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Augustas Šleicheris

A. Sabaliauskas

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são" „provavelmente, não prescindirá be dos capítulos correspondentes do seu livro, INVESTIGAÇÕES SOBRE A GRAMÁTICA DA LÍNGUA LITUANA NA LITUÂNIA RSS ACADEMIA DE CIÊNCIAS AUGUSTAS ŠLEICHERIS A. SABALIAUSKAS „TMausrTs o Illjjefixepe kak 06 VYEHOM He HCYesHeT, HOKA GyAyT CyIecTBOBaTh JOAH, 3aHHMAIOMHeCA HayKOH‘* J. Boduenas de Ao olhar para Į o passado de qualquer ciência, quase sempre encontramos alguns nomes que se erguem ali como uma espécie de marcos, indicando a direção, abrindo novos caminhos desconhecidos, į encerrando uma etapa antiga e iniciando uma nova etapa da ciência. ar to Na história da linguística, esse marco é Augustus Schleicher. Qualquer autor, iš independentemente das posições a partir das quais escreva a história da linguística indo-europeia, sempre terá de se deter longamente neste cientista e no seu nome, su jo associado. É verdade que hoje, na história dos estudos indo-europeus, o nome de Schleicher é mais frequentemente considerado como marcando o fim da etapa anterior do que o início da nova; em geral, fala-se menos das conquistas deste cientista do que dos seus erros. jo Contudo, para a balística e, em o grande medida, para a ir eslavística, o nome de Schleicher simboliza uma nova época; pode-se dizer que simboliza a sua formação como disciplinas científicas internacionais. Ir Schleicher ocupa já um lugar inteiramente específico na história da cultura lituana. A este respeito, provavelmente nenhuma nė das nações cuja língua este cientista alemão estudou lhe deve tanta gratidão quanto os lituanos. August Schleicher nasceu no dia de fevereiro do ano 1821 19 em Meiningen, bem no centro da Alemanha, que naquela época ainda estava dividida. Jo Seu pai, Johann Gottlieb Schleicher, era médico (1793—1864), distrital, um homem progressista de seu to tempo!. 1822 No ano, a família Schleicher į mudou-se ne para outra cidade, situada tão longe de Meiningen, a cidade de Sonneberg. Foi nessa cidade que transcorreu a infância do futuro ir cientista; Schleicher considerava Sonneberg sua terra natal, dedicando-lhe mais tarde até mesmo uma de suas ir obras científicas. 1835—1840 no ano, Schleicher estudou no ginásio de Coburgo (Coburg). No ginásio, interessava- -se sobretudo pelas línguas grega e latina ir ensinadas ali; estudava árabe em particular (era ensinado pelo diretor do ginásio), ir familiarizousu -se com as línguas chinesa e sânscrita. É claro que, por causa de tal “dispersão”, as outras disciplinas do curso do ginásio tiveram de ser fortemente prejudicadair s; Schleicher estava longe de ser um dos primeiros iš alunos. No ginásio, já se revelara a inclinação de Schleicher para ir interessar-- se por diversos assuntos botânicos; manifestaram-se também jo os seus talentos musicais. Sem concluir até ao fim o curso do ginásio, a maturidad- ' A. e; os factos biográficos de Schleicher são em sua maioria extraídos iš S. Lefm ann, August Schleicher, Leipzig. 1870 ir J. Dietze, August Schleicher como eslavista, Berlim, 1966. 17. Para os exames de investigação da 257 gramática lituana, Schleicher preparou-se em casa e, depois de os concluir, no 1840 final do ano ingressou į na Universidade de Leipzig para estudar teologia e ir orientalística. Be teologia protestante, filosofia, Schleicher continuou aqui a estudar árabe, ir provavelmente to sânscrito, e línguas chinesas. Contudo O ambiente da Universidade de Leipzig, aparentemente, não lhe agradou; sem dúvida, be contribuiu ir para isso a pena de už prisão por um duelo estudantil. Schleicher, depois de estudar durante um 1841 semestre, no ano seguinte transfere-se para į a Universidade de Tübingen, a cidadela da teologia da Alemanha daquela época. Aqui, ao que parece, ele toma pela primeira vez conhecimento mais amplo ta ir su das ideias de Hegel, que mais tarde desempenhariam um papel tão importante na atividade científica de Schleicher. Jo os seus interesses afastam-- se gradualmeį nte da teologia em direção à filosofia, ele į mergulha cada vez mais nos problemas da linguística, ir estuda diligentemente o sânscrito, as línguas persa e semíticas. 