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Narrativas nacionais e competência histórica na formação inicial de professores primários espanhóis

Sáiz Serrano, Jorge; Gómez Carrasco, Cosme Jesús; López Facal, Ramón

Abstract

Neste trabalho, foram analisadas as competências de pensamento histórico e a presença de características de narrativa nacional entre 283 estudantes espanhóis do Grau de Licenciatura em Ensino Primário de Murcia e de Valência. Examinaram-se os seus relatos históricos sobre a expansão cristã na Península Ibérica em território muçulmano durante a Idade Média. Utilizaram-se métodos qualitativos para identificar os níveis de complexidade da exposição a partir de conhecimentos substantivos e conceitos metodológicos, e uma avaliação quantitativa para relacionar esses níveis de complexidade com os níveis cognitivos e narrativos, através da taxonomia SOLO. Também se avaliou em que medida se representam elementos discursivos próprios de uma narrativa nacional. Os resultados confirmam uma educação histórica deficiente dos futuros professores primários, tanto em conceitos históricos de segunda ordem quanto na reprodução de uma narrativa nacional já caduca pela historiografia. Também se confirmou que a presença e complexidade do pensamento histórico nas narrativas é maior quanto maior é o nível e pertinência dos conteúdos históricos substantivos

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Re is a Tempo e A gumen o, Flo ianópolis, . 9, n. 22, p. 174 - 197, se ./dez. 2017. p.174 e-ISSN 2175-1803 Na a i as nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial de p o esso es p imá ios espanhóis1 Resumo Nes e abalho, o am analisadas as compe ências de pensamen o his ó ico e a p esença de ca ac e ís icas de na a i a nacional en e 283 es udan es espanhóis do G au de Licencia u a em Ensino P imá io de Mu cia e de Valência. Examina am-se os seus ela os his ó icos sob e a expansão c is ã na Península Ibé ica em e i ó io muçulmano du an e a Idade Média. U iliza am-se mé odos quali a i os pa a iden i ica os ní eis de complexidade da exposição a pa i de conhecimen os subs an i os e concei os me odológicos, e uma a aliação quan i a i a pa a elaciona esses ní eis de complexidade com os ní eis cogni i os e na a i os, a a és da axonomia SOLO. Também se a aliou em que medida se ep esen am elemen os discu si os p óp ios de uma na a i a nacional. Os esul ados con i mam uma educação his ó ica de icien e dos u u os p o esso es p imá ios, an o em concei os his ó icos de segunda o dem quan o na ep odução de uma na a i a nacional já caduca pela his o iog a ia. Também se con i mou que a p esença e complexidade do pensamen o his ó ico nas na a i as é maio quan o maio é o ní el e pe inência dos con eúdos his ó icos subs an i os. Pala as-cha e: Pensamen o His ó ico. Na a i a Nacional. Fo mação Inicial do P o esso . Educação His ó ica. Jo ge Sáiz Se ano Dou o em Geog a ia e His ó ia pela Uni e sidade de Valencia. P o esso associado na mesma Uni e sidade. Valencia - Espanha [email p o ec ed] Cosme Jesús Gómez Ca asco Dou o em His o ia pela Uni e sidade de Cas illa - La Mancha. P o eso da Uni e sidade de Mu cia. Mu cia - Espanha [email p o ec ed] Ramón López Facal Dou o em His o ia pela Uni e sidade de San iago de Compos ela. P o esso na mesma Uni e sidade. San iago de Compos ela - Espanha [email p o ec ed]s Pa a ci a es e a igo: SÁIZ SERRANO, Jo ge; GÓMEZ CARRASCO, Cosme Jesús; LÓPEZ FACAL, Ramón. Na a i as nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial de p o esso es p imá ios espanhóis. Tempo e A gumen o, Flo ianópolis, . 9, n. 22, p. 174 - 197, se ./dez. 2017. DOI: 10.5965/2175180309222017174 h p://dx.doi.o g/10.5965/2175180309222017174 1 Es e abalho con ou com inanciamen o dos p oje os de in es igação coo denados EDU2012-37909-C03- 01 e EDU2012-37909-C03-03 do Plano Nacional de I+D+i (MINECO, do Go e no de Espanha), de undos FEDER da UE e das edes de excelência: Red14 e NEDAT. Na a i as nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial de p o esso es p imá ios espanhóis Jo ge Sáiz Se ano, Cosme Jesús Gómez Ca asco, Ramón López Facal Re is a Tempo e A gumen o, Flo ianópolis, . 