P o esso Dou o da Uni e sidade de San iago de Compos ela (USC), San iago de Compos ela, Galiza, Espanha. Di e o do
G upo Galab a - USC (de Es udos nos Sis emas Cul u ais Galego-Luso-B asilei o e A icanos de Língua Po uguesa). E-mail:
[email p o ec ed]
Nes a di eção, Mellucci (2001) abo da cons u i is amen e a ques ão da emoção e do “emo ional in es men ” nos mo imen os
sociais e na ação social; um abalho undamen al. Pa a uma isão ge al das emoções do pon o de is a an opológico, pode
e -se Da id Le B e on (2004) Les Passions o dinai es. An h opologie des émo ions. Na ques ão nacional e as emoções, Pé ez
(2014) ealiza uma in e essan e abo dagem do caso a gen ino a pa i da c ise de 2001-2002. Como é sabido, Max Webe
(2000) já chama a a a enção sob e o a o emocional na elabo ação da nação e da iden idade nacional e a sua elação com
ou as dimensões comuni á ias e sen imen os indi iduais e cole i os.
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A dimensão da a e i idade iden i á ia: li e a u a, língua e no mas
o og á icas na Galiza. Uma p opos a de ap oximação
Elias Jose To es Feijó*
A ques ão iden i á ia e da iden idade da comunidade pode se ocada de mui os pon os de
is a e, consequen emen e, de mui as disciplinas, mesmo com pe spec i as in e disciplina es ou, a é,
ansdisciplina es. Com e ei o, ela pode e ocagens bem di e sas e, no que diz espei o à comunidade,
desde análises es u u alis a- uncionalis as a simbólico-cogni i as, ecológicas, his ó ico-ma e ialis as,
cons ucionis as, e c., si uando-se a que aqui u iliza ei e segundo os an opólogos (Ma inho; Aze edo;
Pe ei o, 2023) no âmbi o simbólico-cons u i is a1.
Quan o à cons ução iden i á ia, dous concei os podem se ú eis pa a en ende os modos em que as
pessoas e as comunidades se elacionam com os obje i os que êm a e com essa cons ução iden i á ia
e as mudanças que nesse cons u o, plu al, complexo, con adi ó io, podem se ope adas: “iden idade
sus en á el” ou “sus en abilidade iden i á ia” e “iden idade a e i a” ou “a e i idade iden i á ia”, que
isam a explicação de decisões e ações indi iduais e cole i as nesses e mos iden i á ios e da luga à
elabo ação de pa âme os e indicado es que, além da análise, pe mi am medi a coesão e o mas de ida
comuni á ias e a p edição de e oluções u u as e a e en ual plani icação de agen es.
Os concei os assinalados o am o mulados (To es Feijó, 2013, 2015, 2019), pa a analisa ,
undamen almen e, a i udes e comunidades locais e isi an es na sua ecíp oca elação na es e a
u ís ica, em pa icula , e, mais em conc e o, aplicada ao caso de San iago de Compos ela e os Caminhos
de San iago, de cuja o mulação azemos aqui uma b e e sín ese... São assun os que, além de ques ões
iden i á ias e com elas in e elacionadas, se p endem com a coesão social, a (au o)pe ceção, a au oes ima,
e a mesma con inuidade da comunidade como al, na a e ação de hábi a s, modos de ida e ecu sos.
Po exemplo, e na in e ação da comunidade local com o ex e io , as p ocu as e o compo amen o, os
usos e consumos de isi an es podem al e a aspe os nuclea es de (se o es de) uma comunidade dada e
conduzi a c ises de di e sos ipos, social, simbólico, cul u al, económico, polí ico...
Si uamo-nos na conside ação do epe ó io desses cons u os no en endimen o de que a cul u a
pode se pe spe i ada como bem e/ou como e amen a, (Lo man; Unspenskij, 1978; E en-Zoha ,
I
D
DOI: 10.24261/2183-816x0239
1999; E en-Zoha ; To es Feijó; Monegal, 2019 pa a uma e isão na a ualidade), qualque cousa
p eciosa e/ou ins umen al, e que eles podem se assumidos li emen e mas que, em mui os casos,
são esul ado de imposições (mui as ambém necessá ias pa a a ida comuni á ia) e elado as do
consenso social, no sen ido que G amsci (1975, p. 143-144) dá ao concei o de consenso. A conse ação
da sus en abilidade depende da capacidade do cole i o em ques ão de assumi um consenso a a és
da sua p óp ia sobe ania que ga an a a sua su iciência sis émica, a possibilidade de au ode ini -se e
implemen a essa de inição (To es Feijó, 2000, 2019). Mas pode igualmen e p o i duma imposição
ex e na ou de se o es mino i á ios, com maio ou meno con es ação no conjun o social em que
in e êm. A capacidade e alcance dessa con es ação, o g au e conjun o de ino ações e hie a quias,
en e ou os a o es, condiciona ão, ob iamen e, o decu so e a mesma exis ência da comunidade desde
os e mos de que pa ia.
Na u ilização da li e a u a como exp essão da nação ( id. To es Feijó, 2012a; To es Feijó,
2012b, pa a casos con o e sos na his o iog a ia li e á ia po uguesa), aquela é subme ida a uma
seleção po pa e dos g upos dominan es pa a a iculá-la com os concei os de nação, e de e dade,
beleza e de qualidade que naquela seleção são p oje ados, que passam po uni e sais quando ealmen e
são esul ados dum p ocesso de canonização, com inclusões, hie a quias e exclusões. Nessa es e a,
há ex os e au o ias que apa ecem como modela es dalguma ideia inculada àquelas ca ego ias, que
acabam po se p opos os e, ge almen e, impos os, como bens indi iduais e, sob e udo, sociais, cole i os,
undamen os de coesão social, bens p eciosos, a e i izá eis, e e amen as pa a en ende (aspe os de) a
comunidade.
