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LITERATURA INFANTIL ANGOLANA E CONSTRUÇÃO NACIONAL NO
SÉCULO XXI
Rebeca Ca ballo Coello
G ao en Linguas e Li e a u a Mode nas: Po ugués
T aballo de Fin de G ao (ano académico 2017-2018) di ixido po
Ma ia Felisa Rod íguez P ado
Liña emá ica: Cul u a e Li e a u as Lusó onas
Xullo 2018
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ÍNDICE
RESUMO ............................................................................................................................ 2
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 3
2. IDENTIDADE NACIONAL E ANGOLANIDADE NA CONSTRUÇÃO NACIONAL. QUE
ANGOLANIDADE? QUE LINGUA? ...................................................................................... 5
3. A LITERATURA NA CONSTRUÇÃO NACIONAL DE ANGOLA ........................................... 8
4. O SISTEMA LITERÁRIO EM ANGOLA ........................................................................... 13
5. DESENVOLVIMENTO DA LITERATURA INFANTIL PÓS-INDEPENDÊNCIA ..................... 15
6. A LITERATURA INFANTIL NO SÉCULO XXI ................................................................... 19
7. 11 CLÁSSICOS DA LITERATURA INFANTIL ANGOLANA ............................................... 24
…E nas Flo es as os Bichos Fala am…, Ma ia Eugénia Ne o...................................... 27
O País das Mil Co es, Oc a iano Co eia .................................................................... 29
Lu chila, Rosalina Pombal .......................................................................................... 30
Kibala, o Rei Leão, Gab iela An unes ......................................................................... 31
A Á o e dos Gingongos, Ma ia Celes ina Fe nandes ............................................... 32
Duas His ó ias, Zaida Dáskalos .................................................................................. 33
As Se e Vidas de um Ga o, Da io de Melo ................................................................. 35
A Velha Sanga Pa ida, C emilda de Lima ................................................................. 36
Fábulas de Sanji, An ónio Jacin o .............................................................................. 37
O cí culo de Giz de Bombô, Hen ique Gue a. ........................................................... 40
A Viagem das Folhas do Cade no, Ma ia João ............................................................... 43
CONCLUSÕES .................................................................................................................. 44
REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 45
ANEXO
I. QUADRO SINÓPTICO DA HISTÓRIA DE ANGOLA A PARTIR DA ÉPOCA COLONIAL
II QUEM É QUEM? APRESENTAÇÃO DOS AUTORES NA COLEÇÃO 11 CLÁSSICOS
INFANTIS
III. ANÁLISE E RESUMOS COMPLETOS DOS CONTOS INCLUÍDOS NA COLEÇÃO 11
CLÁSSICOS INFANTIS
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RESUMO
O abalho que se ap esen a p e ende es uda em que medida o desen ol imen o da
li e a u a de Angola do século a ual segue ou não a elado a um p oje o de cons ução
nacional, e enciona azê-lo a a és da ocalização de p odu os li e á ios angolanos
des inados a público in an il.
Pa a isso, pa i á da iden i icação dos chamados pionei os des a li e a u a
in an oju enil e do papel que a es a p odução oi a ibuído, pa icula men e após a
independência do país, no p ocesso de cons ução da iden idade
nacional.
A segui , o oco se á colocado nos úl imos dezasseis anos, conside ando de modo
especial os possí eis impac os dos ma cos de 2002, com o aco do de paz, e 2012, que
assinala uma década de es abilidade e coincide com o início das a i idades
do Gabine e de Re i alização e Execução da Comunicação Ins i ucional e Ma ke ing da
Adminis ação (GRECIMA).
O GRECIMA é o esponsá el pelo p oje o go e namen al –em cu so– Amo Angola,
des inado à p omoção da “ma ca Angola” in e na e in e nacionalmen e, mas ambém
o mulado como “p og ama de educação pa ió ica”; uma das suas ês e en es é
li e á ia e oma di e sas o mas, en e as quais a de coleções de Clássicos da Li e a u a
Nacional, em que se inse e a p imei a cole ânea 11 Clássicos In an is, lançada em
no emb o de 2015.
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1. INTRODUÇÃO
A cons ução de uma nação é o p ocesso de es u u ação de um país o jando uma
iden idade nacional comum a a és do pode do Es ado. O seu obje i o p incipal é
uni ica odas as pessoas, de um ou á ios po os ou e nias, den o do Es ado pa a que
es e seja ac í el e se man enha poli icamen e es á el e unido no p esen e e no u u o.
Pa a comp eende mos o pe cu so da cons ução nacional em Angola (que implica uma
impo an e a e a de c iação iden i á ia, en e ou as) e a sua elação com a li e a u a,
emos de começa po mos a um b e e pe cu so his ó ico que ajuda á a en ende
mui as das ques ões que apa ece am ao longo do abalho que se ap esen a.
A gue a, a iolência nas lu as de pode e a ins abilidade ma ca am a undação de
Angola como es ado independen e. Ela oi a úl ima colonia po uguesa em a ingi a
independência, que log ou após 14 anos de lu a con a o colonialismo po uguês e,
an es de os po ugueses cede em o malmen e o go e no em 11 de no emb o de
1975, es alou uma gue a ci il en e o MPLA (Mo imen o Popula de Libe ação de
Angola), o FNLA (F en e Nacional de Libe ação de Angola) e a UNITA (União Nacional
pa a a Independência To al de Angola), os p incipais pa idos o mados no país, que na
p á ica ia du a quase 30 anos.
Quem p onunciou o discu so de p oclamação do no o es ado oi o p imei o p esiden e
da República, An ónio Agos inho Ne o: “Às 0 ho as do dia 11 de no emb o de 1975,
sob o olha silencioso de Lénine, o Bu eau Polí ico do MPLA p oclama solenemen e
pe an e a Á ica e o mundo a República Popula de Angola”. A da a em que se a ingiu a
independência, um 11 de no emb o, e á mui o simbolismo no mundo li e á io que se
ia c ia a pa i desse momen o. É igualmen e salien á el que Agos inho Ne o, além de
médico, i esse sido esc i o .
A gue a ci il começou já em 1875. Em 1991 o MPLA e a UNITA assina am um a ado
de paz que coloca a uma no a o dem e que ixa a a celeb ação de umas eleições no
ano seguin e que pe deu a UNITA. Es e pa ido não acei ou a de o a e ol ou-se à
gue a ci il. Um ou o a ado oi assinado em 1994, sob o con olo de Nações Unidas,
mas oi um cessamen o de ogo ela i o, po que embo a a capi al es i e anquila, no
es o do país a iolência p osseguia. Em 1998 es ala de no o a gue a ci il o al a é
2002, ano em que mo e o líde da UNITA e os líde es ebeldes assinam o cessamen o
de ogo de ini i o com o go e no. Se á o MPLA o pa ido que ai go e na Angola a é a
a ualidade.
É a pa i des e ano, 2002, que podemos ala duma ela i a anquilidade e
no malidade na cons ução nacional angolana. Assim, no século XXI, nascem di e en es
o ganismos elacionados com a cul u a e a “ma ca Angola” que ão pô em ma cha
inicia i as in e essan es. Conside amos a o mação do Gabine e de Re i alização e
Execução da Comunicação Ins i ucional e Ma ke ing da Adminis ação (GRECIMA) em
2012, um aspe o undamen al no desen ol imen o do p oje o polí ico de “educação
pa ió ica” do século XXI em que es á englobada, en e ou os, a li e a u a. Es a
ins i uição ai se a esponsá el pela publicação em 2015 da cole ânea ocalizada no
abalho (11 Clássicos In an is) e ai se ex in a em 2017.
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Como e emos, o papel da cul u a, conc e amen e da li e a u a, é ine en e à
e olução desde os inícios e em um ca á e ma cadamen e polí ico. Os alice ces da
p eocupação li e á ia no país são colocados já po um g upo de in elec uais angolanos
na década de 50 em que p edomina a a i mação dos alo es “nacionais”, o mal e
ema icamen e, como espos a à negação sis emá ica dos alo es do po o angolano
pelo colonialismo.
A segui , e emos como e oluciona es a p eocupação polí ica com a li e a u a a é a
a ualidade, e isa emos os o ganismos e a i idades c iadas e abo da emos as
agilidades que ap esen a o desen ol imen o do sis ema li e á io angolano.
Cen a emos a ques ão na li e a u a in an il azendo um pequeno pe cu so
c onológico ap esen ando o seu desen ol imen o e colocando o oco na coleção
selecionada de onze clássicos. Analisa emos ambém as inicia i as pos as em ma cha e
os p odu os p oduzidos. Pa a al, econside a emos as es a égias e as decisões
omadas pelo Es ado nessa cons ução da iden idade comum que engloba a escolha de
um ipo de angolanidade e, assim mesmo, de uma língua de comunicação.
Quan o a pe íodos de empo, além de a a o pe íodo que ai de 1975 (ano da
independência) a é ins do século XX, o oco empo al a aliado no abalho que se
ap esen a é o in e alo de 2000 a 2015, ano de publicação da coleção 11 Clássicos
In an is.
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2. IDENTIDADE NACIONAL E ANGOLANIDADE NA CONSTRUÇÃO NACIONAL.
QUE ANGOLANIDADE? QUE LINGUA?
Ademais de uma his ó ia comum e um im pa ilhado, uma das a e as que em de
en en a um país na sua cons ução como es ado independen e é a de a icula
a/uma iden idade comum en e a população que que ep esen a , especialmen e se
essa população se in eg a em comunidades mui o di e en es no ní el linguís ico, social
e cul u al. A c iação iden i á ia no caso dos es ados a icanos, di ididos alea o iamen e
na con e ência de Be lim (1884-1885) pelas po ências coloniais, não é um exe cício
ácil po que es es e i ó ios ap esen am al di e sidade é nica que mui as ezes az
com que uni ica a população sob uma iden idade única se o ne mui o di icul oso.
No caso de Angola, es ado mul ié nico de 1.246.700 km2 cujos limi es on ei iços não
coincidem com as on ei as é nicas, exis iam inúme as iden idades pa imoniais. O
pode polí ico apos ou desde a independência do país po elabo a essa iden idade
nacional angolana comum e pa a isso c iou elemen os simbólicos como a bandei a, o
hino nacional, monumen os, slogans, a é elemen os ma e iais como ins i uições ou a
p óp ia cons i uição. A unicidade do es ado, do pon o de is a polí ico, oi e é is a
como um dos ins umen os es a égicos undamen ais endo em con a que em Á ica
as di e enças é nicas são a o de con li o.
Quan o ao es ado da ques ão da cons ução nacional, es udiosos e polí icos angolanos
dissen em num pon o-cha e: exis e ou não a ualmen e uma nação em Angola? Mui o
sucin amen e, expomos que coexis em ês co en es que sus êm pon os de is a
di e en es (CAFUSSA, 2015): a p imei a, ep esen ada pelo p imei o p esiden e da
República, Agos inho Ne o, con empla que Angola es á cons i uída po a ias nações
que se undem numa única; a segunda, de endida po Paulo de Ca alho, jus i ica que
não exis e ainda uma nação angolana, po que não se de e a um sen imen o de
consciência nacional ou po que es á despojada de uma cul u a angolana assen e num
subs a o sociocul u al bem como num sis ema de e e ências sociais; a e cei a,
ep esen ada po Víc o Kajibanga, p opõe que a nação angolana é um p oje o
nacional do Es ado que es á a ualmen e em p ocesso de cons ução e de a i mação.
Em elação à cons ução da iden idade angolana, o ac o de que as di e en es
iden idades pa imoniais o iginais do e i ó io enham con i ido e pa icipado em
dinâmicas in e essan es com as ou as iden idades que ie am de o a, con o mando
assim um pano ama complexo, de i ou, do pon o de is a his ó ico-polí ico, em ês
p opos as de angolanidade (“idealização ou en a i a de eo ização sob e o Es ado-
nação angolano”, CIPRIANO, 2013) que con inuam a dialoga , embo a seja uma a
ado ada, inicialmen e, pelo Es ado. Seguindo a nomencla u a de CIPRIANO (2013), e
de manei a mui o b e e, explicamos a con inuação:
Angolanidade ap io ís ica: nes a co en e des aca-se o que oi o p imei o
p esiden e da República, Agos inho Ne o (MPLA), que conside a que o po o
angolano es á acima das e nias e cons i ui uma só nação e um só po o que
ab e espaço pa a a icanos, eu opeus e angolanos i e em em conjun o.
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Angolanidade izomá ica: es a co en e es á mui o ene gicamen e sus en ada
pela FNLA e UNITA. Sus ém que a cons ução do Es ado-nação em de pa i
das aízes cul u ais a icanas e busca a independência o al, a cul u al incluída.
Nes a posição, o angolano de o a ou eu oangolano e ia as po as abe as mas
ica ia secunda izado.
Angolanidade apos e io ís ica: nes e caso são odos os ou os pa idos os que
se adsc e em a es a co en e que em a e com a democ a ização do mundo
consoan e o modelo ame icano. Nes e modelo de angolanidade, conside ado
neocapi alis a po mui os, qualque um pode conquis a li emen e o seu
espaço. É ambém denominada angolanidade económica/ inancei a.
O p oje o de Angola e a de inição de angolanidade que se supe pus oi du an e mui o
empo o do MPLA, nomeadamen e no âmbi o cul u al que inclui o li e á io, embo a o
modelo apos e io ís ico es eja implan ado a ualmen e no plano económico e
cul u almen e comece a se in eg a .
Dado que se p e endia e i a qualque ipo de agmen ação en e os angolanos, é
undamen al a omada de consciência de que qualque pessoa de qualque g upo
é nico é, po cima de odo, angolano, apesa das di e enças. Pa a is o, as es a égias
mais des acá eis implemen adas o am a cons ução de um passado comum que inclui
a lu a con a o mesmo ad e sá io, a escolha de uma mesma língua de uso e a
a iculação de um des ino comum pa ilhado pa a odos aze em pa e da Nação
Angolana.
Os cen os de p odução da iden idade nacional o am no caso angolano as o ças
a madas, o sis ema educa i o (especialmen e du an e a República socialis a) e as
adminis ações públicas.
Nes e come ido, e na eima cons an e de e i a queb as, p oduziu-se uma memó ia
his ó ica o icial: a iden i icação de um passado comum a odas as comunidades que
compunham a nação. Nes e caso, essal a-se cons an emen e o su gimen o de um
po o ma cado pela op essão ao colonialismo e so edo do au o i a ismo po uguês
que semp e esis iu e pe maneceu unido sendo múl iplo na sua composição
sociocul u al. Alienado da sua au onomia no passado, colocou-se o oco no u u o pa a
le an a uma nação independen e e um no o angolano.
