INSTITUTO POLITÉCNICO DE BEJA
ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO
MESTRADO EM PSICOGERONTOLOGIA COMUNITÁRIA
Tese de Mes ado
A con ibuição da al abe ização pa a o bem-es a da população idosa
Ma ia Ma ga ida Pão Mole Cha neca
Beja, 2014
Mudei a capa e con acapa mais de aco do com as no mas, eja o
egulamen o e co ija em con o midade. A enção o ipo de le a das
capas em que se igual ao do co po do abalho
INSTITUTO POLITÉCNICO DE BEJA
ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO
MESTRADO EM PSICOGERONTOLOGIA COMUNITÁRIA
A con ibuição da al abe ização pa a o bem-es a da população idosa
T abalho O ien ado po :
P o esso a Dou o a Ma ia Te esa Pe ei a dos San os
T abalho elabo ado po :
Ma ia Ma ga ida Pão Mole Cha neca
Beja, 2014
1
Resumo
O p esen e es udo e e como p incipal obje i o in es iga de que o ma a al abe ização
pode con ibui pa a o bem-es a da população idosa. Pa a al, o am compa ados dois
g upos, um al abe izado e ou o não, de ambos os sexos, com idades supe io es a 65
anos. Des a o ma, op ou-se pela amos agem de con eniência.
O ins umen o u ilizado pa a a ecolha de dados oi a en e is a semidi ec i a e com os
esul ados e i icados a a és da análise de con eúdo oi elabo ada uma p opos a de
in e enção.
A p imei a e idência obse ada oi a da esignação. Os idosos anal abe os, habi uados a
uma ida sem le as lidas ou esc i as, mos a am con o midade ace à sua si uação pelo
que, a a és des a in es igação, se p e endeu con ibui pa a a desmis i icação desse
es ado de apa ia ace à ili e acia na idade idosa e e idencia o alo da li e acia nes e
pe íodo da ida pa a o bem es a do se humano.
Pala as-Cha e: Al abe ização; bem-es a ; população idosa; anal abe ismo; li e acia
2
Abs ac
The p esen s udy aimed o in es iga e how li e acy can con ibu e o he well-being o
he elde ly. To his end, wo g oups, one li e a e and an illi e a e one, o bo h sexes,
aged o e 65 yea s, we e compa ed. I was a con enience sampling.
The ins umen used o da a collec ion was he semi-s uc e ed in e iew and he esul s
ob ained h ough he con en analysis we e used o elabo a e a p oposal o in e en ion.
The i s e idence obse ed, was esigna ion. The illi e a e elde ly, accus omed o a li e
wi hou eading o w i ing le e s, showed acco dingly o cope wi h hei
si ua ion.The e o e, h ough his esea ch, i was mean o con ibu e o he
demys i ica ion o his s a e o apa hy in he ace o illi e acy in old age and o highligh
he alue o li e acy in his pe iod o li e o human well-being.
Keywo ds: Li e acy; well-being; elde ly popula ion; illi e acy; li e acy
3
Ag adecimen os
Os meus econhecidos ag adecimen os ão pa a odos aqueles que, de alguma
manei a, con ibui am pa a a conc e ização des a ão impo an e e signi ica i a e apa da
minha ida.
O p imei o ag adecimen o ai pa a a Dou o a Ma ia Te esa Pe ei a dos San os
que se mos ou disponí el, sendo um elemen o undamen al na execução des a e apa.
Ag adeço especialmen e aos onze en e is ados que se mos a am disponí eis a
pa icipa no p esen e es udo, sendo os seus es emunhos imp escindí eis.
Em e cei o luga ag adeço ambém aos p o esso es e colegas que me
ansmi i am mui os conhecimen os impo an es du an e a especialização em
Psicoge on ologia Comuni á ia que o am indispensá eis pa a conclui o p esen e
p oje o de In e enção.
O qua o ag adecimen o ai pa a duas uncioná ias do Ins i u o Poli écnico de
Beja, a p imei a Ma ia Ca olina Machado Lima e a segunda D. Fe nanda Sousa que se
mos a am semp e disponí eis pa a qualque escla ecimen o.
Gos a ia de aze um ag adecimen o especial a duas amigas, Susana Mau ício e
Ângela Espadanei a, que o am mui o impo an es pa a a inalização des e p ocesso.
Ag adeço a odos os meus amilia es que, di e a ou indi e amen e es i e am
p esen es, especialmen e aos meus pais, i mã e ilho que são um g ande pila da minha
ida, sendo o meu ilho o meu g ande amo . Um mui o ob igado!
4
Lu emos po um mundo no o… um mundo bom que a odos assegu a o ensejo de
abalho, que dê u u o a ju en ude e segu ança à elhice.
(Cha les Chaplin)
5
Índice
In odução ..................................................................................................................................... 7
I. Enquad amen o Teó ico ............................................................................................................. 9
1. O En elhecimen o Humano e Demog á ico ......................................................................... 9
1.1 En elhecimen o bem-sucedido...................................................................................... 12
1.2 Qualidade de ida na pessoa ......................................................................................... 17
2. Educação na idade idosa ................................................................................................. 22
2.1 Educação Não Fo mal ................................................................................................... 27
2.2 Anal abe ismo, Ili e acia e Li e acia ............................................................................. 29
2.3 Li e acia e ap endizagem da lei u a e da esc i a ............................................................ 32
2.4 Li e acia e Cidadania ..................................................................................................... 33
2.5 Mo i ações e expe a i as .............................................................................................. 35
2.6 O Mé odo de Paulo F ei e ............................................................................................. 39
2.7 Li e a u a como eículo pa a o conhecimen o e pa a o desen ol imen o pessoal ........ 40
2.8 Exemplos de boas p á icas de al abe ização .................................................................. 42
Associação de Desen ol imen o Comuni á io de S. Miguel de Machede .......................... 42
II. Es udo Empí ico ..................................................................................................................... 47
1- O igem e Fundamen ação do P oblema de In es igação ................................................ 47
2- Me odologia ........................................................................................................................ 49
2.1 Pe gun a de in es igação ............................................................................................... 52
2.2 Hipó eses de in es igação ............................................................................................. 53
2.3 Amos a: cons i uição e ca ac e ização ......................................................................... 54
3 – Ins umen o e p ocedimen os ........................................................................................ 58
Cons angimen os ine en es ao ins umen o ........................................................................ 6 0
III. Análise e discussão de esul ados .......................................................................................... 6 1
1- T a amen o de dados e análise dos esul ados .................................................................... 61
1.1 Ca ac e ização sócio-demog á ica dos ge on es .......................................................... 61
1.2 Comp eende a i ência dos ge on es .......................................................................... 63
1.3 A alia os conhecimen os dos ge on es……………………………………………….68
1.4 A alia as expe iências e p e e ências dos ge on es .................................................... 75
IV. P opos a de In e enção ........................................................................................................ 77
1.Fundamen ação da necessidade de in e enção ................................................................... 77
Conclusões .................................................................................................................................. 81
Re e ências Bibliog á icas .......................................................................................................... 83
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Índice de Quad os
Quad o nº. 1: Ca a e ização dos en e is ados quan o à idade, sexo, es ado ci il, habili ações
li e á ias e p o issão. – Ca a e ização socio – geog á ica………………………………………61
Quad o nº. 2: Relacionamen o in e pessoal dos en e is ados ………………………………...63
Quad o nº.3: Sal agua da da p i acidade……………………………………………………...66
Quad o nº. 4: Pa icipação em a i idades sócio-cul u ais……………………………………...67
Quad o nº. 5: Impo ância da al abe ização…………………………………………………….69
Quad o nº. 6: Momen os em que a lei u a e a esc i a são impo an es………………………….71
Quad o nº. 7: Razões pa a a não al abe ização………………………………………………….72
Quad o nº.8: Razões pa a a in e upção dos es udos……………………………………………73
Quad o nº. 9: As p incipais p e ensões dos ge on es……………………………………………75
Índice de apêndices
Apêndice I: Guião da en e is a
Apêndice II: En e is as semi-di ec i as ealizadas aos ge on es
7
In odução
Mais do que um di ei o ou um p i ilégio, a educação em que se conside ada, acima
de udo como uma necessidade pa a odos, sejam mais ou menos jo ens, dado que no
mundo a ual há que en en a a mudança a um i mo cada ez mais acele ado na amília,
no emp ego, na comunidade.
A al abe ização na e cei a idade ab ange equisi os de e minan es que de em se
abalhados pa a uma melho ap endizagem, no sen ido de que os a o es sociais,
cul u ais e pessoais exe çam g ande impo ância nesse p ocesso.
Os idosos que man êm a pa e cogni i a em a i idade i em du an e mais empo e
com melho qualidade de ida. Segundo To qua o e San ana (2011), a lei u a é
conside ada como impo an e pa a o aumen a dos ganhos cogni i os, ais como a
memó ia e melho a as ações mo o as.
Po ugal é um dos países da Eu opa com uma axa mais ele ada de idosos, endo
mesmo endência a aumen a com o deco e dos anos. Sendo assim, e po ainda se
e i ica um conside á el núme o de anal abe os, podemos dize que a al abe ização na
e cei a idade e á de passa a se um assun o cada ez mais abo dado. Exis em alguns
p oje os com cujo obje i o é al abe iza mas a in o mação ainda é mui o escassa e po
ezes, es es p oje os não são acessí eis a oda a população idosa pois mui os ainda
i em isolados.
A escolha des e ema de e-se ao ac o, de ainda exis i em nos dias de hoje, idosos
anal abe os.
A p esen e in es igação p e ende esponde à seguin e ques ão, de que o ma é que a
al abe ização na e cei a idade pode con ibui pa a o bem-es a da população idosa,
endo como obje i o p incipal comp eende a impo ância da al abe ização na 3ª Idade.
Des a o ma, analisa de que o ma o anal abe ismo é i ido e ep esen ado pelos
idosos, que a ní el emocional como psicológico; comp eende po que é que se
anal abe o pode se mo i o de disc iminação e pe cebe de que o ma é que a
al abe ização pode in luencia a con iança e au oes ima dos idosos.
A in es igação que a segui se ap esen a es á di idida em ês pa es p incipais e
es u u ado da seguin e o ma:
Na p imei a pa e, cons a o Enquad amen o Teó ico onde se á e a ado o ema assim
como os concei os a si associados.
14
Bal es (1990) desen ol e am. Segundo es e modelo, explicado e ci ado po Ce a o e
T ocóniz (1998), a pessoa de e aze uma seleção daquilo que conside a mais
impo an e e in e essan e na sua ida e abalha no sen ido da o imização desses
ecu sos conseguindo assim colma a as pe das biológicas, psicológicas e sócio-
económicas que oco e am com o en elhecimen o.
Mas es a não é o ma única, nem mágica, de enca a o en elhecimen o e aze
dele uma ase de sucesso na ida do indi íduo. De ac o, e al como apon ou Fonseca
(2005), não há uma única o ma de en elhece com sucesso já que são mui os os
caminhos que le am a esse des ino e as o mas de os pe co e ambém podem oma os
mais a iados o ma os. Es a mul iplicidade é o que pe mi e ao au o ci ado a i ma que
di e en es pessoas podem alcança a mesma sa is ação de ida e um sucesso idên ico
(Fonseca, 2005).
Pa a Fon aine (2000) en elhece de o ma bem sucedida implica a coexis ência
de ês ca ego ias de a o es sendo a p imei a a minimização ao máximo da
p obabilidade de con ai doenças, sob e udo aquelas que condicionam a au onomia do
indi íduo. A segunda das ca ego ias apon adas po Fon aine é a manu enção de um
ele ado ní el uncional no plano ísico e cogni i o e, inalmen e, o au o p opõe que se
apos e na conse ação da a i idade social e do bem-es a subje i o.
Se i e mos em con a as pala as de Fon aine e a ealidade com que nos
depa amos quando se a a de a alia a elhice emos que a noção ge al da má
qualidade de ida apa ece semp e associada a ques ões de dependência, que esul a
an o das al e ações biológicas como das exigências sociais a que os idosos es ão
sujei os, e au onomia. Nes e âmbi o a dependência pode se enca ada segundo ês
pe spe i as, iden i icadas po Bal es e Sil e be g (1994). Segundo es es a dependência
pode se do ipo es u u ada, ísica ou compo amen al. O p imei o des es ipos de
dependência diz espei o ao alo a ibuído ao indi íduo e ao ac o de es e se
de e minado pela pa icipação no p ocesso p odu i o; o segundo e ela-se na
incapacidade uncional indi idual que in e e e na ealização de a i idades da ida
quo idiana e o e cei o, é independen e das capacidades indi iduais sendo socialmen e
induzido embo a enha uma o e ligação com as capacidades ísicas de cada um.
Tendo em con a udo o que a é ago a se disse podemos a i ma que a elação
en e o en elhecimen o e o sucesso é pa adoxal pois, como já imos, o en elhecimen o
ep esen a-se a a és de um quad o de pe das, de declínio e, ine i a elmen e, de
ap oximação da mo e ao passo que o sucesso nos eme e, pe si, pa a noções de ganhos
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e balanços posi i os. É po isso que a a e a de iden i icação de indicado es pa a um
en elhecimen o bem sucedido não pode se omada de ânimo le e, chegando mesmo a
se complexa pois que ela implica a in e ação de múl iplos c i é ios. Nes a equação
en a em linha de con a as pa celas da longe idade; da saúde ísica e da saúde men al;
da e icácia cogni i a; das compe ências sociais e da p odu i idade e ambém a do
con olo pessoas e bem-es a subje i o.
Pa a Né i (1993), o concei o de elhice bem-sucedida az implíci a a noção de
ealização do po encial que cada um em pa a alcança o bem-es a ísico, social e
psicológico a aliado como adequado pelo indi íduo e pelo seu g upo de idade e, a
manu enção da compe ência em domínios selecionados do uncionamen o, po meio de
mecanismos de compensação e o imização.
O conjun o de idosos que pe azem uma população maio de 65 anos não é
homogéneo. Os indi íduos di e em en e si, mesmo sendo memb os de uma
comunidade comum. Di e em ao ní el do uncionamen o global e ambém na
capacidade de conhece mudanças ambien ais in e nas e ex e nas à medida que a elhice
acon ece a a ança. A capacidade de adap ação a esse sucede de mudanças é o que
condiciona a p obabilidade de um idoso i a in eg a -se no g upo dos “bem sucedidos”.
Pa a se adap a com sucesso o idoso pode i a e que ado a es a égias de acei ação de
ecu sos adicionais ou de no os mecanismos de coping.
