Būdvardžio derinimas ir būdvardžio bevardės giminės problema
Full text
ACTA LINGUISTICA LITHUANICA
XLVIII (2003), 119–136
A concordância do adjetivo e o problema do gênero neutro do adjetivo*
Loreta Semėnienė
Instituto da Língua Lituana, Vilnius
O artigo aborda as formas tradicionalmente descritas na gramática lituana como formas «neutras» do adjetivo. Esse problema é considerado em conexão com a questão mais ampla da concordância de gênero dos adjetivos. Enquanto na gramática tradicional lituana a concordância é vista como um dos tipos de relação sintática, aqui ela é descrita como um marcador formal de relação sintática. Introduz-se a distinção entre gênero do controlador e gênero do alvo (conforme formulada por Corbett). O sistema de gênero difere para (a) adjetivos substantivados, que são marcados quanto à animacidade versus inanimacidade, com uma diferenciação adicional entre masculino e feminino para os animados (as formas descritas como neutras são, na verdade, marcadas como inanimadas), e (b) adjetivos não substantivados, cujas formas de gênero são determinadas pela concordância. Estes últimos distinguem três gêneros-alvo; a forma neutra é usada para concordar com adjetivos substantivados inanimados e pronomes inanimados como controladores da concordância, mas também como formas de concordância padrão nos casos em que a posição do controlador é ocupada por uma palavra não marcada quanto ao gênero. Assim, o sistema de gênero lituano pode ser descrito como um sistema com três gêneros-alvo e três gêneros-controladores, embora controladores neutros sejam relativamente raros.
0. OBSERVAÇÕES INTRODUTÓRIAS
0.1. Na linguística lituana, foram propostas várias concepções das formas tradicionalmente chamadas de formas de gênero neutro do adjetivo1. Alguns autores (Ulvydas, ed., 1965: 478; Jakaitienė, Laigonaitė, Paulauskienė 1976: 64; Valeckienė 1984; Tekorienė 1990; Paulauskienė 1994: 211; Ambrazas, ed., 1994: 168; Ambrazas, ed., 1997: 134 e outros) classificam essas formas adjetivais entre os adjetivos; outros (Kazlauskas 1968: 324, Girdenis, Žulys 1973: 208, Paulauskienė 1983: 209) consideram-nas advérbios; e outros, ainda, uma categoria à parte (Mustეikis 1972: 241–249). Atualmente, não há uma concepção universalmente estabelecida e aceita das formas tradicionalmente chamadas de formas de gênero neutro do adjetivo; discute-se o lugar dessas formas na classificação gramatical das palavras.
* Agradeço ao prof. Axelii Holvoet pelas valiosas observações e pela ajuda na preparação do artigo. A autora também agradece ao prof. G. G. Corbett, com quem foram discutidos alguns problemas teóricos da descrição do sistema de gênero dos adjetivos em lituano. As principais teses do artigo foram discutidas em 17 de dezembro de 2002, no seminário teórico organizado pela Seção de Gramática do Instituto da Língua Lituana.
1 Terjes Mathiasseno (1996: 62) nuomone, sinchroniniu požiūriu tokias formas geriau tiktų vadinti nekaitomomis formomis.
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1. CONCEPÇÃO DAS FORMAS DE GÊNERO NEUTRO DO ADJETIVO NAS GRAMÁTICAS DA LÍNGUA LITUANA
1.1. Como se afirma na gramática acadêmica Lietuvių kalbos gramatikoje (Ulvydas, ed., 1965: 478), na Dabartinės lietuvių kalbos gramatikoje (Ambrazas, ed., 1994: 168) e na gramática da língua lituana escrita em inglês Lithuanian Grammar (Ambrazas, ed., 1997: 134) (a autora da seção sobre adjetivos é Adelė Valeckienė), os adjetivos lituanos têm três formas de gênero: masculino, feminino e neutro². Nas gramáticas mencionadas, as formas de gênero neutro do adjetivo são contrapostas às formas masculinas e femininas em função de suas funções sintáticas e de sua natureza semântica.
Estabelece-se uma oposição entre propriedade generalizada e não generalizada nas formas de gênero neutro do adjetivo, por um lado, e nas formas masculinas e femininas, por outro. Na Dabartinės lietuvių kalbos gramatikoje (Ambrazas, ed., 1994: 169), afirma-se que, diferentemente das formas masculinas e femininas do adjetivo, que denotam uma propriedade associada a determinado objeto, as formas de gênero neutro do adjetivo geralmente não se associam a substantivos e expressam a propriedade de modo generalizado. Contudo, na gramática acadêmica Lietuvių kalbos gramatikoje (Ulvydas, ed., 1965: 526), afirma-se que os adjetivos de gênero neutro expressam uma propriedade separada do objeto ou, mais precisamente, um fenômeno semelhante àquele expresso por substantivos adjetivais de significado abstrato. Diferentemente das formas masculinas e femininas do adjetivo, as formas de gênero neutro do adjetivo funcionam como modificadores na frase.
2. CONCEPÇÃO DAS FORMAS DE GÊNERO NEUTRO DO ADJETIVO EM MONOGRAFIAS ESPECÍFICAS
2.0. O gênero neutro do adjetivo é atribuído à categoria de gênero do adjetivo também nas monografias de Adelė Valeckienė (1984) e Dalija Tekorienė (1990)³.
2.1. Em sua monografia Sistema gramatical da língua lituana (1984: 175, 185–186), Valeckienė afirma que os adjetivos de gênero neutro pertencem aos adjetivos como formas da categoria de gênero, mas, como não há substantivos de gênero neutro em lituano, eles concordam com pronomes de gênero neutro. A autora também observa que o sistema da categoria de grau do adjetivo inclui não apenas formas masculinas e femininas, mas também formas de gênero neutro.