Um ou o elemen o undamen al na cons ução da angolanidade oi o da língua. Num
país em que a di e sidade linguís ica é uma on e de ins abilidade e de con on ações,
a exis ência de uma língua sup aé nica apa ece como um elemen o cha e de
aglu inação da nação.
O deba e a edo da língua que de ia se a o icial exis iu, mas oi a pos u a do MPLA a
que se es abeleceu: ap op iação da língua do colonizado , que se ins au ou como
língua o icial de comunicação, e econhecimen o como línguas nacionais dou os
7
idiomas de ma iz a icana
1
. Não hou e nem há comba e con a a língua po uguesa
como língua o icial de comunicação, embo a a língua con inue a se uma discussão
habi ual em elação a dois pon os. P imei o, à pe da das cul u as linguís icas
e i o iais como consequência das polí icas de assimilação. Nes a ques ão há
dispa idades en e o meio u al e o u bano, e en e ge ações: o po uguês é a língua
ado ada pelos jo ens nos núcleos u banos, mas não a das ge ações mais elhas,
deslocados de zonas u ais, que man êm as suas línguas ma e nas. No u al das
p o íncias, a p esença das di e en es línguas nacionais é mais isada, po an o, o
deba e em elação às polí icas linguís icas no ní el do ensino o icial ou no ní el li e á io
quan o à edição de ob as em di e en es línguas é pe manen e. A Lei de Bases do
Sis ema de Educação, ap o ada em 2001, p e ê o ensino das línguas nacionais. Não
obs an e, não é a é 2007 que se inicia um p oje o expe imen al pa a implemen a
g adualmen e as línguas nacionais no sis ema de ensino em núcleos das p o íncias que
es ão ligadas às línguas nacionais. Segundo, sim oi discu ida a ques ão de que
po uguês u iliza , especialmen e na li e a u a des inada a c ianças: o pad ão
po uguês ou o coloquial de Angola com os angolanismos que o ca ac e izam.
A escolha do po uguês como língua o icial conside ou-se jus a, po um lado, po que
em nenhuma das comunidades é nicas o po uguês e a a sua língua o iginal; po ou o
lado, po que o po uguês de Angola (denominado língua angolana po mui os) e a
sen ido já como p óp io se e mos em con a que esse po uguês chegado da
me ópole se angolanizou. Como apon ou Sil a Rego (JORGE, 2006), “a língua nacional,
adap ando-se a odas as la i udes, omou no as essonâncias, e gou-se a quase odas
as exigências, pe deu consoan es, ab iu ogais, imi ou no os sons, empob eceu,
en iqueceu… pa a o bem da humanidade”.
O po uguês é po an o a língua de unidade nacional po que, além de o na a
mensagem comum pa a odos, é ap esen ado acima de udo como um ganho da
his ó ia comum. Como esc e eu Luandino Viei a, em 1967, no seu omance Nós, os do
Makulusu, o po uguês é um “ o éu de gue a”.
No que em a e com a ep esen ação da cul u a, selecionou-se no ní el discu si o
aspe os de odos os po os angolanos pa a ixa essa cul u a nacional. A p ocu a de um
aspe o de plu alidade na con eção da iden idade nacional é uma cons an e e a
li e a u a ai se conside ada como um médio pa a modela e di ulga essa iden idade.
Em e mos li e á ios ambém, emos de e em con a que os países a icanos êm uma
g ande iqueza em li e a u a o al e que exis e o cos ume de os mais elhos con a em
con os adicionais às c ianças e jo ens pa a en e e , ins ui e mesmo “ aze
esquece ” (MARTINHO, 1999). Es as na a i as en ol em os seus an epassados,
adições, lendas, cos umes, pe sonagens e mi os, e ão se es imuladas po essa
angolanidade ins i ucional. Es e ipo de li e a u a ai deixa uma unda pegada na
p odução li e á ia pós-independência a é a a ualidade, nomeadamen e na li e a u a
in an il que ec ia esse mundo de ábulas.
1
O po uguês e a a língua o icial de Angola no momen o da independência, mas con a a ambém com á ias
línguas nacionais (umbundu, kimbundo, kikongo, io e, n´ganguela, nhaneka, muhumbi, chockwe, kwanhama), e
umas 87 línguas au óc ones (COSTA, 2016).
14
Do pon o de is a dos edi o es angolanos, publica li os sai mui o ca o e não é um
bom negócio po que o ma e ial básico pa a a imp essão, o papel, é impo ado. É po
is o que os au o es mais conhecidos con inuam a publica o a do país po se mais
ácil e ba a o do que no p óp io país. Da ó ica dos esc i o es passa-se o mesmo. Numa
en e is a a Yola Cas o em 2018 (GANGA, 2018), an e a pe gun a de se é ca o edi a ,
diz: “em 2012 a edição de mil exempla es cus a a se e mil dóla es. Nas ezes em que
edi ei um li o, não i o e o no dos alo es, pois edi amos po amo ”.
Ou o enómeno que a asa o desen ol imen o do me cado edi o ial local é a en ada
de edi o as es angei as em e i ó io angolano (Po o Edi o a e Leya) que aglome am
edi o as nacionais e acabam po monopoliza as edições (ÁLVARO, 2017).
Edi o es, esc i o es e c í icos coincidem ambém em a i ma que são necessá ias mais
polí icas públicas de omen o da lei u a (e mais e icazes), medidas que acili em a
ci culação do li o, campanhas de al abe ização, implicação dos meios de comunicação
e, sob e udo, a c iação de mais biblio ecas que conside am mui o escassas no país,
especialmen e se e mos em con a que a população se encon a mui o disseminada no
e i ó io. Se a população não pode comp a li os, é necessá io que possam acede
acilmen e a eles em biblio ecas que, ademais, de em e pessoal quali icado que
abalhe nelas.
Assim mesmo, esc i o es como Boa en u a Ca doso, que oi minis o da cul u a de
2002 a 2010, conside am imp escindí el que, em elação à ci culação do li o, se
iniciem polí icas e icien es de p omoção de ob as no seio da Comunidade de Países de
Língua Po uguesa pa a que es a seja mais luida (MICAS, 2014). Conside a cha e
ambém que se desen ol a uma c í ica li e á ia em Angola, em coincidência com
ou os au o es, que si uam uma ou a causa do aco momen o que a a essa a
li e a u a angolana desde a década de 90 na ausência de uma c í ica li e á ia angolana
(GAYETA, 2014). José Luís Mendonça, memb o da UEA, no edi o ial do n.º 164 do
Jo nal Angolano de A es e Le as (MENDONÇA, 2018), chega a dize : “In elizmen e,
em 43 anos de independência, a Academia angolana não oi capaz de p oduzi um
único c í ico p o issional, que, com egula idade se pudesse dedica à c í ica li e á ia, e
capaz de um exame se e o e se eno das qualidades a ís icas dos bons esc i o es”.
Quan o às aquezas que ap esen a o me cado global do li o em Angola, em O li o
po uguês nos PALOP e no B asil (FERREIRA, 2007), ac escen a-se as p á icas
adminis a i as do Es ado pouco anspa en es, ní eis al os de co upção
disseminados po oda a sociedade angolana e al a de o mação dos p o issionais do
se o li ei o. Nes a mesma ob a assinalam-se como pon os o es o c escimen o
económico mui o acele ado, a p esença de uma eli e socioeconómica com ele ado
pode de comp a, o c escimen o demog á ico, a exis ência de condições a o á eis
pa a c ia es u u as e p og amas de c iação de públicos (plano de ede de biblio ecas
públicas), a c escen e edução do anal abe ismo, o aumen o da ede escola e o
g ande c escimen o do ensino supe io .
15
5. DESENVOLVIMENTO DA LITERATURA INFANTIL PÓS-INDEPENDÊNCIA
An es da da a da independência do país, a li e a u a ei a pa a c ianças em Angola
inha como público al o os ilhos b ancos dos colonos e e a esc i a duma ó ica
po uguesa que não con empla a o imaginá io nem as ca ac e ís icas dos po os
angolanos. A é o inal da gue a colonial Lília da Fonseca é a única au o a de li os pa a
c ianças. Com a independência, o pano ama li e á io muda ia po comple o e
apidamen e começa am a apa ece ob as pa a c ianças, g aças à p eocupação dos
ó gãos de cul u a go e namen ais, que se es o ça am em o ma hábi os de lei u a
en e os mais jo ens. Nes as ob as, os p o agonis as, os cená ios, os assun os e os
mo i os já são angolanos.
Como comen amos an e io men e, a li e a u a de adição o al angolana é no ní el
ins i ucional e social mui o alo ada na cons ução cul u al de Angola e ai ma ca
p o undamen e as ob as publicadas após a independência, especialmen e na li e a u a
in an il.
Como se desen ol eu e que oi o que se p oduziu pa a as c ianças nes e momen o de
en usiasmo e olucioná io?
No desab ocha da li e a u a in an il angolana pós-independência podemos si ua ês
ob as: As a en u as de Ngunga, E nas lo es as os bichos ala am… e A caixa.
Em 1972, o Se iço de Cul u a do MPLA publicou pela p imei a ez As a en u as de
Ngunga, de Pepe ela (A u Ca los Mau ício Pes ana dos San os), que esc e eu na sua
época de gue ilhei o do MPLA na lo es a de Mayombe e que es á conside ada ob a
p ecu so a da li e a u a mode na in an o-ju enil angolana, embo a não i esse sido
edigida pa a esse im (SANTILLI, 2007). Apesa da da a, 1972, a ob a insc e e-se no
pe íodo da pós-independência po que chegou ao público em ge al g aças à edição da
UEA em 1975. Esc i o com uma unção didá ica e des inado ao ensino de adul os, mas
ambém de c ianças (o im e a que se isse de ca ilha pa a al abe iza comba en es),
con a, com uma linguagem simples e popula a eigada de e mos egionais, a his ó ia
de um jo em ó ão comba en e no MPLA que com 13 anos pe de seus pais num
con on o en e gue ilhei os e colonialis as.
Realmen e, o p imei o li o pa a c ianças publicado após a independência, exa amen e
no dia 1 de dezemb o de 1977, oi A Caixa, de Manuel Rui, edi ado pelo Conselho
Nacional de Cul u a pa a comemo a o Dia do Pionei o Angolano. A igu a do pionei o
é uma designação ligada à O ganização dos Pionei os Agos inho Ne o (OPA)
2
. O li o
con a a his ó ia de Ki o, uma c iança que oge da gue a da Quibala após a pe da do
2
OPA “é a escola onde se educam as c ianças angolanas, nos mais ele ados sen imen os pa ió icos e
e olucioná ios, no amo à pá ia, ao Pa ido, ao Po o, ao T abalho, à Cul u a, ao Despo o, no espí i o do
in e nacionalismo p ole á io, educando-se na concepção Cien í ica do Mundo, no exemplo dos comba en es e
pionei os ombados pela causa da libe dade, na sal agua da das conquis as e olucioná ias do po o angolano”
(DEPARTAMENTO DA INFORMAÇÃO E PROPAGANDA DO COMITÉ CENTRAL DO M.P.L.A, 1985). A OPA “ unciona a
como ins umen o pa a espalha a agenda polí ica do MPLA, na p á ica, in luenciando a opinião pública e se indo
como mecanismo de con olo da população” (HATZKY, 2015).
16
pai e que ai i e e ugiado em Luanda com sua mãe. Manuel Rui é, po an o, o
p ecu so da li e a u a in an il pós-independência no país.
Na linha polí ica e ideológica da causa nacional e e le indo a desin eg ação das
c ianças no con ex o da e apa e olucioná ia que o e ecia o ex o de Pepe ela (mas
com um om e o ma mui o di e en e -nes e caso, a a és da es u u a das ábulas-)
si ua-se E nas lo es as os bichos ala am…, de Ma ia Eugénia Ne o (mulhe de
Agos inho Ne o) publicado em 1977, um ou o ex o já cla amen e des inado pa a
c ianças e jo ens nes e pe íodo. Es a ob a a á pa e da coleção al o do abalho que
se ap esen a, 11 Clássicos In an is. A a és dos animais da lo es a (como eles p óp ios
mas ambém como me á o a da população ci il), a a a ques ão da gue a da
independência e a impo ância de lu a con a o in aso .
Em 1977 um g upo g ande de p o esso es de odos os ní eis de ensino abalha am
jun os pa a inicia a Re o ma Educa i a em Angola, isando coloca con eúdos p óp ios
angolanos que subs i uíssem os de aízes cul u ais eu opeias, que se abo da am a é
esse momen o. No caso da educação in an il, além da li e a u a adicional o al, ha ia
uma necessidade u gen e de c ia ex os pa a abalha nas aulas e começa am assim a
su gi as p imei as es ó ias in an is.
Nes es anos imedia os à independência, a p eocupação das au o idades pelo
desen ol imen o da li e a u a em ge al e pela in an il em pa icula oi, como
dissemos, g ande e acili ou o caminho pa a que au o es en usias as e egula es na
p odução pudessem publica com cele idade, na p ocu a de c ia hábi os de lei u a
sob e udo en e os mais pequenos nes a ase da “massi icação da al abe ização e da
massi icação cul u al” (FERNANDES, 2008). O abalho e ambien e de am os seus
u os e a década de 80 oi um momen o ó imo pa a a li e a u a in an il angolana, que
ia como mais au o es e ob as o am su gindo.
Os media, nomeadamen e a ádio e a imp ensa, joga am um papel undamen al no
apelo a esc e e e na di ulgação de con os in an is nos inícios dos anos oi en a. Nes e
empo su ge o p og ama “Piô…Piô” da Rádio Nacional e o Suplemen o In an il no
Jo nal de Angola, com o im p incipal de di ulga his ó ias angolanas. Uma ou a ez,
azia-se necessá io au o es que as esc e essem. Segundo Dá io de Melo, Rádio Piô oi
na al u a e du an e mui o empo “o mais p es igiado eículo de in o mação e
o mação in an il” (apud FERNANDES, 2008). Se ao ala mos da li e a u a em ge al e a
in e essan e aze no a que mui as das ob as publicadas nes a al u a o am esc i as
po comba en es du an e a gue a colonial, no caso das na a i as in an is des e
empo mui as o am esc i as po jo ens do se iço mili a . Mui os ou os e am
abalhado es públicos do Ins i u o Nacional do Li o e do Disco (INALD) ligado à
Sec e a ia de Es ado da Educação e Cul u a (é o caso de Dá io de Melo, Oc a iano
Co eia, Gab iela An unes, Rosalina Pombal e C emilda de Lima, odos inculados ao
mundo da educação eg ada em Angola). A maio pa e das his ó ias e am adap ações
de con os adicionais.