Bal es e Bal es (1990) desenha am um modelo daquilo que conside am se a
elhice bem-sucedida, de inindo-o como modelo de o imização sele i a po
compensação onde a p ocu a de um ele ado ní el de ganhos se opõe à necessidade de
e i a as pe das deco en es do p ocesso de en elhecimen o. De aco do com o modelo
que es es au o es ap esen am a elhice bem-sucedida si ua-se en e ês p ocessos: a
seleção; a o imização e a compensação. No p ocesso de seleção o idoso de e á
especializa -se em de e minados egis os de a i idades ísica e in elec uais; no p ocesso
de o imização as a i idades selecionadas se ão abalhadas em consonância com a
e icácia pessoal e, no p ocesso de compensação, o idoso ai en a compensa da melho
o ma possí el as aculdades que oi pe dendo com o co e do empo. Na sequência da
ap esen ação e explicação do seu modelo Bal es e Bal es (1990) concluí am que a
elhice bem-sucedida esul a da coo denação des es ês p ocessos pois que po ela as
pe das são compensadas pelos ganhos.
Leh (1998 ci in Paúl & Fonseca, 2005), po seu u no, impu a o
en elhecimen o bem-sucedido, ísica e psicologicamen e, a a o es de múl ipla o dem, a
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sabe : gené icos; biológicos; ecológicos; ambien ais e de socialização; de in e ação
social; de pe sonalidade; de in eligência e in e esses pessoais; de educação; de cul u a e
ocupação; de nu ição e, inalmen e, de saúde e a i idade ísica. Segundo a isão des e
au o en elhece com sucesso signi ica ado a es a égias de coping adequadas pa a
lida com os desa ios ine en es ao p ocesso de en elhecimen o. E embo a es as
conclusões nos possam pa ece ób ias e lógicas a ealidade a as a-nos des a en ação
indu i a pois que, al como lemb am Paúl, Fonseca, Ma ín e Amado (2003, p. 166):
“a esignação com a ida e com o des ino é um sen imen o mui o comum en e
os po ugueses, especialmen e en e os idosos. Es e sen imen o, em conjun o com uma
p o unda a i ude eligiosa, de ine a imagem dos idosos que en elhecem com sucesso”.
De ac o, no nosso país, a isão do en elhecimen o bem-sucedido e a é da
qualidade de ida, concei o que mais à en e explo a emos, es á in imamen e ligada a
essa capacidade de esiliência às mais a iadas us ações e pe das a que os indi íduos
são sujei os ao longo da suas idas, ao mesmo empo que se ajus am e adap am às
ci cuns âncias que condiciona am as suas caminhadas pa a a idade madu a.
Sendo es a a ealidade com que nos depa amos é pe inen e que se coloque a
ques ão “de que se e i e mais anos se es es são i idos de o ma penosa, com
so imen o?” (Fe nández-Balles e os, 2002, ci in Paúl & Fonseca, 2005, p.14) al como
ez Fe nández-Balles e os. A única o ma de con o na a pe gun a e lhe da espos a é
c ia condições que a o eçam um en elhecimen o bem-sucedido dando “mais ida aos
anos e não mais anos à ida” (Fe nández-Balles e os, 2002, ci in Paúl & Fonseca,
2005, p. 15). Segundo a O ganização Mundial de Saúde (OMS, 1994) a espos a a es as
indagações passa pela melho ia da qualidade de ida dos idosos a a és da
implemen ação de um p ocesso de o imização das opo unidades pa a a saúde, pa a a
pa icipação social e pa a a segu ança. Pelo que se dep eende das o ien ações a ançadas
po es e o ganismo in e nacional o concei o de en elhecimen o bem-sucedido es á
in imamen e ligado ao que se conside a se o en elhecimen o a i o, sendo es e úl imo
explicado como o aumen o da expec a i a de uma ida saudá el e de qualidade que
conside a ês á eas p incipais de in e enção: a biológica, a in elec ual e a emocional.
O en elhecimen o a i o é en ão, de aco do com o que de ende Ma ques (2010),
“o p ocesso de o imiza as opo unidades pa a a saúde; pa icipação social e segu ança”
(Ma ques, 2010, p. 30).
Es as di e izes cons i uem o g ande desa io polí ico e social da a ualidade. É um
desa io que passa pela en a i a de encon a uma si uação de equilíb io en e as ês
17
p incipais á eas que se in e elacionam na concep ualização do en elhecimen o bem-
sucedido: a p omoção da saúde e a c iação de sis emas de apoio o mal e de apoio
in o mal aos mais elhos.
1.2 Qualidade de ida na pessoa
Sob o pon o de is a e imológico os concei os de Qualidade de Vida e Bem-es a
pa ecem es a associados e a é mesmo a al u a em que ambos são usados pela p imei a
ez é mui o p óxima, ambas na década de 60 do século XX. No en an o, embo a ainda
en ol a numa polissemia exp essi a, a exp essão “qualidade de ida” é mais la a, capaz
de se signi ica de o ma di e en e a uma mul iplicidade de pessoas di e en es (Ca ei a
2008).
O concei o de qualidade de ida é abs a o e em em con a a pessoa enquan o se
ou sis ema i o e em ação, dizendo espei o a esse se i o e à sua capacidade de se
au o egula em unção das espos as que em que da pe an e o ambien e e as pessoas
que o ci cundam (Pa ei a 2006).
Apesa de amplamen e di undido nos dias que co em ainda não se pode p ecisa
com exa idão o nascimen o da exp essão sob e que ago a nos deb uçamos mas udo
apon a pa a que enha nascido no pós- segunda g ande gue a e nos países
desen ol idos (Bech, 1993). Nessa al u a o concei o di eciona a-se a ques ões
economicis as e só passou a se abo dado sob a pe spe i a académica na década de 60
sendo que, das p imei as ezes que apa ece na li e a u a de in es igação oi sob a
chancela dos in es igado es Campbell, Con e se e Rodge s (1976), e e idos po Bech
(1993) que o usa am na en a i a de explica expe iências elacionadas com o que en ão
i iam a chama de qualidade de ida. Pa a al, es es in es igado es iden i ica am 12
domínios ep esen a i os da qualidade de ida, a sabe : a saúde; a ida amilia ; as
amizades; o emp ego; a habi ação; o casamen o; o go e no; a comunidade; a é; as
a i idades de laze ; a si uação inancei a e a pa icipação em o ganizações.
Alguns anos mais a de Flanagan (1982) desc e eu a qualidade de ida a pa i
de 15 domínios ag upá eis segundo as ca ego ias de bem-es a ísico, ma e ial e social;
de elações com as ou as pessoas; do desen ol imen o e das elações pessoais; da
comunidade e das a i idades cí icas e de ec eação. A pa i des a al u a o concei o
expande-se e passa a se u ilizado numa mul iplicidade de quad an es que o am desde a
psicologia à li e a u a, passando pelo jo nalismo mas ambém pela sociologia, pela
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eligião, pela medicina, pela economia e a é mesmo pela ecologia, en e ou as. Es a
mul iplicidade de aplicações que o am dadas ao concei o ie am con e i -lhe um
es a u o de in e esse ge al e in eg á-lo naquilo a que se chama de senso comum
(Bowling, 2001). No en an o, e apesa des a ão la a ab angência o concei o não pe deu
o denominado comum do in e esse pelo bem-es a das populações (Viei a, 2002).
Do pon o de is a da ge on ologia, aquele que mais impo a pa a o es udo que
ago a desen ol emos, o concei o de qualidade de ida eme e-nos pa a o
en elhecimen o bem-sucedido e oca-se na sa is ação com a ida, na sa is ação mo al e
na mo i ação pa a uma ida a i a. Ainda assim, con inua a se uma exp essão di ícil de
sin e iza do pon o de is a da li e a u a. Ruiz (2001), po exemplo, a i ma que a
qualidade de ida pode se en endida a a és da di e ença egis ada en e o se e o
deseja ou o se e o ideal. Segundo es a au o a a qualidade de ida, aqui ap esen ada
com uma componen e cla amen e subje i a, em a e com a saúde mas não es á
o almen e comp ome ida com ela, pois ambém diz espei o ao ambien e, ao salá io, ou
à e o ma, e ao es ilo de ida.
Já pa a Leal (2008, p.7) es e é um concei o “complexo, ambíguo, la o, olú el”
di e en e em cada cul u a, a cada época e desigual a é mesmo de indi íduo pa a
indi íduo. De aco do com a pe spe i a de endida a complexidade é ainda maio se
conside a mos que a é mesmo no que diz espei o aos indi íduos o concei o ende a
modi ica -se à medida que as idas luem. “O que hoje é boa qualidade de ida, pode
não e sido on em e pode á não se daqui a algum empo” (Leal, 2008, p. 8). Assim, e
na sequência des a lógica Leal (2008) a i ma que a “a qualidade de ida es á
di e amen e elacionada com a pe ceção que cada um em de si e dos ou os, do mundo
que o odeia e que pode se a aliada median e c i é ios ap op iados, ais como a
educação, a o mação de base, a a i idade p o issional, as compe ências adqui idas, a
esiliência pessoal, o o imismo, as necessidades pessoais e a saúde” (Leal, 2008, p.14).
Con inuando a obse a o concei o à luz dos es udos de Leal e en ando
di eciona o oco do que a au o a nos ansmi e pa a o ce ne do nosso es udo, (a
lemb a : a qualidade de ida dos ge on es), de emos ainda e em con a que pa a es a
au o a a qualidade de ida se explica num âmbi o mul idimensional (biológico,
psicológico, económico e cul u al) e que, na pe spe i a biológica o concei o é en endido
como “a pe ceção que o indi íduo possuí da a eção ísica” (Leal, 2008, p. 16) ou seja,
da “capacidade que supõe e pa a ealiza de e minadas a e as” (idem). Na ó ica da
economia a qualidade de ida é en endida em unção do supo e inancei o e dos bens
19
ma e iais que cada indi íduo em, sendo que aqui, nes e quad o, o en oque ambém é
colocado na o ma como o indi íduo alo iza esses bens de que dispõe. Nes e âmbi o a
qualidade de ida não se desc e e pela quan idade mas, p incipalmen e, pelos
sen imen os do indi íduo em elação à quan idade.
Já sob a pe spe i a cul u al a au o a de ende que es a se ai al e ando à medida
que os anos passam e em “ unção das exigências da sociedade, do desen ol imen o da
ecnologia e da ciência, e do p óp io pode económico”. Finalmen e na análise que az à
qualidade de ida na pe spe i a psicológica, Leal (2008, p. 23) de ende que es a
“depende o almen e da pe sonalidade de cada um”, podendo, no en an o, se
sis ema izada como a “au oes ima e o espei o pelo seu semelhan e, sabe ul apassa as
ad e sidades da ida man endo o equilíb io men al, é sabe ap o ei a os momen os de
elicidade, é sabe man e elações sociais, é e boas expec a i as em elação ao u u o,
é ajuda o p óximo, é se iel a si p óp io, é gos a da ida” (Leal, 2008, p. 24).
Quando conside ado sob o pon o de is a da ge on ologia, e de aco do com a
p opos a de Vecchia e al. (2005) o concei o ap esen a-se elacionado com a au oes ima,
com o bem-es a pessoal, com a capacidade uncional, com o ní el sócio-económico, o
es ado emocional, a in e ação social, a a i idade in elec ual, o au ocuidado, o supo e
amilia , o p óp io es ado de saúde, os alo es cul u ais, é icos e a eligiosidade, o es ilo
de ida, a sa is ação com o emp ego e/ou com a i idades diá ias e o ambien e em que se
i e (Vecchia e al., 2005).
Tal como acon ece com o concei o qualidade de ida a eigado de ques ões
e á ias ambém quando é le ada em con a enquad ado na e cei a idade ele apa ece
en ol o numa mul iplicidade conce ual e de e se analisado na sua pe spe i a global e
na pe spe i a indi idual a é po que “o ac o indi idual su ge como de e minan e pa a
se a i ma a exis ência de um caminho único de en elhecimen o, podendo di e en es
pessoas pe co e em di e en es pe cu sos de en elhecimen o com uma idên ica
qualidade de ida” (Fonseca, 2005)).
Na en a i a de escla ece es as pa es eó icas inculadas a um nexo comum e
ambém de as sin e iza , nunca esquecendo o quão complexo o concei o é, podemos
en ão a ança pa a a de inição p opos a pela Fundação MacA hu (1984-1998) segundo
a qual en elhece com qualidade de ida é “man e um baixo isco de doença, man e
um uncionamen o ísico e men al ele ado e man e um en ol imen o/comp omisso
a i o com a ida” (Fundação MacA hu , 1984-1998).
20
Es a p opos a de escla ecimen o do concei o, que p ima, en e ou os mo i os,
pela cla eza e capacidade de sín ese, não se dis ancia mui o daquela que a OMS
di ulgou, e que, ambém a conside ando na pe spe i a do en elhecimen o saudá el, se
aduz no seguin e: Qualidade de ida é a pe ceção que o indi íduo em da sua posição
na ida den o do con ex o da sua cul u a e do sis ema de alo es de onde i e, e em
elação aos seus obje i os, expec a i as, pad ões e p eocupações. T a a-se de um
concei o mui o amplo, que inco po a de uma manei a complexa a saúde ísica de uma
pessoa, o seu es ado psicológico, o seu ní el de dependência, as suas elações sociais, as
suas c enças e a elação com ca ac e ís icas p oeminen es do ambien e (OMS, 1994).
Pa a a OMS es es de e minan es de qualidade de ida dos indi íduos ão sendo ixados
à medida que es e en elhece e ai dando con a da sua capacidade de man e , ou não,
au onomia e independência (OMS, 1994).
Fei a es a esenha da li e a u a ace ca do e mo qualidade de ida e das suas
implicações jun o da população mais en elhecida, deixando ainda em pa ên ese a
in o mação de que o am deixados de o a com p opósi o sin é ico os indicado es de
e e ência pa a a qualidade de ida e a sua explicação, amos ago a abo da o concei o a
pa i do con ex o que mais nos in e essa es uda , o po uguês. Ao liga os e o es des e
pano ama, (qualidade de ida – Po ugal), o e mo que sal a imedia amen e à is a dos
in es igado es Fonseca e al. (2003) é o de “ esignação”, pois, al como de ende es a é a
e minologia que melho explica as di e enças que sepa am os idosos po ugueses de
odos os ou os que habi am no no e da Eu opa. Fonseca e al. (2003) explica que “ao
con á io ce amen e daquilo que sucede nos países do no e da Eu opa a esignação
com a ida e com o des ino é um sen imen o mui o comum en e os po ugueses,
especialmen e en e os idosos. Es e sen imen o, em conjun o com uma p o unda a i ude
eligiosa, de ine a imagem dos idosos que en elhecem com sucesso” (Fonseca e al.,
2003).
