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A Arte de Enfermeiros (1741): aspetos do léxico relativo a doenças e remédios no século XVIII

Abstract

Em Portugal, a publicação de manuais de enfermagem é bem mais tardia do que a de tratados de medicina. A primeira obra desse género é a Postilla Religiosa, e Arte de Enfermeiros (1741), escrita pelo Padre Diogo de Santiago. Na Parte ii desta obra, o autor descreve não só os tratamentos e as mezinhas que costumava administrar aos enfermos, mas também os cuidados a ter, em função da doença, com a alimentação e a higiene. O objetivo deste trabalho é analisar uma amostra constituída por nomes e expressões relativos a enfermidades e remédios. Testemunho da linguagem de um enfermeiro do século xviii, a Arte de Enfermeiros é uma fonte relevante quer para o estudo da língua desse século, quer para o conhecimento das terminologias então usadas no domínio dos cuidados de saúde.

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A Arte de Enfermeiros (1741): aspetos do léxico relativo a doenças e remédios no século XVIII

Author: Gonçalves, Filomena
Publisher: Tremédica. Asociación Internacional de Traductores y Redactores de Medicina y Ciencias Afines
Year: 2020
Source: http://repositori.uji.es/bitstreams/859ab9b1-c389-4893-8ed1-114e5871e04c/download
Panace@ | ol. XXI, n.º 52. Segundo semes e, 2020 68
<h p:// emedica.o g/panacea.h ml> T ibuna
A A e de En e mei os (1741): aspe os do léxico
ela i o a doenças e emédios no século XVIII
Ma ia Filomena Gonçal es *
* Uni e sidade de É o a - ecs/dll. cidehus-ué/ c - uidb/00057/2020. Di ección pa a co espondencia: m g@ue o a.p .
Resumo: Em Po ugal, a publicação de manuais de
en e magem é bem mais a dia do que a de a ados
de medicina. A p imei a ob a desse géne o é a Pos-
illa Religiosa, e A e de En e mei os (1741), esc i a pelo
Pad e Diogo de San iago. Na Pa e ii des a ob a, o au-
o desc e e não só os a amen os e as mezinhas que
cos uma a adminis a aos en e mos, mas ambém os
cuidados a e , em unção da doença, com a alimen a-
ção e a higiene. O obje i o des e abalho é analisa uma
amos a cons i uída po nomes e exp essões ela i os a
en e midades e emédios. Tes emunho da linguagem de
um en e mei o do século x iii, a A e de En e mei os é
uma on e ele an e que pa a o es udo da língua desse
século, que pa a o conhecimen o das e minologias en-
ão usadas no domínio dos cuidados de saúde.
Pala as-cha e: doenças, en e magem, léxico, po u-
guês, emédios, século x iii.
A e de En e mei os (1741): no es on he 18 h-cen u y
lexicon o diseases and ea men s
Abs ac : In Po ugal, nu sing manuals began o be
published much la e han medical ea ises. The i s
manual o his kind was Pos illa Religiosa, e A e de En-
e mei os (1741) by Fa he Diogo de San iago. In Pa ii
o he olume, he au ho desc ibes he ea men s and
medicines adminis e ed o he sick, as well as he ca e
p o ided in e ms o ood and hygiene, depending on
he disease in ques ion. The aim o his s udy is o anal-
yse a sample o names and exp essions used o desc ibe
diseases and medicines. A e de En e mei os is ep e-
sen a i e o he lexicon used by nu ses in 18 h-cen u y
Po ugal and o e s a ele an sou ce o he s udy o
he Po uguese language and he e minology used in
heal hca e a ha ime.
Key wo ds: 18 h cen u y, diseases, lexicon, nu sing,
Po uguese, ea men s.
Panace@ 2020; xxi (52): 68-85
Recibido: 15.ix.2020. Acep ado: 5.xi.2020.
1. In odução
Desde o século x i, o cuidado dos co pos e das almas e a
missão dos eligiosos, mo i o po que os p imei os a ados do
que hoje se conhece como en e magem (Noguei a, 1990; San-
os, 2012), ademais de ins uções pa a o cuidado ísico dos en-
e mos —aplicação de emédios e ou os a amen os, cuidados
de alimen ação e higiene—, incluíam o ien ações pa a o con-
o o espi i ual dos que padeciam de alguma en e midade ou
es a am agonizan es. Em Espanha, a publicação de ob as desse
géne o emon a ao século x i.
Em Po ugal, os manuais des inados a o ien a a a i idade
dos en e mei os são bem mais a dios do que os a ados de
medicina, mui o embo a es es auxiliassem, ao menos em pa -
e, a p á ica do cuidado dos en e mos. A p imei a ob a daquele
géne o in i ula-se Pos illa Religiosa, e A e de En e mei os (1741)
e oi esc i a po Diogo de San iago ( . 1747), pad e da o dem de
São João de Deus (1495-1550), que desen ol eu a sua a i idade
no hospi al mili a da cidade de El as, onde esc e eu a ob a cuja
Pa e ii é o obje o des e abalho.
Na u al de Mon emo -o-No o (Alen ejo, Po ugal), João Ci-
dade, que icou conhecido como João de Deus, dedicou-se a da
assis ência aos pob es e doen es, missão que o le ou a unda
um hospi al em G anada, onde es á sepul ado. Bea i icado em
1630 e canonizado em 1690, João de Deus inspi ou a c iação da
O dem dos I mãos Hospi alei os (Sampaio, 2019; «P o íncia
Po uguesa da O dem») com a ocação de cuida dos en e -
mos, es ando a sua ação ligada sob e udo aos hospi ais mili-
a es (Bo ges, 2009), que em Po ugal que em Espanha, mas
ambém em e i ó ios o a da Península (Índia, B asil e Á ica).
O exe cício como en e mei o no con en o-hospi al de El-
as, onde eio a mo e em 1747, ica plasmado num manual
des inado a ins ui os no iços da o dem hospi alei a, em cuja
po ada se anuncia o con ex o de p odução e o escopo da ob a
—«Com que educou, e p a icou aos seus No iços, sendo Mes e
delles no Con en o de El as, pa a pe eição da ida Religiosa,
e o o da Hospi alidade»—, e a igu a a quem o au o dedica a
Pos ila: «F . Jozé de Jesus Ma ia, Dignissimo P o incial Apos-
olico da mesma P o íncia».
Ob a pionei a, po se a p imei a esc i a em po uguês pa a
o ien a os en e mei os ( eligiosos) nos cuidados a p es a aos
en e mos, nela se desc e em as p á icas ela i as à a i idade
hoje conhecida como «en e magem» (Gamei o, 2005), pala a
que é bas an e ecen e, já que na lexicog a ia po uguesa dela
se em a es ação em 1913, da a da 2.ª edição do No o Dicioná io
da Língua Po uguesa, de Cândido Figuei edo (1846-1925). Tal
como mui as ou as a i idades ( écnicas, cien í icas, humanís-
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icas) e o ícios «mecânicos» (manuais), cuida dos en e mos
e a, no século x iii, obje o de uma «a e», ale dize , de um
ace o de conhecimen os e p ecei os especí icos que, e idos
em o ma de a ado ou manual, ecebia esse nome (a e da
g amá ica, a e química, e c.). Regis ado desde o século xiii,
de aco do com a lexicog a ia con empo ânea de ine-se o e mo
da seguin e manei a (Houaiss, 2001):
«[…] segundo adição que emon a ao a is o elismo,
conjun o de meios e p ocedimen os a a és dos quais é
possí el a ob enção de inalidades p á icas ou a p odução
de obje os; écnica. O uso dessa habilidade nos di e sos
campos do pensamen o e do conhecimen o humano;
ace o de no mas e conhecimen os indispensá eis ao
exe cício co e o de uma a i idade; a ado que ence a
ais no mas, p ocedimen os» (Houaiss, 2001).
