scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

S. Šalkauskio terminologijos teorija

K. Gaivenis

Full text

LEXÍCO ESPECIALIZADO DA LÍNGUA LITUANA QUESTÕES DE LINGUÍSTICA LITUANA, XXII (1983) K. GAIVENIS A TEORIA DA TERMINOLOGIA DE S. ŠALKAUSKIS 1. Observações introdutórias O Prof. S. Šalkauskis (1886—1941) — ilustre figura pública burguesa da nossa sociedade e filósofo de orientação neoescolástica? — interessou-se pela terminologia enquanto estudava na Universidade de Moscovo. Para este trabalho foi incentivado pelo publicista e linguista, membro do POSDR, R. Bytautas (1886—1915), que estudou na mesma universidade em 1905—1912 e que, nessa época, havia escrito vários artigos de estudo importantes (publicados em livros separados) sobre a língua lituana (por exemplo, „Como pronunciar e escrever estrangeirismos“, „Isto e aquilo da filosofia da língua lituana“ etc.). Sobre ele, S. Šalkauskis escreveu: „Este meu querido amigo (R. Bytautas. —K. G.) contagiou- -me, em parte, na Universidade de Moscovo, com o seu ardente amor pela questão da terminologia; por isso, ao falar da necessidade da terminologia, não consigo deixar de o mencionar como meu inspirador direto“?. O legado impresso de S. Šalkauskis compõe-se de 2 partes: a) estudo da teoria da terminologia” e 2) um conjunto quadrilíngue (lituano—francês—alemão—russo) de termos filosóficos, intitulado „Terminologia geral da filosofia“- “*. Além disso, conservaram-se fragmentos manuscritos de S. Šalkauskis de um glossário de termos pedagógicos. Com. a terminologia também se relacionam parcialmente os estudos de S. Šalkauskis sobre a metodologia do trabalho científico. 2. Princípios de criação e normalização dos termos 2.1. S. Šalkauskis interessou-- se pelas questões teóricas da terminologia antes de começar a normalizar a terminologia filosófica lituana. Publicou sobre esta questão um estudo relativamente amplo, no qual examinou a essência e as propriedades do termo, ir as fontes e as categorias dos termos, as particularidades do uso e ir formulou regras gerais para a sua criação terminológica em lituano. Ao explicar as características do termo e suas relações com as categorias lógicas, gramaticais e filosóficas, S. Šalkauskis baseou-se principalmente na obra do filósofo escolástico medieval Duns Scotus (1265—1308) «Grammatica speculativa», ir nas pesquisas de linguistas franceses, por exemplo, : M. de Bréal, (1832 —1915) «Essai de séman- ! Para mais informações sobre suas concepções filosóficas, ver Plečkaitis R., Šliogeris A. A influência da filosofia de Vladimir Soloviov À cosmovisão de Stasys Šalkauskis no período anterior a Friburgo. !—- Lituânia Anais da Academia de Ciências da RSS da Lituânia. Série A, 1973, vol. 4(45); Sverdiolas A. O problema da cultura e da religião — nas obras de Stasys Šalkauskis. 1978, t. 4(65); Ibidem, a mesma obra, Concepção do ser humano Na filosofia da cultura de Stasys Šalkauskis. — Ibidem, 1978, t. 1(62). * Šalkauskis S. Teoria da terminologia: a ir terminologia filosófica lituana. — Logos, n.º 1927, "1,p.’ }: * Ibidem, n.º 1935, 1; 1927, N.º 1, 2; 1934, N.º 1; Língua materna, 1935, N.º 4. + Šalkauskis S. Terminologia geral da filosofia. — Logos, 1937, N.º 2; 1938, N.º 1. 128 tigue“, Ž. Vandrijeso (1875—1960) „La Language“ ir etc.fS. A preparação linguística de Šalkauskis para o trabalho terminológico não era be totalmente isenta de to lacunas, por isso os linguistas da época — J. Balčikonis, A. Salys, P. Skardžius — jo corrigiram um pouco os artigos sobre questões teóricas da terminologia. Pela mesma razão, alguns termos elementares da linguística ji (por exemplo, ir terminação etc.) jo são empregados nos artigos com um significado um tanto diferente daquele que têm, em geral, na literatura linguística. 