Dar apie Prahos rankraštinį vokiečių–lietuvių kalbų žodyną
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GRASILDA BLAŽIENĖ
Instituto da Língua Lituana
Áreas de pesquisa: língua prussiana ou báltica, onomástica, escritos bálticos antigos.
MAIS SOBRE O DICIONÁRIO MANUSCRITO DE LÍNGUAS ALEMÃO-LITUANO DE PRAGA
Mais sobre o dicionário manuscrito alemão-lituano de Praga
RESUMO
O dicionário manuscrito alemão-lituano de Praga entrou na circulação científica quando Ilja Lemeškin falou sobre ele há cinco anos. Os pesquisadores do dicionário se interessaram sobretudo pelo próprio texto do manuscrito e pela autoria do dicionário, inferida a partir da inscrição de doação na folha de guarda do manuscrito, na qual «Hacke» é indicado como autor. Essa inscrição também permite supor que o manuscrito do dicionário pode ter pertencido ao eminente professor da Universidade de Halle, Siegmund Jakob Baumgarten. Com base no material recolhido nos arquivos de Halle, este artigo aborda a questão do proprietário do manuscrito, procurando confirmar ou refutar a hipótese de que seu proprietário poderia ter sido o já mencionado Baumgarten.
RESUMO
O dicionário manuscrito alemão-lituano de Praga começou a circular em fontes científicas depois que Ilya Lemeshkin falou sobre ele há cinco anos. Os pesquisadores do dicionário se interessaram, antes de tudo, pelo próprio texto do manuscrito e pela autoria, deduzida da inscrição de doação na folha de guarda do manuscrito, onde o autor é identificado como «Hacke». A inscrição também sugere que o manuscrito do dicionário poderia ter pertencido ao famoso professor da Universidade de Halle Siegmund Jakob Baumgarten.
PALAVRAS-CHAVE: dicionário manuscrito alemão-lituano de Praga, inscrição de doação, autoria, biblioteca lituanística de Baumgarten, análise da caligrafia.
PALAVRAS-CHAVE: dicionário manuscrito alemão-lituano de Praga, inscrição de doação, autoria, biblioteca lituanística de Baumgarten, análise da caligrafia.
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Com base no material dos arquivos da Universidade de Halle, o artigo discute a questão da propriedade do manuscrito, a fim de confirmar ou refutar a hipótese de que o proprietário do manuscrito poderia ter sido o Baumgarten mencionado acima.
Quando o habil. dr. Ilja Lemeškin, spiritus movens do Seminário de Estudos Bálticos da Universidade Carolina de Praga, anunciou a descoberta do dicionário de Praga atribuído a Friedrich Wilhelm Haack, ficou claro que surgira mais um monumento lexicográfico da Prússia Oriental, que era necessário estudar e publicar1. Lemeškin tem uma qualidade admirável: fontes de estudos lituanos e bálticos ainda não publicadas e não discutidas por outros autores simplesmente se colam a ele. No caso do dicionário manuscrito alemão-lituano de Praga, conservado na Seção de Manuscritos e Impressos Antigos da Biblioteca Nacional da República Tcheca (cota XVI.F.30), Lemeškin não foi o primeiro. Na segunda metade do século XIX, Leopold Geitler (18 de outubro de 1847 – 2 de junho de 1885) folheou esse dicionário e forneceu informações breves no livro bem conhecido dos estudiosos dos estudos bálticos Litauische Studien, publicado em Praga em 1875. Geitler acrescentou ao dicionário lituano-alemão publicado por Georg Heinrich Ferdinand Nesselmann em 1851 três palavras, segundo ele, «aus einem in der prager bibliothek aufbewahrten lit. wörterbuche» («de um dicionário lituano conservado numa biblioteca de Praga»): merlė, patupelis e prãnaras (Geitler 1875: 96, 103, 104). As três palavras estão registradas no dicionário da língua lituana: merlė ‘carniça, animal morto’, anotada a partir do livro mencionado de Geitler (LKŽe); patupelis ‘salto do sapato’, proveniente de um dicionário manuscrito do antigo arquivo de Königsberg, Msc. 84 4º, e do dicionário de Nesselmann; e prãnaras ‘irregularidade, torção, nó na madeira’, extraída do livro de Geitler (LKŽe). Portanto, já se sabia da existência do dicionário na biblioteca de Praga. A questão é como e quando o dicionário chegou a Praga. Em geral, multiplicam-se as questões relacionadas à autoria e aos proprietários do dicionário, embora, à medida que se realizam estudos detalhados desse manuscrito, umas questões deem lugar a outras. Por exemplo, ao se refutar a autoria presumida de Haack, uma questão já foi respondida, mas surge outra: quem é, então, o autor? (Lemeškin 2013: 269–279; Triškaitė 2014: 292–317).
A proveniência de meados do século XVIII, com base na qual se identificaram o autor e o proprietário do dicionário de Praga, já foi discutida diversas vezes (Lemeškin 2012: 37, 54–55; 2013: 276–277). Na proveniência, «Hacke» é identificado como autor, com a breve observação de que era pregador na Lituânia, estudara em Halle e publicara sua gramática na tipografia do Waisenhaus [de Halle] (em lituano, «Casa dos Órfãos»)2. A proveniência foi assinada por «Baumgarten», cuja identidade ainda não foi definitivamente esclarecida.
1 Plačiau žr. Lemeškin 2012: 31–58. Šis straipsnis parengtas pagal Valstybinės lietuvių kalbos komisijos 2012-04-02–2014-03-31 finansuotą projektą Friedrichui Wilhelmui Haackui priskiriamo rankraštinio vokiečių–lietuvių kalbų žodyno (XVIII a. pr.) tyrimas ir rengimas spaudai (sutarties Nr. K-4/2012).
2 O texto alemão foi examinado detalhadamente por Lemeškin, em consulta com Christiane Schiller e Birutė Triškaitė (Lemeškin 2013: 277). Na opinião da autora do artigo, a interpretação desse breve texto surgiu em 2013 porque os responsáveis pelo projeto, Lemeškin e Triškaitė, já haviam aprofundado substancialmente o estudo do dicionário em questão.
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1 FIG. Proveniência do manuscrito do dicionário conservado em Praga (1r; NK ČR: XVI.F.30)
Auctor Hacke. War Prediger in Lithauen. Hat zu Halle studirt. Seine Sprachlehre soll auf dem Waisenhauße gedruckt seyn. Dono dedit [J./D.]3 Baumgarten.
O objetivo da autora do artigo era encontrar, nos arquivos e bibliotecas de Halle, informações fidedignas sobre quem assinou a proveniência: [J.] ou [D.] Baumgarten4. Se D puder ser interpretado como Doctor, então o próprio Baumgarten pode ter escrito a proveniência; se Dominus,
3 Entre parênteses são apresentados os possíveis variantes da letra inicial: J. ou D.
4 Cabe observar que, em 2012, Lemeškin leu «D<edicavit> / D<ominus> / D<octor> / J. Baumgarten»; contudo, independentemente da interpretação, tendia a associar Baumgarten, que assinou a doação, ao célebre professor de Halle (Lemeškin 2012: 55, 54). Em 2013, o pesquisador apresentou apenas «[D.] Baumgarten», salientando que D pode ser interpretado de várias maneiras. Pode representar o título Doctor ou Dominus, ‘senhor’, ou ser uma abreviatura da última palavra de dono dedit dedicavit (Lemeškin 2013: 277). Em contextos de dedicatória, Dono dedit significa ‘doou’ ou ‘deu de presente’. A forma verbal dedicavit não consta nos repertórios de abreviaturas latinas. A abreviatura d: pode significar: domini, dictio, divisio, dividit, dominatio;.d. – dicens, duo. (Agradeço ao dr. Roland Kregždys por estas informações.) Cabe acrescentar que, durante a execução do projeto no Instituto da Língua Lituana, trabalhou-se com cópias do dicionário. A autora do artigo examinou detalhadamente em Praga, juntamente com Birutė Triškaitė, também o original, que permitiu observar aquilo que as cópias não reproduzem, isto é, correções, cores da tinta, o polvilhamento com areia dos trechos corrigidos; a cor da tinta e a pressão da pena também permitiram perceber quando o autor / copista do dicionário fazia pausas. Em suma, a longa experiência de trabalho com manuscritos permite concluir que nem mesmo as melhores cópias substituem o original.
