Lietuvių kalbotyra 2001-aisiais metais: Lietuvoje išleisti darbai
Full text
ACTA LINGUISTICA LITHUANICA
XLVII (2002), 149–164
RESENHA DE NOVOS TRABALHOS
Survey of Recent Publications
LINGUÍSTICA LITUANA EM 2001: TRABALHOS PUBLICADOS NA LITUÂNIA
O ano de 2001 não foi favorável à linguística lituana. À crise econômica persistente somou-se também a turbulência na administração da ciência. Cogitou-se, ora, anexar o Instituto da Língua Lituana à Universidade de Vilnius, ora, fundi-lo com o Instituto de Literatura e Folclore Lituanos. Em dois anos, os fundos destinados aos salários dos funcionários do Instituto foram reduzidos em um terço. A Comissão Estatal da Língua Lituana foi reorganizada e seu estatuto foi alterado. Nessas circunstâncias, é difícil esperar um trabalho científico sério. Ainda assim, foram publicados na Lituânia cerca de dez novos títulos com a data de 2001, sete dos quais são resenhados neste artigo. A resenha divide-se em três partes: a primeira aborda novas monografias, a segunda, coletâneas de artigos de autores individuais, e a terceira, reedições do legado escrito.
Monografias
Em 2001, foram publicadas na Lituânia duas novas monografias: Alberto Rosino Estrutura semântica e morfológica dos pronomes nos textos de Mikalojus Daukša (Vilnius: Instituto de Publicação Científica e Enciclopédica, 2001, 164 p.) e Vytautas Vitkauskas Fenômenos morfofonêmicos dos dialetos da língua lituana (Vilnius: Žara, 2001, 262 p.).
O livro do experiente morfólogo Alberto Rosinas é uma das poucas tentativas (na linguística lituana) de descrever sistematicamente um fragmento da língua escrita de um único autor. Além disso, os escritos de Mikalojus Daukša — as obras mais antigas que chegaram até nós, escritas e publicadas no Grão-Ducado da Lituânia — fornecem muito material valioso para pesquisas sobre a história de vários níveis da língua lituana. O livro já recebeu algumas resenhas (Maskuliūnas 2002; Pajėdienė 2002); por isso, esta apreciação apenas destaca algumas de suas características mais importantes.
No prefácio do livro, o autor observa que “No estudo da semântica dos pronomes de Daukša, foi empregada a mesma metodologia utilizada na monografia „Pronomes da língua lituana padrão“ (1996). Portanto, para evitar repetições, nesta monografia não discuto questões teóricas mais complexas, limitando-me a indicar a referida monografia de minha autoria” (p. 8). Ainda assim, o autor não conseguiu evitar as repetições, pois da monografia mencionada e de outros livros e artigos (Rosinas 1986, 1988, 1995) foram transferidos para o livro em questão não apenas o esquema descritivo preliminar e a sequência, formulações isoladas, mas também frases e parágrafos inteiros, e até trechos de texto com vários parágrafos. Por exemplo, o capítulo “Relações entre pronomes” (p. 10) corresponde literalmente (com pequenos cortes) ao texto ligeiramente abreviado da monografia de 1996 (cf. Rosinas 1996: 17). Duas páginas de observações no capítulo seguinte, “Inventário dos pronomes nos textos de Daukša” (p. 11–12), correspondem literalmente ao texto de um artigo publicado anteriormente (Rosinas 1986: 30). Ao que parece, apenas três frases deste capítulo foram redigidas novamente
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os parágrafos de riaus (p. 13), e no final do capítulo o artigo mencionado é novamente transcrito, palavra por palavra, ou ligeiramente abreviado. «Pronomes demonstrativos» (p. 37–39) é um capítulo abreviado correspondente do livro Lietuvių bendrinės kalbos įvardžiai (cf. Rosinas 1988: 57–59): os exemplos foram substituídos e foi acrescentado um excursus sobre as formas de «género neutro» dos pronomes em Dabartinės lietuvių kalbos gramatikoje (p. 37). As transcrições de publicações anteriores do autor constituem provavelmente cerca de metade do texto da monografia (sem contar os exemplos e o último capítulo). Assim, é duvidoso que se possa considerá-la uma monografia inteiramente nova e original.
O que há de novo no livro são os paradigmas dos pronomes de Daukša e a sua análise. Há também afirmações novas. Por exemplo, a afirmação de que o pronome possessivo reflexivo, «como substituto das formas oblíquas dos pronomes possessivos manas, tavas […] não tem formas de nominativo» (p. 32); a explicação da origem da correlação wis(a) kąkąg (p. 105), entre outras. O último capítulo do livro, «Locativos posposicionais: origem e motivações internas das mudanças funcionais» (p. 136–152), também é novo e interessante. É verdade que metade do texto deste capítulo (§48) foi publicada quase ao mesmo tempo num artigo separado (cf. Rosinas 2000 a), e algumas ideias surgiram nas atas de conferência (cf. Rosinas 2000 b). Como se vê pelo título, os temas tratados neste capítulo só estão parcialmente relacionados com o tema da monografia e nele aparecem antes como um apêndice. É interessante que, no artigo de Gina Kavaliūnaitė publicado no mesmo ano (cf. Kavaliūnaitė 2001), o uso do adesivo nos antigos textos lituanos seja explicado de outra maneira.
Uma grande deficiência da monografia é o facto de os exemplos analisados não serem comparados com os originais. Mesmo nos casos em que o autor constata uma influência decisiva do original no uso dos pronomes lituanos, o leitor geralmente não encontra os correspondentes polacos (por exemplo, p. 26, 27, 37 e seguintes). Constituem exceção os exemplos em polaco apresentados nas p. 65, 66, 81 e em alguns outros lugares. Isso reduz especialmente a confiança na descrição da semântica dos pronomes de Daukša (cf. as observações de Jūratė Pajėdienė a este respeito – Pajėdienė 2002: 206). Também é preciso concordar com a opinião de ambos os recensores quanto à ausência, na monografia, de uma análise estatística do uso dos pronomes (cf. Maskuliūnas 2002: 225; Pajėdienė 2002: 207).
Uma vez que o autor utilizou (ou poderia ter utilizado) o índice de formas vocabulares do Katekizmo compilado por Jonas Palionis (Palionis 1995) e o índice lexical da Postilės compilado por Czesław Kudzinowski (Kudzinowski 1977; esta publicação não consta nem da bibliografia nem da lista de fontes), não parece haver razão para duvidar de que o livro descreva todos os pronomes de Daukša e as suas formas; contudo, Pajėdienė encontrou formas inesivas do pronome niekas que não são mencionadas na monografia (ver Pajėdienė 2002: 210). Longe de serem indicadas todas as variantes gráficas das formas pronominais usadas por Daukša na monografia. Por exemplo, nos paradigmas dos pronomes pessoais-participiais não são indicadas as variantes do genitivo de aš manęs DK 134₁₁, manės DK 136₉–₁₀; o dativo frequente maní DK 9₁₀, 12₂, 26₂₀ etc.; o acusativo mané DK 69₂; é duvidosa a variante de acusativo ma incluída no paradigma (p. 15). Não se indica o genitivo do pronome tu tawęs DK 155₈; as variantes do acusativo tawe DK 11₁, Tawė DK 135₂₂, tawę DK 135₅; o instrumental tawim’ DK 177₂₁; os adesivos tawip DK 169₂, tawimp DK 182₇, tawimp DK 144₁, 155₆, 174₁₃; os alativos tawęlp DK 62₁₉, tawęlp DK 136₁₆, 148₂₁, 149₁₁, tawęlp DK 136₂₁–₂₂, 148₉, 149₂₂ etc., tawęlp DK 141₁; a variante táwo está incorretamente indicada no paradigma como dativo (p. 16).
Os exemplos dos textos de Daukša são apresentados no livro na ortografia original. Para verificar a exatidão da transcrição das citações e das formas individuais, comparei com o original os exemplos dos pronomes participiais aš e tu apresentados no capítulo «Pronomes pessoais» a partir do Katekizmo (p. 14–17). Antes de mais, merece atenção a referência bibliográfica dos exemplos: indica-se a página da edição do Katekizmo de 1995, e não a página do original (Jakštienė, Palionis 1995); além disso, nem sempre se indicam as linhas da página. Na transcri-
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ção foram encontrados os seguintes erros: mano DK 410₃ – deveria ser māno DK 170₃; paties DK 378₈ – deveria ser paties DK 154₈; wifsūse DK 404₁₈ – deveria ser wifsūlė DK 167₁₈; pritikimūlė DK 404₁₉ – deveria ser pritikimūlė DK 167₁₉; tawēfp DK 404₂₀ – deveria ser tawēfp DK 167₂₀; idant galecēję pažint tawę DK 358₂₀–₂₁ – deveria ser idant galecēję pažint tawe DK 144₂₀–₂₁; Bažnīčia DK 200₁₇ – deveria ser Bažnīčia DK 65₁₇; kasg DK 356₁₄ – deveria ser kašg DK 143₁₄; wēiksis DK 143₁₅ – deveria ser wēikšis DK 143₁₅; efsi su DK 88₁₀ – deveria ser efsigū DK 9₁₀; krikbčionis DK 88₁₁ – deveria ser krikbčonis DK 9₁₁; vžgines DK 340₁₆ – deveria ser vžgīnės DK 135₁₆; Ką DK 126₁₀ – deveria ser Ką DK 28₁₀.