O conjun o de elemen os iden i á ios não é na u almen e es á ico e a sua hie a quia, uso e e olução
(incluindo a a eição ou desa eição a eles de se o es sociais) depende, en e ou as cousas, das dinâmicas
g upais, que podem le a a al e ações, subs i uições, ac éscimos ou sup essões. Se a comunidade
con inua a unciona na sua (au o-)delimi ação, es a emos pe an e casos de sus en abilidade iden i á ia.
Ala gamen os ou es ei amen os dessa comunidade, modi icações de es a u os, e c., podem es a
indicando p oblemas de sus en abilidade da comunidade p imá ia, ainda que, em casos, essas ó mulas
podem se esul ados de decisões pa a a con inuidade de de e minados núcleos ou da comunidade no
seu conjun o. Ou os se o es, excluídos ou au oexcluídos (po esse p ocesso ou po compa ilha um
mesmo espaço geo-humano mas sem es a em inculados a essa comunidade) endem a mani es a
compo amen os pa assis émicos, agindo, no odo ou em pa e, à ma gem do sis ema comuni á io
dominan e. Se o es di e sos podem sen i -se azendo pa e duma de e minada comunidade ainda que
enham usos (de elemen os) iden i á ios di e sos e a é con adi ó ios com ou os se o es. En im, a
comunidade pode p omo e ou acei a mudanças sem o es ensões ou, in e samen e, i e essas
mudanças como uma ameaça à es abilidade, le ando à exclusão de alguns se o es que cos uma am es a
in eg ados.
Em qualque caso, a ques ão do (des-)a e o e da a e i idade desempenham, cla o, uma papel
c ucial na comunidade e na iden idade comuni á ia.
Podemos conside a dous planos na ge ação ou na in e ação de iden idade e a e o. Um deles
pode se a assunção sen imen al de elemen os iden i á ios; po exemplo, pessoas que se iden i icam
A dimensão da a e i idade iden i á ia: li e a u a, língua e no mas o og á icas na Galiza. Uma p opos a de ap oximação
Ve edas: Re is a da Associação In e nacional de Lusi anis as, n. 39, p. 14-36, jan./jun. 2023 15
sen imen almen e com uma bandei a ou com um li o ou com um i o em que es á p oje ada pa e
da sua iden idade (e que podem ganha alo cole i o quando compa ilhados po ou os memb os
ou se o es dessa comunidade). Podemos denomina es es enómenos como iden idade a e i izada: o
elemen o iden i á io ge a a e i idade, sus en ando essa iden i icação ambém no a e o ge ado, que
ep esen a, eg a ge al, um conjun o de sen imen os e bens simbolizados polo elemen o em causa.
Ou o plano é o esul ado numa iden idade a pa i dum elemen o ou duns elemen os mediado es
não necessa iamen e inculados de modo linea com o obje o da iden i icação. A a e i idade o na-
-
se iden i á ia, sem que a p io i o ínculo en e o obje o ou o enómeno que p o oca a a e i idade
e a pos e io elabo ação iden i á ia exis issem. A a e i idade iden i á ia pode conduzi a ações ou,
mesmo, iden i icações pos e io es, que não es a am no ho izon e das pessoas e que não e iam
luga sem essa a e i idade. Ela é, pois, canal, pa a ou as a i idades ou a e os. As p ojeções sob e os
obje os, de e minadas po uma adesão sen imen al p imei a e p imá ia ou po uma secundá ia, são ou
simul âneas ou habi ualmen e pos e io es, a pos e io i e en ol em jus i icações que se compadeçam
com a decisão p é ia (a iden i icação com o obje o).
Essa a e i idade inculada a iden idades é, em mui os casos, o mo o da ação e da a i ude
das pessoas ou do cole i os. E, sus ida no empo, essa a e i idade ge a lealdades e, a é, idelidades,
di íceis de queb a . Um caso ele an e pode se o d@s in elec uais que, pola sua exposição pública e
os alo es a el@s a ibuídos (po exemplo a coe ência e o al uísmo) endem a en a ei ica e ixa -se
nas p opos as p ima iamen e assumidas ou a o mula como in e esses cole i os o que são, ao menos
ambém, in e esses indi iduais, mui as ezes pa a não pe de as posição e unção ganhas no campo.
Ganhos e pe das, segundo os casos, de posições e capi ais es ão em jogo; e, igualmen e, de em en a
jus i ica e si ua a es e a a e i a da iden idade p e iamen e elabo ada nas no as ealidades. De es o,
enhamos p esen e que o campo de p odução ideológica ap esen a como eg a de jogo, en e ou as, a
acionalidade, quando, em mui os casos, a base de de e minadas omadas de posição é a e i a.