Ou o dos pa âme os que es es au o es conside a am na sua a aliação à
qualidade de ida do ge on e po uguês oi a solidão. Na e dade não pa ece possí el,
nos dias que co em ala de qualidade de ida e de idosos sem que se ac escen e ao
ema es e a o que em sido al o de a enção an o po pa e de in es igado es como da
sociedade em ge al. No âmbi o da a aliação dos impac os que a solidão em sob e a
qualidade de ida das pessoas idosas Fonseca e al. (2005) chega am à conclusão de que
es e pa âme o em incidências di e en es quando a aliado sob o pon o de is a dos
21
idosos que i em em comunidades u banas e os que i em em comunidades u ais,
sendo que se sen em mui o mais só os p imei os.
As g andes di e enças en e o u al e o u bano no que espei a ao ambien e ísico
e social, à his ó ia de ida e ao es ilo de ida dos indi íduos, pa ecem in e e i no
sen imen o que deno a a solidão. Pa a além do que se diz a ás, as a i udes em elação ao
p óp io en elhecimen o são conside adas nega i as nos idosos u banos e o mesmo
acon ece com os sen imen os de ansiedade e agi ação. Já os idosos u ais ap esen am
uma condição em elação ao en elhecimen o com qualidade mais posi i a mos ando
se mais a i os e au ónomos. Segundo Paúl (2005) nes e g upo de ge on es as p incipais
ansições da ida acon ecem com mais sua idade sem p o oca o u as assinalá eis.
Le ando em con a odos es es a o es Fonseca (2005) p opõe que se ado em um
conjun o de es a égias que isam a p omoção da qualidade de ida dos indi íduos
idosos e que possam ga an i que a passagem dos anos, nes a úl ima ase de ida, oco a
de o ma se ena. As medidas p opos as são as que se ap esen am a segui :
x “Es abelece a i idades que acili em a ansição da ida p o issional
pa a a e o ma de uma o ma pací ica;
x P ocu a en ol e os indi íduos não a i os em a i idades e p oje os
cul u ais, sociais e a ins;
x E i a a di adu a do elógio social;
x Não cai na a madilha da idade;
x Es imula as capacidades cogni i as;
x E i a o isolamen o e p omo e a ligação aos ou os;
x In es i nas elações in e ge acionais;
x P omo e meios que p opo cionem aos idosos a manu enção de um es ilo
de ida saudá el;
x P omo e as a i udes posi i as e o imis as ace à ida.” (Fonseca, 2005,
p. 65)
Assim emos que, se o na necessá io cons ui e implemen a um conjun o de
espos as di e si icadas, adequadas e acessí eis que pe mi am que o ge on e alcance
p og essi amen e uma cada ez maio qualidade de ida.
A ualmen e já exis em á ios se iços e polí icas di ecionadas pa a o
en elhecimen o, sob e udo ao ní el da saúde e dos cuidados con inuados, mas ica em
22
abe o a ques ão de se sabe se es es são su icien es e, sob e udo, se es ão di ecionados
pa a as necessidades des e público-al o.
2. Educação na idade idosa
A educação é um di ei o cons i ucional a e o à e cei a idade no Capí ulo III
(Di ei os e de e es cul u ais), n.º 1 do a igo 73.º da Cons i uição da República
Po uguesa (CRP).
O ex o cons i ucional que ga an e o di ei o à educação dos idosos é lacónico
“ odos êm di ei o à educação e à cul u a” (CRP, cap. III, A . 73, n.º 1) mas es a
de e minação ai mais longe e explica-se melho logo no núme o seguin e do mesmo
a igo onde se lê: “o Es ado p omo e a democ a ização da educação e as demais
condições pa a que a educação, ealizada a a és da escola e de ou os meios
o ma i os, con ibua pa a a igualdade de opo unidades, a supe ação das desigualdades
económicas, sociais e cul u ais, o desen ol imen o da pe sonalidade e do espí i o de
ole ância, de comp eensão mú ua, de solida iedade e de esponsabilidade, pa a o
p og esso social e pa a a pa icipação democ á ica na ida colec i a.” (CRP, cap. III,
A . 73, n.º 2).
Pe an e es as de e minações cons i ucionais pouco mais nos es a ac escen a
sob e o di ei o à educação na e cei a idade mas abo da es e ema não é só de e mina
se a educação es á p e is a ou não é p eciso ap o unda o es udo do pon o de is a da
p óp ia educação, é p eciso conside a os ní eis de o e a a que a educação es á o ada
e, em úl imo caso, e i ica se de ac o a de e minação cons i ucional é pos a em p á ica
nas e en es a que se e e e o n.º 2 do a igo 73.º do capí ulo III da CRP.
Pa a começa emos o ac o de es a p imei a conside ação, que os idosos êm
di ei o à educação, nos eme e pa a a noção de que a possibilidade de en ol imen o em
a i idades lúdicas e de ap endizagem po pa e dos indi íduos maio es de 60 anos não
em como obje i o a p epa ação pa a o emp ego, al com o acon ece com a educação
ju enil, uma ez que a maio ia des e público-al o já es á a as ada da ida a i a.
Na e dade as azões que jus i icam es as a i idades são, sob e udo, de na u eza
cul u al, social e cí ica, podendo ambém se i de con ibu o e a o ecimen o a uma
maio adap abilidade a mudanças, acul ando ao indi íduo o acesso à cul u a e ao
conhecimen o (Caná io, 1999).
Cien e de que a educação é um p ocesso pe manen e Osó io (2005) e e e-se a
ela como uma ação educa i a que não se esgo a “nas p imei as e apas da ida ( o mação
23
inicial), nem pode eduzi -se ao empo labo al ( o mação con ínua) ” (Osó io, 2005, p.
262).
Es e au o ap esen a-nos a educação pe manen e sob ês aspe os impo an es.
Segundo ele a educação:
“co esponde a odas as e apas da ida humana e de e adap a -se a g aus c escen es de
ma u idade; de e de ini os p ocedimen os; deixa á de se uma me a adap ação às
condições mu á eis, passando a cons i ui o a o mais impo an e de libe ação, de
co agem e, de ini i amen e de ida au ên ica” (Osó io, 2005, pp. 13-14).
Osó io (2005) ac escen a ainda que “ a educação pe manen e não p e ende c ia
um sis ema pa alelo ao sis ema escola ou uni e si á io, mas engloba odas as o mas
de educação, a o alidade da população e as idades da ida” (Osó io, 2005, p. 17).
Já pa a Caná io (1999) a educação de adul os e a is a como um p ocesso que se
dis ibui po ês planos dis in os mas co elacionados. Um desses planos diz espei o às
p á icas educa i as e comp eende as inalidades dessas p á icas, os modos e o público a
quem a educação é di igida. Ou o dos planos suge idos po Caná io (1999) é o de que
as ins i uições es ejam implicadas de o ma di e a ou indi e a nos p oje os de educação
de adul os. Finalmen e emos o plano que diz espei o ao educado ou o mado de
adul os.
O esul ado mais e iden e e incon es ado da educação é a ap endizagem e es a
econhece dois a o es in e elacionados: “a ap endizagem é ei a ao longo da ida e a
oda a “la gu a” da ida, ou seja, ela não se es inge ao sis ema escola . En ende a
ap endizagem como o esul ado espe á el da educação, da o mação e da capaci ação de
idosos implica ambém aumen a a conside ação da po encialidade cogni i a de
ap endizagem de odos os sujei os, independen emen e do quad o c onológico, bem
como da sua dignidade como sujei os de ap endizagem” (Ma ín ci in Osó io & Pin o,
2007, p. 58).
A ualmen e o concei o da educação de adul os já não cons i ui g ande no idade.
Es e concei o oi sendo abso ido an o do pon o de is a académico como social de
o ma cada ez mais explíci a e em consonância com a expansão e desen ol imen o das
suas p á icas e modos de o ganização, endo sido acompanhada em simul âneo pela
e olução do pensamen o e e lexão dos enómenos sociais que a ela se liga am. Ao
longo dos úl imos 50 anos es a ans o mação social que eio aze os adul os, e mais
a de, os idosos, pa a o mundo da educação obse a am-se ês ases capazes de se em
ca ac e izadas endo em con a os obje i os a que a educação sénio se p opunha.
30
Po ugal exibia uma axa de 9%, o que co espondia a uma es a ís ica de em cada 100
indi íduos, com 10 ou mais anos de idade, 9 não sabe em le nem esc e e .
An es de a ança mos pa a o desen ol imen o do con ex o que jus i ica a
p esen e in e enção con ém es abelece um apon amen o pa a da con a da in odução
no p esen e ex o da pala a ili e acia, que, como se en endeu, es á di e amen e
elacionada com o e mo anal abe ismo mas e á, como amos e , uma ampli ude
di e en e pois que ala ga o concei o de anal abe o pa a um maio e subs ancial núme o
de pessoas: aquelas que sabendo le , não são capazes de aze uma in e p e ação co e a
do que es á esc i o e a é mesmo aquelas que não são capazes de usa nou os con ex os
as pala as lidas.
En ende o concei o de ili e acia se á o mesmo que comp eende o seu
an ónimo: Li e acia e es e, segundo Sebas ião e al. (1998), eme e pa a a capacidade de
p ocessamen o, na ida diá ia (social, p o issional e pessoal), de in o mação esc i a de
uso co en e con ida em ma e iais imp essos á ios ( ex os, documen os, g á icos). Es e
concei o, a ualmen e já bas an e di undido no nosso ocabulá io, de ine-se po duas
ca ac e ís icas nuclea es: “a) po pe mi i a análise da capacidade e e i a de u ilização
na ida quo idiana das compe ências de lei u a, esc i a e cálculo; b) e po eme e pa a
um con ínuo de compe ências que se aduzem em ní eis de li e acia com g aus de
di iculdade dis in os” (Sebas ião e al, 1998., p. 4).
João Sebas ião e os in es igado es que oma am pa e com ele do es udo
Nacional de Li e acia, le ado a cabo en e 1994 e 1996, emp eendido pelo ins i u o
Nacional de Ciências Sociais da Uni e sidade de Lisboa, si uou a população po uguesa
em cinco ní eis de li e acia azendo co esponde ao ní el ze o as pessoas o almen e
incapazes de esol e as a e as que lhes o am p opos as no âmbi o do es udo e no ní el
um os indi íduos que se desen encilha am pe an e as a e as mais simples que
implica am apenas “a iden i icação de uma ou mais pala as num ex o, a sua
ansc ição li e al ou a ealização de um cálculo a i mé ico elemen a a pa i da
indicação di e a da ope ação e dos alo es”, (Sebas ião e al., 1998, p.4).
Pa a os ní eis dois o am eme idas as pessoas que de am con a de alguma
desen ol u a no p ocessamen o de in o mação algo mais elabo ado, azendo associações
en e pala as ou exp essões encon adas em supo es imp essos. Tal como o pa ama
do ní el e idencia, es as a e as, ainda que comple as, não denunciam um g au de
exigência ele ado. O e cei o ní el de Li e acia classi icado po es es in es igado es
31
implica a capacidade de seleciona e o ganiza in o mação, elacionando ideias con idas
na mesma e undamen ando a pa i delas uma conclusão.
Finalmen e, no mais al o pa ama da classi icação de Li e acia os au o es des e
es udo nacional coloca am os indi íduos capazes de da espos a às a e as mais
exigen es de oda a p o a, a e as essas que implica am a capacidade de
“p ocessamen o e in eg ação de in o mação múl ipla em ex os complexos, a ealização
de in e ências de g au ele ado, a esolução de p oblemas e a e en ual mobilização de
conhecimen os p óp ios”, (Sebas ião e al., 1998, p.6).
Pe an e es a colocação ni elada da Li e acia somos le ados a conclui que o
p oblema social que a mesma aca e a é complexo e não de e se abo dado no sen ido
da solução de uma mesma o ma.
Nos esul ados ap esen ados des e impo an e Es udo Nacional de Li e acia o
p imei o apon amen o ai pa a o ac o de es a p oblemá ica es a elacionada com a
“exis ência de o es desigualdades sociais ao ní el da dis ibuição das compe ências de
li e acia” (Sebas ião e al., 1998, p. 7), uma opinião que ou os au o es de endem e em
que mui os sus en am as suas p opos as de in e enção no comba e aos núme os que
con inuam a p eocupa os go e nan es e ou os agen es da p omoção da qualidade de
ida dos po ugueses. Tan o mais que, como e e em Cos a e al. (2000), no documen o
“Li e acia, P oblemá icas e Es udos” “A capacidade de usa in o mação esc i a, de
o ma gene alizada, o nou-se i al num mundo em que a in o mação e o conhecimen o
cons i uem a o es decisi os da ida social, a odos os ní eis”, (Cos a e al., 2000, p.12).
De ac o, a Li e acia, ou o g au que cada um em da mesma, pa ece es a
in imamen e elacionada com a ida p o issional dos indi íduos mas ambém su ge em
domínios como os do “laze , do acesso à cul u a ou do exe cício da cidadania”, (Cos a
e al., 2000, p.13), e in e e e no modo como cada um se e idencia em cada um des es
planos. Nas sociedades a uais, al amen e in o ma izadas e e oluídas do pon o de is a
ecnológico o g au de conhecimen os, de capacidades de li e acia, de cada um
condiciona o seu desempenho no mundo do emp ego e das suas elações pessoais com
as comunidades. Se o g au de exigência p o issional ende a aumen a é na u al que os
indi íduos pouco escola izados, anal abe os ou ile ados, não consigam um luga no
mundo do abalho, esul ando daqui a sua exclusão social.
32
2.3 Li e acia e ap endizagem da lei u a e da esc i a
Em 1994 Gau hié disse “as pessoas pouco al abe izadas e pouco quali icadas
êm cada ez mais di iculdade de a anja um emp ego e de o man e . O ile ismo não
diz apenas espei o a alguns jo ens que enham deixado p ema u amen e a escola ou a
g upos p ecisos de desemp egados, mas ambém a adul os em plena a i idade”
(Gau hié, 1994, p.17) e, no mesmo ano a OCDE lemb a a que “é econhecido que a
capacidade das emp esas e dos países de esponde aos desa ios económicos depende
es ei amen e do ní el da al abe ização da população a i a” (OCDE, 1992). Es as duas
a i mações, e ou as an as que sob e es a emá ica exis em no âmbi o académico, são
desde logo o ga an e de que não pode ha e desen ol imen o sem o conhecimen o das
le as e que esse conhecimen o, ou o p oblema da al a do mesmo, es á di e amen e
elacionado com a exclusão social an o no sen ido em que es a impede o acesso à
Li e acia como no sen ido de que a baixa Li e acia impede o acesso a melho es
condições de ida.
