DOI: 10.5433/1981-8920.2017 22n3p405
* Dou o ando em Ciência da In o mação pela Uni e sidade de Coimb a. E-mail:
j e [email protected]
In . In ., Lond ina, . 22, n. 3, p. 405 – 425, se ./ou . 2017.
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405
PRÁTICAS DIGITAIS NAS UNIDADES DE I&D EM
PORTUGAL: UMA OBSERVAÇÃO PARCIAL DA
ÁREA DAS HUMANIDADES
PRÁCTICAS DIGITALES EN LAS UNIDADES DE I+D EN
PORTUGAL: UNA OBSERVACIÓN PARCIAL DE LAS
HUMANIDADES
Jo ge Re ez *
RESUMO:
In odução: Em que pa ama digi al es ão as Humanidades po uguesas? A espos a
a es a pe gun a exige uma ap oximação ao quad o eó ico das Humanidades Digi ais e
uma aplicação des e quad o à si uação da in es igação cien í ica po uguesa. É o
p imei o es udo c uzado (não es i o a uma disciplina) sob e as p á icas digi ais na
á ea das Humanidades em Po ugal. Obje i o: O obje i o é analisa as p á icas
digi ais na á ea das Humanidades em Po ugal. Me odologia: Obse ámos uma
amos a de 18 unidades de I&D po uguesas que a uam na á ea das Humanidades e
iden i icámos os seus p oje os de in es igação em cu so. Conside a am-se os p oje os
mais ele an es pa a a cons ução de um in en á io e ca ego ização das e idências da
inco po ação de e amen as digi ais no abalho cien í ico e na c iação dos seus
p odu os inais. Resul ados: Os esul ados da análise a 25 p oje os a i os e a uma
linha de in es igação mos am que as p á icas digi ais es ão disseminadas e
comunicadas de o ma incipien e. Conclusões: A ans o mação p econizada pelo
campo das Humanidades Digi ais ainda se encon a numa ase inicial em Po ugal.
Pala as-cha e: Humanidades Digi ais. In es igação cien í ica. Humanidades.
Unidades de I&D. Po ugal.
1 INTRODUÇÃO
Em que pa ama digi al es ão as Humanidades po uguesas? Es a
pe gun a le an a um conjun o ão as o de p oblemas que não podemos en a
enuncia uma espos a sem p imei o nos in e oga mos sob e a essência do
que que emos pe gun a . E mesmo a espos a e á de se semp e p o isó ia e
Jo ge Re ez
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á ea das humanidades
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abe a a con ibu os u u os. Hayles en e is ou alguns académicos ace ca da
sua elação com as ecnologias digi ais e a ançou uma p eocupan e es ima i a:
apenas 10% u iliza am es as e amen as de uma o ma cons u i a e como
uma mais- alia pa a a execução dos seus p oje os de in es igação (2012, p.
59). Es a es ima i a aumen a a com os jo ens in es igado es e p o esso es, o
que anuncia a a ans o mação ine i á el da academia em academia digi al.
Nes e sen ido e olhando pa a o p esen e caso de es udo, ques iona mos
as p á icas digi ais das humanidades não é necessa iamen e o mesmo que
en a aze uma a aliação da pene ação eó ico-p á ica das Humanidades
Digi ais (HD) na in es igação que es á a se ealizada em Po ugal. C emos
que pode se ei a uma dis inção en e o uso das chamadas no as ecnologias,
com des aque pa a a compu ação e odas as e amen as po si po enciadas, e
a passagem pa a um ou o ní el, em que, po um lado, oco e uma ap op iação
de um discu so e, po ou o, sob e ém uma mudança no ipo de ope ações
in es iga i as, com impac o ób io na o ma como in e p e amos os enómenos
humanos e sociais.
Como a i mou Pe ei a, não se pode eduzi “a missão das Humanidades
Digi ais à me a aplicação de e amen as e ecu sos digi ais”. Es á em causa o
deba e e a expe imen ação de “no os modelos de comp eensão da cul u a e
do mundo” (2015, p. 135). Zo ich insis iu numa dis inção semelhan e, en e uso
no mal e ans o ma i o, en e a u ilização das ecnologias e os no os p odu os
e p ocessos que ans o mam o conhecimen o exis en e (2008, p. 4). C i icando
o ca á e dualis a des as conside ações, Mullen a ançou que as HD não
podem se en endidas como a simples oposição às Humanidades adicionais.