1843 No início do ano, Schleicher, teólogo, profere o seu primeiro sermão. No entanto, esse sermão foi quase a despedida definitiva de ir Schleicher da teologia. su Tų Na primavera do mesmo ano, ele se transfere į para a Universidade ir de Bonn e dedica-se aos estudos de filologia. O pai de Schleicher, — um homem prático, — iš inicialmente está descontente com a futura profissão do filho e, ir numa carta, escreve-lhe diretamente: „O filólogo é um pobre maltrapilho... e não vale a pena gastar dinheiro nesses estudos““*. Em Bonn, je Schleicher estuda filologia clássica, sânscrito e línguas árabes. Aqui, ele tem excelentes professores. Os seminários de filologia clássica são ministrados a ele por um antigo preceptor da casa dos Humboldt Friedrich Welcker (Welcker), que, muito possivelmente, familiarizou Schleicher ir su com as teorias linguísticas de seu antigo aluno Wilhelm Humboldt. O criador da filologia românica, Friedrich Diez (Diez) ensinou-lhe as línguas ir góticas e alemão alto antigo. Em relação a nós, uma influência muito positiva sobre Schleicher foi exercida jo pelo professor de sânscrito Christian Lassen, o jį primeiro a despertar o ir seu interesse pelas línguas bálticas e eslavas. Aconselhado por iš Lassen, Schleicher aprende os rudimentos da língua polaca com os seus colegas estudantes. 1846 No ano, Schleicher conclui com êxito a universidade, obtendo a venia legendi “para a língua indiana e a literatura, ir e para a gramática comparativa”. Como, segundo os regulamentos da Universidade de Bona, não era necessário um trabalho de habilitação o especial para o doutoramento, bastava apenas uma aula tą experimental; ele preparou uma aula sobre o tema ,,Das aspirantes da língua grega, in primeiras de Č litterae vi et origine”, o 1846 no dia de junho 27 proferiu a sua aula inaugural no salão da Universidade de Bonn ..Uber den Wert der Sprachvergleichung“ (publicada em 1850 ). No mesmo ano, 1846 Schleicher recebeu uma licença de três anos para viagens científicas į Paris ir Londres. Contudo, passa parte desse tempo tratando-se na Bélgica. Mais tarde trabalha na Biblioteca Nacional de Paris. Į Ele irá a Paris justameta nte po 1848 anos da Revolução de Fevereiro. Para se sustentar, Schleicher ganha dinheiro como correspondente ir de jornais alemães. Visita em Bruxelas, em Viena. 1849 no início do ano, Schleicher, querendo aprender melhor a língua checa, viráta į Praga. Aqui torna-se amigo do su futuro professor de sânscrito da Universidade de Praga Alois Vaniček, que nessa época, já tendo abandonado a carreira jurídica, começara a interessar-se pela linguística. Vaniček ensina a língua tcheca a Schleicher. No entanto, Schleicher em Praga não permanece por muito tempo; por ser uma — pessoa politicamente suspeita, a polícia austro-húngara começa a interessar-se por ele. A polícia retém o dinheiro que lhe é enviado pelo correio. Em maio de 1849, Schleicher parte com fundos emprestados iš de Praga, ir passando por Dresdena e Berlim, retorna į a Bonn. Com seus trabalhos científicos, Schleicher já havia chamado a atenção do público naquela época. Havia se interessado por eles o ir então * J. Dietze, August Schleicher como eslavista; no p. 18. 258 [ministro da Educação da Áustria-Hungria Leo Tun-Hohenštein. 1850 dia de março daquele ano, 8 Schleicher é convidado į professor extraordinário de „literatura de filologia clássica“ ir da Universidade de Praga. Tendo viajado į Praga, Schleicher encontra ali lecionando Georg Curtius (Curtius), futuro um dos mais renomados especialistas indoeuropeístas em língua grega do século XIX. ir Entre Entre ir Curtius e Schleicher, pessoas ir be quase da mesma idade e dedicadas até o fim à sua ciência predileta, gė nasceu uma amizade sincera. A essa amizade não foram obstáculo nem os caracteres completamente opostos de ambos — Curtius era reservado e cauteloso; Schleicher, frequentemente brusco e até rude, nem as opiniões divergentes — sobre a ciência da linguagem: o į primeiro sempre enfatizava o caráter histórico da linguística, enquanto o segundo procurava equipará-la ją às ciências naturais. su Jų A amizade continuou até a morte de Schleicher, embora posteriormente ambos os cientistas trabalhassem em lugares diferentes e pesquisassem problemas distintos. Curtius ir esforçava-- se por ajudar os alunos de Schleicher®. Como mencionamos, inicialmente, em Praga, Schleicher era professor de filologia clássica. Entretanto, 1851 no mês de maio daquele ano, recebeu uma cátedra de «linguística comparativa jo do sânscrito», ir mais condizente com suas inclinações e ir sua formação. Agora Schleicher já podia lecionar na Universidade de Praga disciplinas de