2.2. Ao falar sobre o objeto da terminologia, Šalkauskis S. sublinhava que a terminologia não é uma disciplina científica separada e independente. O termo, enquanto palavra, pertence à ciência da gramática; enquanto conceito, à o ciência da lógica. — Por meio da gramática, o termo į entra na o linguística; por meio da lógica, — į na filosofia. S. Šalkauskis foi um dos iš primeiros a observar que a palavra terminologia é ambígua. Ele escreveu: „A língua lituana pode usar, lado a lado e com sentidos diferentes, as palavras terminija e terminologija, ao passo que du as outras — línguas it geralmente — empregam, nos casos correspondentes, apenas uma palavra: terminologija. Como a nossa língua utiliza a terminação -ija para designar um conjunto de objetos homogêneos, terminija, correspondentemente, significa o ar conjunto de termos nų técnicos de uma determinada ciência ou arte... A terminologia é a ciência da terminologia ou, pelo menos, uma teoria"*. Šalkauskis considera a S. terminologia uma parte especial da semântica. Compreendendo assim a terminologia, Šalkauskis, é S. claro, teve de tirar duas conclusões de caráter geral: que o progresso da ciência estreita a conceção do 1) próprio termo que o termo é inseparável do signo das conceções de conceito. ir 2) ir Segundo a compreensão da lógica então vigente, considerava-se que os signos eram de dois tipos: naturais (signum naturale) convencionais (signum arbitrarium ir seu conventionale). De outro ponto de vista, os signos podiam ser formais (signum guo) in instrumentais ir (signum ex guo). Por fim, há ainda signos reveladoresrepresentatji ir ivos (signa manifestativa et suppositiva). Com base nessa concepção dos signos, S. Šalkauskis apresentou as seguintes definições de língua, escrita, palavra e termo: I) «A língua é um sistema de signos convencionais que serve às necessidades da comunicação»; 2) «A escrita, ou sistema de caracteres (em latim scriptura ou sriptio), consiste em signos escritos para representar palavras»; 3) «As palavras são signos manifestativos de conceitos e signos substitutivos de coisas»; 4) «Termo é uma palavra que exprime um conceito dotado de significado especial para alguma área científica». Assim, nas palavras de S. Šalkauskis, «o termo é sempre um signo verbal, substituto de uma coisa e manifestativo de um conceito, embora nem todas essas palavras sejam termos. Para que esse signo verbal se torne um termo, é necessário que entre no domínio de alguma ciência e seja elaborado cientificamente»“*. Tal concepção do termo, da terminologia e da terminologia enquanto disciplina encontrava- -se, naquela época, num nível bastante elevado. 2.3. S. Šalkauskis distinguiu 3 fontes principais da terminologia: 1) a língua viva do povo; 2) o inventário dos meios de formação de palavras e 3) outras línguas. Essas fontes da terminologia são por vezes mencionadas ainda hoje, embora, na realidade, tal divisão não seja inteiramente justificável. É mais exato falar apenas de 2 fontes principais da terminologia (o léxico da própria língua e o de outras línguas) ou falar dos modos de formação dos termos, e não das suas fontes, porque: a) os neologismos terminológicos podem ser formados utilizando tanto palavras da língua popular como palavras emprestadas e internacionais e b) os termos compostos (de duas ou várias palavras) š Šalkauskis S. Teorija da terminologia... —Logos, 1927, n.º 1, p. 1. ¢ Ibid., p. 6 ss. 5. 1019 129 os termos podem ser criados como combinações ne estáveis iš de palavras diferentes, mas ir iš de combinações de palavras e símbolos. 2.3.1. A palavra da linguagem humana usada como S. termo científico, nas palavras de Šalkauskis, deve ser «processada cientificamente» ou, descrevendo- -o com o termo atual, — terminologizada. Para caracterizar a terminologização de palavras S. prontas, Šalkauskis utilizou jo a noção de «extensão»" (extensio) ir e de «compreensão» (comprehensio). Jo na opinião, „a extensão do termo é medida por todos aqueles indivíduos abrangidos pela extensão do o conceito, a capacidade do termo é medida por todas aquelas características que constituem a capacidade do conceito“. A extensão do termo su jo coincide com o significado, o jo a capacidade — su o sentido. À medida que a capacidade aumenta, a extensão o diminui; à medida que o sentido do termo se jo torna mais complexo, o significado se estreita, isto é, limita-se a um número menor de coisas. Compreendendo assim a terminologização, S. Šalkauskis enfatizou que ,,não se devem confundir termos unívocos com su termos de significado único. Unívoco é um termo em relação ao conceito que į está na base; equívoco é um termo em jo relação a outro termo com o qual tem significado igual, em outras palavras, į aplica-se à mesma coisa ou su às mesmas coisas. Um termo unívoco tem na sua base um único conceito e significa, num único sentido, toda uma série