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O SILENCIAR INQUIETO DO FIM: UMA ANÁLISE FENOMENOLÓGICA-EXISTENCIAL SOBRE A MORTE NA CONTEMPORANEIDADE

Abstract

A morte desperta-nos fascínio e temor ao longo dos tempos, tendo inspirado discussões na filosofia, religião e diversas áreas do saber científico, seja pela busca de propósito à existência — ou ao não-existir —, pela tentativa religiosa de imortalização do humano através da promessa de vida após a morte, ou ainda, pela atual — e ilusória —, procura de sua postergação, ao mercantilizar a experiência de finitude mediante à fabricação de fórmulas mágicas da juventude produzidas pela indústria de cosméticos, ou pela hipermedicalização que a dor, o luto, e o sofrimento entorpece. Na Antiguidade, o ser humano estabelecia uma relação de familiaridade com a morte, conservada ainda no período medieval, aos modos de uma domesticação. Já na modernidade sucedeu-se uma importante ruptura paradigmática, em que, com o apogeu da cientificidade, a morte tornou-se interdita. Deste modo, o presente ensaio objetivou apreender os atravessamentos histórico-culturais da contemporaneidade ocidental acerca da significação do fenômeno da morte sob o prisma fenomenológico-existencial, por intermédio de uma revisão integrativa da literatura nacional, na qual localizou-se inicialmente 152 artigos, com uso combinado dos descritores morte, luto, fenomenologia-existencial e contemporaneidade, nas bases de dados SciELO, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Google Scholar. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, restaram 10 artigos publicados entre os anos de 2003 e 2021. Os resultados da revisão assinalam a uma perpetuação da normativa preestabelecida de contenção ou omissão da morte na pós-modernidade, afastada da cotidianidade, higienizada e encoberta pelo véu da impessoalidade, veiculada nas mídias como espetáculo extraordinário, asséptico e distante, em uma incessante busca de sua neutralização revelada em contornos distintos, que transpassam desde funerais mais breves, cemitérios afastados, negação do luto, até mesmo à extirpação do direito à própria morte e à imposição à discrição emocional — tanto aos moribundos, como aos enlutados —, à proporção que, hodiernamente, não temos tempo para o sofrimento, associado à baixa produtividade. Assim, rondando nosso existir contemporâneo sob atravessamentos próprios, inominável, mas ainda assim, infatigável visitante do existir, a morte e a angústia do morrer precisam ser tematizadas, pois fruto de sua administração impessoal, são as neuroses coletivas e um tabu que nos leva a morrer tentando nos proteger de nossa própria vida.

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O SILENCIAR INQUIETO DO FIM: UMA ANÁLISE FENOMENOLÓGICA-EXISTENCIAL SOBRE A MORTE NA CONTEMPORANEIDADE

Author: Moro, Gabriel
Publisher: Zenodo
DOI: 10.5281/zenodo.17257420
Source: https://zenodo.org/records/17257420/files/889073.pdf
RESUMO (PRÁTICAS PROFISSIONAIS OU ESTUDOS TEÓRICOS) -
FENOMENOLOGIA, PENSAMENTO EXISTENCIAL E FILOSOFIA: ENSAIOS
TEÓRICOS
O SILENCIAR INQUIETO DO FIM: UMA ANÁLISE FENOMENOLÓGICA-
EXISTENCIAL SOBRE A MORTE NA CONTEMPORANEIDADE
Gab iel Pa ic Al es Da Sil a Mo o ([email p o ec ed])
A mo e despe a-nos ascínio e emo ao longo dos empos, endo inspi ado
discussões
na iloso ia, eligião e di e sas á eas do sabe cien í ico, seja pela busca de
p opósi o à
exis ência — ou ao não-exis i —, pela en a i a eligiosa de imo alização do
humano a a és
da p omessa de ida após a mo e, ou ainda, pela a ual — e ilusó ia —,
p ocu a de sua
pos e gação, ao me can iliza a expe iência de ini ude median e à ab icação
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mágicas da ju en ude p oduzidas pela indús ia de cosmé icos, ou pela
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es abelecia uma elação
de amilia idade com a mo e, conse ada ainda no pe íodo medie al, aos
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domes icação. Já na mode nidade sucedeu-se uma impo an e up u a
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com o apogeu da cien i icidade, a mo e o nou-se in e di a. Des e modo, o
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in e médio de uma e isão in eg a i a da li e a u a nacional, na qual localizou-
se inicialmen e
152 a igos, com uso combinado dos desc i o es mo e, lu o, enomenologia-
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con empo aneidade, nas bases de dados SciELO, Biblio eca Vi ual em Saúde
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Schola . Após aplicação dos c i é ios de inclusão e exclusão, es a am 10
a igos publicados
en e os anos de 2003 e 2021. Os esul ados da e isão assinalam a uma
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no ma i a p ees abelecida de con enção ou omissão da mo e na pós-
mode nidade, a as ada da
co idianidade, higienizada e encobe a pelo éu da impessoalidade, eiculada
nas mídias como
espe áculo ex ao diná io, assép ico e dis an e, em uma incessan e busca de
sua neu alização
e elada em con o nos dis in os, que anspassam desde une ais mais b e es,
cemi é ios
a as ados, negação do lu o, a é mesmo à ex i pação do di ei o à p óp ia mo e
e à imposição à
disc ição emocional — an o aos mo ibundos, como aos enlu ados —, à
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hodie namen e, não emos empo pa a o so imen o, associado à baixa
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assim, in a igá el isi an e do exis i , a mo e e a angús ia do mo e p ecisam
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Pala as-cha e: mo e lu o enomenologia-exis encial con empo aneidade.