1630 . For a nomead o po r cart a d e 31-12-1629 . — ATT -Chancelari a de D. Filipe III, liv . 23 , fl . 205 . 117 Te m est e prezidy o hu á peç a d e bronz e d e campo , pequena ; dua s qu e tinh a mais , rebentadas , mande y traze r per a a feituri a d e su a Magestad e e carrega r sobr e o feitor , per a s e fundi r co m outras . Te m mai s hu ã camar á d e ferro , sinc o arroba s d e poluor a e m dou s barris , dua s botija s d e pelouro s d e chumbo . / / O prezidi o d e Maçangan o est á çituad o d a band a d a pro - uinçi a d a liamba , entr e o Ry o Coanz a e o Lucala , qu e c õ sua s enchente s o fa s ilha . Paullo s Dia s d e Nouai s o fe s uilla , co m nom e d a Vitori a qu e al y alcanço u delRe y d e Angolla : h é pouoaça Õ quas i com o a d a cidad e ( lla ) . Te m est e prezidi o sin - coent a e hu ã praça s d e soldado s c õ o capitã o e officiais ; te m trè s peça s d e bronz e d e campo , pequenas , quatr o falcoen s d e bronze ; délie s mande y vi r o s dou s mayore s n a occazia õ do s Olandezes , porqu e s e podia õ escuza r e m Maçangan o e era Õ mai s necessá - rio s per a a fortificaçã o d e Loanda , o s quai s s e carregarã o sobr e o feito r d e su a Magestade ; hu m pedaç o d e bronz e co n hu ã peç a pequen a qu e estau a n a Quiual a e outr a d o prezidi o reben - tad a mande y traze r per a a feituri a d e Loanda , e carrega r sobr e o feitor , per a c õ a s mai s s e faze r fundição . Tinh a sinc o quintai s d e poluor a e m de s barris ; sinc o botija s d e pelouro s d e chumbo : fa s pagament o a est e prezidi o o pagado r gera l n a form a refe - rida . O Capitã o seru e d e jui z ordinári o e do s orfaõs , e d e pro - uedp r do s defuntos . / / O prezidi o d e Cambamb e est á çituad o n a prouinçi a d o Moçeque , sobr e o Ry o Coanza , trè s legoa s d e Maçangan o pell o ry o assima , qu e o deuid e d a prouinçi a d a Quiçama . Te m est e prezidi o çessent a praça s d e soldado s co m o Capitã o e officiais . Te m sinc o peça s d e bronz e d e campo , pequenas , e outr a mai s qu e estau a rebentada , mande y traze r h à feituri a d e Loanda , e carrega r sobr e o feito r d e su a Magestad e per a o effeit o referido . Te m mai s sinc o esmirilhoen s d e bronze , hu ã camar á d o mesmo , e dua s d e ferro . Tinh a trè s quintai s d e poluor a e m sei s barris , ( lla ) Entenda-se : d a cidad e d e Luanda . 118 sinc o botija s d e pellouro s d e chumbo , e trint a e tre s pellouro s d e ferro . / / O prezidi o d o Ango , qu e o gouernado r Lui s Mende s d e Vasconçello s mudo u per a a Embaça , nom e d a terra , qu e s e cham a Noss a Senhor a d a Assunção , est á situad o iunt o a o ry o Lucala , h é fronteir a d o Reyn o d e Dong o e da s prouinçia s d a outr a band a quarent a legoa s d e Maçangano , e pouc o mai s o u meno s d e Cambambe . Te m est e prezidi o trint a e sei s praça s d e soldado s co m o capitã o e offiçiais ; tinh a coatr o peça s d e bronz e d e campo , piquenas ; dua s delia s rebentada s mande y traze r e carrega r sobr e o feitor , poli a reza õ referida . Te m mai s dou s falcoen s d e bronz e c õ hu ã camar á d e ferro , sei s quintai s e hu ã arrob a d e poluor a e m onz e barris , mai s coatr o peroleira s d e poluor a qu e poderia õ te r quatr o arrobas ; dua s botija s d e pellouro s d e chumb o e dou s paen s d e chumbo . E po r aue r muita , falt a d e armas , e d e poluora , e d e muniçoen s n a conquist a e dizere m o s soldado s qu e era õ a s arma s suas , e po r s e na ó da r cont a delia s e m e consta r s e uendia õ co m poluor a ao s inimigos , ordene y hu m almoxarif e e m cad a prezidi o sobr e que m carre - gasse , c õ hu ã praç a d e mosquet e d e ordenado , c õ obrigaçã o qu e a s na õ despenderi a se m mandado s d o Capitã o d o prezidi o per a s e sabe r e n qu ê e com o a s despendia , per a a s paga r d e su a fazend a quand o faltasse m o u fosse m ma l despendidas , e qu e po r ella s dari a cont a o almoxarif e a o prouedo r d a fazend a d e su a Magestad e n a cidad e d e Loand a e qu e o escriua õ d o pre - zidi o o foss e d e su a receit a e despeza . H á ( 12 ) mai s n a conquist a dua s companhia s d e infanteri a per a socorr o do s prezido s a qu e chama Õ d e sobreçelente ; te m amba s cent o e coatr o praça s d e soldado s c Õ o s capitaen s e offi - çiais ; fa s o pagament o d o prezidi o e da s dua s companhia s o pagado r gera l e n fazenda s correntes , porqu e na õ corr e n a Em - baç a panaria . Todo s o s pagamento s ua õ declarado s n a folh a qu e ( 12 ) N o original : A . '11 9 su a Magestad e mando u faze r per a aquell e Reyno . H á ( 12 ) hu m sargent o mo r prouid o po r su a Magestad e co m oitent a mi l rei s d e ordenado , d e qu e o feito r lh e fa s pagamento . Estaua õ na s feituria s d e Loand a quinz e falcoens , set e grande s e oit o pique - nos , a qu e mande y faze r carreta s e pô r na s fortificaçoen s d a Cidade . Hu m mey o sacr e ( 13 ) d e bronz e c õ camar á d o mesmo . Oit o camará s d e ferro , coatr o se m azas ; dezoit o esmirilhoen s d e bronze , hu m mosquet e d o mesmo , se m coronh a e se m fechos , çe m mosquete s e arcabuze s aparelhados , algü s mai s se m coro - nha s gastado s d a ferrugem ; nouent a barri s d e poluor a d e mey o quintal , cantidad e [de ] pelouro s d e mosquet e e arcabus ; mai s d e sei s çenta s bala s d e ferr o coado , dedo s ( 14 ) d e ferr o qu e mande y faze r per a o s pedreiros ; pellouro s d e pedr a per a elles , cantidad e [de ] cartuxo s numerado s pell o calibr e da s peças ; cobr e d o resgat e d e Cacong o qu e abr y per a s e faze r fundiçã o c õ a s peça s d e bronz e referidas , d e qu e auize i su a Magestad e per a manda t fundido r o u orde m per a s e leua r o bronz e h à Bahy a e a o gouernado r daquell e estado , a da r per a s e fundi r colubrina s d e alcans e pell o fundido r Domingo s Roiz , d e qu e na õ tiu e re[s ] posta . H á falt a d e feituri a qu e sei a caz a fort e per a guard a da s fazendas , d a poluora , arma s e muniçoens , d e qu e auize i a su a Magestade . Porqu e na õ ache y a prouiza õ qu e s e passo u a do m Manoe l Pereir a ( 14a ) qu e falece o e m Angolla , send o gouerna - dor , per a s e faze r a obr a conform e ella ; e pedind o nou a orde m s e m e na õ mandou ; conu é fazers e capa z ( 6 ) per a nell a s e agasa - lhare m o s ministro s d a feituri a e fazenda , e nell a dare m despach o a s partes , e qu e s e na õ faç a n a Ilha , o qu e s e fa s po r prouiza õ qu e s e passo u a requeriment o d o contratador , o qu e na õ conue m a o seruiç o d e su a Magestade , pell o risc o qu e corre m o s nauio s qu e esta õ n a Ilh a d e o s queima r o inimigo . ( 13 ) Canhã o grande . ( 14 ) Instrumento s d e seguranç a par a o s morteiros . ( 14 ª ) D . Manue l Cerveir a Pereira . 120 O s portos , ryos , ençeada s d o Reyn o d e Angolla , d e Ben - guella , d e Cong o e su a costa , desd e Cab o Negr o at é Mayombe , sa Õ o s qu e s e mostra õ n a discripçâ o qu e ua y c õ esta . A diuiza õ d o Reyn o d e Angoll a pol a band a d o Su l fa s o Ry o Coanza , qu e est á e m nou e gráo s e hu m quarto , qu e o deuid e da s prouinçia s d a Quissam a e d a Tunda . Po r elle-entra õ pataxo s soment e d o seruiç o d a cidad e per a a conquist a co m perigo , po r se r a barr a d e are a mouediça , qu e s e mud a c õ o s uentos , e na õ s e entr a po r ell a s é piloto s d a barr a negro s qu e s e chama õ Nambios . / / O s soua s co n qu e confin a sa õ muito s e poderozos , e guer - reiros ; n a prouinçi a d a Quissama , Cafuche , Langere , Capaccaç a e outros , todo s gentio s e inimigo s nossos . N a Tund a and a hu m jag a qu e s e cham a Cazacangolla , poderozo , inimig o e atrei - çoado . N a prouinçi a d e Matamb a h á soua s bilicozo s qu e na õ quisera õ nunc a pa z connosco . / / Poli a band a d o Nort e o deuid e d o Reyn o d e Cong o o Ry o Dande , qu e est á e m oit o grão s e hu m cesm o ( 15 ) , o qu e o Re y d e Cong o nega , e di s qu e soment e de u a su a Magestad e o port o d e Loanda . Enquant o estiu e n o gouern o sustente y est a posse , e repart i a s terra s qu e esta õ d a band a d e Loanda , d a fo z ( 10 ) [do ] Ry o assima , e a s coniunte i a ell e pello s mora - dore s d a Loanda , e ao s requerimento s d o dit o Re y respond y o requeress e a su a Magestade . / / Poli a barr a d o dit o Ry o na õ entra õ mai s qu e pataxo s d e seruiç o e bateloens . Poli a band a dest e Ry o h á soua s rebeldes , qu e na õ send o poderozo s sa õ muit o g[u]erreiros , a saber : Qui - loang e Camcango , Quitexe , Campangala , Caocangu a Piqueno , Çambamgombe , e outros , e po r cabeç a su a Bóilla , sou a muit o poderozo , qu e te m sua s terra s d a outr a band a d o Ry o Dande , o qua l tend o o auassalad o nego u o tribut o qu e promete o a su a ( 15 ) O mesm o qu e sesmo: a sext a parte , u m sexto . ( 16 ) N o original : fos . 121 4 8 CART A D O COLECTO R APOSTÓLIC O À PROPAGAND A FID E (30-4-1633 ) SUMÁRI O — Apreciação do relatório do Vigário da Mina — Situação religiosa da fortaleza—Abandono por parte dos Por- tugueses, sem ânimo para a recoperação do comércio. Emin. m o e t Reu. m o Sig. r mi o Colendissim o Da l Vicari o deli a Min a nell'Affric a Occidentale , h ò nceuut a un a letter a de ' 1 3 d i ottobr e dell ' ann o passato , co n I a qual e m i h à dat o auis o deli a riceuut a de l Breu e d i Nostr a Signore , ch e gl i manda i pe r ordin e deli a Sacr a Congregation e d e Propagand a Fide , co n facolt à d i pote r benedir e i corporal i e t parament i sacerdotali . E t hauendom i insiem e inuiat o un a relation e d i quell a su a Chiesa , no n h ò uolut o mancar e d i man - darn e à V . Eminenz a l'aggiunt a copi a tradott a i n jtaliano ; perch e seben e de i géni o deli a gent e i o h ò hauut o altr e uolt e relation e molt o différent e d a person e Nobili , ch e son o stat e l à Gouernatori , e t ch e dubit i ch e quest'huom o parl i d i loro , ò co n poc a carita , ò co n tropp o zelo , com e quell o ch e uoless e s i facesser o christian i senz a su a fatica , tuttuaui a h ò riputat o ch e niun a cos a s i debbi a celar e ali a cognition e d i V . Eminenza , à ch i appartien e d i dar e à ciascun o i remedi j opportuni ; essend o i n uet o molt o d a dolersi , ch e i n questa , ch e è dell e prim e Con - quist e de l Regno , e t tant o à lu i uicin a ( 1 ) si a quas i scordat a l a ( 1 ) Com o é sabido , S . Jorg e d a Min a est á muit o long e d e se r «vizinha » d e Portugal . 223 propagation e deli a fede , com e suppon e quest o Sacerdote ; e t perci ò d a no n s i marauigliar e (com e h ò dett o à diuers i d i quest i Signori ) s e egualment e s i son o scordat i gl i vtil i e t comerci j temporali , passat i quas i tutt i à gl i Olandes i ( 2 ) , ch e l i maneg - gian o à lo r modo , e t n e cauan o molt o or o finíssimo , senz a ch e i Portoghes i habbian o pi ú anim o n è speranz a d i ricuperarli , com e fors e Di o ordiner à ch e segu a u n giorn o quand o men o l o persuaderann o i mezz i humani . / / Co n ch e facei o à V . Eminenz a humilissim a riuerenza , e t preg o i l Signor e Jddi o pe r ogn i su a maggio r felicita . / / D i Lisbona , 3 0 April e 1633 . D i V . Eminenz a [Autógrafo]: Humiliss." 1 0 e t oblig. m o serui r a Lorenz." . Vesc ° d i Gerac e AP F — SRCG, vol . 103 , fls . 84-8 4 v . ( 2 ) Parece-no s qu e o s problema s ci a evangelizaçã o s e descurara m exactament e po r s e tere m descurad o o s problema s comerciais , e nã o vice-versa . 22 4 4 9 MISSIONÁRIO S CAPUCHINHO S ITALIANO S PAR A A S MISSÕE S D A GUIN É (13-5-1633 ) SUMÁRI O — Aprovação dos missionários Capuchinhos para o reino dos Negritas — Aprovação da Missão pela Propaganda. Reverendíssim o Padr e Essend o stat i destinat i Missionari j fr a Cherubin o d e Cala - tagiron e e fr a Francesc o d a Taranto , Reformad , dall a Sacr a Congregation e d e Propagand a Fide , nell i Regn i dell'Africa , ch e son o nell a part e d i ess a ch e s i chim a Nigritaru m Regio , e t essen - d o necessári o ch e V . P . Reverendíssim a approu i l e person e nos - tr e afinch e possiam o haue r l e spedition i pe r anda r a l nostr o camino , supplicam o V . P . Reverendíssim a deli a su a approba - tion e pe r poterí a consegnar e nell a secretari a d i det a Sacr a Con - gregation e [Autógrafo]: Eg o fr . Siluestr e á Macian o Vic e Commi - sariu s Generali s PP . Reformatoru m Mino - ram Obseruantium . Approbo , e t fide m faci o d e eoru m jdoneitate . Dat ú Roma e i n nostr o Conuent u S. ta Francisc i Transti - berim , di e 1 3 Mai j 1633 . AP F — Memoriali, vol . 393 , fls . 24 2 e 24 6 v . 225 1 5 NOTA: O s missionário s fora m aprovado s n a congregaçã o cardi - nalíci a d e 1 1 d e Mai o d e 1633 , no s preciso s termo s qu e seguem : Referent e Eminentissim o Domin o Cardinal i Pamphylio , Sacr a Con - gregad o littera s patente s missioni s decreui t fratr i Cherubin o d e Cala - tagiron e e t fratr i Francesc o d e Taranto , ordini s strictiori s obseruantia ; Reformatorum , a d Regn a Nigritaru m regione s i n Affrica , e t pr o facul - tatibu s iussi t pe r Oratore s adir i Sanctu m Officium . AP F — Acta, vol . 8 , fls . 22 6 v. , n. ° 18 . 226 5 0 RELAÇà O D E FERNà O D E SOUS A A EL-RE I (14-6-1633 ) SUMÁRI O — O ex-governador de Angola, a fedido do secretário de Estado Francisco de Lucena, informa el-Rei acerca dos negócios da conquista de Benguela, oftando feio seu abandono — Razões que aduz em defesa da sua tese. [Senhor ] Poll o Secretari o Francisc o d e Lucen a s e m e diss e mandau a V . Magestad e qu e e u informass e d e qu e importânci a h é e e poder á ui r a se r a conquist a d e Benguela , e qu e utilidad e s e segu e deli a d e prezent e h à Fazend a Real , e a d e qu e s e pod e espera r qu e uenh a a ser ; e s e conue m conseruars e e proseguirse , o u largarse , co m a s rezoen s e conueniençia s d e hu ã e outr a cousa . / / Benguel a h é hu ã ensead a qu e est á e m doz e grão s e mey o d a band a d o Sul , setent a legoa s a balrauent o d o port o d e Loanda , Reyn o d e Angolla . Polia s informaçoen s qu e Manoe l Seruéir a Pereir a de u da s utilidade s qu e resultaria õ [ ] a faze r a conquist a e gouern o separad o d o d e Angolla , fo i V . Magestad e seruid o separa r e desuni r d o Gouern o d e Angoll a o Rejn o d e Benguell a po r hu ã Prouiza õ mu i ampl a qu e fe z (* ) nest a cidad e Per o Uarell a e m 1 4 d o me s d e feuereir o d e 1615 , pell a qua l fe z (1 ) V . Magestad e merc ê a Manoe l Serueir a (1 ) N o original : fes . 22 7 Pereir a d e o nomea r po r capitã o mo r e conquistado r d o Reyn o d e Benguella , com o s e pod e ue r d o regist o d a ditt a ptouiza õ e c õ ell a s e lh e de u Regiment o qu e fe z (1 ) nest a cidad e Lui s d e Moura , e m 2 6 d e març o d e 1615 , assinad o pell o Arcebisp o Primas , uisorrey . / / Parti o Manoe l Serueir a dest e port o co m gent e d e guerra , armas , poluora , muniçoen s e instrumento s par a o lauo r da s mina s d e cobre , qu e ell e dezi a aui a e m Benguella , co m orde m d e hi r serui r d e Gouernado r a Angoll a at é lh e hi r sucçesso r e qu e dah y s e iri a prouid o d o necessári o per a prossegui r a con - quist a d e Benguella , descubriment o da s mina s e lauo r delias , d e qu e na õ tinh a notici a certa , e po r lh e parece r mai s conue - nient e per a seu s intentos , leuo u d e Angoll a gent e d e guerr a d a conquista , e co m ella , e m embarcaçoen s s e fo i h à dit a pouoa - ça õ d e Benguella , polia s commodidade s qu e n a terr a aui a d e mantimentos , guado s e resgates . E post o qu e s e lh e na Õ limito u numer o sert o d e soldados , e gent e per a pouoa r a dit a pouoaçaõ , entrarã o nell a co m ell e duzento s e sincoent a soldados , todo s uelhos , e escolhido s po r elle , co m obrigaçã o d e o s paga r d o hendiment o d a conquista . Fe z (* ) Manoe l Serueir a Pereir a d a dit a pouoaça õ d e Benguell a Cidade , e poslh e nom e Sa Õ Felipp e n o Nou o Reyn o d e Benguella . Neil a asisti o annos , e nelle s ouu e uario s motins , e leuan - tamentos , po r cauz a e reza õ d e se r a terr a muit o enferma , e padecere m o s soldado s notauei s necessidade s poli a falt a da s pagas , e po r lhe s falta r tod o o socorr o [hjumano ; e po r o s nauio s qu e hia õ dest e Reyn o na õ querere m toma r aquell e porto , poll o roi m gasalhad o qu e achaua õ nelle , d o qu e rezulto u mor - rere m muito s soldados , e o s uiuo s caire m e n grande s miséria s d e doença s e chagas , d e qu e fizera õ queixa s a V . Magestade , apontand o a pouc a utilidad e d e qu e er a aquell a conquist a per a a fazend a rea l d e V . Magestad e e a s miséria s qu e padeçiaõ , pell o qu e m e mando u V . Magestad e quand o [fui ] per a 228 Angolla , tomass e o port o d e Benguell a e m e informass e e auizass e V . Magestad e d o qu e achass e e m e parecesse . He u o fi z ( 2 ) e estiu e n o dit o port o nou e dias , e nelle s tire y hu m summari o d e testemunhas , d o qua l mande y o tres - lad o a V . Magestad e po r uias , consertad o po r mi m c õ o pró - prio ; nell e confirmarã o todos , qu e na õ conuinh a sustentars e aquell a conquist a po r na õ se r d e utilidade , ne m d e reputaçã o per a est a coroa , poli a fraquez a d o çitio , e po r na õ aue r mina s d e cobre , e da s qu e Manoe l Serueir a mando u amostra s na õ sere m d e sustância , com o s e ui o n o ensay o qu e fe z (* ) e m pedra s escolhidas , e po r na õ aue r Soua s qu e s e auasselas é a V . Magestade , ne m escrauo s d e resgate , e se r mayo r a des - pez a qu e o rendimento , e poll o perig o a qu e estaua õ expostos , poll o genti o se r guerreiro , e muit o atteiçoado , e do s rebel - de s ( 3 ) qu e auia õ desembarcad o e m terra , e uist o a pouc a forç a qu e aui a per a s e defende r delles . / / D e tud o auize i a V . Magestad e e qu e m e pareci a na õ conuinh a sustenta r a ditt a conquista ; despoi s qu e de y cont a a V . Magestad e d o referid o sucçede o outr o moti m e leuanta - ment o contr a Manoe l Serueir a Pereira , e embarcarã o n o o s soldado s á força , e fizera õ cabeç a qu e o s gouernasse . / / Fi z ( 2 ) diss o lembranç a a V . Magestad e e d e quant o con - uinh a manda r V . Magestad e toma r asent o e rezoluça õ qu e mai s conuiess e a o seruiç o d e V . Magestade , d e qu e rezulto u mandarm e V . Magestad e po r cart a sua , qu e na õ podend o escuza r Bent o Banh a Cardozo , qu e V . Magestad e aui a man - dad o po r capitã o mo r d a guerr a d e Angolla , e u nomeass e per a Benguell a a pesso a qu e m e parecess e mai s conueniente ; e a Manoe l Serueir a Pereir a dau a V . Magestad e licenç a per a s e ui r per a o Reyno , o qu e na õ teu e effeito , po r se r falecid o ( 2 ) N o original : fis . ( s ) Referênci a ao s holandeses . 