Panace@ | ol. XXI, n.º 52. Segundo semes e, 2020 86
<h p:// emedica.o g/panacea.h ml> T ibuna
Nomes de p op iedades/qualidades
em a macopeias po uguesas
dos séculos XVIII e XIX
Síl ia Ribei o *
* Escola Supe io de Tecnologia e Ges ão de Águeda, Uni e sidade de A ei o | Cen o de Línguas, Li e a u as e Cul u as da Uni e -
sidade de A ei o | celga-il ec, Po ugal. Di ección pa a co espondencia: s ibei [email protected] .
Resumo: Nes e abalho analisam-se os nomes deadje i-
ais de p op iedades/qualidades usados em ês a ma-
copeias po uguesas dos séculos x iii e xix (Pha ma-
copea Lusi ana, 1704; Pha macopeia Ge al pa a o eino,
e dominios de Po ugal, 1794 e Pha macopêa Po ugue-
za, 1876), con e indo-se especial a enção aos nomes
de p op iedades da ma é ia a que eco em os au o es.
Es udam-se as bases e a ixos mobilizados pa a a c ia-
ção des es nomes, assim como os espe i os con ex os
de oco ência. Ve i icou-se que os su ixos ope an es na
o mação dos nomes em es udo são os mesmos nas ês
ob as em análise, des acando-se o su ixo -idad(e), po
se o mais comum nas ês ob as e aquele cujas oco ên-
cias mais aumen am en e 1704 e 1876.
Pala as-cha e: a mácia, a macopeias, léxico de espe-
cialidade, nomes de p op iedade/qualidade, su ixação.
Nouns o p ope ies/quali ies in 18 h and 19 h-cen-
u y Po uguese pha macopeias
Abs ac : This s udy analyses he deadjec i al nouns o
p ope ies/quali ies used in h ee 18 h and 19 h-cen u-
y Po uguese pha macopoeias (Pha macopea Lusi a-
na, 1704; Pha macopeia Ge al pa a o Reino, e Dominios
de Po ugal, 1794 and Pha macopêa Po ugueza, 1876),
wi h a pa icula ocus on nouns o pha maceu ical
p ope ies. I explo es he oo s and a ixes applied o
c ea e hese nouns, as well as he con ex s in which hey
occu . This analysis ound ha he su ixes used o o m
he nouns unde s udy a e he same in all h ee wo ks:
he su ix -idad(e) was he mos common and inc eased
he mos in usage om 1704 o 1876.
Key wo ds: pha macy, pha macopoeias, p ope y/qual-
i y nouns, specialised lexicon, su ixa ion.
Panace@ 2020; xxi (52): 86-97
Recibido: 15.ix.2020. Acep ado: 5.xi.2020.
1. In odução
Em Po ugal, a publicação de ex os a macêu icos oi bas-
an e abundan e du an e o século x iii, e le indo a e e es-
cência cien í ica e écnica que se começa a a sen i de o ma
e iden e po oda a Eu opa (Conceição e al., 2014). Mo i ados
pela p esença cada ez mais egula de d ogas indas de ou-
as pa es do mundo e di ididos en e a adicional a mácia
galénica e o no o pa adigma ia oquímico, di e sos bo icá ios
po ugueses o am esponsá eis pela p odução de á ias a ma-
copeias e o mulá ios, que « inham po objec i o selecciona ,
o ganiza , in en a ia , coloca à disposição de médicos e bo i-
cá ios um conjun o de d ogas, de ope ações a macêu icas e de
ó mulas ele an es e com e icácia» (Pi a e Pe ei a, 2012: 229).
O século x iii assis iu não apenas à mode nização e di e -
si icação dos pa adigmas em que assen a a a a e a macêu ica,
mas ambém à subs i uição do La im pelas línguas e náculas
como línguas de ansmissão e p odução da ciência. No con-
ex o po uguês, as a macopeias p oduzidas nes e pe íodo,
que isa am compila o conhecimen o a macêu ico e se i
de base a uma p á ica mais escla ecida des a a e, ins i uem-se,
po isso, como uma on e duplamen e ele an e pa a o conheci-
men o do léxico a macêu ico: po um lado, co espondem aos
p imei os ex os des e âmbi o edigidos em língua po uguesa;
po ou o lado, e le em a inco po ação p og essi a de ocá-
bulos associados aos no os pa adigmas de base química que,
p og essi amen e, consolida am a sua impo ância no domínio
da Fa mácia eu opeia e po uguesa. Nes e con ex o, o p esen e
es udo, assen e na análise de ês a macopeias po uguesas dos
séculos x iii e xix, isa iden i ica e ca ac e iza os nomes de
p op iedades/qualidades nelas usados, con e indo maio a en-
ção aos nomes de p op iedades da ma é ia. Tomam-se como
base a Pha macopea Lusi ana, publicada em 1704, a Pha maco-
peia Ge al pa a o Reino, e Domínios de Po ugal, publicada em
1794, e a Pha macopêa Po ugueza, de 1876, aba cando, assim,
p a icamen e dois séculos.
Ainda que se assumam como ex os p esc i i os, as a maco-
peias êm ambém um ca ác e ma cadamen e desc i i o, azão
pela qual se a igu a ele an e es uda os nomes de p op iedade/
qualidade usados nes es ex os em épocas com ca ac e ís icas
sociais e cien í icas di e en es. Uma ez iden i icados os nomes
de p op iedade/qualidade deadje i ais usados, e conside ando
a sua es u u a mo ologicamen e complexa (Co eia, 2004;
Moi a, Janssenn e Co eia, 2010; Rio-To o e Rod igues, 2016;
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Jaque Hildago e Ma in Ga cia, 2019), es udam-se não apenas
as bases e a ixos mobilizados pa a a sua c iação, mas ambém
os espe i os con ex os de oco ência, p ocu ando-se pe cebe
a espe i a aje ó ia ao longo do pe íodo em análise (de início
do século x iii a é inal do século xix).
Assim, começa emos po aça , de o ma sumá ia, a e o-
lução da Fa mácia em Po ugal, nos séculos x iii e xix,
con e indo pa icula impo ância à ca ac e ização e con ex-
ualização das a macopeias en ão publicadas. Pos e io men e,
az-se uma b e e e lexão em o no da o mação de nomes de
p op iedade/qualidade deadje i ais, seguindo-se pa a a análise
dos dados ecolhidos no co pus selecionado.
