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Lietuvių kalbos adverbalinis genityvas istorinės sintaksės požiūriu

Vytautas Ambrazas

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ACTA LINGUISTICA LITHUANICA XLIV (2001), 3-39 O genitivo adverbal da língua lituana do ponto de vista da sintaxe histórica” VYTAUTAS AMBRAZAS Instituto da Língua Lituana, Vilnius Nas fases iniciais do desenvolvimento das línguas indo-europeias, o uso adverbal do genitivo partitivo e ablativo era determinado pela relação semântica que o sintagma nominal mantinha com o verbo. Na história do lituano, observamos duas tendências distintas na evolução do genitivo adverbal. Por um lado, com muitos tipos de verbos, o genitivo foi substituído pelo acusativo; por outro lado, o uso do genitivo também poderia desenvolver-se em uma espécie de regência verbal, sendo uma regra sintática substituída pela motivação semântica original. Um vestígio da motivação semântica original subjacente ao genitivo adverbal ainda é preservado sob a forma do genitivo temporal. A substituição de uma motivação semântica por uma regra sintática também é observada no caso do genitivo da negação, que originalmente era uma variedade do genitivo partitivo, mas se dissociou dele. 0. OBSERVAÇÕES INTRODUTÓRIAS 0.1. No uso muito diversificado do genitivo nas línguas indo-europeias, distinguem-se, segundo as relações sintáticas, dois tipos principais: o genitivo adverbal, associado a verbos, e o genitivo adnominal, associado a nomes. As relações diacrônicas entre esses tipos continuam a ser explicadas de maneiras diferentes: alguns pesquisadores consideram primárias as construções adverbais (Delbrūck 1893: 308; Brugmann 1911: 566-567; Fraenkel 1928: 42; Hofmann, Szantyr 1972: 50-51), enquanto outros consideram primárias as construções adnominais (Behaghel 1923: 484; Hirt 1934: 98; Kurytowicz 1964: 186). Contudo, não há dúvida de que ambos os tipos são herdados pelo menos do período tardio da comunidade das línguas indo-europeias (cf. Brugmann 1911: 571; Krahe 1972: 69; Haudry 1977: 376; Vaillant 1977: 80). Neste trabalho serão discutidas apenas as construções do genitivo adverbal da língua lituana. Ao esclarecer seu estado mais antigo e a direção de seu desenvolvimento, pode-se esperar compreender melhor também sua relação diacrônica com as construções adnominais. 0.2. O uso dos casos associados aos verbos nas línguas indo-europeias mudou consideravelmente. Nas línguas atuais que conservaram, pelo menos em parte, as diferenças morfológicas dos casos, a escolha de um ou de outro caso objetual é determinada pela valência sintática do próprio verbo: devido às suas propriedades valenciais, o verbo geralmente exige um ou vários casos (na maioria dos casos com preposições), que em diferentes línguas podem ser iguais ou diferentes, cf. lituano, * Como os dados da língua lituana são analisados no artigo levando em conta o contexto geral das línguas indo-europeias, os casos e outras unidades gramaticais são denominados pelos termos habituais da gramática comparativa (por exemplo: nominativo, genitivo, ablativo, infinitivo etc.). no contexto, os casos e outras unidades gramaticais são denominados pelos termos habituais da gramática comparativa (por exemplo: nominativo, genitivo, ablativo, infinitivo etc.). 4 | VYTAUTAS AMBRAZAS exige um ou vários casos (na maioria das vezes com preposições), que em diferentes línguas podem ser os mesmos ou diferentes, cf. lituano: valdyti šalį, russo upravljat' stranoj, alemão iiber das Land herrschen etc. Nos períodos mais antigos do desenvolvimento das línguas indo-europeias, as relações dos verbos com os casos, ao que parece, eram diferentes. Já Antoine'- as Meillet observou que, na frase indo-europeia, as palavras eram muito mais independentes (autónomas) e relacionavam-se entre si levando em conta o significado particular de cada uma. Com o mesmo verbo podiam ocorrer diversos casos, conforme a nuance de sentido que se pretendesse expressar por meio deles; eram escolhidos de acordo com o significado do próprio caso, e não segundo a “regência” do verbo. Por exemplo, no grego antigo, o verbo xb ‘ouvir’ podia ocorrer sozinho, sem nenhum caso, podia ser associado ao acusativo, que designava a coisa ouvida (žxAuvov addrjv Hom. 'ouvi uma voz’), ao genitivo, que designava a fonte do som (žxAvov adroū ‘ouvi dele’), ao dativo, que designava a finalidade (edyopéve por Exiuvov “ao pedir-me <paz. ao que me pedia> ouvi’); segundo Meillet, o acusativo ou o genitivo relacionava-se aqui com o verbo de modo semelhante aos casos que designam instrumento ou lugar (odaot Avo “ouço com os ouvidos’, otxo: Ade ‘ouço em casa"); cf. especialmente Meillet 1934: 359; Meillet, Vendryes 1952: 576-577; Humbert 1954: 272; Schwyzer, Debrunner 1975: 106. Assim, os chamados casos “gramaticais” nas línguas indo-europeias antigas ainda não se haviam separado tão nitidamente dos “concretos” (no sentido proposto por Kurytowicz 1949) como em épocas posteriores. O caráter semântico da relação dos casos com o verbo foi confirmado pelas investigações do védico, dos poemas homéricos e de outras línguas indo-europeias atestadas desde os tempos mais antigos (Haudry 1977: 155 tt., 178 etc.; Renou 1965: 231-32; 1952: 355-356; Chantraine 1953: 12-15, 232, 319-321; Desnickaja 1984: 100 tt., 118, 150; Neumann 1960; plg. dar Kurzova 1993: 42-44). Embora tal estado do uso dos casos não se tenha conservado inteiramente em nenhuma língua indo-europeia®, os vestígios atestados nos períodos antigos dessas línguas permitem reconstruí-lo. É claro que a autonomia semântica dos casos nunca poderia ser absoluta. O verbo, como principal meio de expressão do predicado, já pela sua própria significação exige um ou vários argumentos (actantes) de determinado tipo, expressos por casos. Assim, os verbos e os casos a eles associados tinham de ser semanticamente compatíveis entre si”. Por exemplo, verbos indo-europeus como *d6-‘dar’ pressupunham, pela sua significação, actantes que exprimiam o autor da ação (agente), o objeto (paciente) e o beneficiário, mas a expressão gramatical desses actantes não era rigorosamente definida. O paciente pode ser expresso em várias línguas tanto pelo acusativo como pelo genitivo, dep1 Cf.: „Une phrase indo-europčenne se compose d'un nombre variable d'ėlėments impénétrables, autonomes, significatifs par eux-mémes, qu'on appelle mots [...] (355) Le cas auquel sont mis les compléments ne dépend pas du verbe, mais seulement du sens a exprimer (358) [...]. Não havia em indo-europeu regência” de uma palavra por outra, como há em latim, por exemplo; “a autonomia da palavra é o princípio que rege a estrutura da frase indo-europeia” (Meillet 1934: 355-359). 2 Mesmo no grego homérico, o acusativo do objeto gramaticalizado já se distingue claramente, na maioria dos casos, do acusativo “concreto” de direção e finalidade (cf. De Boel 1988: 44-65). Cf.: „A caracterização dos tipos de predicado (‘tipos de verbo’) é feita em termos do (85) „quadro“ de papéis de caso que participam obrigatoriamente de eventos (estados codificados por esses predicados) e, inversamente, a caracterização dos vários papéis de caso semânticos deve ser feita em termos dos tipos de predicado com os quais eles formam proposições“ (Givon 1984: 85-86). GENITIVO ADVERBAL DA LÍNGUA LITUANA | 5 pendentemente de qual nuance de sentido se pretenda destacar, cf. lit. daviau jam grūdus | grūdų; rus. dial. dal emu chleb /chleba, cf. véd. pa somam ‘beber soma’ e pa somasya "beber somas’ (Haudry 1977: 377). Por outro lado, com o verbo de significado *do, os actantes com os significados de percipiente, de conteúdo ou de resultado são em geral impossíveis. No desenvolvimento das línguas indo-europeias, observou-se o fortalecimento das relações sintáticas dos casos com os verbos, que com o tempo se transformou no regime de construções casuais ou preposicionais (cf. Kurytowicz 1964a: 18, 29; 1977: 141-156, 178; Desnickaja 1984: 132 ss.). Os casos, inicialmente sozinhos e depois — com preposições, “fixaram-se” a determinados verbos, e a sua seleção tornou-- se dependente da valência sintática do verbo. De que modo ocorreu esse processo é uma das questões mais importantes, à qual até agora ainda não foi dada uma resposta clara. 0.3. Dado que a língua lituana é, de todas as línguas indo-europeias, a que melhor conservou até hoje tanto as formas dos casos como as particularidades antigas do seu uso, os seus dados são indubitavelmente relevantes para essa questão. É especialmente útil prestar atenção às construções verbais com o genitivo. Ao observar o uso do genitivo adverbal nos dialetos da língua lituana e nos escritos antigos, e ao compará- -lo com a língua letã e outras línguas aparentadas que avançaram mais no caminho do desenvolvimento sintático, é possível discernir as antigas relações, fundamentadas na semântica, dos casos com os verbos e os fenômenos de gramaticalização dessas relações. Sob esse ponto de vista, a sintaxe dos casos da língua lituana não foi estudada, mas nos trabalhos realizados até o momento foram acumulados muitos dados valiosos da língua atual (especialmente Jablonskis 1957: 554-672; Senn 1966: 383-440; Ulvydas, red. 1965: 182-210; 1976: 20-78, 458-467, 485-520; Balkevičius 1963; Šukys 1998; Paulauskiené 1989: 75-147) e dos escritos antigos (Fraenkel 1928; Palionis 1967: 151-170; Schmalstieg 1987: 122-272), comparados com línguas aparentadas; tenta-se utilizá-los a seguir. 