Daiva Murmulaitytė. Naujažodžių darybos ir morfemikos tyrimų perspektyvos (Lietuvių kalbos naujažodžių duomenyno atvejis)
Full text
JOLANTA VASKELIENĖ Academia de Šiauliai da Universidade de Vilnius ORCID id: orcid.org/0000-0002-8516-8608
Áreas de investigação: formação de palavras, morfologia, linguística textual, estilística, variabilidade. DOI: doi.org/10.35321/all88-17
Daiva Murmulaitytė
PERSPECTIVAS DA INVESTIGAÇÃO DA FORMAÇÃO DE NEologismos E DA MORFEMÁTICA (O CASO DO CORPUS DE NEOLOGISMOS DA LÍNGUA LITUANA)
Vilnius: Instituto da Língua Lituana, 2021, 184 p. DOI doi.org/10.35321/e-pub.16.naujadaros-tyrimu-perspektyvos ISBN 978-609-411-289-8
A monografia de Daiva Murmulaitytė é o primeiro livro dedicado à discussão do Corpus de neologismos da língua lituana, cuja criação começou em 2011 e que é continuamente complementado¹ (doravante – ND ou corpus), e das possibilidades de investigação que ele oferece. Atualmente, o ND contém mais neologismos-entrada e exemplos ilustrativos do que continha no momento da preparação da monografia²; portanto, algumas das observações da monografia já podem ser ainda mais fundamentadas e complementadas (ou talvez
¹ «Neste corpus são acumuladas palavras novas que surgiram na língua lituana desde o final do século XX e que surgem no uso público atual (empréstimos e neologismos), combinações de palavras e abreviaturas, novos significados de palavras, bem como informações sobre a origem, o uso e a normalização dos neologismos.» (https://ekalba.lt/naujažodžiai/apie/ND%20%C4%AEvadas [consultado em 2023-01-25]).
² Segundo os criadores do ND, no final de 2022 o corpus continha 7920 neologismos descritos e mais de 28 000 exemplos ilustrativos (https://ekalba.lt/naujažodžiai/apie/ND%20Duomenyno%20sandara, consultado em 2023-01-25); na Introdução da monografia («Fonte de investigação») escreve-se que, em novembro de 2020, o ND continha 6300 neologismos e 23 000 exemplos ilustrativos.
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e refutadas?) com base nos resultados da análise de novos dados³. A autora da monografia, Daiva Murmulaitytė, escolheu investigar o neologismo da língua lituana (utilizando o material do ND) e apresentar este corpus como instrumento de investigação da formação de palavras e da morfemática⁴. Para isso, a autora da monografia está plenamente preparada; aprofundou-se muito no objeto investigado – este livro é a continuação e a síntese das diversas investigações relacionadas com o ND iniciadas por Daiva Murmulaitytė em 2017. É evidente que também conheceu muito bem os trabalhos de outros investigadores que escolheram o mesmo objeto de investigação e se aprofundou não só nas investigações sobre formação de palavras, neologia e contaminação realizadas na Lituânia, mas também nas realizadas no mundo. Aqueles que desejarem desenvolver um ou outro dos conhecimentos apresentados no livro poderão utilizar a bibliografia publicada em várias línguas indicada na obra (a lista contém 111 referências).
