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Práticas digitais nas unidades de I&D em Portugal: uma observação parcial da área das Humanidades

Revez, Jorge, 1980-

Abstract

Introdução: Em que patamar digital estão as Humanidades portuguesas? A resposta a esta pergunta exige uma aproximação ao quadro teórico das Humanidades Digitais e uma aplicação deste quadro à situação da investigação científica portuguesa. É o primeiro estudo cruzado (não restrito a uma disciplina) sobre as práticas digitais na área das Humanidades em Portugal. Objetivo: O objetivo é analisar as práticas digitais na área das Humanidades em Portugal. Metodologia: Observámos uma amostra de 18 unidades de I&D portuguesas que atuam na área das Humanidades e identificámos os seus projetos de investigação em curso. Consideraram-se os projetos mais relevantes para a construção de um inventário e categorização das evidências da incorporação de ferramentas digitais no trabalho científico e na criação dos seus produtos finais. Resultados: Os resultados da análise a 25 projetos ativos e a uma linha de investigação mostram que as práticas digitais estão disseminadas e comunicadas de forma incipiente. Conclusões: A transformação preconizada pelo campo das Humanidades Digitais ainda se encontra numa fase inicial em Portugal.

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DOI: 10.5433/1981-8920.2017 22n3p405 * Dou o ando em Ciência da In o mação pela Uni e sidade de Coimb a. E-mail: j e [email protected] In . In ., Lond ina, . 22, n. 3, p. 405 – 425, se ./ou . 2017. h p:www.uel.b / e is as/in o macao/ 405 PRÁTICAS DIGITAIS NAS UNIDADES DE I&D EM PORTUGAL: UMA OBSERVAÇÃO PARCIAL DA ÁREA DAS HUMANIDADES PRÁCTICAS DIGITALES EN LAS UNIDADES DE I+D EN PORTUGAL: UNA OBSERVACIÓN PARCIAL DE LAS HUMANIDADES Jo ge Re ez * RESUMO: In odução: Em que pa ama digi al es ão as Humanidades po uguesas? A espos a a es a pe gun a exige uma ap oximação ao quad o eó ico das Humanidades Digi ais e uma aplicação des e quad o à si uação da in es igação cien í ica po uguesa. É o p imei o es udo c uzado (não es i o a uma disciplina) sob e as p á icas digi ais na á ea das Humanidades em Po ugal. Obje i o: O obje i o é analisa as p á icas digi ais na á ea das Humanidades em Po ugal. Me odologia: Obse ámos uma amos a de 18 unidades de I&D po uguesas que a uam na á ea das Humanidades e iden i icámos os seus p oje os de in es igação em cu so. Conside a am-se os p oje os mais ele an es pa a a cons ução de um in en á io e ca ego ização das e idências da inco po ação de e amen as digi ais no abalho cien í ico e na c iação dos seus p odu os inais. Resul ados: Os esul ados da análise a 25 p oje os a i os e a uma linha de in es igação mos am que as p á icas digi ais es ão disseminadas e comunicadas de o ma incipien e. Conclusões: A ans o mação p econizada pelo campo das Humanidades Digi ais ainda se encon a numa ase inicial em Po ugal. Pala as-cha e: Humanidades Digi ais. In es igação cien í ica. Humanidades. Unidades de I&D. Po ugal. 1 INTRODUÇÃO Em que pa ama digi al es ão as Humanidades po uguesas? Es a pe gun a le an a um conjun o ão as o de p oblemas que não podemos en a enuncia uma espos a sem p imei o nos in e oga mos sob e a essência do que que emos pe gun a . E mesmo a espos a e á de se semp e p o isó ia e Jo ge Re ez P á icas digi ais nas unidades de I&D em Po ugal: uma obse ação pa cial da á ea das humanidades In . In ., Lond ina, . 22, n. 3, p. 405 – 425, se ./ou . 