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Bullying e habilidades sociais de estudantes em transição Escolar

Abstract

Nos períodos de transição escolar ocorre mais bullying. Um dos fatores associados pode ser a existência de déficits nas habilidades sociais dos estudantes. Assim, o objetivo deste estudo foi verificar possíveis diferenças nas habilidades sociais de estudantes envolvidos e não envolvidos em situações de bullying no período de transição escolar. Participaram 408 estudantes do sexto ano do Ensino Fundamental, com média de idade de 11,3 anos (DP = 0,62). Os dados foram coletados mediante uma escala e um questionário, e avaliados estatisticamente por análises de variância (ANOVA). As vítimas-agressoras apresentaram as menores médias nas habilidades sociais e diferenciaram-se significativamente das vítimas, agressores e não envolvidos no bullying em relação às habilidades de empatia/civilidade, autocontrole e participação. Já os estudantes não envolvidos apresentaram as maiores médias nas habilidades sociais. Conclui-se que a melhoria das habilidades sociais dos estudantes em transição escolar pode ajudar a prevenir e/ou reduzir o bullying.

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Bullying e habilidades sociais de estudantes em transição Escolar

Author: Da Silva, Jorge Luiz; Figueiredo, Glória Lúcia Alves de; Nascimento, Lilian Cristina Gomes do; Beretta, Regina Célia de Souza; Rodríguez Fernández, José Eugenio; Pereira, Beatriz
Publisher: Universidade São Francisco
Year: 2022
DOI: 10.1590/1413-82712022270102
Source: https://minerva.usc.es/bitstreams/88d5c4f2-0d4b-43b0-bc60-4c669647d1df/download
Psico-USF, B agança Paulis a, . 27, n. 1, p. 17-29, jan./ma . 2022 17
Disponí el em www.scielo.b h p://dx.doi.o g/10.1590/1413-82712022270102
Bullying e Habilidades Sociais de Es udan es em T ansição Escola
Jo ge Luiz da Sil a1
Gló ia Lúcia Al es de Figuei edo2
Lilian C is ina Gomes do Nascimen o1
Regina Célia de Souza Be e a1
José Eugenio Rod ígues Fe nandez3
Bea iz Oli ei a Pe ei a4
1Uni e sidade de F anca, F anca, São Paulo, B asil
2Sec e a ia de Es ado da Saúde, F anca, São Paulo, B asil
3Uni e sidad de San iago de Compos ela, San iago de Compos ela, Espanha
4Uni e sidade do Minho, B aga, Po ugal
Resumo
Nos pe íodos de ansição escola oco e mais bullying. Um dos a o es associados pode se a exis ência de dé ici s nas habilida-
des sociais dos es udan es. Assim, o obje i o des e es udo oi e i ica possí eis di e enças nas habilidades sociais de es udan es
en ol idos e não en ol idos em si uações de bullying no pe íodo de ansição escola . Pa icipa am 408 es udan es do sex o ano
do Ensino Fundamen al, com média de idade de 11,3 anos (DP = 0,62). Os dados o am cole ados median e uma escala e um
ques ioná io, e a aliados es a is icamen e po análises de a iância (ANOVA). As í imas-ag esso as ap esen a am as meno es
médias nas habilidades sociais e di e encia am-se signi ica i amen e das í imas, ag esso es e não en ol idos no bullying em ela-
ção às habilidades de empa ia/ci ilidade, au ocon ole e pa icipação. Já os es udan es não en ol idos ap esen a am as maio es
médias nas habilidades sociais. Conclui-se que a melho ia das habilidades sociais dos es udan es em ansição escola pode ajuda
a p e eni e/ou eduzi o bullying.
Pala as-cha e: bullying, iolência escola , habilidades sociais, compe ência social
Bullying and Social Skills o S uden s in School T ansi ion
Abs ac
Bullying ends o occu mo e o en du ing pe iods o school ansi ion. One o he associa e ac o s may be a de ici in s uden s’
social skills. Thus, his s udy’s objec i e was o e i y po en ial di e ences be ween he social skills o s uden s in ol ed and
no in ol ed in bullying du ing school ansi ion. A o al o 408 six h-g ade s uden s, wi h a mean age o 11.3 yea s old (SD =
0.62), pa icipa ed in his s udy. Da a we e collec ed using a scale and a ques ionnai e and s a is ically analyzed by Analysis o
Va iance (ANOVA). Vic im-o ende s had he lowes mean sco es in social skills and di e ed signi ican ly om ic ims, bullies,
and hose no in ol ed in bullying conce ning empa hy/ci ili y, sel -con ol, and pa icipa ion skills. On he o he hand, s uden s
no in ol ed in bullying showed he highes mean sco es in social skills. We concluded ha imp o ing he s uden s’ social skills
in school ansi ion migh help p e en and/o educe bullying.
Keywo ds: bullying; school iolence; social skills; social compe ence
Bullying y Habilidades Sociales de Es udian es en T ansición Escola
Resumen
En los pe íodos de ansición escola se p oduce más bullying. Uno de los ac o es asociados puede se la exis encia de dé ici s en
las habilidades sociales de los es udian es. Po lo an o, el obje i o de es e es udio ue e i ica las posibles di e encias en las habi-
lidades sociales de los es udian es in oluc ados y no in oluc ados en si uaciones de bullying en el pe íodo de ansición escola .
Pa icipa on 408 es udian es del sex o año de la Educación P ima ia, con una media de edad de 11,3 años (DS = 0,62). Los da os
se ecogie on median e una escala y un cues iona io, y se analiza on po análisis de a ianza (ANOVA). Las íc imas-ag eso as
p esen a on las pun uaciones medias más bajas en las habilidades sociales y se di e encia on signi ica i amen e de las íc imas,
ag eso es y no in oluc ados en el bullying con elación a las habilidades de empa ía/ci ilidad, au ocon ol y pa icipación. Po
o o lado, los es udian es no in oluc ados mos a on las medias más al as en habilidades sociales. Se concluye que la mejo a de
las habilidades sociales de los es udian es du an e la ansición escola puede ayuda a p e eni y/o educi el bullying.