de coisas. Os termos equívocos, que significam a mesma coisa ou tą as mesmas coisas, exprimem conceitos diversos acerca delas e, por isso, têm significados diversos“®. Não podendo prescindir ir su dos termos „unívocos“ ir e „equívocos“, Šalkauskis empregava S. ainda o conceito intermediário de termos ir analógicos. — — Ao abordar estes últimos termos, baseava-se nas analogias da lógica escolástica: 3 analogia proportionis, analogia proportionalitatis, analogia attributionis. ir Essas analogias eram necessárias para ele ao falar da terminologização de palavras prontas da língua popular por meio de: уточização do significado da palavra; ampliação do significado da 3 palavra a) transferência do significado da palavra. b) Šalkauskis considerava a terminologização, ir c) em geral, um processo interminável, pois o conteúdo do S. termo é continuamente complementado por novos traços. Geralmente, a terminologização passava pelas seguintes etapas genéticas: formação do termo com base etimológica ,,1) iš ir jo explicação por sinônimos; definição 2) nominal do termo, baseando-se no sentido principal ir direto; classificação jo nominal do 3) termo, se o termo tiver mais de um sentido; precisão da compreensão do termo (precisão), estabelecendo mais 4) rigorosamente a extensão do sentido jo ir jo desenvolvimento da compreensão 5) do termo sa) em relação ao progresso do conhecimento do próprio objeto““ su Em geral, a concepção de Šalkauskis sobre a terminologização de palavras S. prontas era bastante confusa, logicista e excessivamente dissociada dos processos gerais e específicos da semântica linguística. ir ir Ele compreendia a terminologização apenas como uma ação, não prestava atenção ir į ją ao į processo. Be Além disso, o processo de terminologização não pode ser analisado com êxito sem ser relacionado dialeticamente à jo su determinologização. — 2.3.2. Ao falar sobre os neologismos terminológicos, Šalkauskis S. distingue 2 jų os modos de formação: „derivação de novas palavras“ (derivados) ir «composição de palavras» (derivados). Na formação už de palavras, ele considera o prefixo mais importante do que a desinência. S. Šalkauskis observa ainda que, quanto mais complexa é a sufixação, mais afastada ela está de «concret7 S. aŠalkauskis escreveu «silêncio- », mas nós šį jo adaptamos o termo à ortografia atual. * Šalkauskis S. Teoria da terminologia ..., p. 11 ibid. * Ibid., n.º 1925, 1, p. 21. 130 significa o conceito ji de coisas relacionadas. Ele também entendia a terminação da palavra — de modo peculiar: para ele, a terminação era a parte da jo palavra que vai da raiz até ao fim. Os sufixos complexos e multiformes são ir precisamente os mais adequados para a terminologia. S. Šalkauskis observou perspicazmente que o prefixo e o sufixo ir raramente participam juntos na formação de neologismos, dizendo expressivamente: «o prefixo tende a prescindir do sufixo e, be inversamente, o sufixo parece dar-se mal com o prefixo». su Esta é uma observação perspicaz. Seguindo A. a obra de Leskyn „Die Bildung der Nomina im Litauischen“ (1891), S. Šalkauskis é o primeiro a empreender a análise das categorias dos termos ir jų modos de expressão. Ele apresenta a seguinte definição da categoria dos termos: “Para nós, a categoria dos termos não é outra ne coisa senão um grupo de termos, típico pelo seu género, geralmente pela sua cons- — ga ir pondente a um grupo de conceitos que possuem determinada característica comum”. ir Seguindo Aristóteles, ele distingue, entre os — lógicos ir medievais, a — substância sujeito da substância objeto. Ao classificá-las mais pormenorizadamente, em ambos os casos ele distingue ainda po 4 as categorias: o sujeito da ação — da substância — sujeito, o sujeito da determinação — do processo, o sujeito da qualidade, o sujeito da ir relação; o objeto da ação da substância — objeto, a — matéria secundária, o instrumento-meio, o objeto de capacidade. ir S. Šalkauskis descreveu detalhadamente o inventário dos meios de formação destas categorias terminológicas. Exigindo a tipicidade dos iš neologismos terminológicos e aplicando ir rigorosamente o princípio da analogia, Šalkauskis S. criticou alguns termos da época. to Ele particularmente não gostava dos nomes lituanos dos casos gramaticais. Sobre eles, S. Šalkauskis escreveu o seguinte: „Nesta