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A NOVA BIBLIOTECONOMIA NA CIDADE DE LISBOA: es udo de caso sob e a
biblio eca pública O lando Ribei o
THE NEW LIBRARIANSHIP IN THE CITY OF LISBON: a case s udy on he public
lib a y O lando Ribei o
Ma ia Ca mo Ce quei a*1
Ca los Gua dado da Sil a**2
Jo ge Re ez***3
RESUMO
No séc. XXI as biblio ecas êm sido en endidas, em eo ia, como espaços
adminis ados po biblio ecá ios, de supo e à comunidade e onde se p omo e a
acili ação e a c iação de conhecimen o. Con udo, é necessá io en ende se, na
p á ica, se desen ol em e aplicam as no as p opos as eó icas na á ea da
biblio economia. Nes e sen ido, es e es udo p e ende descob i e e idencia , no
con ex o das biblio ecas públicas po uguesas, essas no as o mas de abo dagem,
de o ma a a alia o po encial das biblio ecas e dos biblio ecá ios e a sua capacidade
pa a aze o bem e melho a a sociedade. O enquad amen o eó ico des e ela ó io
de es ágio cen a-se nas p opos as eó icas que de am o igem ao concei o de “no a
biblio economia”, c iado po R. Da id Lankes. Na mesma linha de pensamen o se ão
ambém idos em con a ou os au o es es angei os e po ugueses que êm
abo dado emá icas semelhan es. Com es e es udo p ocu a-se comp eende a
ci culação de ideias, eo ias e p á icas na Ciência da In o mação, median e a
obse ação do quo idiano da Biblio eca pública O lando Ribei o, localizada no bai o
de Telhei as, em Lisboa, e elemen o da ede das BLX. No im, p e ende -se-á
descob i se a “no a biblio economia” é ou pode á se ajus ada à Biblio eca pública
O lando Ribei o e à ealidade po uguesa.
Pala as-cha e: Ciência da In o mação. No a Biblio economia. Biblio eca Pública.
Di ei os Humanos.
ABSTRACT
In he XXI cen u y, lib a ies ha e been unde s ood, in heo y, as lib a ian managed
spaces, as communi y-based spaces and whe e acili a ion and knowledge c ea ion
a e p omo ed. Howe e , i is necessa y o unde s and whe he , in p ac ice, new
heo e ical p oposals in he ield o lib a ianship a e de eloped and applied. In his
sense, his wo k in ends o disco e and s udy, in he con ex o po uguese public
lib a ies, hese new ways o app oach, o e alua e he po en ial o lib a ies and
lib a ians and hei capaci y o do good and imp o e socie y. The heo e ical
amewo k o his in e nship epo ocuses on he heo e ical p oposals ha ga e ise
o he concep o «new lib a ianship», c ea ed by R. Da id Lankes. In he same line
o hough , o he o eign and po uguese au ho s who ha e add essed simila hemes
1* Mes e em Ciências da Documen ação e In o mação, Uni e sidade de Lisboa Faculdade de
Le as.
2** P o esso Dou o Gua dado da Sil a. E-mail: ca losgua [email protected]
3*** Dou o Jo ge Re ez . Uni e sidade de Lisboa, Falculdade de Le as, Cen o de Es udos
Clássicos. E-mail: jo ge e e[email p o ec ed]
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will also be conside ed. This s udy seeks o unde s and he ci cula ion o ideas,
heo ies and p ac ices in In o ma ion Science h ough he obse a ion o he daily li e
o he public lib a y O lando Ribei o, loca ed in he neighbo hood o Telhei as, in
Lisbon, and elemen o he BLX ne wo k. In he end, i will be ied o ind ou i he
«new lib a ianship» is o can be adjus ed o he public lib a y O lando Ribei o and o
he po uguese eali y.
Key wo d: In o ma ion Science. New Lib a ianship. Public Lib a y. Human Righ s.
Submissão: 7 jun. 2019. Ap o ado em: 22 jun. 2019.
1 INTRODUÇÃO
No séc. XXI, as biblio ecas êm sido en endidas, em eo ia, como espaços
adminis ados po biblio ecá ios, de supo e à comunidade e onde se p omo e a
acili ação e a c iação de conhecimen o. Con udo, é necessá io en ende se, na
p á ica, se desen ol em e aplicam as no as p opos as eó icas na á ea da
biblio economia. Nes e sen ido, o es udo a pa i do qual es e a igo oi ei o p e ende
descob i e e idencia , no con ex o das biblio ecas públicas po uguesas, essas
no as o mas de abo dagem, de o ma a a alia o po encial das biblio ecas e dos
biblio ecá ios e a sua capacidade pa a aze o bem e melho a a sociedade.