9, n. 22, p. 174 - 197, se ./dez. 2017. p.175 Tempo & A gumen o Na ional Na a i es and His o ical Compe encies in Spanish Ini ial Teache T aining Abs ac This pape analyzes his o ical hinking skills and he p esence o elemen s o a na ional na a i e among 283 s uden s a G ade o P ima y Educa ion in Mu cia and Valencia, u u e p ima y eache s in Spain. I 's analyzed hei na a i es abou Ch is ian expansion in o Muslim e i o y in Medie al Ibe ian Peninsula: i 's an his o ical con en linked o he Spanish na ional na a i e. Quali a i e me hods a e used o de e mine le els o na a i e complexi y in subs an i e con en s and in me hodological knowledge o second o de concep s. I 's also used a quan i a i e assessmen o le els o complexi y and i s ela ion o cogni i e le els o w i en using he SOLO axonomy. I 's also assessed he p esence o discu si e elemen s o a na ional na a i e. The esul s con i m a poo his o ical educa ion o u u e eache s o P ima y Educa ion in second o de concep s and in he ep oduc ion o na ional na a i es. I is also con i med ha he p esence and complexi y o his o ical hinking in na a i es is highe he highe he le el and ele ance o subs an i e his o ical con en . Keywo ds: His o ical Thinking; Na ional Na a i es; Ini ial Teache T aining; His o y Educa ion. In odução As na a i as his ó icas são uma impo an e on e de in o mação pa a in es iga o conhecimen o his ó ico e a capacidade de lhe da signi icado, al como o demons am nume osos es udos, ais como os de Ba ca (2015), Hen íquez e Ruíz (2014), K opman, Van Box el e Van D ie (2015), Lé esque, C o eau e Gani (2015), Sáiz e López Facal (2015 e 2016) Na a i as nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial de p o esso es p imá ios espanhóis Jo ge Sáiz Se ano, Cosme Jesús Gómez Ca asco, Ramón López Facal Re is a Tempo e A gumen o, Flo ianópolis, . 9, n. 22, p. 174 - 197, se ./dez. 2017. p.176 Tempo & A gumen o e San , González, San ies eban, Pagès e Olle (2015). Os ela os his ó icos dão uma imagem dos ní eis de comp eensão e ap endizagem dos sujei os in es igados: con ibuem com um e a o subs an i o do passado e in o mam sob e o conhecimen o e o uso das compe ências do conhecimen o his ó ico. Es e es udo assume ambas as pe spec i as pa a analisa ela os de p o esso es p imá ios em o mação sob e a expansão c is ã na Península Ibé ica du an e a Idade Média com p ejuízo pa a os muçulmanos. Examina am-se ex os de 283 es udan es do G au de Licencia u a em Ensino P imá io de duas uni e sidades espanholas (Valência e Mu cia), aplicando uma pe spe i a quan i a i a e quali a i a. O obje i o é duplo: em p imei o luga , o de es uda a o ganização discu si a dos abalhos esc i os des es u u os p o esso es p imá ios pa a conhece os seus ní eis de compe ência his ó ica como ap idão me odológica p óp ia da disciplina de His ó ia (DOMÍNGUEZ, 2015). Em segundo luga , o de analisa o con eúdo dos e e idos ela os sob e o pe íodo medie al peninsula pa a comp o a o g au de mediação do que se conside a como na a i a nacional espanhola, com a p esença de es e eó ipos e ma cos do ela o da “Reconquis a” c is ã sob e os muçulmanos e o uso de ma cado es discu si os de iden i icação nacional (SÁIZ, 2015). Es e abalho insc e e-se no pa adigma de didá ica da his ó ia conhecido como pensamen o his ó ico (his o ical hinking), assumido no Canadá e nos Es ados Unidos po au o es como Cla k (2011), Lé esque (2008), Seixas (2011), VanSled igh (2011 e 2014) e Winebu g (2001), embo a a sua o igem se si ue na ino ação e in es igação em didá ica da his ó ia a pa i dos anos 70-80 no Reino Unido (LEE, 2005). A pe spec i a do pensamen o his ó ico oi sin e izada na Espanha po Domínguez (2015), Gómez e Mi alles (2015), Gómez, O uño e Molina (2014) Sáiz (2015) e Sáiz e López Facal (2015). De aco do com es e modelo, há dois ipos de con eúdos his ó icos. Po um lado, os con eúdos subs an i os ou de p imei a o dem, con eúdos de his ó ia, ou seja, o que sabemos do passado sob a o ma de dados, da as, pe sonagens, concei os e a os. Po ou o lado, os con eúdos es a égicos de segunda o dem, ou concei os me odológicos, con eúdos sob e his ó ia, que dize , como se ep esen a o passado e que signi icado lhe a ibuímos; são ap idões elacionadas com as compe ências do his o iado que conside amos compe ências his ó icas. Um dos ins umen os pa a as in es iga , bem como pa a as Na a i as nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial de p o esso es p imá ios espanhóis Jo ge Sáiz Se ano, Cosme Jesús Gómez Ca asco, Ramón López Facal Re is a Tempo e A gumen o, Flo ianópolis, . 