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O contributo d'O Panorama na divulgação histórica em Portugal no Século XIX (1837-68)

Abstract

O regime monárquico constitucional estabeleceu-se, de forma definitiva, após a guerra civil que colocou em confronto liberais e absolutistas (1832-34). A possível estabilidade política, contudo, só veio apenas em meados do século, período em que se consumou a forma final do regime liberal como resultado último das disputas entre as diferentes famílias liberais (setembristas e cartistas). Não obstante o período de instabilidade política que em grande medida caracterizou a primeira metade de oitocentos, observamos o emergir - ou a tentativa de - de um novo modelo político, social e económico (com raízes no Vintismo) que, paulatinamente, veio a mudar a sociedade portuguesa. Estas mudanças podem ser observadas sobre vários prismas, mas para o nosso caso interessam-nos, em particular, dois aspectos: o movimento associativo com fortes raízes no século XVIII, mas com um crescimento notório a partir de 1834 (sociedades patrióticas, científicas, culturais e industriais), e a imprensa periódica, que vinha a desenvolver-se de forma significativa e com diferentes matizes desde a primeira década de oitocentos, com melhoramentos técnicos, e, mais importante, com o surgimento da lógica de um espaço público de discussão. Estes dois eixos assumem particular destaque, quer pela sua expansão considerável mas também pelos seus intuitos. Desenvolvimentos que, conjugados ou como fruto de uma nova e dinâmica cultura política, estabeleceram novas necessidades de divulgação da memória histórica. É pois num contexto de mudanças políticas, sociais, culturais e técnicas que temos de compreender O Panorama, periódico de grande influência em Portugal durante uma boa parte do século XIX.

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O contributo d'O Panorama na divulgação histórica em Portugal no Século XIX (1837-68)

Author: Brito, Ricardo de
Publisher: Centro de História da Universidade de Lisboa
Year: 2017
Source: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/34641/1/Historiografia%20e%20Res%20Publica%202017_De%20Brito.pdf
Sé gio Campos Ma os & Ma ia Isabel João (o gs.)
HISTORIOGRAFIA E RES PUBLICA
Lisboa
Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa
Cen o de Es udos das Mig ações e das Relações In e cul u ais da Uni e sidade Abe a
2017
Sé gio Campos Ma os & Ma ia Isabel João (o gs.)
NOS DOIS ÚLTIMOS SÉCULOS
Tí ulo | Ti le
His o iog a ia e Res Publica
Nos dois úl imos séculos
Di ecção da Colecção | Se ies Edi o s
Sé gio Campos Ma os & Co adonga Valdaliso
O ganização | O ganisa ion
Sé gio Campos Ma os & Ma ia Isabel João
Edi o | Edi o
Sé gio Campos Ma os
Assis en es de Edição | Edi o ial Assis an s
Gonçalo Ma os Ramos, Rica do de B i o
Comissão Edi o ial | Edi o ial Boa d
Luís Filipe Ba e o, Valdei A aújo
Capa | F on co e
De alhe da ep esen ação da Di ina Comédia de Dan e Alighie i. Almada Neg ei os, 1961. Pó ico da en ada da
Faculdade de Le as. A e pa ie al, g a u as incisas colo idas sob e pa ede e es ida a can a ia de calcá io, Faculdade
de Le as da Uni e sidade de Lisboa. Fo og a ia de A mando No e.
F on ispício | F on ispiece
De alhe de Cabeça Mecânica (O Espí i o da Nossa E a). Raoul Hausmann, c. 1920. Mon agem. Pa is, Musée Na ional
d’A Mode ne, Cen e Pompidou.
Con a-capa | Backco e
Musa (Clio?) lendo um uolumen. Pin o de Klügmann, c. 435-425 BCE (Beócia?). Leky hos, ce âmica á ica de igu as
e melhas, Museu do Lou e, CA 220.
His o iog a ia – His ó ia Con empo ânea – Memó ia | 930(469) MAT,S
Edi o a | Publishe
Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa & Cen o de Es udos das Mig ações e das Relações In e cul u ais da
Uni e sidade Abe a | 2017
Concepção G á ica | G aphic Design
B uno Fe nandes
Imp essão G á ica | P in ing Shop
Se sili o-Emp esa G á ica Lda.
ISBN 978-989-8068-22-4
Ti agem 300 exempla es
P.V.P. 15.00€
Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa | Cen e o His o y o he Uni e si y o Lisbon
Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa | School o A s and Humani ies o he Uni e si y o Lisbon
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men ioned license and complying wi h he FCT di ec i e “Polí ica sob e Acesso Abe o a Publicações Cien i icas esul an es de P ojec os de I&D Financiados pela FCT (05/05/2014)”.