Uma pessoa ou um cole i o pode o na -se em ecologis a e aze disso elemen o c ucial da sua
iden idade a pa i da de esa dum e i ó io u al dum memb o do cole i o passí el de se exp op iado
pa a ins alação duma de e minada indús ia. A comunidade dum luga pode impulsa ações de índole
iden i á ia inculadas ao cinema ( es i ais, espaços, e c.) e aze disso um elemen o iden i á io a pa i
duma o ei is a amosa nascida nesse luga . Não é uma azão ecologis a nem ciné ila a que es á na base
dessas a e i idades o nadas iden i á ias mas o ínculo com um amigo ou o o gulho (ou a opo unidade)
de capi aliza a ama duma pessoa. Hou e uma mediação a e i a que ge ou e conduziu ao desen ol imen o
dum elemen o iden i á io. São esses ínculos a e i os os que es ão na base de alguns uncionamen os
iden i á ios comuni á ios que não lemb am/ êm p esen e a o igem delas ou os sen imen os que a
eles de am luga . Re e idos à es e a sen imen al, esses elemen os podem en en a -se a ou os que
que em se impos os ou a que é p eciso (po qualque azão) ade i , ge ando con li os, indi iduais
ou cole i os; e ice- e sa. Os usos linguís icos em sociedades em que uncione mais duma língua ou
com di e sas a iedades disponí eis (acessí eis ou não) em cada ci cuns ância, é, sabemo-lo, um caso
modela (He e o Valei o, 2021, p. 35-56, az uma aliosa sín ese de alguns p ocessos). Em con ex os
linguís icos con li uosos, a diminuição no uso da língua da p óp ia comunidade (em se o es jo ens, po
Elias Jose To es Feijó
Ve edas: Re is a da Associação In e nacional de Lusi anis as, n. 39, p. 14-36, jan./jun. 2023 16
caso) ou da sua qualidade e alo ação2 pode se in e p e ada como um sinal de en aquecimen o do
alo de iden i icação do i em; mas isso não implica a diminuição do alo simbólico dessa língua, que
mesmo pode ia aumen a , o nando o apoio (não necessa iamen e o uso) em mecanismo decisi o pa a
o desen ol imen o de no as polí icas pa a man e e aumen a o uso da língua com ou as pe spe i as,
es ando cien es desse apoio simbólico (ainda que esses se o es não a usassem, ao menos no p incípio).
Se aplicado o an e io men e e e ido à ques ão da língua e dos usos linguís icos, dos seus
ní eis dia ásicos, dias á icos, dia ópicos, e nas escolhas no ma i as, em segundo que quad os de
si uação e aje ó ias das pessoas u en es, os seus e ei os pa a a acei ação, exclusão, p e e ição, minus- e
sob e- alo ização das pessoas pa a segundo que g upos sociais ou comunidades são conhecidos. E nas
possibilidades de acesso, mobilidade ou bem-es a que podem ou não impulsa , nega ou o nece .
Usos, escolhas, aje ó ias, cuja hie a quia e compa ição comuni á ias ambém não êm que se
coinciden es nem e em iguais epe cussões segundo quem as p a ica ou não. De ac o, a capacidade
de escolha ou ansg essão das di e sas agen es pode se maio ou meno segundo o es a u o e as
possibilidades que a cada quem con e em os quad os elacionais e os obje i os p e endidos.
No âmbi o linguís ico comuni á io, há elemen os que uncionam como eg as pa a pode
pa icipa em aspe os da ida comuni á ia, seja ela qual o (e que podem unciona pa a subse o es
comuni á ios e não pa a ou os nem pa a o conjun o), que podemos denomina no mas sis émicas
(ma e iais ou eg as de epe ó io na pe spe i a analí ica de E en-Zoha (2000), e ou as que con e em
maio genuinidade aos usos, que denomino no mas do epe ó io. A sua unção é ambém delimi ado a,
esul ado da imposição po meio de ce os g upos como legí imos do que Pie e Bou dieu denominou
p incípios de isão e di isão (Bou dieu, 1994). Po exemplo, p a ica usos linguís icos econhecí eis
como p óp ios pola comunidade onde a escala de ma izes e e ei os depende das agências (en enda-se:
pessoas, g upos e en idades que a uam ou a mesma capacidade de agi ) in e locu o as e das aje ó ias
das pessoas; pense-se, po caso, na bu guesia u bana ou em emig an es com pouco domínio dos
seus es ánda es). Essas no mas e usos delimi am, di e enciam, coesam ou não os di e sos cole i os a
conside a , mesmo em e mos de pe ença ou exclusão e as posições e unções neles3.
Ve edas: Re is a da Associação In e nacional de Lusi anis as, n. 39, p. 14-36, jan./jun. 2023 17
A dimensão da a e i idade iden i á ia: li e a u a, língua e no mas o og á icas na Galiza. Uma p opos a de ap oximação
É mui aliosa a ese de Domínguez (2000), cen ada num g upo ju enil u al e a sua pe ceção dos seus usos linguís icos, num
con inuum do galego a espanhol mas que ele (au o)in e p e a como galegó ono.
Como é conhecido, exis e uma ex ensíssima bibliog a ia sob e os p ocessos que inculam língua e a e i idade, de á ias
pe spe i as, com especial a enção à ap endizagem de segundas línguas, mesmo em elação a a ian es mais ou menos
legi imadas (po exemplo, pa a o caso da a ian e andaluza do espanhol, id. C ismán-Pé ez e Núñez-Vázquez (2020) que
ob iamen e não podemos abo da nes e abalho. Re e imos apenas algumas di eções que nos pa ecem no idosas e ú eis.
Como exemplo de a anços nas es a égias de ap endizagem das segundas línguas podemos ci a A onin (2012) sob e cul u a
ma e ial e a e i idade. É pa icula men e ele an e, pa a o caso de con li os, o abalho de Smi h-Ch is mas (2018) sob e
a unção a e i a amilia na ap endizagem do gaélico escocês. Em ge al, sob e as condições neu obiológicas a e i as na
língua, pode e -se o clássico Schumann (1997). Rela i amen e à a e i idade iden i á ia, é de in e esse a pe spe i a usada
po Escude o e Reina (2021) na abo dagem ela i a à con igu ação dos concei os de iden idade e memó ia, com base em
expe iências onde ica pa en e a dimensão a e i a da iden idade e o seu ca á e de ínculo iden i á io. Tendo p esen e o
componen e a e i o na dimensão iden i á ia cole i a no quad o dos nacionalismos no es ado espanhol, pode e -se Gil
He nández (2019). Compo amen os sociais a pa i das iden idades co po ais e a dimensão dessa iden idade em Cena (2015).