2017. h p:www.uel.b / e is as/in o macao/ 406 abe a a con ibu os u u os. Hayles en e is ou alguns académicos ace ca da sua elação com as ecnologias digi ais e a ançou uma p eocupan e es ima i a: apenas 10% u iliza am es as e amen as de uma o ma cons u i a e como uma mais- alia pa a a execução dos seus p oje os de in es igação (2012, p. 59). Es a es ima i a aumen a a com os jo ens in es igado es e p o esso es, o que anuncia a a ans o mação ine i á el da academia em academia digi al. Nes e sen ido e olhando pa a o p esen e caso de es udo, ques iona mos as p á icas digi ais das humanidades não é necessa iamen e o mesmo que en a aze uma a aliação da pene ação eó ico-p á ica das Humanidades Digi ais (HD) na in es igação que es á a se ealizada em Po ugal. C emos que pode se ei a uma dis inção en e o uso das chamadas no as ecnologias, com des aque pa a a compu ação e odas as e amen as po si po enciadas, e a passagem pa a um ou o ní el, em que, po um lado, oco e uma ap op iação de um discu so e, po ou o, sob e ém uma mudança no ipo de ope ações in es iga i as, com impac o ób io na o ma como in e p e amos os enómenos humanos e sociais. Como a i mou Pe ei a, não se pode eduzi “a missão das Humanidades Digi ais à me a aplicação de e amen as e ecu sos digi ais”. Es á em causa o deba e e a expe imen ação de “no os modelos de comp eensão da cul u a e do mundo” (2015, p. 135). Zo ich insis iu numa dis inção semelhan e, en e uso no mal e ans o ma i o, en e a u ilização das ecnologias e os no os p odu os e p ocessos que ans o mam o conhecimen o exis en e (2008, p. 4). C i icando o ca á e dualis a des as conside ações, Mullen a ançou que as HD não podem se en endidas como a simples oposição às Humanidades adicionais. O seu e hos é de inclusão e pode se ans o mado em e amen a de pe suasão, in eg ando e p omo endo ap endizagens mú uas (2010). Num es udo ecen e sob e a elação das biblio ecas com as HD, Va ne e Hswe desc e em a up u a que se em indo a e i ica nos úl imos dez anos, enca ando as HD como o esul ado de um diálogo dinâmico en e as ecnologias eme gen es e a in es igação das humanidades (2016, p. 36-37). Nes e diálogo, como Pa y no ou, as HD, enquan o ansdisciplina de sabe es e p á icas, anspo am a ideia de ans o mação. Não são apenas a in e seção Jo ge Re ez P á icas digi ais nas unidades de I&D em Po ugal: uma obse ação pa cial da á ea das humanidades In . In ., Lond ina, . 22, n. 3, p. 405 – 425, se ./ou . 2017. h p:www.uel.b / e is as/in o macao/ 407 en e o subs an i o humanidades e o adje i o digi ais. A ques ão é como o digi al ans o ma á a noção de humanidades (2012, p. 437). A omnip esença do enómeno digi al ope ou uma mudança na epis emologia e nas o mas de abalho académico. Não es amos no domínio exclusi o do uso pois é impossí el dis ingui o impac o das no as ecnologias – e a consequen e omnip esença do digi al – da o ma como se az hoje ciência. Es a mudança não se limi a assim à aplicação das ecnologias às Humanidades. Es amos pe an e um campo no o de possibilidades analí icas, uma len e c í ica eno ada e impossí el de se le ada à p á ica an es da in enção da compu ação (PARRY, 2012, p. 431). As HD são uma á ea de sabe es colabo a i os, anco ada nas Humanidades, pa a as ans o ma em algo no o, mul iplicando as o mas epis emológicas de as concebe e analisa . Des a o ma, as HD assumem uma componen e ans o mado a em que a compu ação assume uma o ma on o eológica, c iando uma no a cons elação his ó ica de in eligibilidade (BERRY, 2012, p. 16). Em 2011, num es udo