No prefácio do livro afirma-se que «Daukša escrevia no dialeto dos aukštaitianos centrais [...]. Por isso, por vezes é considerado representante da “variedade central da língua escrita”» (p. 7). No entanto, segundo a classificação dialetal de Girdenis e Zinkevičius, o dialeto de Daukša pertence aos aukštaitianos ocidentais, e a variedade central da língua escrita recebe esse nome devido à localização geográfica da área em que era usada (cf. Zinkevičius 1972: 79, nota 3).
No final do livro apresenta-se a bibliografia (p. 157–158); explicam-se as abreviaturas das fontes e dos termos, bem como os principais símbolos e convenções gráficas (p. 159). As ideias principais do livro são reiteradas no resumo em inglês (p. 160–163). O livro foi publicado com elegância graças aos fundos da Comissão Estatal da Língua Lituana.
Apesar das deficiências e das ideias controversas aqui assinaladas, a monografia de Rosinas é, sem dúvida, uma publicação importante e útil para historiadores da língua, baltistas e indoeuropeístas.
O valor da monografia de Vytautas Vitkauskas, um dos nossos mais destacados dialetólogos e lexicógrafos, reside na abundância de materiais dialetais autênticos, apresentados sistematicamente, bem como nas observações e interpretações interessantes. A sua avaliação cabe a estudos especializados e recensões. O livro é a tese de habilitação que o autor defendeu há alguns anos (Vitkauskas 1999); por isso, o seu conteúdo não será analisado nesta recensão. O livro distingue-se da tese de habilitação por incluir um resumo em alemão (uma versão ligeiramente revista do resumo da tese; p. 195–220), um índice temático (essencialmente, um índice das palavras mencionadas ou analisadas no livro; p. 221–238), uma lista de abreviaturas (p. 239–254) e, naturalmente, por já não incluir a lista dos trabalhos científicos do autor, que a tese de habilitação resumia. Quase um terço da parte expositiva do livro (sem contar os capítulos introdutórios, as conclusões e os anexos) corresponde integralmente ao texto da primeira dissertação do autor (Vitkauskas 1974; foi consultado o exemplar conservado na secção de manuscritos da biblioteca da Universidade de Vilnius, cota F. 76 Ds 2024) ou está muito próximo dele (cf., por exemplo, os capítulos sobre as alternâncias e: i (ę, į, ī); e / i: e; uᵘ / uo no livro (p. 53–65; 65–70; 96–107) e na dissertação (p. 90–103, 84–86, 124–136)). Outro terço do texto da monografia já tinha sido publicado em várias revistas (ver a lista de publicações do autor nas p. 261–262). Assim, o livro em análise aproxima-se de uma coletânea de artigos de um único autor ou de obras escolhidas (como as discutidas na segunda parte desta recensão).
Ao serem reunidos em forma de livro, os textos de trabalhos anteriores foram editados. Por exemplo, o capítulo «Relíquias da assimilação regressiva das vogais?» (p. 128–141; cf. o capítulo correspondente da tese de habilitação (1999: 98–109)) foi composto a partir de dois artigos: «Sobre a assimilação regressiva das vogais em alguns dialetos dunininkai dos žemaičiai do nordeste» (Vitkauskas 1963) e «Novos factos de assimilação regressiva das vogais na fala de Kuršėnai» (Vitkauskas 1975) (aliás, esses artigos não constam nem da lista dos trabalhos científicos sintetizados na tese de habilitação (1999: 158–159), nem da bibliografia da monografia (p. 255–262)). A maior parte do último artigo corresponde também ao texto da primeira dissertação do autor (cf. Vitkauskas 1974: §§55–56). No final do capítulo foram acrescentados três parágrafos novos (p. 139–141). Foram feitas algumas alterações na edição dos textos dos artigos. As notas de rodapé foram dispo-
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foram incorporados ao texto ou descartados; em alguns casos, foram acrescentados; nos exemplos dialetais, foram eliminados em toda parte os exemplos transpostos para a língua padrão; acrescentou-se o paradigma de declinação da palavra skrãb'is, skrã.b'i (p. 138). O paradigma singular do adjetivo gražesnis (1963: 272) foi substituído pelo paradigma do adjetivo g'er'ė:s'n'is; no paradigma plural deste adjetivo, foram apresentadas formas variantes (p. 132). Os topônimos foram acentuados e alguns termos foram alterados: literatūrinė kalba (1963: 271) foi substituída por bendrinė kalba (p. 132); dūnininkų tarmės foi substituído em muitos lugares por dūnininkų šnektos. A transcrição foi revista; por exemplo, a palatalização das consoantes foi assinalada sistematicamente. Alguns erros tipográficos foram corrigidos, por exemplo: duonininkų (1963: 271, nota 6) – dounininkų (p. 131, nota 20); priešdėlio pa dariniai (1975: 82) – priešdėlio pa-dariniai (p. 135), etc. O estilo foi bastante revisto, por exemplo: e eina betarpiškai prieš galūninį skiemenį (1963: 269) – e eina tiesiog prieš galūninį skiemenį (p. 128); tam tikrais atvejais yra nesvetima ir kai kurioms dūnininkų tarmėms (1963: 269) – tam tikrais atvejais yra pastebėtas ir kai kuriose dūnininkų šnektose (p. 128); tarmę, pasakyčiau, energingai veikia bendrinė kalba (1963: 271) – tarmę, pasakyčiau, stipriai veikia bendrinė kalba (p. 132), etc.
Ainda assim, mesmo após a revisão, restaram alguns pequenos erros no capítulo. Em primeiro lugar, erros tipográficos: nas páginas 128 e 129 do livro há dois parágrafos a), enquanto na página 130, depois do parágrafo b), vem o parágrafo d); sėri (p. 129) – deveria ser sėnis; su žodžiu (p. 129) – deveria ser su žodžių; *~n (p. 129) – deveria ser *en, etc. Também se encontram algumas irregularidades de transcrição, por exemplo: c'ė (p. 133) – deveria ser c'ė. Alguns exemplos foram omitidos na recomposição do texto: kėli (cf. 1963: 270), šimtameči (cf. 1963: 270), ėžė (cf. 1975: 81); o mesmo exemplo foi impresso duas vezes: šalt'ėn'is (p. 135); também restaram erros de pontuação. A bibliografia não inclui a publicação de V. Grinaveckis citada na página 128 (Grinaveckis 1960).
Faltou uma revisão cuidadosa em todo o livro (em nenhuma parte da publicação encontrei o nome do editor), sobretudo nos textos que anteriormente não haviam sido publicados em periódicos científicos. Por exemplo, nos três primeiros capítulos introdutórios do livro (p. 7–20), transferidos do trabalho de habilitação (cf. 1999: 3–11), abundam pequenos erros de pontuação, ortografia, tipografia, lógica e estilo. Foram observados os seguintes erros ortográficos: žemaičiuose (p. 10), cf. Žemaičiuose (p. 8); Smoczynski (p. 16, nota 1) – deveria ser Smoczyński; Chilińskio (p. 19) – deveria ser Chylinskio. Chamaram a atenção os seguintes problemas de pontuação: por exemplo, LKŽ III (p. 8) – deveria ser, por exemplo, LKŽ III; tiriama ar yra išlaikoma sistema (p. 9) – deveria ser tiriama, ar yra išlaikoma sistema; V. Pėteraitis, 1997 462 (p. 9) – deveria ser V. Pėteraitis 1997, 462, etc. O particípio adverbial foi usado incorretamente na frase Atidžiau nagrinėjant (t. b. nagrinėdamas) kiekvieną žodį […] pamatai ar suvoki (p. 10). Há muitos erros tipográficos: nuolatinio garsų junginių gludinimu (p. 7) – deveria ser nuolatiniu garsų junginių gludinimu; taisi (p. 10) – deveria ser tarsi; reiškimosi (p. 11) – deveria ser reiškimosi; tai (t. b. taip) susiformavo vad. lingvistinės geografijos principas (p. 12); morfemastam (deveria ser morfemas tam) tikrose pozicijose (p. 12); kurie […] dažnai pasitauso visos tautos vartojamas (deveria ser vartojami) (p. 12); Toliau pamatysime […] ir kiti atvejai (p. 12–13) – deveria ser Toliau pamatysime […] ir kitus atvejus; jaunagramatikų (p. 13) – deveria ser jaunagramatikų, etc. Em muitas frases, as relações lógicas não são claras, por exemplo: Tai yra gal ir menka kai kam atrodanti problema, bet kiek matome iš literatūros gana įvairuojanti ir laikoma ne vieno tyrinėtojo artimais dėsningiems reiškiniams ir niveliuojami (pontuação!; p. 8); Reikia pasakyti, kad dialektizmu (tarmybe) literatūrų ir net kalbininkų vartojama reikšme „bendrinėje kalboje pavartojamas tarmės žodis ar forma“ (p. 8); Kalbos dėsnis ir yra iš lyginimų šitaip nustatytas pastovus, kokioje pozicijoje istoriškai tariamas garsas susidaręs, jų junginys, morfema (p. 12), etc. Cf. ainda: nutuliojimosi eiga, plėtra (p. 7); stabiliai pakito (p. 13). Algumas frases têm estilo ruim, cf.: ir tai yra visiškai priimtinas toks apibendrinimas (p. 8); Kas susiduria su tarmių leksika, dialektizmų nagrinėjimas būna labai aktualus ir keblus (p. 8); mes nebežinosime, bk veikiami ir niveliuojami, ir tikrosios šnektų padėties (p. 10), etc. Bibliografia
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não inclui as seguintes obras mencionadas no texto: Grinaveckis 1978 (p. 15), Serebrennikov 1975 (p. 15), Mažiulis 1993 (p. 16), Smoczyński 1986 (p. 16). Não se evitaram repetições; por exemplo, nas páginas 17–18, repetem-se parcialmente os assuntos (e exemplos) já expostos na p. 7. A maioria dos problemas aqui mencionados passou para o livro sem correção, vinda do trabalho de habilitação do autor.