ÍNDICE
SOBRE A ESCRITA DA HISTÓRIA NOS DOIS ÚLTIMOS SÉCULOS
Sé gio Campos Ma os e Ma ia Isabel João
I – HISTÓRIA, TEMPO, CIDADANIA
O HISTORIADOR NA CIDADE: HISTÓRIA E POLÍTICA
Fe nando Ca oga
HISTOIRE GLOBALE, HISTOIRE NATIONALE?
COMMENT RÉCONCILIER RECHERCHE ET PÉDAGOGIE
Ch is ophe Cha le
AS FORMAS DO PRESENTE.
ENSAIO SOBRE O TEMPO E A ESCRITA DA HISTÓRIA
Temís ocles Ceza
CONTINUIDADES E RUPTURAS HISTORIOGRÁFICAS:
O CASO PORTUGUÊS NUM CONTEXTO PENINSULAR (C.1834 - C.1940)
Sé gio Campos Ma os
II – DIRECÇÕES DE ESTUDO
MODERNIZAÇÃO E BLOQUEIOS:
PROBLEMAS DO DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO
NA MEMÓRIA HISTÓRICA
José Luís Ca doso
A HISTÓRIA SOCIAL EM PORTUGAL (1779-1974)
ESBOÇO DE UM ITINERÁRIO DE PESQUISA
Nuno Gonçalo Mon ei o
ESPIRITUALIDADE E RELIGIÕES:
UNIVERSOS DE MOTIVAÇÃO E DE CRENÇA
An ónio Ma os Fe ei a
11
25
27
89
115
131
161
163
183
203
AS MIGRAÇÕES NA HISTORIOGRAFIA PORTUGUESA (1779-1974)
Jo ge Fe nandes Al es
O IMPÉRIO E AS SUAS METAMORFOSES NA HISTORIOGRAFIA
Diogo Ramada Cu o
A HISTORIOGRAFIA NO ÂMBITO DOS ESTUDOS REGIONAIS
Ma ia Isabel João
III – PERIODISMO E HISTÓRIA
HISTÓRIA, OPINIÃO PÚBLICA E PERIODISMO
José Augus o dos San os Al es
DIVULGAR O CONHECIMENTO HISTÓRICO
AS PUBLICAÇÕES COLECTIVAS DA ACL SOB O LIBERALISMO (1820-1851)
Daniel Es udan e P o ásio
O CONTRIBUTO D’O PANORAMA NA DIVULGAÇÃO HISTÓRICA
EM PORTUGAL NO SÉCULO XIX (1837-68)
Rica do de B i o
DIFERENTES CONCEPÇÕES DE HISTÓRIA NA VÉRTICE
DURANTE O ESTADO NOVO (1942-1974)
José de Sousa
OS ARQUIVOS DO CENTRO CULTURAL PORTUGUÊS (1969-1993):
UMA “COLECTÂNEA ERUDITA” AO SERVIÇO DA HISTÓRIA
And eia da Sil a Almeida
A HISTÓRIA DE PORTUGAL NA SEARA NOVA:
A BUSCA NO TEMPO PASSADO PARA A CONSTRUÇÃO
DE UM PRETENDIDO FUTURO
Joaquim Rome o Magalhães
217
241
253
283
285
309
337
355
375
403
341
lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
a disseminação de di e en es “conhecimen os ú eis”, de “ins ução a iada”,
emp egando as pala as de He culano. Os emas encon a am-se explanados
nos p óp ios es a u os da sociedade (a . 47º): his ó ia nacional e es angei a,
biog a ias (de mili a es, eclesiás icos, en e ou os), geog a ia, li e a u a, di ei o,
economia, comé cio, desen ol imen os écnicos que a ní el indus ial como na
ag icul u a, auna e lo a, algumas noções de higiene, en e ou os. Sem dú ida que
pela ab angência de ma é ias o nome do jo nal ca ac e iza a a sín ese p e endida.
Con ém, não obs an e, eco da que O Pano ama he dou pa e da adição iluminis a
do enciclopedismo, ca ac e ís ica aliás isí el em ou os pe iódicos da al u a, como
o A qui o Popula (1837), A qui o Pi o esco (1857) ou o A qui o Uni e sal (1859).
A qualidade do jo nal, que em e mos écnicos14 como de con eúdos, al ez
explique o sucesso que apa en ou e numa ase inicial. Ainda no p imei o ano deu-
se a no ícia de que o quin o núme o do jo nal inha a ingido o signi ica i o núme o
de 5000 exempla es, “caso único em a his ó ia das publicações pe iódicas em
Po ugal”15. Con ém no en an o e e i que compa a i amen e com a sua inspi ação
b i ânica, O Pano ama e a conside a elmen e meno em i agem, na medida em que
o The Penny Magazine, em 1837, inha a ingido os 300.000 exempla es16. Es á amos
des a o ma pe an e con ex os populacionais e públicos di e en es, o que ez
com que, passado um ano em ci culação, os edac o es d´O Pano ama i essem de
adop a uma no a es u u a. Num balanço anual, e após comp eende a ecepção
po pa e do público, He culano es abelecia um no o o ma o, não sem an es aça
um «diagnós ico» do público lei o po uguês des es ipos de jo nais “popula es”,
di idindo-o em ês classes:
a p imei a é a dos que pe endem [sic] só ins ução, sem lhes impo a a
o ma (...) são es es poucos; a segunda classe, que é a mais nume osa, cons a daqueles