A pa i dos con os publicados no suplemen o in an il do Jo nal de Angola e di ulgados
pela ádio, é que nasceu a Coleção Piô-Piô, edi ada pelo INALD em 1982.
17
En e 1982 e 1983 a di ulgação de his ó ias in an is ambém e e luga na Re is a da
Tele isão Pública de Angola (T eja) po pa e de Dá io de Melo e Oc a iano Co eia.
Nes a década de esplendo da li e a u a in an il, a UEA ambém oi um omen ado
impo an e e edi ou a coleção Acácia Rub a, ol ada especialmen e pa a os li os
in an is e ju enis, que chegou a se imp essa em capa du a, algo inédi o no momen o,
em que se chega am a edi a 20.000 mil exempla es cada um (na al u a, uma boa
i agem e a de 1.000). Os p imei os cinco olumes o am lançados em 1988: Um
poema e se e his ó ias de Luanda e do Bengo, de José Al es; E a uma ez… que eu não
con o ou a ez, de Oc a iano Co eia; Es ó ias elhas, oupa no a, de Gab iela
An unes; Fá…pe…láaa!!!, de Ma ia de Jesus Halle ; No país de b inca ia, de Da io de
Melo.
O INALD publicou depois uma ou a coleção de his ó ias pa a c ianças, in i ulada Mi ui.
Nes a des acam os í ulos de Gab iela An unes O Cas igo do D agão glu ão e A noi a
do Rei, além do li o de poemas O assal o (1979) de Manuel Rui. A poesia oi um
géne o p a icamen e desapa ecido do pano ama li e á io in an il e apenas es e au o e
Ma ia Celes ina Fe nandes já no século XXI (A es ela que so i, 2005, UEA) esc e e am
alguma ob a in eg amen e de poesia in an il.
As emá icas habi uais nes a li e a u a são, en e ou os, a gue a de libe ação
nacional, a gue a ci il pos e io , as adições e mi os angolanos, e a ecologia. Des aca
o ac o de as na a i as e as lendas adicionais e o ais dos dis in os po os angolanos,
aquelas que o colonialismo en a a aze desapa ece , são assun o habi ual e uma
on e cons an e de inspi ação pa a ensina às no as ge ações a sua adição. Além dos
emas, a ecupe ação do uni e so da o a u a p oduz-se ambém na es u u a. As
di iculdades que êm de en en a as c ianças no seu dia a dia é igualmen e um
assun o eco en e e o c uzamen o en e his ó ias adicionais e o ma a ilhoso
ociden al ambém es á p esen e.
Da mesma o ma que sucedeu com a li e a u a em ge al, a inais dos anos oi en a e na
década de no en a e e luga uma diminuição de p odução no que a inge à li e a u a
pa a c ianças. O g upo dos incen i ado es do INALD desmemb ou-se a inais dos
oi en a e as ob as des a época áu ea p a icamen e não o am eedi adas e,
consequen emen e, são quase desconhecidas pa a os lei o es das ge ações seguin es.
Em 1979 su giu uma inicia i a undamen al de pa e do Minis é io de Cul u a que oi o
Ja dim do Li o In an il, uma ei a do li o pa a c ianças que se celeb a a anualmen e e
em odas as capi ais de p o íncia, ac o mui o impo an e se e mos em con a o
di icul oso da ci culação do li o em Angola o a da capi al. In e ompido du an e dez
anos, ol ou-se celeb a em 2007. Além da enda de li os in an is com p eço
eduzido, o Ja dim en ol ia ou as a i idades de ca á e cul u al.
Nes a e apa a União de Esc i o es Angolanos publicou algumas ob as in an is den o
da coleção Acácias Rub as. En e elas é imp escindí el e e i mo-nos a Es ó ias elhas,
oupa no a, de Gab iela An unes (1988), í ulo mui o ep esen a i o da linha ge al dos
au o es des a al u a de ecupe a as his ó ias adicionais pa a econ a-las. Ou as
ob as des a cole ânea o am Um poema e se e es ó ias de Luanda e do Bengo, de José
18
Al es; E a uma ez que eu não con o ou a ez, de Oc a iano Co eia; Fá…PE…LÁÁÁ!!!,
de Ma ia de Jesus Halle ; No país da b incadei a e Que es ou i ?, de Dá io de Melo.
De Da io de Melo des aca Qui ubo, a e a do a co-í is (1990), ob a pa adigmá ica
“que pela qualidade de sua esc i a, que pela exempla idade de sua emá ica,
Qui ubo, a e a do a co-í is é p esença ob iga ó ia na li e a u a in an o-ju enil
angolana de excelen e qualidade” (SANTILLI, 2007). O ema cen al ol a a se a ida
de um ó ão du an e a gue a que busca a e a do a co-í is po que lhe inham di o
que ali a elicidade e a paz e am possí eis. A his ó ia, “con ada es ó ia que um dia lhe
con a am” (apud SANTILLI, 2007), e a sua na a i a man ém ale a o lei o .
Em 1990 su giu a ob a inédi a de Ma ia Celes ina Fe nandes A bo bole a co de ou o
ambém na coleção Acácias Rub as da UEA. É undamen al ci a es a au o a po que
esc e e li e a u a pa a c ianças desde 1982 e é das que mais ob as des e géne o em
publicadas. Na sua na a i a, os emas eco en es são a na u eza, o amo , a amizade e
a solida iedade, a gue a e a paz, o espei o pelos mais elhos, o ma a ilhoso…
Ve i ica emos es a emá ica em A á o e dos Gingongos, lançada o iginalmen e em
1993 em Po ugal e que az pa e da coleção 11 Clássicos In an is, de 2015, que
analisamos mais adian e.
A coleção Acácias Rub as edi ou ambém em 1991 a ob a de Gab iela An unes O cubo
ama elo e no mesmo ano o INALD edi ou a segunda ob a de Ma ia Celes ina
Fe nandes, Kalimba.
Na década de 1990 despon a ambém como au o a de li e a u a pa a c ianças uma
p o esso a de Lubango chamada Ma ia Jõao. Em 1992 publica A go inha ebolinha
(UEA) e no ano seguin e A escola e dona la a, onde uma la a que se e de banco em
uma escola sem mó eis é a p o agonis a.
19
6. A LITERATURA INFANTIL NO SÉCULO XXI
Se na úl ima década do século an e io se cons a a a edução da publicação de li os
pa a c ianças no me cado angolano e a pe da dos hábi os lei o es que o am a ingidos
nos p imei os anos da independência, no século XXI es a si uação já é cla a e a baixa
de p odução con inua a cons a a -se cla amen e a começos des e século.
Em elação ao p oblema ap esen ado do p eço dos li os que di icul a a sua
adquisição, no caso da li e a u a in an il es e ag a a-se: se publica um li o de ca á e
ge al é ca o em Angola, o que não se passa com um li o que eque de nume osas
ilus ações em co que açam que a ob a seja a a i a pa a os mais pequenos?
Além dis o, os p econcei os que en ol em es e géne o li e á io, conside ado meno
po mui os esc i o es e lei o es (SIMBAD, 2017), az com que escasseiem os au o es
que se dedicam a esc e e li e a u a in an il e são mui o poucos os que o azem em
exclusi a. Os au o es esc e em li e a u a pa a c ianças como passa empo e não há
uma especialização, em consequência, a p odução de ob as não é egula pela al a de
qualidade das p opos as e pela di iculdade económica que encon am as edi o as em
publica es e ipo de li e a u a.
A endência emá ica da adição angolana que se e i ica a nos p imei os anos da
independência con inua em mui as ob as des e século XXI, empo em que a li e a u a
in an il angolana conhece á no os au o es como Yola Cas o, Jonh Bela, Ondjaki ou
Kanguimbo Ananás. A o alidade segue a es a mui o p esen e como o ma de a ai as
c ianças pela linguagem e alguns con os es ão inspi ados na o a u a, in oduzindo
assim os lei o es na cul u a adicional e con inuando com es a linha habi ual em oda
a p odução in an il pós-independência.
Quan o às pe sonagens, encon amos igu as mí icas (a se eia kianda, a deusa das
águas), os gingongos (gémeos, conside adas pessoas sob ena u ais), se es ine es da
na u eza que alam, sen em e se emocionam com os humanos. Os au o es es ão mui o
iden i icados com o seu meio, um e i ó io eple o de água habi ado po pessoas
supe s iciosas que ac edi am nos ei iços.
É impo an e no a que au o es como Ondjaki são ep esen a i os da abe u a
in e nacional de esc i o es in an is angolanos nes a al u a. No as emá icas ão se
abo dadas sem e uma elação di e a com a iden idade angolana, e um no o
posicionamen o ca ac e iza á o exe cício da esc i u a. Ondjaki, em en e is a ao
p og ama de ele isão b asilei o Roda Vi a em 2007 (apud MICAS 14) explica como
inha sido a é o momen o a posição dos au o es angolanos: “Eu exis o con a i, não
somen e eu exis o, mas eu exis o con a i. E nós ago a… Diluiu-se no empo. Nós
ago a, exis imos em unção de nós. Eu não que o exis i con a ninguém”. Assim,
Ondjaki es abelece-se como ep esen an e de pa e dos no os au o es que, embo a
mui as ezes i essem inco po ado elemen os que se iam pa a um o alecimen o da
nação, es ão p eocupados com uma in e locução mais in ensa da sua p odução com a
adição de ociden e.
20
As ins i uições go e namen ais cha e que nes e momen o ão en a e e e a
si uação são o Ins i u o Nacional das Indus ias Cul u ais (INIC, an e io men e INALD),
o GRECIMA e ainda a UEA.
O Minis é io de Cul u a a a és do INIC e oma em 2007 a celeb ação do Ja dim do
Li o In an il. O e en o inclui um conjun o de a i idades cul u ais e educa i as di igido
às c ianças, mães, pais e educado es. Pa a além de enda de li os, há espaços de
in e ação dos esc i o es com o público, seminá ios de lei u a pública, conce os ou
isi as cul u ais guiadas. O seu papel cen al é di ulga e aze p omoção dos au o es e
da li e a u a in an o-ju enil pa a incen i a o su gimen o de li e a u a pa a c ianças no
país.
Po ou o lado, o Gabine e de Re i alização e Execução da Comunicação Ins i ucional e
Ma ke ing da Adminis ação (GRECIMA), que a icula a o p oje o Le Angola den o da
campanha Amo Angola, dedicou uma das suas coleções de clássicos à li e a u a pa a
c ianças (11 Clássicos In an is, 2015), além de inclui um con o in an il (Sonhos
Bo dados, de Yola Cas o) na coleção No os Au o es Angolanos publicada em 2014.
A Fundação D . An ónio Agos inho Ne o (FAAN) ambém es e e ligada desde a sua
c iação em 2002 ao desen ol imen o des e géne o em Angola. Não po casualidade a
sua p esiden a é Eugénia Ne o, mulhe do p imei o p esiden e angolano e esc i o a
pionei a na publicação de li os in an is na pós-independência. Com a colabo ação da
UEA e o Minis é io do Ambien e, a FAAN eedi ou li os como E nas Flo es as os Bichos
Fala am… (1977) e A T epadei a que Que ia e o Céu Azul (1984) numa campanha que
em po inalidade a de colabo a no ensino ambien al das c ianças na p ocu a de
qualidade de ida, no es ímulo dos hábi os de lei u a e na p omoção de alo es cí icos
e mo ais.
A pa i de 2000 su gi am no os au o es como Yola Cas o, John Bela, Ondjaki,
Kanguimbo Ananás ou Sendi Bap is a. De en e os “no íssimos”, Hélde Simbad
(SIMBAD, 2017) des aca Rosa Soa es com O nosso Na al (2000) em que na a as
a en u as de dois gémeos numa “odisseia na alícia” no decu so da qual ap endem que
a hones idade, a solida iedade e o amo de em se p a icados no dia-a-dia e não
apenas em época de Na al.
Em 2003, O Ins i u o Nacional do Li o e do Disco publicou 4 es ó ias, uma ob a que
in eg a abalhos de C emilda de Lima, Gab iela An unes, Ma ia Jõao e Da io de Melo.
En e os con os que se incluem na ob a de 47 páginas e que em como obje i o da a
conhece as c ianças aspe os da ealidade social angolana po meio da pedagogia,
des aca “Quem eima e não em azão” (Da io de Melo), uma adap ação de um con o
adicional (ANGOP, 2003).
Amélia Mingas publicou em 2004 O leão e a leb e, um con o em que e oma a mesma
pe spe i a das na a i as adicionais em que a in eligência da leb e é capaz de ence
a o ça do leão. Nes a publicação há uma ino ação edi o ial impo an e: o ex o é
ap esen ado em dois li os sepa ados, um em po uguês e um ou o em kimbundo
(Hoji ni Kabulu, 2004). Edições bilíngues já inham sido publicadas, como o caso de
Jisabhu, con os adicionais de Rosá io Ma celino (publicado pela UEA em 1980, em
21
po uguês e em kimbundo), não di igido di e amen e a um público in an il, e o li o de
adi inhas de Hen ique E aungo Daniel, Alupopo, publicado em umbundo e po uguês
(SCHMIDT, 2013).
Em 2005 a União de Esc i o es Angolanos publicou uma cole ânea de con os in an is
di igida po Ad iano Bo elho de Vasconcelos que supôs a p imei a expe iência
aglu inado a de au o es de e e ência da li e a u a in an il angolana. Na an ologia,
in i ulada Boneca de pano (VASCONCELOS, 2006), ecolhem-se con os de 12 au o es:
C emilda de Lima (“O Ani e sá io de Va ô Imbo” e “O Nguiko e as Mandiocas”), Cos a
And ade (“O Cas igo da Raposa”), Gab iela An unes (“Kibala, o Rei Leão”), Hen ique
Gue a (“O Caçado , o Jaca é, e a Ped a Neg a”), Jo ge Macedo (“Tão! Tão! Tome o
Pa o”, “A Noi e, a Á o e e o Passa inho de Bibe Ma a ilha” e “Jójó, o Menino de Olhos
de Bimba”), José Samwila Kakweji (“A Leb e e o Mocho” e “A águia e as Galinhas”),
John Bella (”A Canção Mágica”), Ma ia João (“A Viagem das Folhas do Cade no”),
Ma ia Eugénia Ne o (“O Bicho das Pa as Mil”, “A T epadei a que Que ia Ve o Céu
Azul”), Ma ia Celes ina Fe nandes (“Os Dois Amigos” e “As ês A en u as”); Raúl Da id
(“A Palanca Vaidosa”, “A águia e o Candimba”) e Yola Cas o (“O Lápis de Co Rosa”,
“As duas Manguei as”).