As ob as des inadas a o ien a , de manei a especí ica, a a i-
idade dos en e mei os, que como «a e» que com ou os
í ulos, su gem no século x iii pa a esponde a necessidades
p á icas da assis ência aos en e mos, con o me pode in e i -se
do ac o de em apenas seis anos i em a lume duas ob as. Com
e ei o, depois da «Pos ila» (1741), em 1747 sai do p elo a segunda
ob a po uguesa desse géne o —«Ins ucçaõ de en e mei os, e
consolaçam pa a os a ligidos en e mos: e e dadei a p a ica de
como se de em applica os emedios, que os Medicos o denaõ,
mui o necessa ia pa a que os en e mos sejaõ bem cu ados, e
p o ei osa aos p a ican es de Medicina»—, embo a não seja,
na e dade, uma p odução o iginal, po quan o se a a da a-
dução da Ins ucción de en e me os (1617), de And és Fe nán-
dez ( . 1625), médico cas elhano que pe encia aos «He manos
Ob egones», cong egação hospi alei a cujo undado , Be na -
dino Ob egón (1540-1599), exe ceu em hospi ais po ugueses.
Po isso, em bom igo , a de F . San iago é a única ob a se e-
cen is a esc i a po um en e mei o po uguês pa a o ien a a
assis ência aos en e mos.
É de salien a que aquilo que hoje se conhece gene icamen e
como cuidados de saúde, no século x iii ab angia a obse a-
ção do es ado do pacien e, a p epa ação e aplicação de emédios
ou mezinhas, em casa ou em en e ma ias de hospi ais, sendo
que nesses cuidados in e inham á ios p o issionais (Ab eu,
2010): o médico —«aquele que sabe & p o essa a a e da Medi-
cina» (Blu eau, 1716: 289)—, o «ci u gião», que exe cia a «a e
da Medicina, que com as ope acoens da maõ cu a chagas, e i-
das, & ou as doenças do co po» (Blu eau, 1712: 328), o «ba bei-
o»1 (Blu eau, 1712: 47) ou «sang ado »2 (Blu eau, 1720: 469),
is o é, aquele que «sang a» ou «dà sang ia»3 ao doen e pa a
des e modo «e acua sangue & os mais humo es que anda aõ
em as eas mis u ados com o sangue» (Blu eau, 1720: 470) e,
ainda, o en e mei o a quem, po se um eligioso, nas en e ma-
ias (hospi ais) es a a con iada não só a assis ência ísica como
ambém o con o o espi i ual dos pacien es.
Todas es as a i idades de em en ende -se no con ex o de
uma medicina pau ada essencialmen e pelos ensinamen os de
médicos da An iguidade e do pe íodo medie al (Dias, 2007:
passim; Al es, 2014: passim): Hipóc a es (ci ca a. C. 460-ci ca
377 a. C.), que explica as doenças como desequilíb ios en e os
qua o humo es exis en es no o ganismo humano; Dioscó ides
( . 40-70), cuja ob a (De ma e ia medica) legou um ace o in-
o ma i o sob e as p op iedades cu a i as de plan as, animais
e mine ais; Galeno (129 d.c-199), que oi a igu a dominan e na
medicina medie al e in luenciou a p á ica médica pos e io , e,
ainda, A icena (980-1037), ilóso o e médico pe sa que esc e eu
á ios a ados sob e a «a e de cu a », sendo po isso consi-
de ado o pai da medicina mode na. A é ao século x iii, im-
pe a a ainda a dou ina hipoc á ica segundo a qual as doenças
acome iam o co po humano em i ude de um desequilíb io
en e os qua o «humo es» —quen e, io, seco e húmido— e-
lacionados com os qua o elemen os do uni e so ( ogo, água,
e a e a ), o que explica a p eocupação de alguns médicos em
iden i ica a na u eza dos medicamen os «simples», ou seja,
os p odu os que, « al qual a na u eza os c iou» (Pi a e Pe ei a,
2012: 249), inham p op iedades e apêu icas. É o que se ob-
se a, com e ei o, na Recopilaçam de Ci u gia (61661[1601), de
An ónio C uz ( l. x ii), ci u gião do Rei e do Hospi al Real
de Todos os San os, em cujo «T a ado Quin o» o au o indica
quais, den e aqueles, são quen es, ios, secos ou húmidos, e
quais os g aus des as « i udes»4.
O exe cício da medicina assen a a en ão mais na adi inha-
ção do que p op iamen e na obse ação do co po humano e,
po conseguin e, as p á icas cu a i as en ol iam animais, ex-
c emen os e ou os p odu os insóli os que são, aos olhos do
lei o a ual, es anhas, senão mesmo epugnan es, assemelhan-
do-se mais às p á icas de ei iça ia do que às de uma ciência,
si uação que, em Po ugal, de e analisa -se à luz do espí i o da
Con a-Re o ma que, pa a impedi a li e ci culação de ideias,
impunha a censu a dos li os de qualque ma é ia, en e eles os
que, na á ea da medicina (Baud y, 2017), pusessem em causa
não só os dogmas do ca olicismo como ambém mui as c enças
en aizadas na sociedade daquela época. Os a ados médicos
publicados en e inais do século x ii e as p imei as décadas
da cen ú ia seguin e —po exemplo, a Polyan hea medicinal
(1695) e as Obse açoens medicas dou inaes (1707), ambas de
João Cu o Semedo (1635-1719)5— deno am que à he ança da
An iguidade se ha iam ac escen ado, de ac o, p á icas medie-
ais cuja longe idade se es ende ao pe íodo ba oco.
É de admi i que F . San iago conhecesse as ob as de Cu o
Semedo, já que es as i e am g ande eceção no século x ii
e na cen ú ia seguin e, e que al ez conhecesse igualmen e o
a ado in i ulado Luz da Medicina p á ica acional e me ódi-
ca: guia de in e mei os, di ec ó io de p incipian es (1753[1664]),
de F ancisco Mo a o Roma (1588-1668), médico de câma a do
ei, que oi o p imei o a menciona os en e mei os no í ulo de
uma «a e médica» que e e á ias eimp essões ac escen adas
a é 17536. A Luz da medicina isa a ce amen e uma abo da-
gem in eg al do cuidado aos en e mos, ab angendo, pois, que
a p esc ição de emédios e mezinhas, que a a macopeia (in-
cluindo a posologia7), e, ainda, a adminis ação daqueles aos
en e mos, po quan o se des ina a a auxilia «P o esso es da
A e de Medicina, e Ci u gia, mas ambem pa a odo o Pay de
amilias; de q se pode áõ ap o ei a pob es, e icos na al a de
Medico dou o », con o me cons a do sub í ulo da ob a que nos
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p opo ciona um e a o da si uação dos cuidados de saúde no
século x ii. É de ealça que, sal o es udos na á ea da his ó ia
da medicina (Lemos, 1899), nenhuma das ob as a ás mencio-
nadas oi a é ago a analisada numa pe spe i a lexicológica ou
e minológica, e nenhuma delas in eg a os co po a do po u-
guês (Fina o, 2018).
2. A Pos illa Religiosa, e A e de En e mei os
A Pos illa eligiosa, e A e de en e mei os: gua necida com
e udi os concei os de di e sos au ho es, acundos, mo aes, e es-
c i u á ios é uma ob a com 300 páginas que se di ide em ês
a ados, a sabe : T a ado i (páginas 1 a 70), com cinco capí ulos
nos quais F . Diogo de San iago expõe algumas «Ad e ências
pa a a pe eição Religiosa do es ado de No iço a è ao de P e-
lado Supe io »; o T a ado ii (pp. 72-172), o mais ex enso, com
59 capí ulos nos quais se desc e em os emédios e a amen os
a aplica aos en e mos, incluindo cuidados higiénicos e de ali-
men ação; o T a ado iii (pp. 172-250), com se e capí ulos que
a am do «modo pa a o en e mo examina a sua consciencia,
exho ações pa a a sua sal açaõ, ó ma de aze es amen o, e
pa a ajuda a bem mo e ». De aco do com a no ma naquele
empo, a ob a a e ba as licenças emi idas pela O dem, pelo San-
o O ício, pelo O diná io e pelo Paço, sendo que es a úl ima é
assinada pelo dou o Cip iano de Pina Pes ana, médico de câ-
ma a do ei e ísico-mo do eino.