que gos am de ins ui -se ec eando-se; a e cei a en im, é o mada pelos que só na
lei u a buscam passa empo pa a ma a o empo (...) doen ia é a compleição mo al
des es, di ícil a sua cu a; mas po isso mesmo nãos os de emos abandona : com o
14 Uma o e apos a em g a u as de boa qualidade.
15 O Pano ama, "Galicismos", nº 7, 1837, pp. 52-53.
16 Jacin o Bap is a, op. ci ., p. 26.

342 his o iog a ia e es publica
uso de le , po en u a adqui i ão o amo dos conhecimen os mais solidos, ou pelo
menos oma ão a lei u a po habi o, e na al a de coisas supe iciais, alguma ez
eco e ão a esc i os mais ins u i os e p o undos.17
A dimensão e o in e esse dos di e en es públicos, sin oma icamen e aqui
expos os, e ela am as limi ações da época. Não é po isso de admi a que
ou as inicia i as edi o iais da mesma al u a não i essem longe idade, embo a
encon emos alguns exemplos de pe iódicos que consegui am, mesmo assim, uma
ida ela i amen e longa, casos do A qui o Popula , Biblio eca Familia e Rec ea i a (1835-
42), O Rec eio (1835-41) e O Ramalhe e (1837-44)18. Pa a que O Pano ama con inuasse
a e sucesso pe an e o público, e após o diagnós ico ei o po He culano, oi en ão
p ojec ado um no o o ma o. A opção omada oi ela i amen e simples: di idi cada
núme o em duas pa es ela i amen e dis in as; ou seja, man e ia a es u u a p é ia,
mas e o mulando-a. A p imei a inclui ia a igos mais ex ensos, com emá icas
mais p o undamen e analisadas e subo dinadas às á eas das ciências na u ais, emas
his ó icos, geog a ia, opog a ia, monumen os, economia, li e a u a, en e ou os. A
segunda inclui ia a igos mais b e es, com linguagem mais acessí el e sob e emas
que pudessem, opo unamen e, in e essa a um público mais as o. A «ciência»
não es a ia ausen e des es b e es ex os, mas se ia ocacionada pa a, julgamos nós,
p eocupações mais p emen es. Começamos a encon a igualmen e cu iosidades e
ambém anedo as. Man endo es a es u u a inal e ada a é à ex inção do jo nal, O
Pano ama apa en ou e ido sucesso o a dos cen os u banos ( adicionalmen e
com públicos menos p opensos à lei u a des e ipo de imp ensa), sendo lido em
assembleia nas po oações u ais19. Chegou, inclusi amen e, a a a essa o A lân ico
sendo lido nos Aço es, Madei a e B asil, con ando com igu as des e úl imo como
colabo ado es, como po exemplo F ancisco Adol o de Va nhagen20.
A publicação deco eu com ela i a no malidade a é 1839, ano em que
Alexand e He culano ez publica o úl imo núme o enquan o edac o p incipal21,
17 O Pano ama, "Aos assinan es", nº 36, 1837, p. 1.
18 Ma ia Lou des San os, op. ci ., p. 167.
19 O Pano ama, "In odução", nº 192,1841, p. 2.
20 O Pano ama, "Aos lei o es", nº 1,1842, p. 1.
21 Despediu-se dos lei o es numa pequena no a, O Pano ama, nº 115, 1839, p. 221.
343
lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
saindo pa a i ocupa o ca go de Di ec o das Biblio ecas Reais da Ajuda e
Necessidades, após nomeação do ei D. Fe nando. Te minada a passagem de
He culano pelo jo nal (cons a-se que con ibui, ainda que episodicamen e, com
algumas colunas), oi, cu iosamen e, Feliciano de Cas ilho a assumi o ca go de
edac o a é 1841, al u a em que saiu pa a di igi um ou o pe iódico, a Re is a
Uni e sal Lisbonense, en e 1841-45. Depois de Cas ilho, se ia An ónio de Oli ei a
Ma eca a ica à en e da 2ª sé ie a é 1843. Em 1844, e mina am as sé ies d´O
Pano ama associadas à Sociedade P opagado a dos Conhecimen os Ú eis, po
ex inção des a, u o do dec éscimo do pagamen o das assina u as que possi elmen e
colocou em causa a sus en abilidade inancei a da Sociedade. A al a de pagamen o
das assina u as es e e eco en emen e ci ada nas páginas do jo nal22.