229 n a Cidad e d e Loanda , quand o chego u a carta ; e po r Bent o Banh a Cardoz o na õ quere r hi r a Benguella , polia s rezoen s qu e deu , e e u escreu y a V . Magestade , nomee y Lop o Soare s [Lasso] , po r concorrer ? nell e o s requezito s necessários ; e per a s e consegui r o rea l seruiç o d e V . Magestad e lh e de y armas , poluora , muni - ção , e setent a e dou s soldados , o s mai s delle s uelho s d a con - quist a d e Angolla , e embarcaçoen s e m qu e foraõ , e na õ lh e de y mai s gent e poli a necessidad e qu e tinh a delia . / / Leuo u o Regiment o origina l qu e s e de u a Manoe l Serueir a Pereira , porqu e V . Magestad e m e mando u soment e nomea r a pesso a qu e aui a d e sucçede r a Manoe l Serueira , e exercita r o carg o d e capitã o mo r e conquistador , e per a o desuni r á conquist a e da r nou o Regimento , er a necessári o faze r V . Mages - tad e expreç a derrogaçã o d a prouiza õ qu e s e de u a Manoe l Serueira . E d a separaçã o qu e V . Magestad e tinh a feit o d o Reyn o d e Benguell a d o gouern o d e Angolla , d e qu e faç o est a decla - ração , per a se r prezent e a V . Magestade , com o fo i prouid o Manoe l Serueir a Pereira , e nomead o Lop o Soare s n a dit a con - quista , ond e está . Despoi s d e Lop o Soare s esta r e m Benguel a ouu e hu m motim , e leuantament o d e algú s soldados , co m determinaçã o d e o prende r e embarquar , com o auia õ feit o a Manoe l Serueir a Pereira . Prende o Lop o Soare s a s cabeça s e compliçe s e mando u executa r pen a capita l e m nou e delles , d e qu e mande y a V . Magestad e o treslad o do s auto s e d a sen - tença , d e qu e na õ tiu e re[s ] posta . / / Ta l h é a gent e e a terra , qu e do s duzento s e sincoent a soldado s qu e Manoe l Serueir a mete o e m Benguella , e do s 7 2 qu e leuo u Lop o Soares , aui a quand o ui m nouent a e coatro , e muito s delle s enfermos , e este s ficaua õ n o prezidi o quand o Lop o Soare s sahy a co m guerr a pell o sertaõ , mu i arriscados , po r se r o genti o muit o atreiçoado . Padeçia õ todo s necessidade s pol a falt a qu e tinha Õ d e tudo , e po r sere m ma l pagos ; tinha õ 23 0 falt a d e armas , po r estafe m desconsertadas , e a s mai s delia s gastada s d a fetrugem , aueri a sincoent a batri s d e dua s e d e tre s arroba s d e poluora , e muit a falt a d e munição . / / Est e h é o estad o enqu e ficau a a conquist a d e Benguella : e porqu e n o temp o qu e estiu e n o gouern o d e Angol a na õ rezulto u d a conquist a d e Benguell a cous a d e importância , ne m d e utilidad e per a a Fazend a Real , m e parec e a na õ auer á a o diante , ne m ser á mai s d o qu e d e prezent e hé , e e m reza õ d e conquist a ser á d e cad a ue s menos , porqu e ua y morrend o a gente , despendess e a poluor a e moniçoens , gastans e a s arma s se m esperanç a d e socorr o d e outras , porqu e d e Angol a na õ lh e pode m hir , poli a falt a qu e te m delias , e po r lh e se r necessári o tod o o socorr o qu e lh e fo r dest e Reyno , e quand o o poss a dar , na õ ser á d e vtilidade , porqu e a guerr a qu e s e d á poll o serta õ d e Benguela , na õ h é neçessa[r]i a ne m deli a result a h à feituri a d e V . Magestad e utilidade , po r se r a despez a mayo r qu e o proueito , quand o fo r justa . Na Õ h á soua s qu e s e auassale m a V . Magestad e e o s qu e [h] á na õ quisera Õ nunc a paga r bacula - mento s ne m faze r resgat e d e peça s d e escrauos , porqu e o na õ custumaõ , e soment e tráta õ d e sua s sementeiras , e d e cnaçoen s d e gado , enqu e a Fazend a d e V . Magestad e na õ intereç a ( 4 ) couz a alguã , porqu e a s preza s s e reparte m pello s soldados , offi - çiai s e capitã o mo r e V . Magestad e despend e a paluor a e moni - çoens . / / Per a defença õ do s rebelde s na õ soment e na õ conue m aue r al y prezidio , ma s h é conuenientissim o a o Rea l Seruiç o d e V . Magestad e desmantelala , e manda r s e leu e per a Angol a a artelharia , armas , poluora , moniçoen s e soldado s par a su a defençaõ , porqu e a ençead a d e Beng[u]el a est á e m 1 2 grão s e mey o d a band a d o Sul , setent a legoa s d e Loanda , dond e na õ pod e se r socorrid a po r ma r ne m po r terra , ne m s e pod e defen - ( 4 ) Entenda-se : nã o tira interesse , lucro. . 231 der , porqu e est á entr e hu á pont a d e are a d a band a d o Norte , e a d o Chapeo , qu e est á d a band a d o Sul , e d e hu á pont a á outr a h á tre s legoa s d e pray a e nell a pod e o inimig o desem - barca r se m lh o impedirem , e h é capa s d e grand e numer o d e embarcaçoens , c õ fund o d e sinc o at é quatr o braças , ficand o d a terr a a tir o d e mosquete , e pode m esta r iunta s se m perig o por - qu e fica õ emperada s ( 5 ) d o vent o Sul , qu e h é o gera l d a cost a e ua i lh e po r sim a d a terra . / / N o mey o d a pray a est á çituad a a pouoaçaõ , a qua l te m soment e tre s baluartes ; e m hu m delle s s e fa z (6 ) corp o d e guarda , qu e demor a a o Sul , outr o a Leste , o outr o a o Norte ; todo s tre s sa õ d e taip a d e pilaõ , d e pouc a conçideraçaÕ ; te m cad a hu m delle s tre s peça s d e ferr o d e quatr o liura s d e bala , se m seruiç o e se m artelheir o qu e poss a acudi r a hu a necessi - dade , co m outr a peç a desemcaualgada , na õ sa õ d e mai s efeit o qu e per a defença õ d o gentio , co m qu e s e na õ pod e resisti r a nenhu m cometiment o poli a band a d o mar , e infaliuelment e ind o o inimig o áq[u]ell e porto , co m pouc o pode r s e far á senho r d a pouoaçaõ , e estand o prouid a d e ta m roi m gente , a entregar á logo , e a qu e s e retira r pell a terr a dentro , a degolar á o gentyo , e send o ta m frac a pouoaçaõ , s e dir á qu e s e tomo u a V . Mages - tad e hu a forç a n a cost a d e Africa . / / Pell o qu e m e parec e s e deu e extingui r est a conquista , c reforça r co m o qu e s e retira r deli a a d e Angola , porqu e quand o ouuer a e m Benguell a mina s d e cobr e conçideraueis , com o dizi a Manoe l Serueir a Pereira , e di z ( 7 ) Lop o Soares , na õ conu é a V . Magestad e mete r cabeda l nella s estand o ta m afastada s d o socorro , porqu e nunc a poderã o responde r h à despeza , pell a pouc a fedehdad e co m qu e s e despend e a fazend a d e V . Mages - ( 5 ) Amparadas , protegidas . ( a ) N o original : fas . ( 7 ) N o original : dis . 232 d e V . Paternidad e ter á 22 . Estudo u dou s anno s cazo s (* ) n a Ilh a d a Madeira . Va i compond o a crónic a d o Collegi o d e Congo , e daquell e Rein o desd e o principi o d a Companhi a nell e ( 2 ) . E dest o te m muit o bo m estil o e talento . / / E m a bençã o e santo s sacrifício s d e V . Paternidad e m e encommendo . / / D a Loand a d e Angola , 2 5 d e Iunh o d e 1633 . d e V . Paternidad e indign o filho , e seru o e m Christ o Gonçal o d e Sous a [à margem] : Depoi s d e te r est a feita , m e parece o qu e podi a V . Paternidad e quere r a informaçã o d o P. e Prouincial , e ass i lh e remet o a s informaçõe s per a qu e ell e a s remet a e m form a a V . Paternidade . ARS I — Lus., Cód . 74 , fl . 235 , doc. LXXX . ( 1 ) A part e casuístic a d a teologi a moral . ( 2 ) Qu e ser á feit o deste s doi s trabalho s histórico s d o Padr e Joã o d e Paiva ? Tem-s e teimosament e sustentado , se m documentaçã o con - cludente , qu e o manuscrit o 8.08 0 d a BN L (F . G.) , qu e te m po r títul o Historia do Reino do Congo, é d a autori a d o Cóneg o Brá s Correia , depoi s noviç o d a Companhi a d e Jesu s n o colégi o d e Luanda . J á procurámo s demonstra r qu e est a tes e nã o resist e à anális e d o própri o texto . Cfr . Portugal em África, 194 9 (VI) , p . 153-161 . Informado s d e qu e existi a u m exempla r d a mesma obr a n o ARSI , al i o buscámos , se m qu e tenhamo s lograd o encontrá-lo . Talve z nã o sej a aventura r demasiadament e lança r a hipótese , perant e o documento - do - J2adr e Gonçal o d e Sousa , d e qu e o auto r d a História do Reino do Congo pod e se r o Padr e Joã o d e Paiva . 239 5 4 CART A D A PROPAGAND A FID E A O PROVINCIA L D A NORMANDI A (25-6-1633 ) SUMARI O — Projecto de missão dos Capuchinhos Franceses às Ilhas e terras de Africa — Designação exacta dos lugares de missão e dos nomes dos missionários. Essendos i riferit o i n quest a Sacr a Congregation e i l Memo - rial e d i V . R . circ a i l manda r nell'Isol e e Terr e dell'Afiric a e dell'Americ a d e suo i Padr i coll i mercant i (1) , d i cotest a Pro - uincia , quest i mie i Eminentissim i Signori . prim a d i darlen e nsolutione , desideran o d i saper e i nomi , e sit i déli e sudett e Isol e e Terr e déli e qual i potr à informarsen e d a medessim i mer - canti , pe r significarl i po i distintament e all a medessim a Sacr a Congregatione . Ch e etc . / / Roma , 2 5 Giugn o 1633 . AP F — Lettere Volgari, vol . 13 , fis . 66V .-67 . (1 ) Com o s e ver á dest a colectâne a documental , a Missã o s ó pôd e efectivar-s e u m an o depois , na s costa s d a Velh a Guiné . 240 5 5 CART A D O PADR E GONÇAL O D E SOUS A E M NOM E D A CÂMAR A D E LUAND A (6-7-1633 ) SUMÁRI O — Atesta os bons serviços prestados pela população de Luanda para a fortificação da cidade, apesar das dificul- dades económicas do momento — Impostos pesados. + [Senhor ] O juiz , e mai s officiae s d a camar á dest a cidad e d e S . Paul o d a Loand a m e pedirã o fizess e esta , n a qua l dess e cont a a V . Magestad e d o qu e e u sabi a acerc a d e com o s e ouuera õ n a execuçã o d o mandad o d e V . Magestad e e m qu e lhe s ordenau a lançasse m nest e pou o algu ã imposissa õ per a a s fortificassoé s d a mesm a cidade ; o qu e faç o co m o zell o d o seruiç o d e V . Mages - tade , e uerdad e co m qu e o s Religioso s d a Companhi a d e Jesu s e m todo s o s estado s e conquista s d a coro a d e V . Magestad e o custuma õ fazer , com o superio r qu e so u do s Religioso s qu e a mesm a Companhi a te m neste s Reino s d e Angola , e Congo . Soub e qu e tant o qu e o s officiae s d a camar á receberã o a d e V . Magestade , co m muit a pontualidad e chamarã o á camar á o pou o delia ; lendoss e a d e V . Magestad e procurarã o persua - dir-lhe s uiesse[m ] n o qu e nell a lhe s ordenaua , e aceitasse m algu ã imposissa õ pell o temp o qu e durass e a fortificaçã o dest e port o e cidade . E ind a qu e o pou o s e achau a cançad o e pobre ; offerece o a V . Magestad e h ü donatiu o d e quarent a mi l cruzado s 241 1 6 d e moed a corrent e n a terra , e a todo s o s qu e sabemo s o pouc o qu e est e pou o pode , ass i pello s gasto s qu e n o seruiç o d e V . Magestad e te m tido ; com o pell o pouc o qu e hoi e rend e o trat o d a terra ; com o pella s outra s imposissoe s qu e i á tem' , achamo s qu e na õ de u pouco , ante s mai s d o qu e s e podi a esperar . O s gasto s qu e tiuera ó n o servuiç o d e V . Magestad e fora m grandes , pell o qu e concorrerã o per a a fortificaçã o qu e o gouer - nado r D . Manoe l Pereir a Coutinh o te m feit a n a pray a dest a cidade , e forte . N o auiament o qu e s e de u á s nao s d a índi a qu e este s anno s próximo s uierã o a est e porto , e m qu e aiudara õ muito , e tiuera ó perda s d e muit a consideração , pello s escrauo s qu e lhe s morrerã o c õ o trabalho , e pello s qu e fugirã o per a sua s terra s d o sertaõ , po r na õ aturare m o mesm o trabalh o qu e tinha õ n o ta l auiamento , e concerto . O s mesmo s gasto s tiuera ó e m defendere m a cidade , e port o contr a o s olandeze s rebeldes , qu e co m sua s armada s dua s ueze s o acomete o n o temp o (1 ) d o gouern o d e Ferna õ d e Sous a ( z ) . Rend e pouc o o trat o dest a terr a hoi e ao s moradores , por - qu e a s feira s qu e dante s s e fazia õ aqu i pert o e c õ muit a abun - dânci a d e escrauo s qu e s e resgatauaõ , esta õ d e tod o acabada s po r reza õ da s muita s guerra s qu e ouu e este s anno s passados , e ind a hoi e há , e exército s qu e tra z ( 3 ) e m camp o a Ging a pre - tensor a d o Rein o d e Dongo ; e o s qu e traze m o s jagas , qu e matando , e comendo , porqu e s e sostenta õ d e carn e humana , destroem , e consome m a s prouíncias . / / E o s soba s avassalado s a V . Magestad e cançado s po r na õ podere m atura r o s tributo s d e escrauo s a qu e esta õ obrigados , e po r outra s auexassoé s s e uá o tetirand o per a o sertaõ , e s e lança õ (1 ) N o original : temdo . ( 2 ) Governo u d e 2 2 d e Junh o d e 162 4 (e m qu e tomo u posse ) at é 4 d e Setembr o d e 1630 . ( 3 ) N o original : tras . 242 c õ o s jaga s e outro s soba s qu e na Õ sa Õ sogeito s a V . Magestade , dond e s e segu e ficare m a s prouincia s mai s próxima s falta s d e gente ; e pet a o s escrauo s do s Portugueze s fazere m resgat e h é necessári o entrare m pell a terr a dentr o caminh o d e muito s me - zes , e fazere m a s pessa s d e escrauo s co m muit o custo ; e com o o s traze m d e ta m longe , e e m cadeas , co m falt a d o necessário , morre m nest e caminh o muitos . / / E a caus a d e este s esctauo s resgatadore s o u compradore s ire m ta õ long e busca r o resgate , socced e mu i d e ordinári o fica - rem-s e l á co m a fazend a d e seu s senhores , mouido s co m o inte - reç e d a liberdade , e cubic a da s fazendas , qu e traze m entr e maõs , e solicitado s do s jagas , e outro s sobas ; e a tud o s e atre - ue m po r s e uere m ta õ auzente s d e seu s senhores ; e nist o rece - be m muit o grande s perda s o s homen s d e negocio . Sa Õ muit o pouco s o s homen s qu e aqu i te m algu a cous a d e seu ; porqu e muito s delles , po r se r gent e qu e ue m degradad a d o Reino , na Õ te m cabedal , e s ó uiue m d e esmolas . E outro s sa õ soldado s qu e na õ te m mai s qu e o sold o qu e recebe m d e V . Magestade ; e esse s qu e te m trat o esta õ ta m indiuidado s qu e s e o s homen s d e ma r e m for a qu e lhe s uende m a s fazenda s fiada s po r hum , dous , e tre s annos , apertare m co m elles , e o s quizere m executar , todo s seu s ben s e caza s e m qu e uiue m na õ basta õ a paga r o qu e deuem . E a s cousa s necessária s per a su a uida , e sostento , po r uire m toda s d e ma r e m for a lhe s custa õ po r preço s muit o excessiuos . J á nest a cidad e h á dua s imposissoés , hu a no s uinhos , outr a no s escrauos . E o qu e o s escrauos , qu e resgata õ pell a terr a den - tr o co m tanto s gastos , e risco s d e sua s fazendas , rend e á fazend a d e V . Magestad e h é muito , ass i no s direitos , qu e aqu i s e paga õ n a saca , qu e sã o set e mi l reae s po r cad a peça , e d e entrad a e m índia s d a mesm a peça , desanou e mi l e oit o cento s reaes . / / D e mai s dist o o lauo r do s assucare s d o estad o d o Brasil , e benefici o da s mina s d o Peru , e Nou a Hespanh a s e nã o pod e 243 conservua r se m a escrauari a qu e dest e port o s e tira , o qu e tud o m e parec e h é d e muit a consideração , e dign o d e V . Magestad e pô r o s olho s nest a terra , e no s moradore s delia , alliuiando-o s tod o o possiuel , fauorecendo-o s co m mercês , e s e da r po r be m seruid o d o qu e offereceraõ , poi s tend o consideraçã o a esta s rezõe s qu e apont o a V . Magestade , offerecera õ muito , e nã o pode m da r mais , poi s nã o te m outra s rendas , o u foro s dond e o tirar , mai s qu e do s escrauos > co m a perd a e risco s do s mes - mo s moradores , qu e apontei ; e proueit o d a fazend a d e V . Magestad e qu e s e uê . Ne m h é d e pouc a importânci a a industti a co m qu e c õ grande s trabalhos , e gasto s d e pouco s anno s a est a part e rom - pe m o s matos , e cultiuã o a terr a plantando , e semeand o man - dioca , e maç a d a terr a per a sostent o d a gent e preta ; d e qu e result a muit o á fazend a d e V . Magestade , porqu e lh e rende m i á o s dízimo s cad a ann o uint e mi l cruzados . E n a terr a nã o h á outra s searas , ne m outra s uinhas , o u oliuaes . Ist o m e pare - ce o representa r a V . Magestade , cui a catholica , e rea l pesso a Deu s guarde . Loanda , a 6 d e julh o d e 1633 . + Gonçal o d e Sousa . A H U — Angola, cx . 1 . 244 5 6 CART A D O PADR E FRE I GASPA R D E SORI A A O PREFEIT O D A PROPAGAND A FID E (8-7-1633 ) SuÁMRI O — Pede a intervenção da Propaganda junto do seu Geral para que este se digne enviar missionários Capuchinhos para as missões do Japão — Dificuldades levantadas pelo Conselho de Portugal — Campo aberto pelo caminho das Filipinas para missionarem o Extremo Oriente. Eminentísim o Seño r Aunqu e po r tre s Cartas , y e l Custodi o dest a Prouinci a d e Castill a d e lo s Capuchinos , h e suplicad o a V . Em. a s e seruies e manda r da r licenci a a quatr o Religioso s dell a par a y r entr e infie - le s a predica r l a f e d e Christ o nuestr o Señor . Com o n o h e tenid o respuest a m e ali o obligad o d e la s inspiracione s d e Dio s a escriui r toda s la s uece s qu e necesari o fuer e par a cumpli r co n ellas . N o y a po r l a licenci a qu e ante s pedia , pue s e l darl a l o h a remitid o s u Santida d d e Vrban o 8 nuestr o Seño r a lo s Generale s d e la s Religiones , e n un a Constitució n Apostólica , qu e comiec a Vniuersis Christi fidelibus, expedid a a 2 2 d e Febrer o de l pre - sent e añ o 1633 : sin o par a qu e V . Eminenci a s e siru a manda r a m i Padr e Genera l d é licenci a a lo s Religioso s qu e d e Hespañ a s e l a pide n par a i r a predica r l a f e e n e l Reyn o de l Japón , e ysla s adyacentes , aliándolo s aptos . Qu e com o otr a ue z l o inten - taro n co n l a bendició n d e Paul o 5 , y po r n o aue r dad o licenci a e l Consej o d e Portuga l (po r cuy o Reyn o solament e aui a licen - ci a d e pode r pasa r a la s India s Orientales ) n o s e pusies e po r 245 obr a (1 ) parecele s a lo s Padre s Generale s qu e ser a agor a l o mism o y po r es o n o instituye n missione s desto s Reynos . / / Supuest o pue s qu e y a s e pued e i r a l Japó n po r la s isla s Philipina s (com o e n s u breu e l o conced e s u Santidad ) ser a fáci l alcança r l a licenci a de l Consej o d e Indias , dándol a primer o e l Padr e General . Y as i suplic o a V . Eminenci a s e siru a man - darle , examin e s i lo s qu e l a pide n par a i r s i Japón , so n apropo - sito , y s i l o fuere n le s d é licenci a par a qu e execute n lo s deseo s des a Sagrad a Congregació n y d e s u Santida d e n e l dich o breu e insinuada , qu e y a alguno s Reli[gi]oso s s e ha n ofrecido , y s e ofreciera n mucho s Capuchino s d e Hespañ a y d e la s demá s Prouincia s a serui r a Dio s y l a Iglesi a e n l a conuersio n d e lo s infieles . Y confi o e n e l Seño r ser a grand e e l frut o qu e lo s Capu - chino s hará n e n la s alma s ganándola s par a Dio s po r medi o d e s u F é Catholica , par a cuy a feli z propagació n conseru e S u Ma - jesta d felice s año s a ta n Sagrad a Congregación . / / Madrid , Juli o 8 d e 1633 . Capellá n d e V . Em. a qu e su s mano s b e j a Fr . Gaspa r d e Soria , Capuchino . AP F — SRCG, vol . 