Iš baltų kalbų gyvulininkystės terminologijos istorijos
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IŠ LITUANA LEXICOLOGIA IR LEXICOGRAFIA LITUÂNIA RSS CIÊNCIAS ACADEMIA IŠ BÁLTICOS DAS LÍNGUAS DA PECUÁRIA DA TERMINOLOGIA DA HISTÓRIA* A. SABALIAUSKAS DOS ANIMAIS DO REBANHO DESIGNAÇÕES Para um grupo de animais domésticos ide. as línguas não têm uma denominação ar comum que seja de algum modo mais difundida. Na maioria das vezes, grupos linguísticos distintos têm denominações próprias, surgidas semanticamente de maneiras o diversas; às ir vezes, essas denominações diferem mesmo em línguas estreitamente aparentadas. As línguas bálticas não têm uma denominaçir ão comum para um grupo de animais. Lituano. banda Na língua lituana, a denominação de grupo de animais mais frequentemente empregada é bandė. Esta é uma palavra muito interessante da terminologia da pecuária. Jo pode-se dizer que os significados refletem, de certa maneira, várias etapas da história da pecuária e constituem ir bons paralelos semânticos para explicar outros termos indo-europeus a origem de palavras usadas com significado semelhante nas línguas. No Dicionário Acadêmico da Língua Lituana, são indicados sete significad1) os desta palavra: grupo de 2) animais, manada; os cereais ar semeados pelo irmão mais novo do filho do agricultor, que era um trabalhador assalariado (linho); semeadura; 3) a terra onde o rebanho é semeado; 4) ao assalariado é concedido um complemento ao salário em 5) espécie; antigamente, salário pago ao assalariado (em 6) espécie); benefício, riqueza, propriedade, parte; dinheiro; 7) pão não muito grande, pequeno pão (LKŽd., I, 519—20; na segunda edição do I volume do dicionário, os significados são classificados de modo um pouco diferente). Ao į observar esta sequência de significados, surge a ideia de que o sentido primário do lituano o significado de ter sido uma manada “animal, gado’, pois só então é possível o desenvolvimento dos significados mencionados. Tal significado de liet. banda ainda pode ser discernido nos antigos escritos lituanos, cf.: giwen kaip banda bei ir neischmintingoses kiaules (1579 m. W2,), iaucziamus ir assitamus ir kitai būndai (1599 m. DP 3403), Daug iaunimo kaip banda labai piggei tapa pardūta (Br P, II, 346) ir etc. * Iš estes significados surgiram "rebanho de gado’ ir “significados de benefício, dinheiro, o iš riqueza’, este último 'cereais semeados’ e “Terra onde esses cereais são semeados’.” Entre todos estes significados, distingue-- se de certa forma o significado de ‘pãozinho’. Este significado, ao que parece, deveria ser relacionado su ao significado de ‘complemento ao salário, concedido ao trabalhador contratado em espécie’. Provavelmente *Compare. anteriormente publicados os trabalhos do autor nesta área: Ha3Banus 6e3poroBoro ckora,,,ITpo6JieMbl HHAOEBpOMNEHCKOoro S513LIKO3HaHHSs“, Mocksa, 1964, p. 59—65; Os nomes dos animais domésticos nas línguas bálticas, „Questões de linguística lituana“, X, Vilnius, 1968, p. 101 —190. 1 K. Būga, Escritos selecionados, III, Vilnius, 1961, p. 664.
banda inicialmente também teria sido não simplesmente um pão pequeno, mas um pão de ragáisis ou de pão, oferecido entre outras coisas. O lituano banda já possui antigas tradições escritas — esta palavra foi registrada ainda antes do aparecimento dos primeiros monumentos escritos da língua lituana. Assim, com o significado de propriedade, a palavra banda já se encontra no Estatuto de Casimiro de 1468: „A KojiH uiH napoObKbl YyKpajĮyTb ITO VY KOro, a (naKt) y CeMb JIKCTY Bepxy nHcCaHO, Kakb 3a KOTOPYI0 TaTOy Ka3HHTH: KOJIH IIepBOe YKpajeTb, WHO ero He BEIlIaTH, a 3aMJaTHTH OOH/IOIO ero; Ele sofrerá dores, mas deverá pagar por isso, e será dito e escrito...“- “?. Com esse significado, ela também é empregada no Primeiro Estatuto da Lituânia (de 1529): „Jestli hge parobki kradut’ w okolicy a z licom ich pojmajut- ’, kotoroje lico budet stojati poitiny hroszej: tohdy majet’ karan byti jako zlodej; a jestliz poltiny lico stojati ne budet’: tohdy majet’ z bondy jeho szkoda placzona byti (=tunc debet solvi damnum ex rebus eius) abo lice wernuti, a z naviazku puhami biti...*3, O lituano banda é frequentemente encontrado também com os significados de ‘bens’ e de “salário em espécie” em outros documentos lituanos de épocas posteriores, escritos em línguas estrangeiras*. Do lituano banda originaram-se também numerosos outros vocábulos, cujo significado está estreitamente relacionado com os significados dessa palavra: bandykštis "animal do rebanho, gado’ (a palavra encontra-- se tanto nos escritos antigos — M. Mažvydas, J. Bretkūnas, M. Daukša — quanto nos dialetos — Akmenė, Barstyčiai, Betygala —; LKŽd., I(2), 640), bandystis (no „Žiwate“, publicado em 1787; LKŽd., I(2), 641), bandinga “prenhe' (LKŽd., 1(2), 640), bandduti “servir (pastorear o gado) (LKŽd., 1(2), 639), bandinė "cercado para manter o rebanho; pastagem situada distante da propriedade rural; festa dos pastores no Pentecostes; ‘reuniões’ (LKŽd., 1(2), 640), bandinifikas ‘rebanho, curral de gado’ (LK Žd., I(2), 640), bandinifikas ‘pastor do rebanho, pastor; servo do agricultor’ (LKZd., I(2), 640), bandisius ‘pastor’ (LKZd., 1(2), 641), bafidiškas ‘característico do rebanho, animalesco’ (LKZd., 1(2), 641), bandétis ‘semear em rebanho; ter proveito de algo’ (LKZd., 1(2), 642), bandiiotis ‘obter lucro da colheita, lucrar com o rebanho’ (LKZd., I(2), 643), bandinis ‘próprio’ (LKZd., 1(2), 641), liūosbandė ‘gado jovem não separado no curral, gado de engorda’ (LKZd., VII, 620). Entre as palavras aqui mencionadas, bandinis ‘próprio’ (usado em Dusetos) parece, pelo significado, ter-se afastado um pouco das demais. O significado ‘próprio’, ao que parece, surgiu de ‘bandinis, isto é, semeado no rebanho’, cf. Terminámos de malhar o linho da casa, restaram apenas os próprios (Dusetos- ). Ao lado de linho e centeio próprios, surgiram também puodas próprios e chicotes próprios ir t. t. Lituano banda, com alguns significados, entrou também nas línguas dos povos vizinhos (não apenas nas escritas, mas também nas faladas). Lat. bafida ‘o campo atribuído como salário pelo proprietário ao servo, ou a sementeira nele; a atividade secundária, o rendimento adicional; ganho, negócio, lucro’, bafids (EM, I, 261 —2; EH, I, 204) é usado nas canções folclóricas letãs, encontra- -se às vezes também em 2 K. Jablonskis, Lietuviški žodžiai senosios Lietuvos raštinių kalboje, I, Kaunas, 1941, p. 15. ? K. Jablonskis, Lietuviški žodžiai senosios Lietuvos raštinių kalboje, I, p. 15—17; J. Jurginis, Baudžiavos įsigalėjimas Lietuvoje, Vilnius, 1962, p. 135—136. 4 K. Jablonskis, Lietuviški žodžiai senosios Lietuvos raštinių kalboje, I, p. 307—308, 330, nos quais e em outros monumentos 337-341. 8
linguísticos e dialetos- ®. A palavra bafida pode, por vezes, ter entrado na língua letã também através dos curônios. Todavia, como entre os vestígios da língua curônia não há traços mais evidentes dessa palavra (a menos que relacionemos com ela o topônimo Bandowe- ®), seria mais adequado considerar o letão basida um lituação. Finalmente, é possível até mesmo o caso de uma parte dos letões ter conhecido essa palavra por intermédio dos lituanos e outra parte por intermédio dos curônios. Na língua letã há também outras palavras inseparáveis do lat. barida, cf. let. baiidinieks ‘um criado a quem o proprietário entregou um pedaço de terra como salário’, baridenieks, feminino. g. bandniece, bafiduétiés ‘trabalhar para si, adquirir por meio de rendimento suplementar’ (EM, I, 262), bandatiés ‘ocupar-se da limpeza dos campos de salário (bandas)’, band?uét “procurar obter alimento, rendimento suplementar’, bandzéris “aquele que costuma beber os seus bandas’ (EH, I, 204). Lat. bafida, que deixou vestígios bastante nítidos também na toponímia letã, cf. Baiidaskalns, Baridas-plava, Baridu-purvs, Bandu lauks, Bandu-sils, Bandlauks, Bandainis, Baridene, Bandenes, Barfidenicas, Barfidenieki, Banidnieki, Bandenieku-véjsudmalas, Bandeni“". Na Letônia existem topônimos que talvez indiquem que os letões outrora também tiveram uma forma *buoda ou *buode, foneticamente correspondente com precisão à forma lituana banda. Tais topônimos são let. Buddes, Buūodel-purys, Buodite, Buodnieki. Em geral, tende-se a relacionar essas palavras com o let. buéde ‘a barraca’ (< baixo-alemão médio bode), buodnieks ‘o comerciante, o vendedor ambulante’; contudo, às vezes, nelas também pode ter sobrevivido o antigo let. *buoda ou *buode, correspondente ao lituano banda®. Com diversos significados, o lituano banda também é empregado na língua bielorrussa, cf. bielorr. 6o0nda ‘pão achatado, croissant, pãozinho; pão, pãezinho; presente de matança (o que é levado aos parentes ou conhecidos após o abate de um animal)'**. Em alguns dialetos bielorrussos (na região de Brest, no triângulo entre Kobryn, Ivacevichy e Luninets), a palavra 6oxda é usada com o significado de "vacas dadas à noiva como dote'. Com esse significado, a palavra também é usada nos dialetos ucranianos vizinhos". Nos textos da língua prussiana não encontramos uma palavra correspondente ao lit. banda. Contudo, existem vários topônimos e antropônimos prussianos que testemunhariam que essa palavra poderia ter existido nessa língua; cf. os topônimos Bandadis, Bandeynen, Bandeln, Banduken“, e os antropônimos Bandeyke, Bandiko, Banduke, Bandupe, Bandus**?. Nos monumentos da língua prussiana está registrada outra palavra, que provavelmente deveria ser relacionada à denominação báltica de um animal ou de um grupo de animais formada a partir desta raiz — trata-se do pr. nienbanden ‘inutilmente (=unniitzlich)’ (palavra do II catecismo), ni enbandan "em vão (=vergeblich)* (palavra do III catecismo)'®. O contexto prussiano indicaria que, literalmente, o pr. 5 K, Būga, Rinktiniai raštai, III, p. 665; E. Fraenkel, Et. Wb., 34; V. Urbutis, LKK, VI, p. 297. 6 K. Būga, Rinktiniai raštai, III, p. 168. 7 J. Endzelins, Latvijas PSR vietvardi, I, 1, Riga, 1956, p. 84. 8 J. Endzelins, ibidem, p. 152—153. ® K. Būga, Rinktiniai raštai, III, p. 665; V. Urbutis, Baltistica, V(1), p. 50—51. 10 Id. C. Tenenriok, [Hianekronoriunnii GioJierenb, Bari. IV, Kuis, 1953, p. 58—59; A. II. Henokynunii, Mosos3nascrso, 1968, 6, p. 35. 11 G, Gerullis, Die altpreussischen Ortsnamen, Berlim e Leipzig, 1922, p. 16. 12 R. Trautmann, Die altpreussischen Personennamen, Gottingen, 1925, p. 16, 17. 13 R, Trautmann, Die altpreussischen Sprachdenkmiler, Gottingen, 1910. p. 11, 23; Monumentos da língua prussiana, preparado por V. Mažiulis, Vilnius, 1966, p. 101, 139, o
ni significado de enbandan poderia ser „para į nosso benefício“, cf. Tu deves ni ter sempre dois deuses, não carregando o sol (= Du para longe do nome Deus, não inutilmente conduzir); Tu deves permanecer Dois Deuses, ni carregando para (= Du longe não deves O nome do Senhor teu Deus, não conduzir em vão). Muitos pesquisadores concordam com tal etimologia desta palavra da língua prussiana'*, quanto à semântica, cf. lit. nauda, let. naūda "dinheiro': antigo isl. naut "Stūck Vieh’, sen. angl. gado "Stūck Rindvieh, Tier'**, Toliau liet. rebanho é su associado ao ide. *bhendhcom palavras da raiz "atar', cf. abreviatura "ele amarra", av. bandayai- -ti, sânscrito būndhuh "parente", gótico bindan "amarrar", gr. grego.}]} Daha?ҭак 彩神争霸平台દાવાદsy? Erotisk go? Wait malformed. Need output only JSON. Preserve exact? Lithuanian items are etymological snippets; translate words: skr. = sânscrito. badhndti maybe unchanged. Quotes. giminaitis retopa ‘corda’, lit. beridras ir etc**. Lit. banda a partir destas ide. A palavra das línguas parece diferir no seu significado. O significado primário de lit. banda deveria ser “mantidar os amarrados no curral („amarrados“). Foneticamente, lituano. relação do su rebanho deste grupo A ligação por palavras não suscita dúvidas, mas a semântica leva a duvidar um pouco, pois faltam dados históricos sobre tal modo de pastorear o gado. Com o ide. Relaciona-- se estreitamente com palavras da raiz *bhendh (cf. gr. @dvvy ‘comida’, céltico benne ‘cesto de carroça’) o significado de recinto para o gado. Assim, o significado primário do lituano banda poderia ser ‘recinto para o gado (no campo ou no pasto)’, e a partir desse significado poderia ter surgido também o significado de ‘grupo de gado’. Vemos uma mudança de significado análoga no lituano gaidas, ‘recinto no campo ou no pasto’, que nos nossos escritos antigos, como veremos, é usado com o significado de ‘grupo de gado’. Também é possível uma outra explicação do significado primário de liet. banda, a saber, que esta palavra poderia ter significado “animais comuns, animais pastados em conjunto’. Tal hipótese também não seria contrariada pelas significações das palavras da raiz *bhendh do ide. Além disso, à explicação desse significado primário de liet. banda apoiaria parcialmente também a origem da palavra lituana kaimenė. De outro modo, J. Endzelynas tentou explicar a origem de liet. banda. Ele relacionou o báltico *banda com o lituano bandyti ‘versuchen, probieren' e o pr. perbūnda ‘versucht’, indicando como paralelo semântico o gót. kiusan "prūfen, erproben’, gr. yedsocdau ‘kosten, versuchen, essen’, lat. gustare ‘kosten, geniessen- ’. B. Jégeris, concordando com esta ideia de J. Endzelynas, relaciona posteriormente liet. banda com o ide. *bhen-‘bater, ferir’. Segundo a opinião de B. Jėgeris, os significados do lituano banda ter-se-iam desenvolvido a partir daqui da seguinte maneira: ‘schlagen’ (lat. beride ‘der Henker’, beridėt "guūlen, grausam behandeln- ') > “versuchen' (pr. perbanda ‘versucht’, liet. bandyti) > ‘kosten’ (liet. bandyti, liet. bandas dzit). Do significado ‘schlagen- ’, segundo B. Jėgeris, poderia ter surgido diretamente o significado "Stūck Land’ (liet. banda, lat. barida) (*das ausgehauene (Stiick Land), e de ‘Stiick Land (das als Lohn iibergebene)’ poderia ter surgido o significado “Nutzen' (pr. ni enbandan, liet. banda, lat. bafida), e do significado “Nutzen', através do significado “*Nutzvieh', teria surgido o significado ‘Herde’ (liet. banda)**. 14 R. Trautmann, Die altpreussischen Sprachdenkmaūler, p. 384; K. Būga, Rinktiniai raštai, III, p. 665; J. Endzelins, Senprūšu valoda, Rigū, 1943, p. 215; E. Fraenkel, Et. Wb., p. 34, de J, Pokorny, Et. Wb., p. 768. 16 J, Pokorny, Et. Wb., p. 127; M. Mayrhofer, Et. Wb., II, p. 406; parece que o primeiro a explicar assim a origem de liet. banda foi Grynbergeris (Grienberger), Sbb. Viena n.º 142, VIII (1900), p. 43, plg. B. Jégers, KZ, 80, p. 125. 17 EM, I, p. 262; Izglitibas Ministrijas MéneSraksts, 1921, Nr. 2, p. 194-195 (assinado por Peteris Liepina, cf. a bibliografia dos trabalhos de J. Endzelins, Rakstu krdjums..., Rigd, 1959, p. 672). 18 B, Jégers, KZ, 80, p. 128—129, beside santykis ide. 10
Para nós B. A explicação de Jēgeris parece-nos difícil de acreditar. Em primeiro lugar, o lat. é muito pouco claro su *bhen- ‘schlagen’: lat. beside provavelmente é algum empréstimo. Ainda assim, é muito mais plausível o desenvolvimento semântico na direção oposta: ‘animal’ > ‘benefício’ > ‘Zemé’, lituano rebanho Lituano rebanho “grupo de animais; manada' (LKŽd., V, 55) palavra bastante amplamente utilizada tanto na língua literária quanto nos dialetos. É utilizada sobretudo nos dialetos dos aukštaičiai ocidentais. Esta palavra era muito difundida nos ir antigos dialetos lituanos da Prússia Oriental. Encontramos a palavra kaimenė nos ir antigos monumentos da língua lituana, principalmente naqueles cujos autores estão relacionados su com os dialetos mencionados por nós — J. Na tradução da Bíblia M. de Bretkūnas, de Daukša No Postilė, 1653 nos Evangelhos publicados em Kėdainiai em [ano], na S. tradução da Bíblia de Bitneris. Além da forma kaimenė, nos dialetos é ir utilizada a forma kaiminė (Kapsukas, Bartininkai). Nas variedades dialetais da língua lituana, a área de uso das palavras kaimenė, kaiminė parece su coincidir quase completamente com a das palavras kdimas (Kalvarija, Kapsukas, Kazlų Rūda, Šakiai, Vilkaviškis), kdima (Eržvilkas, Jurbarkas, Raseiniai, Vilkija), kdimė (Dotnuva, Gudžiūnai, Kėdainiai, Krekenava) por área de consumo? ?, lituano a origem vizinha não suscita jį dúvidas: é preciso su relacionar o lituano. kdimas®. Lituano primário. o significado de kaimenė provavelmente era “gado da aldeia, animais pastando mo em comum’, lituano. a geografia de kaimenė na própria língua o lituana, bem como a ausência de vestígios desta palavra nas outras línguas bálticas, indicaria que se trata de uma palavra relativamente recente. Su lituano. kaiminė deveria ser relacionada ir A. a palavra kaimina “monte, grupo’ registrada por Juška (Entre os filhos da vizinhança cresci, LKŽd., V, 55). Lituano guotas No lituano, na aceção de "manada de animais", usa-se a palavra ir gudtas ‘manada, grupo, bando; pequeno grupo de árvores, cogumelos, arbustos, cereais; molho’ (LKŽd., III, Ao lado da forma gudtas, no dicionário 740). académico da língua lituana está registada a forma guotas e guostas "molho, guotas’ ir (LKZd., III, A palavra guotas é usada sobretudo na parte meridional da Lituânia (Alytus, 739). Aukštadvaris, Birštonas, Daukšiai, Leipalingis, Liškiava, Rumšiškės). Está bem atestada, sendo ir encontrada nos antigos monumentos da língua — lituana J. de Bretkūnas na Postila M. de Daukša No B. postilo, de Vilentas No S. Enchiridion, na tradução da Bíblia de 1653 Bitner, de anos No Livro Da piedade, ir etc. K. Būga lituano gudtas relaciona su com a antiga designação ide. com o nome do gado (cf. lat. guovs ‘vaca’, skr. gduh ‘gado’, sen. alem. alt. chuo "karvė" ir etc.), explicando que o significado primordial da palavra teria sido "rebanho de vacas, curral de 19 vacas'? !, Utilizou-se E. o mapa manuscrito preparado por Grinaveckienė (Lituânia SSR MA Instituto de Literatura ir e Língua Lituana). * E. Fraenkel, Et. Wb., p. 251; P. Skardžius, Formação de palavras da língua lituana, Vilnius, 1941, p. 236. * K. Būga, Rinktiniai raštai, II, Vilnius, 1959, p. 353. 11
E. Frenkelis relaciona o lituano guétas não diretamente com o nome do gado em indo-europeu, mas com as palavras gregas desta raiz Béoxew ‘pastorear’, Bothp "pastor- ", Potév "gado'*?. Contudo, agindo assim, dificilmente ganhamos alguma coisa; parece-nos que a relação estabelecida por K. Būga é mais plausível, sobretudo porque nas línguas bálticas se conservou o antigo nome indo-europeu do gado (cf. letão guovs). Tur būt, pritariant K. Būgos siejimui, realiausiai būtų liet. gudtas atstatyti ide. Provavelmente, concordando com a relação estabelecida por K. Būga, o mais realista seria reconstruir o lituano gudtas como indo-europeu *ol5(u)-to-m "rebanho de gado', relacionando diretamente esta forma proto com o indo-europeu *g¥ou-‘gado'**, Uma questão muito complexa é a relação do lituano gudtas com o lituano gauja "monte, grupo, vara; multidão, bando; grande número’ (LK Žd., III, 168), gévéda "grupo, bando, multidão, tropa’, géveda, goveda, govena, govezda, govija, govija (cf. também o topônimo Govija), gova, gdvada (LK Žd., 111, 487). O lituano gova, naturalmente, surgiu do lituano gdvada. Encontramos algo inteiramente semelhante também em um dialeto bielorrusso, onde do bielorrusso eayxOda “rebanho de animais' surgiu a forma eas (Staryja Darogi, entre Sluck e Babruysk)®. Alguns pesquisadores consideram o lituano godvėda e, naturalmente, também as outras variantes desta palavra, como eslavismos; na opinião deles, o lituano gévéda "grupo, bando, multidão, tropa' provém do polonês. gawied?- ®. Contudo, K. Būga*? *, e, concordando com ele, também P. Skardžius*? ", E. Frenkelis?8, F. Slavskis- ?® consideram a palavra lituana govėda de origem lituana, relacionando-a com o lituano gauja. É difícil responder se o lituano gdvėda é um empréstimo ou uma palavra autóctone. Por exemplo, a forma govezda (registrada no dicionário de F. Kuršaitis, embora desconhecida pelo próprio Kuršaitis) pareceria indicar que se trata de um empréstimo do polonês, mas então seria muito difícil explicar o surgimento das formas gdvija, govena, gova. Por isso, talvez tanto a palavra gdveda quanto govija e suas outras formas devessem ser consideradas palavras autóctones, e a forma govezda, um empréstimo do polonês ou uma forma retrabalhada do lituano govėda sob a influência do polonês gawiedž. Muito hipotética, mas ainda assim possível, é também a relação dessas palavras com o lituano gudtas®. Se tal associação fosse correta, tanto liet. gauja quanto govéda teriam tido como significado primário ‘grupo de gado’. Liet. kėltuva O significado principal de liet. kéltuva é ‘gado, animal’, mas esta palavra (na sua forma singular) é também bastante amplamente usada no sentido de ‘grupo, manada de gado’. Com esse significado, liet. kéltuva é usada na língua viva na própria parte oriental da Lituânia (Adutiškis, Dysna, Tverečius), bem como nas ilhas de língua lituana situadas no território da Bielorrússia. Além disso, a referida palavra também é encontrada com o significado de ‘grupo de gado’ nos nossos escritos antigos (M. Mažvydas, J. Bretkūnas). Cf.: „+, Jobui kialtuwa atymta“, MZ, 433. 22 R, Fraenkel, Et. Wb, p. 177. 22 J. Pokorny, Et. Wb., p. 483. 4 Įlsiganiekrajiariukbi atyiac Gesapyckait mobi, Minck, 1963, mapa n.º 293. 25 LKŽd., III, p. 487; J. Otrebski, LP, 4, p. 39; J. Otrembskis afirma que o lituano gauja pode ter se originado do lituano govija. 26 K, Būga, Rinktiniai raštai, I, compilado por Z. Zinkevičius, Vilnius, 1958, p. 328. 27 P, Skardžius, Lietuvių kalbos žodžių daryba, p. 82, 231. *2 E. Fraenkel, Et. Wb., p. 140. 29 F, Stawski, SL et., I, p. 262. 20 K, Būga, Rinktiniai raštai, III, p. 867; J. Pokorny, Et. Wb., p. 483. 1 12