É lamentável que a publicação deste valioso livro não tenha recebido apoio de instituições estatais, o que provavelmente teria ajudado a eliminar as deficiências de revisão editorial e de correção aqui mencionadas, bem como outras.
Escritos selecionados
Em 2001, foi concluída a publicação de Alekso Girdenio Kalbotyros darbai (I: 1962–1974, 420 p.; II: 1975–1987, 416 p.; III: 1988–2000, 476 p., Vilnius: Mokslo ir enciklopedijų leidybos institutas; I–II: 2000, III: 2001; os três volumes são resenhados). No mesmo ano, também foi publicada a coletânea de trabalhos de Prano Kniūkštos, intitulada Kalbos vartosena ir tvarkyba (Vilnius: Lietuvių kalbos instituto leidykla, 2001, 596 p.).
Aleksas Girdenis é um dos linguistas lituanos mais ativos, inovadores e interessantes. É um estudioso de amplos horizontes e interesses, dialetólogo, fonólogo e especialista em linguística geral e história da linguística. Na linguística lituana do século XX, abriu um sulco profundo: foi um dos poucos linguistas do país a criar sua própria escola linguística.
Na linguística lituana, Pranas Kniūkšta é mais conhecido por seu trabalho de normalização do uso contemporâneo do lituano e por promover o estilo burocrático (ou administrativo). No Instituto da Língua Lituana, formou a seção de Cultura da Língua e foi editor responsável da publicação Kalbos kultūros.
As coletâneas apresentadas nesta resenha foram organizadas pelos próprios autores. Reúnem artigos, resenhas e outros textos publicados ao longo de três ou quatro décadas de atividade acadêmica. Há poucas obras inéditas, publicadas pela primeira vez, nesses livros: no volume de Girdenis, dois capítulos da dissertação de doutorado (candidatura) Mažeikių tarmės fonologinė sistema e uma resenha do manual de Jonas Kabelka Baltų filologijos įvadas; no de Kniūkšta, os artigos “A correção e a precisão da linguagem jurídica”, “O uso do caso locativo para indicar a área de atividade”, resenhas de vários documentos jurídicos e respostas a perguntas enviadas por escrito. Na opinião de Girdenis, expressa na resenha, escrita em colaboração com Rosinas, de Žemaičių tarmių istorijos de Grinaveckis (1974), “a publicação do livro seria digna de aplauso, mesmo que nele não encontrássemos nenhuma afirmação inteiramente nova, pois é somente no livro que se evidencia o conjunto das concepções teóricas, com seus pontos fortes e fracos, e somente o livro pode inserir firmemente os dados empíricos e as conclusões teóricas do pesquisador no circuito das ideias científicas” (I, p. 386). Esta resenha não pretende examinar as concepções teóricas expostas nas duas coletâneas, limitando-se à análise de sua organização e de sua revisão temática e linguística.
As publicações de Girdenis estão organizadas em várias seções por gênero: primeiro vêm os artigos, seguidos de notas linguísticas, resenhas e entrevistas com o próprio autor. As publicações de cada seção estão dispostas em ordem cronológica. Os artigos e textos de Kniūkšta estão classificados segundo os temas abordados. O livro está dividido em cinco seções: “Princípios e métodos de normalização da língua”, “Linguagem administrativa e burocrática”, “Nomes de instituições e empresas”, “Adjetivos com o sufixo -inis” e “Da diversidade da prática linguística”. As publicações de cada seção também são organizadas por tema, e não cronologicamente.
Os prefácios de ambos os autores (o de Girdenis: I, p. 11–12; o de Kniūkšta: p. 9) apresentam princípios semelhantes para a edição dos textos. 1. Os textos não são reelaborados nem corrigidos; apenas alguns trechos são retificados, e notas breves ou referências a trabalhos posteriores são acrescentadas somente quando necessário (Girdenis); alguns artigos mais longos foram abreviados (Kniūkšta). 2. A ortografia foi atualizada (Girdenis; sobre Kniūkšta
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não se menciona a normalização da ortografia). 3. Na pontuação, corrigiram-se apenas erros evidentes; de resto, ela foi mantida tal como era (Girdenis; Kniūkšta não menciona correções de pontuação). 4. Corrigiram-se erros tipográficos e, quando necessário, também os sinais da transcrição fonética (Girdenis); corrigiram-se formulações inadequadas e problemas de estilo, e eliminaram-se exemplos impróprios (Kniūkšta). 5. Como «cada texto é visto como filho da sua época» (Girdenis), os termos e «as palavras em geral que hoje todos condenaríamos sem exceção» (Girdenis) não foram alterados por nenhum dos dois autores. 6. As referências às fontes não foram uniformizadas (Kniūkšta).
A revisão de algumas publicações reimpressas em ambas as coletâneas1 mostra que, em geral, os princípios enunciados foram respeitados.
1. As correções de Girdenis são visíveis sobretudo nas notas publicadas nas notas de rodapé dos artigos. Algirdas Sabaliauskas também chamou a atenção para elas na sua recensão (2002). São breves, precisas, críticas e parecem, de facto, necessárias. Entre as outras alterações, observaram-se alguns casos de atenuação de afirmações anteriores (por exemplo, o inserto rodos I, p. 193, nota 11) e de esclarecimento (por exemplo, no artigo «A hierarquia dos tipos de declinação dos substantivos da língua lituana e as principais tendências da sua mudança», foram precisados os dados estatísticos dos dendrogramas, II, p. 55 e 58; na hierarquia dos tipos de declinação do dialeto de Šaukėnai, a posição do género masculino e do tema consonântico foi interpretada de outro modo, II, p. 59–60, e a «árvore» de agrupamento hierárquico dos tipos de declinação desse dialeto foi modificada em conformidade, II, p. 60). Estas e outras correções feitas pelo próprio autor aumentam o valor das publicações reimpressas e tornam a coletânea mais interessante: refletem a evolução das conceções científicas do autor e, em certa medida, também o desenvolvimento da linguística lituana. Seria apenas desejável que alterações deste tipo fossem assinaladas em todos os casos. As referências a trabalhos posteriores ou a outros trabalhos publicados na coletânea em análise são, sem dúvida, convenientes para o leitor: ajudam-no a encontrar rapidamente o texto de que precisa.
No livro de Kniūkšta, os artigos mais antigos foram editados de forma mais substancial. Por exemplo, nos artigos «Bejungtukinis, bealkoholinis e o sufixo adjetival -inis» e «Adjetivos com os formantes -alinis, -arinis, -yvinis, -atinis», foram suprimidos parágrafos inteiros, frases e exemplos isolados; alguns parágrafos foram unidos, formulações foram alteradas e até uma nota de rodapé e uma tabela foram omitidas.