in e nacional sob e a in es igação nes a á ea (BULGER e al., 2011), os au o es concluíam que o p og esso e a e iden e quan o às p á icas in o macionais. Con udo e am dele adas ba ei as como a al a de o mação, supo e e no malização. Es es e ou os obs áculos limi am a capacidade dos in es igado es em es abelece ligações e elações en e os di e en es ecu sos. Os esul ados des e abalho são cla os quan o aos desa ios que os académicos en en am, onde Po ugal não é uma exceção. Alguns des es desa ios são a necessidade de o mação, incluindo a o mação ecnológica pa a usa no as e amen as e se iços, e de apoio con inuado no seu uso; a necessidade de desen ol e e o na sus en á el (a longo p azo) a in aes u u a digi al de apoio à in es igação; e melho a a capacidade de pa ilha de dados e in e ligação en e di e en es a qui os (BULGER e al., 2011, p. 7-8). No caso de Po ugal, Al es ealizou um pon o da si uação das HD, no ando uma e olução len a e ma cada pela elação his ó ica que as humanidades êm es abelecido com as ecnologias digi ais, mas com sinais cla os que indiciam uma mudança posi i a (2014). An e io men e e usando Jo ge Re ez P á icas digi ais nas unidades de I&D em Po ugal: uma obse ação pa cial da á ea das humanidades In . In ., Lond ina, . 22, n. 3, p. 405 – 425, se ./ou . 2017. h p:www.uel.b / e is as/in o macao/ 408 uma me odologia p óxima daquela que seguimos nes e exe cício, Gua dado e Bo ges (2012) analisa am o caso das unidades de I&D a a ua no campo da His ó ia, com esul ados posi i os quan o à adoção de p á icas digi ais, mesmo em compa ação com a ealidade in e nacional: “The majo di e ence is ela ed o pa e ns o collabo a ion. In a numbe o non-Po uguese p ojec s, public pa icipa ion is one o he main cha ac e is ics, while in Po ugal he collabo a ion is mainly inside he scien i ic communi y, in ol ing his o ians and o he esea che s” (p. 49-50). Con ac ando di e amen e as unidades de I&D, Gua dado e Bo ges ambém analisa am as e is as cien í icas po uguesas na á ea da his ó ia, com esul ados posi i os quan o ao início de uma mudança compo amen al dos in es igado es. As unidades de I&D po uguesas, apesa da dimensão do país, êm alo izado o acesso li e ele ônico aos esul ados da sua in es igação, ap o ei ando a isibilidade o e ecida pela Web pa a comunica com um maio núme o de in es igado es (2011, p. 240). Um conjun o in e nacional de au o es ealizou um es udo sob e a expe iência sócio acadêmica do Dia das Humanidades Digi ais e obse ou as esis ências do campo das Humanidades. Uma ca ac e ís ica da eme gência das HD em espanhol e em po uguês é a ensão en e a esis ência de assumi que as humanidades se de inam pelo digi al e o in e esse po ag upa -se e discu i sob essa e minologia (PRIANI SAISÓ e al., 2014, p. 16). Que endo a e igua as e idências das p á icas acan onadas nas HD mas ambém a assimilação do seu discu so, o que aqui se ap esen a é um exe cício e uma p opos a de abalho: explo a as p á icas digi ais nas unidades de I&D po uguesas a a és dos p oje os em cu so. Es a p opos a ap esen a uma me odologia, pa cela e condicionada, mas que c emos su icien e pa a pode mos aça um e a o da adoção das HD em Po ugal. Quisemos assim ealiza um exe cício que nos ap oximasse do discu so e das p á icas ado adas nas unidades de I&D em Po ugal com o obje i o de os a alia , e aí obse a mos a p esença de uma mudança em cu so. E essa mudança é e iden e, em maio ou meno g au, con o me os con ex os de análise. Jo ge Re ez P á icas digi ais nas unidades de I&D em Po ugal: uma obse ação pa cial da á ea das humanidades In . In ., Lond ina, . 