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Literatura infantil angolana e construção nacional no século XXI

Carballo Coello, Rebeca

Abstract

O trabalho que se apresenta pretende estudar em que medida o desenvolvimento da literatura de Angola do século atual continua atrelado a um projeto de construção nacional, e tenciona fazê-lo através da focalização de produtos literários angolanos destinados a público infantil. Para isso, partirá da identificação dos chamados pioneiros desta literatura infantojuvenil e do papel que a esta produção foi atr ibuído, nomeadamente após a Independência do país, no processo de construção da identidade nacional. A seguir, o foco será colocado nos últimos dezasseis anos, considerando de modo especial os possíveis impactos dos marcos de 2002, com o acordo de paz, e 2012, que assina a urna década de estabilidade e coincide como início das atividades do Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing da Administração (GRECIMA). O GRECIMA é o responsável pelo projeto governamental -em curso- Amo Angola, destinado á promoção da "marca Angola " interna e internacionalmente, mas também formulado como "programa de educação patriótica"; urna das suas três vertentes é literária e toma diversas formas, entre as quais a de coleções de Clássicos da Literatura Nacional, em que se insere a primeira coletânea de 11 Clássicos lnfantis, lançada em novembro de 2015.

Full text

0 LITERATURA INFANTIL ANGOLANA E CONSTRUÇÃO NACIONAL NO SÉCULO XXI Rebeca Ca ballo Coello G ao en Linguas e Li e a u a Mode nas: Po ugués T aballo de Fin de G ao (ano académico 2017-2018) di ixido po Ma ia Felisa Rod íguez P ado Liña emá ica: Cul u a e Li e a u as Lusó onas Xullo 2018 1 ÍNDICE RESUMO ............................................................................................................................ 2 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 3 2. IDENTIDADE NACIONAL E ANGOLANIDADE NA CONSTRUÇÃO NACIONAL. QUE ANGOLANIDADE? QUE LINGUA? ...................................................................................... 5 3. A LITERATURA NA CONSTRUÇÃO NACIONAL DE ANGOLA ........................................... 8 4. O SISTEMA LITERÁRIO EM ANGOLA ........................................................................... 13 5. DESENVOLVIMENTO DA LITERATURA INFANTIL PÓS-INDEPENDÊNCIA ..................... 15 6. A LITERATURA INFANTIL NO SÉCULO XXI ................................................................... 19 7. 11 CLÁSSICOS DA LITERATURA INFANTIL ANGOLANA ............................................... 24 …E nas Flo es as os Bichos Fala am…, Ma ia Eugénia Ne o...................................... 27 O País das Mil Co es, Oc a iano Co eia .................................................................... 29 Lu chila, Rosalina Pombal .......................................................................................... 30 Kibala, o Rei Leão, Gab iela An unes ......................................................................... 31 A Á o e dos Gingongos, Ma ia Celes ina Fe nandes ............................................... 32 Duas His ó ias, Zaida Dáskalos .................................................................................. 33 As Se e Vidas de um Ga o, Da io de Melo ................................................................. 35 A Velha Sanga Pa ida, C emilda de Lima ................................................................. 36 Fábulas de Sanji, An ónio Jacin o .............................................................................. 37 O cí culo de Giz de Bombô, Hen ique Gue a. ........................................................... 40 A Viagem das Folhas do Cade no, Ma ia João ............................................................... 43 CONCLUSÕES .................................................................................................................. 44 REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 45 ANEXO I. QUADRO SINÓPTICO DA HISTÓRIA DE ANGOLA A PARTIR DA ÉPOCA COLONIAL II QUEM É QUEM? APRESENTAÇÃO DOS AUTORES NA COLEÇÃO 11 CLÁSSICOS INFANTIS III. ANÁLISE E RESUMOS COMPLETOS DOS CONTOS INCLUÍDOS NA COLEÇÃO 11 CLÁSSICOS INFANTIS 2 RESUMO O abalho que se ap esen a p e ende es uda em que medida o desen ol imen o da li e a u a de Angola do século a ual segue ou não a elado a um p oje o de cons ução nacional, e enciona azê-lo a a és da ocalização de p odu os li e á ios angolanos des inados a público in an il. Pa a isso, pa i á da iden i icação dos chamados pionei os des a li e a u a in an oju enil e do papel que a es a p odução oi a ibuído, pa icula men e após a independência do país, no p ocesso de cons ução da iden idade nacional. A segui , o oco se á colocado nos úl imos dezasseis anos, conside ando de modo especial os possí eis impac os dos ma cos de 2002, com o aco do de paz, e 2012, que assinala uma década de es abilidade e coincide com o início das a i idades do Gabine e de Re i alização e Execução da Comunicação Ins i ucional e Ma ke ing da Adminis ação (GRECIMA). O GRECIMA é o esponsá el pelo p oje o go e namen al –em cu so– Amo Angola, des inado à p omoção da “ma ca Angola” in e na e in e nacionalmen e, mas ambém o mulado como “p og ama de educação pa ió ica”; uma das suas ês e en es é li e á ia e oma di e sas o mas, en e as quais a de coleções de Clássicos da Li e a u a Nacional, em que se inse e a p imei a cole ânea 11 Clássicos In an is, lançada em no emb o de 2015. 3 1. INTRODUÇÃO A cons ução de uma nação é o p ocesso de es u u ação de um país o jando uma iden idade nacional comum a a és do pode do Es ado. O seu obje i o p incipal é uni ica odas as pessoas, de um ou á ios po os ou e nias, den o do Es ado pa a que es e seja ac í el e se man enha poli icamen e es á el e unido no p esen e e no u u o. Pa a comp eende mos o pe cu so da cons ução nacional em Angola (que implica uma impo an e a e a de c iação iden i á ia, en e ou as) e a sua elação com a li e a u a, emos de começa po mos a um b e e pe cu so his ó ico que ajuda á a en ende mui as das ques ões que apa ece am ao longo do abalho que se ap esen a. A gue a, a iolência nas lu as de pode e a ins abilidade ma ca am a undação de Angola como es ado independen e. Ela oi a úl ima colonia po uguesa em a ingi a independência, que log ou após 14 anos de lu a con a o colonialismo po uguês e, an es de os po ugueses cede em o malmen e o go e no em 11 de no emb o de 1975, es alou uma gue a ci il en e o MPLA (Mo imen o Popula de Libe ação de Angola), o FNLA (F en e Nacional de Libe ação de Angola) e a UNITA (União Nacional pa a a Independência To al de Angola), os p incipais pa idos o mados no país, que na p á ica ia du a quase 30 anos. Quem p onunciou o discu so de p oclamação do no o es ado oi o p imei o p esiden e da República, An ónio Agos inho Ne o: “Às 0 ho as do dia 11 de no emb o de 1975, sob o olha silencioso de Lénine, o Bu eau Polí ico do MPLA p oclama solenemen e pe an e a Á ica e o mundo a República Popula de Angola”. A da a em que se a ingiu a independência, um 11 de no emb o, e á mui o simbolismo no mundo li e á io que se ia c ia a pa i desse momen o. É igualmen e salien á el que Agos inho Ne o, além de médico, i esse sido esc i o . A gue a ci il começou já em 1875. Em 1991 o MPLA e a UNITA assina am um a ado de paz que coloca a uma no a o dem e que ixa a a celeb ação de umas eleições no ano seguin e que pe deu a UNITA. Es e pa ido não acei ou a de o a e ol ou-se à gue a ci il. Um ou o a ado oi assinado em 1994, sob o con olo de Nações Unidas, mas oi um cessamen o de ogo ela i o, po que embo a a capi al es i e anquila, no es o do país a iolência p osseguia. Em 1998 es ala de no o a gue a ci il o al a é 2002, ano em que mo e o líde da UNITA e os líde es ebeldes assinam o cessamen o de ogo de ini i o com o go e no. Se á o MPLA o pa ido que ai go e na Angola a é a a ualidade. É a pa i des e ano, 2002, que podemos ala duma ela i a anquilidade e no malidade na cons ução nacional angolana. Assim, no século XXI, nascem di e en es o ganismos elacionados com a cul u a e a “ma ca Angola” que ão pô em ma cha inicia i as in e essan es. Conside amos a o mação do Gabine e de Re i alização e Execução da Comunicação Ins i ucional e Ma ke ing da Adminis ação (GRECIMA) em 2012, um aspe o undamen al no desen ol imen o do p oje o polí ico de “educação pa ió ica” do século XXI em que es á englobada, en e ou os, a li e a u a. Es a ins i uição ai se a esponsá el pela publicação em 2015 da cole ânea ocalizada no abalho (11 Clássicos In an is) e ai se ex in a em 2017. 4 Como e emos, o papel da cul u a, conc e amen e da li e a u a, é ine en e à e olução desde os inícios e em um ca á e ma cadamen e polí ico. Os alice ces da p eocupação li e á ia no país são colocados já po um g upo de in elec uais angolanos na década de 50 em que p edomina a a i mação dos alo es “nacionais”, o mal e ema icamen e, como espos a à negação sis emá ica dos alo es do po o angolano pelo colonialismo. A segui , e emos como e oluciona es a p eocupação polí ica com a li e a u a a é a a ualidade, e isa emos os o ganismos e a i idades c iadas e abo da emos as agilidades que ap esen a o desen ol imen o do sis ema li e á io angolano. Cen a emos a ques ão na li e a u a in an il azendo um pequeno pe cu so c onológico ap esen ando o seu desen ol imen o e colocando o oco na coleção selecionada de onze clássicos. Analisa emos ambém as inicia i as pos as em ma cha e os p odu os p oduzidos. Pa a al, econside a emos as es a égias e as decisões omadas pelo Es ado nessa cons ução da iden idade comum que engloba a escolha de um ipo de angolanidade e, assim mesmo, de uma língua de comunicação. Quan o a pe íodos de empo, além de a a o pe íodo que ai de 1975 (ano da independência) a é ins do século XX, o oco empo al a aliado no abalho que se ap esen a é o in e alo de 2000 a 2015, ano de publicação da coleção 11 Clássicos In an is. 5 2. IDENTIDADE NACIONAL E ANGOLANIDADE NA CONSTRUÇÃO NACIONAL. QUE ANGOLANIDADE? QUE LINGUA? Ademais de uma his ó ia comum e um im pa ilhado, uma das a e as que em de en en a um país na sua cons ução como es ado independen e é a de a icula a/uma iden idade comum en e a população que que ep esen a , especialmen e se essa população se in eg a em comunidades mui o di e en es no ní el linguís ico, social e cul u al. A c iação iden i á ia no caso dos es ados a icanos, di ididos alea o iamen e na con e ência de Be lim (1884-1885) pelas po ências coloniais, não é um exe cício ácil po que es es e i ó ios ap esen am al di e sidade é nica que mui as ezes az com que uni ica a população sob uma iden idade única se o ne mui o di icul oso. No caso de Angola, es ado mul ié nico de 1.246.700 km2 cujos limi es on ei iços não coincidem com as on ei as é nicas, exis iam inúme as iden idades pa imoniais. O pode polí ico apos ou desde a independência do país po elabo a essa iden idade nacional angolana comum e pa a isso c iou elemen os simbólicos como a bandei a, o hino nacional, monumen os, slogans, a é elemen os ma e iais como ins i uições ou a p óp ia cons i uição. A unicidade do es ado, do pon o de is a polí ico, oi e é is a como um dos ins umen os es a égicos undamen ais endo em con a que em Á ica as di e enças é nicas são a o de con li o. Quan o ao es ado da ques ão da cons ução nacional, es udiosos e polí icos angolanos dissen em num pon o-cha e: exis e ou não a ualmen e uma nação em Angola? Mui o sucin amen e, expomos que coexis em ês co en es que sus êm pon os de is a di e en es (CAFUSSA, 2015): a p imei a, ep esen ada pelo p imei o p esiden e da República, Agos inho Ne o, con empla que Angola es á cons i uída po a ias nações que se undem numa única; a segunda, de endida po Paulo de Ca alho, jus i ica que não exis e ainda uma nação angolana, po que não se de e a um sen imen o de consciência nacional ou po que es á despojada de uma cul u a angolana assen e num subs a o sociocul u al bem como num sis ema de e e ências sociais; a e cei a, ep esen ada po Víc o Kajibanga, p opõe que a nação angolana é um p oje o nacional do Es ado que es á a ualmen e em p ocesso de cons ução e de a i mação. Em elação à cons ução da iden idade angolana, o ac o de que as di e en es iden idades pa imoniais o iginais do e i ó io enham con i ido e pa icipado em dinâmicas in e essan es com as ou as iden idades que ie am de o a, con o mando assim um pano ama complexo, de i ou, do pon o de is a his ó ico-polí ico, em ês p opos as de angolanidade (“idealização ou en a i a de eo ização sob e o Es ado- nação angolano”, CIPRIANO, 2013) que con inuam a dialoga , embo a seja uma a ado ada, inicialmen e, pelo Es ado. Seguindo a nomencla u a de CIPRIANO (2013), e de manei a mui o b e e, explicamos a con inuação:  Angolanidade ap io ís ica: nes a co en e des aca-se o que oi o p imei o p esiden e da República, Agos inho Ne o (MPLA), que conside a que o po o angolano es á acima das e nias e cons i ui uma só nação e um só po o que ab e espaço pa a a icanos, eu opeus e angolanos i e em em conjun o. 6  Angolanidade izomá ica: es a co en e es á mui o ene gicamen e sus en ada pela FNLA e UNITA. Sus ém que a cons ução do Es ado-nação em de pa i das aízes cul u ais a icanas e busca a independência o al, a cul u al incluída. Nes a posição, o angolano de o a ou eu oangolano e ia as po as abe as mas ica ia secunda izado.  