Tal como Albe o Manguel salien a em A Biblio eca à Noi e, as biblio ecas
podem e á ios signi icados, podendo se is as como “mi o”, “acaso”, “ilha”,
“iden idade”, “la ”, “imaginação” e “esquecimen o”; podem e á ias o mas, sendo
obse adas a pa i do “espaço”, da “o dem”, da “ o ma” e da “somb a”; podem,
ainda, ep esen a um e cei o elemen o, sendo is as como “pode ”, “men e”,
“o icina” e “sob e i ência”. É possí el conclui que cada um des es e mos pode se
uma isão do mundo e uma po ência em suspenso. A comunidade é esponsá el po
cada a ibuição semió ica e os biblio ecá ios pelo modo de aze a biblio economia,
pela es u u a e o ganização da biblio eca e, undamen almen e, pela ação, a qual
di e encia a biblio eca de uma li a ia. É a ação que cons ói a missão social, é a
ação que desen ol e a i idades, é a ação que ence a a pa icipação da comunidade,
é a ação que a a e expõe a in o mação, é a ação que acili a a c iação de
conhecimen o. Sendo essa ação, po sua ez, ges os pos os em p á ica pelos
p o issionais de biblio economia.
Da id Lankes, ao desen ol e os seus es udos em o no da “no a
biblio economia”, p e ende epensa as biblio ecas e a biblio economia, es o çando-
se po epeli o p econcei o que ap esen a as biblio ecas como palácios- inais de
li os e e elando, a pa i de ou a pe spe i a, que as biblio ecas são, ou pode ão
se , cen os de conhecimen o da comunidade. Albe o Manguel ambém a i ma que
“o pode dos lei o es não eside na sua capacidade de euni in o mação, na sua
ap idão pa a o dena e ca aloga , mas no dom de in e p e a , associa e ans o ma
o que lêem” (2016, p. 89). E es a é p ecisamen e uma das ideias p incipais da eo ia
de endida po Lankes, ou seja, o conhecimen o é c iado a a és de elações
in elec uais e con e sas. A ideia de melho a a sociedade a a és da acili ação da
c iação de conhecimen o e a ideia da biblio economia pa icipa i a compõem, assim,
g osso modo, o obje i o da “no a biblio economia”. E, na e dade, o
“empode amen o” da comunidade pode se o alecido a a és da pa icipação an o
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dos biblio ecá ios na ida da comunidade como da comunidade na ida da biblio eca
e dos biblio ecá ios e, ainda, en e os memb os da comunidade. As biblio ecas
podem lu a pelos di ei os humanos e po um mundo mais jus o, iguali á io,
equilib ado e democ á ico, incen i ando a ap endizagem e a pa ilha de ecu sos e
de con e sas, ale ando pa a si uações e acon ecimen os que p ecisam da a enção
dos cidadãos-lei o es, e encon ando a melho manei a de sa is aze as
necessidades de in o mação da comunidade que se em. Po ém as biblio ecas são
ambém espaços que o e ecem a i idades que p omo em a lei u a, que incidem sob
a li e acia e supo am a comunidade a a és da acili ação do espaço e de
con e sas.
Com e ei o, o es udo e e ido em como obje i o ge al p ocu a e explo a
no as ideias e hipó eses, pondo a descobe o no os caminhos, e a e indo, median e
a obse ação do quo idiano da Biblio eca O lando Ribei o (BOR), a ci culação de
ideias, eo ias e p á icas na Ciência da In o mação. Não se p e ende es a ou
con i ma de e minadas hipó eses, mas p opo ciona -se, an es, uma isão ge al das
p oblemá icas a adas, al como da “no a biblio economia”. Como obje i o
especí ico, in en a-se da a conhece a ealidade de uma das biblio ecas públicas da
ede de Biblio ecas de Lisboa (BLX) a pa i da pe spec i a eó ica abo dada e
baseada na expe iência i ida du an e o con a o di e o com a biblio eca obse ada.