9, n. 22, p. 174 - 197, se ./dez. 2017. p.177 Tempo & A gumen o ensina , é eco e às na a i as his ó icas. Es e es udo analisa, nos 283 ela os, qua o ca ego ias das e e idas compe ências his ó icas con o me a p opos a ealizada po Seixas e Mo on (2013) e inco po ando ou as (LÉVESQUE, 2008; VANSLEDRIGHT, 2014; DOMÍNGUEZ, 2015). Em p imei o luga , a compe ência de ele ância his ó ica en endida como o g au de anscendência e alo que se concede ao enômeno ela ado na sua ligação com ou os. Em segundo luga , a de causalidade, como a ap idão pa a expo o enômeno in eg ando as múl iplas causas que o explicam. Em e cei o luga , a de empo his ó ico, como a ap idão pa a desc e e as al e ações do enômeno usando o empo de o ma lexí el. E, inalmen e, a ca ego ia de dimensão é ica ou consciência his ó ica, como a aculdade pa a alo iza o enômeno elacionando-o an o com o seu con ex o quan o com o p esen e. Como complemen o analí ico pa a a o ganização das na a i as, ambém eco emos à axonomia elabo ada po J. Biggs e C. Tang (2007) conhecida po SOLO (S uc u e o he Lea ning Ou come), uma e amen a c iada pa a o ensino supe io que ca ego iza os ní eis de complexidade do pensamen o aplicado a abalhos esc i os ela i amen e a um ema, pa indo de ní eis básicos ou de econhecimen o, a é ní eis de abs ação p o unda. O es udo de ela os his ó icos ambém pe mi e que nos ap oximemos ao g au de mediação cul u al de esquemas na a i os p eexis en es. De a o, a pa i da psicologia social podemos comp eende as ep esen ações sociais do passado median e a noção de “ação mediada” (WERSTCH, 2002): es a pe spec i a baseia-se em que as e e idas ep esen ações deco em do consumo e uso que as pessoas açam de na a i as já exis en es, en endidas como e amen as cul u ais a modo de eo ia implíci as. We s ch (2002 e 2004) dis ingue dois g andes ipos de na a i as: po um lado, os esquemas na a i os mes es ou na a i as mes as que ope am como modelos cons uídos num con ex o social e pa ilhados no seio de um cole i o que condicionam as ep esen ações sociais do passado; po ou o lado, as na a i as especí icas, en endidas como discu sos, usos ou consumos dessas na a i as mes as ge adas pelas pessoas ou pelos cole i os, podendo se de na u eza mui o di e sa. Es e modelo eó ico pode, de ce a o ma, aplica -se às na a i as nacionais e aos di e en es discu sos, usos e ep esen ações do passado ge ados po pessoas e g upos. As na a i as nacionais, bem como a his ó ia Na a i as nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial de p o esso es p imá ios espanhóis Jo ge Sáiz Se ano, Cosme Jesús Gómez Ca asco, Ramón López Facal Re is a Tempo e A gumen o, Flo ianópolis, . 9, n. 22, p. 174 - 197, se ./dez. 2017. p.178 Tempo & A gumen o o icial di undida po um Es ado-nação, uncionam como na a i as mes as que medeiam ou condicionam as ep esen ações sociais sob a o ma de na a i as especí icas (com as suas pe sonagens, e en os, e c.) c iadas po indi íduos e po g upos. Essa mediação e i ica-se an o no con eúdo quan o na o ma. Na o ma, segundo o sujei o na a i o a ue e a p imei a pessoa do plu al seja u ilizada e elando di e en es o mas de iden i icação, ais como gêne o ou g upo, sendo uma delas, a nacional (BARTON e LEVSTIK, 2004; PLÁ, 2005). Pa a es e es udo, é impo an e obse a o g au e a o ma em que se usa a p imei a pessoa do plu al; que o p onome “nós” que o possessi o “nosso”, bem como o ecu so essencial a e e ências explíci as à Espanha ou aos espanhóis na Idade Média. Is o cons i ui uma ca ac e ís ica especí ica das na a i as nacionais (CARRETERO e BERMÚDEZ, 2012; LÓPEZ, CARRETERO e RODRÍGUEZ-MONEO, 2015). No que diz espei o ao con eúdo, a mediação na a i a ambém se cons a a na p esença de a os, pe sonagens e e mos p óp ios de uma