«[…] he ob a mui o ag ada el a quem a le , e mui o u il
pa a quem deseja assis i com ca idade de bom En e -
mei o aos doen es; po que ensina os melho es e mos, e
ci cuns ancias medicas pa a a al assis encia, undamen o
à ca idade, e baze ao zelo espi i ual, como legi imo Filho
do mayo Pay da Hospi alidade e como con enha o al li-
o, e ensine aõ necessa ia dou ina pa a os mise andos
a lic os, se az digno da licença, que pede. V. Mages ade
manda á o que o se ido. Lisboa O ien al 27. de Ma ço
de 1741. Dou o Cyp iano de Pinna Pes ana» (San iago,
1741: licenças).
A concessão de licença pelo médico pessoal do ei e ísico-
-mo do eino, que econhece a u ilidade da ob a, deixa a en-
e e um êxi o que le asse à eimp essão da ob a, o que não
eio a acon ece , já que a Pos illa apenas ol ou a se eedi ada
no nosso século, p imei o numa edição ac-similada (San -Ia-
go, 2005), acompanhada de ex os in odu ó ios (G aça, 2005;
Gamei o, 2005), e, mais ecen emen e, em edição mode nizada
(F anco e Fiolhais, 2019), in eg ada na gale ia de ob as pionei-
as nas á eas da medicina, a mácia e en e magem. Aos olhos
de hoje, é su p eenden e que uma ob a pionei a enha pe ma-
necido esquecida du an e an o empo; po ém, essa é a condi-
ção a que o am o adas mui as ob as ele an es não só pa a a
his ó ia da ciência como ambém pa a a his ó ia da língua e, em
especial, pa a a diac onia das linguagens especiais e e minolo-
gias cien í icas (Ve delho, 1998; Mu akawa, 2005). Ressal ada a
con ibuição de Gamei o (2005), no âmbi o da his ó ia da me-
dicina, an o quan o se sabe, a Pos illa nunca oi al o de es udos
de ca iz linguís ico, o que jus i ica, só po si, uma incu são na
Pa e ii in i ulada «A e de En e mei os» (páginas 52 a 172), da
qual se ex aiu a amos a ela i a a doenças e seus a amen os
que a segui se analisa.
2.1. A A e de En e mei os e a língua po uguesa
A A e de En e mei os desc e e não só as p á icas a segui pe-
los no iços (en e mei os), no hospi al de São João de Deus de
El as, como ambém os a amen os ( emédios ou mezinhas)
que, segundo a p esc ição de um médico ou ci u gião, aqueles
de iam minis a aos doen es ali in e nados. É de no a que
«doença» (la . dolen ia) e «en e midade» (Blu eau, 1713:
279-280) são pala as que, es ando embo a a es adas na língua
desde o século xiii8 (Houaiss, 2001; Cunha, 1994: 275, 298;
Machado Filho, 2013: 1749, 191), não oco em nes a «A e», on-
de ambém o pacien e (subs .) é in a ia elmen e e e ido como
«en e mo»10, pala a igualmen e documen ada no século xiii
(Machado, 1977; Cunha, 1994; Cunha, 2006). Na ob a em ap e-
ço, es a é a única denominação pa a quem padece de uma doen-
ça ou achaque 11, não ha endo, po an o, oco ências da pala a
«doen e». Além de «en e mei o», p esen e no í ulo, ambém se
egis a «en e ma ia», ambas a es adas, segundo a lexicog a ia,
desde o século xiii (Machado, 1977: 402; Cunha, 1994: 298;
Houaiss, 2001; Cunha, 2006).
Do mesmo modo, « emédio» é, na A e de En e mei os, o
nome que ecebe qualque o ma de a a doenças ou ali ia
os seus sin omas (Mu akawa, 2014; Domlado ac-Sil a, 2017),
indis in amen e do ipo de subs ância ou p odu o ( ege al,
animal, mine al ou ou o) que en e na sua composição. Docu-
men ada desde o século xiii, a o ma popula «mezinha»12 em
a mesma aiz e imológica de «medicina» (la . medicina), sendo
e iden e, po an o, a elação semân ica en e ambas as pala as.
É de no a que a o ma cul a, que em po uguês conheceu a ace-
ção de « o ma de a amen o, emédio», en e an o desusada,
logo, um diac onismo, em espanhol conse a essa aceção 13. Po
sua ez, a pala a «medicamen o», que cons a da nomencla u a
lexicog á ica de Ben o Pe ei a (1697), segundo Houaiss (2001),
já es a ia a es ada desde 1692.
Equi alen e de «ano ação», «pos ila», po sua ez, em a es-
ação desde 1597 (Houaiss, 2001) que, no í ulo da ob a de
F . San iago, aduz a modés ia habi ual ine en e ao código e-
ó ico do século x iii, a mesma que o az conside a a ob a um
« amilhe e» (San iago, 1741: Ao lei o , ) esc i o pa a acul a
aos no iços «cla as luzes em b e es pe iodos». Na dedica ó ia
a F . José de Jesus Ma ia, F . San iago explica a mo i ação pa a
en ega ao p elo os cade nos de manusc i os em que compila a
ins uções pa a uso p óp io:
«V. P. Re e endissima oy e ido emediasse eu a
al a, que nes a Casa ha ia de Mes e de No iços, em
cuja occupaçaõ desejando que os meus discipulos icas-
sem com alguma u ilidade no limi ado do meu ensino,
lhes di ey es a Pos illa Religiosa, e p a iquey es a A e
de En e mei os pa a melho In elligencia na applicaçaõ
dos emedios, em que consis e a ida dos en e mos, que
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huma, e ou a cousa dedica, e o e ece o meu a ec o nas
Religiosas a as da p o ecção de V. P. Re e endissima, pa a
que com o seu deco oso ampa o enhaõ algum luzimen o
as minhas somb as, que expolas à censu a de impe ei as,
acha á V. P. Re e endissima naõ he mais o meu empenho,
que a pe eição Religiosa, e a ace ada, e pe ei a assis en-
cia dos en e mos, de que Deos an o se ag ada» (San iago,
1741: Dedica o ia, iii-i ).
Impo a sublinha que, naquele empo, pa a se exe ce co-
mo en e mei o não e a exigida a au o ização do ísico-mo ou
do ci u gião-mo do Reino, con o me escla ece G aça (2005)
—«con a iamen e à medicina, à ci u gia e à a mácia, a en e -
magem não cons i uía p op iamen e um o ício de a e ap o a-
da»—, mo i o po que a expe iência acumulada po F . San ia-
go ao longo de qua o décadas de exe cício e a mui o ú il pa a
quan os nele se inicia am. Com e ei o, se a medicina e a ensina-
da nas escolas médicas e e a signi ica i o o núme o de a ados
dessa «a e», pa a o cuidado dos en e mos não ha ia ensino
o mal, pelo que as p á icas ine en es ao o ício de en e mei o
(San os, 2012) se adqui iam no con ac o di e o com os doen es,
si uação que jus i ica as pala as de F . Diogo de San iago a es-
pei o das en e ma ias: «As nossas aulas saõ as en e ma ias, on-
de os li os saõ os en e mos e quan o mais cheyas es aõ de olu-
mes, mais cheyas es aõ de me ecimen os» (San iago, 1741: 271).