Vol amos a e O Pano ama disponí el ao público passados dois anos, em
1846, pela inicia i a do ipóg a o-edi o An ónio José Fe nandes Lopes (que ambém
i ia a lança a Ilus ação Luso-B asilei a. Jo nal uni e sal, en e 1856-59). A ideia e a
apenas a de elança o jo nal, sem g andes al e ações, “Es e jo nal compo -se-á,
como d´an es, de udo que se julga de p és imo em descob imen os cien í icos, em
ape eiçoamen os de indús ia, e nos in en os em a e, a pa das no idades no á eis.
Sem se igo osamen e no iciado acompanha a o andamen o do século em odos
os seus aspec os”23. Tinha-se como objec i o lança ce ca de 52 núme os anuais,
con udo, indo a lume em Se emb o, so eu us ações ine en es ao no o con li o
em ma cha, a Gue a da Pa uleia. Só em 1852 é que alcança ia os núme os anuais
p e endidos, publicando egula e sis ema icamen e desde en ão. Em 1858, se ia
suspensa a publicação. Es a suspensão du ou a é 1866, al u a em que O Pano ama oi
no amen e essusci ado (pelo mesmo ipóg a o em colabo ação com a Tipog a ia
F anco-Po uguesa), publicando-se a é 1868, ano da ex inção de ini i a do jo nal.
A pe sis ência de publicação que pe mi iu a longe idade do jo nal mos a
a epu ação da publicação. De ac o, já em meados do século, são e elado as as
pala as de Rebelo da Sil a (um dos mais des acados discípulos de He culano)
e de Lopes de Mendonça, numa “In odução” aos Anais das Ciências e Le as, de
1857, “O mais admi á el ins umen o de iniciação in elec ual, no a aso ela i o
22 Po exemplo, O Pano ama, nº 28, 1837, p. 224.
23 O Pano ama, "In odução", nº 1, 3ª sé ie, 1846, p. 2.
344 his o iog a ia e es publica
em que exis íamos, mani es ou os seus e ei os desde logo, e, edigido po algumas
das capacidades mais dis in as des e país, que hoje emos a hon a de con a no
nosso núme o de sócios, ape eiçoou a língua, desen ol eu o gos o pelas le as,
ez e i e as nossas adições na imaginação popula , e po ele se deu oo e
impulso a essas ocações no as que emos g adualmen e hoje sob essaindo em
odas as es e as da ac i idade social”24. Não obs an e, pa ece e exis ido a coe a
noção de que O Pano ama, após as p imei as sé ies, pe de a alguma qualidade. Tal
ideia é exp essa po José Sil es e Ribei o, quando e e e que “Em 1857, quando
ainda se publica a o Pano ama da 3ª sé ie, se disse: Es e pe iódico... é hoje apenas
um eco do que oi, e, se i e, é à somb a dos í ulos de es ima pública e c édi os
in elec uais que soube g anjea e i ma em pad ão, que a lemb ança dos homens
lidos espei a á ainda po mui o empo”25. É e dade que o jo nal já não con a a
com as con ibuições sis emá icas de Alexand e He culano, Feliciano Cas ilho, José
Félix Hen ique Noguei a ou de Ra ael Bo dalo Pinhei o, mas en e as suas colunas
encon a emos nomes como Luís Augus o Rebelo da Sil a, Inácio Vilhena Ba bosa,
F ancisco Gomes de Amo im, An ónio Ped o Lopes de Mendonça, o p óp io
Sil es e Ribei o, Camilo Cas elo B anco, Manuel Pinhei o Chagas, daí que julgamos
discu í el a coe a ideia de que O Pano ama pe de a, de ac o, qualidade. A espos a
pode á se ou a, in imamen e ligada com as mudanças que começa am a ope a
na sociedade e no me cado li e á io.
Numa análise sob e a imp ensa pe iódica, Alexand e He culano, já em 1838,
des acou a Re is a Li e á ia do Po o, p imei o exemplo dum géne o que começa a a
su gi . Em sua opinião, endo como base a e olução da imp ensa des e géne o no
es o da Eu opa, islumb a a que o modelo d´O Pano ama, de jo nal popula , após
cump ida a sua missão de unção social, ex ingui -se-ia ou, pelo menos, e olui ia
pa a o modelo de e is a. É que se o modelo de jo nal popula e a o opos o
ao das e is as cien í icas e li e á ias em oga no século XVIII (mas man endo
algumas ca ac e ís icas), as e is as li e á ias oi ocen is as consegui iam conjuga
os dois modelos, e lec indo assim a mudança ope ada (ou espe ada) na sociedade
24 Apud, Ma ia Lou des dos San os, op. ci ., p. 169.
25 José Sil es e Ribei o - His ó ia dos Es abelecimen os Cien í icos, Li e á ios e A ís icos de Po ugal. Tomo VIII, 1881, p. 26.