2. Fa mácia e a macopeias em Po ugal nos
séculos x iii e xix: b e e ca ac e ização
A é inícios do século x iii, os ex os a macêu icos que
ci cula am em Po ugal e am esc i os/ aduzidos em La im
— nomeadamen e, mas não só, os ex os de au o es de e e ên-
cia, como Hipóc a es, Galeno ou A icena—, ou em línguas es-
angei as. A p imei a a macopeia esc i a em língua po ugue-
sa —a Pha macopea Lusi ana— su giu em 1704, em Coimb a,
pela mão do cónego D. Cae ano de San o An ónio, assumindo-
-se como uma «ob a que ab iu uma no a página na his ó ia da
Fa mácia po uguesa, e, num sen ido mais amplo, na p óp ia
his ó ia da medicina po uguesa» (Pi a, 1999: 50). Redigido po
um eligioso, es e ex o espelha a impo ância que a Fa mácia
con en ual e e no país, sob e udo nos séculos x ii e x iii
(Pi a e Pe ei a, 2012). Baseando-se em au o es consag ados,
especialmen e em Mesué, e com pendo ma cadamen e gale-
nis a, es a ob a é di idida em 12 g andes pa es, apelidadas de
«T a ados» pelo au o , nas quais não se encon a e e ência a
medicação química mode na.
Na sequência da publicação, nos p imei os anos do sécu-
lo x iii, des a p imei a a macopeia edigida em língua po -
uguesa, o am á ias as a macopeias, de ca á e não o icial,
publicadas no país. Se a Fa mácia galénica con inua a a se es-
pei ada e usada po mui os, anspa ecendo, po isso, nos ex os
indos à luz po es a al u a, a e lexão e a p á ica a macêu icas
de se ecen os o am g adualmen e inco po ando os «elemen os
necessá ios à iden i icação, p odução e adminis ação e apêu-
ica dos emédios de o igem química» (Filho, 2016: 49).
No segundo qua el do século x iii, o país oi p o unda-
men e ma cado pelas e o mas pombalinas, cujo impac o se
e le iu ambém, de o ma di e a e e iden e, nas á eas da Me-
dicina e da Fa mácia. Não se á de es anha , conside ando es e
cená io nacional e o mis a e a endência in e nacional en ão
obse ada pa a a o icialização das a macopeias, que a p imei-
a a macopeia o icial po uguesa enha su gido p ecisamen e
no inal des e século, em 1794, pela mão de F ancisco Ta a es,
P o esso da Faculdade de Medicina da Faculdade de Coimb a,
médico e ísico-mo . A Pha macopeia Ge al pa a o Reino, e Do-
mínios de Po ugal, com dois omos, espondia a dois obje i os
p incipais: «po um lado, con e i a o mação a macêu ica
con enien e; po ou o lado, a esponsabilidade de o ien a no
exe cício da p á ica p o issional odo o bo icá io que p epa as-
se os medicamen os de idos» (Conceição e al., 2014: 47-48),
e le indo a « omada de consciência de que o Es ado em um
papel u ela na p oblemá ica dos medicamen os e das p esc i-
ções médicas» (Pi a e Pe ei a, 2011: 209).
A Pha macopeia Ge al, na qual F ancisco Ta a es sublinha
que não há di e ença en e Fa mácia galénica e Fa mácia quí-
mica, es á o ganizada em dois olumes. Nes es, o au o , pa a
além de ca ac e iza a ac i idade a macêu ica e de elenca os
pesos e medidas usados em Fa mácia, ca ac e iza as p epa-
ações a macêu icas em uso na época, desc e e os medica-
men os compos os e as ma é ias-p imas necessá ias pa a a sua
p odução e lis a as ó mulas econhecidas como endo e icácia
e apêu ica. Apesa de apidamen e se o na desa ualizada, a
Pha macopeia Ge al es e e em igo du an e 40 anos.
A segunda a macopeia po uguesa o icial, o Codigo Pha -
maceu ico Lusi ano, oi publicada em 1835 e igo ou a é 1876,
da a de publicação da Pha macopêa Po ugueza, a p imei a a
se publicada po uma Comissão especi icamen e cons i uída
pa a o e ei o, que incluía médicos e a macêu icos. Es a a ma-
copeia es e e em igo du an e 60 anos, aba cando, po an o,
ainda as p imei as décadas do século xx. T a a a-se, no dize
dos p óp ios au o es, de uma a macopeia «p edes inada pa a
se i ao mesmo empo de ex o ao ensino o icial e de codigo
á p a ica nas ex ensas e a iadas egiões que cons i uem o con-
inen e e possessões po uguezas» (Pha macopêa Po ugue-
za: x). Nes a ob a, e e le indo os a anços das ciências das dé-
cadas an e io es, os au o es p ocu a am concilia e elaciona
as «denominações ulga es» e as «nomencla u as e dadei a-
men e scien i icas» (Pha macopêa Po ugueza: xxi).
As ês a macopeias selecionadas como base des e es udo
pe mi em conhece o pensamen o e, sob e udo, o léxico da Fa -
mácia po uguesa dos séculos x iii e xix, domínio em que,
como nou os, se e á assis ido, u o da e e escência cien í ica
p óp ia des es empos, à ampliação e eno ação do léxico, de
modo a acompanha o desen ol imen o das linguagens de es-
pecialidade (Sil es e, 2006).
3. Nomes de p op iedade/qualidade deadje i ais nas
a macopeias po uguesas dos séculos x iii e xix
3.1. Nomes de qualidade/p op iedade: alguns aços
São assumidos como nomes de p op iedade/qualidade pala-
as complexas como beleza, co esia, espessu a, asse i idade,
sendo a sua unção, como a p óp ia designação deixa en en-
de , a de o nece nomes pa a aze e e ência às qualidades
exp essas pelos adje i os de base (Raine , 2004). Os nomes de
p op iedade/qualidade são nomes sinca ego emá icos, ou se-
ja, a a-se de nomes e e encialmen e dependen es (Co eia,
2004), que não se encon am anco ados nem na dimensão de
espaço nem na dimensão de empo (Co eia, 2004; Jaque Hi-
dalgo e Ma in Ga cia, 2019). Como a i mam Jaque Hidalgo e
Ma in Ga cia (2019: 434-435), «las cualidades co esponden a
obje os semán icos que ca ecen de es uc u a empo al y que
pueden g adua se».
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Os nomes de p op iedade/qualidade, ambém conhecidos
po “nomina quali a is” ou “nomina essendi”, co espondem
maio i a iamen e, em língua po uguesa, a nomes deadje i ais,
«pa a aseá eis po “o ac o de se A”, “a qualidade ou es ado
de A”, […] po ado es de um amplo conjun o de su ixos» (Rio-
-To o e Anas ácio, 2004: 192). Pa a a cons ução des es nomes
mo ologicamen e complexos conco em, segundo Rio-To o e
Rod igues (2016), á ios su ixos, nomeadamen e -ei (a), -ez(a),
-i(a), -ic(e), -idad(e), -idão, -ism(o) e -u (a), ainda hoje dispo-
ní eis pa a o mação de no os nomes de qualidade, e su ixos
como -ão, a (o), -íci(a), -íci(e), -nci(a), -o , um(e) e -i ud(e),
p esen es em pala as e udi as que, endo o igem g ecola ina,
e ão sido inco po adas na língua po uguesa. Há ambém um
g upo, mais es i o, de nomes de p op iedade/qualidade de-
e bais, como aqueles cons uídos com o su ixo -nci(a) (ex.:
ole ância).
