Re is a Tempo e A gumen o, Flo ianópolis, . 9, n. 22, p. 174 - 197, se ./dez. 2017.
p.174
e-ISSN 2175-1803
Na a i as nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial
de p o esso es p imá ios espanhóis1
Resumo
Nes e abalho, o am analisadas as compe ências de
pensamen o his ó ico e a p esença de ca ac e ís icas de
na a i a nacional en e 283 es udan es espanhóis do G au
de Licencia u a em Ensino P imá io de Mu cia e de
Valência. Examina am-se os seus ela os his ó icos sob e a
expansão c is ã na Península Ibé ica em e i ó io
muçulmano du an e a Idade Média. U iliza am-se mé odos
quali a i os pa a iden i ica os ní eis de complexidade da
exposição a pa i de conhecimen os subs an i os e
concei os me odológicos, e uma a aliação quan i a i a
pa a elaciona esses ní eis de complexidade com os ní eis
cogni i os e na a i os, a a és da axonomia SOLO.
Também se a aliou em que medida se ep esen am
elemen os discu si os p óp ios de uma na a i a nacional.
Os esul ados con i mam uma educação his ó ica
de icien e dos u u os p o esso es p imá ios, an o em
concei os his ó icos de segunda o dem quan o na
ep odução de uma na a i a nacional já caduca pela
his o iog a ia. Também se con i mou que a p esença e
complexidade do pensamen o his ó ico nas na a i as é
maio quan o maio é o ní el e pe inência dos con eúdos
his ó icos subs an i os.
Pala as-cha e: Pensamen o His ó ico. Na a i a Nacional.
Fo mação Inicial do P o esso . Educação His ó ica.
Jo ge Sáiz Se ano
Dou o em Geog a ia e His ó ia pela
Uni e sidade de Valencia. P o esso associado
na mesma Uni e sidade.
Valencia - Espanha
[email p o ec ed]
Cosme Jesús Gómez Ca asco
Dou o em His o ia pela Uni e sidade de
Cas illa - La Mancha. P o eso da
Uni e sidade de Mu cia.
Mu cia - Espanha
[email p o ec ed]
Ramón López Facal
Dou o em His o ia pela Uni e sidade de
San iago de Compos ela. P o esso na
mesma Uni e sidade.
San iago de Compos ela - Espanha
[email p o ec ed]s
Pa a ci a es e a igo:
SÁIZ SERRANO, Jo ge; GÓMEZ CARRASCO, Cosme Jesús; LÓPEZ FACAL, Ramón. Na a i as
nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial de p o esso es p imá ios espanhóis. Tempo
e A gumen o, Flo ianópolis, . 9, n. 22, p. 174 - 197, se ./dez. 2017.
DOI: 10.5965/2175180309222017174
h p://dx.doi.o g/10.5965/2175180309222017174
1
Es e abalho con ou com inanciamen o dos p oje os de in es igação coo denados EDU2012-37909-C03-
01 e EDU2012-37909-C03-03 do Plano Nacional de I+D+i (MINECO, do Go e no de Espanha), de undos
FEDER da UE e das edes de excelência: Red14 e NEDAT.
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Jo ge Sáiz Se ano, Cosme Jesús Gómez Ca asco, Ramón López Facal
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Na ional Na a i es and
His o ical Compe encies in
Spanish Ini ial Teache T aining
Abs ac
This pape analyzes his o ical hinking skills and he
p esence o elemen s o a na ional na a i e among 283
s uden s a G ade o P ima y Educa ion in Mu cia and
Valencia, u u e p ima y eache s in Spain. I 's analyzed
hei na a i es abou Ch is ian expansion in o Muslim
e i o y in Medie al Ibe ian Peninsula: i 's an his o ical
con en linked o he Spanish na ional na a i e.
Quali a i e me hods a e used o de e mine le els o
na a i e complexi y in subs an i e con en s and in
me hodological knowledge o second o de concep s.
I 's also used a quan i a i e assessmen o le els o
complexi y and i s ela ion o cogni i e le els o w i en
using he SOLO axonomy. I 's also assessed he
p esence o discu si e elemen s o a na ional na a i e.