Palab as cla e: Bullying; Violencia escola ; Habilidades sociales; Compe encia social.
O bullying escola é um ipo de iolência en e
pa es ca ac e izado pela epe i i idade, in encionali-
dade e desequilíb io de pode en e í imas e ag esso es
(Oli ei a e al., 2018; Olweus, 2013). O bullying pode
oco e de o ma di e a, po meio de ag essões ísicas
e e bais, ou de o ma indi e a, po meio de da disse-
minação de boa os sob e a í ima ou de sua exclusão
do g upo de pa es (Goldbach, S e zing, & S ua , 2018;
Jo ge Luiz da Sil a
Uni e sidade de F anca, F anca, São Paulo, B asil
Gló ia Lúcia Al es de Figuei edo
Sec e a ia de Es ado da Saúde, F anca, São Paulo, B asil
Lilian C is ina Gomes do Nascimen o
Regina Célia de Souza Be e a
Uni e sidade de F anca, F anca, São Paulo, B asil
José Eugenio Rod ígues Fe nandez
Uni e sidad de San iago de Compos ela, San iago de Compos ela, Espanha
Bea iz Oli ei a Pe ei a
Uni e sidade do Minho, B aga, Po ugal
Sil a, J. L. & cols. Bullying e Habilidades Sociais
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Lisboa, B aga, & Ebe , 2009). Exis e ambém o cybe -
bullying, que se e e e a ag essões p a icadas ia in e ne ,
po exemplo, en io de mensagens o ensi as em edes
sociais (Bald y, Fa ing on, & So en ino, 2015).
A oco ência do bullying, em suas di e en es o mas,
iola o di ei o de c ianças e adolescen es à educação e à
segu ança nos ambien es de ap endizagem (The Uni ed
Na ions Educa ional, Scien i ic and Cul u al O gani-
za ion - UNESCO, 2017). En e an o, a a-se de um
enômeno p esen e em escolas do mundo odo, inde-
penden emen e de di e enças é nicas, socioeconômicas
e cul u ais (Ma os, 2012). A li e a u a in e nacional
ela a axas de oco ência em di e en es países en e
7% a 43% pa a í imas, e de 5% a 44% pa a os ag esso-
es (Cook e al., 2010). No B asil, a média en ol endo
ag essão e i imização é de 28% (B asil, 2016). Esse
pano ama di icul a o o e ecimen o de uma educação de
qualidade, equi a i a e que p omo a o desen ol imen o
in eg al dos es udan es, po eles i encia em si uações
de iolência na escola (Bins eld, 2010; da Sil a e al.,
2016; UNESCO, 2017).
O bullying é um enômeno complexo que ap esen a
múl iplos a o es associados a aspec os con ex uais
(ausência de eg as escola es, pouca supe isão dos
es udan es, g ande amanho das u mas, ní eis ele ados
de desigualdade social na comunidade, en e ou os) e
aspec os pessoais dos es udan es (po exemplo: ansie-
dade, imidez, isolamen o social, baixa au oes ima e
dé ici s nas habilidades sociais) (Aze edo e al., 2015;
Oli ei a e al., 2016; Sil a e al., 2016). En e an o,
nes e es udo se á ocado somen e um a o associado
ao bullying, os dé ici s nas habilidades sociais dos es u-
dan es, uma ez que as habilidades sociais podem se
ensinadas e, po an o, podem auxilia na p e enção e
edução de si uações de iolência en e pa es na escola,
além de a o ece em a ap endizagem, a o mação de
amizades e o apoio social en e os es udan es (Almeida
& Lisboa, 2014; Jenkins, Dema ay, F ed ick, & Sum-
me s, 2016; Julie, Renee, & Ba ba a, 2012).
Habilidades sociais cons i uem compo amen os
que pe mi em que uma pessoa seja a aliada como com-
pe en e no desen ol imen o de alguma a e a social (Del
P e e & Del P e e, 2013). Alguns exemplos de classes
de habilidades sociais são as habilidades de au ocon-
ole e exp essi idade emocional (con ola o humo ,
ole a us ações, acalma -se, exp essa emoções posi-
i as e nega i as, en e ou as), asse i idade (exp essão
de desag ado, lida com c í icas, aze e ecusa pedidos
e c.), ci ilidade ( o mas educadas de a amen o, gen-
ilezas), empa ia (po exemplo: demons a espei o às
di e enças, exp essa comp eensão pelo sen imen o ou
expe iência do ou o), aze amizades ( aze pe gun as
pessoais, elogia , o e ece ajuda, inicia e man e con-
e sação e c.) e solução de p oblemas in e pessoais
(pensa an es de oma decisões, iden i ica e a alia
possí eis al e na i as de solução, a alia o p ocesso de
decisão, en e ou as) (Del P e e & Del P e e, 2013).
Em sín ese, habilidades sociais cons i uem um
conjun o de habilidades ap endidas que pe mi em que
uma pessoa in e aja de o ma adequada em si uações
sociais (VandenBos, 2015). Di e en emen e, compe-
ência social é um concei o mais amplo que se e e e
à capacidade das pessoas em a alia si uações sociais
e, a pa i dessa a aliação, seleciona e aplica com-
po amen os mais ap op iados ao con ex o social
(VandenBos, 2015). Na compe ência social, os indi í-
duos u ilizam os seus ecu sos in e nos (pensamen os e
sen imen os) em a iculação com os ecu sos ex e nos
(aspec os sociais e cul u ais) pa a a ingi em um obje i o
pessoal com consequências posi i as pa a si mesmo e
pa a as ou as pessoas, inculando habilidades sociais e
esul ados sociais, de modo con ex ualizado (Del P e e
& Del P e e, 2013).
Uma pessoa socialmen e habilidosa possui um
bom epe ó io de habilidades sociais que se e le e em
sua compe ência social, ou seja, na coe ência e uncio-
nalidade de seu desempenho social, de modo a, po
exemplo, inicia e man e amizades, esol e p oble-
mas in e pessoais de o ma a não ge a mais con li os e
possui um bom con ole emocional (Del P e e & Del
P e e, 2013). Po an o, as habilidades sociais podem
auxilia na p e enção e edução do bullying escola .