Os nomes de p op iedades/qualidades ca ac e izam-se po
incluí em uma lei u a p edica i a do adje i o de que p o êm,
co esponden e a um uso desse adje i o combinado com o e -
bo se (Pena, 2004). Exempli icando, a nominalização «acidez
do p odu o» se á equi alen e a «o p odu o é ácido». Habi ual-
men e, es es nomes são usados pa a denomina p op iedades
pe manen es. Po ém, e como são mui o comuns os adje i os
que, de aco do com o con ex o de uso, podem exp essa modos
de se (qualidades pe manen es) ou modos de es a (qualidades
ansi ó ias), um mesmo nome deadje i al pode á, consoan e o
uso, se lido como um nome de p op iedade/qualidade ou um
nome de es ado (Jaque Hidalgo e Ma in Ga cia, 2019).
Os nomes de p op iedade/qualidade são cons uídos exclu-
si amen e com base em adje i os quali ica i os. Os adje i os
elacionais, «que no deno an cualidades o p opiedades, sino
que ma can una elación en e el signi icado del sus an i o al
que se ajun an y el signi icado de su sus an i o base» (Pena,
2004: 9), não es ão disponí eis pa a a o mação de nomes de
p op iedade/qualidade.
Com equência, o es udo dos nomes de p op iedade/quali-
dade assen a na análise da p odu i idade e dis ibuição dos su-
ixos neles ope an es, elacionando a p esença dos ope ado es
su ixais com as ca ac e ís icas mo ológicas e semân icas das
bases a que se acoplam (Co eia, 2004; Pena, 2004; Rio-To o
e Rod igues, 2016). Nas secções seguin es p ocu a emos, p e-
cisamen e, aça um quad o ge al dos nomes de p op iedade/
qualidade usados nos ex os em es udo, explicando, p imei a-
men e, os p ocedimen os subjacen es à análise em si.
3.2. Nomes de p op iedade/qualidade
no co pus em es udo
Pa a a ealização des e es udo, apesa da p oli e ação de a -
macopeias publicadas em Po ugal a pa i de inícios do sécu-
lo x iii, seleciona am-se ês ex os em pa icula :
ۀ Pha macopea Lusi ana, da au o ia de D. Cae ano de
San o An ónio, publicada em Coimb a, em 1704;
ۀ Pha macopeia Ge al pa a o eino, e dominios de Po u-
gal (2 olumes), cuja au o ia é a ibuída a F ancisco Ta a es,
publicada em Lisboa, Regia O icina Typog a ica, em 1794;
ۀ Pha macopêa Po ugueza, publicada em Lisboa, Im-
p ensa Nacional, em 1876, da au o ia de uma comissão no-
meada pa a a sua elabo ação.
Nes es ês ex os, incluímos a p imei a a macopeia esc i a
em língua po uguesa, ainda ma cadamen e de in luência ga-
lénica e mui o p óxima da Fa mácia con en ual, uma ez que
oi esc i a po um cónego (Pha macopea Lusi ana, 1704); in e-
g amos a p imei a a macopeia o icial po uguesa, já da espon-
sabilidade de um médico e com in luência da Química (Pha -
macopeia Ge al pa a o Reino, e Domínios de Po ugal, 1794), e a
p imei a a macopeia edigida po uma comissão (Pha maco-
pêa Po ugueza, 1876), que eunia au o es de enome nos cam-
pos da Fa mácia e da Medicina e que, edigida quase 200 anos
após a p imei a, inco po a á e lexos lexicais do a anço do
pensamen o cien í ico e écnico da época. Ac edi amos, po is-
so, que es as ês ob as pe mi em conhece o pensamen o —e
sob e udo o léxico usado pa a o eicula — associado à Fa má-
cia po uguesa dos séculos x iii e xix.
Uma ez iden i icadas as ob as a analisa , o am de inidos
dois c i é ios de seleção dos dados: po um lado, c i é ios de
na u eza o mal (nomes o mados a pa i de bases adje i ais
e com p esença de um g upo de su ixos especí ico) e c i é ios
semân icos (a possibilidade de os p odu os em causa se em
pa a aseados po «p op iedade/qualidade de se Y», sendo Y
o adje i o de base). Conc e amen e, o am ecolhidos nomes
deadje i ais de p op iedade/qualidade. Conside ando o aba-
lho de Rio-To o e Rod igues (2016), assim como o de Co eia
(2004), seleciona am-se como base de es udo os su ixos -ei (a),
-ez(a), -i(a), -ic(e), -idão, -idad(e), -ism(o), -u (a). Assim, iden-
i ica am-se odos os nomes deadje i ais de p op iedade/qua-
lidade em que oco em es es su ixos, egis ando-se, pa a cada
um deles, os á ios con ex os de oco ência.
Cons a ou-se a não u ilização, em nenhuma das ês ob as
sob escopo, de oco ências dos su ixos -ic(e) e -ei (a). Também
não se egis a am exemplos de nomes de qualidade em -ism(o).
Pa ece-nos que es a ausência de esul ados se de e á a duas a-
zões di e en es. Po um lado, os su ixos -ic(e) e -ei (a) es ão e-
quen emen e associados a cono ações pejo a i as (Rio-To o e
Rod igues, 2016), mui as ezes e elando um ca á e popula /
cas iço (Co eia, 2004), azão pela qual di icilmen e e iam
aplicação em ex os de ca iz mais écnico-cien í ico como os
que se analisam. Po ou o lado, o su ixo -ism(o), associado, po
á ios au o es (Ba bosa, 2014), ao en iquecimen o ocabula
deco en e da consolidação da ciência e da écnica, nos sécu-
los x iii e xix, pa ece não e ainda e lexo no léxico usado
na á ea da Fa mácia a é inais do século xix. Com e ei o, e se-
gundo e e em Gianas acio (2009) e Ba bosa (2013), o su ixo
-ism(o) o na-se mais comum na Língua Po uguesa em inais
do século xix e inícios do século xx.
Pa a os es an es su ixos em es udo, encon a am-se os e-
gis os indicados na abela 1, na qual as a macopeias são iden-
i icadas pela sua da a de publicação.
Analisam-se, de seguida, os esul ados pa a cada um dos
su ixos es udados. Pa a al, ap esen am-se, p imei amen e, os
dados ela i os aos su ixos au óc ones: -u (a), -ez(a), -idão.
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Depois, o necem-se as in o mações e e en es aos su ixos in-
e nacionais: -i(a) e -idad(e). Embo a enham ambos o igem
em su ixos g eco-la inos, os su ixos au óc ones e os su ixos in-
e nacionais dis inguem-se pelo ac o de es es úl imos e em
cogna os em á ias línguas omânicas e em inglês, e elando
compo amen os semelhan es em odas as línguas. Os su ixos
au óc ones, pelo con á io, podendo oco e em á ias línguas
omânicas, a é com compo amen os di e sos en e si, não su -
gem em inglês (Co eia, 2015).