A estrutura da monografia é lógica, adequada e clara – é composta (além de uma breve Agradecimento) pela Introdução, por duas partes divididas em capítulos e subcapítulos, por conclusões pormenorizadas fundamentadas e correlacionadas com a análise, por listas de fontes e bibliografia e por um resumo de 9 páginas em inglês⁵, que permite aos leitores de outras línguas interessados em neologia, neologismos, corpora, etc., conhecer os principais resultados e observações da investigação. Assim, o conteúdo da monografia é muito bem pensado e coerente. Na Introdução da monografia são apresentados a fonte da investigação (ND), o objeto, o objetivo e as tarefas necessárias para o alcançar; é discutida a metodologia da investigação, apresentada uma revisão das investigações baseadas no ND e exposta a estrutura da monografia. Na primeira parte da monografia («O corpus de neologismos – fonte de neologismos e instrumento da sua investigação») escreve-se sobre o ND como conjunto de neologismos e instrumento de investigação dos neologismos. Esta parte é composta por 3 capítulos – neles são apresentadas as espécies de neologismos fornecidas pelo ND, discutidos os neologismos lexicais e semânticos⁶, o léxico revitalizado, sendo dada especial atenção aos neologismos suscetíveis de análise derivacional. Aqui também são discutidos os princípios de seleção dos dados do ND (fala-se da regularidade dos abstratos verbais, dos derivados reflexivos, da polissemia, e apresenta-se uma síntese). Em seguida, a atenção concentra-se em
³ É preciso dizer que o material empírico do ND fundamenta não só esta monografia, mas também a dissertação de doutoramento de Agnė Aleksaitė (2022), orientada pela autora da monografia e defendida no ano passado. A autora da dissertação baseou-se em 3098 derivados selecionados de 5319 unidades descritas lexicograficamente no ND entre 2017 e 2019. Ambas as obras conceptuais (a monografia aqui recenseada e a dissertação) constituem uma boa base e um ponto de partida para investigar os neologismos; outros investigadores dos neologismos (ou neologismos derivados) podem utilizar as observações de ambas as obras (confrontando e comparando os resultados obtidos da análise dos neologismos derivados) – a recenseadora já o fez, cf. Vaskelienė 2022a).
⁴ Justifica-se o facto de a autora não se limitar aos neologismos derivados, mas incluir também no campo da investigação palavras que adquiriram novos significados e palavras revitalizadas.
⁵ O resumo foi traduzido por Jovita Bagdonavičiūtė.
⁶ A autora mostra, com exemplos muito precisos, quais das palavras apresentadas no ND e por que razões deveriam ser consideradas palavras formadas recentemente (neologismos lexicais), e quais poderiam ser consideradas produtos de desenvolvimento semântico.
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os dados de formação de palavras e de morfemática do ND (estrutura, grau de investigação, possibilidades de investigação) e a questão da adaptação da base do ND a uma análise pormenorizada da formação de neologismos. A segunda parte da monografia é dedicada à apresentação das direções da investigação dos neologismos e de estudos-piloto. Esta parte é composta por dois capítulos, que se dividem tematicamente em subcapítulos. No primeiro capítulo da segunda parte da monografia («Registo e análise das tendências de formação de novas palavras da língua lituana») são apresentadas as tendências de formação dos neologismos; fala-se mais detalhadamente da formação de neologismos nominais, dando especial atenção às regularidades da formação, aos tipos de formação, à composição morfémica dos seus radicais de base e aos problemas de classificação. É valioso que a monografia analise não só os neologismos surgidos por formação morfológica de palavras (isto é, neologismos derivados), mas também os derivados criados por meios não morfémicos, os contaminantes: apresenta-se o conceito de contaminação, discutem-se os derivados considerados contaminantes, escrevendo-se sobre casos problemáticos e prevendo-se futuras orientações para a investigação dos contaminantes7. O segundo capítulo da segunda parte («Investigação das relações derivacionais dos neologismos») é dedicado à discussão e apresentação de investigações sobre famílias derivacionais, categorias derivacionais, tipos derivacionais e grupos léxico-semânticos. É muito útil que os subcapítulos terminem com sínteses. De modo geral, pode dizer-se que as observações e os resultados da investigação apresentados na monografia, na maioria dos casos, não suscitam dúvidas. Merecem menção especial as 18 tabelas e 12 figuras ilustrativas que complementam o texto8. É fundamentado que, ao considerar um ou outro aspeto, a autora não contorne as questões controversas, mostre os problemas que surgem e proponha possíveis soluções; assim, na monografia não se faz apenas (nem sobretudo) uma revisão do que foi feito, mas mostram-se, de maneira muito motivada e precisa, as diferenças e os aspetos, possibilidades e oportunidades de preenchimento, aperfeiçoamento e adaptação do ND a investigações de diversos tipos; além disso, não se escreve de forma vaga, mas apresentam-se exemplos concretos. Deve dizer-se que tanto a monografia no seu conjunto como as partes individuais podem ser úteis para diversos fins; por exemplo, quem quiser familiarizar-se com os derivados de formação morfológica pode escolher ler um capítulo, os interessados em contaminação podem ler outro, quem se interessa pela formação de neologismos pode estudar o capítulo dedicado a esse tema, e quem se interessa por categorias derivacionais específicas (nomes de instrumentos, nomes segundo diferenças de género) pode escolher, respetivamente, os capítulos dedicados à sua análise
⁷ Daiva Murmulaitytė é, em geral, uma das poucas investigadoras lituanas que estudam sistematicamente os derivados de contaminação.