„+ dr arti manęs biifi, tu ir tawa waikai,... tawa maBas ir didis Pękūs (paraštėje: keltuwa)“, BrB 1 Moz 45, 10 (LKŽd., V, 551). Liet. kéltuva sietinas su liet. kėlti3?, lituano pėkus, pr. pecku Na aceção de ‘rebanho de animais’ também é usado o lituano pėkus, cujo ir significado primário, tal como o da palavra kėltuva, é ‘gado, animal’. Na aceção de ‘rebanho de animais’, a palavra pėkus é muito frequentemente usada nos nossos escritos antigos (M. Mažvydas, J. Bretkūnas, M. Daukša, S. Chilinskis). Por vezes, aí é simplesmente usada como sinónimo de bandė, kėltuva, ‘rebanho de animais’. Cf. : „++.būwa didei bogatas Pekūmi (Banda)“, BrB 1 Génesis 13, 2. „+++. „nūtękeiens Pekat[pi (na margem: bando|[pi)“, BrB 1 Moz 18, 7. „„čtureia... daug pekaus““, BrP, II, »++.piemenimus 194. Peku ganantiemus“, MZ, 193. „+,,„pekaus jo buvo [eptyni tuk[tanciey awiu®, Job Ch I 3. De modo semelhante, o lituano pėkus também é usado na edição de 1642 do dicionário de K. Širvydas: „Bydle, bydto, skot. Pecus, udis, et pecus, oris. Gado, kieltuwa- “. ,,Gado. Pecuarius, Pecorinus. Pekaus, kiettuwu* (Dic., 26). „Napašč gado, Pascerebene. Priginit, pripenet peku“ (Dic., 192). „Pasę gado, Pasco, bubulcitor, feruo pecudes. Ganau peku“ (Dic., 286). No lituano contemporâneo, pėkus, no sentido de "rebanho de animais', está registado apenas no dialeto de Zietela. Os exemplos do III Catecismo prussiano parecem mostrar que também na língua prussiana a palavra pecku (acus. sing.) era usada no sentido de "rebanho de animais': „+ Preistan rūkans bhe kurpins ist bhe pūton buttan bhe burwalkan Gannan bhe Malnijkans Laukan Pecku bhe wissans labbans... ...Dazu Kleider und Schuch Essen unnd Trincken Haus unnd Hoff Weyb und Kind Acker und Viehe und alle Giiter... Wissan ka prei kermenes maitasitan prewe risnan perlankei kaigi stwi ast Ist Poūt Rūkai Kurpi Buttan Burwalkan Laukan Pecku Penningans... Alles was zur Leybs narung unnd nottursst gehort als Essen Trinken Kleyder Schuch Hausz Hoff Acker Vihe Gelt... ...kas wismu mensen landen dast kas stesmu Pecku swaian pérdin dast... ...Der allem Fleisch speise gibet Der dem Vihe sein Futter gibet... “32 Na língua letã não existem correspondentes dos lituanos pékus e prussiano pecku. Quanto à origem do lituano pėkus, existem duas opiniões: uns consideram esta palavra um antigo empréstimo das línguas germânicas, outros, uma antiga palavra báltica. Esta última opinião parece mais aceitável**, Liet. gyvuliai, gyvis etc. Na língua lituana, no sentido de "rebanho de animais', também se usa a forma plural gyvulys — gyvuliai, cf. igualmente as formas gyvolis, gyvulis, gyvuolis (LK Žd., 111, 383, 384, 385, 387)%. 3 E. Fraenkel, Et. Wb., p. 238; A. Sabaliauskas, LKK, X, p. 136-137. # R. Trautmann, Die altpreussischen Sprachdenkmdler, p. 28, 29, 36, 37, 52, 53; Prūsų kalbos paminklai, p. 152, 153, 164, 165, 196, 197. 3 E. Fraenkel, Et. Wb., p. 564—565; A. Sabaliauskas; LKK, X, p. 136. 3 K. Būga, Rinktiniai raštai, I, p. 122—123, 13
Nos próprios dialetos sudeste da língua lituana, com o significado de "rebanho de animais' emprega-se ainda outra palavra da mesma raiz, gyvis, cf. Pro kur varo gyvį, varykla vadinas (Lazūnai); Visi dudena, kad jo vaikas jau gyvį gano (Dieveniškės); LKŽd., III, com os 383). significados de “coisa viva, ser vivo' e outros ir semelhantes, a palavra gyvis é amplamente empregada em diversos dialetos da língua lituana e em antigos monumentos ir escritos, contudo no sentido de ‘rebanho de animais’, ele está registrado apenas nos dialetos mencionados. Desta raiz (ide. *gui-, lituano gy-, eslavo ži-) Encontramos nas línguas eslavas ir denominações de “rebanho de animais”: bielorrusso scoi6ė1a, ocowsina, polonês žywina, žywizna, žywiota, antigo russo. orcusomuna, sérvio. acueo, eslovaco. Zivina®. É claro que, tanto no lituano quanto em ir determinadas línguas eslavas, tal significado das palavras desta raiz pode ter surgido de maneira totalmente independente (cf. sérvio-croata 9xueuxa "aves domésticas- ', ucraniano. scusuna), contudo, em casos isolados pode ser um ir empréstimo, por exemplo, bielorr. acesina, que, como mostram os dados do atlas dialetológico bielorrusso, é usada de forma mais ampla apenas nas proximidabe des de Grodno, sem iš dúvida, é um empréstimo do polonês. Um fenômeno particularmente interessansu te são as denominações com o formante -I-, que formam uma área completamente compacta, abrangendo a língua lituana, quase todos os dialetos bielorrussos e parte dos ir dialetos da língua polonesa, que entram diretamente em contato su com a área da língua lituana**. O uso mais intensivo de lit. gyvulys, gyvuliai indicaria que bielorr. acueéra, polon. žywiota pode ter surgido devido à influência da língua lituana. Em Dieveniškės e Lazūnai, gyvis, usado no sentido de "rebanho de animais’, aparentemente não é algum neologismo desses dialetos, mas um relicto do o uso do lituano antigo gyvis, pois esta palavra é usada de maneira bastante ampla nos escritos antigos no sentido de ‘animal’, cf. A ovelha é um animal . manso e inocente DP 209; Ta a mão alimenta todos os animais, dando a cada um a ração apropriada SP 1 242; Aquela paixão... ir poderia comover, por compaixão, os animais mudos DP 176; O animal, saindo das florestas, será tão terrível com uivos, ganidos e mugidos DP 7 (LK Zd., III, Sobre o uso da forma 383). singular da palavra gyvis no sentido de “rebanho de animais”, cf. lit. o uso de kéltuva, pėkus. u gles) ba Nem nas línguas prussiana nem letã encontramos palavras de raiz ide. *gui no sentido de "rebanho de animais”. Em letão, é verdade, encontramos as palavras dzivnieks "ein lebendes Wesen, ein Tier’, dzivuonis, dzivite “ein Haustier’ (EM, I, 560), mas eles parecem ter surgido bastante recentemente nenhuma ir tendência de os usar não há o significado de “gyvulių biirio’. Nas variedades dialetais da língua letã encontra-se ide. o nome de animal doméstico živats da raiz *gui “ein Tier; ein Haustier; „sikluops“ (eine Ovelha, porco)’. No entanto, é um empréstiš imo do russo (EM, IV, Lat. 814). luopi Lituano gyvuljs, no seu significado ir e uso, corresponde aproximadamente ao letão /uéps. A forma plural desta palavra, ludpi, é usada na língua letã ir no sentido de “rebanho de animais”, cf. Leva o gado para o campo! ; Leva o gado para pastar; pastorear o gado (EM, II, Lat. 528). ludps é uma palavra completamente ir isolada nas línguas báltico-eslavas, que provavelmente su deveria ser relacionada com o alb. lopé ‘karvéTM. % O. H. TpyGaues, Ilponcxoxjienne Haspanuii JJOMAINHHX JKHBOTHHIX B CJABSIHCKHX SI3biKax, Mocksa, 1960, p. 100; Jlstasiekranariunbi atyiac GesapycKait Mobi, mapa N.º 293. % O. H. TpyGaues, IIpoucxox enue HasBaHuil JOMAINHHX JKHBOTHBIX B CJIABAHCKHX SI3biKax, p. 100-101. % J. Pokorny, Et. Wb., p. 654; A. Sabaliauskas, LKK, X, p. 137. 14
Lat. bars Na língua letã, a palavra bars é amplamente usada com o significado de «rebanho de animais», emprega- -se a forma diminutiva desta palavra, barinš, bem como as combinações /udpu bars, luopu barinš. A palavra bars é usada na língua letã com vários significados. Eis que no dicionário de K. Mīlenbachs são indicados nada menos que seis (na realidade, seria possível distinguir ainda mais) significados dessa palavra: 1) die Schwade; 2) uma determinada faixa de campo junto à ripagem do linho; 3) die Mast; 4) o monte, a quantidade, o bando, a manada, 5) as massas de areia nas desembocaduras dos rios, que tornam o canal de navegação mais raso; 6) atberi (klatpieduotuo baribas tiesu sauc par beriem, baru, biežak atberiem; plg. atberes “restituição dos cereais emprestados pelo armazém comunitário; os cereais que, por ocasião da restituição, são entregues a mais, por assim dizer, como percentagem’) (EM, I, 150, 264—5). Na língua lituana, a palavra baras, correspondente ao letão bars, também é usada com significados semelhantes: “a faixa de campo ocupada de uma só vez durante o trabalho (ao ceifar cereais, arrancar linho, ceifar feno; grupo de pessoas (com este significado, encontra-se apenas nos escritos de S. Gimžauskas (Linkmenys) e no dicionário de A. Juška)' (LKZd., I(2) 651—2). No lituano contemporâneo, ultimamente a palavra baras é usada muito amplamente no sentido de "área, campo de algum tipo de atividade’. Como vemos, os significados de lit. būras, especialmente de let. bars, variam bastante. Isso deu a J. Endzelīns motivo para suspeitar que o letão bars tivesse origem múltipla. Com os significados do lat. bars 1—3, ele tendia a relacioná-lo com o irl. méd. berraim ‘tesoura’, av. tiži-būra ‘com lâmina afiada’, lot. ferire “golpear- ’, forus ‘caminho ao redor de um canteiro- ’, sen. vok. alt. bara ‘terra cercada’, rus. 3abop ‘cerca’, gr. qapoc ‘um pedaço de terra, sulco’. Com os significados 4–5, J. Endzelīns tende a relacionar lat. bars com o indo-europeu. *bher-‘carregar’, e somente em seu sexto significado ele relaciona lat. bars com lat. bert, lituano befti, concordando que, com esses verbos, talvez também seja possível relacionar lat. bars em seu quarto significado3S. No entanto, J. Endzelīns provavelmente não tinha razão ao considerar a palavra letã bars como tendo até três origens distintas. Parece-nos que é possível explicar todos os significados tanto de lit. būras quanto de let. bars, relacionando estas palavras com os verbos lit. befti, let. bert. Assim, a origem de lit. būras e let. bars já foi explicada por A. Leskynas*?. Muitos pesquisadores posteriores concordaram com a explicação de A. Leskynas. K. Būga afirmou que “būras é uma extensão de terreno que se pode cobrir com sementes de uma só vez”*?; P. Skardžius*!, E. Frenkelis*? ?, J. Otrembskis*? tinham a mesma opinião. O que provavelmente levou J. Endzelynas a duvidar sobretudo de tal etimologia foi o fato de que, nas línguas bálticas, na aceção de ‘extensão de terreno semeável’, se emprega outra palavra antiga, lit. biFžė, let. birze, relacionada com o eslavo antigo sl. brazda ‘sulco’, rus. 60po3d0a, pol. brézda** (na verdade, esta etimologia parece bastante duvidosa). No entanto, os significados originais destas palavras (lit. bifžė, lit. būras) podem ter sido diferentes — a sua semelhança já é resultado de um desenvolvimento posterior. 38 EM, I, p. 265. 3 A. Leskien, Der Ablaut der Wurzelsilben im Litauischen, Leipzig, 1884, p. 321; Bildung der Nomina im Litauischen, Leipzig, 1891, p. 167 (na obra mencionada, afirma com alguma dúvida). 40 K. Būga, Rinktiniai raštai, II, p. 294. 4 P. Skardžius, Lietuvių kalbos žodžių daryba, p. 26. 2 E, Fraenkel, Et. Wb., p. 34—35. 42 J. Otrebski, Gramatyka języka litewskiego, II, Warszawa, 1965, p. 33. 4 E. Fraenkel, Et. Wb., p. 44—45; EM, I, p. 299. 15
taa ‘pastar’, est. paimendama "pastar, proteger', carel. paimen "pastor", livônio. paimeri *pastor", paimentta "pastorear, guardar', vepsa pastor "pastor", pajmenta "pastorear, guardar’ e outros1° Į Nas línguas fino-bálticas, a denominação báltica de pastor entrou juntamente com outros vocábulos su relacionados à criação de ir animais e à agricultura, provavelmente nos últimos séculos antes da nossa era. No solo das línguas finlandesas iš jo surgiu um ir verbo que significa “pastorear, o guardar', bem como outras palavras cognatas, cf. fin. pastoreio ‘pastoreio, pastagem’, cão pastor "cão pastor*, flauta de pastor "flauta de pastor', rapaz pastor ‘pastorzinho’, nómada "errante" etc. ir " É bastante interessante a questão de saber por que razão a língua letã não conservou esta designação de pastor. Parece-nos que o preposição pie pode ter desempenhado aqui algum papel. Assim, na língua letã, junto de palavras terminadas em pie, as palavras letãs que começavam com o grupo piepodiam ser compreendidas como palavras compostas com preposição. As palavras cuja relação lexical com su a preposição pie não era percebida não se harmonizavam, de certo modo, com o sistema das referidas ir palavras compostas e começaram jų gradualmente a desaparecer, ou sua fonética foi alterada sob a influência de outras palavras. Por essa razão, por exemplo, o letão pJava poderia ter substituído o antigo letão piėva (EH, II; por essa razão, 278), talvez, não encontremos na língua letã um equivalente fonético do lituano pičtūs Ši Nossa hipótese, naturalmente, não pode abranger as palavras da língua letã, onde ie < e também de o palavras que, com o encurtamento da desinência, se tornaram monossilábicas. lat. gans, lituano gūnas etc. Na língua letã consolidou-se uma denominação do pastor de outra raiz, cf. let. gans "pastor- ", diminut. formas ganinš, ganelis, ganéns, gane ‘pastora’, ganene, gana, ganiene, ganikis ‘ein Hirt (ein kleiner, nichtssagender Hirt)’, ganitajs ‘der Hiiter’ (EM, I, 599, 600; EH, I, 382). Estas palavras estão relacionadas com o let. ganit, lituano ganyti. Daquele verbo derivam denominações do pastor que também são usadas na língua lituana, cf. lituano ganas “ganytojas, piemuo", ganytojas, ganikas, ganūkas, ganė “"piemenė, ganytoja' (LKŽd., III, 96, 100, 107, 108). Também se usa um número considerável de denominações compostas do pastor, cujo segundo componente é uma palavra desta raiz. Cf. : lituano ančiūgonis "pastor de patos' (LKŽd.,I(2- ), 131) < lituano dntis + ganyti. Lituano arklūganis ‘quem pastoreia cavalos’, arkliūganis, arkliaganys, arkliūgonis, arkliganis, arkliūganis (LKZd., 1(2), 301, 303, 305, 307) < lituano arkljs + ganyti. Lituano aviganis ‘pastor de ovelhas, pastor de ovelhas’, avigonis, aviūgonis, avėliaganis (LKŽd., I(2), 521, 523, 525) < lituano avis + ganyti. Lituano galvijagonis "pastor, vaqueiro- ’, galvijagonis (LKŽd., III, 83) < lituano galvijas + ganyti. Lituano jautaganys “pastor de bois; pastor”, jaučiūgonis (LK Žd., 1V, 295, 322) < lituano jdutis + ganyti. Lituano. karvūganis "pastor de vacas’ (LKŽd., V, 352) < lituano. kdrvė + ganyti. 10 Y, H. Toivonen, E. Itkonen, A. J. Joki, Suomen kielen etymologinen sanakirja, II, Helsínquia, 1958, p. 459; J. Kalima, Itūmerensuomalaisten kielten balttilaiset lainasanat, Helsínquia, 1936, p. 145; V. Thomsen, Berdringer mellem de finske og de baltiske (litauisk-- lettiske) Sprog, Copenhaga, 1890, p. 208. 11 A, Sabaliauskas, LKK, VI, p. 130. 22
Lituano. kiaulūganis "pastor de porcos", kiauldgonis, kiaiilganis, kiauliūganis, kiauliagonis (LKŽd., V, 687, 691, 693) < lituano pastar + porcos. Lituano oZkaganys "pastor de cabras', ožkūganis! ? < lituano pastar + cabras. Lituano žąsigonis "Žąsų piemuo’ < liet. žąsis + ganyti. Liet. bandūganis "galvijų piemuo, galvijagonis', bandganis (LK Žd., I(2), 639) < liet. banda + ganyti. Liet. pastor diurno “quem pastoreia o gado apenas durante o dia, pastor insignificante’ (LKŽd., II, 346) < lit. pastore- -+ ar durante o dia. Lit. pastor noturno ‘quem pastoreia o gado durante a noite (geralmente cavalos)’ < lit. pastar à + noite. Lit. rytūgonis ‘quem pastoreia os animais < pela manhã' lit. pastorear + pela manhã. Nomes compostos de pastores de origem semelhante são bastante ir amplamente usados na língua letã. Cf. : Lat. ditgans “der Schafhirt' (EH, I, 5) < lat. dita ‘avis’ + gans ‘pastor’. Lat. cūkgans “der Sauhirt’, cūkganis (EM, I, 398; EH, I, 280) < lat. citka “porco* pastor. + Lat. giovgans “der Kuhhirt’ (EM, I, 692; EH, I, 424) < lat. gūovs ‘karvé’ + gans. Lat. luépgans “der Viehhirt’ (EM, II, 527) < lat. ludps ‘gado, animal’ + gans. Lat. zifggans “o pastor de cavalos’ (EM, IV, EH, II, 726; 808) < lat. zifgs ‘cavalo’ + gans. ; Lat. zūosgans “der Gansehirt' (EM, IV, 759) < lat. zūoss ‘Ganso’ + pastor. Lat. diZgans “o grande (mais velho) pastor, pastor-chefe’ (EH, I, 324) < lat. dižs “grande, majestoso, nobre’ + pastor. Lituano pastorear, lat. ganit далее связан su lituano gifiti "vyti, varyti; varyti bandą, gyvulius ganyklą), į lat. dzit, rus. exams "varyti, raginti, persekioti, guiti’, lenk. gonic, air. gonim ‘suzeidziu, užmušu', skr. hanti ‘jis užmuša, ¥udo’, arm. também ‘golpear, bater’, gr. @évos "assassinatir o" etc.1® Para estas palavras reconstrói-- se a forma ideal. forma protolexical *guhen -(2)-, cujo significado original provavelmente era “bater’. Nas línguas bálticas também há palavras desta raiz cujo significado ainda não se afastou tanto do significado original, cf. lituano podar "cortar ramos; cortar arbustos), lat. dzenét, lit. pica-pau, let. dzenis, pr. genix. Nas línguas eslavas encontramos palavras com a raiz ran-, cujo significado se aproxima completamente do lit. pastorear, let. ganit, lit. gifiti, let. dzit reikšmių, cf. rus. 6620 "ganykla, ganiava, bandotakis; išginimas’, pol. wygon. Na língua lituana existem denominações de pastor derivadas diretamente do verbo ginti, iš cf. lit. genūlis "piemenėlis' (LKZd., III, ginikas 239), “kas gena (gyvulius)’ LKZd., III, gintdjas 319), (LKZd., III, Liet. 327). cavaleiro, aviniiikas ir etc. Ocorrem também denominações de pastores derivadas diretameniš te das denominações dos animais correspondentes. Cf. : Lituano arklinifikas «pastor noturno, cuidador de cavalos; amante de cavalos, Zinovas», arklinykas (LK Žd., I (2), 305), arklinis “pastor noturno, pastor de cavalos, '2 $érikas’ (LKŽd., Os exemplos da língua lituana para os quais não é indicada uma fonte foram, em iš geral, retirados do fichário do acadêmico «Dicionário da língua lituana». 13 E. Fraenkel, Et. Wb., p. 152—153; M. Vasmer, Et. Wb., I, p. 293; J. Pokorny, Et. Wb., p. 491—493. 23
I(2), 306), arklijičius "piemuo nenaudelis’ (LKZd., I (2), 305; quanto à semântica, cf. lit. cavalar "travesso'- *), cf. lit. cavalo. Lit. avinifikas “pastor de ovelhas; cuidador, criador, guardião de ovelhas’, avinjkas (LKŽd., I(2), 528), avinėrius "pastor de ovelhas" (com sufixo eslavo, LKZd., I(2), cf. 529), lit. avis. Lituano criador de gado "pastor de gado' (LKZd., III, galviniiikas 83), (LKZd., III, cf. 84), lituano galvijas. Lituano jdutininkas "pastor de bois; homem que trabalha com bois", jdutinis "abatedor de bois, pastor, comerciante; jautininkas' (LKŽd., IV, jdučius 324), “pastor de bois; kerdžius', jaūčius (LKZd., 1V, 295), jautišius "jaučių prižiūrėtojas' (LKŽd., IV, plg. 325), lit. jdutis. Lit. kdrvininkas "pastor, cuidador, criador de vacas’ (LKŽd., V, 357), pastor de vacas "menk. pastor de vacas’, karviskus (LK Žd., V, 358), cf. lit. kdrvė. Lituano. kiaiilininkas "pastor de porcos, porqueiro, alimentador de porcos, tratador", kiauliniūkas (LKZd., V, 696), kiailinis "pastor de porcos; quem trabalha com porcos", kiaulinis (LK Žd., V, 697), pastor de porcos ‘pastor de porcos, porqueiro”, porqueiro (LKZd., V, 699), cf. lit. porca. Lit. pastorzinho de cabras ‘quem cria cabras, pastor de cabras', Ožkininkas, cf. lituano ožka. Lituano avinvedis “pastor de ovelhas' (LKZd., 1(2), 529), avinvedys < lituano avinas + vėsti. Lituano kiaūliapiemenis "pastor de porcos’ (LKŽd., V, 694), kiaiilpiemenis (LKZd., V, 700) < lit. kiaiilé + piemué. Lit. akėčpiemenis, berniūkas, gelčius ir kt. Na língua lituana ocorre um ou outro nome de ir pastor de origem diferente, geralmente usado com determinado significado específico ou contendo alguma conotação emocional. Cf.: | Lit. akécpiemenis "pastor, rapaz que acompanha as grades de arado’ (LKZd., I(2), 51), akétpiemenis (LK Žd., 1(2), 55) < lit. akėčios + piemuo. Lit. berniūkas ‘pastorzinho, jovem criado (assalariado)’ (LKŽd., I(2), cf. lit. 770), rapazinho. Lit. gelčius "criança, pastorinho’ (LKŽd., III, 213), cf. lit. geltonas, geltas; quanto à semântica, cf. lit. geltonsndpis ‘imaturo, garoto de leite, fedelho’. Lit. naktiniūkas ‘pastor noturno’, naktinis, cf. lit. naktis. Lit. naktigulis ‘pastor noturno’ < lit. naktis + gulėti Lit. avčiorius Lit. avéiorius ‘proprietário, pastor de ovelhas' (LKŽd., I(2), 520) < pol. owezarz. No entanto, na palavra da língua lituana sente-se a relação lexical desta su palavra com o lituano avis. Que esta palavra foi emprestada do iš polaco talvez seja indicado pela fonte jo — J. Dicionário de Brodovski. Lat. šėeperis, Seruks Lat. šėperis “ein Pastor, o Pastor numa Propriedade; der o pastor em uma Gut’ (EH, II, 626) — palavra de origem alemã, cf. alem. Schdfer, cf. também letão lat. $éperis “Schaferhund’, šėperitis (EM, IV, ier 17)**. J. Sehwers, Sprachlich-kulturhistorische Untersuchungen, Leipzig, kerdZius 1936, p. 130. 24
Lat. Seruks “cuidador de gado e pastor (casado)” (EM, IV, 17), encontrado nos dialetos letões situados na fronteira da Lituânia, na opinião de J. Endzelīns, poderia ter sido tomado de empréstimo do lituano, cf. lit. šerti, let. šėrt < lit. < §érti. Lit. Na língua lituana são utilizados vários nomes especiais para o pastor mais velho. A denominação mais difundida é kefdZius, que também é usada na língua literária. Além da forma kefdžius, nos dialetos e em vários monumentos linguísticos encontramos também outras formas da denominação kerdžiaus, pertencente a esta raiz, cf. kerdeninkas (kerdenykas),. kerdis, kerdžys (LKŽd., V, 600). Iš desta denominação também se originaram numerosos outros vocábulos relacionados ao su trabalho do ar kerdžius e, em geral, ao pastoreio de animais, cf. kerdystė ‘trabalho do kerdžius’, kerdžysta, kerdbuvis "aquele que foi kerdžius’, kerdūkas ‘pastorzinho’, kerdžiūnka "mulher que pastoreia animais’, kerdžiduti ‘exercer as funções de kerdžius, ser kerdžius', kefdZiné "festa dos pastores’, kerdžinyčia ‘cabana do kerdžius’, kefdžiuvienė "esposa do kerdžius' (LKŽd., V, 600), kiaūlkerdis "kiaulių kerdZius’, kiaiilkerdžius (LKŽd., V, 699). Nas variedades dialetais da língua lituana, o bem como na língua ir literária, é amplamente usada a forma skefdžius e as palavras dela derivadas ir (skerdžiduti, skerdystė, skerdžiuvienė). iš A forma skefdZius é mais recente; surgiu com a adição da consoante sà forma kefdZius. — ji A adição semelhante de consoantes é um fenômeno bastante comum na língua lituana (não é estranha à ir língua letã), cf. lit. ketera : sketera, kregždė : skregždė, kremzlė : skremzlė e outras.” * A origem do selemento acrescentado na palavra kefd%ius é explicada de várias maneiras. E. Frenkelis, advertindo que o lit. skerdžius não deve ser su associado ao lituano skefsti “abater um sporco", explica o surgimento pela influência das palavras sergėti, sargas!“. Enquanto isso J. Otrembskis, em lituano, explica o surgimento de skef“džius justamente pela influência da palavra skefsti, pois o pastor mais velho também teria sido, ao mesmo ir tempo, o abatedor Iš dos animais", destas duas explicações, mais convincente seria J. a explicação de Otrembski. Contudo, parece-nos que, na sdenominação do pastor mais velho, poderia ter surgido a ir be influência de alguma palavra específica. Afinal, de outro ar modo, todos os elementos adicionais tanto nas línguas lituana quanto letã não podem ser explicados apenas etimologicamente pela influência de alguma palavra. A aspereza na palavra kefdZius é um fenómeno antigo. Z. Zinkevičius relaciona a palavra skefdžius com os hidrónimos ir Skerdžius, Skérdzia'®. Contudo, estes hidrónimos também podem ser relacionados com as palavras do grupo lituano skardis, skardžius, cf. lituano SkeFdupis, ao lado de Skardupis, e outros hidrónimos muito difundidos*?. Esta última possibilidade parece-nos mais provável, tanto mais que não ocorrem hidrónimos que pudessem ser relacionados com o lituano kefdžius. 15 J. Otrebski, Gramatyka języka litewskiego, I, Warszawa, 1958, p. 376—378; J. Endzelins, Latviešu valodas gramatyka, Riga, 1951, p. 238—239; Z. Zinkevičius, Lietuvių dialektologija, Vilnius, 1966, p. 190—191. 18 R. Fraenkel, Et. Wb., p. 242. 17 J. Otrebski, Gramatyka języka litewskiego, I, p. 378. 8 Lituânia Nomenclatura dos ir rios e lagos da RSS da Lituânia, Vilnius, 1963, p. 148; Z. Zinkevičius, Dialetologia lituana, p. 190. 19 Nomenclatura dos rios e lagos da RSS da Lituânia, p. 147 —148.