2. A linguagem da coletânea de Girdenis foi revista por Agota Sriubienė, experiente editora de publicações filológicas. Os resultados do seu trabalho são visíveis em todos os textos examinados. Entre os vestígios da modernização ortográfica, podem mencionar-se, por exemplo, os seguintes: Prūsų lietuvių foi corrigido para prūsų lietuvių (I, p. 48); corrigiram-se gralhas: a grafia da raiz vilk- (I, p. 48); galbūt (I, p. 52, nota 30) e turbūt (I, p. 377, nota 12; I, p. 379) passaram a escrever-se juntos e sem distinção; kur ne kur passou a escrever-se sem hífenes (I, p. 190), etc. Não admira que, numa obra tão extensa e repleta de caracteres especiais, tenham ficado também alguns aspetos por corrigir, por exemplo: Grammatische – deveria ser Grammatische (I, p. 44, nota 4); V. Vaitkevičiutė – deveria ser V. Vaitkevičiūtė (I, p. 370, nota 1); Tromsö – deveria ser Tromsø (II, p. 51, nota 3). As formas dos apelidos em alguns artigos
1 Foram examinados mais atentamente os seguintes artigos e recensões de Girdenis: «Sobre a classificação dos dialetos da língua lituana» (em coautoria com Z. Zinkevičius; I, p. 44–55), «O que têm os dūnininkai em vez dos ditongos ie, uo da língua literária» (I, p. 190–193), recensão dos dois primeiros volumes da Gramática da língua lituana (em coautoria com V. Žulys; I, p. 370–386), «A hierarquia dos tipos de declinação dos substantivos da língua lituana e as principais tendências da sua mudança» (II, p. 50–62), «O h- adicionado nos antigos escritos lituanos — um sinal de acento?» (II, p. 315–320), «Novos caracteres para a transcrição fonética dos dialetos» (em coautoria com P. Skirmantas; III, p. 335–351). Do livro de Kniūkšta, foram analisados os artigos: «Os princípios de normalização linguística promovidos por Būga» (p. 13–29), uma parte do artigo «Os rudimentos da linguagem administrativa nos escritos de Jablonskis» (p. 213–219), «A linguagem administrativa atual» (p. 249–254), «Bejungtukinis, bealkoholinis e o sufixo adjetival -inis» (p. 407–413), «Adjetivos com os formantes -alinis, -arinis, -yvinis, -atinis» (p. 413–417), uma parte do artigo «Como exprimimos a finalidade» (p. 465–471).
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são escritas na forma original, por exemplo: Schmalstiego (II, p. 61), Saussure’o (III, p. 241), enquanto noutros (também científicos!) são adaptadas, por exemplo: Briukneris, Meje, Ekblūmas (I, p. 385), Sosiūras (II, p. 351). Por vezes, falta junto aos exemplos a indicação do nome do dialeto ou a abreviatura da língua comum (cf. III, p. 342, 344, 347–348).
No livro de Kniūkšta, foram observadas poucas correções ortográficas: irracionalinis > iracionalinis (p. 414); ne kaip > nekaip (p. 470); as palavras Funkcinis tikslingumas não foram espaçadas (p. 27); corrigiu-se a grafia do apelido Sirvydo (p. 18). Corrigiram-se os sinais de acento žmóniškas > žmóniškas (p. 407), áukso > áukso (p. 408); acrescentou-se um sinal de acento à palavra dekorãcinis (p. 416), enquanto na palavra vienos, pelo contrário, o sinal de acento foi retirado (p. 28). Surgiu um ou outro erro ao citar os escritos de Jablonskis: spausdintus (p. 218) – deveria ser spaudintus; reikia susirašyti (p. 218) – deveria ser reikią susirašyti. Também há imprecisões nas citações dos escritos de Būga: deve ler-se kūla-raišas, e não kūla-raišas (p. 19); óbul-mušas, e não obuol-mušas (ibid.); a palavra stiklas transformou-se, por alguma razão, em stãlas na lista de estrangeirismos (p. 22); a forma reflexiva austis foi substituída pela forma simples austi (p. 23), e em alguns lugares foram retirados sinais de acento que antes lá estavam. Na citação da obra de Skardžius «Uso antigo e atual da língua lituana padrão», também foram «corrigidas» algumas formas: nebegalime (p. 141) – deveria ser nebegalima; noromis nenoromis (p. 141) – deveria ser noroms nenoroms. A grafia dos antropónimos não foi inteiramente uniformizada no livro; compare-se: Leskynas (p. 17) e E. Sepiro (E. Sapir) (p. 74).
3. Nos textos da coletânea de Girdenis, como também se afirma no prefácio, foram corrigidos alguns erros de pontuação, por exemplo: foram isolados os incisos iš vienos pusės (I, p. 45), Iš kitos pusės (I, p. 46); tokie pavadinimai, kaip džūkai, kãpsai [...], neabejotinai yra odizioniai (I, p. 52); deixou de se separar a oração temporal de particípio jomis negalima remtis klasifikuojant tarmes (I, p. 47). Ainda assim, ficou um ou outro erro por corrigir: foi mantida uma vírgula desnecessária depois da palavra rodo na frase Tokie redukuoti balsiai kaip fonemos egzistuoja ir vad. „Mūšos upyne“ – tai rodo, ne tik kvazihomonimų […] skyrimas, bet ir daugybė kitų ypatybių (I, p. 49, nota 20); o mesmo sucede no início da frase O, jų neatsisakant (I, p. 380). Embora se tenha decidido não modernizar a pontuação, essa decisão não foi respeitada em alguns casos, pelo que surgiram inconsistências. Por exemplo, em certos casos as expressões comparativas não são separadas por vírgula, noutros são; compare-se: žodžio gale visada yra daugiau balsių negu atitinkamuose negalūniniuose skiemenyse (I, p. 49) e galūniniuose skiemenyse yra mažiau balsių, negu atitinkamuose negalūniniuose (ibid.); lk. ie, uo atitikmenys skamba trumpiau, negu y, ū atitikmenys (I, p. 191); ne toks puikus dialektologas, kaip K. Jaunius (I, p. 192). Entre os aspetos gramaticais, deve mencionar-se o genitivo negativo não corrigido na frase tokie skaičiavimai įprastines latvių linksniuočių klasifikacijas iš esmės nepakeistų (II, p. 61, nota 19).
A pontuação dos textos de Kniūkšta também foi revista. Corrigiram-se erros existentes, por exemplo: acrescentou-se uma vírgula antes da conjunção repetida na frase kilmininkas gali reikšti ir priemonės paskirtį, ir siekiamąjį dalyką (p. 467); eliminou-se o sinal de dois-pontos antes dos exemplos na frase vartoti neutralius barbarizmus, tokius kaip dušia, ulyčia, adyna, lenčiūgas, Būga niekam nėra siūlęs (p. 28); retirou-se a vírgula depois de mat na frase Mat būdvardžiai […] rodo daiktavardžiu žymimo daikto trūkumą (p. 411–412); eliminou-se a vírgula depois de visų pirma (p. 13); retirou-se a vírgula antes do adjunto adverbial de tempo desenvolvido na frase principai, kuriais jis rėmėsi dirbdamas norminimo darbą (p. 14). Nos textos examinados, ainda subsistem inconsistências de pontuação. Por exemplo, na frase romėniškas skaitmuo reiškia raštų tomą, arabiškas – puslapį (p. 15, nota 7), foi inserido um travessão, mas não há travessão numa frase semelhante: pirmąją slavišką laikė A. Leskynas […], dvi paskutiniąsias kurį laiką pats Būga (p. 17). A vírgula antes da expressão comparativa foi eliminada na frase neturėjo tokios įtakos kaip Jablonskis (p. 14), mas na maioria dos casos foi mantida nesse lugar; compare-se: būdvardis begalinis nėra visai toks pat, kaip, sakysim, besotinis ar
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desacentuado (p. 410), Na língua lituana, a função passada é expressa pelas mesmas formas que qualquer função (p. 471). O mesmo vale para a distinção nos exemplos comparativos: nas frases Será que se pode contestar que um arado sem aiveca [...] é mais conveniente do que um arado sem aiveca [...]? (p. 410), Em muitos casos, os adjetivos dogminis, probleminis [...] são mais recomendáveis para a língua literária do que dogmátinis, problemátinis [...] (p. 417), a vírgula antes da conjunção deixa de ser usada, mas em muitos casos semelhantes ela foi mantida, cf.: Nessas frases, o dativo está mais ligado a verbos ou particípios [...], do que a substantivos [...] (p. 470). Ao que parece, seria necessária uma vírgula na frase Noutro artigo escrito posteriormente (p. 19), pois não se trata de vários artigos escritos posteriormente, mas do mesmo artigo, que foi escrito mais tarde. Há vírgulas desnecessárias nas frases Ao tolerar as variantes, Būga preocupava-se em não fechar as portas da língua literária aos tesouros dos dialetos (p. 28); Em seus artigos e outros escritos, ao falar dessas questões, Jablonskis emprega as palavras e expressões necessárias para designá-las (p. 214). A pontuação foi indevidamente «modernizada» na citação da obra de Skardžius «Uso antigo e atual da língua lituana padrão» (p. 141).