E sabe , po úl imo, se a «no a biblio economia» é ou pode á se ajus ada à
ealidade po uguesa. O abalho de in es igação subjacen e a es e a igo e sa um
quad o eó ico cuja emá ica não oi an e io men e es udada, sendo, po an o, um
es udo explo a ó io que usa o es udo de caso como mé odo de abo dagem de
in es igação.
Sublinha-se a impo ância dos dois meses de es ágio pa a a obse ação
ence ada e pa a a ecolha dos dados, an o na o ma de no as de campo como na de
uma g elha de obse ação/análise, es a cons uída p e iamen e. Pelo mesmo mo i o
sublinha-se o empo limi ado do es ágio, o qual pode á e sido insu icien e pa a a
comp eensão o al dos á ios enómenos expe ienciados e ano ados.
2 REVISÃO DE LITERATURA
Em 2004, Inês B asão, Nuno Domingos e Tiago San os discu i am a biblio eca
do u u o. Os biblio ecá ios en e is ados no es udo ealizado po esses au o es
ala am na necessidade da biblio eca do u u o “ i a o na -se um cen o de acesso
ao conhecimen o e à in o mação...e um cen o de ocas, que de conhecimen os,
que de expe iências” (BRASÃO e al., 2004, p. 140). Da id Lankes, em 2011,
a a és da sua ex ensa ob a The a las o new lib a ianship e, depois, em 2015,
a a és de uma e são simpli icada da mesma ob a – The new lib a ianship: ield
guide –, mas, des a ez, sob a o ma de um manual p á ico pa a biblio ecá ios,
desen ol eu uma no a análise sob e as p á icas biblio económicas do séc. XXI e
ap o undou-as no sen ido das necessidades da sociedade. E, pa a isso, c iou o
concei o de “no a biblio economia” e eo izou-o. O a, es e concei o, sob e o qual
Lankes se deb uçou, nada mais é do que alguns biblio ecá ios mais inspi ados já
começa am a ex e io iza . Is o é, o papel do biblio ecá io, e, po sua ez, da
biblio eca, na con empo aneidade.
De uma o ma b e e pode dize -se que o papel do biblio ecá io na
con empo aneidade passa pelo en ol imen o com a sua comunidade, explo ando as
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suas necessidades, alinhando a o ganização da biblio eca com os seus obje i os,
c iando e ab indo possibilidades de ap endizagem e comunicação en e a
comunidade e agindo em con o midade com o empo e as necessidades eais das
pessoas. Ale ando pa a p oblemá icas eme gen es que p ecisam da e lexão dos
cidadãos, ou, pondo apenas em des aque p oblemá icas sob e as quais ale a pena
se deb uça em, uma ez que são do in e esse de odos aqueles que que em um
u u o. C uzando in o mação, c iando e acili ando pon es en e o conhecimen o e
ajudando as pessoas umo às suas necessidades de in o mação, mas não só.
Agindo, ambém, a i amen e pelos di ei os humanos, ajudando as mino ias a
exp essa em-se, os sem-ab igo e os desemp egados, p. ex. O a, no úl imo capí ulo
do li o de B asão, Domingos e San os é e e ida “a biblio eca do u u o”. Es a
conceção, ma e ializada em á ios se iços de apoio, como, p. ex., cu sos de
au oap endizagem, ensino à dis ância, elabo ação de ca álogos de si es, e c., e a
imaginada como “pon o de e e ência da comunidade local enquan o espaço de
libe dade e sociabilidade [...]” (BRASÃO e al., 2004, p. 140). Com e ei o, o concei o
de biblio eca digi al oi ambém sublinhado, como necessidade eme gen e, a im de
cob i as necessidades de in o mação do “público não-p esencial”, sendo p eciso,
pa a isso, man e -se “um a u ado abalho de mediação e selecção de in o mação
ú il” (BRASÃO e al., 2004, p. 140-144). Segundo os au o es e os biblio ecá ios em
ques ão, um dos g andes desa ios é o p oblema do acesso. É essencial a sua
disponibilização; é essencial “descodi ica os sis emas de o ganização dos sis emas
de pesquisa, sis emas esses cons uídos com eg as apu adas ao longo de séculos,
e amen as que o ien am e ecupe am a in o mação de o ma pe inen e quando
p ecisamos dela” (BRASÃO e al., 2004, p. 141). Pa a além, cla o, da u gência da
lexibilização dos ho á ios de acesso à biblio eca, da di e si icação da o e a e da
aquisição de no idades.
