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A dama de amarelo no Cancioneiro Geral

Abstract

Estudo do simbolismo da cor amarela na literatura portuguesa de finais do século XV e inícios do seguinte, tendo em conta as alusões que a ele se fazem por autores de presumível ascendência hebraica, os contextos erótico-profanos em que aparecem e certas manifestações nas artes plásticas.

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A dama de amarelo no Cancioneiro Geral

Author: Morán Cabanas, Maria Isabel
Year: 2022
Source: https://minerva.usc.es/bitstreams/4281e6e7-fa01-48a9-854f-ea2dfaee6dbd/download
A dama de ama elo no Cancionei o Ge al:
a p opósi o de uns e sos de Be na dim Ribei o
No seio do Cancionei o Ge al o ganizada po Ga cia de Resende e indo a lume em
Lisboa no ano de 1516, egis a-se uma dúzia de poemas a ibuídos a um Be na dim Ribei o,
au o que pa ece legí imo iden i ica com o que in oduziu a écloga passional na li e a u a
po uguesa e esc e e ia, algumas décadas mais a de, a enigmá ica no ela Menina e Moça. Os
ex os que dele se ecolhem na mencionada cole ânea in eg am-se no esquema concei ual da
co esia amo osa, desen ol endo luga es-comuns na adição lí ica a pa i de um apego quase
na císico à do exp imido em delicadas análises e jogos de sub ileza à ol a da espe ança
pe dida, o cuidado, a mudança e, sob e udo, o desassossego. A inquie ação apode a-se com
an a o ça do espí i o que conduz o sujei o poé ico à alienação e con e e-o num inimigo de si
p óp io a a és da ágica cisão en e Eu e Mim. Aliás, o om sé io das au o-análises
psicológicas o na-se mesmo solene quando Be na dim Ribei o eco e a exp essões do âmbi o
eligioso e/ou li ú gico numa espécie de simbiose sac o-p o ana. Assim, eco e à es u u a
discu si a do Memen o, pala a la ina (po . “lemb a- e”) que designa a o ação p egada pelos
i os e de un os du an e a Missa, como meio de implo ação da mise icó dia da dama, e explo a
o duplo sen ido de Qua esma como an opónimo eminino e e mo ela i o ao pe íodo de
e lexão e p epa ação à Páscoa pa a mani es a a sua paixão.
E, en e esses ex os nu idos de melancolia e pessimismo, sob essai ambém o dedicado
a uma dama es ida de ama elo, co em que o sujei o poé ico ê p oje ado o seu p óp io pesa
e cuja adição simbólica é p eciso e em con a pa a uma cabal in e p e ação dos e sos:
Tequi me pud´engana ,
mas ago a que podeis
azêla co do pesa
pe a mim soo a azeis.
Qu´a do do desespe a
é an o mal de so e ,
que nam é pe a passa
quan o mais pe a aze .
Mas is o ai daquel´a e,
quando s´an e mon es b ada:
o om é em ũa pa e,
em ou o é a pancada.
Assi oi qu´a minha do
mos ou em ós o sinal,
po qu´ao menos na co
os lemb asseis do meu mal.
Na e dade, al onalidade c omá ica apa ece amiúde na a e e na li e a u a medie ais
como ansmisso a de condições ad e sas, pois o dou ado acabou po a eba a -lhe qualque
alo de posi i idade com base no ou o como ma e ial e e encial que b ilha e ilumina. Ao
lado de is eza p o ocada pelo desamo e um longo leque de in o únios que, ine i a elmen e,
p oduzem doença na alma e no co po, passou ainda a con e e -se em símbolo de he esia,
men i a, hipoc isia ou aição. U ilizou-se como sinal disc imina ó io de se es ma ginados,
epudiados ou conside ados indignos, des acando-se a sua p esença na iconog a ia ela i a a
cenas ão emblemá icas como a aição de Judas ou a pe soni icação da Sinagoga, em que o
aje ama elo sob essai jun o às:Tábuas da Lei, o olo da To á, o cu elo i ual da ci cuncisão ou
o ca nei o dos sac i ícios. Tenha-se em con a que oi já no IV Concílio de La ão, eunido em
1215 em Roma po inicia i a do Papa Inocêncio III, quando se de e minou que os judeus
le assem um dis in i o ama elo, embo a al medida exa ó ia enha sido obje o de discussão ao
longo de oda a Idade Média e enha passado em Po ugal po di e sas ases de elaxamen o e
di ei os de isenção. É cla o que, dadas as cono ações simbólicas que lhe o am associados, o
seu uso oi pouco equen e na indumen a ia das damas, al como comp o a, po exemplo, na
documen ação sob e a écnica da in u a ia da época do Cancionei o Ge al.
Conside ando as alusões à “ou idade” ou ao desdob amen o da pe sonalidade que se
obse a na poesia de Be na dim Ribei o, a ambiguidade e a mig ação de ce a e minologia da
es e a do eligioso à do p o ano e a p esumí el condição de con e so do au o , cabe suspei a
que a co em ques ão eme e pa a a sua o igem heb aica e e dadei a de oção. Tal in e p e ação
em si ua -se, com e ei o, na linha das lei u as da no ela Menina e Moça como alego ia das
pe seguições dos judeus que êm sido ealizadas pelos es udiosos e das hipó eses e idas sob e
a sua biog a ia. A inge especial impo ância, nesse sen ido, o ac o de al ob a e sido imp essa,
pela p imei a ez, nas o icinas de Ab aão Usque, na cidade i aliana de Fe a a, um dos des inos
p io i á ios dos ilhos de Is ael quando es es o am expulsos de Po ugal pelo dec e o de 1496.
P ecisamen e o olume em que se in eg a con ém como adenda, en e ou os ex os poé icos, o
dedicado à senho a ajada ama elo e, jun o com ele, apenas se imp imiu ali em po uguês o da
Consolação das T ibulações de Is ael, de Samuel Usque, po en u a i mão do edi o .
A sinagoga, de Kon ad Wi z (1435), no Museu de A e de Basileia (Suíça). Disponí el em:
h ps://www.epdlp.com/cuad o.php?id=7118
Pa a Sabe Mais:
CANCIONEIRO Ge al de Ga cia de Resende. Fixação do ex o e es udo po A. F. Dias. Maia:
Imp ensa Nacional-Casa da Moeda, 1998, . IV, nº 804.
MORAN CABANAS, Ma ia Isabel. “Li u gia e co ama ela no Cancionei o Ge al: ainda pa a
una in e p e açao em cha e c ip ojudaica de Be na dim Ribei o?”, Cul u a Neola ina, anno 79,
asc. 3-4 (2019), p. 379-407.
VAN DAMME, A. de Sas. “El ama illo en la Baja Edad Media: colo de aido es, he ejes y
epudiados”, Es udios Medie ales Hispânicos, 2 (2013), p. 241-276.
Ma ia Isabel Mo án Cabanas
Sob e a au o a; h ps://o cid.o g/0000-0002-8343-7325