Po ou o lado, a exis ência de dé ici s nas habili-
dades sociais ocasiona di iculdades de elacionamen o
in e pessoal que podem, po exemplo, esul a em iso-
lamen o social, que é um aspec o de ulne abilidade à
i imização po bullying (Sil a e al., 2016). Es udos indi-
cam que as í imas ge almen e ap esen am epe ó io
eduzido de habilidades sociais que esul am em com-
po amen os, na maio ia das ezes, passi os (Hussein,
2013; Julie e al., 2012). Já as í imas-ag esso as (es u-
dan es que so em ag essões, mas ambém as p a icam)
ambém podem ap esen a p oblemas no au ocon ole
e exp essi idade emocional (Hussein, 2013). Em elação
aos ag esso es, exis em indicações de que eles possuem
di iculdades pa a lida em com desa ios in e pessoais, e
que a melho ia de suas habilidades sociais pode eduzi
as ag essões que p a icam, po exemplo, no es udo de
Be y e Hun (2009), oi iden i icada edução de 20,6%
nas ag essões após uma in e enção baseada em habi-
lidades sociais.
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Em con apa ida, a li e a u a ambém indica que
os ag esso es possuem um bom epe ó io de habili-
dades sociais e que são hábeis em manipula o g upo
de pa es (Jenkins e al., 2016; Te oso, Wend , Oli ei a,
& A gimon, 2016). Nesse caso, possui iam dé ici s
de na u eza é ico-mo al, e não nas habilidades sociais
(Sil a e al., 2018). Embo a exis am indicações de que
a ausência de empa ia se da ia de ido a uma baixa
esponsi idade a e i a dos ag esso es em elação às
í imas, po ém sem comp ome imen os cogni i os, o
que jus i ica ia a habilidade deles em an ecipa espos-
as emocionais e compo amen ais de ou as pessoas,
conseguindo, assim, se em popula es no g upo de pa es
e manipula em pessoas e si uações sociais (Espelage,
Hing, King, & Nam, 2018; Smi h, 2017). As habilidades
sociais ambém são impo an es pa a os es udan es que
es emunham as si uações de bullying pa a que possam
de ende ou pedi ajuda pa a o colega que es eja sendo
ag edido (Julie e al., 2012).
Possui um bom epe ó io de habilidades sociais
ambém é undamen al em pe íodos da escola ização
que implicam em g andes mudanças, como oco e nas
ansições escola es. No B asil, as ansições escola-
es oco em nas mudanças de ní eis de ensino, uma
delas se localiza na mudança do quin o ao sex o ano
do Ensino Fundamen al. O Ensino Fundamen al I
comp eende o pe íodo en e o p imei o e o quin o
ano, e o Ensino Fundamen al II ab ange o pe íodo
do sex o ao nono ano de escola ização (San os & Soa-
es, 2016). Nesse pe íodo de ansição pa a o sex o
ano, os es udan es ge almen e mudam de escola, a
quan idade de ma é ias escola es é ampliada, p ecisam
in e agi com maio quan idade de p o esso es e o -
ma em no as amizades com colegas desconhecidos
(Sil a e al., 2018). Simul aneamen e a esses e en-
os, pa a a maio ia dos es udan es, oco e o início da
adolescência, pe íodo assinalado po ans o mações
biológicas e psicossociais (Sil a e al., 2016). Assim, a
ansição escola pode se i enciada po mui os es u-
dan es como um pe íodo desa iado . É nesse pe íodo
que se localiza um dos picos de oco ência de bullying
(Olweus, 2013; San os & Soa es, 2016).
O obje i o des e es udo quan i a i o e ans e sal
oi e i ica possí eis di e enças nas habilidades sociais
de es udan es en ol idos e não en ol idos em si uações
de bullying no pe íodo de ansição escola . Espe a-se
que os es udan es í imas, ag esso es e í imas-ag es-
so as ap esen em ní eis mais ebaixados de habilidades
sociais em elação aos es udan es não en ol idos em
si uações de bullying (C aw o d & Manassis, 2011).
Também é espe ado que os ag esso es e as í imas-
-ag esso as demons em di iculdades em elação à
empa ia e au ocon ole emocional em compa ação com
os es udan es não en ol idos (Unne e 2005; Zych,
T o i, & Fa ing on, 2016). Espe a-se igualmen e que
a habilidade de pa icipação das í imas se á meno em
compa ação com ag esso es, í imas-ag esso as e es u-
dan es não en ol idos (Sil a e al., 2018).
Mé odo
Pa icipan es
A amos a do es udo oi compos a po 408 es u-
dan es do 6º ano do Ensino Fundamen al de seis
escolas públicas es aduais de uma cidade do in e io
do Es ado de São Paulo, B asil, com idades en e 10 e
12 anos, média de 11,3 anos (DP = 0,62 anos). Pouco
mais da me ade pe encia ao sexo eminino (54,9%). A
maio ia dos es udan es (92,6%) não possuía ep o a-
ções escola es. Em elação ao ní el socioeconômico,
64,2% pe enciam a amílias das classes B2 e C1, como
41% da população b asilei a, conside ando-se a dis i-
buição nacional de classes: A (3%), B1 (5%), B2 (18%),
C1 (23%), C2 (25%) e D-E (27%) (ABEP, 2015). A
co da pele au o ela ada ap esen ou a seguin e dis i-
buição: pa dos (46,1%, n = 188), b ancos (40,9%, n =
167), neg os (6,1%, n = 25), ama ela (4,9%, n = 20) e
indígena (2,0%, n = 8).
Ins umen os
Escala de Vi imização e Ag essão en e Pa es - EVAP
(Cunha, Webe , & S eine Ne o, 2009). Escala com-
pos a po 18 ques ões elacionadas a compo amen os
ag essi os p a icados ou so idos no ambien e escola .