22, n. 3, p. 405 – 425, se ./ou . 2017. h p:www.uel.b / e is as/in o macao/ 409 2 METODOLOGIA A a aliação das unidades de I&D ealizada en e 2013 e 2015 (pelo aco do celeb ado en e a Fundação pa a a Ciência e Tecnologia [FCT] e a Eu opean Science Founda ion1) oi o pon o de pa ida pa a a cons i uição da nossa amos a de es udo. Das 322 unidades a aliadas, oi a ibuído um inanciamen o pa a 2015-2020 a 257, sendo 39 da á ea das Humanidades. Com es es dados, op ámos po seleciona as 18 unidades melho classi icadas, às quais oi a ibuída a no a de Excecional e Excelen e, cons i uindo assim a nossa amos a (Quad o 1) Quad o 1- Amos a do es udo Nome Ac ónimo Fon e Cen e o Gene al and Applied Linguis ic S udies CELGA- ILTEC h p://celga.il ec.p /p ojec s.h ml Cen e o Psychology a Uni e si y o Po o CPUP h p://www. pce.up.p /cpup/cen o.h ml Cen e o Compa a i e S udies CEC h p://www.compa a is as.edu.p /en/ esea ch-g oups/g oups/ Cen e o Po uguese Li e a u e CLP h p://www.uc.p / luc/clp/in /p oj Cogni i e and Beha iou al Cen e o Resea ch and In e en ion CINEICC h p://www.uc.p /en/ pce/ esea ch/CINEICC/g oups Communica ion and Socie y Resea ch Cen e CECS h p://www.comunicacao.uminho.p /cecs/con en .asp?s a A =2&ca ego yID=613 E hnomusicology Ins i u e - Cen e o S udies in Music and Dance INET-md h p://www. csh.unl.p /ine /p ojec os/pagina.h ml Glass and Ce amic o he A s VICARTE h p://www. ica e.o g/ esea ch_ccm.h ml Ins i u o Compa a i e Li e a u e ILC h p://ilcml.com/p ojec o-es a egico/ Ins i u o Con empo a y His o y IHC h p://www.ihc. csh.unl.p /p /in es igacao/p ojec os-em-cu so In e disciplina y ICA EHB h p://www.ica ehb.com/index.php/p ojec s 1 C . h p://www. c .p /apoios/unidades/a aliacoes/2013/p ocesso_a aliacao.ph ml.p Jo ge Re ez P á icas digi ais nas unidades de I&D em Po ugal: uma obse ação pa cial da á ea das humanidades In . In ., Lond ina, . 22, n. 3, p. 405 – 425, se ./ou . 2017. h p:www.uel.b / e is as/in o macao/ 410 Cen e o A chaeology and E olu ion o Human Beha iou In e disciplina y Cen e o His o y, Cul u es and Socie ies CIDEHUS h p://www.cidehus.ue o a.p /in es igacao/p oje os/p oje os_em_cu so In e uni e si y Cen e o he His o y o Science and Technology CIUHCT h p://ciuhc .o g/p /sc/in es igacao/p ojec os-lide ados No a Ins i u e o Philosophy IFILNOVA h p://www.i ilno a.p /pages/ -d-p ojec s Po uguese Cen e o Global His o y CHAM h p://www.cham. csh.unl.p /p ojec os.aspx Resea ch Cen e in Psychology CIPsi h p://www.psi.uminho.p /De aul .aspx? abid=11&pageid=53&lang=p -PT Resea ch Cen e o he Sociology and Aes he ics o Music CESEM h p://cesem. csh.unl.p /in es igacao William James Cen e o Resea ch WJCR h p://wjc .ispa.p /pagina/ esea ch-a eas-0 Fon e: Elabo ado pelo au o . A a és da obse ação, em Dezemb o de 2015, da in o mação disponibilizada na Web pelas unidades, p ocu ámos iden i ica os p oje os a i os ou em cu so e, na desc ição de cada p oje o, e i ámos a in o mação que deno a a a aplicação de p á icas digi ais. Pa a al, o am c iadas duas olhas de ecolha de dados (Anexos A e B) pa a acolhe os dados da obse ação não- pa icipan e das páginas das unidades e dos p oje os em cu so. Seguimos assim a indicação o necida po Gua dado e Bo ges, após egis a em algum insucesso no con a o di e o com es as o ganizações (2012, p. 47). A de eção das e idências de elemen os ca ac e ís icos do que em sido acan onado no campo das HD não oi uma a e a ácil pois não exis e um in en á io es abelecido de p á icas ou aplicações. Es as são o esul ado de múl iplas abo dagens, de expe iências in e e ansdisciplina es, não se echando num cânone ou num esquema delimi ado. Po essa azão, á ias en a i as de c iação de uma “ca og a ia” das HD o am ap esen adas po au o es como S ensson, não sendo possí el desenha uma paisagem conc e a mas apenas um modelo de elações ou comp omissos (2010, p . 