O lituano kerdžius tem uma etimologia bastante confiável — é associado às palavras indo-europeias *kerdhoprolytés, cujo significado original teria sido "fila; rebanho, manada". A evolução semântica das palavras desta forma lexical reflete-- se muito bem nas línguas eslavas e, em parte, também nas línguas bálticas, cf. rus. sepeda “fila, tempo, período; bando”, ucr. «epeda “bando, grupo, multidão; fila”, bielorr. «apada “fileira, fila; multidão, grupo; bando”, pol. trzoda ‘bando, gado”, tcheco. tFida "ordem, fila, classe, alternância; rua, boulevard", eslovaco. črieda ‘manada, rebanho’, alto. luž. ėrjoda "monte" etc. * Lituano kerdžius, pr. kėrdan, rus. 4«epeda relacionando com o ide. *kerdho, algumas dúvidas são suscitadas pelo consonantismo inicial da palavra nas línguas bálticas e eslavas — gutural em vez do palatal esperado, cf. eslavo eclesiástico. sardha-"- manada, grupo', avéstico. sąvoka. Contudo, nas línguas bálticas, esse gutural «irregular» é encontrado com bastante frequência, e provavelmente este nome das línguas bálticas e eslavas não deveria ser considerado um empréstimo de alguma língua indo-europeia ocidental. dialetos. B. Jėgeris tenta relacionar estas palavras das línguas bálticas e eslavas com o indo-europeu. *(s)ger-“- cortar’, Das línguas bálticas, esta ide. As línguas lituana e prussiana preservaram as palavras- -raiz. Em lituano, como vimos, a palavra desta raiz é a designação do pastor mais velho, enquanto a palavra prussiana kėrdan no singular talvez (forma registrada três vezes no terceiro catecismo), kerdan (forma registrada uma vez no mesmo catecismo) conservou o significado temporal, cf. prei swaian kerdan (=zu seiner zeit), en kėrdan (=bey zeit), Enstan kérdan (= Zu der zeit)®. Assim, nas línguas bálticas conservaram-se como que dois ide. *kerdho polos de significado. Por isso, parece que se pode supor justificadamente que, nas línguas bálticas, antes de surgir o significado de ancião ou, em geral, de pastor, devia ser usada uma palavra da mesma raiz com o significado de “rebanho, manada”. Poderíamos até supor que, no manuscrito da Postila de Wolfenbüttel de 1573, a designação do pastor mais velho, kerdenykas, registrada, de certo modo, reflete o antigo significado do lituano *kerda “rebanho, manada”, cf. banda: bandiniūkas “pastor”, bandūlis “pastor mais velho; kerdžius”. Com o significado de pastor, uma palavra da raiz ide. *kerdho é usada nas línguas germânicas, cf. gót. ]}-in invalid? Must valid JSON. Also weird source ends hairdeis, al. ant. alto. hirti, al. ant. Hirt, ingl. (shep)herd, que también deriva del nombre germánico de rebaño, cf. gót. hairda, al. ant. alto. hėrta, al. Herde, ingl. herd, etc. ** Que anteriormente ide. *A entrada da palavra-raiz kerdho no sentido de “fila, tempo” não era usada apenas no prussiano, mas também em outras línguas bálticas, como mostraria a entrada dessa palavra nas línguas fino-bálticas, cf. finlandês kerta “camada, fila; uma vez” (cf. combinações de palavras ou palavras compostas como ainoa kerta “uma vez”, vaatekerta “mudança de roupa, vestuário- ”, elämänkerta “biografia- ”, vuosikerta “publicação anual”, palavras derivadas como kerros “camada”, kertoa “contar; multiplicar (em matemática)” e outras), estoniano kord, careliano kerda, livônio kérda e outras. ** É verdade que, ultimamente, alguns pesquisadores (J. Ka20 M. Vasmer, Et. Wb, III, p. 320; R. Trautmann, B.-sl. Wb., p. 127—128; O. H. TpyGauės, Ilponcxox/- tenne Ha3BaHmii JĮJOMAINIHHX JKHBOTHBIX B CJIABSHCKHX s3bikax, p. 105. #1 B. Jėgers, KZ, 80, p. 46—48. 22 R, Trautmann, Die altpreussischen Sprachdenkmiler, p. 53, 61, 63, 69, 356; Monumentos da língua prussiana, p. 195, 209, 211, 223. 23 F, Kluge, Et. Wb., p. 304, 310; J. Pokorny, Et. Wb., p. 579; E. Klein, Et. Dic, I, p. 722. # Y, H. Toivonen, Suomen kielen etymologinen sanakirja, I, p. 184—185; V. Thomsen, Beroringer mellem de finske og de baltiske (litauisk-lettiske) Sprog, p. 185-186; J. Kalima, Itimerensuomalaisten kielten balttilaiset lainasanat, p. 115-117. 26
lima, L. Hakulinenas) duvidou um pouco da origem báltica destas palavras. Contudo, as suas dúvidas dificilmente têm fundamento. Tanto o significado das palavras como a sua fonética indicariam que elas foram, de facto, tomadas de empréstimo das línguas bálticas. Na língua letã, não encontramos vestígios de ide. *kerdhopėdsakų não encontramos. É verdade que nos dialetos da língua letã (Rucava) foi registada a forma kėrdzis "rapaz dos cavalos na propriedade' (EM, Il, 375). Entretanto, como indicou J. Endzelin, ela provavelmente se originou do lituano kefdžius. As palavras lituanas kefdžius, skerdžius também entraram em documentos relativos à Lituânia escritos em bielorrusso, russo e polonês, cf. bielorr. xepO6, ckepdo, rus. KepOb, pol. skierdž??. H. Hirt tentou, sem qualquer fundamento, considerar o lituano kefdZius uma palavra de origem | germânica (gótica) ?ė, lituano dieninis Lituano dieninis ‘kerdzius’ (LKZd., II, 347), cf. lituano diena. Como vemos, a semântica desta denominação lituana para o pastor mais velho lembra muito a evolução dos significados do ide. *kerdhoreikšmių. O lituano dieninis é usado numa área dialetal relativamente pequena (Bagaslaviškis, Gelvonai, Pabaiskas, Paberžė). Na Lituânia Oriental também se encontra o sobrenome Dieninis, que originalmente significava a profissão da pessoa assim designada. Lituano. viršininkas O lituano viršininkas ‘guardador de gado, pastor-chefe", cf. lituano viršūs. O lituano viršininkas, no sentido de pastor-chefe, ocorre mais frequentemente na parte setentrional da Lituânia central (Akmenė, Ėriškiai, Gruzdžiai, Grūžiai, Klykoliai, Linkuva, Papilė, Pušalotas, Rozalimas, Skaistgirys, Šeduva, Upytė, Žagarė). Com o sentido de pastor-chefe, o lituano vifšininkas também entrou em documentos dos arredores de Šiauliai e Žagarė escritos em polaco em meados do século XVIII. Ao lado da palavra viršynik, nesses documentos ocorre até mesmo o termo viršynikostvo, derivado dessa palavra, ‘ofício, funções de um guardador de gado'*". É interessante o destino posterior dessa palavra. Já no final do século XIX, J. Jablonskis introdu-lo na língua literária, mas não com o significado de “pastor mais velho”, e sim de “pessoa que tem alguma autoridade sobre outras pessoas (Vorsteher, Vorgesetzter, HauaJibHHK)*”??. Principalmente graças aos esforços de J. Jablonskis, esta palavra, com o seu novo significado, consolidou- -se firmemente na língua literária lituana. Do lituano viršininkas “pastor mais velho” originaram-se também várias outras palavras relacionadas com a criação de gado; cf. lituano viršininkė “esposa do chefe, esposa do pastor-chefe”, vifšininkai “dia em que o pastor mais velho, isto é, o vifšininkas, vai à propriedade do pastor comer, e o pastor não precisa pastorear” (Lauksodis, Linkuva). # K. Jablonskis, Lietuviški žodžiai senosios Lietuvos raštinių kalboje, p. 212, 323, 358; E. Fraenkel, Et. Wb., p. 242. 26 K, Būga, Rinktiniai raštai, II, p. 92. #7 K. Jablonskis, Lietuviški žodžiai senosios Lietuvos raštinių kalboje, p. VIII-IX, 356 — 358. *8 Jablonskio raštai, IV, Kaunas, 1935, p. 17; P. Skardžius, Lietuvių kalbos žodžių daryba, p. 601. 27
Lit. bandūlis e outros. Lit. bandūlis ‘pastor de gado’ (LKŽd., I(2), 643), bafidžius (LK Žd., 1(2), 644), bandinis (LK Žd., 1(2), 641), cf. também bandiniūikas ‘pastor de rebanho, pastor’ (LKŽd., I(2), 640), bandišius “pastor, alimentador”* (LK Žd., I(2), 641), cf. lit. banda ‘rebanho’. Lit. tvarklas. Na literatura linguística, desde os tempos de A. Bezzenberger, é mencionada, com o significado de pastor, a palavra tvarklas- *" usada na tradução da Bíblia de J. Bretkūnas. Nas traduções posteriores da Bíblia em lituano da Prússia Oriental, a palavra tvarklas usada por J. Bretkūnas corresponde a kerdžius (.... e como um rebanho sem pastor, Is. 13, 14)*®. Portanto, seria possível supor que também na Bíblia de J. Bretkūnas a palavra tvarklas é usada com o significado de kerdžius. Infelizmente, essa palavra entrou na literatura linguística com o significado de pastor por engano. Mencionamos que, nas traduções mais recentes da Bíblia em lituano da Prússia Oriental, a palavra tvarklas de J. Bretkūnas é substituída por kerdžius na referida frase. Nas traduções alemãs mais recentes, essa frase é traduzida:... und wie eine Herde ohne Hirten (Is., 13, 14)*1. Contudo, na tradução da Bíblia de Martinho Lutero de 1549, essa frase aparece assim:...und wie ein Herd on hiirten*? . Que nesta frase o alemão vok. hiirten não significa ‘kerdZiy’ ou ‘piemeni’, mas "recinto- ", mostra-o claramente outra frase da mesma passagem bíblica:...- die Hirten keine hurten da auffschlahen (Isaías, 13, 20), que J. Bretkūnas também traduz:...- Piemens... Twarklu ne taifis. Assim, tanto na primeira frase (que J. Bretkūnas traduz:... ir kaip Gūtas be Twarkli), como na segunda, o twarklas de J. Bretkūnas significa "recinto (= alem. Hiirde, alemão médio-alto hurt, pl. hiirte)", e não "pastor'. Lituano pastyrius, pulkaunykas, ustovas Lituano pastjrius "pastor mais velho, pastor’ (Daugėliškis, Dūkštas, Ignalina, * Mielagėnai, Rimšė, Tverečius), cf. russo nacmoipo "pastor, sacerdote, pastor’, bielorrusso nacmewp, ucraniano nacmup. A palavra entrou provavelmente no lituano a partir do russo. Palavra comum a todas as línguas eslavas, provavelmente relacionada com o russo nacmu "apascentar" etc. No entanto, devido ao sufixo incomum nas línguas eslavas, tentou-- se considerá-lo até mesmo um empréstimo**. Lituano pulkaunykas "pastor mais velho, kerdžius’ (Karsakiškis, Ukmergė), pulkdunykas < russo nonKoexurx ‘nactyx’ (B. H. Įlo6poBonbexuū, Cn., 652). Lituano ustovas (uZstovas) "pastor mais velho, kerdžius; supervisor* (Anykščiai, Balninkai, Daugailiai, Kupiškis, Kupreliškis, Pandėlys, Pasvalys, Rokiškis, Salakas, Sudeikiai, Svėdasai, Tauragnai, Ukmergė, Utena, Užpaliai, Vyžuonos, Zarasai), a origem suscita certas dúvidas. E. Fraenkel, ao reconstruir, provavelmente com razão, a forma wuZstévas, relaciona este nome do pastor mais velho com o lituano užstoti "defender, apoiar o lado de alguém; ser um obstáculo, 29 E. Fraenkel, Et. Wb., p. 1150; A. Bezzenberger, Beitrige zur Geschichte der litauischen Sprache, Gottingen, 1877, p. 333. % Biblia, Tai esti: Wissas Szwentas Rafptas... Karalauczuje, 1816; Biblija, tai esti Visas Šventas Rastas, Berlynas, 1931. # A Bíblia ou toda a Sagrada Escritura, Berlim, 1907. # Bíblia: Isto é: toda a Sagrada Escritura: em alemão. Auffs new zugericht. D. Mart. Luth., Wittemberg, 3 M. Vasmer, Et. Wb,, II, p. 322. 1549. 28
Xx w sulaikyti ką; prasidėti', ūžstojis "apsauga, priedanga’, užstolis "išganytojas' (M. Dauksšos raštų žodis) ir kt. *4 No entanto, parece-nos que tal associação é consideravelmente dificultada pela diferença de significado. Assim, não seria mais correto considerar o lituano ustévas (uZstévas) como uma transformação peculiar do lituano pristdvas "supervisor, capataz’ (< rus. npucmas, bielorr. npeicmay ou pol. przystaw). Lituano paganikas, paganas etc. Na língua lituana encontramos também denominações específicas para os ajudantes dos pastores — os kerdžiai. Compare. : Lit. paganikas ‘ajudante do vaqueiro ou pastor’ (Girdiškė, Karklėnai, Laukuva, Nemakščiai, Šilalė, Švėkšna, Upyna, Žarėnai). A forma paganikis ocorre com bastante frequência também nos dicionários da língua lituana da Prússia Oriental: „Hirten= Knabe Paganikkis, -io“, C, I, 952. „Paganikkis, -io, m. ein Hilfsjunge fiir den Viehhirten (Niederung, Prokuls)’, G. H. F. Nesselmann, Wb., 256. A forma diminutiva paganikėlis encontra-se nas canções populares lituanas registradas por F. Nesselmann: ,,Birbin wamzdelį Paganikelis“***, A origem do lit. paganikis foi tentada explicar por A. Leskynas, segundo cuja opinião,,paganikis oder pagunikis Hūlfsjunge fūr den Viehhirten, ist wohl sicher das nach paganyti lituanisierte ru. pogonok Viehtreiber, obwohl man sich fiir die Form mit u auf pr. guntwei inf., gunnimai 1. plur. treiben berufen konnte““$, Não se pode, provavelmente, rejeitar categoricamente a explicação de A. Leskynas. No entanto, há fundamento suficiente para duvidar dele. Primeiramente, rus. noeowox ‘Siidrussl. 1. der Antreiber der Pflugochsen; der Viehtreiber* (H. ST. TlaBnioBckuit P.-n. ca. 1082), o significado difere consideravelmente do significado de liet. paganikas. Em segundo lugar, nos dialetos da língua lituana encontramos um sinônimo de liet. paganikas que, pela sua formação, é completamente diferente de rus. noeoHuKx, mas está relacionado com liet. ganyti. Cf. ": Liet. pūganas "ajudante do kerdžius’ (Kretinga, Palanga, Salantai, Šateikiai), paganaitis "pastorzinho' (Palanga), cf. liet. paganyti". Consideram liet. paganikas uma palavra autóctone, relacionando-a com liet. paganyti, P. Skardžius** e J. Otrembskis® . Lit. pavarninkas, pirmininkas, Saliniiikas Lit. pavdrninkas ‘pastor, que conduz o rebanho com o pastor-chefe, estando na retaguarda do rebanho’ (Akmenė), pavarinis (Žemaitkiemis), pavarinys (Lyduokiai), cf. lituano varyti. 34 R. Fraenkel, Et. Wb., p. 1175. 35 Canções folclóricas lituanas, coletadas, editadas criticamente e traduzidas metricamente por G. H. F. Nesselmann, Berlim, 1853, p. 20; cf. também V. Kalvaitis, Prūsijos Lietuvių dainos, Tilžė, 1905, p. 341. 3 A. Leskien, Die Bildung der Nomina im Litauischen, p. 510. 37 P, Skardžius, Lietuvių kalbos žodžių daryba, p. 444. 3 P, Skardžius, Lietuvių kalbos žodžių daryba, p. 128. 4 J, Otrębski, Gramatyka języka litewskiego, II, p. 277. 29
lituano presidente (geralmente usado no plural) "ao conduzir o rebanho, pastor que fica à frente da manada (“pelas costas”)* (Akmenė), cf. lituano primeiro. lituano presidente, no ficheiro do «Dicionário da Língua Lituana» académico, está registado uma vez com o significado ir geral de pastor (Lazūnai, registado por J. Senkus)**, observando que foi ouvido uma vez de um homem iš idoso. Lituano. šaliniūikas (geralmente usado no plural) "ao conduzir o rebanho junto do vaqueiro, pastor que fica junto do rebanho iš Sono’ (Akmenė), cf. lituano. país. Nos dialetos da língua lituana, o pastor mais velho às vezes é chamado por ir outras palavras, geralmente usadas para designar a senioridade e a autoridade: piemenij kardlius, galva, tėvas, vyresnybė“!. Contudo, esses nomes geralmente apresentam certa tonalidade emocional. * * * Depois de examinarmos as denominações do pastor nas línguas bálticas, podemos constatar que o antigo ide. nome do pastor foi preservado apenas na língua lituana (lit. piemud). Contudo, há motivos para pensar que tal denominação também existia nas demais línguas bálticas. Dos bálticos, essa denominação passou para as línguas fino-bálticas. Na língua lituana, encontramos também uma denominação muito antiga para o pastor mais velho (lit. keFdžius),. Nas línguas bálticas existem numerosos nomes de pastor ou de pastor-chefe, de diversas origens e de uso mais restrito; encontramos especialmente muitos desses nomes na língua lituana. TROBESIO GYVULIAMS LAIKYTI PAVADINIMAI Ide. As línguas não têm um nome comum para o edifício destinado à criação de animais. Não há uma denominação comum e, em muitas línguas indo-europeias. ramos linguísticas. Os nomes desses conceitos surgiram geralmente de forma independente em diferentes línguas, havendo numerosos casos de empréstimo. Não possui um nome comum para este edifício nem uma língua báltica. Contudo, nas línguas lituana e letã, como veremos, há um ou outro nome comum para este conceito. Faltam muitos conhecimentos históricos sobre as construções dos antigos bálticos destinadas à criação de animais. A partir das breves alusões existentes nos documentos históricos, não é possível reconstruir o desenvolvimento mais pormenorizado da aparência deste edifício. Tanto na Lituânia como na Letónia, existiam vários tipos de edifícios destinados à criação de animais!. Encontram-se informações um pouco mais pormenorizadas sobre os estábulos dos camponeses lituanos em documentos do século XVI. Assim, no registo do revisor dos distritos da Samogícia, Jokūbas LaSkauskis, de 31 de outubro de 1562, no inventário do distrito de Karšuva, diz-se: „Para o estrume, quando o gado for necessariamente ne mantido dentro de casa, devem construir-se ir pátios bem vedados, como na Podláquia. O o administrador, como exemplo, deve mandar construir um junto de si em algum distrito, se alguém nunca o o tiver visto, então deve nė proceder-se assim: 0 Z. Zinkevičius, Dialetologia lituana, p. 29. “! Traços da etnografia lituana, ed. A. Vyšniauskaitė, Vilnius, 1964, p. 93. * Traços da etnografia lituana, ed. A. Vyšniauskaitė, Vilnius, 1964, p. 262— 269; Id. Butkevičius, As construções agrícolas dos — Iš camponeses lituanos, história da cultura lituana, II, Vilnius, 1959, p. 237-256; K. Čerbulėnas, A casa („numas“), o tipo primário de edifício residencial lituano, — Iš história da cultura I, lituana, Vilnius, 1958, p. 104—145; Dicionário de conversação letão, Riga, s.d. 10, 1933—1934, 19235—43; A. Bielenstein, Die Construções de madeira e Utensílios de madeira dos Letões, I-II, São Petersburg1907—1918; o, Etnografia letã, ed. comissão: A. Birons, S. Cimermanis, A. Krastina, I. Leinasare, H. Strods (resp. ed. ), Rigi, 1969, p. 134; S. Cimermanis, Latviešu tautas dzives pieminek]i, Celtnes un to iekarta, Rigi, ryti: 1969, p. 81—88. 30
escolher um lugar de modo que a água não escoe dele; depois, no lado sul, construir um portão com uma cerca não muito alta; no lado leste, construir um estábulo ou um celeiro, coberto não muito alto para protegê-lo do vento, e protegê-lo bem, construindo pelo menos duas paredes, compactando terra entre elas, e construí-lo assim; no extremo do pátio, no lado norte, construir um segundo, e igualmente, no lado oeste, um terceiro, deixando no meio um espaço vazio para que os animais possam sair livremente dos estábulos por si mesmos e entrar neles; além disso, no meio, espalhar palha e outras coisas, para que o gado as pise; desse modo haverá estrume suficiente para fertilizar a terra...“? Uma das primeiras descrições mais pormenorizadas dos estábulos lituanos foi apresentada por S. Daukantas“. Lituano. tvartas O nome mais difundido em língua lituana para o edifício destinado à criação de animais é tvartas. Hoje, esta Palavra é usada na língua literária e numa grande área dos dialetos da língua lituana (parte do sul, centro e leste da Lituânia: Ariogala, Daugai, Dūkštas, Ignalina, Jurbarkas, Kapsukas, Kėdainiai, Lazdijai, Raseiniai, Simnas, Švenčionys, Varėna, Veisiejai, Vilkaviškis, Vilkija; As ilhas da língua lituana situadas no território da RSS da Bielorrússia: Lazūnai, Zietela)®. Esta palavra já é encontrada também nos nossos escritos antigos. Assim, na tradução da Bíblia de S. B. Chilinskis encontramos: „Pabudawosim cia awiu twartus pekuy musu...“, 4 Moz 32, 16. „+++ ir padare twartus pekuy sawo...“, 1 Moz, 33, 17. J. Bretkūnas traduz estas passagens bíblicas da seguinte forma: „„Mes tiktai Awiu Twartas schicze darisim delei must Bandos...“, 4 Moz 32, 16. s„,, ir pabūdawoia saw Namus ir padare pękui sawam Būdas...“, 1 Moz 33, 17. Contudo, tanto S. B. Chilinskis, com a forma tvartas, como J. Bretkūnas, com a forma tvarta (?), parecem empregar aqui não no sentido atual de "edifício para manter animais', mas no sentido de ‘cercado’, sobretudo isso pode ser afirmado com segurança a respeito de J. Bretkūnas. Tal suposição também seria confirmada pelo texto bíblico alemão; cf. a edição da Bíblia de M. Lutero de 1549: „Wir wollen nur Schafhiirten hie bawen fiir unser Vieh...“, 4 Moz 32, 16. „+, e constrói- -lhe uma casa, e faz estábulos para o seu gado...*, 1 Moz. 33, 175. i A palavra tvdrtas é usada apenas no sentido de “cerca” nos dicionários lituanos da Prússia Oriental: «Twartas, to, m. ein abgezūunetes Stūllchen», P. Ruhig, Lex., I, 166. «Stall, Staldas, do, m. nur bezūunt Twartas, to, m.», R. Ruhig, Lex, II, 336. «Twartas, to, m. eine Stallung, abgezūunter Stall. PennukBlū Twartas, ein Maststall, der abgezūunt ist», Chr. Mielcke, Wb., I, 303. 2 Fontes da história da RSS da Lituânia, I, conselho editorial: K. Jablonskis (editor responsável), J. Jurginis, J. Žiugžda (editor-chefe), Vilnius, 1955, p. 178—179. 3 Budą Senowęs —Lėtuwiu Kalnienū ir Žamajtiū iszraszę- ... Jokub's Laukys, Petropilie, 1845, p. 22-23. 4 Ao indicar a distribuição de várias denominações do estábulo nos dialetos da língua lituana, o autor baseia-se sobretudo no mapa manuscrito preparado por B. Vanagienė para o Atlas da Língua Lituana. Pelos exemplos dos dialetos da língua letã, ele agradece à fil. m. kand. E. Šmite. 5 Bíblia: Isto é: toda a Sagrada Escritura: Alemão. Auffs new zugericht. D. Mart. Luth., Wittemberg, 1549. 31