O seu e hos é de inclusão e pode se ans o mado em e amen a de
pe suasão, in eg ando e p omo endo ap endizagens mú uas (2010).
Num es udo ecen e sob e a elação das biblio ecas com as HD, Va ne
e Hswe desc e em a up u a que se em indo a e i ica nos úl imos dez anos,
enca ando as HD como o esul ado de um diálogo dinâmico en e as
ecnologias eme gen es e a in es igação das humanidades (2016, p. 36-37).
Nes e diálogo, como Pa y no ou, as HD, enquan o ansdisciplina de sabe es e
p á icas, anspo am a ideia de ans o mação. Não são apenas a in e seção
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en e o subs an i o humanidades e o adje i o digi ais. A ques ão é como o
digi al ans o ma á a noção de humanidades (2012, p. 437). A omnip esença
do enómeno digi al ope ou uma mudança na epis emologia e nas o mas de
abalho académico. Não es amos no domínio exclusi o do uso pois é
impossí el dis ingui o impac o das no as ecnologias – e a consequen e
omnip esença do digi al – da o ma como se az hoje ciência.
Es a mudança não se limi a assim à aplicação das ecnologias às
Humanidades. Es amos pe an e um campo no o de possibilidades analí icas,
uma len e c í ica eno ada e impossí el de se le ada à p á ica an es da
in enção da compu ação (PARRY, 2012, p. 431). As HD são uma á ea de
sabe es colabo a i os, anco ada nas Humanidades, pa a as ans o ma em
algo no o, mul iplicando as o mas epis emológicas de as concebe e analisa .
Des a o ma, as HD assumem uma componen e ans o mado a em que a
compu ação assume uma o ma on o eológica, c iando uma no a cons elação
his ó ica de in eligibilidade (BERRY, 2012, p. 16).
Em 2011, num es udo in e nacional sob e a in es igação nes a á ea
(BULGER e al., 2011), os au o es concluíam que o p og esso e a e iden e
quan o às p á icas in o macionais. Con udo e am dele adas ba ei as como a
al a de o mação, supo e e no malização. Es es e ou os obs áculos limi am a
capacidade dos in es igado es em es abelece ligações e elações en e os
di e en es ecu sos. Os esul ados des e abalho são cla os quan o aos
desa ios que os académicos en en am, onde Po ugal não é uma exceção.
Alguns des es desa ios são a necessidade de o mação, incluindo a o mação
ecnológica pa a usa no as e amen as e se iços, e de apoio con inuado no
seu uso; a necessidade de desen ol e e o na sus en á el (a longo p azo) a
in aes u u a digi al de apoio à in es igação; e melho a a capacidade de
pa ilha de dados e in e ligação en e di e en es a qui os (BULGER e al., 2011,
p. 7-8).
No caso de Po ugal, Al es ealizou um pon o da si uação das HD,
no ando uma e olução len a e ma cada pela elação his ó ica que as
humanidades êm es abelecido com as ecnologias digi ais, mas com sinais
cla os que indiciam uma mudança posi i a (2014). An e io men e e usando
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uma me odologia p óxima daquela que seguimos nes e exe cício, Gua dado e
Bo ges (2012) analisa am o caso das unidades de I&D a a ua no campo da
His ó ia, com esul ados posi i os quan o à adoção de p á icas digi ais, mesmo
em compa ação com a ealidade in e nacional: “The majo di e ence is ela ed
o pa e ns o collabo a ion. In a numbe o non-Po uguese p ojec s, public
pa icipa ion is one o he main cha ac e is ics, while in Po ugal he
collabo a ion is mainly inside he scien i ic communi y, in ol ing his o ians and
o he esea che s” (p. 49-50).
Con ac ando di e amen e as unidades de I&D, Gua dado e Bo ges
ambém analisa am as e is as cien í icas po uguesas na á ea da his ó ia, com
esul ados posi i os quan o ao início de uma mudança compo amen al dos
in es igado es. As unidades de I&D po uguesas, apesa da dimensão do país,
êm alo izado o acesso li e ele ônico aos esul ados da sua in es igação,
ap o ei ando a isibilidade o e ecida pela Web pa a comunica com um maio
núme o de in es igado es (2011, p. 240).