The esul s con i m a poo his o ical educa ion o u u e
eache s o P ima y Educa ion in second o de concep s
and in he ep oduc ion o na ional na a i es. I is also
con i med ha he p esence and complexi y o
his o ical hinking in na a i es is highe he highe he
le el and ele ance o subs an i e his o ical con en .
Keywo ds: His o ical Thinking; Na ional Na a i es;
Ini ial Teache T aining; His o y Educa ion.
In odução
As na a i as his ó icas são uma impo an e on e de in o mação pa a in es iga o
conhecimen o his ó ico e a capacidade de lhe da signi icado, al como o demons am
nume osos es udos, ais como os de Ba ca (2015), Hen íquez e Ruíz (2014), K opman, Van
Box el e Van D ie (2015), Lé esque, C o eau e Gani (2015), Sáiz e López Facal (2015 e 2016)
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e San , González, San ies eban, Pagès e Olle (2015). Os ela os his ó icos dão uma
imagem dos ní eis de comp eensão e ap endizagem dos sujei os in es igados:
con ibuem com um e a o subs an i o do passado e in o mam sob e o conhecimen o e
o uso das compe ências do conhecimen o his ó ico. Es e es udo assume ambas as
pe spec i as pa a analisa ela os de p o esso es p imá ios em o mação sob e a
expansão c is ã na Península Ibé ica du an e a Idade Média com p ejuízo pa a os
muçulmanos. Examina am-se ex os de 283 es udan es do G au de Licencia u a em
Ensino P imá io de duas uni e sidades espanholas (Valência e Mu cia), aplicando uma
pe spe i a quan i a i a e quali a i a. O obje i o é duplo: em p imei o luga , o de es uda a
o ganização discu si a dos abalhos esc i os des es u u os p o esso es p imá ios pa a
conhece os seus ní eis de compe ência his ó ica como ap idão me odológica p óp ia da
disciplina de His ó ia (DOMÍNGUEZ, 2015). Em segundo luga , o de analisa o con eúdo
dos e e idos ela os sob e o pe íodo medie al peninsula pa a comp o a o g au de
mediação do que se conside a como na a i a nacional espanhola, com a p esença de
es e eó ipos e ma cos do ela o da “Reconquis a” c is ã sob e os muçulmanos e o uso de
ma cado es discu si os de iden i icação nacional (SÁIZ, 2015).
Es e abalho insc e e-se no pa adigma de didá ica da his ó ia conhecido como
pensamen o his ó ico (his o ical hinking), assumido no Canadá e nos Es ados Unidos po
au o es como Cla k (2011), Lé esque (2008), Seixas (2011), VanSled igh (2011 e 2014) e
Winebu g (2001), embo a a sua o igem se si ue na ino ação e in es igação em didá ica da
his ó ia a pa i dos anos 70-80 no Reino Unido (LEE, 2005). A pe spec i a do pensamen o
his ó ico oi sin e izada na Espanha po Domínguez (2015), Gómez e Mi alles (2015),
Gómez, O uño e Molina (2014) Sáiz (2015) e Sáiz e López Facal (2015). De aco do com
es e modelo, há dois ipos de con eúdos his ó icos. Po um lado, os con eúdos
subs an i os ou de p imei a o dem, con eúdos de his ó ia, ou seja, o que sabemos do
passado sob a o ma de dados, da as, pe sonagens, concei os e a os. Po ou o lado, os
con eúdos es a égicos de segunda o dem, ou concei os me odológicos, con eúdos
sob e his ó ia, que dize , como se ep esen a o passado e que signi icado lhe a ibuímos;
são ap idões elacionadas com as compe ências do his o iado que conside amos
compe ências his ó icas. Um dos ins umen os pa a as in es iga , bem como pa a as
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ensina , é eco e às na a i as his ó icas. Es e es udo analisa, nos 283 ela os, qua o
ca ego ias das e e idas compe ências his ó icas con o me a p opos a ealizada po
Seixas e Mo on (2013) e inco po ando ou as (LÉVESQUE, 2008; VANSLEDRIGHT, 2014;
DOMÍNGUEZ, 2015). Em p imei o luga , a compe ência de ele ância his ó ica en endida
como o g au de anscendência e alo que se concede ao enômeno ela ado na sua
ligação com ou os. Em segundo luga , a de causalidade, como a ap idão pa a expo o
enômeno in eg ando as múl iplas causas que o explicam. Em e cei o luga , a de empo
his ó ico, como a ap idão pa a desc e e as al e ações do enômeno usando o empo de
o ma lexí el. E, inalmen e, a ca ego ia de dimensão é ica ou consciência his ó ica, como
a aculdade pa a alo iza o enômeno elacionando-o an o com o seu con ex o quan o
com o p esen e. Como complemen o analí ico pa a a o ganização das na a i as, ambém
eco emos à axonomia elabo ada po J. Biggs e C. Tang (2007) conhecida po SOLO
(S uc u e o he Lea ning Ou come), uma e amen a c iada pa a o ensino supe io que
ca ego iza os ní eis de complexidade do pensamen o aplicado a abalhos esc i os
ela i amen e a um ema, pa indo de ní eis básicos ou de econhecimen o, a é ní eis de
abs ação p o unda.