O su ixo -u (a) é iden i icado, em á ios abalhos aplica-
dos ao es udo do Po uguês (p. ex., Co eia, 2004; Rio-To o e
Rod igues, 2016), como um su ixo au óc one. Re e e Ma ga i a
Co eia que «o su ixo -u a seleciona […] po bases adjec i os
de es u u a simples ou esul an es de o mas de pa icípio
passado i egula que exp imem, undamen almen e, qualida-
des ísicas» (2004: 328). Lis am-se, na abela 2, alguns nomes
de p op iedade/qualidade com es e su ixo egis ados nos ês
ex os em análise.
Es e su ixo oco e associado a adje i os mo ologicamen e
simples (al o, b anco, doce, espesso, g osso, la go, quen e, seco),
que deno am maio i a iamen e p op iedades ísicas, especi ica-
men e p op iedades o ganolé icas (ca ac e ís icas dos ma e iais
que podem se pe cebidas pelos ó gãos senso iais, como co , sa-
bo , odo , e c). Oco e ambém um exemplo — o mosu a— de
um nome de p op iedade/qualidade o mado a pa i de bases
adje i ais complexas. Coinciden emen e, nes e caso, a p op ie-
dade em causa é de ca iz menos conc e o do que as designadas
com nomes cujas bases são mo ologicamen e simples.
Es es nomes de p op iedade oco em maio i a iamen e pa-
a ca ac e iza os ing edien es usados («Dis que a Almecega
melho , & mais copioza nasce na Índia na Ilha chamada Chio
p e e e-se a que eluz a modo de luce na cla a, & semelhan e
à b ancu a da Ce a Toscana» (pl: 69); «Dis que as Cubebas
são melho es as co pulen as, cheas, pezadas, ag as, po em me-
nos que a Pimen a, e algum an o ama gas, e mui o a oma icas,
mas em algúa doçu a con e ãose des annos» (pl: 72)), em-
bo a ambém se encon em na ca ac e ização dos ins umen-
os («[…] os ins umen os, e asos de id o p e e em a odos os
ou os, pela sua limpeza, e o mosu a […]» (pg, omo 1: 3)).
Os de i ados em -u (a) man ém-se, sem g ande al e ação, nem
em e mos quan i a i os nem em e mos de á eas conce uais de
aplicação, nos ês ex os em análise.
O su ixo -ez(a), al como -u (a), em oco ências nos ês
ex os em análise, egis ando-se uma p esença mais egula nos
dois omos da Pha macopeia Ge al (1794). Lis am-se alguns
exemplos na abela 3.
Independen emen e do ex o em que oco em, as unidades
com su ixo -ez(a) con inuam a deno a maio i a iamen e p o-
p iedades o ganolé icas (aspe eza, delgadeza, du eza, g ande-
za, molleza) e a associa -se a adje i os simples (áspe o, du o,
g ande, madu o, pu o, edondo). Oco em, ainda assim, no-
mes (em meno quan idade) não imedia amen e associá eis a
p op iedades a e í eis pelos cinco sen idos (pu eza, ince eza,
p es eza) e, po isso, elacioná eis com p op iedades não o ga-
nolé icas.
Pa alelamen e ao su ixo -ez(a), o su ixo -ez oco e ambém
Tabela 1. Núme o de nomes de p op iedade/
qualidade cons uídos com os su ixos
em análise, po ob a es udada
Su ixo Tex o-Fon e/n.º de
oco ências ecupe adas o ais %
1704 1794 1876
-u (a) 5 8 5 18 12,5
-ez(a) 10 13 7 30 20,8
-idão 3 5 2 10 6,9
-idad(e) 19 27 35 81 56,2
-i(a) 30253,4
o al 144 100 %
Tabela 2. Exemplos de nomes de p op iedade/
qualidade cons uídos com su ixo -u (a) e
p esen es nas ês a macopeias em análise
oco ência Pha macopea Lusi ana (pl1)
al u a Diz que do Hyssopo ha duas especias hum o ense,
o qual e á de al u a pouco mais de meyo co ado
[…] (p. 55)
b ancu a […] em es p op iedades boas, que são o se
b anco de e dadei a b ancu a po o a [….] (p. 52).
doçu a […] & mui o a omá icas, mas em algúa doçu a […]
(p. 72)
quen u a […] se acazo o Diaquilão com a quen u a do Ce o o
se não de e e […] (p. 422)
oco ência Pha macopeia Ge al (pg)
al u a O alo he le an ado, da al u a de hum pé […]
( omo ii, p. 62)
doçu a […] o a o ama goso, com alguma doçu a ao
p incipio. ( omo ii, p. 40)
espessu a […] mas ambem á enuidade, ou espessu a maio
do liquido […] ( omo i, p. 175)
o mosu a […] os ins umen os, e asos de id o p e e em a
odos os ou os, pela sua limpeza, e o mosu a […]
( omo i, p. 3)
g ossu a […] as aizes seccas de g ossu a do dedo minimo
[…] ( omo ii, p. 40)
la gu a […] lizas de ambos os lados, da la gu a de huma a é
duas pollegada […] ( omo ii, p. 70)
seccu a […] es a ambem pende mui o da sua seccu a,
pe eição e pu eza […] (p. 50)
oco ência Pha macopea Po ugueza (pp)
espessu a Casca da espessu a de 3 millime os, ou menos,
en olada sob e o eixo […] (p. 349).
g ossu a Raiz —Radix Al haeae— comp ida, de g ossu a
a ia el, casca ugosa e acinzen ada (p. 43)
la gu a Casca em pedaços acha ados mui le emen e
incu ados, de comp imen o a ia el, la gu a de 2 a
10 cen ime os […] (p. 349)
seccu a e apo e á seccu a em capsula de po celana,
edissol a em agua dis illada e en e […] (p. 392)
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nos nomes pequenhez, luidez e apidez, em con ex os como os
que abaixo se exempli icam. Em nenhum dos ex os se e i ica
a coexis ência des as o mulações com as a ian es (possí eis)
com o su ixo -ez(a) (ex. pequeneza).
(1) « ambém se ha de sabe que a g andeza, ou pequenhez
azem di uzão, & agg egação de i ude» (pl, p. 25)
(2) «os que em pe dido a maio luidez pela e apo ação, e
em a consis encia de mel des ei o» (pg, omo i, p. 45)
(3) «a apidez das me amo phoses expe imen adas» (pp,
p. 14)
Os nomes de p op iedade/qualidade cons uídos com o
su ixo -ez(a) oco em sob e udo pa a designa p op iedades
das ma é ias-p imas, especialmen e as plan as, em uso («[…]
a plan a in ei a […] de e semp e se colhida no seu es ado de
pe ei a madu eza» (pl: 6)), p op iedades dos p epa ados e
dos medicamen os («[…] pa a que es eja semp e a massa na
molleza, que se p ecisa» (pl: 183)) ou p op iedades dos ins-
umen os usados («Den o do liquido se in oduz hum odízio
semelhan e aos de ba e chocola e, co esponden e á g andeza
do aso» (pg, omo i: 89)).