As formas masculinas e femininas, juntamente com as formas de gênero neutro, abrangem todo o sistema de flexão de gênero do adjetivo. Não tendo função atributiva
2 Pasirodžius pirmam Lietuvių kalbos gramatikos tomui, Jonas Kazlauskas (1965: 175) suabejojo būdvardžio bevardės giminės formų traktuotės loginiu adekvatumu. Jo teigimu, jei būdvardžio giminė priklauso nuo daiktavardžio giminės, o lietuvių kalboje nėra bevardės giminės daiktavardžių, tai apibūdinti bevardės giminės formą kaip būdvardžio bevardę giminę, vadinasi, daryti loginę klaidą – arba būdvardžio apibrėžime, kur sakoma, kad lietuvių kalbos būdvardis derinamas su daiktavardžiu gimine, skaičiumi ir linksniu, arba neteisingai suprantant bevardės giminės formą.
3 Vytautas Sirtautas também defendeu o gênero neutro no artigo “Sobre a categoria de gênero do adjetivo” (1968: 135–137). O autor observa que, em alguns casos, os adjetivos de gênero neutro podem ser independentes, isto é, reger substantivos (trumpa dienos), enquanto, em outros casos, podem ser dependentes, isto é, formar um sintagma predicativo (bet ne tai įdomu).
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delas, essas formas são periféricas na categoria de gênero do adjetivo, e seu funcionamento é limitado. As formas de gênero neutro do adjetivo se opõem às formas masculinas e femininas, possuem o traço de concordância e são transformáveis em formas masculinas e femininas sem diferença de significado (cf. Ambrazas, Sližienė, Valeckienė 1974: 178). A autora conclui que as formas masculinas e femininas abrangem todo o sistema de flexão de gênero do adjetivo somente em conjunto com as formas de gênero neutro (Valeckienė 1984: 186–187; ver também 1998: 244–248).
2.2. Para demonstrar que as formas de gênero neutro do adjetivo pertencem à categoria de gênero do adjetivo, Tekorienė amplia, em sua monografia Adjetivos de gênero neutro (1990), a definição do adjetivo apresentada de modo semelhante em muitas gramáticas e manuais (o adjetivo é uma classe gramatical independente, composta por palavras que expressam uma propriedade e se flexionam em gênero, número e caso (Ambrazas, org., 1994: 167)). A autora inclui na definição do adjetivo palavras que expressam não apenas um traço atributivo, mas também predicativo. Afirma-se que “os adjetivos são palavras usadas como modificadores e como parte nominal do predicado, e que possuem significado categorial de propriedade. Todos os adjetivos têm formas masculinas e femininas, flexionadas em caso e número e que concordam com o substantivo. Alguns adjetivos qualificativos também têm uma forma invariável de gênero neutro, usada como parte nominal do predicado quando o sujeito é expresso por palavras nominais sem significado de gênero ou quando está totalmente ausente e não é indicado” (Tekorienė 1990: 67–68). Assim, as formas de gênero neutro do adjetivo, assim como as formas masculinas e femininas, são incluídas na mesma classe de palavras que expressam um traço predicativo. Segundo a autora (Tekorienė 1990: 67), as formas de gênero neutro do adjetivo têm significado não marcado quanto ao gênero e podem ser opostas às formas masculinas e femininas do adjetivo pelo traço semântico geral gênero–não gênero.
Tačiau reikėtų sutikti su Aldona Paulauskiene (1994: 219), kad šitaip išplėtus būdvardžio sąvoką neįmanoma nustatyti ribų tarp būdvardžio ir kitų kalbos dalių, galinčių eiti tariniu ir taip pat, kaip ir būdvardžio bevardės giminės tipo formos, žymėti subjektui būdingą būseną, plg.: Man reikia. Man gera. Man garbė. Kyla klausimas – argi šie visi predikatai yra būdvardžiai? Todėl tradicinėje morfologijoje, skiriančioje kelias požymį reiškiančias kalbos dalis, Paulauskienės manymu, būdvardžio apibrėžimo negalima plėsti. O neišplėtus apibrėžimo sunku būdvardžio bevardės giminės formas laikyti būdvardžiais, nes jos nelinksniuojamos ir neina derinamuoju pažyminiu, vadinasi, neturi būdingiausių šios kalbos dalies ypatybių4.
3. CONCEPÇÃO DAS FORMAS DE GÊNERO NEUTRO DO ADJETIVO NOS MORFOLOGIA DA LÍNGUA LITUANA MANUAIS
3.1. Evalda Jakaitienė, Adelė Laigonaitė e Aldona Paulauskienė compreendem de modo um pouco diferente as formas de gênero neutro do adjetivo em Morfologia da língua lituana (1976: 63–
4 Paulauskienė (1994: 217–219) kritikuoja ne tik Tekorienės, bet ir Valeckienės būdvardžio bevardės giminės formų sampratą.
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64). As autoras observam (a autora do capítulo «Adjetivo» é Adelė Laigonaitė) que essas formas de gênero neutro do adjetivo deveriam ser chamadas formas adjetivais não marcadas quanto ao gênero e que, em geral, não indicam uma propriedade de um objeto, mas apenas um determinado estado abstrato5. Afirma-se também que a posição das formas de gênero neutro do adjetivo no sistema das demais formas adjetivais é muito peculiar, uma vez que elas não constituem nenhuma oposição gramatical aos adjetivos masculinos e femininos. Portanto, não há fundamento algum para incluir essas formas adjetivais na categoria de gênero6. Precisamente por isso, segundo as autoras, a atribuição das formas de gênero neutro do adjetivo à classe dos adjetivos, no que diz respeito ao lituano contemporâneo, só pode ser condicional (cf. Michelini 1988: 53–58).
3.2. Na Morfologia da língua lituana, Paulauskienė também considera não marcadas quanto ao gênero as formas de gênero neutro do adjetivo (1994: 211–217; ver também Paulauskienė 2001: 138–139). A autora denomina categorias adjetivais não concordantes as formas adjetivais não marcadas quanto ao gênero, assim como as formas de grau e as formas pronominais, por serem categorias gramaticais internas do adjetivo, isto é, por não terem correspondentes no sistema das categorias gramaticais do substantivo. Essas categorias adjetivais não concordantes são opostas às categorias adjetivais concordantes (caso, número e gênero), cuja natureza é sintática e que refletem a relação do adjetivo com o substantivo.
