Социолингвистическое исследование литовской речи коренных вильнюсцев
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LIETUVIŲ KALBOTYROS KLAUSIMAI XXIII (1983)
LAIMA GRUMADIENĖ
ESTUDO SOCIOLINGUÍSTICO DA FALA LITUANA DOS NATIVOS DE VILNIUS
Introdução. A fala urbana é variável, o que torna sua análise mais complexa. Deve-se observar que a variabilidade da língua em geral é uma propriedade constante e se manifesta na capacidade de variar os meios linguísticos (cf.: Skvortsov L. I., 1978, p. 22), expressando a vitalidade da língua. No estudo da variação linguística, o objeto de partida é o idioleto (Stepanov G. V., 1979, p. 13–14). Somente depois de definir os limites da variação na fala de um indivíduo é possível abordar uma tarefa linguística específica, como o estudo da língua de uma coletividade como um todo (Grosse R., Neubert A., 1976, p. 316).
A fala de um indivíduo pode variar dentro dos limites da norma de um determinado invariante grupal ou coletivo, dentro dos limites de uma subsistema sociocomunicativa determinada /termo de A. D. Schweizer (1976, p. 76–77)/, uma vez que deve obedecer às leis da comunicação. Contudo, não existem sistemas sociocomunicativos aos quais não seja característica uma variação determinada, pois “a existência de variantes e de estruturas heterogêneas nos coletivos de fala já estudados é, evidentemente, um fato solidamente estabelecido” (Weinreich U., Labov W., Herzog M., 1968, p. 101).
Essa afirmação explica-se pela ação de fatores objetivos e subjetivos, tanto de natureza social quanto estritamente linguística, que se ativam em diferentes circunstâncias (Desheriev Yu. D., 1977, p. 127–187; Labov W., 1975a, p. 96–181; Postovalova V. I., 1978, p. 148–156; Serebrennikov B. A., 1974, p. 7–63).
O conceito de variável sociolinguística, cuja fundamentação se encontra nos trabalhos de W. Labov, sintetiza as dimensões linguística e social do material estudado: as variáveis sociolinguísticas “são determinadas por um ponto de referência e por uma escala de valores que variam em uma determinada direção. Os valores dentro dos limites dessas escalas são determinados por fatores sociais, assim como os contextos fonológicos condicionam a realização fonética dos alofones” (Schweizer A. D., 1976, p. 35). O conceito de variável sociolinguística é aplicado e desenvolvido com êxito em muitos trabalhos de temática sociolinguística.
O estudo da variação da fala de uma determinada coletividade linguística por meio de uma metodologia sociolinguística pressupõe uma interpretação sociolinguística
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da variação da língua, que se expressa na distinção relativa entre sua variabilidade estratificacional e situacional (Schweizer A. D., Nikolsky L. B., 1978, p. 76—85). Deve-se enfatizar o caráter relativo da distinção entre esses tipos de variação, pois existe entre eles uma estreita inter-relação. É precisamente a consideração do papel mediador da variabilidade situacional mencionada que permite evitar uma interpretação vulgarizadora da influência dos fatores sociais sobre a língua. A distinção entre os tipos de variação linguística indicados leva em conta também a relação entre fatores individuais e sociais na língua (para mais detalhes, ver: Makovsky M. M., 1976).
A esses dois tipos de variação linguística correspondem dois tipos de variáveis sociolinguísticas: estratificacionais e situacionais (ou estratificacionais-situacionais). As variáveis estratificacionais são identificadas em relação à estrutura social de classes da sociedade, enquanto as variáveis estratificacionais-situacionais variam tanto em relação à estrutura social da sociedade quanto em função da situação social. O estudo da situação social pressupõe a análise de dois tipos de material empírico: os chamados dados dos aspectos objetivo e subjetivo da língua. A consideração do aspecto subjetivo (isto é, das opiniões, avaliações, juízos e orientações dos falantes a respeito de sua própria fala ou da fala de outros, bem como das definições de orientação valorativa no domínio da língua e da norma linguística) prepara o terreno para a aplicação produtiva de regras sociolinguísticas e, assim, para a identificação dos principais fatores — tanto linguísticos quanto sociais — que influenciam a evolução da língua.
Somente mediante o estudo cuidadoso do aspecto subjetivo da língua e a correlação dos dados dessa dimensão com os dados do aspecto objetivo da língua torna-se possível interpretar a passagem de variáveis estratificacionais a variáveis estratificacionais-situacionais. A manifestação destas últimas está ligada à atividade consciente do ser humano no domínio da língua, isto é, à orientação valorativa e às atitudes sociais.
A atividade consciente no domínio da língua está sempre relacionada ao conceito de norma linguística. Tornou-se habitual a ideia de que a mudança dessas normas ocorre muito lentamente. Mas, já em 1931, E. Polivanov escreveu que essa ideia poderia ser precisada caso se observasse de perto o curso da evolução linguística em elos específicos do sistema gramatical, com a ajuda do método probabilístico-estatístico, naturalmente nos casos em que os fatos fossem acessíveis a esse tipo de observação (Polivanov E., 1931, p. 75—76). Outros linguistas também escrevem sobre a necessidade de dominar o mecanismo da evolução da língua ao se estabelecerem normas (Kostomarov V. G., Shvartskopf B. S., 1965, p. 126). Somente mediante o estudo abrangente do mecanismo das mudanças linguísticas torna-se possível resolver oportuna e mais objetivamente o problema da normatização, isto é, da codificação da língua, que preveria uma determinada dependência das mudanças intrassistêmicas em relação ao desenvolvimento de funções comunicativas específicas das línguas (Desheriev Yu. D., 1966, p. 235—239).
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Именно выявление социолингвистических норм (Никольский Л. Б., 1976, с. 129—130) предполагает учет взаимодействия в языковом развитии т.н. „внешних“ и „внутренних“ факторов, рассмотрение лингвистических фактов не только объективного, но и субъективного характера, установление их взаимосвязи. Поэтому социолингвистическое изучение разговорной речи важно не только для определения системы литовского языка жителей города Вильнюса, но и в определенной мере для дальнейшего процесса нормирования и кодификации литовского литературного языка.
Um problema atual da linguística, assim como da ciência em geral, é a elaboração e a reflexão sobre procedimentos de fundamentação do conhecimento científico; em particular, o problema da suficiência das fundamentações ao confirmar hipóteses (Постовалова В. И., 1980, с. 89), bem como a reunião, a escolha e a seleção de fatos empíricos e os fundamentos de sua oposição ou comparação (Bell R., 1978, p. 123—156).
No estudo da língua como sistema funcional, a presença de “pontos fracos” da língua (termo de E. Coseriu, 1963, с. 238—239), isto é, a discrepância entre as necessidades de expressão e os meios de expressão disponíveis, sinaliza mudanças iminentes. Na busca por “pontos fracos” da língua, também pode ser aplicado o método estatístico-probabilístico. Supõe-se, em particular, que a análise estatística pode ser usada para formular e resolver problemas como: 1) o problema da datação absoluta das mudanças, 2) o cálculo do ritmo das mudanças, 3) o problema da previsão (Граудина Л. К., 1980, с. 132).
O papel do método estatístico na ciência da linguagem já era assinalado no século passado, por exemplo, nos trabalhos de I. Baudouin de Courtenay. No entanto, a aplicação de métodos matemáticos nas ciências sociais (o que também se aplica ao estudo da língua sob o aspecto sociolinguístico) enfrenta uma série de dificuldades, decorrentes da complexidade dos fenômenos sociais e também do fato de que o objeto de estudo não é apenas o aspecto objetivo, mas também o subjetivo do fenômeno; a expressão quantitativa dos fatos relativos a este último exige o desenvolvimento de um aparato matemático específico. A principal dificuldade reside no fato de que, por vezes, é preciso lidar com séries estatísticas curtas, sem que haja certeza de que uma parte considerável do que foi observado não tenha sido criada pela imaginação dos próprios observadores (cf. Андреев Э. П., Осипов Г. В., 1973, с. 339).
A aplicação de métodos matemáticos na pesquisa linguística é avaliada de maneiras diversas. Isso é natural, pois esses métodos também são aplicados de maneiras diversas. Poucos linguistas se manifestam de forma bastante negativa a respeito da aplicação de métodos matemáticos na linguística, por exemplo, Н. С. Трубецкой (1960, с. 18), Р. А. Булагов (1978, с. 40—42) e outros. Muito mais especialistas defendem a opinião contrária, segundo a qual a linguística “não pode se vincular a métodos de pesquisa estabelecidos de uma vez por todas” (Звегинцев В. А., 1977, с. 46).
1. Caracterização sociolinguística do objeto.
O objeto deste estudo é o sistema sociocomunicativo (SSC) da fala lituana do coletivo de lituanos nativos de Vilnius (ЛРКЛВ) (Швей-
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цер А. Д., Никольский Л. Б., 1978, с. 67—76). Конкретным предметом исследования послужил один из компонентов данной СКС — литовская речь исследуемого коллектива. Так как между компонентами СКС существуют отношения функциональной дополнительности, которые задаются социальными связями между членами коллектива, сферами использования, социальными функциями и социальными ситуациями, в целом, в том или другом аспекте изучалась вся СКС речевого коллектива коренных литовцев вильнюсцев. С целью определения некоторых закономерностей и тенденций стратификационной и ситуативной вариативности ЛРКЛВ речевой коллектив был разбит на речевые общности на основе социальных и социально-демографических признаков (там же, с. 67—68).
Neste estudo, foram delimitadas comunidades de fala com base em dois critérios: idade e nível de escolaridade. De acordo com o plano de pesquisa elaborado, deveria ser considerado o critério da natureza do trabalho, pois precisamente esse critério é fundamental para a diferenciação interna dos grupos sociais e de classe nas condições de uma sociedade socialista desenvolvida (cf. em: Шкаратан О. И., Рукавишников В. О., 1974, с. 38). As diferenças segundo o tipo de trabalho (trabalho físico, trabalho intelectual de qualificação relativamente baixa e trabalho intelectual altamente qualificado), que têm por base diferenças na natureza do trabalho (Руткевич М. Н., 1972, с. 13), foram inicialmente consideradas também neste estudo, mas, por fim, surgiu a alternativa: ou abandonar a consideração do critério da natureza do trabalho, ou aumentar significativamente o tamanho da amostra. Optou-se pela primeira alternativa (cf.: Здравомыслов А. Г., 1969, с. 186—187). Neste estudo, distinguem-se três grupos etários: 1) nascidos antes de 1932; 2) nascidos entre 1932 e 1952; 3) nascidos em 1953 ou depois (cf.: entre as escalas etárias recomendadas pelo ИСИ АН СССР, há uma escala de três níveis: 1) até 19 anos, 2) 20—39 anos, 3) 40—79 anos (“Эксперт-2”, 1974, с. 3)).
Neste estudo, consideram-se relevantes dois níveis de escolaridade: 1) ensino secundário incompleto, ensino secundário completo e ensino secundário especializado; 2) ensino superior incompleto e ensino superior completo (uma classificação mais detalhada também exigiria aumentar o tamanho da amostra).
O problema do tamanho da amostra depende do problema da unidade de análise e da unidade de contagem (Ядов В. А., 1968, с. 174—177). Neste estudo, são unidades de análise: 1) variáveis sociolinguísticas individuais, por exemplo, o conjunto de variantes de ĕ, ē, ā, ū átonos em posição final ou o conjunto de variantes de ie, uo átonos em posição intervocálica e assim por diante; 2) as opiniões e os juízos dos representantes do coletivo de fala estudado sobre a própria fala. Como unidades de contagem, consideraram-se os valores escalonados das variáveis sociolinguísticas ou dos juízos, a escolha entre alternativas ou a presença/ausência da unidade estudada como um todo. A amostra foi bilateral — selecionaram-se unidades linguísticas e foram examinados grupos de pessoas; por isso, aumentou o número de critérios para o tamanho da amostra: em primeiro lugar, foram considerados os critérios relativos ao número de representantes do ЛРКЛВ, isto é, os critérios
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da amostra sociológica e, em seguida, foram levados em consideração os critérios da amostra linguística. Esse procedimento foi determinado por pesquisas sociolinguísticas realizadas anteriormente. Em nossa opinião, o estudo mais bem-sucedido da fala urbana é o trabalho de W. Labov (Labov W., 1966). Nele, dedica-se grande atenção à seleção dos informantes, o que constituiu o principal fator de seu sucesso.
Na presente pesquisa, a população estudada atende aos seguintes requisitos: os participantes nasceram e viveram na cidade de Vilnius sem interrupção significativa, e ambos os pais são lituanos (cf. requisitos análogos, por exemplo, em: Русский язык по данным массового обследования, 1974, p. 20). O curso da formação e da mudança das situações linguísticas na cidade de Vilnius nos últimos 100 anos fez com que houvesse um número bastante limitado de representantes da geração mais velha que atendem aos requisitos acima. Observa-se um aumento acentuado no número desses representantes entre a geração mais jovem. Em última análise, foi necessário fazer alguns desvios dos requisitos da amostra: os representantes da geração mais velha podiam não ser naturais de Vilnius, desde que tivessem se estabelecido na cidade ainda na infância.
As informações sociolinguísticas obtidas devem atender aos requisitos de confiabilidade, estabilidade e representatividade (cf. em: Шляпентох В. Э., 1973, p. 17). Para garantir a confiabilidade das informações, a amostra deveria abranger todas as gerações da comunidade de fala estudada (com o objetivo de descrever as mudanças na fala em tempo real), pois eram necessários dados para ilustrar os deslocamentos e as mudanças linguísticas em tempo aparente, isto é, por grupos etários da população (Лабов, 1975 б, p. 203). A confiabilidade, assim como a estabilidade, é assegurada pela existência de registros materiais dos dados sociolinguísticos primários (gravações de entrevistas em fita magnética, questionários, espectrogramas). A representatividade é caracterizada pela área à qual os resultados obtidos podem ser generalizados. Em geral, os requisitos de confiabilidade, estabilidade e representatividade são atendidos por meio da obtenção de uma amostra não enviesada e suficiente e da condução correta do trabalho de campo, desde que os dados sejam obtidos mediante a aplicação de uma série de métodos de coleta de material. Para evitar vieses na seleção dos informantes, realizou-se uma amostragem aleatória com base numa lista completa de informantes potenciais, composta pelos questionários do Censo Populacional da União de 1970, guardados no arquivo da Administração Central de Estatística da RSS da Lituânia. A lista não pode ser considerada inteiramente completa, pois dados indiretos sobre o tempo de residência em Vilnius só podiam ser encontrados em 25% dos questionários disponíveis. Para garantir a aleatoriedade na seleção dos informantes, as pastas numeradas com os questionários foram selecionadas de acordo com uma tabela de números aleatórios.
