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Pilypo Ruigio giesmių recepcija: nuo XVIII link XX amžiaus vidurio

Birutė Triškaitė

Abstract

Straipsnis skirtas Prūsijos Lietuvos kunigo Pilypo Ruigio (Philipp Ruhig, 1675–1749), vieno produktyviausių XVIII a. lietuvių raštijos kūrėjų, himnodiniam palikimui, tiksliau – jo giesmių recepcijai Prūsijos Lietuvos oficialiuosiuose bažnytiniuose evangelikų liuteronų giesmynuose nuo XVIII a. ketvirtojo dešimtmečio iki XX a. vidurio. Pasitelkus mūsų dienas pasiekusius pirminius šaltinius, Ruigio išverstos bei sukurtos giesmės, kurios pirmą kartą buvo paskelbtos Jono Berento giesmyne Iß naujo pérweizdėtos ir pagérintos Giesmû-Knygos (Karaliaučius, 1732), o paskui trauktos ir į vėlesnius, analizuojamos kiekybiniu ir kokybiniu aspektais. Gretinamoji Prūsijos Lietuvos evangelikų liuteronų giesmynų analizė atskleidė, kad Ruigio giesmių skaičius oficialiajame bažnytiniame giesmyne augo laipsniškai: nuo pirmuosiuose vadinamojo Kvanto-Berento giesmyno leidimuose paskelbtų 9 iki vėlesniuose nusistovėjusių 12 tekstų. Šių giesmių tvarumą liudija tai, kad visos jos tapo stabilia lietuviško oficialiojo giesmyno repertuaro dalimi iki pat Antrojo pasaulinio karo išvakarių, t. y. paskutinio Pagerintos giesmių knygos leidimo (Klaipėda, 1936), maža to, dalis jų perimtos į dabartinį evangelikų liuteronų giesmyną Krikščioniškos giesmės (Vilnius, 2007). Analizė taip pat parodė, kad pradedant pirmuoju leidimu šios giesmės buvo daugiau ar mažiau redaguojamos.

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Acta Linguistica Lithuanica 2025, t. 93, p. 1–32 Link para o índice / Ligação para o índice ISSN 2669-218X (online / eletrónico) A RECEÇÃO DOS HINOS DE PILYPAS RUIGYS: DO SÉCULO XVIII A MEADOS DO SÉCULO XX A receção dos hinos de Philipp Ruhig: do século 18th a meados do século 20th Century Dedicado ao 350.º aniversário do nascimento de Pilypas Ruigys BIRUTĖ TRIŠKAITĖ Instituto da Língua Lituana E-mail: [email protected] ORCID ID: https://orcid.org/0000-0003-2286-4080 Áreas de investigação: a produção escrita da Lituânia prussiana dos séculos XVI–XVIII, a história da lexicografia bilingue lituana e da língua lituana escrita. https://doi.org/10.35321/all93-09 RESUMO O artigo é dedicado ao legado hinológico do pastor da Lituânia prussiana Pilypas Ruigys (Philipp Ruhig, 1675–1749), um dos mais produtivos autores da produção escrita lituana do século XVIII, mais precisamente, à receção dos seus hinos nos hinários eclesiásticos oficiais dos luteranos evangélicos da Lituânia prussiana, desde a década de 1730 até meados do século XX. Com base nas fontes primárias que chegaram aos nossos dias, analisam-se quantitativa e qualitativamente os hinos traduzidos e compostos por Ruigys, publicados pela primeira vez no hinário de Jono Berento Iß naujo pérweizdėtos ir pagérintos Giesmũ-Knygos (Königsberg, 1732) e posteriormente incluídos também em edições posteriores. A análise comparativa dos hinários luteranos evangélicos da Lituânia prussiana revelou que o número de hinos de Ruigys no hinário eclesiástico oficial aumentou gradualmente: dos 9 publicados nas primeiras edições do chamado hinário de Kvantas-Berentas aos 12 textos que se fixaram nas edições posteriores. A persistência destes hinos é comprovada pelo facto de todos se terem tornado parte estável do repertório do hinário oficial lituano até às vésperas da Segunda Guerra Mundial, isto é, até à última edição de Pagerintos giesmių knygos (Klaipėda, 1936); além disso, alguns deles foram incorporados no atual hinário luterano evangélico Krikščioniškos giesmės (Vilnius, 2007). A análise mostrou também que, a partir da primeira edição, estes hinos foram editados em maior ou menor grau. PALAVRAS-CHAVE: produção escrita lituana do século XVIII, hinos, Pilypas Ruigys (Philipp Ruhig), hinário oficial luterano evangélico da Lituânia prussiana, hinário de Jono Berentas (Johann Behrendt) Iß naujo pérweizdėtos ir pagérintos Giesmũ-Knygos (1732). Copyright © 2025 Birutė Triškaitė. Publicado pelo Instituto da Língua Lituana. Este é um artigo de acesso aberto distribuído nos termos da Licença Creative Commons Attribution, que permite a utilização, distribuição e reprodução irrestritas em qualquer meio, desde que o autor original e a fonte sejam citados. // Publicado pelo Instituto da Língua Lituana. Este artigo é de acesso aberto, distribuído nos termos da licença «Creative Commons» de atribuição, que permite utilizar, distribuir e reproduzir o conteúdo sem restrições em qualquer meio, indicando o autor e a fonte. Recebido: / Recebido: 2025–10–20. Aceite: / Aceite: 2025–12–17. 1 RESUMO Este artigo é dedicado ao legado hinódico de Philipp Ruhig (1675–1749), um sacerdote da Lituânia prussiana e uma das figuras mais prolíficas da literatura lituana do século XVIIIth; mais precisamente, dedica-se à receção dos seus hinos nos hinários eclesiásticos oficiais da Lituânia prussiana a partir da quarta década do século XVIIIth. Com base em fontes primárias que chegaram até aos nossos dias, analisam-se quantitativa e qualitativamente os hinos traduzidos e criados por Ruhig, publicados pela primeira vez no hinário de Johann Behrendt Iß naujo pèrweizdetos ir pagérintos Giesmû-Knygos [Hinários Novamente Revistos e Melhorados] (Königsberg, 1732) e incluídos em edições posteriores. Uma análise comparativa dos hinários luteranos evangélicos da Lituânia prussiana revelou que o número de hinos de Ruhig no hinário eclesiástico oficial cresceu gradualmente: de 9 nas primeiras edições do chamado hinário de Quandt-Behrendt para 12 nas edições posteriores. A durabilidade desses hinos é evidenciada pelo facto de todos se terem tornado parte estável do hinário lituano oficial até à véspera da Segunda Guerra Mundial, isto é, até à última edição de Pagerintos giesmių knygos [Hinário Melhorado] (Klaipėda, 1936); além disso, alguns deles foram incluídos no atual hinário luterano evangélico Krikščioniškos giesmės [Hinos Cristãos] (Vilnius, 2007). A análise mostrou também que, desde a primeira edição, esses hinos foram editados em maior ou menor medida. PALAVRAS-CHAVE: Escritos lituanos do século XVIIIth, hinos, Philipp Ruhig, Hinário Oficial para os Luteranos Evangélicos da Lituânia prussiana, hinário de Johann Behrendt Iß naujo pèrweizdetos ir pagérintos Giesmû-Knygos (1732) [Hinários Novamente Revistos e Melhorados, 1732]. INTRODUÇÃO O sacerdote da Lituânia prussiana Pilypas Ruigys (Philipp Ruhig, 1675–1749) foi um dos autores mais prolíficos da produção escrita lituana do século XVIII: não só autor de obras de linguística originais e de grande impacto, mas também tradutor dos mais importantes textos religiosos. Mesmo passados três séculos, Ruigys é hoje lembrado não apenas como participante da famosa polémica filológica surgida na Lituânia prussiana no início do século XVIII, autor do tratado latino sobre a língua lituana Meletema (1735) e da sua versão alemã Betrachtung der Littauischen Sprache in ihrem Ursprunge, Wesen und Eigenschaften (1745), compilador do dicionário bilingue e bidirecional Littauisch–Deutsches und Deutsch–Littauisches Lexicon (1747), idealizador da gramática da língua lituana Anfangsgründe einer Littauischen Grammatik (1747), mas também como um dos tradutores para lituano dos hinos (1732), da Bíblia (1735) e da postila de Christiano Langhanseno (1660–1727) (1750). Depois de concluir os estudos de teologia na Universidade de Königsberg e de ser ordenado sacerdote em 1708, Ruigys serviu durante mais de quarenta anos em Valtarkiemis (alem. Walterkehmen)1. Como representante da terceira geração do estamento clerical, compreendendo o seu dever pastoral como educação religiosa dos lituanos, além de incentivado pelas reformas e transformações culturais então em curso, iniciadas pelo rei da Prússia Friedrich Wilhelm I (1688–1740, reinou de 1713 a 1740), e sem dúvida reconhecendo os méritos do seu avô, o sacerdote de Katniava (alem. Kattenau), Theophil Schultz (1629–1673) (ver a fig. 1 e adiante), Ruigys envolveu-se ativamente no projeto de estudos lituanos do professor de teologia da Universidade de Königsberg, primeiro pregador da corte e futuro superintendente-geral da Prússia, Johann Jacob Quandt (Johann Jacob Quandt, ¹ QPP IV 34r; Arnoldt 1777: 108; ZM V 1528. 2 1686–1772), contribuindo assim para o florescimento da literatura religiosa lituana ocorrido na Lituânia prussiana no século XVIII. Não é por acaso que Ruigys é um dos autores da produção escrita lituana cujo legado de estudos lituanos recebeu considerável atenção dos investigadores sob diversos aspetos. O legado hinódico de Ruigys também foi estudado como parte integrante do hinário eclesiástico luterano evangélico oficial lituano (1732)². Contudo, até agora não foram realizados estudos específicos dedicados à receção dos seus hinos em hinários posteriores; por isso, este artigo atualiza a investigação da atividade de Ruigys como tradutor e criador de hinos e concentra-se no funcionamento dos seus hinos nos hinários da Lituânia prussiana até aproximadamente meados do século XX, mais precisamente, até 1936, quando foi publicado o último hinário luterano evangélico anterior à Segunda Guerra Mundial, Pagerintos giesmių knygos. Ao abordar a receção dos hinos de Ruigys, deve começar-se por observar que o número exato dos seus hinos publicados nos hinários luteranos evangélicos lituanos ainda não é inteiramente claro. Os historiadores da cultura prussiana e da produção escrita lituana indicam esse número de maneira diversa. Assim, no final do século XVIII, o sacerdote de Trempiai Gotfrydas Ostermejeris (Gottfried Ostermeyer, 1716–1800), na primeira história dos hinários lituanos, Erste Littauische Liedergeschichte (Königsberg, 1793), afirmou que Ruigys «deu 12 hinos ao hinário, dos quais um é original» («Zum Gefangbuch hat er 12 Lieder geliefert, von denen eins ein Originaltuck ist»³). Quase um século e meio depois, Ansas Bruožis indicou o mesmo número de hinos traduzidos e criados por Ruigys: no estudo Mažosios Lietuvos buvusieji rašytojai ir žymesnieji lietuvių kalbos mylėtojai (1920), mencionou que «11 hinos foram traduzidos por Ruigys e, além disso, um foi composto por ele próprio»⁴. Provavelmente seguindo Ostermejeris, os comentários ao tratado de Ruigys Lietuvių kalbos kilmės, būdo ir savybių tyrinėjimas (1986), publicado por Vytautas Jurgutis e Valerija Vilnonytė, também mencionam 12 hinos, dos quais 11 são traduções e um é original⁵. Já Vaclovas Biržiška, em Aleksandryne (¹1963, ²1990), não só indicou o número de hinos de Ruigys, como também mencionou uma edição específica do hinário na qual, a seu ver, todos eles teriam aparecido: «Para o novo hinário de Quandt-Behrendt de 1732, forneceu 12 hinos, dos quais escreveu originalmente um e traduziu todos os demais»⁶. Por outro lado, na monografia de Guido Michelini sobre a história dos hinários da Lituânia prussiana, Jono Berento Įpna ujo pėrweizdėtos ir pagerintos Giesmũ Knygos. Mörlino traktato pritaikymas poezijoje (2010), são comparados com os originais alemães 9 hinos de Ruigys⁷, o que parece pressupor uma quantidade totalmente diferente. Os dados das obras dedicadas à historiografia da produção escrita lituana deveriam ter passado para as publicações de referência. Contudo, o número de hinos de Ruigys aqui mencionado difere um pouco: Mažosios Lietuvos ² Para mais informações sobre os hinários da Lituânia prussiana, ver Michelini 2009, especialmente 97–131; 2010. Sobre a relação dos hinos de Pilypas Ruigys publicados na primeira edição do chamado hinário de Quandt-Behrendt com os originais alemães, ver Michelini 2010: 162–175. ³ Osterme yer 1793: 259–260; Ostermejeris 1996: 421. ⁴ [Bruožis] 1920: 27. ⁵ Ruigys 1986: 414. ⁶ BrŽA II 21. ⁷ Ver Michelini 2010: 162–175. 