Paulauskienės (1994: 208–209) teigimu, kiek skaičių turi daiktavardis, tiek skaičių rodo ir būdvardis. Tai, kas pasakyta apie būdvardžio skaičių, tinka ir linksniui, ir trečiajai derinamajai kategorijai – giminei. Vadinasi, jei yra dvi daiktavardžio giminės, turi būti ir dvi derinamojo žodžio – būdvardžio – giminės. Autorės žodžiais tariant (Paulauskienė 1994: 210), niekaip teoriškai nepaaiškintas daiktavardžio ir būdvardžio giminių nesutikimas ir niekaip nepaaiškinta, kodėl grynai derinamoji kategorija turėtų priklausyti nuo būdvardžio reikšmės. Juk matom, kad kitos dvi derinamosios kategorijos (linksnis ir skaičius) visiškai nepriklauso nuo to, ką reiškia būdvardis. Nuo būdvardžio reikšmės nepriklauso vyriškoji ir moteriškoji giminė. O gal ta forma dabar jokios giminės nežymi? Gal ji negimininė? – klausia Paulauskienė Lietuvių kalbos morfologijoje.
4. OUTRAS CONCEPÇÕES DAS FORMAS DE GÊNERO NEUTRO DO ADJETIVO
4.0. Também foram objeto de avaliação crítica outras concepções das formas tradicionalmente chamadas de gênero neutro do adjetivo.
4.1. Uma das concepções das formas de gênero neutro do adjetivo sustenta que, uma vez que essas formas, assim como os advérbios, são formadas de maneira igualmente regular a partir dos mesmos adjetivos qualificativos, e também possuem a mesma forma do comparativo, e
5 Šią sampratą kritikavo Valeckienė (1984: 183–187), Tekorienė (1990: 15).
6 Tokios pat nuomonės laikosi ir Tatjana Bulygina (1970: 35–36). Autorė, aptardama lietuvių kalbos būdvardžius, teigia, kad būdvardžio bevardės giminės formos nesudaro priešpriešos kitoms būdvardžio (vyriškosios ir moteriškosios giminės) formoms nei pagal giminę, nei pagal skaičių, nei pagal linksnį. Tokios būdvardžio formos yra tikras kokybinių vyriškosios giminės būdvardžių kamienas. Skirti būdvardžio bevardės giminės formas prie būdvardžių (vyriškosios ir moteriškosios giminės) yra tiek pat pagrindo, kiek ir kokybinius prieveiksmius, turinčius tų pačių būdvardžių kamieną.
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podem, em geral, ser usadas em construções predicativas, podem ser consideradas advérbios (Kazlauskas 1968: 324; Girdenis, Žulys 1973: 208; Paulauskienė 1983: 209)7. O autor da «Primeira gramática da língua lituana», Danielius Kleinas, também classificou as formas de gênero neutro do adjetivo entre os advérbios (Balčikonis, ed., 1957: 432, 538).
4.2. Kazys Musteikis (1972: 241–249) propôs considerar as formas de gênero neutro do adjetivo uma classe de palavras separada — palavras da categoria de estado. Segundo o autor, quando os substantivos de gênero neutro desapareceram do lituano, os adjetivos de gênero neutro passaram para outra classe de palavras — a categoria de estado —, e o significado de propriedade foi substituído por um significado abstrato de estado8. A conclusão de Musteikis (1972: 249) é que a distinção da categoria de estado como classe de palavras independente é inteiramente objetiva, pois ela é distinguida (como qualquer classe de palavras) com base nas diferenças de significado, características morfológicas e funções sintáticas.
4.3. Como se pode ver, todas as concepções das formas de gênero neutro do adjetivo aqui mencionadas brevemente foram alvo de críticas e, até hoje, nenhuma delas se consolidou nem foi universalmente aceita.
5. CONCEITO DE CONCORDÂNCIA
5.1. Ao voltar a tratar das formas de gênero neutro do adjetivo, são importantes a própria categoria de gênero e as relações sintáticas do adjetivo com as palavras que determinam sua forma de gênero.
5.1.1. A categoria de gênero é bipartida: abrange tanto palavras com uma categoria de gênero inerente (substantivos) quanto palavras com uma categoria de gênero não inerente (adjetivos).
Os substantivos, por possuírem uma categoria de gênero inerente, distinguem-se, sobretudo em suas realizações prototípicas, em dois gêneros semânticos — masculino e feminino — (homem, pai, irmão, galo vs. mulher, mãe, irmã, galinha etc.). O gênero desses substantivos é motivado. O gênero semântico desses substantivos geralmente coincide com o gênero morfológico do substantivo9. Esses substantivos formam certa oposição aos substantivos de gênero assemântico, isto é, àqueles cujo gênero não é motivado. Os substantivos que nomeiam objetos têm gênero não motivado. Esses substantivos são atribuídos a um ou outro gênero com base em traços morfológicos de gênero. Por outro lado, a categoria inerente de gênero do substantivo determina, por meio de relações sintáticas, os traços morfológicos de gênero de outras palavras.
Ao contrário do substantivo, o gênero do adjetivo é uma categoria não inerente10, determinada pela concordância com outra palavra. O sistema de formas de gênero do adjetivo, além da concordância com
7 Pastarąją sampratą kritikavo Valeckienė (1984: 187–188).
8 Šiai sampratai prieštaravo Kazlauskas (1965: 176), akademinės Lietuvių kalbos gramatikos pirmo tomo autoriai (Ul vydas, red., 1965: 35–37), Ambrazas, Sl žienė, Valeckienė (1974: 180), Valeckienė (1984: 188–199), Paulauskienė (1994: 214–215).
9 Daiktavardžio semantinė ir morfologinė giminė suprantama kaip Artūro Judženčio (2002: 39–49) straipsnyje. Minėtame straipsnyje taip pat plačiau žr. apie daiktavardžio semantinės ir morfologinės giminės nesutapimus.