Esc i a po um eligioso que inha a o mação p opo cio-
nada pela O dem Hospi alei a, a Pos illa plasma a a iedade
linguís ica de um po uguês das p imei as décadas do sécu-
lo x iii, incluindo não só e minologias médicas e a maco-
peicas (Ve delho, 1998: passim) como ambém o mas an igas
do léxico comum que, depois, ie am a se subs i uídas po
ou as, mo i o po que es a ob a, ademais de se uma on e
in e essan e pa a o es udo de uma linguagem de especialida-
de (Baude , 1988; Ve delho, 1998) ou ecnolec o em Se ecen os,
ambém o é pa a o do léxico ge al usado naquele pe íodo. En e
os mui os exemplos ex aídos da A e de En e mei os, salien-
em-se os seguin es: Embigo é o ma an iga, a es ada desde o
século xiii (Cunha, 1994: 80214; Houaiss, 2001) que, na chama-
da língua comum, ale dize na língua es anda dizada, acabou
po se subs i uída po umbigo. O a, de aco do com os dados
do Co pus Lexicog á ico do Po uguês, a p imei a es á dicio-
na izada desde Je ónimo Ca doso (1562, 1569-70), ao passo que
a segunda en a na nomencla u a a pa i de 1697 (na P osódia
de Ben o Pe ei a). Com a a ian e embigo, a ualmen e ma cada
como o ma popula ou egional, conco ia, pelo menos des-
de o século x i, a a ian e umbigo, mais ala inada, que oco e
em ex os cien í icos, como os Colóquios dos Simples, e d ogas e
cousas medicinais da India (1563), de Ga cia de O a, ou a Luz
da Medicina (Roma, 1753[1664]). É nes a úl ima que se ampa-
a Blu eau (1713: 34; 1721: 545) quando a en a nes a a iação,
conside ando que o «p imei o [umbigo] pa ece mais p óp io
pela analogia, que em com Umbilicus, que em La im signi ica
o mesmo. Po èm o uso he po Embigo». Di e en e é o caso de
es omago 15, pala a cul a, que é a única o ma a in eg a a a-
iedade linguís ica plasmada na ob a do Pe. San iago («boca do
es ômago», «un u a do es omago», « epa o ao es omago» «dei-
a -lhe huma en osa no es omago», San iago, 1741: 90, 92, 93,
126), conquan o es amago, a ian e popula , documen ada des-
de o século xi (Cunha, 1994: 332), ainda en ão oco esse. Não
menos in e essan e é o caso de espe diça (San iago, 1741: 128),
a ian e de despe diça , que es á a es ada desde 1561 ( Houaiss,
1561), sendo que es e e bo, po sua ez, em egis o desde 1517.
Re i a-se, po úl imo, a pala a lançol (de . de lenço), única o -
ma usada po F . San iago pa a denomina a peça e angula de
ecido que se põe na cama. Tem a es ação, no mínimo, desde
o século x (Houaiss, 2001); po ém, no uso a ual, em es a u-
o de a ian e popula de lençol, o ma que es á documen ada
desde o século xi . No en an o, da nomencla u a de Blu eau
(1716: 36), lexicóg a o que compilou inúme as a ian es lexi-
cais, cons a apenas lançol, sem qualque emissão pa a lençol.
Ainda no que diz espei o à língua co en e do século x iii,
p esen e na A e de En e mei os, no e-se que en a (* en ana
ʻluga po onde passa en oʾ, pelo a c. en ãa ou en aã), a es-
ada na língua pelo menos desde o século xi (Machado, 1977:
384; Cunha, 1994: 81516), e a a única denominação ana ómica
pa a a abe u a do na iz ou pa a es e; mais ecen e, a pala a na-
ina e á en ado na nomencla u a lexicog á ica do po uguês
em 1873 (Cunha, 1994: 544; Houaiss, 2001).
3. Léxico ela i o a doenças e emédios
À en ada do doen e na en e ma ia, uma das p imei as a e-
as do en e mei o é apu a se aquele « inha ob ado», condição
necessá ia ao a amen o com «sang ia», e i ando a aso na
in e enção do médico:
«Depois que o en e mo es i e na cama, lhe p ocu ay
se em ob ado bem no dia an eceden e e se o naõ i e
ei o, lhe manda eis lança huma ajuda commua, pa a
que quando ie o Medico naõ haja dilaçaõ na sang ia; e
se naõ alla , p ocu ay a quem o ouxe se em ei o es a
diligencia, e que dias ha, que es á en e mo, examinando
os emedios, que lhe ize aõ, pa a da es ao Medico a in-
o maçaõ de udo» (San iago, 1741: 74-75).
Uma das p imei as in e enções do en e mei o é, pois, a
ajuda, nome de «uma injeção de água ou líquido medicamen-
oso no e o» ou clis e 17 (Houaiss, 2001), pala a ma cada em
Houaiss (2001) como «diac onismo». As ajudas e am de á ios
ipos («ajudas de a ias cas as como se azem»), cuja ecei a e
p epa ação o Pe. San iago desc e e (1741:113). Assim, a «ajuda
la a i a» consis ia num «qua ilho de cozimen o de ce ada, ou
caldo de galinha simples, assuca masca ado, gema de o o, de
o ma, que a ibia, pa a que melho a conse e o empo, que
o necessa io», podendo se lançadas —lança é o e bo que
designa a aplicação do clis e — a oda a ho a, de dia ou de noi e
(San iago, 1741: 113). As chamadas «ajudas commuas» compu-
nham-se de
«cozimen o de ce ada, ameixas passadas, mal as, e iole-
as, cujo cozimen o ha de mingua a e ça pa e, quando
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se ize ; e em hum qua ilho delle se lança á assuca , e sal,
quan o bas e, duas onças de azei e comum; e lançada, a
conse a á quan o pude » (San iago, 1741: 113-114).
Nes e caso, a adminis ação de e se ei a da seguin e ma-
nei a:
«O empo mais con enien e de lança essas ajudas,
he pela manhã, es ando o en e mo em jejum, ou cinco
ho as depois de e comido; e ó a desse empo naõ saõ
con enien es, excep o se hou e algum caso, em que se-
jaõ p ecisas. Se o en e mo hou e de se sang ado, seja
meya ho a depois de lança ó a a ajuda; e po nenhum
caso se lancem ajudas aos en e mos no p incipio de ce-
zaõ, ou c escimen o, que lhe a á g ande dano» (San ia-
go, 1741: 114).
Ajuda la a i a e la á ico (Luz, 1661[1601]; Semedo 1707: 554;
Blu eau, 1716: 53; Viei a, 1873: 1272); Houaiss, 2001) e am e -
mos equi alen es, sendo que ambos são ma cados po Blu eau
como e mos de Medicina.
A ajuda pa a «os du os de en e» consis e, po sua ez, em
adminis a «azei e comum, ou ina esca, bocado de o men-
o, ju ipiga» (San iago, 1741: 114); ou a ajuda «mui o boa»
consis e em que «Em hum qua ilho de ou ina esca se des aça
hum bocado de o men o com azei e, e ju ipiga, quan o bas e,
he muy boa» (San iago, 1741: 114). Ou as ajudas mencionadas
po F . San iago na A e de En e mei os são a «compos a», a
« empe an e», a «emolien e» e «ads ingen e», cuja composi-
ção é a seguin e: «Ajuda compos a»: «A compos a se az com o
cozimen o da commua, ajun ando-lhe meya onça de ju ipiga,
ou diaca alicaõ, azei e, e sal, quan o bas e» (San iago, 115 :1741).
O cozimen o e e ido na ecei a acima eme e pa a o «es ado
de um alimen o ou de uma subs ância, um ma e ial e c. que pas-
sou pelo p ocesso de cozimen o; cozedu a»; po sua ez, ju ipi-
ga é a ian e da pala a de je opiga (Blu eau, 1713: 40; Houaiss,
2001), ale dize , «bebida p epa ada com mos o, agua den e e
açúca » (Houaiss, 2001) e o diaca alicão, a ian e de diaca o-
Descanso

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licão (Blu eau, 1713: 201), é e mo a macopaico de um medi-
camen o do g upo dos chamados elec uá ios, is o é, pa a «uso
in e no cons i uído de pós inos, xa ope, mel ou esinas líqui-
das, emp egado especialmen e como calman e e pu ga i o»
(Houaiss, 2001).
«Ajuda empe an e – A empe an e se az com o mesmo co-
zimen o sem sal, e com azei e iolado em luga do commum;
e algumas ezes se az com polpa de cana is ola, ou com diaca-
alicaõ». Te mo de a macopeia, empe an e quali ica um medi-
camen o «capaz de mode a a a i idade ci cula ó ia» (Houaiss,
2001), ei o à base de azei e ex aído de « iolas» (i.e. iole as)
ou de ou as subs âncias, como a cana ís ula (Blu eau, 1712: 90)
ou o já mencionado ca alicão.