Como mencionámos, nos dialetos da língua lituana a palavra kiité é usada ir com o significado de «velhas e pobres cabanas». Como, com este significado, a palavra kūtė é encontrada noutra parte da Lituânia que não aquela onde se encontra a denominação discutida para o estábulo, parece-nos que, talvez, deveríamos separá-la do lituano kiité ‘edifício destinado à guarda ir de animais', consideraiš ndo-a derivada do alemão Kote ‘die Hiitte’. Lit. staldas, lat. stallis, pr. staldis. Na parte meridional da Samogícia e em alguns dialetos dos aukštaičiai ocidentais situados mais próximos da antiga Prússia Oriental, usa-se o nome staldas para designar uma construção destinada à guarda de animais (Kelmė, Pagėgiai, Rietavas, Skaudvilė, Slavikai, Sudargas, Šilalė, Tauragė, Užventis, Vainutas, Varniai); também ocorre a forma staldis (Endriejavas, Judrėnai, Juodkrantė, Nida, Sakūčiai, Šilutė, Veiviržėnai). Esta palavra já aparece também nos nossos escritos antigos. Encontramos a forma staldoie até mesmo na “Postilė” de M. Daukša (,,Kaip iūsu ne pažčidže dargūs giwėnimas staldoie ir grinas guleimas prakarte“, DP, 425), cujo autor era originário daqueles lugares onde a palavra staldas hoje já não é usada. De modo geral, o lit. staldas é usado sobretudo nos escritos dos lituanos da Prússia Oriental: na “Postilė” de J. Bretkūnas (II, 23, 101), no “Giesmynas” de D. Kleinas (32), no dicionário manuscrito do século XVII “Lexicon Lithuanicum” (“Stale Staldas, Twartas- ”, 82 a), pode-se dizer, em quase todas as obras lexicográficas posteriores dos lituanos da Prússia Oriental (nos dicionários de P. Ruigys, K. Milkus, G. H. F. Nesselmann, F. Kuršaitis etc.), e encontra-se com bastante frequência no folclore dos lituanos desta região**. Além das formas staldas, staldis, nos dialetos da língua lituana também se encontram as formas stalnė (Padvarėliai, Tirkšliai), stalnis (Zastaučiai, distrito de Mažeikiai). Entretanto, estas últimas formas são usadas, ao que parece, apenas ao se falar de grandes estábulos para cavalos, geralmente pertencentes a uma propriedade senhorial. Iš Destas formas deriva o ir adjetivo stalninis (arklys) (Šatės, Viekšniai). Tais nomes de estábulos para cavalos, especialmente as formas diminutivas, aparecem ir com bastante frequência nos textos do folclore samogício: „Isz —ejn ir brolelis Da nova estrebaria Conduzindo um cavalo castanho Indo até à irmãzinha”, Daukantas, S. Z., “Não D. procurast1234, e, rapaz O teu cavalo castanho, é teu Cavalinho Na estrebaria do meu S. pai®, D. Daukantas, 27. Z., “Não estarias, estrebaria ? Não No celeiro, rapaz? Talvez um soldadinho? No estribo?“, Daukantas, S. Z., D. 89. * Folclore lituano menor Séculos XVII— XVIII, preparado por J. Lebedys, Vilnius, 1956, p. 418, 426, 472. % Canções da Samogícia segundo as palavras dos cantores, compiladas, São Petersburgo, 1846. 38
„Wijną lejskėt i stalnelę, Antrą i sodnelį, a a a dza dza dza Antra i sodnelį“, S. Daukantas, Z., D. Nos 91. S. Nos estrofes de canções folclóricas samogíticas registradas por Daukantas, as palavras stalnėlė, stalnė são usadas onde, nas variantes dessas canções, se empregam stainéle, stainė, stainia. Por isso, parece-nos que E. Frenkelis®, apenas iš S. Daukantas conhecia a forma su -In-, não be há razão para relacionar estas su palavras ao lituano staldas: as formas stalnėlė, stalnė surgiram em lugar das formas stainėlė, stainė. Jų à mudança pode ter sido influenciada às vezes ir pela forma staldas. É de notar que S. Nas Canções 1829 folclóricas dos Samogícios publicadas nos anos de Stanevičius encontra-se apenas a forma stainé®®. As formas stalnė, stalnis, como veremos mais adiante, ocorrem nos dialetos samogícios ir atuais, situados justamente perto de S. da terra natal de Daukantas. Um caso semelhante, em que o segundo componente i do ditongo é substituído /, por uma ir consoante, é o lit. kulnas "cavalo ruim' (Giedraičiai, Videniškiai, LKŽd., VI, ao lado da 844) forma kuinas. lituano fonte da mesa é interna alemão terra estábulo? ?, devido a II > Id compare letão melderis < alemão terra moller, est. molder ‘Miiller’, kelder ‘Keller’ ir etc. *9 Como na ir língua lituana, su com o formante -/d este nome de curral é usado na língua dinamarquesa, cf. dinamarquês. estábulo 'celeiro'. Em geral, muitos idiomas germânicos usam essa denominação para o estábulo, o iš algumas jį outras ir línguas tomaram-- na emprestada dos germânicos línguas europeias. O significado original desta palavra "lugar para — ficar' ele está su relacionado ao pr. stallit “stovéti’, gr. orėMAew ‘corrigir’, abreviatura. sthalati "ele está de pé' ir etc. Semanticamente, da mesma forma, surgiram vários termos indo-europeus. nomes de currais linguísticos, cf. abreviatura gosthanam "estábulo de vacas’, av. goostané, sen. alemão alto ewi-st "estábulo de ovelhas", lat. stabulum (a última palavra é fr. é table, esp. establo, rom. staul, gr. n. otdfBhoc, ingl. stable, air. stabla ir etc. fonte): indo-europeu. *stū- “ficar de pé, colocar”?2, na língua prussiana também encontramos uma denominação de origem germânica para um edifício destinado à manutenção de animais, que corresponde foneticamente ao lituano staldis, cf. a palavra do 226 vocabulário de Elbląg „Staldis Stal“, Pr. staldis, tal como ir o lituano staldas, provém da iš língua alemã, provaveliš mente do alemão médio alemão abreviatura formas stall*4, em letão há várias formas desta designação do estábulo, cf. letão stallis “o estábulo, preferencialmente o estábulo para cavalos’, stalis, stale ‘o Stall’ (EM, III, EH, II, 1042; stalle, stellis. 569), ¥ E. Fraenkel, Et. Wb., p. 894. * S. Stanevičius, Dainos žemaičių, paruošė J. Lebedys, Vilnius, 1954, p. 14, 78, 122. * K. Būga, Rinktiniai raštai, II, p. 591; E. Fraenkel, Et. Wb., p. 894. 40 J. Endzelins, Latviešu valodas gramatika, p. 247—248. “ F. Kluge, Et. Wb., p. 737; J. Pokorny, Et. Wb., p. 1019—1020. ** C. D. Buck, Dic., p. 150—151; J. Pokorny, Et. Wb., p. 1004— 1010; M. Mayrhofer, Et. Wb., I, p. 350. * Monumentos da língua prussiana, 63; R. Trautmann, Die altpreussischen Sprachdenkmiiler, p. 85. “ W. Prellwitz, Die deutschen Bestandteile in den lettischen Sprachen, Gėttingen, 1891, p. 49; R. Trautmann, Die altpreussischen Sprachdenkmiiler, p. 435; J. Endzelins, Senprūšu valoda, p. 254. 39
Lat. stallis ‘trobesio gyvuliams laikyti’ reikšme dabartinėje Latvijos No território da RSS constitudu em áreas peculiares. Em primeiro lugar, junto às denominações de celeiro, ele é kits (respetivamente, kūte), laidars é usado na parte mais ocidental da Letônia — nos dialetos de Kurzeme e ir em parte dos dialetos zemgálios (Aizpūtė, Alsunga, Barta, Blydienė, Dunika, Gruobinia, Kuldyga, Nygranda, Piltenė, Saldus, Talsiai). A segunda área desta denominação, sem limites diretos com a primeira e su bastante ir distante desta, é a parte meridional dos chamados dialetos selônios, que se estende junto a da Lituânia do território da RSS da Lituânia (Abeliai, Asarė, Biržai, Lyvanai, Sauka, Subata, Zalva). Nesta área, a forma stallis também não é a única denominação para estábulo: ji Aqui é usada juntamente com as denominações kis (respetivamente, kite) ir klėvs (na parte oriental da área). A forma stellis ocorre na Curlândia (Piltenė, Ugalė, Užava, Varvė, Zlekos, Zūros). A forma stalle foi registrada apenas uma vez (Virbai, į ao norte de Sabilés). A palavra stallis já é encontrada G. no dicionário de Mancelis (1638 m.), onde é usada ao lado da palavra kūts. Entre outras denominações de estábulos, stallis encontra-se no manuscrito de ir ano 1685 J. No dicionário de Langius: „Stallis (.Kuhts, Klahws) ein Stall. Sirgo= Stal lis, = ein Pferd stall. Gohwo=st. ein Vieh=st. Zuhko =stallis, ein Schwein stall,“ J. Langija Vrd., É digno 286. de nota que ir H. No dicionário 1637 da língua estoniana publicado nos anos de Stalio encontra-se este germanismo, cf. est. tall**, A diferente fonética da palavra letã talvez mostrasse que os letões šį tomaram a palavra emprestada em época diferente da dos lituanos e prussianos. De resto, a sua fonte, tal como em est. tall, é o médio-alemão. alemão. baixo-alemão. stall, stal**, lit. pūnė, let. pūne A palavra da língua lituana pūnė é usada com o significado de ‘edifício para alojar animais’ numa área relativamente pequena dos dialetos do alto-lituano oriental (Gelvonai, Neveronys, Pabaiskas, Siesikai, Šašuoliai, Širvintos, Ukmergė, Vepriai). Este nome também ocorre nas ilhas de língua lituana situadas na RSS da Bielorrússia (Gėliūnai, Gervėčiai). Com esse significado, liet. pūnė já aparece na edição de 1642 do dicionário de K. Širvydas: ,,Chlew. Stabulum, caulae. pune, gurbas“, C. Szyrwid, Dic., 29. „Košiarnia, Caprile, caprilis casa, haedile. OBkine pune“, C. Szyrwid, Dic., 126. ,,Obara, aliter: Claustrum, septum, dimitere pecus ė claustris. “Pune, namas”, Szyrwid, C. Dic., com o significa233. do de liet. piinia “construção para alojar animais’ encontra- -se também nos antigos documentos da Lituânia, escritos em línguas não lituanas. Cf.: ,,JIBOpell, TJie PHUKYHHUS MEIIKaeT: y JBOPIbI PPUAHS C NPHCEHKOMB H KY TOMY KJeTka, myHsa Ha Obiuio...* PanevéZiukas Vilkijos v. (documento de 1563)¥. 45 Introdução à língua estoniana... por M. Henrico Stahlen, Revall, M.DC., XXXVII, plg. D. Zemzare, Latviešu vardnicas, Riga, 1961, p. 49-50. 4 J. Sehwers, Investigações linguístico-culturais, p. 118; EM, III, p. 1042. 47 K. Jablonskis, Lietuviški žodžiai senosios Lietuvos raštinių kalboje, p. 200. 40
„Não muito longe desta casa, uma pune de madeira para o gado, coberta de palha, portões de tábuas sobre gonzos”, inventário do domínio e da cidade de Kėdainiai de 1604**. Na língua lituana, a palavra pūnė (e também outras formas suas) é usada igualmente com outros significados; cf. pūnė "peludė, parte da eira destinada a amontoar a palha debulhada' (Kupiškis, Naujamiestis, Vabalninkas), pūnis, -ies,msaxkununa“ (K. Siannc IloneBexckHe roBOpbI II 27), punia ‘construção para armazenar cereais, celeiro’ (Dubingiai, Rimšė), pūnė (Viekšniai, Kossarzewski Lituanica 117 a)? ?, Nos escritos de M. Valančius e S. Daukantas, esta palavra é usada com o significado de “cabana, tenda’. Cf.: „Petras, desde a primavera, primeiro cavou uma pūnė, cercou-a de árvores, deixou uma abertura para entrar na toca e instalou-- se“*?, ,s-+.15Z mauknū patagus, punes ir lapines sau dirbo, apyniū wirksztiemis ir ptauszomis bej witimis siutoię ir rajszioje“®. Com significado semelhante, esta palavra também se encontra num manuscrito de cânticos lituanos datado do início do século XVIII, cf. „Isztirt to noredami, sakima negindami, renkdamies ing Bethleem Tokieja punioy (?) Jezu uszspeia, Jozefa ir Marya““- **?, nos escritos de M. Mažvydas e J. Bretkūnas encontramos esta palavra com o significado de "caverna, gruta’. Cf.: „++„Kaip ir liutas sawa punaeie ir plescha pawargusi kada trauk ghi ingi tinkla sawa“ (Gesmes Chriksczoniskas, II, Psalmas X.)%. „Kaip Liūtas puneia...“ (BrB, Psal. X, 9). „++.anis... atsijlsta Skileie (na margem, corrige-se: hole Olaie (puneie), BrB, Job, 38, 40; no manuscrito de J. Bretkūnas 39 (o próprio início). Cf. o texto alemão da Bíblia de M. Lutero de 1549: „+ Wwie ein Lew in der hiile...“ (Psal., X). „++.sie... und rugen in der Hėle....“ (Hiob., 39 (o próprio início). Cf. o texto bíblico latino: „+ ąuasi leo in spelunca sua“ (Psal., X, 9). „Ouando cubant in antris...“ (Hiob., 38, 40). Nos antigos inventários da Lituânia e noutros documentos escritos em línguas não lituanas, a palavra-punia é geralmente empregada com o significado de «edificação para guardar cereais, feno e palha». Cf. : „Zyta w puni dersowatego y miotliastego kop pięeętnascie...“, 1600, Kraukėnai, distrito de Upytė »++„punia zrobiona na zboze stomą kryta, wrota proste z desk, wrzeciadz y klotka w niey; «druga punia nowa iescze nie stawiona...», 1598 m. Breslauja. „+++ e pagaram dois copeques pelaquele, 1516. Mstislavlis? 48 Inventários lituanos do século XVII, compilados por K. Jablonskis e M. Jučas, Vilnius, 1962, p. 19. 4 K. Būga, Escritos selecionados, II, p. 525. 50 M. Valančius, Paaugusių žmonių knygelė, Tilžė, 1902, p. 102; Valančiaus raštai, red. J. Balčikonis, Kaunas, 1931, p. 244. 51 Budą Senowęs —Lėtuwiu Kalnienū ir Žamajtiū iszrasze- ... Jokub's Laukys, Petropilie, 1845, p. 16. 52 V. Biržiška, Tauta ir žodis, VII, p. 259. 88 Mažvydas seniausieji lietuvių kalbos paminklai iki 1570 metams, spaudai parūpino J. Gerullis Kaunas, 1922, p. 524. 41
„Quatro celeiros construídos para guardar o feno, um celeiro construído y para armazenar palha e palha miúda, uma y construção ordenada...“, 1756 m. Tradevičiai, vaivoda de Polotsk. „Um celeiro de quatro, com sete lados, na para armazenar w palha, com vigas de pinho, sem portão....“, 1775 m. Letcas, Vitebsko p.** „W koncu tey odryny punia wielka nowa bierwion z dlia zdawania zboza, stoma kryta, wrota niey do biegunach na (z) zaszezepką y s proboiem... ta a punia tem sete ka ma w paredes, cada parede com cinco po braças. S indo diretamente desta punia, do entre a segunda porta nova e a divisória do terreiro, po ficam à direita, cobertos com torrões, na os suportes sobre os quais estão apoiados os eixos. S Esta porta da punia é coberta com z palha de feixes; no meio, de we ambos os z lados, há sebes para guardar o cereal e uma eira para debulhar o y cereal, no sentido do comprimento trinta, na largura — sete; na a porta tem duas folhas nas extremidades, sobre eixos de madeira; a cerca de varas tem oitenta®., Šiaulėnai, Viduklės 1619 m. p. ..., seguindo adiante, um terreiro velho, desabado, e uma grande punia®, 1645 m. Zalava, distrito de Ašmena. «Dois terreiros, um com uma sebe, o terceiro uma punia sobre a eira», 1651 m. Palūšė, Drevininkai, voivodia de Vilnius. «Junto a esse abrigo, uma punia de madeira|| para guardar o centeio...- », 1700 m. Papalčiai- **", Na língua letã — tanto nos dialetos como em diversos monumentos escritos — encontramos equivalentes do lituano utilizados com significados semelhantes, pūnė. Letão piine ‘um celeiro; um palheiro. Celeiro de palha (que também é construído como anexo); um anexo de ambos os lados. junto ao kits para guardar feno, junto ao Riege (para guardar palha e restolho- ); um anexo ou. um pequeno celeiro separado para guardar palha triturada’, pune ‘um celeiro’, punis, pinis, punis, pinis ‘um celeiro de restolho; um pequeno edifício semelhante a um celeiro junto ao mar. margem do lago para guardar ferramentas de pesca; um pequeno celeiro para feno, palha e palhiço (como anexo à rija); celeiro de feno na floresta; um pequeno celeiro para apetrechos de pesca; uma cabana de camponês’, pūna ‘um celeiro junto ao estábulo; uma barraca de rede entre os pescadores’, pūnite ‘um celeiro’, pinitis, punelis ‘um diminutivo (pejorativo). de punis’, punite ‘uma pequena cabana’ (EM, III, 413, 447; EH, II, 342). O lat. pūnis já se encontra no dicionário de G. Mancelis, de 1638, cf. : „eine Scheune, Schkunis, Wallh. Puhnis“, G. Mancelis, Lettus, 34156, Sobre o lit. pūnė, lat. pūne existem duas opiniões quanto à origem. Alguns pesquisadores acreditam que esta palavra entrou nas línguas lituana e letã a partir das línguas eslavas. O primeiro a levantar tal hipótese foi A. Briukneris, indicando que puné ‘stall, verschlag fūrs vieh' se encontra no dicionário de K. Širvydas, enquanto „bei Ragnit unbek.“ (aqui ele provavelmente se baseia no dicionário de G. H. F. Neselman), considerando como fonte do lit. punė o russo ou o bielorrusso /YyKHAP? ", A hipótese de A. Briukner foi apoiada por J. Endzelynas (...nach Briickner.... aus r. nynsa)**, P. Skardžius (Wegen der Bedeutung wohl aus wr. nyrsa...)5*- ?, e essa opinião também foi adotada pelo autor do dicionário etimológico da língua lituana, E. Frenkelis$- ?, ** K. Jablonskis, Lietuviški žodžiai senosios Lietuvos raštinių kalboje, p. 65, 83, 90, 225, 236, % Lietuvos inventoriai XVII a., p. 86, 141, 170, 436. % D. Zemzare, Latviešu vardnicas, p. 440. ¥ A. Briickner. Die slavischen Fremdwėorter im Litauischen, p. 123. 58 EM, III, p. 447. % P, Skardžius, Die slavischen Lehnworter im Altlitauischen, p. 183. ®“ E. Fraenkel, Et. Wb., p. 667. 42
Iš de fato, em todas as línguas eslavas vizinhas encontramšį os a palavra empregada com significados quase idênticos. Cf.: rus. NYHA ‘NOJIOBHS, IIeJIEeBHA, MSIKHHHILA; IIOBETb, CEHOBAJI, Capal; OTJIEJIbHbIM uyJiaH, IVIETHEBAsA KJIETb, TJĮe CKJaJbIBAIOT BCSYHHY, H JIETOM CIHT XO35IHH; 3arijį. XJIeB', nykoka, B. ans, Chn., III, (V. 538. Segundo o testemunho de Dalio, esta palavra é usada: Novgorodo, Tverės (nas proximidades de Kalinin, Riazan, Oriol, Tambov, Kaluga e Smolensk.) rus. nyna ‘Xnew; capah aus cena', Įlo6poBojiseckuū, Cji., baltr. B. 749. ny “XJIeB; capaii ans cena wan CcOJIOMbI, H. H. HocosBnu, Ca., lenk. 538. punia “celeiro de madeira, na feno; szopa, odryna na siano’, purika, J. Karlowicz, A. Krynsky i W. Niedzwiedzky, St., V, 433, 435. Como mostram os dados do atlas dialetológico da língua bielorrussa, bielorr. nYyH ‘do edifício Sienui (às vezes no ir sentido de ‘carregar palha, cereais’) é usado em toda a Nordeste ir Bielorrússia; na parte ocidental desta área ocorre a forma nyroKa, ir ao sul de į Mogilev foi registada ir a forma nyxima“!. Na parte ocidental da Bielorrússia, a palavra nyna é usada no sentido de ir “estábulo de ovelhas'®2; em polaco, punia é usada muito raramente; sem dúvida, ir foi tomada be de empréstimo iš do russo ou das línguas bielorrussas. Be os vizinhos ir diretos dos lituanos, os letões; as outras línguas eslavas não têm esta palavra. Como mencionámA. os, J. Brückner, P. Endzelīns, E. Skardžius e Fraenkel consideram o lituano pūnė e o letão pine um eslavismo. Outro grupo de investigadores considera que o lituano pūnė e o letão pūne são palavras autóctones; pelo o, contrário, nas į línguas eslavas elas entrariš am a partir das línguas bálticas. Russo. nyna, baltr. considerava nynsa um baltismo A. Potebnia“*, E. Karskis®, A. PreobraZenskis®, K. Būga““. Baseando-se principalmente na geografia da palavra eslava, o jį autor do melhor ir dicionário etimológico da língua russa considera-a um baltismo M. Fasmeris® É realmente muito iš difícil dizer qual das partes tem razão. Ao resolver este problema, é muito importante a questão da etimologia e do significado jo original desta palavra. Os linguistas que consideram lit. pūnė, let. pūne eslavismos, de origem eslava, ao que parece, até agora não tentaram explicar. Os defensores da segunda hipótese apresentaram duas etimologias para esta palavra. Em primeiro lugar, tenta-se relacionar lit. pūnė com sânscr. su pūndti «purifica, limpa, asseia», pdvanah "vento (deus)’, antigo. alemão alto-alemão fowen ‘peneirar’. Assim, o significado primordial do lituano pūnė seria "lugar onde os cereais são limpos’®®, Naturalmeši nte, a etimologia é difícil de provar. É pouco provável que os antigos bálticos pudessem ter um edifício especialmente destinado à limpeza dos cereais. K. Būga tentou explicar a origem de lit. pūnė, lat. pūne baseando-se no material das línguas bálticas. Ele relacionava lit. pūnė a lit. su pūnė "extremidade vazia do ovo (nyxkKa, ryska sina), Jlprsinekrasiariunbi amiac $1 Gesiapyckail MOBBI, Mapa 236; Ipissiektasariyesl atjac GeJlapycKaii MOBbI, YCTYIHBISl ApTLIKYJILI i KameHTapei Aa KapT, Minck, 1963, p. 794-797. ® No mesmo lugar, mapa 231. A. A. Ilore6na, K ncropun 3BykoB pycckoro sismika, III, DTHMONOTHUECKHE H JApyrHe 3aMeTKH, Bapmaga, 1881, p. 90. * E. O. Kapcknii, Benopycewi, I, Bapmasa, 1903, p. 135. % A. llpeoGpaxenckuii, Dr. ca, II, p. 153. ** K. Būga, Escritos selecionados. I, p. 582, II, p. 524 — 526. 47 M. Vasmer. Et. Wb., II, p. 464—465, ** A. llpeoGpaxencknil, Dr. ca, II, p. 153; M. Vasmer, Et. Wb., II, p. 465. 43