10 Exceto os adjetivos usados substantivamente, que têm uma categoria de gênero inerente.
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um substantivo (ou outra palavra usada substantivamente), que determina a escolha das formas masculinas e femininas do adjetivo, por exemplo: a casa ainda não é velha, o dia está bonito, inclui também uma terceira forma — a de gênero neutro —, usada quando não há substantivo com o qual possa concordar, por exemplo, ler é interessante etc.
5.1.2. Ao abordar as formas de gênero neutro do adjetivo, afirma-se frequentemente que, nas frases em que são usadas, a relação sintática é diferente daquela que ocorre quando se usam as formas masculinas e femininas do adjetivo. Considera-se que as formas de gênero neutro do adjetivo não concordam¹¹, mas se justapõem¹² (Mathiassen 1996: 68–69; Ulvydas, ed., 1965: 478; cf. Labutis 1998: 41). A afirmação de que em frases como ler é interessante há uma relação de justaposição baseia-se no fato de que o infinitivo é invariável, não possui forma de gênero, ou seja, não possui, no sentido tradicional, os traços morfológicos (de gênero, número e caso) considerados mais característicos da concordância enquanto tipo de relação sintática. Parece que, pelo fato de as formas de gênero neutro do adjetivo não concordarem, propôs-se excluí-las por completo da categoria de gênero do adjetivo (Paulauskienė 1983: 209, 1989: 178–196; Bulygina 1970: 35–36; cf. Jakaitienė, Laigonaitė, Paulauskienė 1976: 63).
Na realidade, tanto entre os adjetivos masculinos e femininos e os substantivos quanto entre os adjetivos de gênero neutro e as palavras a eles relacionadas existe a mesma relação sintática. A diferença se baseia nas características morfológicas das palavras ligadas pela relação sintática. Em outras palavras, a concordância da forma de uma palavra com outra reflete a relação sintática entre essas palavras, mas não constitui um dos tipos de relação sintática (como nos casos de regência e justaposição). A concordância é apenas um indicador formal da relação sintática entre duas palavras, expresso pelas características morfológicas dessas palavras.
Do que foi dito, deve ficar claro que, diferentemente do que ocorre até agora na linguística lituana, neste artigo a concordância é entendida como um fenômeno morfossintático. Concordância (em inglês, agreement) é a seleção de determinados traços semânticos ou formais de uma palavra com base nos traços formais de outra palavra (Steele 1978: 610)¹³.
Assim, com base na definição de concordância como fenômeno morfossintático, além dos substantivos masculinos e femininos, que determinam a escolha das formas adjetivais correspondentes, masculina e feminina, é preciso reconhecer um terceiro tipo de sujeito (o infinitivo etc.), que determina a escolha da forma de gênero neutro do adjetivo usada como predicado. Devemos definir essa forma do adjetivo como uma forma de gênero que—
11 Nos trabalhos de linguística lituana, concordância é geralmente descrita como uma relação de subordinação, na qual a palavra dependente assume as formas da palavra que a rege (Balkevičius 1963: 28; Sirtaūtas, Greda 1988: 38), ou como uma relação em que as formas da palavra dependente (cf. palavra concordante (Tekorienė 1990: 62)) se ajustam (Ulvydas, Ambrazas, Valeckienė, eds., 1976: 11), são ajustadas (Gaivenis, Keinys 1990: 47), adaptadas (Labutis 1998: 31) ou selecionadas (Ambrazas, ed., 1994: 480) segundo a palavra principal (cf. palavra-base da concordância (Tekorienė 1990: 62)). Assim, na linguística lituana, a concordância é entendida como um dos tipos de relação sintática, ao lado da regência e da justaposição. Para uma discussão mais detalhada dos conceitos de concordância na sintaxe lituana e de seu escopo, ver Vaskelaitė (1996: 66–86).
12 A justaposição em si é definida de maneiras distintas nas principais gramáticas da língua lituana (cf. Ambrazas, ed., 1994: 481–482; Ulvydas, Ambrazas, Valeckienė, eds., 1976: 12–17).
13 Susan Steele derinimo apibrėžimu remiamasi G. G. Corbetto (1991: 105, 1999: 105) darbuose (plg. Moravcsik 1978: 333; Lehfeldt 1980: 259; Corbett 1986: 996). Corbettas (1991: 225–226) atskirai dar skiria semantinį ir sintaksinį (gramatinį) derinimą.
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pois pertence à mesma categoria morfológica de gênero que as formas masculinas e femininas do adjetivo.
Na literatura linguística, a palavra cuja forma determina as relações de concordância é chamada de controlador da concordância (em inglês, agreement controller, agreement trigger) (Corbett 1986: 996, 1999: 103). A palavra cuja forma é determinada pelas relações de concordância é chamada de alvo da concordância14 (em inglês, agreement target) (Corbett 1986: 996, 1999: 103). As palavras cujo gênero é determinado pela concordância são chamadas de gêneros dos controladores (em inglês, controller genders). As palavras cujo gênero é determinado pela concordância com os gêneros dos controladores são chamadas de gêneros dos alvos (em inglês, target genders) (Corbett 1999: 150–151).
Ao tratar da categoria de gênero e da concordância, é importante distinguir as palavras cujas formas podem determinar a concordância daquelas cujas formas são determinadas pela concordância.
5.2. Na língua lituana, os controladores da concordância podem ser substantivos, pronomes substantivos e adjetivos substantivados (ver também adiante).
No caso de pronomes usados de forma independente que ocupam a posição de controlador da concordância, por exemplo: tas, ta, šitas, šita etc., distingue-se a oposição semântica animado / inanimado.
ESQUEMA 1. SISTEMA DE GÊNERO DOS PRONOMES
A oposição semântica animado / inanimado também se distingue nos adjetivos substantivados (ver adiante).
Entre os alvos da concordância na língua lituana estão os adjetivos, os particípios adjetivais, os pronomes adjetivais, alguns numerais, os pronomes numerais, o verbo etc. (cf. Corbett 1991: 106–115). Como se pode ver, o número de alvos da concordância na língua lituana é maior do que o de controladores da concordância (cf. Corbett 1991: 159; Tekorienė 1986: 45; Moravcsik 1978: 363–364).