3 enciclopédia (2009)⁸, no verbete da Enciclopédia da Lituânia Menor (2015)⁹ e na Enciclopédia Universal da Lituânia (2011)¹⁰, são mencionados 11 hinos de Ruigys. O objetivo deste artigo é, com base em fontes primárias, avaliar a contribuição de Ruigys para o repertório da coletânea de hinos Iß naujo pérweizdetos ir pagérintos Giesmû-Knygos (Königsberg, ¹1732), preparada pelo bispo de Insterburg Jonas Berentas (Johann Behrendt, 1667–1737), ou do chamado hinário de Quandt-Behrendt, e discutir a recepção dos hinos de Ruigys em posteriores redações e edições do hinário oficial eclesiástico evangélico luterano até meados do século XX, concentrando a atenção em dois aspectos: 1) quantos deles foram publicados; 2) qual foi a natureza de sua edição¹¹. A análise é realizada mediante os métodos histórico-comparativo e analítico-descritivo. 1. TESTEMUNHOS DE RUIGYS E DE SEUS CONTEMPORÂNEOS SOBRE SUA ATIVIDADE LITUANÍSTICA (HINOS) Ḱvantas, com cuja equipe de pastores da Lituânia prussiana, mobilizada para a preparação de textos religiosos lituanos, Ruigys trabalhou, no artigo sobre o pastor de Valtarkiemis Ruigys de sua presbiterologia manuscrita Preußische Presbyterologie (até 1772), além das informações biográficas mais importantes, mencionou apenas o tratado teológico sobre os ídolos antigos, publicado em 1705, e uma única obra de atividade lituanística — o tratado sobre a língua lituana; contudo, não dedicou uma palavra sequer aos hinos ou a outros textos religiosos, nem mesmo à tradução da Bíblia (cf. Fig. 1): 1708. Philipp Ruhig. «Reg. Pr uffus. →» 'Cattenau–Prufus. ‖ foi ordenado em 1708 ♀ após o 20.º domingo depois da Trindade em Schloß ‖ por D[.] Deutſchen. Nasceu ‖ em Cattenau em 1675, 31 de março. Foi ‖ aqui introduzido em 1708, no D[omi]n[ic a[m] 24.º depois da Trindade. ‖ Disputou sob a presidência de D[.] Wegner, sobre a Sagrada Escritura, ‖ em 1703; também publicou um tratado sobre todo ídolo ‖ primeiro em 4.º, em 1705, igualmente sobre Lingua Lituanica. ‖ Os seus antepassados vieram da Saxônia; ali seu ‖ avô George Ruhig foi prefeito ‖ em Liebenwerda; seu filho, Paul Ruhig, ‖ foi engenheiro e capitão dos fortificadores em Memel. ‖ ‘Um filho, Philipp Ruhig Paft., e neto ‖ pelo lado materno de Theophili Schulzen, ‖ ambos pastores em Kattenau, † 1749, ‖ 5 de abril. ‖ ſepult[us] ‖ [?]7 de abril.¹². ⁸ Cf.: “Contribuiu muito para a preparação da Bíblia de 1735 e do hinário de Quandt–Behrendt de 1732 (nele foram impressos 11 hinos criados e traduzidos por R[uigys])” (MLE IV 143). ⁹ MLEŽ 496. As versões inglesa (2014) e alemã (2018) deste compêndio também mencionam 11 hinos de Ruigys (MLEŽa 561; MLEŽv 612). ¹⁰ Cf.: “contribuiu muito para a preparação da Bíblia (1735) e do hinário de J. J. Quandt e J. Behrendt (1732; nele foram impressos 11 hinos [criados e traduzidos por Ruigys])” (VLE XX 412). ¹¹ Sob o aspecto quantitativo, já foram analisados os hinos de Petras Gotlybas Milk aus (Peter Gottlieb Mielcke, 1695–1753), pastor de Jurbarkas (em alemão, Georgenburg), posteriormente de Mielkiemis (em alemão, Mehlkeh­men), colaborador de Pilypas Ruigys na preparação de textos lituanos, bem como sua recepção nos hinários dos séculos XVIII–XX e da primeira metade do século XX (cf. Triškaitė 2021: 98–116). ¹² QPP IV 34r. Na citação do manuscrito de Quandt, a seta → indica aquilo que foi corrigido. Os sinais ¬ ¬ distinguem palavras ou frases inseridas posteriormente (acima da linha, na margem ou na segunda coluna vazia da página). Os fragmentos de texto latino (palavras ou partes delas) que aparecem no manuscrito escrito em caracteres góticos são reproduzidos em itálico na citação. Mais amplamente 4 Figura 1. QPP IV 34r: Quandt sobre o pastor de Valtarkiemis, Ruigys, na obra manuscrita Preußische Presbyterologie; GStA PK: XX. HA Hist. StA Königsberg, Hs, Nr. 2, Bd. 4 1708. Pilypas Ruigys, prussiano de Katniava. Ordenado pelo dr. Deutsch em 1708, na sexta-feira após o 20.º domingo depois da Santíssima Trindade, na igreja do Castelo. Nasceu em Katniava em 31 de março de 1675. Foi aqui introduzido em 1708, no 24.º domingo depois da Santíssima Trindade. Sob a orientação do dr. Wegner, em 1703 defendeu uma dissertação sobre a Sagrada Escritura; além disso, em 1705 publicou um tratado sobre os antigos ídolos, em formato 4°, bem como sobre a língua lituana13. Os seus antepassados eram originários de Meissen; ali, o seu avô Jurgis Ruigys foi burgomestre de Lybenverda, e o filho deste, Povilas Ruigys, foi engenheiro e capitão dos couraceiros em Klaipėda. O filho do pastor Pilypas Ruigys e, pelo lado materno, neto de Teofilis Šulcas, ambos exerceram o pastorado em Katniava14. Morreu em 5 de abril de 174915, sepultado em [?] de abril, dia 7. O autor da outra presbiterologia prussiana Kurzgefaßte Historische Nachrichten von allen im Königreiche Preußen befindlichen Kirchen und Predigern bei denselben (1757), Friedrich Pastenaci (1718–1770), limitou-se a mencionar que Ruigys, além de outras obras religiosas e linguísticas, havia traduzido alguns hinos, sem, contudo, indicar o seu número exato: Era um lituano muito competente e trabalhou diligentemente na tradução do Antigo e do Novo Testamento, publicada em 1733. Foi ele quem traduziu os primeiros onze sermões da =Postila16 de M. Langhansen sobre os Evangelhos, bem como alguns hinos. <…> Sobre esta obra manuscrita de Quandt, considerada desaparecida pelos investigadores lituanos após a Segunda Guerra Mundial e recentemente reintegrada na circulação científica, uma fonte importante para as biografias dos autores da literatura lituana, ver Triškaitė 2018: 125–176. 13 Quandt, ao mencionar o tratado «de Lingva Lituanica» (QPP IV 34r), provavelmente tinha em mente a obra linguística de Ruigys, que inicialmente, ainda antes de 1708, foi escrita em latim; mais tarde, revista e, em 1735, enviada sob o título Meletema para a Inglaterra, ao conterrâneo David Wilke (David Wilke, Wilkins, 1685–1745), residente em Londres, com o objetivo de a publicar ali; contudo, acabou por ser impressa em Königsberg, em 1745, em alemão, sob o título Betrachtung der Littauischen Sprache in ihrem Ursprunge, Wesen und Eigenschaften (ver Zinkevičius 2008: 164–165). 14 Compare a tradução do fragmento da citação em Blažienė 2020: 27. 15 Outras fontes indicam que Ruigys morreu em 6 de abril de 1749 (ver Pastenaci 1757: 109; Arnoldt 1777: 108; BržA II 20; ZM V 1528). 16 A parte da palavra composta apresentada entre colchetes retos [] foi escrita à mão na margem da publicação. 5 Em 1745, publicou um estudo crítico da língua lituana e, em 1747, um léxico lituano=-alemão e alemão=-lituano, que foi o primeiro impresso na Prússia. Seu filho Paul Friedrich Ruhig, que então era professor do Seminarii de língua lituana em Königsberg, também publicou, no mesmo ano, uma gramática lituana, que seu pai revisou e aperfeiçoou¹⁷. Ele era um lituano autêntico e traduziu diligentemente o Antigo e o Novo Testamento, que foi publicado em 1733.¹⁸ Traduziu os primeiros onze sermões sobre o Evangelho da Vaikų postilės do mestre Langhansen, bem como alguns hinos. <...> Em 1745, publicou um estudo crítico da língua lituana e, em 1747, um dicionário lituano-alemão e alemão-lituano, que foi o primeiro dicionário impresso na Prússia. Seu filho Povilas Frydrichas Ruigys, então professor do Seminário de Língua Lituana em Königsberg, também publicou naquele mesmo ano uma gramática da língua lituana, que seu pai revisou e aperfeiçoou. O próprio Ruigys mencionou seus hinos, assim como a tradução de outros textos religiosos — a Bíblia e a postila de Langhansen, a Kinder-Postille — nos prefácios de duas obras linguísticas: no tratado Betrachtung der Littauischen Sprache in ihrem Ursprunge, Wesen und Eigenschaften (Königsberg, 1745) e no dicionário bilíngue e bidirecional Littauisch–Deutsches und Deutsch–Littauisches Lexicon (Königsberg, 1747). No prefácio do dicionário, Ruigys afirmou: Em 1723, fui designado, juntamente com outros Confratribus, para a tradução do Novo e, posteriormente, do Antigo Testamento. Quando esse trabalho foi concluído, em 1733, e eu também havia enviado alguns hinos e os primeiros onze sermões do senhor mestre Langhansen, comecei a elaborar este dicionário¹⁹. Em 1723, juntamente com outros confrades, fui incumbido da tradução do Novo e, posteriormente, do Antigo Testamento. Quando esse trabalho foi concluído em 1733 e eu já havia enviado alguns hinos e os primeiros onze sermões do senhor [mestre] Langhanzen, comecei a redigir este dicionário²⁰. Eis o que Ruigys escreveu no prefácio do tratado: <...> pela graça de DEUS surgiu a nova tradução da Bíblia e dos hinos, e também me foi confiada²¹. ¹⁷ Pastenaci 1757: 108–109. ¹⁸ Deve-se observar que, na realidade, a tradução do Antigo Testamento foi concluída em 1733, enquanto o Novo Testamento já havia sido publicado em 1727, e a Bíblia completa em lituano foi impressa em 1735. ¹⁹ Ruhig 1744–05–11: [4r]. ²⁰ Ruigys 1986: 384. ²¹ Ruhig 1745: 4. 6 <...