⁸ Por exemplo, os tipos de neologismos apresentados no ND são mostrados de forma muito clara e ilustrativa na tabela 2; na tabela 3 são apresentados informativamente possíveis aspetos da investigação dos neologismos e da morfemática, indicando-se a (im)possibilidade de os investigar; para diversos fins podem ser utilizados os dados sobre os tipos de compostos e os exemplos desses tipos apresentados na tabela 9, etc.
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do capítulo, etc.⁹. A monografia de Daiva Murmulaitytė está escrita em estilo científico, é organizada e adequadamente editada. Este livro também é útil na prática – o material, as observações e as propostas nele apresentados podem contribuir para aperfeiçoar e continuar a complementar o ND – a maior fonte de neologismos da língua lituana.
Não menos valioso é o facto de a monografia não só fornecer informação nova, mas também levar a refletir, levantar questões e discutir. Assim, gostaria de mencionar alguns desses momentos.
Na linguística lituana, (infelizmente) não existe uma única perspetiva (idêntica) sobre alguns aspetos da formação de palavras (isso ainda aguarda um olhar e uma discussão mais pormenorizados, mas não deveria ser ignorado numa recensão). É excelente que a autora da monografia (cf. pp. 14–15) escreva sobre as diferenças de perspetiva quanto aos modos de formação de palavras, por exemplo, sobre o tratamento desigual dos derivados com be- (begalvis, -ė), e afirme que «[N]esta investigação dos neologismos do Corpus também se segue a perspetiva tradicional sobre os derivados prefixais [sublinhado da rec.] [...] em grande medida porque as tendências da neologia são comparadas com as regularidades da formação tradicional de palavras, descritas nas gramáticas da língua atual». Segundo a perspetiva tradicional, o derivado begalvis, -ė seria tratado como derivado do prefixo be a partir de uma única palavra de base, galva¹⁰. Na p. 68 da monografia volta-se ao tratamento desigual dos derivados com be¹¹ e, ao falar do derivado bežidinis, -ė, indicam-se duas possibilidades: escreve-se que ele poderia ser um derivado de formação mista – prefixal e sufixal – a partir de židinys, ou que aqui se poderia reconhecer um modo de formação sufixal, tendo como base não uma palavra (židinys), mas uma combinação de palavras (be židinio). Deve dizer-se que, normalmente, o modo de formação misto sufixação–paradigmatização (prefixal–sufixal) não é indicado¹²; por que razão, então, junto de bežidinis, -ė já não está escrito, segundo a perspetiva tradicional, que se trata de um derivado do prefixo be a partir de uma palavra, židinys? Assim, afinal, não fica inteiramente claro,
⁹ Deve mencionar-se separadamente o termo utilizado pela autora, alternatyvių daryba (p. 66) – parece não ser utilizado por outros especialistas em formação de palavras, mas é adequado; provavelmente corresponde ao termo de Vincas Urbutis (2009: 109–110) para derivados com palavras de base paralelas (usado quando o derivado é fundamentado tanto por uma como por outra palavra, ou por outras palavras).
¹⁰ Cf. ainda a p. 11 da monografia, onde betarmis, -ė é considerado um derivado do prefixo be com um meio secundário de formação (sufixo), cf. na monografia de Urbutis (2009: 260) o derivado bedarbis, -ė, que ilustra o modo de formação prefixal, no qual o prefixo se combina com a alteração da desinência.
¹¹ Isto é realmente importante, pois uma ou outra posição determina o modo de formação do neologismo.