Os maiores problemas estão relacionados ao tamanho da amostra. Ele depende da variabilidade das características dos elementos da população geral e pode ser pequeno se a população geral for quase homogênea (Рабочая книга социолога, 1976, с. 259). No nosso caso, para obter uma amostra de alta
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Para garantir a representatividade, é necessária uma amostra de grande dimensão, pois a comunidade de fala estudada caracteriza-se por uma grande heterogeneidade. A dimensão da amostra também determina o grau de precisão dos resultados amostrais. Partindo dos pressupostos de que «quase sempre o tamanho da amostra é suficientemente grande se contiver pelo menos 30 elementos» (Вайнберг Дж., Шумекер Дж., 1979, с. 126), de que «o número básico de 25—30 unidades é o mínimo para amostras pequenas» (Человек и его работа, 1967, с. 61), de que «tipos altamente regulares de estratificação estilística e social são identificados mesmo quando a nossa célula individual contém apenas cinco falantes e dispomos de não mais de 5—10 exemplos dessa variável por pessoa» (Лабов У., 1975 а, с. 115), de que é possível uma amostra dentro dos limites 1 ≤ n ≤ 50 (Чесноков С. В., 1977, с. 89), de que «uma amostra deve ser considerada pequena apenas se, ao processá-la por métodos baseados no agrupamento de observações, não for possível alcançar os níveis de precisão e fiabilidade definidos» (Гаскаров Д. В., Шаповалов В. И., 1977, с. 19), determinámos, em última análise, a dimensão da amostra para o estudo da LRAV — 25 informantes de cada um dos três grupos etários (N=75). Após o tratamento da informação sociolinguística inicial no que respeita à representatividade dos informantes, o núcleo principal da amostra passou a ser constituído por 15 representantes do grupo etário mais velho, 19 do grupo intermédio e 26 do mais jovem, bem como por 9 informantes — locutores de rádio e atores de teatro.
Na presente pesquisa, consideram-se três estilos contextuais, entendidos como o deslocamento de certas variáveis sociolinguísticas na fala dos informantes quando mudam o contexto social e o tema (cf.: Лабов У., 1975 б, p. 199—220). Seguindo W. Labov, o autor deste trabalho considera que o principal critério para distinguir os estilos contextuais é o grau de atenção que o falante dedica à fala. O grau de atenção à própria fala
Na presente pesquisa, consideram-se três estilos contextuais, entendidos como o deslocamento de certas variáveis sociolinguísticas na fala dos informantes quando mudam o contexto social e o tema (cf.: Лабов У., 1975 б, p. 199—220). Seguindo W. Labov, o autor deste trabalho considera que o principal critério para distinguir os estilos contextuais é o grau de atenção que o falante dedica à fala. O grau de atenção à própria fala
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depende não apenas do autocontrole consciente do falante, mas também de toda uma série de fatores sociológicos, psicológicos e outros fatores extralinguísticos. Estabeleceu-se que, por exemplo, “Em estado de tensão emocional, ocorrem mudanças significativas na execução das operações da fala que exigem controle consciente da qualidade de sua realização” (Nosenko E. L., 1979, p. 16), e o próprio estado emocional também depende da situação social. Na sociolinguística, consideram-se parâmetros da situação social as relações entre os comunicantes, o contexto do ato de fala, a intenção comunicativa etc. (cf. em: Shveitser A. D., Nikolsky L. B., 1978, p. 66). Recentemente, na sociolinguística, tornou-se habitual designar como “registro” o sistema de seleção dos meios linguísticos em função da situação social (ibid., p. 75). Geralmente distinguem-se três registros: informal, neutro e formal; por vezes, eles são indicados como os dois extremos de uma escala de características situacionais — informal e formal (ver em: Russkaya razgovornaya rech, 1973, p. 9—11).
No estudo dos estilos contextuais, consideram-se relevantes as relações de papel entre os comunicantes, seu status e o contexto do ato comunicativo. No estudo da LRCLV, durante a etapa principal da coleta de dados empíricos, as relações de papel entre o entrevistador e o entrevistado podem ser consideradas relações semiformais entre pessoas desconhecidas que conversam sobre assuntos cotidianos leves. As relações “entrevistador — entrevistado” são consideradas padronizadas (iguais para todos os entrevistados), embora, na realidade, naturalmente, tenham sido relativamente diferentes. O contexto do ato comunicativo também foi padronizado em todas as entrevistas: todas as conversas foram realizadas na casa dos entrevistados (com exceção dos atores e locutores de rádio, cujas entrevistas foram realizadas em seus locais de trabalho).
Por meio da padronização ou, mais precisamente, da eliminação das características de contexto, status e papéis dos comunicantes, as diferenças entre os estilos contextuais foram asseguradas mediante a aplicação de critérios relativamente linguísticos — a mudança de tema e o tipo de texto. No estudo da LRCLV, distinguiam-se três estilos contextuais: 1) informal não direcionado (realizado na forma de um relato sobre si mesmo e de uma conversa com o entrevistador); 2) formal não direcionado (realizado durante a leitura de um texto contínuo padrão, no qual um adolescente narra suas aventuras e experiências); 3) formal direcionado (realizado durante a leitura de uma lista de 20 pares mínimos de palavras) (ver apêndice 1).
2. Métodos de coleta de informações sociolinguísticas sobre a LRCLV.
No estudo da LRCLV, as informações sociolinguísticas foram coletadas por meio de vários métodos. Isso permitiu verificar sua qualidade, adequação e representatividade já na primeira etapa do processamento.
Como método principal de coleta de informações sociolinguísticas sobre a LRCLV, adotou-se o método de entrevista semipadronizada (cf. a noção de entrevista padronizada em Monina M. L., 1974, p. 40—83).
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Foram estabelecidos vários objetivos: 1) determinar os fatos de fala do grupo estudado em determinadas condições sociolinguísticas; assim, todo o material das entrevistas serviu de documento para análises posteriores; 2) averiguar a atitude dos participantes em relação à normatividade de sua própria fala e à fala de representantes da fala normativa (locutores de rádio e televisão, atores de teatros dramáticos); 3) determinar a opinião sobre a existência ou inexistência de uma comunidade linguística de Vilnius com normas próprias de fala (incluíam-se aqui perguntas do tipo “Você reconhece um habitante de Vilnius apenas com base nas características de sua fala?”, “Alguém já o reconheceu como morador da cidade de Vilnius com base em sua fala?” etc.); 4) esclarecer algumas questões relativas ao funcionamento dos sistemas sociocomunicativos, em particular, questões de bilinguismo (plurilinguismo) e diglossia; determinar os domínios de uso do russo (em alguns casos, também do polonês) e dos dialetos do lituano; precisar o grau de domínio de outras línguas e dialetos; e averiguar os modos e o período em que foram adquiridos (ver apêndice 2). Este artigo apresenta alguns resultados da investigação do primeiro objetivo e, em parte, do segundo; por isso, descrevem-se apenas alguns dos métodos de coleta do material.
A entrevista foi denominada semipadronizada porque, essencialmente, eram feitas as mesmas perguntas a cada entrevistado (ver apêndice 2), mas elas eram ligeiramente modificadas para cada um, levando em conta suas possibilidades e sua capacidade de responder.
A duração da entrevista era de 20—30 min. O curso da entrevista, com pequenas variações, era o seguinte. Após obter o consentimento do interlocutor, o entrevistador confirmava o ano de seu nascimento e procurava informações sobre a origem dialetal de seus pais. As respostas a essas perguntas costumavam ser breves. Para estimular os entrevistados a contar histórias e ouvir sua fala espontânea e contínua, faziam-se perguntas sobre suas viagens, suas visitas às aldeias de origem dos pais e suas férias / cf. a pergunta sobre o “perigo mortal” a que o entrevistado havia sido exposto, usada por W. Labov (1975a, p. 121—122)/. Nesse momento, observava-se uma mudança natural do estilo contextual em direção à informalidade e à espontaneidade. Após 5—10 min de relato, fazia-se ao entrevistado, de passagem, a seguinte pergunta: se alguém o havia reconhecido, durante a viagem descrita, como morador da cidade de Vilnius. Em seguida, apurava-se a opinião do entrevistado sobre as especificidades da fala de Vilnius; perguntava-se sobre sua atitude em relação à correção de sua própria fala, à fala dos locutores e atores e ao ensino da fala lituana nas escolas de ensino geral. Depois, pedia-se que lesse em voz alta um texto contínuo de 1800 caracteres impressos — o relato de um adolescente sobre suas aventuras no pátio (ver apêndice 1, texto nº 1) (cf.: Labov W., 1975a, p. 124); por fim, apresentava-se uma lista composta por 20 pares mínimos de palavras (ver apêndice 1, texto nº 2) (cf. ibid.), a maioria dos quais já constava do texto contínuo, mas não podia ser identificada pelos entrevistados. Depois disso, investigavam-se algumas questões de bilinguismo (plurilinguismo) e diglossia. Como resultado da entrevista, distinguiam-se os três estilos contextuais mencionados.
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As entrevistas foram complementadas pelo método de questionário. Cada entrevistado era convidado a preencher um questionário (ver apêndice 3), que incluía 55 perguntas sobre pronúncia e acentuação, estruturadas segundo o princípio da alternativa.
O terceiro método utilizado neste trabalho foi o teste auditivo. Com sua ajuda, estudou-se apenas uma característica da LRCLV — a questão da realização da oposição entre vogais longas e breves em diferentes posições fonéticas. O material analisado — 58 pares mínimos de palavras (ver apêndice 4.1) — foi dividido em 6 tipos de homônimos, de acordo com os seguintes critérios: 1) a origem das vogais que constituem a oposição; 2) a presença (ou ausência) de acento nas vogais estudadas. Como a prática do teste auditivo (ver a revisão da literatura na dissertação de K. Garšva, 1977) mostrou que, durante uma sessão, é mais conveniente estudar a realização de 4–5 pares mínimos, o conjunto de pares analisado foi subdividido em 13 grupos, nos quais as palavras foram agrupadas não apenas segundo os dois critérios mencionados acima, mas também de acordo com características morfológicas. O procedimento e a metodologia do teste auditivo foram os usuais (ver Girdenis A., 1981, p. 33 – 35).
O mesmo material linguístico, isto é, 58 pares mínimos de palavras, foi analisado pelo método da análise espectral dos sons. Nesta etapa, o objetivo era determinar a duração (t) e a frequência das formantes principais (F1 e F2) dos sons estudados, a fim de identificar indicadores físicos de mudanças na pronúncia.
Os 116 sons estudados estavam contidos em 116 frases, organizadas de acordo com uma tabela de números aleatórios. Foram obtidas 464 realizações dos sons estudados, pois o texto foi lido por 4 locutores. Os locutores eram homens (S. Ž., D. K., R. P. e A. I.), com idades entre 22 e 25 anos, que atendiam aos requisitos gerais estabelecidos para os informantes deste estudo. Eles desconheciam o objetivo da pesquisa. Quanto ao registro e ao timbre da voz, três tinham voz de barítono e um, de tenor. Não foram detectados defeitos de fala.
A gravação foi realizada em abril de 1974, na cabine do laboratório audiovisual da Universidade Estatal de Vilnius, em um gravador „Tembras“, à velocidade de 19,5 m/min, com um microfone condensador 19A-3, em fita ferromagnética do tipo 6 (para mais detalhes sobre essa metodologia, ver: Statkevičienė J., 1972). O nível de gravação foi ajustado separadamente para cada locutor e não foi alterado durante o funcionamento do equipamento. Do material obtido, foram recortadas e editadas as palavras com realizações dos sons estudados (o trabalho técnico foi realizado pela técnica de laboratório sênior V. Lakėnė, do Laboratório de Fonética Experimental da Universidade Estatal de Vilnius). Em seguida, as gravações foram processadas em um espectrógrafo do tipo KPI-69 (no mesmo laboratório), com velocidade de deslocamento da fita de 63,6 mm/s; as marcas de tempo eram feitas a cada 20 ms (50 Hz) (o trabalho técnico foi realizado pelos engenheiros do mesmo laboratório P. Mateikis, A. Lipeika e S. Kučas).
3. Métodos de análise das informações sociolinguísticas sobre a LRCLV.
Neste trabalho, para estudar o material obtido
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por cada um dos métodos indicados de coleta de informações sociolinguísticas, foram aplicados vários métodos de análise, com o objetivo de verificar a objetividade dos resultados.
Na sociolinguística, as correlações são consideradas um fenômeno típico: nelas, os indicadores sociais atuam como variáveis independentes, e os fenômenos linguísticos, como variáveis dependentes. A análise de correlação, método da estatística matemática, pode ser aplicada ao estudo dos fenômenos linguísticos com grande cautela, pois é impossível, pelo menos no atual estágio de conhecimento dos problemas sociolinguísticos, levar em conta a ação de todos os fatores principais; além disso, cada fator “oculto” pode influenciar significativamente os resultados.
O material coletado pelo método de entrevista foi analisado principalmente segundo a metodologia proposta por W. Labov em seu estudo sobre a fala de Nova York (Labov W., 1966, p. 41—64). Cada variável sociolinguística estudada no nível fonético foi codificada da seguinte maneira. Na transcrição da entrevista, atribuiu-se um código a cada variante de pronúncia da variável, por exemplo: (ie—1) — realização [ie], (ie—2) — [ie], (ie—3) — [ei]. Em seguida, calculou-se a frequência relativa de uso (em%).
Os cálculos foram realizados separadamente para cada informante em cada um dos três estilos contextuais. Em seguida, foram calculados (somados e tirados os valores médios) os resultados das respostas dos informantes para cada um dos três grupos etários, levando em conta dois níveis educacionais convencionais. Esses dados foram apresentados em diagramas (ver apêndice 5), cujo eixo vertical mostra os valores correspondentes das frequências médias de uso das variantes da variável sociolinguística estudada, enquanto o eixo horizontal indica os grupos etários, considerando-se o nível educacional. Cada diagrama apresentava os valores numéricos de todos os estilos contextuais.
Pela fórmula
m₁/m ± 1,96 · √((m₁/m) · (1 − m₁/m) / m)
(Bitinas B., 1974, p. 54), em que m é o número total de ocorrências da variável sociolinguística estudada e m₁ é o número de ocorrências de uma determinada variante da variável; para uma probabilidade de confiança igual a 0,95, determina-se o intervalo de confiança da distribuição de frequências. Se os valores desses intervalos não se sobrepõem, conclui-se que as frequências relativas comparadas diferem significativamente.