173; 175). De o ma a o ganiza mos os dados e pa a lhes con e i uma es u u ação semân ica, op ámos po a ibui e ique as aos ex os e i ados das Jo ge Re ez P á icas digi ais nas unidades de I&D em Po ugal: uma obse ação pa cial da á ea das humanidades In . In ., Lond ina, . 22, n. 3, p. 405 – 425, se ./ou . 2017. h p:www.uel.b / e is as/in o macao/ 411 páginas das unidades e ainda os ca ego izámos po campos cien í icos (den o da á ea das Humanidades e seguindo a lis a u ilizada pela FCT 2). Na u almen e que es e mé odo, ao limi a -se à in o mação disponibilizada publicamen e, não ga an e a análise exaus i a e de alhada dos obje i os, mé odos, p á icas, con eúdo e p odu os inais dos e e idos p oje os. Ap esen amos assim esul ados que são apenas pa ciais e semp e condicionados pelas escolhas comunicacionais das unidades de I&D. Po ou o lado, a es u u ação não pad onizada dos dados ap esen ados nos sí ios Web não acili ou a ecolha de in o mação, dado que a g elha de ecolha de dados so eu di e sos ajus es no decu so da obse ação e nem semp e conseguiu in eg a oda a in o mação que pode i a se impo an e pa a abalhos u u os. São limi ações des e es udo: a análise pa cial das unidades de I&D inanciadas (18 em 39 – 46%); a desa ualização dos sí ios Web ela i amen e à plani icação pa a 2015-2020; a p o usão de in o mação sob e os p oje os es a dispe sa em sí ios au ónomos e po ezes se indis in a en e p oje os concluídos e a i os; a in o mação disponibilizada se maio i a iamen e sumá ia, es i a po ezes a uma sinopse ou aos obje i os cien í icos, sem in o mação sob e a i idades p e is as, me odologias ou p á icas digi ais. Podíamos e ainda con ac ado a FCT ou as p óp ias unidades de I&D, de o ma a ob e mais in o mação, o que e á necessa iamen e de se ei o se a amos a o aumen ada em es udos indou os. Pa a um es udo quali a i o dos p oje os e a igualmen e impo an e a ob enção de mais dados. 3 ANÁLISE DOS DADOS Os dados ecolhidos podem se ag upados em qua o á eas dis in as que a segui se ap esen am. 2 C . h ps://www. c .p /apoios/p ojec os/concu sos/2012/docs/Dominios_e_A eas_Cien i icas_ C2012.pd Jo ge Re ez P á icas digi ais nas unidades de I&D em Po ugal: uma obse ação pa cial da á ea das humanidades In . In ., Lond ina, . 22, n. 3, p. 405 – 425, se ./ou . 2017. h p:www.uel.b / e is as/in o macao/ 412 3.1 Unidades, p oje os a i os e p á icas digi ais Os 25 p oje os e uma linha de in es igação (que conside ámos nes e pon o como um p oje o) analisados ap esen am um e a o posi i o – uma média de 1,3 p oje os po cada unidade -, ainda que ímido, da implemen ação de p á icas digi ais. É possí el cons a a que exis e uma dis ibuição desigual dessas e idências nas 18 unidades de I&D (Quad o 2). Quad o 2 - N.º de p oje os analisados em cada Unidade de I&D ACRÔNIMO Nº PROJETOS ANALISADOS INET - md 5 CHAM 4 CLP 3 CIUHCT 3 CIDEHUS 2 IFILNOVA 2 CELGA - ILTEC 1 CPUP 1 CEC 1 CECS 1 ILC 1 IHC 1 CESEM 1 CINEICC 0 VICARTE 0 ICA EHB 0 CIPsi 0 WJCR 0 Fon e: Elabo ado pelo au o . A ca ego ização dos P oje os po á ea cien í ica esul ou num cla o des aque de 3 á eas - His ó ia, Es udos Li e á ios e Musicologia -, ainda que a di e sidade seja igualmen e impo an e pa a p o a a disseminação das p á icas digi ais nas Humanidades po uguesas (Quad o 3). Jo ge Re ez P á icas digi ais nas unidades de I&D em Po ugal: uma obse ação pa cial da á ea das humanidades In . In ., Lond ina, . 