103 , fl . 51 . (1 ) O Conselh o d e Portuga l obstava , durant e o domíni o do s Fili - pes , a qu e o s missionário s enviado s pel a Propagand a Fide , apesa r d e espanhóis , o u exactament e po r iss o mesm o qu e o eram , missionasse m no s território s d o se u padroado , que r na s índia s que r n a África . A oposição , mesm o muito s ano s ante s d e a Sant a S é — e portant o a Pro - pagand a Fid e — reconhece r a independênci a polític a d e Portugal , fo i nul a par a o s missionário s d e outra s nacionalidades , particularment e par a o s italianos . A s dificuldade s exposta s po r Fre i Gaspa r d e Sori a parece m provi r especialment e d a part e do s Superiore s e d a mesm a Propagand a Fide . Apesa r d e tere m abert o o caminh o da s Filipinas , ne m po r iss o s e lhe s dav a licenç a d e embarcarem.. . 246 5 7 CRISTANDAD E D E S . JORG E D A MIN A (29-8-1633 ) SUMÁRI O — Relatório sobre os povos da Mina — Pedem-se notícias pormenorizadas ao Colector Apostólico em Portugal. Referent e eode m Eminentíssim o Cardinal e Pamphily o lit - tera s Collecton s Lusitânia : (1 ) e t relacione m Mina ; i n Afric a Occidentali , i n qu a continebatu r quo d popul i predicts ; Mina ; sun t nigri , e t maio n e x part e idolatre , it a u t etia m sax a colant , e t qu i christian i sun t ade o superstitionibu s e t alij s vitij s dediti , u t potiu s nomin e qua m r e christian i nuncupar i possint . / / Sacr a Congregati o iussi t eide m Collector i rescrib i u t a b e o a qu o relatione m predicta m accepi t e t a b alij s d e terr a ill a notitia m habentibu s informatione s assumâ t d e e o quo d fier i posse t pr o predicti s populi s specialite r luuandis . AP F — Acta, vol . 8 , fl . 293 . (Congregaçã o d e 2 9 d e Agost o d e 163 3 «cora m Sanctissimo») . (1 ) Lorenz o Tramallo , natura l d e Portovener e (Génova) , for - mad o in utriusque jure (U . J.) , vigári o gera l d o Cardea l d e S . Sixto , bisp o d e Montefiascone . Fo i Núnci o e m Portuga l desd e 1 d e Març o d e 162 7 at é 3 0 d e Setembr o d e 1634 . — Cfr . H . Biaudet,OÍ? w cit., p . 260 . 247 5 8 CONSULT A D A MES A D A CONSCIÊNCI A À CART A DO S MORADORE S D E MAÇANGAN O (31-1-1634 ) SUMÁRI O — É examinada a carta dos moradores de Massangano em que pediam missionários para os doutrinarem na fé— Pareceres de Fernão de Sousa e Fernão de Matos Car- valhosa— Sugere-se o envio de quatro missionários da Companhia de Jesus, com 8o$ooo réis anuais. Vius e nest e tribuna l a copi a d a cart a d e V . Magestad e d e 2 7 d e mai o de. 632 , remetid a pell o Vizore y dest e Rejno , e m qu e V . Magestad e mand a qu e s e vey a a cart a d o pou o d e Ma - sangan o (1 ) d o Rejn o d e Angola , qu e trat a d a nesesidad e qu e aquell e destrit o te m d e obreiro s par a doutrinare m o s moradore s dell e na s couza s d a noss a sant a fe é e s e suprire m a s falta s qu e al y h á n a administraçã o do s sacramento s e ofício s diuino s e qu e tomada s [as ] infprmaçoin s nesesaria s d e Ferna õ d e Souza , qu e fo y gouernado r daquell a Comquist a e d o dezembargádo r Ferna Õ d e Mato s d a Carualhoza , s e comsultas e a matéri a po r est e tribunal . E vist a a cart a daquell e pou o d e Masangan o (1 ) e a s em - forma[çoins ] d o gouernado r qu e foj , Ferna õ d e Souza , e d o dezembargádo r Ferna õ d e Mato s d a Carualhoza , qu e sa õ com - formes , aprouand o tud o o qu e n a cart a daquell e pou o s e repre - zent a a V . Magestade , e lh e pares e couz a mu i just a qu e V . Ma - gestad e orden e qu e áquell a Comquist a va õ Religiozo s d a Com - (1 ) N o original : Mosangano . 248 E t j e plain s bie n ce s pauvre s Ursuline s d e Loudu n e t autre s per - sonnage s séculiers , y ayan t d e gtand z embarra s qu e c e cur é Grandie r ( 3 ) soi t quelqu e autr e sorcie r comm e Gaufredy , qu i avoi t gast é le s Ursuline s d e Marseill e e t tou t plei n d'autre s personne s e n l´an 161 3 ( 4 ) / / I l m e reste , avan t qu e finir , à vou s remercier , comm e j e fai s trè s humblement , d e l'advi s qu'i l vou s plaic t m e donne r de s livre s e n langu e ba s bretonne , e t vouldroy s bien , pa r l e moye n d e vo z amis , avoi r u n catalogu e a u vra y de s tiltre s d e tou s ceu x qu i s e trouven t che z le s curieux , imprimé s à Mor - laix , o u à Bell e Isle , o u à Nantes , o u ailleurs , e t à que l pri x o n le s pourrai t trouve r à vendre . Cependant , s'i l s e pouvoi t avoi r un e couppl e d'exemplaire s d u dictionnair e e t d e l a grammaire , j e le s ferai s bie n volontier s payer , e t j e m'asseur e qu e M r d e l a Fayett e ferai t fourni r à Tour s l e pri x qu i y serai t nécessaire , lu y e n escripvan t u n mot , croyan t qu e vou s y trouvere z asse z d e marchand s qu i auron t de s correspondance s e n Bretagn e pou r y e n fair e fourni r c e qu'i l faudra , tandi s que , d e Paris , M . d e l a Fayett e le s fer a rembource r à Tours . C e vou s ser a d e l a peine , don t j e vou s pri e m'excuser , e t d e fair e le s mesme s recomman - ( 3 ) Sobr e est e famos o pároc o d e Loudu n h á numerosa s indicaçõe s n o folhet o d e M . Ph . Tamize y d e Larroque : Document relatif à Urbain Grandier (Paris , Picard , 1879 , i n 8°) . Est e document o é um a relaçã o inédit a d o process o e d o suplíci o d e Grandier , endereçad a a Gassend i pel o sábi o Ismae l Boulliau , testemunh a ocular . ( 4 ) Luí s Gaufridi o u Gofridi , nascid o e m Bauveze t (Baixo s Alpes) , er a pároc o d e Accoules , e m Marselha , quand o fo i acusad o d e te r enfeitiçad o a jove m Madalen a d e l a Palud . Fo i queimad o num a da s praça s pública s d a cidade d e Aix , e m 3 1 d e Abri l d e 1611 . Cfr . Histoire admirable de la possession et conversion d'une pénitente, séduite par un magicien, la faisant sorcière et princesse des sorciers au pais de Provence [...] , pel o R . P . Sébastie n Michaelis . Paris , 1614 , i n 8° , 67 2 páginas . 255 dation s a u R . P . Cesaré e d e Rosgoff , prian t Die u qu'i l vou s tienn e trè s tout s e n s a sainct e garde , e t demeurant , Monsieu r mo n R . P. , vostr e trè s humbl e e t trè s obéissan t serviteur . D E PEIRES C A Aix , c e 1 3 febvrie r 1634 . P . APPOLINAIR E D E VALENC E — Correspondance de Peiresc avec plusieurs Missionnaires et Religieux de l'Ordre des Capucins (1631-1637) , Paris , (Picard) , 1892 , p . 18-24 . NOTA — Nicolas-Claud e FABR I D E PEIRESC , conselheir o n o Parlament o d e Aix , n a Provenç a francesa , célebr e arqueólog o e natu - ralista , nasce u e m Beaugensie r e m 158 0 e falece u e m Aix . e m 1637 . Sacerdote , interessou-s e po r todo s o s ramo s d a ciência , coleccionand o manuscrito s orientais , moedas , minerais ; envio u ousado s e sábio s aven - tureiros , po r el e pagos , a o própri o Egipto , encarregado s d e faze r obser - vaçõe s astronómica s e d e históri a natural , tendo-s e aind a apaixonad o pel a epigrafi a e arqueologi a romanas . Fo i Tamize y d e Larpqu e que m publicou , n o decéni o d e 188 8 a I8q8 , n a vast a Collection des Do- cuments Inédits de l'Histoire de France, set e volume s d a su a curios a correspondência . A s carta s qu e publicamo s nest e volum e atesta m exu - berantement e a inquietaçã o intelectua l d e Peiresc . 2 5 6 6 0 CART A RÉGI A A O COND E VISO-RE I (8-3-1634 ) SUMÁRI O — Sobre o socorro a enviar à Mina a pedido do Governa- dor — Tomada de uma caravela por um capitão francês. V i a voss a cart a d e 1 8 d e feuerejro , e o qu e s e refer e n a qu e m e embiaste s d e Pedr o Mascarenhas , Gouernado r d a Mina , sobr e o apert o (1 ) e m qu e s e ach a d e sustent o par a a gent e qu e al i assiste , e [a ] carauel a qu e vind o d e Sa õ Thom é par a aquell a praç a tomo u hu m capitã o francês ; e pareceom e encomendamo s e encarregamo s muit o vejae s s e s e pod e envia r algu m socorr o á Mina ; poi s vo s h é present e a importânci a dest a praça , e s e deix a ve r a falt a e m qu e estará , hauend o tant o temp o qu e a represento u Pedr o Mascarenhas , e na õ tend o co m qu e a reme - dea r mai s qu e a carauel a qu e s e lh e tomou ; e post o qu e dess e Reyn o s e lh e haj a enuiad o o socorr o qu e dizeis , todaui a com o a s cousa s d o ma r sa Õ incertas , s e pod e recea r qu e na õ s e lh e tenh a chegado ; e n o qu e toc a á perd a qu e s e causo u co m a tomad a d a carauela , tenh o mandad o pell a vi a a qu e toc a qu e s e trat e d a satisfaçã o disto . / / Escrit a e m Madri d [ 8 d e Març o d e 1634] . BNM . — Ms . 3.014 , £1 . 277 . (1 ) N o texto : apreto . 257 1 7 NOTA — E m document o d e 1 1 d e Març o el-Re i insist e sobr e o momentos o e nunc a resolvid o problema : Recebeus e pell o ordinári o d e quatr o d e Març o present e hu ã con - sult a d o Conselh o d e Estad o sobr e o qu e auiso u Pedr o Mascarenhas , gouernado r d a Mina , d a falt a d e prouimentos , co m qu e ficau a aquell a fortalez a e d a carauell a qu e mando u a Sa õ Thom é a busca r socorro , e d e volt a lh e tomo u hu m capitã o francês ; e vend o o qu e Pedr o Mas - carenha s refer e d a necessidad e e m qu e aquell a praç a ficaua , e con - siderand o qu e est a s e haui a d e j r augmentando , y qu e ficari a mu y desa - nimad a a gent e qu e all i assist e co m a tomad a d a carauella , co m cuy a chegad a esperaua õ remedea r e m part e est e apert o ( 1 ) , o qu e tud o est á pedindo , qu e se m nenhu a dilaçã o s e socorr a a dit a praç a co m tud o o mai s qu e s e puder , n a form a qu e parec e a o Conselh o d e Estado , vo s encomend o e encarreg o muit o qu e ass i o façai s e tratei s dist o co m o desuel o co m qu e acudi s a toda s a s cousa s d e me u seruiço . Poi s deuei s entende r quant o conue m qu e s e enui e est e socorro ; e o mai s d e qu e s e trat a n a consult a s e fic a vendo , e breuement e mandare i responde r a isso./ / Escrit a e m Madri d [ n d e Març o 1634] . BN M — Ms . 3.014 , fls . 279-27 9 v . 258 6 1 COLÉGI O DO S JESUÍTA S E M ANGOL A (15 -3-1634 ) SUMÁRI O — Rendimentos e sustento do Colégio de Luanda. Item . A est e collegi o t e S . Magestad e feit o esmoll a d e 80.00 0 cruzado s per a cad a religios o qu e al i residi r at é n. ° d e 10 , qu e sa õ 2.00 0 cruzados . Algu á rend a qu e t e mai s est e Collegi o h é d e algua s casa s qu e fe z e outra s qu e lh e de u o noss o jrma õ Gaspa r Aluares , e algu ã cous a qu e cultiua õ pro- priis expensis; suster á est e Collegi o d e ordinári o passant e d e 2 0 religiosos , ass i do s qu e nell e reside , com o do s qu e assist e na s residência s da s missõe s d e Cong o e Massangano . Algua s doaçõe s fizera õ uano s gouernadore s a est e Collegio , d e terra , qu e com o tud o sa õ areae s e charneca s s é aruore s n é fructo , mai s qu e per a alg ü past o d e eru a per a o gad o s e choue ; na Õ s e lh e po é uali a porqu e po r 100 $ s e compra õ log o legoa s e legoa s d e terras . ATT— Cartóri o dos Jesuítas, Maç o 57 . NOTA — É o borrã o e diz : «Ao s 1 5 d e Març o d e 63 4 étregue i a o P. e Francisc o Pires , qu e part e per a Madrid , dua s relaçõe s qu e fi z é limp o do s bé s d e rai s e renda s dest a prouincia , jütament e c õ o tres - lad o é limp o dest e papel , c õ aduertéci a qu e ma s h á d e torna r a mãda r d a corte» . 25 9 6 2 CART A D E FERNà O D E SOUS A A EL-RE I (31-3-1634 ) SUMÁRI O — Parecer sobre a fortificação do porto de Luanda e barra de Corimba, de cuja defesa dependia a conservação de Angola em mãos portuguesas — Acontecimentos polí- ticos no Congo e contemporização com o Rei e Conde de Sonho — Que se empregue a dissimulação com o Rei. [Senhor ] V y a s carta s d e do m Manoe l Pereir a Coutinho , Gouernado r d o Rein o d e Angolla , e a cópi a d e hu m capitol o d e outr a d e 3 e d e 7 d e Iulh o d o ann o passad o sobr e a s fortificaçoen s d a Cidad e d e Loanda , e Porto , e fort e d e Corimba , co m outr a d e 7 d e setembr o e m qu e d á cont a a V . Magestad e d o sucçess o e guerr a d o serta m d e Angolla . / / Sobr e a s fortificaçoen s s e fe z hu ã iunt a e m presenç a d o Cond e d e Va l d e Reis , Nun o d e Mendo[n]ça , send o gouerna - do r dest e Reino . Neil a s e acho u Do m Gonçall o Coutinho , d o Conselh o d e Estado , Gonçall o Pire s Carualh o e e u per a infor - ma r da s duuidas , e enconuenientes , qu e s e offereçessem , e Per o Nune z Tinoco , d e qu e s e mando u a V . Magestad e plantas , e modelos , e d a resoluça m qu e s e tomo u fo i orde m a o gouernado r per a obra r conform e a ella . Pell o qu e s e m e na õ offeress e qu e dize r d e nou o sobr e est a matéria , e auend o a s e deu e faze r con - ferind o o qu e apont a o gouernado r co m a resoluça m qu e s e tomo u comunicand o a á s pessoa s qu e uotara m nella . / / O fort e d a barr a d a Corimb a fi z per a uigi a d o mar , at é a Coanza , qu e dist a d a Cidad e d e Loand a doz e legoas . E per a defensa m d a barr a d a Corimba , pell a coa l na Õ entra m mai s 260 embarcaçoen s d e remo , per a qu e bast a meno s forç a e po r na õ aue r outr a artelhari a lhe s pu s a qu e tem , co m tença õ d e a me - lhora r e d e faze r outr o fort e d a outr a band a n a terr a firme , e m qu e esteu e Co[n]stantin o Cadena , e dell e defende o a o ene - mig o sonda r est a barra , e sabe r o fund o qu e tem . Ma s s e a na õ fortificare m e na õ s e lh e puse r artelhari a d e força , ne m est e ne m o s mai s s e defenderam , e po r iss o aponte i qu e primeir o qu e tud o s e deui a trata r d e proue r d e artelhari a e d e gent e paga , qu e d e [a ] fortificar , porqu e ficari a a despes a baldada , e a forti - ficaça m per a o enemigo ; e po r est a resa m m e paress e dificultos a a d a Lagoa , e a d e Caçondam á po r esta r long e d o socorro , e na õ aue r e m Angoll a gent e per a goarneçe r tanto s posto s e m hu m mesm o tempo , e qu e ser á mai s conuenient e esta r o pode r tod o unid o per a acodir , e resisti r aond e o enemig o cometer . / / N a terr a firm e m e paress e s e na õ deu e da r po r or a guerra , ind a qu e o Genti o a meressa , porqu e auend o falt a d e gente , com o o gouernado r dis , na Õ s e pod e tira r a qu e h á n a Cidad e d e Loand a andand o tanto s enemigo s daquell a banda , e send o passad a armad a enemig a se m s e sabe r o dessenh o qu e leua . Porqu e emcoant o V . Magestad e fo r senho r d a Cidad e d e Loanda , o ser á V . Magestad e do s Presídio s qu e h á po r aquell e Reino , e estand o po r V . Magestad e estara m o s Soua s uizinho s e vaçallo s d e V . Magestad e á obediência , e o s outro s á mira ; e e m melho r coniunça m s e castigara m o s rebelde s parecend o qu e coue m da r lhe s guerra : e post o qu e po r muita s resoen s a meresse m o s Iaga s e a Ginga , na õ ha m d e ousa r comete r o s Presídios , ne m auezinhars e a elles , na õ ind o o s enemigo s a aquell e Porto . Pell o qu e o qu e mai s conue m a o serviç o d e V . Magestad e e be m daquell e Rein o h é defende r a Cidad e d e Loand a ao s rebelde s d e Europa , e te r per a iss o nell a tod a a gent e d e guerra , ind a qu e s e leuant e o Gentio , porqu e send o V . Magestad e senho r d a Cidad e d e Loanda , o h é d o Rein o d e Angolla , e perdend o a s e perder á tud o o mais . / / 261 N o d e Cong o sempr e ouu e semelhante s leuantamentos , guerra s e mottes , porqu e s e na õ gouerna õ aquelle s Rei s po r lei s politicas , ne m sa õ christaõ s mai s qu e n o exterior , e com o s e faze m po r elleiçam , e po r força , h é Re y o qu e pod e mais . For a grand e be m per a aquell e Reino , e comerci o do s Portugueses , qu e s e der a niss o algu m meyo ; ma s n o estad o present e m e paress e s e na Õ deu e alterar , po r na õ obriga r a aquell e Re y com - municarss e co m o s olandese s po r Loango , com o o fe z n o temp o d o gouern o d e Ioa õ Corre a d e Sousa , d e qu e resulto u ire m dua s armada s a o port o d e Loanda , d e qu e m e Deo s liurou , e cons - to u m e qu e o Rey , qu e enta õ hera , a s pedi o a o Cond e Mau - rici o (1) , e ell e a s mandou , d e qu e de i cont a a V . Magestade , e d o qu e fi z niss o co m elRe y d e Congo , e Cond e d e Sonho , senho r d e Pinda , qu e o s agazalho u naquell e porto , e po r est a resa m m e paress e escreu a V . Magestad e a o gouernador , qu e disimule , e emcaminh e co m boa s resoen s aquell e Rey , per a qu e s e na Õ desemcaminhe , e o na m obrigu e a da r cont a a V . Ma - gestad e d e com o proced e co m o s Portugueses . Ist o m e paresse . V . Magestad e mandar á o qu e fo r mai s se u seruiço . / / Deo s guard e a Catholic a pesso a d e V . Magestade . / / E m Lisboa , ultim o d e Març o d e 1634 . [Ferna õ d e Sousa ] BA L — Cód . 51 -VIII -31 , fl. 47-48 . (1 ) Joã o Correi a d e Sous a recebe u cart a patent e d e governado r d e Angola , dad a e m 7 d e Abri l d e 1621 , chegand o a Luand a e m 1 2 d e Outubr o d o mesm o ano . E m 2 d e Mai o d e 162 3 tomo u cont a d o govern o o se u sucessor , Pedr o d e Sous a Coelho . O Cond e Mauríci o d e Nassau , estatúde r d a Holand a at é 2 3 d e Abri l d e 1625 , desempenho u pape l d e alt o relev o na s luta s contr a a soberani a portuguesa . 