A possível influência sobre a fala dos informantes da origem dialetal da fala de seus pais foi estudada pelo método da análise de variância com classificação unifatorial (Zaks L., 1976, p. 455—461). Estudou-se separadamente a possível influência da fala de cada um dos pais. Os locais de origem dos pais dos informantes foram agrupados em sete categorias convencionais: 1 — aukštaitianos ocidentais (flanco sul), 2 — aukštaitianos meridionais, 3 — naturais das cidades de Vilnius e Kaunas, 4 — žemaitianos, 5 — aukštaitianos orientais de
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arredores de Utena, 6 — o flanco norte dos aukštaitianos orientais e ocidentais, 7 — aukštaitianos orientais dos arredores de Vilnius. Como a análise de variância requer grupos com pelo menos cinco informantes, os falantes de dialetos próximos tiveram de ser reunidos em grupos maiores, caracterizados pela presença/ausência da tendência a pronunciar as vogais tônicas breves de forma prolongada e de um sistema vocálico com três graus de duração. O método de análise de variância (cf. Zaks L., 1976, p. 448—514; Métodos estatísticos..., 1979, p. 178—194) é bastante trabalhoso em comparação com o método descrito acima; no entanto, foi utilizado não só para processar os dados de campo obtidos, mas também para averiguar a possibilidade de aplicar programas já desenvolvidos para o processamento automatizado de dados sociolinguísticos desse tipo. No presente estudo, todos os cálculos foram feitos manualmente por uma única pessoa, com o auxílio de um computador de mesa, mas os resultados mostraram que esses dados também podem ser programados e processados em computadores mais sofisticados. A consultora para a aplicação da análise de variância neste estudo foi B. Kaminskienė, pesquisadora sênior do Instituto de Matemática da Academia de Ciências da LSSR, candidata em ciências físico-matemáticas.
A análise de variância baseou-se na comparação das frequências médias de cada uma das variantes de realização da variável sociolinguística estudada, desde que fossem satisfeitos os requisitos de igualdade das variâncias de várias amostras e de distribuição normal. A distribuição normal é obtida por amostragem aleatória. As variâncias foram verificadas pelo método de Bartlett (Zaks L., 1976, p. 453—455). A medida de avaliação foi o critério χ2. Os cálculos, não apresentados por falta de espaço, permitiram afirmar que era possível realizar uma análise de variância dos dados disponíveis sobre a fala dos residentes nativos de Vilnius.
A análise de variância com classificação unifatorial, cujos resultados são apresentados a seguir, confirmou a existência de algumas diferenças significativas entre os valores médios das frequências de uso das variantes da variável, realizadas na fala dos informantes distribuídos em grupos conforme a origem dialetal da fala da mãe e do pai. Por isso, aplicou-se o método de inferência sobre contrastes lineares de Scheffé (Zaks L., 1976, p. 461—464). Esse método permite identificar grupos atípicos.
O processamento dos resultados do questionário sociolinguístico limitou-se à contagem das indicações de variantes e à determinação de sua frequência relativa (em%) considerando a idade e o nível de escolaridade dos informantes. Os resultados são apresentados no apêndice 6.
O método de processamento dos resultados dos testes de comutação (testes auditivos) foi o seguinte: pela fórmula n1/n 100%, em que n1 é o número de respostas que indicam a existência de oposição entre os sons estudados, e n é o número de respostas potenciais, determinava-se a frequência das respostas que indicavam oposição para cada grupo de palavras estudado. A significância dos resultados P era avaliada por meio de um método especial-
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ной таблице (Girdenis A., 1981, p. 212), причем за критическую черту значимости принималась отметка — 67% (см. табл. 4.2).
Na análise espectral dos sons, perseguiam-se dois objetivos: medir a duração (t) e a frequência dos formantes principais (F₁ e F₂) dos sons estudados.
A duração dos sons estudados foi medida com precisão de 0,01 s. Mediu-se a duração absoluta das vogais longas (x₁) e das vogais breves quanto à origem (yᵢ), calculando-se a diferença em cada realização dos pares de vogais opositivas estudados: Δᵢ = xᵢ − yᵢ. Também foram calculadas as durações médias dos sons “longos” (x̄) e “breves” (ȳ):
x̄ = 1/n ∑xᵢ; ȳ = 1/n ∑yᵢ, em que n é o número de realizações de cada som estudado.
Para verificar a existência de oposição entre vogais longas e breves na fala dos residentes nativos de Vilnius, formularam-se duas hipóteses alternativas: H₀ — a oposição não existe, H₁ — a oposição existe. Essas hipóteses foram testadas pelo critério t de Student. Para esse fim, determinaram-se as diferenças médias Δ̄ᵢ entre as durações médias de cada som estudado (Δ̄ᵢ = x̄ᵢ − ȳᵢ) e calcularam-se as variâncias s² pela fórmula:
s²ₓ = ∑ (xᵢ − x̄)² / (n − 1), s²ᵧ = ∑ (yᵢ − ȳ)² / (n − 1).
Determinou-se o desvio médio (quadrático): s = √s². A significância da diferença entre as durações médias foi avaliada pelo critério t, segundo a fórmula:
t = |x̄ − ȳ| / √[(∑(xᵢ − x̄)² + (yᵢ − ȳ)²)/(nₓ + nᵧ − 2) · (nₓ + nᵧ)/(nₓ · nᵧ)] ≥ tα.
em que t̂ é o argumento da distribuição de Student, nₓ + nᵧ − 2 = f, sendo f o grau de estabilidade, tα é o quantil encontrado nas tabelas de quantis da distribuição t de Student de acordo com o valor calculado de f (cf. Tikimybių teorija ir matematinės statistikos taikymas, 1971, p. 274), e nₓ e nᵧ são os números de realizações estudadas de cada lado da oposição (cf. tabela 4.3).
Na segunda etapa do processamento dos espectrogramas, mediu-se a frequência dos formantes F₁ e F₂ dos sons estudados nos seguintes pontos: no início do som (F₁н e F₂н), no meio (F₁с e F₂с) e no fim (F₁к e F₂к). Com base na escala do filtro, determinaram-se os números dos filtros e, assim, a frequência dos sons em hertz, que era convertida em unidades de altura tonal — mels (utilizaram-se uma tabela e réguas elaboradas no Laboratório de Fonética Experimental da VSU); segundo a aproximação de G. Fant, 1 mel = 1000 · logₑ (1 + F₀/1000), em que mel é a altura tonal e F₀ é a frequência do som, em Hz. Durante a medição, utilizou-se um leitor de microfilmes “Mikrofot”, com ampliação de 10 vezes. Em seguida, calcularam-se as médias aritméticas da altura tonal nos três pontos de controle para cada locutor e para cada grupo de palavras estudado: F̄₁н = 1/n ∑ F₁н, F̄₁с = 1/n ∑ F₁с, F̄₁к = 1/n ∑ F₁к etc., em que n é o número de realizações
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dos sons de cada falante, F₁н, F₁с, F₁к, F₂н, F₂с, F₂к – altura absoluta dos formantes nas realizações de cada falante.
A representação gráfica dos resultados das medições e dos cálculos não é apresentada devido à falta de espaço no artigo. Alguns resultados são indicados diretamente no texto. Para maior clareza na comparação entre vogais tensas e não tensas, foi usado o modelo da chamada vogal neutra [æ] (F₁ = 585 mel, F₂ = 1320 mel; ver: Фант Г. М., Якобсон Р., Халле М., 1962, с. 176). Calculou-se o maior desvio Δᵢ da primeira formante de cada vogal estudada em relação à primeira formante da vogal neutra: Δf₁ = F₁н – F₁; os dados correspondentes para a segunda formante: Δf₂ = F₂н – F₂. O desvio total ΣΔf foi determinado pela fórmula: ΣΔf = =Σ |Δf₁| +Σ |Δf₂|. Quanto maior o valor absoluto do desvio total, mais tenso era considerado o som.
O consultor científico para questões relativas à aplicação de métodos de fonética experimental foi o docente da VGU A. Гирденис.
4. Alguns resultados do estudo do vocalismo da fala dos nativos de Vilnius.
A questão central do vocalismo da fala dos nativos de Vilnius é o problema das vogais longas e breves. Observam-se processos de mudança na realização das vogais que causam a neutralização (total ou parcial) da oposição entre vogais longas e breves, a redução, a monoftongação das combinações difonêmicas ie, uo ou a ditongação das vogais longas o. ē.
4.1. Vogais i, e, a, u longas e breves. O problema das vogais longas e breves mencionadas na fala dos nativos de Vilnius reside no seguinte: esses grupos vocálicos incluem 8 fonemas independentes, que no idioma lituano estão sempre em oposição, mas na fala dos nativos de Vilnius nem sempre se mostram opositivos.
A realização da oposição entre vogais longas e breves (doravante V̄/V̆) na fala dos nativos de Vilnius depende em grande medida da presença do acento: em posição átona, observa-se a tendência para a pronúncia breve ou semilonga das vogais longas, mas quase não se observa a pronúncia longa ou semilonga das breves; na posição tônica, registram-se casos de pronúncia de sons longos e semilongos no lugar de vogais breves, sendo relativamente raros os casos de pronúncia de vogais longas. No idioma lituano, há dois acentos silábicos para as vogais longas — circunflexo e agudo —, enquanto uma vogal breve pode ser tônica, mas permanece sempre breve. Na fala dos nativos de Vilnius, observa-se uma relativa neutralização de todos os sons tônicos: uma vogal breve pode receber o acento silábico de uma vogal longa (ou uma de suas formas de transição, também observadas nos dialetos), e uma vogal longa pode receber um acento semelhante ao das vogais breves.
Os resultados do estudo da fala dos nativos de Vilnius mostram que, na realização de V̄/V̆, a posição das vogais na palavra é um fator bastante relevante: as vogais finais sofrem alterações com maior frequência, e também estão mais sujeitas a alterações as vogais em posição pretônica e imediatamente postônica
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Nas sílabas, a vogal longa na posição após uma sílaba tônica longa sofre alterações com maior frequência do que após uma sílaba tônica breve.
4.1.1. V̄/V̆ em posição final átona. Na fala dos habitantes nativos de Vilnius (ЛРКЛВ), registram-se três variantes de pronúncia da variável sociolinguística ī, ē, ā, ū em posição final átona antes de uma pausa ou de -s, doravante (V̄ átona #):
Variante I — pronúncia de um som breve e não tenso, resp. [i], [e], [a], [u], por exemplo: [i] – [vāl’t’is]¹ „vāltys“ (nominativo plural), [aū.s’i] „aūsi“ (acusativo singular), [skaī.tan’t’is] „skaitantys“ (nominativo plural), [l’ēk’en’t’i] „lēkianti“ (acusativo singular); [e] – [ei.l’ē] „eilė“ (acusativo singular), [būv’es] „būves“ (nominativo singular), [pasūk’æ] „pasūke“ (acusativo plural); [a] – [l’ova] „l’ova“ (acusativo singular), [grā ž’æ] „grāžią“ (acusativo singular); [u] – [daī.gu] „daīgu“ (acusativo singular), [v’īru] „vīru“ (genitivo plural), [sū-r’ū] „sūriu“ (genitivo plural), [ēi.tu] „eitu“ (modo subjuntivo, 3.ª pessoa); variante II — pronúncia de um som semilongo e algo tenso, resp. [i.], [e.], [a.], [u.], por exemplo: [i.] – [ā k’i:s] „ākys“ (nominativo singular), [nó s’i.] „noši“ (acusativo singular), [n’æšan’t’i:s] „nēšantys“ (nominativo plural), [tūr’in’t’i:] „tūrinti“ (acusativo singular); [e.] – [l’ēl’æ.] „lėlė“ (acusativo singular), [skaī.t’æ.s] „skaitęs“ (nominativo singular), [iš’ē jæ.] „išėję“ (nominativo plural); [a.] – [raī.ka.] „raīka“ (acusativo singular), [baī.k’s’c’æ.] „baī-kščia“ (acusativo singular); [u.] – [karā’ū.] „karalių“ (acusativo singular ou genitivo plural), [mālku.] „mālkų“ (genitivo plural), [kāī’ū.] „kāilių“ (genitivo plural), [s’kr’is.tu.] „skris-tų“ (modo subjuntivo, 3.ª pessoa); variante III — pronúncia de um som longo e tenso, resp. [īˑ], [ēˑ], [āˑ], [ūˑ], por exemplo: [īˑ] – [žūv’is] „žūvys“ (nominativo plural), [m’ē-d’ī.] „mēdi“ (acusativo singular), [rāšan’t’is] „rāšantys“ (nominativo plural), [b’es’ikāi.t’inan’t’i] „besikaitinanti“ (acusativo singular); [ēˑ] – [k’ē d’æ] „kėdė“ (acusativo singular), [mā t’æ.s] „mātes“ (nominativo singular), [nun’ē š’æ] „nunėše“ (nominativo singular); [āˑ] – [gālva] „gālva“ (acusativo plural), [kōjæ] „kōją“ (acusativo singular); [ūˑ] – [smār.ku] „smārkų“ (acusativo singular), [šāūkštu.] „šāūkštų“ (genitivo plural), [vaī.’g’ū.] „vaīgių“ (genitivo plural), [p’ir-.ktu.] „pirktų“ (modo subjuntivo, 3.ª pessoa).
Os resultados do estudo do material pelo método de análise de variância unifatorial mostraram que se observa certa influência do fator dialetal, mas isso está longe de se confirmar em todas as amostras dialetais. A estatística excedeu o valor crítico da distribuição F apenas em duas amostras: nos grupos dialetais pela linha paterna, quanto ao uso da variante breve (V̄ átona #) no estilo contextual II (F̂ paterno, 1, II)= =2,14 > 1,93=F₆; ₅₄; ₀,₁) e quanto ao uso da variante longa (V̄ átona #) no estilo contextual III (F̂paterno, 3, III=2,1 > 1,93=F₆; ₅₄; ₀,₁).
Pelo método dos contrastes lineares de Scheffé, estabeleceu-se que, no uso da variante breve (V̄ átona #) no estilo contextual II, a frequência média do 2.º grupo dialetal, isto é, na fala dos informantes cujos pais são originários do território dos aukštaitianos do sul, difere significativamente da média geral (F̂=3,43 > Fcr. =3,40). Nesse grupo dialetal, a frequência média de uso da variante breve
1 A variação das demais variáveis não é indicada na transcrição.
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(V̄ átona #) é a mais baixa (x̄₂ = 38,2; amplitude de variação das médias: 38,2—70).