> pela graça de [D]eus chegou o momento de traduzir novamente a Bíblia e os hinos, e isso também me foi confiado²². Como se vê, nos prefácios de suas obras, Ruigys menciona ter contribuído para a preparação de traduções de textos religiosos de três gêneros: da Bíblia (tanto do Novo como do Antigo Testamento), de sermões e de hinos. As formulações de Ruigys sugerem que ele empreendeu essas atividades por incumbência da autoridade eclesiástica (provavelmente a convite de Quandt ou Berendt). Nem nos prefácios do dicionário nem nos do tratado Ruigys revelou o número de seus hinos. Na historiografia da escrita lituana, como já mencionado, a quantidade indicada varia um pouco (ver a Introdução). Portanto, importa esclarecer a seguir o que testemunham as fontes primárias – as edições e redações do hinário eclesiástico oficial dos luteranos evangélicos da Lituânia Prussiana que chegaram até os nossos dias. 2. QUANTOS HINOS DE RUIGYS FORAM PUBLICADOS NO HINÁRIO ECLESIÁSTICO OFICIAL DOS LUTERANOS EVANGÉLICOS DA LITUÂNIA PRUSSIANA? 2.1. Os hinos de Ruigys foram publicados pela primeira vez em 1732 – na primeira edição do hinário eclesiástico oficial atualizado dos luteranos evangélicos, preparado pelo bispo de Įsrutis, Berendt, Jß naujo pèrweizdetos ir pagérintos Giesmū–Knygos, que veio a lume em Königsberg, na tipografia de Johanno Friedrich Reusnner (ver a Fig. 2)²³. Esta e as edições posteriores foram publicadas sob a supervisão do já mencionado professor de teologia da Universidade de Königsberg e primeiro pregador da corte, Quandt. Trata-se do chamado hinário de Quandt–Berendt. Como base desta nova coletânea de hinos tomou-se a terceira edição do hinário de Daniel Klein (1609–1666), Naujos Giesmių Knygos (Königsberg, 1666), publicada sob o título Naujos pagérintos Giesmiū–Knygos (Königsberg, 1705) e preparada por Friedrich Sigismund Schuster (Friedrich Sigismund Schuster, 1671–1750)²⁴. O chamado hinário de Quandt–Berendt apareceu ainda cinco vezes: ²1735, ³1738, ⁴1740, ⁵1745, ⁶1748. Esse hinário, em essência, deu continuidade à tradição existente nos hinários anteriores de identificar os autores dos hinos; contudo, nele, os tradutores ou autores dos novos textos, diferentemente de seus predecessores que viveram em séculos anteriores, são indicados não por sobrenomes, mas por criptônimos – o próprio Quandt explicou a razão dessa distinção no prefácio alemão do hinário: para que os nomes dos autores e tradutores de hinos falecidos não fossem esquecidos e para que os vivos não fossem tentados pelo orgulho²⁵. ²² Ruigys 1986: 108. ²³ Atualmente, conhece-se apenas um exemplar da primeira edição (1732) deste hinário, conservado na Biblioteca Estatal do Patrimônio Cultural Prussiano, em Berlim (em alemão Staatsbibliothek zu Berlin – Preußischer Kulturbesitz; SBB PK: En 9820) (ver Kaunas 1986: 269; LBP 18, n.º 135). ²⁴ LB I 45, n.º 135. Para mais informações sobre este hinário, ver Michelini 2009: 97–131; 2010. ²⁵ O único exemplar hoje conhecido da primeira edição (ver a nota 23) não contém nenhum prefácio. O prefácio mais antigo de Quandt é conhecido a partir da segunda edição; ver Quandt 1735–12–01: [VII–VIII]. 7 Figura 2. G1732: página de rosto; SBB PK: En 9820 Tanto na primeira edição como nas posteriores, os hinos de Ruigys eram identificados pelo criptônimo «P. R. P. W.», isto é, lat. P[hilippus] R[uhigius], P[astor] W[alterkemensis] (lit. Pilypas Ruigys, pastor de Valtarkiemis) (ver as fig. 3 e 4), pelo que é fácil identificá-los. Esses criptônimos mostram que, na edição de 1732, foram publicados ao todo 9 hinos de Ruigys. Recorde-se que a primeira edição do chamado hinário de Kvantas-Berentas era composta por uma parte principal (G1732 1–358, n.os 1–301) e pelo suplemento «APPENDIX arba Kittos naujos Giesmės ßwėžey pridėtos» (G1732 359–408, n.os 302–335). Há hinos de Ruigys em ambas as partes do hinário. Na parte principal encontram-se seis de seus hinos²⁶: 1) «Dabar su angelu pulkų»²⁷ (G1732 8–9, n.º 10), 2) «Jėzus miels atėjo» (G1732 13–14, n.º 14), ²⁶ Aqui e adiante, eles são enumerados na ordem em que aparecem nesta edição do hinário. ²⁷ A grafia dos títulos dos hinos de Ruigys (que coincidia com o primeiro verso do hino) variava um pouco entre os diferentes hinários; por isso, aqui e adiante eles são apresentados na grafia atual. Quando se cita uma edição específica do hinário, mantém-se a grafia autêntica. 8 Figura 3. G1732 199: fragmento do hino de Johanno Francko «Jesu, meine Freude» («Jesus, minha alegria»), traduzido por Ruigys; SBB PK: En 9820 3) «Jėzau, mano džiaugsmas»28 (G1732 199–200, n.º 182) (ver fig. 3), 4) «Nesitūžyk taip, širde­le» (G1732 204–206, n.º 186), 5) «Ak, kaip galim svietą šį mylėti» (G1732 343–344, n.º 292), 6) «Ak, gražus dangau» (G1732 356–357, n.º 300). No suplemento foram incluídos mais três hinos de Ruigys: 7) «Jėzus, mano mielasis» (G1732 375–376, n.º 314), 8) «Ką galiu aš, griešnas, veikti» (G1732 381–382, n.º 318), 9) «Dangaus saulelė mieliausi[a]» (G1732 401–403, n.º 330). Com esses textos de Ruigys, o repertório do hinário oficial foi enriquecido mediante a ampliação de vários grupos temáticos de hinos. Os dois primeiros hinos da parte principal foram incluídos na seção «Natal 28 Nas edições posteriores (no mais tardar a partir da quinta edição, publicada em 1745), o início desse hino foi alterado para «Jėzau, džiaugsmas mano» (sobre isso em maior detalhe, ver a seção 4). 9 “hinos sobre o nascimento de Cristo”; outros dois, à seção “Hinos de consolação”, e os dois restantes, respectivamente, às seções “Hinos sobre o dia do Juízo e a ressurreição” e “Hinos sobre a eterna alegria celestial”. Os hinos publicados no apêndice pertencem aos três seguintes grupos temáticos: “Na Páscoa”, “Hinos sobre a confissão dos pecados”, “Ao entardecer”. Assim, os dados da fonte primária obrigam a corrigir tanto a afirmação de Biržiška, citada na Introdução, de que Ruigys “em 1732 forneceu 12 hinos para o novo hinário de Kvanto–Berento”29, quanto as informações apresentadas nas enciclopédias. Convém lembrar que, além de Ruigys, contribuíram para a expansão do repertório deste hinário oficial o próprio compilador, Berentas, e vários outros clérigos da Prússia-Lituânia: o então pastor de Jurbarkas, Petras Gotlybas Milkus, colaborador particularmente ativo de Kvantas e Berentas, e seu cunhado, o pastor de Papelkai, Adomas Frydrichas Šimelpenigis (Adam Friedrich Schimmelpfennig, 1699–1763), bem como o pastor de Želva, Kristijonas Štimeris (Christian Stimer, Stimehr, 1676–1750), o pastor de Klaipėda, Abraomas Dovydas Liuneburgas (Abraham David Lüneburg, 1670–1743), e o pastor de Rusnė, Jonas Jokūbas Šperberis (Johann Jacob Sperber, 1679–1741). Os criptônimos apresentados em G1732 mostram que, na primeira edição, Milkus publicou 19 hinos, Berentas – 18, Šimelpenigis – 15, Štimeris – 4, e Liuneburgas e Šperberis – um cada. Além disso, G1732 inclui 8 hinos de pastores já falecidos: do pastor de Katyčiai, Jonas Andrius Cezaris (Johannes Andreas Caesar, ~1650–1710), e do pastor de Pilupėnai, Kristupas Polis (Christoph Poll,?–1693), 3 de cada, e do pastor de Narkyčiai, Frydrichas Kristupas Rabė (Friedrich Christoph Rabe, 1669–1720), 2. Na primeira edição foram publicados, ao todo, 335 hinos (ver G1732), dos quais, segundo Michelini, cerca de oito dezenas eram textos novos30. Do ponto de vista quantitativo, a contribuição de Ruigys (9 hinos) na edição de 1732 não foi nem a maior nem a menor: no contexto dos hinos novos, seus textos constituem aproximadamente 12%, e, do hinário inteiro, 2,7%. Até o fim da vida de Ruigys (morreu em 6 de abril de 1749, aos 74 anos), mais alguns de seus hinos foram publicados nas edições do hinário oficial (ver abaixo). 2.2. Apenas três anos após o aparecimento da primeira edição, em 1735 foi impressa em Königsberg a segunda edição31. Esta edição foi ampliada com 26 novos hinos, apresentados por dois pastores da Prússia-Lituânia: Fabijonas Ulrichas Glazeris (Fabian Ulrich Glaser, 1688–1747), que publicou pela primeira vez 18 hinos no hinário oficial, e o já mencionado Šimelpenigis, que forneceu mais 8 novas traduções. Enquanto isso, o número de hinos de Ruigys não se alterou – nela foram publicados os mesmos 9 hinos, já publicados em 1732 (ver a Tabela 1 e a Fig. 4). A única diferença é que os três hinos que na primeira edição haviam sido incluídos no apêndice “APPENDIX arba Kittos naujos Giesmės βwžėzey pridėtos” já estão integrados, na segunda, à parte principal do hinário, 29 BržA II 21. 30 Michelini 2009: 104; ver também os textos mais recentes da edição de 1732, publicados com os originais alemães e comentários: Michelini 2010: 67–209. 31 Atualmente, o único exemplar conhecido da segunda edição (1735) encontra-se conservado na Biblioteca Nacional da República Tcheca (em tcheco, Národní knihovna České republiky; NK ČR: 33 K 139), em Praga. Para mais informações sobre esta edição, considerada perdida, e sobre o exemplar descoberto recentemente, ver Triškaitė 2020: 33–82. 10 Figura 4. G1735 394: fragmento do hino de Simon Dach traduzido por Ruigys, “Schöner Himmelssaal” (“Ah, belo céu”); NK ČR: 33 K 139 ao grupo temático correspondente de hinos (como, aliás, todos os demais hinos publicados neste apêndice): o hino “Jesus, meu amado” (G1732 375–376, n.º 314 [App.]) foi incluído na seção “Hinos para a Páscoa” (G1735 66–67, n.º 66), “O que posso eu, pecador, fazer” (G1732 381–382, n.º 318 [App.]) – na seção “Sobre a confissão, ou Confissão dos pecados” (G1735 141, n.º 133), e “O sol do céu, o mais querido” (G1732 401–403, n.º 330 [App.]) – na seção “Hinos cantados à noite” (G1735 321–322, n.º 273). 2.3. Atualmente não há dados sobre os hinos de Ruigys na terceira (1738) e na quarta (1740) edições do chamado hinário de Kvanto-Berento, pois não se conhece, até o momento, nenhum exemplar sobrevivente32. Enquanto não forem encontrados exemplares dessas edições, não é possível dizer com precisão, 32 Essas duas edições do hinário estão registradas na bibliografia da Lituânia com base nas indicações de Kvanto em edições posteriores e nas bibliografias anteriores de Karol Estreicher, Silvestras Baltramaitis e Vaclovas Biržiška (LB I 46, n.º 137–138; Quandt 1745–05–01: [IV]; Quandt 1748–03–01: [V]; Quandt 1757–09–04: 3r; Estreicher 1903: 97; ver também Estreicher 1899: 139; Baltramaitis 1904: 14, n.º 87, 89; Biržiška 1924: cap. 55, n.º 158, 161). 11 quando e quantos novos hinos de Ruigys foram incluídos no hinário oficial. As fontes primárias sobreviventes (isto é, os hinários) e os testemunhos de alguns contemporâneos (por exemplo, Kvanto e Ostermejeris) permitem reconstruir a seguinte evolução quantitativa do hinário oficial: G1732 publicou 335 hinos, G1735 – 360, G1738 – [360], G1740 – [400], G1745 – 409, 1748 – 417³³. Considerando que o número total de hinos coincide na segunda (1735) e na terceira (1738) edições, é provável que novos hinos de Ruigys só tenham podido entrar no hinário a partir da quarta (1740). 