0.4. No uso do genitivo adverbal da língua lituana, podem-se distinguir dois significados principais. O primeiro — o significado partitivo — é considerado característico do genitivo indo-europeu desde a Antiguidade. Das construções de significado partitivo aproxima-se o genitivo de negação, particularmente gramaticalizado na língua lituana. O segundo significado — ablativo. As formas que outrora tinham esse significado expressavam separação ou saída (resp. ponto de partida). Em algumas línguas indo-europeias (indo-iranianas, parcialmente itálicas), essas formas foram integradas ao sistema de declinação como um caso separado — o ablativo; em outras, fundiram-se com o genitivo (bálticas, grego) ou com o dativo (célticas, germânicas). As formas de significado ablativo deixaram vestígios na declinação dos temas em (i)o do báltico oriental e do eslavo: consideram-se tais vestígios o genitivo singular com a desinência *-4 (lituano. vilko, letão. vilka, eslavo eclesiástico antigo. vhhka)*. Ao se fundirem com os paradigmas das formas do genitivo, o significado ablativo (de separação) tornou-- se um dos significados do genitivo. Os antigos significados do genitivo e suas diversas variantes atualmente estão, em alguns casos, entrecruzados e nem sempre são claramente distinguidos. i Estas formas são interpretadas de duas maneiras. Alguns pesquisadores, representando a abordagem tradicional, veem aqui um formante desgastado *-d ou *et (cf. lat. antigo GNAIV-OD, sânscrito aśv-at, ver Stang 1966: 70, 181 com bibliografia; outros encontram apenas uma vogal temática alongada (Kazlauskas 1968: 174; Mažiulis 1970: 99-106), cf. ainda 3.1. 6 | VYTAUTAS AMBRAZAS 1. SIGNIFICADO PARTITIVO 1.0. Pelo termo tradicional significado partitivo denomina-se o uso do genitivo para designar uma parte de um objeto ou de um conjunto de objetos, ou uma quantidade claramente indefinida de objetos (pessoas- ). O genitivo teve esse significado em muitas línguas indo-europeias nos períodos antigos de seu desenvolvimento (por exemplo, nos testemunhos das línguas gótica, indiana antiga e grega); contudo, com o tempo, ele se enfraqueceu, e o uso do genitivo ou do acusativo passou a depender da regência sintática do verbo. O significado partitivo do genitivo ainda se distingue com bastante clareza nos textos antigos das línguas eslavas, mas posteriormente é fortemente neutralizado pela tendência consolidada de designar com o genitivo todos os complementos que denotam seres vivos. Na língua latina, já são atestados apenas restos de construções de genitivo partitivo (cf. Hofmann, Szantyr 1972: 52). Na língua lituana, o significado partitivo do genitivo conservou-se até aos nossos dias. Bastante próxima da língua lituana é a utilização deste caso na tradição folclórica letã (sobretudo na recolhida no final do século XIX e no início do século XX); embora na língua letã contemporânea a oposição do genitivo partitivo ao acusativo e ao nominativo tenha desaparecido em muitos casos, os dados da língua letã ajudam a perceber mais claramente a direção e a perspectiva do desenvolvimento sintático. Nestas circunstâncias, até os dados dos dialetos atuais da língua lituana são testemunhos importantes do uso antigo do genitivo. Jonas Jablonskis (1957: 577) chamou ao significado partitivo significado de indeterminação ou de parte e definiu-o assim: «Em vez do nominativo ou do acusativo, se nesses casos não queremos indicar se se tem em mente muito ou pouco, o objeto inteiro ou apenas uma parte dele, sobretudo se na mente do falante se concebe apenas uma parte do objeto ou do conjunto de objetos, e não o objeto inteiro nem o conjunto inteiro de objetos, então usamos na nossa língua, para expressar essa parte do nosso pensamento, o genitivo da indeterminação ou da parte». Atualmente, na linguística lituana, tornou-- se habitual o termo significado de quantidade indefinida. Talvez seja ele o que melhor abrange a diversidade desse uso do genitivo; além disso, distingue-se claramente do genitivo de quantidade definida, que Jablonskis (1957: 576) denominou genitivo de quantidade (quantitativo). Tentou-- se definir de modo mais geral o significado partitivo. Por exemplo, Brugmann chamou-lhe significado de domínio (Bereich), indicando que o enunciado não se aplica à extensão e ao conteúdo completos do conceito do nome, nem simplesmente ao conceito do nome, mas apenas a determinado domínio desse conceito, àquilo que lhe pertence ou algo semelhante.’ Essa concepção foi também adotada por outros investigadores e aplicada a uma grande diversidade de casos de uso do genitivo adverbal e adnominal (cf. Sommer 1925: 10; Krahe 1972: 70 ss., 81-83). Contudo, dificilmente será possível derivar historicamente um significado mais concreto de um significado tão geral e abstrato. É mais provável que o significado concreto seja mais antigo e que nele se baseie o termo partitivo. Com base no significado partitivo, o genitivo, acompanhando os chamados verbos objetivos, forma uma oposição ao acusativo (encontrou pedras: encontrou pedras [em parte/algumas]; ouviu rumores: ouviu rumores [em parte/alguns]), por vezes também ao instrumental (encheu a cova de dinheiro / com dinheiro), e, acompanhando verbos de estado e de mudança de estado, ao nominativo (havia pedras: havia pedras [em parte/algumas]; „Como traço fundamental do genitivo adverbal pode abstrair-se que a afirmação não se aplica à extensão e ao conteúdo plenos do conceito nominal, nem ao conceito nominal pura e simplesmente, mas apenas ao seu âmbito, àquilo que lhe pertence e semelhantes. Assim surge frequentemente a noção do partitivo“ (Brugmann 1911: 567). GENITIVO ADVERBAL DA LÍNGUA LITUANA | 7 espalharam-se rumores: espalharam-se rumores [em parte/alguns]). No primeiro caso, o genitivo partitivo é denominado objetivo; no segundo — subjetivo. 1.1. Uso objetivo 1.1.1. Na língua lituana, assim como nas outras línguas aparentadas, o genitivo partitivo geralmente depende de verbos objetivos. Ele apresenta formas do singular e do plural. As formas do singular designam uma substância, uma massa, cuja determinada quantidade é afetada pela ação (comeu pão, comprou açúcar, encontrou ouro, deu farinha...- ), ou coisas mais abstratas, concebidas não em sua totalidade (teve oportunidade /coragem, sentiu dor, proporcionou felicidade...). As formas do plural designam objetos concretos contáveis (recebeu dinheiro, comprou batatas, encontrou framboesas, deu brinquedos...) ou conceitos abstratos (recebeu conselhos, encontrou prazeres, deu instruções...). Os verbos aos quais se associa o genitivo partitivo geralmente denotam: (a) posse, recebimento e doação ou perda (ter, receber, encontrar, pegar, agarrar, dar, comprar, proporcionar...): Ainda tenho desse tecido DG; Se tiveres dinheiro, também terás amigos MRC; A ovelha balia até receber feno V1; Recebi pães SRD; Sobe ao sótão — talvez encontres algum toucinho Kr; O estudo tira dinheiro Gs; Dá estrume àquela terra ER; Compraste peixe, compra também pimenta PPR 226; Pega carne assada, pega queijo e manteiga KZR; (b) a compreensão, a experiência, o conhecimento, a obtenção e a transmissão de informação (ver, ouvir, escutar, saber, saber fazer, ensinar, ler, dizer...): Tu estiveste na cidade, talvez tenhas ouvido algum boato? Lš; Ela sabia isso, histórias KB; O trabalho paga, e o que mais? LNKV; Lá leu coisas desagradáveis do SRAG IT 281; Disse-me más notícias sobre ti DKS; (c) comida, bebida, degustação e semelhantes (comer, devorar, beber, provar, sorver...): Se comeres leite, na Páscoa fechar-te-ei debaixo do forno KB; Come, cavalinho, aveia VL; Mas os outros, sentados em silêncio, bebem tabaco DONPP 60; Provam o mosto, veem se a cerveja ficará boa OB; Provem a nossa manteiga UZp; (d) diversos outros atos que podem afetar certa quantidade de coisas ou pessoas (carregar, transportar, espalhar, semear, cozinhar, assar, colocar, fazer...): Cresce a pequena macieira, verdeja, floresce branca, trará frutos pretos N 34; Para este lado da casa transportaram terra e cascalho SLM; Espalha areia naquela cova DRSK; Semeava também cânhamo para trabalharmos juntos DGC; Cozinhei carne para o almoço Kp; Rala as batatas, faremos panquecas V1K; Põe manteiga, não comas pão seco Kp (para mais exemplos, ver Jablonskis 1957: 578-579; Fraenkel 1928: 42-47; Bulygina 1959: 96-107; Senn 1966: 393; Ulvydas, ed. 1976: 24-26, 461; Grenda 1979: 33-38; Svambaryté 1996: 39-47; Sukys 1998: 102-107). 