na a i a nacional espanhola do pe íodo medie al. Conside amos aqui a exis ência de uma na a i a nacional sob e a his ó ia da Espanha, cons uída ao longo do século XIX, du an e a consolidação do Es ado-nação e do nacionalismo espanhol, embo a di undida em g ande escala ao longo do século XX. Um ela o com con eúdos essencialis as que emon a ia à unidade da “Espanha” (com on ei as es á eis ou com uma unidade e i o ial) ou à o igem de um cole i o de “espanhóis” a pe íodos p é-con empo âneos (LÓPEZ FACAL e SÁIZ, 2016). En e eles, êm peso os do pe íodo medie al, pois conside am a expansão c is ã em e i ó io muçulmano como um p ocesso de ges ação da Espanha, p ocesso pa a o qual, no inal do século XIX, se cons uiu o concei o de “Reconquis a”, uma c iação his o iog á ica que con e iu alo pa ió ico a um ocábulo já exis en e (RÍOS, 2011). Desde en ão, in eg ou-se no ela o undacional da iden idade espanhola a expansão c is ã como “Reconquis a”. Pa alelamen e, conside a-se o e i ó io e o pe íodo muçulmano, o Al-Andalus, a pa i de um plano secundá io e como uma al e idade, mais em e mos cul u ais, como ase de con i ência mul icul u al e/ou de esplendo cul u al. A ualmen e, os manuais escola es de his ó ia p i ilegiam o conhecimen o decla a i o da mudança polí ica, como uma sucessão de e apas e espaços de Al-Andalus aos einos Na a i as nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial de p o esso es p imá ios espanhóis Jo ge Sáiz Se ano, Cosme Jesús Gómez Ca asco, Ramón López Facal Re is a Tempo e A gumen o, Flo ianópolis, . 9, n. 22, p. 174 - 197, se ./dez. 2017. p.179 Tempo & A gumen o c is ãos e u ilizam o e mo “Reconquis a”, um concei o que conse a o seu con eúdo iden i á io (SÁIZ, 2015). Na a ual his o iog a ia medie al ambém pe du a o e e ido e mo já que se de ende a sua u ilidade pa a ca ac e iza o enômeno e pe íodo de expansão c is ã medie al sob e o Islão peninsula : embo a se econheça a sua na u eza de jus i icação ideológica a pos e io i, não se c iou uma denominação al e na i a. Mé odo Obje i os P e endeu-se iden i ica nos ela os de u u os docen es do Ensino P imá io os ní eis de compe ência his ó ica e o g au de mediação da na a i a nacional espanhola. Es a inalidade oi abo dada com qua o obje i os: Comp o a o uso de concei os his ó icos me odológicos nos seus ela os, que indicam como o ganizam his o icamen e os con eúdos. Classi ica a complexidade e a coe ência do seu discu so com a axonomia SOLO. De e mina quais con eúdos subs an i os ap esen am os ela os sob e a conquis a c is ã do e i ó io muçulmano e, den o des es, a p esença de es e eó ipos p óp ios da na a i a nacional espanhola. Reconhece ma cado es discu si os de iden i icação nacional; que o uso da p imei a pessoa do plu al, que a e e ência à Espanha ou aos espanhóis no pe íodo ela ado. População e amos a Pa icipa am da pesquisa es udan es do G au de Licencia u a em Ensino P imá io que equen a am a úl ima disciplina ob iga ó ia da á ea de Didá ica das Ciências Sociais nas Uni e sidades de Valência e Mu cia, no ano le i o 2014/2015. T a ou-se de uma amos a p obabilís ica: odos os g upos que equen a am as disciplinas i e am as mesmas possibilidades de se escolhidos. Realizou-se uma amos agem não Na a i as nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial de p o esso es p imá ios espanhóis Jo ge Sáiz Se ano, Cosme Jesús Gómez Ca asco, Ramón López Facal Re is a Tempo e A gumen o, Flo ianópolis, . 9, n. 22, p. 174 - 197, se ./dez. 2017. p.180 Tempo & A gumen o es a i icada, pois o am escolhidos seis dos ca o ze g upos (num o al de 283 alunos), o que signi ica 42% da população o al. Tabela 1. Núme o de es udan es que pa icipa am na in es igação po uni e sidade F equência Pe cen agem Uni e sidade de Mu cia 151 53,4 Uni e sidade de Valência 132 46,6 To al 283 100 Ins umen o Os uni e si á ios edigi am um ex o de sín ese do p ocesso de conquis a c is ã do e i ó io muçulmano na Península Ibé ica medie al, na aula da disciplina de Didá ica das Ciências Sociais e no início do ano le i o (se emb o-ou ub o de 2013). Pa a minimiza as in e e ências, não se deu qualque indicação de ex ensão, con eúdo ou o ma. Apenas lhes