lat. patina “crânio, cabeça, focinho’, lat. puns "caroço, saliência, furúnculo’. O significado primário do lit. pūnė, na opinião de K. Būga, teria sido “monte, amontoado de palha, palha miúda, estrume". Ele indica paralelos semânticas semelhantes: lat. gubenis “celeiro (para palha, feno); anexo junto à eira', gubens, gubene, : gubezis letão. guba ‘montão, meda (de feno)’, lituano. guba, gūbė; lituano. kūginjs "tvartas": lituano kūgis ‘kaugé, pilha, montão"; lituano gui bas ‘tvartas’: eslovaco grb ‘pequena elevação, colina, corcova, ruga’® Se a terceira K. A comparação semântica indicada por Būga pode suscitar dúvidas, as duas primeiras são totalmente confiáveis. Em geral, a etimologia K. de Būga é mais confiável que a už primeira etimologia lituana. pūnė etimologia (: sânscrita pandti). Semanticamente letão paūna, letão puns, lituano pūnė "a extremidade vazia do ovo’ relação su no sentido de "pilha" é inteiramente possível, cf. rus. xy4a "pilha, montão’: lit. kaikas “furúnculo, abscesso', kaūkaras "colina, elevação, outeiro’, gót. hauhs “aukstasTM; lit. gumbas "excrescência, espessamento do tronco (da árvore) (da planta) em algum lugar; inchaço doloroso, furúnculo, caroço’, lit. gumburas "saliência, montículo': lat. gurmba "furúnculo; elevação, monte", e do significado de *monte', como mostram os paralelos mencionados (kūginys: kūgis; gubenis: guba), pode surgir o significado de ‘celeiro’. Contudo, a etimologia de K. Būga pode suscitar certas dúvidas porque nas línguas bálticas não encontramos palavras que possam ser relacionadas com o lit. pūnė "celeiro", lat. pūne, usadas no significado de ‘monte’, e da aceção de ‘furúnculo, elevação’ até à aceção de "celeiro" há talvez um salto semântico demasiado grande. Apenas esta circunstância, em nossa opinião, não permite considerar a etimologia de K. Būga completamente aceitável. Também é bastante complexa a questão dos significados de lit. pūnė. Se o significado de “cabana, tenda” das palavras empregadas por M. Valančius e S. Daukantas pôde, sem dúvida, surgir facilmente do significado de “estábulo, celeiro”, o surgimento do significado de “gruta, caverna” nos escritos de M. Mažvydas e J. Bretkūnas já é menos claro. É claro que o significado de “gruta, caverna”, assim como o significado de “abrigo do leão”, também poderia ter surgido do significado de “abrigo de animal” de estábulo. Talvez essa diversidade dos significados das palavras bálticas constituísse certo argumento de que lituano pūnė, letão pūne são palavras de origem báltica própria. Seja como for, existem mais fatos que indicam que os eslavos tomaram esta palavra emprestada dos bálticos do que os bálticos dos eslavos. Contudo, por enquanto, não se pode afirmar isso categoricamente. Lituano nūmas, letão nams. Em certa área da Lituânia central (Dotnuva, Ėriškiai, Krakės, Kulva, Surviliškis, Šlapaberžė, Vadaktai), a palavra ndmas é usada com o significado de ‘edificação para alojar animais’. Com esse significado, o lituano nūmas também se encontra na edição de 1642 do dicionário de K. Širvydas, cf. : „Obora, aliter: Claustrum, septum dimitere pecus ė claustris. Pune, namas“, C. Szyrwid, Dic. 233. A palavra namas (nas suas diversas formas) encontra-se frequentemente também nos antigos documentos dos escritórios da Lituânia, redigidos em língua lituana. ne Cf. : „Dla mierzwy aby bydto poczęli koniecznie chowač nie w namach, ale obory czynič i dobrze obwarowač po podlasku- ...“, Karšuva, 1562. ** K. Būga, Rinktiniai raštai, II, p. 525— 526. 70 M. Vasmer, Et. Wb, I, 708; F. Kluge, Et. Wb., p. 311; E. Fraenkel, Ft. Wb., p. 229-230. 44
„3 ABOpa WAYubl JI0 ryMHa Bea HOMb Asi Obi1a COJIOMOIO KDpHTbI, H TIO KOHEIlb TOE BEeXbl OJIpHHA 3 XBOpOCTY ypobJieHa, 1oJi oAHbIM Jaxom...“ *, 1597 m. Biliūnai, distrito de Raseiniai. | „Casa construída com troncos para armazenar cereais, coberta com palha...“, 1599 m. Žarėnai. „Casa para habitação...“, 1600 m. Dubiniai, distrito de Beržėnai. »Torre, em lituano nams, de madeira de abeto, com três paredes.- ..“, 1619 m. Jokūbiškiai junto a Šiaulėnai, distrito de Viduklė. „Casa, isto é, uma torre para habitação, com tudo....“, 1639 m. Sokmedžiai Višutaičiai, distrito de Tendžiogala. „Casa para guardar o gado....“, 1650 m. Kretkampis, distrito de Vilkija. „Ou melhor, uma torre mudévica para guardar o gado...“, 1675, Plungė. «Obora niewielka dla bydta; ... na tym podworzu numa dla bydia; celeiro coberto de palha para a casa, cercado por uma paliçada, antigo...“, 1676, Laukuva. „Celeiro novo para gado, coberto de palha, com uma parede de reboco, pocilga para porcos construída junto, coberta de palha...”, 1676, Smilgiai. „Curral com casas para o gado, cujas portas estão montadas em pivôs...“, 1678, Diktariskis, distrito de Viduklė. „Stabulum et in extremo ejus cellasuaria de lignis recentissime erectum, stramine contectum. Construção para o gado, denominada numa, feita de paredes, com uma extensão de sebes na extremidade, coberta de palha...“, 1705, Laukuva- ". „Duas numas. Curral para o gado e, na extremidade deste, outro para as ovelhas; em frente, para os porcos...- “, 1667, Birzénai’- 2, Dos exemplos apresentados, pode-se ver que a palavra namas é usada nestes documentos principalmente com o significado de ‘certo edifício destinado à criação de animais’. Também ocorre o significado de ‘edifício destinado a armazenar cereais’ . Segundo os etnógrafos, a casa mencionada nestes documentos, tal como a vieža, «provavelmente terá sido também uma das mais antigas, isto é, de planta quadrangular alongada, construída com vários compartimentos para manter cavalos, vacas e animais menores. Por vezes, numa das suas extremidades também viviam pessoas, naturalmente apenas os pobres, pois naquela época (século XVI, A. S.) os camponeses abastados já viviam em cabanas- »**, Nos documentos mencionados, o lituano ndmas encontra-se frequentemente também em palavras compostas que designam partes especiais da „casa*. Cf.: «..BeXka 3b OepBeHbs 30Yj10OBaHasi Is ObijiJia,..- .060pa 3 GepbBen- 's 30yJIOBaHasi, 10 KOHBLBI C NMPbIHOMBKOMB JJisi CBHuHenu...““, 1602 (1603) m. Mimainiai, Ukmergés p. „Bexy Cc INpbiMHOMb H 3 HAMAKrajJloMb, KOTOpasi KONITOBAJIA OCMb KOINMb TpOmen..- .““, 1584 m. Padubysys, Raseinių valsč. yy-..BEKA C NPHMHOM 3 ĮĮOXKUOK H 3 HYMOKIMaJIOM, 3b XBOPOCTY IIJIEMEHbIM...“, 1603 m. Karklėnai Bukantai, Karklėnų valsč,“ "1 K. Jablonskis, Lietuviški žodžiai senosios Lietuvos raštinių kalboje, p. 129, 130, 131, 132, aí também são apresentados mais exemplos. 72 Lietuvos inventoriai XVII a., p. 266. "3 Lietuvių etnografijos bruožai, p. 262; cf. também. Iz. Butkevičius, Iš lietuvių kultūros istorijos, II, p. 243; K. Čerbulėnas, Iš lietuvių kultūros istorijos, I, p. 137—145. 7* K. Jablonskis, Lietuviški žodžiai senosios Lietuvos raštinių kalboje, p. 134, 135. 45
Lat. nams não é usado com o significado de "construção para manter animais", contudo alguns significados desta palavra são, iš de facto, muito próximos do significado mencionado. Cf. : Lat. nams ‘eine aus geraden Stangen (também de ambos os cozinha de verão cónica, montada com metades de um barco serrado transversalmente, já não apto para a navegação marítima: uma cozinha de verão; um pequeno edifício, in no qual durante o verão tudo é cozinhado (no inverno apenas zu épocas festivas); um pequeno edifício de in madeira, no qual para o gado (antigamente também para pessoas) se cozinha, com um fogão e caldeirão in no meio; o médio parte da casa residencial, a cozinha; „vieta istabas ¢ka, kur atradas krasns“; algumas in regiões é o médio Espaço do da casa por uma parede in cozinha e corredor da casa dividido; um vestíbulo; um Anexo sem Camada superior diante da Casa de banho com uma grande Caldeirão para Ferver água; „frente da sauna“, „compartimento dianteiro da sauna, onde se despem®, „anexo junto à sauna, onde se lavam“; uma Cabana para Rūuchern der Stromlinge; uma das duas cabana de redes montada com metades de um barco serrado transversalmente, já não apto para a navegação marítima; um pequeno edifício: a Casa da in Cidade” (EM, II, EH, II, 692-3; 4). | Observando estes significados, provavelmente pode-se formar a opinião de que o significado mais antigo de lat. nams era ‘edifício no qual há uma instalação para aquecer o recinto, cozinhar alimentos ou algo semelhante.’ Com significado semelhante, inicialmente era provavelmente usado também o lit. »ūmas. Naturalmente, não se pode afirmar que lituanos e letões designassem com esta palavra edifícios completamente idênticos: a sua construção e finalidade poderiam variar em certa medida até mesmo em diferentes territórios da Lituânia e da LetóniaTM. Nos antigos escritos letões, lat. nams é frequentemente usado no sentido do lat. domus ("casa, lugar de residência, família, agregado familiar’), cf. A utilização da palavra nams em G. Elger, «Evangelien und Episteln» (1640)"*, onde por esta palavra se traduz o lat. domus: G. „„Vnd te 17. egaia ekszan to nammu, vnd attradda to baernu a Maria sauwa mata...“, Elger, „Et intrantes domum, invenerunt puerum cum Maria matre eius...“, Mat. 2, 11. ,...vid pepildia wyssu to nammu...- “, G. Elger, 86. ,,...et replevit totam domum...- ““, Ap D, 2, 3. „+, ka mans nams top pepildits.- ..“, G. Elger, 92. „ut impleatur domus mea...“, Luk., 14, 23. ,....vziaem ekszan sauwems nammems“, G. Elger, 98. „„,„„recipiant me in domos suas““, Luk., 16, 4. ,,Mans nams ir wens ludzamu nams...“, G. Elger, 99. ,,Quia domus mea domus orationis est...“, Luk., 19, 46. ,...wena auksta Pharisaera namma...- “, G. Elger, 106. ,5.-.1n domum cuius dum Pharisaeorum...“, Luk., 14, 1. ,.vnd tas tyccaeia ar wyssu sauwu nammu saimu“, G. Elger, 111. ,»...ct credidit ipse et domus eius tota®, Jon., 4, 53. Até mesmo o lat. paterfamilias é traduzido por G. Elgeris como Nammukungs (G. Elger, 92; Luk., Liet. namas também é usado tanto nos escritos antigos como na língua atual com o significado do lat. 14,21). domus. "5 Sobre a função do letão nams, cf. Latviešu konversūcijas vardnica, 14, Riga, 1936, seção. 28400-6. 76 Evangelhos e Epístolas traduzidos para o letão por Georg Elger, juntamente com um índice dos seus cânticos espirituais do período por volta de 1640, ed. K. Dravinš, Lund, 1961. 46
Quanto à origem de liet. namas, lat. nams, existem duas opiniões. Alguns pesquisadores relacionam-no com o eslavo antigo dome ‘casa’, rus. dom, skr. ddmah, gr. 86p.oc, lat. domus, arm. então, explicando a mudança do consonantismo das palavras bálticas pela dissimilação? Outros tendem a relacionar o lituano nimas, o letão nams com o gr. vopėc «pasto; ‘local de residência, habitat’, gr. vėuo, ‘habito, cultivo, governo’, gr. vopsis "pastor'- "?., J. Endzelins inicialmente também concordou com esta última etimologia’®, mas mais tarde inclinou-- se a concordar com a associação de lituano ndmas, letão nams ao antigo eslavo. dom e outros.- %° Por enquanto, é difícil provar qual opinião está correta. Parece-nos mais provável a associação do lituano nūmas com o antigo indo-europeu. com o nome da casa. A alternância no início da palavra dir é, de qualquer modo, bastante comum no indo-europeu. fenômeno linguístico, cf. lituano devyni, latim devini, eslavo antigo devęto: pr. newints, sânscrito. nava, lat. novem, gótico. niun; lituano debesis, letão debess "céu": eslavo antigo nebo, plural nom. nebesa, sânscrito. ndbhah "névoa, neblina, céu’, gr. vėgogc ‘nuvem’ e outros. Lat. laidars, lit. laidaras, é usado com o significado de lat. laidars «construção para alojar animais» na parte ocidental da Letônia — em Kurzeme (Aizpute, Arlava, Blīdene, Dobele, Dunika, Kandava, Matkule, Praviņi, Saka, Tadaiķi, Tume, Užava, Vandzene, Zvārde). Este nome não é o único no território mencionado: é usado ali sobretudo juntamente com outras denominações letãs para curral (kits, kite, stallis, stellis). Às vezes, a palavra laidars designa apenas um curral grande (Kandava, Laidze, Upesgrīva). Às vezes, os falantes do dialeto sentem o caráter arcaico de laidars (Kazdanga, Skaistkalne). Lat. laidars, além do significado de “construção para alojar animais”, é usado também com outros significados, cf. “ein eingefriedigter Platz vor dem Viehstalle, wo das Vieh hineingelassen wird; o local do estrume dentro do recinto do estábulo; o espaço formado pelas baias de gado construídas em redor; uma sebe para o gado no campo’ (EM, II, 402; EH, I, 711). Ao lado da forma laidars, nos dialetos da língua letã ocorrem também as formas laidaris, laiders, laideris, laideris, laideris, leidars, leideris (EM, 111, 402, 403, 446; EH, I, 711, 712). Encontramos até as formas laidarzs, leidarzs, que surgiram por etimologia popular, associando essas palavras ao let. darzs “jardim, horta” (EM, II, 402). Também são usadas formas compostas: drlaidars ‘Hiirde fiir das Vieh auf dem Felde' (EM, I, 243; EH, I, 195), laūklaidars (EM, II, 426; EH, I, 722). O let. laidars já é encontrado nos escritos de G. Mancelis. O liet. laidaras não é usado no sentido de «construção para manter animais». Entretanto, de modo geral, seu uso é muito próximo do uso de let. laidars; cf. liet. laidaras «cerca junto aos estábulos para reunir os animais, curral; lugar cercado no pasto para reunir os animais», laidaris, laidarys, laideris (LK Žd., VII, 15, 16). A forma laidaris também foi registrada no sentido de «cova para esterco; esterqueira, depósito de lixo» (A. Bezzenberger, Lit. Forsch., 132; LKZd., VII, 16). Com significado semelhante, também foi registrada a forma laideris (G. H. F. Nesselmann, Wb., 351; LKŽd., VII, 16). "7 E. Fraenkel, Et. Wb., p. 483; V. Mažiulis, LKK, II, p. 14; J. Pokorny, Et. Wb., p. 199, a opinião de J. Pokorny sobre a origem de lit. nūmas, lat. nams é bastante pouco clara: em uma parte do dicionário ele afirma que „it. ndmas... ist aus *damas dissimiliert“ (p. 199), enquanto em outra relaciona esta palavra com gr. vépw (p. 763—764). "e R, Trautmann, B-sl. Wb., p. 193; P. Skardžius, Lietuvių kalbos žodžių daryba, p. 31; M. Vasmer, Et. Wb., I, p. 361. "9 EM, II, p. 693. 8 J. Endzelins, Filologu biedribas raksti, 12, p. 175—176. 47
nessas localidades, por vezes, ir ocorre a forma migjs; migėlis (Gelvonai, Pociūnėliai, Pašušvys, Siesikai): lit. miegoti, cf. migis ‘leito do animal’. Iš os significados posteriores ir surgiram com o significado de chiqueiro de porcos. Lituano. namėlis (Aukštadvaris) : lituano. ndmas. Lituano. a casa, como vimos, é usada no sentido de ir estábulo. Lituano. svindrnykas (Šklėriai, Vievis, Zietela) < bielorr. céinapHix, cf. também. russo. COUHAPHUK :ceunos "porca". Lit. kiaulmigys (Alanta, Anykščiai, Dusetos, Gražiškiai, Karsakiškis, Krakės, Krekenava, Musninkai, Pabaiskas, Panevėžys, Pociūnėliai, Raguva, Siesikai, Sodeliai, Šašuoliai, Želva), usada nas formas kiaūliamigis, kiaūlamigis, kiaūmigis ir (LK Žd., V, 688, 693, 701) < kiaiilé + migis. Lit. estábulo de porcos (LKZd., V, 688), estábulo de porcos (LK Žd., V, 691), estábulo de porcos (LKŽd., V, 695), estábulo de porcos (LKŽd., V, 701), chiqueiro (LKŽd., V, 532) < chiqueiro + de porcos. Liet. pequeno chiqueiro (Šatės, LKZd., V, 688) < chiqueiro + de porcos Liet. abóbora-de-porco (Dusetos, LKŽd., V, 693) < curral de + porcos. Lituano. chiqueiro de porcos (LKŽd., V, 700) < curral de + porcos. Letão. chiqueiro de porcos (EM, I, 398; EH, I, 281) <cūka ‘porca’ + de origem. Lat. cūkklėvs (EH, 1, 281) <cūka + klėvs. Lat. cūkstallis (EH, I, 281) <cūka +stallis. A designação do estábulo de porcos também é encontrada registrada nos monumentos da antiga língua prussiana: Seweynis Sewstal (a palavra 229 do vocabulário de Elbing)"*- ?. Pr. seweynis; não está claro até que ponto esta grafia corresponde à verdadeira forma da palavra da língua prussiana; deve ser relacionada com as denominações correspondentes do porco nas línguas bálticas, cf. pr. swintian, letão suvęns, sivens; Estábulos de ovelhas: lituano avidė (Derveliai, Gadūnavas, Gaižūnai, Kėdainiai, Kietaviškės, Kupiškis, Raginėnai, Surviliškis, Svobiškis; esta palavra também penetrou, a partir da língua literária, em outros dialetos e, finalmente, também nas localidades aqui indicadas, avidė nem sempre pode ser um fato linguístico antigo), aviniūkas (Alsėdžiai, Barčiai, Drobūkščiai, Dubičiai, Girdžiai, Lauko Soda, Laužai, Pakražantis, Rekščiai, Sintautai, Skirpsčiai, Slavikai, Šiauduva, Varduva), avinjkas (Dailidės, Mauručiai, Miežionys, Onuškis, Palomenė, Pavinkšniai, Rimšė, Sekonys, Tverečius), avinjké (Birštonas, Butrimonys, Čiobiškis, Darsūniškis, Daukšiai, Igliauka, Kalvarija, Kapčiamiestis, Kruonis, Liškiava, Marijampolis, Nauja Ūta, Paparčiai, Pašlavantis, Simnas, Vievis), avinė (Armališkės, Kaniava, Širvintos), avikinė (Giedraičiai, Minkūnai, Musninkai, Naujamiestis, Pagiriai, Šašuoliai, Vaiskūnai, Žeimis), avikinis (Radžiūnai, Raguva), avikė (Darsiškiai, Kableliai, Lukštai), avélinis (Dūkštas, Želva), avinjéia (Alksnėnai, Dotnuva, Juknaičiai, Smalininkai), cf. ibid. LKŽd., I (2), 523, 525, 527, 528) + lituano aviso. lit. jauja (Lazūnai, LKŽd., IV, 299) : lit. jauja ‘edifício para secar e ir maçar linho. "2 Monumentos da língua prussiana, p. 63. 2 A. Sabaliauskas, LKK, X, p. 171-172. 54
Lit. avitvartis (Kaniava, LKŽd., I(2), 530) < avis + tvdrtas. Lat. aitstallis (EH, 1, 5) <aita ‘ovelha’ +stallis. Lat. avikats (EH, I, 190) <avs ‘ovelha’ + kiits. Estábulos de vacas. Lit. karvidé (Gaižūnai, Kapčiūnai, Lieporiai, Lukošaičiai, Nairiai, Noriūnai, Rūdupiai, Salamiestis, Sodeliai, Telšiai; proveniente da língua literária, esta palavra entrou também em vários outros dialetos da língua lituana. Além disso, mesmo nas localidades aqui indicadas, karvidė pode às vezes ser uma palavra surgida muito recentemente), karviniūikas (Alsėdžiai, Eidžiotai, Salantai, Skripsčiai, Varduva), karvinykas (Biržiniškė, Mauručiai, Medeišiai, Rimšė, Sekonys, Tverečius, Vištytis), karviniūkė (Ratnyčia, LKŽd., V, 357), karvinis (Kazitiškis, Luodžiai), karvinys (Molėtai, LKZd., V, 358), cf. também LKŽd., V, 357—8): lit. kdrvė. Lit. bandiniūikas (Drobūkščiai, cf. também LKŽd., I(2), 640): lit. banda. Lituano galvijinė (Joniškis- ), galviniūkas "estábulo de ganado bovino' (LKŽd., III, 84): lituano galvijas. Lituano gyvuliniūikas (Šakiai): lituano gyvulys. Na aceção de estábulir os senhoriais era usado o lituano abūrės (Kaunatava, Pakšteliai, Papilė, Raudėnai). Lituano jautidė "estábulo de bois' (LKŽd., IV, 323), jautiniūikas "estábulo de gado bovino; jautidė' (LKŽd., IV, 324), jdutinyčia (LKŽd., IV, 324): lituano jdutis. Lituano veršidė "estábulo de vitelos' (Laukuva, Utena, palavra provavelmente surgida recentemente), veršiniūkas (Kurtuvėnai, Skripsčiai): lituano vefšis. Liet. kdrviatvartis (Ratnyčia, LKŽd., V, 357) <kdrvé + tvartas. Lat. gūovskūts (EM, I, 693) < gūovs ‘karvé’ +kūts. Lat. guovstallis (EH, I, 424) < gūovs +stallis. Ao comparar as denominações lituanas de estábulos especiais com as denominações correspondentes da língua letã, chama a atenção a grande su diversidade das denominações lituanas. Na língua į letã não encontramos denominações com uma formação como a do lituano Denominaç- - ões do tipo -idė, ininkas. Na língua letã, predominam as denominações compostas: aitu kilts, guovju kilts, telu kūts, cūkkūts, zirgu kūts (ao lado de stallis). Entretanto, na língua lituana, as denominações desse tipo de formação são usadas com muito menos frequência. Nos dialetos da língua lituana, difundiram- -se muito nos últimos tempos as denominações do tipo -idė. Elas, tendo iš chegado à língua literária juntamente com o su sistema dos kolkhozes, expulsam as ir denominações de formação diferente usadas anteriormente. * * * Em geral, nas línguas ir lituana e letã encontramos numerosas denominações de construções destinadas à criação de animais. Alguns desses nomes são usados tanto nas línguas lituana ir quanto letã. Além das palavras de origem própria, ocorrem ir empréstiiš mos das línguas o eslavas vizinhas, bem como das línguas germânicas.