8 || VYTAUTAS AMBRAZAS 1.1.2. O genitivo partitivo com verbos de significados correspondentes é amplamente atestado também nos escritos antigos; nos textos traduzidos, na maioria dos casos, é usado independentemente dos originais: (a) ghis... ischszabaia Welbludus, ir dawe iemus Schaudu. (nubr. -s) ir pascharo BrB I Moz 24,32 (vi gab jnen stro vnd futter LB); dowanoio iam Aukso, Kadilo ir Myrro (tais. iš Auksa, Kadila ir Myrra) BRB MT 2,11 (schenckten im Gold, Weyrauch und Myrrhen LB); Diews prikel debessis dangaus/Teikdams Zemei Litaus MZ 241,, (Oui operit coelum nubibus, et parat terrae pluviam McH 303); (b) Prisakimu szinai BRB Lx 18,20 (Mandata nosti VULG; Du weissest die Gebot wol LB); weisdek mana ranku BrP, 43,4; szmones szwalga to isch tolo Jos 36,25 (As pessoas veem de longe LB); kure bila esch nepermaniau, tos klausiausi BRB Jos 29,16 (qualquer coisa que eu não soubesse, eu a investigava LB); (c) ateik sche, ir walgik tos ditnos BRB Rut 2,14 (vem aqui e come deste pão LB); 0 kiti apiūkdami itis, biloio Apsigiere saldaus Wino BRB Arp 2,13 (Sie sind vol stisses weins LB; musto pleni sunt isti VULG); kits plescha/ir surb krauio artimoio sawa BrP 472; (d) Neschkit sche Szuwu BRB IN 21,10 (Bringet her von den Fischen LB); E fez todo tipo de utensílios II Mo 38,3 (Vnd macht allerley gerete LB); Eikite, ir nupirkite mumus lawu I Moz 42,2 (descei e comprai-nos cereais LB); guardai (de -kiet) os meus Mandamentos BRB Jo 14,15 (haltet meine gebot LB). 1.1.3. No folclore letão, o genitivo partitivo ainda é claramente atestado com verbos dos grupos (a) e (b), cf.: duod... man maizites (var.: maiziti) “dá-me um pouco de pão”; kur jimsim naudys ‘onde tomaremos dinheiro’; tėva klausisiet "ouvireis o (a voz do) pai”; lai es tevis (var.: tevi) lūkuojuos ‘para que eu olhe para ti' (Endzelins 1951: § 394.3, 6). Contudo, com verbos dos grupos (c) e (d), o genitivo já é geralmente associado apenas quando eles têm prefixos com significado de completude (por exemplo: maizes piédusi ‘tendo comido pão até se saciar’, alus piedzérusi “tendo bebido cerveja até se saciar', pieberam... rudzu ‘enchemos de centeio’ (Endzelins ib., cf. Bergmane e.a., red. 1959: 394). Quando o genitivo é usado como variante do acusativo predominante, a oposição semântica desses casos se desvaneceu na língua letã (Gaters 1993: 101). 1.1.4. O genitivo partitivo da língua lituana, acompanhado pelos verbos de todos os grupos aqui mencionados, opõe-se ao acusativo como membro marcado da oposição, cujo traço distintivo é o significado de quantidade indefinida, por exemplo: começou a pegar carne/carne, viu pássaros/de pássaros, bebeu leite | de leite, debulha grãos | de grãos, cf. Deus deu céu claro, Deus dará também chuva DAUK. A forma do genitivo é aqui determinada não pela regência do verbo, mas pelo significado partitivo próprio do caso. Ao mesmo tempo, observa-- se também a concordância semântica entre as formas do verbo e do caso. De modo algum a oposição entre acusativo e genitivo é possível com todos os verbos transitivos. Observou-se que o genitivo partitivo tende a ser associado mais frequentemente a verbos que designam uma ação única e, mais raramente, repetida (Švambarytė 1996: 47). Por outro lado, não se associam ao genitivo partitivo os verbos que exprimem ações cujos objetos não podem ser divididos (amar, respeitar, 8 Cf. Cf. a observação de Danielius Kleinas sobre o uso duplo do verbo klausyti no significado de percepção física: com o acusativo (Klausyti žodi Diewo) e com o genitivo (Klausyti žodžio Diewo) KIG 152. Mais sobre ouvir com acusativo e genitivo, cf. Fraenkel 1928: 72-73. GENITIVO ADVERBAL DA LÍNGUA LITUANA | 9 mėgti) ou afetados apenas em certa medida (sveikinti, judinti, ldidoti...). Contudo, mesmo quando o significado do verbo permite relacioná-- lo com uma parte do objeto divisível ou com uma determinada quantidade de objetos, frequentemente se usa apenas o acusativo. Por exemplo, o genitivo partitivo não é usado (ou deixou de ser usado) com os verbos não prefixados ardyti, baidyti, blizginti, dažyti, dirbti, draskyti, dūlkinti, ganyti, gaudyti, gerbti, grėbti, griauti, kapoti, kasti, kirsti, maišyti, mėgti, mylėti, rauti, rašyti, skųsti, statyti, teisti e muitos outros. 1.1.5. Há dados que permitem supor que, devido à generalização do acusativo para expressar o objeto semântico (paciente, contentivo), o uso do genitivo partitivo na língua atual se restringiu consideravelmente. Nos textos antigos, o genitivo partitivo às vezes também é encontrado em casos nos quais a língua padrão já havia generalizado o acusativo. Ao lado do acusativo, o genitivo partitivo era usado no lituano antigo com as chamadas verba memoriae: atmižiti, minėti, užmiršti etc. : O senhor se lembrou de nós M7 464. „(O SENHOR se lembra de nós; Dominus memor fuit nostri MCH 526); Então Pedro se lembrou das palavras de Jesus (corr. de Cristo) BrB Mt 26,75 (Da dachte Petrus an die wort Ihesu LB); atmink tawo surinkimo RPS 74,2 (lembra-te da tua comunidade LB); O atmink manes BRB I Moz 40,14 (Mas lembra-te de mim LB); A mãe malvada esqueceu o seu filho BrP, 481,; esquece o teu povo e a casa de teu pai (a zapomni narodu twego, y domu oyca twego) SP, 3,,.. (cf. com o acusativo que expressa a totalidade das coisas: ne gali wissa kosani atminti BRP 357, grekus musu wysus vszmirsk MZ 54,,)". Esse uso do genitivo está bem preservado nos escritos de Donelaitis. Com os verbos at(si)minti, (pa)minėti ‘recordar-se, lembrar’, pamiršti, neles é usado apenas o genitivo, por exemplo: atmena Dievo DoNŽR 401; atsimyk savo galo! RG 25; česnies bei lapės tankiai minėjo LG 35; mūsų bėdų paminėjai VD 236; jo kasdien paminėtų VD 169; darbo savo pamiršta VD 584. Contudo, a relação com o esquecimento associa-se não apenas ao genitivo, mas também ao acusativo, cf.: dangaus užmiršęs imasi šaukštą RG 302; kaimyną gerą užmiršti LG 10. Também ocorrem vestígios do uso do genitivo com estes verbos nos dialetos, especialmente no folclore tradicional, cf. : Verkė sesytė, atsimindama brolyčio KivD 340; Užmiršo kirvio ledui prakirsti SVN; Ažmiršo savo mergelės AD. Aqui, o genitivo começa a ser substituído pelo acusativo, e a oposição semântica desses casos se desgastou. Contudo, até hoje, em alguns lugares, o uso do genitivo e do acusativo com os verbos arminti, užmiršti para expressar objetos contáveis conservou o significado partitivo; Danielius Kleinas já o mencionava: atmenu žodžiū ir žodžius, uzmirsk nami ir namus KIG 152. Para mais exemplos, ver Fraenkel 1928: 78; Palionis 1967: 154. Sobre o genitivo partitivo com verbos de significado correspondente nos antigos monumentos das línguas aparentadas (eslavas, germânicas, latinas, gregas, indo-arianas), cf. Brugmann 1911: 590-591; Hofmann, Szantyr 1972: 81, com bibliografia lituana. ; Schwyzer, Debrunner 1975: 108. 10 | VYTAUTAS AMBRAZAS o genitivo plural de substantivos que designam, com verbos su prefixais, lembrar, recordar-se, por ex. : A tia lembrou-- se de todo tipo de aventuras VLKV (cf. Lembrei-- me de todas as nossas aventuras). 1.1.6. Com os verbos vadinti, šaūkti, žūdinti, que significam convocação, nos escritos antigos, ao lado do acusativo, também se usava o genitivo, sem influência perceptível de fontes de outras línguas, por ex.: tassai Elioschiaus wadin VEE 210, (Der ruffet dem Elias LB MT 27,47; Eliam vocat iste VULG); 0 atéies namūsn, suwadina gencziy ir susiédy DP 279,, (a przyszedszy do domu/ wzywa przyiacioly/y sasiūdy *W 286,; convocat amicos, et vicinos VULG LK 15,6); Wadink darbiniku, ir ataduok iiemus algu —Zawolay robotnikow, y odday im zaptatę SP I 317-319 (Voca operarios VULG MT 20,8); nesang tuien musu szauki —pois nos chamas para Ti PK 182,; tasay teypag szaukie musu —também assim nos chama PK 179; zZadinkite io/kolay arti ira —chamai-o enquanto está perto SP, 197,,.; cf. com acusativo: mus ne paldudamas wadina ir szaukia sawésp DP 380,,,, (chama-nos e convoca-- nos continuamente para Si *W 394 _; Então Laban convidou todas as pessoas daquele lugar BRB I Moz 29,22 (Da lud Laban alle leut des orts LB); também com alativo: schauku tawesp Mz 340, (schrey ich zu dir McH 402); Balsas... šauk manensp BRB 1 Moz 4,10 (A voz... clama a mim LB). 8-9? O genitivo também se combina com verbos correspondentes no folclore letão, cf.: kliedz brala LP VI 479 “chama o irmão’, velna saūkūdams “chamando o diabo’ (Endzelins 1951: § 394; zr. dar Fraenkel 1928: 66; 1947: 65; Palionis 1967: 154-155; Schmalstieg 1987: 163-164). 1.1.7. Os verbos sdugoti, sérgeti, (pri)žiūrėti, (pri)veizdéti nos escritos antigos também aparecem frequentemente com o genitivo, por exemplo: : Kurie teipaig sergeia i6 pas wartus diena ir nakti VEE 144 _ —Sie hūtteten aber tag vnd nacht an den thoren LB ApD 9,24 (cf. padawe... sergeti ghy VEE 155 | —jn zu bewaren LB APD 12,4); passisede sergeia io BRP 1389, (vnd sie sassen alda/vnd hūteten sein LB MT 27,36; et sedentes servabant eum VULG); iay saugosite walios mano MP 124, (se guardardes a minha vontade RP 81a.,); Dawe... stirnikus/- kurie priweyzdetu tos io eldiios —aqueles que observassem esta sua estirpe SP, 275, „cf. do folclore letão: meža sava (var.: meu savu) sargajiet! BW 1680,2 “guardai a vossa floresta / a floresta!” (Endzelins 1951: § 394.6; Fraenkel 1928: 74; 1947: 65; Palionis 1967: 155; sobre o genitivo com sdugotis, sérgetis, que designa as coisas das quais se guarda, zr. 3.5). 