Umas das endências de mudança iden i icadas pelos biblio ecá ios é “a de
es e espaço se i ans o mando p og essi amen e em cen o de ecu sos
in o ma i os, sem disc iminação do « ecu so» ou da «in o mação» p es ada. Não
se á pelo a o de a in o mação e mig ado de um supo e pa a o ou o que o u en e
deixa á de lhe acede ” (BRASÃO e al., 2004, p. 141). Com e ei o, a biblio eca de e,
cada ez mais, se uma pa e in eg an e da comunidade em que es á inse ida,
espondendo às suas necessidades a a és do desen ol imen o, p. ex., de p oje os
locais. E é, pois, a pa i da necessidade de in o mação e da sua sa is ação que o
concei o de “cidadania” es á con emplado no concei o de “biblio eca pública”
(BRASÃO e al., 2004, p. 141). Tal como os au o es a i mam, o no o pe il de elação
en e o Es ado e os cidadãos encon a-se undado no p incípio ilosó ico de
“democ a ização de acesso” a um bem público. O conhecimen o é, assim,
ans e sal à sociedade. E é, no undo, a p es ação de um se iço público o e ecido
pela biblio eca, a qual é o símbolo da igualdade de acesso (BRASÃO, e al., 2004, p.
144-145).
Na e dade, “o concei o de biblio eca pública ende a iden i ica -se
p og essi amen e com o de „cen o cul u al‟, já não cen ado no li o, mas no lei o ,
u ilizado ou u en e” (BRASÃO, e al., 2004, p. 144-145), ou, “memb o”, segundo
Lankes, (2011, p. 6), ou, ainda, “clien e”.
Se se ala de biblio ecas públicas é p eciso conhece o público que as
equen a. Po isso é pe inen e dize : «As biblio ecas públicas municipais não êm
“público”, mas “públicos”. Se público não signi ica, como a é há pouco empo, es a
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abe o ao público, mas es a p epa ado pa a esponde a necessidades e in e esses
ex emamen e di e si icados» (BRASÃO, e al., 2004, p. 136). Em 2004, os au o es
diziam que a biblio eca pública po uguesa se encon a a numa ase de cap ação de
lei o es; em 2016, numa en e is a aos ó gãos de comunicação social, Ma ia José
Mou a a i ma que o público po uguês ainda não oi conquis ado (AGÊNCIA LUSA,
2016).
Em 2004, “o p oblema da econ igu ação dos espaços e dis ibuição po
zonas é, des e modo, uma ques ão no a. A di iculdade em encon a um modelo de
e e ência e le e, sob e udo, uma al e ação do concei o de uso [...]” (BRASÃO e al.,
2004, p. 136-137). Com e ei o, a ques ão espacial é um p oblema a ual que es á, de
igual o ma, a se discu ido, con apondo o no o modelo uncional de laze e
ap endizagem ao modelo de conse ação da memó ia.
Em suma, esses são alguns dos pon os que compõem a ideia da “biblio eca
do u u o”. As ob as, já apon adas, esc i as po Da id Lankes (2011, p. 1, adução
do au o ) p ocu am “mos a o caminho a segui aos biblio ecá ios em empos de
g andes desa ios, mudanças e opo unidades. É ambém a a i mação de que não
es á sozinho, não é louco, es á ce o: é sob e ap endizagem, conhecimen o e ação
social”
Lankes (2011, p. 14, adução do au o ), ao longo do seu es udo, sublinha o
a o de se dos biblio ecá ios a seguin e missão e não, pelo con á io, das
biblio ecas: “A missão dos biblio ecá ios é melho a a sociedade a a és da
acili ação da c iação de conhecimen o nas suas comunidades”. O a, essa missão
es á assen e em seis pila es p incipais, a sabe : 1. “A impo ância da isão do
mundo”, 2. “O conhecimen o é c iado a a és de con e sas”, 3. “Meios de
acili ação”, 4. “P essão pa a a pa icipação”, 5. “A impo ância da ação e do
a i ismo», 6. “Compe ências essenciais”. Pa a melho comp eende o concei o de
“no a biblio economia”, ao longo do es udo que deu o igem a es e a igo, oi
undamen al explo a alguns dos e mos usados po Lankes (2015). Da mesma
o ma, ou os au o es ele an es pa a es e es udo o am, po sua ez, elacionados
com a eo ização ence ada.