“À pob eza associam-se, ainda, ní eis de escola idade mais acos e a dios,
saídas p ecoces do sis ema educa i o, e ep o ações, udo is o esul ando numa maio
p opo ção de anal abe os e de pessoas com mui o baixa escola idades” (Almeida, 1992,
p.10).
De e mina as causas que es ão po de ás dos núme os da ili e acia em Po ugal,
sublinhada que es á a exclusão social como a o e consequência, não é o mo e p incipal
do nosso es udo embo a não possamos a ança no mesmo sem que as e e ências a ás
apon adas i essem sido abo dadas, o nosso p incipal obje i o é, isso sim, sublinha a
lei u a e o aumen o da Li e acia como meio pa a o comba e à exclusão social pois que
nós, como Oli ei a, ac edi amos que a ap endizagem da lei u a a o ece uma melho
in eg ação dos indi íduos na sociedade (Oli ei a, 1978).
Já imos que le não é apenas comp eende os signos le as e a icula os sons
que cada um desses signos ep esen a, que esse a o em e mos de ní eis de Li e acia não
se classi ica acima do ní el um, le é, en ão, consegui ex ai sen ido do ex o e, mais
do que isso, consegui p oduzi conhecimen o a pa i desse sen ido. A lei u a em uma
componen e in e p e a i a mas ambém de e e uma componen e congnosci a, essa é a
lei u a que sa is az a necessidade de desen ol imen o pessoal, de desen ol imen o
c í ico, que ai con e i aos indi íduos e amen as pessoais e de au o-es ima capazes de
lhes p opo ciona opo unidades sociais e um maio g au de qualidade de ida.
33
Le , no en an o, não é possí el sem que o p ocesso de al abe ização acon eça,
sem que os indi íduos sejam sujei os a ele, não impo ando, pa a nós, se esse p ocesso
oco e ao ní el da escola idade o mal ou o a dela. Sendo a é, que no caso de adul os
ile ados, jo ens e adolescen es com his ó ico de abandono escola , essa al abe ização
possa oco e a a és de ações de incen i o eiculadas pela educação não o mal.
2.4 Li e acia e Cidadania
A li e acia não é uma condição sine qua non à sob e i ência quo idiana do
ge on e, nem de qualque ou o indi íduo em aixas e á ias di e en es, uma ez que o
se humano encon a semp e al e na i as que lhe pe mi em con o na as exigências da
lei u a e da esc i a. No en an o ela impo a, e mui o pa a ga an i a odos uma
“cidadania saudá el”. O e mo aplicado é uma en a i a de undamen a a ideia de que,
a ualmen e, as ques ões de cidadania mais básicas não podem se ga an idas sem que a
li e acia se e i ique.
Aspe os como o acesso ao emp ego, à cul u a e à p óp ia pa icipação cí ica não
podem se p ocessados de igual o ma po um indi íduo le ado e po ou o que não
enha ainda ap endido a le e a comp eende o que lê.
O gozo pleno da li e acia az, de ini i amen e, a di e ença en e si uações de
exclusão social e si uações de cidadania e e i a, po que só a a és dela é que o
indi íduo pode p ocessa as in o mações que lhe ão chegando, sob e udo aquelas que
êm na o ma esc i a.
Se conside a mos que a Pa icipação social é um dos p ecei os básicos e
undamen ais apon ados pela OMS pa a um en elhecimen o bem sucedido, que se
e e i a no p oje o Cidades Amigas das Pessoas Idosas (OMS, 2009) que es a
o ganização in e nacional implan ou e onde se apon a a ca ego ia Pa icipação como um
dos e cei os pila es, a pa da Segu ança e da Saúde, pa a a e e i ação do
en elhecimen o com sucesso, podemos a e i ainda com mais e idência da impo ância
da li e acia, sob e udo no que oca à cidadania.
Nes e p oje o em pa icula a OMS conside a que só pode ha e Pa icipação
social em pleno se as en idades polí icas e sociais o em capazes, en e á ios ou os
a o es que ago a dispensamos analisa , de o nece in o mação sob e a i idades e
e en os, incluindo de alhes ace ca das acessibilidades e dos anspo es; de p omo e
ações de o mação e sensibilização sob e a saúde e a p óp ia ação social que pode
bene icia os idosos. Ainda no que conce ne a es e p oje o das Cidades Amigas das
34
Pessoas Idosas o i em “Pa icipação cí ica e emp ego” dá con a do quão impo an e é a
li e acia nes a elação ge on e-comunidade. Aqui a OMS p opõe que exis am opções
lexí eis pa a olun á ios com ações de o mação, econhecimen o e o ien ação. No
seguimen o da ideia que emos en ado passa o ópico em que a impo ância da li e acia
mais se des aca, de aco do com a OMS (2009) é o que diz espei o à comunicação e
in o mação uma ez que nes a á ea são apon ados como undamen ais i ens que exigem
a exis ência de um sis ema de comunicação básico e de um sis ema de dis ibuição de
in o mação egula . O a se o público-al o des es sis emas o ile ado eles não ão e
qualque ipo de e o no posi i o.
Na e dade, e al como p econizou Á ila (2005) a li e acia é o e dadei o ga an e da
au onomia e é ambém a ga an ia dos idosos de e em possibilidades e e i as do
exe cício da cidadania no que espei a à u ilização da in o mação esc i a. A al a dela
pode implica o es a sujei o a si uações de ulne abilidade ou exclusão social (Á ila,
2005).
O e olui das sociedades, ago a al amen e sujei as aos di ames das no as ecnologias,
eio e idencia ainda mais es a necessidade de li e acia pa a um bom exe cício da
cidadania sendo que as maio es implicações pa a os que não dominam a lei u a passam
pela dependência de e cei os e pelo a as amen o di e o do acesso à cul u a e à
in o mação que é ansmi ida a a és da esc i a (Á ila, 2005).
Em e mos e imológicos, e conside ando es a ealidade, podemos dize que as pessoas
que não sabem le so em de “li e exclusão”, sendo que es e no o e mo se de ine como
a dimensão da exclusão social que e ela incapacidades p ocessuais de elação e
u ilização da in o mação esc i a. A “li e exclusão” em consequências sociais nega i as
pa a os indi íduos (Gomes, 2002).
Segundo Machado (1996) a “li e exclusão” é mui o pa en e em comunidades imig an es
e aí, uma ez que oi nes as comunidades que o au o obse ou os esul ados da al a de
li e acia, e i ica-se a es ição de alguns memb os a ci cui os sociais in o mais, sendo
mui o isí el nes e g upo de indi íduos si uações de habi ação clandes ina, si uações de
ausência de abalho, de ausência de decla ação iscal de endimen os e descon os pa a a
segu ança social (Machado, 1996). Da al a de li e acia, diz es e in es igado , esul a o
a o iamen o da cidadania enquan o sis ema de di ei os e de e es.
35
2.5 Mo i ações e expe a i as
O adul o que sabe le e esc e e em, de um modo ge al, uma maio au onomia e
em ambém a possibilidade ga an ida de i aumen ando essa au onomia à medida que
mais lei u as o azendo. As pessoas que sabem le dependem de si mesmas pa a a
ealização das a e as do quo idiano que implicam o domínio do código esc i o. Elas
êm maio possibilidade de in eg ação no me cado de abalho e, po conseguin e, eem
aumen adas as suas expe a i as em elação à qualidade de ida.
No en an o, e apesa do que se diz, mui os adul os, e mui os idosos não sabem
le , al como demons amos em capí ulos an e io es e po que passa am já uma g ande
pa e das suas idas sem e em desen ol ido essa habilidade mos am-se ago a
eni en es à en ada e ao desen ol imen o de um p ocesso de ap endizagem. Pa a
mui os, o con o mismo ganhou aízes quase inde o á eis e a ideia de que o empo de
ap ende a le passou es á ão ixa que é p eciso in e i com e amen as de mo i ação
jun o deles pa a os aze al e a p econcei os.
É nes e enquad amen o que a pe spe i a da mo i ação, aqui en endida como
a o de mobilização do sujei o que sus en a o p ocesso ecu si o en e a ação e a eo ia,
ganha con o nos de impo ância e um papel de des aque no p ocesso de al abe ização de
adul os, p é-idosos e idosos.
En endida como a ene gia mobilizada pa a sa is aze uma ca ência a mo i ação
esul a da desca ga ene gé ica p o ocada po um es ímulo e em po inalidade a
es au ação do equilíb io que o econhecimen o de uma necessidade a e ou. Malglai e
(1995) desc e e a mo i ação como uma necessidade undamen al, cons i u i a de odas
as ou as e adian a que ela co esponde ao desen ol imen o de odas as capacidades
uncionais que es ão à disposição do indi íduo que p ocu a desen ol e elações com o
mundo que o odeia e com os ou os (Malglai e, 1995).
A dinâmica que es á po de ás da mo i ação é ecip oca uma ez que an o se
pode o ien a no sen ido sujei o obje o como no sen ido obje o sujei o. O p imei o
sen ido em po inalidade o uncionamen o ou o desen ol imen o das elações com o
mundo, o ou o, des ia-se pa a os meios u ilizados e assume o ca á e de “mo i ação
ins umen al”, associando-se, e en ualmen e, à mo i ação comp ome ida na ação. A
ecip ocidade a que izemos alusão ga an e ambém que ambos os sen idos da
mo i ação se encon em em qualque das suas o mas de uncionamen o. “Com e ei o, o
indi íduo só pode unciona e desen ol e -se em in e ação com o obje o, con ibuindo o
36
con a o in e nacional com o obje o pa a o seu p óp io desen ol imen o” (Nu in, ci ado
po Malglai e, 1995, p. 243).
A mo i ação ins umen al es á associada, e assume luga de des aque, nos
p ocessos de o mação sendo que aqui ela é o meio que pe mi e o en iquecimen o da
cognição humana (Nu in, ci ado po Malglai e, 1995).
Um ou o dado da mo i ação ai de encon o às pala as com que demos início
a es e capí ulo. Essa é a mo i ação que ep esen a a sociedade a ual e que em e lexo
num con ex o em que as pessoas com meno es g aus de o mação sen em cada ez mais
di iculdades em ing essa no mundo p o issional e de desen ol e em as suas p óp ias
capacidades.
Nes e quad o, em complemen o do que acima se diz, a mo i ação em
jus i ica i a se en ende mos que “um es o ço de o mação p olongado só se jus i ica se
es a ab e pa a qualque coisa de angí el, is o é, se ela o nece meios pa a melho
esol e os p oblemas quo idianos, indi iduais ou cole i os (…) a p ocu a de soluções
pa a p oblemas conc e os da ida quo idiana” (Duba , ci ado po Malglai e, 1995, p.
246).
Quando alamos da mo i ação enquad ada no âmbi o da lei u a e da esc i a
emos que conside a , como de endem Ma zo e Figue as (1990), que à mo i ação pa a a
ap endizagem das le as p op iamen e di a se de em ac escen a mo i ações de ca á e
u ili á io, pois diminui o p ocesso de al abe ização a uma unção p á ica pode da dela
um desenho mui o pa cial. Ambos os au o es e e enciados suge em en ão que a
mo i ação seja conside ada em duas e en es. Uma de e á elaciona -se com a
sa is ação dos in e esses e a ou a de e á ap esen a -se como a espos a social ao
ambien e socioeconómico e cul u al dos indi íduos a mo i a .
Es es au o es p econizam ainda que nos adul os o obje i o p io i á io da
a i idade educa i a de e e em oco os emas que a sociedade p i ilegia e e e em
como exemplo conc e o a al abe ização em que o domina i o da on ade de ap ende a
le e a esc e e é o e lexo de uma opção in luenciada po uma me a. Sendo que, es a
me a, não diz apenas espei o a uma on ade pessoal mas ambém impo a ao
econhecimen o social do ac o de sabe le e esc e e se p es igian e pa a o indi íduo
(Ma zo & Figue as,1990).
De ac o o adul o ou idoso que se inicia no p ocesso de al abe ização es á a aze
mais do que apenas a da espos a a uma p opos a indi idual, ele es á a acei a uma
in e enção que econhece como p o ei osa no seu cí culo social e es es a o es a uam
37
como aglu inado es de e o ço à con inuidade do p ocesso cogni i o. Na e dade e al
como pos ulou Lowe (1978) “a pessoa adul a es á mais mo i ada pa a pa icipa de uma
a i idade o ganizada de ap endizagem se se de con a de que isso o ai ajuda a esol e
um p oblema pessoal, social e p o issional e que o deixa á mais eliz” (Lowe, 1978, p.
67).
Es e au o ag upou as mo i ações pa a a ap endizagem em ês campos. O
p imei o es a a elacionado com a p o issão, o segundo dizia espei o ao
desen ol imen o pessoal e o úl imo eme ia pa a as elações sociais (Lowe, 1978).
Ou a dis inção apon ada na his ó ia da a e da mo i ação é a ap esen ada po
Vilado e Romans (1988). Es es in es igado es ap esen am os a o es pessoais,
amilia es e ocupacionais como os elemen os de dis inção dos a o es de mo i ação.
En endida sob a pe spe i a das o ien ações que pode oma a mo i ação
ap esen a-se di e si icada podendo se is a como mo i ação básica ou como mo i ação
p incipal. A mo i ação básica, ou de base, é e o çada po ou os a o es mo i acionais
como a ecomendação po pa e de pessoas p óximas ou a possibilidade de se alcança
econhecimen o social. Numa ase pos e io os obje i os iniciais são epensados e,
en ão, a mo i ação passa a se enca ada em unção dos esul ados ob idos.
Ou os a o es capazes de exe ce in luência conside á el nos aspe os
mo i acionais são aqueles que se elacionam com a idade, com o es a u o p o issional,
ou com o papel desempenhado nos g upos de pe ença con o me e e e Blaco (ci ado
po Ma zo e Figue as, 1990).
Ao ala da mo i ação não podemos deixa de conside a o ac o de que ela é
uma on ade indi idual e, po isso, condicionada a di e en es lógicas mo i acionais. No
âmbi o des a in e p e ação as azões que es ão po de ás da mo i ação pa a a
ap endizagem da lei u a e da esc i a podem se de ca á e endógeno ou de ca á e
exógeno. Se o em azões mo i acionais endógenas os sujei os que as i enciam
assumem que êm acas, ou mesmo nenhumas, quali icações pa a aze ace aos
desa ios da ida diá ia, en ando ul apassa esses obs áculos a a és do ecu so à
ap endizagem das le as. No caso das mo i ações exógenas a acei ação de in eg ação
num p ocesso de al abe ização não esul a de conscien ização p óp ia mas, an es, em
o igem na imposição de a o es ex e nos como a candida u a a um subsídio de apoio
social que enquad e a ap endizagem da lei u a na pe spe i a ob iga ó ia, ou a exigência
de uma en idade emp egado a. (Ma zo e Figue as, 1990)
38
O a o mo i ação é an o ou mais impo an e se conside a mos que os
indi íduos, po eg a, só se en ol em num p ocesso de educação não- o mal de o ma
olun á ia, sendo que, es e olun a ismo é, de es o, ca ac e ís ico da educação in o mal.