Pode se aplicada em es udan es do 6º ano do Ensino
Fundamen al ao 3º ano do Ensino Médio e demo a
ap oximadamen e dez minu os pa a se espondida. Os
es udan es êm de assinala a equência com que p a-
ica am ou so e am ag essões ísicas di e as, indi e as
e elacionais. As ag essões e i imizações ísicas di e as
são a aliadas median e p o ocações, b igas, empu ões,
socos, chu es e xingamen os. As ag essões e i imiza-
ções ísicas indi e as en ol em ouba ou mexe nos
pe ences dos colegas. Já as ag essões e i imizações
elacionais ab angem ações de exclusão de g upos ou
b incadei as, coloca apelidos que os colegas não gos-
em, espalha boa os e incen i a b igas. As espos as às
ques ões são p eenchidas em uma escala do ipo Like
(nunca, quase nunca, às ezes, quase semp e, semp e).
Análises psicomé icas indicam consis ência in e na
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(al a de C onbach) pa a i imização e ag essão a iando
en e 0,72 e 0,81.
Sis ema Mul imídia de Habilidades Sociais pa a C ianças
- SMHSC (Del P e e & Del P e e, 2005). O SMHSC é
um ins umen o in o ma izado de au o ela o de habi-
lidades sociais que pode se aplicado em c ianças com
a é 12 anos. O SMHSC é compos o po 21 ídeos p in-
cipais com si uações de c ianças in e agindo com ou as
c ianças e adul os. Cada si uação ap esen a ou os ês
ídeos cu os que desc e em espos as compo amen-
ais al e na i as pa a a si uação ap esen ada no ídeo
p incipal, a sabe : habilidosa, passi a e a i a. Após cada
uma das espos as compo amen ais são ealizadas duas
pe gun as: 1. “Você cos uma aze desse jei o?”, cujas
opções de espos a são: “a. semp e, b. às ezes ou c.
nunca”; 2. “O que ocê acha de aze desse jei o?”, cujas
opções de espos a são: “a. ce o, b. mais ou menos ou
c. e ado”. Somen e na eação habilidosa é ealizada
uma e cei a pe gun a: “Você em di iculdade em aze
desse jei o?”, cujas opções de espos a são: “a. mui a, b.
pouca, c. nenhuma”.
As classes ge ais de habilidades sociais a aliadas
e e em-se à: (1) empa ia e ci ilidade, (2) asse i idade
de en en amen o e (3) au ocon ole e pa icipação.
Especi icamen e, as habilidades sociais são a aliadas
median e compo amen os p ó-sociais (ajuda a colegas
nas a e as escola es), ajus amen o social ( ica jun o a
ou as pessoas), cognição social ( esponde adequada-
men e a p o ocações de colegas), compe ência social
(pa icipação em a i idades cole i as), en e ou os. O
ins umen o o nece esco es b u os e pad onizados
ace ca das dimensões a aliadas. Nes e es udo, o am
u ilizados os esco es pad onizados o necidos pelo so -
wa e de co eção do ins umen o. O empo ap oximado
pa a se espondido é de ap oximadamen e 35 minu os.
Na amos a des e es udo, o ins umen o ap esen ou
consis ência in e na (al a de C onbach) de 0,86.
Ques ioná io de Ca ac e ização Sociodemog á ica. Ques-
ioná io elabo ado pa a es a pesquisa com o obje i o
de ob e in o mações sociodemog á icas dos pa ici-
pan es e que possibili em a sua ca ac e ização. Possui
uma pa e e e en e à iden i icação, em e mos de idade,
da a de nascimen o, ep o ações escola es, cons i-
uição amilia , escola idade dos pais e p o issão que
exe cem. Ap esen a ainda uma abela de classi icação
socioeconômica baseada no C i é io de Classi icação
Socioeconômica B asil (ABEP, 2015), que a alia o ní el
econômico median e um checklis ela i o à posse de
bens de consumo, com classi icação das classes em: A,
B1, B2, C1, C2, D-E.
P ocedimen os
As escolas o am selecionadas de o ma não p o-
babilís ica, po con eniência. A cole a de dados oco eu
en e os meses de e e ei o e ma ço de 2015 em 18
u mas de sex o ano do Ensino Fundamen al. Todos os
es udan es elegí eis (n = 522) ecebe am e balmen e
in o mações de alhadas sob e a pesquisa, sob e a li e
pa icipação e ace ca da possibilidade de in e ompê-
-la a qualque momen o, caso não quisessem mais
esponde aos ins umen os de cole a de dados. Pa a
os in e essados em pa icipa do es udo, ap esen ou-
-se o Te mo de Assen imen o pa a que assinassem e o
Te mo de Consen imen o Li e e Escla ecido (TCLE)
pa a se assinado pelos pais ou esponsá eis.
Os c i é ios de inclusão dos es udan es o am:
es a egula men e ma iculado na escola, es a
p esen e no dia de aplicação do ques ioná io, e con-
co dado em colabo a com a pesquisa e ap esen a o
Te mo de Consen imen o Li e e Escla ecido (TCLE)
assinado pelos pais ou esponsá eis. A cole a de dados
oco eu nas escolas du an e o ho á io de aula. Todos
os pa icipan es esponde am cole i amen e os ins u-
men os (EVAP e SMHSC). Ambos o am espondidos
em o ma imp essa. No caso especí ico do IMHSC,
os 21 ídeos p incipais, bem como os demais ídeos
e e en es às ês espos as compo amen ais a cada
um deles co esponden es (a i a, passi a e habilidosa),
o am p oje ados pa a que odos os pa icipan es
pudessem assis i-los simul aneamen e e esponde em
as ques ões pe inen es a cada ídeo em um gaba i o
imp esso. Dois pesquisado es o neciam ins uções
sob e o p eenchimen o dos dois ins umen os de
cole a de dados e ica am de p on idão pa a o escla e-
cimen o de dú idas. O empo o al da cole a de dados
e a de ap oximadamen e 45 minu os em cada uma das
18 u mas in es igadas.
Análise dos Dados
As a iá eis sociodemog á icas (idade, sexo, ní el
socioeconômico e co da pele), ob idas pelo ques io-
ná io sociodemog á ico, o am desc i as em equência
e po cen agem ou média e des io pad ão. As demais
a iá eis do es udo o am desc i as em média e des io
pad ão.