A análise do uso da variante longa (V̄ átona #) no estilo contextual III revelou que a frequência média no 4.º grupo dialetal (samogícios) é significativamente inferior à média geral (F̂=4,93 > Fcr. = 3,4; x̄₄ = 30, amplitude de variação das médias: 30—82).
A explicação dos dados apresentados é complexa. Quanto ao 2.º grupo dialetal, pode-se dizer o seguinte: os vestígios do dialeto dos aukštaitianos do sul, que preservam a duração da vogal na posição estudada, observam-se no fato de que os informantes desse grupo pronunciavam a variante longa com relativa frequência em todos os estilos: o indicador x̄₂ no estilo I (pela linha paterna) é 34, ou seja, o segundo mais alto, depois do indicador x̄₁ = 36, pertencente ao grupo dialetal dos aukštaitianos ocidentais, que também preservam a duração da vogal nessa posição; o indicador x̄₂ no estilo II (pela linha paterna) é o mais alto (48,6), e apenas no estilo III não se destaca, embora seja relativamente elevado (58). Observa-se um quadro semelhante ao comparar os grupos dialetais pela linha materna, embora o processamento matemático dos resultados não tenha revelado contrastes significativos: os indicadores de uso da variante longa pelos informantes do 2.º grupo em cada um dos estilos são, respectivamente: x̄₂, I = 53 (o mais alto entre todos os grupos), x̄₂, II = 63,8 (também o mais alto), x̄₂, III = 70 (o intervalo dos indicadores dos outros grupos é 47—78). O uso da variante breve na fala desse grupo, também quando se leva em conta a variante semilonga, apresenta um quadro oposto: pela linha paterna, x̄₂, I = 54 (intervalo 53—80), x̄₂, II = 38,2 (o indicador mais baixo), x̄₂, III = 30 (intervalo 16—61); pela linha materna, x̄₂, I = 40 (o mais baixo), x̄₂, II = 36 (o mais baixo), x̄₂, III = 24 (intervalo 18—37). Os resultados do 1.º grupo dialetal são muito semelhantes aos do 2.º, o que confirma a hipótese de que o dialeto dos pais influencia a fala dos filhos: são precisamente esses dialetos territoriais que melhor preservam a duração das vogais em posição final de palavra. Cabe ressalvar que os pais podem já ser representantes de um “semidialeto”, pois muitas vezes são apenas originários de localidades situadas dentro do território dos dialetos, mas vivem há muitos anos na cidade de Vilnius e não usam o dialeto.
Uma correspondência menos nítida, mas perceptível, no uso das variantes longas e breves (V̄ átona #) observa-se na análise dos resultados do 4.º grupo dialetal, que se distingue pela maior tendência ao encurtamento (V̄ átona #). Os indicadores x̄₄ no uso das variantes breves em todos os estilos aproximam-se dos valores mais altos: pela linha paterna, x̄₄, I = 71 (intervalo 53—80), x̄₄, II = 70 (intervalo 38,2—70), x̄₄, III = 61 (intervalo 16—61); pela linha materna, x̄₄, I = 55 (intervalo 40—77), x̄₄, II = 56 (intervalo 36—64), apenas x̄₄, III = 20 (intervalo 18—37). Inversamente, o indicador x̄₄ para o uso das variantes longas (V̄ átona #) em todos os estilos aproxima-se dos valores mais baixos: pela linha paterna, x̄₄, I = 23 (intervalo 11—36), x̄₄, II = 16 (intervalo 10—48,6), x̄₄, III = 30
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(intervalo 30 – 82); pela linha materna x̄₁, I = 24 (intervalo 11 – 53), x̄₄, II = 22,6 (intervalo 20,57 – 63,8), x̄₄, III = 75 (intervalo 47 – 78). Esses indicadores podem ser explicados pela presença de relíquias da redução samogítica das vogais longas finais em posição átona, que, contudo, apresenta certa especificidade (ver em: Zinkevičius Z., 1966, p. 115 – 118). No 6.º grupo dialetal, cujos resultados não se revelaram estatisticamente relevantes, também é possível observar algumas relíquias de encurtamento das terminações, características do dialeto de Panevėžys (Zinkevičius Z., 1966, p. 119 – 120). Os resultados dos grupos 3, 5 e 7 situam-se mais frequentemente no meio do intervalo de frequências médias, embora os indicadores dos grupos dialetais 3 e 7 se aproximem dos indicadores dos grupos caracterizados pelas variantes breves da variável estudada (3.º grupo — filhos de vilnenses e kaunenses; 7.º — filhos de pessoas naturais do território do dialeto de Vilnius). É interessante notar que, embora três graus de duração sejam próprios de alguns dialetos, não foi possível detectar relíquias perceptíveis no presente estudo.
Resumindo a análise da possível influência da origem dialetal dos pais, pode-se observar que foi constatada certa influência: em particular: 1) destaca-se com maior clareza a fala dos informantes cujos pais são naturais de territórios dos dialetos dos aukštaitianos do sul e do oeste — nela o encurtamento das vogais longas finais átonas é menos característico; 2) a presença, nos dialetos dos pais (por exemplo, samogítico, de Panevėžys e outros), de certas regularidades de encurtamento das terminações átonas contribui para intensificar a tendência ao encurtamento das vogais longas na posição átona final da palavra, observada no LRCV.
Até o presente momento, em nossa pesquisa estudou-se a variação da variável sociolinguística (V̄# átona), examinaram-se suas fontes e dedicou-se um pouco menos de atenção ao lugar dessa variação no sistema linguístico do LRCV como um todo. Por isso, apresentam-se abaixo materiais de testes auditivos e de análise espectral dos sons, realizados no âmbito dos métodos da fonética experimental tradicional. Como o único método experimental da fonologia é o teste auditivo (Girdenis A., 1981, p. 14), os resultados obtidos pelo método de análise espectral dos sons são aqui considerados auxiliares na explicação dos resultados dos testes auditivos.
O material estudado pelo método de testes auditivos foi apresentado no chamado estilo completo, isto é, sem levar em conta os estilos contextuais. Foram realizados 8 experimentos, nos quais se estudou V̄/V em posição átona no final absoluto da palavra.
O material dos experimentos de teste auditivo n.º 5–9, 11, 12 e, em parte, 13 consistiu em quase-mínimos que diferiam pela presença da oposição acima mencionada.
Nos experimentos n.º 5–8, examinaram-se quase-mínimos com a oposição i/ī: 5) mìrti – mìrti, vỹti – výti, skìlti – skílti, kárti – kárti, skỹsti – skýsti; 6) kártys – kártis, ántys – ántis, méntys – méntis, páItys – páltis, kándys – kándis; 7) pasibaigusi – pasibaigusi, pỹlusi – pýlusi, dainãvusi – dainãvusi,
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svarščiusį – svarščusi, sukaitusį – sukaitusi, ąsōty – ąsōti, šalty – šalti, medy – medi, ūosy – ūosi?). No processamento dos dados dos testes auditivos, obteve-se uma probabilidade de 0,95–0,999 de que a oposição V/V̄ existe. A análise espectral dos sons mostrou que não se observam diferenças quantitativas na realização dessa oposição; a duração absoluta dos sons estudados difere pouco: x̄ᵢ=40 ms; ȳᵢ=38 ms; sₓ=13; sᵧ=21, pois t=0,67>1,98 (P=95%). A análise das diferenças qualitativas dessa oposição confirmou a presença de certas diferenças na tensão dos sons. O cálculo do desvio total Δf dos formantes F₁ e F₂ em relação aos formantes da vogal neutra [æ] produziu os seguintes resultados: (ΣΔf̄ᵢ=|260|)−(ΣΔf̄ᵢ=|210|)=|50|.
No experimento n.º 9, estudou-se a oposição ē/ĕ, realizada em formas de substantivos de tema em ē no singular, nos casos instrumental e acusativo (ver̄te – ver̄t(ē), silk̄e – silk̄(ē), lēle – lēl(ē), āukle – āukle, bjaur̄ybe – bjaur̄ybe). Os cálculos das médias aritméticas da duração absoluta da realização dessa oposição mostraram que a chamada vogal breve tem duração maior que a chamada longa: x̄ē=59 ms, enquanto ȳē=64 ms, sₓ=27; sᵧ=24; t=0,59 < 2,04 (P=95%). A análise do aspecto qualitativo dos sons estudados (medição dos formantes F₁ e F₂) revelou que não existem diferenças de tensão entre ē e ĕ:
Σ Δf̄ē=|280| = Σ Δf̄ē=|280|.
No experimento n.º 11, estudou-se a oposição ā/ă nas formas de adjetivos de tema em a e substantivos de tema em o, nos casos nominativo, acusativo e instrumental do singular (kōra – kōra, līpra – līpra, dūona – dūona, kiāura – kiāura, lóva – lóva). Nos testes auditivos, obteve-se uma probabilidade de 0,99 de existência da oposição. A análise espectral mostrou uma diferença mínima na duração absoluta de ā e ă (estatisticamente irrelevante): x̄ā=60 ms; ȳā=58 ms; sₓ=35; sᵧ=25; pois t=0,29 < 1,99 (P=95%). Existem diferenças qualitativas, mas são relativamente pequenas: (ΣΔf̄ā=|290|)−(ΣΔf̄ă=|270|)=|20|.
No experimento n.º 13, estudaram-se 2 pares de quase-mínimos condicionais (palavras com duas oposições). Neles realizavam-se as oposições ā/ă e ū/ŭ: formas de verbos no indicativo presente, 3.ª pessoa, e de substantivos de tema em o no acusativo singular (sāla – sāl̄a, bāla – bāl̄a, rāštu – rāšt̄u, prakāštu – prakāšt̄u). Os resultados obtidos foram análogos aos do experimento n.º 11.
No experimento n.º 12, estudou-se a oposição ū/ŭ, realizada nas formas de substantivos de tema em a e ia, no genitivo plural e instrumental singular. Os auditores distinguiram as vogais ū e ŭ com uma probabilidade de 0,999. A análise espectral dos sons revelou que não há diferença estatisticamente significativa na duração absoluta dessas vogais: x̄ū=70 ms; ȳū=56 ms; sₓ=38; sᵧ=28; pois t=1,48 < 2,01 (P=95%). A análise do aspecto qualitativo da oposição ū/ŭ mostrou que a chamada ŭ é pronunciada com maior tensão:
(Σ Δf̄ū=|240|)−(Σ Δf̄ŭ=|290|)=|50|.
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Os métodos da fonética experimental permitiram estabelecer o seguinte: existem apenas diferenças qualitativas e quantitativas mínimas entre as três variantes (átona V̄#), mas os auditores distinguem-nas bem. Ao que parece, o contexto e as expectativas linguísticas desempenham um papel importante: no texto contínuo, a realização de V̄/V̄ é menos relevante do que na pronúncia de palavras isoladas. O fato de os auditores não terem distinguido as palavras com 100% de probabilidade pode servir de prova da existência de um processo geral de neutralização de V̄/V̄.
O estudo sociolinguístico da LRCLV teve duas dimensões — objetiva e subjetiva. Até agora, foi considerada a dimensão objetiva da variação (átona V̄#). Na seção VII do questionário sociolinguístico (ver apêndice 3), pediu-se aos informantes que indicassem a própria pronúncia da variável (átona V̄#): 1) dvi valtis ou dvi valtys, 2) dvi antis ou dvi antys, 3) dvi ausis ou dvi ausys (indicava-se que eram formas do nominativo plural). Esses dados caracterizam a orientação valorativa adotada pelos membros da comunidade de fala de Vilnius em relação à escolha (átona V̄#), ou seja, a dimensão subjetiva da língua.
Os resultados do questionário (ver fig. 6.1) mostram que 13 respondentes, isto é, 18,57%, indicaram a pronúncia das variantes curtas (das três, de duas ou de uma), e 8 (11,43%) indicaram a pronúncia curta de todos os três exemplos. Entre os informantes que indicaram a variante curta, não há nenhum cujos pais sejam originários da área do dialeto ocidental aukštaitiano; apenas um informante tinha o pai originário da área do dialeto meridional aukštaitiano. Os pais desses 13 respondentes eram, em sua maioria, originários da área do dialeto oriental aukštaitiano e das cidades de Vilnius e Kaunas. Como mostrou a análise de variância, a fala dos informantes cujos pais são originários das áreas desses dialetos não se destaca em relação à fala do conjunto de informantes da LRCLV; por outro lado, ao que parece, essa fala também apresenta uma característica da LRCLV — a tendência a encurtar vogais longas átonas em posição final.
A análise comparativa das gravações da fala dos 13 informantes mencionados e de seus juízos subjetivos, registrados nas respostas ao questionário, mostrou que, em geral, a fala de todos eles apresenta encurtamento de vogais longas átonas em posição final, mas em menor grau do que eles próprios indicaram: a pessoa emprega variantes curtas (átona V̄#), mas pensa que as emprega com mais frequência do que de fato ocorre.
A norma sociolinguística (átona V̄#), embora ainda esteja em formação, já começa a ser reconhecida pelos membros da comunidade de fala de Vilnius. Como comprovação, podem-se citar as respostas ao questionário sociolinguístico, bem como o fato de que os membros da LRCLV reconhecem que, em geral, tendem a encurtar as vogais longas.
4.1.2. ī, ē, ā, ū átonos em posição não final na palavra.
No lituano padrão, as vogais longas são pronunciadas como longas e tensas, independentemente da posição na palavra e da presença de acento.
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Nos dialetos lituanos, observam-se casos de pronúncia de ĭ, ē, ā, ū em posição final da palavra e sem acento, em lugar de ī, ē, ā, ū (em aproximadamente um quarto do território; ver: Zinkevicius Z., 1966, p. 109—110). Em alguns falares aukštaitianos há um sistema claro de três graus de duração vocálica; por isso, as vogais longas átonas passam ali a semilongas. Alguns samogícios também encurtam as vogais longas nessa posição, mas, devido às complexidades da acentuação, essa regularidade assume características específicas (ver ibid., p. 111). Em geral, em aproximadamente metade do território da Lituânia vigora a lei de encurtamento das vogais longas átonas, que se caracteriza, nos diversos falares, por uma série de exceções e particularidades.
A variável sociolinguística das ī, ē, ā, ū átonas em posição final da palavra (átona V̄C) é uma das mais salientes na LRCLV: observa-se o uso quase universal de sua variante curta. A gradação (átona V̄C) é simplificada em comparação com a gradação (átona V̄ #), pois foi difícil distinguir a variante semilonga: na prática, usam-se variantes curtas e semilongas, mas, em contexto enfático, as vogais semilongas podem ser pronunciadas como longas.