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Con ém explici a que, ao lado de elemen os iden i á ios a e i izados ou con e idos em
iden i á ios a a és de p ocessos a e i os, há ou os de índole di e sa. Po caso, aqueles que se
conside am ep esen a i os ou emblemá icos da comunidade, em que o a e o pode não desempenha
papel nenhum; ou que o desempenhou mas ago a não o desempenha. E an o ad in a como ad ex a da
comunidade; an o pa a o seu in e io como pa a a sua imagem, p ojeção e/ou elacionamen o ex e no.
Se o elemen o a e i o ou a e i izado se si ua na sua génese e uncionamen o den o da comunidade
(ainda que, depois, possa i a joga papéis ele an es no âmbi o ex e io ), o emblemá ico a ua no
duplo sen ido, in e no e ex e no. É e dade que pode ha e casos em que a a e i idade seja p o ocada
ou p omo ida po agências ex e nas, mas é semp e o cole i o comuni á io que se sen e inculado
quem o ele a à ca ego ia iden i á ia a e i a. Não assim na e en e emblemá ica, que pode exis i com
independência dos a e os. Po exemplo, iden i ica ex e namen e uma comunidade com de e minados
usos cul u ais ou económicos ou coloca de e minados elemen os, ma e iais e ima e iais, como
emblemá icos dela pode unciona ex e namen e (e in e namen e), com independência dos a e os e
com independência do g au de gene alização dessa iden i icação no conjun o comuni á io. Ou, pa a
ala mos de li e a u a, conside a Camões e/ou Os Lusíadas elemen o emblemá ico de Po ugal sem isso
conduzi necessa iamen e a nenhuma a e i ização. É opo uno indica que, sendo de cons i uição (e
modi icação) ni idamen e in e na, isso não signi ica que ela possa e -se a e ada po mo i os ex e nos.
Po exemplo, polos g aus de acei ação que, como elemen o iden i á io possa e no ex e io e os e ei os
que isso possa e na comunidade. Imaginemos um p odu o a esanal que é pouco ou nada p ocu ado
ex e namen e ou um espaço público sa u ado polo ex e io , que pode e epe cussões, posi i as ou
nega i as, nos a e os iden i á ios da comunidade. No malmen e, a comunidade ende a a e i iza ou os
elemen os (como) iden i á ios pa a sup i a a e ação dou os, sob e udo nas unções que ocupa am
aqueles. Po ezes, len amen e; ou as, em pa alelo ao elemen o subs i uí el; nou as, com g ande
apidez; ce amen e, nou os casos não há subs i uição e mani es am-se a i udes di e sas das ci adas,
que não são monolí icas, ob iamen e; ampouco, cla o, no âmbi o sociolinguís ico. Do pon o de
is a em que aqui nos si uamos, são p ocessos em que a comunidade ou cole i os dela eagem pa a
con inua conse ando hábi a s, coesões, possibilidades mas que podem causa danos i epa á eis ou
insubs i uí eis pa a essa comunidade. São, ambém, indicado es da subsis ência e modo de subsis ência
da comunidade e dos seus cons u os.
Em ge al, pode pensa -se nessas a e i idades como uncionando de modo posi i o em elação
à iden idade, mos ando que ência. Mas há, igualmen e, modo nega i o; ce amen e, pode á-se ala
de an i-iden idades a e i as e a e i idades an i-iden i á ias, ou algo simila , quando o indi íduo ou o
cole i o que o , mos a, em elação a um enómeno, obje o, ideia, e c., uma a i ude de ejei amen o
sen imen al es u u al (não pon ual nem conjun u al) a uma e en ual iden i icação ou ao que
ela signi ique. Na u almen e, podem su gi con li os de a e i idades iden i á ias se os elemen os
ep esen a em cousas opos as pa a cada g upo ou se o e e como esul ado um in es imen o a e i o
que ge a p oblemas na di eção con á ia à in enção a e i a; como ambém equí ocos nos modos do a e o
ou descu amen o dou os elemen os, ú eis po exemplo, pa a a coesão. Ri alidades ou ejei amen os de
iden idades sociopolí icas ou cul u ais, po caso, são e idências daquela an i-iden idade a e i izada a
que me e e ia.
Elias Jose To es Feijó
Ve edas: Re is a da Associação In e nacional de Lusi anis as, n. 39, p. 14-36, jan./jun. 2023 18
O alo a e i o e iden i á io da o og a ia e as suas consequências
na lei u a/na li e a u a. O caso galego
O alo simbólico-iden i á io e a e i o da o og a ia e das no mas o og á icas, que em sido
obje o de a enção de á ios ângulos, é pa en e. Má io He e o ecolhe alguns dos mais signi ica i os
es udos sob e o alo simbólico da o og a ia “como p á ica social” (ex., Wine , 1990; Schie elin;
Douce , 1992, B own, 1993, Ja e, 1996, 2000; Ál a ez Cáccamo; He e o Valei o, 1996; Sebba,
1998; He e o Valei o, 1998, 2000; Romaine, 2002), a que de emos ac escen a o seu incon o ná el
abalho pa a o caso galego (He e o Valei o, 2021) e á ios dos de i ados do que podemos denomina
a escola co unhesa de sociolinguís ica, donde êm saído publicações de e e ência pa a a abo dagem
des e assun o ( id., só como exemplo da a i idade dos anos no en a do século passado, além do e e ido
He e o Valei o, os abalhos do impulso e coo denado dessa ‘escola’ Ál a ez Cáccamo (1993, 1996a,
1996b); e Bobillo e al. (1998), Domínguez (2000) e P ego (1994)).