eslavística, baltística e germanística, sânscrito e questões de teoria da linguística. Após alguns anos, pelos méritos no campo da ciência da linguagem, que conquistara com a sua célebre viagem à Lituânia, Schleicher foi nomeado professor catedrático de «linguística alemã e comparada e sânscrito». A vida posterior de Schleicher em Praga desenvolveu-- se sem êxito, e o próprio ambiente de trabalho científico tornou-se completamente insuportável. A causa desse fracasso eram as complexas condições político-sociais da época. De qualquer modo, Schleicher era alemão. Trabalhava na Universidade Alemã de Praga. Embora Schleicher tivesse convicções democráticas e fosse um homem de grande tolerância, dominasse bem o checo e tivesse escrito trabalhos científicos nessa língua, bem como traduzido para ela obras da literatura sânscrita e persa, não conseguiu, contudo, evitar diversos conflitos com os representantes do movimento nacional checo. Por vezes, ofendia-os, talvez de forma excessivamente severa, ao pronunciar-se nas suas recensões sobre novos trabalhos de linguistas ou literatos checos (por exemplo, traduções de obras clássicas gregas e romanas para a língua checa). Os checos também se indignavam com ele por ser um examinador muito rigoroso nos exames finais do ginásio, nos quais Schleicher era um «comissário de exames» especial durante o exame de língua alemã*?. Em ambos os casos, Schleicher, formalmente, talvez tivesse razão em suas críticas e exigências, porém, sendo estrangeiro e, além disso, representante de uma grande nação, muitas vezes lhe era difícil compreender os sentimentos de uma pequena nação que sofria opressão nacional. Assim, tendo entrado em conflito, por um lado, com os representantes do movimento nacional checo, por outro, Schleicher também não evitou o conflito com o governo austro-húngaro que os oprimia. O regime despótico austro-húngaro não podia tolerar Schleicher, cujas opiniões religiosas e políticas, segundo A. Vaniček, eram excessivamente livres-pensadoras e radicais®. Já a partir de 1851, ele era suspeito de uma „conspiração republicana“ e seguido pela polícia. Por precaução, Schleicher chegou a entregar sua correspondência, na qual poderiam estar refletidos os acontecimentos do movimento revolucionário, a Vani- * J. Dietze, Das Bild Leskiens in den Briefen August Schleichers, —„,Beitrūge zur Geschichte der Slawistik“, Berlin, 1964, p. 355; J. Dietze, August Schleicher als Slawist, p. 28. * J. Dietze, August Schleicher como eslavista, p. 37—8. *). Dietze, August Schleicher como eslavista, p. 39; S. Lefmann, August Schleicher, p. 37 17* 259 ček, e mais tarde a queimou. Em outubro de 1851, foi realizada uma busca no apartamento de Schleicher; ele próprio foi levado para Viena e mantido sob vigilância policial. Somente após os grandes esforços de seu amigo Curtius, Schleicher conseguiu retornar a Praga. A direção católica da universidade, a de Schleicher, não gostava dele, tenho dúvidas. Em 1854, Schleicher casou-se be com Fany Strasburgeir r, originária da sua terra natal — Sonneberg. Em 1855, o filho deles morreu em Praga, logo após nascer. A saúde do próprio Schleicher piorou consideravelmente. No semestre de outono de 1856—7, ele obtém uma licença e vai para Sonneberg fortalecer-- se e estudar o dialeto da sua terra natal. Terminado o período de licença, Schleicher não regressa a Praga, à qual estão associadas tantas recordações tristes, mas vai lecionar como professor na Universidade de Jena, situada perto da sua terra natal, por um salário duas vezes menor. Em Jena, Schleicher sente-se inicialmente «como um pássaro libertado da gaiola ou de uma casa abafada para a liberdade e a floresta verde». No entanto, em breve também Jena o dececionou. A situação sociopolítica e as difíceis condições materiais irritavam tanto Schleicher que ele declarou, com amarga ironia, sobre a mesma Jena que, alguns anos antes, comparara à liberdade e à floresta verde: „Jena é uma grande poça, e eu sou uma rã nela“, e, numa carta, comparou a Alemanha daquela época a um rebanho de ovelhas sem vontade própria, que vai para onde Sunes’ o conduz. Apesar das condições de vida desfavoráveis, Schleicher trabalhou incansavelmente em Jena. Sua atividade como professor, extraordinariamente diversificada e rica em conteúdo, atraía ouvintes não apenas da Alemanha, mas também de países estrangeiros. Um após outro, surgiam seus trabalhos fundamentais, além de uma infinidade de