345
lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
po uguesa26. Pode -se-ia, po en u a, discu i se o modelo de jo nal iliado n´O
Pano ama se ex inguiu de ac o ou se se modi icou27, mas o me cado li e á io
nacional, com di e en es p eocupações e com uma eno ação ge acional a pa i
da década de 1860, eio a p i ilegia no os o ma os, como po exemplo as e is as
ilus adas em que se des aca a a imagem (O Ociden e, 1878-1914), dando maio
ên ase à e en e lúdica e ec ea i a28.
Con eúdos
Fei a a e is a dos in ui os p og amá icos e, de o ma sin é ica, da his ó ia
d´O Pano ama, oquemo-nos ago a nos seus con eúdos, pa e subs ancial do jo nal.
Como deixamos a an e e , ao longo dos anos chega am às páginas des e pe iódico
di e en es con ibu os, ema icamen e di e si icados. A p emissa cen al, expos a
nos in ui os p og amá icos, oi a da ins ução ou, nas pala as dos p omo o es, o
seu “de amamen o” - em pa icula , uma ins ução com uma e en e popula .
Vá ias ezes apon ada, sob di e en es p imas é ce o29, es a linha edi o ial e lec iu
a o ien ação de um mo imen o cul u al que começa a a consolida -se em Po ugal:
o oman ismo30. O in elec ual omân ico, em especial numa p imei a ase des e
mo imen o, assumiu-se como educado - em g ande medida u o das suas
expe iências no ex e io - azendo, assim, pa e da sua acção social a p omoção da
educação como ins umen o pa a um no o modelo de p og esso e cons ução de
uma no a sociedade31. Se ia po en u a ocioso, pois não é o objec o des e abalho,
e e i mos que o deba e em o no educação se ia pos e io men e ecupe ado,
embo a com ou os moldes, em especial a pa i de 1870. Cons i uindo um dos
seus eixos p incipais, a educação p opos a pelo in elec ual omân ico, apesa
de ab angen e, concedia pa icula ele o à di ulgação his ó ica, se indo es a
26 O Pano ama, "Re is a Li e á ia", nº 76, 1838, p. 326.
27 Jacin o Bap is a, op. ci ., p. 64.
28 Sé gio Campos Ma os, op. ci ., pp. 146-147.
29 Po exemplo, "Ins ução popula ", nº 5, 1837, p. 36; "Da educação in elec ual", nº 27, 1837, p. 214.; "Da
educação em odas as idades", nº 122 , 1839, pp. 278-79 ou "O ensino público", 2ª sé ie, nº10, 1842, pp. 78-79
30 José Augus o F ança - O Roman ismo em Po ugal, es udo de ac os socio-cul u ais. Lisboa: Li os Ho izon e, 1983.
31 Fe nando Ca oga - «Roman ismo, li e a u a e his ó ia», in His ó ia de Po ugal (coo d. Luís Reis To gal e João
Lou enço Roque), ol. V. Lisboa: Ci culo de Lei o es, 1993 p. 545.
346 his o iog a ia e es publica
e ocação do passado pa a da o ma a uma no a iden idade nacional, numa al u a
de o mação do Es ado-Nação32. Não é pois po acaso que Oli ei a Ma ins dedique
a es e jo nal algumas linhas na sua ob a Po ugal Con empo âneo, p ecisamen e num
sub-capí ulo in i ulado “Renascimen o”:
Ago a, em Lisboa, o eno ado dos es udos, che e da no a escola, c ia a a
«sociedade p opagado a dos conhecimen os ú eis», cujo ó gão, o Pano ama, adqui ia
uma ci culação ex ao diná ia. Não ha ia ou a coisa que le , e le começa a a se
moda ma sociedade das luzes, como diziam, em i onia e despei o, os an igos. O
Pano ama azia bonecos e ecei as, além de aze os es udos iniciado es da adição
no a, assinados «A.H.»33
De ac o, e demons a i o de que O Pano ama oi, possi elmen e, um dos
p imei os e mais exempli ica i os jo nais omân icos34, obse amos que a di ulgação
his ó ica cons i uiu pa e cen al nos seus con eúdos, em pa icula do pe íodo
medie o35. Apesa da di e sidade emá ica, emos que en e 1837 e 1844, os emas
ge ais que me ece am maio di ulgação o am: His ó ia (des acado), Geog a ia e
Li e a u a; num segundo plano, os campos ligados à Técnica, Ag icul u a, Conselhos
ú eis e, não ão espan oso, Anedo as36 (mui o possi elmen e uma o ma de ca i ação
de público, embo a algumas exigissem uma ce a cul u a). Não endo p op iamen e
dados quan i icá eis, podemos conside a pela lei u a das seguin es sé ies que es a
endência man e e-se a é à ex inção do jo nal. A di ulgação his ó ica assumiu,
po ém, di e en es o mas, pois na lei u a dos di e en es a igos que de alguma o ma
ap esen a am uma base his ó ica egis amos di e en es ias. Po um lado, pelo menos
numa ase inicial e pela pena de Alexand e He culano, obse amos um es o ço po
pa e do colabo ado de e lec i , ou p oblema iza , o papel das di e en es ciências
his ó icas. Não deixa de se in e essan e no a que um jo nal que se p opunha se de