Há várias posições em que ocorre (átona V̄C): 1) no início absoluto da palavra, por exemplo: [i] ou [i.] ([iˑ]) — [ipat’ingas] ou [i.paˑt’ingas] „ypatingas“, [is’in’ēš’ēˑ] ou [i.s’in’ēš’ē.] „išėšė“ (passado simples, 3.ª pessoa); [a] ou [a.] ([aˑ]) — [ažuol’inas] ou [a.žuol’inas] „ąžuolynas“; [u] ou [u.] ([uˑ]) — [ukv’ēd’īs] ou [u.kv’ēd’īs] „ūkvedys“; 2) na segunda sílaba pré-tônica e nas seguintes, por exemplo: [i] ou [i.] ([iˑ]) — [r’iš’t’ingumas] ou [r’i.š’t’ingumas] „ryžtingumas“, [n’eis’ibraus’i] ou [n’e.is’ibraus’i] „neįsibrausi“ (futuro, singular, 2.ª pessoa); [e] ou [e.] ([eˑ]) — [t’es’in’is] ou [t’e.sin’is] „tesinys“; [a] ou [a.] ([aˑ]) — [saž’in’ingas] ou [sa.ž’in’ingas] „sąžiningas“; [u] ou [u.] ([uˑ]) — [kud’ik’ēˑl’is] ou [ku.d’ik’ēˑl’is] „kūdikėlis“; 3) na primeira sílaba pré-tônica: a) quando a vogal da sílaba tônica é longa, por exemplo: [i] ou [i.] ([iˑ]) — [g’iv’ēna] ou [g’i.v’ēna] „gyvena“ (presente, 3.ª pessoa); [a] ou [a.] ([aˑ]) — [raž’it’is] ou [ra.ž’it’is] „ražytis“; [u] ou [u.] ([uˑ]) — [ruk’īt’i] ou [ru.k’īt’i] „rūkyti“; b) quando a vogal da sílaba tônica é curta, por exemplo: [i] ou [i.] ([iˑ]) — [sugr’iz’imas] ou [sugr’i.z’imas] „sugrįžimas“; [e] ou [e.] ([eˑ]) — [prat’es’imas] ou [prat’e.s’imas] „pratęsimas“; [a] ou [a.] ([aˑ]) — [gražā] ou [gra.žā] „grąža“; [u] ou [u.] ([uˑ]) — [n’esurus] ou [n’ēsu.rus] „nesūrus“; 4) em sílabas pós-tônicas, por exemplo: [i] ou [i.] ([iˑ]) — [pùs’r’ić’ē] ou [pùs’r’i.ć’ē] „pūsyčiai“; [e] ou [e.] ([eˑ]) — [iž’gr’ēž’ēˑ] ou [iž’gr’e.ž’ēˑ] „išgrėžė“ (passado simples, 3.ª pessoa); [a] ou [a.] ([aˑ]) — [māžaja] ou [mā-ža.ja] „mažaja“ (acusativo singular); [u] ou [u.] ([uˑ]) — [pósuk’is] ou [pōsu.k’is] „posūkis“.
A análise do material para o estudo de (átona V̄C), obtido por meio de entrevistas, foi realizada sem levar em conta as posições em que essa variável ocorre na palavra, pois o material se revelou insuficiente para esse objetivo. Foram consideradas as faixas etárias (A₁, A₂, A₃) e os grupos de escolaridade (C₁, C₂), bem como dois estilos contextuais (B₁ e B₂) (no estilo B₃, isto é, durante a leitura de quase-homônimos, essa variável ocorria com frequência muito baixa). Foi calculada a frequên-
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a taxa da variante longa e curta (V̄C átono) (em%) e foi elaborado um gráfico levando em conta os fatores idade (A), nível de escolaridade (C) e estilo (B). Também foi considerada a fala do grupo de atores e locutores de rádio (C₃) (ver fig. 5.1).
A variação (V̄C átono), em geral, é pequena quando não se considera a fala do grupo de atores e locutores. Não se observa uma grande mudança; no estilo oficial não direcionado (B₂), as variantes longas são usadas apenas um pouco mais, e os intervalos de confiança se sobrepõem. O uso das variantes longas difere estatisticamente de forma significativa apenas na fala do grupo mais jovem com níveis de escolaridade mais baixo e mais alto: os intervalos de confiança não se sobrepõem — 11 ÷ 17% e 0 ÷ 8%. No grupo de atores e locutores, a frequência da variante longa, embora significativamente superior à dos demais grupos (nos outros grupos, oscila entre 4–24%), ainda é relativamente baixa: 66% em B₁ e 70 em B₂.
Os resultados da análise da distribuição de (V̄C átono) na fala dos residentes nativos de Vilnius permitem concluir que essa variável adquiriu estatuto linguístico: quase não está sujeita à variação estratificacional nem situacional; ainda assim, (V̄C átono) continua sendo uma variável sociolinguística, pois há variação: nem sempre i, ē, ā, ū em posição átona não final são pronunciados como i, ē, ā, ū — isso ocorre apenas em aproximadamente 4/5 dos casos.
A análise da fala dos informantes para os quais o uso indicado de (V̄C átono) não é característico mostrou que o principal fator que explica a “não característica” da sua fala em relação à fala dos residentes nativos de Vilnius é a origem dialetal dos pais. Ambos os pais (ou um deles) dos informantes do grupo “não característico” a esse respeito eram de áreas de dialetos lituanos nos quais não é próprio o encurtamento das vogais longas em posição não final.
O estudo do aspecto subjetivo dessa questão, isto é, a análise das respostas ao questionário, permitiu precisar a norma sociolinguística da pronúncia breve de (V̄C átono) (o questionário incluía exemplos de (V̄C átono) em todas as posições anteriormente mencionadas na palavra).
O uso de (V̄C átono), realizado no início absoluto da palavra, foi determinado com base nas respostas sobre a pronúncia das palavras ąsotelis, ąsėlė, ąžuolynas, išuotas. Em geral, a frequência de indicação do uso da variante longa nas três primeiras palavras é relativamente baixa (intervalo de 0–40%) (ver fig. 6.2), o que, em certa medida, corresponde quase ao uso real de (V̄C átono), representado no gráfico analisado acima. Não se indica a mesma pronúncia de ā nas três palavras: na palavra ąžuolynas, a variante longa é usada com mais frequência (22–40%); na palavra ąsėlė, com menos frequência (0–40%). É interessante notar que há algumas divergências nas indicações dos respondentes quanto ao nível de escolaridade, sobretudo nas duas primeiras palavras: os respondentes com maior nível de escolaridade, especialmente nos grupos etários mais velho e intermediário, indicam com menor frequência que usam a variante longa de (V̄C átono) nessas palavras do que os respondentes com menor nível de escolaridade.
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Cabe salientar que a frequência da variante longa na fala do grupo de atores e locutores é bastante baixa — 33%.
As palavras ąsotėlis e ąžuolynas foram incluídas em um texto contínuo, que todos os informantes leram durante a entrevista. A comparação do uso real da variante longa nessas palavras com os juízos subjetivos dos respondentes mostrou que justamente os respondentes em cuja fala a variante longa nunca ou quase nunca ocorre superestimaram seus índices nos questionários; por exemplo, na fala do grupo mais velho com menor nível de escolaridade (A₁C₁), segundo os dados das entrevistas, a frequência da variante longa nas palavras ąsotėlis e ąžuolynas é de apenas 4%, enquanto no questionário foi indicada como 40. Essa situação foi registrada em todos os grupos, especialmente naqueles com menor nível de escolaridade, com exceção do grupo de atores e locutores: estes subestimaram seu índice nos questionários (33%) em comparação com a realidade (90% de uso da variante longa no texto).
A análise do uso da variante longa na palavra išiuotas (embora pertença a esse grupo de palavras) é apresentada adiante, onde se analisa o grupo de palavras com (V̄C átono) antes de uma sílaba tônica longa, uma vez que ela obedece às regras desse grupo.
A comparação da realização da variante longa (V̄C átono) no estilo oficial não direcionado com os juízos subjetivos dos falantes permite concluir que os índices de uso da variante longa na fala estão superestimados: ao que parece, houve influência da representação gráfica da palavra.
A variante longa (V̄C átono) no início absoluto da palavra ocorre muito raramente na fala dos residentes nativos de Vilnius, provavelmente porque, nessa posição, a duração das vogais é frequentemente um relíquia histórica e não desempenha nenhuma função distintiva.
A distribuição das frequências da variante longa (V̄C átono), realizada na II sílaba pretônica e nas seguintes (ilustrada no questionário pelas palavras tęsinys, gręžinys), tem um caráter um pouco diferente daquele observado no início absoluto da palavra (ver fig. 6.3). Em ambas as palavras, indica-se uma frequência relativamente uniforme e não muito alta de uso da variante longa ē, em média 30–40%. O índice da palavra gręžinys no grupo etário intermediário com menor nível de escolaridade, porém, aumenta bruscamente — até 56% —, mas no grupo mais jovem com maior nível de escolaridade cai para 14%. Aqui, assim como na análise das respostas ao questionário sobre a distribuição das variantes de (V̄C átono) no início absoluto da palavra, observa-se uma redução dos índices de frequência da variante longa no grupo com maior nível de escolaridade. No grupo de atores e locutores, a frequência é alta: 68% para a palavra gręžinys e 78% para a palavra tęsinys.
A comparação da frequência de uso da variante longa (V̄C átono) na fala real dos informantes com seus juízos subjetivos revela um quadro semelhante ao observado na análise de (V̄C átono) no início absoluto da palavra: nos questionários, os índices estão um pouco superestimados, sobretudo nos grupos com menor nível de escolaridade, e subestimados no grupo de atores e locutores.
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No uso da variante longa (V̄C átona), realizada na segunda sílaba pré-tônica e nas seguintes, observa-se uma tendência à adoção da variante curta, sobretudo em palavras com vogais historicamente longas — as vogais nasais a e e.
Essa conclusão é confirmada pela análise das respostas ao questionário, destinada a estudar a distribuição da variante longa (V̄C átona), realizada na primeira sílaba pré-tônica antes de uma sílaba tônica longa. Essa posição (V̄C átona) é ilustrada no questionário pelos seguintes exemplos: plytėlė, gyvėnti, vyriausias, drašuolis, žąselė, rūkýti, grūdai. No gráfico (ver fig. 6.4), distinguem-se claramente dois grupos de palavras: as linhas de frequência de drašuolis e rūkýti traçam um padrão semelhante ao dos exemplos da posição de início absoluto da palavra (ąsotėlis, ąšelė, ąžuolynas, ver fig. 6.2), enquanto as linhas das palavras plytėlė, gyvėnti, vyriausias, rūkýti, grūdai são como a linha da palavra ūsiuotas, isto é, na posição de início absoluto da palavra. Nestas seis palavras, os entrevistados indicam que usam a variante longa (V̄C átona) com muito mais frequência (intervalo de 33–100%, com as frequências principais distribuídas no intervalo de 60–90%). Aqui se observa o padrão inverso ao dos exemplos apresentados acima: se, no início absoluto da palavra, os representantes dos grupos com menor nível de escolaridade indicavam mais frequentemente o uso da variante longa, na posição da primeira sílaba pré-tônica antes de uma sílaba tônica longa, o uso da variante longa era indicado com maior frequência pelos representantes dos grupos com alto nível de escolaridade.
As palavras plytėlė e gyvėnti foram incluídas em um texto contínuo lido por todos os entrevistados. O uso efetivo da variante longa (V̄C átona) nessas palavras não corresponde às avaliações subjetivas dos entrevistados sobre a própria fala: excetuando-se a fala dos locutores e atores, a variante longa não foi usada em mais de 20% dos casos em nenhum dos grupos. Quanto à frequência da variante longa na posição estudada, as faixas etárias só se distinguem um pouco no grupo mais velho com menor nível de escolaridade: os valores desse grupo são mais baixos, no intervalo de 20–60%. Durante a leitura do texto, apenas um representante desse grupo usou as variantes longas; seus pais eram originários de uma localidade situada na área dos aukštaitianos do sul — que, como se sabe, preservam o alongamento vocálico nessa posição.
O estudo da distribuição da variante longa (V̄C átona), realizada na primeira sílaba pré-tônica antes de uma sílaba tônica curta, baseou-se nos exemplos sugrįžimas, Kęstutis, trešimas, sugrąžino, siųstuvas, incluídos no questionário. Nessas palavras, as variáveis estudadas são i, e, a, u. As linhas de distribuição das frequências da variante longa nas palavras Kęstutis, trešimas, sugrąžino (ver fig. 6.5) são semelhantes às dos outros exemplos analisados com vogais nasais: também aqui os grupos com menor nível de escolaridade indicaram um uso mais frequente da variante longa; em geral, a frequência das indicações de uso da variante longa é relativamente baixa (25–57%). As linhas das palavras sugrįžimas e siųstuvas parecem pertencer a outro tipo: situam-se significati-
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vamente mais acima (atingindo a marca de 90%) e não são simétricas quanto ao nível de escolaridade, por exemplo: os picos mais altos pertencem ao grupo etário mais velho com alto nível de escolaridade e ao grupo mais jovem com nível mais baixo. Ao que parece, aqui desempenha um papel o fato de que, na fala, são frequentemente usadas palavras cognatas com acento nas vogais longas estudadas: sugrįžo, siųsti etc.
As palavras sugrįžimas, Kęstūtis, sugrąžino foram incluídas em um texto contínuo lido pelos entrevistados. Em todas as palavras, as vogais longas foram pronunciadas apenas pelos locutores de rádio e por dois representantes da geração intermediária de habitantes de Vilnius, cujos pais eram originários de localidades situadas nas áreas dos dialetos aukštaitianos ocidentais e meridionais. Embora a pronúncia longa das vogais nasais seja amplamente difundida nos dialetos, quase não se observam vestígios desse fenômeno no LRKLV. Mesmo na fala dos atores, a pronúncia longa dessas vogais no texto ocorreu em apenas 40% de todos os casos registrados. Casos isolados de pronúncia da vogal longa em uma ou duas das palavras mencionadas foram atestados em 9% de todos os casos (excluído o grupo de locutores e atores), mais frequentemente na palavra sugrįžimas. Não houve nenhum caso de pronúncia da variante longa (V̄C átona) na posição estudada na fala dos representantes da geração mais velha.
A distribuição da variante longa (V̄C átona), realizada na sílaba pós-tônica, foi estudada com base nos exemplos šlūostyti, kráustyti, džiáustyti, incluídos no questionário (ver fig. 6.6). Os entrevistados indicaram um uso relativamente frequente da variante longa em sua própria fala (a maioria das frequências situa-se no intervalo de 60—80%). Não se observa estratificação clara nem em função da idade nem do nível de escolaridade. O grupo de idade intermediária com alto nível de escolaridade destaca-se um pouco: seus integrantes avaliam a própria fala de modo mais cético, mas a frequência indicada continua superestimada — 33—56% de ocorrências da variante longa, quando, na realidade, esse valor deveria ser aproximadamente a metade.