Um conjun o in e nacional de au o es ealizou um es udo sob e a
expe iência sócio acadêmica do Dia das Humanidades Digi ais e obse ou as
esis ências do campo das Humanidades. Uma ca ac e ís ica da eme gência
das HD em espanhol e em po uguês é a ensão en e a esis ência de assumi
que as humanidades se de inam pelo digi al e o in e esse po ag upa -se e
discu i sob essa e minologia (PRIANI SAISÓ e al., 2014, p. 16).
Que endo a e igua as e idências das p á icas acan onadas nas HD
mas ambém a assimilação do seu discu so, o que aqui se ap esen a é um
exe cício e uma p opos a de abalho: explo a as p á icas digi ais nas unidades
de I&D po uguesas a a és dos p oje os em cu so. Es a p opos a ap esen a
uma me odologia, pa cela e condicionada, mas que c emos su icien e pa a
pode mos aça um e a o da adoção das HD em Po ugal.
Quisemos assim ealiza um exe cício que nos ap oximasse do discu so
e das p á icas ado adas nas unidades de I&D em Po ugal com o obje i o de os
a alia , e aí obse a mos a p esença de uma mudança em cu so. E essa
mudança é e iden e, em maio ou meno g au, con o me os con ex os de
análise.
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2 METODOLOGIA
A a aliação das unidades de I&D ealizada en e 2013 e 2015 (pelo
aco do celeb ado en e a Fundação pa a a Ciência e Tecnologia [FCT] e a
Eu opean Science Founda ion1) oi o pon o de pa ida pa a a cons i uição da
nossa amos a de es udo. Das 322 unidades a aliadas, oi a ibuído um
inanciamen o pa a 2015-2020 a 257, sendo 39 da á ea das Humanidades.
Com es es dados, op ámos po seleciona as 18 unidades melho classi icadas,
às quais oi a ibuída a no a de Excecional e Excelen e, cons i uindo assim a
nossa amos a (Quad o 1)
Quad o 1- Amos a do es udo
Nome
Ac ónimo
Fon e
Cen e o
Gene al and
Applied
Linguis ic
S udies
CELGA-
ILTEC
h p://celga.il ec.p /p ojec s.h ml
Cen e o
Psychology a
Uni e si y o
Po o
CPUP h p://www. pce.up.p /cpup/cen o.h ml
Cen e o
Compa a i e
S udies
CEC h p://www.compa a is as.edu.p /en/ esea ch-g oups/g oups/
Cen e o
Po uguese
Li e a u e
CLP h p://www.uc.p / luc/clp/in /p oj
Cogni i e and
Beha iou al
Cen e o
Resea ch and
In e en ion
CINEICC h p://www.uc.p /en/ pce/ esea ch/CINEICC/g oups
Communica ion
and Socie y
Resea ch Cen e
CECS h p://www.comunicacao.uminho.p /cecs/con en .asp?s a A =2&ca ego yID=613
E hnomusicology
Ins i u e - Cen e
o S udies in
Music and Dance
INET-md h p://www. csh.unl.p /ine /p ojec os/pagina.h ml
Glass and
Ce amic o he
A s
VICARTE h p://www. ica e.o g/ esea ch_ccm.h ml
Ins i u o
Compa a i e
Li e a u e
ILC h p://ilcml.com/p ojec o-es a egico/
Ins i u o
Con empo a y
His o y
IHC h p://www.ihc. csh.unl.p /p /in es igacao/p ojec os-em-cu so
In e disciplina y
ICA EHB
h p://www.ica ehb.com/index.php/p ojec s
1 C . h p://www. c .p /apoios/unidades/a aliacoes/2013/p ocesso_a aliacao.ph ml.p
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Cen e o
A chaeology and
E olu ion o
Human
Beha iou
In e disciplina y
Cen e o
His o y, Cul u es
and Socie ies
CIDEHUS h p://www.cidehus.ue o a.p /in es igacao/p oje os/p oje os_em_cu so
In e uni e si y
Cen e o he
His o y o
Science and
Technology
CIUHCT h p://ciuhc .o g/p /sc/in es igacao/p ojec os-lide ados
No a Ins i u e o
Philosophy
IFILNOVA h p://www.i ilno a.p /pages/ -d-p ojec s
Po uguese
Cen e o Global
His o y
CHAM h p://www.cham. csh.unl.p /p ojec os.aspx
Resea ch Cen e
in Psychology
CIPsi h p://www.psi.uminho.p /De aul .aspx? abid=11&pageid=53&lang=p -PT
Resea ch Cen e
o he Sociology
and Aes he ics o
Music
CESEM h p://cesem. csh.unl.p /in es igacao
William James
Cen e o
Resea ch
WJCR h p://wjc .ispa.p /pagina/ esea ch-a eas-0
Fon e: Elabo ado pelo au o .