22, n. 3, p. 405 – 425, se ./ou . 2017. h p:www.uel.b / e is as/in o macao/ 413 Quad o 3 - N.º de p oje os analisados po á ea cien í ica (FCT) Á ea cien í ica (FCT) N.º de P oje os A queologia 1 A es Mul imédia 1 Ciências da Comunicação e da In o mação 1 Es udos li e á ios 5 Filoso ia 2 His ó ia 6 His ó ia e Filoso ia da Ciência e da Tecnologia 3 Linguís ica 2 Música e Musicologia 5 Fon e: Elabo ado pelo au o . O con on o pe cen ual dos p oje os a i os e dos p oje os analisados, i.e. aqueles que conside ámos ap esen a em e idências de p á icas digi ais – ainda que nem odas se pudessem conside a como p á icas ans o ma i as – demons a o g au de pene ação das HD que podemos conside a como inicial (G á ico 1). No e-se que aqui conside ámos apenas no e das 18 unidades de I&D pois a ou a me ade não ap esen a a um inequí oco núme o de p oje os a i os, como e emos adian e. Jo ge Re ez P á icas digi ais nas unidades de I&D em Po ugal: uma obse ação pa cial da á ea das humanidades In . In ., Lond ina, . 22, n. 3, p. 405 – 425, se ./ou . 2017. h p:www.uel.b / e is as/in o macao/ 420 p incipal desa io é ainda a de inição de modelos gené icos pa a a sis ema ização e pa ilha ( euso) da in o mação eunida, o que az com que de momen o cada p oje o seja ainda como que uma ilha” (2014, p. 73). É p eciso inc emen a um sen ido de pe ença a uma comunidade que é cada ez mais in e nacional e que pa ilha um “núcleo de p incípios e de alo es” como “in e disciplina idade; acesso abe o (open sou ce); econ igu ação das no mas de copy igh e de p op iedade in elec ual po ia da p omoção de licenças al e na i as (C ea i e Commons); abalho colabo a i o” (PEREIRA, 2015, p. 117). Gene icamen e, as o mas de comunicação da ciência de e adas não nos pa ece am as mais adequadas pois o necem pouca in o mação e são pouco anspa en es quan o às a i idades p á icas das di e en es unidades e p oje os. Es e aspe o condicionou a nossa análise e não pode deixa de se e e ido como um dos aspe os onde é u gen e in e i . Algumas unidades de I&D o nam impossí el uma análise ap o undada sob e o seu abalho cien í ico comunicado em linha. Um guia de boas p á icas que pode i a se seguido pelas unidades po uguesas pa a apoia a cons ução e a aliação de p oje os oi publicado pela Red de Humanidades Digi ales (2013), jun amen e com um au o-inqué i o. Apesa de Te as (2011) e ap esen ado o núme o de 114 in aes u u as em 24 países, não exis em ainda em Po ugal es u u as que se possam conside a , na de inição de Zo ich (2008, p. 4-5), “cen os de humanidades digi ais”5. Mas é impo an e ecolhe in o mação e ap ende com as expe iências in e nacionais, sob e udo: - Ul apassa a na u eza echada (silo-like) de alguns cen os que p oduzem conhecimen o ul a-especializado, sem a capacidade de in eg a esses p odu os em ecu sos digi ais de la ga escala, di ulgando-os e o nando-os disponí eis; 5C . a ausência de o ganizações po uguesas no sí io da ede cen e Ne (h p://dhcen e ne .o g/), “an in e na ional ne wo k o digi al humani ies cen es”. Vide Rome o- F ías e Del-Ba io-Ga cía (2014). Jo ge Re ez P á icas digi ais nas unidades de I&D em Po ugal: uma obse ação pa cial da á ea das humanidades In . In ., Lond ina, . 