A palavra kráustytis foi incluída em um texto contínuo para a entrevista. O uso da variante longa foi registrado em 23% dos casos (excluído o grupo de atores e locutores), principalmente na fala de informantes da geração intermediária, cujos pais são originários de áreas dos dialetos aukštaitianos meridionais ou ocidentais.
O estudo do aspecto subjetivo do uso de uma ou outra variante de pronúncia permite concluir que existem duas normas sociolinguísticas. A primeira se aplica a palavras com vogais nasais, por exemplo: Kęstūtis, ažuolynas, sugrąžino etc., e pode ser formulada da seguinte maneira: a pronúncia de vogais nasais longas em posição átona não final dentro da palavra não é obrigatória, embora seja possível. Muitas vezes, a escolha da variante (V̄C átona) depende da formalidade da situação (durante a leitura de um texto, a variante longa é usada com mais frequência do que na fala espontânea), da atitude subjetiva em relação à própria fala (em situações formais, algumas pessoas se esforçam para pronunciar (V̄C átona) de modo mais correto) e, por fim, da origem dialetal dos pais (se a pessoa nunca ouviu a variante longa dessa variável-
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...nha, em sua própria fala, mesmo com esforços moderados para falar corretamente, as variantes longas serão bastante raras). Esse tipo de variação da variável sociolinguística pode ser considerado um tipo de variação intrapessoal (cf. Bell R., 1980, p. 58): a variação não é condicionada por categorias demográficas linguísticas ou estatísticas, mas por aspectos dinâmicos do uso situacional da língua. Ainda assim, não se pode considerar a variável situacional, pois ela não se presta à estratificação estilística. A variação dessa variável pode ser caracterizada como ocasional (ibid., p. 61): nunca pode ser prevista.
A segunda norma sociolinguística de uso (átona V̄C) aplica-se a palavras com vogais longas, mas não nasais, por exemplo: gyvẽna, šypsōtis, plytēle etc.: existe uma norma de escolha da variante longa da variável, que, no entanto, permite o uso da variante breve sem qualquer restrição estratificacional ou situacional específica. Isso é indicado pelo fato de que os segmentos da população com menor nível de escolaridade, ao fazerem juízos subjetivos sobre sua própria fala, escolhem a variante breve da variável com mais frequência do que os segmentos com maior nível de escolaridade, o que demonstra a ausência de variação estilística e de atribuição à variante longa (átona V̄C) do estatuto de fala prestigiosa.
A adoção da norma mais rigorosa, que é a primeira, representaria uma clara tendência à perda da oposição entre vogais longas e breves em geral e à sua substituição pela oposição entre vogais tônicas e átonas. Os juízos subjetivos dos informantes divergem tanto da situação real porque, na LRKV, em seu estágio atual de desenvolvimento, a primeira oposição não pode ser completamente substituída pela segunda: reconhecer conscientemente que, em 4/5 dos casos, a vogal longa átona é pronunciada como breve significaria que a norma de pronúncia é a variante breve, isto é, a perda de V̄/V. Assim, a variante breve de pronúncia (átona V̄C) existe como norma que, ao contrário da norma de pronúncia das antigas vogais nasais em posição átona não final, é inconsciente.
4.2.1. i, ė, ã, ū tônicos em posição final de palavra.
Na língua lituana padrão, assim como nos dialetos, i, ė, ã, ū tônicos são sempre pronunciados como breves no final absoluto da palavra ou antes de -s. Em alguns dialetos de zonas fronteiriças com populações eslavas e na fala de alguns bilíngues, observa-se a pronúncia semilonga ou longa dessas vogais (cf. Zinkevičius Z., 1966, p. 104, 107).
Na fala dos habitantes de Vilnius, encontram-se ocorrências de pronúncia breve, semilonga e longa (em ênfase) das vogais estudadas nas seguintes posições: 1) após uma sílaba com vogal longa ou ditongo, por exemplo: [i] ou [i.] ([iˑ]) — [suˑrˈi] ou [surˈi.], „sūri“, [e] ou [e.] ([eˑ]) — [kˈaelˈu̯osǣ] ou [kˈaelˈu̯osˈae.], „keliuose“ (locativo plural), [a] ou [a.] ([aˑ]) — [ruoša] ou [ruoša.], „ruoša“, [u] ou [u.] ([uˑ]) — [ruˈsˈū] ou [rusˈū.], „rūsiū“ (instrumental singular); 2) após uma sílaba com vogal breve, por exemplo: [i] ou [i.] ([iˑ]) — [nˈešˈi] ou [nˈešˈi.], „neši“ (2.ª pessoa do singular do presente), [e] ou [e.] ([eˑ]) — [katˈǣ] ou [katˈǣ.], „katė“ (instrumental singular), [a] ou [a.] ([aˑ]) —
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[balà] ou [balā.] „balā“ (nominativo ou instrumental singular), [u] ou [u.] ([uˑ]) — [gʹarū] ou [gʹarū.] „gerū“ (instrumental singular).
A escala da variável sociolinguística das vogais tônicas breves em posição final (doravante tônica V̌#) contém dois valores: as variantes breve e longa. Em ênfase, uma vogal semilonga pode atingir a duração de uma vogal longa genuína. Essa variável não é característica da LRKV, mas, como o sistema da língua lituana contraria o aparecimento da variante longa (tônica V̌#), os casos em que ela aparece na fala tornam-se muito perceptíveis e são considerados jargônicos ou resultantes de interferência.
No presente estudo, essa variável foi investigada apenas com base no material da entrevista sociolinguística nos estilos B₁ e B₂.
Devido à variabilidade da acentuação, que não é examinada aqui, a ocorrência de palavras com (tônica V̌#) varia de informante para informante. Se todos os informantes pronunciam com (tônica V̌#) palavras como, por exemplo, balti (nominativo plural), namè (inessivo singular), kalbà (nominativo ou instrumental singular), kitùs (acusativo plural), palavras como, por exemplo, aštuoni, musè (instrumental singular), dienàs (acusativo plural), maloniùs (acusativo plural), frequentemente perdem (tônica V̌#) na LRKV: o acento recua para a penúltima sílaba. Em casos raros, observa-se o aparecimento de (tônica V̌#) por hipercorreção, isto é, pela transferência do acento para a última sílaba, por exemplo, širdìs (acusativo plural, = širdis), nendrės (acusativo plural, = nénadres), galvàs (acusativo plural, = gálvas), rūščius (acusativo plural, = rūščius). Por exemplo, na leitura de um texto contínuo durante a entrevista, ocorrem os seguintes casos de hipercorreção que favorecem o aparecimento de (tônica V̌#): devynìs (acusativo, = devýnīs), vienù (instrumental, = viēnu), guklè (instrumental singular, = áukle), mergaitès (acusativo plural, = mergáites), bjaurybè (instrumental singular, = bjaurýbe).
O estudo das entrevistas mostrou que a variante longa (tônica V̌#) ocorre raramente na LRKV (cf. fig. 5.2): o intervalo de frequências da variante breve da variável é elevado — 76—100%. Foram registradas um pouco mais de variantes longas na fala dos jovens, embora apenas duas frequências no estilo B₂ apresentem diferenças estatisticamente significativas: a do grupo mais velho, com nível de escolaridade elevado, e a do grupo mais jovem, com nível mais baixo (86÷96% e 70÷82%). Aqui cabem algumas ressalvas: na fala dos representantes da geração mais velha, a variante longa ocorre até com maior frequência do que na fala dos jovens. Mas, em geral, (tônica V̌#) é muito rara em sua fala — os representantes da geração mais velha tendem a recuar o acento para a sílaba anterior. Formas hipercorretas são mais frequentes na fala dos jovens, o que, no conjunto, contribui para reduzir a frequência da variante breve.
No texto contínuo da entrevista havia 36 exemplos de (tônica V̌#) em palavras polissilábicas e 21 em palavras monossilábicas. Todas as palavras monossilábicas no fluxo da fala, com exceção da palavra dvi, tornavam-se proclíticas ou enclíticas; apenas em alguns casos observou-se o uso da variante longa (tônica V̌#) nas palavras nèt, bèt, nès, čìa. Apenas 1/3 das 36 palavras polissilábicas com ocorrência de (tônica V̌#) mantinha sempre o acento na última sílaba: manè (acusativo singular), tadà, kuris, tikrù (instrumental singular), niekadà, namè (inessivo singular), aplinkà
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lietus, pilte («particípio ativo», advérbio derivado de verbo). Algumas palavras (entre os 36 dados) apareciam com a presença de (ac. V#) apenas na fala de alguns informantes, por exemplo: sklypū (instr. sing.), ievà (instr. sing.), vertė (instr. sing.), Džèkū (instr. sing.), Džīmīū (instr. sing.).
A variável sociolinguística (ac. V#) está em fase de formação; é um exemplo característico de variação inerente (Bell R., 1980, p. 58—59): é completamente imprevisível, mesmo na fala da mesma pessoa em uma mesma situação.
A questão da norma sociolinguística (ac. V#) na LRCLV é complexa: nenhum representante dessa comunidade de fala reconheceria conscientemente que a variante longa (ac. V#) é normativa, mesmo na fala de Vilnius; esse uso da variável é considerado odioso em todos os casos. Na realidade, na LRCLV, a variante longa (ac. V#) é sistemática. E a sistematicidade depende de quão profundamente se enraizou na fala do informante a tendência a pronunciar longas todas as vogais acentuadas, tanto as longas quanto as originalmente curtas.
4.2.2. i, ē, ā, ū acentuadas em posição não final na palavra.
Na língua lituana padrão, i, ē, ā, ū são pronunciadas brevemente quando acentuadas. Há muitas palavras com i e ū acentuadas na língua lituana padrão, mas poucas com ē e ā acentuadas, pois essas vogais sofreram alongamento secundário (Zinkevičius Z., 1981, d. 1, p. 57). ē e ā acentuadas não sofrem alongamento em nenhum caso apenas no dialeto dos žemaitas ocidentais; nos demais dialetos, a ocorrência de vogais breves em diferentes formas gramaticais varia: alguns alongam essas vogais em certas formas, outros, em outras (Zinkevičius Z., 1966, p. 103—107). As vogais i e ū acentuadas são alongadas nos dialetos com menos frequência do que ē e ā: a maioria dos žemaitas, os aukštaitas ocidentais e meridionais, isto é, a população de quase metade do território da Lituânia, não alonga i e ū acentuadas, apenas as torna mais abertas em alguns casos (ibid., p. 107—108).
As vogais i, ē, ā, ū + r, l, m, n fazem parte de sequências tautossilábicas i, ē, ā, ū + r, l, m, n, mas apenas nas sequências com i e ū, quando o acento recai sobre o primeiro componente, pronunciam-se i e ū. A vogal ū integra o ditongo ui, no qual também é pronunciada brevemente quando o acento recai sobre o primeiro componente.
Nos dialetos, apenas alguns aukštaitas ocidentais, alguns žemaitas de regiões fronteiriças e falantes do dialeto de Zietela pronunciam brevemente ou alongam ligeiramente o primeiro componente de ū, i + r, l, m, n e de ui; isto é, tal característica se observa em uma pequena parte dos dialetos (ver Zinkevičius Z., 1966, p. 108—109).
A escala da variável sociolinguística das vogais breves acentuadas em posição não final (doravante (ac. VC)) compreende três graus: variantes breve, semilonga e longa. Em última análise, as variantes semilongas e longas são consideradas conjuntamente como indicadores do alongamento vocálico. A variável estudada é muito característica da LRCLV. Ao que parece, o fato de o uso de variantes longas (semilongas) encontrar muitos correspondentes nos dialetos desempenha um papel importante.
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Na fala dos vilnenses (ênf. ŬC), ocorre nas seguintes posições: 1) no início absoluto da palavra, por exemplo: [i], [i.], [iˑ] — [lma], [l.ma], [lma] „lma“ (pres. do indic., 3.ª pess.), [ɪrˑtʲi], [ɪ.rˑtʲi], [ɪrˑtʲi] „irti“, [e], [e.], [eˑ] — (apenas em palavras de origem estrangeira) [estas], [e.stas], [estas] „estas“, [ɛmka], [e.mka], [ɛmka] „ɛmka“, motocicleta da marca MK, [a], [a.], [aˑ] — [atʲnʲaesa], [a.tʲnʲaesa], [atʲnʲaesa] — „atnеса“ (pres. do indic., 3.ª pess.), [amtʲelʲeˑtʲi], [a.mtʲelʲeˑtʲi], [amtʲelʲeˑtʲi] „amtelėti“, [u], [u.], [uˑ] — [uškʲisa], [u.škʲisa], [uškʲisa] „užkiša“ (pres. do indic., 3.ª pess.), [uˑtʲi], [u.tʲi], [utʲi] „ūti“, [ūrmu], [ū.rmu], [ūrmu] „ūrmu“; 2) antes de uma sílaba com vogal longa (ou ditongo), por exemplo, [i], [i.], [iˑ] — [kʲitaˑ], [kʲi.taˑ], [kʲitaˑ] „kitą“ (acus. sing.), [pʲilnaˑ], [pʲi.lnaˑ], [pʲilnaˑ] „pilną“ (acus. sing.), [e], [e.], [eˑ] — [balʲtʲesʲnʲiˑ], [balʲtʲe.sʲnʲiˑ], [balʲtʲesʲnʲiˑ] „baltėsni“ (acus. sing.), [a], [a.], [aˑ] — [mānɔˑ], [mā.nɔˑ], [mānɔˑ], „māno“ (pronome possessivo), [u], [u.], [uˑ] — [būvɔˑ], [bū.vɔˑ], [būvɔˑ] „būvo“ (pass. simples, 3.ª pess.), [žūikʲiˑ], [žū.ikʲiˑ], [žūikʲiˑ] „žūikį“ (acus. sing.), [mūrʲgdʲitʲi], [mū.rʲgdʲitʲi], [mūrʲgdʲitʲi] „mūrkdyti“; 3) antes de uma sílaba com vogal breve, por exemplo: [i], [i.], [iˑ] — [vʲisas], [vʲi.sas], [vʲisas] „visas“, [pʲilʲtʲi], [pʲi.lʲtʲi], [pʲilʲtʲi] „pilti“, [e], [e.], [eˑ] — [žalʲesʲnʲis], [žalʲe.sʲnʲis], [žalʲesʲnʲis] „žalėsnis“, [a], [a.], [aˑ] — [jæunāsʲis], [jæunā.sʲis], [jæunāsʲis] „jaunasis“, [u], [u.], [uˑ], — [sūka], [sū.ka], [sūka] „sūka“ (pres. do indic., 3.ª pess.) [žūikʲis], [žū.ikʲis], [žūikʲis] „žūikis“, [pūlʲtʲi], [pū.lʲtʲi], [pūlʲtʲi] „pulti“; 4) depois de uma sílaba com vogal longa (ou ditongo), por exemplo: [i], [i.], [iˑ] — [rʲitʲinʲis], [rʲitʲi.nʲis], [rʲitʲinʲis] „rytinis“, [iˑpʲilʲtʲi], [iˑpʲi.lʲtʲi], [iˑpʲilʲtʲi] „ipilti“, [e], [e.], [eˑ] — [apkʊnʲesʲnʲis], [apkʊnʲe.sʲnʲis], [apkʊnʲesʲnʲis] „apkūnėsnis“, [a], [a.], [aˑ] — [gʲivāsʲis], [gʲivā.sʲis], [gʲivāsʲis] „gyvasis“, [u], [u.], [uˑ] — [nʲūrūsʲis], [nʲū.rū.sʲis], [nʲūrūsʲis] „niūrusis“, [iˑpūlʲtʲi], [ipū.lʲtʲi], [ipūlʲtʲi] „ipulti“; 5) depois de uma sílaba com vogal breve, por exemplo: [i], [i.], [iˑ] — [užʲmʲikʲtʲi], [užʲmʲi.kʲtʲi], [užʲmʲikʲtʲi] „užmigti“, [nutʲilʲtʲi], [nutʲi.lʲtʲi], [nutʲilʲtʲi] „nutilti“, [e], [e.], [eˑ] — [suvʲešʲtʲi], [suvʲe.sʲtʲi], [suvʲešʲtʲi] „suvėsti“, [a], [a.], [aˑ] — [nʲekāsʲū], [nʲekā.sʲū], [nʲekāsʲū] „nekąsiu“, [u], [u.], [uˑ] — [ušʲčʲūptʲi], [ušʲčʲū.ptʲi], [ušʲčʲū.ptʲi] „užčiūpti“, [ižgūitʲi], [ižgū.itʲi], [ižgūitʲi] „išgūti“, [prʲikūlʲtʲi], [prʲikū.lʲtʲi], [prʲikūlʲtʲi] „prikulti“.