A a és da obse ação, em Dezemb o de 2015, da in o mação
disponibilizada na Web pelas unidades, p ocu ámos iden i ica os p oje os
a i os ou em cu so e, na desc ição de cada p oje o, e i ámos a in o mação que
deno a a a aplicação de p á icas digi ais. Pa a al, o am c iadas duas olhas de
ecolha de dados (Anexos A e B) pa a acolhe os dados da obse ação não-
pa icipan e das páginas das unidades e dos p oje os em cu so. Seguimos
assim a indicação o necida po Gua dado e Bo ges, após egis a em algum
insucesso no con a o di e o com es as o ganizações (2012, p. 47).
A de eção das e idências de elemen os ca ac e ís icos do que em sido
acan onado no campo das HD não oi uma a e a ácil pois não exis e um
in en á io es abelecido de p á icas ou aplicações. Es as são o esul ado de
múl iplas abo dagens, de expe iências in e e ansdisciplina es, não se
echando num cânone ou num esquema delimi ado. Po essa azão, á ias
en a i as de c iação de uma “ca og a ia” das HD o am ap esen adas po
au o es como S ensson, não sendo possí el desenha uma paisagem conc e a
mas apenas um modelo de elações ou comp omissos (2010, p . 173; 175).
De o ma a o ganiza mos os dados e pa a lhes con e i uma
es u u ação semân ica, op ámos po a ibui e ique as aos ex os e i ados das
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páginas das unidades e ainda os ca ego izámos po campos cien í icos (den o
da á ea das Humanidades e seguindo a lis a u ilizada pela FCT 2).
Na u almen e que es e mé odo, ao limi a -se à in o mação disponibilizada
publicamen e, não ga an e a análise exaus i a e de alhada dos obje i os,
mé odos, p á icas, con eúdo e p odu os inais dos e e idos p oje os.
Ap esen amos assim esul ados que são apenas pa ciais e semp e
condicionados pelas escolhas comunicacionais das unidades de I&D.
Po ou o lado, a es u u ação não pad onizada dos dados ap esen ados
nos sí ios Web não acili ou a ecolha de in o mação, dado que a g elha de
ecolha de dados so eu di e sos ajus es no decu so da obse ação e nem
semp e conseguiu in eg a oda a in o mação que pode i a se impo an e
pa a abalhos u u os.
São limi ações des e es udo: a análise pa cial das unidades de I&D
inanciadas (18 em 39 – 46%); a desa ualização dos sí ios Web ela i amen e à
plani icação pa a 2015-2020; a p o usão de in o mação sob e os p oje os es a
dispe sa em sí ios au ónomos e po ezes se indis in a en e p oje os
concluídos e a i os; a in o mação disponibilizada se maio i a iamen e sumá ia,
es i a po ezes a uma sinopse ou aos obje i os cien í icos, sem in o mação
sob e a i idades p e is as, me odologias ou p á icas digi ais. Podíamos e
ainda con ac ado a FCT ou as p óp ias unidades de I&D, de o ma a ob e mais
in o mação, o que e á necessa iamen e de se ei o se a amos a o
aumen ada em es udos indou os. Pa a um es udo quali a i o dos p oje os e a
igualmen e impo an e a ob enção de mais dados.
3 ANÁLISE DOS DADOS
Os dados ecolhidos podem se ag upados em qua o á eas dis in as
que a segui se ap esen am.