Angolanidade apos e io ís ica: nes e caso são odos os ou os pa idos os que se adsc e em a es a co en e que em a e com a democ a ização do mundo consoan e o modelo ame icano. Nes e modelo de angolanidade, conside ado neocapi alis a po mui os, qualque um pode conquis a li emen e o seu espaço. É ambém denominada angolanidade económica/ inancei a. O p oje o de Angola e a de inição de angolanidade que se supe pus oi du an e mui o empo o do MPLA, nomeadamen e no âmbi o cul u al que inclui o li e á io, embo a o modelo apos e io ís ico es eja implan ado a ualmen e no plano económico e cul u almen e comece a se in eg a . Dado que se p e endia e i a qualque ipo de agmen ação en e os angolanos, é undamen al a omada de consciência de que qualque pessoa de qualque g upo é nico é, po cima de odo, angolano, apesa das di e enças. Pa a is o, as es a égias mais des acá eis implemen adas o am a cons ução de um passado comum que inclui a lu a con a o mesmo ad e sá io, a escolha de uma mesma língua de uso e a a iculação de um des ino comum pa ilhado pa a odos aze em pa e da Nação Angolana. Os cen os de p odução da iden idade nacional o am no caso angolano as o ças a madas, o sis ema educa i o (especialmen e du an e a República socialis a) e as adminis ações públicas. Nes e come ido, e na eima cons an e de e i a queb as, p oduziu-se uma memó ia his ó ica o icial: a iden i icação de um passado comum a odas as comunidades que compunham a nação. Nes e caso, essal a-se cons an emen e o su gimen o de um po o ma cado pela op essão ao colonialismo e so edo do au o i a ismo po uguês que semp e esis iu e pe maneceu unido sendo múl iplo na sua composição sociocul u al. Alienado da sua au onomia no passado, colocou-se o oco no u u o pa a le an a uma nação independen e e um no o angolano. Um ou o elemen o undamen al na cons ução da angolanidade oi o da língua. Num país em que a di e sidade linguís ica é uma on e de ins abilidade e de con on ações, a exis ência de uma língua sup aé nica apa ece como um elemen o cha e de aglu inação da nação. O deba e a edo da língua que de ia se a o icial exis iu, mas oi a pos u a do MPLA a que se es abeleceu: ap op iação da língua do colonizado , que se ins au ou como língua o icial de comunicação, e econhecimen o como línguas nacionais dou os 7 idiomas de ma iz a icana 1 . Não hou e nem há comba e con a a língua po uguesa como língua o icial de comunicação, embo a a língua con inue a se uma discussão habi ual em elação a dois pon os. P imei o, à pe da das cul u as linguís icas e i o iais como consequência das polí icas de assimilação. Nes a ques ão há dispa idades en e o meio u al e o u bano, e en e ge ações: o po uguês é a língua ado ada pelos jo ens nos núcleos u banos, mas não a das ge ações mais elhas, deslocados de zonas u ais, que man êm as suas línguas ma e nas. No u al das p o íncias, a p esença das di e en es línguas nacionais é mais isada, po an o, o deba e em elação às polí icas linguís icas no ní el do ensino o icial ou no ní el li e á io quan o à edição de ob as em di e en es línguas é pe manen e. A Lei de Bases do Sis ema de Educação, ap o ada em 2001, p e ê o ensino das línguas nacionais. Não obs an e, não é a é 2007 que se inicia um p oje o expe imen al pa a implemen a g adualmen e as línguas nacionais no sis ema de ensino em núcleos das p o íncias que es ão ligadas às línguas nacionais. Segundo, sim oi discu ida a ques ão de que po uguês u iliza , especialmen e na li e a u a des inada a c ianças: o pad ão po uguês ou o coloquial de Angola com os angolanismos que o ca ac e izam. A escolha do po uguês como língua o icial conside ou-se jus a, po um lado, po que em nenhuma das comunidades é nicas o po uguês e a a sua língua o iginal; po ou o lado, po que o po uguês de Angola (denominado língua angolana po mui os) e a sen ido já como p óp io se e mos em con a que esse po uguês chegado da me ópole se angolanizou. Como apon ou Sil a Rego (JORGE, 2006), “a língua nacional, adap ando-se a odas as la i udes, omou no as essonâncias, e gou-se a quase odas as exigências, pe deu consoan es, ab iu ogais, imi ou no os sons, empob eceu, en iqueceu… pa a o bem da humanidade”. O po uguês é po an o a língua de unidade nacional po que, além de o na a mensagem comum pa a odos, é ap esen ado acima de udo como um ganho da his ó ia comum. Como esc e eu Luandino Viei a, em 1967, no seu omance Nós, os do Makulusu, o po uguês é um “ o éu de gue a”. No que em a e com a ep esen ação da cul u a, selecionou-se no ní el discu si o aspe os de odos os po os angolanos pa a ixa essa cul u a nacional. A p ocu a de um aspe o de plu alidade na con eção da iden idade nacional é uma cons an e e a li e a u a ai se conside ada como um médio pa a modela e di ulga essa iden idade. Em e mos li e á ios ambém, emos de e em con a que os países a icanos êm uma g ande iqueza em li e a u a o al e que exis e o cos ume de os mais elhos con a em con os adicionais às c ianças e jo ens pa a en e e , ins ui e mesmo “ aze esquece ” (MARTINHO, 1999). Es as na a i as en ol em os seus an epassados, adições, lendas, cos umes, pe sonagens e mi os, e ão se es imuladas po essa angolanidade ins i ucional. Es e ipo de li e a u a ai deixa uma unda pegada na p odução li e á ia pós-independência a é a a ualidade, nomeadamen e na li e a u a in an il que ec ia esse mundo de ábulas. 1 O po uguês e a a língua o icial de Angola no momen o da independência, mas con a a ambém com á ias línguas nacionais (umbundu, kimbundo, kikongo, io e, n´ganguela, nhaneka, muhumbi, chockwe, kwanhama), e umas 87 línguas au óc ones (COSTA, 2016). 14 Do pon o de is a dos edi o es angolanos, publica li os sai mui o ca o e não é um bom negócio po que o ma e ial básico pa a a imp essão, o papel, é impo ado. É po is o que os au o es mais conhecidos con inuam a publica o a do país po se mais ácil e ba a o do que no p óp io país. Da ó ica dos esc i o es passa-se o mesmo. Numa en e is a a Yola Cas o em 2018 (GANGA, 2018), an e a pe gun a de se é ca o edi a , diz: “em 2012 a edição de mil exempla es cus a a se e mil dóla es. Nas ezes em que edi ei um li o, não i o e o no dos alo es, pois edi amos po amo ”. Ou o enómeno que a asa o desen ol imen o do me cado edi o ial local é a en ada de edi o as es angei as em e i ó io angolano (Po o Edi o a e Leya) que aglome am edi o as nacionais e acabam po monopoliza as edições (ÁLVARO, 2017). Edi o es, esc i o es e c í icos coincidem ambém em a i ma que são necessá ias mais polí icas públicas de omen o da lei u a (e mais e icazes), medidas que acili em a ci culação do li o, campanhas de al abe ização, implicação dos meios de comunicação e, sob e udo, a c iação de mais biblio ecas que conside am mui o escassas no país, especialmen e se e mos em con a que a população se encon a mui o disseminada no e i ó io. Se a população não pode comp a li os, é necessá io que possam acede acilmen e a eles em biblio ecas que, ademais, de em e pessoal quali icado que abalhe nelas. Assim mesmo, esc i o es como Boa en u a Ca doso, que oi minis o da cul u a de 2002 a 2010, conside am imp escindí el que, em elação à ci culação do li o, se iniciem polí icas e icien es de p omoção de ob as no seio da Comunidade de Países de Língua Po uguesa pa a que es a seja mais luida (MICAS, 2014). Conside a cha e ambém que se desen ol a uma c í ica li e á ia em Angola, em coincidência com ou os au o es, que si uam uma ou a causa do aco momen o que a a essa a li e a u a angolana desde a década de 90 na ausência de uma c í ica li e á ia angolana (GAYETA, 2014). José Luís Mendonça, memb o da UEA, no edi o ial do n.º 164 do Jo nal Angolano de A es e Le as (MENDONÇA, 2018), chega a dize : “In elizmen e, em 43 anos de independência, a Academia angolana não oi capaz de p oduzi um único c í ico p o issional, que, com egula idade se pudesse dedica à c í ica li e á ia, e capaz de um exame se e o e se eno das qualidades a ís icas dos bons esc i o es”. Quan o às aquezas que ap esen a o me cado global do li o em Angola, em O li o po uguês nos PALOP e no B asil (FERREIRA, 2007), ac escen a-se as p á icas adminis a i as do Es ado pouco anspa en es, ní eis al os de co upção disseminados po oda a sociedade angolana e al a de o mação dos p o issionais do se o li ei o. Nes a mesma ob a assinalam-se como pon os o es o c escimen o económico mui o acele ado, a p esença de uma eli e socioeconómica com ele ado pode de comp a, o c escimen o demog á ico, a exis ência de condições a o á eis pa a c ia es u u as e p og amas de c iação de públicos (plano de ede de biblio ecas públicas), a c escen e edução do anal abe ismo, o aumen o da ede escola e o g ande c escimen o do ensino supe io . 15 5. DESENVOLVIMENTO DA LITERATURA INFANTIL PÓS-INDEPENDÊNCIA An es da da a da independência do país, a li e a u a ei a pa a c ianças em Angola inha como público al o os ilhos b ancos dos colonos e e a esc i a duma ó ica po uguesa que não con empla a o imaginá io nem as ca ac e ís icas dos po os angolanos. A é o inal da gue a colonial Lília da Fonseca é a única au o a de li os pa a c ianças. Com a independência, o pano ama li e á io muda ia po comple o e apidamen e começa am a apa ece ob as pa a c ianças, g aças à p eocupação dos ó gãos de cul u a go e namen ais, que se es o ça am em o ma hábi os de lei u a en e os mais jo ens. Nes as ob as, os p o agonis as, os cená ios, os assun os e os mo i os já são angolanos. Como comen amos an e io men e, a li e a u a de adição o al angolana é no ní el ins i ucional e social mui o alo ada na cons ução cul u al de Angola e ai ma ca p o undamen e as ob as publicadas após a independência, especialmen e na li e a u a in an il. Como se desen ol eu e que oi o que se p oduziu pa a as c ianças nes e momen o de en usiasmo e olucioná io? No desab ocha da li e a u a in an il angolana pós-independência podemos si ua ês ob as: As a en u as de Ngunga, E nas lo es as os bichos ala am… e A caixa. Em 1972, o Se iço de Cul u a do MPLA publicou pela p imei a ez As a en u as de Ngunga, de Pepe ela (A u Ca los Mau ício Pes ana dos San os), que esc e eu na sua época de gue ilhei o do MPLA na lo es a de Mayombe e que es á conside ada ob a p ecu so a da li e a u a mode na in an o-ju enil angolana, embo a não i esse sido edigida pa a esse im (SANTILLI, 2007). Apesa da da a, 1972, a ob a insc e e-se no pe íodo da pós-independência po que chegou ao público em ge al g aças à edição da UEA em 1975. Esc i o com uma unção didá ica e des inado ao ensino de adul os, mas ambém de c ianças (o im e a que se isse de ca ilha pa a al abe iza comba en es), con a, com uma linguagem simples e popula a eigada de e mos egionais, a his ó ia de um jo em ó ão comba en e no MPLA que com 13 anos pe de seus pais num con on o en e gue ilhei os e colonialis as. Realmen e, o p imei o li o pa a c ianças publicado após a independência, exa amen e no dia 1 de dezemb o de 1977, oi A Caixa, de Manuel Rui, edi ado pelo Conselho Nacional de Cul u a pa a comemo a o Dia do Pionei o Angolano. A igu a do pionei o é uma designação ligada à O ganização dos Pionei os Agos inho Ne o (OPA) 2 . O li o con a a his ó ia de Ki o, uma c iança que oge da gue a da Quibala após a pe da do 2 OPA “é a escola onde se educam as c ianças angolanas, nos mais ele ados sen imen os pa ió icos e e olucioná ios, no amo à pá ia, ao Pa ido, ao Po o, ao T abalho, à Cul u a, ao Despo o, no espí i o do in e nacionalismo p ole á io, educando-se na concepção Cien í ica do Mundo, no exemplo dos comba en es e pionei os ombados pela causa da libe dade, na sal agua da das conquis as e olucioná ias do po o angolano” (DEPARTAMENTO DA INFORMAÇÃO E PROPAGANDA DO COMITÉ CENTRAL DO M.P.L.A, 1985). A OPA “ unciona a como ins umen o pa a espalha a agenda polí ica do MPLA, na p á ica, in luenciando a opinião pública e se indo como mecanismo de con olo da população” (HATZKY, 2015). 