2.4. Até o momento, só se pode afirmar com segurança que, na quinta edição que chegou aos nossos dias³⁴, publicada em Königsberg em 1745, já haviam sido acrescentados três novos hinos de Ruigys (isto é, não publicados nas edições de 1732 e 1735): 10) “Espírito de Deus, tu, o santo” (G1745 86–88, n.º 96), 11) “Desperta agora, minha alminha” (G1745 110, n.º 120), 12) “Uma gotinha de uva” (G1745 411–412, n.º 398) (cf. Tabela 1). Em outras palavras, de 1735 (e provavelmente de 1740) a 1745, isto é, da segunda (ou, mais provavelmente, da quarta) à quinta edição, o chamado hinário de Kvanto-Berento foi ampliado com mais três hinos de Ruigys. Esses textos acrescentaram, respectivamente, três grupos temáticos de hinos do hinário oficial: “Sobre o Espírito Santo”, “Sobre o dia santo”, “Sobre a eterna alegria celestial”. Esses três hinos também estão na sexta edição (ver G1748 86–88, n.º 96; G1748 110, n.º 120; G1748 411–412, n.º 398 e Tabela 1)³⁵. Assim, até meados do século XVIII, mais precisamente, na década de 1740, o número de hinos de Ruigys no hinário oficial aumentou para 12. 2.5. Com a publicação de novas edições do hinário oficial e a mudança de organizadores e editores, os hinos de Ruigys continuaram a ser incluídos em novas redações e edições desta coletânea de hinos. Biržiška afirmou que: “Todos eles foram também reproduzidos por Šimelpenigis em seu hinário”³⁶. A análise do repertório do hinário oficial atesta que, tanto nas redações de Adomas Frydrichas Šimelpenigis, de Karolis Gotardas Keberis (Karl Gotthard Keber, 1756–1835), quanto na de Frydrichas Kuršaitis (Friedrich Kurschat, 1806–1884)³⁷, foram publicados regularmente 12 hinos de Ruigys (ver, ³³ Ver Triškaitė 2020: 61. ³⁴ Conhece-se apenas um exemplar da quinta edição (1745); ele é conservado na Biblioteca da Academia Russa de Ciências, em São Petersburgo (ЛБ 1044) (LB I 46–47, n.º 139) e não está acessível. Ainda assim, foi possível incluir esta edição na análise utilizando seu microfilme, conservado na Biblioteca Nacional da Lituânia Martynas Mažvydas (LNB: MF 67–69). ³⁵ Atualmente são conhecidos dois exemplares da sexta edição (1748): um é conservado na Biblioteca Estatal de Berlim do Patrimônio Cultural Prussiano (SBB PK: En 9822) (LBP 18, n.º 140), e o outro, defeituoso, na Biblioteca da Universidade de Vilnius (VUB: Lᵣ 810/1) (LB I 47, n.º 140). ³⁶ BržA II 21. ³⁷ Para mais informações sobre os chamados hinários de Šimelpenigis, Keberis e Kuršaitis, ver, respectivamente, Michelini 2009: 132–153, 181–184, 185–194. Sobre a gênese e a língua dos hinários de Keberis, ver também Kabašinskaitė 2001: 13–54. 12 por exemplo, G[1752]38, G175739 e a tabela 1). Todos estes hinos de Ruigys foram também incorporados no hinário Pagerintos giesmių knygos, publicado em 1936 pela consistório evangélico da região de Klaipėda – a última edição do hinário evangélico luterano oficial da Lituânia prussiana antes da Segunda Guerra Mundial (ver G1936 e comparar com a tabela 1). Tabela 1. Os hinos de Ruigys e sua recepção nas edições do hinário eclesiástico evangélico luterano oficial da primeira metade dos séculos XVIII–XX N.º | Títulos dos hinos publicados por Ruigys (número de estrofes) | N.º de ordem e página do hino em G1732 | N.º de ordem e página do hino em G1735 | N.º de ordem e página do hino em G1745, G1748 | N.º de ordem e página do hino em G[1752], G1757 | N.º de ordem e página do hino em G1832 | N.º de ordem e página do hino em G1877, G1936 1. | „Agora, com o grupo de anjos“ (4 est.) | N.º 10, p. 8–9 | N.º 13, p. 11–12 | N.º 15, p. 12–13 | N.º 15, p. 12–13 | N.º 15, p. 14–15 | N.º 15, p. 12–13 2. | „Jesus amado veio“ (4 est.) | N.º 14, p. 13–14 | N.º 17, p. 16 | N.º 19, p. 16–17 | N.º 19, p. 16–17 | N.º 19, p. 16ᶜ | N.º 19, p. 16–17 3. | „Espírito de Deus, tu, o santo“ (13 est.) | – | – | N.º 96, p. 86–88 | N.º 96, p. 86–88 | N.º 96, p. 91–93 | N.º 96, p. 86–88⁴⁰ 4. | „Desperta agora, minha alma“ (7 est.) | – | – | N.º 120, p. 110 | N.º 120, p. 110 | N.º 120, p. 119–120 | N.º 120, p. 110⁴¹ 5. | „Jesus, minha alegria“⁴² (6 est.) | N.º 182, p. 199–200 | N.º 206, p. 229–230 | N.º 248, p. 252–253 | N.º 248, p. 252–253 | N.º 248, p. 288–289 | N.º 248, p. 252–253⁴³ 6. | „Não te queixes assim, meu coração“ (12 est.) | N.º 186, p. 204–206 | N.º 212, p. 237–239 | N.º 256, p. 260–262 | N.º 256, p. 260–262⁴⁴ | N.º 256, p. 298–300 | N.º 256, p. 260–262 7. | „Ah, como podemos amar este mundo“ (8 est.) | N.º 292, p. 343–344 | N.º 324, p. 381–382 | N.º 387, p. 398 | N.º 387, p. 398 | N.º 387, p. 364–465 | N.º 387, p. 398 8. | „Ah, belo céu“ (9 est.) | N.º 300, p. 356–357 | N.º 332, p. 394–395 | N.º 395, p. 408–409 | N.º 394, p. 406–407 | N.º 394, p. 475–476 | N.º 394, p. 406–407⁴⁵ 38 O artigo baseia-se no exemplar do hinário conservado no Instituto de Literatura e Folclore Lituanos, que sobreviveu sem folha de rosto (LLTIB: B 1956). O prefácio de Quandt está datado de 4 de setembro de 1752, enquanto na folha de rosto do livro de orações encadernado juntamente com o hinário é indicado o ano de 1753. O prefácio de Quandt presente na nona edição do hinário, isto é, na edição de 1757, testemunha que a edição anterior, a oitava, apareceu em 1752 (Quandt 1757–09–04: 3r). 39 Da edição de 1757 conhece-se apenas um exemplar, conservado na Biblioteca Nacional da Rússia, em São Petersburgo (LB I 386–387, N.º 1099). Foi possível consultar esta edição por meio do seu microfilme, existente na Biblioteca Wroblewski da Academia das Ciências da Lituânia (LMAVB: Mf 391). 40 O hino foi também incorporado em G2007 (176–177, N.º 119, 6 est.). 41 Com o título editado „Desperta, minha alma“, o hino foi incorporado em G2007 (237–238, N.º 165, 5 est.). 42 G1732, G1735: „Jesus, minha alegria“. 43 Com o título editado „Jesus, fonte de alegria“, o hino foi incorporado em G2007 (415–416, N.º 310, 4 est.). 44 Em G1757 foi registrado „162“ em vez de „262“. 45 Com o título ligeiramente editado „Ó, belo céu“, o hino foi incorporado em G2007 (752–753, N.º 566, 9 est.). 13 9. „Uma gota de uvas“ (10 est.) – – N.º 398, p. 411–412 N.º 387⁴⁶, p. 409–410 N.º 397, p. 479–480 N.º 397, p. 409–410⁴⁷ 10. „Jesus, meu amado“ (10 est.) N.º 314, p. 375–376 [App.] N.º 66, p. 66–67 N.º 77, p. 70–71 N.º 77⁴⁸, p. 70–71 N.º 77, p. 71–73 N.º 77, p. 70–71⁴⁹ 11. „O que posso eu, pecador, fazer“ (7 est.) N.º 318, p. 381–382 [App.] N.º 133, p. 141 N.º 156, p. 148–149 N.º 156, p. 148–149 N.º 156, p. 165–166 N.º 156, p. 148–149⁵⁰ 12. „Sol do céu, tão amado[a]“ (9 est.) N.º 330, p. 401–403 [App.] N.º 273, p. 321–322 N.º 321, p. 333–334 N.º 321, p. 333–334 N.º 321, p. 386–387 N.º 321, p. 333–334⁵¹ 2.6. Convém mencionar também que os hinos de Ruigys foram publicados não apenas no hinário oficial. Com efeito, o já mencionado pastor de Trempai, Ostermejeris, embora avaliasse criticamente o talento criativo de Ruigys⁵², havia incluído hinos seus no hinário por ele organizado Giesmės Šventos Bažnyčioje ir Namėję giedojamos (Königsberg, 1781)⁵³. É verdade que não é possível indicar o número exato deles, pois até agora não foi encontrado nenhum exemplar do hinário de Ostermejeris; contudo, pela formulação de sua obra Erste Littauische Liedergeschichte, é evidente que eram pelo menos dois⁵⁴, mas provavelmente mais. As 12 canções de Ruigys foram todas publicadas em seu hinário Senos ir naujos krikščioniškos Giesmės (Königsberg, 1806)⁵⁵ pelo kantor de Pilkalnis Kristijonas Gotlybas Milkus (Christian Gottlieb Mielcke, 1733–1807), filho do companheiro de Ruigys, Petras Gotlybas Milkus, que, por iniciativa própria, preparou uma nova coletânea de hinos, opondo-se assim a Ostermejeris quanto aos princípios de edição dos hinos (ver MG1806 12–13, N.º 14; 16–17, N.º 18; 72–73, N.º 75; 87–89, N.º 90; 109–110, N.º 110; 146–147, N.º 144; 254–255, N.º 226; 264–266, N.º 234; 334–336, N.º 288; 395–396, N.º 344; 400–401, N.º 348; 403–405, N.º 351). É interessante que um dos hinos de Ruigys tenha se mostrado atraente também para os pietistas: Inga Strungytė-Liugienė, que pesquisa a produção escrita dessa comunidade religiosa, estabeleceu que o hino traduzido por Ruigys, „Jėzau, džiaugsmas mano“ (← Johann Franck, „Jesu meine Freude“), foi publicado, sem indicação do tradutor, no hinário organizado por Kristijonas Endrikis Mertikaitis 46 Em G[1752] foi registrado „N.º 387“ em vez de „N.º 397“. 47 O hino foi incorporado em G2007 (720–722, N.º 542, 8 est.). 48 Em G1757 foi registrado „N.º 57“ em vez de „N.º 77“. 49 O hino foi incorporado em G2007 (144–145, N.º 95, 9 est.). 50 Com o título editado „O que posso eu, culpado, fazer“, foi incorporado em G2007 (604, N.º 458, 7 est.). 51 Com o título editado „O sol do céu é o mais amado“, foi incorporado em G2007 (581–582, N.º 440, 4 est.). 52 Oster meyer 1793: 124–128; Ostermejeris 1996: 361–363. 53 Esse título do hinário, que provavelmente não sobreviveu, é indicado pelo próprio compilador, Ostermejeris (Ostermeyer 1793: 153). Para mais informações sobre o hinário de Ostermejeris, ver Michelini 2009: 154–166. 54 Cf.: „Wer es indeffen wiſſen will, darf die beyden Lieder nur in meinem Gefangbuch nachfehen und mit dem alten Auffatʒ vergleichen“ (Ostermeyer 1793: 128; „Quem, contudo, quiser saber mais, que consulte os dois hinos no meu hinário e os compare com a redação antiga“ (Ostermejeris 1996: 363)). 55 Para mais informações sobre o hinário de Milkus, ver Michelini 2009: 166–180. Visokios naujos giesmės arba evangeliški psalmai (Tilžė, 11817; ver MerG1825 252–254, Nr. 123), mas deve-se observar que se trata de uma variante da tradução de Ruigys, complementada por 7 estrofes56. Embora os hinários evangélicos luteranos que funcionaram na Lituânia desde meados do século XX e continuam a funcionar até hoje não sejam objeto direto desta pesquisa, é importante mencionar que os hinos de Ruigys também estão presentes no atual hinário evangélico luterano Krikščioniškos giesmės (2007), publicado pelo consistório da Igreja Evangélica Luterana da Lituânia. Contudo, aqui eles são um terço menos numerosos — 8 (ver G2007 e os comentários à Tabela 1) — e, além disso, foram consideravelmente editados (sobre a natureza da edição, ver a seção 4). 