«Ajuda emollien e – A emollien e se az com o mes-
mo cozimen o sem sal, e em luga de azei e, man eiga de
po co, ou de aca. Em odas es as ajudas he eg a ge al,
que acabando o en e mo de ecebellas, se ol e de ba iga
pa a baixo, a è que a ajuda o p ecise a le an a se» (San-
iago, 1741: 115).
Ao con á io das an e io es, que cos uma am se p epa a-
das pelo en e mei o, a ajuda ads ingen e de ia se pedida a
uma bo ica.
«Ajuda ads ingen e – As ajudas ads ingen es, e ou-
as mui as cos umaõ os Médicos manda aze na bo ica.
Vindo o cozimen o ei o, se lança á somen e a quan ida-
de de meyo qua ilho, ecomendando ao en e mo, que
a sus enha odo o empo, que pude , pa a cujo e ei o se
lança á ibia, pa a que naõ i i e ao en e mo» (San iago,
1741: 115-116).
O a, como se obse a acima, a ecei a des es emédios con-
empla medidas ulga izadas na época (Ba os, 2017), como o
qua ilho e a onça (e meia onça), sendo que na sua p epa ação
en a am ing edien es de á ias na u ezas, como plan as (mal-
as, iole as, cana ís ula), u os (ameixas), ce eais (ce ada),
p odu os de o igem animal em es ado na u al ou sujei os a
cocção (gema de o o, galinha, po co, aca), e ou os p odu os
(sal, açúca , azei e).
Alguns emédios e mezinhas incluíam ing edien es de o i-
gem animal – a man eiga de po co ou de aca, po exemplo
– mas ambém os animais mo os – «pombos, ou cacho os»
(San iago, 1741: 81) – e am usados em p á icas cu a i as da épo-
ca, sendo es en ados jun o à cama do pacien e, sob e cuja ca-
beça, du an e as denominadas «embo cações», p á ica co en e
en e os médicos daquele empo – eja-se Semedo (1707: 160) –,
coloca am o sangue e as ísce as daqueles, con o me desc e e
o au o da A e de En e mei os:
«Pombos, ou cacho os como se haõ de applica . De-
pois de osquiada oda a cabeça do en e mo, e pos o hum
lenço ao edo della na ó ma e e ida no Capi ulo acima
das embo cações, i a eis ao pombo as pennas do lombo,
e jun o da cama do en e mo se ab i á pelo mesmo si io
com aca bem amolada, e o po eis no mesmo ins an e
com sangue, e ipas na cabeça do en e mo, de ó ma, que
iquem debaixo as qua o comissu as. O mesmo se a á
com o cacho o; e hum, e ou o naõ ha de se g ande, mas
de hum mez, pouco mais, ou menos» (San iago, 1741: 81).
Consis ia a e e ida «embo cação» (San iago, 1741: 79) no
«a o ou e ei o de banha com medicamen o líquido a pa e
doen e de um co po» (Houaiss, 2001), sendo que esse e mo,
po ex ensão me onímica, e e ia igualmen e o p óp io líquido
usado nesse banho.
«Embo caçaõ como se az. Co a eis ao en e mo o-
do o cabello da cabeça à pon a da isou a, o mais en e,
que pude se . Pa a melho lhe applica es o emedio, lhe
muda eis a cabecei a pa a os pés, pondo-lhe ao edo da
cabeça hum lenço o cido, e bem ape ado, em ó ma de
capella, pa a que o cozimen o naõ co a pelo os o do en-
e mo, o qual manda eis pô de cos as; com a cabeça ó a
da cama. Es ando jà des a ó ma, endo debaixo huma
bacia, lhe hi eis lançando o cozimen o muy de aga po
hum ja o de bico, com mode ada quen u a, o nando a
enche o ja o do mesmo, que cahi na bacia. Du a á es a
applicaçaõ em quan o du a o calo no cozimen o, o qual
ha de cahi no meyo da cabeça do en e mo, e da al u a de
dous palmos. Acabada es a applicaçaõ, se naõ es egue a
cabeça do en e mo, nem em quan o se lhe az, que se ia
augmen a -lhe a queixa; só sim se lhe ha de enxuga a ca-
beça b andamen e, e i ando-lhe o lenço, se lhe po á hum
oucado » (San iago, 1741: 79-80).
Nes a desc ição, além dos e mos elacionados com a p á i-
ca da embo cação, oco em nomes e e bos, en ão co en es na
língua comum, como osquia , que hoje co esponde ao a o de
co a o pelo a ce os animais, não se aplicando habi ualmen-
e a humanos; cozimen o (i.e. «o a o ou p ocesso de coze ou
cozedu a»), nome de e bal cons uído com o su ixo -men o;
quen u a («es ado do que é quen e; calo ; al a empe a u a»,
Houaiss, 2001), exemplo de um p ocesso de i acional com o
su ixo nominal -u a (Co eia, 2004: 325-328; Rio-To o e al.,
2013: 131), que pe mi e p ecisamen e cons ui nomes su ixados
(Rio-To o e al., 2013: 131) que exp essam qualidade ou es ado
(Co eia, 2004: 325), e que, pese embo a se p odu i o no po -
uguês an igo (po ex. is u a, iu a, e c.), depois cedeu pe an-
e ou as o mas de nominalização ( is eza, ialdade), ainda
que algumas daquelas o mações enham pe sis ido (abe u a,
a u a) (Co eia, 2004: 326; Villal a e Sil es e, 2013: 107; Rio-
-To o e al. 130); oucado , nome de uma «espécie de ouca ou
lenço com que, ao dei a , se compõe e p ende o cabelo» (Blu-
eau, 1721: 223; Houaiss, 2001).
À p á ica da embo cação podia ainda segui -se, desde que
o médico a p esc e esse, uma un u a —o a o ou p ocesso de
un a com alguma subs ância— pa a alí io do en e mo, nome
que cons i ui mais um exemplo da já mencionada nominaliza-
ção com -u a.
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«Se o Medico manda aze alguma un u a, seja ibia,
e se a á depois que a cabeça es i e enxu a; e ei a a un-
u a, se lhe po á hum papel pa do, e em sima o oucado ;
ad e indo, que se o empo o io, se echem as janellas
em quan o se azem es es emedios» (San iago, 1741: 80).
Com e ei o, a aplicação de unguen os, como a amen o
ex e no (cu âneo) e a ambém indicada pa a a a ou ali ia
os sin omas de á ios achaques, en e eles a insónia, pa a cujo
a amen o se eco ia a amendoadas, do midei as e unguen o
populeão (San iago, 1741: 82-83). Te mo da a macopeia, es-
e úl imo oco e em a ados médicos pelo menos desde 1668
(Houaiss, 2001), sendo a denominação de um unguen o que se
ob inha, segundo Blu eau (1720: 608), p incipalmen e a pa i
dos «olhos, ou gomos do Alemo neg o, que sahem na P ima-
e a, e em bom chey o», composição co obo ada po Viei a
(1878: 844).
«Un u a de unguen o Populiaõ pa a os en e mos, que
naõ podem do mi , lha a eis nas on es da cabeça, em
cujas pa es pulsa a ea a e ia: na es a, no na iz pela
pa e in e io , e em odos es es si ios a eis a un u a com
hum só dedo muy b andamen e, a è que se enco po e o
unguen o. Mui as ezes se un aõ as palmas das mãos, e
plan as dos pés com a mesma b andu a. O empo de a-
ze es a un u a, he quando o en e mo quize do mi : se
o de dia, se a á meya ho a depois de jan a e sendo de
noi e, se ha de aze en e as dez, e as onze, que he a ho a
mais p óp ia» (San iago, 1741: 83).
Pa a o mesmo e ei o, aplica am-se igualmen e xa opes, em
pa icula o que se ex aía da do midei a, plan a com p op ie-
dades e apêu icas cujo nome em egis o lexicog á ico desde
1562 (Ca doso, 1562), e as amendoadas, nome da bebida seda i-
a que se azia com a emulsão de amêndoas esmagadas, água e
açúca . Pa a e i a que es es emédios ossem con ap oducen-
es, além da ecei a F . San iago indica a igualmen e o ho á io
e as condições da sua adminis ação aos en e mos:
«Os xa opes de do midei as, e amendoadas se haõ
de da qua o ho as depois de cea o en e mo que sendo
an es, lhe naõ a á nenhum p o ei o. Es es emedios se
mandaõ applica ao en e mo pa a do mi ; e naõ endo
es a al a, se lhe naõ de em aze » (San iago, 1741: 83).