1.1.8. O genitivo partitivo também expressava o contacto com a superfície ou uma parte de um objeto (pessoa), enquanto o acusativo expressava o objeto inteiro. Essa diferença é evidente neste exemplo: ir ghi nutwere ghi (išbr. ant) Drapanu (virš.: Sermega, tais. iš Sermegos) ir biloia BRB I GENITIVO ADVERBAL DA LÍNGUA LITUANA | 11 Moz 39,12 (vnd sie erwisscht jn bey seinem kleid | vnd sprach LB). De modo semelhante, o genitivo era usado com outros verbos de contacto físico, por exemplo: liésti, lytéti, kibinti: moterischke... paliteja sterblies ruba io VEE 127, (ein Weib... rūret seines Kleides sawm an LB MT 9,20); palitéio karsto DP 334, (dotknąt si¢ mar *W 345); kas ira kuris (pabr.) manes liteiase (tais. liteios) BRB LK 8,45 (quis est, qui me tetigit? Vulg; wer hat mich angeruret? LB); Niekas nera teip dransus, kursai io galetu kibinti BRB JOB 41,10 (der jn erwecken that LB), cf. ainda: plaukų nutveéres išmetė laukan DONPP 94. Atualmente, nos dialetos, o acusativo já se generalizou aqui, mas o genitivo permaneceu com os verbos reflexivos glaūstis, remtis, tvėrtis, por exemplo: : Glauskis bėdoje išmintingo, bet ne turtingo LTR; pasiremdamas lazdos BM 116; Nors peilio tverkis! Ds; tverias darbo RX (plg. ius turit... io nusitwerti BRP 310, „„). 1.1.9. No desenvolvimento da língua lituana, observa-se também um processo contrário: com alguns verbos, generaliza- -se não o acusativo, mas o genitivo de origem partitiva. Já foi mencionado que este último tende a ser mais usado com verbos que expressam uma ação pontual (principalmente verbos de aspecto perfectivo). Os verbos cujas formas não prefixadas podem ser associadas tanto ao acusativo quanto ao genitivo, ao receberem um prefixo, em certos casos perderam a capacidade de diferenciar a forma do caso do objeto de acordo com o seu significado. O genitivo consolidou-se especialmente com os verbos cujo prefixo indica a completude da ação ou o excesso de quantidade (por exemplo: per-, pri-, at-). Por exemplo, ao lado das expressões nešė malkas | malkų ‘levou lenha’, gėrė vyną | vyno ‘bebeu vinho’, pirko bulves | bulvių ‘comprou batatas’, valgė kopūstus /kopūstų ‘comeu couves’, em que o genitivo se opõe ao acusativo com base no significado de quantidade indefinida, com os verbos correspondentes que têm os prefixos pri-, perou at(si)-, usa-se apenas o genitivo, cf.: prinešė malkų ‘trouxe lenha’, prisigėrė | persigėrė vyno ‘bebeu vinho em excesso’, pri(si)pirko | parinko bulvių ‘comprou batatas’, atsivalgė kopūstų ‘comeu couves até se fartar’ (ver ainda Ulvydas, red. 1976: 25; Senn 1966: 391). De modo semelhante, o genitivo também se associa a verbos sem prefixo, indicando uma ampla extensão da ação, por exemplo: Grūdų dabar lūžta turgus Kp; ‘Agora o mercado está a transbordar de grãos’ Kp; Jaujos visos ūžė jaunimo SK. ‘Todos os secadouros fervilhavam de jovens’ SK. Esse genitivo já não tem significado partitivo e é diretamente regido pelo verbo. Também regem diretamente o genitivo com significado de conteúdo os verbos mokyti ‘ensinar’, mokytis ‘aprender’, por exemplo: ąžuolinė šakytėlė darbelio mokia NS 1169 ‘o pequeno ramo de carvalho ensina o trabalho’; mokysiuosi amato Jabl ‘aprenderei um ofício’; assim também nos textos antigos, cf. Mokiay manę walios sawo KN 63,,. 1.1.10. O uso do genitivo generalizou-se também nas construções com verbos que significam buscar algo, desejar, esperar, procurar etc. Nos dialetos e nos textos antigos, com tais verbos, às vezes também ocorre o acusativo — segundo Fraenke- 18 | VYTAUTAS AMBRAZAS 1.3.2. Exatamente da mesma forma, o genitivo associa-- se a substantivos que indicam quantidade (a), numerais (b), pronomes (c) e formas do gênero neutro dos adjetivos (d), por exemplo: (a) um feixe (de lenha), um copo (de leite), um pedaço, uma parte (de tecido), um saco (de farinha), uma garrafa (de cerveja), um grupo (de pessoas), um bando (de gansos); (b) dez, onze... (homens), cem, mil... (estrelas), um par, um trio... (de cavalos); (c) alguns, uma dúzia (de crianças- ); (d) pouco, cheio (de água, de pessoas) (para mais exemplos deste significado, ver Jablonskis 1957: 576-577; Ulvydas, ed. 1976: 202-203, 236-237, 263; 268-269). 1.3.3. A estreita relação entre o genitivo partitivo, dependente do verbo, e o genitivo associado a substantivos e advérbios com significado de quantidade foi mencionada por Jonas Jablonskis. Apresentando exemplos com genitivo partitivo, ele afirmou: „Frequentemente, aqui também está implícita a palavra de quantidade (um pouco, bastante, muito, uma parte...). A origem da parte e da quantidade — quando estão intimamente relacionadas, às vezes é difícil até distingui- -las“ (Jablonskis 1957: 579). A mesma relação foi há muito observada em outras línguas aparentadas. Os investigadores que consideravam o uso adverbal do genitivo o mais antigo também viam as palavras com significado de quantidade, nas frases do tipo em questão, como certos modificadores que especificavam o significado do genitivo partitivo (Delbriick 1893: 333; Brugmann 1911: 613-614). Fraenkelis (1928: 55-60) também considerava os exemplos da língua lituana com genitivo de quantidade, dependente de substantivos e advérbios, uma certa variante do genitivo partitivo, associado aos verbos desde os tempos mais antigos. Contudo, ao comparar exemplos de ambos os tipos, não é difícil observar que o uso do genitivo partitivo abrange apenas uma parte das construções nominais com genitivo de quantidade. Construções como maišas miltų, keletas žmonių, daug sniego, mažai naudos etc. podem ocupar a posição de sujeito ou de complemento em numerosas frases, nas quais um único genitivo partitivo não pode substituí-las (cf. Maišą miltų panešti sunku; Mažai naudos iš tokio darbo etc.). Entre os adjetivos, apenas algumas formas do gênero neutro (pilna, maža) podem, com o genitivo, formar construções próximas das partitivas, enquanto nos demais casos o genitivo de quantidade é regido tanto por formas do gênero neutro (gil, ilga, siaūra, striūka) quanto por formas dos gêneros masculino e feminino (vertas, -a; godūs, -i; gausūs, -i; sotus, -i; pilnas, -a, etc.). Assim, as construções com genitivo de quantidade, sinônimas do genitivo partitivo que depende diretamente dos verbos, constituem apenas um caso específico do uso do genitivo de quantidade dependente de nomes e de advérbios de origem nominal. As construções com genitivo dependente dos verbos daugėti, mažėti, respetivamente dauginti, mūžinti, que podem ter vários prefixos, têm caráter claramente derivacional, por exemplo: vandens padaugės Pc; miškų ir žuvų mažėja DRSK, cf. Ulvydas, ed. (1976: 25). A base de tais construções são os nomes correspondentes ou os advérbios deles derivados, associados ao genitivo (daug /daugelis žmonių, maža vandens e semelhantes.)*, e os próprios verbos também são derivados deles por processos derivacionais. 12 A origem do advérbio daūg a partir das formas do gênero neutro do adjetivo é indicada pelas formas mais antigas daūgi, daūgia, por exemplo: daugi sanariū turime VEE 23,13; linų pasėjau daugi ZT; kiekwieno stono žmones daugia yszmokitis gal DP 64, (cf. ainda LKŽZ, 314), também as encontramos nos primeiros constituintes de muitas palavras compostas. O GENITIVO ADVERBAL DA LÍNGUA LITUANA | 19 1.3.4. A sinonímia de algumas construções de genitivo de quantidade, nominais e adverbiais, com construções verbais foi proposta para ser explicada supondo, nestas últimas, uma variante zero de uma palavra que exprime quantidade indefinida (šiek tiek, bent kiek ou semelhante) (Girdenis, Zulys 1973: 212; Grenda 1979: 33-340). As construções com genitivo partitivo dependente de verbos são interpretadas segundo o esquema: VERBO + SEMEMA ZERO «quantidade» + GENITIVO DE QUANTIDADE INDEFINIDA. A palavra que exprime esse semema zero de quantidade ocuparia ou a posição de nominativo do sujeito, ou a posição de acusativo do complemento. Com base nessa interpretação sincrônica, pode-se distinguir um grande conjunto de construções de genitivo de quantidade dependentes de nomes e de formas de origem nominal (advérbios), que seria constituído por: (a) construções de quantidade definida (pribėgo stiklinė vandens, gulėjo maišas pinigų); (b) construções de quantidade indefinida com palavras de significado de quantidade indefinida explicitamente empregadas (pribėgo šiek tiek vandens, buvo bent kiek pinigų); (c) construções de quantidade indefinida com palavras de significado de quantidade não empregadas (resp.) (pribėgo vandens, buvo pinigų). Considerados historicamente, tais relacionamentos do genitivo partitivo dependente de verbos com outras construções de quantidade ajudam a compreender a formação dos significados de quantidade indefinida. Já Herman Hirt (1934: 111-116) supôs que as construções verbais com genitivo partitivo se consolidaram nas línguas indo-europeias devido à elipse de um membro de natureza nominal. Origem de construções reduzidas com supino (nominais). Devido à elipse do nominativo do substantivo subentendido, o genitivo às vezes substitui o sujeito da oração em frases como Kaimynų jau ir linus nurovė, ir roputes nukasė ŠLN (cf. Ulvydas, ed. 1976: 29; 290). O genitivo partitivo, assim como, em geral, o genitivo adverbal, também pode, em muitos outros casos, ser derivado diacronicamente do sistema de tipos de uso do genitivo adnominal (cf. Kurylowicz 1964: 184-185). Naturalmente, não é possível provar tal desenvolvimento do genitivo com base no lituano, registrado relativamente tarde, embora tenha preservado muitos traços conservadores. Ele só pode ser postulado para épocas muito remotas do desenvolvimento das línguas indo-europeias, pois as construções de genitivo partitivo diretamente associadas a verbos são atestadas em todos os grupos de línguas aparentadas desde os primeiros monumentos escritos. Ainda assim, os dados do lituano mostram claramente que as particularidades do uso do genitivo partitivo e de outras construções próximas a ele são mais bem explicadas levando em conta suas relações históricas com o genitivo adnominal. 