4. Há muitas correções de erros de revisão ou simples lapsos nos textos de Girdenis. Por exemplo, foi reposta a linha que faltava na tabela «Principais sinais do conjunto de caracteres de transcrição FONTRA» (III, p. 339); foi corrigido o título de um artigo do autor (II, p. 56, nota 11). Ainda assim, alguns detalhes passaram despercebidos: o volume da primeira publicação «h- acrescentado nos antigos escritos lituanos – sinal de acento?» foi indicado incorretamente (II, p. 315) — deve ser 23(2), e não 22(2); na tabela «Índices de semelhança dos tipos de declinação do dialeto de Šaukėnai» (II, p. 59) houve pequenos erros: o índice entre i e Cₘ não foi arredondado, e o índice entre i e Cᶠ era (e provavelmente deveria ser) 10,7, e não 0,7. O novo mapa de classificação dos dialetos, anexado ao artigo «Sobre a classificação dos dialetos da língua lituana» (I, p. 55), é impreciso: nele há não só menos localidades habitadas, como também desapareceram os dialetos intermediários entre os dialetos šiauliškiai dos Aukštaitianos ocidentais e os dialetos žemaičiai, bem como entre os dialetos dos Aukštaitianos orientais; o subdialeto de Vabalninkas foi incorporado ao dialeto de širvintiškiai. No artigo «Caracteres de transcrição fonética dos dialetos mais recentes» (III, p. 335–351), o autor e P. Skirmantas descrevem o conjunto de fontes FONTRA, especialmente concebido para textos dialetais, e apresentam exemplos de sua aplicação. A preparação dos escritos em análise para publicação proporcionou uma boa oportunidade de aproveitar os recursos oferecidos por esse conjunto de fontes e uniformizar a apresentação dos dados dialetais na coletânea. Por exemplo, no artigo «Sobre a classificação dos dialetos da língua lituana», a palatalização das consoantes é marcada por um sinal de minuto, geralmente escrito acima da letra; a palatalidade das consoantes é indicada tanto antes de vogais anteriores quanto antes de vogais posteriores, enquanto no artigo adjacente («Acentos dos sílabas pós-tônicas do dialeto de Mažeikiai (dounininkai do centro-norte)», ver I, p. 56–75), a palatalização das consoantes é marcada por um arco acima da letra; além disso, só se indica a palatalidade das consoantes que precedem vogais posteriores. Tanto mais que o próprio autor escreve: «Alguns também assinalaram a palatalização e a palatalização com outros sinais: tʹ, dʹ, bʹ, pʹ, č. Mas recomenda-se usar esses sinais apenas ao citar trabalhos antigos pertinentes, bem como quando convém distinguir, em determinados contextos, uma palatalização mais fraca de uma mais forte» (III, p. 345). Até mesmo no texto e na tabela de um único artigo, os mesmos equivalentes dialetais da palavra da língua padrão gyvà são transcritos de maneira diferente (cf. I, p. 50 e I, p. 54). No artigo «h- acrescentado nos antigos escritos lituanos – sinal de acento?», os exemplos da Postila de Daukša foram transcritos com bastante precisão. Ainda assim, faltaram alguns caracteres para transcrevê-los, por exemplo, ȧ (musìmp 33₁₄, e não musìmpʹ II, p. 316), į (efì 173₁₈, e não efì II, p. 315 e em outros lugares), į (gìwì 521₁₁, e não gìwì II, p. 316 e em outros lugares); a letra ž foi generalizada mesmo onde ž é claramente visível (žmógui 92₃₄, e não žmógui II, p. 316 e em outros lugares). Há também erros nos exemplos; por exemplo, deve ser pažáulìs horé lìkɟminas 214₃, e não pažáulìs horé lìksminas (II, p. 319), entre outros.
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Na coletânea de Kniūkšta, há muitas revisões de estilo, por exemplo: foi eliminado o pronome repetido jo na frase Esse «pecado» dificulta sobretudo a avaliação objetiva da sua contribuição para a prática linguística e da sua importância para a língua literária (p. 13); para evitar a repetição da palavrinha, o pronome Mas foi substituído por Em suma: A base de todo trabalho de normatização é o material linguístico concreto, mas Būga valorizava especialmente os fatos da língua e neles se apoiava (p. 18). Na última frase, a conjunção mas foi usada de maneira pouco habitual: parece que ao seria mais adequado. A frase «é de termos da linguagem administrativa, alguns dos quais chegaram até os nossos dias» foi corrigida para «tais termos da linguagem administrativa que chegaram até os nossos dias» (p. 215). Palavras isoladas foram substituídas, por exemplo: «pesquisador» foi substituído por «investigador» (p. 29), e a palavra «roupas brancas» foi substituída por «camisas» (p. 465). Há mudanças na ordem das palavras, por exemplo, na frase «o leitor encontraria não só os fatos necessários, mas também os compreenderia» foi alterada para >«os compreenderia» (p. 253). Os verbos foram trocados de posição nos exemplos «partiu para buscar lenha, foi estudar» (antes: «foi buscar lenha, partiu para estudar») (p. 465, nota 2).
5. No prefácio da coletânea de Girdenis, prometeu-se não alterar a terminologia. Em muitos casos, foi o que se fez, por exemplo, manteve-se «axiomaticamente» (I, p. 383) e outros. Ainda assim, essa orientação não foi seguida de maneira consistente: o termo «método dos máximos» foi substituído por «método das médias» (II, p. 55); prosódica foi corrigida para prosódica (I, p. 48) e em outros lugares; grafemas foi substituído por «caracteres» (III, p. 335). Sem necessidade, a caracterização da gramática acadêmica «do tipo descritivo-normativo» foi corrigida para «do tipo descritivo-normatizador» (I, p. 384): foi exatamente assim que o editor definiu seu caráter na página citada (Ulvy das, red. 1965: 3). Girdenis também prometera não corrigir o uso de palavras isoladas nos textos reimpressos. De fato, neles foi mantida a conjunção contrastiva «ao passo que» (I, p. 53); «Entretanto» (II, p. 51); e não se alterou a ordem das palavras na expressão parentética «em palavras do tipo dienėlė, dienos» (I, p. 52). Em alguns pontos, embora o autor não o tivesse previsto, corrigiram-se questões de correção linguística e estilo, por exemplo: a frase de estrutura complexa «As construções coloquiais…» (I, p. 378) foi dividida em duas mais curtas; a conjunção de comparação quantitativa «como… assim» foi substituída por «tanto… quanto» (III, p. 337); em alguns lugares, formas mais longas foram substituídas pelas formas curtas características do autor, por exemplo, «interrompida» em vez de «interrompido» (III, p. 350).
Não foram observadas alterações terminológicas no livro de P. Kniūkšta.
6. As notas de rodapé do livro Uso e revisão da língua, como se afirma no prefácio, não foram uniformizadas. Também há nelas pequenos erros, por exemplo, o título impreciso da obra de P. Skardžius «Uso antigo e atual da língua lituana padrão» (Anterior…) e o ano de publicação (1971, e não 1968) (p. 141, nota 2).
As referências bibliográficas também não foram uniformizadas nos escritos de Girdenis: cf., por exemplo, A. Rosinas, Os substantivos dos temas įa, ė e i do dialeto de Šaukėnai, – Kalbotyra XXIII (1) (1971) 53 (I, p. 251, nota 54) e A. Rosinas. Os substantivos dos temas įa, ė e i do dialeto de Šaukėnai. – «Kalbotyra», 1971, vol. XXIII (1), p. 49–54 (II, p. 56, nota 11). O próprio autor reconhece que elas são bastante heterogêneas (cf. I, p. 11), mas organizá-las não teria sido uma tarefa assim tão impossível.
No final de ambas as coletâneas são publicados índices, muito necessários em publicações desse tipo. O livro de Kniūkšta inclui um índice com nada menos que cinco partes. Essencialmente, são dois índices: um temático (p. 579–586) e outro de palavras e expressões (p. 586–589). No final do terceiro volume de Trabalhos de linguística de Girdenis, foi incluído um índice temático de uma página (III, p. 473) e uma lista bastante longa de coautores, assistentes e consultores (III, p. 474–475). O índice temático é claramente insuficiente para uma publicação desse tipo: não é muito maior nem mais informativo do que o sumário geral dos três volumes, que, aliás, não consta da coletânea. O índice é composto pelos títulos dos artigos — nele, indica-se apenas o início do artigo (a esse
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(como se chamou a atenção no prefácio do volume), portanto, na verdade, trata-se apenas de um índice temático de artigos. Alguns títulos do índice são enganosos: por exemplo, ao encontrar nele o tema Dialogai, pode-se pensar que, nas páginas indicadas, Girdenis escreveu sobre esse tipo de discurso ou de texto — um tema bastante popular na linguística atual. Infelizmente, nos locais indicados, o leitor encontrará não artigos científicos, mas diálogos com o próprio autor. Aliás, não se informa em parte alguma quem elaborou o índice. A segunda lista é peculiarmente interessante porque revela o espírito colegial do autor e seu gosto pelo trabalho em conjunto. A lista inclui professores (Jonas Kabelka, Leonas Valkūnas, Zigmas Zinkevičius), colegas (colaborou sobretudo com Aldonas Pupkis, Albertas Rosinas, Bonifacas Stundžia e Vladas Žulys) e um numeroso grupo de alunos.
Não encontrei a bibliografia dos autores em nenhuma das coletâneas (embora a bibliografia de Girdenis tenha sido compilada e publicada numa brochura separada, que chegou a ter duas edições (cf. Skirmantas, ed., 1997); bastava apenas incluí-la em suas obras). As bibliografias mostrariam a evolução do pensamento científico dos autores e sua produtividade, além de permitir ver quais publicações não foram incluídas nas coletâneas.
Na coletânea de Girdenis, cada artigo é acompanhado de um resumo em inglês e alguns também têm resumos em outras línguas. No livro de Kniūkšta, um breve resumo em inglês aparece depois dos índices (p. 591–594).