artigos que abordavam quase todos os problemas então atuais da indo-europeística. Schleicher torna-se gradualmente uma figura central da linguística europeia. Os méritos de Schleicher para a ciência foram reconhecidos especialmente depressa no estrangeiro. Já em 1857, a Academia de Ciências de Petersburgo elege Schleicher seu membro correspondente. Em 1862, ele é convidado, em condições excelentes, a trabalhar na Universidade de Varsóvia (Szkota Gléwna). No mesmo ano, Schleicher é convidado a mudar-se para Petersburgo. Em 1863, ele recusa o convite para ir para a Universidade de Dorpat. Em 1867, Schleicher é eleito membro honorário pela Academia Jugoslava de Ciências e Artes de Zagreb. Contudo, esses títulos não melhoraram a vida de Schleicher. A pobre Universidade de Jena não lhe aumentou o salário. Para sustentar a família de maneira digna (Schleicher tinha dois filhos e uma filha), ele teve de trabalhar muito. Numa carta ao seu amigo dos tempos de Praga, G. Kurcijus, Schleicher queixava-se: „„.. tenho 46 anos e ainda tenho de escrever todos os anos para ganhar o pão de cada dia, pois não podemos viver com 900 táleres...“ * Schleicher esperava que uma cátedra de eslavística fosse criada na Universidade de Leipzig e que ele, como o homem mais adequado da Alemanha para ocupar esse cargo, pudesse finalmente sair daquela «miséria de Jena»—. No entanto, a cátedra de estudos eslavos da Universidade de Leipzig, que estava planeada, foi ocupada três anos mais tarde pelo mais querido discípulo de Schleicher, August Leskien, e ele próprio nunca mais saiu de uma cidade de Jena tão pouco querida: em 6 de dezembro de 1868, morreu aqui subitamente, muito provavelmente de uma doença então ainda desconhecida — a tuberculose pulmonar. Segundo o testemunho de outro seu discípulo — Johan Schmidt —, as últimas palavras de Schleicher foram: «Passei toda a minha vida a ansiar pela verdade, mas tudo deveria ser muito, muito melhor*’. * J. Dietze, ZfSI, 1960, II, p. 269. 7 J. Dietze, August Schleicher como eslavista, p. 43, 45. * J. Dietze, Contribuições para a história da eslavística, p. 368. * J. Schmidt, KZ, 18, 1869, p. 319-20. 260 * * Já mencionámos no início que Hoje, o nome de Schleicher é mais frequentemente associado ao fim da etapa passada da linguística indo-europeia do que ao início da nova. Iš Schleichjų er concluiu a etapa da linguística histórico-comparativa iniciada por Franz Bopp, Rasmus* e Rasko. Obras de Schleicher como ,,Compendium der vergleichenden Grammatik der indogermanischen Sprachen“ (Weimar, 1861 —2; ao longo de quinze anos foram publicadas quatro edições em be alemão, além de traduçõir es para o inglês e o italiano), „Die deutsche Sprache“ (Stuttgart, 1860; publicada cinco vezes), Die ,, Línguas Panorama in sistemático da Europa“ (Bona, 1850; publicada ir em francês), „A Morfologia da língua eslava eclesiástica“ (Bona, Viena, Praga, parte publicada em russo), Manual da língua lituana (Praga, „Fonética e 1852; ir , Morfolog1—2 ia da 1856—7), língua polábia ]} Sukurkime teisingą JSON. 大发时时彩开奖不卡免费播放ҽа 红鼎. 天天中彩票网 (Prag, „Lautund Língua“ (St. Petersburg und Riga, publicada 1871; após a morte de po Schleicher, é o apogeu da indoeuropeística de meados do século XIX. Quais eram populares na sua época O facto de as ideias de Schleicher sobre questões teóricas da ciência da linguagem terem sido suficientemente claras é demonstrado pelo facto de o pequeno estudo de Schleicher, «Die Darwinsche Theorie und die Sprachwissenschaft- », ter sido publicado em alemão ao longo de cerca de uma dúzia de anos (três vezes), em francês, inglês, russo e húngaro. Hoje, ao examinar o legado criativo de Schleicher, pode-se falar amplamente deste cientista como teórico da linguagem, indo-europeísta, germanista, eslavista e baltista, discutir suas opiniões sobre a protolíngua das línguas indo-europeias, a classificação genealógica e muitas outras questões. Isso mostra quão grande erudição, interesses amplos e potencial criativo simplesmente gigantesco possuía o cientista August Schleicher. Contudo, de uma forma ou de outra, a maior parte de seu legado criativo — já é uma etapa passada da ciência da linguagem. Uma parte considerável de suas afirmações, especialmente sua visão da língua como um organismo vivo e a tentativa de transferir para a ciência da linguagem conceitos darwinistas como „luta pela existência“ e „seleção natural“, já não era aceita por muitos contemporâneos de Schleicher. Foram