Num quad o de si uação elucidado , a poucos anos da independência dos no os es ados ame icanos
emancipados do impé io espanhol, encon amos já o comen á io, bem conhecido, aliás, nos es udos
sociolinguís icos, de Domingo Faus ino Sa mien o (1886, p. 182-183), sob e a ques ão o og á ica:
São abo dados des a pe spe i a
4
casos como o hai iano (Schie elin; Douce , 1992, p. 427),
eles salien am a índole simbólica nacional/in e nacional das escolhas pa a a sua esc i a, ou o galego,
(Ál a ez Cáccamo, 1993). He e o Valei o (2021, p. 59-61) ap esen a páginas elucidado as ela i as
aos casos de pidgin ou c ioulas em elação ao caso galego e a luso onia. O que cabe insinua , é que
as o ien ações no ma i as (unidas, cla o, ao uso e seleção linguís icos ei os), incidem e ni idamen e
no a e o, na a e i idade iden i á ia e na iden idade a e i ada que um ex o ou uma au o ia possam
ep esen a ou p o oca .
I ei e e i -me aqui ao caso galego, embo a o luso-b asilei o seja, no âmbi o do mundo de língua
po uguesa, ambém um caso de in e esse pa a ap oximações aos a e os e às li e a u as duma abo dagem
o og á ica.
Ve edas: Re is a da Associação In e nacional de Lusi anis as, n. 39, p. 14-36, jan./jun. 2023 19
A dimensão da a e i idade iden i á ia: li e a u a, língua e no mas o og á icas na Galiza. Uma p opos a de ap oximação
Yo c eo llegado el momen o de medi a con de ención lo que debemos hace en ma e ia an
impo an e, po aue se a a nada ménos que de econoce nos una nacionalidad peculia ,
buena o mala, en el idioma, o decla a nos as agos co ompidos i dejene ados de mas pe ec a
es i pe; de plajia a la España en sus p og esos, sin conciencia i sin exámen, o de ese a nos
la espon aneidad de ob a e o mas según nues a mane a de se . En una palab a, la cues ión
o og á ica en cuan o a un sonido i un solo ca ác e de le a, nos lle a a e-conoce nos a
noso os mismos o a nega nos oda exis encia.
Na u almen e, há mui os casos do que comen amos. No âmbi o lusó ono, não me pa ece se discu í el que na polémica sob e
a implan ação do Aco do O og á ico o a o a e i o-sen imen al joga um papel ele an e, como é econhecido mesmo em
abo dagens mais écnicas (San os, 2010). O b asilei o é e dadei amen e signi ica i o, ambém como deba e e eli es sob e a
4
Fo mula ei aqui hipó eses e p olongamen o das an e io es hipó eses cuja alidade e ce eza
só um bom abalho de campo pode á co obo a . Con ém, em odo o caso, não pe de de is a as
consequências que, pa a o caso conc e o da lei u a li e á ia e das iden i icações com li e a u as e a e os,
a o ien ação o og á ica em.
Nes a abo dagem da o og a ia e algumas consequências dela no caso galego, aço-o com plena
consciência de que ele, ainda que com os seus ma izes, não é p ecisamen e caso isolado dum con li o
linguís ico em que o elemen o a e i o na cons i uição das elações pessoais e cole i as e nos modos de
olha e in e i em uma impo ância no á el. Também no caso da no ma, a que especi icamen e i ei
e e i -me aqui, ainda que, ce amen e, ap esen a singula idades no á eis. Enuncio algumas que me
pa ecem ulc ais pa a o en endimen o, des e ângulo, do p ocesso.
Em p imei o luga , de emos oma em conside ação que du an e séculos ( undamen almen e
en e o XV e o XIX), a língua da Galiza (LG5), não oi, com algumas exceções, eículo de p á ica esc i a
no e i ó io galego. E que quando começam a apa ece os p imei os esc i os que ão da luga a uma
adição de esc i a, con li uosa e mui as ezes impedida o p e e ida (a pa i de meados do século XIX,
com o li o Can a es Gallegos, de Rosalia de Cas o como ma co undacional, em 1863), a p odução
medie al e a, na sua quase o alidade e alo simbólico (os cancionei os de lí ica medie al, sob e udo),
desconhecidos. As únicas o og a ia e língua em que as pessoas e am al abe izadas e am as espanholas.
Ainda que exis em p opos as de uni icação di e sa, incluídas ein eg acionis as (en endendo po
ein eg acionis as aquelas que p omo em a uni icação com di e en es g aus com as a ian es da
denominada in e nacionalmen e língua po uguesa), a al abe ização e a esc i a maio i á ias, sob e udo
em p odução ensaís ica e li e á ia, é ei a com uma ela i a a iedade de o mas coinciden es com o
espanhol no uso da o og a ía e da mo ologia.
A é à década de se en a do século XX não exis e possibilidade de ap endizagem linguís ica eg ada
da LG nas escolas; menos ainda, usos adminis a i os no apa elho do es ado dela. Apesa do início
duma ímida e o ma (Ley Gene al de Educación, de 1970) que pe mi i ia (não chegou a e i ica -se)
a in odução, expe imen al, das línguas do Es ado espanhol que não ossem o espanhol (denominadas
“na i as”) no ensino p escola e básico, não se á a é 1980-1983 que se inicie essa in odução, após
o desapa ecimen o da di adu a anquis a e a con igu ação em comunidades au ónomas do Es ado
espanhol. Is o ai acele a a necessidade sen ida duma no ma uni icada, em pouco empo, em que o
galego passa a se , com mui os p oblemas ce amen e, ambém língua legí ima (Domínguez, 1993), ao
es a consag ada polo apa elho do es ado, ainda que em si uação de in e io idade ju ídica e, po an o,
Elias Jose To es Feijó
Ve edas: Re is a da Associação In e nacional de Lusi anis as, n. 39, p. 14-36, jan./jun. 2023 20
no ma. As publicações de Bagno são bom exemplo dis o. Pode e -se Bagno (2007a, 200b); nes e caso, o li o em ge al e,
pa icula men e, as páginas 131 a 138, pa a o caso o og á ico. O deba e social con inua aceso. Vid. Aldo Bizzocchi (2023), po
exemplo. Nes e sen ido e em e mos ge ais, id. Luckmann (1975).