ocasião, cumpre constatar que os nossos termos para os casos, su com o sufixo -ininkas, foram formados de maneira totalmente inadequada. Antes de tudo, o sufixo -ininkas foi utilizado neles de modo totalmenku te atípico. Segundo o significado mais típico deste sufixo, o nominativo deveria designar uma pessoa preocupada com o nome, os nomes; o genitivo, uma ar pessoa preocupada — com a origem; o dativo, uma pessoa preocupada com o seu próprio — benefício; acusativo, a pessoa que ocupa uma posição poderosa; — instrumental, a pessoa que se ocupa de instrumentos; locativo, a pessoa que vive por muito — tempo em um lugar, que ocupa o lugar de outra pessoa; — vocativo, a pessoa que se manifesta por gritos, a quem só importa gritar. — Os termos dos casos da palavra poderiam significar isso, quando muito, por analogia com os «dedais» e su os «palmos». ar É claro que tal formação de termos, baseada numa analogia muito duvidosa, vai contra a tendência natural ir típica da ką nossa língua. Be aquilo, essas coisas segundo as quais os casos adquirem, nesse caso, os seus nomes, a saber: nome, origem, utilidade, fim, instrumento, lugar, grito, na sua grande maioria, excetuando apenas o lugar, são uma ocasião acidental para os casos se ar chamarem de outro modo. Somente o locativo foi nomeado segundo a característica universal e essencial do caso. Todos os outros nomes dos casos são puramente arbitrários. Ainda assim, a denominação dos casos como nominativo, genitivo, dativo, acusativo, instrumental, locativo e vocativo seria melhor do que jų denominá-los vardininku, ir kilmininku etc.” Estas observações críticas de S. Šalkauskis eram corretas apenas em parte, pois as denominações dos detentores de uma característica nominal — derivados com o sufixo -ininkas — são denominações não apenas de pessoas, ir mas também de coisas inanimadas. Be Além disso, os derivados com o sufixo -ininkas são formados não apenas a partir de substantivos, mas também de verbos, adjetivos e numerais. 10 No mesmo 1934, lugar, n.º 1, p. 6. 11 É precisamente nos dois p. 35. 3 131 S. Šalkauskis também escreveu de modo não inteiramente correto sobre o termo tartis: «É totalmente injustificável a tarena que se difundiu entre os artistas. Esta palavra só poderia ter uma analogia, talvez, com gyvena e rietenomis (no sentido de riejimosi), que também não significam objetos concretos. Mas se tarena devesse significar modo de pronúncia, então ela usurpa, de maneira totalmente injustificável, a tarsena, inteiramente legítima e típica, que, por analogia com bėgsena, eisena e rašysena, justamente deveria significar modo de pronúncia. A tarsena aqui proposta não pode substituir tartis, pois, sendo o infinitivo do verbo substantivado tarti, designa uma ação pura, nada dizendo sobre o modo; enquanto, quando se pretende expressar o aspecto da dicção, é precisamente importante enfatizar o modo de pronúncia. Assim, a dicção em lituano foi designada apenas pela palavra tarsena Žžodžiu“*! ?, Na linguística contemporânea, contudo, emprega-se o termo tarties. Os derivados com o sufixo -tis geralmente são mais concretos do que os abstratos com os sufixos -imas ou -ymas. Ocorrem derivados desse sufixo que adquiriram um significado inteiramente concreto (por exemplo, stotis, kliūtis etc.). De todas essas observações pode-se concluir que a distinção das categorias de termos por S. Šalkauskis e a adaptação dos meios de formação para expressá-las constituíam, naquele momento, uma novidade na terminologia; contudo, ela: 1) não abrangia nem sistematizava a diversidade da formação nem dos termos, nem das palavras comuns; 2) não analisou os casos de especialização dos meios de formação segundo áreas científicas específicas, algo que, na formação terminológica da época, já era claramente perceptível. A formação de palavras investiga 3 objetos próximos, mas ainda assim diferentes: a composição das palavras, as relações entre palavras cognatas e a criação de neologismos. ir ir Su primeiros aspectos que os professores e os docentes das instituições de ensino superior ir mais se deparam; o terceiro deve o preocupar especialmente os terminólogos e os promotores da ir cultura da língua. Embora, na S. teoria da terminologia de Šalkauskis, o centro das atenções fossem os neologismos, ele jų escreveu pouco sobre a formação, discutindo sobretudo o as relações semânticas derivacionais entre palavras ir cognatas. 