16 pai e que ai i e e ugiado em Luanda com sua mãe. Manuel Rui é, po an o, o p ecu so da li e a u a in an il pós-independência no país. Na linha polí ica e ideológica da causa nacional e e le indo a desin eg ação das c ianças no con ex o da e apa e olucioná ia que o e ecia o ex o de Pepe ela (mas com um om e o ma mui o di e en e -nes e caso, a a és da es u u a das ábulas-) si ua-se E nas lo es as os bichos ala am…, de Ma ia Eugénia Ne o (mulhe de Agos inho Ne o) publicado em 1977, um ou o ex o já cla amen e des inado pa a c ianças e jo ens nes e pe íodo. Es a ob a a á pa e da coleção al o do abalho que se ap esen a, 11 Clássicos In an is. A a és dos animais da lo es a (como eles p óp ios mas ambém como me á o a da população ci il), a a a ques ão da gue a da independência e a impo ância de lu a con a o in aso . Em 1977 um g upo g ande de p o esso es de odos os ní eis de ensino abalha am jun os pa a inicia a Re o ma Educa i a em Angola, isando coloca con eúdos p óp ios angolanos que subs i uíssem os de aízes cul u ais eu opeias, que se abo da am a é esse momen o. No caso da educação in an il, além da li e a u a adicional o al, ha ia uma necessidade u gen e de c ia ex os pa a abalha nas aulas e começa am assim a su gi as p imei as es ó ias in an is. Nes es anos imedia os à independência, a p eocupação das au o idades pelo desen ol imen o da li e a u a em ge al e pela in an il em pa icula oi, como dissemos, g ande e acili ou o caminho pa a que au o es en usias as e egula es na p odução pudessem publica com cele idade, na p ocu a de c ia hábi os de lei u a sob e udo en e os mais pequenos nes a ase da “massi icação da al abe ização e da massi icação cul u al” (FERNANDES, 2008). O abalho e ambien e de am os seus u os e a década de 80 oi um momen o ó imo pa a a li e a u a in an il angolana, que ia como mais au o es e ob as o am su gindo. Os media, nomeadamen e a ádio e a imp ensa, joga am um papel undamen al no apelo a esc e e e na di ulgação de con os in an is nos inícios dos anos oi en a. Nes e empo su ge o p og ama “Piô…Piô” da Rádio Nacional e o Suplemen o In an il no Jo nal de Angola, com o im p incipal de di ulga his ó ias angolanas. Uma ou a ez, azia-se necessá io au o es que as esc e essem. Segundo Dá io de Melo, Rádio Piô oi na al u a e du an e mui o empo “o mais p es igiado eículo de in o mação e o mação in an il” (apud FERNANDES, 2008). Se ao ala mos da li e a u a em ge al e a in e essan e aze no a que mui as das ob as publicadas nes a al u a o am esc i as po comba en es du an e a gue a colonial, no caso das na a i as in an is des e empo mui as o am esc i as po jo ens do se iço mili a . Mui os ou os e am abalhado es públicos do Ins i u o Nacional do Li o e do Disco (INALD) ligado à Sec e a ia de Es ado da Educação e Cul u a (é o caso de Dá io de Melo, Oc a iano Co eia, Gab iela An unes, Rosalina Pombal e C emilda de Lima, odos inculados ao mundo da educação eg ada em Angola). A maio pa e das his ó ias e am adap ações de con os adicionais. A pa i dos con os publicados no suplemen o in an il do Jo nal de Angola e di ulgados pela ádio, é que nasceu a Coleção Piô-Piô, edi ada pelo INALD em 1982. 17 En e 1982 e 1983 a di ulgação de his ó ias in an is ambém e e luga na Re is a da Tele isão Pública de Angola (T eja) po pa e de Dá io de Melo e Oc a iano Co eia. Nes a década de esplendo da li e a u a in an il, a UEA ambém oi um omen ado impo an e e edi ou a coleção Acácia Rub a, ol ada especialmen e pa a os li os in an is e ju enis, que chegou a se imp essa em capa du a, algo inédi o no momen o, em que se chega am a edi a 20.000 mil exempla es cada um (na al u a, uma boa i agem e a de 1.000). Os p imei os cinco olumes o am lançados em 1988: Um poema e se e his ó ias de Luanda e do Bengo, de José Al es; E a uma ez… que eu não con o ou a ez, de Oc a iano Co eia; Es ó ias elhas, oupa no a, de Gab iela An unes; Fá…pe…láaa!!!, de Ma ia de Jesus Halle ; No país de b inca ia, de Da io de Melo. O INALD publicou depois uma ou a coleção de his ó ias pa a c ianças, in i ulada Mi ui. Nes a des acam os í ulos de Gab iela An unes O Cas igo do D agão glu ão e A noi a do Rei, além do li o de poemas O assal o (1979) de Manuel Rui. A poesia oi um géne o p a icamen e desapa ecido do pano ama li e á io in an il e apenas es e au o e Ma ia Celes ina Fe nandes já no século XXI (A es ela que so i, 2005, UEA) esc e e am alguma ob a in eg amen e de poesia in an il. As emá icas habi uais nes a li e a u a são, en e ou os, a gue a de libe ação nacional, a gue a ci il pos e io , as adições e mi os angolanos, e a ecologia. Des aca o ac o de as na a i as e as lendas adicionais e o ais dos dis in os po os angolanos, aquelas que o colonialismo en a a aze desapa ece , são assun o habi ual e uma on e cons an e de inspi ação pa a ensina às no as ge ações a sua adição. Além dos emas, a ecupe ação do uni e so da o a u a p oduz-se ambém na es u u a. As di iculdades que êm de en en a as c ianças no seu dia a dia é igualmen e um assun o eco en e e o c uzamen o en e his ó ias adicionais e o ma a ilhoso ociden al ambém es á p esen e. Da mesma o ma que sucedeu com a li e a u a em ge al, a inais dos anos oi en a e na década de no en a e e luga uma diminuição de p odução no que a inge à li e a u a pa a c ianças. O g upo dos incen i ado es do INALD desmemb ou-se a inais dos oi en a e as ob as des a época áu ea p a icamen e não o am eedi adas e, consequen emen e, são quase desconhecidas pa a os lei o es das ge ações seguin es. Em 1979 su giu uma inicia i a undamen al de pa e do Minis é io de Cul u a que oi o Ja dim do Li o In an il, uma ei a do li o pa a c ianças que se celeb a a anualmen e e em odas as capi ais de p o íncia, ac o mui o impo an e se e mos em con a o di icul oso da ci culação do li o em Angola o a da capi al. In e ompido du an e dez anos, ol ou-se celeb a em 2007. Além da enda de li os in an is com p eço eduzido, o Ja dim en ol ia ou as a i idades de ca á e cul u al. Nes a e apa a União de Esc i o es Angolanos publicou algumas ob as in an is den o da coleção Acácias Rub as. En e elas é imp escindí el e e i mo-nos a Es ó ias elhas, oupa no a, de Gab iela An unes (1988), í ulo mui o ep esen a i o da linha ge al dos au o es des a al u a de ecupe a as his ó ias adicionais pa a econ a-las. Ou as ob as des a cole ânea o am Um poema e se e es ó ias de Luanda e do Bengo, de José 18 Al es; E a uma ez que eu não con o ou a ez, de Oc a iano Co eia; Fá…PE…LÁÁÁ!!!, de Ma ia de Jesus Halle ; No país da b incadei a e Que es ou i ?, de Dá io de Melo. De Da io de Melo des aca Qui ubo, a e a do a co-í is (1990), ob a pa adigmá ica “que pela qualidade de sua esc i a, que pela exempla idade de sua emá ica, Qui ubo, a e a do a co-í is é p esença ob iga ó ia na li e a u a in an o-ju enil angolana de excelen e qualidade” (SANTILLI, 2007). O ema cen al ol a a se a ida de um ó ão du an e a gue a que busca a e a do a co-í is po que lhe inham di o que ali a elicidade e a paz e am possí eis. A his ó ia, “con ada es ó ia que um dia lhe con a am” (apud SANTILLI, 2007), e a sua na a i a man ém ale a o lei o . Em 1990 su giu a ob a inédi a de Ma ia Celes ina Fe nandes A bo bole a co de ou o ambém na coleção Acácias Rub as da UEA. É undamen al ci a es a au o a po que esc e e li e a u a pa a c ianças desde 1982 e é das que mais ob as des e géne o em publicadas. Na sua na a i a, os emas eco en es são a na u eza, o amo , a amizade e a solida iedade, a gue a e a paz, o espei o pelos mais elhos, o ma a ilhoso… Ve i ica emos es a emá ica em A á o e dos Gingongos, lançada o iginalmen e em 1993 em Po ugal e que az pa e da coleção 11 Clássicos In an is, de 2015, que analisamos mais adian e. A coleção Acácias Rub as edi ou ambém em 1991 a ob a de Gab iela An unes O cubo ama elo e no mesmo ano o INALD edi ou a segunda ob a de Ma ia Celes ina Fe nandes, Kalimba. Na década de 1990 despon a ambém como au o a de li e a u a pa a c ianças uma p o esso a de Lubango chamada Ma ia Jõao. Em 1992 publica A go inha ebolinha (UEA) e no ano seguin e A escola e dona la a, onde uma la a que se e de banco em uma escola sem mó eis é a p o agonis a. 19 6. A LITERATURA INFANTIL NO SÉCULO XXI Se na úl ima década do século an e io se cons a a a edução da publicação de li os pa a c ianças no me cado angolano e a pe da dos hábi os lei o es que o am a ingidos nos p imei os anos da independência, no século XXI es a si uação já é cla a e a baixa de p odução con inua a cons a a -se cla amen e a começos des e século. Em elação ao p oblema ap esen ado do p eço dos li os que di icul a a sua adquisição, no caso da li e a u a in an il es e ag a a-se: se publica um li o de ca á e ge al é ca o em Angola, o que não se passa com um li o que eque de nume osas ilus ações em co que açam que a ob a seja a a i a pa a os mais pequenos? Além dis o, os p econcei os que en ol em es e géne o li e á io, conside ado meno po mui os esc i o es e lei o es (SIMBAD, 2017), az com que escasseiem os au o es que se dedicam a esc e e li e a u a in an il e são mui o poucos os que o azem em exclusi a. Os au o es esc e em li e a u a pa a c ianças como passa empo e não há uma especialização, em consequência, a p odução de ob as não é egula pela al a de qualidade das p opos as e pela di iculdade económica que encon am as edi o as em publica es e ipo de li e a u a. A endência emá ica da adição angolana que se e i ica a nos p imei os anos da independência con inua em mui as ob as des e século XXI, empo em que a li e a u a in an il angolana conhece á no os au o es como Yola Cas o, Jonh Bela, Ondjaki ou Kanguimbo Ananás. A o alidade segue a es a mui o p esen e como o ma de a ai as c ianças pela linguagem e alguns con os es ão inspi ados na o a u a, in oduzindo assim os lei o es na cul u a adicional e con inuando com es a linha habi ual em oda a p odução in an il pós-independência. Quan o às pe sonagens, encon amos igu as mí icas (a se eia kianda, a deusa das águas), os gingongos (gémeos, conside adas pessoas sob ena u ais), se es ine es da na u eza que alam, sen em e se emocionam com os humanos. Os au o es es ão mui o iden i icados com o seu meio, um e i ó io eple o de água habi ado po pessoas supe s iciosas que ac edi am nos ei iços. É impo an e no a que au o es como Ondjaki são ep esen a i os da abe u a in e nacional de esc i o es in an is angolanos nes a al u a. No as emá icas ão se abo dadas sem e uma elação di e a com a iden idade angolana, e um no o posicionamen o ca ac e iza á o exe cício da esc i u a. Ondjaki, em en e is a ao p og ama de ele isão b asilei o Roda Vi a em 2007 (apud MICAS 14) explica como inha sido a é o momen o a posição dos au o es angolanos: “Eu exis o con a i, não somen e eu exis o, mas eu exis o con a i. E nós ago a… Diluiu-se no empo. Nós ago a, exis imos em unção de nós. Eu não que o exis i con a ninguém”. Assim, Ondjaki es abelece-se como ep esen an e de pa e dos no os au o es que, embo a mui as ezes i essem inco po ado elemen os que se iam pa a um o alecimen o da nação, es ão p eocupados com uma in e locução mais in ensa da sua p odução com a adição de ociden e. 20 As ins i uições go e namen ais cha e que nes e momen o ão en a e e e a si uação são o Ins i u o Nacional das Indus ias Cul u ais (INIC, an e io men e INALD), o GRECIMA e ainda a UEA. O Minis é io de Cul u a a a és do INIC e oma em 2007 a celeb ação do Ja dim do Li o In an il. O e en o inclui um conjun o de a i idades cul u ais e educa i as di igido às c ianças, mães, pais e educado es. Pa a além de enda de li os, há espaços de in e ação dos esc i o es com o público, seminá ios de lei u a pública, conce os ou isi as cul u ais guiadas. O seu papel cen al é di ulga e aze p omoção dos au o es e da li e a u a in an o-ju enil pa a incen i a o su gimen o de li e a u a pa a c ianças no país. Po ou o lado, o Gabine e de Re i alização e Execução da Comunicação Ins i ucional e Ma ke ing da Adminis ação (GRECIMA), que a icula a o p oje o Le Angola den o da campanha Amo Angola, dedicou uma das suas coleções de clássicos à li e a u a pa a c ianças (11 Clássicos In an is, 2015), além de inclui um con o in an il (Sonhos Bo dados, de Yola Cas o) na coleção No os Au o es Angolanos publicada em 2014. A Fundação D . An ónio Agos inho Ne o (FAAN) ambém es e e ligada desde a sua c iação em 2002 ao desen ol imen o des e géne o em Angola. Não po casualidade a sua p esiden a é Eugénia Ne o, mulhe do p imei o p esiden e angolano e esc i o a pionei a na publicação de li os in an is na pós-independência. Com a colabo ação da UEA e o Minis é io do Ambien e, a FAAN eedi ou li os como E nas Flo es as os Bichos Fala am… (1977) e A T epadei a que Que ia e o Céu Azul (1984) numa campanha que em po inalidade a de colabo a no ensino ambien al das c ianças na p ocu a de qualidade de ida, no es ímulo dos hábi os de lei u a e na p omoção de alo es cí icos e mo ais. A pa i de 2000 su gi am no os au o es como Yola Cas o, John Bela, Ondjaki, Kanguimbo Ananás ou Sendi Bap is a. De en e os “no íssimos”, Hélde Simbad (SIMBAD, 2017) des aca Rosa Soa es com O nosso Na al (2000) em que na a as a en u as de dois gémeos numa “odisseia na alícia” no decu so da qual ap endem que a hones idade, a solida iedade e o amo de em se p a icados no dia-a-dia e não apenas em época de Na al. Em 2003, O Ins i u o Nacional do Li o e do Disco publicou 4 es ó ias, uma ob a que in eg a abalhos de C emilda de Lima, Gab iela An unes, Ma ia Jõao e Da io de Melo. En e os con os que se incluem na ob a de 47 páginas e que em como obje i o da a conhece as c