32 Fe nando Ca oga - «Alexand e He culano e o his o icismo omân ico». In His ó ia da His ó ia em Po ugal, p. 39.
33 Oli ei a Ma ins - Po ugal Con empo âneo, ol. II. Lisboa: Guima ães & C. a Edi o es, 1979 [1881], p. 112.
34 José Tenga inha - No a his ó ia da imp ensa em Po ugal. Lisboa: Temas e Deba es - Cí culo de Lei o es, 2013 p. 558.
35 Eu ico Gomes Dias - A cons ução da His ó ia Medie al na Imp ensa Pe iódica Po uguesa de Oi ocen os. Lisboa:
INCM, 2011.
36 A. M. Ribei o - Pe iodismo cien i ico e li e á io Român ico: O Pano ama. Sepa a a da e is a Munda, n.º 29. Coimb a,
1995, pp. 69-72.

347
lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
ulga ização ap esen e es e es o ço, embo a, a bem da e dade, bas an e eduzido
no cômpu o ge al dos a igos. Con ém no en an o eco da que a his o iog a ia
mode na, a caminho de uma ce a cien i icidade, começa a a da os p imei os passos.
Possi elmen e, He culano u ilizou es e pe iódico pa a mos a alguns aspec os
me odológicos que u iliza ia mais a de em ob as de maio ôlego. É po isso que,
logo em 1838, dedique alguns a igos à ques ão do Tempo, à sua o denação, is o é,
às C onologias. Re e e que é “ciência, sem a qual não ha e ia mé odo na his ó ia,
is o que ac a dos ac os que se passa am no empo que oi ou que é [...] dis ingui
a sucessão dos empos [...] É es a a c onologia da his ó ia, que sem ela, logo degene a
em ábula, e po consequência deixa de se his ó ia”37.
São á ios os exemplos de di ulgação his ó ica: emos assinaladas
e emé ides; cu iosidades; e ocações de luga es his ó icos com o in ui o de en a
o nece uma isão dos cos umes e, ao mesmo empo, sa is aze a cu iosidade
dos lei o es aí esiden es38; desc ição his ó ica de alguns monumen os nacionais
e a é biog a ias de pe sonagens ilus es. Embo a com p edomínio do pe íodo
medie al, como já se e e iu, O Pano ama assumiu a sua componen e jo nalís ica,
dando conhecimen o de acon ecimen os ela i amen e coe os e ele an es, que
nacionais como es angei os39. As e e ências his ó icas inham, mui as ezes,
bases mui o p agmá icas, como a de esa do pa imónio con a o seu abandono,
signi ica i amen e expos os po He culano40 e con a o andalismo, “O andalismo
é co esão, ci il e a á el. Que não eja um monumen o, e se á o en e mais paci ico
des e mundo”41. Ainda nes e úl imo a igo, Alexand e He culano e e ia que a de esa
des es monumen os e ia uma e en e p odu i a, não só pela iqueza simbólica
e iden i á ia, mas sendo u ilizados no que pode íamos chama hoje de u ismo42.
Es a memó ia his ó ica mobilizada pelos colabo ado es não con inha um
undo me amen e exposi i o. São exempli icado as as pala as de An ónio de
Oli ei a Ma eca,
37 O Pano ama, "Ch onologia I", nº 43, 1838, pp. 58-59. Tem ou o a igo sob e o ema, no núme o 67 do
mesmo ano.