Na in odução da ob a, Ad iano Bo elho coloca a impo ância da ob a no
enal ecimen o dos alo es do pa imónio cul u al, pa icula men e a li e a u a
adicional o al “como subsídio, de ce o modo, da li e a u a in an il, já que o con á io
pode con ibui ainda mais pa a a limi ação dos ho izon es da c iança angolana”. Assim
mesmo, esboça a si uação em que se encon a a li e a u a in an il de Angola nessa
al u a. Reconhece que são poucos os au o es que esc e em pa a c ianças em Angola e
que a cole ânea não culmina com a mudança “da si uação de ici á ia que es a
li e a u a desempenha no sis ema do ensino – As c ianças não leem e poucos, se não
nenhuns, são os p o esso es que le am um li o pa a a escola, pa a com ele ajuda em
as c ianças a c ia em hábi os de lei u a”. Ac escen a que, em ge al, os li os êm uma
u ilização penosa em Angola e que o que se publica em Luanda não chega às
p o íncias, que habi ualmen e êm uma ida cul u al mais pob e.
Em 2011 publicou-se His ó ias de encan a . Li o de ou o da li e a u a in an il, que oi
aduzido pa a cas elhano e edi ado em Cuba em 2013 pela Edi o ial Gen e Nue a,
com o í ulo El lib o de o o de la li e a u a in an il angolana (PÉREZ, 2012). A ob a
inclui 21 con os de á ios au o es, alguns consag ados como An ónio Jacin o, C emilda
de Lima, Da io de Melo, Gab iela An unes, Luandino Viei a, Ma ia Celes ina Fe nandes,
Ma ia Eugénia Ne o ou Oc a iano Co eia, e ou os em ascensão como Ondjaki, Yola
Cas o o Zaida Dáskalos.
Uma ou a inicia i a que isa que no os au o es se enco ajem a esc e e his ó ias pa a
c ianças são a con oca ó ia de p émios de li e a u a. Qua o são os concu sos
li e á ios in an is que se ealizam com alguma egula idade em Angola e que, como
anedo a, não es ão isen os da polémica do plágio (ANGOP, 2007; FORTUNATO, 2016).
São o p émio li e á io 16 de Junho, o Concu so Caxinde do Con o In an il, o p émio
li e á io Ja dim do Li o In an il e o p émio li e á io Quem me de a se onda.
22
O p émio li e á io Quem me de a se onda celeb ou-se pela p imei a ez em 2010 e
es á di igido a jo ens angolanos de 13 a 17 anos. É uma inicia i a da UEA que, com a
pa ce ia do Minis é io de Educação, se esponsabiliza pela edição, publicação e
dis ibuição das ob as encedo as. O p émio é de 973.950 kz.
O p émio li e á io 16 de junho oi ins i uído pelo Minis é io de Cul u a a a és do
INALD em homenagem às c ianças a icanas que celeb am o seu dia nessa da a e
se iu du an e anos de incen i o pa a no os c iado es. O p émio é de 1.245.806 kz e a
publicação da ob a. O jú i da edição de 2005 decidiu não ou o ga um encedo “po
al a de qualidade das ob as conco en es” (ANGOP, 2005); em 2007 ambém não oi
a ibuído po que as ob as ap esen adas e am plágios de ou as já publicadas (ANGOP,
2007).
O Concu so Caxinde do Con o In an il é o ganizado pela Associação Cul u al e
Rec ea i a Chá de Caxinde. A p imei a edição celeb ou-se em 2009.O p émio é de
1.245.806 kz.
O p émio Ja dim do Li o in an il é de ca á e anual e ealiza-se em homenagem aos
p ecu so es da li e a u a in an il angolana. 500.000 kz. A p imei a edição celeb ou-se
em 2010.
O p émio li e á io Quem me de a se onda celeb ou-se pela p imei a ez em 2010 e
es á di igido a c ianças angolanas de 13 a 17 anos. É uma inicia i a da UEA que, com a
pa ce ia do Minis é io de Educação, se esponsabiliza pela edição, publicação e
dis ibuição das ob as encedo as. O encedo do p émio ganha 973.950 kz. Na
e cei a edição a encedo a não oi p emiada (FORTUNATO, 2016) pelo ac o do jú i
e de e ado plágio.
Vol ando à p odução de ob as in e essan es pa a o nossa pesquisa, em 2 de ab il de
2015, coincidindo com o Dia In e nacional do Li o In an il, lançou-se um p oje o
in i ulado Fábulas de Angola. T a a-se da publicação de ês ábulas adicionais
angolanas c iadas como ma e ial pa a abalha nas escolas com os alunos, que o am
edi adas pela Casa da Cul u a Mal a da Paz e da Aleg ia com a colabo ação do
Minis é io de Educação. Es as his ó ias ap esen am-se em po uguês e aduzidas pa a
7 línguas nacionais. Segundo os seus p omo o es, en e os que se encon a Yola
Cas o, o p oje o isa abalha o gos o pela lei u a, p ese a as línguas nacionais e a
cul u a p óp ia. São his ó ias esga adas da adição o al angolana que enciona
ambém p opo ciona aos jo ens pe sonagens de e e ência genuínas da cul u a
p óp ia pa a subs i ui as “p incesas ou o homem a anha aos que as c ianças se
aga am”
3
.
Quan o às aquezas que ap esen a a li e a u a in an il angolana, colocamos o oco
an e io men e no cus oso de edi a li os pa a c ianças po que con êm mui as páginas
com ilus ações em co , e no di icul oso de comp á-los; nos p oblemas de adquisição
de hábi os de lei u a nos mais jo ens; e na escasseza de au o es que esc e am es e
3
Yola Cas o, no ídeo da no ícia de ap esen ação da coleção na página do Facebook de Le Angola:
h ps://www. acebook.com/le angola/ ideos/488665201291364
23
ipo de li e a u a, que pelos p ejuízos que en ol em es e géne o, que po al a de
incen i os. A si uação chega a se ala man e pa a esc i o es como Da io de Melo, que
exp essa que se sen e “ e ol ado, desolado e is e” em elação ao momen o a ual da
li e a u a in an il azendo e e ência à “ edução cada ez maio de li os in an is
angolanos no me cado e co ela a pe da dos hábi os de lei u a que es a am a se
adqui idos. Como ambém não se em e i icado um aumen o de cul o es des e
géne o como e a de espe a (DIAS, 2015). Uma ou a ques ão que denunciam mui os
au o es é que a li e a u a in an il não chega às escolas, nem em o ma de li os nem
em o ma de con is as, e, consequen emen e, as c ianças não c escem com o hábi o e
gos o pela lei u a (JSM, 2014a; ÁFRICA 21 DIGITAL, 2015). Po im, as no as ecnologias
são colocadas ambém como esponsá eis pela pe da ou inexis ência do hábi o lei o ,
uma ez que ma ginalizam os li os nas p e e ências de adquisição dos mais jo ens
(JSM, 2014a; VOA PORTUGUÊS; 2012).
C emilda de Lima em em conside ação es es pon os acos e as suas causas, e
ac escen a que p a icamen e não há li os na aixa e á ia 2-4, momen o cha e pa a
adqui i o hábi o lei o (LIMA, 2012) e que exis e um p oblema com o en ol imen o
dos media de ádio e ele isão que inham de se in oluc ados num plano nacional de
lei u a que incluísse a i idades adequadas e ob iga ó ias.
Nes e apa ado quisemos coloca as en idades, inicia i as, au o es, emá icas, ob as e
p oblemá icas que conside amos mais ele an es pa a de ini o es ado da ques ão,
após examina a bibliog a ia. Pelo caminho i e am de queda mui as ob as e au o es
pa a e i a es ende -nos e in en a cen a a ques ão no que conside amos mais
signi ica i o.
30
Se as ilus ações são elemen os undamen ais num li o pa a c ianças, nes e caso o
são mais ainda. No mesmo ní el que o ex o, as imagens conseguem anspo o plano
sen imen al que es á ca ac e izado pela dico omia is eza- elicidade.
Lu chila, Rosalina Pombal
24 páginas
Ilus ado a: Sa a Paz.
Publicado pela p imei a ez em 1982.
Rosalina Pombal nasceu em 1957 e ez pa e do equipo écnico como c í ica li e á ia
do Ins i u o Nacional do Li o e do disco. Foi memb o de di eção da União dos
Esc i o es Angolanos e coo denado a nacional da UNESCO e do Fundo Bibliog á ico de
Língua Po uguesa em Angola. A sua ob a es á di igida, em pa icula , aos lei o es mais
jo ens.
A p o agonis a da his ó ia é uma pinga de água de chu a que inicia uma iagem pela
lo es a a é que é chamada pa a aze uma ou a iagem ( ol a a aze pa e de uma
nu em a é que cho a de no o).
O con o é uma ap oximação à na u eza e uma au oap endizagem sob e as emoções,
eminen emen e posi i is as. A pinga de água mos a-se gos osa da ida e do mundo e
alo a o seu pode de adap ação com uma a i ude mui o posi i a.
Como con i e ao conhecimen o das línguas nacionais, a pinga de água não des ela o
seu nome, Lu chila, que que dize go a, pinga, água ou chu a.
O con o pode e uma lei u a simples de di e imen o pa a as c ianças com a lição da
impo ância de i e a ida em posi i o adap ando-se às di e en es si uações. A
inculação com o p oje o nacional, além da es imulação pa a conhece as línguas
nacionais, não apa ece cla amen e no con eúdo, embo a possamos aze uma lei u a
31
di e en e: o sol “ ei o uma eno me bola e melha e a e melhando udo em ol a” pode
aze e e encia ao socialismo, e as moscas e os mosqui os que a incomodam podem
se uma me á o a dos po ugueses.
O con o pode e uma lei u a simples de en e imen o pa a as c ianças com a lição da
impo ância de i e a ida em posi i o adap ando-se às di e en es si uações. A
inculação com o p oje o nacional, mais alá do con i e a conhece as línguas nacionais,
não apa ece cla amen e no con eúdo, embo a possamos in e p e a que o sol
e melho, a eno me bola que a e melha udo, é o socialismo; e que as moscas e os
mosqui os são os po ugueses.
Es e con o é semelhan e à na a i a in an il de Ma ia João A go inha ebolinha ou a
Ombela de Ondjaki. As ês ob as p opõem um achegamen o aos elemen os na u ais e
às di e en es emoções que pode sen i uma c iança. Com Ombela pa ilha a in enção
de achegamen o às línguas nacionais (ombela signi ica em umbundu “chu a”).
Kibala, o Rei Leão, Gab iela An unes
24 páginas.
Ilus ado : Má io Jo ge.
Publicado pela p imei a ez em 1982.
Gab iela An unes, uma das g andes impulsionado as da li e a u a in an il angolana,
nasceu em 1937 e oi memb o de di eção da União dos Esc i o es Angolanos, além de
assesso a do Minis é io de Educação e Cul u a.
A ob a coloca-se na linha de eesc i a da adição o al que ap esen a a …E nas
lo es as os bichos ala am…. A ábula de Kibala ap esen a de o ma sub il a o ça da
união de um po o que se alia pela mudança. No con o e lexiona-se sob e as
an agens do abalho comuni á io e c i ica-se a ideia de ingança, apelando à
con eniência de aze o bem mesmo a aqueles que um dia ize am mal. Es es alo es
colocam-se na linha do discu so e da ideia de angolanidade que man ém o MPLA, onde
odos êm o seu sí io e onde os cas igos con a os colonizado es não se con emplam.
32
Como no con o de Ma ia Eugénia Ne o, os animais são me á o a dos homens.
A Á o e dos Gingongos, Ma ia Celes ina Fe nandes
28 páginas.
Ilus ado : Filipe Goulão.
Publicado pela p imei a ez em 1993.
Inspi ado ambém na adição o al angolana, es e con o ec ia o mi o dos gingongos
(gémeos) que são conside ados na cul u a angolana se es especiais de g ande
sensibilidade que nunca de em se con a iados. O in e esse des a na ação é g ande
po mos a , além do s a us dos gémeos em Angola, aspe os mi ológicos, cos umes
adicionais e a desc ição da ida quo idiana num musseque
6
onde a mulhe le a o
peso dos abalhos, domés icos e assala iados.
As ensinanças mo ais ambém êm o seu luga na na ação, nes e caso, as
consequências do egoísmo.
No con o podem-se obse a os i os e cos umes a edo do nascimen o de gémeos
em Angola como aze uma g ande es a com a melho comida e bebida em que
amigos e amilia es le am o e as. Os gingongos são ungidos na es a com óleo de
palma e dão-lhes mel pa a chupa . Pa a anuncia a no ícia do nascimen o pelo bai o,
can a-se e ba em-se la as. A impo ância de con inua com es es cos umes eside,
dizem os elhos, em que se os gémeos são mal ecebidos ou icam zangados po
alguma causa, podem adoece a é a mo e ou a ai desg aças à amília. Uma ou a ez
a oz dos elhos o na álidas as p axes. Um ou o cos ume ou p á ica ances al que
apa ece no con o é o de uso de amule os de madei a, ezas e umaças pa a a as a os
maus espí i os.
6
O glossá io que acompanha o con o de ine musseque como “Designação an iga, com o igem na língua quimbundo
e que signi ica exac amen e «a eal». Ao longo do empo, o signi icado al e ou-se pa a «caminhos de a eia », e o
e mo começou a se usado pa a designa bai os e zonas subu banas mui o po oadas, onde não exis e as al o”.
33
O elemen o que a icula a na a i a é o ac o de os gémeos não pode em se
incomodados nem pe u bados. Sendo is o assim, ecebiam odas as a enções e
cap ichos a é que eles p óp ios são conscien es do imp odu i o desse a o que os
con e e em se es egoís as.
Em elação à língua, a au o a u iliza di e en es e mos p óp ios de Angola que explica
num glossá io de 18 e mos.
Duas His ó ias, Zaida Dáskalos
28 páginas.
Ilus ado : Má io Jo ge.
Publicado pela p imei a ez em 1984.
Zaida Dáskalos nasceu em 1926 e a sua a i idade p o issional es e e semp e ligada á
Educação na época colonial e na pós-independência. Especialis a em língua
po uguesa, auxiliou esc i o es e poe as nacionais. A ob a que se ap esen a ecebeu o
P émio Manguxi (li e a u a in an o-ju enil) a ibuído pelo Ins i u o Nacional do Li o e
do Disco em 1984.
Es e olume da coleção con ém duas his ó ias. Zaida Dáskalos explica numa no a
in odu ó ia que econ a duas ábulas an igas ecolhidas em casse e de uma anciã na
egião de Caconda, em língua umbundu, po pa e de uma amiga já alecida. A casse e
pe deu-se em 1975 du an e a gue a e apela pa a que alguém que leia es as e sões as
econs i ua “na sua o al e naculidade”.