O es udo de ela os his ó icos ambém pe mi e que nos ap oximemos ao g au de
mediação cul u al de esquemas na a i os p eexis en es. De a o, a pa i da psicologia
social podemos comp eende as ep esen ações sociais do passado median e a noção de
“ação mediada” (WERSTCH, 2002): es a pe spec i a baseia-se em que as e e idas
ep esen ações deco em do consumo e uso que as pessoas açam de na a i as já
exis en es, en endidas como e amen as cul u ais a modo de eo ia implíci as. We s ch
(2002 e 2004) dis ingue dois g andes ipos de na a i as: po um lado, os esquemas
na a i os mes es ou na a i as mes as que ope am como modelos cons uídos num
con ex o social e pa ilhados no seio de um cole i o que condicionam as ep esen ações
sociais do passado; po ou o lado, as na a i as especí icas, en endidas como discu sos,
usos ou consumos dessas na a i as mes as ge adas pelas pessoas ou pelos cole i os,
podendo se de na u eza mui o di e sa. Es e modelo eó ico pode, de ce a o ma,
aplica -se às na a i as nacionais e aos di e en es discu sos, usos e ep esen ações do
passado ge ados po pessoas e g upos. As na a i as nacionais, bem como a his ó ia
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o icial di undida po um Es ado-nação, uncionam como na a i as mes as que medeiam
ou condicionam as ep esen ações sociais sob a o ma de na a i as especí icas (com as
suas pe sonagens, e en os, e c.) c iadas po indi íduos e po g upos.
Essa mediação e i ica-se an o no con eúdo quan o na o ma. Na o ma, segundo
o sujei o na a i o a ue e a p imei a pessoa do plu al seja u ilizada e elando di e en es
o mas de iden i icação, ais como gêne o ou g upo, sendo uma delas, a nacional
(BARTON e LEVSTIK, 2004; PLÁ, 2005). Pa a es e es udo, é impo an e obse a o g au e a
o ma em que se usa a p imei a pessoa do plu al; que o p onome “nós” que o
possessi o “nosso”, bem como o ecu so essencial a e e ências explíci as à Espanha ou
aos espanhóis na Idade Média. Is o cons i ui uma ca ac e ís ica especí ica das na a i as
nacionais (CARRETERO e BERMÚDEZ, 2012; LÓPEZ, CARRETERO e RODRÍGUEZ-MONEO,
2015).
No que diz espei o ao con eúdo, a mediação na a i a ambém se cons a a na
p esença de a os, pe sonagens e e mos p óp ios de uma na a i a nacional espanhola
do pe íodo medie al. Conside amos aqui a exis ência de uma na a i a nacional sob e a
his ó ia da Espanha, cons uída ao longo do século XIX, du an e a consolidação do
Es ado-nação e do nacionalismo espanhol, embo a di undida em g ande escala ao longo
do século XX. Um ela o com con eúdos essencialis as que emon a ia à unidade da
“Espanha” (com on ei as es á eis ou com uma unidade e i o ial) ou à o igem de um
cole i o de “espanhóis” a pe íodos p é-con empo âneos (LÓPEZ FACAL e SÁIZ, 2016).