3 A Biblio eca O lando Ribei o
Telhei as é um bai o u bano da eguesia do Lumia , em Lisboa, que, no ano
de 2003, es emunhou a abe u a da BOR. A cons ução senho ial ag ícola, an igo
Sola da No a, a im de ecebe a Biblio eca, oi em pa e emodelada, em pa e
econs uída, e em pa e p ese ada na o ma da maquina ia da an iga no a e poço.
Es a Biblio eca es abeleceu-se sob uma ideia que isa a supo a aos lei o es
pe manen es “Viagens pela in o mação e pelo conhecimen o” (DAVEAU, 2008, p.
10). Com e ei o, nos á ios espaços ísicos da Biblio eca, cons uí am-se ci cui os do
sabe , delimi ados po salas e, uma ez aí den o, po á eas disciplina es. Es a ideia
nasceu do concei o de iagem. O a, é possí el que a o ganização espacial e ísica
da coleção, que isa a p omo e o encon o com a in o mação, o nando o lei o
num iajan e, não e ele se a mais adequada pa a es a Biblio eca. Essa ideia,
de ido aos espaços p é-de inidos e delimi ados po ci cui os, não pe mi e o
c escimen o e a mo imen ação da coleção.
A biblio eca pública se e as necessidades da comunidade e, com e ei o, se
es a na u almen e se ans o ma, seja po causa do passa do empo seja po causa
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do nascimen o de no as ge ações, de e impo a à p imei a o acompanhamen o da
úl ima. A BOR in eg a a ede das biblio ecas públicas/municipais de Lisboa,
pa ilhando o ca álogo online e á ios se iços, como, p. ex., o emp és imo in e -
biblio ecas. O bom uncionamen o em ede […] cons i ui um dos p incípios cen ais
em que assen a o P og ama Es a égico Biblio eca XXI”, sendo que “a a iculação e
coope ação en e odas as biblio ecas in eg an es da Rede, a complemen a idade e
di e enciação en e as biblio ecas, a pa ilha de ecu sos e de se iços, e a ges ão
coo denada e cen alizada co po izam o uncionamen o em ede […]” (PEBXXI,
2012, p. 2).
3.1 Con ex o es a égico
Em 2012, oi elabo ado o P og ama Es a égico Biblio eca XXI, p opos a de
equali icação da ede de biblio ecas municipais de Lisboa, que em como p opósi o
es u u a a ede de biblio ecas municipais no quad o da es a égia de
desen ol imen o e planeamen o da cidade. De aco do com o ex o do p og ama
es a égico, as úl imas décadas ouxe am impo an es al e ações na missão das
biblio ecas públicas e êm indo a ap esen a , como necessidade, um papel mais
a i o, da pa e que conce ne às biblio ecas, jun o das comunidades que se em. Na
e dade, a eo ia em que es á assen e a isão da ede das BLX e da coo denação e
di eção subjacen e não es á dis an e da isão da “no a biblio economia”. Salien a-se
o concei o de “biblio eca 3.ª ge ação”, ou Thi d Gene a ion Public Lib a ies –
Visiona y Thinking and Se ice De elopmen in Public Lib a ies, de Newman, de
2008. No undo, os concei os de “biblio ecas 3.ª ge ação”, “biblio ecas do séc. XXI”,
“biblio ecas 2.0” ou “biblio ecas do u u o” es ão odos inco po ados uns nos ou os,
e incluem, de uma manei a ou de ou a, o concei o de “no a biblio economia”, o
qual, po sua ez, pa ece inclui odos. Se se obse a bem, odos esses concei os
êm um desejo-obje i o em comum, ou seja, p e endem olha pa a as biblio ecas e
( e)pensá-las à luz da época con empo ânea a pa i daquilo que elas semp e o am
– um en e. Po an o, não in e essa an o o concei o que se usa como o que se az
a pa i dele. Nes a medida, al ez não seja de odo descabido dize -se que a eo ia
subjacen e à “no a biblio economia” pode se a mais comple a, o ganizada e
es u u ada a é à p esen e da a, dado que hou e alguém conscien e que olhou pa a
as biblio ecas e desen ol eu um es udo complexo que, pa a além de con e e
explica as bases eó icas subjacen es aos concei os, consegue guiá-las ao longo da
con empo aneidade, dando-lhes algo que pode se aplicado na p á ica.