os mais talentosos alunos de Schleicher que, quase entre os primeiros, começaram a criticar sua doutrina sobre o desenvolvimento das línguas indo-europeias e as questões da protolíngua. Os estudos dos problemas gerais da indo-europeística, bem como as opiniões teóricas bastante efêmeras de Schleicher, que hoje figuram nos manuais de linguística, na maioria das vezes, apenas como curiosidades peculiares, foram amplamente superados pelos estudos desse cientista sobre línguas indo-europeias específicas ou seus grupos. Isso se aplica especialmente às línguas eslavas e bálticas. į Sem nos deter mais longamente nos trabalhos de Schleicher sobre eslavística, citaremos apenas a avaliação de sua principal obra nessa área, apresentada pelo conhecido eslavista soviético S. Bernstein, exatamente um século após o aparecimento dessa obra: „A data mais importante na história da gramática comparativa das línguas eslavas foi o ano de 1852. Foi precisamente nesse ano que foram publicados dois trabalhos que marcaram uma época na história de nossa ciência. Refiro-me ao primeiro tomo, à fonética, à obra de Miklošič, «Vergleichende Grammatik der slavischen Sprachen», à ir obra fundamental de Schleicher «Sprache erklūrend und vergleichend dargestellt»... ,,Morfologia do eslavo eclesiástico Quanto à precisão do método na interpretação dos fatos, a obra de Schleicher, sem dúvida, superou a gramática de Miklošič. Pode-se dizer que ir be Em meados do século XIX, a «Formenlehre» de Schleicher foi a maior conquista da nossa ciência... Um grande a. mérito de Schleicher tante é que sua obra se tornou a base para o desenvolvimento posterior da linguística comparativa. חאיןל ditto? π? Um grande mérito de Schleicher 261 o fato de que ele começou a utilizar material da língua lituana para o estudo comparativo das línguas eslavas. Mais tarde, esse material ajudou a resolver muitas questões importantes da fonética histórica. A obra de Schleicher, «Lautund Formenlehre der polabischen Sprache», pode-se dizer que, até 1929, isto é, até o aparecimento da gramática da língua polábia de T. Lėr-Splavinskis, foi o principal livro para estudar a estrutura da língua polábia. Também sobre a já mencionada acima «Die Formenlehre der kirchenslawischen Sprache», V. Jagić escreveu ainda em 1910: «A gramática de Schleicher ainda não perdeu o seu encanto; distinguindo-- se pela sua coerência e pela clareza da exposição, ela é especialmente adequada como introdução à gramática comparativa para os eslavistas iniciantes»", Na realidade, são exemplos bastante raros de longevidade na história da linguística comparativa. Contudo, se, ao discutir a formação da linguística eslava comparativa e a introdução dos dados das línguas eslavas na indo-europeística comparativa, podemos, apesar de tudo, mencionar, além de Schleicher, embora não como linguistas que tenham prestado uma contribuição tão grande, também outros linguistas, ao falarmos do surgimento da baltística como parte da indo-europeística, devemos atribuir a Schleicher um lugar absolutamente único e continuar a mencionar a primeira gramática científica da língua lituana, escrita por esse linguista alemão, como um verdadeiro feito científico. Mencionámos que Schleicher se interessou pelos temas bálticos ainda enquanto estudava na Universidade de Bona, incentivado pelo seu professor de sânscrito, Christian Lassen. Inicialmente, para Schleicher, as línguas bálticas eram apenas um meio auxiliar no estudo dos problemas das línguas eslavas, na determinação do lugar das línguas eslavas entre as demais línguas indo-europeias. Parece que ele se interessou mais intensamente por essa problemática em 1849. Numa carta a A. Vaniček, datada de 12 de outubro desse ano, Schleicher escreveu: «No futuro, penso estudar sobretudo as relações entre as línguas eslavas e bálticas.» Comecei os estudos preparatórios neste verão; estudei seriamente a língua russa, li Karamzin e Lomonossov. As excelentes canções folclóricas sérvias ainda eram demasiado difíceis para mim; por isso, entretanto, li a Bíblia, este conveniente meio para aprender a língua“'?. No final de 1849, Schleicher escreve em checo também o seu primeiro trabalho diretamente relacionado com os problemas da baltística:,,Z čeho povstaty potohtasky b, b a co jim odpovida v litevském jazyku“ (Bonn, 31 de outubro de 1849; o manuscrito está conservado na Biblioteca da Universidade de Leipzig). A versão alemã deste artigo,,Was entspricht im Litauischen dem kirchenslawischen bund foi publicada anos depois. No livro de Schleicher 5?