A de inição dos pe is de en ol imen o dos es u-
dan es em si uações de bullying ( í ima, í ima-ag esso a,
ag esso ) e não en ol ido, de aco do com as espos as
da escala EVAP, oi ealizada median e análises de ag u-
pamen o (clus e ) u ilizando-se o mé odo hie á quico de
Wa d, que ende a cons ui ag upamen os de amanhos
Sil a, J. L. & cols. Bullying e Habilidades Sociais
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ap oximadamen e iguais (Seidel e al., 2008). Fo am
o mados qua o g upos: (1) Não en ol idos (baixa e-
quência de i imização e baixa equência de ag essão);
(2) Ví imas (al a equência de i imização e baixa ou
mode ada equência de ag essão); (3) Ag esso es (al a
equência de ag essão e baixa ou mode ada equência
de i imização); e (4) Ví imas-ag esso as (al a equên-
cia de i imização e al a equência de ag essão).
Análises de a iância (ANOVA) o am ealizadas
pa a cada uma das a iá eis dependen es (habilidades
sociais) com os papéis de pa icipação no bullying ( í i-
mas, í imas-ag esso as e ag esso es) e não en ol idos.
Tes es pos hoc, u ilizando a co eção de Bon e oni pa a
compa ações múl iplas, o am u ilizados pa a escla ece
as di e enças en e os g upos. Coe icien es de co e-
lação de Spea man o am calculadas pa a examina as
elações en e os papéis de pa icipação no bullying e as
a iá eis de habilidades sociais. Todas as análises o am
ealizadas no p og ama S a is ical Package o he Social
Sciences (SPSS) 22. Conside ou-se pa a odas as análises
um ní el de signi icância de 5%, p < 0,05.
Conside ações É icas
O es udo oi ap o ado pelo Comi ê de É ica
em Pesquisa da Uni e sidade de São Paulo (Pa ece
n. 18/2015). Os es udan es ecebe am in o mações
de alhadas sob e a pesquisa. Somen e pa icipa am
da cole a de dados aqueles que olun a iamen e con-
sen i am em colabo a com a in es igação, assinando
o Te mo de Assen imen o e ap esen ando o Te mo
de Consen imen o Li e e Escla ecido assinado po
um esponsá el. Em odas as e apas do es udo o am
seguidas as ecomendações e o ien ações da esolução
466/2012 do Conselho Nacional de Saúde.
Resul ados
Em elação ao bullying, os es udan es da amos a
(n = 408) o am classi icados como: não en ol idos
(41,9%, n = 171), ag esso es (33,1%, n = 135), í imas
(14,5%, n = 59) e í imas-ag esso as (10,5%, n = 43).
Os meninos o am mais ag esso es (57,0%, n = 77) e
í imas-ag esso as (51,2%, n = 22), enquan o as meni-
nas o am mais í imas (64,4%, n = 38) e não en ol idas
(62,6%, n = 72). Os esul ados pa a empa ia e ci ilidade
es ão ap esen ados na Tabela 1.
Pa a empa ia e ci ilidade, análises de a iância
indica am ausência de di e enças es a is icamen e sig-
ni ica i as no modelo ge al em elação à equência e
à adequação das espos as habilidosas. Em elação à
equência das espos as passi as, hou e di e ença es a-
is icamen e signi ica i a (F (3, 327) = 6,93, p < 0,001)
no modelo ge al, po ém o es e de pos hoc indicou-
-a somen e en e as í imas-ag esso as (maio média)
e os não en ol idos. A di e ença signi ica i a (F (3,
327) = 12,53, p < 0,001) localizada no modelo ge al
pa a as espos as a i as, no es e pos hoc localizou-se
en e as í imas-ag esso as (maio média) e o g upo de
não en ol idos e o g upo de í imas, bem como en e
Tabela 1.
Compa ação das médias de empa ia e ci ilidade en e os g upos de í imas, í imas ag esso as, ag esso es e não en ol idos em si uações de
bullying
Empa ia
e Ci ilidade Respos as
Ví ima
(n = 59)
Ví ima-
ag esso a
(n = 43)
Ag esso
(n = 135)
Não en ol ido
(n = 171) Ano a
M DP M DP M DP M DP F p
F equência HBA 1,53 0,40 1,54 0,29 1,50 0,34 1,53 0,32 0,25 0,858
NHP 0,62 0,25 0,75 0,36 0,67 0,31 0,53 0,29 6,93 0,010
NHA 0,33 0,33 0,51 0,50 0,40 0,43 0,17 0,29 12,53 <0,001
Adequação HBA 1,83 0,27 1,82 0,24 1,75 0,32 1,84 0,25 2,20 0,087
NHP 0,56 0,29 0,68 0,37 0,67 0,31 0,55 0,29 4,44 0,004
NHA 0,22 0,34 0,39 0,48 0,32 0,38 0,18 0,29 5,06 0,002
Di iculdade HBA 0,43 0,36 0,55 0,46 0,44 0,42 0,33 0,35 3,87 0,010
No a. HBA = Habilidosa; NHP = Não Habilidosa Passi a; NHA = Não Habilidosa A i a.

Sil a, J. L. & cols. Bullying e Habilidades Sociais
Psico-USF, B agança Paulis a, . 27, n. 1, p. 17-29, jan./ma . 2022
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as í imas e não en ol idos e en e ag esso es e não
en ol idos. O es e pos hoc cla i icou que, em elação
à adequação das espos as a i as, a di e ença signi i-
ca i a en e os g upos (F (3, 327) = 5,06, p = 0,002)
que oco eu no modelo ge al, localizou-se especi ica-
men e en e as í imas-ag esso as e as í imas e en e
as í imas-ag esso as e os não en ol idos. Di e enças
signi ica i as no pos hoc ambém oco e em en e o
g upo dos não en ol idos (meno média) e os g upos
dos ag esso es e das í imas, bem como en e o g upo
dos ag esso es e das í imas. A única di e ença es a is-
icamen e signi ica i a (F (3, 327) = 3,87, p = 0,010)
no modelo ge al em elação à di iculdade em exe ce a
empa ia e a ci ilidade nas elações in e pessoais oco -
eu no es e pos hoc en e as í imas-ag esso as (maio
média) e os não en ol idos (Tabela 1). A Tabela 2 ap e-
sen a os esul ados pa a au ocon ole.