22, n. 3, p. 405 – 425, se ./ou . 2017. h p:www.uel.b / e is as/in o macao/ 421 - E i a que a na u eza independen e de alguns cen os esul e na sob eposição de a i idades e de p odução de conhecimen o; es a edundância despe diça os ecu sos inancei os escassos das Humanidades; - Exigi um es o ço colabo a i o de c iação de cibe -in aes u u as que bene iciem oda a comunidade, sob e udo em o no da p odução digi al dos cen os e da sua p ese ação (ZORICH, 2008, p. 2). Nos dados ecolhidos, encon ámos di e en es e idências que es emunham um pe cu so in e essan e: alguns au o es pa em da in es igação em Humanidades às p á icas digi ais, das p á icas digi ais à p odução de conhecimen o e à lecionação em HD. Is o é cla o no caso de Daniel Al es do IHC (Seminá ios e Unidades Cu icula es lecionados, a igos in e nacionais, pa icipação em edes in e nacionais) e de Manuel Po ela e ou os au o es do CLP (a igos in e nacionais, Summe School). No caso do IHC me ece um des aque especial o acolhimen o da única linha de in es igação em HD iden i icada. É p o á el que uma análise mais p o unda e compa ada com ou os con ex os de in es igação, que i esse em con a a c iação de edes e em ede, como a A acne: Red de humanidades digi ales y le as hispánicas (Espanha)6, acen uasse a nossa pe cepção do ca á e inicial em que se encon a o o ício digi al em Po ugal. Con udo, a ques ão-cha e não eside no o na udo digi al, c iando biblio ecas digi ais com in o mação inú il, mas na c iação de uma in aes u u a académica digi al que ans o me as Humanidades como á ea do sabe , sob a lide ança dos académicos que ize am e hão de aze a in es igação em Humanidades (BORGMAN, 2009, p . 67). No mesmo sen ido, Pe ei a econhece que “as mudanças em cu so na Academia são, eg a ge al, mui o mais de o dem cul u al do que p op iamen e ecnológica” (2015, p. 122). Mesmo oda a e igem de mudança que es amos a expe imen a e á de se ma izada: “Fó mulas como sociedade digi al, cul u a digi al ou Humanidades Digi ais ende ão a pe de sen ido com o empo, pois mais não são do que 6C . h p://www. ed-a acne.es/p esen acion Jo ge Re ez P á icas digi ais nas unidades de I&D em Po ugal: uma obse ação pa cial da á ea das humanidades In . In ., Lond ina, . 22, n. 3, p. 405 – 425, se ./ou . 2017. h p:www.uel.b / e is as/in o macao/ 422 cons uc os p oduzidos num quad o de p o unda ans o mação epis émica” (2015, p. 133-134). 5 CONCLUSÃO P ocu ámos nes e exe cício con ibui pa a a ca ac e ização de uma ealidade que ainda é um campo po explo a . Como epa a am Gua dado e Bo ges, “ he use o new echnologies by he scien i ic communi y is s ill qui e unknown in Po ugal” (2012, p. 49). Conhece as p á icas digi ais das unidades de I&D pe mi e começa a comp eende não apenas o uso p esen e mas a o ma como es as o ganizações es ão a ans o ma -se. Ainda que a adoção pa eça es a num es ado inicial, exis em cla as e idências de p og esso. A obse ação da in o mação disponibilizada na Web pelas unidades de in es igação e elou-se uma a e a di ícil mas es imulan e. Os esul ados da análise a 25 p oje os a i os e a uma linha de in es igação mos am que as p á icas digi ais es ão disseminadas e comunicadas de o ma incipien e e que a ans o mação p econizada pelo campo das HD ainda se encon a numa ase inicial em Po ugal. Na nossa análise sob essai o p oblema da comunicação das unidades de I&D com o seu campo cien í ico, elemen o undamen al pa a a ge ação de sine gias, pa ilha de es o ços e aumen o da isibilidade. Pa