2.3.3. O empréstimo iš de termos de outras — línguas é uma necessidade inevitável. Não há, ir nem pode haver, nė uma língua que seja completamente pura. S. Šalkauskis afirma que o empréstimo de palavras de uma língua para iš outra é um į fato tão difundido na história das línguas quanto a migração dos povos na história mundial. Ao ir falar sobre empréstimos na terminologia, Šalkauskis distingue, com toda a razão, dois casos: a S. substituição de empréstimos já 2 consolidados por palavras próprias e a introdução de neologismos ir estrangeiros na língua. į No primeiro S. caso, Šalkauskis é prudente ir e perspicaz. Ele escreve: „Por isso, os termos particularmente ricos em conteúdo, que no intercâmbio internacional da humanidade, tendo longas tradições, reúnem relações adjacentes por meio de muitos ir conceitos į próximos, não precisam ser substituídos su por neologismos, que geralmente apenas sugerem tanto conteúdo quanto etimologicamente podem conter tais elementos semânticos formadores, como a raiz, o sufixo e o prefixo“! *, No jo segundo caso, ele é superficial, pois afirma que uma palavra estrangeira deve ser tomada de empréstimo quando „o termo necessário não pode ser obtido ir nem pela adaptação de uma palavra da língua comum, nem pela — formação de um novo termo por composição ou derivação “13, Essa é uma opinião superficial, pois, na iš realidade, não existem casos em que os meios de formação sejam incapazes de criar um equivalente equivalente a algum termo de outra língua. Outra questão é que nem ne sempre é conveniente substituir um neologismo por uma nova formação lexical. Isso depende não apenas de ne circunstâncias linguísticas, mas também de circunstâncias ir extralinguísticas, No mesmo lugar, n.º 1 1934, 1, p. 45. 13 No mesmo 1927, lugar, n.º 1, p. 25. 132 2.4. As palavras que ir į entram na linguagem científica e se tornam termos não permanecem semanticamente estáticas; o continuam a mudar. Na terminologia manifestam-se de modo peculiar todos os principais — processos semânticos: polissemia, ir sinonímia, antonímia etc. É S. interessante a ideia de Šalkauskis de que o significado do termo depende do contexto (contrária 1959 m. A. à opinião de Reformatskis, mas coincidente su 1977 m. V. com a opinião de Danilenko). Ao discutir o uso do termo em determinado contexto, Šalkauskis introduz o S. termo suposição, definindo-o assim: jį „A suposição de um termo é o uso no lugar jo da coisa da qual ele é o sinal substitutivo- “! *, Ele distingue vários tipos de suposição, прежде de tudo a suposição material formal — (suppositio materialis ir formalis). et Essas suposições não podem ser substituídas umas pelas outras. A segunda suposição divide-se ainda em į lógica e ir real (suppositio realis et logica). O raciocínio em que a suposição real é substituída pela lógica (ou vice-versa) não pode ser correto. A suposição real, por sua vez, divide-se em singular e comum į (suppositio ir singularis communis), esta última et em absoluta e o relativa, ou — į pessoal ir (suppositio absoluta relativa sive et personalis). A suposição comum relativa pode ser universal (suppositio universalis- ), ir particular (suppositio particularis) ir etc. Uma classificação tão detalhada dos subtipos de suposição não esclareceu devidamente as particularidades do uso contextual S. do termo, tanto mais que Šalkauskis as ilustrou com proposições lógicas, considerando ne termos apenas as palavras ir comuns, mas não os nomes próprios. 2.5. Um grande S. mérito de Šalkauskis para a nossa terminologia foi o facto de ter sido o primeiro a tentar formular os princípios fundamentais da formação dos termos. Ele formulou esses princípios com base nas referidas investigações teóricas das características dos termos enquanto fontes da terminologia. ir Não se vê que, ao elaborar esses princípios, ele tenha utilizado as obras de J. Pabrėža, J. Grinius, F. Butkevičius, ir entre outros, autores nas quais também foram formulados os princípios da organização dos termos de áreas científicas específicas. S. Šalkauskis tentou elaborar princípios gerais para a criação de termos de todos os ramos da ciência, dividindo-os em į 3 grupos: 1) princípios da 2) antiguidade, ir 3) princípios da novidade, princípios