En e eles, êm peso os do pe íodo medie al, pois conside am a expansão c is ã em
e i ó io muçulmano como um p ocesso de ges ação da Espanha, p ocesso pa a o qual,
no inal do século XIX, se cons uiu o concei o de “Reconquis a”, uma c iação
his o iog á ica que con e iu alo pa ió ico a um ocábulo já exis en e (RÍOS, 2011).
Desde en ão, in eg ou-se no ela o undacional da iden idade espanhola a expansão
c is ã como “Reconquis a”. Pa alelamen e, conside a-se o e i ó io e o pe íodo
muçulmano, o Al-Andalus, a pa i de um plano secundá io e como uma al e idade, mais
em e mos cul u ais, como ase de con i ência mul icul u al e/ou de esplendo cul u al.
A ualmen e, os manuais escola es de his ó ia p i ilegiam o conhecimen o decla a i o da
mudança polí ica, como uma sucessão de e apas e espaços de Al-Andalus aos einos
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c is ãos e u ilizam o e mo “Reconquis a”, um concei o que conse a o seu con eúdo
iden i á io (SÁIZ, 2015). Na a ual his o iog a ia medie al ambém pe du a o e e ido
e mo já que se de ende a sua u ilidade pa a ca ac e iza o enômeno e pe íodo de
expansão c is ã medie al sob e o Islão peninsula : embo a se econheça a sua na u eza
de jus i icação ideológica a pos e io i, não se c iou uma denominação al e na i a.
Mé odo
Obje i os
P e endeu-se iden i ica nos ela os de u u os docen es do Ensino P imá io os
ní eis de compe ência his ó ica e o g au de mediação da na a i a nacional espanhola.
Es a inalidade oi abo dada com qua o obje i os:
Comp o a o uso de concei os his ó icos me odológicos nos seus ela os, que
indicam como o ganizam his o icamen e os con eúdos.
Classi ica a complexidade e a coe ência do seu discu so com a axonomia SOLO.
De e mina quais con eúdos subs an i os ap esen am os ela os sob e a conquis a
c is ã do e i ó io muçulmano e, den o des es, a p esença de es e eó ipos p óp ios da
na a i a nacional espanhola.
Reconhece ma cado es discu si os de iden i icação nacional; que o uso da
p imei a pessoa do plu al, que a e e ência à Espanha ou aos espanhóis no pe íodo
ela ado.
População e amos a
Pa icipa am da pesquisa es udan es do G au de Licencia u a em Ensino P imá io
que equen a am a úl ima disciplina ob iga ó ia da á ea de Didá ica das Ciências Sociais
nas Uni e sidades de Valência e Mu cia, no ano le i o 2014/2015. T a ou-se de uma
amos a p obabilís ica: odos os g upos que equen a am as disciplinas i e am as
mesmas possibilidades de se escolhidos. Realizou-se uma amos agem não
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es a i icada, pois o am escolhidos seis dos ca o ze g upos (num o al de 283 alunos), o
que signi ica 42% da população o al.
Tabela 1.
Núme o de es udan es que pa icipa am na in es igação po uni e sidade
F equência
Pe cen agem
Uni e sidade de Mu cia
151
53,4
Uni e sidade de Valência
132
46,6
To al
283
100
Ins umen o
Os uni e si á ios edigi am um ex o de sín ese do p ocesso de conquis a c is ã do
e i ó io muçulmano na Península Ibé ica medie al, na aula da disciplina de Didá ica das
Ciências Sociais e no início do ano le i o (se emb o-ou ub o de 2013). Pa a minimiza as
in e e ências, não se deu qualque indicação de ex ensão, con eúdo ou o ma. Apenas
lhes oi di o que imaginassem como des ina á io ou o docen e es angei o em o mação
que desconhecesse o ema po comple o. Os ela os des e ipo são um ins umen o
habi ual pa a a alia concei os me odológicos his ó icos e analisa a ep esen ação social
do passado e a sua elação com a memó ia cole i a. O con eúdo pedido, a expansão
c is ã medie al na península ibé ica muçulmana, leciona-se no ensino básico (P imá io e
Secundá io) e no P é-Uni e si á io, e es á p esen e nos âmbi os de socialização
quo idiana, que no olclo e e adições popula es – es as de “mou os e c is ãos ” – que
nos meios de comunicação de massas a a és de sé ies de inspi ação his ó ica ( al como a
ecen e “Isabel”).