Nes e sen ido é undamen al que os indi íduos epensem o impac o da sua pa icipação,
an o no seu p óp io desen ol imen o de compe ências, como nas implicações nas suas
idas (Pe ei a, 2010).
Os idosos mo i ados pa a a ap endizagem das écnicas de lei u a e da esc i a não
se ca ac e izam po e em dado início ao p ocesso em conside ação de uma única
an agem mas sim po um conjun o de a o es que pesa am na ho a da sua decisão.
Es es indi íduos dispos os a se em al abe izados azem expec a i as ela i as não só
em elação à esc i a e à lei u a p op iamen e di as mas ambém em elação aos
esul ados que as no as ap endizagens lhes ão p opo ciona , nomeadamen e as
mudanças na sua es e a pessoal e a melho ia das suas condições sociais e de
emp egabilidade/ olun a iado. Algumas das p ojeções que es es idosos podem aze em
elação ao p ocesso de al abe ização podem mesmo es a elacionadas com aspi ações a
uma mobilidade social ascenden e.
Ao longo do p ocesso de al abe ização, ou de qualque ou o p og ama de
ap endizagem, a con inuação da mo i ação que deu o igem à en ada no p ocesso ai
ica dependen e de a o es di e en es daqueles que le a am o indi íduo a en a no
p ocesso. No âmbi o da con inuidade a mo i ação passa a es a elacionada com a o es
como a adap ação ou a elação com o g upo de ap endizagem ou a é mesmo com os
con eúdos de ap endizagem.
Du an e o p ocesso e conside ando os a o es a ás ci ados os obje i os
mo i acionais ão se ea aliados e epensados em unção dos esul ados ob idos.
“A pessoa adul a possui uma ideia do que p e ende consegui com cada ipo de
o mação e essas expec a i as e ão de se coe en es com as ap endizagens que ai
ealizando ao longo do p ocesso e possibili a a isão da expec a i a conc e izada”
(Ma zo & Figue as, 1990, p. 52).
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2.6 O Mé odo de Paulo F ei e
“não podendo udo, a p á ica educa i a pode alguma coisa”
Paulo F ei e (2003)
Disco dan e assumido do mé odo de ensino das le as pela “ca ilha” o Educado
Paulo F ei e p opôs um mé odo pa a a al abe ização de adul os em 1962 que i ia a
assumi o seu nome e que ganhou no o iedade após uma ação de o mação em que o
p óp io Paulo F ei e, b asilei o e Di e o do Depa amen o de Ex ensões Cul u ais da
Uni e sidade de Reci e, al abe izou 300 co ado es de cana em 45 dias, que, na p á ica,
se aduzi am em 40 ho as de o mação.
De uma o ma mui o simplis a podemos di idi o Mé odo de Paulo F ei e em
ês e apas undamen ais de in e enção. Na p imei a o Educado , semp e assumido
como igual en e os es an es elemen os do g upo que compõe a ação o ma i a, p ocu a
em conjun o as pala as que mais signi icados êm na ida dos seus in e locu o es,
ecolhendo assim o ocabulá io com que as pessoas mais se iden i icam. Na ase
seguin e ele usa essas mesmas pala as pa a p opo uma omada de consciência do
mundo e, inalmen e, num e cei o momen o, ele desa ia os o mandos a supe a em a
isão mágica e ac í ica que êm das coisas pa a da em luga a uma pos u a
consciencializada desses mesmos ac os.
Es e mé odo unciona supo ado nos p ecei os das pala as ge ado as, da
silabação, das pala as no as e da consciencialização. Como imos as pala as
ge ado as são o mo e que dão início ao p ocesso de al abe ização e pa a as consegui o
o mado de e jun a as pala as que azem pa e do conjun o ocabula dos o mandos
a a és de con e sas in o mais com os mesmos e a a és da obse ação das
comunidades em que es ão inse idos. A quan idade das pala as ge ado as ecolhidas
a ia en e as 18 e as 23 e é a pa i delas que o o mado ai cons ui o seu ma e ial
“pedagógico”, uns ca ões com desenhos que simbolizem essas pala as. Ainda na ase
de abalho das pala as ge ado as, mas ago a já com a pa icipação dos o mandos, o
o ien ado do p ocesso de al abe ização ai o ganiza cí culos de cul u a no g upo,
dis ibui os ca ões e incen i a a con e sas sob e as pala as ali simbolizadas.
Uma ez iden i icada cada pala a ge ado a ai se di idida po sílabas e
es udada endo em con a es a di isão, num p ocesso mui o semelhan e ao usado pa a
ensina a di isão silábica no ensino adicional, ap o ei ando-se da sílaba pa a ge a a
46
Associação. En e an o oi p omo ido uma inicia i a com os mesmos obje i os mas que
des a ez já con ou com a pa icipação de onze o mandos, o iundos de á ias á eas
cien í icas, como a Psicologia, o Di ei o, os Es udos Eu opeus e as Ciências da
In o mação. Es a p imei a ação de Fo mação de Al abe izado es deco eu en e 8 de
Maio de 2010 e 3 de Julho desse ano.
No âmbi o da Al abe ização a ANIALL desen ol eu uma ação, com du ação de
dois meses, e com ca ác e olun á io, no bai o da T a a ia, em Almada, onde as
compe ências adqui idas pelos o mado es o am es adas pela p imei a ez. Inse ida
nes e p ocesso al abe izado es a ambém a inicia i a de p opo ciona às c ianças e
adul os daquele bai o a i idades e jogos lúdicos que conduzam no sen ido do es ímulo
à lei u a.
Pa a chega à baliza dos seus in en os a ANIALL p ocu a es abelece elações de
pa ce ia e coope ação com á ios pa cei os, den e eles as au a quias, como já se disse,
pois que po elas se á mais ácil a abe u a de Núcleos da associação pe o das
comunidades que se p e endem al abe iza . Po es a azão a o ganização en ende que “a
p omoção do en endimen o com o pode local de e se um obje i o pe seguido pelos
memb os (…) É na p oximidade com os demais que busca emos a capacidade de
o ganização e incen i o pa a com as a e as a que nos p opomos” (ANIALL, 2010).
A Associação Nacional de In es igação e Ação em Li e a u a e Li e acia – ANIALL e a
Associação de Desen ol imen o Comuni á io de S. Miguel de Machede são dois bons
exemplos de implemen ação de p á icas de al abe ização no nosso país. Es as
ins i uições econhece am a necessidade de implemen a inicia i as que isassem a
ap oximação das pessoas idosas, adul os e a é c ianças à lei u a, en endendo que, no
caso dos mais elhos pa a além de sabe le a inclusão em a i idades sociais e a um
bom caminho pa a o a o ecimen o do en elhecimen o a i o.
Dado o egis o de sucesso que es as p á icas êm indo a egis a é p eciso que es es
exemplos se espalhem po odos os concelhos de Po ugal, e que, pa a além do ensino
das le as e do comba e ao anal abe ismo, se p omo a ambém a lei u a. Es amos em
c e que as uni e sidades de e cei a idade, cuja ede es á já amplamen e di undida no
e i ó io nacional, se iam um bom po o de acolhimen o pa a p oje os des e géne o.
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II. Es udo Empí ico
1- O igem e Fundamen ação do P oblema de In es igação
Nos dias de hoje, o en elhecimen o das populações, cons i ui, a ní el mundial,
nomeadamen e nos países indus ializados, uma ealidade indesmen í el, sendo que es e
enómeno e le e-se, na espe ança média de ida e na p opo ção do núme o de sujei os
idosos.
Quando oco em ans o mações a ní el mundial, as sociedades no malmen e
es ão pouco p epa adas le ando algum empo a e e i a medidas que espondam, no
caso do en elhecimen o, a uma elhice com qualidade de ida.
Algumas das si uações que se colocam à população en elhecida são a al a de
ecu sos económicos pa a aze ace às suas despesas, os sis emas de saúde que nem
semp e dão a espos a desejada, a acumulação de pa ologias, o ac o de ica em cada
ez mais dependen es e se em ob igados a p ocu a al e na i as de o ma a minimiza
essas dependências e a não sob eca ega os amilia es.
A ualmen e, com uma ce a equência, os idosos dependen es êem-se
ob igados a eco e a ins i uições como la es, pa a i e em. Es e enómeno susci ou, de
modo especial nas úl imas décadas, um c escen e in e esse, po pa e da comunidade
cien í ica de di e sos amos do conhecimen o, pela e iologia do en elhecimen o, pelo
bem-es a , saúde, a i idade ísica e qualidade de ida dos idosos, con ibuindo pa a que
a imagem dos la es de idosos, an igamen e chamados de asilos, se enha a modi ica
a ibuindo-se cada ez mais um signi icado posi i o, sendo ambém sinónimo de
qualidade de ida.
O en elhecimen o da população e a u banização são duas endências globais
que, em conjun o, cons i uem as o ças undamen ais que es ão a molda o século XXI.
As pessoas mais elhas são um ecu so pa a as espe i as amílias, comunidades e
e en ualmen e pa a algumas economias, em meios en ol en es que lhes p opo cionam
apoio e a possibilidade de capaci ação.
A O ganização Mundial de Saúde (OMS), conside a o en elhecimen o a i o um
p ocesso con ínuo, de e minado po á ios a o es que, isolados ou em conjun o,
con ibuem pa a a saúde, a pa icipação e a segu ança dos idosos.
Nes e conjun o de a o es a ualmen e conside ados como ulc ais pa a uma boa
qualidade de ida das pessoas ge on es e comum àqueles que a OMS conside a os
pila es undamen ais pa a o en elhecimen o bem sucedido, a pa icipação a segu ança e
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a saúde em que es a incluída a capacidade des es indi íduos de le e esc e e . Sem que
se e e i e a capacidade de lei u a o ge on e não pode, isolado, ga an i um bom acesso à
saúde, ga an i a sua p óp ia segu ança e ão pouco pode á cump i odos os equisi os
de pa icipação social.
Mais do que um di ei o ou um p i ilégio, a educação em que se conside ada,
acima de udo como uma necessidade pa a odos, sejam mais ou menos jo ens, dado
que no mundo a ual há que en en a a mudança a um i mo cada ez mais acele ado na
amília, no emp ego, na comunidade.
A al abe ização na e cei a idade ab ange equisi os de e minan es que de em
se abalhados pa a uma melho ap endizagem, no sen ido de que os a o es sociais,
cul u ais e pessoais exe çam g ande impo ância nesse p ocesso.
Os idosos que man êm a pa e cogni i a em a i idade i em du an e mais empo e com
melho qualidade de ida. Segundo To qua o e San ana (2011), a lei u a é conside ada
como impo an e pa a aumen a os ganhos cogni i os, ais como a memó ia e melho a
as ações mo o as.
Po ugal é um dos países da Eu opa com uma axa mais ele ada de idosos, endo
mesmo endência a aumen a com o deco e dos anos. Sendo assim, e po ainda se
e i ica um conside á el núme o de anal abe os, podemos dize que a al abe ização na
e cei a idade e á de passa a se um assun o cada ez mais abo dado. Em Po ugal
exis em alguns p oje os cujo obje i o é al abe iza mas a in o mação ainda é mui o
escassa e po ezes, es es p oje os não são acessí eis a oda a população idosa pois
mui os ainda i em isolados.
Conside ando en ão es es dois a o es, a sabe : que a al abe ização é condição
undamen al pa a o bem es a da pessoa idosa e que ainda exis e um núme o azoá el de
pessoas, maio es de 65 anos, incapazes de le ou de esc e e decidimos ealiza o
p esen e es udo endo em is a descob i de que o ma a al abe ização na e cei a idade
pode con ibui pa a o bem-es a da população idosa.
Pa a al op amos po analisa de que o ma o anal abe ismo é i ido e ep esen ado
pelos idosos, endo em is a comp eende po que é que se anal abe o pode se mo i o
de disc iminação e pe cebe de que o ma é que a al abe ização pode in luencia a
con iança e au oes ima dos idosos.
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2- Me odologia
Ma ins (1996) disse que a me odologia é a o ganização c í ica das p á icas da
in es igação e a in es igação, segundo Michel (2005), é um ala gamen o do campo dos
conhecimen os no âmbi o de uma disciplina que em em is a o desen ol imen o dessa
disciplina e da ciência que a sus en a.
O a, conside ando es as p imei as pala as, pode-se a e i que o abalho de
in es igação, que oma semp e po base uma ou ou a me odologia, é uma o ma
sis emá ica de p ocu a espos as a uma ou mais ques ões colocadas pelo in es igado .
Na e dade são as pe gun as iniciais que se ans o mam no mo o , no pon o de
pa ida, pa a um abalho de in es igação, e po isso pode-se dize , em conco dância
com Michel (2005), que a busca pelo conhecimen o, a en a i a de sa is aze uma
cu iosidade es abelece o início de uma in es igação, mas não a jus i icam po si só. A
in es igação em que i mais além dos mo i os que lhe de am a anque. Ela em que se
uma p ocu a de soluções coo denada e submissa a um conjun o de p ocedimen os
me ódicos planeados e undamen ados.
Pa a oma o mas e dadei amen e cien í icas a in es igação em que se e es i
de p ocedimen os baseados em modelos indu i os e dedu i os, al como p econiza am
Cohen e Manion (1985).
A in es igação ambém não pode dispensa a expe imen ação po que ela é a
base que a ai do a de solidez e que ai pe mi i a alidação do conhecimen o ge ado.
Cohen e Manion (1985) de endem que a in es igação de e se au oco e i a uma
ez que os esul ados que dela ad ie em podem i a se o pon o de pa ida pa a uma
no a in es igação. Podem cons i ui uma pe gun a ou uma cu iosidade pa a ou os
in es igado es.
O econhecido in es igado Umbe o Eco (1983) não oma po in es igação
cien í ica qualque abalho de pesquisa que pa e de uma pe gun a inicial e lhe o e ece
uma espos a. Pa a es e ilóso o e semiólogo só se pode conside a e dadei amen e
cien í ica a in es igação que oma po obje o de es udo algo que possa se econhecido e
de inido, algo que odos sejam capazes de econhece como pe inen e (Eco, 2008).