“ 1850 „Die Sprachen Europas in systematischer Ūbersicht“ (Bonn, 1850), no qual também foi publicado o artigo recém-mencionado, encontramos uma nota de rodapé em que Schleicher fala sobre os seus planos futuros: „O autor já há algum tempo está decidido a dedicar, em vez de aprender ir a língua lituana no próprio local, os seus próximos anos — talvez até todo o seu futuro — à sua o gramática, bem como, em ir geral, às línguas balto-eslavas“ Em uma carta de 14 de fevereiro de 1852, A. Schleicher queixa-se a Franc Miklošič de que a jo viagem para pesquisar a língua lituana “está no ar”. A situação financeira do próprio Schleicher seria — difícil; ele ne simplesmente não teria recursos, nem esperaria uma herança dos pais, '0 C. B. Bepumreiin, Ouepk cpanBunTrejisnoli TpaMMaTHKH CJIABSKHCKHX S3bikOB, Mocksa, 1961, p. 112—3 (o texto desta obra é composto por 1952/3 ir 1953/4 palestras assistidas durante o ano letivo). "HU. B. i ruu, Ucropus caassinckoit OuJiojnornu, CM6., 1910, p. 716. 12 J. Dietze, August Schleicher als Eslavista, p. 27. 12 Citado iš J. Dietze, August Schleicher como eslavista, p. 29, 262 mas ainda estaria em dívida com seus irmãos e irmãs, ir por isso pede F. a intercessão de Miklošič para cuidar dos recursos para a viagem. O estado de espírito de Schleicher seria triste (há alguns meses foi jo realizada uma busca no apartamento...), por isso ele ir “moralmente precisaria respirar ar puro por mais tempo”. “Assim, em todo caso, anseio aš por uma viagem à į Lituânia ir su aguardo com a maior tensão a decisão da Academia Superior”, — conclui Sleicher!. 1852 tendo aparecido no mês de abril do ano ,, Formenlehre der kirchenslawischen Sprache”, Šleicher dedica todo o seu tempo livre a estudar a língua lituana. É verdade que ele sabia que bons du especialistas da língua lituana — Friedrich Kuršaitis ir Ferdinand Nesselman- — nas gyvena Karaliaučiuje. Tačiau iš jų Šleicheris nesitikėjo geros lietuvių kalbos gramatikos, nes, kaip jis rašė viename rugpjūčio dienos laiške (1851 15 Miklošičiui: „Kuršaitis moka lietuvių kalbą, bet jam trūksta platesnio išsilavinimo, Nesselmannas visai nenori rašyti gramatikos, o blogiausia – abu nuo seno gyvena nesantaikoje...“1* ir — Nesulaukęs iš Vienos Resposta da Academia das Ciências ir sobre a autorização de recursos para a viagem į Oriente A questão da Prússia, tą Schleicher resolve de maneira bastante original. 1852 no mês de maio do ano į Deveria chegar a Praga o ministro da Educação da Áustria-Hungria, conde Leo Thun-Hohenstein. Schleichiš er, seu amigo A. Tendo descoberto pela irmã de Vaniček onde e ir quando o ministro almoçaria, enquanto este į atravessava a sala, recebe diretamenja te no ir corredor uma breve audiência e o consentimento verbal para a viagem. Viena Depois de a Academia de Ciências finalmente destinar florins para as 600 despesas da viagem, 1852 Schleicher chega a Königsberg em 31 de maio do ano. Aqui, antes de mais nada, visita F. Kuršaitis, desejando que este lhe ensinasse praticamente a língua lituana. Contudo, Kuršaitis não demonstra maior entusiasmo, examina um pouco Schleicher sobre a declinação da língua lituana e não dá nenhuma resposta concreta ao seu pedido de ensinar-lhe a iš língua. Schleicher pede a Kuršaitis que, caso mude de ideia mais tarde, ao menos comunique por escrito o seu consentimento ou a sua recusa, pois então saberá se deverá permanecer em Königsberg por mais tempo. F. Nesselmann recebe Schleicher com grande cordialidade. Contudo, sendo ele próprio alemão e tendo aprendido a língua lituana por meio de livros, não pode ensinar a Schleicher a língua lituana viva. Neselman permite que Schleicher utilize suas coleções de estudos lituanos, familiariza-o com a literatura lituanística existente em Königsberg e, além disso, recomenda-lhe vários pastores da província que lhe seriam úteis em sua viagem pelas regiões habitadas pelos lituanos da Prússia Oriental?®. Com as recomendações de F. Neselman, Schleicher parte imediatamente de Königsberg para junto dos lituanos da Prússia Oriental. Durante cinco meses, visita inúmeras localidades (Ragainė, Tilžė, Priekulė, Smalininkai, Pilkalnis, Kaukėnai, Būdviečiai, Kraupiškės). Ao conviver com as pessoas, aprende lituano com bastante rapidez. Schleicher era muito talentoso para aprender uma língua viva; como ele próprio dizia, tinha um «talento de papagaio». Já na carta mencionada por nós a F. Miklošič, Schleicher vangloria-se de que hoje (isto é, em 11 de junho) falou pela primeira vez em lituano com uma pessoa nos campos. E, na carta de 6 de julho a A. Vaniček, escreve que já consegue conversar com os lituanos e que compreende tudo. Todos os dias aprendia muitas palavras novas em lituano, Dietze, ZfSI, IV, J. 1965, p. 540. '* Ibidem, p. 538. 