3. AUTORIA DOS HINOS DE RUIGYS Das 12 canções de Ruigys publicadas no hinário eclesiástico oficial evangélico luterano da Lituânia Prussiana, 11 são traduções, e uma — o hino de Pentecostes «Dvasia Dievo tu šventoji» — é uma composição original, escrita pelo próprio Ruigys. Assim afirmou já Ostermeyer, que publicou a primeira história dos hinários lituanos Erste Littauische Liedergeschichte (para a citação, ver a Introdução)57. O hino original de Ruigys foi publicado pela primeira vez, o mais tardar, em 1745, isto é, na quinta edição do hinário (ver a seção 2). Os autores dos 11 hinos alemães traduzidos por Ruigys eram conhecidos criadores da época barroca: Heinrich Albert (1604–1651), Simon Dach (1605–1659), Johann Flittner (1618–1678), Erasmus Finx (Francisci, 1627–1694), Johann Franck (1618–1677), Paul Gerhardt (1607–1676), Peter (von) Hagen (Petrus Hagius, 1569–1620), a duquesa de Brandemburgo Louise Henriette (1627–1667), Michael Schernack (1622–1675), Christian Scriver (1629–1693) (ver a Tabela 2). Entre esses autores dos séculos XVI–XVII encontram-se dois autores consagrados como clássicos da época barroca — Dach e Gerhardt. Três dos dez — Albert, Dach e Hagen — pertencem ao círculo de criadores de hinos de Königsberg58. Em Königsberg, provavelmente incentivado por Dach, também se interessou pela poesia religiosa Franck, estudante da Faculdade de Direito da universidade local, que, após os estudos, retornou à sua terra natal59. Ruigys traduziu dois hinos de Albert, e um de cada um dos demais autores. Entre eles está o hino muito popular de Dach «Schöner Himmelssaal»60. Ao que parece, Ruigys foi o primeiro a traduzir para o lituano 56 Strungytė–Liugienė 2014: 38, 130. 57 Ostermeyer 1793: 125; Ostermեjeris 1996: 362. 58 Albert, originário da Turíngia, estudou nas universidades de Leipzig e Königsberg e, a partir de 1631, serviu pelo resto da vida como organista na catedral de Königsberg (ver mais detalhadamente Koch 1973 [1867]b: 191–197); 6 de seus hinos foram traduzidos para o lituano (Michelini 2009: 276). Dach, nascido em Klaipėda, estudou teologia e filosofia na Universidade de Königsberg, depois lecionou poética nessa universidade, foi eleito reitor, criou numerosos poemas e hinos seculares, é autor da conhecida obra «Anke von Tharau» e é considerado um dos mais importantes representantes da literatura barroca alemã (ver mais detalhadamente Koch 1973 [1867]b: 182–191); 27 de seus hinos foram traduzidos para o lituano (Michelini 2009: 279–280). Hagen nasceu na Prússia e exerceu por quase duas décadas o cargo de reitor da escola catedralícia de Königsberg (ver mais detalhadamente Koch 1973 [1867]a: 275–276); 9 de seus hinos foram traduzidos para o lituano (Michelini 2009: 287). 59 Para mais informações sobre Franck, ver Koch 1973 [1867]b: 378–385; ver também Michelini 2009: 282. 60 Sobre a recepção dos hinos de Dach nos hinários lituanos do século XVIII, especialmente na coletânea de hinos organizada por Kristijonas Gotlybas Milkаus, ver Sidabraitė 2008: 397–409. 15 tendo traduzido para o lituano, depois de Flittner e Scriver, o hino61. Ao traduzir os hinos, ele preservou a estrutura original, isto é, não encurtou as traduções (ver Tabela 2)62. Tabela 2. Hinos de Pilypas Ruigys publicados nos hinários evangélicos luteranos da Lituânia prussiana dos séculos XVIII–XX, primeira metade Títulos dos hinos de Ruigys (número de estrofes) Títulos dos originais alemães dos hinos traduzidos por Ruigys (número de estrofes) Autores dos hinos „Ah, belo salão celeste“ (9 estrofes) ← „Schöner Himmelssaal“ (9 estrofes)63 Simon Dach (1605–1659) „Ah, como podemos amar este mundo“ (8 estrofes) ← „O wie mögen wir doch unser Leben“ (8 estrofes)64 Heinrich Alberti (1604–1651) „Agora, com o grupo de anjos“ (4 estrofes) ← „Nun laßt uns mit den Engelein“ (4 estrofes)65 Peter (von) Hagen (1569–1620) „A luz e o esplendor do sol amado“ (9 estrofes) ← „Der lieben Sonnen Licht und Pracht“ (9 estrofes)66 Christian Scriver (1629–1693) „Espírito de Deus, tu, o santo“ (13 estrofes) – Pilypas Ruigys (1675–1749) „Jesus, minha alegria“ (G1732, G1735: „Jesus, minha alegria“) (6 estrofes) ← „Jesu, meine Freude“ (6 estrofes)67 Johann Franck (1618–1677) „Jesus, minha confiança“ (10 estrofes) ← „Jesus, meine Zuversicht“ (10 estrofes)68 Louise Henriette von Brandenburg (1627–1667) „O amado Jesus veio“ (4 estrofes) ← „Unser Heil ist kommen“ (4 estrofes)69 Heinrich Alberti 61 Ver Michelini 2009: 282, 301. 62 Para determinar os autores dos originais alemães e o número de estrofes, baseou-se na obra de Alberto Friedrich Wilhelm Fischer Kirchenlieder-Lexicon (vols. I–II, 1878, 1879); além disso, também foi consultado o atual hinário evangélico luterano Krikščioniškos giesmės (2007), no qual são indicados os autores do texto e da melodia e os tradutores dos hinos; também se recorreu às pesquisas de Guido Michelini’o (2009; 2010). Três hinos traduzidos por Ruigys – „Unser Heil ist kommen“, de Alberti, „Schöner Himmelssaal“, de Dach, e „Nun laßt uns mit den Engelein“, de Hagen – não são mencionados na obra de Fischer; sobre a autoria, ver Koch 1973 [1867]a; 1973 [1867]b; ver também Michelini 2010: 225–226. 63 Koch 1973 [1867]b: 190. 64 Fischer 1879: 216. 65 Koch 1973 [1867]a: 276; 1973 [1867]b: 257; Wackernagel 1990 [1870]: 333. 66 Fischer 1878: 111. 67 Fischer 1878: 378–379. 68 Fischer 1878: 390–396. 69 Koch 1973 [1867]b: 196, 278. 16 «O que posso eu, pecador, fazer» (7 estrofes) ← «Ach was soll ich Sünder machen» (7 estrofes)⁷⁰ Johann Flittner (1618–1678) «Uma gotinha de uvas» (10 estrofes) ← «Ein Tröpflein von den Erasmus Finx Reben» (10 estrofes)⁷¹ Erasmus Finx (Francisci, 1627–1694) «Não te aflijas assim, meu coração» (12 estrofes) ← «Weg, mein Herz, mit den Gedanken» (12 estrofes)⁷² Paul Gerhardt (1607–1676) «Desperta agora, minha alma» (7 estrofes) ← „Wohl auf, Herz und Gemüte“ (7 p.)⁷³ Michael Schernack (1622–1675) 4. TENDÊNCIAS DE EDIÇÃO DOS HINOS DE RUIGYS 4.1. Os hinos de Ruigys começaram a ser editados ainda antes de 1732, quando foram publicados pela primeira vez na primeira edição do hinário de Quandt-Behrendt. Inalterada até às vésperas da Segunda Guerra Mundial permaneceu apenas a estrutura dos hinos de Ruigys, isto é, o número de estrofes (cf. G1732 e G1936). Segundo Ostermeyer, Ruigys indignara-se porque o início do hino por ele traduzido, „Jėzau, džiaugsmas mano“, fora corrompido: nas primeiras edições do hinário de Quandt-Behrendt imprimira-se „Jėzau, mano džiaugsmas, ir širdies penukšlas“, pelo que o tradutor culpava o compilador do hinário, Behrendt, e o seu colaborador Milkų⁷⁴. E, de facto, tanto na primeira como na segunda edição aparece a seguinte tradução: „IEzau mano Džiaugimas, ir Sȝirdies Penukšlas“ (G1732 199, Nr. 182; G1735 229, Nr. 206). É plausível que, na edição do texto deste hino, a tradução tenha sido aproximada do original alemão: o hino criado por Franck, que apareceu pela primeira vez em 1653 no hinário de Johanno Crüger Praxis pietatis melica, começa com as palavras „IEßu meine freude / Meines hertẓens weyde“. Mais tarde, esta passagem foi corrigida, provavelmente de acordo com a tradução que Ruigys fizera desde o início. A correção é visível na quinta edição do hinário de Quandt-Behrendt: „Jėzau Džiaugsmas mano, kurs man Sȝirdį gano“ (G1745 252, Nr. 248). Esta versão da tradução chegou também à quarta década do século XX: „Jėzau, Džiaugsmаs mano, kurs man Sȝirdį gano“ (G1936 252, Nr. 248). É de mencionar que Ostermeyer, ao escrever a história dos hinários lituanos, apresentou censuras relativas a quase todos os hinos de Ruigys: „Jėzus, mano mielasis“, „Dvasia Dievo tu šventoji“, „Pabusk dabar, dušele“, „Nesitūžyk taip, širdele“, „Dangaus saulele mieliausia“, „Ak, kaip galim svietą šį mylėti“, „Ak, gražus dangau“, „Lašelis vynuogelių“⁷⁵. Considerando como obra mais valiosa de Ruigys o trabalho lexicográfico — um dicionário bilingue —, Ostermeyer avaliava criticamente o seu talento criativo e as suas traduções, afirmando que a sua „poesia não é pura, antes rígida e pouco fluente; o mesmo se pode dizer do hino original“⁷⁶. Tendo em conta uma avaliação tão crítica, é provável que, ⁷⁰ Fischer 1878: 26–27. ⁷¹ Fischer 1878: 162–163. ⁷² Fischer 1879: 340. ⁷³ Fischer 1879: 406. ⁷⁴ Ver Ostermeyer 1793: 112–113; Ostermejeris 1999: 356–357, para mais pormenores. ⁷⁵ Para a avaliação dos hinos de Ruigys, ver Ostermeyer 1793: 124–128; Ostermejeris 1999: 361–363. ⁷⁶ Ostermeyer 1793: 260; Ostermejeris 1996: 421. 17 que, ao incorporar os hinos de Ruigys ao seu próprio hinário Giesmes βwentos Bažnyczioje ir Namej’ giedojamos, também os editou em maior ou menor medida. 4.2. A análise comparativa dos hinos de Ruigys publicados nas edições de 1732 e 1735 atesta que sua edição é essencialmente de natureza linguística. As correções observadas nesses hinos correspondem às tendências gerais de edição dos textos de G1735⁷⁷. Predominam as correções ortográficas. Assim, o grafema diacrítico Grammatica Litvanica (Königsberg, 1653), estabelecido na gramática da língua lituana de Klein, <č>, usado para marcar a africada palatal [č’]⁷⁸, empregado sistematicamente em G1732, é obstinadamente substituído em G1735, publicado três anos depois, pelo grafema de duas letras <cз>, abandonando-se simultaneamente o <i> que marcava a palatalização, isto é, [č’] <č> → <cз>, por exemplo: fėdinčiamui G1732 8 → fėdinčzamui G1735 11; krikβčioniβkay G1732 14 → krikβczoniβkay G1735 16; ne kenčiu G1732 199 → ne kenczu G1735 230; entretanto G1732 204, 205 → taczau G1735 238; mylėčiau G1732 206 → myleczau G1735 239; βiós G1732 376 → G1735 βós 67. Para marcar as consoantes [ž] e [ž’], em vez de <з>, emprega-se sistematicamente o grafema com diacrítico <ž>, isto é, [ž] e [ž’] <з> → <ž>, por exemplo: Žmones G1732 8 → Žmones G1735 11; Žémės G1732 199 → Žémės G1735 230; Žodij’ G1732 204 → Žodij’ G1735 237. É verdade que esse grafema já ocorria ocasionalmente em G1732. Também se alterou a grafia da africada [dž], isto é, <dз> → <dž>, por exemplo: fyndžufi G1732 401 → fyndžufi G1735 321; paffidžaugdama G1732 401 → paffidžaugdama G1735 321; faldžey G1732 357 → faldžey G1735 395. A vogal [eː] é cada vez mais representada pelo grafema criado por Klein <ė>, isto é, [eː] <e> → <ė>, por exemplo: tewiβkay G1732 199 → tewiβkay G1735 230; tyleti G1732 199 → tylėti G1735 230; paƒleptas G1732 343 → paƒlēptas G1735 382. Corrigiu-se a grafia de algumas formas morfológicas. Assim, foi corrigida a grafia da terminação da 3.ª pessoa do modo optativo depois da consoante <j>: te ƒmarkauje G1732 199 → te ƒmarkauja G1735 230; te ruƒtauje G1732 199 → te ruƒtūja G1735 230. Também se alterou a grafia dos particípios presentes formados com o sufixo -ant depois da mesma consoante: ƒaugojent G1732 199 → ƒaug ojant G1735 229; lojent G1732 199 → lojant G1735 229. Emprega-se cada vez mais o acento agudo, que marcava não apenas um modo de pronunciar as vogais mais aberto e mais longo⁷⁹, mas também a sílaba tônica e, colocado sobre ditongos e grupos vocálicos mistos, pressupunha igualmente o contorno ascendente, por exemplo: gelbti G1732 8 → gélbti G1735 11; Meilės G1732 199 → Meílės G1735 230; gers G1732 204 → gę́rs G1735 237; galim G1732 343 → gálim G1735 381; Pakajaus ‘ramybės’ G1732 402 → Pakājaus G1735 321; ten G1732 357 → tén G1735 395. Há pouquíssimas correções no nível fonético. Em geral, corrigem-se casos de confusão entre [eː] e [ie], [oː] e [uo], surgidos devido ao traço característico dos subdialetos dos aukštaičiai ocidentais da Prússia-Lituânia ⁷⁷ Para mais detalhes sobre as tendências de edição dos hinos publicados na edição de 1735, ver Triškaitė 2020: 62–67. ⁷⁸ Ver Klein 1653: 4–5. ⁷⁹ Ver Klein 1653: 2. 