38 Eu ico Dias, op., ci ., p. 58.
39 Po exemplo, O Pano ama, "A in eja que enho ao que isi am a Exposição Uni e sal de Pa is", nº 22, 5ª sé ie,
1867, pp. 174-175
40 O Pano ama, "A A qui ec u a Gó ica", nº 1, 1837, p. 2
41 O Pano ama, "Monumen os II", nº 70, 1838, p. 275.
42 Idem, p. 277.
348 his o iog a ia e es publica
(…) oi ele [O Pano ama] o p imei o que a pa da di usão das ideias de u ilidade
ma e ial, abalhou pa a que enascesse o sen imen o da an iga ene gia e gló ia
nacional, sen imen o amo ecido e quase gas o po dila adas anos de des en u a
e desalen o, e sem cuja enascença não há egene ação possí el, po que se não
começa pela egene eção do homem e do cidadão [...] O Pano ama em p ocu ado
inco po a os desejos e espe anças do u u o com as saudades e adições do belo e
g andioso que enob eceu es a nossa boa e a em e as emo as. Temos a con icção
de que pelo lado mo al é es e o máximo se iço que a imp ensa popula pode aze
à nação, e de que O Pano ama o em ei o.43
Uma pa e subs ancial da memó ia his ó ica mobilizada pelos libe ais oi,
num ce o sen ido, in eg ado a. Assegu a a, apesa do co e com o absolu ismo,
uma con inuidade en e passado-p esen e- u u o, o que e a impo an e numa al u a
poli icamen e ins á el, com e oluções e gue a ci il. É pois nes e sen ido que a
concepção de his ó ia pa en e n´O Pano ama e a ins umen al. A his ó ia não oi
u ilizada apenas na e en e lúdica, de di ulgação, azendo uso da li e a u a e de
ou as a es com sen ido p agmá ico - e p og amá ico -, is o é, ol ada pa a a
o mação cul u al do cidadão. Tendo como pano de undo uma memó ia his ó ica
(cons uída) é ad ogado o seu uso, os seus exemplos melho dizendo, numa c ença
e olu i a do po o po uguês, cump indo, des a o ma, o p opósi o do jo nal.
Vemos e lec idas ou as endências que i iam se uma ma ca no me cado
li e á io e que consubs ancia am a dimensão li e á ia do jo nal44: o omance
his ó ico. Tendo po base ac os ou igu as his ó icas, o omance his ó ico, uma
ped a de oque do ideal omân ico, pa a além do ca ác e lúdico ou ec ea i o,
ep esen a a, segundo He culano, ambém um impo an e papel de di ulgação
his ó ica, “Nós p ocu amos desen anha do esquecimen o a poesia nacional dos
nossos maio es”45. De ac o, em mui o se de eu a in odução des e géne o em
Po ugal a Alexand e He culano, em pa icula com a sua acção nes e jo nal46. Não
con undia, con udo, a his ó ia com a no ela, embo a ap esen asse um modelo mis o,
43 O Pano ama, "In odução", nº 106, 1844, pp. 1-2.
44 O nome comple o do jo nal e a O Pano ama, Jo nal Li e á io e Ins u i o da Sociedade P opagado a dos Conhecimen os Ú eis.
45 O Pano ama, no a, nº 126, 1839, p. 306.
46 Fe nando Ca oga - «Alexand e He culano e o his o icismo omân ico», op. ci ., pp. 42-43.
349
lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
“nis o demos a c ónica; no es uá io com que o en ei ámos, demos o omance”.
Vá ios o am os exemplos de omances- olhe ins (géne o po ezes c i icado po
uma pa e duma eli e in elec ual, exigen es po um ce o ipo de qualidade) nas
páginas d´O Pano ama, endo Alexand e He culano dado um impo an e con ibu o
com, po exemplo,”A as po o o de Espanha”, que começa ia a se di ulgado no
jo nal47, e que, mais a de, em 1851, cons a ia em Lendas e Na a i as48. No en an o,
a ap esen ação de pequenos omances, echos de ex os maio es e pa es de peças
de ea o, e a sem dú ida uma es a égia u ilizada pelos di ec o es dos jo nais como
o ma de ca i a público, como inclusi amen e se ia pa a pe cebe a ecep i idade
des e, de o ma a sabe se ale ia a ança pa a a publicação pos e io do li o49.
A c í ica se iu o mesmo p opósi o - como mediado a do me cado li ei o
-, não podendo se descu ado que os jo nais se ap esen a am como um meio
impo an íssimo pa a a sua exp essão. Nes e sen ido, a c í ica a abalhos de á ia
índole, omance, his o iog á ico, en e ou os, não se encon ou ausen e d´O
Pano ama50. Pelo con á io, são á ios os exemplos, como Alexand e He culano em
o no da ob a Cas ilho, Quad os his ó icos de Po ugal (1838)51. A c í ica ou ecensão
expandiu-se - de o ma não só no iciosa - ao me cado pe iódico, dando no a de
ou as publicações, inclusi amen e conco enciais, como a an e io men e e e ida
Re is a Uni e sal Lisbonense, e que na cuidada esc i a se e e ia que “e se a an o nos
podemos a e e conside á-lo-emos como complemen o do nosso”52.
47 O Pano ama, "A as po o o de Espanha", nº 236, 1841, p. 356-360.
48 Pa a uma isão global da ob a li e á ia de Alexand e He culano, eja-se o ex o de Fe nando Ca oga, acima
ci ado, pp. 44-45.
49 Ma ia Lu des dos San os - «A eli e in elec ual e a di usão do li o nos meados do século XIX». Análise Social,
ol. XXVII, 1992, p. 544.