Já ela i amen e ao su ixo -idão, Co eia (2004: 323) a i ma
que «selecciona po bases adjec i os de es u u a simples ou
de i ados po meio de in- […], que denominam undamen al-
men e p op iedades ísicas, ap eensí eis a a és dos sen idos
[…]». Os nomes de p op iedade/qualidade em que oco e es e
su ixo são esiduais no co pus em análise, endo-se iden i icado
um o al de 5 nomes di e en es. Es es epa em-se pela Pha ma-
copea Lusi ana (3), pela Pha macopeia Ge al (2) e pela Pha -
macopea Po ugueza (1, epe ido).
Todos os exemplos ecolhidos são cons uídos com base
em adje i os mo ologicamen e simples (exac o, ouxo, pod e,
p omp o, e melho). Salien a-se, nes e conjun o de cinco nomes
de p op iedade/qualidade, a exis ência de dois nomes que es ão
associados a p op iedades não ísicas (p omp idão e exac idão),
Tabela 3. Exemplos de nomes de p op iedade/
qualidade cons uídos com su ixo -ez(a) e
p esen es nas ês a macopeias em análise
oco ência Pha macopea Lusi ana (pl)
agudeza […] os medicamen os, que se cozem, ep imem sua
agudeza, omando a i ude, & bondade das couzas
em que se cozem […] (p. 28)
aspe eza Dis que o Pepino ama go, ou ulga men e chamado
de S. G ego io he u o assim como o do pepino
pequeno, & em mui a aspe eza, & ama ga
e dadei amen e […] (p. 57)
du eza Dis que a ped a A mena, que i e a co e de, &
e ea escu a, & com huas manchas e des, & neg as
dis inc as, que não em a du eza da ped a, an es se
as em pò com acilidade […] (p. 61)
edondeza […] que dize , que se chamão Pi olas pela
edondeza que em […] (p. 230)
oco ência Pha macopeia Ge al (pg)
ince eza Po ém pa a e i a oda a equi ocaçao, e ince eza
na o dem, em que os ing edien es se de em
succede huns a ou os […] ( omo I, p. 207)
limpeza Po an o os ins umen os, e asos de id o p e e em
a odos os ou os, pela sua limpeza, e o mosu a […]
( omo I, p. 3).
madu eza To nando ás plan as, he ce o que cada huma dellas,
e cada huma de suas pa es em sua madu eza […]
( omo I, p. 15)
molleza […] piza-se de no o, pa a que a massa adqui a a
de ida molleza […] ( omo I, p. 183)
pu eza […] ou ou as pa es da plan a ence ão maio
quan idade de óleo essencial, e em maio pu eza.
( omo I, p. 108)
oco ência Pha macopea Po ugueza (pp)
cla eza Cump ia, pois, de e mina com a maxima cla eza
e exac idão os componen es de cada o mula […]
(p. xxx i).
g andeza Da ó ma e g andeza da pimen a ou um pouco
maio es […] (p. 85)
pu eza Ha, pois, indicação da especie, desc ipção do
co po e obse ações conce nen es á sua pu eza e
inal e abilidade. (p. xxxi )
Tabela 4. Exemplos de nomes de p op iedade/
qualidade cons uídos com su ixo -idão e
p esen es nas ês a macopeias em análise
oco ência Pha macopea Lusi ana (pl)
oxidão Dis que o insipido, ou sem sabo , lub ica, & as
en ozidades, ma a, opilla, ape a, ob a a de, &
com oxidáo […] (p. 16)
pod idão Que dize que o medicamen o ama go de ecca, dà
sede, ab e a boca das eas, p eze a da pod idão,
em aculdade de a ahi […] (p. 15)
e milhidão […] se he demaziadamen e quen e as in lamaçao,
a acção demaziada, & consumpção de humidade &
e milhidão […] (p. 11)
oco ência Pha macopeia Ge al (pg)
exac idão A desc ipção po ém dos Gene os, e das Especies,
que são de uso Medicinal pelas suas no as
ca ac e is icas, asim d’huns, como dos ou os
medicamen os simples ege aes, se acha á com
oda a exac idão nos Elemen os de Bo anica […]
( omo ii, s/p)
p omp idão Po ém a di iculdade, e ince eza des a ope açao, e
a acilidade, e p omp idao, com que ella huma ez
ei a muda de i udes […] ( omo I, p. 147)
oco ência Pha macopea Po ugueza (pp)
exac idão Cump ia, pois, de e mina com a maxima cla eza
e exac idão os componen es de cada o mula
(xxx i)
Panace@ | ol. XXI, n.º 52. Segundo semes e, 2020 91
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não sendo de es anha , po isso, que oco am não pa a aze e-
e ência a ca ac e ís icas das ma é ias-p imas/p epa ados, mas
de p ocedimen os ine en es à p á ica a macêu ica.
Conside ando a não exis ência de nomes de p op iedade/
qualidade em -ism(o), os únicos su ixos in e nacionais com
oco ência nos ex os sob escopo são -i(a) e -idad(e).
De aco do com di e en es abalhos (Peza i, 1990; Co eia,
2004), é possí el as ea , em Po uguês, um su ixo -i(a), á ono,
de o igem la ina, e o su ixo -i(a), ónico, de o igem g ega. Es e
segundo su ixo e á subs i uído o p imei o (que deixou de se
p odu i o), sendo especialmen e ope an e na c iação de em-
p és imos ou neologismos pe encen es à linguagem cien í ica.
No p esen e abalho, a análise incide, p ecisamen e, sob e os
nomes cons uídos com o su ixo -i(a) ónico. De aco do com
Rio-To o e Rod igues (2016), es e su ixo seleciona bases no-
minais ou bases adje i ais, sendo que, quando se acopla a es as
úl imas, ope a sob e udo com bases complexas, sejam elas su-
ixadas ou compos as.
Os nomes su ixados em -i(a) são bas an e a os nas a ma-
copeias em es udo, sendo de des aca a sua ausência do ex o
de 1794. Os escassos exemplos ecolhidos su gem nos con ex os
abaixo indicados ( abela 5).
Salien a-se o ac o de os nomes egis ados na Pha macopêa
Po ugueza se em ambos compos os mo ológicos de ca iz e u-
di o, não designando e e i amen e p op iedades/qualidades,
mas sim nomes de á eas de es udo (es udo dos á macos pha -
macon e das quan idades poson). Já o nome aleg ia é usado na
denominação de um p epa ado, po e e ência aos e ei os que
o mesmo p o oca.