Galego, po uguês da Galiza, galego-po uguês... são á ias as denominações que são u ilizadas pa a e e i -se à língua alada
his o icamen e na Galiza desde a época medie al a é a a ualidade. Denominações que albe gam, po sua ez, di e en es
conceções da língua numa só exp essão. Op o po u iliza Língua da Galiza pa a e e i -me dum modo p e endidamen e
neu al a ela.
5
social, a espei o do espanhol6. Necessidades adminis a i as, económicas, educa i as, cul u ais e am
in ocadas pa a a consecução duma no ma única de uso, que se denomina á, popula men e, o icial [pa a
es e p ocesso, pode e -se Alonso Pin os (2006) e Sánchez Vidal (2010), que abo dam o pe íodo 1950-
1980 e 1980-2000 espe i amen e, e, sob e udo, He e o7, 2021; pa a o p ocesso imedia o que desaguou
na publicação do “Dec e o 173/1982, do 17 de no emb o, sob e a no ma i ización da Lingua Galega”
polo go e no au ónomo galego, Xun a de Galicia, no ano 1982 id. Rod igues (2023)].
As elabo ações no ma i as cob am dimensão mo al. Acompanhando Bou dieu [aludindo a
que, na Galiza, o e ei o do abalho ideológico “dos especialis as da língua e das eli es polí icas”, es á
sendo o de (e aduz Bou dieu, 1977, p. 3) “ o nece os meios pa a ans o ma a simples compe ência
(linguís ica) p á ica em compe ência simbólica, pa a ansmuda o in-dizí el em dizí el, pa a ul apassa
as on ei as do impensá el”,] Ál a ez Cáccamo (1997, p. 146), conside a que “a ala ul apassa o
âmbi o da u ilidade p i ada pa a cons i ui -se em indica i o do mo al”: “É apenas lógico que o galego
público, assim cons i uído em capi al simbólico, seja locus p i ilegiado das lu as ideológicas e objec o de
cons ução, de inição e ap op iação”.
Se nou os pe íodos do galeguismo con empo âneo, a ques ão da no ma e da ap oximação ao
es ánda po uguês es e e p esen e (de modo maio i á io, como p opos a ou desejo, de modo p á ico
com ap oximações de di e so g au nunca dominan es no espaço social galego no que ao uso o og á ico
se e e e: o p oblema do uso co e o e a an/al abe ização joga a um papel decisi o), desde aquela década
de se en a ele eme ge com maio in ensidade. Aos p oblemas écnicos de uso, de em uni -se a pe ença
a um es ado di e en e, ce o espí i o de on ei a (en e isões óbicas – Pageaux, 2004, p. 155 –, e
bai ismo), p óp io de comunidades con íguas geog a icamen e ainda que com pouco con a o em ge al,
o a dos espaços limí o es e com uma sepa ação polí ica de oi o séculos, que obs aculiza e Po ugal e o
mundo de língua po uguesa como e e en e; e, ambém, uma educação sen imen al, a e i a, que le a á
e o po uguês como algo ela i amen e p óximo mas di e en e, comp eensí el mas com di iculdades
pa a uma comunidade ins alada no espanhol e no cas elhanismo no seu uso da LG em odas as o dens,
com exceção do âmbi o oné ico- onológico nos paleo alan es.
São apenas alguns a o es; mas o que in e essa des aca é que quan o à iden i icação a e i a com a
no ma coinciden e com o espanhol na sua o og a ia e aços mo ológicos ( ambém nou as dimensões
da língua, de que não es á isen o o ein eg acionismo), as No mas O og á icas e Mo olóxicas do Idioma
Ve edas: Re is a da Associação In e nacional de Lusi anis as, n. 39, p. 14-36, jan./jun. 2023 21
A dimensão da a e i idade iden i á ia: li e a u a, língua e no mas o og á icas na Galiza. Uma p opos a de ap oximação
Cons i ución Española, “A ículo 3:
1. El cas ellano es la lengua española o icial del Es ado. Todos los españoles ienen el debe de conoce la y el de echo a usa la.
2. Las demás lenguas españolas se án ambién o iciales en las espec i as Comunidades Au ónomas de acue do con sus
Es a u os.
3. La iqueza de las dis in as modalidades lingüís icas de España es un pa imonio cul u al que se á obje o de especial espe o
y p o ección”. (España, 1978).
O li o de Má io He e o Valei o é undamen al pa a o en endimen o do p ocesso que aqui ocamos; já com í ulo elucida i o:
Gue a de g a ias, con li o de eli es (He e o Valei o, 2021). Pa a ele eme emos mui especialmen e pa a en ende o con li o
o og á ico na Galiza e, po an o, pa a o en endimen o do pano de undo des a ap oximação.
6
7
Galego (NOMIG)
8
, é mais ácil e acili ado a, polos mo i os expos os. A a bi a iedade dos signos não
en a nes a equação. Mesmo o uso dou os di e en es aos de i ados daquela educação sen imen al
podem se pe spe i ados como uma ansg essão, e alguma aição; e a up u a duma lealdade an iga,
gené ica em ocasiões. No quad o do con li o no ma i o, as a ian es po uguesas podem a é se is as
como e e en es de oposição (He e o Valei o, 2021, p. 65)9.