Eco sus en a que a in es igação “de e dize sob e esse obje o coisas que não
enham já sido di as ou e e com uma ó ica di e en es coisas que já o am di as” (Eco,
2008, p.52). Pa a além disso, ac escen a: a in es igação ““de e se ú il aos ou os”,
50
(idem) e, ao mesmo empo, “ o nece elemen os pa a a con i mação e pa a a ejeição
das hipó eses que ap esen a”, (idem).
Do que se dep eende des a úl ima a i mação emos que Umbe o Eco conco da
com os já e e idos au o es Cohen e Manion (1985) e, al como es es, ambém ele
a i ma que a in es igação não se pode echa em si mesma mas sim se p oduzida no
sen ido de i a “ o nece os elemen os pa a uma possí el con inuação pública” (idem).
Pa a e o ça a de inição da me odologia, mui os au o es chamam ambém de
mé odos emos que G awi z (1993) que conside a o seguin e: “ (...) um conjun o
conce ado de ope ações que são ealizadas pa a a ingi um ou mais obje i os, um co po
de p incípios que p esidem a oda a in es igação, um conjun o de no mas que pe mi em
seleciona e coo dena a écnicas” (ci . in Ca mo & Fe ei a, 1998, p. 175).
Do as o leque de e amen as de in es igação que a me odologia em pa a
o e ece selecionamos, pa a es a in es igação em pa icula , o mé odo quali a i o uma
ez que es e pe mi e ecolhe uma maio e mais p o unda quan idade de in o mação.
O mé odo quali a i o pa ece se o mais adequado ao plano de es udo a que nos
p opusemos po que ele acili a o es udo de mul icasos e isa a descobe a de pon os
comuns en e á ios casos (Lessa d-Hé be , Goye e & Boi in, 2010).
Tal como sus en a Ca mo e Fe ei a (1998) o mé odo quali a i o undamen a-se
na ealidade e o ien a-nos pa a a descobe a sendo que a a és dele o in es igado se
ans o ma num “ins umen o” de ecolha de dados. Os mesmos au o es adian am ainda
que o mé odo quali a i o depende mui o da sensibilidade, do conhecimen o e da
expe iência do in es igado po que é des as ca ac e ís icas que dependem a alidade e a
iabilidade dos dados a analisa . (Ca mo & Fe ei a, 1998).
Apesa disso na his ó ia da a e do mé odo quali a i o não pa ecem exis i
dú idas quan o à sua impo ância uma ez que, se a ecolha de dados es i e de aco do
com o que os indi íduos cons i uin es da amos a disse am, a alidade do abalho é
inques ioná el.
Pa a que al acon eça a pesquisa quali a i a de e se “desc i i a”. A desc ição
de e se igo osa e con a apenas com os dados ecolhidos.
Como não podemos deixa de conside a que o nosso es udo se aplica a um
con ex o pa icula , no caso o concelho de Viana do Alen ejo, ac escen amos à nossa
escolha me odológica a qualidade de explo a ó ia po que é es a ca ac e ís ica que lhe
ai con e i sus en abilidade na p ocu a de in o mações em con ex o pa icula , al como
disse Sampie i e al. (2006). Pa a jus i ica es a escolha aludimos ainda a Denzin e
51
Lincon (2006) segundo os quais uma abo dagem na u alis a e in e p e a i a em po
obje i o o en endimen o dos enómenos em e mos de signi icados, alo es e pe ceções
que as pessoas lhe con e em.
Na si uação de in es igação que le amos a cabo e endo em con a que o
ins umen o u ilizado se compõe de á ias secções de análise passando pela a aliação de
odos os i ens que a o ecem o en elhecimen o a i o ais como: os espaços abe os e os
p édios; o anspo e; as mo adias; o espei o e a inclusão social; a comunicação e a
in o mação; o apoio comuni á io e os se iços de saúde; a pa icipação cí ica e o
emp ego e a pa icipação social, en endemos da des aque a ês i ens undamen ais
quando chegados à ase da análise e discussão dos esul ados pois que, de ou a o ma, o
nosso es udo se e ela ia demasiado ex enso, co endo-se o isco de pe da de
obje i idade e qualidade.
A seleção dos i ens a abalha do pon o de is a da in es igação, segu ança;
saúde e pa icipação, e le e a nossa escolha, supo ada pelos pa âme os apon ados pela
OMS, sob e aqueles que con ibuem pa a a melho ia da qualidade de ida dos ge on es
e é ambém um e lexo daqueles que os p óp ios idosos conside a am se os mais
impo an es pa a a sua qualidade de ida.
A opção me odológica que ap esen amos aqui e implemen amos na nossa
pesquisa es á em consonância com as di e izes p opos as no P o ocolo de Vancou e
(OMS, 2007, b). Es e documen o, que em a chancela da OMS, es abelece as opções
me odológicas a se em omadas quando a in enção é a alia as comunidades em elação
às suas ca ac e ís icas de amigas das pessoas idosas.
No que oca à análise e a enção do in es igado odos os i ens o am subme idos
a ques ioná io o que ai con e i , desde logo, ao nosso es udo um ca á e móbil e ai,
ambém, o nece dados e elemen os pa a possí eis con inuações públicas des e
abalho, al como suge iu Umbe o Eco (2008).
A pesquisa quali a i a que le amos a cabo e que e e po p incipal inalidade
in es iga de que o ma a al abe ização pode con ibui pa a o bem-es a da população
idosa é ambém uma pesquisa desc i i a na medida em que se á ap esen ada de o ma
igo osa e e á em con a unicamen e os dados po nós ecolhidos jun o dos
esponden es.
Na p esen e in es igação amos ansc e e pa es das en e is as que o am
ealizadas median e o consen imen o das pessoas en e is adas.
52
Uma ez que a me odologia do nosso es udo se ca ac e iza pela pesquisa
quali a i a que em po base a colocação de um inqué i o a dois g upos di e en es de
esponden es podemos ambém dize que se a a de um es udo compa a i o na medida
em que a pa i dele nos ai se possí el obse a em unção dos indicado es dos
modelos de análise: o g upo de idosos que sabem le e o g upo de idosos que nunca
ap endeu a le (Qui y & Campenhoud , 2008).
2.1 – Pe gun a de in es igação
Tal como Raymond Qui y e Luc Van Campenhoud deixa am cla o na ob a
“Manual de In es igação em Ciências Sociais” aduzi o que ulga men e se ap esen a
como oco de in e esse do pon o de is a da in es igação cien í ica não é uma a e a
linea ou ácil, po que uma in es igação, que se aduz, na u almen e na p ocu a de
algo, implica hesi ações, des ios e ince ezas (Qui y & Campenhoud , 2008).
O conselho des es in es igado es pa a o con o no des as di iculdades passa pela escolha
de um io condu o o mais cla o possí el. Assim, dizem, o in es igado de e p ocu a
enuncia o seu p oje o de in es igação na o ma de uma pe gun a de pa ida. Ten ando,
a a és dessa pe gun a, exp imi o mais exa amen e possí el aquilo que p ocu a sabe e
conhece .
Le ando em con a os conselhos acima e e idos le an amos a seguin e ques ão de
in es igação:
- De que o ma é que a al abe ização pode con ibui pa a o bem-es a da população
idosa?
53
2.2 Hipó eses de in es igação
Tão impo an e quan o a pe gun a de in es igação, ou pe gun a de pa ida,
pa ecem se as hipó eses, elas são ambém um elemen o ulc al da in es igação na
medida em que lhe a ibuem ampli ude e assegu am a coe ência en e as pa es do
es udo.
De no o supo ados na eo ia de Qui y e Campenhoud sob e a in es igação nas
ciências sociais podemos a i ma , como eles, que “a o ganização de uma in es igação
em o no de hipó eses de abalho cons i uí a melho o ma de a conduzi com o dem e
igo ” (Qui y & Campenhoud , 2008, p. 119).
As hipó eses são o elemen o que ai sus en a a di eção da in es igação e i ando
des ios desnecessá ios e con usões nos c uzamen os e nas enc uzilhadas da dú ida e do
le an amen o de in o mações.
“A hipó ese o nece à in es igação um io condu o pa icula men e e icaz que, a
pa i do momen o em que ela é o mulada, subs i ui nessa unção a ques ão da
pesquisa” (idem, 2008, p. 119).
As hipó eses podem se de inidas como uma espécie de espos a p o isó ia à
nossa pe gun a de in es igação. Elas con ibuem pa a “uma melho comp eensão dos
enómenos obse á eis” (idem, 2008, p.120), e de em “conco da com o que deles
podem ap eende pela obse ação ou pela expe iência” (idem, 2008, p.120).
Conside ando que as hipó eses de in es igação se insc e em na lógica eó ica da
p oblemá ica do p oje o de in es igação e endo em con a que essas mesmas hipó eses
es ão la en es no p ocesso epis emológico que le ou à sua cons ução (Qui y, 1998)
ap esen amos de seguida o elenco das hipó eses que es ão na base des e p ocesso de
cons ução cien í ica e que p e endemos analisa :
Hipó ese 1: Se anal abe o é um handicap emocional pa a o ge on e.
Hipó ese 2: Se anal abe o é um mo i o de disc iminação da sociedade pa a com o
idoso.
Hipó ese 3: A al abe ização es imula o aumen o de con iança e au oes ima do idoso.
54
Es as hipó eses de i am do obje i o ge al da in es igação que se p ende com a
necessidade de in es iga de que o ma é que a al abe ização pode con ibui pa a o
bem-es a do idoso.
A pa i daqui o mula am-se os seguin es obje i os especí icos:
- Conhece a ealidade de ida de um idoso anal abe o;
- Pe cebe se o ac o de não sabe le impede a ealização de a i idades quo idianas do
idoso;
- Comp eende as expe iências e p e e ências dos ge on es pa a dessa o ma i de
encon o as mesmas, a quando da ap endizagem da lei u a e da esc i a;
- Pe cebe se a lei u a e a esc i a acili am a ida dos idosos al abe izados;
- En ende se o anal abe ismo é causa de al a de au onomia no idoso.
- Compa a a pe spec i a dos idosos al abe izados com as dos não al abe izados.
Assim, de inimos pa a a p esen e in es igação as seguin es inalidades:
- Con ibui pa a um melho conhecimen o do idoso na comunidade;
- Con ibui pa a melho a a si uação do idoso na comunidade;
- Concebe planos de ação educa i a/ o ma i a que con ibuam pa a o bem-es a do
idoso;
Só a pa i de es udos que iden i iquem as a iá eis p esen es no p ocesso de
en elhecimen o e na elhice é que é possí el pe cebê-las e é possí el concebe
p og amas de in e enção coe en es e undamen ados numa análise cien í ica.
Almeida e F ei e (1997, p. 38), e e em que “qualque in es igação é conduzida endo
em is a escla ece uma dú ida, eplica um enómeno, es a uma eo ia ou busca
soluções pa a um dado p oblema”.
2.3 Amos a: cons i uição e ca ac e ização
Pa a le a a cabo a p esen e in es igação op amos po analisa uma amos a não
p obabilís ica. Es a amos agem, al como conside a am Ca mo e Fe ei a (1998), é
selecionada com base em c i é ios de escolha in encional que ão se u ilizados de
55
o ma sis emá ica endo em is a de e mina as unidades da população que azem pa e
da amos a.
A população al o a quem as en e is as i iam se colocadas oi de e minada em
unção dos obje i os da p esen e in es igação.
A amos a oi en ão cons i uída po um o al de 11 pa icipan es, odos maio es
de 65 anos e compos a em dois g upos di e en es, um al abe izado ou o anal abe o e e
ambém em con a pe gun as que isa am a e i o es ado ci il; a p o issão e o géne o do
en e is ado.
T a a-se de uma amos agem de con eniência po que oi cons uída a pa i de
um g upo de indi íduos que se mos ou disponí el pa a pa icipa . (Ca mo & Fe ei a,
1998).
Tal como p econizam Ca mo e Fe ei a (1998) nes e ipo de amos agem ai e
que se espei ado o ac o de que os esul ados não pode ão se gene alizados ao o al da
população onde se insc e em os esponden es. No en an o es a amos a se á pe inen e
pa a a ob enção de in o mações impo an es que ainda assim, ale am os au o es que
de e ão se usadas com “as de idas cau elas e ese a” (Ca mo & Fe ei a, 1998, p.
197).
A de inição da amos a e a sua explici ação é um dado impo an e a e em con a
num abalho de in es igação e de e se de inido aquando do início do es udo al como
de endem Qui y e Campenhoud (2003) “(...) o campo das análises empí icas no
espaço, geog á ico e social, e no empo” (Qui y & Campenhoud , 2003, p.157).
A população al o sob e que incide o es udo e e uado é cons i uída po um g upo
de onze indi íduos, odos maio es de 65 anos. Se e dos elemen os da amos a são
al abe izados e qua o não sabem le nem esc e e .
Seis dos elemen os que compõem a amos a são indi íduos do sexo eminino e cinco do
géne o masculino.
O único elemen o comum a odos os en e is ados é o ac o de pa ilha em o
espaço social onde esidem, odos são habi an es de Viana do Alen ejo. Não a e imos se
exis e conhecimen o pessoal en e eles, ou não, po que en endemos que al ac o não
in e e ia nos esul ados ob idos.
Viana do Alen ejo é sede do concelho com o mesmo nome, si uado na aixa sul
do Dis i o de É o a, da qual dis a ce ca de 30 km.
Du an e o ano deco em no concelho de Viana do Alen ejo uma sé ie de
a i idades cul u ais e de laze p omo idas pelo Município de Viana do Alen ejo, Jun as
62
Ao ní el do pe il dos en e is ados e i icamos uma g ande he e ogeneidade,
sob e udo no que conce ne às idades e aos g aus académicos.
Rela i amen e à aixa e á ia emos alguns en e is ados acabados de chega à condição
de “ge on es” ou sénio es e ou os já bas an e idosos. A mais no a das esponden es em
65 anos e dois, um do sexo masculino ou o do sexo eminino, con am 88 anos.
Cu iosamen e não se egis a nenhum en e is ado na aixa e á ia en e os 70 e os 80
anos.
Na ca ego ia “Es ado ci il” a he e ogeneidade ambém p e alece endo-se en e is ado
7 casados, a maio ia, 3 iú os, e um sol ei o. Também não se egis ou en e is a a
nenhum di o ciado.
Quan o às habili ações li e á ias ambém há um g au azoá el de di e enças. As
habili ações dos nossos en e is ados ão desde os não al abe izados, 4, aos
en e is ados habili ados com g aus académicos, uma licencia u a e um bacha ela o, e
dois cump i am apenas o p imei o ciclo do ensino básico, ou pa e desse ciclo. Um dos
en e is ados comple ou o 2º ciclo do ensino básico e os es an es equen a am o
ensino secundá io.