¹² Cf. a p. 13 da monografia: «[...] na língua lituana também ocorre formação mista, quando se aplicam simultaneamente dois modos de formação de palavras, por exemplo, prefixação-sufixação (assim foram formados os já anteriormente registados povestuvinis, -ė, prieškarinis, -ė, pakylėti, paeiliui, etc.) ou composição-sufixação (por exemplo: pelėkautai, žmožgėdar, etc.) (Urbutis 2009: 340–342; Jakaitienė 2009: 254; Keinys 1999: 82–83, 97, 102).»
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qual das posições relativas aos derivados com be- (a tradicional13 ou a de Antanas Smetona (2005), Aldona Paulauskienė (1983: 100–103; 1994: 81; 2007: 20–22) e alguns outros casos) é seguida na monografia. Nas obras de formação de palavras, o papel da reflexividade também é entendido de forma desigual, o que está relacionado com a (não) distinção de um modo de formação reflexivo. Geralmente são indicados dois modos de formação de verbos – sufixação e prefixação –, isto é, fala-se de derivados sufixais e prefixais (cf. LKE 593; Paulauskienė 1994: 363–279; LKG 1971: 247–298; R užė 2012: 53–62). Na DLKG (2005: 385; 406–409), além dos dois modos de formação verbal mencionados, indica-se ainda um terceiro – o modo de formação reflexivo. Esta posição também é seguida na monografia recenseada14. Aliás, devido à referida perspetiva sobre a reflexividade, na DLKG os verbos de formação mista são entendidos de forma muito ampla – na gramática, consideram-se resultado de formação mista não só os derivados formados pelo modo prefixal-sufixal, mas também os formados com sufixo e reflexividade, e com prefixo e reflexividade (DLKG 2005: 409–410). Assim, na monografia o modo reflexivo é considerado um modo de formação de palavras separado e característico apenas dos verbos15: na p. 12 indicam-se derivados sufixais, prefixais e desinenciais e escreve-se que «os verbos também se formam com um afixo reflexivo que lhes é próprio (partícula reflexiva). Assim, os derivados são classificados segundo o seu principal meio de formação.»16 Não há dúvidas quanto aos exemplos de derivados sufixais, prefixais e desinenciais, mas logo a seguir aparecem como verbos formados com uma partícula reflexiva (?) os seguintes: įsikatinti ‘assumir para criar um gato abandonado’ (: įkatinti), užsigr ybauti ‘ganhar dinheiro com cogumelos vendidos’ (: užgrybauti). Será que o papel da reflexividade é aqui realmente o mesmo que nos derivados sufixais, prefixais e desinenciais? Nas obras de morfologia indica-se um número variável de significados da reflexividade, mas mencionam-se mais frequentemente o direto (prausia – prausiasi), o indireto (neša – nešasi, perka – perkasi), a limitação do âmbito da ação ao próprio agente (kelia – keliasi), etc. (LKE 471) – e são estes últimos significados que se podem intuir ao comparar as formas não reflexiva e reflexiva įkatinti («assumir para criar um gato abandonado») e įsikatinti («assumir [isto é, tomar para si / para próprio – rec.] para criar um gato abandonado»), užgrybauti («ganhar dinheiro com cogumelos vendidos») e užsigr ybauti («ganhar para si [isto é, ganhar para si próprio, seu
¹³ É de dizer que a possibilidade de formar derivados (cf. p. 68 sočiapi lvis) com uma desinência a partir da combinação sočių pilvu contradiz em geral a perspetiva tradicional, segundo a qual os derivados e os compostos (respetivamente, derivação e composição) se distinguem precisamente pelo número de palavras de base e segundo a qual derivados do tipo sočiapi lvis, -ė são considerados compostos (cf. Keinys 1999: 18; Urbutis 2009, 333; LKE 148, 590 e outros).
¹⁴ A mesma posição também se observa no Guia da formação de palavras (Murmulaitytė, Aleksaitė 2021) e na dissertação de A. Aleksaitė (2022: 167–170).
¹⁵ O facto de este modo de formação de palavras ser característico exclusivamente de uma classe gramatical, e não de todas (dos derivados de todas as classes gramaticais), também reforça a posição escolhida de não considerar o modo reflexivo como separado.
¹⁶ O subcapítulo 1.5.2. da monografia é dedicado à discussão dos derivados reflexivos; cf. pp. 39–41.