As publicações analisadas também têm em comum o fato de ambas serem apoiadas pela Comissão Estatal da Língua Lituana. A coletânea de trabalhos científicos de Girdenis foi publicada por iniciativa de Danguolė Mikulėnienė, que também a editou. No prefácio, Kniūkšta agradece especialmente a Danguolė Mikulėnienė por incentivar a preparação do livro e ajudar na sua publicação.
Edições do legado escrito
Em 2001, foi publicado um novo livro preparado por Guido Michelinis: Jonas Bretkūnas. Giesmes Duchaunas ir kitos 1589 metų liturginės knygos: tekstai ir jų šaltiniai (Vilnius: Baltos lankos, 2001, 301 p.). No mesmo ano, a revista Archivum Lithuanicum começou a publicar uma nova série de livros. Intitulada Bibliotheca Archivi Lithuanici, ela se destina a artigos mais extensos e fontes sobre a história dos textos antigos, o contexto social da língua e a filologia tradicional. Os primeiros volumes da série foram o livro preparado por Giedrius Subačius, Kalikstas Kasakauskis: Lietuvių bendrinės kalbos konjunktūra (Vilnius: Editora do Instituto da Língua Lituana, 2001, 128 p.) e Jano Maleckio ir Jano Sekluciano polemika dėl katekizmo kanoninio vertimo, preparado por Vaidotas Rimša (Vilnius, Editora do Instituto da Língua Lituana, 2001, 180 p.).
As três publicações têm características estruturais próprias. O núcleo do livro de Michelinis é constituído pelas obras de Jonas Bretkūnas publicadas em 1589, seus textos e fontes, acompanhados de comentários. No início do livro há uma breve introdução em lituano, inglês e alemão (p. 7–15). Como apêndice, o livro traz “Exemplos de livros alemães e latinos do século XVI” (p. 279–289) (fotocópias de passagens selecionadas de alguns originais primários) e “Lista dos textos segundo os primeiros versos” (p. 290–299), que ajudará o leitor a encontrar o texto desejado; além disso, resume a relação entre as traduções lituanas e os originais. O elemento central do livro de Subačius é o estudo sobre as concepções de Kasakauskis a respeito da língua padrão, ao qual se dedica a maior parte do espaço (p. 11–66); as notas manuscritas de Kasakauskis sobre a língua de Žemaičių vyskupystės, de Valančius (p. 69–124), publicadas pela primeira vez, aparecem apenas como apêndice. A parte maior e mais importante da publicação preparada por Rimša é a edição do tratado de Jan Malecki Defensio verae translationis corporis Catechismi in linguam polonicam e de sua tradução lituana; a seção relativamente extensa “A polêmica entre Jan Malecki e Jan Seklucian: o ambiente de Martynas
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Mažvydas” (p. 9–33) não passa de uma introdução a essa edição. Em seguida vêm a lista de fontes e bibliografia (p. 34–37) e os resumos da introdução em alemão (tradução de Frank Zuber, p. 38–40) e em lituano (p. 41–42).
Na introdução ao livro preparado por Michelinis, são discutidas as fontes dos textos e das melodias de KollectuKollectu, a mais antiga coletânea lituana de orações ainda conservada, e dos hinários Giesmes Duchaunas e Kancionalas; também são destacadas as traduções inéditas de Bretkūnas. A introdução explica ainda os princípios de publicação dos textos e das melodias e de transcrição dos textos. Juntamente com os resenhistas da publicação (cf. Kabašinskaitė 2002: 216–217; Karaciejus 2002: 320), é preciso reconhecer que essa introdução é insuficiente para uma edição científica das obras de Bretkūnas: alguns aspectos essenciais da origem dos textos publicados, das pesquisas anteriores e da autoria dos hinos manuscritos não foram esclarecidos.
O estudo de Subačius, Kalikstas Kasakauskis: Lietuvių bendrinės kalbos konjunktūra, dá continuidade às suas pesquisas anteriores sobre os escritos samogícios do século XIX, sobretudo à monografia Žemaičių bendrinės kalbos idėjos (1998): o estudo aplica a mesma metodologia de pesquisa, aspectos descritivos semelhantes e a mesma organização da exposição. O autor alcança o objetivo proposto — revelar a evolução das concepções de Kasakauskis sobre a língua padrão e a configuração a que aspirava (p. 12) —, e o leitor forma uma ideia suficientemente clara das posições desse trabalhador cultural do século XIX em relação à língua padrão e das circunstâncias que determinaram suas mudanças. A mudança da base dialetal da língua de Kasakauskis, a orientação territorial de sua estratégia linguística e sua tendência a fundamentar as regras da língua padrão em pressupostos teóricos, e não apenas no uso, são bem demonstradas. As considerações sobre a relação entre a língua escrita e a falada nos escritos de Kasakauskis parecem carecer de fundamento suficiente: afinal, o próprio autor conclui que “Kasakauskis ainda se encontrava no primeiro estágio — o da escolha do dialeto para a língua padrão —, quando o problema da língua padrão falada [šbk — A. J.] sequer era previsto” (p. 61). Algumas afirmações do estudo e a própria metodologia de pesquisa suscitam dúvidas. A variedade falada nativa de Kasakauskis foi identificada incorretamente: ela pertence aos samogícios do sul de Raseiniai, não aos de Varniai (ver Vitkauskas 2002 e a bibliografia citada ali); isso impede posteriormente o autor de comparar corretamente as características linguísticas “samogícias” e “aukštaitianas” selecionadas em Kasakauskis: os correspondentes do [an] dos aukštaitianos ocidentais (p. 33–34), a atuação da lei das africadas samogícias (p. 34) etc. Também suscitam dúvidas a generalização do critério de “perceptibilidade” das características linguísticas samogícias para os samogícios, o método empregado para estabelecê-lo e a distinção de três níveis. O estudo em questão mostra precisamente que, no período posterior de sua obra, ao “samogitizar” a língua de seus escritos, Kasakauskis não alterou de maneira mais sistemática algumas das características aukštaitianas “mais facilmente perceptíveis” (a substituição dos ditongos em fim de palavra pelos [ā] ou [ē] samogícios, as terminações do dativo singular), mas alterou algumas características “moderadamente perceptíveis” (procurou assinalar sistematicamente o [e] samogício, amplamente difundido, e usou as terminações samogícias do imperativo singular e até as terminações da “terceira pessoa” do presente dos verbos) (cf. p. 33, 40 e 21). O mesmo se aplica às características samogícias “moderadamente perceptíveis” para os samogícios. Isso significa que, para Kasakauskis, a hierarquia de “perceptibilidade” das características linguísticas samogícias era diferente daquela dos três autores do início do século XIX cuja língua serviu de base para estabelecer essa hierarquia na monografia Žemaičių bendrinės kalbos idėjos (Subačius 1998: 32–39). Subačius avalia todos os autores samogícios com a mesma medida. Contudo, são poucas as características fonológicas ou gramaticais invariáveis em toda a área samogícia. As variedades do sul samogício de Raseiniai são especialmente propensas a não seguir as regras gerais: trata-se de um dialeto tipicamente transicional entre os aukštaitianos ocidentais e os samogícios (Zinkevičius 1994: 107, 109). Por exemplo, a forma da primeira pessoa do singular do modo condicional com -čio é considerada por Subačius uma das características dos dialetos samogícios mais difíceis de perceber. No entanto, no sudeste samogício usam-se formas correspondentes com -čia e -čiau (em muitos lugares, lado a lado), e, em alguns lugares, também com -č (Morkūnas, ed., 1991: mapa 103; Zinkevičius 1966: 263). As formas com -čiau também são amplamente usadas não só entre os aukštaitianos,
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mas também de parte dos samogícios (ibid.). O próprio autor afirma que «nas terras natais de Kasakauskis <…> a terminação destas formas -čiau <…> não difere da de parte dos aukštaitianos ocidentais» (p. 14). Portanto, no dialeto natal de Kasakauskis podem ter sido usadas tanto formas com -čio como com -čia; a sua alternância não deve ser considerada um sinal nem de aukštaitização (como corretamente se faz na p. 14), nem de samogitização (como se faz na p. 23). Então, não seria melhor determinar, antes de mais, a relação da língua de cada autor samogício com os dialetos aukštaitianos com base em critérios individuais, escolhidos tendo em conta o seu dialeto? Tal como na monografia anterior, Subačius dedica muita atenção à ortografia das obras de Kasakauskis: o estudo revela bem as diferenças entre a ortografia da gramática e a dos textos posteriores (p. 45); a ortografia cirílica de Išguldymų Šventų Evangelijų é examinada com perspicácia (demonstrando convincentemente que este livro «foi escrito primeiro em caracteres latinos, e pelo próprio Kasakauskis» (p. 45)); são também analisadas separadamente a ortografia e as características linguísticas das citações do Novo Testamento de Giedraitis. Com base na evolução da ortografia de Kasakauskis, estabelece-se com segurança que ele escreveu as observações sobre Žemaičių vyskupystę de Valančius não em 1866, como pensava Vaclovas Biržiška, mas antes, entre 1848 e 1863. No final do estudo, o autor chega à importante conclusão de que as normas propostas pela gramática de Kasakauskis, que foi «a primeira e única gramática original da língua lituana impressa» (p. 61), não tiveram seguidores; tampouco se observa influência da língua das outras obras deste autor sobre os seus contemporâneos.