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A anotação poderia, portanto, ter sido feita também por outra pessoa. A proveniência já havia sido traduzida para lituano (Lemeškin 2012: 55; 2013: 277). O texto é curto — apenas quatro linhas e uma assinatura.
Agora, sobre o misterioso Baumgarten. Como se supunha em 2012 (Lemeškin 2012: 54–57), a proveniência foi registrada por Siegmund Jakob Baumgarten, uma das mentes mais brilhantes de Halle e de toda a Alemanha na primeira metade do século XVIII. Para identificar o autor da proveniência e confirmar ou refutar a hipótese de que o dicionário de Praga pertenceu a Siegmund Jakob Baumgarten, foi necessário examinar as cartas, notas e apontamentos de aulas por ele escritos e conservados nos arquivos de Halle. Surpreende que muitas das informações bibliográficas sobre o conhecido pietista, escritor, tradutor, professor universitário muito popular e apreciado pelos estudantes, e bibliófilo não sejam particularmente completas e, por vezes, sejam contraditórias, embora muito se tenha escrito sobre ele. Também surpreende que os materiais de arquivo relacionados com Baumgarten em Halle não sejam abundantes. No volume I da enciclopédia alemã de biografias (Deutsche biographische Enzyklopädie), publicado em 2005 em Munique, são mencionados dois Baumgarten relacionados com Siegmund Jakob: o pai, Jakob Baumgarten (1668, Wolmirstedt – 29 de junho de 1722, Berlin), teólogo evangélico e poeta, indicado como pai do filósofo Alexander Gottlieb5 (17 de junho de 1714, Berlin – 26 de maio de 1762, Frankfurt an der Oder) e do teólogo Siegmund Jakob (14 de março de 1706, Wolmirstedt – 4 de julho de 1757, Halle) (DBE I 429–432). O volume II da anterior «Enciclopédia Real de Teologia e Igreja Protestantes», publicada entre 1896 e 1913 (Realencyklopädie für protestantische Theologie und Kirche), observa que o pai do «nosso» Baumgarten, Jakob Baumgarten, teve dois filhos talentosos, dos quais Siegmund Jakob era o mais velho, enquanto o irmão mais novo, Alexander Gottlieb, era um wolffiano conhecido (RETK 1971: 464–466). O guia «Religião na história e no presente», publicado em 1998 (Religion in Geschichte und Gegenwart), afirma que Siegmund Jakob foi um teólogo influente. Voltaire e Gotthold Ephraim Lessing louvaram sua erudição
5 Alexander Gottlieb Baumgarten — pioneiro da estética científica na Alemanha. Órfão desde cedo, foi acolhido no pedagogium de Halle; mais tarde, estudou na Faculdade de Teologia da Universidade de Halle e, em 1737, tornou-se professor extraordinário; a partir de 1740, foi professor de filosofia e belas-letras em Frankfurt an der Oder (Professor der Weltweisheit und der schönen Wissenschaften). O racionalismo de Christian Wolff exerceu a maior influência sobre ele como filósofo e teórico da estética (http://www.baumgarten-alexander-gottlieb.de/leben/#meier) (Consultado em 25/2/2014). Sobre o estudioso, após sua morte em 1763, escreveu-se: «Sua mente era extraordinariamente sistemática. Tudo o que pensava tornava-se sistema. Ele pôs ordem no caos das verdades e opiniões dos antigos sábios do mundo. Em sua mente, disso se formaram mundos de verdades e opiniões» («Sein Kopf war vorzüglich systematisch. Alles, was er dachte, ward System. In die Chaos, der Wahrheiten und der Meynungen der alten Weltweisen, brachte er Ordnung, und in seinem Verstande wurden Welten der Wahrheiten und Meynungen daraus» (Meier 1763: 37).
Assim, Alexander Gottlieb Baumgarten era considerado um dos filósofos mais eminentes do século XVIII. Suas obras mais importantes, Aestetica (1750 / 1758), Methaphysica (1739), Ethica Philosophica (1740), exerceram enorme influência sobre várias gerações de teóricos da estética e filósofos. Ver também Poppe 1907 e EE 2010: 64–65.
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Lessing6 como teólogo de transição entre o protestantismo antigo e o novo (HR 1998: 1180–1181). Em 1758, seu discípulo e correligionário Johann Salomon Semler (18 de dezembro de 1725, Saalfeld – 14 de março de 1791, Halle)7 publicou a primeira e mais completa bibliografia de Baumgarten, ainda útil hoje. Posteriormente, foram compiladas outras bibliografias suas. O termo «teólogo de transição» (Übergangstheologe) consolidou-se na primeira metade do século XVIII e devia ser entendido como designação de um representante da teologia de transição (Übergangstheologie)8.
6 Voltaire (21 de novembro de 1694 – 30 de maio de 1778), escritor e filósofo francês e figura destacada do Iluminismo, chamava Siegmund Jakob Baumgarten de coroa dos eruditos alemães (Kaunas 1996: 188). Gotthold Ephraim Lessing (22 de janeiro de 1729, Kamenz – 15 de fevereiro de 1781, Braunschweig), o mais eminente poeta, dramaturgo e filósofo alemão do Iluminismo, conhecia também duas canções folclóricas lituanas do «Dicionário da língua lituana» de Philipp Ruhig (Littauisch=Deuſches und Deutſch=Littauiſches Lexicon, Worinnen ein hinlänglicher Vorrath an Wörtern und Redensarten, welche sowohl in der H. Schrift, als in allerley Handlungen und Verkehr der menſchlichen Geſellſchaften vorkommen, befindlich iſt: [...] mit möglichſter Sorgfalt, vieljährigem Fleiß, und Beyhülfe der erfahrenſten Kenner dieſer Sprache geſammelt von Philipp Ruhig, Pfarrern und Seniore zu Walterkehmen, Inſterburgiſchen Hauptamtes. Königsberg, druckts und verlegts I. H. Hartung, 1747) (Biržiška 1963: 20–25). Lessing escreveu: «Delas podemos aprender que poetas nascem sob cada pedaço do céu e que sentimentos profundos não são privilégio exclusivo dos povos cultos. Recentemente folheei o dicionário da língua lituana de Ruhig e, no “Estudo sobre essa língua” que lhe foi acrescentado ao final, encontrei uma raridade muito apropriada a este contexto, que me encantou profundamente. São algumas canções ou cantigas lituanas, como as que as moças da aldeia cantam por lá. Que humor ingênuo! Que simplicidade encantadora! Não será preciso procurar nada no dicionário da língua lituana: transcreverei aqui para vocês duas das mais belas, segundo a tradução de Ruhig: [...] [As canções são “Renunciei à minha avó” e “De manhãzinha, ao raiar do dia” — G. B.]. O homem modesto pede desculpas por publicar tais ninharias; antes deveria ter pedido desculpas por não as ter incluído» (Lessing 1975: 97–99) (Tradução de Liucija Citavičiūtė).
7 Johann Salomon Semler foi teólogo evangélico e um dos criadores da teologia do Iluminismo. A partir de 1743, estudou filologia clássica, história, lógica e matemática na Universidade de Halle; a partir de 1744, estudou teologia evangélica e línguas com S. J. Baumgarten. Semler dedicou especial atenção ao estudo histórico-crítico da Bíblia. Sob a orientação de Baumgarten, obteve o grau de mestre em 1750 com o trabalho Vindiciae plurium praecipuarum lectionum codicis graeci Novi Testam... (impresso em 1750) e, no mesmo ano, tornou-se editor do «Jornal estatal e erudito de Coburgo» (Koburger Staats- und Gelehrten-zeitung). Em fevereiro de 1753, defendeu sua tese de doutorado na Universidade de Altdorf e tornou-se doutor em teologia. Nesse mesmo ano de 1753, voltou a Halle e tornou-se professor titular. Na universidade, era responsável por todas as disciplinas teológicas. A propósito, os estudiosos lituanos de crítica textual mencionam as contribuições de Semler para a pesquisa dos manuscritos do Novo Testamento, em particular Paulius Subačius (2001: 523). Semler foi vice-reitor em 1761–1762, 177–1771 e 1789–1790. A partir de 1757, Semler foi diretor do Seminário de Teologia. Perdeu esse cargo em 1779 devido ao convite controverso de Carl Friedrich Bahrdt para a Universidade de Halle (http://www.deutsche-biographie.de/sfz80023.html) (Consultado em 20/02/2014). Esses fatos mostram o clima que prevalecia na Universidade de Halle. A autobiografia de Semler, em dois volumes (1781–1782), é de particular importância para a vida da Universidade de Halle.