No presente estudo (ênf. ŬC), a variável foi examinada com base em textos de entrevistas nos estilos B₁, B₂ e B₃ e em respostas a um questionário; além disso, foram realizados testes auditivos e análise espectral dos sons.
A análise dos textos de entrevistas, que não levou em conta a posição da variável ŬC na palavra, mas considerou os fatores idade (A), estilo contextual (B) e nível de escolaridade (C), mostrou que o uso das variantes ŬC difere significativamente entre os grupos etários (ver fig. 5.3). A determinação dos intervalos de confiança revelou que, com exceção dos grupos de informantes mais velhos e mais jovens com nível elevado de escolaridade, a variável tem caráter situacional, pois há variação evidente nos diferentes estilos contextuais. Na fala do grupo de atores e locutores, ocorrências do uso da variante longa ŬC observam-se apenas quando i, y fazem parte de sequências tautossilábicas ou do ditongo ui, e mesmo assim relati-
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vamente raramente: os índices da variante breve (ênf. ŬC) situam-se no intervalo de 91—100%.
Nos textos de entrevistas observam-se sobretudo variantes breves e semilongas, enquanto a baixa percentagem (1—17) de frequência das variantes longas se explica pelo fato de que estas geralmente podem ocorrer em dois casos: 1) quando as vogais estudadas fazem parte de sequências tautossilábicas ou do ditongo i; e 2) quando a pronúncia das palavras com esta variável apresenta grande variação dialetal e constitui uma espécie de exceção às regras gerais de acentuação da língua padrão. Por essa razão, foi elaborado um gráfico apenas do uso da variante breve (e, correspondentemente, da longa) (ênf. ŬC).
A análise das características qualitativas e quantitativas, bem como da existência de oposição entre vogais tônicas breves e longas em palavras homônimas, foi realizada com base em testes auditivos e na análise espectral dos sons.
Cinco experimentos de teste auditivo foram dedicados ao estudo desta oposição. O material dos três primeiros experimentos consistiu em pares mínimos que se distinguiam pela presença de ā longo ou ă breve na posição tônica do radical. Para o experimento n.º 1, foram selecionados quase-homônimos, representados por diferentes casos do substantivo rāstas, de tema em a, e pelo particípio masculino na voz passiva rāstas²; para os experimentos n.º 2 e 3, uma série de formas verbais das palavras kāšti e kàsti (ver tabela 4.1). Obteve-se uma probabilidade ≥0,95 de que as formas são distintas. Os auditores também indicaram que as vogais diferem em qualidade (mas não em quantidade). A análise espectral dos sons mostrou que não há diferença significativa entre as durações absolutas das vogais estudadas: x̄ā = 146 ms, ȳā = 139 ms, sₓ = 33, sᵧ = 36, pois t = 1,18 < 1,98 (P = 95%). Em seguida, nas espectrogramas das vogais estudadas, mediram-se os formantes F₁ e F₂ e calcularam-se os desvios totais Δf em relação aos formantes correspondentes da vogal neutra [æ], a fim de determinar a diferença de tensão entre vogais longas e breves. Constatou-se que ā é pronunciada com maior tensão:
(Σ Δ f̄ₐ = |270|) − (Σ Δ f̄ₐ = |240|) = |30|.
No experimento n.º 4 do teste auditivo, foram apresentados pares mínimos que se distinguiam por ū longo e ŭ breve no radical, em posição tônica: o material estudado incluía diferentes formas verbais das palavras skūsti, skùsti e sū̇šti, sùšti. A probabilidade de que a oposição ū/ŭ exista é 0,999. A análise espectral dos sons indicou a ausência de diferença quantitativa, isto é, de diferença na duração absoluta dos sons: x̄ᵤ = 111 ms, ȳᵤ = 96 ms, sₓ = 45, sᵧ = 36, pois t = 1,02 < 2,04
2 O particípio rāstas, assim como as formas participiais kāstas apresentadas no experimento n.º 2, recebe entonação ascendente nas formas indicadas no lituano codificado (Laigonaitė A., 1978, p. 91), mas, na variedade lituana dos poloneses de Vilnius, a aplicação desta regra não se observa: a vogal a é interpretada como breve e tônica.
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(P=95%). Ao investigar as diferenças qualitativas entre ā e ă, obteve-se uma diferença mínima entre os desvios totais Δf das frequências dos formantes F₁ e F₂ e os formantes correspondentes do som neutro [æ]:
(Σ Δf̄ā = |250|) − (Σ Δf̄ŭ = |240|) = |10|.
Na pronúncia de vogais do tipo u, observa-se na LRCLV uma deslabialização relativa, que, naturalmente, também tem consequências para as propriedades acústicas das vogais desse tipo.
No experimento nº 13, foram investigados pares mínimos «duplos», que só podem ser assim chamados em sentido figurado: são palavras com oposição entre vogais longas e breves tanto no radical quanto na terminação. ā e ă no radical ocorriam sob acento nas formas verbais das palavras sálti, bálti, prakāsti e outras, e no substantivo de tema em α rãstas (ver tab. 4.1). Os auditores distinguiram essas palavras com uma probabilidade de 0,95. A análise espectral dos sons reproduziu os resultados dos experimentos nº 1, 2 e 3 (ver tab. 4.3).
O estudo do aspecto subjetivo do uso (V́C), com base nos dados do questionário, mostrou que existem determinadas normas sociolinguísticas conscientes em relação a (V́C). Essa variável não é homogênea, como demonstram claramente os juízos subjetivos dos respondentes. Em primeiro lugar, os respondentes indicam usos distintos da variável quando a função de vogal tônica breve é desempenhada por i, ǐ e quando é desempenhada por ā, ě (compare as figs. 6.8 e 6.9 com 6.7 e 6.10, apêndice 6). Nas figs. 6.7 e 6.10, as frequências das indicações de uso da variante breve nas palavras com ā, ě (exceto as frequências das palavras būvo e snīgo (fig. 6.7), que contêm i, ū) situam-se um pouco abaixo das frequências nas palavras com i, ǐ nas figs. 6.8 e 6.9, o que indica um menor grau de obrigatoriedade da pronúncia breve de ā, ě. Em segundo lugar, a pronúncia breve de sequências tautossilábicas de vogais tônicas com sonantes é avaliada de forma relativamente menos favorável do que a pronúncia breve das vogais i, ǐ; por exemplo, as linhas de frequência da variante breve nas palavras snīgo, būvo (fig. 6.7), kìtas, vìsas (fig. 6.8), ilgūmas, pabūsti (fig. 6.9) situam-se muito acima, na faixa de 80—100% (com algumas exceções, que serão discutidas adiante), o que indica uma orientação quase generalizada dos representantes da LRCLV para a pronúncia breve de (V́C) quando ocorrem as circunstâncias linguísticas mencionadas.
A orientação para usos distintos da variável em diferentes circunstâncias linguísticas evidencia-se com especial clareza na análise das respostas dos representantes do grupo mais velho: neste grupo, registraram-se frequências de 67—100% para i, ǐ, e de 20—50% para i, ǐ+R. Nas respostas dos representantes dos outros dois grupos etários, essa diferença não se manifesta com tanta clareza; as frequências de algumas palavras (por exemplo, pìlti, pùmpuras) nem sequer admitem tal interpretação, mas a análise das respostas revela outra regularidade, que pode, em geral, ser estendida a todas as respostas sobre o uso de (V́C): as frequências das variantes breves nas respostas do grupo etário intermediário e, sobretudo, do grupo mais jovem com menor nível de escolaridade sobem acentuadamente e se concentram nos pontos mais altos da escala, na faixa de 70—100%. Em todos os casos
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os indicadores do grupo etário mais jovem com alto nível de escolaridade comportam-se de modo diferente: caem claramente, embora em alguns casos também se observe uma diferença no uso de (V̆C) em sequências tautossilábicas.
A análise das figs. 6.7, 6.8, 6.9 e 6.10 e a comparação com os dados efetivos da fala da LRCLV (ver fig. 5.3) permitem concluir que existe uma norma sociolinguística consciente para o uso de (V̆C), que difere entre os grupos etários: no grupo etário mais velho, predomina o uso das variantes longas de (V̆C), fato de que os próprios informantes têm consciência, exceto nos casos em que ĭ, ŭ funcionam como vogais breves da variável. Na fala do grupo etário intermediário, as variantes longas e breves ocorrem em proporções quase iguais, como também indicam os juízos subjetivos dos informantes, embora as frequências das variantes breves estejam superestimadas; isso é natural, pois as avaliações subjetivas quase sempre são melhores do que os dados reais. A geração mais jovem de vilnienses parece apresentar duas normas. Os representantes dessa geração com menor nível de escolaridade, em sua maioria alunos de escolas secundárias, usam a maior quantidade de variantes breves de (V̆C), e sua orientação volta-se claramente para as variantes breves. Aqueles com maior nível de escolaridade usam um pouco mais da metade de variantes breves, mas, ao contrário dos informantes do grupo etário intermediário, não superestimam em nada seus resultados ao avaliar subjetivamente a própria fala: têm plena consciência de que usam variantes longas de (V̆C) quando a fala contém sequências tautossilábicas, o que, ao que parece, constitui a sua norma sociolinguística. Atores e locutores geralmente realizam a variante breve da variável (com algumas exceções).
A análise não estatística dos textos das entrevistas mostrou que a posição da variável na palavra também tem importância na escolha das variantes de (V̆C): se antes ou depois dela houver vogais longas ou ditongos, realizados em suas variantes longas, (V̆C) costuma realizar-se como variante breve; porém, se os sons vizinhos forem realizados em suas variantes breves, (V̆C) apresenta-se com muito mais frequência como variante longa.
O estudo do uso de (V̆C) sob a perspectiva da origem dialetal dos pais permitiu confirmar a existência de uma regularidade geral observada no estudo de outras variáveis: a variante breve é usada pelos entrevistados cujos pais são originários de localidades situadas em áreas de dialetos nos quais as vogais breves não se alongam sob acento. Essa regularidade manifesta-se especialmente ao se examinarem as vogais breves em sequências com sonantes.
O estudo da pronúncia das vogais tônicas breves mostrou que, em alguns casos, para evitar a pronúncia de uma vogal longa em sequências V̄+R, o acento é deslocado da vogal para a sonante, o que, do ponto de vista do sistema da língua lituana, é considerado um desvio mais grave do que o uso de uma vogal longa.
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Conclusões. 1. O estudo sociolinguístico da fala dos vilniusianos nativos (ЛРКЛВ) mostrou que ela, embora seja uma estrutura heterogênea, é, ainda assim, um fenômeno sistêmico. A variação — propriedade inerente à fala dos vilniusianos nativos — depende da ação de toda uma série de fatores tanto linguísticos quanto sociológicos, cujo estudo é inconcebível sem a aplicação de métodos de investigação abrangentes. 2. Uma das causas da variação da fala dos vilniusianos nativos é a intensidade e o alcance distintos com que as particularidades dialetais da fala dos pais influenciam a fala dos seus representantes. 3. O uso diferenciado de variantes de algumas variáveis condiciona o uso de outras variáveis; no entanto, as variantes são intercambiáveis em função da situação social, o que gera um impulso para uma nova variação. 4. O estudo da fala dos vilniusianos nativos mostrou que todas as suas particularidades fonéticas têm correspondências nos falares lituanos ou são observadas na fala de representantes de falares de fronteira, bilíngues ativos em contato. 5. As características mais marcantes do vocalismo da fala dos vilniusianos nativos são a tendência ao encurtamento das vogais longas e tensas em posição átona e ao alongamento das vogais breves e frouxas sob acento.
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Приложение 1
Текст № 1
Dabar daug žmonių Vilniuje gyvena naujuose namuose. Aš irgi. Mūsų name net septyni įėjimai po devynis butus. Centras tolokai, bet važinėja troleibusai – nėra ko skųstis. Tiesa, buvo tokių, kurie nenorėjo čia kraustytis, bet dabar apie sugrįžimą net nebekalba. Čia daug geresnė aplinka negu kitur: arti ąžuolynas ir tvenkinys. Ten yra net dvi valtys. Aplink yra nemaža privatininkų sklypų. Sausomis dienomis jie baigia išsemti tvenkinį. Reikalai pagerėja, kai lietus ima pilte pilti. Viena valtis priklauso mūsų klubui. Pernai buvo ją pavogę, bet milicija greit sugrąžino.