ianças aspe os da ealidade social angolana po meio da pedagogia, des aca “Quem eima e não em azão” (Da io de Melo), uma adap ação de um con o adicional (ANGOP, 2003). Amélia Mingas publicou em 2004 O leão e a leb e, um con o em que e oma a mesma pe spe i a das na a i as adicionais em que a in eligência da leb e é capaz de ence a o ça do leão. Nes a publicação há uma ino ação edi o ial impo an e: o ex o é ap esen ado em dois li os sepa ados, um em po uguês e um ou o em kimbundo (Hoji ni Kabulu, 2004). Edições bilíngues já inham sido publicadas, como o caso de Jisabhu, con os adicionais de Rosá io Ma celino (publicado pela UEA em 1980, em 21 po uguês e em kimbundo), não di igido di e amen e a um público in an il, e o li o de adi inhas de Hen ique E aungo Daniel, Alupopo, publicado em umbundo e po uguês (SCHMIDT, 2013). Em 2005 a União de Esc i o es Angolanos publicou uma cole ânea de con os in an is di igida po Ad iano Bo elho de Vasconcelos que supôs a p imei a expe iência aglu inado a de au o es de e e ência da li e a u a in an il angolana. Na an ologia, in i ulada Boneca de pano (VASCONCELOS, 2006), ecolhem-se con os de 12 au o es: C emilda de Lima (“O Ani e sá io de Va ô Imbo” e “O Nguiko e as Mandiocas”), Cos a And ade (“O Cas igo da Raposa”), Gab iela An unes (“Kibala, o Rei Leão”), Hen ique Gue a (“O Caçado , o Jaca é, e a Ped a Neg a”), Jo ge Macedo (“Tão! Tão! Tome o Pa o”, “A Noi e, a Á o e e o Passa inho de Bibe Ma a ilha” e “Jójó, o Menino de Olhos de Bimba”), José Samwila Kakweji (“A Leb e e o Mocho” e “A águia e as Galinhas”), John Bella (”A Canção Mágica”), Ma ia João (“A Viagem das Folhas do Cade no”), Ma ia Eugénia Ne o (“O Bicho das Pa as Mil”, “A T epadei a que Que ia Ve o Céu Azul”), Ma ia Celes ina Fe nandes (“Os Dois Amigos” e “As ês A en u as”); Raúl Da id (“A Palanca Vaidosa”, “A águia e o Candimba”) e Yola Cas o (“O Lápis de Co Rosa”, “As duas Manguei as”). Na in odução da ob a, Ad iano Bo elho coloca a impo ância da ob a no enal ecimen o dos alo es do pa imónio cul u al, pa icula men e a li e a u a adicional o al “como subsídio, de ce o modo, da li e a u a in an il, já que o con á io pode con ibui ainda mais pa a a limi ação dos ho izon es da c iança angolana”. Assim mesmo, esboça a si uação em que se encon a a li e a u a in an il de Angola nessa al u a. Reconhece que são poucos os au o es que esc e em pa a c ianças em Angola e que a cole ânea não culmina com a mudança “da si uação de ici á ia que es a li e a u a desempenha no sis ema do ensino – As c ianças não leem e poucos, se não nenhuns, são os p o esso es que le am um li o pa a a escola, pa a com ele ajuda em as c ianças a c ia em hábi os de lei u a”. Ac escen a que, em ge al, os li os êm uma u ilização penosa em Angola e que o que se publica em Luanda não chega às p o íncias, que habi ualmen e êm uma ida cul u al mais pob e. Em 2011 publicou-se His ó ias de encan a . Li o de ou o da li e a u a in an il, que oi aduzido pa a cas elhano e edi ado em Cuba em 2013 pela Edi o ial Gen e Nue a, com o í ulo El lib o de o o de la li e a u a in an il angolana (PÉREZ, 2012). A ob a inclui 21 con os de á ios au o es, alguns consag ados como An ónio Jacin o, C emilda de Lima, Da io de Melo, Gab iela An unes, Luandino Viei a, Ma ia Celes ina Fe nandes, Ma ia Eugénia Ne o ou Oc a iano Co eia, e ou os em ascensão como Ondjaki, Yola Cas o o Zaida Dáskalos. Uma ou a inicia i a que isa que no os au o es se enco ajem a esc e e his ó ias pa a c ianças são a con oca ó ia de p émios de li e a u a. Qua o são os concu sos li e á ios in an is que se ealizam com alguma egula idade em Angola e que, como anedo a, não es ão isen os da polémica do plágio (ANGOP, 2007; FORTUNATO, 2016). São o p émio li e á io 16 de Junho, o Concu so Caxinde do Con o In an il, o p émio li e á io Ja dim do Li o In an il e o p émio li e á io Quem me de a se onda. 22 O p émio li e á io Quem me de a se onda celeb ou-se pela p imei a ez em 2010 e es á di igido a jo ens angolanos de 13 a 17 anos. É uma inicia i a da UEA que, com a pa ce ia do Minis é io de Educação, se esponsabiliza pela edição, publicação e dis ibuição das ob as encedo as. O p émio é de 973.950 kz. O p émio li e á io 16 de junho oi ins i uído pelo Minis é io de Cul u a a a és do INALD em homenagem às c ianças a icanas que celeb am o seu dia nessa da a e se iu du an e anos de incen i o pa a no os c iado es. O p émio é de 1.245.806 kz e a publicação da ob a. O jú i da edição de 2005 decidiu não ou o ga um encedo “po al a de qualidade das ob as conco en es” (ANGOP, 2005); em 2007 ambém não oi a ibuído po que as ob as ap esen adas e am plágios de ou as já publicadas (ANGOP, 2007). O Concu so Caxinde do Con o In an il é o ganizado pela Associação Cul u al e Rec ea i a Chá de Caxinde. A p imei a edição celeb ou-se em 2009.O p émio é de 1.245.806 kz. O p émio Ja dim do Li o in an il é de ca á e anual e ealiza-se em homenagem aos p ecu so es da li e a u a in an il angolana. 500.000 kz. A p imei a edição celeb ou-se em 2010. O p émio li e á io Quem me de a se onda celeb ou-se pela p imei a ez em 2010 e es á di igido a c ianças angolanas de 13 a 17 anos. É uma inicia i a da UEA que, com a pa ce ia do Minis é io de Educação, se esponsabiliza pela edição, publicação e dis ibuição das ob as encedo as. O encedo do p émio ganha 973.950 kz. Na e cei a edição a encedo a não oi p emiada (FORTUNATO, 2016) pelo ac o do jú i e de e ado plágio. Vol ando à p odução de ob as in e essan es pa a o nossa pesquisa, em 2 de ab il de 2015, coincidindo com o Dia In e nacional do Li o In an il, lançou-se um p oje o in i ulado Fábulas de Angola. T a a-se da publicação de ês ábulas adicionais angolanas c iadas como ma e ial pa a abalha nas escolas com os alunos, que o am edi adas pela Casa da Cul u a Mal a da Paz e da Aleg ia com a colabo ação do Minis é io de Educação. Es as his ó ias ap esen am-se em po uguês e aduzidas pa a 7 línguas nacionais. Segundo os seus p omo o es, en e os que se encon a Yola Cas o, o p oje o isa abalha o gos o pela lei u a, p ese a as línguas nacionais e a cul u a p óp ia. São his ó ias esga adas da adição o al angolana que enciona ambém p opo ciona aos jo ens pe sonagens de e e ência genuínas da cul u a p óp ia pa a subs i ui as “p incesas ou o homem a anha aos que as c ianças se aga am” 3 . Quan o às aquezas que ap esen a a li e a u a in an il angolana, colocamos o oco an e io men e no cus oso de edi a li os pa a c ianças po que con êm mui as páginas com ilus ações em co , e no di icul oso de comp á-los; nos p oblemas de adquisição de hábi os de lei u a nos mais jo ens; e na escasseza de au o es que esc e am es e 3 Yola Cas o, no ídeo da no ícia de ap esen ação da coleção na página do Facebook de Le Angola: h ps://www. acebook.com/le angola/ ideos/488665201291364 23 ipo de li e a u a, que pelos p ejuízos que en ol em es e géne o, que po al a de incen i os. A si uação chega a se ala man e pa a esc i o es como Da io de Melo, que exp essa que se sen e “ e ol ado, desolado e is e” em elação ao momen o a ual da li e a u a in an il azendo e e ência à “ edução cada ez maio de li os in an is angolanos no me cado e co ela a pe da dos hábi os de lei u a que es a am a se adqui idos. Como ambém não se em e i icado um aumen o de cul o es des e géne o como e a de espe a (DIAS, 2015). Uma ou a ques ão que denunciam mui os au o es é que a li e a u a in an il não chega às escolas, nem em o ma de li os nem em o ma de con is as, e, consequen emen e, as c ianças não c escem com o hábi o e gos o pela lei u a (JSM, 2014a; ÁFRICA 21 DIGITAL, 2015). Po im, as no as ecnologias são colocadas ambém como esponsá eis pela pe da ou inexis ência do hábi o lei o , uma ez que ma ginalizam os li os nas p e e ências de adquisição dos mais jo ens (JSM, 2014a; VOA PORTUGUÊS; 2012). C emilda de Lima em em conside ação es es pon os acos e as suas causas, e ac escen a que p a icamen e não há li os na aixa e á ia 2-4, momen o cha e pa a adqui i o hábi o lei o (LIMA, 2012) e que exis e um p oblema com o en ol imen o dos media de ádio e ele isão que inham de se in oluc ados num plano nacional de lei u a que incluísse a i idades adequadas e ob iga ó ias. Nes e apa ado quisemos coloca as en idades, inicia i as, au o es, emá icas, ob as e p oblemá icas que conside amos mais ele an es pa a de ini o es ado da ques ão, após examina a bibliog a ia. Pelo caminho i e am de queda mui as ob as e au o es pa a e i a es ende -nos e in en a cen a a ques ão no que conside amos mais signi ica i o. 30 Se as ilus ações são elemen os undamen ais num li o pa a c ianças, nes e caso o são mais ainda. No mesmo ní el que o ex o, as imagens conseguem anspo o plano sen imen al que es á ca ac e izado pela dico omia is eza- elicidade. Lu chila, Rosalina Pombal 24 páginas Ilus ado a: Sa a Paz. Publicado pela p imei a ez em 1982. Rosalina Pombal nasceu em 1957 e ez pa e do equipo écnico como c í ica li e á ia do Ins i u o Nacional do Li o e do disco. Foi memb o de di eção da União dos Esc i o es Angolanos e coo denado a nacional da UNESCO e do Fundo Bibliog á ico de Língua Po uguesa em Angola. A sua ob a es á di igida, em pa icula , aos lei o es mais jo ens. A p o agonis a da his ó ia é uma pinga de água de chu a que inicia uma iagem pela lo es a a é que é chamada pa a aze uma ou a iagem ( ol a a aze pa e de uma nu em a é que cho a de no o). O con o é uma ap oximação à na u eza e uma au oap endizagem sob e as emoções, eminen emen e posi i is as. A pinga de água mos a-se gos osa da ida e do mundo e alo a o seu pode de adap ação com uma a i ude mui o posi i a. Como con i e ao conhecimen o das línguas nacionais, a pinga de água não des ela o seu nome, Lu chila, que que dize go a, pinga, água ou chu a. O con o pode e uma lei u a simples de di e imen o pa a as c ianças com a lição da impo ância de i e a ida em posi i o adap ando-se às di e en es si uações. A inculação com o p oje o nacional, além da es imulação pa a conhece as línguas nacionais, não apa ece cla amen e no con eúdo, embo a possamos aze uma lei u a 31 di e en e: o sol “ ei o uma eno me bola e melha e a e melhando udo em ol a” pode aze e e encia ao socialismo, e as moscas e os mosqui os que a incomodam podem se uma me á o a dos po ugueses. O con o pode e uma lei u a simples de en e imen o pa a as c ianças com a lição da impo ância de i e a ida em posi i o adap ando-se às di e en es si uações. A inculação com o p oje o nacional, mais alá do con i e a conhece as línguas nacionais, não apa ece cla amen e no con eúdo, embo a possamos in e p e a que o sol e melho, a eno me bola que a e melha udo, é o socialismo; e que as moscas e os mosqui os são os po ugueses. Es e con o é semelhan e à na a i a in an il de Ma ia João A go inha ebolinha ou a Ombela de Ondjaki. As ês ob as p opõem um achegamen o aos elemen os na u ais e às di e en es emoções que pode sen i uma c iança. Com Ombela pa ilha a in enção de achegamen o às línguas nacionais (ombela signi ica em umbundu “chu a”). Kibala, o Rei Leão, Gab iela An unes 24 páginas. Ilus ado : Má io Jo ge. Publicado pela p imei a ez em 1982. Gab iela An unes, uma das g andes impulsionado as da li e a u a in an il angolana, nasceu em 1937 e oi memb o de di eção da União dos Esc i o es Angolanos, além de assesso a do Minis é io de Educação e Cul u a. A ob a coloca-se na linha de eesc i a da adição o al que ap esen a a …E nas lo es as os bichos ala am…. A ábula de Kibala ap esen a de o ma sub il a o ça da união de um po o que se alia pela mudança. No con o e lexiona-se sob e as an agens do abalho comuni á io e c i ica-se a ideia de ingança, apelando à con eniência de aze o bem mesmo a aqueles que um dia ize am mal. Es es alo es colocam-se na linha do discu so e da ideia de angolanidade que man ém o MPLA, onde odos êm o seu sí io e onde os cas igos con a os colonizado es não se con emplam. 32 Como no con o de Ma ia Eugénia Ne o, os animais são me á o a dos homens. A Á o e dos Gingongos, Ma ia Celes ina Fe nandes 28 páginas. Ilus ado : Filipe Goulão. Publicado pela p imei a ez em 1993. Inspi ado ambém na adição o al angolana, es e con o ec ia o mi o dos gingongos (gémeos) que são conside ados na cul u a angolana se es especiais de g ande sensibilidade que nunca de em se con a iados. O in e esse des a na ação é g ande po mos a , além do s a us dos gémeos em Angola, aspe os mi ológicos, cos umes adicionais e a desc ição da ida quo idiana num musseque 6 onde a mulhe le a o peso dos abalhos, domés icos e assala iados. As ensinanças mo ais ambém êm o seu luga na na ação, nes e caso, as consequências do egoísmo. No con o podem-se obse a os i os e cos umes a edo do nascimen o de gémeos em Angola como aze uma g ande es a com a melho comida e bebida em que amigos e amilia es le am o e as. Os gingongos são ungidos na es a com óleo de palma e dão-lhes mel pa a chupa . Pa a anuncia a no ícia do nascimen o pelo bai o, can a-se e ba em-se la as. A impo ância de con inua com es es cos umes eside, dizem os elhos, em que se os gémeos são mal ecebidos ou icam zangados po alguma causa, podem adoece a é a mo e ou a ai desg aças à amília. Uma ou a ez a oz dos elhos o na álidas as p axes. Um ou o cos ume ou p á ica ances al que apa ece no con o é o de uso de amule os de madei a, ezas e umaças pa a a as a os maus espí i os. 6 O glossá io que acompanha o con o de ine musseque como “Designação an iga, com o igem na língua quimbundo e que signi ica exac amen e «a eal». Ao longo do empo, o signi icado al e ou-se pa a «caminhos de a eia », e o e mo começou a se usado pa a designa bai os e zonas subu banas mui o po oadas, onde não exis e as al o”. 