A alidade do ins umen o de ecolha de in o mação (um ex o de sín ese
his ó ica) pa a os obje i os p opos os, undamen ou-se em es udos como os de Bage
(1999), Ba on e Le s ik (2004), Coope (2014), Ca e e o e Be múdez (2012), Ca e e o e
Van Alphen (2014), López, Ca e e o e Rod íguez-Moneo (2015), Hen íquez e Ruiz (2014),
Mon e-Sano (2010) e VanSled igh (2008). O ins umen o oi alidado po pe i os em
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Didá ica das Ciências Sociais de ês uni e sidades espanholas, seguindo alguns dos
passos p opos os po Al ageme, Mi alles e Mon eagudo (2010).
2
Es abelece am-se di e en es ca ego ias de in o mação, po sua ez di ididas em
ní eis. A análise empí ica pilo o pe mi iu codi ica qua o ní eis de complexidade de
ma cado es de compe ências his ó icas. O ní el 0 ou nulo, como ausência des as,
co esponden e a pouca in o mação subs an i a e/ou a e os his ó icos no ó ios. O ní el 1
ou básico, pa a os ela os que desc e em uma in o mação his ó ica mínima, ap esen ada
linea men e, ou que con ibuem com pelo menos um ma cado de compe ências de
pensamen o his ó ico, embo a com um ní el baixo. O ní el 2 ou médio, pa a abalhos
esc i os com, pelo menos, dois ma cado es de compe ências his ó icas, um deles de ní el
médio e ou o de ní el médio ou baixo. Finalmen e, es abeleceu-se o ní el 3 pa a
abalhos esc i os com ní eis de pensamen o his ó ico al o po in eg a em na sua
explicação um ou mais ma cado es de ní el consolidado.
Quan o aos con eúdos subs an i os, ixa am-se ou os qua o ní eis. O ní el 0
co esponde a ela os com azios his ó icos no ó ios ou e os de in o mação g a es, que
po não ap esen a em dados, que po ap esen a em dados não pe inen es. O ní el 1
a ibuiu-se aos abalhos esc i os com me a in o mação desc i i a com um o denamen o
linea : con ibuem com alguns ma cos o denados de o ma co e a. T a a-se de a os
polí ico- e i o iais, desde a in asão muçulmana da Península Ibé ica, em 711, a é a
conquis a c is ã do eino de G anada em 1492. O ní el 2 pe ence a abalhos esc i os que
combinam esse mesmo ela o básico de acon ecimen os polí icos com enômenos
socioeconômicos, cul u ais e inclusi amen e com a aliações sob e a he ança muçulmana
ou desse pe íodo. O ní el 3 co esponde aos ela os de maio iqueza in o ma i a que
in eg am adequadamen e explicações de con eúdo polí ico com explicações
socioeconômicas e cul u ais.
2
U ilizou-se um ques ioná io pa a classi ica de 1 a 4 a alidade das ca ego ias de análise e a adequação aos
ní eis de complexidade es abelecidos. Todos os i ens ecebe am uma pon uação média que ul apassou
os 3 pon os. Também se pediu uma a aliação quali a i a do ins umen o, que aplicasse as
ecomendações ecebidas na ase de análise de esul ados. A in o mação quali a i a ecolheu-se e
ap esen ou-se na base de dados Filemake P o, o que pe mi iu melho a a o mulação das ca ego ias e
os seus limi es. A in o mação quan i a i a oi pos e io men e codi icada no paco e es a ís ico SPSS
.17.0.