16 Pig. A. Schleicher, carta de 11 de junho de 1852 a F. Miklošič, —J. Dietze, ZfSI, TV, 1965, p. 542. 263 que escreve e lê muito em lituano, falando com seu professor apenas em lituano. A princípio, segundo ele, em vez de falar lituano, começava sempre a falar em checo; ainda hoje, ao falar lituano, escapava- -lhe uma ou outra palavra checa. Nesta carta, A. Schleicher também indica que o conhecimento das línguas eslavas o ajuda a aprender lituano?"- ". Schleicher comunica- -se com os lituanos nas mais diversas ocasiões. Participa nos seus casamentos, batizados, funerais e celebrações da conclusão dos trabalhos. Interessa-se pelos seus pratos nacionais, pelos utensílios domésticos, por tudo o que está relacionado com a cultura espiritual e a vida quotidiana dos lituanos'*. -Naturalmente, Schleicher também teve de suportar não poucas dificuldades numa região tão atrasada como era a Prússia Oriental em meados do século XIX, especialmente nas áreas habitadas por lituanos — afinal, a língua lituana ali se conservara melhor entre as camadas mais pobres e ignorantes. Nas suas cartas, Schleicher escreve que, no seu quarto (embora fosse a melhor casa de toda a aldeia!), através do chão apodrecido via a terra húmida; dentro de casa, as moscas não lhe davam sossego e, ao sair, era atacado por bandos de mosquitos dos pântanos. Schleicher queixa-se sobretudo da má comida; além disso, para a sua anfitriã, os pratos eram algo completamente estranho — todos comiam de uma tigela comum??. Contudo, as formas arcaicas da língua lituana ajudavam-no a suportar todas as dificuldades e, entre os lituanos da Prússia Oriental, como escreveu mais tarde no prefácio da sua gramática, Schleicher sentia-se «como um aplicado colecionador de plantas ou um caçador que, ao avistar uma erva rara ou uma fera abatida, esquece, entre os matagais e pântanos, a viagem que o fatigara- »“*?. Intitulou também o seu relatório à Academia de Ciências de Viena sobre a viagem:,,Briefe... ūber die Erfolge einer nach Litauen unternommenen wissenschaftlichen Reise“. Na realidade, a viagem de Schleicher foi bem-sucedida. Em meados do mês de outubro, ele retornou a Praga com suas abundantes coleções de estudos lituanos e, sobretudo, tendo aprendido bem o lituano; ali, depois de sistematizar o material, escreveu, ao longo de vários anos, sua famosa gramática da língua lituana. Antes de publicar a gramática, Schleicher publicou ainda dois estudos menores sobre a Lituânia. Em 1853, na revista tcheca „Časopis Českėho Museum“ (27, 1853, p. 320—34), foi publicado seu trabalho ,,O jazyku litevskėm, zvlaštėč ohledem na slovansky“. Trata-se da comunicação de A. Schleicher, que ele leu em junho de 1853 na reunião da seção de filologia da Sociedade Tcheca de Ciências. Nesse trabalho, Schleicher compara as línguas eslavas e bálticas e chega à conclusão de que as línguas eslavas conservaram uma estrutura morfológica mais antiga do que as línguas bálticas, enquanto a estrutura fonética das línguas bálticas, por seu caráter arcaico, supera a estrutura fonética das línguas eslavas. No mesmo ano, nos trabalhos da Academia de Ciências de Viena®! ele publicou um artigo com o título geral „Lituanica“, no qual examina questões da ortografia da língua lituana, aborda o dicionário manuscrito de J. Brodowski e o catecismo de M. Mažvydas de 1547, e classifica os verbos da língua lituana. Ao escrever a gramática da língua lituana, Schleicher utilizou não apenas o material que ele próprio havia coletado, as gramáticas anteriores (de D. Kleinas, K. G. Milkus e G. Ostermejeris) e os trabalhos de F. Kuršaitis já publicados naquela época, mas também convidou a Praga, como consultor, o professor lituano da Prússia Oriental Kumutaitis, junto a quem havia permanecido por mais tempo "S, Lef mann, August Schleicher, p. 24; J. Dietze, August Schleicher als Slawist, p. 32. '* B. Beneš, Wilhelm . 89. von Humbolt, Jacob Grimm, August Schleicher, Winterthur, 1958, p 19 J. Dietze, ZfSI, IV, 1965, p. 543; J. Dietze, August Schleicher als Slawist, p. 32; B. Beneš, ten pat, p. 89. 