18 devido à pronúncia mais semelhante desses sons, isto é, à ditongação de [eː], [oː] e à monoftongação de [ie], [uo], por exemplo: apgiedints G1732 382 → apgiedints G1735 141; Liėpna G1732 205 → Liėpna G1735 239; nekaddõs G1732 205 → niekaddõs G1735 239; Waldūnui ‘ao soberano’ G1732 9 → Waldonui G1735 12. Ocorrem correções no nível morfológico. Por exemplo, corrige-se a terminação do inessivo plural dos substantivos e adjetivos, por exemplo: iness. pl. m. Elgimūfa G1732 8 → Elgimūfe G1735 11; Wargūfa G1732 8 → Wargūfe G1735 11. Essa orientação das correções provavelmente foi inspirada pela regra estabelecida na gramática de Klein de que, nas formas do inessivo plural, se escreve –sa para o gênero feminino e – –se para o masculino⁸⁰. Também merece menção a substituição do prefixo pavedinys pelo suvedinys: paffigriebijom ‘pecamos’ G1732 205 → fu̇ffigriebijom G1735 239. É verdade que essa correção também pode estar associada a motivos estilísticos. A esse tipo de correção provavelmente se liga ainda a alteração da forma do advérbio, com a eliminação da partícula g(i), acrescentada de modo atípico: Dėl’ to G1732 8, 9 → Dėl to G1735 11, 12. A lexicografia foi alterada algumas vezes: ô G1732 8, 381 → ir G1735 11, 141; Márȯfe G1732 205 → Iurȯfe G1735 239; Patėba G1732 356 → Pagalba G1735 394. Foram corrigidos os erros tipográficos restantes de G1732, por exemplo: Skanũmmo G1732 206 → Skanũmmo G1735 239; Ėkiti G1732 199 → Ėkiti G1735 230. É provável que os seguintes casos também pertençam aos erros tipográficos: acc. sg. f. Karaly̆te G1732 344 → Karaly̆te G1735 382; Ranką G1732 375 → Ranką G1735 66; Naktì G1732 403 → Naktì G1735 322; acc. sg. m. Iẽžų G1732 401 → Iẽžų G1735 321. 4.3. Como mencionado, atualmente não se conhece nenhum exemplar sobrevivente da terceira (1738) e da quarta (1740) edições do hinário de Kvanto-Berento; portanto, não há dados sobre como os hinos de Ruigys foram editados nelas, nem mesmo se foram editados. 4.4. As novas tendências editoriais refletem-se nos hinos de Ruigys na quinta (1745) edição do hinário de Kvanto-Berento. Em primeiro lugar, deve mencionar-se que foram observadas correções inversas regulares em relação à segunda edição. Assim, a africada representada por duas letras <dž> → <dž>, por exemplo: Džaugfmas G1732 199, G1735 229 → Džaugfmas G1745 252; Džaugfmui G1732 200, G1735 230 → Džaugfmui G1745 252; Džaugfma G1732 205, G1735 238 → Džaugfma G1745 261; ne geidžiu G1732 204, ne geidžiu G1735 238 → ne geidžiu G1745 261; Kerdžus ‘pastor’ G1732 204, G1735 238 → Kerdžus G1745 261; atleidž G1732 205, atleidž G1735 238 → atleidž G1745 261; Sudžia ‘juiz’ G1732 343, Sudža G1735 382 → Sudža G1745 398; glaudžey G1732 375, G1735 66 → glaudžey G1745 71; didžų G1732 403, G1735 322 → didžų G1745 334. A mesma tendência mantém-se também em outros casos semelhantes, por exemplo: Sźlowės G1732 375, G1735 66 → Sźlowės G1745 71; Grožybe G1732 401, G1735 321 → Grozybe G1745 333. No uso do acento agudo há variação. Por um lado, em G1745 continuam os esforços, já visíveis em G1735, para distribuir esse diacrítico, que geralmente marca uma pronúncia mais aberta e mais longa dessas vogais ou uma sílaba tônica e, juntamente com isso, o tom descendente, por exemplo: Skarbas ‘riqueza’ G1732 199, G1735 ⁸⁰ Ver Klein 1653: 29. 19 230 → Skárbas G1745 252; Darbas G1732 199, G1735 230 → Dárbas G1745 252; Lutas ‘leão’ G1732 204, G1735 238 → Lút[as] G1745 251. Por outro lado, registraram-se casos opostos: durnódams ‘fazendo tolices’ G1732 199, G1735 230 → durnodams G1745 252; begédodams G1732 199, G1735 230 → begiedod[ams] G1745 252; Mónai ‘engano’ G1732 199, G1735 230 → Monai G1745 252. Diferentemente das edições anteriores, na quinta evidencia-se a tendência de abandonar o acento agudo no sufixo verbal -oti, bem como o circunflexo na raiz e nos sufixos das palavras, por exemplo: jėbḱoti G1732 204, G1735 238 → jėbkoti G1745 261; kilnóti G1732 13, G1735 16 → kilnoti G1745 17; paƒƒidabóti ‘proteger-se’ G1732 204, G1735 238 → paƒƒidaboti G1745 261; kôl G1732 375, G1735 66 → kol G1745 71; nôr G1732 199, G1735 230 → nor G1745 252; apƒaugôt G1732 8, G1735 11 → apƒa[u]got’ G1745 12; žaibôt G1732 199, G1735 230 → žaibot G1745 252. Nova nesta edição é também a mudança sistemática na grafia dos pronomes jis e tu, empregados na frase em lugar dos nomes Dievas e Jėzus, Kristus: anteriormente eram geralmente escritos com inicial maiúscula, enquanto em G1745 aparece sempre a minúscula, por exemplo: Iis G1732 200, G1735 230 → jis G1745 253; Io G1732 204, G1735 238 → jo G1745 260; Iam G1732 401, G1735 321 → jam G1745 333; Į G1732 381, G1735 141 → jį G1745 148; Taw G1732 344, G1735 382 → taw G1745 398; Tawẽs G1732 199, Tawęs G1735 229 → taw[ęs] G1745 252; Tawe G1732 357, Tawę G1735 395 → tawę G1745 409; Tu G1732 356, G1735 395 → tu G1745 409; Tawęƒpi G1732 357, G1735 395 → tawępi G1745 409; Tawim’ G1732 357, G1735 395 → tawim’ G1745 409. Há uma tendência a escrever com inicial minúscula as formas substantivadas de adjetivos e pronomes demonstrativos: Gerruiũ G1732 356, 357, G1735 394, 395 → ger[r]uiũ G1745 408, gerru[ũ] G1745 409; Pikteji G1732 344, G1735 382 → piktieji G1745 398 (neste exemplo observa-se também a substituição de <e> por <ie>); Sawujũ G1732 357, G1735 395 → ƒawu[jũ] G1745 409; Smutnujũ ‘dos tristes, dos abatidos’ G1732 381, G1735 141 → ƒmutnujũ G1745 148 (cf. o adjetivo Sudnoj ‘do juízo final’ G1732 382, G1735 141 → ƒudnoj’ G1745 149). Procurou-se refletir de modo mais consequente as terminações reduzidas por meio do apóstrofo, por exemplo: Swiets G1732 199, G1735 230 → Swiet’s G1745 252; atƒtôkit G1732 199, G1735 230 → atƒtokit’ G1745 252; dũkit G1732 199, G1735 230 → dũkit’ G1745 252; iƒklút ‘escapar, salvar-se’ G1732 205, G1735 238 → iƒklút’ G1745 261; priim G1732 205, G1735 239 → priim’ G1745 261; kreipkit G1732 376, G1735 67 → kreipkit’ G1745 71; gywen G1732 382, gywẽn G1735 141 → gywẽn’ G1745 149; užmiegt G1732 402, G1735 321 → užmiegt’ G1745 334. O apóstrofo também é escrito no lugar de uma vogal “eliminada” por razões métricas: Prieƒpinks G1732 199, G1735 230 → Prieƒp’nink’s G1745 252. Como anteriormente, há correções no nível fonético: corrigiram-se casos de confusão entre [ęː] e [ie], [oː] e [uo], por exemplo: dowanója G1732 8, G1735 11 → dowanoja G1745 13; Nėkai G1732 199, G1735 230 → Niekai G1745 252; paƒilėkt G1732 205, G1735 238 → paƒiliekt G1745 261; Piktieji G1732 344, G1735 382 → piktieji G1745 398; elgũs G1732 344, G1735 382 → elgùs G1745 398; dėƒos G1732 381, G1735 141 → deƒùs G1745 148. G1745 atesta que, nesta edição (ou talvez já na anterior, de 1740), foi corrigido o início do hino de Ruigys “Jesus, minha alegria”, cuja edição ele outrora havia criticado 20 (ver seção 4.1): Iɛӡau mano Dӡaugfmas, ir Sӡirdies Penukblas G1732 199, G1735 229 → Iɛӡau Dӡaugfmas mano, kurs man Sӡirdi gano G1745 252. Menciona-se também que esta edição apresenta mudanças no nível gráfico: provavelmente devido às possibilidades da tipografia, a vogal [ɛ·] junto ao acento <ė> começa a ser marcada alternadamente também como <ė>, embora o valor fonético permaneça o mesmo, por exemplo: atėjo G1732 13, G1735 16 → atėjo G1745 16. 4.5. A sexta edição (1748), isto é, a última do chamado hinário de Kvanto–Berento, difere pouco da quinta (1745); as poucas correções registradas nos hinos de Ruigys refletem essencialmente os mesmos princípios editoriais aplicados em G1745. Uma ou outra mudança parece ocorrer apenas no nível da pontuação ou na disposição de diacríticos isolados. 4.6. Nos hinos de Ruigys publicados no chamado hinário clássico de Schimmelpenning, tampouco se observam novas orientações editoriais significativas (cf. G1748 e G[1752], G1757). Ainda assim, encontram-se aqui correções isoladas de diversos tipos, por exemplo, elimina-se a partícula reflexiva redundante: nef’ bijokis G1732 204, G1735 238, G1745 260, G1748 260 → nebijokis G[1752] 260, nebijokis’ G1757 260; a conjunção o é ocasionalmente substituída pelas conjunções bet ar ir: ô wey G1732 204, o wey G1735 238, G1745 260, G1748 260, G[1752] 260 → bet wey G1757 260; ô G1732 204, o G1735 238, G1745 261, G1748 261, G[1752] 261 → ir G1757 261; também se corrigem construções sintáticas: Tai dara Dwaſe βwencziama G1732 9, Tai dara Dwaſe βwenczama G1735 12, tai dara Dwaſe βwencзama G1745 13, G1748 13 → tai Darb’s Dwaſės βwentinnancзós G[1752] 13, G1757 13 etc. Convém mencionar que, nos hinários de Schimmelpenning, muda a grafia de alguns tipos de letra; mais precisamente, os tipos que marcam as vogais nasais com uma barra são substituídos por tipos com “til”: <ą> → <ą>, <ę> → <ę> (contudo, permanecem com barra os tipos que marcam as outras duas vogais nasais <į> e <ų>), por exemplo: Diewą G1732 8, G1735 11, G1745 12, G1748 12 → Diewą G[1752] 12, G1757 12; mielą G1732 8, G1735 11, G1745 12, G1748 12 → mielą G[1752] 12, G1757 12; Mergėlę G1732 13, G1735 16, G1748 16 → Mergėlę G[1752] 17, G1757 17. 4.7. Nos hinos de Ruigys publicados no hinário editado por Keber e publicado em 1832, em comparação com os textos ainda editados pelo próprio Schimmelpenning no início da segunda metade do século XVIII, já se observam importantes inovações editoriais⁸¹. Primeiramente, deve-se mencionar a tendência crescente de abandonar a duplicação de consoantes que marcava a brevidade da vogal da sílaba precedente, por exemplo: dangįʃkaffis G1732 205, G1735 239, G1745 261, G1748 261, G[1752] 261, G1757 261 → dangįʃkafis G1832 300; diddeli G1732 205, G1735 239, G1745 262, G1748 262, G[1752] 262, G1757 [2]62 → dideli G1832 300; labbay G1732 205, G1735 239, G1745 262, G1748 262, G[1752] 262, G1757 [2]62 → labay G1832 300; Meddus G1732 200, G1735 230, G1745 253, G1748 253, G[1752] 253, G1757 253 → Medus G1832 289; mielaffis G1732 8, G1735 11, G1745 12, G1748 12, G[1752] 12, G1757 12 → mielafis G1832 14; tikkrafis G1732 8, G1735 11, G1745 12, G1748 12, G[1752] 12, G1757 12 → tikrafis G1832 14, embora a variedade ainda ⁸¹ Sobre as características linguísticas do hinário de Keber, ver Kabašinskaitė 2001: 45–47. 