oi di o que imaginassem como des ina á io ou o docen e es angei o em o mação que desconhecesse o ema po comple o. Os ela os des e ipo são um ins umen o habi ual pa a a alia concei os me odológicos his ó icos e analisa a ep esen ação social do passado e a sua elação com a memó ia cole i a. O con eúdo pedido, a expansão c is ã medie al na península ibé ica muçulmana, leciona-se no ensino básico (P imá io e Secundá io) e no P é-Uni e si á io, e es á p esen e nos âmbi os de socialização quo idiana, que no olclo e e adições popula es – es as de “mou os e c is ãos ” – que nos meios de comunicação de massas a a és de sé ies de inspi ação his ó ica ( al como a ecen e “Isabel”). A alidade do ins umen o de ecolha de in o mação (um ex o de sín ese his ó ica) pa a os obje i os p opos os, undamen ou-se em es udos como os de Bage (1999), Ba on e Le s ik (2004), Coope (2014), Ca e e o e Be múdez (2012), Ca e e o e Van Alphen (2014), López, Ca e e o e Rod íguez-Moneo (2015), Hen íquez e Ruiz (2014), Mon e-Sano (2010) e VanSled igh (2008). O ins umen o oi alidado po pe i os em Na a i as nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial de p o esso es p imá ios espanhóis Jo ge Sáiz Se ano, Cosme Jesús Gómez Ca asco, Ramón López Facal Re is a Tempo e A gumen o, Flo ianópolis, . 9, n. 22, p. 174 - 197, se ./dez. 2017. p.181 Tempo & A gumen o Didá ica das Ciências Sociais de ês uni e sidades espanholas, seguindo alguns dos passos p opos os po Al ageme, Mi alles e Mon eagudo (2010). 2 Es abelece am-se di e en es ca ego ias de in o mação, po sua ez di ididas em ní eis. A análise empí ica pilo o pe mi iu codi ica qua o ní eis de complexidade de ma cado es de compe ências his ó icas. O ní el 0 ou nulo, como ausência des as, co esponden e a pouca in o mação subs an i a e/ou a e os his ó icos no ó ios. O ní el 1 ou básico, pa a os ela os que desc e em uma in o mação his ó ica mínima, ap esen ada linea men e, ou que con ibuem com pelo menos um ma cado de compe ências de pensamen o his ó ico, embo a com um ní el baixo. O ní el 2 ou médio, pa a abalhos esc i os com, pelo menos, dois ma cado es de compe ências his ó icas, um deles de ní el médio e ou o de ní el médio ou baixo. Finalmen e, es abeleceu-se o ní el 3 pa a abalhos esc i os com ní eis de pensamen o his ó ico al o po in eg a em na sua explicação um ou mais ma cado es de ní el consolidado. Quan o aos con eúdos subs an i os, ixa am-se ou os qua o ní eis. O ní el 0 co esponde a ela os com azios his ó icos no ó ios ou e os de in o mação g a es, que po não ap esen a em dados, que po ap esen a em dados não pe inen es. O ní el 1 a ibuiu-se aos abalhos esc i os com me a in o mação desc i i a com um o denamen o linea : con ibuem com alguns ma cos o denados de o ma co e a. T a a-se de a os polí ico- e i o iais, desde a in asão muçulmana da Península Ibé ica, em 711, a é a conquis a c is ã do eino de G anada em 1492. O ní el 2 pe ence a abalhos esc i os que combinam esse mesmo ela o básico de acon ecimen os polí icos com enômenos socioeconômicos, cul u ais e inclusi amen e com a aliações sob e a he ança muçulmana ou desse pe íodo. O ní el 3 co esponde aos ela os de maio iqueza in o ma i a que in eg am adequadamen e explicações de con eúdo polí ico com explicações socioeconômicas e cul u ais. 2 U ilizou-se um ques ioná io pa a classi ica de 1 a 4 a alidade das ca ego ias de análise e a adequação aos ní eis de complexidade es abelecidos. Todos os i ens ecebe am uma pon uação média que ul apassou os 3 pon os. Também se pediu uma a aliação quali a i a do ins umen o, que aplicasse as ecomendações ecebidas na ase de análise de esul ados. A in o mação quali a i a ecolheu-se e ap esen ou-se na base de dados Filemake P o, o que pe mi iu melho a a o mulação das ca ego ias e os seus limi es. A in o mação quan i a i a oi pos e io men e codi icada no paco e es a ís ico SPSS .17.0. Na a i as nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial de p o esso es p imá ios espanhóis Jo ge Sáiz Se ano, Cosme Jesús Gómez Ca asco, Ramón López Facal Re is a Tempo e A gumen o, Flo ianópolis, . 