5.3. Neste artigo, será abordada mais especificamente a relação dos substantivos que ocupam a posição de controlador da concordância com seus alvos, bem como a relação dos adjetivos, enquanto alvos da concordância, com seus controladores.
14 Agradeço ao dr. Artūras Judžentis pela proposta dos termos lituanos – derinimo valdiklis, derinimo gaviklis.
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6. O ADJETIVO (MASCULINO, FEMININO E NEUTRO) NA POSIÇÃO DE CONTROLADOR DA CONCORDÂNCIA
6.0. Como mencionado, ao tratar dos pronomes substantivos tas, ta, tai, šitas, šita e semelhantes na posição de controlador da concordância, distingue-se a oposição semântica animado / inanimado (ver também Valeckienė 1984: 43–47, 137–142; 222ss.), composta por dois membros. As formas masculinas e femininas dos pronomes substantivos geralmente se referem a seres animados (uma pessoa, um animal ou um grupo deles), expressos por substantivos no contexto anterior, enquanto as formas neutras dos pronomes mencionados normalmente se referem a seres inanimados (um objeto ou fenômeno), expressos por sintagmas, orações ou um contexto ainda mais amplo no trecho anterior, por exemplo:
(1) O detetive que vigiava o suspeito afastou-se da árvore. Aquele se desprendeu da cerca, este da parede da casa KT.
(2) O pai reagiu com compreensão à tristeza da filhinha: — E você sabe que menina é bonita? Aquela que sorri, não fica carrancuda, é meiga e educada, estuda bem, escreve com capricho, ajuda a mãe a descascar batatas e tira o pó dos móveis todos os dias KT.
(3) Eis que Izolina soluçou, mas reagi a isso com indiferença, como reagiria ao lodo que por um instante surgiu naquele riacho KT.
6.1. Ao tratar dos adjetivos substantivados na posição de controlador (tanto das formas masculinas e femininas quanto das neutras), também se pode falar da oposição semântica animado / inanimado, composta por dois membros. As formas masculinas e femininas do adjetivo usadas como substantivos, que geralmente designam um ser animado (uma pessoa, um animal ou um grupo deles), opõem-se às formas neutras do adjetivo, que geralmente designam um ser inanimado (um objeto ou fenômeno) (cf. pronomes em 6.0) (ver também Valeckienė 1984: 97–101, 1998: 247), por exemplo:
(4) O pedestre já não tem onde pôr os pés aqui, sem falar que respira um ar empestado de gasolina queimada e óleo não purificado. Mas os pedestres também não ficam para trás: ziguezagueiam corajosamente entre aqueles carros, arriscando a vida KT.
(5) A estrangeira vestia-se devagar, colocava a bagagem junto ao banco e sentava-se como se hesitasse KT.
(6) Como tanto coisas lácteas quanto coisas verdes GRZ. LKŽ IX 919.
(7) Eu sempre me enganava quando pensava das pessoas algo ruim ou bom KT.
Os adjetivos substantivados que designam seres inanimados podem ser usados em quase todos os casos, lado a lado, tanto com a forma masculina do adjetivo — como membro não marcado — quanto com a forma neutra do adjetivo, por exemplo:
(8) O bom se ouve de longe, mas o ruim ainda mais longe bk.
(9) Nesse caso, pareceria que o mal serve ao estabelecimento de um bem maior ou à eliminação de um mal maior. Afinal, o mal moral é pecado ou abominação KT.
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(10) No entanto, apesar de seu enorme poder, os meios de comunicação são e continuarão sendo apenas meios, isto é, instrumentos que podem ser usados para o bem ou para o mal KT.
(11) Não nos cansemos de fazer o bem, – exortou ao concluir o cardeal V. Sladkevičius KT.
(12) Isso não significa que ele vá direto até ele e declare: «Sou eu, Canderi, com o mal e o bem!» KT.
Cf.:
(13) O mal não é eterno KT.
(14) Veja, não só não desejo nenhum mal a vocês, como também lhes desejo o bem KT.
(15) A inveja transformou-se em inquietação, a ave-lira — em mau presságio... KT
(16) Sinto como se alguém me espetasse ao ouvir tamanhos disparates sobre aquilo que considero sagrado ŠRAG SD 21.
Em casos como esses, quando os adjetivos usados substantivamente podem ser entendidos tanto como animado quanto como inanimado, ao se referir a algo inanimado, A. Valeckienė (1984: 141) sugere preferir as formas neutras do adjetivo, por exemplo:
(17) Ninguém vê o bem, o mal — todos KT.
Cf.:
(18) Três anões, três sábios resolviam cada disputa: puniam o mal, elogiavam o bem KT.
6.1.1. Do ponto de vista sintático, a forma masculina do adjetivo usada substantivamente na posição do controlador de concordância (sujeito) determina o gênero masculino do adjetivo que ocupa a posição do alvo da concordância (ver frase 4). O mesmo se aplica às formas neutras do adjetivo na posição do controlador. A forma delas determina a forma do alvo da concordância (ver frase 13). Em outras palavras, a forma masculina ou neutra do adjetivo que ocupa a posição do alvo da concordância concorda sintaticamente, isto é, de acordo com os traços morfológicos de gênero, com a forma substantiva correspondente do adjetivo masculino, feminino ou neutro na posição do controlador da concordância. As formas neutras do adjetivo usadas substantivamente, assim como as formas masculinas e femininas do adjetivo usadas substantivamente (ver frase 9), podem ter modificadores concordantes — pronomes substantivados ou adjetivos pronominais, formas neutras de particípios passivos (cf. Paulauskienė 2001: 138; Valeckienė 1984: 99), por exemplo:
(19) É preciso ampliar essa interação em todas as suas dimensões, lembrando suas raízes antigas, recordando tudo o que é bom15 e rejeitando a falsidade e o mal que marcaram nossa história, para que, de mãos dadas com a esperança, entremos no terceiro milênio KT.