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Também se codi icou a denominação sob e o con eúdo do ela o, mais
conc e amen e, se oi u ilizada ou não a ca ego ia his o iog á ica “Reconquis a” ou se
o am u ilizadas ou as (conquis a, expansão, expulsão). Finalmen e, a análise oi
comple ada com o es udo do ní el de complexidade das na a i as con o me a
axonomia SOLO (BIGGS; TANGS, 2007), u ilizando as ca ego ias des e modelo: p é-
es u u al (ní el 0), uni-es u u al (ní el 1), mul i-es u u al (ní el 2), elacional e abs a o
ala gado (ní el 3).
Mé odos e écnicas de análise
Ado ou-se um desenho me odológico p óp io dos mé odos não expe imen ais
baseados na busca empí ica e sis emá ica de um enômeno cujas a iá eis independen es
já oco e am ou não são manipulá eis (KERLINGER, 2002). P e ende-se conhece uma
ealidade pa a depois ob e modelos explica i os sob e as ca ac e ís icas do discu so
his ó ico dos u u os p o esso es do Ensino P imá io compa ando os dados ob idos em
duas uni e sidades. A análise dos dados combina uma pe spe i a quan i a i a e
quali a i a. Di e en es in es igações sob e a educação his ó ica incidem na
complemen a idade de ambas as pe spec i as (ASHBY, 2004; BARCA, 2005; BARTON,
2012). A in es igação oi iniciada a pa i de uma concepção ans e sal explo a ó ia,
a a és de um g upo pilo o (15% dos dados ecolhidos), passando-se depois pa a uma
concepção ans e sal desc i i a.
As écnicas de análise quan i a i a o am aplicadas com a codi icação das
ca ego ias que o pe mi i am a a és do paco e es a ís ico SPSS: análise de equências,
médias, pe cen agens, qui-quad ado, abelas de con ingência e análise da dependência
en e as a iá eis. O obje i o des a análise oi descob i a es u u a subjacen e aos
ela os dos sujei os e e i ica co elações en e as ca ego ias conside adas.
O a amen o de dados quali a i os analisa a complexidade discu si a e concei ual
das na a i as. A análise quali a i a pe mi iu da sen ido à in o mação ex ual. A alidade
da in es igação quali a i a depende da ep esen a i idade dos dados, da undamen ação
eó ica e da sua análise e in e p e ação (ANGUERA, 1998). Usou-se uma codi icação
abe a na análise discu si a pa a de e mina os ní eis do seu con eúdo e das ca ego ias
Na a i as nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial de p o esso es p imá ios espanhóis
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Tabela 7.
Medidas simé icas das a iá eis “con eúdos his ó icos” e “complexidade do pensamen o
his ó ico”
Valo
E o íp. assin .a
T
ap oximadab
Seg.
Ap oximado
O dinal po
o dinal
Tau-b de Kendall
0,906
0,020
40,051
0,000
N de casos
álidos
283
a. Assumindo a hipó ese al e na i a;
b. U ilizando o e o ípico assimp ó ico baseado na hipó ese nula.
Finalmen e, examinemos a p esença de ma cado es discu si os p óp ios de
na a i as nacionais, no nosso caso do ela o nacional espanhol. Nes e âmbi o, o p imei o
ma cado a analisa se ia a u ilização do concei o “Reconquis a” ace a ou as
denominações do p ocesso (Tabela 8).
Tabela 8.
Denominação do p ocesso
F equência
Pe cen agem
Pe cen agem álida
Reconquis a
182
64,3
64,3
Conquis a
58
20,5
20,5
Expulsão
14
4,9
4,9
Con i ência
6
2,1
2,1
Nulo
23
8,1
8,1
To al
283
100,0
100,0
Ce ca de 65% dos es udan es u iliza am o e mo “Reconquis a”. Es a ele ada
pe cen agem explica-se pela u ilização des e concei o pela his ó ia acadêmica e escola
no cu ículo e nos manuais do ensino secundá io. Mas ambém pela sua as a di usão em
ecen es p odu os cul u ais de massas, ais como sé ies de ele isão (Isabel). Não é uma
su p esa que es a pe du e no imaginá io dos uni e si á ios como se p e ia, al como
ambém se cons a ou nou os abalhos (LÓPEZ; CARRETERO;RODRÍGUEZ-MONEO,
2015).