9, n. 22, p. 174 - 197, se ./dez. 2017. p.182 Tempo & A gumen o Também se codi icou a denominação sob e o con eúdo do ela o, mais conc e amen e, se oi u ilizada ou não a ca ego ia his o iog á ica “Reconquis a” ou se o am u ilizadas ou as (conquis a, expansão, expulsão). Finalmen e, a análise oi comple ada com o es udo do ní el de complexidade das na a i as con o me a axonomia SOLO (BIGGS; TANGS, 2007), u ilizando as ca ego ias des e modelo: p é- es u u al (ní el 0), uni-es u u al (ní el 1), mul i-es u u al (ní el 2), elacional e abs a o ala gado (ní el 3). Mé odos e écnicas de análise Ado ou-se um desenho me odológico p óp io dos mé odos não expe imen ais baseados na busca empí ica e sis emá ica de um enômeno cujas a iá eis independen es já oco e am ou não são manipulá eis (KERLINGER, 2002). P e ende-se conhece uma ealidade pa a depois ob e modelos explica i os sob e as ca ac e ís icas do discu so his ó ico dos u u os p o esso es do Ensino P imá io compa ando os dados ob idos em duas uni e sidades. A análise dos dados combina uma pe spe i a quan i a i a e quali a i a. Di e en es in es igações sob e a educação his ó ica incidem na complemen a idade de ambas as pe spec i as (ASHBY, 2004; BARCA, 2005; BARTON, 2012). A in es igação oi iniciada a pa i de uma concepção ans e sal explo a ó ia, a a és de um g upo pilo o (15% dos dados ecolhidos), passando-se depois pa a uma concepção ans e sal desc i i a. As écnicas de análise quan i a i a o am aplicadas com a codi icação das ca ego ias que o pe mi i am a a és do paco e es a ís ico SPSS: análise de equências, médias, pe cen agens, qui-quad ado, abelas de con ingência e análise da dependência en e as a iá eis. O obje i o des a análise oi descob i a es u u a subjacen e aos ela os dos sujei os e e i ica co elações en e as ca ego ias conside adas. O a amen o de dados quali a i os analisa a complexidade discu si a e concei ual das na a i as. A análise quali a i a pe mi iu da sen ido à in o mação ex ual. A alidade da in es igação quali a i a depende da ep esen a i idade dos dados, da undamen ação eó ica e da sua análise e in e p e ação (ANGUERA, 1998). Usou-se uma codi icação abe a na análise discu si a pa a de e mina os ní eis do seu con eúdo e das ca ego ias Na a i as nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial de p o esso es p imá ios espanhóis Jo ge Sáiz Se ano, Cosme Jesús Gómez Ca asco, Ramón López Facal Re is a Tempo e A gumen o, Flo ianópolis, . 9, n. 22, p. 174 - 197, se ./dez. 2017. p.189 Tempo & A gumen o Tabela 7. Medidas simé icas das a iá eis “con eúdos his ó icos” e “complexidade do pensamen o his ó ico” Valo E o íp. assin .a T ap oximadab Seg. Ap oximado O dinal po o dinal Tau-b de Kendall 0,906 0,020 40,051 0,000 N de casos álidos 283 a. Assumindo a hipó ese al e na i a; b. U ilizando o e o ípico assimp ó ico baseado na hipó ese nula. Finalmen e, examinemos a p esença de ma cado es discu si os p óp ios de na a i as nacionais, no nosso caso do ela o nacional espanhol. Nes e âmbi o, o p imei o ma cado a analisa se ia a u ilização do concei o “Reconquis a” ace a ou as denominações do p ocesso (Tabela 8). Tabela 8. Denominação do p ocesso F equência Pe cen agem Pe cen agem álida Reconquis a 182 64,3 64,3 Conquis a 58 20,5 20,5 Expulsão 14 4,9 4,9 Con i ência 6 2,1 2,1 Nulo 23 8,1 8,1 To al 283 100,0 100,0 Ce ca de 65% dos es udan es u iliza am o e mo “Reconquis a”. Es a ele ada pe cen agem explica-se pela u ilização des e concei o pela his ó ia acadêmica e escola no cu ículo e nos manuais do ensino secundá io. Mas ambém pela sua as a di usão em ecen es p odu os cul u ais de massas, ais como sé ies de ele isão (Isabel). Não é uma su p esa que es a pe du e no imaginá io dos uni e si á ios como se p e ia, al como ambém se cons a ou nou os abalhos (LÓPEZ; CARRETERO;RODRÍGUEZ-MONEO, 2015). Na a i as nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial de p o esso es p imá ios espanhóis Jo ge Sáiz Se ano, Cosme Jesús Gómez Ca asco, Ramón López Facal Re is a Tempo e A gumen o, Flo ianópolis, . 