da evolução. Os princípios do primeiro grupo dizem respeito ao passado da língua. São dois: não se deve tomar a) emprestado um termo estrangeiro nem criar um novo termo próprio, se for possível adaptar satisfatoriamente para a finalidade científica uma palavra da língua do povo ir b) nenhuma palavra que se tenha consolidado na língua pode ser eliminada do iš uso científico be sem razões claramente justificáveis. O primeiro prin- €cípio ele chamou de princípio da maior utilização, e o segundo, de o princípio da — consolidação tradicional. Os princípios do segundo grupo são, ao que parece, três: a) iš entre dois neologismos ou empréstimos, é mais aceitável aquele que permite formar mais derivados, permanecendo iguais todas as demais condições; todo neologismo tomado como termo b) científico deve ser formado de acordo com as características típicas da categoria dos conceitos correspondentes; De dois neologismos ou empréstimos, c) iš é mais aceitável aquele que satisfaz melhor as exigências estéticas da língua, mantendo-se iguais todas as demais condições. Šalkauskis chamou o primeiro S. desses princípios de princípio da maior utilidade, o segundo de — princípio da tipicidade e o terceiro de princípio da — esteticidade. Os princípios do terceiro grupo são dois: a formação gi categorial de terminações, a) isto é, a utilização de terminações típicas para criar termos de acordo com as categorias correspondentes dos conceitos deve ser mantida viva no uso linguístico e desenvolvida coerentemente até os ir limites de seu direito; necessariamente, quando for preciso, das palavras b) signi- © M No mesmo 1927, lugar, n.º 1, p. 29 etc. | 133 ficados e sentidos, tanto ao adaptá-los novamente quanto em um contexto ir separado, devem ser modificados por métodos que possam ser justificados pelas leis da lógica da ir ciência da linguagem. Šalkauskis chamou o primeiro princípio S. deste grupo de princípio da terminação categorial, o e o — segundo, de princípio da alteração do sentido e do significado das palavras. Esses S. princípios de Šalkauskis eram, naquela época, ir originais e significativos. Alguns deles, especialmente os princípios do primeiro grupo (antigo), não perderam a relevância para a terminologia ir dos dias de hoje. 3. Terminologia geral da filosofia 3.1. O prof. começou a recolher termos filosóficos lituanos V. Sezemanas 1935 m. Naquela época da Sociedade da Língua Lituana (LKD) Secção de Terminologia (TS) confiou a questão da organização da terminologia filosó- "fica ao prof. S. Šalkauskis. Ele ampliou consideravelmente a coletânea do prof. V. Sezeman; este trabalho ir foi analisado jo durante 35 As sessões TS da LKD, com a participação de ilustres to linguistas da época J. Balčikonis, A. Salys ir P. Skardžius. 1937 m. os termos examinados foram sistematizair dos e impressos na revista „Logos“ (N.º 2), o mais tarde publicadir os também em uma separata. S. o trabalho de Šalkauskis A «Terminologia geral da filosofia» é iš 2 composta 1) por partes: um glossário quadrilíngue (das — línguas — lituana, francesa, alemã —e russa) e a versão alemã, publicada na revista jo «Logos» 1938 m., ir 2) uma ir coletânea de exemplos de ar explicações, na qual os 302 grupos de termos são discutidos de forma mais breve ou mais detalhada (nas palavras do próprio autor, famílias semânticaS. s); no glossário de Šalkauskis são apresentados apenas termos filosóficos lituanos, por isso não encontraremos nele os nomes de muitos conceitos específicos deste campo científico. Todos os termos lituanos estão P. acentuados por Skardžius; o junto a alguns deles são fornecidas também formas mais importantes: ir o genitivo e o dativo do singular dos — substantivos, o presente e o ir pretérito simples dos — verbos. ir Os termos são apresentados em grupos semânticos por ordem alfabética, mas ela é sempre ne rigorosamente observada. A maioria dos termos apresentados neste glossário são palavras da — língua literária terminologizadas, mas também aparecem neologismos. ir No prefácio, S. Šalkauskis diz que os neologismos foram rų propostos principalmente por J. Vabalas-Gudaitis ir A. Varnas. Parece que o ir próprio S. Šalkauskis criou muitos jų deles. Consideram-se neologismos, por exemplo, os seguintes termos: aistriškas (passionnė, leidenschaftlich, cmpacmuwii), antgamtis, -čio (surnature, Ūbernatur, ceepxsecmecmeennas o6aacmy), aftlaikis, -io (surtemps, Uberzeit, céepxepems), aritsąmonė (sourconscience, Urberbewusstsein, ceepxcosunanue), atdaira, -0s (égard, respect, Riicksicht, Achtung, 6enumManue, yeankenue,), atpareigdjimas (dispėnse, exemption, Dispensation, Entbindung, oceo6ooxdenue obazannocmu), gyvėnžiūra (conception vie, om Lebensanschauung, »cu3neco3epyanue), išmana, -os de (intelligence, Verstūndnis, nonumanue, pasymenue), išprotis, -čio (conclusion, syllogisme, Vernunftschluss, ymo3axmouenue), mąstinys (0bjekt pensée, Denkgegenstand, de npeomem mvuusenusn), pažinys (objekt connaissance, de Erkenntnisgegenstand, npedmem nosuanus), mėgis, -io (plaisir, Lust, yoosoascmeue) kt. ir Daugelis čia minėtų naujadarų nei filosofijos terminijoje, nei mūsų literatūrinėje kalboje neprigijo. Kai kurie kiti S. Šalkauskio pateikti terminai buvo naujadarai, bet ne jo sukurti, arba žmonių kalbos žodžiai, pvz.: atveika, -Gs (réaction, Reaktion, Gegenwirkung, peaxyus, npomusodeiicmeue) 134 — J. De Baronas ou P. Neologismo de Avižonis, daiktybė (matiere, substance, Stoff, Materie, sewecmso) — J. Neologismo de Jablonskis, esybė (étre, Sein, Selende, cywee, Gbimue) palavra usada — por Širvydas, Basanavičius, K. Kudirka, J. jutinys V. (objekt sensation, de Empfindungsgegenstand, npedmem owywenun) — A. Neologismo de Vireliūnas, ndokrypa (déclinaison, Abweichung, ykion, omkaonenue) — P. Neologismo de Avižonis ir etc. Para a teoria da terminologia, é mais S. significativa a segunda parte da «Terminologia geral da filosofia» de Šalkauskis, na qual ele analisou grupos de termos aparentados. Aqui S. Šalkauskis indica o que este ou aquele termo ou palavra deveria significar, como pode ser traduzido para outras línguas, e apresenta exemplos do uso ti contextual į dos termos. No entanto, alguns raciocínios jo são contraditórios. Por exemplo, 165 p. ele escreve: „Do objetivo da ciência lo ir obtêm-se duas séries semânticas igualmente extensas, a saber, de um lado: mokslingas, mokslingumas, iš mokslinis, moksliškas, moksliškumas, mokslus, mokslumas; de outro lado: tikslingas, tikslingumas, tikslinis, tiksliškas, o iš tiksliškumas, tikslus, tikslumas. ir Mokslingas ir tikslingas significa a abundância ir do objetivo da ciência. Mokslinis ir tikslinis indica a pertença ao âmbito do ir objetivo da ciência; moksliškas ir tiksliškas caracteriza o sujeito ou objeto ar segundo a correspondência ar inerente à natureza do objetivo da ciência; os ir objetivos científicos iš indicam a inclinação de uma das į partes para a ciência, o iš da segunda parte — į o objetivo“. 205 p. encontramos: „A ciência é um dos iš objetivos humanos. A investigação científica orientada para um ir objetivo exige um método sistemático. Em geral, no campo da ciência, o método ir sistemático é uma condição da intencionalidade. A questão do objetivo, ou teleológica, é indispensável para toda ação humana. É intencional o trabalho que tem seu próprio objetivo. O artista esculpe precisamente a forma na iš madeira. A precisão do trabalho das abelhas é muito grande. Precisar é estabelecer a correspondência entre uma coisa ir jo seu objetivo ou norma. Com a precisão, geralmente se procura estabelecer a correspondir ência entre a verdade de uma coisa. Precisa é a coisa inclinada ao objetivo, que não se į desvia dele. jo O ser humano pode reconhesą cer com precisão. A exatidão do conhecimiš ento é um dos objetivos do conhecimento“. As afirmações da segunda citação são mais precisas. iš Por exemplo, o adjetivo tikslingas na realidade significa ne „abundância de objetivos“, mas „que corresponde ao objetivo, realizado ir com precisão“ etc. S. Šalkauskis, nesta obra, tentou terminologizar algumas palavras da língua popular, transformando-- as em neologismos ir iš jų (por exemplo, omė, omingas, omingumas, ominis, omiškas, omiškumas; tūlas, tūleriopas, tūleriopumas:; žiūra, žiūrus, žiūrumas e semelhantes), mas elas não ir se consolidaram na linguagem científica. Nas explicações ir e nos comentários são discutidos mais termos do que os apresentados no glossário, por jų exemplo: amžinuma, apybrėža, bendramatiškas, pagrindumas, pojūtiškas, prietapus etc. ir Ao normalizar a terminologia S. filosófica, Šalkauskis tomou em geral como base a palavra, o ne o conceito, o lexema, o ne o semema. Ele classificou os conceitos terminológicos segundo as formas da palavra. A este respeito, pode-se até perceber uma contradição entre a conceção das categorias da jo terminologia (ver 2.3.2.) ir o método com base no qual ele analisa as famílias semânticas de palavras da terminologia da filosofia geral. 