O p og ama es a égico consul ou o es udo de Newman, de 2008, mas
ambém ou os, a sabe : 21s Cen u y Lib a ies – Changing Fo ms, Changing
Fu u es, de 2003, ei o em conjun o pela Commission o A chi ec u e, he Buil
En i onmen , Museums, Lib a ies e A chi es Council da G ã-B e anha. Lib a y
De elopmen P og am 2006-2010, ei o po Ki s i Kekki pa a o Minis y o Educa ion
and Cul u e, Depa men o Cul u al, Spo and You h Policy Cul u e and Media
Di ision da Finlândia. Da mesma o ma, as linhas o ien ado as da UNESCO, de
2009, e o documen o o ien ado da IFLA, de 2009, 10 ways o make a public lib ay
wo k: upda e you lib a ies.
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Desc e eu, ambém, b e emen e, as conclusões do ela ó io sob e a ede
BLX, ealizado em 2010, pelo G upo de T abalho pa a a Rede de Biblio ecas
Municipais de Lisboa, chamando a a enção pa a á ias si uações.
Não se pode esquece o QRE – compe ências essenciais pa a a
ap endizagem ao longo da ida –, cujas linhas o ien ado as a ede BLX en a segui .
Es as linhas êm sob a o ma de “compe ências essenciais”.
3.2 Análise e discussão dos dados
Se a pe inência das dico omias, apon adas po LEAL (2015, p. 4), assen a na
necessidade de uma no a es a égia e na con icção de que as biblio ecas públicas
êm den o um eno me po encial e que “podem i a desempenha uma missão
ins i ucional impo an e no desen ol imen o das comunidades em que se inse em”, é
p emen e en ende o modo como, na p á ica, as biblio ecas pode ão agi . Na
e dade, Leal suge e a implemen ação de um no o modelo de o ganização.
Es a suges ão pode se encon ada ambém em ou os au o es: mui o
desen ol ida em Da id Lankes, sublinhada po Ma ia José Mou a, discu ida po
Fe nanda Ribei o, Paulo Lei ão, José An ónio Calix o, Inês B asão, Nuno Domingos
e Tiago San os, en e ou os au o es.
Tal como Lei ão sublinha a necessidade da “biblio eca 2.0”, Leal a i ma que o
elemen o “espaço” de e se híb ido, incluindo an o a dimensão ísica como a i ual
na disponibilização de coleções, se iços e a i idades.
In elizmen e, a BOR ainda se encon a a as ada da ideia da “biblio eca 2.0” e
da dimensão i ual da disponibilização de coleções, se iços e a i idades. A ede
BLX em um ca álogo e um si e com in o mações sob e os á ios se iços e
a i idades, po ém, es es elemen os não pode ão se conside ados como “biblio eca
2.0”. Uma ez que não são pa ilhados de a o com a comunidade, ou seja, es a não
pode colabo a a i amen e, al como Lei ão e Lankes apon am; não con êm um
po encial ans o mado , sendo a isão, po an o, an o do si e como do ca álogo,
ainda es á el e p e isí el, se indo, apenas, como in e mediá io en e a in o mação
e a biblio eca; os biblio ecá ios não in e agem a i amen e na p odução de con eúdos
e se iços com os seus u ilizado es a a és desses elemen os i uais. Não se
explo ando ecu sos associados à Web 2.0, nem podendo, po isso, in eg á-los
ha moniosamen e com os con eúdos adicionais, bem como com os espaços
ísicos, a im de c ia um ambien e de pa icipação e ap endizagem (LEITÃO, 2013,
p. 106-107).
A BOR acolhe á ios públicos, espei a a sua di e sidade e ejei a a ideia do
“lei o cul o”, es ando de po as abe as pa a odos. Con ém, ela i amen e ao
espaço, uma á ea pa a as c ianças e ou a pa a os adul os. A á ea das c ianças é
meno que a dos adul os, ab igando c ianças a é aos 13 anos de idade. Es a á ea
encon a-se di idida, po sua ez, em e mos de coleção e mobiliá io, en e os 0 e os
6 anos e os 7 e os 13 anos.