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A análise de ou os ma cado es nas na a i as alencianas p opo ciona dados
complemen a es como a ipologia do sujei o na a i o dos abalhos esc i os. Embo a
p edomine o ecu so a um na ado implíci o, em 25% dos ela os cons a a p imei a
pessoa do plu al. São e e ências de pe ença a um espaço p óp io (o nosso país,
e i ó io, as nossas e as, a nossa península) ou exp essões de iden i icação com
pessoas e a sua cul u a passada e o seu impac o no p esen e, especialmen e com os
c is ãos ou com a in luência dos “ou os”, os muçulmanos, na “nossa” cul u a, his ó ia,
iden idade, cos umes e ci ilização iden i icada como a c is ã do passado. Po ou o lado,
o apa ecimen o do e mo Espanha ou espanhóis, do po o espanhol como ínculo do
p esen e e do passado medie al, oi um ma cado encon ado em 23% dos ela os. Além
disso, combina-se com um p o agonismo dos Reis Ca ólicos no p ocesso, embo a
ambém se des aque a igu a de Jaime I:
Em suma, o que inalmen e c iou a Espanha que a ualmen e conhecemos
oi a união da ainha Isabel de Cas ela com Fe nando de A agão, que
o nou possí el a união dos e i ó ios e a conquis a inal da península
ibé ica po pa e dos c is ãos. (Re . 75 UV)
Pa a assegu a a unidade nacional do país, os Reis Ca ólicos u iliza am a
eligião ca ólica como ca ac e ís ica p óp ia de odos os cidadãos
espanhóis. (Re . 82 UV)
A Reconquis a oi um longo p ocesso que du ou quase seis séculos e no
qual, pouco a pouco, as opas espanholas o am a ançando do no e
pa a baixo, conquis ando os e i ó ios e expulsando os muçulmanos
(…). Lide adas po Jaime I no ano 1238, as opas espanholas chega am a
Valência e no dia 9 de ou ub o conquis a am o e i ó io alenciano. (Re .
128 UV)
Os c is ãos começa am a econquis a os e i ó ios de no e a sul da
península e izemos com que os muçulmanos se ossem e i ando (…).
Com a chegada dos Reis Ca ólicos assis imos à uni icação e i o ial e ao
e o ço da Co oa e en ão os Reis Ca ólicos em 1492 acaba am a
Reconquis a de Espanha. (Re . 124, UV)
No ano de 722 deu-se a conquis a da Península ibé ica po pa e dos
muçulmanos. Os c is ãos começa am a con i e com os muçulmanos a é
ao casamen o e daí a união dos einos de A agão e Cas ela (po pa e de
Fe nando e Isabel) que uni ica am Espanha. (Re . 107, UV)
Cons a am-se ma cado es discu si os de ligação com uma comunidade imaginada
nacional pe manen e ou o mada no passado medie al, uma das ca ac e ís icas mais
especí icas das na a i as nacionais. É de pa icula in e esse sabe qual é a complexidade
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cogni i a e a p esença de ma cado es de pensamen o his ó ico en e es es ela os
nacionais. Cons a a-se que 89% dos abalhos esc i os são, que de ní el nulo (19), que de
ní el básico (desc i i o e linea ). Es es dados pe mi em enuncia uma no a hipó ese: uma
educação his ó ica mais comple a, an o em con eúdos quan o em compe ências de
pensamen o his ó ico, pode eduzi a p esença de es e eó ipos p óp ios das na a i as
nacionais. Se ia con enien e ala ga es a ligação, já cons a ada nou as in es igações
(LÓPEZ, 2012; SÁIZ e LÓPEZ FACAL, 2016; SÁIZ, 2015), a u u os es udos: em que medida
um conhecimen o his ó ico disciplina mais sólido du an e a o mação inicial de
p o esso es de his ó ia e de p o esso es p imá ios, que inclua con eúdos subs an i os e
compe ências his ó icas, consegue eduzi as ep esen ações p óp ias das na a i as
nacionais. Conside amos que a e e ida educação his ó ica pode ia mi iga , embo a não
impedi , o impac o des a na a i a nacional, ao do a os u u os docen es de e amen as
in elec uais pa a comp eende em e da em signi icado ao passado e i ando iden i icações
omân icas e essencialis as.