20 A. Schleicher. Gramática lituana, Praga, 1856, p. V. #1 Atas das sessões do Imperial Akademie d. Wiss. Wien. Philos. —histor. Klasse 11, 1853, p. 76-156. que viveu durante a sua estada na Prússia Oriental durante o qual aprendeu sobretudo a língua lituana viva ir iš (Kumutaitis viveu perto de ir Ragainė, em Kakšiai, alem. Gross-Kakschen). Schleicher escreveu a Gramática da língua lituana, com interrupções maiores e menores, durante sete anos; começou-a ainda muito antes da sua viagem Oriente ocidental (?)? su ir — į Rytų A Prússia foi 1848 concluída no ir meio do ano, 1855 trabalhou, naturalmente, com maior intensidade durante os três últimos anos. 1856 em abril do ano o livro de Schleicher „Litauische Grammatik“ foi publicado em Praga**. 1857 no ano foi publicado ir „Litauisches Lesebuch und Glossário“. Estes dois livros volumosos (o primeiro — 342, o segundo — 352 páginas) ir constituem o manual da língua lituana de Schleicher, com o título geral .,Handbuch der Litauischen Sprache“. No prefácio do livro, Schleicher observou que, no mínimo, a obra pelo jo menos «forneceria aos cientistas material confiável». É claro que esta obra superou em muito tal objetivo. Em sua gramática, Schleicher descreveu, pela primeira vez na história da investigação da língua lituana, de maneira tão ir ampla e su jo coerente, com a extraordinária sistematicidade característica das obras, a estrutura da língua lituana. Esta foi a primeira gramática da língua lituana escrita por um linguista profissional. Após discutir brevemente o lugar da língua lituana entre as demais línguas indo-europeias, sua importância para a linguística e apresentar algumas informações sobre os dialetos da língua lituana, no primeiro capítulo da gramática (p. 7—85) Schleicher descreve a língua — lituana, sua Orientais o sistema fonética do dialeto — alto-prussiano. Neste capítulo, ele dedica especial atenção às questões da alternância das vogais da raiz. Essa questão, em geral, foi analisada pela primeira vez na história das gramáticas das línguas bálticas. Ao escrever sobre a alternância das vogais da raiz, o que parece ter sido de grande utilidade para Schleicher foi F. o dicionário de Nesselmann, no qual as palavras são frequentemente agrupadas segundo um princípio etimológico. As palavras que para ele ir jo ao colaborador Eram desconhecidos para Kumutaitis; Schleicher ir limita-se a assinalá-los como provenientes do dicionário de Nesselmann. iš Ao agrupar palavras lituanas da mesma raiz, Schleicher, é preciso dizer, errou em muito poucos casos (por exemplo, junto da palavra mirti, associa o eslavismo morai, «caixões nos funerais», à palavra liet. dievas — o eslavismo dyvas; considera os verbos arti e irti palavras da mesma raiz; relaciona a palavra gardus com o verbo gerti). O segundo su capítulo da gramátibe ca (p. 86—169) é dedicado à formação das palavras. Este problema amplo e complexo é analisado na gramática de Schleicher, como o próprio autor admite, apenas em linhas gerais. Esta lacuna peculiar da gramática de Schleicher foi parcialmente preenchida, trinta e cinco anos mais tarde, pelo seu mais querido discípulo, August Leskien, ao escrever uma obra verdadeiramente monumental para aqueles tempos, «Die Bildung der Nomina im Litauischen» (Leipzig, 1891). É muito significativo o último parágrafo do capítulo sobre a formação das palavras, «Einiges ūber entlente worte», no qual Schleicher, talvez pela primeira vez na história do estudo da língua lituana, tenta formular critérios para determinar empréstimos, observando com grande perspicácia que, por exemplo, o lituano dūšia é um eslavismo, pois, ao lado da raiz lituana dus- (cf. dausa, dūsauti), esperaríamos a forma lituana *dusė; ao lado da raiz lituana gyv-, uma palavra de origem lituana não pode ser žyvyti, etc.**]} 久久精品国产 кеү 大发棋牌? } рминистрлиқиниң§§°? билдүрди 久赢? Хитай? appliedToLituanianOriginalText ** No capítulo de Morfologia (p. 170—254), Schleicher aborda a flexão do nome e do verbo da língua lituana. Esforçando-se por mostrar com a maior precisão possível a variedade da declinação e da conjugação da língua lituana, ele não se limita apenas ao seu próprio Schleicher publicou o 2 A livro J. G. Calve'sche Verlagsbuchhandlung; su com esta editora durante vários anos po J. Basanavičius tratou ir de assuntos relativos à impressão de „Aušra“. 8 Pr. Skardžius, Die slavischen Lehnworter im Altlitauischen, Kaunas, 1931, p. 14. 265