1.3.5. O uso adnominal é o campo de uso mais amplo e mais característico do genitivo, frequentemente considerado a base da função gramatical desse caso (cf. Benveniste 1962; Kurytowicz 1964: 183-186). O genitivo do lituano, assim como o das demais línguas aparentadas, pode caracterizar substantivos sob aspectos muito diversos — dependendo do contexto e dos próprios significados lexicais dos substantivos. Além do significado de quantidade já mencionado, a diversidade dos tipos de uso do genitivo adnominal baseia-se no significado geral de dependência, que abrange os significados de posse (casa dos pais, lenço da mãe), material (anel de ouro, bala de prata), partitivo, ou seja, de uma parte do objeto (cume da montanha), comparação (cabelos de linho), finalidade (faca de pão), origem (homem da aldeia, animal da floresta), qualidade (homem de inteligência) e outros significados. Ao significado de dependência também podem estar relacionados tipos gramaticalizados 20 | VYTAUTAS AMBRAZAS de genitivo subjetivo (alegria da criança, vida do homem) e objetivo (corte da floresta). A análise desses tipos de uso adnominal e de suas relações — é objeto de um estudo separado. 1.4. Genitivo de tempo 1.4.1. Provavelmente também estão relacionados ao uso partitivo os constructos em que o genitivo indica tempo. Fraenkel considerava esses casos simplesmente uma subvariedade do uso partitivo („eine Abart der partitiven Verwendung“ 1928: 62). No lituano atual, o genitivo é usado para indicar tempo relativamente raramente e somente quando o próprio substantivo designa um conceito temporal. Os genitivos de tais substantivos tendem a adverbializar-se; entre eles, os mais frequentes são nto, vakaro, encontrados nos dialetos e no folclore tradicional, por exemplo. : De manhã fui para a cidade SV; Houve geadas matinais DKST; Quem conduziu de manhã, de manhãzinha? NS 453; Fui colher cogumelos de manhã JNŠM; De manhã não consigo comer durante muito tempo Arxs; À noite, costumava montar num cavalo VžNs; Quem canta de manhã, chora à noite STR; Só à noite voltámos para casa Sv; Os irmãos pastoreavam os cavalos ao entardecer NS 453... Também foi observado o uso do genitivo para designar fases da lua: jauno reikia bulbas sodint ar pilnaties AD (Vidugiris 1994: 62). Cf. ainda o genitivo de significado mais abstrato senybos ‘antigamente’: kai būdo (= būdavo) senybos TVR (Otrębski 1934: 419). Que o genitivo se adverbializa nesses casos há relativamente pouco tempo é demonstrado por exemplos de canções populares com determinante, por exemplo: : A moça do sábado à noite varria o pátio BTR; Na manhã de domingo fui buscar água 1.7. Nos dialetos também foram observados outros genitivos com determinantes que exprimem conceitos temporais, por exemplo: : Todos os dias te levantas e varres ZT; eu não sei de que hortelã isso era Lz; bem, dão-lhes da outra vez só um pouquinho GRV (Vidugiris 1994: 62; ver também Ulvydas 1964: 12-13; LKŽ,, 755; LKŽ 1000; Zinkevičius 1966: 394; Valiulytė 1995: 78-79). XVII Esses genitivos de tempo, usados livremente, também ocorrem nos escritos antigos, por exemplo: log ischwisi kosznos dienos MZ 386,, (das du wirst schawen stetiglich Mcn 448); kalbeia kiek dienos Iskaloia BRB APD 19,9 (redet teglich LB, cotidie N); ir antras dienas eija su ieis WP 158,,,,; neszinnate kuras (12) hadinas weschpats iusu tur ateiti WP 12-12a (pois não sabeis | a que hora virá o vosso Senhor LB MT 24,42; qua hora Dominus vester venturus sit N); tasiegu hadinas nenoriu atminti wissu greku ia WP 80 a; Gaigalat 1900: 45); cf. ainda o genitivo do substantivo composto pusnakties: kaip kada pusnakties tikieios Ekrutnikai Szemen nekokie atranda BRB ApD 27,27 (vmb die mitternacht LB, circa mediam noctem N), t. p. BRB LK 11,5 (Gelumbeckaite 1999: 17). GENITIVO ADVERBAL DA LÍNGUA LITUANA | 21 1.4.2. O genitivo, nos casos mencionados, designa o período de tempo durante o qual a ação dura ou ocorre. Com esse significado, atualmente é usado sobretudo o acusativo ou o locativo, cf. Levantar- -se cedo de manhã PGG; Choveu durante toda a noite GRL e semelhantes (Valiulytė 1998: 194—241). O genitivo e o acusativo de tempo às vezes são usados até na mesma frase, por exemplo: : De manhã vou pescar peixes, de dia volto a pescar peixes STRN. É difícil perceber, a partir do uso de formas de genitivo adverbializadas ou em processo de adverbialização, a diferença de significado em relação ao acusativo ou locativo temporal. Contudo, tendo em conta a tendência predominante de exprimir por meio do genitivo adverbial apenas uma quantidade parcial e indefinida, pode-se supor que também nos casos mencionados o genitivo provavelmente se distinguia do acusativo por uma nuance de significado partitivo, que se desvaneceu à medida que o genitivo temporal se adverbializou. O genitivo nakties, geralmente usado ao falar da permanência noturna com o gado, tem uma nuance de finalidade, por exemplo. : Então deitámo-- nos durante a noite VZNs. Pode ser associado ao genitivo após verbos de movimento, cf. Juza irá durante a noite Ds, sobre as suas possíveis relações com o genitivo partitivo e adnominal, ver 1.1.2. e 1.3.5. Na língua atual, o genitivo dos substantivos que exprimem conceitos temporais é geralmente regido por preposições (cf. iš naktiės, nuo ryto, iki vakaro etc.). Na língua letã, o uso do genitivo temporal sem preposição extinguiu- -se ainda mais. Aqui, apenas nas canções populares, ainda se observam substantivos compostos adverbializados com pus-, que designam conceitos temporais, cf.: Pusritina saule lėca... Pusvasaras tautas jaja BW 14231/3 ‘De manhãzinha (= cedo), o sol nascia... Em pleno verão, os homens cavalgavam’ (Gaters 1993: 106). 1.43. Os casos de genitivo temporal da língua lituana têm correspondentes claros nos antigos monumentos de outras línguas aparentadas, por exemplo, nas eslavas (russo antigo toi že zimy pridoša nemci I NovG LET. 128, ver Borkovskij, ed. (1968: 161) ‘naquele mesmo inverno vieram os alemães’- ), nas germânicas (gót. nahts ‘da noite’, alemão antigo tages ‘do dia’), no grego antigo (fjptpag ‘do dia’, Hols ‘da manhã’, vuxrog ‘da noite’), nas indo-arianas antigas (aktoh ‘da noite’) (Delbrūck 1893: 356-359; Brugmann, 1911: 573-574; Behaghel 1923: 590 ss.; Vondrak 1928: 245; Hirt 1934: 106-108; Krahe 1972: 79; Vaillant 1977: 79; Schwyzer, Debrunner 1975: 112-113); aqui, aparentemente, também se inclui o lat. nox, adverbializado, “da noite, isto é, à noite” (Hofmann, Szantyr 1972: 85). Isso permite supor que os vestígios do uso adverbial do genitivo para expressar tempo são herdados daqueles tempos em que a função objetiva desse caso ainda não estava consolidada. 2. GENITIVO DE NEGAÇÃO 2.1. Já na primeira gramática impressa da língua lituana foi formulada a regra: „Os verbos com a partícula negativa né geralmente recebem o genitivo, embora, sem ela, normalmente regeriam o acusativo“". Danielius Kleinas apresentou também exemplos expressivos que demonstram o funcionamento dessa regra: Jus nepazystat jo | asz pažystu ji IN 8,55; neturėk kitu Diewu, nepėrženk wenčiawones Moz II 20, 3; 14 (KLG 154), Gėras mėdis gėrą waisu atnesz | gėras mėdis negal pikto waisaus atnėsti MT 7,17. "Verba cum particula negativa nė posita fregventissimė Genitivum recipiunt, cum alias sine illa Accusativam admitterent“ KLG 154; de modo semelhante também em KLC 107. 22 | VYTAUTAS AMBRAZAS De modo semelhante, o genitivo ocorre em lugar do nominativo com su alguns verbos de estado que receberam negação. Embora Kleinas não to nomeia a lei, mas também apresenta exemplos de tal uso: nera nieko gėro szeme piktame swiete; nebuvo newieno žmogaus kurs gélbet galetu; | Jeib wylaus nebutu KLG 154. Juntamente Kleinas observou que, às vezes, os verbos exigem o acusativo ir su com a negação: newėsk mus ing pagundima MT 6,13; idant smertis nepasmdugtu jus girtus, bet ne: jusu girtu. De modo semelhante, o genitivo da negação é descrito nas obras ir posteriores de SapūnasŠulcas Nas gramáticas (de Ruigio e Milkaus). 