As amendoadas ambém e am ecomendadas pa a ou os
achaques, se indo an o de e esco como de o i ican e, caso
em que, à ecei a básica – amêndoas, água e açúca –, se ac es-
cen a a uma gema de o o. O Pe. San iago desc e e a p epa a-
ção com odo o de alhe, desde a quan idade de amêndoa a é ao
modo de execu a a ecei a, pa a que o emédio su isse o e ei o
desejado, consoan e se lê abaixo:
«De duas ó mas se azem as amendoadas: humas
mandão da os Medicos pa a somen e e esca ao en e -
mo e ou as po causa de aqueza pa a o alimen a . Aque
se dá po aqueza, se póde aze nes a ô ma: Duas onças
de amêndoas pilladas, mui o bem pizadas, pa a que la -
guem a subs ancia, e des ei as em agoa, que bas e, se ha
de coa po hum pano delgado, e se po á ao ogo b ando
de so e que le an e e u a, mechendo-se semp e com
colhe . Se o en e mo i e omi os, se lhe da á ia; quan-
do naõ, se lhe da á quen e, lançando-lhe assuca , e huma
gema de o o, udo bem enco po ado ó a do lume» (San-
iago, 1741: 152-153).
No en an o, quando a amendoada se des ina a a « e esca »
(i.e. diminui a sensação de descon o o ou so imen o, ali-
ia ) o en e mo, além de uma quan idade meno de amêndoas,
ac escen a am-se pe ides (i.e «semen es de plan as da amília
das cucu bi áceas», Houaiss, 2001) de melão e abóbo a, ou,
ainda, xa ope de do midei as, ha endo po ém o cuidado de o
inco po a após a e u a, o a do lume.
«A que o Medico applica pa a e esca , se a á des a
ó ma: Onça e meya de pe ides de melaõ, e abobo a, e
meya onça de amendoas pilladas, udo bem pizado, e des-
ei o em agoa, que bas e, e coado como es á di o, se po á
ao ogo b ando a è que pa eça que que le an a e u a,
mechendo-se semp e, (e naõ e a, po que se naõ co e)
se lhe dei a á o assuca em quan o es i e ao lume e se
le a xa ope de do midei as, se lhe lança á ó a do lume
bem inco po ado» (San iago, 1741: 153).
Qualque des es dois emédios só de ia se adminis ado aos
en e mos qua o ho as após o jan a (ceia).
Pa a os achaques ocula es (conjun i i e ou simples alí io
dos olhos), nas en e ma ias usa-se o colí io, pala a a es ada
pelo menos desde 1563 (Houaiss, 2001), ou a camoeza, nome de
uma a iedade de maçã (Viei a, 1873: 67), sendo que an o um
como a ou a de iam se aplicados com o en e mo de cos as e
de olhos abe os: no p imei o caso, dei a am-se «den o delles
ez, ou qua o go as de colly io épido e se o de In e no, seja
mo no, e se applica á de duas em duas ho as», e no segundo,
apenas po indicação do médico, a camoeza de ia se «assada, e
apa ada, e pouco quen e, subjugada com hum lenço, ou a adu a
pa a naõ cahi » (San iago, 1741: 83).
Os luxos de sangue, designação co en e que en ão se da-
a às hemo agias, e mo que, con udo, já oco e em algumas
ob as médicas, como se obse a no Po ugal médico (Ab eu,
1726; Houaiss, 2001), são obje o de g ande cuidado po pa e
do en e mei o, mo i o po que F . San igo se de ém na des-
c ição dos emédios a da aos doen es que, na ausência de um
ci u gião, delas padecessem. Con udo, a adminis ação desses
emédios de ia a ende , an es de mais, à condição do pacien e
(go do ou aco): se o en e mo osse obeso e, além disso, «naõ
es i e e acuado po sang ias, come , e do mi bem, e o luxo
de sangue naõ o demasiadamen e g ande» pode ia passa sem
a amen o, se, pelo con á io, «o en e mo o aco, naõ do -
mi , e es i e e acuado», o en e mei o de e ia aze -lhe alguns
emédios, mas apenas «depois de e lançado quase huma igela
de sangue, sendo pelo na iz» (San iago, 1741: 84).
Panace@ | ol. XXI, n.º 52. Segundo semes e, 2020 75
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O emédio —se assim se pode chama — consis ia em a i a
com a iolência possí el um púca o de água ao os o do en e -
mo, sem que es e an es se ape cebesse, p á ica que de e ia e-
pe i -se ês ou qua o ezes; po ém, se o luxo não es ancasse,
en a -se-ia en ão ou o emédio que consis ia em manda «me-
e os es ículos em agoa bem ia, ou pannos molhados nelles
a ias ezes epe idos».
Pa a o mesmo e ei o, além dos an e io es aplica am-se li-
gadu as nos b aços e nas pe nas e, con inuando o luxo, em
unção a na ina ( en a) pela qual es e oco esse, assim passa ia
o en e mei o a aplica as en osas: ha endo luxo pela di ei a,
lança a «huma en osa g ande em sima do igado, o qual es á
hum dedo po baixo das cos ellas mendozas da pa e di ei a»;
pela « en a esque da», lança ia a « en osa em sima do baço, o
qual es á da pa e esque da, hum dedo po baixo das mesmas
cos ellas.» (San iago, 1740: 85). Te mo ana ómico da época, as
cos elas mendozas —denominação que p o ém de mendoso que
signi ica, segundo Blu eau (1716: 420), « al a, ou de ei o co po-
al»— são, segundo es e lexicóg a o, cuja on e é a Recopilaçam
ci u gica (C uz, 61661[1601): 31), as «cinco cos elas mais baixas
de cada banda, as quaes chegaõ a é os ossos do meyo do pei o,
mas como se a na u eza só oma a o abalho de as p incipia ,
icaõ impe ei as, & acabaõ em humas ca ilagens, com que se
conglu inaõ».
Pa a es anca a hemo agia nasal, F . San iago eco e a ou-
o emédio em cuja composição en am p odu os que, po in-
cluí em gesso e eias de a anha, causam epugnância ao lei o
a ual. Na a macopeia do século x iii, os pós ex aídos de á-
ias subs âncias e am um ing edien e equen e na posologia de
á ios emédios, sendo que os pós mais comuns e usados nas
o icinas a macêu icas da época e am os seguin es, en e eles
os pós es i i os:
«pós de mu inhos, & pós de osas, pa a es anca o san-
gue, & pa a mis u a com a emen ina nos emplas os18,
pós es ic i os, pa a come a ca ne sobeja nas e idas, &
pa a encou a pós de ped a hume19 queimada; pa a aju-
da a encou a , & ambém pa a es anca sangue pós de
incenso, de my ha, de Aze e20, sa cocola21, & de sangue
de d ago22, mis u ados com bolo A menio; pa a ecou a
a chaga de única do olho, pós de ped a Hema i is p epa-
ada; pa a alimpa as chagas çujas pós de João de Vigo»
(Blu eau, 1720: 555-556).