33 O elemen o que a icula a na a i a é o ac o de os gémeos não pode em se incomodados nem pe u bados. Sendo is o assim, ecebiam odas as a enções e cap ichos a é que eles p óp ios são conscien es do imp odu i o desse a o que os con e e em se es egoís as. Em elação à língua, a au o a u iliza di e en es e mos p óp ios de Angola que explica num glossá io de 18 e mos. Duas His ó ias, Zaida Dáskalos 28 páginas. Ilus ado : Má io Jo ge. Publicado pela p imei a ez em 1984. Zaida Dáskalos nasceu em 1926 e a sua a i idade p o issional es e e semp e ligada á Educação na época colonial e na pós-independência. Especialis a em língua po uguesa, auxiliou esc i o es e poe as nacionais. A ob a que se ap esen a ecebeu o P émio Manguxi (li e a u a in an o-ju enil) a ibuído pelo Ins i u o Nacional do Li o e do Disco em 1984. Es e olume da coleção con ém duas his ó ias. Zaida Dáskalos explica numa no a in odu ó ia que econ a duas ábulas an igas ecolhidas em casse e de uma anciã na egião de Caconda, em língua umbundu, po pa e de uma amiga já alecida. A casse e pe deu-se em 1975 du an e a gue a e apela pa a que alguém que leia es as e sões as econs i ua “na sua o al e naculidade”. Nos dois con os as lições mo ais gi am em ol a da i e lexão e da solida iedade. O p imei o é uma ábula onde os animais ol am a se uma me á o a dos homens, e o segundo é um con o que p o agonizam uns meninos. Nos dois casos dá-se um diálogo com au o es clássicos po ugueses, pelo que se con e e uma a ualização das ábulas mui o in e essan e. 34 Na p imei a his ó ia, in i ulada “O ele an e mo ibundo e da i e lexão dos animais da lo es a”, a lição mo al ap esen ada ai em duas di eções: uma, as consequências de se i e lexi os ( az-se um pa alelismo com a i e lexão dos homens), que em como p imei a consequência a mo e do ele an e, mas ambém po que não pe mi e a solida iedade; dois, que a solida iedade mui as ezes se mani es a a diamen e, de aí a inse ção do p o é bio “Quem que ai, quem não que manda”. No con o insis e-se em que a causa do so imen o oi a i e lexão. A au o a, numa no a inal que di ige às c ianças lei o as, ins a a medi a na lição da his ó ia e pede pa a que a leiam aos adul os po que conside a que exis e uma g ande elação en e ela e a his ó ia de mui as c ianças angolanas í imas da gue a. Solici a a solida iedade dos meninos que não êm so ido as consequências da gue a, com aqueles que sim. Nes e apelo de duas páginas, inclui duas e e ências di e as ao Pad e An ónio Viei a: quando chama mons o à gue a (“a gue a aquele mons o, no dize de um g ande esc i o po uguês – Pad e An ónio Viei a”) e ao inclui uma poesia des e au o sob e os meninos í imas das gue as, que jus i ica pa a se causa de e lexão. O segundo ela o in i ula-se “Ukonga ua a e. O p esen e pa a o pai”. Colocamos a hipó ese de que “ukonga ua a e” é a adução do í ulo pa a uma língua nacional, mas a al a de ma e ial de consul a disponí el az com que não possamos con i má-lo. O con o na a a his ó ia de Cambinda, um menino que ompe uma cabaça que o seu pai u iliza a pa a e men a a quissângua 7 e que, a a és da solida iedade, consegue soluciona a si uação e e i a um cas igo ísico que, exp essado com o al na u alidade (“se ma elado nas nádegas”), lhe inha p ome ido o pai. É in e essan e o diálogo que a ábula man ém com um au o clássico po uguês, Fe nando Pessoa. Quando Cambinda e os seus amigos se aden am na lo es a, can am uns e sos que, como escla ece a au o a no inal, são des e au o : “há a poesia, a música, as danças mas o que há de melho no mundo são as c ianças”. Os elemen os ca ac e ís icos do adicional angolano ap esen ados no ex o são, em elação ao mundo mí ico, os anões. A p esença da música, ins umen os e es imen as adicionais ambém é ca ac e ís ico des a ábula. A au o a di ige-se aos lei o es pa a pô de ele o a iqueza e impo ância das na ações adicionais po que con êm lições impo an es como a des e con o, que é an í ese do an e io . Se na p imei a a solida iedade e a esquecida, adiada pela i e lexão, nes a é a e lexão que le a as c ianças a se em solidá ias na de esa de um companhei o que e i a assim uma su a do pai. Nes e caso, no inal do li o ol a a ha e um glossá io que inclui 8 e mos p óp ios do po uguês de Angola. 7 O glossá io que acompanha o con o de ine quissângua como “Bebida e men ada ei a com uba de milho ou milho g elado”. 35 As Se e Vidas de um Ga o, Da io de Melo 23 páginas. Ilus ado : An ónio Campelo. Publicado pela p imei a ez em 1998. Da io de Melo nasceu em 1935 e oi edi o no Ins i u o Nacional do Li o e do Disco e uncioná io do Minis é io da In o mação, en e ou as ocupações. É memb o da União dos Jo nalis as Angolanos e da União dos Esc i o es Angolanos (UEA), da qual oi p esiden e da Assembleia-Ge al. Com es a ob a, conquis ou o P émio PALOP de Língua Po uguesa de Li e a u a In an il em 1998. Como as se e idas de um ga o, a ob a di ide-se em se e his ó ias in e conec adas que p e iamen e são ap esen adas sin e icamen e numa can iga de 20 e sos. “Se e idas em um ga o Mas delas só seis eu sei: Nasceu e não inha nome Ga o Ve melho icou Foi Caçado Come -e -Do me Foi Bo as Ro as com ome E chegou Com ou o nome a se o Ga o do Rei. Ago a Ga o Damala, Con a es ó ias Fala, ala, 36 Assim como eu ala ei” O p o agonis a é um ga o que não pa a de se ans igu a ao longo de uma na a i a di e ida, com mui a ação, e didá ica. Num p imei o momen o é ca ac e izado como a ogan e e acomodado mas, à medida que a ançam os ela os, p esenciamos um ga o in épido e a en u ei o. Nes e con o é e a ada a ida no u al e na cidade do pon o de is a do p o agonis a. A cidade é pa a o animal, símbolo de comodidades, mas ambém de explo ação labo al. O u al é o con apon o e nele ai ap ende as consequências de se um animal p eguiçoso num cená io como o campo e a lo es a, onde os pe igos são cons an es e onde consegui comida não é uma a e a ácil. No inal do li o ol a a aze uma sín ese do que oi a sua ida e deixa o caminho abe o pa a no as a en u as: “Se e idas em um ga o e dessas se e que eu enho, seis delas já eu gas ei: nasci e não inha nome, Ga o Ve melho iquei, ui Caçado , Come-e- Do me, ui Bo as-Ro as, com ome e cheguei com ou o nome, a se o Ga o-do-Rei. Ago a, Ga o Damala, se mudo ou a ez de nome, que ou a ida i e ei?”. A Velha Sanga Pa ida, C emilda de Lima 24 páginas. Ilus ado a: Ana Valen e. Publicado pela p imei a ez em 1982. C emilda de Lima nasceu em 1940 e é memb o da União de Esc i o es Angolanos e da Associação Cul u al e Rec ea i a Chá de Caxinde. Pa icipa habi ualmen e no Ja dim do Li o In an il e em 2008 oi-lhe a ibuído o Diploma de Mé i o pelo Minis é io da Cul u a, pelo seu con ibu o na di ulgação da li e a u a in an il e do imaginá io adicional angolano. 37 No âmbi o u al, a a és da es ó ia de um mo ingue 8 no o e de uma elha sanga 9 queb ada, C emilda de Lima o mula uma me á o a sob e o alo e a impo ância das coisas, que acaba po se uma me á o a sob e o empo e sob e a ida. Com uma linguagem simples, abo da sub ilmen e emas a uais como a impo ância da eciclagem e a necessidade da p ese ação da na u eza. A ques ão mo al que se coloca é que nunca se de e desp eza os mais acos po que eles podem se ão ú eis como qualque ou o. Fábulas de Sanji, An ónio Jacin o 24 páginas. Ilus ado : Filipe Goulão. Publicado pela p imei a ez em 1988. An ónio Jacin o nasceu em 1924 e desen ol eu a i idades an icolonialis as que lhe ale am a p isão. Foi Minis o da Educação e Cul u a após a independência e des acou- se como poe a. Em 1993 o Ins i u o Nacional do Li o e do Disco ins i uiu o P émio Li e á io An ónio Jacin o. Os ex os das Fábulas de Sanji são, quan o à na a i a, mui o densos e com pouco i mo. Os assun os a ados e o om u ilizado con e em o li o, do nosso pon o de is a, em di icilmen e a ibuí el à ca ego ia de li e a u a in an il. F en e às demais ob as da cole ânea, es a con em mui o mais ex o, menos imagem e a na a i a es á ca egada de desc ições ex ensas que chegam a se ilosó icas nalgum caso. O om de do e so imen o é mui o ma cado. 8 Vasilha de ba o, usada pa a conse a a água esca, com uma asa na pa e supe io e um ga galo de cada lado. = MORINGA in Dicioná io P ibe am da Língua Po uguesa [em linha],2008-2013, h ps://www.p ibe am.p /dlpo/mo ingue [consul ado em 2-03-2018]. 9 Rese a ó io de água. Espécie de mu ingue onde a água depois de algum empo ica esca e pu a. In Dicioná io In o mal [em linha], 2006-2018 h ps://www.diciona ioin o mal.com.b /signi icado/sanga/3602/ [consul ado em 2- 03-2018]. 38 O li o ap esen a á ios géne os li e á ios: ábula, con o, c ónica, poesia e ca a. Con o me o p óp io au o comen a em en e is a (LABAN 1991), as Fábulas “em p incípio e am o p oje o de um con o adicional esc i o em linguagem li e á ia abalhada (…) uma busca de aze pa a uma li e a u a mode na os con os adicionais o ais…”. Todos os ex os são esc i os an es da independência angolana, du an e o pe íodo de lu a, como se pode obse a no im de cada ábula onde a da a é indicada. As mensagens de esis ência es ão mui o p esen es e obse a-se uma p eocupação com a p ese ação dos elemen os o ais da adição angolana. A es u u a social da época colonial é mui o bem mos ada e o p ocesso his ó ico angolano a icula-se no conjun o dos episódios. O p imei o ela o é uma ábula localizada geog a icamen e na egião de Golungo Al o, hoje p o íncia do Kwanza No e. Es a localização exa a não é a habi ual no conjun o das ob as al o de es udo. “Dikolombolo e Ngandu”, esc i a em 1970, na a a con enda, que acaba po se judicial, en e um galo (Dikolombolo) e um jaca é (Ngandu), igu a impo an e no abulá io angolano que é desc i o como “Ngandu das águas em que a alen ia se lhe apon a a pa a o aumen o de seu enome, ei icei o das ma gens, emo dos homens e dos bichos”. Na a ualização da ábula, o au o in oduz aspe os da es u u a social da época colonial nesse po oado em conc e o, é dize , há uma con ex ualização geog á ica mas ambém his o iog á ica. Os pe sonagens, odos animais, e a am homens educados na bu oc acia do es ado colonial (o ad ogado macaco) em con aposição ao galo, que não em mais a ma que a sua a gumen ação. A segunda his ó ia é “A es a de amília de Xanga Oli ei a (C ónica do an igamen e no an anho)”, esc i a em 1969. A pe sonagem da his ó ia é o “bom e diligen e elho Xanga”, um homem elho en e mo de euma ismo que abalha de noi e em uma azenda de ca é. O episódio gi a a edo do seu desejo, quase obsessão, de e umas bo as de bo acha, de cano al o como as dos pescado es, pa a não se molha quando em de apanha a água do io. O au o acen ua o d ama do Xanga explici ando que inha abalhado a ida oda com salá ios mag os e ainda não pude a comp a essas bo as. Es e anseio que pode pa ece i ial deixa en e e a es u u a social: não e calçado e a uma das ma cas de in e io ização do colonizado, si uação co igí el caso se assimilasse 10 . A es u u a social da época e ce os cos umes icam bem e a ados quando, nas éspe as de Na al, o Xanga ai pa a a esidência do ei o da azenda a pedi as “boas- es as”, uma p á ica comum em Angola a é hoje. Po ou o lado, o ei o dis ibui as “boas- es as” segundo as o dens que chegam do pa ão em Luanda: “um li o de inho a cada homem e uma caneca de a inha o ada com açúca masca o pa a aze boca, como quem diz, pa a ape i i o. E am o dens do pa ão e, quando ele iesse, a 10 Calça sapa os e a um dos a gumen os exp essos no 4.º i em do Es a u o do Indigena o, Diploma legisla i o de 1931 (VERA-CRUZ, 2005). 