No que oca às c ianças, o espaço disponí el pode e ela algumas
di iculdades em lida com necessidades di e en es, pois, pa a além de es a em
con a o di e o com a sala in e na dos p o issionais, a coleção ocupa mui o espaço. O
espaço dos 0 aos 6 pode se in e p e ado como um espaço mul iusos, uma ez que
albe ga jogos, b inquedos e li os, e, de quando em ez, a i idades. O espaço dos 7
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aos 13, endo em con a que não é g ande, es á mui o cheio de li os, albe gando,
ainda, compu ado es, mobiliá io e algumas a i idades. Nes a medida, como não há
um depósi o e e i o pa a a coleção in an il, o na-se di ícil libe a espaço. Sendo
es a á ea usada po c ianças a le ou a descob i , g upos de alunos e explicações
escola es, ou as necessidades, como p. ex. á ea pa a ensaios de ea o,
expe iências ou a i idades c ia i as, o nam-se di íceis de sa is aze . De igual o ma,
a á ea dos adul os apon a o mesmo p oblema.
De a o, se não é possí el al e a es u u almen e os edi ícios, de e -se-á
eo ganiza a Biblio eca de um modo uncional.
A BOR, a a és da a umação e da exposição dos ma e iais nas es an es,
podia acili a mais a escolha do lei o . É possí el que a a umação seja mui o densa
de ido à al a de espaço e da quan idade, nes e caso, de li os nas es an es. Há
alguns li os e e is as em exposição, mas são poucos. É di ícil pe ceciona a
sinalé ica, sob e udo a emo í el e de plás ico, colocada nas p a elei as, po que é
mui o pequena. Não há nenhuma in o mação, di e en e da sinalização, ao longo das
salas, sob e o con eúdo dos li os. É cla o que não se pode ep esen a , po .
exemplo, a is icamen e, o con eúdo de odos os li os. Nem é isso que se p e ende.
Po ém, al ez se pudesse elabo a algum ipo de ap esen ação ou ep esen ação do
con eúdo de li os selecionados a a és, p. ex., de a e isual, e de in o mação ú il, a
im de “ o ná-lo mais í ido”. É impo an e que a sinalização, a a umação e a
exposição dos li os diga alguma coisa a quem p ocu a ou obse a.
Pos o is o, é possí el que a BOR ainda não e li a o almen e a ase “as
pessoas azem a biblio eca”, pois es á mui o ocada nos li os, quase dependen e
dos emp és imos, po ém não se pode deixa de sublinha que as a i idades es ão a
al e a esse hábi o. Com e ei o, pa e da mo imen ação que acon ece den o da
Biblio eca é es imulada pelas á ias a i idades.
Leal enuncia que o elemen o “cul u a” de e se um mo i o pa a induzi
compo amen os, suge i al e na i as e seduzi on ades, a a és de uma pos u a
menos ea i a e mais p oa i a. Discussão sob e es e assun o pode se encon ada
ambém em Lankes: nes e pon o, o na-se de ex ema impo ância o con a o e os
ges os dos biblio ecá ios. A BOR é uma ins i uição pa a onde o público ai,
undamen almen e, es uda . Com e ei o, endo em con a o que Lankes diz sob e as
biblio ecas, pode sublinha -se que a BOR não de ia se apenas um local de es udo,
mas ambém um local de deba e abe o e aceso, um local de cul u as, ino ação,
emp eendedo ismo e c ia i idade. Não se p e ende com is o dize que a BOR não
em es es elemen os, mas, que es es podem não e , al ez, uma exp essão
pode osa e ans o mado a.
O elemen o “conhecimen o”, segundo Leal (2005), es á elacionado com as
li e acias, “em especial ele o a li e acia da in o mação, enca ada aqui como o
conjun o das compe ências necessá ias o manuseamen o p oblema izan e da
in o mação de modo a p oduzi no o conhecimen o”, a p omoção da lei u a,
“enquan o p incipal es a égia de o mação de públicos e de in e enção socio-
cul u al”, e a ap endizagem ao longo da ida. Es a ideia pode se encon ada em
á ios au o es ao longo da e isão de li e a u a. Relemb ando Mangas, que ale a
pa a a unção da p omoção da lei u a: “a lei u a de e se uma a i idade
emancipado a, um ins umen o essencial pa a que os indi íduos se possam
econhece como cidadãos, is o é, como de en o es de di ei os e de e es”. Es ando,
nes e sen ido, a li e acia a pa da p omoção da lei u a.