Nos dois con os as lições mo ais gi am em ol a da i e lexão e da solida iedade. O
p imei o é uma ábula onde os animais ol am a se uma me á o a dos homens, e o
segundo é um con o que p o agonizam uns meninos. Nos dois casos dá-se um diálogo
com au o es clássicos po ugueses, pelo que se con e e uma a ualização das ábulas
mui o in e essan e.
34
Na p imei a his ó ia, in i ulada “O ele an e mo ibundo e da i e lexão dos animais da
lo es a”, a lição mo al ap esen ada ai em duas di eções: uma, as consequências de
se i e lexi os ( az-se um pa alelismo com a i e lexão dos homens), que em como
p imei a consequência a mo e do ele an e, mas ambém po que não pe mi e a
solida iedade; dois, que a solida iedade mui as ezes se mani es a a diamen e, de aí a
inse ção do p o é bio “Quem que ai, quem não que manda”.
No con o insis e-se em que a causa do so imen o oi a i e lexão. A au o a, numa no a
inal que di ige às c ianças lei o as, ins a a medi a na lição da his ó ia e pede pa a que
a leiam aos adul os po que conside a que exis e uma g ande elação en e ela e a
his ó ia de mui as c ianças angolanas í imas da gue a. Solici a a solida iedade dos
meninos que não êm so ido as consequências da gue a, com aqueles que sim. Nes e
apelo de duas páginas, inclui duas e e ências di e as ao Pad e An ónio Viei a: quando
chama mons o à gue a (“a gue a aquele mons o, no dize de um g ande esc i o
po uguês – Pad e An ónio Viei a”) e ao inclui uma poesia des e au o sob e os
meninos í imas das gue as, que jus i ica pa a se causa de e lexão.
O segundo ela o in i ula-se “Ukonga ua a e. O p esen e pa a o pai”. Colocamos a
hipó ese de que “ukonga ua a e” é a adução do í ulo pa a uma língua nacional, mas
a al a de ma e ial de consul a disponí el az com que não possamos con i má-lo.
O con o na a a his ó ia de Cambinda, um menino que ompe uma cabaça que o seu
pai u iliza a pa a e men a a quissângua
7
e que, a a és da solida iedade, consegue
soluciona a si uação e e i a um cas igo ísico que, exp essado com o al na u alidade
(“se ma elado nas nádegas”), lhe inha p ome ido o pai.
É in e essan e o diálogo que a ábula man ém com um au o clássico po uguês,
Fe nando Pessoa. Quando Cambinda e os seus amigos se aden am na lo es a, can am
uns e sos que, como escla ece a au o a no inal, são des e au o : “há a poesia, a
música, as danças mas o que há de melho no mundo são as c ianças”.
Os elemen os ca ac e ís icos do adicional angolano ap esen ados no ex o são, em
elação ao mundo mí ico, os anões. A p esença da música, ins umen os e es imen as
adicionais ambém é ca ac e ís ico des a ábula.
A au o a di ige-se aos lei o es pa a pô de ele o a iqueza e impo ância das
na ações adicionais po que con êm lições impo an es como a des e con o, que é
an í ese do an e io . Se na p imei a a solida iedade e a esquecida, adiada pela
i e lexão, nes a é a e lexão que le a as c ianças a se em solidá ias na de esa de um
companhei o que e i a assim uma su a do pai.
Nes e caso, no inal do li o ol a a ha e um glossá io que inclui 8 e mos p óp ios do
po uguês de Angola.
7
O glossá io que acompanha o con o de ine quissângua como “Bebida e men ada ei a com uba de milho ou
milho g elado”.
35
As Se e Vidas de um Ga o, Da io de Melo
23 páginas.
Ilus ado : An ónio Campelo.
Publicado pela p imei a ez em 1998.
Da io de Melo nasceu em 1935 e oi edi o no Ins i u o Nacional do Li o e do Disco e
uncioná io do Minis é io da In o mação, en e ou as ocupações. É memb o da União
dos Jo nalis as Angolanos e da União dos Esc i o es Angolanos (UEA), da qual oi
p esiden e da Assembleia-Ge al. Com es a ob a, conquis ou o P émio PALOP de Língua
Po uguesa de Li e a u a In an il em 1998.
Como as se e idas de um ga o, a ob a di ide-se em se e his ó ias in e conec adas que
p e iamen e são ap esen adas sin e icamen e numa can iga de 20 e sos.
“Se e idas em
um ga o
Mas delas
só seis eu sei:
Nasceu
e não inha nome
Ga o Ve melho icou
Foi Caçado
Come -e -Do me
Foi Bo as Ro as
com ome
E chegou
Com ou o nome
a se
o Ga o do Rei.
Ago a
Ga o Damala,
Con a es ó ias
Fala, ala,
36
Assim como eu ala ei”
O p o agonis a é um ga o que não pa a de se ans igu a ao longo de uma na a i a
di e ida, com mui a ação, e didá ica. Num p imei o momen o é ca ac e izado como
a ogan e e acomodado mas, à medida que a ançam os ela os, p esenciamos um ga o
in épido e a en u ei o.
Nes e con o é e a ada a ida no u al e na cidade do pon o de is a do p o agonis a.
A cidade é pa a o animal, símbolo de comodidades, mas ambém de explo ação
labo al. O u al é o con apon o e nele ai ap ende as consequências de se um
animal p eguiçoso num cená io como o campo e a lo es a, onde os pe igos são
cons an es e onde consegui comida não é uma a e a ácil.
No inal do li o ol a a aze uma sín ese do que oi a sua ida e deixa o caminho
abe o pa a no as a en u as: “Se e idas em um ga o e dessas se e que eu enho, seis
delas já eu gas ei: nasci e não inha nome, Ga o Ve melho iquei, ui Caçado , Come-e-
Do me, ui Bo as-Ro as, com ome e cheguei com ou o nome, a se o Ga o-do-Rei.
Ago a, Ga o Damala, se mudo ou a ez de nome, que ou a ida i e ei?”.
A Velha Sanga Pa ida, C emilda de Lima
24 páginas.
Ilus ado a: Ana Valen e.
Publicado pela p imei a ez em 1982.
C emilda de Lima nasceu em 1940 e é memb o da União de Esc i o es Angolanos e da
Associação Cul u al e Rec ea i a Chá de Caxinde. Pa icipa habi ualmen e no Ja dim do
Li o In an il e em 2008 oi-lhe a ibuído o Diploma de Mé i o pelo Minis é io da
Cul u a, pelo seu con ibu o na di ulgação da li e a u a in an il e do imaginá io
adicional angolano.
37
No âmbi o u al, a a és da es ó ia de um mo ingue
8
no o e de uma elha sanga
9
queb ada, C emilda de Lima o mula uma me á o a sob e o alo e a impo ância das
coisas, que acaba po se uma me á o a sob e o empo e sob e a ida. Com uma
linguagem simples, abo da sub ilmen e emas a uais como a impo ância da
eciclagem e a necessidade da p ese ação da na u eza.
A ques ão mo al que se coloca é que nunca se de e desp eza os mais acos po que
eles podem se ão ú eis como qualque ou o.
Fábulas de Sanji, An ónio Jacin o
24 páginas.
Ilus ado : Filipe Goulão.
Publicado pela p imei a ez em 1988.
An ónio Jacin o nasceu em 1924 e desen ol eu a i idades an icolonialis as que lhe
ale am a p isão. Foi Minis o da Educação e Cul u a após a independência e des acou-
se como poe a. Em 1993 o Ins i u o Nacional do Li o e do Disco ins i uiu o P émio
Li e á io An ónio Jacin o.
Os ex os das Fábulas de Sanji são, quan o à na a i a, mui o densos e com pouco
i mo. Os assun os a ados e o om u ilizado con e em o li o, do nosso pon o de
is a, em di icilmen e a ibuí el à ca ego ia de li e a u a in an il. F en e às demais
ob as da cole ânea, es a con em mui o mais ex o, menos imagem e a na a i a es á
ca egada de desc ições ex ensas que chegam a se ilosó icas nalgum caso. O om de
do e so imen o é mui o ma cado.
8
Vasilha de ba o, usada pa a conse a a água esca, com uma asa na pa e supe io e um ga galo de cada
lado. = MORINGA in Dicioná io P ibe am da Língua Po uguesa [em linha],2008-2013,
h ps://www.p ibe am.p /dlpo/mo ingue [consul ado em 2-03-2018].
9
Rese a ó io de água. Espécie de mu ingue onde a água depois de algum empo ica esca e pu a. In Dicioná io
In o mal [em linha], 2006-2018 h ps://www.diciona ioin o mal.com.b /signi icado/sanga/3602/ [consul ado em 2-
03-2018].
38
O li o ap esen a á ios géne os li e á ios: ábula, con o, c ónica, poesia e ca a.
Con o me o p óp io au o comen a em en e is a (LABAN 1991), as Fábulas “em
p incípio e am o p oje o de um con o adicional esc i o em linguagem li e á ia
abalhada (…) uma busca de aze pa a uma li e a u a mode na os con os
adicionais o ais…”. Todos os ex os são esc i os an es da independência angolana,
du an e o pe íodo de lu a, como se pode obse a no im de cada ábula onde a da a é
indicada.
As mensagens de esis ência es ão mui o p esen es e obse a-se uma p eocupação
com a p ese ação dos elemen os o ais da adição angolana. A es u u a social da
época colonial é mui o bem mos ada e o p ocesso his ó ico angolano a icula-se no
conjun o dos episódios.
O p imei o ela o é uma ábula localizada geog a icamen e na egião de Golungo Al o,
hoje p o íncia do Kwanza No e. Es a localização exa a não é a habi ual no conjun o
das ob as al o de es udo. “Dikolombolo e Ngandu”, esc i a em 1970, na a a con enda,
que acaba po se judicial, en e um galo (Dikolombolo) e um jaca é (Ngandu), igu a
impo an e no abulá io angolano que é desc i o como “Ngandu das águas em que a
alen ia se lhe apon a a pa a o aumen o de seu enome, ei icei o das ma gens, emo
dos homens e dos bichos”.
Na a ualização da ábula, o au o in oduz aspe os da es u u a social da época
colonial nesse po oado em conc e o, é dize , há uma con ex ualização geog á ica mas
ambém his o iog á ica. Os pe sonagens, odos animais, e a am homens educados
na bu oc acia do es ado colonial (o ad ogado macaco) em con aposição ao galo, que
não em mais a ma que a sua a gumen ação.
A segunda his ó ia é “A es a de amília de Xanga Oli ei a (C ónica do an igamen e no
an anho)”, esc i a em 1969. A pe sonagem da his ó ia é o “bom e diligen e elho
Xanga”, um homem elho en e mo de euma ismo que abalha de noi e em uma
azenda de ca é. O episódio gi a a edo do seu desejo, quase obsessão, de e umas
bo as de bo acha, de cano al o como as dos pescado es, pa a não se molha quando
em de apanha a água do io. O au o acen ua o d ama do Xanga explici ando que
inha abalhado a ida oda com salá ios mag os e ainda não pude a comp a essas
bo as. Es e anseio que pode pa ece i ial deixa en e e a es u u a social: não e
calçado e a uma das ma cas de in e io ização do colonizado, si uação co igí el caso se
assimilasse
10
.
A es u u a social da época e ce os cos umes icam bem e a ados quando, nas
éspe as de Na al, o Xanga ai pa a a esidência do ei o da azenda a pedi as “boas-
es as”, uma p á ica comum em Angola a é hoje. Po ou o lado, o ei o dis ibui as
“boas- es as” segundo as o dens que chegam do pa ão em Luanda: “um li o de inho
a cada homem e uma caneca de a inha o ada com açúca masca o pa a aze boca,
como quem diz, pa a ape i i o. E am o dens do pa ão e, quando ele iesse, a
10
Calça sapa os e a um dos a gumen os exp essos no 4.º i em do Es a u o do Indigena o, Diploma legisla i o de
1931 (VERA-CRUZ, 2005).
39
pagamen os, no im do mês, que lhe pedissem mais. No “ano bom” ha e ia mais
“boas- es as”, como habi ualmen e, bem mag as”.
Numa das noi es de igília que passa o Xanga, começa a ememo a episódios da sua
ida em que se podem obse a aspe os bibliog á icos, mas ambém his o iog á icos.
Todos os eco dos deixam en e e cenas da Angola colonial. As lemb anças êm a e
com a in ância e o abalho du o que aziam as c ianças, com a época em que oi
soldado ao lado dos po ugueses, com a sua elação com o c is ianismo e com os seus
ilhos, que no momen o da his ó ia es ão a lu a na gue a em di e en es pon os do
país que nem el sabe.
O mundo das c enças popula es apa ece quando eco da as mulhe es que e e. Uma
delas inha mo o de ei iço, espumando pela boca. “O dou o do Golungo ala a em
a aques epilé icos. Os b ancos não sabem nada des es ei iços dos p e os”.
O e a o do colonizado e do colonizado é o mais ca ac e ís ico des e ela o, além dos
cos umes na Angola colonial. A c í ica à si uação dos colonizados e ao a o que
dispensam os colonizado es é e iden e.
O e cei o ex o é “Chu a no e ei o”, esc i o em 1970. T a a-se de uma desc ição da
lu a con a um aguacei o que es á p on o a chega numa áb ica de descasque de ca é
e que é na ada po um dos abalhado es. Nes a ec iação obse a-se a dis ibuição
de abalhos numa áb ica des e ipo e o o íssimo i mo que se êm de impo os
abalhado es pa a sal a o ca é da chu a.
O qua o esc i o é “Compo amen os”, de 1960, o ex o mais b e e do li o (além do
poema inal), e oi esc i o an es de es a em p isão, an es da lu a de libe ação. Pa ece
ap esen a uma so e de ensino mo al que anima a lu a e a não e medo pa a
consegui a i ó ia. A his ó ia cen a-se no pe sonagem de Be na dino, che e da
es ação de comboio, quali icado como abugen o e i ânico. Do pon o de is a de uma
lemb ança in an il, Be na dino inha as “melho es pi angas de odo o Golungo”. Pa a o
na ado ha ia dois ipos de c ianças: os alen es que sal a am a ce ca e colhiam as
melho es pi angas, is o é, os que não inham medo; e os que inham medo do elho,
que nunca sal a am a ce ca e espe a am a que caíssem e des o a, sem lu a .