39 pagamen os, no im do mês, que lhe pedissem mais. No “ano bom” ha e ia mais “boas- es as”, como habi ualmen e, bem mag as”. Numa das noi es de igília que passa o Xanga, começa a ememo a episódios da sua ida em que se podem obse a aspe os bibliog á icos, mas ambém his o iog á icos. Todos os eco dos deixam en e e cenas da Angola colonial. As lemb anças êm a e com a in ância e o abalho du o que aziam as c ianças, com a época em que oi soldado ao lado dos po ugueses, com a sua elação com o c is ianismo e com os seus ilhos, que no momen o da his ó ia es ão a lu a na gue a em di e en es pon os do país que nem el sabe. O mundo das c enças popula es apa ece quando eco da as mulhe es que e e. Uma delas inha mo o de ei iço, espumando pela boca. “O dou o do Golungo ala a em a aques epilé icos. Os b ancos não sabem nada des es ei iços dos p e os”. O e a o do colonizado e do colonizado é o mais ca ac e ís ico des e ela o, além dos cos umes na Angola colonial. A c í ica à si uação dos colonizados e ao a o que dispensam os colonizado es é e iden e. O e cei o ex o é “Chu a no e ei o”, esc i o em 1970. T a a-se de uma desc ição da lu a con a um aguacei o que es á p on o a chega numa áb ica de descasque de ca é e que é na ada po um dos abalhado es. Nes a ec iação obse a-se a dis ibuição de abalhos numa áb ica des e ipo e o o íssimo i mo que se êm de impo os abalhado es pa a sal a o ca é da chu a. O qua o esc i o é “Compo amen os”, de 1960, o ex o mais b e e do li o (além do poema inal), e oi esc i o an es de es a em p isão, an es da lu a de libe ação. Pa ece ap esen a uma so e de ensino mo al que anima a lu a e a não e medo pa a consegui a i ó ia. A his ó ia cen a-se no pe sonagem de Be na dino, che e da es ação de comboio, quali icado como abugen o e i ânico. Do pon o de is a de uma lemb ança in an il, Be na dino inha as “melho es pi angas de odo o Golungo”. Pa a o na ado ha ia dois ipos de c ianças: os alen es que sal a am a ce ca e colhiam as melho es pi angas, is o é, os que não inham medo; e os que inham medo do elho, que nunca sal a am a ce ca e espe a am a que caíssem e des o a, sem lu a . A quin a his ó ia é a de “Zeca: o pa alí ico do Golungo” (esc i o em 1969). É uma ememo ação do empo in an il em que o na ado , quando menino, eco da que se eunia numa con ei a ia com ou os meninos b ancos do bai o, “como em amília”, e que ecebiam a isi a habi ual dum ou o menino neg o doen e de poliomieli e. Reco da a si uação: Zeca, o menino neg o, a as a a-se pelas uas, pedia esmolas e bebia os es os das ga a as que se encon a am nas mesas da con ei a ia. Ao im da a de semp e ia ala com os meninos b ancos pa a come as suas sob as da me enda. Eles ecebiam-no com pena, pela sua si uação, mas ambém com ai a, po causa de que e a explo ado pela mãe, que u iliza a o dinhei o que ele conseguia pa a i bebe com homens. Con udo, ele ado a a a sua mãe. O na ado admi e o seu emo so po que nem ele nem os seus amigos in en a am en ende de e dade o Zeca. 46 Disponí el em h p://m.po alangop.co.ao/angola/p _p /no icias/laze -e- cul u a/2003/8/38/,ca91020b-1e1e-4ae5-8 3c-74 806bb4221.h ml [Acceso em 2.06.2017]. 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Condição: con oca ó ia de eleições. 1992 UNITA pe de eleições que ganha o MPLA (José Edua do dos San os) e ol a a gue a ci il. 1994 T a ado de paz, Nações Unidas con ola o cessa - ogo. 1994-1998 Paz ela i a. 1998 Vol a à gue a ci il. 2002 Mo e de Jonas Sa imbi, líde da UNITA e assina u a do cessa - ogo de ini i o. 2008 P imei as eleições (legisla i as) desde 1992. Ganha MPLA e con inua como p esiden e José Edua do dos San os. 2012 Eleições Ge ais. Ganha MPLA e con inua José Edua do dos San os. 2017 Eleições Ge ais. Ganha MPLA. Fim da p esidência de José Edua do dos San os. João Lou enço é o no o p esiden e. ANEXO II QUEM É QUEM? APRESENTAÇÃO DOS AUTORES NA COLEÇÃO 11 CLÁSSICOS INFANTIS, 2015 Ma ia Eugénia Ne o Ma ia Eugénia Ne o nasceu a 8 de Ma ço de 1934 em T ás-os-Mon es (Po ugal). Es udou Desenho e Línguas Es angei as e pa icipou nos co os do Conse a ó io Nacional po uguês. Du an e a lu a a mada de libe ação nacional con ibuiu in ensamen e na di ulgação de poemas em p og amas de ádio e com a igos e poemas em jo nais no es angei o. Foi di e o a do Bole im da O ganização da Mulhe Angolana ( aduzido em ancês e inglês). Publicou ês es emunhos a Agos inho Ne o: Em Cabo Ve de Nasceu um Menino e o Menino Chamou- se Agos inho Ne o (1985), Fica Aí Den o do Qua o: O Soldado Sou Eu (1985), Ninguém Impedi ia a Chu a (1991) . Da sua as a ob a des acam- se, en e ou os, Foi Espe ança e Foi Ce eza (Poesia, 1976), A Lenda das Asas e da Menina Mes iça- lo (1983), O Va icínio da Kianda na Pi oga do Tempo (1985 ), A Menina EuFlo es (1987) , Es e é o Can o (1989), A Mon anha do Sol (1989) e O Soa dos Quissanges (Poesia, 2000) . ... E nas Flo es as os Bichos Fala am ... ganhou o P émio de Hon a na Comissão Cul u al da ex-RDA, pa a a UNESCO, 1977 - Leipzig. Em 2011 oi dis inguida com o P émio Nacional de Cul u a e A es, na ca ego ia de li e a u a. A sua ob a encon a- se aduzida em di e sas línguas. Oc a iano Co eia Nasceu no Lubango, p o íncia de Huíla, em 1940. Co- undado da União de Esc i o es de Angola colabo ou na ádio, ele isão, jo nais e e is as angolanos. De 1967 a 1973 oi ealizado no Rádio Clube de Huíla e de 1979 a 1983 na Rádio Nacional de Angola, p oduzindo o p og ama Rádio Piô. Esc e eu e adap ou, pa a ádio - ea o, con os pa a c ianças. Tem li e a u a in an o-ju enil publicada em Angola e Po ugal, com des aque pa a O País das Mil Co es (1980), His ó ias com Gen e Den o (2003) e O Menino dos Olhos Azuis de Agua (2008). A sua ob a oi dis inguida com o P émio Especial da UNESCO (1981) , na exposição «Os Mais Belos Li os do Mundo, Leipzig», pelo í ulo O País das Mil Co es, aduzido na ex-Checoslo áquia pa a se o- c oa a, e com o P émio Especial da UNESCO (P émio Vic o Hugo, 1988) pelo í ulo O Reino das Rosas Libe as. O Mons o das Se e Cabeças e as Meninas Roubadas (e ou as his ó ias angolanas) (1999) ecebeu ambém o Gala dão da Cul u a da Região Au ónoma da Madei a. Rosalina Pombal Nasceu no Huambo, a 8 de Julho de 1957, e aleceu em Luanda, em Janei o de 1985. Após os es udos secundá ios, ing essou na Faculdade de Di ei o da Uni e sidade Agos inho Ne o, onde equen ou o 2.º ano do cu so de di ei o, cu so que o p ecoce é mino da sua ida i ia lamen a elmen e a in e ompe . Desen ol eu ainda a i idade como écnica do INALD (Ins i u o Nacional do Li o e do passa am mas nenhum animal acudia po que es a am ocupados com a o ganização da ma a, a di isão de a e as, o auxílio aos elhos, os medicamen os, a escola pa a os mais no os... O ei con inua a a pedi ajuda mas não a conseguia, a é que um dia apa eceu o cágado, que ol a a de é ias, e ao e a ma a mui o di e en e, pe gun ou que se inha passado. Quando lho con a am, di igiu-se aos seus izinhos e disse-lhes que inham mos ado cla amen e não que e o ei, que podiam e sabiam go e na a ma a em conjun o, mas que não podiam deixa mo e Kibala po que demons a iam a mesma c ueldade que ele inha mos ado. Todos conco da am em que o que inham de aze e a da - lhe água e comida, e mandá-lo a um local onde ainda pudesse se ú il. Nes a ob a, Gab iela An unes, uma das g andes impulsionado as da li e a u a in an il angolana, ala de o ma sub il da o ça da união de um po o que se alia pola mudança. No con o e lexiona-se sob e as an agens do abalho comuni á io e c i ica-se a ideia de ingança, apelando à con eniência de aze o bem mesmo aqueles que um dia ize am mal. Es es alo es colocam-se na linha do discu so e da ideia de angolanidade que man ém o MPLA, onde odos êm o seu sí io e onde os e anches con a os colonizado es não se con emplam. 5. A Á o e dos Gingongos, Ma ia Celes ina Fe nandes Inspi ado ambém na adição o al angolana, es e con o ec ia o mi o dos gingongos (gémeos) que são conside ados na cul u a angolana se es especiais de g ande sensibilidade que nunca de em se con a iados. O in e esse des a na ação é g ande po mos a , além do s a us dos gémeos em Angola, aspe os mi ológicos, cos umes adicionais e a desc ição da ida quo idiana num musseque. As ensinanças mo ais ambém êm o seu luga na na ação, nes e caso, as consequências do egoísmo. Nga Ma ia e o senho Polica po são os pais dos gingongos e de ou os 7 ilhos. Os dois gos am da dança e das es as no musseque mas ela não em mui o empo po que ende no me cado missangas, abaco, cola e gengib e, e além disso az o abalho da casa. No con o podem-se obse a os i os e cos umes a edo do nascimen o de gémeos em Angola como aze uma g ão es a com a melho comida e bebida em que amigos e amilia es le am o e as. Os gingongos são ungidos na es a com óleo de palma e dão-lhes mel pa a chupa . Pa a anuncia a no ícia do nascimen o pelo bai o, can a- se e ba em-se la as. A impo ância de con inua com es es cos umes eside, dizem os elhos, em que se os gémeos são mal ecebidos ou icam zangados po alguma causa, podem adoece a é a mo e ou a ai desg aças à amília. Na his ó ia assis imos a como os gingongos são a ados pa a c esce com mui a saúde e não se em a o men ados po maus espí i os: amule os de madei a, ezas, umaças. Toda a gen e os mima a e se alguém os pe u ba a, e am ale ados pa a não aze desg aça, assim que o am c escendo com mui os cap ichos e a enções. Adão e E a, como e am conhecidos os gingongos, embo a ossem ba izados com os nomes de Manuela e Manuel endo como pad inho um come cian e b anco amigo da amília, decidi am um dia que que iam se os donos únicos da manguei a da amília, á o e que o es o de i mãos e izinhos des u a am sabo eando as mangas. Pa a e i a cho os, cede am às p e ensões mas, quando a manguei a começou a da u os, o es o de i mãos e ilhos dos izinhos iam igualmen e come a u a. Os gémeos sen i am-se oubados e esol e am adoece . Não comiam, nem ala am e cho a am odo o empo. Os pais i e am de ala com o es o de i mãos e izinhos pa a que não comessem as mangas e, como ninguém que ia que os gémeos es i essem en e mos, acei a am. Recupe a am assim a saúde. Quando i am que a á o e da a mui as mangas e elas caiam e apod eciam no chão po causa de não ha e quem as comessem, en e gonha am-se pelo seu egoísmo e e i ica am. Já de adul os, eco dam como o am c iados. No inal do con o é ap esen ado um glossá io com 18 e mos. 6. Duas His ó ias, Zaida Dáskalos Es e olume da coleção con ém duas his ó ias. Zaida Dáskalos explica numa no a in odu ó ia que econ a duas ábulas an igas ecolhidas em casse e de uma anciã na egião de Caconda, em língua umbundu, po pa e de uma amiga já alecida. O casse e pe deu-se em 1975 du an e a gue a e apela pa a que alguém que leia es as e sões as econs i ua “na sua o al e naculidade”. Nos dois con os as lições mo ais gi am em ol a da i e lexão e a solida iedade. O p imei o é uma ábula onde os animais são uma ou a ez uma me á o a dos homens, e o segundo é um con o que p o agonizam os meninos humanos. Nos dois casos dá-se um diálogo com au o es clássicos po ugueses, pelo que se con e e uma a ualização das ábulas mui o in e essan e. Na p imei a his ó ia, in i ulada “O ele an e mo ibundo e da i e lexão dos animais da lo es a”, um ele an e encon a-se mui o doen e po causa da sede e a sua companhei a ele an a, que não em água, pede à leb e que lha aga. Quando a leb e chega à bei a do poço sai uma ã que o in i a a can a e dança animando-a com uma copla: “A ida é baila , deixa o abalho, em comigo dança . Can a e baila sem nunca pa a , uá, uá, uá, que bom é b inca ! A leb e esquece a sua p omessa de le a água e une-se à es a enquan o a ele an a, desespe ada, pede à se pe que á pela água. Nes e caso acon ece o mesmo que com a leb e e ica no poço a danza . Dado que a ele an a não consegue a água e o seu companhei o es á cada ez mais doen e, decide i ela ao poço. Ao chega , os animais calam e sen em-se en e gonhados, e acompanham a ele an a com à agua em di eção ao ele an e. Já e a a de e es e mo e a. Os animais p esenciam a do da ele an a e medi am sob e o que inham causado. A lição mo al da his ó ia ai em duas linhas: uma, as consequências de se i e lexi os ( az-se um pa alelismo com a i e lexão dos homens), p incipalmen e que não pe mi e a solida iedade; dois, que a solida iedade mui as ezes se mani es a a diamen e: a ele an a pensa em que se i esse ido ela de início p ocu a a água, a mo e do seu companhei o não e ia luga . Em elação a is o, inclui-se um p o é bio: “Quem que ai, quem não que manda”. No con o insis e-se em que a causa do so imen o oi a i e lexão. A au o a, numa no a inal que di ige às c ianças lei o as, ins a a medi a na lição da his ó ia e pede pa a que a leiam aos adul os po que conside a que há uma elação en e ela e a his ó ia de mui as c ianças angolanas í imas da gue a. Solici a a solida iedade dos meninos que não êm so ido as consequências da gue a, com aqueles que sim. Nes e apelo de duas páginas, inclui duas e e ências di e as ao Pad e An ónio Viei a: quando chama mons o à gue a (“a gue a aquele mons o, no dize de um g ande esc i o po uguês – Pad e An ónio Viei a”) e ao inclui uma poesia des e au o sob e os meninos í imas das gue as, que jus i ica pa a se causa de e lexão, igual que a p imei a his ó ia e a segunda que ai a segui . O segundo ela o in i ula-se “Ukonga ua a e. O p esen e pa a o pai”. Con a a his ó ia de Cambinda, um menino que ompe uma cabaça onde o seu pai e men a a a quissângua. Es e exige-lhe que apa eça in ei a sob ameaça de se ma elado nas nádegas. Com a ajuda de dois amigos, esol e i den o da lo es a na p ocu a dos anões, pois é adição na egião u iliza os pelos da ba ba des es se es mi aculosos: ao coze a cabaça com os pelos, essa inha de eno a -se. Masca am-se e, ba endo o ba uque, aden