Pa a a ocagem que nos ocupa, a educação sen imen al das pessoas lei o as em ge al e das agências
in e enien es nas p opos as de codi icação em pa icula es ão alice çadas na no ma coinciden e com
a espanhola, ambém em exp essões o ais popula es (a LG e a, o almen e, esmagado amen e u ilizada
de modo habi ual po classes popula es e se o es mino i á ios da eli e cul u al e polí ica). Apenas um
exemplo, simbólico: an o na LG como no espanhol da Galiza, é equen e o uso do diminu i o -inho/a
como exp essão de a e o e alo iden i á ios galegos (e alo es associados ao po o e às classes popula es
ambém: e nu a, ca ência, humildade, impo ência...); polos mo i os apon ados, ele apa ece de manei a
absolu amen e maio i á ia exp esso com o ñ: -iño/a. O ñ, uma das o mas pa a ep esen a desde o
medie o um som nasal pala al (/ɲ/) na LG (g a ema simbólico do espanhol, u ilizado mesmo como g á ico
de ma ca España) po a ambém um alo sen imen al associado ao galeguismo nessas exp essões. A
o ma com nh é iden i icá el com o po uguês (quando não dá – sob e udo, da a – luga a p onúncias
à espanhola, mesmo com aspi ação do h, à inglesa). Não se esqueça, já ala gadamen e, que, em ge al,
as línguas e os seus usos po am um alo simbólico ele an e, que ainda aumen a em momen os ou
si uações de con li o; e que, pa a o caso que nos ocupa, o díg a o nh não exis e em espanhol e é usado
nas NOMIG pa a ep esen a um som nasal ela (algunha). Já Saussu e (1991, p. 54-55), como ecolhe
He e o Valei o (2021, p. 36-37), sublinha a o que podemos denomina alo imp essi o mais ele an e
da imagem g á ica do que do som nas pessoas, e, podemos ambém ac escen a , o seu alo a e i o
p oje ado nessa imp essão. E ge a lealdades e a é idelidades, como obse a Ca dona, de ipo eligioso
ou polí ico Ca dona (1994, p. 115-116), aplicado a dous casos que He e o Valei o sin e iza (2021, p. 49-
56), ao lado do es udado po Haugen (1966) pa a o no ueguês.
Ainda que o deba e sob e a o ien ação no ma i a da LG se ealize em e mos écnicos, de
u ilidade, adição, his ó ico- ilológicos, e c., e a sua di e sa in e p e ação es eja no palco do deba e
(He e o Valei o, 2021, p. 23) pa a a p ocu a de legi imações e deligi imações, incluindo a coo denada
popula is a s. eli is a, es e elemen o a e i o, pouco a endido, pa ece-nos undamen al pa a en ende
Elias Jose To es Feijó
Ve edas: Re is a da Associação In e nacional de Lusi anis as, n. 39, p. 14-36, jan./jun. 2023 22
São as no mas ap o adas po dec e o (“173/1982, do 17 de no emb o, sob e a no ma i ización da Lingua Galega”) polo
go e no au ónomo galego, Xun a de Galicia, no ano 1982, que, com poucas a iações, chegam a é a a ualidade. No ano
1983, conhece am o e o ço da Lei de No malización Lingüís ica ap o ada polo Pa lamen o Galego, em que se conside a a
a Real Academia Galega (RAG) como au o idade no âmbi o no ma i o. Essas No mas o am elabo adas pola RAG e o
Ins i u o da Lingua Galega, e ecebe am a con es ação social de en idades sociais e cul u ais e se o es maio i á ios do
nacionalismo de esque das, inculado undamen almen e ao Bloque Nacionalis a Galego, sus en ado es dos denominados
mínimos ein eg acionis as, e dou os âmbi os galeguis as, mino i a iamen e apoian es da opção dos denominados máximos
ein eg acionis as, na al u a eunidos em o no à Associaçom Galega da Língua, AGAL.
Pa a uma sín ese das di e enças “simbólicas” o og á icas e mo ológicas en e as duas p opos as, pode e -se He e o Valei o
(2021, p. 68). F eixei o Ma o (2000), ealiza uma análise do con li o linguís ico, incluindo o o og á ico.
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A dimensão da a e i idade iden i á ia: li e a u a, língua e no mas o og á icas na Galiza. Uma p opos a de ap oximação
Dou o pon o de is a, enha-se p esen e a dimensão polí ica que a língua e as suas o ien ações
no ma i as espelham ou são espelhadas (que dize -se: a mas de a emesso pa a comba e posições
con á ias) ou podem i a espelha nos in e esses das agências in e enien es; pa a algumas, e o ço do
in eg acionismo na Espanha; pa a ou as, sepa a ismos, mesmo em algum caso inculá eis a e en uais
desejos de ap oximação em odas as o dens com Po ugal.
Há na u almen e, mui o mais que se diga sob e is o mas apenas que emos chama a a enção pa a
a in e p e ação emblemá ica que pode ou mesmo ende a se ei a desde o ex e io lusó ono sob e a
iden idade (linguís ica e li e á ia) galega. Uma in e p e ação, aliás, que conduz a de e minadas p á icas
que, po sua ez, podem se e o çado as ou lesi as pa a as agências em con li o e que pode es a
acompanhada, mais ainda p ecisamen e em casos de con li o, po a o es a e i os; em ocasiões, sem as
pessoas ou en idades desse ex e io lusó ono e em consciência de que es ão in e indo di e amen e nos
campos cul u ais e de p odução ideológica galegos e a é nos do pode ; nou os, sim, ce amen e. E isso,
cla o, em ambém e ei os nas elabo ações iden i á ias, nas iden idades a e i izadas e na a e i idade
iden i á ia. Po exemplo, no modo de pe spe i as ou elaciona -se com esse mundo lusó ono po pa e
das eli es e as consequências disso; impac os que es ão po es uda 17.