2.2. O genitivo negativo com su verbos transitivos é amplamente atestado desde o início da tradição escrita, tanto em textos originais como — em textos traduzidos, nos quais é ir empregado independentemente da influência dos originais (na maioria das vezes, o acusativo é traduzido por ele): nekada manes nog iusu neatmeskiet liudik prysch artima tawa Ir neteisaus liudima MZ 9 6; Ne MZ 19,, ,. (Não darás falso testemunho contra o teu próximo LB; Niebe¢dziesz falsiwie swiathczit McH 79); Ne tureki kyty Diewy preg manes Mz 18, t. p. VEE 11, (Nie będziesz miał bogów innych nade Mną MCH kurs 78); žmogus iš jūsų... er ne palikti devynis dešimtiniir us devynis girioje VEE 88 4 LK 15,4 (Welch mensch... que não deixa as noventa e nove no deserto LB); Nós io ne nós avançamos (...) Não derramem sangue, mas lancem-no Dūbena BRB I Moz 37, 21-22 (Não nos deixeis jn matar... Não vos esqueçais do sangue LB); O Tatay é contra aqueles que não | querem fazer ne nada DP 64,, (co nic niechca czyni¢ *W 65); Ir ne pakdka tau to DP 64, (A zaé nie dosy¢ tym na *W 65). A oposição ir entre o genitivo e o acusativo é particularmente evidente nos casos em que, de verbos acompanhados sucessivasu mente por uma be negação ou não, depende ou o genitivo, ou o acusativo: manne Tu apdirgai, nei manens mili BRB Teis 14,16 (Estás zangado comigo e não me amas LB); iey a nedara t6 tada | prakeikta ti ghrieka anis dara VE 7,_, (E não o wo fazem, es cometem um pecado amaldiçoado LE AS); Temos... para que não censurássemos / a palavra de Deus ir id | Mas para que tą observássemos tudo o que é santo VE 12, , (Wir sollen Temer e amar a Deus, para que não desprezemos o sermão e a sua palavra, mas os mantenhamos santos não desprezando o sermão e a sua palavra, mas mantendo-- os santos LE B3); que tem natureza humana, mas tem pessoa ne humana (ale nie ludzkiey ma osoby SP, 166, ,.); Em breve ir não me ne vereis | ir em breve não me ir vereis DP 210,, “(Em d breve já não me vereis | y em breve vereis-me a *W 218, ,; Modicum, et já não me vereis; novamente um et pouco, vereis-- et me me JN 16,16). 2.3. O acusativo com su verbos que contêm negação também se encontra nos textos mais antigos, porém muito menos frequentemente do que o genitivo. už Ernstas Fraenkel (1928: 48) observou GENITIVO ADVERBIAL DA LÍNGUA LITUANA | 23 atenção ao fato de que há uma tendência a escolher o acusativo antes do verbo, isto é, quando a negação ainda não foi proferida, por exemplo. : Se não censurardes estas palavras, irmãos e irmãs, MZ 8; Clamamos a ti... Para que não nos abandones MZ 483,,,; Kursai Karaliste Diewa ne prieim | kaip Kudikelis Mz 122,,, (Quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha MCH 184); o que não fizestes a um destes pequeninos | isso também não fizestes a mim VEE 133, „(was jr nicht gethan habt einem vnter diesen geringsten / das habt jr mir auch nicht gethan LB MT 25, 45); as palavras que vos disse / não as digo de mim VEE 151, „(Die wort die ich zu euch rede LB IN 14,10). No entanto, essa tendência não é marcante: os mesmos autores empregam com mais frequência o genitivo antes de um verbo na forma negativa. Por outro lado, nos textos dos autores da Lituânia Menor, o acusativo por vezes ocorre também depois de um verbo que contém negação, por exemplo. : Dabar maszo, o neberegies mane Swietas BRB IN 14,19 (Ainda é por pouco tempo | e o mundo não me verá mais LB); tadda neimk augiwe su waikais V Moz 22,6 (não tomarás a mãe com as crias LB); ghis man ne pasake warda sawa TE1S 13,6 (vnd er saget mir nicht wie er hiesse LB). O acusativo preposicional ou pós-posicional com verbos de forma negativa, tanto nos textos dos autores da Grande Lituânia como nos da Pequena Lituânia, é muito mais raro do que o genitivo da negação. Nos originais dos textos traduzidos, nos lugares correspondentes em que os autores lituanos empregaram o genitivo, encontramos geralmente o acusativo. Por exemplo, ao traduzir o Evangelho de Lucas, Bretkūnas traduziu imediatamente por meio do genitivo da negação 66 construções da Vulgata com verbos de forma negativa e acusativo; em mais 20 casos substituiu o acusativo pelo genitivo ao corrigir o manuscrito, e apenas em 23 exemplos deixou o acusativo (Gelumbeckaitė 1999: 10). Entretanto, não se encontrou aqui nenhum caso em que o acusativo da negação tivesse sido empregado independentemente do original latino. O genitivo nos textos da Pequena Lituânia do século XVI também é empregado em construções em que depende do verbo de forma negativa não diretamente, 0 por meio de um infinitivo de forma afirmativa, por exemplo: to newienas negal sakiti VE 7 _ (das nicht zu sagen ist LE AS); nepadest taip waiku vszauginti VE 7,, (wo sie nicht helffen kinder zihen LE AS); netureia ko walgiti VEE 95, (e não tinham o que comer LB MRK 8,1). De modo semelhante, também nos textos da Grande Lituânia, cf.: ne turinčiu kur ir gatwos sawo priglaust SP, 184,; não permite ver a luz da verdade SP; 15, * Desde o 18-19 início da tradição escrita até os nossos dias, nesses casos também se usa o acusativo, cf. neder tau tureti moteriy brolia tawa VEE 170,, (Es ist nicht recht | das du deines bruders weib habest LB MRKXx 6,18), ver Fraenkel (1928: 51). 24 | VYTAUTAS AMBRAZAS Assim, o genitivo de negação nos séculos XVI–XVII estava firmemente enraizado e predominava não apenas nos dialetos da Lituânia Maior, mas também nos da Lituânia Menor. Isso é confirmado pelos exemplos da gramática de Sapūnas e Šulcas de 1973 e pela observação de que, com verbos que contêm negação, é «melhor usar o genitivo» («elegantius Genitivum- »): Nieko ne mate. Tu nė apkenti wissū. Asž taw ne darau Abydos e semelhantes (SC 78). 2.4. O acusativo com verbos de forma negativa penetrou nos escritos dos séculos XVI-XVII principalmente a partir de fontes alemãs e latinas. Ao comparar com os originais (1967: 162) os exemplos de escritos antigos citados por Jonas Palionis, nos quais se observa o acusativo da negação, vemos que, em quase todos os casos (exceto um), por meio dele foi traduzido o acusativo da língua alemã, cf.: nei siula nei kurpiu dirsa neimsiu BRB I Moz 14,23 —das ich... nicht ein faden noch einen schuch rimen nemen wil LB; tadda neimk augiwe waikais su V Moz 22,6 — so não tomarás a mãe com as crias LB; ghis man ne pasake warda sawa TEIs 13,6 —vnd er saget mir nicht wie er hiesse LB; nekentcziu wissus falschiwus kellus RPs 119, 104 —Por isso odeio todos os caminhos falsos LB. Não há dados que confirmem a suposição de Palionis (ib), segundo a qual, nos escritos da Lituânia Menor dos séculos XVI-XVII, o acusativo teria sido aqui determinado pelo dialeto dos autores. Contudo, em épocas posteriores, quando, devido à colonização e à germanização, a composição da população da Lituânia Menor se alterou consideravelmente e se criou um terreno favorável à disseminação de empréstimos sintáticos na língua viva, o acusativo negativo pode ter-se consolidado mais nas falas dos alto-lituanos meridionais. Esse estado de coisas reflete-- se nos escritos de Donelaitis. Jonas Šukys (1996: 52-53) encontrou em „Metai“ 20 exemplos nos quais o acusativo está diretamente ligado a verbos transitivos que contêm uma negação (p. ex. : não bebe a sopa VD 241; ainda não mexeu no terreno VD 448) ir e outros 35, nos quais estão ligados indiretamente — por meio do infinitivo de forma afirmativa (não é possível suportar doenças senhoriais VD 31 ir etc. ). Por outro lado, o genitivo que depende diretamente de um verbo na forma negativa foi observado apenas em quatro exemplos (por exemplo: mergaitės krosytų marginių nekenčia VD 351; ateisiančios žiemos ilgumo nežinom RG 905); um pouco mais de exemplos foram encontrados com o genitivo dependente indiretamente (margų marginių dar nešioti nedrįsta su VD 351; neigi tabako jau rūkyt negalėjo RG 243). Além disso, o acusativo da negação aqui às vezes também se associa àqueles verbos que, em outros casos, são usados com o genitivo da negação, cf.: tas būrą dar nepažįsta VD 504; nepažydami svietą RG 878 —jau šviesos nepažino RG 735; nei kurpių, nei sopagų dar nepažino RG 777; mums nedavė valią ŽR 197 —visiems nei gero nedavė žodžio ŽR 341 (Šukys 1996: 53). Assim, a área de uso do acusativo da negação nos escritos de Donelaitis já se havia ampliado consideravir elmente, o que é perfeitamente compreensível tendo em mente que em meados a. do século XVIII os lituanos constituíam apenas uma minoria dos habitantes de Tolminkiemis (sobre a 25%, narrativa Jurgis Lebedis 1977: 198), o na língua alemã, o acusativo já era então empregado sistematicamente depois de verbos transitivos na forma negativa (cf. Lockwood 1968: 10). O GENITIVO ADVERBIAL DA LÍNGUA LITUANA | 25 2.5. Um uso ainda mais amplo do acusativo depois de verbos que contêm negação é atestado nos contos publicados por Jonas Basanavičius, que foram registrados, em sua maioria, nos falares dos aukštaičiai do sudoeste e dos žemaičiai no final do século XIX e no início do século XX. Segundo Janina Švambarytė (1998: 58), o genitivo foi empregado aqui em apenas 1096 exemplos com verbos transitivos (mais de 1000 frases com acusativo e apenas cerca de 100 — com genitivo). Considerando que as coletâneas de Basanavičius também incluem textos registrados em outros dialetos, tal proporção indica uma disseminação extremamente ampla do acusativo, ou seja, uma restrição do uso do genitivo nos falares dos aukštaičiai ocidentais. Augustas Schleicher também chamou a atenção, em sua gramática, para a expansão do acusativo com um verbo negativo. Isso também é confirmado pelas pesquisas atuais sobre os dialetos. Observou-se que, quanto mais próximo da antiga fronteira da Alemanha (outrora — da Prússia), mais arraigado está o acusativo negativo, enquanto mais ao nordeste, além dele, também é empregado o genitivo negativo (Senkus 1959). De modo geral, atualmente o genitivo após verbos transitivos com negação predomina em todos os dialetos da língua lituana (com exceção dos já mencionados dialetos dos aukštaičiai do sudoeste), embora, além dele, em alguns lugares, especialmente entre os žemaičiai, também seja empregado o acusativo. A regra do genitivo negativo foi mais generalizada na língua lituana padrão. Ainda assim, também aqui, nos casos de relação indireta (por meio dos infinitivos de verbos em forma afirmativa), reconhece-se a alternância entre o genitivo e o acusativo (cf. Ulvydas, red. 1965: 187-188; 1976: 23-24; Ambrazas, red. 1997: 511; Oginskienė 1979; Piročkinas 1986: 186; Šukys 1998: 111, 202-203). Os dados dos escritos antigos e dos dialetos levam a crer que o genitivo negativo se consolidou na língua lituana muito antes do início da tradição escrita. O uso mais amplo do acusativo de negação nos textos da Lituânia Menor e nos dialetos dos altaitas do sudoeste foi promovido pela influência da língua alemã. 