26 2 6 3 CART A D E PEIRES C A COLOMBIN O D E NANTE S (10-4-1634 ) SUMÁRIO— Peires c pede ao ilustre missionário as mais variadas infor- mações da costa ocidental africana, particularmente etnográficas, etnológicas, botânicas e geográficas. M. r mo n R . P. , L a cordiall e amitti é qu'i l vou s plais t porte r a u R . P . Gille s d e Loches , e t l a bonn e par t qu'i l lu i plaic t m e fair e d e l'hon - neu r d e se s bonne s grâces , l' a indui t à m e tesmoigne r l e dési r qu'i l a d e m e procure r quelqu e participatio n auss y au x bon s office s qu'i l dic t avoi r ressu s d e vostr e bonté , e t au x curieuse s relation s qu e vou s pouve z fair e su r l e subjec t d u voyag e qu e vou s ave z faic t e n l a Guinée , e t d e ceul x qu e vou s este s pou r y fair e encore , s i vostr e grand e zell e vou s y reconduic t un e second e fois : comm e j e n e doubt e poi n qu e vou s n e l e facie z e n c e voyag e plu s vollontier s e t encore s ave c plu s d'ardeu r qu e l a premièr e fois . Or , j e désirerai s savoi r ave c quelqu e ponctua - lit é quelle s son t le s cerimonie s d e ce z peuple s barbare s idolastre s e n leur s sacnffices , e t avoi r le s parolle s formelle s qu e prononc e leu r prestend u sacriffica[teur] , ave c l'interprétatio n d'icelles , e t surtou t quan d y (sic) fon t le s sacnffice s de s libations , qu e n e son t qu e l e milliet , o u autre s semences , lesquelle s il s mangent , comm e auss i d u vi n o u autr e breuvag e don t il s heuzen t (sic) e n leur s boisson s ordinaires ; e t savoi r d e quell e sort e d e vase s e t d e vaisselle s il z s e setven t pou r fair e le s dicte s libations , e t d e quell e sort e d'autelz ? / / 26 3 Que l es t l e callandrie r d e leur s feste s idolastres , e t par - ticulièremen t que l es t l e cult e qu'il s renden t à certain s arbres , comm e s i c'estoyen t de s idole s d e leur s divinités ? Qu e s'i l avai t moye n mesm e d e retrouve r quelque s [uns ] d e leur s vase s o u autre s instrument s d e leur s sacriffices , j e le s feroi s paye r for t volontiers , pa r portraict s e t dessain s d e prix , j e le s feroi s paye r for t volontiers . Mai s surtou t i l faudrai t s'enquéri r soigneuse - men t s'il s on t aulcun s livre s rituel s d e leu r idolâtrie , o u bie n s i c e n e son t qu e de s tradition s e n ver s o u e n pros e especialle ; s'il s n e tiennen t alcu n mémoir e d e leur s prétendu s oracles , mesm e d e ceu x qu'il z s'imaginen t pouvoi r tire r de s arbres ; e t que l es t l e cult e qu'il s renden t a u solei l o u autre s astres ? Car , encor e qu e c e n e soi t qu e pur e vanit é e t imposture , i l y aurai t gran d plaisi r d'e n fair e l a comparaiso n ave c c e qu i nou s rest e d u paga - nism e de s ancien s dan s no s vieu x libvres , pou r avoi r mieu x d e quo y [découvrir ] leu r esprit . / / I l n e serai t pa s inutil e d e s'enquéri r soigneusemen t s'il z n'on t poin t aucun e machin e dan s leu r tembl e (sic), dan s leur s forestz , qu'il z estimen t sacrée , qu i ai t quelqu e rappor t o u res - semblanc e au x trepiede z don t le s ancien s s e servoien t pou r leur s oracles , e do n il x faissoien t alcune s foi s de s autelz , e t d'autre s foi s d e simple s siège s d e leur s sacrifficateurs : auque l ca s i l e n faudrai t fair e portrair e l a vray e figure , ave c le s mesure s e t dimensions , ensembl e leur s enrichissemans , e t e n remarque r sérieusemen t l'usaig e e t l'emplo y dan s leur s superstitions . / / I l y a diver s peuples , au x environ s d e ce s contrée s là , qu i on t reten u le s nom s d e Imbe s Gallus , Imbongalleus , e t autres , qu e j'entend z estr e for t acharné s à telle s superstitions . Qu e s'i l y avoi t moye n d'avoi r encor e u n pe u d e ralatio n d e l a superstitio n d e leur s sépulture s e t d e l'usaig e d e leu r milie r (sic), vou s obligerie z encor e davantag e l e public , auss y bie n qu e moy . C'es t particulièremen t d e l'usaig e d'enseveli r ave c le s mort s le s arme s don t il z s'estoien t servi s à l a guerre , appre s le s avoi r bri - 26 4 contre r de s observation s de s marée s d e l a cost e d e l a Guynée , pou t e n avoi r e t examine r l e rapport . Ca r cel a servirai t grande - men t à recognoistr e l e trai n d e l a nature , e t peut-estr e d'e n pénétre r u n jou r l a cause , principalemen t s'i l s'e n pouvoi t avoi r de s observation s faicte s e n mesm e temp s e n quelqu e lie u bie n proch e d e l a lign e equinoctiale , e t e n quelque s autre s endroit s e t climat s différent s d'entr e l a Bretaign e e t l a Guynée . I l ne - faudroi t qu'avoi r de s instrument s propre s à prendr e le s [... ] o u plustos t l a halteu r d u solei l duran t l e jour , e t l a haulteu r d e quelqu e estoill e fix e duran t l a nuict , a u temp s qu e l'o n ser a e n lie u commod e à l'observation . Car , pou r pe u qu e l'o n n'e n fac e d e bie n exacte s e n lie u o ù l'o n ay t prin s l'élévatio n d u pôl e o u l a haulteu r d u solei l à l'heur e d e mid y bie n precise , u n pe u curieusement , i l s'i l tereroi t pa r aprè s de s conséquence s admira - bles , e t qu i pourraien t u n jou r redonde r à gran d honneu r d e ceu x qu i s' y employeront , e t oblige r l e publi c d'e n sçavoi r u n tre s bo n gr é no n seulemen t à ceu x [qui ] e n auron t e u l a peine , mai s à tou t vostr e ordr e charitable ; et , pou r mo y e n mo n par - ticulier , j e leu r e n aura y un e tre s particulièr e obligation , e t principalemen t à vous , qu i sere z l e principa l promoteu r d e tout e cest e louabl e recherch e e t disquisition . / / A u reste , s i l e R . P . Césaré e d e Rosgof f es t encor e à Bell e Isle , aprè s so n caresme , comm e i l avoi t est é longtemp s aupara - van t le s advents , j e desideroi s bie n qu'i l lu y pleus t s'informer , d e gen s digne s d e foy , s i c'es t chos e véritabl e o u fabuleus e c e qu'o n raccont e d'u n certai n poisso n qu e le s haulte s mer s avoien t laiss é su r terre , i l y a un e vingtain e d'année s plu s o u moings , qu i s'es t jett e dan s u n la c o u estan g d u milie u d e cest e isle , e t y vesqui t quelque s jour s d e pai n o u autre s vivre s qu i lu i estoien t jette s su r l e dic t estang , o ù i l s'apprivois a enfi n d e veni r prendr e jusque s au-dessu s d e l'eau , e t pui s s e replon - geoi t incontinen t a u fond . / / 271 M . d e l a Bross e ( 3 ) , médeci n d u Roy , dic t l'avoi r ve u mor t enviro n l'a n 1611 , e t l'avoi r voul u achepte r pe u d e temp s aprè s qu'i l avoi t est é tu é d'u n cou p d e pierr e à lu y donn é pa r u n homm e simpl e qu i avoi t doubt é qu e c e n e fus t u n diable , à caus e qu'i l avoi t de s bra s e t de s jambes , e t lu y sembloi t quas i comm e u n homme , bie n qu e s a form e fuss e neantmoin s gran - demen t différent e d e cell e de s hommes , e t beaucou p plu s qu e cell e de s singes . S i cel a es t bie n vray , i l faudrai t e n sçavoi r l e plu s préci s qu e fair e s e pourra , e t le s circonstance s plu s néces - saires , tan t d e l a form e d e l'anima l e t d e s a grandeu r e t gros - seur , e t d e c e qu'i l pouvoi t pese r à pe u prè s quan d i l fu t mor t e t s i s a pea u estoi t armé e d'escaille s comm e le s poissons , o u d e poi l comm e le s veau x marins ; ca r c e pourrai t bie n avoi r est é quelqu e best e d e l'espèc e d e ce s veau x marin s qu i on t de s bra s o u de s main s e t de s pied s plu s apparant s le s un s qu e le s autres , e t plu s distingué s d e leu r taill e o u d u restan t d e leu r corps , e n ayan t d'aulcun s qu i n'on t poin t d'oreilles , e t d'autre s qu i on t no n seullemen t de s oreille s for t longues , mai s de s corne s e t de s moustache s e t tresse s d e cheveu x for t longue s aussi . / / Or , s i l'anima l a est é conserv é aprè s s a mort , comm e l'o n m e l' a voule u asseurer , possibl e sera-t-i l encor e e n estâ t rest é quelqu e curieu x d u pays , a u dic t lie u d e Bell e Isle , o ù pou t l e moing s y aur a est é ve u pa r bo n nombr e d e gen s curieux , soi t d e l a professio n d e l a medicin e o u pharmacie , o u cirurgie , o u autres , qu i auron t pe u observe r quelqu e chos e d e plu s qu e l e commun , e t desquel s i l y aur a moye n d'apprendr e quelque s particularité s capable s d e donne r d e l a satisfactio n à ceu x qu i aymen t l a considératio n de s merveille s d e l a Providenc e divin e ( 3 ) Gu y d e l a Brosse , nascid o e m Ruão , morre u e m Pari s e m 1641 . Fo i est e botanist a qu e crio u nest a cidade u m jardi m par a cul - tur a d e planta s medicinai s (1626) ; fo i o primeir o directo r dest e esta - belecimento , qu e é hoj e o Jardi n de s Plantes . 27 2 e t d e l a nature . C'es t d'aultan t qu e plusieur s autheur s on t escrip t que , dan s le s grand s lac s o u estang s e t grosse s rivière s d e l'A - friqu e méditerrané e ( 4 ) , i l y de s poisson s qu i on t j e n e sça y quell e ressemblanc e au x hiennes , e t seroi t bo n d'e n fair e adver - ti r l e R . P . Colombi n e t le s autre s se s collègue s e n cest e péré - grination , pou r y prendr e gard e s i l'occasio n s e presentoit , e t e n mettr e pa r escrip t c e qu'il s e n pourron t apprendr e su r le s lieux , e t surtou t c e qu'il s e n pourron t voir , s i jamai s i l e n vien t devan t eux : estiman t qu e c e n e soi t qu e de s espèce s d e ce s veua x marin s aulcunemen t différent s de s communs , qu i s e voyen t alcune s foi s alle r e n troupp e e t couvri r tou t u n rivag e comm e u n trouppea u d e brebis ; e t u n pe u d e relatio n de s ani - mau x estrange s d e ce s contrée s là , principalemen t d e ceu x qu i s e voyen t a u lon g d u gran d fleuv e Niger , pou r savoi r bie n a u vra y s'i l y a de s crocodile s e t de s hippopotames , seroi t trè s recommandabl e e t m'obligerai t tousjour s d e plu s e n plu s à estre , comm e i l faul t qu e j e soi s tout e m a vie , M . mo n R . P. , vostr e [... ] D E PEIRES C Me s trè s humble s saluts , s'i l vou s plaict , a u R . P . Cesarée , ave c asseuranc e d e m a continuanc e ( 5 ) à so n service . A Aix , c e 1 7 avri l 1634 . P . APPOLINAIR E D E VALENCE , Obr. cit., p . 47 -51 . ( 4 ) Trata-s e d a Afric a central . ( 5 ) Palavr a d o francê s antigo . Cfr . Glossaire d e L a Curn e d e Saint-Palaye , qu e cit a a palavr a segund o a s Mémoires d e Olivie r d e l a Marche . 1 8 273 6 5 CART A RÉGI A A O COND E VISO-RE I (3-5-l634 ) SUMÁRI O — Tomada de uma caravela portuguesa por um capitão cor- sário francês — Envio urgente de socorro á Mina. Hauend o vist o hu ã consult a d o Conselh o d e Estado , d e 1 4 d e Març o passado , sobr e o qu e auiso u Pedr o Mascarenhas , Gouernado r d a Mina , d a falt a d e prouimento , e m qu e ficau a aquell a fortaleza , e d a carauella , qu e mandar a a busca r socorr o a Sa õ Thomé , qu e d e volt a lh e tomo u hu m capitã o francês , m e parece o dizeruos , qu e sobr e est a matéri a vo s mande i j á e m 8 d o mesm o mê s d e Março , e pol o extraordinári o qu e daqu i parti o co m o s despacho s par a a s nao s d a Jndi a vo s torne i d e nou o a ordena r e encarregar , qu e s e socorress e a Min a n a forma , e co m a s cousa s qu e o Conselh o d e Estad o apontou , par a qu e s e ganhass e tempo ; e esper o d e voss o zel o e cuidado , qu e ass i o tenhai s feito , e conform e aponte i a o Conselh o d a Fazenda , orde - narei s vej a dond e s e poder á tira r o dinheiro , qu e s e h á mister , par a qu e o s almazen s este m prouido s da s cousa s necessárias , par a acudi r co m a press a qu e conue m á s ocasiões , qu e cad a di a s e offerecem . / / E quant o a o pont o d a carauell a qu e o capitã o francê s tomou , fic o vend o o qu e sobr e ist o s e pod e e deu e fazer . / / Escrit a e m Madri d [ 3 d e Mai o d e 1634] . BN M — Ms . 3.014 , fls . 280-28 0 v . 274 NOTA — Mese s depois , dest a ve z e m cart a à Princes a Marga - rida, el-Re i insiste : Vend o o qu e s e conte m n a cart a d e Do m Diog o d e Castro , estand o ness e gouerno , m e escreue o e m vint e cinc o d e Nouembr o passado , co m outra s dua s d e Pedr o Mascarenhas , Gouernado r d a Mina , e d e Lourenç o Pire s d e Tauor a qu e seru e d e Gouernado r d e Sa õ Thomé , vo s qui s encomendar , façai s qu e s e m e enui e a consult a qu e s e refere , qu e s e ficau a fazendo , e qu e s e v á desd e log o prevenind o o socorr o qu e h á d e j r á Mina , par a qu e part a quant o ante s poss a ser , e m res - peit o d a falt a qu e aquell a praç a te m delle . / / Noss o Senhor , etc . / / Escrit a e m Madri d [2 3 d e Dezembr o 1634] . BN M —Ms . 3 .0 :4 , fl . 281 . 27 5 6 6 CART A D O CAPITà O D A MIN A A EL-RE I (15-5-1634 ) SUMÁRI O — Socorro recebido — Sua insuficiência para a defesa eficaz — Cerco dos holandeses — Insta por novo socorro. + Senho r Co m a na o d e Lubequ e e m qu e V . Magestad e mando u socorre r est a fortalez a escreu o a V . Magestad e largo , e lh e do u cont a d e com o chego u a ell a pelejand o co m dua s d o jnimig o tod a hu ã tard e e part e d a noite , e d e com o a soccor y co m sol - dados , qu e fo i caus a d e a na m abordarem , e d e recebe r o jni - mig o muit o danno , ficarã o ta m escandalizado s dell e qu e co m sett e s e m e viera m pô r á vist a e n o di a e m qu e faç o est a fica Õ dou s quas y a tir o d e pessa . / / E considerand o e u qu e conuinh a a o seruiç o e reputaçã o d e V . Magestad e na m saj r dest e porto , qu e tomare m n a á vist a d a fortalez a se m lh e pode r valer , ordene y a o Cappita m Joa m Hen - rique z s e na m fizess e á vell a th é na m veremo s o qu e o temp o dau a d e sy . / / N a primeir a e segund a vi a dig o a V . Magestad e o pouc o soccorr o qu e m e trouxe , e o qu e importou , e a o qu e cheg a o pagament o d e cad a tre s meses , co m qu e clarament e mostr o a V . Magestad e fica r oj e n o mesm o apert o qu e dante s qu e est e socorr o m e viesse , e mayo r po r m e fica r sercad o d o jnimigo . Na o h é ell e o qu e m e desanima , n é desconsolla , ante s lh e con - fess o obrigaçã o po r m e da r ocasiã o d e pode r mostra r o gost o 276 qu e tenh o d e serui r a V . Magestad e e morre r e m se u seruiço . O faltarm e o prouiment o necessári o sy , po r qu e se m ell e desani - maôss e o s soldados , e ao s negro s faltalh e a fe e e lealdade . / / Nest e estad o fico . S e a V . Magestad e lh e parece r qu e conue m a se u seruiç o socccorrerm e faç a o , quand o nã o e u somett o [me ] a o qu e Deu s e V . Magestad e quizere m ordena r d e my , e deste s pobre s soldados . Soub e qu e estau a hu ã na o jnglez a par a s e partir , m e lançass e est e auiz o e m Sa m Thom é par a qu e o Gouernado r o enuiass e a V . Magestade . Cuj a Cat - tolic a Pesso a Deu s guard e par a ampar o d a Chnstandad e e d e seu s vassalos . / / Minna , 1 5 d e May o d e 634 . P.º Mã z [Per o Mascarenhaz ] AH U — S. Tomé, cx . I , doc. n. ° 105 . 277 6 7 CART A D E COLOMBIN O D E NANTE S A PEIRES C (20-6-1634 ) SUMÁRI O — Informações sobre a missão da antiga Guiné, especial- mente de ordem etnográfica, etnológica e botânica. Monsieur , Trè s humbl e salu t e n Nostre-Seigneur . J'a y rece u l'honneu r d e l a vostr e qu i m ' est é envoié e pa r l e R . P . Gille s d e Loche s à qu i j'a i cett e obligatio n d e m'avoi r procur é c e bie n d'avoi r par t au x affection s d e vostr e bont é san s l'avoi r mérité , c e qu e voudroi s pouvoi r reconnoistr e e n satisfaisan t à mo n debuoi r e t au x demande s contenue s dan s l a vostr e qu i partent , c e m e semble , d'un e louabl e curiosit é e t d'u n espri t port é à tire r profi t d e c e don t l e vulgair e n e fai t estât , c e qu e reconnaissan t joinc t l a qualit é d e vostr e personn e j e n e pui s refuse r d e contente r vostr e dési r e n vou s envoian t quelque s petite s remarque s qu e j'a y faic t e n deu x voiage s d'Afriqu e o ù j'a y esté , l'u n a u royaum e d e Marocque , l'autr e e n Guiné e qu i es t l e dernier , quo y qu e l e pe u d e temp s qu e j'a y e u pou r voi r ce s pai s e t nation s qu i y habiten t n e m'ay e permi s d e fair e toute s celle s qu e j'euss e bie n désir é e t le s dis - grâce s qu i m e son t arrivée s e n mer , notammen t l e naufrag e qu e nou s fisme s à l a cost e d e Guinée , pa r l e fe u qu i fu t mi s dan s notr e navire , m'on t fai t perdr e l'occasio n d' y séjourne r e t d'alle r o ù me s dessein s m e portoient , c e qu i m e servira , s'i l vou s plais t d'excuse , s i e n cett e premièr e lettr e j e n e pui s plei - nemen t respondr e à toute s le s demande s d e l a vostre , espéran t 278 qu e Die u m e favoriser a davantag e à l'adveni r qu e j'aura i meil - leu r moye n d e vou s satisfair e amplement . Pou r l e présen t j e vou s dira i qu'e n mo n voiag e d e Guiné e j'a y v u le s coste s qu i son t depui s d e ca p d e Mon t jusque s a u ca p d e Lop e (1) , qu i es t pa r del à l a lign e A degrés , tiran t ver s l e royaum e d e Cong o e t l'Archevesch é d'Angol e ( 2 ) . Ce s coste s son t distinguée s pa r diver s nom s qu'o n leu r a donnés . L'un e s e nomm e l a cost e d e Maniguett e ( 3 ) à caus e d'un e cer - tain e gren e qu e l'o n y traict e qu i s e nomm e ainsi ; c'es t un e espèc e d e poivre ; l'autr e s'appell e l a cost e d e Coaqu a à caus e qu e le s habitant s d e cett e cost e quan d il s viennen t nou s voi r dan s no s navire s pou r demande r asseuranc e s'il s y seron t bie n venus , il s metten t l e doig t dan s l'ea u e t l e porten t à l'oei l e n disan t Coaqu a e t faul t fair e l a mesm e cérémoni e pou r leu r tésmoigne r qu'il s seron t bie n venus . L'aultr e es t l a cost e d e Mine , o u s e trouv e l'o r e n pouldr e e t l a dernièr e es t l a cost e d e Bénin . / / Toute s ce s coste s son t for t grandes , peuplée s d'habitant s o u i l y a diver s royaume s e t provinces ; mai s surtou t o n a entré e dan s d e trè s belle s rivière s qu i von t su r ce s costes , a u moie n desquelle s o n peu t alle r avan t dan s ce s pai s e t découvri r d e grand s royaume s qu i nou s son t inconnus . Notammen t i l y a c e fleuv e Niger , mentionn é dan s l a vostre , don t l e cour s v a jusque s à 80 0 lieue s e t ceu x qu i l'on t navigu é m'on t asseur é qu e l'o n y rencontr e diver s peuples , le s un s noir s le s autre s (1 ) Cab o d e Lop o Gonçalves . ( 2 ) Angol a era , nest e tempo , simple s bispado . S ó pel o Acord o Missionári o d e 7 d e Mai o d e 194 0 e pel a Constituiçã o Apostólic a Solemnibus Conventionibus d e 4 d e Setembr o d e 194 1 fo i elevad a a Metrópol e co m a sed e e m Luand a e o s bispado s sufragâneo s d e S . Tomé , Nov a Lisbo a e Silv a Porto , ao s quai s s e juntara m depoi s S á d a Bandeir a e Malange . ( 3 ) Leia-se : Malaguette . 