am-se na lo es a can ando uns e sos que, como escla ece a au o a no inal, são de Pessoa: “há a poesia, a música, as danças mas o que há de melho no mundo são as c ianças”. Animais e anões ap oximam-se ao ou i o uído e omam pa e na dança, momen o que ap o ei am as c ianças pa a a anca os pelos e i embo a pa a epa a a cabaça, ali iados e conscien es da impo ância do ca inho e da solida iedade en e amigos. Uma ou a ez, Aida Dáskalos di ige-se aos lei o es pa a pô de ele o que no eposi ó io de his ó ias adicionais há mui as lições impo an es como es a, que é an í ese da an e io . Se na p imei a a solida iedade e a esquecida, adiada pela i e lexão, nes a é a e lexão que le a as c ianças a se em solidá ias na de esa de um companhei o que e i a assim uma su a do pai. Desculpa ambém os meninos po e em a ancado as ba bas dos anões po que es á ce o de que se eles soubessem a azão dessa ação so i iam e pensa iam nos e sos de Pessoa can ados pelas c ianças. No inal do li o é colocado um glossá io com 8 e mos. 7. As Se e Vidas de um Ga o, Da io de Melo Como as se e idas de um ga o, a ob a di ide-se em se e his ó ias in e conec adas que p e iamen e são ap esen adas sin e icamen e numa can iga de 20 e sos. O p o agonis a é um ga o que não pa a de se ans igu a ao longo de uma na a i a di e ida, com mui a ação, e didá ica. Na p imei a his ó ia, in i ulada “Loa d´es ó ias”, con a como um menino en a numa loja de li os solici ando uma his ó ia de ga os, mas de um ga o e melho. O endedo não em e en a ende -lhe ou o li o dizendo que se é um ga o e melho é de o a e, po an o, p ecisa de adução. O menino explica que odos os ga os miam igual e ai-se embo a sem comp a um li o. Na segunda his ó ia, in i ulada “O ga o Damala”, um ga o e melho que é dou a co nes a his ó ia pede abalho na loja de li os. Diz que em dis a çado e que po isso co ou os bigodes. O endedo de li os p egun a-lhe que é o que sabe aze e ele acomoda-se, pousa a mala e começa a con a que o a ap endiz de um ga o elho mas que não ap o a a o exame po causa de se e melho, pois odos os a os o iam, assim que esol eu co a o pelo pa a que c escesse o na u al. Quando o ga o elho mo eu, ele icou no seu luga como Ga o-Che e-Caçado . Ele e a o seu p óp io che e e da a o dens a ele p óp io. Pa a escla ece se apanha a a os ou não, in oduz uma ou a his ó ia, a e cei a, in i ulada “O ga o caçado ”. Nes a e cei a pa e na a que e a o ga o caçado de um homem ico a a en o que não lhe da a comida pa a que caçasse mais a os, mas e a impossí el acaba com os a os po que e am mui os. Um dia apa eceu um ga o gigan e que se desculpou pelos p oblemas que a sua amília ocasiona a, mas que e am a os e inham de oe . Assim mesmo, o a o disse-lhe que ele e a explo ado pelo seu dono, e que me ecia pode descansa , po que es a a ce o de que se algum dia acaba a com odos os a os, o seu pa ão con inua ia a não da -lhe comida. O ga o p egun a-se, di igindo-se aos lei o es, que oi o que ez nesse momen o e, na seguin e his ó ia explica-o. Em “ O Come-e-Do me”, a qua a his ó ia, escla ece que não ez nada po que o a o inha a azão. Decidiu deixá-los oe à on ade e o amo abandonou-o no ma o. Ali, uma o miga a isou-o pa a que não do misse com os olhos echados, po que pode ia se ele o caçado- Ele, mui o al i amen e, não se p eocupa a po que o caçado e a ele. Con inuou a caminha e uma oz escondida lhe alou e p egun ou-lhe que e a o que caça a: espondeu no amen e de o ma a ogan e que não caça a nada po que e a ico e inha pa ão que lhe da a de udo. Num ou o momen o encon a uma aca a que pede lei e, mas ela apenas lho dá se ele sabe o denha . Ele p esume de não sabe po que na cidade o lei e chega em ga a as. Finalmen e encon a Dona Onça: a a-a como um amilia e exp essa-lhe o desejo que em de jan a com ela mas não le a ca ne. A onça o e ece-lhe i de caça, ao que o ga o esponde que não ouxe a espinga da e que na cidade não é necessá io caça . A onça, i i ada, en a caçá-lo e o ga o, assus ado, oge a a chega a uma casa. Na seguin e pa e (“O Ga o-das-Bo as-Ro as”) o ga o chega a uma g anja onde o animal in ejado po odos é o po co, po causa dos cuidados e mimos que lhe dispensam os donos. Um dia descob em onde ai pa a o po co, ao palácio do ei, mas desconhecem o mo i o. O ga o diz à cab a que ai in es iga algo nos li os e, quando ol a pa a ala com a cab a, apa ece bem es ido e sem bo as o as. Uma ou a ez o ga o di ige-se ao lei o e p egun a-lhe se sabe o que lhe passou numa his ó ia que leu num li o pa a in oduzi o sex o con o. Em “O Ga o-do-Rei” con inua a con e sa com a cab a. Es a p egun a-lhe o mo i o pelo qual ai ão bem es ido e ele esponde que é po que é o ga o do ei. Tinha conseguido o o ício en ando na his ó ia de um li o elho onde descob iu que o po co en a a no palácio pa a se comido em bandeja de p a a. Uma ez na his ó ia do li o, oubou um oso do po co ao ga o do ei e deu-lhe uma sapa ada pa a ica com o abalho. Di ige-se ago a com uma in e ogação ao endedo de li os da p imei a his ó ia: se e a o no o ga o do ei, um abalho ão bom, po que é que inha ugido do palácio e inha indo a pedi abalho? A explicação igu a na seguin e pa e, a úl ima his ó ia. A úl ima pa e in i ula-se “E… Vol amos ao P incípio”. O p o agonis a ela a que, quando es a a ado mecido no palácio, ou iu dize que o ga o pa ecia mui o go do e que não de iam da -lhe comida po que o que inha de aze e a caça . Ao ga o eco dou-lhe a sua ida com o pa ão e não que ia se uma ou a ez um ga o que não descansa, assim que se dis a çou, colheu a mala e co ou os bigodes. Nes e con o é e a ada a ida no u al e na cidade do pon o de is a do p o agonis a. A cidade é pa a o animal, símbolo de comodidades, mas ambém de explo ação labo al. O u al é o con apon o e nele ai ap ende as consequências de se um animal p eguiçoso num cená io como o campo e a lo es a, onde os pe igos são cons an es e onde consegui comida não é uma a e a ácil. No inal do li o ol e aze uma sín ese do que oi a sua ida e deixa o caminho abe o pa a no as a en u as: “Se e idas em um ga o e dessas se e que eu enho, seis delas já eu gas ei: nasci e não inha nome, Ga o Ve melho iquei, ui Caçado , Come-e-Do me, ui Bo as-Ro as, com ome e cheguei com ou o nome, a se o Ga o-do-Rei. Ago a, Ga o Damala, se mudo ou a ez de nome, que ou a ida i e ei?”. 8. A Velha Sanga Pa ida, C emilda de Lima No âmbi o u al, a a és da es ó ia de um mo ingue no o e de uma elha sanga queb ada, C emilda de Lima o mula uma me á o a sob e o alo e a impo ância das coisas, que acaba po se uma me á o a sob e o empo e sob e a ida. Com uma linguagem simples, abo da sub ilmen e emas a uais como a impo ância da eciclagem e a necessidade da p ese ação da na u eza. Na his ó ia con a-se como numa casa de uma zona u al, um mo ingue de ba o se i de uma elha sanga, po conside a que não ale pa a nada, e ambém de um coco que ica a seu lado. A sanga de ende o coco aduzindo que em u ilidade po que o Joãozinho, o ilho do dono dos obje os, es á a u ilizá-lo pa a le a a eia e ajuda o seu pai a apa um bu aco. O mo ingue assen e mas ol e c i ica a sanga po que ela, diz, não se e pa a coisa nenhuma. Enquan o discu em, ou em ala Joãozinho e seu pai sob e aze mudanças na en ada da casa pa a que ique boni a. Es es começam a p ocu a alguma peça pa a coloca plan as, opo unidade ó ima pa a a sanga que espe a impacien e. O Joãozinho escolhe a sanga po im e com as suas duas me ades az com o pai um boni o aso onde coloca am e a e plan as. O coco se ia pa a as ega . A sanga icou mui o con en e e o mo ingue, en e gonhado, pediu-lhe desculpas. O con o acaba po coloca uma ques ão mo al: nunca se de e desp eza os mais acos po que eles podem se ão ú eis como qualque ou o. 9. Fábulas de Sanji, An ónio Jacin o Os ex os das Fábulas de Sanji são, quan o à na a i a, mui o densos e com pouco i mo. Os assun os a ados e o om u ilizado con e em o li o, do nosso pon o de is a, em di icilmen e a ibuí el à ca ego ia de li e a u a in an il. F en e às demais ob as da cole ânea, es a con em mui o mais ex o, menos imagem e a na a i a es á ca egada de desc ições ex ensas que chegam a se ilosó icas nalgum caso. O om de do e so imen o é mui o ma cado. O li o ap esen a á ios gêne os li e á ios: ábula, con o, c ónica, poesia e ca a. Con o me o p óp io au o comen a em en e is a (LABAN 1991), as Fábulas “em p incípio e am o p oje o de um con o adicional esc i o em linguagem li e á ia abalhada (…) uma busca de aze pa a uma li e a u a mode na os con os adicionais o ais…”. Todos os ex os são esc i os an es da independência angolana, du an e o pe íodo de lu a, como se como se pode obse a no im de cada ábula onde a da a é indicada. As mensagens de esis ência es ão mui o p esen es e obse a-se uma p eocupação com a p ese ação dos elemen os o ais da adição angolana. A es u u a social da época colonial é mui o bem mos ada e o p ocesso his ó ico angolano a icula-se no conjun o dos episódios. O li o é dedicado ao seu i mão Reinaldo T indade Ama al Ma ins, mo o em 1988. Nes a dedica ó ia mos a a do que sen e pelo seu alecimen o e gaba a sua igu a como médico, écnico, docen e, mili an e e conquiologis a. A p imei a ábula é a de “Dikolombolo e Ngandu”, esc i a em 1970, e é localiçada geog a icamen e na egião de Golungo Al o, hoje p o íncia do Kwanza No e. T a a-se da na ação da con enda en e um galo (Dikolombolo) e um jaca é (Ngandu), igu a impo an e no abulá io angolano que é desc i o como “Ngandu das águas em que a alen ia se lhe apon a a pa a o aumen o de seu enome, ei icei o das ma gens, emo dos homens e dos bichos”. O p imei o en ia em á ias ocasiões, a a és de ou os animais que iajam pelo io e o ma o, ecado de cong a ulações ao jaca é em que o chama de “i mão”. Is o en u ece o ep il que se ê um se supe io a um galo, um animal pouco especial que não é emido, e az e o na a mensagem com o ecado de que se encon a abo ecido pelo seu a e imen o e que em de se e a a , algo que o galo não az e incluso ol e epe i o mesmo en io de cong a ulações mais ezes. O jaca é es á mui o u ioso esol e le a o assun o a juízo. No ibunal, ep esen ado pelo seu ad ogado macaco, o mula as acusações undamen adas em mui as ci ações, no i icações, códigos e es emunhas. O galo, sem ep esen ação legal, baseia a sua de esa unicamen e no seu alegado que consis e em pedi ao jaca é que con i me se es e nasceu de um o o. Con i mado o ac o, o galo dá-se po encedo po que ambém nasceu de um o o e, po an o, é i mão do jaca é como ambém sen enciam os animais da lo es a que se encon a am em unção de ju ados e a onça, o juiz do p ocesso. Na a ualização da ábula, o au o in oduz aspe os da es u u a social da época colonial nesse po oado em conc e o, é dize , há uma con ex ualização geog á ica mas ambém his o iog á ica. A segunda his ó ia é “A es a de amília de Xanga Oli ei a (C ónica do an igamen e no an anho)”, esc i a em 1969. A pe sonagem da his ó ia é o “bom e diligen e elho Xanga”, um homem elho en e mo de euma ismo que abalha de noi e em uma azenda de ca é gua dando a áb ica e os a mazém dos bandos de lad ões, e que pelo dia ega os i ei os e i ando água do io. O episódio gi a a edo do seu desejo, quase obsessão, de e umas bo as de bo acha, de cano al o como as dos pescado es, pa a não se molha quando em de apanha a água do io. O au o acen ua o d ama do Xanga explici ando que inha abalhado a ida oda com salá ios mag os e ainda não pude a comp a essas bo as. Es e anseio que pode pa ece i ial deixa en e e a es u u a social: não e calçado e a uma das ma cas de in e io ização do colonizado, si uação co igí el caso se assimilasse. A es u u a social da época e ce os cos umes icam bem e a ados quando, nas éspe as de Na al, o Xanga ai pa a a esidência do ei o da azenda a pedi as “boas- es as”, uma p á ica comum em Angola a é hoje. Ali apa ece a senho a, D.ª “São”, uma mulhe encap ichada com odas as espécies de pássa os que gua da a em gaiolas e que o Xanga lhe caça a. D.