2.6. O genitivo com verbos de estado que contêm uma negação opõe-se ao nominativo do sujeito nas orações correspondentes sem negação. Ao genitivo de negação associam-- se geralmente os verbos nebiiti, nelikti, bem como os infinitivos que desempenham a função de predicado nematyti, negirdėti, nejaūsti e os verbos pronominais sinônimos nesimato, nesigirdi, nesijaučia: Kad aš augau, suvisu nékokio mokslo nebuvo RT (LKT 61); Jei nebus niibangų (= pabaigtuvių), neliks durų ni langų SINT (LKT 71); Išleidė lig paskutinio vaiko, nė vieno nebliko KLK (cf.: kas liko —tai Miko INS); Dar kelio nematyt PGG; Duobė, va, tvarto neregėt NMC; Tamsu, nieko nesiregi TVR; Hoje não se ouve vento ER; Bebeste boa cerveja, beberás, —na cabeça não se ouve nada PRNG; Acontecia que não se viam chifres de vacas entre os trevos Ds (cf.: Todo o pequeno terreno se vê como que na palma da mão SKDT) (para mais exemplos, ver Šukys 1998: 108-109). Tais frases com genitivo de negação têm um significado generalizado de estado impessoal. A ausência de uma coisa ou de uma pessoa em determinado lugar ou em determinadas circunstâncias exprime-se por frases pessoais com nominativo, cf. : Esteve aqui, e de novo aquela não ficou MZK —Valiuné apareceu um dia e não ficou GRSL. O genitivo de negação com verbos de estado (tal como com verbos objetais) também é característico dos textos dos séculos XVI-XVII, cf. : 26 | VYTAUTAS AMBRAZAS nera id czonai VEE 56,, (Ele não está aqui LB MRK 16,6); e não há nenhuma criatura visível SP I 4,0 a oposição do seu significado ao nominativo era igualmente a mesma, por exemplo. : Não havia nele forma nem beleza | quando o vimos | não havia aparência que nos agradasse VEE 214-215 (Is 53,5) —Er hat keine gestalt noch schone | wir sahen jn | aber da war keine gestalt die vns gefallen hette LB. 2.7. Na língua letã são atestados os mesmos tipos de uso do genitivo da negação: (a) construções objetivas com su o genitivo dependente diretamente do verbo: tas vietinas nezinaju BW 3725 ‘não conhecia aquele lugar’; meitas naida neturéja 6513 “as moças não tinham raiva’ (Gaters 1993: 108-109); (b) com o genitivo dependente indiretamente — por meio de um infinitivo ou particípio: irbju šauti nemaceja BW 30462 ‘não sabia atirar em perdizes’; neviens sveicinataja nebij redzéjis pienakam ‘ninguém tinha visto o cumprimentador aproximar-se’ (Lepika 1954: 14); (c) construções subjetivas, nas quais o genitivo se relaciona com o nominativo: karstas zemės ziemas nav ‘Nas terras quentes não há inverno’ (Endzelins 1951: § 403. Sobre o genitivo da negação na língua letã, ver mais em Lepika 1954; Bergmane e.a., ed. 1959: 394; Gaters 1993: 107-110). Nas canções folclóricas letãs, o genitivo de negação ainda é usado com bastante regularidade. Em PagreCui, tal como na língua lituana, também se encontram casos de acusativo negativo (cf. šmuku zyrgu najem ‘não pegues no belo cavalo’ Endzelins 1951: § 403). Na época da tradição escrita, tanto na língua falada quanto na escrita, tal acusativo tende a difundir-se, e a área de uso do genitivo de negação já se estreitou consideravelmente (cf. Lepika 1954: 44). 2.8. Nas línguas eslavas, o genitivo da negação é amplamente utilizado desde os tempos mais antigos. Tipos de uso na antiga Igreja na língua eslava correspondem àqueles que são característicos das línguas lituana e letã e não dependem da influência dos originais gregos, por exemplo: (a) blodite ne vėdošte ktniga ni sily bžiję MT 22, 29 MAR klystate nežinodami knygų (raštų) nei Dievo galybės' —nAavūo9e uv sidotes tag ypagpag unde thy Svvaury tol Yeol N; „Eles não têm vinho“ JN 2,3 ZOGR, MAR, Ass “vyno neturi’ —oivov odx žyovotvy N; (b) a camada bZve não pode seguir EUCHSIN 89 a 20 “não pode herdar o reino de Deus” — Baothetay Deo od xAnpovourjoovotv (Večerka 1958: 188); (c) ne bė ima mėsta v obitėli LK 2,7 MAR, SAv, Ass “nebuvo jiems vietos užeigoje' —odx Hv adTolg Tomog Ėv TO xaraAdpari: N; ne bė ima čęda LK 1,7 MAR, ZOGR, Ass “nebuvo jiems vaiko' —odx #v adrois téxvev N (Chodova 1980: 214-215). Tyrimai rodo autochtoniSka neiginio genityvo pobūdį dideliame slavų kalbų areale ir laipsnišką jo vartosenos siaurėjimą objektinėse konstrukcijose (ypač ryškų pietinese —bulgarų, serbų bei kroatų, slovėnų kalbose)- "; antra vertus, subjektinėse kon5 Miklosich 1868-1874/- 4: 498-501; Vondrak 1928: 251-252; Večerka 1958; Hausenblas 1958: 114-120; Borkovskij 1968: 274-277; Stanislav 1973: 158-159; Chodova 1980: 214-221; apie neiginio genityvo nykimą rusų kalboje žr. Timberlake 1986: 354-355 ir plačią bibliografiją Corbett 1986: 361-372. GENITIVO ADVERBAL DA LÍNGUA LITUANA | 27 nas construções, as línguas eslavas orientais tendem, em alguns casos, a generalizar o genitivo. 2.9. O uso do genitivo com verbos negativos em lugar do acusativo ou do nominativo é atestado também nos textos mais antigos das línguas germânicas — em trechos da Bíblia gótica. Cumpre observar que ambas as variantes do genitivo da negação — o genitivo objetivo e o genitivo subjetivo — aqui não dependem de fontes gregas, por exemplo: (a) ni habaida diupaizos airbas MRK 4,5 — odx. selysv yv oAkny “não tinha terra profunda'; (c) ni was im rumis LK 2,7 "não havia lugar para eles'; ni was im barne LK 1,7 “não havia filhos para eles' (Guchman 1958: 121), cf. 2,8 (c). Em épocas posteriores do desenvolvimento das línguas germânicas, observam-se apenas vestígios desse uso, por exemplo, no alto-alemão antigo. tū ni habis kiscirres ‘tu não tens recipiente (para tirar água)' Lockwood (1968: 10). 2.10. Embora o genitivo da negação nas línguas bálticas, eslavas e germânicas seja um fenômeno comum e indubitavelmente antigo, isso ainda não fornece base para classificá-lo como parte do patrimônio indo-europeu. Nos exemplos observados nas línguas grega e indo-iraniana, o genitivo dependente de verbos em forma negativa é muito próximo do partitivo, p. ex., gr. ob my ypods stoaro N 191 “em nenhum lugar se via pele” (Cf. Schwyzer, Debrunner 1975: 102). Assim, é importante prestar atenção à relação do genitivo da negação com o uso partitivo, indubitavelmente herdado. Essa relação foi explicada de duas maneiras nos trabalhos de linguística histórica. Alguns pesquisadores consideraram o genitivo da negação simplesmente um subgrupo do genitivo partitivo (Miklosich 1868-1874: 498; Brugmann 1911: 611-613; Fraenkel 1928: 47-55; Schwyzer, Debrunner 1975: 102), outros apenas o derivaram do partitivo (Meillet 1934: 465; Endzelins 1951: 403)". A relação do genitivo da negação com o uso partitivo também pode ser observada em exemplos do lituano, nos quais o genitivo do substantivo é o nome de determinado material ou massa (a) ou, empregado no plural, designa coisas contáveis (b): (a) Kasė visą naktį, 0 aukso nerado MRC (cf. rado aukso); Nós, sem ter provado o bolo, não iremos para casa Kp (cf. pyrago ragave); Não derrames água sobre a soleira! YL (cf. pilk vandens); (b) Eidamas jis nesutiko žmonių VL (cf. sutiko žmonių); Ta vista nedės kiaušinių VRN (cf. dės kiaušinių). Tais exemplos de genitivo negativo alinham-- se diretamente à série de genitivos com significado de quantidade já discutida em 1.3.4, na qual no primeiro nível se situaria o chamado genitivo de “conteúdo quantitativo”, que exprime uma quantidade definida (turėjo /paėmė maišą pinigų — tinha /pegou um saco de dinheiro) ou indefinida (turėjo | paėmė šiek tiek pinigų — tinha | pegou um pouco de dinheiro); em seguida, o genitivo partitivo, que exprime uma quantidade indefinida (turėjo | paėmė pinigų — tinha | pegou dinheiro), e o terceiro lugar poderia ser ocupado pelo genitivo negativo, que exprime a ausência de quantidade (neturėjo /nepaėmė pinigų — não tinha /não pegou dinheiro; cf. alem. er hatte kein Geld, ingl. he had no money), por ex.: tu nepaimsi šitų pinigų BSP, 200. Também se relaciona com a quanti- * Aliás, tentou-se derivar o genitivo negativo também do ablativo (ver Potebnja 1958: 320-321; Peškovskij 1956: 296-297). 