9, n. 22, p. 174 - 197, se ./dez. 2017. p.190 Tempo & A gumen o A análise de ou os ma cado es nas na a i as alencianas p opo ciona dados complemen a es como a ipologia do sujei o na a i o dos abalhos esc i os. Embo a p edomine o ecu so a um na ado implíci o, em 25% dos ela os cons a a p imei a pessoa do plu al. São e e ências de pe ença a um espaço p óp io (o nosso país, e i ó io, as nossas e as, a nossa península) ou exp essões de iden i icação com pessoas e a sua cul u a passada e o seu impac o no p esen e, especialmen e com os c is ãos ou com a in luência dos “ou os”, os muçulmanos, na “nossa” cul u a, his ó ia, iden idade, cos umes e ci ilização iden i icada como a c is ã do passado. Po ou o lado, o apa ecimen o do e mo Espanha ou espanhóis, do po o espanhol como ínculo do p esen e e do passado medie al, oi um ma cado encon ado em 23% dos ela os. Além disso, combina-se com um p o agonismo dos Reis Ca ólicos no p ocesso, embo a ambém se des aque a igu a de Jaime I: Em suma, o que inalmen e c iou a Espanha que a ualmen e conhecemos oi a união da ainha Isabel de Cas ela com Fe nando de A agão, que o nou possí el a união dos e i ó ios e a conquis a inal da península ibé ica po pa e dos c is ãos. (Re . 75 UV) Pa a assegu a a unidade nacional do país, os Reis Ca ólicos u iliza am a eligião ca ólica como ca ac e ís ica p óp ia de odos os cidadãos espanhóis. (Re . 82 UV) A Reconquis a oi um longo p ocesso que du ou quase seis séculos e no qual, pouco a pouco, as opas espanholas o am a ançando do no e pa a baixo, conquis ando os e i ó ios e expulsando os muçulmanos (…). Lide adas po Jaime I no ano 1238, as opas espanholas chega am a Valência e no dia 9 de ou ub o conquis a am o e i ó io alenciano. (Re . 128 UV) Os c is ãos começa am a econquis a os e i ó ios de no e a sul da península e izemos com que os muçulmanos se ossem e i ando (…). Com a chegada dos Reis Ca ólicos assis imos à uni icação e i o ial e ao e o ço da Co oa e en ão os Reis Ca ólicos em 1492 acaba am a Reconquis a de Espanha. (Re . 124, UV) No ano de 722 deu-se a conquis a da Península ibé ica po pa e dos muçulmanos. Os c is ãos começa am a con i e com os muçulmanos a é ao casamen o e daí a união dos einos de A agão e Cas ela (po pa e de Fe nando e Isabel) que uni ica am Espanha. (Re . 107, UV) Cons a am-se ma cado es discu si os de ligação com uma comunidade imaginada nacional pe manen e ou o mada no passado medie al, uma das ca ac e ís icas mais especí icas das na a i as nacionais. É de pa icula in e esse sabe qual é a complexidade Na a i as nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial de p o esso es p imá ios espanhóis Jo ge Sáiz Se ano, Cosme Jesús Gómez Ca asco, Ramón López Facal Re is a Tempo e A gumen o, Flo ianópolis, . 9, n. 22, p. 174 - 197, se ./dez. 2017. p.191 Tempo & A gumen o cogni i a e a p esença de ma cado es de pensamen o his ó ico en e es es ela os nacionais. Cons a a-se que 89% dos abalhos esc i os são, que de ní el nulo (19), que de ní el básico (desc i i o e linea ). Es es dados pe mi em enuncia uma no a hipó ese: uma educação his ó ica mais comple a, an o em con eúdos quan o em compe ências de pensamen o his ó ico, pode eduzi a p esença de es e eó ipos p óp ios das na a i as nacionais. Se ia con enien e ala ga es a ligação, já cons a ada nou as in es igações (LÓPEZ, 2012; SÁIZ e LÓPEZ FACAL, 2016; SÁIZ, 2015), a u u os es udos: em que medida um conhecimen o his ó ico disciplina mais sólido du an e a o mação inicial de p o esso es de his ó ia e de p o esso es p imá ios, que inclua con eúdos subs an i os e compe ências his ó icas, consegue eduzi as ep esen ações p óp ias das na a i as nacionais. Conside amos que a e e ida educação his ó ica pode ia mi iga , embo a não impedi , o impac o des a na a i a nacional, ao do a os u u os docen es de e amen as in elec uais pa a comp eende em e da em signi icado ao passado e i ando iden i icações omân icas e essencialis as. Discussão e conclusões Da análise dos esul ados concluímos não se possí el e i ica as hipó eses a ançadas, especialmen e no pe il comum de ela os de u u os p o esso es p imá ios: abalhos esc i os de complexidade o ganiza i a mul i-es u u al, com ma cado es de compe ências de pensamen o his ó ico (ní el básico e médio) e que p opo cionem con eúdos his ó icos básicos ou médios. Os esul ados mos am que os u u os p o esso