Na introdução do livro preparado por Rimša, faz-se uma breve recapitulação da vida e da atividade de Maleckis e Seklucianas, das circunstâncias da tradução e impressão dos seus catecismos e da sua estrutura, e fornecem-se dados bibliográficos. Em seguida, descreve-se em pormenor a polémica entre Maleckis e Seklucianas. Dá-se grande atenção ao seu conteúdo (selecionam-se e resumem-se seis formulações de Maleckis que ele próprio considerava melhores do que as dos outros tradutores, e treze passagens do catecismo de Maleckis criticadas por Seklucianas), e menos aos argumentos. Como é apropriado, as ligações da polémica com o catecismo de Mažvydas são discutidas separadamente. Rimša registou cuidadosamente as semelhanças e diferenças entre as obras polémicas e o catecismo lituano. A conclusão é bastante cautelosa: embora Mažvydas não tenha considerado «todas as variantes de tradução discutidas e propostas por Maleckis», «é evidente que se afastou de SeK precisamente nos pontos que, havia já alguns anos, eram objeto de aceso debate no ducado da Prússia» (p. 31). A comparação realizada por Rimša mostra que Mažvydas não só conhecia a polémica entre Maleckis e Seklucianas, como também que ela exerceu certa influência na estrutura, na língua e no estilo do primeiro livro lituano; por isso, essa influência deve ser tida em conta nas investigações do catecismo de Mažvydas sob esse ponto de vista. No final da introdução, apresentam-se novos argumentos, bastante convincentes, sobre a datação do primeiro livro lituano. Na opinião de Rimša, o catecismo de Mažvydas «deve ter sido publicado no início de 1547, e a Defensio pode ter sido escrita antes de junho de 1547, isto é, entre o MžK e o Grande Catecismo de Seklucianas» (p. 33).
Os princípios de publicação dos textos são semelhantes nas três edições. O fac-símile dos textos de J. Bretkūnas é apresentado lado a lado com as respetivas fontes; são também fornecidas as fontes das melodias. Ao contrário dos livros da série Bibliotheca Archivi Lithuanici, os textos originais são apresentados em ortografia simplificada — «transcritos com as letras usadas atualmente» —, e as melodias, «sem substituir a clave das fontes pela clave de sol» (p. 8). Os princípios de transcrição dos textos não são expostos em maior detalhe pelo editor e suscitam algumas dúvidas (cf. Kabašinskaitė 2002: 220–222). Como os textos de Bretkūnas publicados não são descritos pelo editor, não se sabe até que ponto o tamanho das fotocópias corresponde ao original. As fotocópias dos cânticos manuscritos são quase ilegíveis, pelo que uma transcrição teria sido muito desejável (cf. Karaciejus 2002: 323). Na transcrição dos textos de Bretkūnas foram cometidos alguns erros. Além dos assinalados por recensores anteriores, podem mencionar-se ainda os seguintes, na introdução: pras chom (p. 7) — deveria ser pras cham (cf. fac-símile, p. 227); Sussimistlantis (p. 7) — deveria ser Sussimilstanis (cf. p. 228); após versículo (p. 7) — deveria ser após versículos; Tewe (p. 7) — deveria ser Tlewe (cf. p. 251); dagusu (p. 7) — deveria ser dangui (cf. p. 251); nu (p. 7) — deveria ser ne (cf. p. 53);
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Adoma (p. 7) — deveria ser Adama (cf. p. 88); vieno (p. 7) — deveria ser wieno (cf. p. 94); malonus (p. 8) — deveria ser Malonus (cf. p. 113); Bagotas (p. 8) — deveria ser Bagots (cf. p. 127); «exceto o versículo bíblico n.º 16 no final» (p. 8) — deveria ser «exceto o versículo bíblico no final do cântico n.º 16»; Dievui (p. 8) — deveria ser Dievui (cf. p. 198); fenomenologija (p. 9) — deveria ser fenomenologiją. Ao comparar a transcrição das Gesmės chriksčoniškos de Mažvydas, incluída junto das vinte primeiras canções da coletânea de Gesmės Duchaunų com o fac-símile (utilizou-se a edição preparada pelo mesmo autor; ver Michelini 2000), encontraram-se os seguintes pequenos erros (além da escrita da segunda letra maiúscula, das ligaduras e da grafia de [u]): Chriksčoniskose (p. 21, nota 1 e em muitas outras notas) — deveria ser Chriksčoniskase (cf. Mž, p. 149); Kyrieeleison (p. 24) — deveria ser Kirieeleison (cf. Mž, p. 182); fęnklus (p. 25) — deveria ser fęklus (cf. Mž, p. 185); tikraghi (p. 34) — deveria ser tikragi (cf. Mž, p. 313); naboyne (p. 34, nota 2) — deveria ser nabozine (cf. p. 300); traice (p. 37) — deveria ser Traice (cf. Mž, p. 365); Kyrieleison (p. 38) — deveria ser Kirieleison (cf. Mž, p. 389); prisch (p. 38) — deveria ser prischs (cf. p. 389); werksme paklusnuma (p. 42) — deveria ser werksme / paklusnuma (cf. Mž, p. 383); zaisdu (p. 45) — deveria ser Zaisdu (cf. Mž, p. 236). Também subsistem muitas imprecisões na «Lista de textos segundo os primeiros versos», por exemplo: Allmechtiger (p. 290) — cf. Almechtiger (p. 234); sunus (p. 290) — deveria ser Sunus (cf. fac-símile, p. 166); Christe / diena (p. 290) — deveria ser Christe diena (cf. p. 105); auffgefahren (p. 291) — cf. auffgefahren (p. 249); Dekawokem (p. 291) — deveria ser Diekawokem (cf. p. 171), etc. As referências bibliográficas após a introdução (p. 9) são apresentadas sem os nomes próprios dos autores, o ano de publicação e a editora. Isso até poderia ser compreensível se esses dados pudessem ser encontrados na bibliografia no final do livro (p. 301). No entanto, esta não inclui os dados bibliográficos de Senųjų lietuvių skaitymų de Gerullis, de Rinktinių mūsų senovės raštų de Biržiška, nem do livro de Koženiauskienė, XVI–XVII amžiaus prakalbos ir dedikacijos.
O texto das observações de Kasakauskis sobre Žemaičių vyskupystę de Valančius é apresentado em fotografia, transcrito e traduzido para lituano. O manuscrito publicado não é descrito pelo editor, pelo que não se pode determinar se as fotografias têm o tamanho do original. A comparação de algumas passagens do original com a sua transcrição e tradução mostra que o editor transcreveu e traduziu com cuidado e atenção. A maior lacuna desta publicação é a ausência de um índice de palavras lituanas (o livro contém apenas um «Índice de pessoas»), que permitiria encontrar rapidamente a palavra, a forma gramatical ou a passagem do texto pretendida. Sem esse índice, é difícil aos lexicógrafos e gramáticos utilizar a publicação.
O fac-símile da Defensio de Maleckis é publicado lado a lado com a transcrição (texto transcrito). A tradução da obra para lituano é impressa separadamente. O fac-símile é publicado com notas temáticas, textológicas e linguísticas. A transcrição preparada para impressão foi cotejada com o original e as notas textológicas foram redigidas pela editora científica da publicação, Jolanta Gelumbeckaitė. A julgar pela descrição do manuscrito (p. 12), por alguma razão desconhecida o fac-símile do original foi reduzido em mais de um quinto. A transcrição do texto foi preparada com cuidado. Uma comparação mais atenta de algumas páginas do fac-símile com a transcrição suscitou dúvidas em apenas alguns pormenores, por exemplo, nas páginas 47 e 57 estão assinaladas, mas não impressas, respetivamente, as notas 3 e 16; na nota 210 (p. 139), em vez de quod deveria estar Quod. A tradução da Defensio foi realizada com bastante engenho, embora alguns aspetos causem estranheza (sobre a tradução dos conceitos teológicos, ver Ališauskas 2002). Por exemplo, na introdução, a passagem Defensio 20v₂₁–21r₁₂ é interpretada incorretamente: o facto de Maleckis ter traduzido a expressão retenta sunt para polaco como zadzieranie [a não parece correto a Seklucianas (ao contrário do que se afirma na p. 27); pelo contrário, ele censurou Maleckis por essa tradução: Poltea reprehendis me …; Lo. per te adactus 2v₉: lituano tavęs verčiamas = traduzido por ti; lat. Ablatio 3v₂₂, 4r₁: lituano Inagininkas — teria sido melhor manter o nome latino do caso, abliatyvas (cf. p. 168, onde ablativus é traduzido por vietininkas!); lat. paradigma declinationis 4r₁₈, 19v₁₃–₁₄: lituano linksniavimo pavyzdys, pavyzdį = paradigma de declinação, paradigmą, como noutros lugares (por exemplo, p. 150); lat. praefens vel
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praeteritum tempus 6r₁₈: em lituano, o futuro e o passado = o presente e o passado etc. Os catecismos de Maleckis e Mažvydas são citados com exatidão na introdução, mas surpreende que algumas citações de Defensio, publicado no mesmo volume, tenham sido transcritas incorretamente; por exemplo, em vez de ut sis longeus super terram (p. 25 e 31), deve constar vt sis longeus super terram (Def 8v18–19); em vez de stągže (p. 26), deve constar stągže (Def 13v14), etc. Na tradução, as maiúsculas e minúsculas nem sempre são usadas de maneira justificada (cf. “crediderit é futuro, enquanto Babtifatus é passado” (p. 167)); a grafia dos nomes de pessoas e lugares não é uniformizada (cf. Frydrichas Stafilas (p. 7) e Jano Janówo (ibid.), Stanislawas Rospondas (ibid.); para Marienwerderį (p. 15), mas Naujajame Sonče (p. 15), Elko bažnyčios (p. 15 e seguintes)).