2 C . h ps://www. c .p /apoios/p ojec os/concu sos/2012/docs/Dominios_e_A eas_Cien i icas_
C2012.pd
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3.1 Unidades, p oje os a i os e p á icas digi ais
Os 25 p oje os e uma linha de in es igação (que conside ámos nes e
pon o como um p oje o) analisados ap esen am um e a o posi i o – uma
média de 1,3 p oje os po cada unidade -, ainda que ímido, da implemen ação
de p á icas digi ais. É possí el cons a a que exis e uma dis ibuição desigual
dessas e idências nas 18 unidades de I&D (Quad o 2).
Quad o 2 - N.º de p oje os analisados em cada Unidade de I&D
ACRÔNIMO
Nº PROJETOS ANALISADOS
INET
-
md
5
CHAM
4
CLP
3
CIUHCT
3
CIDEHUS
2
IFILNOVA
2
CELGA
-
ILTEC
1
CPUP
1
CEC
1
CECS
1
ILC
1
IHC
1
CESEM
1
CINEICC
0
VICARTE
0
ICA EHB
0
CIPsi
0
WJCR
0
Fon e: Elabo ado pelo au o .
A ca ego ização dos P oje os po á ea cien í ica esul ou num cla o
des aque de 3 á eas - His ó ia, Es udos Li e á ios e Musicologia -, ainda que a
di e sidade seja igualmen e impo an e pa a p o a a disseminação das
p á icas digi ais nas Humanidades po uguesas (Quad o 3).
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Quad o 3 - N.º de p oje os analisados po á ea cien í ica (FCT)
Á ea cien í ica (FCT) N.º de
P oje os
A queologia 1
A es Mul imédia 1
Ciências da Comunicação e da
In o mação 1
Es udos li e á ios 5
Filoso ia 2
His ó ia 6
His ó ia e Filoso ia da Ciência e da
Tecnologia 3
Linguís ica 2
Música e Musicologia 5
Fon e: Elabo ado pelo au o .
O con on o pe cen ual dos p oje os a i os e dos p oje os analisados, i.e.
aqueles que conside ámos ap esen a em e idências de p á icas digi ais –
ainda que nem odas se pudessem conside a como p á icas ans o ma i as –
demons a o g au de pene ação das HD que podemos conside a como inicial
(G á ico 1). No e-se que aqui conside ámos apenas no e das 18 unidades de
I&D pois a ou a me ade não ap esen a a um inequí oco núme o de p oje os
a i os, como e emos adian e.
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p incipal desa io é ainda a de inição de modelos gené icos pa a a
sis ema ização e pa ilha ( euso) da in o mação eunida, o que az com que de
momen o cada p oje o seja ainda como que uma ilha” (2014, p. 73).
É p eciso inc emen a um sen ido de pe ença a uma comunidade que é
cada ez mais in e nacional e que pa ilha um “núcleo de p incípios e de
alo es” como “in e disciplina idade; acesso abe o (open sou ce);
econ igu ação das no mas de copy igh e de p op iedade in elec ual po ia da
p omoção de licenças al e na i as (C ea i e Commons); abalho colabo a i o”
(PEREIRA, 2015, p. 117).
Gene icamen e, as o mas de comunicação da ciência de e adas não
nos pa ece am as mais adequadas pois o necem pouca in o mação e são
pouco anspa en es quan o às a i idades p á icas das di e en es unidades e
p oje os. Es e aspe o condicionou a nossa análise e não pode deixa de se
e e ido como um dos aspe os onde é u gen e in e i . Algumas unidades de
I&D o nam impossí el uma análise ap o undada sob e o seu abalho cien í ico
comunicado em linha. Um guia de boas p á icas que pode i a se seguido
pelas unidades po uguesas pa a apoia a cons ução e a aliação de p oje os
oi publicado pela Red de Humanidades Digi ales (2013), jun amen e com um
au o-inqué i o.
Apesa de Te as (2011) e ap esen ado o núme o de 114
in aes u u as em 24 países, não exis em ainda em Po ugal es u u as que se
possam conside a , na de inição de Zo ich (2008, p. 4-5), “cen os de
humanidades digi ais”5. Mas é impo an e ecolhe in o mação e ap ende com
as expe iências in e nacionais, sob e udo:
- Ul apassa a na u eza echada (silo-like) de alguns cen os que p oduzem
conhecimen o ul a-especializado, sem a capacidade de in eg a esses
p odu os em ecu sos digi ais de la ga escala, di ulgando-os e o nando-os
disponí eis;
5C . a ausência de o ganizações po uguesas no sí io da ede cen e Ne
(h p://dhcen e ne .o g/), “an in e na ional ne wo k o digi al humani ies cen es”. Vide Rome o-
F ías e Del-Ba io-Ga cía (2014).