15 Frases como a última admitem uma interpretação dupla. Tanto a forma neutra do adjetivo quanto a forma neutra preposta do pronome podem ser entendidas como controlador da concordância, por exemplo: Pois tudo o que é grandioso, novo e bom surgiu na imaginação de alguém KT: A quem, pois, agradecerei ao Senhor por todo o bem que me fez? KT. Contudo, provavelmente se poderia afirmar que, no sintagma tudo de bom, a palavra principal é bom, pois compare todas as pessoas, mas não existe *tudo de bom, ao contrário do sintagma algo novo (cf. algo nova), em que a palavra principal é o pronome algo.
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(20) E o novo, como se sabe, é o velho esquecido KT.
(21) Muitas vezes acontece que tudo o que é novo é o velho bem esquecido KT.
6.2. Em suma, pode-se afirmar que os adjetivos substantivados (tanto os de gênero masculino e feminino como os de gênero neutro), quando ocupam a posição de controlador da concordância, determinam a forma de seus alvos de concordância.
7. ADJETIVOS MASCULINOS E FEMININOS NA POSIÇÃO DE ALVO DA CONCORDÂNCIA
7.1. Ao tratar separadamente da concordância das formas masculinas e femininas do adjetivo que ocupam a posição de alvo da concordância com seus controladores — substantivos e pronomes substantivados —, podem-se distinguir os seguintes casos de concordância de gênero16: 1) quando o substantivo apresenta forma morfológica de gênero masculino, o adjetivo também assume a forma masculina, «copiando» os traços de concordância do substantivo masculino (isto é, gênero, número e caso) (em inglês, agreement features). Quando o substantivo é morfologicamente feminino, o adjetivo assume igualmente a forma feminina (ver também Judžentis 2002: 42–45; cf. Sirtautas 1978: 66), por exemplo:
(22) Mas Tadukas quer que o observem por mais tempo: seu navio não é apenas bonito, mas também grande... KT.
(23) A primavera de 1944 foi quente, bonita e precoce KT.
(24) Ela não se mexeu, então tive de enfiar a flor entre seus dedos: — Fresca, bonita [flor], leve para casa... KT.
(25) Era um dia bonito e ensolarado KT.
(26) E, quando me vesti com as roupas de aluno, todas cacarejaram como galinhas: um homem de verdade, um verdadeiro estudante do ginásio, um rapaz bonito! KT.
(27) Todos elogiam Aistė — ela é uma menina talentosa e aplicada KT;
2) quando o substantivo tem gênero morfológico feminino, mas designa uma pessoa do sexo masculino, o adjetivo concorda com o substantivo semanticamente e assume a forma masculina (ver também Judžentis 2002: 42–43), por exemplo:
(28) O tio é sempre bom, por isso Vaišniukas tentava satisfazer todos os seus desejos KT.
(29) Papai era mais reservado, mais conservador e sabia formular seu pensamento com rigor KT.
(30) Vaidila, um verdadeiro vaidila, é agora o organista grisalho Jonas Gregoravičius KT;
3) quando o substantivo que designa pessoas de ambos os sexos (em inglês, double gender nouns), com base em traços inerentes, é morfologicamente masculino ou feminino, o adjetivo concorda com ele semanticamente e assume, conforme o caso, a forma masculina ou feminina (cf. Sirtautas, Grenda 1988: 39; Tekorienė 1986: 45, 1990: 63–64), por exemplo:
16 A concordância dos adjetivos com o controlador em número e caso não será discutida em maior detalhe neste artigo.
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(31) O velho resmungava sobre o colapso de sua reputação, a vergonha no fim da carreira e assim por diante. «Bem, pense, reflita, seu velho paspalho! Como poderia preservar sua reputação?!» — pensei eu, cerrando os dentes KT.
(32) Entrei naquele salão — e fiquei pasmo: havia um paspalho grisalho, que não se espantava com nada; agora, porém, seus cabelos negros brilham, com os lóbulos das orelhas perfurados por brincos — não o reconhecerias KT.
(33) Sou tímido, mas, quando ganho coragem, fico atrevido, um verdadeiro insolente KŠ VŽV 274;
Note-se que, por vezes, um adjetivo com um substantivo que designa pessoas de ambos os sexos pode concordar tanto sintática como semanticamente, por exemplo:
(34) Kostas continua sendo a maior família KT.
(35) Tenho dinheiro, veja bem, então também sou um parente querido... KT;
4) quando um substantivo invariável é, por convenção, de gênero morfológico masculino ou feminino, o adjetivo recebe, correspondentemente, formas masculinas ou femininas (ver Judžentis 2002: 44; cf. Labutis 1998: 32–33), por exemplo:
(36) Karminas respirou mais aliviado; estava farto da entrevista sem sentido KT.
(37) Foi aqui que finalmente nos encontramos com Irina Alberti-Ilovajskaja; aqui, no acolhedor foyer, desenrolou-se nossa conversa tranquila sobre tudo KT.
Embora, com base no uso atual da língua, haja casos em que a concordância não segue o gênero morfológico convencional do substantivo, por exemplo:
(38) Espaçoso, o foyer de três andares serve muito bem para exposições KT.
Cf.:
(39) No primeiro andar haverá um vestíbulo espaçoso, uma cafeteria para estudantes, uma livraria etc. KT.
(40) Apertado também é o hall, em torno do qual se agrupam os quartos KT.
Convém prestar atenção aos casos de concordância em que a forma de gênero do adjetivo concorda com os traços morfológicos (gênero, número) do controlador «oculto» (em inglês, reluctant)17 (cf. Sirtautas 1978: 58), por exemplo:
(41) A maioria dos cavalos era jovem, pouco adestrada — aos que não trabalhavam durante o inverno era destinada apenas metade da ração de forragem KT.
(42) A maioria delas [das mulheres] ficava grata, sentia-se feliz, como se ele lhes tivesse aberto um novo mundo maravilhoso, mas não queria viver nele; era estreito demais para ele KT.