Os nomes de p op iedade/qualidade cons uídos com o su-
ixo -idad(e) des acam-se dos es an es pela ele ada quan idade
de exemplos usados nos ês ex os em análise. Vejam-se algu-
mas dessas oco ências, nos espe i os con ex os, na abela 6.
No conjun o dos nomes de p op iedade/qualidade su ixa-
dos em -idad(e) com oco ência na Pha macopea Lusi ana são
mais comuns aqueles que êm como bases adje i os mo ologi-
camen e simples (denso, húmido, a o, sujo). No conjun o (me-
nos nume oso) das bases adje i ais mo ologicamen e com-
plexas des acam-se as e minadas pelo su ixo -os(o) (gomozo,
melozo, un uoso, iscoso). Já nos dados ecolhidos na Pha ma-
copêa Po ugueza ganham ele o, pa a além das bases adje i ais
simples (caduco, in enso, no o), as bases adje i ais de i adas
Tabela 5. Exemplos de nomes de p op iedade/
qualidade cons uídos com su ixo -i(a) e
p esen es nas a macopeias em análise
oco ência Pha macopea Lusi ana (pl)
aleg ia Chamase a es e compos o elec ua io de aleg ia,
po que a cauza ao que o oma […] (p. 218)
oco ência Pha macopêa Po ugueza (pp)
pha macologia […] con icções scien i icas que endam a
ce cea a ampla libe dade do medico den o
dos ex ensissimos limi es da pha macologia.
(p. xli )
posologia […] disc epan es opiniões dos li os mais
auc o isados em e e encia á posologia […]
(p. xli )
Tabela 6. Exemplos de nomes de p op iedade/
qualidade cons uídos com su ixo -idad(e) e
p esen es nas ês a macopeias em análise
oco ência Pha macopea Lusi ana (pl)
densidade Dis que os medicamen os que se julgão pella
a idade, & densidade de subs ancia […] (p. 11)
humidade […] as cascas ex e io es lançãose o a, po se em
seccas, & mas, & as de den o, po que em
demaziada humidade […] (p. 85)
gomozidade […] que sejáo pezados, & densos, & que enhão
mui a ca ne, em a qual se ache húa gomozidade
[…] (p. 43)
a idade Dis que os medicamen os que se julgão pella
a idade, & densidade de subs ancia […] (p.11)
sujidade […] e dadei amen e pella mayo pa e cos uma
succede is o nos medicamen os po azão da
limpeza, ou sujidade que em […] (p. 11)
oco ência Pha macopeia Ge al (pg)
g a idade […] pa a sepa a liquidos de di e sa g a idade
especi ica huns dos ou os […] ( omo i, p. 93)
agilidade […] aquellas subs ancias, que se não calcinao
pe ei amen e, mas que se que em eduzidas á
maio agilidade […] ( omo i, p. 141)
enacidade Nelle de e en e an o ha e uni o me mis u a de
ing edien es, e molleza un osa sem aspe eza, e sem
enacidade. ( omo i, p. 188)
enuidade […] se ha de a ende ao olume, e na u eza das
subs ancias seccas, e eduzidas a pó, mas ambem
á enuidade, ou espessu a maio do liquido, em
que se hão de mis u a […] ( omo i, p. 175)
ola ilidade […] as condições isicas do medicamen o, que se
in unde em quan o á sua ola ilidade, espessu a,
acilidade, ou di iculdade de la ga na in usão a
sua i ude. ( omo i, p. 64)
oco ência Pha macopêa Po ugueza (pp)
al e abilidade […] os p oduc os cujas exequibilidade,
al e abilidade e especial pu eza exijam que o
p op io pha maceu ico os p epa e […] (x i)
exequibilidade […] os p oduc os cujas exequibilidade,
al e abilidade e especial pu eza exijam que o
p op io pha maceu ico os p epa e […] (x i)
ins abilidade […] o Acido cyanhyd ico no mal, cuja
impo ancia e ins abilidade eque em cau elosa
p epa ação e des elada conse ação […] (x i)
solubilidade […] aspec o, ó ma ou sys ema c ys allino, cô ,
chei o, sabo , densidade, solubilidade nos
p incipaes ehiculos […] (xx )
a iabilidade […] a a iabilidade na quan idade e qualidade dos
componen es de cada p epa ado […] (xxi )
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e minadas em - el 2 (al e á el, es á el, exequí el, usí el, inal e-
á el, ins á el, solú el, a iá el).
A maio oco ência dos nomes deadje i ais com bases em
- el (su ixo com o igem la ina (-bil(is)), mas p esen e desde es-
ádios iniciais da língua po uguesa) pode á elaciona -se com
a o e endência pa a a ela inização e in e nacionalização do
léxico p óp io de domínios especializados que se egis ou nos
séculos x i a xix (Pe ei a, Sil es e e Villal a, 2013). Nes e
conjun o de adje i os em - el na o igem dos nomes de p o-
p iedade/qualidade ecupe ados nas a macopeias de 1794 e de
Tabela 7. Exemplos de nomes de p op iedade/qualidade o mados com base
em di e en es ipos, seman icamen e mo i ados, de adje i os
Tipos de
adje i os Exemplo
Nome de
p op iedade/
qualidade
Exemplo de con ex o de uso
dimensão
espacial
al o al u a Dis que o Eupa oa io he e a de al u a de co ado […] (pl: 53)
delgado delgadeza […] pa a es es são necessa ios pós eduzidos á maio enuidade, e
delgadeza possí el (pg, omo 1: 186)
g ande g andeza As he as de em se colhidas no empo do Es io, quando as suas olhas
em chegado á sua jus a g andeza (pg, omo i: 18)
g osso g ossu a […] he p eciso p imei o dispollas, e p epa allas pa a se secca em, segundo
a sua g ossu a, ou enuidade (pg, omo i: 17)
la go la gu a […] de la gu a da palma da mão pouco mais, ou menos (pg, omo 2: 94)
pequeno pequenez […] & ambém se ha de sabe que a g andeza, ou pequenhez azem
di uzão, & agg egação de i ude […] (pl: 25)
densidade
denso densidade Dis que os medicamen os que se julgão pella a idade, & densidade de
subs ancia […] (pl: 11)
espesso espessu a […] ejei ando-se a que o impu a, de cô pa da, e da espessu a de cê a
[…] (pg, omo2: 54)
enaz enacidade Massa de consis encia e enacidade a ia eis […] (pp: 64)
énue enuidade […] e p epa allas pa a se secca em, segundo a sua g ossu a, ou enuidade
[…] (pg, omo i: 17)
ex u a/
consis ência
áspe o aspe eza Nelle de e en e an o ha e uni o me mis u a de ing edien es, e molleza
un osa sem aspe eza, e sem enacidade […] (pg, omo i: 198)
du o du eza […] quando as subs ancias sublimadas em huma no a el consis encía,
densidade, e mesmo du eza […] (pg, omo i: 137).