279 basané s e t aultre s brancs . J e n' y a y pa s est é e t n e pui s vou s dir e se s mouvements . / / Pou r reveni r à ce s pay s ci-dessus , j e vou s pui s asseure r qu'i l y a gran d contentemen t à le s voir , ca r i l s' y voi t e n tou t temp s un e agréabl e diversit é d'arbre s d'un e prodigieus e haul - teu r e t grosseu r toujour s verts , le s un s e n fleurs , le s aultre s portan t fruict s excellent s à mange r e t d'un e aultr e espèc e qu e le s nostres , aultre s don t o n tir e d u vi n blan c comm e d u laict , qu i ser t d e boisso n ordinair e au x habitants . Nou s l'appelon s vi n d e palme ; aultre s don t o n tir e d e l'huil e jaun e comm e saffra n e t for t douce ; aultre s qu i porten t u n fruic t excellen t qu i es t e n form e d e noix , mai s gross e comm e le s plu s gro s melon s qu e nou s ayons , dan s lesquel s s e trouv e un e liqueu r l a plu s agréabl e qu i s e puiss e gouste r e t à l'entou r d e l'escorc e u n su c qu e l'o n mange , e n sor t equ'i l y a dan s c e fruic t d e quo y boir e e t mange r e t nourri r u n homm e u n jou r entier . Pou r de s oranger s e t citronniers , i l y e n a de s forest s qu i s'en - tretiennen t naturellement . J e n'a y remarqu é s i le s fleur s e n son t doubles . I l y a auss y d'aultre s arbre s don t l e boi s es t roug e e n dedans , d e quo y plusieur s navire s s e chargen t pou r débite r pa r deçà : d'aultres , lesquel s estant s incisé s jetten t de s liqueur s aromatique s don t j'a y apporté . / / Bre f c'es t un e merveill e d e natur e d e voi r tan t d e beau x arbre s don t i l y e n a quelques-un s qu i son t adoré s pa r ce s sau - vages . J'e n vi s u n entr e aultre s d'un e espèc e inconnu e qu'il s adoraien t e t n e vouloien t permettr e qu'o n y eus t touché . I l estoi t s i prodigieusemen t gran d qu e 50 0 homme s pouvoien t estr e à couver t soub s se s branche s e t feuillages . J'a y ve u auss i d e s i belle s feuille s d'arbre s qu'un e seul e estoi t capabl e d e couvri r u n gran d homm e depui s le s pied s jusque s à l a teste . Pou r de s fleur s i l y e n a de s plu s belle s qu i s e puissen t voir , qu i m'estoien t inconnues . J'apporta i quelque s oignon s d e ce s 280 Quan t au x braverie s (" ) d e ce s peuples , elle s son t diverses ; l a plupar t s e fon t de s découpure s su r l e front , bras , espaule s e t aultre s partie s d u corp s su r leque l il s imprimen t diverse s figure s e t s'estimen t bie n brave s quan d il s son t bie n deschi - quetés . Aultre s s e peignen t l e visag e grossièremen t d e diverse s couleurs . Aultre s accommoden t leur s cheveu x d e diverse s figu - res , le s un s faisan t de s couronnes , demi-cercles , touffes ; aultre s on t le s cheveu x for t long s qu'il s tressen t e t entortillen t autou r d e leu r teste , e t e n fon t comm e u n turban ; le s aultre s enri - chissen t e t paren t leur s teste s d e mi l petite s bagatelles , comm e d e bout s d e bois , d e griffe s d'oiseaux , d e coquille s e t aultre s inventions . Ceu x qu i son t a u pai s d e l'o r le s enrichissen t d e petite s lame s d'o r e t aultre s petite s gentillesse s trè s bie n tra - vaillée s qu'il s agencen t su r leur s cheveu x e t barbes , e n sort e qu e j'e n a y v u qu i avaien t leur s barbe s garnie s d'or , c e qu i estoi t bea u à voir . / / Il s porten t auss i à leu r col , bra s e t jambes , d e petit s coliers , bracelet s e t menille s ( 7 ) , le s un s d e feuille s d'herbe s tissue s e t cordées , aultre s d'yvoire , aultre s d e fer , aultre s d'o r massi f e t aultre s d e petite s patenostre s d e diverse s couleurs . Il s fon t auss y estâ t d u coral , mai s surtou t d u coril , qu i es t un e espèc e d e pierr e précieus e qu i s e trouv e a u royaum e d e Bénin , laquell e s e form e d e l a rosé e d u ciel , qu i tomban t su r de s jonc s qu i son t e n certain s marécage s e t l e solei l venan t à darde r se s rayon s dessu s l'endurcis t e t form e e n pierr e bleue , c e qu i es t ( 6 ) Embor a pareç a deve r ler-s e bramties (palavr a se m sentido) , na o temo s dúvid a sobr e o verdadeir o vocábulo , aliá s justificad o expres - sament e n a mesm a frase : «e t s'estimen t bien braves quan d il s son t bie n deschiquetés» . O term o er a usad o n o temp o co m o sentid o d e «toilette» . ( 7 ) Leia-se : manilles . 28 7 for t estim é parm y le s nègre s d e l a Min e e t l'achepten t for t cher , e n sort e qu e pou r un e livr e ( 8 ) d e c e cori l il s donnen t un e livr e e t demi e d'or . Voil à monsieu r un e parti e d e c e qu e j e pui s vou s mande r pou r contente r votr e désir , espéran t qu' à [l'avenir ] Die u m e fournir a davantag e e t m e rendr a plu s dign e d e vou s servir , s i vou s plais t à m'honore r d e l a continuatio n d e votr e bien - veillanc e e t m e permettr e l a qualit é d e Monsr , Vostr e trè s humbl e e t obéissan t serviteu r e n Jésu s Chris t Fr . Colombi n d e Nante s Pauvr e Capuci n D e Saint-Malo , c e 2 0 jui n 1634 . ENDEREÇO : A Monsieu r Monsieu r l'Abb é d e Peiret s [Peiresc ] Conseille r d u Ro y e n so n Parlemen t d e Provence . BN P — Nouvelles Acquisitions Françaises, Ms . 9.340 , fis . 118 - -11 9 v . ANALECT A OEDINI S MINORU M CAPUCCINORUM , Romae , 190 6 (XXII) , p . 244-49 , co m alguo s erro s d e copia . ( 8 ) Arrâtel , medid a d e pes o correspondent e a 45 9 gramas . 288 — Coroação do Rei do Congo (Dappe r — Description de l'Afrique ) 6 8 CART A D O CAPITà O D E S . TOM É A EL-RE I (6-7-1634 ) SUMÁRI O — Bons serviços de João do Souto —- Que se mande socorro à fortaleza — Necessidade de Bispo para ordenar sacer- dotes e fazer apostolado — Arrendamento do Contrato. [Senhor ] A est a Ilh a chego u hu a na o ingrez a e o Capita m deli a chamad o Joa õ d o Sout o co m Carta s d o Gouernado r Per o Mas - carenha s par a V . Magestad e po r uia s e par a my , e m qu e encomendau a s e lh e fizess e fauo r co m tod a [a ] ajud a par a su a uiagem , appontand o o s grande s seruiço s qu e naquell a fortalez a deixau a feito s a V . Magestade , ass i e m acompanha r hu a na o qu e leuo u socorr o á fortalez a par a na o se r tomad a do s Olan - deze s (qu e aind a hoj e a te m e m cerco ) com o e m s'offerece r a traze r a est a Ilh a Carta s e auiz o po r uias , qu e na s embar - caçõe s qu e fore m per a ess e Rein o enuiare i a V . Magestade . Tenh o ta õ be m feit o prezent e a V . Magestad e o detri - ment o qu e est a fortalez a padesse , se m soldado s qu e nell a resi - daõ , ass i e d a maneir a qu e V . Magestad e conced e ao s Gouer - nadore s qu e dess e Rein o ue m prouidos ; e u o s met i n a fortalez a e o Prouedo r d a fazend a d e V . Magestad e e se u Almoxarif e nã o quere m accodi r co m mantimentos , dand o po r desculp a se r a prouizã o d e V . Magestad e merc ê concedid a so o ao s dito s Gouernadore s e nã o a my , po r se r aqu i elleito . / / Peç o a V . Magestad e mand e s e m e diffira , par a co m iss o haue r que m assist a e accud a ao s rebate s po r obrigação , co m aquell a orde m qu e s e requere . / / 289 1 9 Receb y a s prouizoé s qu e V . Magestad e mandou , ass i d a gent e d e nasçã o (1) , [que ] na õ ser á mitid a a cargo s e officio s d e honra j com o sobr e a s me[i]a s annatas , na õ enui o a o Secretario , conform e a orde m qu e V . Magestad e manda , po r parti r est a carauell a h ú di a despoi s delia s chegadas . A Ilh a fica , graça s a noss o Senhor , e m pa z e co m muit a quietação , co m grande s dezejo s d e ue r nell a Bisp o par a ordena r Sacerdote s e accodi r a su a obrigação ; sej a V . Magestad e seruid o manda r s e aprest e su a embarcação , e qu e o Contract o s e arrende , porquant o d e o nã o esta r result a á fazend a d e V . Ma - gestad e muit o dann o e grand e prejuíz o ao s Ministro s Eccle - siastico s e Seculares , po r s e lhe s esta r deuend o muit o manti - ment o do s anno s atrazados , qu e na õ cheg a o qu e rend e a Ilh a per a s e lhe s da r satisfação , causad o tud o d o Contratt o na õ te r nauio s e fazenda s per a o s resgates . / / Noss o Senho r guard e a Catholic a pesso a d e V . Mages - tade . / / S . Thomé , 6 d e Julh o d e 634 . Lourenç o Pire s d e Tauora . AH U — S. Tomé, cx . 1 , doc. n.º 103 . (1 ) Ist o é , d e raç a judaica . 290 6 9 CART A D O PROVINCIA L D A BRETANH A A PROPAGAND A FID E (1634 ) SUMÁRI O — O Superior dos Capuchinhos da Província da Bretanha francesa pede que seja confiada à sua Província a missão da Guiné, com as faculdades dos missionários do Oriente. Eminentissim i a c Reuerendissim i Domin i Cu m plenqu e Mercatore s Britannia ; Minori s societate m inierin t commerci j nauigante s i n Africa m a d ill a partem , qua ; Guine a dicitu r Vetus , se u Africana , iamqu e i n velification e ann i pra;terit i 163 3 duo s secu m Capucino s pr o spiritual i ipso - ru m nauiganti ü consolatione , & socii s administrandi s transue - xerint : qu i illu c appuls i littus , & aliqua : illiu s regioni s plaga s diligentiu s perlustrante s populu m inuenerun t copios ü absqu e vil a Religione , au t ver i De i cognitione ; docl é tarnen , & affa - bilem , a ei n extero s benignissimú , prou t i n occasionibu s ips i sun t experti . Qu a propter . Humilim e peti t Prouinciali s Capucinoru m Prouincia e Bri - tanniae , quatenu s attent a tar n opportun a occasion e dictor ü mer - catorú , qui , pr o su a erg a prefatu m Ordine m deuotione , no n solu m libentissim e s e offerun t a d transportando s illu c dict i Ordini s fratres : se d i d summoper e desiderant , & expetunt . / / Placea t Eminentissimi s Domni s Vestri s Missione m Capu - cinor ú a d supradicta m parte m Africa e decernere : necno n eoru m Ministr o General i committere , u t illu c fratre s idóneo s e x diet a Prouinci a Britannia e opportun o tempor e veu t destinare , qu i cu m 291 facultatibu s Missionarij s Orienti s hactenu s concessis , fructu m abundante m i n horre a Domin i valean t congregare , a d maio - re m ipsiu s gloriam , & merit û copiosiu s Eminentiaru m Vestra - rum . Quas , & a . [Fr . Raphaeli s Nannetensis ] AP F — Memoriali, vol . 394 , f 1 . 196 . 20 2 7 0 DECRET O D A PROPAGAND A FID E (14-7-l634 ) SUMÁRI O — É decretada a missão da Velha Guiné africana e con- fiada aos Capuchinhos da Província da Bretanha Fran- cesa, como fora pedida pelo Provincial. Decretu m Sacra e Congregationi s d e Propagand a Fid e habitu m di e 1 4 Iuli j 163 4 cora m Sanctissim o Referent e Eministissim o D . Cardinal e Ginett o instantia m Prouinciali s Capucinoru m Prouincia e Britanniae , pr o mission e aliquoru m suoru m fratru m i n uetere m Guinea m (1 ) Affricae , i n qu a sun t popul i docile s sin e Religione , prou t retulerun t du o e x eisde m sui s fratribus , quo s cu m Mercatoribu s i n Affric a negotiantibu s misit . / / Sacr a Congregati o missione m decreuit , e t pr o execution e dlius , íussi t ag i cu m Procurator e General i Capucinorum . a) Franciscu s Ingolus , sec . AP F — Memoriali, vol . 394 , fl . 392 . — Acta, vol . 10 , fls . 7 4 V.-75 . NOTA — A o Decret o fo i respondid o pel a Cúri a Generalíci a do s Padre s Capuchinhos . Eminentissim i & R. m l Domm i Cu m Eminentíssima ; DD . Vestra ; a d instantia m Ministr i Pro - uinciali s Capucinoru m Prouinci a Britannia; , Missione m i n Vetere m (1 ) N o original : Guineuam . 293 Guinea m decreuerint , iusserintqu e pr o illiu s execution e ag i cu m Pro - curator e General i dict i Ordinis , isqu e a d hun c effectu m a przfat o Pro - uincial i nomin a mittendoru m postulauerit . Satisfacien s dictu s Prouin - ciali s cu m Consili o Procuratoru m Diffinitorum , nomina t sequentes , videlicet , fratre m Angelic ú Nannetensem , f . Columbin ü ite m Nanne - tensé , Bernardin ü fvíeduanensem , & Samuele m d e Campobono : & i n illoru m Superiore m prasfatu m fratre m Angelicum . Supplican s humilim e EE.W . quatenu s dignentu r a d dictu m fratre m Angelic ú patente s littera s cu m facultatibu s Missionarij s Orienti s hactenu s concessi s diri - gere . & orabi t pr o DD.EE.VV . Qua s Deus , & a . AP F — Memoriali, vol . 394 , fl . 406 . 294 7 1 CART A D E PEIRES C A COLOMBIN O D E NANTE S (1-8-1634 ) SUMÁRI O — Pede informações etnográficas e botánicas pormenoriza- das, bem como sobre o regime das marés na costa oci- dental africana, comparando.o com o da Bretanha. M . mo n R . P. , J'a y reçeu , pa r nostr e dernie r ordinair e d e Lyon , vostr e let - tr e d u 2 0 jui n (1 ) depui s samedy , e t l'a y releu e plusieur s foi s pou r comprendr e e t savoure r toute s le s belle s observation s don t i l vou s a pie u m e fair e part , e t don t j e vou s rend z mill e tre s humble s action s d e grâces , e t d e tan t d e favorable s compliment s e t gaing s d e l'honneu r d e vostr e amitié , qu e j e prisera y tou - jour s infiniment , e t a u dessu s d e toute s autre s personne s d e vostr e condition , puisqu e vostr e vert u e t desbonnairet é es t s i relevé e a u dessu s de s autres , vou s supplian t d e croir e qu e vou s m'ave z gaign é l e coeu r e n sort e qu e j e sui s intieremen t desvou é à vou s servir , e t qu e j e voudroi s bie n avoi r l e moye n d e vou s tesmoigne r e n quelqu e dign e occasion . / / J'a y pnn s gran d plaisir , entr'autre s choses , d e voi r l a rela - tio n qu e vou s faicte s d e ce s grand s arbre s adore z comm e de s idoles , e t ce s deité s vivante s de s Roy s d e Benin , auss y bie n qu e cell e d u soleil , d e l a lun e e t d e ce s aultre s animaux , comm e e n l a descriptio n qu e vou s faicte s d e ce s espèce s d e cinge s (1 ) Cfr . document o n. ° 67 . 20 5 ass i Padres , com o JrmaÕs , seía õ apostado s a todo s o s trabalhos , muit o edificatiuos , d e boa s condissoís , aprouados , e virtuosos , e l á e m Portugua l tido s po r tais . Porqu e com o nesta s parte s o s d a Companhi a sa õ pouquos , e a s ocupassoí s muitas , h é necessá - ri o subgeito s muit o rezoluntos , e apostados , e qu e esteia õ pres - te s per a ire m pell a terr a dentr o dest e Guiné , per a qualque r parte , qu e a sant a obediênci a o s mandar , qu e fo r honrr a e glo - ri a d e Deos , e be m da s almas ; porqu e s e este s fore m o s subgei - tos , qu e per a qu á uierem , fara ó muit o fruit o na s alma s deste s pretinhos , e muito s seruiço s a noss o Senhor ; e s e fore m a o con - trari o na õ soment e fara Õ pouqu o fruito , ma s aind a lhe s dara õ pouqu a edificassaÕ , co m meno s honrr a e credit o d a Companhia , e co m pena , e desgost o do s mai s d a mesm a Companhia , qu e co m elle s morarem , e habitarem ; e ist o dig o pel a experiênci a qu e tenh o desta s partes , desd e o s 1 5 d e Janeir o d e 1616 , qu e fo i o di a e m qu e desembarque i n o port o d a Loand a e m com - panhi a d o P. e Jerónim o Vogado , qu e enta õ ve o po r Visitador , e Reito r d o Collegi o d a Loanda . / / O P. 6 Gonsal o d e Sousa , Reito r d o Collegi o d a Loanda , no s fa s muita s e grande s caridades , ass i e m no s encaminha r e consola r co m sua s cartas , com o e m no s manda r o necessário . / / Nest e Rein o d e Cong o morre o h ú Purtugues , po r nom e Bertolame u Dinis , qu e h é o qu e queri a entra r n a Companhia , o qua l deixo u a est e Collegi o d e Cong o hu ã bo a esmol a d o qu e sobeia r d e su a fazenda , despoi s d e lh e paguar é sua s diuidas , e d e lh e comprire m o s leguado s qu e ell e deixo u e m se u testa - mento . Noss o Senhor , ett a . / / D e Congo , 2 2 d e Agost o d e 1634 . / / Setu o e filho , e m Christo , d e V . P. , e m cuio s santo s sacrifícios , oraçoí s e benssa õ muit o m e encomendo . Migue l Affons o ARS I — Lus. Cód . 74 , £1 . 245 , doc. XC . 30 2 7 3 CART A D O GOVERNADO R D E S . TOM É A EL-RE I (24-9-1634 ) SUMÁRI O — Estado da fortaleza da Mina — Falecimento dos capi- tães — Negócios com naus inglesas — Resgate ilícito no Benim — Necessidades da fortaleza — Sente-se a falta de Bispo — Notícias de Manuel de Barros acerca da Mina. O Gouernado r d a Min a Per o Mascarenha s (1) , po r vers e cercado , e e m grand e apert o e m qu e naquell a fortalez a o tinha õ post o o s Olandezes , o obrigo u a manda r a est a jlh a e m hum a na o inglez a o auiz o qu e po r dua s via s tenh o mandad o a V . Magestade , auizandom e nell a na õ pode r fazer , n a e m qu e V . Magestad e lh e mando u o socorro , d e queer a Mestr e Romã o d e Bocette , po r a tere m cercad o set e nao s olandeza s á vist a d a dit a fortalez a e port o delia , co m deliberaçã o d e a tomarem , o u metere m n o fundo ; e vendos e ness e apert o e a muit a necessi - dad e qu e haui a d e faze r ist o prezent e a V . Magstade , offe - reçe o a o mestr e dest a na o ingleza , po r traze r est e auiz o a est a jlha , mi l e quinhento s cruzados , o s quae s ell e na õ qui s aceitar , e á su a própri a cust a o troux e a est a jlha , com o o mstifico u ant e a yustiç a delia , ale m d e o dit o Gouernado r Per o Mascarenha s m o auiza r ass y po r sua s cartas , e prouiza õ qu e diss e passo u a o Mes - tr e d a dit a nao . Per o Mascarenha s h é falecido . Succedeulh e n o gouern o daquell a fortalez a hu m Frade , conform e tiu e po r auizo , qu e serui a po r Vigair o nella , o qua l h é aleijado , e sempr e est á e m ( 1 ) Tev e cart a régi a d e nomeação , po r trê s ano s e o mai s qu e el-Re i o houvess e po r bem , dad a e m 4 d e Mai o d e 1632 . — AT T — Chancelaria de D. Filipe III, liv . 26 , fls . 78-7 8 v . 303 hum a cam a ( 2 ) ; ale m dist o o genti o d a tetra , dize m esta r inquiet o co m a mort e d o dit o Gouernado r e ass y s e releu a mu - danç a nell e pella s muita s instancia s qu e a ell a obriga õ o s olan - dezes , po r toda s a s via s qu e podem ; conue m a o seruiç o d e V . Magestad e mandarlh e o remédi o qu e fo r seruid o co m tod a a breuidade . O Mestr e dest a na o jnglez a qu e toux e est e auizo , qu e tant o import a a o be m daquell a fortaleza , e seruiç o d e V . Ma - gestade , fe s petiçã o a o Prouedo r d a fazend a d e V . Magestade , Manoe l Correia , vist o vi r á su a própri a cust a trazello ; lh e de u licenç a par a carrega r n a dit a na o vint e mi l arroba s d e assucar , da s quae s pago u log o o s direito s deuido s á fazend a d e V . Ma - gestade , ass y do s qu e s e deuia õ delle s nest a jlha , com o n a Al - fandeg a d e Lisbo a e Consulado , com o const a do s liuro s d a feito - ri a d o despach o deste s assucares , co m o qua l dinheir o s e pago u e m part e ao s Ecclesiastico s e Ministro s d a Justiç a e Fazend a [as ] ordinária s atrazada s qu e s e lh e deuiaõ , e na õ haue r nest a ylh a dond e s e satisfizesse , po r esta r e m mizeraue l estado , e incapa z d e rendimento s co m qu e s e pague m a s obrigaçõe s qu e V . Ma - gestad e nelí a tem , po r falt a d e s e na õ ar[r]renda r o trat o della . Aqu i chego u a o port o dest a jlh a hu m patax o jngle z d o res - gat e d o Benin , carregad o d e panaria , o qua l mande i toma r vist o vi r a o dit o resgat e se m licenç a ne m arrendamento , com o h é obrigaçã o so b pen a d e ben s perdidos , e po r se r contr a o regi - ment o d e V . Magestade . O Prouedo r d a Fazend a condeno u a o dit o patax o e fazend a qu e nell e vinha , po r perdid o par a a fazend a d e V . Magestade , o qua l importo u nouecentos , setent a e oit o mi l quinhento s e setent a reis , o s quae s esta õ metido s n o ( 2 ) Fre i Duart e Borges , profess o d a Orde m d e Cristo , for a no - mead o capelã o d a fortalez a d e S . Jorg e d a Mina , po r cart a régi a d e i d e Març o d e 1619 . Cfr . AT T — Chancelaria da Ordem de Cristo, liv . 