Ex aído do Vocabula io Po uguez, e La ino (a igo pó) de
Blu eau, o echo acima ilus a bem não só a e minologia mé-
dica e a macopeica da época como ambém a linguagem co -
en e. Veja-se o e bo encou a que eme e pa a o p ocesso de
«c ia cica iz(es) ou cica iza -se» (Houaiss, 2001) e a exp es-
são única, nome de uma das ês memb anas do olho. Mas ali se
encon am compilados nomes de emédios e ing edien es men-
cionados na A e de En e mei os, com des aque pa a aqueles de
que adian e se a a á: emplas os, pós es ic i os, ped a hume,
pós de incenso, sangue de d ago e bolo A menio. É cla o que o
Vocabula io de Blu eau e le e a e minologia usada em a ados
médicos como os de C uz (61661[1601]) e Roma (1753[1664])
e ob as a macopeicas, sendo de salien a que a p imei a des-
e géne o, esc i a em po uguês, po um bo icá io po uguês
(Dias, 2007; Pi a e Pe ei a, 2012) —D. Cae ano de San o An ó-
nio— oi imp essa em 1704: Pha macopeia Lusi ana e o mada,
me hodo p a ico de p epa a medicamen os na o ma Galénica,
e Chimica (San o An ónio, 1721[1704]). É, pois, possí el que
F . Diogo de San iago conhecesse es a ob a, na qual se encon a
a posologia dos pos es ic i os ob idos a pa i de almecega, in-
censo, mi a, mu inhos, cascas de omã, maçãs de cip es e, aiz
de o men ilha, ped a hema is a, bolo a menio (San o An ónio,
1721[1704]): 349).
Usados pelo au o da Pos illa Religiosa, e A e de En e mei-
os, os pós es ic i os, e mo de a macopeia pa a denomina
algumas subs âncias que, eduzidas a pó, êm p op iedades es-
ingen es de que esul a o ape o de «uma pa e ouxa» (Viei-
a, 1874: 263) ou o alecimen o e união de «pa es elaxadas»
(Houaiss, 2001). A en e-se na ecei a de F . San iago:
«duas cla as de o os com duas onças de pós es ic i os,
e meya onça de gesso, com algumas eias de a anha; e
depois de bem ba ido udo is o, de ó ma, que ique em
ca aplasma, nem g ossa, nem delgada, mas de boa subsis-
encia, lha po eis na es a, e on es em humas planxe as
de es opas inas, e das mesmas a eis humas mechas, que
molhadas na mesma ca aplasma, me e eis pela en a, ou
en as, donde sahi o sangue, ecomendando ao en e -
mo lhe naõ bula, nem se disponha a ussi » (San iago,
1741: 86).
A planxe a, a ian e de p anche a, e a uma «espécie de gaze
usada em e idas» (Houaiss, 2001), p oduzida, nes e caso, com
ios de linho (es opas inas), sendo que es a pala a es á a es a-
da pelo menos desde 1601, da a da Recopilação de Ci u gia, de
An ónio da C uz. Po sua ez, a mecha, que é e mo médico,
a es ado em ob as desse âmbi o desde 1665, denomina « ios o -
cidos e esos pa a se embebe em em e idas pequenas» (Viei a,
1873: 174) ou « i a de gaze que se coloca em uma e ida pa a
impedi que a cica ização se aça da supe ície pa a o in e io ,
ou pa a acili a a d enagem de líquidos pa ológicos» (Houaiss,
2001). Di e e do lexino (San iago, 1740: 86; Blu eau, 1716: 380,
lichino), e mo de ci u gia, ambém usado po F . San iago co-
mo denominação de uns « ios ei os em mecha, que se me em
nas e idas, pa a não ce a em logo», po que, ao in és des e, a
mecha é o cida (Viei a, 1873: 1311).
Pa a es anca a hemo agia pela boca ou hemop ise («expec-
o ação de sangue p o enien e dos pulmões, aquéia e b ôn-
quios, mais comumen e obse á el na ube culose pulmona »,
Houaiss, 2001), o en e mei o eco ia ao a amen o com en o-
sas, nome do ins umen o ci ú gico com o ma o cónico (Blu-
eau, 1721: 408), «ge almen e de id o ou me al, que se aplica
sob e a pele pa a p oduzi hemospasia» (Houaiss, 2001), ad-
minis ando-se a segui ou os emédios o ais, em conc e o,
o xa ope de osas no qual se mis u a am pós de e a sigila-
da, ob idos de uma subs ância a gilosa, an igamen e o iginá-
ia do Egi o, e que inha p op iedades ads ingen es (Viei a,
1874: 520), de bolo a ménio, is o é, pós ex aídos de uma a ie-
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dade de a gila (Viei a, 1871: 558) que, no passado, e a u ilizada
como medicamen o de uso in e no, com unção ads ingen e, e
ex e no, como abso en e» (Houaiss, 2001) e de co al 23:
«lhe lança eis as en osas na ô ma jà e e ida; e naõ pa-
ando, da eis ao en e mo de qua o a qua o de ho a hu-
ma colhe de xa ope de osas secas, ajun andolhe pós de
e a sigillada, e bolo a menio, e alguns de co al p epa a-
do; e aos que lançaõ sangue pelos na izes, se lhe pôde da
es e mesmo emedio» (San iago, 1741: 125).
No ocan e à hemo agia causada po e idas, o en e mei-
o de e ia in e i pa a en a es anca o luxo an es mesmo
de o ci u gião a ende o en e mo, aplicando um a amen o
que consis ia em ensopa mechas adequadas (lichinos) numa
mis u a de cla as de o os, com pós de bolo a ménio, de osas e
de sangue de D ago e, ainda, alguns pós de incenso, con o me
desc ição abaixo:
«Se o luxo de sangue o em e ida, que enha algum
en e mo, an e endo a dilaçaõ, que pode ha e em i o
Ci u gião, a eis com g ande diligencia lexinos de es o-
pas, e ao mesmo empo manda eis ba e cla as de o os,
com pós de bolo a menio, de osas, e de sangue de D a-
go, meya onça de cada cousa, e alguns pós de incenso, e
depois de es a udo bem ba ido, molha eis hum lexino,
e com elle apa eis a ea, e ò ape a eis com o dedo mos-
ado , e lhe hi eis pondo os mais lexinos molhados na ca-
aplasma, ape ando-os semp e, e em sima lhe po eis hu-
mas planxe as, molhadas no mesmo, e ape a eis a e ida
mui o bem com huma a adu a» (San iago, 1741: 86-87).
Caso es e a amen o não su isse e ei o, o en e mei o ad-
minis a ia ou o, cuja composição se assemelha, aos olhos de
hoje, a uma p á ica de ei iça ia ou a uma ecei a de culiná ia
(Ba os, 2017), consoan e se obse a no echo espe i o:
«ca ega eis a e ida com pós de ped a hume queimada,
com eas de a anha, e em sima huma es opada de cla as
de o os. Tambem saõ boas as aspas de Co ido es, e pós
de alec im; e depois de lhe aze es odos es es emedios,
lhe po eis panos de inag e aguado bem io em sima da
e ida» (San iago, 1741: 87).
A o a as a iedades an e io men e mencionadas, ambém
do alúmen (queimado) e do alec im se ex aíam pós que en a-
am na composição des e emédio, de cuja ecei a cons a am
igualmen e aspas de Co ido es, is o é, as sob as da aspadu a
de cu umes. Po sua ez, a es opada, que e a pala a an iga,
a es ada pelo menos desde o século xi (Houaiss, 2001), de-
nomina a uma «es opa embebida em qualque líquido ou me-
dicamen o, usada em e imen os, lesões, e c.» (Houaiss, 2001),
sendo que, nes e caso, a es opa e a molhada em cla as de o os.
Como se iu a ás, pa a es anca as hemo agias aplica am-
-se en osas que podiam se de dois ipos —secas e sa jadas
(San iago, 1741: 157)—, ambos desc i os pelo au o da Pos illa
eligiosa, e A e de En e mei os que, pese embo a aquele a a-
men o se da es e a do ci u gião ou ba bei o, ainda assim con-
side a a an ajoso que o en e mei o o soubesse p a ica , quan-
do o en e mo dele p ecisasse e o ba bei o não pudesse aco e .
A es e p opósi o, eja-se a ecomendação de F . San iago:
«Inda que naõ seja ob igaçaõ dos En e mei os lan-
ça en osas secas, ou sa jadas, se á bom que saibaõ es a
dou ina, naõ só pa a e em se os Ba bei os azem a sua
ob igaçaõ bem ei a, mas po que mui as ezes os nossos
En e mei os que em lança p incipalmen e as en osas
secas naquella ho a, que he mais con enien e ao en e mo,
em a qual he di icul oso que o Ba bei o es eja p omp o»
(San iago, 1741: 157).