(43) Por outro lado, a maioria das pessoas é não só saudável, mas também suficientemente talentosa para, com incentivo e iniciativa, poder e conseguir viver razoavelmente bem na sociedade KT;
17 Controladores ocultos (em inglês, reluctant controller) são aqueles cujos traços morfológicos não se manifestam na estrutura externa, mas é precisamente com eles que o alvo de concordância concorda (Corbett 1986: 1007)
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5) quando na posição do controlador há pronomes pessoais (eu, tu etc.), o adjetivo concorda com eles semanticamente, isto é, leva-se em conta o sexo do referente indicado pelo pronome (cf. Tekorienė 1990: 63–64), por exemplo:
(44) Ir aš jai nelikau skolinga, – atsakė Zuza ir abu labu vienu metu viešai pasibučiavo be piršlio paraginimo, ko dar nėra buvę Šilų kaimo istorijoj per amžius KT.
(45) Sou muito tímido, por isso, em meu nome, vá e convide os dois pais para serem padrinhos no casamento da Julytė KT.
(46) Então talvez tu fosses próxima daquele velho feiticeiro? Zuza ficou muito tempo em silêncio, até encontrar uma resposta totalmente inesperada: — Fui KT.
(47) Mums gyvas tu, tėte, reikalingas KT.
(48) Zuza ergueu a cabeça, banhada em lágrimas: — Katarsėli, por que foste tão bom no sonho e tão cruel agora? KT;
6) quando na posição do controlador há pronomes pessoais que flexionam em gênero ele, ela, o adjetivo concorda com eles sintaticamente, isto é, de acordo com os traços morfológicos do pronome; por exemplo:
(49) Os olhos do velhote encheram-se de lágrimas. Ele estava provocativamente orgulhoso e patético KT.
(50) Quando voltei, quase sem conseguir caminhar, verifiquei a gaveta e suspirei, aliviada: ela estava vazia KT.
(51) Vai ser difícil para ti com a Zuza. Ela é boa, mas caprichosa KT.
(52) Anupras pegou a mão de Kristina. Ela estava fria como gelo KT.
(53) De moto — e alguns de tratorzinho — percorrem aos solavancos a trilha enraizada da floresta, terminando de sacudir o espírito de Vinčukas, que, segundo ele, já enche a floresta de Labanoras e, por isso, ela é invencível, imortal... KT;
7) quando na posição do controlador há pronomes indefinidos invariáveis em gênero que designam uma pessoa ou um ser vivo indeterminado, por exemplo: kas, niekas, kažkas, kažin kas e semelhantes, o adjetivo concorda com eles sintaticamente (cf. Ulvydas, Ambrazas, Valec-kienė, eds., 1976: 11–12), isto é, de acordo com as propriedades morfológicas do pronome (ver também abaixo), por exemplo:
(54) Quem pode ser covarde, medroso? KT.
(55) Já alguém ardiloso cravou as garras, feriu a alma KT.
(56) E não pensem que alguém lhes deve algo; comportem-se como se vocês mesmos fossem devedores KT.
(57) Com os olhos marejados, olhava para o genro, e então lhe ocorreu que alguém estranho, distante e assustador caminhava pelos bosques e campos deles; ninguém ainda o tinha visto, ninguém o tinha encontrado em lugar algum, mas ele está bem aqui, entra em cada propriedade KT.
(58) Ninguém é culpado de o mundo ser tal como só pode ser. Ninguém é culpado se Nani se sente tão mal neste momento KT.
(59) Não chore, querida, ninguém merece as suas lágrimas KT.
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7.2. Em suma, quanto à relação das formas adjetivais masculinas e femininas que ocupam a posição do alvo da concordância com seus controladores, pode-se dizer que, em geral, elas concordam entre si sintática ou semanticamente.
8. ADJETIVOS DE GÊNERO NEUTRO NA POSIÇÃO DO ALVO DA CONCORDÂNCIA
8.0. Considerando que as formas masculina e feminina do adjetivo concordam sintática ou semanticamente com seus controladores, poderia-se supor que as formas de gênero neutro do adjetivo que ocupam a posição do alvo da concordância também concordam, de uma forma ou de outra, com seus controladores.
8.1. Na posição de controlador das formas de gênero neutro do adjetivo, além de uma forma de gênero neutro do adjetivo (ver 6.1.1.), podem ocorrer: um substantivo (mais precisamente, o nominativo ou o genitivo do substantivo), alguns pronomes, o infinitivo do verbo, uma oração subordinada de período composto, construções participiais, um sujeito nulo, por exemplo:
(60) Para mim dinheiro não importa, o que importa para mim é a verdade... Dv BD 65.
(61) Para [imaginar] isso era necessário um profundo recolhimento e de grandes esforços de vontade M-Pt AŠ 188.
(62) Tai gali būti pavojinga jo gyvybei LR 2000 06 24.
(63) Era inquietante para ele perceber tudo isso dentro de si M-Pt AŠ 427.
(64) Já era visível que estava amanhecendo KT.
(65) Senam kunigui skaudu matant, kaip žmonės, sekmadienį bažnyčioje priėmę sakramentus, į rinkimų urną meta biuletenį už apsisaukelus KT.
(66) Limpo, vazio, dois homenzinhos silenciosos talvez em camas brancas, leem jornais, olham fixamente para o teto ou dormem KT.
(67) Para ele [Liudas] era tão bom e tranquilo com sua tristeza M-Pt AŠ 73.
8.2. Ao tratar mais especificamente da concordância das formas de gênero neutro do adjetivo com as formas de palavras mencionadas na posição de controlador, podem-se distinguir os seguintes casos de concordância:
1) quando há adjetivos de gênero neutro ou pronomes de gênero neutro na posição de controlador, a forma de gênero neutro do adjetivo concorda segundo traços morfológicos, isto é, sintaticamente (Balkevičius 1963: 129; Sirtautas 1978: 67; Ambrazas, red., 1994: 168; Ambrazas, ed., 1997: 135–137; Valeckienė 1998: 248; cf. Ulvydas, red., 1965: 478, 526), por exemplo:
(68) Isso pode ser perigoso para a vida dele LR 2000 06 24.