ª “São” o e ece-lhe uma camisa como a dos mili a es que e a do ei o , o senho Fe ei a, e umas amêndoas. Ela a a o Xanga au en icamen e como um menino. Po ou o lado, o ei o dis ibui as “boas- es as” segundo as o dens que chegam do pa ão em Luanda: “um li o de inho a cada homem e uma caneca de a inha o ada com açúca masca o pa a aze boca, como quem diz, pa a ape i i o. E am o dens do pa ão e, quando ele iesse, a pagamen os, no im do mês, que lhe pedissem mais. No “ano bom” ha e ia mais “boas- es as”, como habi ualmen e, bem mag as”. Acabada a isi a, oi abalha . Acendeu o ogo pa a passa a noi e de igília e bebeu inho, enquan o ou ia o ei o e emp egados na esidência num jan a “ o a do no mal” com champanhe incluído. É nes e momen o que começa a ememo a episódios da sua ida. Da in ância eco dou o mui o que abalha am e lemb ou o pad e Saganha, “o que p imei o lhe ala a desse Jesus C is o e do Na al dos b ancos”. A his o iog a ia angolana apa ece ambém nes a noi e de igília ao eco da a época em que ui soldado ao lado dos po ugueses. Todas as lemb anças deixam en e e cenas da Angola colonial. Na seguin e sequência eco da as mulhe es que e e e os ilhos (de quem não lemb a odos os nomes nem ca as) e as c enças popula es apa ecem: uma das suas mulhe es inha mo o de ei iço, espumando pela boca: “O dou o do Golungo ala a em a aques epilé icos. Os b ancos não sabem nada des es ei iços dos p e os”. Dos ilhos diz que “andam em Luanda, em Malanje, no Sul, na gue a no a das ma as, sabe-se lá po onde”, em e e encia a que es ão na lu a a comba e pelo país, a dize que a lu a con inua ( eco demos que es e ela o é esc i o em 1969). Razoa sob e a igu a de Jesus C is o quando lemb a o Pad e Saganha que na in ância quis que “ele osse ca equis a, O a ele nunca ap ende a a le ”. Sob e Jesus, diz: “Também os meninos dos pa ões lhe con a am das p endas que o Menino Jesus punha nos sapa os dos meninos. Ele, en ão, já não e a menino. Também ele e os i mãos nunca i e am sapa os. E os ilhos dele ambém não. E en ão o Menino Jesus pode ia e dado sapa os aos meninos como os dele? Bem, ele já inha is o mui as o og a ias do Menino Jesus. O menino Jesus e a b anco. En ão não podia anda pelos ma os a en a nas casas de capim dos meninos pob es. Nem empo e ia, ainda que quisesse”. Acaba a ememo ação no u na pensando uma ou a ez nas bo as desejadas de bo acha e p ega a Deus po elas enquan o cai ex enuado ao chão. O e a o do colonizado e do colonizado é o mais ca ac e ís ico des e ela o, além dos cos umes na Angola colonial. A c í ica á si uação dos colonizados e ao a o que dispensam os colonizado es é e iden e. O e cei o ex o é “Chu a no e ei o”, esc i o em 1970. T a a-se de uma desc ição da lu a con a um aguacei o que es á p on o a chega numa áb ica de descasque de ca é e que é na ada po um dos abalhado es. Nes a ec iação obse a-se a dis ibuição de abalhos numa áb ica des e ipo e o o íssimo i mo que se êm de impo os abalhado es pa a sal a o ca é da chu a. Finalmen e, o empo al pa a mas o ca é ica odo molhado, “mui o abalho pa a os u u os dias de sol”. O qua o esc i o é “Compo amen os”, de 1960, o ex o mais b e e do li o (além do poema inal), e oi esc i o an es de es a em p isão, an es da lu a de libe ação. Pa ece ap esen a uma so e de ensino mo al que anima a lu a e a não e medo pa a consegui a i ó ia. A his ó ia cen a-se no pe sonagem de Be na dino, che e da es ação de comboio, quali icado como abugen o e i ânico. Do pon o de is a de uma lemb ança in an il, Be na dino inha as “melho es pi angas de odo o Golungo”. Pa a o na ado ha ia dois ipos de c ianças: os alen es que sal a am a ce ca e colhiam as melho es pi angas, is o é, os que não inham medo; e os que inham medo do elho, que nunca sal a am a ce ca e espe a am a que caíssem e des o a, sem lu a . A quin a his ó ia é a de “Zeca: o pa alí ico do Golungo” (esc i o em 1969). É uma ememo ação do empo in an il em que o na ado , quando menino, eco da que se eunia numa con ei a ia com ou os meninos b ancos do bai o, “como em amília”, e que ecebiam a isi a habi ual dum ou o menino neg o doen e de poliomieli e. Reco da a si uação: Zeca, o menino neg o, a as a a-se pelas uas, pedia esmolas e bebia os es os das ga a as que se encon a am nas mesas da con ei a ia. Ao im da a de ia ala com os meninos b ancos pa a come as sob as da me enda. Eles ecebiam-no com pena, pela sua si uação, mas ambém com ai a, po causa de que e a explo ado pela mãe, que u iliza a o dinhei o que ele conseguia pa a i bebe com homens. Con udo, ele ado a a a sua mãe. O na ado admi e o seu emo so po que nem ele nem os seus amigos in en a am en ende de e dade o Zeca. Em “A p imei a sin onia” (esc i o em 1968) es amos pe an e a exposição do que uns homens sen em quando deixam o ca o num lado do io Calucala pa a c uzá-lo e aden a -se no mais p o undo da lo es a. Pelo con eúdo, en endemos que es es homens es ão a pa icipa na colonização de Angola e na espoliação das suas ma é ias p imas. Um desses homens é a oz, quase lí ica, que desc e e com uma isão pan eís a a “sensualidade de um pa aíso há mui o pe dido na memó ia da espécie”. Todo a beleza o que os odeia, que con apõe com a pequenez e aqueza humana, az com que emudeçam. Es e sen imen o ai con apo -se à consciência de que, em pouco empo, a mão do homem com camiões, guindas es e se as ia “ ence o in e no e de da lo es a”. “Tempo e memó ia” (esc i o em 1969) é, como o an e io , basicamen e uma desc ição do cacimbo, o empo da seca, e da es ação de chu as. Es a desc ição é a iculada pelo con a o que em um menino com a na u eza que o odeia. Quase não há na a i a, exce o pensamen os pon uais do “desc i o ”, da sua época de c iança. Finalmen e, o úl imo ex o do li o é o poema “Gab iela”, esc i o em 1972. É o único poema, em sen ido es i o, de oda a coleção. Nele, o eu poé ico ala com is eza da pa ida de uma menina de Cambondo que oi p ocu a mas que não encon ou. 10. O cí culo de Giz de Bombô, Hen ique Gue a Os pe sonagens p incipais são a la andei a, mulhe p esen e em odas as cenas como es emunha e guia, e que se di ige ao público com equência pa a p egun a se o que es ão a aze as pe sonagens é ou não co e o; Lili, uma menina de boa amília; Ri a, uma ou a menina que mo a numa casa pob e;e um elho camponês, que se á quem esol a o p oblema que se ap esen a. Es a ob a é a única da cole ânea que pe ence ao géne o d amá ico e, na época, a única ob a de ea o com um público al o in an il. Como explica o au o ao começo, a ob a é uma lei u a de uma adap ação que Al onso Sas e inha ei o de O Cí culo de Giz Caucasiano, de Be old B ech , o iginalmen e esc i a em 1944. Como a ob a mãe, es a que se ap esen a abo da ambém ques ões elacionadas com a libe dade e a p op iedade, e es á adap ada a c ianças e à ealidade de Angola. T a a-se de uma lição sob e a p op iedade comuni á ia de uma ó ica socialis a. Como na peça de B ech , na ob a apa ece um na ado , p esen e em odo o ex o, e um co o (de pionei os) na sua unção clássica de ep esen ação da opinião pública. Pa indo de uma si uação uni e sal, Gue a inse e a pa ábola da jus iça salomônica no con ex o da ealidade angolana em 4 a os. Os pe sonagens p incipais são a la andei a, mulhe p esen e em odas as cenas como es emunha e guia, e que se di ige ao público com equência pa a pe gun a se o que es ão a aze as pe sonagens é ou não co e o; Lili, uma menina de boa amília; Ri a, uma ou a menina que mo a numa casa pob e;e um elho camponês, que se á quem esol a o p oblema que se ap esen a. A la andei a obse a como Lili a as a uma boneca e p egun a-lhe po que o az. Ela esponde que a boneca é da es a das c ianças do seu bai o e que a gua da a é o dia da es a po que i e numa boa casa, segu a, escla ecendo que a escola não é luga segu o po que “os inimigos do po o acos umam a assal a as escolas”. A la andei a ep ocha-lhe o a o que lhe dá, mas ela a i ma “Oh, não az mal. Es amos no Socialismo. Is o é do po o, deixa es aga .” É a p imei a ez que no conjun o das ob as apa ece o e mo “socialismo” di e amen e. Ri a apa ece po um lado can ando “Nós, as c iancinhas de odo o mundo, amo-nos uni …” e não ac edi a quando olha a boneca ão es agada i ada no chão. Apanha-a e can a-lhe. Na segunda pa e en am cinco pionei os, um deles com desejo de se médico algum dia, e Ri a pede- lhe pa a que a anje a boneca. Ela que aciná-la, pen eá-la e es i-la com oupa no a. Nesse momen o ou e-se a oz da mãe de Lili a pe gun a pela boneca: se não apa ece, a menina ai “apanha uma a eia”. Aqui, uma ou a ez, apa ece o cas igo ísico po pa e dos pais aos ilhos, como se passa a em “Ukonga ua a e. O p esen e pa a o pai”. Na e cei a pa e da ob a, Lili en a em cena p eocupada na p ocu a da boneca e olha a Ri a aca iciando-a. As duas meninas discu em e a la andei a em de as sepa a . Nesse momen o chega um ancião camponês que ai esol e a dispu a. Es e pede es emunha pa a cada uma e, enquan o Ri a diz que a sua es emunha é o seu co ação, Lili chama po um senho can inei o amigo de seu pai, mui o bem es ido, que diz que oi ele quem ouxe a boneca de Lisboa pa a o pai da menina. Es e homem mos a uma pe sonagem in e essan e no con ex o angolano, o kazuku ei o, um dos ep esen an es da co upção angolana. Es e explica que não é can inei o, que se dedica a consegui as coisas que lhe pedem as suas amigas pa a as ende e que quando az “ equisições pa a o meu minis é io, aço ambém pa a as minhas amigas qui andei as, po que o po o p ecisa de se se ido”. O camponês, en adado com o ipo de homem que em dian e, não o admi e como es emunha po que não é uma pessoa con iá el (“Ahn! Vucê és um kazuku ei o, num é? Se es- e das di iculdades do po o pa a a anja dinhei o, num é? Não, não, es a es emunha num p es a. Pode i'mbo a”). Ele sai da cena dizendo: “Não, não! Eu só a anjo umas coisi as pa a as minhas amigas qui andei as só pa a se i o bolso, ... ahn, ... , que dize , pa a se i o po o”. As meninas con inuam a discu i e o camponês esol e a anja o assun o median e um cí culo de bombô. Explica o la ado o mo i o pelo que u iliza o bombô: no empo da gue a con a os colonos, na sua egião, os p o esso es não inham giz pa a ensina às c ianças, en ão esc e iam no quad o com um pedaço de bombô. E ac escen a: “É assim mesmo, cama adas. Quando nos al a um p odu o do comé cio, a gen e não de e ica com os b aços pa ados e deixa cai a p odução. A gen e de e pensa na nossa cabeça e a anja ou a coisa pa a con inua a i pa a a en e”. Esboça o cí culo e pede pa a a la andei a coloca ali a boneca. Fecha-se o pano e apa ece o co o de pionei os que con a a his ó ia de Salomão. Como na his ó ia o iginal, Ri a enuncia à boneca po que Lili a em aga ada po um b aço e não a que ompe , mas o camponês dá po encedo a a Ri a. Num momen o em que o camponês p ecisa ajuda pa a le an a a sua ca ga, Ri a pousa a boneca no chão e ai-o ajuda , momen o em que Lili ouba a boneca e é acusada de zazuku ei a pelo camponês, que a manda cala e in i a a Ri a a passa as é ias no campo, na comuna. A ob a acaba com os p o agonis as saindo da cena, ainda a discu i , e com o co o de pionei os de mãos dadas di igindo-se ao público: A áb ica é con iada aos ope á ios Que a põem ao se iço da nação! Angola pe ence aos angolanos Que nela abalham com amo E a de endem de a mas na mão! A úl ima em se di igi ao público é a la andei a, que pe gun a quem acham que de e ica com a boneca. A ensinança mo al nes a peça é ma cada pela máxima “a e a, pa a quem a abalha”, p óp ia do ideá io socialis a. O au o ensina que o egoísmo não é p odu i o e que cuida dos bens que são de odos dá os seus u os. Em elação ao ea o angolano, é in e essan e indica que, com a independência, muda comple amen e a sua eição. A d ama u gia adicional, em ge al, es a a ligada a i uais eligiosos e aos cos umes ances ais. An es da independência, o ea o em Angola inha apenas dois au o es: O lando de Albuque que (O ibanda e O ilho de Zambi, 1974) e Domingos Van Dúnen (Au o de Na al, 1972). Com a independência a si uação al e a-se e apa ecem á ias inicia i as, umas de ea o en aizado na adição a icana e ou as mais ans o mado as. Nes a segunda linha es a ia colocado Hen ique Gue a com es a peça, jun o com poe as e iccionis as como Pepe ela (A co da, 1978; A e ol a dos ídolos, 1980), Cos a And ade (No elho ninguém oca, 1979) ou Manuel dos San os Lima (A pele do diabo, 1977). Gue a compa e com es es au o es o ac o de explo a os emas com mensagem ma xis a, de ma e ializa os obje i os da e olução e a in enção de eesc e e a adição e a cul u a angolanas. Igual que os demais, o econhecimen o do pode decisó io do po o é ei a a a és da pa ábola, o ma uni e sal na essência cul u al dos po os. 11. A Viagem das Folhas do Cade no, Ma ia João Jun o com Lu chila, es a his ó ia é das mais b e es da coleção e já inha sido publicada na cole ânea Sonhos bo dados, 2003. O pe sonagem é um cade no deco ado mui o boni o que inha uma ida monó ona num a má io po que ninguém o que ia le a à escola. Lamen a-se de que olha am mui o as suas olhas pela sua beleza, mas que o deixa am ica semp e sozinho. Um dia, uma menina le ou-o na sua pas a mas em á ios dias não o i ou dali nem lhe p es a a a enção, assim que esol eu ugi . Du an e a uga o en o ez com que as suas olhas se espalhassem. Uma ou a menina ecolheu um mon e de páginas e colocou-lhes uma capa no a. Não ac edi a a em que alguém deixasse ugi algo ão boni o e o cade no con ou-lhe a sua his ó ia. A menina, pela sua pa e, explicou-lhe o que inha pensado aze com ele: além da capa no a, ia eco á-lo pa a deco a ou os cade nos e pa a aze es idos à sua boneca de papel. A au o a deixa o inal abe o a ou as a en u as: “E assim deixei de se cade no e passei a es i uma boneca mui o linda. Um dia a minha boneca oi à es a de uma amiga, depois os con a ei…”. A p eocupação didá ica ap esen ada é a necessidade de cuida das nossas possessões, embo a sejam poucas, além do ema da eu ilização, ligado ao mundo da ecologia e habi ual nas emá icas da li e a u a in an il angolana.