50 Sé gio Campos Ma os, op. ci , pp. 147-150.
51 O Pano ama, nº 68, 1838, p. 263.
52 O Pano ama, "Bibliog aphia", nº 23, 1842, p. 184.
350 his o iog a ia e es publica
Conside ações inais
É isí el que O Pano ama e lec iu uma es a égia cul u al, sendo lag an e que
a His ó ia cons i uiu uma ped a de oque na no a opinião pública que começa a
a eme gi , esul ado da consolidação do libe alismo e da sensibilidade omân ica.
Sem dú ida, nes e pon o, O Pano ama ep esen ou um impo an e mecanismo de
di ulgação. A ideia de “conhecimen os ú eis” ia, assim, pa a além de conhecimen os
écnicos que ize am pa e das páginas do jo nal - sob e ag icul u a, écnica, en e
ou os. Es a a, pois, em pe spec i a a o mação possí el de um modelo de cidadão
em que a His ó ia, ou melho dizendo o conhecimen o do passado, se ia um alice ce
undamen al. Não con undamos: nas páginas d´O Pano ama não emos uma ia
“saudosis a” do passado, ou uma me a enume ação des e, mas sim um p opósi o
de exemplos que, possi elmen e, se i iam como guião a segui no empo p esen e
(com as de idas dis âncias).
No uni e so da imp ensa pe iódica, O Pano ama oi exemplo pa adigmá ico
da união en e ex o e imagem, ó mula, aliás, econhecida como endo mui o
p o ei o pa a a ca i ação de público, p incipalmen e das classes mais baixas. Ma cou
um empo e cons i uiu um modelo que eio a se seguido po ou os jo nais da
al u a. O impac o que O Pano ama e e oi ão exp essi o que es e se ia eco dado,
anos após a sua ex inção, po ou as igu as da cul u a po uguesa. Como bem
no ou An ónio Manuel Ribei o, o jo nal popula da década de 1830 oi is o com
admi ação e espei o po Ramalho O igão, Joaquim de A aújo, Teó ilo B aga,
Sampaio B uno e Oli ei a Ma ins. Inclusi amen e, O Pano ama e e a hon a de se
mencionado na icção oi ocen is a, como em Eusébio Macá io de Camilo Cas elo
B anco ou na ob a de Eça de Quei oz, A Ilus e casa de Rami es53.
53 An ónio Manuel Ribei o, op. ci ., pp. 74-75.
HISTORIOGRAFIA E RES PUBLICA
Em con ac o com as suas congéne es eu opeias e mui o ma cada pela
he ança clássica e c is ã, a his o iog a ia po uguesa oi a é meados do século
XX um campo p i ilegiado de exp essão de concepções o ganicis as, cen adas
na dico omia p og esso e ou os p é-concei os que êm pe meado os discu sos
sob e a ans o mação social. His o iado es libe ais e posi i is as de di e sos
ma izes con ibuí am pa a acen ua es es en oques. Fo am-se en e an o a i mando
isões c í icas do e olucionismo, assinalando-se con inuidades mas ambém
up u as, di e en es exp essões de esis ência ao posi i ismo, median e um deba e
ansdisciplina que en ol eu abe u a a ou as ciências humanas e múl iplas
o ien ações eó icas: Annales, in e p e ações ma xis as, es u u alismo, linguis ic- u n.
P e ende-se nes a ob a ala ga o conhecimen o ace ca das his o iog a ias
e dos his o iado es dos séculos XIX e XX - sem esquece os seus an eceden es
e endências ecen es como a his ó ia global - nas suas elações com o espaço
público e a cidadania, p oblema iza a sua unção social e cul u al, endo em a enção
as elações ansnacionais e os con ex os em que p oduzi am as suas ob as. A
pa i de ópicos-cha e, ecem-se balanços c í icos sec o iais sob e a his o iog a ia
po uguesa, os modos de ecepção de deba es his ó icos in e nacionais, o luga dos
his o iado es e a o ma como nas suas esc i as, da Re olução libe al à ac ualidade,
se es u u a am olha es sob e Po ugal na sua elação com ou os po os. Em que
medida p esen e e u u o condiciona am a cons ução social do passado? Qual o
ho izon e di e encial que os his o iado es econhece am ao passado? Como lida am
com a acele ação das expe iências do empo?

A colecção His o iog aphica dá a conhece es udos sob e
his o iog a ias e his o iado es, a cons ução de memó ias sociais e
indi iduais e usos ins umen ais do passado - a semp e complexa
elação en e p esen e, passado e u u o, nas suas elações
con ex uais com p oblemas sociais e polí icos. Ab ange múl iplos
empos e geog a ias e incen i a a ap oximação en e di e sas
ciências sociais e humanas.
Di ecção de
Sé gio Campos Ma os & Co adonga Valdaliso
His o iog a ia e Res Publica
Sé gio Campos Ma os e Ma ia Isabel João (o gs.)
2017
His o iog a ia, Cul u a e Polí iCa
na ÉPoCa do VisConde de san a Ém
Daniel Es udan e P o ásio (coo d.)
2018