Kartą, kasdamas ties vienu sklypu, po ieva radau ąsotėlį. Parašiau skelbimą: „Rastas ąsotėlis. Kreiptis į trisdešimto namo pirmą butą“. „Netrukus net sukaitusi atlėkė tokia Violeta ir ėmė mane pulti dėl to savo ąsotėlio, kad aš jį pagavojau. Tada aš tą biaurybę išvariau. O ji atsiuntė savo šaukiančią auklę. Su aukle išsiaiškinti buvo sunku, nes teko nuo jos skusti kuo greičiau. Tiek triukšmo dėl to ąsotėlio, kurio verte aš labai abejoju. Išbėgęs į kiemą, sutikau sukaitusį Zenį, kuris paklausė, kam erzinu mergaites. Mat Violeta, patempusi apatinę lūpą, atsisėdusi ant rąsto, verkė. Aš norėjau būti tikru vyru ir parodyti jai savo vertę. Priėjau prie jos ir pasakiau: „Negražiai išėjo. Supranti, aš tikrai radau tavo ąsotėlį prie ievos, kai ieškojau sliekų“. Ji nusisypsojo ir davė man obuolį, todėl nebepasirodė biaurybė. Aš pakviečiau ją žaisti tenisą. Viskas būtų buvę gerai, jeigu aš, kasdamas obuolį, nebūčiau prasikandęs lūpos, nes užkliuvau už nusikulusios šaligatvio plytelės. Nesiseka tai nesiseka: tenisą jau žaidė Kęstutis su Džeku, ten eilėje dar laukė Ryžikovas su Džimiu, kuris niekada nesiskiria su savo gitara. Tada nutarėme eiti į filmą „Vyrų vasara“. Namuose dar laukė algebra. Lūpa ištino. Bet man kažkodėl norėjosi šypsotis!..
Текст № 2
vyru – vyrų, duona – duoną, sukaitusį – sukaitusį, gėlė – gėlę, antis – antį, biaurybė – biaurybę, lova – lovą, skysti – skysti, lūpa – lūpą, siūsdamas – siūsdamas, vertė – vertę, lėlė – lėlę, sklypų – sklypų, auklė – auklę, mirti – mirtį, valtis – valtį, spjoviu – spjoviu, kasdamas – kasdamas, skusti – skusti, rastas – rąštas.
Приложение 2
Вопросник полустандартизованного интервью
1. Откуда родом Ваш отец?
2. Откуда родом Ваша мать?
3. Навещали ли Вы те края?
4. Как Вы провели свой последний отпуск? Пришлось ли путешествовать?
5. Случалось ли так, что кто-нибудь узнавал в Вас вильнюсца на основании Вашей речи, произношения?
6. Как Вы считаете, отличается ли речь вильнюсцев от литературной? (Если да, то чем именно).
7. Кто вообще разговаривает на литературном языке?
94
8. Следите ли Вы за правильностью своей речи?
9. Прочитайте, пожалуйста, этот текст (№ 1). Представьте себе, что читаете его в кругу семьи или друзей.
10. Как часто и где Вам приходится пользоваться русским языком находясь в г. Вильнюсе?
11. Владеете ли Вы польским языком?
12. (Если ответ № 11 положительный.) Где и когда Вы научились говорить по-польски?
13. Прочитайте, пожалуйста, еще один текст (№ 2).
14. Будьте добры заполнить анкету (см. прил. 3).
Приложение 3
Часть социолингвистической анкеты
(Вопросы о реализации долгих и кратких гласных)
VII. snigo — snygo; pilti — pylti; plitelė — plytelė; šluostiti — šluostyti; dvi valtis — dvi valtys; dvi antis — dvi antys; dvi ausis — dvi ausys; krausiti — kraustyti; gyventi — gyventi; kitas — kytas; viriausias — vyr iausias; visas — vysas; džiaustiti — džiaustyti; skirti — skyrti; Vilnius — Vyln ius.
IX. tavo — tavo; savo — savo; geresnė — gerešnė; baltasis — baltašis; žalesnis — žalešnis; mesti — mešti; vesti — vešti; lešti — lešti; paima — paima; atneša — atneša.
nekasa — nėkasa; nebekalba — nebeḳalba.
X. drasuolis — drąsuolis; žaselė — žąselė; Kęstutis — Kęstutis; asotelis — ašelėlis; aselė — ašelė; ažuolynas — ąžuolynas; siustuvas — siųstuvas; tesinys — tęsinys; trešimas — tręšimas; sugrįžimas — sugrįžimas; sugrąžino — sugrąžino; grėžinys — gręžinys.
XI. ūsuotas — usuotas; rūkyti — rukyti; ilgūmas — ilgumas; pūlti — pulti; pabūsti — pabusti; kūrmis — kurmis; grūdai — grudai; būvo — buvo; pūmpuras — pumpuras.
Приложение 4
I. Список квазимонимов для аудиотестов
Эксперимент № 1: rąstas — rastas, rąsto — rasto, rąsta — rasta, rastu — rastu.
Эксперимент № 2: kąstas — kastas, kąsto — kasto, nekąsiu — nekasiu, kąstą — kastą, kąsti — kasti.
Эксперимент № 3: kąsdamas — kasdamas, kąsdami — kasdami, kąsdama — kasdama, kąsdamos — kasdamos.
Эксперимент № 4: skųsdamas — skusdamas, siųsdamas — siusdamas, skųsti — skusti, siųsti — siusti.
Эксперимент № 5: mirti — mirti, Vyti — vyti, skilti — skilti, karti — karti, skysti — skysti.
Эксперимент № 6: kartys — kartis, antys — antis, mentys — mentis, paltys — paltis, kandys — kandis.
Эксперимент № 7: pasibaigusių — pasibaigusi, pylusi — pylusi, dainavusi — dainavusi, sv ar sčius i — svaršč iusi, sukaitusi — sukaitusi.
95
Эксперимент № 8: ąsoty – ąsoti!, šalty – Šalti!, medy – medi!, uosy – Uosi!
Эксперимент № 9: verte – verte, silke – silke, lėlė – lėlė, auklė – auklė, biaurybė – biaurybė.
Эксперимент № 10: iškaštų – iškaštų, iškaštam – iškaštam, pakaštais – pakaštais, užkaštuos – užkaštuos.
Эксперимент № 11: kopą – kopą, lūpą – lūpą, duoną – duoną, kiaurą – kiaurą, lovą – lovą.
Эксперимент № 12: vyrų – vyrų, sūrių – sūriu, mūrų – mūru, spīvių – spīviu, sklypų – sklypu.
Эксперимент № 13: salą – salą, balą – balą, rastu – rastų, prakastu – prakastų.
Таблица 4.2 Результаты аудиотестирования
Слог | Гласный | Тип, № | Эксперимент, № | n |% | P Ударный | a | I | 1. | 180 | 85 | 0,999 Ударный | a | I | 2. | 200 | 74,5 | 0,95 Ударный | a | I | 3. | 180 | 77,8 | 0,99 Ударный | u | II | 4. | 200 | 81 | 0,999 Безударный | i | III | 5. | 200 | 80 | 0,999 Безударный | i | III | 6. | 180 | 74,4 | 0,95 Безударный | i | III | 7. | 200 | 75 | 0,95 Безударный | i | III | 8. | 200 | 89 | 0,999 Безударный | e | IV | 9. | 180 | 88,8 | 0,999 Безударный | a | V | 10. | 160 | 78,8 | 0,99 Безударный | a | V | 11. | 200 | 76 | 0,99 Безударный | u | VI | 12. | 180 | 91,7 | 0,999 Безударный | a/u | I/VI, V | 13. | 200 | 75 | 0,95
n – суммарное число ответов;% – процент опознанных оппозиций, P – вероятность различения оппозиций.
Таблица 4.3 Статистическая оценка различий абсолютной продолжительности обоих членов оппозиции V̄/V̄
Эксперименты, № | x̄V̄, мс | ȳV̄, мс | s̄x | s̄y | t | tα (P=95%) 1, 2, 3, 13 | 146 | 139 | 33 | 36 | 1,18 | 1,98 4 | 111 | 96 | 45 | 36 | 1,02 | 2,04 5, 6, 7, 8 | 40 | 38 | 13 | 21 | 0,67 | 1,98 9 | 59 | 64 | 27 | 24 | 0,59 | 2,04 10, 11, 13 | 60 | 58 | 35 | 25 | 0,29 | 1,99 12, 13 | 70 | 56 | 38 | 28 | 1,48 | 2,01
x̄V̄ = 81 ȳV̄ = 75
96
Приложение 5
Результаты социолингвистического интервью
Рис. 5.1. Распределение долгого варианта (неуд. V̄C) с учетом факторов возраста (A), контекстуального стиля (B) и уровня образования (C),%
Рис. 5.2. Распределение краткого варианта (уд. V̄#) с учетом факторов возраста (A), контекстуального стиля (B) и уровня образования (C),%
Рис. 5.3. Распределение краткого варианта (уд. V̄C) с учетом факторов возраста (A), контекстуального стиля (B) и уровня образования (C),%
7. 949
97
Приложение 6
Результаты социолингвистической анкеты
Рис. 6.1. Распределение долгого варианта (неуд. V#) по отношению к возрастным (A₁, A₂, A₃) и образовательным (C₁, C₂, C₃) группам в словах valtys (1), antys (2) и ausys (3),%
Рис. 6.2. Распределение долгого варианта (неуд. УС), реализуемого в абсолютном начале слова, по отношению к возрастным (A₁, A₂, A₃) и образовательным (C₁, C₂, C₃) группам в словах ąsotelis (1), ąselė (2), ąžuolynas (3) и išiuotas (4),%
Рис. 6.3. Распределение долгого варианта (неуд. VC), реализуемой во II и далее предударных слогах, по отношению к возрастным (A₁, A₂, A₃) и образовательным (C₁, C₂, C₃) группам в словах tęsiny s (1) и greižynės (2),%
98
Рис. 6.4. Распределение долгого варианта (неуд. УС), реализуемой в I предударном слоге перед долгим ударным слогом, по отношению к возрастным (А₁, А₂, А₃) и образовательным (С₁, С₂, С₃) группам в словах phytele (1), gyventi (2), vyriausias (3), drąsulis (4), žąselė (5), rūkyti (6) и grūdai (7),%
Рис. 6.5. Распределение долгого варианта (неуд. УС), реализуемой в I предударном слоге перед кратким ударным слогом, по отношению к возрастным (А₁, А₂, А₃) и образовательным (С₁, С₂, С₃) группам в словах sugrįžimas (1), Kęstutis (2), trešimas (3), sugrąžino (4) и siūtuvas (5),%
Рис. 6.6. Распределение долгого варианта (неуд. УС), реализуемой в последуарном слоге, по отношению к возрастным (А₁, А₂, А₃) и образовательным (С₁, С₂, С₃) группам в словах šluostyti (1), kraustyti (2) и džiaustyti (3),%
7*
99
Рис. 6.7. Распределение краевого варианта (уд. VC), реализуемой в абсолютном начале слова atneša (1) и перед слогом с долгим гласным в словах geresnė (2), nebekalba (3), tavo (4), savo (5), smigo (6), buvo (7), по отношению к возрастным (A₁, A₂, A₃) и образовательным (C₁, C₂, C₃) группам,%.
Рис. 6.8. Распределение краткого варианта (уд. VC), где V̄ — i, реализуемой перед слогом с кратким гласным, по отношению к возрастным (A₁, A₂, A₃) и образовательным (C₁, C₂, C₃) группам в словах kitas (1), visas (2), pilti (3), skirti (4) Vilnius (5),%
Рис. 6.9. Распределение краткого варианта (уд. VC), где V̄ — u, реализуемой перед слогом с кратким гласным, по отношению к возрастным (A₁, A₂, A₃) и образовательным (C₁, C₂, C₃) группам в словах ilgumas (1), pabusti (2), pulti (3), kurtis (4), purpuras (5),%
100
Рис. 6.10. Распределение краткого варианта (уд. VČ), где V̇ — а, е, реализуемой перед слогом с кратким гласным, по отношению к возрастным (A₁, A₂, A₃) и образовательным (C₁, C₂, C₃) группам в словах žalesnis (1), mesti, vesti, leisti (2), nekasa (3), baltais (4) и paima (5),%
L. GRUMADIENĖ
SOCIOLINGVISTINIS VILNIEČIŲ LIETUVIŲ KALBOS TYRIMAS
Reziumė
Straipsnyje analizuojamos kelios sociolingvistiniais metodais tirtos vilniečių lietuvių kalbos vokalizmo ypatybės, ieškoma jų įvairavimo priežasčių.
Nustatyta, kad vilniečių kalbai yra būdinga tendencija trumpinti nekirčiuotus ilguosius balsius ir ilginti kirčiuotus trumpuosius balsius.
Beveik visi vilniečių lietuvių kalboje vartojami balsių variantai turi atitikmenis ir tarmėse. Tik viena ypatybė (kirčiuotų galūninių trumpųjų ilginimas) tėra būdinga kai kurių dvikalbių paribio tarmių lietuvių kalbai.
Statistiniais metodais įrodyta, kad vilniečių kalbos nevienalytiškumui turi įtakos tiek lingvistiniai, tiek socialiniai faktoriai. Pvz., vieni balsių variantai žodyje sąlygoja kitų balsių variantų vartojimą, bet kitoje sociolingvistinėje situacijoje ištartas tas pats žodis jau gali iš esmės skirtis. Ieškant vilniečių lietuvių kalbos dėsningumų, buvo pasinaudota statistiniais metodais ir įrodyta, kad kalbos įvairavimui didelę įtaką turi tėvų tarmės ir sąmoninga vertybinė kalbos orientacija, taip pat amžius ir išsilavinimas.
L. GRUMADIENĖ
A SOCIOLINGUISTIC STUDY OF LITHUANIAN SPOKEN IN VILNIUS
Summary
The sociolinguistic variances of Lithuanian spoken in Vilnius were studied. Special attention was paid to the vocalism. Over 70 informants were examined and their speech was thoroughly investigated using a complex of methods and technique. The average value of sound frequencies was calculated and estimated in order to evaluate the role of some social and linguistic factors. 13 graphs and 2 tables are introduced to simplify the discussion. The existence of some systematically appearing sociolinguistic variances and their close connection with sociolinguistic norms have been established.
It might be concluded from the data obtained that the great variance of the urban language is due to the influence of the social factors, and that the main linguistic characteristics of Lithuanian spoken in Vilnius are similar to those known in the Lithuanian dialects.