22 , fls . 1 66v . 304 Cofr e qu e est á n a feitori a par a V . Magestad e manda r dispo r delle s com o fo r seruido , o u s e pagare m a s ordinárias . A terr a est á d e paz , e o s moradore s deli a co m amizade , s ó sente m a falt a d e Bispo , qu e h é grande . V . Magestad e deu e mandall o co m tod a a breuidade , po r conui r ass y muit o a o seruiç o d e V . Magestade . A s necessidade s e m qu e a fortalez a está , o tenh o feit o pre - zent e a V . Magestade , po r esta r muit o falt a d o necessári o par a a defens a delia ; e poi s ist o import a tant o a o seruiç o d e V . Ma - gestade , peç o d e MERCÊ , qu e lh e mand e o prouiment o niss o qu e mai s conui r a se u seruiço , cuy a Catholic a Pesso a Noss o Senho r guarde . / / Sa n Thomé , 2 4 d e Setembr o d e 634 . A d e sim a h é a qu e tenh o escrit o a V . Magestad e po r tre s vias ; offerecess e nouament e faze r auiz o a V . Magestad e e m com o sinc o dia s d o me s d e Nouembr o próxim o passado , apor - to u a est a Ilh a hu ã na o ingleza , qu e vinh a d a fortalez a d a Mina , e nell a lançar a hu m soldad o d a dit a fortaleza , po r nom e Manue l d e Bairros , qu e po r serui r a V . Magestad e s e embarco u nell a par a nest a jlh a da r auizo , e enuiars e a V . Magestad e a s carta s qu e co m est a vaõ . E dell e soub e o estad o e m qu e ficau a a dit a fortaleza , e e m com o o Vigair o Fre y Duarte , qu e succede u a o Gouernado r Pedr o Mascarenhas , falecer a d e mort e súbita , a que m succede o Andr é d a Roch a Magalhães , qu e seruir a d e Alcaid e Mó r nella , co m cuy a eleiçã o m e auiza õ s e va õ melho - rand o alguma s desorden s qu e n o genti o s e hia õ ateando : ma s sobr e tud o s e reque r a V . Magestade , acud a á dit a fortalez a co m o se u auxdio . Cuy a Catholic a Pesso a noss o Senho r guarde . / / Sa n Thomé , sinc o d e Janeir o d e 635 . Lourenç o Pire s d e Tauor a AHU— -S . Tomé, cx . 1 , doc. n. ° 112 . 30 5 2 0 7 4 CART A D O CAPITÃO-MO R D A MIN A A EL-RE I (10-10-163 4 SUMÁRI O — Estado da fortaleza — Partida de Manuel de Barros com informações — Deterioração dos vinhos, excepto os da Madeira — A ronda dos holandeses à fortaleza—Envio de roupas da índia para com elas pagar aos soldados. Po r faleciment o d e Pedr o Mascarenhas , e fre y Duart e Bor - ges , Gouernadore s qu e fora õ dest a fortalez a (1) , suçed y n o ditt o cargo , c õ aplauz o d e tod o o pou o delia , estand o seruid o a V . Magestad e d e capitã o mór , e mandand o da r balanç o á s feitoria s e tereçena s pello s offiçiaé s d e V . Magestade , ressençea - ra õ o qu e haui a nella s co m o qu e s e gastau a [em ] cad a paga - ment o d e tre s mezes , e acharã o na õ haue r par a sustent o da s prassa s qu e h á mai s qu e par a o prezent e mez , na õ entrand o o s quartéi s d e cad a hu a delia s (qu e importa Õ muit o com o V . Ma - gestad e ser á j á informado) . E porqu e est a Praç a na õ te m outr a couz a d e qu e s e sustent e mai s qu e o qu e V . Magestad e mand a dess e Reyn o (po r na õ te r comerci o c õ outras ) foim e forsad o ( e o s moradore s ass y m o requererão ) enuia r a V . Magestad e est e auiz o po r ui a d a Ilh a d a Madeira , dig o d e Santhomé , par a cuj o effeit o s e offereçe o o mestr e d e hu ã na o ingiez a qu e estau a par a parti r dest a Cost a par a a cidad e d e Londres , e Manue l d e Barros , o qua l estau a seruind o a V . Magestad e nest a fortaleza , e o te m feit o e m outra s occazioé s d e perigo , e m a s quai s mos - tro u muit o animo , e nest a o fe z c õ o mesmo , leuad o s ó d o inte - (1 ) Fre i Duart e Borge s fo i governado r apena s po r trê s mese s e nã o chego u a te r cart a régia . 306 ress e d e na õ haue r nenhu á e m qu e deixas e d e mostra r a uon - tad e qu e tinh a d e s e emprega r n o seruiç o d e V . Magestade , d o qua l s e deu e V . Magestad e haue r po r be m seruido . / / A ell e e á s carta s d e meu s antecessore s remet o a Relaçã o qu e podi a da r a V . Magestad e dest a Costa , porqu e d e seu s auizo s na õ h á nuuidade s d e qu e pode r auiza r a V . Magestade ; da s mizeria s e m qu e est a fortalez a fic a o deui a e u faze r po r mui - ta s vias , ma s na õ o relat o nest a po r extenço , po r na õ cança r a V . Magestad e co m lee r cart a ta m comprida ; est e soldad o infor - mar á a V . Magestad e da s qu e s e padessem , porqu e també m a s ajudo u a experimentar . O s vinho s qu e V . Magestad e mando u c õ o cab o Thom é Matozo , s e mudarã o e m chegand o a est a Costa , d e maneir a qu e ne m o s negro s o s gastarã o sena õ a mey o tostaõ , e s e na õ mandar a da r tant a press a a uendellos , tiuer a a fazend a d e V . Magestad e a perd a delles . Pell o qu e V . Mgestad e deu e manda r qu e na õ venha õ vinho s par a est a Praça , salu o d a Ilh a d a Ma - deira , porqu e doutr a part e faze m o mesm o qu e fizera õ estes . O s olandeze s frequenta Õ est a Cost a com o dantes , e cad a me z lh e ue m nauios ; nell a te m agor a sette , o u oit o e m porto s differentes , dond e tira õ grand e proueito ; e tenh o po r noua s qu e esta õ aguardand o algun s d e Olanda , ma s na õ s e sab e a certez a d e quantos . E u fic o c õ â uigilançi a qu e canue m par a a bo a guard a dest a fortaleza , e m cuj a defença õ he y d e emprega r a uida ; nell a na õ falt a poluora , ne m bailas , post o qu e alguã s da s qu e viera õ n a na o d e Lubequ e sa õ d e mayo r embocadura , porqu e a artelhan a qu e aqu y h á na õ leu a nenhu a qu e pass e d e doz e liuras ; soldado s h á bastantes , aind a qu e do s qu e viera õ e m companhi a d e Pedr o Mascarenhas , qu e fora õ nouent a e tantos , na Õ h á j á mai s qu e dezanoue ; ma s este s c õ o s qu e aqu y estaua õ te m j á passad o a primeir a doença , qu e aqu y h é d e mayo r perigo , e esta õ capaze s par a tod a a occazia õ qu e s e offere - çe r n o ma r e n a terra , o qu e import a h é manda r V . Magestad e 307 roupa s d a Jndi a per a s e lh e pagar , porqu e na õ faltand o esta s n a feitori a tera õ o s soldado s anim o e o s negro s vezinho s guardarã o a fee , e lealdad e qu e deue m a V . Magestade , cuj a Cahtolic a Pesso a guard e Deo s par a augment o d a Christandade , e ampar o d e seu s Reyno s e Vassallos . / / N a Mina , a 10 d e outubr o d e 1634 . Andr é d a Roch a [Magalhães ] AHU . — S. Tomé, cx . 1 , doc. n. ° 111 . 308 7 5 MISSà O D E CAPUCHINHO S À GUIN É (21-11-1634 ) SUMÁRI O — O Provincial da Bretanha nomeia os missionários -para a missão da Guiné — O Padre Angélico de Nantes é constituído Superior — Pede as faculdades concedidas pela Propaganda Vide aos missionários do Oriente. Eminentissim i e t Reuerendissim i Domin i Cu m Eminentíssima s DD . VV . a d instantia m Ministr i Prouinciali s Capucinoru m Prouinci z Britannia: , Missione m i n Vetere m Guinea m decreverint , iusserintqu e pr o illiu s execution e ag i cu m Procurator e General i dict i Ordinis , isqu e a d hun c effec - tu m a przfat o Prouincial i nomin a mittendoru m postulauerit . / / Satisfacien s dictu s Prouincialis , cu m Consili o Patru m Di£ - finitorium , nomina t sequentes , videlicet , Fratre m Angelicu m Nannetensem , F . Columbinu m ite m Nannetensem , Bernardi - nu m (sic) Meduanensem , e t Samuele m d e Campobono : e t i n illoru m Superiore m praefatu m Fratre m Angelicum . Suppli - can s humillim e EE . VV . quatenu s detinentu r a d dictu m An - gelicu m patente s littera s cu m facultatibu s missionarij s Orien - ti s hactenu s concessi s dirigere . E t orabi t pr o DD . EE . VV . Qua s Deu s etc . AP F — Memoriali, vol . 394 , fls . 40 6 e 41 3 v . NOTA — O document o nã o est á datado . O assunt o fo i tratad o n a congregaçã o cardinalíci a d e 2 1 d e Novembr o d e 1634 . Cfr . Acta, vol . 10, fl . 13 5 v . Damo s a o document o est a data . 30 9 7 6 FUNDAÇà O D A MISSà O D A GUIN É (21-11-1634 ) SUMÁRI O — Frei Angélico de Nantes é enviado, com três confrades, a fundar a missão da Antiga Guiné (Africa Ocidental). Referent e Eminentissim o D . Cardinal i S . Honuphr y (* ) Sacr a Congregati o i n execution e decret i alia s edit i pr o mission e Capuccionoru m a d uetere m Guinea m Affrica; , littera s patente s Missioni s decreui t pr o fratt e Angélic o Nannatens i Capuccino , cu m tribu s socij s eiusde m ordini s a Prouincial i e t Definitori o Prouincia : Britânia : approbati s a d uetere m Guinea m Affricac . Nomin a aute m sócio s dict i fratri s Angelic i sun t frate r Colum - bu s (sic) Nannatensis , frate r Bernardu s (sic) Meduanensi s e t frate r Samue l d e Camp o Bono , e t pr o facultatibu s iussi t adi n Sanctu m Officium . AP F — Acta, vol . 1 0 (1634-1635) , fl . 13 5 v . (n. ° 4) . — Reuniã o cardinalíci a d e 2 1 d e Novembr o d e 1634 . (1) Cardea l Antóni o Barberini , O . M . Cap. , irmã o d o Pap a Urban o VIII , titula r d e Sant o Onofr e e m 1 3 d e Novembr o d e 1624 , títul o qu e guardo u mesm o depoi s d a su a trasladaçã o par a o d e S . Pedr o a d Vincula , e m 7 d e Setembr o d e 163 7 e d e Sant a Mari a i n Trastevere , e m 2 6 d e Mai o d e 1642 . Falece u n a Cúri a e m 1 1 d e Setembr o d e 1646 . P . Gauchat , Obr. cit„ IV , p . 19 . Era , naturalmente , o Protecto r d a su a Ordem . 310 7 7 MISSà O DO S CAPUCHINHO S FRANCESE S N A GUIN É (21-11-1634 ) SUMÁRI O — Nomeação de Frei Angélico de Nantes como prefeito dos missionários Capuchinhos da missão da Velha Guiné. Sanctissimu s i n Christ o Pater , & Dominu s noste r D . Urba - nus , Divin a Providenti a Pap a VIII , omniu m hominu m salut i pr o su o Apostólic o muner e provider e cupiens , t e Fratre m Angelicu m Nannatense m Capucinum , cu m tribu s Socii s ejus - de m Ordini s i n Vetere m Guinea m (1 ) Africa ; mitter e decrevit , & mittit , u t cu m facultatibu s Vobi s pe r alia s littera s conceden - dis , Evangeliu m Domin i Nostr i Jes u Christ i annuntietis , & gente s dia s doceati s servare , quaxunqu e S . Mate r Ecclesi a Catholic a Roman a pratcipit , & prassertim , u t Judiciu m univer - sal e futuru m eisde m contestemini . / / Vo s itaqu e re i magnitudinem , & Apostolic i muneri s vobi s commiss i gravitatem , sen o propendentes , i n primi s cavete , n e a d haereticorum , schismaticoru m & infideliu m conciones , au t ritu s quoslibe t quovi s prastext u ve l caus a accedatis . Deind e omn e adhibet e curam , u t ministeriu m vestru m dign e a c fidc - liter , etia m cu m sanguini s effusione , a c mort e ipsa , s i opu s fuerit , impleatis , u t immarcescibile m corona m a Patr e lumi - nu m reciper e mereamini . (1) Po r oposiçã o à Nov a Guiné , a Velh a o u Antig a Guin é compree ndia o s território s d a cost a ocidenta l africana , entr e o cab o da s Palmas e a s boca s d o ri o Níger . 311 Qu e a fortalez a d o olande z est á e m Boure , tre s legoa s d a noss a d e sotauento , qu e al y ua õ ancora r a s sua s naos . E qu e n a alde[i] a d o Torto , qu e fic a a balrauent o d a noss a fortaleza , te m sempr e hu a na o destad o co m 4 0 peça s e qu e dal y ua õ pell a cost a a seu s resgate s e acod e a o inimig o tod o o serta õ e qu e est a na o h é tod o o impediment o do s socorro s qu e d e c á uaõ . Qu e s e socorre r a Min a se m qu e o inimig o o presinta , co m dou s galeõe s e dou s pataxos , esta s quatr o embarcaçõe s lhe s pode - rã o toma r a fortalez a e quanta s nao s al y tiuere m se m se r neces - sári o mayo r fors a e qu e co m ist o e fortificad o o post o d a jlh a d o Tort o e hauend o l á fazenda s co m qu e resgatar , ficar á o ini - mig o excluído , porqu e o s negro s o na õ busca õ sena õ pell a neces - sidad e d e se u resgate . E assi m declaro u se r o dit o Andr é d a Fonsec a caualeir o fidalg o d a cas a d e V . Magestad e e d e idad e d e 4 8 anno s e e m fe e d e tud o assinou . / / Lisboa , a 2 d e març o 635 . / / Andr é d a Fonseca . AH U — S. Thomé, cx . 1 , doc. n. ° 115 . 318 8 1 CART A A EL-RE I SOBR E A MIN A (10-3-1635 ) SUMÁRI O — Lista de objectos a enviar para socorro eficaz da fortaleza da Mina — Falta de dinheiro para a sua efectivação. + Senho r E m resa õ d o qu e V . Magestad e mand a d e s e preuinire m dua s carauela s per a o socorr o d a Mina , digu o qu e feit a deli - genci a nest e Rio , s e acha õ so o dua s carauela s aparelhadas , qu e possa õ se r d e seruiço ; qualque r delia s far á est a uiage m muyt o contr a su a vontade , ma s quand o V . Magestad e sej a seruid o fors a ser á qu e a façaÕ ; a duuid a h é sobr e o d e qu e [h]ad e consta r est e socorro , porqu e o qu e m e parec e conuiri a qu e agor a s e mandas e h à Mina , seri a ath é ce m (1 ) soldados , tre s mi l cru - sado s e m roupas , ass y per a elle s com o per a o s qu e la a estaõ , dou s mi l e m bastimento s par a laa , afor a o s d a uiagem , sin - coent a quintae s d e poluora , quatr o peça s d e artelhari a d e bronz e d e desasei s a vintaquatr o libra s d e bal a co m encaualgamento s d e campanh a per a a fortalesa , quatr o mi l bala s da s boca s desta s peças , seis artelheiro s práticos , uint e quintae s d e corda , outro s uint e d e pilouro s d e mosquet e e arcabus , ce m (1 ) mosquete s aparelhados , ce m (1 ) arcabuse s d a mesm a maneira , ce m (1 ) piques , sincoent a meyo s piques , dusenta s paa s d e ferro , dusen - ( 1 ) N o original : sem . 31 9 ta s enxadas , ce m (1 ) machados , ce m (1 ) fouse s ros[s]adouras , cem(1 ) podõe s ros[s]oís , hu m home m qu e sayb a refina r pol - uora , uint e quintae s d e salitr e per a a qu e estiue r gastad a d o tempo , dou s serralheiros , dou s ferreiros , dou s carpinteiro s per a faze r e remedea r reparos , todo s co m sua s ferramenta s e forjas , sesent a quintae s d e ferro , de z ( 2 ) quintae s d e aç o ( 3 ) , e hu m engenheir o d e fortificações ; est e m e parec e er a o socorr o qu e deui a hi r h à Mina , per a s e ocupare m embarcações , o temp o esta a e m desd e março , n a terr a na õ h á muniçoí s ne m gente , n a fazend a d e V . Magestad e na õ se y també m qu e [h]aj a sustância , e ass y na Õ entend o o com o s e poss a executa r est e socorro ; necessári o ser á V . Magestad e mand e resolue r quant o [h]ad e ser , dond e s e poder á hauer , e ond e esta a o dinheir o d e qu e s e [h]ad e comprar , e co m iss o obrare y e u quant o pode r n a part e qu e m e toc a e V . Magestad e mandar , / / E m Lisboa , 1 0 d e març o 635 . Ru y Corre a Lucas . AH U — S. Tomé, cx . 1 , doc. n. ° 116 . ( 2 ) N o original : des . ( 3 ) N o original : asso . 32 0 8 2 INQUÉRIT O À MIN A E ILH A D E S . TOM É (17-3-1635 ) SUMÁRI O — O ]ulz do Crime faz um Inquérito ao governo e admi- nistração da fazenda -pública na fortaleza da Mina e na ilha de S. Tomé, por ordem do Conselho da Fazenda. Deligemci a feit a po r orde m d o Conselh o d a Fazenda , a qua l fe z o lecemcead o Lui s Galua m d e Lemos , Jui z d o Crime . Ao s dezassett e dia s d o me s d e març o d e mi l sei z semto s trimt a e simqu o anno s fo i o lecemcead o Lui z Galua m d e Lemos , jui z d o crime , á Ru a d o Pe e d e Ferro , ale m d o Mo - cambo , adomd e ell e jui s comigu o escriua m pergunto u a s tes - temunha s seguimtes . E e u Framcisc o Dia z Moreir a o escreuj . Manoe l d o Basto , morado r n a Ru a d o Pe e d e Ferro , d e jdad e corent a annos , qu e or a uei o d a Mina , testemunh a jurad a ao s santo s euangelhos , e m qu e pô s a ma õ e pergumtad o pell o comtheud o n a portari a d o Comselh o d a Fazemda , diss e ell e testemunh a qu e h á quatr o anno s e mei o qu e parti o dest e Rejn o e tod o o ditt o temp o serui o d e comdestabl e d a fortalez a d a Min a (1 ) e qu e s e embarquar a par a Samthom é co m licenç a d o gouernador , o padr e fre j Duart e ( 2 ) , d a orde m d e noss a Senhor a d a Lu s ( 3 ) , e qu e d e Samthom é uier a e m hu ã na o d a ( a ) Nã o tev e cart a régi a d o cargo . ( 2 ) Fre i Duart e Borges , profess o d a Orde m d e Cristo . ( 3 ) Convent o d a Orde m d e Cristo , e m Carnide , cercania s d e Lisboa . 321 2 1 jlh a d a Madeira , mestr e Manoe l Mende s Madeira , natura l d a mesm a jlha . E uind o n a altur a e uist a d a dit a jlh a peleiia - ra õ co m o s olandeze s da s oit o d a menha n th é o pô r d o sol ; n a pelej a lh e meterera õ a na o e m qu e ell e testemunh a uinh a n o fumd o e o s tomara m e o s lansara Õ n a mesm a jlh a n a Pont a d o Sol , dond e s e embarquara m n a carauell a d e Per o Brab o d e Setuual , qu e aporto u n a dit a uill a auer á de z ( 4 ) dias . / / E pergumtad o d o estad o d a Min a pella s pergumta s qu'ell e dit o jui s d o crym e lh e fes , diss e qu e o gouernado r d a Mina , qu e er a Per o Mascarenhas , h é mort o e d e cent o ( 5 ) e sesent a homen s qu e fora m dest e Rejn o co m o dit o gouernador , s ó oit o ficaua ó uiuo s n a dit a fortalez a a o temp o d e su a partid a e o s mai s morrerã o d e doenssa s d a terra , e qu e po r mort e d o dit o Pedr o Mascarenhas , qu e morre o e m mai o passad o d e tnmt a e quatro , sosede o e m se u luga r o padr e fre j Duart e Borges , uigari o qu e er a d a dit a fortaleza , pe r eleissa m do s soldado s delia , o qua l gouerno u trè s mezes , e morre o e pe r su a mort e o s mesmo s soldado s d a fortalez a emlegera m Andr é d a Rocha , criad o d o gouernado r Pedr o Mascarenha s qu e l á morreo , o qua l ficau a gouernand o n a dit a Min a a o temp o d e su a partida , peso a na m sofesient e par a o ditt o cargo , e pe r ess e estau a conhe - cid o entr e o s soldados , a qua l fortalez a est á muit o arriscada , asi m pe r falt a d e capita m com o d e artelheria , e qu e est á be m d e munissoís . E qu e a feitun a d e Su a Magestad e est á falt a d e tud o o qu e s e h á miste r par a s e gouerna r be m aquell a fortaleza , porqu e ne m te m roupa s ne m outr a couz a algum a par a s e pode r gouernar , porqu e h á muito s anno s qu e s e na m pagu a ao s sol - dado s po r falt a d o necessário . E qu e h é uerdad e qu e á su a par - tid a poderi a te r a dit a fortalez a oitent a homen s pouc o mai s o u menos , co m a s fortaleza s dAche m e Samá , o s quai s dou s ( 4 ) N o original : des . ( 5 ) N o original : sento . 