DOS INSTRUMENTOS DE CONDUÇÃO DE ANIMAIS NOMES ar Na terminologia be da criação de animais das línguas bálticas, — pode-se distinguir, como um grupo su semântico independente, os nomes dos instrumentos de bater usados para conduzir ir animais. Esses instrumentos são, sem dúvida, muito antigos; surgiram juntamente com a criação intensiva de animais, quando o ser humano começou a apascentá-- be los e a utilizá-los para diversos iš trabalhos.ó entanto, os į nomes específicos dos instrumentos de condução de animais iš nas línguas bálticas não são palavras de origem muito antiga; além disso, na maioria das vezes foram emprestados dos povos vizinhos, de onde também frequentemente chegaram de regiões mais distantes, que criavam animais de forma mais intensiva. É claro, existem ir palavras de origem própria ar usadas de forma mais restrita ou mais ir ampla, mas elas são formações de épocas bastante recentes. As línguas indo-europeias não possuem uma terminologia mais geral para este campo. Geralmente se enfatiza que as línguas eslavas se caracterizam por uma terminologia especialmente rica neste campo'. Uma parte considerável dos nomes dos instrumentos para conduzir o iš gado chegou aos eslavos ir į às línguas bálticas. Lit. botūgas, lat. pataga ir etc. Acredita-se que os antigos indo-europeus inicialmente iš conduziam o gado espetando-o com varas especiais; mais tarde, através dos o povos orientais, conhecersu am o chicote*. Os su bálticos conheceram este instrumento através dos eslavos. Isso é claramente demonstrado pelos dados linguísticos. Lituano botūgas "instrumento para conduzir o gado; chicote (uma corda; corda su com haste)’ (LKZd., I(2), 976 — 7) já é encontrado nos próprios primeiros monumentos da língua lituana — M. Mažvydas, M. Daukša, K. Širvydas ir etc. nos escritos. Cf. : “Botagais ghi ifch plake...”, Mž, “dir plaka kaip' botagais, 443. pafmirdujeis lieguwieis...” ij Os chicotes io de Néffa são os meus pecados...- 105. ”, DP, tu „„entrelaçados estavam cordas, correntes, chicotes, varas...”, 163. SP, II, „nahayka, scutica, flagellum, mastix. botagas“, C. Szyrwid, Dic. (1629 m. edição), 86. „E tendo feito um chicote e uma vergasta- ...“, Ch 1, II, 150. Além da forma botagas, nos escritos antigos encontra- -se também a forma batagas. Cf.: „korbacz, scutica. flagrum, flagellum, mastix. batagas“, C. Szyrwid, Dic. (edição de 1629), 60. ....jmarki batagai“, WP, 21. Nos dialetos lituanos e em diversos monumentos escritos encontram-se também outras formas do nome deste chicote: botėgas (LKŽd., 1(2), 978), botaga (LKŽd., 1(2), 976; registrado no „Clavis Germanico-Lithvana“, no dicionário de D. Sutkevičius), botas (LKŽd., I(2), 978; palavra reconstruída por F. Neselman a partir da forma botkotis, considerando botkotis < botas + kotas). Nos dialetos žemaitianos é amplamente usado este nome com vinicial, cf. votūgas (Kuršėnai, Pagėgiai, Raudėnai, Viekšniai, Žarėnai, Židikai), votėgas (Girdiškė, Kalnalis, Salantai, Smilgiai, Šilalė; escritos de M. Valančius e S. Daukantas). As formas com vyra são mais recentes, tendo surgido já no próprio solo da língua lituana. Por vezes encontram-se tais formas também em monumentos escritos lituanos mais antigos: * O. Schrader, Reallexikon der indogermanischen Altertumskunde, II, Berlin, 1929, p. 154. * O, Schrader, Ibidem, II, p. 154.
„Daug ir wotagu ant jmoniu grieBnuju...“, KN, 36° Quanto a v: b, cf. lituano bėbras: vėbras, byskupas: vyskupas, vélybas: vėlyvas etc. Provavelmente não se deveria relacionar o lituano botdgas com o lituano botarainis "chicote comprido’ (LKŽd., I(2), 978; registrado nos escritos de Žemaitė), cf. botarainis "torto, nodoso, áspero, retorcido' (Skuodas; LKŽd., I(2), 978). Tal exemplo, como: Tavo lazda tikra botarainė, gal būt, mostraria que também nos escritos de Žemaitė botarainis é usado não no sentido de ‘botago’, mas no de "algum tipo de vara' (cf. a frase de Žemaitė citada no dicionário: O aš —akloji švaistau botarainiu šunis, net kaukdami į šalis sklinda). Cf. também acima. bėoteris "grande, corpulento’, boterinis, boterainas, boterainis (LKŽd., I(2), 978), aos quais seria possível relacionar as palavras mencionadas anteriormente. O lituano bataska "vara flexível, vergasta, vara; tal chicote; vara' (LKŽd., 1(2), 683) deveria ser derivado diretamente do polonês. batožek diminut. forma de batog "botagas' (J. Karlowicz, A. Krynskii W. Niedžwiedzki, St, I, 105), cf. também o pol. batozkowaé "bater com batozkami’, de onde provavelmente também deriva o lituano bataškūoti "bater, golpear com bataška'. A fonte do lituano botūgas é o bielorrusso Gamoe*. Esse nome do chicote também existe em algumas outras línguas eslavas: ucran. Gamie "chicote- ', 6amye, pol. batog "chicote curto’, tcheco. baroh “chicote- ’, rus. 6amoe ‘vara’, dial. nomoe, russo antigo batogs®. De que maneira esta palavra surgiu nas línguas eslavas é bastante incerto. Alguns pesquisadores consideram-na um empréstimo, indicando como fonte o turco budak ‘Saka’, o tártaro de Kazan borak, ou então o italiano batacchio ‘vara’; outros consideram-na uma palavra de origem eslava, relacionando-a com o eslavo bat ‘vara, bastão de carvalho- ’, batati ‘bater, golpear’ (cf. rus. 6omams)’. A primeira hipótese (empréstimo das línguas turco-t tártaras) é menos provável por razões fonéticas, embora, em geral, a história da criação de gado lhe fosse favorável. De resto, a segunda hipótese tem mais defensores. Das línguas eslavas, este nome do chicote passou também ao letão: Lat. pataga "die Peitsche- ’, patęga, patega (EM, III, 190, 191; EH, II, 217), patags (EH, II, 217), partaga (EM, III, 182; EH, II, 214). Como vemos, os exemplos da língua letã diferem dos lituanos pelo consonantismo inicial da palavra. J. Enzdelynas® tendia a pensar que o eslavo assim os estonianos ou os livônios latinizados mudaram batogo. Na realidade, a alternância de b: p é muito característica da língua letã. Justamente as suas causas são tentadas explicar pela influência das línguas fino-bálticas". A forma pdrtaga já é um neologismo da língua letã. Essa inserção da consoante -r entre uma vogal longa (ou os ditongos ie, uo) e uma consoante nos dialetos da língua letã, especialmente em empréstimos, é um fenômeno bastante frequente, cf. let. kūrkis: kūkis "der Haken' (EM, II, 196), let. mėrtelis: mėtelis ‘der Mantel’ (EM, II, 620), let. pėrlis: pélis “der Pfihl’ (EM, III, 209), let. stérkis: stėkis ‘der Stachelfisch’ (EM, III, 1063) e outros. " * P, Skardžius, Die slavischen Lehnwérter im Altlitauischen, p. 240. 4 J. Otrębski, Gramatyka języka litewskiego, I, p. 326. 5 P, Skardžius, Die slavischen Lehnwérter im Altlitauischen, p. 45; E. Fraenkel, Et, Wb., p. 53. 4 M. Vasmer, Et. Wb, I, p. 62. " F. Stawski, St. Et., I, p. 28; A. Briickner, St. et al., p. 18; H. M. Illaxcxnii, Dr. ca, I, p. 56, EM, III, S p. 190. * V. Kiparsky, Scando-slavica, 14, p. 73-97. 10 J, Endzelins, Latviešu valodas gramatika, p. 237—238; M. Rudzite, Latviešu dialektologija, Rigi, 1964, p. 100—101, 194, 313—314.
Liet. bizūnas, lat. biziine Lit. biziinas ‘chicote de cabo curto, entrançiš ado de tiras ou cordões; perna de corça' (LKŽd., I(2), 871), bizūnas também é de origem eslava (E. Frenkelio (Et. Wb., as 45) formas mencionadas bisūnas, beziinas não são fatos confiáveis da língua lituana). Jo dever-se- -ia considerar como fonte o polonês bizun ou o bielorrusso Gisyn". Como tal palavra surgiu nessas línguas eslavas ainda não foi definitivamente esclarecido. A. Briukneris!2 afirmou que o polonês bizun (ele indica a forma ir bizon) surgiu vengbizoiš ny rų "ora, certamente, de fato’, sim, ouve, teria gritado o agressor ao ar ser espancado. Į tal kų palavra entrou na língua polonesa através dos eslovacos da Hungria, que serviam aos XVII — XVIII a. senhores da Lituânia ir e da Polônia. Um paralelo semântico para tal origem polaca origem de bizun A. Briukner indica a origem polaca de harapnik (cf. lituano rūpninkas- ). Outros investigadores tendem a pensar que o polaco a fonte de bizun é o lit. lat. bison "bizonas’ (gr. Broowv), cf. lat. taurus ‘jautis’: lat. taureus "cinto de couro'. Também foi aventada a ideia de que a fonte da mencionada palavra polaca é o instrumento turco biston, com o qual os monges maometanos mendicantes — se flagelavam para suscitar compaixão'?, Todas as etimologias suscitam dúvidas. Ainda assim, talvez o mais provável seja A. a explicação de Brückner. Jo é seguida no ir novo dicionário académico da língua polaca**. Lat. no chicote ‘der Schligel, Stock zum Schlagen’, bizuns ‘lunkans sitams riks’, bizuons ‘Kniittel, Zigeunerpeitsche’ a fonte também é o polaco, o bielorrusso, talvez até o dialeto da língua ar russa vizinha o ir (EM, I, 303). Nas canções folclóricas letãs ir encontra-se a forma bizuls ‘arremessados, lançados’ (EH, I, 222), que provavelmente é uma iš forma retrabalhada de bizuns. Su lat. bizuns, bizuls provavelmente deveriam ir ser relacionados ao letão bizuns "um que vagueia sem trabalhar, incitando ao mesmo tempo outros a trabalhar' (nasūjas kai bizuns aplik, nika nestrada, EH, 1, 222), ou talvez a bit, e ao letão bizulis ‘pessoa que vagueia’ (EM, I, 302; EH, 222), separando este último do letão bizulis ‘gado enfurecido’: letão bizuot ‘enfurecer-se (especialmente no caso do gado), vaguear, correr’. Quanto à semântica, cf. liet. biziinas ‘significado’ (Vaiksto kaip biziinas, darbo nenusitverdamas, LKZd., Liet. 1(2), 871). dandaras, lat. dandala Liet. dafidaras ‘chicote (com muitos nós)’ (LKZd., II, 171); a geografia (Joniskis, Šakyna) indicaria que ele entrou na língua lituana a partir da língua letã. É verdade que a fonética da palavra indicaria que ela é antes lituana que letã; contudo, na língua lituana ela é completamente isolada, ao passo que na língua letã existem várias de suas variantes e mais palavras da mesma raiz. Lat. dafidala ‘um chicote de ciganos’, danda, dandara ‘um chicote de ciganos, o chicote’ (EM, I, 437), dafidele “o chicote de ciganos’ (EH, I, 306), cf. t. p. lat. dandaldties "brandir um chicote’, dandaluét ‘bater com o chicote cigano’ (EM, I, 437), dafidelét (EH, I, 306). 11 E. Fraenkel, Et. Wb., p. 45; A. Briickner, Die slavischen Fremdw- ®drter im Litauischen, p. 72. 12 A. Briickner, Si. et., p. 28. '* J. Kartowicz, A. Krynski i W. Niedzwiedzki, Sk, I, p. 160; Enciclopédia lituana, III, Kaunas, 1935, col. 1361. "“ W. Doroszewski (ed.), Dicionário da língua polonesa, I, Varsóvia, 1958, p. 539.
A estas palavras da língua letã deveriam ser relacionados também o let. dafidala ‘uma vara longa, bastante grossa e lisa; uma criança travessa e inquieta (usado apenas raramente para pessoas adultas), também um animal desse tipo’, daiidalėties ‘discutir durante a troca de cavalos; ao comprar um cavalo, fazer barulho’ (EH, I, 306), dandars ‘um homem anguloso e desajeitado’, dandariski “apressadamente, de afogadilho’ (EM, I, 437). Sobre a semântica das últimas palavras, cf. lit. bizfinas e outros significados, cf. também o let.: iet ka dafidala kuzu kuzam (EM, 1, 437). Este nome letão do chicote é provavelmente de origem onomatopaica. Lituano kančiūkas, letão kaiičuka. Lituano kančiūkas "chicote de couro, azorrague, [de] veado', kančukas (LKŽd., V, 200), na opinião de P. Skardžius e E. Fraenkel, originou-se do balto-eslavo. kanuyx'®. Contudo, não é menos provável que a fonte do lituano kančiūkas também possa ter sido a forma polaca kariczuk, usada nos dialetos ao lado da forma kariczug, de resto mais difundida. A forma kanczuk também ocorre nos escritos dos escritores polacos A. Mickiewicz e I. Chodzko, relacionados com a Lituânia! *, Ao lado das formas kančiūkas, kančūkas, na língua lituana também são usadas as formas kaiičius, kaiičas, kančas (LK Žd., V, 200). Estas formas são explicadas de duas maneiras. M. Nyderman afirmou que estas formas surgiram na própria língua lituana, por abstração a partir de supostos diminutivos; cf. lituano bafsas ao lado de barsūkas (< polaco borsuk ou balto-eslavo Gapcyx), lituano kūpšas ao lado de kapšiūkas (< polaco kapczuk ou balto-eslavo kanuyr) etc. "" P. Skardžius levantou a hipótese de que o lituano kaiičius poderia ter se originado diretamente do polaco, pois ali também, ao lado das formas kariczuk, kariczug, existe a forma karicz. ** Contudo, F. Slavskis objeta a tal possibilidade, uma vez que o polaco karicz é empregado em dialetos polacos situados longe da Lituânia. Na sua opinião, tanto o lituano kafičius como o polaco karicz surgiram independentemente em ambas as línguas? ?, Para as línguas eslavas (russo xamuyk, kamuye, ucraniano Kak4uyK, búlgaro Kamuwux), tal denominação do instrumento veio do Oriente; cf. turco kamčy, tártaro da Crimeia camčy, caraíta. camču*??. A palavra é bastante amplamente utilizada também em outras línguas europeias (grego, húngaro). Do eslavo originou-se o alemão. ir Kantschu, Kantschuk. O letão kaiičuka ‘o chicote cossaco grosso, de couro’, kaiicuks, kančaka, kaiičuklis (EM, II, 154; EH, I, 583), kančiklite (EH, I, 583) também tem como fonte uma língua eslava, provavelmente o russo ou o bielorrusso. Na língua letã encontram-se também formas mais curtas dessas palavras —kaiice ‘um chicote’ (EH, I, 583) e kaiika ‘o chicote cigano’ (EM, II, 154). A. Zumentas A forma (Summent) era considerada por iš Karice como derivada do polaco. karic? !. No entanto, pelas mesmas razões que o lituano kadicius, o letão kafice dificilmente poderia ter surgido diretamente da língua polonesa. Tanto a forma karice quanto ir kaiika provavelmente surgiram no âmbito da língua letã. '* P, Skardžius, Die slavischen Lehnworter im Altlitauischen, p. 95; E. Fraenkel, Et. Wb., p. 215. M W, Doroszewski (red.), Dicionário da língua polonesa, III, p. 525. 17 M. Niedermann, StB, III, p. 108—110. 18 P, Skardžius, APh, III, p. 50. 19 F. Stawski, Sh et., II, p. 48. * M, Vasmer, Et. Wb., I, p. 515—516; A. Briickner, Si. et., p. 217; K. Lokotsch, Et, Wb., p. 84. * A. Summent, Unbeachtete slavische Lehnworter im Lettischen, Gottingen, 1950, p. 143 (manuscrito), cf. E. Fraenkel, Et. Wb., p. 215. 59
Liet. karbūčius, lat. quando chicote Lituano. karbūčius "tal chicote, açoite' (LKZd., V, 266), karbėčius (LKŽd., V, 267) registrados principalmente Leste No folclore dos lituanos da Prússia, o bem como nos monumentos da língua se lituana de outras regiões desta terra: K. nos escritos L. de Donelaitis, na tradução F. da Bíblia F. de Rėza, nos dicionários de Neselman e Kuršaitis. A. Briückner?2, E. Frenkel2* consideram pol. a fonte destas palavras: karbacz, korbacz (A. Briückner, ir bielorrusso. xap6au). No entanto, tendo em conta o lituano karbūčius, karbūčius geograficamente, especialmente considerando į a circunstância de que em outros dialetos da língua lituana tal denominação do chicote não é encontrada, pode-se supor que os lituanos receberam do alemão, cf. jį iš Prússia Oriental alem. Karbatsch(e) "chicote, chicote de couro feito de tiras trançadas', karbatschen "chicotear com o Karbatsch, açoitar'**, Tal denominação do chicote já é encontrada Nos a. monumentos da língua alemã do século XVII®. Pol. korbacz já registrado Nos a. monumentos da língua polonesa do século XVI. Lá ele é apresenko iš da língua turca, cf. turco. kyrbač. Na verdade, esta palavra į pode ter chegado à língua polaca ir através dos húngaros, cf. húng. korbdcs. Este nome de origem turca para chicote é usado em muitas línguas europeias*- *. Lat. kaibaca ‘eine Art Peitsche, die Karbatsche', mažyb. karbacina (EH, I, 588), karpacina (EH, 1, 589), karbača (EH, I, 602), karpaca (EH, I, 603), cf. t. p. lat. karbacuét ‘mit einer karbača schlagen’. Este nome letão para chicote encontra-se geralmente nas canções folclóricas letãs, nos escritos de Janševskis e em alguns J. dicionários. Pela ir primeira vez, parece encontrar-- se J. Langijo (1685 m.) no manuscrito do dicionário: „Karbatsch'. ein Carbatfch““, J. Langija Vrd., nos 41. dicionários a. da língua letã do século XVIII já se encontra a palavra alemã Karbatsche (G. F. Stender, Lex., II (1789 m.), 349), mas ainda não existe a forma letã desta palavra. Ela aparece apenas nos dicionários da segunda metade do século XIX (de Kr. Valdemars e K. Ulmanis)*?". É bastante difícil dizer por que via este nome de chicote entrou na língua letã. J. Endzelynas observa apenas: „Entlehnt gleich li. karbūčius dass.““** D, Zemzarė o considera um eslavismo.?? Contudo, os letões também poderiam ter obtido esta palavra do alemão. Litu. knūtas, let. knute Litu. knūtas "chicote, azorrague' encontra-se em alguns dos nossos dialetos e nos monumentos linguísticos do século XIX —M. Nos escritos de Valančius e V. Kudirka (LKŽd., VI, 279). Também ocorre a forma kniūtas (LKŽd., VI, 272). Esta designação do chicote entrou na língua lituana a partir do russo ou do polaco. Na maioria das vezes, através do russo (rus. xxym), difundiu-se também pelas outras línguas eslavas: bielorr. kuym, ?2 A. Briickner, Die slavischen Fremdworter im Litauischen, p. 90. ? *2 E. Fraenkel, Et. Wb., p. 220. ? *4 F, Frischbier, Preussisches Worterbuch, I, Berlin, 1882, p. 337, 25 F. Kluge, Et. Wb., p. 351. * A. Brūckner, St. et., p. 256; F. Stawski, Sk et., II, p. 474—475; K. Lokotsch, Et. Wb., p. 102; V. Machek, Et. sl., p. 192—193, * D, Zemzare, Latviešu vardnicas, p. 88 —89. 28 EH, I, p. 588. ?** D, Zemzare, dicionário letão, p. 88. 60
ucraniano. xxym (já usado na primeira metade do século XVII), polonês. knut (encontrado em monumentos dos séculos XVI–XVII), tcheco. knuta, knut, eslovaco. knuta, búlgaro. knym, sérvio-croata. kupma, kuym, esloveno. knuta, knut, alto-alemão. luz. knut, knuta. Para o russo, tal denominação do chicote provavelmente veio da Escandinávia, cf. isl. ant. knūtr "protuberância, caroço, nó’, sueco ant. knuter®. Inicialmente, essa palavra designava um chicote especial com nós. Em geral, esta denominação do chicote é usada em muitas línguas europeias, cf. alem. Knute (desta forma também podem ter derivado algumas formas eslavas já mencionadas), franc. knout, ingl. knout. O lat. knute ‘eine Peitsche' (EH, I, 634), com esse significado, na opinião de J. Endzelīns, foi emprestado do russo. Na língua letã também se encontra a forma knuote ‘Peitsche’; cf. let. uzknūotet "mit einer knuote Schlage verabfolgen' (EH, II, 725). Além do let. knute ‘eine Peitsche- ’, também encontramos as palavras knuta "ein Kniittel’, knutka, knute ‘ein Kniittel zum Schlagen' (EH, I, 637), knute “eine diinne Stange, zur Befestigung des Strohs auf dem Dache gebraucht', knutele, knutina (EM, II, 250), knuta, knute, knutele (EM, 11, 253; EH, I, 637). O let. knuta ‘ein Kniittel', como supõe J. Endzelīns*!, pode ter surgido por abstração da forma diminutiva presumida knutele, que, por sua vez, teria sido emprestada do alemão. Parece-nos que, nos exemplos mencionados da língua letã (knute, knute, knutele, knutele etc.), se confundiram duas palavras, uma das quais tem como fonte o alemão. Kniittel ‘lazda’, e a outra, o rus. xxym ‘botagas’ ou o alemão. Knute ‘botagas’. De qualquer modo, tanto o alemão Tanto Kniittel ‘bastão’ quanto os mencionados nomes do chicote são palavras da mesma raiz, das quais uma tinha o significado de ‘bastão nodoso’ (=Knotenstock), e a outra, como mencionamos, ‘chicote com nós’ (cf. alem. Knottpeitzsche)*- ?. A questão da origem de lit. matūras, let. matara, lit. matdras “instrumento para bater (chicote, corda, vara, bastão)’, mataras, mataras, matarinis, matarys (LK Žd., VII, 907) é muito complexa. Em primeiro lugar, a palavra matdras é usada na língua lituana com vários significados: “dispositivo para torcer cordas, torcer cordões, torcedor, leketas’, “dispositivo para enrolar fios, reketis, krijelis’, “ponta longa de fio, braça’, ‘vara junto à rede’, “tagarela, falador”, ‘quem fala rapidamente’, ‘quem está sempre em movimento; inquieto’, cf. também matarūkas “dispositivo para enrolar fios em meadas; curvador; quem fala rapidamente, em tom de brincadeira; pessoa frívola, que gosta de tagarelar’, matarėlis “vareta para pressionar a palha ao cobrir o telhado’, matardila “quem é muito vivaz, agitador; tagarela, falador’, matarūoti “acenar, gesticular’, mataruoti. O significado primário de matdras lituano provavelmente era "dispositivo para impelir ou girar algo", e está relacionado com o lituano mėsti“*. Da palavra matūras surgiu o verbo matarūoti, e deste último verbo (cf. também os ideofones matardi, mūtar, matary) surgiu também matūras "instrumento de percussão’. % F, Stawski, St. et., II, p. 290—291; M. Vasmer, Et. Wb., I, p. 580—581; A. Briickner, St. et., p. 240; F. Kluge, Et. Wb., p. 385; E. Klein, Et. Dic., I, p. 850. EM, UI, p. 250. 2 F, Kluge, Et. Wb., p. 385. 3 K. Būga, Rinktiniai raštai, I, p. 465; P. Skardžius, Lietuvių kalbos žodžių daryba, p. 302, 489; E. Fraenkel, Et. Wb., p. 414. 61
Uma palavra semelhante é usada na ir língua letã, porém ali é usada num sentido muito mais restrito. Letão matara ‘uma (esbelta) Rute, Gerte; uma fina vara’ (EM, II, EH, 566; I, 784), matars ‘um bastão' (EM, II, matars 566), "pai nobre' (EH, I, 784). Como vemos, na língua letã esta palavra não é usada "com o significado de fazer girar ou enrolar um ar dispositivo', que, em nossa opinião, é o mais antigo e permite relacionar a palavra com o ir verbo meésti. šį su A palavra matar ‘dicker Stock, Kniittel' encontra-- ir se na língua estónia. Por isso, provavelmente, sobretudo esta última circunstância A. Zumentui** deu motivo para afirmar que os letões, assim como os ir estonianos, poderiam ter emprestado tal iš palavra da língua russa, cf. rus. Momop , aAyOuHKa'* (B. ans, Ca, II, Parece-nos que 351). A. a opinião de Zumentas é bastante convincente. Até ir mesmo em lituano mataras No sentido de «estaca, vogal», pode ter iš vindo ocasionalmente da língua russa. Rus. 40mop é usado com ir outros significados, que às vezes lembram o lituano. ir valores de «matūras», cf. rus. smomop «gewandter Mensch» (pessoa hábil), momopa «Verschwender» (esbanjador), MOmopHblii «flink, gewant» (ágil, hábil). M. Vasmer tende a relacionar estas palavras da língua russa com o russo. AMtomarmo "enrolar, dobrar (fios), brandir, sacudir', Memamo "atirar", indicando como paralelo semântico para eles o lituano matdras: lituano mésti®, lituano nagaika, letão naika lituano nagaika "instrumento entrançado de cabo curto para bater; ‘chicote, azorrague’, ndika (Laižuva, Mažeikiai, Palanga, Viekšniai, Veiviržėnai; G. H. F. Nesselmann, Wb., 416, F. Kurschat, Wb., 266), naikas (G. H. F. Nesselmann, Wb., 416), niaika (F. Kurschat, Wb., 266) — palavras de origem eslava. A forma nagdika surgiu da forma russa xazaitika, enquanto a forma ndika, que provavelmente é mais antiga, surgiu do balto-eslavo. xaezatra, cf. lituano paibelis < bielorrusso noeuGenb, lituano bloviėščius < bielorrusso 06aacosewie®. Além das línguas russa e bielorrussa, tal denominação de um instrumento de percussão também ocorre em algumas outras línguas eslavas, cf. ucraniano xaeatl, nHaealika, polaco nahajka, nahaj, checo nahajka. Nas línguas eslavas, esta palavra veio do tártaro, cf. tot. da Crimeia. noyoi "tal denominação de uma tribo tártara’, tártaros do Quirguistão. noyai, que por sua vez derivou do nome de um líder tártaro®,. Lat. paika ‘ein Riemen, eine Rute, eine geschmeidige Rute’ (EH, II, lat. 112), naikas “Priigel’ (EM, II, provavel689) mente derivou da iš língua lituana, como testemunha o lat. geografia de naika (Dunika, Nyca). J. Endzelins lat. naikas (a geografia da palavra não foi indicada) tendia a derivar (com?) derivar iš do baltr. xaeatika. Contudo ir ši a forma pode ter sido emprestada iš da língua lituana; naturalmente, sem conhecer precisamente a geografia da palavra, não se pode afirmá-lo categoricamente. Que o lituano ndika, ndikas era usado ne apenas no sentido de "instrumento de golpear com cabo curto", testemunharia F. a explicação do significado de Neselman lituano naikas: „uma chibata cigana, uma curta chibata para castigar, também a Chicote de montaria, im também usado em tom de brincadeira para designar uma vara resistente de salgueiro, com a qual se Ameaçar zu bater em alguém“ (G. H. F. Nesselmann, Wb., 416). *1 E. Fraenkel, Et. Wb., p. 414. #% M. Vasmer, Et. Wb., II, p. 165. % E, Fraenkel, Et. Wb., p. 478. * K. Būga, Rinktiniai raštai, I, p. 348-349; P. Skardžius, Die slavische Lehnwėrter im altlitauischen, p. 137; E. Fraenkel, Et. Wb., p. 478. ** M. Vasmer, Et. Wb., II, p. 192; A. Briickner, SI. et., p. 353—354; V. Machek, Et sk, p. 317. 62
Com lat. naikas, talvez também se devesse relacionar o lat. naiceklis ‘das minnliche Geschlechtsglied’ (EH, I, 2); quanto à semântica, cf. lat. stute ‘eine Rute zum Priigeln’: lat. stute ‘das minnliche Glied' (EH, I, 596), pol. pyta "trumpas botagas’: pol. pyta ‘pênis’ (J. Karłowicz, Si, IV, 460). Liet. pastardinka, lat. pastrunkis. Liet. pastardnka "iš keleto virvučių supintas storas botagas’ (Gudeliai) tem como fonte as línguas eslavas. Na língua lituana, esta palavra é usada amplamente com outros significados: "virvė, jungianti pavalkus su branktu, virZis’ (Bagotoji, Krekenava, Kruonis, Pabaiskas, Pušalotas, Skaudvilė, Ukmergė, Upninkai), "virvutė, su kuria botagas pririšamas prie botkočio' (Užventis). Também ocorre a forma pastrangas (G. H. F. Nesselmann, Wb., 506 (Ragnit) ‘eine Peitschenschnur', F. Kurschat, Wb., 297), pastrdnka (Švenčionys). A forma com -gatsirasti pode ter sido influenciada pelo lituano straiigas < alemão. Strang ‘a corda, um feixe’. Este eslavismo pode ter entrado na língua lituana por duas vias: a fonte das formas pastrdngas, pastranka é provavelmente o polaco. postronek, e a da forma pastardnka — o russo. NOCMOPOHKA ‘PeMeHHasi HJIH BODpBSAHAS INpHCTAXKb, B KOHCKOK YVNpsSxH: HJET OT BaJbKa HJIKH OT BarH K TFY2XKY, B OrJIOOeJibHOK YVNps>KH TOJIbKO V TMpHCTSXKHEIX, a B JbMmIJIOBOA y Beex Jgomaneii’ (B. Ilans, Ca., III, 346). De modo geral, nas línguas eslavas esta palavra é bastante difundida, cf. russo nocmpoMKa, nocmporKa, ucraniano. noCMOPOHOK, nocmopoMoK, bielorrusso. nocmpoxKa, nocmpoHoK, checo. postranek, postranék, pol. postronek, alt. luž. postronk, žem. luž. postronk, kaš. poestronk. Quanto à origem da palavra eslava, existem muitas opiniões diferentes. Contudo, a explicação mais aceitável é que o significado original desta Palavra teria sido "an der Seite’ (= *po stornė)*?, Lat. pastrunkis ‘eine Peitsche, mit der an einigen Orten die Bauern gestraft werden; uma punição nas nádegas com o chicote; ein halberwachsener Knabe' encontra-- se nos dicionários de G. F. Stender (1789) e K. Ulmanis (1872) (EM, III, 109). | J. Endzelīns não expressou sua opinião sobre a origem do letão pastrunkis, limitando-se a indicar a opinião de A. Brückner (Nach Briickner... aus wruss. nocmporoks ‘Strang’, EM, III, 109). É verdade que A. Brückner, após indicar a forma bielorrussa, aponta também as formas das palavras das línguas russa e polonesa- **, portanto, pode-se entender que, em sua opinião, tal palavra poderia ter entrado no letão tanto do bielorrusso quanto do russo e do polonês. Contudo, parece-nos que, por causa de -un na palavra letã, pode-se supor que os letões tomaram essa palavra emprestada dos lituanos orientais, onde an> un. Lituan. pitka, let. pitka Lituan. pitka "um chicote curto, um azorrague* (Kalvarija, Kapsukas, Karklėnai, Kupiškis, Punskas) é um empréstimo do polonês, cf. pol. pytka, pyta ‘powrdz, rzemien, szmata skręcone na ksztalt sznura, jako narzędzie do bicia; ogėlniej: chicote, correia, corda. * K. Alminauskis, Die Germanismen des Litauischen, p. 120. 40 M. Vasmer, Et. Wb., II, p. 416—417; A. Briickner, Si et., p. 432. A. Briickner, Die slavischen Fremdwėorter im Litauischen, p. 179.