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- E i a que a na u eza independen e de alguns cen os esul e na
sob eposição de a i idades e de p odução de conhecimen o; es a edundância
despe diça os ecu sos inancei os escassos das Humanidades;
- Exigi um es o ço colabo a i o de c iação de cibe -in aes u u as que
bene iciem oda a comunidade, sob e udo em o no da p odução digi al dos
cen os e da sua p ese ação (ZORICH, 2008, p. 2).
Nos dados ecolhidos, encon ámos di e en es e idências que
es emunham um pe cu so in e essan e: alguns au o es pa em da in es igação
em Humanidades às p á icas digi ais, das p á icas digi ais à p odução de
conhecimen o e à lecionação em HD. Is o é cla o no caso de Daniel Al es do
IHC (Seminá ios e Unidades Cu icula es lecionados, a igos in e nacionais,
pa icipação em edes in e nacionais) e de Manuel Po ela e ou os au o es do
CLP (a igos in e nacionais, Summe School). No caso do IHC me ece um
des aque especial o acolhimen o da única linha de in es igação em HD
iden i icada.
É p o á el que uma análise mais p o unda e compa ada com ou os
con ex os de in es igação, que i esse em con a a c iação de edes e em ede,
como a A acne: Red de humanidades digi ales y le as hispánicas (Espanha)6,
acen uasse a nossa pe cepção do ca á e inicial em que se encon a o o ício
digi al em Po ugal. Con udo, a ques ão-cha e não eside no o na udo digi al,
c iando biblio ecas digi ais com in o mação inú il, mas na c iação de uma
in aes u u a académica digi al que ans o me as Humanidades como á ea do
sabe , sob a lide ança dos académicos que ize am e hão de aze a
in es igação em Humanidades (BORGMAN, 2009, p . 67). No mesmo sen ido,
Pe ei a econhece que “as mudanças em cu so na Academia são, eg a ge al,
mui o mais de o dem cul u al do que p op iamen e ecnológica” (2015, p. 122).
Mesmo oda a e igem de mudança que es amos a expe imen a e á de se
ma izada: “Fó mulas como sociedade digi al, cul u a digi al ou Humanidades
Digi ais ende ão a pe de sen ido com o empo, pois mais não são do que
6C . h p://www. ed-a acne.es/p esen acion
Jo ge Re ez
P á icas digi ais nas unidades de I&D em Po ugal: uma obse ação pa cial da
á ea das humanidades
In . In ., Lond ina, . 22, n. 3, p. 405 – 425, se ./ou . 2017.
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cons uc os p oduzidos num quad o de p o unda ans o mação epis émica”
(2015, p. 133-134).
5 CONCLUSÃO
P ocu ámos nes e exe cício con ibui pa a a ca ac e ização de uma
ealidade que ainda é um campo po explo a . Como epa a am Gua dado e
Bo ges, “ he use o new echnologies by he scien i ic communi y is s ill qui e
unknown in Po ugal” (2012, p. 49). Conhece as p á icas digi ais das unidades
de I&D pe mi e começa a comp eende não apenas o uso p esen e mas a
o ma como es as o ganizações es ão a ans o ma -se. Ainda que a adoção
pa eça es a num es ado inicial, exis em cla as e idências de p og esso. A
obse ação da in o mação disponibilizada na Web pelas unidades de
in es igação e elou-se uma a e a di ícil mas es imulan e. Os esul ados da
análise a 25 p oje os a i os e a uma linha de in es igação mos am que as
p á icas digi ais es ão disseminadas e comunicadas de o ma incipien e e que a
ans o mação p econizada pelo campo das HD ainda se encon a numa ase
inicial em Po ugal.