8 O termo Übergangstheologie ou Theologie des Übergangs surgiu na primeira metade do século XVIII e era aplicado aos teólogos de Halle, sobretudo a Siegmund Jakob Baumgarten. O objetivo era descrever a teologia situada na transição entre o protestantismo antigo e o novo, por ser ela a verdadeira força motriz do desenvolvimento teológico. Esse ramo da teologia procurava evitar a polêmica extrema e defendia uma reforma gradual (Hirsch II 1968: 319, 371 ff.; Schloemann 1974: 16).
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Baumgarten viveu numa época em que coexistiam o protestantismo antigo, o pietismo e a ciência moderna. Viveu apenas 51 anos, escreveu muito e teve um grande número de alunos ilustres, que mais tarde participaram ativamente dos debates teológicos na Alemanha (sobre os alunos, ver Schloemann 1974: 21; Ehrhardt-Rein 1996: 79; Schicketanz 2001: 113). Aliás, também assistiam às suas aulas os irmãos mais novos, Alexander Gottlieb e Nathanael.
Convém recordar os fatos mais importantes da vida e da atividade de Baumgarten. Deve-se mencionar que seu pai, Jakob, também pertencia aos pietistas de Halle e era um colaborador próximo de August Hermann Francke. Francke visitava-o em Berlim, onde era pastor de Friedrichswerder e Dorotheenstadt. Sua mãe, Rosina Elisabeth, nascida Wiedemann (Semler (1758: 73) escreve que ela se chamava Barbara Rosina), morreu cedo — em 1717. Após a morte da mãe, as crianças foram cuidadas pela avó, Anna Barbara Wiedemann, nascida Kubitz, que era natural de Berlim. O pai era muito instruído e ensinava os filhos. A família tinha sete filhos (Semler 1758: 73). Há informações sobre cinco deles, cujos nomes eram: Siegmund Jakob (1706–1754), Justus Joseph (morreu em Halle em 1722), Samuel Eusebius (nasceu em 1711 e, segundo Bernhard Poppe (1907: 10), a pedido de seu irmão Alexander Gottlieb, três anos mais novo, devia contar-lhe trechos da Bíblia; portanto, ainda vivia por volta de 1718; não foram encontradas informações sobre a data de sua morte), Alexander Gottlieb (1714–1762) e Nathanael (morreu em 1763). A partir de 1749, Nathanael trabalhou na igreja de seu pai, em Berlim. Era inspetor e conselheiro-chefe do consistório (Oberkonsistorialrat). Nathanael Baumgarten também foi confessor da rainha Elisabeth Christine von Braunschweig-Wolfenbüttel-Bevern (8 de novembro de 1717, Wolfenbüttel – 13 de janeiro de 1797, Berlin), esposa do rei prussiano Friedrich II. Após a morte do pai, em 1722, ainda estavam vivos quatro filhos: Siegmund Jakob, Justus Joseph, Alexander Gottlieb e Nathanael; cumprindo a vontade do pai, foram para Halle estudar teologia (Schloemann 1973: 31). O pai de Baumgarten morreu de tuberculose. No leito de morte, nas palavras da testemunha Michael Roloff, reitor real de Berlim e conselheiro do consistório, recordou as pessoas de Halle que eram mais importantes para ele. Eram August Hermann Francke, Justus Breithaupt9 e Paul Anton10. Pouco depois, morreu também Justus Joseph, que começara a estudar no Pedagogium de Halle („auf dem Pädagogio“)11.
9 Joachim Justus Breithaupt (17 de fevereiro de 1658, Northeim / Hannover – 16 de março de 1732, mosteiro de Berge, perto de Magdeburg) foi um dos fundadores do pietismo de Halle. Era muito favorável a S. J. Baumgarten (Semler 1758: 89).
10 Paul Anton (12 de fevereiro de 1661, Oberlausitz – 19 de outubro de 1730, Halle) foi um famoso teólogo de Halle, que muito ajudou Baumgarten quando este chegou à cidade (Semler 1758: 89).
11 Justus Joseph morreu de varíola. Seu irmão mais velho, Siegmund Jakob, estava junto do jovem moribundo (Semler 1758: 87).
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Em 1722, Siegmund Jakob, de dezesseis anos e de saúde frágil, que recebera conhecimentos surpreendentes de seu pai e dos amigos dele12, também começou a estudar no Pedagogium de Halle. Naquela época, já sabia línguas clássicas, além de francês, italiano e inglês; interessava-se muito por história e estudava matemática e desenho. A biblioteca do pai de Baumgarten, segundo Brucker e Semler, tinha 10 000 livros (Schloemann 1974: 33). Em 1723, Baumgarten adoeceu gravemente e foi obrigado a cuidar da saúde (Semler 1758: 88). Em 1724, tornou-se estudante da Universidade Friedrich de Halle. Na lista de matrícula dos estudantes, assinou com o número 431:
2 PAV. Siegmundo Jakobo Baumgarteno įrašas (1724) Halės universiteto metrikose (UA Halle: Rep. 46, Nr. 2 [1714–1724])
O famoso irmão de Baumgarten, Alexander Gottlieb, também estudava na mesma Faculdade de Teologia desde 1730:
3 PAV. Alexanderio Gottliebo Baumgarteno įrašas (1730) Halės universiteto metrikose (UA Halle: Rep. 46, Nr. 3 [1724–1741])
Em 1731, o irmão deles, Nathanael, também começou a estudar na Faculdade de Teologia da universidade. As listas de matrícula atestam isso:
4 PAV. Nathanaelio Baumgarteno įrašas (1731) Halės universiteto metrikose (UA Halle: Rep. 46, Nr. 3 [1724–1741])
12 Semleris (1758: 76) nurodo, kad Baumgarteno teologijos mokytojas buvo Michaelis Roloffas (1684 m., Oschersleben – 1748 m. sausio 29 d., Berlin), baigęs teologijos mokslus Halės universitete, dirbęs kartu su Baumgarteno tėvu. (https://www.google.lt/search?q=Roloff+Berlin+Propst+und+Konsistorialrat&hl=lt&gbv=2&sa=X&as_q=&spell=1&ei=uXekVNq5I8j9UP rYg7AB&ved=0CBAQBSgA) (Žiūrėta 2014 04 04). Hebrajų kalbos Baumgarteną mokė garsusis Rytų Fryzijos generalinis superintendentas Johannas Ludwigas Lindhammeris (1689 m. gegužės 17 d., Eisannberg – 1771 m. liepos 13 d., Aurich), kuris studijavo teologiją Halės universitete ir išsamiai nagrinėjo Biblijos tekstą. 1720 m. Lindhammeris buvo Berlyne prūsų raitelių pulko Gens d’Armes pastorius.
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Ao ingressar na Universidade de Halle, Baumgarten passou a morar com Gotthilf August Francke (1º de janeiro de 1696, Glaucha – 2 de setembro de 1769, Halle)13, filho do próprio August Hermann Francke (12/22 de março de 1663, Lübeck – 8 de junho de 1727, Halle)14. Na casa dele, fazia as refeições com a família, ou seja, em alemão, tornou-se Tischgenosse e, durante meio ano, foi efetivamente um membro da casa (ein ordentlicher Hausgenosse) (Semler 1758: 88; Schloemann 1974: 33).