21 inevitável. As consoantes duplas são mantidas de modo bastante sistemático nos sufixos –immas e –ummas dos abstratos⁸², por exemplo: Suffimėgtumas G1732 8, G1735 11, G1745 12, G1748 12, G[1752] 12, G1757 12 → Sufimėgtumas G1832 15. Também se retorna gradualmente à marcação da palatalização das consoantes pela letra <i>⁸³, por exemplo: mylėčiau G1732 206, mylėčiau G1735 239, G1745 262, G1748 262, G[1752] 262, G1757 [2]62 → mylėčiau G1832 300; Kerdžus G1732 204, G1735 238, Kerdžus G1745 261, G1748 261, Kerdžus G[1752] 261, G1757 261 → Kerdžius G1832 299; Klyftančiųjų G1732 204, Klyftanczjų G1735 238, G1745 261, G1748 261, G[1752] 261, G1757 261 → Klyftancziujų G1832 299; ne geidžiu G1732 204, ne geidžų G1735 238, ne geidzu G1745 261, G1748 261, G[1752] 261, G1757 261 → ne geidžiu G1832 299. Convém lembrar que, na primeira edição do hinário de Kvanto-Berento, em certos casos, sobretudo após a consoante <č>, a africada <dž>, seguindo as regras declaradas por Kleinas, esse sinal que refletia a palatalização das consoantes já era utilizado. Entre as correções de outro tipo, cabe mencionar a alteração do caso: Garbe taw Diewui wiffaday G1732 8, G1735 11, Garbe taw, Diewui wiffaday G1745 12, G1748 12, G1757 12 → Garbe taw, Diewe, wiffaday G1832 14. Também convém mencionar uma mudança no nível gráfico – a alternância dos tipos usados para representar a vogal [e:], isto é, <ė> → <ė>, por exemplo: Tėwa G1732 8, G1735 11, G1748 12, Tėwą G[1752] 12, G1757 12 → Tėwą G1832 14; Iėzus G1732 13, G1735 16, G1748 16, G[1752] 16, G1757 16 → Iėzus G1832 16(c); norėjo G1732 13, G1735 16, G1748 16, G[1752] 16, G1757 16 → norėjo G1832 16(c); mylėti G1732 14, G1735 16, G1748 17, G[1752] 17, G1757 17 → mylėti G1832 16(c). 4.8. Talvez a característica mais marcante da edição de Kuršaitis, refletida nos hinos de Ruigys, seja a eliminação ainda mais coerente e radical das consoantes duplas, por exemplo: Gerrummo G1732 205, G1735 239, G1745 262, G1748 262, G[1752] 262, G1757 [2]62, Gerrummo G1832 300 → Gerumo G1877 262; prigimmęs G1732 204, G1735 238, G1745 260, G1748 260, prigimmęs G[1752] 260, G1757 260, G1832 299 → prigimęs G1877 260; wiffaday G1732 8, G1735 11, G1745 12, G1748 12, G[1752] 12, G1757 12, G1832 14 → wiffaday G1877 12, embora ocasionalmente ainda escapem exemplos da ortografia anteriormente usual. Também se retorna de modo ainda mais decidido à marcação sistemática da palatalização das consoantes pelo grafema <i>, por exemplo: Žmonių ‘pessoas’ G1732 9, G1735 12, G1745 13, Žmonių G1748 13, G[1752] 13, G1757 13, G1832 15 → Žmonių G1877 13; įsneboti G1732 13, G1735 16, G1745 17, G1748 17, G[1752] 17, G1757 17, G1832 16(c) → įsnebioti G1877 17; krikščioniškay G1732 14, krikščioniškay G1735 16, G1745 17, G1748 17, G[1752] 17, G1757 17, G1832 16(c) → krikščioniškay G1877 17; Awėlų G1732 204, G1735 238, G1745 261, G1748 261, G[1752] 261, G1757 261, G1832 299 → Awėlių G1877 261; Angelėlams G1732 205, G1735 ⁸² Como no hinário de Keberis os abstratos com os sufixos –immas e –ummas ainda são escritos com consoantes duplas, veja Kabašinskaitė 2001: 45. ⁸³ No hinário de Keberis, o sinal de palatalização foi introduzido após as consoantes palatais [č’], [dž’], [š’], [ž’] (Kabašinskaitė 2001: 45). 22 238, G1745 261, G1748 261, G[1752] 261, G1757 261, Angėlams G1832 300 → Angėlėliams G1877 261. Começam a ser usadas letras com til ou <u> com circunflexo na penúltima sílaba das formas pronominais correspondentes, por exemplo: acc. sg. f. Sz̄wentaje G1732 13, G1735 16, [βω]entaje G1745 17, βwentaje G1748 17, G[1752] 17, G1757 17, βwentaje G1832 16(c) → βwentaje G1877 17; acc. sg. m. mieląjį G1732 13, G1735 16, G1745 17, G1748 17, G[1752] 17, G1757 17, mieląjį G1832 16(c) → mieląjį G1877 17; gen. pl. Gundintujų G1732 205, G1735 238, G1745 261, G1748 261, G[1752] 261, G1757 261, Gundintujų G1832 299 → Gundintujų G1877 261; gen. pl. Bėdnujų ‘dos pobres’ G1732 8, G1735 11, G1745 13, B[ẽ]dnujų G1748 13, Bėdnujų G[1752] 13, G1757 13, B[ẽ]dnujų G1832 14 → Bėdnujų G1877 13. Corrigem-se os casos de confusão entre [ė] e [ie], por exemplo: teber G1732 204, teb er G1735 237, tebėr G1745 260, teb[ė]r G1748 260, tebėr G[1752] 260, G1757 260, tebėr G1832 299 → tebier G1877 260; praes. 2 sg. wertės G1732 204, G1735 238, wert[ẽ]s G1745 260, wertės G1748 260, wertės G[1752] 260, G1757 260, wertės G1832 299 → werties G1877 260; Ne wienėms Gerrėm’s G1732 204, G1735 238, G1745 261, G1748 261, Ne wienėms Gerrėm’s G[1752] 261, G1757 261, Ne wienėms Gerėm’s G1832 299 → Ne wieni ems Gerėm’s G1877 261; nėkin G1732 205, G1735 238, G1745 261, G1748 261, G[1752] 261, G1757 261, nėkin G1832 299 → niekin G1877 261. Entre as correções no nível morfológico, cumpre mencionar que, no hino de Ruigys «Jėzus miels atėjo», o derivado com o sufixo -ėlis foi substituído por um derivado com o sufixo -ulis: Pawargelis G1732 13, G1735 16, Pawargėlis G1745 17, G1748 17, G[1752] 17, G1757 17, Pawargelis G1832 16(c) → Pawargulis G1877 17. 4.9. No último hinário evangélico luterano publicado antes da Segunda Guerra Mundial, Pagerintos giesmių knygos, impresso em 1936 na então Klaipėda, já pertencente à República da Lituânia, pela tipografia «Lituania», não se observam novas tendências editoriais nos hinos de Ruigys. Apenas se observaram de modo ainda mais consequente os princípios de edição linguística aplicados já no século XIX; por exemplo, foram corrigidos os casos de duplicação de consoantes que haviam escapado às edições anteriores (sobretudo com <<ff>>) e o sinal que marca a palatalização das consoantes <i> foi empregado com ainda maior rigor. É verdade que a variante laboriosamente proposta por Kuršaitis, paůargulis, não foi aceita; retornou-se ao derivado outrora usado com o sufixo –ėlis — pavargėlis. A palavra marios foi substituída por marės e flexionada segundo outro paradigma. A pontuação também foi revista: os limites das frases foram redefinidos, enquanto, no interior da frase, sua segmentação foi precisada ou foram escolhidos outros sinais de pontuação (por exemplo, dois-pontos em vez de ponto e vírgula). Segundo Domas Kaunas, devido à sua extensão excepcionalmente grande (696 hinos), este hinário foi avaliado desfavoravelmente. Além disso, a sociedade da época não chegava a acordo quanto à língua dos hinos, que ao longo de vários séculos já se havia afastado consideravelmente do uso efetivo: a geração mais velha dos fiéis queria preservar a estabilidade e não aprovava as mudanças linguísticas, ao passo que a intelligentsia exigia que a língua do hinário fosse cuidadosamente editada segundo as normas da época; mais ainda, propunha-se abandonar o tipo gótico em favor do 23 tipo latino⁸⁴. Como demonstram as pesquisas de Darius Petkūnas, o consistório evangélico luterano da Lituânia, colaborando com o consistório evangélico reformado da Lituânia, procurou preparar um hinário ecumênico em língua padrão, mas a nova coletânea de hinos foi impressa em 1942 apenas pelos reformados⁸⁵. Sem aprofundar a questão de como os organizadores do hinário ecumênico conseguiram realizar seus objetivos, por que os luteranos não o abrangeram, nem analisar os hinários evangélicos luteranos que funcionaram na Lituânia e na diáspora na segunda metade do século XX, pode-se ainda dizer brevemente que, ao longo dos três séculos de existência dos hinos de Ruigys, eles foram editados com maior intensidade na preparação do atual hinário luterano Krikščioniškos giesmės (2007): aqui, os 8 textos publicados sob o nome de Ruigys alteraram mais profundamente sua forma original. O caráter da edição não é apenas linguístico (isto é, corrigiram-se ortografia, pontuação, léxico, morfologia e sintaxe), mas abrange também a expressão artística; além disso, há mudanças estruturais (isto é, reduziu-se o número de estrofes). Entre os hinos incorporados há não apenas traduções, mas também um hino criado pelo próprio Ruigys, «Dvasia Dievo tu šventoji», embora consideravelmente abreviado: das 13 estrofes, restaram 6. Segundo os organizadores do novo hinário, o objetivo de preservar o patrimônio cultural da hinódia lituana e incluir hinos antigos no repertório da coletânea, mas ao mesmo tempo responder às necessidades atuais da comunidade luterana, obrigou inevitavelmente a editar os textos antigos de maneira mais radical: não apenas abandonar estrangeirismos lexicais e sintáticos, bem como palavras arcaicas e suas formas, mas também assegurar uma versificação fluente, observando as regras métricas, adaptar o texto do hino à melodia, isto é, ajustar o ritmo da melodia à acentuação natural da língua correta, buscar a melhor articulação possível dos textos durante o canto e, evitando a repetição do conteúdo, reduzir o número de estrofes, entre outras medidas.⁸⁶ 5. CONCLUSÕES 1. A análise baseada em fontes primárias permitiu reconstruir a contribuição de Ruigys para a expansão do repertório do hinário eclesiástico evangélico luterano oficial. Por um lado, revelou que o hinário lituano foi ampliado gradualmente com hinos traduzidos e compostos por Ruigys. Por outro, confirmou a afirmação de Ostermejeris, autor da primeira história dos hinários lituanos, Erste Littauische Liedergeschichte (1793), de que Ruigys deu ao hinário lituano, ao todo, 12 hinos. 2. Os hinos de Ruigys, publicados pela primeira vez no hinário de Behrendt ĮB naujo pėrweizdėtos ir pagėrintos Giesmū-Knygos (Königsberg, ¹1732), tornaram-se parte estável do repertório do hinário eclesiástico evangélico luterano oficial lituano e alcançaram não apenas a quarta década do século XX, mas alguns deles, embora em forma consideravelmente atualizada, chegaram até os nossos dias. ⁸⁴ Para a avaliação então feita das Pagerintų giesmių knygų publicadas em Klaipėda em 1936 e anteriormente (em 1930), bem como para os objetivos da intelligentsia, ver Kaunas 1996: 618–619. ⁸⁵ Para mais informações sobre os esforços dos evangélicos luteranos antes da guerra para publicar um hinário em lituano padrão, ver Petkūnas 2012: 7–26; sobre o hinário ecumênico preparado conjuntamente por luteranos e reformados e a coletânea de hinos aprovada e impressa apenas pelos reformados em 1942, ver Petkūnas 2019: 41–68; sobre o hinário preparado durante o período soviético segundo as normas da língua padrão e suas três edições (Maldų ir giesmių knygelė ¹1956, Giesmių ir maldų knygelė ²1982, ³1988), ver Petkūnas 2023: 54–77. ⁸⁶ Para mais detalhes sobre os princípios editoriais do novo hinário evangélico luterano Krikščioniškos giesmės, ver Kiseliūnaitė 2012: 59–65. 