Pa a o au ocon ole, ap esen ado na Tabela 2,
não hou e di e enças signi ica i as no modelo ge al
no ocan e à equência das espos as habilidosas e das
espos as não habilidosas passi as, po ém as médias
de equência das espos as não habilidosas a i as
di e encia am-se signi ica i amen e en e os g upos (F
(3, 327) = 8,69, p < 0,001). O es e pos hoc iden i i-
cou que as di e enças signi ica i as pa a as espos as
a i as localiza am-se en e o g upo das í imas-ag es-
so as (maio média) e o g upo das í imas e o g upo
dos não en ol idos. O g upo dos ag esso es ambém
di e enciou-se signi ica i amen e do g upo dos não
pa icipan es e do g upo das í imas. Em elação à ade-
quação das espos as, hou e di e ença signi ica i a no
modelo ge al nas médias dos g upos e e en es à ade-
quação das espos as não habilidosas a i as (F (3, 327)
= 6,52, p < 0,001), po ém o es e pos hoc localizou-a
somen e en e o g upo dos ag esso es e o g upo dos
não en ol idos. No ocan e à di iculdade em se exe -
ce o au ocon ole nas elações in e pessoais, hou e
di e ença signi ica i a en e as médias dos g upos (F
(3, 327) = 6,64, p < 0,001) no modelo ge al, po ém
apenas en e as í imas-ag esso as (maio média) e
os não en ol idos, con o me demons ado pelo es e
pos hoc. Os esul ados pa a a asse i idade de en en-
amen o são ap esen ados na Tabela 3.
Na Tabela 3, e e en e à asse i idade, os esul-
ados indica am que as di e enças signi ica i as no
modelo ge al nas equências das espos as passi as (F
(3, 327) = 9,25, p < 0,001) e a i as (F (3, 327) = 10,33,
p < 0,001) localiza am-se, no es e pos hoc, em ambas
as a iá eis, somen e en e o g upo dos não en ol idos
(meno média) e os ou os ês g upos ( í imas ag es-
so as, í imas e ag esso es). Re e en e à adequação das
espos as habilidosas, as di e enças signi ica i as en e
os g upos (F (3, 327) = 5,12, p = 0,002) no modelo
ge al localiza am-se no es e pos hoc en e o g upo das
í imas (maio média) e os g upos: í imas-ag esso as
e ag esso es. Os g upos ambém se di e encia am no
modelo ge al na adequação das espos as a i as (F (3,
327) = 5,71, p = 0,001), po ém somen e en e as í i-
mas-ag esso as (maio média) e as í imas e en e as
í imas-ag esso as e os não en ol idos no es e pos
hoc. A Tabela 4 ap esen a os esul ados pa a a habili-
dade de pa icipação.
Tabela 2.
Compa ação das médias de au ocon ole en e os g upos de í imas, í imas ag esso as, ag esso es e não en ol idos em si uações de
bullying
Au ocon ole Reações
Ví ima
(n = 59)
Ví ima-
ag esso a (n =
43)
Ag esso (n =
135)
Não en ol ido
(n = 171) Ano a
M DP M DP M DP M DP F P
F equência HBA 1,24 0,44 1,29 0,44 1,20 0,42 1,18 0,41 0,83 0,479
NHP 0,77 0,38 0,90 0,40 0,72 0,36 0,74 0,41 1,98 0,117
NHA 0,55 0,44 0,75 0,57 0,66 0,49 0,41 0,40 8,69 <0,001
Adequação HBA 1,63 0,32 1,64 0,35 1,56 0,39 1,58 0,36 0,70 0,553
NHP 1,07 0,37 1,09 0,42 1,11 0,42 1,08 0,40 0,13 0,944
NHA 0,42 0,43 0,54 0,54 0,61 0,47 0,37 0,39 6,52 <0,001
Di iculdade HBA 0,54 0,39 0,65 0,45 0,52 0,41 0,37 0,38 6,64 <0,001
No a. HBA = Habilidosa; NHP = Não Habilidosa Passi a; NHA = Não Habilidosa A i a.
Sil a, J. L. & cols. Bullying e Habilidades Sociais
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Nas habilidades de pa icipação (Tabela 4), os
esul ados indica am di e enças signi ica i as nas médias
dos g upos no modelo ge al na equência de espos as
não habilidosas a i as (F (3, 327) = 13,58, p < 0,001).
As di e enças signi ica i as localiza am-se no es e pos
hoc en e o g upo das í imas-ag esso as (maio média)
com o g upo das í imas e o g upo dos não en ol i-
dos. Também en e o g upo dos não en ol idos (meno
média) com o g upo dos ag esso es e o g upo das í i-
mas. Em elação à adequação das espos as a i as, os
qua o g upos di e encia am-se signi ica i amen e (F
(3, 327) = 8,21, p < 0,001) no modelo ge al. As di e en-
ças signi ica i as localiza am-se no es e pos hoc en e
o g upo das í imas-ag esso as (maio média) e o g upo
das í imas e o g upo dos não en ol idos, bem como
en e o g upo dos não en ol idos (meno média) e o
g upo dos ag esso es. No ocan e à di iculdade em se
exe ce a pa icipação nas elações in e pessoais, hou e
di e ença signi ica i a en e as médias dos g upos (F (3,
327) = 2,78, p = 0,041) no modelo ge al, localizadas pelo
es e pos hoc en e o g upo das í imas-ag esso as e os
demais g upos: ag esso es, í imas e não en ol idos. As
Tabela 3.