Discussão e conclusões
Da análise dos esul ados concluímos não se possí el e i ica as hipó eses
a ançadas, especialmen e no pe il comum de ela os de u u os p o esso es p imá ios:
abalhos esc i os de complexidade o ganiza i a mul i-es u u al, com ma cado es de
compe ências de pensamen o his ó ico (ní el básico e médio) e que p opo cionem
con eúdos his ó icos básicos ou médios. Os esul ados mos am que os u u os
p o esso es p imá ios não êm educação his ó ica su icien e, an o em con eúdos
subs an i os quan o em compe ências his ó icas. Os u u os p o esso es p imá ios
e elam nos seus ela os que não con am com os ní eis básicos de conhecimen os
disciplina es e pedagógicos pa a ensina his ó ia a endendo aos pad ões acei os pelas
in es igações de didá ica das ciências sociais (WINEBURG, 2001; BARTON e LEVSTIK,
2004; VANSLEDRIGHT, 2014). Os mo i os des a de iciência são di e sos. Po um lado, o
p og ama do g au de Licencia u a em Ensino P imá io na Espanha em al a de con eúdos
disciplina es his ó icos. Po ou o lado, a pouca educação his ó ica ap endida no ensino
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básico. De a o, na P imá ia e Secundá ia p e alece um ensino his ó ico deco en e da
memo ização de con eúdos ac uais ou concei uais. Es e agmen o é e elado :
Os muçulmanos assen es desde há anos na península êm-se in adidos
po Jaime I e as suas opas. Já não me lemb o de mais nada po que me
ensina am de memó ia e naquela al u a i e de omi a is o numa olha.
Tudo is o é o que suponho po que ealmen e não me lemb o de o e
dado. ( e . 130 UV)
Nes e agmen o, econhece-se a memo ização de con eúdos que não se podem
eco da . Es a se ia a his ó ia escola ap endida, a lemb ança de ex os acadêmicos
deco en es do cu ículo, mui os como na a i a nacional e eu ocên ica. As al e ações
pa a um cu ículo po compe ências educa i as básicas em pouco ou nada e iam
modi icado es e modelo de ap endizagem his ó ica, uma o ina escola p óp ia do código
disciplina da his ó ia como disciplina e a sua igência em li os de ex o (GÓMEZ,
RODRÍGUEZ e MIRALLES, 2015; SÁIZ, 2015) e p á icas docen es como exames (FUSTER,
2016; GÓMEZ e MIRALLES, 2015).
Es á ac edi ada a po encialidade educa i a de compe ências de pensamen o
his ó ico na P imá ia. Os abalhos de Coope (2014), de Le s ik e Ba on (2008) ou de
VanSled igh (2011) mos am esse caminho no qual se p ima pelo uso de on es, mé odos
de indagação e aciocínio his ó ico. No en an o, a conceção epis emológica da his ó ia
como sabe echado e não como uma disciplina in elec ual de cons ução de
conhecimen os es á mui o a aigada em países como Espanha, onde o ensino se baseia
no ela o linea de a os do passado selecionados pelo cu ículo o icial, li os de ex o,
p og amação do es abelecimen o de ensino e docen e. É necessá ia uma in e enção
ans e sal que aumen e a p esença da educação his ó ica (em con eúdos subs an i os e
em compe ências his ó icas, ambos elacionados) nos ní eis educa i os básicos (P imá ia
e Secundá ia) e ambém na o mação de u u os docen es. As de iciências documen adas
nes e es udo na o ganização de uma na a i a his ó ica po es udan es do G au de Ensino
P imá io con i mam a necessidade de e le i sob e a o mação dos p o esso es p imá ios
pa a além dos aspe os pedagógicos e cogni i os gené icos, e o çando a sua educação
his ó ica.
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Recebido em 06/06/2017
Ap o ado em 04/12/2017
Uni e sidade do Es ado de San a Ca a ina – UDESC
P og ama de Pós-G aduação em His ó ia - PPGH
Re is a Tempo e A gumen o
Volume 09 - Núme o 22 - Ano 2017
[email p o ec ed]