24 3. Diferentemente do que Biržiška pensava, na primeira edição (1732) do chamado hinário de Kvantas-Berentas foram publicadas 9 canções religiosas de Ruigys (como já haviam sugerido as pesquisas de Michelini). Elas constituíam aproximadamente 12% dos novos hinos dessa edição. Exatamente o mesmo número foi publicado também na segunda edição (1735). Ainda não há dados sobre as canções religiosas de Ruigys nas edições terceira (1738) e quarta (1740), pois atualmente não se conhece nenhum exemplar dessas edições. Contudo, a análise realizada revelou que, até meados do século XVIII, o repertório do hinário oficial foi ampliado com novas canções religiosas de Ruigys: na quinta edição (1745) foram publicadas mais 3 de suas canções, ou seja, o número total aumentou para 12. Assim, aproximadamente a partir da quinta década do século XVIII, todas essas canções religiosas de Ruigys foram reimpressas até as vésperas da Segunda Guerra Mundial: na última edição do Pagerintos giesmių knygos (Klaipėda, 1936) ainda se encontram 12 canções religiosas de Ruigys. Elas também estão presentes no atual hinário evangélico luterano Krikščioniškos giesmės (Vilnius, 2007), embora em um terço a menos — 8, entre elas a canção religiosa original de Ruigys, “Dvasia Dievo tu šventoji”, ainda que consideravelmente abreviada e editada. Essa continuidade das canções religiosas de Ruigys por quase três séculos atesta sua durabilidade e relevância para a comunidade luterana atual. 4. As canções religiosas de Ruigys foram publicadas não apenas no hinário evangélico luterano oficial: por exemplo, algumas delas foram publicadas na coletânea de hinos de Ostermejeris Giesmės βwentos Bažnyčioje ir Namėję giedojamos (Karaliaučius, 1781), e todas as 12 foram incorporadas à coletânea de Milk aus Senos ir naujos krikščioniškos Giesmės (Karaliaučius, 1806). 5. A partir da primeira edição (1732) do hinário de Kvantas-Berentas, as canções religiosas de Ruigys foram editadas em maior ou menor grau. A análise da edição dessas canções religiosas nos hinários dos séculos XVIII–XX e da primeira metade do século XX revelou que, em essência, predominavam as correções linguísticas. Elas abrangiam vários níveis: corrigiam-se sobretudo a ortografia e a pontuação, mas ocasionalmente também ocorriam correções de fonética, morfologia, léxico e sintaxe. Algumas correções podem ter sido motivadas por razões estilísticas. É provável que as tendências mais marcantes de correção das canções religiosas de Ruigys aqui discutidas também refletissem as tendências gerais de edição de determinados hinários, bem como as concepções linguísticas de seus editores, que se modificaram ao longo do tempo. ŠALTINIAI G1732: Iß naujo pérweizdėtos ir pagerintos Giefmû=Knygos [Newly Revised and Improved Hymn Books] / kurrûſe brangiaûſos fėnos ir naujos Giefmes ſuraßytos / Diewui ant Garbės / ir Prūſû Karalystėje eſantiems Lietuwininkams ant Dubû Ißgânimo / podraug ſu Maldû=Knygomis / kurrûſe ne tiktay fėnos, bet ir naujos Maldos randamos yra, Karalaucźuie, Anno 1732. Ißpaustos Jono Prideriko Reufnero; SBB PK: En 9820. (Internetinis leidinys: Jonas Berentas, Iš naujo perveizdėtos ir pagerintos giesmių knygos, 1732, dokumentinį perrašą ir žodžių formų konkordancijas par. B. Triškaitė, V. Zinkevičius, Vilnius: Lietuvių kalbos institutas, 2025. Prieiga internete: https://senie jirastai.lki.lt.) G1735: Iß naujo pérweizdėtos ir pagerintos Giefmû=Knygos [Newly Revised and Improved Hymn Books] / kurrûſe brangiaûſos fėnos ir naujos Giefmes ſuraßytos / Diewui ant Garbės, ir Prūſû Karalystėje eſantiems Lietuwininkams ant Dubû Ißgânimo, podraug ſu 25 Maldū=Knygomis, kurrūfe ne tiktay fėnos, bet ir naujos Maldos randamos yra. Antra Karta išspāu̇tos Karalāučzuje, Mėte 1735. <...>; NK ČR: 33 K 139. G1745: Iß naujo pérweizdėtos ir pagėrintos Giefmû=Knygos [Newly Revised and Improved Hymn Books] / kurrūfe brangiáufos fėnos ir naujos Giefmes furaßytos, Diewui ant Garbės ir Prufû Karalyftėje eßantiems Lietuwininkams ant Dubû Ißgánimo podraug fu Maldū=Knygomis, kurrūfe ne tiktay fėnos, bet ir naujos Maldos randamos yra. Penkta Karta išßpáuftos Karaláučzuje, Mėte 1745. Raßtais Reufneraus; Rusijos mokslų akademijos biblioteka Sankt Peterburge: Л6 1044; LNB: MF 67–69 (mikrofilmas). G1748: Iß naujo pérweizdėtos ir pagėrintos Giefmû=Knygos [Newly Revised and Improved Hymn Books], kurrūfe brangiáufos fėnos ir naujos Giefmes furaßytos, Diewui ant Garbės ir Prufû Karalyftėje eßantiems Lietuwininkams ant Dubû Ißgánimo podraug fu Maldū=Knygomis, kurrūfe ne tiktay fėnos, bet ir naujos Maldos randamos yra. Szeßta Karta išßpáuftos, Karaláučzuje, Mėte 1748. Raßtais Karalaus; SBB PK: En 9822. G[1752]: [Iß naujo pérweizdėtos ir pagėrintos Giefmû=Knygos [Newly Revised and Improved Hymn Books], kurrūfe brangiáufos fėnos ir naujos Giefmes furaßytos, Diewui ant Garbės ir Prufû Karalyftėje eßantiems Lietuwininkams ant Dubû Ißgánimo podraug fu Maldū=Knygomis, kurrūfe ne tiktay fėnos, bet ir naujos Maldos randamos yra. <...>, Karaláuczjuje, Mėte <...>]; LLTIB: B 1956 (def., pavadinimas pateiktas pagal 1748 m. leidimą). G1757: Iß naujo pérweizdėtos ir pagėrintos Giefmû=Knygos [Newly Revised and Improved Hymn Books], kurrūfe brangiáufos fėnos ir naujos Giefmes furaßytos, Diewui ant Garbės ir Prufû Karalyftėje eßantiems Lietuwininkams ant Dubû Ißgánimo podraug fu Maldū=Knygomis, kurrūfe ne tiktay fėnos, bet ir naujos Maldos randamos yra. Dewintą Karta išßpáuftos, Karaláuczjuje: Raßtais išßpáuftas pas Ioną Endr. Artungą, Mėte 1757; Rusijos nacionalinė biblioteka Sankt Peterburge; LMAVB: Mf 391 (mikrofilmas). G1832: Iß naujo pérweizdėtos ir pagėrintos Giefmû=Knygos [Newly Revised and Improved Hymn Books], kurrofa brangiáufos fėnos ir naujos Giefmes furaßytos Diewui ant Garbės ir Prufû Karalyftėje eßantiems Lietuwininkams ant Dubû Ißgánimo podraug fu Maldū=Knygomis, kurrofa ne tiktay fėnos, bet ir naujos Maldos randamus yra, Karaláuczjuje: Ißpáuftos karalißkoje Knyg=Drukkawonėjo Artungo. Prieiga internete: www.epaveldas.lt [žiūrėta 2025–10–20]. G1877: Pagėrintos Giefmîų=Knygos [Improved Hymnal], kuriofá brangiáufos fėnos ir naujos Giefmės furaßytos Diewui ant Garbės ir Prufû Karalyftėje eßantiemsiems Lietuwininkams ant Dubû Ißgánimo podraug fu Maldū=Knygomis, kuriofia ne tiktay fėnos, bet ir naujos Maldos randamos yra. Iß Naujo pérweizdėtos per F. Kurßatį, Lietuwininkų Kunigą Karaláuczjuje, Königsberg, 1877. Hartungfche Zeitungs= und Verlags=Druckerei. Prieiga internete: www.epaveldas.lt [žiūrėta 2025–10–20]. G1936: Pagerintos Giefmių Knygos [Improved Hymnal], kuriofe brangiáufos fėnos ir naujos Giefmės furaßytos Diewui ant Garbės ir Lietuwininkams ant Dubių Ißgánymo podraug fu Maldū Knygomis bei nauju trecziosios Dalies Papildymu. Naujai išleido Klaipėdos Krašto 26 Evangelі̆koji Konfistorija 1936 Metais. Spausdinta Įpautuwėje „Lituania“, Klaipėda, Palangos gatvė 23/24. Prieiga internete: www.epaveldas.lt [žiūrėta 2025–10–20]. G2007: Kri̇kščioniškos giesmės [Christian Hymns], sud. L. Fetingis, redakcijos komisija: D. 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Dear Reader, Beloved in Christ!] – Iß naujo pérweizdėtos ir pagérintos Gieſmũ=Knygos, kur-rūſe brangiáuſos fénoſ ir naujos Gieſmės ſuraßytos / Diewui ant Garbės, ir Pruſũ Karalyſteje efantiems Lietuwninkams ant Dubû Ißgánimo, podraug ſu Maldũ=Knygomis, kur-rūſe ne tiktay fénoſ, bet ir naujos Maldos randamos yra. Antra Karta ißßpáuſtos Karaláucżuje, Mėte 1735. <...>, [III–X]. Quandt Johann Jacob 1745–05–01: I. N. I. In Christo hertzlich geliebter Leser! [I. N. I. Dear Reader, Beloved in Christ!] – Iß naujo pérweizdėtos ir pagérintos Gieſmũ=Knygos / kur-rūſe brangiáuſos fénoſ ir naujos Gieſmės ſuraßytos, Diewui ant Garbės ir Pruſũ Karalyſteje efantiems Lietuwninkams ant Dubû Ißgánimo podraug ſu Maldũ=Knygomis, kur-rūſe ne tiktay fénoſ, bet ir naujos Maldos randamos yra. Pénkta Karta ißßpáuſtos Karaláucżuje, Mėte 1745. Raßtais Reufneraus, [II–VII]. Quandt Johann Jacob 1748–03–01: I. N. I. In Christo hertzlich geliebter Leser! [I. N. I. Dear Reader, Beloved in Christ!] – Iß naujo pérweizdėtos ir pagérintos Gieſmũ=Knygos, kur-rūſe brangiáuſos fénoſ ir naujos Gieſmės ſuraßytos, Diewui ant Garbės ir Pruſũ Karalyſteje efantiems Lietuwninkams ant Dubû Ißgánimo podraug ſu Maldũ=Knygomis, kur-rūſe ne tiktay fénoſ, bet ir naujos Maldos randamos yra. Szęßtą Karta ißßpáuſtos, Karaláucżuje, Mėte 1748. Raßtais Karalaus, [II–XIII]. Quandt Johann Jacob 1757–09–04: I. N. I. In Christo hertzlich geliebter Leser! [I. N. I. Dear Reader, Beloved in Christ!] – Iß naujo pérweizdėtos ir pagérintos Gieſmũ=Knygos [Newly Revised and Improved Hymn Books], kur-rūſe brangiáuſos fénoſ ir naujos Gieſmės ſuraßytos, Diewui ant Garbės ir Pruſũ Karalyſteje efantiems Lietuwninkams ant Dubû Ißgánimo podraug ſu Maldũ=Knygomis, kur-rūſe ne tiktay fénoſ, bet ir naujos Maldos randamos yra. Dewintą Karta ißßpáuſtos, Karaláucżuje: Raßtais ißßpáuſtas pas Ioną Endr. Artungą, Mėte 1757, 1v–[8r]. Ruhig Philipp 1744–05–11: Vorrede des Autoris [Author’s Preface]. – Littauiſch=Deutſches und Deutſch=Littauiſches Lexicon, Worinnen ein hinlänglicher Vorrath an Wörtern und Redensarten, welche ſowol in der H. Schrift, als in allerley Handlungen und Verkehr der menſchlichen Geſellſchaften vorkommen, befindlich iſt: <...> von Philipp Ruhig, Pfarrern und Seniore zu Walterkehmen, Inſterburgiſchen Hauptamtes, Königsberg: druckts und verlegt I. H. Hartung, 1747. 30 Ruhig Philipp 1745: Betrachtung der Littauischen Sprache, in ihrem Ursprunge, Wesen und Eigenschaften [Research into the Origin, Nature, and Characteristics of the Lithuanian Language]; <...> von Philipp Ruhig, Pfarrern und Seniore zu Walterkehmen, im Hauptamt Insterburg <...>, Königsberg: druckts und verlegts Johann Heinrich Hartung. (Faksimilinìs leidimas: Pilypas Ruigys, Lietuvių kalbos kilmės, būdo ir savybių tyrinėjimas, par. V. Jurgutis, V. Vilnonytė, Vilnius: Vaga, 1986, 19–164.) Ruigys Pilypas 1986: Lietuvių kalbos kilmės, būdo ir savybių tyrinėjimas [Research into the Origin, Nature, and Characteristics of the Lithuanian Language]. Lituanistinė biblioteka, par. V. Jurgutis, V. Vilnonytė, vertė V. Jurgutis, K. Egliminas, įvadą parašė V. Mažiulis, Vilnius: Vaga. Sidabraitė, Žavinta 2008: Die Rezeption der Kirchenlieder von Simon Dach in litauischen Gesangbüchern der Aufklärung [The Reception of Simon Dach’s Hymns in Lithuanian Hymnals of the Enlightenment]. – Simon Dach (1605–1659). Werk und Nachwirken. Frühe Neuzeit 126, Tübingen: Niemeyer, 397–409. Strungytė–Liugienė Inga 2014: XIX amžiaus pirmosios pusės surinkimininkų giesmynų istorija (genezė ir kalba): daktaro disertacija [The History of the Hymn Books of the First Half of 19th Century ‘Surinkimininkai’ Movement (Genesis and Language): Doctoral Dissertation], Vilniaus universitetas. 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