gomoso gomozidade […] que enhão mui a ca ne, em a qual se ache húa gomozidade […]
(pl: 43)
lúb ico lub icidade Dis que da medicina húmida p ocedem, humidade, lub icidade, lenição,
& conglu inaçào […] (pl: 12)
meloso mellosidade […] depois de cozidas as esp emem, & es a mellozidade poem em ogo
b ando a he e consis encia de mel […] (pl: 91)
mole molleza […] piza-se de no o, pa a que a massa adqui a a de ida molleza […] (pg,
omo i: 183)
un uoso un uosidade Dis que a un uosidade he lub ica i a, lambe ica i a, elaxado a […]
(pl: 16)
idade
caduco caducidade As pha macopêas deixam medi na p ecoce caducidade que as espe a, a
apidez das me amo phoses expe imen adas […] (pp: x)
madu o madu eza To nando ás plan as, he ce o que cada huma dellas, e cada huma de suas
pa es em sua madu eza […] (pg, omo i: 15)
no o no idade […] appa ecem ambem nomes que nem p imam pela no idade ou beleza
[…] (pp: xxii)
pe pé uo pe pe uidade […] o empenho de ma ca com o sêlo da pe pe uidade o p ojec o de
pha macopêa […] (1876: x)
sabo doce doçu a […] algum an o ama gas & mui o a oma icas, mas em algúa doçu a […]
(pl: 72)
luminosidade/
isibilidade
cla o cla eza Cump ia, pois, de e mina com a maxima cla eza e exac idão […]
(pp: xxx i)
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1876 encon am-se alguns que e le em já o p og essi o a anço
da e minologia a macêu ica, como, en e ou os, solú el, usí-
el, es á el ou al e á el. Globalmen e, nos quase 200 anos que
sepa am a publicação da Pha macopea Lusi ana da Pha ma-
copêa Po ugueza pa ece assis i -se, de aco do com os dados
ecolhidos, a uma ampliação do núme o de nomes de p op ie-
dade/qualidade cons uídos com o su ixo -idad(e) e usados no
discu so p óp io da Fa mácia.
Em e mos globais, e i ica-se, uma p opensão pa a o uso
de adje i os mo ologicamen e simples como base dos nomes
de p op iedade/qualidade usados nas a macopeias em análise.
Es es adje i os são, seman icamen e, classi icá eis como «ad-
je i os quali ica i os de p op iedades de na u eza ma e ial»
(Veloso e Raposo, 2013: 1374), al como se cons a a pela análise
da abela 7. Maio i a iamen e, es es adje i os deno am p op ie-
dades/qualidades a e í eis pelos sen idos e, po an o, pode-
ão inclui -se no amplo conjun o de adje i os u ilizá eis pa a
se menciona em as chamadas p op iedades o ganolé icas dos
ma e iais. Nes a abela igu am ambém alguns adje i os que,
embo a mo ologicamen e complexos (de i ados em -os(o)),
dão con a des e ipo de p op iedades.
Pa a além de nomes de p op iedades/qualidades o mados
com base nes es subg upos de adje i os «quali ica i os de p o-
p iedades de na u eza ma e ial», encon am-se ambém no
co pus cons i uído á ios nomes, como os que abaixo se iden i-
icam, cons uídos a pa i de adje i os in eg á eis no conjun o
dos que designam «in e ações ísico-químicas e bioquímicas»
(Veloso e Raposo, 2013:1375).
(4) «[…] que nem odos os pós embebem a mesma po ção
de humidade […]» (pg, omo i: 178)
(5) «Se no Elec ua io en ão polpas, es as se espessa áõ,
azendo-se-lhes e apo a a humidade supe lua […]»
(pg, omo i: 173)
(6) «[…] he necessa io que adqui ão p imei amen e hum
g áo de seccu a, que as aça capazes de se eduzi a pó»
(pg, omo i: 25)
Nes e conjun o de nomes que deno am «in e ações ísico-
-químicas e bioquímicas», des acam-se, pelo seu ele ado nú-
me o no co pus em análise, os nomes de p op iedade cons-
uídos com base em adje i os su ixados em - el, como no
exemplo (7).
(7) «Nessa esenha a ul am as p op iedades physicas e o -
ganolep icas, — aspec o, ó ma ou sys ema c ys allino,
cô , chei o, sabo , densidade, solubilidade nos p inci-
paes ehiculos, usibilidade, pon o de e u a, ola i-
lidade, e c.» (pp: xxx )
Sublinha-se ainda que em alguns casos os nomes de p op ie-
dades/qualidades o mados com base nos adje i os de «p o-
p iedades de na u eza ma e ial» podem não designa p op ie-
dades ísicas, como acon ece com o nome cla eza, usado não
com o sen ido de “luminosidade”, mas de “simplicidade”. Na
ealidade, embo a os nomes de p op iedades/qualidades ísicas
sejam cla amen e dominan es, são as eá eis alguns exemplos
de nomes de lei u a não ma e ial, como nos exemplos abaixo:
(8) «[…] a di iculdade e ince eza des a ope açao […]»
(pg, omo i: 147)
(9) «[…] a acilidade, e p omp idao, com que ella huma ez
ei a muda de i ude […]» (pg, omo i: 147)
(10) «Cump ia, pois, de e mina com a maxima cla eza e
exac idão os componen es de cada o mula […]» (pp:
xxx i)
Globalmen e, os nomes de p op iedade/qualidade usados
nas ês a macopeias em análise oco em pa a da con a das
ca ac e ís icas dos medicamen os e das espe i as ma é ias-p i-
mas, assim como dos ins umen os necessá ios à sua p epa a-
ção, como se exempli ica na abela 8.
Ao consul a -se o Dicioná io da Língua Po ugueza, de An-
ónio Mo ais e Sil a, publicado em 1813 (Sil a, 1813), cons a a-se
que di e sos nomes de p op iedade ecolhidos pa a es e es udo
es ão diciona izados. Po ém, e como se e i ica pela análise dos
dados da abela 9, es as en adas do Dicioná io dizem espei o
a unidades lexicais de uso na língua ge al. Quando in eg adas
nas a macopeias analisadas, e apesa de o g au de especiali-
zação do seu uso se a iá el, cons a a-se que oco em numa
aceção mais especí ica do que aquela que é ixada no Dicioná-
io. Es amos, pois, pe an e uma si uação de e minologização,
na medida em que se assis e à « ansposição de uma unidade
lexical da língua ge al pa a uma linguagem de especialidade»
(Ba bosa, 2007: 435).
Salien a-se, ainda, que são di e sas as en adas des e Dicio-
ná io em que se indica cla amen e que se a a de nomes de p o-
p iedades/qualidades, como nos exemplos seguin es:
«DUREZA, s. . Qualidade do co po oppos a a mol-
leza, a esis encia que suas pa es oppõem á sepa ação, ou
a se em amolgadas» (Sil a, 1813, omo 1: 644).
«MOLLÈZA, s. . A qualidade, que consis e em se
molle» (Sil a, 1813, omo 2: 312).