32 2 forte s s e prouer a d e gent e d a Mina , o s quai s forte s fica m pell a cost a distamci a d e tnmt a legoas . E h é uerdad e qu e o s negro s d a terr a na õ commercea m co m a noss a fortalez a pe r falt a d e roupa s e leua õ ao s olandeze s e [a ] o s mai s estrangeiro s qu e ua õ pell a cost a a faze r resgat e tod o o our o e marfi m e an d e a s mai s mercadoria s d a terra , e qu e o s estrangeiro s qu e al y ua m d e ordinári o ale m do s olandezes , qu e al y te m á uist a su a for - taleza , sa m jngrezes ; e ist o diss e ell e testemunha , com o peso a qu e sab e d o estad o d a terr a e [hjaue r sid o comdestabl e d a dit a fortaleza , á qua l també m h é nesesari o acodi r co m comdestable , porqu e o qu e l á fiqu a na õ h é sofesiente , e declaro u qu e t é oy e na õ uei o d a dit a fortalez a outr a peso a mai s [que ] elle , testemu - nha , o qua l na õ sab e da s couza s d e Sa m Thom é nada . E assino u co m o juis . Framcisc o Dia s Moreir a a escreuj . a) Galua õ D e M. e l f d o Basto . Sebastia m Rodrigues , morado r n a Ru a do s Emgrezinhos , d e jdad e uint e simqu o anno s pouc o mai s o u menos , testemu - nh a jurad a ao s santo s euangelho s e pergumtad o pell o com - theud o n a portari a d o Comselh o d a Fazend a e mai s couza s a ell a nesesanas , diss e ell e testemunh a qu e ell e uei o d a jlh a d e Samthom é n a na o d e Manoe l Mende s Madeira , qu e o s olan - deze s metera m a piqu e a o fumd o e tomarã o a ell e testemunh a e ao s mai s e o s botara m n a jlh a d a Madeira , dond e s e embar - quo u ell e testemunh a n a carauell a d e Per o Brabo , qu e uei o a Setuua l [h]auer á de z ( 4 ) dias . / / E perguntad o pella s couza s d a Mina , diss e qu e delia s na õ sab e nada , s ó ouui r dize r e m Samthom é a hu m criad o d e Pedr o Mascarenhas , qu e l á [h]aui a sid o gouernador , qu e o dit o se u am o er a morto , e o Frad e qu e emleiera õ e m se u lugar , e qu e gouernau a hu m criad o d o dit o Pedr o Mascarenhas , pesso a yna - 323 bi l par a o dit o cargu o e qu e ouuir a dize r qu e a dit a fortalez a estau a falt a d e toda s a s couza s a ell a nesesarias . E qu e d e Samthom é sab e qu e [h]auer á dou s anno s qu e ah y fo i hum a na o emgrez a e er a mestr e deli a Joa m d e Sot o emgres , co m o qua l comerceara o todo s o s d a terra , e queren - dolh o defemde r Lourenss o Pire s d e Tauora , qu e emta m gouer - nau a Samthomé , o s fejtore s delRe j e mai s mercadore s d a jlh a pretestara õ ( 6 ) a o dit o gouernado r qu e o s deixass e comerçea r co m o dit o emgres , pell a nesesidad e qu e tinh a a terra . E emta m lh o comsemti o o dit o gouernado r Lourens o Pire s d e Tauora ; e uind o nest e temp o o gouernado r nouo , Framcisc o Barrett o ( 7 ) , a dit a na o emgrez a s e fo i dal y par a mei a légu a abax o d o porto , adond e o dit o gouernado r Framcisc o Barret o lh e mando u dize r qu e s e fosse , sena õ qu e o jri a castigar . E emta m s e fo i a dit a na o emgreza . E qu e a dezoit o d e setembr o d o ann o passado , jnd o ell e testemunh a dest e Rejno , emtro u n a dit a ylh a d e Samthom é e nel a acho u o mesm o mestt e emgre s Joa m d e Soto , co m outr a na o maio r qu e a primeira , a qua l y á tinh a carregad a co m o s mesmo s mercadore s d a terra , gouernand o otr o s y a terr a o mesm o Lourens o Pire s d e Tauora , po r mort e d o gouernado r Framcisc o Barret o ( 8 ) . / / E qu e sab e qu e geralment e todo s o s mercadore s d a terr a comerseaua m co m a gent e d a dit a nao . E qu e o di a qu e ell e testemunh a parti o d a jlh a d e Samthomé , dera m fund o nell a dua s nao s emgrezas ; pore m na õ sab e qu e comerseasem , ante s emtend e qu e s e fora õ pe r falt a d e asuqueres . E qu e a s dita s ( 8 ) N o original : pertestaraõ . ( 7 ) Francisc o Barret o d e Meneses , d e se u nom e completo , fidalg o d a Cas a Real , fo i nomead o capitã o e governado r d e S . Tom é po r fale - ciment o d e Andr é Gonçalve s Maracote , po r cart a régi a d e 8 d e Junh o d e 1630 . — ATT— -Chancelari a de D. Filipe III, liv . 25 , fls . 14 5 V.-146 . ( 8 ) D e Lourenç o Pire s d e Távor a nã o h á nomeaçã o régi a regis- - tad a n a Chancelaria . 32 4 nao s qu e dit o te m sa õ e fora Õ d e Ingalaterr a e na m po r comt a d e nhu m portug[u]es . E qu e o mestr e Joa m Sot o diser a a ell e testemunh a qu e leuau a lysenss a d e Su a Magestad e par a hi r á dit a jlh a d e Samthomé , ma s ell e testemunh a a na õ uio ; e na õ diss e mais . E asino u co m o juis . E e u Framcisc o Dya s Moreir a a escreui . a) Galua õ a) Sebastianroí z Baltheza r Gomes , mareant e e morado r e m Alfama , d e jdade , digu o morado r n a Ru a Dereit a d e noss a Senhor a do s Remédios , d e jdad e trimt a e oit o anno s pouc o mai s o u menos , testemunh a jurad a ao s santo s euangelhos , e m qu e pô s a maõ , e pergumtad o pell o comtheud o n a portari a d o Comsselh o d a Fazenda , diss e ell e testemunha , qu e [h]auer á de z ( 4 ) dia s qu e chego u a Setuua l n a carauell a d e Per o Brauo , qu e o tomo u n a jlh a d a Madeir a e a seu s companheiros , ond e o s olandeze s o lansara õ d a na o e m qu e uinha Õ d a jlh a d e Samthom é a est e Rejno , qu e botarã o a piqu e a o fumdo . E qu e n a jlh a d e Sam - thom é h é public o qu e Per o Masquarenha s gouernado r d a Mina , er a morto . E otr o s y er a mort o h ú Frad e qu e emlegera õ e m se u lugar . E qu e agor a d e prezemt e serin a d e gouernado r h ü criad o d o dit o Pedr o Mascarenhas . E qu e e m Setembr o passado , estand o ell e testemunh a n a jlh a d e Samthomé , estau a n o mesm o port o hu m emgre s co m hum a na o muit o grand e qu e carrego u d e asuquere s qu e lh e dera Õ o s mercadore s po r dinheir o e fazendas , qu e lhe s deu , comsemtind o o gouernado r d a dit a jlha , qu e emta õ er a e oj e h é Lourens o Pire s d e Tauora . / / E qu e [h]auer á dou s annos , pouc o mai s o u menos , for a o dit o emgre s co m outr a na o e comercear a co m o s dito s mer - cadores , comsemtindolh o o mesm o Lourens o d e Tauora , qu e emta m er a gouernador . E qu e a o temp o qu e ell e testemunh a 325 parti o dera m fund o dua s naos , a s quai s na õ tinha õ carregad o po r na õ tere m asuqueres , a s quai s nao s era m emgreza s e a gent e emgreza , co m a qua l o s mercadore s d a dit a jlh a trata m quand o a s dita s nao s l á uaõ ; e na õ sab e d e outra s nao s qu e l á mai s fosem . E na õ diss e mai s da s dita s pergumtas . E asino u co m o juis . E e u Framcisc o Dia s Moreir a a escreuj . a) Galua õ a) Beltesa r Gomes . AHU— S . Tomé, cx . I, doc. n. ° 124 . 32 6 8 3 CART A D E LUI S GALVà O D E LEMO S A EL-RE I (17-3-1635 ) SUMÁRI O — Informação tomada sobre a situação da fortaleza da Mina e da ilha de S. Tomé, segundo o inquérito oficial. + Senho r V . Magestad e m e mando u informa r d o estad o da s couza s d a Min a e do s nauio s estrangeiro s qu e ua õ comersea r á Ilh a d e S . Thomé , e qu e tomass e est a informaçã o d e pessoa s qu e d e prezent e uiera õ d a Min a e o qu e tenh o achad o h é o seguinte . Po r Manue l d o Basto , condestabl e qu e fo i d a Min a mai s d e quatr o annos , qu e chego u a Setuua l e m hu ã carauel a d a mesm a uilla , mestr e Per o Brabo , qu e parti o d a ilh a d a Madeira , soub e e u com o o gouernado r d a Min a Per o Mascarenhas , er a falecido , e d e sent o e sesent a pessoa s qu e dest e Reyn o leuar a consigo , soment e oit o era õ uiuas , e qu e morrerã o d e doensa ; po r mort e d o qual , po r o s soldado s daquel a fortalez a elegerã o po r capitã o e gouernado r a fre i Duart e Borges , frad e d e Thomar , d a Orde m d e Chnsto , qu e er a uigair o d a fortaleza . O qua l gouerno u tre s meze s e faleçeo . / / E po r su a mort e o s mesmo s soldado s elegerã o po r gouer - nado r Andr é d a Rocha , criad o qu e for a d e Per o Mascarenhas , pesso a insufficient e par a o carg o qu e administra ; a qua l infor - maçã o m e dera õ outro s homen s qu e uiera õ d a ilh a d e Sa n Thomé . / / 32 7 [Despacho à margem e ao alto]: Orden a S . A . qu e s e vej a e Consult e n o Conselh o d a Fazenda . Lisboa , 2 9 d e Agost o 635 . a) [Ilegível ] Inform e o Jui s d e índi a e Min a co m tod a [a ] breuidade . Lisbo a a 5 d e ybro [setembro ] d e 1635 . [Três rubricas] E m apertad o estad o est á a fazend a d e V . Magestad e par a deli a s e fazere m noua s mercês . Pore m par a ell a cresce r e melho - rar , a esmoll a h é o me[i] o mae s a propósit o qu e pod e ser . E ass i nantere j duuid a a qu e V . Magestad e faç a a merc ê ao s supplicantes , par a remédi o d e pobres , com o s e pede . V . Mages - tad e mandar á o qu e fo r seruido . [Rubrica do Provedor da Fazenda] AH U — S. Tomé, cx . 1 , doc. n. ° 128 . NOTA — Com o o document o nã o est á datado , damos-lh e a dat a d o despacho . 334 8 7 SUMÁRI O — Justificação da isenção de direitos do açúcar dos seus engenhos e fazendas na ilha de S. Tomé, requerida a el-Rei feia Misericórdia de Lisboa. + Senho r A petiçã o d o Prouedo r e Irmaõ s d a Misericórdi a dest a Cidad e h é muit o iusta , porqu e quand o V . Magestad e te m feit o merc ê ao s moradore s d a Ilh a d e Sa m Thom é qu e na õ pague m do s seu s asucare s direito s á feitori a d e ttez e dou s po r sahida , co m mai s reza õ s e deu e faze r á Sanct a Cas a d a Mise - ricórdi a qu e o s na õ pagu e do s asucare s do s seu s engenho s e fazenda s qu e te m n a dit a Ilha , cuio s rendimento s sa m apli - cado s a obra s pia s meritórias ; delle s lh e cheg a pouc o poli a deminuiça õ qu e h á n a Ilh a e o s inimigo s rouba õ a maio r parte . E outr o s í V . Magestad e se r protecto r dest a Sanct a Casa , parec e lh e deu e V . Magestad e faze r a merc ê qu e pede . / / Deu s guard e a Cathohc a Pesso a d e V . Magestade . / / Lisboa , 6 d e ybr o [setembro ] 1635 . D. o r Paul o d e Merele s Pacheco . AH U — S. Tomé, cx . 1 , doc. n. ° 129 . 335 ISENÇà O À MISERICÓRDI A D E LISBO A (6-9-1635 ) 8 8 IGREJ A D A CONCEIÇà O D E LUAND A (4 -12-1635 ) SUMÁRI O — Estado de conservação da igreja Matriz de Luanda — Pede-se a construção de uma igreja nova — Indica-se a maneira prática de conseguir o intento. Bent o Ferraz , Vigári o d a Parrochia l Igrej a d e Noss a Se - nhor a d a Conceição , sçit a n a Cidad e d e Loanda , Rein o d e Angolla , fe z petiçã o a est e tribunal , e m qu e diz , qu e ell e suppli - cante , h á mai s d e vint e e sinc o anno s fo i prouid o naquell a Igrej a e a serui o ath é o prezente , e qu e n o temp o qu e tomo u poss e deli a acho u qu e er a feit a d e taipa , d e barr o e d e pulare s d e madeir a e rip a d e palma , qu e h é o co m qu e o genti o cobr e sua s casas , e d e telh a van , e qu e at é oi e V . Magestad e [naõ ] mando u faze r outr a Igrei a (send o asi m qu e s e te m pedido ) e qu e pello s indulto s [e ] breue s d e Su a Santidade , e Concili o Tridentino , incumb e sobr e V . Magestad e mandall a faze r á cust a d e Su a Rea l Fazenda , vist o o muit o rendiment o qu e tir a daquell e Reino , ass y do s dizimos , qu e va õ e m muit o rendi - mento , com o do s direito s do s escrauos , qu e s e reputa õ po r dízi - mos , baculamento s e outro s muito s aproueitamentos , qu e tud o augment a a fazend a d e V . Magestad e e m muito s mi l cruzados / / Pell o qu e na s matéria s d o Cult o Diuin o corr e obrigaçã o a V . Magestad e acudi r c õ o necessári o par a qu e s e çellebr e co m a authotidad e qu e conuem , morment e e m terr a d e Genti o e d e tant o concurs o d e gent e natura l e estrangeira , qu e todo s acode m ao s officio s diuino s á dit a Igrei a com o matri x qu e hé , e muita s ueze s e m temp o d e agoa s na õ h á dond e s e asent e o 336 Pouo , po r choue r nell a com o e m hu ã rua , e m respeit o d e se r o telhad o e m telh a va a e a s ripa s atarenss e co m matebas , qu e ue m a se r com o junssa , po r a s rippa s sere m redondas , a qu e cha - ma m bordõi s ( 1 ) , e chou e d e ordinári o no s altare s e s e mo - lha m o s frontais . E te m acontecid o po r muita s uezes , po r se r d e noit e e a s agoa s repentinas , choue r d e mod o qu e s e perde m o s frontai s e mai s ornamento s qu e esta õ no s altares . E j á sucçede o choue r n o própri o Sacrári o e po r mai s qu e acode m a conserta r a s parede s e telhados , com o sa õ d e barr o e quas y tud o area , s e desfaze m co m qualque r agoa , d e mod o qu e s e padec e n a administraçã o d o cult o diuin o e celebrasa õ do s officios , notaue l detrimento . E qu e recorrend o ao s Gouernado - re s d e V . Magestad e a qu e mande m repara r o dagno , retelha r o s telhados , refforma r a s parede s e a madeir a d e qu e a dit a Igrei a h é feita , o faze m cristanmente , mandand o da r o necessári o par a s e repairar . E ist o o s mai s do s annos , d e mod o qu e s e gast a e te m gastad o c õ qu e s e puder a te r feit o hu ã Igrei a capa x par a a terra , qu e est á e m muit o augmento , e asiste m nell a Gouer - nado r e Bisp o e Pou o nobr e qu e te m muit o milhore s casa s d e pedr a e cal , milhore s qu e a Igreia ; e qu e toda s a s mai s qu e há. n a terra , com o h é a do s Padre s d a Companhi a e do s Religioso s d a Terceir a Orde m d e S , Francisco , viuend o d e esmollas , sa õ mai s sumptuosas , d e authoridad e e representaçã o e m grandez a e edifficios , o qu e na Õ te m a Matrix , porqu e auend o fest a nella , na õ cab e ametad e d o Pou o nella , send o qu e h é hu ã Igrei a qu e requer e mai s grandez a e authoridad e qu e toda s a s d o Rein o d e Cong o e Angolla , porqu e alé m d e te r mai s d e sei s cento s vezi - nho s á cidade , concorr e muit a gent e d e for a a ell a a respeit o d o resgat e do s negros , po r cui o respeit o V . Magestad e mando u qu e s e fizess e hu a cas a par a Camer a e Cadea , impond o par a ess e effeit o imposiçã o d e pessa s d e escrauo s qu e sae m daquell e ( J ) N o original : bardois . 22 337 Rein o par a fora , a dou s tostõe s d e pano s (qu e h é o dinheir o daquell e Reino ) e m cad a escrau o e h[á ] mai s d e vint e e tre z anno s qu e est á post o est e tributo . / / E s e te m feit o alé m d a Camer a e Cadea , cas a par a viuere m o s gouemadores , na õ atendend o a s e faze r Igrei a par a s e cele - brare m o s officio s diuinos . E qu e també m V . Magestad e man - do u s e desse m ttezento s mi l rei s par a a s obra s d a Se e pel o temp o qu e durassem , d e Su a Rae l Fazenda , á petiçã o d o Bisp o Do m Fre i Francisc o d o Soueral , send o qu e nã o [se ] te m [feito ] obra s alguãs , porqu e EIRe y d e Congo , ond e a dit a Se e est á te m a se u carg o o mandall a faze r e reparall a quand o h é necessário , po r esta r n a su a Cort e e Rein o e a mand a faze r d e madeir a e palha , na õ consentind o qu e s e faç a d e outr a meta l (sic), ne m qu e nell a [se ] fabrique m obra s d e pedrari a ne m d e cal , ne m V . Magestad e ath é oi e te m gastad o d e Su a Rea l Fa - zend a e m a fabrica r e reparar , cous a alguã . E porqu e corr e obrigaçã o a V . Magestad e d e manda r faze r a dit a Igreia , o u d a imposiçã o do s duzento s rei s d e pano s qu e pag a cad a escrau o ( 2 ) qu e sa e daquell e Reino , o u d e outr a qu e s e pô s na s pipa s d e vinho , qu e sa Õ dou s mi l rei s e m cad a hu ã qu e entr a naquell e Reino , aplicand o á s obra s deli a o s trezento s mi l rei s qu e esta õ dado s á See , uist o na õ s e fazere m obra s nella , o u manda r qu e n a form a d o Sagrad o Concili o Trindetin o fass a o Pou o o corp o d a Igrei a e qu e a Cappell a mo r s e faç a d a Rea l Fazend a d e V . Magestade , par a onrr a e louuo r d e Deos , autho - ridad e d e su a Igrei a e porqu e a el e Supplicant e conuem , com o Parrocho , trata r desta s cousas . P[ede ] a V . Magestade , uist o o qu e alega , e esta r aquell a Igrei a perecend o e necessitada , e na Õ s e podere m celebra r nell a o s officio s diuino s co m a decênci a qu e conuem , mand e s e faç a ( 2 ) Entenda-se : qu e s e pag a po r cad a escravo . 338 d e quaesque r do s effeito s apontados , o u d e todos , o u á cust a d e Su a Rea l Fazenda , com o mai s parece r qu e h é seruiç o d e Deo s e d e V . Magestade . E . R . M . E uist a a petiçã o d o Supplicant e Bent o Ferra s e informa - çã o qu e s e ouu e d e Francisc o Vieir a d e Lima , Parece o qu e V . Magestad e deu e se r seruid o manda r qu e o corp o dest a Igrei a s e fass a á cust a do s aluguei s da s Casa s d a mesm a freguezia , po r sere m d e muit o rendimento , fintandoss e par a ess e effeit o o s dono s delas , com o h é estill o fazetss e na s freguezia s dest a cidade . E a Cappell a mo r deli a deu e V . Magestad e se r seruid o manda r qu e o cust o deli a s e pagu e d o rendiment o do s dou s mi l rei s qu e o gouernado r Ferna õ d e Sous a impô s e m cad a pip a d e vinh o qu e entrau a naquell a Cidade , o u no s direito s qu e s e paga õ e m panno s d e cad a negr o qu e sa e daquell e Reino . E també m V . Magestad e pod e se r seruid o aplica r est e mes - m o pagament o no s trezento s mi l rei s qu e V . Magestad e te m aplicado s par a a s obra s d a Se e daquell a cidade , uist o estare m parada s e na õ hire m po r diant e e o dinheir o junto . / / Lisboa , 4 . d e dezembr o d e 635 . aa) O Cond e d e Castr o / Do m Antoni o Mascarenha s Francisc o Pereir a Pint o / Do m Carlo s d e Noronh a Esteua õ Fuzeir o d e Sande . O Conselh o d e Estad o s e conform a co m a Mes a d a Cons - ciênci a e Ordé s enquant o á fabric a d o corp o d a Igreja . E quant o á Cappell a mo r parec e qu e na õ s e gastand o na s obra s d a Se e d e Congo , com o r e refere , o s trezento s mi l rei s aplicado s par a ellas , s e aplique m á Cappell a mo r d a matri z d e Sa õ Paul o d e Loanda . 