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Rela i amen e à p omoção da lei u a, das li e acias e da ap endizagem ao
longo da ida, a BOR, al como a es an e ede BLX, e, da mesma o ma, os
pa cei os es a égicos, ou ou os, desen ol e eco en emen e a i idades cujos
obje i os encon am-se p e is os pelo QRE. Den o do “P og ama da P omoção da
Lei u a e das Li e acias” há, ainda, o p og ama “Le em odo o lado”, o qual, po sua
ez, p omo e a lei u a e omen a o conhecimen o das á ias li e acias, es imulando o
pensamen o c í ico e a c ia i idade.
Tendo em con a a lis a de e en os, do que acon eceu en e os meses de
e e ei o e ma ço de 2017 apenas na BOR, conclui-se que as a i idades são icas e
di e si icadas e espei am as “compe ências essenciais” p e is as no QRE, embo a
não abo dem odas. Toda ia, po que a obse ação es e e limi ada ao pe íodo en e
e e ei o e ma ço de 2017, é possí el que essas compe ências em al a iessem a
se abo dadas nos meses seguin es, ou já i essem sido nos meses an e io es.
O púbico sénio e, especialmen e, o público adolescen e não encon am
exp essão ou es ão pouco ep esen ados na BOR. Vale a pena salien a que a
a i idade do “T oca le as” é uma ó ima ideia pa a en ol e a comunidade, no
en an o em pouca isibilidade e as pessoas nem semp e es ão segu as sob e o
uncionamen o da mesma.
Leal apon a a “Cidadania” como ou o elemen o es a égico. Es e ema pode
se encon ado, p incipalmen e, em Lankes e em Samek.
Nes e con ex o, a BOR possui uma sala de euniões pa a g upos, po ém a
ma cação p é ia exigida pa a a ocupa limi a a sua u ilização po g upos alea ó ios
ou não eco en es. De a o, há associações que usam essa sala com cons ância,
ou, en ão, pode se usada pa a lançamen os e ap esen ações de li os.
Mui o p o a elmen e, Leal ala sob e a necessidade de a biblio eca passa a
e um modelo pa icipa i o e p oac i o – biblio economia pa icipa i a – sob e a qual
Lankes eo iza, e um sis ema abe o. O modelo de ges ão de e ocaliza -se nas
pessoas, no público. Des e modo, segundo Leal e Lankes, as decisões de em
en ol e o público, abandonando a pos u a cen ada no p óp io sis ema. Leal suge e
que as biblio ecas ecolham ideias dos o çamen os pa icipa i os (LEAL, 2015, p. 6).
Nes e sen ido, de e dize -se que a BOR é um sis ema abe o, embo a ainda
não enha ado ado, na o alidade, uma pos u a p oa i a ou o modelo pa icipa i o. De
a o, há o P og ama de A aliação de Desempenho (PAD), cuja cul u a o ganizacional
de a aliação é cen ada nos lei o es e con ibui pa a a melho ia con ínua da
qualidade dos p odu os e se iços disponibilizados. E es e p og ama já é um g ande
passo pa a as biblio ecas, mas um pequeno passo pa a o público. Pa e do que al a,
na e dade, passa po aplica na p á ica o que o público pede. E, com e ei o, os
pedidos não são descabidos, mas sim necessidades do século XXI. São ges os, em
p incípio simples, que acili a iam a ida das pessoas, como, p. ex., a Biblio eca ab i
mais cedo do que as 10h e echa mais a de do que as 19h (das 8h-23h, p. ex.).
Não esquecendo o ans o no causado pelos malaba ismos ho á ios, como a úl ima
qua a- ei a de cada mês em que a BOR só ab e às 14h, echando na mesma às
19h, e odas as segundas- ei as em que ab e às 13h, echando às 19h. Assim, es a
é uma limi ação que di icul a a abe u a e a lexibilidade do se iço pa a oda a
comunidade.
Se a biblio eca ecebe mui os es udan es, como é o caso da BOR, en ão, é
p eciso concebe um espaço que enha a capacidade de acolhe o es udo. E is o
signi ica disponibiliza e amen as que pe mi am a c iação de con eúdos como, p.
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PEREIRA, Ângela Salguei o. Biblio ecas públicas, esiliência o ganizacional e
e olução conce ual. Ac as cong esso nacional de biblio ecá ios, a qui is as e
documen alis as. n. 11, 2012. Disponí el em: www:
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SAMEK, Toni. Biblio economía y de echos humanos: Una guía pa a el siglo XXI.
Gijón: T ea, 2008.