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para as suas necessidades – rec.] dinheiro com cogumelos vendidos¹). Deve chamar-se a atenção para o facto de, na p. 53, o mesmo verbo užsigrybauti já ser explicado como derivado do prefixo e da reflexividade: «[...] alguns [verbos] formados por analogia com outras palavras, com prefixo e afixo reflexivo (užsigrybauti ‘ganhar dinheiro com cogumelos vendidos’, cf. užsidirbti, atsiseimauti ‘ser membro do Seimas durante tempo suficiente, até já não o desejar’, cf. atsivalgyti)» (p. 53). Considera-se que os verbos do tipo užsigrybauti são derivados prefixais, enquanto a reflexividade é um meio derivacional adicional¹⁷, parte de um formante complexo, cf. os verbos considerados derivados prefixais užsibūti (: būti), atsivalgyti (: valgyti), išsigulėti (: gulėti) (Keinys 1999: 89–90), persivalgyti (: valgyti), užsižiopsoti (: žiopsoti) (Barauskaitė 1985: 30), atsivalgyti (: valgyti), įsiplepėti (: plepėti) (Ružė 2012: 58) e outros. Na monografia segue-se essencialmente a posição de A. Paulauskienė e da DLKG, o que é um direito e uma escolha da autora (isto é, essa posição convence a investigadora). Contudo, na monografia deveria ter sido dada mais atenção a este modo de formação separado, considerado modo de formação reflexivo¹⁸; além disso, este modo não deveria ser omitido ao escrever sobre os modos de formação de palavras¹⁹.
A reflexividade está de certo modo relacionada com outra passagem da monografia, onde se fala da escolha da palavra de base (e da sua forma) – na p. 11 escreve-se: «Também podem ser omitidos o prefixo ou o afixo reflexivo da palavra de base, por exemplo: džiugena ‘pessoa que se alegra’ (: džiaugtis), išvarža ‘enorme erupção do plasma solar’ (: išsiveržti) (para mais informações sobre alterações da base derivacional, cf.: Urbutis 2009: 231–246; Jakaitienė 2009: 243; Barauskaitė 1985: 21–25; Keinys 1999: 19–20).» Aqui devem dizer-se duas coisas: concordando plenamente que a reflexividade da palavra de base às vezes é omitida e não passa para o derivado, deveria mencionar-se também a perspetiva discutida na presente recensão, segundo a qual, nas obras de alguns investigadores, a reflexividade é por vezes considerada um meio derivacional secundário, parte de um formante complexo. Outro aspeto é que, ao mencionar a possibilidade de o prefixo da palavra de base não passar para o derivado, deveria apresentar-se pelo menos um exemplo que ilustrasse esta afirmação – ambos os derivados (džiugena, išvarža) ilustram apenas a omissão da reflexividade da palavra de base.
¹⁷ Ambas as possibilidades poderiam ser indicadas assim: už(si)grybauti ‘ganhar dinheiro com cogumelos vendidos’ (: grybauti).
¹⁸ A monografia é precisamente o género em que se podem (e devem) discutir questões controversas e tratadas de modo desigual.
¹⁹ Noutro ponto da monografia (ao falar dos modos de formação), o modo de formação reflexivo não é mencionado – na p. 13 fala-se de 4 modos de formação principais e do modo misto: «Além dos modos principais de formação de palavras enumerados – derivação sufixal, ou sufixação, derivação prefixal, ou prefixação, derivação desinencial, ou paradigmatização, e composição, ou composição (Urbutis 2009: 333–340; Keinys 1999: 22–23) –, na língua lituana também ocorre a formação mista [...]» – como se vê, aqui se baseia nas obras de V. Urbutis e S. Keinys, mas nelas não se fala de um modo de formação separado – o modo reflexivo.