As p o issões desempenhadas pelos nossos en e is ados são mui o simila es se
analisadas em unção das habili ações académicas já que odos os não al abe izados são
abalhado es u ais, sendo que as en e is adas de sexo eminino que não sabem le
nem esc e e são ambém abalhado as domés icas. Es a con ingência ica-se a de e a
ques ões cul u ais já que, po no ma e adição, o abalho da casa é semp e elegado
pa a as mulhe es.
No g upo de en e is ados com algumas habili ações as p o issões ão desde o ba bei o
ao p o esso de ma emá ica, passando po uma educado a de in ância e um emp egado
de esc i ó io.
Um dado que sob essaí nes a abo dagem ao pe il dos en e is ados é o ac o de odos
eles, independen emen e da idade, se encon a em ainda no a i o, ou seja, no exe cício
de alguma a i idade p o issional. Nem os mais idosos, e anal abe os, como o F2 de 88
anos e o M11 ambém com 88 anos, se ecolhe am à e o ma con inuando a da mos as
de alguma dinâmica p o issional nos seus campos de cul i o.
Des a cons a ação podemos desde já a e i , uma ez que dos qua o anal abe os odos se
man êm ocupados nas suas p o issões, que o ac o de não sabe le não é impedi i o
63
pa a a ealização das a e as do quo idiano dos nossos en e is ados. É de ealça
ambém o ac o de odos eles e em a mesma ocupação.
Nes e p imei o quad o de ca ac e ização sócio-demog á ica podemos conclui que o
ac o de desempenha uma p o issão con ibui pa a a ga an ia da independência dos
idosos e pa a a sua au onomia. Es á assim assegu ado nes e quad o o cump imen o de
um dos equisi os apon ados pelo OMS pa a que se egis e qualidade de ida e bem
es a na e cei a idade.
Na e dade e al com o disse am Hawkins, Binkley, Eklund e Gingyl, (1998) a
au onomia e independência uncional dos idosos passa pela ealização de a i idades
quo idianas, sem ajuda de e cei os, como os cuidados básicos: o es i , o oma banho e
o alimen a -se, mas ambém passa pela capacidade de desen ol e em a i idades
ins umen ais da ida diá ia como usa o ele one, cozinha , a uma a casa e
desen ol e a i idade de abalho (Hawkins, Binkley, Eklund & Gingyl, 1998).
1.2 – Comp eende a i ência dos ge on es
Tendo em is a a comp eensão das i ências dos ge on es amos ago a e em con a
os g upos de ques ões da en e is a que se elacionam com o sen imen o de pe ença à
comunidade; com o bem es a e segu ança e com a pa icipação em a i idades sócio-
cul u ais.
Quad o 2 – Relacionamen o in e pessoal dos en e is ados
Ca ego ia – Relacionamen o in e pessoal
Sub-ca ego ias
Unidades de egis o
Sujei os
Maio p oximidade com a
amília
“Tenho aqui a amília…”
F5
Relações de amizade
“Tenho aqui boas amigas.”
F2
A inidades
“Relações de izinhança”
M7
Vínculos com a ila
“Es ou cá desde dos 5 anos…”
“Há 51 anos que cá i o e gos o.”
F6
F4
O sen imen o de pe ença à comunidade ica pa en e no quad o onde se ap esen a a
ca ego ia do elacionamen o in e pessoal e que conside a as sub-ca ego ias: maio
p oximidade com a amília; elações de amizade; a inidade e ínculos com a ila.
De um modo ge al odos os esponden es de am no a de se sen i em in eg ados e
memb os e e i os da comunidade al como se pode e i ica em espos as como a da
en e is ada 3: “Sim pe ei amen e inse ida. Acho que es ou mui o inse ida no meio em
64
que i o po que já cá es ou há mui o empo e c esci aqui” (F3), ou na espos a do
en e is ado 7 “Sim, sin o-me inse ido na comunidade em que i o. Con i o com odas
as pessoas, enho aqui a amília e elações de izinhança.” (M7).
No conjun o en e is ados, e no quad o acima, pode-se e i ica que a ca ego ia
“ ínculos com a ila” é comum a odos eles o que deno a um sen imen o de pe ença
o e e po an o sen imen os de in eg ação na comunidade.
Esses ínculos são ainda e o çados pelas a inidades com a izinhança, o que e o ça o
sen ido de in eg ação comuni á ia, e pelas elações de amizade que se c ia am e se
i em com os izinhos al como deno a a nossa en e is ada 1: “Conheço as pessoas da
e a a é po que sou de Viana e alo com oda a gen e. Têm-se g ande con ac o com a
izinhança”.
Os esul ados ob idos pa a a análise da ca ego ia do elacionamen o in e pessoal não
podem se alheios ao ac o do nosso cená io de a uação se ca ac e iza po se uma
localidade do in e io alen ejano, um espaço u al onde as con e sas com os izinhos, os
pedidos de ajuda na po a do lado, os en a dece no banco do la go em amena
ca aquei a são equisi os adicionais e ainda mui o isí eis. Es e ac o pode se i de
sup imen o à lacuna que os g andes cen os u banos e é sob e udo uma o e en a e ao
isolamen o e à solidão que acompanha o na u al p ocesso de en elhecimen o al como
e e em Campbell e al. (1976).
Nes e quad o da ca ego ia do Relacionamen o in e pessoal dos en e is ados podemos
ambém conhece a ealidade de ida de um idoso anal abe o e cons a a que, dos 4
en e is ados, e no que diz espei o ao sen imen o de pe ença à comunidade, odos se
sen em in eg ados e, cu iosamen e de o mas mui o simila es. De uma o ma ge al odos
e ela am que os a o es que con ibuem pa a os seus sen imen os de pe ença à
comunidade são o ac o de e amigos e a amília po pe o. Apenas um e e iu o
abalho.
“Sim sin o. Tenho aqui boas amigas” (F2)
“Vi o em Viana há 51 anos e gos o. Tenho cá amília e em empos, abalho.” (F4)
“Sim. Es ou cá desde dos 5 anos e enho cá a amília” (F6)
“Já cá i o há mui os anos e enho cá a amília.” (M11)
No g upo “sen imen o de pe ença à comunidade” des aca-se ambém o ac o de 3 dos 4
en e is ados e em a i mado que não sen em p econcei o social pelo ac o de não se em
65
al abe izados e apenas um deu con a de exis ência de p econcei o e de o no a em
si uações em que seja solici ada a sua assina u a.
De um modo ge al a maio ia dos en e is ados ambém con i mou es a a pa das
mudanças sociais e apenas um, o en e is ado 9, sublinhou que não acompanha as
mudanças sociais.
Es e g upo de ques ões, impo an e pa a a alia a qualidade de ida dos ge on es e o seu
bem-es a , deno a abe u a social po pa e dos ge on es “menos elhos” às al e ações
na sociedade, sob e udo aquelas que es ão elacionadas com as no as ecnologias.
Cu ioso oi o ac o de odos os não al abe izados e em espondido da mesma o ma em
elação ao acompanhamen o das mudanças sociais. Todos disse am acompanha
“algumas mudanças”.
Pela análise global da sub-dimensão de ques ões que epo a am pa a o sen imen o de
pe ença à comunidade podemos a e i que os en e is ados sen em que êm um
en elhecimen o bem sucedido. Is o se conside a mos as pala as de Paúl e Fonseca,
ela i amen e à de inição pa a es e concei o:
“O concei o de «en elhecimen o bem-sucedido» ambém designado po
«en elhecimen o posi i o» ou «en elhecimen o com sucesso» su giu em 1960 e de inia
en ão um mecanismo de adap ação às condições especí icas da elhice, que a p ocu a
de um equilíb io en e as capacidades do indi iduo e as exigências do ambien e” (Paúl
& Fonseca,2005, p.281).
66
Quad o 3 – Sal agua da da P i acidade
Ca ego ia – Sal agua da da p i acidade
Sub-ca ego ias
Unidades de egis o
Sujei os
Auxílio de e cei os
“Vi o com o meu ilho que sabe le .”
“No caso da co espondência é a amília
que lê.”
“A minha ne a ajuda
em udo o que é
necessá io.”
“Po ezes enho que pedi á minha ilha
ou gen o que leiam e expliquem po que
me sin o ul apassado em ce as e mos
u ilizados.”
F2
F
6
F
4
M9
Au onomia
“Leio ca as, ou as comp as…”
M7
No g upo de ques ões da en e is a que a e iam sob e a i ência dos ge on es, e na
ca ego ia do bem-es a e segu ança damos des aque à sal agua da da p i acidade pois
que es a es á di e amen e ligada ao ac o de se sabe ou não sabe le .
No quad o ap esen ado pode-se obse a que os ge on es en am ga an i a sua
p i acidade dando os seus documen os a le a amilia es. Nenhum dos en e is ados
anal abe os e e iu pedi ajuda a izinhos ou es anhos.
Po aqui se deno a que, embo a incapaci ados pelo ac o de não le em, es es
en e is ados p ezam a sua p i acidade e que, ainda que possam con a com ajuda dos
amilia es essa p i acidade é semp e limi ada.
Há ainda no quad o ap esen ado um en e is ado (M9) que apesa de al abe izado, com
o 6º ano, econhece necessi a de ajuda na lei u a da sua co espondência e ou os
documen os po não pe cebe con ex os e e mos: “ enho que pedi há minha ilha e
gen o que leiam e expliquem pois sin o-me ul apassado em ce os e mos u ilizados.”
(M9).
Sendo ce o que a segu ança é um dos pa âme os undamen ais apon ados pela OMS
pa a que possa ha e en elhecimen o bem-sucedido e sendo ce o ambém que, mesmo
que se a em de amilia es, os idosos anal abe os não podem e a sua p i acidade, e
po an o segu ança, ga an ida podemos dize que o anal abe ismo é um a o de
impedimen o pa a que o en elhecimen o com sucesso acon eça na sua pleni ude.
67
De ac o e al como Ma ques (2010) sublinhou o en elhecimen o a i o, e bem-sucedido,
é o “p ocesso de o imiza as opo unidades pa a a saúde; pa icipação social e
segu ança” (Ma ques, 2010, p. 30).
No e-se ainda que, al como Mo a e Ca alho (1999) de ende am, pa a se en elhece
bem, não bas a se -se saudá el, é necessá io pa icipa na sociedade com segu ança,
espei o e coope ação en e as ge ações.
Se a en a mos com cuidado nes a úl ima a i mação, e conside ando os dados ob idos
pa a a ca ego ia “sal agua da da p i acidade” emos que, apesa de udo o que se disse,
há um espei o e uma coope ação en e as ge ações.
Quad o 4 - Pa icipação em a i idades socio-cul u ais
Ca ego ia – Ac i idades sócio-cul u ais
Sub-ca ego ias
Unidades de egis o
Sujei os
Pa icipação em
ac i idades socio
-
cul u ais
“Faço olun a iado numa O icina Abe a
onde há ocas in e ge acionais e en o
pa icipa na pa e despo i a aqui do
concelho.”
F3
Assis i /Compa ece
“Sim quando é do meu ag ado”
“Só ou a es as no cine ea o onde
pa icipam os meus ne os.”
M9
M8
In e esse
“Não, não enho in e esse em sabe .”
M11
Nenhum dos en e is ados dos que não sabem le nem esc e e disse pa icipa em
a i idades sócio-cul u ais.
Em ace dos esul ados ob idos e i icamos que odos os esponden es disse am não
pa icipa e não e in e esse em pa icipa em a i idades sócio-cul u ais.
“Não cos umo pa icipa em nada nem quando e a no a.” – F2
“Não nem enho in e esse em sabe .” – F4
“Não. Só gos o de e passa a oma ia a ca alo.” – F6
“Não.” – M11
Assim, e endo em con a as di e izes da OMS (2002) pa a um en elhecimen o a i o e
bem-sucedido podemos dize que os idosos en e is ados não se enquad am nas
o ien ações des a o ganização mundial já que es a ambiciona que os ge on es pa icipem
na sociedade, le ando em con a as suas necessidades, desejos e capacidades e, ao
68
mesmo empo, lhes seja p opo cionada p o eção, segu ança e saúde (OMS/INPEA,
2002).
A mesma o ganização (OMS, 2002) diz ainda que o en elhecimen o a i o pode
se pe cebido como um p ocesso de o imização das opo unidades pa a a saúde,
pa icipação e segu ança com o obje i o de melho a a qualidade de ida das pessoas.
Segundo a nossa pe ceção ace aos dados demons ados os idosos en e is ados
de am no a de não pa icipa em em a i idades sócio-cul u ais po uma ques ão cul u al.
Po es a em habi uados a isso desde semp e e não elaciona am o ac o com a al a de
capacidade de lei u a e esc i a. No en an o, e po que odos demons a am a mesma
endência, es amos em c e que al ac o em a e com as suas si uações de não
al abe izados.
Pa a co obo a com mais pe se e ança es a obse ação lemb amos algumas das
espos as dos idosos al abe izados às ques ões do g upo “comp eende a i ência dos
ge on es” que diziam di e amen e espei o à subca ego ia da pa icipação em a i idades
sócio-cul u ais:
“Sim. F equen ei cu sos de abalhos manuais, de compu ado es. Fui a excu sões e ou
quando posso assis i a espe áculos de ea o, ados”. – F1 (7º. Ano de escola idade).
“Sim. Eu pe enço ao Banco de Volun a iado Local (Viana), aço olun a iado numa
O icina Abe a onde há ocas in e ge acionais e en o pa icipa na pa e despo i a
aqui no concelho.” – F3 (Bacha ela o em Educação de In ância).
Sendo ce o que alguns idosos com escola idade mínima ambém ga an i am não
pa icipa em a i idades sócio-cul u ais a di e ença en e os al abe izados e os não
al abe izados le a-nos a a i ma que o obje i o especí ico po nós delineado e que se
p endia com o ac o de pe cebe se o anal abe ismo é causa de al a de pa icipação
social do idoso se e i ica nes e con ex o.
1.3 A alia os conhecimen os dos ge on es
Tendo em is a o ní el de conhecimen os dos ge on es amos ago a e em con a o
g upo de ques ões da sub-dimensão “Impo ância da al abe ização”.
69
Quad o 5 – Impo ância da al abe ização
Ca ego ia – Al abe ização
Sub-ca ego ias
Unidades de egis o
Sujei os
Pouca cul u a
“A ele isão az mui a companhia e sem
sabe le há coisas que se ica sem pe cebe .”
F1
Cul u a ge al
“Gos o mui o de le , enho um li o na
mesinha de cabecei a. Acabei de le um.