A quin a his ó ia é a de “Zeca: o pa alí ico do Golungo” (esc i o em 1969). É uma
ememo ação do empo in an il em que o na ado , quando menino, eco da que se
eunia numa con ei a ia com ou os meninos b ancos do bai o, “como em amília”, e
que ecebiam a isi a habi ual dum ou o menino neg o doen e de poliomieli e.
Reco da a si uação: Zeca, o menino neg o, a as a a-se pelas uas, pedia esmolas e
bebia os es os das ga a as que se encon a am nas mesas da con ei a ia. Ao im da
a de semp e ia ala com os meninos b ancos pa a come as suas sob as da me enda.
Eles ecebiam-no com pena, pela sua si uação, mas ambém com ai a, po causa de
que e a explo ado pela mãe, que u iliza a o dinhei o que ele conseguia pa a i bebe
com homens. Con udo, ele ado a a a sua mãe. O na ado admi e o seu emo so
po que nem ele nem os seus amigos in en a am en ende de e dade o Zeca.
46
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ANEXOS
ANEXO I
QUADRO SINÓPTICO DA HISTÓRIA DE ANGOLA A PARTIR DA ÉPOCA COLONIAL
PERÍODO COLONIAL
XV Chegada dos po ugueses à oz do io Congo.
XVI Começo da conquis a.
Fins XIX Conquis a do in e io do país.
1920 Angola é decla ada es ado paci icado. Colonia plena.
1956 Fundação do MPLA.
1961 Começo ações a madas do MPLA con a o colonialismo.
1961-1975
Gue a da Independência de Angola ou Lu a A mada de Libe ação Nacional
(UPA/FNLA, MPLA E UNITA con a as Fo ças A madas de Po ugal).
[1974: 25 de Ab il e cessa - ogo]
PERIODO PÓS-INDEPENDÊNCIA
1975 Assina u a do Aco do do Al o e p oclamação da Independência.
1991 T a ado de paz assinado en e MPLA e UNITA. Condição: con oca ó ia de eleições.
1992 UNITA pe de eleições que ganha o MPLA (José Edua do dos San os) e ol a a gue a
ci il.
1994 T a ado de paz, Nações Unidas con ola o cessa - ogo.
1994-1998 Paz ela i a.
1998 Vol a à gue a ci il.
2002 Mo e de Jonas Sa imbi, líde da UNITA e assina u a do cessa - ogo de ini i o.
2008 P imei as eleições (legisla i as) desde 1992. Ganha MPLA e con inua como
p esiden e José Edua do dos San os.
2012 Eleições Ge ais. Ganha MPLA e con inua José Edua do dos San os.
2017 Eleições Ge ais. Ganha MPLA. Fim da p esidência de José Edua do dos San os. João
Lou enço é o no o p esiden e.
ANEXO II
QUEM É QUEM? APRESENTAÇÃO DOS AUTORES NA COLEÇÃO 11 CLÁSSICOS INFANTIS,
2015
Ma ia Eugénia Ne o
Ma ia Eugénia Ne o nasceu a 8 de Ma ço de 1934 em T ás-os-Mon es (Po ugal). Es udou Desenho e
Línguas Es angei as e pa icipou nos co os do Conse a ó io Nacional po uguês. Du an e a lu a
a mada de libe ação nacional con ibuiu in ensamen e na di ulgação de poemas em p og amas de
ádio e com a igos e poemas em jo nais no es angei o. Foi di e o a do Bole im da O ganização da
Mulhe Angolana ( aduzido em ancês e inglês).
Publicou ês es emunhos a Agos inho Ne o: Em Cabo Ve de Nasceu um Menino e o Menino Chamou-
se Agos inho Ne o (1985), Fica Aí Den o do Qua o: O Soldado Sou Eu (1985), Ninguém Impedi ia a
Chu a (1991) .
Da sua as a ob a des acam- se, en e ou os, Foi Espe ança e Foi Ce eza (Poesia, 1976), A Lenda das
Asas e da Menina Mes iça- lo (1983), O Va icínio da Kianda na Pi oga do Tempo (1985 ), A Menina
EuFlo es (1987) , Es e é o Can o (1989), A Mon anha do Sol (1989) e O Soa dos Quissanges (Poesia,
2000) .
... E nas Flo es as os Bichos Fala am ... ganhou o P émio de Hon a na Comissão Cul u al da ex-RDA,
pa a a UNESCO, 1977 - Leipzig. Em 2011 oi dis inguida com o P émio Nacional de Cul u a e A es, na
ca ego ia de li e a u a. A sua ob a encon a- se aduzida em di e sas línguas.
Oc a iano Co eia
Nasceu no Lubango, p o íncia de Huíla, em 1940. Co- undado da União de Esc i o es de Angola
colabo ou na ádio, ele isão, jo nais e e is as angolanos. De 1967 a 1973 oi ealizado no Rádio
Clube de Huíla e de 1979 a 1983 na Rádio Nacional de Angola, p oduzindo o p og ama Rádio Piô.
Esc e eu e adap ou, pa a ádio - ea o, con os pa a c ianças. Tem li e a u a in an o-ju enil publicada
em Angola e Po ugal, com des aque pa a O País das Mil Co es (1980), His ó ias com Gen e Den o
(2003) e O Menino dos Olhos Azuis de Agua (2008). A sua ob a oi dis inguida com o P émio Especial
da UNESCO (1981) , na exposição «Os Mais Belos Li os do Mundo, Leipzig», pelo í ulo O País das Mil
Co es, aduzido na ex-Checoslo áquia pa a se o- c oa a, e com o P émio Especial da UNESCO
(P émio Vic o Hugo, 1988) pelo í ulo O Reino das Rosas Libe as. O Mons o das Se e Cabeças e as
Meninas Roubadas (e ou as his ó ias angolanas) (1999) ecebeu ambém o Gala dão da Cul u a da
Região Au ónoma da Madei a.
Rosalina Pombal
Nasceu no Huambo, a 8 de Julho de 1957, e aleceu em Luanda, em Janei o de 1985. Após os es udos
secundá ios, ing essou na Faculdade de Di ei o da Uni e sidade Agos inho Ne o, onde equen ou o
2.º ano do cu so de di ei o, cu so que o p ecoce é mino da sua ida i ia lamen a elmen e a
in e ompe . Desen ol eu ainda a i idade como écnica do INALD (Ins i u o Nacional do Li o e do
passa am mas nenhum animal acudia po que es a am ocupados com a o ganização da ma a, a di isão
de a e as, o auxílio aos elhos, os medicamen os, a escola pa a os mais no os... O ei con inua a a
pedi ajuda mas não a conseguia, a é que um dia apa eceu o cágado, que ol a a de é ias, e ao e a
ma a mui o di e en e, pe gun ou que se inha passado. Quando lho con a am, di igiu-se aos seus
izinhos e disse-lhes que inham mos ado cla amen e não que e o ei, que podiam e sabiam
go e na a ma a em conjun o, mas que não podiam deixa mo e Kibala po que demons a iam a
mesma c ueldade que ele inha mos ado. Todos conco da am em que o que inham de aze e a da -
lhe água e comida, e mandá-lo a um local onde ainda pudesse se ú il.
Nes a ob a, Gab iela An unes, uma das g andes impulsionado as da li e a u a in an il angolana, ala
de o ma sub il da o ça da união de um po o que se alia pola mudança. No con o e lexiona-se sob e
as an agens do abalho comuni á io e c i ica-se a ideia de ingança, apelando à con eniência de
aze o bem mesmo aqueles que um dia ize am mal. Es es alo es colocam-se na linha do discu so e
da ideia de angolanidade que man ém o MPLA, onde odos êm o seu sí io e onde os e anches con a
os colonizado es não se con emplam.
5. A Á o e dos Gingongos, Ma ia Celes ina Fe nandes
Inspi ado ambém na adição o al angolana, es e con o ec ia o mi o dos gingongos (gémeos) que
são conside ados na cul u a angolana se es especiais de g ande sensibilidade que nunca de em se
con a iados. O in e esse des a na ação é g ande po mos a , além do s a us dos gémeos em
Angola, aspe os mi ológicos, cos umes adicionais e a desc ição da ida quo idiana num musseque.
As ensinanças mo ais ambém êm o seu luga na na ação, nes e caso, as consequências do egoísmo.
Nga Ma ia e o senho Polica po são os pais dos gingongos e de ou os 7 ilhos. Os dois gos am da
dança e das es as no musseque mas ela não em mui o empo po que ende no me cado missangas,
abaco, cola e gengib e, e além disso az o abalho da casa. No con o podem-se obse a os i os e
cos umes a edo do nascimen o de gémeos em Angola como aze uma g ão es a com a melho
comida e bebida em que amigos e amilia es le am o e as. Os gingongos são ungidos na es a com
óleo de palma e dão-lhes mel pa a chupa . Pa a anuncia a no ícia do nascimen o pelo bai o, can a-
se e ba em-se la as. A impo ância de con inua com es es cos umes eside, dizem os elhos, em que
se os gémeos são mal ecebidos ou icam zangados po alguma causa, podem adoece a é a mo e ou
a ai desg aças à amília.
Na his ó ia assis imos a como os gingongos são a ados pa a c esce com mui a saúde e não se em
a o men ados po maus espí i os: amule os de madei a, ezas, umaças. Toda a gen e os mima a e se
alguém os pe u ba a, e am ale ados pa a não aze desg aça, assim que o am c escendo com
mui os cap ichos e a enções. Adão e E a, como e am conhecidos os gingongos, embo a ossem
ba izados com os nomes de Manuela e Manuel endo como pad inho um come cian e b anco amigo
da amília, decidi am um dia que que iam se os donos únicos da manguei a da amília, á o e que o
es o de i mãos e izinhos des u a am sabo eando as mangas. Pa a e i a cho os, cede am às
p e ensões mas, quando a manguei a começou a da u os, o es o de i mãos e ilhos dos izinhos
iam igualmen e come a u a. Os gémeos sen i am-se oubados e esol e am adoece . Não comiam,
nem ala am e cho a am odo o empo. Os pais i e am de ala com o es o de i mãos e izinhos pa a
que não comessem as mangas e, como ninguém que ia que os gémeos es i essem en e mos,
acei a am. Recupe a am assim a saúde. Quando i am que a á o e da a mui as mangas e elas caiam
e apod eciam no chão po causa de não ha e quem as comessem, en e gonha am-se pelo seu
egoísmo e e i ica am. Já de adul os, eco dam como o am c iados.
No inal do con o é ap esen ado um glossá io com 18 e mos.
6. Duas His ó ias, Zaida Dáskalos
Es e olume da coleção con ém duas his ó ias. Zaida Dáskalos explica numa no a in odu ó ia que
econ a duas ábulas an igas ecolhidas em casse e de uma anciã na egião de Caconda, em língua
umbundu, po pa e de uma amiga já alecida. O casse e pe deu-se em 1975 du an e a gue a e apela
pa a que alguém que leia es as e sões as econs i ua “na sua o al e naculidade”.
Nos dois con os as lições mo ais gi am em ol a da i e lexão e a solida iedade. O p imei o é uma
ábula onde os animais são uma ou a ez uma me á o a dos homens, e o segundo é um con o que
p o agonizam os meninos humanos. Nos dois casos dá-se um diálogo com au o es clássicos
po ugueses, pelo que se con e e uma a ualização das ábulas mui o in e essan e.
Na p imei a his ó ia, in i ulada “O ele an e mo ibundo e da i e lexão dos animais da lo es a”, um
ele an e encon a-se mui o doen e po causa da sede e a sua companhei a ele an a, que não em
água, pede à leb e que lha aga. Quando a leb e chega à bei a do poço sai uma ã que o in i a a can a
e dança animando-a com uma copla: “A ida é baila , deixa o abalho, em comigo dança . Can a e
baila sem nunca pa a , uá, uá, uá, que bom é b inca ! A leb e esquece a sua p omessa de le a água
e une-se à es a enquan o a ele an a, desespe ada, pede à se pe que á pela água. Nes e caso
acon ece o mesmo que com a leb e e ica no poço a danza . Dado que a ele an a não consegue a água
e o seu companhei o es á cada ez mais doen e, decide i ela ao poço. Ao chega , os animais calam e
sen em-se en e gonhados, e acompanham a ele an a com à agua em di eção ao ele an e. Já e a a de
e es e mo e a. Os animais p esenciam a do da ele an a e medi am sob e o que inham causado.
A lição mo al da his ó ia ai em duas linhas: uma, as consequências de se i e lexi os ( az-se um
pa alelismo com a i e lexão dos homens), p incipalmen e que não pe mi e a solida iedade; dois, que
a solida iedade mui as ezes se mani es a a diamen e: a ele an a pensa em que se i esse ido ela de
início p ocu a a água, a mo e do seu companhei o não e ia luga . Em elação a is o, inclui-se um
p o é bio: “Quem que ai, quem não que manda”.
No con o insis e-se em que a causa do so imen o oi a i e lexão. A au o a, numa no a inal que di ige
às c ianças lei o as, ins a a medi a na lição da his ó ia e pede pa a que a leiam aos adul os po que
conside a que há uma elação en e ela e a his ó ia de mui as c ianças angolanas í imas da gue a.
Solici a a solida iedade dos meninos que não êm so ido as consequências da gue a, com aqueles
que sim. Nes e apelo de duas páginas, inclui duas e e ências di e as ao Pad e An ónio Viei a: quando
chama mons o à gue a (“a gue a aquele mons o, no dize de um g ande esc i o po uguês – Pad e
An ónio Viei a”) e ao inclui uma poesia des e au o sob e os meninos í imas das gue as, que jus i ica
pa a se causa de e lexão, igual que a p imei a his ó ia e a segunda que ai a segui .
O segundo ela o in i ula-se “Ukonga ua a e. O p esen e pa a o pai”. Con a a his ó ia de Cambinda,
um menino que ompe uma cabaça onde o seu pai e men a a a quissângua. Es e exige-lhe que
apa eça in ei a sob ameaça de se ma elado nas nádegas. Com a ajuda de dois amigos, esol e i
den o da lo es a na p ocu a dos anões, pois é adição na egião u iliza os pelos da ba ba des es
se es mi aculosos: ao coze a cabaça com os pelos, essa inha de eno a -se. Masca am-se e, ba endo
o ba uque, aden am-se na lo es a can ando uns e sos que, como escla ece a au o a no inal, são
de Pessoa: “há a poesia, a música, as danças mas o que há de melho no mundo são as c ianças”.
Animais e anões ap oximam-se ao ou i o uído e omam pa e na dança, momen o que ap o ei am
as c ianças pa a a anca os pelos e i embo a pa a epa a a cabaça, ali iados e conscien es da
impo ância do ca inho e da solida iedade en e amigos.