Conclusão
A dimensão a e i a em e mos de elabo ação iden i á ia indi idual e cole i a é um a o decisi o
pa a en ende p ocessos de con li o linguís ico e soluções pa a o con li o, em e mos de es a égias e
plani icação. Essa dimensão es ende-se, em casos como o galego, às ques ões de acei ação, assunção e
p á ica das no mas p opos as. Em mui os casos, essa dimensão é negligenciada, eduzindo-se mui as
ezes o abalho de campo a ques ões de uso e compe ência, sem a ende às lógicas cons u i as das
pessoas e cole i os em elação às línguas em causa e às suas no mas, nes e caso sob e udo no ela i o
à LG, cuja cons i uição como no ma de imposição na adminis ação, no se iço público e em mui as
es e as p i adas subo dinadas a eles, em apenas qua en a anos.
Essas dimensões êm pa a a li e a u a e pa a o que ela ep esen a, consequênias ulc ais,
sob e udo em casos como es e, em que a p oximidade ou iden i icação en e a LG com a ( es an e?)
língua po uguesa e ( es an e?) mundo de língua po uguesa é pa en e.
Em e mos de plani icação, conhece essas lógicas pa ece undamen al, ambém pa a en ende
as possibilidades de ecusa ou adesão que as di e sas ó mulas possam e socialmen e. Po exemplo,
No p esen e abalho en o e i a exemplos ou análises de si uações conc e as pa a e i a a dis o ção e o iés nes a p opos a
que apenas isa o mula hipó eses e o nece alguns ins umen os de explicação de ealidades como a galega. Pessoas
in e essadas podem, po caso, e o uso e impac o nas eli es galegas da denominada Lei Paz And ade, ap o ada unanimemen e
polo Pa lamen eo Galego, no âmbi o ins i ucional, ou do li o Assim nasceu uma língua, de Fe nando Venâncio (2019) no
sociocul u al. Recen emen e, a di eção da AGAL em impulsado uma p opos a denomianda “bino ma i ismo”, h ps://a.gal/
bino ma i ismo/ : “A coexis ência de duas opções g á icas na Galiza é u o de umha ealidade social complexa. A AGAL
p opõe da à p opos a ein eg acionis a es a u o legal, c iando um no o consenso ao edo de dinâmicas comuns em p ol da
língua bené icas pa a a sociedade”.
17
quan as pessoas es ão a a o de oma medidas de disc iminação posi i a da LG com independência
dos usos que elas açam dela; ou como as pessoas eem a sua e en ual iden i icação com as di e sas
p opos as no ma i as em causa; e como isso pode ia se e en ualmen e implemen ado.
T abalho de campo é p eciso pa a e i ica as hipó eses aqui colocadas e, mesmo, a e en ual
alidade e con o nos do concei o de a e i idade iden i á ia e as suas aplicações ao âmbi o da cul u a.
Nes a di eção, pa ece que as agências do campo de p odução ideológica, do campo da cul u a e do
campo do pode (aqui, en e ou as, com a ulc al es e a do ensino), de em e em con a essa a e i idade
nas suas elabo ações e ações.
Em ge al e socialmen e, a dimensão da iden idade a e i izada e a a e i idade iden i á ia pode
ajuda pa a comp eende os compo amen os humanos, mesmo os de i ados de cos umes, adições,
celeb ações ou medos das comunidades e os ecu sos que são mobilizados polas pessoas ou es ão
disponí eis pa a mobiliza em unção dos seus obje i os.
Ve edas: Re is a da Associação In e nacional de Lusi anis as, n. 39, p. 14-36, jan./jun. 2023 30
Elias Jose To es Feijó
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Resumo/Abs ac
A dimensão da a e i idade iden i á ia: li e a u a, língua e no mas o og á icas na Galiza.
Uma p opos a de ap oximação
Elias Jose To es Feijó
O p esen e abalho p opõe oma em conside ação a componen e a e i a na cons ução iden i á ia
indi idual e cole i a. São o mulados os concei os de iden idade a e i izada (a assunção sen imen al
de elemen os iden i á ios: o elemen o iden i á io ge a a e i idade) e a e i idade iden i á ia (o esul ado
numa iden idade a pa i dum elemen o ou duns elemen os mediado es não necessa iamen e inculados
de modo linea com o obje o da iden i icação). Aplica-se em conc e o à ques ão o og á ica no caso
galego e como essas componen es podem incidi nas elabo ações a e i as das pessoas em elação à
conceção da língua, à li e a u a e aos a e os e o ien ações de lei u a; e como essas o ien ações se
elacionam com o p óp io concei o de nação e das suas elações ex e nas.
Pala as-cha e: a e i idade iden i á ia, iden idade a e i izada, o og a ia, Galiza, li e a u a.
Recebido em 6 de maio de 2023.
Ap o ado em 28 de junho de 2023.
Ve edas: Re is a da Associação In e nacional de Lusi anis as, n. 39, p. 14-36, jan./jun. 2023 36
Elias Jose To es Feijó
The dimension o iden i y’s a ec i i y: li e a u e, language, and o hog aphic no ms
in Galicia. A p oposal o app oxima ion
Elias Jose To es Feijó
This pape p oposes o ake in o accoun he a ec i e componen in he cons uc ion o indi idual
and collec i e iden i y. In an ins umen al way, he concep s o a ec i e iden i y ( he sen imen al
assump ion o iden i y elemen s: he iden i y elemen gene a es a ec i i y) and Iden i y’s A ec i i y
( he esul in an iden i y based on an elemen o media ing elemen s no necessa ily linked in a linea
way wi h he objec o iden i ica ion) a e o mula ed. I speci ically applies o he spelling issue in he
Galician case and how hese componen s can a ec people’s a ec i e elabo a ions in ela ion o he
concep ion o he language, li e a u e, eading habi s, o ien a ions, and how hese guidelines ela e o
he e y concep o na ion and i s ex e nal ela ions.
Keywo ds: iden i y a ec i i y, a ec i e iden i y, spelling, Galicia, li e a u e.
Dedica ó ia
Pa a o P o . Síl io Rena o Jo ge