Um fato importante que deve ser mencionado é que, por volta dessa época, foi convidado para a Universidade de Halle o futuro e célebre teólogo de Königsberg, Heinrich Lysius, na verdade Johann Heinrich Lysius (19 de junho de 1704, Königsberg – 29 de março de 1745, Königsberg), filho do célebre Henrich Lysius (10 de outubro de 1670, Flensburg – 12 de outubro de 1731, Königsberg)15. Convém observar que Henrich Lysius, primeiro diretor do Seminário de Língua Lituana da Universidade de Königsberg, «assinava Henrich Lysius» (Citavičiūtė 2004: 25; cf. Vaclovas Biržiška (1963 (1990): 470), que chamava Lysius de Jonas Henrikas. Ver também Lysius 1994. Aliás, Ona
13 Gotthilf August Francke era filho do célebre August Hermann Francke; sua mãe, Henrieta, era filha do secretário da câmara Johann George Rothals. Em 1750, Francke casou-se com Eva Wilhelmine (falecida em 1793), filha de Joachim Sigismund von Gersdorf. Não tiveram filhos. Francke era teólogo e pedagogo. Começou cedo a trabalhar nas instituições de Francke (Franckesche Stiftungen), estudou teologia, tornou-se pastor e, mais tarde, arquidiácono da Igreja do Mercado (Marktkirche). Em 1723, tornou-se adjunto da Faculdade de Teologia da Universidade de Halle e, em 1726, professor catedrático. A saúde de Francke não era boa, mas ele continuou dedicado ao trabalho de seu pai e à sua atividade missionária na Índia e na Pensilvânia, onde estava sendo construída uma igreja luterana. Francke teve o apoio do rei da Prússia Friedrich Wilhelm I, e pode-se dizer que o rei Friedrich II também não se opunha à sua atividade. Francke viveu durante o apogeu e o declínio do pietismo em Halle, que influenciaram a história de Brandemburgo-Prússia. Francke sustentou milhares de alunos e doentes. Em 1767, começou a exercer o cargo de conselheiro do consistório do Ducado de Magdeburgo. Após a morte do pai, tornou-se diretor das instituições de Francke. Francke foi sepultado no jazigo da família no cemitério municipal de Halle. Ver http://www.deutsche-biographie.de/sfz16793.html (consultado em 2014-03-01).
14 August Hermann Francke foi teólogo e pedagogo evangélico, autor de hinos sacros e pietista, fundador das instituições de Francke, que continuam em atividade até hoje. Seu pai era jurista e conselheiro da corte e da justiça do duque Ernst, o Piedoso. Sua mãe era filha do burgomestre de Lübeck, David Gloxin. Francke recebeu uma boa educação em casa e estudou línguas clássicas, sobretudo grego e hebraico, e teologia em várias universidades. Obteve o grau de mestre em Leipzig, após defender uma dissertação sobre a gramática hebraica. Na mesma universidade, defendeu sua tese de habilitação e proferiu os primeiros sermões na Igreja Paulina de Leipzig (Paulinerkirche). Francke tornou-se pietista ainda jovem e orientou os jovens para o estudo do Antigo e do Novo Testamento. Na Universidade de Halle, foi professor de grego e de estudos orientais e, mais tarde, também de teologia. Até 1715, foi pastor da Igreja de São Jorge (St. Georgen-Kirche); de 1715 a 1727, foi pastor da Igreja de Santo Ulrico, na cidade de Halle (St. Ulrich-Kirche). Em 18 de setembro de 1968, deu início à construção do Orfanato. As instituições de Francke foram construídas ao longo de 50 anos. Trata-se de um enorme complexo de edifícios que abrigava uma escola, residências, oficinas, uma farmácia etc. Cerca de 2.500 pessoas viviam e trabalhavam nessa espécie de cidade. Francke foi sepultado no jazigo da família no cemitério municipal de Halle. Ver http://www.heiligenlexikon.de/BiographienA/August_Hermann_Francke.html (consultado em 2014-03-02).
15 Em 1719, Lysius, o mais velho, organizou a tradução bilíngue (alemão–lituano) do catecismo de Martinho Lutero, publicada em 1722 por Gabriel Engel(is) (Dini 1993 ff.).
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Aleknavičienė, que publicou em 2001 dois artigos sobre o pai de Lysius, não menciona seu nome em um deles (2001a: 271–292), enquanto no segundo já o chama apenas de «Henrich Lysius» [2001b: 187–206]). Semler (1758: 91) escreve que o futuro e célebre teólogo de Königsberg, Heinrich Lysius, foi convidado para a Universidade de Halle para ensinar línguas orientais e queria permanecer ali por algum tempo, pois as condições na academia local eram muito favoráveis a isso; no entanto, partiu pouco depois16. Isso ocorreu em 1724. Os biógrafos de J. H. Lysius também mencionam esse fato17. Lysius ensinou Baumgarten aramaico, árabe, siríaco e etíope (das Rabbinische, Arabische, Syrische und Ethiopische) (Semler 1758: 91). Os professores dessas línguas na Universidade de Halle também eram Johann Heinrich Michaelis18, Christian Benedikt Michaelis e o judeu convertido Heinrich Christian Immanuel Frommann (Semler 1758: 91; Schloemann 1974: 34). Um dos primeiros biógrafos de J. H. Lysius, Johann Christoph Netz, também destacou que Christian Benedikt Michaelis ensinou siríaco e árabe a Lysius, enquanto Frommann, judeu convertido, lhe ensinou aramaico e hebraico («Er [J. H. Lysius] bemühte sich auch in den Morgenländischen Sprachen seine Wissenschaft vollkommener zu machen, indem er das Syrische und Arabische unter der Anweisung des Herrn Prof. Christian Benedicti Michaelis erlernte, auch im Rabbinicis und Talmudicis eines bekehrten Juden Namens Frommann bediente») (Netz 1745: 25). Em 11 de julho de 1725, a pedido do pai e aconselhado pelos amigos, tornou-se mestre da Universidade de Friedrich sob o decanato do já mencionado Michaelis e começou a ensinar os jovens estudantes ([...] Bald darauf fing er an, seine von GOTT ihm verliehene Gaben in Unterweisung der studierenden Jugend zu gebrauchen, [...]) (Netz ibd.). Assim, Lysius esteve em Halle de 1724 até o início de 1726. Pode ter conhecido Baumgarten assim que chegou, pois ambos estavam cercados pelos mesmos professores da Universidade de Halle. Os jovens podiam
16 Cf. o texto em alemão: Es war der nachmalige berühmte königsbergische Theologus, Heinrich Lysius, welcher auf eben genante Universität als Lehrer der morgenländischen Sprachen berufen worden. Dieser wünschte also, sich noch in einiger Zeit hier selbst fester zu setzen, wozu auf hiesiger Academie stets sehr vortheilhafte Gelegenheit gewesen, [...] nach Abreise des bisherigen Geselschafters, Herrn Lysius, [...] (Semler 1758: 91). Convém prestar atenção à expressão «nachmalige berühmte» – «futuro e célebre». Na variante documental, observou-se que há confusão no uso dos nomes de pai e filho Lysius.
17 Em 1724, Johann Heinrich Lysius chegou a Halle, onde conheceu Justus Joseph Breithaupt, Paul Anton, August Hermann Francke e outros eminentes professores da Universidade de Halle. Estudou línguas orientais e começou a ensiná-las aos jovens estudantes; também fundou o «Collegium cursorium in NT Graecum». Em 11 de junho de 1725, tornou-se mestre na Universidade de Halle, mas pouco depois teve de partir de Halle, pois, em 15 de maio de 1726, foi nomeado professor extraordinário de línguas orientais na Universidade de Königsberg. Em Königsberg, também assumiu o trabalho do pai e o ajudou no ministério pastoral na Igreja de Löbenicht e na inspeção da sinagoga. Em 1731, tornou-se professor catedrático de teologia; em 1736, renunciou ao cargo de professor extraordinário de estudos orientais na Faculdade de Filosofia (Netz 1745; 24–28; Arnoldt 1746: 189–190, 219, 422; http://www.manchester.edu/kant/bio/biokon2.htm) (consultado em 2014-12-10).