Compa ação das médias de asse i idade de en en amen o en e os g upos de í imas, í imas ag esso as, ag esso es e não en ol idos em
si uações de bullying
Asse i idade de
En en amen o Reações
Ví ima
(n = 59)
Ví ima-
ag esso a (n
= 43)
Ag esso (n
= 135)
Não
en ol ido (n
= 171)
Ano a
M DP M DP M DP M DP F P
F equência HBA 1,22 0,37 1,27 0,40 1,18 0,38 1,14 0,42 1,13 0,337
NHP 0,79 0,34 0,94 0,46 0,81 0,30 0,65 0,33 9,25 <0,001
NHA 0,89 0,47 1,07 0,47 0,92 0,50 0,65 0,51 10,33 <0,001
Adequação HBA 1,63 0,31 1,39 0,50 1,41 0,38 1,53 0,39 5,12 0,002
NHP 0,73 0,31 0,75 0,41 0,79 0,30 0,74 0,34 0,61 0,609
NHA 0,63 0,41 0,95 0,49 0,84 0,47 0,67 0,52 5,72 0,001
Di iculdade HBA 0,43 0,35 0,51 0,41 0,45 0,35 0,39 0,42 1,21 0,305
No a. HBA = Habilidosa; NHP = Não Habilidosa Passi a; NHA = Não Habilidosa A i a.
Tabela 4.
Compa ação das médias de pa icipação en e os g upos de í imas, í imas ag esso as, ag esso es e não en ol idos em si uações de
bullying
Pa icipação Reações Ví ima
(n = 59)
Ví ima-
ag esso a
(n = 43)
Ag esso
(n = 135)
Não-
en ol ido
(n = 171)
Ano a
M DP M DP M DP M DP F P
F equência HBA 1,39 0,34 1,41 0,47 1,31 0,43 1,42 0,40 1,63 0,181
NHP 0,77 0,40 0,89 0,48 0,74 0,38 0,73 0,44 1,33 0,265
NHA 0,48 0,42 0,69 0,60 0,55 0,50 0,27 0,35 13,58 <0,001
Adequação HBA 1,83 0,27 1,77 0,32 1,72 0,39 1,82 0,31 2,07 0,104
NHP 0,87 0,51 0,79 0,57 0,81 0,46 0,79 0,44 0,42 0,739
NHA 0,44 0,42 0,65 0,64 0,50 0,45 0,30 0,36 8,21 <0,001
Di iculdade HBA 0,54 0,50 0,74 0,49 0,50 0,44 0,51 0,46 2,78 0,041
No a. HBA = Habilidosa; NHP = Não Habilidosa Passi a; NHA = Não Habilidosa A i a.
Sil a, J. L. & cols. Bullying e Habilidades Sociais
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co elações en e os papéis de pa icipação no bullying
e as a iá eis de habilidades sociais es ão ap esen ados
na Tabela 5.
Na Tabela 5, o coe icien e de co elação de
Spea man indicou que pa a a maio ia das espos-
as não habilidosas a i as e não habilidosas passi as
hou e co elação posi i a com as a iá eis de ag es-
são e i imização, indicando que quan o maio o ní el
dessas espos as, maio o ní el de i imização ou
ag essão e ice- e sa. Po ém, somen e algumas dessas
co elações o am es a is icamen e signi ica i as. Co -
elações posi i as, sendo algumas delas signi ica i as,
ambém o am iden i icadas em elação às espos as
habilidosas e ag essão e i imização. En e an o, nas
espos as habilidosas ambém o am iden i icadas
algumas co elações nega i as com as a iá eis de
ag essão e i imização, indicando que, quan o maio
o ní el de espos as habilidosas, meno a p á ica de
ag essão e a i imização e ice- e sa. Apenas algumas
dessas co elações o am signi ica i as.
Tabela 5.
Co elações en e as a iá eis de habilidades sociais e os ipos de ag essão e i imização
Fa o es Indicado es Reações Ag essão
di e a
Ag essão
elacional
Ag essão
indi e a
Vi imização
di e a
Vi imização
elacional
Vi imização
indi e a
Empa ia e
Ci ilidade
F equência HBA -0,046 -0,118*-0,026 0,078 -0,011 0,101
NHP 0,160** 0,294** 0,078 0,172** 0,188** 0,130*
NHA 0,413** 0,424** 0,204** 0,250** 0,221** 0,150**
Adequação HBA -0,085 -0,181** 0,008 -0,005 -0,037 0,026
NHP 0,081 0,219** -0,015 0,077 0,088 0,116*
NHA 0,273** 0,277** 0,127*0,129*0,104 0,078
Di iculdade HBA 0,053 0,187** 0,114*0,165** 0,194** 0,068
Asse i idade de
En en amen o
F equência HBA -0,017 0,009 -0,066 0,105 0,118*0,077
NHP 0,159** 0,195** 0,038 0,221** 0,182** 0,248**
NHA 0,439** 0,409** 0,137*0,233** 0,240** 0,147**
Adequação HBA -0,073 -0,126*-0,032 -0,027 -0,041 0,088
NHP 0,011 0,069 -0,025 -0,011 0,004 0,135*
NHA 0,303** 0,224** 0,049 0,063 0,120*0,048
Di iculdade HBA 0,053 0,129*0,091 0,153** 0,151** 0,030
Au ocon ole
F equência HBA 0,039 0,041 0,012 0,108*0,107 0,110*
NHP 0,029 0,018 0,032 0,096 0,095 0,027
NHA 0,382** 0,365** 0,134*0,146** 0,181** 0,118*
Adequação HBA 0,004 0,035 0,087 0,071 0,093 0,052
NHP 0,020 0,027 0,031 0,006 0,019 0,006
NHA 0,252** 0,219** 0,014 0,072 0,100 0,036
Di iculdade HBA 0,176** 0,208** 0,149** 0,255** 0,196** 0,142**
Pa icipação
F equência HBA -0,068 -0,111*-0,080 0,012 -0,016 0,016
NHP 0,066 0,040 0,013 0,025 0,096 0,080
NHA 0,340** 0,355** 0,049 0,240** 0,188** 0,143**
Adequação HBA 0,029 -0,103 -0,079 -0,027 -0,084 -0,005
NHP 0,058 0,030 0,025 -0,003 0,002 0,047
NHA 0,261** 0,270** 0,025 0,137*0,102 0,057
Di iculdade HBA 0,012 0,048 0,089 0,124*0,123*0,057
No a. HBA = Habilidosa; NHP = Não Habilidosa Passi a; NHA = Não Habilidosa A i a. * = p < 0,05. ** = p < 0,001.