4. Conclusões 4.1. S. Šalkauskis, — filósofo da corrente neoescolástica, — interessou-se pela terminologia enquanto estudava na Universidade de Moscou, [onde (1905—1911), o estudou] os trabalhos mais significativos desta área („Teoria da terminologia, ir terminologia filosófica lituana“, m., 135 „Terminologia geral da ir filosofia“ etc.) publicou 1925— 1938 lecionando na Universidade de Kaunas. 4.2. Šalkauskis criou a teoria S. da terminologia baseando-se nas obras dos lógicos da ir Antiguidade e da Idade Média e dos ir (século a. XX) linguistas franceses (M. Bréal, J. Vendryes ir e outros) pelas investigações. Também o ajudaram eminentto es linguistas da nossa época J. Balčikonis, A. Salys, P. Skardžius. 4.3. S. A teoria da terminologia de Šalkauskis pertence à corrente da terminologia linguística. Ji abrangeu todos os aspetos mais importantes da terminologia: a essência e as ir propriedades do termo, as fontes da terminologia, as categorias, as particularidadir es do uso, os principais princípios de formação dos termos. Pela ir originalidade e profundidade do pensamento científico ši jo A teoria, naquela época, estava ao nível da ciência europeia. 4.4. S. A teoria da terminologia de Šalkauskis é — contraditória. Ji tem um ir lado ir forte e um lado fraco. O seu ponto forte é este: 1) S. Šalkauskis distinguiu corretamente os conceitos de „terminia“ ir e de „terminologia“, descreveu adequadamente o objeto da terminologia e as ir suas relações com outros ramos su científicos próximos; evidenciou as principais fontes 2) da terminia e algumas características importantes do ir seu uso; formulou os princípios mais importantes de criação e normalização dos termos; 3) compreendeu corretamente a importância das palavras internacionais para a terminologia, as 4) relações desse tipo de terminologia com o léxico lituano etc. ir su ir O ponto fraco dessa teoria é o seguinte: Šalkauskis não distinguiu os termos monovocabulares dos nomes próprios, nem 1) os compostos das proposições lógicas; S. além disso, considerava termos apenas os substantivos, mas não os verbos nem os advérbios; o compreendeu a — terminologização de maneira unilateral, sem mencionar a sua be oposição dialética, a determinologização; por isso, ficaram pouco claras as ne relações da terminologia com o léxico da língua literária; dedicou ir pouca atenção à classificação dos 2) conceitos terminológicos relacionada com a especialização dos meios de formação etc. — to su 3) ir su ja ir Be além disso, a atividade prática de Šalkauskis na S. organização dos termos, em certos casos, contradiz os princípios teóricos da ne terminologia publicados, nu TEPMHHOJIOTHUECKAS, TEOPUS jo C. INAJIKAVCKHMCA Resumo C. Mankayckuc (1886—1941) — nurosckuii Gypxya3HbIiė OOinecTBeHHbIN aeaTens H (inoco — TepMHHOJIOTHEŽ 3aHHTEpecOBAJICA emie roabl y4eObi B B MOCKOBCKOM YHHBEPCHTETC (1905—1911). A B 1925— 1938 rr., yxe Gymyuu npodeccopom KayHacCKOro yHHBepcHTETa, OH ONyO/MKOBaJI CEpHIO HAyYHBIX CTaTelf MO TEOPHH JIHTOBCKON TEPMHHOJIOIHH. B ocroBy csoeii Teopun C. IllankayCKuc MOJIOXHJI YYCHHS AHTHYHBIX M CPEAHEBEKOBHIX OHJIOCOĖOB JIOTHKOB H ĖpaHIY3CKHX s3bikoBenos Havana XX B. (M. Bréal, J. Vendryes x 11p. ). Tepmuuonoradeckas Teopas C. Illankayckuca xacajach BCX OCHOBHBIX BONPOCOB JIHTOBCKOH TEPMHHOJIOTHH: KATETODHH, CBONCTBA H MCTOMHHKHM TEPMMHOJICKCHKM, ynorpebienue TepMHHOB, OCHOBHBIC IIDHHIMINLI TEPMHHOTBOPYECTBA H T. ele. OpHrHHAILHAA H Hay4HO OOOCHOBAHHASA, ara TEODpHA HMEeT ČonMbInOe 3HAYCHWE KaK UIA JIATOBCKON TEDpMHHOJIOTHH, TaK H JŲIA HCTOPHH TEDMHHOJIOTHH BOOOIme. OnHako OHa npoTHBOpeunsa. C ONHOM CTOPOHSI, B Hell NpaBHJIbHO ONpeJieJIeH 0OBEKT TEDMHHOJIOTHH, He OTOXKIECTBIIAIOTCA TEDMHHOJIOTHA H TEPMHHOJICKCHKA, NIPABHIbHO OIEHHBAIOTCA WHOCTpaHHBIE CJIOBA H T.JĮ. C Jpyro# CTOPOHEI, €€ aBTOP TEpMHHAMH CYHTAJ HC TOJILKO MOUTHHHBIE TEPMHHBLI, HO H HMEHA COOCTBEHHBIE, Nake HEKOTOPHIC JIOTHYECKHE TE3HCbI, CBO6€06pa3HO H Y3KO IIOHHMAJI TEPMHHOJIOTH3ALAIO, MAJIO BHHMAHHS YVJIEJISJI KAACCHPUKALMH NoHATHH H T... 136