Esc e e não an o mas esc e o, não sou
mui o amiga de anda a esc e e …po que há
o compu ado . Hoje em dia já ninguém usa
esc e e ca as mas esc e o no compu ado .
Eu quando abalha a inha mesmo que aze
ela ó ios, planos. Dedica a
-
me mais à
esc i a do que ago a. Ago a é mais a lei u a.”
F3
Lei u a ins ói
“Sim cla o po que sem sabe pa ece que
andamos de olhos echados
.”
F6
In o má ica
“Não pe cebo nada é de ecnologias,
nomeadamen e o compu ado .
”
M7
In e io
“É mui o impo an e po que quando não
sabemos só azemos igu as is es.
”
F5
P i acidade
“Não é sal agua dada a p i acidade das
pessoas po que p ecisam da ajuda de ou em
pa a qualque coisa a é pa a le uma ca a,
pa a le uma coisa qualque
.”
F3
In e ação com o meio
“Sim, enho aqui a amília, amizades e
ambém nunca sai daqui
.”
F5
No quad o 5, onde se az um esumo das espos as ob idas ás ques ões que se p endiam
com os conhecimen os dos ge on es, nomeadamen e, com as ques ões da al abe ização
podemos e que odos, al abe izados e não al abe izados, conside am a lei u a essencial
pa a as suas idas.
Na subca ego ia “pouca-cul u a” o esponden e ansc i o dá con a de que o ac o de não
sabe le impede a boa comp eensão de p og amas ele isi os e de assun os que são
di ulgados ambém nesse meio de comunicação social.
Na subca ego ia da cul u a ge al selecionamos a espos a da en e is ada 3, que em
o mação académica, e po essa espos a podemos e que a sua “ elhice” é
70
acompanhada de mui as lei u as e além disso ambém es á amilia izada com as no as
ecnologias, embo a econheça não eco e a elas mui as ezes.
Na subca ego ia “lei u a ins ói” ambém odos os esponden es, mesmo os não
al abe izados, esponde am a i ma i amen e.
No g upo das ques ões que p e endiam analisa as ap idões dos esponden es pa a com a
in o má ica as espos as ob idas o am mais di e si icadas indo desde aqueles que
nunca i e am con a o com um compu ado como o exemplo ex aído pa a o quad o 5,
aos que se eco em dessa ecnologia com equência: “F equen ei cu sos de abalhos
manuais, de compu ado es”, (F1).
Na subca ego ia que p e endia analisa a exis ência, ou não, de sen imen os de
in e io idade algumas das espos as ob idas o am concluden es ais como:
“Se i esse abalhado o a de casa al ez i esse on ade e mo i ação pa a al. Hoje
em dia es a ia melho inancei amen e pois não es a a dependen e inancei amen e,
inha a minha e o ma.” - F1 (7º. Ano de escola idade).
“Sim.” – F4 (não al abe izado).
“Sim enho pena de não e con inuado a es uda .” – F5 (1ª. Classe)
“Sim de ce eza”. – M11 (não al abe izado).
T ês dos inqui idos esponde am não se sen i em in e io es ace aos ní eis de
conhecimen os que êm.
Na subca ego ia “p i acidade” e al como podemos e pela espos a selecionada pa a
ilus a o Quad o 5 emos que a p i acidades dos ge on es não al abe izados, e mesmo
daqueles que apesa de e em ido à escola a equen a am po poucos anos, não es á
ga an ida. Os idosos que não sabem le , nem esc e e , êm que pedi ajuda a e cei os
pa a desempenha algumas unções do seu dia-a-dia, nomeadamen e a lei u a da sua
co espondência. Ainda que se a e de ajuda de amilia es di e os dep eende-se que
es es ge on es es ão semp e dependen es de alguém pelo ac o de não e em ap endido a
lei u a.
Finalmen e na subca ego ia “in e ação com o meio” e i icamos que, an o os idosos
não al abe izados como os idosos al abe izados, in e agem em elações de amizade com
os seus izinhos e amilia es p óximos.
Tal como e i icamos no subcapí ulo an e io não há, da pa e da maio ia dos
en e is ados uma p opensão egula à pa icipação em a i idades sócio-cul u ais sendo
que en ão a ques ão da in e ação ica elegada pa a o plano das a e i idades e dos
elacionamen os in e pessoais.
71
“Conheço as pessoas da e a a é po que sou de Viana e alo com oda a gen e. Têm-se
g ande con ac o com a izinhança.” – F1 (7º. Ano de escola idade)
“Tenho aqui boas amigas” – F2 (não al abe izado)
“Acho que es ou mui o inse ida no meio em que i o po que já cá es ou há mui o empo
e c esci aqui” – F3 (Bacha ela o em Educação de In ância)
“Sim, enho aqui a amília, amizades e ambém nunca sai daqui.” – F5 (1ª. Classe).
“Sim, sin o-me inse ido na comunidade em que i o. Con i o com odas as pessoas,
enho aqui a amília e elações de izinhança.” – M7 (4º. Ano)
Quad o 6 – Momen os em que a lei u a e a esc i a são impo an es
Ca ego ia – P á ica da lei u a e da esc i a
Sub-ca ego ias
Unidades de egis o
Sujei os
Tele isão
“Sim leio as no ícias na ele isão e no
jo nal
.”
M8
Auxilia os ne os
“Ajudo nos abalhos de casa dos meus
ne os
.”
F1
Bulas de medicamen os
“Leio as bulas dos medicamen os.”
M7
Recei as de culiná ia
“Esc e o ecei as de culiná ia quando
necessá io
,”
F1
Lis a de comp as
“Esc e o nomes, núme os de ele one, lis a
de comp as.
”
F5
Pelo quad o ap esen ado (Quad o 6), onde cons am espos as ob idas jun o de
en e is ados al abe izados, podemos a e i que a lei u a e a esc i a azem pa e de
mui os momen os do quo idiano dos esponden es.
Vamos ago a analisa os mo i os que es ão po de ás da não al abe ização dos ge on es
a a és das espos as ob idas na aplicação do nosso ins umen o.
78
p oblema e implica o econhecimen o, o mais complexo possí el, da si uação objec o de
es udo. É con enien e examina a ealidade a es uda , as pessoas, o meio en ol en e, as
ca ac e ís icas e as ci cuns âncias que incidi ão no desen ol imen o do p ojec o.”
(Se ano, 2008).
Suges ão pa a a implemen ação do p oje o
O p oje o designa-se “Sabe le Sem idade” e des ina-se aos idosos anal abe os
do concelho de Viana do Alen ejo. O obje i o p incipal do p oje o é a melho ia da
qualidade de ida dos idosos a a és da educação, ul apassando a lacuna da al a de
lei u a nas suas idas que é um cla o en a e à sua inclusão social.
Po encialidades iden i icadas
- E icácia do mé odo Paulo F ei e
- Bom elacionamen o in e associações no concelho de Viana do Alen ejo
-Desen ol imen o de a i idades em pa ece ia
-Amplo leque de in e enção (uma ez que as ações não se es ingem ao p ocesso
al abe izado )
- A Língua e a Li e a u a como meio pa a a ealização de a i idades di e sas
Público-Al o
O público-al o do p oje o são odos os idosos anal abe os esiden es em Viana do
Alen ejo e ou os idosos habi an es do mesmo concelho com g au de ili e acia ele ado.
Ope acionalização do p oje o
x P omoção de ações e de sessões de escla ecimen o jun o dos al os a
in e enciona com is a a o nece aos mesmos in o mações e escla ecimen os
sob e os obje i os da o mação, isando, ao mesmo empo, mo i a e incen i a
os indi íduos a pa icipa em das inicia i as.
x P omo e ações de in e ação e ap oximação mú ua ( o mado - o mando).
79
x Faze o le an amen o das pala as mais comuns à linguagem do público-al o
pa a cump i o obje i o de espei a e p omo e o linguaja ípico.
x Escolhe as pala as a usa du an e o p ocesso de ap endizagem da lei u a em
con o midade com a oné ica das mesmas e seguindo o c i é io da mais simples
pa a a mais complexa.
x C ia si uações de in e ação que p i ilegiem a ealidade local e o modo de ida
dos ge on es e que lhes possibili e dialoga em o ma o de análise c í ica sob e
os seus p oblemas e os p oblemas locais.
x C ia ichas de pala as, a pa i do le an amen o ei o das pala as p e e idas
dos ge on es, e c ia amílias de pala as e pala as ge ado as.
x Planea a c iação de Clubes de lei u a in e ge acionais p omo endo não só a
lei u a mas ambém a cul u a popula com as lengalengas, a alínguas, imas.
x Concebe hábi os de lei u a dis ibuindo jo nais, e is as e li os po a à po a.
x P omo e a c iação de e en os que p omo am a pa icipação dos ge on es, ais
como, ea os.
x Incen i a a ida à biblio eca a a és de isi a p é ia ao espaço dando a conhece
não só o sí io mas ambém o que o e ece.
x O ganiza Sa aus de lei u a onde os ge on es podem le li os, poesia.
x Te úlias li e á ias, em que um g upo de pessoas conhecidas (indi idualidades
do concelho) em ala sob e um li o, o au o do li o. Pa a despe a nos
ge on es o in e esse pela lei u a desse li o e, na sequência dessa e úlia az-se
um passeio li e á io.
Po exemplo, uma e úlia sob e Eça de Quei ós e o li o a Cidade e as Se as e
depois az-se um Passeio a To mes (Baião) que é a eguesia onde es á a casa de
Eça de Quei ós e que se iu de inspi ação ao au o pa a aquele li o.
80
O p oje o “Sabe le Sem idade”, cuja p opos a oi ago a ap esen ada, e que em po
p incípal obje i o a melho ia da qualidade de ida dos idosos de Viana do Alen ejo,
pode, de ac o, se i de a ma nes e comba e que em indo a se a ado con a o
anal abe ismo no nosso país. A e dade é que os idosos o am sendo deixados pa a ás
nes e p ocesso e mesmo quando os adul os o am chamados a ap ende a a és de
p og amas como o da Validação e Ce i icação de Compe ências os mais elhos
con inua am de o a dos p ocessos de iniciação e con ac o com as le as e a lei u a.
Ainda assim, e al como ac edi amos, não há ho a, nem luga nem idade ma cada pa a
se ap ende .
81
Conclusões
O obje i o ge al da p esen e in es igação p endia-se com a necessidade de
in es iga de que o ma é que a al abe ização pode con ibui pa a o bem-es a do idoso
mas a espos a a es e obje i o em conc e o não oi ácil de a e i a a és do ins umen o
aplicado a uma amos a cons i uída po onze idosos, sendo qua o deles anal abe os,
pois que os en e is ados incapazes de le e de esc e e não de am mos as e iden es de
insa is ação ace à sua condição de anal abe os. A esignação pa eceu se o sen imen o
ge al.
A e dade é que, al como Paúl, Fonseca, Ma ín e Amado (2003) deixa am
cla o é mui o comum aos mais idosos desen ol e em um sen imen o de esignação com
os ac os e as ci cuns âncias das suas idas. Es a endência obse a-se, sob e udo, no
nosso país pelo que ajuda a aze anspa ece a imagem de que o en elhecimen o es á a
se conseguido com sucesso.
De ac o, no nosso país, e al como já a i mamos em capí ulos an e io es, a isão
do en elhecimen o bem-sucedido e a é da qualidade de ida es á in imamen e ligada a
essa capacidade de esiliência às mais a iadas us ações e pe das a que os indi íduos
são sujei os ao longo da suas idas, ao mesmo empo que se ajus am e adap am às
ci cuns âncias que condiciona am as suas caminhadas pa a a idade madu a.
Não é, po isso, de es anha que os idosos en e is ados, em ep esen ação de um g upo
maio de idosos nas mesmas condições, não enham mani es ado on ade de ap ende a
le e a esc e e nos anos madu os das suas idas ão pouco podem es as ilações se i de
impedimen o à ealização de p oje os que isem o es ímulo da lei u a e da esc i a jun o
das populações mais en elhecidas.
Na e dade pa ece e icado e iden e, a a és da análise e discussão de
esul ados, que se anal abe o é um handicap pa a a ida do ge on e an o no que diz
espei o à ealização das suas a e as quo idianas, como le co espondência, ou bulas de
medicamen os, como no que diz espei o às suas emoções, ainda que dis a çadas sob o
signo da esiliência. Os idosos são dependen es de e cei os pa a a ealização de mui as
a e as e p i am-se de pa icipa na ida a i a da sociedade pelo ac o de não e em
acesso acili ado à in o mação.
Reco demos que no g upo não al abe izado da nossa amos a nenhum ge on e
pa icipa a de ações sócio-cul u ais.
82
No que diz espei o à hipó ese 2 que a ançamos na o mulação empí ica do nosso
es udo pensamos que, em Viana do Alen ejo, não se egis a disc iminação po pa e da
comunidade em elação ao idoso que não sabe le , pelo mo i o de não sabe le . Ao
in és disso egis ou-se um sen imen o de solida iedade pa a com esses idosos sob e udo
po pa e dos amilia es e dos izinhos.
Quan o à hipó ese núme o 3, que p e endia es abelece que a al abe ização
es imula o aumen o de con iança e au o-es ima do idoso, apesa de não e sida
econhecida di e amen e pelos idosos anal abe os oi cla amen e econhecida pelos que
sabiam le o que comp o a a necessidade de se in e enciona a população anal abe a e
ile ada.
Tendo em con a os exemplos de boas p á icas ap esen ados na pa e eó ica do
p esen e es udo e análise e e uada ao mé odo de Paulo F ei e a ançou-se uma p opos a
de in e enção pa a al abe ização dos idosos esiden es em Viana do Alen ejo que e e
po modelo de cons ução os pila es, ou ases, p opos os po esse o mado .
Ce os de que o sabe não ocupa luga e sob e udo, cien es de que a pessoa anal abe a
não é capaz de le a a cabo a i idades que exijam o exe cício da lei u a, al como
a i mou Ga cia (1990) concluí-se o p esen e es udo com a i mação de que u ge
al abe iza pa a melho a a qualidade de ida dos ge on es e pa a ga an i que odos
enham um en elhecimen o bem sucedido.
Du an e a execução do es udo que ago a se ap esen a oi no ó ia a esignação e o
sen ido de con o mismo que os idosos inham em elação ao seu anal abe ismo e esse
ac o oi sen ido como um en a e à ob enção de espos as. Na e dade a amos a
conside a a ão no mal o ac o de não sabe le que pa ecia não consegui enxe ga o
mundo de uma ou a o ma.
Assim, e endo em con a es e ac o pensa-se que no u u o se pode á i a aze um no o
es udo que con abilize ambém a ques ão da esignação e a explique de uma o ma mais
ap o undada do que aquela que aqui oi ei a.
83
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