Sil a, J. L. & cols. Bullying e Habilidades Sociais
Psico-USF, B agança Paulis a, . 27, n. 1, p. 17-29, jan./ma . 2022
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Discussão
Es e es udo obje i ou e i ica possí eis di e en-
ças nas habilidades sociais de es udan es en ol idos
e não en ol idos em si uações de bullying no pe íodo
de ansição escola . A maio ia (58,1%) pa icipa a no
bullying como ag esso es, í imas ou í imas-ag esso as.
Essa p e alência é duas ezes maio do que a média
nacional de ap oximadamen e 28% (Mello e al., 2017),
po ém es á abaixo de po cen agens iden i icadas po
ou os es udos nacionais desen ol idos com amos as
não ep esen a i as, que iden i ica am, po exemplo,
axas de oco ência de bullying de 67,5% na cidade de
Po o Aleg e, localizada no es ado do Rio G ande do
Sul (Bandei a & Hu z, 2012) e 67,4% na cidade de
Olinda, localizada no es ado de Pe nambuco (B i o &
Oli ei a, 2013).
É impo an e des aca que as pesquisas sob e
bullying ap esen am g ande a iação nos ins umen os
u ilizados e di e enças nos pe íodos de empo de oco -
ência das ag essões, o que di icul a a compa ação de
es udos na emá ica (Sil a e al., 2017). En e an o, inde-
penden emen e de possí eis di e enças na mensu ação,
o bullying é um enômeno g a e que a e a nega i amen e
o desen ol imen o de c ianças e adolescen es que
p ecisa se p e enido e en en ado nos con ex os
escola es, mesmo com axas de oco ência meno es.
Esses dados explici am a g a idade do bullying
como um enômeno mui o p esen e nos ambien es
escola es. A maio quan idade de meninos como ag es-
so es e í imas-ag esso as ambém oi iden i icado po
ou as pesquisas (C ochík, 2016; Mello e al., 2017;
Bandei a & Hu z, 2012). Isso pode se jus i icado po
exigências de na u eza cul u al, como a necessidade de
ansmissão de uma imagem de masculinidade, domi-
nação e pode , que es imula os meninos a se em mais
ag essi os nas in e ações sociais (Oli ei a e al., 2016).
Em elação às habilidades sociais, os esul ados
pa a empa ia e ci ilidade indica am as í imas-ag es-
so as com maio quan idade de espos as a i as e
passi as, além de maio di iculdade em p a ica as es-
pos as habilidosas. Esse esul ado é simila a es udos
an e io es, que iden i ica am a condição de í ima-
-ag esso a elacionada a baixas habilidades sociais
(Lodde e al., 2016; Noo den e al., 2017). De modo
ge al, esses es udan es que so em e p a icam bullying,
possuem compo amen o deso ganizado e impul-
si o, eagem ine icazmen e nas ag essões, ap esen am
di iculdade em egula suas emoções e ca ecem de
habilidades de esolução de con li os pa a esol e em
adequadamen e seus p oblemas elacionais (Julie e al.,
2012; Sil a e al., 2018).
A maio quan idade de espos as a i as e passi as
indica que as í imas-ag esso as não conseguem exp es-
sa adequadamen e a empa ia com seus pa es, is o é,
demons a espei o pelas di e enças, comp eende as
emoções ou as expe iências de seus colegas (Del P e e
& Del P e e, 2013). Essa ca ac e ís ica pode a o ece
in e p e ações inco e as de in enções ou de compo a-
men os a elas di igidos, po exemplo, conside a em um
compo amen o comum como uma ameaça pessoal e
assim agi em com ag essi idade (Noo den e al., 2017),
o que ajuda a explica os baixos ní eis de ci ilidade
iden i icados pa a as í imas-ag esso as, no sen ido de
não es a em se elacionando com seus pa es de o ma
educada, gen il.
A ci ilidade e a empa ia são impo an es, sob e-
udo em elação ao compo amen o de ajuda ou de esa
de uma í ima de bullying (Jenkins e al., 2016). Quando
um colega de escola não em a capacidade de no a e
de demos a p eocupação com o bem-es a de seus
pa es, di icilmen e ele mani es a á a i udes de supo e
ou ajuda (Jenkins e al., 2016). Assim, a empa ia é uma
ca ac e ís ica impo an e pa a pensa a dinâmica do
bullying, pois es udan es com essa ca ac e ís ica podem
se menos ole an es à iolência/ag essões na escola e
mais p opensos a in e i em quando es emunham a
oco ência do bullying.
Consis en e com esul ados an e io es (Vazsonyi
e al., 2012; Unne e 2005; Haynie e al., 2001), os
es udan es que p a ica am bullying (ag esso es e í i-
mas ag esso as) ap esen a am menos au ocon ole,
com maio quan idade de espos as não habilidosas a i-
as (ag essi as). Uma pessoa com baixo au ocon ole
ende a p e e i g a i icação imedia a e se menos ap a
a se iden i ica com as necessidades, emoções e pe s-
pec i as dos ou os, o que pode se uma das causas da
maio quan idade de espos as a i as dos ag esso es e
í imas-ag esso as des e es udo. Em sen ido opos o,
os es udan es não en ol idos demons a am maio
au ocon ole, que se e le iu em meno quan idade de
espos as a i as.
Esse esul ado é espaldado po es udos an e io es
que iden i ica am que os es udan es sem en ol imen o
com o bullying ge almen e são mais habilidosos social-
men e, possuem melho capacidade de au ocon ole,
empa ia e são melho es em esol e em con li os ela-
cionais, quando compa ados com ag esso es e í imas
( Julie e al., 2012; Sil a e al., 2018; Van Noo den,
Cillessen, Haselage , Lansu, & Bukowski, 2017). Além