es p imá ios não êm educação his ó ica su icien e, an o em con eúdos subs an i os quan o em compe ências his ó icas. Os u u os p o esso es p imá ios e elam nos seus ela os que não con am com os ní eis básicos de conhecimen os disciplina es e pedagógicos pa a ensina his ó ia a endendo aos pad ões acei os pelas in es igações de didá ica das ciências sociais (WINEBURG, 2001; BARTON e LEVSTIK, 2004; VANSLEDRIGHT, 2014). Os mo i os des a de iciência são di e sos. Po um lado, o p og ama do g au de Licencia u a em Ensino P imá io na Espanha em al a de con eúdos disciplina es his ó icos. Po ou o lado, a pouca educação his ó ica ap endida no ensino Na a i as nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial de p o esso es p imá ios espanhóis Jo ge Sáiz Se ano, Cosme Jesús Gómez Ca asco, Ramón López Facal Re is a Tempo e A gumen o, Flo ianópolis, . 9, n. 22, p. 174 - 197, se ./dez. 2017. p.192 Tempo & A gumen o básico. De a o, na P imá ia e Secundá ia p e alece um ensino his ó ico deco en e da memo ização de con eúdos ac uais ou concei uais. Es e agmen o é e elado : Os muçulmanos assen es desde há anos na península êm-se in adidos po Jaime I e as suas opas. Já não me lemb o de mais nada po que me ensina am de memó ia e naquela al u a i e de omi a is o numa olha. Tudo is o é o que suponho po que ealmen e não me lemb o de o e dado. ( e . 130 UV) Nes e agmen o, econhece-se a memo ização de con eúdos que não se podem eco da . Es a se ia a his ó ia escola ap endida, a lemb ança de ex os acadêmicos deco en es do cu ículo, mui os como na a i a nacional e eu ocên ica. As al e ações pa a um cu ículo po compe ências educa i as básicas em pouco ou nada e iam modi icado es e modelo de ap endizagem his ó ica, uma o ina escola p óp ia do código disciplina da his ó ia como disciplina e a sua igência em li os de ex o (GÓMEZ, RODRÍGUEZ e MIRALLES, 2015; SÁIZ, 2015) e p á icas docen es como exames (FUSTER, 2016; GÓMEZ e MIRALLES, 2015). Es á ac edi ada a po encialidade educa i a de compe ências de pensamen o his ó ico na P imá ia. Os abalhos de Coope (2014), de Le s ik e Ba on (2008) ou de VanSled igh (2011) mos am esse caminho no qual se p ima pelo uso de on es, mé odos de indagação e aciocínio his ó ico. No en an o, a conceção epis emológica da his ó ia como sabe echado e não como uma disciplina in elec ual de cons ução de conhecimen os es á mui o a aigada em países como Espanha, onde o ensino se baseia no ela o linea de a os do passado selecionados pelo cu ículo o icial, li os de ex o, p og amação do es abelecimen o de ensino e docen e. É necessá ia uma in e enção ans e sal que aumen e a p esença da educação his ó ica (em con eúdos subs an i os e em compe ências his ó icas, ambos elacionados) nos ní eis educa i os básicos (P imá ia e Secundá ia) e ambém na o mação de u u os docen es. As de iciências documen adas nes e es udo na o ganização de uma na a i a his ó ica po es udan es do G au de Ensino P imá io con i mam a necessidade de e le i sob e a o mação dos p o esso es p imá ios pa a além dos aspe os pedagógicos e cogni i os gené icos, e o çando a sua educação his ó ica. Na a i as nacionais e compe ência his ó ica na o mação inicial de p o esso es p imá ios espanhóis Jo ge Sáiz Se ano, Cosme Jesús Gómez Ca asco, Ramón López Facal Re is a Tempo e A gumen o, Flo ianópolis, . 9, n. 22, p. 174 - 197, se ./dez. 2017. p.193 Tempo & A gumen o Re e ências ALFAGEME, Begoña; MIRALLES, Ped o; MONTEAGUDO, José. Diseño y alidación de un ins umen o sob e e aluación de la geog a ía y la his o ia en Educación Secunda ia. Enseñanza de las Ciencias Sociales, .10, p. 48-60, 2010. ANGUERA, Ma ia Te esa e al. Mé odos de in es igación en psicología. Mad id: Sín esis, 1998. ASHBY, Rosalyn. De eloping a concep o his o ical e idence: s uden s’ ideas abou es ing singula ac ual claims. In e na ional Jou nal o His o ical Lea ning, Teaching and Resea ch, . 4, n. 2, p. 44-55, 2004. BAGE, G an . Na a i e ma e s: eaching and lea ning his o y h ough s o y. New Yo k: Rou ledge, 1999. BARCA, Isabel. “Till new ac s a e disco e ed’: S uden s’ideas abou objec i i y in his o y. 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