ece-nos que a c iação e o desen ol imen o de uma base de in o mação pública, e en ualmen e ge ida pela FCT, pe mi i ia cen aliza , o ganiza e es u u a um conjun o de in o mações que es á inu ilmen e dispe so. A possibilidade de ecolhe in o mação sis ema izada sob e o abalho que es á a se desen ol ido se ia uma e amen a ines imá el. Es amos em c e que a in o mação habi ualmen e en iada pa a as agências inanciado as pode assim e ou o ipo de a amen o e consequen e impac o. Pa ece-nos que não é demais insis i ambém na u gência de melho a as o mas de comunicação com o público. Só uma comunicação e icaz pode á e ela as an agens do in es imen o que a sociedade es á a aze na in es igação cien í ica das Humanidades. Is o é impo an e na medida em que pode demons a a capacidade das Humanidades sob e i e em num ambien e Jo ge Re ez P á icas digi ais nas unidades de I&D em Po ugal: uma obse ação pa cial da á ea das humanidades In . In ., Lond ina, . 22, n. 3, p. 405 – 425, se ./ou . 2017. h p:www.uel.b / e is as/in o macao/ 423 al amen e compe i i o, em que é mui as ezes ques ionado o seu papel social e o seu con ibu o pa a o desen ol imen o económico. REFERÊNCIAS ALVES, D. 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Me hodology - A sample o 18 Po uguese R&D uni s wo king in he Humani ies was obse ed and hei ongoing esea ch p ojec s we e iden i ied. The mos impo an p ojec s o an in en o y cons uc ion we e conside ed wi h an e idence ca ego iza ion ega ding digi al ools embedded in scien i ic wo k and esea ch ou pu s. Jo ge Re ez P á icas digi ais nas unidades de I&D em Po ugal: uma obse ação pa cial da á ea das humanidades In . In ., Lond ina, . 22, n. 3, p. 405 – 425, se ./ou . 2017. h p:www.uel.b / e is as/in o macao/ 425 Resul s - The analysis o 25 ac i e p ojec s and one esea ch line shows ha digi al p ac ices a e poo ly dissemina ed and communica ed. Conclusions - The ans o ma ion encou aged by Digi al Humani ies is s ill a an ea ly s age in Po ugal. Keywo ds: Digi al Humani ies. Scien i ic Resea ch. Humani ies. R&D uni s. Po ugal. Ti ulo P ác icas digi ales en las unidades de I+D en Po ugal: una obse ación pa cial de las humanidades Resumen In oducción - ¿A qué ni el digi al es án las Humanidades po uguesas? La espues a a es a p egun a equie e un en oque de ma co eó ico de las Humanidades digi ales y una aplicación de es e ma co a la si uación de la in es igación cien í ica po uguesa. Es el p ime es udio c uzado (no es ingido a una disciplina) sob e las p ác icas digi ales en las humanidades en Po ugal. Obje i o - El obje i o es analiza las p ác icas digi ales en las Humanidades en Po ugal. Me odología - Nos ijamos en una mues a de 18 unidades de I+D po uguesas que abajan en el campo de las Humanidades e iden i icamos sus p oyec os de in es igación en cu so. Fue on conside ados los más impo an es p oyec os pa a la cons ucción de un in en a io y clasi icación de las p uebas de la inco po ación de las he amien as digi ales en el abajo cien í ico y la c eación de sus p oduc os inales. Resul ados - Los esul ados del análisis de 25 p oyec os ac i os y una línea de in es igación mues an que las p ác icas digi ales son di undidas y comunicadas de modo udimen a io. Conclusiones - La ans o mación de endida po el campo de las Humanidades Digi ales se encuen a oda ía en una e apa emp ana en Po ugal. Palab as cla e: Humanidades digi ales. In es igación cien í ica. Humanidades. Unidades de I+D. Po ugal. Recebido em: 18.04.2016 Acei o em: 13.12.2017