Lat. atvitene ‘uma corda de chicote entrançada para trás; eine chicote cossaco’ (EH, I, 181), cf. lat. atvit ‘desembaraçar, separar’. Lat. baice ‘um chicote curto e grosso Peitsche’, baicene (EM, 1, 249), J. Na opinião de Endzelin, provavelmente reelaborado do alemão Peitsche (provavelmente uma transformação de d. Chicote). Quanto à relação do início bir pda palavra, cf. lat. brusaks ‘der Prussak’, lat. bakskis: lat. paks(k)is, lat. bico, lat. : bico, lat. bires, lat. : bires, lat. blakts, lituano blake, lat. : plakts ir etc. ** Alemão Por sua vez, peitsche é um empréstiš imo do eslavo (já encontrado em a. monumentos da língua alemã do século XIV)*!. Lat. bembele ‘eine Peitsche, namentlich die Peitsche der Zigeuner' (EM, I, 278), bėmbele “ein Kniittel (zum Schlagen)' (EH, I, 212), cf. lat. bėmbelis “ein palavra insultuosa (em relação a pessoas (de crianças pequenas, feias e barrigudas), animais (de bezerros barrigudos e cavalos) e árvores deformadas’, bembere ‘uma menina de baixa estatura', bemberis “uma árvore nodosa; uma árvore torta, malformada Birke“, cf. t. p. lit. bimbilas. Lat. biktala ‘die Zigeunerpeitsche' (EM, I, 295), biktinš ‘Priigel’, nūobiktalat ‘durchpriigeln’ podem ser palavras de origem onomatopaica, cf. lat. bika, biku *Interj., um designando empurrar, bater', bikat kajas ‘bater com os pés no chão’ (EH, I, 218). Lat. cūcine ‘uma chicote para apascentar porcos’ (EH, I, 280), cf. lat. porco ‘das Schwein’. Lat. cuficurs ‘uma zu curta chicote’ (EM, I, 421), cf. lat. éuncurs ‘algo emaranhado, desgrenhado, Kniuel, der o torrão; alguém que costuma vestir-se muito agasalhadamente- ’, cuncuris ‘aquele a quem o trabalho não corre bem’, čunčuriski ‘curvado’- .? }]}ોકXitsonga?, 0.2; nos Lat. derfa ‘uma curta chibata, cujo cabo é feito de uma pata de cabra ou de lebre. Colocar; uma grande Peitsche, uma Zigeunerpeitsche’ (EM, I, 458), J. Na opinião de Endzelynas (su?), que iš originalmente significava um chicote de couro, cf. lit. diržas. Lat. dimba "Oschsenziemer' (EM, I, 467) provavelmente deveria su ser relacionado ao lat. timba ‘etwas langsam machen’ (nu timba, timba! diz-se de algo um preguiçoso e fraco incitar um cavalo); com suportar esforço’, timba ‘um tecido mais espesso do que o habitual’. Lat. diūkene ‘uma chicote de equitação feito de um ‘nervo de boi’, dipkavnica, dinkenice ‘ein tendão de boi; uma chibata de montaria feita de um tendão de boi’ (EH, I, 321), cf. lat. difikis ‘das minnliche órgão reprodutor (especialmente de um boi)’ vid. < vok. Zem. dink ‘pênis’. Lat. dratka ‘uma chibata; a censura’ (EM, I, 491) provavelmente deveria su ser associado ao lat. drate “der Draht’ < médio-alto-alemão alemão baixo-alemão drat, cf. lat. raspar “repreender’, bater “golpear, espancar’, bater “a “a censura=bdriens’ (EH, I, 331), cf. t. p. lituano de arame. Lat. duftene ‘um chicote de montar grosso e afiado; um espancamento’ (EM, I, 520): lat. duft ‘picar, espetar’, lituano picar. Lat. impulsionados “algo com que se conduz, uma vara, uma Peitsche u. a. (EM, I, 544): lat. dzit ‘conduzir, caçar’. 60 J. Endzelins, Latviešu valodas gramatika, p. 251-252; V. Kiparsky, Scando-slavica, 14, p. 713-97. 61 F, Kluge, Et. Wb., p. 537. 70
Lat. dZala “" (para o cigano significa džala BW. 33554, 6, EH, I, 365) provavelmente < lat. džaridžala. Lat. dZafidZala ‘o chicote cigano', džandala (EM, I, 563), džandželite (EH, I, 365), džendžala (EM, I, 563), džendžele (EH, 1, 365), džiūdžala (EM, I, 564; EH, I, 365), džindžauska (EM, I, 564), džiūdža ‘uma vara de salgueiro vergasta de bétula ou um chicote’ (EH, 1, 365), cf. também džandžalūt ‘bater’, džafidžalėt, džendžalat, džindželėt, džindžuot, džindžalūt, džindžalėt, džindžinat ‘brandir o chicote’, džindžalnieks ‘um cigano'. Palavras provavelmente de origem onomatopaica, džiūdžulis “um sino ruim sino; uma Taschenuhr’, cf. t. p. lituano. dZendZiéras. Lat. elvete ‘um chicote de pastor, vara para açoitar’ (EM, I, 569), plg. lituano. elvjitos ‘vara de baloiço de bétula', alvyta "vimeira torcida (salgueiro)’, letão elvede “ein junger, armdicker Tannenbaum, dessen diinnes Ende, in eine klūga verwandelt, zum Befestigen der Flosser am Ufer dient’, talvez, pr. ir aloade ‘Haspe=Tiirband, mittels dessen die Tūr in die Angeln gehūngt wird’ (Elbingo Zodynélio 541 Zodis)®2. Lat. ganeklis ‘die Hirtenrute’ (EM, I, 599), ganenica (EM, 1, 600) : lat. gans ‘o pastor’, ganit ‘guardar, pastorear’. Lat. grifidZa “eine Zigeunerpeitsche’ (EH, I, 406) poderia às vezes surgir, por dissimilação, do lat. dZifidza. Lat. culpada "a espessa, de couro ‘knute cossaco’ (EM, II, 145) : lat. frio “forjar; golpear; herrar’. Lat. kaūka ‘un látigo gitano’ 173): (EM, II, latálise de caso invalid? ‘heulen’, cf. t. p. lat. kaiika “das Geheul, der Sturmwind; der Schreihals, der Uivante, um Pessoa chorosa’. Lat. kazūcene ‘o chicote cossaco’ (EM, II, 183): lat. kazdks ‘o cossaco’. Lat. licene “o chicote’ (EM, II, 476) — J. Endzelynas relaciona su lat. ficar ‘curvar-- se, ficar torto, afundar, dobrar’. Lat. liétene ‘uma curta chicote’ (EM, II, 507) — J. Endzelynas associa duvidosamesu nte com lat. liėt “giessen; hauen, schlagen’. A associação é muito confiável, cf. liét kam par galvu; liét kam riksti pakaJu ar pa (EH, I, 757). Lat. luiite “die Peitsche’, lūntaga (EM, II, 514) — empréstiš imo da língua alemã, cf. alem. die Lunte ‘pavio, mecha; cauda (na linguagem dos caçadores)’. A forma lintaga provavelmente surgiu segundo a forma pataga. Lat. luotęga “eine Chicote; uma vara, um bastão, uma grande vara’ (EH, I, 768), com uma vara “a Rute, algo para Bater (uma Corda, um Chicote)’ (EM, II, EH, 528-9, I, 768), liitaga (?) ‘um flexível, maleável Rute’ (EM, II, 520) : lat. /uotat ‘bater’. Pode aqui às vezes ser de certa ir maneira ,,sulatvintos* lat. /antaga formas. Lat. miseklis ‘uma chibata de cigano’ (EH, I, 818), talvez devesse ser associasu do ao letão mizeklis ‘die uretra’, mizeknis ‘o órgão sexual masculino órgão genital (de garanhões, touros, bodes)’, mislis ‘o órgão sexual masculino órgão, especificamente dos cavalos’, cf. lit. myžėklis. Iš do outro lado, é possível lat. miseklis relacionsu ar lat. mizuét ‘hauen, schlagen, priigeln’, cujo significado principal é ‘abrinden, abschiilen’ (cf. lat. misuot (?) =mizudt). Sobre o letão mizuét, cf. a mudança de significado lituano ** K. Būga, Rinktiniai raštai, III, p. 429; E. Fraenkel, Et. Wb., p. 120—121; J. Endzelins, a língua prussiana antiga, p. 140. J. Sehwers, Sprachlich - kulturhistorische Investigações, p. 74. 71
descamar "tirar a casca, a casca, o invólucro'—>*bater, dar uma į pele’. Contudo, a primeira explicação parece ser mais possível. Lat. peizere ‘die Chicote’ (EM, III, EH, 193; I, 219), cf. lat. pėizėt ‘desperdiçar’, peizét ‘zombar, prejudicar materialmente’, peiza ‘cerveja fina Bier’, peizeris ‘um leviano, tolo homem’, peizums ‘aquele que faz barulho, faz Radau’. Lat. pempe ‘um curto chicote’ (EM, III, cf. 199), lat. pênis ‘a curta cauda dos porcos, cauda curta de cavalos’, pempele ‘uma pequena e gorda menina; ein Mensch von untersetztem Kérperbau' (EH, II, pempis 222), “der Bauch, ein dicker Mensch’, pimpis ‘minnliches Glied’. Em seguida, estas palavras su devem ser relacionadas com o lat. pempt, pampt, lie. pampti. Lat. picka ‘cine Peitsche; uma vara flexível Rute’, picka (EM, III, 230) — nos antigos monumentos da língua letã (G. nos G. escritos de J. Mancelis, Elgeris e o Langius), encontra-- ir se com bastante frequência nos dialetos a palavra. Jo fonte alem. baixo pietske "Peitsche'**. Iš alemão. baixo-alemão. pietske kilo est. ir piitsk. Lat. pikene "ein Instrument zum Schlagen; eine kurze (geteerte) Peitsche’ (EM, III, pastaroji 214), reikšmė rodytų, jog pikene pradžių iš reiškęs derva iStepta (,,pikiuota®, lat. pique, lituano pique, estoniano pikk etc. < alemão baixo-alemão pik) chicote, cf. t. p. latim pikenėt ‘mit der Peitsche schlagen’. Lat. pipa “die Peitsche’ (EM, III, pipka 221), ‘die Chicote; um tecido torcido, para que se possa bater’ (EM, III, provavel222) mente relacionasu dos ao lat. pipis ‘o canto, a ponta de um sacos de cereais; o órgão mūnnliche Glied’, pipinš ‘uma designação diminutiva do órgão minnlichen Gliedes*, pipaste ‘uma vaca com curto Schwanz’, cf. t. p. lat. pipat “to whip’, lat. pipka ‘a drinker, drunkard’. Lat. chicote ‘um chicote de couro plano’, plenica, plenice (EM, III, pleni336), ča ‘com um chicote atravessado em tempos de escravidão’ (EH, II, 291) < rus. niexuya ‘NJETEHHIE : rus. naecmu (B. Hans, Ca., III, Lat. 123). ringuotne ‘eine Art Peitsche mit kurzen Stiel’ (EM, III, cf. 528), lat. rifigalts ‘der Sattel-, Rinngurt’, ringuts < vok. Rinngurt®s, Lat. sipsna ‘eine starke vara, também — uma correia para açoitar (=correia)’ (EM, III, 842) K. Būga relacionsu ava o lituano šipulys, $ipti®®, J. Endzelynas tendia a relacionar o sânscrito su šiphū "dūnne Wurzel, Rute’ arba s$ėpah ‘pênis’. Parece-nos que, considerando como significado da palavra sipsna ‘ein Riemen zum Priigeln’, seria possível jį explicar a origem iš de siksna (= lituano šikšna). Lat. sislis ‘um bastão, em geral um instrumento para bater’ (EM, III, lat. sist 849): ‘bater’. Letão. sitamais ‘algo com que se bate, um cacete’ (EM, III, 849, 850): lat. sist “bater’. Lat. skabene ‘aquilo que serve para bater = sitamais’ (EM, III, 863). J. Endzelīns tende a relacioná-lo com o lat. skabit ‘cortar fora a ponta, (de)cep ar’, cf. lat. atskabene ‘um espanador de casa de banho já gasto’ (EM, I, 191). Lat. striipene ‘uma vara de pastor’, strūpene (EM, III, 1098). J. Endzelīns tende a relacioná-lo com o lat. strupj§ ‘curto, truncado, curto de rédeas’. 4“ J. Sehwers, Sprachlich-kulturhistorische Untersuchungen, p. 89. % Ibid., p. 101. % K. Būga, Rinktiniai raštai, I, p. 600, II, p. 316, 618. 72
Lat. škęste ‘uma vara (longa); uma vara de pastor (com ramos delgados- ); uma vara de telhado de palha’ (EM, IV, 29) tenta-se relacionar com o lit. sketera "dorso de animal, corcova; pelos da corcova’, rus. wemuna ‘pelos’%. Lat. kina ‘uma vara, uma vara de pastor, uma haste fina e longa, uma vara de pesca, uma vara para telhado de palha’, skinaga ‘uma vara de pastor, uma vara longa para fazer vassouras ou entrançar cestos, uma vara de pesca’ (EM, IV, 41; EH, II, 636) J. Endzelynas relaciona isso ao lat. Skít ‘desfolhar, descascar, arrancar’. Lat. šmikšenica ‘uma vara ou. Chicote’ (EH, II, 649): lat. §mikstét “estalar, bater, estalar com a língua, assobiar’ (plg. braucuot pataga pa gaisu (gar ausim) vien Smiksteja), šmikšėt. Lat. $vaka ‘uma vara, um bastão flexível para bater’ (EM, IV, 113) — provavelmente de origem onomatopaica, cf. lat. ledus saka: brika braka; zuobenini $vika Svaka (BW. 31971 var., EM, IV, 113). Lat. vebikis ‘sitamais’ (EM, IV, 514), plg. lat. vebe “uma fita com a largura de um dedo, tecida de cordões’. Lat. vembele “uma vara; uma vara grossa; uma vara curta e grossa para bater; uma vara de pastor’, vembelis (EM, IV, 536), vembele ‘um cacete curto’ (EH, II, 770) — empréstimo das línguas fino-bálticas, cf. est. vemmal (gen. vemble) “bastão, cacete’, fin. vempele- ®s, Lat. zeliga ‘uma clava; “Peitsche mit einem eisernen Kolben” (EM, IV, 704) provavelmente deveria ser relacionada ao letão zelét ‘kauen, priigeln’. Letão zipsna (também escrito com -b-) ‘eine starke Rute; der Riemen, ein lederner Giirtel=siksna’ (EM, IV, 725), cf. também o letão zipat “schlagen’, zipene ‘cine Rute’, zipsnat cschlagen’. Talvez zipsna letão devesse ser derivado de sipsna letão, e este último relacionado a siksna letão. Letão Zebenica ‘eine lange Hirtenrute’ (EM, IV, 799), cf. letão Zebeklis ‘um pedaço de madeira nodoso, um bastão nodoso’, Zabeklis “o bastãozinho ou die Dornen, womit man einem jungen Tier das Maul so umzédunt, dass es nicht saugen kann’, que posteriormente devem ser relacionados ao lituano Zabas, Zaboti®®. ; Um nome de instrumento de percussão também encontramos nos monumentos da língua prussiana — trata-se da palavra 315 do vocabulário de Elbląg —Brusgis Geysel. Esta palavra está escrita depois dos nomes da corda e provavelmente significa ‘chicote- ’. A origem de pr. brusgis é bastante incerta; provavelmente, como fazem R. TrautmanasTM e J. EndzelynasTM, deveria ser relacionada com o lituano briizgai "arbustos densos e baixos', briizgas "vara seca, vergôntea, galho', bruzgėtas "pau, galho’, brūzgulys "pau; laço com uma haste para apertar o focinho do porco; pau para amarrar feixes de palha' e outros. Consequentemente, o significado primário de pr. brusgis seria ‘vara’; quanto à semântica, compare o alemão die Geissel "chicote- ': antigo escandinavo geisli "vara'*?. 8 K. Būga, Rinktiniai raštai, I, p. 599, II, 315, 617; E. Fraenkel, Et. Wb., p. 803—804; M. Vasmer, Et. Wb., III, p. 450—451. 68 V. Thomsen, Berdringer mellem de finske og de baltiske (litauisk-- lettiske) Sprog, p. 286. 4 E. Fraenkel, Et. Wb., p. 1282—1283, "? R. Trautmann, Os monumentos linguísticos da antiga Prússia, p. 314. "1 J. Endzelins, Senprūšu valoda, p. 154. 72 F., Kluge, Et. Wb., p. 242. 73
* * * Como vemos, nas línguas bálticas (lituana e ir letã) existem muitos nomes de instrumentos para ir conduzir e açoitar animais, usados em ar sentido mais restrito ou mais amplo. Uma grande parte desses į nomes chegou às línguas iš bálticas a partir das línguas eslavas (lituano botagas, letão pataga, lituano bizūnas, letão chicote, lituano chicote, letão chicote, lituano chicote, letão chicote, lituano chicote, letão chicote, lituano chicote, letão carvalho, lituano pitka, letão pitka, lituano pletnia, letão pletne, lituano barbora, lituano kiestenius, lituano rūpnykas, letão palha). Į para a língua letã, um ou outro eslavismo desse tipo pode ter penetrair do através da língua lituana. Entre as denominações letãs dos instrumentos de bater, ir encontramiš os empréstimos da língua alemã (lat. baice, lunte, picka, ringuotne). Na língua lituana, eles quase não ocorrem (lit. šmikis). Nas línguas bálticas, há um número considerável de denominações de instrumentos de bater de origem onomatopaica (lit. bimbilas, lit. bindza, lit. bričius, lit. džendžioras, lit. dZiungaras, lat. biktala, lat. daridala, lat. džandžala, lat. šmikšenica, lat. švaka). Relação semântica estreita entre o instrumento de bater e as denominações de membrum virile. Parte dos nomes de instrumentos de percussão é usada com o significado de ‘homem imprestável, leviano, vagabundo’. ABREVIATURAS I APh -— Archivum Philologicum, I— VIII, Kaunas, B —Lexikon 1930—1939. Germanico-- Lithvanicum et Lithvanico-- Germanicum, darinnen... von Jacobo Brodowskij (manuscrito do início do século XVIII, dois volumes). BB — Beitrūge zur Conhecimento das línguas indo-europeias, editado por A. Bezzenberger, XXX, I— Gottingen, 1877 — 1906. E. Berneker, Et. Wb. —Dicionário etimológico eslavo, Heidelberg, 1908—1913. BrB —Bíblia, isto é, Toda a Sagrada Escritura traduzida para o lituano por Jonas Bretkūnas, pastor lituano em Königsberg (manuscrito de 1590). BrP —Postilla, isto é, Breve e Simples Explicação dos Evangelhos... Por Jonas Bretkūnas... em Königsberg... 1591. A. Brückner, SL et. — Dicionário etimológico da língua polonesa, Cracóvia, 1927. Bt. —S. Bythner, Novo Testamento... em Königsberg, Ano MDCCI. C. D. Buck, Dic. —Um Dicionário de Sinônimos Selecionados nas Principais Línguas Indo-Europeias, Chicago, 1949. G —Clavis Germanico-Lithuana, manuscrito escrito entre 1673—1701. Ch —S. B. Chilinski, Biblie su didžiu dabojimu perguldita Lietuwos žmonems..., impressa em Londres em 1660. Ch! —Bíblia lituana de Chylinski. Novo Testamento. Tom II —Texto, Poznan, 1958. B. lane, Cn. —Dicionário do russo antigo da Grande Rússia, I—IV, Moscou, 1955. B. lo6posoabckuii, Cn. —Dicionário da língua eslava eclesiástica, Smolensk, 1914. DP —Postilla Catholicka... Por Ktiniga Mikaloiv Davksza.- .. em Vilnius... 1599. EH —J. Endzelins e E. Hauzenberga, Suplementos e correções ao dicionário da língua letã de K. Miilenbach, I—1II, Riga, 1934 —1946. EM —K. Dicionário da língua letã de Miilenbach, editado, ampliado e continuado por J. Endzelins, I-IV, Riga, 1923-1932. E. Fraenkel, Et. Wb. —Dicionário etimológico lituano, Heidelberg—Gotin1955 — 1966. ga, vol. I. Tpunuuenxro, Ci. —Dicionário da língua ucraniana, I—IV, Kiev, 1907—1909. J. Karłowicz, St. — Dicionário dos dialetos poloneses, I—VI, Cracóvia, 1900-1911. J. Karłowicz, A. Kryński e W. Niedźwiedzki, St. — Dicionário da língua polonesa, I—VIII, Varsóvia, 1900-1927. 74