18 Johann Heinrich Michaelis (26 de julho de 1668, Klettenberg – 10 de março de 1738, Halle) foi teólogo e orientalista.
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tornar-se amigos, quando Lysijus ensinava a Baumgarten as línguas dos países do Oriente. Ele podia contar a Baumgarten sobre a atividade lituanística de seu pai, sobre a preparação do Mažojo katekizmo, sobre seu trabalho no Seminário de Língua Lituana da Universidade de Königsberg e despertar o interesse do curioso Baumgarten por assuntos lituanísticos, embora seu pai, Lysijus, o Velho, «se tenha destacado como autor de um plano para a rápida germanização (Verdeutschung Litauens) dos lituanos nos próprios lugares onde viviam» (Dini 1993: 5,10).
Antes mesmo de Lysijus partir de Halle, Baumgarten, seguindo uma tradição estabelecida em Halle, ensinava no Orfanato (Waisenhaus). Em 1725, ensinou hebraico e grego na Escola Latina e, em 1726, começou a dirigir a classe de Teologia (Hoffbauer 1805: 213–218). Em 1726, Baumgarten defendeu uma dissertação sob a orientação do orientalista e teólogo Christian Benedikt Michaelis. Na dissertação, Baumgarten escreveu sobre a hipótese de Hermann von der Hardts19, segundo a qual as línguas semíticas teriam origem no grego. Baumgarten refutou essa hipótese. Depois de defender esse trabalho, tornou-se diretor / inspetor de toda a Escola Latina (Semler 1758: 92; Schloemann 1974: 34). Fundou na escola uma classis selecta e ensinava aos alunos selecionados o latim elegante e a filosofia. O olhar profundo que lançou à filosofia ajudou-o a formar a sua própria opinião sobre a filosofia de Christian Wolff20. A partir de 1728, Baumgarten tornou-se adjunto de pregador. Ajudava Gotthilf August Francke na Igreja do Mercado (Marktkirche) (Semler 1758: 93; Schloemann 1974: 35). Os seus sermões eram muito populares. Provavelmente no início do semestre de inverno de 1731–1732, Baumgarten tornou-se magister21 (Schloemann 1974: 36; cf. a afirmação de Semler (1758: 96) de que Baumgarten se tornou magister em 1732, durante o decanato de Christian Benedikt Michaelis, que já exercia o cargo pela terceira vez. O seu mandato decorreu de 12 de julho de 1731 a 12 de janeiro de 1732; cf. a observação de Büsching (1783: 168–169) sobre a explicação imprecisa de Semler). Depois de se tornar magister, Baumgarten ensinava filologia, filosofia e história da ciência na Universidade de Halle já desde 1731, lecionava e — facto igualmente muito importante — ensinava dogmática aos alunos do Seminário de Língua Lituana (repetierte) (Schloemann 1974: 36). Assim, Baumgarten certamente poderia ter conhecido Friedrich Wilhelm Haack (1706, Kretingalė – 19 de novem-
19 Hermann von der Hardts (11 de novembro de 1660, Melle – 28 de fevereiro de 1746, Helmstedt), orientalista e estudioso do Antigo Testamento. Foi professor de estudos orientais na Universidade de Helmstedt. Na sua opinião, o hebraico e o árabe derivavam do grego (http://www.deutsche-biographie.de/sfz26004.html (consultado em 2014-03-02); Schloemann 1974: 34).
20 Christian Wolff (Christian Freiherr von Wolff, 24 de janeiro de 1679, Breslau – 9 de abril de 1754, Halle) foi um ilustre cientista, jurista, matemático e um dos mais importantes filósofos do Iluminismo entre Leibniz e Kant; criou também a terminologia da filosofia alemã.
21 Magistro laipsnis, pasak Martino Schloemanno (1974: 36), po disertacijos gynimo buvo savotiškas formalumas, vis atidėliotas veikiausiai neišgalint susimokėti mokesčių, tačiau be to laipsnio nebuvo galima pradėti dėstyti universitete.
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bro, Pilkalnis, ver também http://prusija.lki.lt/, Pilkainys), que estudou na Universidade de Königsberg (de 6 de setembro de 1724 até ao final de 1727) e passou meio ano na Universidade de Halle (a partir de 17 de dezembro de 1727; desde 21 de junho de 1728 já ensinava lituano no Seminário de Língua Lituana da Universidade de Halle, juntamente com o primeiro docente do seminário, Johann Richter). Depois de Richter partir de Halle para a Prússia Oriental, em 27 de agosto de 1728, Haack foi docente do seminário até maio de 1732; o próprio Seminário funcionou até 1740. Em Halle, Haack publicou em 1730 o primeiro dicionário lituano impresso nas terras de língua alemã, Vocabularium litthvanico–germanicum, et germanivo–littvanicum («Dicionário lituano–alemão e alemão–lituano»), juntamente com uma gramática da língua lituana (Nebst einem Anhang einer kurtzgefassten litthauischen Grammatic) (Specht 1935: 39; Schiller 1994: 212; Drotvinas 1998: 163; Zubaitienė 2012: 7 ff.)
Em 1734, morreu o professor de teologia Johann Liborius Zimmermann22. Após a sua morte, a atenção da universidade voltou-se para Baumgarten. O nome de Baumgarten aparece como docente no horário das aulas do semestre de inverno de 1734–1735, embora nunca tenha obtido o grau de magister legens23 (Schloemann 1973: 36). Baumgarten tornou-se professor graças à intervenção de Roloff, amigo de seu pai, que informou o próprio rei sobre a formação excecional de Baumgarten (Semler 1758: 98). As aulas de teologia de Baumgarten, tal como os seus sermões, eram muito populares. Muitas fontes afirmam que 300–400 estudantes assistiam às aulas de Baumgarten. Ele dava aulas todos os dias e orientava disputas. Começou a interessar-se pela filosofia de Wolff, à qual se opunham vários professores de Halle, entre eles Gotthilf August Francke e Joachim Lange24. Apesar da oposição, Wolff foi convidado para Halle. É muito interessante ler as cartas em que os colegas debatem acerbamente e criticam uns aos outros. Apresenta-se abaixo a resposta de Baumgarten ao seu orientador de dissertação, Christian Benedikt Michaelis25, escrita em setembro de 1735, isto é, nove anos depois
22 Johann Liborius Zimmerman (14 de novembro de 1702, Wernigerode – 2 de abril de 1734, Halle) estudou em Jena, era teólogo e professava o pietismo, mas também se interessava pela filosofia de Wolff. A partir de 1731, foi professor de teologia na Universidade de Halle (Jacobs 1898: 121–226; Wundt 1932).
23 Magister legens era um grau obtido somente após uma disputa pública, que conferia o direito de dar aulas na universidade.
24 Joachim Lange (28 de outubro de 1670, Gardelegen – 7 de maio de 1744, Halle), orientalista e teólogo. Conheceu August Hermann Francke ainda jovem e estudou em Erfurt, Halle e Berlim. Tinha um excelente domínio do hebraico. Em 1717, tornou-se doutor em teologia pela Universidade de Halle e permaneceu a viver na cidade. Foi também vice-reitor da universidade. Lange era um pietista controverso. São conhecidas as suas divergências ideológicas com Christian Wolff.
25 Christian Benedikt Michaelis (26 de janeiro de 1680, Ellrich – 22 de fevereiro de 1764, Halle) foi um orientalista alemão e teólogo protestante. Aprendeu a ler a Bíblia na língua original ainda jovem; em 1715, tornou-se professor catedrático de filosofia da Universidade de Halle e, nesse mesmo ano, encarregado da biblioteca. Em 1731, Michaelis já era professor de teologia na Universidade de Halle e, a partir de 1738, também professor de línguas orientais (estudos orientais). Estudava o Antigo Testamento e era muito querido pelos estudantes. Foi também vice-reitor da universidade.