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O princípio de apresentação das palavras e formas de base não é inteiramente claro, por exemplo: agurkžuvė (: agurkas + žuvis), įvairiareligis, –ė (: įvairus, –i + religija), kalbaknisys, –ė (: kalba + knisti), mas klišakalbė (: kliša kalba), kalbokūra (: kalbą kūrė) e outros. Como os tipos de derivados são indicados com o sinal de mais (+) (cf. a tabela 9 – substantivo + substantivo, adjetivo + substantivo, etc.), parece que a mesma apresentação seria esperada em toda parte²⁰. Quanto à escolha da forma do verbo de base: num lugar escreve-se não só o infinitivo, mas também a forma verbal em que o derivado se baseia diretamente, enquanto noutros apresenta-se apenas o infinitivo; cf., por exemplo, na p. 12 pojautis (: pajausti, pajautė) e keitėjimas (: keistėti), na p. 63 vargospūdis (: vargas + spaudė) e skrajutė (: skrieti) – keitėjimas baseia-se no radical do pretérito simples (keitėjo), skrajutė – em skrieja ou skriejo, etc. Em todo o caso, o princípio de apresentação das palavras e formas de base poderia ter sido explicado.
Mais alguns pormenores. kūnovara e megztipaltis são considerados compostos de tipo pouco claro; pelos exemplos apresentados no ND (com explicações), vê-se que estão semanticamente relacionados com dois substantivos – kūnas, vara e megztinis, paltas (portanto, provavelmente são do tipo substantivo + substantivo, mas seria necessário discutir a megztipaltis desintegração); ou talvez este derivado pudesse ser escrito ao lado de rašyt namis, etc. (cf. p. 85). Entre os casos pouco claros poderia incluir-se também o substantivo šokvaikštis, apresentado com um ponto de interrogação na tabela 9 (p. 80) como composto do tipo substantivo + verbo. Considera-se que, na indicação do tipo de formantes derivacionais²¹ na tabela 4, teria sido mais exato escrever não «Sufixos», mas «Sufixos (terminações)», pois se escreve em vários pontos que palavras com as mesmas terminações podem ser tanto derivados como não derivados (por exemplo, na p. 52 afirma-se justificadamente: «Assim, –acija não pode ser considerada um formante derivacional em todos os casos; por vezes, os neologismos simplesmente contêm estes morfemas (o sufixo –acij– e a desinência –a), porque essa forma foi emprestada, e não formada na língua lituana.»).
Ao concluir a recensão, deve dizer-se que as observações (considerações) de natureza controversa de modo algum diminuem o trabalho realizado pela autora. Daiva Murmulaitytė conseguiu preparar uma monografia de alto nível quanto ao conteúdo e à forma – desde o objeto e o objetivo de investigação escolhidos até à realização coerente das tarefas necessárias para o alcançar. Esta monografia deve ser considerada uma contribuição significativa para o desenvolvimento dos estudos de formação de palavras, neologia (e, em parte, também lexicologia e lexicografia). E embora Daiva
20 Nas gramáticas e nas obras de formação de palavras, junto dos derivados, normalmente não se indicam combinações de palavras, mas duas palavras de base (sem sinal de mais). A apresentação variável das palavras de base na monografia está provavelmente relacionada com a escolha da autora sobre o que é considerado base derivacional – duas palavras separadas ou uma combinação de palavras.
21 A designação formante derivacional (cf. p. 11 da monografia) implica que a palavra é um derivado (isto é, uma palavra formada a partir de palavra(s) de base), enquanto –(i)acija ocorre tanto em palavras que podem ser consideradas derivados como em empréstimos (sobre o tratamento das palavras com –(i)acija e dos seus correspondentes cognatos com –imas, cf. Vaskelienė 2022).
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Murmulaitytė publicou um livro que é mais útil para investigadores (sobretudo especialistas em formação de palavras, morfologia e lexicologia), mas que (ou cujas partes) também deveria ser interessante e útil, em geral, para leitores interessados em neologismos, derivados e corpora; a monografia poderia ser utilizada de forma proveitosa e criativa por docentes, estudantes e professores.
BIBLIOGRAFIA E FONTES
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Vaskelienė Jolanta 2022a: Tipos produtivos de neologismos derivados de substantivos e adjetivos. – Acta Linguistica Lithuanica 87, 177–199. DOI: 10.35321/all87–09.
Recebido em 2 de fevereiro de 2023.
JOLANTA VASKELIENĖ Academia de Šiauliai da Universidade de Vilnius, Vytauto g. 84, LT-76352 Šiauliai, Lituânia [email protected]
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