339 E e m cas o qu e s e gaste m e m Congo , s e faç a a obr a d a Capell a mo r d o procedid o d o direit o d e dou s m d rei s e m cad a pip a d e uinho , qu e s e posera õ e m temp o d e gouernado r Fer - nã o d e Sousa . / / E m Lisboa , a 2 3 d e Feuereir o d e 636 . BUC—Ms . 459 , fls . 176-178 . (Originai) . 340 8 9 CÉDUL A CONSISTORIA L D O BISP O D E S . TOM É D . ANTÓNI O NOGUEIR A (17-12-1635 ) SUMÁRI O — Por falecimento de D. Domingos da Assunção é confir- mado Bispo de S. Tomé Frei Antonio Nogueira, com as obrigações constantes do frésente documento. Feri a 2. a , di e 1 7 Decembri s (1635 ) h^itu m fui t Con - sistoriu m secretu m i n Palati o Apostólic o apu d Vaticanum , prasentibu s Reverendissimi s Domini s Cardinalibus . (•••) . Referent e Reverendíssim o D . Cardinal i Aldobrandino , Sanctita s Su a Ecclesi e S . Thoma : i n insul a eiusde m nominis , iuxt a Guineam , uacant i pe r obitu m R . P . Dominic i d e Assup - tione , pratfeci t i n episcopu m R . F . Antoniu m Nogueriam , cu m decret o erigend i utramqu e prebenda s a c Seminarium , etc. , e t u t apu d Rege m Catholicu m eiusqu e Ministro s inste t pr o repa - rand a Ecclesi a e t Domu s Episcopali s aedificatione . AV — Acta Camerariii vol . 17 , £1 . 10 3 v . (oli m 9 7 v.) . 341 9 0 CART A D O PADR E MIGUE L AFONS O A O GERA L D A COMPANHI A D E JESU S (3-1-1636 ) SUMÁRI O — Notícias do Colégio do Congo — Relação do Rei e dos portugueses co mos Padres Jesuítas — Escola de leitura, de esscrita e de latim — Três Congregações de piedade. Reuerend o P. e Gera l + Pa x Christ i Est a na õ seru e d e mais , qu e per a co m ell a da r noua s minhas , e do s mai s súbdito s dest e Collegi o a V . P. , a s quai s saõ , Deo s louuado , ficaremo s co m saúde ; a mesm a queir a o Senho r qu e tenh a V . P . per a consolaçã o d e todo s este s seu s súbditos , e filhos , e m Christo . / / O s d a Companhi a qu e aqu i esta õ nest e Collegi o d e Cong o somo s o P. e Joa õ d e Paiua , o jrma õ Sebastiã o Gonçaluez , e eu , e ass i elle s co m e u no s encomendamo s muit o n a bençã o e santo s sacrifício s d e V . P . / / Est e Rein o a o presente , Deo s louado , est á co m pax , e su a Magestad e e l Re y Do m Aluar o 4. 0 te m saúde , e ass i ell e com o seu s fidalgo s e o s cónego s d a see , e mai s portugueze s qu e nest a cidad e habitaõ , no s faze m muita s e grande s charidades . Á noss a jgrei a concorr e continuadament e muit a gente , ass i a ouui r a pregaçã o quand o a há , com o a s doutrinas , e a s e confessa r e 342 communguar , e o s doente s qu e h á pell a cidad e ordinariament e no s manda õ chamar , per a o s confessaremos , porqu e te m est a gent e muit o grand e deuaça õ ao s nosso s glorioso s sancto s padre s Sanct o Jgnacio , e Sa õ Francisc o Xauier , cuia s jmagé s temo s n a noss a jgrei a muit o fermosa s e deuotas , ale m d e h ü Cruci[fi]x o e d e h ú retauol o d e noss a Senhor a d o Popuío . / / Temo s aqu i escol a d e ler , e escreuer , á qua l ue m muito s mossos , e mininos , ass i filho s do s Purtuguezes , com o do s fidal - go s Moxicongos . E também , quand o podemos , s e d á liça õ d e lati m a algú s estudares , qu e nol a pedem . / / E temo s tre s congreguaçoí s a qu e s e faze m tre s pratica s espirituai s cad a somana , conue m a saber : á quart a feir a ao s mosso s Moxicongo s fidalgos , solteiros , d a congregaçã o d a Sanctissim a Trindade ; á sest a feir a ao s fidalgo s Moxicongos , cazados , d a congreguaça õ d e Sanct o Jgnacio ; e a o sabbad o á s fidalga s Moxicongas , cazada s e viuuas , d a congreguaça õ d e noss a Senhor a d o Populo . Noss o Senhor , ettc. a / / D e Congo , 3 d e Janeir o d e 636 . / / Seru o e filh o e m Christ o d e V . P . Migue l Affonso . ARS I — Lus., Cód . 74 , fl . 266 , doc. CIII . 343 9 3 CONSULT A D O CONSELH O D A FAZEND A (12-3-1636 ) SUMÁRI O — Sobre o viátko a conceder a oito religiosos da Ordem Terceira da Penintência de largada -para Angola — Satis- faz-se, como se fizera em 1634 aos religiosos franciscanos. Co m decret o d o gouern o uei o remetid a a est e Conselh o hu á petiçã o d o padr e fre i Manoe l do s Anjos , procurado r gera l d a prouinci a d a Terceir a Orde m d a Penitenci a d o Padr e Sa Õ Francisc o nest e Rein o d e Portugual , par a qu e s e uiss e e com - sultass e o qu e paresese , e m a qua l di z qu e n o capitul o prouin - cia l qu e or a s e selebro u d e su a horde m nest a cidad e d e Lisboa , s e nomearã o oit o Religiozo s d a mesm a prouinci a par a s e embar - care m nest a monça õ d e març o par a o Rein o d e Angola , a hire m serui r a Deo s e a V . Magestad e n o qu e lhe s fo r ordenado , com o constau a d a certidã o qu e ofereci a d o se u prouincia l par a rezidire m e m se u comuent o d e sa Õ Joseph e qu e te m n a cidad e d e sa õ Paul o d o dit o Rein o e na s comquista s e comuerça õ da s almas , e porqu e V . Magestad e costum a faze r merc ê e esmol a d e uiatic o par a a jornad a ao s tae s Religiozo s qu e s e embarcarã o par a aquella s partes . Ped e a V . Magestad e qu e lh e faç a esmol a manda r qu e s e d ê o viatic o custumad o [a ] o s dito s Religiozo s par a a ta l jor - nada . Pe r despach o dest e Comselh o s e ordeno u oferecess e o s Re - gisto s d a esmol a d e qu e trat a e ouuess e vist a a o Procurado r d a Fazend a d e V . Magestade ; oferese o o dit o P. e fre j Manoe l do s Anjo s tre s Registo s d e prouizoé s perqu e V . Magestad e fe z esmol a ao s Reli[g]iozo s d a dit a horde m qu e o ann o d e 63 4 350 [partirão ] par a o Rein o d e Angola , d e trint a mi l reae s cad a hum , par a s e auiare m d e covza s nessesaria s par a a uiage m e qu e s e lhe[s ] dese m guazalhado s comuiniente s par a sua s pesoas , fat o e mantiment o d a viagem , su a ( J ) regr a d e carne , pescado , vinho , azeit e e vinagr e e o trig o d e Alentei o o u d a terra , qu e foss e nessesari o par a o biscout o d a viagem . O Procurado r d a Fazend a d e V . Magestad e responde o qu e n o ann o d e 63 4 mando u V . Magestad e da r dinheiro , trig o e mantiment o par a a viage m e gazalhad o [a ] oit o Religiozo s dest a horde m par a o Rein o d e Angol a e qu e agor a s e manda ó outro s oito ; a gentilidad e daquella s parte s h é grand e e mu j dilatada ; s e s e empreguare m n a comservaça õ ( a ) da s almas , muito s mai s sera õ nesesario s e grand e h é o seruiss o d e Deo s qu e d e su a mis - sã o rezultará . E ass y n a comformidad e qu e s e fe z co m o s mais , lh e mandar á V . Magestad e faze r a merc ê qu e fo r seruido . O qu e visto , parece o qu e V . Magestad e deu e faze r merc ê e esmol a a o supplicant e d e lh e manda r da r o viatic o ordinári o par a este s oit o Religiozos , par a ajud a d e se u aprest o e embar - cação . Lisboa , 1 2 d e març o 636 . / / Thoma s Dibi o / Joa ó Sanches . [à margem] : Com o parece . E m Lisboa , 1 4 d e Març o 636 . A Princeza . AH U — Cód . 41 , fl . 84 . ( 1 ) N o origina l lê-se : Ru a Regra . ( 2 ) Dev e ler-se : conversão . 351 9 4 CONSULT A D O CONSELH O D E ESTAD O SOBR E A MATRI Z D E LUAND A (17-3-1636 ) SuÁMRIO— Obra s da igreja Matriz de Luanda — Obras da ca feia mor e do corfo da Igreja — Proveniência da verba. E m cart a d e S . Magestad e d e 1 7 d e Març o d e 636 . V i hu ã Consult a d o Conselh o d e Estad o qu e ue[i] o co m list a d e 2 3 d e feuereir o passado , sobr e a obr a d a Igrej a matri z d e S.' ° Paul o d e Loanda , d o Rein o d e Angolla , e conformo-m e co m o qu e parece o a o Conselh o d e Estado . / / Ftancisc o d e Lucena . Respost a d o Conselh o d e Estad o e m 2 3 d e feuereir o 636 . O Conselh o d e Estad o s e conform a c õ a Mes a d a Cons - ciênci a emquant o á fabric a d o corp o d a Igreia . E quant o á capell a mo r parec e qu e na õ s e gastand o na s obra s d a Se e d e Congo , com o s e refere , o s trezento s mi l rei s aplicado s par a ellas , s e aplique m á capel a mo r d a matri z d e sa õ Paul o d e Loanda . E e m cas o qu e s e gaste m e m Congo , s e faç a a obr a d a capell a d o procedid o d o direit o d e dou s mi l rei s e m cad a pip a d e vinh o qu e s e puzera õ ( 1 ) e m temp o d o gouernado r Ferna õ d e Souza . Co m o qu e Su a Altez a s e conformou . Francisc o d e Lucena . AT T — Mesa da Consciência e Ordens, liv . 34 , fl . 7 v . (* ) N o original : prezeraõ . 352 9 5 REQUERIMENT O D E FRE I MATEU S D E S . FRANCISC O (8-4-1636 ) SUMÁRI O — Que se veja e consulte no Conselho da Fazenda o reque- rimento de Frei Mateus de S. Francisco, da Terceira Ordem da Penitência, em que fede se lhe dê o costu- mado viático fara a viagem que frojecta a Angola, com sete súbditos — Resfosta do Conselho da Fazenda. Senho r Di z o Padr e fre i Matheu s d e Sa õ Francisco , Religioz o d a Terceir a Orde m d o seraphíc o P. e S . Francisco , qu e send o elleit o n o capitóli o próxim o passad o po r ministr o d o conuent o d e Sa õ Josep h d e Loanda , Rein o d e Angola , lh e fora õ nomeado s set e subditto s par a ir e e m su a companhia , par a naquella s parte s seruire m a Deu s & a Voss a Magestad e na s conquista s qu e s e faze m contr a o s infiéi s e n o pou o aond e uiuem . E po r sere m pobres , V . Magestad e fo i seruid o fazerlh e esmoll a d e lh e man - da r da r o uiatic o costumad o par a su a embarcaçã o e mantimento s e outra s couza s per a a iornada , d e qu e s e lh e passarã o prouisõi s qu e te m corrente s co m o s despacho s necessário s d o concelh o d a fazenda . E prezentand o o s a o thezoureir o mayo r lh e na õ defer e a se u pagament o po r dize r qu e na õ te m dinheiro . E po r orde m d e V . Magestad e fa s o Docto r Paul o d e Carualh o ezecuçõis , da s quai s proced e dinheir o qu e deu e á arqua . Ped e a V . Magestade , uíst o na õ manda r naui o po r orde m d e su a fazend a a o ta l Rejn o e o s d e partes , e m qu e elle s oradore s pode m ir , estare m a piqu e per á s e partirem , sei a seruid o man - da r a o thezoureir o máyo r qu e "co m effeit ó e sèrr i dilaçã o lh e 35 3 2 3 pagu e a dit a conti a qu e na s dita s prouizõi s consta , o u a entregu e ao s thezoureiro s a que m cabe , per a s e podere m auia r da s cou - za s necessária s per a a uiagem , d o dinheir o qu e cahi r da s ditta s ezecuçõis , entregandolh o o ditt o Paull o d e Carualho . E rece - bend o esmol a E . M . [à margem] : Orden a S . A . qu e s e vej a e consult e n o Con - selh o d a Fazenda . Lisboa , 8 d e Abri l 1636 . [Com outra letra] : Respond a o tizoureir o mor . Lisboa , 1 2 d e abri l 1636 . (Cinco Rubricas) Nã o h á narqu a dinheir o co m qu e s e poss a paga r ao s sup - plicantes ; o qu e di z qu e s e arrequad a po r orde m d o douto r Paul o d e Carualho , del e mando u V . Magestad e paga r a outro s Reli - giozo s e Arcebisp o d e Go a e s e ouuess e mai s dinheir o dest a calidad e po r arrequadar , na õ s e m e of[e]ress e duuid a algum a a V . Magestad e manda r paga r dele . V . Magestad e mandar á o qu e fo r seruido . E m Lisboa , a 1 3 d e abri l d e 636 . Antoni o d a Silua . O Douto r Paull o d e Carualh o declar e s e te m alg ú dinheir o po r cobra r ó u cobrad o d e qu e s e poss a faze r est a despesa . Lis - boa , 1 1 d e abri l 636 . (Três Rubricas) Algu m dinheir o falt a aind a po r cobra r d e que , cobran - dosse , s e poder á faze r algu m pagament o neste s religiosos , ma s 354 duuid o qu e sei a co m a press a qu e a elle s h é necessário . V . Ma - gestad e mandar á o qu e o[u]ue r po r se u seruiço . Lisboa , Abri l 13 , 636 . Paul o d e Carualho . Consult a qu e s e lh e pag[u] e o dinheir o qu e entra r n a arqua , hor a sej a d o qu e cobra r o douto r Paul o d e Carualho , hor a d e outr o qualque r qu e ouue r mai s pronto , uist o qu e este s padre s ua õ par a Angol a e n seruiç o d e S . Magestade . Lisboa , 1 8 d e abri l 1636 . (Cinco Rubricas dos Conselheiros da Fazenda) NOTA — O document o nã o est á datado . Damos-lh e a dat a d o primeir o despacho . AH U — Angola, cx . 2 . 35 5 9 6 CONSULT A D O CONSELH O D A FAZEND A (22-4-1636 ) SUMÁRI O — Versa a entrega do dinheiro para viático a Frei Mateus de S. Francisco e sete companheiros, da Ordem Terceira. Po r orde m d o Gouern o vei o remetid a a est e Conselh o hu a petiçã o d o Padr e fr . Matteu s d e Sa õ Francisco , Religioz o d a Terceir a Orde m d o Seraphic o Padre , qu e s e uiss e e consultass e o qu e parecesse , e m a qua l di z que , send o ell e supplicant e elleit o n o Capitóli o próxim o passad o po r ministr o d o conuent o d e Sa õ Josep h d e Loanda , Reyn o d e Amgola , lh e fora õ nomea - do s sett e súbdito s par a ire m e m su a companhia , par a naquella s parte s seruire m a Deu s e a V . Magestad e na s conquista s qu e s e faze m contt a o s infiéi s e n o pou o aond e uiuem ; e po r sere m pobre s V . Magestad e fo i seruid o fazerlh e esmoll a d e lh e man - da r da r o viatic o custumad o par a su a embarcaçã o e mantimen - to s e outra s couza s par a a jornada , d e qu e s e lh e passarã o proui - zoê s qu e te m corrente s c õ o s despacho s necessário s dest e Con - selho , e qu e prezentand o o s a o thezoureir o mor , lh e nã o defe - ri u (* ) se u pagament o po r dize r qu e na õ tinh a dinheir o e po r orde m d e V . Magestad e faze r o Doucto r Paul o d e Carualh o execuçõe s da s quai s proced e dinheir o qu e deu e d e ui r á arca . Ped e a V . Magestade , vist o na õ manda r naui o po r orde m d e su a rea l fazend a a o ta l Reyn o e o s d e partes , e m qu e elle s oradore s pode m ir , estate m a piqu e par a s e partirem , sej a V . Ma - gestad e seruid o manda r a o thezoureir o mo r qu e c õ effeit o e se m dillaça õ lh e pagu e a ditt a quanti a qu e da s ditta s prouizoé s consta , o u enttegu e a o thezoureir o a qu e cabe , par a s e podere m N o original : defereu . 35 6 ama r da s couza s necessária s par a a uiagem , d o dinheir o qu e s e arrecada r da s dita s execuções , entregandolh o par a est e effeit o o ditt o Paul o d e Carualho . Po r despach o dest e Consselh o s e mando u respondess e o tehezoureir o mor , qu e satisfez , dizend o qu e n a arc a na õ haui a dinheir o c õ qu e s e pudess e paga r ao s supplicante s e o qu e dize m qu e s e arrecad a po r orde m d o Douto r Paul o d e Carualho , dell e mandar a V . Magestad e paga r a outro s Relligiozo s e a o Arce - bisp o d e Go a e s e ouuess e mai s dinheir o dest a callidad e po r arrecadar , na õ s e lh e offereci a duuid a algü a a V . Magestad e lh e manda r paga r dell e e V . Magestad e mandari a o qu e foss e seruido . £ po r outr o despach o dest e Conselh o s e mando u a o Douto r Paul o d e Carualh o declarass e s e tinh a alg ú dinheir o pe r cobrar , o u cobrado , d e qu e s e pudess e faze r est a despesa . Responde o qu e algu m dinheir o haui a aind a po r cobrar , d e que , cobrandosse , s e poderi a faze r pagament o a este s Religiozos , ma s duuidau a qu e foss e c Õ a press a qu e a elle s lh e er a necessá - rio , e V . Magestad e mandari a o qu e ouuess e po[r ] se u seruiço . Parece o deu e V . Magestad e se r seruid o manda r qu e s e pagu e a este s Religiozo s d o dinheir o qu e entta r n a arca , d o qu e cobra r o Douto r Paul o d e Carualho , o u d e outr o qualque r qu e ouue r mai s pronto , vist o ire m este s padre s par a Amgoll a ( 2 ) e n seruiç o d e Deu s e d e V . Magestade . Lisboa , 2 2 d e Abri l d e 636 . / / O Cond e President e / Thoma s d e Ybi o Caldero n / Joa õ Sanche s / Francisc o Leitaõ . [à margem]: Com o parece . E m Lisboa , 3 0 d e Abri l d e 636 . / / A Princeza . AH U — Cód . 41 , fls . 104-10 4 v . ( 2 ) N o original : Emgolla . 357 97 NOMEAÇà O D O DEà O D A S É D O CONG O (30-4-1636 ) SUMÁRI O — Trata das consultas sobre a nomeação do Deão da Sê do Congo, for falecimento de Valentim de Morais. E m Cart a d e S . Magestad e d e 3 0 d e Abri l d e 63 6 ViraÕs e dua s consulta s d a Mez a d a Consciênci a e Ordens , qu e m e emuiate s n o Corre o d e 1 3 d o prezente . / / Hu ã reformad a e outr a qu e s e m e fe z e m 2 6 d e feuereir o dest e ann o prezente , sobr e o prouiment o d a dignidad e d e Dea õ d a Se e d e Congo , Rein o d e Angolla , qu e est á uag a po r faleciment o d e Valenti m d e Moraíz . E porqu e nell a s e na õ consult a mai s qu e a Lui z Figueira , hauendoss e m e d e propo r trê s pessoas , conform e a orde m qu e tenh o dado , ordenarei s qu e ass y s e faça , aind a qu e seia Õ d e for a do s qu e a pretendem . Declarandoss e n a consult a a s parte s e sufficienci a qu e te m cad a hum , aduertind o qu e a primeir a consult a qu e di z m e fe z a Mez a d a Consciência , sobr e est e particular , na Õ ue o quá . Migue l d e Vasconsello s e Brito . AT T — Mesa da Consciência e Ordens, liv . 34 , fl . 13 . NOTA — O assunt o voltav a a debat e mese s mai s tarde , se m qu e tenh a ficad o aind a resolvido , com o const a d o document o seguinte : 358 E m cart a d e S . Magestad e d e 2 7 d e nouembr o 636 . N o despach o d e oit o d o prezente , emuiaste s tre s consulta s d a Mes a d a Consciênci a e Ordens . [... ] E a outr a sobr e a dignidad e d e Deã o d a Se e d e Congo , Rein o d e Angolla , qu e est á uaga . E porque nell a na õ viera õ proposta s tre z pessoa s par a est a dignidade , com o mande y po r cart a d e 3 0 d e Abri l dest e ann o prezente , he y po r be m qu e e m confor - midad e d a mesm a Carta , s e faç a nou a consult a d a matéria , qu e m e emuiarey s co m uoss o parecer . Migue l d e Vasconsello s e Britto . AT T — Mesa da Consciência e Ordens, liv . 34 , fl . 33 v . 359 sent e n a form a qu e s e aponta , pod e vi r a se r d e grand e vtili - dad e e benefici o a o seruiç o d e V . Magestad e e te r content e est e Rej , par a o s sucesso s qu e pod e acontecer . V . Magestad e mandar á proue r e m tud o com o mae s fo r seruido . Lisboa , 2 0 d e Maj o d e 636 . [Rubric a d e Francisc o d e Vasconcelos ] [Parecer do Conselho] : Pareçe o a o Conselh o s e deue m da r graça s a o Re y d e Cong o com o o supplicant e apponta , e s e lh e mand e hu ã espada , e hu a adaga , hu a cadeir a d e velud o d e cor , chape o branco , e hu ã cap a d e Goa , e dua s pipa s d e vinho , par a se u regalo , qu e ser á d e estim a e resultar á e m vtilidad e d o seruiç o d e V . Magestade , e qu e ist o deu e hi r log o n a primeir a embarcação , po r toda s a s rezoé s referida s n o pape l qu e de u Diog o Lope s d e Faria . (Cód . 50 4 d o Conselh o Ultramarin o fl . 20 3 v.°) . AH U — Angola, cx . 2 . 3 366 [Document text truncated for crawler view.]