«VISCOSIDÁDE, s. . A qualidade de se iscoso»
(Sil a, 1813, omo 2: 858).
É ambém de e e i que mui os dos nomes su ixados em
-idad(e) ecolhidos nes as ês a macopeias ainda não es ão
diciona izados. Assim acon ece com al e abilidade, inocuida-
de, usibilidade, lub icidade, melosidade, a idade, solubilidade,
en e ou os. No caso de usibilidade, ainda que o nome não se
encon e diciona izado, já oco e o adje i o usí el («Que pe -
de a cohe encia solida, e se de e e» (Sil a, 1813, omo 2: 71)).
Cu iosamen e, egis a-se já uma en ada ( ola ilidade), na qual
é cla amen e indicada a elação com o domínio da Química.
«Vola ilidade: s. .: a qualidade de se olá il, e não ixo. Chym: a
ola ilidade des e sal, do espí i o […]» (Sil a, 1813, omo 2: 863).
Em algumas ci cuns âncias, pe cebe-se a coexis ência, nes e
pe íodo, de nomes que, pa ilhando a mesma base, são cons-
uídos com su ixos di e en es, endo a amen os di e sos an-
o no co pus em análise quan o no Dicioná io de Mo ais e Sil a.
Panace@ | ol. XXI, n.º 52. Segundo semes e, 2020 94
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Tal sucede, po exemplo, nos pa es cla eza e cla idade (ambos
os elemen os es ão egis ados nes e Dicioná io, mas só cla eza
in eg a o co pus em es udo) e em a idade e a eza (só a ida-
de oco e no co pus, apesa de, no Dicioná io, encon a mos
apenas egis o de a eza).
Em e mos de pe cu so diac ónico, e i ica-se que o ex o de
1794 é aquele em que se egis a maio di e sidade de nomes de
p op iedade/qualidade, com um o al de 55 nomes di e en es
(c . g á ico 1). A es a cons a ação não se á alheio o ac o de es a
a macopeia es a o ganizada em dois omos, endo po isso,
uma ex ensão ex ual supe io às das duas ou as em análise.
Nos ês ex os em es udo, os nomes em -idad(e) são os mais
equen es. Sublinha-se, ainda, que o único su ixo pa a o qual
é possí el as ea uma cla a endência ascenden e, em e mos
de di e sidade de nomes egis ados, é p ecisamen e o su ixo
-idad(e): 19 nomes di e en es em 1704, 27 em 1794 e 35 em 1876.
Na ealidade, es e su ixo, selecionando da es u u a semân ica
das bases os aços de signi icado associados às ca ac e ís icas
obje i as dos espe i os e e en es, in e ém na cons ução de
nomes de qualidade que oco em p e e encialmen e em egis-
os de especialidade (Co eia, 2004), o que pode á assumi -se
como uma azão pa a a sua p esença p og essi amen e mais
e iden e nas á ias a macopeias.
A análise ans e sal dos ês ex os que es i e am na base
des e es udo pe mi e e i ica que es amos pe an e a maco-
peias nas quais os nomes de p op iedade/qualidade denomi-
nam, quase exclusi amen e, p op iedades senso ialmen e pe -
ce í eis (ex.: b ancu a, al u a, limpeza, edondeza, g andeza,
aspe eza, sujidade, iscosidade) e enquad á eis no conjun o
das p op iedades ísicas da ma é ia ( usibilidade, solubilidade,
Tabela 8. En idades a que se e e em as p op iedades codi icadas pelos nomes de p op iedade/qualidade em es udo
En idades a que se
e e em as p op iedades
designadas pelos nomes
Con ex os de oco ência
ma é ias-p imas/componen es dos
p epa ados
[…] são necessá ios pós eduzidos á maio enuidade, e delgadeza possí el (pg, omo i: 186)
Cubebas: Da ó ma e g andeza da pimen a ou um pouco maio es (pp: 142)
[…] de e semp e se colhida no seu es ado de pe ei a madu eza (pg, omo i: 16)
Nos a igos de subs âncias ino gânicas […] ha, pois, indicação da especie, desc ipção do co po e
obse ações conce nen es á sua pu eza e inal e abilidade (pp: xxxi )
[…] mas ambem á enuidade, ou espessu a maio do liquido, em que se hão de mis u a […] (pg,
omo i: 175)
[…] he o que em es p op iedades boas, que são o se b anco de e dadei a b ancu a po o a […]
(pl: 52)
[…] que sejáo pezados, & densos, & que enhão mui a ca ne, em a qual se ache húa gomozidade, &
que sejáo g ossos […] (pl: 43)
[…] de odas es as cas as de Ruiba bo he melho o que em a co de o a neg a declinã e à e melha,
& que he pezado po cauza de sua a idade […] (pl: 44)
ins umen os Den o do liquido se in oduz hum odízio semelhan e aos de ba e chocola e, co esponden e á
g andeza do aso […] (pg, omo i: 89)
Ga a as de di e en es g andezas, e qualidades. (pg, omo i: 5)
[…] ou em banho de Ma ia po alambique de id o de al u a p opo cionada á ola ilidade de
semelhan es subs ancias […] (pg, omo i: 127)
Limas de di e sa g ossu a […] (pg, omo i: 5)
p epa ados/medicamen os […] pa a que se o me a Velinha, ou Bugia de di e so amanho, e g ossu a, mas em oda a ex ensao
bem liza (pg, omo i: 211)
Aquelles [elec ua ios] po ém, que somen e em adqui ido pelo empo hum, maio g áo de seccu a, se
podem eduzi , á de ida consis encia […] pg, omo 1: 177).
Não ha endo hum de e minado g áo de consis encia, além do que he já di o en e a consis encia de
xa ope, e a de elec ua io, bem se ê, que a espessu a maio se emenda com a addição de alguma agua
[…] (pg, omo i: 159)
As Pilulas o madas com ella em poucos dias adqui em huma du eza de ped a. (pg, omo i: 181)
Quando se mandão aze as Pílulas de g andeza o dina ia […] (pg, omo i: 184)
Nelle de e en e an o ha e uni o me mis u a de ing edien es, e molleza un osa sem aspe eza, e sem
enacidade. A es a o ma de medicamen o se dá o nome de Unguen o. (pg, omo i: 198)
[…] pa a que es eja semp e a massa na molleza, que se p ecisa, pa a ellas se o ma em. (pg, omo i:
183)
[…] pois que as Pilulas o madas com ella em poucos dias adqui em huma du eza de ped a (pg, omo
i: 181).
[…] o Acido cyanhyd ico no mal, cuja impo ancia e ins abilidade eque em cau elosa p epa ação e
des elada conse ação […] (pp: x i)
Massa de consis encia e enacidade a ia eis, de cô ama ellada ou escu o-a e melhada […] (pp: 64)
E po que mui o impo an e é a absolu a uni o midade das p epa ações […] (pp: xxx ii)