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FIG. 5. Carta de setembro de 1735 de Siegmund Jokob Baumgarten a Christian Benedikt Michaelis, do arquivo da Universidade de Halle (UA Halle: Rep. 27 Nr. 1044)
anos após a defesa da dissertação. Naquele ano, Michaelis era decano da Faculdade de Teologia, como também mostra a forma de tratamento Mui honrado senhor decano (Venerande Dom. Decane). O conteúdo da carta revela que Baumgarten já representava outra corrente. Nas palavras de Peter Schicketanz (2001: 113, 2005: 238, ver também Roeber 2005: 754), as obras de Baumgarten — a obra em três volumes Evangelische Glaubenslehre (“Doutrina evangélica da fé”), publicada por Semler em 1759–1760, e Unterricht vom rechtmäßigen Verhalten eines Christen oder Theologische Moral (“Ensinamento sobre a conduta adequada de um cristão ou moral teológica”) (1738) — podem ser consideradas uma síntese da filosofia de Wolff e do pietismo. Deve-se observar que antigos decanos e G. A. Francke criticaram a moral teológica de Baumgarten.
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Após a morte de Lange, em 1744, que detestava Baumgarten de todo o coração por sua popularidade e simpatia por Wolff, Baumgarten tornou-se diretor do Seminário de Teologia. Era conhecido por sua generosidade: ajudava financeiramente os estudantes pobres e não cobrava pelas aulas. Semler apresenta muito material interessante, chamando a si próprio de anão (alem. Zwerg) e a Baumgarten de gigante (alem. Riese), e ressaltando que era um seguidor constante e inabalável do doutor Baumgarten (alem. “daß ich eyn steter unbiegsamer Anhänger des D[oktor] Baumgartens seyn würde”) (Semler 1782: 5). Embora Semler afirmasse que o conhecimento humano está inteiramente sujeito ao tempo e às mudanças, não duvidava de seu mestre. Em sua extensa autobiografia, Semler escreve com emoção sobre ele, chamando-o, aliás, sempre de D. Baumgarten: “Como ainda vivia na casa de Baumgarten quando era estudante, tive oportunidades constantes de conhecer a erudição extremamente abrangente e sobretudo histórica do D. Baumgarten; sua perspicácia e seu juízo penetrante, por assim dizer invencível, tornaram-se para mim tão claramente evidentes quanto seu temperamento quase sempre sereno, sua indulgência afetuosa e sua calma e amigável disposição, manifestas em todos os aspectos de suas relações com os outros” (“Ich hatte, da ich noch als Student im Baumgartenschen Hause wonete, unaufhörliche Gelegenheit, die ganz ausgebreitete gelerte, und zumal historische Belesenheit des D. Baumgartens kennen zu lernen; seine Scharffsinnigkeit und eindringende, gleichsam unbesiegliche Urtheilskraft, war mir so eben auffalend gros und gewis worden, als seine fast gleichförmige Gemütsfassung, liebreiche Schonung, und ruhige freundliche Mine, in allen Arten des Umganges.”) (Semler 1782: 8). Em 1748–1749, Baumgarten tornou-se pró-reitor e membro da Academia Real das Ciências de Berlim. Cientistas estrangeiros viajavam a Halle, e universidades estrangeiras o convidavam para ocupar cargos de professor (Schloemann 1973: 50–51). Baumgarten era um cientista muito produtivo. Sua bibliografia de obras impressas contém 214 itens. Sob sua orientação, foram defendidas 87 dissertações (Schloemann 1974: 245–279).
Baumgarten também era conhecido por sua biblioteca, cujos acervos superavam os da biblioteca universitária. Herdou alguns livros da biblioteca de seu pai, que teve de dividir com os irmãos; comprou outros, abrindo mão de muitas coisas que talvez pudessem ter facilitado a vida dele e de sua família (Schloemann 1974: 51–52). Baumgarten não era apenas teólogo. Interessava-se por história e literatura e tinha grande conhecimento de livros. Sua biblioteca singular fez dele um conhecedor excepcional da literatura alemã e estrangeira. Em 1748, Baumgarten começou a informar o público sobre sua biblioteca, escrevendo oito volumes a respeito dela: “Notícias de uma biblioteca de Halle” (Nachrichten von einer Hallischen Bibliothek). Essa obra teve, ao todo, 4479 páginas impressas. Não se deve esquecer sua “História universal do mundo” em 16 volumes (Allgemeine Welthistorie), preparada com base na versão inglesa; a partir de 1752, começaram a ser publicados 12 volumes de “Notícias sobre
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livros curiosos” (Nachrichten von merkwürdigen Büchern). Ao todo, foram impressas 7777 páginas. O último volume foi publicado após a morte de Baumgarten. Nele foi impressa a introdução de Semler. No nono volume, Baumgarten escreve sobre a Bíblia lituana e outros livros religiosos lituanos (Baumgarten 1756: 377–380; Doering 1831: 55–65). A biblioteca de Baumgarten possuía uma enorme coleção de Bíblias, numerosos impressos antigos, manuscritos, cartas e também obras de orientalística. O catálogo do leilão de 1765–1767, Bibliothecae Baumgartenianae, lista 22 308 itens. A biblioteca continha muitos volumes miscelâneos, portanto o número de livros devia ser bem maior. O catálogo geral dos leilões de livros e das bibliotecas particulares no espaço germanófono menciona a venda da biblioteca de Baumgarten. Também são mencionados lit. libr. (Loh 2002: 48). Conforme indicado no catálogo, o leilão durou três anos, e os livros lituanos foram vendidos em 4 de abril de 1767.
Pasak Domo Kauno (1996: 188), velionio įpėdiniai 1765 m. nurodė du spaudinius lietuvių kalba: Naująjį Testamentą (1727) ir Bibliją (1755). Paties Baumgarteno (1756: 377–380) kataloge išsamiai aprašyti abu lietuviški spaudiniai, pastebint, kad Biblija antrą kartą išspausdinta Karaliaučiuje 1755 m., jos numeris Baumgarteno bibliotekoje buvo 2778. 2779 numeriu pažymėtas Naujasis Testamentas, pabrėžiant, kad jis neturėjo nei antraštės, nei įžanginio žodžio, bet palyginęs tą spaudinį su Biblija Baumgartenas nustatė, kad Testamentas parašytas ir lietuvių kalba („so zeiget doch der Augenschein bey angestelter Vergleichung der in der einen
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“Columne jeder Seite befindlichen ausländischen Ueberfeßung mit der oben beschriebenen litthauischen Bibel, daß dieselbe litthauisch sey”) (Baumgarten 1756: 380). Talvez se possa conjecturar com cautela que Baumgarten lia lituano e compreendia um pouco essa língua, pois em seu catálogo apresenta não só uma descrição detalhada da Bíblia, mas também a oração “Pai Nosso” (Baumgarten 1756: 377–381). Deve-se salientar que a biblioteca do Seminário de Língua Lituana também possuía um Novo Testamento em lituano e alemão, publicado em Königsberg em 1727 (Specht 1935: 45; Bense 1997: 457). É necessária uma pesquisa específica para esclarecer se o exemplar do Novo Testamento de Baumgarten poderia ter vindo da biblioteca do Seminário de Língua Lituana.
A Universidade de Halle, importante não apenas no caso do dicionário em questão, mas também merecedora de reconhecimento pelos estudos lituanos graças ao Seminário de Língua Lituana, denominada Martin-Luther-Universität Halle-Wittenberg (MLU), surgiu em 1817 da fusão de duas universidades: a Universidade de Wittenberg Leucorea, fundada em 1502, e a Friedrichs-Universität, fundada em 1694. A Universidade de Halle recebeu o nome do fundador, o eleitor de Brandemburgo Friedrich III. A universidade tornou-se um centro do pietismo e do Iluminismo. Nesse sentido, não havia outra igual na Alemanha. Em 1933, a universidade recebeu o nome de Martinho Lutero.