34 | VYTAUTAS AMBRAZAS O genitivo junto ao acusativo é amplamente usado desde tempos antigos também para expressar a pessoa a quem se dirige uma oração, por ex.: io melsties BRP, 181, meldessi io 382; meldesi io (corr. iam) BRB JON 9,38 (Vnd betet jn an LB); Melsies Diewo MT 4,10 (Du solt anbetten Gott LB; Dominum Deum adorabis VULG), cf. tassai Diewa melsis JOB 12,4 (der wird Gott anruffen LB). De modo semelhante, o genitivo associa-se ao verbo šaūkti(s) com o significado de “pedir muito: ka’: kunego šauktis Sz; angelo šaukėsi MRK LTR, assim também desde o início da literatura escrita, por exemplo, Szaukéu iųsu /tieg o iųs ne noreiote DP 96,, (Wotatem was | prawi *W 97). Esse genitivo da pessoa a quem se pede, pergunta ou suplica pode ser de natureza ablativa (cf. Fraenkel 1928: 71). Permitem supor isso as frases sinônimas nas quais o genitivo ocorre com o prefixo de separação iš (por exemplo: prašė iš kareivio duonos ALN), bem como as construções preposicionais correspondentes em línguas aparentadas: eslavas (com a preposição ots), latina (com ab, ex), grega (com mapa) e o ablativo nos textos indianos antigos (Speyer 1896: 15). Em geral, o significado ablativo do genitivo é, em muitos casos, próximo do partitivo, e é difícil traçar uma fronteira clara entre as construções que possuem esses significados. É possível que a coincidência das formas de significado ablativo com o genitivo nas línguas bálticas tenha ajudado a conservar o uso partitivo do genitivo, que se restringiu cedo nas línguas que transformaram o ablativo em um caso separado (por exemplo, no latim)*?. 3.8. As construções nas quais o genitivo se associa a verbos que exprimem distanciamento interno, medo e outros estados de conotação negativa, no lituano atual entram no mesmo grupo que aquelas em que o genitivo de origem partitiva se associa aos verbos laukti, norėti, trokšti, geisti, gailėti(s), pavydėti, klausytis etc. O genitivo, nesses casos, expressa o conteúdo (conténtivo) do estado interior designado pelo verbo, acompanha necessariamente o verbo e exerce a função de complemento. Segundo a transformação passiva, ele corresponde inteiramente ao acusativo do complemento direto, dependente de verbos transitivos (cf. o hóspede temido / solicitado | esperado | desejado pela mãe). Assim, nas construções com genitivo de significado ablativo, evidencia-- se a mesma direção de desenvolvimento observada ao tratar das construções partitivas. O genitivo, que antigamente tinha significado de separação, também é gradualmente incluído no campo de atração semântica e sintática do verbo, perde seu significado independente e torna-se o caso do complemento regido por ele. 2 Cf. A conceção de Kurylowicz do ablativo como base histórica do genitivo partitivo (1964: 189-190; 1977: 142-143). # Sobre esses verbos que regem o genitivo no lituano atual, cf. Senn 1966: 388-340; Valiulytė no vol. : Ulvydas, ed. 1976: 21-22; Sukys 1998: 89-93. O GENITIVO ADVERBAL NA LÍNGUA LITUANA | 35 CONCLUSÕES 1. A motivação semântica da seleção dos casos, característica das épocas mais antigas do desenvolvimento das línguas indo-europeias, reflete-se no uso do genitivo adverbal na língua lituana com os significados partitivo (de quantidade indefinida) e ablativo (de separação). 2. O significado partitivo do genitivo está muito bem conservado nos dialetos da língua lituana e nos textos antigos. Com base nesse significado, o genitivo com muitos verbos transitivos forma uma oposição ao acusativo, e com os verbos de estado e de mudança de estado — ao nominativo, funcionando como o membro marcado dessa oposição. 3. O uso do genitivo partitivo evoluiu na língua lituana em duas direções principais: a) em vez do genitivo, anteriormente usado paralelamente ao acusativo com verbos de alguns grupos semânticos (que expressam lembrança ou esquecimento, convite, proteção, contato com a superfície de um objeto etc.), generalizou-se o acusativo; b) com verbos que significam aspiração, desejo, espera, procura etc., ou que possuem prefixos com significado de ação completa, generalizou-se o genitivo. Em ambos os casos, a oposição semântica dos casos, com base no significado partitivo, é neutralizada, e a seleção semanticamente motivada do caso é substituída pelo regimento sintático. 4. Ao genitivo partitivo também pode estar associada a utilização de algumas formas do genitivo, atualmente já adverbializadas, para expressar o tempo, o que revela a natureza semântica anterior desse caso. 5. A análise do genitivo partitivo e do chamado genitivo de conteúdo quantitativo permite pressupor não apenas relações sincrônicas, mas também diacrônicas dessas construções na remota antiguidade das línguas indo-europeias, e explicar a gênese do genitivo com supino. 6. O uso do genitivo com significado partitivo constituiu a base histórica do genitivo de negação. Nas línguas lituana e letã, consolidou-se uma regra sintática que exige substituir por genitivo o acusativo ou nominativo associado a um verbo negativo. Essa regra foi generalizada e perdeu sua motivação semântica (partitiva- ). De modo semelhante, o genitivo de negação, que se destacou do partitivo, foi generalizado nas línguas eslavas e, em parte, nas germânicas. Assim, o genitivo da negação pode ser considerado uma antiga propriedade sintática comum que une as línguas bálticas, eslavas e germânicas. A propagação posterior do genitivo da negação é observada na área das línguas fino-ocidentais. 7. O significado ablativo (de separação), igualmente herdado dos tempos da comunidade indo-europeia, conservou-se menos no lituano do que o partitivo. O seu caráter local é claro nas construções com verbos de movimento e de significados próximos, transformadas em arcaísmos sintáticos; contudo, também nesta posição o genitivo geralmente ocorre com preposições. Devido ao processo de desemantização avançado, os genitivos que exprimiam separação transformaram-se, em muitos casos, em complementos diretamente dependentes dos verbos bijoti, vėngti, saugotis, kratytis, liautis e semelhantes. Do ponto de vista da língua atual, eles se aproximam dos genitivos de origem partitiva, associados a verbos que exprimem espera, desejo, aspiração e procura. Desse modo, no lituano (assim como no letão), formou-se um grupo distinto de verbos que regem o genitivo do complemento. ABREVIATURAS BRB —Biblia tatai esti Wissas Schwentas Raschtas Lietuwischkai pergulditas per Jana BRETKUNĄ... Karaliacziuie (1579-1590) (cit. a partir da fotocópia do manuscrito). 36 | VYTAUTAS AMBRAZAS BRP — Postilla tatai esti Trumpas ir prastas ischguldimas Evangeliu... Per Jana BRETKUNA... Karaliaucziuie... 1591. BW — BARONS, Kr. un WISSENDORFFS, H. Lartwju dainas 1-6, Jelgawa un Petrograda, 1894-1915. DowN—Kristijono Donelaičio raštai: PL — Pavasario linksmybės, VD — Vasaros darbai, RG — Rudens gėrybės, ZR - Ziemos rūpesčiai, PP — Pričkaus pasaka, LG — Lapės ir gandro čėsnis; os números indicam os versos. DŪūNŽ-VITKAUSKAS, V. Šiaurės rytų dūnininkų šnektų žodynas, Vilnius, 1976. LB — Bíblia /esta é toda a Sagrada Escritura em alemão. Mart. Luth. Wittenberg 1549 etc. (cit. segundo a edição de Weimar). LE-Enchiridion. O Pequeno Catecismo para os párocos e pregadores comuns, Mart. Lu. Impresso em Wittenberg, 1531 etc. (citado segundo a edição de Weimar de 1910). LKT —Dialetos da língua lituana. Chrestomatia, ed. E. GRINAVECKIENĖ, K. MORKŪNAS, Vilnius, 1970. LKZ — Dicionário da língua lituana 1–19, ed. J. BALČIKONIS, J. KRUOPAS, K. ULVYDAS, V. VITKAUSKAS, LP — LERCHIS-- PUSCHK1941-1999. AITIS, A. Latweeschu tautas teikas un pasakas 1–7, Riga, 1891–1896. McH — MICHELINI, G. Os escritos de Martynas Mažvydas e suas fontes, Vilnius, 2000. (Os números indicam as páginas do livro nas quais são apresentadas as fontes dos trechos citados.) MG — Princípios de uma gramática da língua lituana... por Christian Gottlieb MIELCKE1800. ... Königsberg, N — Novum Testamentum graece et latine... organizado por Eberhard NESTLE, Stuttgart, 1921. RP — As palavras e os assuntos sagrados do Senhor... Crônica ou Postila... 1556 (a postila de M. Reijus, citada a partir do original existente na biblioteca da Academia de Ciências da Lituânia). RPS — O Saltério de Davi... pelo pe. Jonas REHSA... completamente renovado... em Königsberg... 1625 (citado a partir da fotocópia da biblioteca da Universidade de Vilnius). SC -Compendium Gramatice Lithvanice Theophili SCHULTZENS... Regiomonti... 1673 (citado da gramática de Sapūnas e Sulco, ed. por K. Eigminas, Vilnius, 1997). *W —Postilla Catholicka Mnieysza... PorD. IAKVBA WVYKA... W Krakowie... 1590 (3.ª edição da Mažoji postilė de J. Wujek, citada a partir da fotocópia do exemplar da Universidade Jaguelônica em Cracóvia). WP —Ischguldimas Evangeliv per wisvs Mettvs... 1573 (a postila anônima de Wolfenbüttel, citada a partir dos excertos publicados por V. Gaigalaitis (Gaigalat 1900) e da edição de J. Karaciejus de 1995, levando em consideração as correções de J. Gelumbeckaitė (2000)). As abreviaturas de outras fontes e de topônimos são as mesmas que em LKŽ e Ulvydas, ed. (1965-1976). 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