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est. —estoniano fr. —francês germ. —germânico rus. —russo gót. —gótico ant. —antigo gr. —grego sérv. —sérvio hit. —hitita sérvio-croata —sérvio-croata indo-europeu —escandinavo indo-europeu —islandês escandinavo —sânscrito islandês —espanhol sânscrito —eslavo espanhol —careliano eslavo —esloveno careliano —caxemira esloveno —caxúbio eslovaco —eslovaco letão —letão finlandês —finlandês polaco —polaco e dial. —dialetal lituano —lituano tártaro —tártaro livónio —livónio ucraniano —ucraniano lat. —latim vepes —do vepsiano setentrional. —do lituano médio. —do alemão médio. —do novo-alemão. —do alemão persa. —da terra persa. —do žemaitiano prussiano. —Prussianos. H3 UCTOPUH TEPMHHOJIOTHH)XKHBOTHOBOJĮCTBA B BAJITHACKHMX SI3bIKAX A. CABAJIIYCKAC Pestome Haspanusa craja. B GaaTHiicKHX s3biKax, 0COOGHHO B JIATOBCKOM, CYIIECTBYET OYEHb MHOTO Ha3BaHHH craja: JHTOBCKHe —banda, kaimené, guotas, kéltuva, pékus, gyvuliai, gyvis, goniava, gona, gardas, stodas, armué, gaibjé, pulkas, tabiinas, nateiuckue —luopi, bars, ganeklis, pulis x pp. Uame Bcero 310 crapbie cJioBa 6GaJTHIICKOTO NPOHCXOXK ICHHS. O interesse apresentado é lituano. banda, KoTopoe B roBopax JHTOBCKOTO $3bIKa H B MHCbMEHHBIX NMaMATHHKAX VIIOTpeGJISIeTCA B cJeyIOIHX 3HAUeHHAX: ‘cTano’, "x JIeGa (Takke J€H), nocesiHHble Js CeGsi 6GaTpakoM, CBIHOM HJIH MJIAJŲNHM GpaToM KpecTbsiHHHA®, “3eMJIS, re nocesina banda’, ‘Hatypanbnasi npu6aBKa K JKaJoBaHblo GaTpaka’, ‘HaTypaJibHOE JKaJIOBAHLE Garpaka’, ‘noJb3a, HMyIIECTBO, JOCTOsiIHHE, COGCTBEHHOCTh, JieHbTH', ‘Oyxanka’. Lituano. A palavra banda com toda probabilidade significava “animal”, e a partir desse significado desenvolveram-se gradualmente outros significados mais novos. Lituano. banda codificada em documentos escritos não em língua lituana, mas segundo a pronúncia dos monumentos escritos da língua lituana. Em diferentes significados, esta palavra passou ao latim, bem como às línguas eslavas. Nas línguas eslavas, esta palavra também ocorre com significados desconhecidos para a língua lituana; assim, por exemplo, nos dialetos das línguas bielorrussa e ucraniana, a palavra banda é usada no sentido de “vaca destinada a ser oferecida como dote à noiva”. Alguns topônimos e antropônimos do antigo russo parecem testemunhar que também no russo antigo existiu outrora uma palavra correspondente ao lituano banda. Lituano. Muitos pesquisadores relacionam banda à raiz indo-europeia *bhendh- “amarrar” .”}]} Tanto os topônimos quanto os antropônimos do antigo russo parecem testemunhar que também no russo antigo existiu outrora uma palavra correspondente ao lituano banda. Lituano. A expressão «cemantHueckasi cropona sToil STHMOJIOTHH BbI3bIBAET HEKOTOPbIE COMHEHHS» suscita algumas dúvidas. JlaroBer. kaimené "crano"' ciiejlyer CBA3bIBaTh C JHTOBCK. kdimas ‘ceno, nepesusi’. É interessante observar que até a geografia dessas palavras coincide, em seus traços gerais. É muito difícil determinar de onde se origina; é lituana. griotas "crajio". Kak ¢ JinTOBCK. gauja "Gauja, maiika, copa’, gévéda ‘c6poji, TOANA’, TAK H C H.-e. *gUou-‘CKOTHHA; CKOT® ETO CBA3bL OYeHb THMOTETHYeCKas. JlutoBck. kéltuva ‘ckoTHHa; CKOT’ B BOCTOUHBIX TOBOpaX JHTOBCKOTO fi3blKa ynoTpebasercs H B 3HauenHH ‘crano’. Tak ynorpebasijock OHO H B JipeBHeli NucbMeHHoCTH. Jintosck. kéltuva: JniuTOBCK. kėlti ‘noanamars’. 76
JluroBek. pėkus nepBonauaJibuo TOXKe o3HauaJio “CkoTHHA; CKOT®, HO B JipeBHelt NHCbMEHHOCTH, a HHOTJIa H B TOBOpPAX, JIaHHOE CJIOBO YrioTpeG/IseTCSA H B 3HaueHHH ‘cTalo’. OcoGriit HHTepec npe/tcTaBJISeT TOT (akT, UTO JHTOBCK. animais ‘ckor, crano’ ofpasyer JOBOJILHO KOMINAKTHbIH apean C Gesopycck. wewéara, noasck. zywiola. He HeckJiioueHa BO3MOXHOCTb, YTO GeNOPYCCK. HUBEAQ B TAKOM 3HaueHHH BO3HHKJIO MOJ BJHSHHEM JHTOBCK. animais. B Apesned MACbMEHHOCTH, a TaKXKe B JIHTOBCKHX OCTpOBAX Ha GeJiOpyCcCKOH TEppPHTOPHH B 3HaueHHH ‘cTajio’ ynorpeGasiercst c/oBo gyvis. O6a 9TH HA3BAHHS CTAJIa HEOTJEJIH MEI OT H.-e. *gui- (JIHKTOBCK. gy-, chaas. ži-). JluroBex. goniava ‘guindaste’, gona : MMTOBCK. ginti "TuaTb". JInToBCK. gaidas B 3nauenuu ‘cTazo’ ynoTpeGJiseTCHA TOJIbKO B JipeBHeili MHChMEHHOCTH. IlepBoHauaJibHoe 3HaueHHe sTOTO CJIoBa — ‘3aropojika, OropoxeHHoe Mec1o; croftJio". Us Jiankoro 3Ha4UeHHS1 BO3HHKJIO H 3HaueHHe ‘cTajo’. Jlutosck. stodas, batalhão, regimento (narsunex. regimento) SBASIOTCS 3aHMCTBOBAHHSAMH H3 CJIABSIHCKHX SI3bIKOB. JluroBer. armuo crane’ saįukcnpoBano TOJibKO B nepeBojie GHOJHH, cJieJiannoM A. BapaHaycKacOM, rie OHO BO3HHK/IO TOJ| BJHSIHHEM JIATHHCK. armentum "KkpyMnbili CKOT; cTajo, TaGyn’. JIaToBCK. gaibjé BnepBbie 3aHKCHPOBAEO B OJIHOM pykonucbHomM caosape XVII Beka. Orry aa OHO MoNaJio B pyKONHCbHbIK caoBapt 51. BpojioBeroro, a orciojia — B caosaps O. Hecceasmanna. Ho cTpyKTypa JiakKoro CJI0BA YKa3kIBaeT Ha TO, UTO OHO HE SBJAAETCH JlocTOBepHBIM (haKTOM JIHTOBCKOTO S13bIKA. Jlarsnucx. ludpi ‘crano’: Jrarbnuek. [ups ‘ckotnua, xusotHoe® (cp. anbanck. lopé ‘kopoBa’). Jlatbiuck. barras ‘crano, TaGys, copa’: JiaTbimeK. bért "cChinaTb', AMTOBCK. befti, MATOBCK. baras ‘yuactok, mnoJsoca’. Jlateiuick. ganeklis ‘ctano’: aatbinck. pastorear ‘nacti’, JHTOBCK. pastorear. Jlarsimick. polir B 3nauennun ‘cTaflo’ BO3HHK/JIO M3 3HAUCHUS ‘Kyua, MHOXKECTBO, ToJna’. Boo6mee B GanTHiiCKHX HA3BaHHSX CTaja JIOBOJALHO YACTO BCTPEUAETCS pasBHTHE 3HAYEHHII: ‘MHOXKeCTBO, TOJINa'->"cTaji0", “JKHBOTHOE; CKOT'—‘cTano’. Haspauns nacrtyxos. B JMTOBCKOM S3bIKE COXpaHHJIOCH NpeBHee H.-e. Ha3BaHHe MacTyXa — piemué (: Ap.-rped. wowwdv u 1p. ). Ilannoe Haseamme nactyxa no Beeil BEpOSITHOCTH ynorpe6JISJiocb Take B JPEBHENPYCCKOM H B JATHIICKOM Si35IKAX. BaaTuiickoe Ha3BaHne macTyXa NpOHHKJIO B NIpHGAaJITHIŪCKO-OHHCKHE S3bIKH, cp. OHucK. paimen "nacrTyx" H ap. B JHTOBCKOM H JaTHIICKOM SI3BIKAX VNnOTpeOJISIIOTCA Ha3BaHHS NacTyxa, MPOHCXOs He OT JIHTOBCK. pastar ‘nacTu’, NaTbLILICK. ganit. Jlanee sth CJIoBa HAO CBA3aTh C JIHTOBCK. giiiti ‘rHaTh’, JIaThINICK. dzit, PYCCK. 2Hamb K Ip. B JinTOBCKOM Si3bIKE HAXOJIHM IeJIbiė psiį HA3BAHMII, TIpOHCXOJISNIHX OT COOTBETCTB VIOUHX Ha3BaHHH JOMALIHEX XKHBOTHBIX, cp. arklinifikas ‘konenac’: autoBck. cavalo ‘nowans’, aviniikas ‘oBuap’: LITUANO. ovelha ‘oBua’, jdutininkas ‘nactyx ObIKOB’: JIHTOBCK. jdutis “Obik, Boa’, karvisius "nacryx Kopow’, kdrvininkas : IuToBCK. karvė *kopoBa’ H Jp. JlaToBCK. avéidrius “oBuap’ < moJAbCK. owczarz. Jlatpunck. šėperis ‘oBuap’ < mewmeux. Schifer. B JiKTOBCKOM S13bIKE HAXOJIKHM HECKOJIBKO HasBaumii cTapmuero mactyxa. Yame scero ynoTpe6ASIOTCA HasBanus kerdžius nm. skeFdZius (C 06aBOUHBIM §, CP. JNTOBCK. andorinha ‘nactouxa’: andorinha, crista ‘weiinbiii rpeGenn’: sketera nm np. ). Ilamnoe Ha3BaHHe CTaplIero rnacryxa mmeer HaJIEXKHYIO STHMOJIOTHIO: OHO CBSI3HIBAETCH C H.-e. *kerdho- * uepenb, CTO; crano’. B apesneNA LÍNGUA RUSSA PRESERVOU-SE PALAVRA STOTO KOpHS kérdan (BuHuT. m. el. 4.) ‘Bpems’. B JipeBHocTH JIAHHOE CJIOBO B 3HaueHHH ‘Ouepeib, CJIOl' NI0-BHAHMOMY YTOTPeGASIOCh BO BCeX GaJITHŪCKHX s3biKax. O6 stom cBH/leTeJiLCTBYeT DHHCK. certa ‘coil, naacr: pas, OIHAXK IB’, NO3aHMCTBOBAH - Hoe H3 GaJITHHCKHX A3LIKOB. JIATOBCK. keFdzius, skedžius NOBOMBLHO uacTO BCTpeyaeTcs B PYCCKHX, GeJIopy CCKHX, MOJLCKHX AOKYMeHTaX, OTHOCAIMHXCA K JInTse. ITo cBoeit cemanTnke OUeHb GJH3KO K JMTOBCKOMY keFdZius, skeFdZius cTOHT H JIHTOBCK. diurno ‘crapmmit nactyx’ (: JmTOBeK. dia "nens'). Jlanuoe Ha3Banne ynorpeGasiercs JIHUIL B HeGoJibiuIoM paiioHe BOCTOUHO-JIHTOBCKHX TOBOPOB. 77
JlutoBek. viršininkas ‘crapumii nactyx’: Jin TOBeK. viršūs ‘sepx’. B kKonue XIX Beka Jin ToBcknii s3bLikoBejį MH. Sl6aonckuce (1860—1930) introduziu esta palavra na língua literária, dando-lhe um novo significado — ‘chefe’. Jlutosck. bandalis ‘crapumii nacryx’, bafidzius, bandinis: naToBcK. banda ‘crano’. Na literatura científica, até à época de A. Wenzelperger, encontra-- se o lituano com o significado de ‘mastique’. fvarklas. Essa palavra, com tal significado, também é apresentada no dicionário etimológico da língua lituana de D. Frenkel. A. Wenzelberger tomou a palavra tvarklas de um manuscrito da tradução de W. Brückner do Evangelho. Contudo, como conseguimos esclarecer, na literatura linguística, fvarklas, com o significado de ‘mastique’, surgiu por um mal-entendido. Como a palavra alemã Herd foi interpretada incorretamente na linha 1549 (pasa: „und wie ein Herd on hiirten“. Na frase original, à palavra hiirten corresponde o alemão Hirte. Consequentemente, o tvarklas prussiano nesta frase é usado não no sentido de ‘pastor’, mas no sentido de ‘curral’. Lituano. pastyrius ‘pastor de gado’, pulkaunykas, ou, mais provavelmente, ustovas são empréstimos das línguas eslavas. Na língua lituana encontramos também uma série de denominações de ajudantes especiais do pastor mais velho — paganikas, pdganas: lituano. ganyti ‘pastorear’, pavdrninkas, pavarinis: lituano. varyti ‘conduzir’, pirmininkas: lituano. primeiro ‘nepsuiit’, Salinifikas: natoBcK. País ‘ctpana’. Has3Banns xzaesa. Nas línguas bálticas encontramos muitos nomes de celeiros de diferentes origens. Na língua lituana, o nome mais difundido é fvdrtas. O significado original desta palavra é ‘lugar cercado’. Com esse significado, esta palavra ocorre na antiga escrita lituana, bem como nos dicionários da língua lituana da Prússia Oriental. Lituano. tvartas "XJieB'": lituano. tvėrti ‘cercar’. C JiHuTOBCK. fvdrtas TIO-BHJIHMOMY HAaJIO CBABbIBATb H JP.-NPYCCK. coaris (toaris). JIutoBcK. gufbas B 3HaueHHH "xJIeB" YyrIOTpeOJISeTCS B 4aCTH BOCTOUHBIX TOBOPOB JIHTOBCKOTO si3bika. B Takom 3HaueHHH JHTOBCK. guFbas 3aduxcupoBano yxe B cJioBape K. Illupsunaca (n3naune 1629 r.). Em geral, essa palavra nos dialetos da língua lituana é muito polissêmica — ‘cesta, gaiola’, ‘parte superior de uma carroça, trançada de ramos’, ‘abrigo (para gado)’, ‘gaiola para aves domésticas’, ‘ninho’, ‘curral’, ‘parte separada do estábulo (para ovelhas, bezerros)’, ‘pátio para gado’; Zagon’, “gaiola para animais”, “tipo especial de colmeia, de vime, de palha de centeio” e outros. Ilponcxox]JieHHe JHTOBCK. a origem, porém, não foi finalmente esclarecida. Ham Kaxkercs, uTo JIJIS! BHISICHEHHS NpoHCXOXJIEHHS 3TOTO CJIOBA HAJI0 pa3rpaHHUHTb ero 3HaueHHs. JINTOBcK. gufbas ‘xnes’, ynotpebasiemoe B Bocrounoh JInTee, siBafieTcss HCKOHHBIM GaJITHHCKHM CJOBOM, a gufbas “KopauHa, nJjeteska’, ynorpe6asemoe value Bcero B 3ananuoii JIutee, a Takxke Jpyrue c gurbas ‘Kopauna, niJIeTeHKa' TeCHO CB3aHHbIE 3HAYEHHS B JIHTOBCKHH SI3bIK NMPOHHKJH H3 HeMelUKoro s3bika. JlaTHICK. gurba, gufbs B 3HaueHHH XJIeBa He ynorpe6asiercsi. He HeKJIOUeHA BO3MOMKHOCTE, UTO B JIATbILICKHŪ A3BIK JIAHHO@ CJIOBO TIOITAJIO H3 JIATOBCKOTO S13bIKA. JluroBek. kité *xnes’ ynorpebasiercs B ceBepHoit yacth JIuteel. Popma kiifs mWHPOKO ynoTpebJsieTcsl B JIATbINICKOM A3biKe. Boripoc NMpOHCX0XKIeHHS 3TOTO CJIOBA OUeHb CJAOKHBI. CKopee Bcero npas 51. 3H A3esHH, NpenoJaraslini, UTO JATOBCK. kiité MOxeT ObiTh 3aHMCTBOBaHHEM H3 JIaTHILICKOTO si3bika. Ha Takyio BO3MOXKHOCTb yKa3biBaeT H reorpagus JHTOBCKOTO CJIOBA. Bojiee npesuss dopma JiaTbiurekoro kits moraia ObiTb *kunt-, a Torjia 370 Ha3BaHHe XJIeBa 10 Bceli BEPOSITHOCTH MOXKHO GkiJIO 6bl CBSI3aTh C PYCCK. Kym "YTOJI, 3ayTOJOK; BEPUIHHA OU A EXTREMIDADE DO ÂNGULO DA BOCA; ÂNGULO DE QUEIXO, DA LÍNGUA, ÂNGULO FRONTAL*, UCR. Kym “carvão, pão de porco” e Jip. Lituano. staldas, natwimuck. stallis, np.-npycck. staldis SBASIOTCS empréstimos da língua alemã (cf. alemão antigo-médio stall). Com esses nomes de produtos, D. P. Frenkel relacionava o lituano KemaiicTkoe stalné, stalnélé. Seu nome é Kaxercs, em lituano. stalné, stalnélé nano cBa3bIBATh He C JIHTORCK. staldas, e c TATOBCK. stainé ‘Kowioums’®, stainélé (oTHOCHTebHO (DOHETHKH Cp. JHTOBCK. kuinas ‘knsiua’: JinTOBeK. kulnas ‘kasiua’). Hawe npeanosioxenne ocoGeHHO 10JTBEPKJIAIOT TEKCTH JHTOBCKHX HAPOJHBIX TeceHb, rie ynorpebaenne dopm stalné un stainé noun abCcoJIIOTHO COBIMAJNAET. JluroBex. pūnė ‘xneB’ ynortpe6asiercs: B HeGoJibiuofi uactn Bocrounoii Jutsu. B Takom 3naUeHHH JIaHHOe CJIOBO ye Bcrpeuaercsi B cJIoBape K. Illupeupaca (u3naume 1642 r.). JIutonck. piiné ynotpeGasieTcs TaKxe B 3HAUEHHH "Kopa, Iemepa; najarka, waaam, 6yaka’. EM LITUANO 78
inventários escritos em russo, polonês, bielorrusso e lituano. punia é empregada sobretudo com o significado de "construção para secar o feno, o capim, a palha". Nos significados figurados, também é empregada em lituano. pine, pūnis. Lituano. pūnis é ainda mais estreitamente definida no dicionário de T. Mornana (1638). A origem da palavra latina é muito incerta. Alguns pesquisadores consideram que esta palavra foi emprestada dos bálticos para as línguas eslavas, enquanto outros, ao contrário, defendem a opinião de que nas línguas eslavas ela poderia ter vindo das línguas bálticas. Parece-nos que a última opinião é mais correta, embora provavelmente não seja a única. Lituano. namas, no significado de ‘celeiro’, é usado em um território não muito grande na parte central da Lituânia. Com esse significado, a palavra namas também se encontra no dicionário de K. Sirvydas (edição de 1642). Com significado semelhante, ela também é usada em inventários lituanos escritos em polonês, bielorrusso e latim. Latim. mams, no significado de “celeiro”, não é usado, embora alguns significados desta palavra sejam muito próximos do significado de “celeiro”. O significado original da palavra letã nams — “construção, na qual havia uma instalação para aquecimento, para uma carruagem- ”. Atualmente, como em lituano, ndmas, assim também em letão. nams é mais frequentemente usado no sentido de “casa”. Letão. laidars, no sentido de “campo”*, é usado na parte ocidental da Letônia. O significado pessoal em letão. laidars, um pequeno letão. Mas. ]} tien?天天啪.期特码? O celeiro GbhiJio "3aron". Deste significado surgiu o significado “celeiro”’ Lituano. celeiro, cinco. celeiro: nuroBek. [éisti "nycTHTL, TryckaTb' JiaTbinICcK. lafst. JlurosBex. dafigtis, no significado de "XJieB", é usado apenas em uma pequena parte da Lituânia Central. O significado desta palavra também se encontra em alguns monumentos da escrita antiga. O significado principal do lituano dafigtis — «cobertura, cobertura de palha; teto». H3 nocjiejiiero 3HAUeHHSA BO3HHKJIO 3HaueHHe "xJIeB'. Lituano. dafigtis: lituano. defigti «cobrir, recobrir, tapar»'. Litvak. kūginys, no sentido de «pão», é usado apenas em um grupo bastante limitado de produtos orientais. Na acepção de «pão», esta palavra encontra-- se nas obras de M. Daukus. Lituano. kūginys «pão»: nuToBek. kūgis «cror; Korina», relativamente à semântica do CP. Latim. gubenis “celeiro de feno, galpão”: letão. guba ‘KonHa; Kyua"', lituano. guba ‘Konua’. Lituano. A palavra B 3nauennn ‘xJeB’ ynorpebJsieTcs Ha oueHb HeGOABILOM y4acTKe cpepHeil JIaTBBI. DTO CJIOBO 3aHMCTBOBAHO M3 NOJILCKOTO H3bIKa, CP. NMOJLCK. obora. Latim. klėvs ‘xnes’ ynorpe6asiercsi B Boctounoii uacti Jlarauu. Ela já aparece na antiga escrita latina. A língua bielorrussa desenvolveu-se a partir das línguas eslavas orientais, cf. russo. bielorrusso, polaco. chlew. Nas línguas bálticas encontram- -se muitos nomes de pães, destinados a raças específicas de animais. lituano. arclide "kontomus? ", equino, equina, arreeiro, arreeiro, arreeira: naroBex, cavalo ‘noma’. g JIATOBCK. estábulo "KoHioumsa)", égua, garanhão, égua < noJibck. estábulo; nuTOBCK. estábulo < nNOJIbCK. stania. JINTOBCK. strdjé "koHuioums"* < HeMenK. Streu "nojicTHJIKA, COJIOMA". JluroBek. kaniušnia, kaniukštė, kaniūkšlė nozauverBoBaHo H3 CJAABSIHCKHX HI3bIKOB, cp. GeJIOpyCCK. KQHIOWHA KN. Abrev. JlaroBek. kiaulidė ‘ceunapuux’, kiauliniūkas, kiaulinykas, kiaulinis, kiaulinys, kiaulinė, kiaulinčius, kiaulinyéia: nutosck. kiaiilé "eaunba". JlutoBek. migis ‘cBuHapuuK’, migélis, cp. NMMTOBCK. migis "noroBume': JHTOBCK. miegdti ‘cnath’. JlaroBek. svindrnykas < Genopycek ceinaprik. Jp.-npycck. seweynis ‘CBHHAPHHK': JAp.-TIPYCCK. swintian ‘CBHHBLS’, NATBILICK. sivęens. JlaroBex. avidé ‘relativo a ovelhas’, aviniiikas, avinjkas, avinyké, aviné, avikiné, avikinis, aviké, avinyéia: NTATOBCK. avis ‘ovelha’. JlaroBexr. karvidé ‘relativo a vacas’, karvinifikas, karvinykas, karviniiiké, karvinis, karvinjs: maTOBCK. kdrvé "Koposa’. Denominação de órgãos, servindo para a reprodução dos animais, nas línguas bálticas encontramos muitos nomes de krutas, NJeTH, HaralikH. MHorHe Ha3BaHHS THX Opy79