Po didžiojo XVIII a. pradžios maro (1709–1711) ištuštėjo Rytų Prūsijos lietuviškos gyvenvietės ir ištisi valsčiai. Prūsijos karalius Friedrichas Wilhelmas I (1713–1740), suvokdamas situaciją, pradėjo rūpintis lietuviškosios Rytų Prūsijos dalies švietimu, o tam reikėjo žmonių, mokančių lietuvių kalbą. Į pagalbą kvietė pietistus. 1718 m. birželio 27 d. potvarkiu karalius įsakė įsteigti Lietuvių kalbos seminarą Karaliaučiuje, o liepos 2 d. parašė Augustui Hermanui Francke’ei, ragindamas pagalvoti apie lietuvių kalbos mokymą Halėje (Citavičiūtė 2004: 38). Lietuvių kalbos seminaras Halėje pradėjo veikti 1727 m. (Specht 1935: 36; Schiller 1994b: 383). Pirmasis mokytojas docentas Johannas Richteris į Halės universiteto metrikas įrašytas 1727 m. rugsėjo 15 d. (Schiller 1994a: 216; Drotvinas 1998: 160). 1728 m. sausio 2 d. studentams skirti nemokami pietūs (Preußisch-littauischer Freytisch) (Specht 1935: 38; Schiller 1994b: 383; Drotvinas 1998: 160). Į Halę pradėjo keliauti lietuviškos knygos iš Rytų Prūsijos, o nuo 1729 m. lietuviškos knygos pradėtos spausdinti ir pačioje Halėje. Vis dėlto studentų skaičius mažėjo, ir 1740 m. seminaras nustojo egzistuoti. Tačiau pėdsaką Halės universiteto istorijoje jis paliko, kaip ir lietuviškos knygos istorijoje. Kalbamasis žodynas galbūt galėjo būti parašytas Halėje, nors iš vandenženklų Lemeškinas (2012: 52–53) nustatė, kad rankraščio popierius gamintas Rytų Prūsijoje 1683–1712 m., tad ir žodynas turėjo būti parengtas ten (žr. Triškaitė 2014: 294). Bet popierius galėjo būti saugomas sandėliuose, jis galėjo būti atgabentas ir į Halę, kai mieste radosi sąlytis su Rytų Prūsija per Lietuvių kalbos seminarą. Jo autorius arba perrašytojas galėjo būti įkvėptas Halės universiteto idėjų. Vien Baumgarteno darbai ir aistra knygoms, rašytam žodžiui
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podia significar muito para uma pessoa empenhada em cuidar da língua e promovê-la, criando instrumentos necessários para a aprendizagem e compreensão dessa língua — neste caso, um dicionário — cuja autoria ainda terá de ser apurada.
Após a redescoberta do dicionário, a proveniência tornou-se muito importante, pois nela eram mencionados o autor e o proprietário. Foi com base nela que se começou a procurar factos que confirmassem a veracidade dos dados do registo de doação. Também se tornou importante esclarecer quem era o autor da própria nota de proveniência. Para esse fim, recorreram-se aos autógrafos de Baumgarten encontrados no arquivo da Universidade Martinho Lutero de Halle Archiv der Martin-Luther-Universität zu Halle, na Biblioteca da Universidade Martinho Lutero de Halle-Wittenberg e Biblioteca Regional da Saxónia-Anhalt Martin-Luther Universität Halle-Wittenberg, Universitäts- u. Landesbibliothek Sachsen-Anhalt, e no Arquivo das Instituições Francke de Halle Archiv der Franckeschen Stiftungen. Em Halle, não há muitos autógrafos de Baumgarten. Sobreviveram registos em documentos da Universidade de Halle, fragmentos dos seus manuscritos e cartas escritas em latim e alemão. O Arquivo das Instituições Francke conserva 13 autógrafos. São bilhetes, registos em cartas coletivas a colegas, duas cartas a Christian Friedrich Pressier (Bressier), uma a Gotthilf August Francke e um manuscrito de 136 páginas, escrito entre 1728 e 1754. Os autógrafos encontrados, enquanto fontes diretas de maior autoridade (Subačius 2001: 87), permitem comparar a caligrafia.
Neste caso, o conteúdo das cartas seria relevante se abordasse os assuntos que nos interessam: as relações de Baumgarten com J. H. Lysijus, Haack e o Seminário de Língua Lituana. Ao procurar vestígios do Seminário de Língua Lituana no Arquivo das Instituições Francke, Birutė Triškaitė encontrou uma carta de Friedrich Preuβ (1705, Königsberg – 5 de julho de 1733, Pilkalnis; matriculado no Seminário de Língua Lituana em 13 de junho de 1729, sendo indicado também que foi pastor da igreja de Pilkalnis entre 1719 e 1733) (Schiller 1994a: 215), escrita em 5 de fevereiro de 1733 a Gotthilf August Francke. Na última página, o autor da carta envia cumprimentos também ao professor Baumgarten, o que significa que conhecia Baumgarten, que mantinha contacto com os participantes do seminário. Há esperança de encontrar mais referências a essas relações nos arquivos de Halle e Berlim.
Baumgarten foi também, por várias vezes, reitor da faculdade. Isso é atestado por uma lista de estudantes da Faculdade de Teologia, redigida em 1738 pelo próprio reitor, Baumgarten («Sigism. Jac. Baumgarten»), na qual são mencionados os seus colegas Lange, os professores Michaelis e Knapp26 (fig. 6), e por uma carta de 1753 (fig. 7).
Dois outros documentos do Arquivo das Instituições Francke Franckesche Stiftungen também podem ser úteis para o estudo da caligrafia.
26 Johannes Georg Knapp (25 de dezembro de 1705, Öhringen – 30 de julho de 1771, Halle) foi teólogo, pietista e professor de teologia na Universidade de Halle.
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FIG. 6. Registo de Siegmund Jakob Baumgarten no livro de matrícula dos estudantes da Universidade de Halle, conservado no Arquivo da Universidade de Halle (UA Halle: Rep 27 Nr. 1203).
FIG. 7. Excerto de uma carta escrita em latim pelo reitor Siegmund Jakob Baumgarten em 12 de junho de 1753 (Martin Luther Universität Halle-Wittenberg Universitäts- u. Landesbibliothek Sachsen-Anhalt, Ym 169 (1))
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FIG. 8. Excerto de uma carta de Siegmund Jakob Baumgarten a Christian Friedrich Bressier27, de 1735 (Halle, Franckesche Stiftungen: AFSt/M I B 17: 35)
FIG. 9. Bilhete de Siegmund Jakob Baumgarten sobre uma doação, isto é, sobre o envio de uma oferta missionária, escrito em 26 de novembro de 1754 (Halle, Franckesche Stiftungen: AFSt/M 3 H 45: 108)
Considerando o registro da doação e os autógrafos de Baumgarten, não parece que Baumgarten tenha sido o autor da nota de proveniência. Por exemplo, no registro da doação, acima do sobrenome Baumgarten, há provavelmente uma mancha de tinta. Não notei manchas desse tipo nos manuscritos de Baumgarten, embora haja vários indícios de pressão variável da pena. A doação foi escrita
27 Christian Friedrich Pressier, ou Bressier, como indicado no acesso online ao arquivo das instituições Francke (26 de julho de 1697, Perleberg – 15 de fevereiro de 1738, Tranquebar), estudou teologia na Universidade de Halle. Depois de mudar de opinião, trabalhou no Pädagogium de Halle e, mais tarde, tornou-se missionário (http://192.124.243.55/cgi-bin/dhm.pl?x=u&t_show=x&wertreg=PER&wert=pressier%2C+christian+friedrich+++BIOGRAFIE&reccheck=,26302) (consultado em 03/04/2014). Para mais informações sobre a missão de Tranquebar, ver Aleknavičienė 2001: 195–198.
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em cursiva gótica, os dois primeiros vocábulos sobre o suposto autor do dicionário em escrita humanística latina. Os autógrafos de Baumgarten também foram escritos em dois tipos de escrita, e não em apenas um: cursiva gótica e escrita humanística latina (ver Triškaitė 2012: 139–140)28. Os autógrafos escolhidos para comparação são de diferentes períodos da vida, pois não se conhece a data do registro da doação. Comparam-se letras isoladas e também a grafia de palavras individuais. Até agora, não foi possível encontrar nos autógrafos todas as palavras registradas na nota de proveniência, mas ainda se pode procurá-las, embora não se considere que elas possam alterar substancialmente a opinião de que os exemplos apresentados do registro da doação e dos autógrafos de Baumgarten foram certamente escritos por mãos diferentes. As características da caligrafia (Kurapka e outros 1998: 202) diferem substancialmente. Além disso, para identificar o autor da assinatura, são apresentados os autógrafos de seus irmãos Alexander Gottlieb e Nathanael, os quais, na opinião da autora, mostram que eles também não assinaram o registro da doação, pois diferem a junção das letras e outras características descritas por especialistas em perícia caligráfica (Kurapka e outros 1998: 206ff.)