Em síntese, pode-se dizer que a publicação de Guido Michelini Jonas Bretkūnas. Giesmes Duchau-nas ir kitos 1589 metų liturginės knygos: tekstai ir jų šaltiniai, embora preparada sem grande rigor, é uma publicação muito importante para historiadores da língua e da cultura, filólogos e musicólogos. O livro de Giedrius Subačius Kalikstas Kasakauskis: Lietuvių bendrinės kalbos konjunktūra é relevante, acima de tudo, para os estudiosos da cultura lituana e da história da escrita e da linguística; alguns aspectos interessam também aos historiadores da língua. Tem valor próprio a primeira publicação das notas de Kasakauskis sobre a Žemaičių vyskupystę de Valančius. Jano Maleckio ir Jano Sekluciano polemika dėl katekizmo kanoninio vertimo, de Vaidotas Rimša, é uma publicação valiosa e bastante bem preparada. É importante para os historiadores da língua e da cultura lituanas e polonesas.
A resenha não abordou em maior detalhe outros livros publicados em 2001. Knyga nob ažnystės krikščioniškos (1653) – XVII a. Lietuvos kultūros paminklas (Kėdainiai: Kėdainių krašto muziejus, 2001, 95 p.) é uma coletânea de artigos redigidos com base nas comunicações de uma conferência científica organizada em 1998 pelo Museu Regional de Kėdainiai e pela Associação Lituana para a História e a Cultura da Reforma. O livro organizado por K. Župerka Vytautas Sirt autas, Regina Petkevičienė, Česys Grenda. Rinkin-tiniai kalbotyros straipsniai (Šiauliai: Šiaulių universiteto leidykla, 2001, 288 p.) é uma coletânea comemorativa de artigos científicos de três docentes da Universidade de Šiauliai, acompanhada de textos introdutórios e bibliografias de colegas. Mais informações podem ser encontradas na resenha de Stasys Keinys (Keinys 2001). No mesmo ano foi publicado também o Frazeologijos žodynas, editado por Jonas Paulauskas e elaborado por Irena Erman ytė, Ona Kažukauskaitė, Gertrūda Naktinienė, Jonas Paulauskas, Zita Šimėnaitė e Angelė Vilutytė (Vilnius: Lietuvių kalbos institutas, 2001, XVIII, 886 p.). Trata-se de uma extensa coletânea de fraseologia preparada por lexicógrafos experientes (todos eles autores do Lietuvių kalbos žodyno). Reúne expressões fraseológicas recolhidas em muitas localidades habitadas por lituanos, tanto na Lituânia como fora do país, em obras de ficção, escritos antigos e dicionários bilíngues. Cabe mencionar também um dos primeiros livros eletrônicos de estudos lituanos: a primeira parte do dicionário informatizado Lietuvių tarmės, organizado por Daiva Atkočait y tė e Asta Leskauskaitė e editado por Kazys Morkūnas (Vilnius: Lietuvių kalbos instituto leidykla, 2001, 116 p. e CD-ROM). O dicionário foi elaborado com base na obra Lietuvių kalbos atlasas I. Leksika, ed. K. Morkūnas (Vilnius: Mokslas, 1977, 295 p., 120 mapas). Em lituano e inglês, descreve a distribuição, a flexão, a acentuação, uma breve etimologia e a história de uso de mais de 120 palavras que nomeiam objetos do ambiente habitado pelo ser humano.
Uma análise do conjunto de publicações de linguística lituana lançadas na Lituânia em 2001 revela uma verdadeira escassez de estudos novos, originais e conceituais. A crescente publicação do legado linguístico (obras selecionadas) e de monumentos da literatura antiga apenas em parte os torna acessíveis.
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LITERATŪRA
ALIŠAUSKAS, V. 2002: [Rec.] Vaidotas Rimša. Jano Maleckio ir Jano Sekluciano polemika dėl katekizmo kanoninio vertimo, Vilnius, 2001. Knygų aidai 1, 37.
BATAITYTĖ, A. 2002: Knyga apie kalbos vartoseną ir tvarkybą. Kalbos kultūra 75, 158–165.
KABAŠINSKAITĖ, B. 2002: [Rec.] Jonas Bretkūnas. Giesmes Duchaunas ir kitos 1589 metų liturginės knygos: tekstai ir jų šaltiniai, parengė [...] Guido Michelini, Vilnius, 2001. Archivum Lithuanicum 4, 215–222.
KARACIEJUS, J. 2001 [2002]: [Rec.] Jonas Bretkūnas. Giesmes Duchaunas ir kitos 1589 metų liturginės knygos: tekstai ir jų šaltiniai, parengė [...] Guido Michelini, Vilnius, 2001. Baltistica 36 (2), 320–324.
KAVALIŪNAITĖ, G. 2001: Adesyv̇as Chylinskio Naujojo Testamento vertime. Acta Linguistica Lithuanica 45, 93–111.
KEINYS, S. 2001: [Rec.] Vytautas Sirtautas, Regina Petkevičienė, Česys Grenda. Rinktiniai kalbotyros straipsniai, Šiauliai, 2001. Acta Linguistica Lithuanica 45, 201–205.
KUDZINOWSKI, Cz. 1977: Indeks-słownik do „Daukšos Postilė“ I (A–N), II (O–Ž), Poznań: Wydawnictwo Naukowe Uniwersytetu im. Adama Mickiewicza.
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MICHELINI, G. 2000: Martyno Mažvydo raštai ir jų šaltiniai, Vilnius: Mokslo ir enciklopedijų leidybos institutas.
MORKŪNAS, K., red. 1991: Lietuvių kalbos atlasas 3, Morfologija, Vilnius: Mokslas.
PAJĖDIENĖ, J. 2002: [Rec.] Albertas Rosinas. Mikalojaus Daukšos tekstų įvardžių semantinė ir morfologinė struktūra, Vilnius, 2001. Acta Linguistica Lithuanica 46, 202–212.
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SKIRMANTAS, P., red. 1997: Aleksas Girdenis. Bibliografinė rodyklė. Antras pataisytas ir papildytas leidimas, Vilnius: Vilniaus universitetas.
SUBAČIUS, G. 1998: Žemaičių bendrinės kalbos idėjos. XIX amžiaus pradžia, Vilnius: Mokslo ir enciklopedijų leidybos institutas.
ULVYDAS, K., red. 1965: Lietuvių kalbos gramatika 1. Fonetika ir morfologija, Vilnius: Mintis.
VITKAUSKAS, V. 1963: Dėl regresyvinės balsių asimiliacijos kai kuriose šiaurės rytų žemaičių dūnininkų tarmėse. Lietuvių kalbotyros klausimai 6, 269–273.
VITKAUSKAS, V. 1974: Žemaičių dūnininkų šnektų morfofoneminiai dialektizmai. Filologijos mokslų kandidato disertacija, Vilnius.
VITKAUSKAS, V. 1975: Nauji regresyvinės balsių asimiliacijos faktai Kuršėnų šnektoje. Kalbotyra 26 (1), 81–85.
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ARTŪRAS JUDŽENTIS
Vitkauskas, V. 1999: Lietuvių kalbos tarmių morfonemiai reiškiniai ir jų svyravimas. Habilitacinis darbas, Vilnius: Lietuvių kalbos institutas.
Vitkauskas, V. 2002: [Rec.] Giedrius Subačius. Kalikstas Kasakauskis: Lietuvių bendrinės kalbos konjunktūra, Vilnius, 2001. Archivum Lithuanicum 4, 245–248.
Zinkevičius, Z. 1966: Lietuvių dialektologija. Lyginamoji tarmių fonetika ir morfologija, Vilnius: Mintis.
Zinkevičius, Z. 1972: Rytietiškoji XVII a. lietuvių raštų kalba, jos kilmė ir išnykimas. Baltistica 8 (1), 79–100.
Zinkevičius, Z. 1994: Lietuvių kalbos dialektologija. 2-asis stereotipinis leidimas, Vilnius: Mokslo ir enciklopedijų leidykla.
Artūras Judžentis