O a, é p ecisamen e a expe iência de F . San iago nas en e -
ma ias, onde não a o inha de sup i o ba bei o, que o impele a
desc e e as condições em que os en e mei os pode iam aplica
« en osas», sublinhando, po ém, que a aplicação des as de e ia
obedece semp e ao c i é io do médico.
«Nunca o En e mei o de e lança , ou manda lança
en osas secas aos en e mos, sem pa ece do Medico;
po que cos umaõ naõ as manda lança , sem p imei o
es a o en e mo e acuado de sang ias; que es ando o co -
po po e acua , em luga de p o ei o causaõ mui o g a e
dano ao en e mo; de cuja p a ica póde ica ad e ido,
pa a que se o ize , seja depois de e acuado o en e mo»
(San iago, 1741: 161).
Po se um dos a amen os mais delicados, ale a pena a en-
a na longa desc ição da aplicação que das en osas secas, que
das sa jadas, a segui ansc i a, e que mos a odo o p ocedi-
men o em causa, ilus ando a elação en e o en e mei o, além
de exempli ica a linguagem ine en e à p á ica do en e mei o.
«Pa a se lança em bem as en osas secas, es a aõ
p omp as boas es opas secas, e sem a es as, endo jun a-
men e p omp as odas as que o Medico manda lança ,
as quaes se haõ de p epa a com as es opas necessa ias,
nem poucas, nem mui as. He de ad e i , que se le aõ
mui as es opas, o ogo ab aza a pa e, em que se lançaõ,
e ica deneg ida; po cuja azaõ, quando essas deneg i-
das se sa jaõ, po mais que as p o undem, dei aõ mui o
pouco sangue.
»Se as en osas le aõ poucas es opas, naõ azem a a -
acçaõ, que o Medico pe ende, cujo de ei o se conhece
quando a ca ne ica b anca; e assim pa a que ap o ei em,
naò haõ de le a nem mui as, nem poucas es opas, sal o
se o em algum acciden e de apoplexia, que en aõ he
necessa io que aõ mais ca egadas, mas de ó ma, que
naõ queime o en e mo, o que ica na p udencia de quem
as lança .
»Se o en e mo o aco, ou apaz, sejaõ as en osas
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iques, 1708, 1710, 1715, 1721, 1726), an o em la im como em
po uguês, algumas delas com eimp essões. Em 1726, o
mesmo ano de um dos a ados de Hen iques, sai o Po u-
gal Medico, ou Mona chia medico-lusi ana (1726), de B ás
Luís de Ab eu (1692-1756), sinal de que o exe cício da me-
dicina e dos cuidados de saúde demanda am es e géne o
de ob as, necessidade à qual o me cado edi o ial p ocu a a
esponde .
7. No «Li o Sex o» indica a composição ( ecei a) de medi-
camen os en ão usados (Roma, 1753[1664]: 113-114) e no
«Compendio de mui os, e a ios emedios de Ci u gia»
(Roma, 1753[1664]: 357-407) ap esen a um ol de emédios
pa a á ios achaques.
8. As on es lexicog á icas apon am ambém o século xi
(Machado, 1977: 352; Cunha, 2006).
9. Tan o pa a es a unidade lexical como pa a doen e, Macha-
do Filho (2013) o nece abonação do século xi .
10. Vejam-se duas oco ências da página 76: «Os emedios,
que applica es aos en e mos, sejaõ só pela ossa maõ, e a
empo», «Nunca deis emedio bebido sem p imei o se
mechido, e agoa ao en e mo pa a la a a boca, po e i a
o pe juizo de o lança o a», «Naõ deis de come ao en e -
mo sem e em passado duas ho as depois de e omado
algum medicamen o». E ou as ês, se encon am na pá-
gina 81: «Depois de osquiada oda a cabeça do en e mo»,
«jun o da cama do en e mo», «po eis no mesmo ins an e
com sangue, e ipas na cabeça do en e mo» (San iago,
1741: 76, 81).
11. Pala a de o igem á abe, es á documen ada pelo menos
desde o século xi (Machado, 1977: 71; Houaiss, 2001).
12. Tem egis o lexicog á ico em Ba bosa (1611: 732): «mezi-
nha. Medicina […]. Medicamen um […]». Na mesma ob a
(Ba bosa, 1611: 717) ambém se encon a «Medicinal cousa.
Medicinalis […]. He ba medicinalis», sendo que medicina
denomina apenas a a s medica.
13. De aco do com os dados do Co pus del Nue o Dicciona io
His ó ico del Español ( ae, cdh, on-line), es a aceção es-
á documen ada desde 1200.
14. Cunha (1994: 802) egis a as a ian es g á icas ynbiigo e
embijgo, ambas a es adas no século xi .
15. De aco do com Houaiss (2001) es á a es ada desde o sé-
culo x .
16. Segundo Cunha (2006), a p imei a a es ação se ia do
século x .
17. Clis el é a o ma usada na Luz da medicina (Roma, 1753
[1664]: 103).
18. Segundo Blu eau (1713: 64), al como emp as o, é uma a-
ian e de emplas o que, como denominação de um «me-
dicamen o de uso ex e no que, sob a ação de calo sua e,
amolece le emen e, ade indo à pele», es á a es ada desde
o século xi .
19. E a o nome co en e do alúmen (Viei a, 1871: 342), is o é,
os «sul a os duplos de alumínio e me ais alcalinos, com
p op iedades ads ingen es, usados na ab icação de co-
an es, papel, po celana, pu i icação de água, cla i icação
de açúca , e c.» (Houaiss, 2001).
20. Va ian e an iga de azeb e, pala a de o igem á abe que de-
nomina o aloé (Viei a, 1871: 692).
21. Nome de uma «goma ex aída da sa cocolei a (Penaea sa -
cocolla), com sabo de alcaçuz e usos medicinais» (Hou-
aiss, 2001).
22. Segundo Blu eau (1720: 474): «He hũa especie de goma,
que po incisaõ des ila em lico , & logo em se le an ãdo o
sol, se endu ece, & se congela em hũas pequenas lag imas
iá eis, & e melhas como sangue. O sangue de D ago
com es as qualidades he o melho dos es, que se endem
nas bo icas». Tem p op iedades «an i-hemo ágicas, an i-
dia éicas e an ibleno ágicas» (Houaiss, 2001).
23. E am ês os ipos de co al usados na p epa ação de emé-
dios: e melho, b anco e neg o (Viei a, 1872: 513).
24. E a o nome do es ado de «delí io iolen o p o ocado po
a ecção ce eb al aguda» (Houaiss, 2001).
25. Segundo Blu eau (17--: 36), e a e mo médico que desig-
na a o « emedio que applicado na pa e al a do memb o,
p ohibe, que não acuda o humo à pa e lesa.»
26. O médico i aliano Gio anni Ma ia Lancisi, em 1717, ela-
cionou es a eb e com a picada de um mosqui o (Bo a,
2013: 225).
27. E a o nome dado à dia eia (Houaiss, 2001).
28. Em Blu eau (1712: 547), que não alude a quaisque e ei os
pu ga i os, é o nome de um emedio pa a o co ação.
29. O e mo de i a do nome do he ói (Syphillus) de um poema
esc i o po Gi olamo F acas o o (1483-1553), médico, poe-
a e as ónomo e onês. O pe sonagem oi cas igado com
a doença. Na nomencla u a lexicog á ica e á en ado em
1844 (Houaiss, 2001).
30. Es a o igem explica que a doença ambém osse conhecida
como mal ancês.
31. É a in lamação da pleu a ou pleu iz, e mo médico que Blu-
eau (1720: 550) egis a. São os nomes an igos da pleu isia.
32. Nome de uma liana com a qual se «p epa a um ônico de
p op iedades es omáquicas, an idisen é icas e sudo í icas»
(Houaiss, 2001).
33. Denominação de plan as da amília das menispe máceas,
cul i adas algumas pelos usos medicinais.
34. Denominação de um «pequeno saco es ei o e comp ido,
usado an igamen e como medida pad ão de dois alquei-
es» (Houaiss, 2001).
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