Na nossa análise sob essai o p oblema da comunicação das unidades
de I&D com o seu campo cien í ico, elemen o undamen al pa a a ge ação de
sine gias, pa ilha de es o ços e aumen o da isibilidade. Pa ece-nos que a
c iação e o desen ol imen o de uma base de in o mação pública,
e en ualmen e ge ida pela FCT, pe mi i ia cen aliza , o ganiza e es u u a um
conjun o de in o mações que es á inu ilmen e dispe so. A possibilidade de
ecolhe in o mação sis ema izada sob e o abalho que es á a se
desen ol ido se ia uma e amen a ines imá el. Es amos em c e que a
in o mação habi ualmen e en iada pa a as agências inanciado as pode assim
e ou o ipo de a amen o e consequen e impac o.
Pa ece-nos que não é demais insis i ambém na u gência de melho a
as o mas de comunicação com o público. Só uma comunicação e icaz pode á
e ela as an agens do in es imen o que a sociedade es á a aze na
in es igação cien í ica das Humanidades. Is o é impo an e na medida em que
pode demons a a capacidade das Humanidades sob e i e em num ambien e
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P á icas digi ais nas unidades de I&D em Po ugal: uma obse ação pa cial da
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al amen e compe i i o, em que é mui as ezes ques ionado o seu papel social e
o seu con ibu o pa a o desen ol imen o económico.
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Ti le
Digi al p ac ices o R&D uni s in Po ugal: a pa ial obse a ion in he humani ies
Abs ac
In oduc ion – On which digi al le el a e Po uguese Humani ies? The answe o his
ques ion equi es an app oach o he Digi al Humani ies heo e ical amewo k and an
applica ion o his amewo k o he si ua ion o he Po uguese scien i ic esea ch. I is
he i s c osso e s udy (no es ic ed o a discipline) on digi al p ac ices in he
Humani ies in Po ugal.
Pu pose – The goal is o analyze he digi al p ac ices in he Humani ies in Po ugal.
Me hodology - A sample o 18 Po uguese R&D uni s wo king in he Humani ies was
obse ed and hei ongoing esea ch p ojec s we e iden i ied. The mos impo an
p ojec s o an in en o y cons uc ion we e conside ed wi h an e idence ca ego iza ion
ega ding digi al ools embedded in scien i ic wo k and esea ch ou pu s.
Jo ge Re ez
P á icas digi ais nas unidades de I&D em Po ugal: uma obse ação pa cial da
á ea das humanidades
In . In ., Lond ina, . 22, n. 3, p. 405 – 425, se ./ou . 2017.
h p:www.uel.b / e is as/in o macao/ 425
Resul s - The analysis o 25 ac i e p ojec s and one esea ch line shows ha digi al
p ac ices a e poo ly dissemina ed and communica ed.
Conclusions - The ans o ma ion encou aged by Digi al Humani ies is s ill a an ea ly
s age in Po ugal.
Keywo ds: Digi al Humani ies. Scien i ic Resea ch. Humani ies. R&D uni s. Po ugal.
Ti ulo
P ác icas digi ales en las unidades de I+D en Po ugal: una obse ación pa cial de las
humanidades
Resumen
In oducción - ¿A qué ni el digi al es án las Humanidades po uguesas? La espues a
a es a p egun a equie e un en oque de ma co eó ico de las Humanidades digi ales y
una aplicación de es e ma co a la si uación de la in es igación cien í ica po uguesa.
Es el p ime es udio c uzado (no es ingido a una disciplina) sob e las p ác icas
digi ales en las humanidades en Po ugal.
Obje i o - El obje i o es analiza las p ác icas digi ales en las Humanidades en
Po ugal.
Me odología - Nos ijamos en una mues a de 18 unidades de I+D po uguesas que
abajan en el campo de las Humanidades e iden i icamos sus p oyec os de
in es igación en cu so. Fue on conside ados los más impo an es p oyec os pa a la
cons ucción de un in en a io y clasi icación de las p uebas de la inco po ación de las
he amien as digi ales en el abajo cien í ico y la c eación de sus p oduc os inales.
Resul ados - Los esul ados del análisis de 25 p oyec os ac i os y una línea de
in es igación mues an que las p ác icas digi ales son di undidas y comunicadas de
modo udimen a io.
Conclusiones - La ans o mación de endida po el campo de las Humanidades
Digi ales se encuen a oda ía en una e apa emp ana en Po ugal.
Palab as cla e: Humanidades digi ales. In es igación cien í ica. Humanidades.
Unidades de I+D. Po ugal.
Recebido em: 18.04.2016
Acei o em: 13.12.2017