Uma ou a ez, Aida Dáskalos di ige-se aos lei o es pa a pô de ele o que no eposi ó io de his ó ias
adicionais há mui as lições impo an es como es a, que é an í ese da an e io . Se na p imei a a
solida iedade e a esquecida, adiada pela i e lexão, nes a é a e lexão que le a as c ianças a se em
solidá ias na de esa de um companhei o que e i a assim uma su a do pai. Desculpa ambém os
meninos po e em a ancado as ba bas dos anões po que es á ce o de que se eles soubessem a
azão dessa ação so i iam e pensa iam nos e sos de Pessoa can ados pelas c ianças.
No inal do li o é colocado um glossá io com 8 e mos.
7. As Se e Vidas de um Ga o, Da io de Melo
Como as se e idas de um ga o, a ob a di ide-se em se e his ó ias in e conec adas que p e iamen e
são ap esen adas sin e icamen e numa can iga de 20 e sos. O p o agonis a é um ga o que não pa a
de se ans igu a ao longo de uma na a i a di e ida, com mui a ação, e didá ica.
Na p imei a his ó ia, in i ulada “Loa d´es ó ias”, con a como um menino en a numa loja de li os
solici ando uma his ó ia de ga os, mas de um ga o e melho. O endedo não em e en a ende -lhe
ou o li o dizendo que se é um ga o e melho é de o a e, po an o, p ecisa de adução. O menino
explica que odos os ga os miam igual e ai-se embo a sem comp a um li o.
Na segunda his ó ia, in i ulada “O ga o Damala”, um ga o e melho que é dou a co nes a his ó ia
pede abalho na loja de li os. Diz que em dis a çado e que po isso co ou os bigodes. O endedo
de li os p egun a-lhe que é o que sabe aze e ele acomoda-se, pousa a mala e começa a con a que
o a ap endiz de um ga o elho mas que não ap o a a o exame po causa de se e melho, pois odos
os a os o iam, assim que esol eu co a o pelo pa a que c escesse o na u al. Quando o ga o elho
mo eu, ele icou no seu luga como Ga o-Che e-Caçado . Ele e a o seu p óp io che e e da a o dens a
ele p óp io. Pa a escla ece se apanha a a os ou não, in oduz uma ou a his ó ia, a e cei a,
in i ulada “O ga o caçado ”.
Nes a e cei a pa e na a que e a o ga o caçado de um homem ico a a en o que não lhe da a
comida pa a que caçasse mais a os, mas e a impossí el acaba com os a os po que e am mui os.
Um dia apa eceu um ga o gigan e que se desculpou pelos p oblemas que a sua amília ocasiona a,
mas que e am a os e inham de oe . Assim mesmo, o a o disse-lhe que ele e a explo ado pelo seu
dono, e que me ecia pode descansa , po que es a a ce o de que se algum dia acaba a com odos
os a os, o seu pa ão con inua ia a não da -lhe comida. O ga o p egun a-se, di igindo-se aos lei o es,
que oi o que ez nesse momen o e, na seguin e his ó ia explica-o.
Em “ O Come-e-Do me”, a qua a his ó ia, escla ece que não ez nada po que o a o inha a azão.
Decidiu deixá-los oe à on ade e o amo abandonou-o no ma o. Ali, uma o miga a isou-o pa a que
não do misse com os olhos echados, po que pode ia se ele o caçado- Ele, mui o al i amen e, não se
p eocupa a po que o caçado e a ele. Con inuou a caminha e uma oz escondida lhe alou e
p egun ou-lhe que e a o que caça a: espondeu no amen e de o ma a ogan e que não caça a nada
po que e a ico e inha pa ão que lhe da a de udo. Num ou o momen o encon a uma aca a que
pede lei e, mas ela apenas lho dá se ele sabe o denha . Ele p esume de não sabe po que na cidade o
lei e chega em ga a as. Finalmen e encon a Dona Onça: a a-a como um amilia e exp essa-lhe o
desejo que em de jan a com ela mas não le a ca ne. A onça o e ece-lhe i de caça, ao que o ga o
esponde que não ouxe a espinga da e que na cidade não é necessá io caça . A onça, i i ada, en a
caçá-lo e o ga o, assus ado, oge a a chega a uma casa.
Na seguin e pa e (“O Ga o-das-Bo as-Ro as”) o ga o chega a uma g anja onde o animal in ejado po
odos é o po co, po causa dos cuidados e mimos que lhe dispensam os donos. Um dia descob em
onde ai pa a o po co, ao palácio do ei, mas desconhecem o mo i o. O ga o diz à cab a que ai
in es iga algo nos li os e, quando ol a pa a ala com a cab a, apa ece bem es ido e sem bo as
o as. Uma ou a ez o ga o di ige-se ao lei o e p egun a-lhe se sabe o que lhe passou numa his ó ia
que leu num li o pa a in oduzi o sex o con o.
Em “O Ga o-do-Rei” con inua a con e sa com a cab a. Es a p egun a-lhe o mo i o pelo qual ai ão
bem es ido e ele esponde que é po que é o ga o do ei. Tinha conseguido o o ício en ando na
his ó ia de um li o elho onde descob iu que o po co en a a no palácio pa a se comido em bandeja
de p a a. Uma ez na his ó ia do li o, oubou um oso do po co ao ga o do ei e deu-lhe uma sapa ada
pa a ica com o abalho. Di ige-se ago a com uma in e ogação ao endedo de li os da p imei a
his ó ia: se e a o no o ga o do ei, um abalho ão bom, po que é que inha ugido do palácio e inha
indo a pedi abalho? A explicação igu a na seguin e pa e, a úl ima his ó ia.
A úl ima pa e in i ula-se “E… Vol amos ao P incípio”. O p o agonis a ela a que, quando es a a
ado mecido no palácio, ou iu dize que o ga o pa ecia mui o go do e que não de iam da -lhe comida
po que o que inha de aze e a caça . Ao ga o eco dou-lhe a sua ida com o pa ão e não que ia se
uma ou a ez um ga o que não descansa, assim que se dis a çou, colheu a mala e co ou os bigodes.
Nes e con o é e a ada a ida no u al e na cidade do pon o de is a do p o agonis a. A cidade é pa a
o animal, símbolo de comodidades, mas ambém de explo ação labo al. O u al é o con apon o e nele
ai ap ende as consequências de se um animal p eguiçoso num cená io como o campo e a lo es a,
onde os pe igos são cons an es e onde consegui comida não é uma a e a ácil.
No inal do li o ol e aze uma sín ese do que oi a sua ida e deixa o caminho abe o pa a no as
a en u as: “Se e idas em um ga o e dessas se e que eu enho, seis delas já eu gas ei: nasci e não
inha nome, Ga o Ve melho iquei, ui Caçado , Come-e-Do me, ui Bo as-Ro as, com ome e cheguei
com ou o nome, a se o Ga o-do-Rei. Ago a, Ga o Damala, se mudo ou a ez de nome, que ou a
ida i e ei?”.
8. A Velha Sanga Pa ida, C emilda de Lima
No âmbi o u al, a a és da es ó ia de um mo ingue no o e de uma elha sanga queb ada, C emilda
de Lima o mula uma me á o a sob e o alo e a impo ância das coisas, que acaba po se uma
me á o a sob e o empo e sob e a ida. Com uma linguagem simples, abo da sub ilmen e emas a uais
como a impo ância da eciclagem e a necessidade da p ese ação da na u eza.
Na his ó ia con a-se como numa casa de uma zona u al, um mo ingue de ba o se i de uma elha
sanga, po conside a que não ale pa a nada, e ambém de um coco que ica a seu lado. A sanga
de ende o coco aduzindo que em u ilidade po que o Joãozinho, o ilho do dono dos obje os, es á a
u ilizá-lo pa a le a a eia e ajuda o seu pai a apa um bu aco. O mo ingue assen e mas ol e c i ica
a sanga po que ela, diz, não se e pa a coisa nenhuma. Enquan o discu em, ou em ala Joãozinho e
seu pai sob e aze mudanças na en ada da casa pa a que ique boni a. Es es começam a p ocu a
alguma peça pa a coloca plan as, opo unidade ó ima pa a a sanga que espe a impacien e. O
Joãozinho escolhe a sanga po im e com as suas duas me ades az com o pai um boni o aso onde
coloca am e a e plan as. O coco se ia pa a as ega . A sanga icou mui o con en e e o mo ingue,
en e gonhado, pediu-lhe desculpas.
O con o acaba po coloca uma ques ão mo al: nunca se de e desp eza os mais acos po que eles
podem se ão ú eis como qualque ou o.
9. Fábulas de Sanji, An ónio Jacin o
Os ex os das Fábulas de Sanji são, quan o à na a i a, mui o densos e com pouco i mo. Os assun os
a ados e o om u ilizado con e em o li o, do nosso pon o de is a, em di icilmen e a ibuí el à
ca ego ia de li e a u a in an il. F en e às demais ob as da cole ânea, es a con em mui o mais ex o,
menos imagem e a na a i a es á ca egada de desc ições ex ensas que chegam a se ilosó icas
nalgum caso. O om de do e so imen o é mui o ma cado.
O li o ap esen a á ios gêne os li e á ios: ábula, con o, c ónica, poesia e ca a. Con o me o p óp io
au o comen a em en e is a (LABAN 1991), as Fábulas “em p incípio e am o p oje o de um con o
adicional esc i o em linguagem li e á ia abalhada (…) uma busca de aze pa a uma li e a u a
mode na os con os adicionais o ais…”. Todos os ex os são esc i os an es da independência
angolana, du an e o pe íodo de lu a, como se como se pode obse a no im de cada ábula onde a
da a é indicada.
As mensagens de esis ência es ão mui o p esen es e obse a-se uma p eocupação com a p ese ação
dos elemen os o ais da adição angolana. A es u u a social da época colonial é mui o bem mos ada
e o p ocesso his ó ico angolano a icula-se no conjun o dos episódios.
O li o é dedicado ao seu i mão Reinaldo T indade Ama al Ma ins, mo o em 1988. Nes a dedica ó ia
mos a a do que sen e pelo seu alecimen o e gaba a sua igu a como médico, écnico, docen e,
mili an e e conquiologis a.
A p imei a ábula é a de “Dikolombolo e Ngandu”, esc i a em 1970, e é localiçada geog a icamen e na
egião de Golungo Al o, hoje p o íncia do Kwanza No e. T a a-se da na ação da con enda en e um
galo (Dikolombolo) e um jaca é (Ngandu), igu a impo an e no abulá io angolano que é desc i o
como “Ngandu das águas em que a alen ia se lhe apon a a pa a o aumen o de seu enome, ei icei o
das ma gens, emo dos homens e dos bichos”. O p imei o en ia em á ias ocasiões, a a és de ou os
animais que iajam pelo io e o ma o, ecado de cong a ulações ao jaca é em que o chama de “i mão”.
Is o en u ece o ep il que se ê um se supe io a um galo, um animal pouco especial que não é emido,
e az e o na a mensagem com o ecado de que se encon a abo ecido pelo seu a e imen o e que
em de se e a a , algo que o galo não az e incluso ol e epe i o mesmo en io de cong a ulações
mais ezes. O jaca é es á mui o u ioso esol e le a o assun o a juízo. No ibunal, ep esen ado pelo
seu ad ogado macaco, o mula as acusações undamen adas em mui as ci ações, no i icações,
códigos e es emunhas. O galo, sem ep esen ação legal, baseia a sua de esa unicamen e no seu
alegado que consis e em pedi ao jaca é que con i me se es e nasceu de um o o. Con i mado o ac o,
o galo dá-se po encedo po que ambém nasceu de um o o e, po an o, é i mão do jaca é como
ambém sen enciam os animais da lo es a que se encon a am em unção de ju ados e a onça, o juiz
do p ocesso.
Na a ualização da ábula, o au o in oduz aspe os da es u u a social da época colonial nesse po oado
em conc e o, é dize , há uma con ex ualização geog á ica mas ambém his o iog á ica.
A segunda his ó ia é “A es a de amília de Xanga Oli ei a (C ónica do an igamen e no an anho)”,
esc i a em 1969. A pe sonagem da his ó ia é o “bom e diligen e elho Xanga”, um homem elho
en e mo de euma ismo que abalha de noi e em uma azenda de ca é gua dando a áb ica e os
a mazém dos bandos de lad ões, e que pelo dia ega os i ei os e i ando água do io. O episódio gi a
a edo do seu desejo, quase obsessão, de e umas bo as de bo acha, de cano al o como as dos
pescado es, pa a não se molha quando em de apanha a água do io. O au o acen ua o d ama do
Xanga explici ando que inha abalhado a ida oda com salá ios mag os e ainda não pude a comp a
essas bo as. Es e anseio que pode pa ece i ial deixa en e e a es u u a social: não e calçado e a
uma das ma cas de in e io ização do colonizado, si uação co igí el caso se assimilasse.
A es u u a social da época e ce os cos umes icam bem e a ados quando, nas éspe as de Na al, o
Xanga ai pa a a esidência do ei o da azenda a pedi as “boas- es as”, uma p á ica comum em
Angola a é hoje. Ali apa ece a senho a, D.ª “São”, uma mulhe encap ichada com odas as espécies de
pássa os que gua da a em gaiolas e que o Xanga lhe caça a. D.ª “São” o e ece-lhe uma camisa como
a dos mili a es que e a do ei o , o senho Fe ei a, e umas amêndoas. Ela a a o Xanga
au en icamen e como um menino. Po ou o lado, o ei o dis ibui as “boas- es as” segundo as
o dens que chegam do pa ão em Luanda: “um li o de inho a cada homem e uma caneca de a inha
o ada com açúca masca o pa a aze boca, como quem diz, pa a ape i i o. E am o dens do pa ão
e, quando ele iesse, a pagamen os, no im do mês, que lhe pedissem mais. No “ano bom” ha e ia
mais “boas- es as”, como habi ualmen e, bem mag as”.
Acabada a isi a, oi abalha . Acendeu o ogo pa a passa a noi e de igília e bebeu inho, enquan o
ou ia o ei o e emp egados na esidência num jan a “ o a do no mal” com champanhe incluído. É
nes e momen o que começa a ememo a episódios da sua ida. Da in ância eco dou o mui o que
abalha am e lemb ou o pad e Saganha, “o que p imei o lhe ala a desse Jesus C is o e do Na al dos
b ancos”. A his o iog a ia angolana apa ece ambém nes a noi e de igília ao eco da a época em que
ui soldado ao lado dos po ugueses. Todas as lemb anças deixam en e e cenas da Angola colonial.