(69) Tudo é muito saboroso KT.
(70) Tudo isso é ótimo KT.
(71) Só uma coisa é certa: tašyk jį persigando Ildefonso... KT;
2) quando o controlador da concordância não tem gênero morfológico (infinitivo verbal, oração subordinada de uma frase complexa, construções com particípio adverbial, sujeito nulo), então
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a forma de gênero neutro do adjetivo concorda com os controladores como formas presumidas18 (em inglês, default), por exemplo:
(72) Errare humanum est – errar é humano KT19.
(73) É absurdo que ainda hoje o topo do Rei Sᒪᶜ Rₘ 225.
(74) A saudade é a medida das possibilidades do sentimento: «Olhas, escutas... e sentes-te bem, e contente, e feliz, e com saudades de algo...» KT;
3) como mencionado, nos casos em que na posição do controlador há um substantivo de gênero morfológico masculino ou feminino, na posição do alvo da concordância geralmente se espera um adjetivo do gênero correspondente (ver 7.). Quando na posição do alvo da concordância há uma forma de gênero neutro do adjetivo, fala-se de concordância no gênero neutro e das diferenças semânticas do substantivo que ocupa a posição do controlador. Em outras palavras, quando um substantivo de qualquer gênero morfológico concorda com um adjetivo de gênero neutro, o substantivo não designa um objeto concreto, mas representa um argumento proposicional (Corbett 1991: 216–218; ver também Moravcsik 1978: 337–338, 342; cf. Valeckienė 1998: 248; Tekorienė 1987: 170, 1990: 43–44; Ulvydas, Ambrazas, Valeckienė, red., 1976: 372; Jablonskis 1957: 465), por exemplo:
(75) Mas, para Giedrė, as crianças não são interessantes Kš ŽK 198.
Na última frase, a forma de gênero neutro do adjetivo caracteriza uma determinada ação implícita, isto é, não é interessante ocupar-se, falar etc. das crianças, associada ao referente indicado pelo substantivo no nominativo plural.
O substantivo que designa um argumento proposicional também pode ocupar a posição do alvo da concordância e concordar com uma forma de gênero neutro do pronome, embora normalmente nesses casos se espere concordância com uma forma de gênero neutro do adjetivo, por exemplo:
(76) Nas profundezas dos fundamentos do ser já não há inquietação. Lá, tudo é silêncio eternamente luminoso KT;
4) quando na posição do controlador da concordância há pronomes indefinidos invariáveis quanto ao gênero que designam um objeto ou fenômeno indeterminado, por exemplo: kas, niekas, kažkas, kažin kas etc., então com eles concorda a forma de gênero neutro do adjetivo (cf. Mathiassen 1996: 232; Tekorienė 1986: 45) (cf. 7.1. (7)), por exemplo:
(77) Tudo o que é humano não me é estranho KT.
(78) As crianças não gostam muito de comer o que é saudável, mas aquilo que é saboroso e saudável é caro KT.
(79) Além disso, nada ainda estava claro, mas o pensamento começou a ferver no cérebro KT.
18 Agradeço ao Dr. Artūras Judžentis pela proposta de um equivalente lituano para o termo inglês.
19 Cf. frases como estas, em que na posição do controlador há um infinitivo e uma construção circunstancial a ele relacionada, por exemplo: Basam vaikščiot po rugieną dagu SNT. LKŽ II 212; Noternye basam stovėti dilgu RŠ. LKŽ II 552.
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(80) Então, será que algo é muito sério, se é conhecido este tabu do estilo de vida moderno? KT.
(81) Mas expliquei-lhe que os acontecimentos no hospital de Samaria eram para todos nós motivo de pouca alegria; não eram algo extraordinário, pois o Senhor criou os cirurgiões para serem seus auxiliares na Terra KT.
(82) O médico e Ona pensaram que havia realmente algo errado comigo e levaram-me na mesma ambulância para um hospital psiquiátrico KT.
9. CONCLUSÕES GERAIS
9.1. O adjetivo, como controlador e receptor da concordância, tem três formas de gênero — masculino, feminino e neutro.
9.2. Ao tratar da concordância dos adjetivos da língua lituana com os controladores, distinguem-se controladores de concordância que têm um ou vários gêneros morfológicos e controladores de concordância não prototípicos, que não têm gênero morfológico. Os primeiros são o substantivo, o pronome substantivo e o adjetivo substantivado. Os controladores de concordância não prototípicos são o infinitivo do verbo, a oração subordinada de uma frase complexa, as construções com particípios indeclináveis e o sujeito nulo.
9.3. Com base no critério da concordância, podem distinguir-se os seguintes casos de concordância do adjetivo (masculino, feminino e neutro) com o controlador: a) os adjetivos masculinos e femininos concordam sintática ou semanticamente com as formas de gênero morfológico masculino ou feminino do substantivo, com as formas correspondentes do pronome substantivo e com as formas masculinas e femininas do adjetivo substantivado; b) os adjetivos neutros concordam sintaticamente com as formas neutras do pronome e do adjetivo substantivado. Com controladores não prototípicos (infinitivo, oração subordinada de uma frase complexa, sujeito nulo etc.), as formas neutras do adjetivo concordam como formas implícitas.
ESQUEMA 2. CONCORDÂNCIA DO ADJETIVO COM OS CONTROLADORES
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9.4. Considerando a posição sintática do adjetivo na frase, distinguem-se, em primeiro lugar, adjetivos não substantivados e substantivados; os primeiros, de acordo com o critério sintático de concordância, seriam subdivididos em formas masculinas, femininas e neutras do adjetivo, que, no que diz respeito à concordância, diferem entre si pelos seus controladores; os segundos, isto é, os adjetivos substantivados, seriam subdivididos em dois grupos segundo a oposição semântica animado / inanimado.
ESQUEMA 3. SISTEMA DE GÊNERO DO ADJETIVO (SEGUNDO A POSIÇÃO SINTÁTICA)
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Gauta 2003 03 25