1 T A B E L A. Escritas gótica e humanística na Idade Moderna (letras e palavras) no registro da doação e nos autógrafos de Siegmund Jakob Baumgarten e de seus irmãos Alexander Gottlieb Baumgarten e Nathanael Baumgarten (ampliados para destacar as características da caligrafia)
Mão que escreveu o registro da doação
Autógrafos de Baumgarten
A
Ha
D[ono] d[edit]
Prediger
zu
Halle
28 A autora agradece sinceramente à Dra. Birutė Triškaitė pela ajuda moral e prática durante o trabalho nos arquivos de Halle, em novembro de 2012.
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Caligrafia do registro de doação
Autógrafos de Baumgarten
ſoll, ſollen, ſolt[en], ſolte
auf
Waißenhauſe
ſeÿn
Baum-garten (1724–1754)
Autógrafos dos irmãos, 1730–1731
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Sem dúvida, seriam úteis estudos mais aprofundados da caligrafia. Seria necessário trabalhar mais em Halle, procurando exemplos de caligrafia de pessoas do círculo de Baumgarten. Muitos foram estudados, mas não se encontrou nenhuma caligrafia sequer semelhante à do texto de proveniência. O mais próximo de Baumgarten era, afinal, Semler, que erigiu também um monumento bibliográfico ao seu mestre. Seus autógrafos ainda precisam ser examinados, mas as primeiras pesquisas revelaram mais diferenças do que semelhanças. É possível que o autor da proveniência tenha sido também algum outro dos muitos alunos dedicados a Baumgarten.
Por outro lado, além dos alunos, a proveniência na folha de rosto do dicionário de Praga poderia ter sido inscrita pelos irmãos ou pelos filhos de Baumgarten. Em 13 de maio de 1734, Baumgarten casou-se com Henriette Elenore von Bomsdorf, nascida em 16 de abril de 1712. Ela era filha do coronel real polonês e eleitor saxão Philipp Wilhelm von Bomsdorf e sobreviveu ao marido. Semler escreveu com grande ternura sobre ela, que lamentava e ficara viúva após a morte [do marido] („jeßige nachgelassene betrübte Frau Witwe“) (1758: 108)29. Tiveram cinco filhos: Christian Henriette (nascida em 31 de maio de 1736), Maria Elenora (nascida em 7 de junho de 1738), Siegismund Heinrich (nascido em 2 de fevereiro de 1740), Charlotte Wilhelmine (nascida em 26 de janeiro de 1743) e Friedrich Jakob (nascido em 24 de julho de 1745) (Semler 1758: 108–109). Pode-se supor que os filhos tenham apresentado os livros para o leilão. Na época da morte do pai, todos os filhos estavam vivos e, como consta no obituário de Semler, perderam um pai incomparável: „[...] einen unvergleichlichen Vater nun verloren haben“ (Semler 1758: 108). Quando o pai morreu, os filhos tinham 14 e 9 anos; no início do leilão, em 1765, tinham 25 e 20 anos. Em 1765, os assuntos da biblioteca poderiam também ter sido tratados pelas filhas ou por seus maridos. Cabe perguntar se a família não pediu a ajuda dos irmãos de Baumgarten, Alexander Gottlieb e Nathanael, muito eruditos e conhecedores de livros e da gestão de bibliotecas. Esses assuntos ainda precisam ser investigados. Será necessário continuar procurando informações sobre os filhos, assim como exemplos de sua caligrafia. Deve-se procurar ainda mais diligentemente autógrafos de colegas e alunos de Baumgarten, talvez também de participantes do Seminário da Língua Lituana. Em Halle, foi possível encontrar apenas dois autógrafos dos irmãos Alexander Gottlieb e Nathanael, que sobreviveram a Baumgarten. Portanto, o problema da autoria da inscrição de doação ainda precisa, em essência, ser investigado. Considerando o zelo e a diligência infinitos de Baumgarten, é difícil acreditar que ele não tenha assinalado de alguma forma os manuscritos adquiridos; por outro lado, porém, não se sabe quando esse manuscrito foi adquirido. Como se sabe, Baumgarten sofria de gota e quiagra (gota nas mãos) (Semler 1758: 116). Essa doença manifesta-se pelo depósito de sais nas articulações e por fortes dores (MTŽ 1980: 100, 447; Ferlinz 2012: 123 ff.) e pode ter impossibilitado-
29 Fontes na internet informam que Henriette Eleonore Baumgarten morreu em 1745 (https://portal.dnb.de/opac.htm?method=simpleSearch&cqlMode=true&query=idn%3D1014348714) (Acesso em 10/12/2014). Semler (1758: 108) escreve sobre a única irmã de Henriette Eleonore, Christiane Eleonore, que em 17 de abril de 1727 se tornou a terceira esposa do famoso médico Johann Junker (23 de dezembro de 1679, Londorf – 25 de outubro de 1759, Halle).
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permitir-lhe escrever; por isso, a hipótese de que outra pessoa tenha feito a inscrição parece bastante convincente. Assim, não se pode afirmar agora, com certeza, que Siegmund Jakob Baumgarten tenha sido o autor da inscrição de doação.
Da pesquisa, podem-se tirar as seguintes conclusões: 1) Lysius, que lecionava na Universidade de Halle, pode ter despertado o interesse de Baumgarten pela língua lituana e pela literatura lituanística; 2) é muito provável que Baumgarten conhecesse pessoalmente Haack e os participantes do Seminário da Língua Lituana, pois ele próprio lecionava no seminário; 3) com base nos autógrafos de Baumgarten encontrados nos arquivos, pode-se concluir que a inscrição de doação não foi escrita por sua mão.
ŠALTINIAI
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Baumgarten Nathanael 1731: Įrašas Halės universiteto metrikose; UA Halle: Rep. 46, Nr. 3 (1724–1741).
Baumgarten Siegmund Jacob 1724: Įrašas Halės universiteto metrikose; UA Halle: Rep. 46, Nr. 2 (1714–1724).
Baumgarten Siegmund Jacob 1735: Laiškas Christianui Benedictui Michaelis UA Halle: Rep. 27 Nr. 1044.
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Baumgarten Siegmund Jacob 1738: Įrašas Halės universiteto studentų registre, UA Halle: Rep 27 Nr. 1203.
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http://prusija.lki.lt/
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More on the Prague Manuscript German–Lithuanian Dictionary
S U M M A R Y
The article originated while implementing the project The Research and Redaction of the Manuscript German–Lithuanian Dictionary Credited to Friedrich Wilhelm Haack (beginning of the 18th century). The author of the article aimed at following the provenience tracks of the first page in search of the author of donation inscription. It was observed while researching that the knowledge about majority of people in the 17th century is not exact and this kind of information was entirely missing in the majority of cases, for example: the children of Siegmund Jakob Baumgarten who could have been the authors of the inscription in line with the apprentices or brothers of the famous scientist August Gotlieb and Nathanael.
A certain amount of material was found about Baumgarten environment in Halle and evidentiary connection to Johann Heinrich Lysius who might have inspired Baumgarten’s interest in Lituanistic literature. It is also possible that the interest was raised by the teachers and students of Lithuanian language sessions in the University of Halle and Friedrich Wilhelm Haack himself among them, as the data about Baumgarten’s teaching at the same session when Friedrich Wilhelm Haack had the position of a docent is found. It is still early to state who was the author of the donation inscription. A search of thorough manuscript material is necessary which can lead to no result. However, we already have more information about a person who greatly contributed to science and paid attention to Lithuanian books.
Įteikta 2014 m. gruodžio 20 d.
GRASILDA BLAŽIENĖ
Lietuvių kalbos institutas
Petro Vileišio g. 5, LT-10308 Vilnius, Lietuva
[email protected]
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