Na seguin e sequência eco da as mulhe es que e e e os ilhos (de quem não lemb a odos os nomes
nem ca as) e as c enças popula es apa ecem: uma das suas mulhe es inha mo o de ei iço,
espumando pela boca: “O dou o do Golungo ala a em a aques epilé icos. Os b ancos não sabem
nada des es ei iços dos p e os”.
Dos ilhos diz que “andam em Luanda, em Malanje, no Sul, na gue a no a das ma as, sabe-se lá po
onde”, em e e encia a que es ão na lu a a comba e pelo país, a dize que a lu a con inua ( eco demos
que es e ela o é esc i o em 1969).
Razoa sob e a igu a de Jesus C is o quando lemb a o Pad e Saganha que na in ância quis que “ele
osse ca equis a, O a ele nunca ap ende a a le ”. Sob e Jesus, diz: “Também os meninos dos pa ões
lhe con a am das p endas que o Menino Jesus punha nos sapa os dos meninos. Ele, en ão, já não e a
menino. Também ele e os i mãos nunca i e am sapa os. E os ilhos dele ambém não. E en ão o
Menino Jesus pode ia e dado sapa os aos meninos como os dele? Bem, ele já inha is o mui as
o og a ias do Menino Jesus. O menino Jesus e a b anco. En ão não podia anda pelos ma os a en a
nas casas de capim dos meninos pob es. Nem empo e ia, ainda que quisesse”. Acaba a ememo ação
no u na pensando uma ou a ez nas bo as desejadas de bo acha e p ega a Deus po elas enquan o
cai ex enuado ao chão.
O e a o do colonizado e do colonizado é o mais ca ac e ís ico des e ela o, além dos cos umes na
Angola colonial. A c í ica á si uação dos colonizados e ao a o que dispensam os colonizado es é
e iden e.
O e cei o ex o é “Chu a no e ei o”, esc i o em 1970. T a a-se de uma desc ição da lu a con a um
aguacei o que es á p on o a chega numa áb ica de descasque de ca é e que é na ada po um dos
abalhado es. Nes a ec iação obse a-se a dis ibuição de abalhos numa áb ica des e ipo e o
o íssimo i mo que se êm de impo os abalhado es pa a sal a o ca é da chu a. Finalmen e, o
empo al pa a mas o ca é ica odo molhado, “mui o abalho pa a os u u os dias de sol”.
O qua o esc i o é “Compo amen os”, de 1960, o ex o mais b e e do li o (além do poema inal), e
oi esc i o an es de es a em p isão, an es da lu a de libe ação. Pa ece ap esen a uma so e de ensino
mo al que anima a lu a e a não e medo pa a consegui a i ó ia. A his ó ia cen a-se no pe sonagem
de Be na dino, che e da es ação de comboio, quali icado como abugen o e i ânico. Do pon o de
is a de uma lemb ança in an il, Be na dino inha as “melho es pi angas de odo o Golungo”. Pa a o
na ado ha ia dois ipos de c ianças: os alen es que sal a am a ce ca e colhiam as melho es pi angas,
is o é, os que não inham medo; e os que inham medo do elho, que nunca sal a am a ce ca e
espe a am a que caíssem e des o a, sem lu a .
A quin a his ó ia é a de “Zeca: o pa alí ico do Golungo” (esc i o em 1969). É uma ememo ação do
empo in an il em que o na ado , quando menino, eco da que se eunia numa con ei a ia com
ou os meninos b ancos do bai o, “como em amília”, e que ecebiam a isi a habi ual dum ou o
menino neg o doen e de poliomieli e. Reco da a si uação: Zeca, o menino neg o, a as a a-se pelas
uas, pedia esmolas e bebia os es os das ga a as que se encon a am nas mesas da con ei a ia. Ao
im da a de ia ala com os meninos b ancos pa a come as sob as da me enda. Eles ecebiam-no com
pena, pela sua si uação, mas ambém com ai a, po causa de que e a explo ado pela mãe, que
u iliza a o dinhei o que ele conseguia pa a i bebe com homens. Con udo, ele ado a a a sua mãe. O
na ado admi e o seu emo so po que nem ele nem os seus amigos in en a am en ende de e dade
o Zeca.
Em “A p imei a sin onia” (esc i o em 1968) es amos pe an e a exposição do que uns homens sen em
quando deixam o ca o num lado do io Calucala pa a c uzá-lo e aden a -se no mais p o undo da
lo es a. Pelo con eúdo, en endemos que es es homens es ão a pa icipa na colonização de Angola
e na espoliação das suas ma é ias p imas. Um desses homens é a oz, quase lí ica, que desc e e com
uma isão pan eís a a “sensualidade de um pa aíso há mui o pe dido na memó ia da espécie”. Todo a
beleza o que os odeia, que con apõe com a pequenez e aqueza humana, az com que emudeçam.
Es e sen imen o ai con apo -se à consciência de que, em pouco empo, a mão do homem com
camiões, guindas es e se as ia “ ence o in e no e de da lo es a”.
“Tempo e memó ia” (esc i o em 1969) é, como o an e io , basicamen e uma desc ição do cacimbo, o
empo da seca, e da es ação de chu as. Es a desc ição é a iculada pelo con a o que em um menino
com a na u eza que o odeia. Quase não há na a i a, exce o pensamen os pon uais do “desc i o ”,
da sua época de c iança.
Finalmen e, o úl imo ex o do li o é o poema “Gab iela”, esc i o em 1972. É o único poema, em
sen ido es i o, de oda a coleção. Nele, o eu poé ico ala com is eza da pa ida de uma menina de
Cambondo que oi p ocu a mas que não encon ou.
10. O cí culo de Giz de Bombô, Hen ique Gue a
Os pe sonagens p incipais são a la andei a, mulhe p esen e em odas as cenas como es emunha e
guia, e que se di ige ao público com equência pa a p egun a se o que es ão a aze as pe sonagens
é ou não co e o; Lili, uma menina de boa amília; Ri a, uma ou a menina que mo a numa casa
pob e;e um elho camponês, que se á quem esol a o p oblema que se ap esen a.
Es a ob a é a única da cole ânea que pe ence ao géne o d amá ico e, na época, a única ob a de ea o
com um público al o in an il. Como explica o au o ao começo, a ob a é uma lei u a de uma adap ação
que Al onso Sas e inha ei o de O Cí culo de Giz Caucasiano, de Be old B ech , o iginalmen e esc i a
em 1944. Como a ob a mãe, es a que se ap esen a abo da ambém ques ões elacionadas com a
libe dade e a p op iedade, e es á adap ada a c ianças e à ealidade de Angola. T a a-se de uma lição
sob e a p op iedade comuni á ia de uma ó ica socialis a.
Como na peça de B ech , na ob a apa ece um na ado , p esen e em odo o ex o, e um co o (de
pionei os) na sua unção clássica de ep esen ação da opinião pública.
Pa indo de uma si uação uni e sal, Gue a inse e a pa ábola da jus iça salomônica no con ex o da
ealidade angolana em 4 a os. Os pe sonagens p incipais são a la andei a, mulhe p esen e em odas
as cenas como es emunha e guia, e que se di ige ao público com equência pa a pe gun a se o que
es ão a aze as pe sonagens é ou não co e o; Lili, uma menina de boa amília; Ri a, uma ou a menina
que mo a numa casa pob e;e um elho camponês, que se á quem esol a o p oblema que se
ap esen a.
A la andei a obse a como Lili a as a uma boneca e p egun a-lhe po que o az. Ela esponde que a
boneca é da es a das c ianças do seu bai o e que a gua da a é o dia da es a po que i e numa boa
casa, segu a, escla ecendo que a escola não é luga segu o po que “os inimigos do po o acos umam
a assal a as escolas”. A la andei a ep ocha-lhe o a o que lhe dá, mas ela a i ma “Oh, não az mal.
Es amos no Socialismo. Is o é do po o, deixa es aga .” É a p imei a ez que no conjun o das ob as
apa ece o e mo “socialismo” di e amen e. Ri a apa ece po um lado can ando “Nós, as c iancinhas
de odo o mundo, amo-nos uni …” e não ac edi a quando olha a boneca ão es agada i ada no
chão. Apanha-a e can a-lhe.
Na segunda pa e en am cinco pionei os, um deles com desejo de se médico algum dia, e Ri a pede-
lhe pa a que a anje a boneca. Ela que aciná-la, pen eá-la e es i-la com oupa no a. Nesse
momen o ou e-se a oz da mãe de Lili a pe gun a pela boneca: se não apa ece, a menina ai “apanha
uma a eia”. Aqui, uma ou a ez, apa ece o cas igo ísico po pa e dos pais aos ilhos, como se
passa a em “Ukonga ua a e. O p esen e pa a o pai”.
Na e cei a pa e da ob a, Lili en a em cena p eocupada na p ocu a da boneca e olha a Ri a
aca iciando-a. As duas meninas discu em e a la andei a em de as sepa a . Nesse momen o chega um
ancião camponês que ai esol e a dispu a. Es e pede es emunha pa a cada uma e, enquan o Ri a
diz que a sua es emunha é o seu co ação, Lili chama po um senho can inei o amigo de seu pai,
mui o bem es ido, que diz que oi ele quem ouxe a boneca de Lisboa pa a o pai da menina. Es e
homem mos a uma pe sonagem in e essan e no con ex o angolano, o kazuku ei o, um dos
ep esen an es da co upção angolana. Es e explica que não é can inei o, que se dedica a consegui
as coisas que lhe pedem as suas amigas pa a as ende e que quando az “ equisições pa a o meu
minis é io, aço ambém pa a as minhas amigas qui andei as, po que o po o p ecisa de se se ido”.
O camponês, en adado com o ipo de homem que em dian e, não o admi e como es emunha po que
não é uma pessoa con iá el (“Ahn! Vucê és um kazuku ei o, num é? Se es- e das di iculdades do po o
pa a a anja dinhei o, num é? Não, não, es a es emunha num p es a. Pode i'mbo a”). Ele sai da cena
dizendo: “Não, não! Eu só a anjo umas coisi as pa a as minhas amigas qui andei as só pa a se i o
bolso, ... ahn, ... , que dize , pa a se i o po o”.
As meninas con inuam a discu i e o camponês esol e a anja o assun o median e um cí culo de
bombô. Explica o la ado o mo i o pelo que u iliza o bombô: no empo da gue a con a os colonos,
na sua egião, os p o esso es não inham giz pa a ensina às c ianças, en ão esc e iam no quad o com
um pedaço de bombô. E ac escen a: “É assim mesmo, cama adas. Quando nos al a um p odu o do
comé cio, a gen e não de e ica com os b aços pa ados e deixa cai a p odução. A gen e de e pensa
na nossa cabeça e a anja ou a coisa pa a con inua a i pa a a en e”. Esboça o cí culo e pede pa a
a la andei a coloca ali a boneca.
Fecha-se o pano e apa ece o co o de pionei os que con a a his ó ia de Salomão. Como na his ó ia
o iginal, Ri a enuncia à boneca po que Lili a em aga ada po um b aço e não a que ompe , mas o
camponês dá po encedo a a Ri a. Num momen o em que o camponês p ecisa ajuda pa a le an a a
sua ca ga, Ri a pousa a boneca no chão e ai-o ajuda , momen o em que Lili ouba a boneca e é
acusada de zazuku ei a pelo camponês, que a manda cala e in i a a Ri a a passa as é ias no campo,
na comuna.
A ob a acaba com os p o agonis as saindo da cena, ainda a discu i , e com o co o de pionei os de
mãos dadas di igindo-se ao público:
A áb ica é con iada aos ope á ios
Que a põem ao se iço da nação!
Angola pe ence aos angolanos
Que nela abalham com amo
E a de endem de a mas na mão!
A úl ima em se di igi ao público é a la andei a, que pe gun a quem acham que de e ica com a
boneca.
A ensinança mo al nes a peça é ma cada pela máxima “a e a, pa a quem a abalha”, p óp ia do
ideá io socialis a. O au o ensina que o egoísmo não é p odu i o e que cuida dos bens que são de
odos dá os seus u os.
Em elação ao ea o angolano, é in e essan e indica que, com a independência, muda
comple amen e a sua eição. A d ama u gia adicional, em ge al, es a a ligada a i uais eligiosos e
aos cos umes ances ais. An es da independência, o ea o em Angola inha apenas dois au o es:
O lando de Albuque que (O ibanda e O ilho de Zambi, 1974) e Domingos Van Dúnen (Au o de Na al,
1972). Com a independência a si uação al e a-se e apa ecem á ias inicia i as, umas de ea o
en aizado na adição a icana e ou as mais ans o mado as. Nes a segunda linha es a ia colocado
Hen ique Gue a com es a peça, jun o com poe as e iccionis as como Pepe ela (A co da, 1978; A
e ol a dos ídolos, 1980), Cos a And ade (No elho ninguém oca, 1979) ou Manuel dos San os Lima
(A pele do diabo, 1977). Gue a compa e com es es au o es o ac o de explo a os emas com
mensagem ma xis a, de ma e ializa os obje i os da e olução e a in enção de eesc e e a adição
e a cul u a angolanas. Igual que os demais, o econhecimen o do pode decisó io do po o é ei a
a a és da pa ábola, o ma uni e sal na essência cul u al dos po os.
11. A Viagem das Folhas do Cade no, Ma ia João
Jun o com Lu chila, es a his ó ia é das mais b e es da coleção e já inha sido publicada na
cole ânea Sonhos bo dados, 2003. O pe sonagem é um cade no deco ado mui o boni o que inha
uma ida monó ona num a má io po que ninguém o que ia le a à escola. Lamen a-se de que
olha am mui o as suas olhas pela sua beleza, mas que o deixa am ica semp e sozinho. Um dia,
uma menina le ou-o na sua pas a mas em á ios dias não o i ou dali nem lhe p es a a a enção,
assim que esol eu ugi . Du an e a uga o en o ez com que as suas olhas se espalhassem. Uma
ou a menina ecolheu um mon e de páginas e colocou-lhes uma capa no a. Não ac edi a a em
que alguém deixasse ugi algo ão boni o e o cade no con ou-lhe a sua his ó ia. A menina, pela
sua pa e, explicou-lhe o que inha pensado aze com ele: além da capa no a, ia eco á-lo pa a
deco a ou os cade nos e pa a aze es idos à sua boneca de papel. A au o a deixa o inal abe o
a ou as a en u as: “E assim deixei de se cade no e passei a es i uma boneca mui o linda. Um
dia a minha boneca oi à es a de uma amiga, depois os con a ei…”.
A p eocupação didá ica ap esen ada é a necessidade de cuida das nossas possessões, embo a
sejam poucas, além do ema da eu ilização, ligado ao mundo da ecologia e habi ual nas emá icas
da li e a u a in an il angolana.